Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.21032 1
BEM-ESTAR PSICOLÓGICO E MINDFULNESS ASSOCIADOS À SAÚDE
MENTAL EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
BIENESTAR PSICOLÓGICO Y MINDFULNESS ASOCIADOS A LA SALUD MENTAL
EN ESTUDIANTES UNIVERSITARIOS
PSYCHOLOGICAL WELL-BEING AND MINDFULNESS ASSOCIATED WITH
MENTAL HEALTH IN UNIVERSITY STUDENTS
Felipe Augusto Monteiro CRAVO
1
e-mail: felipeam[email protected]
Paola Verruck de MORAES
2
Como referenciar este artigo:
Cravo, F. A. M., & Moares, P. V. (2026). Bem-estar
psicológico e mindfulness associados à saúde mental em
estudantes universitários. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
27, e026009. https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.21032
| Submetido em: 25/03/2026
| Revisões requeridas em: 09/04/2026
| Aprovado em: 11/05/2026
| Publicado em: 05/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade de Sorocaba (UNISO), Sorocaba SP Brasil. Doutor em Psicologia do Desenvolvimento e
Aprendizagem, professor do curso de Psicologia e psicólogo clínico.
2
Universidade de Sorocaba (UNISO), Sorocaba SP Brasil. Estudante do último ano do curso de Psicologia,
Bolsista de Iniciação Científica, possuí formação em ACT e é professora de Yoga.
Bem-estar psicológico e mindfulness associados à saúde mental em estudantes universitários
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.21032 2
RESUMO: O objetivo deste estudo foi investigar as relações entre saúde mental, habilidades
de mindfulness e bem-estar psicológico em estudantes universitários. Participaram 205
estudantes de Psicologia de uma instituição de ensino superior do interior de São Paulo,
avaliados por meio de escalas validadas para a população brasileira. Os resultados indicaram
níveis moderados de sofrimento psicológico, associados a baixos níveis de atividade física e
sono insuficiente. Observou-se correlação negativa entre sofrimento psicológico e mindfulness
(ρ = -0,48) e entre sofrimento e bem-estar psicológico (ρ = -0,63), além de correlação positiva
entre mindfulness e bem-estar = 0,58). A regressão hierárquica indicou que mindfulness e
bem-estar psicológico explicaram uma parcela substancial da variância do sofrimento
psicológico (R² = 0,47), superando o poder explicativo das variáveis sociodemográficas. Os
resultados sugerem que processos psicológicos são centrais para a compreensão da saúde
mental no ensino superior e na elaboração de intervenções preventivas e contextualmente
orientadas.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde Mental. Ensino Superior. Bem-Estar psicológico.
RESUMEN: El objetivo de este estudio fue investigar las relaciones entre salud mental,
habilidades de mindfulness y bienestar psicológico en estudiantes universitarios. Participaron
205 estudiantes de Psicología de una institución de educación superior del interior de São
Paulo, evaluados mediante instrumentos validados para muestras brasileñas. Los resultados
indicaron niveles moderados de malestar psicológico, asociados a bajos niveles de actividad
física y sueño insuficiente. Se observaron correlaciones negativas entre malestar psicológico y
mindfulness (ρ = −0,48) y entre malestar y bienestar psicológico = −0,63), así como una
correlación positiva entre mindfulness y bienestar (ρ = 0,58). Los análisis de regresión
jerárquica mostraron que mindfulness y bienestar psicológico explicaron una proporción
sustancial de la varianza del malestar psicológico (R² = 0,47), superando variables
sociodemográficas. Los hallazgos sugieren que los procesos psicológicos son centrales para
comprender la salud mental en la educación superior y para el desarrollo de intervenciones
preventivas y contextualizadas.
PALABRAS CLAVE: Salud Mental. Educación superior. Bienestar psicológico.
ABSTRACT: The aim of this study was to investigate the relationships between mental health,
mindfulness skills, and psychological well-being among university students. A total of 205
Psychology students from a higher education institution in the interior of São Paulo
participated, assessed using validated instruments for Brazilian samples. The results indicated
moderate levels of psychological distress, associated with low levels of physical activity and
insufficient sleep. Negative correlations were observed between psychological distress and
mindfulness (ρ = −0.48) and between distress and psychological well-being (ρ = −0.63), as
well as a positive correlation between mindfulness and well-being (ρ = 0.58). Hierarchical
regression analyses showed that mindfulness and psychological well-being explained a
substantial proportion of the variance in psychological distress (R² = 0.47), outperforming
sociodemographic variables. The findings suggest that psychological processes are central to
understanding mental health in higher education and to the development of contextually
oriented preventive interventions.
KEYWORDS: Mental Health. High Education. Psychological Well-Being.
Felipe Augusto Monteiro Cravo & Paola Verruck de Moraes
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
O ingresso e a permanência no Ensino Superior (ES) configuram-se como um momento
de transição que exige dos estudantes o desenvolvimento de habilidades específicas para lidar
com as demandas educacionais e sociais desse contexto. Uma parcela significativa dos
universitários apresenta dificuldades de adaptação e sofrimento psicológico em função de
condições individuais e/ou das práticas educacionais das Instituições de Ensino Superior (IES)
(Oliveira et al., 2025; Galán-Muros et al., 2024b; Gianfelice et al.,2024; Ghizoni et al., 2023).
Sahão e Kienen (2021) descreveram um conjunto de fatores dificultadores (e.g., nível
de exigência, relacionamentos interpessoais, falta de rede de apoio) e facilitadoras (e.g., rede
de apoio, fornecimento de informações, integração acadêmica, características da instituição)
para adaptação ao ES e proteção à saúde mental universitária. Sobretudo, os autores destacaram
a necessidade de compreender os sintomas de sofrimento psicológico mais comuns entre
universitários como fenômenos influenciados pelo contexto. Assim, a atenção às condições
apresentadas pelas IES, juntamente com a história e os repertórios comportamentais dos
estudantes (e.g., resolução de problemas, autogestão dos estudos, habilidades sociais e
autoconhecimento) devem ser considerados na implementação de intervenções voltadas à
prevenção e à promoção da saúde mental e do bem-estar psicológico. Essas indicações estão
alinhadas aos resultados de surveys conduzidos pela UNESCO sobre o suporte à saúde mental
de estudantes universitários (Galán-Muros et al., 2024b).
Ariño et al. (2023) propuseram um modelo explicativo dos fatores associados aos
prejuízos à saúde mental de estudantes universitários que contempla fatores individuais (e.g.,
características da personalidade, habilidades e competências, questões orgânicas e de saúde),
contextuais (e.g., relações interpessoais, práticas socioculturais e sociodemográficas, ambientes
de convivência e moradia) e estressores acadêmicos (e.g., demandas acadêmicas, práticas
institucionais, relacionamento entre pares universitários, satisfação acadêmica e com o curso).
De modo complementar, Fior e Almeida (2023) apontam dimensões relacionadas da adaptação
bem-sucedida ao ensino superior, sendo elas: acadêmica (i.e., processo de ensino-
aprendizagem), interpessoal (i.e., rede de apoio e relacionamento entre pares), institucional (i.e.,
práticas institucionais desde a relação com professores à infraestrutura) e pessoal (i.e.,
repertórios individuais relacionados ao bem-estar, autonomia e eficácia). Em conjunto, essas
pesquisas de Sahão e Kienen (2021), Fior e Almeida (2023) e Ariño et al. (2023), apesar de suas
diferenças epistemológicas, contribuem para uma compreensão ampla das variáveis
relacionadas ao bem-estar psicológico e saúde mental de estudantes universitários. As três
Bem-estar psicológico e mindfulness associados à saúde mental em estudantes universitários
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pesquisas indicam que as práticas institucionais das IES devem observar as condições pessoais
e contextuais para atuar na promoção de bem-estar, pertencimento e desenvolvimento dos
estudantes.
Diante da multiplicidade de fatores associados ao sofrimento psicológico entre
universitários, o presente artigo foca na investigação das autopercepções e repertórios
comportamentais individuais que apresentam relações com os índices de saúde mental dos
estudantes. Esse foco justifica-se pelo fato de que tais repertórios podem ou não ter sido
desenvolvidos antes do ingresso no ensino superior. Ainda assim, é possível e recomendável
que as IES implementem, de forma intencional, contextos que favoreçam o desenvolvimento
desses repertórios entre seus estudantes (Galán-Muros et al., 2024b). Realizar uma investigação
sobre as características individuais emerge como uma proposta de leitura das dimensões
intrapessoal e pessoal (Fior & Almeida, 2023). Essa perspectiva permite refletir sobre o acesso
de estudantes a contextos de ensino de habilidades pessoais que serão importantes durante e
após o período universitário.
Evidências empíricas têm indicado que intervenções baseadas na ACT e em
mindfulness, quando voltadas ao desenvolvimento da flexibilidade psicológica, da regulação
atencional e da ação orientada por valores, produzem efeitos positivos sobre o bem-estar de
estudantes universitários (Dawson et al., 2020; Almeida et al., 2022; Zuncan et al., 2023;
Kämper et al., 2025).
Sob a perspectiva da ACT, o sofrimento é considerado inerente à vida humana;
entretanto, seres humanos dotados de capacidades verbais e simbólicas tendem a engajar-se em
processos comportamentais complexos (e.g., esquiva experiencial e fusão cognitiva) que
acentuam o sofrimento e os distanciam de uma vida orientada por valores (Luoma et al., 2022;
Hayes et al., 2021). Assim, alguns desconfortos e dificuldades inerentes aos movimentos dos
estudantes em direção aos seus objetivos podem gerar eventos privados (sentimentos,
pensamentos e memórias) negativos relacionados à percepção de incapacidade, limitações,
receios de fracasso, sobrecarga. Ao responderem aos eventos privados negativos, tentando
eliminá-los, os estudantes podem comprometer seu próprio desempenho e aproveitamento
acadêmico, sobretudo quando não dispõem de repertórios de enfrentamento adequados.
A
proposta central da ACT é desenvolver flexibilidade psicológica para promover bem-estar, sem
recorrer a estratégias imediatistas e ilusórias de viver uma vida evitando eventos privados
difíceis (e.g., sentimentos de tristeza e ansiedade). Essa proposta não ignora as dificuldades
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reais, tais como as inequidades sociais que atravessam as pessoas. Ao contrário, ao reconhecer
essas condições adversas busca ampliar os repertórios de enfrentamento.
Flexibilidade psicológica corresponde a um conjunto de comportamentos e é definida
como “ter contato com o momento presente — como ele é, e não como o que ele diz que é
como um ser humano consciente, plenamente e sem defesas desnecessárias e persistir com, ou
mudar, um comportamento a serviço dos valores escolhidos” (Hayes et al., 2021, p. 78). Esses
comportamentos organizam-se funcionalmente em três padrões de classes de respostas:
aceitação/disposição experiencial e desfusão cognitiva (padrão de abertura), contato com
momento presente e percepção de self-como-contexto (padrão centrado), valores e ações de
compromisso (padrão engajado). Esses processos não constituem um estado final estável e
alcançável ao final de atividades discretas, mas práticas contínuas frente às experiências vitais.
Assim, o bem-estar psicológico não corresponde à ausência de sofrimentos ou dificuldades,
nem eliminação dos sintomas psicopatológicos, mas um movimento constante de
desenvolvimento de padrões comportamentais direcionados aos valores.
Propõe-se uma aproximação entre a proposta da ACT com as investigações sobre bem-
estar psicológico (BEP) desenvolvidas no campo da psicologia humanista e existencial, uma
vez que ambas compartilham a compreensão de bem-estar como um fenômeno
multidimensional e relacionado ao propósito e ao sentido de vida (Machado & Bandeira, 2012).
No contexto brasileiro, Machado et al. (2013) validaram um instrumento de avaliação do BEP
composto por seis dimensões: autoaceitação, relações positivas com os outros, autonomia,
domínio do ambiente, propósito de vida e crescimento pessoal. Tais dimensões dialogam
conceitualmente com os padrões funcionais da flexibilidade psicológica propostos pela ACT.
Ressalva-se que tanto ACT como BEP são teorias com bases epistemológicas diferentes, e a
aproximação apresentada neste artigo refere-se exclusivamente à interpretação da saúde mental
adotada neste estudo.
Além da proximidade conceitual entre a ACT e o bem-estar psicológico, destaca-se o
papel das habilidades de mindfulness, que favorecem o contato consciente com a experiência
presente e a autopercepção de eventos privados, possibilitando uma relação mais aberta, flexível
e menos reativa com pensamentos e emoções (Hayes et al., 2021; Luoma et al., 2022; Muñoz-
Martínez et al., 2017). As habilidades de mindfulness são consistentes tanto com os padrões
centrados da flexibilidade psicológica descritos pela ACT quanto com as dimensões do bem-
estar psicológico relacionadas à autonomia, ao propósito de vida e ao crescimento pessoal. De
acordo com Muñoz-Martínez et al. (2017), as habilidades de mindfulness são compreendidas
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como um repertório comportamental complexo (e.g., observar, descrever e não julgar eventos
privados), enquanto as estratégias de mindfulness consistem em arranjos de contingências e
práticas experienciais que favorecem o desenvolvimento desse repertório.
Em síntese, estudantes universitários têm apresentado padrões de sofrimento
psicológico associados às demandas do ingresso e da permanência no Ensino Superior, com
impactos significativos sobre a saúde mental e o bem-estar psicológico. Considerando que o
bem-estar psicológico refere-se à autopercepção positiva, ao propósito e ao sentido de vida, e
que a ACT propõe o desenvolvimento da flexibilidade psicológica por meio da ampliação dos
repertórios de enfrentamento, a investigação conjunta desses construtos mostra-se teoricamente
consistente e empiricamente relevante. Nesse contexto, as habilidades de mindfulness emergem
como um processo comportamental plausível para articular a flexibilidade psicológica ao bem-
estar psicológico. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar as relações entre
saúde mental, habilidades de mindfulness e bem-estar psicológico em estudantes do curso de
Psicologia.
MÉTODO
Foi utilizada uma metodologia quantitativa, observacional, de delineamento transversal,
por meio de um survey on-line. A amostragem foi realizada por conveniência, a partir de convite
direto aos estudantes do curso de Psicologia da universidade. Esta pesquisa foi aprovada pelo
Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer 7.444.085; CAAE: 86804325.5.0000.5500), e todos
os estudantes forneceram seu consentimento antes de responder aos questionários.
Participantes
Participaram do estudo 205 estudantes do curso de Psicologia, com idade média de 23,4
anos (DP = 7,7), matriculados em uma universidade privada do interior do estado de São Paulo.
Quanto ao gênero, 163 participantes (79,6%) se identificaram como mulheres, 39 (19,0%) como
homens e 3 (1,4%) como pertencentes à categoria “outro”. As demais características
sociodemográficas (orientação sexual, raça/etnia, trabalho no contraturno e uso de
medicamentos psiquiátricos) encontram-se no Apêndice A.
Felipe Augusto Monteiro Cravo & Paola Verruck de Moraes
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Instrumentos
Foi utilizado um questionário sociodemográfico composto por 14 questões destinadas à
caracterização dos participantes. Foram incluídas perguntas sobre hábitos de vida, como horas
de sono, prática de atividade física, sofrimento psicológico antes do ingresso no ensino superior
e uso de medicação psiquiátrica.
Depression, Anxiety and Stress Scale DASS-21. Trata-se de um instrumento de
autorrelato composto por 21 itens distribuídos em três fatores: depressão, ansiedade e estresse,
sendo cada fator composto por sete afirmativas (Vignola & Tucci, 2014; Martins et al., 2019).
As subescalas apresentaram índices de confiabilidade satisfatórios 0,88). Conforme
recomendação de Martins et al. (2019), o item 2 (e.g., “estava consciente de que minha boca
estava seca”) foi excluído do cômputo final em razão de sua baixa carga fatorial. Os itens são
respondidos em escala Likert de quatro pontos, com pontuação variando de 0 a 3.
Escala de Bem-Estar Psicológico (EBEP). Traduzida, adaptada e validada para a
população brasileira por Machado, Bandeira e Pawlowski (2013), em estudo conduzido com
estudantes universitários. A escala é composta por seis fatores: (I) relações positivas com os
outros (FC = 0,82), (II) autonomia (FC = 0,70), (III) domínio sobre o ambiente (FC = 0,76),
(IV) crescimento pessoal (FC = 0,84), (V) propósito de vida (FC = 0,83) e (VI) autoaceitação
(FC = 0,83). Os itens são respondidos em escala Likert de seis pontos, com respostas variando
de 1 a 6.
Five Facet Mindfulness Questionnaire (FFMQ-Br). Traduzido, adaptado e validado por
Barros et al. (2014), avalia a autopercepção de habilidades relacionadas à prática de mindfulness
no cotidiano. A versão brasileira é composta por 39 itens distribuídos em sete fatores: (I) não
julgamento (α = 0,78), (II) agir com consciência – “piloto automático” (α = 0,79), (III) observar
= 0,76), (IV) descrever itens positivos = 0,76), (V) descrever itens negativos =
0,75), (VI) não reatividade = 0,68) e (VII) agir com consciência distração (α = 0,63).
Mesmo os fatores que apresentaram menores índices de consistência interna foram mantidos
neste estudo, conforme recomendação dos autores. As respostas são registradas em escala
Likert de cinco pontos, variando de 1 a 5.
Procedimentos de coleta e análise de dados
A aplicação dos questionários ocorreu em sala de aula, entre agosto e setembro de 2025,
por meio de um QR Code que direcionava os participantes a um formulário do Google Forms.
Bem-estar psicológico e mindfulness associados à saúde mental em estudantes universitários
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Apenas os questionários respondidos integralmente foram incluídos no banco de dados da
pesquisa.
As análises estatísticas foram realizadas no JASP (versão 0.19.3.0). Inicialmente, foram
calculadas estatísticas descritivas (e.g., média e desvio-padrão) para os escores globais das três
escalas (DASS-21, EBEP e FFMQ), bem como seus índices de consistência interna (alfa de
Cronbach e ômega de McDonald). Em seguida, realizou-se a correlação de Spearman entre os
escores médios gerais das três escalas.
Para compreender em que medida as variáveis associadas ao sofrimento psicológico
contribuíam para sua explicação, para além das correlações observadas, foi realizada uma
regressão linear hierárquica, utilizando o escore médio geral da DASS-21 como variável
dependente. Foram testados três modelos explicativos. O primeiro incluiu variáveis
sociodemográficas e contextuais (i.e., idade, prática de atividade física e horas de sono
variáveis escalares; gênero, orientação sexual e autoidentificação de sofrimento psicológico
antes do ingresso no ensino superior variáveis categóricas), utilizadas como variáveis de
controle nos modelos subsequentes. O segundo modelo acrescentou os escores médios das
habilidades de mindfulness (FFMQ), e o terceiro incluiu os escores de bem-estar psicológico
(EBEP). Para os modelos estimados, foram reportados o coeficiente de determinação (R²), a
variação explicada entre os modelos (ΔR²), os coeficientes padronizados (β) e os respectivos
valores de significância estatística (p).
Ressalta-se que o uso de instrumentos de autorrelato e a adoção de uma amostra por
conveniência constituem limitações do estudo, restringindo a generalização dos resultados.
RESULTADOS
A amostra desta pesquisa apresentou características sociodemográficas específicas,
sendo composta majoritariamente por mulheres, pessoas brancas e heterossexuais. Em razão do
elevado desbalanceamento entre os grupos, optou-se por não realizar comparações entre médias
(e.g., teste t). Com base no autorrelato sobre variáveis relacionadas à saúde física e mental,
identificou-se que 59,8% dos estudantes praticavam atividade física menos de duas vezes por
semana, e 87,6% dormiam seis horas ou menos por noite. Em relação à saúde mental, 79% dos
estudantes relataram ter apresentado sofrimento psicológico antes do ingresso no ensino
superior, 33,6% faziam uso de medicamentos psicofarmacológicos e apenas 29,7% estavam em
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psicoterapia. Esses dados são apresentados no Apêndice A e não foram aprofundados por não
constituírem o foco deste estudo.
No que se refere às avaliações psicométricas, os participantes apresentaram escore
médio de sofrimento psicológico (DASS-21) de 1,21 (DP = 0,63; mín.–máx. = 0,0–2,8). Os
escores médios de habilidades de mindfulness (FFMQ) e de bem-estar psicológico (EBEP)
foram, respectivamente, 3,16 (DP = 0,61; n.–máx. = 1,58–4,63) e 4,20 (DP = 0,63; mín.
máx. = 2,2–5,5). As escalas apresentaram adequada consistência interna na presente amostra.
O escore global da DASS-21 apresentou α de Cronbach = 0,90 e ω de McDonald = 0,90. Para
a EBEP, os coeficientes foram α = 0,91 e ω = 0,90, enquanto a FFMQ apresentou α = 0,87 e ω
= 0,91. Os valores médios de cada subescala são apresentados no material suplementar
(Apêndice B), uma vez que não constituem o foco da presente investigação.
As correlações de Spearman entre os escores globais de sofrimento psicológico,
habilidades de mindfulness e bem-estar psicológico são apresentadas na Tabela 1. Observou-se
correlação negativa, significativa e de magnitude moderada entre sofrimento psicológico e
mindfulness (ρ = −0,48; p < .001), indicando que maiores níveis de habilidades de mindfulness
estiveram associados a menores níveis de sofrimento psicológico.
Também foi identificada correlação negativa, significativa e de forte magnitude entre
sofrimento psicológico e bem-estar psicológico (ρ = −0,63; p < .001), sugerindo que estudantes
com maior percepção de bem-estar apresentaram menores índices de sofrimento psicológico.
Adicionalmente, mindfulness e bem-estar psicológico apresentaram correlação positiva,
significativa e de magnitude moderada = 0,58; p < .001), indicando que maiores níveis de
habilidades de mindfulness estiveram associados a maiores níveis de bem-estar psicológico. Em
conjunto, os resultados apontam associações consistentes entre habilidades de mindfulness,
bem-estar psicológico e sofrimento psicológico, justificando a inclusão dessas variáveis em
modelos multivariados para avaliar sua contribuição conjunta na explicação do sofrimento
psicológico.
Tabela 1
Matriz de correlação entre as escalas DASS-21, EBEP e FFMQ
2
3
1. DASS-21
-
-
2. EBEP
-
-
3. FFMQ
ρ = 0,576***
-
p = .05*, p = .01**, p = .001***
Nota. Os autores.
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Os resultados da regressão linear hierárquica, tendo o sofrimento psicológico avaliado
pela DASS-21 como variável dependente, estão apresentados na Tabela 2. No Modelo 1, que
incluiu apenas variáveis sociodemográficas e contextuais (idade, prática de atividade física,
horas de sono, gênero, orientação sexual e sofrimento psicológico prévio), o conjunto de
preditores explicou uma pequena proporção da variância do sofrimento psicológico (R² =
0,083). Nesse modelo, apenas a idade apresentou associação significativa, indicando maiores
níveis de sofrimento psicológico entre estudantes mais jovens.
No Modelo 2, a inclusão do escore global de mindfulness (FFMQ) resultou em aumento
substancial e estatisticamente significativo da variância explicada (ΔR² = 0,211; p < .001),
elevando o total para 0,295. As habilidades de mindfulness apresentaram associação negativa
e significativa com o sofrimento psicológico = −0,47; p < .001). Esse resultado indica que
maiores níveis de habilidades de mindfulness estiveram associados a menores níveis de
sofrimento psicológico, independentemente das variáveis sociodemográficas consideradas no
modelo.
Por fim, no Modelo 3, a inclusão do escore global de bem-estar psicológico (EBEP)
produziu novo incremento significativo na variância explicada (ΔR² = 0,177; p < .001),
resultando em um modelo final que explicou aproximadamente 47% da variância do sofrimento
psicológico (R² = 0,472). No modelo final, o bem-estar psicológico emergiu como o preditor
mais fortemente associado ao sofrimento psicológico (β = −0,52; p < .001). As habilidades de
mindfulness permaneceram significativamente associadas ao desfecho, embora com menor
magnitude (β = −0,18; p < .01).
Tabela 2.
Regressão linear hierárquica com três modelos
Variáveis
Modelo 1 β
Modelo 2 β
Modelo 3 β
Modelo 1
Idade
- 0,15*
- 0,08
- 0,07
Atividade física
0,04
0,04
0,04
Sono
0,14†
0,09
0,07
Gênero (masculino)
0,15
0,07
0,08
Orientação sexual
(homossexual)
0,18
0,18
0,23*
Sofrimento psicológico
prévio
0,07
0,06
0,03
Modelo 2
FFMQ (geral)
- 0,47***
- 0,18
Modelo 3
EBEP (geral)
- 0,52*
0,083
0,295
0,472
Felipe Augusto Monteiro Cravo & Paola Verruck de Moraes
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DOI: 10.30715/doxa.v27i00.21032 11
ΔR²
0,211***
0,177***
F mudança
1,76
57,81***
64,52***
Nota. Os autores. p < .10; p < .05, * p < .01, ** p < .001***.
As variáveis sociodemográficas e contextuais não apresentaram associações
significativas no modelo final, com exceção da orientação sexual homossexual, que manteve
associação positiva, embora de pequena magnitude, com o sofrimento psicológico. De modo
geral, os resultados indicam que as variáveis psicológicas explicaram uma parcela
substancialmente maior da variância do sofrimento psicológico do que as variáveis
sociodemográficas e contextuais, sendo o bem-estar psicológico o principal preditor do modelo
final.
DISCUSSÃO
Estudantes universitários têm apresentado dificuldades em seus processos de transição
e adaptação ao ensino superior (Oliveira et al., 2025; Galán-Muros et al., 2024b; Gianfelice et
al., 2024). Embora dificuldades sejam esperadas em períodos de transição, fatores individuais,
sociais e institucionais podem atuar como elementos de proteção ou de risco para o sofrimento
psicológico dessa população (Sahão & Kienen, 2021; Fior & Almeida, 2023; Ariño et al., 2023).
Este estudo teve como objetivo analisar as relações entre sofrimento psicológico,
habilidades de mindfulness e bem-estar psicológico em estudantes de Psicologia, a partir de
uma perspectiva comportamental-contextual fundamentada na Terapia de Aceitação e
Compromisso (ACT). De modo geral, os resultados evidenciaram associações consistentes
entre bem-estar psicológico, mindfulness e sofrimento psicológico, bem como a contribuição
incremental das duas primeiras variáveis para a explicação do sofrimento psicológico.
As análises correlacionais corroboram a hipótese de que maiores níveis de habilidades
de mindfulness e de bem-estar psicológico estão associados a menores níveis de sofrimento
psicológico. Observou-se associação negativa entre mindfulness e sofrimento psicológico, bem
como entre bem-estar psicológico e sofrimento psicológico, além de correlação positiva entre
mindfulness e bem-estar psicológico.
Esses resultados são consistentes com a literatura da ACT, que compreende o sofrimento
psicológico como funcionalmente relacionado a padrões de inflexibilidade psicológica, tais
como esquiva experiencial e fusão cognitiva (Hayes et al., 2021; Luoma et al., 2022; Dawson
et al., 2020; Almeida et al., 2022; Zuncan et al., 2023). Nesse sentido, intervenções que
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promovam o desenvolvimento de habilidades de mindfulness e de repertórios associados ao
bem-estar psicológico podem contribuir para a ampliação dos recursos de enfrentamento, sem
se restringirem à redução sintomática do sofrimento. Tais intervenções demandam uma
perspectiva processual e longitudinal, e não exclusivamente protocolar.
Embora o construto de bem-estar psicológico, conforme operacionalizado pela EBEP
(Machado et al., 2013), tenha origem na tradição humanista, os resultados permitem sustentar
um diálogo conceitual com a perspectiva comportamental-contextual. Essa aproximação não
implica homogeneização epistemológica, mas o reconhecimento de convergências na
compreensão multidimensional da saúde mental. Dimensões como autoaceitação, relações
positivas, autonomia, donio do ambiente, propósito de vida e crescimento pessoal podem ser
compreendidas à luz dos processos descritos pela ACT, como aceitação, desfusão, contato com
o momento presente, clareza de valores e ação comprometida. Em ambas as perspectivas, a
saúde mental é concebida como ampliação de repertórios funcionais diante das adversidades, e
não como mera eliminação de sintomas.
Considerando essas associações iniciais e a fundamentação teórica adotada, buscou-se
examinar de forma mais refinada a contribuição específica de diferentes conjuntos de variáveis
para a explicação do sofrimento psicológico. Para isso, foram testados modelos hierárquicos
que permitiram avaliar a contribuição incremental das variáveis sociodemográficas, das
habilidades de mindfulness e do bem-estar psicológico.
No primeiro modelo, foram incluídas variáveis sociodemográficas e contextuais (idade,
prática de atividade física, horas de sono, gênero, orientação sexual e relato de sofrimento
psicológico prévio), com base em evidências que apontam sua associação com a saúde mental
de estudantes universitários (Sahão & Kienen, 2021; Fior & Almeida, 2023; Ariño et al., 2023).
Entretanto, esse conjunto de variáveis explicou apenas uma pequena proporção da variância do
sofrimento psicológico (R² = 0,083), quando comparado às variáveis processuais inseridas nos
modelos subsequentes.
É possível que as características da amostra predominantemente composta por
mulheres, pessoas brancas e heterossexuais, com idade média de 23,4 anos tenham reduzido
a variabilidade dessas variáveis no presente estudo. Essa homogeneidade pode ter contribuído
para a menor capacidade explicativa dos indicadores sociodemográficos, embora essa hipótese
deva ser interpretada com cautela.
No segundo modelo, a inclusão das habilidades de mindfulness elevou substancialmente
a proporção de variância explicada (R² = 0,295), indicando associação negativa de magnitude
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moderada com o sofrimento psicológico. Esse resultado sugere que repertórios relacionados à
regulação atencional, à discriminação de eventos privados e ao contato com o momento
presente constituem fatores relevantes para a compreensão do sofrimento psicológico entre
estudantes universitários. Sob a perspectiva da ACT, tais habilidades integram o eixo
denominado padrão centrado da flexibilidade psicológica, caracterizado pela ampliação da
consciência contextual sobre pensamentos e emoções. Esses resultados reforçam a relevância
de intervenções voltadas ao desenvolvimento dessas habilidades, não apenas como recurso
terapêutico, mas também como estratégia preventiva aplicável em diferentes contextos
acadêmicos.
No terceiro modelo, a inclusão do bem-estar psicológico resultou em novo incremento
significativo da variância explicada (R² = 0,472), configurando o conjunto de variáveis mais
fortemente associado ao sofrimento psicológico. As dimensões de autoaceitação, relações
positivas, autonomia, domínio do ambiente, propósito de vida e crescimento pessoal
apresentaram associação consistente com menores níveis de sofrimento psicológico. Parte dessa
associação pode decorrer de uma sobreposição conceitual entre indicadores positivos de
funcionamento psicológico e indicadores de sintomatologia emocional. Contudo, mesmo diante
dessa proximidade teórica, o modelo hierárquico adotado permite afirmar que o bem-estar
psicológico contribuiu de forma independente e incremental para a explicação do sofrimento
psicológico, superando a contribuição das variáveis sociodemográficas e das habilidades de
mindfulness quando consideradas isoladamente.
As dimensões do bem-estar psicológico também podem ser interpretadas à luz dos
demais eixos da flexibilidade psicológica descritos pela ACT, especialmente o padrão de
abertura (aceitação e desfusão) e o padrão engajado (clareza de valores e ação comprometida).
Nessa perspectiva, a saúde mental não se reduz à ausência de eventos privados negativos, mas
envolve a capacidade de estabelecer uma relação funcional com tais eventos, mantendo o
engajamento em ações orientadas por valores. Assim, os resultados deste estudo sugerem que
repertórios associados ao bem-estar psicológico podem refletir padrões mais amplos de
flexibilidade psicológica.
As características da amostra impõem limites à generalização dos resultados,
especialmente por se tratar de estudantes de Psicologia de uma instituição privada. Ainda assim,
alguns indicadores relacionados à saúde merecem atenção: aproximadamente 41% dos
participantes não praticavam atividade física regularmente, e cerca de 60% dormiam seis horas
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ou menos por noite. Além disso, um terço relatou fazer uso de medicação psiquiátrica, enquanto
a maioria não estava em psicoterapia.
Esses dados reforçam as recomendações da UNESCO acerca do papel das instituições
de ensino superior na promoção de ambientes que favoreçam não apenas a formação técnica,
mas também o desenvolvimento pessoal e o cuidado com a saúde mental (Galán-Muros et al.,
2024b, 2024a). No caso específico da Psicologia, cuja prática profissional envolve o cuidado
de outras pessoas, cabe questionar se as diretrizes curriculares contemplam suficientemente o
desenvolvimento de repertórios relacionados ao autoconhecimento e à regulação emocional.
Essas considerações não se restringem a esse curso, mas mostram-se particularmente
pertinentes diante das especificidades da formação em saúde mental.
Por fim, é importante destacar que as habilidades de mindfulness e as características
relacionadas ao bem-estar psicológico podem, à primeira vista, parecer atributos estritamente
individuais. Contudo, sob uma perspectiva comportamental-contextual, tais repertórios são
aprendidos, mantidos e refinados em contextos sociais complexos. Assim, o menor peso das
variáveis sociodemográficas no modelo final não deve ser interpretado como ausência de
influência social sobre a saúde mental. Ao contrário, essas variáveis podem não ter captado
diretamente os contextos culturais mais amplos que moldam práticas de autodescrição,
autorregulação e autonomia. Essa interpretação busca evitar a culpabilização individual e
reafirma a necessidade de analisar as contingências sociais que estruturam os repertórios
relacionados à saúde mental.
Alguns limites metodológicos devem ser considerados na interpretação dos resultados.
Em primeiro lugar, o delineamento transversal não permite estabelecer relações causais entre
mindfulness, bem-estar psicológico e sofrimento psicológico, restringindo as conclusões às
associações entre essas variáveis. Estudos longitudinais poderão contribuir para examinar se
tais repertórios predizem mudanças nos indicadores de saúde mental ao longo da trajetória
acadêmica.
Em segundo lugar, todas as variáveis foram mensuradas por instrumentos de autorrelato,
o que pode introduzir viés de método comum e superestimar associações entre construtos
conceitualmente relacionados, particularmente entre bem-estar psicológico e sofrimento
psicológico. Embora o modelo hierárquico tenha permitido avaliar contribuições incrementais,
investigações futuras poderão incorporar múltiplas fontes de dados, bem como medidas
observacionais e fisiológicas complementares. Outra limitação deste estudo foi a ausência de
uma caracterização mais aprofundada das condições socioeconômicas da amostra,
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especialmente quanto à distinção entre estudantes bolsistas e não bolsistas. Essa variável é
relevante e deverá ser investigada em estudos futuros, a fim de identificar os efeitos da classe
social sobre os cuidados com a saúde mental.
Além disso, a amostra foi composta exclusivamente por estudantes de Psicologia de
uma instituição privada, o que limita a generalização dos resultados para outros cursos,
contextos institucionais e grupos sociais. Estudos com amostras mais diversificadas poderão
examinar a estabilidade desses padrões associativos em diferentes realidades socioculturais.
Pesquisas multicêntricas envolvendo universidades públicas e privadas, de diferentes regiões
do estado ou do país, poderão ampliar a caracterização dessas realidades e subsidiar o
planejamento de programas fundamentados nas necessidades específicas de cada contexto. Na
ausência de dados mais abrangentes de caracterização, recomenda-se que, antes da elaboração
e implementação de programas voltados ao bem-estar e à qualidade de vida, sejam realizados
estudos de levantamento e caracterização detalhada da população-alvo, evitando a adoção
padronizada de protocolos e intervenções genéricas que desconsiderem as especificidades de
cada contexto.
Por fim, a proximidade conceitual entre as dimensões do bem-estar psicológico e os
indicadores de sintomatologia emocional pode ter influenciado parcialmente a magnitude das
associações observadas. Investigações futuras poderão empregar modelos de mediação ou
equações estruturais para examinar, de forma mais refinada, os mecanismos processuais que
articulam mindfulness, bem-estar psicológico e saúde mental.
Embora se reconheça a importância da estatística descritiva e inferencial, sob uma
perspectiva comportamental-contextual tais dados precisam ser interpretados com cautela. Isso
porque médias não se comportam; pessoas, sim (Skinner, 1953/2003). Nesse sentido, algumas
recomendações podem ser feitas. Entrevistas e grupos focais podem complementar os dados
quantitativos por meio dos relatos dos estudantes em primeira pessoa, ampliando a
compreensão das dificuldades e potencialidades identificadas. Além disso, estudos de caso-
controle com maior número de participantes poderão agrupar estudantes com maiores, menores
e intermediários escores nas diferentes avaliações, possibilitando investigar as características
pessoais, sociais e institucionais associadas a esses perfis. É possível que, mesmo em uma
mesma universidade ou em um mesmo curso, diferentes grupos de estudantes demandem
intervenções distintas, ajustadas às especificidades de seus contextos e necessidades.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Intervenções voltadas ao desenvolvimento de habilidades de mindfulness e de
repertórios associados ao bem-estar psicológico caracterizam-se, em geral, por demandarem
baixo custo estrutural e apresentarem elevado potencial de implementação em contextos
acadêmicos. Os resultados do presente estudo indicaram que essas variáveis explicaram parcela
substancial da variância do sofrimento psicológico, superando a contribuição de fatores
sociodemográficos isolados. Esses achados reforçam a relevância de programas institucionais
que promovam o desenvolvimento contínuo de habilidades relacionadas à autorregulação, à
clareza de valores e ao engajamento comportamental, especialmente quando estruturados de
forma longitudinal e integrados às políticas de permanência estudantil. Recomenda-se que
futuras pesquisas e programas institucionais busquem nos relatórios da UNESCO alternativas
de ações que as universidades possam implementar para promover a saúde mental e o bem-
estar de toda a comunidade acadêmica (Galán-Muros et al., 2024b; 2024a).
Contudo, ao compreender a saúde mental sob uma perspectiva comportamental-
contextual, torna-se insuficiente adotar exclusivamente ações pontuais ou reparativas. O
sofrimento psicológico é parte constitutiva da experiência humana; entretanto, padrões
inflexíveis de interação consigo mesmo, com os outros e com o ambiente podem amplificá-lo
e restringir os repertórios de ação. Sob a perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso,
os sintomas associados ao sofrimento psicológico devem ser analisados em relação às
contingências históricas e culturais que moldam as estratégias de enfrentamento. Muitas
tentativas de evitar ou controlar eventos privados desagradáveis podem, paradoxalmente,
intensificar o sofrimento ou reduzir o engajamento em experiências significativas.
Nesse sentido, os achados deste estudo reforçam a importância da promoção da
flexibilidade psicológica como processo central para a compreensão e o manejo do sofrimento
psicológico entre estudantes universitários. Ao evidenciar a associação robusta entre bem-estar
psicológico, habilidades de mindfulness e menores níveis de sofrimento psicológico, esta
pesquisa contribui para o fortalecimento de modelos preventivos que integram
desenvolvimento pessoal, contexto institucional e análise funcional do comportamento. Assim,
pensar a saúde mental no ensino superior implica articular práticas institucionais que ampliem
oportunidades de aprendizagem de repertórios de autodescrição, autorregulação e ação
orientada por valores, reconhecendo que tais habilidades são construídas socialmente e
refinadas ao longo da trajetória acadêmica.
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APÊNDICE A
APÊNDICE B
Tabela 4.
Médias gerais e das subescalas de cada instrumento e seus índices de confiabilidade
Média (DP)
ω McDonald
α Cronbach
DASS-21
1,21 (0,63)
0,933
0,929
Depressão
1,19 (0,81)
0,903
0,900
Ansiedade
0,93 (0,71)
0,851
0,842
Estresse
1,56 (0,69)
0,857
0,857
EBEP
4,20 (0,63)
0,904
0,914
Relação com os outros
4,26 (0,97)
0,682
0,622
Autonomia
3,54 (0,93)
0,708
0,697
Domínio do ambiente
1,10 (0,98)
0,720
0,823
Crescimento pessoal
5,41 (0,52)
0,690
0,682
Tabela 3.
Caracterização sociodemográfica e de aspectos gerais de saúde das/os participantes.
Idade
23,4 (7,7)
Gênero
feminino
163 (79,6%)
masculino
39 (19,0%)
outros
3 (1,4%)
Raça/etnia
branca
173 (84,3%)
pretas e pardas
28 (13,6%)
amarelo
4 (1,9%)
Orientação sexual
heterossexual
137 (66,8%)
bissexual
45 (21,9%)
homossexual
16 (7,8%)
Outros
7 (3,4%)
Prática de atividade física
não
85 (41,4%)
1x
19 (9,2%)
2x
19 (9,2%)
3x
53 (25,8%)
todos os dias
29 (14,1%)
Horas de sono
< 4
2 (0,9%)
5
48 (23,4%)
6
75 (36,5%)
7
55 (26,8%)
8
22 (10,7%)
>8
3 (1,4%)
Sofrimento psicológico antes da universidade
sim
162 (79%)
não
26 (12,6%)
não sei
17 (8,2%)
Realiza tratamento psicofarmacológico
sim
61 (29,3%)
não
135 (65,8%)
As vezes
9 (4,3%)
Realiza tratamento psicoterapêutico
sim
61 (29,7%)
não
144 (70,2%)
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Propósito de vida
4,44 (1,02)
0,708
0,843
Autoaceitação
4,13 (0,83)
0,866
0,856
FFMQ
3,16 (0,61)
0,909
0,863
Não julgamento
3,21 (1,00)
0,871
0,873
Piloto automático
3,13 (1,02)
0,861
0,838
Observação
3,22 (0,84)
0,746
0,749
Descrever positivo
3,18 (0,97)
0,740
0,737
Descrever negativo
3,61 (1,01)
0,410
0,22
Não reatividade
2,59 (0,74)
0,712
0,704
Distração
3,01 (1,18)
0,825
0,863
F eli p e A u g ust o M o nteir o Cr a v o & P a ol a V err u c k d e M or a es
D o x a: R e v. B r as. Psic o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. 0 0 , e 0 2 6 0 0 9 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i 0 0. 2 1 0 3 2 2 1
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : G ost ari a d e a gr a d e c er a os est u d a nt es p or r es p o n d er e m a os q u esti o n ári os
e a os d o c e nt es q u e c e d er a m o t e m p o d e s u as a ul as p ar a a r e ali z a ç ã o d est a p es q uis a .
Fi n a n ci a m e nt o : A a ut or a P a ol a V err u c k d e M or a es r e c e b e u b ols a d e I ni ci a ç ã o Ci e ntífi c a
p or m ei o d e E dit al 0 1 6/ 2 0 2 4 P R O EI N U NI S O, nº 0 2 9/ 2 0 2 5 .
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á c o nflit os d e i nt er ess e.
A p r o v a ç ã o éti c a : Est e tr a b al h o t e v e a pr o v a ç ã o d o C o mit ê d e Éti c a e m P es q uis a d a ( N o m e
d a u ni v ersi d a d e) 7. 4 4 4. 0 8 5 , C A A E: 8 6 8 0 4 3 2 5. 5. 0 0 0 0. 5 5 0 0 .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : N ã o s e a pli c a .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : Pri m eir o a ut or c o ntri b ui u c o m a el a b or a ç ã o d o pr oj et o d e
p es q uis a, r e vis ã o d e lit er at ur a, a n ális e e i nt er pr et a ç ã o d os d a d os; r e d a ç ã o d o t e xt o; a
s e g u n d o a ut ora c o ntri b ui c o m a c ol et a e or g a ni z a ç ã o d os d a d os .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.21032 1
PSYCHOLOGICAL WELL-BEING AND MINDFULNESS ASSOCIATED WITH
MENTAL HEALTH IN UNIVERSITY STUDENTS
BEM-ESTAR PSICOLÓGICO E MINDFULNESS ASSOCIADOS À SAÚDE MENTAL
EM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
BIENESTAR PSICOLÓGICO Y MINDFULNESS ASOCIADOS A LA SALUD MENTAL
EN ESTUDIANTES UNIVERSITARIOS
Felipe Augusto Monteiro CRAVO
1
e-mail: felipeam[email protected]
Paola Verruck de MORAES
2
How to reference this paper:
Cravo, F. A. M., & Moares, P. V. (2026). Psychological well-
being and mindfulness associated with mental health in
university students. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27,
e026009. https://doi.org/10.30715/doxa.v27i00.21032
| Submitted: 25/03/2026
| Revisions required: 09/04/2026
| Approved: 11/05/2026
| Published: 05/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
University of Sorocaba (UNISO), Sorocaba São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Developmental and Learning
Psychology, Professor in the Psychology program, and Clinical Psychologist.
2
University of Sorocaba (UNISO), Sorocaba São Paulo (SP) Brazil. Final-year Psychology student,
Undergraduate Research Fellow, trained in Acceptance and Commitment Therapy (ACT), and Yoga Instructor.
Psychological well-being and mindfulness associated with mental health in university students
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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ABSTRACT: The aim of this study was to investigate the relationships between mental health,
mindfulness skills, and psychological well-being among university students. A total of 205
Psychology students from a higher education institution in the interior of São Paulo participated,
assessed using validated instruments for Brazilian samples. The results indicated moderate
levels of psychological distress, associated with low levels of physical activity and insufficient
sleep. Negative correlations were observed between psychological distress and mindfulness (ρ
= −0.48) and between distress and psychological well-being (ρ = −0.63), as well as a positive
correlation between mindfulness and well-being (ρ = 0.58). Hierarchical regression analyses
showed that mindfulness and psychological well-being explained a substantial proportion of
the variance in psychological distress (R² = 0.47), outperforming sociodemographic variables.
The findings suggest that psychological processes are central to understanding mental health in
higher education and to the development of contextually oriented preventive interventions.
KEYWORDS: Mental Health. High Education. Psychological Well-Being.
RESUMO: O objetivo deste estudo foi investigar as relações entre saúde mental, habilidades
de mindfulness e bem-estar psicológico em estudantes universitários. Participaram 205
estudantes de Psicologia de uma instituição de ensino superior do interior de São Paulo,
avaliados por meio de escalas validadas para a população brasileira. Os resultados indicaram
níveis moderados de sofrimento psicológico, associados a baixos níveis de atividade física e
sono insuficiente. Observou-se correlação negativa entre sofrimento psicológico e mindfulness
= -0,48) e entre sofrimento e bem-estar psicológico (ρ = -0,63), além de correlação positiva
entre mindfulness e bem-estar = 0,58). A regressão hierárquica indicou que mindfulness e
bem-estar psicológico explicaram uma parcela substancial da variância do sofrimento
psicológico (R² = 0,47), superando o poder explicativo das variáveis sociodemográficas. Os
resultados sugerem que processos psicológicos são centrais para a compreensão da saúde
mental no ensino superior e na elaboração de intervenções preventivas e contextualmente
orientadas.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde Mental. Ensino Superior. Bem-Estar psicológico.
RESUMEN: El objetivo de este estudio fue investigar las relaciones entre salud mental,
habilidades de mindfulness y bienestar psicológico en estudiantes universitarios. Participaron
205 estudiantes de Psicología de una institución de educación superior del interior de São
Paulo, evaluados mediante instrumentos validados para muestras brasileñas. Los resultados
indicaron niveles moderados de malestar psicológico, asociados a bajos niveles de actividad
física y sueño insuficiente. Se observaron correlaciones negativas entre malestar psicológico y
mindfulness (ρ = −0,48) y entre malestar y bienestar psicológico = −0,63), así como una
correlación positiva entre mindfulness y bienestar (ρ = 0,58). Los análisis de regresión
jerárquica mostraron que mindfulness y bienestar psicológico explicaron una proporción
sustancial de la varianza del malestar psicológico (R² = 0,47), superando variables
sociodemográficas. Los hallazgos sugieren que los procesos psicológicos son centrales para
comprender la salud mental en la educación superior y para el desarrollo de intervenciones
preventivas y contextualizadas.
PALABRAS CLAVE: Salud Mental. Educación superior. Bienestar psicológico.
Felipe Augusto Monteiro Cravo & Paola Verruck de Moraes
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCTION
Entering and remaining in higher education (HE) represent a transitional period that
requires students to develop specific skills to cope with the educational and social demands of
this context. A substantial proportion of university students experience adaptation difficulties
and psychological distress as a result of individual factors and/or the educational practices
adopted by higher education institutions (HEIs) (Oliveira et al., 2025; Galán-Muros et al.,
2024b; Gianfelice et al.,2024; Ghizoni et al., 2023).
Sahão and Kienen (2021) described a set of risk factors (e.g., academic demands,
interpersonal relationships, lack of social support) and protective factors (e.g., social support,
access to information, academic integration, and institutional characteristics) related to
adaptation to higher education and the protection of students’ mental health. In particular, the
authors emphasized the need to understand the most common symptoms of psychological
distress among university students as contextually influenced phenomena. Therefore, attention
to institutional conditions, together with students’ personal histories and behavioral repertoires
(e.g., problem solving, self-management of academic activities, social skills, and self-
awareness), should be considered when implementing interventions aimed at preventing
psychological distress and promoting mental health and psychological well-being. These
recommendations are consistent with UNESCO survey findings on mental health support for
university students (Galán-Muros et al., 2024b).
Ariño et al. (2023) proposed an explanatory model of factors associated with impaired
mental health among university students, encompassing individual factors (e.g., personality
characteristics, skills and competencies, physical health conditions), contextual factors (e.g.,
interpersonal relationships, sociocultural and sociodemographic practices, and living
environments), and academic stressors (e.g., academic demands, institutional practices, peer
relationships, academic satisfaction, and satisfaction with one’s degree program).
Complementarily, Fior and Almeida (2023) identified four dimensions associated with
successful adaptation to higher education: academic (i.e., teaching-learning processes),
interpersonal (i.e., social support and peer relationships), institutional (i.e., institutional
practices ranging from faculty interactions to infrastructure), and personal (i.e., individual
repertoires related to well-being, autonomy, and self-efficacy). Together, despite their
epistemological differences, the studies conducted by Sahão and Kienen (2021), Fior and
Almeida (2023), and Ariño et al. (2023) contribute to a comprehensive understanding of the
variables associated with university students’ psychological well-being and mental health.
Psychological well-being and mindfulness associated with mental health in university students
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Collectively, these studies suggest that HEIs should consider both personal and contextual
factors when designing institutional practices aimed at promoting students well-being, sense
of belonging, and development.
Given the multiplicity of factors associated with psychological distress among
university students, the present study focuses on investigating self-perceptions and individual
behavioral repertoires related to students’ mental health. This focus is justified by the fact that
such repertoires may or may not have been developed before entering higher education.
Nevertheless, HEIs can—and should—intentionally create contexts that foster the development
of these repertoires among their students (Galán-Muros et al., 2024b). Investigating individual
characteristics provides a means of examining the intrapersonal and personal dimensions
proposed by Fior and Almeida (2023). This perspective also encourages reflection on students’
access to educational contexts that promote personal skills essential during and beyond
university life.
Empirical evidence indicates that interventions based on Acceptance and Commitment
Therapy (ACT) and mindfulness, particularly those aimed at developing psychological
flexibility, attentional regulation, and values-guided action, produce positive effects on
university students’ well-being (Dawson et al., 2020; Almeida et al., 2022; Zuncan et al., 2023;
Kämper et al., 2025).
From the ACT perspective, suffering is considered an inherent aspect of human life.
However, individuals endowed with symbolic and verbal capacities tend to engage in complex
behavioral processes (e.g., experiential avoidance and cognitive fusion) that intensify suffering
and distance them from a values-oriented life (Luoma et al., 2022; Hayes et al., 2021).
Consequently, discomfort and difficulties inherent in students pursuit of their goals may
generate negative private events (thoughts, emotions, and memories) associated with perceived
incompetence, limitations, fear of failure, and overload. When students respond to these private
events by attempting to eliminate or control them, they may compromise their academic
performance, particularly when they lack effective coping repertoires. The central aim of ACT
is to foster psychological flexibility in order to promote well-being without relying on
immediate, yet ultimately ineffective, attempts to avoid difficult private experiences (e.g.,
sadness and anxiety). This approach does not ignore real-life adversities, such as social
inequalities. Rather, by acknowledging these adverse conditions, it seeks to broaden
individuals’ coping repertoires.
Felipe Augusto Monteiro Cravo & Paola Verruck de Moraes
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Psychological flexibility refers to a repertoire of behaviors and is defined as “contacting
the present moment fully as a conscious human being, and, based on what the situation affords,
changing or persisting in behavior in the service of chosen values(Hayes et al., 2021, p. 78).
These behaviors are functionally organized into three broad response patterns: openness
(acceptance/willingness and cognitive diffusion), awareness (present-moment contact and self-
as-context), and engagement (values clarification and committed action). These processes do
not represent a stable end state to be achieved after discrete interventions, but rather continuous
practices in response to life’s experiences. Accordingly, psychological well-being is not defined
by the absence of suffering or psychopathological symptoms, but by the continuous
development of behavioral patterns guided by personally chosen values.
The present study proposes a conceptual dialogue between ACT and psychological well-
being (PWB) research developed within the humanistic and existential traditions, as both
approaches conceptualize well-being as a multidimensional phenomenon associated with life
purpose and meaning (Machado & Bandeira, 2012). In the Brazilian context, Machado et al.
(2013) validated an instrument assessing PWB composed of six dimensions: self-acceptance,
positive relations with others, autonomy, environmental mastery, purpose in life, and personal
growth. These dimensions conceptually converge with the functional processes underlying
psychological flexibility in ACT. It is important to emphasize, however, that ACT and PWB are
grounded in distinct epistemological traditions, and the conceptual approximation proposed in
this study refers exclusively to the interpretation of mental health adopted herein.
Beyond the conceptual proximity between ACT and psychological well-being,
mindfulness skills deserve particular attention, as they facilitate conscious contact with present-
moment experiences and awareness of private events, allowing individuals to relate to thoughts
and emotions in a more open, flexible, and less reactive manner (Hayes et al., 2021; Luoma et
al., 2022; Muñoz-Martínez et al., 2017). Mindfulness skills are consistent both with the
awareness processes of psychological flexibility described by ACT and with dimensions of
psychological well-being related to autonomy, purpose in life, and personal growth. According
to Muñoz-Martínez et al. (2017), mindfulness skills constitute a complex behavioral repertoire
(e.g., observing, describing, and nonjudgment of private events), whereas mindfulness
interventions consist of contingency arrangements and experiential practices designed to foster
the development of this repertoire.
In summary, university students frequently experience psychological distress associated
with the demands of entering and remaining in higher education, with significant implications
Psychological well-being and mindfulness associated with mental health in university students
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for their mental health and psychological well-being. Considering that psychological well-being
refers to positive self-perception, life purpose, and meaning, and that ACT promotes
psychological flexibility through the expansion of coping repertoires, investigating these
constructs jointly is both theoretically coherent and empirically relevant. Within this
framework, mindfulness skills emerge as a plausible behavioral process linking psychological
flexibility and psychological well-being. Therefore, the present study aimed to examine the
relationships among mental health, mindfulness skills, and psychological well-being in
undergraduate psychology students.
METHOD
This study employed a quantitative, observational, cross-sectional design using an
online survey. Convenience sampling was adopted through direct invitations to undergraduate
Psychology students at the university. The study was approved by the Research Ethics
Committee (Approval No. 7,444,085; CAAE: 86804325.5.0000.5500), and all participants
provided informed consent before completing the questionnaires.
Participants
The sample comprised 205 undergraduate Psychology students enrolled at a private
university in the countryside of São Paulo State, Brazil, with a mean age of 23.4 years (SD =
7.7). Regarding gender, 163 participants (79.6%) identified as women, 39 (19.0%) as men, and
3 (1.4%) selected the category “other.” Additional sociodemographic characteristics (sexual
orientation, race/ethnicity, employment during non-class hours, and psychiatric medication use)
are presented in Appendix A.
Instruments
A sociodemographic questionnaire consisting of 14 items was used to characterize the
participants. The questionnaire included items concerning lifestyle habits, such as hours of
sleep, physical activity, psychological distress before entering higher education, and psychiatric
medication use.
Felipe Augusto Monteiro Cravo & Paola Verruck de Moraes
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Depression, Anxiety and Stress Scale (DASS-21). The DASS-21 is a self-report
instrument composed of 21 items distributed across three dimensions: depression, anxiety, and
stress, each comprising seven items (Vignola & Tucci, 2014; Martins et al., 2019). The
subscales demonstrated satisfactory reliability .88). Following the recommendation of
Martins et al. (2019), Item 2 (e.g., “I was aware of dryness of my mouth”) was excluded from
the final score due to its low factor loading. Responses are recorded on a four-point Likert scale
ranging from 0 to 3.
Psychological Well-Being Scale (PWBS). The Brazilian version of the Psychological
Well-Being Scale was translated, adapted, and validated by Machado, Bandeira, and Pawlowski
(2013) using a university student sample. The instrument comprises six dimensions: (I) Positive
Relations with Others (CR = .82), (II) Autonomy (CR = .70), (III) Environmental Mastery (CR
= .76), (IV) Personal Growth (CR = .84), (V) Purpose in Life (CR = .83), and (VI) Self-
Acceptance (CR = .83). Items are rated on a six-point Likert scale ranging from 1 to 6.
Five Facet Mindfulness Questionnaire Brazilian Version (FFMQ-Br). The Brazilian
version of the FFMQ was translated, adapted, and validated by Barros et al. (2014) to assess
self-perceived mindfulness skills in daily life. The instrument contains 39 items distributed
across seven dimensions: (I) Nonjudging = .78), (II) Acting with Awareness – Autopilot
= .79), (III) Observing (α = .76), (IV) Describing Positive Items = .76), (V) Describing
Negative Items = .75), (VI) Nonreactivity (α = .68), and (VII) Acting with Awareness
Distraction (α = .63). Although some factors showed relatively lower internal consistency, they
were retained following the authors’ recommendations. Responses are recorded on a five-point
Likert scale ranging from 1 to 5.
Data Collection and Statistical Analysis
Data collection took place in classrooms between August and September 2025.
Participants accessed a Google Forms questionnaire by scanning a QR code. Only fully
completed questionnaires were included in the final database.
Statistical analyses were conducted using JASP (Version 0.19.3.0). Initially, descriptive
statistics (e.g., means and standard deviations) were calculated for the global scores of the three
instruments (DASS-21, PWBS, and FFMQ), together with their internal consistency estimates
(Cronbach’s alpha and McDonald’s omega). Spearman’s rank-order correlations were then
computed between the overall mean scores of the three scales.
Psychological well-being and mindfulness associated with mental health in university students
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To examine the extent to which variables associated with psychological distress
contributed to its explanation beyond the observed correlations, hierarchical linear regression
analyses were performed using the overall mean DASS-21 score as the dependent variable.
Three explanatory models were tested. The first model included sociodemographic and
contextual variables (i.e., age, physical activity, and hours of sleep as continuous variables;
gender, sexual orientation, and self-reported psychological distress before entering higher
education as categorical variables), which served as control variables in the subsequent models.
The second model added the overall mindfulness score (FFMQ), whereas the third model
further included the psychological well-being score (PWBS). For each model, the coefficient
of determination (R²), the increase in explained variance (ΔR²), standardized regression
coefficients (β), and statistical significance values (p) were reported.
It should be noted that the use of self-report instruments and a convenience sample
constitutes limitations of this study and restricts the generalizability of the findings.
RESULTS
The sample presented specific sociodemographic characteristics, being composed
predominantly of women, White participants, and heterosexual individuals. Owing to the
substantial imbalance among groups, mean comparisons (e.g., t tests) were not performed.
Based on self-reported indicators of physical and mental health, 59.8% of participants reported
engaging in physical activity fewer than twice per week, and 87.6% reported sleeping six hours
or less per night. Regarding mental health, 79% reported experiencing psychological distress
before entering higher education, 33.6% were taking psychotropic medication, and only 29.7%
were currently engaged in psychotherapy. These data are presented in Appendix A and were not
further analyzed because they were not the primary focus of this study.
Regarding the psychometric assessments, participants presented a mean psychological
distress score (DASS-21) of 1.21 (SD = 0.63; min–max = 0.0–2.8). The mean scores for
mindfulness skills (FFMQ) and psychological well-being (PWBS) were 3.16 (SD = 0.61; min
max = 1.58–4.63) and 4.20 (SD = 0.63; min–max = 2.2–5.5), respectively. All instruments
demonstrated satisfactory internal consistency in the present sample. The DASS-21 total score
yielded Cronbach’s α = .90 and McDonald’s ω = .90. For the PWBS, reliability coefficients
were α = .91 and ω = .90, whereas the FFMQ presented α = .87 and ω = .91. Mean scores for
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each subscale are reported in the supplementary material (Appendix B), as they were not the
focus of the present investigation.
Spearman’s correlations among the global scores for psychological distress,
mindfulness skills, and psychological well-being are presented in Table 1. A significant,
moderate negative correlation was observed between psychological distress and mindfulness
= −.48, p < .001), indicating that higher levels of mindfulness skills were associated with lower
levels of psychological distress.
A significant, strong negative correlation was also found between psychological distress
and psychological well-being = −.63, p < .001), suggesting that students reporting higher
levels of psychological well-being experienced lower levels of psychological distress. In
addition, mindfulness and psychological well-being were positively and moderately correlated
= .58, p < .001), indicating that higher levels of mindfulness skills were associated with
higher levels of psychological well-being. Taken together, these findings demonstrate
consistent associations among mindfulness skills, psychological well-being, and psychological
distress, supporting the inclusion of these variables in multivariate models to examine their
combined contribution to explaining psychological distress.
Table 1.
Correlation matrix for the DASS-21, PWBS, and FFMQ
2
3
1. DASS-21
-
-
2. EBEP
-
-
3. FFMQ
ρ = 0,576***
-
p = .05*, p = .01**, p = .001***
Note. The authors.
The results of the hierarchical linear regression analyses, using the DASS-21
psychological distress score as the dependent variable, are presented in Table 2. In Model 1,
which included only sociodemographic and contextual variables (age, physical activity, hours
of sleep, gender, sexual orientation, and previous psychological distress), the predictors
explained a small proportion of the variance in psychological distress (R² = .083). In this model,
only age was significantly associated with psychological distress, indicating higher levels of
distress among younger students.
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In Model 2, the inclusion of the overall mindfulness score (FFMQ) resulted in a
substantial and statistically significant increase in explained variance (ΔR² = .211, p < .001),
increasing the total R² to .295. Mindfulness skills were negatively and significantly associated
with psychological distress = −.47, p < .001), indicating that higher levels of mindfulness
skills were associated with lower levels of psychological distress, regardless of the
sociodemographic variables included in the model.
Finally, in Model 3, the inclusion of the overall psychological well-being score (PWBS)
produced a further significant increase in explained variance (ΔR² = .177, p < .001), resulting
in a final model that explained approximately 47% of the variance in psychological distress (R²
= .472). In the final model, psychological well-being emerged as the strongest predictor of
psychological distress = −.52, p < .001). Mindfulness skills remained significantly associated
with the outcome, although with a smaller effect size (β = −.18, p < .01).
Table 2.
Hierarchical linear regression models predicting psychological distress
Variables
Model 1 β
Model 2 β
Model 3 β
Model 1
Age
- 0,15*
- 0,08
- 0,07
Physical Activity
0,04
0,04
0,04
Sleep
0,14†
0,09
0,07
Gender (male)
0,15
0,07
0,08
Sexual orientation
(homosexual)
0,18
0,18
0,23*
Previous psychological
distress
0,07
0,06
0,03
Model 2
FFMQ (overall)
- 0,47***
- 0,18
Model 3
EBEP (overall)
- 0,52*
0,083
0,295
0,472
ΔR²
0,211***
0,177***
F change
1,76
57,81***
64,52***
Note. The authors. p < .10; p < .05, * p < .01, ** p < .001***.
Sociodemographic and contextual variables were not significantly associated with
psychological distress in the final model, with the exception of homosexual sexual orientation,
which remained positively associated with psychological distress, although with a small effect
size. Overall, the findings indicate that psychological variables explained a substantially larger
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proportion of the variance in psychological distress than sociodemographic and contextual
variables, with psychological well-being emerging as the strongest predictor in the final model.
DISCUSSION
University students have increasingly experienced difficulties during the transition to
and adaptation within higher education (Oliveira et al., 2025; Galán-Muros et al., 2024b;
Gianfelice et al., 2024). Although such challenges are expected during transitional periods,
individual, social, and institutional factors may function either as protective or risk factors for
psychological distress among this population (Sahão & Kienen, 2021; Fior & Almeida, 2023;
Ariño et al., 2023).
The present study aimed to examine the relationships among psychological distress,
mindfulness skills, and psychological well-being in undergraduate Psychology students from a
behavioral-contextual perspective grounded in Acceptance and Commitment Therapy (ACT).
Overall, the findings demonstrated consistent associations among psychological well-being,
mindfulness, and psychological distress, as well as the incremental contribution of the first two
variables to explaining psychological distress.
The correlational analyses supported the hypothesis that higher levels of mindfulness
skills and psychological well-being are associated with lower levels of psychological distress.
Specifically, negative associations were observed between mindfulness and psychological
distress, as well as between psychological well-being and psychological distress, whereas
mindfulness was positively correlated with psychological well-being.
These findings are consistent with the ACT literature, which conceptualizes
psychological distress as functionally related to patterns of psychological inflexibility, such as
experiential avoidance and cognitive fusion (Hayes et al., 2021; Luoma et al., 2022; Dawson et
al., 2020; Almeida et al., 2022; Zuncan et al., 2023). From this perspective, interventions that
promote the development of mindfulness skills and behavioral repertoires associated with
psychological well-being may expand individuals coping resources rather than merely
reducing psychological symptoms. Such interventions should therefore adopt a process-
oriented and longitudinal perspective rather than relying exclusively on standardized protocols.
Although the construct of psychological well-being, as operationalized by the PWBS
(Machado et al., 2013), originates from the humanistic tradition, the present findings support a
conceptual dialogue with the behavioral-contextual perspective. This approximation does not
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imply epistemological homogenization but rather acknowledges convergences in the
multidimensional understanding of mental health. Dimensions such as self-acceptance, positive
relations with others, autonomy, environmental mastery, purpose in life, and personal growth
can be interpreted in light of ACT processes, including acceptance, cognitive defusion, present-
moment awareness, values clarification, and committed action. In both perspectives, mental
health is understood as the expansion of functional behavioral repertoires in the face of
adversity rather than the mere elimination of symptoms.
Building upon these initial associations and the theoretical framework adopted, the
present study sought to examine more precisely the specific contribution of different sets of
variables to explaining psychological distress. To this end, hierarchical regression models were
tested to evaluate the incremental contribution of sociodemographic variables, mindfulness
skills, and psychological well-being.
In the first model, sociodemographic and contextual variables (age, physical activity,
hours of sleep, gender, sexual orientation, and self-reported psychological distress prior to
entering higher education) were included based on previous evidence linking these factors to
university students mental health (Sahão & Kienen, 2021; Fior & Almeida, 2023; Ariño et al.,
2023). However, this set of variables explained only a small proportion of the variance in
psychological distress (R² = .083) when compared with the process variables included in the
subsequent models.
It is possible that the characteristics of the samplepredominantly composed of
women, White, and heterosexual participants, with a mean age of 23.4 yearsreduced the
variability of these variables in the present study. This relative homogeneity may have
contributed to the limited explanatory power of the sociodemographic indicators, although this
interpretation should be considered with caution.
In the second model, the inclusion of mindfulness skills substantially increased the
proportion of explained variance (R² = .295), revealing a moderate negative association with
psychological distress. This finding suggests that behavioral repertoires related to attentional
regulation, discrimination of private events, and present-moment awareness constitute
important factors for understanding psychological distress among university students. From the
ACT perspective, these skills belong to the awareness dimension of psychological flexibility,
characterized by an expanded contextual awareness of thoughts and emotions. These findings
reinforce the relevance of interventions aimed at developing mindfulness skills, not only as
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therapeutic resources but also as preventive strategies applicable across different academic
contexts.
In the third model, the inclusion of psychological well-being produced a further
significant increase in explained variance (R² = .472), resulting in the set of variables most
strongly associated with psychological distress. The dimensions of self-acceptance, positive
relations with others, autonomy, environmental mastery, purpose in life, and personal growth
were consistently associated with lower levels of psychological distress. Part of this association
may reflect conceptual overlap between indicators of positive psychological functioning and
indicators of emotional symptomatology. Nevertheless, despite this theoretical proximity, the
hierarchical regression model demonstrated that psychological well-being contributed
independently and incrementally to explaining psychological distress, exceeding the
contribution of both sociodemographic variables and mindfulness skills when these variables
were considered separately.
The dimensions of psychological well-being may also be interpreted in light of the other
components of psychological flexibility described in ACT, particularly the openness processes
(acceptance and cognitive diffusion) and the engagement processes (values clarification and
committed action). From this perspective, mental health is not defined by the absence of
negative private events but rather by the ability to establish a functional relationship with such
experiences while maintaining engagement in values-guided actions. Accordingly, the findings
of the present study suggest that behavioral repertoires associated with psychological well-
being may reflect broader patterns of psychological flexibility.
The characteristics of the sample limit the generalizability of the findings, particularly
because the participants were Psychology students from a private university. Nevertheless,
several health-related indicators deserve attention. Approximately 41% of participants did not
engage in regular physical activity, and nearly 60% reported sleeping six hours or less per night.
Furthermore, one-third reported using psychiatric medication, whereas the majority were not
receiving psychotherapy.
These findings reinforce UNESCOs recommendations regarding the role of higher
education institutions in promoting environments that foster not only technical training but also
personal development and mental health care (Galán-Muros et al., 2024b, 2024a). In the
specific case of Psychology, whose professional practice involves caring for others, it is worth
questioning whether current curricular guidelines sufficiently address the development of
repertoires related to self-awareness and emotional regulation. Although these considerations
Psychological well-being and mindfulness associated with mental health in university students
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are not limited to Psychology programs, they are particularly relevant given the specific
demands of mental health training.
Finally, it is important to emphasize that mindfulness skills and characteristics
associated with psychological well-being may, at first glance, appear to be strictly individual
attributes. However, from a behavioral-contextual perspective, these repertoires are learned,
maintained, and refined within complex social contexts. Therefore, the relatively smaller
contribution of sociodemographic variables in the final model should not be interpreted as
evidence that social factors do not influence mental health. Rather, these variables may not have
directly captured the broader cultural contexts that shape practices of self-description, self-
regulation, and autonomy. This interpretation seeks to avoid attributing responsibility solely to
individuals and instead underscores the importance of analyzing the social contingencies that
shape behavioral repertoires related to mental health.
Several methodological limitations should be considered when interpreting the findings.
First, the cross-sectional design does not allow causal inferences regarding the relationships
among mindfulness, psychological well-being, and psychological distress, limiting the
conclusions to associations among these variables. Longitudinal studies may help determine
whether these behavioral repertoires predict changes in mental health indicators throughout
students’ academic trajectories.
Second, all variables were assessed using self-report instruments, which may introduce
common method bias and inflate associations among conceptually related constructs,
particularly between psychological well-being and psychological distress. Although the
hierarchical regression models allowed the examination of incremental contributions, future
research could incorporate multiple sources of data, as well as complementary observational
and physiological measures. Another limitation of the present study was the lack of a more
detailed characterization of the sample’s socioeconomic conditions, particularly regarding the
distinction between scholarship recipients and non-recipients. This variable is highly relevant
and should be investigated in future studies to examine the effects of social class on mental
health care and psychological well-being.
Furthermore, the sample consisted exclusively of Psychology students from a private
university, limiting the generalizability of the findings to other academic programs, institutional
contexts, and social groups. Studies involving more diverse samples may help determine
whether these patterns of association remain stable across different sociocultural contexts.
Multicenter studies including both public and private universities from different regions of the
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state or country could provide a broader characterization of these realities and support the
design of programs tailored to the specific needs of each context. In the absence of more
comprehensive contextual data, we recommend that detailed needs assessment and population
characterization studies be conducted before implementing mental health, well-being, and
quality-of-life programs, thereby avoiding the standardized adoption of generic intervention
protocols that fail to consider contextual specificities.
Finally, the conceptual overlap between the dimensions of psychological well-being and
indicators of emotional symptomatology may have partially influenced the magnitude of the
observed associations. Future studies may employ mediation models or structural equation
modeling to examine more precisely the process mechanisms linking mindfulness,
psychological well-being, and mental health.
Although the importance of descriptive and inferential statistics is fully acknowledged,
from a behavioral-contextual perspective these data should be interpreted with caution. As
Skinner (1953/2003) famously noted, means do not behave; people do. Accordingly, several
recommendations can be made. Interviews and focus groups may complement quantitative
findings by incorporating first-person accounts from students, thereby providing a richer
understanding of the difficulties and strengths identified in the present study. In addition, case-
control studies with larger samples could group students according to high, intermediate, and
low scores across the different assessments, making it possible to investigate the personal,
social, and institutional characteristics associated with these profiles. It is plausible that, even
within the same university or academic program, different groups of students may require
distinct interventions tailored to their specific contexts and needs.
FINAL CONSIDERATIONS
Interventions aimed at developing mindfulness skills and behavioral repertoires
associated with psychological well-being generally require relatively low structural investment
while offering considerable potential for implementation within academic settings. The findings
of the present study indicate that these variables explained a substantial proportion of the
variance in psychological distress, exceeding the contribution of isolated sociodemographic
factors. These results underscore the importance of institutional programs that foster the
continuous development of skills related to self-regulation, values clarification, and behavioral
engagement, particularly when implemented longitudinally and integrated into student
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retention policies. Future research and institutional initiatives are encouraged to draw upon
UNESCO reports to identify evidence-informed strategies that universities can implement to
promote mental health and well-being across the academic community (Galán Galán-Muros et
al., 2024b; 2024a).
However, when mental health is understood from a behavioral-contextual perspective,
isolated or exclusively remedial interventions become insufficient. Psychological distress is an
inherent part of the human experience; nevertheless, inflexible patterns of relating to oneself,
to others, and to the surrounding environment may intensify such distress and restrict behavioral
repertoires. From the perspective of Acceptance and Commitment Therapy (ACT), symptoms
associated with psychological distress should be understood in relation to the historical and
cultural contingencies that shape coping strategies. Attempts to avoid or control unpleasant
private events may, paradoxically, intensify distress and reduce engagement in meaningful life
experiences.
Accordingly, the findings of the present study reinforce the importance of promoting
psychological flexibility as a central process in understanding and addressing psychological
distress among university students. By demonstrating robust associations among psychological
well-being, mindfulness skills, and lower levels of psychological distress, this study contributes
to strengthening preventive models that integrate personal development, institutional context,
and the functional analysis of behavior. Promoting mental health in higher education therefore
requires institutional practices that expand opportunities for students to develop repertoires of
self-description, self-regulation, and values-guided action, recognizing that such skills are
socially constructed and continuously refined throughout the academic experience.
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APPENDIX A
APPENDIX B
Table 4.
Overall Means and Subscale Means for Each Instrument, and Their Reliability Indices
Média (DP)
ω McDonald
α Cronbach
DASS-21
1,21 (0,63)
0,933
0,929
Depression
1,19 (0,81)
0,903
0,900
Anxiety
0,93 (0,71)
0,851
0,842
Stress
1,56 (0,69)
0,857
0,857
EBEP
4,20 (0,63)
0,904
0,914
Positive Relations with
Others
4,26 (0,97)
0,682
0,622
Autonomy
3,54 (0,93)
0,708
0,697
Environmental Mastery
1,10 (0,98)
0,720
0,823
Table 3.
Sociodemographic Characteristics and General Health Indicators of the Participants.
Age
23,4 (7,7)
Gender
Female
163 (79,6%)
Male
39 (19,0%)
others
3 (1,4%)
Race/Ethnicity
White
173 (84,3%)
Black and Brown
28 (13,6%)
Asian
4 (1,9%)
Sexual Orientation
Heterosexual
137 (66,8%)
Bisexual
45 (21,9%)
Homosexual
16 (7,8%)
Others
7 (3,4%)
Physical Activity
No
85 (41,4%)
1x
19 (9,2%)
2x
19 (9,2%)
3x
53 (25,8%)
Every day
29 (14,1%)
Hours of sleep
< 4
2 (0,9%)
5
48 (23,4%)
6
75 (36,5%)
7
55 (26,8%)
8
22 (10,7%)
>8
3 (1,4%)
Psychological Distress Prior to University
Yes
162 (79%)
No
26 (12,6%)
I dont know
17 (8,2%)
Use of Psychiatric Medication
Yes
61 (29,3%)
No
135 (65,8%)
Occasionally
9 (4,3%)
Currently Receiving Psychotherapy
Yes
61 (29,7%)
No
144 (70,2%)
Psychological well-being and mindfulness associated with mental health in university students
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. 00, e026009, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27i00.21032 20
Personal Growth
5,41 (0,52)
0,690
0,682
Purpose in Life
4,44 (1,02)
0,708
0,843
Self-Acceptance
4,13 (0,83)
0,866
0,856
FFMQ
3,16 (0,61)
0,909
0,863
Nonjudging
3,21 (1,00)
0,871
0,873
Acting with Awareness –
Autopilot
3,13 (1,02)
0,861
0,838
Observing
3,22 (0,84)
0,746
0,749
Describing (Positive Items)
3,18 (0,97)
0,740
0,737
Describing (Negative Items)
3,61 (1,01)
0,410
0,22
Nonreactivity
2,59 (0,74)
0,712
0,704
Acting with Awareness –
Distraction
3,01 (1,18)
0,825
0,863
F eli p e A u g ust o M o nteir o Cr a v o & P a ol a V err u c k d e M or a es
D o x a: R e v. B r as. Psic o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. 0 0 , e 0 2 6 0 0 9 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i 0 0. 2 1 0 3 2 2 1
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : T h e a ut h ors w o ul d li k e t o t h a n k t h e st u d e nts w h o p arti ci p at e d i n t his
st u d y b y c o m pl eti n g t h e q u esti o n n air es, as w ell as t h e f a c ult y m e m b ers w h o ki n dl y all o w e d
d at a c oll e cti o n d uri n g t h eir cl ass es .
F u n di n g : T h e a ut h or P a ol a V err u c k d e M or a es r e c ei v e d a n U n d er gr a d u at e R es e ar c h
S c h ol ars hi p t hr o u g h P R O EI N U NI S O C all N o. 0 1 6/ 2 0 2 4 , Gr a nt N o. 0 2 9/ 2 0 2 5 .
C o nfli ct of I nt e r est : T h e a ut h ors d e cl ar e t h at t h er e ar e n o c o nfli cts of i nt er est .
Et hi cs A p p r o v al : T his st u d y w as a p pr o v e d b y t h e R es e ar c h Et hi cs C o m mitte e of A p pr o v al
N o. 7, 4 4 4, 0 8 5 ( C A A E: 8 6 8 0 4 3 2 5. 5. 0 0 0 0. 5 5 0 0 ).
D at a a n d M at e ri al A v ail a bilit y : N ot a p pli c a bl e .
A ut h o r C o nt ri b uti o ns : T h e first a ut h or c o ntri b ut e d t o t h e st u d y d esi g n, lit er at ur e r e vi e w,
d at a a n al ysis a n d i nt er pr etati o n, a n d m a n us cri pt writi n g. T h e s e c o n d a ut h or c o ntri b ut e d t o
d at a c oll e cti o n a n d d at a or g a niz ati o n .
P r o c essi n g a n d e diti n g: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g, f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n a n d Tr a nsl ati o n