Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488 1
DISTINÇÃO, DIGITALIZAÇÃO E LEGITIMAÇÃO: A INCORPORAÇÃO DAS
REDES SOCIAIS NO CAMPO GASTRONÔMICO BRASILEIRO
DISTINCIÓN, DIGITALIZACIÓN Y LEGITIMACIÓN: LA INCORPORACIÓN DE LAS
REDES SOCIALES EN EL CAMPO GASTRONÓMICO BRASILEÑO
DISTINCTION, DIGITALIZATION, AND LEGITIMATION: SOCIAL MEDIA
INCORPORATION IN THE BRAZILIAN GASTRONOMY FIELD
Camila CRUMO1
e-mail: camila.crumo@gmail.com
Como referenciar este artigo:
CRUMO, C. Distinção, digitalização e legitimação: A
incorporação das redes sociais no campo gastronômico
brasileiro. Rev. Cadernos de Campo, Araraquara v. 23, n.
esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488
| Submetido em: 10/01/2023
| Revisões requeridas em: 22/03/2023
| Aprovado em: 18/05/2023
| Publicado em: 23/08/2023
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Profa. Me. Aline Cristina Ferreira
Prof. Me. Mateus Tobias Vieira
Prof. Me. Matheus Garcia de Moura
1
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo SP Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em
Sociologia.
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488 2
RESUMO: Para investigar as relações entre o processo de naturalização das redes sociais e a
dinâmica de distinção social, este artigo mobiliza dados dos perfis digitais de oito restaurantes
paulistanos e de guias gastronômicos nacionais e internacionais no Facebook, Instagram e
TikTok, além de matérias e entrevistas na mídia com chefs e administradores desses
restaurantes. Calcada na teoria bourdieusiana, a análise aponta que as disputas por legitimação
no campo gastronômico são afetadas pela necessidade de atender à pressão dos novos hábitos
digitalizados da clientela, posto que tal jogada pode ser julgada como condenável pelos agentes
consagradores desse campo. Por meio da amostra selecionada, o artigo explora as diversas
estratégias postas em prática pelos agentes do campo para evitar a caracterização do movimento
como "interesseiro" e para estabelecer modalidades legítimas de incorporação das redes sociais
no cotidiano dos restaurantes.
PALAVRAS-CHAVE: Campo gastronômico. Comida digital. Distinção social. Sociologia
digital. Sociologia da alimentação.
RESUMEN: Este artículo utiliza datos de perfiles digitales de ocho restaurantes de São Paulo
y de guías gastronómicas nacionales e internacionales en Facebook, Instagram y TikTok, así
como artículos y entrevistas en medios de comunicación con chefs y administradores de dichos
restaurantes, para investigar las relaciones entre el proceso de naturalización de las redes
sociales y la dinámica de distinción social. Basándose en la teoría de Bourdieu, el análisis
señala que las disputas por la legitimación en el campo gastronómico son afectadas por la
necesidad de responder a la presión de los nuevos hábitos digitalizados de la clientela, ya que
esta acción puede ser juzgada como condenable por los agentes consagrados de este campo. A
través de la muestra seleccionada, el artículo explora las diversas estrategias que los agentes
del campo utilizan para evitar ser caracterizados como "interesados" y para establecer formas
legítimas de incorporar las redes sociales en la vida diaria de los restaurantes.
PALABRAS CLAVE: Campo gastronómico. Comida digital. Distinción social. Sociología
digital. Sociología de la alimentación.
ABSTRACT: To investigate the relationships between the process of social media
naturalization and the dynamics of social distinction, this article mobilizes data from the digital
profiles of eight São Paulo restaurants and national and international gastronomic guides on
Facebook, Instagram, and TikTok. Additionally, the study incorporates media articles and
interviews with chefs and restaurant administrators. Grounded in Bourdieu's theory, the
analysis indicates that struggles for legitimacy within the culinary field are impacted by the
need to accommodate the pressures of new digitized customer habits. Such accommodation can
be perceived as objectionable by the established agents of this field. Through the selected
sample, the article explores the various strategies implemented by field agents to prevent the
characterization of their efforts as "self-interested." Furthermore, it seeks to establish
legitimate modes of incorporating social media into the daily operations of restaurants.
KEYWORDS: Gastronomic field. Digital food. Social distinction. Digital sociology. Sociology
of food.
Camila CRUMO
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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Introdução
A presença marcante dos smartphones nas mesas de restaurantes não deixa dúvidas
sobre o avanço das tecnologias digitais sobre as práticas do comer e, especialmente, do comer
fora do lar. Da parte dos consumidores, a crescente digitalização do cotidiano fez com que
decisões sobre onde comer, o que comer e quantas calorias consumir passassem a ocorrer, em
boa medida, no universo digital, acessado através de luminescentes telas retangulares. O mesmo
vale para atos como recomendar ou reclamar sobre o local e o serviço. entre os produtores,
a expectativa de “viralizar” nas redes sociais seria uma boa estratégia para aumentar o número
de clientes, levando diversos estabelecimentos a planejar sua decoração e cardápio a partir do
potencial sucesso em redes como Facebook, Instagram e, mais recentemente, TikTok. Tal
estratégia encontrou um apelo especial no Brasil, país com o maior contingente de usuários
de rede sociais
2
e onde o acesso à Internet é realizado majoritariamente por meio de
smartphones
3
.
Contudo, apenas ter um espaço físico convidativo à produção de fotos para as redes
sociais ― o que é popularmente chamado “instagramável” ― não parece ser suficiente em um
contexto amplamente digitalizado. Os estabelecimentos são também impelidos a inserir-se
nessas plataformas, apresentando ao público sua faceta digital. Tomando a cidade de São Paulo
como exemplo, atualmente, é comum que restaurantes tenham perfis nas redes sociais, ao
menos nas mais populares, como Facebook e Instagram. Alguns não possuem sequer sites
próprios: se o cliente deseja informações sobre a casa, deve procurar nas redes sociais.
No entanto, nem sempre foi assim. As redes sociais, que atualmente estão presentes no
cotidiano dos restaurantes, foram encaradas como uma espécie de ameaça à reputação das
casas. Decidir criar um perfil para os restaurantes nessas plataformas envolve (e pode colocar
em risco) diversos fatores que, estão relacionados à posição que ocupam na hierarquia da
produção gastronômica isto é, o quanto eles gozam de reconhecimento de guias, críticos e
jornalistas gastronômicos e de outros produtores também inseridos nesse mercado. Assim,
calcado na teoria de Bourdieu sobre os campos de produção cultural e tomando como amostra
oito restaurantes da cidade de São Paulo, bem como dados coletados nas redes sociais dos
2
De acordo com relatório do Statista, o Brasil não só está entre os 5 países com mais usuários de redes sociais do
mundo, como é também o segundo da classificação se desconsiderados os países asiáticos, ficando atrás apenas
dos Estados Unidos. Disponível em: https://www.statista.com/topics/6949/social-media-usage-in-
brazil/#topicHeader__wrapper. Acesso: 26 out. 2022.
3
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/07/smartphone-e-cada-vez-mais-dominante-no-acesso-
a-internet.shtml. Acesso: 26 out. 2022.
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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estabelecimentos, de seus chefs, e de publicações e premiações de gastronomia, este artigo visa
discutir alguns dos fatores que, por muito tempo, geraram hesitação na decisão de digitalizar
restaurantes, convertendo seus reconhecimentos simbólicos offline em estratégias de distinção
digital. Além disso, busca-se salientar algumas mudanças que ocorreram no cenário
gastronômico e que fizeram com que a digitalização deixasse de ser vista com desconfiança
pelos produtores culinários locais.
Notas metodológicas
Fontes e métodos
Este trabalho baseia-se em uma amostra composta por oito restaurantes paulistanos.
Quatro deles foram selecionados por serem reconhecidos pela crítica especializada, tendo
ganhado ao menos uma categoria nas premiações “O melhor de São Paulo 2018”, do jornal
Folha de S. Paulo; “Veja comer e beber 2017/18”, da revista Veja São Paulo; ou Guia
Michelin 2018. a outra metade da amostra é composta por estabelecimentos que possuíam
mais de 90 mil seguidores no Instagram
4
, em 2018. No conjunto dos que são “sucesso de crítica”
estão: Maní; A Casa Do Porco; Arturito; D.O.M. No conjunto dos “mais curtidos” estão: Paris
6; Sal Gastronomia; Président; Bar Da Dona Onça. Cada restaurante foi visitado entre março
de 2019 e março de 2020.
Quadro 1 Restaurantes da amostra
Sucesso de seguidores
Restaurante
Prêmios em 2017/2018
Restaurante
Seguidores no Instagram em
2018
D.O.M
Duas estrelas Michelin desde 2015.
16º melhor restaurante do mundo
pelo The 50th Best Restaurants
2017.
Menção honrosa no guia O melhor
de São Paulo 2018.
Vencedor na categoria “cozinha de
autor” da Veja Comer e Beber
2017/2018.
Paris 6
1,1 milhão
Maní
Uma estrela Michelin desde 2015.
Sal Gastronomia
358 mil
4
De acordo com o relatório Digital 2022 Global Overview Report (Datareportal, 2022), embora o Facebook ainda
seja a maior rede social do mundo, no Brasil ele foi ultrapassado pelo Instagram em número de usuários ativos.
Essa tendência de crescimento já era evidente desde o início desta investigação, em 2019, quando se observou que
a maior parte das atividades dos estabelecimentos selecionados estava concentrada no Instagram, ao passo que o
Facebook, em geral, servia apenas para replicar o conteúdo produzido no formato da outra rede.
Camila CRUMO
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Melhor restaurante de São Paulo,
pelo guia O melhor de São Paulo
2018.
Segundo lugar na categoria
“cozinha de autor”, da Veja Comer
e Beber 2017/2018.
A Casa do
Porco
Segundo melhor restaurante de São
Paulo, pelo guia O melhor de São
Paulo 2018.
Vencedor na categoria “cozinha”,
da Veja Comer e Beber 2017/2018.
melhor restaurante da América
Latina pelo
Latin America’s 50th Best
Restaurants 2019
Bib Gourmand pelo Guia Michelin
2018.
Président
143 mil*
Arturito
Menção honrosa no guia O melhor
de São Paulo 2018.
Vencedor na categoria “variado” da
Veja Comer e Beber 2017.
Bib Gourmand pelo Guia Michelin
2018.
Bar da Dona Onça
95,5 mil
Fonte: Elaboração da autora.
*O número de seguidores do restaurante Président é referente ao mês de janeiro de 2020, pois o
estabelecimento só foi inaugurado em dezembro de 2019.
A observação como cliente oculto “uma forma de observação participante na qual
pesquisadores atuam como clientes (reais ou potenciais) para monitorar processos e
procedimentos utilizados na execução de um serviço” (WILSON, 2006, p. 148, tradução nossa)
foi empregada para observar a forma como o serviço era prestado, a decoração e organização
do salão, o cardápio e os pratos. Em suma, tudo aquilo que compõe a atmosfera” de um
restaurante, indicando aos clientes seu “discurso” e o que esperar daquela experiência
(WARDE, 2016).
Os perfis dos restaurantes e seus chefs/administradores, bem como outros agentes do
campo gastronômico nacional e internacional (Veja Comer & Beber; Guia Folha; Paladar
Estadão; Revista Menu; Revista Gula; The 50th Best e Guia Michelin) nas redes sociais
Facebook, Instagram e TikTok, foram utilizados como fontes de onde foram coletados dados
sobre a criação dos perfis investigados. Além disso, foram mobilizadas entrevistas concedidas
a revistas, jornais, youtubers, etc., o que permitiu identificar o tipo de disposição dos chefs e
administradores dos restaurantes em relação ao uso das redes sociais, bem como suas
respectivas relações com a crítica especializada e outros agentes de consagração da produção
gastronômica.
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
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Breve descrição da amostra
Em termos de hierarquia gastronômica, o restaurante D.O.M, comandado pelo chef Alex
Atala, ocupa o topo dentre os restaurantes da amostra. Ele possui 2 estrelas Michelin desde
2015, ano em que o guia começou a considerar restaurantes brasileiros. Além disso, o
restaurante também é reconhecido pela premiação The World 50th Best desde 2006 e pela La
Liste desde 2018. No meio nacional, ele ocupa de forma recorrente os primeiros lugares das
categorias relacionadas à cozinha autoral. O jantar no D.O.M é um evento bastante formal. O
cliente sequer escolhe o que comerá, apenas decide entre duas opções de tamanho do menu
degustação (em números de etapas), se será vegetariano ou não, e se será acompanhado por
uma “harmonização” de vinhos ou “águas especiais”
5
. Cada prato é servido com muita
cerimônia, acompanhado de uma explicação sobre seu conteúdo, produção e, em alguns casos,
sobre como deve ser consumido. Além disso, Atala é parte da primeira geração de chefs
brasileiros que conquistou a atenção da gastronomia mundial por combinar ingredientes
nacionais “exóticos” e cnicas francesas e japonesas. No início dos anos 2000, o chef foi um
dos apresentadores do programa gastronômico Mesa Para Dois, transmitido pelo canal GNT.
Ele se tornou bastante conhecido pelo público leigo após fazer aparições em programas da TV
aberta, como o programa Caldeirão do Huck.
Assim como o D.O.M, o Maní também foi reconhecido pelo Guia Michelin desde seu
ano de estreia no país, tendo recebido e mantido uma estrela desde então. O restaurante está
entre os 100 melhores do mundo no guia The 50th Best desde 2011 e na La Liste desde 2018.
Nacionalmente, tal como o D.O.M, segue ocupando as primeiras colocações entre os
restaurantes com propostas autorais. Além de servir menu degustação, o Maní também atende
no formato à la carte, em que os pratos podem ser escolhidos e experimentados
individualmente. Sua chef, Helena Rizzo, foi eleita a melhor chef da América Latina em 2013
e a melhor chef do mundo em 2014 também pelo prêmio The 50th Best. Além disso, ela marcou
presença no canal GNT, sendo jurada do programa The Taste Brasil entre 2017 e 2018, bem
como do reality internacional The Final Table, produzido e transmitido pela Netflix.
Recentemente, em 2020, se tornou jurada do famoso programa MasterChef Brasil, substituindo
a chef Paola Carosella.
A Casa do Porco é um restaurante comandado pelos chefs e sócios Jefferson Rueda e
Janaina Torres Rueda. Além de servir “o menu degustação mais barato da cidade” (informam
5
Bebidas de inspiração indígena fermentadas com frutas amazônicas, como bacuri, cupuaçu, abacaxi, uvaia,
graviola e puxurí.
Camila CRUMO
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os chefs orgulhosamente
6
), o restaurante também oferece serviço à la carte e opções de lanches
rápidos, que podem ser comprados da rua, através de uma janela que para o interior do
restaurante. Esse local, inaugurado em 2015, tem uma decoração bem descontraída e repleta de
informações. A descontração se estende, ainda, para o atendimento, o uniforme dos
funcionários e até para a acomodação dos clientes, que podem ser alocados em mesas
compartilhadas. Desde 2019, o restaurante entrou para a lista The 50th Best. Mais recentemente,
em 2022, o prêmio o considerou o melhor restaurante do Brasil e o melhor da América Latina.
a La Liste (que, em 2019, o premiou com o Authenticity Award, que reconhece a cozinha
mais criativa do mundo), o considerou o melhor da América Latina. A Casa do Porco também
tem o selo Bib Gourmand, conferido pelo Guia Michelin. Em 2018, ela foi considerada o
segundo melhor restaurante de São Paulo pelo guia O Melhor de São Paulo e foi vencedora da
categoria “cozinha”, da Veja Comer e Beber. Além disso, Rueda obteve uma estrela Michelin
trabalhando em outro restaurante, antes de abrir seu próprio negócio. Apesar de ter feito
aparições esporádicas em programas da TV aberta anteriormente, somente em 2021 Rueda e
sua sócia passaram a estrelar um reality no canal privado Comida & Arte.
O Arturito, restaurante da chef Paola Carosella, está na seleção Bib Gourmand do guia
Michelin. Em 2018, ele recebeu menção honrosa no guia O melhor de São Paulo e foi vencedor
na categoria “variado” da Veja Comer e Beber. Oferecendo somente serviço à la carte, esse
restaurante serve pratos de inspiração italiana que, geralmente, envolvem preparos no forno a
lenha. Sua atmosfera é sóbria e a entrega dos pratos pode vir acompanhada de alguma breve
explicação sobre os ingredientes ou sobre o preparo. O mote do restaurante é a preservação das
“tradições” culinárias, baseada na nostalgia por uma época em que a comida teria o “sabor
verdadeiro” dos ingredientes algo que, atualmente, estaria ameaçado pela modernidade, pela
industrialização, a produção em massa etc. Carosella, apesar de reconhecida no universo
gastronômico e ter recebido premiações de cunho pessoal, como o prêmio de melhor chef pelo
guia O melhor de São Paulo de 2014, tornou-se uma celebridade bastante influente para o
público leigo após ter sido jurada do programa MasterChef Brasil, de 2014 a 2019.
O Bar da Dona Onça, por sua vez, propõe homenagear a boemia paulistana. Localizado
próximo à A Casa do Porco e aos pés do Copan marco arquitetônico do centro da capital
paulista ―, o restaurante também é comandado por Janaina Torres Rueda e Jefferson Rueda e
atrai clientes que não se importam em ficar horas esperando por uma mesa aos finais de semana,
6
Disponível em: https://oglobo.globo.com/rioshow/rio-gastronomia/noticia/2021/12/somos-menu-degustacao-
mais-barato-do-mundo-diz-janaina-rueda-1-25324177.ghtml. Acesso: 10 nov. 2022.
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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além de muitos seguidores nas redes sociais. Em 2018, eram cerca de 95,5 mil seguidores no
Instagram, número que dobrou em apenas 4 anos. O restaurante chegou a ganhar alguns
prêmios, como melhor bar em 2008 e 2009, e como local que oferece a melhor comida de bar
em 2011 e 2012, ambos pela Veja Comer e Beber. Apesar de o restaurante não ter recebido
nenhum reconhecimento internacional, Torres Rueda, sua chef, recebeu o prêmio de ícone da
América Latina em 2020, pelo The 50th Best.
O Sal Gastronomia é o restaurante de Henrique Fogaça. Jurado do MasterChef Brasil
desde a estreia do programa, Fogaça chegou a entusiasmar jornalistas e críticos gastronômicos
no início de sua carreira, mas depois de ser premiado como chef revelação em 2008 e 2009,
pelas revistas Veja Comer e Beber e Prazeres da Mesa, respectivamente, estagnou, e seu nome
sumiu das revistas especializadas até sua estreia no reality culinário. Em 2018, o Sal tinha 358
mil seguidores no Instagram e, em 2022, chegou a 746 mil. O restaurante, de serviço à la carte,
se propõe a fazer comida brasileira contemporânea. Apesar de apresentar certo alinhamento
estético com pratos de restaurantes de alta gastronomia, Fogaça costuma dizer que não serve
“comidinha” numa clara referência às pequenas porções geralmente servidas nesses
restaurantes.
O Président é o restaurante de Érick Jacquin. O chef francês é figura conhecida no
universo gastronômico brasileiro, tendo seus restaurantes acumulado diversas condecorações,
especialmente o La Brasserie, que acabou falindo em 2013 após uma série de problemas de
gestão. Após o período de crise, Jacquin se tornou celebridade nacional ao virar jurado do
MasterChef Brasil e ao protagonizar diversos outros reality shows culinários. O Président,
especificamente, foi um restaurante que estreou nas redes sociais antes de sequer existir
fisicamente. Jacquin anunciou a criação do negócio primeiramente em seu perfil pessoal para,
em seguida, ir atualizando o perfil do futuro restaurante com as imagens do andamento das
obras, o processo seletivo dos funcionários e assim em diante. O Président é um restaurante de
comida francesa relativamente caro. Seu cliente pode escolher entre o serviço à la carte ou
menu degustação. Sua decoração é cheia de tons vermelhos e referências à França e à própria
figura do chef. Apesar de ser relativamente novo (inaugurado em dezembro de 2019), o local
foi premiado como melhor restaurante francês pela Veja Comer e Beber por dois anos
consecutivos, em 2021 e 2022.
Finalmente, o Paris 6 é o restaurante da amostra com mais seguidores nas redes sociais.
Eram cerca de 1,1 milhão em 2018 e 1,5 milhão em 2022. Quem comanda a cadeia de
restaurantes em São Paulo é o empresário Isaac Azar, figura fácil nas revistas e eventos sobre
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negócios. Inicialmente, em 2006, o Paris 6 chamou atenção dos críticos positivamente. Nessa
época, chefs franceses trabalhavam em sua cozinha e assinavam seu cardápio. Apesar disso, o
negócio acumulava dívidas. Foi então que Azar passou a batizar os pratos com o nome de
celebridades, que se tornavam convidados de honra da casa (isto é, comiam de graça). Os chefs
franceses foram dispensados e os pratos servidos passaram a ser muito mais gordurosos e
“apelativos”, repletos de queijo ou, no caso das sobremesas, de chocolate transbordando os
containers. Aliadas a essa estratégia, estavam as redes sociais, onde eram publicadas fotos do
salão cheio de pessoas famosas e sorteados jantares e descontos. Contudo, ao passo que o
restaurante crescia em fama entre o público e em seguidores das redes sociais, decaía
drasticamente seu prestígio entre os críticos e jornalistas especializados, ao ponto de,
atualmente, ele ser completamente ignorado por esses agentes consagradores.
Campo gastronômico: um campo híbrido
O campo gastronômico é um campo de produção cultural de caráter híbrido. Na teoria
dos campos proposta por Bourdieu, o campo cultural que compõe a realidade social
juntamente com os campos político e econômico ― se estrutura pela oposição entre a produção
“cínica” e a “desinteressada” (BOURDIEU, 2002, p. 26). Em um polo, a produção é guiada por
comprometimentos mercantis e, com isso, “contaminada” por uma lógica extrínseca à do
campo. No outro polo, está a produção considerada legítima, anti-comercial, que acumula
capital simbólico na forma de prestígio ou autoridade (BOURDIEU, 2002, p. 20). Ao negar a
utilidade de suas produções e o interesse de acumular lucros financeiros, a lógica do campo
cultural espelharia a lógica do mundo econômico de forma invertida, estabelecendo uma
“correlação negativa entre o sucesso temporal (notavelmente financeiro) e o valor artístico
propriamente dito, [sendo] o inverso das leis das trocas econômicas” (BOURDIEU, 1993, p.
164, tradução da autora). Assim, o jogo da produção cultural é um jogo no qual “quem perde
ganha”, e nessa disputa às avessas a conquista de “símbolos do sucesso mundano, sucesso no
mundo e sucesso neste mundo” pode comprometer a salvação no “outro mundo” (BOURDIEU,
2000, p. 37).
Já a hierarquia interna do campo de produção cultural tem como um de seus principais
eixos a oposição entre o polo autônomo dominante e baseado nos interesses específicos do
campo e o polo heterodoxo dominado e orientado por fatores externos (JOHNSON, 1993,
p. 16). Nas obras de Bourdieu, essa oposição também é expressa por meio das antinomias entre
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
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produção erudita e campo da indústria cultural
7
, produção restrita e produção vulgar, cultura de
elite e cultura de massas etc. (BOURDIEU, 1993; 2002; 2007). São diversos os subcampos do
campo cultural analisados pelo autor: literário, pintura, moda, jornalismo, científico e assim por
diante. No entanto, a esquematização do campo gastronômico enquanto subcampo cultural foi
proposta por Priscilla Ferguson (1998).
Orientada pela teoria bourdieusiana, a autora identifica os fatores que deram condições
para a fundação desse subcampo específico, dando ênfase para o processo de sua autonomia.
Posto que a autonomia (relativa) é uma condição necessária para a existência de um campo, é
por meio dessa diferenciação com relação às dinâmicas de outros campos que se conformam os
objetos e os capitais específicos disputados pelos agentes “competentes” isto é, dotados de
um habitus que os permite reconhecer as leis que estruturam o jogo em que se inserem. Segundo
Ferguson (1998), após a Revolução francesa, a força relativa do campo gastronômico foi
estabelecida por fatores como: 1) a formação de um público consumidor mais ampliado, não
mais restrito às cortes aristocráticas; 2) o acirramento da competição entre chefs que passaram
a contar com maior autonomia criativa para inovar técnicas e receitas; 3) a consolidação dos
restaurantes modernos como locais por excelência da produção e do consumo gastronômico; e,
sobretudo, 4) a intersecção com outros campos culturais que permitiram o estabelecimento de
um corpus de produções escritas, fossem elas literárias, técnicas ou acadêmicas, sistematizando
e disseminando as normas da atividade.
Apesar de concordar com a proposição de que a intersecção com campos mais
estabelecidos (como o literário), foi importante para que o campo gastronômico adquirisse mais
prestígio enquanto ainda dispunha de pouca autonomia. Fantasia (2010, p. 29) argumenta que
a autonomia relativa desse campo não se fundou na relação de solidariedade com outros campos
culturais, mas na capacidade de estabelecer suas próprias regras e padrões de avaliação. O autor
aponta a construção social do chef como fator central dessa dinâmica, pois foi por meio dessa
figura que passaram a operar as oposições entre a produção artesanal e industrial, amadora e
caseira e artística e profissional. com a difusão dos guias, dos jornais, das revistas, dos
jornalistas, dos críticos, das premiações e dos concursos gastronômicos, o campo logrou
estabelecer um sistema de reconhecimento interno, que seguia regras próprias de produção,
classificação e hierarquização.
7
Aqui cabe reforçar que ao longo deste trabalho o termo indústria cultural se refere à concepção de Bourdieu
(2007, p. 105), isto é, um campo organizado para produzir “bens culturais destinados a não-produtores de bens
culturais (o ‘grande público’) que podem ser recrutados tanto nas frações não-intelectuais das classes dominantes
(‘o público cultivado’) como nas demais classes sociais”.
Camila CRUMO
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Tendo estabelecido sua autonomia relativa, o campo gastronômico francês exerceu
grande influência na emergência e caracterização de restaurantes de alta gastronomia e em seus
chefs em outros países ao redor do mundo (LANE, 2014, p. 11; POULAIN, 2011; PREVIATTI,
2019). O elevado grau de autonomia delineado por Fantasia (2010), porém, começa a erodir no
século XX, quando a lógica econômica da cozinha industrial representada principalmente
pela imagem da cadeia de fast food McDolnald’s (FISCHLER, 2015) começa a pervadir as
produções de alta gastronomia. Ao mesmo tempo, os chefs vão se tornando celebridades, sendo
reconhecidos para além das instâncias de legitimação próprias do campo gastronômico, como
em veículos da mídia de massas (FERGUSON, 2005). A indústria cultural passa, assim, a
imiscuir-se cada vez mais nos circuitos consagradores da produção gastronômica.
Como consequência, os chefs passam a dispor da possibilidade de capitalizar seu status
por meio de restaurantes mais voltados à lógica economicista do mercado e da divulgação de
produtos (não necessariamente relacionados à culinária) que levam sua assinatura (ABBOTS,
2015). É inegável também que a natureza comercial dos restaurantes, que garantiu a base
material da autonomia dos chefs e da gastronomia em si, libertando-os do controle da corte,
impõe a lei do lucro econômico sobre essa produção cultural. Afinal, na medida em que os chefs
e seus restaurantes dependem menos de mecenas e mais da existência de um amplo público
pagante, eles têm de se adequar a “intensa competição por clientes, dinheiro e imperativos
financeiros” (GUALTIERI, 2018, p. 7, tradução nossa). Dessa forma, o campo gastronômico
adquire o caráter de campo cultural híbrido, no qual a lógica econômica invertida não
predomina de forma tão determinante sobre a lógica econômica tradicional (GUALTIERI,
2018, p. 7). Consequentemente, as fronteiras do legítimo e do vulgar não são sempre evidentes.
Isso faz com que os produtores interessados em ocupar o topo da hierarquia tenham de lançar
mão de artifícios para conciliar lógicas contraditórias e, assim, obter reconhecimento.
Nessa esteira, as redes sociais aparecem como mais um dos fatores que devem ser
equilibrados pelos produtores gastronômicos. De um lado, a incorporação dessas plataformas
no cotidiano dos clientes compele sua adoção pelos restaurantes. De outro, seu potencial de
divulgação pode fazer com que elas sejam encaradas como ferramentas de massificação, ligadas
a um manifesto de interesse econômico, o que constrange sua mobilização por produtores que
buscam acumular reconhecimento interno. Conforme será demonstrado a seguir, é justamente
da calibragem dessas estratégias que deriva o caráter heterogêneo do processo de digitalização
dos restaurantes.
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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Reconhecimento no campo gastronômico brasileiro
Se no campo gastronômico francês a interlocução com a indústria cultural ocorreu
apenas depois do estabelecimento de sua independência (sempre relativa) em relação a outros
campos (FANTASIA, 2010), no Brasil tal relação está posta desde o início. As bases
fundacionais do campo gastronômico brasileiro foram lançadas mais ou menos na mesma época
em que os cozinheiros vedetes despontavam na França e os chefs-celebridade começavam a
ocupar espaço na programação da TV americana. É em meados da década de 1970, que redes
de hoteleiras internacionais, atraídas pelo impulsionamento do turismo, instalam-se no país,
mais especificamente no Rio de Janeiro, contratando chefs estrelados para comandar a cozinha
de seus restaurantes (BUENO, 2014, p. 11).
Aqui, a pouca ou inexistente penetração dos guias e publicações especializadas em
gastronomia fazia com que a legitimação da autoridade dos chefs passasse, principalmente,
pelos circuitos de consagração da indústria cultural (PREVIATTI, 2019). A “popularização” e
legitimação desses produtores inicia-se por meio de matérias em revistas de ampla circulação
no país, destinadas a públicos variados. As TVs só entram na equação um pouco mais tarde, já
que até a década de 1960, esses aparelhos eram incipientes no Brasil, e a sua subsequente
popularização foi restrita aos lares mais abastados, pois seu preço as tornava itens de luxo
(RIDENTI, 2014). Foi por meio das revistas de temas variados e ampla circulação que,
especialmente a partir dos anos 1980, o “direito de entrada” dos chefs no campo gastronômico
e a definição dos critérios de legitimidade passaram a ser difundidos no Brasil (PREVIATTI,
2019, p. 361).
A partir da década de 1990, além das revistas nacionais, programas de televisão e
editoras, também começaram a dar visibilidade para os cozinheiros profissionais que atuavam
no país, e para a gastronomia como um todo (BUENO, 2013, p. 99). Nos anos 2000, ganham
destaque na mídia os primeiros chefs nativos que, tendo estagiado em restaurantes de prestígio
nos Estados Unidos e na Europa, voltaram para o Brasil e abriram seus próprios espaços,
tornando-se referências para as gerações seguintes (BUENO, 2013, p. 101-102). Fases
importantes de consolidação do campo gastronômico brasileiro coincidem com a expansão
mundial dos programas de TV, relacionados ao universo da alta cozinha. Sem destoar dessa
tendência global, os canais televisivos brasileiros, sejam eles abertos ou pagos, passaram a
empregar chefs renomados como apresentadores, tornando-os, assim, chefs-celebridades
(BUENO, 2013, p. 103).
Camila CRUMO
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Aqui, cabe ressaltar que a elevada permeabilidade entre a “alta cultura” e a “cultura de
massas” no Brasil não é exclusividade da produção gastronômica. O fenômeno está presente na
organização da produção e do mercado de diversos outros produtos culturais, tais como a
música, o teatro, o cinema e a literatura. Ridenti (2014) argumenta que isso se deve à formação
tardia de uma “cultura erudita” própria, que praticamente coincidiu com a consolidação da
indústria cultural no país, durante o período de industrialização. Assim, os polos autônomos de
produção, com regras de legitimação definidas pelos próprios pares e fronteiras nítidas entre as
artes consideradas legítimas e “vulgares”, foram “contaminados”
8
pela racionalidade da
produção massiva antes mesmo de se consolidarem.
Em vista disso, Ridenti (2014, p. 32) argumenta que “a cultura artística e a de mercado
não se contrapuseram” no Brasil. O artista podia ser popular para o público leigo, e até mesmo
produzir bens simbólicos, “alienantes” ou “vulgares”, sem que isso afetasse o clamor dos
críticos especializados e a produção de bens por eles considerados legítimos. Isso não significa,
porém, que os padrões de oposição entre aquilo que é julgado “erudito” ou “popular” fossem
totalmente abandonados. O mesmo é válido para os chefs e suas produções no interior do campo
gastronômico: determinados tipos de exposição midiática que agregam pouco prestígio ou
que não são dignos para chefs, enquanto outros são aceitáveis (às vezes, até desejáveis).
Conforme afirma Previatti (2019, p. 361-2), a indústria cultural é uma das responsáveis
por estabelecer uma fronteira decisiva para a importante demarcação simbólica que distingue o
cozinheiro amador do cozinheiro profissional. De acordo com a autora, é possível situar a
posição dos chefs na hierarquia do campo com base no tipo de produto midiático dos quais eles
são parte ou assinam. Seja no âmbito televisivo ou editorial, tais produtos costumam ser
segmentados entre as categorias “culinário” e “gastronômico” (PREVIATTI, 2019, p. 363). A
primeira tende a referir cozinheiros de menor prestígio, programas que ensinam preparos
práticos e livros de receitas não biográficos.a segunda, reservada para os chefs-celebridade
que ocupam as mais altas posições, é geralmente relacionada a produtos midiáticos sobre estilo
8
A noção de “contaminação” aqui não é um julgamento de valor, mas sim relacionada à já mencionada concepção
do mundo social como um espaço composto por campos relativamente autônomos nos quais interesses específicos
estão em jogo. Ou seja, ainda que o “des-envolvimento” dos sentidos articulados em cada um desses recortes seja
analiticamente perceptível, suas dinâmicas são permeáveis e atravessadas o tempo todo pelos agentes sociais. Para
dar um exemplo fora do âmbito gastronômico, ainda que a secularização da arte seja um processo analiticamente
perceptível no plano macrossocial, não é incomum que agentes religiosos ainda usem categorias como “blasfêmia”,
“pecado” e afins para contestar representações artísticas de figuras por eles consideradas sagradas (SANTOS;
CRUMO, 2019).
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de vida (viagens para descoberta de novos ingredientes, por exemplo), aos bastidores da cozinha
desses personagens e produtos literários que combinam receita e biografia (PREVIATTI, 2019).
A relação precoce entre a produção brasileira da alta gastronomia e a indústria cultural
foi, portanto, um fator de relevância na conformação das especificidades do campo nacional. A
naturalidade com que chefs de grande renome circulam entre as cozinhas de seus restaurantes
e os estúdios de televisão são consequências dessa dinâmica de formação, e esse é um
componente que pesa, atualmente, na balança de legitimação do uso que os chefs fazem das
redes sociais.
O programa MasterChef Brasil, que estreou no canal aberto Rede Bandeirantes, em
2014, é um exemplo importante da continuidade que se estabeleceu entre a midiatização dos
chefs por meio da televisão e por meio das redes sociais. Já na temporada inicial, o episódio de
estreia alcançou a categoria de Trending Topic
9
no Twitter, ao passo que, no que se refere à
audiência televisiva, ocupou apenas o quarto lugar
10
. Desde então, o show passou a criar formas
de associar sua transmissão ao uso das redes sociais, criando hashtags com o nome do programa
ou com os assuntos mencionados em cada episódio e divulgando-os durante a transmissão,
padronizando o nome de usuário de seus participantes no Twitter e no Instagram, e criando
conteúdos extras disponibilizados exclusivamente nas redes sociais após o programa na TV.
Nessa esteira, os chefs de cozinha que faziam papel de jurados foram também impulsionados
no mundo online, conquistando rapidamente números expressivos de seguidores. Dessa forma,
eles foram transformados não apenas em meros chefs-celebridades, mas em chefs-celebridades-
influenciadores-digitais.
Dessa forma, as redes sociais passaram a funcionar como mais um canal midiático em
que o produtor gastronômico podia buscar legitimidade e autoridade. Atualmente, algumas
plataformas absorveram em seu interior boa parte dos agentes do campo gastronômico,
incluindo chefs, restaurantes, críticos consagrados
11
, revistas e jornais de gastronomia e as
9
Expressão que pode ser traduzida como “tópicos em tendência”, trending topics é uma função da rede social
Twitter que gera uma lista dinâmica dos temas mais abordados na plataforma naquele momento. Inicialmente,
apenas hashtags eram contadas para criar o ranqueamento, mas, atualmente, basta que uma palavra ou expressão
seja muito repetida para ser considerada “trend”. A lista exibida do lado direito da página inicial da rede pode ser
ajustada para mostrar os assuntos que são tendências globais ou em países, estados e até cidades específicas.
10
Disponível em: https://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/09/03/masterchef-conquista-internautas-e-
faz-sucesso-no-twitter.htm. Acesso em: 17 maio 2022.
11
Identifico como críticos consagrados aqueles que trabalham ou já trabalharam para algum tipo de imprensa que
produza conteúdos especializados em gastronomia. Quer dizer, a autoridade do julgamento desses agentes foi
conferida e reconhecida por seus pares no campo do jornalismo e da própria gastronomia. Essa distinção é
importante, pois, modernamente, as redes sociais são palco de uma diversidade de críticos gastronômicos
autoproclamados, que contam com o reconhecimento de um público amplo de seguidores, mas não das instâncias
consagradoras. Desde os primórdios da Web 2.0, que confere a qualquer indivíduo com acesso à internet a
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principais premiações do mundo. O processo de vinculação dos restaurantes a essas mídias
digitais, porém, não ocorreu de forma tão fluida quanto a passagem dos chefs-celebridade da
tela das TVs para a dos celulares.
Estratégias de digitalização como estratégias de distinção
Todos os restaurantes da amostra possuem certo grau de intimidade com a indústria
cultural, seja pela exposição midiática de seus chefs ou pela incorporação do “capital de
celebridade” (DRIESSENS, 2013) de seus clientes, como no caso do Paris 6. Sendo assim,
vincular-se às mídias de grande alcance não seria uma novidade para nenhum deles. É
interessante notar, contudo, já de partida, e levando em conta apenas o aspecto quantitativo, que
eles sustentam diferentes níveis de relação com as redes sociais. Alguns decidiram associar-se
à maioria das plataformas mais utilizadas no país, outros preferiram selecionar duas, uma ou,
ainda, manter-se fora desse universo.
Enquanto A Casa do Porco, o Bar da Dona Onça, o Maní, o Président e o Sal
Gastronomia possuem perfis no Facebook e no Instagram, o Paris 6 acrescenta à sua lista o
Twitter, o Youtube e o TikTok, a mais recente rede social da moda. Já o Arturito possui apenas
perfil no Instagram, criado em meio à pandemia do coronavírus para servir como um canal de
comunicação entre o restaurante e os clientes, enquanto os atendimentos presenciais estavam
suspensos. Por fim, o D.O.M, não está em nenhuma delas.
A presença em diversas redes sociais é um bom indicador inicial de quão confortável o
chef ou o dono de um restaurante está em vincular a imagem de seu estabelecimento a essas
mídias. A adição de uma perspectiva temporal, contudo, traz maior complexidade a esse quadro.
Dados referentes aos intervalos entre as datas de inauguração das casas, de lançamento das
redes sociais, e da criação dos perfis, evidenciam a existência de uma relação de estranhamento
antes do início da “naturalização” do uso dessas plataformas por restaurantes com volumes altos
de capital simbólico.
O quadro abaixo informa o ano em que os estabelecimentos aqui estudados foram
abertos, e os anos em que eles se tornaram parte das redes sociais Facebook, Instagram e
possibilidade de publicar digitalmente suas ideias, desenvolveu-se uma disputa entre os críticos amadores e os
críticos profissionais. De um lado, há o argumento de que os críticos amadores ajudam a desconstruir o esnobismo
que torna o universo dos restaurantes tão limitado a certas categorias de consumidores; de outro, alega-se que,
diferentemente dos críticos profissionais, os amadores não estão sob os auspícios de uma “instância reguladora”
que os leve a seguir certos códigos de ética, o que dita a transparência e integridade de seus juízos. Para uma
análise mais aprofundada do assunto consultar Rousseau (2012); Kobez (2018); Mellet et al. (2014); e Vásquez e
Chik (2015).
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
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TikTok. Para melhor compreensão dos dados, é preciso ter em mente alguns fatos. O Facebook
foi lançado em 2004 como uma rede social universitária, estando, portanto, limitado ao uso dos
alunos da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Com o tempo, a possibilidade de uso da
plataforma foi sendo estendida a outras universidades americanas e canadenses até que, em
2006, ela passou a poder ser utilizada por qualquer pessoa que se cadastrasse. Essa rede social
começa a conquistar muitos usuários no Brasil a partir de 2011, e se torna a mais usada no país
em 2012
12
. o Instagram surge no final de 2010 em aplicações móveis (os aplicativos de
celular) que funcionavam em Iphones. Em 2012, o aplicativo Instagram passou a poder ser
utilizado também em smartphones com sistema Android bem mais populares entre os
brasileiros do que os aparelhos da Apple, que operam com sistema IOS (Iphone Operating
System). Já o TikTok é a mais recente rede social de sucesso. Lançada mundialmente em 2018,
ela se popularizou muito no início de 2020
13
e vem alcançando um número crescente de
usuários no Brasil.
Quadro 2 Data de inauguração e de ingresso nas redes sociais
Restaurante
Ano de abertura da
casa
Ano de ingresso no
Facebook
(aberto para
qualquer usuário
em 2006)
Data de ingresso
no Instagram
(lançado em
2010)
TikTok
D.O.M
1999
-
-
-
Sal Gastronomia
2005
2009
2014
-
Maní
2006
2012
2013
-
Paris 6
2006
2009
2011
2019
(2021)
Bar da Dona Onça
2008
2011
2013
-
Arturito
2008
-
2020
-
A Casa do Porco
2015
2015
2014
-
Président
2019
2019
2019
-
Fonte: Elaboração própria com dados coletados nos perfis digitais dos restaurantes
É possível notar que a maior parte dos restaurantes só criou perfis no Facebook quando
essa rede estava em vias de se consolidar como a mais usada no país. Excluindo-se os
12
Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/01/facebook-passa-orkut-e-vira-maior-rede-
social-do-brasil-diz-pesquisa.html. Acesso 19 maio 2022.
13
No primeiro quadrimestre de 2020 a plataforma alcançou 2 bilhões de downloads nas lojas de aplicativos
móveis. Em julho do ano seguinte esse número chegou a 3 bilhões, marca que apenas redes sociais do grupo
Facebook haviam conseguido até então. Disponível em: https://sensortower.com/blog/tiktok-downloads-2-billion;
https://sensortower.com/blog/tiktok-downloads-3-billion. Acesso em 22 maio 2022.
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estabelecimentos inaugurados a partir de 2015 (quando os smartphones e as redes sociais como
um todo estavam bem incorporadas ao cotidiano de boa parte dos brasileiros residentes em
grandes centros urbanos), percebe-se que apenas o Paris 6 e o Sal Gastronomia criaram perfis
na plataforma antes de ela começar a se cristalizar como popular espaço de sociabilidade online.
Esses estabelecimentos têm em comum o fato de seus donos serem “alóctones” do campo
gastronômico, tendo iniciado suas carreiras no ramo da restauração sem uma espécie de
“apadrinhamento” que garante a transmissão, não de algum capital simbólico, mas também
do conhecimento sobre o nomos do campo (bem como seus limites)
14
. Azar era um empresário
no ramo dos automóveis que decidiu mudar de área, mas sem sair da administração para entrar
nas cozinhas. Fogaça trabalhava no Banco Real, em São Paulo, quando aprendeu a
cozinhar
15
, decidindo, depois de pegar gosto pela prática, cursar gastronomia na FMU (Centro
Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas). Após estagiar por curtos períodos em
restaurantes como o D.O.M onde ficou por apenas um mês e o Julia Cocina (antigo
estabelecimento de Carosella), e de trabalhar por cerca de apenas um ano no Namesa (também
de Atala), ele abre o Sal.
No que diz respeito ao Instagram, o Paris 6 é o único a criar um perfil logo no primeiro
ano de estreia da plataforma. Os demais restaurantes abertos antes de 2015, com exceção do
D.O.M e do Arturito, aparecem a partir de 2013, quando ela está mundialmente
popularizado
16
. O que não se pode perder de vista, aqui, é o fato de que o hiato entre a abertura
das casas e seu cadastramento nas redes sociais Facebook e Instagram desaparece no caso dos
estabelecimentos inaugurados após 2015. Aliás, se forem considerados os meses de início de
operação e de aparição das redes sociais, mais do que desaparecer, esse intervalo se torna
negativo. A Casa do Porco abre em outubro de 2015, mas a criação de seu perfil do Facebook
foi registrada em julho de 2015, e no Instagram, ainda antes, em dezembro de 2014
17
. O
14
Entre os demais chefs da amostra, Janaina Torres Rueda também não passou por longos estágios no exterior em
restaurantes de chefs “reputadíssimos”, o que costuma ser uma das etapas da formação da maior parte da primeira
geração de chefs brasileiros muito prestigiados (BUENO, 2016, p. 457). Seu processo de “transformação” em chef
de cozinha, contudo, foi tutelado por seu então marido, Jefferson Rueda, já muito reconhecido no campo nacional
e internacional.
15
Segundo sua biografia, Um Chef Hardcore, Henrique Fogaça “não sabia fritar nem ovo”, mas, cansado de
depender da comida congelada enviada do interior por sua mãe, pediu que a avó lhe ensinasse a preparar bife
empanado. Desde então ele teria começado a frequentar mais a cozinha, expandindo seu repertório culinário
(Fogaça, 2016).
16
De acordo com o relatório GWI Social, elaborado pela GlobalWebIndex (2014), no último quarto de 2013, o
Instagram apresentou crescimento mundial maior do que a soma do crescimento das redes Twitter, Facebook e
Pinterest.
17
Informações coletadas nas respectivas páginas do Facebook e Instagram, no dia 22/05/2022
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
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Président, por sua vez, começou as operações em dezembro de 2019, mas os perfis em ambas
as redes sociais haviam sido criados já em março do mesmo ano
1819
.
A diferença entre o tempo que os restaurantes mais antigos e os mais recentes levaram
para entrar nas redes está relacionada à amenização da ameaça que elas inicialmente
representavam. De acordo com Baym (2011, p. 1), quando novas tecnologias são inseridas na
vida social, elas podem ser encaradas tanto com entusiasmo, quanto com desconfiança. O temor
deriva da incerteza sobre quais serão os efeitos daquela adição, que, inevitavelmente, altera a
maneira pela qual o mundo é encarado e a forma como certas relações são estabelecidas,
levando a uma reorganização social e cultural (BAYM, 2011, p. 2). Essas reações não se
restringem às tecnologias digitais, tendo sido suscitadas por invenções como o telefone, o
telégrafo e, até mesmo, a água encanada (BAYM, 2011; FISCHER, 1992; MARVIN, 1998;
PANTZAR, 1997). É somente por meio do uso dessas tecnologias que os indivíduos vão
gradualmente compreendendo suas possibilidades e investindo-as de novos usos e significados
(FISCHER, 1992; MILLER et al., 2019). O processo se desenrola até que os novos artefatos
estejam tão incorporados no cotidiano que se tornam quase invisíveis (BAYM, 2011, p. 45).
No caso em tela, os restaurantes preocupados em manter ou construir suas reputações
começam a associar suas imagens com as recém-lançadas redes sociais depois que os
usuários haviam desenvolvido uma dinâmica própria em seu interior, tendo construído, por
meio do uso, as diferentes “netiquetas” (LÉVY, 1999, p. 128), isto é, o conjunto de normas
implícitas sobre o que seria aceitável ou não naquela plataforma
20
. ainda o fato de que,
quando boa parte dos restaurantes entra no Facebook, por exemplo, diversos outros negócios
haviam começado a mobilizá-lo como espaço de interação com clientes, de forma que esses
18
Idem.
19
É interessante notar que as imagens publicadas no Instagram pelos dois restaurantes até o dia de suas respectivas
inaugurações, mais do que servir para gerar expectativa nos seguidores e potenciais clientes, funcionaram como
um meio de conversão e transmissão de capitais específicos dos chefs/donos para os seus futuros restaurantes. No
caso do Président, Jacquin capitalizava seu capital de celebridade para convertê-lo em capital digital para o
estabelecimento, o que por sua vez pode ter sido convertido em vantagens, como presentes de fornecedores
(segundo Jacquin, na publicação de 30 de novembro de 2019, a marca de panelas La Grand Maison, enviou oito
panelas personalizadas ao restaurante como presente). no perfil d’A Casa do Porco, fotos de ingredientes
embutidos e livros sobre produção e preparo de carne suína serviam como indicativos de que o capital cultural que
seus chefs acumularam no campo gastronômico seria transmitido ao restaurante.
20
É importante ressaltar que as netiquetas referidas neste trecho são relativas às regras mais gerais de sociabilidade
no interior da plataforma, por exemplo, que tipos e formatos de publicações são considerados aceitáveis ou não. É
claro que, analisando de um nível mais aproximado, no interior de cada grupo de usuários as regras de netiqueta
se refinam e se tornam mais específicas, assim como ocorre no universo social offline. Da mesma forma, perfis de
restaurantes com donos ou chefs com habitus e disposições distintas (voltados em maior ou menor medida para a
produção restrita ou para o mercado) serão orientados pela netiqueta correspondente ao local que ocupam no
espaço social.
Camila CRUMO
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estabelecimentos não tiveram que desempenhar a arriscada função de pioneiros. Mais do que
isso, diversos cadernos de grandes jornais e revistas especializadas em gastronomia haviam
criado páginas nessa rede
21
. Tendo os “guardiões” do campo nacional legitimado aquele canal,
a inquietação quanto aos riscos que a presença na plataforma representaria para o capital
simbólico dos restaurantes foi minorada.
Uma dinâmica semelhante ocorreu no Instagram. Nesse caso, porém, a domesticação
do Facebook tornara o processo relativamente mais rápido, já que as duas redes funcionam de
maneira relativamente semelhante. Perfis de agentes consagradores nacionais como o Guia
Folha e o Paladar Estadão foram criados em maio de 2011
22
. No âmbito internacional,
premiações gastronômicas importantes, como o The 50th Best começaram a ingressar na
plataforma a partir de 2014
23
, coincidindo com o mesmo período em que boa parte dos
restaurantes da amostra também criaram seus perfis. Mais tarde, em 2016, foi a vez do guia
Michelin aparecer nessa rede. Atualmente, diversos prêmios gastronômicos e casas consagradas
possuem páginas no Instagram, consolidando essa plataforma como meio “potencialmente”
legítimo para atrair notoriedade potencialmente pois, ainda que a resistência à rede social
per si tenha sido atenuada, as diferentes modalidades de seu uso permanecem um fator
determinante no jogo de distinção (CRUMO, 2022).
Essa “autorização” para digitalizar os restaurantes por meio do Facebook e,
principalmente, do Instagram, contudo, não elimina a carga distintiva contida na decisão de
ignorar os apelos do mundo digital. Até 2020, Arturito e D.O.M não possuíam perfis em
nenhuma rede social. Por outro lado, outras casas menos prestigiadas dos dois chefs têm perfis
no Facebook desde 2014 e no Instagram desde 2014 e 2015, respectivamente. A diferença está
na categoria em que eles são enquadrados. Carosella define sua loja de empanadas, La Guapa,
como uma “indústria”, que faz comida em larga escala
24
. Já Atala, em entrevista no programa
De frente com Gabi, apesar de conferir a seu restaurante secundário, Dalva e Dito, a nobre
missão de bem representar as cozinhas brasileiras regionais, não nega que ele funciona como
uma compensação ao baixo faturamento do D.O.M
25
. A distinção dos estabelecimentos feita
21
Data de criação da página no Facebook: Veja Comer & Beber 24 de maio de 2010; Guia Folha 8 de janeiro
de 2011; Paladar Estadão 5 de julho de 2011; Revista Menu 21 de outubro de 2010; Revista Gula 16 de junho
de 2010. Informações coletadas nas respectivas páginas no Facebook, no dia 22/05/2022.
22
Informações coletadas nos respectivos perfis no Instagram, no dia 22/05/2022.
23
Idem.
24
Declaração feita no podcast de gastronomia Cozinha do Lorençato (16min 19s). Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=sMpRMRaDuZk&list=PL7F_4bPLJxQSV5zGoIKSohAqz9BqXa3yz&inde
x=13. Acesso em: 28 abr. 2020.
25
(27min 46s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WRcFnth7O-Q. Acesso em: 11 abr. 2020.
Distinção, digitalização e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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pelos próprios chefs as casas “conceituais”, com alta reputação, o mantidas offline,
enquanto as “comerciais” são digitalizadas é uma evidência importante de como a decisão
de permanecer fora das redes sociais podia ser instrumentalizada a partir da clássica oposição
entre a produção “erudita”, de intenções “puras”, e a produção “vulgar”, “utilitária” e
“interesseira”, identificada por Bourdieu (1993).
Depois do início da pandemia de coronavírus, porém, ocorreram mudanças importantes.
Para manter o funcionamento do restaurante enquanto o serviço presencial estava suspenso,
Carosella passou a usar seu perfil pessoal no Instagram para divulgar os pratos produzidos
diariamente e disponibilizados para retirada ou entrega. Com isso, a cuidadosa separação entre
sua persona famosa e seu restaurante começou a ficar menos nítida. Pouco tempo depois, ela
criaria, finalmente, a página do Arturito, na qual segue apresentando os “pratos dos
agricultores”, que mudam diariamente conforme os ingredientes recebidos dos fornecedores. A
prática de usar o perfil pessoal no Instagram para divulgar o cardápio do restaurante, contudo,
não foi uma inovação forçada pela pandemia. A chef fez isso no passado, em seu perfil
pessoal, para divulgar o “executivo de sexta-feira”, que mudava semanalmente. Dessa forma,
ela usava seu capital de celebridade e a dinâmica das redes sociais em favor de seu
estabelecimento sem maculá-lo. Algo semelhante ainda é feito por Atala, que recorrentemente
usa sua conta pessoal para publicar conteúdos referentes ao D.O.M, como premiações
conquistadas, fotos com clientes ou até mesmo vídeos de receitas de alguns dos preparos
servidos na casa. Dessa forma, a exposição do prestigioso restaurante nas redes sociais ocorre
de forma indireta, mediada pela persona do chef, figura autorizada a buscar notoriedade em
meios massivos sem ferir o acúmulo de capital simbólico da casa.
Ainda, é importante ressaltar que a naturalização das plataformas e a “autorização” ao
seu uso aqui mencionadas dizem respeito somente ao Facebook e ao Instagram. Uma vez que
cada nova rede social engendra dinâmicas específicas, as recém-chegadas precisam reiniciar o
processo de estranhamento, exploração, assimilação e, por fim, naturalização. É justamente isso
que vem ocorrendo, agora, com a plataforma TikTok, que, diferente das outras duas aqui
abordadas, é baseada somente na publicação de vídeos curtos. A dinâmica do TikTok ainda é
vista com estranhamento por boa parte dos restaurantes e agentes renomados do campo
gastronômico brasileiro
26
. Apesar disso, e mantendo a estratégia de sempre aderir precocemente
26
Vale notar que alguns chefs já criaram contas para si nessa nova plataforma. Dentre aqueles cujos restaurantes
constam na amostra desta pesquisa estão os jurados do MasterChef, Érick Jacquin e Henrique Fogaça. as
publicações especializadas em gastronomia, bem como as principais premiações nacionais e internacionais, ainda
não possuem perfis nessa nova rede.
Camila CRUMO
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às novas redes sociais, o Paris 6 já está no TikTok desde 2019, tendo começado a publicar mais
constantemente nessa rede a partir de 2021.
Tal estratégia de digitalização mostra-se estreitamente relacionada à disposição (ou
indisposição, nesse caso) de Azar em se submeter às regras do campo gastronômico,
especialmente àquelas que valorizam estabelecimentos que performam uma atitude
desinteressada, sacrificando, assim, parte de seus possíveis lucros econômicos. Ao vislumbrar
que suas estratégias de expansão dos lucros econômicos lhe tiravam da mesa as chances
objetivas de ascensão no campo gastronômico, ele dobrou a aposta em ferramentas que
propiciariam notoriedade ao seu negócio sem a sanção de um intermediador especialista. Sendo
assim, a mesma característica das redes sociais que, a princípio, causava estranhamento em boa
parte dos restaurantes renomados, serviu como uma luva às necessidades do Paris 6. Se as
mídias gastronômicas não lhe dão espaço para obtenção de reputação e prestígio, as
“democráticas” redes sociais o fazem, e o número de seguidores passa a ser contraposto às
estrelas dos guias “esnobes” como a “verdadeira” fonte de legitimação.
Considerações finais
As especificidades da formação do campo gastronômico brasileiro fizeram com que a
exibição de chefs e seus restaurantes na dia popular, seja ela impressa ou televisiva, fosse
encarada como um meio legítimo de buscar notoriedade desde que, é claro, o envolvimento
ocorresse com os produtos midiáticos “adequados”. A participação em programas de TV tende
a ser encarada com naturalidade tanto por chefs, como pela crítica brasileira. É até mesmo
possível encontrar diversas notícias relacionadas aos reality shows culinários em sites
dedicados à gastronomia, como o da Veja Comer e Beber. Atualmente, o uso de algumas redes
sociais também foi naturalizado pela maior parte dos restaurantes do Brasil e do mundo como
meio legítimo de aquisição de notoriedade. Contudo, ainda que o processo tenha ocorrido em
um intervalo relativamente curto, a incorporação dessas ferramentas digitais não foi nem
imediata, nem desprovida de desconfiança por parte dos produtores.
Levando-se em conta a dinâmica de reprodução das hierarquias que perpassa todo
campo de produção cultural, tal hesitação guarda relação com o fato de esses canais online
serem plataformas midiáticas completamente novas, nas quais não curadoria profissional das
produções apresentadas ao público. As redes sociais são espaços que, em tese, são “livres de
mediação” (VAN DIJCK, 2013), de agentes consagradores especializados que, como ocorre na
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televisão e nas revistas, seriam responsáveis por pré-selecionar, triar e dividir os produtos,
conduzindo, assim, a maneira como os expectadores os compreendem e classificam. Dessa
forma, qualquer pessoa ou empresa começa seu trajeto nessas plataformas no mesmo nível: com
zero seguidores e zero curtidas. A notoriedade (ou popularidade) só começa a ser construída à
medida que os outros usuários passam a prestar atenção àquilo que é publicado.
Além disso, dentro da lógica dessas plataformas, a medida do “valor” de determinado
perfil é dada pela aclamação popular, que pode ser expressa pela quantidade de seguidores de
um perfil ou pelo número de visualizações de uma determinada publicação. Mais uma vez,
diferentemente da televisão, não há princípios de classificação baseados em elementos como a
hora em que o conteúdo vai ao ar (por exemplo, horário nobre ou período vespertino), seu
formato (reality show ou programa de receitas) ou tipo do público-alvo (donas de casa,
entusiastas de gastronomia, jovens, adultos etc.).
A supressão do “especialista”, ao qual é dado o poder de definir o que, naquele meio, é
considerado legítimo ou vulgar, seria, assim, um dos motivadores das incertezas com relação à
possibilidade de converter a notoriedade conquistada nas redes sociais em notoriedade no
campo gastronômico. Ainda, a hierarquia baseada em grande medida no número de seguidores
parece gerar, naqueles que performam o contrário da lógica econômica, a insegurança de deixar
transparecer o interesse em alavancar os lucros econômicos por meio da expansão de sua
audiência. Nesse sentido, observa-se, no histórico de entrada dos restaurantes da amostra nas
redes sociais, a existência de certa cautela com relação a esses ambientes enquanto eles ainda
eram uma novidade algo que ocorria mesmo entre os produtores mais habituados à exposição
midiática de si e de suas produções.
Sem uma autoridade para definir a hierarquia dos conteúdos publicados (tal como ocorre
nas TVs, revistas e livros), cabe aos próprios agentes do campo explorar e estabelecer as
barreiras do que é legítimo e do que é vulgar com relação ao uso dessas plataformas e isso
ocorre depois que os usuários estabelecem, por meio do uso cotidiano, a dinâmica daquele
espaço online e suas netiquetas (LÉVY, 1999, p. 128). Ainda, conforme apontado, a decisão de
digitalizar torna-se mais confortável quando boa parte dos agentes consagradores se inseriu
nas redes sociais. A comparação das datas de entradas dos guias/revistas gastronômicas e
restaurantes nas redes sociais demonstra que, a entrada de indivíduos ou instituições que detêm
o poder de consagração passa a legitimar a presença nesses espaços digitais, sem que a atitude
seja classificada como indigna a priori.
Camila CRUMO
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Em suma, tal avanço dos restaurantes reconhecidos pela crítica especializada em direção
à digitalização se torna legítimo quando, ao menos uma parte das autoridades do campo
testou as águas da nova mídia, não bastando, simplesmente, que seu uso estivesse bem
disseminado na população. Por outro lado, os dados desta pesquisa mostraram que, entre os
restaurantes menos reconhecidos pelas instâncias consagradoras, uma tendência a se adiantar
a essa espécie de “período de adaptação”, aderindo às redes sociais assim que elas começam a
apresentar sinais de sucesso. Puxando por outra ponta, essa relação distinta fica clara também
na atual hesitação da maior parte dos restaurantes da amostra com exceção do Paris 6
com a adesão ao TikTok, que cresce exponencialmente em número de downloads e usuários,
mas, ainda assim, não convenceu muitos produtores a associarem a imagem de seus restaurantes
à plataforma (até o momento).
AGRADECIMENTOS: Apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(FAPESP), processo n˚2018/24266-3.
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradeço à Maria Helena Augusto e Renan William dos Santos.
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP),
processo n˚2018/24266-3.
Conflitos de interesse: Não aplicável.
Aprovação ética: Não aplicável.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Camila CRUMO é responsável pela pesquisa, análise e
redação do artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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DISTINCTION, DIGITALIZATION, AND LEGITIMATION: SOCIAL MEDIA
INCORPORATION IN THE BRAZILIAN GASTRONOMY FIELD
DISTINÇÃO, DIGITALIZAÇÃO E LEGITIMAÇÃO: A INCORPORAÇÃO DAS REDES
SOCIAIS NO CAMPO GASTRONÔMICO BRASILEIRO
DISTINCIÓN, DIGITALIZACIÓN Y LEGITIMACIÓN: LA INCORPORACIÓN DE LAS
REDES SOCIALES EN EL CAMPO GASTRONÓMICO BRASILEÑO
Camila CRUMO1
e-mail: camila.crumo@gmail.com
How to reference this paper:
CRUMO, C. Distinction, digitalization, and legitimation:
Social media incorporation in the Brazilian gastronomy
field. Rev. Cadernos de Campo, Araraquara v. 23, n. esp.
1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488
| Submitted: 10/01/2023
| Revisions required: 22/03/2023
| Approved: 18/05/2023
| Published: 23/08/2023
Editors:
Prof. Dr. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. MSc. Aline Cristina Ferreira
Prof. MSc. Mateus Tobias Vieira
Prof. MSc. Matheus Garcia de Moura
1
University of São Paulo (USP), São Paulo SP Brazil. Doctoral degree candidate in the Graduate Program in
Sociology.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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ABSTRACT: To investigate the relationships between the process of social media
naturalization and the dynamics of social distinction, this article mobilizes data from the digital
profiles of eight São Paulo restaurants and national and international gastronomic guides on
Facebook, Instagram, and TikTok. Additionally, the study incorporates media articles and
interviews with chefs and restaurant administrators. Grounded in Bourdieu's theory, the analysis
indicates that struggles for legitimacy within the culinary field are impacted by the need to
accommodate the pressures of new digitized customer habits. Such accommodation can be
perceived as objectionable by the established agents of this field. Through the selected sample,
the article explores the various strategies implemented by field agents to prevent the
characterization of their efforts as "self-interested." Furthermore, it seeks to establish legitimate
modes of incorporating social media into the daily operations of restaurants.
KEYWORDS: Gastronomic field. Digital food. Social distinction. Digital sociology.
Sociology of food.
RESUMO: Para investigar as relações entre o processo de naturalização das redes sociais e
a dinâmica de distinção social, este artigo mobiliza dados dos perfis digitais de oito
restaurantes paulistanos e de guias gastronômicos nacionais e internacionais no Facebook,
Instagram e Tik Tok, além de matérias e entrevistas na mídia com chefs e administradores
desses restaurantes. Calcada na teoria bourdieusiana, a análise aponta que as disputas por
legitimação no campo gastronômico são afetadas pela necessidade de atender à pressão dos
novos hábitos digitalizados da clientela, posto que tal jogada pode ser julgada como
condenável pelos agentes consagradores desse campo. Por meio da amostra selecionada, o
artigo explora as diversas estratégias postas em prática pelos agentes do campo para evitar a
caracterização do movimento como "interesseiro" e para estabelecer modalidades legítimas de
incorporação das redes sociais no cotidiano dos restaurantes.
PALAVRAS-CHAVE: Campo gastronômico. Comida digital. Distinção social. Sociologia
digital. Sociologia da alimentação.
RESUMEN: Este artículo utiliza datos de perfiles digitales de ocho restaurantes de São Paulo
y de guías gastronómicas nacionales e internacionales en Facebook, Instagram y Tik Tok, así
como artículos y entrevistas en medios de comunicación con chefs y administradores de dichos
restaurantes, para investigar las relaciones entre el proceso de naturalización de las redes
sociales y la dinámica de distinción social. Basándose en la teoría de Bourdieu, el análisis
señala que las disputas por la legitimación en el campo gastronómico son afectadas por la
necesidad de responder a la presión de los nuevos hábitos digitalizados de la clientela, ya que
esta acción puede ser juzgada como condenable por los agentes consagrados de este campo. A
través de la muestra seleccionada, el artículo explora las diversas estrategias que los agentes
del campo utilizan para evitar ser caracterizados como "interesados" y para establecer formas
legítimas de incorporar las redes sociales en la vida diaria de los restaurantes.
PALABRAS CLAVE: Campo gastronómico. Comida digital. Distinción social. Sociología
digital. Sociología de la alimentación.
Camila CRUMO
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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Introduction
The prominent presence of smartphones on restaurant tables leaves no doubt regarding
the advancement of digital technologies in the dining realm, particularly when it comes to eating
out. On the consumers' side, the increasing digitization of daily life has resulted in decisions
about where to eat, what to eat, and how many calories to consume, mainly taking place within
the digital realm, accessed through luminous rectangular screens. The same applies to
recommending or complaining about the venue and its service. Among producers, the
expectation of achieving "viral" status on social media has become a sound strategy for
augmenting customer numbers, prompting numerous establishments to plan their decor and
menus based on the potential for success on platforms such as Facebook, Instagram, and, more
recently, TikTok. This strategy has found particular resonance in Brazil, a country with the
fifth-largest contingent of social media users
2
, where internet access is predominantly
facilitated through smartphones
3
.
Merely having an inviting physical space for generating photos for social media,
commonly called "Instagrammable," does not seem to suffice within a thoroughly digitized
context. Establishments must also immerse themselves within these platforms, presenting their
digital facet to the public. Taking the city of São Paulo as an example, it is now commonplace
for restaurants to have profiles on social media, at least on the more popular platforms like
Facebook and Instagram. Some restaurants do not even have websites; customers must search
social media for information about the establishment.
Nevertheless, this has not always been the case. Social media, now an integral part of
restaurants' daily routine, was once seen as a threat to their reputations. Deciding to create
profiles for restaurants on these platforms involves (and can jeopardize) various factors related
to their position within the gastronomic production hierarchy. This pertains to the recognition
they receive from guides, critics, gastronomic journalists, and other producers operating within
this market. Therefore, grounded in Bourdieu's theory of cultural production fields and based
on a sample of eight restaurants in the city of o Paulo, along with data collected from their
social media accounts, those of their chefs, and from gastronomy publications and awards, this
2
According to a report from Statista, Brazil not only ranks among the top 5 countries globally in terms of social
media users, but it also holds the second position in the ranking when excluding Asian countries, trailing only
behind the United States. Available at: https://www.statista.com/topics/6949/social-media-usage-in-
brazil/#topicHeader__wrapper. Accessed in: 26 Oct. 2022.
3
Available at: https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/07/smartphone-e-cada-vez-mais-dominante-no-acesso-a-
internet.shtml. Accessed in: 26 Oct. 2022.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
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article aims to discuss some of the factors that have long generated hesitancy in the decision to
digitize restaurants. This process involves transforming their offline symbolic recognition into
digital strategies of distinction. Furthermore, the article highlights changes that have transpired
within the gastronomic landscape, leading local culinary producers to no longer regard
digitization with suspicion.
Methodological Notes
Sources and Methods
This study is based on a sample of eight São Paulo restaurants. Four of them were
selected due to their recognition by specialized critics, having won at least one category in the
O melhor de São Paulo 2018”, awards from Folha de S. Paulo newspaper, the Veja comer
e beber 2017/18”, recognition from Veja São Paulo magazine, or the 2018 Michelin Guide.
The other half of the sample comprises establishments with over 90,000 followers on
Instagram
4
, in 2018. In the group of "critically acclaimed" restaurants, we have: Maní; A Casa
Do Porco; Arturito; D.O.M. In the group of "most liked" restaurants, we have: Paris 6; Sal
Gastronomia; Président; Bar Da Dona Onça. Each restaurant was visited between March 2019
and March 2020.
Table 1 - Restaurants in the Sample
Follower Success
Restaurant
Awards in 2017/2018
Restaurant
Instagram Followers in 2018
D.O.M
Holder of Two Michelin Stars since
2015.
Ranked as the 16th Best Restaurant
in the World by The 50th Best
Restaurants in 2017.
Honorable Mention in the
guidebook O melhor de São Paulo
2018.
Winner in the "Author's Cuisine"
category of Veja Comer e Beber
2017/2018.
Paris 6
1.1 million
Maní
Holder of One Michelin Star since
2015.
Sal Gastronomia
358 thousand
4
According to the Digital 2022 Global Overview Report (Datareportal, 2022), although Facebook remains the
largest social media platform globally, it has been surpassed by Instagram in terms of active users in Brazil. This
growth trend was already evident since the beginning of this investigation in 2019, when it was observed that the
majority of activities of the selected establishments were concentrated on Instagram. In contrast, Facebook, in
general, was mainly used to replicate content produced in the format of the other platform.
Camila CRUMO
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488 5
Named the Best Restaurant in São
Paulo, according to the guide O
melhor de São Paulo 2018.
Secured Second Place in the
"Author's Cuisine" category, as per
Veja Comer e Beber 2017/2018.
A Casa do
Porco
Ranked as the Second Best
Restaurant in São Paulo, according
to the guide O melhor de São Paulo
2018.
Winner in the "Cuisine" category of
Veja Comer e Beber 2017/2018.
Ranked as the 4th Best Restaurant in
Latin America by Latin America's
50th Best Restaurants 2019.
Awarded the Bib Gourmand by the
Michelin Guide 2018.
Président
143 thousand*
Arturito
Honorable Mention in the O melhor
de São Paulo 2018.
Winner in the "Diverse" category of
Veja Comer e Beber 2017.
Holder of the Bib Gourmand by the
Michelin Guide 2018.
Bar da Dona Onça
95.5 thousand
Source: Author's Compilation.
*The number of followers for the Président restaurant is for January 2020, as the establishment was only
inaugurated in December 2019.
The undercover customer observation "a form of participant observation in which
researchers act as customers (real or potential) to monitor processes and procedures used in
service delivery" (WILSON, 2006, p. 148, our translation) was employed to observe how
the service was provided, the decoration and arrangement of the dining area, the menu, and the
dishes. In essence, everything constitutes the "atmosphere" of a restaurant, signaling to
customers its "discourse" and what to expect from that experience (WARDE, 2016).
The profiles of the restaurants and their chefs/administrators, as well as other agents in
the national and international gastronomic field (Veja Comer & Beber; Guia Folha; Paladar
Estadão; Revista Menu; Revista Gula; The 50th Best and Guia Michelin) on the social media
platforms Facebook, Instagram, and TikTok, were used as sources from which data about the
creation of the investigated profiles were collected. Additionally, interviews granted to
magazines, newspapers, YouTubers, etc., were mobilized, allowing for the identification of the
disposition of chefs and restaurant administrators towards the use of social media, as well as
their respective relationships with specialized critics and other agents involved in the
recognition of gastronomic production.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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Brief Sample Description
Regarding the gastronomic hierarchy, D.O.M restaurant, led by chef Alex Atala, holds
the top position among the sampled restaurants. It has held 2 Michelin stars since 2015 when
the guide began considering Brazilian restaurants. Moreover, the restaurant is also recognized
by The World 50th Best since 2006 and La Liste since 2018. Nationally, it consistently ranks at
the forefront of categories related to chef-driven cuisine. Dining at D.O.M. is a highly formal
event. The customer doesn't even choose what they will eat; they decide between two options
for the tasting menu size (in terms of courses), whether it will be vegetarian or not, and whether
it will be accompanied by a wine "pairing" or "special waters
5
". Each dish is served with a
grand ceremony, accompanied by an explanation of its content, production, and, in some cases,
how it should be consumed. Additionally, Atala is part of the first generation of Brazilian chefs
who captured global gastronomy's attention by blending "exotic" national ingredients with
French and Japanese techniques. In the early 2000s, he hosted the culinary program "Mesa Para
Dois," broadcast on the private channel GNT. He became well-known to the general public
after appearing on open TV programs like "Caldeirão do Huck."
Similar to D.O.M, Maní has also been recognized by the Michelin Guide since its debut
in the country, having received and maintained a star since then. The restaurant has been among
the world's top 100 in the 50th Best since 2011 and La Liste since 2018. Nationally, like D.O.M,
it continues to hold leading positions among chef-driven restaurants. In addition to offering
tasting menus, Maní also serves à la carte, where dishes can be individually chosen and
experienced. Its chef, Helena Rizzo, was elected the Best Female Chef in Latin America in
2013 and the World's Best Female Chef in 2014, awarded by The 50th Best. Furthermore, she
appeared on the GNT channel, serving as a judge on the program The Taste Brasil from 2017
to 2018 and on the international reality show The Final Table, produced and broadcast by
Netflix. More recently, in 2020, she became a judge on the renowned program "MasterChef
Brasil," replacing chef Paola Carosella.
A Casa do Porco is a restaurant led by chefs and partners Jefferson Rueda and Janaina
Torres Rueda. In addition to offering "the city's most affordable tasting menu" (the chefs
proudly state
6
), the restaurant also provides à la carte service and options for quick snacks that
5
Fermented beverages with indigenous inspiration made from Amazonian fruits such as bacuri, cupuaçu,
pineapple, uvaia, soursop, and puxurí.
6
Available at: https://oglobo.globo.com/rioshow/rio-gastronomia/noticia/2021/12/somos-menu-degustacao-mais-
barato-do-mundo-diz-janaina-rueda-1-25324177.ghtml. Accessed in: 10 Nov. 2022.
Camila CRUMO
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can be purchased from the street through a window leading into the restaurant's interior. This
establishment, inaugurated in 2015, features a relaxed and information-rich decor. The
informality extends to the service, the staff uniforms, and even the seating arrangements, where
customers can be seated at shared tables. Since 2019, the restaurant has been included in The
50th Best. More recently, in 2022, the award named it the best restaurant in Brazil and the 4th
best in Latin America. La Liste (which was awarded the Authenticity Award, in 2019,
recognizing the world's most creative cuisine) also deemed it the best in Latin America. A Casa
do Porco holds the Bib Gourmand seal from the Michelin Guide. In 2018, it was ranked as the
second-best restaurant in São Paulo according to the guide "O Melhor de São Paulo," it won in
the "cuisine" category of Veja Comer e Beber. Moreover, Rueda earned a Michelin star while
working at another restaurant before starting his venture. Despite making sporadic appearances
on open TV programs, it was only in 2021 that Rueda and his partner began to feature in a
reality show on the private channel Comida & Arte.
Arturito, the restaurant of chef Paola Carosella, is included in the Michelin Guide's Bib
Gourmand selection. In 2018, it received an honorable mention in the guide "O Melhor de São
Paulo" and won in the "varied" category of Veja Comer e Beber. Offering exclusively à la carte
service, this restaurant serves dishes inspired by Italian cuisine, often involving preparations in
a wood-fired oven. Its ambiance is understated, and dish delivery may come with a brief
explanation of the ingredients or the preparation process. The restaurant's motto revolves
around preserving culinary "traditions," rooted in nostalgia for a time when food would have
the "true flavor" of ingredients something that is now perceived to be threatened by modernity,
industrialization, mass production, etc. Carosella, despite her recognition in the culinary sphere
and personal awards, such as being named the best chef by the guide "O Melhor de São Paulo"
in 2014, became a highly influential celebrity among the general public after serving as a judge
on the program "MasterChef Brasil" from 2014 to 2019.
On the other hand, the Bar da Dona Onça aims to pay homage to the bohemian culture
of São Paulo. Located near A Casa do Porco and at the base of the Copan Buildingan
architectural landmark in the city's heartthe restaurant is also led by Janaina Torres Rueda
and Jefferson Rueda. It attracts customers who don't mind waiting hours for a weekend table
and has garnered a substantial following on social media. In 2018, it had around 95.5 thousand
Instagram followers, which doubled in just four years. The restaurant has earned some awards,
such as Best Bar in 2008 and 2009 and Best Bar Food in 2011 and 2012, from Veja Comer e
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Beber. While the restaurant hasn't received international recognition, its chef, Torres Rueda,
was awarded Latin America's Icon award in 2020 by The 50th Best.
Sal Gastronomia is a restaurant owned by Henrique Fogaça. As a judge on MasterChef
Brasil since the show's inception, Fogaça initially excited journalists and gastronomic critics
early in his career. After being named the Emerging Chef of the Year in 2008 and 2009 by Veja
Comer e Beber and Prazeres da Mesa magazines, respectively, his career stagnated, and his
name disappeared from specialized publications until his appearance on the culinary reality
show. In 2018, Sal had 358 thousand Instagram followers; by 2022, that number had grown to
746 thousand. The restaurant, offering à la carte service, aims to provide contemporary
Brazilian cuisine. Despite presenting a specific aesthetic alignment with high-end restaurant
dishes, Fogaça often states that he doesn't serve "small bites" an apparent reference to the
small portions typically served in such establishments.
Président is the restaurant of Érick Jacquin. The French chef is a well-known figure in
the Brazilian culinary world, with his restaurants having accumulated various accolades,
especially La Brasserie, which faced management issues and closed in 2013. After the crisis,
Jacquin became a national celebrity as a judge on MasterChef Brasil and through his
participation in other culinary reality shows. Specifically, Président debuted on social media
before even physically existing. Jacquin announced the creation of the restaurant on his profile,
gradually updating the restaurant's profile with images of the construction progress, staff
selection process, and so on. Président is a relatively expensive French restaurant. Customers
can choose between à la carte service or a tasting menu. The decor is rich in red tones and
references to France and the chef himself. Despite being relatively new (it opened in December
2019), the establishment has already been awarded Best French Restaurant by Veja Comer e
Beber for two consecutive years, in 2021 and 2022.
Finally, Paris 6 is the restaurant in the sample with the highest number of followers on
social media. It had around 1.1 million followers in 2018 and 1.5 million in 2022. Businessman
Isaac Azar, a familiar figure in magazines and business events, leads the chain of restaurants in
São Paulo. Initially, in 2006, Paris 6 garnered positive attention from critics. During that time,
French chefs worked in its kitchen and contributed to its menu. However, the business was
accumulating debts. This was when Azar started naming dishes after celebrities, who then
became honored guests of the establishment (i.e., they dined for free). The French chefs were
let go, and the dishes served became much more indulgent and "appealing," laden with cheese
or overflowing with chocolate in the case of desserts. This strategy was coupled with social
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media, where photos of the restaurant filled with famous individuals were posted, and dinners
and discounts were raffled. However, as the restaurant grew in popularity among the public and
on social media, its standing among critics and specialized journalists dramatically declined to
the point where it is now entirely disregarded by these validating agents.
The Culinary Field: A Hybrid Field
The culinary field is a hybrid cultural production field. According to Bourdieu's theory
of areas, the cultural field which constitutes social reality alongside political and economic
fields is structured by the opposition between "cynical" and "disinterested" production
(BOURDIEU, 2002, p. 26). On one end, production is guided by commercial commitments,
thus being "contaminated" by logic external to the field; on the other is production considered
legitimate, anti-commercial, accumulating symbolic capital in the form of prestige or authority
(BOURDIEU, 2002, p. 20). By denying the utility of their creations and the interest in
accumulating financial profits, the logic of the cultural field would mirror the sense of the
economic world in reverse, establishing a "negative correlation between temporal success
(notably financial) and artistic value proper, [being] the opposite of the laws of economic
exchanges" (BOURDIEU, 1993, p. 164, our translation). The game of cultural production is a
game in which "those who lose-win," and in this reversed contest, the acquisition of "symbols
of worldly success, success in the world, and success in this world" can compromise salvation
in the "other world" (BOURDIEU, 2000, p. 37).
The internal hierarchy of the cultural production field features one of its principal axes
as the opposition between the autonomous pole dominant and based on the specific interests
of the area and the heterodox pole dominated and oriented by external factors
(JOHNSON, 1993, p. 16). In Bourdieu's works, this opposition is also expressed through
antinomies between erudite production and the cultural industry
7
, restricted production and
vulgar production, elite culture and mass culture, and so on (BOURDIEU, 1993; 2002; 2007).
The author has examined various cultural subfields, such as literature, painting, fashion,
journalism, science, and more. However, the schematic representation of the gastronomic area
as a cultural subfield was proposed by Priscilla Ferguson (1998).
7
It is important to emphasize here that throughout this work, the term "cultural industry" refers to Bourdieu's
conception (2007, p. 105, our translation), that is, a field organized to produce "cultural goods intended for non-
producers of cultural goods (the 'general public') who can be recruited from both the non-intellectual fractions of
the dominant classes ('cultivated public') and other social classes".
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
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Informed by Bourdieusian theory, the author identifies the factors that provided the
conditions for establishing this specific subfield, emphasizing the process of its autonomy.
Given that (relative) autonomy is a necessary prerequisite for the existence of a field, it is
through this differentiation from the dynamics of other areas that specific objects and capitals
contested by "competent" agentsthose endowed with a habitus that allows them to recognize
the laws structuring the game they are involved inare shaped. According to Ferguson (1998),
following the French Revolution, the relative strength of the gastronomic field was established
due to factors such as: 1) the formation of a broader consumer audience, no longer limited to
aristocratic courts; 2) the intensification of competition among chefs who gained greater
creative autonomy to innovate techniques and recipes; 3) the consolidation of modern
restaurants as primary sites of gastronomic production and consumption; and, above all, 4) the
intersection with other cultural fields that enabled the establishment of a corpus of written
works, be they literary, technical, or academic, systematizing and disseminating the norms of
the activity.
While agreeing with the proposition that intersection with more established fields (such
as the literary) was necessary for the gastronomic field to gain prestige when it still had little
autonomy, Fantasia (2010, p. 29) argues that the relative independence of this field was not
founded on a relationship of solidarity with other cultural areas, but rather on its capacity to
establish its own rules and evaluation standards. The author highlights the social construction
of the chef as a central factor in this dynamic, as it was through this figure that oppositions
between artisanal and industrial production, amateur and homemade, and artistic and
professional began to operate. With the proliferation of guides, newspapers, magazines,
journalists, critics, awards, and gastronomic competitions, the field succeeded in establishing
an internal system of recognition that followed its own rules of production, classification, and
hierarchization.
Having established its relative autonomy, the French gastronomic field exerted
significant influence on the emergence and characterization of high gastronomy restaurants and
their chefs in other countries around the world (LANE, 2014, p. 11; POULAIN, 2011;
PREVIATTI, 2019). The high degree of autonomy outlined by Fantasia (2010), began to erode
in the 20th century, as the economic logic of the industrial kitchenrepresented primarily by
the image of the fast-food chain McDonald's (FISCHLER, 2015) started to pervade high
gastronomy productions. Simultaneously, chefs become celebrities, recognized beyond the
legitimizing instances of the gastronomic field, appearing in mass media outlets (FERGUSON,
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2005). The cultural industry thus increasingly becomes intertwined with the consecrating
circuits of gastronomic production.
Consequently, chefs begin to have the opportunity to capitalize on their status through
restaurants that are more oriented towards the economic logic of the market and the promotion
of products (not necessarily related to cuisine) that bear their signature (ABBOTS, 2015). It is
also undeniable that the commercial nature of restaurants, which ensured the material
foundation of chefs' autonomy and gastronomy, freeing them from court control, imposes the
law of economic profit on this cultural production. After all, to the extent that chefs and their
restaurants rely less on patrons and more on a broad paying audience, they must adapt to the
"intense competition for customers, money, and financial imperatives" (GUALTIERI, 2018, p.
7, our translation). The gastronomic field acquires the character of a hybrid cultural area, in
which the inverted economic logic does not predominate as determining over the traditional
economic reason (GUALTIERI, 2018, p. 7). Consequently, the boundaries between the
legitimate and the vulgar are unclear. This requires producers aiming to occupy the top of the
hierarchy to resort to artifices to reconcile contradictory logic and thus gain recognition.
In this context, social media emerges as another factor that gastronomic producers must
balance. On the one hand, integrating these platforms into customers' daily lives compels their
adoption by restaurants. On the other hand, their promotional potential can lead them to be
perceived as tools of massification linked to a manifest economic interest, which restrains their
utilization by producers striving to accumulate internal recognition. As demonstrated below,
precisely from the calibration of these strategies, the heterogeneous nature of the restaurant
digitization process arises.
Recognition in the Brazilian Gastronomic Field
While in the French gastronomic field, interaction with the cultural industry occurred
only after establishing its (always relative) independence from other fields (FANTASIA, 2010),
this relationship has been present in Brazil. The foundational bases of the Brazilian gastronomic
area were laid around the same time celebrity chefs emerged in France, and celebrity chefs
began occupying space in American TV programming. In the mid-1970s, international hotel
chains, attracted by the boost in tourism, established themselves in the country, specifically in
Rio de Janeiro, hiring acclaimed chefs to lead their restaurant kitchens (BUENO, 2014, p. 11).
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
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Here, the limited or nonexistent penetration of gastronomy guides and specialized
publications meant that the legitimation of chefs' authority primarily passed through the cultural
industry's consecration circuits (PREVIATTI, 2019). The "popularization" and legitimation of
these producers began through features in widely circulated magazines in the country intended
for diverse audiences. Television only entered the equation a bit later since, until the 1960s,
television sets were rudimentary in Brazil, and their subsequent popularization was limited to
wealthier households due to their luxury price tags (RIDENTI, 2014). It was through widely
circulated magazines of various themes, especially from the 1980s onwards, that the "right of
entry" of chefs into the gastronomic field and the definition of legitimacy criteria started to be
disseminated in Brazil (PREVIATTI, 2019, p. 361).
Starting in the 1990s, in addition to national magazines, television programs, and
publishers also began to provide visibility to professional chefs working in the country and to
gastronomy as a whole (BUENO, 2013, p. 99). In the 2000s, the media began highlighting the
first native chefs who, having interned in prestigious restaurants in the United States and
Europe, returned to Brazil and opened their establishments, becoming references for the
subsequent generations (BUENO, 2013, p. 101-102). Essential consolidation phases in the
Brazilian gastronomic field coincide with the global expansion of TV programs related to haute
cuisine. Without diverging from this global trend, Brazilian television channels, whether open
or cable, started to feature renowned chefs as hosts, transforming them into celebrity chefs
(BUENO, 2013, p. 103).
It is worth noting that the high permeability between "high culture" and "mass culture"
in Brazil is not exclusive to gastronomic production. This phenomenon exists in production and
the market for other cultural products, such as music, theater, cinema, and literature. Ridenti
(2014) argues that this is due to the late formation of a distinctive "erudite culture," which
practically coincided with the consolidation of the country's cultural industry during
industrialization. As a result, autonomous production poles, with legitimization rules defined
by peers and clear boundaries between arts considered legitimate and "vulgar," were
"contaminated"
8
by the rationality of mass production even before they fully developed.
8
The notion of "contamination" here is not a value judgment but rather relates to the conception above of the social
world as a space composed of relatively autonomous fields in which specific interests are at play. In other words,
even though the "unfolding" of meanings articulated within these frameworks is analytically perceptible, their
dynamics are permeable and constantly influenced by social agents. To provide an example beyond the realm of
gastronomy, while the secularization of art is an analytically perceptible process at the macrosocial level, it is not
uncommon for religious agents to still use categories like "blasphemy," "sin," and the like to contest artistic
representations of figures they deem sacred (SANTOS; CRUMO, 2019).
Camila CRUMO
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Ridenti (2014, p. 32) argues that "artistic culture and market culture were not opposed"
in Brazil. An artist could be popular with the lay public and produce "alienating" or "vulgar"
symbolic goods without affecting the recognition of specialized critics and the production of
goods they deemed legitimate. However, this does not mean that the standards of opposition
between what is judged "erudite" or "popular" were abandoned entirely. The same holds for
chefs and their productions within the gastronomic field: certain types of media exposure
contribute little prestige or are considered less worthy for chefs, while others are acceptable
(sometimes even desirable).
As stated by Previatti (2019, p. 361-2), the cultural industry is one of the critical factors
in establishing a decisive boundary for the symbolic demarcation that distinguishes the amateur
cook from the professional chef. According to the author, it is possible to position chefs in the
hierarchy of the field based on the type of media product they are part of or endorse. Whether
in the realm of television or publishing, such products are often categorized as "culinary" or
"gastronomic" (PREVIATTI, 2019, p. 363). The former refers to lesser-prestige cooks,
programs that teach practical cooking, and non-biographical recipe books. On the other hand,
the latter category, reserved for celebrity chefs who occupy the highest positions, is generally
associated with media products about lifestyle (such as travel to discover new ingredients),
behind-the-scenes glimpses of these personalities' kitchens, and literary works that combine
recipes and biography (PREVIATTI, 2019).
The early relationship between Brazilian high gastronomy production and the cultural
industry was, therefore, a significant factor in shaping the specificities of the national field. The
ease with which highly renowned chefs move between their restaurant kitchens and television
studios is a consequence of this formative dynamic, and this is a component that currently
weighs in the balance of legitimization for chefs' use of social media.
The television program MasterChef Brasil, which premiered on the open channel Rede
Bandeirantes in 2014, is an essential example of the continuity established between the
mediatization of chefs through television and social media. Even in its initial season, the
premiere episode reached the status of a Trending Topic
9
on Twitter, while in terms of television
9
Expression, translated as "trending topics," is a feature of the social media platform Twitter that generates a
dynamic list of the most discussed subjects on the platform at that moment. Initially, only hashtags were considered
for the ranking, but currently, a word or expression only needs to be repeated frequently to be considered a "trend."
The list displayed on the right side of the platform's homepage can be adjusted to show topics trending globally or
in specific countries, states, and even cities.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
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viewership, it only ranked fourth
10
. Since then, the show has developed ways to associate its
broadcast with the use of social media, creating hashtags with the program's name or topics
mentioned in each episode and promoting them during transmission, standardizing the
usernames of its participants on Twitter and Instagram, and creating extra content exclusively
available on social media after the TV broadcast. In this context, the kitchen chefs who played
the role of judges were also propelled into the online world, quickly amassing significant
followers. Thus, they were transformed not only into mere celebrity chefs but into celebrity
chef digital influencers.
As a result, social media has become another media channel where gastronomic
producers can seek legitimacy and authority. Some platforms have absorbed many field agents
in gastronomy, including chefs, restaurants, esteemed critics
11
, gastronomy magazines and
newspapers, and significant world awards. However, linking restaurants to these digital media
did not occur as smoothly as the transition of celebrity chefs from TV screens to smartphones.
Digitalization Strategies as Strategies of Distinction
All the restaurants in the sample have a certain degree of familiarity with the cultural
industry, whether through the media exposure of their chefs or the incorporation of "celebrity
capital" (DRIESSENS, 2013) from their customers, as in the case of Paris 6. Therefore,
associating themselves with mainstream media would not be a novelty for any of them.
However, it is interesting to note, right from the start and considering only the quantitative
aspect, that they maintain different levels of engagement with social media: while some have
decided to associate with the majority of the most widely used platforms in the country, others
have preferred to select two, one, or even remain outside this realm.
10
Available at: https://televisao.uol.com.br/noticias/redacao/2014/09/03/masterchef-conquista-internautas-e-faz-
sucesso-no-twitter.htm. Accessed in: 17 May 2022.
11
I identify established critics as those who work or have worked for some form of press producing specialized
gastronomy content. In other words, the authority of judgment by these agents has been conferred and recognized
by their peers in the field of journalism and gastronomy itself. This distinction is significant because, in modern
times, social media platforms are the stage for a variety of self-proclaimed amateur gastronomic critics who enjoy
recognition from a broad audience of followers but not from authoritative instances. Since the early days of Web
2.0, which grants anyone with internet access the ability to digitally publish their ideas, a dispute has developed
between amateur and professional critics. On the one hand, there is the argument that amateur critics help
deconstruct the snobbery that limits the restaurant universe to specific consumer categories; on the other hand, it
is claimed that, unlike professional critics, amateurs are not under the auspices of a "regulatory authority" that
leads them to follow certain codes of ethics, which dictates the transparency and integrity of their judgments. For
a more in-depth analysis of the subject, refer to Rousseau (2012); Kobez (2018); Mellet et al. (2014); and Vásquez
and Chik (2015).
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DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488 15
While A Casa do Porco, Bar da Dona Onça, Maní, Président, and Sal Gastronomia
have profiles on Facebook and Instagram, Paris 6 adds Twitter, YouTube, and TikTok, the latest
trendy social media platform to its list. Arturito, on the other hand, only has an Instagram
profile, created during the coronavirus pandemic to serve as a communication channel between
the restaurant and customers while in-person services were suspended. Finally, D.O.M is not
present on any of them.
The presence on various social media platforms is a good initial indicator of how
comfortable a chef or restaurant owner is with associating their establishment's image with these
platforms. However, adding a temporal perspective brings greater complexity to this picture.
Data concerning the intervals between the dates of restaurant openings, social media platform
launches, and profile creations highlight a sense of estrangement before the "naturalization" of
the use of these platforms by restaurants with high symbolic capital volumes.
The table below provides the year the establishments studied here were opened and the
years in which they became part of the social media platforms Facebook, Instagram, and
TikTok. To better understand the data, it is crucial to bear in mind a few facts. Facebook was
launched in 2004 as a university-based social network, initially limited to use by students at
Harvard University in the United States. Over time, its usage was extended to other American
and Canadian universities until 2006 it became available to anyone who registered. This social
network began gaining many users in Brazil around 2011 and became the most widely used
platform in the country in 2012
12
. At the end of 2010, Instagram emerged as a mobile
application (cell phone app) that initially only worked on iPhones. In 2012, the Instagram app
became available for Android smartphones, which are much more prevalent among Brazilians
than Apple devices, which operate with the IOS (iPhone Operating System) system. TikTok,
on the other hand, is the most recent successful social media platform. Launched globally in
2018, it gained popularity in early 2020
13
and has reached an increasing number of users in
Brazil.
12
Available at: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2012/01/facebook-passa-orkut-e-vira-maior-rede-social-
do-brasil-diz-pesquisa.html. Accessed in: 19 May 2022.
13
In the first four months of 2020, the platform reached 2 billion downloads in mobile app stores. In July of the
following year, this number reached 3 billion, a milestone previously achieved only by social media platforms
within the Facebook group. Available at: https://sensortower.com/blog/tiktok-downloads-2-billion;
https://sensortower.com/blog/tiktok-downloads-3-billion. Accessed in: 22 May 2022.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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Table 2 Opening Date and Entry into Social Media Platforms
Restaurant
Year of Establishment
Year of Entry to
Facebook (open to
any user in 2006)
Entry Date to
Instagram
(launched in
2010)
TikTok
D.O.M
1999
-
-
-
Sal Gastronomia
2005
2009
2014
-
Maní
2006
2012
2013
-
Paris 6
2006
2009
2011
2019
(2021)
Bar da Dona Onça
2008
2011
2013
-
Arturito
2008
-
2020
-
A Casa do Porco
2015
2015
2014
-
Président
2019
2019
2019
-
Source: Self-prepared with data collected from the digital profiles of the restaurants.
It is noticeable that most restaurants only created profiles on Facebook when the
platform was already on the verge of becoming the most used social media in the country.
Excluding establishments opened from 2015 onwards (when smartphones and social media as
a whole were well incorporated into the daily lives of a considerable portion of Brazilians
residing in major urban centers), it is evident that only Paris 6 and Sal Gastronomia established
profiles on the platform before it began to solidify as a popular space for online sociability.
These establishments share the fact that their owners are "outsiders" to the gastronomic field,
having embarked on their careers in the restaurant industry without a sort of "sponsorship" that
ensures the transmission not only of symbolic capital but also knowledge about the field's
nomos (as well as its boundaries)
14
. Azar was an automobile industry businessman who decided
to switch fields while remaining in management rather than entering the kitchens. Fogaça
worked at Banco Real in São Paulo when he learned to cook
15
, and after developing a taste for
the practice, he decided to study gastronomy at FMU (Centro Universitário das Faculdades
Metropolitanas Unidas
16
). After short internships at restaurants such as D.O.M where he
14
Among the other chefs in the sample, Janaina Torres Rueda also did not undergo extensive internships abroad
in restaurants led by highly acclaimed chefs, which is often a stage in the training of a significant portion of the
first generation of highly renowned Brazilian chefs (BUENO, 2016, p. 457). However, her " transformation "
process into a chef was mentored by her then-husband, Jefferson Rueda, who was already widely recognized in
national and international culinary spheres.
15
According to her biography, Um Chef Hardcore, Henrique Fogaça "didn't even know how to fry an egg," but
tired of relying on frozen food sent from the countryside by his mother, he asked his grandmother to teach him
how to prepare breaded steak. From that point forward, he began to spend more time in the kitchen, broadening
his culinary repertoire (Fogaça, 2016).
16
The Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas, also known as FMU, is a private higher
education institution in São Paulo, Brazil.
Camila CRUMO
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stayed for only a month and Julia Cocina (Carosella's former establishment) and working
for about a year at Namesa (also owned by Atala), he opened Sal.
Regarding Instagram, Paris 6 is the only one to create a profile in the platform's
inaugural year. The other restaurants that opened before 2015, except for D.O.M and Arturito,
only appeared starting in 2013, when Instagram was already globally popular
17
. What should
not be overlooked here is that the gap between the opening of the establishments and their
registration on Facebook and Instagram disappears in the case of establishments inaugurated
after 2015. This interval becomes negative considering the months of operation commencement
and social media appearance. A Casa do Porco opened in October 2015, but its Facebook
profile creation was recorded in July 2015 and on Instagram, even earlier, in December 2014
18
.
Président, on the other hand, commenced operations in December 2019, but profiles on both
social media platforms had already been created in March of the same year
1920
.
The difference in the time it took for older and more recent restaurants to join social
media is related to the attenuation of the initial threat they posed. According to Baym (2011, p.
1), when new technologies are introduced into social life, they can be met with enthusiasm and
skepticism. Fear arises from uncertainty about the effects of such additions, which inevitably
alter how the world is perceived and certain relationships are established, leading to social and
cultural reorganization (BAYM, 2011, p. 2). These reactions are not limited to digital
technologies and have been prompted by inventions such as the telephone, telegraph, and indoor
plumbing (BAYM, 2011; FISCHER, 1992; MARVIN, 1998; PANTZAR, 1997). Only through
these technologies do individuals gradually understand their possibilities and imbue them with
new services and meanings (FISCHER, 1992; MILLER et al., 2019). The process unfolds until
the new artifacts become so integrated into daily life that they become almost invisible (BAYM,
2011, p. 45).
17
According to the GWI Social report, compiled by GlobalWebIndex (2014), in the last quarter of 2013, Instagram
exhibited global growth more significantly than the combined growth of the Twitter, Facebook, and Pinterest
platforms.
18
Information was collected from their respective Facebook and Instagram pages on May 22, 2022.
19
Same.
20
Notably, the images posted on Instagram by both restaurants up until their respective openings, rather than
merely generating anticipation among followers and potential customers, served as a means of conversion and
transmission of specific capitals from the chefs/owners to their future establishments. In the case of Président,
Jacquin capitalized on his celebrity status to convert it into digital money for the establishment, which in turn
might have been converted into advantages such as gifts from suppliers (as per Jacquin's post on November 30,
2019, where he mentioned that the La Grand Maison, cookware brand sent eight personalized pans to the restaurant
as a gift). On the profile of A Casa do Porco, photos of cured ingredients and books about pork production and
preparation functioned as indicators that the cultural capital accumulated by its chefs in the gastronomic field
would be transmitted to the restaurant.
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In the present case, restaurants concerned with maintaining or building their reputations
only begin associating their images with newly launched social media platforms after users
have already developed their dynamics within them, having constructed through usage different
"netiquettes" (LÉVY, 1999, p. 128), that is, the set of implicit norms about what is acceptable
or not on that platform
21
. Furthermore, when a significant number of restaurants joined
Facebook, for instance, several other businesses had already begun mobilizing it as a space for
customer interaction, so these establishments did not have to play the risky role of pioneers.
Moreover, various sections of significant newspapers and specialized gastronomy magazines
had already created pages on this network
22
. With the "guardians" of the national field
legitimizing that channel, concerns about the risks that presence on the platform would pose to
the restaurants' symbolic capital were mitigated.
A similar dynamic occurred on Instagram. In this case, however, the domestication of
Facebook made the process relatively faster, as both platforms operate similarly. Profiles of
national authoritative agents such as Guia Folha and Paladar Estadão were created as early as
May 2011
23
. On an international scale, significant gastronomic awards, such as The 50 Best,
began joining the platform in 2014
24
, coinciding with the same period when many restaurants
in the sample also created their profiles. Later, in 2016, the Michelin Guide appeared on this
network. Currently, numerous gastronomic awards and esteemed establishments have pages on
Instagram, solidifying this platform as a "potentially" legitimate means to attract notoriety
potentially because, even though resistance to the social network itself has been mitigated, the
various modalities of its use remain a determining factor in the game of distinction (CRUMO,
2022).
This "authorization" to digitize restaurants through Facebook and, significantly,
Instagram does not eliminate the distinctive weight contained in the decision to ignore the
appeals of the digital world. Until 2020, Arturito and D.O.M did not have profiles on social
media platforms. On the other hand, other less prestigious establishments by the two chefs have
21
It is important to emphasize that the netiquettes in this passage pertain to the more general rules of sociability
within the platform. For instance, they include the types and formats of posts that are considered acceptable or not.
Of course, upon closer examination, within each user group, netiquette rules become more refined and specific,
much like what occurs in the offline social realm. Similarly, profiles of restaurants with owners or chefs possessing
distinct habitus and dispositions (oriented more or less towards restricted production or the market) will be guided
by the corresponding netiquette of the position they occupy in the social space.
22
Facebook Page Creation Dates: Veja Comer & Beber May 24, 2010; Guia Folha January 8, 2011; Paladar
Estadão July 5, 2011; Revista Menu October 21, 2010; Revista Gula June 16, 2010. Information was collected
from respective Facebook pages on May 22, 2022.
23
Information was collected from respective Instagram profiles on May 22, 2022.
24
Same.
Camila CRUMO
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had Facebook profiles since 2014 and Instagram profiles since 2014 and 2015, respectively.
The difference lies in the category they are classified under. Carosella defines her empanada
shop, La Guapa, as an "industry" that produces food on a large scale
25
. In an interview on the
program "De frente com Gabi,"
26
Atala, despite assigning the noble mission of representing
regional Brazilian cuisines to his secondary restaurant, Dalva e Dito, does not deny that it serves
as compensation for the low revenue of D.O.M
27
. The distinction between establishments made
by the chefs themselveskeeping the "conceptual" houses with high reputations offline while
the "commercial" ones are digitizedis a significant indicator of how the decision to stay off
social media could be instrumentalized from the classical opposition between "erudite"
production with "pure" intentions and "vulgar," utilitarian," and "self-interested" show, as
identified by Bourdieu (1993).
Significant changes occurred after the onset of the coronavirus pandemic. Carosella
began using her Instagram profile to showcase the daily dishes available for pickup or delivery
to keep the restaurant functioning while in-person service was suspended. This started to blur
the careful separation between her famous persona and her restaurant. Shortly after that, she
finally created the Arturito page, where she continued to present the "dishes from farmers,"
which change daily based on received ingredients from suppliers. However, using a personal
Instagram profile to promote the restaurant's menu wasn't a pandemic-forced innovation. The
chef had done this in the past on her profile to promote the "Friday executive lunch," which
changed weekly. In this way, she utilized her celebrity capital and the dynamics of social media
in favor of her establishment without tainting it. A similar approach is taken by Atala, who
frequently uses his account to share content related to D.O.M, such as awards won, photos with
customers, or even videos of recipes for some dishes served at the restaurant. This way, the
exposure of the prestigious restaurant on social media happens indirectly, mediated by the chef's
persona, an authorized figure seeking notoriety in mass media without compromising the
accumulation of symbolic capital of the establishment.
Moreover, it is essential to emphasize that the naturalization of platforms and the
"authorization" for their use mentioned here are specific to Facebook and Instagram. As each
new social network engenders specific dynamics, newly emerging platforms need to undergo
25
A statement was made on the Cozinha do Lorençato (16min 19s). Available at:
https://www.youtube.com/watch?v=sMpRMRaDuZk&list=PL7F_4bPLJxQSV5zGoIKSohAqz9BqXa3yz&inde
x=13. Accessed in: 28 Apr. 2020.
26
"De Frente com Gabi" is a Brazilian television interview program hosted by Marília Gabriela.
27
(27min 46s). Available at: https://www.youtube.com/watch?v=WRcFnth7O-Q. Accessed in: 11 Apr. 2020.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
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estrangement, exploration, assimilation, and, eventually, naturalization. This is happening now
with the TikTok platform, which, quite distinct from the other two discussed here, is solely
based on publishing short videos. The dynamics of TikTok are still met with skepticism by a
considerable portion of restaurants and renowned agents in the Brazilian gastronomic field
28
.
Nevertheless, adhering to the strategy of always embracing new social networks early, Paris 6
has been on TikTok since 2019 and has started publishing more consistently on this platform
since 2021.
Such a digitalization strategy is closely related to Azar's disposition (or, in this case,
disinclination) to subject himself to the rules of the gastronomic field, especially those that
value establishments that exhibit a selfless attitude, thus sacrificing part of their potential
economic profits. Upon realizing that his strategies to expand financial gains were taking away
his objective chances of ascension within the gastronomic field, he doubled down on tools that
would provide notoriety to his business without endorsing a specialized intermediary. Thus, the
very characteristic of social media that initially caused unease in many renowned restaurants
perfectly fit Paris 6's needs. If gastronomic media doesn't grant him space for reputation and
prestige, the "democratic" social media platforms do, and the number of followers becomes
juxtaposed against the stars of "snobbish" guides as the "true" source of legitimacy.
Final Considerations
The specificities of the formation of the Brazilian gastronomic field led to the exposure
of chefs and their restaurants in popular media, whether in print or television, being seen as a
legitimate means to seek notorietyprovided, of course, the involvement occurred with the
"appropriate" media products. Participation in TV programs tends to be regarded as natural by
both chefs and Brazilian culinary critics. News related to culinary reality shows can even be
found on gastronomy-focused websites, such as Veja Comer e Beber. Currently, the use of
specific social media platforms has also become naturalized by most restaurants in Brazil and
worldwide as a legitimate means of acquiring notoriety. However, although this process
occurred within a relatively short timeframe, incorporating these digital tools was neither
immediate nor free from producers' skepticism.
28
It is worth noting that some chefs have already created accounts for themselves on this new platform. Among
those whose restaurants are included in the sample of this research are the judges of MasterChef, Érick Jacquin,
and Henrique Fogaça. However, specialized publications in gastronomy, as well as the major national and
international awards, do not yet have profiles on this new network.
Camila CRUMO
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Considering the dynamic of reproducing hierarchies that permeates the entire field of
cultural production, such hesitation is related to the fact that these online channels are entirely
new media platforms where there is no professional curation of the exhibitions presented to the
public. Social media spaces, theoretically, are "unmediated" (VAN DIJCK, 2013) by
specialized consecrating agents who, as in television and magazines, would be responsible for
pre-selecting, screening, and categorizing products, thus shaping how viewers understand and
classify them. Therefore, any individual or company begins their journey on these platforms on
an equal footing: with zero followers and zero likes. Notoriety (or popularity) only begins to be
built as other users pay attention to what is being posted. Moreover, within the logic of these
platforms, the "value" of a particular profile is determined by widespread acclaim, which can
be expressed by the number of followers a profile has or the number of views an individual post
receives. Once again, unlike television, there are no classification principles based on elements
such as the airing time of content (for example, prime time or afternoon), its format (reality
show or cooking program), or the target audience (homemakers, gastronomy enthusiasts, young
people, adults, etc.).
The elimination of the "expert," who holds the power to define what is considered
legitimate or vulgar within that medium, is thus one of the motivators of uncertainty regarding
the possibility of converting notoriety gained on social media into stardom in the gastronomic
field. The hierarchy primarily based on the number of followers generates insecurity in those
who go against the economic logic, making them hesitant to reveal their interest in leveraging
economic profits through expanding their audience. In this sense, the historical record of the
entry of sample restaurants into social media shows a particular caution concerning these
environments when they were still a noveltyeven among producers accustomed to media
exposure of themselves and their productions.
Without an authority to define the hierarchy of published content (as is the case with
television, magazines, and books), it is up to the agents of the field themselves to explore and
establish the boundaries of what is legitimate and what is vulgar in terms of using these
platforms. This only occurs after users develop the dynamics of that online space and its
netiquettes (LÉVY, 1999, p. 128), through daily use. Furthermore, as pointed out, digitizing
becomes more comfortable when many consecrating agents have already entered social media.
Comparing the entry dates of gastronomic guides/magazines and restaurants into social media
shows that the presence of individuals or institutions with the power of consecration legitimizes
their presence in these digital spaces without being classified as inherently unworthy.
Distinction, digitalization, and legitimation: Social media incorporation in the Brazilian gastronomy field
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The movement of critically acclaimed restaurants towards digitalization becomes
legitimate only when at least some authorities in the field have already tested the waters of the
new media, not merely because its use has become widespread in the population. On the other
hand, the data from this research has shown that restaurants with less recognition from
consecrating instances tend to jump ahead of this kind of "adaptation period," embracing social
media as soon as they show signs of success. Conversely, this distinct relationship is also
evident in the current hesitation of most restaurants in the sampleexcept for Paris 6to join
TikTok, a platform that is exponentially growing in terms of downloads and users but has yet
to convince many producers to associate their restaurants with it (up to this point).
ACKNOWLEDGMENTS: Support from the São Paulo Research Foundation (FAPESP),
process number 2018/24266-3.
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Camila CRUMO
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023008, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.17488 25
CRediT Author Statement
Acknowledgements: I express my gratitude to Maria Helena Augusto and Renan William
dos Santos.
Funding: This work was supported by the São Paulo Research Foundation (FAPESP),
process number 2018/24266-3.
Conflicts of interest: Not applicable.
Ethical approval: Not applicable.
Data and material availability: Not applicable.
Authors' contributions: Camila CRUMO was responsible for the article's research,
analysis, and writing.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.