Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais
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<p><span style="font-weight: 400;">A <em>Cadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais</em> é uma publicação semestral editada pelos discentes e docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr) da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). O periódico tem por finalidade a divulgação de pesquisas e de trabalhos científicos produzidos por pós-graduandos e docentes do campo das ciências sociais. Prioriza-se o caráter acadêmico dos trabalhos e dos diálogos travados com as subáreas da antropologia, da ciência política e da sociologia, incluindo áreas afins, tais como história, geografia, pedagogia, economia, relações internacionais e filosofia, a fim de abranger um variado leque de áreas nas humanidades. A estruturação da revista admite tanto a publicação de dossiês temáticos quanto de artigos livres e de colaborações especiais. </span></p>Faculdade de Ciências e Letras - Unesp - Araraquara.pt-BRCadernos de Campo: Revista de Ciências Sociais1415-0689<div><span>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</span></div><div> </div><div>Artigos são licenciados sob a <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" target="_blank">Licença Creative Commons Attribution</a> (CC-BY).</div><div> </div><div><span>Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original. É a licença mais flexível de todas as licenças disponíveis. É recomendada para maximizar a disseminação e uso dos materiais licenciados.</span></div><div> </div>“Eu me coloco como ambientalista antirracista”
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<p>A entrevista com Ana Sanches destaca a interseção entre ativismo negro, racismo ambiental e justiça climática no Brasil. Ela enfatiza que o racismo ambiental é uma expressão do racismo estrutural, manifestando-se na desproporcionalidade dos impactos ambientais e climáticos sobre populações negras, indígenas e periféricas. Ana também discute a importância de incluir vozes racializadas nos espaços de decisão e a necessidade de políticas públicas que integrem justiça climática e antirracismo. Por fim, ressalta o papel da juventude negra na reinvenção da luta ambiental e a importância do descanso como ato político de resistência.</p>Pedro Henrique Campello TorresGabriel Pires de AraujoIsabela Carmo Cavaco
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2025-12-282025-12-28e025026e02502610.47284/cdc.v25iesp2.20771Além da mitigação
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20055
<p>A crise climática tem aprofundado desigualdades socioambientais no Brasil, afetando de forma desproporcional comunidades vulneráveis, como as quilombolas. Este estudo analisa essas desigualdades a partir dos conceitos de justiça climática e racismo ambiental, tomando como referência o desastre climático ocorrido no Rio Grande do Sul em 2024. Além de examinar os impactos sobre as comunidades quilombolas, a pesquisa insere a justiça climática como um campo de disputa política e epistemológica, ressaltando as contribuições da abordagem decolonial e das ciências sociais para uma compreensão crítica da crise socioambiental. Argumenta-se que o fortalecimento de políticas participativas e a valorização dos saberes tradicionais são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.</p> <p> </p>Jeniffer HübnerLuiza de Albuquerque Leite VieiraFernanda dos Santos AmericoJosé Marcos Froehlich
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2025-12-282025-12-28e025015e02501510.47284/cdc.v25iesp2.20055Um mundo em conta-gotas quebrado
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20011
<p>Este artigo procura demonstrar que os modos de produção e destruição do capitalismo moderno-colonial têm colocado a Terra diante de catástrofes climáticas e ambientais “impensáveis”, especialmente a partir da hegemonia global do neoliberalismo. Esses fenômenos extremos evidenciam a realidade alarmante de uma deterioração acelerada e descontrolada do mundo, mas cujos impactos variam consoante desigualdades socioeconômicas e geopolíticas preexistentes. No Brasil, o poder estrutural do racismo faz com que tais catástrofes atinjam desproporcionalmente as pessoas negras e indígenas, algo bastante perceptível nos últimos casos de rompimento de barragens da atividade mineradora. Além de refletir sobre o dito “impensável” do presente, pretende-se indicar caminhos teóricos para um futuro possível e vivível, levando em conta epistemologias e cosmovisões ancestrais que confrontam o imaginário capitalista e colonialista dominante que orienta a exploração e a devoração voraz de todos os elementos constitutivos do planeta, humanos e não humanos.</p>Matheus Guimarães de Barros
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2025-12-282025-12-28e025016e02501610.47284/cdc.v25iesp2.20011Políticas públicas de meio ambiente da Bahia e seus efeitos para os povos e comunidades tradicionais.
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20024
<p>As políticas ambientais baianas são um importante campo de investigação sobre racismo ambiental. Neste artigo exploramos dois importantes aspectos, vinculados entre si, do racismo ambiental na Bahia: o quadro de violência e conflitos ambientais que os povos e comunidades tradicionais (PCT) vivenciam; e o papel que as políticas públicas de meio ambiente, recursos hídricos e clima exercem na sustentação desse quadro. Realizamos revisão bibliográfica das pesquisas neste campo, e o <em>corpus</em> analisado aponta que essas políticas são seletivas, pouco democráticas, e sua aplicação está relacionada a um amplo espectro de conflitos. Sistematizamos os dados de conflitos ambientais da Comissão Pastoral da Terra e da Fiocruz, que revelam o agravamento do cenário na Bahia nos últimos 20 anos; o aumento na participação dos conflitos por água no total dos conflitos; a predominância dos PCT entre as categorias sociais envolvidas; e as entidades governamentais e políticas ambientais como importantes geradoras dos conflitos.</p>Joana Nery GiglioPaula Cristina da Silva
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2025-12-282025-12-28e025017e02501710.47284/cdc.v25iesp2.20024Redes de resistência
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20037
<p>Este estudo analisa a comunidade quilombola Senhor do Bonfim, em Areia – PB, e sua integração à Rede Comunidades que Sustentam a Agricultura na Paraíba (CSA Parahyba), evidenciando processos de resistência, organização comunitária e soberania alimentar. Fundada em 2020, a CSA Parahyba conecta agricultores quilombolas a consumidores urbanos, promovendo a agricultura sustentável, a diversificação produtiva e a cooperação entre produtores e co-agricultores. A pesquisa combina revisão bibliográfica e documental com estudo de caso, incluindo entrevistas semiestruturadas e visitas às áreas produtivas e de distribuição de alimentos, permitindo compreender a trajetória histórica da comunidade, suas práticas agrícolas, seus desafios socioambientais e as estratégias de fortalecimento das redes sociais. Os resultados indicam que a formação de redes como a CSA Parahyba fortalece o desenvolvimento sustentável, aproxima consumidores e produtores e contribui para a preservação da biodiversidade local, destacando o papel das comunidades quilombolas na construção de alternativas de produção e consumo de alimentos mais justas e resilientes.</p>Julia Silva RensiNádia Jarouche AunEllen Monielle do Vale Silva
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2025-12-282025-12-28e025018e02501810.47284/cdc.v25iesp2.20037O racismo ambiental na pós-graduação brasileira
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20052
<p>O presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão de escopo acerca de como o conceito de racismo ambiental vem sendo abordado na pós-graduação brasileira. Os resultados indicam que a discussão sobre o tema vem aumentando ao longo dos anos. As instituições de ensino da região Sudeste e a área das Ciências Sociais Aplicadas aparecem como as que mais realizaram trabalhos com a temática. Com relação aos conflitos, verificou-se a presença de uma série diversa de casos envolvendo comunidades, populações indígenas, quilombos, bairros e parques. Conclui-se que o Brasil possui uma quantidade expressiva de conflitos ambientais que podem ser investigados sob a perspectiva do racismo ambiental e que necessitam de maior atenção do poder público, diferentes campos de estudo para buscar alternativas de mitigação dos seus efeitos.</p>Aline da Cunha MirandaIris Carmen Pinheiro Rodrigues
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2025-12-282025-12-28e025019e02501910.47284/cdc.v25iesp2.20052Análise histórica da justiça climática em Recife, Pernambuco
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20059
<p>Este artigo tem por objetivo identificar o histórico da construção da vulnerabilidade climática presente na cidade de Recife, Pernambuco. O Recife enfrenta desafios significativos devido à sua localização geográfica, urbanização desordenada e vulnerabilidade socioambiental, fatores que amplificam os impactos de eventos extremos, como enchentes e a elevação do nível do mar. A cidade é pioneira no Brasil ao adotar políticas climáticas, incluindo o Plano Local de Ação Climática (PLAC-Recife), que busca mitigar e adaptar-se à mudança do clima. No entanto, críticas apontam a falta de participação das comunidades mais vulneráveis nas decisões. Recife não é a 16ª cidade mais vulnerável às mudanças climáticas do mundo. Este estudo discute o histórico da gestão climática municipal e a necessidade de políticas públicas mais eficazes e inclusivas. A justiça climática deve considerar as desigualdades sociais e envolver as populações afetadas na formulação de soluções, garantindo uma adaptação equitativa e sustentável para o futuro da cidade.</p>Marcos Tavares de Arruda FilhoPedro Roberto Jacobi
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2025-12-282025-12-28e025020e02502010.47284/cdc.v25iesp2.20059Fragmentos de realidade
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20062
<p>No Brasil, a ascensão da extrema direita acelerou o desmonte das políticas ambientais, justificado, entre outros, por discursos que negam a crise climática e seus impactos desiguais. Com base na obra de Alfred Schutz, este artigo analisa como tais narrativas configuram uma província finita de significado, sustentada por redes intersubjetivas de validação. A articulação entre neoliberalismo e neoextrativismo revela que a negação das mudanças climáticas transcende o campo discursivo, consolidando-se como estratégia política e econômica que perpetua desigualdades sociais e o racismo ambiental. Ao discutir essas interseções, o estudo evidencia como a desinformação sistemática e a invisibilização das populações vulneráveis dificultam a implementação de políticas climáticas justas e equitativas. Como aporte conceitual, emprega-se também o conceito de choque de realidades do autor para explicar a resistência a tais evidências. Assim, defende-se que a compreensão e o enfrentamento desses discursos são fundamentais para o avanço da justiça climática e a superação das desigualdades históricas.</p>Trissia Maria Fortunato Paes de Barros
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2025-12-282025-12-28e025021e02502110.47284/cdc.v25iesp2.20062Justiça climática e transição justa
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20065
<p>Este estudo conduz uma revisão de escopo sobre a aplicação dos conceitos de justiça climática e transição justa na literatura científica e técnica brasileira, considerando seu desenvolvimento após o Acordo de Paris (2015). A justiça climática tem sido amplamente mobilizada na academia e em textos técnicos, com foco nas desigualdades sociais agravadas pelas mudanças climáticas, especialmente entre o Norte e o Sul Global. Sua inclusão na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil de 2024 e no Plano Clima reforça sua crescente relevância política. A transição justa é abordada como um processo de transformação sociotécnica que integra justiça social e sustentabilidade na descarbonização. A revisão evidencia a sinergia entre ambos os conceitos, consolidando-os como agendas estratégicas na formulação de políticas públicas e na governança climática. Em conclusão, amplia paradigmas tradicionais e desafia formas hegemônicas de produção do conhecimento.</p>Rogger BarreirosKaren Silverwood-CopeLuana Priscila BettiAntônio Marques da Costa OuroMiriam Garcia
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2025-12-282025-12-28e025022e02502210.47284/cdc.v25iesp2.20065"Querem nos dividir para nos dominar”
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20068
<p>Este artigo investiga os efeitos dos conflitos socioambientais sobre as relações comunitárias do Quilombo do Cumbe, no Ceará, Brasil. A pesquisa, baseada em metodologias qualitativas e participativas, como entrevistas e rodas de conversa, analisa como a presença de empreendimentos como a carcinicultura e os parques eólicos têm transformado o território quilombola, promovendo fragmentação interna e disputas narrativas. Os resultados evidenciam que tais conflitos resultam não apenas em danos ambientais, mas também em desagregação social, reforçando processos históricos de expropriação e racismo ambiental. Além disso, o estudo demonstra como a resistência quilombola se configura como uma luta pela justiça climática e pela manutenção de práticas ancestrais de manejo ambiental. Ao destacar a importância das políticas públicas para a titulação e proteção dos territórios tradicionais, o artigo contribui para o debate sobre equidade territorial e social. Conclui-se que a preservação dos quilombos é essencial para o enfrentamento das injustiças ambientais e para a promoção da autodeterminação dessas comunidades.</p>Marina Passos Pereira CamposJoão Luís Juventino do NascimentoJames Moura Ferreria JuniorFrancileuda Farrapo PortelaAmanda Barbosa Veiga dos Santos
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2025-12-282025-12-28e025023e02502310.47284/cdc.v25iesp2.20068Justiça climática em comunidades ribeirinhas
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20101
<p>Na Amazônia Marajoara, as emergências climáticas têm intensificado impactos sobre comunidades ribeirinhas historicamente marcadas por vulnerabilidades sociais, ambientais e raciais. O artigo analisa a urgência da justiça climática nesses territórios, com base em revisão bibliográfica, trabalho de campo no município de Breves e acompanhamento de oficina sobre sociobioeconomia promovida pelo PRCR/UFPA e pela Embrapa. Os resultados indicam que a crise climática aprofunda desigualdades, compromete modos de vida tradicionais e amplia processos de marginalização. Evidencia-se o papel dos movimentos sociais e dos saberes ancestrais na defesa de direitos e na construção de alternativas locais. Conclui-se que políticas públicas devem reconhecer a dívida histórica com essas populações, assegurar sua participação na formulação de estratégias de adaptação e adotar abordagem antirracista, territorializada e sensível às especificidades socioculturais da região, fortalecendo o debate sobre justiça climática em contextos periféricos e tradicionais.</p>Adriele Costa XistoEunápio Dutra do CarmoJaniele do Socorro de Almeida ViegasPatrícia Garcia Lima
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2025-12-282025-12-28e025024e02502410.47284/cdc.v25iesp2.20101Dimensões e leituras sobre justiça climática
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20119
<p>A justiça climática é um tema em ascensão, tanto na teoria como na prática, e se insere numa disputa de categorias entre disciplinas e ideologias que buscam defini-la e conectá-la a outras teorias, por exemplo. A presente discussão objetiva permear diferentes leituras da justiça climática e discutir dimensões históricas de justiça que algumas dessas leituras têm adotado. A partir de revisão de literatura, mostra-se a multiplicidade do termo e as possibilidades de apropriação por diferentes atores. A posição defendida é de que a justiça climática deve ser múltipla e interseccional, como conclui-se pela atenção a essas características na maioria dos estudos, mas também, anti-sistêmica, pois as injustiças climáticas são a reprodução de injustiças históricas.</p>Isabela Carmo CavacoPedro Henrique Campello Torres
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2025-12-282025-12-28e025025e02502510.47284/cdc.v25iesp2.20119Desigualdades ambientais no Brasil
https://periodicos.fclar.unesp.br/cadernos/article/view/20770
<p>O dossiê apresenta um conjunto de textos a partir do fio condutor de que a justiça climática não é uma noção homogênea; trata-se de um campo conceitual em disputa, apropriado por atores estatais, corporativos, multilaterais, comunitários e acadêmicos, muitas vezes com sentidos profundamente divergentes. Na perspectiva apresentada, a justiça climática pode ser cooptada em representações tecnocráticas centradas em métricas e indicadores, mas também pode servir como plataforma de resistência antirracista e anticolonial, desde que ancorada em experiências territoriais concretas.</p>Pedro Henrique Campello TorresGabriel Pires de Araújo
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2025-12-282025-12-28e025026e02502610.47284/cdc.v25iesp2.20770