Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20276 1
ACESSO E PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES INDÍGENAS NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO AMAZONAS: O RACISMO ANTI-INDÍGENA EM QUESTÃO
ACCESO Y PERMANENCIA DE ESTUDIANTES INDÍGENAS EN LA UNIVERSIDAD
FEDERAL DEL AMAZONAS: EL RACISMO ANTIINDÍGENA EN CUESTIÓN
ACCESS AND PERMANENCE OF INDIGENOUS STUDENTS AT AMAZONAS
FEDERAL UNIVERSITY: ANTI-INDIGENOUS RACISM IN QUESTION
Marcelo CALEGARE
1
e-mail: mcaleg[email protected]
Débora Evely Ramos de OLIVEIRA
2
e-mail: deb[email protected]
Thais de Negreiros SALES
3
e-mail: tnsalesneg[email protected]
Como referenciar este artigo:
Calegare, M., Oliveira, D. E. R., & Sales, T. N. (2026).
Acesso e permanência de estudantes indígenas na
Universidade Federal do Amazonas: o racismo anti-indígena
em questão. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27, e026011.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20276
| Submetido em: 03/07/2025
| Revisões requeridas em: 10/07/2025
| Aprovado em: 11/05/2026
| Publicado em: 21/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus Amazonas (AM) Brasil. Docente Permanente do
Programa de Pós-Graduação em Psicologia.
2
Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus Amazonas (AM) Brasil. Psicóloga.
3
Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus Amazonas (AM) Brasil. Mestranda do Programa de
Pós-Graduação em Psicologia.
Acesso e permanência de estudantes indígenas na Universidade Federal do Amazonas: o racismo anti-indígena em questão
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20276 2
RESUMO: Estudantes indígenas enfrentam muitos desafios durante a permanência na
universidade, como a desvalorização e a inferiorização cultural, linguística e epistemológica,
mas, sobretudo, o racismo anti-indígena. O objetivo deste artigo é compreender as vivências
de racismo anti-indígena de estudantes da Universidade Federal do Amazonas e seus impactos
sobre a permanência no ensino superior. Foram entrevistados cinco estudantes indígenas por
meio de entrevistas narrativas abertas, com posterior análise de conteúdo, que indicou as
seguintes categorias: percurso educacional (trajetória de escolarização; adaptação à cidade e à
universidade); racismo anti-indígena (discriminação, preconceito e vergonha); estratégias de
enfrentamento (ascensão financeira e incentivos; estima). Os resultados demonstram que o
racismo anti-indígena no ambiente acadêmico constitui um fator significativo que prejudica a
adaptação e as relações dos estudantes, reforçando preconceitos e exclusão. O desejo de
transformação pessoal e coletiva, aliado ao apoio e ao reconhecimento de suas comunidades,
funciona como estratégia de enfrentamento para a permanência desses estudantes na
universidade.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Superior. Escolarização. Universidade. Racismo Anti-
Indígena.
RESUMEN: Estudiantes indígenas se enfrentan a muchos desafíos durante su estancia en la
universidad, como la devaluación y el menosprecio de sus culturas, lenguas y epistemologías,
pero sobre todo el racismo antiindígena. El objetivo de este artículo es comprender las
vivencias de racismo antiindígena de estudiantes de la Universidad Federal del Amazonas y
los impactos em su permanencia en la educación superior. Entrevistamos cincos estudiantes
indígenas con entrevista narrativa abierta, con posterior análisis de contenido, que indicó las
siguientes categorías: trayectoria educativa (trayectoria escolar; adaptación a la ciudad y a
la universidad); racismo antiindígena (discriminación, prejuicio, vergüenza); estrategias de
afrontamiento (avance financiero e incentivos; autoestima). Los resultados demuestran que el
racismo antiindígena em el entorno académico es un factor significativo que perjudica la
adaptación y las relaciones de los estudiantes, reforzando los prejuicios y la exclusión. E
deseo de transformación personal y colectiva, junto con el apoyo y reconocimiento de sus
comunidades, funcionan como una estrategia de afrontamiento para permanecer como
estudiante universitario.
PALABRAS CLAVE: Educación Superior. Enseñanza. Universidad. Racismo Antiindígena.
ABSTRACT: Indigenous students face many challenges during their time at university, such
as devaluation and scorn of their cultural, linguistic, and epistemological background, but
especially anti-Indigenous racism. The objective of this article is to understand the
experiences of anti-indigenous racism among students at Amazonas Federal University and
its impacts on their permanence in higher education. Five indigenous students were
interviewed using open narrative interviews, followed by content analysis, which indicated
the following categories: educational path (schooling trajectory; adaptation to the city and
university); anti-indigenous racism (discrimination, prejudice; shame); coping strategies
(financial advancement and incentives; self-esteem). The results demonstrate that anti-
indigenous racism in the academic environment is a significant factor that hinders students'
adaptation and relationships, reinforcing prejudice and exclusion. The desire for personal
and collective transformation, along with the support and recognition of their communities,
function as a coping strategy for students to remain in university.
KEYWORDS: Higher Education. Schooling. University. Anti-Indigenous Racism.
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
Neste artigo temos por objetivo compreender as vivências de racismo anti-indígena de
estudantes da Universidade Federal do Amazonas e os impactos desse fenômeno sobre sua
permanência no ensino superior. Mesmo diante das desigualdades econômicas, sociais e
raciais, os povos indígenas têm se articulado coletivamente para acessar bens materiais e
simbólicos da sociedade brasileira, o que inclui o espaço universitário, por este se caracterizar
como um local estratégico de legitimação de conhecimentos (Neves & Silva, 2024). O
aumento da presença indígena nas universidades brasileiras vem sendo fruto dos movimentos
indígenas, cujas bandeiras de reivindicações expressam a necessidade de um diálogo mais
estreito para a formação de profissionais e pesquisadores (Amado, 2020).
O acesso e a permanência no ensino superior pelos estudantes indígenas ainda
demandam grandes desafios para tais instituições e principalmente para os próprios
estudantes, sendo necessária a garantia da qualidade do aprendizado e a valorização dos
conhecimentos indígenas e de suas subjetividades, baseadas em suas cosmovisões,
cosmopolíticas, epistemologias e ontologias (Peron & Cella, 2021). A inserção e a ocupação
da universidade pelos estudantes indígenas possuem barreiras coloniais, uma vez que as
universidades brasileiras foram desenvolvidas a partir de modelos hegemônicos e
eurocentrados, perpetuando hierarquias ao privilegiar conhecimentos e o acesso e
permanência às elites brasileiras (Silva, 2023). Neves e Silva (2024) explicitaram que esse
modus operandi das instituições de ensino é pautado no racismo epistêmico e no
epistemicídio, dando continuidade à inferiorização, aos estereótipos, ao preconceito e à
discriminação em relação às produções intelectuais de povos indígenas, africanos e afro-
brasileiros.
Um marco importante para o acesso aos bens e direitos dos povos indígenas foi a
Constituição Federal de 1988, que reconheceu o direito a uma educação escolar específica e
diferenciada, com foco prioritário na educação básica. A partir disso, foram criados vários
marcos legais que se complementam e fortalecem tais determinações, como por exemplo: o
Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNEI) de 1998; a Lei
10.558/2002 que instituiu o Programa Diversidade na Universidade; a Lei 11.096/2005 que
estabeleceu o Programa Universidade para Todos (PROUNI); a Lei 11.645/2008 para o
ensino da cultura indígena; a Lei de cotas nº 12.711/2012 e, posteriormente, a Resolução CNE
e CEB nº 1/2015 para a Formação de Professores Indígenas (Menezes et al., 2021).
Apesar dos avanços, o acesso dos povos indígenas ao ensino superior ainda apresenta
Acesso e permanência de estudantes indígenas na Universidade Federal do Amazonas: o racismo anti-indígena em questão
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contradições, como pode ser constatado pelo Censo de Educação Superior Indígena de 2022
realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), no qual os
indígenas representam apenas 0,4% dos ingressantes nos cursos de graduação, seguidos pelos
amarelos (1,3%), pretos (6,5%) e pardos (26,7%). Os brancos correspondem a 35,9% e os não
declarados a 29,1% (INEP, 2022).
Neves e Silva (2024) pontuaram que o principal fator que dificulta a permanência de
estudantes indígenas nas universidades é o racismo, visto que esse fenômeno perpassa
diversos campos das relações sociais e políticas na sociedade brasileira, sendo necessárias
múltiplas estratégias e diferentes formas de compreensão para o desenvolvimento de ações
mais eficazes. A racialização dos povos produz relações de dominação e exploração que são
legitimadas a partir de estruturas eurocêntricas como as universidades. O racismo resulta de
processos históricos, como a colonização, e surge como uma tentativa de categorizar a
humanidade, estabelecendo uma hierarquização e inferiorização de indivíduos ou grupos com
base na percepção de diferenças físicas ou culturais associadas à noção de raça (Lima & Vala,
2004; Ribeiro, 2022). Esse processo contínuo de discriminação racial manifesta-se também na
restrição do acesso a bens e serviços sociais essenciais, incluindo a educação básica e
superior. O racismo funciona como uma norma sócio-histórica que regula privilégios e define
posições de poder dentro de um grupo social (Lima, 2020).
A literatura tem apontado uma especificidade do racismo direcionado aos povos
indígenas, denominada racismo anti-indígena. Nessa linha, Calegare e Santos (2025)
explicaram que esse fenômeno se caracteriza por animalizar as pessoas indígenas
(desalmadas), demonizar suas crenças religiosas, erotizá-las (culpabilizando a mulher
indígena pela nudez e pelo estupro), incivilizá-las (sem cultura, selvagens), infantilizá-las
(como se necessitassem da tutela estatal e de um impulso ao desenvolvimento), negar sua
existência (em pesquisas acadêmicas, na sociedade nacional, na história do país e no cotidiano
brasileiro), primitivizá-las (imagem colonial congelada e negativa) e exigir que falem a língua
nativa e vivam em terras demarcadas. Tudo isso remete às tentativas de extermínio e
genocídio iniciadas no período da colonização e que perduram até o presente por meio das
diferentes formas de preconceito e discriminação que caracterizam o racismo anti-indígena.
Estudos elencam dificuldades vivenciadas por estudantes indígenas, como a
dificuldade de compreender e se apropriar da língua portuguesa e da linguagem científica; as
lacunas institucionais, descritas pela falta de preparo do corpo de servidores para se relacionar
de forma intercultural; a burocratização do acesso à assistência estudantil; a falta de acesso à
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
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informação; a insuficiência das bolsas de permanência e a falta de acompanhamento dos
estudantes; além das mudanças decorrentes da transição do território para a cidade, percebidas
na cultura, no poder aquisitivo, na arquitetura e nas próprias relações sociais (Bergamaschi et
al., 2018; Calegare & Sales, 2023; Calegare & Santos, 2025; Gomes & Nina, 2024; Peron &
Cella, 2021; Silva, 2023). Esse conjunto de dificuldades presentes na permanência estudantil
indígena baseia-se na desvalorização de suas culturas, na inferiorização desses povos e nas
tentativas de subalternização. Dessa feita, uma das barreiras à permanência consiste na
inferiorização da identidade indígena, especialmente quando relacionada à capacidade
acadêmica, intelectual e cognitiva.
As marcas da exclusão histórica das populações indígenas correspondem às restrições
impostas pela colonialidade/modernidade, que estruturam o poder capitalista eurocêntrico.
Entretanto, como visto anteriormente, as articulações dos povos indígenas tornaram possíveis
novas dinâmicas de luta, contestação e conquista no contexto da colonialidade (Silva, 2023).
Uma delas é a educação superior, vista como um espaço estratégico de ocupação para que os
povos indígenas se insiram nos diálogos e processos de construção, bem como para garantir a
valorização de suas demandas educacionais, territoriais, de saúde e de diálogo com a
população não indígena (Molina & Ribeiro, 2024; Machado, 2024; Ribeiro et al., 2024).
Dessa forma, compreender os desafios vividos cotidianamente pelos estudantes
indígenas e sua influência sobre a permanência no ensino superior constitui um compromisso
com a educação antirracista e intercultural. O diálogo intercultural presente nas discussões
acadêmicas enfatiza a diversidade dos grupos sociais, propondo a valorização de outras
formas de conhecimento e subjetividades a partir da luta contra o racismo (Neves & Silva,
2024). Nesse sentido, a interculturalidade é um projeto social, político e epistêmico de
resistência que desafia a colonialidade (Machado, 2024; Ribeiro et al., 2024; Silva, 2023). O
acesso ao ensino superior por estudantes indígenas revela problemas estruturais decorrentes
do modelo hierarquizado da universidade, intensificando a difícil tarefa de estar e fazer parte
do ambiente universitário. A universidade passa a ser também um território indígena que
precisa estar disponível para que esses estudantes se apropriem do espaço, criem vínculos e
compreendam o funcionamento do ensino superior, a partir de relações que lhes permitam
vivenciar a experiência acadêmica com qualidade (Gomes & Nina, 2024).
Acesso e permanência de estudantes indígenas na Universidade Federal do Amazonas: o racismo anti-indígena em questão
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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MÉTODO
Esta pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa de caráter exploratório-descritivo
(Gerhardt & Silveira, 2009). Para a coleta de dados, foram realizadas entrevistas narrativas
abertas, conduzidas com o objetivo de compreender a trajetória educacional das pessoas
participantes e suas vivências de racismo anti-indígena, com foco nas dificuldades enfrentadas
no ambiente acadêmico, nas experiências vividas e nas estratégias de enfrentamento para o
acesso e a permanência na universidade.
Participaram desta pesquisa cinco estudantes indígenas (quatro mulheres e um
homem), dos cursos de Direito, Engenharia de Pesca e Psicologia, conforme descrito na
Tabela 1. O número de participantes foi definido por meio da técnica de amostragem
denominada bola de neve, método que não utiliza um sistema de referências, mas uma rede
de contatos para indicação dos participantes (Dewes & Nunes, 2013). Este estudo respeitou os
padrões éticos, garantindo a confidencialidade e o anonimato dos participantes, em
conformidade com as Resoluções nº 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde,
tendo sido aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o Parecer nº 3.516.303.
Tabela 1.
Perfil dos estudantes indígenas participantes da pesquisa
Participantes
Idade
Curso
Beatriz
21
Direito
Hélio
21
Direito
Elora
18
Engenharia de Pesca
Diana
23
Psicologia
Rute
18
Psicologia
Nota. Elaboração dos autores.
As entrevistas foram realizadas presencialmente na Universidade Federal do
Amazonas, com registro em áudio, a partir de uma pergunta disparadora: Conte-me sobre sua
trajetória de escolarização até o momento em que ingressou na universidade. As entrevistas
tiveram duração variável entre 30 e 60 minutos, foram posteriormente transcritas e submetidas
à análise de conteúdo de Bardin (2011), que compreende as seguintes etapas: pré-análise
(leitura flutuante e esboço das primeiras categorias); exploração do material (enquadramento
dos trechos das entrevistas em unidades temáticas e categorias definitivas); e tratamento dos
dados, com inferências e interpretações (apresentação dos resultados por meio das narrativas).
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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RESULTADOS
A partir da análise de conteúdo, foram definidas as seguintes unidades temáticas e
respectivas categorias: (I) percurso educacional dos estudantes indígenas (trajetória de
escolarização; adaptação à cidade e à universidade); (II) racismo anti-indígena (discriminação
e preconceito; vergonha); (III) estratégias de enfrentamento para a permanência na
universidade (ascensão financeira e incentivos; estima).
PERCURSO EDUCACIONAL DOS ESTUDANTES INDÍGENAS
Nesta unidade temática, analisamos o percurso educacional das pessoas estudantes
indígenas até sua inserção na universidade, abordando os principais desafios enfrentados
nesse processo. A partir das respostas obtidas, identificamos as seguintes categorias.
Trajetória de Escolarização
A categoria trajetória de escolarização refere-se aos percalços e às marcas do
percurso escolar desde a aldeia até chegar à universidade (Calegare & Sales, 2023). Esse
percurso abrange amplas vivências (Gomes & Nina, 2024), cujas experiências compartilhadas
pelas pessoas estudantes evidenciaram uma realidade marcada por desigualdades sociais e
barreiras socioeconômicas que as acompanham desde a educação básica.
As pessoas estudantes descreveram essa trajetória a partir de diferentes pontos de
partida, que evidenciam as especificidades de quem vive no interior do Amazonas:
A minha mãe viu que no interior o ensino não é legal. E pra você tentar algo mesmo, tem que
sair de [...] Meus pais levaram eu e meus irmãos pra cidade pra estudar [...] seis filhos [...]a
gente passou muitas situações chatas por causa da situação financeira. (Beatriz).
Eu comecei a estudar com cinco anos. E aí eu passei por uns quatro ou cinco colégios antes de
chegar na UFAM [...] eu repeti o sétimo ano umas duas vezes, porque meus pais estavam se
separando e a minha mãe tava fazendo faculdade de direito. Ela tinha que fazer estágio e ela
ficou grávida. E quem ficou com a responsabilidade de cuidar da minha irmã mais nova fui eu.
Então, tinha vezes que eu tinha que faltar aula porque ela tinha que ir pro estágio e eu
acabava reprovado por falta. (Rute)
Eu estudei numa escola ribeirinha, minha casa era um flutuante [...] eu mudei de escola várias
vezes porque a gente sempre buscou melhorias, então como a casa não era fixa, as lanchas que
levavam a nossa casa pra outro lugar [...] Depois eu vim pra Manaus, só que eu passei uns dois
anos sem estudar. (Hélio)
Acesso e permanência de estudantes indígenas na Universidade Federal do Amazonas: o racismo anti-indígena em questão
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As pessoas participantes da pesquisa relataram enfrentar diversas dificuldades
decorrentes da precariedade da educação básica nos municípios do interior do Amazonas,
tornando necessária a migração de suas famílias em busca de uma educação de melhor
qualidade. Soma-se a isso a limitação de recursos financeiros e o impacto das diferentes
dinâmicas familiares.
Calegare e Sales (2023) apontaram que a trajetória escolar de estudantes indígenas é
marcada pelas migrações, pelas vulnerabilidades socioeconômicas e pelos impedimentos à
conclusão da escolarização em tempo adequado. Esse cenário coloca esses estudantes em
desvantagem acadêmica e implica a vivência de discriminação e preconceito.
Os desafios são amplificados pela predominância da cultura ocidental, que impõe
barreiras econômicas, sociais e culturais ao percurso de escolarização desses estudantes. Essa
discriminação persiste, inclusive, no ensino superior, manifestando-se de forma explícita e
sutil, reforçando a sensação de desencaixe e isolamento no ambiente universitário. Como
consequência, dificulta significativamente a permanência acadêmica e evidencia a exclusão e
a marginalização enfrentadas por esses estudantes (Herbetta & Nazareno, 2020). Assim, os
relatos revelam que esses desafios se fazem presentes desde a infância, quando os estudantes
ainda vivem nas comunidades do interior, em razão da ausência de ações governamentais que
assegurem o direito a uma educação escolar indígena de qualidade. Esse cenário evidencia a
urgência de mudanças estruturais que garantam a equidade ao longo de toda a trajetória de
escolarização dessas pessoas estudantes, evitando que dificuldades e traumas sejam
constantemente revividos durante sua permanência no ensino superior.
Adaptação à cidade e à universidade
A adaptação à cidade e à universidade impõe desafios à permanência estudantil, como
problemas de saúde, longas distâncias de deslocamento na cidade, falta de recursos
financeiros, demora no acesso à assistência estudantil, além das inseguranças relacionadas à
vivência do cotidiano no ensino superior (Calegare & Sales, 2023). Neste estudo, essa
categoria é apresentada a partir da chegada das pessoas estudantes à cidade, dos desafios
decorrentes da transição para o ambiente urbano e das experiências iniciais de ingresso na
universidade. A seguir, são apresentados trechos dos depoimentos:
Eu tive que vir pra Manaus […] eu passei a morar […] todo mês aluguel, conta de luz, de
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
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água, os materiais didáticos […] a adaptação pra mim foi a parte mais difícil, chegava na
universidade eu não conseguia nem estudar, eu chorava, chorava, queria ir embora de todo
jeito […] tava lutando pela bolsa permanência […] eu vim conseguir depois de mais de um
ano. (Beatriz)
Quando eu vim pra foi muito difícil pra mim […] Passei o primeiro ano sofrendo essa
parte de estar mudando, de adaptação […] É interessante como mudar do interior pra
capital já tem uma grande diferença. (Diana)
Logo que eu cheguei na faculdade eu me senti muito deslocado […] a gente pensa que o curso
vai ser igual pra todo mundo, mas nem todo mundo tem a mesma oportunidade […] sobre o
indígena que vem lá do interior […] não é esse apoio de estudo, mas sim se a Universidade
vai dar alguma coisa pra ele, algum apoio na língua dele. (Hélio)
Apenas uma das participantes relatou não ter enfrentado dificuldades na adaptação à
universidade e à vida na cidade, pois residia na capital. As demais pessoas estudantes
enfrentaram obstáculos significativos, como problemas de moradia, adaptação à vida longe da
família, dificuldade para obter bolsas, além de desafios administrativos e das exigências da
rotina acadêmica. O momento de ingresso das pessoas estudantes indígenas é particularmente
crítico, pois é nesse período que ocorrem as maiores taxas de desistência.
Nesse contexto, Coulon (2008) divide a experiência universitária em duas dimensões.
A primeira, denominada dimensão intelectual, refere-se ao aprendizado dos códigos e das
normas da universidade, incluindo aspectos relacionados ao vocabulário acadêmico, à leitura,
à escrita, à concentração e à organização. A segunda dimensão, denominada relacional, diz
respeito à qualidade das interações entre colegas e professores, essencial para a criação de
vínculos que favoreçam o desenvolvimento de atividades colaborativas. A falta de suporte
adequado e de compreensão das necessidades específicas das pessoas estudantes indígenas
nessas duas dimensões pode reforçar preconceitos e dificuldades. O apoio contínuo ao longo
da trajetória acadêmica é fundamental para a formação de estudantes indígenas (Bergamaschi
et al., 2018).
RACISMO ANTI-INDÍGENA
O foco desta unidade temática é o racismo anti-indígena manifestado no ambiente
acadêmico. Candau (2003) apontou que as diversas formas de discriminação revelam uma
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relação dialética entre a discriminação étnica e a social, de modo que uma não pode ser
reduzida à outra. No contexto universitário, essas manifestações podem se intensificar,
alimentando o que a autora denomina cultura da discriminação. Para as pessoas estudantes
indígenas, essa cultura se traduz em uma constante separação entre nós e os outros,
expressa pela recusa em reconhecer aquelas consideradas diferentes e, frequentemente, vistas
como inferiores em razão das suas identidades e comportamentos. A seguir, o
apresentadas as categorias que compõem esta unidade temática.
Discriminação e Preconceito
Nesta categoria, destacam-se falas que revelam as vivências de preconceito e
discriminação enfrentadas pelas pessoas estudantes indígenas. Essas manifestações podem
assumir formas ambíguas, o que pode levar à subestimação de sua gravidade ou dificultar a
mensuração da violência a elas associada, como ilustram os trechos a seguir:
A gente é tão excluído […] ele mandou eu voltar pra minha oca […] É como se tu não
existisse, como se tu estivesse num não lugar total, não vão nem colocar tua opinião ali em
jogo. (Rute)
A gente o preconceito dos outros quando falam: ‘quem aqui é aluno indígena?’ […] eu
levantando a mão, todo mundo começa a olhar […] ‘ela é aluna indígena, ela tem
dificuldade então não vamos chamar pro grupo’, é uma bomba pra gente, sem querer eu ouvi
falarem isso, pra mim eu não conseguia, né, é muito difícil […] eu tenho medo de ser
mais excluída ainda. (Beatriz)
Eles me tratavam diferente, mas não de uma forma que eu considero boa, é de uma forma que
me incomoda. (Elora)
As pessoas estudantes relataram experiências que evidenciam diferentes situações de
racismo e preconceito. Ao longo do tempo, as formas de manifestação do preconceito e do
racismo se modificaram, ocorrendo principalmente nas relações interpessoais e assumindo a
forma de comportamentos discriminatórios no cotidiano (Lima & Vala, 2004). Nesse sentido,
Marinho (2021) destacou que identificar os fenômenos do preconceito e da discriminação
étnico-racial torna-se mais complexo, pois esses comportamentos se entrelaçam com outras
formas de discriminação e podem manifestar-se de maneira sutil.
No caso dos povos indígenas no Brasil, o racismo anti-indígena manifesta-se de
diversas formas. Entre elas estão declarações públicas depreciativas feitas por autoridades,
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
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atos de violência explícita contra comunidades e indivíduos indígenas, além da fossilização de
sua cultura e da negação de sua existência (Milanez et al., 2019). As expressões de racismo e
preconceito, embora por vezes veladas, o evidentes no ambiente acadêmico e refletem
profundas desigualdades e desafios estruturais. Dessa forma, o ambiente acadêmico ainda não
está preparado para acolher a diversidade cultural indígena e reconhecê-la como um aspecto
fundamental da permanência estudantil. Moura e Matos (2022) corroboraram essa
perspectiva, destacando que a discriminação continua sendo uma realidade, o que reforça a
necessidade de estratégias mais eficazes para promover a inclusão e garantir suporte contínuo
a esses estudantes.
Vergonha e Humilhação Social
A vergonha, enquanto expressão da humilhação social, também atinge a vida
acadêmica e pessoal de estudantes indígenas universitários. Entende-se que a vergonha é uma
vivência íntima e pessoal, caracterizada por um julgamento moral negativo, que ocorre
quando o indivíduo sente que não consegue atender às próprias expectativas ou manter uma
imagem positiva de si mesmo (La Taille, 2004). a humilhação social manifesta-se em
situações de exploração e exclusão características de uma sociedade capitalista, que impõe
experiências de submissão a tratamentos discriminatórios e injustos (Fernandes et al., 2016).
Esses tratamentos violam a dignidade e a honra de indivíduos ou grupos, sendo identificados
nos relatos apresentados a seguir:
Quando eu passei, eu não gostava de comentar muito não, porque eu tinha
vergonha […] A gente o olhar diferente, eu tenho acessórios indígenas e
querendo ou não é chamativo […] a gente luta tanto pra levar nossas origens
adiante justamente para que muitos indígenas não tenham vergonha dos seus
costumes […] os olhares que a gente fica intrigada, sabe. Por que torceu o
nariz? Por que virou a cara? Por que riu? Isso me medo, me amedronta
aqui dentro da universidade, pra mim é uma vergonha. (Beatriz)
Você tem o nome normal e o nome do teu povo […] eu nem falo, porque é
um jeito de se proteger de passar uma situação vexatória […] é muito
cansativo passar por essas situações, questionamentos […] Parece que tu é
meio que um alienígena […] as pessoas têm uma visão estereotipada, uma
pessoa indígena é como se ela fosse bem inferior. (Rute)
As pessoas estudantes indígenas enfrentam constantemente o sentimento de vergonha.
Para Melo e Santos (2018), a humilhação social, enquanto efeito psicossocial do racismo,
deve ser compreendida como um fenômeno coletivo, embora seja vivenciada
individualmente, uma vez que resulta de relações de dominação e opressão que atingem tanto
o sujeito no presente quanto indivíduos de sua ancestralidade, pertencimento étnico-racial,
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grupo social, classe, nação ou povo. A universidade, como espaço em que as relações de
poder e as estruturas sociais hegemônicas se tornam mais visíveis, pode intensificar os
sentimentos de vergonha e deslocamento vivenciados pelos estudantes indígenas. Esse
ambiente frequentemente faz com que essas pessoas se sintam inadequadas ou excluídas,
levando muitas delas a se isolarem por medo de serem julgadas ou ridicularizadas. Calegare et
al. (2017) ressaltaram que as representações estereotipadas dos povos indígenas no Amazonas
alimentam uma visão depreciativa amplamente disseminada na capital. Esse estigma reforça a
ideia de inferioridade, impactando diretamente as experiências dos estudantes indígenas e sua
vivência acadêmica e social.
ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO PARA A PERMANÊNCIA NA
UNIVERSIDADE
Esta unidade temática é constituída por duas categorias que demonstram como as
pessoas entrevistadas desenvolveram estratégias de enfrentamento para permanecer na
universidade e concluir a graduação. Diferentes estudos evidenciam a necessidade de adoção,
por parte das instituições, de mecanismos mais eficazes para o acolhimento de estudantes
indígenas à vida universitária, para o combate ao racismo, para o fortalecimento e o
empoderamento desses estudantes e, consequentemente, para a promoção da
interculturalidade (Calegare & Sales, 2023; Gomes & Nina, 2024; Herbetta & Nazareno,
2020; Ribeiro et al., 2024). A seguir, são apresentadas as categorias que compõem esta
unidade temática
Ascensão financeira e incentivo
Nesta categoria, as pessoas estudantes revelaram como o desejo de melhorar as
condições de vida e o incentivo recebido atuam como estratégias fundamentais de
enfrentamento, conforme exemplificado a seguir:
Eu sempre quis ser rica, meu sonho desde criança, mas não era por outra coisa, era sempre pra
mudar a vida da minha mãe e do meu pai […] Minha mãe logo decidiu: a gente vai ajudar,
todo mundo vai ajudar, porque é pra ajudar nosso povo […] mamãe alugou uma casa […] eu
pedi ajuda de uma professora aqui, que ela sempre está disposta a ajudar todo mundo, que é a
coordenadora do meu curso, essa professora me incentiva, me ajuda quando eu tenho
dificuldade. (Beatriz)
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Eu tenho muita vontade de escrever […] sobre o protagonismo […] eu acho que tem muitas
coisas escassas e algumas têm colaboração de pessoas indígenas, outras não, a maioria não
tem […] pessoas que não tem a vivência, é profundo, mas não tem aquela coisa de quem vive.
(Rute)
Minha motivação para querer fazer uma faculdade e continuar fazendo foi eu querer mudar de
vida e sair da situação em que me encontro. (Elora)
Quando alguém das etnias entra em algum curso é visto com muita festividade, a gente
comemora muito […] meus pais sempre me ajudaram, a minha vó também sempre me apoiou,
eu nunca tive problema nesse sentido. (Diana)
As participantes destacaram a importância do apoio financeiro e emocional
proveniente tanto da família quanto de docentes da instituição. Esse suporte é essencial para o
sucesso acadêmico e para o enfrentamento dos desafios associados à vida universitária.
Destaca-se também a relevância da universidade na promoção da difusão científica e na
valorização da cultura indígena. De acordo com Santos (2023), estar na universidade
representa uma conquista para as estudantes indígenas, sobretudo por contarem com uma rede
de apoio formada pela família, pela comunidade, por professores e por amigos. Trata-se de
um espaço de difusão de seus próprios conhecimentos, mas também de acesso a
conhecimentos específicos, inclusive sobre sua própria história.
Estima
A estima da comunidade e a autoestima também atuam como estratégias para a
permanência estudantil, pois as pessoas estudantes desenvolvem uma motivação que encontra
sentido não apenas em sua trajetória de vida, mas também na trajetória de seu povo,
considerando a historicidade dos povos indígenas em contextos de luta, resistência e
coletividade. A seguir, são apresentados alguns exemplos:
Sempre que eu vou pra aldeia eles começam a me apelidar: olha a nossa doutora’. Eu fico
feliz porque eles me veem como alguém, eles falam que eu sou a diva deles, e eu tento
conversar com eles, incentivar, sempre falo pra eles estudarem, pra eles não terem a vida que
nossos pais levaram. (Beatriz)
Saber que eu também posso alcançar e eu também posso trazer essa imagem de um sonho
alcançado […] uma frase nossa é ‘o futuro é ancestral, o futuro é uma juventude, a juventude
somos nós’ […] não vai ser nada sobre nós sem nós […] é muito fácil ter uma lei indígena
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feito por um não indígena, não vai ter nossas culturas e seria muito melhor ter alguém de
dentro como nós. (Hélio)
Eu gosto de mostrar que pra pessoa ser mais […], tipo se formar, fazer qualquer profissão
[…] ninguém imagina uma indígena dando aula, sendo advogada, médica, pesquisadora,
ninguém associa a imagem de uma pessoa indígena com essas coisas, sempre é com algo bem
folclórico. (Rute)
As pessoas participantes destacaram a importância do reconhecimento e da estima de
suas comunidades, bem como o desejo de contribuir para a melhoria da qualidade de vida de
seus familiares e parentes indígenas. Essa percepção é reforçada pela discrepância entre a
sensação de valorização e pertencimento vivenciada em suas comunidades de origem e o
sentimento de invisibilidade e exclusão frequentemente experimentado no ambiente
acadêmico. Ainda assim, o acesso ao ensino superior pelos povos indígenas representa um
passo estratégico, pois permite que espaços de disputa de poder, como o Judiciário, a
academia e os órgãos oficiais, contem com representantes indígenas para lutar por autonomia
e exercer práticas culturalmente diferenciadas (Amado, 2020; Ribeiro et al., 2024; Silva,
2023).
Nesse sentido, as ações afirmativas no ensino superior constituem um importante
marco histórico, ao incentivar os povos indígenas a ocuparem os espaços da ciência como
autores e sujeitos de sua própria história, possibilitando a luta direta por educação, terra e
saúde (Molina & Ribeiro, 2024). No entanto, o sentimento de exclusão no ambiente
acadêmico evidencia as barreiras psicossociais enfrentadas pelas pessoas estudantes. Elas
precisam constantemente manter-se engajadas na universidade, enquanto convivem com um
ambiente que muitas vezes não reconhece nem valoriza suas identidades e experiências.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo destacou a complexidade e a relevância da presença e da participação de
estudantes indígenas no ensino superior, demonstrando a necessidade urgente de práticas que
promovam a equidade acadêmica, tais como: acesso diferenciado à assistência estudantil
(bolsas de estudo, moradia estudantil, restaurante universitário e outros programas), suporte
social (integração de estudantes indígenas ingressantes à universidade e à cidade de Manaus)
e superação de barreiras psicossociais por meio da integração intercultural (preparação de
pessoas professoras e estudantes para receber indígenas, com respeito aos seus costumes,
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idiomas e conhecimentos). Já ocorreram avanços significativos nas políticas de acesso e apoio
a estudantes indígenas, como a oferta da Bolsa Permanência, as cotas de ações afirmativas
destinadas a pessoas indígenas, além de eventos e programas de difusão e valorização da
cultura indígena na universidade.
No entanto, os relatos trazidos demonstram que ainda existem desafios substanciais
que precisam ser enfrentados para garantir uma educação superior de qualidade. A
experiência das pessoas estudantes indígenas na universidade ainda está marcada por desafios
estruturais e sociais profundos, fundamentados no racismo anti-indígena, uma vez que a
própria lógica ocidental e eurocêntrica das universidades brasileiras reforça a marginalização
de culturas e saberes indígenas.
As pessoas estudantes indígenas da Universidade Federal do Amazonas enfrentam
desafios que se iniciam pela violação do direito a uma educação básica diferenciada e
assegurada pelo Estado, culminando em atrasos na escolarização e na migração por
necessidade. Ao acessarem o ensino superior, esses desafios se repetem com a difícil
adaptação à vida na cidade e ao ambiente universitário, à burocracia para acessar direitos
estudantis e ao constante impacto da lógica ocidental predominante nas instituições de ensino
superior.
A chegada à universidade e a adaptação ao ambiente urbano revelam uma realidade
multifacetada, onde obstáculos financeiros e a falta de suporte cultural específico intensificam
o sentimento de exclusão, vergonha e humilhação social. Esses fatores dificultam não apenas
a adaptação, mas também comprometem a capacidade das pessoas estudantes de se engajarem
em suas atividades acadêmicas e sociais. Por outro lado, reitera-se a importância das
estratégias de enfrentamento adotadas pelas pessoas estudantes indígenas para superar as
adversidades. O apoio familiar, o incentivo financeiro e o fortalecimento da autoestima e da
estima comunitária são identificados como elementos cruciais para a continuidade da
trajetória e sucesso acadêmico dessas estudantes.
Embora essas estratégias sejam fundamentais para a permanência, a responsabilidade
de adaptação, que também compete à universidade, é muitas vezes deslocada para a própria
pessoa estudante indígena de maneira individualizada e descontextualizada de processos
históricos e culturais da sociedade brasileira. Nesse sentido, as universidades precisam
garantir a interculturalidade em todas as instâncias: nos processos burocráticos de acesso ao
ensino superior, na preparação de pessoas servidoras públicas e terceirizadas para se
relacionarem com estudantes indígenas, na valorização dos conhecimentos indígenas na
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matriz curricular e o fomento à luta antirracista entre a comunidade universitária.
Por fim, esta pesquisa teve a limitação de contar predominantemente com a
participação de mulheres indígenas, o que abre espaço para futuras pesquisas explorarem
também as intersecções entre gênero e racismo anti-indígena na trajetória educacional das
estudantes. Isso pode ser expandido para investigar como essas dimensões entrelaçadas
podem proporcionar uma compreensão mais abrangente de como a discriminação e a exclusão
são agravadas por múltiplos pertencimentos identitários.
Por outro lado, essas pessoas indígenas também vêm se formando em nível de pós-
graduação e chegando a cargos docentes e de gestão universitária. Assim, futuras pesquisas
são necessárias para compreender os impactos psicossociais da inserção de pessoas
professoras indígenas ocupando cargos de docentes permanentes nas universidades. Como os
demais docentes reagem a isso? O que isso gera de transformações na lógica universitária,
tanto em sua organização administrativa quanto na grade acadêmica? Além disso, na
sociedade brasileira tem havido movimento de criação de instituições de ensino indígenas,
como a recém-criada (em 2026) Universidade Federal Indígena (Unind). Quais horizontes e
impactos psicossociais a criação dessa instituição traz à sociedade brasileira?
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A c ess o e p er m a n ê n ci a d e est u d a nt es i n g e n as n a U niv ersi d a d e Fe d er al d o A m az o n as: o r a cis m o a nti -i n g e n a e m q u est ã o
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. 0 0 , e 0 2 6 0 1 1 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i 0 0. 2 0 2 7 6 2 0
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : A gr a d e c e m os o a p oi o d a F u n d a ç ã o d e A m p ar o à P es q uis a d o Est a d o
d o A m a z o n as ( F A P E A M), à C o or d e n a ç ã o d e A p erf eiç o a m e nt o d e P ess o al d e v el
S u p eri or ( C A P E S), à U ni v ersi d a d e F e d er al d o A m a z o n as ( U F A M) e a o e dit al P R O C A D -
A m a z ô ni a ( nº 2 1/ 2 0 1 8).
F i n a n ci a m e nt o: F u n d a ç ã o d e A m p ar o à P es q uis a d o Est a d o d o A m a z o n as ( F A P E A M),
C o or d e n a ç ã o d e A p erf ei ç o a m e nt o d e P ess o al d e Ní v el S u p eri or ( C A P E S), U ni v ersi d a d e
F e d er al d o A m a z o n as ( U F A M), e dit al P R O C A D -A m a z ô ni a ( 2 1/ 2 0 1 8).
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á c o nflit o d e i nt er ess e.
A p r o v a ç ã o éti c a : A pr o v a ç ã o d o C E P-U F A M, pr o c ess os nº 4. 0 8 2. 8 4 0.
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : N ã o est ã o dis p o ní v eis p ar a a c ess o.
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : A ut or 1: C o n c eit u ali z a ç ã o (i d e ali z a ç ã o d o est u d o, d efi ni ç ã o
d e p er g u nt as e o bj eti v os); A n ális e d e d a d os (i nter pr eta ç ã o d os r es ult a d os e atri b ui ç ã o d e
si g nifi c a d o a p artir d e q u a dr os t e óri c os pr é -d et er mi n a d os); M et o d ol o gi a ( d eli n e a m e nt o
m et o d ol ó gi c o d a p es q uis a); A d mi nistr a ç ã o d o pr oj et o ( orie nt a ç ã o, s u p er vis ã o o u
c o or d e n a ç ã o); Es crit a (r e d a ç ã o d o m a n us crit o ori gi n al); R e vis ã o (r e vis ã o cti c a d o
m a n us crit o ori gi n al e a pr o v a ç ã o d a v ers ã o a s er s u b m eti d a). A ut or a 2: C o n c eit u ali z a ç ã o
(i d e ali z a ç ã o d o est u d o, d efi ni ç ã o d e p er g u nt as e o bj eti v os); A n ális e d e d a d os
(i nt er pr eta ç ã o d os r es ult a d os e atri b ui ç ã o d e si g nifi c a d o a p artir d e q u a dr os t e óri c os pr é-
d et er mi n a d os); M et o d ol o gi a ( d eli n e a m e nt o m et o d ol ó gi c o d a p es q uis a); Es crit a (r e d a ç ã o
d o m a n us crit o ori gi n al); R e vis ã o (r e vis ã o cti c a d o m a n us crit o ori gi n al e a pr o v a ç ã o d a
v ers ã o a s er s u b m eti d a . A ut or a 3: A n ális e d e d a d os (i nt er pr et a ç ã o d os r es ult a d os e
atri b ui ç ã o d e si g nifi c a d o a p artir d e q u a dr os t e óri c os pr é -d et er mi n a d os); Es crit a (r e d a ç ã o
d o m a n us crit o ori gi n al); R e vis ã o (r e vis ã o cti c a d o m a n us crit o ori gi n al e a pr o v a ç ã o d a
v ers ã o a s er s u b m eti d a).
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20276 1
ACCESS AND PERMANENCE OF INDIGENOUS STUDENTS AT AMAZONAS
FEDERAL UNIVERSITY: ANTI-INDIGENOUS RACISM IN QUESTION
ACESSO E PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES INDÍGENAS NA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO AMAZONAS: O RACISMO ANTI-INDÍGENA EM QUESTÃO
ACCESO Y PERMANENCIA DE ESTUDIANTES INDÍGENAS EN LA UNIVERSIDAD
FEDERAL DEL AMAZONAS: EL RACISMO ANTIINDÍGENA EN CUESTIÓN
Marcelo CALEGARE
1
e-mail: mcaleg[email protected]
Débora Evely Ramos de OLIVEIRA
2
e-mail: deb[email protected]
Thais de Negreiros SALES
3
e-mail: tnsalesneg[email protected]
How to reference this paper:
Calegare, M., Oliveira, D. E. R., & Sales, T. N. (2026).
Access and permanence of indigenous students at Amazonas
federal university: anti-indigenous racism in question. Doxa:
Rev. Bras. Psico. e Educ., 27, e026011.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20276
| Submitted: 03/07/2025
| Revisions required: 10/07/2025
| Approved: 11/05/2026
| Published: 21/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Amazonas (UFAM), Manaus Amazonas (AM) Brazil. Permanent Faculty Member of
the Graduate Program in Psychology.
2
Federal University of Amazonas (UFAM), Manaus Amazonas (AM) Brazil. Psychologist.
3
Federal University of Amazonas (UFAM), Manaus Amazonas (AM) Brazil. Masters Student in the
Graduate Program in Psychology.
Access and permanence of indigenous students at Amazonas federal university: anti-indigenous racism in question
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20276 2
ABSTRACT: Indigenous students face numerous challenges during their university studies,
such as devaluation of their cultural, linguistic, and epistemological background, but
especially anti-Indigenous racism. The article aims to understand the experiences of anti-
indigenous racism among students at Federal University of Amazonas and its impacts on their
persistence in higher education. Five Indigenous students participated in open narrative
interviews, followed by content analysis, and three categories emerged from the analysis:
educational path (schooling trajectory; adaptation to the city and university); anti-indigenous
racism (discrimination, prejudice; shame); coping strategies (financial mobility and support;
self-esteem). The results demonstrate that anti-indigenous racism in the academic
environment is a significant factor that hinders students adaptation and social relationships,
reinforcing prejudice and exclusion. The desire for personal and collective transformation,
along with the support and recognition of their communities, serves as a coping strategy for
students to remain in higher education.
KEYWORDS: Higher Education. Schooling. University. Anti-Indigenous Racism.
RESUMO: Estudantes indígenas enfrentam muitos desafios durante a permanência na
universidade, como a desvalorização e a inferiorização cultural, linguística e epistemológica,
mas, sobretudo, o racismo anti-indígena. O objetivo deste artigo é compreender as vivências
de racismo anti-indígena de estudantes da Universidade Federal do Amazonas e seus
impactos sobre a permanência no ensino superior. Foram entrevistados cinco estudantes
indígenas por meio de entrevistas narrativas abertas, com posterior análise de conteúdo, que
indicou as seguintes categorias: percurso educacional (trajetória de escolarização;
adaptação à cidade e à universidade); racismo anti-indígena (discriminação, preconceito e
vergonha); estratégias de enfrentamento (ascensão financeira e incentivos; estima). Os
resultados demonstram que o racismo anti-indígena no ambiente acadêmico constitui um
fator significativo que prejudica a adaptação e as relações dos estudantes, reforçando
preconceitos e exclusão. O desejo de transformação pessoal e coletiva, aliado ao apoio e ao
reconhecimento de suas comunidades, funciona como estratégia de enfrentamento para a
permanência desses estudantes na universidade.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Superior. Escolarização. Universidade. Racismo Anti-
Indígena.
RESUMEN: Estudiantes indígenas se enfrentan a muchos desafíos durante su estancia en la
universidad, como la devaluación y el menosprecio de sus culturas, lenguas y epistemologías,
pero sobre todo el racismo antiindígena. El objetivo de este artículo es comprender las
vivencias de racismo antiindígena de estudiantes de la Universidad Federal del Amazonas y
los impactos em su permanencia en la educación superior. Entrevistamos cincos estudiantes
indígenas con entrevista narrativa abierta, con posterior análisis de contenido, que indicó las
siguientes categorías: trayectoria educativa (trayectoria escolar; adaptación a la ciudad y a
la universidad); racismo antiindígena (discriminación, prejuicio, vergüenza); estrategias de
afrontamiento (avance financiero e incentivos; autoestima). Los resultados demuestran que el
racismo antiindígena em el entorno académico es un factor significativo que perjudica la
adaptación y las relaciones de los estudiantes, reforzando los prejuicios y la exclusión. E
deseo de transformación personal y colectiva, junto con el apoyo y reconocimiento de sus
comunidades, funcionan como una estrategia de afrontamiento para permanecer como
estudiante universitario.
PALABRAS CLAVE: Educación Superior. Enseñanza. Universidad. Racismo Antiindígena.
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026011, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCTION
This article aims to understand the experiences of anti-Indigenous racism among
students at the Federal University of Amazonas and the impacts of this phenomenon on their
persistence in higher education. Despite persistent economic, social, and racial inequalities,
Indigenous peoples have collectively organized to gain access to the material and symbolic
resources of Brazilian society, including higher education institutions, which are regarded as
strategic spaces for the legitimization of knowledge (Neves & Silva, 2024). The growing
presence of Indigenous students in Brazilian universities is largely the result of Indigenous
movements, whose advocacy has emphasized the need for closer dialogue in the education
and training of professionals and researchers (Amado, 2020).
Access to and persistence in higher education continue to present major challenges
both for Indigenous students and for higher education institutions. Ensuring the quality of
education while valuing Indigenous knowledge systems and subjectivities, grounded in
Indigenous worldviews, cosmopolitics, epistemologies, and ontologies, remains essential
(Peron & Cella, 2021). The inclusion and presence of Indigenous students in universities
continue to be constrained by colonial structures, as Brazilian universities were historically
developed according to hegemonic and Eurocentric models that perpetuate social hierarchies
by privileging certain forms of knowledge and maintaining unequal access to higher
education (Silva, 2023). Neves and Silva (2024) argue that this modus operandi of higher
education institutions is grounded in epistemic racism and epistemicide, perpetuating the
devaluation, stereotyping, prejudice, and discrimination directed toward the intellectual
production of Indigenous, African, and Afro-Brazilian peoples.
An important milestone in securing Indigenous peoples access to rights was the
promulgation of the 1988 Brazilian Federal Constitution, which recognized their right to a
specific and differentiated school education, primarily focused on basic education. Since then,
several legal frameworks have been established to strengthen these guarantees, including the
National Curriculum Guidelines for Indigenous Schools (RCNEI) (1998); Law No.
10,558/2002, which established the University Diversity Program; Law No. 11,096/2005,
which created the University for All Program (PROUNI); Law No. 11,645/2008, which
mandates the teaching of Indigenous culture in schools; Law No. 12,711/2012 (Quota Law);
and, subsequently, CNE/CEB Resolution No. 1/2015, which established guidelines for the
education of Indigenous teachers (Menezes et al., 2021).
Despite these advances, Indigenous peoples access to higher education continues to
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reveal significant contradictions. According to the 2022 Higher Education Census, conducted
by the National Institute for Educational Studies and Research (INEP), Indigenous students
accounted for only 0.4% of undergraduate admissions, followed by Asian students (1.3%),
Black students (6.5%), and Brown (mixed-race) students (26.7%). White students represented
35.9% of admissions, while 29.1% of entrants did not report their race or ethnicity (INEP,
2022).
Neves and Silva (2024) argue that racism is the primary factor hindering Indigenous
students persistence in higher education, as this phenomenon permeates multiple dimensions
of Brazils social and political relations. Addressing this issue requires diverse strategies and
broader understandings capable of supporting more effective institutional responses. The
racialization of peoples produces relations of domination and exploitation that are legitimized
through Eurocentric structures such as universities. Racism is rooted in historical processes,
particularly colonization, and emerged as a means of classifying humanity by establishing
hierarchies and subordinating individuals and groups based on perceived physical or cultural
differences associated with the notion of race (Lima & Vala, 2004; Ribeiro, 2022). This
ongoing process of racial discrimination is also reflected in restricted access to essential social
goods and services, including basic and higher education. Racism functions as a
sociohistorical norm that regulates privilege and defines positions of power within society
(Lima, 2020).
The literature has identified a specific form of racism directed at Indigenous peoples,
referred to as anti-Indigenous racism. According to Calegare and Santos (2025), this
phenomenon is characterized by portraying Indigenous people as less than human,
demonizing their religious beliefs, sexualizing them (by blaming Indigenous women for
nudity and sexual violence), depicting them as uncivilized (lacking culture or civilization),
infantilizing them (as though they required state tutelage and guidance toward development),
denying their existence (within academic research, national society, the countrys history, and
everyday Brazilian life), portraying them as primitive through frozen colonial stereotypes, and
demanding that they speak an Indigenous language and live exclusively on officially
demarcated Indigenous lands. These practices are rooted in attempts at extermination and
genocide initiated during colonization and continue today through the multiple forms of
prejudice and discrimination that constitute anti-Indigenous racism.
Studies have identified a range of challenges experienced by Indigenous students,
including difficulties in understanding and appropriating the Portuguese language and
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scientific discourse; institutional shortcomings resulting from the lack of preparedness among
university staff to engage in intercultural relationships; bureaucratic barriers to accessing
student support services; limited access to information; insufficient financial assistance and
academic support; and the challenges associated with relocating from Indigenous territories to
urban centers, reflected in differences in culture, purchasing power, urban infrastructure, and
social relations (Bergamaschi et al., 2018; Calegare & Sales, 2023; Calegare & Santos, 2025;
Gomes & Nina, 2024; Peron & Cella, 2021; Silva, 2023). These challenges stem from the
devaluation of Indigenous cultures, the subordination of Indigenous peoples, and ongoing
processes of marginalization. Consequently, one of the principal barriers to students
persistence in higher education is the devaluation of Indigenous identity, particularly when it
is associated with assumptions about limited academic, intellectual, and cognitive ability.
The historical exclusion of Indigenous peoples is rooted in the restrictions imposed by
coloniality/modernity, which structure Eurocentric capitalist power. Nevertheless, as
discussed above, Indigenous collective action has made possible new forms of resistance,
political contestation, and achievement within the context of coloniality (Silva, 2023). One
such achievement is access to higher education, understood as a strategic space through which
Indigenous peoples can participate in dialogue and knowledge production while advancing
their educational, territorial, health-related, and political demands in relation to non-
Indigenous society (Molina & Ribeiro, 2024; Machado, 2024; Ribeiro et al., 2024).
Understanding the everyday challenges experienced by Indigenous students and their
influence on persistence in higher education is therefore fundamental to advancing anti-racist
and intercultural education. Intercultural dialogue within academic debates emphasizes the
diversity of social groups by recognizing alternative forms of knowledge and subjectivity
through the struggle against racism (Neves & Silva, 2024). In this sense, interculturality
constitutes a social, political, and epistemic project of resistance that challenges coloniality
(Machado, 2024; Ribeiro et al., 2024; Silva, 2023). Indigenous students access to higher
education exposes structural problems arising from the hierarchical organization of
universities, making the experience of belonging within academic institutions particularly
challenging. Universities must therefore also become Indigenous territoriesspaces in which
Indigenous students can appropriate the academic environment, establish meaningful
relationships, and understand how higher education functions through interactions that enable
them to experience university life with dignity and quality (Gomes & Nina, 2024).
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METHOD
This study adopted a qualitative exploratory-descriptive approach (Gerhardt &
Silveira, 2009). Data were collected through open narrative interviews designed to explore
participants educational trajectories and their experiences of anti-Indigenous racism, with
particular attention to the challenges they encountered in the academic environment, their
lived experiences, and the coping strategies they developed to gain access to and persist in
higher education.
The study included five Indigenous students (four women and one man) enrolled in
the undergraduate programs of Law, Fisheries Engineering, and Psychology, as presented in
Table 1. Participants were recruited using the snowball sampling technique, a method based
on participants social networks rather than a formal sampling frame (Dewes & Nunes, 2013).
The study complied with all applicable ethical standards by ensuring participants
confidentiality and anonymity, in accordance with Brazilian National Health Council
Resolutions No. 466/2012 and No. 510/2016. Ethical approval was granted by the Research
Ethics Committee under Protocol No. 3,516,303.
Table 1
Profile of the Indigenous student participants
Participants
Age
Degree Program
Beatriz
21
Law
Hélio
21
Law
Elora
18
Fisheries Enginnering
Diana
23
Psychology
Rute
18
Psychology
Note. Prepared by the authors.
Interviews were conducted face-to-face at the Federal University of Amazonas and
audio-recorded using the following opening prompt: Tell me about your educational
trajectory up to the moment you entered university. The interviews lasted between 30 and 60
minutes, were subsequently transcribed, and analyzed using Bardins (2011) content analysis,
which comprises three stages: (1) pre-analysis (preliminary reading and identification of
initial categories); (2) material exploration (coding interview excerpts into thematic units and
final categories); and (3) data treatment, including inference and interpretation (presentation
of the findings through participants narratives).
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RESULTS
Content analysis identified the following thematic units and their respective
categories: (I) Indigenous students educational trajectories (schooling trajectory; adaptation
to the city and university); (II) anti-Indigenous racism (discrimination and prejudice; shame);
and (III) coping strategies for persistence in higher education (financial mobility and support;
esteem).
INDIGENOUS STUDENTS’ EDUCATIONAL TRAJECTORIES
This thematic unit examines Indigenous students educational trajectories up to their
entry into higher education, focusing on the main challenges encountered throughout this
process. Based on participants narratives, the following categories were identified.
Schooling Trajectory
The category schooling trajectory refers to the challenges and enduring impacts
experienced throughout participants educational journeys, from life in their Indigenous
communities to their entry into university (Calegare & Sales, 2023). This trajectory
encompasses a wide range of experiences (Gomes & Nina, 2024), and participants narratives
revealed a reality marked by social inequalities and socioeconomic barriers that have shaped
their educational experiences since basic education.
Participants described distinct educational trajectories that nonetheless reflected the
particular circumstances of those growing up in the interior of the state of Amazonas:
My mother realized that the quality of education in the interior wasnt good. If you really want
opportunities, you have to leave [...] My parents took my siblings and me to the city so we
could study [...] there were six children [...] we went through many difficult situations because
of our financial circumstances. (Beatriz)
I started school when I was five years old. I attended four or five different schools before
entering UFAM [...] I repeated the seventh grade twice because my parents were separating
and my mother was studying Law. She had to complete an internship, and then she became
pregnant. I was responsible for taking care of my younger sister, so there were days when I
had to miss school because my mother had to go to her internship, and I ended up failing
because of my absences. (Rute)
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I attended a riverside school, and my home was a floating house [...] I changed schools several
times because we were always looking for better opportunities. Since our house wasnt
permanently located in one place, boats would tow it to different locations [...] Later I moved
to Manaus, but I spent about two years without attending school. (Hélio)
Participants reported experiencing numerous difficulties resulting from the poor
quality of basic education in municipalities located in the interior of Amazonas, which led
many families to migrate in search of better educational opportunities. These challenges were
compounded by limited financial resources and the effects of diverse family circumstances.
Calegare and Sales (2023) argue that Indigenous students schooling trajectories are
shaped by migration, socioeconomic vulnerability, and barriers that delay the completion of
basic education. These circumstances place Indigenous students at an academic disadvantage
and expose them to experiences of discrimination and prejudice.
These challenges are further intensified by the predominance of Western culture,
which imposes economic, social, and cultural barriers throughout Indigenous students
educational trajectories. Such discrimination persists within higher education, manifesting
itself in both overt and subtle ways that reinforce feelings of not belonging and social
isolation in the university environment. As a result, it significantly undermines students
persistence in higher education while reinforcing the exclusion and marginalization they
experience (Herbetta & Nazareno, 2020). Participants narratives demonstrate that these
challenges begin in childhood, while students are still living in Indigenous communities in the
interior of Amazonas, owing to the lack of public policies that ensure access to high-quality
Indigenous school education. This reality underscores the urgent need for structural changes
capable of promoting equity throughout Indigenous students educational trajectories,
preventing these difficulties and their associated traumas from being continually reproduced
during their experiences in higher education.
Adaptation to the City and University
Adapting to both urban life and the university environment presents significant
challenges to Indigenous students persistence in higher education, including health-related
problems, long commuting distances, limited financial resources, delays in accessing student
support services, and insecurities associated with navigating everyday university life
(Calegare & Sales, 2023). In this study, this category explores participants arrival in the city,
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the challenges arising from their transition to the urban environment, and their initial
experiences upon entering university. The following excerpts illustrate these experiences:
I had to move to Manaus […] I started living on my own […] every month there was rent,
electricity, water bills, and study materials […] adapting was the hardest part for me. When I
arrived at the university, I couldnt even study. I cried all the time and just wanted to go back
home […] I kept fighting to receive the Permanent Scholarship […] and I only got it after
more than a year. (Beatriz)
When I moved here, it was very difficult for me […] I spent my entire first year struggling
with the move and the adaptation process […] Its remarkable how moving from the interior to
the capital city makes such a huge difference. (Diana)
When I first arrived at university, I felt completely out of place […] we think everyone will
experience the program in the same way, but not everyone has the same opportunities […]
especially Indigenous students who come from the interior […] its not only about academic
support, but also about whether the university will provide any kind of support, including
assistance in their own language. (Hélio).
Only one participant reported experiencing no difficulties adapting to either the
university or life in the city, as she already lived in the state capital. The remaining
participants described significant challenges, including housing difficulties, adjusting to life
away from their families, obstacles in obtaining financial assistance, administrative barriers,
and the demands of academic life. The period immediately following admission proved to be
particularly critical, as it is during this stage that dropout rates among Indigenous students are
highest.
Within this context, Coulon (2008) conceptualizes the university experience as
comprising two dimensions. The first, the intellectual dimension, concerns learning the
universitys norms and codes, including academic vocabulary, reading, writing, concentration,
and organizational skills. The second, the relational dimension, refers to the quality of
interactions with peers and faculty, which is essential for building relationships that foster
collaborative learning. The lack of adequate support and limited understanding of Indigenous
students specific needs across these two dimensions can reinforce prejudice and further
hinder their academic experience. Continuous support throughout students academic
trajectories is therefore essential for the successful education of Indigenous students
(Bergamaschi et al., 2018).
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ANTI-INDIGENOUS RACISM
This thematic unit focuses on manifestations of anti-Indigenous racism within the
academic environment. Candau (2003) argues that the various forms of discrimination reveal
a dialectical relationship between ethnic and social discrimination, such that one cannot be
reduced to the other. Within the university context, these forms of discrimination may become
more pronounced, reinforcing what the author refers to as a culture of discrimination. For
Indigenous students, this culture is expressed through a persistent division between us and
them, characterized by the refusal to recognize those perceived as different and,
consequently, regarded as inferior because of their identities and ways of being. The
following categories comprise this thematic unit.
Discrimination and Prejudice
This category highlights participants accounts of prejudice and discrimination
experienced by Indigenous students. These manifestations often take ambiguous forms, which
may lead to an underestimation of their severity or make it difficult to recognize the violence
they entail, as illustrated by the following excerpts:
We are so excluded […] he told me to go back to my hut […] Its as if you dont exist, as if
you belong nowhere. They wont even consider your opinion. (Rute)
You notice other peoples prejudice when they ask, Who here is an Indigenous student? […]
I was the only one who raised my hand, and everyone started looking at me […] Then I
overheard someone saying, Shes an Indigenous student, shell probably struggle, so lets not
invite her into our group. That was devastating. I was already having difficulties, and hearing
that made everything even harder […] Im afraid of being excluded even more. (Beatriz)
People treated me differently, but not in a positive way. It was the kind of treatment that made
me uncomfortable. (Elora)
Participants described experiences that reveal multiple manifestations of racism and
prejudice. Over time, these forms of discrimination have evolved, occurring primarily through
interpersonal relationships and everyday discriminatory practices (Lima & Vala, 2004).
Marinho (2021) argues that identifying ethnic-racial prejudice and discrimination has become
increasingly complex because these forms of discrimination intersect with other
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discriminatory practices and are often expressed in subtle ways.
In the case of Indigenous peoples in Brazil, anti-Indigenous racism manifests itself in
multiple forms. These include derogatory public statements made by political authorities,
explicit acts of violence against Indigenous communities and individuals, the fossilization of
Indigenous cultures, and the denial of Indigenous existence (Milanez et al., 2019). Although
frequently subtle, expressions of racism and prejudice remain evident within the academic
environment and reflect deep structural inequalities. Consequently, universities are still not
adequately prepared to embrace Indigenous cultural diversity or recognize it as a fundamental
dimension of Indigenous students persistence in higher education. Moura and Matos (2022)
support this perspective, emphasizing that discrimination remains an ongoing reality and
reinforcing the need for more effective strategies to promote inclusion and provide continuous
support for Indigenous students.
Shame and Social Humiliation
Shame, as an expression of social humiliation, also affects the academic and personal
lives of Indigenous university students. Shame is understood as an intimate and personal
experience characterized by a negative moral self-evaluation that occurs when individuals feel
unable to meet their own expectations or maintain a positive self-image (La Taille, 2004).
Social humiliation, in turn, manifests itself through situations of exploitation and exclusion
that are characteristic of capitalist societies, where individuals are subjected to discriminatory
and unjust treatment (Fernandes et al., 2016). Such experiences violate the dignity and honor
of individuals and groups, as illustrated in the following accounts:
When I was admitted to university, I didnt like talking about it because I felt ashamed […]
You notice the way people look at you. I wear Indigenous accessories, and whether I want to
or not, they attract attention […] We fight so hard to preserve and honor our heritage precisely
so that other Indigenous people wont feel ashamed of their customs […] Those looks make
you wonder: Why did they wrinkle their nose? Why did they turn away? Why did they laugh?
It frightens me. Here at the university, it makes me feel ashamed. (Beatriz)
You have your Portuguese name and the name given by your people […] I dont even tell
people my Indigenous name because its a way of protecting myself from embarrassing
situations […] Its exhausting to go through these situations and all the questions […]
Sometimes it feels like youre an alien […] People have a stereotyped view of Indigenous
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people, as if we were somehow inferior. (Rute)
Indigenous students continually experience feelings of shame. According to Melo and
Santos (2018), social humiliation, as a psychosocial consequence of racism, should be
understood as a collective phenomenon, even though it is experienced individually, because it
stems from relations of domination and oppression that affect not only individuals in the
present but also their ancestry, ethnic-racial belonging, social group, class, nation, and people.
As a setting in which power relations and hegemonic social structures become particularly
visible, the university can intensify Indigenous students experiences of shame and feelings of
not belonging. This environment often leads them to feel inadequate or excluded, causing
many to withdraw socially for fear of being judged or ridiculed. Calegare et al. (2017) argue
that stereotypical representations of Indigenous peoples in the state of Amazonas reinforce a
derogatory image that remains widespread in the capital city. This stigma perpetuates
perceptions of inferiority, directly affecting Indigenous students academic and social
experiences.
COPING STRATEGIES FOR PERSISTENCE IN HIGHER EDUCATION
This thematic unit comprises two categories that illustrate how participants developed
coping strategies to remain in university and complete their undergraduate degrees. Previous
studies have emphasized the need for higher education institutions to adopt more effective
mechanisms to support Indigenous students integration into university life, combat racism,
strengthen and empower Indigenous students, and, consequently, promote interculturality
(Calegare & Sales, 2023; Gomes & Nina, 2024; Herbetta & Nazareno, 2020; Ribeiro et al.,
2024). The categories that constitute this thematic unit are presented below.
Financial Mobility and Support
In this category, participants described how the desire to improve their living
conditions, together with the support they received, functioned as fundamental coping
strategies, as illustrated in the excerpts below:
Ive always wanted to be wealthy. That has been my dream since I was a childnot for
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myself, but because I wanted to change my parents lives […] My mother immediately said,
Were all going to help because this is for our people. […] She rented a house for me […] I
also asked one of my professors for help. Shes the coordinator of my program and is always
willing to help everyone. She encourages me and supports me whenever I have difficulties.
(Beatriz)
I really want to write […] about Indigenous protagonism […] I think there are still very few
publications, and although some have contributions from Indigenous authors, most do not […]
People who havent lived these experiences can write about them in depth, but its never the
same as hearing from someone who has actually lived them. (Rute)
My motivation for going to university and continuing my studies has always been my desire to
change my life and overcome the situation Im currently living in. (Elora)
Whenever someone from our Indigenous communities is admitted to a university program, its
a huge celebration. We all celebrate together […] My parents have always supported me, and
my grandmother has always been there for me too. Ive never lacked support in that respect.
(Diana).
Participants emphasized the importance of both financial and emotional support
provided by their families and by university faculty. This support proved essential for
academic success and for overcoming the challenges associated with university life. They also
highlighted the universitys role in promoting scientific knowledge and valuing Indigenous
cultures. According to Santos (2023), attending university represents a significant
achievement for Indigenous students, particularly because they are supported by networks that
include family members, Indigenous communities, professors, and friends. The university
thus becomes not only a space for disseminating Indigenous knowledge but also a place
where students gain access to specialized knowledge, including knowledge about their own
histories.
Community Recognition and Self-Esteem
Recognition from their communities and positive self-esteem also functioned as
important strategies for students persistence in higher education. Participants described a
source of motivation rooted not only in their individual life trajectories but also in the
collective history of their peoples, shaped by longstanding experiences of struggle, resistance,
and solidarity. The following excerpts illustrate this perspective:
Access and permanence of indigenous students at Amazonas federal university: anti-indigenous racism in question
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Whenever I go back to my community, people call me our doctor. That makes me happy
because they see me as someone who has achieved something. They even say Im their diva. I
always try to encourage them, telling them to study so they wont have to live the same life
our parents did. (Beatriz)
Knowing that I can succeed and become an example of a dream fulfilled […] We have a
saying: The future is ancestral; the future is youth; we are that youth. […] Nothing about us
without us […] Its easy to have Indigenous laws written by non-Indigenous people, but they
wont reflect our cultures. It would be much better if those decisions came from people like us.
(Hélio)
I like showing people that we can achieve more […] graduate, pursue any profession […]
People dont imagine an Indigenous woman as a professor, a lawyer, a physician, or a
researcher. They still associate Indigenous people with something purely folkloric. (Rute).
Participants emphasized the importance of recognition and appreciation from their
communities, as well as their desire to improve the quality of life of their families and
Indigenous communities. This perception is reinforced by the contrast between the sense of
belonging and recognition experienced within their communities of origin and the feelings of
invisibility and exclusion frequently encountered in academic settings. Nevertheless,
Indigenous peoples access to higher education represents a strategic step toward increasing
Indigenous representation in spaces where political and institutional power is exercised, such
as the judiciary, academia, and government institutions, enabling them to advocate for
autonomy and culturally grounded practices (Amado, 2020; Ribeiro et al., 2024; Silva, 2023).
In this sense, affirmative action policies in higher education constitute an important
historical milestone by encouraging Indigenous peoples to occupy spaces within science as
authors of knowledge and protagonists of their own histories, thereby strengthening their
struggles for education, land rights, and health care (Molina & Ribeiro, 2024). At the same
time, the persistent sense of exclusion within academic environments reveals the psychosocial
barriers Indigenous students continue to face. They must constantly remain engaged in
university life while navigating institutional environments that too often fail to recognize or
value their identities and lived experiences.
FINAL CONSIDERATIONS
This study highlighted the complexity and significance of Indigenous students
presence and participation in higher education, demonstrating the urgent need for practices
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that promote academic equity. Such practices include differentiated access to student support
services (scholarships, student housing, university dining facilities, and other assistance
programs), social support (facilitating the integration of newly admitted Indigenous students
into both university life and the city of Manaus), and the removal of psychosocial barriers
through intercultural integration (preparing faculty members and students to welcome
Indigenous students while respecting their customs, languages, and knowledge systems).
Important advances have already been achieved through policies aimed at expanding access to
and supporting Indigenous students, including the Bolsa Permanência program, affirmative
action quotas for Indigenous peoples, and university initiatives that promote and value
Indigenous cultures.
Nevertheless, the findings demonstrate that substantial challenges remain in ensuring
equitable, high-quality higher education. Indigenous students experiences at university
continue to be shaped by profound structural and social inequalities rooted in anti-Indigenous
racism. The Western and Eurocentric logic that underpins Brazilian universities continues to
reinforce the marginalization of Indigenous cultures and knowledge systems.
Indigenous students at the Federal University of Amazonas face challenges that begin
with the denial of their right to a differentiated basic education guaranteed by the Brazilian
State, resulting in educational delays and forced migration in search of better educational
opportunities. Upon entering higher education, these challenges persist through difficulties in
adapting to urban life and the university environment, bureaucratic barriers to accessing
student rights and support services, and the continued influence of the dominant Western
logic that characterizes Brazilian higher education institutions.
The transition to university and adaptation to urban life reveal a multifaceted reality in
which financial obstacles and the lack of culturally appropriate support intensify feelings of
exclusion, shame, and social humiliation. These factors not only hinder students adaptation
but also compromise their ability to engage fully in academic and social life. At the same
time, the findings underscore the importance of the coping strategies developed by Indigenous
students to overcome these adversities. Family support, financial assistance, and the
strengthening of both self-esteem and community recognition emerged as crucial factors for
students persistence and academic success.
Although these strategies are fundamental to students persistence in higher education,
the responsibility for adaptationwhich should also be shared by universitiesis often
placed solely on Indigenous students, detached from the broader historical and cultural
Access and permanence of indigenous students at Amazonas federal university: anti-indigenous racism in question
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processes that shape Brazilian society. Universities must therefore promote interculturality at
every institutional level, including bureaucratic procedures governing access to higher
education, the preparation of faculty, administrative staff, and outsourced personnel to engage
respectfully with Indigenous students, the inclusion of Indigenous knowledge systems within
the curriculum, and the promotion of anti-racist initiatives across the university community.
Finally, one limitation of this study is that the participants were predominantly
Indigenous women. Future research should therefore further explore the intersections between
gender and anti-Indigenous racism throughout Indigenous students educational trajectories.
Such studies may provide a more comprehensive understanding of how discrimination and
exclusion are intensified by intersecting social identities.
At the same time, increasing numbers of Indigenous people are completing
postgraduate education and assuming academic and university leadership positions. Future
research should therefore investigate the psychosocial impacts of Indigenous faculty members
joining universities as permanent academic staff. How do their non-Indigenous colleagues
respond to this growing presence? What transformations does it bring about in university
structures, both in administrative organization and in curriculum development? Furthermore,
Brazil has recently witnessed initiatives aimed at establishing Indigenous higher education
institutions, such as the Federal Indigenous University (UNIND), created in 2026. What new
possibilities might this institution open, and what psychosocial impacts could it have on
Brazilian society?
Marcelo Calegare, Débora Evely Ramos de Oliveira & Thais de Negreiros Sales
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A c c ess a n d p er m a n e n c e of i n di g e n o us st u d e nts at A m az o n as f e d er al u ni v ersit y: a nti -i n di g e n o us r a cis m i n q u esti o n
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. 0 0 , e 0 2 6 0 1 1 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i 0 0. 2 0 2 7 6 2 0
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : T h e a ut h ors a c k n o wl e d g e t h e s u p p ort of t h e A m a z o n as St at e
R es e ar c h S u p p ort F o u n d ati o n ( F A P E A M), t h e C o or di n ati o n f or t h e I m pr o v e m e nt of
Hi g h er E d u c ati o n P ers o n n el ( C A P E S), t h e F e d er al U ni v ersit y of A m a z o n as ( U F A M), a n d
t h e P R O C A D-A m a z ô ni a Pr o gr a m ( C all N o. 2 1/ 2 0 1 8).
F u n di n g : T his st u d y w as s u p p ort e d b y t h e A m a z o n as St ate R es e ar c h S u p p ort F o u n d ati o n
( F A P E A M), t h e C o or di n ati o n f or t h e I m pr o v e m e nt of Hi g h er E d u c ati o n P ers o n n el
( C A P E S), t h e F e d er al U ni v ersit y of A m a z o n as ( U F A M), a n d t h e P R O C A D-A m a z ô ni a
Pr o gr a m ( C all N o. 2 1/ 2 0 1 8).
C o nfli ct of I nt e r est : T h e a ut h ors d e cl ar e t h at t h e y h a v e n o c o nfli cts of i nt er est.
Et hi cs A p p r o v al : T his st u d y w as a p pr o v e d b y t h e R es e ar c h Et hi cs C o m mitt e e of t h e
F e d er al U ni v ersit y of A m a z o n as ( U F A M) u n d er A p pr o v al N o. 4, 0 8 2, 8 4 0.
D at a a n d M at e ri al A v ail a bilit y : T h e d at a a n d m aterials ar e n ot p u bli cl y a v ail a bl e .
A ut h o r C o nt ri b uti o ns : A ut h or 1: C o n c e pt u ali z ati o n (st u d y c o n c e pti o n, d efi niti o n of
r es e ar c h q u esti o ns a n d o bj e cti v es); D at a A n al ysis (i nt er pr et ati o n of fi n di n gs b as e d o n
est a blis h e d t h e or eti c al fr a m e w or ks); M et h o d ol o g y (st u d y d esi g n); Pr oj e ct A d mi nistr ati o n
( pr oj e ct s u p er visi o n a n d c o or di n ati o n); Writi n g Ori gi n al Dr aft; Writi n g R e vi e w &
E diti n g ( critic al r e visi o n a n d a p pr o v al of t h e fi n al m a n us cri pt). A ut h or 2:
C o n c e pt u ali z ati o n (st u d y c o n c e pti o n, d efi niti o n of r es e ar c h q u esti o ns a n d o bje cti v es);
D at a A n al ysis (i nt er pr et ati o n of fi n di n gs b as e d o n est a blis h e d t h e or eti c al fr a m e w or ks);
M et h o d ol o g y (st u d y d esi g n); Writi n g Ori gi n al Dr aft; Writi n g R e vie w & E diti n g
( critic al r e visi o n a n d a p pr o v al of t h e fi n al m a n us cri pt). A ut h or 3: D at a A n al ysis
(i nt er pr etati o n of fi n di n gs b as e d o n est a blis h e d t h e or eti c al fr a m e w or ks); Writi n g
Ori gi n al Dr aft; Writi n g R e vi e w & E diti n g ( criti c al r e visi o n a n d a p pr o v al of t h e fi n al
m a n us cri pt).
P r o c essi n g a n d e diti n g : E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g, f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n a n d tr a nsl ati o n