1
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
10.30715/doxa.v26i00.20576
Revista Brasileira de Psicologia da Educação
Brazilian Journal of Educational Psychology
LIMIARES E SINERGIAS ENTRE O ANÍMICO
E A CULTURA: O SÍMBOLO PESSOAL NA
ANTROPOLOGIA PSICANALÍTICA DE GANANATH
OBEYESEKERE
UMBRALES Y SINERGIAS ENTRE EL ALMA Y LA CULTURA:
EL SÍMBOLO PERSONAL EN LA ANTROPOLOGÍA
PSICOANALÍTICA DE GANANATH OBEYESEKERE
THRESHOLDS AND SYNERGIES BETWEEN THE SOUL AND
CULTURE: THE PERSONAL SYMBOL IN THE PSYCHOANALYTIC
ANTHROPOLOGY OF GANANATH OBEYESEKERE
Arthur BRANDOLIN ¹
José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO²
Como referenciar este argo:
Brandolin, A. S. L. & Bairrão, J. F. M. H. (2025). Limiares e sinergias entre o anímico
e a cultura: O símbolo pessoal na antropologia psicanalíca de Gananath Obeye-
sekere. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 26, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385. DOI:
10.30715/doxa.v26i00.20576
Submedo em: 24/06/2025
Revisões requeridas em: 10/07/2025
Aprovado em: 17/08/2025
Publicado em: 10/09/2025
RESUMO: Símbolo Pessoal é um operador-conceitual fundamental na obra
de Gananath Obeyesekere. Esse operador é denido e redenido ao longo
das obras; Obeyesekere mantém uma abertura conceitual, dando espaço
para que suas experiências de campo, estudos de caso e desenvolvimentos
teóricos contribuam connuamente para suas formulações. Tal como Freud,
Obeyesekere apresenta um caso paradigmáco para o desenvolvimento
desse operador conceitual em sua Antropologia Psicanalíca. Abdin, um
cingalês muçulmano que foi levado a performar ritos de outra tradição
religiosa (hinduísta), aparece primeiramente em Medusa’s Hair (1981) e,
posteriormente, em The Work of Culture (1990b). O operador símbolo pessoal
caminha paralelamente às reconsiderações da análise desse caso, resultando
em um operador-conceitual aberto em sua denição, mas arculado com
outros operadores: movação profunda e trabalho da cultura. Este argo
apresenta essa trajetória e evidencia a relevância teórico-metodológica do
conceito para o trabalho de campo da Antropologia Psicanalíca proposta
pelo autor.
PALAVRAS-CHAVE: Simbolismo. Antropologia. Psicanálise. Inconsciente.
Cultura.
¹ Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão
Preto São Paulo (SP) Brasil. Graduado
em Ciências Sociais (UFSCar) e em Psicologia
(Estácio/RP), com Mestrado em Psicologia
Social pela USP-RP (egresso).
² Graduado em Psicologia e Filosofia pela
USP, doutor em Filosofia pela Unicamp e
Livre-Docente pela USP. Atua como docente
e pesquisador em Psicologia Social na
FFCLRP-USP, coordenando o Laboratório
de Etnopsicologia e desenvolvendo pes-
quisas que integram epistemologia, psi-
canálise, cultura e religião em perspectiva
interdisciplinar.
2
10.30715/doxa.v26i00.20278
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação,
Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025.
e-ISSN: 2594-8385
RESUMEN: El Símbolo Personal es un operador conceptual fundamental
en la obra de Gananath Obeyesekere. Este operador se dene y redene
a lo largo de su obra. Obeyesekere manene una apertura conceptual, lo
que permite que sus experiencias de campo, estudios de caso y desarrollos
teóricos contribuyan connuamente a sus formulaciones. Al igual que Freud,
Obeyesekere presenta un caso paradigmáco del desarrollo de este operador
conceptual en su Antropología Psicoanalíca. Abdin, un musulmán cingalés
que fue inducido a realizar ritos de otra tradición religiosa (el hinduismo),
aparece por primera vez en El cabello de Medusa (1981) y posteriormente en
El trabajo de la cultura (1990b). El operador del símbolo personal se asemeja
a las reconsideraciones de este análisis de caso, dando como resultado un
operador conceptual abierto en su denición, pero arculado con otros ope-
radores: movación profunda y trabajo cultural. Este arculo presenta esta
trayectoria y destaca la relevancia teórico-metodológica del concepto para
el trabajo de campo de la Antropología Psicoanalíca propuesto por el autor.
PALABRAS CLAVE: Simbolismo. Antropología. Psicoanálisis. Inconsciente.
Cultura.
ABSTRACT: The Personal Symbol is a fundamental conceptual operator
in Gananath Obeyesekere’s work. This operator is dened and redened
throughout his works. Obeyesekere maintains a conceptual openness,
allowing his eld experiences, case studies, and theorecal developments to
connually contribute to his formulaons. Like Freud, Obeyesekere presents
a paradigmac case for the development of this conceptual operator in his
Psychoanalyc Anthropology. Abdin, a Sinhalese Muslim who was led to
perform rites from another religious tradion (Hinduism), rst appears in
Medusa’s Hair (1981) and later in The Work of Culture (1990b). The personal
symbol operator parallels the reconsideraons of this case analysis, resulng
in a conceptual operator that is open in its denion but arculated with
other operators: deep movaon and cultural work. This arcle presents
this trajectory and highlights the theorecal-methodological relevance of
the concept for the eldwork of Psychoanalyc Anthropology proposed by
the author.
KEYWORDS: Symbolism. Anthropology. Psychoanalysis. Unconscious. Culture.
Artigo submetido ao sistema de similaridade
Editor: Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo: Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
3
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
INTRODUÇÃO
Gananath Obeyesekere nasceu no Sri Lanka em 1930 e atualmente é professor emé-
rito da Universidade de Princeton. Em 2011, foi homenageado pela Society for Psychological
Anthropology por sua substancial contribuição nas áreas de Psicologia/Psicanálise e Antropologia.
Suas primeiras obras acompanharam a “moda antropológica”, e a história fundamentava sua
base de análise. Podemos citar as obras de Obeyesekere: Land Tenure in Village Ceylon (1967),
uma descrição etnográca da sociedade da vila de Madagama, no Sri Lanka. No entanto, o autor
muda rapidamente suas tendências analícas e passa a ulizar a Psicanálise como chave de
análise antropológica, o que emerge nas obras Medusa’s Hair: An Essay on Personal Symbols
and Religious Experience (1981), The Cult of the Goddess Pani (1984), Buddhism Transformed:
Religious Change in Sri Lanka (1988) e The Work of Culture: Symbolic Transformaon in
Psychoanalysis and Anthropology (1990b). Nessas obras, Obeyesekere retoma a metapsicologia
freudiana como critério argumentavo e demonstra que é possível ulizar a Psicanálise para
um fazer etnográco e antropológico; contudo, ele enfaza que se manterá mais próximo das
formulações da primeira tópica freudiana, argumentando que a segunda tópica e a ideia de
ego seriam próprias de uma cultura ocidental, como o próprio Freud argumenta, e reforçado
por autores contemporâneos: o Eu não é uma instância psíquica original (Iannini & Tavares,
2020, p. 11).
Obeyesekere se tornou conhecido no Ocidente por sua polêmica com Marshall Sahlins
(1995), analisada em profundidade no trabalho de Brandolin (2019), mas, para além dessa
controvérsia, sua produção conceitual não foi devidamente discuda. Para os ns deste argo,
teremos como foco Obeyesekere como autoria singular e o desenvolvimento de um de seus
principais operadores conceituais, o “símbolo pessoal”. Em um breve prefácio de The Work of
Culture, Alfred Harris informa que as palestras sistemazadas no livro são desenvolvimentos
diretos do que já estava sendo construído nas duas obras anteriores, Medusa’s Hair e The Cult
of the Goddess Pani, evidenciando a relação ínma entre elas. Ainda assim, em The Work of
Culture, por ter sido a úlma das três, apresenta-se uma síntese e um amadurecimento das
anteriores, bem como a proposição de novos desdobramentos, como, por exemplo, a ênfase
nos processos psíquicos de regressão e progressão simbólica para além da dimensão biográca
dos casos estudados.
Nesse sendo, a análise mais aprofundada será dessa obra, publicada em 1990. O foco
aqui será uma questão objeva, mas que norteia quase todo o trabalho desse autor e ilumina
os futuros caminhos da compreensão de sua obra e das controvérsias em que se envolveu
(Obeyesekere, 1992). Trata-se do operador conceitual “símbolo pessoal”, cujo exame, conforme
previamente referido, requer como pano de fundo a consideração etnográca psicanalíca
desenvolvida pelo autor a propósito de um de seus principais informantes (Abdin).
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
4
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Este trabalho se orienta metodologicamente por um percurso cronológico e interpretavo
de algumas obras de Obeyesekere, salientando um viés analíco do caso Abdin, considerado
paradigmáco para o desenvolvimento da noção de símbolo pessoal.
Descrito em Medusa’s Hair e retomado em The Work of Culture, Obeyesekere faz
importantes ressalvas quanto às suas conclusões teóricas, não apenas em relação a Abdin, mas
também à sua construção do conceito de Símbolo Pessoal. Ao passo que em Medusa’s Hair
o autor se dedica mais às descrições detalhadas de seus casos, com pequenos apontamentos
interpretavos, em The Work of Culture destaca-se a densidade teórica. Pouco falaremos aqui
da terceira obra que completa a tríade basilar do autor, The Cult of the Goddess Pani, por
uma questão de que o foco dessa obra não é o caso Abdin nem o desenvolvimento da noção de
Símbolo Pessoal por Obeyesekere. Caminhamos, portanto, com uma descrição do caso Abdin
em Medusa’s Hair e The Work of Culture; posteriormente, traremos a compilação da discussão
teórica do autor.
Tal incursão analíca se jusca pela singularidade e pelo rigor apresentados por
Obeyesekere na construção de seu operador-conceitual do Símbolo Pessoal. Essa noção que-
bra, de início, com a lógica dicotômica entre público e privado, colocando em connuidade
as dimensões psicológicas e culturais, sendo, portanto, uma ferramenta valiosa para as áreas
de Antropologia, Psicanálise e áreas de intersecção, como Etnopsicologia e a noção de Escuta
Parcipante (Bairrão, 2005; 2015), Macedo e Bairrão (2011), Macedo (2024), Antropologia
Psicanalíca de Paul-Laurent (Lindenmeyer, 2018), Resende (2015) e Psicologia Cultural (Shweder,
1991), Shweder e Sullivan (1993), Sharma (2021) e Pires (2023), por exemplo.
Dinâmicas simbólicas
O símbolo pessoal é, provavelmente, o operador conceitual mais importante construído
por Obeyesekere, sendo um conceito-limite entre o blico e o privado. Para entendermos como
o autor chega a essa elaboração, faremos uma breve recapitulação acerca do entendimento de
Obeyesekere sobre os símbolos em geral, bem como de suas divergências com as perspecvas
antropológicas de sua época.
É frente a um problema real da compreensão hegemônica de símbolos na Antropologia
Social que o autor vê a necessidade de formular uma noção simbólica que dê conta dos fenô-
menos observados em seu campo. Segundo ele, uma forte tendência nas Ciências Sociais de
que questões ligadas à cultura devem lidar exclusivamente com processos de grupo, enquanto
as movações individuais cam sob o domínio da Psicologia. Em seu ensaio, ele é categórico:
demonstro que essa visão está errada e mostro como certos símbolos culturais são arculados
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
5
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
com a experiência individual”. Estes são os Símbolos Pessoais: “símbolos culturais operando nos
níveis de personalidade e de cultura ao mesmo tempo” (Obeyesekere, 1984, p. 1–2).
Obeyesekere começa destacando a discussão levantada por Edmund Leach sobre a disn-
ção entre Símbolos Públicos e Símbolos Privados. Leach considera que nos Símbolos Públicos
uma vinculação com questões culturais, logo, de interesse para a Antropologia Social, enquanto,
nos Símbolos Privados, haveria uma relação com questões psíquicas, ou seja, pertencentes
ao campo da Psicologia. Obeyesekere considera que essa disnção entre Símbolos Públicos e
privados é representava da vertente da Antropologia Social, mas insuciente para explicar
algumas dinâmicas simbólicas, pois demonstra que Símbolos Públicos podem ter componentes
psíquicos e Símbolos Privados podem ter componentes culturais (Obeyesekere, 1984, p. 13).
Dessa discussão nasce, então, a necessidade de formular uma outra categoria de símbo-
los: os Símbolos Pessoais, que “devem estar relacionados à experiência de vida do indivíduo e
ao contexto instucional mais amplo no qual estão inseridos” (Obeyesekere, 1984, p. 13). Para
isso, Obeyesekere (1984, p. 13) apresenta a ideia de símbolos psicológicos, que se subdividem
em Símbolos Pessoais nos quais, segundo o autor, movação profunda (inconsciente) e
símbolos psicogenécos, nos quais não ocorre a movação profunda.
Como o interesse de Obeyesekere (1984) é sobre o símbolo pessoal, ele faz uma breve
explicação sobre os símbolos psicogenécos, apenas para servir de contraste:
Os símbolos psicogenécos se originam no inconsciente ou são derivados do repertório
de sonhos; mas a origem dos símbolos deve ser analicamente separada de seu signi-
cado operacional connuo. Este é frequentemente o caso em mitos e rituais: símbolos
originários de fontes inconscientes são usados para dar expressão a signicados que
não têm nada a ver com sua origem. (p. 13)
Esse contraste entre os símbolos psicogenécos e os Símbolos Pessoais fornece mate-
rialidade para uma dupla críca do autor: uma à postura an-psicológica da Antropologia Social
e outra à postura an-instucional da Psicanálise.
Tomando Leach como arauto da Antropologia Social, a críca de Obeyesekere se
desenha sobre o falso contraste entre público e privado, pautado na presença ou ausência
de elementos psicológicos: “ele reconhece claramente a importância da psicologia individual;
mas adota a posição antropológica social clássica de que a psicologia individual não pode ter
signicado cultural ou que símbolos comparlhados publicamente não podem ter signicado
psicológico individual” (Obeyesekere, 1984, p. 14). De certa forma, Obeyesekere parece seguir
o argumento freudiano de que “toda psicologia individual é simultaneamente psicologia social”
(Freud, 2020[1921], p. 137).
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
6
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Após o esclarecimento de como Obeyesekere entende os símbolos em geral e uliza sua
noção de Símbolo Pessoal para superar a inadequada separação entre público e privado, surge
um segundo aspecto fundamental: a relação entre símbolo e sintoma, já apontada nas obras
freudianas (Freud, 2010[1916]). Para Obeyesekere (1990b, p. 12), símbolo e sintoma contêm
tanto movo quanto signicado, mas, no caso do sintoma, o domínio é do movo; para o
símbolo, o domínio é do signicado.
Essa dinâmica cará mais evidente com a explanação do caso Abdin, em que Obeyesekere
mostra que o sistema de símbolos de Abdin apresenta uma sobredeterminação das movações
arcaicas infans e uma subdeterminação da signicação comparlhada, tornando os Símbolos
Pessoais de Abdin fracos e superciais. A sobredeterminação pelo signicado ajuda a trans-
cender a dominação pelo movo” (Obeyesekere, 1990b, p. 12–13).
O entendimento aprofundado do símbolo pessoal permite a Obeyesekere transpor a
dinâmica analíca para o campo etnográco e estabelecer o diálogo entre público-privado e
símbolo-sintoma:
Símbolos Pessoais são como o discurso técnico empregado na terapia psicanalíca em
um aspecto: eles constuem uma linguagem mediata existente entre a linguagem pri-
vazada dos sintomas e a linguagem comum da comunicação codiana. Mas, diferen-
temente do discurso psicanalíco, Símbolos Pessoais não constuem uma linguagem
teórica racionalizada que vincule paciente e médico. Eles são Símbolos Públicos que
permitem a expressão dos pensamentos inconscientes do indivíduo; mas, uma vez que
fazem sendo para os outros, eles também permitem a comunicação com os outros
na linguagem do discurso codiano. Essa dupla hermenêuca dos Símbolos Pessoais é
integral à sua natureza, um duplo impulso de autorreexão pessoal e de comunicação
pública. (Obeyesekere, 1990b, p. 23)
Um terceiro aspecto crucial da dinâmica simbólica apresentada por Obeyesekere é a
dialéca entre progressão e regressão, com a nalidade de estabelecer uma críca interna à
própria Antropologia Psicanalíca, que tendia a considerar os fenômenos culturais como reexos
diretos das movações profundas ou sistemas de defesa, em que noções losócas e cosmo-
lógicas seriam produtos subsidiários do processo secundário (Obeyesekere, 1990b, pp. 51).
Segundo Obeyesekere, um problema fundamental para a Antropologia Psicanalíca:
como as movações profundas são transformadas em formas simbólicas, sejam elas Símbolos
Pessoais, mitos ou representações colevas (Obeyesekere, 1990b, pp. 53).
É fundamental ressaltar que, embora Obeyesekere não adira integralmente às teorias
freudianas, recortando-as conforme o que lhe parece úl, a Psicanálise esvisceralmente
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
7
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
presente em todas as suas arculações teóricas. O emprego das noções de progressão e regres-
são não foge a essa regra: “se chamarmos de progressiva a direção que o processo psíquico
segue a parr do inconsciente na vigília, poderemos dizer que o sonho tem caráter ‘regressivo’”
(Freud, 2017[1900], p. 572). Obeyesekere (1990b) fundamenta-se nessa ulização das noções
dinâmicas do trabalho dos sonhos, tal como apresentadas por Freud (2014[1916]):
Nele, Freud rastreia o sonho manifesto regressivamente em suas raízes arcaicas em
movações infans inconscientes; então, a parr dessas movações, ele avança, progres-
sivamente, para construir as regras pelas quais os pensamentos do sonho (as movações
profundas) são transformados no sonho manifesto. (p. 54)
Essa dinâmica simbólica aparece em um momento posterior dos textos de Obeyesekere,
inclusive sublinhada pelo próprio autor como não tendo sido percebida em obras anteriores
(Obeyesekere, 1990b, p. 19–20). Através das análises do autor sobre seus estudos de casos
de ascetas no Sri Lanka, ca mais fácil compreender tal dinâmica. Segundo ele, o caso Abdin
é ímpar, pois os sistemas de símbolos preexistentes usados para dar expressão a movações
profundas se tornam Símbolos Pessoais, e tais símbolos operam, como todos os símbolos, em
diferentes graus de remoção simbólica de movações arcaicas (Obeyesekere, 1990b, p. 19).
O que o autor denomina Remoção Simbólica (Symbolic Remove) pode ser entendido
como um afastamento ou distanciamento da movação profunda, caracterizando uma espécie
de sublimação ou elaboração. No caso de Abdin, isso parece não ser efevo por dois aspec-
tos: o sociocultural (Abdin vinha de família muçulmana e os símbolos e rituais em questão
são de matriz hindu-budista) e o dialéco-psíquico. Abdin relatava que o fenômeno neuróco
de repeção compulsiva e obsessiva ainda operava por meio do sistema de símbolos. em
outros casos, nomeadamente no de uma asceta de tradição familiar budista — portanto com
um trânsito e encadeamento signicavos, amplos e uidos com a tradição cultural imanente
aos rituais pracados —, ao qual recorre para efeitos comparavos: a performance simbólica
inicial nunca é repeda; ela supera seus terrores infans; e os símbolos permitem que ela se
afaste prospecvamente dessas fontes de movação para outra realidade que ela deniu para
si mesma” (Obeyesekere, 1990b, p. 19).
As questões socioculturais são fundamentais para Obeyesekere, mas não apenas em
uma dimensão semânca e supercial, pois se ligam às experiências existenciais da pessoa, ou
seja, estão subordinadas à dialéca psicológica de regressão-progressão (remoção simbólica)
(Obeyesekere, 1990b, p. 20).
A dinâmica da remoção simbólica exigirá atenção apurada, pois, segundo Obeyesekere,
ela é um problema-chave para a Antropologia Psicanalíca, à frente de problemas como “normal/
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
8
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
patológico”, como argumenta Devereux (Obeyesekere, 1990b, p. 58). A remoção (afastamento)
simbólica sugere que, mesmo havendo uma conexão inicial entre símbolo e movação, tal
conexão pode eventualmente se perder devido ao afastamento:
É certo que a desconexão total é rara, mas pode-se argumentar razoavelmente que
quanto mais o símbolo é removido das fontes de movação, mais ele obtém o atributo
de arbitrariedade, aproximando-se assim da ideia saussuriana da relação arbitrária entre
signicante e signicado. (Obeyesekere, 1990b, p. 58)
Segundo o autor, tanto para Freud quanto para seus epígonos que lidaram com uma
Antropologia Psicanalíca, haveria um isomorsmo direto entre símbolo e sintoma, “se não uma
simples replicação, de símbolo e sintoma” (Obeyesekere, 1990b, p. 57). Embora Obeyesekere
mantenha a disnção entre sintoma e símbolo para ns analícos, nem sempre isso é possível.
Nesse sendo, a ideia de remoção simbólica e níveis de simbolização resolve tal diculdade
ao reconhecer que algumas formas simbólicas estão mais próximas ou são isomórcas aos
sintomas, enquanto outras estão muito distantes deles” (Obeyesekere, 1990b, p. 57).
Abdin
Apresentado pela primeira vez por Obeyesekere em Medusa’s Hair (1981) e retomado
em The Work of Culture (1990b), o caso de Tuan Sahid Abdin foi paradigmáco para as análises
do autor. Nos oito casos estudados na obra de 1981, ele era a única pessoa idencada por
Obeyesekere como sendo do sexo masculino e de ascendência e criação muçulmana.
Nascido em 13 de agosto de 1938, Abdin era o mais velho de treze irmãos, sendo que
apenas a mais nova era do sexo feminino, e todos eram lhos de Nona Balgis, o segundo casa-
mento do pai. A primeira esposa, Reyanthumma, não gerou descendentes. Ainda criança, Abdin
e Reyanthumma foram abandonados pelo pai e passaram a viver juntos em situação de quase
miséria; Abdin acreditava que ela era, de fato, sua mãe biológica e a amava muito. Ao longo
de sua infância, Abdin encontrava seu pai apenas de forma esporádica e aleatória nas ruas da
cidade, mas nunca parava para cumprimentá-lo ou conversar com ele. Quando nha 14 anos,
seu pai o encontrou em um momento em que parcipava de jogos de aposta; o encontro foi
considerado traumáco, pois o pai o levou embora à força e, como punição e aprendizado, fez
um corte na mão de Abdin para que ele nunca mais parcipasse desse po de jogo. Somente
quando se tornou jovem adulto é que Abdin se reconciliou com o pai, mas ainda assim man-
tendo uma relação distante e de submissão.
Abdin, apesar da relação com o pai, nha grande proximidade com a avó paterna. Essa
senhora possuía amplos conhecimentos sobre magia e rituais hindus considerados pouco
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
9
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
ortodoxos, segundo o próprio Obeyesekere (1981, p. 144). Desde muito jovem, Abdin era levado
por ela para tais rituais. Ela acabou falecendo quando Abdin estava prestes a completar oito
anos; contudo, mesmo depois de morta, ela se tornou uma espécie de espírito guia para seu
neto, alegando que o protegeria e transmiria todo seu conhecimento a ele.
Através de sonhos, ele foi orientado a fazer uma viagem para ser iniciado em um ritual
em Kataragama, mas, devido à situação nanceira em que vivia, isso era inviável. Aos 12 anos,
ele e sua mãe de criação, Reyanthumma, conseguiram o apoio nanceiro necessário e reali-
zaram a viagem. Abdin foi iniciado por um processo ritual, tendo sua língua perfurada e uma
vida devotada às divindades hindus, mesmo sendo muçulmano. Isso aparentemente não gerava
conitos nele, apenas algumas percepções sincrécas.
Por pressão de Reyanthumma, aos 19 anos Abdin se casou com uma moça de ascen-
dência muçulmana, mas o casamento durou apenas três meses, e Abdin então se alistou no
exército. Um ano depois, novamente sob insistência de sua mãe, ele se casou com outra mulher
muçulmana e, dessa vez, divorciou-se após seis meses, alegando ter sido traído por ela. No ano
de 1961, Abdin foi considerado cúmplice de um plano de um pequeno grupo do exército para
arquitetar um golpe e acabou sendo preso, dividindo cela com um budista.
Foi na prisão que Abdin tomou uma decisão que poderia mudar o curso de sua vida.
Juntamente com seu colega de cela budista, zeram um juramento, uma promessa caso fossem
absolvidos e libertos. O budista fez uma promessa mais branda, comprometendo-se a ter uma
vida devota se fosse solto; Abdin, em sua devoção aos deuses, prometeu grande penitência a si
próprio em nome desses deuses. Dezoito meses depois, Abdin foi absolvido e tentou se estruturar
nanceiramente, mas com diculdade. Tinha uma casa de chás nas proximidades da casa de
seu pai e auxiliava outras pessoas em alguns rituais, sem que isso lhe proporcionasse dinheiro
suciente para o seu sustento. Em um desses rituais esporádicos, em 1965, ele conheceu sua
terceira esposa, uma mulher mais velha, casada e com nove lhos, que deixou seu marido para
fugir com Abdin. Eles veram uma lha em 1967 (evento signicavo que será detalhado mais
adiante) e ocializaram o casamento em 1971.
Em uma conversa com Obeyesekere, Abdin relatou ter uma relação conturbada com sua
vida sexual, armando que o sexo e a vida religiosa devota não andavam em sintonia. Segundo
ele, o sexo sugava e destruía a energia divina, de suma importância para o contato com os deuses
e a realização e parcipação nos rituais. Ele dizia receber constantemente orientações acerca da
necessidade de se abster de relações sexuais para o bem de sua relação com os deuses. Abdin
armou ter do relações sexuais apenas uma vez com sua primeira esposa e nenhuma com sua
segunda esposa, sendo necessário que ele conversasse abertamente sobre isso com sua atual
esposa. Ele a amava e cuidava dela como uma mãe ou irmã, sem apelo sexual.
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
10
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Conversas futuras revelaram a Obeyesekere que Abdin sofria de impotência. Quando
quesonado sobre a lha que teve com sua terceira esposa, ele relatou a história por trás da
menina. Por muito tempo, Abdin se queixava aos deuses de que gostaria muito de ter uma criança,
apesar dos avisos divinos quanto às relações sexuais. Ele pediu e implorou à deusa Pani que,
durante alguns dias, fosse capaz de ter relações com sua mulher. Dias depois, em sonho, lhe
foi revelada uma garonha, seguida de um aviso: ele teria aquela menina, sua lha, e deveria
amá-la e tratá-la bem, jamais bater nela; em agradecimento, ele homenagearia a deusa Pani,
dando seu nome à menina. Assim foi feito: Abdin e sua esposa conceberam uma criança que
recebeu o nome ritual de Binna Nacciya (designação muçulmana da deusa Pani), mas, por
movos legais, ela teve que ser registrada como Nihara Abdin. Em 1978, sua mãe de criação,
Reyanthumma, faleceu. Um ano depois, seu pai também faleceu, após passar um longo perí-
odo com a saúde bastante debilitada e sob condições lamentáveis, com membros paralisados.
Obeyesekere descreve detalhadamente um ritual para a deusa Kali, que Abdin foi con-
tratado para realizar em 1976. Um empresário, alegando ter sido enfeiçado por seus concor-
rentes, precisava desfazer esse feiço. Abdin então realizou o ritual com o auxílio de um colega.
Nesse ritual, que começa por volta das 18:00 h em um dos quartos da casa do contratante,
Abdin inicia primeiro a montagem dos elementos rituais e a organização do quarto, mas sem
muito cuidado com a limpeza do local. Segundo Obeyesekere, o fato de Abdin ser muçulmano
(por descendência familiar) e hindu (por vínculo ritualísco) faz com que ele não tenha interna-
lizado completamente as noções de “pureza” e “poluição” (Obeyesekere, 1981, p. 151). Abdin
coloca uma imagem da deusa Kali, feita de massa e açafrão, no chão, junto de ores, frutas e
incensos. A imagem de Kali tem aspecto aterrorizante, é ornada com um tecido vermelho (sari),
língua para fora (também avermelhada para representar sangue) e dentes caninos feitos com
alho. Enquanto isso, o contratante (também chamado de paciente) ca deitado em um tapete
ao lado da imagem de Kali.
Após a descrição do cenário, Obeyesekere nos dá um panorama da cena ritual, desta-
cando as ações e os instrumentos usados por Abdin, assim como as primeiras divindades invo-
cadas por ele. Por volta das 18:30 h, Abdin estava preparado para o início do ritual, vesndo
um tecido vermelho similar ao de Kali e sentado diante da imagem da deusa. Sob a iluminação
de lamparinas, fumaças e aromas de incensos e tocando um tambor (udakki) ao lado de seu
assistente, Abdin inicia seu ritual. Ele uliza um coco, que será pardo, e uma tocha nas mãos,
e começa a murmurar mantras em língua tâmil, invocando as divindades Siva, Ganes, Skanda
(Kataragama) e Sudalayi (o demônio do cemitério, como o Sinhala Mahasona) (Obeyesekere,
1981, p. 151).
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
11
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
O ritual connua e, por volta das 18:20 h, Abdin invoca outro grupo de divindades,
descritas por Obeyesekere como as sete irmãs (Kali, Pommari, Isvari, Issakeyi, Adiye, Nili e
Bhagava). Obeyesekere transcreve as palavras de Abdin:
Eu chamo Mãe Pommari, proteja todos os homens e mulheres. Eu saúdo as Sete Irmãs,
caranam [refúgio]; por favor, venha para a festa que eu tenho aqui e tenha piedade de
mim, Isvari, Amma [mãe] Isvari. Amma Isvari eu te chamo por este nome, e neste nome
[forma] você tem o poder de controle sobre nós, Amma. Eu agora te chamo Issakeyi,
Adiye, a muito Nili, eu te chamo amma, eu te chamo o fogo ardente, aquela que fez
coisas terríveis no cemitério... que controla o cemitério e realiza magia de vingança negra
[pali]. Om Kali, eu te chamo sangrenta [uthirai] Maha Kali, eu te chamo mãe, amma, que
faz um sacricio sangrento. (Obeyesekere, 1981, p. 151-152)
A parr desse momento do ritual, Obeyesekere apresenta algumas caracteríscas espe-
cícas de Abdin, como a gagueira e os tremores no corpo quando começa a mencionar Kali.
Enquanto o assistente toca o tambor, Abdin encara a imagem de Kali, tremendo e gaguejando,
e começa a mimezar, colocando a língua para fora e cortando-a, fazendo o sangue escorrer,
de modo que a coloração vermelha na boca, no queixo e no peito de Abdin se assemelha à da
imagem de Kali. Em seguida, pressiona a tocha acesa contra o próprio peito e se dá tapas no
rosto (Obeyesekere, 1981, p. 152).
Nesse momento, passava das 18:45 h, e a descrição do ritual enfaza os cortes na
língua e o sangue que escorre da boca de Abdin, caracterísca que o aproxima da deusa Kali,
representada com a língua vermelha para fora da boca. Esse ato de Abdin será, posteriormente,
tratado com ênfase nas interpretações de Obeyesekere. Ao longo de todo o ritual, Obeyesekere
relata que Abdin declara algumas profecias para seu contratante, mas apenas no nal da pri-
meira parte ele revela uma delas, transcrevendo diretamente os ditos de Abdin: “se você não
acha que eu sou Kali, pense que é alguém que come um cadáver ouça, ali, caranam Amma,
amma, me bata e me controle, caranam amma, amma” (Obeyesekere, 1981, p. 153).
Após um intervalo de aproximadamente meia hora, em que Abdin volta do transe, bebe
água e conversa com Obeyesekere, o ritual reinicia e dura mais alguns minutos. Durante esse
tempo, Abdin volta a entrar em transe e, com um pouco de diculdade para respirar, faz mais
algumas profecias para outros membros da família, abençoa-os e, por m, “os tambores param,
e Abdin se esparrama no chão desmaiado” (Obeyesekere, 1981, p. 154).
O relevante aqui são alguns fatos especícos, como as ações de Abdin quando em transe
e recebendo as divindades: por exemplo, Kali, ele precisa ofendê-la e, ao mesmo tempo, sempre
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
12
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
chamá-la de mãe, assim como faz com a deusa Pani. Ele quebrava cocos sobre sua própria
cabeça e cortava a língua com uma lâmina.
Quando quesonado por Obeyesekere se realmente acreditava que Kali era uma mãe
virgem e que não menstruava, ele inicialmente diz que não acha possível que ela não menstru-
asse e, posteriormente, arma que ela menstrua pela boca, por isso tem lábios vermelhos. Na
concepção de Obeyesekere, essa interpretação da menstruação da mãe virgem e os cortes na
língua de Abdin estão inmamente ligados. Tais cortes, nos processos rituais em que parci-
pava, são ações consideradas incomuns naquele contexto, pouco se ouvia falar de pessoas que
vessem tal práca, o que leva o autor a considerar essa parcularidade com grande interesse.
Ele chega até aqui em sua descrição em Medusa’s Hair, nalizando com alguns aponta-
mentos sobre o caso. Toda a relação ritual e transe que Abdin desempenha é, no fundo, uma
revivência de suas experiências traumácas com o pai autoritário. Principalmente, os cortes
na língua remetem a vários eventos simultaneamente: sua iniciação ao mundo ritual hindu em
Kataragama, tendo a língua perfurada pela primeira vez aos 12 anos de idade; sua idenca-
ção e recebimento da deusa Kali, que menstruava pela boca; e, por m, sua castração pessoal
(impotência), advinda dos traumas ocasionados pela relação com o pai.
Em The Work of Culture, Obeyesekere retoma o caso Abdin, atualizando alguns acon-
tecimentos, como a morte do pai em 1979. Após esse fato, Abdin apresenta uma complicação
de saúde, genericamente chamada de “derrame”, sendo internado em estado grave e cando
com todo o lado esquerdo do corpo paralisado. Essa paralisia é tratada pelos médicos como
decorrente do derrame, mas Obeyesekere interpreta que ela pode estar mais próxima de um
surto histérico. Nesse ponto, vale destacar que, sempre que o autor uliza termos e conceitos
freudianos e psicanalícos, ele não reduz a situação a um quadro patológico fechado, mas sim
tece aproximações e paralelos para possibilitar uma relação mais inteligível entre as manifes-
tações culturais e uma compreensão antropológica fundamentada na psicanálise.
Obeyesekere toma conhecimento desse ocorrido com Abdin por meio de um colega
no Sri Lanka, já que estava nos Estados Unidos. Solicita imediatamente que seu colega auxilie
Abdin com as despesas de saúde e viaja em seguida para visitar seu amigo, que, para o autor,
não por mera coincidência, ulizava a mesma cadeira de rodas que seu pai enfermo usava
antes de falecer.
Naquele mesmo ano, Abdin se recusou, pela primeira vez, a parcipar do ritual anual
em Kataragama. Obeyesekere interpreta que o fato de Abdin estar paralisado naquela cadeira
de rodas é uma forma que ele encontrou de pracar sua penitência por meio de sintomas e
não de símbolos, como costumava fazer em sua expressão anual da penitência, pendurado ao
carro pelos ganchos. Em 1980, o autor descreve Abdin como uma gura decrépita e moribunda,
com a barba mal feita, usando trapos como roupas, mas que cou extremamente feliz ao rever
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
13
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Obeyesekere após alguns anos. Segundo o autor, esse foi um claro momento transferencial,
em que ele foi colocado no lugar de “Pai Bondoso”, que cuidava e se preocupava com Abdin.
Após ter “pulado” um ano de sua penitência em Kataragama, Abdin conversou com
Obeyesekere, dizendo que gostaria de voltar e executá-la novamente, pendurando-se ao
carro pelos ganchos e percorrendo todo o caminho pelos santuários, tudo como deveria ser.
Obeyesekere o incenvou, e assim foi feito. Após esse ritual, Abdin passou a conseguir andar
e mover razoavelmente bem os membros anteriormente paralisados. Nos anos seguintes, em
1981, 1982 e 1983, Abdin não queria mais executar seu ritual de penitência com os ganchos, mas
esteve em Kataragama, visitando o local para ver o fesval e fazer suas oferendas aos deuses.
Analisando o caso, Obeyesekere admite que jamais viu Abdin como um potencial espe-
cialista ritual de sucesso em tempo integral. Para ele, havia uma grande falha, uma deciência
em termos socioculturais: Abdin era um muçulmano, iniciado e pracante de cultos hindus,
que nunca conseguiu, por meio desses sistemas simbólicos relavamente aos quais, em sua
origem, se situava como estrangeiro — exorcizar seu passado traumáco.
Símbolo Pessoal, um operador?
Nosso autor estabelece um paralelo do caso de Abdin com o de algumas sacerdosas
estudadas em Medusa’s Hair, para tentar mostrar como o Símbolo Pessoal atua. Em um dos
casos, uma mulher possuída por espíritos malignos, por se lamentar e se considerar culpada pela
morte de um parente próximo, parcipa de rituais, recupera-se, transforma-se em sacerdosa
e dedica toda sua vida à devoção aos deuses, livrando-se da culpa e cando “recuperada” de
seus traumas. Para Obeyesekere, isso é mais um exemplo de que os dramas de uma pessoa são
sempre simultaneamente subjevos e objevos. Movações Profundas (deep movaons) são
canalizadas e objevadas em um sistema simbólico cultural. Neste caso, essa mulher elaboraria
seus dramas pessoais em um sistema no qual esses elementos têm signicado e lhes atribuem
um propósito.
Para ele, Símbolos e Sintomas têm simultaneamente movo e signicado; porém, ao
passo que o Sintoma está mais atrelado ao campo do movo (deep movaons), o símbolo
está mais próximo do campo do signicado (cultural e objevo). Esse apontamento do autor se
mostra bem claro no caso de Abdin, pois, quando ele manifestava sua penitência em Kataragama,
à primeira vista, parecia fazer algo da mesma ordem da sacerdosa: manifestar, por meio de
um símbolo cultural inteligível para sua sociedade, seus traumas, ou seja, dar signicados a
eles. Porém, Abdin necessita que isso seja feito constantemente; caso contrário, os sintomas
se mostram mais fortes e consolidados como manifestação de seus traumas — a paralisia dos
membros, por exemplo.
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
14
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
É de extrema importância ressaltar que, mesmo que Obeyesekere dena o Símbolo
Pessoal, ele não o faz uma única vez e nem sempre da mesma forma, o que inicialmente pode
aparentar uma formulação do conceito, mas que, após uma leitura mais atenta, mostra-se um
dinamismo do conceito e uma constante abertura para que ele complemente-se, desenvolva-se
e amadureça. Esse movimento de reformulação conceitual é parte fundamental do desenvolvi-
mento teórico do autor, sendo inclusive reconhecido e declarado por ele (Obeyesekere, 1987)
e bem conhecido no campo da Psicanálise, pois possibilita reconhecer as noções teóricas
centrais como mais próximas de um operador do que de fato de um conceito.
Segundo Obeyesekere, uma das instâncias de operação do Símbolo Pessoal está no
potencial de reexividade que ele provoca na pessoa. Aqui, ele estabelece uma ponte entre
as noções de símbolo cultural e símbolo étnico, enquanto o primeiro é um termo genérico
ulizado na Antropologia por Lévi-Strauss e Edmund Leach para designar qualquer gura ou
ato simbólico cujo signicado seja inteligível apenas para quem compreende a cultura em que
se insere (exemplo disso são as divindades de um determinado local ou o que alguns objetos
representam). O segundo é um termo cunhado por Georges Devereux, para designar símbolos
que “podem fornecer ajuste, mas não autoconsciência introspecva ou ‘insight curavo’, uma
vez que supostamente isso só seria possível em um sessão analíca” (Obeyesekere, 1990b, p.
21). Obeyesekere conrma que, em termos prácos e objevos, o símbolo pessoal é a forma
como ele se refere ao Símbolo Étnico de Devereux, mas diferencia-os no sendo de que, para
ele, o símbolo pessoal não gera certos ajustes” da pessoa em relação ao seu meio cultural,
mas também promove introspecção e “insight curavo”, resultando em um movimento constante
de regressão e progressão das cadeias de memória da pessoa, atualizando e modicando sua
visão sobre o símbolo e sobre si mesma. Contudo, como no caso de Abdin, quando os Símbolos
Pessoais são superciais, o indivíduo que os usa possui pouca reexividade; quando a ree-
xão ocorre, ela paira em torno das movações infans, como na associação livre psicanalíca”
(Obeyesekere, 1990b, p. 12). Segundo ele, Freud poderia usar o termo “racionalização” para
descrever esse fenômeno. Já nos casos das ascetas estudadas, a sobredeterminação pelo sig-
nicado ajuda a transcender a dominação pelo movo” (Obeyesekere, 1990b, p. 13).
A respeito do potencial da reexividade do símbolo pessoal e sua discordância com
Devereux, Obeyesekere arma que não uma ausência de reexividade e autoconsciência
no caso de especialistas religiosos e uma presença exclusiva na psicanálise, mas que a reexivi-
dade em si se baseia em um idioma cultural; ela só poderia ocorrer como um idioma cultural.
O insight que emerge na psicanálise é apenas uma forma, sendo tanto um produto da cultura
quanto os idiomas de autoconsciência dos extácos (Obeyesekere, 1990b, p. 23–24).
Sendo assim, Obeyesekere conclui que o potencial simbólico das sociedades está,
provavelmente, ligado à questão da reexividade, consciência ou autoconsciência. Assim,
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
15
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
a simbolização regressiva pode incenvar a ab-reação e a catarse, enquanto a simbolização
progressiva pode tender a esmular a reexão intelectual e losóca, dependendo dos limites
impostos pela tradição histórica de um grupo (Obeyesekere, 1990b, p. 62).
Apesar das várias denições e complementações do conceito de símbolo pessoal, o
autor, ao longo de suas obras, nos apresenta uma caracterísca fundamental: o símbolo pes-
soal opera simultaneamente no âmbito individual e social, e isso de forma alguma indica uma
“indecisão” no foco de análise, mas se aproxima muito mais de uma críca ao pensamento da
antropologia social da época, que trabalhava no âmbito das dicotomias disnguindo público
do privado e, ao mesmo tempo, de uma críca a uma vertente do pensamento psicanalíco
que alega que tudo sempre tem uma movação profunda inconsciente. Seguindo essa sequência
de crícas a Devereux e a outros representantes de uma Antropologia Psicanalíca — Abram
Kardiner, Erik Erikson e Melford E. Spiro” (Obeyesekere, 1990a, p. 270) Obeyesekere não opera
pelo complementarismo, que ainda tem por base um exterior cultural e um interior psíquico
(Domingues & Wonsoski, 2023), mas por uma connuidade sem rupturas. É curioso notar que,
mesmo mencionando autorias discordantes, Obeyesekere não menciona Róheim (1967), cuja
obra foi fundamental para quase todas as autorias supracitadas.
Para Obeyesekere, tudo se resume a uma capacidade de comunicação, de transmissão
de emoções e afetos, e é aqui que ca claro por que o autor buscou embasamento nas teorias
freudianas. O símbolo pessoal, para ele, é a grande junção das teorias sociais e antropológicas
com as psicanalícas, ou a grande críca a elas, dependendo do ângulo pelo qual se analisa.
CONCLUSÃO
Logo de início, na introdução de The Work of Culture, o autor revela que sua releitura
de Ricoeur (1977) e sua análise hermenêuca de Freud, pela enésima vez, foram fundamen-
tais para repensar suas crícas e construções teóricas nas áreas interligadas da antropologia e
da psicanálise, bem como nas constantes reformulações e renamentos da noção de símbolo
pessoal. Na contramão do movimento acadêmico de especializar áreas e cada vez mais subdi-
vidir campos de estudo, Obeyesekere compõe Antropologia e Psicanálise em connuidade e
propõe uma abordagem composta, que se instrumentaliza em ambos os campos para práca
e formulação teórica.
O que Obeyesekere considera como grande avanço de sua ideia de símbolo pessoal, de
Medusa’s Hair para The Work of Culture, é a atenção ao passado e à infância e como eles se
expressam na atualidade do ser, ou seja, a dinâmica psíquica de progressão, regressão e remo-
ção simbólicas, além da já considerada biograa dos casos. Antecipando uma posterior críca
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
16
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
ao fazer etnográco antropológico, Obeyesekere argumenta que a etnograa clássica congela
uma situação no tempo, mas isso não signica que a vida daqueles que ali esveram também
se congelou. Exisu um passado e exisrá um futuro que são presencados na experiência
da pessoa, e esse fato deve ser considerado tanto no fazer etnográco quanto na análise do
símbolo pessoal; ignorá-lo é se cegar para a compreensão dos eventos e das pessoas.
Obeyesekere demonstra enorme preocupação em não reduzir a pessoa a mera con-
sequência de seu meio cultural. Para ele, a pessoa também tem agência em suas ações, mas,
para isso, é preciso ouvir seus dizeres; para além do contexto etnográco atual, eles têm raízes
movacionais, históricas, culturais e corporais. Antropologia e Psicanálise separadamente
falham em alguns momentos nesse aspecto, mas é em seus momentos de intersecção que
essas falhas são minimizadas, trazendo técnicas, conceitos e operadores de ambas as áreas.
É possível escutar o sujeito, compreender os Símbolos Pessoais e não transformá-lo em mera
marionete de uma estrutura psíquica ou cultural. O símbolo pessoal, agora, além de enunciar e
comunicar um dizer, também inscreve a cultura na existência das pessoas. Por estar presente em
múlplas biograas, ele é connuamente movimentado, composto, adensado e ressignicado
pelas pessoas. Esse processo ocorre sem separação rígida entre interno e externo; psicológico
e social; sintoma e símbolo; experiências anímicas e culturais operam simultaneamente.
O primeiro passo de Obeyesekere na elaboração do símbolo pessoal foi exatamente
quebrar a velha dicotomia da antropologia social entre público e privado. Essa críca foi fun-
damental e, por si só, seria suciente para colocar o símbolo pessoal em um patamar de alta
relevância nas discussões contemporâneas da Antropologia e da Psicanálise, pois ele se mostra
como uma noção singular e inovadora para pensar a superação de uma visão dicotômica do
mundo, ainda hoje muito predominante: indivíduo e sociedade; psicológico e cultural; trabalho
de campo e trabalho de gabinete.
Além de abrir espaço, como operador conceitual, para novas arculações teóricas que
coloquem em connuidade o que antes era percebido como um par binário de oposições, o
símbolo pessoal também é uma ferramenta práca no fazer etnográco, permindo ocupar um
espaço de observação, parcipação e escuta em campo que não se limite a um dos lados dessas
dicotomias. Mas seu alcance não termina aí; ele transborda para além das elaborações teóricas
e do fazer práco e invade a dimensão políca, pois abre a possibilidade de transformação via
reexão, permindo ultrapassar um entendimento determinísco de cultura.
Uma vez que as pessoas podem ressignicar símbolos de sua própria cultura para dar
signicações às suas experiências de vida e elaborar traumas, o símbolo pessoal torna-se uma
ferramenta fundamental para combater discursos hegemônicos de dominação, como no caso da
colonialidade. Obeyesekere, de certa forma, antecipa algumas crícas decoloniais emergentes
nas Américas e se coloca como um poderoso aliado dessa perspecva, ainda que isso possa
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
17
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
ter passado despercebido aos seus habituais interlocutores e leitores ocidentais. No Sri Lanka,
sua terra natal, ele se destaca e tem reconhecimento nesse po de críca (Abeysekara, 2022).
Segundo a análise do próprio Obeyesekere, o símbolo pessoal em Abdin carece de ree-
xão, impossibilitando-o de chegar a uma remoção simbólica e, consequentemente, impedindo-
-o de levar suas elaborações de traumas infans para o campo do reconhecimento simbólico
suportado pelo contexto cultural habitado. Essa pretensa fragilidade do símbolo pessoal em
Abdin, apontada por Obeyesekere, refere-se a uma supercialidade de seu signicado (pro-
gressão) e a um forte enraizamento em sua movação profunda (regressão); isso indicaria um
baixo grau de reexividade, resultando em uma não concrezação do potencial transformador
desse símbolo no próprio Abdin (remoção simbólica). O que parece escapar a Obeyesekere é
exatamente a potência reexiva do símbolo pessoal para além de uma única direção (cura ou
alívio sintomáco). O símbolo pessoal está tanto no corpo de Abdin quanto no reconhecimento
cultural (cabelo emaranhado), mas, para Abdin, ele vincula-se mais próximo ao sintoma do
que ao signicado. Por outro lado, está em Obeyesekere também, como operador conceitual;
tal operador atravessa Obeyesekere, seu trabalho e convivência com seu amigo e informante
Abdin, adquirindo valor intrínseco à lógica reexiva em questão. Ou seja, o potencial reexivo
do símbolo pessoal não se restringe a Abdin, sendo um desdobramento lógico-reexivo do
próprio campo, ocupando um lugar outro que ultrapassa o par etnógrafo/informante.
Esse potencial reexivo do símbolo pessoal não se limita a isso, mas se estende em con-
nuidade para as reexões do presente texto. É exatamente esse potencial que nos possibilita
passar de uma análise interpessoal para um argumento sobre uma terceira posição. O Símbolo
Pessoal é interveniente na pesquisa; seu potencial reexivo afeta todas as pessoas que dela
parcipam.
O quesonamento de Obeyesekere sobre a profundidade de signicação do símbolo
pessoal em Abdin viabilizou suas constantes reexões e reelaborações do operador conceitual,
transformando suas denições e abrindo novas perspecvas para seu trabalho, ainda mais do
que os Símbolos Pessoais altamente reexivos nas outras ascetas estudadas. Ou seja, trabalhar
com uma noção que rompe as dicotomias conceituais também rompe com a ideia de ser um
produto apenas do pensamento do autor ou de seu informante, deslocando-a para um lugar
outro, que intervém na reexão de ambos e alcança até mesmo as autorias do presente texto,
possibilitando reer sobre as posições dos discursos hegemônicos e coloniais arraigados nas
dicotomias.
Abdin e Obeyesekere são igualmente parcipantes reexivos diante da perspecva
terceira do símbolo pessoal, agora qualicável como interveniente nessa relação. O percurso
teórico de Obeyesekere se coloca em connuidade com o percurso etnográco vivenciado
com Abdin; etnógrafo e informante se encontram agora fora da lógica dicotômica. Parndo
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
18
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
dessa posição terceira interveniente, podemos dizer que Obeyesekere não só escreve sobre o
símbolo pessoal, mas também com ele. Isso coloca nosso autor na posição de sujeito de sua
própria escrita.
REFERÊNCIAS
Abeysekara, A. (2022). The loss of kingship and colonial and other uses of the ‘people’ in
South Asia. In A. Abeysekera (org.), Essays on history and society. (pp. 125–154).
Godage Internaonal Publishers (PVT).
Bairrão, J. F. M. H. (2005). Escuta parcipante como procedimento de pesquisa do sagrado
enunciante. Estudos de Psicologia, 10(3), 441-446. hps://doi.org/10.1590/
S1413-294X2005000300013
Bairrão, J. F. M. H. (2015). Etnografar com psicanálise: Psicologias de um ponto de vista
empírico. Cultures-Kairós: Revue d’Anthropologie des Praques Corporelles et des
Arts Vivants, 1(5), 11–97. hps://revues.mshparisnord.fr/cultureskairos/index.
php?id=1197
Brandolin, A. S. L. (2019). Connentes de história: Navos intérpretes e pesquisadores
interpretados (Dissertação de Mestrado). Universidade de São Paulo. hps://doi.
org/10.11606/D.59.2019.tde-04032021-225618
Domingues, E., & Wonsoski, W. (2023). Contribuições de Georges Devereux à metodologia de
pesquisa em ciências humanas. Memorandum: Memória e História em Psicologia, 40.
hps://doi.org/10.35699/1676-1669.2023.40385
Freud, S. (2010[1916]). Obras completas, volume 12: Introdução ao narcisismo, ensaios de
metapsicologia e outros textos (1914-1916). Companhia das Letras.
Freud, S. (2014[1916]). O trabalho do sonho. In Obras completas, volume 13: Conferências
introdutórias à psicanálise (1916-1917) (pp. 187–200). Companhia das Letras.
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
19
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Freud, S. (2017[1900]). Obras completas, volume 4: A interpretação dos sonhos (1900).
Companhia das Letras.
Freud, S. (2020[1921]). Cultura, sociedade, religião: O mal-estar na cultura e outros escritos
(M. R. S. Moraes, Trad.). Autênca.
Iannini, G., & Tavares, P. (2020). O mal-estar. In G. Iannini, & P. Tavares (Org.), Cultura,
sociedade, religião: O mal-estar na cultura e outros escritos (pp. 7–31). Autênca.
Lindenmeyer, C. (2018). A Antropologia Psicanalíca: Uma chave para pensar
o contemporâneo. Entrevista com Paul-Laurent Assoun. Revista
Lanoamericana de Psicopatologia Fundamental, 21(3), 431–441.hps://doi.
org/10.1590/1415-4714.2018v21n3p431.2
Macedo, A. C., & Bairrão, J. F. M. H. (2011). Estrela que vem do Norte: Os baianos na
umbanda de São Paulo. Paidéia, 21(49), 207–216.
Macedo, A. C. (2024). Contribuições da escuta parcipante em terreiros de umbanda para
uma etnopsicologia brasileira. Acta Scienarum. Human and Social Sciences, 45(3),
e69725. hps://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v45i3.69725
Obeyesekere, G. (1967). Land tenure in village Ceylon. Cambridge University Press.
Obeyesekere, G. (1981). Medusa’s hair: An essay on personal symbols and religious
experience. University of Chicago Press.
Obeyesekere, G. (1984). The cult of the goddesses Pani. University of Chicago Press.
Obeyesekere, G. (1987). Re-reecons on Pani and Medusa. Contribuon to Indian
Sociology, 21(1), 99-109.
Obeyesekere, G. (1990a). Culturally constuted defenses and the theory of collecve
movaon. In D. Jordan & M. Swartz (Eds.), Personality and the cultural construcon
of society (pp. 80-97). University of Alabama Press.
Limiares e sinergias entre o anímico e a cultura: o símbolo pessoal na antropologia psicanalítica de gananath obeyesekere
20
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Obeyesekere, G. (1990b). The work of culture: Symbolic transformaon in psychoanalysis and
anthropology. University of Chicago Press.
Obeyesekere, G. (1992). The apotheosis of Captain Cook. Princeton University Press.
Resende, S. M. R. D. F. (2015). Antropologia psicanalíca: Filogenia e ontogenia. In S. M. R. D.
F, Resende (Org.) Argos vários de psicologia (vol. 1, p. 472). Chiado Books.
Ricoeur, P. (1977). Freud and philosophy: An essay on interpretaon. Yale University Press.
Róheim, G. (1967). Psychanalyse et anthropologie. Gallimard.
Sahlins, M. (1995). How “naves” think: About Captain Cook, for example. University of
Chicago Press.
Sharma, D. (2021). The cultural psyche: The selected papers of Robert A. LeVine on
psychosocial science. Informaon Age Publishing.
Shweder, R. A. (1991) Thinking Through Cultures. Harvard University Press.
Shweder, R. A., & Sullivan, M. A. (1993). Cultural psychology: Who needs it? Annual Review of
Psychology, 44, 497–523. hps://doi.org/10.1146/annurev.ps.44.020193.002433
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
21
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradeço ao apoio do meu orientador José Francisco Miguel Henriques
Bairrão.
Financiamento: Subsídio e nanciado pela Prope (Unesp).
Conitos de interesse: Não há conitos de interesse.
Aprovação éca: Por se tratar de um trabalho de cunho teórico não houve a necessidade
de uma aprovação por comitê de éca.
Disponibilidade de dados e material: Os dados advêm de pesquisa teórica críca e estão
disponíveis nos textos de referência.
Contribuições dos autores: Ambas as autorias contribuíram de forma integral com o
trabalho, através da pesquisa teórica, análise e críca conceitual, e nalização do texto.
Processamento e edição: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
1
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
10.30715/doxa.v26i00.20576
Revista Brasileira de Psicologia da Educação
Brazilian Journal of Educational Psychology
THRESHOLDS AND SYNERGIES BETWEEN THE
SOUL AND CULTURE: THE PERSONAL SYMBOL
IN THE PSYCHOANALYTIC ANTHROPOLOGY OF
GANANATH OBEYESEKERE
LIMIARES E SINERGIAS ENTRE O ANÍMICO E A CULTURA: O
SÍMBOLO PESSOAL NA ANTROPOLOGIA PSICANALÍTICA DE
GANANATH OBEYESEKERE
UMBRALES Y SINERGIAS ENTRE EL ALMA Y LA CULTURA: EL
SÍMBOLO PERSONAL EN LA ANTROPOLOGÍA PSICOANALÍTICA
DE GANANATH OBEYESEKERE
Arthur BRANDOLIN ¹
José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO ²
How to reference this paper:
Brandolin, A. S. L. & Bairrão, J. F. M. H. (2025). Thresholds and synergies between
the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalyc anthropology of
Gananath Obeyesekere. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 26, e025014, 2025. e-ISSN:
2594-8385. DOI: 10.30715/doxa.v26i00.20576
Submied: 24/06/2025
Revisions required: 10/07/2025
Approved: 17/08/2025
Published: 10/09/2025
ABSTRACT: The Personal Symbol is a fundamental conceptual operator
in Gananath Obeyesekere’s work. This operator is dened and redened
throughout his works. Obeyesekere maintains a conceptual openness,
allowing his eld experiences, case studies, and theorecal developments
to connually contribute to his formulaons. Like Freud, Obeyesekere
presents a paradigmac case for the development of this conceptual ope-
rator in his Psychoanalyc Anthropology. Abdin, a Sinhalese Muslim who
was led to perform rites from another religious tradion (Hinduism), rst
appears in Medusa’s Hair (1981) and later in The Work of Culture (1990b).
The personal symbol operator parallels the reconsideraons of this case
analysis, resulng in a conceptual operator that is open in its denion but
arculated with other operators: deep movaon and cultural work. This
arcle presents this trajectory and highlights the theorecal-methodological
relevance of the concept for the eldwork of Psychoanalyc Anthropology
proposed by the author.
KEYWORDS: Symbolism; Anthropology; Psychoanalysis; Unconscious; Culture.
¹ University of São Paulo (USP), Ribeirão
Preto – São Paulo (SP) – Brazil. Holds under-
graduate degrees in Social Sciences (UFSCar)
and Psychology (Estácio/RP), and a Masters
degree in Social Psychology from USP-RP
(alumnus).
² Undergraduate degrees in Psychology
and Philosophy from USP, a Ph.D. in Phi-
losophy from Unicamp, and an Associate
Professorship from USP. Serves as a faculty
member and researcher in Social Psychology
at FFCLRP-USP, where he coordinates the
Laboratory of Ethnopsychology and con-
ducts research that integrates epistemology,
psychoanalysis, culture, and religion from
an interdisciplinary perspective.
2
10.30715/doxa.v26i00.20278
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação,
Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025.
e-ISSN: 2594-8385
RESUMO: Símbolo Pessoal é um operador-conceitual fundamental na obra
de Gananath Obeyesekere. Esse operador é denido e redenido ao longo
das obras; Obeyesekere mantém uma abertura conceitual, dando espaço
para que suas experiências de campo, estudos de caso e desenvolvimentos
teóricos contribuam connuamente para suas formulações. Tal como Freud,
Obeyesekere apresenta um caso paradigmáco para o desenvolvimento
desse operador conceitual em sua Antropologia Psicanalíca. Abdin, um
cingalês muçulmano que foi levado a performar ritos de outra tradição
religiosa (hinduísta), aparece primeiramente em Medusa’s Hair (1981) e,
posteriormente, em The Work of Culture (1990b). O operador símbolo pessoal
caminha paralelamente às reconsiderações da análise desse caso, resultando
em um operador-conceitual aberto em sua denição, mas arculado com
outros operadores: movação profunda e trabalho da cultura. Este argo
apresenta essa trajetória e evidencia a relevância teórico-metodológica do
conceito para o trabalho de campo da Antropologia Psicanalíca proposta
pelo autor.
PALAVRAS-CHAVE: Simbolismo; Antropologia; Psicanálise; Inconsciente;
Cultura.
RESUMEN: El Símbolo Personal es un operador conceptual fundamental
en la obra de Gananath Obeyesekere. Este operador se dene y redene
a lo largo de su obra. Obeyesekere manene una apertura conceptual, lo
que permite que sus experiencias de campo, estudios de caso y desarrollos
teóricos contribuyan connuamente a sus formulaciones. Al igual que Freud,
Obeyesekere presenta un caso paradigmáco del desarrollo de este operador
conceptual en su Antropología Psicoanalíca. Abdin, un musulmán cingalés
que fue inducido a realizar ritos de otra tradición religiosa (el hinduismo),
aparece por primera vez en El cabello de Medusa (1981) y posteriormente en
El trabajo de la cultura (1990b). El operador del símbolo personal se asemeja
a las reconsideraciones de este análisis de caso, dando como resultado un
operador conceptual abierto en su denición, pero arculado con otros ope-
radores: movación profunda y trabajo cultural. Este arculo presenta esta
trayectoria y destaca la relevancia teórico-metodológica del concepto para
el trabajo de campo de la Antropología Psicoanalíca propuesto por el autor.
PALABRAS CLAVE: Simbolismo; Antropología; Psicoanálisis; Inconsciente;
Cultura.
Article submitted to the similarity system
Editor: Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor: Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
3
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
INTRODUCTION
Gananath Obeyesekere was born in Sri Lanka in 1930 and is currently Professor Emeritus
at Princeton University. In 2011, he was honored by the Society for Psychological Anthropology
for his substanal contribuons to the elds of Psychology/Psychoanalysis and Anthropology.
His early works aligned with the “anthropological trends” of his me, with history forming the
foundaon of his analyses. Among Obeyesekere’s works is Land Tenure in Village Ceylon (1967),
an ethnographic descripon of the village society of Madagama, Sri Lanka. However, he soon
shied his analycal focus, adopng Psychoanalysis as a key tool for anthropological inquiry.
This shi is evident in works such as Medusa’s Hair: An Essay on Personal Symbols and Religious
Experience (1981), The Cult of the Goddess Pani (1984), Buddhism Transformed: Religious
Change in Sri Lanka (1988), and The Work of Culture: Symbolic Transformaon in Psychoanalysis
and Anthropology (1990b). In these works, Obeyesekere revisits Freudian metapsychology as a
conceptual framework, demonstrang that Psychoanalysis can be employed as a methodologi-
cal instrument for ethnographic and anthropological pracce. Nonetheless, he emphasizes his
alignment with the formulaons of Freud’s rst topography, arguing that the second topography
and the noon of the ego belong to a specically Western cultural context, as Freud himself
suggested and as reinforced by contemporary authors: the ego is not an original psychic instance
(Iannini & Tavares, 2020, p. 11).
Obeyesekere became widely known in the West through his controversy with Marshall
Sahlins (1995), thoroughly analyzed in Brandolin’s (2019) work. Beyond this debate, however, his
conceptual contribuons have not been suciently discussed. For the purposes of this arcle,
the focus will be on Obeyesekere as a singular author and on the development of one of his
central conceptual tools: the “personal symbol.In a brief preface to The Work of Culture, Alfred
Harris notes that the lectures compiled in the book are direct developments of the foundaons
laid in the two-preceding works, Medusa’s Hair and The Cult of the Goddess Pani, highlighng
their inmate conceptual connuity. Nevertheless, The Work of Culture, being the last of the
three, oers both a synthesis and a maturaon of the preceding works, as well as the proposal
of new theorecal direcons—such as the emphasis on psychic processes of regression and
symbolic progression that transcend the purely biographical dimension of the cases analyzed.
Accordingly, this arcle will primarily analyze The Work of Culture (1990). The central
objecve is a queson that pervades much of the authors scholarship and illuminates future path-
ways for understanding both his work and the controversies in which he engaged (Obeyesekere,
1992). This is the conceptual operator of the “personal symbol,whose examinaon, as previously
menoned, requires as a backdrop the psychoanalyc-ethnographic consideraons developed
by the author, parcularly concerning one of his main informants (Abdin).
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
4
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Methodologically, this study follows a chronological and interpretave trajectory through
selected works of Obeyesekere, emphasizing an analycal reading of the Abdin case, which is
considered paradigmac for the development of the noon of the personal symbol.
Described in Medusa’s Hair and revisited in The Work of Culture, Obeyesekere makes
important qualicaons regarding his theorecal conclusions, not only about Abdin but also
about his construcon of the concept of the personal symbol. Whereas Medusa’s Hair focuses
more on detailed case descripons with brief interpretave remarks, The Work of Culture is
marked by greater theorecal density. The third work, compleng the authors foundaonal
triad, The Cult of the Goddess Pani, will receive only limited aenon here, as its primary
focus is neither the Abdin case nor the development of the noon of the personal symbol. Our
analysis will therefore proceed with a descripon of the Abdin case in Medusa’s Hair and The
Work of Culture, followed by a synthesis of the authors theorecal discussion.
Such an analycal undertaking is jused by the uniqueness and rigor demonstrated by
Obeyesekere in the development of his conceptual operator, the Personal Symbol. This noon
inially disrupts the dichotomous logic between the public and private spheres, establishing
connuity between psychological and cultural dimensions, and thus serves as a valuable tool
for the elds of Anthropology, Psychoanalysis, and intersecng areas such as Ethnopsychology
and the concept of Parcipatory Listening (Bairrão, 2005; 2015), Macedo and Bairrão (2011),
Macedo (2024), Psychoanalyc Anthropology as proposed by Paul-Laurent (Lindenmeyer, 2018),
Resende (2015), and Cultural Psychology (Shweder, 1991; Shweder & Sullivan, 1993; Sharma,
2021; Pires, 2023), among others.
Symbolic Dynamics
The personal symbol is arguably the most signicant conceptual operator developed
by Obeyesekere, funconing as a boundary concept between the public and the private. To
understand how the author arrives at this formulaon, it is necessary to briey review his
understanding of symbols in general, as well as his divergences from prevailing anthropological
perspecves of his me.
It was in response to a concrete challenge within the hegemonic understanding of
symbols in Social Anthropology that Obeyesekere found it necessary to formulate a symbolic
noon capable of accounng for the phenomena he observed in the eld. According to him,
there was a strong tendency in the Social Sciences to treat culture-related quesons as pertain-
ing exclusively to group processes, while individual movaons were relegated to the domain
of Psychology. In his essay, he is categorical: “I demonstrate that this view is mistaken and
show how certain cultural symbols are arculated with individual experience.These are the
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
5
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Personal Symbols: cultural symbols operang at the levels of both personality and culture”
(Obeyesekere, 1984, p. 1–2).
Obeyesekere begins by highlighng the discussion raised by Edmund Leach regarding the
disncon between Public Symbols and Private Symbols. Leach argues that Public Symbols are
ed to cultural maers, thus falling within the scope of Social Anthropology, whereas Private
Symbols are linked to psychic maers, belonging to the eld of Psychology. Obeyesekere contends
that this disncon between public and private symbols is indeed representave of mainstream
Social Anthropology but is insucient to explain certain symbolic dynamics. He demonstrates
that public symbols may have psychic components, and Private Symbols may contain cultural
elements (Obeyesekere, 1984, p. 13).
From this discussion emerges the need to formulate a new category of symbols: the
Personal Symbols, which “must be related to the individual’s life experience and the broader
instuonal context in which they are embedded” (Obeyesekere, 1984, p. 13). To this end,
Obeyesekere (1984, p. 13) introduces the noon of psychological symbols, subdividing them
into Personal Symbols—which, according to the author, involve a deep (unconscious) mova-
on—and psychogenec symbols, which lack such deep movaon.
Since Obeyesekere’s (1984) primary focus is on the personal symbol, he oers only a
brief explanaon of psychogenec symbols, using them primarily as a point of contrast:
Psychogenec symbols originate in the unconscious or are derived from the dream
repertoire; but the origin of symbols must be analycally separated from their ongoing
operaonal meaning. This is frequently the case in myths and rituals: symbols originang
from unconscious sources are used to express meanings that have nothing to do with
their origin. (p. 13)
This contrast between psychogenec symbols and Personal Symbols provides the
foundaon for a dual crique developed by the author: one directed at the an-psychological
stance of Social Anthropology, and the other at the an-instuonal stance of Psychoanalysis.
Taking Leach as a representave gure of Social Anthropology, Obeyesekere’s crique
focuses on the false dichotomy between the public and the private, based on the presence
or absence of psychological elements: “he clearly acknowledges the importance of individual
psychology; but he adopts the classical social anthropological posion that individual psychol-
ogy cannot have cultural signicance, or that publicly shared symbols cannot have individual
psychological meaning” (Obeyesekere, 1984, p. 14). In a certain way, Obeyesekere appears to
follow Freud’s asseron that all individual psychology is at the same me social psychology
(Freud, 2020[1921], p. 137).
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
6
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Aer clarifying how Obeyesekere conceives of symbols in general and employs his noon
of the Personal Symbol to overcome the inadequate division between public and private, a
second key element arises: the relaonship between symbol and symptom, already noted in
Freudian works (Freud, 2010[1916]). According to Obeyesekere (1990b, p. 12), both symbol and
symptom encompass move and meaning; however, in the case of the symptom, the domain
of the move prevails, whereas in the case of the symbol, meaning predominates.
This dynamic becomes clearer through the analysis of the Abdin case, where Obeyesekere
demonstrates that Abdin’s symbolic system exhibits an overdeterminaon of archaic infanle
movaons and an underdeterminaon of shared meaning, rendering his Personal Symbols
weak and supercial. “Overdeterminaon by meaning helps transcend dominaon by move”
(Obeyesekere, 1990b, p. 12–13).
A deeper understanding of the Personal Symbol allows Obeyesekere to transpose this
analycal dynamic into the ethnographic eld and to establish a dialogue between public–pri-
vate and symbol–symptom:
Personal symbols are like the technical discourse employed in psychoanalyc therapy
in one respect: they constute a mediated language exisng between the privazed
language of symptoms and the common language of everyday communicaon. But,
unlike psychoanalyc discourse, personal symbols do not constute a raonalized theo-
recal language that binds paent and therapist. They are public symbols that allow the
expression of the individual’s unconscious thoughts; yet, insofar as they make sense to
others, they also allow communicaon with others in the language of everyday discourse.
This dual hermeneuc of personal symbols is integral to their nature, a dual impulse of
personal self-reecon and public communicaon. (Obeyesekere, 1990b, p. 23)
A third crucial element in the symbolic dynamics presented by Obeyesekere is the
dialecc between progression and regression, aimed at establishing an internal crique of
Psychoanalyc Anthropology, which tended to view cultural phenomena as direct reecons of
deep movaons or defensive systems, in which philosophical and cosmological noons were
treated as subsidiary products of secondary processes (Obeyesekere, 1990b, pp. 51).
According to Obeyesekere, a fundamental problem for Psychoanalyc Anthropology
lies in understanding how deep movaons are transformed into symbolic forms—whether
they are Personal Symbols, myths, or collecve representaons (Obeyesekere, 1990b, pp. 53).
It is essenal to highlight that, although Obeyesekere does not fully adhere to Freudian
theory, selecvely employing it where he deems it useful, Psychoanalysis remains deeply
embedded in his theorecal arculaons. His use of the noons of progression and regression
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
7
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
is no excepon: “if we call progressive the direcon which the psychic process follows from the
unconscious to waking life, we may say that the dream has a ‘regressive’ character(Freud,
2017[1900], p. 572). Obeyesekere (1990b) grounds his interpretaon in this dynamic under-
standing of dream-work as presented by Freud (2014[1916]):
In it, Freud traces the manifest dream regressively to its archaic roots in unconscious
infanle movaons; then, from these movaons, he advances progressively to con-
struct the rules by which the dream thoughts (the deep movaons) are transformed
into the manifest dream. (p. 54)
This symbolic dynamic emerges more explicitly in later works by Obeyesekere and
is even highlighted by the author as something not previously perceived in earlier wrings
(Obeyesekere, 1990b, p. 19–20). Through his analyses of ascec case studies in Sri Lanka,
this dynamic becomes clearer. According to him, the Abdin case is unique, as the preexisng
systems of symbols used to express deep movaons are transformed into Personal Symbols,
and these symbols, like all others, operate at varying degrees of symbolic removal from archaic
movaons (Obeyesekere, 1990b, p. 19).
What the author terms Symbolic Remove can be understood as a distancing or detach-
ment from the underlying movaon, constung a form of sublimaon or elaboraon. In
Abdin’s case, this process appears ineecve for two main reasons: a sociocultural one (Abdin
came from a Muslim family, whereas the symbols and rituals in queson were of Hindu-
Buddhist origin) and a dialeccal-psychic one. Abdin reported that the neuroc phenomenon
of compulsive and obsessive repeon sll operated through the symbolic system. In contrast,
in other cases—notably that of a female ascec from a Buddhist family background, with a
signicant, broad, and uid connuity with the cultural tradion underlying the pracced ritu-
als—to which Obeyesekere refers for comparave purposes: “the inial symbolic performance
is never repeated; she overcomes her childhood terrors; and the symbols enable her to move
prospecvely away from these sources of movaon toward another reality she has dened
for herself” (Obeyesekere, 1990b, p. 19).
Sociocultural factors are essenal for Obeyesekere, but not merely at a semanc or
supercial level; they are ed to the person’s existenal experiences and are thus subordinated
to the psychological dialecc of regression-progression (symbolic remove) (Obeyesekere, 1990b,
p. 20).
The dynamics of symbolic removal demand careful aenon because, according to
Obeyesekere, it represents a key challenge for Psychoanalyc Anthropology, even surpassing
issues such as “normal/pathological,” as argued by Devereux (Obeyesekere, 1990b, p. 58).
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
8
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Symbolic removal suggests that, although there may inially be a connecon between symbol
and movaon, such a connecon can eventually be lost as a result of increasing detachment:
Complete disconnecon is indeed rare, but one may reasonably argue that the more the
symbol is removed from its sources of movaon, the more it acquires the aribute of
arbitrariness, thus approaching the Saussurean idea of the arbitrary relaon between
signier and signied. (Obeyesekere, 1990b, p. 58)
According to the author, both Freud and his followers who engaged with Psychoanalyc
Anthropology oen posited a direct isomorphism between symbol and symptom, “if not a mere
replicaon of symbol and symptom” (Obeyesekere, 1990b, p. 57). Although Obeyesekere main-
tains an analycal disncon between symptom and symbol, this is not always possible. In this
sense, the concept of symbolic removal and its associated levels of symbolizaon helps address
this diculty by acknowledging that “some symbolic forms are closer to or are isomorphic with
symptoms, whereas others are much more distant from them” (Obeyesekere, 1990b, p. 57).
Abdin
First introduced by Obeyesekere in Medusa’s Hair (1981) and later revisited in The Work
of Culture (1990b), the case of Tuan Sahid Abdin was paradigmac for the authors analyses.
Among the eight cases studied in the 1981 work, he was the only individual idened by
Obeyesekere as male and of Muslim descent and upbringing.
Born on August 13, 1938, Abdin was the eldest of thirteen siblings, with only the youngest
being female, all children of Nona Balgis, his fathers second wife. The rst wife, Reyanthumma,
bore no children. As a child, Abdin and Reyanthumma were abandoned by his father and lived
together in near destuon. Abdin believed that she was, in fact, his biological mother and
loved her deeply. Throughout his childhood, Abdin encountered his father only sporadically
and randomly on the streets of the city, but he never stopped to greet or speak with him. At
the age of fourteen, his father found him while he was engaged in gambling; the encounter
was traumac, as the father forcibly took him away and, as punishment and a lesson, inicted
a cut on Abdin’s hand so that he would never again engage in such games. It was only as a
young adult that Abdin reconciled with his father, though their relaonship remained distant
and marked by submission.
Despite this strained paternal relaonship, Abdin maintained a close bond with his
paternal grandmother, a woman well-versed in Hindu magic and rituals considered unortho-
dox, according to Obeyesekere (1981, p. 144). From an early age, Abdin was taken by her to
parcipate in such rituals. She passed away shortly before Abdin’s eighth birthday; however,
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
9
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
even aer her death, she became a sort of guiding spirit for him, claiming she would protect
him and impart her knowledge to him.
Through dreams, he was instructed to undertake a journey to be iniated in a ritual at
Kataragama, but due to his impoverished circumstances, this seemed unaainable. At the age
of twelve, he and his foster mother, Reyanthumma, managed to secure the necessary nancial
support and made the journey. Abdin was ritually iniated, his tongue was pierced, and he
devoted his life to Hindu deies, despite being a Muslim. This, apparently, did not generate
signicant internal conict, only some syncrec percepons.
Under pressure from Reyanthumma, at the age of nineteen, Abdin married a young woman
of Muslim descent; however, the marriage lasted only three months, aer which he enlisted in
the army. One year later, again at his mothers insistence, he married another Muslim woman,
but this union ended in divorce aer six months, with Abdin claiming he had been betrayed.
In 1961, Abdin was implicated in a plan by a small group within the army to orchestrate a coup
and was subsequently imprisoned, sharing a cell with a Buddhist.
It was in prison that Abdin made a decision that could alter the course of his life. Together
with his Buddhist cellmate, they made a vow—a promise conngent on their acquial and
release. The Buddhist made a moderate promise, comming to lead a devout life if freed; Abdin,
in devoon to the deies, promised himself severe penance on behalf of the gods. Eighteen
months later, Abdin was acquied and aempted to establish nancial stability, but with dif-
culty. He ran a small teahouse near his fathers home and assisted others in certain rituals,
though these acvies did not provide sucient income for his livelihood. During one of these
sporadic rituals in 1965, he met his third wife, an older, married woman with nine children,
who leher husband to be with Abdin. They had a daughter in 1967 (a signicant event that
will be detailed later) and formalized their marriage in 1971.
In conversaons with Obeyesekere, Abdin reported a troubled relaonship with his sex-
ual life, stang that sexual acvity and his devout religious life were not in harmony. According
to him, sexual acvity depleted and destroyed the divine energy essenal for connecng with
the deies and parcipang in rituals. He reported receiving constant guidance regarding the
necessity of abstaining from sexual relaons to maintain his relaonship with the gods. Abdin
claimed to have had sexual relaons only once with his rst wife and none with his second,
which required candid discussions with his current wife. He expressed love and care for her
akin to that of a mother or sister, without sexual appeal.
Subsequent conversaons revealed to Obeyesekere that Abdin suered from impotence.
When asked about the daughter he had with his third wife, he recounted the story behind her
concepon. For a long me, Abdin peoned the gods, expressing his strong desire to have a
child despite the divine injuncons against sexual relaons. He implored the goddess Pani
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
10
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
that, for a few days, he might be able to engage in intercourse with his wife. A few days later,
in a dream, a lile girl was revealed to him, accompanied by a warning: he would have this
daughter, whom he should love and treat well, never striking her; in gratude, he was to honor
the goddess Pani by giving the child her name. Accordingly, Abdin and his wife conceived a
child, ritually named Binna Nacciya (the Muslim designaon of the goddess Pani), but for legal
reasons, she was registered as Nihara Abdin. In 1978, his foster mother, Reyanthumma, passed
away, and a year later, his father also died aer a prolonged period of severely deteriorated
health and paralysis.
Obeyesekere provides a detailed account of a ritual for the goddess Kali, which Abdin
was commissioned to perform in 1976. A businessman, claiming to have been bewitched by
competors, required the undoing of the spell. Abdin performed the ritual with the assistance
of a colleague.
The ritual began around 6:00 p.m. in one of the rooms of the clients house. Abdin rst
set up the ritual elements and organized the room, though without parcular concern for clean-
liness. According to Obeyesekere, the fact that Abdin was Muslim by family heritage and Hindu
by ritual associaon meant he had not fully internalized noons of “purityand “polluon”
(Obeyesekere, 1981, p. 151). He placed an image of the goddess Kali, made from a mixture of
dough and saron, on the oor, accompanied by owers, fruits, and incense. The Kali image
was terrifying in appearance, adorned with a red cloth (sari), a protruding tongue (also red to
represent blood), and canine teeth made of garlic. Meanwhile, the client (also referred to as
the paent) lay on a mat next to the image of Kali.
Aer describing the seng, Obeyesekere provides an overview of the ritual scene, high-
lighng Abdin’s acons and the instruments he employed, as well as the rst deies he invoked.
By approximately 6:30 p.m., Abdin was ready to begin the ritual, dressed in a red cloth similar
to Kali’s are and seated before the image of the goddess. Under the illuminaon of lamps,
amid incense smoke and fragrance, and playing a drum (udakki) alongside his assistant, Abdin
commenced the ritual. He held a coconut, which would later be broken, and a torch in his hands,
while murmuring mantras in Tamil, invoking the deies Siva, Ganes, Skanda (Kataragama), and
Sudalayi (the cemetery demon, analogous to the Sinhala Mahasona) (Obeyesekere, 1981, p. 151).
The ritual proceeded, and by approximately 6:20 p.m., Abdin invoked another group of
deies, described by Obeyesekere as the Seven Sisters (Kali, Pommari, Isvari, Issakeyi, Adiye,
Nili, and Bhagava). Obeyesekere transcribes Abdin’s words:
I call Mother Pommari, protect all men and women. I salute the Seven Sisters, caranam
[refuge]; please, come to the feast I have here and have mercy on me, Isvari, Amma
[mother] Isvari. Amma Isvari, I call you by this name, and in this name [form], you have
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
11
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
the power of control over us, Amma. I now call you Issakeyi, Adiye, the very evil Nili, I
call you amma, I call you the burning re, she who did terrible things in the cemetery
who controls the cemetery and performs black revenge magic [pali]. Om Kali, I call you
bloody [uthirai] Maha Kali, I call you mother, amma, who performs a bloody sacrice.
(Obeyesekere, 1981, p. 151-152)
From this point in the ritual, Obeyesekere notes certain specic features of Abdin, such
as stammering and bodily tremors when menoning Kali. While his assistant played the drum,
Abdin stared at the image of Kali, trembling and stammering, and began to mimic her by pro-
truding and cung his tongue, allowing blood to ow so that the red coloraon on his mouth,
chin, and chest resembled that of Kali’s image. He then pressed the lit torch against his chest
and struck his face (Obeyesekere, 1981, p. 152).
By this me, it was past 6:45 p.m., and the ritual descripon emphasizes the cuts to
Abdin’s tongue and the blood owing from his mouth, symbolically aligning him with the goddess
Kali, who is depicted with a red tongue protruding from her mouth. This act of Abdin’s would
later receive focused aenon in Obeyesekere’s interpretaons. Throughout the ritual, Abdin
also delivered prophecies to the client, though only at the end of the rst part did he reveal
one, transcribed verbam by Obeyesekere: If you do not think I am Kali, think of someone
who eats a corpse hear, there, caranam Amma, amma, hit me and control me, caranam
amma, amma” (Obeyesekere, 1981, p. 153).
Aer an approximately thirty-minute break, during which Abdin emerged from the trance,
drank water, and spoke with Obeyesekere, the ritual resumed and lasted a few more minutes.
During this me, Abdin re-entered a trance and, with some diculty breathing, delivered addi-
onal prophecies to other family members, blessed them, and nally, “the drums stop, and
Abdin collapses onto the oor unconscious” (Obeyesekere, 1981, p. 154).
O relevante aqui são alguns fatos especícos, como as ações de Abdin quando em transe
e recebendo as divindades: por exemplo, Kali, ele precisa ofendê-la e, ao mesmo tempo, sempre
chamá-la de mãe, assim como faz com a deusa Pani. Ele quebrava cocos sobre sua própria
cabeça e cortava a língua com uma lâmina.
Of parcular interest are Abdin’s acons while in trance and in receiving the deies. For
instance, in the case of Kali, he had to simultaneously oend her and address her as mother,
similar to his pracce with the goddess Pani. He broke coconuts over his head and cut his
tongue with a blade. When Obeyesekere asked whether he truly believed Kali was a virgin
mother who did not menstruate, he inially replied that he could not believe she did not
menstruate, later asserng that she menstruated through her mouth, hence her red lips. In
Obeyesekere’s interpretaon, this concepon of the virgin mothers menstruaon and Abdin’s
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
12
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
tongue-cung are closely linked. Such cuts, within the ritual context in which he parcipated,
were unusual pracces, scarcely documented among others, making this parcularity of high
interest to the author.
Obeyesekere concludes this account in Medusa’s Hair with observaons about the case.
The enre ritual and trance sequence performed by Abdin can be seen as a reenactment of
his traumac experiences with his authoritarian father. In parcular, the tongue-cung evokes
mulple simultaneous events: his iniaon into the Hindu ritual world in Kataragama, when
his tongue was pierced for the rst me at age twelve; his idencaon with and recepon
of the goddess Kali, who menstruated through her mouth; and nally, his personal castraon
(impotence) resulng from the traumas of his relaonship with his father.
In The Work of Culture, Obeyesekere revisits the Abdin case, updang certain events,
such as the death of his father in 1979. Following this event, Abdin experienced a serious health
complicaon, broadly described as a stroke,resulng in hospitalizaon and paralysis of the
enre le side of his body. While physicians aributed this paralysis to the stroke, Obeyesekere
interprets it as potenally closer to a hysterical episode. It is important to note that whenever
Obeyesekere employs Freudian or psychoanalyc terms and concepts, he does not reduce the
situaon to a strictly pathological framework; rather, he draws approximaons and parallels to
enable a more intelligible relaonship between cultural manifestaons and an anthropologically
grounded understanding informed by psychoanalysis.
Obeyesekere learned of Abdin’s condion through a colleague in Sri Lanka, as he was in
the United States at the me. He immediately requested that his colleague assist Abdin with
medical expenses and subsequently traveled to visit his friend, who, for Obeyesekere, not coin-
cidentally, was using the same wheelchair that his ailing father had used before passing away.
In the same year, Abdin refused, for the rst me, to parcipate in the annual ritual at
Kataragama. Obeyesekere interprets Abdin’s paralysis in the wheelchair as a form of penitence
expressed through symptoms rather than through symbols, as he had tradionally done during
his annual ritual, suspended from hooks on the cart. By 1980, Obeyesekere describes Abdin as
a decrepit and near-moribund gure, with an unkempt beard, dressed in rags, yet extremely
happy to see Obeyesekere aer several years. According to Obeyesekere, this encounter con-
stuted a clear transference moment, in which he was posioned as the “Benevolent Father,
caring for and concerned with Abdin’s welfare.
Aer “skipping a year of his penitenal ritual at Kataragama, Abdin spoke with
Obeyesekere, expressing a desire to return and perform it again, hanging from the hooks on
the cart and traversing the enre route through the shrines, exactly as prescribed. Obeyesekere
encouraged him, and the ritual was duly performed. Following this event, Abdin regained the
ability to walk and move the previously paralyzed limbs reasonably well. In subsequent years,
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
13
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
1981, 1982, and 1983, Abdin no longer wished to perform his hook-based penitenal ritual, but
he did visit Kataragama, observing the fesval and making oerings to the deies.
Analyzing the case, Obeyesekere acknowledges that he never saw Abdin as a potenal
full-me ritual specialist. From his perspecve, there was a signicant sociocultural limitaon:
Abdin was a Muslim, iniated into and praccing Hindu cults, who could never, through these
symbolic systems—within which he remained an outsider by origin—fully exorcize his traumac
past.
Personal Symbol: an operator?
Obeyesekere draws a parallel between Abdin’s case and those of several priestesses
studied in Medusa’s Hair to illustrate the funcon of the Personal Symbol. In one instance,
a woman possessed by malevolent spirits, lamenng and feeling culpable for the death of a
close relave, parcipated in rituals, recovered, became a priestess, and dedicated her life to
devoon to the deies, thereby alleviang her guilt and resolving her trauma. For Obeyesekere,
this exemplies that an individual’s dramas are always simultaneously subjecve and objecve.
Deep Movaons are channeled and objeced within a cultural symbolic system. In this case,
the woman processed her personal dramas through a system in which these elements acquire
meaning and purpose.
According to Obeyesekere, symbols and symptoms simultaneously contain both move
and meaning; however, while the symptom is more closely ed to the eld of move (deep
movaons), the symbol aligns more with the eld of meaning (cultural and objecve). This
disncon is parcularly evident in Abdin’s case. When he performed his penitenal ritual at
Kataragama, at rst glance, it resembled the priestess’s acons: expressing his traumas through
a culturally intelligible symbol, thus assigning meaning to them. However, Abdin required con-
nual repeon of this process; otherwise, the symptoms—such as paralysis—manifested more
strongly and persistently as expressions of his trauma.
It is of paramount importance to emphasize that, although Obeyesekere denes the
Personal Symbol, he does not do so in a single instance, nor always in the same way. At rst
glance, this may appear to indicate a conceptual weakness; however, a closer reading reveals
a dynamism inherent to the concept and a constant openness allowing it to complement,
develop, and mature. This process of conceptual reformulaon is a fundamental aspect of the
authors theorecal development, explicitly acknowledged by him (Obeyesekere, 1987) and
well recognized within the eld of Psychoanalysis, as it allows central theorecal noons to be
understood more as operators than as xed concepts.
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
14
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
According to Obeyesekere, one operave dimension of the Personal Symbol lies in its
capacity to elicit reexivity in the individual. Here, he bridges the noons of cultural symbol and
ethnic symbol: the former, a generic term used in Anthropology by Lévi-Strauss and Edmund
Leach, refers to any symbolic gure or act whose meaning is intelligible only to those who
understand the culture in which it is embedded (for example, the deies of a parcular locale
or the signicance of certain objects). The laer, a term coined by Georges Devereux, desig-
nates symbols that “may provide adjustment but not introspecve self-awareness or ‘curave
insight,as this is supposedly only achievable in an analyc session” (Obeyesekere, 1990b, p.
21). Obeyesekere conrms that, in praccal and objecve terms, the Personal Symbol corre-
sponds to Devereuxs Ethnic Symbol; yet he dierenates them in that, for him, the Personal
Symbol not only facilitates certain adjustments of the individual to their cultural environment
but also promotes introspecon and curave insight,engendering a connuous process of
regression and progression within the chains of memory, thereby updang and transforming
the individual’s understanding of both the symbol and themselves. However, as in Abdin’s
case, when Personal Symbols are supercial, “the individual employing them possesses lile
reexivity; when reecon occurs, it revolves around infanle movaons, as in psychoanalyc
free associaon” (Obeyesekere, 1990b, p. 12). He notes that Freud might have used the term
“raonalizaon” to describe this phenomenon. In the case of the ascecs he studied, overde-
terminaon by meaning helps to transcend dominaon by move” (Obeyesekere, 1990b, p. 13).
Regarding the reexive potenal of the Personal Symbol and his divergence from
Devereux, Obeyesekere asserts that reexivity and self-awareness are not absent among reli-
gious specialists nor exclusive to psychoanalysis; rather, reexivity is itself based on a cultural
language, occurring only within such a cultural medium. The insight that emerges in psycho-
analysis is merely one form, as much a product of culture as are the self-awareness languages
of the ecstac praconers (Obeyesekere, 1990b, p. 23–24).
Thus, Obeyesekere concludes that the symbolic potenal of sociees is likely linked to
reexivity, consciousness, or self-awareness. Regressive symbolizaon may facilitate abreacon
and catharsis, whereas progressive symbolizaon may encourage intellectual and philosophical
reecon, depending on the constraints imposed by a group’s historical tradion (Obeyesekere,
1990b, p. 62).
Despite the mulple denions and elaboraons of the Personal Symbol, a central
characterisc emerges throughout Obeyesekere’s work: the Personal Symbol operates simul-
taneously on individual and social levels. This, far from indicang indecision in analycal focus,
more accurately constutes a crique of contemporary social anthropology, which relied on
dichotomies—disnguishing public from private—as well as a crique of a strand of psycho-
analyc thought that assumes every act has an underlying unconscious movaon. Following
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
15
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
this sequence of criques directed at Devereux and other representaves of Psychoanalyc
Anthropology—“Abram Kardiner, Erik Erikson, and Melford E. Spiro” (Obeyesekere, 1990a, p.
270)—Obeyesekere does not operate through complementarity, which sll relies on a cultural
exterior and psychic interior (Domingues & Wonsoski, 2023), but rather through a connuity
without rupture. It is noteworthy that, despite menoning dissenng authors, Obeyesekere
does not reference Róheim (1967), whose work was foundaonal for nearly all the aforemen-
oned authors.
For Obeyesekere, everything ulmately comes down to a capacity for communicaon,
for transming emoons and aects. It is in this light that his reliance on Freudian theory
becomes clear. The Personal Symbol represents, for him, the crucial intersecon of social and
anthropological theories with psychoanalyc thought—or, depending on the analycal per-
specve, a profound crique thereof.
CONCLUSION
From the outset, in the introducon to The Work of Culture, Obeyesekere makes clear
that his rereading of Ricoeur (1977) and his hermeneuc analysis of Freud, yet again, were piv-
otal in rethinking his criques and theorecal construcons at the intersecon of anthropology
and psychoanalysis, as well as in the ongoing reformulaons and renements of the noon of
the Personal Symbol. Contrary to the prevailing academic trend of increasing specializaon and
subdivision of elds, Obeyesekere integrates Anthropology and Psychoanalysis in connuity,
proposing a composite approach that draws on both disciplines for theorecal formulaon and
praccal applicaon.
What Obeyesekere regards as a signicant advance in his conceptualizaon of the Personal
Symbol, from Medusa’s Hair to The Work of Culture, is the focus on the past and childhood
and their expression in the contemporary life of the individual—that is, the psychic dynamics
of progression, regression, and symbolic removal, alongside the biographical context of the
cases. Ancipang a later crique of ethnographic pracce, he argues that classical ethnog-
raphy freezes a situaon in me; however, this does not imply that the lives of those studied
are equally frozen. A past exists, and a future will exist, both of which are presened in the
person’s experience, and this must be considered in ethnographic work and in the analysis of
the Personal Symbol. Ignoring it is to blind oneself to a full understanding of events and people.
Obeyesekere demonstrates a profound concern with avoiding the reducon of the indi-
vidual to a mere product of their cultural environment. For him, individuals exercise agency, but
to apprehend it requires aending to their statements, which, beyond the current ethnographic
context, are rooted in movaonal, historical, cultural, and bodily dimensions. Anthropology
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
16
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
and Psychoanalysis, in isolaon, somemes fail in this respect; it is in their intersecon that
such shortcomings are migated, bringing together techniques, concepts, and operators from
both elds. It becomes possible to listen to the subject, understand the Personal Symbols, and
avoid reducing the individual to a puppet of psychic or cultural structures. The Personal Symbol,
therefore, not only arculates and communicates a statement but also inscribes culture within
the individual’s existence. Present across mulple biographies, it is connuously mobilized,
compounded, densied, and re-signied by people. This process unfolds without rigid separa-
on between internal and external, psychological and social, symptom and symbol; spiritual
and cultural experiences operate simultaneously.
Obeyesekere’s inial step in elaborang the Personal Symbol was precisely to break the
old dichotomy in social anthropology between public and private. This crique alone is already
sucient to posion the Personal Symbol as highly relevant in contemporary discussions in
Anthropology and Psychoanalysis, as it constutes a singular and innovave concept for tran-
scending a sll-dominant dichotomous worldview: individual versus society, psychological versus
cultural, eldwork versus desk work.
In addion to opening space, as a conceptual operator, for new theorecal arculaons
that sustain connuity between elements formerly perceived as binary opposites, the Personal
Symbol also funcons as a praccal tool in ethnographic pracce. It enables observaon, par-
cipaon, and aenve listening in the eld without being constrained by the poles of such
dichotomies. Its impact, however, extends further, surpassing theorecal elaboraons and prac-
cal applicaons to enter the polical realm, oering the potenal for transformaon through
reecon and moving beyond a determinisc understanding of culture.
Because individuals can re-signify symbols of their own culture to give meaning to life
experiences and process traumas, the Personal Symbol becomes a crucial instrument for contest-
ing hegemonic discourses of dominaon, as in the case of coloniality. In this sense, Obeyesekere
ancipates certain emerging decolonial criques in the Americas, posioning himself as a
powerful ally of this perspecve, even if this contribuon may have gone largely unnoced by
his usual Western interlocutors and readers. In Sri Lanka, his homeland, he is recognized and
disnguished for this type of crical engagement (Abeysekara, 2022).
According to Obeyesekere’s own analysis, the Personal Symbol in Abdin lacks reexivity,
prevenng him from achieving symbolic removal and, consequently, hindering the transformaon
of his elaboraon of childhood traumas into the realm of symbolic recognion supported by his
inhabited cultural context. This apparent fragility of the Personal Symbol in Abdin, as noted by
Obeyesekere, refers to the superciality of its meaning (progression) and its strong roong in
deep movaon (regression); this indicates a low degree of reexivity, resulng in the nonreal-
izaon of the symbol’s transformave potenal within Abdin himself (symbolic removal). What
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
17
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
seems to elude Obeyesekere is precisely the reexive power of the Personal Symbol beyond
a single direcon (healing or symptomac relief). The Personal Symbol exists both in Abdin’s
body and in cultural recognion (e.g., tangled hair), yet, for Abdin, it is linked more closely to
the symptom than to meaning. On the other hand, it also exists in Obeyesekere as a conceptual
operator; this operator traverses Obeyesekere, his work, and his relaonship with his friend
and informant Abdin, acquiring intrinsic value within the reexive logic in queson. In other
words, the reexive potenal of the Personal Symbol is not limited to Abdin but constutes a
logical-reexive extension of the eld itself, occupying an other” posion that transcends the
ethnographer/informant dyad.
This reexive potenal of the Personal Symbol extends further, underpinning the reec
-
ons developed in the present text. It is precisely this potenal that allows a transion from
interpersonal analysis to an argument regarding a third posion. The Personal Symbol intervenes
in the research; its reexive power aects all parcipants.
Obeyesekere’s quesoning of the depth of meaning of Abdin’s Personal Symbol enabled
his connuous reecon and reformulaon of the conceptual operator, transforming its deni-
ons and opening new perspecves for his work, even more so than the highly reexive Personal
Symbols observed in the other ascec subjects. In other words, engaging with a noon that
disrupts conceptual dichotomies also breaks with the idea that it is merely a product of the
authors or the informants thought, relocang it to an “other” posion that intervenes in the
reecon of both and even extends to the authorship of the present text, enabling consideraon
of hegemonic and colonial discourses entrenched in dichotomous frameworks.
Abdin and Obeyesekere are equally reexive parcipants from the standpoint of the third
posion of the Personal Symbol, now qualiable as intervening in this relaonship. Obeyesekere’s
theorecal trajectory is connuous with the ethnographic path experienced with Abdin; eth-
nographer and informant now meet outside the dichotomous logic. From this intervening third
posion, it can be asserted that Obeyesekere not only writes about the Personal Symbol but also
writes with it. This places the author himself in the posion of subject within his own wring.
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
18
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
REFERENCES
Abeysekara, A. (2022). The loss of kingship and colonial and other uses of the ‘people’ in
South Asia. In A. Abeysekera (org.), Essays on history and society. (pp. 125–154).
Godage Internaonal Publishers (PVT).
Bairrão, J. F. M. H. (2005). Escuta parcipante como procedimento de pesquisa do sagrado
enunciante. Estudos de Psicologia, 10(3), 441–446. hps://doi.org/10.1590/
S1413-294X2005000300013
Bairrão, J. F. M. H. (2015). Etnografar com psicanálise: Psicologias de um ponto de vista
empírico. Cultures-Kairós: Revue d’Anthropologie des Praques Corporelles et des
Arts Vivants, 1(5), 11–97. hps://revues.mshparisnord.fr/cultureskairos/index.
php?id=1197
Brandolin, A. S. L. (2019). Connentes de história: Navos intérpretes e pesquisadores
interpretados (Masters Thesis). Universidade de São Paulo. hps://doi.
org/10.11606/D.59.2019.tde-04032021-225618
Domingues, E., & Wonsoski, W. (2023). Contribuições de Georges Devereux à metodologia de
pesquisa em ciências humanas. Memorandum: Memória e História em Psicologia, 40.
hps://doi.org/10.35699/1676-1669.2023.40385
Freud, S. (2010[1916]). Obras completas, volume 12: Introdução ao narcisismo, ensaios de
metapsicologia e outros textos (1914-1916). Companhia das Letras.
Freud, S. (2014[1916]). O trabalho do sonho. In Obras completas, volume 13: Conferências
introdutórias à psicanálise (1916-1917) (pp. 187–200). Companhia das Letras.
Freud, S. (2017[1900]). Obras completas, volume 4: A interpretação dos sonhos (1900).
Companhia das Letras.
Freud, S. (2020[1921]). Cultura, sociedade, religião: O mal-estar na cultura e outros escritos
(M. R. S. Moraes, Trad.). Autênca.
Iannini, G., & Tavares, P. (2020). O mal-estar. In G. Iannini, & P. Tavares (Org.), Cultura,
sociedade, religião: O mal-estar na cultura e outros escritos (pp. 7–31). Autênca.
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
19
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Lindenmeyer, C. (2018). A Antropologia Psicanalíca: Uma chave para pensar
o contemporâneo. Entrevista com Paul-Laurent Assoun. Revista
Lanoamericana de Psicopatologia Fundamental, 21(3), 431–441.hps://doi.
org/10.1590/1415-4714.2018v21n3p431.2
Macedo, A. C., & Bairrão, J. F. M. H. (2011). Estrela que vem do Norte: Os baianos na
umbanda de São Paulo. Paidéia, 21(49), 207–216.
Macedo, A. C. (2024). Contribuições da escuta parcipante em terreiros de umbanda para
uma etnopsicologia brasileira. Acta Scienarum. Human and Social Sciences, 45(3),
e69725. hps://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v45i3.69725
Obeyesekere, G. (1967). Land tenure in village Ceylon. Cambridge University Press.
Obeyesekere, G. (1981). Medusa’s hair: An essay on personal symbols and religious
experience. University of Chicago Press.
Obeyesekere, G. (1984). The cult of the goddesses Pani. University of Chicago Press.
Obeyesekere, G. (1987). Re-reecons on Pani and Medusa. Contribuon to Indian
Sociology, 21(1), 99–109.
Obeyesekere, G. (1990a). Culturally constuted defenses and the theory of collecve
movaon. In D. Jordan & M. Swartz (Eds.), Personality and the cultural construcon
of society (pp. 80-97). University of Alabama Press.
Obeyesekere, G. (1990b). The work of culture: Symbolic transformaon in psychoanalysis and
anthropology. University of Chicago Press.
Obeyesekere, G. (1992). The apotheosis of Captain Cook. Princeton University Press.
Resende, S. M. R. D. F. (2015). Antropologia psicanalíca: Filogenia e ontogenia. In S. M. R. D.
F. Resende (Org.) Argos vários de psicologia (vol. 1, p. 472). Chiado Books.
Ricoeur, P. (1977). Freud and philosophy: An essay on interpretaon. Yale University Press.
Thresholds and synergies between the soul and culture: the personal symbol in the psychoanalytic anthropology of Gananath Obeyesekere
20
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
Róheim, G. (1967). Psychanalyse et anthropologie. Gallimard.
Sahlins, M. (1995). How “naves” think: About Captain Cook, for example. University of
Chicago Press.
Sharma, D. (2021). The cultural psyche: The selected papers of Robert A. LeVine on
psychosocial science. Informaon Age Publishing.
Shweder, R. A. (1991) Thinking Through Cultures. Harvard University Press.
Shweder, R. A., & Sullivan, M. A. (1993). Cultural psychology: Who needs it? Annual Review of
Psychology, 44, 497–523. hps://doi.org/10.1146/annurev.ps.44.020193.002433
Arthur BRANDOLIN & José Francisco Miguel Henriques BAIRRÃO
21
10.30715/doxa.v26i00.20576
DOXA: Revista Brasileira de Psicologia da Educação, Araraquara, v. 26, n. 00, e025014, 2025. e-ISSN: 2594-8385
CRediT Author Statement
Acknowledgements: I am grateful for the support of my advisor, José Francisco Miguel
Henriques Bairrão.
Funding: Supported and funded by Prope (Unesp).
Conicts of interest: There are no conicts of interest.
Ethical approval: As this is a theorecal study, approval by an ethics commiee was
not required.
Data and material availability: The data derive from crical theorecal research and
are available in the referenced texts.
Authors’ contribuons: Both authors contributed fully to the work through theorecal
research, conceptual analysis and crique, and nalizaon of the text.
Processing and eding: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formang, standardizaon and translaon