Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-ISSN: 2359-2419.
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.2.18992 1
DESIGUALDADES DE CUIDADOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS NA SAÚDE
MENTAL
DESIGUALDAD DE CUIDADOS Y SUS CONSECUENCIAS EN LA SALUD MENTAL
INEQUALITIES IN CARE AND ITS CONSEQUENCES ON MENTAL HEALTH
Aridnaj de Oliveira LIMA1
e-mail: arid.olima@gmail.com
Como referenciar este artigo:
LIMA, A. de O. Desigualdades de cuidados e suas
consequências na saúde mental. Rev. Cadernos de Campo,
Araraquara v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-ISSN: 2359-
2419. DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.2.18992
| Submetido em: 01/02/2024
| Revisões requeridas em: 30/04/2024
| Aprovado em: 22/07/2024
| Publicado em: 27/11/2024
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Profa. Me. Thaís Cristina Caetano de Souza
Prof. Me. Paulo Carvalho Moura
Prof. Thiago Pacheco Gebara
1
Universidade de Buenos Aires (UBA), Buenos Aires Argentina. Psicóloga Clínica, Doutoranda em Psicologia
(Universidade Nacional de La Plata - UNLP). Investigadora na área das Psicopatologias, Epistemologia e História
Conceptual da Psiquiatria.
Desigualdade de cuidados e suas consequências na saúde mental
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-ISSN: 2359-2419.
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.2.18992 2
RESUMO: A Pandemia do Covid-19 despertou muitas reflexões em pessoas de todas as partes
do mundo com respeito à saúde mental. Uma das reflexões é sobre a desigualdade de cuidados.
A qualidade de saúde mental que tem uma população está intimamente relacionada com sua
qualidade de vida e isto inclui os aspectos econômicos, educacionais e familiares, entre outros.
Pesquisas em todo o mundo têm mostrado que determinados setores da sociedade são mais
vulneráveis aos problemas mentais que outros e isso se evidencia principalmente nas diferenças
socioeconômicas, de gênero e étnicas. As mulheres, as pessoas que se identificam como
LGBT+, crianças, adolescentes e principalmente as pessoas de classes sociais mais baixas, são
as mais propensas a não poder desenvolver uma adequada qualidade de saúde mental. Isto se
deve a distintos fatores políticos e culturais desenvolvidos ao longo dos anos. A inequidade em
saúde mental se produz por injustiça social e poderia ser evitada. O presente artigo tem por
objetivo compreender como estas desigualdades se produzem e repercutem diretamente na
saúde mental, principalmente no período pós-pandemia que estamos vivendo na atualidade com
os desafios que temos de agora em diante.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdade. Cuidados. Pós-pandemia. Saúde Mental.
Vulnerabilidade.
RESUMEN: La Pandemia del Covid-19 despertó muchas reflexiones en personas de todas
partes del mundo respecto a la salud y consecuentemente a la salud mental. Una de estas
reflexiones es sobre la desigualdad de cuidados. La calidad de salud mental que tiene una
población está íntimamente relacionada con su calidad de vida y esto incluye los aspectos
económicos, educacionales y familiares entre otros. Pesquisas en todo el mundo han mostrado
que determinados sectores de la sociedad son más vulnerables a los problemas mentales que
otros y eso se evidencia principalmente en las diferencias socioeconómicas, de género y
étnicas. Las mujeres, las personas que se identifican como LGBT+, niños y niñas y
principalmente las personas de las clases sociales más bajas, son las más propensas a no poder
desarrollar una adecuada calidad de salud mental. Esto se debe a distintos factores políticos y
culturales desarrollados a lo largo de los años. La inequidad en salud mental se produce por
injusticia social y podrían ser evitadas. El presente trabajo tiene por objetivo entender cómo
estas desigualdades repercuten directamente en la salud mental, específicamente en el período
post pandemia que estamos viviendo en la actualidad, y los desafíos que tenemos de ahora por
adelante.
PALABRAS CLAVE: Desigualdad. Cuidados. Postpandemia. Salud Mental. Vulnerabilidad.
Aridnaj de Oliveira LIMA
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-ISSN: 2359-2419.
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.2.18992 3
ABSTRACT: The Covid-19 Pandemic has awakened many reflections in people from all over
the world regarding mental health. One of the reflections is on the inequality of care. The
quality of mental health that a population has is closely related to its quality of life and this
includes economic, educational and family aspects, among others. Research around the world
has shown that certain sectors of society are more vulnerable to mental health problems than
others, this is mainly evidenced in socioeconomic, gender and ethnic differences. Women,
people who identify as LGBT+, boys and girls, and mainly people from the lowest social
classes, are the most prone to not being able to develop an adequate quality of mental health.
This is due to various political and cultural factors developed over the years. Inequity in mental
health is caused by social injustice and could be avoided. The present work aims to understand
how these inequalities have a direct impact on mental health, specifically in the post-pandemic
period that we are currently experiencing, and the challenges that we face from now on.
KEYWORDS: Inequality. Care. Post-pandemic. Mental Health. Vulnerability.
Introdução
Este artigo faz parte do VI Ciclo de Encontros, Conferências e Debates sobre Ética,
Ciência e Política, do Simpósio Internacional sobre Feminismos, Interseccionalidade, Justiça
Social e Autonomia Relacional, realizado conjuntamente pelo CIEFI (Centro de Pesquisa em
Filosofia), a UNLP (Universidade Nacional de La Plata) e o CONICET (Conselho Nacional de
Pesquisas Científicas e Técnicas). de 29 de novembro a 2 de dezembro de 2022, Argentina, e
tem como objetivo analisar as consequências diretas e indiretas causadas pelo impacto da
desigualdade de cuidados na saúde mental, principalmente no período pós-pandemia do
Coronavírus.
A saúde não é um assunto exclusivo de competência das ciências médicas, mas também
um objeto de estudo de outras disciplinas como Filosofia, Antropologia, Sociologia, Psicologia,
entre outras, não é um tema separado, mas faz parte de todos os outros setores da sociedade.
Partindo desse pressuposto, este artigo tece uma análise de como os aspectos políticos, sociais,
culturais e econômicos impactam a saúde, por vezes gerando desigualdade e iniquidade no
cuidado, causando grandes prejuízos não ao indivíduo, mas à sociedade como um todo,
principalmente a determinados grupos sociais que são mais vulneráveis a problemas mentais
do que outros. devido a situações socioeconômicas, gênero e sexualidade, idade, condições de
deficiência etc.
O fato de que a maioria das desigualdades poderia ser evitada torna esse problema mais
grave e exige uma reflexão sobre como nos posicionar diante disso, tanto como profissionais
quanto como sujeitos e atores sociais. Para melhor compreender o impacto da desigualdade de
Desigualdade de cuidados e suas consequências na saúde mental
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cuidados na saúde mental, é necessário, antes de tudo, uma breve discussão teórica sobre os
conceitos de saúde, doença e cuidado na perspectiva dos direitos humanos. O artigo abordará a
questão em três aspectos principais: Saúde como processo, direito e indústria, em seguida,
analisará os discursos sociais nos quais se baseia a concepção de saúde mental hoje, os tipos de
desigualdades de cuidado, suas causas e consequências e iniquidades na Saúde Mental e conclui
com uma reflexão sobre o cenário atual da saúde mental no contexto pós-pandemia.
A saúde como processo, como direito humano e como grande indústria
Stolkiner (2010) levanta a questão da Saúde em três dimensões: como processo, como
direito humano e social e como uma das maiores indústrias do mundo. Como um processo, e
não como um estado, no qual estão envolvidos saúde-doença-cuidado, onde não só a dimensão
biológica do sujeito pode ser considerada, mas todos os fatores de sua vida, sejam eles sociais,
culturais, econômicos, psíquicos, que formam sua subjetividade estão em constante interação.
Como explica Urraza (2010), a análise do processo saúde/doença são conceitos socialmente
construídos, e independem da existência de uma condição biológica, portanto, variam de um
contexto para outro e de um tempo para outro.
Además de un proceso, la salud es también un derecho intrínseco a todo ser humano. En
1946, la OMS, reconoció por primera vez, el derecho a la salud, como un derecho humano. La
aprobación de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, en 1948, luego de la segunda
guerra mundial, afirma que: “Toda persona tiene derecho a un nivel de vida adecuado, que le
asegure la salud y el bienestar, una vivienda, la alimentación, vestidos, asistencia médica y
servicios sociales necesarios.”
O Manual de Recursos da OMS sobre Saúde Mental, Direitos Humanos e Direito
(2006), em sua introdução, esclarece a necessidade de promover a autonomia, garantindo que
os serviços de saúde mental sejam acessíveis a todos que desejam usá-los por meio dos
princípios da disponibilidade adequada de serviços e instituições de tratamento de saúde mental.
a acessibilidade do serviço para a população em geral, sem discriminação ou exclusão e
especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade, bem como o fácil acesso
econômico e informações baseadas no princípio da equidade, aceitabilidade, segundo o qual as
instituições e serviços de saúde devem respeitar a ética médica e ser culturalmente apropriados
e, finalmente, a qualidade dos serviços de forma igual para todos.
No entanto, a saúde também é uma das maiores indústrias do mundo, cuja própria
natureza das indústrias de eletrodomésticos e farmacologia exige que o consumo aumente, e
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que pessoas saudáveis passem a ser consideradas pessoas que precisam de algum medicamento,
seja para evitar desconfortos, seja por causa de uma doença que nem sabiam que tinham. ou
para prevenir a possibilidade de doenças futuras.
Como parte dessa enorme indústria da saúde, existem alguns atores sociais, incluindo
as indústrias farmacêuticas, centros de pesquisa e pesquisadores, médicos, empresas de
marketing, jornalismo científico geral, seguradoras, o Estado e os próprios consumidores. E
quando se trata de doenças mentais, ainda mais atores são adicionados: centros terapêuticos,
hospitais psiquiátricos, hospitais-dia, fundações e clínicas psiquiátricas, psicólogos,
acompanhantes terapêuticos, entre outros.
Como explica Stolkiner (2012a; 2012b), a expansão desse mercado é acompanhada por
um discurso neobiológico que se constrói ideologizando os notáveis avanços da biologia,
farmacologia e genética. Desse modo, o processo saúde-doença-cuidado é reduzido a apenas
uma de suas dimensões, a biológica, "e a isso se acrescenta o uso clínico do conceito
epidemiológico de risco (para o qual o diagnóstico do caso singular se baseia na probabilidade
estatística da população), para desembocar em um processo que tem sido chamado de
mercantilização da doença ou fabricação de doenças" (Stolkiner, 2013, pág. 6).
O termo Disease Mongering, também conhecido como "fabricação de doenças", foi
cunhado por Lynn Payel, escritora, cientista e jornalista médica. Com seus livros Medicina e
Cultura, de 1988 e Disease-Mongers: How Doctors, Pharmaceutical Companies and Insurers
Make You Feel Sick, de 1992, ele trouxe o debate da produção de doenças que enriquecem as
organizações farmacêuticas em todo o mundo, tornando a saúde uma indústria lucrativa.
"Fabricação de doenças" é um tema que está sendo amplamente pesquisado e refere-se à
expansão e promoção, por meio de campanhas de marketing, do mercado da indústria
farmacêutica, que tenta convencer pessoas saudáveis de que estão doentes, e pessoas que têm
apenas uma doença leve, de que estão muito doentes.
O pesquisador e jornalista australiano, especializado em questões relacionadas à saúde,
Ray Moynihan, no livro que escreve com o pesquisador e escritor canadense Alan Cassels, que
concentrou seu trabalho no estudo de políticas farmacêuticas, Drogas que nos adoecem e
indústrias farmacêuticas que nos transformam em pacientes de 2005 denunciam manipulações
às quais os laboratórios farmacêuticos atualmente submetem as pessoas, com relatos
pseudocientíficos, nos quais tentam convencê-los de que circunstâncias normais da vida, como
luto, menopausa, ansiedade causada por eventos cotidianos e algumas características da
infância, são doenças que requerem medicação.
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em 1976, Ivan Illich, crítico radical da sociedade industrial e defensor da ideia de que
nenhuma das instituições tradicionais da sociedade industrial está verdadeiramente preparada
para atender às necessidades do mundo atual, afirma que a medicina foi institucionalizada e se
tornou uma instituição desprovida de valores éticos, e cujo impacto atingiu proporções
epidêmicas. Para ele, a construção social do conceito de doença era definida em cada sociedade
pelo que a medicina, o direito e a religião definiam como tal. Assim, Illich coloca a medicina
no mesmo nível de poder que a religião e a lei exercem sobre uma sociedade. Illich (1976)
argumentou que é a autoridade dos profissionais de saúde que estabelece os limites do que é
normal e classifica os comportamentos não convencionais dentro da sociedade como doenças,
classificando-os como distúrbios e tratando-os com a prescrição de medicamentos.
O renomado psiquiatra húngaro Thomas Istvan Szasz, crítico dos fundamentos morais
e científicos da psiquiatria, também faz uma pesquisa comparando o poder exercido pela
religião e certas práticas da psiquiatria. Em seu livro O Mito da Doença Mental e a Criação da
Loucura: Um Estudo Comparativo da Inquisição com o Movimento de Saúde Mental, ele diz:
Hoje, para ser diagnosticado como "doente mental", basta que o psiquiatra
extraia de nós uma "confissão" ou que apresentemos involuntariamente certos
"sintomas". O paciente - anteriormente um herege - será então rejeitado como
um indivíduo desconfortável ou perigoso. O círculo repressivo está fechado.
O sistema para sua sobrevivência extirpa o Outro de seu próprio corpo (Szasz,
1994, p. 370).
Discursos sobre saúde mental hoje
No campo da saúde mental e da saúde como um todo, observa-se ainda a influência do
discurso biológico, onde o aspecto biológico se destaca acima de outros fatores como
psicológicos e sociais, quando se trata de interpretar, definir e tratar doenças. O conjunto de
práticas, saberes e ideologias que dominam os grupos sociais desde o final do século XVIII foi
cunhado como Modelo Médico-Hegemônico pelo antropólogo social argentino Eduardo
Menéndez, que o define "como a única forma de tratar a doença, legitimada tanto por critérios
científicos quanto pelo Estado" (Menéndez, 1990, p. 83).
Eduardo Menéndez contextualiza o Modelo Médico-Hegemônico desde o final dos anos
60, caracterizado por seu biologismo, pragmatismo e individualismo, entre outras
características como ser um modelo a-histórico e associal. Biologicista porque o conhecimento
está do lado do médico, e o biológico predomina sobre os demais aspectos da vida do sujeito,
o corpo é fragmentado e isolado de sua sociedade, de sua identidade e de sua cultura; A-
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histórico, porque não considera a história e a subjetividade desse sujeito; Associal, porque não
considera aspectos sociais e econômicos; de eficácia pragmática, pois seu objetivo é a mera
prática da cura, a eliminação dos sintomas; individualista, porque não considera a
interdisciplina.
Eduardo Menéndez contextualiza o Modelo Médico-Hegemônico desde o final dos anos
60, caracterizado por seu biologismo, pragmatismo e individualismo, entre outras
características como ser um modelo a-histórico e associal. Biologicista porque o conhecimento
está do lado do médico, e o biológico predomina sobre os demais aspectos da vida do sujeito,
o corpo é fragmentado e isolado de sua sociedade, de sua identidade e de sua cultura; A-
histórico, porque não considera a história e a subjetividade desse sujeito; Associal, porque não
considera aspectos sociais e econômicos; de eficácia pragmática, pois seu objetivo é a mera
prática da cura, a eliminação dos sintomas; individualista, porque não considera a
interdisciplina.
Stolkiner (2017) explica que é na mercantilização que se baseiam as propostas do
sistema liberal, que tendem a transformar a provisão de saúde em mercadoria e, ao mesmo
tempo, capturar os fundos sociais que são destinados à saúde. Stolkiner continua sua análise
argumentando que o paradigma neoliberal se baseia na ideia do "mínimo decente", o que
implica que é o Estado que deve garantir uma prestação de serviços que seja o mínimo decente
e que à população como um todo oportunidades iguais, mas apenas nos benefícios mais
frequentes e a um custo que não exceda a capacidade de concentração de riqueza.
Assim, o Modelo Médico Hegemônico surge como uma das ferramentas ideológicas
que tem influenciado o fenômeno da patologização da vida e "fabricação" de doenças, é uma
ferramenta positivista, produto de acontecimentos sociais, históricos, econômicos e políticos,
que não trata a doença como parte de um processo saúde/doença, no qual, fatores históricos, A
vida do sujeito, o contexto em que vive, as condições econômicas e de higiene, com quem e
como vive, sua subjetividade, etc., todas as dimensões da vida humana, estão interagindo.
Menéndez (2020) argumenta que esse modelo opera de acordo com os países, como um
sistema privado, oficial ou misto, como um sistema desigual porque se baseia no mercado, ou
como um sistema que deve abranger todos os serviços de forma universal e gratuita com base
no Estado fortemente articulado com a sociedade civil ou com uma sociedade civil articulada
com o Estado, que tem entre outros objetivos regular, controlar e reorientar. À medida que a
jurisdição médica aumenta nas sociedades modernas, o mesmo acontece com o controle da área
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médica sobre o comportamento humano e o controle do corpo dominante sobre o dominado. E
esse controle é assegurado pelo Estado.
Para o sociólogo Pierre Bourdieu, o corpo humano é uma produção social e, portanto,
afetado pela cultura, pelas relações de poder, pelas relações de dominação e pelas relações de
classe. O corpo é apropriado e vivido de acordo com os capitais sociais, culturais e simbólicos
do indivíduo. Bourdieu (1986) fala do corpo dos dominadores (corpo legítimo) e do corpo dos
dominados (corpo alienado), não só no sentido material, mas também da dominação no sentido
simbólico.
O filósofo francês Michel Foucault (1996) falou de uma forma específica de governo
que aspira à gestão dos processos biológicos, da população como forma de controle, que ele
chamou de Biopolítica. Foucault argumenta que, nas sociedades pós-Revolução Francesa, o
surgimento de uma tecnologia individualizante de poder aspira a produzir corpos dóceis e
fragmentados, controlados e monitorados por instituições. Este seria o efeito do Biopoder.
Assim como o direito de vida e morte nos tempos antigos estava nas mãos do soberano, que
detinha tanto poder sobre seus súditos, agora estaria nas mãos do Estado.
Diante das mudanças sociais atuais, Menéndez (2020) vislumbra o futuro da Saúde, sob
a perspectiva do que ele chama de Novo Modelo Médico Hegemônico. Analisa tal modelo com
as características e funções atuais desse modelo por meio de algumas das contribuições da
inteligência artificial, da pesquisa genética e da robótica, referentes aos processos de
saúde/doença/cuidado e prevenção, a fim de analisar as possibilidades de que o modelo médico-
hegemônico continue a se perpetuar ou mudanças significativas sejam geradas.
Outro discurso importante a ser considerado nesta análise é o discurso científico dos
manuais diagnósticos. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, elaborado
pela APA (Associação Americana de Psiquiatria) em conjunto com a ICN: Classificão
Internacional de Doenças publicada pela Organização Mundial da Saúde, são os mais
importantes, são sistemas diagnósticos utilizados por serviços de saúde mental públicos e
privados na América Latina. Os Estados Unidos e a Europa. Seu poder ideológico é considerado
uma ferramenta científica, apesar de tal cientificidade ter sido amplamente questionada ao
longo de sua história e principalmente após sua quinta edição em 2014, onde mais claramente
situações da vida são consideradas doenças.
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O que queremos dizer quando falamos sobre desigualdade em saúde e desigualdade de
cuidados?
Quando falamos de desigualdade em saúde, estamos nos referindo a um termo usado
para descrever diferenças na saúde de indivíduos ou grupos, aos aspectos quantificáveis da
saúde que variam de acordo com agrupamentos socialmente relevantes. Essa definição não está
relacionada a nenhum julgamento moral, não se refere a se essa desigualdade é justa ou não,
apenas a identifica.
As desigualdades sempre existirão e nem sempre são produto de problemas
sociopolíticos. Existem desigualdades naturais, típicas da existência humana, como, por
exemplo, a saúde de um menino de 20 anos não é a mesma que a saúde de um homem de 70
anos, assim como não é a mesma no caso de uma pessoa que nasce com uma malformação
genética que gera problemas de saúde do que aquela que não nasce com tal condição. Dessa
forma, observa-se que desigualdade em saúde não é o mesmo que desigualdade de cuidado.
Ao contrário do conceito de desigualdade em saúde, o conceito de desigualdade
assistencial refere-se a um tipo de desigualdade em saúde injusta, produzida por falhas,
omissões, negligência dos setores responsáveis. Também são chamadas de iniquidade, também
ou disparidade e referem-se a desigualdades que não são inerentes à natureza, mas que poderiam
ter sido evitadas e evitadas, e o fato de não terem sido, é injusto.
Como explicado acima, a saúde mental está diretamente relacionada a diferentes fatores
da vida humana, tais como: As condições socioeconômicas da família, que possibilitam
alimentação e nutrição adequadas, moradia com condições básicas de higiene, acesso à
educação e serviços médicos de qualidade. Fatores que por sua vez influenciam o
desenvolvimento das faculdades cognitivas, processos mentais como pensamento, atenção,
memória, percepção, entre outros, no desenvolvimento do sistema nervoso central, e no perfeito
funcionamento do corpo, auxiliam no processo de aprendizagem, compreensão, retenção e
transmissão de conhecimento; Condições sociais, se existem situações de violência física,
verbal ou psicológica, abusos de diferentes tipos, bullying, maus-tratos, etc., se existe uma
família bem estruturada ou disfuncional e se as necessidades materiais e emocionais do
indivíduo são satisfeitas, como o ambiente em que vive, os hábitos e a cultura do ambiente onde
o indivíduo desenvolve as suas relações interpessoais; As condições culturais em que
determinados grupos estão historicamente inseridos, se sofrem discriminação social, violência,
ou não são dignamente contemplados nas políticas sociais, etc.
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São fatores que interagem diretamente na formação da subjetividade do indivíduo,
formando sua personalidade, dificultando o bom funcionamento de suas capacidades,
habilidades e inteligência, sejam elas intelectuais ou emocionais, e o pleno desenvolvimento de
sua saúde mental, muitas vezes produzindo transtornos ou doenças mentais. Para que ocorra
um cuidado adequado em saúde mental, é necessário que todos esses fatores socioeconômicos
e culturais sejam levados em consideração.
Dessa forma, observa-se que determinados grupos sociais, por exemplo, de classes
econômicas mais baixas, negros, mulheres, imigrantes, povos indígenas, LGBTQ+, são mais
vulneráveis a se submeterem à qualidade dos serviços públicos, de não terem seus direitos
reconhecidos e são mais propensos a serem vítimas de estigmas sociais do que outras pessoas.
É o pobre que se considera "doente mental" enquanto um indivíduo de outra classe social está
apenas passando por "ataques de ansiedade", a mulher que está "histérica" enquanto o homem
está apenas "nervoso", o imigrante "louco" enquanto um nativo está apenas agindo de acordo
com sua cultura. O preconceito em torno desses grupos historicamente dificultou a gestão de
políticas de saúde que os beneficiem igualitariamente, a formação de profissionais e a criação
de instituições autorizadas a lidar com suas questões específicas, dificultando ainda mais o
acesso à saúde.
Consequências das Desigualdades na Atenção à Saúde Mental no Cenário da Saúde
Mental Pós-Pandemia
Apresentados os fatores que influenciam o processo saúde/doença em saúde mental,
passamos agora a analisar algumas das consequências subjacentes à ausência ou falha da
iniquidade em saúde mental. Após a Pandemia, os ataques de pânico, ansiedades, depressões,
tentativas de suicídio, entre outros problemas, aumentaram consideravelmente, e até hoje têm
impacto nos consultórios psiquiátricos e psicológicos. Nesse cenário, as desigualdades na
atenção à saúde mental foram ainda mais acentuadas, e com elas vieram muitas consequências,
das quais se destacam as seguintes:
Transtornos e doenças mentais: A maioria dos problemas psicológicos e psiquiátricos
encontrados na prática clínica poderia ter sido evitada. São problemas decorrentes de
negligência, seja familiar, profissional ou institucional. Entre os mais diagnosticados hoje estão
depressão, transtornos de ansiedade generalizada, fobias obsessivas, entre outros, e muitos
casos de tentativas de suicídio.
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O fenômeno da medicalização: Embora o problema da psicomedicalização, ou seja, o
uso de drogas psicotrópicas como "solução" para problemas da existência humana e que nos
últimos anos passaram a ser considerados doenças, não esteja exclusivamente relacionado à
questão da desigualdade do cuidado em saúde mental, mas seja uma questão que atravessa todos
os setores da sociedade e que desde meados do século XX a pauta vem avançando das indústrias
farmacêuticas, por estarem enraizadas nas culturas atuais, podem ser consideradas como parte
dessa análise, uma vez que se observa que a desigualdade de cuidado faz com que muitas
pessoas e grupos não tenham acesso a melhores meios de informação, bons serviços de saúde
ou, devido ao próprio preconceito social, sejam rotulados com doenças que na realidade nem
existem. ou seja, os problemas naturais que essas pessoas estão enfrentando devido às suas
condições e história, são rotulados como "doença" que deve ser medicalizada. Esta ainda é uma
forma de controle social, onde o Estado e a sociedade se esquivam de suas responsabilidades,
para colocar "a culpa" em uma suposta doença.
Conclusões
Este artigo forneceu algumas análises sobre as desigualdades em saúde mental que são
produzidas injustamente porque poderiam ter sido evitadas, ou seja, as chamadas iniquidades.
Essas iniquidades não ocorrem isoladamente, mas são produtos de um conjunto de fatores que
interagem ao longo do tempo em uma determinada sociedade, portanto difíceis de resolver, por
isso vamos apontar neste artigo o que se refere à prevenção. Prevenir as desigualdades na
atenção à saúde, embora não seja uma tarefa fácil, é possível a partir de uma perspectiva
interseccional, e não é apenas uma questão de responsabilidade do Estado, mas de cada
profissional de saúde que está trabalhando direta ou indiretamente com grupos minoritários. As
mudanças começam depois de uma profunda reflexão e análise dos problemas e com a
consciência da necessidade de um trabalho interdisciplinar.
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Aridnaj de Oliveira LIMA
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: O trabalho não possui vínculo direto com nenhuma instituição.
Financiamento: Não possui fomento de nenhuma instituição.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho respeitou os princípios da ética em todo o desenvolvimento
da pesquisa e por suas características não houve necessidade de passar por comitês éticos.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
disponíveis para acesso, podendo o leitor entrar em contato diretamente por e-mail.
Contribuições dos autores: O trabalho é de autoria de uma autora, sendo a mesma
responsável tanto pela pesquisa como pela redação.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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DESIGUALDAD DE CUIDADOS Y SUS CONSECUENCIAS EN LA SALUD
MENTAL
DESIGUALDADES DE CUIDADOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS NA SAÚDE MENTAL
INEQUALITIES IN CARE AND ITS CONSEQUENCES ON MENTAL HEALTH
Aridnaj de Oliveira LIMA1
e-mail: arid.olima@gmail.com
Cómo referenciar este artículo:
LIMA, A. de O. Desigualdad de cuidados y sus
consecuencias en la salud mental. Rev. Cadernos de
Campo, Araraquara v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-
ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.2.18992
| Enviado en: 01/02/2024
| Revisiones requeridas en: 30/04/2024
| Aprobado en: 22/07/2024
| Publicado en: 27/11/2024
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Profa. Me. Thaís Cristina Caetano de Souza
Prof. Me. Paulo Carvalho Moura
Prof. Thiago Pacheco Gebara
1
Universidad de Buenos Aires (UBA), Buenos Aires Argentina. Psicóloga Clínica, doctoranda en Psicología
(Universidad Nacional de La Plata - UNLP). Investigadora en el área de Psicopatologías, Epistemología e Historia
Conceptual de la Psiquiatría.
Desigualdad de cuidados y sus consecuencias en la salud mental
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RESUMEN: La Pandemia del Covid-19 despertó muchas reflexiones en personas de todas
partes del mundo respecto a la salud y consecuentemente a la salud mental. Una de estas
reflexiones es sobre la desigualdad de cuidados. La calidad de salud mental que tiene una
población está íntimamente relacionada con su calidad de vida y esto incluye los aspectos
económicos, educacionales y familiares entre otros. Pesquisas en todo el mundo han mostrado
que determinados sectores de la sociedad son más vulnerables a los problemas mentales que
otros y eso se evidencia principalmente en las diferencias socioeconómicas, de género y étnicas.
Las mujeres, las personas que se identifican como LGBT+, niños y niñas y principalmente las
personas de las clases sociales más bajas, son las más propensas a no poder desarrollar una
adecuada calidad de salud mental. Esto se debe a distintos factores políticos y culturales
desarrollados a lo largo de los años. La inequidad en salud mental se produce por injusticia
social y podrían ser evitadas. El presente trabajo tiene por objetivo entender cómo estas
desigualdades repercuten directamente en la salud mental, específicamente en el período post
pandemia que estamos viviendo en la actualidad, y los desafíos que tenemos de ahora por
adelante.
PALABRAS CLAVE: Desigualdad. Cuidados. Postpandemia. Salud Mental. Vulnerabilidad.
RESUMO: A Pandemia do Covid-19 despertou muitas reflexões em pessoas de todas as partes
do mundo com respeito à saúde mental. Uma das reflexões é sobre a desigualdade de cuidados.
A qualidade de saúde mental que tem uma população está intimamente relacionada com sua
qualidade de vida e isto inclui os aspectos econômicos, educacionais e familiares, entre outros.
Pesquisas em todo o mundo têm mostrado que determinados setores da sociedade são mais
vulneráveis aos problemas mentais que outros e isso se evidencia principalmente nas
diferenças socioeconômicas, de gênero e étnicas. As mulheres, as pessoas que se identificam
como LGBT+, crianças, adolescentes e principalmente as pessoas de classes sociais mais
baixas, são as mais propensas a não poder desenvolver uma adequada qualidade de saúde
mental. Isto se deve a distintos fatores políticos e culturais desenvolvidos ao longo dos anos. A
inequidade em saúde mental se produz por injustiça social e poderia ser evitada. O presente
artigo tem por objetivo compreender como estas desigualdades se produzem e repercutem
diretamente na saúde mental, principalmente no período pós-pandemia que estamos vivendo
na atualidade com os desafios que temos de agora em diante.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdade. Cuidados. Pós-pandemia. Saúde Mental.
Vulnerabilidade.
Aridnaj de Oliveira LIMA
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-ISSN: 2359-2419.
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ABSTRACT: The Covid-19 Pandemic has awakened many reflections in people from all over
the world regarding mental health. One of the reflections is on the inequality of care. The
quality of mental health that a population has is closely related to its quality of life and this
includes economic, educational and family aspects, among others. Research around the world
has shown that certain sectors of society are more vulnerable to mental health problems than
others, this is mainly evidenced in socioeconomic, gender and ethnic differences. Women,
people who identify as LGBT+, boys and girls, and mainly people from the lowest social
classes, are the most prone to not being able to develop an adequate quality of mental health.
This is due to various political and cultural factors developed over the years. Inequity in mental
health is caused by social injustice and could be avoided. The present work aims to understand
how these inequalities have a direct impact on mental health, specifically in the post-pandemic
period that we are currently experiencing, and the challenges that we face from now on.
KEYWORDS: Inequality. Care. Post-pandemic. Mental Health. Vulnerability.
Introducción
El presente artículo hace parte del VI Ciclo de Encuentros, Conferencias y Debates sobre
Ética, Ciencia y Política, del 1er. Simposio Internacional sobre Feminismos, Interseccionalidad,
Justicia Social y Autonomía Relacional, realizado en conjunto por el CIEFI (Centro de
Investigaciones en Filosofía), la UNLP (Universidad Nacional de La Plata) y el CONICET
(Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas), en 29 de noviembre a 2 de
diciembre de 2022, Argentina, y tiene por objetivo analizar las consecuencias directas e
indirectas causadas por el impacto de la desigualdad de cuidados en la salud mental,
principalmente en el periodo posterior a la pandemia del Coronavirus.
La salud no es un tema exclusivo de competencia de las ciencias médicas, sino que
también objeto de estudio de otras disciplinas como la Filosofía, Antropología, Sociología,
Psicología, entre otras, tampoco es un tema aparte, sino que es parte de todos los demás sectores
de la sociedad. A partir de este presupuesto, el presente artículo teje un análisis sobre como los
aspectos políticos, sociales, culturales y económicos impactan en la salud, a veces generando
desigualdad e inequidad de cuidados, causando grandes daños no solo al individuo sino a la
sociedad como un todo, principalmente a determinados grupos sociales que son más vulnerables
a los problemas mentales que otros, debidos a las situaciones socioeconómicas, al género y
sexualidad, a la edad, a condiciones de discapacidad etc.
El hecho de que la mayoría de las desigualdades podrían ser evitadas hace más grave
esta problemática y llama a la reflexión de cómo posicionarnos frente a esto, sea como
profesionales, sea como sujetos y actores sociales. Para mejor comprensión del impacto de la
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desigualdad de cuidados en la salud mental, es necesario en un primer momento un breve
recurrido teórico en torno a los conceptos de salud, enfermedad y cuidados desde la perspectiva
de los derechos humanos. El articulo abordará el tema en tres principales aspectos: La salud
como un proceso, un derecho y una industria, luego se analizará los discursos sociales en los
cuales se fundamentan la concepción de salud mental en la actualidad, los tipos de
desigualdades de cuidados, sus causas y consecuencias e inequidad en Salud Mental y concluye
con una reflexión sobre el actual escenario de la salud mental en el contexto de postpandemia.
Salud como un proceso, como un derecho humano y como una gran industria
La organización Mundial de Salud (OMS) en la Conferencia Sanitaria Internacional,
celebrada en junio de 1946 en Nueva York por representantes de 61 Estados, y que entró en
vigor en abril de 1948, definió como salud al “estado de completo bienestar físico, mental y
social, y no solamente la ausencia de afecciones o enfermedades". Aunque la definición de la
OMS, sea ampliamente aceptable, no deja de sufrir varias críticas. Entre ellas, lo que plantea
Alicia Stolkiner (2010), de que lo más adecuado sería decir, que se trata de un proceso y no de
un estado.
Stolkiner (2010) plantea el tema de la Salud, en tres dimensiones: Como un proceso,
como un derecho humano y social, y como una de las más grandes industrias del mundo. Como
un proceso, y no como un estado, en el cual se involucran salud-enfermedad-cuidados, donde
no se puede considerar sólo la dimensión biológica del sujeto, pero que todos los factores de su
vida, sean sociales, culturales, económicos, psíquicos, que forman su subjetividad están en
constante interacción. Como explica Urraza (2010), el análisis del proceso salud / enfermedad
son conceptos que se construyen socialmente, y no dependen de la existencia de una afección
biológica, por lo tanto, varían de un contexto a otro y de una época a otra.
Además de un proceso, la salud es también un derecho intrínseco a todo ser humano. En
1946, la OMS, reconoció por primera vez, el derecho a la salud, como un derecho humano. La
aprobación de la Declaración Universal de los Derechos Humanos, en 1948, luego de la segunda
guerra mundial, afirma que: “Toda persona tiene derecho a un nivel de vida adecuado, que le
asegure la salud y el bienestar, una vivienda, la alimentación, vestidos, asistencia médica y
servicios sociales necesarios.”
El Manual de Recursos de la OMS sobre Salud Mental, Derechos Humanos y
Legislación (2006), en su introducción aclara la necesidad de promover la autonomía, al
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asegurar que los servicios de salud mental sean accesibles a toda persona que desee usarlos por
medio de los principios de la disponibilidad suficiente de servicios e instituciones de
tratamiento de la salud mental, de la accesibilidad del servicio para la población en general, sin
discriminación ni exclusión y en especial para las personas en situación de vulnerabilidad, así
como también de fácil acceso económico y de informaciones con base en el principio de la
equidad, de la aceptabilidad, según la cual las instituciones y servicios de salud deben respetar
la ética médica y ser culturalmente adecuados y finalmente de la calidad los servicios de forma
igualitaria para todos.
Sin embargo, la salud es también una de las más grandes industrias del mundo, cuya
naturaleza misma de las industrias de aparatología y farmacología requiere que el consumo
aumente, y que personas sanas pasen a ser consideradas personas que necesiten de algún
fármaco, sea para evitar un malestar, sea por una enfermedad que ni ella sabía que tenía, sea
para prevenir la posibilidad de una futura enfermedad.
Como parte de esa enorme industria de la salud, están algunos actores sociales, entre
ellos, las industrias farmacéuticas, los centros de investigación y los investigadores, los
médicos, las empresas de marketing, el periodismo científico de divulgación general, las
aseguradoras, el Estado y los propios consumidores. Y en se tratando de enfermedades
mentales, se agregan todavía más actores: Los centros terapéuticos, hospitales psiquiátricos,
hospitales de día, fundaciones y clínicas psiquiátricas, psicólogos, acompañantes terapéuticos,
entre otros.
Conforme explica Stolkiner (2012a; 2012b), la expansión de este mercado está
acompañada de un discurso neo-biologista que se construye ideologizando los notables avances
de la biología, la farmacología y la genética. De esta forma el proceso salud-enfermedad-
cuidados, queda reducido a una sola de sus dimensiones, la biológica, “y a eso se suma la
utilización clínica del concepto epidemiológico de riesgo (por lo cual se basa el diagnóstico del
caso singular en la probabilidad estadística poblacional), para finalizar en un proceso que ha
sido denominado disease mongering o fabricación de enfermedades” (Stolkiner, 2013, p. 6).
El término Disease Mongering (Tráfico o comercio de enfermedades), también
conocida como “fabricación de enfermedades”, fue acuñado por Lynn Payel, escritora,
científica y periodista dica. Con sus libros Medicina y Cultura, de 1988 y Disease-Mongers:
Como los médicos, las compañías farmacéuticas y las aseguradoras lo hacen sentirse enfermo,
de 1992, trajo el debate de la producción de enfermedades que hacen enriquecer las
organizaciones farmacéuticas en todo el mundo, haciendo de la salud una rentable industria. La
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“fabricación de enfermedades” es un tema que está siendo ampliamente investigado y se refiere
a la ampliación y promoción, a través de campañas de marketing, del mercado de la industria
farmacéutica, que trata de convencer gente sana que está enferma, y gente que solo tiene una
enfermedad leve, que está muy mal.
El investigador y periodista australiano, especializado en temas relacionados a la salud,
Ray Moynihan, en el libro que escribe con el también investigador y escritor canadiense Alan
Cassels, que ha centrado su trabajo en el estudio de las políticas farmacéuticas, Medicamentos
que nos enferman e industrias farmacéuticas que nos convierten en pacientes de 2005
denuncian manipulaciones a las que los laboratorios farmacéuticos actualmente someten a las
personas, con informes pseudocientíficos, en los que intentan convencerlos de que
circunstancias normales de la vida, como el duelo, la menopausia, ansiedad provocada por
acontecimientos diarios, y algunas características propias de la infancia, son enfermedades que
requieren medicamentos.
Ya en 1976, Iván Illich, crítico radical de la sociedad industrial y defensor de la idea de
que ninguna de las instituciones tradicionales de la sociedad industrial está verdaderamente
preparada para atender a las necesidades del mundo actual, plantea que la medicina ha sido
institucionalizada y llegado a ser una institución carente de valores éticos, y cuyo impacto había
alcanzado proporciones de una epidemia. Para él, la construcción social del concepto de
enfermedad era definido en cada sociedad por lo que la medicina, la ley y la religión definían
como tal. Siendo así, Illich pone la medicina en el mismo nivel de poder que ejerce la religión
y la ley sobre una sociedad. Illich (1976) planteaba que es la autoridad de los profesionales
sanitarios lo que establece los límites de lo normal y catalogan como enfermedades conductas
poco convencionales dentro de la sociedad, clasificándolas de trastornos y tratándolas mediante
prescripción de fármacos.
El reconocido psiquiatra húngaro, Thomas Istvan Szasz, crítico de los fundamentos
morales y científicos de la psiquiatría, también hace un estudio investigativo de comparación
entre el poder que ejerce la religión y ciertas prácticas de la psiquiatría. En su libro El mito de
la enfermedad mental y la fabricación de la locura: Un estudio comparativo de la inquisición
con el movimiento de salud mental dice:
Hoy para ser diagnosticado “enfermo mental” basta que el psiquiatra extraiga
de nosotros una “confesión” o que involuntariamente presentemos
determinados “síntomas”. A continuación, el paciente-antes hereje-será
rechazado como un individuo incómodo o peligroso. El círculo represivo
queda cerrado. El sistema para su sobrevivencia extirpa de su propio cuerpo
al Otro (Szasz, 1994, p. 370).
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Los discursos en torno a la Salud Mental en la actualidad
En el ámbito de la salud mental y de la salud como un todo, todavía se observa la
influencia del discurso biologicista, donde el aspecto biológico se sobresale por encima de otros
factores como el psicológico y el social, a la hora de interpretar, definir y tratar a las
enfermedades. El conjunto de prácticas, saberes e ideologías que dominan en los conjuntos
sociales, desde fines del siglo XVIII fue acuñado como Modelo Médico-Hegemónico por el
antropólogo social argentino Eduardo Menéndez, que lo define “como la única forma de atender
la enfermedad, legitimada tanto por criterios científicos como por el Estado(Menéndez, 1990,
p. 83).
Eduardo Menéndez contextualiza el Modelo Médico-Hegemónico desde los finales de
los ’60, caracterizado por su biologismo, pragmatismo e individualismo, entre otros rasgos tales
como ser un modelo ahistórico y asocial. Biologicista porque el saber está del lado del médico,
y lo biológico predomina sobre los demás aspectos de la vida del sujeto, el cuerpo es
fragmentado y aislado de su sociedad, su identidad y su cultura; Ahistórico, porque no considera
la historia y la subjetividad de este sujeto; Asocial, porque no considera los aspectos sociales,
y económicos; de Eficacia pragmática, porque su objetivo es la mera práctica de la cura, la
eliminación de los síntomas; individualista, porque no considera la interdisciplina.
Según Menendéz (2020), este modelo no solo cumple funciones curativas y preventivas,
sino también funciones de normatización, de control y de legitimización. Durante todo el siglo
pasado, cambios fueron siendo generados y varias críticas hechas principalmente hacia su
mercantilización, al constante incremento de costo de atención de la enfermedad y más
recientemente de la salud.
Stolkiner (2017) explica que es en la mercantilización que se basan las propuestas del
sistema liberal, que tienden a transformar la prestación de salud en una commodity y al mismo
tiempo realizar una captura de los fondos sociales que se destinan a la salud. Stolkiner sigue su
análisis argumentando que el paradigma neoliberal está basado en la idea del “mínimo decente”,
que implica que es el Estado quien debe garantizar una prestación de servicios que sea el
mínimo decente y que le al conjunto de la población una igualdad de oportunidades, pero
sólo en las prestaciones más frecuentes y a un costo que no desborde la capacidad de
concentración de riqueza.
Siendo así el Modelo Médico Hegemónico, surge como una de las herramientas
ideológicas que ha influenciado el fenómeno de patologización de la vida y fabricación” de
enfermedades, es una herramienta positivista, producto de sucesos sociales, históricos,
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económicos y políticos, que no trata la enfermedad como parte de un proceso salud/enfermedad,
en el cual, los factores históricos, la vida del sujeto, el contexto en el que vive, las condiciones
económicas y de higiene, con quién, y cómo vive, su subjetividad, etc., todas las dimensiones
de la vida humana, están interactuando.
Menéndez (2020) argumenta que este modelo opera según los países, como sistema
privado, oficial o mixto, como un sistema desigual por ser basado en el mercado, o como un
sistema que debe cubrir todos los servicios de forma universal y gratuita basado en el Estado
fuertemente articulado con la sociedad civil o con una sociedad civil articulada con el Estado,
que tiene entre otros objetivos regular, controlar y reorientar. A medida que en las sociedades
modernas aumenta la jurisdicción médica, también se aumenta el control del área médica sobre
el comportamiento humano, y el control del cuerpo dominante sobre el dominado. Y ese control
es asegurado por el Estado.
Para el sociólogo Pierre Bourdieu el cuerpo humano es una producción social y por lo
tanto afectado por la cultura, por las relaciones de poder, las relaciones de dominación y las
relaciones de clases. El cuerpo es apropiado y vivido conforme a los capitales sociales,
culturales y simbólicos del individuo. Bourdieu (1986) habla del cuerpo de los que dominan
(cuerpo legítimo) y el cuerpo de los que son dominados (cuerpo alienado), no sólo en el sentido
material pero también dominación en el sentido simbólico.
El filósofo francés Michel Foucault (1996) hablaba de una forma específica de gobierno
que aspira a la gestión de los procesos biológicos, de la población como forma de control, a la
cual denominó Biopolítica. Foucault argumenta que en las sociedades post revolución francesa,
el surgimiento de una tecnología individualizante de poder, aspira a producir cuerpos dóciles y
fragmentados, controlados y vigilados por las instituciones. Esta sería el efecto del Biopoder.
Así como el derecho de vida y muerte en la antigüedad estaba en las manos del soberano, que
detentaba tal poder sobre sus súbditos, ahora estaría en manos del Estado.
Frente a los presentes cambios sociales, Menéndez (2020) vislumbra el futuro de la
Salud, bajo la perspectiva de lo que él llama de Nuevo Modelo Médico Hegemónico. Analiza
tal modelo con las características y funciones actuales de ese modelo a través de algunos de los
aportes de la inteligencia artificial, de las investigaciones genéticas y de la robótica, referidas a
procesos de salud/enfermedad/atención y prevención, a fin de analizar las posibilidades de que
o modelo médico-hegemónico siga perpetuándose o se generen cambios significativos.
Otro importante discurso a ser considerado en el presente análisis es el discurso
científico de los manuales diagnósticos. El Manual Diagnóstico y Estadístico de Trastornos
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Mentales (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), elaborado por la APA
(Asociación Americana de Psiquiatría) juntamente con el CIE: Clasificación Internacional de
Enfermedades publicada por la Organización Mundial de la Salud, son los más importantes,
son sistemas de diagnósticos utilizados tanto por servicios públicos como privados de salud
mental de América Latina, Estados Unidos y Europa. Su poder ideológico se detenta en ser
considerada una herramienta científica a pesar que tal cientificidad ha sido ampliamente
cuestionada a lo largo de su historia y principalmente luego de su quinta edición de 2014, donde
más nítidamente situaciones propias de la vida, pasan a ser consideradas enfermedades.
¿A qué nos referimos cuando hablamos de desigualdad de salud y desigualdad de
cuidados?
Cuando hablamos de desigualdad en la salud, estamos haciendo referencia a un término
utilizado para describir las diferencias en la salud de los individuos o de los grupos, a los
aspectos cuantificables de la salud que varía según agrupamientos socialmente relevantes. Esta
definición no está relacionada con ningún juicio moral, no se refiere a que sea o no justa esta
desigualdad, solamente la identifica.
Las desigualdades siempre van a existir y no siempre son productos de problemas
sociopolíticos. Hay desigualdades que son naturales, propias de la existencia humana, como,
por ejemplo, no es lo mismo la salud de un muchacho de 20 años que la salud de un señor de
70 años, así como no es lo mismo en el caso de una persona que nace con alguna malformación
genética que genera problemas en la salud que la que no nace con tal condición. De esta forma,
se observa que desigualdad en la salud no es lo mismo que desigualdad de cuidados.
Al contrario del concepto de desigualdad en salud, el concepto de desigualdad de
cuidados, se refiere a un tipo de desigualdad en salud que es injusta, producida por fallas,
omisiones, negligencias de los sectores responsables. También son llamadas de inequidad,
también o de disparidad y se refiere a desigualdades que no son propias de la naturaleza, sino
que podrían haber sido prevenidas y evitadas, y el hecho que no hayan sido, es injusto.
Como ya fue explicado anteriormente, la salud mental está directamente relacionada con
distintos factores de la vida humana, tales como: Las condiciones socioeconómicas de la
familia, que posibiliten alimentación y nutrición adecuada, vivienda con condiciones básicas
de higiene, acceso a la educación y a servicios médicos de calidad. Factores que a su vez
influyen en el desarrollo de las facultades cognitivas, de los procesos mentales como el
pensamiento, atención, memoria, percepción, entre otros, en el desarrollo del sistema nervioso
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central, y del perfecto funcionamiento del cuerpo, auxilian en el proceso de aprendizaje, de
comprensión, retención y transmisión de los conocimientos; Las condiciones sociales, si hay
situaciones de violencias sea física, verbal o psicológica, abusos de distintas especies, bulling,
maltratos, etc., si hay una familia bien estructurada o disfuncional y si son suplidas las
necesidades materiales y emocionales del individuo, como es entorno en que vive, los hábitos
y cultura del medio donde el individuo desarrolla sus relaciones interpersonales; Las
condiciones culturales en las cuales históricamente determinados grupos están inseridos, si
sufren discriminación social, violencia, o no están contemplados dignamente en las políticas
sociales etc.
Estos son factores interactúan directamente en la formación de la subjetividad del
individuo, formando su personalidad, dificultando el buen funcionamiento de sus capacidades,
habilidades e inteligencia sea intelectual o emocional, y el desarrollo pleno de su salud mental,
muchas veces produciendo trastorno o enfermedades mentales. Para que se produzca adecuada
atención y cuidados en salud mental es necesario que todos estos factores socio-económicos y
culturales sean contemplados.
De esta forma se observa como determinados grupos sociales, por ejemplo, de clases
económicas más bajas, negros, mujeres, inmigrantes, pueblos originarios, LGBTQ+, están más
vulnerables a someterse a la mala calidad de los servicios públicos, de no tener sus derechos
reconocidos y están más propicios de ser victimas de los estigmas sociales que otras personas.
Es el pobre que se considera “el enfermo mental” mientras un individuo de otra clase social
solamente está pasando por “crisis de ansiedad”, la mujer que es “histérica” mientras el hombre
solo está “nervioso”, el inmigrante “loco” mientras un nativo sólo está actuando conforme su
cultura. El prejuicio en torno a esos grupos históricamente ha dificultado la gestión de políticas
de salud que los beneficie de forma igualitaria, la formación de profesionales y creación de
instituciones habilitadas para tratar sus temáticas específicas, dificultando que el acceso a los
cuidados de la salud sean aún más evidentes.
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Consecuencias de las desigualdades de cuidados en la Salud Mental en el escenario de la
Salud Mental post pandemia
Ya presentados los factores influyentes en el proceso salud/enfermedad en la salud
mental, pasamos ahora a analizar algunas de las consecuencias subyacentes de la ausencia o
falla de la inequidad en salud mental. Luego de la Pandemia, las crisis de pánico, de ansiedades,
depresiones, intentos de suicidio entre otras problemáticas aumentaron considerablemente, y
hasta hoy repercuten en los consultorios psiquiátricos y psicológicos. En ese escenario las
desigualdades de cuidados en salud mental se acentuaron aún más, y con ellas vinieron muchas
consecuencias, de las cuales se puede destacar las siguientes:
Los Trastornos y Enfermedades Mentales: La gran parte de los problemas
psicológicos y psiquiátricos encontrados en la práctica clínica podrían haber sido evitados. Son
problemas fruto de la negligencia sea familiar, sea profesional, sea institucional. Entre los más
diagnosticados en la actualidad están las depresiones, trastornos de ansiedad generalizado,
fobias obsesivas, entre otros, y muchos los casos de intentos de suicidio.
El Fenómeno de la medicalización: Aunque el problema de la psicomedicalización, es
decir, del uso de psicofármacos como “solución” problemas propios de la existencia humana y
que en los últimos años pasaron a ser considerados enfermedades, no sea exclusivamente
relacionado al tema de la desigualdad de cuidados en salud mental, sino que es un tema que
atraviesa todos los sectores de la sociedad y que ya desde mediados del siglo XX ven avanzando
la agenda de las industrias farmacéuticas, siendo enraizado en las culturas actuales, puede ser
considerado como parte del presente análisis una vez que se observa que la desigualdad de
cuidados lleva a que muchas persona y grupos por no tener acceso a mejores medios de
información, a buenos servicios de salud, o por el propio prejuicio social, son etiquetadas con
enfermedades que en la realidad ni existen, es decir, a los problemas naturales que estas
personas están enfrentando debido a sus condiciones y historia, se les etiquetan de
“enfermedad” que deben ser medicalizadas. Esta no deja de ser una forma de control social,
donde Estado y sociedad se esquivan de sus responsabilidades, para poner “la culpa” en una
supuesta enfermedad.
Desigualdad de cuidados y sus consecuencias en la salud mental
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e024017, 2024. e-ISSN: 2359-2419.
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v24iesp.2.18992 12
Conclusiones
El presente artículo trajo algunos análisis sobre las desigualdades en salud mental que
son producidas de forma injusta ya que podrían haber sido evitadas, o sea, las llamadas
inequidades. Esas inequidades no ocurren aisladamente, sino que son productos de un conjunto
de factores que interactúan a lo largo del tiempo en una determinada sociedad, por lo tanto de
difícil solución, por lo que vamos a apuntar en este artículo a lo que se refiere a la prevención.
Prevenir desigualdades en los cuidados de la salud, aunque no sea una tarea sencilla, es posible
desde una perspectiva interseccional, y no es solo un tema de responsabilidad del Estado, sino
de cada profesional de la salud que directa o indirectamente esté trabajando con los grupos
minoritarios. Los cambios no empiezan sino después de una profunda reflexión y análisis de
las problemáticas y con la concientización de la necesidad de un trabajo interdisciplinar.
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