Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20551 1
ATUAÇÃO DE PSICÓLOGOS/AS ESCOLARES NO ENFRENTAMENTO AO
BULLYING
EL PAPEL DE LOS PSICÓLOGOS/AS DE LA EDUCACIÓN EN LA LUCHA CONTRA
EL BULLYING
SCHOOL PSYCHOLOGISTS’ ROLE IN CONFRONTING BULLYING
Apoliana Regina GROFF
1
e-mail: apo[email protected]
Marilene Proença Rebello de SOUZA
2
Como referenciar este artigo:
Groff, A. R., & Souza, M. P. R. (2026). Atuação de
psicólogos/as escolares no enfrentamento ao bullying. Doxa:
Rev. Bras. Psico. e Educ., 27, e026005.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20551
| Submetido em: 26/08/2025
| Revisões requeridas em: 25/02/2026
| Aprovado em: 22/05/2026
| Publicado em: 02/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis Santa Catarina (SC) Brasil. Doutora em
Psicologia, Docente do Departamento de Psicologia.
2
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Psicologia Escolar e do
Desenvolvimento Humano, Docente Titular do Instituto de Psicologia.
Atuação de psicólogos/as escolares no enfrentamento ao bullying
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20551 2
RESUMO: Este artigo decorre de um levantamento bibliográfico sobre a atuação da Psicologia
Escolar e Educacional no enfrentamento de questões sociais e violências presentes na educação
básica brasileira. Foram consultadas as bases SciELO, Oasis, Portal CAPES e a revista
Psicologia Escolar e Educacional, em publicações do período entre 2010 e 2023. Apresenta-se
um recorte dos resultados deste levantamento, por meio da análise de 24 artigos de revisão de
literatura sobre a problemática do bullying. A partir deste estudo, destaca-se quais são os grupos
mais vulneráveis a sofrerem violência sistemática e quais preconceitos e violências estruturais
podem sustentar a prática do bullying e do ciberbullying. Aponta-se que melhores resultados
no enfrentamento ao bullying são conquistados quando desenvolvidos projetos institucionais
envolvendo, em especial, os/as estudantes, quando realizados processualmente, com prazo
estendido e utilizando metodologias de trabalho que permitam a participação da comunidade
escolar e a produção de processos de aprendizagem sobre esta questão social.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Básica. Bullying. Lei 13.935/2019. Psicologia Escolar e
Educacional.
RESUMEN: Este artículo surge de una revisión bibliográfica sobre la actuación de la
Psicología Escolar y Educativa en el enfrentamiento de cuestiones sociales y violencias
presentes en la educación básica brasileña. Se consultaron las bases SciELO, Oasis, el Portal
CAPES e la revista Psicologia Escolar e Educacional, y publicaciones del período entre 2010
y 2023. Se presenta un recorte de los resultados, por medio del análisis de 24 artículos de
revisión de literatura sobre el bullying. A partir de este estudio, se resalta cuáles son los grupos
más vulnerables afectados por la violencia sistemática y cuales prejuicios y violencias
estructurales pueden sostener la práctica del bullying y ciberbullying. Es señalado que se
conquistan mejores resultados en el enfrentamiento al bullying cuando se desarrollan
proyectos institucionales que involucran a los/as estudiantes, realizados con plazo ampliado y
con metodologías que permitan la participación de la comunidad escolar y procesos de
aprendizaje sobre esta cuestión social.
PALABRAS CLAVE: Educación Básica. Bullying. Ley 13.935/2019. Psicología Escolar y
Educativa.
ABSTRACT: This article is based on a literature review of the role of School and Educational
Psychology in addressing social issues and violence in Brazilian elementary education. Were
consulted the databases of SciELO, Oasis, and CAPES Portal, as well as the journal Psicologia
Escolar e Educacional, focusing on publications from 2010 to 2023. A summary of the results
is presented through the analysis of 24 literature review articles on bullying. Based on this
study, it highlights which groups are most vulnerable to systematic violence and which
prejudices and structural forms of violence may sustain the practice of bullying and
cyberbullying. It is noted that better results in confronting bullying are achieved when
institutional projects are developed involving the school community, especially the student
body, when carried out procedurally, with an extended deadline, and using work methodologies
that allow participation, listening, welcoming experiences, and producing learning processes
on this social issue.
KEYWORDS: Basic education. Bullying. Law 13.935/2019. School and Educational
Psychology.
Apoliana Regina GROFF & Marilene Proença Rebello de SOUZA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
A problemática do bullying nas escolas tem sido estudada há bastante tempo no Brasil,
principalmente por pesquisadores/as das áreas da psicologia e da educação. Na psicologia,
observamos que boa parte dos resultados das pesquisas sobre bullying carecem de uma
discussão epistemológica e política que situe o fenômeno como uma categoria de análise do
modo como as violências acontecem no contexto escolar (Groff et al., 2022). Isso porque o
termo bullying acaba sendo utilizado para definir um tipo de violência entre estudantes, quando
deveria ser utilizado para explicar como uma determinada violência é perpetrada.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO, 2019), o bullying “é definido antes como um padrão de comportamento do que um
evento isolado” (p. 8), pois, dentre suas características, está o modo sistemático em que a
violência é praticada, ao longo do tempo, contra uma pessoa ou grupo. Para o enfretamento do
bullying, faz-se necessário identificar, nomear e explicar as violências que são produzidas de
forma sistemática nas relações escolares. Prescinde, nesta direção, de um trabalho analítico
envolvendo tanto o tipo de violência quanto o modo como ela acontece.
De acordo com o Relatório que trata da situação mundial sobre violência escolar e
bullying (UNESCO, 2019), crianças e adolescentes pobres, provenientes de minorias étnicas,
migrantes, com deficiência ou cuja orientação sexual ou identidade de gênero escapa à
cisheteronormatividade apresentam maiores riscos de sofrer bullying nas escolas. Esta
consideração sobre os marcadores sociais de grupos e indivíduos mais vulneráveis a sofrerem
bullying é de extrema importância para a compreensão deste modo de exercício da violência
vinculado a violências estruturais em nossa sociedade. Identificar e nomear violências como
racismo, capacitismo, gordofobia, classismo, LGBTfobia, transfobia, xenofobia e sexismo
desde uma perspectiva interseccional (Akotirene, 2019) é fundamental para o trabalho de
psicólogos/as escolares.
De acordo com Almeida et al. (2018), o bullying é um tipo de violência que acontece
entre estudantes que possuem uma diferença desigual de poder, há uma intenção por parte do/a
agressor/a em prejudicar e causar danos à vítima e acontece de forma repetida ao longo do
tempo contra as mesmas pessoas no contexto escolar. Assim, os efeitos psicossociais e
educacionais de uma violência que é praticada com este padrão de comportamento na vida de
crianças e adolescentes podem provocar abandono escolar, sofrimento e adoecimento psíquico
(Almeida & Oliveira, 2016).
Atuação de psicólogos/as escolares no enfrentamento ao bullying
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É compromisso ético-político dos/as profissionais da psicologia não compactuar com
nenhuma forma de preconceito e violência. O/A psicólogo/a escolar deve estar engajado/a em
contribuir para uma escola segura, acolhedora e inclusiva, onde a própria garantia do ensino e
aprendizagem e do convívio sem violências seja um referencial para promoção da saúde e da
qualidade de vida de estudantes, docentes e demais profissionais da educação (Conselho
Federal de Psicologia, 2019). Nesta direção, compreende-se a necessidade de oferecer
referenciais para atuação de psicólogos/as escolares no enfrentamento ao bullying em contextos
educativos, desde a perspectiva da Psicologia Escolar e Educacional Crítica.
A elaboração de referenciais teóricos e metodologias para o trabalho da psicologia aqui
apresentados se fundamenta em um levantamento bibliográfico sobre a atuação da Psicologia
Escolar e Educacional no enfrentamento de questões sociais e violências presentes na educação
básica brasileira. Neste artigo, trabalha-se com um recorte do referido levantamento,
considerando a problemática do bullying. Contudo, antes de apresentar o percurso
metodológico, os resultados e as discussões produzidas, é analisada a Lei 13.185/2015, que
institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Brasil, 2015), desde uma
perspectiva crítica, pois a linguagem jurídica também pode se constituir em um referencial para
a atuação da psicologia nas escolas.
A “LEI ANTIBULLYING
A Lei 13.185/2015 institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática,
conhecida como “Lei do Bullying (Brasil, 2015). Em 14 de maio de 2018, a Lei 13.663,
também de âmbito federal, complementa a lei anterior e altera o art. 12 da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação, destacando a necessidade de as instituições de ensino promoverem medidas
de conscientização, prevenção e combate à violência, especialmente a intimidação sistemática
(Brasil, 2018).
Considera-se intimidação sistemática (bullying),
.todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação
evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de
intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de
poder entre as partes envolvidas. (Brasil, 2015)
Este tipo de intimidação, ainda segundo a caracterização da lei, envolve situações de
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humilhação, constrangimento ou discriminação, podendo acontecer na forma de ataques físicos,
insultos, apelidos pejorativos, piadas, ameaças, expressões preconceituosas e isolamento social
de indivíduos.
Esta definição do bullying como sinônimo de intimidação sistemática, permite dizer que
o bullying não se trata de um tipo de violência em si, mas do modo como determinadas
violências acontecem entre pares no contexto escolar. No entanto, o que se observa na produção
científica, bem como na forma como a noção de bullying circula na comunicação entre pessoas
da área da educação, na população em geral e nas redes sociais, é que a palavra é utilizada para
nomear de forma sintética situações complexas envolvendo violências. A forma como o termo
bullying tem sido empregado, na maioria das vezes, se limita a uma perspectiva psicologizante,
ahistórica e individualizante do problema (Groff et al., 2022).
Pesquisadores/as do tema destacam, neste sentido, que o estudo e o enfrentamento do
bullying precisa considerar as condições educacionais, econômicas, políticas, históricas e
culturais de sua produção, bem como a relação entre o bullying e os preconceitos que são
forjados em nossa sociedade, diante de tudo que escapa da norma e padrões culturalmente
criados (Antunes & Zuin, 2008; Crochík, 2012). Faz-se necessário explicar e explicitar quais
violências são produzidas de forma sistemática nas relações escolares e quais preconceitos
sustentam a prática do bullying.
A Lei 13.185/2015 destaca que este tipo de violência acontece sem uma motivação
evidente. Contudo, o bullying no contexto escolar, principalmente quando ocorre por meio da
palavra, seja escrita ou falada, carrega sentidos socialmente compartilhados. Ou seja, insultar,
colocar apelidos, fazer piadas e usar expressões preconceituosas não são ações neutras ou vazias
de sentido para quem vivencia a situação, seja como autor, espectador ou pessoa que é alvo da
intimidação sistemática. Assim, é fundamental para o enfrentamento do problema que
psicólogos/as e educadores/as identifiquem a motivação desta prática, situando as matrizes de
sua produção histórico-cultural, como a violência acontece nas relações escolares, sem cair em
moralismos e/ou na culpabilização individual.
No contexto escolar, a classificação do bullying previsto na lei também precisa ser
analisada com atenção, pois envolve a relação entre pares de estudantes, ou seja, crianças e
adolescentes cuja proteção, direitos e responsabilidades estão assegurados pelo Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA). São sujeitos vivenciando processos de aprendizagem e de
desenvolvimento em um contexto educativo. A própria Lei 13.185/2015 considera a
necessidade da não criminalização dos/as autores de bullying ao prever, nos objetivos do
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Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Programa de combate ao bullying, “evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores,
privilegiando mecanismos e instrumentos alternativos que promovam a efetiva
responsabilização e a mudança de comportamento hostil” (Brasil, 2015).
Dentre os objetivos do Programa de combate ao bullying previsto na lei estão: capacitar
docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção,
orientação e solução do problema; implementar e disseminar campanhas de educação,
conscientização e informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e
responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; dar assistência psicológica, social
e jurídica às vítimas e aos agressores; integrar os meios de comunicação de massa com as
escolas e a sociedade, como forma de identificação e conscientização do problema e forma de
preveni-lo e combatê-lo; promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros,
nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua; promover medidas de conscientização,
prevenção e combate a todos os tipos de violência, com ênfase nas práticas recorrentes de
intimidação sistemática (bullying) ou constrangimento físico e psicológico cometidas por
estudantes, docentes e outros profissionais integrantes da escola e da comunidade escolar
(Brasil, 2015).
Tais objetivos centram-se, sobretudo, no desenvolvimento de ações educativas e
formativas envolvendo a comunidade escolar como um todo. Contudo, a forma como a lei
define o bullying e o classifica pode não contribuir para a identificação das violências estruturais
que se expressam no contexto escolar. O que a noção de bullying pode oferecer como recurso
analítico para o/a psicólogo/a escolar no desenvolvimento destas ações é a identificação se uma
determinada prática ou relação violenta está acontecendo de forma sistemática entre estudantes.
Ou seja, contribuir em processos de capacitação, em especial, com profissionais da educação e
estudantes para que possam estar atentos/as a situações recorrentes em que um determinado
sujeito ou grupo sofre violência na escola. É preciso, junto disso, trabalhar com a nomeação das
violências. Trata-se de racismo? Gordofobia? Machismo? Sexismo? Homofobia? Capacitismo?
Transfobia? Classismo? (Groff et al., 2024).
É fundamental refletir criticamente, junto à comunidade escolar, sobre as formas de
violência que acometem a sociedade brasileira e que são aprendidas pelas crianças e pelos/as
adolescentes, bem como trabalhar na identificação do modo como elas ocorrem nas relações
entre pares na escola. Sem estas duas dimensões, a atuação da Psicologia Escolar e Educacional
a partir do que prevê a “lei antibulliynglimita qualquer trabalho ou programa de prevenção,
orientação e solução de um problema, o qual é mais complexo do que o que tem sido
Apoliana Regina GROFF & Marilene Proença Rebello de SOUZA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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comumente entendido como bullying.
Agir no campo da educação conforme o que prevê a letra da lei exige que psicólogos/as
escolares tenham, primeiramente, uma fundamentação teórica crítica sobre o tema, pois toda
prática de enfrentamento ao bullying está vinculada ao modo como o fenômeno é
compreendido. E compreender a complexidade de uma violência que acontece de forma
repetida e por um tempo prolongado entre crianças e adolescentes na escola não é tarefa fácil.
É necessário investir em estratégias metodológicas que possibilitem conhecer o clima escolar
em suas contradições, ouvir as narrativas dos/as estudantes sobre suas experiências e
aprendizagens na escola e fora dela. É fundamental, também, compreender as infâncias e
juventudes e o modo como elas se comunicam presencialmente e por meio de redes sociais,
bem como conhecer o território onde a instituição e a comunidade escolar estão inseridas.
PERCURSO METODOLÓGICO
Este artigo decorre dos resultados de uma investigação multicêntrica intitulada
Atuação de psicólogos/as escolares da América Latina: concepções, desafios e inovações nas
políticas públicas de educação básica”, sob coordenação geral da Prof.ª Dra. Marilene Proença
Rebello de Souza, do Laboratório Interinstitucional de Estudos e Pesquisas em Psicologia
Escolar (LIEPPE), Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento
Humano (IPUSP) e Programa de Pós-graduação Integração da América Latina
(PROLAM/USP). A referida pesquisa tem como referencial teórico e metodológico a
Psicologia Histórico-Cultural e a Psicologia Escolar e Educacional Crítica, sendo constituída
por uma etapa de investigação documental e outra empírica.
Apresenta-se aqui resultados da etapa documental, a qual realizou um levantamento
bibliográfico, em produções científicas, sobre a atuação da Psicologia Escolar e Educacional
no enfrentamento de questões sociais e violências presentes na educação básica. O período
investigado abarcou artigos publicados no período entre 2010 e 2023, pois visou atualizar um
estudo anterior, com objetivo similar, realizado por Souza et al. (2014). Para tanto, foram
utilizados os seguintes descritores de busca: racismo, educação antirracista; gênero, educação
sexual, sexualidade; deficiência, inclusão; assédio, violência escolar, violência na escola,
violência estudantil; bullying; pobreza, desigualdade social. Cada um dos descritores foi
combinado a outros no processo da busca avançada, quais sejam: atuação, práticas, intervenção;
Psicologia escolar, Psicologia educacional. A busca pela produção científica ocorreu em
Atuação de psicólogos/as escolares no enfrentamento ao bullying
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periódicos de acesso aberto no SciELO e no Portal Brasileiro de Publicações e Dados
Científicos em Acesso Aberto (Oasis), por se tratarem de bases de dados de referência para
busca de publicações científicas brasileiras; no Portal de Periódicos da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES), pois reúne um grande acervo de periódicos
científicos com publicações nacionais; e especificamente na revista Psicologia Escolar e
Educacional, por ser um periódico de referência na área do estudo bibliográfico realizado.
Foram encontrados 1.026 artigos, sendo que estes foram agrupados nos seguintes
marcadores: racismo, gênero, inclusão, violência, bullying e pobreza. No recorte da análise pela
temática do bullying, foram encontrados 101 artigos com este foco, os quais passaram por duas
filtragens, sendo a primeira a partir da leitura dos títulos, e a segunda a partir da leitura dos
resumos. Os critérios de inclusão foram: tipo de publicação artigo, foco na temática do bullying,
lócus das pesquisas na educação básica e no Brasil, área dos artigos na psicologia e/ou
Psicologia Escolar e Educacional. Foram excluídos 34 artigos que não se adequavam aos
critérios. A partir da leitura dos resumos dos 67 artigos selecionados, identificamos 24 revisões
de literatura (36%), sete artigos teóricos (10%), dois relatos de práticas (3%), 33 provenientes
de pesquisas empíricas (49%) e um relato de pesquisa-intervenção (2%).
Optou-se por trabalhar com a análise apenas dos artigos do tipo revisão de literatura,
pois estes mapeiam e sintetizam uma quantidade significativa da produção acadêmica sobre
bullying, incluindo artigos decorrentes de estudos empíricos, por exemplo. Assim, apresenta-se
a análise referente aos 24 artigos de revisão de literatura sobre a temática do bullying. Busca-
se, nesta direção, identificar resultados e produzir discussões que apontem possibilidades para
a atuação da Psicologia Escolar e Educacional no enfrentamento do bullying nos contextos
escolares brasileiros.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A maioria dos artigos de revisão de literatura analisados foram publicados entre 2022 e
2023, sendo nove (37,5%) publicações das 24 analisadas. Quanto às bases de dados, ao buscar
esta identificação em cada um dos artigos, resulta que o SciELO conta com a maior vinculação
dos artigos, seguido do LILACS, Web of Science, PsycINFO, PubMed, Scopus e PePsic. O
período de publicações investigado pelas revisões de literatura varia entre 5 anos e 10 anos, e
estudos que não disponibilizam esta informação. Nove artigos também não especificam a
quantidade de publicações analisadas. No entanto, considerando os demais artigos, uma
Apoliana Regina GROFF & Marilene Proença Rebello de SOUZA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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variação significativa, sendo que o artigo de Almeida e Oliveira (2022), sobre o panorama das
pesquisas sobre bullying e cyberbullying entre adolescentes, foi o que analisou o maior número
de publicações, 67 no total. E o de Oliveira et al. (2020), sobre a relação entre imagem corporal
e bullying entre adolescentes, trabalhou com a análise de 4 (quatro) publicações.
Os artigos de revisão, em sua grande maioria, não fazem discussões e análises atreladas
à política pública de educação no Brasil. Além disso, analisam sobretudo publicações de
pesquisas internacionais encontradas nas bases de dados. Três revisões com foco no estudo das
intervenções frente ao bullying não encontraram nenhum artigo publicado no Brasil (Pureza et
al., 2017; Silva et al., 2018; Tristão et al., 2022), o que chama a atenção, pois a Lei que institui
o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, conhecida como “Lei do Bullying”, foi
promulgada em 2015. Por outro lado, este achado também indica a baixa produção científica
brasileira com foco no relato de intervenções da psicologia frente ao fenômeno.
Em sua grande maioria, os artigos de revisão não apresentam uma perspectiva teórica
que fundamente a análise dos achados nas pesquisas. Dois artigos, contudo, merecem destaque
pela consistência em que utilizam suas abordagens teóricas para análise do bullying. Um deles
trabalha com a abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers, o qual buscou artigos com esta
abordagem e outras derivadas, como a aprendizagem centrada no aluno e a conciliação
humanista (Barbosa & Barros, 2016). Este artigo desenvolve reflexões sobre estratégias de
intervenção e prevenção frente ao bullying, compreendendo o/a docente como um/a importante
mediador/a de conflitos e como agente de prevenção do bullying na escola.
Outro artigo que trabalhou de forma consistente com uma perspectiva teórica foi a
publicação de Almeida e Oliveira (2022). Fundamentados na Epistemologia Genética de Jean
Piaget, os autores chamam a atenção para a questão da aparência física como fator envolvido
nas situações de bullying na escola. Desde uma perspectiva crítica, refletem que:
Entender a corporeidade é autorregular-se na percepção de como o ser é único, rico em suas
peculiaridades, significações e características. É aceitar as diferenças e a pluralidade em um
mesmo contexto, é equilibrar-se internamente sobre suas potencialidades, história, herança,
pertencimento, significância e importância. É entender as origens, etnias, credos, gêneros,
representatividades e minorias; é estar preparado para as idealizações, normatizações e
padronizações de beleza e estilo que tanto influenciam e são impostos culturalmente. (Almeida
& Oliveira, 2022, p. 95)
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Importante considerar a questão da aparência física como elemento motivador da prática
de bullying nas relações entre estudantes, pois, em uma sociedade marcada pelo padrão de
beleza magro, branco e sem deficiência, crianças e adolescentes que escapam do corpo
normativo estão propensas a serem alvo de violências como o capacitismo, o racismo e a
gordofobia.
Somente um dos artigos de revisão mencionou o trabalho da Psicologia Escolar e
Educacional no enfrentamento ao bullying (Marques et al., 2022). Apesar de a psicologia
brasileira ter uma Referência Técnica para atuação da Psicologia na Educação Básica publicada
desde 2013, de a Psicologia Escolar e Educacional Crítica ser um campo teórico-metodológico
consolidado desde o final do século passado, e da luta política pela inserção de psicólogos/as
nas redes de ensino existir pelo menos 20 anos, os artigos analisados não dialogam com estes
referenciais quando se trata de pensar o enfrentamento ao bullying. Além disso, dos 24 artigos
de revisão, metade destes foram publicados depois de 2019, ano em que a Lei 13.935 foi
promulgada (Brasil, 2019). No entanto, nenhum faz menção à lei, o que indica uma
desarticulação entre o contexto acadêmico científico sobre esta questão social e as conquistas
da categoria em relação à prática profissional da psicologia nas políticas públicas de educação
municipais e estaduais.
Na análise dos artigos de revisão de literatura, buscou-se identificar possibilidades para
a atuação da Psicologia Escolar e Educacional no enfrentamento do bullying nos contextos
escolares brasileiros. Contudo, como os artigos não dialogam com a perspectiva da Psicologia
Escolar e Educacional, procurou-se sintetizar algumas contribuições dos resultados de
pesquisas sobre o tema que podem fundamentar a elaboração de projetos de intervenção e outras
práticas da psicologia nas instituições de educação básica. Destacam-se, sobretudo, estudos de
revisão com as seguintes interfaces temáticas: família, cyberbullying, características de
meninos e meninas envolvidos/as em situações de bullying, habilidades sociais e formação de
professores/as.
O artigo de Oliveira et al. (2015), realiza uma revisão sistemática tendo como foco a
interface entre família e bullying escolar. A partir da análise de 54 publicações sobre o tema, os
autores concluíram que:
As variáveis familiares, isoladamente, não explicam o fenômeno e, em geral, nos estudos, elas
foram associadas e relacionadas entre si, compondo investigações que não objetivavam
Apoliana Regina GROFF & Marilene Proença Rebello de SOUZA
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demonstrar relações de causa e efeito, evidenciando, dessa forma, a relevância dos aspectos
macrossociais e econômicos nas situações de bullying. (Oliveira et al., 2015, p. 124)
Outro ponto importante desta revisão sobre o tema é que uma escassez de estudos do
tipo qualitativo e de análises teóricas que expliquem a relação entre as situações de bullying e
a família dos envolvidos.
O artigo de revisão de Lembo et al. (2023) sobre características de meninos e meninas
que praticam bullying na escola aponta a necessidade de considerar em propostas de intervenção
as diferenças e semelhanças no envolvimento de meninas e meninos em situações de bullying.
Os autores destacam que “poucos artigos utilizaram de fato teorias para analisar os resultados
apresentados e o foco, muitas vezes, recaiu no diagnóstico do problema em comparação com
os resultados obtidos por outras pesquisas” (Lembo et al., 2023, p. 9). Apesar desta avaliação,
também não foi encontrado nesta produção acadêmica o desenvolvimento de discussões, por
exemplo, a partir das teorias de gênero para análise das características do envolvimento de
meninos e meninas em situações de bullying. Esta discussão dialoga com o Relatório da
UNESCO sobre a situação mundial em relação a violência na escola e bullying, posto que,
grande parte da violência escolar e do bullying está relacionada ao gênero. A violência baseada
em gênero é a aquela que resulta em agressão ou dano físico, sexual ou psicológico contra
alguém e que se baseia na discriminação de gênero e em expectativas sobre os papéis,
estereótipos e diferenças de poder associados ao status de cada gênero. (UNESCO, 2019, p. 8)
Portanto, esta análise é importante quando se trata de explicar a diferença entre o
envolvimento de meninos e meninas na prática do bullying e, consequentemente, criar propostas
de intervenção desde a Psicologia Escolar. Não é suficiente abordar estas diferenças desde um
olhar binário utilizando a categoria sexo como natural ou biológica. O campo dos estudos de
gênero na psicologia e em áreas interdisciplinares, bem como as teorias transfeministas,
oferecem um arcabouço teórico importante para o desenvolvimento de ações educativas nos
contextos escolares envolvendo reflexões sobre as normas produzidas pela cisgeneridade e
como estas podem produzir desigualdades e violências em determinados contextos. Elaborar
criticamente preconceitos e desconstruir práticas discriminatórias baseadas em estereótipos de
gênero, e também na perspectiva do enfrentamento às violências contra população
LGBTQIAPN+, são intervenções necessárias. Quando se intenciona promover relações de
respeito às diferenças nas escolas e, por consequência, educar para que a intimidação
Atuação de psicólogos/as escolares no enfrentamento ao bullying
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sistemática baseada em gênero e/ou orientação sexual não aconteça, faz-se necessário incluir
no debate a análise das estruturas de dominação machista, misógina e cisheteropatriarcal
produtoras de violências (Nascimento, 2021).
Em relação a prática do bullying que acontece por meio do uso da internet, o
cyberbullying, este é um problema crescente (UNESCO, 2019).
A maior parte dos dados disponíveis sobre a prevalência do cyberbullying provém de pesquisas
conduzidas em países industrializados e sugerem que a proporção de crianças e adolescentes
afetados pelo cyberbullying varia de 5% a 21%, sendo as meninas mais propensas a sofrer essa
forma de bullying do que os meninos. (p. 9)
O artigo de Wendt e Lisboa (2013) sobre as definições, impactos e desafios do
cyberbullying, reflete que “o anonimato que perpassa muitos dos atos de agressão virtual,
associado à rapidez com que ocorrem, serve de sustentação para que se mencione a gravidade
do assunto” (p. 82). Segundo os autores, é preciso a atuação de pais e professores/as na
supervisão do uso das redes pelas crianças e adolescentes, e as escolas devem ter regras
específicas sobre o uso de equipamentos eletrônicos dentro da instituição. Em relação à escola,
houve a recente publicação da Lei 15.100/2025, que dispõe sobre a utilização, por estudantes,
de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino
da educação básica (Brasil, 2025). Em seu artigo quarto, a lei prevê que:
As redes de ensino e as escolas deverão elaborar estratégias para tratar do tema do sofrimento
psíquico e da saúde mental dos estudantes da educação básica, informando-lhes sobre os riscos,
os sinais e a prevenção do sofrimento psíquico de crianças e adolescentes, incluídos o uso
imoderado dos aparelhos referidos no art. desta Lei e o acesso a conteúdos impróprios.
(Brasil, 2025)
Para além das regras ou do impedimento do uso de aparelhos celulares, compreende-se
como necessário um trabalho educativo para o uso das mídias. Esta nova geração de crianças e
adolescentes, nascida no contexto do uso das tecnologias, da internet e das redes sociais,
precisa ser alfabetizada para estes fins. Introduzir uma criança no mundo da escrita e da leitura
sem problematizar as mediações tecnológicas e as relações virtuais produtoras de subjetividade
seria apartar os sujeitos do próprio mundo em que as aprendizagens escolares acontecem.
Portanto, educar para o respeito e valorização das diferenças nas escolas precisa se articular
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com a educação para o uso das tecnologias e da internet, como forma de prevenção e
enfrentamento ao bullying e seus agravos em relação à saúde mental de crianças e adolescentes.
Trata-se de um trabalho da Psicologia Escolar que visa produzir uma cultura de uso saudável e
de criação de conteúdo em meio virtual com responsabilidade. Assim, a questão do
cyberbullying deve ser pensada junto com as demais propostas de intervenção vinculadas à
problemática dos preconceitos e violências no contexto escolar, especialmente com os/as
estudantes.
O artigo de Silva et al. (2018), sobre intervenções em habilidades sociais para redução
do bullying, analisou seis publicações de pesquisas com este foco. Segundo os autores,
Os resultados indicaram efeitos das intervenções em habilidades sociais na redução de agressão
e vitimização, porém em níveis não significativos. Intervenções em habilidades sociais podem
ser mais eficazes se desenvolvidas em conjunto com outras que envolvam também a variedade
de situações, contextos e sujeitos implicados no bullying, como equipe escolar e família. (Silva
et al., 2018, p. 509)
Resultado este importante de ser considerado, pois o bullying não pode ser explicado a
partir de uma perspectiva individualizante e culpabilizadora dos sujeitos. Intervir apenas nas
habilidades sociais reflete uma concepção simplificada do bullying, como se este modo de
praticar violências fosse resultado da incapacidade do sujeito para interagir com outras pessoas
de forma adequada, ou ainda uma falha na sua formação social ou cultural. Nesta direção, Patto
(2009) faz um alerta contundente sobre como a psicologia pode acabar ocupando o lugar de
gestora de possíveis riscos sociais na escola e trabalhar para justificação das desigualdades e
perpetuação de violências. Portanto, deve-se estar atento/a em relação ao modo como o
desenvolvimento de ações voltadas para habilidades sociais pode se sustentar em perspectivas
colonizadoras, racistas e classistas no ambiente escolar.
Sobre a capacitação de docentes, a partir da análise de 12 publicações sobre o
treinamento de professores/as para prevenção e manejo de situações de bullying, Panosso et al.
(2023) concluíram que:
A seleção e caracterização de estudos recuperados possibilitou identificar que o treinamento de
professores sobre a temática bullying escolar ainda não tem sido considerado um objeto de
estudo em si, especialmente no Brasil. A metodologia empregada pelos poucos estudos que
avaliaram o repertório comportamental dos professores dificulta identificar se os participantes
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da pesquisa de fato desenvolveram um repertório que o treinamento se propôs a ensinar. Além
disso, foi possível identificar que o foco das capacitações está mais voltado a proporcionar
conhecimento teórico aos professores do que propriamente promover o desenvolvimento de
comportamentos que os tornem mais hábeis a lidar com as situações de bullying escolar. Além
da mudança de percepção, faz-se necessário que os professores sejam ensinados a se comportar
e a usar estratégias adequadas no gerenciamento deste problema. (Panosso et al., 2023, p. 11)
A partir de leituras sobre o tema, é comum encontrar pesquisas que abordam o trabalho
com docentes e demais profissionais da educação desde uma perspectiva mais conceitual sobre
o que é o bullying. Esta é uma etapa importante para qualquer intervenção no contexto escolar,
ou seja, identificar preconceitos e os sentidos atribuídos pelos sujeitos visando criar espaços
para reflexões que possam produzir ressignificações e novos conhecimentos sobre esta questão
social (Mezzalira et al., 2021). Desenvolver um trabalho teórico-prático também é desejável, o
que pode ser realizado pelos/as psicólogos/as escolares junto a grupos de docentes, por meio
do estudo de casos e oficinas, por exemplo. Além de identificar as situações de bullying e
nomear as violências envolvidas, os/as docentes precisam ser capacitados/as para desenvolver
uma postura ética e educativa na realização de interferências em situações do cotidiano, bem
como incentivados/as a criar estratégias coletivas e interdisciplinares de promoção da escola
como um ambiente seguro.
Na avaliação da UNESCO (2019), uma “limitação de evidências e relativamente
poucos exemplos de boas práticas, poucas avaliações de intervenções e programas para prevenir
e combater a violência escolar e o bullying, e a ausência de evidências sobre estratégias efetivas
em contextos diversos” (p. 10). No entanto, o artigo de Tristão et al. (2022), realizou a análise
de nove estudos que tratavam de intervenções realizadas no contexto escolar. Apesar de não
terem encontrado nenhuma publicação brasileira, os resultados dos trabalhos realizados em
outros países no enfrentamento ao bullying podem contribuir com a perspectiva de atuação no
Brasil. Segundo os autores,
Intervenções mais extensas fornecem melhores resultados porque leva-se algum tempo para que
o programa possa exercer influências na cultura escolar e, posteriormente, nas atitudes e
percepções de funcionários e alunos. A grande parte das pesquisas adotou intervenções
multidimensionais que envolviam toda a escola, sendo que os resultados apresentados por esta
abordagem se destacaram em relação a outros tipos de intervenção com perspectivas individuais.
(Tristão et al., 2022, p. 1067)
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Nesta direção, compreende-se que melhores resultados no enfrentamento ao bullying
são conquistados quandoo desenvolvidos projetos envolvendo os diferentes atores escolares,
realizados processualmente, com prazo estendido e utilizando múltiplas metodologias de
trabalho. Além disso, “a experiência mostra que intervenções para prevenir a violência escolar
e o bullying e para tornar as escolas locais mais seguros são mais efetivas quando a
participação de crianças e adolescentes no seu planejamento e implementação” (UNESCO,
2019, p. 44).
A revisão bibliográfica de Oliveira-Menegotto et al. (2013), cuja análise abarcou 50
artigos sobre bullying escolar no Brasil, evidenciou que poucas publicações discutiam a atuação
da psicologia frente à problemática do bullying. Os autores salientam que o bullying deve ser
trabalhado como um conteúdo curricular, o que reitera a perspectiva de que o enfrentamento
das violências e do modo sistemático em que elas podem ocorrer precisa ser parte do Projeto
Político-Pedagógico das escolas.
Este trabalho pode ser encampado pela/o profissional da psicologia, mas também
precisa ser uma estratégia prevista no Projeto Político-Pedagógico da escola, com cronograma
de desenvolvimento e, também, de avaliação. É preciso desenvolver proposições que atendam
a complexidade deste fenômeno em uma instituição pública que possui dificuldades de
recursos, de estrutura, de tempo e de espaço para o engajamento dos/as demais profissionais da
escola. Deste modo, seria importante contar com o apoio das secretarias de educação para
elaboração, desenvolvimento e avaliação de um programa de enfrentamento ao bullying nas
escolas.
Nesta direção, cabe ao/à psicólogo/a escolar participar dessa elaboração, imbuído/a de
uma perspectiva crítica, refletindo sobre a dimensão subjetiva da realidade escolar nos projetos
e iniciativas educativas (Conselho Federal de Psicologia, 2019). Além disso, segundo Freire e
Aires (2012), o trabalho da Psicologia Escolar e Educacional nas políticas públicas de educação
básica envolve processos investigativos de identificação e análise crítica das demandas,
mapeamento da instituição a partir de um lugar de escuta, acolhimento e reflexão conjunta,
construção de processos de assessoramento da equipe escolar no desenvolvimento de reflexões,
processos formativos e capacitações voltadas para comunidade escolar.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das análises aqui apresentadas sobre os resultados de pesquisas de revisão de
literatura sobre a problemática do bullying, identificou-se que ainda há uma lacuna em relação
à produção acadêmica sobre a atuação da Psicologia Escolar e Educacional no enfrentamento
ao bullying nos contextos escolares brasileiros. Por outro lado, com a aprovação da Lei nº
13.935/2019, que dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e de serviço social nas
redes públicas de educação básica (Brasil, 2019), uma inserção crescente de psicólogos/as
nas redes municipais e estaduais de educação. As contribuições teóricas e sugestões
metodológicas para o trabalho da psicologia aqui sintetizadas a partir dos estudos visam,
sobretudo, alcançar estes/as profissionais.
Compreende-se que o trabalho da psicologia nas redes de ensino e nas escolas precisa
estar alinhado com a perspectiva de atuação da profissão na educação básica (Conselho Federal
de Psicologia, 2019), pois se trata não da atuação de uma psicologia generalista ou clínica na
escola, mas de um/a profissional da psicologia que trabalhe em consonância com o que prevê o
campo técnico e teórico-metodológico da Psicologia Escolar e Educacional Crítica.
Determinada perspectiva teórica ou concepção sobre as violências e sobre o bullying o
implicar determinados modos de atuação. Portanto, faz-se necessário compreender o bullying
como um modo específico de exercício das violências entre pares nas escolas, pois a motivação
da prática do bullying precisa ser identificada e nomeada para que a intervenção seja coerente,
cuidadosa, ética e educativa.
Compreender quem são os sujeitos mais vulneráveis a sofrer violências no contexto
escolar também é preciso. Estudantes negros/as e indígenas, migrantes, com deficiência, não
cisgêneros/as e com orientação sexual não heterossexual são os maiores alvos de bullying na
escola. Estes sujeitos podem vivenciar desigualdades e violências na escola, afetando não só o
seu direito à educação, mas sua saúde mental. Portanto, o trabalho planejado e permanente da
Psicologia Escolar no enfrentamento ao racismo, à misoginia, à xenofobia, ao classismo, ao
capacitismo e às violências contra pessoas LGBTQIAPN+ é necessário, pois é preciso
relacionar a prática do bullying aos preconceitos e violências que estruturam a sociedade.
A atuação da Psicologia Escolar e Educacional com processos formativos e educativos
nas escolas precisa se nutrir também de metodologias participativas e estratégias alternativas à
lógica da palestra, que acaba colocando os atores escolares em uma condição de receptores de
conhecimentos. Em termos metodológicos, a participação de estudantes e docentes na
elaboração e desenvolvimento de propostas e ações é de fundamental importância quando se
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deseja engajamento e compromisso com o enfrentamento ao bullying. Além disso, este convite
para pensar e fazer junto com a comunidade escolar é enriquecido pela construção de estratégias
de trabalho que primam pelo diálogo, pela troca de experiências e por espaços seguros e
acolhedores. Estas estratégias podem envolver rodas de conversa, cinedebates, estudo de casos,
oficinas, trabalho com jogos, entre outras, seja na sala de aula, em datas previstas no calendário
nacional e da escola, bem como em espaços de formação docente.
Intervir na problemática do bullying e nas inúmeras formas de expressão das violências
não pode ser uma prática compensatória que surge quando um caso grave acontece nas
instituições educativas. É preciso que a escola e sua equipe de profissionais assumam o
compromisso ético, político e educativo de inserir esta questão social como transversal ao
Projeto Político-Pedagógico e ao currículo escolar. O enfrentamento ao bullying nas escolas
precisa ser trabalhado como uma dimensão dos processos de ensinar e aprender, visando criar
novas aprendizagens e formas de convivência potencializadoras, sendo o papel do/a psicólogo/a
escolar fundamental neste contexto.
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C R e di T A ut h o r St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : As a ut or as a gr a d e c e m a o C N P q e à U ni v ersi d a d e d e S ã o P a ul o p or
f o m e nt ar à p es q uis a.
Fi n a n ci a m e nt o : C N P q e U ni v ersi d a d e d e S ã o P a ul o .
C o nflit os d e i nt e r ess e : Nã o h á c o nflit o s d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : Tr at a -s e d e u m a p es q uis a d o c u m e nt al.
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : Os m at eri ais utili z a d os est ã o dis p o ní v eis p ar a a c ess o
n a s e ç ã o d e r ef er ê n ci as d o arti g o.
C o nt ri b uiç õ es d os a ut o r es : A. R. G. : C o n c eit uali z a ç ã o, G er e n cia m e nt o d e da d os; A n ális e
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P r o c ess a m e nt o e e dit or a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ric a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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SCHOOL PSYCHOLOGISTS’ ROLE IN CONFRONTING BULLYING
ATUAÇÃO DE PSICÓLOGOS/AS ESCOLARES NO ENFRENTAMENTO AO
BULLYING
EL PAPEL DE LOS PSICÓLOGOS/AS DE LA EDUCACIÓN EN LA LUCHA CONTRA
EL BULLYING
Apoliana Regina GROFF
1
e-mail: apo[email protected]
Marilene Proença Rebello de SOUZA
2
How to reference this paper:
Groff, A. R., & Souza, M. P. R. (2026). School psychologists’
role in confronting bullying. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
27, e026005. https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20551
| Submitted: 26/08/2025
| Revisions required: 25/02/2026
| Approved: 22/05/2026
| Published: 02/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University Santa Catarina (UFSC), Florianópolis Santa Catarina (SC) Brazil. Ph.D. in Psychology,
Professor in the Department of Psychology.
2
University of São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in School and Human Development
Psychology, Full Professor at the Institute of Psychology.
School psychologists’ role in confronting bullying
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20551 2
ABSTRACT: This article is based on a literature review of the role of School and Educational
Psychology in addressing social issues and violence in Brazilian elementary education. Were
consulted the databases of SciELO, Oasis, and CAPES Portal, as well as the journal Psicologia
Escolar e Educacional, focusing on publications from 2010 to 2023. A summary of the results
is presented through the analysis of 24 literature review articles on bullying. Based on this
study, it highlights which groups are most vulnerable to systematic violence and which
prejudices and structural forms of violence may sustain the practice of bullying and
cyberbullying. It is noted that better results in confronting bullying are achieved when
institutional projects are developed involving the school community, especially the student
body, when carried out procedurally, with an extended deadline, and using work methodologies
that allow participation, listening, welcoming experiences, and producing learning processes on
this social issue.
KEYWORDS: Basic education. Bullying. Law 13.935/2019. School and Educational
Psychology.
RESUMO: Este artigo decorre de um levantamento bibliográfico sobre a atuação da
Psicologia Escolar e Educacional no enfrentamento de questões sociais e violências presentes
na educação básica brasileira. Foram consultadas as bases SciELO, Oasis, Portal CAPES e a
revista Psicologia Escolar e Educacional, em publicações do período entre 2010 e 2023.
Apresenta-se um recorte dos resultados deste levantamento, por meio da análise de 24 artigos
de revisão de literatura sobre a problemática do bullying. A partir deste estudo, destaca-se
quais são os grupos mais vulneráveis a sofrerem violência sistemática e quais preconceitos e
violências estruturais podem sustentar a prática do bullying e do ciberbullying. Aponta-se que
melhores resultados no enfrentamento ao bullying são conquistados quando desenvolvidos
projetos institucionais envolvendo, em especial, os/as estudantes, quando realizados
processualmente, com prazo estendido e utilizando metodologias de trabalho que permitam a
participação da comunidade escolar e a produção de processos de aprendizagem sobre esta
questão social.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Básica. Bullying. Lei 13.935/2019. Psicologia Escolar e
Educacional.
RESUMEN: Este artículo surge de una revisión bibliográfica sobre la actuación de la
Psicología Escolar y Educativa en el enfrentamiento de cuestiones sociales y violencias
presentes en la educación básica brasileña. Se consultaron las bases SciELO, Oasis, el Portal
CAPES e la revista Psicologia Escolar e Educacional, y publicaciones del período entre 2010
y 2023. Se presenta un recorte de los resultados, por medio del análisis de 24 artículos de
revisión de literatura sobre el bullying. A partir de este estudio, se resalta cuáles son los grupos
más vulnerables afectados por la violencia sistemática y cuales prejuicios y violencias
estructurales pueden sostener la práctica del bullying y ciberbullying. Es señalado que se
conquistan mejores resultados en el enfrentamiento al bullying cuando se desarrollan
proyectos institucionales que involucran a los/as estudiantes, realizados con plazo ampliado y
con metodologías que permitan la participación de la comunidad escolar y procesos de
aprendizaje sobre esta cuestión social.
PALABRAS CLAVE: Educación Básica. Bullying. Ley 13.935/2019. Psicología Escolar y
Educativa.
Apoliana Regina GROFF & Marilene Proença Rebello de SOUZA
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026005, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCTION
The issue of bullying in schools has been studied for quite some time in Brazil, primarily
by researchers in the fields of psychology and education. In psychology, we observe that much
of the research on bullying lacks an epistemological and political discussion that frames the
phenomenon as a category for analyzing how violence occurs in the school context (Groff et
al., 2022). This is because the term bullying ends up being used to define a type of violence
among students, when it should be used to explain how a specific act of violence is perpetrated.
According to the United Nations Educational, Scientific, and Cultural Organization
(UNESCO, 2019), bullying “is defined as a pattern of behavior rather than an isolated event”
(p. 8), since one of its defining characteristics is the systematic manner in which violence is
perpetrated over time against a person or group. To address bullying, it is necessary to identify,
name, and explain the forms of violence that occur systematically in school relationships. This
requires an analytical approach that examines both the type of violence and the manner in which
it occurs.
According to the report on the global situation regarding school violence and bullying
(UNESCO, 2019), poor children and adolescents, those from ethnic minorities, migrants, those
with disabilities, or those whose sexual orientation or gender identity deviates from
cisheteronormativity are at greater risk of being bullied in schools. This consideration of the
social markers of groups and individuals most vulnerable to bullying is of utmost importance
for understanding this form of violence linked to structural violence in our society. Identifying
and naming forms of violence such as racism, ableism, fatphobia, classism, LGBTphobia,
transphobia, xenophobia, and sexism from an intersectional perspective (Akotirene, 2019) is
fundamental to the work of school psychologists.
According to Almeida et al. (2018), bullying is a type of violence that occurs among
students with an unequal power dynamic; the aggressor intends to harm and cause damage to
the victim, and it occurs repeatedly over time against the same individuals in the school setting.
Thus, the psychosocial and educational effects of violence perpetrated through this pattern of
behavior in the lives of children and adolescents can lead to school dropout, suffering, and
mental health issues (Almeida & Oliveira, 2016).
It is the ethical and political commitment of psychology professionals not to condone
any form of prejudice or violence. School psychologists must be committed to contributing to
a safe, welcoming, and inclusive school environment, where the very guarantee of teaching,
learning, and coexistence free from violence serves as a benchmark for promoting the health
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and quality of life of students, teachers, and other education professionals (Conselho Federal
de Psicologia, 2019). In this vein, there is a recognized need to provide guidelines for school
psychologists’ work in addressing bullying in educational contexts, from the perspective of
Critical School and Educational Psychology.
The development of the theoretical frameworks and methodologies for psychological
practice presented here is based on a literature review of the role of School and Educational
Psychology in addressing social issues and violence present in Brazilian basic education. This
article focuses on a specific aspect of that review, addressing the issue of bullying. However,
before presenting the methodological approach, the results, and the discussions generated, we
analyze Law No. 13,185/2015, which establishes the Program to Combat Systematic
Intimidation (Brasil, 2015), from a critical perspective, as legal language can also serve as a
framework for the practice of psychology in schools.
THE “ANTI-BULLYING LAW”
Law No. 13,185/2015 establishes the Program to Combat Systematic Intimidation,
known as the “Anti-Bullying Law” (Brasil, 2015). On May 14, 2018, Law No. 13,663, also a
federal law, supplements the previous law and amends Article 12 of the Law on Guidelines and
Foundations of Education, emphasizing the need for educational institutions to promote
measures to raise awareness, prevent, and combat violence, especially systematic bullying
(Brasil, 2018).
Systematic intimidation (bullying) is defined as:
any intentional and repetitive act of physical or psychological violence that occurs without
evident motivation, committed by an individual or group against one or more people, with the
aim of intimidating or harming them, causing pain and distress to the victim, within a
relationship of power imbalance between the parties involved. (Brasil, 2015)
This type of intimidation, as defined by the law, involves situations of humiliation,
embarrassment, or discrimination, and can take the form of physical attacks, insults, derogatory
nicknames, jokes, threats, prejudiced remarks, and the social isolation of individuals.
This definition of bullying as synonymous with systematic intimidation allows us to say
that bullying is not a type of violence in and of itself, but rather the way in which certain acts
of violence occur among peers in the school setting. However, what is observed in the scientific
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literature, as well as in the way the concept of bullying circulates in communication among
education professionals, the general public, and on social media, is that the term is used to
succinctly describe complex situations involving violence. The way the term bullying has been
used, in most cases, is limited to a psychologizing, ahistorical, and individualizing perspective
on the problem (Groff et al., 2022).
Researchers in this field emphasize, in this regard, that the study and prevention of
bullying must take into account the educational, economic, political, historical, and cultural
conditions that give rise to it, as well as the relationship between bullying and the prejudices
that are forged in our society toward anything that deviates from culturally established norms
and standards (Antunes & Zuin, 2008; Crochík, 2012). It is necessary to explain and clarify
which forms of violence are systematically produced in school relationships and which
prejudices underpin the practice of bullying.
Law No. 13,185/2015 emphasizes that this type of violence occurs without an obvious
motive. However, bullying in the school context, especially when it occurs through words,
whether written or spoken, carries socially shared meanings. In other words, insulting others,
giving nicknames, making jokes, and using prejudiced expressions are not neutral or
meaningless actions for those experiencing the situation, whether as perpetrators, bystanders,
or targets of systematic intimidation. Thus, it is essential for addressing the problem that
psychologists and educators identify the motivation behind this practice, situating the historical
and cultural roots of its originshow violence manifests in school relationshipswithout
resorting to moralizing and/or placing blame on individuals.
In the school setting, the legal definition of bullying must also be carefully analyzed, as
it involves relationships among student peersthat is, children and adolescents whose
protection, rights, and responsibilities are guaranteed by the Statute of the Child and Adolescent
(ECA). These are individuals undergoing learning and developmental processes within an
educational context. Law 13.185/2015 itself recognizes the need to avoid criminalizing
perpetrators of bullying by stipulating, among the objectives of the Anti-Bullying Program, “to
avoid, as much as possible, the punishment of aggressors, prioritizing alternative mechanisms
and tools that promote effective accountability and a change in hostile behavior” (Brasil, 2015).
Among the objectives of the anti-bullying program established by law are: to train
teachers and educational staff to implement initiatives aimed at discussion, prevention,
guidance, and resolution of the problem; to implement and disseminate educational, awareness-
raising, and informational campaigns; to establish guidelines for the conduct and guidance of
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parents, family members, and guardians regarding the identification of victims and perpetrators;
providing psychological, social, and legal assistance to victims and perpetrators; engaging the
mass media with schools and society to raise awareness of the problem and to prevent and
combat it; promoting citizenship, empathy, and respect for others within the framework of a
culture of peace and mutual tolerance; promote measures to raise awareness, prevent, and
combat all types of violence, with an emphasis on recurring acts of systematic intimidation
(bullying) or physical and psychological harassment committed by students, teachers, and other
professionals within the school and the school community (Brasil, 2015).
These objectives focus primarily on developing educational and training initiatives that
involve the school community as a whole. However, the way the law defines and classifies
bullying may not contribute to the identification of structural forms of violence that manifest
themselves in the school setting. What the concept of bullying can offer as an analytical tool
for school psychologists in developing these initiatives is the ability to determine whether a
particular violent practice or relationship is occurring systematically among students. In other
words, it can contribute to training programs, particularly for education professionals and
students, so that they can remain vigilant for recurring situations in which a specific individual
or group experiences violence at school. In addition, it is necessary to work on naming these
forms of violence. Is it racism? Fatphobia? Machismo? Sexism? Homophobia? Ableism?
Transphobia? Classism? (Groff et al., 2024).
It is essential to engage in critical reflection, together with the school community, on
the forms of violence that afflict Brazilian society and that are learned by children and
adolescents, as well as to work toward identifying how these forms of violence manifest in peer
relationships at school. Without these two dimensions, the role of School and Educational
Psychology, as defined by the “anti-bullying law,” limits any efforts or programs aimed at
prevention, guidance, and problem-solving, given that the issue is more complex than what has
commonly been understood as bullying.
Acting in the field of education in accordance with the letter of the law requires that
school psychologists first have a critical theoretical foundation on the subject, since all practices
aimed at addressing bullying are linked to how the phenomenon is understood. And
understanding the complexity of violence that occurs repeatedly and over a prolonged period
among children and adolescents at school is no easy task. It is necessary to invest in
methodological strategies that enable us to understand the school climate in all its contradictions
and to listen to students’ accounts of their experiences and learning both in and outside of
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school. It is also essential to understand childhood and adolescence and the ways in which
young people communicate in person and through social media, as well as to be familiar with
the local context in which the school and the school community are situated.
METHODOLOGICAL APPROACH
This article is based on the results of a multicenter study titled “The Role of School
Psychologists in Latin America: Concepts, Challenges, and Innovations in Public Policies for
Basic Education,” under the general coordination of Prof. Dr. Marilene Proença Rebello de
Souza, of the Interinstitutional Laboratory for Studies and Research in School Psychology
(LIEPPE), the Graduate Program in School and Human Development Psychology (IPUSP), and
the Latin American Integration Graduate Program (PROLAM/USP). This research is grounded
in the theoretical and methodological frameworks of Historical-Cultural Psychology and
Critical School and Educational Psychology, and consists of a literature review phase and an
empirical phase.
This paper presents the results of the literature review phase, which involved a
bibliographic survey of scientific publications on the role of School and Educational
Psychology in addressing social issues and violence in basic education. The period under
investigation encompassed articles published between 2010 and 2023, as the aim was to update
a previous study with a similar objective, conducted by Souza et al. (2014). To this end, the
following search terms were used: racism, anti-racist education; gender, sex education,
sexuality; disability, inclusion; harassment, school violence, violence at school, student
violence; bullying; poverty, social inequality. Each of these search terms was combined with
others in the advanced search process, namely: role, practices, intervention; School Psychology,
Educational Psychology. The search for scientific literature was conducted in open-access
journals on SciELO and the Brazilian Portal for Open-Access Scientific Publications and Data
(Oasis), as these are leading databases for searching Brazilian scientific publications; on the
Journal Portal of the Coordination for the Improvement of Higher Education (CAPES), as it
brings together a large collection of scientific journals with national publications; and
specifically in the journal Psicologia Escolar e Educacional, as it is a leading journal in the
field of the bibliographic study conducted.
A total of 1,026 articles were identified and grouped under the following categories:
racism, gender, inclusion, violence, bullying, and poverty. In the analysis focused on the theme
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of bullying, 101 articles were identified; these underwent two rounds of screeningthe first
based on a review of the titles, and the second based on a review of the abstracts. The inclusion
criteria were: publication type article; focus on the topic of bullying; research setting in basic
education and in Brazil; and field of the articles in psychology and/or school and educational
psychology. Thirty-four articles that did not meet the criteria were excluded. After reviewing
the abstracts of the 67 selected articles, we identified 24 literature reviews (36%), seven
theoretical articles (10%), two practice reports (3%), 33 empirical research studies (49%), and
one intervention study report (2%).
We chose to focus our analysis solely on literature review articles, as these map and
synthesize a significant portion of the academic literature on bullying, including articles derived
from empirical studies, for example. Thus, we present an analysis of the 24 literature review
articles on the topic of bullying. Our aim is to identify findings and generate discussions that
highlight possibilities for the role of School and Educational Psychology in addressing bullying
in Brazilian school settings.
RESULTS AND DISCUSSION
Most of the literature review articles analyzed were published between 2022 and 2023,
accounting for nine (37.5%) of the 24 publications analyzed. Regarding databases, when
examining the sources cited in each article, SciELO had the highest number of cited articles,
followed by LILACS, Web of Science, PsycINFO, PubMed, Scopus, and PePsic. The
publication period examined by the literature reviews ranged from 5 to 10 years, and some
studies did not provide this information. Nine articles also do not specify the number of
publications analyzed. However, considering the remaining articles, there is significant
variation; the article by Almeida and Oliveira (2022), on the landscape of research on bullying
and cyberbullying among adolescents, analyzed the largest number of publications67 in total.
And the article by Oliveira et al. (2020), on the relationship between body image and bullying
among adolescents, analyzed 4 (four) publications.
The vast majority of review articles do not include discussions or analyses related to
public education policy in Brazil. Furthermore, they primarily analyze international research
publications found in databases. Three reviews focusing on interventions to address bullying
did not identify any articles published in Brazil (Pureza et al., 2017; Silva et al., 2018; Tristão
et al., 2022), which is noteworthy given that the law establishing the Program to Combat
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Systematic Intimidation—known as the “Anti-Bullying Law”—was enacted in 2015. On the
other hand, this finding also points to the low volume of Brazilian scientific research focused
on reporting psychological interventions addressing this phenomenon.
For the most part, review articles do not present a theoretical framework to ground the
analysis of research findings. Two articles, however, deserve special mention for the
consistency with which they apply their theoretical approaches to the analysis of bullying. One
of them draws on Carl Rogers’ person-centered approach, searching for articles that employ
this approach and its derivatives, such as student-centered learning and humanistic
reconciliation (Barbosa & Barros, 2016). This article explores intervention and prevention
strategies for bullying, viewing the teacher as an important mediator of conflicts and as an agent
for preventing bullying in schools.
Another article that consistently employed a theoretical perspective was the publication
by Almeida and Oliveira (2022). Drawing on Jean Piaget’s Genetic Epistemology, the authors
highlight the issue of physical appearance as a factor involved in bullying situations at school.
From a critical perspective, they reflect that:
Understanding corporeality means self-regulating one’s perception of how unique a person is,
rich in their peculiarities, meanings, and characteristics. It means accepting differences and
plurality within the same context; it means finding inner balance through one’s potential,
history, heritage, sense of belonging, significance, and importance. It means understanding
origins, ethnicities, creeds, genders, representations, and minorities; it means being prepared for
the idealizations, normalizations, and standardizations of beauty and style that are so influential
and culturally imposed. (Almeida & Oliveira, 2022, p. 95)
It is important to consider the issue of physical appearance as a motivating factor in
bullying among students, since, in a society marked by beauty standards that prioritize thinness,
whiteness, and the absence of disabilities, children and adolescents whose bodies deviate from
the normative ideal are prone to being targets of violence such as ableism, racism, and
fatphobia.
Only one of the review articles mentioned the role of School and Educational
Psychology in addressing bullying (Marques et al., 2022). Although Brazilian psychology has
had a Technical Reference for the Practice of Psychology in Basic Education in place since
2013, Critical School and Educational Psychology has been a well-established theoretical and
methodological field since the end of the last century, and the political struggle for the inclusion
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of psychologists in school systems has been ongoing for at least 20 years, the articles analyzed
do not engage with these frameworks when it comes to addressing bullying. Furthermore, of
the 24 review articles, half were published after 2019, the year in which Law No. 13,935 was
enacted (Brazil, 2019). However, none of them mention the law, which indicates a disconnect
between the academic and scientific discourse on this social issue and the profession’s
achievements regarding the professional practice of psychology within municipal and state
public education policies.
In analyzing the literature review articles, we sought to identify opportunities for School
and Educational Psychology to address bullying in Brazilian school settings. However, since
the articles do not engage with the perspective of School and Educational Psychology, we
sought to synthesize some contributions from research findings on the topic that could inform
the development of intervention projects and other psychological practices in elementary and
secondary schools. Of particular note are review studies focusing on the following thematic
areas: family, cyberbullying, characteristics of boys and girls involved in bullying situations,
social skills, and teacher training.
The article by Oliveira et al. (2015) presents a systematic review focusing on the
interface between family and school bullying. Based on an analysis of 54 publications on the
topic, the authors concluded that:
Family variables, taken in isolation, do not explain the phenomenon; and, in general, across the
studies, these variables were associated and interrelated, forming part of investigations that did
not aim to demonstrate cause-and-effect relationships, thereby highlighting the relevance of
macrosocial and economic factors in bullying situations. (Oliveira et al., 2015, p. 124).
Another important point of this review on the topic is that there is a scarcity of
qualitative studies and theoretical analyses that explain the relationship between bullying
situations and the families of those involved.
The review article by Lembo et al. (2023) on the characteristics of boys and girls who
engage in bullying at school highlights the need to consider, in intervention proposals, the
differences and similarities in the involvement of girls and boys in bullying situations. The
authors emphasize that “few articles have actually used theories to analyze the presented results,
and the focus has often been on diagnosing the problem in comparison with the results obtained
by other studies” (Lembo et al., 2023, p. 9). Despite this assessment, this body of academic
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work also lacked in-depth discussionsfor example, based on gender theoriesto analyze the
characteristics of boys’ and girls’ involvement in bullying situations. This discussion aligns
with the UNESCO Report on the Global Situation Regarding School Violence and Bullying,
given that,
much of school violence and bullying is gender-related. Gender-based violence is violence that
results in physical, sexual, or psychological aggression or harm against a person and is based on
gender discrimination and on expectations regarding roles, stereotypes, and power differences
associated with the status of each gender. (UNESCO, 2019, p. 8)
Therefore, this analysis is important when it comes to explaining the difference between
boys’ and girls’ involvement in bullying and, consequently, developing intervention strategies
from the perspective of school psychology. It is not enough to address these differences from a
binary perspective that treats the category of sex as natural or biological. The field of gender
studies in psychology and interdisciplinary areas, as well as transfeminist theories, offer an
important theoretical framework for developing educational initiatives in school settings that
involve reflections on the norms produced by cisgender norms and how these can lead to
inequalities and violence in certain contexts. Critically examining prejudices and
deconstructing discriminatory practices based on gender stereotypesas well as addressing
violence against the LGBTQIAPN+ populationare necessary interventions. When seeking to
promote relationships that respect differences in schools and, consequently, to educate in a way
that prevents systematic bullying based on gender and/or sexual orientation, it is necessary to
include in the debate an analysis of the macho, misogynistic, and cisheteropatriarchal structures
of domination that produce violence (Nascimento, 2021).
With regard to bullying that occurs via the internet, known as cyberbullying, this is a
growing problem (UNESCO, 2019).
Most of the available data on the prevalence of cyberbullying comes from studies conducted in
industrialized countries and suggests that the proportion of children and adolescents affected by
cyberbullying ranges from 5% to 21%, with girls being more likely to experience this form of
bullying than boys. (UNESCO, 2019, p. 9)
The article by Wendt and Lisboa (2013) on the definitions, impacts, and challenges of
cyberbullying notes that “the anonymity inherent in many acts of online aggression, combined
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with the speed with which they occur, underscores the seriousness of the issue” (p. 82).
According to the authors, parents and teachers must take action to supervise children’s and
adolescents’ use of social media, and schools should have specific rules regarding the use of
electronic devices on school grounds. With regard to schools, Law No. 15,100/2025 was
recently enacted, which regulates the use by students of personal portable electronic devices in
public and private basic education institutions (Brasil, 2025). In its Article 4, the law provides
that:
School districts and schools must develop strategies to address the issue of psychological
distress and mental health among students in basic education, informing them about the risks,
the signs, and the prevention of psychological distress among children and adolescents,
including the excessive use of the devices referred to in Article 1 of this Law and access to
inappropriate content. (Brasil, 2025)
Beyond rules or restrictions on cell phone use, educational efforts regarding media use
are considered necessary. This new generation of children and adolescents, born into a world
of technology, the internet, and social media, needs to be educated in these areas. Introducing
a child to the world of reading and writing without addressing the role of technology and the
virtual relationships that shape subjectivity would be to disconnect students from the very world
in which their academic learning takes place. Therefore, educating students to respect and value
differences in schools must be integrated with education on the use of technology and the
internet, as a means of preventing and addressing bullying and its adverse effects on the mental
health of children and adolescents. This is a task for School Psychology that aims to foster a
culture of healthy use and responsible content creation in virtual environments. Thus, the issue
of cyberbullying must be considered alongside other intervention strategies related to the
problems of prejudice and violence in the school context, especially among students.
The article by Silva et al. (2018) on social skills interventions to reduce bullying
analyzed six research publications on this topic. According to the authors,
The results indicated that social skills interventions had an effect on reducing aggression and
victimization, though at non-significant levels. Social skills interventions may be more effective
if developed in conjunction with other interventions that also address the variety of situations,
contexts, and individuals involved in bullying, such as school staff and families. (Silva et al.,
2018, p. 509)
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This finding is important to consider, as bullying cannot be explained from an
individualistic perspective that places blame on the individuals involved. Intervening solely on
social skills reflects a simplified conception of bullying, as if this form of violence were the
result of the individual’s inability to interact appropriately with others, or a failure in their social
or cultural upbringing. In this regard, Patto (2009) issues a stark warning about how psychology
can end up taking on the role of managing potential social risks in schools and working to justify
inequalities and perpetuate violence. Therefore, one must be mindful of how the development
of initiatives focused on social skills can be underpinned by colonizing, racist, and classist
perspectives in the school environment.
Regarding teacher training, based on an analysis of 12 publications on training teachers
to prevent and manage bullying situations, Panosso et al. (2023) concluded that:
The selection and characterization of the retrieved studies revealed that teacher training on the
topic of school bullying has not yet been considered a subject of study in its own right, especially
in Brazil. The methodology employed by the few studies that evaluated teachers’ behavioral
repertoires makes it difficult to determine whether research participants actually developed the
behaviors that the training set out to teach. Furthermore, it was found that the focus of these
training programs is more on providing teachers with theoretical knowledge than on promoting
the development of behaviors that would make them more adept at handling school bullying
situations. In addition to a change in perception, it is necessary for teachers to be taught how to
behave and to use appropriate strategies in managing this problem. (Panosso et al., 2023, p. 11)
When reviewing the literature on this topic, it is common to find studies that address
work with teachers and other education professionals from a more conceptual perspective on
what bullying is. This is an important step for any intervention in the school settingthat is,
identifying prejudices and the meanings attributed by participants in order to create spaces for
reflection that can lead to reframing and new insights into this social issue (Mezzalira et al.,
2021). Developing a theoretical-practical approach is also desirable, which can be carried out
by school psychologists working with groups of teachers through case studies and workshops,
for example. In addition to identifying instances of bullying and naming the forms of violence
involved, teachers need to be trained to adopt an ethical and educational approach when
intervening in everyday situations, as well as encouraged to develop collective and
interdisciplinary strategies to promote the school as a safe environment.
School psychologists’ role in confronting bullying
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According to UNESCO’s (2019) assessment, there is a “lack of evidence and relatively
few examples of best practices, few evaluations of interventions and programs to prevent and
combat school violence and bullying, and a lack of evidence regarding effective strategies in
diverse contexts” (p. 10). However, the article by Tristão et al. (2022) analyzed nine studies
that addressed interventions carried out in school settings. Although they did not find any
Brazilian publications, the results of studies conducted in other countries on combating bullying
may contribute to the perspective on how to address this issue in Brazil. According to the
authors,
More extensive interventions yield better results because it takes some time for the program to
influence school culture and, subsequently, the attitudes and perceptions of staff and students.
Most studies employed multidimensional, school-wide interventions, and the results obtained
through this approach stood out compared to other types of interventions with individual-level
perspectives. (Tristão et al., 2022, p. 1067)
In this regard, it is understood that better results in combating bullying are achieved
when projects are developed that involve various school stakeholders, are implemented in a
phased manner, have an extended timeframe, and utilize multiple working methodologies.
Furthermore, “experience shows that interventions to prevent school violence and bullying and
to make local schools safer are most effective when children and adolescents participate in their
planning and implementation” (UNESCO, 2019, p. 44).
The literature review by Oliveira-Menegotto et al. (2013), which analyzed 50 articles
on school bullying in Brazil, revealed that few publications discussed the role of psychology in
addressing the problem of bullying. The authors emphasize that bullying should be addressed
as part of the curriculum, which reinforces the view that combating violence and the systematic
ways in which it can occur must be part of schools’ Political-Pedagogical Project.
This work can be undertaken by a school psychologist, but it must also be a strategy
outlined in the school’s Educational Policy Plan, complete with a timeline for implementation
and evaluation. It is necessary to develop proposals that address the complexity of this
phenomenon in a public institution that faces challenges related to resources, infrastructure,
time, and space for engaging other school professionals. Thus, it would be important to have
the support of state and local education departments for the design, development, and evaluation
of a program to combat bullying in schools.
In this regard, it is the responsibility of the school psychologist to participate in this
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process, guided by a critical perspective and reflecting on the subjective dimension of school
reality in educational projects and initiatives (Conselho Federal de Psicologia, 2019).
Furthermore, according to Freire and Aires (2012), the role of School and Educational
Psychology in public policies for basic education involves investigative processes to identify
and critically analyze needs; mapping the institution from a perspective of listening, welcoming,
and joint reflection; and developing advisory processes to support the school staff in fostering
reflection, as well as training and capacity-building initiatives focused on the school
community.
FINAL CONSIDERATIONS
Based on the analyses presented here regarding the results of literature review studies
on the issue of bullying, it was found that there is still a gap in academic research on the role of
School and Educational Psychology in addressing bullying in Brazilian school settings. On the
other hand, with the enactment of Law No. 13,935/2019, which provides for the provision of
psychology and social work services in public basic education systems (Brasil, 2019), there has
been a growing presence of psychologists in municipal and state education systems. The
theoretical contributions and methodological suggestions for the work of psychology
summarized here, based on the studies, are primarily aimed at reaching these professionals.
It is understood that the work of psychology in school systems and schools must be
aligned with the profession’s approach to basic education (Conselho Federal de Psicologia,
2019), since this is not a matter of generalist or clinical psychology in schools, but rather of a
psychology professional working in accordance with the technical and theoretical-
methodological framework of Critical School and Educational Psychology. A particular
theoretical perspective or conception of violence and bullying will imply specific modes of
practice. Therefore, it is necessary to understand bullying as a specific form of peer violence in
schools, since the motivation behind bullying must be identified and named so that the
intervention can be coherent, thoughtful, ethical, and educational.
It is also essential to understand who is most vulnerable to experiencing violence in the
school setting. Black and Indigenous students, migrants, students with disabilities, non-
cisgender students, and students with non-heterosexual sexual orientations are the primary
targets of bullying at school. These individuals may experience inequalities and violence at
school, which affects not only their right to education but also their mental health. Therefore,
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the planned and ongoing work of School Psychology in combating racism, misogyny,
xenophobia, classism, ableism, and violence against LGBTQIAPN+ individuals is necessary,
as it is essential to link the practice of bullying to the prejudices and violence that structure
society.
The role of School and Educational Psychology in formative and educational processes
within schools must also draw on participatory methodologies and strategies that offer
alternatives to the lecture format, which ultimately reduces school stakeholders to mere
recipients of knowledge. From a methodological perspective, the participation of students and
teachers in the design and development of proposals and actions is of fundamental importance
when seeking engagement and commitment to addressing bullying. Furthermore, this invitation
to think and act together with the school community is enriched by the development of working
strategies that prioritize dialogue, the exchange of experiences, and safe, welcoming spaces.
These strategies may include discussion circles, film screenings followed by debates, case
studies, workshops, and games, among others, whether in the classroom, on dates specified in
the national and school calendars, or in teacher training settings.
Addressing the issue of bullying and the countless forms of violence cannot be a reactive
measure that is implemented only when a serious incident occurs in educational institutions.
Schools and their professional staff must make an ethical, political, and educational
commitment to integrate this social issue as a cross-cutting theme within the Political-
Pedagogical Project and the school curriculum. Addressing bullying in schools must be
approached as an integral part of the teaching and learning processes, with the aim of fostering
new learning experiences and empowering ways of coexisting; the role of the school
psychologist is fundamental in this context.
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S c h o ol ps y c h ol o gists’ r ol e i n c o nfr o nti n g b ull yi n g
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F u n di n g : C N P q a n d t h e U ni v ersit y of S ã o P a ul o .
C o nfli cts of i nt e r est : T h er e ar e n o c o nfli cts of i nt erest .
Et hi c al a p p r o v al : T his is a lit erat ur e r e vi e w .
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A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : A. R. G.: C o n c e pt u ali z ati o n, D at a m a n a g e m e nt, D at a a nal ysis,
Writi n g. M. P. R. S.: C o n c e pt u ali z ati o n, M et h o d ol o g y, Pr oj e ct m a n a g e m e nt, R e vi e w.
P r o c ess i n g a n d e dit i n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, n or m ali z ati o n a n d tr a nsl ati o n