Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 1
PRÁTICAS MEDITATIVAS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR: PERCEPÇÕES SOBRE
APRENDIZADOS E AFETOS EM ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL
PRÁCTICAS MEDITATIVAS EN LA EDUCACIÓN ESCOLAR: PERCEPCIONES
SOBRE EL APRENDIZAJE Y SENTIMIENTOS EN ESTUDIANTES DE PRIMARIA
MEDITATIVE PRACTICES IN SCHOOL: PERCEPTIONS ABOUT LEARNING AND
FEELINGS IN ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS
Maria de Lourdes SPAZZIANI
1
e-mail: maria.[email protected]r
Eliane Aparecida Toledo PINTO
2
e-mail: elianeto[email protected]
Nijima Novello RUMENOS
3
e-mail: nijima.n[email protected]
Carla GHELER-COSTA
4
e-mail: cgh[email protected]
Giuliano Citrini STIPKOVIC
5
e-mail: giulian[email protected]amerp.br
Juliana Irani Fratucci DE GOBBI
6
e-mail: juliana.[email protected]
João Lucas Piubeli DORO
7
e-mail: joao[email protected]
1
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Educação
(UNICAMP). Professora Associada do Departamento Ciências Humanas e Ciências da Nutrição e Alimentação.
2
Centro Universitário Sagrado Coração (UNISAGRADO), Bauru São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Educação
para a Ciência (UNESP). Professora Auxiliar da Área de Exatas, Humanas e Sociais.
3
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Educação para a
Ciência (UNESP). Professora Associada do Departamento Ciências Humanas e Ciências da Nutrição e
Alimentação.
4
Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) São Paulo (SP) Brasil.
Doutora em Ecologia Aplicada (USP). Coordenadora de Sistemas Agroalimentares Diretoria de Natureza e
Sociedade.
5
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), São José do Rio Preto São Paulo (SP) Brasil.
Mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica (FAMERP).
6
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Fisiologia (UNESP).
Professora Assistente do Departamento de Fisiologia.
7
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru São Paulo (SP) Brasil. Doutorando em Educação (UNESP).
Práticas meditativas na educação escolar: percepções sobre aprendizados e afetos em estudantes do Ensino Fundamental
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 2
Como referenciar este artigo:
Spazziani, M. L, Pinto, E. A. T., Rumenos, N. N., Gheler-
Costa, C., Stipkovic, G. C., De Gobbi, J. I. F., & Doro, J. L.
P. (2026). Práticas meditativas na educação escolar:
percepções sobre aprendizados e afetos em estudantes do
Ensino Fundamental. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27,
e026002. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20412
| Submetido em: 10/07/2025
| Revisões requeridas em: 13/12/2025
| Aprovado em: 01/03/2026
| Publicado em: 27/03/2026
Editor:
Editor Adjunto Executivo:
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI, & João Lucas Piubeli DORO
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 3
RESUMO: O artigo analisa os efeitos das práticas meditativas em estudantes do Ensino
Fundamental I, com foco nos aspectos emocionais, comportamentais e cognitivos. A pesquisa
foi realizada em três escolas públicas de São Paulo com 1.083 alunos e 48 professoras,
utilizando questionários, entrevistas e escalas com emojis. Os resultados indicam aumento nos
sentimentos de paz, amor e sono, e redução de raiva, tristeza, curiosidade e alegria (associada
à agitação). As professoras relataram melhorias no raciocínio, atenção e socialização dos
estudantes. As práticas meditativas contribuíram para a concentração, o equilíbrio emocional e
o bem-estar dos alunos, sendo vistas como ferramentas eficazes para a formação integral. O
estudo destaca a importância de integrar a saúde emocional ao currículo escolar, especialmente
após a pandemia, promovendo ambientes de aprendizagem mais afetivos e acolhedores.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde emocional. Aprendizagem. Afetividade. Educação básica.
RESUMEN: El artículo analiza los efectos de las prácticas meditativas en estudiantes de la
Educación Primaria (Primer Ciclo), con énfasis en los aspectos emocionales, conductuales y
cognitivos. La investigación se llevó a cabo en tres escuelas públicas del estado de São Paulo,
con la participación de 1.083 alumnos y 48 profesoras, utilizando cuestionarios, entrevistas y
escalas con emojis. Los resultados indican un aumento en los sentimientos de paz, amor y
sueño, y una disminución de la ira, tristeza, curiosidad y alegría (asociada a la agitación). Las
profesoras informaron mejoras en el razonamiento, la atención y la socialización de los
estudiantes. Las prácticas meditativas contribuyeron a la concentración, el equilibrio
emocional y el bienestar de los alumnos, siendo consideradas herramientas eficaces para una
formación integral. El estudio resalta la importancia de integrar la salud emocional en el
currículo escolar, especialmente después de la pandemia, promoviendo entornos de
aprendizaje más afectivos y acogedores.
PALABRAS CLAVE: Salud emocional. Aprendizaje. Afectividad. Educación básica.
ABSTRACT: The article analyzes the effects of meditative practices on Elementary School
students, focusing on emotional, behavioral, and cognitive aspects. The research was
conducted in three public schools in the state of São Paulo, involving 1,083 students and 48
teachers, using questionnaires, interviews, and emoji-based scales. The results indicate an
increase in feelings of peace, love, and sleepiness, and a decrease in anger, sadness, curiosity,
and joy (associated with agitation). The teachers reported improvements in students' reasoning,
attention, and socialization. Meditative practices contributed to students’ concentration,
emotional balance, and well-being, being seen as effective tools for comprehensive education.
The study highlights the importance of integrating emotional health into the school curriculum,
especially in the post-pandemic context, fostering more affective and welcoming learning
environments.
KEYWORDS: Emotional health. Learning. Affectivity. Basic education.
Práticas meditativas na educação escolar: percepções sobre aprendizados e afetos em estudantes do Ensino Fundamental
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 4
Introdução
A discussão e inclusão de práticas da educação em saúde emocional no contexto da
educação básica, em especial na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental,
têm sido crescentes nas últimas décadas (Rumenos et al., 2023; Spazziani et al., 2024) e
acentuadas pós-pandemia da covid-19 quando do retorno das escolas às atividades presenciais
em 2022.
A Organização Mundial da Saúde tem incentivado atividades de promoção da saúde
mental nas escolas, estando entre suas estratégias a promoção da saúde mental entre crianças e
jovens por meio da implementação de programas nas escolas, focados na aprendizagem social
e afetiva (WHO, 2024). Na atualidade, estressores biológicos e psicológicos têm afetado
negativamente parte dos escolares, sendo que muitos deles têm demonstrado comportamentos
e queixas relacionadas à ansiedade, bem como problemas comportamentais e emocionais que
se refletem na saúde física. Atividades escolares que incorporam práticas relacionadas à
meditação têm demonstrado melhorar significativamente o comportamento e o gerenciamento
de estresse em crianças dos primeiros anos do ensino fundamental (Bothe et al., 2014).
Zenner et al. (2014), em um estudo em meta análise sobre práticas de meditação em
atenção plena em escolares, mostraram melhor desempenho cognitivo e resiliência ao estresse
nos alunos praticantes de práticas meditativas no contexto escolar. No Reino Unido, crianças
de 7 a 9 anos foram submetidas a um programa de oito semanas em treinamento para meditação
em atenção plena, resultando em melhoria dos estados de humor, bem como o controle
emocional e habilidades executivas como planejamento e organização (Vickery & Dorjee,
2016). A partir de 2010, a meditação em atenção plena passou a fazer parte do currículo escolar
das crianças inglesas, por uma iniciativa do parlamento inglês para incentivar e divulgar a
prática (The Mindfulness Initiative, 2024).
Na Coreia, o estudo publicado por Kim et al. (2024) apresenta evidências de aumento
de competências socioemocionais e bem-estar dos estudantes a partir de um programa de
mindfulness aplicado em escolas daquele país, após a pandemia da covid-19. Resultado
semelhante é divulgado por Milarè et al. (2025), num estudo realizado em escolas brasileiras
com estudantes entre 8 e 9 anos que passaram por treinamento em mindfulness, resultando em
autorregulação e desenvolvimento em habilidades socioemocionais.
Souza et al. (2020) destacam que, de fato, apesar da forte relação com determinadas
práticas entendidas como religiosas, o ato de meditar promove o “controle de si mesmo,
reconhecendo-se no mundo, permitindo se conhecer e se perceber na complexidade da vida”
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI & João Lucas Piubeli DORO
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, ELOCATION, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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(p. 678), que pode ocorrer nas mais diversas situações do nosso cotidiano, como dançar, ler um
livro, contemplar uma imagem, entre outras, exigindo um estado de profunda concentração e
atenção.
Segundo Sarroeira et al. (2022), os métodos relacionados a práticas de meditação
incluem diferentes abordagens e técnicas, entretanto sempre se sustentam com foco no corpo,
na respiração e seu relaxamento, independentemente da abordagem utilizada, sendo
empiricamente recomendados para aliviar a ansiedade, o sofrimento, o estresse e a depressão.
Estas práticas têm sido historicamente utilizadas em uma perspectiva terapêutica, iniciando-se
a prática em adultos e, posteriormente, estendendo-se às crianças.
Fleer e Hammer (2013), o desenvolvimento das habilidades emocionais, no âmbito
educacional, é um aspecto que contribui para o aprendizado e para a socialização. É um
processo em que a tomada de consciência das emoções e a sua expressão em sentimentos e
atitudes se nas relações sociais, que, ao serem permeadas pela linguagem verbal, são
conceituadas (significadas).
Estes aspectos relacionados à afetividade, segundo Wallon (2007) e Damásio (2012),
compreendem fenômenos articulados, mas de natureza distintas: a emoção trata-se de uma
resposta imediata e intensa a um estímulo, com alterações fisiológicas e expressão corporal; o
sentimento é a reflexão sobre a experiência subjetiva de um estado interno, uma representação
do corpo consciente, portanto é mais cognitivo, pois envolve a capacidade de identificar e
expressar o que se sente. a atitude é definida como um estado de espírito que inclina uma
pessoa a reagir de determinada forma a objetos, situações ou pessoas (Lines, 2005).
Vygotsky (2001) corrobora esta visão ao compreender que os sentimentos, emoções e
atitudes não são processos isolados ou puramente biológicos. Eles fazem parte do
desenvolvimento histórico-cultural da consciência, sempre articulados ao pensamento, à
linguagem e às relações sociais. As emoções podem ser mais imediatas e reativas, os
sentimentos envolvem maior elaboração simbólica e as atitudes requerem uma organização
consciente da conduta, sendo resultante da internalização das relações sociais.
Portanto,
o desenvolvimento humano consiste em um processo dinâmico e dialético de co-construção de
sentidos e significados no bojo de uma dada cultura, e concebem os afetos como campos
semióticos hierarquicamente organizados. (Wortmeyer et al., 2014, p. 293)
Práticas meditativas na educação escolar: percepções sobre aprendizados e afetos em estudantes do Ensino Fundamental
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Focalizar os aspectos que envolvem a afetividade intrinsecamente articulados aos
objetivos dos aprendizados intelectuais, comportamentais e atitudinais nos parece de
fundamental importância para empreender a missão da formação integral das crianças e jovens
escolares. Assim, estudos sobre intervenções de práticas de meditação aplicadas às crianças,
especialmente do ensino fundamental no país, merecem atenção, auxiliando a esclarecer seus
possíveis benefícios.
A pesquisa aqui desenvolvida foi realizada junto a três escolas que participavam de um
projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que
teve início em meados de 2019
8
. O impacto da pandemia da covid-19 nos anos 2020 e 2021
reorientou parte das atividades do referido projeto, no início do ano letivo de 2022. No retorno
presencial, houve a constatação, por parte das educadoras e educadores, da ampliação dos
problemas relacionados às atitudes socioemocionais da população infanto-juvenil, como:
desânimo, stress, tristeza, desinteresse e agitação muito além do apresentado em anos
anteriores. As atitudes e os comportamentos dos estudantes, como déficit na atenção e na
concentração em atividades da rotina escolar, assim como nos conhecimentos e aprendizados,
já alcançados antes do afastamento de atividades presenciais, tornou-se o grande desafio.
Em resposta a este quadro, as coordenações das três escolas solicitaram à equipe de
pesquisadores da universidade um programa específico de formação de docentes para
desenvolvimento de práticas meditativas para serem aplicadas aos estudantes. Importante
ressaltar que estas escolas participavam de um Programa de Formação em Educação
Ambiental Sintrópica, em que a Educação em Saúde Emocional é um dos eixos. Desta forma,
este trabalho se propôs analisar as manifestações dos sentimentos e das atitudes dos estudantes
no contexto das práticas meditativas, bem como a percepção das professoras sobre os efeitos
destas práticas nos aprendizados.
Metodologia
A pesquisa combinou métodos qualitativos e quantitativos para fortalecer suas
conclusões com dados de natureza textual-narrativa e dados de frequência/proporção, que
permitem uma abordagem de análise estatística (Souza & Kerbauy, 2017). Como explica Santos
Filho (1995), esses dois tipos de abordagens se complementam, especialmente em estudos
8
Projeto 2019/05701-3, do programa Melhoria da Escola Pública. Título: “Educação ambiental sintrópica em
escolas públicas do interior de São Paulo: uma proposta de pesquisa-ação e estímulo ao voluntariado por meio das
temáticas da educação em saúde, da segurança alimentar e nutricional e da ciência-cidadã”.
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI & João Lucas Piubeli DORO
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sociais onde os dados são complexos. Usar os dois métodos juntos permite uma análise mais
rica e detalhada. Bauer et al. (2008) mostram que a parte qualitativa ajuda a entender melhor os
fenômenos estudados, enquanto a quantitativa apresenta uma análise de tendências e padrões
com base em metodologias específicas, fazendo inferências sobre a situação pesquisada.
Como instrumentos de coleta de dados, foram aplicados questionários para todos os
professores e estudantes das três escolas municipais do interior do estado de São Paulo, bem
como entrevistas orais com os docentes em reuniões coletivas. Importante destacar que o
projeto foi submetido ao Comitê de Ética na Plataforma Brasil/Saúde CAAE
33143320.0.0000.5411.
Durante o ano de 2023, participaram 48 professoras que responderam ao primeiro
questionário e 1.083 estudantes do Ensino Fundamental I (1º ao ano). As professoras das
escolas envolvidas receberam formação sobre práticas meditativas durante quatro semanas no
primeiro semestre de 2023, totalizando 20 horas em cada uma das escolas, aplicada por
pesquisadores da universidade que atuam com temas vinculados a fundamentos e práticas
meditativas.
Os instrumentos de coleta de dados constituíram-se em: 1) aplicação de escala descritiva
e faces de emojis aos estudantes, após dois meses de participação nas práticas meditativas; 2)
aplicação de questionário às professoras ao final do 2
o
semestre de 2023; 3) reuniões com as
professoras em que se obteve relatos orais sobre suas percepções sobre os aprendizados dos
estudantes.
O instrumento dos estudantes foi estruturado a partir de oito emojis amplamente
conhecidos e culturalmente difundidos, conforme destaca Vygotsky (2001) ao apontar que os
signos culturais exercem função mediadora no desenvolvimento psicológico quando estão
integrados ao repertório social do indivíduo. As categorias emocionais selecionadas foram:
alegria, tristeza, medo, amor, curiosidade, raiva, paz e sono. Diferentemente de escalas
graduadas, trata-se de uma escala nominal categorial, cujo objetivo é identificar o estado
emocional predominante ou a atitude percebida pela criança em determinado contexto. Os
emojis e sua descrição nominal foram validados pela orientação padronizada, que apresentou
cada emoji e sua definição escrita simples e adequada ao grupo. A seguir, foram apresentada as
questões de múltipla escolha, nas quais os alunos indicavam a palavra e respectivo emoji que
expressava afeto compatível ao que sentiam antes, durante e após as práticas meditativas
realizadas na escola.
Práticas meditativas na educação escolar: percepções sobre aprendizados e afetos em estudantes do Ensino Fundamental
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Foi adotada a análise para um grupo único (Ensino Fundamental I) mediante o resultado
do coeficiente de contingência (0,271) e V de Cramér (0,141), que indicaram porcentagens
semelhantes na distribuição dos sentimentos ou atitudes nos diferentes anos escolares. Os dados
da escala descritiva e faces de emojis foram tabulados em planilhas de Excel e receberam
tratamento estatístico no software open source Jamovi (v. 2.6.13). Foi feito o teste qui-quadrado
para frequências paramétricas e o teste exato de Fisher para as não paramétricas, comparando
a frequência pré-meditação e pós-meditação em atitudes e sentimentos. O teste qui-quadrado
avalia se há uma associação estatisticamente significativa entre variáveis qualitativas.
O questionário e a entrevista junto às professoras foram orientados por quatro questões
abertas para avaliar as percepções sobre os efeitos das práticas meditativas nos conhecimentos,
atitudes e comportamentos. Estes dados foram submetidos a análise qualitativa, que envolveu
a interpretação de respostas, buscando entender a fundo o significado e a complexidade dos
dados coletados, explorando a riqueza das experiências e opiniões dos participantes (Minayo,
2012).
Resultados e discussões
As escolas participantes localizam-se em uma cidade do interior de São Paulo, com
aproximadamente 37 mil habitantes (IBGE, 2022), localizada no centro-oeste paulista. O Índice
de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,74 é considerado alto, e o município
possui Política Municipal de Saneamento Básico (IBGE, 2017). O município possui dez escolas
municipais que atendem Educação Infantil e Ensino Fundamental I, sendo três selecionadas por
já fazerem parte da pesquisa iniciada em 2019, conforme destacado anteriormente.
Estas três escolas atendem alunos do ao ano do Ensino Fundamental I, nos períodos
matutino e vespertino, sendo que duas se localizam em uma região central da cidade e outra em
uma região mais periférica.
Em relação aos participantes na pesquisa, a Tabela 1 apresenta um panorama sobre o
número de estudantes por série e docentes em cada uma das escolas onde as intervenções
ocorreram, perfazendo um total de 1.083 alunos dos cinco anos do Ensino Fundamental I.
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI & João Lucas Piubeli DORO
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Tabela 1
Distribuição dos participantes da pesquisa
ESCOLA
ANO/SÉRIE
DOCENTES
ESTUDANTES
1
Total
3
3
3
3
3
15
76
65
83
75
66
365
2
Total
3
3
3
3
3
15
62
74
67
77
58
338
3
Total
4
4
3
4
3
18
73
70
73
84
80
380
Total geral
48
1083
Nota. Elaboração própria.
Observa-se que há certo equilíbrio entre a quantidade de estudantes e docentes entre as
três escolas, assim como sua distribuição entre os anos escolares. Isto contribui para definir as
análises estatísticas dos dados obtidos junto aos estudantes, que foram normalizadas e tratadas
como um grupo único (Ensino Fundamental I) representando cada escola.
Importante ressaltar que todas as turmas do Ensino Fundamental I participaram das
práticas meditativas, uma vez que as três escolas assumiram este procedimento no cotidiano de
suas atividades. A Escola 1 oficializou junto à comunidade escolar um programa intitulado
“Práticas de Relaxamento”, que foi apresentado aos responsáveis dos estudantes. Em conversa
com as equipes de educadores das três escolas, foi relatado que a prática meditativa era realizada
quase sempre após o intervalo, momento em que as crianças estavam mais agitadas, auxiliando,
assim, na disciplina dos estudantes para o trabalho pedagógico.
Manifestação das afetividades dos estudantes na realização das práticas meditativas
Em relação aos afetos promovidos pela participação nas práticas meditativas, a Tabela
2 apresenta a frequência de escolha para cada sentimento ou atitude expostos na escala de
emojis descritiva antes e após as práticas aplicadas pelas professoras dentro da sala de aula,
Práticas meditativas na educação escolar: percepções sobre aprendizados e afetos em estudantes do Ensino Fundamental
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sendo os dados tratados como grupo único, conforme definido anteriormente pelo teste V de
Cramér e Coeficiente de Contingência, que evidenciaram fraca relação da contingência série-
afetos.
Tabela 2
Afetos expressos pelos estudantes no decorrer das práticas meditativas
VARIÁVEL
DOS AFETOS
PRÉ
PÓS
DIFERENÇA (%)
P-VALOR*
TESTE DE
NORMALIDADE**
Alegria
473
314
↓ 33,6%
< 0,0001
Não paramétrica
(25,6 / < 0,0001)
Amor
151
203
↑ 34,4%
0,020
Não paramétrica
(4,8 / 0,030)
Curiosidade
140
63
↓ 55,0%
< 0,0001
Paramétrica
(26,7 / < 0,0001)
Medo
23
15
↓ 34,8%
0,2404
Não paramétrica
(1,5 / 0,220)
Paz
382
554
↑ 45,0%
< 0,0001
Não paramétrica
(44,0 / < 0,0001)
Raiva
101
47
↓ 53,5%
< 0,0001
Não paramétrica
(18,2 / < 0,0001)
Sono
276
399
↑ 44,6%
< 0,0001
Não paramétrica
(20,0 / < 0,0001)
Tristeza
75
42
↓ 44,0%
0,010
Não paramétrica
(8,0 / 0,005)
Nota. Adaptado do software open source Jamovi (v. 2.6.13). *Foi adotado como valor de referência p < 0,05. Um
p-valor maior significa que a diferença observada, probabilisticamente, pode ser mais bem explicada ao acaso;
**Teste do qui-quadrado para frequências paramétricas e teste exato de Fisher para os não paramétricos.
Elaboração própria.
Constata-se que as práticas da meditação sugerem aumento no sentimento do amor (p =
0,020) com diminuição para raiva (p = < 0,0001), tristeza (p = 0,010) e alegria (p = < 0,0001).
A autopercepção relatada de atitude de paz (p = < 0,0001) e o comportamento de sono (p = <
0,0001) resultaram também em um aumento com as práticas meditativas. Já a curiosidade (p =
< 0,0001) diminuiu a frequência. A autopercepção do medo não foi alterada entre os momentos
pré e pós-prática (p = 0,240), talvez porque dentro da escola, nesse intervalo de tempo, as
crianças interpretem que estejam seguras, sem uma ameaça que identifiquem entre os
momentos, indicando que a meditação no contexto escolar pode não fazer efeito nesse
sentimento considerado como uma das emoções básicas (Spinoza, 2009).
Quatro afetos evidenciaram diminuição nos escores entre o antes e o depois das práticas
meditativas (alegria, curiosidade, raiva e tristeza); três mostraram aumento (amor, paz e sono)
e um não evidenciou alteração entre antes e depois (medo). É importante compreendermos que,
nestas alterações nos escores dos afetos nos números absolutos das respostas para cada item, os
mais indicados pelos 1.083 estudantes no decorrer das práticas foram alegria, paz, sono e amor.
Estes três últimos atingiram aumento significativo no decorrer das práticas meditativas e
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI & João Lucas Piubeli DORO
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corroboram a expectativa da contribuição da meditação para promover sentimentos e atitudes
de bem-estar (Vieira et al., 2022).
O aumento na sensação de paz sugere que as intervenções meditativas foram eficazes
em promover sentimentos de tranquilidade e calma entre os participantes. Isso reflete a
capacidade das práticas meditativas de reduzir o estresse e induzir um estado de serenidade
(Vieira et al., 2022), situação que pode desacelerar o metabolismo e diminuir a atividade
sensorial, estados que antecedem o sono. a ampliação da percepção do sentimento do amor
evidenciado também nas respostas dos estudantes parece indicar e corroborar a ideia de que os
afetos positivos, ou seja, aqueles que aumentam a potência de ação, no sentido spinoziano,
requerem mente calma e coração tranquilo para que o “amor seja percebido e expressivo de
estados de maior perfeição ou realidade” (Spinoza, 2009, p.104).
Em contraposição, a frequência de alegria diminuiu significativamente após as
intervenções meditativas. Esta diminuição no item alegria pode indicar que houve relaxamento,
e as sensações de excitação promovidas pelas interações mais livres entre os pares, comuns nos
intervalos do recreio, foram reduzidas no decorrer da intervenção meditativa. É possível que os
participantes tenham experimentado um estado mais calmo e mais estático, significando, desta
forma, menor agitação, o que pode ser interpretado pelas crianças no Ensino Fundamental como
diminuição da alegria. Esta compreensão do estar alegre como estado de interações mais
calorosas e corporais é indicada pelos docentes nas conversas realizadas nas reuniões. Eles
justificaram que, nesta faixa etária, é muito comum o estado de alegria ser indicado quando em
situação de excitação e de brincadeiras entre os colegas.
Os afetos que produzem bem-estar são considerados ativos porque encorajam o aumento
da potência nas ações no decorrer da experiência humana (Leal, 2022). Esta situação também
potencializa o desenvolvimento das funções psicológicas básicas e aquelas construídas no
contexto da imersão na cultura (funções psicológicas superiores), como a cognição, a
imaginação, a linguagem, o pensamento verbal, entre outras, conforme descreve Vygotsky
(2001).
Entretanto, este pressuposto não tem sido considerado no campo científico, conforme
aponta Damásio (2012), e, quando muito, o campo das emoções e afetos tem sido encarado
como totalmente independente da razão, que tem sido um fator privilegiado na maioria das
disciplinas e áreas das ciências, inclusive aquelas dedicadas ao estudo das humanidades, como
o campo da educação. A emoção tem sido considerada uma resposta a uma determinada
situação que, em geral, interliga o corpo (funções fisiológicas e/ou psicológicas), a razão
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(pensamento) e atividade motora ou nervosa, com importante reflexo na nossa qualidade de
vida.
Segundo Goleman (2012): “Cada emoção representa uma diferente predisposição para
a ação. Cada uma delas aponta-nos numa direção que em outras ocasiões resultou bem para
enfrentar o mesmo tipo de problema” (p. 26). Garantir o sucesso da prática pedagógica e o gosto
pela aprendizagem por parte da criança requer que a relação existente entre educador e criança
deve ser construída tendo por base a afetividade e a promoção da autoestima, uma vez que o
desenvolvimento da formação intelectual e social baseia-se na organização do ambiente
educativo, construído como um ambiente relacional e tranquilizador, em que a criança é
valorizada e escutada, o que contribui para o seu bem-estar e autoestima, sendo que as emoções
detêm particular destaque.
Percepções das professoras sobre os efeitos das práticas meditativas nos aprendizados
A Tabela 3 apresenta os resultados do questionário aplicado às professoras, que indicam
suas percepções sobre aspectos relacionados aos aprendizados de conhecimentos, do
comportamento e de atitudes como efeitos das práticas meditativas.
Tabela 3
Percepções das professoras em relação aos aprendizados dos estudantes
1. CONHECIMENTOS
CONTAGENS
% TOTAL
% ACUMULADA
Melhorou o raciocínio, o
aprendizado e a leitura
32
66,67%
66,67%
Não
04
8,33%
75,0%
Outras respostas
12
25,0%
100%
2.
COMPORTAMENTO
CONTAGENS
% TOTAL
% ACUMULADA
Sim, melhorou a atenção
27
56,25%
56,25%
Sim, alguns alunos
07
14,58%
70,83%
Não
06
12,50%
83,33%
Sim, mas por pouco
tempo
04
8,33%
91,66%
Em desenvolvimento
03
6,25%
97,91%
Outras respostas
01
2,08%
100,00%
3. ATITUDE
CONTAGENS
% TOTAL
% ACUMULADA
Sim, mais sociáveis e
prestativos
32
66,67%
66,67%
Em desenvolvimento
07
14,58%
81,25%
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI & João Lucas Piubeli DORO
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Não foi significativo
03
6,25%
87,50%
Não
03
6,25%
93,75%
Outras respostas
03
6,25%
100,00%
4. OBSERVAÇÕES
CONTAGENS
% TOTAL
% ACUMULADA
Contribuiu com os
estudantes
19
39,58%
39,58%
Docentes não
responderam
15
29,25%
70,83%
Estudantes gostaram
06
12,50%
83,23%
Dar continuidade na
prática meditativa
05
10,42%
93,65%
Orientar os pais sobre a
prática meditativa
02
4,17%
97,92%
Tecnologia usada em
casa atrapalha
01
2,08%
100,00%
Nota. Elaboração própria.
Em relação aos conhecimentos priorizados na etapa do Ensino Fundamental I, que
envolve, em especial, a aquisição da língua materna e do raciocínio lógico matemático, quase
70% das professoras indicaram que as práticas contribuíram para estes aprendizados, como
também para a concentração na realização das tarefas. Além disso, relataram que os alunos
ficaram mais calmos e tolerantes, além de demonstrar interesse na meditação, apresentando
maior disposição e receptividade em desenvolvê-la.
Sobre o comportamento que envolve, segundo Zabala (2014), habilidades tanto motoras
(cortar, desenhar) quanto cognitivas (observar, atender), mais da metade das professoras
indicaram melhora na atenção das crianças às atividades propostas, seja em sala de aula ou fora
dela.
Em relação às atitudes, as professoras constataram melhora na socialização entre os
alunos, e quase 70% responderam que os alunos se tornaram mais sociáveis e prestativos.
Os docentes nas mediações pedagógicas com os estudantes oportunizaram momentos
que visam desenvolver e aprimorar atitudes e aprendizagens por meio de um conhecimento a
ser discutido. Assim, um tema e/ou uma habilidade a ser desenvolvida em sala de aula requer
não somente a exposição de um conceito/conhecimentos, mas a capacidade para mobilizar a
atenção e o interesse dos estudantes que resultem em reflexões-ações (atitudes) e nas suas
relações aos demais conhecimentos adquiridos (Spazziani et al., 2022).
Para que as mediações pedagógicas sejam exitosas e resultem em atitudes esperadas
pelos docentes por parte dos estudantes, é necessário não apenas se apropriar do assunto e do
conceito/conhecimento, mas, além disso, compreender como esses afetarão seus estudantes.
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Para isso, os docentes podem se apropriar mais dos conhecimentos a respeito de afetividade na
educação e colocá-los em prática no cotidiano escolar (Leite, 2012).
Considerando que toda produção do conhecimento é um processo que ocorre a partir da
relação que se estabelece entre o sujeito (estudante), o objeto (assunto) e o mediador (docente),
podemos dizer que as relações são marcadamente afetivas. Posto isto, as relações podem ser
positivas (estimulam a curiosidade) ou negativas (estimulam o desinteresse) à medida que o
sujeito se relaciona com o objeto e pelo modo como o mediador realiza a mediação pedagógica.
Por isso, as mediações pedagógicas devem ser cuidadosamente estudadas pensando nos
impactos das relações que serão estabelecidas, pois é entendido que, a depender de como o
sujeito é afetado pelo mediador que aborda o objeto de diferentes formas, podem surgir
diferentes atitudes em contraste, como o amor ou ódio do próprio assunto e até mesmo do
mediador (Leite, 2012).
Segundo Leite e Tagliaferro (2005), a professora ou professor, ao proporcionar uma
ótima e produtiva relação entre o sujeito-objeto-mediador, envolve e promove situações de
bem-estar por meio dos afetos ativos dos alunos, contribuindo para os diferentes aprendizados
desejados para a formação integral das crianças e jovens.
Considerações finais
As intervenções meditativas tiveram impactos distintos nos diversos afetos
investigados. Esses resultados sugerem que, embora estas práticas possam reduzir sentimentos
de excitação e euforia (alegria), elas são altamente eficazes em promover um estado de calma
e serenidade (paz). As diferenças observadas nas frequências e a significância estatística dos
resultados destacam a importância das técnicas de meditação na modulação do estado
emocional, especificamente em aumentar a paz interior e reduzir a euforia e ampliar a expressão
do sentimento de amor.
As práticas meditativas contribuíram na concentração, no raciocínio e nos
conhecimentos dos estudantes relacionados à leitura e à prontidão para a realização das tarefas,
bem como os deixaram calmos e tranquilos.
Os resultados da socialização foram evidenciados nas turmas que participaram das
práticas meditativas, e parte das professoras relataram que muitos estudantes solicitam
momentos destas práticas quando, por algum motivo, a professora não os propõem.
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As professoras também apresentaram algumas observações importantes sobre as
práticas meditativas no processo de aprendizado, sugerindo a sua continuidade na escola, bem
como orientações sobre estas práticas junto aos pais e/ou responsáveis dos estudantes. Também
informaram que o uso, muitas vezes excessivo, de tecnologias nas residências dos estudantes
tem prejudicado os estudos e interesses das crianças nos recursos didáticos (livros, cadernos,
entre outros) comuns nas práticas de ensino.
Os professores podem encontrar desafios quanto à consciência de suas percepções e
tomadas de decisões pedagógicas que podem ser falhas e demandarem modificações. Portanto,
mediações pedagógicas requerem decisões pedagógicas para conseguir melhores êxitos quanto
às atitudes e aprendizagens dos sujeitos, que influenciam nos sentimentos manifestados pelos
estudantes. E estes, por sua vez, podem potencializar ou não as múltiplas dimensões dos
aprendizados escolares esperados.
Por isso, cada vez mais trabalhos que trazem dados sobre as decisões pedagógicas e as
percepções dos docentes sobre elas o de grande valia para compreender as influências de
afetos nos aprendizados, confirmando o que destacaram Damásio (2012), Fleer e Hammer
(2013), Vygotsky (2001) e Wallon (2007) quando tratam da relação e contribuição dos aspectos
da emoção e dos sentimentos para o aprendizado e para a socialização.
Portanto, a educação escolar, por ser um dos pilares fundamentais do desenvolvimento
humano, precisa ser compreendida como um processo dinâmico e dialético de coconstrução de
sentidos e significados no bojo de uma dada cultura, e conceber a dimensão dos afetos como
campos semióticos hierarquicamente organizados e de enorme relevância na constituição dos
humanos (Wortmeyer et al., 2014).
A formação escolar, neste sentido, compreende a constituição integral dos estudantes
por meio da apropriação dos significados atribuídos historicamente aos conhecimentos
científicos, artísticos, culturais, entre outros, intrinsecamente articulados aos sentidos advindos
das condições bio-orgânica-cultural-ecológica-emocionais vivenciadas pelos estudantes no seu
contexto de vida. Isto requer a incorporação de estudos e estratégias que muito tempo têm
sido divulgadas por inúmeros pesquisadores brasileiros, mas que, em grande parte, ficam à
margem das políticas blicas regionais ou nacionais que regem o funcionamento das escolas
e da formação docente.
Considera-se, desta forma, a importância de outros estudos desta natureza que podem
fortalecer a integração da saúde emocional no currículo escolar, promovendo ambientes de
aprendizagem mais efetivos, afetivos e acolhedores.
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Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI & João Lucas Piubeli DORO
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, ELOCATION, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 19
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecimentos à Diretoria de Educação e às Escolas Municipais da
Prefeitura de São Manuel, SP.
Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Conflitos de interesse: Não se aplica.
Aprovação ética: Plataforma Brasil/Saúde CAAE nº 33143320.0.0000.5411.
Disponibilidade de dados e material: Parte dos dados e materiais produzidos no trabalho
foi divulgada no site do Projeto (https://educacaoambientals1.wixsite.com/gepeasa) e dados
que contenham informações sigilosas das instituições e participantes estão disponíveis para
acesso em pastas/arquivo no Google Drive para os pesquisadores envolvidos.
Contribuições dos autores: Maria de Lourdes Spazziani (administração, coordenação e
revisão); Nijima Novello Rumenos (conceitualização, análise de dados, escrita e revisão);
Eliane Aparecida Toledo Pinto (delineamento metodológico, análise dos dados e elaboração
do manuscrito); Giuliano Citrini Stipkovic (análises estatísticas, construção e interpretação
dos resultados); Juliana Irani Fratucci De Gobbi (delineamento teórico e metodológico,
análise dos dados e elaboração do manuscrito); Carla Gheler-Costa (análise e interpretação
dos resultados, redação e análise crítica do manuscrito original); João Lucas Piubeli Doro
(pesquisas, referências teóricas e elaboração do manuscrito).
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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MEDITATIVE PRACTICES IN SCHOOL: PERCEPTIONS ABOUT LEARNING
AND FEELINGS IN ELEMENTARY SCHOOL STUDENTS
PRÁTICAS MEDITATIVAS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR: PERCEPÇÕES SOBRE
APRENDIZADOS E AFETOS EM ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL
PRÁCTICAS MEDITATIVAS EN LA EDUCACIÓN ESCOLAR: PERCEPCIONES
SOBRE EL APRENDIZAJE Y SENTIMIENTOS EN ESTUDIANTES DE PRIMARIA
Maria de Lourdes SPAZZIANI
1
e-mail: maria.[email protected]r
Eliane Aparecida Toledo PINTO
2
e-mail: elianetol@hotmail.com
Nijima Novello RUMENOS
3
e-mail: nijima.nove[email protected]r
Carla GHELER-COSTA
4
e-mail: cgh[email protected]
Giuliano Citrini STIPKOVIC
5
e-mail: giulian[email protected]amerp.br
Juliana Irani Fratucci DE GOBBI
6
e-mail: juliana.gobb[email protected]
João Lucas Piubeli DORO
7
e-mail: joao[email protected]
1
São Paulo State University (UNESP), Botucatu São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Education (UNICAMP).
Associate Professor in the Department of Humanities and Nutrition and Food Sciences.
2
Sagrado Coração University Center (UNISAGRADO), Bauru São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Science
Education (UNESP). Assistant Professor in the Area of Exact, Human, and Social Sciences.
3
São Paulo State University (UNESP), Botucatu São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Science Education (UNESP).
Associate Professor in the Department of Humanities and Nutrition and Food Sciences.
4
Brazilian Business Council for Sustainable Development (CEBDS) São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Applied
Ecology (USP). Coordinator of Agri-Food Systems Nature and Society Directorate.
5
São José do Rio Preto School of Medicine (FAMERP), São José do Rio Preto São Paulo (SP) Brazil. Master’s
degree in Psychiatry and Medical Psychology (FAMERP).
6
São Paulo State University (UNESP), Botucatu São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Physiology (UNESP).
Assistant Professor in the Department of Physiology.
7
São Paulo State University (UNESP), Bauru São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. Student in Education (UNESP).
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI, & João Lucas Piubeli DORO
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 2
How to reference this paper:
Spazziani, M. L, Pinto, E. A. T., Rumenos, N. N., Gheler-
Costa, C., Stipkovic, G. C., De Gobbi, J. I. F., & Doro, J. L.
P. (2026). Meditative practices in school: perceptions about
learning and feelings in elementary school students. Doxa:
Rev. Bras. Psico. e Educ., 27, e026002. e-ISSN: 2594-8385.
DOI: https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20412
| Submitted: 10/07/2025
| Revisions required: 13/12/2025
| Approved: 01/03/2026
| Published: 27/03/2026
Editor:
Deputy Executive Editor:
Meditative practices in school: perceptions about learning and feelings in elementary school students
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 3
ABSTRACT: The article analyzes the effects of meditative practices on Primary School
students, focusing on emotional, behavioral, and cognitive aspects. The research was conducted
in three public schools in the state of São Paulo, involving 1,083 students and 48 teachers, using
questionnaires, interviews, and emoji-based scales. The results indicate an increase in feelings
of peace, love, and sleepiness, and a decrease in anger, sadness, curiosity, and joy (associated
with agitation). The teachers reported improvements in students reasoning, attention, and
socialization. Meditative practices contributed to students’ concentration, emotional balance,
and well-being, being seen as effective tools for comprehensive education. The study highlights
the importance of integrating emotional health into the school curriculum, especially in the
post-pandemic context, fostering more affective and welcoming learning environments.
KEYWORDS: Emotional health. Learning. Affectivity. Basic Education.
RESUMO: O artigo analisa os efeitos das práticas meditativas em estudantes do Ensino
Fundamental I, com foco nos aspectos emocionais, comportamentais e cognitivos. A pesquisa
foi realizada em três escolas públicas de São Paulo com 1.083 alunos e 48 professoras,
utilizando questionários, entrevistas e escalas com emojis. Os resultados indicam aumento nos
sentimentos de paz, amor e sono, e redução de raiva, tristeza, curiosidade e alegria (associada
à agitação). As professoras relataram melhorias no raciocínio, atenção e socialização dos
estudantes. As práticas meditativas contribuíram para a concentração, o equilíbrio emocional
e o bem-estar dos alunos, sendo vistas como ferramentas eficazes para a formação integral. O
estudo destaca a importância de integrar a saúde emocional ao currículo escolar,
especialmente após a pandemia, promovendo ambientes de aprendizagem mais afetivos e
acolhedores.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde emocional. Aprendizagem. Afetividade. Educação Básica.
RESUMEN: El artículo analiza los efectos de las prácticas meditativas en estudiantes de la
Educación Primaria (Primer Ciclo), con énfasis en los aspectos emocionales, conductuales y
cognitivos. La investigación se llevó a cabo en tres escuelas públicas del estado de São Paulo,
con la participación de 1.083 alumnos y 48 profesoras, utilizando cuestionarios, entrevistas y
escalas con emojis. Los resultados indican un aumento en los sentimientos de paz, amor y
sueño, y una disminución de la ira, tristeza, curiosidad y alegría (asociada a la agitación). Las
profesoras informaron mejoras en el razonamiento, la atención y la socialización de los
estudiantes. Las prácticas meditativas contribuyeron a la concentración, el equilibrio
emocional y el bienestar de los alumnos, siendo consideradas herramientas eficaces para una
formación integral. El estudio resalta la importancia de integrar la salud emocional en el
currículo escolar, especialmente después de la pandemia, promoviendo entornos de
aprendizaje más afectivos y acogedores.
PALABRAS CLAVE: Salud emocional. Aprendizaje. Afectividad. Educación Básica.
Maria de Lourdes SPAZZIANI, Eliane Aparecida Toledo PINTO, Nijima Novello RUMENOS, Carla GHELER-COSTA, Giuliano Citrini
STIPKOVIC, Juliana Irani Fratucci DE GOBBI, & João Lucas Piubeli DORO
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026002, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Introduction
Discussions and the incorporation of emotional health education practices within the
context of basic educationparticularly in early childhood education and the early grades of
elementary schoolhave been on the rise in recent decades (Rumenos et al., 2023; Spazziani
et al., 2024) and have intensified in the wake of the covid-19 pandemic, following the
resumption of in-person school activities in 2022.
The World Health Organization has been promoting mental health initiatives in schools;
among its strategies is the promotion of mental health among children and adolescents through
the implementation of school-based programs focused on social and emotional learning (WHO,
2024). Currently, biological and psychological stressors have negatively affected some
schoolchildren, with many of them exhibiting behaviors and complaints related to anxiety, as
well as behavioral and emotional problems that impact their physical health. School activities
that incorporate meditation-related practices have been shown to significantly improve
behavior and stress management in children in the early years of elementary school (Bothe et
al., 2014).
Zenner et al. (2014), in a meta-analysis of mindfulness meditation practices among
schoolchildren, demonstrated improved cognitive performance and stress resilience in students
who practiced meditation in a school setting. In the United Kingdom, children aged 7 to 9
participated in an eight-week mindfulness meditation training program, resulting in improved
mood, as well as emotional control and executive functions such as planning and organization
(Vickery & Dorjee, 2016). Starting in 2010, mindfulness meditation became part of the school
curriculum for English children, following an initiative by the British Parliament to encourage
and promote the practice (The Mindfulness Initiative, 2024).
In Korea, the study published by Kim et al. (2024) provides evidence of improved
social-emotional skills and well-being among students following a mindfulness program
implemented in schools in that country after the covid-19 pandemic. Similar results are reported
by Milarè et al. (2025) in a study conducted in Brazilian schools with students aged 8 to 9 who
underwent mindfulness training, resulting in self-regulation and the development of social-
emotional skills.
Souza et al. (2020) point out that, in fact, despite its strong association with certain
practices considered religious, the act of meditating promotes “self-control, recognizing oneself
in the world, and allowing oneself to know and perceive oneself within the complexity of life”
(p. 678), which can occur in the most diverse situations of our daily lives, such as dancing,
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reading a book, or contemplating an image, among others, requiring a state of deep
concentration and attention.
According to Sarroeira et al. (2022), methods related to meditation practices include
different approaches and techniques; however, they are always grounded in a focus on the body,
breathing, and relaxation, regardless of the approach used, and are empirically recommended
for alleviating anxiety, distress, stress, and depression. These practices have historically been
used from a therapeutic perspective, beginning with adults and later extending to children.
As reported by Fleer and Hammer (2013), the development of emotional skills in an
educational setting is a factor that contributes to learning and socialization. It is a process in
which the awareness of emotions and their expression through feelings and attitudes occurs
within social relationships; these relationships, being mediated by verbal language, are
conceptualized (given meaning).
Such aspects related to affectivity, according to Wallon (2007) and Damasio (2012),
encompass interconnected phenomena that are nonetheless distinct in nature: emotion is an
immediate and intense response to a stimulus, involving physiological changes and bodily
expression; a feeling is a reflection on the subjective experience of an internal state, a
representation of the conscious body; therefore, it is more cognitive, as it involves the ability to
identify and express what one feels. An attitude, on the other hand, is defined as a state of mind
that inclines a person to react in a certain way to objects, situations, or people (Lines, 2005).
Vygotsky (2001) supports this view by arguing that feelings, emotions, and attitudes are
not isolated or purely biological processes. They are part of the historical-cultural development
of consciousness, always linked to thought, language, and social relations. Emotions may be
more immediate and reactive, feelings involve greater symbolic elaboration, and attitudes
require a conscious organization of behavior, resulting from the internalization of social
relations.
Therefore,
human development consists of a dynamic and dialectical process of co-constructing meanings
and significances within a given culture, and conceives of affections as hierarchically organized
semiotic fields. (Wortmeyer et al., 2014, p. 293)
We believe that focusing on the emotional aspects intrinsically linked to intellectual,
behavioral, and attitudinal learning objectives is of fundamental importance to fulfilling the
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mission of providing a well-rounded education for school-age children and youth. Thus, studies
on meditation interventions for childrenparticularly those in elementary school in Brazil
deserve attention, as they help shed light on their potential benefits.
The research described here was conducted at three schools participating in a project
supported by the São Paulo Research Foundation (Fapesp), which began in mid-2019. The
impact of the covid-19 pandemic in 2020 and 2021 led to a reorientation of some of the project’s
activities at the start of the 2022 school year. Upon returning to in-person classes, educators
observed an increase in problems related to the socio-emotional attitudes of children and
adolescents, such as discouragement, stress, sadness, disinterest, and agitation, far beyond what
had been observed in previous years. Students’ attitudes and behaviors—such as deficits in
attention and concentration during routine school activities, as well as in the knowledge and
learning they had already acquired before the suspension of in-person activitiesbecame a
major challenge.
In response to this situation, the administrative teams of the three schools requested that
the university’s research team develop a specific teacher training program focused on
developing meditation practices to be implemented with the students. It is important to note that
these schools were already participating in a Syntronic Environmental Education Training
Program, in which Emotional Health Education is one of the core components. Thus, this study
aimed to analyze the manifestations of students feelings and attitudes in the context of
meditative practices, as well as teachers’ perceptions of the effects of these practices on
learning.
Metodologia
The study combined qualitative and quantitative methods to strengthen its conclusions
using textual-narrative data and frequency/proportion data, which allow for a statistical analysis
approach (Souza & Kerbauy, 2017). As Santos Filho (1995) explains, these two types of
approaches complement each other, especially in social studies where the data are complex.
Using both methods together allows for a richer and more detailed analysis. Bauer et al. (2008)
show that the qualitative component helps to better understand the phenomena under study,
while the quantitative component provides an analysis of trends and patterns based on specific
methodologies, drawing inferences about the researched situation.
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As data collection tools, questionnaires were administered to all teachers and students
at the three municipal schools in the interior of the state of São Paulo, as well as oral interviews
with teachers during group meetings. It is important to note that the project was submitted to
the Ethics Committee of Plataforma Brasil/Saúde under CAAE No. 33143320.0.0000.5411.
During 2023, 48 teachers who completed the first questionnaire and 1,083 elementary
school students (1st to 5th grade) participated. Teachers from the participating schools received
training on meditation practices over four weeks in the first semester of 2023, totaling 20 hours
at each school, delivered by university researchers specializing in topics related to the
fundamentals and practices of meditation.
The data collection tools consisted of: 1) administering a descriptive scale and emoji
faces to students after two months of participating in meditation practices; 2) administering a
questionnaire to teachers at the end of the second semester of 2023; 3) meetings with teachers
during which verbal accounts were obtained regarding their perceptions of student learning.
The students’ instrument was structured around eight emojis that are already widely
recognized and culturally prevalent, as highlighted by Vygotsky (2001) when he noted that
cultural signs play a mediating role in psychological development once they are integrated into
an individual’s social repertoire. The selected emotional categories were: joy, sadness, fear,
love, curiosity, anger, peace, and sleep. Unlike graded scales, this is a nominal categorical scale,
whose objective is to identify the predominant emotional state or the attitude perceived by the
child in a given context. The emojis and their nominal descriptions were validated through
standardized instructions, which presented each emoji and its simple, age-appropriate written
definition to the group. Next, multiple-choice questions were presented, in which students
indicated the word and corresponding emoji that expressed an emotion consistent with what
they felt before, during, and after the meditation practices conducted at school.
A single-group analysis (Elementary School) was adopted based on the contingency
coefficient (0.271) and Cramér’s V (0.141), which indicated similar percentages in the
distribution of feelings or attitudes across the different school years. The data from the
descriptive scale and emoji faces were tabulated in Excel spreadsheets and statistically analyzed
using the open-source software Jamovi (v. 2.6.13). The chi-square test was performed for
parametric frequencies and Fisher’s exact test for non-parametric ones, comparing pre-
meditation and post-meditation frequencies in attitudes and feelings. The chi-square test
assesses whether there is a statistically significant association between qualitative variables.
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The questionnaire and the interviews with the teachers were guided by four open-ended
questions designed to assess perceptions regarding the effects of meditation practices on
knowledge, attitudes, and behaviors. These data underwent qualitative analysis, which involved
interpreting responses to gain a deep understanding of the meaning and complexity of the
collected data, exploring the richness of the participants’ experiences and opinions (Minayo,
2012).
Results e discussion
The participating schools are located in a city in the interior of São Paulo with
approximately 37,000 inhabitants (IBGE, 2022), situated in the central-western region of the
state. The Municipal Human Development Index (IDHM) of 0.74 is considered high, and the
municipality has a Municipal Basic Sanitation Policy (IBGE, 2017). The municipality has ten
municipal schools serving Early Childhood Education and Elementary School, three of which
were selected because they were already part of the study initiated in 2019, as noted earlier.
These three schools serve students in 1st to 5th grade of elementary school, with
morning and afternoon sessions; two are located in the city center and the other in a more
outlying area.
With regard to the study participants, Table 1 provides an overview of the number of
students by grade and teachers at each of the schools where the interventions took place, for a
total of 1,083 students across the five grades of elementary school.
Table 1
Distribution of survey participants
SCHOOL
YEAR/GRADE
TEACHERS
STUDENTS
1
Total
3
3
3
3
3
15
76
65
83
75
66
365
2
Total
3
3
3
3
3
15
62
74
67
77
58
338
3
4
4
3
73
70
73
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Total
4
3
18
84
80
380
Grand total
48
1083
Note. Authors.
It can be observed that there is a certain balance between the number of students and
teachers across the three schools, as well as in their distribution across grade levels. This helps
to frame the statistical analysis of the data collected from the students, which was standardized
and treated as a single group (Elementary School) representing each school.
It is important to note that all elementary school classes participated in the meditation
sessions, as the three schools have incorporated this practice into their daily routines. School 1
officially launched a program titled “Relaxation Practices” within the school community, which
was presented to the students’ guardians. In conversations with the teaching staff at the three
schools, it was reported that the meditation practice was almost always conducted after recess,
a time when the children were most restless, thereby helping to improve student discipline for
academic work.
Manifestation of students’ emotional responses during meditative practices
Regarding the emotional responses elicited by participation in meditative practices,
Table 2 presents the frequency of selection for each feeling or attitude listed on the descriptive
emoji scale before and after the practices conducted by teachers in the classroom, with the data
treated as a single group, as previously defined by Cramér’s V test and the Contingency
Coefficient, which revealed a weak relationship in the series-affect contingency.
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Table 2
Affects expressed by students during meditation sessions
AFFECT
VARIABLE
PRE
POST
DIFFERENCE
(%)
P-VALUE*
NORMALITY
TEST**
Joy
473
314
↓ 33.6%
< 0.0001
Non-parametric
(25.6 / < 0.0001)
Love
151
203
↑ 34.4%
0.020
Non-parametric
(4.8 / 0.030)
Curiosity
140
63
↓ 55.0%
< 0.0001
Parametric
(26.7 / < 0.0001)
Fear
23
15
↓ 34.8%
0.2404
Non-parametric
(1.5 / 0.220)
Peace
382
554
↑ 45.0%
< 0.0001
Non-parametric
(44.0 / < 0.0001)
Anger
101
47
↓ 53.5%
< 0.0001
Non-parametric
(18.2 / < 0.0001)
Sleep
276
399
↑ 44.6%
< 0.0001
Non-parametric
(20.0 / < 0.0001)
Sadness
75
42
↓ 44.0%
0.010
Non-parametric
(8.0 / 0.005)
Note. Adapted from the open access software Jamovi (v. 2.6.13). *A p-value of < 0.05 was adopted as the
significance threshold. A higher p-value indicates that the observed difference is more likely to be explained by
chance; **Chi-square test for parametric distributions and Fisher’s exact test for non-parametric distributions.
Authors elaboration.
The results indicate that meditation practices are associated with an increase in feelings
of love (p = 0.020) and a decrease in anger (p < 0.0001), sadness (p = 0.010), and joy (p <
0.0001). The reported self-perception of a peaceful attitude (p = < 0.0001) and sleep behavior
(p = < 0.0001) also increased with meditation practices. Curiosity (p = < 0.0001), however,
decreased in frequency. Self-perceived fear did not change between the pre- and post-practice
periods (p = 0.240), perhaps because within the school, during that time interval, the children
perceived themselves as safe, without identifying any threat during that time, indicating that
meditation in the school context may not affect this feeling, which is considered one of the basic
emotions (Spinoza, 2009).
Four emotions showed a decrease in scores between before and after the meditative
practices (joy, curiosity, anger, and sadness); three showed an increase (love, peace, and sleep),
and one showed no change between before and after (fear). It is important to understand that,
in these changes in affect scores in the absolute numbers of responses for each item, the most
frequently reported by the 1,083 students during the practices were joy, peace, sleep, and love.
These last three showed a significant increase during the meditation practices and corroborate
the expectation that meditation contributes to promoting feelings and attitudes of well-being
(Vieira et al., 2022).
The increase in the sense of peace suggests that the meditative interventions were
effective in promoting feelings of tranquility and calm among the participants. This reflects the
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ability of meditative practices to reduce stress and induce a state of serenity (Vieira et al., 2022),
a situation that can slow down metabolism and decrease sensory activitystates that precede
sleep. Meanwhile, the heightened perception of the feeling of love, also evident in the students’
responses, seems to indicate and corroborate the idea that positive affectionsthat is, those that
increase the power of action, in the Spinozian senserequire a calm mind and a tranquil heart
so that “love may be perceived and expressive of states of greater perfection or reality”
(Spinoza, 2009, p. 104).
In contrast, the frequency of joy decreased significantly after the meditative
interventions. This decrease in the joy item may indicate that relaxation occurred, and the
feelings of excitement promoted by freer interactions among peerscommon during recess
breakswere reduced during the meditative intervention. It is possible that the participants
experienced a calmer and more static state, thus meaning less agitation, which may be
interpreted by elementary school children as a decrease in joy. This understanding of being
joyful as a state of warmer, more physical interactions was noted by the teachers in
conversations during meetings. They explained that, in this age group, it is very common for a
state of joy to be expressed during situations of excitement and play among peers.
Affects that produce well-being are considered active because they encourage an
increase in the potency of actions throughout the human experience (Leal, 2022). This situation
also enhances the development of basic psychological functions and those constructed within
the context of cultural immersion (higher psychological functions), such as cognition,
imagination, language, and verbal thought, among others, as described by Vygotsky (2001).
However, this premise has not been considered in the scientific field, as Damásio (2012)
points out, and, at best, the field of emotions and affections has been viewed as entirely
independent of reason, which has been a privileged factor in most disciplines and areas of
science, including those dedicated to the study of the humanities, such as the field of education.
Emotion has been considered a response to a specific situation that, in general, interconnects
the body (physiological and/or psychological functions), reason (thought), and motor or
nervous activity, with a significant impact on our quality of life.
According to Goleman (2012): “Each emotion represents a different predisposition for
action. Each one points us in a direction that has previously proven successful in addressing the
same type of problem” (p. 26). Ensuring the success of pedagogical practice and fostering a
love of learning in children requires that the relationship between educator and child be built
on the foundation of affectivity and the promotion of self-esteem, since intellectual and social
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development is grounded in the organization of the educational environmentstructured as a
relational and reassuring space where the child is valued and listened towhich contributes to
their well-being and self-esteem, with emotions playing a particularly prominent role.
Teachers perceptions of the effects of meditation practices on learning
The Table 3 presents the results of the questionnaire administered to the teachers, which
reflect their perceptions regarding aspects related to the acquisition of knowledge, behavior,
and attitudes as outcomes of meditative practices.
Table 3
Teachers’ perceptions of student learning
1. KNOWLEDGE
COUNTS
% TOTAL
% CUMULATIVE
Improved reasoning,
learning, and reading
32
66.67%
66.67%
No
04
8.33%
75.0%
Other answers
12
25.0%
100%
2. BEHAVIOR
COUNTS
% TOTAL
% CUMULATIVE
Yes, their attention has
improved
27
56,25%
56.25%
Yes, some students
07
14,58%
70.83%
No
06
12,50%
83.33%
Yes, but only for a short
time
04
8,33%
91.66%
Still developing
03
6,25%
97.91%
Other answers
01
2,08%
100.0%
3. ATTITUDE
COUNTS
% TOTAL
% CUMULATIVE
Yes, more sociable and
helpful
32
66.67%
66.67%
Still developing
07
14.58%
81.25%
Not significant
03
6.25%
87.50%
No
03
6.25%
93.75%
Other answers
03
6.25%
100.0%
4. REMARKS
COUNTS
% TOTAL
% CUMULATIVE
Helped the students
19
39.58%
39.58%
Teachers did not respond
15
29.25%
70.83%
Students liked it
06
12.50%
83.23%
Continue with the
meditation practice
05
10.42%
93.65%
Provide guidance to
parents on the meditation
practice
02
4.17%
97.92%
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Technology used at home
gets in the way
01
2.08%
100.00%
Note. Authors.
Regarding the learning priorities in the first stage of elementary schoolwhich focuses
particularly on the acquisition of the mother tongue and mathematical reasoningnearly 70%
of the teachers indicated that the practices contributed to these learning outcomes, as well as to
the students’ ability to concentrate on their tasks. In addition, they reported that students became
calmer and more tolerant, as well as showing interest in meditation, demonstrating greater
willingness and receptivity to practice it.
In terms of behavior, which, according to Zabala (2014), involves both motor skills
(cutting, drawing) and cognitive skills (observing, responding), more than half of the teachers
reported an improvement in the children’s attention to the proposed activities, whether in the
classroom or outside of it.
In relation to attitudes, the teachers noted an improvement in socialization among
students, and nearly 70% responded that the students had become more sociable and helpful.
In their pedagogical interactions with students, teachers created opportunities aimed at
developing and enhancing attitudes and learning through the discussion of specific knowledge.
Thus, a topic and/or skill to be developed in the classroom requires not only the presentation of
a concept or knowledge but also the ability to capture students’ attention and interest, leading
to reflective actions (attitudes) and their connections to other acquired knowledge (Spazziani et
al., 2022).
For pedagogical mediations to be successful and result in the attitudes expected by
teachers from students, it is necessary not only to master the subject and the concept/knowledge
but also to understand how these will affect their students. To this end, teachers can further
familiarize themselves with knowledge regarding affectivity in education and put it into practice
in daily school life (Leite, 2012).
Considering that all knowledge production is a process that arises from the relationship
established between the subject (student), the object (subject matter), and the mediator
(teacher), we can say that these relationships are markedly affective. That said, these
relationships can be positive (stimulating curiosity) or negative (stimulating disinterest)
depending on how the subject relates to the object and the manner in which the mediator carries
out pedagogical mediation.
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Therefore, pedagogical mediations must be carefully studied with the impacts of the
relationships to be established in mind, as it is understood that, depending on how the subject
is affected by the mediator who approaches the object in different ways, contrasting attitudes
may arise, such as love or hatred for the subject itself and even for the mediator (Leite, 2012).
According to Leite and Tagliaferro (2005), the teacher, by fostering an optimal and
productive relationship between the subject-object-mediator, engages students and promotes
situations of well-being through their active affections, contributing to the diverse learning
outcomes desired for the overall development of children and young people.
Final considerations
Meditative interventions had distinct effects on the various emotional states
investigated. These results suggest that, although these practices may reduce feelings of
excitement and euphoria (joy), they are highly effective in promoting a state of calm and
serenity (peace). The differences observed in the frequencies and the statistical significance of
the results highlight the importance of meditation techniques in modulating emotional states,
specifically in increasing inner peace, reducing euphoria, and enhancing the expression of
feelings of love.
Meditative practices contributed to the students’ concentration, reasoning, and
knowledge related to reading and readiness to perform tasks, as well as leaving them calm and
at ease.
The results regarding socialization were evident in the classes that participated in the
meditative practices, and some of the teachers reported that many students request time for
these practices when, for some reason, the teacher does not offer them.
The teachers also shared some important observations about meditation practices in the
learning process, suggesting their continuation at school, as well as guidance on these practices
for the students’ parents and/or guardians. They also reported that the often excessive use of
technology in students’ homes has hindered children’s studies and interest in standard
educational resources (books, notebooks, among others) commonly used in teaching practices.
Teachers may face challenges regarding awareness of their perceptions and pedagogical
decision-making, which may be flawed and require adjustments. Therefore, pedagogical
interventions require pedagogical decisions to achieve better outcomes regarding students’
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attitudes and learning, which influence the feelings expressed by students. And these, in turn,
may or may not enhance the multiple dimensions of expected school learning.
For this reason, an increasing number of studies providing data on pedagogical decisions
and teachers’ perceptions of them are of great value for understanding the influences of
emotions on learning, confirming what was highlighted by Damásio (2012), Fleer and Hammer
(2013), Vygotsky (2001), and Wallon (2007) when addressing the relationship and contribution
of emotional and affective aspects to learning and socialization.
Therefore, school education, as one of the fundamental pillars of human development,
must be understood as a dynamic and dialectical process of co-constructing meanings and
significances within the context of a given culture, and must conceive of the dimension of affect
as hierarchically organized semiotic fields of enormous relevance in the constitution of human
beings (Wortmeyer et al., 2014).
School education, in this sense, encompasses the overall formation of students through
the appropriation of meanings historically attributed to scientific, artistic, and cultural
knowledge, among others, intrinsically linked to the meanings arising from the bio-organic-
cultural-ecological-emotional conditions experienced by students in their life context. This
requires the incorporation of studies and strategies that have long been disseminated by
numerous Brazilian researchers but which, for the most part, remain on the margins of regional
or national public policies governing the operation of schools and teacher training.
Thus, it is important to consider other studies of this nature that can strengthen the
integration of emotional health into the school curriculum, promoting more effective,
supportive, and welcoming learning environments.
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DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20412 19
CRediT Author Statement
Acknowledgements: We would like to thank the Department of Education and the
Municipal Schools of the City of São Manuel, SP.
Funding: São Paulo Research Foundation (FAPESP).
Conflicts of interest: Not applicable.
Ethical approval: Plataforma Brasil/Saúde CAAE No. 33143320.0.0000.5411.
Data and material availability: Part of the data and materials produced in this study were
published on the Project website (https://educacaoambientals1.wixsite.com/gepeasa), and
data containing confidential information from the institutions and participants are available
for access in folders/files on Google Drive for the researchers involved.
Author’s contributions: Maria de Lourdes Spazziani (administration, coordination, and
revision); Nijima Novello Rumenos (conceptualization, data analysis, writing, and
revision); Eliane Aparecida Toledo Pinto (methodological design, data analysis, and
manuscript preparation); Giuliano Citrini Stipkovic (statistical analyses, construction, and
interpretation of results); Juliana Irani Fratucci De Gobbi (theoretical and methodological
design, data analysis, and manuscript preparation); Carla Gheler-Costa (analysis and
interpretation of results, drafting, and critical review of the original manuscript); João Lucas
Piubeli Doro (research, theoretical references, and manuscript preparation).
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and Translation