A Violência como Vivência Afetiva no Amor Romântico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47284/cdc.v23i00.17196

Palavras-chave:

Amor, Amor romântico, Dominação masculina, Amor-Vício, Amor Confluente

Resumo

O presente artigo busca relacionar duas categorias pouco associadas nas ciências sociais: violência e amor. Para construção do argumento central, de que o amor romântico é terreno fértil para a violência entre casais de amantes, a pesquisa realizou revisão bibliográfica sobre o tema e traz resultados exploratórios de uma etnografia virtual realizada no aplicativo WhatsApp, junto às mulheres que buscam ajuda para sair de um relacionamento abusivo. Os dados apontam que o amor vivenciado por essas mulheres é o amor romântico e que as formas de violência vivenciadas por elas ultrapassam a violência física, além de se manterem em relacionamentos abusivos pela crença em ter capacidade de mudar seu companheiro.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Maria Chaves Jardim, Universidade Estadual Paulista

    Professora livre docente em sociologia da Universidade Estadual Paulista, Departamento de Ciências Sociais, Campus de Araraquara/SP. Editora-Chefe da Revista Estudos de Sociologia. Bolsista produtividade no CNPq.

  • Marcela Miwa, Universidade de São Paulo

    Socióloga graduada e licenciada pela UNICAMP; Mestre em Ciência Política pela UNICAMP. Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - EERP/USP, onde atua como pesquisadora colaborativa desde 2021.

Referências

ALBUQUERQUE NETTO, L. et al. Mulheres em situação de violência por parceiro íntimo: tomada de decisão por apoio institucional especializado. Revista Gaúcha de Enfermagem, n. esp. 36, p. 135-42, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/j/rgenf/a/5rspRQXYcYpj3zJHqHXq7vQ/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

AUDI, C. A. F. et al. Percepção da violência doméstica por mulheres gestantes e não gestantes da cidade de Campinas, São Paulo. Ciência & Saúde Coletiva, v. 14, n. 2, p. 587-594, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/wZcqCS3zrZDvQMdKQmzJh3x/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

BARAGATTI, D. Y. et al. Rota crítica de mulheres em situação de violência por parceiro íntimo. Revista Latino-Americana de Enfermagem, n. 26, e3025, 2018. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rlae/article/view/154244. Acesso em: 24 maio 2021.

BATISTA, V. C. et al. Prisioneiras do sofrimento: percepção de mulheres sobre a violência praticada por parceiros íntimos. Revista Brasileira de Enfermagem, n. 73, suppl. 1, p. e20190219, 2020. Disponível em: http://www.scielo.br/j/reben/a/8nWjvQ4X73VhbvMWkkYzJ3b/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

BOURDIEU, P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2007.

CAMPEIZ, A. B. et al. A violência na relação de intimidade sob a ótica de adolescentes: perspectivas do Paradigma da Complexidade. Revista da Escola de Enfermagem da USP, n. 54, p. e03575, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/JYLvhxzzJ4bD5hXD4R8ztcg/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

CARNEIRO, J. B. et al. Compreendendo a violência conjugal: um estudo em Grounded Theory. Revista Latino-Americana de Enfermagem, n. 27, e3185, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/vw6dc7XVbLqr6WngM6qdscf/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

COMTE, A. Plan des travaux scientifiques nécessaires pour réorganiser la société. In: COMTE, A. Système de politique positive ou Traité de sociologie instituant la religion de l’humanité. Paris: Larousse, 1895. p.106-129

CONCEIÇÃO, C. S. da; MORA, C. M. “Respeito é bom e eu gosto”: trajetórias de vida de mulheres negras assistidas por um Centro Especializado de Atendimento à Mulher em Situação de Violência na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n.7, 2020. Disponível em: http://www.scielo.br/j/csp/a/sYXNjKRrg4VpvPXVZz7PBbt/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

COUTO, M. T. et al. Concepções de gênero entre homens e mulheres de baixa renda e escolaridade acerca da violência contra a mulher, São Paulo, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, n. 11, supl., p. 1323-1332, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/J4z8857r4yYfJZNGNYF6Ytf/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021

COUTO, T. M. et al. Cotidiano de mulheres com história de violência doméstica e aborto provocado. Texto & Contexto Enfermagem, v. 24, n. 1, p. 263-9, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/j/tce/a/GsY5mchdP8HD8qZyx5NnknS/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

DANTAS-BERGER S. M.; GIFFIN, K. A violência nas relações de conjugalidade: invisibilidade e banalização da violência sexual? Cadernos de Saúde Pública, v. 21, n. 2, p. 417-425, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/pHhwdM5wyyL6nfJXVsLsDdy/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

DUBY, G. Amor e sexualidade no Ocidente. Lisboa: Terramar, 1998.

DURKHEIM, E. De la division du travail social: etude sur l’organisation des sociétés supérieures. Paris: Alcan, 1893.

DUTRA, M. de L. et al. A configuração da rede social de mulheres em situação de violência doméstica. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, n. 5, p. 1293-1304, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/K77HzVKqLpCgjCpqGD8qQ8C/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

ELIAS, N. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1990. v. 1.

GIDDENS, A. A transformação da intimidade: sexualidade, amor & erotismo nas sociedades modernas. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993.

GUIMARÃES, F. L.; DINIZ, G. R. S.; ANGELIM, F. P. "Mas Ele Diz que me Ama...": Duplo-Vínculo e Nomeação da Violência Conjugal. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 33, p. 1-10, 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/j/ptp/a/q9Tcf79ydXdLRTxw8GHkCvF/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). PNS 2019: em um ano, 29,1 milhões de pessoas de 18 anos ou mais sofreram violência psicológica, física ou sexual no Brasil. Brasília, DF, 2021. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/30660-pns-2019-em-um-ano-29-1-milhoes-de-pessoas-de-18-anos-ou-mais-sofreram-violencia-psicologica-fisica-ou-sexual-no-brasil? Acesso em: 07 jul. 2021.

JARDIM, M. C. Para além da fórmula do amor: amor romântico como elemento central na construção do mercado do afeto via aplicativos. Política & Sociedade, v. 18, n. 43, p. 46-76, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/2175-7984.2019v18n43p46. Acesso em: 20 nov. 2021.

JARDIM, M. C. A construção social do mercado de afeto: o caso das agências de casamento em contexto de consolidação dos aplicativos. Revista Pós Ciências Sociais, São Luís, v. 18, n. 1, p. 43-62, 2021. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/rpcsoc/issue/view/705. Acesso em: 20 nov. 2021.

JARDIM, M. C.; MOURA, P. J. C. A construção social do mercado de dispositivos de redes sociais: a contribuição da sociologia econômica para os aplicativos de afeto. Tomo, n. 30, p. 151-196, 2017. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6040344. Acesso em: 20 nov. 2021.

JARDIM, M. C.; ROSSI, T. C. Apresentação. Tomo, v. 41, p. 1, 2022. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/ejemplar/607659. Acesso em: 30 set. 2022.

JARDIM, M. C.; SOUZA, T. O amor como objeto da sociologia. BIB. (no prelo)

KOURY, M.; BARBOSA, R. B. Da subjetividade às emoções: A antropologia e a sociologia das emoções no Brasil. Cadernos do GREM, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/Gs8376g9VYs9TV6PjFXXYtq/?lang=pt. Acesso em: 20 nov. 2021.

LEITÃO, D.; GOMES, L. G. Etnografia em ambientes digitais: perambulações, acompanhamentos e imersões. Antropolítica, Niterói, n. 42, p. 41-65, 2017. Disponível em: https://periodicos.uff.br/antropolitica/article/view/41884. Acesso em: 20 nov. 2021.

LIMA, G. Q. de; WERLANG, B. S. G. Mulheres que sofrem violência doméstica: contribuições da psicanálise. Psicologia em Estudo, v. 16, n. 4, p. 511-520, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pe/a/GShYc5SHq9SVcrwbyXxbSbT/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

LÍRIO, J. G. dos S. et al. Elementos que precipitam a violência conjugal: o discurso de homens em processo criminal. Revista da Escola de Enfermagem da USP, n. 53, p. e03428, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/zxC7PmFD4VVYcmK38xVhGrs/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

MADUREIRA, A. B. et al. Representações sociais de homens agressores denunciados acerca da violência contra a mulher. Revista Brasileira de Enfermagem; v. 73, n. 2, e20180824, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/VHWWG3RDtpf3tc4nMFNsVRn/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

MILLER, D.; SLATER, D. Etnografia on e off-line: cibercafés em Trinidad. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 10, n. 21, p. 41-65, jan./jun. 2004. DOI: 10.1590/S0104-71832004000100003.

MOORE A. M. Gender Role Beliefs at Sexual Debut: Qualitative Evidence from Two Brazilian Cities. International Family Planning Perspectives, v. 32, n. 1, p. 45–51, 2006. Disponível em: https://www.guttmacher.org/journals/ipsrh/2006/03/gender-role-beliefs-sexual-debut-qualitative-evidence-two-brazilian-cities. Acesso em: 24 maio 2021.

MOURA, L. B. A.; LEFEVRE F.; MOURA, V. Narrativas de violências praticadas por parceiros íntimos contra mulheres. Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, p. 4, p. 1025-1035, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/fTp9Sxzm5MWskTSQmMH3VPC/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

NEVES, A. As mulheres e o discurso genderizados sobre o amor: a caminho do “amor confluente” ou o retorno do mito do “amor romântico”. Estudos Feministas, v. 15, n. 3, p. 609-627. Florianópolis, 2007. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2007000300006. Acesso em: 20 nov. 2021.

PACHECO, L. R.; MEDEIROS, M.; GARCIA, C. M. The voices of Brazilian women breaking free from intimate partner violence. Journal Forensic Nursing, v. 10, n. 2, p. 70-76, 2014. Disponível em: https://journals.lww.com/forensicnursing/toc/2014/04000. Acesso em: 24 maio 2021.

PAIXÃO, G. P.do N. et al. Situações que precipitam conflitos na relação conjugal: o discurso de mulheres. Texto e Contexto Enfermagem, v. 23, n. 4, p. 1041-9, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/4QGmxR598j7yzqSVZYmshXP/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

PAIXÃO, G. P. do N. et al. Mulheres vivenciando a intergeracionalidade da violência conjugal. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 23, n. 5, p. 874-9, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/d375TF8qJCLBKBVZFzjNyWF/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

PAIXÃO, G. P. do N. et al. A experiência de prisão preventiva por violência conjugal: o discurso de homens. Texto & Contexto – Enfermagem, v. 27, n. 2, e3820016, 2018a. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/KRFnS53bngSv46h5xzB9j6t/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

PAIXÃO, G. P. do N. et al. Naturalização, reciprocidade e marcas da violência conjugal: percepções de homens processados criminalmente. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, n. 1, p. 178-84, 2018b. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/WBf7Y54tVkBDtHkMNMXYzyS/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

PARADA, P. de O.; MURTA, S. G. Brazilian women’s transition to new relationships after ending a violent one: a case study. Psicologia USP, v. 3, e190166, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusp/a/NW5n9q5HhmHYPv4jsPDBFSB/abstract/?lang=en. Acesso em: 24 maio 2021.

PLATÃO. O Banquete. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

ROSSI, T. C. Projetando a subjetividade: a construção social do amor a partir do cinema. São Paulo, 2013. 326 f. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

SCHWENTKER, W. A paixão como modo de vida em Max Weber, o círculo de Otto Gross e o erotismo. Revista Brasileira de Ciências Sociais, n. 32, ano 11, oct. 1996.

SILVA, A. F. da. et al. Atributos sociais da masculinidade que suscitam a violência por parceiro íntimo. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 6, e20190470, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/Nrj3K7pjQLjG3T5mJKJvhsv/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

SIMMEL, G. Filosofia do Amor. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

SOMBART, W. Amor, luxo e capitalismo. Lisboa: Bertrand, 1990 [1912].

SOUZA, T. As crenças sobre o amor na telenovela Espelho da vida: uma análise através da sociologia relacional de Pierre Bourdieu. Relatório de Pesquisa Fapesp. Departamento de Ciências Sociais. Unesp. Araraquara, 2021.

STENZEL G. Q. de L.; LISBOA, C. S. de M. Aprisionamento psíquico sob uma perspectiva psicanalítica: Estudo de caso de um agressor conjugal. Revista Ágora – estudos em Teoria Psicanalítica, v. XX, n. 3, p. 625-633, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/agora/a/LXvttdZsqKBb4486QcnwnNm/abstract/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

VANDENBERGHE, F. Amando o que conhecemos: notas para uma epistemologia histórica do amor. Ciências Sociais Unisinos, v. 42, n. 1, p. 65-71, 2006. Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/ciencias_sociais/article/view/6016. Acesso em: 14 nov. 2021.

VIEIRA, L. B. et al. Intencionalidades de mulheres que decidem denunciar situações de violência. Acta Paulista de Enfermagem, v. 25, n. 3, p. 423-429, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/T8hS4mc649nMMdDBT6CfmFk/?lang=pt. Acesso em: 24 maio 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Devastatingly pervasive: 1 in 3 women globally experience violence. Genova/New York, 2021. Disponível em: https://www.who.int/news/item/09-03-2021-devastatingly-pervasive-1-in-3-women-globally-experience-violence. Acesso em: 07 jul. 2021.

Publicado

10/10/2023