Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 1
GÊNERO, CURRÍCULOS DE ANIMAÇÃO E A PRODUÇÃO DE
CONTRACONDUTAS
GÉNERO, CURRÍCULOS DE ANIMACIÓN Y LA PRODUCCIÓN DE
CONTRACONDUCTA
GENDER, ANIMATION CURRICULUMS AND THE PRODUCTION OF
COUNTERCONDUCT
Ariane Gabriele Brasil Gois RABELO1
e-mail: arigabriele2@gmail.com
Como referenciar este artigo:
RABELO, Ariane Gabriele Brasil Gois. Gênero, currículos
de animação e a produção de contracondutas. Doxa: Rev.
Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009,
2023. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173
| Submetido em: 15/02/2023
| Revisões requeridas em: 22/04/2023
| Aprovado em: 11/06/2023
| Publicado em: 01/08/2023
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão SE Brasil. Mestranda no Programa de Pós-Graduação
em Educação.
Gênero, currículos de animação e a produção de contracondutas
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 2
RESUMO: Este artigo tem como base os Estudos Culturais, as Teorias Pós-Críticas, os estudos
Foucaultianos, de Currículo e de Gênero. Com isso em mente, objetivamos construir uma
articulação entre o currículo presente no desenho animado A Casa Coruja e a produção de
contracondutas relacionadas a gênero através das cenas analisadas. Buscamos por meio de um
estado da arte localizar o que havia sido produzido sobre gênero e desenhos animados e a
partir do que foi encontrado, traçamos novas rotas que nos levaram a escolher para análise o
desenho animado A Casa Coruja. Com o produto audiovisual definido, utilizamos da
filmografia para escolher as cenas a serem analisadas, a partir de um diálogo com Judith Butler
e outros autores. Concluímos que A Casa Coruja questiona as normas e insere sujeitos outros e
modos diversos de existir.
PALAVRAS-CHAVE: Animação. Contracondutas. Currículo. Estudos Culturais. Gênero.
RESUMEN: Este artículo está basado em los Estudios Culturales, las Teorías Poscríticas y
los esdudios Foucaultianos, Curriculares y de nero. En ese sentido, pretendemos construir
una articulación entre el currículo presente em lo dibujo animado La Casa Búho y la
producción de contraconductas de género a través de las escenas analizadas. Buscamos a
través de um estado del arte, ubicar lo que ya se había producido sobre género y dibujos
animados, a partir de lo encotrado, trazamos nuevas rutas que nos llevaron a elegir lo dibujo
La Casa Búho para el análisis. Con el dibujo definido, utilizamos la filmografia de análisis
para elegir las escenas a analizar, a partir de un diálogo com Judith Butler y otros autores,
concluímos que La Casa Búho cuestiona las normas e inserta otros sujetos y formas diferentes
de existir.
PALABRAS CLAVE: Animación. Contraconductas. Currículum. Estudios Culturales.
Género.
ABSTRACT: This article is based on Cultural Studies, Post-Critical Theories, Foucauldian,
Curriculum and Gender studies. With that in mind, we aim to build an articulation between the
curriculum present in the cartoon The Owl House and the production of gender-related
counterconducts throught the analyzed scenes. We sought, through a state of the art, to locate
what had already been produced about gender and cartoons and from what was found, we
traced new routes that led us to choose The Owl House for analysis. With the cartoon defined,
we used the filmography for analysis to choose the scenes to be analyzed, based on a dialogue
with Judith Butler and other authors, we concluded that The Owl House questions the norms
and inserts other subjects and different ways of existing.
KEYWORDS: Animation. Counterconducts. Curriculum. Cultural Studies. Gender.
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 3
Introdução
O presente trabalho se inspira nos Estudos Culturais e nas teorias pós-críticas do
currículo, a partir do interesse em investigar as possibilidades que atravessam os desenhos
animados e da compreensão de que o currículo é um artefato cultural que pode assumir diversas
formas e pedagogias, estando presente em diversos locais para além da escola (PARAÍSO,
2010). Dito isso, Paraíso (2016, p. 408) aponta que nos currículos “a resistência é a criação de
possíveis, pois, ela é força agenciadora que transforma e funda outras e novas relações”. Logo,
compreendo as teorias pós-críticas do currículo como um berço para a resistência e seus
possíveis, pois essas teorias procuram abranger as questões culturais, raciais, étnicas, de gênero
e sexualidade e contam com narrativas que buscam inserir nos currículos colocações históricas
e políticas envolvidas na concepção de identidades e diferenças ligadas às relações de poder.
Portanto, por meio dos estudos culturais e das teorias pós-críticas, buscamos expandir a noção
de currículo para além daquele presente na escola, pois, apesar de ser um dispositivo expressivo
para o governo, a escola não é o único local que transmite formas de ser e conhecimentos.
A partir dos entendimentos de Hall (1992, 1997) e Kellner (2001, 2011) observamos as
revoluções culturais e a explosão da cultura da mídia no século XX, em que a mídia e a
tecnologia ocupam, agora, posições de dominação, visto que se tornaram os principais meios
de comunicação e circulação das culturas e de diversos artefatos culturais. Dessa forma,
observamos que a cultura da dia nos atravessa a partir dos conteúdos divulgados nos meios
de comunicação e que trazem consigo diversos discursos, muitas vezes auxiliando na
construção de nossas identidades e do que é socialmente aceito, pois somos bombardeados
diariamente por essa cultura e por tais discursos advindos dos meios de comunicação.
Ao pensarmos na mídia, observamos que “os meios dominantes de informação e
entretenimento são uma fonte profunda e muitas vezes não percebidas de pedagogia cultural”
(KELLNER, 2001, p. 10). Estes são responsáveis por nos ensinar modos de ser e de
subjetivação que refletem os valores e as crenças presentes na sociedade. Sendo assim,
compreendemos que crianças e adolescentes aprendem sobre modos de ser mulher, homem,
bom ou mau, moral ou imoral para além do território escolar devido às explosões de imagens e
sons que se fazem presentes fora da escola.
Essa explosão da cultura da mídia contribuiu para a eclosão de novos objetos de
pesquisas nos Estudos Culturais. Logo, artefatos culturais podem ser um objeto para análise,
sendo assim, artefatos como o próprio currículo, desenhos animados, filmes, músicas,
Gênero, currículos de animação e a produção de contracondutas
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programas de televisão, livros e outros mais podem ser escolhidos para análise a partir dos
Estudos Culturais (PARAÍSO, 2004).
Diante disso, o que se entendia como currículo se modificou a partir dos debates sobre
cultura e sociedade advindos dos Estudos Culturais, assim, compreendemos a cultura como uma
produção das relações sociais, pois ela está no meio de relações de poder, o que significa a
existência de uma cultura que é selecionada para ser a “cultura normal”, enquanto outras que
são deixadas de lado por não estarem relacionadas aos grupos que exercem o poder. Então, o
currículo pode ser
visto como uma prática cultural, uma prática de produção e veiculação de
significados; um espaço de representações dos grupos sociais e culturais [...]
feito de culturas, de formas de compreender o mundo social, de produzir e
atribuir-lhe sentido (PARAÍSO, 2004, p. 57).
Desse modo, compreendemos que outros artefatos podem produzir e veicular
representações de certos comportamentos sociais, então, novelas, filmes, histórias em
quadrinhos, desenhos animados, séries e outros podem acabar nos regulando ou subjetivando
de alguma forma (RAEL, 2020). Em vista disso, entendemos que os desenhos animados são
currículos de grande circulação, que carregam discursos diversos e legitimam verdades.
Cardoso (2016) afirma que as subjetividades vistas em desenhos animados conduzem
as crianças a se reconhecerem com o modo de ser ali presente, pois, ao serem percorridas pelos
discursos constituintes dessas subjetividades, o governo de condutas é estabelecido em torno
do que é e do que não é considerado um comportamento de ser homem ou ser mulher. Portanto,
a depender da demarcação imposta, algumas crianças e adolescentes irão abraçar tal discurso,
enquanto outras se afastarão por não se enquadrarem com o que aquela conduta prega.
Ao compreendermos os desenhos como currículos, também os entendemos como
constructos das normas de gênero. Sendo assim, compartilhamos do entendimento de gênero,
tal qual Cardoso e Nascimento (2017, p. 251) como sendo
uma construção sócio-histórico-cultural, ou seja, para além de uma condição
estabelecida biologicamente através do sexo masculino ou feminino. É
constituído nas relações sociais quando características sexuais ganham
significado e representatividade, transformando-se em elemento do processo
histórico e podendo ser variante a depender da cultura do espaço onde está
inserido cada sujeito.
Ao investigarmos os desenhos animados, podemos observar que eles possuem
significações diversas. Pois, Giroux (1998, p. 50) observa que “as identidades individuais e
coletivas das crianças e dos/as jovens são amplamente moldadas, política e pedagogicamente,
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na cultura visual popular dos videogames, da televisão, do cinema [...]” e isso se torna visível
quando observamos que uma preocupação constante em controlar, vigiar e construir essas
crianças e jovens, seja na escola, em suas formas de lazer, como se vestem e como interagem
entre si, pois, “somos todos instados a permanecer no território do gênero para o qual fomos
designados ao nascer” (LOURO, 2017,p. 77). Desde cedo, as normas regulatórias de gênero e
sexo estão presentes em nossas vidas e são continuamente repetidas e reiteradas para forjar
nossos corpos e incutir neles de forma compulsória a norma heterossexual, que é tida como
normal (BUTLER, 2015).
Portanto, o sexo é tido como um “ideal regulatório”, pois, de acordo com Butler (2015,
p. 153-154) ele
não apenas funciona como uma norma, mas é parte de uma prática regulatória
que produz os corpos que governa, isto é, toda força regulatória manifesta-se
como uma espécie de poder produtivo, o poder de produzir demarcar, fazer
circular, diferenciar os corpos que ela controla.
A partir da compreensão do poder através de Foucault (2010), entende-se que ele não é
algo que está centralizado em uma única pessoa ou grupo que o exerce sobre outros, mas que o
poder é algo que se espalha e atravessa os mais diversos níveis sociais. Ainda de acordo com
Foucault, o poder não é somente repressivo, mas também é produtivo, pois cria articulações
entre saber e poder que atuam na produção de sujeitos diversos.
O poder também está presente no currículo e este é um ambiente de constantes disputas,
em que se fazem presentes modos de ser, de se conduzir e se portar, pois nele são reproduzidos
saberes e significados que nos torna o que somos. No campo do currículo o governo é
compreendido como modos de conduzir a conduta de si e dos outros. Ainda de acordo com o
pensamento de Foucault, onde existe poder há, também, resistência, e devido a isso ela nunca
está exterior ao poder, assim, quando encontramos meios de nos expressar a ponto de
rompermos com o comportamento de governado, nos recusamos a sermos conduzidos da
mesma forma que os outros e essa “luta contra os procedimentos postos em prática para
conduzir os outros” foi o que Foucault (2008, p. 266) chamou de contraconduta.
A subjetividade é compreendida aqui como algo que é produzido “por diferentes
discursos, pelas relações de poder e pelas relações que o sujeito estabelece consigo mesmo e
com os outros” (SILVA; PARAÍSO, 2012, p. 4). Ainda de acordo com Paraíso (2006, p. 101)
as estratégias e práticas que levam os indivíduos a “se relacionar consigo mesmos e com os
outros como sujeitos de um certo tipo” são entendidas como modos de subjetivação e, nesse
processo, se estabelece o governo dos sujeitos por meio de técnicas sutis.
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De Melo (2020) compreende que é por meio dessas técnicas que as condutas são
moldadas e se estabelecem nos padrões da norma. Por conseguinte, existem desenhos animados
que reiteram as normas dominantes da sociedade por meio de suas condutas. No entanto,
também os que fogem dessas normas e propagam a diversidade por meio da quebra de padrões,
pois, lutam para ter formas outras de serem conduzidos e seguir por percursos que os levem a
novos caminhos e invenções.
Para Ellsworth (2001), todo produto midiático possui questões de endereçamento
ligadas a ele e com os desenhos animados não é diferente. Dito isso, é necessário que se
compreenda como o modo de endereçamento funciona, e segundo a autora, basta apenas nos
perguntarmos: quem esse desenho animado pensa que você é? Neste exercício reflexivo, é
possível analisar como tais currículos percebem a diversidade, desejam gêneros específicos e
produzem subjetivações de certos tipos. Pois, assim como outros produtos midiáticos, os
desenhos também são feitos para alguém e com alguma intenção. Eles “nos interpelam para que
assumamos nosso lugar na tela, para que nos identifiquemos com algumas posições e
dispensemos outras” (FABRIS, 2008, p. 118).
Para Silva (2008), quando entendemos que a subjetividade é construída a partir de
relações sociais diversas, conseguimos interrogar e observar como crianças e adolescentes vêm
sendo lapidados. Nesse contexto, é interessante analisar os desenhos animados para saber quais
discursos sobre gênero estão presentes neles? Quais os sujeitos e identidades estão sendo
formados, representados e produzidos por eles? A quem se endereça tais desenhos? Precisamos
entender que tais produtos midiáticos não são apenas entretenimento lúdico, mas também são
campo de circulação de diversas representações, muitas vezes não questionadas, pois estes
processos educativos que ocorrem a partir dos desenhos possuem “estratégias sutis e refinadas
de naturalização que precisam ser reconhecidas e problematizadas” (MEYER, 2020, p. 19).
Considerando tais questionamentos, propomos como principal objetivo norteador: Analisar o
desenho animado como currículo produtor de contracondutas e modos outros de ser a partir da
perspectiva do gênero.
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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Metodologia
Esta é uma pesquisa qualitativa que utiliza dos Estudos Culturais e da liberdade das
metodologias pós-críticas para expandir os desenhos animados endereçados ao público infanto-
juvenil, a fim de investigar os currículos que eles possam exteriorizar. Inspirada por Paraíso
(2014), lançamo-nos na metodologia pós-crítica por esta ser mais livre e permitir uma
flexibilidade que outras metodologias não permitiriam, que as pesquisas são movidas por
nossos questionamentos, indagações e pelos problemas que formulamos no decorrer dos
caminhos percorridos em busca por respostas. Todavia, é importante lembrar que nas
metodologias pós-críticas, apesar de estarmos sempre criando a nossa própria metodologia,
podemos utilizar procedimentos e práticas investigativas conhecidos, mas é importante
salientar que não devemos ficar presos a essas práticas.
A metodologia da pesquisa divide-se em duas partes, sendo a primeira um estado da
arte, pois, de acordo com Romanowski e Ens (2006), esse tipo de levantamento traz
contribuições importantes e sistematiza o que foi produzido numa determinada área de
pesquisa. Servindo assim ao nosso propósito de localizar o que foi feito e analisado na área
dos estudos de gênero a respeito de desenhos animados. Tal busca foi realizada com o intuito
de excluir da etapa de análise os materiais utilizados por outros autores, visto que, ao trabalhar
com contracondutas, pensamos ser interessante trazer desenhos animados que ainda não foram
analisados para serem discutidos no decorrer da pesquisa.
As buscas foram realizadas nas seguintes plataformas: Biblioteca Digital Brasileira de
Teses e Dissertações, Google Scholar, Portal de Periódicos da CAPES e Scientific Electronic
Library Online e ao final das buscas encontramos um total de 14.362 textos, mas, devido aos
descritores e os critérios de inclusão, apenas 56 desses trabalhos foram selecionados. Os
resultados dessas buscas podem ser vistos na tabela abaixo:
Tabela 1 Resultados das buscas nas plataformas
Plataformas
Utilizadas
Textos
Encontrados
Leitura de
Resumos
Leitura
Aprofundada
Excluídos
Selecionados
BDTD
248
13660
248
310
12
95
233
13620
10
40
Google Scholar
Periódicos
Capes
446
446
5
441
5
SciELO
8
8
2
7
1
Total
14362
1012
114
14306
56
Fonte: Elaborada pela autora
Gênero, currículos de animação e a produção de contracondutas
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O alto número de textos iniciais se deve ao fato de que mesmo selecionando Relações
de Gênero como palavra-chave nos buscadores, muitos dos trabalhos encontrados se referiam
ao gênero de animação ou então a outros gêneros literários.
Para chegarmos aos resultados, utilizamos como descritores os seguintes pares:
Relações de Gênero e Animações; Relações de Gênero e Desenhos Animados e, por fim,
Relações de Gênero e Filmes. Como critérios de inclusão, utilizamos: título, resumo ou palavra-
chave que tivessem relação com o tema de relações de gênero e desenhos animados, ou
currículos. Além disso, os textos deveriam ter sido publicados num intervalo de 15 anos e estes
deveriam ter livre acesso. E, como critério de exclusão, utilizamos: publicações duplicadas, ou
que não tratavam de relações de gênero, ou então que não seguiam os critérios de inclusão.
Com a busca finalizada demos início às análises propriamente ditas e os 56 textos foram
divididos em três categorias. Com base nos descritores que foram utilizados em suas buscas, ao
final das análises, observamos que, dos 56 trabalhos, apenas dois se pareciam em algo com esta
pesquisa que está em desenvolvimento. Sendo o primeiro a dissertação intitulada de “A Infância
nos filmes de animação: poder, governo e subjetivação dos/as infantis” defendida em 2008 por
Maria Carolina da Silva, em que a autora pensa os filmes de animação como currículos e através
das suas análises dos filmes Toy Story (1995), Monstros S.A (2001), Procurando Nemo (2003)
e Os Incríveis (2004), questiona quais os tipos de sujeitos estão sendo formados por estes
currículos, bem como quais as subjetividades presentes nesses filmes, além de pensar como a
infância é colocada nesses artefatos culturais e como os infantis vêm sendo produzidos nos
mesmos moldes.
O outro trabalho encontrado é o artigo de 2016 intitulado de “Relações de Gênero,
ciência e tecnologia no currículo de filmes de animação”, com autoria de Lívia de Rezende
Cardoso, em que a autora procurou analisar as relações de gênero presentes nos filmes
Chovendo Hambúrguer (I e II) através do discurso científico-tecnológico e pôde observar a
produção de diferentes posições de sujeitos homens e mulheres na ciência. Acreditamos ser
válido dizer que ambos os trabalhos foram utilizados como referência e inspiração para o tema
e desenvolvimento dessa pesquisa.
Com os trabalhos escolhidos e analisados, selecionamos o desenho animado A Casa
Coruja (The Owl House) produzido em 2020 pela Disney. Abaixo está o pôster promocional
do desenho, em que podemos ver os três personagens principais: Luz, a humana, Eda, a mulher
coruja e King, o demônio.
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
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Figura 1 Pôster Promocional A Casa Coruja
Fonte: Reprodução/Disney
A Filmografia para Análise é uma metodologia desenvolvida por Fabris (2008) que
consiste no processo de selecionar o material de análise a partir da problematização da pesquisa,
portanto um requisito para a seleção do desenho foi ele promover contracondutas e não ter
aparecido no levantamento feito anteriormente através do estado da arte. Em seguida, se assiste
o material diversas vezes com intuito de criar fichas para posterior seleção de trechos que serão
aproveitados para as análises. Utilizou-se, também, o que Fischer (2002) discute acerca do
“dispositivo pedagógico da mídia”, um conceito criado a partir dos conceitos de Foucault de
“dispositivo de sexualidade” e “modos de subjetivação”, permitindo-nos pensar sobre o modo
que a mídia opera na produção dos sujeitos e subjetividades a partir das imagens, significados
e sons presentes nos desenhos animados.
Compartilhamos também da ideia de Fabris (2008) de que os desenhos animados e
outros produtos midiáticos devem ser vistos para além do entretenimento e material
pedagógico, uma vez que são sistemas de significação e, enquanto nos divertem, desenvolvem
pedagogias e nos ensinam modos de vida. A investigação que faz o uso de desenhos animados
como material empírico é capaz de progredir de diversas formas, pois, a análise é feita com
base nos discursos, marcas e significados produzidos por eles.
Ainda de acordo com Fischer (2002), o dispositivo pedagógico da mídia é discursivo e
não discursivo de forma paralela, pois, da mesma forma que ele produz discursos e saberes, ele
também é uma teia de práticas de produção, veiculação e consumo de televisão aberta, cinema
e serviços de streaming que se encaminham para o discurso do eu, e que visam a produção de
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saberes sobre o sujeito e modos de ser presentes naquela sociedade. Desse modo, analisamos o
desenho animado, A Casa Coruja (2020), como um currículo atravessado por discursos, que
demandam múltiplas subjetividades de gênero, que contestam as normas e que endereçam
formas outras de se constituir como sujeitos.
Desenvolvimento
Buscando apresentar e contextualizar melhor A Casa Coruja (2020), pensamos em
introduzir resumidamente de que se trata o desenho animado e alguns fatos pertinentes por trás
da sua criação. A Casa Coruja foi um desenho estadunidense produzido pela Disney entre os
anos de 2020 e 2022 e possuía faixa etária de 10 anos ou mais. Ele foi criado e dirigido por
Dana Terrace, uma mulher bissexual de 33 anos e a quarta mulher a produzir uma série animada
para a empresa. Em A Casa Coruja (2020), somos convidados a acompanhar as aventuras de
Luz Noceda, a humana que acaba por atravessar um portal e vai parar nas Ilhas Escaldadas,
uma terra de fantasia habitada por bruxas e demônios. O desenho conta com vários personagens
LGBTQIA+, incluindo a personagem principal, Luz Noceda, que é a primeira protagonista
bissexual presente em um desenho animado da Disney. E, também, ganhou em 2020 o prêmio
Peabody Histórias que Importam, por ser responsável pela criação de um mundo imaginário
que se transformou num espaço que acolhe e abraça crianças queer.
A seguir, trazemos alguns vislumbres de pensamentos que surgiram com o desenho e o
que pôde ser entendido a partir deles. No primeiro episódio, intitulado “Uma Bruxa Mentirosa
e um Guardião” somos apresentados à Luz Noceda, uma adolescente humana, a bruxa Eda e
seu demônio King e às Ilhas Escaldadas, uma dimensão mágica. A partir de algumas situações
que acontecem com Luz no decorrer do episódio, buscamos um diálogo inicial com a autora
Judith Butler.
Luz Noceda acaba indo parar nas Ilhas Escaldadas por ser uma adolescente tida como
esquisita e por ser uma aluna que causava incômodo aos outros alunos da escola que
frequentava no mundo humano. Logo, Luz era uma aluna que se afastava da norma desejada
pela escola, e sua mãe foi chamada devido aos investimentos da escola para produzir um corpo
escolarizado e disciplinado não estarem funcionando da forma desejada (LOURO, 2015).
Devido a isso, a mãe de Luz decide mandá-la para passar as férias de verão no Acampamento
Pense Dentro da Caixa, um acampamento em que os adolescentes aprendem literalmente a
pensar dentro da caixa e em coisas tidas como normais pela sociedade.
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uma cena em que sua mãe está indo trabalhar e Luz espera o ônibus para o
acampamento e é nesse pequeno intervalo de tempo que seu livro de fantasia favorito é roubado
por uma coruja e ela a segue para uma casa abandonada e é devido a isso que Luz acaba indo
parar nas Ilhas Escaldadas. Chegando nas Ilhas, Luz conhece Eda e King e decide que irá ajuda-
los a recuperar um artefato poderoso de King, que foi apreendido pelos guardas e está preso
dentro do Conformatório. Um ponto interessante é que o nome Conformatório vem do verbo
conformar, que segundo o Dicionário Online de Português (CONFORMAR, 2023), significa:
se acomodar, submeter-se às circunstâncias ou a alguma coisa. A seguir, podemos ver uma
imagem da fachada do Conformatório.
É através das cenas que ocorrem no Conformatório, descrito pela personagem Eda como
“um lugar para aqueles que são incorretos para a sociedade”, ou seja, existe nesse mundo
mágico uma prisão para os seres que aos olhos da sociedade não são corretos e estão fora das
normas, e que por isso devem ser presos para servir de exemplo e serem conformados através
de formas de tortura.
Figura 2 O Conformatório
Fonte: Reprodução/Disney+
Após se infiltrarem no Conformatório, Luz e King encontram alguns prisioneiros, sendo
que estes simplesmente foram presos por fazerem coisas diferentes. A exemplo da menina que
gostava de escrever fanfics sobre comidas apaixonadas umas pelas outras, um demônio que
gostava de comer seus olhos e o pequeno monstro conspiracionista que esbraveja teorias da
conspiração por onde passa. Ao escutar os motivos pelos quais os prisioneiros foram presos,
Luz percebe que eles foram presos simplesmente por serem diferentes, assim como ela, e por
isso decide que irá soltá-los.
Em uma das cenas, pode-se observar o Guardião do Mal falando sobre a tortura ser uma
lição para esses prisioneiros tidos como esquisitos e excluídos, pois, não há lugar para que eles
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se encaixem nas normas vigentes da sociedade, a menos que seja como forma de regulação do
que é tido como diferente, abjeto, que deve ser punido, excluído e utilizado como forma de
reiterar o sujeito normal da sociedade das Ilhas Escaldadas.
Figura 3 Montagem com falas do personagem Guardião do Mal
Fonte: Elaborada pela autora
A partir do entendimento de Butler (2015, p. 154) de que “os corpos não se conformam,
nunca, completamente às normas”, pois, as normas necessitam constantemente de citações e
reconhecimentos para que sejam exercidas e devido a isso percebemos seu caráter performativo,
pensamos no Conformatório como peça chave para a materialização dos corpos dentro da
norma dominante desse mundo, pois, este possui o poder de reiterar o discurso tido como
normal a partir de regulações e constrangimentos impostos aos prisioneiros. É aqui que
percebemos que o Conformatório pode ser compreendido como a matriz excludente da
formação dos sujeitos, visto que, é responsável pela produção dos seres abjetos que não são
sujeitos, mas sim algo externo que constitui o sujeito (BUTLER, 2015). Logo, de acordo com
Butler (2015, p. 155) os prisioneiros são considerados seres abjetos que habitam as “zonas
inóspitas e inabitáveis da vida social [...] cujo habitar sob o signo do “inabitável” é necessário
para que o domínio do sujeito seja circunscrito”.
Prisioneiros, estes, que estão para servirem de exemplo do que não se deve ser, sendo
considerados seres abjetos, pois é preciso levarmos em consideração que para o sujeito tido
como normal existir, se faz necessária a exclusão de seres outros, que, “o sujeito é constituído
através da força da exclusão e da abjeção” (BUTLER, 2015, p. 155).
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 13
Após seu encontro com os prisioneiros, Luz se encontra com Eda e pergunta o motivo
de todos estarem presos apenas por serem eles mesmos e se questiona por que é tão ruim ser
esquisito e diferente. Cenas depois, há uma luta em que Eda ganha e foge junto com a Luz e o
King, mas, antes disso, ela ajuda Luz a libertar os “esquisitos” que estavam presos. Após libertar
todo mundo, Eda pede para Luz voltar para o mundo humano por conta dos perigos das Ilhas
Escaldadas, mas ela a desobedece ao ver que os prisioneiros que ajudou a liberar ainda estão
dentro do Conformatório.
Quando questionados por Luz do motivo de não terem ido embora, eles se mostram
conformados com a situação e respondem que é por não se enquadrarem na sociedade e por
isso seriam pegos novamente, então de nada adiantaria fugir. Ao ouvir isso, Luz decide motivá-
los a se rebelar e a serem livres, pois ser esquisito não é justificativa para ser preso, na verdade
é a estranheza que nos torna as pessoas únicas e incríveis que somos.
Figura 4 Montagem com falas da personagem Luz Noceda
Fonte: Elaborada pela autora
Luz não se conforma com a situação que é imposta a ela e aos outros prisioneiros e
decide criar uma rebelião dentro do Conformatório, já que, segundo ela ninguém deveria estar
preso por ser diferente, que está tudo bem em ser estranho e que os esquisitões devem ficar
juntos, e por conta disso eles colocam-se contra o que é tido como normal e lutam para se
desvincular dos meios de conduzir impostos pela sociedade das Ilhas Escaldadas. Com a
rebelião dos prisioneiros e a vitória sobre os guardas do Conformatório, observamos que a
Gênero, currículos de animação e a produção de contracondutas
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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personagem Luz e os prisioneiros podem representar uma “diferença que não quer ser
assimilada ou tolerada, e, portanto, sua forma de ação é muito mais transgressiva e
perturbadora” (LOURO, 2016, p. 39).
Conclusão
Visando trabalhar os desenhos animados como um currículo que trate de gênero e da
produção de contracondutas, buscamos fazer dele um lugar para afirmar a vida e as diferenças
de modo que se expanda e abrigue as vidas consideradas “vivíveis” e as “precárias” e, por fim,
ser território de escape (BUTLER, 2013; PARAÍSO; CALDEIRA, 2018). Devido à carga
educacional presente nos desenhos animados, compartilhamos do pensamento de Fischer
(1997) de que é importante analisar a presença da mídia no nosso cotidiano por conta da
produção e reprodução de crenças e preconceitos, que circulam na sociedade através das dias,
muitas vezes atuando como dispositivos pedagógicos, pois, “a mídia constrói, reforça e
multiplica enunciados propriamente seus, em sintonia ou não com outros discursos e instâncias
de poder” (FISCHER, 1997, p. 65), dando sua contribuição para a criação de novas realidades
e servindo como meio de ensino sobre elas.
Ao olhar para o desenho animado, percebe-se que as falas dos personagens questionam
as normas vigentes da sociedade da Ilha Escaldada. E que, apesar de não falar diretamente sobre
gênero, as cenas do primeiro episódio podem ser pensadas para tal, pelas críticas às normas
vigentes dos demônios. Visto que, ao pensarmos no Conformatório como excludente e em seus
prisioneiros como seres abjetos, pode-se fazer uma ligação com a forma com que o gênero é
construído, pois, segundo Butler (2015, p. 161): “a construção do gênero atua através de meios
excludentes, de forma que o humano é não apenas produzido sobre e contra o inumano, mas
através de um conjunto de exclusões, de apagamentos radicais [...]”.
Com isso em mente, observamos que A Casa Coruja é um desenho que possui uma
diversidade de personagens e representações e que, ao invés de excluir sujeitos, busca a inserção
de sujeitos outros, que antes não teriam espaços em desenhos animados, criando um espaço
para crianças e adolescentes diferentes e esquisitos (utilizamos a palavra esquisitos, devido à
uma das frases da personagem Luz ser: “Os esquisitos devem ficar juntos”) serem
representados. Dito isso, A Casa Coruja compreende, assim, um currículo, que ensina na e
através da mídia possibilidades para que ocorra a diversificação dos discursos sobre gênero e
sexualidade, gerando visibilidade para formas de ser, amar e viver diversas (LOURO, 2008).
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 15
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Gênero, currículos de animação e a produção de contracondutas
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 18
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradeço aos meus amigos, em especial Matheus Reis Dantas meu
amigo e apoio durante o mestrado. À minha orientadora Lívia de Rezende Cardoso.
Agradeço também à CAPES pela oportunidade de ser bolsista e à Universidade Federal de
Sergipe que me acolhe a quase 7 anos, e ao PPGED e seus professores por tantos
ensinamentos no decorrer desses 2 anos de mestrado. No mais, gratidão à todas as pessoas
que colaboraram.
Financiamento: CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Não se aplica
Disponibilidade de dados e material: A animação A Casa Coruja (The Owl House) pode
ser encontrada na internet.
Contribuições dos autores: Coleta de dados, análise e interpretação dos mesmos, bem
como a redação e revisão do texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 1
GENDER, ANIMATION CURRICULUMS AND THE PRODUCTION OF
COUNTERCONDUCT
GÊNERO, CURRÍCULOS DE ANIMAÇÃO E A PRODUÇÃO DE CONTRACONDUTAS
GÉNERO, CURRÍCULOS DE ANIMACIÓN Y LA PRODUCCIÓN DE
CONTRACONDUCTA
Ariane Gabriele Brasil Gois RABELO1
e-mail: arigabriele2@gmail.com
How to reference this article:
RABELO, Ariane Gabriele Brasil Gois. Gender, animation
curriculums and the production of counterconduct. Doxa:
Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1,
e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173
| Submitted: 15/02/2023
| Revisions required: 22/04/2023
| Approved: 11/06/2023
| Published: 01/08/2023
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Federal University of Sergipe (UFS), São Cristóvão SE Brazil. Master's student in the Graduate Program in
Education.
Gender, animation curriculums and the production of counterconduct
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 2
ABSTRACT: This article is based on Cultural Studies, Post-Critical Theories, Foucauldian,
Curriculum and Gender studies. With that in mind, we aim to build an articulation between the
curriculum present in the cartoon The Owl House and the production of gender-related
counterconducts throught the analyzed scenes. We sought, through a state of the art, to locate
what had already been produced about gender and cartoons and from what was found, we traced
new routes that led us to choose The Owl House for analysis. With the cartoon defined, we used
the filmography for analysis to choose the scenes to be analyzed, based on a dialogue with
Judith Butler and other authors, we concluded that The Owl House questions the norms and
inserts other subjects and different ways of existing.
KEYWORDS: Animation. Counterconducts. Curriculum. Cultural Studies. Gender.
RESUMO: Este artigo tem como base os Estudos Culturais, as Teorias Pós-Críticas, os
estudos Foucaultianos, de Currículo e de Gênero. Com isso em mente, objetivamos construir
uma articulação entre o currículo presente no desenho animado A Casa Coruja e a produção
de contracondutas relacionadas a gênero através das cenas analisadas. Buscamos por meio de
um estado da arte localizar o que já havia sido produzido sobre gênero e desenhos animados
e a partir do que foi encontrado, traçamos novas rotas que nos levaram a escolher para análise
o desenho animado A Casa Coruja. Com o produto audiovisual definido, utilizamos da
filmografia para escolher as cenas a serem analisadas, a partir de um diálogo com Judith
Butler e outros autores. Concluímos que A Casa Coruja questiona as normas e insere sujeitos
outros e modos diversos de existir.
PALAVRAS-CHAVE: Animação. Contracondutas. Currículo. Estudos Culturais. Gênero.
RESUMEN: Este artículo está basado em los Estudios Culturales, las Teorías Poscríticas y
los esdudios Foucaultianos, Curriculares y de nero. En ese sentido, pretendemos construir
una articulación entre el currículo presente em lo dibujo animado La Casa Búho y la
producción de contraconductas de género a través de las escenas analizadas. Buscamos a
través de um estado del arte, ubicar lo que ya se había producido sobre género y dibujos
animados, a partir de lo encotrado, trazamos nuevas rutas que nos llevaron a elegir lo dibujo
La Casa Búho para el análisis. Con el dibujo definido, utilizamos la filmografia de análisis
para elegir las escenas a analizar, a partir de un diálogo com Judith Butler y otros autores,
concluímos que La Casa Búho cuestiona las normas e inserta otros sujetos y formas diferentes
de existir.
PALABRAS CLAVE: Animación. Contraconductas. Currículum. Estudios Culturales.
Género.
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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Introduction
The present work is inspired by Cultural Studies and post-critical theories of the
curriculum, based on the interest in investigating the possibilities that cross cartoons and the
understanding that the curriculum is a cultural artifact that can assume different forms and
pedagogies, being present in several places besides the school (PARAÍSO, 2010). That said,
Paraíso (2016, p. 408) points out that in curricula “resistance is the creation of possibilities, as
it is an agency force that transforms and founds other and new relationships”. Therefore, I
understand the post-critical theories of the curriculum as a cradle for resistance and its
possibilities, as these theories seek to cover cultural, racial, ethnic, gender and sexuality issues
and rely on narratives that seek to insert historical and political placements in the curricula.
involved in the conception of identities and differences linked to power relations. Therefore,
through cultural studies and post-critical theories, we seek to expand the notion of curriculum
beyond that present in the school, because, despite being an expressive device for the
government, the school is not the only place that transmits forms of being and knowledge.
From the understandings of Hall (1992, 1997) and Kellner (2001, 2011) we observe the
cultural revolutions and the explosion of media culture in the 20th century, in which media and
technology now occupy positions of domination, since became the main means of
communication and circulation of cultures and various cultural artifacts. In this way, we observe
that the media culture crosses us from the contents disclosed in the media and that bring with
them different discourses, often helping in the construction of our identities and what is socially
accepted, because we are bombarded daily by this culture and by such speeches coming from
the media.
When thinking about the media, we observe that “the dominant means of information
and entertainment are a deep and often unnoticed source of cultural pedagogy” (KELLNER,
2001, p. 10, our translation). These are responsible for teaching us ways of being and
subjectivation that reflect the values and beliefs present in society. Therefore, we understand
that children and adolescents learn about ways of being a woman, a man, good or bad, moral or
immoral beyond the school territory due to the explosions of images and sounds that are present
outside the school.
This explosion of media culture contributed to the emergence of new research objects
in Cultural Studies. Therefore, cultural artifacts can be an object for analysis, thus, artifacts
such as the curriculum itself, cartoons, movies, music, television programs, books and others
can be chosen for analysis from Cultural Studies (PARAÍSO, 2004).
Gender, animation curriculums and the production of counterconduct
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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In view of this, what was understood as a curriculum was modified from the debates on
culture and society arising from Cultural Studies, thus, we understand culture as a production
of social relations, as it is in the midst of power relations, which means the existence of a culture
that is selected to be the “normal culture”, while there are others that are left aside because they
are not related to the groups that exercise power. So, the curriculum can be
seen as a cultural practice, a practice of production and transmission of
meanings; a space for representations of social and cultural groups [...] made
up of cultures, of ways of understanding the social world, of producing and
attributing meaning to it (PARAÍSO, 2004, p. 57, our translation).
In this way, we understand that other artifacts can produce and convey representations
of certain social behaviors, so soap operas, movies, comics, cartoons, series and others can end
up regulating us in some way (RAEL, 2020). In view of this, we understand that cartoons are
widely circulated curricula, which carry different discourses and legitimize truths.
Cardoso (2016) states that the subjectivities seen in cartoons lead children to recognize
themselves with the way of being present there, because, when covered by the constituent
discourses of these subjectivities, the government of conduct is established around what is and
what which is not considered a behavior of being a man or being a woman. Therefore,
depending on the imposed demarcation, some children and adolescents will embrace such a
discourse, while others will move away because they do not fit in with what that conduct
preaches.
By understanding designs as curricula, we also understand them as constructs of gender
norms. Therefore, we share the understanding of gender, such as Cardoso and Nascimento
(2017, p. 251, our translation) as being
a socio-historical-cultural construction, that is, beyond a biologically
established condition through male or female sex. It is constituted in social
relations when sexual characteristics gain meaning and representativeness,
becoming an element of the historical process and may vary depending on the
culture of the space where each subject is inserted.
When investigating cartoons, we can observe that they have different meanings.
Because, Giroux (1998, p. 50, our translation) observes that “the individual and collective
identities of children and young people are largely shaped, politically and pedagogically, in the
popular visual culture of videogames, television, cinema [...]” and this becomes visible when
we observe that there is a constant concern to control, monitor and build these children and
young people, whether at school, in their forms of leisure, how they dress and how they interact
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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with each other, because, “we are all urged to remain in the territory of the gender to which we
were assigned at birth” (LOURO, 2017, p. 77, our translation). From an early age, gender and
sex regulatory norms are present in our lives and are continually repeated and reiterated to forge
our bodies and compulsorily instill in them the heterosexual norm, which is considered normal
(BUTLER, 2015).
Therefore, sex is seen as a “regulatory ideal”, because, according to Butler (2015, p.
153-154, our translation) it
not only works as a norm, but is part of a regulatory practice that produces the
bodies it governs, that is, every regulatory force manifests itself as a kind of
productive power, the power to produce demarcate, circulate, differentiate
the bodies she controls.
From the understanding of power through Foucault (2010), it is understood that it is not
something that is centralized in a single person or group that exercises it over others, but that
power is something that spreads and crosses the most diverse levels social. Still according to
Foucault, power is not only repressive, but also productive, as it creates articulations between
knowledge and power that act in the production of diverse subjects.
Power is also present in the curriculum and this is an environment of constant disputes,
in which ways of being, of conducting and behaving are present, because in it are reproduced
knowledge and meanings that make us what we are. In the curriculum field, government is
understood as ways of conducting the conduct of oneself and others. Still according to
Foucault's thought, where there is power there is also resistance, and due to this it is never
outside power, thus, when we find ways to express ourselves to the point of breaking with the
behavior of the governed, we refuse to being conducted in the same way as others and this
“fight against the procedures put in place to lead others” was what Foucault (2008, p. 266)
called counter-conduct.
Subjectivity is understood here as something that is produced “by different discourses,
by power relations and by the relationships that the subject establishes with himself and with
others” (SILVA; PARAÍSO, 2012, p. 4, our translation). Still according to Paraíso (2006, p.
101, our translation) the strategies and practices that lead individuals to “relate with themselves
and with others as subjects of a certain type” are understood as modes of subjectivation and, in
this process, it is established the government of subjects through subtle techniques.
De Melo (2020) understands that it is through these techniques that behaviors are shaped
and established in the standards of the norm. Consequently, there are cartoons that reiterate the
dominant norms of society through their conduct. However, there are also those who flee these
Gender, animation curriculums and the production of counterconduct
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norms and propagate diversity by breaking standards, as they struggle to have other ways of
being led and following paths that lead them to new paths and inventions.
According to Ellsworth (2001), every media product has addressing issues linked to it,
and cartoons are no different. That said, it is necessary to understand how the addressing mode
works, and according to the author, it is enough just to ask ourselves: who does this cartoon
think you are? In this reflective exercise, it is possible to analyze how such curricula perceive
diversity, desire specific genres and produce subjectivations of certain types. Because, like
other media products, drawings are also made for someone and with some intention. They
“challenge us to assume our place on the screen, so that we identify with some positions and
dismiss others” (FABRIS, 2008, p. 118, our translation).
According to Silva (2008), when we understand that subjectivity is constructed from
different social relationships, we are able to interrogate and observe how children and
adolescents have been polished. In this context, is it interesting to analyze cartoons to find out
which discourses on gender are present in them? Which subjects and identities are being
formed, represented and produced by them? To whom are these drawings addressed? We need
to understand that such media products are not just ludic entertainment, but are also the field of
circulation of various representations, often not questioned, as these educational processes that
occur from the drawings have “subtle and refined strategies of naturalization that need to be
recognized and problematized” (MEYER, 2020, p. 19, our translation). Considering such
questions, we propose as the main guiding objective: To analyze the cartoon as a curriculum
that produces counter-conducts and other ways of being from the gender perspective.
Methodology
This is qualitative research that uses Cultural Studies and the freedom of post-critical
methodologies to expand the cartoons addressed to children and youth, in order to investigate
the curricula that they can externalize. Inspired by Paraíso (2014), we launched ourselves into
the post-critical methodology because it is freer and allows flexibility that other methodologies
would not allow, since research is driven by our questions, inquiries and the problems we
formulate along the way. traversed in search of answers. However, it is important to remember
that in post-critical methodologies, although we are always creating our own methodology, we
can use already known investigative procedures and practices, but it is important to emphasize
that we should not be trapped by these practices.
Ariane Gabriele Brasil Gois Rabelo
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The research methodology is divided into two parts, the first being a state of the art,
because, according to Romanowski and Ens (2006), this type of survey brings important
contributions and systematizes what has already been produced in a given research area. Thus,
serving our purpose of locating what has already been done and analyzed in the area of gender
studies regarding cartoons. This search was carried out with the intention of excluding from the
analysis stage the materials already used by other authors, since, when working with counter-
conducts, we thought it would be interesting to bring cartoons that have not yet been analyzed
to be discussed during the research.
The searches were carried out on the following platforms: Brazilian Digital Library of
Theses and Dissertations, Google Scholar, Portal de Periódicos da CAPES and Scientific
Electronic Library Online and at the end of the searches we found a total of 14,362 texts, but,
due to the descriptors and inclusion criteria, only 56 of these works were selected. The results
of these searches can be seen in the table below:
Table 1 - Search results on platforms
Platforms Used
Texts Found
Reading of
Abstracts
In-depth
Reading
Excluded
Selected
BDTD
248
13660
248
310
12
95
233
13620
10
40
Google Scholar
Capes
periodicals
446
446
5
441
5
SciELO
8
8
2
7
1
Total
14362
1012
114
14306
56
Source: Elaborated by the author
The high number of initial texts is due to the fact that even when selecting Gender
Relations as a keyword in the search engines, many of the works found referred to the animation
genre or to other literary genres.
To arrive at the results, we used the following pairs as descriptors: Gender Relations
and Animations; Gender Relations and Cartoons and, finally, Gender Relations and Films. As
inclusion criteria, we used: title, abstract or keyword that were related to the theme of gender
relations and cartoons, or CVs. In addition, the texts should have been published within a period
of 15 years and they should have free access. And, as an exclusion criterion, we used: duplicate
publications, or that did not deal with gender relations, or that did not follow the inclusion
criteria.
With the search completed, we began the analyzes themselves and the 56 texts were
divided into three categories. Based on the descriptors that were used in their searches, at the
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end of the analyses, we observed that, of the 56 works, only two resembled something like this
research that is under development. The first being the dissertation entitled "Childhood in
animated films: power, government and subjectivation of children" defended in 2008 by Maria
Carolina da Silva, in which the author thinks of animated films as curricula and through her
analyzes from the films Toy Story (1995), Monster Inc. (2001), Finding Nemo (2003) and The
Incredibles (2004), questions what types of subjects are being formed by these curricula, as
well as what subjectivities are present in these films, in addition to think about how childhood
is placed in these cultural artifacts and how children's artifacts have been produced in the same
way.
The other work found is the 2016 article entitled “Gender Relations, science and
technology in the curriculum of animation films”, by Lívia de Rezende Cardoso, in which the
author sought to analyze the gender relations present in the films Cloudy with a Chance of
Meatballs (I and II) through the scientific-technological discourse and could observe the
production of different positions of male and female subjects in science. We believe it is valid
to say that both works were used as a reference and inspiration for the theme and development
of this research.
With the works chosen and analyzed, we selected the cartoon The Owl House produced
in 2020 by Disney. Below is the promotional poster for the drawing, in which we can see the
three main characters: Luz, the human, Eda, the owl woman and King, the demon.
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Figure 1 Promotional Poster The Owl House
Source: Reproduction/Disney
Filmography for Analysis is a methodology developed by Fabris (2008) which consists
of the process of selecting the material for analysis based on the questioning of the research.
through the state of the art. Then, the material is watched several times in order to create sheets
for later selection of excerpts that will be used for the analyses. It was also used what Fischer
(2002) discusses about the “media pedagogical device”, a concept created from Foucault's
concepts of “sexuality device” and “modes of subjectivation”, allowing us to think about the
way that the media operates in the production of subjects and subjectivities from the images,
meanings and sounds present in cartoons.
We also share the idea of Fabris (2008) that cartoons and other media products should
be seen beyond entertainment and pedagogical material, since they are systems of meaning and,
while they entertain us, they develop pedagogies and teach us ways of life. The investigation
that uses cartoons as empirical material is able to progress in different ways, since the analysis
is based on the discourses, marks and meanings produced by them.
Still according to Fischer (2002), the pedagogical device of the media is discursive and
non-discursive in a parallel way, because, in the same way that it produces discourses and
knowledge, it is also a web of practices of production, transmission and consumption of
television. open, cinema and streaming services that move towards the discourse of the self,
and that aim at the production of knowledge about the subject and ways of being present in that
society. In this way, we analyze the cartoon, The Owl House (2020), as a curriculum crossed
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by discourses, which demand multiple gender subjectivities, which challenge norms and which
address other ways of constituting oneself as subjects.
Development
Seeking to better present and contextualize The Owl House (2020), we thought of briefly
introducing what the cartoon is about and some pertinent facts behind its creation. The Owl
House was an American cartoon produced by Disney between the years 2020 and 2022 and had
an age range of 10 years or more. It was created and directed by Dana Terrace, a 33-year-old
bisexual woman and the fourth woman to produce an animated series for the company. In The
Owl House (2020), we are invited to follow the adventures of Luz Noceda, the human who ends
up going through a portal and ends up in the Boiling Islands, a fantasy land inhabited by witches
and demons. The cartoon features several LGBTQIA+ characters, including the main character,
Luz Noceda, who is the first bisexual protagonist to appear in a Disney cartoon. And also won
the 2020 Peabody Award Stories that Matter, for being responsible for creating an imaginary
world that has become a space that welcomes and embraces queer children.
Next, we bring some glimpses of thoughts that came up with the drawing and what could
be understood from them. In the first episode, entitled “A Lying Witch and a Guardian” we are
introduced to Luz Noceda, a human teenager, the witch Eda and her demon King and the
Scalded Isles, a magical dimension. From some situations that happen to Luz throughout the
episode, we seek an initial dialogue with the author Judith Butler.
Luz Noceda ends up in the Boiling Islands for being a teenager who is considered weird
and for being a student who causes discomfort to the other students at the school she attended
in the human world. Soon, Luz was a student who deviated from the norm desired by the school,
and her mother was called because the school's investments to produce a schooled and
disciplined body were not working as desired (LOURO, 2015). Because of this, Luz's mother
decides to send her to spend her summer vacation at Camp Reality Check, a camp where
teenagers literally learn to think inside the box and think about things considered normal by
society.
There's a scene where her mother is going to work and Luz is waiting for the bus to go
to camp and it's in that short period of time that her favorite fantasy book is stolen by an owl
and she follows her to an abandoned house and that's why Luz ends up on the Boiling Islands.
Arriving on the Islands, Luz meets Eda and King and decides that he will help them recover a
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powerful artifact from King, which was seized by the guards and is trapped inside the
Conformatorium. An interesting point is that the name Conformatorium comes from the verb
to conform, which according to the Portuguese Online Dictionary (CONFORMAR, 2023),
means: to accommodate, submit to circumstances or something. Below we can see an image of
the facade of the Conformatorium.
It is through the scenes that take place in the Conformatorium, described by the character
Eda as “a place for those who are incorrect for society”, that is, there is in this magical world a
prison for beings who, in the eyes of society, are not correct and are outside. norms, and who
therefore must be arrested to serve as an example and be conformed through forms of torture.
Figure 2 The Conformatorium
Source: Playback/ Disney+
After infiltrating the Conformatorium, Luz and King find some prisoners, who were
simply arrested for doing different things. Like the girl who liked to write fanfics about food in
love with each other, a demon who liked to eat her eyes and the little conspiracy monster who
spouts conspiracy theories wherever she goes. When listening to the reasons why the prisoners
were arrested, Luz realizes that they were arrested simply because they were different, just like
her, and therefore decides that she will release them.
In one of the scenes, the Guardian of Evil can be seen talking about torture being a
lesson for these prisoners who are seen as weird and excluded, because there is no place for
them to fit into the current norms of society, unless it is like form of regulation of what is
considered different, abject, which must be punished, excluded and used as a way of reiterating
the normal subject of society in the Boiling Islands.
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Figure 3 Montage with speeches by the character Guardian of Evil
Source: Elaborated by the author
Based on the understanding of Butler (2015, p. 154, our translation) that “bodies never
completely conform to norms”, since norms constantly need citations and acknowledgments
for them to be exercised and due to this, we perceive their character performative, we think of
the Conformatorium as a key piece for the materialization of bodies within the dominant norm
of this world, since it has the power to reiterate the discourse considered normal based on
regulations and constraints imposed on prisoners. It is here that we realize that the
Conformatorium can be understood as the exclusionary matrix of the formation of subjects,
since it is responsible for the production of abject beings that are not subjects, but something
external that constitutes the subject (BUTLER, 2015). Therefore, according to Butler (2015, p.
155, our translation) prisoners are considered abject beings who inhabit the “inhospitable and
uninhabitable zones of social life [...] of the subject is circumscribed”.
Prisoners, these, who are there to serve as an example of what one should not be, being
considered abject beings, since it is necessary to take into account that for the subject considered
normal to exist, it is necessary to exclude other beings, since, “the subject is constituted through
the force of exclusion and abjection” (BUTLER, 2015, p. 155, our translation).
After her encounter with the prisoners, Luz meets with Eda and asks why everyone is
locked up just for being themselves and wonders why it's so bad to be weird and different.
Scenes later, there is a fight in which Eda wins and escapes along with Luz and the King, but
before that, she helps Luz free the “weirdos” who were trapped. After freeing everyone, Eda
asks Luz to return to the human world because of the dangers of the Scalded Isles, but she
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disobeys her when she sees that the prisoners, she helped free are still inside the
Conformatorium.
When asked by Luz why they didn't leave, they are resigned to the situation and answer
that it's because they don't fit into society and that's why they would be caught again, so there
would be no point in running away. Upon hearing this, Luz decides to motivate them to rebel
and be free, because being weird is not a justification for being arrested, in fact it is the
weirdness that makes us the unique and amazing people that we are.
Figure 4 Montage with speeches by the character Luz Noceda
Source: Elaborated by the author
Luz is not satisfied with the situation that is imposed on her and the other prisoners and
decides to create a rebellion within the Conformatorium, since, according to her, no one should
be imprisoned for being different, that it is okay to be strange and that weirdos should stay
together, and because of that they stand against what is considered normal and fight to break
free from the means of conduct imposed by the society of the Scheldt Isles. With the prisoners’
rebellion and the victory over the Conformatorium guards, we observe that the character Luz
and the prisoners can represent a “difference that does not want to be assimilated or tolerated,
and, therefore, its form of action is much more transgressive and disturbing” (LOURO, 2016,
p. 39, our translation).
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Conclusion
Aiming to work cartoons as a curriculum that deals with gender and the production of
counter-conducts, we seek to make it a place to affirm life and differences in a way that expands
and shelters the lives considered “livable” and those considered “precarious” and, finally, being
an escape territory (BUTLER, 2013; PARAÍSO; CALDEIRA, 2018). Due to the educational
load present in cartoons, we share Fischer's (1997) thought that it is important to analyze the
presence of the media in our daily lives due to the production and reproduction of beliefs and
prejudices, which circulate in society through the media, often acting as pedagogical devices,
because “the media builds, reinforces and multiplies their own statements, in tune or not with
other discourses and instances of power” (FISCHER, 1997, p. 65, our translation), contributing
to the creation of new realities and serving as a means of teaching about them.
When looking at the cartoon, it is clear that the lines of the characters question the
current norms of society on the Uncharted Island. And that, despite not talking directly about
gender, the scenes of the first episode can be thought of for this, by criticizing the current norms
of demons. Since, when we think of the Conformatorium as excluding and its prisoners as abject
beings, a connection can be made with the way in which gender is constructed, because,
according to Butler (2015, p. 161, our translation): “the construction of gender acts through
excluding means, so that the human is not only produced over and against the inhuman, but
through a set of exclusions, of radical erasures [...]”.
With that in mind, we observe that The Owl House is a cartoon that has a diversity of
characters and representations and that, instead of excluding subjects, it seeks the insertion of
other subjects, who previously would not have spaces in cartoons, creating a space for different
and weird children and teenagers (we use the word weirdos, due to one of Luz's phrases being:
“Weird people should stay together”) are represented. That said, The Owl House thus comprises
a curriculum, as it teaches in and through the media possibilities for the diversification of
discourses on gender and sexuality to occur, generating visibility for different ways of being,
loving and living (LOURO, 2008).
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Gender, animation curriculums and the production of counterconduct
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023009, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18173 18
CRediT Author Statement
Acknowledgments: I thank my friends, especially Matheus Reis Dantas, my friend and
support during the master's degree. To my advisor Lívia de Rezende Cardoso. I also thank
CAPES for the opportunity to be a scholarship holder and the Federal University of Sergipe
that has welcomed me for almost 7 years, and PPGED and its professors for so many
teachings during these 2 years of the master's degree. Furthermore, thanks to all the people
who collaborated.
Financing: CAPES Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: Not applicable
Availability of data and material: The animation A Casa Coruja (The Owl House) can be
found on the internet.
Authors' contributions: Data collection, analysis and interpretation, as well as text writing
and proofreading.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.