Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.2.18649 1
A DOCÊNCIA NA PANDEMIA: TECNOLOGIA, ISOLAMENTO E O SOFRIMENTO
PSÍQUICO
LA DOCENCIA EN LA PANDEMIA: TECNOLOGÍA, AISLAMIENTO Y
SUFRIMIENTO PSÍQUICO
TEACHING IN THE PANDEMIC: TECHNOLOGY, ISOLATION AND PSYCHIC
SUFFERING
Nicole Silva dos SANTOS1
e-mail: ns8315249@gmail.com
Mariana Barbosa MIQUILINI2
e-mail: marianamiquilini.psi@gmail.com
Como referenciar este artigo:
SANTOS, N. S.; MIQUILINI, M. B. A docência na
pandemia: Tecnologia, isolamento e o sofrimento psíquico.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp.
2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.2.18649
| Submetido em: 22/07/2023
| Revisões requeridas em: 10/08/2023
| Aprovado em: 18/09/2023
| Publicado em: 31/10/2023
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), Barra Mansa RJ Brasil. Graduada em Psicologia.
.Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), Barra Mansa RJ Brasil. Graduada em Psicologia.
A docência na pandemia: Tecnologia, isolamento e o sofrimento psíquico
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RESUMO: Este artigo apresenta as condições da saúde mental de professores de escolas
públicas de três municípios da região sul fluminense do estado do Rio de Janeiro, durante o
exercício laboral na pandemia da COVID-19. Não pretende trazer uma caracterização
diagnóstica, mas qualifica o estado psicológico das docentes de “sofrimento psíquico”. Através
de grupos focais on-line, realizados pela plataforma Google Meet, concluiu-se que a falta de
suporte e políticas públicas voltadas a educação dificultou o trabalho dos professores, gerando
assim certo grau de sofrimento.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde mental. Professores. COVID-19.
RESUMEN: Este artículo presenta las condiciones de salud mental de los profesores de
escuelas públicas de tres municipios de la región sur del estado de Río de Janeiro, durante su
trabajo durante la pandemia de COVID-19. No pretende traer una caracterización diagnóstica,
pero califica el estado psicológico de los docentes como “sufrimiento psíquico”. A través de
grupos focales en línea, realizados por la plataforma Google Meet,concluimos que la falta de
apoyo y de políticas públicas dirigidas a la educación dificultó el trabajo de los docentes,
generando así cierto grado de sufrimiento.
PALABRAS CLAVE: Salud mental. Profesores. COVID-19.
ABSTRACT: This article presents the mental health conditions of teachers in public schools
from three municipalities in the South Fluminense region of Rio de Janeiro during their work
in the COVID-19 pandemic. It does not aim to provide a diagnostic characterization but instead
qualifies the psychological state of the teachers as "psychological distress." Through online
focus groups conducted via the Google Meet platform, it was concluded that the lack of support
and public policies dedicated to education made the work of teachers challenging, resulting in
a certain degree of distress.
KEYWORDS: Mental health. Teachers. COVID-19.
Nicole Silva dos SANTOS e Mariana Barbosa MIQUILINI
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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Introdução
Devido à pandemia da COVID-19 e a impossibilidade de aulas presenciais, o Ministério
da educação decretou através da portaria n.º 343, de 17 de março de 2020 (BRASIL, 2020) que
as aulas passariam a ser realizadas de maneira remota. Tratou-se de medida para assegurar a
continuidade do ano letivo e impedir a proliferação do vírus nas escolas. Alunos, famílias e
equipe escolar tiveram que se adaptar ao ambiente on-line. Se tratando das atividades
desenvolvidas pelos professores, muitas mudanças, adaptações, concessões tiveram que ser
feitas, trazendo excesso de trabalho e horas incansáveis de dedicação para atender à nova
regulamentação.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Península (2020), com 7.734 mil professores de
todo Brasil, mostrou que após seis semanas de quarentena, 83% desses profissionais não se
sentiam preparados para lidar com o ambiente virtual e 55% desses trabalhadores não
receberam qualquer tipo de capacitação ou suporte durante no período de isolamento social para
lidar com esse ambiente virtual. A pesquisa ainda aponta que 75% dos profissionais afirmaram
não receber nenhum tipo de apoio ou suporte emocional das escolas para lidar com o momento
que estavam vivenciando.
Antes mesmo da COVID-19, uma pesquisa realizada pela Nova escola no ano de 2019
(OLIVEIRA, 2019), com 5 mil professores em todo Brasil, demonstrou que 60% dos docentes
sofriam de ansiedade, estresse e dores de cabeça e 66% sentiram fraqueza, incapacidade ou
medo de ir trabalhar. Para 87% dos entrevistados, esses problemas estão relacionados ao
trabalho. Dessa forma, nota-se que mesmo antes da pandemia os profissionais da educação
demonstravam altos índices de problemas de saúde mental relacionados com o seu ambiente de
trabalho.
Foi realizado uma pesquisa para compreender as experiências de professores com o
ensino remoto durante a pandemia. O objetivo foi identificar como as secretarias municipais se
organizaram para atender às novas regulamentações de ensino, dadas as condições da pandemia.
Em seguida, buscou-se ouvir os docentes nessa experiência. Além dos aspectos relacionados à
prática com a tecnologia, adaptações metodológicas e de conteúdo, o cenário identificado saltou
aos olhos: os professores estavam sofrendo psicologicamente com as condições impostas pela
pandemia. Não poderia passar em branco nuvens deste achado. A docência, no Brasil, é algo
adoecedor. Carlotto (2011), em sua pesquisa sobre a prevalência da Síndrome de Burnout em
professores, destaca que: 1) a classe docente é uma das mais pesquisadas quando o tema é
sofrimento psíquico; 2) trata-se de uma profissão que é alvo de inúmeros estressores e altamente
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tecnocrática; e 3) a Organização Internacional do Trabalho considera a profissão do docente
como uma das mais estressoras.
Para Alles (2021), a incorporação das tecnologias necessárias ao ensino remoto,
somadas à escassez de convivência e sobrecarga de trabalho, levaram ao desenvolvimento dos
quadros de Síndrome de Burnout em professores durante a pandemia. Ressalta-se que a
Síndrome de Burnout é reconhecida como doença ocupacional pelo Decreto-Lei n.º 6.042/2007
(BRASIL, 2007).
Este artigo não qualifica o sofrimento psicológico de professores como “Síndrome de
Burnout”, mas se debruça para desvelar as condições psicológicas dos docentes, que
corroboram os sintomas da síndrome: ansiedade, esgotamento, insônia, sentimentos negativos,
de incompetência, entre outros. O sofrimento psíquico, além de ser causado pelas próprias
condições do exercício da profissão, foi acentuado pelas exigências trazidas pelo ensino remoto:
dificuldade na lida com os recursos tecnológicos; sobrecarga de trabalho; falta de suporte para
a adaptação da metodologia de ensino; redução do contato e comunicação com pais e alunos;
escassez de equipamentos tecnológicos necessários ao desenvolvimento das atividades.
Este trabalho apresenta as condições psicológicas dos professores que atuaram no ensino
remoto durante a pandemia em escolas de três municípios da região sul fluminense do estado
do Rio de Janeiro, caracterizando essas condições como "sofrimento psíquico". Vale ressaltar
que não se trata de um diagnóstico abrangente, nem esse é o objetivo da pesquisa, mas sim de
destacar as circunstâncias relacionadas à pandemia que levaram os professores ao sofrimento.
Metodologia
A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa com objetivos descritivos. A abordagem
qualitativa se concentra na investigação de fenômenos subjetivos, enquanto o objetivo
descritivo busca caracterizar o fenômeno ou população em estudo (MORESI, 2003).
A coleta de dados foi realizada por meio da organização de grupos focais, uma técnica
amplamente empregada em pesquisas nas áreas de ciências humanas e sociais. Essa técnica, de
origem anglo-saxônica, envolve entrevistas em grupo conduzidas em um ambiente propício à
discussão, promovendo interação e comunicação entre os participantes. É amplamente utilizada
em estudos de ciências sociais e saúde coletiva devido ao seu baixo custo e à capacidade de
obter dados válidos e confiáveis em um curto período de tempo, especialmente quando o foco
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é a realização de avaliações (TRAD, 2009). Dessa forma, dadas as circunstâncias do isolamento
social, a aplicação do método na modalidade on-line se mostrou favorável.
Como se trata de entrevistas semiestruturadas, utilizou-se perguntas disparadoras que
envolviam três aspectos: 1) a comunicação entre a Secretaria Municipal de Educação e os
alunos, incluindo secretaria, os professores, alunos e pais; 2) trabalho docente: condição de
acesso aos recursos tecnológicos, estratégias das aulas, processo ensino-aprendizagem e de
avaliação; 3) o uso dos recursos tecnológicos (site, plataformas, conectividade).
Recorrentemente, as respostas abordaram o cansaço e a sobrecarga emocional.
Os grupos foram realizados de maneira remota através do Google Meet, coordenados
por duas pesquisadoras e por alunas que integravam o grupo de pesquisa Observatório da
Violência. As reuniões com os professores ocorreram separadamente das famílias para garantir
a livre expressão. Todas as sessões foram gravadas com a permissão dos participantes e
posteriormente transcritas para análise dos resultados.
Resultados e discussões
O sofrimento psíquico pode ser definido de diferentes formas, por se tratar de um
fenômeno inerente ao ser humano, que se modifica com o passar dos tempos, exprimindo a
transformação dos laços sociais e da organização social. Uma busca rápida pelo termo
“sofrimento psíquico” no Google, foram obtidos os resultados a seguir:
Considera-se aqui o sofrimento psíquico intensificado como aquele
relacionado à intensa angústia, que pode ser manifestada na forma de uma
ruptura do equilíbrio psicossocial anteriormente estabelecido, geralmente, de
difícil manejo pela própria pessoa em sofrimento (GOMES; CARVALHO;
SILVA,2021, p. 4).
De acordo com Dunker (2015, p. 23) o sofrimento psíquico é construído historicamente,
podendo ser:
neuroses de caráter dos anos 1940 às personalidades narcísicas do pós-guerra,
dos quadros borderline da década de 1980 às depressões, aos pânicos e às
anorexias dos anos 2000, uma variação das modalidades preferenciais de
sofrimento.
Considerando esses aspectos, pode-se compreender que uma determinação social
para o sofrimento. Na introdução do livro “Neoliberalismo como gestão do sofrimento
psíquico” (SAFATLE; SILVA JÚNIOR; DUNKER, 2021), os autores mencionam sobre essa
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metamorfose do sofrimento e destacam sua relação com as mudanças sociais, econômicas e
políticas. Pontuam que:
É possível dizer que cada época prescreve a maneira como devemos exprimir
ou esconder, narrar ou silenciar, reconhecer ou criticar modalidades
específicas de sofrimento. Isso explica a emergência e o declínio sazonal de
determinados quadros clínicos em detrimento de outros (SAFATLE; SILVA
JÚNIOR; DUNKER, 2021, p. 12).
No entanto, os grandes manuais classificatórios reduzem o sofrimento psicológico a
uma categoria nosológica, ou seja, diagnosticam uma condição própria da existência humana.
Dessa forma, o sofrimento deixa de ser apenas um fenômeno da vivência humana para se tornar
um sintoma presente em diversas patologias. O Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais (DSM-V) foi publicado pela primeira vez em 1952, pela Associação
Psiquiátrica Americana e está em sua quinta edição. No DSM-V, o sofrimento psicológico é
determinado como “uma variedade de sintomas e experiências da vida interna de uma pessoa
que são comumente perturbadores, confusos e fora do comum” (APA, 2014, p. 830).
Contudo, é problemático equiparar o sofrimento psíquico a uma patologia, visto que ele
se apresenta a partir das relações sociais do sujeito com seu meio, que vai se modificando
conforme é nomeado. Ao contrário, o que caracteriza a doença é a estabilidade de seu curso,
independentemente das relações sociais, ou seja, ela apresenta início, meio e fim. Dunker (2015,
p. 24) afirma que:
As doenças mentais não são nem doenças, no sentido de um processo mórbido
natural, que se infiltra no cérebro dos indivíduos, seguindo um curso
inexorável e previsível, nem mentais, no sentido de uma deformação da
personalidade. As doenças mentais, ou melhor, seus sintomas, realizam
possibilidades universais do sujeito, que se tornam coercitivamente
particulares ou privativamente necessárias. Em outras palavras, um sintoma é
um fragmento de liberdade perdida, imposto a si ou aos outros.
Ao compreender a dimensão social e subjetiva do sofrimento psíquico é impossível o
o relacionar à instância social do trabalho. O sujeito está inserido num sistema capitalista, que
lhe exige cada vez mais produção e eficiência. Pensando em sofrimento psíquico e trabalho,
através da ótica psicanalítica, Silveira, Feitosa e Palácio (2014, p. 3) comentam:
Compreendemos, a partir da clínica psicanalítica, que todas as experiências
do sujeito vão ser significadas a partir do lugar que esse sujeito ocupa em
relação à linguagem. Assim, o sofrimento psíquico do trabalhador não pode
ser pensado apenas como fator inerente aos estímulos externos (organização
do trabalho, infraestrutura, ritmo de produção), mas precisa ser abordado a
partir de como essa relação com o trabalho se insere na economia psíquica de
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cada um. O sofrimento depende da significação que assume no tempo e no
espaço, bem como no corpo que ele toca, produzindo algo que está além do
princípio do prazer.
Conforme mencionado anteriormente, a pandemia da COVID-19 demandou a
suspensão das aulas como medida para conter a propagação do vírus, levando as instituições
educacionais a adotarem o ensino remoto como alternativa. Os professores precisaram se
adequar a essa nova ferramenta de trabalho e atuar de suas casas, o que acabou acarretando
algumas implicações em saúde mental. Os docentes passaram a conciliar a vida familiar com a
profissional e precisaram investir na capacitação de maneira autônoma, que não havia suporte
das instituições de ensino. Foi necessário transformar a metodologia do ensino presencial,
construir material adequado, estabelecer formas de interação com os alunos, dentre outras
coisas que demandaram demasiadamente de cada profissional, acarretando em sofrimento
psíquico.
As professoras ouvidas nos grupos focais se referiam à sensação de cansaço e sobrecarga
de trabalho, queixas centrais abordadas pelas profissionais ao longo das reuniões. Uma
professora verbaliza:
Professora respondente 1:
Eu tô tentando atirar para tudo quanto é lado para ver se consigo, porque tá
dificil pra ver o que é que eu faço, e é o que eu o falando, eu não sei nomear
como que ta a minha carga de trabalho hoje, porque trabalho muito.
Demanda muito tempo. você se sente aquela pessoa que nadou, nadou,
nadou e morreu na praia. Porque você não conseguiu alcançar o objetivo.
[...] O meu sentimento é assim, de estar fazendo e não ter o retorno que eu
esperava tanto.
As docentes também afirmam que houve uma distribuição na carga horária, que leva
a uma dificuldade para administrar suas tarefas, causando uma sobrecarga. Uma delas desabafa:
Professora respondente 2:
Querendo ou não, é um trabalho muito maior, porque eu tenho que digitar,
tenho que procurar outros textos, tenho que procurar imagens, tenho que
colocar a fonte da imagem, tenho que elaborar oito questões. [...] Eu em
abril, meados de abril hoje, eu já estou morta de cansada.
Além disso, muitas professoras também são mães e isso gera um sofrimento, pois elas
cumprem função dupla. Algumas relataram como se sentiram ansiosas ao ter que prestar
assistência para os pais e, ao mesmo tempo, acompanhar a rotina de seus filhos. Cobravam-se
em demasia, pois entendiam que precisavam desenvolver um material que os pais conseguissem
entender e auxiliar as crianças. Uma professora e mãe verbaliza:
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Professora respondente 3:
E eu fiquei assim, mesmo sendo professora, pensando como é que seria isso
para os alunos e como seria isso dentro da minha casa com meus filhos? E
não foicil. Não foi fácil mesmo essa adaptação de sentar-se, e de toda hora
o telefone apita porque tem uma mensagem do grupo da escola avisando. Não
foi fácil. Você acompanhar todo esse processo, quando você olha as
mensagens já subiram e já tem um monte. E aí o pai pergunta várias coisas e
outro pai pergunta coisas também. [...] Tem hora que eu falo... “O que eles
estão dizendo?” Eu não consigo acompanhar todas as mensagens
[...]
Eu fiquei me colocando do lado dos pais, eu fiquei nervosa, eu fiquei ansiosa,
tinha dias que eu pensava como iria fazer com meus dois filhos aqui.
Outro fator que se colocou como gerador de sofrimento para as docentes entrevistadas
foram as dificuldades decorrentes da tecnologia. Mesmo havendo uma preparação, essas
intercorrências fugiam de seu controle. Uma professora relata:
Professora respondente 4:
Na hora que começou a reunião deu tudo errado, o vídeo travou, nada passou,
eu fiquei muito nervosa. Era meu primeiro contato mesmo. Me deu vontade
de chorar. Eu parei aquilo ali e pedi desculpa, fui honesta. Eu me preparei,
fiz tudo para programar direitinho. E falei que do mesmo jeito que era novo
para eles, estava sendo para nós professoras.
A falta de participação dos pais e alunos nas atividades propostas, somado ao seu grande
esforço para desenvolvê-las, aparece também como um agravante no que se refere ao emocional
dessas professoras, como podemos observar no seguinte relato:
Professora respondente 5:
No início eu me sentia muito frustrada com a intenção de estar ali passando
às vezes um final de semana inteiro montando aquelas atividades e na
segunda, na terça-feira ter a expectativa de alguém que ia buscar e ninguém
buscava as atividades. [...] conversei com a diretora no fim de semana e fiquei
muito perdida, muito triste mesmo com a situação porque eu falava pra ela
que praticamente era um trabalho elaborado com tanta dificuldade às vezes,
mas que não estava sendo cumprido.
A preocupação sobre o decorrer do ano letivo dos alunos acabou se tornando um ponto
central do debate e a questão da adaptação dos professores a uma nova modalidade de trabalho
ficou em segundo plano, o que causou algumas implicações na saúde mental dos professores.
Também é evidente que um fator de grande relevância para o sofrimento psíquico
experimentado por esses profissionais durante o período de isolamento se relaciona à
impossibilidade de desempenhar eficazmente suas funções de trabalho. Mesmo diante de uma
situação de pandemia, que provocou considerável estresse e ansiedade devido à incerteza do
enfrentamento da doença e ao aumento constante do número de infectados e óbitos, o trabalho
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e a produtividade mantiveram-se no centro da vida das professoras. Alguns relatos destacam
que o sofrimento não se deve apenas à sobrecarga de trabalho, uma vez que muitas
enfrentavam essa carga anteriormente, mas sim à falta de resultados alcançados com seus
esforços, devido à baixa participação das crianças e pais. Além disso, as professoras, que
também são mães, tiveram de cumprir uma dupla função, acompanhando seus próprios filhos
em sua jornada educacional.
Essa centralidade do trabalho pode ser vista como um reflexo do sistema o qual estamos
inseridos, onde o ideal neoliberal exige cada vez mais produção. Safatle, Dunker e Junior
(SAFATLE; SILVA JÚNIOR; DUNKER, 2021, p. 11) explicam:
A forma de vida neoliberal descobriu que se pode extrair mais produção e
mais gozo do próprio sofrimento. Encontrar o melhor aproveitamento do
sofrimento no trabalho, extraindo o máximo de cansaço com o menor risco
jurídico, o máximo de engajamento no projeto com o mínimo de fidelização
recíproca da empresa, torna-se regra espontânea de uma vida na qual cada
relação deve apresentar um balanço e uma métrica.
Nesse contexto, a pesquisa identificou que a pandemia evidencia o sofrimento associado
ao exercício do magistério no Brasil, ressaltando a carência de apoio e suporte técnico,
metodológico e psicológico para os professores da rede pública de ensino. Portanto, trata-se de
um tema de relevância que demanda a atenção dos pesquisadores, enfatizando a urgência na
promoção do fortalecimento das políticas educacionais e no cuidado destinado aos professores
e demais profissionais que atuam na rede de ensino pública.
Considerações finais
A pesquisa realizada demonstrou que a notória ausência de suporte e políticas públicas
direcionadas à educação, sobretudo no âmbito da educação básica, representou um significativo
obstáculo para o trabalho dos professores durante a pandemia. Além da sobrecarga de trabalho,
houve também as dificuldades no âmbito tecnológico, que se configurou como um grande
obstáculo, uma vez que as atividades a distância como a única opção viável durante o
isolamento. O cenário presente exigia, além do preparo na realização dessa transição, a
disponibilidade de ferramentas tecnológicas, como computadores, plataformas de ensino,
produção de videoaulas, serviços de internet, etc. A falta desses recursos, tanto o manejo da
tecnologia, assim como a falta de equipamentos adequados foi uma realidade de professores,
famílias e alunos da rede pública.
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Durante as entrevistas, as docentes se queixaram da falta de participação dos alunos,
ocasionada pela dificuldade no acesso às plataformas e participação nos fóruns e chats
disponibilizados na plataforma. Tal situação gerou um certo grau de sofrimento, pois ainda que
elas se empenhassem para atender as demandas do processo de aprendizagem, isso ainda não
era o suficiente. Os docentes tentaram tamponar a falta de suporte procurando encontrar
maneiras alternativas de atender a esses alunos, mas eram incapazes de atender à demanda de
todos. No entanto, a falta de contato com os alunos, a dificuldade de interação com pais e alunos,
os deixou num vazio, impossível de transpor ou preencher.
Se considerarmos que uma das principais causas do sofrimento psíquico dos docentes
resulta da impossibilidade de desempenhar eficazmente seu trabalho, estamos abordando não
apenas a necessidade de melhorias nas condições de trabalho dos professores, mas também de
garantir condições de acesso mais adequadas para esses alunos. A insuficiência de políticas
voltadas ao campo da educação e a falta de investimentos na área são anteriores à maior crise
sanitária do século.
A pandemia evidenciou esses problemas existentes, bem como os agravou com a
necessidade do isolamento, que fez com que muitos alunos abandonassem a escola. É
necessário o fortalecimento dessas políticas de suporte aos professores e demais trabalhadores
da rede pública de ensino, sobretudo no que se refere à melhores condições de trabalho, apoio
emocional, disponibilização de equipamentos adequados ao trabalho e um olhar atento também
às condições de acesso desses alunos.
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em: 23 maio 2023.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaríamos de agradecer aos professores e familiares de alunos das
redes municipais de ensino que se dispuseram, prontamente, a participar de nosso estudo.
Financiamento: Não houve financiamento para esta pesquisa.
Conflitos de interesse: Não há conflito de interesse.
Aprovação ética: A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa do Centro
Universitário de Barra Mansa e aprovado sob o parecer número 4426858. Durante todo o
processo de pesquisa, os parâmetros éticos foram respeitados.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho estão
disponíveis para acesso, através de solicitação pelo e-mail das autoras.
Contribuições dos autores: Mariana Barbosa Miquilini Construiu a medotologia,
descreveu os resultados e considerações finais; Nicole Silva dos Santos Participou da
coleta de dados, construiu a introdução, descreveu os resultados e considerações finais.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.2.18649 1
TEACHING IN THE PANDEMIC: TECHNOLOGY, ISOLATION AND PSYCHIC
SUFFERING
A DOCÊNCIA NA PANDEMIA: TECNOLOGIA, ISOLAMENTO E O SOFRIMENTO
PSÍQUICO
LA DOCENCIA EN LA PANDEMIA: TECNOLOGÍA, AISLAMIENTO Y
SUFRIMIENTO PSÍQUICO
Nicole Silva dos SANTOS1
e-mail: ns8315249@gmail.com
Mariana Barbosa MIQUILINI2
e-mail: marianamiquilini.psi@gmail.com
How to reference this paper:
SANTOS, N. S.; MIQUILINI, M. B. Teaching in the
pandemic: Technology, isolation and psychic suffering.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp.
2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.2.18649
| Submitted: 22/07/2023
| Revisions required: 10/08/2023
| Approved: 18/09/2023
| Published: 31/10/2023
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
University Center of Barra Mansa (UBM), Barra Mansa RJ Brazil. Bachelor's degree in Psychology.
. University Center of Barra Mansa (UBM), Barra Mansa RJ Brazil. Bachelor's degree in Psychology.
Teaching in the pandemic: Technology, isolation and psychic suffering
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.2.18649 2
ABSTRACT: This article presents the mental health conditions of teachers in public schools
from three municipalities in the South Fluminense region of Rio de Janeiro during their work
in the COVID-19 pandemic. It does not aim to provide a diagnostic characterization but instead
qualifies the psychological state of the teachers as "psychological distress." Through online
focus groups conducted via the Google Meet platform, it was concluded that the lack of support
and public policies dedicated to education made the work of teachers challenging, resulting in
a certain degree of distress.
KEYWORDS: Mental health. Teachers. COVID-19.
RESUMO: Este artigo apresenta as condições da saúde mental de professores de escolas
públicas de três municípios da região sul fluminense do estado do Rio de Janeiro, durante o
exercício laboral na pandemia da COVID-19. Não pretende trazer uma caracterização
diagnóstica, mas qualifica o estado psicológico das docentes de “sofrimento psíquico”. Através
de grupos focais on-line, realizados pela plataforma Google Meet, concluiu-se que a falta de
suporte e políticas públicas voltadas a educação dificultou o trabalho dos professores, gerando
assim certo grau de sofrimento.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde mental. Professores. COVID-19.
RESUMEN: Este artículo presenta las condiciones de salud mental de los profesores de
escuelas públicas de tres municipios de la región sur del estado de Río de Janeiro, durante su
trabajo durante la pandemia de COVID-19. No pretende traer una caracterización diagnóstica,
pero califica el estado psicológico de los docentes como “sufrimiento psíquico”. A través de
grupos focales en línea, realizados por la plataforma Google Meet, concluimos que la falta de
apoyo y de políticas públicas dirigidas a la educación dificultó el trabajo de los docentes,
generando así cierto grado de sufrimiento.
PALABRAS CLAVE: Salud mental. Profesores. COVID-19.
Nicole Silva dos SANTOS and Mariana Barbosa MIQUILINI
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 18, n. esp. 2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385
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Introduction
Due to the COVID-19 pandemic and the impossibility of in-person classes, the Ministry
of Education decreed, through ordinance no. 343, on March 17, 2020 (BRASIL, 2020) that
classes would be conducted remotely. This measure was taken to ensure the continuity of the
school year and prevent the spread of the virus in schools. Students, families, and the school
staff had to adapt to the online environment. Regarding the activities carried out by teachers,
many changes, adaptations, and concessions had to be made, resulting in excessive work and
countless hours of dedication to comply with the new regulations.
A survey conducted by the Instituto Península (Península Institute) (2020) with 7,734
teachers from all over Brazil showed that after six weeks of quarantine, 83% of these
professionals did not feel prepared to deal with the virtual environment, and 55% of them did
not receive any training or support during the period of social isolation to cope with this virtual
environment. The survey also indicates that 75% of the professionals stated that they did not
receive any emotional support or assistance from schools to deal with the situation they were
experiencing.
Even before COVID-19, a survey conducted by Nova Escola in 2019 (OLIVEIRA,
2019), with 5,000 teachers throughout Brazil demonstrated that 60% of teachers suffered from
anxiety, stress, and headaches, and 66% had felt weakness, incapacity, or fear of going to work.
For 87% of the respondents, these problems were related to their work. Thus, it is evident that
even before the pandemic, education professionals already showed high rates of mental health
problems related to their work environment.
A study was conducted to understand teachers' experiences with remote teaching during
the pandemic. The objective was to identify how municipal education departments organized
themselves to meet the new teaching regulations given the pandemic conditions. Then, the aim
was to hear from the teachers about their experiences. In addition to aspects related to
technology practice methodological and content adaptations, the identified scenario stood out:
teachers suffered psychologically due to the conditions imposed by the pandemic. This finding
could not be ignored. Teaching, in Brazil, is something that causes illness. Carlotto (2011), in
his research on the prevalence of Burnout Syndrome in teachers, highlights that 1) the teaching
profession is one of the most researched when it comes to psychological suffering; 2) it is a
profession that is subject to numerous stressors and is highly technocratic; and 3) the
International Labour Organization considers the teaching profession as one of the most
stressful.
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For Alles (2021), incorporating the necessary technologies for remote teaching,
combined with a lack of interaction and an increased workload, led to the development of
Burnout Syndrome in teachers during the pandemic. It is worth noting that Burnout Syndrome
is recognized as an occupational disease by Decree-Law no. 6.042/2007 (BRASIL, 2007).
This article does not categorize the psychological distress of teachers as "Burnout
Syndrome" but seeks to reveal the psychological conditions of educators that corroborate the
syndrome's symptoms: anxiety, exhaustion, insomnia, negative feelings, and feelings of
incompetence, among others. Psychological suffering, in addition to being caused by the
conditions of the teaching profession itself, was exacerbated by the demands brought about by
remote teaching: difficulty in dealing with technological resources, increased workload, lack of
support for adapting teaching methodologies, reduced contact and communication with parents
and students, and a shortage of necessary technical equipment for carrying out activities.
This work presents the psychological conditions of teachers who worked in remote
teaching during the pandemic in schools in three municipalities in the southern region of Rio
de Janeiro, characterizing these conditions as "psychological distress." It is important to note
that this is not a comprehensive diagnosis, nor is it the research's objective, but rather to
highlight the circumstances related to the pandemic that led teachers to experience
psychological distress.
Methodology
The research adopted a qualitative approach with descriptive objectives. The qualitative
course investigates subjective phenomena, while the illustrative purpose seeks to characterize
the phenomenon or population under study (MORESI, 2003).
Data collection was conducted through the organization of focus groups, a technique
widely employed in research in the fields of human and social sciences. This technique, of
Anglo-Saxon origin, involves group interviews conducted in a conducive environment for
discussion, promoting interaction and communication among participants. It is widely used in
social sciences and public health studies due to its low cost and ability to obtain valid and
reliable data quickly, especially when the focus is on assessments (TRAD, 2009). Thus, given
the circumstances of social isolation, the online application of the method proved favorable.
As these are semi-structured interviews, we used prompting questions that encompassed
three aspects: 1) communication between the Municipal Department of Education and the
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students, including the department, teachers, students, and parents; 2) teaching work: access to
technological resources, teaching strategies, teaching-learning process, and assessment; 3) the
use of technological resources (websites, platforms, connectivity). Repeatedly, responses
addressed fatigue and emotional overload.
The groups were conducted remotely via Google Meet, coordinated by two researchers
and students who were part of the "Violence Observatory" research group. The meetings with
teachers were held separately from the families to ensure free expression. All sessions were
recorded with the participant's permission and subsequently transcribed for results analysis.
Results and Discussion
Psychological distress can be defined in different ways, as it is an inherent human
phenomenon that changes over time, reflecting the transformation of social bonds and social
organization. A quick search for the term "psychological distress" on Google yielded the
following results:
Intensified psychological distress is considered here as related to intense
anguish, which can be manifested in the form of a disruption of the previously
established psychosocial balance, generally difficult for the person in distress
to manage (GOMES; CARVALHO; SILVA, 2021, p. 4, our translation).
According to Dunker (2015, p. 23, our translation) psychological distress is historically
constructed and can be:
From character neuroses of the 1940s to post-war narcissistic personalities,
from borderline cases of the 1980s to depression, panic disorders, and
anorexias of the 2000s, there is a variation in the preferred modes of suffering.
Considering these aspects, it can be understood that there is a social determination for
suffering. In the introduction of the book "Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico
(Neoliberalism as the Management of Psychological Distress)" (SAFATLE; SILVA JÚNIOR;
DUNKER, 2021), the authors mention this metamorphosis of suffering and highlight its
relationship with social, economic, and political changes. They point out that:
Each era prescribes the way in which we should express or conceal, narrate or
silence, and recognize or criticize specific modes of suffering. This explains
the seasonal emergence and decline of specific clinical conditions at the
expense of others (SAFATLE; SILVA JÚNIOR; DUNKER, 2021, p. 12, our
translation).
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However, major classification manuals reduce psychological distress to a nosological
category, diagnosing a condition inherent to human existence. Thus, suffering ceases to be just
a phenomenon of human experience and becomes a symptom of various pathologies. The
Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) was first published in 1952 by
the American Psychiatric Association and is in its fifth edition. In the DSM-5, psychological
distress is defined as "a variety of symptoms and experiences within a person's inner life that
are commonly disturbing, confusing, and out of the ordinary" (APA, 2014, p. 830, our
translation).
However, it is problematic to equate psychological distress with a pathology, as it arises
from the subject's social relationships with their environment, which change as they are named.
On the contrary, what characterizes an illness is the stability of its course, regardless of social
relationships, meaning it has a beginning, middle, and end. Dunker (2015, p. 24, our translation)
says:
Mental illnesses are neither diseases in the sense of a natural morbid process
that infiltrates individuals' brains, following an inexorable and predictable
course, nor are they mental in the sense of a deformation of personality.
Mental illnesses, or rather their symptoms, realize universal possibilities of
the subject, which become coercively particular or privately necessary. In
other words, a sign is a fragment of lost freedom imposed on oneself or others.
Understanding the social and subjective dimension of psychological distress, it is
impossible not to relate it to the social dimension of work. The individual is embedded in a
capitalist system that demands increasing productivity and efficiency. Considering
psychological distress and career from a psychoanalytic perspective, Silveira, Feitosa and
Palácio (2014, p. 3, our translation) comment:
We understand, from a psychoanalytic clinical perspective, that all the
subject's experiences will be significant according to the place the subject
occupies about language. Thus, the psychological distress of the worker
cannot be thought of merely as inherent to external stimuli (work organization,
infrastructure, production rate) but must be approached from how this
relationship with work fits into each one's psychic economy. Suffering
depends on the meaning it assumes in time and space, as well as in the body
it touches, producing something beyond the pleasure principle.
As mentioned earlier, the COVID-19 pandemic led to the suspension of classes as a
measure to contain the virus's spread, causing educational institutions to adopt remote learning
as an alternative. Teachers needed to adapt to this new working tool and work from their homes,
which resulted in some implications for their mental health. Educators began to balance family
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and professional life and had to invest in self-guided training, as there was no support from
educational institutions. They needed to transform the methodology from in-person to remote
teaching, create appropriate materials, and establish ways of interacting with students, among
other things, which placed an excessive demand on each professional, leading to psychological
distress.
The female teachers interviewed in focus groups referred to feelings of fatigue and work
overload, central complaints discussed by the professionals during the meetings. One teacher
expressed:
Teacher Respondent 1:
I'm trying to throw myself in every direction to see if I can manage because
it's difficult to figure out what to do and what I'm saying, I don't know how to
name what my workload is like today because it's a lot of work. It demands
much time. Then you feel like the person who swam and swam and ended up
empty-handed. Because you couldn't achieve the goal. [...] My feeling is like
this: of doing things and not getting the return, I expected so much.
The teachers also stated that there was an uneven distribution of workload, which made
it challenging to manage their tasks, causing an overload. One of them expressed:
Teacher Respondent 2:
Whether you like it or not, it's a much bigger job because I have to type, I have
to look for other texts, find images, I have to credit the image source, I have
to create eight questions. [...] I'm in mid-April today, and I'm already dead
tired.
Furthermore, many teachers are also mothers, and this causes distress because they
perform a dual role. Some of them explained how they felt anxious when they had to assist their
parents and, at the same time, follow their children's routines. They placed excessive demands
on themselves because they believed they needed to develop materials that parents could
understand and use to help their children. One teacher and mother said:
Teacher Respondent 3:
And I felt this way, even being a teacher, thinking about how it would be for
the students and how it would be within my home with my children. And it
wasn't easy. Adapting to sitting down and every hour, the phone beeps because
there's a message from the school group. It wasn't easy. You follow this whole
process, and when you look at the messages, they've already piled up with
many. Then, one parent asks several things, and another parent asks things,
too. [...] Sometimes I say, "What are they saying?" I can't keep up with all the
messages
[...]
I put myself in the parent's shoes, and I got nervous, I got anxious, there were
days when I thought about how I would manage my two children here.
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Another factor that caused distress for the interviewed teachers was the difficulties
arising from technology. Despite their preparation, these technical glitches were beyond their
control. One teacher recounts:
Teacher Respondent 4:
As soon as the meeting started, everything went wrong; the video froze, and
nothing worked. I got very nervous. It was my first actual contact. I felt like
crying. I stopped it and apologized, I was honest. I prepared myself and did
everything to program it correctly. And I told them that just as it was new for
them, it was for us teachers too.
The lack of participation by parents and students in the proposed activities, coupled with
their significant effort to develop them, also appears as an exacerbating factor in terms of the
emotional state of these teachers, as we can observe in the following account:
Teacher Respondent 5:
In the beginning, I felt very frustrated with the intention of spending sometimes
a whole weekend preparing those activities and then on Monday and Tuesday,
expecting that someone would come to pick them up, but no one did. [...] I
talked to the principal over the weekend, and I was lost and very sad with the
situation because I told her that it was practically work elaborated with so
much difficulty at times, but it wasn't being fulfilled.
Concerns about students' progress throughout the school year became a central point of
discussion, and the issue of teachers adapting to a new mode of work took a back seat, causing
specific implications for the mental well-being of teachers.
It is also evident that a highly relevant factor contributing to the psychological distress
experienced by these professionals during the period of isolation is the inability to carry out
their work duties effectively. Even in the face of a pandemic situation that induced considerable
stress and anxiety due to uncertainties surrounding the disease and the ongoing increase in the
number of infections and fatalities, work and productivity remained at the forefront of these
teachers' lives. Some accounts emphasize that the distress is not solely due to work overload,
as many had experienced such burdens previously, but rather the lack of tangible outcomes
despite their efforts, stemming from low student and parental participation. Additionally, the
teachers and mothers had to juggle a dual role by overseeing their children's educational
journey.
This centrality of work reflects the system in which we are embedded, where the
neoliberal ideal demands increasingly more production. Safatle, Dunker and Junior
(SAFATLE; SILVA JÚNIOR; DUNKER, 2021, p. 11, our translation) explain:
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The neoliberal way of life has discovered that one can extract more production
and enjoyment from suffering. Finding the best use of torture at work,
removing the maximum fatigue with the least legal risk, and full engagement
in the project with the minimum mutual loyalty to the company becomes the
spontaneous rule of a life in which each relationship must present a balance
and a metric.
In this context, the research has identified that the pandemic highlights the suffering
associated with teaching in Brazil, emphasizing the lack of technical, methodological, and
psychological support for public school teachers. Therefore, this is a topic of relevance that
demands the attention of researchers, emphasizing the urgency in promoting the strengthening
of educational policies and in providing care for teachers and other professionals working in
the public education system.
Final considerations
The research demonstrated that the noticeable lack of support and public policies
focused on education, especially in the context of primary education, represented a significant
obstacle to the work of teachers during the pandemic. In addition to the workload, there were
also technological difficulties, which posed a considerable challenge, as distance activities
became the only viable option during the isolation. The current scenario required not only
preparation for this transition but also the availability of technological tools such as computers,
educational platforms, video production, internet services, and so on. The lack of these
resources, both in technology management and the absence of suitable equipment, was a reality
for teachers, families, and students in the public school system.
During the interviews, the teachers complained about the lack of student participation,
caused by difficulty in accessing platforms and participating in forums and chats provided on
the platform. This situation generated a certain degree of distress because, even though they
made efforts to meet the demands of the learning process, it was still not enough. Teachers
attempted to fill the support gap by seeking alternative ways to assist these students, but they
could not meet the demands of all. However, the lack of contact with students and the difficulty
of interacting with parents and students left them in a void that was impossible to overcome or
fill.
Suppose we consider that one of the leading causes of teachers' psychological distress
results from their inability to perform their work effectively, we are addressing not only the
need for improvements in teachers' working conditions but also for ensuring more appropriate
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access conditions for these students. The lack of policies focused on education and the lack of
investments in the area predates the most significant health crisis of the century.
The pandemic highlighted these pre-existing problems and exacerbated them due to the
need for isolation, causing many students to drop out of school. Strengthening these support
policies for teachers and other public education workers is necessary, especially regarding
better working conditions, emotional support, provision of suitable work equipment, and
careful consideration of the access conditions for these students.
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Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 24, n. esp. 2, e023024, 2023. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v24iesp.2.18649 12
CRediT Author Statement
Acknowledgements: We would like to express our gratitude to the teachers and families of
students from municipal school networks who readily agreed to participate in our study.
Funding: There was no funding for this research.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The research was submitted to the Ethics and Research Committee of
the University Center of Barra Mansa and approved under opinion number 4426858. Ethical
parameters were strictly adhered to throughout the research process.
Data and material availability: The data and materials used in this work are available for
access upon request via the authors' email.
Authors' contributions: Mariana Barbosa Miquilini Contributed to the methodology,
described the results, and provided the final considerations. Nicole Silva dos Santos
Participated in data collection, contributed to the introduction, described the results, and
provided the final considerations.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.