Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026006, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20593 1
A PSICOSSOMÁTICA NA ADOLESCÊNCIA: UM OLHAR PSICANALÍTICO PARA
OS SINTOMAS
PSICOSOMÁTICA EN LA ADOLESCENCIA: UNA MIRADA PSICOANALÍTICA A
LOS SÍNTOMAS
PSYCHOSOMATICS IN ADOLESCENCE: A PSYCHOANALYTIC PERSPECTIVE ON
SYMPTOMS
Simone Cruz BATISTA
1
e-mail: simone_[email protected].br
Marcela Silva BACCELLI
2
e-mail: marcelab[email protected]
Como referenciar este artigo:
Batista, S. C., & Baccelli, M. S. (2026). A psicossomática
na adolescência: um olhar psicanalítico para os sintomas.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27, e026006.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20593
| Submetido em: 18/09/2025
| Revisões requeridas em: 19/02/2026
| Aprovado em: 14/05/2026
| Publicado em: 02/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Ibirapuera (UNIB), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Psicóloga no Instituto Federal do Sul de
Minas (IFSULDEMINAS), campus Pouso Alegre (MG).
2
Universidade Ibirapuera (UNIB), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Docente no Programa de Pós-graduação
em Psicologia da Universidade Ibirapuera e na Universidade de Uberaba.
A psicossomática na adolescência: um olhar psicanalítico para os sintomas
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026006, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20593 2
RESUMO: Objetivou-se evidenciar os principais sintomas psicossomáticos observados em
estudantes adolescentes de uma instituição de ensino federal do Sul de Minas. Por meio de uma
abordagem qualitativa, descritiva, com corte transversal, foram abordados três estudantes do
gênero feminino e três do gênero masculino. Os instrumentos utilizados foram um questionário
sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada, com conteúdo gravado em áudio,
transcritos na íntegra e analisados por meio da análise de conteúdo de Bardin, que consiste em
analisar as comunicações e os discursos diversificados, encontrando semelhanças nos
conteúdos apresentados. Foram coletados dados referentes ao perfil dos estudantes, à estrutura
e dinâmica do funcionamento psíquico, aos sintomas psicossomáticos mais recorrentes e como
os sintomas psicossomáticos interferem nas condições de saúde mental. Os conteúdos obtidos
evidenciaram a prevalência de sintomas ansiosos e, também, algumas manifestações
depressivas significativas. Importante destacar a relevância da equipe de saúde na escola com
ações preventivas e acolhedoras para os momentos de crise, juntamente com o suporte familiar
e o auxílio de uma rede de apoio.
PALAVRAS-CHAVE: Adolescência. Psicossomática. Saúde mental. Psicanálise.
RESUMEN: El objetivo de este estudio fue evidenciar los principales síntomas psicosomáticos
observados en estudiantes adolescentes de una institución educativa federal del sur de Minas
Gerais. A través de un enfoque cualitativo, descriptivo y de corte transversal, se abordó a tres
estudiantes de género femenino y tres de género masculino. Los instrumentos utilizados fueron
un cuestionario sociodemográfico y una entrevista semiestructurada con contenido grabado en
audio, los cuales se transcribieron íntegramente y se analizaron mediante el análisis de
contenido de Bardin, el cual consiste en examinar las comunicaciones y los discursos
diversificados para hallar similitudes en los contenidos presentados. Se recolectaron datos
referentes al perfil de los estudiantes, la estructura y dinámica del funcionamiento psíquico,
los síntomas psicosomáticos más recurrentes y cómo estos interfieren en las condiciones de
salud mental. Los contenidos obtenidos evidenciaron la prevalencia de síntomas ansiosos y,
asimismo, algunas manifestaciones depresivas significativas. Cabe destacar la relevancia del
equipo de salud en la escuela mediante acciones preventivas y de acogida para los momentos
de crisis, junto con el soporte familiar y el auxilio de una red de apoyo.
PALABRAS CLAVE: Adolescencia. Psicosomática. Salud mental. Psicoanálisis.
ABSTRACT: This study aimed to highlight the main psychosomatic symptoms observed in
adolescent students at a federal educational institution in the South of Minas Gerais. Through
a qualitative, descriptive, and cross-sectional approach, six students were evaluated: three
females and three males. The instruments utilized were a sociodemographic questionnaire and
a semi-structured interview, whose audio-recorded content was fully transcribed and examined
via Bardin’s content analysis—a method consisting of investigating communications and
diverse discourses to identify core thematic similarities. Data were collected regarding the
students’ profiles, the structure and dynamics of their psychic functioning, the most recurrent
psychosomatic symptoms, and how these psychosomatic symptoms interfere with their mental
health status. The findings revealed a high prevalence of anxiety symptoms, as well as
significant depressive manifestations. It is crucial to highlight the relevance of the school
healthcare team in implementing preventive actions and providing psychological containment
during crises, alongside family support and a solid support network.
KEYWORDS: Adolescence. Psychosomatics. Mental Health. Psychoanalysis.
Simone Cruz BATISTA & Marcela Silva BACCELLI
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026006, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
A adolescência pode ser compreendida entre as idades de 12 anos aos 18 anos. É uma
fase do desenvolvimento humano em que a criança sofre transformações no seu corpo, na sua
mente e nas suas emoções (Bee, 1997). Essa é uma etapa importante para a obtenção de novas
habilidades e competências, é um momento propício para a interação, ampliando o seu convívio
interpessoal. Influências estas que colaboram para a sua subjetividade e personalidade. Os
vínculos são estabelecidos e fortalecidos (Lane, 2006).
Desequilíbrios e instabilidades são situações que o adolescente enfrenta com a sua
imaturidade e que acaban ocasionando insegurança, confusão, angústia, um sentimento de se
sentir injustiçado e incompreendido pelos pais e pessoas de referência, o que corrobora em
conflitos no seu convívio social (Pratta & Santos, 2007).
Dejours (2019) afirma que a dinâmica psíquica tem uma interdependência do corpo
biológico. De acordo com Capitão & Carvalho (2006), os modelos da teoria freudiana de
conversão histérica e a neurose atual são referências na evolução dos conceitos do psiquismo e
do somático.
McDougall (1997) acrescenta que, diante de eventos vivenciados como estressantes, o
sujeito apresenta dificuldade de simbolizar e elaborar esses fatos, o que acaba acarretando
expressões somáticas pelo corpo. Isto é, a pessoa sofre com aquilo que não sabe lidar
saudavelmente e manifesta no seu corpo toda a sua dor por meio de sintomas físicos.
Diante do exposto, delineou-se esse artigo, que apresenta um recorte da dissertação de
mestrado intitulada A psicossomática na adolescência: um olhar psicanalítico para os
sintomas, que possui entre os seus objetivos aprofundar-se em alguns fenômenos
psicossomáticos e assinalar os mais dominantes nos estudantes adolescentes de uma instituição
de ensino federal do Sul de Minas. Como objetivos específicos, pretende-se apresentar o perfil
dos estudantes participantes da pesquisa; analisar aspectos da estrutura e dinâmica do
funcionamento psíquico dos mesmos; identificar quais sintomas psicossomáticos são mais
dominantes nesses adolescentes; e analisar como os sintomas psicossomáticos interferem nas
condições de saúde mental à luz da Psicanálise.
MÉTODO
Para alcançar os objetivos do presente estudo, foram utilizados os princípios
metodológicos da pesquisa qualitativa, descritiva, de corte transversal. Foram convidados a
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participar da pesquisa três estudantes do gênero feminino e três do gênero masculino do curso
Técnico Integrado do Instituto Federal do Sul de Minas do Campus Pouso Alegre, nas turmas
do Técnico em Administração, Edificações, Informática e Química. A amostra foi delimitada
por conveniência.
A pesquisa foi realizada no Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, Campus Pouso
Alegre. Na coleta de dados, foram utilizadas as dependências das Instituições, ou seja, salas de
atendimento coletivo e salas de atendimento individual para aplicação do questionário e
realização da entrevista semiestruturada. Como instrumentos, foram utilizados um questionário
sociodemográfico para caracterização dos participantes e uma entrevista semiestruturada
realizada presencialmente, individualmente, gravada em áudio e transcrita na íntegra.
Primeiramente, a pesquisadora enviou um comunicado oficial, por e-mail, ao Diretor
Geral do Instituto Federal do Sul de Minas Campus Pouso Alegre, solicitando uma reunião
para a explanação do respectivo Projeto e sobre o início das atividades. Um Termo de
Autorização para realizar a pesquisa foi entregue ao Diretor para consentimento e assinatura.
Após aprovação do Diretor, a pesquisadora foi, pessoalmente, até as salas de aula dos
cursos técnicos integrados da Instituição para apresentar resumidamente a pesquisa para os
estudantes e convidá-los a participar. No momento da apresentação, a pesquisadora estava
acompanhada de uma servidora do setor de Assistência Estudantil. Aos estudantes que
manifestaram interesse em participar, a pesquisadora avisou que o recrutamento aconteceria na
Coordenadoria de Assistência Estudantil (CAE), diretamente com a pesquisadora e/ou com a
servidora acompanhante referida acima para abranger mais horários e preservar o sigilo dos
participantes. No recrutamento, foi registrado o nome completo do(a) estudante, telefone de
contato dele(a) e dos responsáveis e e-mail institucional.
Posteriormente, houve o contato formal e o envio por e-mail de uma via do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e uma via do Termo de Assentimento Livre e
Esclarecido (TALE), para que a família pudesse ler em casa. Contato via telefone e on-line pelo
computador com os responsáveis também foram efetivados para explicação da pesquisa e para
a leitura dos Termos. Após esses processos, foram aguardadas as devidas assinaturas dos
Termos tanto pelo(a) estudante quanto por seus responsáveis, entregues pessoalmente no
encontro ou no dia da entrevista com os participantes.
Com a concordância dos envolvidos e responsáveis, a pesquisadora entrou em contato
com o(a) estudante para agendar um horário para realização da coleta de dados. No dia
agendado, foram novamente explicados os detalhes da pesquisa, recolhido os Termos ainda não
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entregues e aplicados o questionário e a entrevista com a devida gravação autorizada pelo(a)
estudante. A qualquer momento, o(a) participante poderia interromper a sua participação na
pesquisa sem nenhum prejuízo, podendo desistir de participar ou continuar em outro dia.
No que diz respeito às considerações éticas, todas as fases do estudo seguiram
orientações, exigências e recomendações das Resoluções 466/2012 e 510/2016 do
Conselho Nacional de Saúde, e o projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP)
do Instituto Federal do Sul de Minas (Parecer: CAAE 74067323.7.0000.8158).
A coleta de dados iniciou-se com um questionário sociodemográfico e, posteriormente,
com uma entrevista semiestruturada. Essa última transcorreu conforme eram apresentados os
temas durante a própria entrevista.
Em relação à entrevista semiestruturada, as questões propostas aos adolescentes
estudantes foram acerca do entendimento que possuíam sobre a relação mente-corpo; a noção
sobre as emoções e como estas se expressam no corpo (positivamente e negativamente); a
identificação de ocorrências sintomáticas no corpo e quais; o reconhecimento (ou não) da
relação entre ansiedade e corpo; o reconhecimento (ou não) da relação entre depressão e corpo;
o reconhecimento (ou não) da relação entre outro transtorno de humor e corpo; o conhecimento
da saúde integral; a interferência do seu estado clínico nos estudos e em suas relações; como
lida com os sintomas quando eles surgem; e se faz algum tratamento médico para os seus
sintomas.
Durante a transcrição dos conteúdos, todos os participantes tiveram seus nomes
modificados, e as entrevistas gravadas foram apagadas para preservar a integridade e a
identidade dos participantes.
A análise e a interpretação das informações dos dados coletados na entrevista
semiestruturada foram realizadas a partir da perspectiva da análise de conteúdo conforme
Bardin (1977). Dessa etapa, emergiram cinco categorias temáticas, sendo elas: Mente sã, corpo
são; O corpo fala; O sofrimento ansiogênico: O corpo que sofre; O corpo que chora em silêncio;
e O mesmo ser e duas faces.
Este estudo segue os princípios da Open Science, com disponibilização dos dados e
materiais suplementares em repositório público.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Pensar na adolescência é compreender que essa fase do desenvolvimento humano é um
período de transição entre a meninice e a vida adulta, e que psicologicamente e culturalmente
difere entre as sociedades e entre os indivíduos de culturas diversa (Bee, 1997). É um momento
de consideráveis transformações no corpo, mente e emoções.
As transformações biológicas, psíquicas e sociais vivenciadas no período da
adolescência ocasionam novas experiências definidas pela intensidade de sentimentos e por
questionamentos presentes acompanhados pela turbulência de sensações que geram um
crescimento interno para o adolescente (Lamanno-Adamo, 2024). Segundo a autora, é uma
época de impulsividades incontidas, agressividade aparente, ansiedade aflorada, somatizações,
isolamento, apatia e ociosidade em maior ou menor grau de intensidade e duração.
Segundo Aberastury e Knobel (2003), no processo do adolescer, o sujeito realiza três
lutos fundamentais: a) o luto pelo corpo infantil perdido; b) o luto pelo papel e a identidade
infantis, que o obriga a uma renúncia da dependência e a uma aceitação de novas
responsabilidades que muitas vezes desconhece; c) o luto pelos pais da infância com a imagem
idealizada, situação que se complica pela própria atitude dos pais, que também têm que aceitar
o seu envelhecimento e o fato de que seus filhos já não são crianças, mas adultos, ou estão em
vias de sê-lo. Une-se a estes lutos o luto pela bissexualidade infantil, também perdida.
Durante a puberdade, começa um rápido crescimento físico e o início da maturação
sexual. Em consequência desse processo, são acelerados os movimentos que buscam solidificar
uma identidade e estabelecer uma autonomia em relação à família pelo adolescente (Carter &
McGoldrick, 1995). É nesse momento que a escola ganha um papel fundamental para essa
formação. Segundo Carter e McGoldrick (1995), as expectativas sociais aparecem, se
modificam e, muitas vezes, entram em conflito em relação aos papéis sexuais e normas de
comportamento que são impostas ao adolescente pela família, escola, companheiros e mídias.
A escola é uma instituição de ensino e formação humana que favorece a socialização
dos adolescentes. É um lugar onde se reproduz e se atualiza o contexto sociocultural mais amplo
oportunizando aprendizagens diversas e interações (D’Avila-Bacarji et al., 2005).
Segundo Leão (2006), o adolescente irá construir a sua identidade a partir da sua relação
com o ambiente, e a escola é esse espaço colaborador. É um lugar que possibilita refletir sobre
si e sobre os seus comportamentos frente às dificuldades impostas pelo convívio social diário,
promovendo mudanças e o desenvolvimento pessoal dos estudantes.
Simone Cruz BATISTA & Marcela Silva BACCELLI
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Constituir a sua subjetividade, segundo Gonçalves (2003), ocorre por meio das
mediações, que são, nesse processo, as relações sociais, a partir da linguagem que se estabelece
principalmente com a sua família, escola, grupos e instituições em que estão inseridos.
Freud (1996a, 1996b) também estudou a fase adulta e observou que as experiências
psíquicas das pessoas m uma ligação do corpo com a linguagem. Dessa maneira, a Psicanálise
colocou a origem do pensamento no corpo.
Para a Psicanálise, de acordo com Dejours (2019), o funcionamento psíquico de um
sujeito possui uma dependência do corpo biológico, sendo assim, as suas representações
psíquicas são interdependentes. O estado psicopatológico observado de um paciente deveria
considerar suas desordens no funcionamento psíquico e na atividade do pensar e as alterações
em seu funcionamento fisiológico, neurológico e organização anatômica (Dejours, 2019).
É compreendido pela Psicanálise que o corpo expressa os sonhos vivenciados pelo
indivíduo, as fantasias, os desejos, o sofrimento, o prazer do afeto, enfim, tudo que é latente
(Latour, 2008). Segundo McDougall (1994), pacientes que tiveram alguma falha em seu
desenvolvimento e não conseguiram enfrentar os conflitos internos saudavelmente são mais
suscetíveis a desenvolverem sintomas psicossomáticos.
McDougall (1997) acrescenta que as somatizações são consequências de uma reação
inconsciente ao sofrimento emocional não elaborado buscando uma tentativa de cura. Também
discorre sobre a dificuldade de compreender a dor psíquica nomeando-a, articulando-a e
vivenciando-a adequadamente, desencadeando assim no corpo a manifestação de descarga-ato
que são os fenômenos psicossomáticos.
Considerando estes aspectos orientadores da análise realizada a seguir, serão
apresentadas as categorias temáticas que descrevem como os estudantes adolescentes do ensino
técnico do Instituto Federal do Sul de Minas Campus Pouso Alegre reconhecem as
manifestações psicossomáticas em seus corpos.
Categoria 1 Mente sã, corpo são
Mens sana in corpore sano (mente em corpo são) é uma citação latina muito
conhecida, inspirada pelo poeta romano Décimo Junio Juvenal na Sátira X, que representa a
necessidade de controle dos pensamentos e manutenção do equilíbrio do corpo (Sanchez, 2017).
Atualmente, o antigo ditado ganha mais afetação, pois destaca que tanto a mente
influencia no corpo quanto o corpo influencia na mente. Ambos são interligados e causam
posições saudáveis ou de adoecimento. Para Mello Filho e Burd (2010), o corpo e a mente são
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indiscutivelmente inseparáveis; o ser humano é um ser integral. O psíquico e o somático são
uma conjunção. Certas doenças são consideradas psicossomáticas.
Na análise das falas dos estudantes Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos e Rute uma
concordância de que o corpo e a mente estão interligados e um interfere no outro. O que pode
ser observado nos extratos a seguir:
É, então, por exemplo: se eu tô, se eu me sentir feliz com alguma coisa, sei lá, eu vou me sentir
bem fisicamente. Mas seu eu me sinto mal, mentalmente, eu me sinto mal fisicamente também.
[Marcos, 17 anos]
Pra mim são interligadas e elas interferem no comportamento da pessoa, das decisões que ela
toma. Eu acho que sim, dependendo do que você pensar o seu corpo vai trabalhar de uma forma.
[Ester, 17 anos]
Eu acho que a mente, ela, conduz o nosso corpo a tudo. Inclusive quando ela está prejudicada,
o nosso corpo fica prejudicado... Eu acho que a relação, ela... Não sei exatamente como
explicar, eu acho que tem um jeito mais técnico pra isso, mas está totalmente interligado e o
corpo, ele... É como se fosse um dependente da mente. [Rute, 17 anos]
Alexander (1989) discute que fatores emocionais influenciam nos processos do corpo.
Para McDougall (1997) os fenômenos psicossomáticos têm relação relevante com a saúde ou
com a integridade física da pessoa como um todo. Assim, a dor psíquica e o conflito mental
podem acarretar as manifestações psicossomáticas.
De acordo com Teixeira et al. (2021), o psíquico e o somático estão articulados e é por
meio do corpo que a psique atua para expressar seus sentimentos contidos, suas sensações,
percepções e sintomas. As autoras identificam que uma das maneiras que o sujeito encontra
para tomar consciência dos seus órgãos e do seu corpo é justamente manifestando as doenças
que causam dor e sofrimento. Esse sofrimento ocasiona a modificação da dinâmica da libido,
que antes era voltada para o objeto e passa a ser direcionada para a superfície corpórea. Em
Luto e Melancolia (2010), Freud entende que, no Luto, o sujeito pode ter relação com uma
perda de um ente querido ou ausência do que tenha algum significado maior para ele, como a
perda de sua liberdade, por exemplo. O desligamento é gradual do objeto perdido. Com o
tempo, o sujeito é livre para investir em novos objetos.
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Segundo Capitão e Carvalho (2006), a psicossomática estuda um entendimento na
relação mente-corpo e o processo de adoecimento. Complementam ainda que os processos
emocionais interferem nos distúrbios físicos, elevando o risco de desenvolver ou agravar
determinada doença física. Isto é, o sofrimento psíquico e o conflito interno, quando transpõem
a capacidade habitual de tolerância, não sendo reconhecidos e elaborados, transferem uma
incapacidade de simbolização, e acabam se expressando no corpo por meio das manifestações
psicossomáticas.
Smadja (2023) estuda sobre uma perda de objeto antiga ou recente e o surgimento de
uma somatização grave. Na verdade, seria a correlação entre uma perda de objeto não elaborada
ou mal elaborada e o aparecimento de sintomas físicos. Nesse estudo, foi encontrado com certa
frequência o seguinte processo: um evento traumático desorganizador, seguido de um período
maior ou menor de latência sintomática que se define por um silêncio psíquico, prosseguindo
para uma manifestação dos primeiros sinais biológicos da doença.
Categoria 2 O corpo fala
McDougall (1994) discorre que a somatização é uma resposta à dor mental sentida pelo
sujeito. A autora concilia o aparecimento de alguns sintomas psicossomáticos com as medidas
defensivas que o sujeito se utiliza para enfrentar a angústia vivenciada, assim mantendo um
certo equilíbrio na sua organização emocional
Para Freud (1996b), a ansiedade tem um caráter acentuado de desprazer, que acompanha
sensações físicas desagradáveis que podem ser direcionadas a órgãos específicos do corpo.
Sendo assim, a ansiedade gera sintomas.
Nos relatos obtidos dos adolescentes Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos e Rute foram
destacados os mesmos sintomas de ansiedade e estresse vivenciados com consequências
desencadeando manifestações psicossomáticas.
Eu consigo entender que quando eu passando por um momento de crise, tanto de estresse,
ou depressiva ou de ansiedade, o meu corpo fica fraco ou ele fica extremamente rígido...
Quando eu tendo crises de estresse, crises de raiva, o meu corpo fica rígido e com vontade
de movimento. Quando eu tô tendo crise de ansiedade, o meu corpo começa a pinicar, a coçar.
[João, 17 anos]
Às vezes, eu acho que quando eu fico muito ansiosa, eu tenho muito costume de comer doce.
Então, eu como doce e eu acabo engordando e isso me afeta psicologicamente... E quando eu
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fico muito estressada também, eu durmo pouco, eu tenho enxaqueca, então ela fica muito alta
e eu sinto muita dor. [Ester, 17 anos]
Teve uma época que eu sofria muito com ansiedade, essas coisas. Eu tinha muita mancha no
corpo, normalmente na mão e no pé... E depois que eu descobri por pesquisas que poderia ser
algo psicológico, eu fui tratar e realmente curou. Então, pode ser que não tenha nada a ver,
que por algum tempo, mas eu tenho pra mim que curou por conta disso. [Rute, 17 anos]
Os estudantes João e Rute apresentam um tipo de manifestação psicossomática
equivalente, que é a alergia no corpo. Como podemos observar em suas falas:
Quando eu tendo crise de ansiedade, o meu corpo começa a pinicar, a coçar...” [João, 17
anos]
Eu tinha muita mancha no corpo, normalmente na mão e no pé. [Rute, 17 anos]
Considerando que os indivíduos reagem ao sofrimento psicológico manifestando em seu
corpo a sua dor, o seu sofrimento, esses sintomas psicossomáticos acabam atuando nas
condições de saúde mental desses adolescentes. É esperado que as pessoas tendam a somatizar
toda vez que as circunstâncias internas ou externas ultrapassam o seu limiar de resistência
psicológica (McDougall, 2013).
Ainda segundo a autora, em vez de sentir as respectivas dores e elaborar psiquicamente
sentimentos como angústia e conflitos internos, o indivíduo acaba expressando em seu corpo o
seu sofrimento, o que confere ao corpo ser continente. Nos estados psicossomáticos, um órgão
ou uma função corporal sem relação direta com distúrbios de natureza orgânica acaba agindo
como uma resposta psíquica a uma situação conflituosa percebida como biologicamente
ameaçadora pelo indivíduo (McDougall, 2013).
O adolescente passa por transformações consideráveis, envolvido em um processo
íntimo de revisão de seu mundo interno e de suas heranças infantis, sofrendo ainda mudanças
corporais significativas e a percepção da realidade externa submerso na sua introspecção (Sade
& Malcher, 2023). Sade e Malcher (2023) complementam que o processo de mudanças que os
adolescentes vivenciam são uma mescla de intervenções externas e internas que interferem
nesse processo de introspecção, juntamente, com os acontecimentos externos percebidos, a
busca da autonomia, da identidade e do reconhecimento pelo outro, além da inserção em um
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contexto diverso, que pode deixar o adolescente com emoções que podem gerar um sofrimento
psíquico e formas de crises como ansiedade, angústia, depressão.
Categoria 3 O sofrimento ansiogênico: o corpo que sofre
De acordo com DSM-V (APA, 2014), o transtorno de ansiedade tem como
características: medo, ansiedade excessiva e perturbações comportamentais relacionados. Essa
ansiedade é sentida como uma antecipação de uma ameaça futura. A ansiedade é mais
frequentemente associada a tensão muscular e vigilância frente ao perigo futuro e
comportamentos respostas de cautela e esquiva.
A ansiedade geralmente é sentida como desagradável. É uma sensação de medo,
apreensão, uma tensão ou um desconforto derivado da antecipação de um perigo, de algo
desconhecido, estranho para a pessoa (Castillo et al., 2000).
Os sintomas de ansiedade são observados nas manifestações somáticas apresentadas
pelos adolescentes, como nas expressões físicas desencadeadas. Isso é comprovado no discurso
de Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos e Rute. Rute não percebe mais esses sintomas atualmente.
Às vezes, eu acho que quando eu fico muito ansiosa, eu tenho muito costume de comer doce.
Então, eu como doce e eu acabo engordando e isso me afeta psicologicamente. Ah... Eu tenho
tremedeira, eu fico quente, fico tremendo, quente, fico, sinto mais contraída e eu acabo
ficando mais, como é que fala? Fico mais quieta. Às vezes, eu cutuco o canto da unha, fico
batendo os dedos assim até eu me acalmar. [Ester, 17 anos]
Teve uma época que eu sofria muito com ansiedade, essas coisas. Eu tinha muita mancha no
corpo, normalmente na mão e no pé... Não. Faz muito tempo que eu não tenho. Desde que eu
entrei no IF, como essas coisas mais direcionadas ao IF. Tem muita pressão em cima dos
alunos, muita coisa pra fazer. Mas, em relação a ansiedade e essas coisas eu não tive mais.
[Rute, 17 anos]
Sim, eu sinto que quando eu estou num estado mais ansioso eu, normalmente, eu sinto os
sintomas típicos, sabe? Um frio na barriga, um pensamento que, uns pensamentos intrusivos
que se tornam cada vez mais, sabe? Eu não consigo deixar eles quietos na cabeça, não consigo
botar no moodle... Fica martelando na minha cabeça. [Daniel, 17 anos]
Ester, Isabel e Marcos mostram mais propensão em desenvolver problemas
relacionados ao estômago, órgão que acaba sendo depositário das questões mais aflitivas.
A psicossomática na adolescência: um olhar psicanalítico para os sintomas
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É, eu não sinto vontade de comer, sabe? Às vezes eu tô, com fome, mas eu vejo a comida e
num, sei lá, é como se fosse me fazer mal, sabe? Daí eu fico sem comer. [Marcos, 17 anos]
Às vezes, eu acho que quando eu fico muito ansiosa, eu tenho muito costume de comer doce.
Então, eu como doce e eu acabo engordando e isso me afeta psicologicamente. [Ester, 17 anos]
Aí, das doenças que eu tenho, os principais sintomas que vem delas é são: a queimação, por
conta da gastrite, porque daí a gastrite dá essa sensação de azia, né? [Isabel, 17 anos]
Para Silva Filho e Silva (2013), a adolescência considerada normal apresenta períodos
breves de ansiedade, principalmente em relação à competência, às ameaças abstratas e às
situações sociais. É preciso um sentido de adaptação aos estressores que aparecem e em acordo
com as diferentes fases do desenvolvimento humano. Os autores complementam que, para se
configurar como transtorno de ansiedade para os adolescentes, é preciso que se observe o grau
de prejuízo e a interferência no funcionamento rotineiro deles. Para diferenciar e definir entre
o normal e o patológico, deve-se observar a intensidade, a duração dos sintomas, a frequência
e a sua repetição, como descrito nos manuais como CID e DSM.
Categoria 4 O corpo que chora em silêncio
Cassorla (2024) se respalda na Psicanálise para abordar as turbulências emocionais que
os adolescentes passam nessa fase tão significativa de suas vidas. São conflitos relacionados
aos sofrimentos pelas mudanças corporais, emocionais, pelos envolvimentos sociais, pela
inserção no contexto adulto, enfim, por tudo que engloba essa transição.
Segundo Del Porto (1999), os sentimentos de tristeza e alegria são afetos essenciais na
vida psíquica normal. A tristeza vai aparecer como uma resposta humana universal frente a
situações de perda, luto, derrota, frustrações e outras adversidades. Quando os sintomas estão
mais elevados, trazendo prejuízo para a vida da pessoa e se prolongando por um tempo maior,
se torna um sinal de alerta para a depressão instalada.
Nem sempre os sentimentos de tristeza e vazio são os mais aparentes. Muitas vezes,
outros sintomas são manifestos, como a perda de prazer nas atividades em geral, principalmente
aquelas que antes geravam prazer, uma redução do interesse pelo ambiente ao redor e pelas
relações interpessoais, fadiga, perda de energia, queixa de cansaço exagerado, apatia,
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lentificação, retardo psicomotor, entre outros (Del Porto, 1999). É um corpo que chora em
silêncio.
Os adolescentes Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos e Rute conseguem perceber alguns
sintomas mais depressivos. Apesar de Isabel não conseguir relacionar aspectos depressivos e
reações corporais, ela consegue observar uma mudança no seu comportamento. Também é
importante destacar que Ester cita uma certa gravidade nos seus sintomas por apresentar
autolesão em seu corpo. Nesses casos, sempre é indicado que o estudante procure um
atendimento médico específico e converse com sua rede de apoio. Em relação a adolescentes,
o contato com a família é importante para conversar sobre o ocorrido e para o acompanhamento.
Acompanhamento psiquiátrico e psicológico são fundamentais nesse período de adoecimento.
Outras duas estudantes retrataram essas manifestações vivenciadas antigamente e
atualmente, com o fator de gravidade de uma autolesão. Porém, a maioria relata um sentimento
de tristeza e uma vontade de isolamento. Rute percebeu os aspectos mais depressivos em um
período anterior, já Daniel percebe isso atualmente.
Eu tive depressão, uma vez, já. Já, né, tentei me machucar. Então, eu sei mais ou menos como
é. Mas, eu acho que hoje, eu tenho menos sintomas depressivos do que antes. Às vezes, eu acho
que eu fico muito triste, muito, muito pro quarto... Então, é uma coisa que raramente acontece.
D’eu ficar muito depressiva, muito pra baixo, ficar muito no quarto quando eu em casa, ou
ficar muito quieta quando eu estou na escola, sabe? [Ester, 17 anos]
É uma coisa que eu comecei a desenvolver muito desde do ano passado... Mas, eu acho que eu
não sou capaz de estabelecer uma relação necessária com a minha tristeza e com o meu corpo,
porque eu acho que eu nunca prestei atenção necessariamente nisso. Mas, eu senti que eu
aumentei muito a minha introspecção desde do ano passado. Eu era uma pessoa um pouco mais
extrovertida, mais atualmente, eu sou uma pessoa um pouco mais introspectiva. Não, eu nunca
gostei muito de falar sobre mim, hoje em dia eu gosto menos ainda. [Isabel, 17 anos]
Olha, nesses sintomas eu poderia dizer, então, que eu sou um depressivo de primeira
categoria... Eu sinto uma, uma, uma tristeza muito grande. Eu não sei dizer se pelo IF ou tanto
a questão de aluno... Eu vou me degradando e pode ser que nessa degradação eu acabei me
tornando uma pessoa um pouco depressiva, mas sim, eu sinto esses sintomas, são frequentes na
minha vida. [Daniel, 17 anos]
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Para Kaplan et al. (1997), o desequilíbrio do humor em adolescentes é registrado pela
depressão e excitação. Além disso, a irritabilidade é um fator significativo dos sintomas. O
humor pode ser mais irritável do que deprimido. Outro ponto relevante destacado pelos autores
é que a ideação, a autolesão e tentativas de suicídio podem ter aliança com os transtornos
depressivos, e a fase da adolescência é predisposta a desenvolver tal problema, visto que este é
um fato crescente na área da saúde mental.
Souza et al. (2008) destaca que adolescentes em idade média de 16 anos apresentam
certa sintomatologia depressiva, como baixa autoestima, angústias, alterações no humor,
ansiedade, inquietação, agressividade, sensação de desamparo, desapontamento consigo
mesmo e com outras pessoas, desesperança, solidão, entre outras.
A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano que se caracteriza por várias
transformações e exigências. O adolescente se diante de diversas situações internas e
externas que podem contribuir para as suas variações de humor e mudanças no comportamento
costumeiro (Ballone & Moura, 2008).
Roudinesco (1999) reflete sobre a sociedade contemporânea, formadora de deprimidos
que buscam suas soluções na medicalização. Ela desloca do sujeito para a sociedade. Não só o
sujeito está deprimido, mas a sociedade também está depressiva. Essa sociedade que padroniza
comportamentos, crenças e atitudes.
Categoria 5 O mesmo ser e duas faces
Os estudantes Ester, Isabel, João e Marcos percebem oscilações de humor manifestas
por eles no seu cotidiano. São mudanças opostas que se apresentam. Daniel e Rute percebem
mais uma falta de energia, de disposição. Daniel aponta aspectos mais depressivos com uma
fala de autolesão.
Tem semanas que eu tô 100% enérgico e alegre. E têm semanas que eu 100% bravo, com
vontade de bater em alguém e têm semanas que eu não com vontade de nem sair da cama.
Isso, por alguma coisa que aconteceu ou por alguma coisa que eu nem sei que, às vezes sem
motivo nenhum, mas às vezes acontece. Sim, às vezes acontece de não ter nenhum motivo. [João,
17 anos]
Às vezes, eu tô muito feliz eu fico até animada. Dá vontade de fazer tudo. Mas, às vezes eu fico
do nada eu tão feliz e do nada eu murcho. Vou pra baixo. E aí eu fico quieta, eu fico cansada.
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Bate um cansaço que eu não sei de onde vem. Eu tava tão disposta e do nada eu fico indisposta.
[Ester, 17 anos]
Eu, eu percebo mais por falta de energia, sabe?... E tem dia que eu chego em casa e mesmo
tendo uma mira de coisas pra fazer, eu simplesmente falo: “Ah, eu não dou conta”... Porque,
se eu tomar uma medida drástica aqui eu posso ter 17 anos, mas se eu pegar uma faca pra
cortar os meus pulsos... Não vai ter mais, sabe, 18, 19, 20 anos. Vai ser, acabou agora... Só que
aí, no momento que eu passar, daí pode ser que seja tarde demais, sabe? [Daniel, 17 anos]
Para Moreno et al. (2015), os transtornos do humor possuem uma origem biológica,
sendo os fatores psicológicos e sociais possíveis desencadeantes dos sintomas. Ainda segundo
os autores, essas mudanças de humor acontecem, normalmente, no cotidiano de cada pessoa,
sendo natural sentir raiva, ódio e outras emoções e sentimentos. Ter queixas ou sentimentos
isolados de alegria ou tristeza, ou mesmo irritabilidade, são insuficientes para se fazer um
diagnóstico psiquiátrico. É preciso certa constância nos sintomas e prejuízos em vários aspectos
da vida do indivíduo.
Moreno et al. (2015) ainda discorrem que, na fase da adolescência, os transtornos de
humor surgem na dificuldade de lidar com as cobranças na escola, com a necessidade de
socialização com pessoas mais próximas como família, parentes, professores e amigos.
Também faz parte o aprendizado de regras e de como se comportar em sociedade, não contando
ainda com o amadurecimento suficiente de se controlar, sofrendo ou causando bullying, dentre
outros.
De acordo com os mesmos, os adolescentes que possuem um transtorno de humor
apresentam uma falha no âmbito responsável por processar e articular as emoções. Esses
adolescentes acabam vivenciando uma desarmonia no controle emocional e cognitivo frente a
situações de exigência e estresse.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o estudo realizado e por meio da abordagem Psicanalítica, procuramos
compreender os fenômenos psicossomáticos nessa fase da adolescência.
A partir dos resultados encontrados, foi possível identificar que os aspectos ansiosos são
os mais destacados nas manifestações psicossomáticas dos adolescentes estudantes de uma
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instituição de Ensino Técnico Integrado do Sul de Minas Gerais. E os próprios estudantes
conseguem reconhecer esses sintomas neles mesmos.
As manifestações dos aspectos depressivos também tiveram a sua significância, apesar
de uma estudante do gênero feminino ter mais dificuldade de identificar nela esses sintomas,
conseguindo apenas perceber certa mudança de comportamento como um certo retraimento,
uma introspecção.
Sobre as oscilações de humor, os adolescentes pesquisados reconhecem essas
inconstâncias e os desdobramentos em vários setores das suas vidas, como nos seus
relacionamentos. A falta de energia, o desânimo e a indisposição, uma tristeza aparente e
isolamento vêm em oposição à momentos de alegria e bem-estar.
ao analisar os aspectos da estrutura e dinâmica do funcionamento psíquico dos
estudantes entrevistados, foi possível observar a dificuldade encontrada no enfrentamento de
situações estressantes ou no sentido de assimilar vivências internas, chegando a desenvolver
alguns sintomas ansiosos, como alergias na pele, problemas estomacais e dificuldade com a
alimentação (inapetência ou vontade de comer doce em grande quantidade). Em relação aos
aspectos mais depressivos, aparece uma tendência à introspecção, o que dificulta as relações
interpessoais, principalmente o relacionamento com a família, os entes mais próximos. Sobre
os sintomas de agressividade manifestos, foram anotados a automutilação ocorrida por uma
estudante, a agressão cometida ao outro por um adolescente e um pensamento autoagressivo
por um terceiro adolescente. Pode-se compreender que, ao se deparar com questões aflitivas, o
adolescente, por não conseguir lidar saudavelmente com a elaboração da angústia surgida,
desencadeia suas expressões mais agressivas.
Além dos sintomas de ansiedade proeminentes, outros sintomas percebidos foram de
estresse, de tensão muscular, uma dificuldade em ingerir alimentos ou comer compulsivamente,
problemas com o aparelho digestivo e aparições de doenças instaladas como gastrite e refluxo.
Enxaqueca, falta de ar e dores também foram notadas. Os comportamentos agressivos expressos
e a introspecção aparecem mais nos sintomas depressivos, juntamente com a apatia e a tristeza.
De acordo com os relatos coletados, foi possível observar um comprometimento da
saúde mental dos adolescentes entrevistados acarretado por questões psicossomáticas
prevalentes. Tanto os sintomas de ansiedade quanto os sintomas depressivos e outros
transtornos de humor podem ser reconhecidos nos discursos apresentados e nas identificações
somáticas e de comportamento.
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Esses sintomas são um sinal de alerta de que certas vivências não estão sendo bem
elaboradas e têm sido expressas por vias psicossomáticas. Com isso, concluímos que uma rede
de apoio seja fundamental para acolher e orientar esses adolescentes nessa etapa da vida. E que
a família, como centro primário de atenção, deve ofertar esse espaço de acolhimento, de diálogo
empático e de exemplos salutares para encaminhar os filhos.
a escola fica com o papel de aprendizagem em todos os aspectos, e uma forte
influência social que acaba colaborando de maneira significativa com o amparo, orientações e
encaminhamentos necessários. Os professores e colegas podem acolher um estudante que esteja
em sofrimento psíquico e acompanhá-lo até o setor de assistência ao estudante para atendimento
pela equipe de saúde.
Em específico, o serviço de Psicologia atuante na Instituição de Ensino pode e deve
receber esse estudante também de maneira acolhedora, com uma escuta qualificada, dando
suporte emocional e ajudando a elaborar os conflitos mais emergenciais, fortalecendo assim os
recursos internos de enfrentamento de que o adolescente dispõe. Nos casos mais graves e com
sintomas mais persistentes, é importante uma avaliação precisa e um encaminhamento
sequencial para a rede pública ou particular de assistência psicológica para a realização de um
acompanhamento mais contínuo e semanal, mais efetivo nessas condições.
As conclusões aqui apresentadas não podem ser universalizadas, pois são pontuais e
baseadas no período histórico em que os adolescentes foram entrevistados. Outros adolescentes,
em contextos diversificados, poderiam levar a resultados diferentes.
Desejamos que este trabalho possibilite trazer uma reflexão importante sobre a
necessidade de conhecer melhor os adolescentes nessa fase do desenvolvimento humano tão
significativa, promovendo, assim, saúde e cuidados específicos para as demandas apresentadas
e desenvolvidas. Ofertar um espaço empático para o adolescente se expressar e contar as suas
aflições e suas angústias, acolhendo suas dificuldades, ensinando-os a encontrar condições de
reagir às circunstâncias de maneira mais saudável e satisfatória, sem causar tantos prejuízos
para si.
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C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : A o I F S U L D E MI N A S, p or t o d a a c ol a b or a ç ã o e s u p ort e n a r e ali z a ç ã o
d ess a p es q uis a.
Fi n a n ci a m e nt o : N ã o h á fi n a n ci a m e nt o.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á c o nflit os d e i nt er ess e.
A p r o v a ç ã o éti c a : O pr oj et o f oi s u b m eti d o e a pr o v a d o p el o C E P d o I nstit ut o Fe d er al d o S ul
d e Mi n as G er ais P ar e c er: C A A E 7 4 0 6 7 3 2 3. 7. 0 0 0 0. 8 1 5 8.
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : H á dis p o ni bili d a d e d as e ntr e vist as n a í nt e gr a.
C o nt ri b uiç õ es d as a ut o r as : Si m o n e Cr u z B atist a: C o n c eit u ali z a ç ã o, Pl a n eja m e nt o,
D es e n v ol vi m e nt o, C ol et a d e d a d os, A n ális e d e d a d os, Vali d a ç ã o d os d a d os, Dis c uss ã o e
El a b or a ç ã o d a v ers ã o fi n al. M ar c el a Sil v a B a c c elli: Ori e nt a ç ã o, S u p er vis ã o, Pl a n ej a m e nt o,
A n ális e d e d a d os, Dis c uss ã o e El a b or a ç ã o d a v ers ã o fi n al.
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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PSYCHOSOMATICS IN ADOLESCENCE: A PSYCHOANALYTIC PERSPECTIVE
ON SYMPTOMS
A PSICOSSOMÁTICA NA ADOLESCÊNCIA: UM OLHAR PSICANALÍTICO PARA OS
SINTOMAS
PSICOSOMÁTICA EN LA ADOLESCENCIA: UNA MIRADA PSICOANALÍTICA A
LOS SÍNTOMAS
Simone Cruz BATISTA
1
e-mail: simone_[email protected].br
Marcela Silva BACCELLI
2
e-mail: marcelab[email protected]
How to reference this paper:
Batista, S. C., & Baccelli, M. S. (2026). Psychosomatics in
adolescence: a psychoanalytic perspective on symptoms.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27, e026006.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.20593
| Submitted: 18/09/2025
| Revisions required: 19/02/2026
| Approved: 14/05/2026
| Published: 02/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Ibirapuera University (UNIB), São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Psychologist at the Federal Institute of
Southern Minas Gerais (IFSULDEMINAS), Pouso Alegre campus (MG).
2
Ibirapuera University (UNIB), São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Professor in the Graduate Program in
Psychology at Ibirapuera University and at the University of Uberaba.
Psychosomatics in adolescence: a psychoanalytic perspective on symptoms
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026006, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20593 2
ABSTRACT: This study aimed to highlight the main psychosomatic symptoms observed in
adolescent students at a federal educational institution in the South of Minas Gerais. Through a
qualitative, descriptive, and cross-sectional approach, six students were evaluated: three
females and three males. The instruments utilized were a sociodemographic questionnaire and
a semi-structured interview, whose audio-recorded content was fully transcribed and examined
via Bardin’s content analysis—a method consisting of investigating communications and
diverse discourses to identify core thematic similarities. Data were collected regarding the
students’ profiles, the structure and dynamics of their psychic functioning, the most recurrent
psychosomatic symptoms, and how these psychosomatic symptoms interfere with their mental
health status. The findings revealed a high prevalence of anxiety symptoms, as well as
significant depressive manifestations. It is crucial to highlight the relevance of the school
healthcare team in implementing preventive actions and providing psychological containment
during crises, alongside family support and a solid support network.
KEYWORDS: Adolescence. Psychosomatics. Mental Health. Psychoanalysis
RESUMO: Objetivou-se evidenciar os principais sintomas psicossomáticos observados em
estudantes adolescentes de uma instituição de ensino federal do Sul de Minas. Por meio de uma
abordagem qualitativa, descritiva, com corte transversal, foram abordados três estudantes do
gênero feminino e três do gênero masculino. Os instrumentos utilizados foram um questionário
sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada, com conteúdo gravado em áudio,
transcritos na íntegra e analisados por meio da análise de conteúdo de Bardin, que consiste
em analisar as comunicações eos discursos diversificados, encontrando semelhanças nos
conteúdos apresentados. Foram coletados dados referentes ao perfil dos estudantes, à
estrutura e dinâmica do funcionamento psíquico, aos sintomas psicossomáticos mais
recorrentes e como os sintomas psicossomáticos interferem nas condições de saúde mental. Os
conteúdos obtidos evidenciaram a prevalência de sintomas ansiosos e, também, algumas
manifestações depressivas significativas. Importante destacar a relevância da equipe de saúde
na escola com ações preventivas e acolhedoras para os momentos de crise, juntamente com o
suporte familiar e o auxílio de uma rede de apoio.
PALAVRAS-CHAVE: Adolescência. Psicossomática. Saúde mental. Psicanálise.
RESUMEN: El objetivo de este estudio fue evidenciar los principales síntomas psicosomáticos
observados en estudiantes adolescentes de una institución educativa federal del sur de Minas
Gerais. A través de un enfoque cualitativo, descriptivo y de corte transversal, se abordó a tres
estudiantes de género femenino y tres de género masculino. Los instrumentos utilizados fueron
un cuestionario sociodemográfico y una entrevista semiestructurada con contenido grabado en
audio, los cuales se transcribieron íntegramente y se analizaron mediante el análisis de
contenido de Bardin, el cual consiste en examinar las comunicaciones y los discursos
diversificados para hallar similitudes en los contenidos presentados. Se recolectaron datos
referentes al perfil de los estudiantes, la estructura y dinámica del funcionamiento psíquico,
los síntomas psicosomáticos más recurrentes y cómo estos interfieren en las condiciones de
salud mental. Los contenidos obtenidos evidenciaron la prevalencia de síntomas ansiosos y,
asimismo, algunas manifestaciones depresivas significativas. Cabe destacar la relevancia del
equipo de salud en la escuela mediante acciones preventivas y de acogida para los momentos
de crisis, junto con el soporte familiar y el auxilio de una red de apoyo.
PALABRAS CLAVE: Adolescencia. Psicosomática. Salud mental. Psicoanálisis.
Simone Cruz BATISTA & Marcela Silva BACCELLI
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026006, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.20593 3
INTRODUCTION
Adolescence can be defined as the period between the ages of 12 and 18. It is a stage of
human development during which children undergo physical, mental, and emotional changes
(Bee, 1997). This is an important stage for acquiring new skills and competencies, and it is a
time conducive to interaction, broadening their interpersonal relationships. These influences
contribute to the adolescent’s subjectivity and personality. Bonds are formed and strengthened
(Lane, 2006).
Imbalances and instabilities are situations that adolescents face due to their immaturity,
which ultimately lead to insecurity, confusion, anxiety, and a sense of being treated unfairly
and misunderstood by parents and significant othersall of which contribute to conflicts in
their social interactions (Pratta & Santos, 2007).
Dejours (2019) asserts that psychic dynamics are interdependent with the biological
body. According to Capitão and Carvalho (2006), the models of Freudian theory regarding
hysteric conversion and current neurosis serve as key references in the evolution of concepts
related to the psyche and the somatic.
McDougall (1997) adds that, when faced with events experienced as stressful, the
individual has difficulty symbolizing and processing these events, which ultimately leads to
somatic expressions throughout the body. That is, the person suffers from what they do not
know how to cope with in a healthy way and manifests all their pain in their body through
physical symptoms.
In light of the above, this article was conceived to present an excerpt from the master’s
thesis titled Psychosomatics in Adolescence: A Psychoanalytic Perspective on Symptoms,
which aims, among other objectives, to delve into certain psychosomatic phenomena and
highlight the most prevalent ones among adolescent students at a federal educational institution
in southern Minas Gerais. The specific objectives are to present the profile of the students
participating in the study; analyze aspects of the structure and dynamics of their psychic
functioning; identify which psychosomatic symptoms are most prevalent among these
adolescents; and analyze how psychosomatic symptoms affect mental health conditions from a
psychoanalytic perspective.
Psychosomatics in adolescence: a psychoanalytic perspective on symptoms
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026006, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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METHODS
To achieve the objectives of this study, the methodological principles of qualitative,
descriptive, cross-sectional research were employed. Three female and three male students from
the Integrated Technical Program at the Federal Institute of Southern Minas Gerais, Pouso
Alegre Campus, were invited to participate in the study. These students were enrolled in the
Technical programs in Administration, Construction, Information Technology, and Chemistry.
The sample was selected based on convenience.
The study was conducted at the Federal Institute of Southern Minas Gerais, Pouso
Alegre Campus. For data collection, the institution’s facilities were usedspecifically, group
meeting rooms and individual consultation roomsto administer the questionnaire and conduct
the semi-structured interviews. The research instruments included a sociodemographic
questionnaire to characterize the participants and a semi-structured interview conducted in
person, individually, audio-recorded, and transcribed in full.
First, the researcher sent an official email to the Director General of the Federal Institute
of Southern Minas Gerais Pouso Alegre Campus requesting a meeting to explain the project
and discuss the start of activities. A research authorization form was submitted to the Director
for approval and signature.
After receiving the Director’s approval, the researcher personally visited the classrooms
of the institution’s integrated technical programs to briefly present the research to the students
and invite them to participate. During the presentation, the researcher was accompanied by a
staff member from the Student Assistance department. The researcher informed students who
expressed interest in participating that recruitment would take place at the Student Assistance
Coordination Office (CAE), directly with the researcher and/or the accompanying staff member
mentioned above, in order to accommodate a wider range of schedules and preserve the
participants’ confidentiality. During recruitment, the student’s full name, contact phone number
(and those of their guardians), and institutional email address were recorded.
Subsequently, formal contact was made, and a copy of the Informed Consent Form
(TCLE) and a copy of the Informed Assent Form (TALE) were sent via email so that the family
could read them at home. Contact via telephone and online was also made with the guardians
to explain the research and review the forms. After these steps, the researcher awaited the
required signatures on the forms from both the student and their guardians, which were
submitted in person at the meeting or on the day of the interview with the participants.
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With the consent of the participants and their guardians, the researcher contacted the
student to schedule a time for data collection. On the scheduled day, the details of the study
were explained again, any consent forms that had not yet been submitted were collected, and
the questionnaire and interview were administered, with the recording authorized by the
student. At any time, the participant could withdraw from the study without any adverse
consequences, choosing either to withdraw or to continue on another day.
With regard to ethical considerations, all phases of the study followed the guidelines,
requirements, and recommendations of Resolutions No. 466/2012 and No. 510/2016 of the
National Health Council, and the project was submitted to the Research Ethics Committee
(CEP) of the Federal Institute of Southern Minas Gerais (Opinion: CAAE
74067323.7.0000.8158).
Data collection began with a sociodemographic questionnaire, followed by a
semistructured interview. The latter proceeded as topics were introduced during the interview
itself.
Regarding the semi-structured interview, the questions posed to the adolescent students
focused on their understanding of the mind-body relationship; their concept of emotions and
how these are expressed in the body (both positively and negatively); the identification of
symptomatic occurrences in the body and what they were; whether they recognized the
relationship between anxiety and the body; whether they recognized the relationship between
depression and the body; whether they recognized the relationship between other mood
disorders and the body; their knowledge of holistic health; how their clinical condition affects
their studies and relationships; how they cope with symptoms when they arise; and whether
they are undergoing any medical treatment for their symptoms.
During the transcription of the content, all participants’ names were changed, and the
recorded interviews were deleted to preserve the participants’ privacy and identity.
The analysis and interpretation of the information gathered from the semi-structured
interviews were conducted from the perspective of content analysis, as described by Bardin
(1977). From this stage, five thematic categories emerged: A Healthy Mind, a Healthy Body;
The Body Speaks; Anxiety-Induced Suffering: The Suffering Body; The Body That Cries in
Silence; and The Same Being, Two Faces.
This study adheres to the principles of Open Science, with data and supplementary
materials made available in a public repository.
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RESULTS AND DISCUSSION
To reflect on adolescence is to understand that this stage of human development is a
transitional period between childhood and adulthood, and that it differs psychologically and
culturally across societies and among individuals from diverse cultures (Bee, 1997). It is a time
of significant changes in the body, mind, and emotions.
The biological, psychological, and social changes experienced during adolescence give
rise to new experiences defined by the intensity of feelings and by the questions that arise,
accompanied by a turbulence of sensations that foster internal growth in the adolescent
(Lamanno-Adamo, 2024). According to the author, it is a time of unchecked impulsivity,
apparent aggression, heightened anxiety, somatization, isolation, apathy, and idleness, varying
in intensity and duration.
According to Aberastury and Knobel (2003), during adolescence, the individual goes
through three fundamental processes of mourning: a) mourning the loss of the child’s body; b)
mourning the loss of the child’s role and identity, which forces the individual to give up
dependence and accept new responsibilities that are often unfamiliar; c) mourning the idealized
image of their childhood parents, a situation complicated by the parents’ own attitudes, as they
too must accept their own aging and the fact that their children are no longer children but
adultsor are on their way to becoming so. Added to these forms of mourning is the mourning
of childhood bisexuality, which has also been lost.
During puberty, rapid physical growth begins, along with the onset of sexual maturation.
As a result of this process, the adolescent’s efforts to solidify an identity and establish autonomy
from the family are accelerated (Carter & McGoldrick, 1995). It is at this point that school plays
a fundamental role in this development. According to Carter and McGoldrick (1995), social
expectations emerge, change, and often conflict with the gender roles and behavioral norms
imposed on adolescents by their family, school, peers, and the media.
School is an institution for education and personal development that fosters the
socialization of adolescents. It is a place where the broader sociocultural context is reflected
and brought to life, providing opportunities for diverse learning experiences and interactions
(D’Avila-Bacarji et al., 2005).
According to Leão (2006), adolescents construct their identity based on their
relationship with their environment, and school serves as a space that facilitates this process. It
is a place that enables them to reflect on themselves and their behaviors in the face of the
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challenges posed by daily social interaction, thereby promoting change and the personal
development of students.
According to Gonçalves (2003), the formation of their subjectivity occurs through
mediationswhich, in this process, are social relationshipsbased on the language established
primarily with their family, school, peer groups, and the institutions in which they are
embedded.
Freud (1996a, 1996b) também estudou a fase adulta e observou que as experiências
psíquicas das pessoas m uma ligação do corpo com a linguagem. Dessa maneira, a Psicanálise
colocou a origem do pensamento no corpo.
In psychoanalysis, according to Dejours (2019), a subject’s psychic functioning is
dependent on the biological body; thus, their psychic representations are interdependent. The
observed psychopathological state of a patient should take into account disorders in their
psychic functioning and thought processes, as well as alterations in their physiological and
neurological functioning and anatomical organization (Dejours, 2019).
Psychoanalysis holds that the body expresses the dreams experienced by the individual,
their fantasies, desires, suffering, the pleasure of affectionin short, everything that is latent
(Latour, 2008). According to McDougall (1994), patients who have experienced developmental
deficits and have been unable to cope with internal conflicts in a healthy manner are more
susceptible to developing psychosomatic symptoms.
McDougall (1997) adds that somatizations are the result of an unconscious reaction to
unprocessed emotional distress, representing an attempt at healing. He also discusses the
difficulty of understanding psychological pain by naming it, articulating it, and experiencing it
appropriately, thereby triggering in the body the discharge-act manifestations that constitute
psychosomatic phenomena.
Taking these guiding aspects of the analysis presented below into account, we will now
present the thematic categories that describe how adolescent technical education students at the
Federal Institute of Southern Minas Gerais Pouso Alegre Campus recognize psychosomatic
manifestations in their bodies.
Category 1 A healthy mind in a healthy body
Mens sana in corpore sano (a healthy mind in a healthy body) is a well-known Latin
saying, inspired by the Roman poet Decimus Junius Juvenal in Satire X, which expresses the
need to control one’s thoughts and maintain the body’s balance (Sanchez, 2017).
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Today, this ancient saying has taken on greater significance, as it highlights that the
mind influences the body just as much as the body influences the mind. Both are interconnected
and can lead to either health or illness. According to Mello Filho and Burd (2010), the body
and mind are indisputably inseparable; the human being is a holistic entity. The psychological
and the somatic are one and the same. Certain illnesses are considered psychosomatic.
An analysis of the statements made by students Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos, and
Rute reveals a consensus that the body and mind are interconnected and that one influences the
other. This can be observed in the following excerpts:
So, for example: if I’m, if I feel happy about something, I don’t know, I’ll feel good physically.
But if I feel bad mentally, I feel bad physically, too. [Marcos, 17]
For me, they’re interconnected, and they influence a person’s behavior and the decisions they
make. I think so, depending on what you think, your body will function in a certain way. [Ester,
17]
I think the mind, it drives our body in everything. Even when it’s impaired, our body gets
impaired… I think the relationship, it… I don’t know exactly how to explain it; I think there’s a
more technical way to put it, but it’s totally interconnected, and the body, it… It’s as if it were
dependent on the mind. [Rute, 17]
Alexander (1989) argues that emotional factors influence bodily processes. According
to McDougall (1997), psychosomatic phenomena are closely related to a person’s health or
physical well-being as a whole. Thus, psychological distress and mental conflict can lead to
psychosomatic manifestations.
According to Teixeira et al. (2021), the psychological and the somatic are
interconnected, and it is through the body that the psyche acts to express its repressed feelings,
sensations, perceptions, and symptoms. The authors note that one of the ways in which the
individual becomes aware of their organs and body is precisely by manifesting illnesses that
cause pain and suffering. This suffering leads to a shift in the dynamics of the libido, which was
previously directed toward the object and is now directed toward the body’s surface. In Luto e
Melancolia (2010), Freud argues that, in mourning, the subject may be dealing with the loss of
a loved one or the absence of something that holds greater significance for themsuch as the
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loss of their freedom, for example. The detachment from the lost object is gradual. Over time,
the subject is free to invest in new objects.
According to Capitão and Carvalho (2006), psychosomatics studies the relationship
between the mind and body and the process of illness. They further note that emotional
processes influence physical disorders, increasing the risk of developing or aggravating a
particular physical illness. That is, when psychological distress and internal conflict exceed
one’s usual capacity for tolerance—and are not recognized or processedthey result in an
inability to symbolize these experiences, ultimately manifesting in the body through
psychosomatic symptoms.
Smadja (2023) examines the relationship between a past or recent object loss and the
onset of severe somatization. In fact, it would be the correlation between an unprocessed or
poorly processed object loss and the onset of physical symptoms. In this study, the following
process was observed with some frequency: a disorganizing traumatic event, followed by a
longer or shorter period of symptomatic latency characterized by psychological silence, leading
to the manifestation of the first biological signs of the illness.
Categoria 2 O corpo fala
McDougall (1994) argues that somatization is a response to the mental pain experienced
by the individual. The author links the onset of certain psychosomatic symptoms to the defense
mechanisms the individual employs to cope with the distress they are experiencing, thereby
maintaining a certain balance in their emotional organization
According to Freud (1996b), anxiety is characterized by a pronounced sense of
displeasure, accompanied by unpleasant physical sensations that may be directed toward
specific organs of the body. Thus, anxiety generates symptoms.
In the accounts provided by the adolescents Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos, and
Rute, the same symptoms of anxiety and stress were highlighted, with consequences that
triggered psychosomatic manifestations.
I can understand that when I’m going through a crisis, whether it’s stress, depression, or
anxiety, my body either feels weak or becomes extremely stiff… When I’m having stress attacks
or outbursts of anger, my body gets stiff and I feel the urge to move. When I’m having an anxiety
attack, my body starts to tingle and itch. [João, 17]
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Sometimes, I think that when I get really anxious, I tend to eat a lot of sweets. So, I eat sweets
and end up gaining weight, and that affects me psychologically… And when I get really stressed
out too, I don’t sleep much, I get migraines, so they get really bad and I’m in a lot of pain.
[Ester, 17]
There was a time when I suffered a lot from anxiety and things like that. I had a lot of rashes on
my body, usually on my hands and feet... And after I found out through research that it could be
something psychological, I sought treatment, and it really cured me. So, it might not have
anything to do with it, maybe just for a while, but I believe it was cured because of that. [Rute,
17]
Students João and Rute exhibit a similar type of psychosomatic manifestation, namely
physical allergies. As we can see from their statements:
When I’m having an anxiety attack, my body starts to tingle and itch [João, 17]
I used to have a lot of rashes on my body, usually on my hands and feet. [Rute, 17]
Given that individuals react to psychological distress by manifesting their pain and
suffering in their bodies, these psychosomatic symptoms ultimately affect these adolescents’
mental health. It is expected that people tend to somatize whenever internal or external
circumstances exceed their threshold of psychological resilience (McDougall, 2013).
According to the author, rather than feeling the corresponding pains and psychologically
processing emotions such as anxiety and internal conflicts, the individual ends up expressing
their suffering through their body, which gives the body a containing role. In psychosomatic
states, an organ or bodily function with no direct connection to organic disorders ends up acting
as a psychological response to a conflictual situation perceived by the individual as a biological
threat (McDougall, 2013).
Adolescents undergo considerable transformations, engaged in an intimate process of
reevaluating their inner world and childhood legacies, while also experiencing significant
bodily changes and perceiving external reality through the lens of their introspection (Sade &
Malcher, 2023). Sade and Malcher (2023) add that the process of change adolescents experience
is a blend of external and internal factors that influence this process of introspection, along with
perceived external events, the search for autonomy, identity, and recognition by others, as well
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as their integration into a diverse context, which can leave adolescents with emotions that may
lead to psychological distress and crises such as anxiety, anguish, and depression.
Category 3 Anxiety-inducing suffering: The suffering body
According to the DSM-5 (APA, 2014), anxiety disorders are characterized by fear,
excessive anxiety, and related behavioral disturbances. This anxiety is experienced as an
anticipation of a future threat. Anxiety is most often associated with muscle tension and
vigilance in the face of future danger, as well as cautious and avoidant behavioral responses.
Anxiety is generally experienced as unpleasant. It is a sensation of fear, apprehension,
tension, or discomfort stemming from the anticipation of danger or something unknown or
unfamiliar to the individual (Castillo et al., 2000).
Symptoms of anxiety are observed in the somatic manifestations presented by the
adolescents, such as in the physical reactions they exhibit. This is evident in the accounts of
Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos, and Rute. Rute no longer experiences these symptoms at
present.
Sometimes, I think that when I get really anxious, I tend to eat a lot of sweets. So, I eat sweets
and end up gaining weight, and that affects me psychologically. Ah… I get shaky; I feel hot, I
start shaking, I feel hot, I feel more tense, and then I end up becoming morehow do you say
it?I become quieter. Sometimes I pick at the corner of my fingernail, tapping my fingers like
this until I calm down. [Ester, 17]
There was a time when I struggled a lot with anxiety and stuff like that. I used to have a lot of
rashes on my body, usually on my hands and feet… No. It’s been a long time since I’ve had
them. Ever since I started at IF, since these things are more specific to IF. There’s a lot of
pressure on the students, a lot to do. But as far as anxiety and things like that go, I haven’t had
them anymore. [Rute, 17]
Yeah, I feel like when I’m in a more anxious state, I usually experience the typical symptoms,
you know? Butterflies in my stomach, intrusive thoughts that keep getting worse, you know? I
can’t get them out of my head; I can’t post them on Moodle… They just keep hammering away
in my head. [Daniel, 17]
Ester, Isabel, and Marcos, on the other hand, are more likely to develop problems related
to the stomach, an organ that ends up being the repository of their most distressing issues.
Psychosomatics in adolescence: a psychoanalytic perspective on symptoms
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Yeah, I don’t feel like eating, you know? Sometimes I’m, I’m hungry, but I look at the food and,
I don’t know, it’s like it’s going to hurt me, you know? So I end up not eating. [Marcos, 17]
Sometimes, I think that when I get really anxious, I tend to eat a lot of sweets. So, I eat sweets
and end up gaining weight, and that affects me psychologically. [Ester, 17]
So, with the conditions I have, the main symptoms are: a burning sensation, because of the
gastritisgastritis gives you that heartburn feeling, right? [Isabel, 17]
According to Silva Filho and Silva (2013), normal adolescence involves brief periods
of anxiety, particularly regarding competence, abstract threats, and social situations. A sense of
adaptation to emerging stressors is necessary, in accordance with the different stages of human
development. The authors add that, for a condition to be classified as an anxiety disorder in
adolescents, it is necessary to assess the degree of impairment and the extent to which it
interferes with their daily functioning. To differentiate and distinguish between normal and
pathological conditions, one must consider the intensity, duration, frequency, and recurrence of
symptoms, as described in manuals such as the ICD and the DSM.
Category 4 The body that cries in silence
Cassorla (2024) draws on psychoanalysis to address the emotional turmoil that
adolescents experience during this highly significant phase of their lives. These conflicts stem
from the distress caused by physical and emotional changes, social interactions, entry into the
adult worldin short, everything that this transition entails.
According to Del Porto (1999), feelings of sadness and joy are essential emotions in
normal psychological life. Sadness emerges as a universal human response to situations of loss,
grief, defeat, frustration, and other adversities. When symptoms are more severe, causing harm
to a person’s life and persisting for a longer period, they become a warning sign of established
depression.
Feelings of sadness and emptiness are not always the most obvious. Often, other
symptoms are evident, such as a loss of pleasure in activities in generalespecially those that
previously brought joy—a reduced interest in one’s surroundings and interpersonal
relationships, fatigue, loss of energy, complaints of excessive tiredness, apathy, sluggishness,
and psychomotor retardation, among others (Del Porto, 1999). It is a body that cries in silence.
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The adolescents Daniel, Ester, Isabel, João, Marcos, and Rute are able to recognize some
more depressive symptoms. Although Isabel is unable to connect depressive aspects with
physical reactions, she is able to observe a change in her behavior. It is also important to note
that Ester mentions a certain severity in her symptoms, as she engages in self-harm. In such
cases, it is always recommended that the student seek specialized medical care and talk to their
support network. For adolescents, contact with family is important for discussing what has
happened and for follow-up care. Psychiatric and psychological follow-up are essential during
this period of illness.
Two other students described these symptoms, both past and present, with self-harm as
a factor indicating severity. However, most report feelings of sadness and a desire for isolation.
Rute noticed the more depressive aspects during a previous period, while Daniel is experiencing
them currently.
I’ve had depression once before. Yeah, I tried to hurt myself. So, I know more or less what it’s
like. But I think that these days, I have fewer depressive symptoms than before. Sometimes I feel
really sad, so much so that I just stay in my room… But that’s something that rarely happens
me getting really depressed, feeling really down, staying in my room a lot when I’m at home, or
being really quiet when I’m at school, you know? [Ester, 17]
It’s something I’ve really started to develop since last year… But I don’t think I’m able to
establish a meaningful connection with my sadness and my body, because I don’t think I’ve ever
really paid attention to that. But I feel like I’ve become much more introspective since last year.
I used to be a bit more outgoing, but these days I’m a bit more introspective. No, I’ve never
really liked talking about myself, and nowadays I like it even less. [Isabel, 17]
Look, based on these symptoms, I could say that I’m a first-class depressive… I feel a, a, a very
deep sadness. I can’t say if it’s because of the IF or the whole student thing… I’m gradually
breaking down, and it’s possible that in this breakdown I’ve ended up becoming a somewhat
depressed person, but yes, I do feel these symptoms. they’re a frequent part of my life. [Daniel,
17]
According to Kaplan et al. (1997), mood imbalance in adolescents is characterized by
depression and excitement. In addition, irritability is a significant factor among the symptoms.
Mood may be more irritable than depressed. Another relevant point highlighted by the authors
is that depressive ideation, self-harm, and suicide attempts may be associated with depressive
Psychosomatics in adolescence: a psychoanalytic perspective on symptoms
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disorders, and adolescence is a period of heightened vulnerability to developing such problems,
given that this is a growing concern in the field of mental health.
Souza et al. (2008) note that adolescents with an average age of 16 exhibit certain
depressive symptoms, such as low self-esteem, distress, mood swings, anxiety, restlessness,
aggression, feelings of helplessness, disappointment with oneself and others, hopelessness, and
loneliness, among others.
Adolescence is a stage of human development characterized by various transformations
and demands. Adolescents face a range of internal and external situations that can contribute to
mood swings and changes in their usual behavior (Ballone & Moura, 2008).
Roudinesco (1999) reflects on contemporary society, which produces depressed
individuals who seek solutions through medicalization. She shifts the focus from the individual
to society. Not only is the individual depressed, but society itself is also depressed. This is a
society that standardizes behaviors, beliefs, and attitudes.
Category 5 The same being and two faces
The students Ester, Isabel, João, and Marcos notice obvious mood swings in their daily
lives. These are opposing changes that occur. Daniel and Rute notice more of a lack of energy
and motivation. Daniel points out more depressive symptoms, including talk of self-harm.
There are weeks when I’m 100% energetic and cheerful. And there are weeks when I’m 100%
angry, wanting to hit someone, and there are weeks when I don’t even feel like getting out of
bed. This happens because of something that happened or because of something I don’t even
know aboutsometimes for no reason at all, but sometimes it just happens. Yes, sometimes it
happens for no reason at all. [João, 17]
Sometimes I’m really happy, I even get excited. I feel like doing everything. But sometimes, out
of nowhere, I’m so happy, and then just like that, I crash. I get really down. And then I just sit
there quietly; I feel tired. A wave of fatigue hits me, and I don’t know where it comes from. I
was feeling so energetic, and then all of a sudden, I’m not. [Ester, 17]
I, I notice it more through a lack of energy, you know?... And there are days when I get home
and even though I have a bunch of things to do, I just say, ‘Ah, I can’t handle it’... Because, if I
take a drastic step here, I may be 17, but if I grab a knife to cut my wrists... There won’t be any
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more, you know, 18, 19, 20 years. It’ll be over right then… But then, by the time I get past that
moment, it might be too late, you know? [Daniel, 17]
According to Moreno et al. (2015), mood disorders have a biological origin, with
psychological and social factors serving as possible triggers for symptoms. According to the
authors, these mood changes typically occur in everyone’s daily life, and it is natural to feel
anger, hatred, and other emotions and feelings. Isolated complaints or feelings of joy or
sadnessor even irritabilityare insufficient to make a psychiatric diagnosis. There must be
a certain consistency in the symptoms and impairment in various aspects of the individual’s
life.
Moreno et al. (2015) further note that, during adolescence, mood disorders arise from
difficulties in coping with academic pressures and the need to socialize with close others such
as family, relatives, teachers, and friends. Another factor is learning social rules and how to
behave in society, while not yet having sufficient maturity to control one’s behavior, leading to
experiences of or perpetration of bullying, among other issues.
According to the authors, adolescents with a mood disorder exhibit a dysfunction in the
brain region responsible for processing and regulating emotions. These adolescents end up
experiencing a lack of balance in their emotional and cognitive control when faced with
demanding and stressful situations.
FINAL CONSIDERATIONS
Through this study and using a psychoanalytic approach, we sought to understand
psychosomatic phenomena during this phase of adolescence.
Based on the findings, we were able to identify that anxiety-related aspects are the most
prominent in the psychosomatic manifestations of adolescent students at an Integrated
Technical Education institution in southern Minas Gerais. And the students themselves are able
to recognize these symptoms in themselves.
Manifestations of depressive aspects were also significant, although one female student
had more difficulty identifying these symptoms in herself, managing only to notice certain
behavioral changes such as a degree of withdrawal and introspection.
Regarding mood swings, the adolescents surveyed recognize these fluctuations and their
repercussions in various areas of their lives, such as their relationships. Lack of energy,
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discouragement, and malaise, along with apparent sadness and isolation, contrast with moments
of joy and well-being.
When analyzing aspects of the structure and dynamics of the interviewed students’
psychological functioning, it was possible to observe the difficulty they encountered in coping
with stressful situations or in processing internal experiences, leading them to develop certain
anxiety symptoms, such as skin allergies, stomach problems, and eating difficulties (loss of
appetite or a craving for large amounts of sweets). Regarding more depressive aspects, a
tendency toward introspection emerged, which hinders interpersonal relationships, particularly
those with family members and close loved ones. As for overt symptoms of aggression, the
following were noted: self-harm by one student, aggression toward another by one adolescent,
and self-harming thoughts by a third adolescent. It can be understood that, when faced with
distressing issues, adolescentsunable to cope healthily with the resulting anxietytrigger
their most aggressive behaviors.
In addition to prominent symptoms of anxiety, other symptoms reported included stress,
muscle tension, difficulty eating or compulsive eating, digestive problems, and the onset of
conditions such as gastritis and acid reflux. Migraines, shortness of breath, and pain were also
noted. Aggressive behaviors and introspection are more commonly associated with depressive
symptoms, along with apathy and sadness.
Based on the reports collected, it was possible to observe an impairment in the mental
health of the adolescents interviewed, caused by prevalent psychosomatic issues. Both anxiety
symptoms and depressive symptoms, as well as other mood disorders, can be identified in the
participants’ accounts and in their somatic and behavioral manifestations.
These symptoms serve as a warning sign that certain experiences are not being properly
processed and are being expressed through psychosomatic means. Consequently, we conclude
that a support network is essential to welcome and guide these adolescents during this stage of
life. Furthermore, the family, as the primary source of care, must provide a safe space for
empathy, open dialogue, and positive role models to guide their children.
The school, meanwhile, plays a role in learning in all aspects and serves as a strong
social influence that ultimately contributes significantly to providing the necessary support,
guidance, and referrals. Teachers and classmates can reach out to a student experiencing
psychological distress and accompany them to the student assistance office for care by the
health team.
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Specifically, the psychology service operating within the educational institution can and
should also welcome this student in a supportive manner, providing professional listening,
offering emotional support, and helping to address the most urgent conflicts, thereby
strengthening the adolescent’s internal coping resources. In more severe cases with more
persistent symptoms, an accurate assessment and a sequential referral to the public or private
psychological care network are important to ensure more continuous, weekly follow-up, which
is more effective under these conditions.
The conclusions presented here cannot be generalized, as they are specific to the
historical period in which the adolescents were interviewed. Other adolescents, in diverse
contexts, might yield different results.
We hope this study will spark important reflection on the need to better understand
adolescents during this highly significant phase of human development, thereby promoting
health and care tailored to the specific needs they present and develop. Providing an empathetic
space for adolescents to express themselves and share their struggles and anxieties,
acknowledging their difficulties, and teaching them to find ways to respond to circumstances
in a healthier and more satisfying manner, without causing themselves so much harm.
Psychosomatics in adolescence: a psychoanalytic perspective on symptoms
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Si m o n e Cr uz B A TI S T A & M ar c el a Sil v a B A C C E L LI
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d uc. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. 0 0 , e 0 2 6 0 0 6 , 2 0 2 6 . e-I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i 0 0. 2 0 5 9 3 2 1
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wle d g m e nts : T o I F S U L D E MI N A S, f or all its c oll a b or ati o n a n d s u p p ort i n
c o n d u cti n g t his r es e ar c h .
F u n di n g : N o f u n di n g w as r e c ei v e d .
C o nfli cts of i nt e r est : T h er e ar e n o c o nfli cts of i nt er est .
Et hi c al a p p r o v al : T h e pr oj e ct w as s u b mitt e d t o a n d a p pr o v e d b y t h e Et hi cs C o m mitt e e
( C E P) of t h e F e d er al I nstit ut e of S o ut h er n Mi n as G er ais O pi ni o n: C A A E
7 4 0 6 7 3 2 3. 7. 0 0 0 0. 8 1 5 8.
D at a a n d m at e ri als a v ail a bilit y : T h e f ull i nt er vi e ws ar e a v ail a ble .
A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : Si m o n e Cr u z B atist a: C o n c e pt u ali z ati o n, Pl a n ni n g, D e v el o p m e nt,
D at a c oll e cti o n, D at a a n al ysis, D at a v ali d ati o n, Dis c ussi o n, a n d Pr e p ar ati o n of t h e fi n al
v ersi o n. M ar c el a Sil v a B a c c elli: G ui d a n c e, S u p er visi o n, Pl a n ni n g, D at a a n al ysis,
Dis c ussi o n, a n d P r e p ar ati o n of t h e fi n al v ersi o n.
P r o c ess i n g a n d e diti n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, n or m ali z ati o n a n d tr a nsl ati o n