Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 1
VOTO IMPRESSO? O SISTEMA ELEITORAL SOB QUESTIONAMENTO
E O POSICIONAMENTO DE USUÁRIOS DO TWITTER ENTRE JUNHO E
JULHO DE 2021
¿VOTO IMPRESO? EL SISTEMA ELECTORAL BAJO CUESTIONAMIENTO Y LA
POSICIÓN DE LOS USUARIOS DE TWITTER ENTRE JUNIO Y JULIO DE 2021
PRINTED BALLOT? THE ELECTORAL SYSTEM UNDER QUESTIONING AND THE
POSITIONING OF TWITTER USERS BETWEEN JUNE AND JULY 2021
Kaique MANCOSO1
e-mail: kaique.mancoso@gmail.com
Robson ROQUE2
e-mail: franciscorobsonpr@gmail.com
Como referenciar este artigo:
MANCOSO, K.; ROQUE, R. Voto impresso? O sistema
eleitoral sob questionamento e o posicionamento de
usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021. Rev.
Cadernos de Campo, Araraquara v. 24, n. 00, e024002,
2024. e-ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962
| Submetido em: 09/04/2023
| Revisões requeridas em: 11/01/2023
| Aprovado em: 27/02/2024
| Publicado em: 04/03/2024
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. Me. Mateus Tobias Vieira
Profa. Me. Thaís Caetano de Souza
1
Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Mestre em Comunicação.
2
Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Doutorando em Comunicação. Mestre em
Comunicação pela UFPB.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 2
RESUMO: Este artigo tem como objetivo analisar os posicionamentos sobre o voto impresso
no período de 27/06/21 a 17/07/21 no Twitter, considerando a relevância do tema no cenário
político brasileiro. O foco da análise está em estudar: (1) os argumentos que contestam ou
apoiam o voto impresso; (2) as possíveis estratégias utilizadas por Bolsonaro ao defender essa
medida; e (3) os principais traços que caracterizam os posicionamentos em relação ao assunto.
Para isso, foi realizada uma revisão teórica sobre o sistema eleitoral e as estratégias populistas,
seguida por uma análise de conteúdo para compreender diversos aspectos da discussão. Os
resultados indicaram que a implementação do voto impresso não é considerada uma abordagem
viável e que as declarações de Bolsonaro possuem uma natureza ideológica populista, em vez
de um embasamento técnico. No Twitter, predominou o grupo que apoia a proposta de voto
impresso.
PALAVRAS-CHAVE: Voto impresso. Populismo. Twitter.
RESUMEN: Este artículo tiene como objetivo analizar las posturas sobre el voto impreso entre
el 27/06/21 y el 17/07/21 en Twitter, considerando la importancia que el tema ha adquirido en
el escenario político brasileño. Nos enfocaremos en estudiar: (1) qué argumentos invalidan (o
no) el voto impreso; (2) cuáles son las posibles estrategias adoptadas por Bolsonaro al
defender este artificio; y (3) cuáles son las principales características de posicionamiento
sobre el tema. Para ello, llevamos a cabo una discusión teórica sobre el sistema electoral y las
estrategias populistas. Además, utilizamos Análisis de Contenido para comprender algunos
aspectos de la conversación. Los resultados mostraron que adoptar el voto impreso no es un
camino viable y que las afirmaciones de Bolsonaro tienen un contenido ideológico populista (y
no técnico). Entre las posturas sobre el voto impreso en Twitter, prevaleció el grupo a favor de
la propuesta.
PALABRAS CLAVE: Voto impreso. Populismo. Twitter.
ABSTRACT: This article aims to analyze the positions on printed voting on Twitter from June
27, 2021, to July 17, 2021, considering the relevance of the topic in the Brazilian political
scenario. The focus of the analysis is to study (1) the arguments that contest or support printed
voting, (2) the possible strategies used by Bolsonaro to defend this measure, and (3) the main
characteristics that characterize the positions regarding the subject. For this purpose, a
theoretical review was conducted on the electoral system and populist strategies, followed by
content analysis to understand various aspects of the discussion. The results indicated that the
implementation of printed voting is not considered a viable approach and that Bolsonaro's
statements have a populist ideological nature, rather than a technical basis. On Twitter, the
group that supports the proposal of printed voting predominated.
KEYWORDS: Printed ballot. Populism. Twitter.
Kaique MANCOSO e Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 3
Introdução
Considerado como garantia de credibilidade aos resultados eleitorais por alguns e
definido como retrocesso e elemento de um discurso prejudicial à democracia por outros, o voto
impresso voltou a ganhar atenção no debate político brasileiro nos últimos anos. A bandeira do
voto impresso é levantada por Jair Bolsonaro (PL - Partido Liberal) há anos, muito antes da sua
primeira candidatura à presidência. Porém, foi a partir das eleições de 2018 que o assunto
ganhou visibilidade (Piaia; Alves, 2020) e, desde então, a base bolsonarista veio, gradualmente,
ecoando, defendendo e exigindo a implementação do mecanismo impresso.
Questionar o sistema eleitoral coloca em descrédito não apenas todos os resultados
eleitorais desde 1996 (quando as urnas eletrônicas foram implantadas), como também
estabelece um clima de tensão sobre o que devemos esperar para as próximas eleições. Além
disso, o assunto categorizou uma das principais desavenças entre ex-chefe de Estado e o
Supremo Tribunal Federal (STF), o que os cientistas políticos categorizam como uma estratégia
populista do ex-presidente Bolsonaro
3
, em função dos constantes ataques às instituições
democráticas. Compreender, então, as origens, causas e consequências de tal questionamento
se faz cada vez mais importante, com a certeza de que ainda há um propósito na esfera pública
em defender (e fortalecer) a democracia brasileira.
É diante da dimensão que a argumentação sobre o voto impresso alcançou e o quão
delicado pode ser emplacar pressupostos que minam a confiança sobre o sistema eleitoral, que
essa pesquisa se propôs a desenvolver o nimo de contextualização para compreendermos
esse debate político. Para isso, focaremos em estudar: (1) quais os argumentos que invalidam
(ou não) o voto impresso; (2) quais as possíveis estratégias adotadas por Bolsonaro ao defender
tal artifício; e (3) quais os principais traços que configuram os posicionamentos a respeito do
assunto, especificamente no Twitter. Dentro do terceiro objetivo mencionado, pretende-se
entender (1) quais são os posicionamentos dos usuários ao voto impresso e (2) quais foram as
principais intenções deles ao expressar-se sobre o tema.
O artigo é dividido em 4 principais seções, além desta introdução, das considerações
finais e das referências. Na primeira, iremos abordar alguns pontos técnicos que norteiam o
voto impresso e as urnas eletrônicas, para consentirmos sobre a inviabilidade da proposta do
voto impresso. Na segunda, discutiremos como o emblema do voto impresso configura uma
3
Esta pesquisa foi escrita em julho de 2021. No entanto, alguns dados foram atualizados para contemplar o
cenário político brasileiro mais próximo à realidade da data de publicação deste artigo.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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estratégia populista de Bolsonaro, através de conceitos teóricos, e o quanto isso realça a crise
democrática. Na terceira, detalharemos a metodologia aqui aplicada com o intuito de conceber
luz à discussão do voto impresso no Twitter, entre os meses de junho e julho de 2021. Por fim,
na quarta seção, apresentaremos os resultados e nos propomos a interpretar as principais
configurações das mensagens publicadas sobre assunto, no recorte temporal escolhido.
Antecipando parte do que iremos expor ao decorrer deste artigo, este estudo mostrou
não apenas que o voto impresso não acrescenta valor à legitimidade das eleições, como também
indica que tais argumentos reforçam a estratégia de Bolsonaro em atacar as instituições
democráticas. Essas ações representam elementos do projeto populista que surtiu efeito sobre a
base eleitoral de Bolsonaro. Base essa que, ao reverberar os mesmos argumentos de seu der,
se mostrou o grupo mais ativo dentro da discussão no Twitter.
Reflexões sobre o voto impresso e as urnas eletrônicas
O sistema eletrônico de votação é adotado no Brasil desde 1996, quando pela primeira
vez, eleitores de 57 municípios do país utilizaram a urna eletrônica para escolher seus
representantes políticos (Nicolau, 2004). A adoção desse sistema se deve aos inúmeros fatos de
fraudes eleitorais que marcaram boa parte dos pleitos na história do Brasil. Nicolau (2004)
esclarece que a principal razão para essa mudança se deu às eleições de 1994, quando o Tribunal
Regional Eleitoral do Rio Janeiro apurou fraudes em diferentes zonas eleitorais e viu-se
obrigado a anular os pleitos para deputados federais e estaduais, o que exigiu a convocação de
eleitores a votarem mais uma vez. Antes de 1996, a cédula de papel configurava a única
ferramenta de voto. Foi apenas em 2000 que todos os eleitores brasileiros votaram através da
urna eletrônica.
O sistema eletrônico de votação passou, e passa a hoje, por questionamentos e
especulações quanto à garantia de legitimidade dos resultados nas eleições (Eirado; Silva;
Cordeiro, 2020). Um dos principais atores que reproduziu esse mote foi o ex-presidente Jair
Bolsonaro (Piaia; Alves, 2020). As alegações se resumem a argumentos como: os votos o
podem ser auditados, o eleitor não tem certeza quanto à computação do seu voto,
indícios de fraudes em eleições, entre outros (Bolsonaro, 2021). Tais pressupostos foram
disseminados pela base eleitoral de Bolsonaro, conforme veremos nos resultados desta
pesquisam contribuindo para que a credibilidade do sistema eleitoral fosse desestimulada
através da introdução de uma atmosfera conspiratória. Uma das soluções propostas pelo ex-
Kaique MANCOSO e Robson ROQUE
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presidente foi o voto impresso, mecanismo este considerado ultrapassado e insuficiente para
assegurar aquilo que é questionado (Carvalho, 2016).
Na opinião exposta por Bolsonaro (2021), o voto impresso representa uma forma
auditável de conferir os resultados eleitorais, ao permitir a comparação dos votos eletrônicos
com aqueles em papel, a fim de averiguar a existência de fraudes eleitorais. Essa proposta não
é nova para o cenário político nacional. Em 2015, a Lei n.º 13.165 sugeriu a alteração do artigo
59-A da Lei das Eleições
4
com o seguinte trecho:
Art. 59-A. No processo de votação eletrônica, a urna imprimirá o registro de
cada voto, que será depositado, de forma automática e sem contato manual do
eleitor, em local previamente lacrado.
Parágrafo único. O processo de votação não será concluído até que o eleitor
confirme a correspondência entre o teor de seu voto e o registro impresso e
exibido pela urna eletrônica (Brasil, 2015).
Antes de 2015, a mesma proposta entrou em discussão através da Lei n12.034/2009.
Ambas tiveram seu teor contestados pela Procuradoria Geral da República, por meio da Ação
Direta de Inconstitucionalidade n.º 4.543 (Carvalho, 2016), com a alegação de que a impressão
do voto com um número único de identificação implicaria a possibilidade de desrespeito ao
corolário constitucional do sigilo do voto (Carvalho, 2016, p. 145). O código de identificação
acoplado ao voto, por si só, é uma forte razão para o indeferimento do voto impresso, uma
vez que abre caminhos para uma retomada à era do voto de cabresto, ao permitir assimilações
durante a conferência dos votos.
Somado a isso, Carvalho (2016) comenta que o uso deste recurso poderia ser
considerado inseguro para eleitores analfabetos ou portadores de deficiência visual. Isso
acontece devido à impossibilidade de conferirem as informações impressas, que os cidadãos
que não sabem ler ou o fazem precariamente e aqueles que não enxergam, teriam de buscar
auxílio de terceiros para concretizar o processo de votação com plena segurança” (Carvalho,
2016, p. 150).
Porém, mais que entender os porquês que norteiam a incoerência de implantar o voto
impresso, é importante esclarecermos brevemente até que ponto podemos questionar a
credibilidade das urnas eletrônicas. Giuseppe Janino, que foi por 15 anos secretário de
Tecnologia e Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforça que o sistema é sim
seguro e que historicamente vem passando por melhorias e avanços (Saldanha; Silva, 2020).
4
Disponível em: https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/lei-das-eleicoes. Acesso em: 10 ago. 21.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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Dezoito Ministros do Supremo Tribunal Federal assinaram uma nota pública defendendo que o
Brasil não registra nenhuma fraude eleitoral desde 1996, quando as urnas eletrônicas passaram
a fazer parte do sistema eleitoral. Além disso, acrescentaram que:
As urnas eletrônicas o auditáveis em todas as etapas do processo, antes,
durante e depois das eleições. Todos os passos, da elaboração do programa à
divulgação dos resultados, podem ser acompanhados pelos partidos políticos,
Procuradoria-Geral da República, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia
Federal, universidades e outros que são especialmente convidados. É
importante observar, ainda, que as urnas eletrônicas não entram em rede e não
são passíveis de acesso remoto, por não estarem conectadas à internet (Brasil,
2021, p. 1).
Fora as autoridades políticas, existem estudos que comprovam a inexistência de fraudes
eleitorais. É o caso de Figueiredo, Silva e Domingues (2021) que, através do modo estatístico
da Lei de Newcomb-Benford (LNB), comprovou que não houve fraudes nas eleições de 2018.
Os autores aproveitaram para citar outros cientistas e estudos que comprovam a credibilidade
dos resultados nas últimas eleições.
Vale a pena ressaltar também que a urna eletrônica é considerada, muitas vezes, como
um dos grandes exemplos em inovação, graças à tecnologia da informação dentro da gestão
pública (Saldanha; Silva, 2020). O fato dos equipamentos serem submetidos a diferentes tipos
de fiscalização e auditoria, bem como testes públicos de segurança (em que qualquer cidadão
brasileiro com no mínimo 18 anos de idade pode participar), reforçam a afirmação de que se
pode confiar no sistema eleitoral vigente, por mais que compartilhemos a benéfica intenção que
ele pode ser sim tecnicamente aprimorado (Saldanha; Silva, 2020).
Mas, então, por que o sistema eletrônico levanta desconfianças? Apurou-se em 2018
que 91,84% dos participantes de uma pesquisa afirmaram acreditar que a tecnologia eleitoral
pode ser violada (Avast, 2018). Pouco mais de 96% dos respondentes acreditam que os
partidos políticos ou seus candidatos possam ser alvo de cibercriminosos (Avast, 2018).
Saldanha e Silva (2020, p. 704) comenta que a dificuldade do cidadão em compreender e
inspecionar a atuação estatal na utilização do sistema eletrônico de votação mantém a
desconfiança quanto à sua lisura, mesmo decorridos mais de 20 anos do início de seu
desenvolvimento.
Segundo eles, o sistema é considerado complexo e pouco transparente, o que o torna
assimilado apenas por uma parcela de pesquisadores e cnicos, dificultando a compreensão por
parte de pessoas leigas (Saldanha; Silva, 2020). Isso corrobora para a difícil relação entre um
Kaique MANCOSO e Robson ROQUE
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sistema eleitoral complexo e os mais de 145 milhões de eleitores brasileiros, que se veem
obrigados a acreditar naquilo que não se pode entender com plenitude.
É certo que especulações ganham maiores proporções quando apoiadas por figuras
públicas. A pauta do voto impresso passou a ter os holofotes voltados a ela, novamente, quando
Bolsonaro questionou, inúmeras vezes, o sistema eleitoral como um todo e sugeriu tal proposta.
Dessa forma, parte da população, que considera esse mecanismo indispensável, passou então a
defendê-lo e a ecoar as afirmações de Bolsonaro, como veremos nos resultados na quinta seção
deste artigo.
Porém, para fins conclusivos a respeito da necessidade (ou não) do voto impresso, é
importante contextualizar que este foi experimentado em 2002 em 150 municípios do país.
O ensaio tinha como objetivo testar a implantação da urna eletrônica a partir de 2004, através
da Lei n.º 10.408/2002
5
. Os resultados foram negativos, a experiência demonstrou que o voto
impresso é desnecessário e problemático. Segundo o Relatório das Eleições de 2002 do TSE,
as seções eleitorais apresentaram situações como:
(a) maior o tamanho das filas; (b) maior o número de votos nulos e brancos;
(c) maior o percentual de urnas com votação por cédula com todo o risco
decorrente desse procedimento; (d) maior o percentual de urnas que
apresentaram defeito, além das falhas verificadas apenas no módulo impressor
(Brasil, 2003, p. 21).
O teste de 2002 mostrou também que 60% dos eleitores no Rio de Janeiro não
conferiram seu voto eletrônico com o representativo impresso. Além disso, foram possíveis
constatar maiores índices de quebra de urna eletrônica (falhas no equipamento), votação manual
(cédulas de papel) e voto cantado (procedimento no qual os votos em papel são cantados para
registro em uma urna eletrônica), nas seções eleitorais que utilizaram o módulo impresso. Esses
fatos contribuem para o aumento da interferência humana durante e após as eleições e,
consequentemente, maior exposição dos resultados a fraudes (Brasil, 2003).
Fora todos os argumentos aqui citados que ratificam a inviabilidade do voto impresso,
Felitti (2021) acrescenta que uma mudança dessa magnitude leva pelo menos 4 anos, o que
impossibilitaria tal implantação nas eleições de 2022. Considerando que o ex-presidente
Bolsonaro é conhecedor desses aspectos técnicos e exigia que o voto impresso fosse utilizado
nas eleições de 2022, ameaçando não reconhecer tais resultados eleitorais, levanta-se então a
5
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10408.htm. Acesso em: 23/07/21.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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questão: qual o objetivo por trás da solicitação do voto impresso? Felitti (2021) defende que
essa discussão não é técnica, mas sim ideológica. Ou seja, Bolsonaro não tem intenção de buscar
um sistema eleitoral mais qualificado tecnicamente, mas sim apenas criar um movimento
ideológico que, ao questionar tal sistema, angariam-se vantagens políticas.
O sistema eleitoral sob questionamento: uma estratégia de cunho populista
Bolsonaro questionou o sistema eleitoral em 2018, durante as eleições presidenciais.
Esse discurso foi visto como uma das estratégias políticas a fim de antecipação ao erro (Piaia;
Alves, 2020). Em outras palavras, basicamente, o objetivo era criar um arcabouço que
sustentaria a hipótese de fraude eleitoral caso Bolsonaro perdesse as eleições, o que não
aconteceu. Tal estratégia apresentou um excelente custo-benefício, que, mesmo errado,
Bolsonaro não obteve custos negativos ao levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas (Piaia;
Alves, 2020). Apesar de Bolsonaro vencer em 2018, podemos observar que o uso dessa
narrativa ultrapassou aquele período eleitoral e se manteve nos anos seguintes, talvez sob a
mesma estratégia para uma eventual derrota. No entanto, 2021, provavelmente, foi o ano que a
agenda do voto impresso recebeu mais atenção, não apenas por conta dos holofotes midiáticos,
mas também por ter voltado ao debate político através da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 135/19
6
e da Consulta Pública de Sugestão n.º 9 de 2018 no e-Cidadania
7
.
Felitti (2021), ao analisar as menções à voto impresso e à voto auditável no
Facebook e Instagram, percebeu um considerável aumento de interesse durante o mês de abril
de 2021, mesmo mês que o ministro Luís Roberto Barroso solicitou a instauração da CPI da
Covid. Felitti (2021) sugere, então, que o uso dessa diegese serve como uma cortina de
fumaça para os problemas que o governo Bolsonaro passaria a enfrentar a partir da CPI
instaurada. Comprovar tal afirmação não é o objetivo deste artigo, mas a análise feita pelo autor
é elemento importante para o raciocínio que estamos estabelecendo.
Bolsonaro, ao realizar uma live no YouTube no dia 29/07/2021, afirmou que não possuía
provas sobre as acusações de fraudes eleitorais, mas sim fortes indícios (Bolsonaro, 2021). A
live contou com uma série de reportagens e depoimentos que, somados à interpretação/análise
6
Disponível em:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=node0h828ceknd8hq1pwedk51eij4
m13042212.node0?codteor=1807035&filename=PEC+135/2019. Acesso em: 03 ago. 2021.
7
Disponível em: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=132598. Acesso em: 03 ago.
21.
Kaique MANCOSO e Robson ROQUE
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da equipe bolsonarista, indicariam os indícios citados. O TSE, entretanto, respondeu às
alegações em tempo real e considerou todas como falsas, afirmações essas que já haviam sido
desmentidas em outras ocasiões.
O professor de ciências políticas, Marcus André Melo, indica que o discurso de
Bolsonaro tem relação com a atual onda populista, na qual a denúncia das instituições é algo
que faz parte do repertório comum desses governantes e liberais; (no qual) você tem um
discurso anti-instituições, mesmo se beneficiando delas (Café da manhã, 2021). Observa-se,
portanto, uma das primeiras possíveis intenções de Bolsonaro ao questionar o sistema eleitoral:
atacar as instituições tradicionais através de discursos populistas.
Entre as afirmações de Bolsonaro, estão expressões como o povo quer voto impresso
e o povo vai reagir se não tiver voto impresso (Bolsonaro, 2021). Frases como essas reforçam
a categorização de Bolsonaro como um populista, teoria que leva em sua formulação a ação de
falar em nome do povo e contra as elites governantes (Finchelstein, 2018). O cientista político
Finchelstein comenta sobre características que fundamentam a essência populista:
[...] Uma teologia política fundada por um líder carismático e messiânico do
povo; [...] Um nacionalismo radical. A ideia de que o líder é a personificação
do povo. A identificação do movimento e das lideranças com o povo como
um todo. [...] A ideia homogeneizante de que o povo é uma entidade única e
que, uma vez que o populismo se tornou um regime, esse povo equivale às
suas maiorias eleitorais (Finchelstein, 2018, p. 120, tradução livre
8
).
Em sintonia com as afirmações do professor Marcus André Melo, Finchelstein (2018)
reforça que o líder populista muitas vezes desdenha do diálogo político, sob a justificativa de
uma crise de representação, e ataca as instituições democráticas. Exemplos desse
comportamento foram os constantes ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal e ao
Tribunal Superior Eleitoral e seus ministros, alegando que as instituições queriam determinar
quem seria a próxima pessoa eleita, sugerindo, inclusive, que tais órgãos possuíssem uma
inclinação à eleição de Lula, e que teriam a intenção de trazer a corrupção de volta ao Brasil
(Bolsonaro, 2021).
Essa rejeição aos canais representativos tradicionais nas atitudes populistas de
Bolsonaro (Gentile, 2020), pode configurar uma das principais estratégias do ex-presidente por
8
Una teología política fundada por un líder del pueblo mesiánico y carismático. [...] Un nacionalismo radical. La
idea de que el líder es la personificación del pueblo. La identificación del movimiento y los líderes con el pueblo
como un todo. [...] La idea homogeneizadora de que el pueblo es una entidad única y que, una vez el populismo
convertido en régimen, este pueblo equivale a sus mayorías electorales.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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trás da polêmica do voto impresso: criticar internamente a democracia. “Historicamente, os
populistas consideraram que, ao criticar o status quo, radicalizavam a democracia ao devolver
o poder ao povo (Finchelstein, 2018, p. 149, tradução livre
9
). E ao refletirmos sobre o
ingrediente populista em que o líder personifica em si próprio a soberania popular, podemos
evidenciar os esforços de Bolsonaro de concentrar em sua figura todo o poder político.
Ao tentar responder à difícil pergunta como as democracias morrem?, Levitsky e
Ziblatt (2018) reforçam que é preciso atenção àqueles líderes que "tentam minar a legitimidade
das eleições, recusando-se, por exemplo, a aceitar resultados eleitorais dignos de crédito"
(Levitsky; Ziblatt, 2018, p. 35). Os autores relatam que demagogos populistas geralmente
ignoram as regras democráticas do jogo e negam a legitimidade de oponentes, o que não apenas
patrocina o declínio da democracia, como também abre caminho para sistemas autoritários e
ditatoriais. A fim de comparar as colocações de Levitsky e Ziblatt podemos lembrar aqui as
afirmações de Bolsonaro ao dizer que caso o voto impresso não fosse usado nas eleições de
2022, essas não poderiam ser consideradas legítimas ou, até mesmo, sequer aconteceriam.
As atitudes do então presidente, Bolsonaro, buscaram reforçar uma rivalidade
ideológica presente no populismo: "nós, cidadãos do bem" versus "eles, cidadãos do mal"
(Gentile, 2020). É por isso que o populista estimula a polarização social e política, a fim de
criar um ambiente hostil e perturbador, que lhe permitirá impor a chamada "vontade do povo",
que é considerada maior e mais verdadeira que qualquer outra. O populismo, em suma, é uma
forma autoritária de democracia (Finchelstein, 2018, p. 122).
Weber (2011) trouxe a importante reflexão sobre a dominação carismática como uma
das principais formas de poder. Essa legitimidade é baseada na veneração de uma pessoa ao
acreditar que ela seja uma heroína, uma santidade ou um modelo de pessoa a ser seguida. Tal
dominação carismática e veneração pode ser facilmente identificada e comprovada através do
frequente uso da expressão mito, destinada à figura de Bolsonaro e utilizada pela sua base
eleitoral. O carisma é um importante elemento na concretização de um demagogo populista,
como Jair Bolsonaro (Avritzer, 2020).
A comunicação autêntica de Bolsonaro, somada a habilidade de utilizar muito bem as
redes sociais, favoreceu a ascensão do populismo de direita no Brasil (Avritzer, 2020). O
cenário tornou-se “oportuno”, então, para uma crise democrática, na qual a democracia não
depende das instituições tradicionais, mas sim exclusivamente da relação entre o líder e o povo.
9
Históricamente, los populistas han considerado que criticando el statu quo radicalizaban la democracia
restituyéndole el poder del pueblo.
Kaique MANCOSO e Robson ROQUE
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DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 11
Portanto, sobraria àqueles que não se enquadram na definição de “povo” por Bolsonaro, a
aceitação do legítimo poder soberano. Estes últimos representam, por fim, segundo Avritzer
(2020, p. 152), “uma elite que, no geral, é tida como corrompida e que se busca combater”.
Não restam dúvidas que Bolsonaro utiliza de estratégias populistas para angariar suas
vontades políticas. Para concretizar tal afirmação podemos elencar a pesquisa de 2019 do Team
Populism
10
que colocou Jair Bolsonaro como o primeiro presidente populista do Brasil desde o
mandato de Collor. Vale, dessa forma, tentar refletir: quais seriam as vantagens para Bolsonaro
ao utilizar estratégias populistas e táticas como a discussão do voto impresso? Avritzer (2020,
p. 152) resume uma possível resposta quando diz que um dos elementos centrais do modo de
agir do bolsonarismo é constituir um modo de degradar as instituições com o objetivo de
concentrar a legitimidade política na figura do líder.
Felitti (2021), ao dialogar sobre as colocações de voto impresso por Bolsonaro, se
arrisca a levantar a hipótese de que os argumentos utilizados pelo ex-presidente tentaram criar
um arcabouço ideológico para um possível golpe de estado, com o apoio da base militar, que
viria a acontecer caso o Bolsonaro não ganhasse as eleições de 2022. Independente da validade
de tal hipótese, devemos relembrar a contextualização político-científica que afirma sobre quão
perigosas podem ser atitudes populistas:
O populismo é a mais devastadora corrupção da democracia, pois invalida
radicalmente as instituições representativas (especialmente as eleições e o
pluralismo partidário) e transforma o poder negativo de julgamento ou de
opinião, que passam a controlar e monitorar líderes politicamente eleitos a
rejeitar sua legitimidade eleitoral em nome de uma unidade mais profunda
entre líderes e pessoas; opõe a legitimidade ideológica à da constituição e dos
procedimentos (Finchelstein, 2018, p. 154).
Após refletirmos sobre a necessidade do voto impresso e as intenções bolsonaristas
implícitas neste diálogo, dedicaremos as próximas seções para entender como se deram as
discussões sobre o tema no Twitter. Essa foi a rede social escolhida que muitos estudos
indicam um considerável aumento na adoção da ferramenta por figuras políticas com o intuito
de promover seus ideais, divulgar decisões e fomentar a si próprio (Marques et al., 2019).
Somado a forte adesão do contexto político, o Twitter tem se apresentado como um ambiente
caótico, principalmente ao considerar o número elevado de posts e a velocidade que estes são
10
Disponível em: https://populism.byu.edu/Pages/Data. Acesso em: 25 jul. 21.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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feitos (Marques et al., 2019), fatores estes importantes para tentarmos captar com amplitude as
características que vêm norteando o debate sobre voto impresso.
Metodologia
A fim de entender algumas das configurações dos posicionamentos sobre voto impresso
no Twitter, a metodologia aqui aplicada segue a seguinte ordem cronológica: (1) definição do
recorte temporal; (2) coleta dos tweets e seus respectivos usuários; (3) definição da amostra; e
(4) técnicas de estatística e de Análise de Conteúdo (Krippendorf, 2004). A metodologia
empregada tenta seguir parte das estratégias propostas por Joathan e Alves (2020).
Para definir o recorte temporal dos tweets, utilizamos o Google Trends
11
com o objetivo
de verificar quais semanas demonstraram um significativo aumento nas pesquisas da expressão
voto impresso, dentro do buscador Google. Os dados indicaram um pico de buscas entre
os dias 27 de junho e 17 de julho (Imagem I). Assim, foram definidos os 21 dias que
representam o recorte estudado.
Imagem I Print Screen da ferramenta Google Trends para o termo voto impresso
Fonte: Google Trends, consultado em 26/07/2021.
11
Disponível em: https://trends.google.com.br/trends/explore?q=voto%20impresso&geo=BR. Acesso em:
26/07/21.
Kaique MANCOSO e Robson ROQUE
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Os tweets foram coletados através de um script R utilizando o pacote academictwitteR
disponível para a linguagem de programação R (Barrie, Ho, 2021). O academictwitteR integra
com a API do Twitter e permite que dados sejam coletados para fins acadêmicos e científicos.
Na primeira coleta, foram armazenados todos os dados entre 27/06/21 e 17/07/21
(n=3412) que continham a expressão voto impresso. Entre os tweets, estavam contemplados
também replies, retweets e quotes
12
, o que posteriormente decidimos excluí-los do corpus,
que entendê-los exigiria uma compreensão aprofundada sobre cada conversação, o que não é
nosso objetivo neste artigo. Portanto, ao permanecer apenas os tweets originais (n=1238), foi
definida a população a ser estudada. Uma amostra de 21% foi escolhida de forma aleatória para
representar os tweets que passaram por Análise de Conteúdo (AC). Portanto, a quantidade de
dados aqui descrita e que recebeu o devido foco deste artigo, pode ser resumida conforme a
Tabela I abaixo.
Tabela I - Visão geral da quantidade de dados analisada
Tamanho da
Amostra
% da Amostra
Grau de
Confiança
260
21%
95%
Fonte: Autoria própria.
O Google Sheets
13
foi utilizado para mensurar quais hashtags, figuras públicas e
expressões relacionadas ao ambiente político apareceram com maior intensidade na população
escolhida, através de manipulação de planilha de dados. Dessa forma, objetivou-se
compreender a contextualização por trás das mensagens publicadas.
Para entender a configuração dos posicionamentos a respeito do voto impresso no
Twitter durante o período citado, nos propomos a responder principalmente duas perguntas: (1)
qual o posicionamento dos usuários ao voto impresso? E (2) qual é a principal intenção deles
ao expressar-se sobre o voto impresso? Com isso, foi estabelecido a seguinte codificação para
a amostra analisada:
12
A diferença entre esses recursos pode ser melhor compreendida em:
https://help.twitter.com/en/resources/glossary. Acesso em: 27 jul. 21.
13
Disponível em: https://docs.google.com/spreadsheets/. Acesso em: 27 jul. 21.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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Tabela II - Codificação para Qual o posicionamento dos usuários ao voto impresso?
Posicionamento
Descrição
Exemplo
A favor
Aqueles que demonstraram estar
favoráveis à proposta do voto
impresso.
Não temos medo. Mas precisamos de voto
impresso auditável com contagem pública,
porque essas urnas que estão aí, são todas
fraudulentas. Pode mandar qualquer um,
@jairbolsonaro ganha no 1 turno
#Votoimpressoauditavelcomcontagempublica”.
Contra
Aqueles que não concordaram
com a proposta do voto impresso.
Bolsonaro se elegeu com voto em urna
eletrônica. Agora, no desespero da derrota,
volta ameaçar as eleições de 2022 ao impor o
voto impresso. O sistema eleitoral só é falho
quando o risco de derrota é dele, né? Lutaremos
com todas as forças pra impedir esse tamanho
retrocesso!”.
Indefinido/
Ausente
Aqueles que não deixaram claro
seu posicionamento ou não
tinham intenção de demonstrá-lo.
Se a o projeto do voto impresso for à plenária
(tenho minhas dúvidas), temos que cercar o
parlamento para fazer pressão. Não com mil
pessoas, mas com 1 milhão!”.
Fonte: Autoria própria.
Tabela III - Codificação para "Qual é a principal intenção deles ao expressar-se sobre o voto
impresso?"
Principal Intenção
Descrição
Exemplo
Expressão de
posicionamento e
promoção de ideais
Quando há o objetivo de
expressar sua opinião a respeito
do voto impresso e/ou
posicionamento político.
Eleições só com VOTO impresso e auditável
🇧🇷#QueremosVotoImpresso”.
Disseminação de
informações/
dados
Aqueles que compartilharam
informações/dados a fim de
defender ou criticar o voto
impresso.
Passo a passo da realidade do voto impresso...
#euqueromeuvotoimpresso em Vila Velha,
Brazil https://t.co/2w8rRQ98FD”.
Cobertura
jornalística/
Agenda midiática
Tweets que possuíam como
intenção principal a promoção de
conteúdos com teor jornalístico.
Sessão da Comissão da PEC do voto
impresso auditável é cancelada. * Terra Brasil
Notícias https://t.co/qgMIvRiIzi”.
Ofensa/Ameaça a
usuário ou grupo de
usuários
Aqueles que apresentaram
impolidez linguística em seus
comentários, atacando alguma
figura política e/ou grupo político.
Voto impresso de cu é rola, bolsonarismo de
merda #VotoImpressoAuditavelJa”.
Outro/
Indefinido
Comentários que não se
encaixaram nas categorias acima
ou não deixaram claro sua
principal intenção.
Você é a Favor do Voto impresso Auditável
independente da sua resposta comente rtt”.
Fonte: Autoria própria.
Torna-se importante aqui especificar alguns pontos que foram levados em consideração
nas análises. Um deles diz respeito às dias (imagens ou vídeos) que faziam parte do conteúdo
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publicado. Cada uma delas foi observada e considerada como variável importante durante as
categorizações. Assim como os links que levavam para um site externo, porém neste caso
apenas a manchete (conteúdo que aparece visível no tweet) foi um fator de estímulo às análises.
Além desses, as hashtags também contribuíram para as devidas compreensões.
Para verificar o índice de confiabilidade da pesquisa aqui aplicada, foi utilizado a
métrica do alpha de Krippendolf (2004), que é indicada em casos de AC com apenas um
codificador (Sampaio; Lycarião, 2018). Através da ferramenta ReCal
14
, foi possível realizar o
teste e constatar bons índices no alpha de Krippendolf (Imagem II), que quando acima de 0,9
indica que a análise pode ser considerada confiável (Sampaio; Lycarião, 2018).
Imagem II Print Screen do resultado do teste de confiabilidade na ferramenta ReCal
Fonte: Autoria própria.
Resultados e discussões
Por meio dos dados coletados, foi possível verificar no recorte temporal que a
quantidade de tweets respeitou a agenda midiática, principalmente em resposta aos momentos
que mais repercutiram e ganharam a atenção dos brasileiros politicamente engajados no assunto
(Gráfico I). O dia com mais tweets foi 16/07/2021 (n=126), mesma data em que a Câmara dos
Deputados decidiu adiar a votação da PEC 135/19 para depois do recesso parlamentar
15
. O
segundo dia que apresentou mais tweets com a expressão voto impresso foi 05/07/2021
(n=96), quando Bolsonaro disse que o ministro Luís Roberto Barroso, então Presidente do
Tribunal Superior Eleitoral, teria que “inventar uma forma de tornar transparentes as apurações.
Senão ele [Barroso] vai ter problemas”
16
, em tom ameaçador ao defender o uso do voto
impresso.
14
Disponível em: http://dfreelon.org/utils/recalfront/. Acesso em: 31 jul. 21.
15
Mais informações em: https://www.camara.leg.br/noticias/786843-votacao-sobre-o-voto-impresso-fica-para-
depois-do-recesso-parlamenta. Acesso em: 30 jul. 21.
16
Mais informações em: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/bolsonaro-diz-que-sem-voto-impresso-
barroso-tera-problemas/. Acesso em: 30 jul. 21.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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O posicionamento de Bolsonaro foi uma resposta à sessão temática no Plenário, que
aconteceu no mesmo dia, na qual o ministro Barroso alertou sobre os riscos de fraude e
judicialização caso o voto impresso fosse adotado nas eleições de 2022
17
. O terceiro dia com
maior índice de tweets foi 10/07/2021 (n=90), que repercutiu sobre a discussão do dia anterior,
quando Bolsonaro afirmou que, sem voto impresso e auditável, o Brasil corria o risco de não
ter eleições em 2022. A colocação influenciou alguns políticos a se posicionarem sobre a fala
do ex-presidente, entre eles o senador e Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (Democratas),
e o deputado e Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas)
18
.
Gráfico I Tweets com a expressão voto impresso entre 27/06/21 e 17/07/21
Fonte: Autoria própria.
Para compreendermos a contextualização dos posicionamentos nos tweets, analisamos
as principais hashtags (Gráfico II), os políticos mais citados (Gráfico III) e os termos com
referência política mais utilizados (Gráfico IV).
No contexto de hashtags (23% dos tweets utilizaram este recurso), apesar da grande
variedade de hashtags (n=125) utilizadas no período estudado, é possível observar alguns
pontos:
Maior utilização de hashtags que demonstram apoio à implantação do voto impresso,
como, por exemplo, as três com maior quantidade de uso: #votoimpressoauditavelja,
#euapoiovotoauditavel e #votoimpressoauditavelja2022;
17
Mais informações em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/07/05/voto-impresso-tse-aponta-
risco-de-fraude-senadores-falam-em-inseguranca. Acesso em: 30 jul. 21.
18
Mais informações em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/07/10/legislativo-e-ministros-do-stf-
reagem-a-fala-de-bolsonaro-sobre-eleicao-de-2022. Acesso em: 30 jul. 21.
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Notável frequência de hashtags que mostram a relevância da Consulta Pública de
Sugestão n.º 9 de 2018, no portal e-Cidadania, à discussão sobre o voto impresso no
Twitter, concretizadas através de #sug9_2018 e #ecidadania. Tal afirmação está em
sintonia com os dados que apresentam os sites externos mais compartilhados (Gráfico
VI), em que o site do Senado aparece em primeiro lugar, além do próprio termo
senado (n=53) que aparece algumas vezes na população estudada (Gráfico IV);
A clara defesa daqueles que não se identificam com a proposta bolsonarista do voto
impresso e utilizaram o momento não apenas para expressar contrariedade à proposta,
como também para se opor ao governo, como, por exemplo, através do uso das hashtags
#forabolsonaro e #votoimpressonao.
Gráfico II Hashtags mais usadas nos tweets
Fonte: Autoria própria.
Obviamente, Jair Bolsonaro é a pessoa mais citada nos tweets analisados, como
podemos observar pelas menções “Bolsonaro” e Jair (Gráfico III). O sobrenome do ex-
presidente, em alguns momentos, também fez referência a seus filhos, que endossaram o
posicionamento do pai. O ministro Barroso, ex-presidente do TSE, ganhou notoriedade no
diálogo não apenas por sua responsabilidade no debate, mas principalmente por seus
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posicionamentos contrários aos de Bolsonaro. Barroso apareceu principalmente em tweets em
que a base eleitoral bolsonarista criticou suas afirmações ou atacou a moralidade do ex-
presidente do TSE. Isso evidencia a influência das ações populistas de Bolsonaro sobre aqueles
que compartilham do mesmo posicionamento ideológico: o ataque às instituições democráticas
parte de toda a base bolsonarista. Cabe comentar que Barroso também apareceu em tweets com
teor jornalístico, a fim de atualizar o andamento da discussão do voto impresso no cenário
político.
Lula foi citado principalmente em tweets que levantaram a hipótese conspiratória de que
o sistema eleitoral atual, por ser considerado fraudulento por bolsonaristas, privilegiaria a volta
de Lula e, inclusive, da corrupção. O teor conspiracionista é elemento da configuração de
estratégias populistas (Finchelstein, 2018).
Enquanto a deputada federal Bia Kicis (Partido Social Liberal) representou uma forte
aliada àqueles que defendiam o voto impresso, por ser responsável pela PEC 135/19, Rodrigo
Pacheco, Alexandre de Moraes (ministro do STF e do TSE) e Gilmar Mendes (ministro do STF)
são agentes que apareceram entre as citações, por se posicionarem contra a proposta e em
resposta às ameaças de Bolsonaro.
Gráfico III Políticos com citações mais frequentes
Fonte: Autoria própria.
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Ao analisarmos quais os termos mais utilizados nos posicionamentos sobre voto
impresso no Twitter (Gráfico IV), um dos que mais aparece é o termo auditável, que tem
relação àqueles que defenderam a proposta, por acreditarem que este é o (talvez, único)
mecanismo que garantiria uma auditoria confiável nos resultados eleitorais.
Outra palavra que apareceu com frequência é povo (n=94). O que corrobora com a
ideia de que o diálogo populista de Bolsonaro tem surtido efeito, a ponto de sua base eleitoral
se denominar povo soberano e exigir a implantação da proposta ao sistema eleitoral. Somado
a isso, em seguida, verificamos o termo fraud (n=85) que se relaciona com fraude,
fraudulento e similares, presente principalmente nas mensagens daqueles que defenderam o
voto impresso, desqualificando o atual sistema eleitoral e repetindo o adjetivo negativo
usualmente utilizado por Bolsonaro, além de esculpir um cenário conspiratório.
Os termos PEC e Senado fortalecem o argumento aqui levantado que parte do
debate tem como alicerce a PEC 135/19 e a Consulta Pública disponibilizada pelo Senado
através do e-Cidadania. O termo esquerd, relacionado à esquerda, esquerdista e
esquerdalha, apresenta seu uso bem dividido, ora mostrando a união desse grupo político, ora
sob ataque daqueles que se posicionaram ideologicamente contrários, o que atesta mais um
ingrediente populista no que diz respeito a relação nós contra eles.
Enquanto o termo golp, de golpe e golpista, apareceu majoritariamente naqueles
tweets que se posicionaram contra o voto impresso e assimilaram que o Brasil corria risco de
um possível golpe de Estado a ser executado por Bolsonaro, caso o sistema eleitoral ou os
resultados das eleições não estivessem em sintonia com aquilo que Bolsonaro defendeu. Essa
última observação demonstra homogeneidade entre o que parte dos usuários acreditava e a
hipótese levantada por Felitti (2021), que menciona a possibilidade de um golpe de estado
arquitetado por Bolsonaro.
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
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Gráfico IV Termos políticos mais frequentes
Fonte: Autoria própria.
Para entendermos qual o posicionamento dos usuários quanto a necessidade do voto
impresso no período estudado, submetemos a amostra (n=260) à metodologia de AC descrita
na seção anterior. Foi possível verificar que a maioria (45,8%) era a favor da alteração do
sistema eleitoral vigente, bem como se argumentou explicitamente que os recursos atuais
poderiam ser passíveis de fraudes e não apresentam mecanismos auditáveis suficientes para
garantir credibilidade aos resultados das eleições. Dessa forma, podemos afirmar que na
discussão sobre voto impresso no Twitter, durante o recorte temporal escolhido, a base eleitoral
de Bolsonaro era a mais ativa. Em segundo lugar, na discussão, aparece o grupo contrário à
proposta bolsonarista defendendo a atual legislação que norteia as eleições (34,6%). Por último,
há um considerável percentual (19,6%) de usuários que não expuseram claramente sua opinião
sobre aquilo que defendem.
Grande parte dos participantes na discussão sobre voto impresso tiveram como intenção
principal (Gráfico V) expor seu posicionamento e promover aquilo que acreditavam (59,2%).
A divulgação sobre o andamento dos processos burocráticos que envolvem o voto impresso,
bem como notícias que relataram o pensamento de figuras políticas, apareceu em segundo lugar
(13,8%). Esse comportamento é muito mais presente dentro do grupo classificado como
Indefinido/Ausente, representando 45,1% da atividade desse grupo. Esses dados são
caracterizados em grande parte por veículos de comunicação e perfis de jornalistas.
Os tweets que não tiveram sua intenção claramente definida ou enquadrada nos códigos
propostos formam a terceira posição (10%), o que, infelizmente, não contribui para
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interpretações relevantes. Vale citar, no entanto, que aqueles com posicionamentos
classificados entre “contra” e “indefinido/ausente” somam juntos 96,2% desses tweets, com
50% e 46,2% respectivamente.
A disseminação de informações e dados representou 8,8% das intenções dos usuários,
sendo que foi possível constatar que o grupo mais atuante nesta categoria (73,9%) foram os que
defenderam o voto impresso. O conteúdo mais compartilhado remete-se a um vídeo explicativo
sobre como funcionaria o voto impresso na prática, publicado originalmente pelo presidente
Bolsonaro
19
em seu perfil pessoal.
Por fim, aqueles que tiveram como objetivo principal atacar ou ofender um usuário, ou
grupo de usuários representaram a menor faixa dessa amostra (8,1%). O uso de impolidez
linguística é compartilhado quase que em mesma intensidade nos diferentes posicionamentos
ideológicos. Dentro dos que preferiram uma discussão calorosa, 52,4% são a favor do voto
impresso e 42,9% são contra.
Gráfico V Principal intenção ao expressar-se sobre voto impresso
Fonte: Autoria própria.
Foi verificado também quais links externos mais apareceram dentro da amostra. Neste
caso, senado.leg.br
20
(16,4%) e secure.avaaz.org
21
(11%) se relacionam ao representar os
19
Tweet original: https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1410197383397400581?s=20. Acesso em: 02 ago. 21.
20
Relacionado à Consulta Pública da PEC 135/19.
21
Em referência ao link: https://secure.avaaz.org/campaign/po/nao_ao_voto_impresso_loc/?wufVFob. Acesso
em: 07 ago. 21.
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usuários que se preocuparam em divulgar ferramentas de votação aos cidadãos com a finalidade
de expressarem sua opinião quanto ao voto impresso. Aqueles que fizeram menção ao
"secure.avaaz.org" propagaram uma campanha contra o voto impresso, em formato de petição
on-line. Ambos os mecanismos indicaram a relevância do uso de tecnologia e internet em
deliberações democráticas ao permitirem a participação política da esfera civil em decisões
legislativas (Marques; Miola, 2007).
No Gráfico VI estão relacionados os 10 sites que mais apareceram na amostra, de um
total de 31 sites. Dos 260 tweets analisados, 28% deles incluíram um link externo. Entre os sites
compartilhados, é possível encontrar tanto meios de extrema-direita, como o
jornaldacidadeonline.com.br, quanto de esquerda, como o brasil247.com.
Gráfico VI Sites mais compartilhados nos tweets da amostra
Fonte: Autoria própria.
Considerações finais
Este artigo teve como proposta debruçar-se sobre a temática do voto impresso para
entender, em especial: (1) o que invalida a necessidade do voto impresso; (2) quais eram as
intenções de Bolsonaro ao defender tal mecanismo; e (3) quais elementos configuraram os
posicionamentos sobre o assunto no Twitter entre 27/06/21 e 17/07/21.
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Os resultados mostraram que uma suposta adoção do voto impresso formularia uma
atmosfera que coloca em risco o voto secreto e aumenta as chances de interferência humana,
que consequentemente propicia a ocorrência de fraudes. Além disso, as urnas eletrônicas
apresentam recursos tecnológicos que garantem a segurança do processo eleitoral, os quais
estão em constante avanços técnicos, inclusive através de testes públicos. Entretanto, a
complexidade ao redor da configuração das urnas eletrônicas contribui para a falta de
compreensão plena por parte da população, que eventualmente passa a questionar o sistema
eleitoral.
Jair Bolsonaro utilizou dessa dúvida, que sempre norteou a história do voto no Brasil,
como um dos elementos para instalar sua estratégia populista. Ao contrário do que muitos
pensam, tal indagação não é técnica, mas sim ideológica. Dentre as intenções bolsonaristas, o
ataque às instituições democráticas exprimiu o projeto de Bolsonaro de focalizar todo o poder
político em si próprio ao considerar-se a personificação do povo.
Nos posicionamentos sobre voto impresso no Twitter durante 27/06/21 e 17/07/21
prevaleceu o grupo a favor da proposta (45,8%), contra 34,6% de pessoas em oposição. Aqueles
que apoiaram a implantação do mecanismo impresso apresentaram características que
reforçaram o clima populista, que acompanhou a figura de Bolsonaro, como expressões de
defesa do povo soberano, de polarização política e de suposições conspiratórias.
Próximo de concluir, vale evidenciar que dificilmente um modelo eleitoral agradaria a
todo o Brasil, que é um país com grandes diferenças regionais e sociais. A discordância é
natural, o que significa que o sistema eleitoral precisa e deve ser, sim, debatido e aprimorado.
Entretanto, o que não cabe é trazer uma solução já sepultada. O progresso, principalmente dos
recursos já existentes, esculpe um caminho mais democrático.
Esperamos aqui ter exposto uma visão mais sistêmica sobre o debate do voto impresso,
mesmo com as limitações que esse estudo apresenta, como: (1) a coleta de dados exclusiva à
expressão voto impresso, que não considerou outras como, por exemplo, voto auditável, o
que poderia propiciar uma visão mais ampla e rigorosa sobre a discussão; (2) o foco no conteúdo
do tweet sem atender/analisar suas possíveis respostas (replies), que favoreceria a visualização
de outras configurações de conversação; (3) o recorte temporal com foco reduzido, que se
contemplasse outros momentos em que o voto impresso veio à tona, assistiria uma visão
histórica do tema; e entre outras que eventualmente não foram citadas.
Limitações como essas servem de pontos de partida para futuros estudos, que podem se
propor a responder outras questões que não foram observadas neste artigo. Além das sugestões
Voto impresso? O sistema eleitoral sob questionamento e o posicionamento de usuários do Twitter entre Junho e Julho de 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 24
implícitas, vale recomendar que pesquisas por vir possam estudar: (1) o papel da imprensa em
torno da proposta do voto impresso; ou até mesmo (2) outros comportamentos populistas de
Bolsonaro e seus efeitos à esfera pública e à democracia. Para garantir a replicabilidade deste
estudo, os dados aqui utilizados estão dispostos publicamente de forma virtual
22
.
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DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 27
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de
Financiamento 001.
Conflitos de interesse: Não houve conflito de interesse.
Aprovação ética: Respeitou. Não passou por comitê.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Execução da pesquisa e escrita do artigo: Kaique; Revisão e
melhorias: Francisco Robson.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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PRINTED BALLOT? THE ELECTORAL SYSTEM UNDER QUESTIONING AND
THE POSITIONING OF TWITTER USERS BETWEEN JUNE AND JULY 2021
VOTO IMPRESSO? O SISTEMA ELEITORAL SOB QUESTIONAMENTO
E O POSICIONAMENTO DE USUÁRIOS DO TWITTER ENTRE JUNHO E
JULHO DE 2021
¿VOTO IMPRESO? EL SISTEMA ELECTORAL BAJO CUESTIONAMIENTO Y LA
POSICIÓN DE LOS USUARIOS DE TWITTER ENTRE JUNIO Y JULIO DE 2021
Kaique MANCOSO1
e-mail: kaique.mancoso@gmail.com
Robson ROQUE2
e-mail: franciscorobsonpr@gmail.com
How to reference this paper:
MANCOSO, K.; ROQUE, R. Printed ballot? The electoral
system under questioning and the positioning of Twitter
users between June and July 2021. Rev. Cadernos de
Campo, Araraquara v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN:
2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962
| Submitted: 09/04/2023
| Revisions required: 11/01/2023
| Approved: 27/02/2024
| Published: 04/03/2024
Editors:
Prof. Dr. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. Me. Mateus Tobias Vieira
Prof. Me. Thaís Caetano de Souza
1
Federal University of Ceará (UFC), Fortaleza CE Brazil. Master's degree in Communication.
2
Federal University of Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Brazil. PhD student in Communication. Master's
degree in Communication from UFPB.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 2
ABSTRACT: This article aims to analyze the positions on printed voting on Twitter from June
27, 2021, to July 17, 2021, considering the relevance of the topic in the Brazilian political
scenario. The focus of the analysis is to study (1) the arguments that contest or support printed
voting, (2) the possible strategies used by Bolsonaro to defend this measure, and (3) the main
characteristics that characterize the positions regarding the subject. For this purpose, a
theoretical review was conducted on the electoral system and populist strategies, followed by
content analysis to understand various aspects of the discussion. The results indicated that the
implementation of printed voting is not considered a viable approach and that Bolsonaro's
statements have a populist ideological nature, rather than a technical basis. On Twitter, the
group that supports the proposal of printed voting predominated.
KEYWORDS: Printed ballot. Populism. Twitter.
RESUMO: Este artigo tem como objetivo analisar os posicionamentos sobre o voto impresso
no período de 27/06/21 a 17/07/21 no Twitter, considerando a relevância do tema no cenário
político brasileiro. O foco da análise está em estudar: (1) os argumentos que contestam ou
apoiam o voto impresso; (2) as possíveis estratégias utilizadas por Bolsonaro ao defender essa
medida; e (3) os principais traços que caracterizam os posicionamentos em relação ao assunto.
Para isso, foi realizada uma revisão teórica sobre o sistema eleitoral e as estratégias
populistas, seguida por uma análise de conteúdo para compreender diversos aspectos da
discussão. Os resultados indicaram que a implementação do voto impresso não é considerada
uma abordagem viável e que as declarações de Bolsonaro possuem uma natureza ideológica
populista, em vez de um embasamento técnico. No Twitter, predominou o grupo que apoia a
proposta de voto impresso.
PALAVRAS-CHAVE: Voto impresso. Populismo. Twitter.
RESUMEN: Este artículo tiene como objetivo analizar las posturas sobre el voto impreso entre
el 27/06/21 y el 17/07/21 en Twitter, considerando la importancia que el tema ha adquirido en
el escenario político brasileño. Nos enfocaremos en estudiar: (1) qué argumentos invalidan (o
no) el voto impreso; (2) cuáles son las posibles estrategias adoptadas por Bolsonaro al
defender este artificio; y (3) cuáles son las principales características de posicionamiento
sobre el tema. Para ello, llevamos a cabo una discusión teórica sobre el sistema electoral y las
estrategias populistas. Además, utilizamos Análisis de Contenido para comprender algunos
aspectos de la conversación. Los resultados mostraron que adoptar el voto impreso no es un
camino viable y que las afirmaciones de Bolsonaro tienen un contenido ideológico populista (y
no técnico). Entre las posturas sobre el voto impreso en Twitter, prevaleció el grupo a favor de
la propuesta.
PALABRAS CLAVE: Voto impreso. Populismo. Twitter.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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Introduction
Considered as a guarantee of credibility to electoral results by some and defined as a
setback and an element of discourse harmful to democracy by others, printed voting has
regained attention in the Brazilian political debate in recent years. The flag of printed voting
has been raised by Jair Bolsonaro (PL - Liberal Party) for years, long before his first presidential
candidacy. However, during the 2018 elections, the subject gained visibility (Piaia; Alves,
2020) and since then, the Bolsonaro base has gradually echoed, defending and demanding the
implementation of the printed mechanism.
Questioning the electoral system not only discredits all electoral results since 1996
(when electronic voting machines were implemented) but also sets a climate of tension about
what to expect for the next elections. Moreover, the subject has categorized one of the main
disagreements between the former Head of State and the Supreme Federal Court (STF), which
political scientists categorize as a populist strategy of former President Bolsonaro
3
, due to the
constant attacks on democratic institutions. Understanding, then, the origins, causes, and
consequences of such questioning becomes increasingly important, with the certainty that there
is still a purpose in the public sphere to defend (and strengthen) Brazilian democracy.
It is in view of the dimension that the argumentation about printed voting has reached
and how delicate it can be to establish assumptions that undermine confidence in the electoral
system, that this research proposed to develop a minimum of contextualization to understand
this political debate. To this end, we will focus on studying: (1) what arguments invalidate (or
not) printed voting; (2) what possible strategies Bolsonaro adopts in defending such a device;
and (3) what are the main features that configure the positions regarding the subject, specifically
on Twitter. The third mentioned objective is intended to understand (1) what the users' positions
on printed voting are and (2) what their main intentions were when expressing themselves on
the subject.
The article is divided into 4 main sections, in addition to this introduction, the final
considerations, and the references. In the first section, we will address some technical points
that guide printed voting and electronic voting machines, to argue about the unfeasibility of the
printed voting proposal. In the second section, we will discuss how the emblem of printed
voting constitutes Bolsonaro's populist strategy through theoretical concepts and how this
3
This research was written in July 2021. However, some data has been updated to reflect the Brazilian political
landscape closer to the reality of the publication date of this article.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
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highlights the democratic crisis. In the third section, we will detail the methodology applied
here with the aim of shedding light on the discussion of printed voting on Twitter, between June
and July 2021. Finally, in the fourth section, we will present the results and propose to interpret
the main configurations of the messages published on the subject, in the chosen temporal scope.
Anticipating part of what we will expose throughout this article, this study has shown
that printed voting does not add value to the legitimacy of elections and indicates that such
arguments reinforce Bolsonaro's strategy to attack democratic institutions. These actions
represent elements of the populist project that had an effect on Bolsonaro's electoral base. A
base that, by echoing the same arguments as its leader, proved to be the most active group
within the discussion on Twitter.
Reflections on Printed Voting and Electronic Voting Machines
The electronic voting system has been adopted in Brazil since 1996, when for the first
time, voters from 57 municipalities in the country used electronic voting machines to choose
their political representatives (Nicolau, 2004). The adoption of this system is due to the
numerous cases of electoral fraud that marked much of Brazil's electoral history. Nicolau (2004)
clarifies that the main reason for this change occurred during the 1994 elections when the
Regional Electoral Court of Rio de Janeiro uncovered fraud in different electoral zones and was
forced to annul the elections for federal and state deputies, requiring voters to vote again. Before
1996, the paper ballot was the only voting tool. It was only in 2000 that all Brazilian voters
voted through electronic voting machines.
The electronic voting system has been, and continues to be, subject to questioning and
speculation regarding the legitimacy of election results (Eirado; Silva; Cordeiro, 2020). One of
the main actors who echoed this sentiment was former president Jair Bolsonaro (Piaia; Alves,
2020). The allegations boil down to arguments such as "votes cannot be audited," "voters are
not sure about the computation of their vote," and "there are signs of election fraud," among
others (Bolsonaro, 2021). Bolsonaro's electoral base disseminated such assumptions, as we will
see in the results of this research, contributing to the undermining of the credibility of the
electoral system through the introduction of a conspiratorial atmosphere. One of the solutions
proposed by the former president was the printed vote, a mechanism considered outdated and
insufficient to ensure what is being questioned (Carvalho, 2016).
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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In Bolsonaro's view (2021), the printed vote represents an auditable way to verify
election results by allowing the comparison of electronic votes with those on paper to
investigate the existence of election fraud. This proposal is not new to the national political
scene. In 2015, Law No. 13,165 suggested amending Article 59-A of the Electoral Law
4
with
the following excerpt:
Art. 59-A. In the electronic voting process, the voting machine shall print the
record of each vote, which shall be deposited, automatically and without
manual contact by the voter, in a previously sealed location.
Sole paragraph. The voting process shall not be concluded until the voter
confirms the correspondence between the content of his vote and the printed
record displayed by the electronic voting machine (Brasil, 2015, our
translation).
Before 2015, the same proposal was discussed through Law No. 12,034/2009. Both had
their content challenged by the Attorney General's Office through Direct Action of
Unconstitutionality No. 4,543 (Carvalho, 2016), with the argument that "printing the vote with
a unique identification number would imply the possibility of disrespecting the constitutional
corollary of the secrecy of the vote" (Carvalho, 2016, p. 145, our translation). The identification
code attached to the vote alone is a strong reason to reject the printed vote, as it opens the door
to a return to the era of "vote buying," allowing for assimilations during the vote count.
Furthermore, Carvalho (2016) comments that the use of this resource could be
considered unsafe for illiterate voters or those with visual impairments. This is because they are
unable to verify the printed information, as "citizens who cannot read or do so precariously and
those who cannot see would have to seek assistance from third parties to carry out the voting
process with full security" (Carvalho, 2016, p. 150, our translation).
However, more than understanding the reasons behind the inconsistency of
implementing printed voting, it is important to briefly clarify to what extent we can question
the credibility of electronic voting machines. Giuseppe Janino, who was the Secretary of
Technology and Information of the Superior Electoral Court (TSE) for 15 years, reinforces that
the system is indeed secure and has historically been undergoing improvements and
advancements (Saldanha; Silva, 2020). Eighteen Justices of the Supreme Federal Court signed
a public note defending the fact that Brazil had not recorded any electoral fraud since 1996,
4
Available at: https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/lei-das-eleicoes. Accessed in: 10 Aug. 21.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 6
when electronic voting machines became part of the electoral system. Additionally, they added
that:
Electronic voting machines are auditable at all process stages, before, during,
and after the elections. All steps, from the development of the program to the
dissemination of the results, can be monitored by political parties, the
Attorney General's Office, the Brazilian Bar Association, the Federal Police,
universities, and others who are specially invited. It is also important to note
that electronic voting machines do not connect to a network and are not
susceptible to remote access, as they are not connected to the internet (Brasil,
2021, p. 1, our translation).
In addition to political authorities, there are studies that prove the absence of electoral
fraud. This is the case of Figueiredo, Silva, and Domingues (2021), who, through the statistical
method of the Newcomb-Benford Law (NBL), proved that there were no frauds in the 2018
elections. The authors also cited other scientists and studies that confirm the credibility of the
results in the last elections.
It is worth noting that electronic voting machines are often considered one of the great
examples of innovation, thanks to information technology within public administration
(Saldanha; Silva, 2020). The fact that the equipment is subjected to various types of oversight
and audit, as well as public security tests (in which any Brazilian citizen aged 18 or older can
participate), reinforces the assertion that the current electoral system can be trusted, even though
we share the beneficial intention that it can indeed be technically improved (Saldanha, Silva,
2020).
So, why does the electronic system raise suspicions? It was found in 2018 that 91.84%
of participants in a survey believed that electoral technology could be violated (Avast, 2018).
Just over 96% of respondents believe that "cybercriminals could target political parties or their
candidates" (Avast, 2018, our translation). Saldanha and Silva (2020, p. 704, our translation)
note that "the difficulty for citizens to understand and inspect the state's use of the electronic
voting system maintains suspicion about its fairness, even after more than 20 years since its
development began."
According to them, the system is considered complex and opaque, making it understood
only by a portion of researchers and technicians, hindering understanding by laypeople
(Saldanha; Silva, 2020). This contributes to the problematic relationship between a complex
electoral system and the more than 145 million Brazilian voters, who are forced to believe in
something they cannot fully comprehend.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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It is certain that speculations gain greater proportions when supported by public figures.
The issue of printed voting gained the spotlight again when Bolsonaro questioned the electoral
system as a whole and suggested such a proposal. Thus, part of the population, considering this
mechanism indispensable, began to defend it and echo Bolsonaro's statements, as we will see
in the results in the fifth section of this article.
However, for conclusive purposes regarding the need (or lack thereof) for printed
voting, it is important to contextualize that it was already experimented with in 2002 in 150
municipalities in the country. The trial aimed to test the implementation of electronic voting
starting in 2004, through Law No. 10,408/2002
5
. The results were negative; the experiment
demonstrated that printed voting is unnecessary and problematic. According to the TSE's 2002
Election Report, the polling stations presented situations such as:
(a) longer queues; (b) a higher number of null and blank votes; (c) a higher
percentage of ballot-box voting with all the risks associated with this
procedure; (d) a higher percentage of faulty urns, in addition to the failures
observed only in the printing module (Brasil, 2003, p. 21, our translation).
The 2002 test also showed that 60% of voters in Rio de Janeiro did not verify their
electronic vote with the printed representation. Furthermore, it was possible to observe higher
rates of electronic urn breakdowns (equipment failures), manual voting (paper ballots), and
"sung voting" (a procedure in which paper votes are "sung" for recording in an electronic urn)
in the polling stations that used the printed module. These facts contribute to increased human
interference during and after elections and, consequently, greater exposure of results to fraud
(Brasil, 2003).
In addition to all the arguments mentioned here confirming the impracticality of printed
voting, Felitti (2021) adds that a change of this magnitude takes at least 4 years, making such
implementation impossible for the 2022 elections. Considering that former President Bolsonaro
is aware of these technical aspects and demanded that printed voting be used in the 2022
elections, threatening not to recognize such election results, the question arises: what is the
objective behind the request for printed voting? Felitti (2021) argues that this discussion is not
technical but ideological. In other words, Bolsonaro does not intend to seek a technically more
qualified electoral system but rather to create an ideological movement that gains political
advantages by questioning such a system.
5
Available at: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10408.htm. Accessed in: 23 July 21.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 8
The electoral system under scrutiny: a populist strategy
Bolsonaro questioned the electoral system in 2018 during the presidential elections. This
discourse was seen as one of the political strategies aimed at anticipating potential mistakes
(Piaia; Alves, 2020). In other words, basically, the goal was to create a framework that would
support the hypothesis of electoral fraud if Bolsonaro lost the elections, which did not happen.
Such a strategy presented an excellent cost-benefit ratio, as even if wrong, Bolsonaro did not
incur "negative costs" by raising suspicions about electronic voting machines (Piaia; Alves,
2020). Although Bolsonaro won in 2018, we can observe that the use of this narrative extended
beyond that electoral period and persisted in the following years, perhaps using the same
strategy for a potential defeat. However, 2021 was likely the year when the issue of printed
voting received the most attention, not only due to the media spotlight but also because it re-
entered political debate through Proposed Constitutional Amendment (PEC) 135/19
6
and Public
Consultation of Suggestion No. 9 of 2018 on e-Citizenship
7
.
Felitti (2021), analyzing mentions of "printed voting" and "auditable voting" on
Facebook and Instagram, noted a considerable increase in interest during April 2021, the same
month that Minister Luís Roberto Barroso requested the establishment of the Covid CPI. Felitti
(2021) suggests that the use of this narrative serves as a "smokescreen" for the problems that
the Bolsonaro government would face from the established CPI. Proving such an assertion is
not the objective of this article, but the analysis provided by the author is an important element
for the reasoning we are establishing.
During a live broadcast on YouTube on 29/07/2021, Bolsonaro stated that he did not
have evidence of electoral fraud accusations but rather "strong indications" (Bolsonaro, 2021).
The live broadcast included a series of reports and testimonies, which, combined with the
interpretation/analysis of Bolsonaro's team, would indicate the mentioned indications.
However, the TSE responded to the allegations in real time and considered all of them false,
claims that had already been debunked on previous occasions.
Political science professor Marcus André Melo suggests that Bolsonaro's discourse is
related to the current populist wave, in which "denouncing institutions is something that is part
of the common repertoire of these rulers and liberals; (in which) you have an anti-institutional
6
Available at:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=node0h828ceknd8hq1pwedk51eij4
m13042212.node0?codteor=1807035&filename=PEC+135/2019. Accessed in: 03 Aug. 21.
7
Available at: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=132598. Accessed in: 03 Aug. 21.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 9
discourse, even while benefiting from them" (Café da manhã, 2021). Thus, one of Bolsonaro's
first possible intentions in questioning the electoral system is observed: to attack traditional
institutions through populist discourses.
Among Bolsonaro's statements are expressions like "the people want printed voting"
and "the people will react if there is no printed voting" (Bolsonaro, 2021). Phrases like these
reinforce Bolsonaro's categorization as a populist, a theory that, in its formulation, involves
speaking on behalf of the "people" and against ruling elites (Finchelstein, 2018). Political
scientist Finchelstein comments on characteristics that underpin the essence of populism:
[...] A political theology founded by a charismatic and messianic leader of the
people; [...] A radical nationalism. The idea is that the leader is the
embodiment of the people. The identification of the movement and its leaders
with the people as a whole. [...] The homogenizing idea that the people are a
single entity and that once populism becomes a regime, this people equates to
its electoral majorities (Finchelstein, 2018, p. 120, our translation
8
).
In line with Professor Marcus André Melo's statements, Finchelstein (2018) reinforces
that the populist leader often dismisses political dialogue under the justification of a
representation crisis and attacks democratic institutions. Examples of this behavior were
Bolsonaro's constant attacks on the Supreme Federal Court and the Superior Electoral Court
and its ministers, alleging that the institutions wanted to determine who would be the next
elected person, suggesting, even that such bodies had a bias toward electing Lula, and that they
intended to bring corruption back to Brazil (Bolsonaro, 2021).
This rejection of traditional representative channels in Bolsonaro's populist attitudes
(Gentile, 2020), may constitute one of the former president's main strategies behind the
controversy of printed voting: internally criticizing democracy. "Historically, populists have
considered that, by criticizing the status quo, they radicalize democracy by returning power to
the people" (Finchelstein, 2018, p. 149, our translation
9
). Reflecting on the populist ingredient
in which the leader embodies popular sovereignty, we can highlight Bolsonaro's efforts to
concentrate all political power on himself.
8
Una teología política fundada por un líder del pueblo mesiánico y carismático. [...] Un nacionalismo radical.
La idea de que el líder es la personificación del pueblo. La identificación del movimiento y los líderes con el
pueblo como un todo. [...] La idea homogeneizadora de que el pueblo es una entidad única y que, una vez el
populismo convertido en régimen, este pueblo equivale a sus mayorías electorales.
9
Históricamente, los populistas han considerado que criticando el statu quo radicalizaban la democracia
restituyéndole el poder del pueblo.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 10
In attempting to answer the difficult question, "How do democracies die?" Levitsky and
Ziblatt (2018) emphasize the need to pay attention to those leaders who "seek to undermine the
legitimacy of elections, for example, by refusing to accept credible electoral outcomes"
(Levitsky; Ziblatt, 2018, p. 35, our translation). The authors report that populist demagogues
often ignore democratic rules of the game and deny opponents' legitimacy, which not only
sponsors the decline of democracy but also paves the way for authoritarian and dictatorial
systems. To compare Levitsky and Ziblatt's statements, we can recall Bolsonaro's assertions
that if printed voting were not used in the 2022 elections, they could not be considered
legitimate, or even occur.
The actions of the then-president, Bolsonaro, sought to reinforce an ideological rivalry
present in populism: "us, citizens of good" versus "them, citizens of evil" (Gentile, 2020). That's
why the populist encourages social and political polarization, to create a hostile and disturbing
environment, which will allow him to impose the so-called "will of the people," which is
considered greater and truer than any other. "Populism, in short, is an authoritarian form of
democracy" (Finchelstein, 2018, p. 122, our translation).
Weber (2011) brought forth a significant reflection on charismatic domination as one of
the primary forms of power. This legitimacy is based on the veneration of a person, believing
them to be a hero, a saint, or a model to be followed. Such charismatic domination and
veneration can be easily identified and proven through the frequent use of the term "myth,"
directed towards the figure of Bolsonaro and used by his electoral base. Charisma is an essential
element in the realization of a populist demagogue like Jair Bolsonaro (Avritzer, 2020).
Bolsonaro's authentic communication, coupled with his ability to effectively utilize
social media, favored the rise of right-wing populism in Brazil (Avritzer, 2020). The scenario
became "opportune," therefore, for a democratic crisis, in which democracy does not depend
on traditional institutions but solely on the relationship between the leader and the people.
Therefore, those who do not fit into Bolsonaro's definition of "the people" are left with
accepting the legitimate sovereign power. These latter groups represent, ultimately, according
to Avritzer (2020, p. 152, our translation), "an elite that, in general, is seen as corrupt and needs
to be combated."
There is no doubt that Bolsonaro employs populist strategies to advance his political
goals. To substantiate this assertion, we can cite the 2019 research by Team Populism
10
, which
10
Available at: https://populism.byu.edu/Pages/Data. Accessed in: 25 July 21.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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positioned Jair Bolsonaro as the first populist president of Brazil since Collor's presidency.
Therefore, it is worth reflecting: what would be the advantages for Bolsonaro in employing
populist strategies and tactics such as the discussion of printed voting? Avritzer (2020, p. 152,
our translation) summarizes a possible answer when stating that "one of the central elements of
Bolsonarism's mode of operation is to degrade institutions with the aim of concentrating
political legitimacy in the figure of the leader."
Felitti (2021), while discussing Bolsonaro's statements regarding printed voting,
ventures to hypothesize that the arguments used by the former president sought to create an
ideological framework for a possible coup d'état, with the support of the military base, which
would occur if Bolsonaro did not win the 2022 elections. Regardless of the validity of such a
hypothesis, we must recall the political-scientific context that affirms how dangerous populist
actions can be:
Populism is the most devastating corruption of democracy, as it radically
invalidates representative institutions (especially elections and party
pluralism) and transforms negative power of judgment or opinion, which
leaders who are politically elected come to control and monitor, rejecting their
electoral legitimacy in the name of a deeper unity between leaders and people;
opposes ideological legitimacy to that of the constitution and procedures
(Finchelstein, 2018, p. 154, our translation).
After reflecting on the need for printed voting and the implicit Bolsonarist intentions in
this dialogue, we will dedicate the next sections to understanding how the discussions on the
topic unfolded on Twitter. This social network was chosen because many studies indicate a
considerable increase in the adoption of the platform by political figures to promote their ideals,
disseminate decisions, and promote themselves (Marques et al., 2019). In addition to the strong
political context, Twitter has proven to be a "chaotic" environment, especially considering the
high number of posts and the speed at which they are made (Marques et al., 2019), factors
necessary for capturing the characteristics that have been guiding the debate on printed voting.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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Methodology
In order to understand some of the configurations of positions on printed voting on
Twitter, the methodology applied here follows the following chronological order: (1) definition
of the temporal scope; (2) collection of tweets and their respective users; (3) definition of the
sample; and (4) techniques of statistics and Content Analysis (Krippendorf, 2004). The
methodology employed attempts to follow some of the strategies proposed by Joathan and
Alves (2020).
To define the temporal scope of the tweets, we used Google Trends
11
to verify which
weeks showed a significant increase in searches for the term "printed voting" within the Google
search engine. The data indicated "a peak" in searches between June 27th and July 17th (Image
I). Thus, the 21 days representing the studied period were defined.
Image I - Print Screen of the Google Trends tool for the term "printed voting"
Source: Google Trends, consulted on 07/26/2021.
The tweets were collected using an R script utilizing the academictwitteR package
available for the R programming language (Barrie, Ho, 2021). The academictwitteR integrates
with the Twitter API and allows data to be collected for academic and scientific purposes.
11
Available at: https://trends.google.com.br/trends/explore?q=voto%20impresso&geo=BR. Accessed in: 26 July
21.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
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In the initial collection, all data between 06/27/21 and 07/17/21 (n=3412) containing the
expression "printed voting" were stored. Among the tweets, replies, retweets, and quotes
12
,
were also included, which we later decided to exclude from the corpus, as understanding them
would require a deep understanding of each conversation, which is not our objective in this
article. Therefore, the population to be studied was defined by retaining only the original tweets
(n=1238). A sample of 21% was randomly chosen to represent the tweets that underwent
Content Analysis (CA). Thus, the amount of data described here and that received the proper
focus of this article can be summarized as shown in Table I below.
Table I - Overview of the quantity of data analyzed
Sample Size
Sample
Percentage
Confidence
Level
260
21%
95%
Source: Author's own.
Google Sheets
13
was used to measure which hashtags, public figures, and expressions
related to the political environment appeared most frequently in the selected population,
through data spreadsheet manipulation. In this way, the aim was to understand the context
behind the published messages.
To understand the configuration of positions regarding printed voting on Twitter during
the mentioned period, we aim to mainly answer two questions: (1) what are the users' positions
on printed voting? And (2) what is their main intention in expressing themselves about printed
voting? With this in mind, the following coding was established for the analyzed sample:
12
The difference between these features can be better understood at:
https://help.twitter.com/en/resources/glossary. Accessed in: 27 July 21.
13
Available at: https://docs.google.com/spreadsheets/. Accessed in: 27 July 21.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
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Table II - Coding for "What is the users' stance on printed voting?"
Stance
Description
Example
In favor
Those who expressed support for
the proposal of printed voting.
"We are not afraid. But we need auditable
printed voting with public counting because
these voting machines are all fraudulent. You
can send anyone, @jairbolsonaro wins in the
1st round
#Votoimpressoauditavelcomcontagempublica14
".
Against
Those who disagreed with the
proposal of printed voting.
"Bolsonaro was elected with electronic voting
machines. Now, in the desperation of defeat, he
threatens the 2022 elections by imposing
printed voting. The electoral system is only
flawed when the risk of defeat is his, right? We
will fight with all our might to prevent this
major setback!".
Undecided/Absent
Those who did not clearly state
their stance or did not intend to
express it.
"If the printed voting project goes to the
plenary (I have my doubts), we need to
surround the parliament to exert pressure. Not
with a thousand people, but with a million!".
Source: Own elaboration.
Table III - Coding for "What is their main intention when expressing themselves about
printed voting?"
Main Intention
Description
Example
Expression of stance
and promotion of
ideals
When the aim is to express one's
opinion about printed voting
and/or political stance.
"Elections only with PRINTED and auditable
VOTE 🇧🇷#QueremosVotoImpresso15”.
Dissemination of
information/data
Those who shared
information/data to defend or
criticize printed voting.
"Step by step of the reality of printed voting...
#euqueromeuvotoimpresso16 in Vila Velha,
Brazil https://t.co/2w8rRQ98FD".
Journalistic
coverage/Media
agenda
Tweets that are primarily intended
to promote content with
journalistic content.
"Session of the Committee of the PEC for
auditable printed voting is canceled. * Terra
Brasil News https://t.co/qgMIvRiIzi".
Offense/Threat to
user or user group
Those who exhibited linguistic
impoliteness in their comments,
attacking a political figure and/or
political group.
"Printed voting and Bolsonaroism are shit
#VotoImpressoAuditavelJa17".
Other/Undefined
Comments that did not fit into the
above categories or did not clearly
state their main intention.
"Are you in Favor of Auditable Printed Voting
regardless of your answer comment rtt".
Source: Own elaboration.
14
#Auditableprintedvotingwithpubliccounting.
15
#WeWantPrintedVote.
16
#iwantmyprintedvote.
17
#AuditablePrintedVoteNow.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
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DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 15
It becomes important here to specify some points that were taken into consideration in
the analyses. One of them concerns the media (images or videos) that were part of the published
content. Each of them was observed and considered as an important variable during the
categorizations. Similarly, links lead to an external site, but in this case, only the headline
(content visible in the tweet) was a factor stimulating the analyses. In addition to these, hashtags
also contributed to the proper understanding.
To verify the reliability of the research applied here, Krippendorff's alpha metric (2004)
was used, which is indicated in cases of AC with only one coder (Sampaio, Lycarião, 2018).
Through the ReCal tool
18
, it was possible to perform the test and confirm good indices in the
Krippendorff's alpha (Image II), which, when above 0.9, indicates that the analysis can be
considered reliable (Sampaio; Lycarião, 2018).
Image II - Screenshot of the reliability test result in the ReCal tool
Source: Own elaboration.
Results and Discussions
Through the collected data, it was possible to verify that within the temporal scope, the
number of tweets adhered to the media agenda, especially in response to the moments that had
the most impact and garnered the attention of politically engaged Brazilians on the subject
(Graph I). The day with the most tweets was 07/16/2021 (n=126), the same date on which the
Chamber of Deputies decided to postpone the vote on PEC 135/19 until after the parliamentary
recess
19
. The second day that presented more tweets with the expression "printed voting" was
07/05/2021 (n=96), when Bolsonaro said that Minister Luís Roberto Barroso, then President of
the Superior Electoral Court, would have to "come up with a way to make the vote counting
18
Available at: http://dfreelon.org/utils/recalfront/. Accessed in: 31 July 21.
19
More information at: https://www.camara.leg.br/noticias/786843-votacao-sobre-o-voto-impresso-fica-para-
depois-do-recesso-parlamenta. Accessed in: 30 July 21.
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transparent. Otherwise, he [Barroso] will have problems,"
20
in a threatening tone defending the
use of printed voting.
Bolsonaro's stance was a response to the thematic session in the Plenary, which took
place on the same day, in which Minister Barroso warned about the risks of fraud and
judicialization if printed voting were adopted in the 2022 elections
21
. The third day with the
highest number of tweets was 07/10/2021 (n=90), which reverberated discussions from the
previous day, when Bolsonaro stated that, without printed and auditable voting, Brazil ran the
risk of not having elections in 2022. This statement influenced some politicians to take a stand
on the former president's remarks, including Senator and President of the Senate Rodrigo
Pacheco (Democrats) and Deputy and President of the Chamber of Deputies Arthur Lira
(Progressives)
22
.
Graph I - Tweets with the expression "printed voting" between 06/27/21 and 07/17/21
Source: Own elaboration.
To understand the contextualization of the stances in the tweets, we analyzed the main
hashtags (Graph II), the most mentioned politicians (Graph III), and the most used politically
referenced terms (Graph IV).
In the context of hashtags (23% of tweets used this feature), despite the wide variety of
hashtags (n=125) used in the studied period, some points are noticeable:
20
More information at: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/bolsonaro-diz-que-sem-voto-impresso-
barroso-tera-problemas/. Accessed in: 30 July 21.
21
More information at: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/07/05/voto-impresso-tse-aponta-
risco-de-fraude-senadores-falam-em-inseguranca. Accessed in: 30 July 21.
22
More information at: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/07/10/legislativo-e-ministros-do-stf-reagem-
a-fala-de-bolsonaro-sobre-eleicao-de-2022. Accessed in: 30 July 21.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24i00.17962 17
Greater use of hashtags demonstrating support for the implementation of printed voting,
such as the top three most used: #votoimpressoauditavelja, #euapoiovotoauditavel and
#votoimpressoauditavelja2022
23
;
Notable frequency of hashtags showing the relevance of the Public Consultation of
Suggestion No. 9 of 2018 on the e-Citizenship portal to the discussion about printed
voting on Twitter, materialized through #sug9_2018 and #ecidadania. This assertion is
in line with the data presenting the most shared external websites (Graph VI), where the
Senate website appears in the first place, in addition to the term "senate" (n=53), which
appears several times in the studied population (Graph IV);
The clear defense of those who did not identify with the Bolsonaro proposal for printed
voting and used the moment not only to express disagreement with the proposal but also
to oppose the government, for example, through the use of hashtags #forabolsonaro and
#votoimpressonao
24
.
Graph II - Most used hashtags in tweets
Source: Own elaboration.
23
#auditableprintedvotealready, #isupportauditablevote, and #auditableprintedvotealready2022.
24
#outbolsonaro and #noprintedvote.
Printed ballot? The electoral system under questioning and the positioning of twitter users between June and July 2021
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Obviously, Jair Bolsonaro is the most mentioned person in the analyzed tweets, as we
can see from the mentions "Bolsonaro" and "Jair" (Graph III). At times, the former president's
surname also referenced his children, who endorsed their father's position. Minister Barroso,
former president of the TSE, gained prominence in the dialogue due to his responsibility in the
debate and mainly because of his positions contrary to Bolsonaro's. Barroso appeared mainly
in tweets where the Bolsonaro electoral base criticized his statements or attacked the morality
of the former president of the TSE. This highlights the influence of Bolsonaro's populist actions
on those who share the same ideological stance: the attack on democratic institutions comes
from the entire Bolsonaro base. It is worth mentioning that Barroso also appeared in tweets with
journalistic content, aiming to update the progress of the discussion on printed voting in the
political scenario.
Lula was mainly mentioned in tweets that raised the conspiratorial hypothesis that the
current electoral system, considered fraudulent by Bolsonaro supporters, would favor the return
of Lula and even corruption. The conspiratorial tone is an element of populist strategies
(Finchelstein, 2018).
While federal deputy Bia Kicis (Social Liberal Party) represented a strong ally to those
who advocated for printed voting, as she was responsible for PEC 135/19, Rodrigo Pacheco,
Alexandre de Moraes (minister of the Supreme Federal Court, and the Superior Electoral
Court), and Gilmar Mendes (minister of the Supreme Federal Court) are figures that appeared
among the citations for opposing the proposal and in response to Bolsonaro's threats.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
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Graph III - Politicians with the most frequent citations
Source: Own elaboration.
Analyzing the most used terms in the positions on printed voting on Twitter (Graph IV),
one of the most prominent terms is "auditável
25
," which relates to those who supported the
proposal, believing it is the (perhaps only) mechanism that would guarantee a reliable audit of
electoral results.
Another word that appeared frequently is "people" (n=94). This corroborates the idea
that Bolsonaro's populist discourse has been effective, to the point where his electoral base
refers to itself as the "sovereign people" and demands the implementation of the proposal to the
electoral system. Furthermore, we observed the term "fraud" (n=85), which relates to "fraud,"
"fraudulent," and similar terms, mainly present in the messages of those who supported printed
voting, discrediting the current electoral system and echoing the negative adjective commonly
used by Bolsonaro, as well as shaping a conspiratorial scenario.
The terms "PEC" and "Senate" strengthen the argument already raised here that part of
the debate is based on PEC 135/19 and the Public Consultation provided by the Senate through
e-Cidadania. The term "left," related to "left," "leftist," and "lefties," shows its usage evenly
divided, sometimes showing the unity of this political group, sometimes under attack from those
25
That can be audited; to be audited.
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who are ideologically opposed, which attests to another populist ingredient regarding the
relationship between "us" and "them."
Meanwhile, the term "coup," from "coup" and "coupist," appeared predominantly in
those tweets that opposed printed voting and assimilated that Brazil was at risk of a possible
coup d'état to be executed by Bolsonaro if the electoral system or the election results were not
in line with what Bolsonaro advocated. This last observation demonstrates homogeneity
between what some users believed and the hypothesis raised by Felitti (2021), which mentions
the possibility of a coup orchestrated by Bolsonaro.
Graph IV - Most frequent political terms
Source: Own elaboration.
To understand the users' stance regarding the need for printed voting during the studied
period, we subjected the sample (n=260) to the AC methodology described in the previous
section. It was possible to verify that the majority (45.8%) favored the alteration of the current
electoral system, explicitly arguing that the current resources could be susceptible to fraud and
do not provide sufficient auditable mechanisms to ensure credibility in election results. Thus,
in the discussion about printed voting on Twitter during the chosen time frame, Bolsonaro's
electoral base was the most active. The group opposed to the Bolsonaro proposal is second in
the discussion, advocating for the current legislation that guides elections (34.6%). Lastly, a
considerable percentage (19.6%) of users did not clearly express their opinion on what they
support.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
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A large portion of the participants in the discussion about printed voting had as their
main intention (Graph V) to express their stance and promote what they believed (59.2%). The
dissemination of information about the progress of bureaucratic processes involving printed
voting, as well as news reporting the thoughts of political figures, appeared in second place
(13.8%). This behavior is much more prevalent within the group classified as Indefinite/Absent,
representing 45.1% of the activity of this group. Media outlets and journalist profiles largely
characterize these data.
Tweets that did not have their intention clearly defined or classified within the proposed
codes form the third position (10%), which unfortunately does not contribute to relevant
interpretations. It is worth noting, however, that those with stances classified as "against" and
"indefinite/absent" together account for 96.2% of these tweets, with 50% and 46.2%
respectively.
The dissemination of information and data represented 8.8% of users' intentions, with it
being possible to observe that the most active group in this category (73.9%) was those who
advocated for printed voting. The most shared content relates to an explanatory video on how
printed voting would work in practice, initially posted by President Bolsonaro
26
on his personal
profile.
Lastly, those whose main objective was to attack or offend a user or group of users
represented the smallest portion of this sample (8.1%). The use of impolite language is shared
almost equally among different ideological stances. Among those who preferred a "heated"
discussion, 52.4% are in favor of printed voting, and 42.9% are against it.
26
Original tweet: https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1410197383397400581?s=20. Accessed in: 08/02/21.
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Graph V Main intention when expressing oneself about "printed voting"
27
Source: Own authorship.
It was also verified which external links appeared most frequently within the sample. In
this case, senado.leg.br
28
(16,4%) and secure.avaaz.org
29
(11%) and "secure.avaaz.org"
(11%) relate to users who were concerned with disseminating voting tools to citizens to express
their opinion on the paper ballot. Those who mentioned "secure.avaaz.org" propagated a
campaign against paper ballots, in the form of an online petition. Both mechanisms indicated
the relevance of using technology and the Internet in democratic deliberations by allowing civil
participation in legislative decisions (Marques, Miola, 2007).
In Graph VI, the top 10 sites that appeared in the sample are listed out of a total of 31
sites. Of the 260 analyzed tweets, 28% included an external link. Among the shared sites, it is
possible to find both far-right media outlets, such as jornaldacidadeonline.com.br, and left-
wing ones, such as brasil247.com.
27
Translation of the text from top to bottom: Expression of stance and promotion of ideals; Journalistic
coverage/Media agenda; Other/Undefined; Dissemination of information/data; Insult/Threat to user or group of
users.
28
Related to the Public Consultation of PEC 135/19.
29
In reference to the link: https://secure.avaaz.org/campaign/po/nao_ao_voto_impresso_loc/?wufVFob. Accessed
in: 08 July 21.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
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Graph VI - Most shared sites in the sample
Source: Author's own.
Final considerations
This article aimed to delve into the theme of printed voting to understand, especially (1)
what invalidates the need for printed voting, (2) what Bolsonaro's intentions in defending such
a mechanism, and (3) what elements shaped the stances on the subject on Twitter between
27/06/21 and 17/07/21.
The results showed that a supposed adoption of printed voting would create an
atmosphere that jeopardizes secret voting and increases the chances of human interference,
consequently facilitating fraud. Additionally, electronic voting machines feature technological
resources that ensure the security of the electoral process, which is constantly advancing
through public testing. However, the complexity surrounding the configuration of electronic
voting machines contributes to the population's lack of complete understanding, which
eventually leads to questioning the electoral system.
Jair Bolsonaro used this doubt, which has always guided the history of voting in Brazil,
as one of the elements to install his populist strategy. Contrary to what many think, such
questioning is not technical but ideological. Among Bolsonaro's intentions, the attack on
democratic institutions expressed Bolsonaro's project to focus all political power on himself by
considering himself the embodiment of the people.
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In the stances on printed voting on Twitter between 27/06/21 and 17/07/21, the group
in favor of the proposal prevailed (45.8%), compared to 34.6% of people in opposition. Those
who supported the implementation of the printed mechanism exhibited characteristics that
reinforced the populist atmosphere accompanying Bolsonaro, such as expressions defending
the sovereign people, political polarization, and conspiracy theories.
As we near the conclusion, it is worth highlighting that it is unlikely for an electoral
model to please all of Brazil, a country with vast regional and social differences. Disagreement
is natural, which means that the electoral system needs and should indeed be debated and
improved. However, what is not appropriate is to bring forth a solution that has already been
buried. Progress, especially with existing resources, carves a more democratic path.
We hope to have presented a more systemic view on the debate of printed voting, despite
the limitations this study presents, such as: (1) data collection exclusively focused on the
expression "printed voting," which did not consider others such as "auditable voting," which
could provide a broader and more rigorous view of the discussion; (2) focusing on tweet content
without addressing/analyzing its possible responses (replies), which would facilitate the
visualization of other conversation configurations; (3) the narrow temporal focus, which, if
expanded to include other moments when printed voting surfaced, would provide a historical
view of the topic; and other limitations that may not have been mentioned.
Limitations like these serve as starting points for future studies, which may aim to
answer other questions not observed in this article. In addition to implicit suggestions, it is
worth recommending that forthcoming research may explore: (1) the role of the press
surrounding the proposal of printed voting; or even (2) other populist behaviors of Bolsonaro
and their effects on the public sphere and democracy. To ensure the replicability of this study,
the data used here are publicly available virtually
30
.
30
Available at: https://drive.google.com/drive/folders/1YprErGq8S-hkEqvM5vw1hDMxnnK_f-
Pt?usp=share_link. Accessed in: 02 Mar. 23.
Kaique MANCOSO and Robson ROQUE
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Funding: This work was supported by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior - Brazil (CAPES) - Funding Code 001.
Conflicts of interest: There were no conflicts of interest.
Ethical approval: Respected. Did not go through a committee.
Data and material availability: None.
Author’s contributions: Research execution and article writing: Kaique; Review and
improvements: Francisco Robson.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.