Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420 1
O PROTAGONISMO JUVENIL EM LIVROS DIDÁTICOS DE PROJETO DE VIDA
DO NOVO ENSINO MÉDIO
EL PROTAGONISMO JUVENIL EN LIBROS DIDÁCTICOS DE PROYECTO DE VIDA
DEL NUEVO ENSEÑANZA MEDIA
YOUTH PROTAGONISM IN PROJECT LIFE TEXTBOOKS OF THE NEW HIGH
SCHOOL EDUCATION
Fernanda Alves CAVALCANTE1
e-mail: fernanda.cavalcante41287@alunos.ufersa.edu.br
Francisco Vieira da SILVA2
e-mail: francisco.vieiras@ufersa.edu.br
Como referenciar este artigo:
CAVALCANTE, F. A.; SILVA, F. V. da. O protagonismo
juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo
Ensino Médio. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara,
v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420
| Submetido em: 30/04/2024
| Revisões requeridas em: 11/05/2024
| Aprovado em: 03/06/2024
| Publicado em: 27/06/2024
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Rede Municipal de Ensino, Caraúbas RN Brasil. Docente da Rede Municipal de Ensino de Caraúbas/RN.
Mestra em Ensino pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).
Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Caraúbas RN Brasil. Professor do Departamento de
Linguagens e Ciências Humanas (DLCH) e do Programa de Pós-Graduação em Ensino (POSENSINO).
O protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo Ensino Médio
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
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RESUMO: Considerando os desdobramentos da Reforma do novo ensino médio, o presente
artigo analisa os reflexos neoliberais na produção discursiva do protagonismo juvenil presentes
em livros didáticos de Projeto de Vida. Como aparato teórico, mobilizam-se os estudos
discursivos sob a inspiração de Michel Foucault, a partir de conceitos como discurso,
enunciado, formação discursiva, verdade, poder e neoliberalismo. Em relação à metodologia, o
estudo se alinha a uma perspectiva descritivo-interpretativa e documental, de base qualitativa.
O corpus compreende enunciados extraídos de nove livros didáticos de Projeto de Vida
aprovados pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), edição de 2021.
As análises possibilitam enfatizar que a construção do sujeito como protagonista opera a partir
das relações de saber e poder evidenciadas em uma relação de íntima proximidade com os
desígnios do mercado.
PALAVRAS-CHAVE: Protagonismo juvenil. Neoliberalismo. Projeto de Vida. Mercado de
trabalho. Novo Ensino Médio.
RESUMEN: Considerando los desdoblamientos de la Reforma de la nueva enseñanza media,
el presente artículo analiza los reflejos neoliberales en la producción discursiva del
protagonismo juvenil presentes en libros didácticos de Proyecto de Vida. Como aparato
teórico, se movilizan los estudios discursivos bajo la inspiración de Michel Foucault, a partir
de conceptos como discurso, enunciado, formación discursiva, verdade, poder y
neoliberalismo. En relación a la metodología, el estudio se alinea a una perspectiva
descriptiva-interpretativa y documental, de base cualitativa. El corpus comprende enunciados
extraídos de nueve libros didácticos de Proyecto de Vida aprobados por el Programa Nacional
del Libro y del Material Didáctico (PNLD), edición de 2021. Los análisis posibilitan enfatizar
que la construcción del sujeto como protagonista opera a partir de las relaciones de saber y
poder evidenciadas en una relación de íntima proximidad con los designios del mercado.
PALABRAS CLAVE: Protagonismo juvenil. Neoliberalismo. Proyecto de Vida. Mercado de
trabajo. Nuevo Enseñanza Media.
ABSTRACT: Considering the consequences of the reform of the new high school, this article
analyzes the neoliberal reflexes in the discursive production of youth protagonism present in
textbooks of Life Project. As a theoretical apparatus, discursive studies are mobilized under the
inspiration of Michel Foucault from concepts such as discourse, utterance, discursive
formation, truth, power, and neoliberalism. Regarding the methodology, the study aligns with
a descriptive-interpretative and documentary perspective based on qualitative. The corpus
comprises statements extracted from nine Life Project textbooks approved by the National
Program of Books and Didactic Material (PNLD), 2021 edition. The analysis makes it possible
to emphasize that the construction of the subject as protagonist operates from the relations of
knowledge and power evidenced in a close relationship with the designs of the market.
KEYWORDS: Youth protagonism. Neoliberalism. Life Project. Labor market. New High
School.
Fernanda Alves CAVALCANTE e Francisco Vieira da SILVA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
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Introdução
A reforma do ensino médio (Lei n.º 13.415/2017), que se apresenta como ‘nova’,
emergia na década de 1990 como uma forma de se instaurar a correlação entre escola e mercado
de trabalho (Brasil, 2017). Em um contexto dos primeiros reflexos do neoliberalismo, sob a
égide do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), a educação não era vista como
um espaço de formação integral do indivíduo, nos aspectos sociais, pessoais e profissionais;
pelo contrário, passava a ser vislumbrada como um meio para atingir as demandas
mercadológicas da sociedade atual, acentuando, pois, as desigualdades que faziam parte
daquele universo. Alinhado a essa vertente, é a partir do golpe “jurídico-parlamentar-midiático”
(Ramos, 2019, p. 3), e do então afastamento da presidente Dilma Rousseff, que a atual reforma
do ensino médio se instaura, de maneira aligeirada e antidemocrática.
A mudança foi ocasionada por entender “[...] novas exigências educacionais decorrentes
da aceleração da produção de conhecimento, da ampliação do acesso às informações, da criação
de novos meios de comunicação, e das mudanças de interesse dos adolescentes e jovens''
(Brasil, 2011, p. 1). A reforma aparece, num primeiro momento, como Medida Provisória (MP)
746, de 22 de setembro de 2016, criando, posteriormente, a partir da promulgação da Lei n.º
13.415/17, a Política de Fomento à Implantação de Escolas de Ensino Médio em Tempo
Integral.
As alterações contemplam a carga horária anual, que passa de 800 para 1.400 horas
anuais. Além da inserção de novos rearranjos curriculares, tendo a Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) como documento orientador, que resulta na divisão dos componentes
curriculares em formação geral básica e em itinerários formativos, I - linguagens e suas
tecnologias; II- matemática e suas tecnologias; III - ciências da natureza e suas tecnologias; IV-
ciências humanas e sociais aplicadas; V- formação técnica e profissional (Brasil, 2018),
cumpridos durante o percurso escolar.
Nesse limiar, os discursos que tomam o protagonismo juvenil e projeto de vida são
incorporados ao projeto de educação que prepara o educando, sobretudo, para as demandas
mercadológicas. Ser protagonista, assim, é estruturar o próprio projeto de vida, pois é
responsabilidade do estudante o seu sucesso na carreira estudantil e, principalmente,
profissional. Desse modo, conforme a Base, é preciso “reconhecer os jovens como participantes
ativos das sociedades nas quais estão inseridos, sociedades essas também tão dinâmicas e
diversas” (Brasil, 2018, p. 463). Tal noção nos sugere, ainda, a ideia de que o jovem não é
apenas participante ativo da sociedade, mas também agente de mudança de todo o corpo social,
O protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo Ensino Médio
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o que resulta numa desresponsabilização do estado em “conduzir e viabilizar estratégias e
condições materiais para que este cidadão possa viver com dignidade social” (Costa, 2020, p.
53).
Para atender as demandas que despontam nesse contexto, o projeto de vida, integrador
do Novo Ensino Médio (NEM), deixa de ser visto como elemento opcional e adquire status de
proposição curricular que deve ser desenvolvido desde o primeiro ano dessa etapa da educação
básica. Conforme está posto no Guia de Implementação do Ensino Médio (Brasil, 2018), o
projeto de vida é a espinha dorsal do desenho deste último nível de ensino, com o objetivo de
trabalhar no educando o autoconhecimento, a autonomia e o protagonismo, permitindo, assim,
que os jovens conheçam suas potencialidades e fragilidades (Passegi; Cunha, 2020).
Dado o exposto, este estudo busca analisar os reflexos neoliberais na produção
discursiva do protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida. Para tanto,
configura-se metodologicamente como um trabalho descritivo-interpretativo, tendo como
objeto de análise quatro coleções didáticas de projeto de vida. Para esse recorte, será
apresentado o eixo três do trajeto de leitura que envolve a relação do sujeito com o mercado de
trabalho.
Para este estudo, as coleções analisadas foram as seguintes: a) Projeto de Vida:
construindo o futuro, de Hanna Cebel Danza e Antonio Morgado da Silva (LDPV01)
,
publicada pela editora Ática; b) #Vivências, de Isabella Moreira de Avelar Alchorne e Ana
Sofia Carvalho Oliveira (LDPV02), publicada pela editora Scipione; c) (Des) envolver e
(Trans) formar: projeto de vida, de Itale Luciane Cericato (LDPV04), editora Ática; d) Se liga
na vida, de Wilton Ormundo, Cristiane Siniscalchi e Carolina C. D’Agostini (LDPV08), editora
Moderna.
Por conseguinte, o método utilizado é o arqueogenealógico, fundamentando-se nas
concepções dos Estudos Discursivos Foucaultianos (Foucault, 2012; 2014). A escolha por esse
método é evidenciada, ao tomarmos o discurso como prática social e histórica, visto que nos
permite estudar de que forma as práticas discursivas emergem e se relacionam, além de
observar, “[...] no discursivo textual, os indícios de um trabalho da memória na materialidade
desses discursos” (Navarro, 2020, p. 14).
O trabalho se organiza, para além desta seção, em três tópicos. O primeiro tópico discute
as concepções de discurso e enunciado, bem como as implicações neoliberais na constituição
Para se referir às coleções, utilizamos a codificação LDPV (Livro Didático de Projeto de Vida) mais a numeração
que indica a ordem do livro didático na sequência das nove coleções coletadas.
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dos discursos acerca do protagonismo juvenil. O tópico seguinte descreve as análises dos livros
didáticos de projeto de vida, que tratam, principalmente, do protagonismo juvenil no âmbito do
mundo do trabalho. Por fim, traçamos as considerações finais.
Sobre o discurso e o neoliberalismo
Estudar o discurso, em termos gerais, não implica reduzi-lo a um método estruturalista,
mas, sobretudo analisar “[...] esse campo em que se manifestam, se cruzam, se sobrepõem e se
especificam as questões do ser humano, da consciência, da origem e do sujeito” (Foucault,
2014, p. 51). Sob essa ótica, o discurso, tomado enquanto materialidade histórica, permite que
o homem conceba a sua própria existência, visto que a construção dos sujeitos e objetos é
resultado daquilo que se fala sobre eles (Giacomoni; Vargas, 2010). Logo, o discurso é
histórico fragmento de história, unidade e descontinuidade na própria
história, que coloca o problema de seus próprios limites, de seus cortes, de
suas transformações, dos modos específicos de sua temporalidade, e não de
seu surgimento abrupto em meio às cumplicidades do tempo (Foucault, 2014,
p. 164).
Assim, as práticas discursivas resultam de diferentes modelações históricas, que em
determinados momentos proíbem sua realização e em outros permitem que certas práticas
discursivas sejam perpetuadas ao longo do tempo. Nesse sentido, o discurso constitui-se como
espaço que possibilita a manifestação de poderes no campo da sexualidade, política e em outros
setores, não podendo ser compreendido apenas como “[...] uma fina superfície de contato ou de
confronto, entre uma realidade e uma língua, a intricação de um léxico e de uma experiência”
(Foucault, 2014, p. 87). Conforme Foucault (2014), o discurso pode, ainda, ser compreendido
como um conjunto de enunciados que se apoiam na mesma formação discursiva. Para o filósofo,
o enunciado é
Uma função de existência que cruza um domínio de estruturas, daí que se deva
falar de uma função enunciativa, na qual a relação entre o enunciado e aquilo
que ele enuncia não consiste na relação do significante com o significado, do
nome com aquilo que designa, da proposição com o referente, da frase com o
seu sentido (Foucault, 2014, p. 17).
Desse modo, embora dotado de materialidade, o enunciado não pode ser reduzido a
lógica dos caracteres gramaticais, pois se trata muito mais de um acontecimento que a lógica
gramatical não poderia esgotar totalmente. Logo, extrapola os limites da frase, dos atos de fala
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e proposição. Nessa relação, o enunciado se distingue da frase por não se assemelhar às formas
gramaticais e linguísticas, e, ainda, por não se restringir a uma verbalização sujeita a regras.
Dessarte, uma fotografia, um mapa e um gráfico podem ser enunciados “desde que sejam
tomados como manifestações de um saber e que, por isso, sejam aceitos, repetidos e
transmitidos” (Veiga-Neto, 2003, p. 94).
Sob essa ótica, ao discutir a noção de enunciado e ao diferenciá-lo de uma
materialização linguística, Foucault (2014) exemplifica que as letras dispostas no teclado de
uma máquina de datilografia não podem ser consideradas um enunciado, visto que, embora se
materializem linguisticamente, não atendem as propriedades que o caracterizam. Todavia, a
sequência de letras A, Z, E, R, T dispostas em um manual de datilografia, corresponde ao
enunciado da ordem alfabética adotada pelas máquinas de escrever da França, isto é, o
enunciado passa a ser definido pelas suas condições de existência, porque dentro de um sistema
de escrita, ele exerce determinada função enunciativa.
Assim, pode-se dizer, pois, que o enunciado extrapola os limites estruturais, tornando-
se, muito mais uma função, uma condição de existência do que um recurso meramente
linguístico, haja vista manter com o sujeito uma relação determinada. A partir disso, entende-
se que o discurso se apropria do enunciado enquanto acontecimento num jogo de relações que
se estabelecem entre “[...] instituições, processos econômicos e sociais, formas de
comportamento, sistemas de normas, técnicas, tipos de classificação, modos de caracterização”
(Foucault, 2014, p. 167). Conforme o autor,
Assim concebido, o discurso deixa de ser aquilo que é para atitude exegética
e passa a ser um bem que por conseguinte, a partir da sua própria existência
(e não simplesmente nas suas aplicações práticas), a questão do poder; um
bem que é, por natureza, objeto de uma luta, e de uma luta política” (Foucault,
2014, p. 168, grifos do autor).
O discurso, concebido como uma prática de saber social e histórica que mantém relação
com outros enunciados a partir de uma mesma formação discursiva, não é neutro. Essa não
neutralidade do discurso refere-se às relações de poder que são determinadas à medida que ele
é enunciado. Para o autor francês, o sujeito é mediador desse poder que transita nos mais
diferentes espaços. Contudo, mais do que isso, o sujeito é constituído por esse poder, ao mesmo
tempo, em que o exerce, sendo seu efeito primeiro. Dessa forma, tanto sujeito quanto poder não
são materialidades fixas, mas posições a serem ocupadas/exercidas. Em A Microfísica do Poder
(2012), Foucault se refere ao poder enquanto uma ação exercida, assim sendo, o poder só existe
a partir de práticas e relações que o manifestam.
Fernanda Alves CAVALCANTE e Francisco Vieira da SILVA
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Ademais, entendemos o poder como uma rede, cujas relações permeiam todo o corpo
social, escola, prisão, hospital, asilo, Estado, fábrica, família, apoiando-se, articulando-se e
integrando-se (Maia, 1995). Assim, interessa observar “[...] historicamente como se produzem
efeitos de verdade no interior de discursos que não são em si nem verdadeiros nem falsos”
(Foucault, 2012, p. 7). Sob essa ótica, ao discutirmos a remodelação do exercício de poder na
sociedade, voltamo-nos para a compreensão do neoliberalismo como ferramenta responsável
pela descentralização da ideia de coletividade, passando, pois, para concepção de sujeito como
elemento principal no governo de si.
Desse modo, o neoliberalismo se apresenta “[...] enquanto sistema normativo dotado de
certa eficiência, isto é, capaz de orientar internamente a prática efetiva dos governos, das
empresas e, para além deles, de milhões de pessoas que não têm necessariamente consciência
disso” (Dardot; Laval, 2016, p. 15). Outrossim, ocupa-se entender as relações que são criadas
a partir da racionalidade neoliberal, as subjetividades e os comportamentos, pois mais do que
questionar a destruição das regras, instituições e direitos importa entender “a forma de nossa
existência, isto é, a forma como somos levados a nos comportar, a nos relacionar com os outros
e com nós mesmos” (Dardot; Laval, 2016, p. 15). Nesse sentido, o neoliberalismo se instaura
como um sistema de regras e normas que perpassa as práticas governamentais, as políticas das
instituições e os estilos gerenciais. Entretanto, esse sistema excede a esfera do mercado e produz
“[...] uma subjetividade “contábil” pela criação de concorrência sistemática entre os indivíduos”
(Dardot; Laval, 2016, p. 29).
A reverberação dessa lógica neoliberal que se apropria da liberdade fazendo com que o
próprio sujeito se submeta a ela, não deixou incólume nenhuma das esferas sociais. Nesse
âmbito, a educação é vista também como parte dessa lógica empresarial que objetiva preparar
os sujeitos para o mercado concorrencial. Não à toa, foi aprovada uma reforma para o ensino
médio em que se propõe uma associação do ensino regular, das disciplinas básicas, e do ensino
técnico, fazendo com que os sujeitos jovens saiam dessa etapa de ensino com recursos para
adentrar no mundo do trabalho. Reafirmando a lógica empresarial, observamos, pois, a “[...]
acentuada associação das políticas curriculares com as forças do setor privado, capitaneadas
por uma série de fundações filantrópicas e ligadas a grandes conglomerados empresariais”
(Silva; Lima Neto, 2023, p. 4).
Nesse cenário neoliberal, no qual os sujeitos são deslocados de suas condições
subjetivas e materiais reais, observa-se que o objetivo do sistema é transformar todos em
mercadorias. Desse modo, vislumbra-se uma reforma estatal em que a burguesia busca retomar
O protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo Ensino Médio
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sua taxa de acumulação a qualquer custo (Kossak; Vieira, 2022). Assim, as reformas não
decorrem de necessidades coletivas reais, mas de interesses privados que formulam as políticas
públicas para a educação. Por esse motivo, foi apresentada a Medida Provisória (MP) 746, de
22 de setembro de 2016, que posteriormente, com a promulgação da Lei n. º 13.415/17, criou a
Política de Fomento à Implantação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral.
Conforme o Guia de Implementação do Novo Ensino Médio, as mudanças manifestam-
se a partir das alterações na LDB, das Novas Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio
(DCEM) e da elaboração da BNCC voltada para essa etapa de ensino. Dessa maneira, o Novo
Ensino Médio apresenta três grandes frentes.
O desenvolvimento do protagonismo dos estudantes e de seu projeto de vida,
por meio da escolha orientada do que querem estudar; a valorização da
aprendizagem, com a ampliação da carga horária de estudos; e a garantia de
direitos de aprendizagem comuns a todos os jovens, com a definição do que é
essencial nos currículos a partir da BNCC (Brasil, 2018, p. 6).
Ademais, o guia faz circular o discurso que deixa em foco a necessidade de escuta de
professores e jovens a respeito da elaboração da parte flexível do currículo, mostrando, pois,
que o NEM os toma enquanto protagonistas, haja vista atuarem ativamente na formação do
currículo escolar no qual estão inseridos. Todavia, algumas questões nos inquietam: por que a
escuta no momento de implementação? Por que esses sujeitos não foram ouvidos na própria
constituição da reforma? Por que apenas nesse momento eles são protagonistas?
Tais questionamentos nos levam a analisar que o discurso sobre a necessidade do
protagonismo é elaborado mais como uma forma de amenizar as críticas à reforma do que como
um meio de valorizar esses sujeitos no processo de implementação do ensino médio. De acordo
com Silva (2018), a forma com a qual o projeto foi ligeiramente anunciado e aprovado omite
os direitos constitucionais do Estado de Direito Democrático, pois limita o espaço de debate,
delineando um projeto “[...] de caráter autoritário, antidemocrático e unilateral” (Silva, 2018,
p. 21).
Dado o exposto, compreendemos que a reforma sob o discurso que se propõe a
modificar o currículo tenciona desqualificar a educação e desprestigiá-la. Assim, à medida que
se reduz a participação do Estado, os grupos empresariais entram para suprir essa lacuna,
existindo, portanto, um processo de privatização. Laval, em sua obra A escola não é uma
empresa (2019), destaca o termo ‘escola neoliberal’ para explicitar a educação que se constitui
como um bem essencialmente privado, cujo valor principal é o econômico. Para o autor, essa
privatização influencia tanto os conhecimentos produzidos no interior das instituições quanto o
Fernanda Alves CAVALCANTE e Francisco Vieira da SILVA
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próprio vínculo social, pois “[...] a afirmação da plena autonomia dos indivíduos sem amarras,
salvo a que eles próprios reconhecem por vontade própria, correspondem instituições que
parecem não ter outra razão de ser” (Laval, 2019, p. 17) a não ser aos próprios interesses.
Consoante a isso, a acumulação do capital precisa cada vez mais da capacidade de
inovação e formação da mão de obra, o que faz com que se pense em uma educação que dê
conta dessa demanda mercadológica como uma resposta rápida, entregando a esses mercados
sujeitos preparados para integrá-los (Laval, 2019). Assim, nos interessa perceber de que forma
essa concepção de mundo do trabalho integra as coleções didáticas de projeto de vida.
O protagonismo juvenil e o mundo do trabalho
Existem mecanismos de regulação para que o jovem do ensino médio desenvolva um
perfil protagonista, numa relação consigo mesmo, com o outro e com o mundo do trabalho. Tal
concepção associa-se à ideia de educação mercadológica que, ao formar para o mercado e
priorizar mão de obra barata, inclui em seus documentos e materiais didáticos uma discussão
efetiva sobre o futuro profissional desses indivíduos. Nesse contexto, o projeto de vida propõe
um espaço onde realização pessoal e profissional caminhem juntas.
Diante desse cenário, a coleção didática LDPV08 explora, na última unidade do material
didático, o primeiro passo para que os estudantes compreendam o que se entende por mercado
de trabalho e atuação profissional. O módulo do livro ao qual nos referimos é intitulado
“Preparando o Terreno”, utilizado metaforicamente para demonstrar a introdução ao assunto,
que evidencia o posicionamento assumido pelo sujeito que enuncia. Sob essa ótica, inicialmente
um detalhamento das profissões do futuro e daquelas que vão deixar de existir mediante o
avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial.
Segundo a posição assumida pelo sujeito do discurso, os robôs serão capazes de
substituir os humanos em serviços de telemarketing, cobrador de ônibus, atendente de caixa de
supermercado e em outras determinadas tarefas que são repetitivas. Por outro lado, o manual
destaca que outras profissões passarão a existir devido às demandas mercadológicas, sendo
estas: designer de realidade aumentada; pesquisador em biotecnologia; bioquímico em
nanotecnologia; editor de DNA; designer de impressão 3D; desenvolvedor e técnico de drones;
estrategista de Big Data; engenheiro de dados; analista de otimização (Ormundo; Siniscalchi;
D’ Agostini, 2020).
O protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo Ensino Médio
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As profissões exemplificadas no livro concentram-se, essencialmente, em atividades
tecnológicas que requerem formações específicas. Essas formações, em termos gerais, não
estão socialmente destinadas aos jovens que frequentam o ensino público, pois são mais
acessíveis a um público de maior poder aquisitivo, que não corresponde, majoritariamente, ao
perfil dos alunos que participam das nossas escolas. Em contrapartida, o manual expõe, junto
às profissões do futuro, aquelas que estão em risco de desaparecer, as quais geralmente
correspondem aos trabalhos assumidos pelas classes de menor poder aquisitivo, como
motoristas, estoquistas, analistas de crédito e trabalhadores rurais. Esse discurso reafirma a
desigualdade social existente no país, demonstrando que a corrida pelo mercado de trabalho
não é igual para todos. Nesse sentido, assegura-se que: “o trabalhador braçal, especialmente no
campo, vai sumir em vinte anos. As máquinas vão arar, plantar, monitorar, determinar quando
irrigar e fazer as colheitas” (Ormundo; Siniscalchi; D’ Agostini, 2020, p. 106).
As condições de emergência desse discurso se ancoram na racionalidade neoliberal.
Assim, é necessário conduzir esses sujeitos a uma constante reinvenção para garantir seu lugar
no mercado. Desse modo, não se trata apenas de demonstrar quais são as projeções para o
mundo do trabalho, mas também de alertar sobre o que não deve ser uma escolha. Ainda dentro
dessa discussão, o livro propõe uma atividade para que os alunos respondam às seguintes
questões.
1) Que plano “b” você teria, caso sua escolha tivesse de mudar?
2) Se pudesse programar um robô capaz de exercer uma profissão ou atuar em
uma área de seu interesse, quais habilidades humanas você procuraria
incorporar nele?
3) A autora apresenta algumas profissões que poderão surgir no futuro, como
designer de realidade aumentada e editor de DNA. Quais outras profissões
você imagina que poderão surgir a partir das demandas da atualidade?
(Ormundo; Siniscalchi; D’ Agostini, 2020, p. 106).
Os comandos das questões direcionam os jovens a uma reflexão sobre as profissões que
fazem parte de seu projeto de vida. Na primeira questão, uma retomada ao saber produzido
pela reforma, a partir de uma visão neoliberal, de que a flexibilidade é competência
indispensável para o ser protagonista e para o mundo do trabalho, tornando-se, portanto, um
dispositivo de poder sobre esses corpos. Ademais, os alunos são convidados a responder quais
habilidades humanas eles incorporariam a um robô, demonstrando a coexistência dos dois no
mercado de trabalho. Por fim, é pedido para que pensem nas demandas da atualidade e indiquem
quais profissões podem surgir a partir delas, o que corresponde a uma formação que se baseia,
sobretudo, nas requisições mercadológicas.
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Se nos atentarmos aos enunciados, flagramos a mudança que se propõe no mundo do
trabalho, resultado de um capitalismo biocognitivo. Isso porque, conforme Marazzi (2000), o
crescimento é compreendido por intermédio de atividades humanas, seja com relação às
habilidades comunicacionais, relacionais, criativas e inovadoras. Quando o livro didático
questiona sobre a necessidade de mudança, estabelece uma relação de saber e poder, no qual o
sujeito é subjetivado a partir de uma necessidade criativa de reinventar-se para o mercado. Do
mesmo modo, as profissões que se alinham aos novos recursos tecnológicos, designer de
realidade aumentada e editor de DNA, suscitam a carência do mercado por uma formação que
se propõe inovadora. Isso significa dizer que o processo de valorização opera a partir da
exploração das “[...] capacidades de aprendizagem, relacionamento e (re)produção social dos
seres humanos” (Fumagalli, 2016, p. 12).
Assim, esses enunciados estão associados a um conjunto de outros enunciados que
também promovem o protagonismo e o mercado de trabalho, onde o sujeito é visto como o
principal responsável pelo seu sucesso pessoal e profissional. Em consonância a isso, o
LDPV01 no bloco quatro, intitulado “tomada de decisão responsável”, inicia com dois
questionamentos, quais sejam: “você se sente seguro para se responsabilizar por suas decisões?
e “do que você precisa para sentir que tomou a decisão certa?” (Danza; Silva, 2020, p. 167). Os
enunciados inserem o jovem como elemento principal na tomada de decisões do seu projeto de
vida, isto é, assumindo um caráter de protagonismo. Contudo, é elementar compreender que
essas escolhas nunca estão associadas a um projeto de Estado ou asseguradas por direitos
comuns a todos, isto é, nessa educação que forma para o trabalho, “[...] o surgimento desse
indivíduo está associado ao processo de precarização das condições de trabalho,
enfraquecimento dos sindicatos dos trabalhadores e cortes de bens públicos e serviços sociais
(Daniel; Silva, 2023, p.24).
Nesse cenário, o contrato social moderno do qual o Estado revelava-se como peça
elementar na proteção do indivíduo é substituído pela responsabilização do próprio sujeito
(Daniel; Silva, 2023). Isso significa dizer que o sujeito neoliberal precisa estar plenamente
envolvido na atividade profissional e agindo sobre si mesmo para se fortalecer na competição.
Assim sendo, concebe-se como “[...] proprietário de capital humano e tem a responsabilidade
de construir o seu caminho diante dos riscos dos tempos incertos” (Daniel; Silva, 2023, p. 27).
Logo, a associação entre os domínios do protagonismo e do trabalho figuram uma relação de
poder que impera sobre o aluno do ensino médio com o propósito de atender a essa nova razão
do mundo.
O protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo Ensino Médio
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Nesse intento, a coleção LDPV01 traz uma atividade que solicita aos alunos criarem um
cardápio de profissões, considerando seus interesses, as principais carreiras da atualidade e a
média salarial. Ademais, sugere aos alunos que dividam as profissões por áreas gerais,
profissões artísticas, criativas e culturais; profissões assistenciais; profissões científicas;
profissões comerciais; profissões de comunicação e informação; profissões de gestão;
profissões de saúde e bem-estar; profissões do futuro; profissões ligadas à natureza e aos
recursos naturais; profissões tecnológicas (Danza; Silva, 2020), como uma forma de facilitar a
visualização do cardápio’. O material assegura, ainda, que “o cardápio de profissões da área
deve conter: nome da profissão, descrição, relevância social, características do mercado de
trabalho, média salarial” (Danza; Silva, 2020, p. 170).
Flagra-se no discurso do livro didático uma estratégia de governamentalidade que
interpela o sujeito como detentor de escolhas, fazendo total referência à própria nomenclatura
escolhida pelo manual, visto que o cardápio funciona como elemento no qual o indivíduo
escolhe o que lhe apetece. Todavia, o não dito desse discurso é que nem todos podem frequentar
os mesmos restaurantes, isto é, nem todos terão as mesmas opções de escolha. Sendo assim,
dentro de um cardápio limitado por suas condições sociais, os jovens escolherão o que melhor
se adequa ao seu contexto, movimentando a maquinaria de mão de obra barata do mercado de
trabalho. Dando continuidade a essas escolhas profissionais, o livro pontua que
Em um mercado de trabalho que apresenta múltiplas opções de carreira,
tornase fundamental saber identificar os benefícios e as desvantagens de cada
profissão, as afinidades e as incompatibilidades com o seu perfil e, sobretudo,
os efeitos positivos e negativos que uma profissão poderá ter em sua vida
(Danza; Silva, 2020, p. 171).
O recorte está localizado no tópico imersão de si e apresenta em sua materialidade
repetível a noção de que o mercado de trabalho revela múltiplas opções de carreira, como se
todas pudessem ser escolhidas por qualquer aluno, independentemente de sua condição social.
Alinhada a essa verdade que irrompe no interior do projeto de vida, destaca-se, também, a
necessidade de se avaliar as afinidades e incompatibilidades com o perfil do sujeito, retomando
o discurso que impera sobre a necessidade de avaliação e autoavaliação para reafirmar-se na
competição pelo lugar no mundo do trabalho.
Continuando com as análises, observa-se uma regularidade nos discursos presentes nos
materiais didáticos, os quais seguem uma estrutura enunciativa caracterizada por três aspectos
principais: a descrição do mercado de trabalho atual, a identificação das profissões emergentes
e a apresentação de atividades voltadas para o desenvolvimento da vida profissional.
Fernanda Alves CAVALCANTE e Francisco Vieira da SILVA
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A partir dos conceitos de 'gerir' e 'empresariamento', é possível verificar na coleção
LDPV02, especificamente na unidade Eu no Mundo do Trabalho”, um delineamento do
discurso que associa a formação do indivíduo ao processo de criação de negócios. O
posicionamento do sujeito que enuncia enfatiza que uma formação eficaz requer capacitação
para maximizar o capital pessoal, provocando reflexões sobre o papel da educação financeira.
Sob esse prisma, a obra intitula o capítulo como “Educação financeira: autonomia
cidadã”, despontando como verdade o entendimento de que ser educado financeiramente, isto
é, gerir o seu próprio capital, ser autônomo e, portanto, protagonista. No material, o sujeito que
enuncia divide o público de nosso país em dois perfis: gastador e poupador, sendo necessário
para os dois comportamentos a realização de um orçamento, a fim de que observem onde estão
aplicando ou desperdiçando o seu dinheiro (Alchorne; Oliveira, 2020). Pensando nesse
planejamento, pontua-se que “[...] saúde financeira é ter o controle do dinheiro de forma que se
possa atingir os sonhos materiais de curto, médio e longo prazos” (Alchorne; Oliveira, 2020, p.
185). Nesse recorte, mapeamos que uma psicologização no uso do termo ‘saúde’, pois sugere
que tudo aquilo que foge ao bom uso do dinheiro está adoecido, de modo que o planejamento
e os orçamentos são os meios para se ‘curar’ dessa mazela. Semelhantemente, os prazos
aparecem como uma forma de endossar a ideia do sujeito enquanto empresa a partir do
estabelecimento de metas.
No manual LDPV04, destaca-se um exercício no qual consta o seguinte enunciado: “de
acordo com a reportagem, quais são as competências que o mercado busca nos jovens
atualmente?” (Cericato, 2020, p. 111). O questionamento direciona o jovem a pensar nas
exigências do mercado, a fim de que reflita, igualmente, sobre as competências que ele possui.
O discurso envolto pela governamentalidade neoliberal sugere um novo modo de governo em
que as pessoas governam a si mesmo, o que implica num conhecimento sobre si e sobre o que
lhe é exigido. Destarte, “[...] as novas formas de exploração capitalista buscam sua imanência
capturando as formas de vida das pessoas, ou seja, modulando seu controle dentro dos
processos” (Araújo, 2023, p. 4). Ainda nesse enunciado, embora não consigamos precisar o que
se define por mercado, fitamos que as noções de competitividade, empregabilidade,
competências e desempenho integram essa retórica.
Nesse sentido, não os termos supracitados, mas, principalmente, as competências
socioemocionais relacionam-se ao mercado de trabalho, pois conduzem ao desempenho que se
espera desse sujeito egresso. De acordo com Estormovski (2023), o capitalismo denota uma
associação simbólica entre o consumo e as emoções, de modo que não como dissociar as
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duas temáticas. Logo, os processos de subjetivação partem da compreensão em termos de
educação financeira e, ainda, de gerenciamento das emoções. Nessa teia enunciativa, o livro
didático assegura: “por que razão as competências socioemocionais são mais valorizadas pelo
mercado de trabalho atual em detrimento das competências técnicas?” (Cericato, 2020, p. 111).
Retornando ao enunciado, é relevante enfatizar que a afirmação de que as competências
socioemocionais são mais valorizadas do que as competências técnicas, não está sujeita as
dúvidas; ao contrário, ela se estabelece como uma verdade. Esse enunciado suscita uma reflexão
sobre as razões dessa valorização, que se encontram na própria governamentalidade neoliberal,
uma nova lógica do mundo.
Sob esse prisma, compreendemos que as competências socioemocionais “[...] buscam
desenvolver alunos empreendedores de si, resilientes e bem ajustados emocionalmente”
(Araújo, 2023, p. 13). Desse modo, compreendemos que o desenvolvimento dessas habilidades
constitui, também, uma estratégia de governo que visa atender as demandas mercadológicas.
Assim, a noção de protagonismo, derivada da interação entre o indivíduo, o outro e o mercado
de trabalho, configura estratégias de biorregulação destinadas a orientar as condutas desses
jovens sujeitos para um autogoverno, no qual se percebem como os principais agentes
responsáveis pelo sucesso de seus projetos de vida. Essa orientação das condutas é sustentada
por um conjunto de estratégias que abrangem desde o desenvolvimento do empreendedorismo
pessoal, passando pela discussão sobre sexualidade, educação financeira, mercado de trabalho,
até intervenções no mundo externo. Portanto, o sujeito é individualizado, embora influenciado
por diversas relações sociais.
Considerações finais
Apesar de as discussões que propõem reformulações para a juventude e para o ensino
médio não serem recentes, o debate sobre essa etapa de ensino volta a ganhar destaque com a
Medida Provisória 746, de 22 de setembro de 2016, que surgiu em um contexto pós-
impeachment. A maneira precipitada e autoritária com que a reforma foi apresentada e
posteriormente aprovada como Lei n. º 13.415/17 indica um projeto de desmantelamento da
educação, visando enfraquecer as ações do Estado em favor de um movimento de privatização
e empresarialização das escolas. Nesse contexto, os ajustes curriculares que priorizam
determinadas áreas do conhecimento, a promoção do protagonismo juvenil, a implementação
da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a inclusão do projeto de vida como componente
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central nos currículos são estratégias governamentais que refletem uma lógica neoliberal, que
discretamente tem permeado os ambientes escolares.
Sob essa ótica, objetivou-se analisar como o protagonismo juvenil se constitui como
uma estratégia de governamentalidade neoliberal em discursos presentes em coleções didáticas
de projeto de vida do novo ensino médio. Mediante as análises, é elementar destacar que,
historicamente, o ensino médio tem sido palco de diferentes transformações, isso porque a
juventude é vista com potencial para cumprir as reformulações que têm sido propostas ao longo
dos anos. Logo, uma regulação das condutas desses jovens com o propósito de atender aos
fins pelos quais a educação é submetida. Sob esse prisma, verificamos um crescimento
vertiginoso a respeito da necessidade de o jovem tornar-se protagonista, tanto no espaço escolar
quanto para além dele, isto é, no mercado de trabalho. A irrupção desses discursos situa-se num
contexto histórico e político do qual a educação é meio para atender as necessidades
mercadológicas. Isso significa dizer que a racionalidade neoliberal que individualiza os sujeitos,
que os torna flexíveis, autônomos e rentáveis precisa constituir os projetos educacionais.
Como resultado, os manuais dedicam-se a explicar as profissões do futuro e aquelas que
estão em declínio, realizando um mapeamento do mercado de trabalho atual. Isso visa preparar
os jovens para responder às novas demandas, que exigem habilidades como inovação,
criatividade e autonomia. O levantamento do mercado de trabalho evidencia a competição
desigual que os jovens do ensino médio precisam enfrentar para garantir seu espaço,
especialmente quando recursos para se tornar um designer de impressão 3D ou um bioquímico
especializado em nanotecnologia não estão acessíveis a todos. Esse cenário foi exacerbado
durante a pandemia da COVID-19, quando muitos estudantes não puderam participar das aulas
por falta de um celular ou acesso à internet. Portanto, percebemos que o discurso meritocrático
ignora as desigualdades sociais que inevitavelmente impactam a realização dos projetos de vida
desses indivíduos.
De igual modo, os manuais trazem as competências socioemocionais como princípio
para inserção no mundo do trabalho. Isto é, retomam a concepção de empresariamento de si e
rentabilização do eu, visto que a vontade de verdade que impera é de que o sujeito que controla
suas emoções em benefício da empresa e da produtividade é o sujeito de sucesso. Nessa toada,
uma teia enunciativa que subjetiva esses educandos, a partir da reflexão de si, do
entendimento das relações sociais para seu desenvolvimento pessoal e da necessidade de
desenvolver essas competências para o trabalho.
O protagonismo juvenil em livros didáticos de Projeto de Vida do Novo Ensino Médio
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Diante do exposto, o estudo permite a análise do discurso sobre o protagonismo juvenil
como uma estratégia de biorregulação dos corpos, orientada para atender às demandas do
mercado. A construção do sujeito como protagonista opera através das relações de saber e
poder, evidenciadas no seu encontro consigo mesmo, com os outros e com o mercado de
trabalho. Além disso, é visível a influência do neoliberalismo nas práticas educacionais,
refletida nos documentos orientadores, nos currículos e nos materiais didáticos, os quais
buscam adequar-se à nova lógica global, onde o sujeito é individualizado e incentivado a se
comportar como uma empresa, visando rentabilizar todos os aspectos de sua vida.
Nesse contexto, é evidente que a escola pública, especialmente o ensino médio, tem sido
cenário de contínuas reformulações que, longe de sanar suas deficiências, têm ampliado as
desigualdades sociais e diminuído a responsabilidade do Estado na garantia de direitos. É
importante ressaltar que o estudo se restringe à análise dos livros didáticos, sem explorar
adequadamente como esses materiais são efetivamente utilizados no dia a dia da sala de aula.
Por esse motivo, argumenta-se a necessidade de pesquisas adicionais que possam oferecer uma
visão mais precisa da realidade vivenciada no contexto prático.
Fernanda Alves CAVALCANTE e Francisco Vieira da SILVA
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Fernanda Alves CAVALCANTE e Francisco Vieira da SILVA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420 19
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não há aplicável.
Financiamento: A tradução do texto foi custeada por Edital de Incentivo à Publicação de
Artigo Científico, da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA).
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: Não há aplicável.
Disponibilidade de dados e material: O material pode ser encontrado no site das editoras.
Contribuições dos autores: Fernanda Alves Cavalcante concepção do artigo e
desenvolvimento do desenho metodológico do estudo, redação do texto e construção das
análises; Francisco Vieira da Silva supervisão do texto, levantamento da literatura e
redação da conclusão e revisão do manuscrito.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420 1
YOUTH PROTAGONISM IN PROJECT LIFE TEXTBOOKS OF THE NEW HIGH
SCHOOL EDUCATION
O PROTAGONSIMO JUVENIL EM LIVROS DIDÁTICOS DE PROJETO DE VIDA DO
NOVO ENSINO MÉDIO
EL PROTAGONISMO JUVENIL EN LIBROS DIDÁCTICOS DE PROYECTO DE VIDA
DEL NUEVO ENSEÑANZA MEDIA
Fernanda Alves CAVALCANTE1
e-mail: fernanda.cavalcante41287@alunos.ufersa.edu.br
Francisco Vieira da SILVA2
e-mail: francisco.vieiras@ufersa.edu.br
How to reference this paper:
CAVALCANTE, F. A.; SILVA, F. V. da. Youth protagonism
in Project Life textbooks of the New High School Education.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00,
e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420
| Submitted: 30/04/2024
| Revisions required: 11/05/2024
| Approved: 03/06/2024
| Published: 27/06/2024
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Municipal Education Network, Caraúbas RN Brazil. Teacher of the Municipal Education Network of
Caraúbas/RN. Master in Teaching from the Federal Rural University of the Semi-Arid Region (UFERSA).
Federal Rural University of the Semi-Arid Region (UFERSA), Caraúbas RN Brazil. Professor at the
Department of Languages and Human Sciences (DLCH) and the Graduate Program in Teaching (POSENSINO).
Youth protagonism in Project Life textbooks of the New High School Education
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420 2
ABSTRACT: Considering the consequences of the reform of the new high school, this article
analyzes the neoliberal reflexes in the discursive production of youth protagonism present in
textbooks of Life Project. As a theoretical apparatus, discursive studies are mobilized under the
inspiration of Michel Foucault from concepts such as discourse, utterance, discursive
formation, truth, power, and neoliberalism. Regarding the methodology, the study aligns with
a descriptive-interpretative and documentary perspective based on qualitative. The corpus
comprises statements extracted from nine Life Project textbooks approved by the National
Program of Books and Didactic Material (PNLD), 2021 edition. The analysis makes it possible
to emphasize that the construction of the subject as protagonist operates from the relations of
knowledge and power evidenced in a close relationship with the designs of the market.
KEYWORDS: Youth protagonism. Neoliberalism. Life Project. Labor market. New High
School.
RESUMO: Considerando os desdobramentos da Reforma do novo ensino médio, o presente
artigo analisa os reflexos neoliberais na produção discursiva do protagonismo juvenil
presentes em livros didáticos de Projeto de Vida. Como aparato teórico, mobilizam-se os
estudos discursivos sob a inspiração de Michel Foucault, a partir de conceitos como discurso,
enunciado, formação discursiva, verdade, poder e neoliberalismo. Em relação à metodologia,
o estudo se alinha a uma perspectiva descritivo-interpretativa e documental, de base
qualitativa. O corpus compreende enunciados extraídos de nove livros didáticos de Projeto de
Vida aprovados pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), edição de
2021. As análises possibilitam enfatizar que a construção do sujeito como protagonista opera
a partir das relações de saber e poder evidenciadas em uma relação de íntima proximidade
com os desígnios do mercado.
PALAVRAS-CHAVE: Protagonismo juvenil. Neoliberalismo. Projeto de Vida. Mercado de
trabalho. Novo Ensino Médio.
RESUMEN: Considerando los desdoblamientos de la Reforma de la nueva enseñanza media,
el presente artículo analiza los reflejos neoliberales en la producción discursiva del
protagonismo juvenil presentes en libros didácticos de Proyecto de Vida. Como aparato
teórico, se movilizan los estudios discursivos bajo la inspiración de Michel Foucault, a partir
de conceptos como discurso, enunciado, formación discursiva, verdade, poder y
neoliberalismo. En relación a la metodología, el estudio se alinea a una perspectiva
descriptiva-interpretativa y documental, de base cualitativa. El corpus comprende enunciados
extraídos de nueve libros didácticos de Proyecto de Vida aprobados por el Programa Nacional
del Libro y del Material Didáctico (PNLD), edición de 2021. Los análisis posibilitan enfatizar
que la construcción del sujeto como protagonista opera a partir de las relaciones de saber y
poder evidenciadas en una relación de íntima proximidad con los designios del mercado.
PALABRAS CLAVE: Protagonismo juvenil. Neoliberalismo. Proyecto de Vida. Mercado de
trabajo. Nuevo Enseñanza Media.
Fernanda Alves CAVALCANTE and Francisco Vieira da SILVA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420 3
Introduction
The high school reform (Law No. 13.415/2017), which is presented as 'new,' had already
emerged in the 1990s as a way to establish the correlation between school and the labor market
(Brasil, 2017). In a context reflecting the early impacts of neoliberalism, under the aegis of the
Fernando Henrique Cardoso administration (1995-2002), education was no longer seen as a
space for the comprehensive formation of the individual in social, personal, and professional
aspects. Instead, it began to be viewed as a means to meet the market demands of contemporary
society, thereby accentuating the inequalities that were already part of that universe. Aligned
with this trend, the current high school reform was established in a hasty and undemocratic
manner following the 'juridical-parliamentary-media' coup (Ramos, 2019, p. 3) and the
subsequent removal of President Dilma Rousseff.
The change was prompted by the understanding of "[...] new educational demands
arising from the acceleration of knowledge production, increased access to information, the
creation of new means of communication, and the changing interests of adolescents and young
people" (Brasil, 2011, p. 1, our translations). The reform initially appeared as Provisional
Measure (PM) 746, dated September 22, 2016, and was later established through the enactment
of Law No. 13.415/17, which created the Policy for the Promotion of the Implementation of
Full-Time High Schools.
The changes include an increase in the annual school hours from 800 to 1,400 hours.
Additionally, new curricular arrangements were introduced, guided by the National Common
Curricular Base (BNCC), resulting in the division of curricular components into basic general
education and formative itineraries: I - languages and their technologies; II - mathematics and
its technologies; III - natural sciences and their technologies; IV - applied human and social
sciences; V - technical and professional education (Brazil, 2018), to be fulfilled throughout the
school journey.
In this context, discourses that emphasize youth protagonism and life projects are
incorporated into the educational project that primarily prepares students for market demands.
To be a protagonist is to structure one’s own life project, as it becomes the student’s
responsibility to achieve success in their academic and, more importantly, professional career.
Thus, according to the Base, it is necessary to “recognize young people as active participants
in the societies in which they are inserted, which are also so dynamic and diverse” (Brasil, 2018,
p. 463, our translation). This notion also suggests that young people are not only active
participants in society but also agents of change for the entire social body, which results in the
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state’s withdrawal from its responsibility to “lead and facilitate strategies and material
conditions for this citizen to live with social dignity” (Costa, 2020, p. 53, our translation).
To meet the demands arising in this context, the life project, an integrative component
of the New High School (NEM), ceases to be seen as an optional element and gains the status
of a curricular proposition that must be developed from the first year of this stage of basic
education. As stated in the High School Implementation Guide (Brasil, 2018), the life project is
the backbone of this final level of education, aiming to develop self-knowledge, autonomy, and
protagonism in students, thus allowing young people to understand their strengths and
weaknesses (Passegi; Cunha, 2020).
Given the above, this study aims to analyze the neoliberal reflections in the discursive
production of youth protagonism in life project textbooks. Methodologically, it is configured
as a descriptive-interpretative work, analyzing four didactic collections of life projects. For this
study, the third axis of the reading trajectory, which involves the relationship between the
individual and the labor market, will be presented.
The analyzed collections for this study are as follows: a) Projeto de Vida: construindo
o futuroby Hanna Cebel Danza and Antonio Morgado da Silva (LDPV01)
, published by
Ática; b) #Vivências by Isabella Moreira de Avelar Alchorne and Ana Sofia Carvalho
Oliveira (LDPV02), published by Scipione; c) “(Des) envolver e (Trans) formar: projeto de
vida” by Itale Luciane Cericato (LDPV04), published by Ática; d) Se liga na vida” by Wilton
Ormundo, Cristiane Siniscalchi, and Carolina C. D’Agostini (LDPV08), published by Moderna.
Consequently, the method employed is the archeogenealogical one, grounded in the
conceptions of Foucaultian Discourse Studies (Foucault, 2012; 2014). The choice of this
method is evident, as we consider discourse as a social and historical practice, allowing us to
study how discursive practices emerge and relate, in addition to observing, “[...] in the textual
discursive, the traces of a memory work in the materiality of these discourses” (Navarro, 2020,
p. 14, our translation).
Beyond this section, the work is organized into three topics. The first topic discusses the
conceptions of discourse and statement and the neoliberal implications in the constitution of
discourses about youth protagonism. The following topic describes the analyses of life project
textbooks, which mainly address youth protagonism in the context of the world of work.
Finally, we outline the concluding considerations.
To refer to the collections, we used the LDPV coding (Life Project Textbook) plus the numbering that indicates
the order of the textbook in the sequence of the nine collected collections.
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On Discourse and Neoliberalism
Studying discourse, in general terms, does not imply reducing it to a structuralist
method, but rather analyzing “[...] this field in which issues of the human being, consciousness,
origin, and subject are manifested, intersect, overlap, and are specified” (Foucault, 2014, p. 51,
our translation). From this perspective, discourse, taken as historical materiality, allows man to
conceive his existence, as the construction of subjects and objects is the result of what is said
about them (Giacomoni; Vargas, 2010, our translation). Therefore, discourse is
Historical a fragment of history, unity, and discontinuity within history
itself, which raises the issue of its limits, its cuts, its transformations, the
specific modes of its temporality, and not its abrupt emergence amid the
complicities of time (Foucault, 2014, p. 164, our translation).
Thus, discursive practices result from different historical modulations, which at certain
times prohibit their realization and at other times allow certain discursive practices to be
perpetuated over time. In this sense, discourse constitutes a space that enables the manifestation
of powers in the fields of sexuality, politics, and other sectors, and cannot be understood merely
as “[...] a thin surface of contact or confrontation between a reality and a language, the
intertwining of a lexicon and an experience” (Foucault, 2014, p. 87, our translation). According
to Foucault (2014), discourse can also be understood as a set of statements that rely on the same
discursive formation. For the philosopher, the statement is
A function of existence that crosses a domain of structures, hence one should
speak of an enunciative function, in which the relationship between the
statement and what it enunciates does not consist of the relationship between
the signifier and the signified, the name and what it designates, the proposition
and the referent, the sentence and its meaning (Foucault, 2014, p. 17, our
translation).
Thus, although endowed with materiality, the statement cannot be reduced to the logic
of grammatical characters, as it is much more an event that grammatical logic could not fully
exhaust. Therefore, it exceeds the limits of the sentence, speech acts, and propositions. In this
relationship, the statement is distinguished from the sentence by not resembling grammatical
and linguistic forms and, furthermore, by not being restricted to a verbalization subject to rules.
Hence, a photograph, a map, and a chart can be statements “as long as they are taken as
manifestations of knowledge and, therefore, are accepted, repeated, and transmitted” (Veiga-
Neto, 2003, p. 94, our translation).
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From this perspective, when discussing the notion of the statement and differentiating
it from linguistic materialization, Foucault (2014) exemplifies that the letters arranged on the
keyboard of a typewriter cannot be considered a statement, as, although they materialize
linguistically, they do not meet the properties that characterize it. However, the sequence of
letters A, Z, E, R, T arranged in a typewriting manual corresponds to the statement of the
alphabetical order adopted by French typewriters; that is, the statement comes to be defined by
its conditions of existence, because within a writing system, it performs a certain enunciative
function.
Thus, it can be said that the statement exceeds structural limits, becoming more a
function, a condition of existence, than merely a linguistic resource, given its specific
relationship with the subject. From this, it is understood that discourse appropriates the
statement as an event within a play of relations established among “[...] institutions, economic
and social processes, forms of behavior, systems of norms, techniques, types of classification,
modes of characterization” (Foucault, 2014, p. 167, our translation). According to the author,
Thus conceived, discourse ceases to be what it is for exegetical attitude and
becomes a good that consequently, from its very existence (and not simply in
its practical applications), raises the question of power; a good that is, by
nature, an object of struggle, and a political struggle at that” (Foucault, 2014,
p. 168, author’s emphasis, our translation).
Discourse, conceived as a practice of social and historical knowledge that maintains a
relationship with other statements from the same discursive formation, is not neutral. This non-
neutrality of discourse refers to the power relations determined as it is enunciated. For the
French author, the subject is a mediator of this power that moves through various spaces.
However, more than that, the subject is constituted by this power while simultaneously
exercising it, being its primary effect. Thus, the subject and power are not fixed materialities
but positions to be occupied/exercised. In The Microphysics of Power” (2012), Foucault refers
to power as an exercised action, meaning that power only exists through practices and relations
that manifest it.
Furthermore, we understand power as a network whose relations permeate the entire
social bodyschool, prison, hospital, asylum, state, factory, and family-supporting,
articulating, and integrating each other (Maia, 1995). Thus, it is of interest to observe “[...]
historically how effects of truth are produced within discourses that are in themselves neither
true nor false” (Foucault, 2012, p. 7, our translation). From this perspective, when discussing
the reshaping of the exercise of power in society, we turn to understanding neoliberalism as a
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tool responsible for the decentralization of the idea of collectivity, thus shifting to the
conception of the subject as the main element in self-governance.
In this way, neoliberalism presents itself as “[...] a normative system endowed with a
certain efficiency, that is, capable of internally guiding the effective practice of governments,
companies and, beyond them, millions of people who are not necessarily aware of it” (Dardot;
Laval, 2016, p. 15, our translation). Moreover, it is essential to understand the relationships
created by neoliberal rationality, the subjectivities, and behaviors, because more than
questioning the destruction of rules, institutions, and rights, it is essential to understand “the
form of our existence, that is, the way we are led to behave, to relate to others and ourselves”
(Dardot; Laval, 2016, p. 15, our translation). In this sense, neoliberalism is established as a
system of rules and norms that permeates governmental practices, institutional policies, and
managerial styles. However, this system exceeds the market sphere and produces “[...] an
‘accounting’ subjectivity by creating systematic competition among individuals” (Dardot;
Laval, 2016, p. 29, our translation).
The reverberation of this neoliberal logic, which appropriates freedom and makes the
subject submit to it, has left no social sphere untouched. In this context, education is also seen
as part of this business logic that aims to prepare individuals for the competitive market. It is
not by chance that a reform for secondary education was approved, proposing an association
between regular education, basic disciplines, and technical education, ensuring that young
individuals leave this stage of education with resources to enter the labor market. Reaffirming
the business logic, we observe “[...] an accentuated association of curricular policies with the
forces of the private sector, led by a series of philanthropic foundations linked to large business
conglomerates” (Silva; Lima Neto, 2023, p. 4, our translation).
In this neoliberal scenario, in which individuals are displaced from their real subjective
and material conditions, it is observed that the system’s objective is to transform everyone into
commodities. Thus, a state reform is envisaged in which the bourgeoisie seeks to reclaim its
accumulation rate at any cost (Kossak; Vieira, 2022). Hence, the reforms do not arise from real
collective needs but from private interests that shape public education policies. For this reason,
Provisional Measure (MP) 746, dated September 22, 2016, was introduced, which later, with
the promulgation of Law No. 13.415/17, created the Policy for the Promotion of the
Implementation of Full-Time Secondary Schools.
According to the Implementation Guide for the New Secondary Education, the changes
are manifested through amendments to the LDB, the New Curricular Guidelines for Secondary
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Education (DCEM), and the development of the BNCC aimed at this educational stage. Thus,
the New Secondary Education introduces three major fronts.
The development of students’ protagonism and their life projects, through
guided choices about what they want to study; the enhancement of learning,
by increasing the study hours; and the guarantee of common learning rights
for all young people, by defining what is essential in the curricula based on
the BNCC (Brasil, 2018, p. 6, our translation).
Moreover, the guide circulates the discourse emphasizing the need to listen to teachers
and young people regarding the development of the flexible part of the curriculum, showing
that the NEM considers them as protagonists, given that they actively participate in shaping the
school curriculum in which they are embedded. However, several questions arise: Why is there
a focus on listening during the implementation phase? Why were these individuals not
consulted during the actual formation of the reform? Why are they considered protagonists only
at this stage?
Such questions lead us to analyze that the discourse on the need for protagonism is
crafted more as a way to mitigate criticism of the reform than as a means to truly value these
individuals in the process of implementing secondary education. According to Silva (2018), the
manner in which the project was quickly announced and approved undermines the
constitutional rights of the Democratic Rule of Law, as it limits the space for debate, outlining
a project “[...] of an authoritarian, undemocratic, and unilateral nature” (Silva, 2018, p. 21, our
translation).
Given the above, we understand that the reform, under the discourse proposing to
modify the curriculum, aims to disqualify and devalue education. Thus, as the State’s
participation diminishes, business groups step in to fill this gap, leading to a privatization
process. Laval, in his work A escola não é uma empresa
(2019), highlights the term ‘neoliberal
school’ to elucidate education as an essentially private good, whose main value is economic.
For the author, this privatization influences both the knowledge produced within the institutions
and the social bond itself, as “[...] the affirmation of the full autonomy of individuals without
constraints, except those they voluntarily recognize, corresponds to institutions that seem to
have no other raison d'être” (Laval, 2019, p. 17, our translation) other than their interests.
In line with this, the accumulation of capital increasingly depends on the capacity for
innovation and workforce training, prompting the need for an education system that meets this
The School is Not a Business.
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market demand as a quick response, delivering individuals prepared to integrate into these
markets (Laval, 2019). Thus, we are interested in understanding how this conception of the
labor market is integrated into the educational collections of life project programs.
Youth Protagonism and the World of Work
There are regulatory mechanisms for high school students to develop a protagonist
profile, in relation to themselves, others, and the world of work. This conception is associated
with the idea of market-oriented education, which, by training for the market and prioritizing
cheap labor, includes in its documents and educational materials an effective discussion about
the professional future of these individuals. In this context, the life project program proposes a
space where personal and professional fulfillment go hand in hand.
In this scenario, the educational collection LDPV08 explores, in the final unit of the
didactic material, the first step for students to understand what is meant by the labor market and
professional activity. The book module to which we refer is titled “Preparando o Terreno
”, it
is used metaphorically to demonstrate the introduction to the topic, highlighting the stance
assumed by the enunciating subject. From this perspective, there is initially a detailing of future
professions and those that will cease to exist with the advancement of technology, especially
artificial intelligence.
According to the stance taken by the discourse subject, robots will be capable of
replacing humans in telemarketing services, bus ticketing, supermarket cashier roles, and other
specific repetitive tasks. On the other hand, the manual highlights that other professions will
emerge due to market demands, such as: augmented reality designer; biotechnology researcher;
nanotechnology biochemist; DNA editor; 3D printing designer; drone developer and
technician; Big Data strategist; data engineer; optimization analyst (Ormundo; Siniscalchi; D’
Agostini, 2020).
The professions exemplified in the book essentially focus on technological activities
that require specific training. Generally, these trainings are not socially accessible to young
people attending public education, as they are more accessible to a wealthier audience, which
does not predominantly correspond to the profile of students in our schools. In contrast, the
manual exposes, alongside future professions, those at risk of disappearing, which typically
correspond to jobs held by lower-income classes, such as drivers, stock clerks, credit analysts,
Preparing the Ground.
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and rural workers. This discourse reaffirms the existing social inequality in the country,
demonstrating that the race for the job market is not equal for everyone. In this regard, it is
asserted that "manual labor, especially in rural areas, will disappear in twenty years. Machines
will plow, plant, monitor, determine irrigation timing, and harvest" (Ormundo; Siniscalchi; D’
Agostini, 2020, p. 106, our translation).
The conditions prompting this discourse are anchored in neoliberal rationality. Thus,
individuals need to be constantly reinvented to secure their place in the market. Therefore, it is
not just about demonstrating the projections for the world of work, but also about warning
against what should not be a choice. Still, within this discussion, the book proposes an activity
for students to answer the following questions.
1) What "Plan B" would you have if your choice had to change?
2) If you could program a robot capable of performing a profession or
operating in an area of your interest, what human skills would you seek to
incorporate into it?
3) The author presents some professions that may emerge in the future, such
as augmented reality designing and DNA editing. What other professions do
you imagine could arise based on current demands? (Ormundo; Siniscalchi;
D’ Agostini, 2020, p. 106, our translation).
The commands in the questions direct young people to reflect on the professions that
are part of their life project. In the first question, there is a return to the knowledge produced by
the reform, from a neoliberal perspective, that flexibility is an indispensable competence for
being a protagonist in the world of work, thus becoming a power device over these bodies. In
addition, students are invited to respond to what human skills they would incorporate into a
robot, demonstrating the coexistence of both in the job market. Finally, they are asked to think
about current demands and indicate which professions may emerge from them, which
corresponds to an education based primarily on market requirements.
If we pay attention to the statements, we observe the change proposed in the world of
work, a result of biocognitive capitalism. This is because, according to Marazzi (2000), growth
is understood through human activities, whether in terms of communicational, relational,
creative, or innovative skills. When the textbook questions the need for change, it establishes a
relationship between knowledge and power, in which individuals are subjected to a creative
need to reinvent themselves for the market. Similarly, professions aligned with new
technological resources, such as augmented reality designing and DNA editor, reflect the
market's demand for an innovative education. This means that the process of valorization
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operates based on the exploitation of "[...] human beings' capacities for learning, relationship,
and social (re)production" (Fumagalli, 2016, p. 12, our translation).
Thus, these statements are associated with a set of other statements that also promote
protagonism and the labor market, where the individual is seen as primarily responsible for their
personal and professional success. In line with this, LDPV01 in block four, titled "responsible
decision-making," begins with two questions: "do you feel secure in taking responsibility for
your decisions?" and "what do you need to feel that you have made the right decision?" (Danza;
Silva, 2020, p. 167, our translation). These statements place the young person as the main
element in decision-making regarding their life project, assuming a role of protagonism.
However, it is essential to understand that these choices are never associated with a state project
or guaranteed by rights common to all; in this education that prepares for work, "[...] the
emergence of this individual is associated with the process of precariousness of working
conditions, weakening of workers' unions, and cuts to public goods and social services" (Daniel;
Silva, 2023, p.24, our translation).
In this scenario, the modern social contract in which the State revealed itself as a
fundamental element in protecting the individual is replaced by the individual's accountability
(Daniel; Silva, 2023). This means that the neoliberal subject needs to be fully engaged in
professional activity and acting upon themselves to strengthen themselves in competition.
Therefore, it is conceived as "[...] owner of human capital and has the responsibility to build
their path in the face of the risks of uncertain times" (Daniel; Silva, 2023, p. 27, our translation).
Thus, the association between the domains of protagonism and work portrays a power
relationship that prevails over high school students with the purpose of meeting this new
rationale of the world.
In this endeavor, the LDPV01 collection brings an activity that asks students to create a
menu of professions, considering their interests, current major careers, and average salaries.
Furthermore, it suggests that students categorize professions into general areas, artistic,
creative, and cultural professions; assistance professions; scientific professions; commercial
professions; communication and information professions; management professions; health and
well-being professions; future professions; professions linked to nature and natural resources;
technological professions (Danza; Silva, 2020), as a way to facilitate the visualization of the
'menu'. The material also ensures that "the profession menu should include: profession name,
description, social relevance, characteristics of the job market, average salary" (Danza; Silva,
2020, p. 170, our translation).
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The discourse in the textbook reveals a strategy of governmentality that addresses the
subject as a holder of choices, making explicit reference to the very nomenclature chosen by
the manual, given that the menu functions as an element where the individual chooses what
appeals to them. However, the unsaid aspect of this discourse is that not everyone can frequent
the same restaurants; that is, not everyone will have the same choices available. Thus, within a
menu limited by their social conditions, young people will choose what best fits their context,
driving the machinery of cheap labor in the job market. Continuing with these career choices,
the book points out that:
In a job market that offers multiple career options, it becomes essential to
know how to identify the benefits and disadvantages of each profession, the
affinities and incompatibilities with one's profile, and above all, the positive
and negative effects that a profession may have on one's life (Danza; Silva,
2020, p. 171, our translation).
This excerpt is located on the topic of self-immersion and presents in its repetitive
materiality the notion that the job market reveals multiple career options as if all could be
chosen by any student, regardless of their social condition. Aligned with this truth that emerges
within the life project, there is also the need to evaluate affinities and incompatibilities with the
individual's profile, reaffirming the discourse that emphasizes the need for evaluation and self-
assessment to succeed in the competition for a place in the world of work.
Continuing with the analysis, there is a regularity in the discourses found in educational
materials, characterized by three main aspects: the description of the current job market, the
identification of emerging professions, and the presentation of activities aimed at professional
life development.
Drawing on the concepts of 'management' and 'entrepreneurship,' it is possible to
observe in the LDPV02 collection, specifically in the unit "Me in the World of Work," a
delineation of the discourse that associates individual formation with the process of business
creation. The positioning of the subject emphasizes that effective education requires training to
maximize personal capital, prompting reflections on the role of financial education.
From this perspective, the work titles the chapter "Financial Education: Citizen
Autonomy," asserting the understanding that being financially educated, that is, managing one's
capital, leads to autonomy and, consequently, protagonism. In the material, the enunciating
subject divides the public in our country into two profiles: spenders and savers, both requiring
budgeting to observe where they are allocating or wasting their money (Alchorne; Oliveira,
2020, our translation). Considering this planning, it is emphasized that "[...] financial health is
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having control over money so that one can achieve short, medium, and long-term material
dreams" (Alchorne; Oliveira, 2020, p. 185, our translation). In this excerpt, we note a
psychologization in the use of the term 'health', suggesting that anything deviating from proper
money use is ailing, and planning and budgets are the means to 'cure' this ailment. Similarly,
deadlines appear as a way to endorse the idea of the individual as a business through goal
setting.
In the LDPV04 manual, an exercise stands out with the following statement: "According
to the report, what are the competencies that the market is currently seeking in young people?"
(Cericato, 2020, p. 111, our translation). The question directs the youth to consider market
demands, encouraging reflection on their competencies. The discourse enveloped by neoliberal
governmentality suggests a new mode of governance where individuals govern themselves,
implying knowledge about oneself and what is required. Thus, "[...] the new forms of capitalist
exploitation seek their immanence by capturing people's ways of life, that is, modulating their
control within processes" (Araújo, 2023, p. 4, our translation). In this statement, although we
cannot precisely define what is meant by 'market', we see that notions of competitiveness,
employability, skills, and performance are integral to this rhetoric.
In this sense, not only the aforementioned terms, but primarily socio-emotional
competencies, are related to the labor market, as they lead to the performance expected of these
individuals after graduation. According to Estormovski (2023), capitalism denotes a symbolic
association between consumption and emotions, making it impossible to dissociate the two
themes. Therefore, the process of subjectivization stems from understanding financial
education and emotional management. Within this enunciative web, the textbook asserts: "Why
are socio-emotional competencies more valued by the current job market than technical
competencies?" (Cericato, 2020, p. 111, our translation).
Returning to the statement, it is relevant to emphasize that the assertion that socio-
emotional competencies are more valued than technical competencies is not subject to doubt;
on the contrary, it establishes itself as a truth. This statement prompts reflection on the reasons
for this valuation, rooted in neoliberal governmentality, a new logic of the world.
From this perspective, we understand that socio-emotional competencies "[...] seek to
develop students as self-enterprising, resilient, and emotionally well-adjusted individuals"
(Araújo, 2023, p. 13, our translation). Thus, we understand that the development of these skills
also constitutes a governance strategy aimed at meeting market demands. Therefore, the notion
of protagonism, derived from the interaction between the individual, others, and the job market,
Youth protagonism in Project Life textbooks of the New High School Education
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 25, n. 00, e024005, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19420 14
configures strategies of bioregulation designed to guide the conduct of these young individuals
towards self-governance, where they perceive themselves as the main agents responsible for
the success of their life projects. This guidance of conduct is supported by a set of strategies
ranging from personal entrepreneurship development, discussions on sexuality, financial
education, and job market dynamics to interventions in the external world. Hence, the individual
is individualized, albeit influenced by various social relationships.
Final considerations
Although discussions proposing reforms for youth and high school education are not
recent, the debate about this stage of education has regained prominence with Provisional
Measure 746, dated September 22, 2016, which emerged in a post-impeachment context. The
hasty and authoritarian manner in which the reform was introduced and later approved as Law
No. 13,415/17 indicates a project to dismantle education, aiming to weaken state actions in
favor of a privatization and corporatization movement in schools. In this context, curricular
adjustments that prioritize certain areas of knowledge, the promotion of youth protagonism, the
implementation of the Common National Curriculum Base (BNCC), and the inclusion of life
projects as a central component in curricula are governmental strategies reflecting a neoliberal
logic that has subtly permeated school environments.
From this perspective, the aim was to analyze how youth protagonism constitutes itself
as a strategy of neoliberal governmentality in discourses present in life project educational
collections of the new high school. Through the analyses, it is essential to highlight that
historically, high school has been a stage for different transformations, as youth are seen as
having the potential to fulfill the reforms proposed over the years. Thus, there is a regulation of
the conduct of these young people aimed at achieving the ends to which education is subjected.
From this viewpoint, we observe a steep growth regarding the need for young people to become
protagonists within and beyond the school environment, that is, in the job market. These
discourses emerge in a historical and political context where education serves as a means to
meet market needs. This means that the neoliberal rationality that individualizes individuals,
making them flexible, autonomous, and profitable, must shape educational projects.
As a result, manuals are dedicated to explaining future professions and those in decline,
mapping the current job market. This aims to prepare young people to respond to new demands,
which require skills such as innovation, creativity, and autonomy. The assessment of the job
Fernanda Alves CAVALCANTE and Francisco Vieira da SILVA
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market highlights the unequal competition that high school youth need to face to secure their
space, especially when resources to become a 3D printing designer or a biochemist specialized
in nanotechnology are not accessible to everyone. This scenario was exacerbated during the
COVID-19 pandemic, when many students could not attend classes due to lack of a cellphone
or internet access. Therefore, we perceive that the meritocratic discourse ignores the social
inequalities that inevitably impact the realization of life projects for these individuals.
Similarly, manuals present socio-emotional competencies as a principle for entering the
workforce. That is, they reintroduce the concept of self-enterprise and self-profitability, as the
prevailing truth is that the individual who controls their emotions for the benefit of the company
and productivity is the successful subject. In this vein, there is an enunciative web that
subjectivizes these students, starting from self-reflection, understanding social relationships for
their personal development, and the need to develop these competencies for work.
In light of the above, the study allows for the analysis of discourse on youth protagonism
as a strategy of body bioregulation, aimed at meeting market demands. The construction of the
subject as a protagonist operates through relationships of knowledge and power, evidenced in
their encounter with themselves, others, and the job market. Furthermore, the influence of
neoliberalism on educational practices is visible, reflected in guiding documents, curricula, and
educational materials, which seek to adapt to the new global logic where the individual is
individualized and encouraged to behave like a business, aiming to profitize all aspects of their
life.
In this context, it is evident that public schools, especially high schools, have been the
scene of ongoing reforms that, far from addressing their deficiencies, have exacerbated social
inequalities and diminished the state's responsibility in guaranteeing rights. It is important to
note that the study is limited to the analysis of textbooks, without adequately exploring how
these materials are effectively used in the day-to-day classroom. For this reason, there is an
argument for the need for additional research that can provide a more precise view of the reality
experienced in the practical context.
Youth protagonism in Project Life textbooks of the New High School Education
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Funding: The translation of the text was funded by the Scientific Article Publication
Incentive Grant from the Federal Rural University of the Semi-Arid (UFERSA).
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: Not applicable.
Data and material availability: The material can be found on the publishers' website.
Author’s contributions: Fernanda Alves Cavalcante conception of the article and
development of the study's methodological design, writing of the text, and construction of
the analyses; Francisco Vieira da Silva text supervision, literature review, writing of the
conclusion, and manuscript revision.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.