Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 1
CULTURAS ALIMENTARES DIGITAIS: MOVIMENTOS SOCIAIS E ATIVISMO
ALIMENTAR NO AMBIENTE ON-LINE
CULTURAS ALIMENTARIAS DIGITALES: MOVIMIENTOS SOCIALES Y
ACTIVISMO ALIMENTARIO EN EL ENTORNO EN LÍNEA
DIGITAL FOOD CULTURES: SOCIAL MOVEMENTS AND FOOD ACTIVISM IN THE
ONLINE ENVIRONMENT
Daniel Coelho de OLIVEIRA1
e-mail: daniel.oliveira@unimontes.br
Arthur Saldanha dos SANTOS2
e-mail: arthursaldanha.ufrgs@gmail.com
Como referenciar este artigo:
OLIVEIRA, D. C. de; SANTOS, A. S. dos. Culturas
Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo
Alimentar no Ambiente On-line. Rev. Cadernos de
Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006. e-ISSN:
2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351
| Submetido em: 10/01/2023
| Revisões requeridas em: 22/03/2023
| Aprovado em: 18/05/2023
| Publicado em: 23/08/2023
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Profa. Me. Aline Cristina Ferreira
Prof. Me. Mateus Tobias Vieira
Prof. Me. Matheus Garcia de Moura
1
Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), Montes Claros MG Brasil. Doutor em Ciências
Sociais. Professor do Departamento de Ciências Sociais da UNIMONTES.
2
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre RS Brasil. Atualmente realiza pós-
doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFRGS. Doutorado em Sociologia (UFRGS).
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 2
A alimentação é uma prática social que envolve não apenas a satisfação das
necessidades fisiológicas, mas, também, aspectos culturais, simbólicos e históricos. Na
perspectiva sociológica, o fenômeno reflete desigualdades sociais, jogos de distinções,
hierarquias, escolhas e convivências. Ela também pode ser vista como uma forma de
identificação e de diferenciação social, por meio de tradições, de rituais e de tabus alimentares
que definem a identidade e a pertença social dos indivíduos. De forma geral, as práticas
alimentares são expressões culturais que refletem particularidades históricas, características
geográficas e relações sociais de um determinado grupo social.
No contexto contemporâneo, a interseção entre as práticas alimentares e o mundo digital
tem gerado novas dinâmicas, especialmente na convergência que engloba artefatos e
agenciamentos, resultando em um ativismo que se manifesta de maneira distinta tanto em sua
forma quanto em seu conteúdo, com o propósito de fomentar o engajamento. Essas dinâmicas
permeiam a forma de produção, comercialização, consumo e divulgação dos alimentos
ingeridos. No entanto, mais significativamente, elas conduzem à politização das rotinas e
atividades do cotidiano ligadas à alimentação. Dentro desses contextos, tanto agentes humanos
quanto não-humanos operam em um domínio temporal atemporal, em espaços desprovidos de
fronteiras, limitações ou distinções, desempenhando papéis em experiências previamente
inimagináveis no que tange à interação entre as práticas alimentares cotidianas e as tecnologias
globais.
O processo revolucionário provocado pelo advento das tecnologias das informações e
subsequente ascensão das plataformas de mídias digitais, possibilitaram o surgimento de uma
nova dinâmica no sistema agroalimentar presente na confluência entre as rotinas alimentares e
a internet. Este domínio se destaca pela abrangente gama de atividades, abarcando, dentre outras
ações: a digitalização dos procedimentos de produção, logística e comercialização no setor
alimentício; bem como a utilização substancial de plataformas de mídia social para a
divulgação, expressão de protestos e implementação de boicotes a produtos e serviços. Com o
surgimento das plataformas digitais e da internet, as interações relacionadas aos alimentos
passaram por transformações de importância substancial.
Na atualidade, a cultura gastronômica, por exemplo, não se refere apenas ao sabor e à
apresentação dos alimentos, mas também à maneira pela qual os consumimos e interagimos
com as outras pessoas de modo on-line. Desde blogs de culinária, mídias sociais, receitas on-
line e serviços de entrega de alimentos, o mundo digital transformou a maneira de vivenciar a
cultura alimentar. A revolução digital também causou mudanças significativas na maneira pela
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 3
qual comemos e experimentamos os distintos sabores. O advento das Tecnologias da
Informação e da Comunicação (TICs) tem permitido que as pessoas compartilhem diariamente
suas receitas e criem comunidades on-line com interessados em gostos semelhantes.
O debate em torno da alimentação permanece intensamente discutido e continua a
apresentar abordagens inovadoras na contemporaneidade. Este fenômeno deve-se, em grande
parte, à sua natureza interdisciplinar, que é fomentada pelas diversas áreas entrelaçadas
(CONTRERAS; GRACIA, 2011; AZEVEDO, 2017). A despeito da alimentação ser objeto de
considerável investigação atualmente, é observado um progresso gradual e limitado na adoção
e aprofundamento dos recursos teórico-conceituais por parte dos analistas e indivíduos
interessados nesse campo (PORTILHO, 2020). Esse apontamento sugere tanto a importância
quanto a urgência na condução crítica às investigações sobre culturas alimentares digitais.
Dentro da diversidade de temas e de abordagens dos estudos da alimentação, a cultura
alimentar digital é um conceito novo que abarca representações e práticas relacionadas aos
alimentos nas plataformas de mídias digitais. Esse termo tem sua origem nos estudos da cultura
alimentar, sociomaterialismo e sociologia digital, incorporando, ao longo da sua estruturação
conceitual, discussões sobre movimentos sociais e questões socioambientais. No entanto, os
âmbitos de interesse dessa abordagem não se circunscrevem unicamente a esse ponto. Tais
levantamentos abrangem apenas os elementos fundamentais desse conceito, considerando a
natureza polissêmica tanto do ambiente online quanto da cultura alimentar. Dessa forma, o
termo “cultura alimentar digital” emerge como resultado da convergência entre os campos de
estudo das ciências culturais, comunicação, bem como das esferas sociais, econômicas e
políticas que permeiam a sociedade digital.
Com o propósito de examinar as dinâmicas que regem a produção, preparação e
consumo de alimentos com mediação tecnológica, bem como de estabelecer as primeiras
delimitações da noção de “Cultura Alimentar Digital”, Lupton (2020) baseou-se na literatura
concernente às dimensões socioculturais das tecnologias digitais. Os primeiros enfoques sobre
a temática alimentar em ambientes digitais concentram-se na análise de conteúdos discursivos
e visuais presentes em blogs dedicados à alimentação, explorando as questões éticas e estéticas
subjacentes aos comportamentos alimentares (LAVIS, 2015; LEWIS, 2018; LUPTON, 2018;
2020). Investigações posteriores direcionaram-se à avaliação dos imaginários sociotécnicos e
de tendências alimentares emergentes, como a impressão tridimensional de alimentos
(DONNAR, 2017; LUPTON, 2017). Esses estudos aprofundaram a compreensão dos impactos
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 4
das tecnologias digitais nas rotinas e escolhas alimentares dos indivíduos, conferindo especial
atenção às formas pelas quais esses sujeitos têm reagido a essas inovações.
Sob essa perspectiva, Lupton (2020) delineia as culturas alimentares digitais como uma
abordagem de vanguarda que congrega as variadas representações de identidades de grupos
sociais, manifestações culturais, estilos de vida, rotinas, práticas, costumes, saberes e tradições
relacionados à alimentação, bem como sua inserção no contexto de mediação proporcionado
pelas tecnologias digitais no quotidiano das pessoas. Essas dimensões são impulsionadas pelos
interesses individuais ou coletivos dos inúmeros utilizadores conectados e adotam distintas
configurações de interação digital, abrangendo séries e filmes, blogs, sítios web, anúncios ou
reportagens, fóruns de discussão, aplicações, jogos e uma vastidão de outras possibilidades para
entrelaçar alimentação e o ambiente digital.
A abordagem de Feldmann e Lupton (2020) é pioneira e revolucionária no campo
sociológico, mas carece de uma explicação mais aprofundada acerca do conceito de culturas
alimentares digitais. Grande parte dessa lacuna conceitual se justifica possivelmente pela sua
focalização em análises de casos restritos a algumas regiões do mundo, notadamente a Oceania,
Europa Ocidental e Estados Unidos, com escasso ou nulo exame de experiências na Ásia, África
ou América Latina. A interseção entre as culturas alimentares digitais, a diversidade de gênero
e a questão étnico-racial também é negligenciada.
Diante deste cenário de limitações conceituais, propomos uma definição de culturas
alimentares digitais com uma abordagem ligeiramente mais ampla. Nesse sentido,
compreendemos as culturas alimentares digitais como um conjunto de ações, escolhas,
comportamentos e rotinas que envolvem a alimentação, e que de diferentes formas se
relacionam com a utilização de ferramentas de tecnologia da informação e comunicação,
atravessando tanto a realidade online como offline, ou seja, onde a vivência quotidiana
relacionada à alimentação é influenciada e influência a mediação de artefatos tecnológicos. Por
outras palavras, as culturas alimentares digitais são projeções digitais do quotidiano alimentar
que se manifestam em ambientes digitais, proporcionando a convergência de variados modos
de viver, abordar e interpretar as vivências e experiências alimentares. A utilização do termo
no plural expressa a maneira pela qual diversos indivíduos interagem com artefatos
tecnológicos, tais como smartphones e computadores, bem como os variados usos das
plataformas de mídia digital e aplicações relacionadas com a dinâmica alimentar em toda a sua
multiplicidade. O termo também denota a diversidade de práticas, rotinas, comportamentos,
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 5
distinções, agentes e ativismos ancorados em uma pluralidade de características étnicas, raciais,
de classe e de gênero.
Torna-se imprescindível discorrer, ademais, acerca das atuais ramificações resultantes
da evolução dessas dinâmicas alimentares, com destaque para as complexas interações
cotidianas moldadas pelas plataformas digitais. O cenário evidencia uma progressiva dissolução
das fronteiras distintas entre o domínio analógico e o digital. Dispositivos móveis, como
telefones celulares, e outros mecanismos de comunicação, agora estão intrinsecamente
integrados à experiência culinária, ao mesmo tempo que exercem um papel determinante nas
escolhas gastronômicas, servindo como vínculo com o mundo através da alimentação e como
canais de exposição pública de preferências e seleções alimentares. O crescimento das
dinâmicas inerentes às culturas alimentares digitais não pode ser compreendido sem a
convergência dessas duas tendências relativamente autônomas: a integração abrangente das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) nas práticas alimentares e o processo de
“espetacularização” da vida quotidiana, com a exposição rotineira da esfera privada,
notadamente a ação de “alimentar-se”.
Os estudos sobre culturas alimentares digitais investigam um conjunto amplo de relatos,
experiências, práticas, rotinas e representações de alimentos nas mídias sociais pelos usuários.
Alguns temas têm recebido maior ênfase nesse escopo, englobando desde estratégias
promocionais de saúde, ações voltadas para a sustentabilidade e a alimentação como pauta
política, até manobras digitais altamente lucrativas empregadas por grandes conglomerados e
indústrias alimentícias com a finalidade de expandir e diversificar mercados (SANTOS, 2022).
O que pode ser observado é a utilização da Internet como incremento das rotinas alimentares
das pessoas, em que os padrões de compras, de comercialização e de consumo são remodelados
à luz dos interesses dos usuários conectados. Em síntese, as principais discussões da temática
são sobre sustentabilidade, solidariedade, desigualdades, gastronomia, corpos e afetos, saúde,
espiritualidade, influenciadores, política e futuro alimentar.
Para ilustrar alguns desses enfoques, corpos e afetos representam o conjunto de
moralidades ligadas à alimentação. O culto ao corpo, a busca por corpos saudáveis e em forma,
os padrões de beleza, o fetichismo, a repressão, a vergonha ou culpa alimentar, as dietas
rigorosas, a obsessão, a automonitorização e a disciplina corporal, entre outros, são
circunstâncias ou cenários que se manifestam e são mediados digitalmente pelos utilizadores
na esfera da Internet. Os significados gerados nesse tipo de compartilhamento digital da
alimentação são um “mix” de experiências e de condutas sociais e podem ser associados e
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 6
interpretados como forças afetivas, prazer, desejo, deleite e senso de comunidade, mas também,
como sentimentos de vergonha, cobiça, repulsa, nojo, culpa, medo, indignação, vergonha
(KENT, 2020; LUPTON, 2020).
Saúde e espiritualidade abarcam estilos alimentares que são baseados e motivados por
questões e condutas éticas, nutrição, saúde, dimensões ambientais, escolhas religiosas e
preocupações relativas aos animais o-humanos. As mídias sociais têm sido utilizadas como
ambientes profícuos para o compartilhamento de interesses similares entre os usuários, para
trocas de aprendizados, experiências e pensamentos sobre as rotinas alimentares. Na prática, o
que os estudos sobre os eixos saúde e espiritualidade apontam é que as rotinas alimentares
tendem a ser entrelaçadas com outras dimensões, como ocorre, por exemplo, com as discussões
políticas em torno da sustentabilidade ou debate racial (BAKER; WALSH, 2020; SANTOS,
2022). Nesse caso, quando um usuário compartilha sua rotina alimentar saudável e justifica
que, além da sua atenção à aparência corporal está sua preocupação com o meio ambiente e
com o fim da opressão dos animais humanos e não humanos, suas práticas denotam um tipo de
cultura alimentar entrelaçada.
Mais do que isso, Scott (2020), em seus estudos com comunidades veganas online,
identifica que esse estilo alimentar é defendido pelos utilizadores como um agente
transformador das suas realidades sociais, contribuindo não somente para o término da
exploração animal, mas também abrangendo outros eixos das práticas alimentares, como a
sustentabilidade, e, nesse contexto, sendo concebido pelos adeptos como uma opção de vida
moralmente superior a outras. Sob essa ótica, Braun e Carruthers (2020) assinalam que os
utilizadores de blogs veganos frequentemente descrevem as suas práticas de consumo e regimes
alimentares por meio de metáforas de natureza religiosa e espiritual. As observações
apresentadas sugerem que a alimentação, para além de constituir uma dimensão
intrinsecamente entrelaçada com outros aspetos da vivência humana, tem sido utilizada,
principalmente na era das tecnologias digitais, como uma ferramenta para marcação social e
influência. Desse modo, o que tende a definir a demarcação são as estratégias de diferenciação
apresentadas pelos usuários, como a qualidade visual e saudabilidade dos alimentos, os valores
morais, religiosos, éticos e estéticos que determinada rotina traduz.
Uma ampla gama de figuras públicas, blogueiros e influenciadores têm encorajado e
transformado os modos pelos quais a alimentação é frequentemente retratada nas redes sociais.
Esses intervenientes empregam variadas estratégias para apresentar experiências alimentares à
audiência das redes sociais e potenciais consumidores, influenciando de maneira expressiva as
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 7
escolhas alimentares e de consumo em geral. Com um poder convincente considerável na esfera
online, esses “profissionais” são cada vez mais procurados por indivíduos que buscam
informações acerca de alimentos mais exclusivos e exóticos, técnicas de preparação de carne
mais requintadas, alimentação saudável, receitas, orientações sobre cultivo, atualizações
relacionadas à alimentação, estilo de vida saudável, alternativas alimentares restritas,
veganismo, entre outros. Eles se utilizam principalmente de competências culinárias, padrões
de vida, princípios éticos e práticas pessoais de consumo alimentar como meios para conquistar
novos seguidores que se inspiram nas suas abordagens.
No que tange às discussões políticas e ao futuro alimentar das sociedades, é imperativo
ressaltar que temos observado, nos últimos anos, o aumento do contingente de grandes
conglomerados do setor alimentício que estão direcionando uma parcela significativamente
maior dos seus resultados e investimentos para a exploração das tecnologias digitais visando à
comercialização em larga escala. Elas possuem maior poder aquisitivo, interesses puramente
econômicos e quase nada voltados para o bem comum. Essas empresas têm investido em
programas, campanhas e propagandas nas mídias sociais, sobretudo Instagram, Facebook,
Twitter e Youtube, utilizando celebridades, influencers e figuras públicas para a recomendação
de alimentos que geralmente são insustentáveis e nocivos à saúde humana e não humana. Em
contrapartida, destaca-se o aumento significativo de organizações, coletivos, ativistas
independentes, movimentos sociais e diversas outras formas de mobilização centradas na busca
por justiça alimentar e sustentabilidade na esfera digital (CROSS, 2020; MANN, 2020).
Essas iniciativas digitais buscam combater a ampliação de práticas e de rotinas
alimentares focadas na lucratividade da produção e do consumo, buscando, assim, promover
cotidianos alimentares que sejam mais democráticos, justos com os animais humanos e não
humanos, e que estimulam a redução dos danos ambientais. Com isso, percebe-se que as
possibilidades e compartilhamentos de dinâmicas relacionadas à alimentação e tecnologias
digitais são diversos, sofisticados e permanecem em constante atualização. Assim, as dias
sociais podem ser entendidas como os ambientes de interação mútua que influenciam na
formação identitária dos usuários, sendo ainda promissoras para a construção de significados e
discursos entre as pessoas (CHERRY, 2006; 2014; LUPTON, 2020; SCOTT, 2020).
Analisar de um ponto de vista sociológico as rotinas alimentares sob a lente das culturas
digitais em contexto de tecnologias globais apresenta-se como um exercício desafiador, porém
premente e crucial, na atualidade caracterizada pela amplificação das formas de comunicação
e interação social. As contribuições dessa abordagem são abrangentes e englobam distintas
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 8
áreas da pesquisa científica sobre alimentação, consubstanciando-se como um mecanismo de
suma importância para a promoção da interdisciplinaridade entre os diversos campos que
permeiam o universo alimentar. Em consonância com os estudos da sociologia digital
(LUPTON, 2015; NASCIMENTO, 2016), a abordagem das culturas alimentares digitais busca
compreender, também, as manifestações político-culturais que ocorrem na Internet como
resultado da complexidade dos símbolos e significados fornecidos nesse tipo de interação
(BAKER; WALSH, 2020; LUPTON, 2020; SCOTT, 2020).
Contudo, diante da vasta gama de situações, acontecimentos e experiências alimentares
presentes on-line, torna-se evidente a imprecisão conceitual que permeia a noção de cultura
alimentar digital. As questões fundamentais que emergem ao abordarmos essa temática tão
contemporânea são as seguintes: o que de fato pode ser caracterizado como cultura alimentar
digital nesse universo de possibilidades das tecnologias da informação e comunicação? Quais
são as condições mínimas para que essa caracterização adequada aconteça?
Este dossiê é o primeiro no Brasil e América Latina, que tem por intuito abrigar uma
variedade de temas e de discussões sobre cultura alimentar e suas interfaces com as tecnologias
globais de informação e comunicação. Os desafios intrínsecos à organização de um trabalho
cujo objeto de estudo é inovador e de recente surgimento no cenário global são de magnitude
considerável, especialmente na seleção de artigos que demonstrem maturidade teórico-
conceitual e metodológica no que tange à temática em questão. Acreditamos que a adoção da
abordagem da cultura alimentar digital no âmbito do Sul Global tenderá a ser gradual,
considerando a ausência de estudos de casos provenientes dessas regiões nas etapas iniciais da
formulação conceitual.
Conforme já salientado, o conceito revela notáveis assimetrias entre o Norte Global e o
Sul Global, ao privilegiar regiões com históricos de vantagens em detrimento de outras
localidades caracterizadas igualmente por expressivas diversidades culturais. Regiões como
África, América Latina e Caribe ostentam estudos culturais relevantes acerca de alimentação,
consumo e práticas alimentares, representando potenciais fontes de dados a serem exploradas
no médio e longo prazo para a análise das culturas alimentares digitais. Entretanto, é
imprescindível enfatizar que a falta de visibilidade dessas realidades culturais, que poderiam
constituir um valioso acréscimo às investigações sobre o cotidiano alimentar na Internet, não
comprometeu o potencial da abordagem nos estudos relacionados à alimentação. Ao contrário,
tal lacuna instigou ainda mais as agendas e os interesses na temática, impulsionando sua
ampliação e desenvolvimento.
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 9
O livro intitulado Research Methods in Digital Food Studies”, publicado em 2021 e
organizado por Jonatan Leer e Stinne Gunder S. Krogager, foi a primeira obra mundial a
abordar, de maneira específica, métodos e técnicas para a pesquisa sobre culturas alimentares
digitais. Este texto encontra-se redigido em língua inglesa e, atualmente, carece de uma análise
crítica de sua composição no contexto brasileiro, o que tem obstaculizado a disseminação do
tema, o preenchimento de possíveis lacunas e a expansão de seu impacto. A obra desempenha
uma significativa função teórico-metodológica para a exploração dos estudos concernentes à
alimentação digital, revisitando abordagens estabelecidas que podem ser aplicadas a fenômenos
sociais nas mídias, bem como apontando possíveis interseções entre métodos e técnicas
voltados à investigação de ativismos alimentares digitais, entre outros aspectos. Não obstante,
as fronteiras éticas que delineiam a realização de pesquisas em plataformas de mídias sociais
continuam a ser uma questão relevante e uma agenda de estudos a ser considerada.
No tocante às políticas alimentares digitais, Mann (2020) aponta que a crescente
conectividade entre os indivíduos, decorrente das novas formas de sociabilidade possibilitadas
pelas tecnologias digitais, poderia oferecer o potencial de conferir visibilidade às vozes
marginalizadas, compartilhar as vivências desses usuários com o mundo e permitir que esses
discursos públicos se insiram nas agendas globais que se voltam às questões de justiça
alimentar. Entretanto, esta perspectiva não tem sido completamente concretizada.
Se, por um lado, o trabalho científico com usuários em plataformas de mídias sociais
esbarra nos princípios éticos da coleta de dados, no qual o acesso às imagens e discussões
compartilhadas nas redes não evoca, necessariamente, o direito por parte dos pesquisadores de
publicar sem levar em consideração a privacidade desses indivíduos. Por outro lado, a
arquitetura e a infraestrutura de informação das mídias sociais apresentam vieses que têm sido
fortemente criticados nas literaturas sobre algoritmos (NAKAMURA, 2010; LITTAL, 2018;
MANN, 2020; ROSHANI, 2020; SILVA, 2020). Esses estudos indicam que o acesso às mídias
não é equitativo para os grupos sociais mais marginalizados e economicamente desfavorecidos,
em comparação com os estratos mais privilegiados da sociedade. Quando o acesso ocorre de
maneira exitosa, frequentemente emergem hierarquias pautadas na distinção racial e na
hipersexualização das mulheres negras. Assim, os conflitos alimentares contemporâneos
também estão demarcados nas desigualdades digitais, que, por sua vez, são traduzidas,
majoritariamente, a partir do racismo algorítmico e da diferenciação social por raça, classe e
gênero (SANTOS, 2022).
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 10
As mídias sociais têm sido utilizadas como plataformas privilegiadas para movimentos
sociais engajados no ativismo alimentar. Algumas análises apresentadas no livro intitulado
Digital Food Culturesabordam de maneira sucinta as mudanças observadas nas formas de
expressão online das práticas alimentares. Os ativistas recorrem à internet como um meio e uma
estratégia para ampliar e disseminar suas causas em âmbito global, estabelecendo conexões
com outras iniciativas alinhadas com suas agendas. Esse fenômeno, que tem se intensificado
nos últimos anos, especialmente impulsionado pelo surgimento da pandemia de Covid-19 e as
medidas de distanciamento social, tem levado à formação de redes globais de ativismo
alimentar. Essas redes concentram-se, sobretudo, nas lutas por justiça alimentar e
sustentabilidade ambiental, buscando provocar transformações sociais por meio de influências
nas políticas públicas (MOTTA; MARTÍN, 2021; MOTTA, 2021; TEIXEIRA; MOTTA;
GALINDO, 2021).
No atual contexto global de avanço tecnológico e de dinâmicas sociais digitalizadas, é
preciso estimular, cada vez mais, estudos que busquem compreender melhor os impactos das
tecnologias nas práticas alimentares cotidianas, revelando as conexões que esses impactos
revelam em outras esferas da vida social. A alimentação tornou-se um campo profícuo para
debates políticos, econômicos, sociais e culturais e, entre as inúmeras reflexões levantadas a
partir dessas dimensões que são articuladas na realidade social, destacam aquelas iniciativas
que buscam fomentar discussões mais amplas sobre o futuro alimentar das sociedades, o bem
comum e o cuidado ambiental o sistema alimentar global por assim dizer (ABRAMOVAY,
2021).
Ademais, outros temas emergem na agenda dos estudos contemporâneos sobre
alimentação e merecem ser destacados como sugestões para pesquisas futuras. Tais temas
englobam a aplicação do conceito de big data em investigações que lidam com volumes
massivos de dados digitais, a análise da sustentabilidade em contextos alimentares digitais, a
exploração dos mercados alimentares na esfera digital, o estudo dos sistemas agroalimentares,
a investigação das culturas digitais e ciberculturais no âmbito alimentar, as dinâmicas de
consumo, as dietas alimentares, a discussão acerca da sociedade de controle e vigilância, dentre
outros. Esses tópicos congregam uma série de indagações que têm desempenhado um papel
crucial na delimitação das perspectivas que moldarão o nosso futuro alimentar no contexto das
tecnologias digitais.
Para além desta breve introdução, o Dossiê intitulado “Culturas Alimentares Digitais:
Movimentos sociais e ativismos alimentar no ambiente on-line” apresenta uma entrevista
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 11
inédita com Deborah Lupton, uma das autoras que cunhou o conceito de cultura alimentar
digital no livro Digital Food Cultures”; a tradução do artigo “Digital food culture, power and
everyday life”, assinado por Zeena Feldman e Michael K. Goodman; o artigo “Distinção,
digitalização e legitimação: a incorporação das redes sociais no campo gastronômico
brasileiro”, assinado por Camila Grumo; o artigo Kanhgág eg vjn: a construção do espaço
alimentar digital”, de autoria do Gabriel Chaves Amorim; e o artigo “Veganismo não é dieta:
disputas discursivas e práticas sobre relações entre diversos animais humanos e não humanos ,
mapeados em debates on-line”, assinado por Rodolfo de Moraes Santos Cerqueira.
A entrevista inédita com a Deborah Lupton, coordenada pelos pesquisadores Marília
Lud David, Maycon Noremberg Schubert, Daniel Coelho de Oliveira e Arthur Saldanha dos
Santos, apresenta importantes contribuições para o campo dos estudos da Sociologia digital e
suas relações com as culturas alimentares, abarcando os estudos sociais das ciências e
tecnologias. Ao longo da conversa, a autora explora o surgimento das tecnologias digitais, suas
implicações na teoria social e os desafios que se manifestam na vida cotidiana das pessoas.
Além disso, são ressaltadas as ramificações desse cenário de digitalização no âmbito das
pesquisas científicas. A autora também reflete sobre as mudanças que têm permeado as
dinâmicas, práticas e rotinas alimentares individuais no contexto atual de avanço tecnológico e
intensificação do uso das mídias sociais.
A tradução do artigo Digital food culture, power and everyday life(tradução livre:
‘Cultura alimentar digital, poder e a vida cotidiana”), assinado por Zeena Feldman e Michael
K. Goodman, oferece uma contribuição única que amplia o escopo das reflexões que são
desenvolvidas de maneira científica acerca das culturas alimentares na literatura internacional,
após a publicação do livro Digital Food Cultures”. Trata-se de uma introdução à edição
especial do European Journal of Cultural Studies, que visa traçar distinções, paralelos e
sobreposições entre o âmbito da comida e o universo digital, buscando proporcionar uma
abordagem crítica das capacidades, paradoxos e impactos da cultura alimentar digital na vida
cotidiana.
O primeiro artigo nacional que compõe este dossiê intitula-se Distinção, digitalização
e legitimação: A incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro”, com a
assinatura de Camila Grumo. O texto analisa as relações que ocorrem entre o processo de
naturalização das redes sociais e a dinâmica de distinção social. Para isso, a autora investiga os
perfis de oito restaurantes paulistanos e de guias gastronômicos nacionais e internacionais no
Facebook, Instagram e Tik Tok, além de analisar matérias e entrevistas com chefs e
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 12
administradores desses restaurantes, disponíveis nas mídias. Os resultados indicam que a
adoção das dias sociais pelos restaurantes se tornou uma prática comum nos últimos anos,
frequentemente incentivada pelos próprios chefes de cozinha. Essa transição para o ambiente
digital no contexto dos restaurantes tem ganhado notável interesse no setor comercial,
abrangendo também aqueles estabelecimentos que não contam com chefs proeminentes na
promoção digital do estabelecimento.
Na sequência, com o artigo de Gabriel Chaves Amorim, intitulado “Kanhgág eg vjn:
A construção do espaço alimentar digital”, o campo alimentar é analisado sob a ótica cultural,
tendo como mediação as tecnologias digitais. O estudo de caso é sobre uma comunidade on-
line, cujo enfoque foi para os aspectos cultural e identitário das comidas típicas Kanhgág, sendo
executado a partir da etnografia. O estudo aponta a utilização das mídias sociais como um
recurso adequado na propagação da sociabilidade geracional, preservação de memória dos
alimentos, compartilhamento de receitas, tradição e ativismo digital, gastronômico e indígena.
O artigo Veganismo não é dieta: Disputas discursivas e práticas sobre relações entre
diversos animais humanos e não humanos, mapeados em debates online”, assinado por Rodolfo
de Moraes Santos Cerqueira, explora as controvérsias que cercam a concepção de veganismo,
abrangendo significados e práticas presentes em fóruns de grupos na plataforma de rede social
Facebook. Os resultados destacam a necessidade de interpretar as interações entre “humanos e
animais humanos o humanos” a partir de abordagens que considerem as múltiplas
desigualdades envolvidas na prática vegana, revelando particularidades também nos conflitos
ocorrentes nessas comunidades e influenciando a configuração adotada em cada prática vegana.
Aproveitamos este breve espaço para expressar nossa sincera gratidão a Deborah Lupton
por compartilhar reflexões tão inspiradoras, com o reconhecimento estendendo-se também a
Marília Luz David e a Maycon Noremberg Schubert, pelo apoio na condução da entrevista.
Somos gratos também a Zeena Feldman e a Michael K. Goodman, pela gentileza de
compartilhar o excelente texto para a inédita tradução no contexto brasileiro. Parabenizamos
ainda Camila Grumo, Gabriel Chaves Amorim e Rodolfo de Moraes Santos Cerqueira, pelos
maravilhosos trabalhos submetidos a este dossiê. Finalmente, agradecemos à equipe da
Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais pelo comprometimento, cuidado,
disponibilidade e atenção, sendo representados pelo Mateus Tobias Vieira e Matheus Garcia de
Moura, com os quais tivemos contato nos últimos meses.
Desejamos uma ótima leitura!
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 13
Os organizadores,
Daniel Coelho de Oliveira
Arthur Saldanha dos Santos
AGRADECIMENTOS: Agradecemos ao apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de Minas Gerais (Fapemig) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq).
REFERÊNCIAS
ABRAMOVAY, R. Desafios para o sistema alimentar global. Ciência e Cultura, v. 73, p.
53-57, 2021.
AZEVEDO, E. de. Alimentação, Sociedade e Cultura: temas contemporâneos. Sociologias,
Porto Alegre, ano 19, n. 44, p. 276-307, jan./abr. 2017.
BAKER, S.; WALSH, M. You are what you Instagram: clean eating and the symbolic
representation of food. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York:
Editora Routledge, 2020.
BRAUN, V.; CARRUTHERS, S. Working at self and wellness: a critical analysis of vegan
vlogs. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora
Routledge, 2020.
CHERRY, E. Veganism as a Cultural Movement: A Relational Approach. Social Movement
Studies, v. 5, n. 2, p. 155-170, 2006.
CHERRY, E. I was a teenage vegan: motivation and maintenance of lifestyle movements.
Sociological Inquiry, v. xx, n. x, p. 120, 2014.
CROSS, K. Visioning food and community through the les of social media. In: LUPTON, D.;
FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
CONTRERAS, J.; GRACIA, M. Alimentação, Sociedade e Cultura. Rio de Janeiro: Editora
Fiocruz, 2011.
DONNAR, G. ‘Food porn’ or intimate sociality: Committed celebrity and cultural
performances of overeating in meokbang. Celebrity Studies, v. 8, n. 1, p. 122127, 2017.
KENT, R. Self-tracking and digital food cultures: surveillance and self-representation of the
moral, healthy body. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York:
Editora Routledge, 2020.
Culturas Alimentares Digitais: Movimentos Sociais e Ativismo Alimentar no Ambiente On-line
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 14
LAVIS, A. Consuming (through) the Other? Rethinking fat and eating in BBW videos on-
line. M/C Journal, v. 18, n. 3, 2015.
LEER, J.; KROGAGER, S. G. S. (ed.). Research methods in digital food studies. New
York: Editora Routledge, 2021.
LEWIS, T. Digital food: from paddock to platform. Communication Research and
Practice, v. 4, n. 3, p. 212228, 2018.
LITTAL R. White women being exposed for pretending to be black women on Instagram
(Photos). Blacksportsonline, 10 nov. 2018.
LUPTON, D. Digital Sociology. New York: Editora Routledge, 2015.
LUPTON, D. ‘Download to delicious’: Promissory themes and sociotechnical imaginaries in
coverage of 3D printed food in online news sources. Futures, v. 93, p. 4453, 2017.
LUPTON, D. Cooking, eating, uploading: Digital food cultures. In: LEBESCO, K.;
NACCARATO, P. (ed.). The Handbook of Food and Popular Culture. London:
Bloomsbury, 2018. p. 6679.
LUPTON, Deborah . Understanding digital food cultures. In: LUPTON, Deborah;
FELDMAN, Zeena. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
MANN, A. Are you local? Digital inclusion in participatory foodscapes. In: LUPTON, D.;
FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
MOTTA, R. Social movements as agents of change: Fighting intersectional food inequalities,
building food as webs of life. The Sociological Review, v. 69, n. 3, p. 603625, 2021.
MOTTA, R.; MARTÍN, E. Food and social change: culinary elites, contested technologies,
food movements and embodied social change in food practices. The Sociological Review, v.
69, n. 3, p. 503-519, 2021.
NASCIMENTO, L. F. A Sociologia Digital: um desafio para o século XXI. Porto Alegre:
Sociologias, ano 18, n. 41, p. 216-241, jan./abr. 2016.
NAKAMURA, L. Race and identity in digital media. In: CURRAN, J. (org.). Mass Media
and Society. New York: Editora Bloomsbury Academic, 2010. p. 336-347.
PORTILHO, F. Ativismo alimentar e consumo político duas gerações de ativismo alimentar
no Brasil. Redes (St. Cruz Sul, On-line), v. 25, n. 2, p. 411-432, maio/ago. 2020.
ROSHANI, N. Discurso de ódio e ativismo digital antirracismo de jovens afrodescendentes
no Brasil e Colômbia. In: SILVA, T. (org.). Comunidaes, Algorítimos e Ativismos Digitais:
Olhares afrodispóricos. São Pulo: Editora LiteraRua, 2020. p. 47-66.
Daniel Coelho de OLIVEIRA e Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 15
SANTOS, A. S. dos. Ativismos digitais do Movimento Afro Vegano: uma análise das
narrativas performáticas nas mídias sociais. Tese (Doutorado em Sociologia) Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-
Graduação, Porto Alegre, BR-RS, 2022.
SCOTT, E. Healthism and veganism: discursive constructions of food and health in an on-line
vegan community. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York,
Routledge, 2020.
SILVA, T. Racismo Algorítmico em Plataformas Digitais: microagressões e discriminação
em código. In: SILVA, T. (org.). Comunidaes, Algorítimos e Ativismos Digitais: Olhares
afrodispóricos. São Pulo: Editora LiteraRua, 2020. p. 129-145.
TEIXEIRA, M. A.; MOTTA, R.; GALINDO, E. Desigualdades alimentares em tempos de
pandemia. Opinião, Nexo Políticas Públicas, 18 abr. 2021. Disponível em:
https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2021/Desigualdades-alimentares-em-tempos-de-
pandemia. Acesso em: 03 fev. 2023.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 1
DIGITAL FOOD CULTURES: SOCIAL MOVEMENTS AND FOOD ACTIVISM IN
THE ONLINE ENVIRONMENT
CULTURAS ALIMENTARES DIGITAIS: MOVIMENTOS SOCIAIS E ATIVISMO
ALIMENTAR NO AMBIENTE ON-LINE
CULTURAS ALIMENTARIAS DIGITALES: MOVIMIENTOS SOCIALES Y
ACTIVISMO ALIMENTARIO EN EL ENTORNO EN LÍNEA
Daniel Coelho de OLIVEIRA1
e-mail: daniel.oliveira@unimontes.br
Arthur Saldanha dos SANTOS2
e-mail: arthursaldanha.ufrgs@gmail.com
How to reference this paper:
OLIVEIRA, D. C.; SANTOS, A. S. Digital Food Cultures:
Social movements and food activism in the online
environment. Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23,
n. esp. 1, e023006. e-ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351
| Submitted: 10/01/2023
| Revisions required: 22/03/2023
| Approved: 18/05/2023
| Published: 23/08/2023
Editors:
Prof. Dr. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. MSc. Aline Cristina Ferreira
Prof. MSc. Mateus Tobias Vieira
Prof. MSc. Matheus Garcia de Moura
1
Montes Claros State University (UNIMONTES), Montes Claros MG Brazil. Doctoral degree in Social
Sciences. Professor at the Department of Social Sciences at UNIMONTES.
2
Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre RS Brazil. Currently conducting
postdoctoral research within the Graduate Program in Sociology at UFRGS. Doctoral degree in Sociology
(UFRGS).
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 2
Nutrition is a social practice that encompasses the fulfillment of physiological needs and
cultural, symbolic, and historical aspects. From a sociological perspective, this phenomenon
reflects social inequalities, distinction dynamics, hierarchies, choices, and coexistence. It can
also be viewed as a form of identification and social differentiation through traditions, rituals,
and dietary taboos that define individuals' identity and social belonging. Dietary practices are
cultural expressions that reflect a specific social group's historical peculiarities, geographical
characteristics, and social relations.
In the contemporary context, the intersection between dietary practices and the digital
world has generated new dynamics, especially in the convergence encompassing artifacts and
agency, resulting in activism that manifests distinctly in form and content to foster engagement.
These dynamics permeate how food is produced, marketed, consumed, and promoted.
However, more significantly, they lead to politicizing everyday routines and food-related
activities. Within these contexts, human and non-human agents operate in a timeless temporal
domain, in spaces devoid of boundaries, limitations, or distinctions, playing roles in previously
unimaginable experiences regarding the interaction between daily dietary practices and global
technologies.
The revolutionary process triggered by the advent of information technologies and the
subsequent rise of digital media platforms has enabled the emergence of a new dynamic in the
agri-food system, present at the intersection between dietary routines and the Internet. This
domain stands out for its comprehensive range of activities, including, among other actions: the
digitalization of production, logistics, and marketing procedures in the food sector, as well as
the substantial use of social media platforms for dissemination, expression of protests, and
implementation of product and service boycotts. With the emergence of digital platforms and
the Internet, food-related interactions have transformed substantial importance.
Currently, gastronomic culture, for instance, pertains not only to the taste and
presentation of food but also to the manner in which we consume and interact with others online.
From culinary blogs, social media, and online recipes to food delivery services, the digital world
has transformed the way we experience food culture. The digital revolution has also
significantly changed how we eat and experience different flavors. The advent of Information
and Communication Technologies (ICTs) has allowed people to daily share their recipes and
create online communities with others who share similar tastes.
The debate surrounding nutrition remains intensely discussed and continues to present
innovative approaches in contemporary times. This phenomenon is primarily attributed to its
Daniel Coelho de OLIVEIRA and Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 3
interdisciplinary nature, fostered by interconnected, diverse fields (CONTRERAS; GRACIA,
2011; AZEVEDO, 2017). Despite nutrition being the subject of considerable current research,
gradual and limited progress is observed in adopting and deepening theoretical and conceptual
resources by analysts and individuals interested in this field (PORTILHO, 2020). This
observation suggests the importance and urgency of critically investigating digital food
cultures.
Within the diversity of themes and approaches in food studies, digital food culture is a
novel concept encompassing representations and practices related to food on digital media
platforms. This term originates from food culture studies, socio-materialism, and digital
sociology, incorporating discussions on social movements and socio-environmental issues
throughout its conceptual structure. However, the scope of interest of this approach is not
confined solely to this point. Such inquiries only cover the fundamental elements of this
concept, considering the polysemic nature of the online environment and food culture. The term
"digital food culture" emerges due to the convergence between fields of study in cultural
sciences and communication and the social, economic, and political spheres that permeate
digital society.
To examine the dynamics governing the production, preparation, and consumption of
technologically mediated food and establish the initial delimitations of the notion of "Digital
Food Culture," Lupton (2020) drew upon literature concerning the sociocultural dimensions of
digital technologies. Initial focuses on the food theme in digital environments, analyzing
discursive and visual content in food-focused blogs and exploring the ethical and aesthetic
issues underlying dietary behaviors (LAVIS, 2015; LEWIS, 2018; LUPTON, 2018; 2020).
Subsequent investigations directed their attention toward evaluating sociotechnical imaginaries
and emerging food trends, such as three-dimensional food printing (DONNAR, 2017;
LUPTON, 2017). These studies deepened the understanding of the impacts of digital
technologies on individuals' dietary routines and choices, with particular attention to how these
subjects have reacted to these innovations.
From this perspective, Lupton (2020) outlines digital food cultures as a cutting-edge
approach that encompasses diverse representations of social group identities, cultural
expressions, lifestyles, routines, practices, customs, knowledge, and traditions related to food,
as well as their integration into the context of mediation provided by digital technologies in
people's everyday lives. These dimensions are driven by the individual or collective interests of
numerous connected users and adopt various configurations of digital interaction,
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 4
encompassing TV series and films, blogs, websites, advertisements or reports, discussion
forums, applications, games, and a multitude of other possibilities to intertwine food and the
digital environment.
The approach of Feldmann and Lupton (2020) is pioneering and revolutionary in the
sociological field, yet it lacks a more in-depth explanation of the concept of digital food
cultures. Much of this conceptual gap is justified by its focus on case analyses restricted to some
areas of the world, notably Oceania, Western Europe, and the United States, with limited or no
examination of experiences in Asia, Africa, or Latin America. The intersection between digital
food cultures, gender diversity, and ethnic-racial issues is also overlooked.
Given this scenario of conceptual limitations, we propose a slightly broader definition
of digital food cultures. In this sense, we understand digital food cultures as a set of actions,
choices, behaviors, and routines involving food, which in different ways relate to the use of
information and communication technology tools, spanning both the online and offline realities
that is, where daily food-related experiences are influenced by and influence the mediation of
technological artifacts. In other words, digital food cultures are digital projections of dietary
everyday life that manifest in digital environments, facilitating the convergence of various ways
of living, approaching, and interpreting food-related experiences. Using the term in the plural
expresses how diverse individuals interact with technological artifacts, such as smartphones
and computers, and the varied benefits of digital media platforms and applications related to
dietary dynamics in all their multiplicity. The term also signifies the diversity of practices,
routines, behaviors, distinctions, agents, and activism grounded in a plurality of ethnic, racial,
class, and gender characteristics.
It is essential to expound on the current ramifications resulting from the evolution of
these dietary dynamics, with a focus on the intricate everyday interactions shaped by digital
platforms. The scenario highlights a progressive dissolution of distinct boundaries between the
analog and the digital domains. Mobile devices, such as cell phones, and other communication
mechanisms are now intricately integrated into the culinary experience, simultaneously playing
a decisive role in gastronomic choices, serving as a link to the world through food, and acting
as channels for the public display of food preferences and selections. The growth of dynamics
inherent to digital food cultures cannot be comprehended without the convergence of these two
relatively autonomous trends: the comprehensive integration of Information and
Communication Technologies (ICTs) in dietary practices and the process of
Daniel Coelho de OLIVEIRA and Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 5
"spectacularization" of daily life, with the routine exposure of the private sphere, notably the
act of "eating".
Studies on digital food cultures investigate a wide array of narratives, experiences,
practices, routines, and representations of food on social media by users. Specific themes have
received greater emphasis within this scope, encompassing everything from health-promoting
strategies, sustainability-focused initiatives, and food as a political agenda to highly profitable
digital maneuvers employed by major conglomerates and food industries to expand and
diversify markets (SANTOS, 2022). What is observable is the utilization of the Internet as an
augmentation of individuals' dietary routines, where patterns of purchasing, marketing, and
consumption are reshaped in light of the interests of connected users. In summary, the critical
discussions within this theme revolve around sustainability, solidarity, inequalities,
gastronomy, bodies and emotions, health, spirituality, influencers, politics, and the future of
food.
To illustrate some of these focuses, bodies, and emotions represent the cluster of
moralities linked to food. Body worship, the pursuit of healthy and fit bodies, beauty standards,
fetishism, repression, shame or guilt related to eating, strict diets, obsession, self-monitoring,
and bodily discipline, among others, are circumstances or scenarios that manifest and are
digitally mediated by users on the Internet. The meanings generated in this type of digital
sharing of food encompass a "mix" of experiences and social behaviors and can be associated
and interpreted as affective forces, pleasure, desire, delight, and a sense of community, but also
as feelings of shame, greed, repulsion, disgust, guilt, fear, outrage, and embarrassment (KENT,
2020; LUPTON, 2020).
Health and spirituality encompass dietary styles grounded and motivated by ethical
concerns, nutrition, fitness, environmental dimensions, religious choices, and considerations
regarding non-human animals. Social media platforms have been utilized as fertile
environments for sharing similar interests among users, facilitating the exchange of knowledge,
experiences, and thoughts about dietary routines. In practice, what studies on the health and
spirituality axes indicate is that nutritional habits tend to be interwoven with other dimensions,
as is the case, for example, with political discussions surrounding sustainability or racial debates
(BAKER; WALSH, 2020; SANTOS, 2022). In this scenario, when a user shares their health-
conscious dietary routine and justifies that, in addition to their attention to physical appearance,
their concern for the environment and the cessation of human and non-human animal
oppression also play a role, their practices denote a type of intertwined food culture.
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 6
Moreover, Scott (2020), in their studies of online vegan communities, identifies that this
dietary style is advocated by users as a transformative agent in their social realities, contributing
not only to ending animal exploitation but also encompassing other aspects of nutritional
practices, such as sustainability, and, in this context, being perceived by adherents as a morally
superior life choice. From this perspective, Braun and Carruthers (2020) point out that users of
vegan blogs often describe their consumption practices and dietary regimes through metaphors
of a religious and spiritual nature. The presented observations suggest that food, beyond being
an inherently intertwined dimension with other aspects of human experience, has been used,
particularly in digital technologies, as a tool for social branding and influence. Thus, what tends
to define demarcation are the differentiation strategies presented by users, such as the visual
quality and healthfulness of foods and the moral, religious, ethical, and aesthetic values that a
particular routine conveys.
A wide range of public figures, bloggers, and influencers have encouraged and
transformed the ways in which food is frequently portrayed on social media. These actors
employ various strategies to present culinary experiences to social media audiences and
potential consumers, significantly influencing dietary and consumption choices overall. With
considerable persuasive power in the online sphere, these "professionals" are increasingly
sought after by individuals seeking information about more exclusive and exotic foods, refined
meat preparation techniques, healthy eating, recipes, cultivation guidance, updates related to
food, healthy lifestyle, restricted dietary alternatives, veganism, among others. They primarily
utilize culinary skills, lifestyles, ethical principles, and personal dietary consumption practices
to attract new followers inspired by their approaches.
Regarding political discussions and the future of societies' food, it is imperative to
emphasize that we have observed, in recent years, an increase in the number of major
conglomerates in the food sector, directing a more significant portion of their profits and
investments towards the exploitation of digital technologies for large-scale marketing. These
companies possess greater purchasing power, primarily economic interests, and little concern
for the common good. They have invested in programs, campaigns, and advertisements on
social media platforms, especially Instagram, Facebook, Twitter, and YouTube, utilizing
celebrities, influencers, and public figures to endorse foods that are often unsustainable and
harmful to human and non-human health. In contrast, there has been a significant rise in digital
initiatives by organizations, collectives, independent activists, social movements, and various
Daniel Coelho de OLIVEIRA and Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 7
forms of mobilization centered around pursuing food justice and sustainability in the digital
sphere (CROSS, 2020; MANN, 2020).
These digital initiatives aim to counter the expansion of profit-driven production and
consumption practices, promoting dietary routines that are more democratic and fair to both
human and non-human animals and that encourage the reduction of environmental harm. It is
evident that the possibilities and sharing of dynamics related to food and digital technologies
are diverse, sophisticated, and continuously evolving. Thus, social media can be understood as
environments of mutual interaction that influence users' identity formation, also holding
promise for constructing meanings and discourses among people (CHERRY, 2006; 2014;
LUPTON, 2020; SCOTT, 2020).
Analyzing dietary routines from a sociological perspective through the lens of digital
cultures in the context of global technologies presents itself as a challenging yet pressing and
crucial exercise in the current era characterized by the amplification of communication and
social interaction forms. The contributions of this approach are broad and encompass various
areas of scientific research on food, substantiating itself as a mechanism of utmost importance
for promoting interdisciplinary connections among the diverse fields that permeate the food
universe. In line with the studies of digital sociology (LUPTON, 2015; NASCIMENTO, 2016),
the approach to digital food cultures also seeks to understand the political-cultural
manifestations that occur on the internet as a result of the complexity of symbols and meanings
provided in this type of interaction (BAKER; WALSH, 2020; LUPTON, 2020; SCOTT, 2020).
Faced with the vast array of situations, events, and online food experiences, the
conceptual imprecision that permeates digital food culture becomes evident. The fundamental
questions that arise when addressing this highly contemporary theme are as follows: what can
indeed be characterized as digital food culture within this universe of information and
communication technology possibilities? What are the minimal conditions for such appropriate
characterization to occur?
This dossier is the first in Brazil and Latin America to encompass a variety of topics and
discussions about food culture and its interfaces with global information and communication
technologies. The intrinsic challenges in organizing a work whose object of study is innovative
and of recent emergence on the international scene are of considerable magnitude, especially in
selecting articles that demonstrate theoretical-conceptual and methodological maturity.
Adopting the digital food culture approach within the context of the Global South will tend to
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 8
be gradual, considering the lack of case studies from these regions in the initial stages of
conceptual formulation.
As previously emphasized, the concept reveals notable asymmetries between the Global
North and the Global South, privileging regions with histories of advantage at the expense of
other localities equally characterized by significant cultural diversities. Areas such as Africa,
Latin America, and the Caribbean boast relevant cultural studies on food, consumption, and
dietary practices, representing potential data sources to be explored in the medium and long
term for analyzing digital food cultures. However, it is imperative to emphasize that the lack of
visibility of these cultural realities, which could constitute a valuable addition to investigations
into dietary habits on the Internet, has not compromised the potential of the approach in studies
related to food. On the contrary, this gap has further stimulated agendas and interests in the
subject, propelling its expansion and development.
The book "Research Methods in Digital Food Studies," published in 2021 and edited by
Jonatan Leer and Stinne Gunder S. Krogager, was the first global work to address methods and
techniques for researching digital food cultures. This text is written in English and currently
lacks a critical analysis of its composition in the Brazilian context, which has hindered the
dissemination of the theme, the filling of possible gaps, and the expansion of its impact. The
work serves a significant theoretical-methodological role in exploring studies related to digital
food, revisiting established approaches that can be applied to social phenomena in the media,
and pointing out potential intersections between methods and techniques aimed at investigating
digital food activism, among other aspects. Nonetheless, the ethical boundaries that delineate
the conduct of research on social media platforms remain a relevant issue and a research agenda
to be considered.
Regarding digital food policies, Mann (2020) points out that the increasing connectivity
among individuals, stemming from new forms of sociability enabled by digital technologies,
could potentially offer visibility to marginalized voices, share the experiences of these users
with the world, and allow these public discourses to be inserted into global agendas addressing
food justice issues. This perspective has not been fully realized.
On the one hand, scientific work involving users on social media platforms encounters
ethical principles in data collection, where access to images and discussions shared on networks
does not necessarily evoke researchers' rights to publish without considering the privacy of
these individuals. On the other hand, the architecture and information infrastructure of social
media exhibit biases that have been strongly criticized in the literature on algorithms
Daniel Coelho de OLIVEIRA and Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 9
(NAKAMURA, 2010; LITTAL, 2018; MANN, 2020; ROSHANI, 2020; SILVA, 2020). These
studies indicate that access to media is not equitable for the most marginalized and
economically disadvantaged social groups compared to more privileged strata of society. When
entry is successful, hierarchies often emerge based on racial distinction and the
hypersexualization of black women. Thus, contemporary food conflicts are also marked by
digital inequalities, which, in turn, are predominantly translated through algorithmic racism and
social differentiation based on race, class, and gender (SANTOS, 2022).
Social media has been used as privileged platforms for social movements engaged in
food activism. Some analyses presented in the book "Digital Food Cultures" succinctly address
the observed changes in the online expression of dietary practices. Activists turn to the internet
as a means and strategy to expand and disseminate their causes globally, establishing
connections with other initiatives aligned with their agendas. This phenomenon, which has
intensified in recent years, mainly driven by the emergence of the Covid-19 pandemic and
social distancing measures, has led to the formation of global networks of food activism. These
networks primarily focus on struggles for food justice and environmental sustainability, seeking
to induce social transformations through policy influences (MOTTA; MARTÍN, 2021;
MOTTA, 2021; TEIXEIRA; MOTTA; GALINDO, 2021).
In the current global context of technological advancement and digitized social
dynamics, there is a growing need to stimulate studies that aim better to understand the impacts
of technologies on daily dietary practices, revealing the connections these impacts unveil in
other spheres of social life. Food has become a fertile field for political, economic, social, and
cultural debates, and among the numerous reflections arising from these interconnected
dimensions in social reality, initiatives that foster broader discussions about the future of
societies' diets, the common good, and environmental care stand outthe global food system
(ABRAMOVAY, 2021).
Other topics emerge on the contemporary research agenda concerning food and deserve
to be highlighted as suggestions for future investigations. These topics encompass the
application of the concept of big data in inquiries dealing with massive volumes of digital data,
the analysis of sustainability in digital food contexts, the exploration of food markets in the
digital sphere, the study of agri-food systems, the investigation of digital and cybercultures in
the realm of food, consumption dynamics, dietary patterns, discussions about surveillance and
control in society, among others. These subjects bring together a series of questions that have
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 10
played a crucial role in shaping the perspectives that will influence our future in food within
the context of digital technologies.
Beyond this brief introduction, the dossier titled "Culturas Alimentares Digitais:
movimentos sociais e ativismos alimentar no ambiente on-line
3
" presents an exclusive interview
with Deborah Lupton, one of the authors who coined the concept of digital food culture in the
book "Digital Food Cultures". It also features the translation of the article "Digital food culture,
power and everyday life", by Zeena Feldman and Michael K. Goodman; the article "Distinção,
digitalização e legitimação: a incorporação das redes sociais no campo gastronômico
brasileiro
4
", by Camila Grumo; the article "Kanhgág eg vjn: a construção do espaço alimentar
digital
5
", authored by Gabriel Chaves Amorim; and the article "Veganismo não é dieta: disputas
discursivas e práticas sobre relações entre diversos animais humanos e não humanos , mapeados
em debates on-line
6
", by Rodolfo de Moraes Santos Cerqueira.
The exclusive interview with Deborah Lupton, coordinated by researchers Marília Lud
David, Maycon Noremberg Schubert, Daniel Coelho de Oliveira and Arthur Saldanha dos
Santos, offer significant contributions to the field of digital sociology studies and their
connections to food cultures, encompassing the social studies of science and technology.
Throughout the conversation, the author delves into the emergence of digital technologies, their
implications in social theory, and the challenges that manifest in people's everyday lives.
Moreover, the ramifications of this digitalization landscape in the context of scientific research
are emphasized. The author also reflects on the changes that have permeated individual food
dynamics, practices, and routines in the current context of technological advancement and
intensified use of social media.
The translation of the article "Digital food culture, power and everyday life" authored
by Zeena Feldman and Michael K. Goodman, offers a unique contribution that broadens the
scope of scientifically developed reflections on food cultures in international literature,
following the publication of the book "Digital Food Cultures". This serves as an introduction
to the special edition of the European Journal of Cultural Studies, aimed at delineating
distinctions, parallels, and intersections between the realm of food and the digital universe, to
3
In English, it would translate as: Digital Food Cultures: Social Movements and Food Activism in the Online
Environment.
4
In English, it would translate as: Distinction, digitalization, and legitimation: the incorporation of social networks
in the Brazilian culinary field.
5
In English, it would translate as: Kanhgág eg vjn: the construction of digital food space.
6
In English, it would translate as: Veganism is not a diet: discursive disputes and practices regarding relationships
between diverse human and non-human animals, mapped in online debates.
Daniel Coelho de OLIVEIRA and Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 11
provide a critical approach to the capacities, paradoxes, and impacts of digital food culture on
everyday life.
The first national article within this dossier is titled “Distinção, digitalização e
legitimação: a incorporação das redes sociais no campo gastronômico brasileiro”, authored by
Camila Grumo. The text examines the relationships that unfold between the process of
naturalizing social networks and the dynamics of social distinction. To achieve this, the author
investigates the profiles of eight São Paulo restaurants and national and international
gastronomic guides on Facebook, Instagram, and TikTok. Additionally, the study analyzes
articles and interviews with chefs and restaurant administrators available in the media. The
findings indicate that restaurants' adoption of social media has become a common practice in
recent years, often encouraging themselves. This transition to the digital environment within
the restaurant context has garnered significant interest in the commercial sector, encompassing
even those establishments lacking prominent chefs for digital promotion.
Subsequently, Gabriel Chaves Amorim's article, Kanhgág eg vjn: a construção do
espaço alimentar digital”, examines the culinary field from a cultural perspective, mediated by
digital technologies. The case study focuses on an online community that centers on the cultural
and identity aspects of typical Kanhgág foods, executed through ethnographic means. The study
highlights social media as a suitable resource for propagating generational sociability,
preserving food memories, sharing recipes, traditions, and digital, gastronomic, and indigenous
activism.
The article “Veganismo não é dieta: disputas discursivas e práticas sobre relações entre
diversos animais humanos e não humanos, mapeados em debates on-line”, authored by Rodolfo
de Moraes Santos Cerqueira, explores the controversies surrounding the concept of veganism,
encompassing meanings, and practices present in forums of groups on the Facebook social
media platform. The results underscore the necessity of interpreting interactions between
"humans and non-human animals" based on approaches considering the multiple inequalities
involved in the vegan practice, revealing particularities in conflicts within these communities
and influencing the adopted configuration in each vegan practice.
In this brief space, we would like to express our sincere gratitude to Deborah Lupton for
sharing such inspiring insights, with recognition also extending to Marília Luz David and
Maycon Noremberg Schubert, for their support in conducting the interview. We are also
thankful to Zeena Feldman and Michael K. Goodman, for their kindness in sharing the excellent
text for the unprecedented translation in the Brazilian context. We congratulate Camila Grumo,
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 12
Gabriel Chaves Amorim and Rodolfo de Moraes Santos Cerqueira, for their beautiful
contributions to this dossier. Finally, we extend our appreciation to the team at Cadernos de
Campo: Revista de Ciências Sociais or their commitment, care, availability, and attention,
represented by Mateus Tobias Vieira and Matheus Garcia de Moura, with whom we have been
in contact over the past months.
We wish you an excellent read!
The organizers,
Daniel Coelho de Oliveira
Arthur Saldanha dos Santos
ACKNOWLEDGMENTS: We extend our gratitude for the support provided by the Minas
Gerais State Research Foundation (Fapemig) and the National Council for Scientific and
Technological Development (CNPq).
REFERENCES
ABRAMOVAY, R. Desafios para o sistema alimentar global. Ciência e Cultura, v. 73, p.
53-57, 2021.
AZEVEDO, E. de. Alimentação, Sociedade e Cultura: temas contemporâneos. Sociologias,
Porto Alegre, ano 19, n. 44, p. 276-307, jan./abr. 2017.
BAKER, S.; WALSH, M. You are what you Instagram: clean eating and the symbolic
representation of food. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York:
Editora Routledge, 2020.
BRAUN, V.; CARRUTHERS, S. Working at self and wellness: a critical analysis of vegan
vlogs. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora
Routledge, 2020.
CHERRY, E. Veganism as a Cultural Movement: A Relational Approach. Social Movement
Studies, v. 5, n. 2, p. 155-170, 2006.
CHERRY, E. I was a teenage vegan: motivation and maintenance of lifestyle movements.
Sociological Inquiry, v. xx, n. x, p. 120, 2014.
CROSS, K. Visioning food and community through the les of social media. In: LUPTON, D.;
FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
Daniel Coelho de OLIVEIRA and Arthur Saldanha dos SANTOS
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 13
CONTRERAS, J.; GRACIA, M. Alimentação, Sociedade e Cultura. Rio de Janeiro: Editora
Fiocruz, 2011.
DONNAR, G. ‘Food porn’ or intimate sociality: Committed celebrity and cultural
performances of overeating in meokbang. Celebrity Studies, v. 8, n. 1, p. 122127, 2017.
KENT, R. Self-tracking and digital food cultures: surveillance and self-representation of the
moral, healthy body. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York:
Editora Routledge, 2020.
LAVIS, A. Consuming (through) the Other? Rethinking fat and eating in BBW videos on-
line. M/C Journal, v. 18, n. 3, 2015.
LEER, J.; KROGAGER, S. G. S. (ed.). Research methods in digital food studies. New
York: Editora Routledge, 2021.
LEWIS, T. Digital food: from paddock to platform. Communication Research and
Practice, v. 4, n. 3, p. 212228, 2018.
LITTAL R. White women being exposed for pretending to be black women on Instagram
(Photos). Blacksportsonline, 10 nov. 2018.
LUPTON, D. Digital Sociology. New York: Editora Routledge, 2015.
LUPTON, D. ‘Download to delicious’: Promissory themes and sociotechnical imaginaries in
coverage of 3D printed food in online news sources. Futures, v. 93, p. 4453, 2017.
LUPTON, D. Cooking, eating, uploading: Digital food cultures. In: LEBESCO, K.;
NACCARATO, P. (ed.). The Handbook of Food and Popular Culture. London:
Bloomsbury, 2018. p. 6679.
LUPTON, Deborah . Understanding digital food cultures. In: LUPTON, Deborah;
FELDMAN, Zeena. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
MANN, A. Are you local? Digital inclusion in participatory foodscapes. In: LUPTON, D.;
FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York: Editora Routledge, 2020.
MOTTA, R. Social movements as agents of change: Fighting intersectional food inequalities,
building food as webs of life. The Sociological Review, v. 69, n. 3, p. 603625, 2021.
MOTTA, R.; MARTÍN, E. Food and social change: culinary elites, contested technologies,
food movements and embodied social change in food practices. The Sociological Review, v.
69, n. 3, p. 503-519, 2021.
NASCIMENTO, L. F. A Sociologia Digital: um desafio para o século XXI. Porto Alegre:
Sociologias, ano 18, n. 41, p. 216-241, jan./abr. 2016.
Digital Food Cultures: Social movements and food activism in the online environment
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 1, e023006, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.1.18351 14
NAKAMURA, L. Race and identity in digital media. In: CURRAN, J. (org.). Mass Media
and Society. New York: Editora Bloomsbury Academic, 2010. p. 336-347.
PORTILHO, F. Ativismo alimentar e consumo político duas gerações de ativismo alimentar
no Brasil. Redes (St. Cruz Sul, On-line), v. 25, n. 2, p. 411-432, maio/ago. 2020.
ROSHANI, N. Discurso de ódio e ativismo digital antirracismo de jovens afrodescendentes
no Brasil e Colômbia. In: SILVA, T. (org.). Comunidaes, Algorítimos e Ativismos Digitais:
Olhares afrodispóricos. São Pulo: Editora LiteraRua, 2020. p. 47-66.
SANTOS, A. S. dos. Ativismos digitais do Movimento Afro Vegano: uma análise das
narrativas performáticas nas mídias sociais. Tese (Doutorado em Sociologia) Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-
Graduação, Porto Alegre, BR-RS, 2022.
SCOTT, E. Healthism and veganism: discursive constructions of food and health in an on-line
vegan community. In: LUPTON, D.; FELDMAN, Z. Digital Food Cultures. New York,
Routledge, 2020.
SILVA, T. Racismo Algorítmico em Plataformas Digitais: microagressões e discriminação
em código. In: SILVA, T. (org.). Comunidaes, Algorítimos e Ativismos Digitais: Olhares
afrodispóricos. São Pulo: Editora LiteraRua, 2020. p. 129-145.
TEIXEIRA, M. A.; MOTTA, R.; GALINDO, E. Desigualdades alimentares em tempos de
pandemia. Opinião, Nexo Políticas Públicas, 18 abr. 2021. Available at:
https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2021/Desigualdades-alimentares-em-tempos-de-
pandemia. Accessed in: 03 Feb. 2023.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.