Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188 1
APONTAMENTOS PARA PENSAR EM POÉTICAS QUEER NEGRAS NO BRASIL
DA ATUALIDADE
NOTAS PARA PENSAR LAS POÉTICAS QUEER NEGRAS EN EL BRASIL ACTUAL
NOTES FOR THINKING ABOUT BLACK QUEER POETICS IN BRAZIL TODAY
Leandro COLLING1
e-mail: colling@ufba.com
Como referenciar este artigo:
COLLING, L. Apontamentos para pensar em poéticas queer
negras no Brasil da atualidade. Doxa: Rev. Bras. Psico. e
Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN:
2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188
| Submetido em: 10/05/2023
| Revisões requeridas em: 22/06/2023
| Aprovado em: 22/06/2023
| Publicado em: 01/08/2023
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador BA Brasil. Professor permanente do Programa
Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade. Doutorado em Comunicação e Cultura Contemporânea
(UFBA).
Apontamentos para pensar em poéticas queer negras no Brasil da atualidade
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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RESUMO: O texto enfatiza que nas recentes produções artísticas de pessoas LGBTQIA+ está
sendo construída uma indissociabilidade entre sexo, gênero e raça. Essa intersecção também
está presente nos estudos acadêmicos mais recentes, que promovem um diálogo entre
feminismos negros, queer e decoloniais. O objetivo central do texto é proporcionar uma
reflexão sobre essas interseccionalidades e fornecer alguns insights para a compreensão das
poéticas queer negras contemporâneas.
PALAVRAS-CHAVE: Arte. Artivismo. Feminismos. Interseccionalidade. Poéticas.
RESUMEN: El texto argumenta que las recientes producciones artísticas de las personas
LGBTQIA+ construyen una inseparabilidad entre sexo - género y raza. Esta intersección
también se está produciendo en los estudios académicos más recientes que producen un diálogo
entre los feminismos negros, queer y decoloniales. El propósito del texto es reflexionar sobre
estas interseccionalidades y producir algunos apuntes para pensar la poética queer negra hoy.
PALABRAS CLAVE: Arte. Artivismo. Feminismos. Interseccionalidad. Poéticas.
ABSTRACT: The text emphasizes that in recent artistic productions by LGBTQIA+
individuals, an indissociability between sex, gender, and race is being constructed. This
intersection is also present in the most recent academic studies, which foster a dialogue
between black feminism, queer studies, and decolonial perspectives. The central objective of
the text is to promote a reflection on these intersectionalities and provide some insights for
understanding contemporary black queer poetics.
KEYWORDS: Art. Artivism. Feminisms. Intersectionality. Poetics.
Leandro COLLING
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Introdução
Nos últimos 15 anos, surgiu no Brasil o que inicialmente denominamos de “cena
artivista das dissidências sexuais e de gênero” (COLLING, 2019). Em textos anteriores,
pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Culturas, Gêneros e Sexualidades
(NuCuS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) definiram o conceito dessa cena,
abordaram algumas das condições que permitiram seu surgimento e estabeleceram diálogos e
aprendizados com diversos coletivos e artistas e suas produções.
De forma resumida, conclui-se que essa cena se consolidou no Brasil por várias razões,
destacando-se as seguintes: 1) Resposta à onda conservadora e fundamentalista que ganhou
força no país por volta de 2011; 2) A força dos movimentos sociais, que conseguiram aumentar
significativamente a visibilidade das pessoas LGBTQIA+, especialmente por meio de paradas,
mídia e também nas artes; 3) A ampliação do acesso às novas tecnologias e o uso sistemático e
estratégico das redes sociais por parte dos artistas; 4) O notável crescimento dos estudos de
gênero e sexualidade nas universidades brasileiras, especialmente aqueles situados dentro das
perspectivas do feminismo negro, queer e decoloniais, influenciado também pela ampliação
geral do acesso ao ensino superior e pelo impacto da existência de uma maior diversidade de
estudantes, resultado, por exemplo, das cotas para pessoas negras, indígenas e trans; 5) A
proliferação e ampliação de diversas identidades trans, não binárias, bixas, sapatonas e outras
formas identificação. Não por acaso, são pessoas com essas identidades que desempenham um
papel significativo na produção desta cena (COLLING, 2019).
A combinação desses cinco aspectos, possibilitou o surgimento de outra cena artística
no país. Essa cena possui raízes na história das artes cênicas brasileiras, como exemplificado
pelo teatro de Dzi Croquettes, Vivencial Diversiones, Teatro Oficina e Os Satyros, que traz
consigo elementos inovadores. De toda forma, fica claro que, na última década, houve um
florescimento dessas produções artivistas das dissidências em diversas regiões do Brasil e em
múltiplas formas de expressão artística, criadas por uma multidão
de pessoas com consciência
do caráter político e ativista de suas obras.
Essas produções artísticas evidenciam tanto as sexualidades e os gêneros dissidentes,
bem como outros marcadores sociais, como raça, classe e padrões corporais, quanto suas
intenções e lutas políticas por uma sociedade que valorize e aprenda com a diversidade. As
produções artísticas operam com ativismo e arte de maneira inseparável. Acreditamos que a
Utilizado aqui multidão no sentido de Paul B. Preciado (2011).
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chave de leitura do artivismo, presente antes dessas novas produções, pode ser acionada e
aprimorada. Nesse sentido, defendemos que o artivismo não se trata de uma identidade a ser
atribuída a artistas ou obras, mas sim de uma abordagem analítica que emerge a partir da própria
análise das obras em que a dimensão artística e ativista se encontram entrelaçadas, interligadas
e indissociáveis.
Conforme apontado por Rose de Melo Rocha (2021, p. 18), em suas reflexões sobre
artivismo diz que, mais do que uma imbricação, configura-se uma iniciativa de reflexão e de
ação cujos princípios norteadores são da não separação. [...] Trata-se de defender uma junção
irrevogável entre arte e política, na proposição de não separar os dois polos”.
Após elucidar a origem dessa cena, direcionamos nossa atenção para sua expressão
artística, explorando as linguagens empregadas, sua conexão com a arte contemporânea e a
forma como os artistas estão concebendo suas obras. Uma característica notável é a forte
afinidade das produções artísticas dessa cena com as perspectivas queer e o que é conhecido
como arte contemporânea: 1) A crítica ao binarismo de gênero, amplamente presente nos
estudos queer, é habilmente manifestada nas letras de canções, dramaturgias, performances e
performatividades de nero dos artistas, ressaltando a sinergia entre a mistura de linguagens
artísticas e um elemento fundamental da arte contemporânea; 2) O propósito dessas criações é
provocar estranhamento e mobilizar o público, ou seja, a intenção é produzir arte que questione
os padrões e normas, sejam elas relacionadas a gênero e sexualidade ou ao próprio “cis-tema
de arte” (SOUSA, 2022). A abordagem não visa aderir a uma representação considerada
respeitável no contexto cisheteronormativo (VERGUEIRO, 2018).
Poética queer
Podemos concluir então, que essa cena nos apresenta uma poética queer? Ao
considerarmos a literatura, o pesquisador Anselmo Peres Alós (2010) realizou reflexões
pertinentes no texto Narrativas da sexualidade: pressupostos para uma poética queer,
discutindo as mudanças na noção de poética ao longo do tempo e apresentando sua concepção
de uma poética queer. Dentro do campo da teoria literária, Alós expõe que
[...] a noção de poética tem pelo menos duas acepções: uma de natureza
normativa, outra de natureza descritiva. Historicamente, a primeira noção de
poética está associada a modelos normativos do fazer literário. Basta pensar
nas poéticas de Aristóteles e Boileau, por exemplo, as quais normatizavam,
através de um conjunto de regras, o fazer literário. Após a ruptura provocada
pelo formalismo russo e pelo estruturalismo francês, o termo 'poética' foi
Leandro COLLING
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aplicado não a estudos de ordem 'normativa', mas a estudos de ordem
'descritiva'. Assim como a linguística estrutural buscou a descrição do
funcionamento da língua, a poética estrutural buscou descrever o
funcionamento da literatura, particularmente dos textos narrativos. [] Com
a derrocada do mito de uma estrutura universal sobre o qual o pensamento
estruturalista estava assentado, o termo poética perdeu sua pretensão
universalista e ganhou uma nova conotação. Ao invés de buscar as 'constantes
universais' que definiriam o romance, o conto, a poesia ou o teatro, o termo
passa a ser utilizado em contextos mais específicos, dando conta de questões
mais ou menos abrangentes, sem, no entanto, ambicionar a universalização
dessas recorrências (ALÓS, 2010, p. 842).
Ao discorrer sobre uma poética queer, o autor enfatiza que devemos considerar uma
poética que transcenda os domínios de uma abordagem puramente autoral. “Os fundamentos
de uma poética queer, nesse sentido, não estão apenas a serviço de uma descrição das narrativas;
eles também possibilitam uma acurada análise de como o texto reflete, subverte e questiona a
realidade do mundo social no qual está inserido” (ALÓS, 2010, p. 843). Ao seguir os conceitos
de Anselmo Alós (2010) sobre o que constituiria uma poética queer - ou seja, pensar como
as expressões artísticas das dissidências têm refletido, subvertido e questionado nossa realidade
- percebemos que a expressão não é suficiente para abranger toda a complexidade dessa cena
artística. Isso ocorre não apenas devido à existência de múltiplas poéticas, conforme destacado
por Alós (2010), que defende a não adoção de objetivos universalizantes ao abordar uma
poética, mas também porque os artistas dessa cena se encontram em uma fase que poderíamos
chamar de pós-queer.
Mas o que seria o pós-queer? Se o movimento queer inicialmente produziu importantes
intersecções entre sexo, gênero e sexualidade, o pós-queer, no Brasil, têm produzido uma
ampliação da interseccionalidade que talvez ainda não compreendamos totalmente: ele engloba
a intersecção entre sexo, gênero, sexualidade, raça e identidades étnico-raciais, entre outros
marcadores sociais. Esse desenvolvimento se deve, em parte, à influência e vigor do feminismo
negro em nosso país, e à proliferação de seus ativismos e estudos tanto dentro como fora das
universidades. Portanto, a expressão mais apropriada para descrever essa cena artística é “cena
artivista das dissidências sexuais, raciais e de gênero”. Essa escolha não se baseia somente no
fato de que grande parte dessa cena é produzida por pessoas negras e pardas, mas também
porque as dimensões raciais, presentes nas obras, estão intrinsicamente ligadas às dimensões
sexuais e de gênero.
Apontamentos para pensar em poéticas queer negras no Brasil da atualidade
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Resistências
Como as pessoas artistas LGBTQIA+ negras estão questionando os preconceitos
relacionados à sexualidade, gênero e raça? Evidentemente, isso tem sido feito de formas muito
diversas. Inicialmente, foi proposto uma reflexão sobre o termo denominado “resistência com
alegria” (COLLING, 2022, p. 21). Detectamos como a ideia de resistência é acionada e
elaborada pelos próprios artistas. Vejamos alguns exemplos: “Eu sou / A voz da resistência
preta”, cantou WD no dia 26 de outubro de 2021, nas audições às cegas do programa The voice
Brasil, da Rede Globo
. Sua atuação encantou os jurados que prontamente se voltaram para
ouvir o intérprete. A letra da música narra a história de um menino que enfrentou abusos durante
a infância, foi estigmatizado por conta de sua voz e cor, abandonado pelos pais e criado pelos
avós, nutrindo uma admiração desmedida pelos brancos. O refrão
traz a mensagem poderosa
“Tudo começou dar certo quando eu aprendi me amar”. Através dessa letra, WD denuncia o
racismo e, simultaneamente, sua performance no palco evidencia sua disposição em questionar
as normas sociais relacionadas a gênero e sexualidade. Essa postura torna-se ainda mais clara
no lançamento posterior do clipe oficial da mesma canção, onde desde a abertura é destacado
que o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo.
Em janeiro de 2022, a Rede Globo tomou a decisão de incluir a cantora Linn da
Quebrada como uma das participantes do programa Big Brother Brasil. Anteriormente, em
2017, Linn e outros integrantes do grupo As Bahia e a Cozinha Mineira estrelaram uma
campanha publicitária da vodca Absolut, com o slogan A arte resiste, que contou com um clipe
e um imenso mural em um prédio localizado no Centro de São Paulo
. Linn se autodefiniu
como bixa preta, bixa travesty
e, no BBB, se apresentou como travesti. Na canção Corpo sem
juízo, em parceria com Jup do Bairro (2019), Linn aciona seu corpo como um espaço de
resistência e expressa: É como estar diante da morte e permanecer imortal/ É como lançar à
própria sorte e não ter direito igual/ Mas eu resisto, eu insisto, eu existo/ Não quero o controle
de todo esse corpo sem juízo”
.
Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/9985057/. Acesso em: 6 de fev. 2022.
Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/9985057/. Acesso em: 6 de fev. 2022.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/vodca-faz-anuncio-artistico-em-defesa-da-
diversidade.shtml e https://www.youtube.com/watch?v=uunq-c97qexU&feature=emb_title. Acesso em: 5 fev.
2021.
Referência à música Bixa Travesty e ao filme homônimo de Linn da Quebrada.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6il3RlZSlgM. Acesso em: 09 fev. 2022.
Leandro COLLING
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Em abril de 2021, o Corre Coletivo Cênico, de Salvador, disponibilizou em seu canal
no Youtube a série Para-íso, composta por oito episódios
. A história gira em torno de um grupo
de bixas negras que se reúne durante a pandemia de Covid-19, após a morte de uma delas em
decorrência do HIV-Aids. As personagens Leka, Tito, Miguel, Rogério e Paul, interpretadas
por Anderson Dantas, Igor Nascimento, Luiz Antônio Sena Jr, Marcus Lobo e Rafael Brito,
respectivamente, se encontravam em uma casa, descrita como uma espécie de cuíerlombo
(NASCIMENTO, 2018), onde a bixa falecida morava e acolhia as demais.
Em uma das cenas mais comoventes do espetáculo, as personagens observavam pela
janela de um casarão localizado no bairro do Comércio, em Salvador, ao lado de outros prédios
semiabandonados, algumas plantas que cresciam teimosamente nas rachaduras dos antigos
casarões. Nesse momento, os indivíduos fizeram uma conexão entre a imagem dessas plantas e
a ideia de resistência. Através desse simbolismo, as vegetações, ao crescerem em lugares
difíceis e abandonados, demonstram sua capacidade de resistir às adversidades. Diante disso, a
personagem Leka expressou para suas amigas “Nós somos como aquelas plantas, a gente é
resistência”.
Após apreciar como a ideia de resistência é abordada em várias obras artísticas,
retornamos as reflexões feitas por Michel Foucault, Espinosa e Paul B. Preciado
sobre esse
tema. Além disso, foi buscado referências em diversas autorias negras que enfatizam como a
resistência, muitas vezes manifestada de maneira sutil, caracteriza a própria história do povo
negro (conforme exemplificado em BONA, 2020). Para discutirmos sobre alegria, precisamos
analisar o livro Pensar nagô, de Muniz Sodré (2017), que destaca que para os nagôs a alegria
não é apenas um afeto passageiro, mas sim uma forma de encarar e conduzir a vida. Sugerindo
assim, que a celebração e a alegria presentes na cultura nagô se (re)conectam com a própria
história de formação de identidades LGBTQIA+ e com a conquista de maior visibilidade
.
Essa perspectiva instiga à seguinte reflexão: será que a tristeza é um afeto vinculado à
branquitude e à heteronormatividade?
Os episódios não estão mais disponíveis, mas o perfil é:
https://www.youtube.com/channel/UChxaYE9UEZTTlqaLVK3_7Hg. Acesso em: 15 jan. 2022.
Essas ideias e autores estão desenvolvidas em Colling (2022).
Apesar de a história oficial de criação do movimento gay ter como mito fundador a Revolta de Stonewall,
provocada também pelo direito a se encontrar e festejar, a historiografia e demais estudos sobre as políticas para
o respeito à diversidade sexual e de gênero parecem apostar apenas nos afetos tristes e nos problemas pelos quais
passam a comunidade LGBT. Penso que é vital recuperarmos a alegria como constituinte de nossas identidades,
tanto na militância como nos estudos. Sobre isso, ler Militancia alegre. Tejer resistencias, florecer en tiempos
tóxicos, de Carla Bergman y Nick Montgomery (2023).
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Teatro negro, bixa e macumbeiro
A questão mencionada anteriormente ficará em aberto, embora ela consiga promover
um diálogo crítico com produções mais recentes, provenientes de perspectivas queer
antissociais e do afropessimismo. Serão apresentados alguns elementos da indissociabilidade
entre sexo, gênero, sexualidade e raça dissidentes, que estão presentes em recentes peças de
teatro montadas e exibidas em Salvador. Por meio de pesquisas
, foi evidenciado que o Teatro
Negro soteropolitano tem gradualmente explorado temas além do racismo, diferenciando-se,
assim, das primeiras peças do Teatro Experimental do Negro (TEN). Em Salvador, o Bando de
Teatro Olodum, herdeiro do TEN, expandiu suas discussões para além da raça, abordando
também, por exemplo, o empoderamento das mulheres negras e, em algumas peças, incluiu
personagens trans, como ocorreu no espetáculo Cabaré da rrrrraça, de 1997.
Ao traçarmos uma breve genealogia sobre o novo teatro negro da Bahia, identificamos
como as produções do Teatro da Queda radicalizaram a proposta ao colocar no centro do palco
as dissidências sexuais, raciais e de gênero. Um exemplo desse movimento foi o espetáculo
Rebola, escrito por Daniel Arcades e dirigido por Thiago Romero, que retrata a história do Beco
dos Artistas a partir da tristeza do proprietário do bar Xampoo em ter que encerrar suas
atividades, bem como a luta das drags, muitas delas negras, para preservar o espaço em que
trabalham. A peça tratou da experiência individual de cada drag, com os roteiros sendo
elaborados a partir das experiências dos atores e atrizes. A estreia ocorreu em 8 de junho de
2016, no próprio Beco dos Artistas, em Salvador.
Dentre as diversas personagens da peça, destacava-se Koanza, interpretada pelo ator
baiano, negro, Sulivã Bispo. Koanza, uma drag preta afrocentrada
, era uma das personagens
negras que se sobressaía na peça por ser seguidora do Candomblé e por dialogar, em vários
momentos do espetáculo, com outra personagem evangélica que expressava sua intolerância
religiosa. Sulivã descreveu Koanza como uma personagem criada com base em diversas
referências de mulheres negras (JESUS, 2019).
De forma concomitante, membros do Teatro da Queda também participaram de diversas
produções realizadas pelo Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA),
reconhecido por levar aos palcos narrativas inspiradas nas mitologias dos orixás. Sob a direção
Me refiro aqui a trabalhos que desenvolvi especialmente com o pesquisador Deivide Souza de Jesus (ver
COLLING; JESUS, no prelo). Parte das reflexões a seguir estão discutidas nesse texto.
Para conhecer mais o ator, cf. https://www.revistafraude.ufba.br/materia.php?revista=15&materia=18.
Acesso em: 15 jan. 2022.
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de Fernanda Júlia Barbosa (Onisajé), o NATA tem se dedicado à pesquisa do Teatro Negro e
suas conexões com os cultos afro-brasileiros desde 1998.
Um exemplo disso é a peça Exu, a boca do universo, por exemplo, escrita por Daniel
Arcades e Fernanda Júlia Barbosa, que estreou em março de 2014, no Vão Livre do Teatro
Castro Alves. Nesse espetáculo, o cenário e figurinos evocavam a imagem de um amplo
assentamento de vários Exus. Em contraste com a famosa peça Sortilégio, montada pelo TEN
de Abdias Nascimento, onde o público não tinha acesso aos assentamentos dos orixás, esses
assentamentos eram expostos com quartinhas, bebidas, alguidares, farofa, entre outros
elementos. Os atabaques estavam posicionados em um dos lados do palco e eram tocados
durante a trilha sonora do espetáculo, que contava com várias canções, muitas delas em yoruba.
O público, ao menos durante a encenação no Vão do Teatro Castro Alves, permanecia ao redor
do palco.
Os cinco artistas envolvidos na peça (Daniel Arcades, Thiago Romero, Fernando
Santana, Marcelo Oliveira e Fabíola Julia) transitavam constantemente ao redor do
assentamento, realizando uma espécie de xirê, e focalizavam sua atenção em um Exu que
representa a vida, apaixonando-se por Oxum, experimentando desejos sexuais, bebendo e
fumando. Em um determinado momento, a atriz explica que, se perguntarem quem é Exu,
devemos olhar para o lado e para dentro de nossos próprios corpos.
Thiago Romero, após interpretar um Exu no espetáculo homônimo do NATA em 2014,
presenteou-nos novamente em 2022 com outra versão parcialmente inspirada no mesmo orixá.
Em Dengo: uma carta ao amor preto, Romero assume o papel da afrodrag Barbárie Bundi,
com a direção de Daniel Arcades. A personagem Barbárie Bundi fez sua primeira aparição em
junho de 2021, lançando o álbum Aquátika, estreou em 14 de julho de 2022, durante o Palco
Giratório de 2022, no canal do Sesc Bahia, que a descreveu como: A palavra dengo, de origem
banta, é um pedido de aconchego no outro em meio ao duro cotidiano. Esse aconchego perpassa
pelas diversas noções da palavra amor. Em seu novo solo, a afrodrag Barbárie Bundi, criada
pelo multiartista Thiago Romero, mergulha na construção da afetividade negra, principalmente
na afetividade LGBTQIAPN+ preta.”
Dengo é um espetáculo de difícil definição, uma espécie de álbum visual que mescla
vários clipes com canções interpretadas pela artista, conectados por textos que, ao final, narram
uma história. Grande parte das imagens foram gravadas na Feira de São Joaquim, onde Bundi
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=u6BJrrWc6aM. Acesso em: 10 dez. 2022.
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(e Exu) vai beber, conversar com as pessoas e adquirir os utensílios para realizar o seu
Candomblé. Em uma das cenas, ela segura um bode nos corredores da feira (figura 1).
Figura 1
Fonte: Captura de tela do teaser do espetáculo Dengo: carta ao amor preto
.
Essa é uma imagem emblemática para o argumento que iremos apresentar aqui: é nela
que a bixa preta macumbeira e afrodrag o seu nome
no Teatro Negro da Bahia. Por esse
motivo, defende-se a importância da existência de um teatro negro, bixa e macumbeiro na
cidade de Salvador. A afrodrag Barbárie Bundi criou uma imagem simbólica que demonstra a
indissociabilidade entre sexo, gênero, sexualidade, raça e candomblé no contexto do novo teatro
negro da Bahia.
Essa indissociabilidade não se limita apenas às artes, mas também se faz presente em
diversos campos de produção do conhecimento no Brasil. Se em algum momento as questões
de sexo/sexualidade e gênero estiveram distantes e se aproximaram através dos estudos queer,
assim como as questões de sexo/sexualidade/gênero e raça estiveram afastadas, atualmente
observamos uma forte intersecção entre essas várias dimensões, tanto no âmbito artístico quanto
fora dele. Isso nos leva a concluir que os estudos queer não são os mesmos, assim como os
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_QjGHeWQl0g. Acesso em: 20 nov.2022
Dar o nome é uma expressão muito utilizada pelas bixas macumbeiras de Salvador e remete ao momento em
que o orixá, na festa da iniciação do yaô no Candomblé, em determinado momento diz o seu nome ao público
presente no barracão do terreiro. É o ápice da cerimônia, quando, em geral, todos os orixás presentes se
manifestam.
Leandro COLLING
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estudos étnico-raciais também evoluíram. Portanto, esses elementos são apenas alguns dos
fundamentais para refletirmos sobre as poéticas queer/cuir e pretas no Brasil contemporâneo.
REFERÊNCIAS
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Apontamentos para pensar em poéticas queer negras no Brasil da atualidade
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: Não aplicável.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Não aplicável.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: Leandro Colling foi responsável pela pesquisa, análise e
redação do artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188 1
NOTES FOR THINKING ABOUT BLACK QUEER POETICS IN BRAZIL TODAY
APONTAMENTOS PARA PENSAR EM POÉTICAS QUEER NEGRAS NO BRASIL DA
ATUALIDADE
NOTAS PARA PENSAR LAS POÉTICAS QUEER NEGRAS EN EL BRASIL ACTUAL
Leandro COLLING1
e-mail: colling@ufba.com
How to reference this paper:
COLLING, L. Notes for thinking about black queer poetics
in Brazil today. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-
8385. DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188
| Submitted: 15/02/2023
| Revisions required: 22/04/2023
| Approved: 11/06/2023
| Published: 01/08/2023
Editor:
Prof. PhD. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. PhD. José Anderson Santos Cruz
Federal University of Bahia (UFBA), Salvador BA Brazil. Permanent professor at the Multidisciplinary
Graduate Program in Culture and Society. Doctoral degree in Communication and Contemporary Culture (UFBA).
Notes for thinking about black queer poetics in Brazil today
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188 2
ABSTRACT: The text emphasizes that in recent artistic productions by LGBTQIA+
individuals, an indissociability between sex, gender, and race is being constructed. This
intersection is also present in the most recent academic studies, which foster a dialogue between
black feminism, queer studies, and decolonial perspectives. The central objective of the text is
to promote a reflection on these intersectionalities and provide some insights for understanding
contemporary black queer poetics.
KEYWORDS: Art. Artivism. Feminisms. Intersectionality. Poetics.
RESUMO: O texto enfatiza que nas recentes produções artísticas de pessoas LGBTQIA+ está
sendo construída uma indissociabilidade entre sexo, gênero e raça. Essa intersecção também
está presente nos estudos acadêmicos mais recentes, que promovem um diálogo entre
feminismos negros, queer e decoloniais. O objetivo central do texto é proporcionar uma
reflexão sobre essas interseccionalidades e fornecer alguns insights para a compreensão das
poéticas queer negras contemporâneas.
PALAVRAS-CHAVE: Arte. Artivismo. Feminismos. Interseccionalidade. Poéticas.
RESUMEN: El texto argumenta que las recientes producciones artísticas de las personas
LGBTQIA+ construyen una inseparabilidad entre sexo - género y raza. Esta intersección
también se está produciendo en los estudios académicos más recientes que producen un diálogo
entre los feminismos negros, queer y decoloniales. El propósito del texto es reflexionar sobre
estas interseccionalidades y producir algunos apuntes para pensar la poética queer negra hoy.
PALABRAS CLAVE: Arte. Artivismo. Feminismos. Interseccionalidad. Poéticas.
Leandro COLLING
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188 3
Introduction
Over the past 15 years, there has emerged in Brazil what we initially referred to as the
"artivist scene of sexual and gender dissidences" (COLLING, 2019, our translation). In
previous texts, researchers from the Research and Extension Center for Cultures, Genders, and
Sexualities (NuCuS) at the Federal University of Bahia (UFBA) have defined the concept of
this scene, addressed some of the conditions that allowed its emergence, and established
dialogues and learning experiences with various collectives and artists and their works.
In brief, it can be concluded that this scene has consolidated in Brazil for several reasons,
with the following vital factors standing out: 1) Response to the conservative and
fundamentalist wave that strengthened the country around 2011; 2) The strength of social
movements, which successfully increased the visibility of LGBTQIA+ individuals, primarily
through parades, media, and the arts; 3) The expansion of access to new technologies and artists'
systematic and strategic use of social media; 4) The remarkable growth of gender and sexuality
studies in Brazilian universities, particularly those situated within the perspectives of black
feminism, queer studies, and decolonial approaches, was also influenced by the overall
expansion of access to higher education and the impact of greater student diversity resulting,
for example, from quotas for Black, Indigenous, and transgender individuals; 5) The
proliferation and broadening of various trans, non-binary, bixas
, sapatonas
and other
identities. Notably, individuals with these identities play a significant role in the production of
this scene (COLLING, 2019).
Combining these five aspects has enabled the emergence of another artistic scene in the
country. This scene has its roots in the history of Brazilian performing arts, as exemplified by
theater groups such as Dzi Croquettes, Vivencial Diversiones, Teatro Oficina, and Os Satyros,
which bring innovative elements. In any case, it is clear that in the last decade, these artivist
productions of dissidence have flourished in various regions of Brazil and in multiple forms of
artistic expression created by a multitude
of individuals with a consciousness of the political
and activist nature of their works.
The term in English that references this word is "fag"; however, in the text, the author does not use this word in
a derogatory manner. Brazilian members of the LGBTQIAP+ community widely use it as a way to self-identify
without carrying negative connotations.
The term in English that references this word is "dyke"; however, in the text, the author does not use this word
in a derogatory manner. Brazilian members of the LGBTQIAP+ community widely use it as a way to self-
identify without carrying negative connotations.
Used here multitude in the sense of Paul B. Preciado (2011).
Notes for thinking about black queer poetics in Brazil today
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These artistic productions highlight both dissident sexualities and genders and other
social markers such as race, class, and body standards, along with their intentions and political
struggles for a society that values and learns from diversity. The artistic productions inseparably
operate with activism and art. The interpretative key to artivism, already present before these
new productions, can be activated and enhanced. In this sense, we advocate that artivism is not
an identity attributed to artists or works but rather an analytical approach that emerges from
analyzing results in which the artistic and activist dimensions are intertwined, interconnected,
and inseparable.
As pointed out by Rose de Melo Rocha (2021, p. 18, our translation), in her reflections
on artivism, she states that "more than an interweaving, it constitutes an initiative of reflection
and action whose guiding principles are of non-separation. [...] It is about defending an
irrevocable connection between art and politics, proposing not to separate the two poles."
After elucidating the origin of this artistic scene, our attention is directed toward its
creative expression, exploring the languages employed, its connection with contemporary art,
and how the artists are conceiving their works. A notable characteristic is the strong affinity of
the artistic productions within this scene with queer perspectives and what is known as
contemporary art: 1) The criticism of gender binarism, widely present in queer studies, is
skillfully manifested in the song lyrics, dramaturgy, performances, and gender performativities
of the artists, emphasizing the synergy between the blending of artistic languages and a
fundamental element of contemporary art; 2) The purpose of these creations is to provoke
estrangement and mobilize the audience, meaning that the intention is to produce art that
questions standards and norms, whether related to gender and sexuality or to the "art cis-tem"
itself (SOUSA, 2022). The approach is not aimed at adhering to a respectable representation
within the cisheteronormative context (VERGUEIRO, 2018).
Queer Poetics
Could we then conclude that this scene presents us with queer poetics? When
considering literature, the researcher Anselmo Peres Alós (2010) made pertinent reflections in
the text Narrativas da sexualidade: pressupostos para uma poética queer, discussing the
changes in the notion of poetics over time and presenting his conception of a queer poetics.
Within the field of literary theory, Alós explains that,
Leandro COLLING
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[...] The notion of poetics has at least two meanings: one of a normative nature
and another of a descriptive nature. Historically, the first notion of poetics is
associated with normative models of literary creation. Consider, for instance,
the poetics of Aristotle and Boileau, which normalized literary production
through a set of rules. After the rupture provoked by Russian formalism and
French structuralism, the term 'poetics' was applied not to normative studies
but to descriptive ones. Just as structural linguistics sought to describe the
functioning of language, structural poetics sought to explain the functioning
of literature, particularly narrative texts. [...] With the downfall of the myth of
a universal structure upon which structuralist thought was based, the term
"poetics" lost its universalist pretension and acquired a new connotation.
Instead of seeking the "universal constants" that would define the novel, the
short story, poetry, or theater, the term is now used in more specific contexts,
addressing more or less comprehensive issues without aspiring to universalize
these recurrences (ALÓS, 2010, p. 842, our translation).
When discussing queer poetics, the author emphasizes that we should consider a poetics
that transcends the realms of a purely authorial approach. "The foundations of queer poetics, in
this sense, are not only to describe narratives; they also enable an accurate analysis of how the
text reflects, subverts, and questions the reality of the social world in which it is inserted"
(ALÓS, 2010, p. 843, our translation). By following Anselmo Alós's (2010) concepts of what
would constitute a "queer poetics" that is, thinking about how artistic expressions of
dissidence have reflected, subverted, and questioned our reality we realize that the word is
not sufficient to encompass the entire complexity of this creative scene. This is not only due to
the existence of multiple poetics, as highlighted by Alós (2010), who advocates against
adopting universalizing objectives when approaching poetics but also because the artists in this
scene are already in a phase that we could call post-queer.
But what is post-queer? Suppose the queer movement produced significant intersections
between sex, gender, and sexuality. In that case, the post-queer in Brazil has expanded
intersectionality that we may not fully comprehend yet: it encompasses the intersection between
sex, gender, sexuality, race, and ethnic-racial identities, among other social markers. This
development is partly due to the influence and strength of Black feminism in our country and
the proliferation of its activism and studies within and outside universities. Therefore, the most
appropriate expression to describe this artistic scene is the "artivist scene of sexual, racial, and
gender dissidences." This choice is not only based on the fact that a large part of this scene is
produced by Black and mixed-race individuals but also because the racial dimensions in the
works are intrinsically linked to the sexual and gender dimensions.
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Resistances
How are Black LGBTQIA+ artists challenging prejudices related to sexuality, gender,
and race? Clearly, this is being done in many diverse ways. Initially, a reflection was proposed
on "resistance with joy (COLLING, 2022, p. 21, our translation). We observe how the artists
invoked and developed the idea of resistance. Let's look at some examples: On October 26,
2021, during the blind auditions of the TV show "The Voice Brasil" on Rede Globo
WD sang,
"I am/ The voice of Black resistance." His performance enchanted the judges, who turned
around eagerly to listen to him. The song's lyrics narrate the story of a boy who faced abuse
during childhood, was stigmatized due to his voice and skin color, abandoned by his parents,
and raised by his grandparents, developing an excessive admiration for white people. The
powerful chorus
conveys, "Everything started to go right when I learned to love myself."
Through this song, WD denounces racism, and his stage performance simultaneously highlights
his willingness to question social norms related to gender and sexuality. This stance becomes
even more evident in the subsequent release of the official music video for the same song, where
the opening emphasizes that Brazil has the highest rate of LGBTQIA+ murders in the world.
In January 2022, Rede Globo decided to include singer Linn da Quebrada as one of the
participants on the reality show "Big Brother Brasil." Previously, in 2017, Linn and other
members of the group As Bahia e a Cozinha Mineira starred in an advertising campaign for
Absolut vodka, with the slogan Art resists, which featured a music video and a massive mural
on a building located in downtown São Paulo
. Linn has self-identified as a black bixa, bixa
travesty
and on BBB, she presented herself as a transvestite. In the song Corpo sem juízo, in
collaboration with Jup do Bairro (2019), Linn activates her body as a space of resistance and
expresses, "It's like facing death and remaining immortal / It's like leaving it to chance and not
having equal rights / But I resist, I insist, I exist / I don't want the control of this reckless body."
.
In April 2021, the Corre Coletivo Cênico from Salvador released the series Para-íso on
their YouTube channel, consisting of eight episodes
. The story revolves around a group of
Black bixas who come together during the Covid-19 pandemic following the death of one of
Available at: https://globoplay.globo.com/v/9985057/. Accessed in: 6 Feb. 2022.
Available at: https://globoplay.globo.com/v/9985057/. Accessed in: 6 Feb. 2022.
Available at: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/vodca-faz-anuncio-artistico-em-defesa-da-
diversidade.shtml e https://www.youtube.com/watch?v=uunq-c97qexU&feature=emb_title. Accessed in: 5 Feb.
2021.
Reference to the song Bixa Travesty and the homonymous film by Linn da Quebrada.
Available at: https://www.youtube.com/watch?v=6il3RlZSlgM. Accessed in: 09 Feb. 2022.
The episodes are no longer available, but the profile is:
https://www.youtube.com/channel/UChxaYE9UEZTTlqaLVK3_7Hg. Accessed in: 15 Jan. 2022.
Leandro COLLING
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them due to HIV-AIDS. The characters Leka, Tito, Miguel, Rogério, and Paul, portrayed by
Anderson Dantas, Igor Nascimento, Luiz Antônio Sena Jr, Marcus Lobo, and Rafael Brito,
respectively, gather in a house described as a kind of cuíerlombo (NASCIMENTO, 2018),
where the deceased bixa lived and welcomed the others.
In one of the most touching scenes of the performance, the characters looked out of the
window of a mansion in the Comércio neighborhood in Salvador, next to other semi-abandoned
buildings, and observed some plants growing tenaciously in the cracks of the old houses. At
that moment, they connected the image of those plants and the idea of resistance. Through this
symbolism, the vegetation, growing in difficult and abandoned places, demonstrated its
capacity to resist adversity. In response to this, the character Leka expressed to her friends, "We
are like those plants, we are resistance."
After appreciating how the idea of resistance is addressed in various artistic works, we
return to the reflections made by Michel Foucault, Spinoza, and Paul B. Preciado
on this
theme. Additionally, we draw references from various Black authors who emphasize how
resistance, often manifested in subtle ways, characterizes the history of the Black community
(as exemplified in BONA, 2020). To discuss joy, we need to analyze the book Pensar nagô, by
Muniz Sodré (2017), highlighting that for the Nagô people, joy is not merely a passing emotion
but a way of facing and conducting life. This suggests that the celebration and joy present in
Nagô culture are (re)connected with the history of the formation of LGBTQIA+ identities and
the achievement of greater visibility
. This perspective prompts the following reflection: is
sadness an emotion linked to whiteness and heteronormativity?
Black theater, queer, and sorcerer
The previously mentioned question will remain open, as it can promote a critical
dialogue with more recent productions from anti-social queer and Afro-pessimist perspectives.
In contemporary theater plays staged and exhibited in Salvador, some elements of the
inseparability between dissident sex, gender, sexuality, and race are presented. Through
These ideas and authors are developed in Colling (2022).
Despite the official history of the gay movement having the Stonewall Riots as a foundational myth sparked by
the right to gather and celebrate, historiography and other studies on policies for respecting sexual and gender
diversity seem to focus mainly on the sad emotions and challenges faced by the LGBT community. Reclaiming
joy as an essential aspect of LGBTQIA+ identities, both in activism and academic pursuits, is vital. Exploring the
perspectives presented in the mentioned book Militancia alegre. Tejer resistencias, florecer en tiempos tóxicos,
de Carla Bergman y Nick Montgomery (2023).
Notes for thinking about black queer poetics in Brazil today
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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research
, it has been evident that the Black theater in Salvador has gradually explored themes
beyond racism, distinguishing itself from the early plays of the Teatro Experimental do Negro
(TEN). In Salvador, the Bando de Teatro Olodum, heir to the TEN, expanded its discussions
beyond race, addressing, for example, the empowerment of Black women, and in some plays,
included transgender characters, as seen in the 1997 play Cabaré da rrrrraça.
By tracing a brief genealogy of the new Black theater in Bahia, we identify how the
productions of Teatro da Queda radicalized the proposal by placing sexual, racial, and gender
dissidence at the center stage. One example of this movement is the play Rebola, written by
Daniel Arcades and directed by Thiago Romero, which portrays the history of Beco dos Artistas
through the sorrow of the owner of the Xampoo bar in having to close its doors, as well as the
struggle of the drags, many of them Black, to preserve the space where they work. The play
delves into the individual experience of each drag, with the scripts being developed based on
the actors' experiences. It premiered on June 8, 2016, at the Beco dos Artistas in Salvador.
Among the various characters in the play, one that stood out was Koanza, portrayed by
the Bahian actor, a Black man named Sulivã Bispo. Koanza, a Black Afrocentric
drag, was
one of the Black characters who stood out in the play for being a Candomblé follower and
engaging in dialogue at various moments of the performance, with another evangelical
character expressing her religious intolerance. Sulivã described Koanza as a character created
based on numerous references to Black women (JESUS, 2019).
Simultaneously, members of Teatro da Queda also participated in various productions
by the Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA), known for bringing narratives
inspired by the myths of the orixás to the stage. Under the direction of Fernanda Júlia Barbosa
(Onisajé), NATA has been dedicated to researching Black theater and its connections with
Afro-Brazilian cults since 1998.
An example is the play Exu, a boca do universo, written by Daniel Arcades and
Fernanda Júlia Barbosa, which premiered in March 2014 at the Vão Livre of the Teatro Castro
Alves. In this performance, the set and costumes evoked the image of a vast arrangement of
various Exus. In contrast to the famous play a Sortilégio, staged by Abdias Nascimento's TEN,
where the audience did not have access to the orixás' arrangements, these arrangements were
exposed with quartinhas (small pots), drinks, alguidares (earthenware vessels), farofa (a
I refer to works I developed explicitly with the researcher Deivide Souza de Jesus (see COLLING; JESUS,
forthcoming). Part of the reflections presented below are discussed in this text.
To learn more about the actor, please refer to
https://www.revistafraude.ufba.br/materia.php?revista=15&materia=18. Access: 15 Jan. 2022.
Leandro COLLING
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traditional Brazilian dish), and other elements. The atabaques (drums) were positioned on one
side of the stage and played during the performance's soundtrack, which featured several songs
in Yoruba. At least during the performance at the Vão of Teatro Castro Alves, the audience
remained around the stage.
The five artists involved in the play (Daniel Arcades, Thiago Romero, Fernando
Santana, Marcelo Oliveira, and Fabíola Julia) constantly moved around the arrangement,
performing a kind of xirê (a Candomblé dance), and focused their attention on an Exu
representing life, falling in love with Oxum (an orixá associated with beauty and love),
experiencing sexual desires, drinking, and smoking. At a particular moment, the actress
explained that if asked who Exu is, we should look to the side and within our bodies.
After portraying an Exu in NATA's play in 2014, Thiago Romero gifted us again in
2022 with another version partially inspired by the same orixá. In Dengo: uma carta ao amor
preto, Romero takes on the role of the afrodrag character Barbárie Bundi, directed by Daniel
Arcades. The character Barbárie Bundi made its first appearance in June 2021, releasing the
album Aquátika, and premiered on July 14, 2022, during the 2022 Palco Giratório, broadcasted
on Sesc Bahia's channel, which described it as follows: "The word 'dengo,' of Bantu origin, is
a request for comfort in the other amidst the harsh everyday life. This comfort permeates
through the various notions of love. In this new solo performance, the afrodrag Barbárie Bundi,
created by multi-artist Thiago Romero, delves into the construction of Black affectivity,
especially in Black LGBTQIAPN+ affectivity."
Dengo is a performance that defies easy definition, a kind of visual album that blends
various music videos with songs performed by the artist, interconnected by texts that ultimately
narrate a story. Much of the footage was recorded at the Feira de São Joaquim, where Bundi
(and Exu) drink, converse with people and acquire the utensils to perform their Candomblé
rituals. In one of the scenes, she holds a goat in the market corridors (Figure 1).
Available at: https://www.youtube.com/watch?v=u6BJrrWc6aM. Accessed in: 10 Dec. 2022.
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Figure 1
Source: Screenshot of the show's teaser Dengo: carta ao amor preto
.
This is a symbolic image for the argument we will present here: it is where the black
bixa sorcerer and afrodrag asserts their identity
in the Teatro Negro da Bahia. For this reason,
I argue for the importance of a black, bixa and sorcerer theater in Salvador. The afrodrag
Barbárie Bundi created a symbolic image that demonstrates the inseparability between sex,
gender, sexuality, race, and Candomblé in the context of the new Teatro Negro da Bahia.
This inseparability is not limited to the arts alone but is also present in Brazil's various
fields of knowledge production. If, at some point, issues of sex/sexuality and gender were
distant and came closer through queer studies, just as issues of sex/sexuality/gender and race
were once separate, we now observe a vital intersection between these various dimensions, both
within the artistic realm and beyond it. This leads us to conclude that queer studies are no longer
the same, just as ethnic-racial studies have evolved. Therefore, these elements are fundamental
to reflecting on queer and black poetics in contemporary Brazil.
Available at: https://www.youtube.com/watch?v=_QjGHeWQl0g. Accessed in: 20 Nov.2022.
Dar o nome is a widely used expression among the sorcerer in Salvador and refers to the moment in the
Candomblé initiation ceremony of the yaô when the orixá reveals their name to the audience present in the
terreiro's. It is the ceremony's climax; typically, all the present orixás manifest themselves.
Leandro COLLING
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Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 1, e023005, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.1.18188 12
CRediT Author Statement
Acknowledgments: Not applicable.
Funding: Not applicable.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: Not applicable.
Data and material availability: Not applicable.
Authors' contributions: Leandro Colling was responsible for the research, analysis, and
writing of the article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.