Livro sensorial “Água” como fonte complementar no processo de Avaliação Psicológica Infantil (API)
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 19, n. 00, e024013, 2024. e-ISSN: 2594-8385
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v25i00.19527 14
de tarefas relativamente complexas, observando-se o que é retido e executado, ou ainda pelos
recursos cognitivos empregados na resolução de um quebra-cabeça. A memória episódica
pode ser avaliada ao pedir que a criança narre um evento relacionado aos cenários do livro,
uma comemoração importante, algo que ocorreu na última sessão, ou que faça uma
recontagem das atividades realizadas ao final de uma sessão. Por fim, a memória
procedimental, por ter um caráter implícito, deve ser analisada pela motricidade e
desempenho em atividades recorrentes, como cortar com tesoura, amarrar o sapato, conjugar
verbos ou tocar um instrumento, considerando que a repetição e a exposição ao processo de
tentativa e erro contribuem para sua consolidação.
A orientação temporal e espacial pode ser avaliada a partir da percepção que a criança
tem sobre o mundo exterior, já que para produzir imagens e representações mentais sobre si,
ela ancora-se em recursos concretos do seu cotidiano, como luz natural, refeições e saída ou
chegada de um responsável. Ademais, espera-se que a criança nessa idade seja capaz de
formular respostas sobre espaços, tempos, quantidades, relações e transformações, como
frente, costas, ao lado, dentro, fora, em cima, embaixo, maior, menor, igual, junto, separado,
perto, longe, etc. (Brasil, 2018).
A partir dos critérios de desenvolvimento psicomotor, a avaliação começa na
observação postural da criança, investigando possíveis alterações da motricidade global que
podem ser direcionadas para profissionais especializados. No manejo do livro, especialmente
a motricidade fina e a esperada a sincronização entre a intenção e o movimento deverão ser
observadas, inclusive, analisando os efeitos emocionais da incapacidade de realizar o
planejamento mental. Para tanto, os questionamentos propostos favorecem a observação do
processo de resolução de problemas executado pela criança, incluindo a solicitação para que
ela pause, reflita, ouça novamente a orientação, observe e imagine o que precisa ser feito,
para então realizar uma ação e, se possível, explicá-la ao avaliador. Assim, é preciso observar
atividades como correr, saltar, jogar, chutar, equilibrar-se, dançar, alcançar e subir e descer
escadas, mas no manuseio do livro, possibilita-se a observação de ações como segurar,
pinçar, pressionar, encaixar, prender, apertar, arrastar, juntar, separar, esfregar, entre outras.
Ainda, orienta-se a observação da alternância de membros, lateralidade, movimentos
voluntários e involuntários, movimentos bizarros, ritmo de movimento, hipercinesia,
hipocinesia, lateralidade, estereotipias e perseverança, dentre outros.
No construto socioemocional, o livro contribui para a avaliação do resgate de
vivências infantis. Destaca-se como o aspecto lúdico proporciona condições para a