Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 1
MULHERES: (RE) EXISTINDO ENTRE LUTAS E CONQUISTAS NO CAMPO E NA
CIDADE DAS AMAZÔNIAS
MUJERES: (RE)EXISTENTES ENTRE LUCHAS Y LOGROS EN EL CAMPO Y EN LA
CIUDAD DE LA AMAZONÍA
WOMEN: (RE)EXISTING BETWEEN STRUGGLES AND ACHIEVEMENTS IN THE
FIELD AND IN THE AMAZON CITY
Vanda PANTOJA1
e-mail: vanda.pantoja@ufma.br
Bianca Silva FERREIRA2
e-mail: bianca.silva@discente.ufma.br
Organizadoras
Como referenciar este artigo:
PANTOJA, V.; FERREIRA, B. S. Mulheres: (Re) existindo
entre lutas e conquistas no campo e na cidade das
Amazônias. Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23,
n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215
| Submetido em: 20/10/2023
| Aprovado em: 04/11/2023
| Publicado em: 23/12/2023
Editores:
Profa. Dra. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. Me. Mateus Tobias Vieira
Profa. Me. Thaís Caetano de Souza
1
Universidade Federal do Maranhão, São Luís MA Brasil. Docente associada III da Universidade Federal do
Maranhão. Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia PPGS/UFMA. Líder do grupo
de Pesquisa Território, Desenvolvimento, Gênero e Modernidade TdeGeM. Licenciada e Bacharela em
Geografia. Mestra em Antropologia e Doutora em Ciências Sociais. Atuo na área de ensino, pesquisa e extensão
desde 2006 com temas voltados para Religiosidades e nero em contexto amazônico. Sou mãe do João, do
Ernesto e da Júlia.
2
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís MA Brasil. Mestranda em Sociologia PPGS/UFMA;
Bacharela em Direito pela Universidade Federal do Maranhão; Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Território,
Desenvolvimento, Gênero e Modernidade - TDeGeM. Atua nos seguintes temas de pesquisa: estudos decoloniais,
feminismo negro, relações raciais e conhecimentos tradicionais.
Mulheres: (Re) existindo entre lutas e conquistas no campo e na cidade das Amazônias
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 2
Introdução
A divulgação recente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE (2022)
de dados sobre população brasileira comprovou aquilo que vinha como tendência desde o
último recenseamento demográfico no ano de 2000: as mulheres são a maioria da população
brasileira. O Brasil possui uma população total de 203.080.756 habitantes, desses, 104.548.325
são mulheres e 98.532.431 são homens
3
.
Quando tratamos os dados demográficos regionalmente, verificamos que a população
de mulheres está distribuída como maioria nas cinco macrorregiões brasileiras. No Norte,
espaço com menor densidade demográfica do país, de uma população de 17.355.778, as
mulheres são 8.692.198 e os homens 8.663.580. Essa região apresenta menor diferença absoluta
entre o número de homens e de mulheres quando comparada com outras partes do Brasil; até o
Censo de 2000, o Norte apresentava número um de homens superior ao de mulheres, se
igualando às demais regiões no censo de 2022.
No Nordeste, as mulheres são 28.240.280 e os homens 26.417.341 de uma total de
54.657.621 habitantes. O Sudeste permanece sendo a região mais densamente habitada do país,
dos 84.840.113 de habitantes, 43.980.290 são mulheres e 40.859.823 são homens. O Sul do
Brasil com 29.937.706 habitantes, 15.353.502 são mulheres e 14.584.204 homens. No Centro
Oeste dos 16.289.538 habitantes, 8.282.055 são mulheres e 8.007.483 homens.
Quando analisamos os dados demográficos por estado, observam-se várias variações,
com a predominância da presença majoritária de homens em alguns deles. Tomemos como
exemplo os estados da Amazônia Legal
4
, como Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Pará,
Tocantins, Mato Grosso e Maranhão:
3
Lembramos aqui que o critério utilizado pelo IBGE para levantar os dados é sexo e não gênero.
4
A Amazônia Legal corresponde à área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia
SUDAM delimitada em consonância ao Art. 2o da Lei Complementar n. 124, de 03.01.2007. A Amazônia Legal
foi instituída com o objetivo de definir a delimitação geográfica da região política de atuação da SUDAM como
finalidade promover o desenvolvimento includente e sustentável de sua área de atuação e a integração competitiva
da base produtiva regional na economia nacional e internacional. A região é composta por 772 municípios.
Apresenta uma área de 5.015.146,008 km2, correspondendo a de 58,93% do território brasileiro (IBGE, 2022).
Vanda PANTOJA e Bianca Silva FERREIRA
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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Tabela 1 População por sexo nos estados na Amazônia Legal (Censo IBGE 2022)
Mulheres
Homens
Total
414.686
415.332
830.018
1.975.803
1.965.810
3.941.613
369.243
364.516
733.759
3.446.843
3.328.962
6.775.805
1.817.408
1.841.241
3.658.649
4.068.751
4.052.274
8.121.025
316.315
320.392
636.707
793.209
787.987
1.581.196
754.191
757.269
1.511.460
Fonte: Censo demográfico 2022, organizado pelas autoras
Com pequenas variações, a discrepância entre o número de homens e mulheres é
modesta nos nove estados, com exceção do Maranhão, que apresenta uma população feminina
com uma diferença de mais de 117 mil em relação aos homens. Seguindo-se, os estados de Pará,
Amazonas e Rondônia também registram um predomínio numérico das mulheres.
Apesar de comporem a maioria da população brasileira, as mulheres são minoria nos
espaços de decisão política. Esse cenário é relevante em um modelo de governança no qual as
leis são elaboradas predominantemente sob uma perspectiva masculina, o que influencia as
políticas públicas, refletindo um viés de gestão predominantemente masculino. Essa situação
se torna ainda mais preocupante quando consideramos a diversidade de experiências que
envolvem o ser mulher.
Além da escassa representação das mulheres nos espaços de decisão política, as
desigualdades regionais existentes no país, resultantes do processo histórico de construção de
suas peculiaridades espaciais, se refletem na falta de acesso a serviços básicos, como saúde,
educação, segurança pública e mobilidade. Essas disparidades impactam a vida das mulheres
brasileiras de diversas maneiras. De maneira geral, as desigualdades de gênero não estão
separadas das desigualdades regionais; ao contrário, elas se entrelaçam e contribuem para essas
disparidades.
Os dados relativos à educação revelam que as mulheres, além de constituírem a maioria
da população, são também as que mais buscam acesso a esse serviço no Brasil. Elas representam
a maioria dos candidatos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e também
compõem a maior parte das matrículas nas instituições de ensino superior, de acordo com dados
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2023). Essa
tendência é corroborada pelos números relacionados à busca por educação superior na região
amazônica, onde as mulheres também são majoritárias.
Mulheres: (Re) existindo entre lutas e conquistas no campo e na cidade das Amazônias
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No Exame Nacional do Ensino Médio de 2023, dos 3,9 milhões de inscritos, 61,3% são
mulheres (aproximadamente 2,4 milhões). Essa predominância de inscrições femininas também
se verifica quando se analisam os estados pertencentes à região da Amazônia, como ocorreu no
Exame de 2016, quando nos nove estados que compõem essa região, a maioria dos inscritos foi
de mulheres. Em estados como Pará, Maranhão, Roraima e Rondônia, a proporção em 2016 foi
de aproximadamente 60% para mulheres e 40% para homens. A predominância de mulheres no
Exame Nacional do Ensino Médio contrasta com as condições de acesso proporcionadas pela
região amazônica aos seus potenciais candidatos ao ingresso no ensino superior. Além de
abrigar o menor número de Instituições de Ensino Superior (IES), as condições de acesso e
permanência são desafiadoras, especialmente para as mulheres.
Segundo os dados do Censo da Educação Superior referentes a 2022 (INEP, 2023), a
distribuição das instituições de ensino superior no Brasil, incluindo públicas e privadas, é
bastante desigual. O Norte, região que concentra a maior parte dos estados pertencentes à
Amazônia Legal, possuía naquele ano o menor número de IES
5
, em relação às outras regiões
do Brasil, totalizando apenas 201 instituições.
Além da escassez de IES nos estados amazônicos em comparação com outras regiões,
a maioria dessas instituições não é pública, o que se torna relevante considerando a renda per
capita nessa macrorregião, uma das mais baixas do Brasil em relação à média nacional
6
.
Os números do Inep indicam que das 2.595 Instituições de Ensino Superior (IES) ativas
no Brasil em 2022, 2.283 eram privadas e apenas 312 eram públicas. A localização dessas IES
nos estados também é bastante concentrada nos centros urbanos regionais, o que dificulta a
oportunidade de acesso para mulheres que residem distantes desses centros, tanto devido à
distância física quanto à ineficiência da rede de mobilidade, tanto urbana quanto intrarregional,
nas localidades da Amazônia.
Essa questão da ineficiência de acessibilidade devido à carência de uma estrutura de
transporte, tanto na cidade quanto entre as cidades, não afeta apenas as mulheres, mas
certamente as penaliza mais. Estruturalmente, elas estão mais ligadas aos espaços privados,
com poucas oportunidades de acessar espaços públicos, especialmente se são mães e/ou
5
De acordo com a pesquisa do INEP a distribuição de IES por região geográfica seria: Sudeste 1.098, Nordeste
611, Norte 201, Centro-Oeste 289, e Sul 395.
6
A Renda per capita da região Norte em 2022 era de $1.107,00, a segunda mais baixa, maior apenas que a da
região Nordeste que foi de $1.023,00. A média nacional era de $1.625,00. Disponível em
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/37023-ibge-
divulga-o-rendimento-domiciliar-per-capita-e-o-coeficiente-de-desequilibrio-regional-de-2022
Vanda PANTOJA e Bianca Silva FERREIRA
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esposas. Dessa forma, essas dificuldades regionais de acesso e mobilidade urbana acabam
afetando mais as mulheres do que os homens. Para elas, passar horas viajando até outro local
para estudar ou mesmo ter que ficar semanas ou meses fora de seu município de domicílio,
mesmo para estudar, é um custo muito elevado, privando-as de sua rede de apoio, necessária
para sua sobrevivência no dia a dia.
De acordo com o documento intitulado A Educação na Amazônia Legal: diagnósticos
e pontos críticos, produzido pelo coletivo Amazônia 2030 (https://amazonia2030.org.br/wp-
content/uploads/2021/12/AMZ2030-A-Educacao-na-Amazonia-Legal.pdf), os estados da
Amazônia Legal apresentam baixas taxas de escolarização no ensino superior, com índices de
19,1%, enquanto a média nacional é de 27%. Além disso, segundo o mesmo documento, os
estados da região apresentam uma grande desproporção em relação à faixa etária escolar
adequada, não apenas no ensino superior, mas em todos os níveis de educação. Isso significa
que na Amazônia, crianças, jovens e adultos não estão acessando as instituições de ensino no
momento adequado com mais frequência do que no resto do país.
A razão para esse desequilíbrio, conforme aponta o documento citado, está relacionada
à ausência ou insuficiência de políticas públicas capazes de contornar as dificuldades
específicas da região, como as “deficiências de mobilidade” e a falta de “engajamento” dos
estudantes (AMAZÔNIA 2030, 2021, p. 42). Sobre esse último ponto, é importante fazer uma
consideração: como mulheres amazônicas, não reconhecemos uma avaliação pertinente, pois o
“engajamento” não surge do nada. Como ser engajado em estudar se a maioria das crianças
amazônicas pertence a famílias que não tiveram oportunidades de frequentar a educação formal,
nem mesmo no nível básico? Seria interessante, antes de reproduzir estereótipos sobre os
habitantes da Amazônia, questionar a razão da falta de engajamento e do desinteresse pela
educação formal. Dessa forma, acreditamos que a falta de “engajamento” é mais uma
consequência, um efeito, e menos uma causa dos baixos índices de educação formal na região.
Na experiência prática das mulheres amazônicas, os dados estatísticos se revelam como
barreiras objetivas que dificultam seu cotidiano e sua mobilidade espacial e social. A
insuficiência de políticas públicas capazes de engajar as/os amazônidas na educação encontra
obstáculos práticos, como a ausência de creches onde possam deixar seus filhos menores para
frequentar a escola ou a universidade. São ausências que paralisam as mulheres e as tornam
mais suscetíveis à pobreza e à violência.
Os estados da Amazônia apresentam taxas de presença de creches de apenas 25,6% em
relação à média nacional, que é de 44,8%. A oferta de educação infantil também é deficitária
Mulheres: (Re) existindo entre lutas e conquistas no campo e na cidade das Amazônias
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em relação à média nacional, com taxas de 51% e 66,4%, respectivamente (AMAZÔNIA 2030,
2021). A ausência dessas políticas públicas coloca a população amazônica num ciclo de pobreza
e desigualdade difícil de ser rompido, especialmente para as mulheres, que, sobrecarregadas
com a economia do cuidado, não podem arrumar empregos remunerados ou estudar, não apenas
nas cidades, mas também nas zonas rurais.
Além das dificuldades decorrentes da estrutura desigual que proporciona oportunidades
distintas para homens e mulheres em contexto geral, as mulheres amazônicas enfrentam
violências específicas advindas das características particulares da região.
Nos territórios amazônicos, em decorrência da forma desigual e muitas vezes violenta
como esse espaço foi produzido, as mulheres estão sujeitas a violências decorrentes da
desigualdade de gênero, bem como da desigual forma de reprodução capitalista. Nos conflitos
por terra decorrentes da ocupação desses territórios por megaprojetos de desenvolvimento
capitalista, as mulheres, devido ao lugar subalternizado que ocupam na estrutura do modo de
reprodução social, são vítimas de violência que varia desde a invisibilização de seu trabalho a
o extermínio de suas existências.
Além do processo violento de desterritorialização enfrentado com suas famílias e
comunidades quando seus territórios são ocupados por projetos de desenvolvimento, as
mulheres enfrentam riscos de estupro, gravidez indesejada, perda de seus filhos, maridos e
outros entes queridos, insegurança alimentar e problemas de saúde mental. Além disso, por
serem mulheres, são alvos preferenciais da truculência dos representantes do capital (grandes
empresários), do estado (polícia) e de grupos organizados (milícias, jagunços, garimpeiros
ilegais) que disputam territórios e recursos naturais com as comunidades.
As mulheres lideram os processos de defesa dos territórios afetados pelo capital, muitas
vezes percebendo os desastres que afetam as comunidades antes mesmo dos homens. São
responsáveis pelo extrativismo, agricultura e abastecimento de água comunitário, bem como
pela educação inicial das crianças em contexto comunitário. Elas temem pela vida e integridade
de seus parceiros, pais e filhos, e enfrentam o capital que invade seus territórios. Narrativas
locais sugerem que os homens (representantes diretos ou indiretos de megaprojetos) não
toleram a resistência das mulheres, mesmo quando essa resistência é passiva, pois desafia o
modelo patriarcal dominante nessas regiões.
Além da falta de tolerância em relação à presença das mulheres em espaços públicos de
reivindicação de direitos, elas enfrentam desconfiança por parte de seus companheiros quando
decidem lutar em defesa de seus territórios. Em situações onde as mulheres o se silenciam,
Vanda PANTOJA e Bianca Silva FERREIRA
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desafiando assim os padrões de gênero preestabelecidos, correm o risco de se tornarem vítimas
de violência doméstica por parte de maridos, ex-maridos e pais, sendo rotuladas como
“desobedientes”, “desinteressadas pela família” ou até mesmo “vagabundas”. Nesse contexto,
a militância para essas mulheres muitas vezes representa não apenas um desafio para suas
interações públicas, mas também um ato de rebelião dentro de seus lares.
Essas formas de restrição e limitação se manifestam de maneira mais intensa para
mulheres pretas, indígenas, quilombolas, extrativistas, sindicalistas, aquelas sem instrução
formal e outras identidades marcadas pela diferença. Ana Beatriz Rosa (2016), ao abordar a
situação das mulheres indígenas, observa que as violências no campo contra elas são
exacerbadas quando as leis e práticas institucionais concebidas para combater a violência as
tratam como um ser “universal”. Isso ocorre porque o Estado não consegue abranger todas as
mulheres, e muitas delas não se sentem representadas pela política pública destinada a protegê-
las da violência.
Sobre a complexidade da dinâmica entre ser mulher e ser der em uma sociedade
estruturalmente patriarcal, e a dificuldade que os homens enfrentam para reconhecer e validar
a liderança feminina, Maria Querubina Silva Neta, que é quebradeira de coco e líder sindical
no Maranhão, relata em sua obra autobiográfica, Uma mulher praticamente livre, o esforço que
as mulheres precisam empreender para serem reconhecidas como líderes por seus pares.
Historicamente, os sindicatos, associações, universidades e outras entidades têm sido espaços
de poder predominantemente ocupados por homens. No contexto amazônico, caracterizado
pelo histórico processo de reprodução das relações patriarcais, somado às características típicas
dos espaços de fronteira, como ressaltado por José de Souza Martins (2016), as mulheres
frequentemente são relegadas a papéis secundários, mesmo quando desempenham papéis de
protagonismo, como evidenciado na biografia de Silva Neta (2018).
A agência feminina, que sempre existiu, embora muitas vezes invisibilizada, ganha
destaque quando os conflitos socioterritoriais se concentram nas comunidades, onde as ações
das mulheres têm centralidade devido à sua proeminência na economia do cuidado. Pesquisas
realizadas em contextos amazônicos, mas não exclusivamente, têm destacado o papel central
das mulheres na luta pela defesa de seus territórios, tanto no campo quanto na cidade. Essas
análises têm abordado o território a partir do corpo feminino, entendendo-o como um território-
corpo, espaço de conflito, mas também de abrigo, e têm evidenciado as mulheres não apenas
como participantes nos processos de luta, mas como protagonistas.
Mulheres: (Re) existindo entre lutas e conquistas no campo e na cidade das Amazônias
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Estudos, como os conduzidos por Erica Santos e Vanda Pantoja (2023), analisam a
situação de mulheres líderes que enfrentam criminalização e processos judiciais movidos pela
empresa Vale S.A. por defenderem seus direitos em territórios afetados pela mineração nos
estados do Pará e Maranhão. Nessas regiões, uma presença tênue do Estado de bem-estar
social, mas uma forte influência do Estado como ordenador, contribuindo para a organização
do território sob a perspectiva do capital em vez do cidadão. As empresas, por sua vez, adotam
várias estratégias para reprimir as lideranças que, organizadas, denunciam as violações de seus
direitos. Além de intimidações, ameaças e cercamentos que restringem a liberdade de
movimento, contaminam corpos hídricos locais e aumentam a insegurança alimentar, a
criminalização das lideranças por meio de processos judiciais viola o direito das mulheres de
defenderem seus territórios. Essas práticas, além de funcionarem como instrumentos de terror
na comunidade, servem como meios pedagógicos, transmitindo a mensagem de que as pessoas
não devem interferir nas práticas capitalistas nos territórios de mineração, sob o risco de
enfrentarem consequências severas.
Os relatórios da Comissão Pastoral da Terra-CPT sobre violência e conflitos no campo
brasileiro, publicados desde 1985, têm denunciado as violências contra trabalhadoras e
trabalhadores rurais. Nos últimos anos, os dados desses relatórios têm destacado a violência
específica contra mulheres no campo, algo que não era comum nas primeiras publicações. Uma
análise dos relatórios da Comissão Pastoral da Terra entre os anos de 2007 e 2022, utilizando a
palavra-chave mulher, revela que o termo esteve presente nas publicações com certa
regularidade, apresentando variações ao longo dos anos. A menor incidência foi registrada em
2015, com treze (13) referências ao termo, enquanto a maior ocorreu em 2018, com noventa e
três (93) menções. Entretanto, na série mencionada, somente nos anos de 2018, 2019, 2020 e
2021 é que a publicação abordou especificamente a violência no campo, tratando da situação
das mulheres. Nas demais publicações, elas eram mencionadas como vítimas da violência no
campo de forma geral, com destaque apenas em casos de assassinato.
Um levantamento realizado por Raquel Baster (2018), com base nos dados dos relatórios
da CPT de 2009 a 2018, indica que 1.409 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência
no campo
7
nesse período. Baster argumenta que o silenciamento e a invisibilidade das mulheres
nos conflitos rurais estão relacionados à construção de um modelo desigual de
7
A autora chama a atenção para o fato de o número de mulheres vítimas de violência ser maior, pois na
metodologia da Comissão Pastoral da Terra, é computado o número de famílias envolvidas em conflitos e não de
indivíduos (BASTER, 2018, p. 83).
Vanda PANTOJA e Bianca Silva FERREIRA
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“desenvolvimento” que prioriza o extrativismo com fins lucrativos em detrimento do
extrativismo de subsistência e da perspectiva do bem viver, atividades realizadas em grande
parte no campo por mulheres.
Considerações finais
Pretendemos, por meio deste recorte sobre a questão educacional e a violência
decorrente de conflitos territoriais, refletir sobre a situação da mulher nas Amazônias como um
desafio para o Estado e para a sociedade como um todo. Sua superação requer a construção de
políticas públicas com ênfase nas desigualdades históricas entre as regiões, as quais, se não
forem reconhecidas, tendem a se perpetuar. Tais políticas, além de considerar as disparidades
regionais, devem também incorporar uma abordagem de gênero. Entendemos que uma maior
equidade entre os gêneros na Amazônia depende de uma maior equidade tanto entre as regiões
quanto dentro delas.
Ao reconhecer a diversidade regional dentro da Amazônia, referimo-nos a ela no plural:
Amazônias dos rios, das florestas, do cerrado, da seca; dos santos, das visagens, da pajelança e
dos encantados; Amazônias dos indígenas, da população negra, dos caboclos e dos migrantes
que para vieram. Essa diversidade ecológica e cultural se reflete nas experiências diversas
de ser mulher e de ser homem.
Este dossiê, Epistemologia Feminina: As mulheres e suas lutas no campo e na cidade
das Amazônias teve como objetivo dar visibilidade às experiências das mulheres que habitam
os territórios amazônicos e que moldam neles formas distintas de vida. São mulheres que não
se encaixam nos estereótipos genéricos de “ser mulher” e, portanto, em sua maioria, não se
autodenominam feministas, líderes, sindicalistas, intelectuais, acadêmicas, ativistas ou em
outras categorias similares.
Nesse sentido, a literatura sociológica clássica não as visibiliza, uma vez que suas ações
não seguem os padrões tradicionais de liderança internalizados academicamente. Portanto,
entender as Amazônias e as experiências de suas habitantes requer a realização de pesquisas
empíricas e, ainda mais importante, a ampliação dos canais que permitam que as pessoas das
Amazônias expressem suas experiências e que essas sejam reconhecidas como conhecimento
válido. Essa perspectiva passa pela necessária democratização do acesso e da permanência dos
amazônidas nos espaços de poder, especialmente na educação em todos os níveis.
Mulheres: (Re) existindo entre lutas e conquistas no campo e na cidade das Amazônias
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Com o objetivo de dar visibilidade às experiências aqui relatadas, expressamos nossa
gratidão à Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais, que se empenhou muito para tornar
esta publicação possível. Agradecemos a toda a equipe de editores, representada por Lucas
Flôres Vasques, com quem interagimos durante a maior parte do processo de organização deste
dossiê. Expressamos nossa gratidão às autoras e aos autores dos artigos incluídos aqui: Ana
Claudia Fernandes, Betânia Barroso, Liliam Rolim Figueiredo, Maria Mary Ferreira, Marcos
Moreira Lira, Myrian Pereira Vasques e Thelma Mendes Pontes. Concluímos apresentando um
resumo de cada discussão que se segue nos artigos.
A pesquisadora Maria Mary Ferreira apresenta, em seu artigo Gênero, representação
política e os processos de interdição das mulheres no Brasil, uma análise sobre os limites da
democracia quando países não incentivam ou impedem que mulheres disputem ou sejam eleitas
para cargos políticos. Problematizando o acesso das mulheres ao espaço de poder da política
partidária no Brasil e em outros países, a autora discute a relação entre democracia, gênero e
patriarcado, argumentando que a paridade de gênero na política é uma condição fundamental
para a democracia. Ela apresenta dados estatísticos sobre a sub-representação de mulheres na
política brasileira, atribuindo tal prática ao patriarcado e argumentando que os países que
conseguiram aumentar o número de mulheres no parlamento têm mais chances de fortalecer
suas democracias.
A relação entre educação superior, maternidade indígena e políticas públicas de acesso
e permanência na universidade é problematizada no artigo Ser mulher indígena e mãe na
universidade: Desafios e perspectivas de uma estudante de Agronomia, das pesquisadoras
Myrian Pereira Vasques, Thelma Mendes Pontes e Ana Claudia Fernandes. A primeira autora
é uma mulher indígena Tikuna, universitária e mãe, e com base em sua experiência, analisa a
situação das mulheres indígenas e as dificuldades que enfrentam para acessar e concluir suas
formações. As autoras defendem uma universidade verdadeiramente inclusiva, criativa, que
valorize os afetos, redistribua o poder e seja reparadora e transformadora. O texto convida à
reflexão sobre as experiências das mulheres indígenas em espaços fora da aldeia e destaca a
necessidade de debater, promover e contextualizar as políticas públicas de acesso e
permanência no ensino superior.
Com o propósito de visibilizar e valorizar os conhecimentos das mulheres extrativistas
na região amazônica, as pesquisadoras Lilian Rolim Figueiredo, Betânia Barroso e o
pesquisador Marcos Moreira Lira apresentam o artigo Mulheres quebradeiras de babaçu: Um
processo de construção acerca do termo comunidades tradicionais, identidades coletivas e
Vanda PANTOJA e Bianca Silva FERREIRA
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 11
saberes. Neste trabalho, discutem o papel das quebradeiras de coco da reserva extrativista
Ciríaco, no município de Cidelândia/MA, dentro do contexto das comunidades tradicionais,
identificando seus conhecimentos como elementos fundamentais na construção da identidade
de ser quebradeira de coco. Essa conquista foi resultado da organização das mulheres,
culminando na formação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu
(MIQCB).
Desejamos uma ótima leitura a todas e a todos!
REFERÊNCIAS
AMAZÔNIA2030. A Educação na Amazônia Legal: diagnósticos e pontos críticos, 2021.
Disponível em: https://amazonia2030.org.br/wp-content/uploads/2021/12/AMZ2030-A-
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Documentação Dom Tomás Balduíno. Goiânia CPT Nacional, 2018. Disponível em:
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mulheres-indigenas-e-tao-dificil-de-ser-combatida-no-brasil. Acessado em: 05 jul. 2023.
Mulheres: (Re) existindo entre lutas e conquistas no campo e na cidade das Amazônias
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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um estudo sobre lideranças femininas e criminalização na estrada de ferro Carajás/MA. Novos
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https://periodicos.ufpa.br/index.php/ncn/article/view/11917. Acessado em: 05 jul. 2023.
SILVA NETA, M. Q. Sou uma mulher praticamente livre. Rio de Janeiro: Casa 8, 2018.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: As autoras agradecem à Universidade Federal do Maranhão, à Agência
de Inovação, Empreendedorismo, Pesquisa, Pós-graduação e
Internacionalização/AGEUFMA e à Fundação de Amparo à Pesquisa e ao
Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão/FAPEMA.
Financiamento: Somos gratas pela concessão de bolsa de mestrado para uma das autoras
pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do
Maranhão/FAPEMA.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: A pesquisa se alicerça em levantamento de dados estatísticos e
bibliográficos.
Disponibilidade de dados e material: Os dados utilizados na pesquisa estão todos
disponíveis por meio de links nas referências do trabalho.
Contribuições dos autores: As autoras são responsáveis por todas as fases do trabalho
desde o levantamento dos dados à escrita.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 1
WOMEN: (RE)EXISTING BETWEEN STRUGGLES AND ACHIEVEMENTS IN
THE FIELD AND IN THE AMAZON CITY
MULHERES: (RE) EXISTINDO ENTRE LUTAS E CONQUISTAS NO CAMPO E NA
CIDADE DAS AMAZÔNIAS
MUJERES: (RE)EXISTENTES ENTRE LUCHAS Y LOGROS EN EL CAMPO Y EN LA
CIUDAD DE LA AMAZONÍA
Vanda PANTOJA1
e-mail: vanda.pantoja@ufma.br
Bianca Silva FERREIRA2
e-mail: bianca.silva@discente.ufma.br
Organizers
How to reference this paper:
PANTOJA, V.; FERREIRA, B. S. Women: (Re)existing
between struggles and achievements in the field and in the
Amazon city. Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23,
n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419. DOI:
https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215
| Submitted: 20/10/2023
| Approved: 04/11/2023
| Published: 23/12/2023
Editors:
Prof. PhD. Maria Teresa Miceli Kerbauy
Prof. Me. Mateus Tobias Vieira
Prof. Me. Thaís Caetano de Souza
1
Federal University of Maranhão (UFMA), São Luís MA Brazil. Associate Professor III at the Federal
University of Maranhão. Permanent Professor of the Graduate Program in Sociology PPGS/UFMA. Bachelor's
and Bachelor's degree in Geography. Master's in Anthropology and Doctoral degree in Social Sciences. I have
been working in teaching, research, and extension since 2006, focusing on Religiosity and Gender in the
Amazonian context. I am the mother of João, Ernesto, and Júlia.
2
Federal University of Maranhão (UFMA), São Luís MA Brazil. Master's student in Sociology PPGS/UFMA.
Bachelor of Law from the Federal University of Maranhão. Researcher at the Research Group on Territory,
Development, Gender, and Modernity - TDeGeM. I work on the following research themes: decolonial studies,
Black feminism, race relations, and traditional knowledge.
Women: (Re)existing between struggles and achievements in the field and in the Amazon city
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 2
Introduction
The recent release by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) (2022)
of data on the Brazilian population confirmed what had been trending since the last
demographic census in 2000: women are the majority of the Brazilian population. Brazil has a
total population of 203,080,756 inhabitants, of which 104,548,325 are women and 98,532,431
are men
3
.
When examining demographic data regionally, we find that the female population is
distributed as the majority in the five Brazilian macroregions. In the North, the region with the
lowest population density in the country, out of a population of 17,355,778, women numbered
8,692,198, and men numbered 8,663,580. This region shows the smallest absolute difference
between the number of men and women when compared to other parts of Brazil; until the 2000
Census, the North had a higher number of men than women, equaling the different regions in
the 2022 census.
In the Northeast, women number 28,240,280 and men 26,417,341 out of a total of
54,657,621 inhabitants. The Southeast remains the most densely populated region in the
country, with 43,980,290 women and 40,859,823 men out of 84,840,113 inhabitants. In the
South of Brazil, out of 29,937,706 inhabitants, 15,353,502 are women and 14,584,204 are men.
In the Midwest, out of 16,289,538 inhabitants, 8,282,055 are women, and 8,007,483 are men.
When analyzing demographic data by state, various variations are observed, with the
majority of the population in some of them predominantly male. Let's take, for example, the
states of the Legal Amazon
4
, such as Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Pará, Tocantins,
Mato Grosso, and Maranhão:
3
We would like to remind you here that the criterion used by IBGE to gather data is sex and not gender.
4
The Legal Amazon corresponds to the area of operation of the Superintendence of the Development of the
Amazon (SUDAM) delimited in accordance with Article 2 of Complementary Law No. 124, of January 3, 2007.
The Legal Amazon was instituted with the objective of defining the geographical delimitation of the political
region of SUDAM's operation, aiming to promote inclusive and sustainable development within its area of
operation and the competitive integration of the regional productive base into the national and international
economy. The region comprises 772 municipalities. It has an area of 5,015,146.008 km2, corresponding to 58.93%
of Brazilian territory (IBGE, 2022).
Vanda PANTOJA and Bianca Silva FERREIRA
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Table 1 - Population by sex in states in the Legal Amazon (IBGE Census 2022)
Women
Men
Total
414.686
415.332
830.018
1.975.803
1.965.810
3.941.613
369.243
364.516
733.759
3.446.843
3.328.962
6.775.805
1.817.408
1.841.241
3.658.649
4.068.751
4.052.274
8.121.025
316.315
320.392
636.707
793.209
787.987
1.581.196
754.191
757.269
1.511.460
Source: 2022 Demographic Census, organized by the authors
With minor variations, the discrepancy between the number of men and women is
modest in the nine states, except for Maranhão, which has a female population with a difference
of over 117 thousand compared to men. Following, the states of Pará, Amazonas, and Rondônia
also register a numerical predominance of women.
Despite composing the majority of the Brazilian population, women are a minority in
political decision-making spaces. This scenario is relevant in a governance model where laws
are predominantly crafted from a male perspective, influencing public policies and reflecting a
predominantly male management bias. This situation becomes even more concerning when
considering the diversity of experiences involving being a woman.
In addition to the scarce representation of women in political decision-making spaces,
the existing regional inequalities in the country, resulting from the historical process of
constructing its spatial peculiarities, are reflected in the lack of access to essential services such
as healthcare, education, public safety, and mobility. These disparities impact the lives of
Brazilian women in various ways. Generally, gender inequalities are not separate from regional
inequalities; on the contrary, they intertwine and contribute to these disparities.
The data regarding education reveal that women, in addition to constituting the majority
of the population, are also the ones who seek access to this service the most in Brazil. They
represent the majority of candidates registered for the High School National Exam (ENEM)
and also make up the majority of enrollments in higher education institutions, according to data
from the National Institute of Educational Studies and Research (INEP, 2023). This trend is
corroborated by the numbers related to pursuing higher education in the Amazon region, where
women are also in the majority.
Women: (Re)existing between struggles and achievements in the field and in the Amazon city
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
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In the 2023 National High School Examination, out of 3.9 million registered candidates,
61.3% are women (approximately 2.4 million). This predominance of female registrations is
also evident when analyzing the states belonging to the Amazon region, as was the case in the
2016 Exam, when in the nine states that compose this region, the majority of registrants were
women. In states like Pará, Maranhão, Roraima, and Rondônia, the proportion in 2016 was
approximately 60% for women and 40% for men. The predominance of women in the National
High School Examination contrasts with the access conditions provided by the Amazon region
to its potential candidates for higher education. In addition to hosting the fewest Higher
Education Institutions (HEIs), access and retention conditions are challenging, especially for
women.
According to data from the Higher Education Census for 2022 (INEP, 2023), the
distribution of higher education institutions in Brazil, including public and private ones, is quite
unequal. The North, a region that concentrates most of the states belonging to Legal Amazon,
had the lowest number of HEIs
5
that year, compared to other regions of Brazil, totaling only
201 institutions.
In addition to the scarcity of HEIs in the Amazonian states compared to other regions,
most of these institutions are not public, which becomes relevant considering the per capita
income in this macro-region, which is one of the lowest in Brazil in relation to the national
average
6
.
INEP's numbers indicate that out of the 2,595 Higher Education Institutions (HEIs)
active in Brazil in 2022, 2,283 were private, and only 312 were public. The location of these
HEIs in the states is also highly concentrated in regional urban centers, which hinders the
opportunity for access for women who reside far from these centers, both due to physical
distance and the inefficiency of the mobility network, both urban and intra-regional, in
Amazonian localities.
This issue of accessibility inefficiency due to the lack of a transportation structure, both
within the city and between cities, affects women and penalizes them more. Structurally, they
are more tied to private spaces, with few opportunities to access public spaces, especially if
5
According to the INEP research, the distribution of Higher Education Institutions (HEIs) by geographic region
is as follows: Southeast 1,098, Northeast 611, North 201, Midwest 289, and South 395.
6
The per capita income of the North region in 2022 was $1,107.00, the second lowest, only higher than that of the
Northeast region, which was $1,023.00. The national average was $1,625.00. Available at:
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/37023-ibge-
divulga-o-rendimento-domiciliar-per-capita-e-o-coeficiente-de-desequilibrio-regional-de-2022
Vanda PANTOJA and Bianca Silva FERREIRA
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they are mothers and/or wives. Thus, these regional difficulties in access and urban mobility
end up affecting women more than men. For them, spending hours traveling to another location
to study or even having to stay weeks or months away from their municipality of residence,
even for studying, is very expensive, depriving them of the support network necessary for their
daily survival.
According to the document titled A Educação na Amazônia Legal: diagnósticos e
pontos críticos, produced by the Amazon 2030 collective (https://amazonia2030.org.br/wp-
content/uploads/2021/12/AMZ2030-A-Educacao-na-Amazonia-Legal.pdf), the states of Legal
Amazon present low enrollment rates in higher education, with rates of 19.1%, while the
national average is 27%. Additionally, according to the same document, the states in the region
show a significant disproportion in relation to the appropriate school age group, not only in
higher education but at all levels of education. This means that in the Amazon, children, young
people, and adults are not accessing educational institutions at the appropriate time more often
than in the rest of the country.
The reason for this imbalance, as indicated by the cited document, is related to the
absence or insufficiency of public policies capable of addressing the specific difficulties of the
region, such as "mobility deficiencies" and the lack of "engagement" of students (AMAZÔNIA
2030, 2021, p. 42, our translation). Regarding this latter point, it is essential to consider that as
Amazonian women, we do not recognize a pertinent evaluation, as "engagement" does not arise
out of nowhere. How can one be engaged in studying if the majority of Amazonian children
come from families that have not had opportunities to attend formal education, not even at the
basic level? It would be interesting, before reproducing stereotypes about the inhabitants of the
Amazon, to question the reason for the lack of engagement and disinterest in formal education.
Thus, we believe that the lack of "engagement" is more of a consequence, an effect, and less of
a cause of the low rates of formal education in the region.
In the practical experience of Amazonian women, statistical data reveal themselves as
objective barriers that hinder their daily lives and spatial and social mobility. The insufficiency
of public policies capable of engaging Amazonians in education encounters practical obstacles,
such as the lack of daycare centers where they can leave their young children to attend school
or university. These absences paralyze women and make them more susceptible to poverty and
violence.
The states of the Amazon present daycare attendance rates of only 25.6% compared to
the national average of 44.8%. The availability of early childhood education is also deficient
Women: (Re)existing between struggles and achievements in the field and in the Amazon city
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compared to the national average, with rates of 51% and 66.4%, respectively (AMAZON 2030,
2021). The absence of these public policies puts the Amazonian population in a cycle of poverty
and inequality that is difficult to break, especially for women, who, burdened with the care
economy, cannot secure paid employment or study, not only in cities but also in rural areas.
In addition to the difficulties arising from the unequal structure that provides different
opportunities for men and women in general contexts, Amazonian women face specific
violence stemming from the particular characteristics of the region.
In the Amazon territories, as a result of the unequal and often violent way in which this
space was produced, women are subjected to violence arising from gender inequality, as well
as from the unequal form of capitalist reproduction. In conflicts over land resulting from the
occupation of these territories by capitalist development megaprojects, women, due to the
subaltern position they occupy in the structure of the mode of social reproduction, are victims
of violence ranging from the invisibility of their work to the extermination of their existence.
In addition to the violent process of deterritorialization faced by their families and
communities when development projects occupy their territories, women face risks of rape,
unwanted pregnancy, loss of their children, husbands, and other loved ones, food insecurity,
and mental health problems. Furthermore, as women, they are preferential targets of the
brutality of capital representatives (big businessmen), the state (police), and organized groups
(militias, gunmen, illegal miners) who compete for territories and natural resources with
communities.
Women lead the processes of defending territories affected by capital, often perceiving
disasters affecting communities even before men. They are responsible for extractivism,
agriculture, and community water supply, as well as for children's early education in a
community context. They fear for the lives and integrity of their partners, parents, and children,
and confront the capital that invades their territories. Local narratives suggest that men (direct
or indirect representatives of megaprojects) do not tolerate women's resistance, even when this
resistance is passive, as it challenges the dominant patriarchal model in these regions.
In addition to the lack of tolerance regarding the presence of women in public spaces
claiming rights, they face mistrust from their partners when they decide to fight to defend their
territories. In situations where women do not remain silent, thus challenging pre-established
gender patterns, they risk becoming victims of domestic violence by husbands, ex-husbands,
and fathers, being labeled as "disobedient," "uninterested in the family," or even "lazy." In this
Vanda PANTOJA and Bianca Silva FERREIRA
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context, activism for these women often represents not only a challenge to their public
interactions but also an act of rebellion within their homes.
These forms of restriction and limitation are most intensely manifested for Black,
Indigenous, quilombola, extractivist, unionist, uneducated women, and other identities marked
by difference. Ana Beatriz Rosa (2016), addressing the situation of Indigenous women, notes
that violence in rural areas is exacerbated when laws and institutional practices designed to
combat violence treat them as a "universal" being. This occurs because the State cannot
encompass all women, and many of them do not feel represented by public policy aimed at
protecting them from violence.
Regarding the complexity of the dynamics between being a woman and being a leader
in a structurally patriarchal society, and the difficulty men face in recognizing and validating
female leadership, Maria Querubina Silva Neta, who is a coconut breaker and union leader in
Maranhão, recounts in her autobiographical work, Uma mulher praticamente livre, the effort
women need to undertake to be recognized as leaders by their peers. Historically, unions,
associations, universities, and other entities have been spaces of power predominantly occupied
by men. In the Amazonian context, characterized by the historical process of reproducing
patriarchal relations, combined with the typical characteristics of frontier spaces, as emphasized
by José de Souza Martins (2016), women are often relegated to secondary roles, even when
they play leading roles, as evidenced in Silva Neta's biography (2018).
Female agency, which has always existed, although often invisible, gains prominence
when socio-territorial conflicts focus on communities, where women's actions are central due
to their prominence in the care economy. Research conducted in Amazonian contexts, but not
exclusively, has highlighted the central role of women in the struggle to defend their territories,
both in rural and urban areas. These analyses have approached the territory from the female
body, understanding it as a body-territory, a space of conflict but also of shelter, and have shown
women not only as participants in the struggle processes but as protagonists.
Studies, such as those conducted by Erica Santos and Vanda Pantoja (2023), analyze the
situation of women leaders facing criminalization and legal proceedings initiated by the
company Vale S.A. for defending their rights in territories affected by mining in the states of
Pará and Maranhão. In these regions, there is a faint presence of the welfare state, but a strong
influence of the State as an orderer, contributing to the organization of territory from the
perspective of capital rather than the citizen. Companies, in turn, adopt various strategies to
suppress leaders who, organized, denounce violations of their rights.
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In addition to intimidations, threats, and enclosures that restrict freedom of movement,
contaminate local water bodies, and increase food insecurity, the criminalization of leadership
through legal proceedings violates women's right to defend their territories. These practices,
besides functioning as terror instruments in the community, serve as pedagogical means,
transmitting the message that people should not interfere with capitalist practices in mining
territories, under the risk of facing severe consequences.
The reports of the Pastoral Land Commission-CPT on violence and conflicts in the
Brazilian countryside, published since 1985, have denounced violence against rural workers. In
recent years, the data from these reports have highlighted specific violence against women in
rural areas, something that was not common in the early publications. An analysis of the
Pastoral Land Commission reports between 2007 and 2022, using the keyword "woman,"
reveals that the term was present in the publications with some regularity, showing variations
over the years. The lowest incidence was recorded in 2015, with thirteen (13) references to the
term, while the highest occurred in 2018, with ninety-three (93) mentions. However, in the
mentioned series, only in the years 2018, 2019, 2020, and 2021 did the publication specifically
address violence in rural areas, addressing the situation of women. In the other publications,
they were mentioned as victims of violence in rural areas in general, with emphasis only on
cases of murder.
A survey conducted by Raquel Baster (2018), based on data from CPT reports from
2009 to 2018, indicates that 1,409 women were victims of some form of violence in rural areas
7
during this period. Baster argues that the silencing and invisibility of women in rural conflicts
are related to the construction of an unequal model of "development" that prioritizes extractivist
for profit over subsistence extractivist and the perspective of living well, activities largely
carried out in rural areas by women.
7
The author draws attention to the fact that the number of women victims of violence is higher because, in the
methodology of the Pastoral Land Commission, the number of families involved in conflicts is computed rather
than individuals (BASTER, 2018, p. 83).
Vanda PANTOJA and Bianca Silva FERREIRA
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Final considerations
Through this focus on the educational issue and the violence stemming from territorial
conflicts, we intend to reflect on the situation of women in the Amazon as a challenge for the
State and society as a whole. Overcoming it requires the development of public policies
emphasizing the historical inequalities between regions, which, if not acknowledged, tend to
perpetuate. Such policies, in addition to considering regional disparities, should also
incorporate a gender approach. We understand that greater gender equity in the Amazon
depends on greater equity both between regions and within them.
By recognizing the regional diversity within the Amazon, we refer to it in the plural:
Amazons of the rivers, forests, savannah, and drought; of saints, apparitions, shamanism, and
the enchanted; Amazons of indigenous peoples, black populations, caboclos, and migrants who
have come here. This ecological and cultural diversity is reflected in the diverse experiences of
being a woman and being a man.
This dossier, Epistemologia Feminina: As mulheres e suas lutas no campo e na cidade
das Amazônias aimed to shed light on the experiences of women who inhabit Amazonian
territories and shape distinct forms of life within them. These are women who do not fit into
generic stereotypes of "being a woman" and, therefore, mostly do not identify themselves as
feminists, leaders, unionists, intellectuals, academics, activists, or in other similar categories.
In this sense, classic sociological literature does not make them visible, since their
actions do not follow traditionally internalized patterns of leadership. Therefore, understanding
the Amazons and the experiences of their inhabitants requires conducting empirical research
and, more importantly, expanding channels that allow Amazonian people to express their
experiences and for these to be recognized as valid knowledge. This perspective entails the
necessary democratization of access and presence of Amazonians in positions of power,
especially in education at all levels.
With the aim of bringing visibility to the experiences reported here, we express our
gratitude to Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais, who worked diligently to make
this publication possible. We thank the entire team of editors, represented by Lucas Flôres
Vasques, with whom we interacted during most of the process of organizing this dossier. We
express our gratitude to the authors of the articles included here: Ana Claudia Fernandes,
Betânia Barroso, Liliam Rolim Figueiredo, Maria Mary Ferreira, Marcos Moreira Lira, Myrian
Women: (Re)existing between struggles and achievements in the field and in the Amazon city
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 10
Pereira Vasques, and Thelma Mendes Pontes. We conclude by providing a summary of each
discussion that follows in the articles.
Researcher Maria Mary Ferreira presents, in her article Gender, political representation
and processes for prohibition of women in Brazil, an analysis of the limits of democracy when
countries do not encourage or prevent women from running for or being elected to political
office. Problematizing women's access to the power space of party politics in Brazil and other
countries, the author discusses the relationship between democracy, gender, and patriarchy,
arguing that gender parity in politics is a fundamental condition for democracy. She presents
statistical data on the underrepresentation of women in Brazilian politics, attributing such
practice to patriarchy and arguing that countries that have managed to increase the number of
women in parliament are more likely to strengthen their democracies.
The relationship between higher education, indigenous motherhood, and public policies
for access and retention in university is problematized in the article Being an indigenous woman
and mother at university: Challenges and perspectives of an agronomy student, by researchers
Myrian Pereira Vasques, Thelma Mendes Pontes, and Ana Claudia Fernandes. The first author
is a Tikuna indigenous woman, a university student, and a mother, and based on her experience,
she analyzes the situation of indigenous women and the difficulties they face in accessing and
completing their education. The authors advocate for a truly inclusive, creative university that
values emotions, redistributes power, and is reparative and transformative. The text invites
reflection on the experiences of indigenous women in spaces outside the village and highlights
the need to discuss, promote, and contextualize public policies for access and retention in higher
education.
With the purpose of bringing visibility to and valorizing the knowledge of women
extractives in the Amazon region, researchers Lilian Rolim Figueiredo, Betânia Barroso, and
Marcos Moreira Lira present the article Women breakers of babaçu: A process of construction
of the term traditional communities, collective identities and knowledge. In this work, they
discuss the role of the babaçu breakers from the Ciríaco extractive reserve, in the municipality
of Cidelândia/MA, within the context of traditional communities, identifying their knowledge
as fundamental elements in the construction of the identity of being a babaçu breaker. This
achievement was the result of women's organization, culminating in the formation of the
Interstate Movement of Babaçu Breakers (MIQCB).
We wish everyone a great reading experience!
Vanda PANTOJA and Bianca Silva FERREIRA
Rev. Cadernos de Campo, Araraquara, v. 23, n. esp. 2, e023014, 2023. e-ISSN: 2359-2419
DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 11
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DOI: https://doi.org/10.47284/cdc.v23iesp.2.19215 12
CRediT Author Statement
Acknowledgements: The authors would like to thank the Federal University of Maranhão,
the Agency for Innovation, Entrepreneurship, Research, Postgraduate Studies, and
Internationalization (AGEUFMA), and the Foundation for the Support of Research and
Scientific and Technological Development of Maranhão (FAPEMA).
Funding: We are grateful for the scholarship awarded to one of the authors by the
Foundation for the Support of Research and Scientific and Technological Development of
Maranhão (FAPEMA).
Conflicts of interest: There were no conflicts of interest.
Ethical approval: The research is based on collecting statistical and bibliographic data.
Data and material availability: The data used in the research are all available through
links in the references of the paper.
Author’s contributions: The authors are responsible for all stages of the work, from data
collection to writing.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.