Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e024010, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.1.18515 1
MATERIALIDADE E ÉTICA INTERCONTINENTAL DO VALE DO AMANHECER
MATERIALIDAD Y ÉTICA INTERCONTINENTAL DEL VALLE DEL AMANECER
MATERIALITY AND INTERCONTINENTAL ETHICS OF THE DAWN VALLEY
James SANTOS1
e-mail: james.washington@ifal.edu.br
Roberto Calábria Guimarães da SILVA2
e-mail: roberto.silva@ifal.edu.br
Como referenciar este artigo:
SANTOS, J.; SILVA, R. C. G. Materialidade e ética
intercontinental do Vale do Amanhecer. Rev. Cadernos de
Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e024010, 2024. e-
ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.1.18515
| Submetido em: 25/09/2023
| Revisões requeridas em: 31/10/2023
| Aprovado em: 02/04/2024
| Publicado em: 30/09/2024
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. Me. Thaís Cristina Caetano de Souza
Prof. Me. Paulo Carvalho Moura
Prof. Thiago Pacheco Gebara
1
Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Maceió AL Brasil. Doutorado em Ciências Sociais pela UNESP/FCLAr,
com estágio no Centro de Estudos Sociais CES, em Portugal. É membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre
Sociedades, Poder, Organizações e Mercados (NESPOM) da UNESP/FCLAr e do Núcleo de Estudos sobre
Organizações, Gestão, Empreendedorismo, Tecnologia e Qualidade (NEOGETQ) do IF-AL. Trabalha com
estudos relacionados ao Mercado de Bens de Consumo e Simbólicos e Sociologia da Religião.
2
Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), Palmeira dos Índios AL Brasil. Possui graduação em
Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1999) e graduação em Direito
pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (2007). Especialização em História de Pernambuco pela UFPE
(2000) e História do Brasil pela FAINTVISA (2002), Mestrado em Engenharia Industrial pela UFBA (2017).
Doutorando em Ciências da Religião pela UNICAP. Atualmente é Professor Assistente da Universidade Estadual
de Alagoas Campus III e professor de 1º e 2º grau do Instituto Federal de Alagoas - Campus Palmeira dos Índios.
Tem experiência nas áreas de História, com ênfase em História Moderna e Contemporânea e Direito, com ênfase
em Direito Penal Militar.
Materialidade e ética intercontinental do Vale do Amanhecer
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RESUMO: Este artigo trata da formação do grupo religioso Vale do Amanhecer e os princípios
que regem seu funcionamento. Partindo deste princípio o conceito que nos permite operar esta
nossa análise é o de hibridismo. Este caracteriza o VDA, pois absorve conceitos e rituais de
várias crenças, formando um mosaico de conceitos presentes em várias vertentes religiosas: o
catolicismo; a religião politeísta da Grécia antiga; o kardecismo europeu; as religiões de matriz
africana; o politeísmo do Egito antigo; o budismo dos mosteiros do Tibete, além da referência
aos caboclos indígenas e jaguares na América. Todas estas crenças encontram-se de alguma
maneira ritualizadas nos templos e hospitais do VDA. Nossa pesquisa é baseada em análise
documental (artigos e livros sobre o tema), embasadas por análises teóricas e de campo, o que
nos permite, dentro deste mosaico multiculturalista e New Age, visualizar elementos
intercontinentais configurados através dos símbolos em questão.
PALAVRAS-CHAVE: Vale do Amanhecer. Hibridismo. Materialidade. Rituais.
RESUMEN: Este artículo trata sobre la formación del grupo religioso Vale do Amanhecer y
los principios que rigen su funcionamiento. Partiendo de este principio, el concepto que nos
permite operar nuestro análisis es el de hibridación. Esto caracteriza a la VDA, ya que absorbe
conceptos y rituales de diversas creencias, formando un mosaico de conceptos presentes en
diversos aspectos religiosos: catolicismo; la religión politeísta de la antigua Grecia;
Kardecismo europeo; religiones de base africana; el politeísmo del antiguo Egipto; el budismo
de los monasterios tibetanos, además de la referencia a los caboclos y jaguares indígenas de
América. Todas estas creencias están de alguna manera ritualizadas en los templos y hospitales
de la VDA. Nuestra investigación se basa en el análisis documental (artículos y libros sobre el
tema), apoyado en análisis teóricos y de campo, que nos permite, dentro de este mosaico
multiculturalista y New Age, visualizar elementos intercontinentales configurados a través de
los símbolos en cuestión.
PALABRAS CLAVE: Valle del Amanecer. Hibridación. Materialidad. Rituales.
ABSTRACT: This article deals with the formation of the Vale do Amanhecer religious group
and the principles that govern its operation. Based on this principle, the concept that allows us
to operate our analysis is that of hybridity. This characterizes the VDA, as it absorbs concepts
and rituals from various beliefs, forming a mosaic of concepts present in various religious
aspects: Catholicism; the polytheistic religion of ancient Greece; European Kardecism;
African-based religions; the polytheism of ancient Egypt; Buddhism of Tibetan monasteries, in
addition to the reference to indigenous caboclos and jaguars in America. All of these beliefs
are in some way ritualized in the VDA's temples and hospitals. Our research is based on
documentary analysis (articles and books on the topic), supported by theoretical and field
analyses, which allows us, within this multiculturalist and New Age mosaic, to visualize
intercontinental elements configured through the symbols in question.
KEYWORDS: Dawn Valley. Hybridity. Materiality. Rituals.
James SANTOS e Roberto Calábria Guimarães da SILVA
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Introdução
A história do Vale do Amanhecer até o ano de 1985 se confunde com a história de Neiva
Chaves Zelaya, a Tia Neiva. Na visão de Oliveira (2011), a vida de Tia Neiva se encaixa
perfeitamente na narrativa da mulher empoderada do século XXI, uma mulher à frente de seu
tempo. Nascida em 1925 em Própria (SE), em uma família católica, Tia Neiva seguiu alguns
passos comuns às mulheres de sua época: católica praticante casou-se aos 18 anos com Raul
Zelaya Alonso e teve quatro filhos: Gilberto, Carmem Lúcia, Raul e Vera Lúcia. Contudo, o
ponto de inflexão veio aos 22 anos quando ficou viúva e precisou trabalhar para sustentar seus
filhos. Atuou como caminhoneira (sendo a primeira mulher no Brasil a obter habilitação para
dirigir caminhões), motorista de ônibus urbano, dentre outros empregos.
Em 1957 recebeu o convite para ir trabalhar na futura capital federal (Brasília-DF).
Aceitou o convite e mudou-se com os quatro filhos para juntar-se aos candangos
3
, fato que
provocou grande mudança em sua vida, pois aos 33 anos e já residente na capital federal ela diz
ter começado a receber clarividências (ver e ouvir espíritos). Procurou ajuda na Igreja Católica
e na Psiquiatria e, não obtendo resultados, aproximou-se do espiritismo onde conheceu Mãe
Neném e resolveu fundar com ela a União Espiritualista Seta Branca (UESB) em 1960.
Imagem 1 Aviso de entrada para o salão da União Espiritualista Seta Branca UESB
Fonte: O amanhecer do Jaguar, 2023.
3
Candango, originalmente uma palavra oriunda da África, era utilizada pelos escravos de forma pejorativa,
referindo-se aos portugueses que traficavam pessoas, sendo posteriormente designada aos senhores de engenho.
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A parceria durou cinco anos, quando em 1964 Tia Neiva se afasta de Mãe Neném e a
UESB é desfeita. Com isso, Tia Neiva funda em Tabatinga a OSOEC (Obras Sociais da Ordem
Espiritualista Cristã). Em 1965 Tia Neiva casa-se com Mário Sassi e quatro anos depois funda
o Vale do Amanhecer em Tabatinga, sendo posteriormente transferido para Planaltina como
seu endereço definitivo.
A união entre Tia Neiva e Mário Sassi é a chave para entender a lógica binária do Vale
do Amanhecer. Tia Neiva cuidava da parte espiritual (até sua morte em 1985), enquanto Mário
Sassi cuidava da organização e da parte burocrática da doutrina (como os adeptos referem-se
aos postulados desta religião). No Vale do Amanhecer os médiuns são organizados ainda hoje
em Aparás/Ajanâs (médiuns de incorporação) e Doutrinadores (médiuns que fazem a
intermediação entre a entidade e o paciente). Em termos gerais, os homens são chamados de
Jaguares e as mulheres de Ninfas. No lado mais específico dos ritos, Aparás/Ajanâs como
médiuns de incorporação se aproximam da Umbanda, enquanto os Doutrinadores (médiuns de
intermediação), se aproximam do Kardecismo, essa é a lógica binária do Vale do Amanhecer.
Imagem 2 - Fitas de identificação (Doutrinador a esquerda e Apará a direita)
Fonte: O amanhecer do Jaguar, 2023.
Neste sentido este artigo aborda os aspectos materiais e éticos do Vale do Amanhecer a
partir de sua constituição histórica e panteão intercontinental. Por isso, para além da Introdução
e das Considerações Finais, buscamos neste trabalho explicar as nuances entre binarismo,
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hibridismo e sincretismo, sendo este o foco da primeira seção deste artigo. na segunda seção,
será abordado o Vale do Amanhecer como uma religião New Age, enfatizando seu aspecto
intercontinental por meio de seus ritos próprios e materialidades.
Binarismo, hibridismo e sincretismo
De forma singela o hibridismo em aspecto religioso pode ser definido como o uso por
uma determinada comunidade religiosa de sistemas de crença distintos, de forma conectada,
sem alteração dos pressupostos fundamentais (Berger, 2017). A partir deste pressuposto
podemos compreender que essa ideia se ajusta com a ética do Vale do Amanhecer mais do que
a ideia de sincretismo. Neste caso, o hibridismo indica mistura, enquanto o sincretismo é a fusão
das religiões. Apesar disso, em nosso contexto religioso é perceptível a presença do sincretismo
devido às religiões de matriz africana. Dado a peculiaridade da nossa colonização, os africanos,
proibidos de cultuar seus orixás, faziam o espelhamento de suas entidades com os santos
católicos, como uma forma de continuar a cultuar suas divindades fazendo parecer a quem
estava de fora que eles estavam efetivamente “convertidos”, assim: “os santos católicos teriam
que mais tarde tomar a semelhança e muitos dos atributos dos orixás para se popularizarem no
contexto local” (Freyre, 2006, p. 204).
O processo de colonização do Brasil, que ocorreu a partir da miscigenação de três grupos
étnicos (africanos, indígenas e europeus), foi efetivado também pela urgente necessidade de
Portugal em ocupar o território brasileiro sob risco de invasão por outros povos europeus. Isso
é o que fundamenta a observação de Freyre (2006) acerca da formação do povo brasileiro,
contexto em que ele desenvolve o conceito de “Democracia Racial”. O ponto é que para Freyre
(2006), o elemento aglutinador do processo de formação da identidade nacional seria a religião
católica que perpassa as três etnias: o português que vai trazer o catolicismo para a colônia, o
índio catequizado e o negro sincretizado.
As festas religiosas ocorriam ao longo de todo o ano e marcavam o calendário
do Brasil colonial, imprimindo ritmo à vida social. Eram acontecimentos que
congregavam todos os membros da casa grande senhores e escravos bem
como seus aliados de outras famílias. Momentos de convívio social, de
celebração, de revitalização de laços intra e interfamiliares, de ir à cidade para
comemorar (Freyre, 2006, p. 38).
Desta forma o africano na condição de escravizado vai desenvolver estratégias para
preservar a sua identidade e no campo religioso o sincretismo vai ser a estratégia utilizada para
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manter a sua religião sem ser admoestado pelo branco. Isso manterá a sobrevivência das
religiões africanas na colônia, dentro da linha de culto aos deuses ancestrais, também
conhecidos como orixás (para o Candomblé).
o Vale do Amanhecer que fora fundado em 1969, portanto, na segunda metade do
século XX, também encontrará um contexto social brasileiro de maioria católica, o que gera
certa pressão do consciente coletivo (Durkheim, 2012), sobre as religiões fora do escopo cristão.
Contudo, visto que estamos em um Brasil republicano, o catolicismo não é mais considerado
uma religião oficial de Estado como na Constituição Imperial de 1824, porém, oficiosamente,
a resistência a modelos religiosos alternativos continua como um dilema, apesar do Vale do
Amanhecer não se afastar das origens do povo brasileiro, ou seja, da característica de um povo
miscigenado e de cultura híbrida.
Ao estudar a pluralidade dos modos de ser dos sertanejos nordestinos, dos
caboclos da Amazônia, dos crioulos do litoral, dos caipiras do Sudeste e do
centro do país, dos gaúchos das campanhas sulinas, dos ítalo-brasileiros, dos
teuto-brasileiros, Darcy confirmava que, no Brasil, o elemento híbrido reina
(Miglievich-Ribeiro, 2011, p. 10).
O conceito de hibridismo é amplo e não se restringe apenas ao campo cultural,
estendendo-se também a áreas como a Biologia, a Literatura, entre outras. No entanto, quando
discutido no contexto cultural, o hibridismo adquire relevância especial para o estudo do Vale
do Amanhecer, uma religião que emergiu dentro do movimento New Age. Durante o período
de surgimento do Vale do Amanhecer, o mundo passava a experimentar com maior intensidade
movimentos como o multiculturalismo e a globalização, influências que impactaram a
formação dessa religião. Nesse contexto, Burke (2003) aborda o hibridismo como o resultado
de encontros múltiplos e da mistura de culturas diversas em um nível multicultural e global.
Segundo Burke, “Devemos ver as formas híbridas como o resultado de encontros múltiplos e
não como o resultado de um único encontro, quer encontros sucessivos que adicionem novos
elementos à mistura, quer reforcem os antigos elementos” (Burke, 2003, p. 31).
James SANTOS e Roberto Calábria Guimarães da SILVA
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New Age e Multiculturalismo
O final do século XIX foi marcado como o início do movimento New Age, como explica
Oliveira (2014): “Em termos históricos, os movimentos New Age começam a se delinear, ainda
nos finais do século XIX, a partir da teosofia, do ocultismo e do transcendentalismo [...]”. No
século XX, a atração do ocidente pelo oriente é mais um tijolo na edificação. Religiões orientais
passam a despertar interesse por parte dos ocidentais, criando uma aproximação dos elementos
culturais do Budismo, Hare Krishina, Yoga, etc. Said (2006) desenvolveu o conceito de
ocidente latente, que basicamente analisa a ideia de um oriente idealizado ou romantizado pelo
ocidente. É dentro desses conceitos que o movimento New Age é formado e avança na segunda
metade do século XX, quando chega ao Brasil.
No Brasil, o New Age encontra um campo fértil para se expandir devido às
características construídas da nossa origem colonial (Amaral, 2000). As religiões de origem
africana bem como as religiões dos povos originários com suas magias e seus ritos xamânicos,
a Maçonaria, Teosofia e outras práticas vindas com os europeus, bem como práticas orientais
que chegam com os imigrantes japoneses e posteriormente com os imigrantes chineses formam
um ambiente propício ao hibridismo. A nossa formação étnica mesclada com os imigrantes
orientais que chegam no século XX formam os ingredientes necessários para o New Age ganhar
força a partir do final da década de 1960.
Na cada de 1970, em decorrência do primeiro choque do petróleo, que resultou
diretamente da Guerra de Yom Kippur em 1973, o Milagre Brasileiro perdeu força. A classe
média foi severamente afetada, e a ditadura militar começou a perder sustentação popular,
iniciando um longo processo de transição para a democracia. Esse período de mudança permitiu
o surgimento de novos movimentos na cultura brasileira, como o movimento armorial e o rock
brasileiro, com Raul Seixas como um de seus precursores. Raul Seixas explorou o misticismo
em suas músicas, colaborando com Paulo Coelho e se inspirando nas doutrinas de Aleister
Crowley.
Foi durante esse processo gradual de redemocratização que religiões iniciáticas, como
o Santo Daime e o Vale do Amanhecer, começaram a expandir-se pelo território brasileiro. No
Brasil, o movimento New Age adquiriu uma dimensão própria, diferenciando-se do americano
e europeu. O elemento distintivo desse New Age brasileiro é a sua aproximação com
movimentos religiosos populares, incorporando entidades espirituais como caboclos, pretos
velhos e exus, que transitam na Umbanda.
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A Nova Era no Brasil, ao sincretizar (hibridizar), realiza tal processo dentro
de uma brasilidade, com o famoso jeitinho, fala-se em preto-velhos, caboclos,
Iemanjá etc., mas quando indagamos aos nossos informantes se estes são os
mesmos daqueles encontrados na Umbanda e no Candomblé, eles
enfaticamente destacam que não o só, se aparentam na imagem, mas são
outros, seres de luz, evoluídos espiritualmente, que estão aqui para fazer
caridade. Neste sentido, encontramos a incorporação do espiritismo
kardecista, como um elemento fundamental para cimentar as práticas
sincréticas (híbridas), que ele remete a uma religião de mediação, ao
mesmo tempo próxima das práticas dos cultos afro-brasileiros, por ser uma
religião de possessão, mas ao mesmo tempo distante simbolicamente ao ser
uma religião de brancos e letrados (Oliveira, 2011, p. 81, grifo nosso).
O New Age se articula com as entidades espirituais africanas em religiões como a
Umbanda, a Barquinha e o Vale do Amanhecer:
Ao chamarmos a atenção para a articulação entre os elementos dos cultos afro-
brasileiros e o NA, cujas expressões emblemáticas encontrar-se-iam em
movimentos como o Vale do Amanhecer, Santo Daime, Barquinha, Umbanda
Mística, Umbandaime etc., poderíamos cair no risco de nos referirmos apenas
a uma “umbanda estilizada”, ou mesmo a uma “umbanda branca”.
Considerando que, como nos aponta Ortiz (1999), a própria umbanda surge a
partir de um movimento de “embranquecimento” dos cultos afro-brasileiros,
incorporando elementos diversos a estes cultos, em especial elementos do
Espiritismo Kardecista (Oliveira, 2014, p. 175).
Os Ritos Intercontinentais do Vale do Amanhecer
O hibridismo, o multiculturalismo e o New Age associados à colonização brasileira
fornecem a explicação da configuração ritualística do Vale do Amanhecer que reflete a
formação de uma identidade. Um caldeirão étnico forjado a partir da diversidade do português
(romano, ibérico, mulçumano e africano), do autóctone e do africano. Ao analisarmos os rituais
do Vale do Amanhecer veremos fragmentos de diversas religiões dos continentes europeu,
americano, africano e asiático. Neste sentido, analisaremos os rituais da Cura, Trono, Indução
e Sudálio.
A fundadora do Vale do Amanhecer, Neiva Chavez Zelaya, conhecida como Tia Neiva,
criou o Vale do Amanhecer como uma religião espiritualista cristã, a partir das visões que
recebeu de uma entidade espiritual chamada Pai Seta Branca. Na origem da principal entidade
do Vale do Amanhecer fica patente o hibridismo intercontinental. Pai Seta Branca foi um índio
do altiplano boliviano que teria vivido no século XVII e que seria a reencarnação de São
Francisco de Assis (Álvares, 1991). Com isso podemos perceber o hibridismo de um elemento
do catolicismo europeu, com outro elemento da cultura autóctone americana.
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O hibridismo intercontinental do Vale do Amanhecer é evidenciado também pelo
trânsito de entidades de outras religiões em sua ritualística. Esse fenômeno inclui a incorporação
de entidades de cultos afro-brasileiros, como Juremas, Caboclos, Pretos Velhos e Exus. No
contexto do Vale do Amanhecer, utiliza-se a terminologia “direita” e “esquerda” para
diferenciar esta religião das religiões de matriz africana. De acordo com essa categorização, o
Vale do Amanhecer é associado à “direita”, enquanto as religiões de matriz africana são
vinculadas à “esquerda”
4
.
Exercitando intensamente sua criatividade mitológica e ritualística, ela
procedeu a realizar uma leitura espírita de uma quantidade de outras tradições
religiosas, dentro de uma linha básica que também pode ser considerada
umbandista, ou afro-brasileira, na medida em que a entidade principal
cultuada no Vale do Amanhecer é um Caboclo (espírito ligado às matas e que
representa o poder espiritual indígena, mestiço e, por extensão, de qualquer
brasileiro) chamado Seta Branca. Essa entidade poderia pertencer facilmente
ao panteão dos cultos afro-brasileiros tradicionais, como a jurema, a pajelança,
a macumba, além da umbanda; por outro lado, pode ser igualmente
interpretada como uma figura cristã, na medida em que Seta Branca é descrito
também como um avatar de São Francisco de Assis (Carvalho, 1999, p. 14).
O Vale do Amanhecer possui rituais diversos e complexos. O indivíduo que chega ao
Vale do Amanhecer na condição de paciente e que segue um percurso na busca da cura
espiritual, tem como primeiro passo o ritual do Trono. Nesse rito o paciente senta-se em uma
cadeira à esquerda e à direita fica sentado o médium de incorporação (Apará/Ajanâ). Atrás e
em fica o médium doutrinador, com isso o médium de incorporação recebe as entidades
espirituais (nesse ritual temos a presença de entidades das religiões de matriz africana: pretas e
pretos velhos, caboclos que aconselham e indicam outros rituais). Durante a sessão, espíritos
pouco evoluídos atravessam a ritualística e se ligam aos médiuns de incorporação, sendo esses
apoiados por médiuns doutrinadores que assessoram o rito e tentam elevar os espíritos
obsessores, fato que também indica a ligação do paciente com tais espíritos.
O doutrinador não deve ficar parado atrás de um Apará, mentalizando. Logo
que chegue, fará a puxada. Depois, naturalmente, fará a doutrina e a elevação.
Caso o espírito não desincorpore, não deve insistir. Deixa seu lugar para outro,
pois, muitas vezes, necessidade daquele sofredor receber fluido de outra
natureza para completar sua recuperação, o que não acontecerá se o mesmo
doutrinador permanecer atendendo-o (ASPIRANTEVALELASARO, 2017).
4
Direita e esquerda aqui são referências as qualificações morais dos trabalhos religiosos feitos.
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A Cura é um ritual de inspiração kardecista onde os pacientes sentam-se em bancos de
cimento e recebem energias dos médiuns incorporados. À frente ficam doutrinadores e falanges
femininas e o comando do ritual é feito por um doutrinador do sexo masculino, pois os
homens exercem o comando dos rituais no Vale do Amanhecer, apesar da religião ter sido
fundada por uma mulher. Em geral, os pacientes sempre são encaminhados à cura após a
consulta no trono.
São necessários 10 Aparás e 6 Doutrinadores, que se posicionam atrás dos
Tronos, podendo estar com qualquer uniforme. Com indumentária, 2 mestres
adjuração: um ficará com a lança diante do sal e do perfume e o outro fará a
coordenação dos pacientes, contando o tempo das incorporações. No Aledá
entram, com suas indumentárias, 4 Mestres Sol, 1 Ajanã, 3 Ninfas Lua e 1
Ninfa Sol (ASPIRANTEVALELASARO, 2017).
O Ritual de Indução é um dos rituais do Vale do Amanhecer que se caracteriza como
totalmente iniciático, representando um aspecto puro do movimento New Age. Este ritual
apresenta um hibridismo que integra elementos de religiões tradicionais, bem como influências
de religiões de matriz africana, indígena, tibetana, e europeias anteriores ao cristianismo, além
de aspectos relacionados à ufologia. A finalidade do Ritual de Indução é promover a elevação
de espíritos obsessores, através de uma troca de energias entre os pacientes e os mestres.
Indução é um trabalho puramente iniciático, que beneficia tanto os pacientes,
bem como aos mestres que dela participarem. É formada uma corrente que
capta diversas forças negativas, pelo sistema de um mecanismo original dos
iniciados. Seus comandantes deverão ser designados somente pelo mestre
Tumuchy ou pelo 1º mestre Jaguar. (ASPIRANTEVALELASARO, 2017).
o Sudálio é um ritual onde fica clara a hibridização do kardecismo com a Umbanda
e entidades indígenas, o qual podemos observar os passes (rito do espiritismo kardecista), pretos
velhos (entidades da Umbanda) e caboclos (entidades indígenas) que se incorporam nos
médiuns e aplicam os passes nos pacientes.
Em síntese, como afirmava Durkheim (2013), o Vale do Amanhecer é uma
composição de ritos e mitos que dão forma a uma comunidade moral, forjada em torno de
elementos sagrados ainda que intercontinentais e híbridos. Isso mostra o potencial da
diversidade religiosa brasileira, que:
1. Fortalece o uso de indumentárias;
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2. Cria instrumentos simbólicos da religião;
3. Sistematiza e define espaços de performatividade;
4. Assume o assistencialismo espiritual como uma forma de serviço;
5. Retira dos serviços a lógica econômica sem excluir as possibilidades de troca.
Assim o Vale do Amanhecer se coloca como: movimento New Age, ponto de hibridismo
cultural, referência assistencial, referência de multiculturalismo e sobretudo, ponto em que
símbolos materiais e imateriais se tornam convergentes.
Considerações finais
O Vale do Amanhecer é uma religião (movimento) categorizado como New Age
Popular, ainda que esta nomenclatura seja algo difícil de definir objetivamente. Em nosso
estudo, fica claro o hibridismo intercontinental, pois o Vale do Amanhecer é formado a partir
de fragmentos de diversas matrizes religiosas e ufológicas, além de rituais formados a partir da
união de vários fragmentos. Os fragmentos, por sinal, são uma constante no Vale do
Amanhecer, podendo ser observados tanto nos rituais, como na própria história (Zelaya, 1977).
A gama de elementos de matrizes religiosas europeias, asiáticas, africanas e americanas
presente nos rituais do Vale do Amanhecer, podem ser encontrados nos mosteiros do Tibet, nas
religiões politeístas da Grécia e do Egito antigo, nas entidades do Candomblé e da Umbanda e
nas religiões dos ameríndios. Como se trata de mistura, usamos o termo hibridismo e não
sincretismo, pois os fragmentos intercontinentais utilizados nos rituais do Vale do Amanhecer,
encontram-se unidos, formando um novo ritual e não apenas um espelhamento de entidades.
Isso pode ser demonstrado no caso de Pretos Velhos e Caboclos, onde as entidades não perdem
suas características ou sofrem modificações, mas são incorporadas aos rituais mantendo as suas
essências.
AGRADECIMENTOS: Informar agência de fomento ou deixar em branco.
Materialidade e ética intercontinental do Vale do Amanhecer
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e024010, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.1.18515 12
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James SANTOS e Roberto Calábria Guimarães da SILVA
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Salientamos o reconhecimento ao estudo do Prof. Amurabi Oliveira em
relação ao tema em questão.
Financiamento: Não há fomento institucional.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: respeito pela ética na pesquisa, isso em relação ao tratamento dos
elementos teóricos e dados bibliográficos.
Disponibilidade de dados e material: Sim, os textos e dados estão disponíveis para acesso.
Contribuições dos autores: Ambos os autores trabalharam no recolhimento de dados,
exposição dos conceitos e análise do tema.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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MATERIALITY AND INTERCONTINENTAL ETHICS OF THE DAWN VALLEY
MATERIALIDADE E ÉTICA INTERCONTINENTAL DO VALE DO AMANHECER
MATERIALIDAD Y ÉTICA INTERCONTINENTAL DEL VALLE DEL AMANECER
James SANTOS1
e-mail: james.washington@ifal.edu.br
Roberto Calábria Guimarães da SILVA2
e-mail: roberto.silva@ifal.edu.br
Como referenciar este artigo:
SANTOS, J.; SILVA, R. C. G. Materiality and
intercontinental ethics of the dawn valley. Rev. Cadernos
de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e024010, 2024. e-
ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.1.18515
| Submetido em: 25/09/2023
| Revisões requeridas em: 31/10/2023
| Aprovado em: 02/04/2024
| Publicado em: 30/09/2024
Editors:
Prof. Dr. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. Me. Thaís Cristina Caetano de Souza
Prof. Me. Paulo Carvalho Moura
Prof. Thiago Pacheco Gebara
1
Federal Institute of Alagoas (IFAL), Maceió AL Brazil. Ph.D. in Social Sciences from UNESP/FCLAr, with
a research stint at the Center for Social Studies (CES) in Portugal. He is a member of the Research Group on
Societies, Power, Organizations, and Markets (NESPOM) at UNESP/FCLAr and the Research Group on
Organizations, Management, Entrepreneurship, Technology, and Quality (NEOGETQ) at IF-AL. His research
focuses on the Market for Consumer and Symbolic Goods and the Sociology of Religion.
2
State University of Alagoas (UNEAL), Palmeira dos Índios AL Brazil. Holds a Bachelor’s degree in History
Education from the Federal Rural University of Pernambuco (1999) and a Bachelor’s degree in Law from the
Center for Higher Studies of Maceió (2007). He has a specialization in the History of Pernambuco from UFPE
(2000) and the History of Brazil from FAINTVISA (2002), and a Master’s degree in Industrial Engineering from
UFBA (2017). He is currently a Ph.D. candidate in Religious Studies at UNICAP. He is currently an Assistant
Professor at the State University of Alagoas, Campus III, and a teacher for elementary and secondary education at
the Federal Institute of Alagoas - Palmeira dos Índios Campus. His expertise includes History, with a focus on
Modern and Contemporary History, and Law, with an emphasis on Military Penal Law.
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ABSTRACT: This article deals with the formation of the Vale do Amanhecer religious group
and the principles that govern its operation. Based on this principle, the concept that allows us
to operate our analysis is that of hybridity. This characterizes the VDA, as it absorbs concepts
and rituals from various beliefs, forming a mosaic of concepts present in various religious
aspects: Catholicism; the polytheistic religion of ancient Greece; European Kardecism;
African-based religions; the polytheism of ancient Egypt; Buddhism of Tibetan monasteries, in
addition to the reference to indigenous caboclos and jaguars in America. All of these beliefs are
in some way ritualized in the VDA's temples and hospitals. Our research is based on
documentary analysis (articles and books on the topic), supported by theoretical and field
analyses, which allows us, within this multiculturalist and New Age mosaic, to visualize
intercontinental elements configured through the symbols in question.
KEYWORDS: Dawn Valley. Hybridity. Materiality.Rituals.
RESUMO: Este artigo trata da formação do grupo religioso Vale do Amanhecer e os
princípios que regem seu funcionamento. Partindo deste princípio o conceito que nos permite
operar esta nossa análise é o de hibridismo. Este caracteriza o VDA, pois absorve conceitos e
rituais de várias crenças, formando um mosaico de conceitos presentes em várias vertentes
religiosas: o catolicismo; a religião politeísta da Grécia antiga; o kardecismo europeu; as
religiões de matriz africana; o politeísmo do Egito antigo; o budismo dos mosteiros do Tibete,
além da referência aos caboclos indígenas e jaguares na América. Todas estas crenças
encontram-se de alguma maneira ritualizadas nos templos e hospitais do VDA. Nossa pesquisa
é baseada em análise documental (artigos e livros sobre o tema), embasadas por análises
teóricas e de campo, o que nos permite, dentro deste mosaico multiculturalista e New Age,
visualizar elementos intercontinentais configurados através dos símbolos em questão.
PALAVRAS-CHAVE: Vale do Amanhecer. Hibridismo. Materialidade. Rituais.
RESUMEN: Este artículo trata sobre la formación del grupo religioso Vale do Amanhecer y
los principios que rigen su funcionamiento. Partiendo de este principio, el concepto que nos
permite operar nuestro análisis es el de hibridación. Esto caracteriza a la VDA, ya que absorbe
conceptos y rituales de diversas creencias, formando un mosaico de conceptos presentes en
diversos aspectos religiosos: catolicismo; la religión politeísta de la antigua Grecia;
Kardecismo europeo; religiones de base africana; el politeísmo del antiguo Egipto; el budismo
de los monasterios tibetanos, además de la referencia a los caboclos y jaguares indígenas de
América. Todas estas creencias están de alguna manera ritualizadas en los templos y hospitales
de la VDA. Nuestra investigación se basa en el análisis documental (artículos y libros sobre el
tema), apoyado en análisis teóricos y de campo, que nos permite, dentro de este mosaico
multiculturalista y New Age, visualizar elementos intercontinentales configurados a través de
los símbolos en cuestión.
PALABRAS CLAVE: Valle del Amanecer. Hibridación. Materialidad. Rituales.
James SANTOS and Roberto Calábria Guimarães da SILVA
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Introduction
The history of Vale do Amanhecer up until 1985 intertwines with the life of Neiva
Chaves Zelaya, known as Tia Neiva. According to Oliveira (2011), Tia Neiva’s life fits
perfectly into the narrative of the empowered woman of the 21st centurya woman ahead of
her time. Born in 1925 in Própria (SE), Brazil, to a Catholic family, Tia Neiva followed several
conventional steps for women of her era: a practicing Catholic, she married Raul Zelaya Alonso
at the age of 18 and had four children: Gilberto, Carmem Lúcia, Raul, and Vera Lúcia. However,
her life took a significant turn at the age of 22 when she became a widow and needed to work
to support her children. She worked as a truck driver (becoming the first woman in Brazil to
obtain a truck driver’s license), an urban bus driver, among other jobs.
In 1957, she received an invitation to work in the future federal capital, Brasília-DF.
She accepted the invitation and moved with her four children to join the “candangos
3
, which
marked a major change in her life. At the age of 33, now residing in the federal capital, she
began to experience clairvoyance (seeing and hearing spirits). Seeking help from the Catholic
Church and Psychiatry without success, she turned to Spiritism, where she met Mãe Neném and
decided to co-found the União Espiritualista Seta Branca (UESB) in 1960.
Image 1 Entrance sign to the Union Espiritualista Seta Branca UESB
Source: O amanhecer do Jaguar, 2023.
3
Candango, originally a word from Africa, was used by slaves in a pejorative way, referring to the Portuguese
who trafficked people, and was later used to refer to sugar mill owners.
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The partnership lasted five years, and in 1964, Tia Neiva distanced herself from Mãe
Neném, leading to the dissolution of UESB. Consequently, Tia Neiva founded the OSOEC
(Social Works of the Christian Spiritualist Order) in Tabatinga. In 1965, she married Mário
Sassi, and four years later, she established the Vale do Amanhecer in Tabatinga, which was
later moved to Planaltina as its permanent location.
The union between Tia Neiva and Mário Sassi is key to understanding the binary logic
of Vale do Amanhecer. Tia Neiva managed the spiritual aspect (until her death in 1985), while
Mário Sassi handled the organizational and bureaucratic aspects of the doctrine (as the
followers refer to the principles of this religion). At Vale do Amanhecer, mediums are still
organized today as Aparás/Ajanâs (mediums of incorporation) and Doutrinadores (mediums
who mediate between the entity and the client). Generally, men are called Jaguars and women
are called Nymphs. In more specific ritual terms, Aparás/Ajanâs, as mediums of incorporation,
align with Umbanda, while the Doutrinadores (mediators) align with Kardecism; this
represents the binary logic of Vale do Amanhecer.
Image 2 Identification ribbons (Doutrinador on the left and Apará on the right)
Source: O amanhecer do Jaguar, 2023.
In this context, this article addresses the material and ethical aspects of Vale do
Amanhecer from its historical constitution and intercontinental pantheon. Therefore, beyond
the Introduction and the Conclusion, this work seeks to explain the nuances between binarism,
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hybridism, and syncretism, which is the focus of the first section of this article. The second
section will discuss Vale do Amanhecer as a New Age religion, emphasizing its intercontinental
aspect through its unique rituals and materialities.
Binarism, Hybridism, and Syncretism
In a straightforward manner, religious hybridism can be defined as the use by a
particular religious community of distinct belief systems in a connected manner, without
altering the fundamental assumptions (Berger, 2017). Based on this premise, we can understand
that this concept aligns with the ethics of Vale do Amanhecer more than the idea of syncretism.
In this case, hybridism indicates a mixture, whereas syncretism represents the fusion of
religions. Despite this, syncretism is noticeable in our religious context due to African-rooted
religions. Given the peculiarities of our colonization, Africans, prohibited from worshipping
their orixás, mirrored their entities with Catholic saints as a way to continue worshipping their
deities while making it appear to outsiders that they were effectively “converted.” Thus,
“Catholic saints had to later assume the resemblance and many of the attributes of orixás to
become popular in the local context” (Freyre, 2006, p. 204, our translation).
The process of colonization in Brazil, which resulted from the intermixing of three
ethnic groups (Africans, Indigenous peoples, and Europeans), was also driven by Portugal's
urgent need to occupy Brazilian territory to prevent invasion by other European nations. This
forms the basis of Freyre's (2006) observation regarding the formation of the Brazilian people,
within which he develops the concept of "Racial Democracy." According to Freyre (2006), the
unifying element in the formation of national identity would be the Catholic religion, which
permeates the three ethnicities: the Portuguese who brought Catholicism to the colony, the
catechized Indigenous people, and the syncretized Africans.
Religious festivals occurred throughout the year and marked the calendar of
colonial Brazil, setting the rhythm of social life. They were events that
gathered all members of the big housemasters and slavesas well as their
allies from other families. These were moments of social interaction,
celebration, revitalization of intra- and interfamily bonds, and occasions to
visit the city for celebrations (Freyre, 2006, p. 38, our translation).
Thus, enslaved Africans developed strategies to preserve their identity, and in the
religious field, syncretism was the strategy used to maintain their religion without being
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reprimanded by the colonizers. This allowed the survival of African religions in the colony,
within the framework of worshipping ancestral gods, also known as orixás (in Candomblé).
Vale do Amanhecer, founded in 1969, thus emerged in the second half of the 20th
century and encountered a predominantly Catholic Brazilian social context, which generated
certain pressure from the collective conscience (Durkheim, 2012) against religions outside the
Christian scope. However, as Brazil is now a republic, Catholicism is no longer considered the
official state religion as it was under the Imperial Constitution of 1824. Nevertheless, unofficial
resistance to alternative religious models continues as a dilemma, despite Vale do Amanhecer
not deviating from the origins of the Brazilian people, i.e., the characteristic of a mixed and
hybrid culture.
In studying the plurality of the ways of being among Northeastern sertanejos,
Amazonian caboclos, coastal crioulos, Southeastern and central caipiras,
Southern gauchos, Italo-Brazilians, and Teuto-Brazilians, Darcy confirmed
that, in Brazil, the hybrid element prevails (Miglievich-Ribeiro, 2011, p. 10,
our translation).
The concept of hybridism is broad and is not limited to cultural fields alone, extending
to areas such as biology and literature. However, when discussed in a cultural context,
hybridism acquires special relevance for the study of Vale do Amanhecer, a religion that
emerged within the New Age movement. During the emergence of Vale do Amanhecer, the
world experienced increased intensity in movements such as multiculturalism and
globalization, which were the influences that impacted the formation of this religion. In this
context, Burke (2003) discusses hybridism as the result of multiple encounters and the mixing
of diverse cultures on a multicultural and global level. According to Burke, “We should view
hybrid forms as the result of multiple encounters and not as the outcome of a single encounter,
whether successive encounters that add new elements to the mix or reinforce existing elements”
(Burke, 2003, p. 31, our translation).
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New Age and Multiculturalism
The late 19th century is marked as the beginning of the New Age movement, as Oliveira
(2014, our translation) explains: “Historically, New Age movements began to take shape in the
late 19th century, emerging from Theosophy, Occultism, and Transcendentalism [...]”. In the
20th century, the West’s attraction to the East adds another layer to this development. Eastern
religions began to attract Western interest, leading to an engagement with the cultural elements
of Buddhism, Hare Krishna, Yoga, etc. Said (2006) developed the concept of latent
Occidentalism, which essentially analyzes the idea of an idealized or romanticized Orient by
the West. It is within these concepts that the New Age movement was formed and advanced in
the latter half of the 20th century when it arrived in Brazil.
In Brazil, the New Age movement found fertile ground for expansion due to the
characteristics established by our colonial origins (Amaral, 2000). African-origin religions, as
well as the religions of Indigenous peoples with their magic and shamanic rites, Freemasonry,
Theosophy, and other practices brought by Europeans, along with Eastern practices introduced
by Japanese immigrants and later by Chinese immigrants, create an environment conducive to
hybridism. Our ethnic formation, mixed with Eastern immigrants arriving in the 20th century,
provides the necessary ingredients for the New Age to gain strength from the late 1960s
onwards.
In the 1970s, as a result of the first oil shock, which was directly linked to the Yom
Kippur War in 1973, the Brazilian Miracle lost momentum. The middle class was severely
affected, and the military dictatorship began to lose popular support, initiating a lengthy process
of transition to democracy. This period of change allowed for the emergence of new movements
in Brazilian culture, such as the Armorial movement and Brazilian rock, with Raul Seixas as
one of its pioneers. Raul Seixas explored mysticism in his music, collaborating with Paulo
Coelho and drawing inspiration from the doctrines of Aleister Crowley.
It was during this gradual process of redemocratization that initiatory religions, such as
Santo Daime and Vale do Amanhecer, began to spread across Brazilian territory. In Brazil, the
New Age movement acquired its dimension, differentiating itself from its American and
European counterparts. The distinctive element of this Brazilian New Age is its connection with
popular religious movements, incorporating spiritual entities such as caboclos, pretos velhos,
and exus, which are part of Umbanda.
The New Age in Brazil, through syncretism (hybridism), conducts this
process within a Brazilian context, using the famous “jeitinho.” References
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are made to preto-velhos, caboclos, Iemanjá, etc., but when we ask our
informants if these are the same as those found in Umbanda and Candomblé,
they emphatically highlight that they are not merely similar in appearance but
are differentbeings of light, spiritually evolved, here to perform charity. In
this sense, we find the incorporation of Kardecist Spiritism as a fundamental
element in cementing syncretic (hybrid) practices, as it refers to a mediatory
religion, close to the practices of Afro-Brazilian cults due to its possession
rituals, yet symbolically distant as a religion of white and literate individuals
(Oliveira, 2011, p. 81, our translation).
New Age interacts with African spiritual entities in religions such as Umbanda,
Barquinha, and Vale do Amanhecer:
When we draw attention to the interaction between elements of Afro-Brazilian
cults and the New Age, whose emblematic expressions can be found in
movements like Vale do Amanhecer, Santo Daime, Barquinha, Mystic
Umbanda, Umbandaime, etc., we might risk referring to merely a “stylized
Umbanda” or even a “white Umbanda.” Considering that, as Ortiz (1999)
points out, Umbanda itself emerged from a process of “whitening” Afro-
Brazilian cults, incorporating various elements into these cults, especially
elements from Kardecist Spiritism (Oliveira, 2014, p. 175, our translation).
The Intercontinental Rites of Vale do Amanhecer
Hybridism, multiculturalism, and the New Age, associated with Brazilian colonization,
provide an explanation for the ritualistic configuration of Vale do Amanhecer, which reflects
the formation of an identity. It is an ethnic melting pot forged from the diversity of Portuguese
(Roman, Iberian, Muslim, and African), Indigenous, and African elements. By analyzing the
rituals of Vale do Amanhecer, we observe fragments from various religions across European,
American, African, and Asian continents. In this sense, we will examine the rituals of Healing,
Throne, Induction, and Sudálio.
The founder of Vale do Amanhecer, Neiva Chavez Zelaya, known as Tia Neiva, created
Vale do Amanhecer as a Christian spiritualist religion based on visions she received from a
spiritual entity called Pai Seta Branca. The origin of Vale do Amanhecer’s principal entity
clearly reflects intercontinental hybridism. Pai Seta Branca was an Indigenous person from the
Bolivian highlands who is said to have lived in the 17th century and to be the reincarnation of
Saint Francis of Assisi (Álvares, 1991). This demonstrates the hybridism of an element from
European Catholicism with another element from Indigenous American culture.
The intercontinental hybridism of Vale do Amanhecer is also evidenced by the
integration of entities from other religions into its rituals. This phenomenon includes the
incorporation of entities from Afro-Brazilian cults such as Juremas, Caboclos, Pretos Velhos,
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and Exus. In the context of Vale do Amanhecer, the terms “right” and “left” are used to
differentiate this religion from African-derived religions. According to this categorization, Vale
do Amanhecer is associated with the “right,” while African-derived religions are linked to the
“left”
4
.
Exercising intense mythological and ritualistic creativity, Vale do Amanhecer
performed a spiritualist reading of a variety of other religious traditions, within
a basic framework that can also be considered Umbandist or Afro-Brazilian,
given that the principal entity worshiped in Vale do Amanhecer is a Caboclo
(a spirit connected to the forests and representing indigenous, mestizo, and by
extension, any Brazilian spiritual power) named Seta Branca. This entity could
easily belong to the pantheon of traditional Afro-Brazilian cults such as
Jurema, Pajelança, and Macumba, in addition to Umbanda; alternatively, it
can also be interpreted as a Christian figure, as Seta Branca is described as an
avatar of Saint Francis of Assisi (Carvalho, 1999, p. 14, our translation).
Vale do Amanhecer features diverse and complex rituals. An individual arriving at Vale
do Amanhecer as a patient and seeking spiritual healing begins with the Throne ritual. In this
rite, the patient sits in a chair to the left, while the medium of incorporation (Apará/Ajanâ) sits
on the right. Behind and standing is the doctrinal medium. During this ritual, the incorporation
medium receives spiritual entities (including entities from African-derived religions: Pretos
Velhos, Caboclos who provide advice and suggest other rituals). Throughout the session, less
evolved spirits interact with the ritual and attach themselves to the incorporation mediums, who
are supported by doctrinal mediums that assist the rite and attempt to elevate the obsessive
spirits, indicating the patient’s connection to these spirits.
The doctrinal medium should not remain stationary behind an Apará, merely
visualizing. As soon as they arrive, they perform the “puxada” (spiritual
pulling). Afterwards, they naturally proceed with the doctrine and elevation.
If the spirit does not detach, they should not insist. Instead, they should allow
another to take their place, as often, the afflicted spirit requires fluids of a
different nature for complete recovery, which will not occur if the same
doctrinal medium continues to assist (ASPIRANTEVALELASARO, 2017,
our translation).
The Healing is a ritual inspired by Kardecist Spiritism where patients sit on cement
benches and receive energies from incorporated mediums. In front of them are doctrinal
mediums and female falanges, and the ritual is led by a male doctrinal medium, as only men
conduct the rituals at Vale do Amanhecer, despite the religion being founded by a woman.
Generally, patients are always directed to healing after the Throne consultation.
4
Right and left here are references to the moral qualifications of the religious works done.
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The ritual requires ten Aparás and six doctrinal mediums, who position
themselves behind the Thrones and may wear any uniform. With attire, two
master adjurations are required: one will hold the lance in front of the salt and
perfume, while the other will coordinate the patients, timing the
incorporations. In Aledá, four Masters of the Sun, one Ajanã, three Moon
Nymphs, and one Sun Nymph enter with their respective attire
(ASPIRANTEVALELASARO, 2017, our translation).
The Induction Ritual is one of the Vale do Amanhecer rituals characterized as entirely
initiatory, representing a pure aspect of the New Age movement. This ritual displays hybridism
by integrating elements from traditional religions, as well as influences from African-derived,
Indigenous, Tibetan, and pre-Christian European religions, along with aspects related to
ufology. The purpose of the Induction Ritual is to promote the elevation of obsessive spirits
through an energy exchange between patients and masters.
Induction is a purely initiatory work that benefits both the patients and the
participating masters. It forms a current that captures various negative forces
through an original mechanism created by the initiates. Its commanders must
be appointed solely by Master Tumuchy or the First Master Jaguar
(ASPIRANTEVALELASARO, 2017, our translation).
The Sudálio is a ritual where the hybridization of Kardecism with Umbanda and
Indigenous entities becomes apparent. This can be observed through the incorporation of passes
(a Kardecist Spiritism rite), Pretos Velhos (Umbanda entities), and Caboclos (Indigenous
entities), who incorporate into mediums and administer passes to patients.
In summary, as Durkheim (2013) asserted, Vale do Amanhecer is a composition of rites
and myths that shape a moral community, forged around sacred elements that are both
intercontinental and hybrid. This illustrates the potential of Brazilian religious diversity, which:
1. Strengthens the use of attire;
2. Creates symbolic instruments of religion;
3. Systematizes and defines performative spaces;
4. Assumes spiritual assistance as a form of service;
5. Removes economic logic from services while not excluding the possibilities of
exchange.
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Thus, Vale do Amanhecer stands as: a New Age movement, a point of cultural
hybridism, a reference for assistance, a reference for multiculturalism, and above all, a point
where material and immaterial symbols become convergent.
Final considerations
Vale do Amanhecer is categorized as a New Age Popular religion (movement), although
this nomenclature is difficult to define objectively. In our study, intercontinental hybridism is
evident, as Vale do Amanhecer is formed from fragments of various religious and ufological
matrices, as well as rituals created from the union of multiple fragments. These fragments are
a constant in Vale do Amanhecer, observable both in the rituals and the history itself (Zelaya,
1977).
The range of elements from European, Asian, African, and American religious matrices
present in Vale do Amanhecer’s rituals can be found in Tibetan monasteries, the polytheistic
religions of ancient Greece and Egypt, Candomblé and Umbanda entities, and Amerindian
religions. Since it involves a mix, we use the term hybridism rather than syncretism, as the
intercontinental fragments used in Vale do Amanhecer’s rituals come together to form a new
ritual, rather than merely mirroring entities. This is demonstrated in the case of Pretos Velhos
and Caboclos, where the entities do not lose their characteristics or undergo modifications but
are incorporated into the rituals while maintaining their essences.
ACKNOWLEDGMENTS: Please indicate the funding agency or leave blank.
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e024010, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.1.18515 12
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James SANTOS and Roberto Calábria Guimarães da SILVA
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e024010, 2024. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.1.18515 13
CRediT Author Statement
Acknowledgements: We acknowledge the study conducted by Prof. Amurabi Oliveira on
the subject in question.
Funding: There is no institutional funding.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: Ethical standards have been respected in the research, specifically
concerning the treatment of theoretical elements and bibliographic data.
Availability of data and material: Yes, the texts and data are available for access.
Author contributions: Both authors were involved in data collection, concept exposition,
and analysis of the topic.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.