Prefixação, espacialidade e polissemia sistemática

o caso da unidade linguística entre-

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1981-5794-e20864

Palavras-chave:

Prefixo; Língua Portuguesa; Semântica; Morfologia; Linguística Cognitiva.

Resumo

Este artigo analisa o funcionamento do prefixo entre- no português contemporâneo a partir de uma abordagem morfológica, semântico-cognitiva e discursivo-pragmática, ancorada na Morfologia Construcional. O estudo toma como base dados empíricos extraídos do corpus jornalístico NOW – News on the Web, a partir dos quais se selecionou um conjunto de formações lexicalmente transparentes, permitindo observar com maior clareza a relação entre forma, significado e uso. Parte-se da hipótese de que o prefixo entre- apresenta uma semântica geral unificadora, formulada como o esquema “X entre Y e Z”, motivada por domínios espaciais e esquemas imagéticos de intermediação. A análise demonstra que, a partir dessa base comum, desenvolve-se uma polissemia sistemática, organizada em três acepções principais: (i) espacialidade ou posição intermediária entre dois elementos; (ii) reciprocidade ou ação mútua entre participantes; e (iii) estado de transição, indefinição e parcialidade. Argumenta-se que tais sentidos não se distribuem de forma arbitrária, mas se correlacionam fortemente à configuração morfológica das construções, especialmente ao tipo de base selecionada. Os resultados reforçam o estatuto de entre- como prefixo autônomo no português contemporâneo, distinto de inter-, e evidenciam seu papel central na articulação entre morfologia, semântica e discurso.

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Publicado

06/11/2026

Edição

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Prefixação, espacialidade e polissemia sistemática: o caso da unidade linguística entre-. ALFA: Revista de Linguística, v. 70, n. 1, 6 nov.2026.