Laôr Fernandes de OLIVEIRA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. 00, e023002, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24i00.17500 7
discursivo e intelectual. No entanto, o significado da palavra só se torna um fenômeno de
pensamento quando o pensamento está associado à palavra e nela se concretiza, e vice-versa.
Para compreender melhor a significação, é necessário considerar que ela é composta por dois
componentes que, embora distintos, se complementam, conhecidos como significado e sentido.
Segundo Aguiar (2006, p. 14), os significados são produções históricas e sociais. Por
meio deles, ocorre a comunicação e a socialização das nossas experiências. Também se
transformam ao longo do tempo, alterando assim a relação que têm com o pensamento. Trata-
se, portanto, de um processo dinâmico. Os significados referem-se aos conteúdos estabelecidos,
mas flexíveis, compartilhados e apropriados pelos sujeitos, que os configuram a partir de suas
próprias subjetividades. Já o sentido é algo mais subjetivo, que expressa com maior certeza o
sujeito, sendo a unidade de todos os processos cognitivos, afetivos e biológicos.
Significado e sentido são etapas do processo de produção da realidade e do sujeito, assim
como objetividade e subjetividade são partes de um mesmo processo, o de transformação do
mundo e constituição humana. Por isso, não podem ser considerados separadamente. Aguiar e
Ozella (2013, p. 311-312) abordam:
Partindo do pressuposto de que a análise é construtiva e interpretativa e tem a
finalidade de ultrapassar o fenômeno na sua aparência e assim atingir novas
zonas de inteligibilidade, o procedimento para a organização dos núcleos de
significação deu-se da seguinte forma: após a transcrição, foi realizada uma
leitura flutuante das entrevistas e, a seguir, um levantamento dos
temas/conteúdos que se destacaram na fala de Raquel (nome fictício da
informante da pesquisa), sendo que tais temas se revelam/expressam em
palavras; dessas palavras, que são sempre significadas em seu contexto,
emergem os pré-indicadores, que constituem a realidade sócio-histórica do
sujeito.
Segundo Mazzotti (2010), entende-se que os significados carregam consigo os modos,
resultados e condições objetivas das ações, independentemente da motivação subjetiva que
influencia a atividade humana na qual são formados. Dessa forma, os significados elaborados
socialmente sofrem uma transformação em sua existência quando adentram a consciência dos
indivíduos, resultando em uma “existência” duplicada. Essa duplicidade surge de outra relação
interna, que provoca um movimento adicional dos significados dentro do sistema da
consciência individual, e se manifesta nos eventos psicológicos mais comuns. A partir dessa
nova relação, surge a necessidade de distinguir o significado do objeto compreensível do
significado que o elemento em questão possui para o indivíduo, ou seja, o sentido.
A ordem das questões, de acordo com Gray (2012, p. 282), propõe: “usar uma
abordagem em forma de funil, em que o questionário começa com um conjunto amplo de