Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21209 1
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM FAMÍLIAS DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO DE ESCOPO
VIOLENCIA DOMÉSTICA EN FAMILIAS DE PERSONAS CON TRASTORNO DEL
ESPECTRO AUTISTA: UNA REVISIÓN DE ALCANCE
DOMESTIC VIOLENCE IN FAMILIES OF INDIVIDUALS WITH AUTISM
SPECTRUM DISORDER: A SCOPING REVIEW
Caio Fernando Souza NICOLAU
1
e-mail: caiof.[email protected]
Como referenciar este artigo:
Nicolau, C. F. S. (2026). Violência doméstica em famílias de
pessoas com transtorno do espectro autista: uma revisão de
escopo. Doxa: Rev. Bras.
Psico. e Educ., 27(esp1), e026016.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21209
| Submetido em: 08/06/2026
| Revisões requeridas em: 11/06/2026
| Aprovado em: 17/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Psicólogo Clínico
especializado em neurodesenvolvimento e neuropsicologia, atuante em terapias comportamentais e cognitivo-
comportamentais para diversas faixas etárias. Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
(Unesp). Doutorando em Psicologia Clínica (PUC-SP). Docente do curso de Psicologia da Universidade Paulista
(UNIP), campus Araçatuba/SP.
Violência doméstica em famílias de pessoas com transtorno do espectro autista: uma revisão de escopo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21209 2
RESUMO: A violência constitui um fenômeno social complexo que impacta as vivências
psicológicas, sociais e intergeracionais. No contexto doméstico, relaciona-se a conflitos
conjugais e divórcios, podendo gerar disfunções no desenvolvimento infantil e repercussões
negativas no ciclo vital familiar e individual. Este estudo objetivou mapear a produção científica
internacional e identificar lacunas na literatura brasileira sobre a violência doméstica em
famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Por meio de uma revisão de escopo,
foram identificados e analisados seis estudos internacionais de elevado rigor metodológico.
Concluiu-se que a articulação entre abordagens psicológicas e dados estatísticos permite
integrar conceitos contemporâneos, como eventos estressantes, vulnerabilidade e ciclo vital da
família, no campo de estudo das famílias de pessoas com deficiência. Devido à ausência de
produções nacionais que atendessem aos critérios de inclusão, sugere-se que pesquisas futuras
utilizem métodos e fundamentações teóricas variadas para investigar a realidade brasileira, com
a intenção de preencher essa lacuna científica.
PALAVRAS-CHAVE: Violência doméstica. Transtorno do Espectro Autista. Ciclo vital.
Famílias de pessoas com deficiência.
RESUMEN: La violencia constituye un fenómeno social complejo que impacta las vivencias
psicológicas, sociales e intergeneracionales. En el contexto doméstico, se relaciona con
conflictos conyugales y divorcios, pudiendo generar disfunciones en el desarrollo infantil y
repercusiones negativas en el ciclo vital familiar e individual. Este estudio tuvo como objetivo
mapear la producción científica internacional e identificar vacíos en la literatura brasileña
sobre la violencia doméstica en familias de personas con Trastorno del Espectro Autista. A
través de una revisión de alcance, se identificaron y analizaron seis estudios internacionales
de alto rigor metodológico. Se concluyó que la articulación entre enfoques psicológicos y datos
estadísticos permite integrar conceptos contemporáneos, tales como eventos estresantes,
vulnerabilidad y ciclo vital de la familia, en el campo de estudio de las familias de personas
con discapacidad. Debido a la ausencia de producciones nacionales que cumplieran con los
criterios de inclusión, se sugiere que futuras investigaciones utilicen métodos y
fundamentaciones teóricas variadas para investigar la realidad brasileña, con la intención de
llenar este vacío científico.
PALABRAS CLAVE: Violencia doméstica. Trastorno del Espectro Autista. Ciclo vital.
Familias de personas con discapacidad.
ABSTRACT: Violence constitutes a complex social phenomenon that impacts psychological,
social, and intergenerational experiences. In the domestic context, it is related to marital
conflicts and divorces, potentially leading to dysfunctions in child development and negative
repercussions in the family and individual life cycle. This study sought to map international
scientific production and identify gaps in the Brazilian literature on domestic violence in
families of individuals with Autism Spectrum Disorder. Through a scope review, six
international studies of high methodological rigor were identified and analyzed. It was
concluded that the articulation between psychological approaches and statistical data allows
for the integration of contemporary concepts such as stressful events, vulnerability, and the
family life cycle into the field of study concerning families of people with disabilities. Due to
the absence of national productions that met the inclusion criteria, it is suggested that future
research utilize varied methods and theoretical frameworks to investigate the Brazilian reality,
with the intent of filling this scientific gap.
KEYWORDS: Domestic violence. Autism Spectrum Disorder. Life cycle. Families of people
with disabilities.
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
A violência é um complexo fenômeno social com diversas nuances que perpassam as
vivências psicológicas, sociais e intergeracionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) a
conceitua como o uso proposital de autoridade ou força física, manifestado por atos ou ameaças
contra o próprio sujeito, outra pessoa ou grupos sociais, que culmine no risco ou na efetivação
de danos à integridade física e psíquica, fatalidades ou privações diversas (WHO, 2002).
Estes fatores constituem uma manifestação política e ecológica (Barquero et al., 2025),
classificada três grandes eixos: 1) violência autoinflingida: suicídio e comportamentos de
autolesão; 2) violência interpessoal: familiar/doméstica, contra um parceiro íntimo e
comunitária; 3) violência coletiva: social, política e econômica.
No contexto doméstico e familiar, a violência pode anteceder e preceder situações de
divórcio e conflitos conjugais, ocasionando possíveis disfunções no desenvolvimento das
crianças, com grandes repercussões negativas no ciclo vital da família e do indivíduo (Southern;
Sullivan, 2021). Os tipos de violência são variados, e incluem agressões físicas, psicológicas,
patrimoniais e ofensas sexuais
2
, com alta prevalência na população brasileira.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
(FBSP, 2025), revela um panorama crítico da segurança pública e da integridade física e
psíquica no Brasil em 2024. No que concerne à violência de gênero, o país registrou 1.492
feminicídios, o que representa um aumento de 0,7% em relação ao período anterior, enquanto
as tentativas de feminicídio sofreram uma elevação acentuada de 19,0%, totalizando 3.870
vítimas. O perfil epidemiológico das vítimas de feminicídio indica que 63,6% são mulheres
negras e 70,5% possuem idade entre 18 e 44 anos, sendo que 97% dos agressores são homens
e 8 em cada 10 mortes foram perpetradas por companheiros ou ex-companheiros,
predominantemente no ambiente doméstico, onde ocorreram 64,3% dos casos.
Paralelamente, outras formas de violência interpessoal apresentaram variações distintas:
a violência psicológica atingiu 51.866 registros (alta de 6,3%) e o crime de stalking somou
95.026 ocorrências (crescimento de 18,2%), ao passo que as ameaças, embora volumosas com
747.683 registros, apresentaram uma leve redução de 0,8% (FBSP, 2025). No âmbito das
garantias jurídicas, as Medidas Protetivas de Urgência (MPU) concedidas aumentaram 6,6%,
alcançando a marca de 555.001, contudo, o descumprimento dessas medidas pelo agressor
2
Werner (2020) propõe que, no âmbito da violência contra crianças e adolescentes, o termo ofensa sexual substitui
abuso sexual para evitar a sugestão de consentimento implícito. A escolha prioriza uma descrição mais rigorosa
do fenômeno, enfatizando a natureza da transgressão e o impacto negativo gerado, sem as armadilhas
interpretativas da palavra ‘abuso’.
Violência doméstica em famílias de pessoas com transtorno do espectro autista: uma revisão de escopo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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também registrou alta de 10,8%, afetando 101.656 casos. Simultaneamente, o Brasil atingiu o
maior número de estupros e estupros de vulnerável de sua história, com 87.545 vítimas em
2024, estabelecendo uma taxa de 41,2 casos por 100 mil habitantes (FBSP, 2025).
A análise demográfica revela que 87,7% das vítimas pertencem ao sexo feminino,
55,6% são negras e 76,8% foram classificadas legalmente como vulneráveis. O domicílio
permanece como o local principal da agressão em 65,7% das ocorrências, sendo os autores
majoritariamente familiares (45,5%) ou parceiros e ex-parceiros íntimos (20,3%). As crianças
e adolescentes figuram como os alvos primordiais dessa violência, com maior prevalência na
faixa de 10 a 13 anos (32,9%), seguida pelas faixas de 5 a 9 anos (18,2%), 14 a 17 anos (16,3%)
e 0 a 4 anos (10,3%) (FBSP, 2025).
Para compreender o termo vulnerabilidade citado pela FBSP (2025), é importante
observar a fundamentação teórica estabelecida por Ayres (2022), na qual o conceito de
vulnerabilidade é estruturado a partir de três dimensões interdependentes, que permitem uma
compreensão abrangente dos riscos aos quais os indivíduos estão submetidos. A primeira dessas
esferas, a vulnerabilidade individual, refere-se ao repertório de informações detido pelo sujeito,
bem como aos seus padrões comportamentais e às suas condições biológicas específicas.
Paralelamente, a vulnerabilidade social analisa a inserção do indivíduo no meio coletivo,
observando o acesso a bens, serviços, cultura e educação, além de investigar as estruturas de
relações sociais e as dinâmicas de poder vigentes. E a dimensão programática avalia a eficácia
das instituições e das políticas públicas, mensurando o grau de compromisso dos governos na
articulação de mecanismos que assegurem a proteção e a integridade dos sujeitos perante as
adversidades sociais.
Em contextos familiares e escolares, as crianças e adolescentes também podem sofrer
com o bullying. Conforme proposto por Avilés Martínez (2013), o bullying é compreendido
como a perpetração sistemática de ações negativas que, pautadas em uma relação de poder
desproporcional, buscam instaurar e evidenciar uma dinâmica de domínio e submissão entre os
envolvidos. Essa prática manifesta-se por meio de diversas modalidades de maltrato. De forma
física, é caracterizada por agressões diretas ao corpo; e pela dimensão verbal, que se materializa
através de ofensas orais ou escritas. Adicionalmente, o autor identifica o bullying social,
operado no âmbito das relações interpessoais e grupais com o fito de comprometer o status
social da vítima, frequentemente resultando em processos de isolamento e rejeição.
Paralelamente, descreve-se o bullying gestual, manifestado por meio de expressões faciais,
olhares e gestos hostis que, em muitos casos, acompanham outras formas de agressão. No
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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espectro das coerções, destaca-se o bullying como uma vilania, fundamentado em práticas de
ameaça e chantagem, além do cyberbullying, modalidade que instrumentaliza recursos
tecnológicos para a viabilização e ampliação do maltrato no ambiente digital.
A partir da compreensão dos conceitos, tipos e estatísticas, é fundamental destacar a
relação estrutural entre a violência doméstica e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). De
acordo com o DSM-5-TR (APA, 2023), o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento
definido por prejuízos persistentes na comunicação e na interação social em diversos cenários.
Essas alterações incluem limitações na reciprocidade socioemocional, no emprego de
comportamentos não verbais essenciais à interação e na aptidão para desenvolver, manter e
compreender laços interpessoais.
Além das disfunções no âmbito da comunicação social, a confirmação do diagnóstico
pressupõe, obrigatoriamente, a manifestação de padrões restritos e repetitivos de
comportamento, interesses ou atividades. Desta forma, considerando as características
fenotípicas da pessoa com TEA e a complexidade das formas de perpetração da violência, é
possível inferir uma suscetibilidade exacerbada nesses indivíduos, visto que os déficits
inerentes à cognição social e à comunicação limitam o reconhecimento de intenções abusivas.
Consequentemente, estes prejuízos atuam como barreiras substanciais para a articulação de
denúncias, o acesso a redes de proteção e a busca por suporte especializado frente aos episódios
de violência.
Os pais de pessoas com TEA enfrentam desafios conjugais que são influenciados pela
extensa rotina de atenção aos filhos, associadas a outras dificuldades dos casais. Kanat et al.
(2026), em estudo longitudinal comparativo com mães australianas de crianças com TEA (n =
333) e sem TEA (n = 8.145), concluíram que mães de crianças diagnosticadas com TEA
apresentaram probabilidade significativamente superior de relatar níveis elevados de violência
interpessoal em comparação a mães de crianças sem TEA, especificamente nos marcos etários
de 4, 6, 8 e 10 anos dos filhos.
Esta dinâmica conflituosa manifesta-se por meio de uma maior frequência de
altercações verbais (episódios de discussões, insultos, gritos ou ameaças), bem como pela
ocorrência de confrontos de ordem física, os quais abrangem desde empurrões até agressões
corporais diretas, como socos. A partir disso, compreende-se que os desafios no período
presente, vivenciados por pais de pessoas com TEA, constituem crises no ciclo vital da família,
devido aos eventos que ocorrem, como a eclosão de episódios de violência doméstica durante
transições críticas, considerando as definições de Carter e McGoldrick (2011).
Violência doméstica em famílias de pessoas com transtorno do espectro autista: uma revisão de escopo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Diante dos fatores apresentados, constitui-se o problema de pesquisa desta revisão de
escopo, que versa sobre a busca por dados e estudos recentes acerca das violências domésticas
em famílias de pessoas com TEA. A finalidade inclui como objetivos mapear a produção
científica internacional e identificar lacunas na literatura brasileira sobre o tema. Com o possível
atendimento dos objetivos, será viabilizada a definição de um panorama geral do fenômeno da
violência doméstica em famílias de pessoas com TEA, com as variáveis de famílias brasileiras
e do exterior.
MÉTODO
Trata-se de uma revisão de escopo, método de pesquisa caracterizado pelo mapeamento
das produções acerca de temas emergentes, o que a define como um método exploratório. Neste
formato de pesquisa, a intenção é desenvolver uma visão abrangente das evidências,
contemplando estudos quantitativos, qualitativos e mistos, sem a busca por aprofundadas
compreensões metodológicas de riscos ou vieses (Peters et al., 2021).
Optou-se por seguir as diretrizes do protocolo PRISMA Extension for Scoping Reviews
(PRISMA-ScR) (Page et al., 2021; Tricco et al., 2018), dada a confiabilidade para a organização
do processo de revisão. Houve a intenção de responder à seguinte pergunta: quais os tipos de
violência doméstica ocorrem em famílias de pessoas brasileiras e estrangeiras diagnosticadas
com Transtorno do Espectro Autista? As buscas por artigos acerca desta temática ocorreram no
mês de abril de 2026, nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências
da Saúde (LILACS); Scientific Eletronic Library Online (SciELO); PubMed; Scopus; e Portal
de Periódicos da CAPES. Diferentes bases de dados foram escolhidas, a fim de buscar estudos
do Brasil e do exterior. Foram utilizados os seguintes descritores e estratégias de pesquisa
3
:
(violência intrafamiliar AND transtorno do espectro autista OR autismo); (violência
intrafamiliar AND autismo); (violência domiciliar AND autismo); (family violence AND
autismo).
Para a seleção dos estudos relevantes e aptos a responder à pergunta norteadora desta
revisão, estabeleceram-se critérios específicos de elegibilidade. Foram incluídos artigos
originais de abordagem quantitativa, qualitativa ou mista, conduzidos diretamente com as
famílias e publicados em periódicos científicos entre os anos de 2015 e 2026. Exigiu-se que as
publicações estivessem disponíveis na íntegra por meio de acesso aberto, fossem redigidas em
3
Em conformidade com os Descritores em Ciências da Saúde/Medical Subject Heading (DeCS/MeSH).
Caio Fernando Souza Nicolau
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português, inglês ou espanhol, e apresentassem os descritores da pesquisa no título, resumo ou
palavras-chave.
Quanto ao público-alvo, os estudos deveriam abranger participantes adultos (maiores de
18 anos) responsáveis pelo cuidado de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou
indivíduos com TEA de diferentes faixas etárias, desde que relatassem vivências relacionadas
à violência doméstica. Em contrapartida, excluíram-se publicações duplicadas, materiais
redigidos em idiomas divergentes dos estipulados e trabalhos de caráter secundário ou com
texto incompleto, o que englobou revisões de literatura, editoriais, comentários, cartas ao editor
e livros.
O processo de seleção dos estudos, fundamentado nas diretrizes do modelo PRISMA-
ScR e ilustrado na Figura 1, foi organizado com o auxílio dos recursos das próprias bases de
dados, como listas de favoritos e ferramentas de salvamento de registros. A etapa inicial de
identificação recuperou 331 trabalhos provenientes de cinco fontes distintas: Scopus (321
documentos), LILACS (5), PubMed (3) e Portal de Periódicos da CAPES (2), não havendo
retornos na SciELO. Após a remoção de três artigos duplicados, os 328 registros restantes foram
submetidos a uma triagem preliminar baseada na leitura de títulos e resumos.
Nessa fase, excluíram-se 313 publicações que não atendiam aos critérios de inclusão.
Os 15 estudos considerados de interesse avançaram para a etapa de elegibilidade e foram lidos
na íntegra, processo que ocasionou a exclusão de mais nove unidades por não preencherem os
requisitos específicos da pesquisa. Dessa forma, consolidou-se uma amostra final de seis artigos
científicos para a análise qualitativa. Por fim, para a etapa de coleta e síntese das evidências
extraídas dessa amostra, elaborou-se um formulário estruturado no Google Planilhas contendo
apenas os itens previamente estipulados e estritamente necessários para o estudo.
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Figura 1.
Fluxograma do processo de triagem de estudos com base no modelo PRISMA-ScR
Nota. Elaborada pelo autor.
RESULTADOS
O Quadro 1 sintetiza os seis artigos incluídos na análise, detalhando informações como
autoria, ano de publicação, país de origem da amostra, objetivos, delineamento metodológico,
principais resultados, tipos de violência retratados e tópicos centrais das discussões. De modo
geral, predominam pesquisas de abordagem quantitativa — especificamente estudos
transversais ou de coorte —, cujos achados indicam que pessoas com TEA apresentam maiores
riscos de sofrer algum tipo de agressão, seja no âmbito doméstico ou em ambientes externos.
Entre as tipologias mapeadas pela literatura, as violências física e sexual aparecem como as
mais frequentes. Além disso, os estudos analisados evidenciam um claro destaque para a
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prevalência da violência intrafamiliar e doméstica contra essa população, refletindo uma
vulnerabilidade que também é fortemente observada no contexto das famílias brasileiras.
Quadro 1.
Resumo dos estudos revisados
Objetivo(s) do
estudo
Método /
Delineamento
Resultados
Violências
retratadas
Tópico central
Analisar as
associações
concomitantes entre
o envolvimento em
bullying entre
irmãos e o
funcionamento
psicossocial deste
fenômeno em
crianças com e sem
TEA
Estudo de
coorte
Indivíduos com
TEA
apresentaram
maior
probabilidade de
relatar terem sido
vítimas de
bullying tanto por
irmãos quanto por
colegas na
infância
Psicológica e
física (não
especificada)
em ambiente
doméstico
e/ou público
Prevalência e
consequências
das vivências
de bullying em
crianças com e
sem TEA, com
foco nos irmãos
perpetradores
Descrever e
comparar as
características de
ocorrências de
violência doméstica
envolvendo
indivíduos autistas
e não autistas em
Nova Gales do Sul,
Austrália
Misto; análise
documental
(registros de
ocorrências
policiais)
A relação entre
vítimas autistas e
agressores era
predominantemen
te familiar ou de
cuidadores
Física
Violência
doméstica
envolvendo
pessoas com
TEA, tanto
sendo vítimas
como
perpetradores
Examinar se existe
uma relação entre
características
intrínsecas,
especificamente
traços autistas e
dificuldades de
regulação
emocional, e
experiências prévias
de violência
Transversal
comparativo,
com análise
quantitativa de
informações de
um banco de
dados de
pesquisas
longitudinais
Uma proporção
maior de adultos
autistas relatou ter
sofrido violência
sexual e física
durante a infância.
Os adultos
autistas foram
mais propensos a
relatar que nunca
haviam
confidenciado a
ninguém sobre
suas experiências
Sexual e
física
Violência
sexual e física
em pessoas com
e sem TEA, na
infância e na
vida adulta
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Verificar se há
correlação entre a
exposição familiar a
eventos estressantes
da vida (SLEs
4
familiares) e
problemas de saúde
mental na infância,
e se a capacidade de
flexibilidade
cognitiva modera a
via entre a
exposição a SLEs
familiares e os
problemas de saúde
mental na infância
Estudo de
coorte
As análises não
mostraram
correlações
significativas de
sintomas
internalizantes ou
externalizantes e
eventos
estressantes da
vida no âmbito
familiar
Variadas
(não
especifica-
das)
Exposição
familiar a
eventos
estressantes da
vida e
problemas de
saúde mental na
infância; a
capacidade de
flexibilidade
cognitiva e a
moderação
entre a
exposição a
SLEs familiares
e os problemas
de saúde mental
na infância
Analisar em mães e
seus filhos se a
exposição materna
a abuso e/ou
negligência na
própria infância
estava associada a
maiores riscos de
transtornos mentais
e comportamentais
em seus filhos
Estudo de
coorte
A exposição
materna a abusos
na infância, mas
não à negligência,
esteve associada a
maiores riscos de
transtornos
mentais e
comportamentais
em crianças
Física,
psicológica e
sexual
As possíveis
relações entre
as ofensas
físicas, sexuais
e psicológicas
sofridas por
mães e a saúde
mental de seus
filhos
Comparar o perfil
de crianças autistas
e não autistas em
casos confirmados
de maus-tratos,
buscando identificar
como o diagnóstico
de autismo
influencia as
características da
negligência/abuso e
a resposta do
sistema de proteção.
Quantitativo,
descritivo e
transversal
Crianças autistas
que sofreram
maus-tratos
enfrentam
desafios
específicos que
exigem
intervenções de
proteção
adaptadas às suas
necessidades
particulares
Física;
sexual;
psicológica;
negligências
em geral
Verificar se
crianças autistas
estão mais
expostas à
violência na
infância
Nota. Elaborado pelo autor.
Categorias de Análise
Os objetivos de mapear a produção científica internacional e identificar lacunas na
literatura brasileira foram alcançados, evidenciando uma ausência de estudos nacionais que
atendessem aos critérios de inclusão desta pesquisa. Por esse motivo, a apresentação, análise e
discussão dos tipos de violência e de seus fatores desencadeantes basearam-se exclusivamente
em investigações conduzidas com famílias do exterior. A partir da leitura na íntegra desses
4
Abreviação de Stressful Life Events, o termo original em língua inglesa.
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artigos, emergiram seis eixos temáticos centrais que guiam a discussão dos resultados: a
preferência metodológica dos autores em comparar grupos com e sem o transtorno; a gênese
multifatorial da violência; as diferentes tipologias das agressões; a intergeracionalidade da
violência e sua relação com o desenvolvimento de transtornos mentais na infância; o papel das
pessoas com TEA como vítimas e/ou perpetradoras; e, por fim, a correlação entre a violência e
os eventos estressantes da vida (SLEs).
Comparação entre grupos TEA e não TEA
Explorando o primeiro eixo, que trata da comparação entre grupos com e sem TEA,
observa-se que esse delineamento é um procedimento muito comum nos estudos das ciências
do comportamento humano. Essa prática ocorre devido à intenção de estabelecer o rigor do
método experimental, o qual se fundamenta na necessidade de isolar variáveis e identificar
marcadores específicos que definam uma condição por meio da estatística inferencial (Andery,
2010; Cozby, 2003). O predomínio desse formato analítico nos trabalhos incluídos na revisão
permite inferir que a investigação dos fenômenos sociais no contexto do autismo ainda é um
campo de estudo recente. Essa incipiência é reforçada pelo próprio volume de produções
encontradas: nos últimos dez anos, apenas seis artigos sobre violência envolvendo esse público
preencheram os rigorosos critérios estabelecidos para compor esta pesquisa.
Gênese multifatorial da violência
Ambos os artigos analisados citam outros fatores que se correlacionam com a violência
em famílias, para além do diagnóstico do TEA. Esse aspecto é observado especificamente nos
trabalhos de Dion et al. (2024) e Toseeb et al. (2020), que, para a compreensão da violência
doméstica, direcionam o foco para as características individuais de cada criança com TEA, o
contexto socioeconômico, os problemas de saúde física e/ou mental dos cuidadores, o uso de
substâncias psicoativas, a composição familiar e os estilos parentais de educação. É importante
compreender que esses fatores evidenciam que a problemática da violência não é causada pelo
autismo em si, mas que existe uma correlação entre as características das pessoas nessa
condição e outras variáveis sociais e de saúde que permeiam as vivências de agressão. A esse
cenário, ainda é possível acrescentar a variável de gênero. No Brasil, há um importante destaque
para o entendimento da violência doméstica também como uma violência baseada em gênero,
dado que, além de crianças e adolescentes, a maior parte dos casos tem as mulheres como
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vítimas, culminando frequentemente em feminicídios associados a variadas formas de
agressões prévias (Cerqueira & Bueno, 2024).
Tipos de violência
Compreender como essas violências acontecem e se manifestam auxilia na percepção
da gravidade dos fatos. No contexto específico do TEA, os estudos de Toseeb et al. (2020) e
Gibbs et al. (2021) informam que há um maior risco de a pessoa no espectro autista sofrer algum
tipo de violência devido às próprias características do transtorno, como as dificuldades na
compreensão de pistas sociais. Portanto, entende-se que a caracterização minuciosa do tipo de
ofensa revela parte do perfil dos agressores, o que pode mitigar a exposição das vítimas por
meio de estratégias de psicoeducação. Tais violências ocorrem de diversas formas, dentro e fora
de casa, englobando agressões físicas, sexuais, psicológicas, morais e patrimoniais, além de
maus-tratos e negligências. Esses atos constituem fenômenos sociais que impactam diretamente
indivíduos, famílias, parceiros íntimos e toda a comunidade (Minayo et al., 2022). Dado o seu
alcance em todas as camadas da sociedade, o alerta recai sobre o fato de que os fenômenos
psicológicos também são, intrinsecamente, sociais, desenvolvidos a partir de um complexo
processo de aprendizagem no ambiente (Tourinho, 2009). Logo, entende-se que as situações de
violência ocasionam graves prejuízos ao desenvolvimento e ao bem-estar psicológico das
vítimas.
Intergeracionalidade, violência e o desenvolvimento de transtornos mentais na infância
Compartilhando discussões entre a gênese e as tipologias das agressões, Airikka et al.
(2023) destacam as trajetórias intergeracionais da violência, evidenciando a relação entre a
exposição materna a abusos na infância e o diagnóstico de transtornos mentais e
comportamentais em seus filhos, incluindo o TEA. Esse dado insere uma importante pauta
sobre a saúde emocional infantil, que transita pelos conhecimentos das contingências
estabelecidas pela seleção por consequências, envolvendo a filogênese, a ontogênese e a cultura
(Rocha et al., 2023). Sob essa ótica analítico-comportamental, pode-se entender que a
reatividade emocional relaciona-se a um elemento filogenético; a história de aprendizagem de
comportamentos interferentes e violentos constitui a ontogênese; e a cultura, por sua vez, está
associada à seleção de práticas sociais e verbais mantidas por contingências entrelaçadas ao
longo das gerações.
Caio Fernando Souza Nicolau
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Pessoas com TEA como vítima e/ou perpetradores da violência
Esta categoria traz um curioso dado sobre o indivíduo com TEA na condição de
perpetrador, como visto em Hwang et al. (2020), mesmo quando todas as estatísticas apontam
que, na maior parte dos casos, estão na posição de vítimas. É possível conceber que há diferentes
configurações sociais, familiares e de desenvolvimento no espectro autista. O estereótipo
infantilizado que o capacitismo criou acerca das pessoas com TEA e outras deficiências (Gesser
et al., 2020) pode justificar o estranhamento ao perceber que, mesmo com limitações, a pessoa
com deficiência pode cometer ofensas (Allely, 2022). As capacidades pessoais não se
relacionam somente à benevolência e compaixão, como é proposto pela visão da pessoa
constituída pelo capacitismo. É possível que ocorra o extremo oposto, com ira e agressividade,
principalmente na reprodução de comportamentos violentos aprendidos no ambiente familiar,
a partir da aprendizagem baseada na coerção (Sidman, 2009), dado o fato de que o
comportamento violento não é um sintoma do autismo, mas sim um fenômeno socialmente
constituído e aprendido, muitas vezes velado pela invisibilidade que o capacitismo proporciona.
Eventos Estressantes da Vida (SLEs)
Carlson (2014) conceitua os eventos estressantes da vida (SLEs) como episódios
objetivos e não planejados que, por sua natureza indesejável e incontrolável, rompem com o
desenvolvimento normativo. Tais eventos, cujas fronteiras temporais são nítidas, são
tipicamente responsáveis por ocasionar grandes mudanças vitais na trajetória de quem os
vivencia. Neste contexto, podemos conceituar a violência doméstica como um SLE (Carter
Leno et al., 2022) e estabelecer importantes relações entre este fenômeno e as prejudicadas
condições de saúde emocional de pessoas com TEA, o que evidencia as repercussões negativas
da violência no bem-estar psicológico do indivíduo neurodivergente.
DISCUSSÃO
Nesta seção, discutem-se as relações entre os achados da literatura e os conceitos
acadêmicos conhecidos no âmbito dos estudos sobre violência, discorridos na seção de
introdução. Ao longo do desenvolvimento deste trabalho, a configuração do estudo fora
alterada, devido à falta de artigos sobre a violência doméstica em famílias brasileiras de pessoas
com TEA, que se encaixassem nos critérios de inclusão. Este fator possibilitou o
Violência doméstica em famílias de pessoas com transtorno do espectro autista: uma revisão de escopo
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desenvolvimento de um novo objetivo, relacionado à análise e compreensão da violência
doméstica em famílias de pessoas com TEA do exterior, a partir de importantes e curiosos
achados apresentados na seção de resultados e categorias de análise.
É importante destacar a consonância entre todos os estudos analisados e o tradicional
conceito de violência proposto pela OMS (WHO, 2002). Ao observar como os autores
discorrem sobre a violência, nota-se que, citando ou não a OMS, há consistência teórica e
técnica nas definições. As categorias teóricas descritas pela literatura tradicional sobre o tema
são percebidas em todos os artigos que foram incluídos na revisão. A descrição de tipos de
violência feita por Toseeb et al. (2020) é discreta e pouco especificada, mas, considerando que
o tema dos autores versa sobre bullying, entende-se que se trata de violência física e psicológica,
conforme conceituado por Avilés Martínez (2013) e destacado no Quadro 1.
As estatísticas gerais de violência nos países das pesquisas analisadas foram citadas
como elemento introdutório dos textos, que somou-se com a produção estatística dos autores
sobre a violência em pessoas com TEA (Hwang et al., 2020; Toseeb et al., 2020) o que
possibilitou o destaque à real gravidade deste fenômeno. O Anuário Brasileiro de Segurança
Pública (FBSP, 2025), expõe graves ofensas sexuais contra crianças e adolescentes, mas não
especifica o percentual de violências sofridas por pessoas com deficiência. Entretanto, pode-se
entender que, quando o documento cita a violência em populações vulneráveis, as pessoas com
deficiência são incluídas nesta estatística brasileira.
Os dados de violência no Brasil apresentam forte compatibilidade com os achados de
Hwang et al. (2020) na Austrália, evidenciando que as ocorrências envolvendo pessoas com
Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm maior prevalência no ambiente doméstico, à
semelhança do que ocorre com diversas populações vulneráveis brasileiras. Essa compreensão
de vulnerabilidade apoia-se nas fundamentações teóricas de Ayres (2022) e exige,
necessariamente, a desconstrução da visão romantizada de que o lar é, de forma intrínseca, um
ambiente sempre seguro e acolhedor.
Em consonância com a complexidade desse cenário, os achados de Airikka et al. (2023)
alinham-se às contribuições de Barquero et al. (2025). Apesar de utilizarem métodos distintos,
os autores convergem ao apontar a gênese multifatorial da violência, compreendendo-a a partir
da interação entre suas dimensões políticas, ecológicas e intergeracionais, cujas consequências
acarretam profundos prejuízos sociais e psicológicos. Tais repercussões negativas no ciclo vital
da família e do indivíduo, como abordado por Southern e Sullivan (2021), abrem espaço para
analisar a violência como um Evento Estressante da Vida. Esse conceito, definido por Carlson
Caio Fernando Souza Nicolau
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(2014) e explorado por Carter Leno et al. (2022), é fundamental para explicar como eventos
estressores impactam a saúde mental infantil, favorecendo o desenvolvimento de sintomas
internalizantes e externalizantes.
Sob essa ótica, validam-se os conceitos tradicionais sobre o ciclo vital da família de
Carter e McGoldrick (2011) para contextos que vão além das definições iniciais restritas à
terapia familiar. Torna-se possível, assim, aplicar o conceito de crise no ciclo vital, onde o SLE
atua como um elemento desencadeador ou parte integrante desse momento crítico. Nota-se,
portanto, uma clara aproximação teórica entre diferentes perspectivas conceituais para explicar
o fenômeno.
Quando essa dinâmica é analisada à luz dos critérios diagnósticos do DSM-5-TR,
compreende-se que as próprias características do TEA podem acentuar a suscetibilidade a essas
situações. As dificuldades de comunicação social e os padrões restritos e repetitivos de
comportamento frequentemente prejudicam a flexibilidade cognitiva do indivíduo. Em
determinados contextos, isso pode escalar para agressões e ofensas, elevando as chances de
pessoas com TEA se envolverem em episódios de violência, seja no papel de vítimas ou de
perpetradores (Hwang et al., 2020).
Por fim, cabe ressaltar a articulação construída ao longo desta análise, que integra
pressupostos da Análise do Comportamento — ancorados em clássicos como Cozby (2003),
Andery (2010), Tourinho (2009) e Sidman (2009) — com estudiosos de outras matrizes
epistemológicas. Esse movimento analítico, longe de configurar um ecletismo teórico, constitui
um esforço proposital para demonstrar que a violência pode ser elucidada sob múltiplas lentes
que convergem ao encará-la como uma realidade negativa e multifatorial. Essa aproximação
entre a questão social e a ciência psicológica fundamenta-se em articulações coerentes,
essenciais para compreender e acolher as complexas vivências de famílias que enfrentam essas
lamentáveis situações.
As limitações de estudo foram encontradas ao realizar as buscas nas bases de dados e
notar que os objetivos provavelmente não seriam atingidos. Encontram-se muitos estudos com
excelente rigor metodológico, como os incluídos a revisão. Mas aos interessados pelo tema de
violência em famílias de pessoas com TEA, um novo problema surge, dado o fato de poucos
estudos recentes, de acesso aberto, foram encontrados nas bases de dados de exterior. E em
relação ao Brasil, nenhum estudo foi encontrado. Talvez estes dados explicitem que ainda há
grande invisibilidade das questões sociais relacionadas ao TEA. Muitos estudos buscam
investigar somente os fatores biológicos, de diagnóstico e intervenções terapêuticas.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho relata um estudo de revisão de escopo, que teve como objetivos mapear a
produção científica internacional e identificar lacunas na literatura brasileira sobre a violência
doméstica em famílias de pessoas com TEA. A lacuna na produção brasileira foi evidenciada
pela ausência de artigos que cumpram os critérios de inclusão. Seis estudos de grande rigor
metodológico foram encontrados e analisados a partir de categorias teóricas. Diferentes
compreensões sobre o fenômeno da violência doméstica puderam ser constituídas, com a
articulação de variadas abordagens teóricas da ciência psicológica, dados estatísticos do Brasil
e do exterior. Conceitos contemporâneos envolvendo eventos estressantes da vida,
vulnerabilidade e ciclo vital da família puderam ser analisados e discutidos, dada a consonância
entre os temas e a busca pela conceituação da violência como fenômeno social, psicológico,
político e ecológico.
Estudos futuros podem utilizar diferentes métodos de pesquisa e fundamentações
teóricas, para investigar a violência doméstica em famílias brasileiras de pessoas com TEA,
com a finalidade de preencher esta lacuna. Desta forma, podem ser trazidas à luz, realidades
pouco conhecidas pelos governantes do estado e pela população geral, incentivando a iniciativa
de ações que venham superar este complexo fenômeno que é a violência doméstica.
Caio Fernando Souza Nicolau
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C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : A os c ol a b or a d or es, d o c e ntes e à c o or d e n a ç ã o d o Pr o gr a m a d e P ós -
gr a d u a ç ã o e m Psi c ol o gi a Clí ni c a d a P U C -S P .
Fi n a n ci a m e nt o : F u n d a ç ã o S ã o P a ul o ( F U N D A S P), m a nt e n e d or a d a P U C -S P.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á .
A p r o v a ç ã o éti c a : N ã o s e a pli c a .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : Si m, d es d e q u e r e ali z a d a d e f or m a éti c a, cit a n d o o
a ut or .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : Ú ni c o a ut or .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ric a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21209 1
DOMESTIC VIOLENCE IN FAMILIES OF INDIVIDUALS WITH AUTISM
SPECTRUM DISORDER: A SCOPING REVIEW
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM FAMÍLIAS DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO DE ESCOPO
VIOLENCIA DOMÉSTICA EN FAMILIAS DE PERSONAS CON TRASTORNO DEL
ESPECTRO AUTISTA: UNA REVISIÓN DE ALCANCE
Caio Fernando Souza NICOLAU
1
e-mail: caiof.[email protected]
How to reference this paper:
Nicolau, C. F. S. (2026). Domestic violence in families of
individuals with autism spectrum disorder: a scoping review.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026016.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21209
| Submitted: 08/06/2026
| Revisions required: 11/06/2026
| Approved: 17/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brazil. Clinical psychologist
specialized in neurodevelopment and neuropsychology, working with behavioral and cognitive-behavioral
therapies for different age groups. Master in Developmental and Learning Psychology (Unesp). PhD student in
Clinical Psychology (PUC-SP). Faculty member of the Psychology program at Paulista University (UNIP),
Araçatuba/SP campus.
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21209 2
ABSTRACT: Violence constitutes a complex social phenomenon that impacts psychological,
social, and intergenerational experiences. In the domestic context, it is related to marital
conflicts and divorces, potentially leading to dysfunctions in child development and negative
repercussions in the family and individual life cycle. This study sought to map international
scientific production and identify gaps in the Brazilian literature on domestic violence in
families of individuals with Autism Spectrum Disorder. Through a scope review, six
international studies of high methodological rigor were identified and analyzed. It was
concluded that the articulation between psychological approaches and statistical data allows for
the integration of contemporary concepts such as stressful events, vulnerability, and the family
life cycle into the field of study concerning families of people with disabilities. Due to the
absence of national productions that met the inclusion criteria, it is suggested that future
research utilize varied methods and theoretical frameworks to investigate the Brazilian reality,
with the intent of filling this scientific gap.
KEYWORDS: Domestic violence. Autism Spectrum Disorder. Life cycle. Families of people
with disabilities.
RESUMO: A violência constitui um fenômeno social complexo que impacta as vivências
psicológicas, sociais e intergeracionais. No contexto doméstico, relaciona-se a conflitos
conjugais e divórcios, podendo gerar disfunções no desenvolvimento infantil e repercussões
negativas no ciclo vital familiar e individual. Este estudo objetivou mapear a produção
científica internacional e identificar lacunas na literatura brasileira sobre a violência
doméstica em famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Por meio de uma
revisão de escopo, foram identificados e analisados seis estudos internacionais de elevado
rigor metodológico. Concluiu-se que a articulação entre abordagens psicológicas e dados
estatísticos permite integrar conceitos contemporâneos, como eventos estressantes,
vulnerabilidade e ciclo vital da família, no campo de estudo das famílias de pessoas com
deficiência. Devido à ausência de produções nacionais que atendessem aos critérios de
inclusão, sugere-se que pesquisas futuras utilizem métodos e fundamentações teóricas variadas
para investigar a realidade brasileira, com a intenção de preencher essa lacuna científica.
PALAVRAS-CHAVE: Violência doméstica. Transtorno do Espectro Autista. Ciclo vital.
Famílias de pessoas com deficiência.
RESUMEN: La violencia constituye un fenómeno social complejo que impacta las vivencias
psicológicas, sociales e intergeneracionales. En el contexto doméstico, se relaciona con
conflictos conyugales y divorcios, pudiendo generar disfunciones en el desarrollo infantil y
repercusiones negativas en el ciclo vital familiar e individual. Este estudio tuvo como objetivo
mapear la producción científica internacional e identificar vacíos en la literatura brasileña
sobre la violencia doméstica en familias de personas con Trastorno del Espectro Autista. A
través de una revisión de alcance, se identificaron y analizaron seis estudios internacionales
de alto rigor metodológico. Se concluyó que la articulación entre enfoques psicológicos y datos
estadísticos permite integrar conceptos contemporáneos, tales como eventos estresantes,
vulnerabilidad y ciclo vital de la familia, en el campo de estudio de las familias de personas
con discapacidad. Debido a la ausencia de producciones nacionales que cumplieran con los
criterios de inclusión, se sugiere que futuras investigaciones utilicen métodos y
fundamentaciones teóricas variadas para investigar la realidad brasileña, con la intención de
llenar este vacío científico.
PALABRAS CLAVE: Violencia doméstica. Trastorno del Espectro Autista. Ciclo vital.
Familias de personas con discapacidad.
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21209 3
INTRODUCTION
Violence is a complex social phenomenon with multiple nuances that permeate
psychological, social, and intergenerational experiences. The World Health Organization
(WHO) conceptualizes it as the intentional use of authority or physical force, manifested
through acts or threats against oneself, another person, or social groups, which results in the
risk or actual occurrence of harm to physical and psychological integrity, fatalities, or various
forms of deprivation (WHO, 2002).
These factors constitute a political and ecological manifestation (Barquero et al., 2025),
classified into three broad axes: 1) self-directed violence: suicide and self-harm behaviors; 2)
interpersonal violence: family/domestic violence, intimate partner violence, and community
violence; 3) collective violence: social, political, and economic violence.
In the domestic and family context, violence may precede and follow situations of
divorce and marital conflict, causing possible dysfunctions in children's development, with
major negative repercussions on the life cycle of the family and the individual (Southern &
Sullivan, 2021). The types of violence are varied and include physical, psychological, property-
related aggression, and sexual offenses
2
, with high prevalence in the Brazilian population.
The Brazilian Public Security Yearbook, published by the Brazilian Public Security
Forum (FBSP, 2025), reveals a critical panorama of public safety and physical and
psychological integrity in Brazil in 2024. With regard to gender-based violence, the country
recorded 1,492 femicides, representing a 0.7% increase over the previous period, while
attempted femicides rose sharply by 19.0%, totaling 3,870 victims. The epidemiological profile
of femicide victims indicates that 63.6% are Black women and 70.5% are between 18 and 44
years old, while 97% of aggressors are men and 8 out of 10 deaths were perpetrated by current
or former partners, predominantly in the domestic environment, where 64.3% of cases occurred.
At the same time, other forms of interpersonal violence showed different variations:
psychological violence reached 51,866 reports (an increase of 6.3%) and the crime of stalking
totaled 95,026 occurrences (an increase of 18.2%), whereas threats, although numerous at
747,683 reports, showed a slight decrease of 0.8% (FBSP, 2025). In the field of legal
safeguards, Emergency Protective Measures granted increased by 6.6%, reaching 555,001;
however, violations of these measures by aggressors also increased by 10.8%, affecting 101,656
2
Werner (2020) proposes that, in the context of violence against children and adolescents, the term sexual offense
should replace sexual abuse in order to avoid suggesting implicit consent. This choice prioritizes a more rigorous
description of the phenomenon, emphasizing the nature of the transgression and the negative impact generated,
without the interpretive pitfalls of the word ‘abuse’.
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
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cases. At the same time, Brazil reached the highest number of rapes and rapes of vulnerable
persons in its history, with 87,545 victims in 2024, establishing a rate of 41.2 cases per 100,000
inhabitants (FBSP, 2025).
Demographic analysis reveals that 87.7% of victims are female, 55.6% are Black, and
76.8% were legally classified as vulnerable. The home remains the principal location of
aggression in 65.7% of occurrences, with perpetrators being mostly family members (45.5%)
or intimate partners and former partners (20.3%). Children and adolescents are the primary
targets of this violence, with the highest prevalence among those aged 10 to 13 years (32.9%),
followed by the 5-to-9 age group (18.2%), 14 to 17 years (16.3%), and 0 to 4 years (10.3%)
(FBSP, 2025).
To understand the term vulnerability cited by FBSP (2025), it is important to consider
the theoretical foundation established by Ayres (2022), in which the concept of vulnerability is
structured around three interdependent dimensions that enable a comprehensive understanding
of the risks to which individuals are exposed. The first of these spheres, individual vulnerability,
refers to the repertoire of information held by the individual, as well as behavioral patterns and
specific biological conditions. In parallel, social vulnerability analyzes the individual’s
insertion into the collective environment, observing access to goods, services, culture, and
education, in addition to investigating structures of social relations and prevailing power
dynamics. The programmatic dimension evaluates the effectiveness of institutions and public
policies, measuring the degree of government commitment to articulating mechanisms that
ensure the protection and integrity of individuals in the face of social adversity.
In family and school contexts, children and adolescents may also experience bullying.
As proposed by Avilés Martínez (2013), bullying is understood as the systematic perpetration
of negative actions that, grounded in a disproportionate power relationship, seek to establish
and demonstrate a dynamic of domination and submission among those involved. This practice
manifests through several forms of maltreatment. Physically, it is characterized by direct
aggression against the body; verbally, it materializes through oral or written insults. In addition,
the author identifies social bullying, which operates within interpersonal and group
relationships with the purpose of compromising the victim's social status, frequently resulting
in processes of isolation and rejection. In parallel, gestural bullying is described as being
manifested through facial expressions, looks, and hostile gestures that, in many cases,
accompany other forms of aggression. Within the spectrum of coercion, bullying as
intimidation is also highlighted, grounded in practices of threats and blackmail, as well as
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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cyberbullying, a modality that uses technological resources to enable and expand maltreatment
in the digital environment.
Based on the understanding of the concepts, types, and statistics, it is essential to
highlight the structural relationship between domestic violence and Autism Spectrum Disorder
(ASD). According to the DSM-5-TR (APA, 2023), ASD is a neurodevelopmental disorder
defined by persistent impairments in communication and social interaction across different
contexts. These alterations include limitations in socioemotional reciprocity, in the use of
nonverbal behaviors essential to interaction, and in the ability to develop, maintain, and
understand interpersonal relationships.
In addition to impairments in social communication, confirmation of the diagnosis
necessarily requires the manifestation of restricted and repetitive patterns of behavior, interests,
or activities. Thus, considering the phenotypic characteristics of individuals with ASD and the
complexity of the forms in which violence is perpetrated, it is possible to infer increased
susceptibility among these individuals, since deficits inherent to social cognition and
communication limit the recognition of abusive intentions. Consequently, these impairments
act as substantial barriers to articulating reports, accessing protection networks, and seeking
specialized support in response to episodes of violence.
Parents of individuals with ASD face marital challenges influenced by the extensive
routine of caring for their children, in association with other difficulties experienced by couples.
Kanat et al. (2026), in a comparative longitudinal study of Australian mothers of children with
ASD (n = 333) and without ASD (n = 8,145), concluded that mothers of children diagnosed
with ASD were significantly more likely to report high levels of interpersonal violence
compared with mothers of children without ASD, specifically when the children were 4, 6, 8,
and 10 years old.
This conflictual dynamic manifests through a higher frequency of verbal altercations
(episodes of arguments, insults, shouting, or threats), as well as the occurrence of physical
confrontations, ranging from pushing to direct bodily aggression such as punching. From this,
it is understood that the current challenges experienced by parents of individuals with ASD
constitute crises in the family life cycle due to events such as the outbreak of episodes of
domestic violence during critical transitions, considering the definitions of Carter and
McGoldrick (2011).
In light of the factors presented, the research problem of this scoping review concerns
the search for recent data and studies on domestic violence in families of individuals with ASD.
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Its purpose includes the objectives of mapping international scientific production and
identifying gaps in the Brazilian literature on the topic. If these objectives are met, it will be
possible to define a general panorama of the phenomenon of domestic violence in families of
individuals with ASD, including variables from Brazilian and foreign families.
METHOD
This is a scoping review, a research method characterized by mapping publications on
emerging topics, which defines it as an exploratory method. In this research format, the
intention is to develop a broad view of the evidence, encompassing quantitative, qualitative,
and mixed-method studies, without seeking in-depth methodological assessments of risks or
biases (Peters et al., 2021).
The guidelines of the PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR)
protocol (Page et al., 2021; Tricco et al., 2018) were followed because of their reliability in
organizing the review process. The study sought to answer the following question: what types
of domestic violence occur in families of Brazilian and foreign individuals diagnosed with
Autism Spectrum Disorder? Searches for articles on this topic were conducted in April 2026 in
the following databases: Latin American and Caribbean Literature on Health Sciences
(LILACS); Scientific Electronic Library Online (SciELO); PubMed; Scopus; and the CAPES
Journal Portal. Different databases were selected in order to identify studies from Brazil and
abroad. The following descriptors and search strategies
3
were used: (intrafamilial violence
AND autism spectrum disorder OR autism); (intrafamilial violence AND autism); (domestic
violence AND autism); (family violence AND autism).
To select relevant studies capable of answering the guiding question of this review,
specific eligibility criteria were established. Original quantitative, qualitative, or mixed-method
articles conducted directly with families and published in scientific journals between 2015 and
2026 were included. Publications were required to be available in full through open access,
written in Portuguese, English, or Spanish, and to present the search descriptors in the title,
abstract, or keywords.
Regarding the target population, studies were required to include adult participants (over
18 years of age) responsible for caring for children with Autism Spectrum Disorder (ASD), or
individuals with ASD from different age groups, provided that they reported experiences related
3
In accordance with the Health Sciences Descriptors/Medical Subject Headings (DeCS/MeSH).
Caio Fernando Souza Nicolau
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to domestic violence. In contrast, duplicate publications, materials written in languages other
than those stipulated, and secondary or incomplete works were excluded, including literature
reviews, editorials, commentaries, letters to the editor, and books.
The study selection process, based on the PRISMA-ScR model guidelines and
illustrated in Figure 1, was organized with the aid of resources available in the databases
themselves, such as favorites lists and record-saving tools. The initial identification stage
retrieved 331 records from five different sources: Scopus (321 documents), LILACS (5),
PubMed (3), and the CAPES Journal Portal (2), with no returns from SciELO. After removing
three duplicate articles, the remaining 328 records underwent preliminary screening based on
title and abstract reading.
At this stage, 313 publications that did not meet the inclusion criteria were excluded.
The 15 studies considered relevant advanced to the eligibility stage and were read in full, a
process that resulted in the exclusion of nine additional records for failing to meet the specific
research requirements. Thus, a final sample of six scientific articles was consolidated for
qualitative analysis. Finally, for the stage of data collection and synthesis of evidence extracted
from this sample, a structured form was created in Google Sheets containing only the items
previously stipulated and strictly necessary for the study.
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
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Figure 1.
Flowchart of the study screening process based on the PRISMA-ScR model
Note. Prepared by the author.
RESULTS
Table 1 summarizes the six articles included in the analysis, detailing information such
as authorship, year of publication, country of origin of the sample, objectives, methodological
design, main results, types of violence portrayed, and central topics of discussion. In general,
quantitative research predominates—specifically cross-sectional or cohort studies—whose
findings indicate that people with ASD are at greater risk of experiencing some type of
aggression, whether in the domestic environment or in external settings. Among the typologies
mapped in the literature, physical and sexual violence appear most frequently. In addition, the
studies analyzed clearly highlight the prevalence of intrafamilial and domestic violence against
this population, reflecting a vulnerability that is also strongly observed in the context of
Brazilian families.
Caio Fernando Souza Nicolau
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Table 1.
Summary of the reviewed studies
Study objective(s)
Method /
Design
Results
Violence
portrayed
Central topic
Analyze concurrent
associations
between
involvement in
sibling bullying and
the psychosocial
functioning of this
phenomenon in
children with and
without ASD
Cohort study
Individuals with
ASD were more
likely to report
having been
victims of
bullying by both
siblings and peers
during childhood
Psychologica
l and
physical (not
specified), in
domestic
and/or public
settings
Prevalence and
consequences
of bullying
experiences in
children with
and without
ASD, with a
focus on
siblings as
perpetrators
Describe and
compare the
characteristics of
domestic violence
incidents involving
autistic and non-
autistic individuals
in New South
Wales, Australia
Mixed
methods;
documentary
analysis (police
incident
records)
The relationship
between autistic
victims and
aggressors was
predominantly
familial or
caregiver-based
Physical
Domestic
violence
involving
people with
ASD, both as
victims and as
perpetrators
Examine whether
there is a
relationship
between intrinsic
characteristics,
specifically autistic
traits and emotional
regulation
difficulties, and
previous
experiences of
violence
Comparative
cross-sectional
study, with
quantitative
analysis of
information
from a
longitudinal
research
database
A higher
proportion of
autistic adults
reported having
experienced
sexual and
physical violence
during childhood.
Autistic adults
were more likely
to report that they
had never
confided in
anyone about
their experiences
Sexual and
physical
Sexual and
physical
violence among
people with and
without ASD,
in childhood
and adulthood
Verify whether
there is a
correlation between
family exposure to
stressful life events
(family SLEs⁴) and
childhood mental
health problems,
and whether
cognitive flexibility
moderates the
pathway between
exposure to family
SLEs and childhood
mental health
problems
Cohort study
Analyses showed
no significant
correlations
between
internalizing or
externalizing
symptoms and
stressful life
events in the
family context
Various (not
specified)
Family
exposure to
stressful life
events and
childhood
mental health
problems;
cognitive
flexibility and
moderation
between
exposure to
family SLEs
and childhood
mental health
problems
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
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Analyze in mothers
and their children
whether maternal
exposure to abuse
and/or neglect in
their own childhood
was associated with
greater risks of
mental and
behavioral disorders
in their children
Cohort study
Maternal
exposure to
childhood abuse,
but not neglect,
was associated
with greater risks
of mental and
behavioral
disorders in
children
Physical,
psychologica
l, and sexual
Possible
relationships
between
physical,
sexual, and
psychological
offenses
experienced by
mothers and the
mental health of
their children
Compare the
profiles of autistic
and non-autistic
children in
confirmed cases of
maltreatment,
seeking to identify
how an autism
diagnosis influences
characteristics of
neglect/abuse and
the response of the
protection system
Quantitative,
descriptive,
and cross-
sectional
Autistic children
who experienced
maltreatment face
specific
challenges that
require protective
interventions
adapted to their
particular needs
Physical;
sexual;
psychologica
l; neglect in
general
Determine
whether autistic
children are
more exposed
to violence in
childhood
Note. Prepared by the author.
Analysis Categories
The objectives of mapping international scientific production and identifying gaps in
the Brazilian literature were achieved, revealing an absence of national studies that met the
inclusion criteria of this research. For this reason, the presentation, analysis, and discussion of
the types of violence and their triggering factors were based exclusively on investigations
conducted with families abroad. From the full-text reading of these articles, six central thematic
axes emerged to guide the discussion of the results: the authors' methodological preference for
comparing groups with and without the disorder; the multifactorial genesis of violence; the
different typologies of aggression; the intergenerational nature of violence and its relationship
with the development of mental disorders in childhood; the role of people with ASD as victims
and/or perpetrators; and, finally, the correlation between violence and stressful life events
(SLEs).
Comparison between ASD and non-ASD groups
Exploring the first axis, which addresses the comparison between groups with and
without ASD, this design is observed to be a very common procedure in studies of human
behavioral sciences. This practice occurs because of the intention to establish the rigor of the
Caio Fernando Souza Nicolau
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experimental method, which is based on the need to isolate variables and identify specific
markers that define a condition through inferential statistics (Andery, 2010; Cozby, 2003). The
predominance of this analytical format in the studies included in the review makes it possible
to infer that the investigation of social phenomena in the context of autism is still a recent field
of study. This incipience is reinforced by the volume of publications found: over the last ten
years, only six articles on violence involving this population met the rigorous criteria
established for inclusion in this research.
Multifactorial genesis of violence
Both articles analyzed cite factors other than the ASD diagnosis that correlate with
violence in families. This aspect is observed specifically in the works of Dion et al. (2024) and
Toseeb et al. (2020), which, in order to understand domestic violence, focus on the individual
characteristics of each child with ASD, the socioeconomic context, physical and/or mental
health problems of caregivers, use of psychoactive substances, family composition, and
parenting styles. It is important to understand that these factors show that the problem of
violence is not caused by autism itself, but that there is a correlation between the characteristics
of people with this condition and other social and health variables that permeate experiences of
aggression. The gender variable can also be added to this scenario. In Brazil, there is an
important emphasis on understanding domestic violence also as gender-based violence, given
that, in addition to children and adolescents, most cases involve women as victims, frequently
culminating in femicides associated with various forms of prior aggression (Cerqueira &
Bueno, 2024).
Types of violence
Understanding how these forms of violence occur and manifest helps to perceive the
seriousness of the facts. In the specific context of ASD, the studies by Toseeb et al. (2020) and
Gibbs et al. (2021) report that individuals on the autism spectrum are at greater risk of suffering
some type of violence because of characteristics of the disorder itself, such as difficulties in
understanding social cues. Therefore, it is understood that detailed characterization of the type
of offense reveals part of the aggressors’ profile, which may mitigate victims’ exposure through
psychoeducational strategies. Such violence occurs in various forms, inside and outside the
home, encompassing physical, sexual, psychological, moral, and property-related aggression,
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
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as well as maltreatment and neglect. These acts constitute social phenomena that directly affect
individuals, families, intimate partners, and the entire community (Minayo et al., 2022). Given
their reach across all layers of society, attention must be drawn to the fact that psychological
phenomena are also intrinsically social, developing from a complex process of learning in the
environment (Tourinho, 2009). Thus, situations of violence are understood to cause serious
harm to victims’ development and psychological well-being.
Intergenerationality, violence, and the development of mental disorders in childhood
Bridging discussions between the genesis and typologies of aggression, Airikka et al.
(2023) highlight the intergenerational trajectories of violence, demonstrating the relationship
between maternal exposure to abuse in childhood and the diagnosis of mental and behavioral
disorders in their children, including ASD. This finding introduces an important issue
concerning children's emotional health, which traverses knowledge about contingencies
established by selection by consequences, involving phylogeny, ontogeny, and culture (Rocha
et al., 2023). From this behavior-analytic perspective, emotional reactivity can be understood
as related to a phylogenetic element; the learning history of interfering and violent behaviors
constitutes ontogeny; and culture, in turn, is associated with the selection of social and verbal
practices maintained by interlocking contingencies across generations.
People with ASD as victims and/or perpetrators of violence
This category presents a noteworthy finding concerning the individual with ASD in the
role of perpetrator, as observed in Hwang et al. (2020), even though all statistics indicate that,
in most cases, they are in the position of victims. It is possible to conceive that there are different
social, family, and developmental configurations within the autism spectrum. The infantilized
stereotype created by ableism regarding people with ASD and other disabilities (Gesser et al.,
2020) may explain the surprise at recognizing that, even with limitations, a person with a
disability may commit offenses (Allely, 2022). Personal capacities are not related only to
benevolence and compassion, as proposed by the view of the person constructed by ableism.
The opposite extreme may also occur, with anger and aggressiveness, especially in the
reproduction of violent behaviors learned in the family environment through coercion-based
learning (Sidman, 2009), given that violent behavior is not a symptom of autism, but rather a
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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socially constituted and learned phenomenon, often concealed by the invisibility produced by
ableism.
Stressful Life Events (SLEs)
Carlson (2014) conceptualizes stressful life events (SLEs) as objective and unplanned
episodes that, because of their undesirable and uncontrollable nature, disrupt normative
development. Such events, whose temporal boundaries are clear, are typically responsible for
causing major life changes in the trajectory of those who experience them. In this context,
domestic violence can be conceptualized as an SLE (Carter Leno et al., 2022), allowing
important relationships to be established between this phenomenon and impaired emotional
health conditions among people with ASD, which highlights the negative repercussions of
violence on the psychological well-being of neurodivergent individuals.
DISCUSSION
This section discusses the relationships between the findings in the literature and the
academic concepts known in the field of violence studies, addressed in the introduction.
Throughout the development of this work, the configuration of the study was altered due to the
lack of articles on domestic violence in Brazilian families of people with ASD that fit the
inclusion criteria. This factor made it possible to develop a new objective related to analyzing
and understanding domestic violence in families of people with ASD abroad, based on
important and noteworthy findings presented in the Results and Analysis Categories sections.
It is important to highlight the consonance among all the studies analyzed and the
traditional concept of violence proposed by the WHO (2002). When observing how the authors
discuss violence, it can be seen that, whether or not they cite the WHO, there is theoretical and
technical consistency in the definitions. The theoretical categories described in the traditional
literature on the topic are perceived in all articles included in the review. Toseeb et al. (2020)
describe types of violence only briefly and without much specification, but, considering that
their topic concerns bullying, it is understood to involve physical and psychological violence,
as conceptualized by Avilés Martínez (2013) and highlighted in Table 1.
General statistics on violence in the countries of the studies analyzed were cited as
introductory elements in the texts, which, together with the authors' statistical production on
violence involving people with ASD (Hwang et al., 2020; Toseeb et al., 2020), made it possible
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
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to emphasize the actual seriousness of this phenomenon. The Brazilian Public Security
Yearbook (FBSP, 2025) reports serious sexual offenses against children and adolescents, but
does not specify the percentage of violence experienced by people with disabilities. However,
it can be understood that when the document cites violence among vulnerable populations,
people with disabilities are included in these Brazilian statistics.
Violence data in Brazil are highly compatible with the findings of Hwang et al. (2020)
in Australia, showing that incidents involving people with Autism Spectrum Disorder (ASD)
are more prevalent in the domestic environment, similarly to what occurs with various
vulnerable populations in Brazil. This understanding of vulnerability is supported by the
theoretical foundations of Ayres (2022) and necessarily requires the deconstruction of the
romanticized view that the home is intrinsically always a safe and welcoming environment.
Consistent with the complexity of this scenario, the findings of Airikka et al. (2023)
align with the contributions of Barquero et al. (2025). Although they use different methods, the
authors converge in pointing to the multifactorial genesis of violence, understanding it from the
interaction among its political, ecological, and intergenerational dimensions, whose
consequences cause profound social and psychological harm. Such negative repercussions on
the life cycle of the family and the individual, as addressed by Southern and Sullivan (2021),
create space for analyzing violence as a Stressful Life Event. This concept, defined by Carlson
(2014) and explored by Carter Leno et al. (2022), is fundamental for explaining how stressful
events affect children’s mental health, favoring the development of internalizing and
externalizing symptoms.
From this perspective, the traditional concepts of the family life cycle proposed by
Carter and McGoldrick (2011) are validated for contexts that extend beyond their initial
definitions restricted to family therapy. It therefore becomes possible to apply the concept of
crisis in the life cycle, in which the SLE acts as a triggering element or an integral part of this
critical moment. A clear theoretical approximation among different conceptual perspectives can
thus be observed in explaining the phenomenon.
When this dynamic is analyzed in light of the DSM-5-TR diagnostic criteria, it is
understood that the characteristics of ASD themselves may accentuate susceptibility to these
situations. Difficulties in social communication and restricted and repetitive patterns of
behavior frequently impair the individual's cognitive flexibility. In certain contexts, this may
escalate into aggression and offenses, increasing the likelihood that people with ASD become
involved in episodes of violence, either as victims or as perpetrators (Hwang et al., 2020).
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Finally, it is important to emphasize the articulation constructed throughout this
analysis, which integrates assumptions from Behavior Analysis—anchored in classic authors
such as Cozby (2003), Andery (2010), Tourinho (2009), and Sidman (2009)—with scholars
from other epistemological traditions. Far from constituting theoretical eclecticism, this
analytical movement represents a deliberate effort to demonstrate that violence can be
elucidated through multiple lenses that converge in viewing it as a negative and multifactorial
reality. This approximation between the social issue and psychological science is grounded in
coherent articulations that are essential to understanding and welcoming the complex
experiences of families facing these regrettable situations.
The study limitations were encountered when searches were conducted in the databases
and it became apparent that the objectives would probably not be achieved. Many studies with
excellent methodological rigor were found, such as those included in the review. However, for
those interested in the topic of violence in families of people with ASD, a new problem emerges,
given that few recent open-access studies were found in international databases. In relation to
Brazil, no study was found. These data may indicate that social issues related to ASD still face
substantial invisibility. Many studies seek to investigate only biological factors, diagnosis, and
therapeutic interventions.
FINAL CONSIDERATIONS
This paper reports a scoping review whose objectives were to map international
scientific production and identify gaps in the Brazilian literature on domestic violence in
families of people with ASD. The gap in Brazilian production was evidenced by the absence of
articles that met the inclusion criteria. Six studies of high methodological rigor were identified
and analyzed on the basis of theoretical categories. Different understandings of the phenomenon
of domestic violence could be developed through the articulation of varied theoretical
approaches within psychological science and statistical data from Brazil and abroad.
Contemporary concepts involving stressful life events, vulnerability, and the family life cycle
could be analyzed and discussed, given the consonance among the themes and the effort to
conceptualize violence as a social, psychological, political, and ecological phenomenon.
Future studies may use different research methods and theoretical foundations to
investigate domestic violence in Brazilian families of people with ASD, with the purpose of
filling this gap. In this way, realities that are little known to state authorities and the general
Domestic violence in families of individuals with autism spectrum disorder: a scoping review
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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population may be brought to light, encouraging initiatives and actions aimed at overcoming
the complex phenomenon of domestic violence.
Caio Fernando Souza Nicolau
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C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wle d g m e nts : T o t h e c oll a b or at ors, f a c ult y m e m b ers, a n d c o or di n ati o n of t h e
Gr a d u at e Pr o gr a m i n Cli ni c al Ps y c h ol o g y at P U C -S P .
F u n di n g : S ã o P a ul o F o u n d ati o n ( F U N D A S P), t h e s u p p orti n g i nstit uti o n of P U C -S P .
C o nfli cts of i nt e r est: N o n e .
Et hi c al a p p r o v al : N ot a p pli c a bl e .
D at a a n d m at e ri als a v ail a bilit y : Yes, pr o vi d e d t h at us e is et hi c al a n d t h e a ut h or is cit e d .
A ut h o rs’ c o nt ri b uti o ns : S ol e a ut h or .
P r o c es si n g a n d e dit i n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, st a n d ar diz ati o n a n d Tr a nsl ati o n
1
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21209 1
VIOLENCIA DOMÉSTICA EN FAMILIAS DE PERSONAS CON TRASTORNO DEL
ESPECTRO AUTISTA: UNA REVISIÓN DE ALCANCE
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM FAMÍLIAS DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA: UMA REVISÃO DE ESCOPO
DOMESTIC VIOLENCE IN FAMILIES OF INDIVIDUALS WITH AUTISM
SPECTRUM DISORDER: A SCOPING REVIEW
Caio Fernando Souza NICOLAU
1
e-mail: caiof[email protected]
Cómo citar este artículo:
Nicolau, C. F. S. (2026). Violencia doméstica en familias de
personas con trastorno del espectro autista: una revisión de
alcance. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026016.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21209
| Enviado: 08/06/2026
| Modificaciones solicitadas: 11/06/2026
| Aprobado: 17/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Psicólogo clínico
especializado en neurodesarrollo y neuropsicología, con experiencia en terapias conductuales y cognitivo-
conductuales para diversos grupos de edad. Máster en Psicología del Desarrollo y del Aprendizaje (Unesp).
Doctorando en Psicología Clínica (PUC-SP). Docente del programa de Psicología en la Universidad Paulista
(UNIP), campus Araçatuba/SP .
Violencia doméstica en familias de personas con trastorno del espectro autista: una revisión de alcance
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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RESUMEN: La violencia constituye un fenómeno social complejo que impacta las vivencias
psicológicas, sociales e intergeneracionales. En el contexto doméstico, se relaciona con
conflictos conyugales y divorcios, pudiendo generar disfunciones en el desarrollo infantil y
repercusiones negativas en el ciclo vital familiar e individual. Este estudio tuvo como objetivo
mapear la producción científica internacional e identificar vacíos en la literatura brasileña sobre
la violencia doméstica en familias de personas con Trastorno del Espectro Autista. A través de
una revisión de alcance, se identificaron y analizaron seis estudios internacionales de alto rigor
metodológico. Se concluyó que la articulación entre enfoques psicológicos y datos estadísticos
permite integrar conceptos contemporáneos, tales como eventos estresantes, vulnerabilidad y
ciclo vital de la familia, en el campo de estudio de las familias de personas con discapacidad.
Debido a la ausencia de producciones nacionales que cumplieran con los criterios de inclusión,
se sugiere que futuras investigaciones utilicen métodos y fundamentaciones teóricas variadas
para investigar la realidad brasileña, con la intención de llenar este vacío científico.
PALABRAS CLAVE: Violencia doméstica. Trastorno del Espectro Autista. Ciclo vital.
Familia de personas con discapacidad.
RESUMO: A violência constitui um fenômeno social complexo que impacta as vivências
psicológicas, sociais e intergeracionais. No contexto doméstico, relaciona-se a conflitos
conjugais e divórcios, podendo gerar disfunções no desenvolvimento infantil e repercussões
negativas no ciclo vital familiar e individual. Este estudo objetivou mapear a produção
científica internacional e identificar lacunas na literatura brasileira sobre a violência
doméstica em famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Por meio de uma
revisão de escopo, foram identificados e analisados seis estudos internacionais de elevado
rigor metodológico. Concluiu-se que a articulação entre abordagens psicológicas e dados
estatísticos permite integrar conceitos contemporâneos, como eventos estressantes,
vulnerabilidade e ciclo vital da família, no campo de estudo das famílias de pessoas com
deficiência. Devido à ausência de produções nacionais que atendessem aos critérios de
inclusão, sugere-se que pesquisas futuras utilizem métodos e fundamentações teóricas variadas
para investigar a realidade brasileira, com a intenção de preencher essa lacuna científica.
PALAVRAS-CHAVE: Violência doméstica. Transtorno do Espectro Autista. Ciclo vital.
Família de pessoas com deficiência.
ABSTRACT: Violence constitutes a complex social phenomenon that impacts psychological,
social, and intergenerational experiences. In the domestic context, it is related to marital
conflicts and divorces, potentially leading to dysfunctions in child development and negative
repercussions in the family and individual life cycle. This study sought to map international
scientific production and identify gaps in the Brazilian literature on domestic violence in
families of individuals with Autism Spectrum Disorder. Through a scope review, six
international studies of high methodological rigor were identified and analyzed. It was
concluded that the articulation between psychological approaches and statistical data allows
for the integration of contemporary concepts such as stressful events, vulnerability, and the
family life cycle into the field of study concerning families of people with disabilities. Due to
the absence of national productions that met the inclusion criteria, it is suggested that future
research utilize varied methods and theoretical frameworks to investigate the Brazilian reality,
with the intent of filling this scientific gap.
KEYWORDS: Domestic violence. Autism Spectrum Disorder. Life cycle. Families of people
with disabilities.
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCCIÓN
La violencia es un fenómeno social complejo con diversos matices que atraviesan las
experiencias psicológicas, sociales e intergeneracionales. La Organización Mundial de la Salud
(OMS) la define como el uso intencional de la autoridad o la fuerza física, manifestado mediante
actos o amenazas contra sí mismo, otra persona o grupos sociales, que culmina en el riesgo o la
ocurrencia real de daños a la integridad física y psicológica, muertes o diversas privaciones
(OMS, 2002).
Estos factores constituyen una manifestación política y ecológica (Barquero et al.,
2025), clasificada en tres ejes principales: 1) violencia autoinfligida: suicidio y conductas
autolesivas; 2) violencia interpersonal: familiar/doméstica, contra una pareja íntima y
comunitaria; 3) violencia colectiva: social, política y económica.
En el ámbito doméstico y familiar, la violencia puede preceder y seguir al divorcio y a
los conflictos maritales, pudiendo causar disfunciones en el desarrollo infantil, con importantes
repercusiones negativas en el ciclo vital familiar e individual (Southern & Sullivan, 2021). Los
tipos de violencia son variados e incluyen agresiones físicas, psicológicas, patrimoniales y
ofensas sexuales
2
, con una alta prevalencia en la población brasileña.
El Anuario Brasileño de Seguridad Pública, del Foro Brasileño de Seguridad Pública
(FBSP, 2025), revela un panorama crítico de la seguridad pública y la integridad física y
psicológica en Brasil en 2024. En cuanto a la violencia de género, el país registró 1.492
feminicidios, lo que representa un aumento del 0,7% con respecto al período anterior, mientras
que los intentos de feminicidio sufrieron un fuerte aumento del 19,0%, totalizando 3.870
víctimas. El perfil epidemiológico de las víctimas de feminicidio indica que el 63,6% son
mujeres negras y el 70,5% tienen entre 18 y 44 años, donde el 97 % de los agresores son
hombres y 8 de cada 10 muertes fueron perpetradas por parejas o exparejas, predominantemente
en el ámbito doméstico, donde ocurrió el 64,3% de los casos.
Mientras tanto, otras formas de violencia interpersonal mostraron variaciones
distintivas: la violencia psicológica alcanzó 51.866 registros (un aumento del 6,3%) y el delito
de stalking totalizó 95.026 casos (un aumento del 18,2%), mientras que las amenazas, aunque
numerosas con 747.683 registros, mostraron una ligera reducción del 0,8% (FBSP, 2025). En
cuanto a las garantías legales, las Medidas de Protección de Emergencia (MPU) otorgadas
2
Werner (2020) propone que, en el contexto de la violencia contra niños, niñas y adolescentes, el término ofensa
sexual reemplace a abuso sexual para evitar la connotación de consentimiento implícito. Esta elección prioriza una
descripción más rigurosa del fenómeno, haciendo hincapié en la naturaleza de la transgresión y el impacto negativo
generado, sin las trampas interpretativas de la palabra “abuso”.
Violencia doméstica en familias de personas con trastorno del espectro autista: una revisión de alcance
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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aumentaron un 6,6%, alcanzando 555.001; sin embargo, el incumplimiento de estas medidas
por parte del agresor también registró un aumento del 10,8%, afectando 101.656 casos.
Simultáneamente, Brasil alcanzó el mayor número de violaciones y agresiones sexuales a
personas vulnerables en su historia, con 87.545 víctimas en 2024, estableciendo una tasa de
41,2 casos por cada 100.000 habitantes (FBSP, 2025).
El análisis demográfico revela que el 87,7% de las víctimas son mujeres, el 55,6% son
negras y el 76,8% fueron clasificadas legalmente como vulnerables. El hogar sigue siendo el
lugar principal de la agresión en el 65,7% de los casos, siendo los perpetradores principalmente
familiares (45,5%) o parejas y exparejas (20,3%). Los niños, niñas y adolescentes son los
principales objetivos de esta violencia, con la mayor prevalencia en el grupo de edad de 10 a
13 años (32,9%), seguido del grupo de 5 a 9 años (18,2%), el grupo de 14 a 17 años (16,3%) y
el grupo de 0 a 4 años (10,3%) (FBSP, 2025).
Para comprender el término vulnerabilidad citado por FBSP (2025), es importante
observar el fundamento teórico establecido por Ayres (2022), en el que el concepto de
vulnerabilidad se estructura a partir de tres dimensiones interdependientes que permiten una
comprensión integral de los riesgos a los que están expuestos los individuos. La primera de
estas esferas, la vulnerabilidad individual, se refiere al repertorio de información que posee el
sujeto, así como a sus patrones de comportamiento y condiciones biológicas específicas.
Paralelamente, la vulnerabilidad social analiza la inserción del individuo en el entorno
colectivo, observando el acceso a bienes, servicios, cultura y educación, además de investigar
las estructuras de las relaciones sociales y las dinámicas de poder predominantes. A su vez, la
dimensión programática evalúa la eficacia de las instituciones y las políticas públicas, midiendo
el grado de compromiso de los gobiernos en la articulación de mecanismos que garanticen la
protección e integridad de los individuos frente a las adversidades sociales.
En el ámbito familiar y escolar, los niños, niñas y adolescentes también pueden sufrir
bullying. Como propone Avilés Martínez (2013), el bullying se entiende como la perpetración
sistemática de acciones negativas que, basadas en una relación de poder desproporcionada,
buscan establecer y resaltar una dinámica de dominación y sumisión entre los involucrados.
Esta práctica se manifiesta a través de diversas formas de maltrato. Físicamente, se caracteriza
por la agresión directa al cuerpo; y verbalmente, se materializa mediante ofensas orales o
escritas. Además, el autor identifica el bullying social, que opera dentro del ámbito de las
relaciones interpersonales y grupales con el objetivo de comprometer el estatus social de la
víctima, lo que frecuentemente resulta en procesos de aislamiento y rechazo. Paralelamente, se
Caio Fernando Souza Nicolau
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026016, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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describe el bullying gestual, que se manifiesta a través de expresiones faciales, miradas y gestos
hostiles que, en muchos casos, acompañan otras formas de agresión. Dentro del espectro de la
coerción, el bullying destaca como una forma de maldad, basada en prácticas de amenaza y
chantaje, además del cyberbullying, una modalidad que instrumentaliza los recursos
tecnológicos para permitir y amplificar el maltrato en el entorno digital.
A partir de la comprensión de los conceptos, tipos y estadísticas, es crucial destacar la
relación estructural entre la violencia doméstica y el trastorno del espectro autista (TEA). Según
el DSM-5-TR (APA, 2023), el TEA es un trastorno del neurodesarrollo que se caracteriza por
deficiencias persistentes en la comunicación y la interacción social en diversos entornos. Estas
deficiencias incluyen limitaciones en la reciprocidad socioemocional, en el empleo de
conductas no verbales esenciales para la interacción y la capacidad de desarrollar, mantener y
comprender vínculos interpersonales.
Además de las disfunciones en el ámbito de la comunicación social, la confirmación del
diagnóstico presupone necesariamente la manifestación de patrones restringidos y repetitivos
de comportamiento, intereses o actividades. Por lo tanto, considerando las características
fenotípicas de las personas con TEA y la complejidad de las formas en que se perpetra la
violencia, es posible inferir una susceptibilidad exacerbada en estas personas, ya que los déficits
inherentes a la cognición social y la comunicación limitan el reconocimiento de las intenciones
abusivas. En consecuencia, estas deficiencias actúan como barreras sustanciales para la
articulación de denuncias, el acceso a redes de protección y buscar apoyo especializado ante
episodios de violencia.
Los padres de personas con TEA se enfrentan a desafíos matrimoniales influenciados
por la extensa rutina del cuidado de sus hijos, junto con otras dificultades de las parejas. Kanat
et al. (2026), en un estudio longitudinal comparativo con madres australianas de niños con TEA
(n = 333) y sin TEA (n = 8145), concluyeron que las madres de niños diagnosticados con TEA
tenían una probabilidad significativamente mayor de reportar altos niveles de violencia
interpersonal en comparación con las madres de niños sin TEA, específicamente en las franjas
etarias de 4, 6, 8 y 10 años de sus hijos.
Esta dinámica conflictiva se manifiesta a través de una mayor frecuencia de altercados
verbales (episodios de discusiones, insultos, gritos o amenazas), así como de confrontaciones
físicas, que van desde empujones hasta agresiones corporales directas, como puñetazos. De esto
se desprende que los desafíos que actualmente experimentan los padres de personas con TEA
constituyen crisis en el ciclo de vida familiar, debido a eventos que ocurren, como el estallido
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de episodios de violencia doméstica durante transiciones críticas, considerando las definiciones
de Carter y McGoldrick (2011).
Dados los factores presentados, se plantea el problema de investigación de esta revisión
de alcance, que consiste en la búsqueda de datos y estudios recientes sobre violencia doméstica
en familias de personas con TEA (Trastorno del Espectro Autista). El objetivo incluye mapear
la producción científica internacional e identificar lagunas en la literatura brasileña sobre el
tema. Al alcanzar estos objetivos, será posible definir una visión general del fenómeno de la
violencia doméstica en familias de personas con TEA, considerando tanto a familias brasileñas
como internacionales.
MÉTODO
Se trata de una revisión de alcance, un método de investigación caracterizado por el
mapeo de las producciones en torno a temas emergentes, lo que la define como un estudio
exploratorio. En este formato de investigación, la intención es desarrollar una visión integral de
la evidencia, que abarque estudios cuantitativos, cualitativos y mixtos, sin buscar una
comprensión metodológica profunda de los riesgos o sesgos (Peters et al., 2021).
Se optó por seguir las directrices del protocolo PRISMA Extension for Scoping Reviews
(PRISMA-ScR) (Page et al., 2021; Tricco et al., 2018), dada su fiabilidad en la organización
del proceso de revisión. La intención fue responder a la siguiente pregunta: ¿qué tipos de
violencia doméstica ocurren en familias de personas brasileñas y extranjeras diagnosticadas con
Trastorno del Espectro Autista? Las búsquedas de artículos sobre este tema se realizaron en
abril de 2026 en las siguientes bases de datos: Literatura Latinoamericana y Caribeña en
Ciencias de la Salud (LILACS); Scientific Eletronic Library Online (SciELO); PubMed;
Scopus; y Portal de Periódicos da CAPES. Se eligieron diferentes bases de datos para buscar
estudios de Brasil y del extranjero. Se utilizaron los siguientes descriptores y estrategias de
búsqueda
3
: (violência intrafamiliar AND transtorno do espectro autista OR autismo); (violência
intrafamiliar AND autismo); (violência domiciliar AND autismo); (family violence AND
autismo).
Se establecieron criterios de elegibilidad específicos para seleccionar estudios
relevantes que pudieran responder a la pregunta central de esta revisión. Se incluyeron artículos
originales con enfoques cuantitativos, cualitativos o mixtos, realizados directamente con
3
De conformidad con los Descriptores de Ciencias de la Salud/Medical Subject Heading (DeCS/MeSH).
Caio Fernando Souza Nicolau
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familias y publicados en revistas científicas entre 2015 y 2026. Las publicaciones debían estar
disponibles en su totalidad mediante acceso abierto, estar escritas en portugués, inglés o
español, e incluir los descriptores de la investigación en el título, el resumen o las palabras
clave.
En cuanto al público objetivo, los estudios debían incluir participantes adultos (mayores
de 18 años) responsables del cuidado de niños con Trastorno del Espectro Autista (TEA) o
personas con TEA de diferentes edades, siempre que hubieran reportado experiencias
relacionadas con la violencia doméstica. Por el contrario, se excluyeron las publicaciones
duplicadas, los materiales escritos en idiomas distintos a los estipulados y las obras secundarias
o con texto incompleto, incluyendo revisiones bibliográficas, editoriales, comentarios, cartas al
editor y libros.
El proceso de selección de estudios, basado en las directrices del modelo PRISMA-ScR
e ilustrado en la Figura 1, se organizó utilizando los recursos propios de las bases de datos,
como listas de favoritos y herramientas para guardar registros. La etapa de identificación inicial
recuperó 331 estudios de cinco fuentes diferentes: Scopus (321 documentos), LILACS (5),
PubMed (3) y Portal de Periódicos da CAPES (2), sin resultados de SciELO. Tras eliminar tres
artículos duplicados, los 328 registros restantes se sometieron a una revisión preliminar basada
en la lectura de títulos y resúmenes.
En esta fase, se excluyeron 313 publicaciones que no cumplían con los criterios de
inclusión. Los 15 estudios considerados de interés pasaron a la etapa de elegibilidad y se leyeron
íntegramente, proceso que resultó en la exclusión de nueve unidades más por no cumplir con
los requisitos específicos de la investigación. De esta manera, se consolidó una muestra final
de seis artículos científicos para el análisis cualitativo. Finalmente, para la etapa de recolección
y síntesis de la evidencia extraída de esta muestra, se creó un formulario estructurado en Google
Sheets que contenía únicamente los elementos previamente estipulados y estrictamente
necesarios para el estudio.
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Figura 1.
Diagrama de flujo del proceso de selección de participantes del estudio basado en el modelo
PRISMA-ScR
Nota. Elaborado por el autor.
RESULTADOS
La Tabla 1 resume los seis artículos incluidos en el análisis, detallando información
como la autoría, el año de publicación, el país de origen de la muestra, los objetivos, el diseño
metodológico, los principales resultados, los tipos de violencia representados y los temas
centrales de discusión. En general, predomina la investigación cuantitativa —específicamente
los estudios transversales o de cohortes— cuyos hallazgos indican que las personas con TEA
tienen mayor riesgo de sufrir algún tipo de agresión, ya sea en el ámbito doméstico o en entornos
externos. Entre las tipologías identificadas en la literatura, las violencias física y sexual se
presentan como las más frecuentes. Además, los estudios analizados resaltan una clara
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prevalencia de violencia intrafamiliar y doméstica contra esta población, lo que refleja una
vulnerabilidad que también se observa con fuerza en el contexto de las familias brasileñas.
Tabla 1.
Resumen de los estudios revisados
Objetivo(s) del
estudio
Método /
Diseño
Resultados
Violencia
representad
a
Tema central
Analizar las
asociaciones
concomitantes entre
la participación en
bullying entre
hermanos y el
funcionamiento
psicosocial de este
fenómeno en niños
con y sin TEA
Estudio de
cohorte
Las personas con
TEA tenían más
probabilidades de
informar haber
sido víctimas de
bullying por parte
de hermanos y
compañeros
durante la
infancia
Psicológica y
física (no
especificadas
) en un
entorno
doméstico
y/o público
Prevalencia y
consecuencias
de las
experiencias de
bullying en
niños con y sin
TEA, con
especial
atención a los
hermanos
perpetradores
Describir y
comparar las
características de
los incidentes de
violencia doméstica
que involucran a
personas autistas y
no autistas en
Nueva Gales del
Sur, Australia
Análisis mixto
de documentos
(informes
policiales de
incidentes)
La relación entre
las víctimas
autistas y los
agresores era
predominantemen
te familiar o a
través de
cuidadores
Física
Violencia
doméstica que
involucra a
personas con
TEA, tanto
como víctimas
como agresores
Examinar si existe
una relación entre
las características
intrínsecas,
específicamente los
rasgos autistas y las
dificultades en la
regulación
emocional, y las
experiencias previas
de violencia
Estudio
comparativo
transversal, con
análisis
cuantitativo de
información
procedente de
una base de
datos de
investigación
longitudinal
Una mayor
proporción de
adultos autistas
reportaron haber
sufrido violencia
sexual y física
durante su
infancia. Los
adultos autistas
también fueron
más propensos a
afirmar que nunca
habían
compartido sus
experiencias con
nadie
Sexual y
física
Violencia
sexual y física
contra personas
con y sin
trastorno del
espectro autista
(TEA), tanto en
la infancia
como en la edad
adulta
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Investigar si existe
una correlación
entre la exposición
familiar a eventos
vitales estresantes
(SLE
4
familiares) y
los problemas de
salud mental en la
infancia, y si la
flexibilidad
cognitiva modera la
relación entre la
exposición a SLE
familiares y los
problemas de salud
mental en la
infancia
Estudio de
cohorte
Los análisis no
mostraron
correlaciones
significativas
entre los síntomas
internalizantes o
externalizantes y
los eventos vitales
estresantes dentro
del contexto
familiar
Varias (sin
especificar)
Exposición
familiar a
eventos vitales
estresantes y
problemas de
salud mental en
la infancia;
capacidad de
flexibilidad
cognitiva y
correlación
entre la
exposición a
eventos vitales
estresantes
familiares y
problemas de
salud mental en
la infancia
Analizar, en madres
e hijos, si la
exposición materna
al abuso y/o la
negligencia durante
su propia infancia
se asoció con
mayores riesgos de
trastornos mentales
y de conducta en
sus hijos
Estudio de
cohorte
La exposición
materna al
maltrato infantil,
pero no a la
negligencia, se
asoció con un
mayor riesgo de
trastornos
mentales y de
conducta en los
niños
Física,
psicológica y
sexual
Las posibles
relaciones entre
las ofensas
físicas, sexuales
y psicológicas
sufridas por las
madres y la
salud mental de
sus hijos
Comparar los
perfiles de niños
autistas y no
autistas en casos
confirmados de
maltrato, buscando
identificar cómo el
diagnóstico de
autismo influye en
las características
de la
negligencia/abuso y
la respuesta del
sistema de
protección
Cuantitativo,
descriptivo y
transversal
Los niños con
autismo que han
sufrido maltrato
se enfrentan a
retos específicos
que requieren
intervenciones de
protección
adaptadas a sus
necesidades
particulares
Física;
sexual;
psicológica;
negligencias
en general
Determinar si
los niños
autistas están
más expuestos a
la violencia
durante la
infancia
Nota. Elaborado por el autor.
Categorías de análisis
Se lograron los objetivos de mapear la producción científica internacional e identificar
lagunas en la literatura brasileña, lo que puso de manifiesto la falta de estudios nacionales que
cumplieran con los criterios de inclusión para esta investigación. Por ello, la presentación, el
4
Abreviatura de Stressful Life Events, el término original en inglés.
Caio Fernando Souza Nicolau
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análisis y la discusión de los tipos de violencia y sus factores desencadenantes se basaron
exclusivamente en investigaciones realizadas con familias en el extranjero. A partir de una
lectura exhaustiva de estos artículos, surgieron seis ejes temáticos centrales que guían la
discusión de los resultados: la preferencia metodológica de los autores al comparar grupos con
y sin el trastorno; la génesis multifactorial de la violencia; las diferentes tipologías de agresión;
la intergeneracionalidad de la violencia y su relación con el desarrollo de trastornos mentales
en la infancia; el rol de las personas con TEA como víctimas y/o perpetradores; y, finalmente,
la correlación entre la violencia y los eventos vitales estresantes (SLE).
Comparación entre grupos con y sin TEA
Al explorar el primer eje, que aborda la comparación entre grupos con y sin TEA, se
observa que este diseño es un procedimiento muy común en estudios de ciencias del
comportamiento humano. Esta práctica surge de la intención de establecer el rigor del método
experimental, que se basa en la necesidad de aislar variables e identificar marcadores
específicos que definen una condición mediante estadística inferencial (Andery, 2010; Cozby,
2003). El predominio de este formato analítico en los trabajos incluidos en la revisión permite
inferir que la investigación de fenómenos sociales en el contexto del autismo es todavía un
campo de estudio reciente. Esta naturaleza incipiente se ve reforzada por el volumen de
publicaciones encontradas: en los últimos diez años, solo seis artículos sobre violencia que
involucra a esta población cumplieron con los criterios rigurosos establecidos para conformar
esta investigación.
Génesis multifactorial de la violencia
Estos dos artículos analizados citan otros factores que se correlacionan con la violencia
en las familias, más allá del diagnóstico de TEA. Este aspecto se observa específicamente en
los trabajos de Dion et al. (2024) y Toseeb et al. (2020), quienes, para comprender la violencia
doméstica, se centran en las características individuales de cada niño con TEA, el contexto
socioeconómico, los problemas de salud física y/o mental de los cuidadores, el uso de sustancias
psicoactivas, la composición familiar y los estilos de crianza. Es importante comprender que
estos factores demuestran que el problema de la violencia no es causado por el autismo en sí,
sino que existe una correlación entre las características de las personas con esta condición y
otras variables sociales y de salud que influyen en las experiencias de agresión. A este
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escenario, también se puede agregar la variable de género. En Brasil, se hace un énfasis
significativo en comprender la violencia doméstica también como violencia de género, dado
que, además de niños, niñas y adolescentes, la mayoría de los casos involucran a mujeres como
víctimas, culminando frecuentemente en feminicidios asociados con diversas formas de
agresión previa (Cerqueira & Bueno, 2024).
Tipos de violencia
Comprender cómo se producen y manifiestan estas formas de violencia ayuda a percibir
la gravedad de los hechos. En el contexto específico del TEA (Trastorno del Espectro Autista),
estudios de Toseeb et al. (2020) y Gibbs et al. (2021) indican que existe un mayor riesgo de que
las personas con autismo sufran algún tipo de violencia debido a las características propias del
trastorno, como las dificultades para comprender las señales sociales. Por lo tanto, se entiende
que una caracterización detallada del tipo de ofensa revela parte del perfil de los agresores, lo
que puede mitigar la exposición de las víctimas mediante estrategias psicoeducativas. Dicha
violencia se manifiesta de diversas formas, dentro y fuera del hogar, abarcando la agresión
física, sexual, psicológica, moral y patrimonial, así como el maltrato y la negligencia. Estos
actos constituyen fenómenos sociales que impactan directamente a las personas, las familias,
las parejas y la comunidad en su conjunto (Minayo et al., 2022). Dado su alcance en todos los
estratos sociales, la advertencia radica en que los fenómenos psicológicos son intrínsecamente
sociales, desarrollados a partir de un complejo proceso de aprendizaje en el entorno (Tourinho,
2009). Por lo tanto, se entiende que las situaciones de violencia causan graves daños al
desarrollo y al bienestar psicológico de las víctimas.
Intergeneracionalidad, violencia y desarrollo de trastornos mentales en la infancia
Al compartir discusiones sobre la génesis y las tipologías de la agresión, Airikka et al.
(2023) resaltan las trayectorias intergeneracionales de la violencia, evidenciando la relación
entre la exposición materna al abuso infantil y el diagnóstico de trastornos mentales y
conductuales en sus hijos, incluido el TEA. Estos datos introducen una agenda importante sobre
la salud emocional infantil, que gira en torno al conocimiento de las contingencias establecidas
por la selección por consecuencias, que involucran filogénesis, ontogénesis y cultura (Rocha et
al., 2023). Desde esta perspectiva analítico-conductual, se puede entender que la reactividad
emocional está relacionada con un elemento filogenético; la historia del aprendizaje de
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conductas violentas e interferentes constituye la ontogénesis; y la cultura, a su vez, está asociada
con la selección de prácticas sociales y verbales mantenidas por contingencias entrelazadas a
través de generaciones.
Personas con TEA como víctimas y/o perpetradores de violencia
Esta categoría presenta un hecho curioso sobre las personas con TEA que actúan como
perpetradores, como se observa en Hwang et al. (2020), a pesar de que todas las estadísticas
indican que, en la mayoría de los casos, son víctimas. Es posible concebir que existen diferentes
configuraciones sociales, familiares y de desarrollo dentro del espectro autista. El estereotipo
infantilizador que el capacitismo ha creado sobre las personas con TEA y otras discapacidades
(Gesser et al., 2020) puede justificar la perplejidad al constatar que, incluso con limitaciones,
una persona con discapacidad puede cometer ofensas (Allely, 2022). Las capacidades
personales no se relacionan únicamente con la benevolencia y la compasión, como propone la
visión de la persona constituida por el capacitismo. Es posible que ocurra el extremo opuesto,
con ira y agresión, principalmente en la reproducción de comportamientos violentos aprendidos
en el entorno familiar, a partir del aprendizaje basado en la coerción (Sidman, 2009), dado que
el comportamiento violento no es un síntoma del autismo, sino más bien un fenómeno
socialmente construido y aprendido, a menudo velado por la invisibilidad que proporciona el
capacitismo.
Eventos Vitales Estresantes (SLE)
Carlson (2014) conceptualiza los eventos vitales estresantes (SLE) como episodios
objetivos e imprevistos que, por su naturaleza indeseable e incontrolable, alteran el desarrollo
normativo. Estos eventos, cuyos límites temporales son claros, suelen provocar cambios
importantes en la trayectoria vital de quienes los experimentan. En este contexto, podemos
conceptualizar la violencia doméstica como un SLE (Carter Leno et al., 2022) y establecer
relaciones importantes entre este fenómeno y el deterioro de la salud emocional en personas
con TEA, lo que pone de relieve las repercusiones negativas de la violencia en el bienestar
psicológico del individuo neurodivergente.
Violencia doméstica en familias de personas con trastorno del espectro autista: una revisión de alcance
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DISCUSIÓN
Esta sección analiza las relaciones entre los hallazgos de la literatura y los conceptos
académicos conocidos en el campo de los estudios sobre violencia, tal como se expuso en la
introducción. Durante el desarrollo de este trabajo, la configuración del estudio se modificó
debido a la falta de artículos sobre violencia doméstica en familias brasileñas de personas con
TEA que cumplieran con los criterios de inclusión. Este factor permitió desarrollar un nuevo
objetivo, relacionado con el análisis y la comprensión de la violencia doméstica en familias de
personas con TEA en el extranjero, a partir de hallazgos importantes e interesantes presentados
en la sección de resultados y categorías de análisis.
Es importante destacar la consonancia entre todos los estudios analizados y el concepto
tradicional de violencia propuesto por la OMS (OMS, 2002). Al observar cómo los autores
abordan la violencia, se observa que, con o sin citar a la OMS, existe coherencia teórica y
técnica en las definiciones. Las categorías teóricas descritas por la literatura tradicional sobre
el tema se perciben en todos los artículos incluidos en la revisión. La descripción de los tipos
de violencia realizada por Toseeb et al. (2020) es discreta y poco específica, pero, considerando
que el tema de los autores trata sobre el bullying, se entiende que se refiere a la violencia física
y psicológica, tal como la conceptualiza Avilés Martínez (2013) y se destaca en la Tabla 1.
Las estadísticas generales sobre violencia en los países analizados en los estudios se
citaron como elemento introductorio en los textos, lo que, combinado con la producción
estadística de los autores sobre violencia contra personas con TEA (Hwang et al., 2020; Toseeb
et al., 2020), puso de relieve la verdadera gravedad de este fenómeno. El Anuario Brasileño de
Seguridad Pública (FBSP, 2025) expone ofensas sexuales graves contra niños, niñas y
adolescentes, pero no especifica el porcentaje de violencia sufrida por personas con
discapacidad. Sin embargo, se entiende que cuando el documento menciona la violencia contra
poblaciones vulnerables, las personas con discapacidad están incluidas en esta estadística
brasileña.
Los datos sobre violencia en Brasil se correlacionan fuertemente con los hallazgos de
Hwang et al. (2020) en Australia, que muestran que los incidentes que involucran a personas
con Trastorno del Espectro Autista (TEA) son más frecuentes en el ámbito doméstico, de forma
similar a lo que ocurre con diversas poblaciones vulnerables brasileñas. Esta comprensión de
la vulnerabilidad se basa en los fundamentos teóricos de Ayres (2022) y requiere
necesariamente la deconstrucción de la visión idealizada de que el hogar es, intrínsecamente,
siempre un entorno seguro y acogedor.
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En consonancia con la complejidad de este escenario, los hallazgos de Airikka et al.
(2023) coinciden con las contribuciones de Barquero et al. (2025). Si bien emplean métodos
diferentes, los autores convergen al señalar la génesis multifactorial de la violencia,
entendiéndola a partir de la interacción entre sus dimensiones políticas, ecológicas e
intergeneracionales, cuyas consecuencias provocan un profundo daño social y psicológico.
Estas repercusiones negativas en el ciclo vital de la familia y del individuo, como lo analizan
Southern y Sullivan (2021), abren la posibilidad de analizar la violencia como un Evento Vital
Estresante. Este concepto, definido por Carlson (2014) y explorado por Carter Leno et al.
(2022), es fundamental para explicar cómo los eventos estresantes impactan la salud mental
infantil, favoreciendo el desarrollo de síntomas internalizantes y externalizantes.
Desde esta perspectiva, los conceptos tradicionales del ciclo de vida familiar propuestos
por Carter y McGoldrick (2011) se validan para contextos que trascienden las definiciones
iniciales restringidas a la terapia familiar. De este modo, se hace posible aplicar el concepto de
crisis al ciclo de vida, donde el SLE actúa como elemento desencadenante o parte integral de
este momento crítico. Por consiguiente, se observa una clara convergencia teórica entre
diferentes perspectivas conceptuales para explicar el fenómeno.
Al analizar esta dinámica a la luz de los criterios diagnósticos del DSM-5-TR, resulta
evidente que las características del TEA pueden acentuar la susceptibilidad a estas situaciones.
Las dificultades en la comunicación social y los patrones restringidos y repetitivos de
comportamiento suelen afectar la flexibilidad cognitiva del individuo. En ciertos contextos, esto
puede derivar en agresiones y ofensas, aumentando las probabilidades de que las personas con
TEA se vean involucradas en episodios de violencia, ya sea como víctimas o perpetradores
(Hwang et al., 2020).
Finalmente, cabe destacar la articulación construida a lo largo de este análisis, que
integra supuestos del Análisis del Comportamiento —arraigados en clásicos como Cozby
(2003), Andery (2010), Tourinho (2009) y Sidman (2009)— con aportaciones de otros marcos
epistemológicos. Este enfoque analítico, lejos de constituir un eclecticismo teórico, representa
un esfuerzo deliberado por demostrar que la violencia puede explicarse desde múltiples
perspectivas que convergen en considerarla una realidad negativa y multifactorial. Esta
aproximación entre la cuestión social y la ciencia psicológica se basa en articulaciones
coherentes, esenciales para comprender y apoyar las complejas experiencias de las familias que
afrontan estas lamentables situaciones.
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Las limitaciones de este estudio se detectaron al consultar bases de datos y observar que
probablemente no se alcanzarían los objetivos previstos. Se encontraron numerosos estudios
con un excelente rigor metodológico, como los incluidos en la revisión. Sin embargo, para
quienes se interesan en el tema de la violencia en familias de personas con TEA, surge un nuevo
problema, dado que se hallaron pocos estudios recientes de acceso abierto en bases de datos
extranjeras. En cuanto a Brasil, no se encontró ningún estudio. Quizás estos datos pongan de
manifiesto la persistente invisibilidad de los problemas sociales relacionados con el TEA.
Muchos estudios se centran únicamente en investigar factores biológicos, el diagnóstico y las
intervenciones terapéuticas.
CONSIDERACIONES FINALES
Este trabajo presenta un estudio de revisión de alcance cuyo objetivo fue mapear la
producción científica internacional e identificar lagunas en la literatura brasileña sobre
violencia doméstica en familias de personas con TEA (Trastorno del Espectro Autista). La
ausencia de artículos que cumplieran con los criterios de inclusión evidenció esta laguna. Se
encontraron y analizaron seis estudios de alto rigor metodológico, basados en categorías
teóricas. Se pudieron construir diferentes interpretaciones del fenómeno de la violencia
doméstica, articulando diversos enfoques teóricos de la psicología y datos estadísticos de Brasil
y otros países. Se analizaron y discutieron conceptos contemporáneos relacionados con eventos
vitales estresantes, vulnerabilidad y el ciclo de vida familiar, dada la consonancia entre estos
temas y la búsqueda de una conceptualización de la violencia como un fenómeno social,
psicológico, político y ecológico.
Futuros estudios podrían utilizar diferentes métodos de investigación y marcos teóricos
para investigar la violencia doméstica en familias brasileñas de personas con TEA, con el fin
de subsanar esta laguna. De esta manera, se podrían visibilizar realidades poco conocidas por
los funcionarios del gobierno estatal y la población en general, impulsando iniciativas para
superar este complejo fenómeno de la violencia doméstica.
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Vi ol e n ci a d o m ésti c a e n f a mili as d e p ers o n as c o n tr ast or n o d el es p e ctr o a utist a: u n a r e visi ó n d e alc a n c e
D o x a : R e v. B r as. Psi c o. e E d uc., Arar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 6 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 2 0 9 2 0
C R e di T A ut h or St at e m e nt
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