Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 1
PRÁTICAS NARRATIVAS E MINDFULNESS COM CASAIS: ENFRENTAMENTO
DE VULNERABILIDADES E PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA POR PARCEIRO
ÍNTIMO
PRÁCTICAS NARRATIVAS Y MINDFULNESS CON PAREJAS: AFRONTAMIENTO
DE VULNERABILIDADES Y PREVENCIÓN DE LA VIOLENCIA POR PARTE DE LA
PAREJA ÍNTIMA
NARRATIVE PRACTICES AND MINDFULNESS WITH COUPLES: COPING WITH
VULNERABILITIES AND PREVENTING INTIMATE PARTNER VIOLENCE
Natália Leal VIO
1
e-mail: natalia.v[email protected]
Marianne Ramos FEIJÓ
2
e-mail: marian[email protected]r
Carolina Busato Heiderich OKAMOTO
3
e-mail: carolin[email protected]
Simone Pantaleão MACEDO
4
e-mail: simonepantaleao@feata.edu.br
Mário Lázaro CAMARGO
5
e-mail: mario[email protected]
Como referenciar este artigo:
Vio, N. L., Feijó, M. R., Okamoto, C. B. H., Macedo, S. P.,
Camargo, M. L. (2026). Práticas narrativas e mindfulness
com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção
de violência por parceiro íntimo. Doxa: Rev. Bras. Psico. e
Educ., 27(esp1), e026017.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21305
| Submetido em: 16/06/2026
| Revisões requeridas em: 24/06/2026
| Aprovado em: 19/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Doutora em Psicologia
do Desenvolvimento e Aprendizagem (FC-Unesp).
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Doutora em Psicologia
(PUC-SP), docente dos Cursos de Graduação e de Pós-graduação em Psicologia (Unesp).
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Mestranda em Psicologia
do Desenvolvimento e Aprendizagem (FC-Unesp).
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Doutora em Psicologia
do Desenvolvimento e Aprendizagem (FC-Unesp).
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Professor Assistente
Doutor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
da Faculdade de Ciências (Unesp).
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 2
RESUMO: Este artigo, de caráter teórico-metodológico e exploratório, objetiva discutir a
prevenção da violência contra a mulher perpetrada por parceiros íntimos. São abordadas
vulnerabilidades associadas a essa forma de violência e propostas duas estratégias interventivas,
práticas narrativas e mindfulness, que podem ser articuladas entre si, às políticas públicas e a
outras intervenções. Essas propostas podem ser realizadas coletiva ou individualmente, visando
melhorar a comunicação e a autorregulação emocional, reduzir a escalada de conflitos conjugais
e, em alguns casos, favorecer a manutenção de distância física. Seu uso deve ocorrer conforme
a avaliação dos riscos e potencialidades de cada contexto relacional. Embora apresentem
potencial para fortalecer ações preventivas e subsidiar intervenções voltadas à ruptura do ciclo
da violência, novas pesquisas, especialmente de caráter interventivo, são necessárias para
verificar os efeitos da associação entre práticas de mindfulness e práticas narrativas em casos
de violência contra a mulher perpetrada por parceiros íntimos.
PALAVRAS-CHAVE: Violência por parceiro íntimo. Práticas narrativas. Sistemas de apoio
psicossocial. Mindfulness.
RESUMEN: Este artículo, de carácter teórico-metodológico y exploratorio, tiene como
objetivo analizar la prevención de la violencia contra las mujeres perpetrada por parejas
íntimas. Se abordan las vulnerabilidades asociadas a esta forma de violencia y se proponen
dos estrategias de intervención —las prácticas narrativas y el mindfulness—, que pueden
articularse entre sí, con las políticas públicas y con otras intervenciones. Estas propuestas
pueden llevarse a cabo de forma colectiva o individual, con el propósito de mejorar la
comunicación y la autorregulación emocional, reducir la escalada de los conflictos conyugales
y, en algunos casos, favorecer el mantenimiento de la distancia física. Su aplicación debe
realizarse de acuerdo con la evaluación de los riesgos y las potencialidades de cada contexto
relacional. Aunque estas estrategias presentan potencial para fortalecer las acciones
preventivas y respaldar intervenciones orientadas a romper el ciclo de la violencia, se
necesitan nuevas investigaciones, especialmente de carácter interventivo, para examinar los
efectos de la asociación entre las prácticas de mindfulness y las prácticas narrativas en casos
de violencia contra las mujeres perpetrada por parejas íntimas.
PALABRAS CLAVE: Violencia de pareja. Prácticas narrativas. Sistemas de apoyo
psicosocial. Mindfulness.
ABSTRACT: This theoretical-methodological and exploratory article aims to discuss the
prevention of violence against women perpetrated by intimate partners. Vulnerabilities
associated with this form of violence are addressed, and two intervention strategies—narrative
practices and mindfulness—are proposed, which may be integrated with each other, public
policies, and other interventions. These approaches may be implemented collectively or
individually, aiming to improve communication and emotional self-regulation, reduce the
escalation of marital conflicts, and, in some cases, promote the maintenance of physical
distance. Their use should be guided by an assessment of the risks and potentialities of each
relational context. Although these strategies have the potential to strengthen preventive actions
and support interventions aimed at breaking the cycle of violence, further research, particularly
intervention-based studies, is needed to examine the effects of combining mindfulness and
narrative practices in cases of violence against women perpetrated by intimate partners.
KEYWORDS: Intimate partner violence. Narrative practices. Psychosocial support systems.
Mindfulness.
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, modificou
a compreensão jurídica brasileira ao especificar e tipificar as diferentes formas de violência de
gênero (Brasil, 2006). Essa legislação contribui significativamente para consolidar políticas de
enfrentamento da violência contra a mulher ao criar mecanismos para prevenir a violência
doméstica e familiar que objetivam o enfrentamento deste tipo de violência (Brasil, 2006).
Apesar da Lei, os índices de violência permanecem elevados, demonstrando que sua
prevenção e enfrentamento continuam sendo importantes desafios sociais e de saúde pública
(Vio et al., 2026). Dentre as diferentes manifestações da violência contra a mulher
contempladas pela Lei Maria da Penha, destaca-se a violência por parceiro íntimo (VPI). Essa
forma de violência é caracterizada pela ocorrência de agressões em relações afetivas marcadas
por vínculos de intimidade, dependência e convivência (Krug et al., 2002).
A relevância do estudo da VPI é sustentada por dados oficiais que mostram que, em
2025, 59,4% dos feminicídios foram cometidos por parceiros íntimos, e 21,3% por ex-parceiros
(FBSP, 2025). Esse dado reforça que a VPI constitui um fenômeno grave e complexo, de
consequências multidimensionais, que afeta predominantemente as mulheres e permanece
como um importante problema de saúde pública em âmbito mundial (WHO, 2021). Outros
fatores que dificultam a redução da VPI são os discursos que sustentam a lógica e o contexto
relacional em que eles ocorrem, marcado por vínculos afetivos, dependência, desigualdades de
gênero e outros fatores de vulnerabilidade que dificultam tanto a interrupção quanto a
prevenção da violência.
A violência contra a mulher tem progressão gradual do conflito, marcada por uma
sequência de intensificação comportamental e simbólica (Brasil, 2006). Essa escalada de
conflito, que frequentemente se mantém antes e após intervenções externas, é um desafio para
os profissionais das áreas sociais e de saúde (Vio et al., 2026). Interromper a violência com
apoio de instituições de garantia da segurança e judicialmente não é suficiente para todos os
casos. Desta forma, é crucial enfrentar tal problemática com articulação de compromissos
globais de promoção da equidade e de acesso aos direitos, mas também com a criação de ações
de interrupção da violência, que envolvam tratamentos e intervenções individuais e relacionais
(Okamoto, 2026).
Nos casos em que o parceiro protagoniza atos violentos contra a parceira, seu
comportamento precisa de freios, e normalmente a mulher precisa de fortalecimento e de
aumento da autonomia para que a relação, que ajuda a manter a violência, se modifique
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
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(Okamoto, 2026). A questão de gênero que permeia a VPI, que frequentemente se agrava com
o uso de substâncias e que, em um círculo vicioso, fragiliza ainda mais quem sofre a violência,
também é foco de reflexão no enfrentamento local e global da VPI (Feijó et al., 2005; Vio et
al., 2026).
O enfrentamento da VPI não pode restringir-se às medidas protetivas e punitivas e
requer estratégias preventivas variadas e capazes de atuar sobre os fatores que favorecem a
escalada da violência. Nesse aspecto, contudo, ainda que tenham ocorrido avanços nas políticas
públicas e nas estratégias de enfrentamento da violência contra a mulher, a produção científica
ainda concentra maior atenção em ações de proteção, responsabilização dos agressores e
assistência às vítimas (Felizardo et al., 2021).
Em concordância com a literatura, Soares et al. (2025) destacam que a prevenção da
Violência por Parceiro Íntimo (VPI) enfrenta severos desafios, sobretudo devido à tendência de
negligência e naturalização do problema. Consequentemente, pesquisadores e profissionais
costumam intervir apenas após a consumação da violência, o que reduz drasticamente as
oportunidades de ações preventivas nos estágios iniciais da dinâmica conflituosa. Esse cenário
de continuidade e reincidência das agressões desgasta as redes de proteção e reforça a urgência
de se desenvolver estratégias que articulem o fortalecimento relacional, a autorregulação
emocional e a reflexão crítica sobre as desigualdades de gênero, envolvendo tanto as pessoas
inseridas no ciclo de violência quanto a sociedade em geral. Torna-se imperativo, portanto,
explorar abordagens complementares que ampliem o repertório preventivo antes da escalada
dos conflitos, sem desconsiderar fatores de vulnerabilidade — como o uso de substâncias e o
sofrimento psíquico decorrente de ansiedade e depressão — que podem se manifestar por meio
de comportamentos agressivos ou de submissão.
Diante dessa lacuna, este artigo tem como objetivo discutir possibilidades de prevenção
e de enfrentamento da VPI por meio da articulação entre práticas narrativas e mindfulness,
propondo-as como estratégias complementares para mitigar as vulnerabilidades que
influenciam o fenômeno. Do ponto de vista metodológico, trata-se de um estudo teórico-
reflexivo e de caráter exploratório, fundamentado na literatura científica pertinente e articulado
à experiência profissional e acadêmica das autoras.
Para contemplar esses propósitos, o texto está organizado em três seções principais.
Inicialmente, debate-se o papel estrutural do machismo na violência, seguido pela apresentação
dos fatores de vulnerabilidade associados à VPI e da consequente necessidade de ações
profiláticas. Na sequência, as práticas narrativas e o mindfulness são discutidos como
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
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ferramentas promissoras para o fortalecimento da autorregulação emocional e das relações
interpessoais. Com essa estruturação, sustenta-se que a presente reflexão pode contribuir para
diversificar o repertório de intervenções profissionais, auxiliando na interrupção da progressão
dos conflitos antes da instalação de formas mais graves de violência, inclusive nos complexos
casos em que, a despeito do histórico de brigas severas, os parceiros optam por manter a
proximidade relacional.
O MACHISMO ESTRUTURAL E A VIOLÊNCIA POR PARCEIROS ÍNTIMOS
A construção e organização da sociedade, especialmente a brasileira, é fortemente
machista e patriarcal. Em consequência, a mulher é vista como mero objeto, propriedade do
homem, e que, por este motivo, a ele deve servir e se submeter hierarquicamente, seja dentro
do lar ou mesmo nas organizações de trabalho e demais instituições (escola, igreja etc.). Essa
cultura se reflete também no fato de que as mulheres costumavam ser economicamente
dependentes dos homens com os quais se relacionavam pelo casamento (Vidi & Teixeira,
2022), sendo, portanto, submissas e condicionadas aos desejos masculinos como forma de
retribuição pelo sustento. Segundo Braga (2019), à medida que a humanidade se transformou,
orientada em diferentes momentos por preceitos religiosos, culturais, econômicos e políticos,
consolidou-se gradualmente um processo de submissão das mulheres por meio da imposição de
um código de conduta que as posiciona em condição de inferioridade em relação aos homens.
O fenômeno que ganhou o nome de ‘machismo estrutural’ permite a objetificação da
mulher e isto se apresenta em diferentes contextos sociais, sendo muito difundido em
propagandas midiáticas e no ambiente virtual. Esta ideia consiste em valorizar atributos físicos
da mulher, ou seja, dar ênfase ao corpo da mulher e à sua função sexual, enquanto objeto de
prazer masculino (Tasca, 2022). Trata-se de um sistema
em que a possibilidade de uma mulher transgredir as normas e sentir o ‘sabor’ da liberdade era
muito restrito, para não dizer impossível. A herança deste sistema machista cobrou das mulheres
alguns serviços gratuitos: o doméstico, o sexual e reprodutivo. (Prada, 2018, p. 72)
Apesar das grandes transformações que têm ocorrido nas sociedades capitalistas — a
invenção da pílula anticoncepcional; a inserção da mulher no mercado de trabalho a partir dos
anos 1970 no Brasil; a criação de creches e escolas que têm permitido à mulher dedicar mais
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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horas ao trabalho formal, posto que seus filhos estão mais assistidos; a presença feminina nos
bancos escolares e do ensino superior que foram se tornando cada vez mais amplos
quantitativamente — ainda há grandes diferenças culturais e sociais que impedem a mulher de
alcançar certos cargos profissionais e posições de liderança. No Brasil, ainda, algumas
profissões são fortemente masculinizadas, recusando francamente ou dificultando em muito a
participação feminina. Em se tratando do exercício da liderança e, portanto, da ocupação de
cargos que implicam em posições de autoridade nas estruturas organizacionais/institucionais,
os obstáculos parecem ser ainda maiores (Hryniewicz & Vianna, 2018).
Para lançar luz às questões de vida pessoal e familiar, é importante entender como são
divididas as tarefas domésticas e de cuidado na sociedade brasileira. Um fator que influencia
significativamente na vida profissional são as diferenças de horas que pessoas do gênero
feminino dedicam aos cuidados da casa e de familiares, quando comparado a quantas horas as
pessoas do gênero masculino dedicam às mesmas tarefas (Okamoto, 2026). O que corrobora tal
tese são os dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): as
mulheres com trabalho externo dedicaram, em média, 6,8 horas semanais a mais que os homens
com trabalho externo aos afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoa (IBGE, 2022).
Em síntese, a mulher contemporânea conquistou direitos, embora ainda enfrente
resistências para usufruir igualitariamente desses direitos, assim como para dialogar com
homens e enfrentar o machismo estrutural que pode vitimá-la. Sem negar a crucial importância
de mudanças sociais mais amplas e do tratamento específico de casos em que a violência se
agravou e se instalou, pontua-se que o diálogo e a regulação das emoções são meios preventivos
no âmbito microssocial (familiar). Esses recursos favorecem o enfrentamento da desigualdade
de gênero e do desequilíbrio família-trabalho-lazer e descanso, que afetam mais as mulheres,
mas toda a família.
VULNERABILIDADES E DEMANDA POR AÇÕES PREVENTIVAS CONTRA A
VIOLÊNCIA ENTRE PARCEIROS ÍNTIMOS
A violência configura-se como expressão do risco de ruptura relacional, e da violação de
direitos (WHO, 1996) ou ainda de dinâmicas conflituosas não elaboradas. Até culminar em uma
situação de violência, múltiplos fatores de vulnerabilidade se encontram presentes e operantes.
Tais fatores se articulam em diferentes níveis individuais, sociais e programáticos (Silva et al.,
2015). Assim, os eixos de vulnerabilidade em saúde mostram-se pertinentes para a compreensão
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
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do surgimento e manutenção da violência, ao permitirem examinar as desigualdades,
fragilidades institucionais e limitações no acesso a recursos e direitos (Silva et al., 2015).
Essa compreensão é, inclusive, incorporada no próprio arcabouço legal brasileiro, uma
vez que a Lei Maria da Penha reconhece a multideterminação da violência de gênero (Brasil,
2006). Mais do que um instrumento punitivo, a lei se configura como um dispositivo de
intervenção ampliada, que enfatiza a prevenção, a educação para o enfrentamento do machismo
estrutural e a promoção de políticas públicas, além de defender a relevância de estratégias de
reabilitação tanto para as vítimas quanto para os autores de violência (Brasil, 2006).
Nesse sentido, aproximadamente 3,9 milhões de mulheres afirmaram ainda conviver com
os agressores (FBSP, 2025), dado que expõe a vulnerabilidade e refuta explicações simplistas
centradas na decisão individual de romper ou permanecer na relação. Essa manutenção do
vínculo, mesmo diante de contextos de violação, é compreendida de forma articulada, incluindo
aspectos afetivos, relacionais, econômicos e psicossociais.
Por exemplo, fatores como a baixa autoestima, frequentemente fragilizada ao longo do
ciclo de violência, a dependência econômica e psicológica, bem como o medo de represálias ou
intensificação das agressões, configuram importantes barreiras à ruptura; e, vale dizer, mediante
a existência de filhos resultantes da relação, o grau de complexidade se amplifica, vindo, na
maioria das vezes, a dificultar ainda mais o processo de ruptura do vínculo (Brasil, 2025; WHO,
2013).
Por esses motivos, as intervenções não devem se limitar à interrupção pontual da
violência, sendo necessárias simultaneamente na proteção das mulheres, na promoção de sua
autonomia e no fortalecimento de recursos subjetivos e sociais. Isso implica considerar
intervenções que integrem ações de acolhimento e segurança, suporte psicossocial, acesso a
direitos e políticas públicas, bem como iniciativas voltadas à reabilitação dos autores de
violência. Vítimas devem ser fortalecidas para que tenham condições de fazer boas escolhas
para si, o que também pode ser feito com o uso de recursos narrativos e de autocuidado
individuais. Pessoas que cometeram atos violentos, especialmente os graves e planejados,
devem ser atendidas paralelamente às consequências do processo criminal correspondente.
Trata-se de um contexto diferente do que permite diálogos com casais, o que também não
prescinde necessariamente do cuidado individual.
É preciso considerar que a violência não se restringe à díade conjugal, uma vez que seus
efeitos se expandem para além da relação entre os parceiros íntimos (Vio et al., 2026). A
violência entre parceiros íntimos fragiliza também os demais membros da família,
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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especialmente os filhos, evidenciando a necessidade de abordagens que contemplem os
múltiplos níveis de impacto dessas experiências (Vio et al., 2026).
Dentre as instituições que compõem a rede a serem acionadas, tanto para vítimas ou
familiares quanto para os autores de violência, mencionam-se: Hospitais Gerais (HG) e
Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centro de Referência Especializado da Assistência Social
(CREAS), Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) e as notificações por
Órgãos de Segurança Pública e do Ordenamento Jurídico. Nestes casos, a indicação do cuidado
com o casal deve ser avaliada em rede e com mais critério, evitando minimizar ameaças,
portanto riscos de perpetração da violência notificada. O que aqui se propõe não se aplica a
todos os casos, nem a todos os momentos de disputas, que apresentam progressões e
características diferentes ao longo do tempo. Ameaças realizadas após término de relação, que
com muita frequência antecedem feminicídios, demandam imediatas medidas protetivas e
podem inviabilizar diálogos conjuntos e seguros com ambos os parceiros. Mas há casos em que
as pessoas desejam reconstruir ou modificar suas relações íntimas ou pensam que é necessário
adequar a relação após o divórcio para preservação da parentalidade. Há outros casos em que a
relação pode ser cuidada antes da violência verbal se transformar em outros tipos de violência.
PRÁTICAS NARRATIVAS, FORTALECIMENTO PESSOAL E RELACIONAL NO
CONTEXTO DA VIOLÊNCIA ENTRE PARCEIROS ÍNTIMOS
As Práticas Narrativas (PN) rompem com o modelo tradicional de terapia (Romite,
2023) e surgiram como estratégia terapêutica aplicada a contextos de alta fragilidade
psicossocial e violência (Bloch & Feijó, 2025). O uso desses recursos com casais apresenta-se
como uma estratégia relevante para a prevenção de disputas, para o fortalecimento individual e
qualificação dos vínculos (Bloch & Feijó, 2025).
Ainda assim, deve ser substituído por práticas narrativas individuais ou grupais quando
o encontro entre parceiros íntimos que vivenciaram a violência gerar mais risco de reincidência.
Essas práticas são fundamentadas nos pressupostos de que as experiências são organizadas por
meio de histórias e que tais narrativas são social e culturalmente construídas, e possibilitam a
problematização de padrões relacionais cristalizados, especialmente aqueles sustentados por
discursos hegemônicos de gênero, poder e controle (Bloch & Feijó, 2025). Nas práticas
narrativas, o terapeuta favorece espaços de diálogo que possibilitam aos participantes refletir
sobre seus valores, necessidades e formas de interação, estimula-se a construção de alternativas
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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relacionais que não envolvam a violência, sem minimizar a responsabilidade pelos atos
praticados.
Um dos principais recursos utilizados é a externalização do problema, que consiste em
separar o problema das pessoas (White & Epston, 1990), de modo a viabilizar desconstruir
rótulos e permitir um olhar mais relacional, contextual e processual para os fenômenos
humanos. Ao invés de compreender um dos parceiros como ‘agressivo’ ou ‘difícil’ e o outro
como ‘frágil’ ou ‘vítima’, por exemplo, passa-se a investigar como ‘a violência’ ou ‘o ciclo de
desrespeito’ tem influenciado a relação e como a esta pode ser modificada para que as pessoas
fiquem mais protegidas. Esse deslocamento reduz processos de culpabilização e defensividade,
favorecendo maior abertura ao diálogo e à responsabilização compartilhada. Não se trata de
minimizar a gravidade do problema ou de retirar a responsabilidade de quem agride, mas de
oportunizar novas possibilidades comportamentais e relacionais de ambos os parceiros, que
necessitam respeitar e se proteger.
Outro recurso central é a construção dessas narrativas alternativas ou a reautoria, nas
quais os sujeitos são convidados a desenvolver histórias mais coerentes com seus valores
preferidos para a relação, como respeito, cooperação, cuidado e equidade (Bloch & Feijó,
2025).
As perguntas externalizantes e a investigação de efeitos também se constituem como
elementos das Práticas Narrativas, os quais permitem mapear como determinados padrões
impactam diferentes áreas da vida (White & Epston, 1990) do casal e da família, incluindo
dimensões emocionais, parentais, sociais e laborais. Essa exploração pode ser articulada aos
eixos de vulnerabilidade (individual, social e programático) e contemplar objetivos como o
acolhimento das histórias e dos sofrimentos dos participantes de forma a evitar processos de
retraumatização, facilitar a expressão coletiva, apoio e compartilhamento de experiências,
promover a reflexão crítica sobre discursos sociais dominantes etc. (Romite, 2023).
O uso de tais recursos no diálogo com casais dispostos a rever sua relação e a refletir
sobre os malefícios da violência não deve substituir outras intervenções necessárias, como é o
caso do tratamento para a dependência química, frequentemente associada à violência e à
redução de controle de impulsos. Nos encontros com os parceiros, podem ser feitos
encaminhamentos, além de sugestão de práticas de autocuidado complementares e
coadjuvantes, tais como o mindfulness. O bem-estar individual e a satisfação conjugal estão
recursivamente ligados, tanto quanto são afetados pela qualidade de vida da família, e, por isso,
as ações são diversas e os cuidados devem ser realizados em diferentes níveis, a depender de
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
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cada caso. Raramente a falta de acesso aos direitos, os sofrimentos psíquicos graves e a falta de
controle de impulsos poderão ser negados como barreiras à prevenção da violência.
MINDFULNESS COMO ESTRATÉGIA COMPLEMENTAR DE
FORTALECIMENTO DA AUTORREGULAÇÃO EMOCIONAL E PREVENÇÃO
RELACIONAL
Intervenções baseadas em mindfulness têm sido amplamente investigadas como
estratégias de promoção da saúde mental em contextos variados. Compreendido como a
capacidade de direcionar a atenção ao momento presente de maneira intencional e não julgadora
(Kabat-Zinn, 2003), o mindfulness envolve práticas variadas. Mencionam-se ações
sistematizadas, como meditações guiadas, exercícios respiratórios e técnicas de focalização
atencional (Vio, 2026). Os benefícios incluem a consciência emocional e a redução de respostas
automáticas diante de situações estressoras, o aumento da tolerância ao desconforto
psicológico, a ampliação da flexibilidade cognitiva e redução da impulsividade e da reatividade
automática frente a situações estressoras (Vio, 2026). Tais efeitos tornam-se particularmente
relevantes em contextos relacionais marcados por tensão contínua, conflitos frequentes e
dificuldades de comunicação, nos quais respostas emocionais intensas e pouco reguladas
frequentemente favorecem escaladas conflituosas e práticas coercitivas.
Em relações conjugais marcadas por estresse, sobrecarga, desigualdades de gênero e
sofrimento psíquico, fatores de vulnerabilidade individuais, sociais e programáticos tendem a
intensificar conflitos e dificultar sua resolução (Silva et al., 2015). Reitera-se que, nesse
contexto, o mindfulness é uma estratégia complementar de fortalecimento da autorregulação
emocional, e não como recurso individualizante ou substitutivo das demais intervenções
necessárias (Vio et al., 2026). Por exemplo, Gillions et al. (2019) revisou 22 estudos do uso de
mindfulness em contexto de violência e agressividade e identificou redução de comportamentos
agressivos em 16 deles, indicando efeitos promissores de intervenções baseadas em mindfulness
e abordagens correlatas para redução da violência e da agressividade em adultos.
Com base em projeto desenvolvido por duas autoras deste artigo, em Vio et al. (2026),
propõe-se a adaptação de oficinas breves de mindfulness para prevenção da violência entre
parceiros íntimos. As oficinas combinam atividades psicoeducativas e práticas experienciais
voltadas ao fortalecimento da autorregulação emocional, do autocuidado, do enfrentamento do
estresse e da qualidade das relações interpessoais. A proposta fundamenta-se no Pensamento
Sistêmico e Complexo e na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano,
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 11
compreendendo saúde, sofrimento e violência como fenômenos multifatoriais produzidos pela
interação entre fatores individuais, relacionais, sociais e programáticos (Bronfenbrenner, 2011;
Morin, 2015; Silva et al., 2015).
Embora desenvolvidas inicialmente em contexto universitário, as oficinas podem ser
adaptadas para ações preventivas junto a casais. A presente sugestão de adaptação para
contextos de prevenção de violência entre parceiros íntimos estabelece os seguintes objetivos:
autorregulação emocional, fortalecimento da comunicação conjugal, ampliação da consciência
sobre padrões relacionais e desenvolvimento de estratégias preventivas frente à escalada de
conflitos e vulnerabilidades relacionais. Visto que as oficinas enfatizam o ensino para posterior
aplicação do conhecimento na rotina, para evitar interferências e facilitar o aprendizado,
propõe-se que as oficinas, ao menos nos primeiros encontros, sejam realizadas em grupos
separados de cônjuges. A participação pode ser viabilizada tanto em grupo quanto de forma
individual, a depender da disponibilidade que quem oferta a oficina e da demanda. Dentre
critérios para participar, recomenda-se por garantir a participação de parceiros íntimos que
consideram ter problemas, assim como aqueles que não acreditam ter problemas e apenas
querem ampliar o autoconhecimento e melhorar relações já satisfatórias.
Essa opção é justificada pelo caráter preventivo da oficina (um casal feliz hoje pode
manifestar violência no futuro). Outro argumento é que os conflitos e violência entre parceiros
estão associados a crenças que os mantêm, tais como de que não se deve buscar amparo de
membros externos (leia-se o ditado popular ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a
colher’) ou a dificuldade em participar de oficinas porque isto implicaria em assumir um
problema e a sentimentos como vergonha ou medo de repreensão. No que tange à estrutura, o
modelo é breve, com 5 a 8 encontros de frequência semanal, de 1h30 a 2h cada encontro. A
seguir, detalha-se a presente sugestão de adaptação da oficina descrita para contextos de
prevenção de violência entre parceiros íntimos (Quadro 1).
Quadro 1.
Exemplo de objetivos e ações em oficina de mindfulness aplicada a casais
Dia e objetivo principal
Ações
1. Realizar o acolhimento
dos participantes e
configurar um espaço
relacional seguro.
Apresentação entre mediadores e participantes dos objetivos da oficina, das
regras de participação e convivência; ouvir sobre expectativas dos participantes.
Propor fazer em conjunto duas meditações simples para iniciantes: 1 – flor e
vela: imaginar que segura uma flor em uma das mãos e uma vela acesa na outra.
Inspirar lenta e profundamente como se estivesse cheirando a flor e, em seguida,
expirar suave como se estivesse apagando a vela sem soprar com força; 2 –
respiração da abelha: inspirar lentamente pelo nariz e, ao expirar, produzir um
som semelhante ao zumbido de uma abelha (‘Z’) até acabar o ar.
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 12
2. Ensinar sobre mindfulness
Explicar sobre a origem, filosofia e eficácia do mindfulness no
automonitoramento emocional e mudança de pensamentos. Mostrar o canal
Mindfulness Brasil – UNIFESP no YouTube para mais informações sobre
mindfulness.
3. Fazer exercícios de
mindfulness
Fazer meditações, por exemplo: escaneamento corporal (participantes são
convidados a permanecer sentados ou deitados em posição confortável,
direcionar lentamente a atenção para diferentes partes do corpo, a começar
pelos pés e avançar gradualmente até a cabeça); com a bolacha (observar
atentamente uma bolacha antes e durante o ato de comer. Perceber um sentido
por vez, aspectos como textura, cheiro, cor, temperatura e sabor, realizando a
mastigação de maneira lenta e intencional).
4. Mindfulness, compaixão e
autocompaixão
Discutir a relação entre mindfulness, compaixão e autocompaixão. Propor
atividades que ampliem a compaixão e autocompaixão. Encerrar com a
meditação da amorosidade (ou loving kindness).
5. Ensinar e refletir sobre
fatores de proteção e
vulnerabilidade. Realizar
encerramento da oficina.
Explanar os fatores de vulnerabilidade e proteção, por meio de questões
norteadoras, auxiliar os participantes a identificarem fatores de proteção na
própria vida (ex.: redes de apoio significativas, atividades de prazer, valores).
Solicitar avaliação da experiência e reforçar o fortalecimento da continuidade
das práticas aprendidas no cotidiano relacional.
Nota. Elaborado pelos autores (2026).
Embora promissoras, intervenções baseadas em mindfulness apresentam limitações
importantes. Damião Neto et al. (2020) observaram que programas implementados como
exigência curricular obrigatória apresentaram menor impacto positivo, sugerindo que a adesão,
o contexto de aplicação e as características individuais influenciam significativamente os
resultados das intervenções. Além disso, práticas baseadas em mindfulness não substituem
dispositivos formais de proteção nem intervenções especializadas em situações de violência
grave, coerção ou risco iminente à integridade física e psicológica. Em contextos de violência
instalada, torna-se imprescindível a articulação com a rede de proteção, os serviços
especializados e as políticas públicas de enfrentamento da violência contra a mulher.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A violência entre parceiros íntimos constitui um fenômeno complexo, multideterminado
e atravessado por desigualdades históricas, culturais, econômicas e relacionais, afetando de
maneira mais intensa as mulheres, embora produza impactos sobre todo o sistema familiar.
Conforme discutido ao longo deste artigo, a compreensão dessa problemática demanda
abordagens ampliadas, capazes de considerar simultaneamente fatores individuais, sociais e
programáticos implicados na produção, manutenção e enfrentamento da violência.
As práticas narrativas mostraram-se relevantes por possibilitarem a externalização de
padrões relacionais violentos, a problematização de discursos hegemônicos e a construção de
narrativas alternativas mais coerentes com valores de respeito, cuidado e cooperação.
Paralelamente, as estratégias baseadas em mindfulness foram discutidas como recursos
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
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complementares voltados à ampliação da consciência emocional, redução da impulsividade,
manejo do estresse e fortalecimento da capacidade reflexiva diante de situações de tensão
relacional.
Dentre as limitações deste artigo, menciona-se o caráter teórico-reflexivo, pois, ainda
que as propostas tenham sido baseadas na literatura e na prática dos autores, é necessário testar
a eficácia delas. Pontua-se que, embora a prática narrativas e de mindfulness sejam estudadas
em casos de redução de uso de substâncias, de agressividade, de sofrimento psíquico e para
regulação emocional em diferentes contextos, é necessário dar continuidade a tais estudos e
verificar os efeitos nos casos de violência.
Por fim, espera-se que as reflexões apresentadas possam contribuir para ampliação de
práticas preventivas no campo da saúde, assistência social, educação e psicologia, incentivando
o desenvolvimento de intervenções interdisciplinares voltadas à promoção de saúde relacional,
fortalecimento de fatores protetivos e prevenção da violência entre parceiros íntimos.
Práticas narrativas e mindfulness com casais: enfrentamento de vulnerabilidades e prevenção de violência por parceiro íntimo
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não se aplica.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com financiamento da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES).
Conflitos de interesse: Não se aplica.
Aprovação ética: Não se aplica.
Disponibilidade de dados e material: Não foram usados dados empíricos diretos.
Contribuições dos autores: NLV: conceitualização; curadoria de dados; investigação;
metodologia; redação do manuscrito original; revisão e edição. MRF: conceitualização;
curadoria de dados; investigação; metodologia; redação do manuscrito original; revisão e
edição. CBO: conceitualização; curadoria de dados; investigação; metodologia; redação do
manuscrito original. SPM: Revisão e edição. MLC: Revisão e edição.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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NARRATIVE PRACTICES AND MINDFULNESS WITH COUPLES: COPING WITH
VULNERABILITIES AND PREVENTING INTIMATE PARTNER VIOLENCE
PRÁTICAS NARRATIVAS E MINDFULNESS COM CASAIS: ENFRENTAMENTO DE
VULNERABILIDADES E PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA POR PARCEIRO ÍNTIMO
PRÁCTICAS NARRATIVAS Y MINDFULNESS CON PAREJAS: AFRONTAMIENTO
DE VULNERABILIDADES Y PREVENCIÓN DE LA VIOLENCIA POR PARTE DE LA
PAREJA ÍNTIMA
Natália Leal VIO
1
e-mail: natalia.v[email protected]
Marianne Ramos FEIJÓ
2
e-mail: marian[email protected]r
Carolina Busato Heiderich OKAMOTO
3
e-mail: carolin[email protected]
Simone Pantaleão MACEDO
4
e-mail: simonepantaleao@feata.edu.br
Mário Lázaro CAMARGO
5
e-mail: mario[email protected]
How to reference this paper:
Vio, N. L., Feijó, M. R., Okamoto, C. B. H., Macedo, S. P.,
& Camargo, M. L. (2026). Narrative practices and
mindfulness with couples: coping with vulnerabilities and
preventing intimate partner violence. Doxa: Rev. Bras. Psico.
e Educ., 27(esp1), e026017.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21305
| Submitted: 16/06/2026
| Revisions required: 24/06/2026
| Approved: 19/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
São Paulo State University “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in Developmental and
Learning Psychology (FC-Unesp).
São Paulo State University “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in Psychology (PUC-
SP), professor in the undergraduate and graduate programs in Psychology (Unesp).
São Paulo State University “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brazil. Master’s student in
Developmental and Learning Psychology (FC-Unesp).
São Paulo State University “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in Developmental and
Learning Psychology (FC-Unesp).
São Paulo State University “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brazil. Assistant Professor with a
Ph.D. in the Department of Psychology and the Graduate Program in Developmental and Learning Psychology at the Faculty
of Sciences (Unesp).
Narrative practices and mindfulness with couples: coping with vulnerabilities and preventing intimate partner violence
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 2
ABSTRACT: This theoretical-methodological and exploratory article aims to discuss the
prevention of violence against women perpetrated by intimate partners. Vulnerabilities
associated with this form of violence are addressed, and two intervention strategies—narrative
practices and mindfulness—are proposed, which may be integrated with each other, public
policies, and other interventions. These approaches may be implemented collectively or
individually, aiming to improve communication and emotional self-regulation, reduce the
escalation of marital conflicts, and, in some cases, promote the maintenance of physical
distance. Their use should be guided by an assessment of the risks and potentialities of each
relational context. Although these strategies have the potential to strengthen preventive actions
and support interventions aimed at breaking the cycle of violence, further research, particularly
intervention-based studies, is needed to examine the effects of combining mindfulness and
narrative practices in cases of violence against women perpetrated by intimate partners.
KEYWORDS: Intimate partner violence. Narrative practices. Psychosocial support systems.
Mindfulness.
RESUMO: Este artigo, de caráter teórico-metodológico e exploratório, objetiva discutir a
prevenção da violência contra a mulher perpetrada por parceiros íntimos. São abordadas
vulnerabilidades associadas a essa forma de violência e propostas duas estratégias
interventivas, práticas narrativas e mindfulness, que podem ser articuladas entre si, às políticas
públicas e a outras intervenções. Essas propostas podem ser realizadas coletiva ou
individualmente, visando melhorar a comunicação e a autorregulação emocional, reduzir a
escalada de conflitos conjugais e, em alguns casos, favorecer a manutenção de distância física.
Seu uso deve ocorrer conforme a avaliação dos riscos e potencialidades de cada contexto
relacional. Embora apresentem potencial para fortalecer ações preventivas e subsidiar
intervenções voltadas à ruptura do ciclo da violência, novas pesquisas, especialmente de
caráter interventivo, são necessárias para verificar os efeitos da associação entre práticas de
mindfulness e práticas narrativas em casos de violência contra a mulher perpetrada por
parceiros íntimos.
PALAVRAS-CHAVE: Violência por parceiro íntimo. Práticas narrativas. Sistemas de apoio
psicossocial. Mindfulness.
RESUMEN: Este artículo, de carácter teórico-metodológico y exploratorio, tiene como
objetivo analizar la prevención de la violencia contra las mujeres perpetrada por parejas
íntimas. Se abordan las vulnerabilidades asociadas a esta forma de violencia y se proponen
dos estrategias de intervención —las prácticas narrativas y el mindfulness—, que pueden
articularse entre sí, con las políticas públicas y con otras intervenciones. Estas propuestas
pueden llevarse a cabo de forma colectiva o individual, con el propósito de mejorar la
comunicación y la autorregulación emocional, reducir la escalada de los conflictos conyugales
y, en algunos casos, favorecer el mantenimiento de la distancia física. Su aplicación debe
realizarse de acuerdo con la evaluación de los riesgos y las potencialidades de cada contexto
relacional. Aunque estas estrategias presentan potencial para fortalecer las acciones
preventivas y respaldar intervenciones orientadas a romper el ciclo de la violencia, se
necesitan nuevas investigaciones, especialmente de carácter interventivo, para examinar los
efectos de la asociación entre las prácticas de mindfulness y las prácticas narrativas en casos
de violencia contra las mujeres perpetrada por parejas íntimas.
PALABRAS CLAVE: Violencia de pareja. Prácticas narrativas. Sistemas de apoyo
psicosocial. Mindfulness.
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 3
INTRODUCTION
The Law No. 11,340 of August 7, 2006, known as the Maria da Penha Law, changed
Brazilian legal understanding by specifying and classifying the different forms of gender
violence (Brasil, 2006). This legislation contributes significantly to consolidating policies to
address violence against women by creating mechanisms to prevent domestic and family
violence aimed at confronting this type of violence (Brasil, 2006).
Despite the Law, violence rates remain high, demonstrating that its prevention and
confrontation continue to be important social and public health challenges (Vio et al., 2026).
Among the different manifestations of violence against women contemplated by the Maria da
Penha Law, intimate partner violence (IPV) stands out. This form of violence is characterized
by the occurrence of aggression in affective relationships marked by bonds of intimacy,
dependence, and cohabitation (Krug et al., 2002).
The relevance of studying IPV is supported by official data showing that, in 2025, 59.4%
of femicides were committed by intimate partners and 21.3% by former partners (FBSP, 2025).
These data reinforce that IPV constitutes a serious and complex phenomenon with
multidimensional consequences, predominantly affecting women and remaining an important
public health problem worldwide (WHO, 2021). Other factors that hinder the reduction of IPV
are the discourses that sustain the logic and relational context in which it occurs, marked by
affective bonds, dependence, gender inequalities, and other vulnerability factors that make both
the interruption and prevention of violence more difficult.
Violence against women progresses gradually through conflict, marked by a sequence
of behavioral and symbolic intensification (Brasil, 2006). This escalation of conflict, which
frequently persists before and after external interventions, is a challenge for professionals in the
social and health fields (Vio et al., 2026). Interrupting violence with the support of security and
judicial institutions is not sufficient in every case. Therefore, it is crucial to confront this
problem through the articulation of global commitments to promoting equity and access to
rights, but also by creating actions to interrupt violence that involve individual and relational
treatments and interventions (Okamoto, 2026).
In cases in which the male partner carries out violent acts against the female partner, his
behavior requires limits, and the woman generally needs strengthening and increased autonomy
so that the relationship that helps sustain the violence can change (Okamoto, 2026). The gender
issue that permeates IPV, which is frequently aggravated by substance use and which, in a
Narrative practices and mindfulness with couples: coping with vulnerabilities and preventing intimate partner violence
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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vicious cycle, further weakens the person experiencing violence, is also a focus of reflection in
confronting IPV locally and globally (Feijó et al., 2005; Vio et al., 2026).
Confronting IPV cannot be restricted to protective and punitive measures and requires
varied preventive strategies capable of acting on the factors that favor the escalation of violence.
In this regard, however, although advances have occurred in public policies and strategies for
confronting violence against women, scientific production still concentrates greater attention
on protection actions, accountability of perpetrators, and assistance to victims (Felizardo et al.,
2021).
In agreement with the literature, Soares et al. (2025) emphasize that the prevention of
Intimate Partner Violence (IPV) faces severe challenges, especially due to the tendency to
neglect and naturalize the problem. Consequently, researchers and professionals usually
intervene only after violence has occurred, which drastically reduces opportunities for
preventive actions in the early stages of the conflict dynamic. This scenario of continuity and
recurrence of aggression wears down protection networks and reinforces the urgency of
developing strategies that articulate relational strengthening, emotional self-regulation, and
critical reflection on gender inequalities, involving both people inserted in the cycle of violence
and society in general. It therefore becomes imperative to explore complementary approaches
that broaden the preventive repertoire before conflicts escalate, without disregarding
vulnerability factors—such as substance use and psychological distress resulting from anxiety
and depression—that may manifest through aggressive or submissive behaviors.
In view of this gap, this article aims to discuss possibilities for preventing and
confronting IPV through the articulation between narrative practices and mindfulness,
proposing them as complementary strategies to mitigate the vulnerabilities that influence the
phenomenon. From a methodological point of view, this is a theoretical-reflective and
exploratory study, grounded in the relevant scientific literature and articulated with the authors’
professional and academic experience.
To address these purposes, the text is organized into three main sections. Initially, the
structural role of machismo in violence is discussed, followed by the presentation of
vulnerability factors associated with IPV and the consequent need for preventive actions. Next,
narrative practices and mindfulness are discussed as promising tools for strengthening
emotional self-regulation and interpersonal relationships. With this structure, it is argued that
the present reflection may contribute to diversifying the repertoire of professional interventions,
helping to interrupt the progression of conflicts before more severe forms of violence become
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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established, including in complex cases in which, despite a history of serious disputes, partners
choose to maintain relational proximity.
STRUCTURAL MACHISMO AND INTIMATE PARTNER VIOLENCE
The construction and organization of society, especially Brazilian society, is strongly
machista and patriarchal. Consequently, women are viewed as mere objects, as men’s property,
and for this reason are expected to serve them and submit hierarchically, whether within the
home or in work organizations and other institutions (school, church, etc.). This culture is also
reflected in the fact that women used to be economically dependent on the men with whom they
were married (Vidi & Teixeira, 2022), and were therefore submissive and conditioned to male
desires as a form of compensation for financial support. According to Braga (2019), as
humanity transformed, guided at different moments by religious, cultural, economic, and
political precepts, a process of women’s submission was gradually consolidated through the
imposition of a code of conduct that positions them in a condition of inferiority in relation to
men.
The phenomenon that has come to be called ‘structural machismo’ allows the
objectification of women, and this appears in different social contexts, being widely
disseminated in media advertising and in the virtual environment. This idea consists of valuing
women’s physical attributes, that is, emphasizing the female body and its sexual function as an
object of male pleasure (Tasca, 2022). It is a system
in which the possibility of a woman transgressing the norms and experiencing the ‘taste’ of
freedom was very restricted, not to say impossible. The legacy of this machista system
demanded some unpaid services from women: domestic, sexual, and reproductive labor. (Prada,
2018, p. 72)
Despite the major transformations that have taken place in capitalist societies—the
invention of the contraceptive pill; women’s entry into the labor market beginning in the 1970s
in Brazil; the creation of daycare centers and schools that have allowed women to devote more
hours to formal work because their children are better cared for; and the increasingly broad
quantitative presence of women in schools and higher education—there are still major cultural
and social differences that prevent women from reaching certain professional positions and
leadership roles. In Brazil, some professions are still strongly masculinized, openly refusing or
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greatly hindering women’s participation. When it comes to exercising leadership and, therefore,
occupying positions that imply authority within organizational/institutional structures, the
obstacles seem to be even greater (Hryniewicz & Vianna, 2018).
To shed light on issues of personal and family life, it is important to understand how
domestic and caregiving tasks are divided in Brazilian society. One factor that significantly
influences professional life is the difference in the number of hours people of the female gender
devote to household and family care compared with the number of hours people of the male
gender devote to the same tasks (Okamoto, 2026). Data from the latest census of the Brazilian
Institute of Geography and Statistics (IBGE) support this thesis: women with outside
employment devoted, on average, 6.8 more hours per week than men with outside employment
to household chores and/or caring for another person (IBGE, 2022).
In summary, contemporary women have gained rights, although they still face resistance
to enjoying those rights equally, as well as to engaging in dialogue with men and confronting
the structural machismo that may victimize them. Without denying the crucial importance of
broader social changes and the specific treatment of cases in which violence has intensified and
become established, it should be noted that dialogue and emotion regulation are preventive
means at the microsocial (family) level. These resources favor confronting gender inequality
and the family-work-leisure and rest imbalance, which affects women more intensely, but also
the entire family.
VULNERABILITIES AND THE DEMAND FOR PREVENTIVE ACTIONS AGAINST
INTIMATE PARTNER VIOLENCE
Violence is an expression of the risk of relational rupture and the violation of rights
(WHO, 1996), or of unresolved conflict dynamics. Before culminating in a situation of
violence, multiple vulnerability factors are present and operating. Such factors are articulated
at different individual, social, and programmatic levels (Silva et al., 2015). Thus, the axes of
vulnerability in health are relevant for understanding the emergence and maintenance of
violence, as they make it possible to examine inequalities, institutional weaknesses, and
limitations in access to resources and rights (Silva et al., 2015).
This understanding is also incorporated into the Brazilian legal framework itself, since
the Maria da Penha Law recognizes the multidetermination of gender violence (Brasil, 2006).
More than a punitive instrument, the law is configured as a device for expanded intervention,
emphasizing prevention, education to confront structural machismo, and the promotion of
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public policies, in addition to defending the relevance of rehabilitation strategies for both
victims and perpetrators of violence (Brasil, 2006).
In this sense, approximately 3.9 million women reported that they still lived with their
aggressors (FBSP, 2025), a figure that exposes vulnerability and refutes simplistic explanations
centered on the individual decision to leave or remain in the relationship. The maintenance of
this bond, even in contexts of violation, is understood in an articulated manner, including
affective, relational, economic, and psychosocial aspects.
For example, factors such as low self-esteem, often weakened throughout the cycle of
violence, economic and psychological dependence, as well as fear of retaliation or
intensification of aggression, constitute important barriers to separation; and, it should be noted,
when children from the relationship are involved, the degree of complexity increases, most
often making the process of breaking the bond even more difficult (Brasil, 2025; WHO, 2013).
For these reasons, interventions should not be limited to the punctual interruption of
violence, but must act simultaneously to protect women, promote their autonomy, and
strengthen subjective and social resources. This implies considering interventions that integrate
welcoming and safety actions, psychosocial support, access to rights and public policies, as
well as initiatives aimed at rehabilitating perpetrators of violence. Victims should be
strengthened so that they are able to make good choices for themselves, which may also be
supported through individual narrative and self-care resources. People who have committed
violent acts, especially serious and planned ones, should receive care in parallel with the
consequences of the corresponding criminal proceedings. This is a context different from one
that allows dialogue with couples, which also does not necessarily dispense with individual
care.
It is necessary to consider that violence is not restricted to the marital dyad, since its
effects extend beyond the relationship between intimate partners (Vio et al., 2026). Intimate
partner violence also weakens other family members, especially children, highlighting the need
for approaches that address the multiple levels of impact of these experiences (Vio et al., 2026).
Among the institutions that make up the network to be activated, both for victims or
family members and for perpetrators of violence, the following are mentioned: General
Hospitals (GH) and Primary Health Care Units (UBS), Specialized Social Assistance Reference
Centers (CREAS), Women’s Assistance Reference Centers (CRAM), and reporting to Public
Security and Legal System bodies. In these cases, the indication of care for the couple should
be evaluated within the network and with greater rigor, avoiding the minimization of threats
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and, therefore, risks of perpetration of the reported violence. What is proposed here does not
apply to all cases, nor to all moments of disputes, which present different progressions and
characteristics over time. Threats made after the end of a relationship, which very frequently
precede femicides, require immediate protective measures and may make joint and safe
dialogues with both partners unfeasible. However, there are cases in which people wish to
rebuild or modify their intimate relationships or believe that it is necessary to adjust the
relationship after divorce in order to preserve parenting. There are other cases in which the
relationship may be cared for before verbal violence turns into other types of violence.
NARRATIVE PRACTICES, PERSONAL AND RELATIONAL STRENGTHENING IN
THE CONTEXT OF INTIMATE PARTNER VIOLENCE
Narrative Practices (NP) break with the traditional model of therapy (Romite, 2023) and
emerged as a therapeutic strategy applied to contexts of high psychosocial vulnerability and
violence (Bloch & Feijó, 2025). The use of these resources with couples is a relevant strategy
for preventing disputes, strengthening individuals, and improving bonds (Bloch & Feijó, 2025).
Even so, this approach should be replaced by individual or group narrative practices
when meetings between intimate partners who have experienced violence generate greater risk
of recurrence. These practices are grounded in the assumptions that experiences are organized
through stories and that such narratives are socially and culturally constructed, making it
possible to problematize crystallized relational patterns, especially those sustained by
hegemonic discourses of gender, power, and control (Bloch & Feijó, 2025). In narrative
practices, the therapist promotes spaces for dialogue that enable participants to reflect on their
values, needs, and forms of interaction, encouraging the construction of relational alternatives
that do not involve violence, without minimizing responsibility for the acts committed.
One of the main resources used is externalization of the problem, which consists of
separating the problem from the people (White & Epston, 1990), making it possible to
deconstruct labels and allow a more relational, contextual, and processual view of human
phenomena. Instead of understanding one partner as ‘aggressive’ or ‘difficult’ and the other as
‘fragile’ or a ‘victim,’ for example, the focus shifts to investigating how ‘violence’ or ‘the cycle
of disrespect’ has influenced the relationship and how it can be modified so that people are
better protected. This shift reduces processes of blame and defensiveness, favoring greater
openness to dialogue and shared accountability. It is not a matter of minimizing the seriousness
of the problem or removing responsibility from the person who perpetrates aggression, but of
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creating opportunities for new behavioral and relational possibilities for both partners, who
need to respect and protect one another.
Another central resource is the construction of these alternative narratives, or re-
authoring, in which individuals are invited to develop stories that are more coherent with their
preferred values for the relationship, such as respect, cooperation, care, and equity (Bloch &
Feijó, 2025).
Externalizing questions and the investigation of effects are also elements of Narrative
Practices, allowing the mapping of how certain patterns affect different areas of the couple’s
and family’s life (White & Epston, 1990), including emotional, parental, social, and
occupational dimensions. This exploration may be articulated with the axes of vulnerability
(individual, social, and programmatic) and may include objectives such as welcoming
participants’ stories and suffering in ways that avoid retraumatization, facilitating collective
expression, support, and sharing of experiences, and promoting critical reflection on dominant
social discourses, among others (Romite, 2023).
The use of such resources in dialogue with couples willing to review their relationship
and reflect on the harmful effects of violence should not replace other necessary interventions,
such as treatment for substance dependence, which is frequently associated with violence and
reduced impulse control. During meetings with partners, referrals may be made, in addition to
suggesting complementary and adjunctive self-care practices, such as mindfulness. Individual
well-being and marital satisfaction are recursively linked, just as both are affected by the
family’s quality of life. Therefore, actions are diverse and care should be provided at different
levels depending on each case. Rarely can lack of access to rights, severe psychological
suffering, and lack of impulse control be denied as barriers to the prevention of violence.
MINDFULNESS AS A COMPLEMENTARY STRATEGY FOR STRENGTHENING
EMOTIONAL SELF-REGULATION AND RELATIONAL PREVENTION
Mindfulness-based interventions have been widely investigated as strategies for
promoting mental health in varied contexts. Understood as the ability to direct attention
intentionally and nonjudgmentally to the present moment (Kabat-Zinn, 2003), mindfulness
involves varied practices. Systematized actions include guided meditations, breathing
exercises, and attentional focusing techniques (Vio, 2026). Benefits include emotional
awareness and the reduction of automatic responses to stressful situations, increased tolerance
of psychological discomfort, expanded cognitive flexibility, and reduced impulsivity and
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automatic reactivity in the face of stressors (Vio, 2026). Such effects become particularly
relevant in relational contexts marked by continuous tension, frequent conflicts, and
communication difficulties, in which intense and poorly regulated emotional responses
frequently favor conflict escalation and coercive practices.
In marital relationships marked by stress, overload, gender inequalities, and
psychological suffering, individual, social, and programmatic vulnerability factors tend to
intensify conflicts and make their resolution more difficult (Silva et al., 2015). It is reiterated
that, in this context, mindfulness is a complementary strategy for strengthening emotional self-
regulation, and not an individualizing resource or a substitute for other necessary interventions
(Vio et al., 2026). For example, Gillions et al. (2019) reviewed 22 studies on the use of
mindfulness in contexts of violence and aggressiveness and identified reductions in aggressive
behaviors in 16 of them, indicating promising effects of mindfulness-based interventions and
related approaches for reducing violence and aggressiveness in adults.
Based on a project developed by two authors of this article, in Vio et al. (2026), an
adaptation of brief mindfulness workshops is proposed for preventing intimate partner violence.
The workshops combine psychoeducational activities and experiential practices aimed at
strengthening emotional self-regulation, self-care, coping with stress, and the quality of
interpersonal relationships. The proposal is grounded in Systemic and Complex Thinking and
the Bioecological Theory of Human Development, understanding health, suffering, and
violence as multifactorial phenomena produced by the interaction among individual, relational,
social, and programmatic factors (Bronfenbrenner, 2011; Morin, 2015; Silva et al., 2015).
Although initially developed in a university context, the workshops can be adapted for
preventive actions with couples. The present suggestion for adaptation to intimate partner
violence prevention contexts establishes the following objectives: emotional self-regulation,
strengthening marital communication, expanding awareness of relational patterns, and
developing preventive strategies in the face of conflict escalation and relational vulnerabilities.
Since the workshops emphasize teaching for subsequent application of knowledge in everyday
life, to avoid interference and facilitate learning, it is proposed that the workshops, at least in
the first meetings, be held in separate groups for spouses. Participation may be offered either in
groups or individually, depending on the availability of those providing the workshop and on
demand. Among the criteria for participation, it is recommended to ensure the participation of
intimate partners who believe they have problems, as well as those who do not believe they
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have problems and simply want to broaden self-knowledge and improve already satisfactory
relationships.
This option is justified by the preventive nature of the workshop (a happy couple today
may manifest violence in the future). Another argument is that conflicts and violence between
partners are associated with beliefs that maintain them, such as the idea that one should not seek
support from outsiders (as expressed in the popular saying ‘in a husband-and-wife quarrel, no
one should interfere’) or the difficulty of participating in workshops because doing so would
imply admitting a problem and may evoke feelings such as shame or fear of reprimand.
Regarding structure, the model is brief, with 5 to 8 weekly meetings lasting 1 hour and 30
minutes to 2 hours each. The present suggestion for adapting the workshop described to
contexts of intimate partner violence prevention is detailed below (Table 1).
Table 1.
Example of objectives and actions in a mindfulness workshop applied to couples
Day and main objective
Actions
1. Welcome participants and
establish a safe relational
space.
Presentation by facilitators and participants of the workshop objectives,
participation and coexistence rules; listening to participants’ expectations.
Propose doing two simple meditations for beginners together: 1 – flower and
candle: imagine holding a flower in one hand and a lit candle in the other. Inhale
slowly and deeply as if smelling the flower and then exhale gently as if
extinguishing the candle without blowing forcefully; 2 – bee breathing: inhale
slowly through the nose and, when exhaling, produce a sound similar to the
buzzing of a bee (‘Z’) until the air runs out.
2. Teach about mindfulness
Explain the origin, philosophy, and effectiveness of mindfulness in emotional
self-monitoring and changing thoughts. Show the Mindfulness Brasil –
UNIFESP YouTube channel for more information about mindfulness.
3. Practice mindfulness
exercises
Conduct meditations, for example: body scan (participants are invited to remain
seated or lying in a comfortable position and slowly direct attention to different
parts of the body, beginning with the feet and gradually moving up to the head);
with a cracker (carefully observe a cracker before and during eating. Notice one
sense at a time, aspects such as texture, smell, color, temperature, and taste,
chewing slowly and intentionally).
4. Mindfulness, compassion,
and self-compassion
Discuss the relationship among mindfulness, compassion, and self-compassion.
Propose activities that expand compassion and self-compassion. End with
loving-kindness meditation.
5. Teach and reflect on
protective and vulnerability
factors. Conclude the
workshop.
Explain vulnerability and protective factors and, through guiding questions,
help participants identify protective factors in their own lives (e.g., meaningful
support networks, pleasurable activities, values). Request an evaluation of the
experience and reinforce the importance of continuing the practices learned in
everyday relational life.
Note. Prepared by the authors (2026).
Although promising, mindfulness-based interventions have important limitations.
Damião Neto et al. (2020) observed that programs implemented as mandatory curricular
requirements had a smaller positive impact, suggesting that adherence, context of application,
and individual characteristics significantly influence intervention outcomes. In addition,
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mindfulness-based practices do not replace formal protection mechanisms or specialized
interventions in situations of severe violence, coercion, or imminent risk to physical and
psychological integrity. In contexts of established violence, articulation with the protection
network, specialized services, and public policies for confronting violence against women
becomes essential.
FINAL CONSIDERATIONS
Intimate partner violence constitutes a complex, multidetermined phenomenon
permeated by historical, cultural, economic, and relational inequalities, affecting women more
intensely, although it produces impacts on the entire family system. As discussed throughout
this article, understanding this problem demands broader approaches capable of simultaneously
considering the individual, social, and programmatic factors involved in the production,
maintenance, and confrontation of violence.
Narrative practices proved relevant because they make it possible to externalize violent
relational patterns, problematize hegemonic discourses, and construct alternative narratives that
are more coherent with values of respect, care, and cooperation. In parallel, mindfulness-based
strategies were discussed as complementary resources aimed at expanding emotional
awareness, reducing impulsivity, managing stress, and strengthening reflective capacity in
situations of relational tension.
Among the limitations of this article, its theoretical-reflective nature should be
mentioned because, although the proposals were based on the literature and the authors’
practice, their effectiveness needs to be tested. It should be noted that, although narrative and
mindfulness practices have been studied in cases involving reduction of substance use,
aggressiveness, psychological suffering, and emotional regulation in different contexts, these
studies need to be continued and their effects in cases of violence need to be verified.
Finally, it is hoped that the reflections presented may contribute to expanding preventive
practices in the fields of health, social assistance, education, and psychology, encouraging the
development of interdisciplinary interventions aimed at promoting relational health,
strengthening protective factors, and preventing intimate partner violence.
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CRediT Author Statement
Acknowledgments: Not applicable.
Funding: This work was carried out with funding from the Coordination for the
Improvement of Higher Education Personnel – Brazil (CAPES).
Conflicts of interest: Not applicable.
Ethical approval: Not applicable.
Data and materials availability: No direct empirical data were used.
Authors’ contributions: NLV: conceptualization; data curation; investigation;
methodology; writing of the original manuscript; review and editing. MRF:
conceptualization; data curation; investigation; methodology; writing of the original
manuscript; review and editing. CBO: conceptualization; data curation; investigation;
methodology; writing of the original manuscript. SPM: Review and editing. MLC: Review
and editing.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and Translation
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PRÁCTICAS NARRATIVAS Y MINDFULNESS CON PAREJAS:
AFRONTAMIENTO DE VULNERABILIDADES Y PREVENCIÓN DE LA
VIOLENCIA DE PAREJA ÍNTIMA
PRÁTICAS NARRATIVAS E MINDFULNESS COM CASAIS: ENFRENTAMENTO DE
VULNERABILIDADES E PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIA POR PARCEIRO ÍNTIMO
NARRATIVE PRACTICES AND MINDFULNESS WITH COUPLES: COPING WITH
VULNERABILITIES AND PREVENTING INTIMATE PARTNER VIOLENCE
Cómo citar este artículo:
Vio, N. L., Feijó, M. R., Okamoto, C. B. H., Macedo, S. P.,
& Camargo, M. L. (2026). Prácticas narrativas y mindfulness
con parejas: afrontamiento de vulnerabilidades y prevención
de la violencia de pareja íntima. Doxa: Rev. Bras. Psico. e
Educ., 27(esp1), e026017.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21305
| Enviado: 16/06/2026
| Modificaciones solicitadas: 24/06/2026
| Aprobado: 19/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Doctora en
Psicología del Desarrollo y del Aprendizaje (FC-Unesp).
2
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Doctora en
Psicología (PUC-SP), docente de los cursos de Grado y Postgrado en Psicología (Unesp).
3
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Maestranda
en Psicología del Desarrollo y del Aprendizaje (FC-Unesp).
4
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Doctora en
Psicología del Desarrollo y del Aprendizaje (FC-Unesp).
5
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), Bauru – São Paulo (SP) – Brasil. Profesor
Asistente Doctor en el Departamento de Psicología y del Programa de Posgrado en Psicología del Desarrollo y del
Aprendizaje de la Facultad de Ciencias (Unesp).
Natália Leal VIO
1
e-mail: natalia.[email protected]
Marianne Ramos FEIJÓ
2
e-mail: marian[email protected]r
Carolina Busato Heiderich OKAMOTO
3
e-mail: carolin[email protected]
Simone Pantaleão MACEDO
4
e-mail: simonep[email protected]u.br
Mário Lázaro CAMARGO
5
e-mail: mario[email protected]
Prácticas narrativas y mindfulness con parejas: afrontamiento de vulnerabilidades y prevención de la violencia de pareja íntima
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 2
RESUMEN: Este artículo, de carácter teórico-metodológico y exploratorio, tiene como
objetivo analizar la prevención de la violencia contra las mujeres perpetrada por parejas íntimas.
Se abordan las vulnerabilidades asociadas a esta forma de violencia y se proponen dos
estrategias de intervención —las prácticas narrativas y el mindfulness—, que pueden articularse
entre sí, con las políticas públicas y con otras intervenciones. Estas propuestas pueden llevarse
a cabo de forma colectiva o individual, con el propósito de mejorar la comunicación y la
autorregulación emocional, reducir la escalada de los conflictos conyugales y, en algunos casos,
favorecer el mantenimiento de la distancia física. Su aplicación debe realizarse de acuerdo con
la evaluación de los riesgos y las potencialidades de cada contexto relacional. Aunque estas
estrategias presentan potencial para fortalecer las acciones preventivas y respaldar
intervenciones orientadas a romper el ciclo de la violencia, se necesitan nuevas investigaciones,
especialmente de carácter interventivo, para examinar los efectos de la asociación entre las
prácticas de mindfulness y las prácticas narrativas en casos de violencia contra las mujeres
perpetrada por parejas íntimas.
PALABRAS CLAVE: Violencia de pareja íntima. Prácticas narrativas. Sistemas de apoyo
psicosocial. Mindfulness.
RESUMO: Este artigo, de caráter teórico-metodológico e exploratório, objetiva discutir a
prevenção da violência contra a mulher perpetrada por parceiros íntimos. São abordadas
vulnerabilidades associadas a essa forma de violência e propostas duas estratégias
interventivas, práticas narrativas e mindfulness, que podem ser articuladas entre si, às políticas
públicas e a outras intervenções. Essas propostas podem ser realizadas coletiva ou
individualmente, visando melhorar a comunicação e a autorregulação emocional, reduzir a
escalada de conflitos conjugais e, em alguns casos, favorecer a manutenção de distância física.
Seu uso deve ocorrer conforme a avaliação dos riscos e potencialidades de cada contexto
relacional. Embora apresentem potencial para fortalecer ações preventivas e subsidiar
intervenções voltadas à ruptura do ciclo da violência, novas pesquisas, especialmente de
caráter interventivo, são necessárias para verificar os efeitos da associação entre práticas de
mindfulness e práticas narrativas em casos de violência contra a mulher perpetrada por
parceiros íntimos.
PALAVRAS-CHAVE: Violência por parceiro íntimo. Práticas narrativas. Sistemas de apoio
psicossocial. Mindfulness.
ABSTRACT: This theoretical-methodological and exploratory article aims to discuss the
prevention of violence against women perpetrated by intimate partners. Vulnerabilities
associated with this form of violence are addressed, and two intervention strategies—narrative
practices and mindfulness—are proposed, which may be integrated with each other, public
policies, and other interventions. These approaches may be implemented collectively or
individually, aiming to improve communication and emotional self-regulation, reduce the
escalation of marital conflicts, and, in some cases, promote the maintenance of physical
distance. Their use should be guided by an assessment of the risks and potentialities of each
relational context. Although these strategies have the potential to strengthen preventive actions
and support interventions aimed at breaking the cycle of violence, further research, particularly
intervention-based studies, is needed to examine the effects of combining mindfulness and
narrative practices in cases of violence against women perpetrated by intimate partners.
KEYWORDS: Intimate partner violence. Narrative practices. Psychosocial support systems.
Mindfulness.
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCCIÓN
La Ley N° 11.340, del 7 de agosto de 2006, conocida como Ley Maria da Penha,
modificó el marco jurídico brasileño al especificar y tipificar las diferentes formas de violencia
de género (Brasil, 2006). Esta legislación contribuye significativamente a consolidar las
políticas de lucha contra la violencia hacia las mujeres mediante la creación de mecanismos
para prevenir la violencia doméstica y familiar, con el fin de hacer frente a este tipo de violencia
(Brasil, 2006).
A pesar de la ley, los índices de violencia siguen siendo elevados, lo que demuestra que
su prevención y afrontamiento continúan siendo importantes desafíos sociales y de salud
pública (Vio et al., 2026). Entre las distintas manifestaciones de violencia contra las mujeres
contempladas en la Ley Maria da Penha, destaca la violencia de pareja íntima (VPI). Esta forma
de violencia se caracteriza por la agresión en relaciones afectivas marcadas por vínculos de
intimidad, dependencia y convivencia (Krug et al., 2002).
La relevancia del estudio de la violencia de pareja íntima se ve respaldada por datos
oficiales que muestran que, en 2025, el 59,4% de los feminicidios fueron cometidos por parejas
íntimas y el 21,3% por exparejas (FBSP, 2025). Estos datos refuerzan que la violencia de pareja
íntima constituye un fenómeno grave y complejo con consecuencias multidimensionales, que
afecta predominantemente a las mujeres y sigue siendo un importante problema de salud
pública a nivel mundial (OMS, 2021). Otros factores que dificultan la reducción de la violencia
de pareja íntima son los discursos que sustentan su lógica y el contexto relacional en el que se
produce, marcado por vínculos afectivos, dependencia, desigualdades de género y otros factores
de vulnerabilidad que dificultan tanto la interrupción como la prevención de la violencia.
La violencia contra las mujeres implica una progresión gradual del conflicto, marcada
por una secuencia de intensificación conductual y simbólica (Brasil, 2006). Esta escalada del
conflicto, que a menudo persiste antes y después de las intervenciones externas, representa un
desafío para los profesionales de los ámbitos social y de la salud (Vio et al., 2026). Interrumpir
la violencia con el apoyo de las instituciones de seguridad y el sistema judicial no es suficiente
en todos los casos. Por lo tanto, es crucial abordar este problema articulando compromisos
globales para promover la equidad y el acceso a los derechos, pero también creando acciones
para interrumpir la violencia, que incluyan tratamientos e intervenciones individuales y
relacionales (Okamoto, 2026).
En los casos en que la pareja perpetra actos violentos contra la otra, es necesario frenar
su comportamiento, y la mujer generalmente necesita fortalecimiento y mayor autonomía para
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que la relación, que contribuye a perpetuar la violencia, pueda cambiar (Okamoto, 2026). La
cuestión de género que impregna la violencia de pareja íntima, frecuentemente agravada por el
consumo de sustancias y que, en un círculo vicioso, debilita aún más a la víctima, también es
objeto de reflexión en la lucha local y global contra la violencia de pareja íntima (Feijó et al.,
2005; Vio et al., 2026).
Abordar la violencia de pareja íntima no puede limitarse a medidas protectoras y
punitivas, sino que requiere estrategias preventivas variadas capaces de actuar sobre los factores
que favorecen la escalada de la violencia. En este sentido, si bien se han producido avances en
las políticas públicas y las estrategias para combatir la violencia contra las mujeres, la
producción científica aún centra su atención en acciones de protección, la responsabilización
de los agresores y la asistencia a las víctimas (Felizardo et al., 2021).
De acuerdo con la literatura, Soares et al. (2025) destacan que la prevención de la
violencia de pareja íntima enfrenta serios desafíos, principalmente debido a la tendencia a
descuidar y normalizar el problema. En consecuencia, investigadores y profesionales suelen
intervenir solo después de que la violencia ha ocurrido, lo que reduce drásticamente las
oportunidades de acciones preventivas en las etapas iniciales de la dinámica del conflicto. Este
escenario de continuidad y recurrencia de la agresión debilita las redes de protección y refuerza
la urgencia de desarrollar estrategias que articulen el fortalecimiento relacional, la
autorregulación emocional y la reflexión crítica sobre las desigualdades de género,
involucrando tanto a las personas dentro del ciclo de violencia como a la sociedad en general.
Por lo tanto, es imperativo explorar enfoques complementarios que amplíen el repertorio
preventivo antes de la escalada de conflictos, sin descuidar los factores de vulnerabilidad —
como el consumo de sustancias y el sufrimiento psicológico derivado de la ansiedad y la
depresión— que pueden manifestarse a través de conductas agresivas o sumisas.
Ante esta brecha, este artículo busca analizar las posibilidades de prevenir y abordar la
violencia de pareja íntima mediante la articulación entre prácticas narrativas y mindfulness,
proponiéndolas como estrategias complementarias para mitigar las vulnerabilidades que
influyen en este fenómeno. Desde una perspectiva metodológica, se trata de un estudio teórico-
reflexivo y exploratorio, basado en la literatura científica pertinente y articulado con la
experiencia profesional y académica de los autores.
Para abordar estos propósitos, el texto se organiza en tres secciones principales.
Inicialmente, se analiza el papel estructural del machismo en la violencia, seguido de una
presentación de los factores de vulnerabilidad asociados a la violencia de pareja íntima y la
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consiguiente necesidad de acciones preventivas. Posteriormente, se abordan las prácticas
narrativas y el mindfulness como herramientas prometedoras para fortalecer la autorregulación
emocional y las relaciones interpersonales. Con esta estructura, se argumenta que esta reflexión
puede contribuir a diversificar el repertorio de intervenciones profesionales, ayudando a
interrumpir la progresión de los conflictos antes de que se manifiesten formas más graves de
violencia, incluso en casos complejos donde, a pesar de un historial de peleas severas, las
parejas optan por mantener la cercanía relacional.
MACHISMO ESTRUCTURAL Y VIOLENCIA DE PAREJA ÍNTIMA (VPI)
La estructura y organización de la sociedad, especialmente la brasileña, es
profundamente sexista y patriarcal. En consecuencia, las mujeres son vistas como meros
objetos, propiedad de los hombres, y por ello deben servirles y someterse jerárquicamente a
ellos, tanto en el hogar como en el trabajo y otras instituciones (escuela, iglesia, etc.). Esta
cultura también se refleja en la dependencia económica que las mujeres solían tener de los
hombres con quienes estaban emparentadas por matrimonio (Vidi & Teixeira, 2022), lo que las
obligaba a someterse y condicionarse a los deseos masculinos como forma de compensación
por su sustento. Según Braga (2019), a medida que la humanidad se ha transformado, guiada
en diferentes momentos por preceptos religiosos, culturales, económicos y políticos, se ha
consolidado gradualmente un proceso de subyugación de las mujeres mediante la imposición
de un código de conducta que las sitúa en una condición de inferioridad con respecto a los
hombres.
El fenómeno conocido como “machismo estructural” permite la objetivación de la
mujer, la cual se manifiesta en diversos contextos sociales y se difunde ampliamente en la
publicidad y el entorno virtual. Esta idea consiste en valorar los atributos físicos de la mujer, es
decir, en enfatizar su cuerpo y su función sexual como objeto de placer masculino (Tasca,
2022). Se trata de un sistema
en el que la posibilidad de que una mujer transgrediera las normas y experimentara el ‘sabor’
de la libertad era muy restringida, si no imposible. El legado de este sistema sexista exigía ciertos
servicios gratuitos a las mujeres: domésticos, sexuales y reproductivos. (Prada, 2018, p. 72)
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A pesar de las importantes transformaciones ocurridas en las sociedades capitalistas —
la invención de la píldora anticonceptiva; la incorporación de las mujeres al mercado laboral en
Brasil a partir de la década de 1970; la creación de guarderías y escuelas que han permitido a
las mujeres dedicar más horas al trabajo formal, ya que sus hijos reciben mejor atención; la
creciente presencia de mujeres en escuelas y educación superior—, aún existen grandes
diferencias culturales y sociales que impiden que las mujeres alcancen ciertos puestos
profesionales y roles de liderazgo. En Brasil, algunas profesiones siguen estando fuertemente
masculinizadas, rechazando abiertamente o dificultando enormemente la participación
femenina. Cuando se trata de ejercer el liderazgo y, por lo tanto, ocupar puestos de autoridad
dentro de las estructuras organizacionales/institucionales, los obstáculos parecen ser aún
mayores (Hryniewicz & Vianna, 2018).
Para comprender mejor los aspectos de la vida personal y familiar, es importante
entender cómo se distribuyen las tareas domésticas y de cuidado en la sociedad brasileña. Un
factor que influye significativamente en la vida profesional es la diferencia en las horas que las
mujeres dedican al cuidado del hogar y la familia en comparación con las horas que los hombres
dedican a las mismas tareas (Okamoto, 2026). Esta tesis se ve corroborada por los datos del
último censo del Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE): Las mujeres que
trabajan fuera del hogar dedican, en promedio, 6,8 horas más por semana que los hombres que
trabajan fuera del hogar a las tareas domésticas y/o al cuidado de personas dependientes (IBGE,
2022).
En resumen, las mujeres contemporáneas han conquistado derechos, aunque aún
enfrentan resistencia para disfrutarlos en igualdad de condiciones, así como para dialogar con
los hombres y afrontar el machismo estructural que puede victimizarlas. Sin negar la
importancia crucial de cambios sociales más amplios y el tratamiento específico de los casos
donde la violencia se ha agravado y arraigado, se destaca que el diálogo y la regulación de las
emociones son medios preventivos a nivel microsocial (familiar). Estos recursos favorecen la
solución de la desigualdad de género y el desequilibrio entre familia, trabajo, ocio y descanso,
que afectan más a las mujeres, pero a toda la familia.
VULNERABILIDADES Y DEMANDA POR ACCIONES PREVENTIVAS CONTRA
LA VIOLENCIA DE PAREJA ÍNTIMA
La violencia se configura como una expresión del riesgo de ruptura relacional y violación
de derechos (OMS, 1996), o incluso de dinámicas de conflicto no resueltas. Múltiples factores
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de vulnerabilidad están presentes y operan antes de culminar en una situación de violencia.
Estos factores se articulan en diferentes niveles individuales, sociales y programáticos (Silva et
al., 2015). Por lo tanto, los ejes de vulnerabilidad en salud son relevantes para comprender el
surgimiento y el mantenimiento de la violencia, ya que permiten examinar las desigualdades,
las debilidades institucionales y las limitaciones en el acceso a recursos y derechos (Silva et al.,
2015).
Esta comprensión está incluso incorporada al propio marco jurídico brasileño, ya que la
Ley Maria da Penha reconoce la multideterminación de la violencia de género (Brasil, 2006).
Más que un instrumento punitivo, la ley se configura como un mecanismo de intervención
ampliada que hace hincapié en la prevención, la educación para afrontar el machismo
estructural y la promoción de políticas públicas, además de defender la relevancia de las
estrategias de rehabilitación tanto para las víctimas como para los perpetradores de violencia
(Brasil, 2006).
En este sentido, aproximadamente 3,9 millones de mujeres afirmaron seguir viviendo con
sus agresores (FBSP, 2025), un hecho que evidencia su vulnerabilidad y refuta explicaciones
simplistas centradas en la decisión individual de romper o permanecer en la relación. Este
mantenimiento del vínculo, incluso en contextos de violencia, se comprende de forma compleja,
abarcando aspectos afectivos, relacionales, económicos y psicosociales.
Por ejemplo, factores como la baja autoestima, a menudo debilitada a lo largo del ciclo de
violencia, la dependencia económica y psicológica, así como el miedo a las represalias o la
intensificación de la agresión, constituyen importantes barreras para romper la relación; y, cabe
mencionar, con la existencia de hijos resultantes de la relación, el grado de complejidad se
amplifica, lo que a menudo dificulta aún más el proceso de romper el vínculo (Brasil, 2025;
OMS, 2013).
Por estas razones, las intervenciones no deben limitarse a la interrupción puntual de la
violencia, sino que deben proteger simultáneamente a las mujeres, promover su autonomía y
fortalecer sus recursos subjetivos y sociales. Esto implica considerar intervenciones que
integren acciones de acogida y seguridad, apoyo psicosocial, acceso a derechos y políticas
públicas, así como iniciativas dirigidas a la rehabilitación de los perpetradores de violencia. Las
víctimas deben ser fortalecidas para que puedan tomar buenas decisiones para sí mismas, lo
cual también puede lograrse mediante el uso de recursos narrativos y el autocuidado individual.
Las personas que han cometido actos violentos, especialmente los graves y premeditados, deben
recibir asistencia paralelamente a las consecuencias del proceso penal correspondiente. Este es
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un contexto diferente al que permite el diálogo con las parejas, que tampoco excluye
necesariamente la atención individual.
Es importante considerar que la violencia no se limita a la pareja, ya que sus efectos se
extienden más allá de la relación entre los cónyuges (Vio et al., 2026). La violencia entre parejas
también debilita a otros miembros de la familia, especialmente a los niños, lo que subraya la
necesidad de enfoques que aborden los múltiples niveles de impacto de estas experiencias (Vio
et al., 2026).
Entre las instituciones que conforman la red a activar, tanto para víctimas o familiares
como para perpetradores de violencia, se mencionan: Hospitales Generales (HG) y Unidades
Básicas de Salud (UBS), Centro de Referencia Especializado en Asistencia Social (CREAS),
Centro de Referencia en Asistencia a la Mujer (CRAM) y notificaciones de la Seguridad Pública
y de los organismos legales. En estos casos, la indicación de atención para la pareja debe
evaluarse dentro de la red y con criterios más rigurosos, evitando minimizar las amenazas y,
por lo tanto, los riesgos de perpetración de la violencia denunciada. Lo que aquí se propone no
se aplica a todos los casos ni a todos los momentos de disputa, que presentan diferentes
evoluciones y características a lo largo del tiempo. Las amenazas realizadas tras la ruptura de
una relación, que con frecuencia preceden a los feminicidios, exigen medidas de protección
inmediatas y pueden imposibilitar el diálogo conjunto y seguro con ambos miembros de la
pareja. Pero existen casos en los que las personas desean reconstruir o modificar sus relaciones
íntimas o consideran necesario adaptar la relación tras el divorcio para preservar la parentalidad.
Hay otros casos en los que la relación puede abordarse antes de que el abuso verbal se convierta
en otros tipos de violencia.
PRÁCTICAS NARRATIVAS, FORTALECIMIENTO PERSONAL Y RELACIONAL
EN EL CONTEXTO DE LA VIOLENCIA DE PAREJA ÍNTIMA
Las prácticas narrativas (PN) rompen con el modelo terapéutico tradicional (Romite,
2023) y se han consolidado como una estrategia terapéutica aplicada a contextos de alta
fragilidad psicosocial y violencia (Bloch & Feijó, 2025). El uso de estos recursos con parejas
se presenta como una estrategia relevante para la prevención de conflictos, el fortalecimiento
individual y la cualificación de los vínculos (Bloch & Feijó, 2025).
Sin embargo, debería sustituirse por prácticas narrativas individuales o grupales cuando
los encuentros entre parejas íntimas que han sufrido violencia generen un mayor riesgo de
reincidencia. Estas prácticas se basan en la premisa de que las experiencias se organizan a través
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de relatos y que dichas narrativas se construyen social y culturalmente, y permiten
problematizar patrones relacionales cristalizados, especialmente aquellos sostenidos por
discursos hegemónicos de género, poder y control (Bloch & Feijó, 2025). En las prácticas
narrativas, el terapeuta fomenta espacios de diálogo que permiten a los participantes reflexionar
sobre sus valores, necesidades y formas de interacción, promoviendo la construcción de
alternativas relacionales que no impliquen violencia, sin minimizar la responsabilidad por los
actos cometidos.
Uno de los principales recursos utilizados es la externalización del problema, que
consiste en separar el problema de las personas (White & Epston, 1990), para deconstruir las
etiquetas y permitir una visión más relacional, contextual y procesual de los fenómenos
humanos. En lugar de entender a uno de los miembros de la pareja como “agresivo” o “difícil”
y al otro como “frágil” o “víctima”, por ejemplo, el enfoque se centra en investigar cómo la
“violencia” o el “ciclo de la falta de respeto” ha influido en la relación y cómo se puede
modificar para que las personas estén mejor protegidas. Este cambio reduce la culpa y la actitud
defensiva, favoreciendo una mayor apertura al diálogo y la responsabilidad compartida. No se
trata de minimizar la gravedad del problema ni de eximir de responsabilidad al agresor, sino de
brindar oportunidades para nuevas posibilidades de comportamiento y relación para ambas
partes, quienes necesitan respetarse y protegerse mutuamente.
Otro recurso clave es la construcción de estas narrativas alternativas o reautoría, en las
que se invita a los sujetos a desarrollar historias que sean más coherentes con sus valores
preferidos para la relación, como el respeto, la cooperación, el cuidado y la equidad (Bloch &
Feijó, 2025).
Las preguntas externalizantes y la exploración de los efectos también constituyen
elementos de las Prácticas Narrativas, que permiten mapear cómo ciertos patrones impactan
diferentes áreas de la vida (White & Epston, 1990) de la pareja y la familia, incluyendo las
dimensiones emocional, parental, social y laboral. Esta exploración puede articularse con los
ejes de vulnerabilidad (individual, social y programática) y contemplar objetivos como acoger
las historias y sufrimientos de los participantes para evitar procesos de retraumatización,
facilitar la expresión colectiva, el apoyo y el intercambio de experiencias, promover la reflexión
crítica sobre los discursos sociales dominantes, etc. (Romite, 2023).
El uso de estos recursos en el diálogo con parejas dispuestas a revisar su relación y
reflexionar sobre los efectos nocivos de la violencia no debe sustituir otras intervenciones
necesarias, como el tratamiento de la dependencia química, frecuentemente asociada a la
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violencia y a la disminución del control de los impulsos. En las reuniones con las parejas, se
pueden realizar derivaciones, además de sugerir prácticas complementarias de autocuidado,
tales como el mindfulness. El bienestar individual y la satisfacción marital están intrínsecamente
ligados, ya que se ven afectados por la calidad de la vida familiar; por lo tanto, las acciones son
diversas y la atención debe brindarse en diferentes niveles, según cada caso. Rara vez se puede
negar que la falta de acceso a los derechos, el sufrimiento psicológico grave y la falta de control
de los impulsos sean obstáculos para la prevención de la violencia.
MINDFULNESS COMO ESTRATEGIA COMPLEMENTARIA PARA FORTALECER
LA AUTORREGULACIÓN EMOCIONAL Y LA PREVENCIÓN DE CONFLICTOS
RELACIONALES
Las intervenciones basadas en mindfulness se han investigado ampliamente como
estrategias para promover la salud mental en diversos contextos. Entendido como la capacidad
de dirigir la atención de forma intencional y sin juzgar al momento presente (Kabat-Zinn, 2003),
el mindfulness implica una variedad de prácticas. Estas incluyen acciones sistematizadas como
meditaciones guiadas, ejercicios de respiración y técnicas de enfoque atencional (Vio, 2026).
Entre los beneficios se incluyen la conciencia emocional y la reducción de las respuestas
automáticas a situaciones estresantes, una mayor tolerancia al malestar psicológico, una mayor
flexibilidad cognitiva y una menor impulsividad y reactividad automática ante situaciones
estresantes (Vio, 2026). Estos efectos cobran especial relevancia en contextos relacionales
marcados por la tensión continua, los conflictos frecuentes y las dificultades de comunicación,
donde las respuestas emocionales intensas y mal reguladas suelen favorecer la escalada del
conflicto y las prácticas coercitivas.
En las relaciones matrimoniales marcadas por el estrés, la sobrecarga, las desigualdades
de género y el malestar psicológico, los factores de vulnerabilidad individuales, sociales y
programáticos tienden a intensificar los conflictos y dificultar su resolución (Silva et al., 2015).
Se reitera que, en este contexto, el mindfulness es una estrategia complementaria para fortalecer
la autorregulación emocional, y no un recurso individualizador ni un sustituto de otras
intervenciones necesarias (Vio et al., 2026). Por ejemplo, Gillions et al. (2019) revisaron 22
estudios sobre el uso del mindfulness en el contexto de la violencia y la agresión e identificaron
una reducción de las conductas agresivas en 16 de ellos, lo que indica efectos prometedores de
las intervenciones basadas en el mindfulness y enfoques relacionados para reducir la violencia
y la agresión en adultos.
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Basándose en un proyecto desarrollado por dos autoras de este artículo, en Vio et al.
(2026), este trabajo propone la adaptación de talleres breves de mindfulness para la prevención
de la violencia de pareja íntima. Los talleres combinan actividades psicoeducativas y prácticas
experienciales dirigidas a fortalecer la autorregulación emocional, el autocuidado, el manejo
del estrés y la calidad de las relaciones interpersonales. La propuesta se fundamenta en el
Pensamiento Sistémico y Complejo y la Teoría Bioecológica del Desarrollo Humano,
entendiendo la salud, el sufrimiento y la violencia como fenómenos multifactoriales producidos
por la interacción entre factores individuales, relacionales, sociales y programáticos
(Bronfenbrenner, 2011; Morin, 2015; Silva et al., 2015).
Aunque inicialmente se desarrollaron en un entorno universitario, los talleres pueden
adaptarse para acciones preventivas con parejas. Esta propuesta de adaptación para la
prevención de la violencia de pareja íntima establece los siguientes objetivos: autorregulación
emocional, fortalecimiento de la comunicación marital, mayor conciencia de los patrones
relacionales y desarrollo de estrategias preventivas para abordar la escalada de conflictos y las
vulnerabilidades relacionales. Dado que los talleres hacen hincapié en la enseñanza para la
posterior aplicación del conocimiento en la vida diaria, para evitar interferencias y facilitar el
aprendizaje, se propone que los talleres, al menos en las sesiones iniciales, se realicen en grupos
separados de cónyuges. La participación puede facilitarse tanto en grupo como
individualmente, según la disponibilidad del facilitador del taller y la demanda. Entre los
criterios de participación, se recomienda asegurar la participación de las parejas que creen tener
problemas, así como de aquellas que no creen tenerlos y simplemente desean aumentar su
autoconciencia y mejorar relaciones ya satisfactorias. Esta opción se justifica por la naturaleza
preventiva del taller (una pareja feliz hoy puede manifestar violencia en el futuro). Otro
argumento es que los conflictos y la violencia entre parejas se asocian con creencias que los
perpetúan, como la idea de que no se debe buscar ayuda externa (es decir, el dicho popular
“entre marido y mujer, nadie se debe meter”) o la dificultad para participar en talleres porque
esto implicaría reconocer un problema, y sentimientos como la vergüenza o el miedo a la
reprimenda. En cuanto a la estructura, el modelo es breve, con 5 a 8 reuniones semanales, cada
una de 1 hora y 30 minutos a 2 horas de duración. A continuación se detalla la adaptación
sugerida del taller descrito para contextos de prevención de la violencia de pareja íntima (Tabla
1).
Prácticas narrativas y mindfulness con parejas: afrontamiento de vulnerabilidades y prevención de la violencia de pareja íntima
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21305 12
Tabla 1.
Ejemplo de objetivos y acciones en un taller de mindfulness aplicado a parejas
Día y objetivo principal
Acciones
1. Dar la bienvenida a los
participantes y crear un
espacio seguro y propicio
para las relaciones
Presentación entre facilitadores y participantes de los objetivos del taller, reglas
de participación y convivencia; escuchar las expectativas de los participantes.
Proponer hacer juntos dos meditaciones sencillas para principiantes: 1 – flor y
vela: imaginar que sostienes una flor en una mano y una vela encendida en la
otra. Inhalar lenta y profundamente como si se estuviera oliendo la flor y luego
exhalar suavemente como si se estuviera apagando la vela sin soplar con fuerza;
2 – respiración de abeja: inhalar lentamente por la nariz y, al exhalar, producir
un sonido similar al zumbido de una abeja ('Z') hasta quedarse sin aire.
2. Enseñar sobre
mindfulness
Explicar el origen, la filosofía y la efectividad de mindfulness en el autocontrol
emocional y el cambio de pensamiento. Mostrar el canal de YouTube
Mindfulness Brasil – UNIFESP para obtener más información sobre el
mindfulness.
3. Practicar ejercicios de
mindfulness
Practicar meditaciones, por ejemplo: escaneo corporal (se invita a los
participantes a permanecer sentados o acostados en una posición cómoda,
dirigiendo lentamente su atención a diferentes partes del cuerpo, comenzando
por los pies y avanzando gradualmente hacia la cabeza); con la galleta (observar
atentamente una galleta antes y durante el acto de comer. Percibir un sentido a
la vez, aspectos como la textura, el olor, el color, la temperatura y el sabor,
masticando lenta e intencionadamente).
4. Mindfulness, compasión y
autocompasión
Analizar la relación entre mindfulness, la compasión y la autocompasión.
Proponer actividades que fomenten la compasión y la autocompasión. Concluir
con la meditación (o loving kindness).
5. Enseñar y reflexionar
sobre los factores de
protección y vulnerabilidad.
Concluir el taller
Explicar los factores de vulnerabilidad y protección mediante preguntas
orientadoras, ayudando a los participantes a identificar factores protectores en
sus propias vidas (por ejemplo, redes de apoyo importantes, actividades
placenteras, valores). Solicitar una evaluación de la experiencia y reforzar la
importancia de continuar aplicando las prácticas aprendidas en las interacciones
diarias.
Nota. Elaboración propia (2026).
las intervenciones basadas en mindfulness presentan limitaciones importantes. Damião
Neto et al. (2020) observaron que los programas implementados como requisito curricular
obligatorio tuvieron un impacto positivo menor, lo que sugiere que la adherencia, el contexto
de aplicación y las características individuales influyen significativamente en los resultados de
las intervenciones. Además, las prácticas basadas en mindfulness no reemplazan los
mecanismos formales de protección ni las intervenciones especializadas en situaciones de
violencia grave, coerción o riesgo inminente para la integridad física y psicológica. En
contextos de violencia establecida, la coordinación con la red de protección, los servicios
especializados y las políticas públicas que abordan la violencia contra las mujeres se vuelve
esencial.
CONSIDERACIONES FINALES
La violencia de pareja íntima es un fenómeno complejo y multifactorial, marcado por
desigualdades históricas, culturales, económicas y relacionales, que afecta con mayor
Natália Leal Vio, Marianne Ramos Feijó, Carolina Busato Heiderich Okamoto, Simone Pantaleão Macedo & Mário Lázaro Camargo
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026017, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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intensidad a las mujeres, si bien repercute en todo el sistema familiar. Como se analiza a lo
largo de este artículo, comprender este problema requiere enfoques más amplios que consideren
simultáneamente los factores individuales, sociales y programáticos implicados en la
producción, el mantenimiento y la afrontamiento de la violencia.
Las prácticas narrativas han demostrado su relevancia al permitir la exteriorización de
patrones relacionales violentos, la problematización de discursos hegemónicos y la
construcción de narrativas alternativas más coherentes con los valores de respeto, cuidado y
cooperación. Paralelamente, se analizaron estrategias basadas en mindfulness como recursos
complementarios destinados a ampliar la conciencia emocional, reducir la impulsividad,
gestionar el estrés y fortalecer la capacidad reflexiva ante la tensión relacional.
Entre las limitaciones de este artículo, cabe mencionar su carácter teórico-reflexivo, ya
que, si bien las propuestas se basan en la literatura y la práctica de los autores, es necesario
comprobar su eficacia. Se señala que, aunque se estudian prácticas narrativas y de mindfulness
en casos de reducción del consumo de sustancias, agresión, sufrimiento psicológico y
regulación emocional en diferentes contextos, es preciso continuar dichos estudios y verificar
sus efectos en casos de violencia.
Finalmente, se espera que las reflexiones presentadas puedan contribuir a la expansión
de las prácticas preventivas en los ámbitos de la salud, la asistencia social, la educación y la
psicología, fomentando el desarrollo de intervenciones interdisciplinarias destinadas a
promover la salud relacional, fortalecer los factores de protección y prevenir la violencia entre
parejas íntimas.
Prácticas narrativas y mindfulness con parejas: afrontamiento de vulnerabilidades y prevención de la violencia de pareja íntima
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N at áli a L e al Vi o, M ari a n n e R a m os F eij ó, C ar oli n a B us at o Hei d eri c h Ok a m ot o, Si m o n e P a nt al e ã o M a c e d o & M ári o L áz ar o C a m ar g o
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 7 , 2 0 2 6. e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 3 0 5 1 7
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : N o a pli c a.
Fi n a n ci a ci ó n : Est e tr a b aj o s e r e ali z ó c o n fi n a n cia ci ó n d e l a C o or di n a ci ó n d e
P erf e c ci o n a mi e nt o d el P ers o n al d e Ni v el S u p eri or – Br asil ( C A P E S).
C o nfli ct os d e i nt e r és : N o a pli c a.
A p r o b a ci ó n éti c a : N o a pli c a.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : N o s e utili z ar o n d at os e m píri c os dir e ct os .
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : N L V: c o n c e pt u ali z a ci ó n; c ur a ci ó n d e d at os; i n v esti g a ci ó n;
m et o d ol o gí a; r e d a c ci ó n d el m a n us crit o ori gi n al; r e visi ó n y e di ci ó n. M R F:
c o n c e pt u ali z a ci ó n; c ur a ci ó n d e d at os; i n v esti g a ci ó n; m et o d ol o gí a; r e d a c ci ó n d el m a n us crit o
ori gi n al; r e visi ó n y e dici ó n. C B O : c o n c e pt u ali z a ci ó n; c ur a ci ó n d e d at os; i n v esti g a ci ó n;
m et o d ol o gí a; r e d a c ci ó n d el m a n us crit o ori gi n al. S P M: R e visi ó n y e di ci ó n. M L C: R e visi ó n
y e di ci ó n.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, di a gr a m a ci ó n , n or m ali z a ci ó n y tr a d u c ci ó n