Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 1
ENTRE SILÊNCIOS E VIOLÊNCIAS: REVISÃO DA LITERATURA SOBRE
VIOLÊNCIA CONJUGAL NO ENVELHECIMENTO DE PESSOAS IDOSAS
LGBTQIA+
ENTRE SILENCIOS Y VIOLENCIAS: REVISIÓN DE LA LITERATURA SOBRE LA
VIOLENCIA CONYUGAL EN EL ENVEJECIMIENTO DE PERSONAS MAYORES
LGBTQIA+
BETWEEN SILENCES AND VIOLENCE: A LITERATURE REVIEW ON INTIMATE
PARTNER VIOLENCE IN THE AGING OF LGBTQIA+ OLDER ADULTS
Marcelo Foroni FENDER
1
e-mail: mfen[email protected]
Como referenciar este artigo:
Fender, M. F. (2026). Entre silêncios e violências: revisão da
literatura sobre violência conjugal no envelhecimento de
pessoas idosas LGBTQIA+. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
27(esp1), e026015.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21463
| Submetido em: 03/05/2026
| Revisões requeridas em: 13/05/2026
| Aprovado em: 17/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doutorando em
Psicologia Clínica.
Entre silêncios e violências: revisão da literatura sobre violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 2
RESUMO: A violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ permanece
pouco consolidada na literatura, apesar do avanço dos estudos sobre violência por parceiro
íntimo em populações LGBTQ+ e sobre envelhecimento, sexualidade e vulnerabilidades na
velhice. Este artigo apresenta uma revisão narrativa crítica, de abordagem qualitativa, baseada
em 19 produções publicadas entre 2011 e 2025, organizadas em três eixos analíticos. A análise
indica que o tema se constrói na interseção entre violência conjugal em populações LGBTQ+,
envelhecimento LGBTQIA+ e abuso na velhice entre minorias sexuais e de gênero. Os achados
apontam múltiplas camadas de invisibilidade e insuficiência institucional. Conclui-se que a
consolidação desse campo demanda maior produção empírica específica, refinamento
conceitual e respostas institucionalmente competentes.
PALAVRAS-CHAVE: Violência por parceiro íntimo. Envelhecimento. Idoso. Minorias
sexuais e de gênero.
RESUMEN: La violencia conyugal en el envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+
sigue siendo un objeto poco consolidado en la literatura, a pesar del avance de los estudios
sobre violencia de pareja íntima en poblaciones LGBTQ+ y sobre envejecimiento, sexualidad
y vulnerabilidades en la vejez. Este artículo presenta una revisión narrativa crítica, de enfoque
cualitativo, basada en 19 producciones publicadas entre 2011 y 2025, organizadas en tres ejes
analíticos. El análisis indica que el tema se construye en la intersección entre violencia
conyugal en poblaciones LGBTQ+, envejecimiento LGBTQIA+ y abuso en la vejez entre
minorías sexuales y de género. Los hallazgos muestran múltiples capas de invisibilidad e
insuficiencia institucional. Se concluye que la consolidación de este campo exige mayor
producción empírica específica, refinamiento conceptual y respuestas institucionalmente
competentes.
PALABRAS CLAVE: Violencia por pareja íntima. Envejecimiento. Persona mayor. Minorías
sexuales y de género.
ABSTRACT: Intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults remains
underdeveloped in the literature, despite the growth of studies on intimate partner violence in
LGBTQ+ populations and on aging, sexuality, and later-life vulnerabilities. This article
presents a critical narrative review, qualitative in approach, based on 19 publications from
2011 to 2025, organized into three analytical axes. The analysis shows that the topic is
constructed at the intersection of intimate partner violence in LGBTQ+ populations,
LGBTQIA+ aging, and elder abuse among sexual and gender minorities. The findings point to
multiple layers of invisibility and institutional insufficiency. The field requires more specific
empirical research, conceptual refinement, and institutionally competent responses.
KEYWORDS: Intimate partner violence. Aging. Older adults. Sexual and gender minorities.
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 3
INTRODUÇÃO
O envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ vem ganhando maior visibilidade na
produção científica, sobretudo em estudos voltados à sexualidade, ao gênero, à discriminação,
às redes de apoio, ao acesso a serviços e às condições de cuidado na velhice. Ainda assim, esse
reconhecimento permanece desigual e atravessado por lacunas analíticas importantes,
especialmente quando se considera a interseção entre envelhecimento, diversidade sexual e de
gênero e experiências de violência em relações íntimas. Parte da literatura tem mostrado que
pessoas idosas LGBTQIA+ seguem expostas a processos de invisibilidade social,
heteronormatividade, estigma, isolamento e fragilidade institucional, o que repercute em suas
possibilidades de reconhecimento, proteção e cuidado ao longo da velhice (Marchbank et al.,
2024; Pocahy, 2022).
No campo da violência, a produção sobre intimate partner violence em populações
LGBTQ+ tem se consolidado de forma mais robusta do que a literatura especificamente voltada
ao envelhecimento. Revisões e estudos empíricos indicam que lésbicas, gays, bissexuais,
pessoas trans e outras dissidências sexuais e de gênero podem vivenciar violência conjugal em
magnitudes relevantes, por vezes em níveis semelhantes ou superiores às observadas entre
pessoas heterossexuais e cisgênero (Ard & Makadon, 2011; Brown & Herman, 2015; Calton et
al., 2016). Ao mesmo tempo, essa literatura mostra que a violência em relações LGBTQ+ pode
assumir formas específicas de coerção e controle, como ameaça de outing, uso de insultos
ligados à orientação sexual e à identidade de gênero, restrição do acesso à comunidade
LGBTQ+, controle da expressão de gênero e exploração de vulnerabilidades produzidas por
estigma, discriminação e rejeição familiar (Calton et al., 2016; Campo & Tayton, 2015;
Kelleher et al., 2025).
Esse quadro ganha complexidade adicional quando se consideram diferenças internas
ao próprio campo LGBTQ+. Estudos recentes sugerem que pessoas trans e de gênero não
conforme figuram entre os grupos mais vulneráveis à vitimização por parceiro íntimo. A revisão
sistemática e meta-análise de Peitzmeier et al. (2020) identificou prevalências elevadas de
violência física e sexual em populações trans, bem como risco superior de vitimização em
comparação com pessoas cisgênero recrutadas nos mesmos estudos. Em contexto assistencial,
Valentine et al. (2017) também encontraram maiores chances de exposição a violência física
ou sexual em todos os subgrupos trans e de gênero não conforme avaliados, em comparação
com mulheres cisgênero. De modo semelhante, Langenderfer-Magruder et al. (2016)
observaram, em amostra de adultos LGBTQ do Colorado, maiores taxas de vitimização entre
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participantes trans do que entre seus pares cisgênero, enquanto Whitfield et al. (2021)
identificaram maiores chances de relato de violência emocional, física e sexual entre estudantes
LGBT, com destaque para pessoas bissexuais e trans.
Paralelamente, a literatura sobre violência em adultos mais velhos vem reconhecendo
que a violência conjugal na velhice constitui um fenômeno próprio, historicamente
subexplorado tanto nos estudos sobre violência doméstica quanto nos estudos sobre violência
contra a pessoa idosa. Esse reconhecimento é particularmente importante para o presente artigo,
pois permite compreender que a violência conjugal em adultos mais velhos não deve ser
dissolvida automaticamente em categorias mais amplas de maus-tratos, negligência ou
violência intrafamiliar, uma vez que envolve dinâmicas específicas de intimidade, dependência,
curso de vida, adoecimento e busca de ajuda (Hillman & Russell, 2024).
Entretanto, embora já exista uma literatura relativamente consolidada sobre violência
conjugal em populações LGBTQ+ e outra, também relevante, sobre envelhecimento
LGBTQIA+ e abuso na velhice, a produção especificamente centrada na violência conjugal no
envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ ainda se mostra mais escassa, fragmentada e
conceitualmente dispersa. Essa limitação exige cautela analítica. Não é metodologicamente
adequado tratar como equivalentes violência conjugal, violência contra a pessoa idosa, elder
abuse, discriminação institucional e outras formas de vulnerabilização que atravessam o
envelhecimento LGBTQIA+. Essas categorias podem se sobrepor em determinados contextos,
mas não são sinônimas, nem remetem automaticamente ao mesmo objeto analítico.
Essa distinção é particularmente importante porque a invisibilidade que marca o
envelhecimento LGBTQIA+ não se restringe à sexualidade ou ao reconhecimento identitário,
mas alcança também as experiências de sofrimento relacional e violência. Estudos sobre
sexualidade na velhice mostram que pessoas idosas seguem sendo frequentemente
representadas como assexuadas, desprovidas de desejo ou afastadas de relações íntimas,
enquanto pesquisas sobre envelhecimento e gênero evidenciam a persistência de padrões
tradicionais, desigualdades e silenciamentos no modo como o afeto, o corpo e a vida sexual são
socialmente compreendidos nessa etapa da vida (Bevilacqua et al., 2019; Crema & De Tilio,
2021; Santana, 2017; Vieira et al., 2016). Em populações LGBTQIA+, esse silenciamento tende
a se aprofundar diante da heteronormatividade, da história de patologização e criminalização,
da rejeição familiar, da maior probabilidade de viver só e da presença de serviços pouco
preparados para reconhecer relações e demandas dissidentes da norma cisheterossexual
(Marchbank et al., 2024; Pocahy, 2022).
Marcelo Foroni Fender
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Além disso, a própria produção científica sobre violência em relações LGBTQ+ ainda
enfrenta desafios metodológicos relevantes. Revisões recentes apontam limitações nas medidas
utilizadas para captar intimate partner violence em populações LGBTQ+, com problemas de
validade, confiabilidade e baixa incorporação de formas específicas de abuso, como identity
abuse, ameaça de outing e controle sobre cuidados relacionados à transição de gênero (Kelleher
et al., 2025). Tal quadro reforça que a escassez de evidências em torno da violência conjugal
no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ não decorre apenas do menor volume de
estudos, mas também de dificuldades conceituais e instrumentais do próprio campo.
Diante desse cenário, o presente artigo adota como recorte central a violência conjugal
no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+, entendendo-a como tema relevante, porém
ainda insuficientemente consolidado na literatura. A análise parte de uma postura
metodologicamente honesta, segundo a qual não se presume a existência de um campo já
maduro e plenamente delimitado, mas se busca examinar criticamente o que a produção
disponível permite sustentar sobre essa interseção. Para isso, a literatura é mobilizada a partir
de três eixos parcialmente sobrepostos: estudos sobre violência conjugal em populações
LGBTQ+, estudos sobre envelhecimento LGBTQIA+ e estudos sobre abuso e violência na
velhice entre minorias sexuais e de gênero. O objetivo não é fundir esses campos, mas
compreender seus pontos de aproximação, suas diferenças conceituais e os limites analíticos de
sua articulação.
Assim, sustenta-se que a violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas
LGBTQIA+ pode ser compreendida como fenômeno atravessado por múltiplas camadas de
invisibilidade: a invisibilidade da sexualidade e das relações íntimas na velhice; a invisibilidade
histórica das trajetórias LGBTQIA+ no curso de vida; a invisibilidade da violência em relações
não heterocentradas; e a invisibilidade institucional produzida por serviços, políticas e
dispositivos de cuidado ainda pouco preparados para reconhecer tais experiências. Mais do que
oferecer respostas fechadas a um campo em consolidação, este artigo busca contribuir para sua
delimitação analítica, reunindo e discutindo a literatura disponível de modo a explicitar tanto
os conhecimentos já produzidos quanto as lacunas que ainda precisam ser enfrentadas.
Problema de pesquisa
Embora a literatura já tenha demonstrado a relevância da violência conjugal em
populações LGBTQ+ e, em paralelo, venha ampliando a compreensão sobre envelhecimento,
sexualidade, discriminação e vulnerabilidades na velhice LGBTQIA+, permanece menos
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consolidado o conhecimento especificamente voltado à violência conjugal no envelhecimento
de pessoas idosas LGBTQIA+. Tal lacuna se expressa tanto na dispersão conceitual entre
categorias como intimate partner violence, elder abuse e outras formas de vulnerabilização no
envelhecimento LGBTQIA+, quanto na insuficiência de estudos que articulem diretamente
relações íntimas abusivas, curso de vida, velhice e diversidade sexual e de gênero.
Diante disso, o problema que orienta este artigo é: como a literatura tem construído,
delimitado e problematizado a violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas
LGBTQIA+, especialmente diante das sobreposições e distinções entre violência conjugal,
violência contra a pessoa idosa, invisibilidade relacional e vulnerabilidades institucionais?
Objetivos
Objetivo geral: analisar criticamente a literatura sobre violência conjugal no
envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+, buscando compreender como esse fenômeno
vem sendo construído na interseção entre os estudos sobre violência conjugal em populações
LGBTQ+, envelhecimento LGBTQIA+ e violência contra a pessoa idosa, bem como identificar
os elementos que estruturam sua invisibilidade, suas vulnerabilidades específicas e os limites
institucionais de seu reconhecimento e enfrentamento.
Objetivos específicos: a) identificar, na literatura, como a violência conjugal em
populações LGBTQ+ tem sido caracterizada, com atenção às formas específicas de abuso
relacionadas à orientação sexual, à identidade de gênero, à ameaça de outing, ao abuso dirigido
à identidade sexual ou de gênero, ao controle da expressão de gênero e às barreiras à busca de
ajuda; b) examinar de que modo o envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ é descrito na
literatura como contexto atravessado por invisibilidade, silêncio, heteronormatividade,
isolamento, discriminação e fragilidade de redes de apoio, e como esses elementos podem
incidir sobre a experiência da violência conjugal; c) analisar criticamente a contribuição e os
limites da literatura sobre violência contra a pessoa idosa e elder abuse para a compreensão da
violência conjugal no envelhecimento LGBTQIA+; d) evidenciar as lacunas teóricas, empíricas
e metodológicas ainda presentes na produção científica sobre violência conjugal no
envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+, indicando limites atuais e necessidades para o
avanço do campo.
Marcelo Foroni Fender
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METODOLOGIA
Este artigo consiste em uma revisão narrativa crítica da literatura, de abordagem
qualitativa, orientada pelo problema de pesquisa e pela necessidade de examinar a produção
científica sobre violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ a partir
de campos parcialmente sobrepostos. A escolha desse delineamento decorre do próprio estado
da literatura, ainda marcado por dispersão conceitual, heterogeneidade metodológica e baixa
consolidação empírica específica sobre o tema.
O corpus analisado foi composto por 19 produções nacionais e internacionais publicadas
entre 2011 e 2025, reunidas e selecionadas ao longo da elaboração do manuscrito em torno de
três eixos principais: violência conjugal em populações LGBTQ+; envelhecimento
LGBTQIA+; e abuso, violência e vulnerabilidades na velhice entre minorias sexuais e de
gênero. Foram priorizados artigos científicos, revisões, capítulos acadêmicos e estudos
originais com contribuição direta para a delimitação do objeto. Relatórios institucionais e
documentos técnicos também foram considerados, de modo complementar, quando
contribuíam para a contextualização de lacunas do campo, problemas de serviço ou desafios de
resposta institucional.
A seleção analítica dos textos foi orientada por pertinência temática e centralidade
argumentativa. Permaneceram no corpus os materiais que abordavam, de forma mais direta, ao
menos uma das seguintes dimensões: definição e problematização da violência conjugal ou
violência por parceiro íntimo em populações LGBTQ+; envelhecimento de pessoas
LGBTQIA+ em articulação com sexualidade, gênero, estigma, heteronormatividade,
isolamento ou redes de apoio; abuso, negligência, vulnerabilidade ou violência na velhice
envolvendo minorias sexuais e de gênero; e limites conceituais, metodológicos ou instrumentais
da literatura sobre violência em relações LGBTQ+. Foram excluídos textos com relação apenas
tangencial ao problema proposto ou sem contribuição analítica efetiva para a delimitação do
corpus.
A análise foi conduzida por leitura integral, comparativa e interpretativa dos textos
selecionados. Para fins de organização, os materiais foram distribuídos nos três eixos temáticos
e submetidos a exame analítico segundo foco temático, natureza da publicação, contribuições
conceituais, evidências empíricas e utilidade para o problema de pesquisa. Em termos
operacionais, o processo analítico se organizou em três movimentos: identificação de categorias
e definições mobilizadas pelos estudos; mapeamento de regularidades e tensões do corpus; e
exame das lacunas do campo, incluindo a escassez de trabalhos diretamente centrados em
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pessoas idosas LGBTQIA+ em situação de violência conjugal, as dificuldades de mensuração
e a recorrente diluição do fenômeno em categorias mais amplas de abuso ou vulnerabilização.
Por se tratar de revisão narrativa crítica, este estudo não adota protocolo de busca
exaustiva nem critérios de reprodutibilidade próprios de revisões sistemáticas ou de escopo.
Seu objetivo não é oferecer um mapeamento totalizante da literatura, mas construir uma leitura
analítica, conceitualmente controlada e metodologicamente prudente do corpus reunido. Nessa
direção, a análise procura demarcar com clareza o que a literatura permite afirmar, o que apenas
sugere e o que ainda permanece como lacuna.
VIOLÊNCIA CONJUGAL EM POPULAÇÕES LGBTQ+: CARACTERIZAÇÃO DO
FENÔMENO E ESPECIFICIDADES ANALÍTICAS
A literatura sobre violência conjugal em populações LGBTQ+ vem demonstrando, de
forma consistente, que esse fenômeno não pode ser tratado como residual, excepcional ou
derivado do modelo heterossexual tomado como padrão universal. Ao contrário, estudos e
revisões indicam que lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e outras dissidências sexuais e de
gênero podem experimentar violência conjugal em níveis relevantes, ainda que sua mensuração
varie amplamente entre investigações (Ard & Makadon, 2011; Brown & Herman, 2015; Calton
et al., 2016). O problema, portanto, não é apenas de ocorrência, mas também de reconhecimento
e nomeação.
Nesse campo, um dos avanços mais importantes da literatura foi deslocar a compreensão
da violência de modelos rigidamente ancorados em papéis binários de gênero para noções como
coerção, controle e dominação relacional. Esse deslocamento permite compreender que a
violência em relações LGBTQ+ pode envolver agressões físicas, sexuais, psicológicas e
econômicas, mas também formas específicas de controle identitário, tais como ameaça de
outing, exposição da orientação sexual ou identidade de gênero a terceiros, restrição de acesso
à comunidade LGBTQ+, chantagem afetiva baseada em estigma e controle sobre transição de
gênero ou expressão de gênero (Calton et al., 2016; Campo & Tayton, 2015; Kelleher et al.,
2025).
A literatura também mostra que a distribuição do risco não é homogênea no interior do
campo LGBTQ+. Langenderfer-Magruder et al. (2016) identificaram, em adultos LGBTQ do
Colorado, prevalência significativa de vitimização por parceiro íntimo e taxas mais altas entre
participantes trans do que entre seus pares cisgênero. Whitfield et al. (2021), ao analisar
estudantes universitários LGBT, observaram maiores chances de violência emocional, física e
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sexual, com destaque para pessoas bissexuais e trans. Tais estudos não podem ser transferidos
mecanicamente para a velhice, mas ajudam a demonstrar que a vulnerabilidade à violência
conjugal em populações LGBTQ+ é internamente estratificada por gênero, sexualidade e, em
alguns desenhos, por marcadores raciais e sociais.
Esse ponto torna-se ainda mais expressivo quando se considera a literatura sobre pessoas
trans e de gênero não conforme. Peitzmeier et al. (2020) identificaram prevalências elevadas de
violência física e sexual ao longo da vida e maior risco de vitimização em comparação com
pessoas cisgênero. Além disso, os autores associam a violência conjugal em populações trans a
pior saúde mental, maior uso de substâncias e piores desfechos em saúde sexual, indicando que
a experiência da violência não se restringe ao plano privado da relação, mas se conecta a
desigualdades estruturais mais amplas. Na atenção primária, Valentine et al. (2017) também
encontraram maiores chances de exposição a violência física ou sexual entre todos os subgrupos
trans e de gênero não conforme analisados, em comparação com mulheres cisgênero, além de
níveis relevantes de isolamento e comportamentos controladores.
Em conjunto, essa produção sustenta duas conclusões relevantes para o presente artigo.
A primeira é que a violência conjugal em populações LGBTQ+ possui especificidades
analíticas próprias e não deve ser tratada apenas como derivação do modelo heterocentrado
clássico. A segunda é que a diversidade interna do campo LGBTQ+ precisa ser mantida visível,
sobretudo quando se considera a vulnerabilidade acrescida de pessoas trans, não binárias e
bissexuais. Essas conclusões servem de base para a discussão posterior sobre velhice, sem
autorizar extrapolações automáticas para pessoas idosas LGBTQIA+.
ENVELHECIMENTO LGBTQIA+: INVISIBILIDADE, SEXUALIDADE, ESTIGMA E
REDES DE APOIO
O segundo eixo do corpus demonstra que o envelhecimento LGBTQIA+ não pode ser
reduzido a uma simples extensão cronológica do envelhecimento em geral. Trata-se de
experiência atravessada por história de estigma, criminalização, patologização, silenciamentos
familiares e institucionais e, em muitos casos, fragilidade das redes tradicionais de apoio. A
literatura reunida mostra que a velhice LGBTQIA+ é frequentemente vivida sob o signo da
invisibilidade: invisibilidade da sexualidade na velhice, invisibilidade da dissidência em relação
à hetero(cis)normatividade e invisibilidade das necessidades específicas de cuidado e proteção.
Estudos sobre sexualidade na velhice ajudam a compreender esse pano de fundo.
Pessoas idosas seguem sendo frequentemente representadas como assexuadas, desprovidas de
Entre silêncios e violências: revisão da literatura sobre violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+
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desejo ou afastadas da intimidade, e essa representação opera como forma de silenciamento
social do corpo, do afeto e da vida relacional. Ao mesmo tempo, pesquisas sobre
envelhecimento e gênero mostram que, mesmo na velhice, persistem desigualdades e
expectativas normativas distintas para homens e mulheres, o que afeta o modo como desejo,
autonomia, companheirismo e vulnerabilidade são socialmente interpretados (Bevilacqua et al.,
2019; Crema & De Tilio, 2021; Santana, 2017; Vieira et al., 2016). Em populações LGBTQIA+,
tais silenciamentos tendem a se aprofundar, pois a dissidência sexual e de gênero se soma ao
etarismo e à naturalização da velhice como espaço de retraimento afetivo-sexual.
Esse quadro não é apenas simbólico. Marchbank et al. (2024) mostram que pessoas
idosas 2SLGBTQIA+ tendem a enfrentar condições que aumentam a vulnerabilidade ao abuso
e à exclusão: maior probabilidade de isolamento social, menor suporte de famílias de origem,
maior dependência de serviços formais de cuidado e forte desconfiança em relação a sistemas
de saúde e instituições de longa permanência. O relatório também destaca que discriminação
em saúde, home care e long-term care permanece como problema estruturante, levando muitas
pessoas idosas LGBTQIA+ a atrasarem ou evitarem o acesso ao cuidado. Em sentido
semelhante, Pocahy (2022) enfatiza que o envelhecimento dissidente não pode ser lido fora das
relações de poder que organizam gênero, sexualidade, classe e reconhecimento social.
Esse aspecto é particularmente importante para o recorte do artigo. Se a experiência do
envelhecimento LGBTQIA+ já é marcada por silenciamento, precariedade de reconhecimento
e insegurança institucional, então o reconhecimento da violência conjugal tende a se tornar
ainda mais difícil. Não se trata apenas de uma dificuldade individual de nomear o abuso, mas
de um contexto relacional e social no qual relações íntimas de pessoas idosas LGBTQIA+
podem ser deslegitimadas, invisibilizadas ou tratadas como irrelevantes por serviços e
instituições.
ABUSO, VIOLÊNCIA E VULNERABILIDADES NA VELHICE LGBTQIA+
O terceiro eixo do corpus reúne estudos sobre abuso e violência na velhice entre
minorias sexuais e de gênero. Esse bloco é indispensável ao artigo, mas precisa ser manejado
com precisão conceitual. Ele não constitui, em si, literatura sobre violência conjugal, embora
contribua fortemente para a compreensão das vulnerabilidades, formas de abuso e barreiras
institucionais que atravessam a velhice LGBTQIA+.
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O estudo de Gutman et al. (2023) é particularmente importante nesse ponto, porque
oferece uma das poucas análises quantitativas com base populacional sobre abuso em minorias
sexuais idosas. Utilizando dados do Canadian Longitudinal Study on Aging, os autores
identificaram prevalência geral de abuso de 10,0% entre heterossexuais e 12,0% entre minorias
sexuais, com maior prevalência entre mulheres de minorias sexuais. O abuso psicológico foi o
mais frequente; o abuso financeiro apareceu como aquele em que a orientação sexual
permaneceu como preditor significativo no modelo multivariado; e o abuso físico, embora
menos prevalente, também esteve presente. Os autores ainda destacam a associação com
solidão, depressão, experiências adversas precoces e pior saúde autopercebida.
Esse estudo é valioso por duas razões. Primeiro, porque demonstra quantitativamente
que minorias sexuais idosas não podem ser tratadas como grupo indiferenciado em relação à
violência e ao abuso na velhice. Segundo, porque mostra que parte da vulnerabilidade se
distribui de maneira desigual dentro do próprio grupo, com destaque para mulheres de minorias
sexuais. Contudo, também é preciso reconhecer seu limite para o presente artigo: trata-se de
estudo sobre elder abuse em sentido amplo, e não especificamente sobre violência conjugal.
Por isso, sua utilidade principal aqui é sustentar a existência de vulnerabilidades específicas e
a relevância de diferenciar subtipos de abuso, e não fornecer evidência direta sobre violência
por parceiro íntimo.
O relatório de Marchbank et al. (2023) reforça esse ponto por outra via. A síntese mostra
que pessoas idosas 2SLGBTQIA+ podem sofrer abuso físico, psicológico, financeiro, sexual e
negligência, além de microagressões e discriminação sistêmica em serviços. Mostra também
que a literatura disponível ainda é pequena, que há pouco consenso sobre a idade de corte para
definir older adults e que há grande necessidade de pesquisas quantitativas e qualitativas mais
robustas. Além disso, o relatório enfatiza a presença de discriminação em saúde, long-term care
e home care, o retorno ao armário em ambientes de cuidado, a importância de treinamento
culturalmente seguro e a persistência da homofobia e transfobia como fatores de risco.
Esse bloco, portanto, contribui para o artigo em dois planos. No primeiro, mostra que a
velhice LGBTQIA+ já é um terreno de vulnerabilidade diferenciada ao abuso. No segundo,
evidencia que boa parte das respostas institucionais permanece inadequada para acolher,
nomear e enfrentar essas experiências. O ponto decisivo, contudo, é manter clara a distinção
analítica: essa literatura ajuda a compreender o pano de fundo da violência conjugal no
envelhecimento LGBTQIA+, mas não deve ser tratada automaticamente como equivalente à
literatura sobre parceiro íntimo.
Entre silêncios e violências: revisão da literatura sobre violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+
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BARREIRAS DE RECONHECIMENTO, BUSCA DE AJUDA E RESPOSTA
INSTITUCIONAL
Se a violência conjugal em populações LGBTQ+ já enfrentou reconhecimento tardio, a
literatura também mostra que as barreiras de busca de ajuda constituem um dos elementos mais
persistentes do fenômeno. Calton et al. (2016) sintetizam essas dificuldades em torno de três
eixos: compreensão limitada do problema, estigma e inequidades sistêmicas. Isso significa que
a dificuldade de buscar ajuda não se reduz à hesitação individual, mas se inscreve em contextos
nos quais a violência é mal reconhecida, a vítima teme exposição, e os serviços tendem a operar
a partir de referenciais heteronormativos.
Campo e Tayton (2015) reforçam essa discussão ao mostrar que a violência conjugal
em comunidades LGBTIQ foi por muito tempo invisível nas respostas governamentais,
jurídicas e assistenciais, justamente porque os sistemas de proteção foram construídos segundo
um enquadramento heterossexual no qual homens são presumidos como agressores e mulheres
como vítimas. Nesse contexto, vítimas LGBTQ+ podem ter dificuldade para identificar a
violência como tal, e profissionais podem ter dificuldade para reconhecer dinâmicas de coerção
e controle em relações que não se encaixam nesse modelo.
Ford et al. (2013) oferecem evidência concreta dessa limitação institucional. Em
levantamento com profissionais de serviços de prevenção e intervenção em violência doméstica
em Los Angeles, os autores encontraram baixa formação específica em LGBT IPV (intimate
partner violence), ausência quase total de pessoal com responsabilidade dedicada ao tema e
percepção disseminada de que os serviços não atendem adequadamente essa população. Entre
as demandas mais frequentes apareciam aconselhamento, moradia segura, apoio jurídico e
ajuda para navegação no sistema de saúde. O estudo sugere, portanto, que a inadequação
institucional é menos episódica do que estrutural.
Quando o recorte é deslocado para a velhice, essas barreiras tendem a se adensar. A
literatura sobre velhice LGBTQIA+ indica que pessoas idosas podem evitar serviços por medo
de discriminação, de perda de autonomia, de institucionalização hostil ou de retorno ao armário.
Assim, o problema da violência conjugal não se esgota no reconhecimento da experiência
abusiva, mas envolve também a ausência de caminhos seguros, culturalmente competentes e
legitimadores para sua revelação. É nesse ponto que a discussão sobre violência conjugal no
envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ ganha sua maior densidade crítica: a
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 13
invisibilidade do fenômeno não deriva apenas da escassez de estudos, mas da precariedade das
condições institucionais para seu reconhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no corpus reunido, é possível sustentar que a violência conjugal no
envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ constitui objeto relevante, mas ainda
insuficientemente consolidado. A literatura sobre violência conjugal em populações LGBTQ+
já oferece base importante sobre prevalência, especificidades do abuso e barreiras de ajuda. A
literatura sobre envelhecimento LGBTQIA+ mostra, por sua vez, que a velhice é atravessada
por invisibilidade, etarismo, heteronormatividade e fragilidade institucional. Já a literatura
sobre abuso na velhice entre minorias sexuais e de gênero demonstra vulnerabilidades
específicas, discriminação sistêmica e necessidade de respostas culturalmente seguras. O
problema é que esses três blocos ainda dialogam mais por aproximação crítica do que por
integração consolidada.
É nesse ponto que referências mais aderentes, como Hillman e Russell (2024), ganham
importância estratégica, porque ajudam a deslocar a discussão para um terreno mais diretamente
ligado à violência conjugal entre adultos mais velhos LGBTQ+. Ainda assim, o estado atual do
campo sugere que a violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+
permanece marcada por baixa densidade empírica, forte sobreposição conceitual e insuficiência
de respostas institucionais. Em vez de enfraquecer o artigo, esse diagnóstico constitui um de
seus principais achados.
A principal contribuição acadêmica desta revisão está em delimitar, com maior precisão,
um campo que ainda comparece de forma fragmentada na literatura. Ao articular criticamente
estudos sobre violência conjugal em populações LGBTQ+, envelhecimento LGBTQIA+ e
abuso na velhice entre minorias sexuais e de gênero, o artigo evidencia que a violência conjugal
no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ não deve ser tratada nem como extensão
automática da literatura sobre violência conjugal em populações LGBTQ+, nem como simples
subtipo de violência contra a pessoa idosa.
Como revisão narrativa crítica, este estudo apresenta limitações que precisam ser
reconhecidas. O corpus analítico, composto por 19 produções publicadas entre 2011 e 2025,
não resulta de busca exaustiva e reproduz, em parte, a concentração de estudos no Norte Global
e a ainda pequena quantidade de investigações diretamente centradas em pessoas idosas
Entre silêncios e violências: revisão da literatura sobre violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 14
LGBTQIA+ em situação de violência conjugal. Essa condição restringe a generalização dos
achados e reforça que as inferências aqui apresentadas devem ser lidas como delimitação
analítica de um campo em consolidação, e não como síntese definitiva da literatura.
O avanço desse debate exige, portanto, novas investigações empíricas, qualitativas e
quantitativas, especialmente voltadas às experiências de pessoas idosas LGBTQIA+ em
situação de violência conjugal, às diferenças internas entre subgrupos e às respostas produzidas
por serviços de saúde, assistência e justiça. Também se mostra necessário desenvolver
instrumentos mais sensíveis às formas específicas de abuso em relações LGBTQ+,
particularmente no envelhecimento, bem como fortalecer dispositivos institucionais de
acolhimento, denúncia e cuidado que não reproduzam invisibilidade, estigma e violência
secundária.
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 15
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M ar c el o F or o ni F e n d er
D o x a: R e v. B r as. Psic o. e E d u c ., Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 5 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4-8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 6 3 1 7
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : N ã o s e a pli c a.
Fi n a n ci a m e nt o : C o or d e n a ç ã o d e A p erf ei ç o a m e nt o d e P ess o al d e Ní v el S u p eri or ( C A P E S) .
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á c o nflit os d e i nt er ess e a d e cl ar ar.
A p r o v a ç ã o éti c a : P or s e tr at ar d e r e vis ã o d e lit er at ur a, o est u d o n ã o e n v ol v e u c ol et a dir et a
d e d a d os c o m p arti ci p a nt es e n ã o d e m a n d o u a pr e ci a ç ã o p or c o mit ê d e éti c a.
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : O c or p us utili z a d o é c o m p ost o p or d o c u m e nt os d e
a c ess o p ú bli c o o u dis p o ni bili z a d os p ar a a n ális e t e xt u al.
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es: M ar c el o F or o ni F e n d er f oi r es p o ns á v el p ela c o n c e p ç ã o d o
t e xt o, d efi ni ç ã o d o pr o bl e m a d e p es q uis a, a n ális e d a lit er at ur a e r e d a ç ã o d o m a n us crit o.
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 1
BETWEEN SILENCES AND VIOLENCE: A LITERATURE REVIEW ON
INTIMATE PARTNER VIOLENCE IN THE AGING OF LGBTQIA+ OLDER
ADULTS
ENTRE SILÊNCIOS E VIOLÊNCIAS: REVISÃO DA LITERATURA SOBRE
VIOLÊNCIA CONJUGAL NO ENVELHECIMENTO DE PESSOAS IDOSAS LGBTQIA+
ENTRE SILENCIOS Y VIOLENCIAS: REVISIÓN DE LA LITERATURA SOBRE LA
VIOLENCIA CONYUGAL EN EL ENVEJECIMIENTO DE PERSONAS MAYORES
LGBTQIA+
Marcelo Foroni FENDER
1
e-mail: mfen[email protected]
How to reference this paper:
Fender, M. F. (2026). Between silences and violence: a
literature review on intimate partner violence in the aging of
LGBTQIA+ older adults. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
27(esp1), e026015.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21463
| Submitted: 03/05/2026
| Revisions required: 13/05/2026
| Approved: 17/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. student in
Clinical Psychology.
Between silences and violence: a literature review on intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 2
ABSTRACT: Intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults remains
underdeveloped in the literature, despite the growth of studies on intimate partner violence in
LGBTQ+ populations and on aging, sexuality, and later-life vulnerabilities. This article
presents a critical narrative review, qualitative in approach, based on 19 publications from 2011
to 2025, organized into three analytical axes. The analysis shows that the topic is constructed
at the intersection of intimate partner violence in LGBTQ+ populations, LGBTQIA+ aging,
and elder abuse among sexual and gender minorities. The findings point to multiple layers of
invisibility and institutional insufficiency. The field requires more specific empirical research,
conceptual refinement, and institutionally competent responses.
KEYWORDS: Intimate partner violence. Aging. Older adults. Sexual and gender minorities.
RESUMO: A violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ permanece
pouco consolidada na literatura, apesar do avanço dos estudos sobre violência por parceiro
íntimo em populações LGBTQ+ e sobre envelhecimento, sexualidade e vulnerabilidades na
velhice. Este artigo apresenta uma revisão narrativa crítica, de abordagem qualitativa,
baseada em 19 produções publicadas entre 2011 e 2025, organizadas em três eixos analíticos.
A análise indica que o tema se constrói na interseção entre violência conjugal em populações
LGBTQ+, envelhecimento LGBTQIA+ e abuso na velhice entre minorias sexuais e de gênero.
Os achados apontam múltiplas camadas de invisibilidade e insuficiência institucional. Conclui-
se que a consolidação desse campo demanda maior produção empírica específica, refinamento
conceitual e respostas institucionalmente competentes.
PALAVRAS-CHAVE: Violência por parceiro íntimo. Envelhecimento. Idoso. Minorias
sexuais e de gênero.
RESUMEN: La violencia conyugal en el envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+
sigue siendo un objeto poco consolidado en la literatura, a pesar del avance de los estudios
sobre violencia de pareja íntima en poblaciones LGBTQ+ y sobre envejecimiento, sexualidad
y vulnerabilidades en la vejez. Este artículo presenta una revisión narrativa crítica, de enfoque
cualitativo, basada en 19 producciones publicadas entre 2011 y 2025, organizadas en tres ejes
analíticos. El análisis indica que el tema se construye en la intersección entre violencia
conyugal en poblaciones LGBTQ+, envejecimiento LGBTQIA+ y abuso en la vejez entre
minorías sexuales y de género. Los hallazgos muestran múltiples capas de invisibilidad e
insuficiencia institucional. Se concluye que la consolidación de este campo exige mayor
producción empírica específica, refinamiento conceptual y respuestas institucionalmente
competentes.
PALABRAS CLAVE: Violencia por pareja íntima. Envejecimiento. Persona mayor. Minorías
sexuales y de género.
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCTION
The aging of LGBTQIA+ older adults has gained greater visibility in scientific
production, particularly in studies focused on sexuality, gender, discrimination, support
networks, access to services, and care conditions in later life. Even so, this recognition remains
uneven and marked by important analytical gaps, especially when considering the intersection
between aging, sexual and gender diversity, and experiences of violence in intimate
relationships. Part of the literature has shown that LGBTQIA+ older adults remain exposed to
processes of social invisibility, heteronormativity, stigma, isolation, and institutional fragility,
which affect their possibilities for recognition, protection, and care throughout later life
(Marchbank et al., 2024; Pocahy, 2022).
In the field of violence, research on intimate partner violence in LGBTQ+ populations
has become more robust than the literature specifically focused on aging. Reviews and
empirical studies indicate that lesbians, gay men, bisexual people, trans people, and other sexual
and gender dissidents may experience intimate partner violence at relevant levels, sometimes
at rates similar to or higher than those observed among heterosexual and cisgender people (Ard
& Makadon, 2011; Brown & Herman, 2015; Calton et al., 2016). At the same time, this
literature shows that violence in LGBTQ+ relationships may assume specific forms of coercion
and control, such as threats of outing, the use of insults related to sexual orientation and gender
identity, restriction of access to the LGBTQ+ community, control over gender expression, and
exploitation of vulnerabilities produced by stigma, discrimination, and family rejection (Calton
et al., 2016; Campo & Tayton, 2015; Kelleher et al., 2025).
This picture becomes additionally complex when internal differences within the
LGBTQ+ field are considered. Recent studies suggest that trans and gender-nonconforming
people are among the groups most vulnerable to intimate partner victimization. The systematic
review and meta-analysis by Peitzmeier et al. (2020) identified high prevalence rates of physical
and sexual violence in trans populations, as well as a higher risk of victimization compared with
cisgender people recruited in the same studies. In healthcare settings, Valentine et al. (2017)
also found greater odds of exposure to physical or sexual violence across all trans and gender-
nonconforming subgroups assessed, compared with cisgender women. Similarly,
Langenderfer-Magruder et al. (2016) observed, in a sample of LGBTQ adults from Colorado,
higher victimization rates among trans participants than among their cisgender peers, while
Whitfield et al. (2021) identified greater odds of reporting emotional, physical, and sexual
violence among LGBT college students, especially bisexual and trans people.
Between silences and violence: a literature review on intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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At the same time, the literature on violence among older adults has increasingly
recognized that intimate partner violence in later life constitutes a phenomenon in its own right,
historically underexplored both in studies of domestic violence and in studies of violence
against older adults. This recognition is particularly important for the present article because it
allows us to understand that intimate partner violence among older adults should not
automatically be subsumed under broader categories of maltreatment, neglect, or intrafamilial
violence, since it involves specific dynamics of intimacy, dependency, life course, illness, and
help-seeking (Hillman & Russell, 2024).
However, although there is already a relatively consolidated literature on intimate
partner violence in LGBTQ+ populations and another relevant body of work on LGBTQIA+
aging and elder abuse, research specifically centered on intimate partner violence in the aging
of LGBTQIA+ older adults remains scarcer, more fragmented, and conceptually dispersed. This
limitation requires analytical caution. It is not methodologically appropriate to treat intimate
partner violence, violence against older adults, elder abuse, institutional discrimination, and
other forms of vulnerability affecting LGBTQIA+ aging as equivalent. These categories may
overlap in certain contexts, but they are not synonymous, nor do they automatically refer to the
same analytical object.
This distinction is particularly important because the invisibility that marks LGBTQIA+
aging is not restricted to sexuality or identity recognition, but also reaches experiences of
relational suffering and violence. Studies on sexuality in later life show that older adults are
still frequently represented as asexual, devoid of desire, or distanced from intimate
relationships, while research on aging and gender highlights the persistence of traditional
patterns, inequalities, and silences in the way affection, the body, and sexual life are socially
understood at this stage of life (Bevilacqua et al., 2019; Crema & De Tilio, 2021; Santana, 2017;
Vieira et al., 2016). Among LGBTQIA+ populations, this silencing tends to deepen in the face
of heteronormativity, the history of pathologization and criminalization, family rejection, a
greater likelihood of living alone, and the presence of services that are poorly prepared to
recognize relationships and demands that diverge from the cisheterosexual norm (Marchbank
et al., 2024; Pocahy, 2022).
In addition, scientific production on violence in LGBTQ+ relationships still faces
relevant methodological challenges. Recent reviews point to limitations in the measures used
to capture intimate partner violence in LGBTQ+ populations, including problems of validity,
reliability, and limited incorporation of specific forms of abuse, such as identity abuse, threats
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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of outing, and control over gender-transition-related care (Kelleher et al., 2025). This reinforces
that the scarcity of evidence concerning intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+
older adults results not only from the smaller volume of studies, but also from conceptual and
instrumental difficulties within the field itself.
In view of this scenario, the present article adopts intimate partner violence in the aging
of LGBTQIA+ older adults as its central focus, understanding it as a relevant topic that is still
insufficiently consolidated in the literature. The analysis proceeds from a methodologically
honest position, according to which the existence of an already mature and fully delimited field
is not presumed; rather, the aim is to critically examine what the available literature makes it
possible to sustain about this intersection. To this end, the literature is mobilized through three
partially overlapping axes: studies on intimate partner violence in LGBTQ+ populations,
studies on LGBTQIA+ aging, and studies on abuse and violence in later life among sexual and
gender minorities. The objective is not to merge these fields, but to understand their points of
approximation, conceptual differences, and the analytical limits of their articulation.
Thus, it is argued that intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults
can be understood as a phenomenon traversed by multiple layers of invisibility: the invisibility
of sexuality and intimate relationships in later life; the historical invisibility of LGBTQIA+
trajectories across the life course; the invisibility of violence in non-heterocentered
relationships; and the institutional invisibility produced by services, policies, and care
mechanisms that are still poorly prepared to recognize such experiences. Rather than offering
closed answers to a field still under consolidation, this article seeks to contribute to its analytical
delimitation by bringing together and discussing the available literature in a way that makes
explicit both the knowledge already produced and the gaps that still need to be addressed.
Research problem
Although the literature has already demonstrated the relevance of intimate partner
violence in LGBTQ+ populations and, in parallel, has broadened understanding of aging,
sexuality, discrimination, and vulnerabilities in LGBTQIA+ later life, knowledge specifically
focused on intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults remains less
consolidated. This gap is expressed both in the conceptual dispersion among categories such as
intimate partner violence, elder abuse, and other forms of vulnerability in LGBTQIA+ aging,
and in the insufficiency of studies that directly articulate abusive intimate relationships, life
course, later life, and sexual and gender diversity.
Between silences and violence: a literature review on intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 6
Accordingly, the problem guiding this article is: how has the literature constructed,
delimited, and problematized intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults,
especially in view of the overlaps and distinctions among intimate partner violence, violence
against older adults, relational invisibility, and institutional vulnerabilities?
Objectives
General objective: to critically analyze the literature on intimate partner violence in the
aging of LGBTQIA+ older adults, seeking to understand how this phenomenon has been
constructed at the intersection of studies on intimate partner violence in LGBTQ+ populations,
LGBTQIA+ aging, and violence against older adults, as well as to identify the elements
structuring its invisibility, its specific vulnerabilities, and the institutional limits to its
recognition and confrontation.
Specific objectives: a) to identify, in the literature, how intimate partner violence in
LGBTQ+ populations has been characterized, with attention to specific forms of abuse related
to sexual orientation, gender identity, threats of outing, abuse directed at sexual or gender
identity, control of gender expression, and barriers to help-seeking; b) to examine how the aging
of LGBTQIA+ older adults is described in the literature as a context marked by invisibility,
silence, heteronormativity, isolation, discrimination, and fragile support networks, and how
these elements may affect the experience of intimate partner violence; c) to critically analyze
the contributions and limits of the literature on violence against older adults and elder abuse for
understanding intimate partner violence in LGBTQIA+ aging; d) to highlight the theoretical,
empirical, and methodological gaps still present in scientific production on intimate partner
violence in the aging of LGBTQIA+ older adults, indicating current limitations and needs for
the advancement of the field.
METHODOLOGY
This article consists of a critical narrative literature review with a qualitative approach,
guided by the research problem and by the need to examine scientific production on intimate
partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults across partially overlapping fields.
The choice of this design derives from the state of the literature itself, which is still marked by
conceptual dispersion, methodological heterogeneity, and limited specific empirical
consolidation on the topic.
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 7
The analyzed corpus consisted of 19 national and international publications published
between 2011 and 2025, gathered and selected throughout the preparation of the manuscript
around three main axes: intimate partner violence in LGBTQ+ populations; LGBTQIA+ aging;
and abuse, violence, and vulnerabilities in later life among sexual and gender minorities.
Scientific articles, reviews, academic chapters, and original studies with direct contributions to
delimiting the object were prioritized. Institutional reports and technical documents were also
considered complementarily when they contributed to contextualizing gaps in the field, service-
related problems, or challenges in institutional responses.
The analytical selection of texts was guided by thematic relevance and argumentative
centrality. Materials remained in the corpus when they addressed, more directly, at least one of
the following dimensions: definition and problematization of intimate partner violence in
LGBTQ+ populations; aging of LGBTQIA+ people in articulation with sexuality, gender,
stigma, heteronormativity, isolation, or support networks; abuse, neglect, vulnerability, or
violence in later life involving sexual and gender minorities; and conceptual, methodological,
or instrumental limits in the literature on violence in LGBTQ+ relationships. Texts with only
tangential relationships to the proposed problem or without effective analytical contribution to
delimiting the corpus were excluded.
The analysis was conducted through full, comparative, and interpretive reading of the
selected texts. For organizational purposes, the materials were distributed across the three
thematic axes and subjected to analytical examination according to thematic focus, publication
type, conceptual contributions, empirical evidence, and usefulness for the research problem.
Operationally, the analytical process was organized into three movements: identification of
categories and definitions mobilized by the studies; mapping of regularities and tensions within
the corpus; and examination of gaps in the field, including the scarcity of work directly centered
on LGBTQIA+ older adults experiencing intimate partner violence, measurement difficulties,
and the recurrent dilution of the phenomenon into broader categories of abuse or vulnerability.
As a critical narrative review, this study does not adopt an exhaustive search protocol
or reproducibility criteria typical of systematic or scoping reviews. Its objective is not to offer
a totalizing map of the literature, but to construct an analytical, conceptually controlled, and
methodologically prudent reading of the assembled corpus. In this direction, the analysis seeks
to clearly demarcate what the literature allows us to affirm, what it only suggests, and what still
remains a gap.
Between silences and violence: a literature review on intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults
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INTIMATE PARTNER VIOLENCE IN LGBTQ+ POPULATIONS:
CHARACTERIZATION OF THE PHENOMENON AND ANALYTICAL
SPECIFICITIES
The literature on intimate partner violence in LGBTQ+ populations has consistently
demonstrated that this phenomenon cannot be treated as residual, exceptional, or derived from
a heterosexual model taken as a universal standard. On the contrary, studies and reviews
indicate that lesbians, gay men, bisexual people, trans people, and other sexual and gender
dissidents may experience intimate partner violence at relevant levels, although its
measurement varies widely across investigations (Ard & Makadon, 2011; Brown & Herman,
2015; Calton et al., 2016). The problem, therefore, concerns not only occurrence, but also
recognition and naming.
One of the most important advances in this literature has been the shift from
understanding violence through models rigidly anchored in binary gender roles toward notions
such as coercion, control, and relational domination. This shift makes it possible to understand
that violence in LGBTQ+ relationships may involve physical, sexual, psychological, and
economic aggression, but also specific forms of identity-based control, such as threats of outing,
disclosure of sexual orientation or gender identity to third parties, restriction of access to the
LGBTQ+ community, affective blackmail based on stigma, and control over gender transition
or gender expression (Calton et al., 2016; Campo & Tayton, 2015; Kelleher et al., 2025).
The literature also shows that risk is not homogeneously distributed within the LGBTQ+
field. Langenderfer-Magruder et al. (2016) identified, among LGBTQ adults in Colorado, a
significant prevalence of intimate partner victimization and higher rates among trans
participants than among their cisgender peers. Whitfield et al. (2021), in an analysis of LGBT
college students, observed greater odds of emotional, physical, and sexual violence, particularly
among bisexual and trans people. These studies cannot be mechanically transferred to later life,
but they help demonstrate that vulnerability to intimate partner violence in LGBTQ+
populations is internally stratified by gender, sexuality, and, in some designs, racial and social
markers.
This point becomes even more pronounced when the literature on trans and gender-
nonconforming people is considered. Peitzmeier et al. (2020) identified high prevalence rates
of physical and sexual violence across the life course and a greater risk of victimization
compared with cisgender people. In addition, the authors associate intimate partner violence in
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trans populations with poorer mental health, greater substance use, and worse sexual health
outcomes, indicating that the experience of violence is not restricted to the private sphere of the
relationship but connects to broader structural inequalities. In primary care, Valentine et al.
(2017) also found greater odds of exposure to physical or sexual violence among all trans and
gender-nonconforming subgroups analyzed, compared with cisgender women, in addition to
relevant levels of isolation and controlling behaviors.
Taken together, this production supports two conclusions that are relevant to the present
article. The first is that intimate partner violence in LGBTQ+ populations has its own analytical
specificities and should not be treated merely as a derivative of the classic heterocentered
model. The second is that internal diversity within the LGBTQ+ field must remain visible,
particularly when considering the heightened vulnerability of trans, nonbinary, and bisexual
people. These conclusions serve as a basis for the later discussion of later life, without
authorizing automatic extrapolations to LGBTQIA+ older adults.
LGBTQIA+ AGING: INVISIBILITY, SEXUALITY, STIGMA, AND SUPPORT
NETWORKS
The second axis of the corpus demonstrates that LGBTQIA+ aging cannot be reduced
to a simple chronological extension of aging in general. It is an experience shaped by a history
of stigma, criminalization, pathologization, family and institutional silencing, and, in many
cases, fragile traditional support networks. The literature reviewed shows that LGBTQIA+ later
life is frequently experienced under the sign of invisibility: invisibility of sexuality in later life,
invisibility of dissidence from hetero(cis)normativity, and invisibility of specific care and
protection needs.
Studies on sexuality in later life help to understand this background. Older adults
continue to be frequently represented as asexual, devoid of desire, or removed from intimacy,
and this representation operates as a form of social silencing of the body, affection, and
relational life. At the same time, research on aging and gender shows that, even in later life,
inequalities and distinct normative expectations for men and women persist, affecting how
desire, autonomy, companionship, and vulnerability are socially interpreted (Bevilacqua et al.,
2019; Crema & De Tilio, 2021; Santana, 2017; Vieira et al., 2016). Among LGBTQIA+
populations, these silences tend to deepen because sexual and gender dissidence is compounded
by ageism and the naturalization of later life as a space of affective-sexual withdrawal.
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This picture is not merely symbolic. Marchbank et al. (2024) show that 2SLGBTQIA+
older adults tend to face conditions that increase vulnerability to abuse and exclusion: greater
likelihood of social isolation, lower support from families of origin, greater dependence on
formal care services, and strong distrust toward health systems and long-term care institutions.
The report also highlights that discrimination in healthcare, home care, and long-term care
remains a structural problem, leading many LGBTQIA+ older adults to delay or avoid
accessing care. In a similar direction, Pocahy (2022) emphasizes that dissident aging cannot be
read outside the relations of power that organize gender, sexuality, class, and social recognition.
This aspect is particularly important for the focus of the article. If the experience of
LGBTQIA+ aging is already marked by silencing, precarious recognition, and institutional
insecurity, then recognizing intimate partner violence tends to become even more difficult. This
is not merely an individual difficulty in naming abuse, but a relational and social context in
which intimate relationships of LGBTQIA+ older adults may be delegitimized, rendered
invisible, or treated as irrelevant by services and institutions.
ABUSE, VIOLENCE, AND VULNERABILITIES IN LGBTQIA+ LATER LIFE
The third axis of the corpus brings together studies on abuse and violence in later life
among sexual and gender minorities. This body of work is indispensable to the article, but it
needs to be handled with conceptual precision. It does not, in itself, constitute literature on
intimate partner violence, although it contributes strongly to understanding the vulnerabilities,
forms of abuse, and institutional barriers that permeate LGBTQIA+ later life.
The study by Gutman et al. (2023) is particularly important in this regard because it
offers one of the few quantitative population-based analyses of abuse among older sexual
minorities. Using data from the Canadian Longitudinal Study on Aging, the authors identified
an overall prevalence of abuse of 10.0% among heterosexual people and 12.0% among sexual
minorities, with higher prevalence among women from sexual minorities. Psychological abuse
was the most frequent; financial abuse was the form for which sexual orientation remained a
significant predictor in the multivariate model; and physical abuse, although less prevalent, was
also present. The authors also highlight associations with loneliness, depression, early adverse
experiences, and poorer self-rated health.
This study is valuable for two reasons. First, it quantitatively demonstrates that older
sexual minorities cannot be treated as an undifferentiated group in relation to violence and abuse
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in later life. Second, it shows that part of the vulnerability is unevenly distributed within the
group itself, particularly among women from sexual minorities. However, its limitation for the
present article must also be acknowledged: it is a study of elder abuse in a broad sense, not
specifically intimate partner violence. Therefore, its main usefulness here is to support the
existence of specific vulnerabilities and the relevance of differentiating subtypes of abuse,
rather than to provide direct evidence on intimate partner violence.
The report by Marchbank et al. (2023) reinforces this point through another route. The
synthesis shows that 2SLGBTQIA+ older adults may experience physical, psychological,
financial, and sexual abuse, as well as neglect, microaggressions, and systemic discrimination
in services. It also shows that the available literature remains small, that there is little consensus
about the age threshold for defining older adults, and that there is a strong need for more robust
quantitative and qualitative research. In addition, the report emphasizes discrimination in
healthcare, long-term care, and home care, the return to the closet in care environments, the
importance of culturally safe training, and the persistence of homophobia and transphobia as
risk factors.
This body of work therefore contributes to the article at two levels. First, it shows that
LGBTQIA+ later life is already a terrain of differentiated vulnerability to abuse. Second, it
demonstrates that many institutional responses remain inadequate for receiving, naming, and
addressing these experiences. The decisive point, however, is to maintain the analytical
distinction clearly: this literature helps to understand the background of intimate partner
violence in LGBTQIA+ aging, but it should not automatically be treated as equivalent to the
literature on intimate partners.
BARRIERS TO RECOGNITION, HELP-SEEKING, AND INSTITUTIONAL
RESPONSE
If intimate partner violence in LGBTQ+ populations was itself recognized late, the
literature also shows that barriers to help-seeking constitute one of the most persistent elements
of the phenomenon. Calton et al. (2016) synthesize these difficulties around three axes: limited
understanding of the problem, stigma, and systemic inequities. This means that difficulty in
seeking help cannot be reduced to individual hesitation, but is situated within contexts in which
violence is poorly recognized, the victim fears exposure, and services tend to operate through
heteronormative frameworks.
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Campo and Tayton (2015) reinforce this discussion by showing that intimate partner
violence in LGBTIQ communities was for a long time invisible within governmental, legal, and
service responses, precisely because protection systems were built according to a heterosexual
framework in which men are presumed to be perpetrators and women victims. In this context,
LGBTQ+ victims may have difficulty identifying violence as such, and professionals may have
difficulty recognizing dynamics of coercion and control in relationships that do not fit this
model.
Ford et al. (2013) provide concrete evidence of this institutional limitation. In a survey
of professionals working in domestic violence prevention and intervention services in Los
Angeles, the authors found little specific training in LGBT IPV (intimate partner violence), an
almost complete absence of staff with dedicated responsibility for the topic, and a widespread
perception that services do not adequately meet the needs of this population. Among the most
frequent needs were counseling, safe housing, legal support, and assistance navigating the
healthcare system. The study therefore suggests that institutional inadequacy is less episodic
than structural.
When the focus shifts to later life, these barriers tend to become denser. The literature
on LGBTQIA+ later life indicates that older adults may avoid services because of fear of
discrimination, loss of autonomy, hostile institutionalization, or returning to the closet. Thus,
the problem of intimate partner violence is not exhausted by recognizing the abusive
experience, but also involves the absence of safe, culturally competent, and legitimizing
pathways for disclosure. It is at this point that the discussion of intimate partner violence in the
aging of LGBTQIA+ older adults acquires its greatest critical density: the invisibility of the
phenomenon derives not only from the scarcity of studies, but also from the precarious
institutional conditions for its recognition.
FINAL CONSIDERATIONS
Based on the assembled corpus, it is possible to sustain that intimate partner violence in
the aging of LGBTQIA+ older adults constitutes a relevant object that is still insufficiently
consolidated. The literature on intimate partner violence in LGBTQ+ populations already
provides an important basis regarding prevalence, specific forms of abuse, and barriers to help-
seeking. The literature on LGBTQIA+ aging, in turn, shows that later life is marked by
invisibility, ageism, heteronormativity, and institutional fragility. The literature on abuse in
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later life among sexual and gender minorities demonstrates specific vulnerabilities, systemic
discrimination, and the need for culturally safe responses. The problem is that these three bodies
of literature still dialogue more through critical approximation than through consolidated
integration.
It is at this point that more directly relevant references, such as Hillman and Russell
(2024), acquire strategic importance because they help shift the discussion toward a terrain
more directly connected to intimate partner violence among older LGBTQ+ adults. Even so,
the current state of the field suggests that intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+
older adults remains marked by limited empirical density, strong conceptual overlap, and
insufficient institutional responses. Rather than weakening the article, this diagnosis constitutes
one of its main findings.
The principal academic contribution of this review lies in more precisely delimiting a
field that still appears fragmented in the literature. By critically articulating studies on intimate
partner violence in LGBTQ+ populations, LGBTQIA+ aging, and abuse in later life among
sexual and gender minorities, the article demonstrates that intimate partner violence in the aging
of LGBTQIA+ older adults should be treated neither as an automatic extension of the literature
on intimate partner violence in LGBTQ+ populations nor as a simple subtype of violence
against older adults.
As a critical narrative review, this study has limitations that need to be acknowledged.
The analytical corpus, composed of 19 publications issued between 2011 and 2025, does not
result from an exhaustive search and partly reproduces the concentration of studies in the Global
North and the still small number of investigations directly centered on LGBTQIA+ older adults
experiencing intimate partner violence. This condition limits the generalization of the findings
and reinforces that the inferences presented here should be read as the analytical delimitation
of a field under consolidation, rather than as a definitive synthesis of the literature.
Advancing this debate therefore requires new empirical, qualitative, and quantitative
investigations, particularly those focused on the experiences of LGBTQIA+ older adults in
situations of intimate partner violence, internal differences among subgroups, and responses
produced by health, social assistance, and justice services. It is also necessary to develop
instruments more sensitive to specific forms of abuse in LGBTQ+ relationships, particularly in
later life, and to strengthen institutional mechanisms for reception, reporting, and care that do
not reproduce invisibility, stigma, and secondary violence.
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B et w e e n sil e n c es a n d vi ole n c e: a lit er at ur e r e vi e w o n i nti m at e p art n er vi ol e n c e i n t h e a gi n g of L G B T QI A + ol d er a d ults
D o x a: R e v. Br as. Psic o. e E d u c ., Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 5 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4-8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 6 3 1 6
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : N ot a p pli c a bl e .
F u n di n g : C o or di n ati o n f or t h e I m pr o v e m e nt of Hi g h er E d u c ati o n P ers o n n el ( C A P E S).
C o nfli cts of i nt e r est: T h er e ar e n o c o nfli cts of i nt er est t o d e cl ar e .
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D at a a n d m at e ri als a v ail a bilit y : T h e c or p us us e d c o nsists of p u bli cl y a c c essi bl e
d o c u m e nts or m at erials m a d e a v ail a ble f or t e xt u al a n al ysis .
A ut h o rs’ c o nt ri b uti o ns : M ar c el o F or o ni F e n d er w as r es p o nsi bl e f or t h e c o n c e pti o n of t h e
t e xt, d efi niti o n of t h e r es e ar c h pr o bl e m, a n al ysis of t h e lit er at ur e, a n d writi n g of t h e
m a n us cri pt .
P r o c ess i n g a n d e dit i n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n a n d tr a nsl ati o n
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 1
ENTRE SILENCIOS Y VIOLENCIAS: REVISIÓN DE LA LITERATURA SOBRE LA
VIOLENCIA CONYUGAL EN EL ENVEJECIMIENTO DE PERSONAS MAYORES
LGBTQIA+
ENTRE SILÊNCIOS E VIOLÊNCIAS: REVISÃO DA LITERATURA SOBRE
VIOLÊNCIA CONJUGAL NO ENVELHECIMENTO DE PESSOAS IDOSAS LGBTQIA+
BETWEEN SILENCES AND VIOLENCE: A LITERATURE REVIEW ON INTIMATE
PARTNER VIOLENCE IN THE AGING OF LGBTQIA+ OLDER ADULTS
Cómo citar este artículo:
Fender, M. F. (2026). Entre silencios y violencias: revisión
de la literatura sobre la violencia conyugal en el
envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+. Doxa:
Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026015.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21463
| Enviado: 03/05/2026
| Modificaciones solicitadas: 13/05/2026
| Aprobado: 17/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doctorando en
Psicología Clínica.
Entre silencios y violencias: revisión de la literatura sobre la violencia conyugal en el envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 2
RESUMEN: La violencia conyugal en el envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+
sigue siendo un objeto poco consolidado en la literatura, a pesar del avance de los estudios sobre
violencia de pareja íntima en poblaciones LGBTQ+ y sobre envejecimiento, sexualidad y
vulnerabilidades en la vejez. Este artículo presenta una revisión narrativa crítica, de enfoque
cualitativo, basada en 19 producciones publicadas entre 2011 y 2025, organizadas en tres ejes
analíticos. El análisis indica que el tema se construye en la intersección entre violencia conyugal
en poblaciones LGBTQ+, envejecimiento LGBTQIA+ y abuso en la vejez entre minorías
sexuales y de género. Los hallazgos muestran múltiples capas de invisibilidad e insuficiencia
institucional. Se concluye que la consolidación de este campo exige mayor producción empírica
específica, refinamiento conceptual y respuestas institucionalmente competentes.
PALABRAS CLAVE: Violencia por pareja íntima. Envejecimiento. Persona mayor. Minorías
sexuales y de género.
RESUMO: A violência conjugal no envelhecimento de pessoas idosas LGBTQIA+ permanece
pouco consolidada na literatura, apesar do avanço dos estudos sobre violência por parceiro
íntimo em populações LGBTQ+ e sobre envelhecimento, sexualidade e vulnerabilidades na
velhice. Este artigo apresenta uma revisão narrativa crítica, de abordagem qualitativa,
baseada em 19 produções publicadas entre 2011 e 2025, organizadas em três eixos analíticos.
A análise indica que o tema se constrói na interseção entre violência conjugal em populações
LGBTQ+, envelhecimento LGBTQIA+ e abuso na velhice entre minorias sexuais e de gênero.
Os achados apontam múltiplas camadas de invisibilidade e insuficiência institucional. Conclui-
se que a consolidação desse campo demanda maior produção empírica específica, refinamento
conceitual e respostas institucionalmente competentes.
PALAVRAS-CHAVE: Violência por parceiro íntimo. Envelhecimento. Idoso. Minorias
sexuais e de gênero.
ABSTRACT: Intimate partner violence in the aging of LGBTQIA+ older adults remains
underdeveloped in the literature, despite the growth of studies on intimate partner violence in
LGBTQ+ populations and on aging, sexuality, and later-life vulnerabilities. This article
presents a critical narrative review, qualitative in approach, based on 19 publications from
2011 to 2025, organized into three analytical axes. The analysis shows that the topic is
constructed at the intersection of intimate partner violence in LGBTQ+ populations,
LGBTQIA+ aging, and elder abuse among sexual and gender minorities. The findings point to
multiple layers of invisibility and institutional insufficiency. The field requires more specific
empirical research, conceptual refinement, and institutionally competent responses.
KEYWORDS: Intimate partner violence. Aging. Older adults. Sexual and gender minorities.
Marcelo Foroni Fender
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026015, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCCIÓN
El envejecimiento de las personas mayores LGBTQIA+ ha adquirido mayor visibilidad
en la producción científica, especialmente en estudios centrados en la sexualidad, el género, la
discriminación, las redes de apoyo, el acceso a servicios y las condiciones de atención en la
vejez. Sin embargo, este reconocimiento sigue siendo desigual y presenta importantes lagunas
analíticas, sobre todo al considerar la intersección entre el envejecimiento, la diversidad sexual
y de género, y las experiencias de violencia en las relaciones íntimas. Parte de la literatura ha
demostrado que las personas mayores LGBTQIA+ siguen expuestas a procesos de invisibilidad
social, heteronormatividad, estigma, aislamiento y fragilidad institucional, lo que afecta a sus
posibilidades de reconocimiento, protección y atención a lo largo de la vejez (Marchbank et al.,
2024; Pocahy, 2022).
En el ámbito de la violencia, la investigación sobre intimate partner violence en
poblaciones LGBTQ+ se ha consolidado de forma más robusta que la literatura centrada
específicamente en el envejecimiento. Las revisiones y los estudios empíricos indican que las
lesbianas, los gais, los bisexuales, las personas transgénero y otras personas con disidencias
sexuales y de género pueden experimentar violencia conyugal de magnitud significativa, a
veces en niveles similares o superiores a los observados entre personas heterosexuales y
cisgénero (Ard & Makadon, 2011; Brown & Herman, 2015; Calton et al., 2016). Al mismo
tiempo, esta literatura muestra que la violencia en las relaciones LGBTQ+ puede adoptar formas
específicas de coerción y control, como amenaza de outing, el uso de insultos relacionados con
la orientación sexual y la identidad de género, la restricción del acceso a la comunidad
LGBTQ+, el control de la expresión de género y la explotación de vulnerabilidades producidas
por el estigma, la discriminación y el rechazo familiar (Calton et al., 2016; Campo & Tayton,
2015; Kelleher et al., 2025).
Este panorama se vuelve aún más complejo al considerar las diferencias internas dentro
del propio campo LGBTQ+. Estudios recientes sugieren que las personas transgénero y no
conformes con el género se encuentran entre los grupos más vulnerables a la victimización por
parte de su pareja. La revisión sistemática y el metaanálisis de Peitzmeier et al. (2020)
identificaron altas prevalencias de violencia física y sexual en poblaciones transgénero, así
como un mayor riesgo de victimización en comparación con las personas cisgénero reclutadas
en los mismos estudios. En un entorno de atención, Valentine et al. (2017) también encontraron
mayores probabilidades de exposición a la violencia física o sexual en todos los subgrupos
transgénero y no conformes con el género evaluados, en comparación con las mujeres
Entre silencios y violencias: revisión de la literatura sobre la violencia conyugal en el envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+
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cisgénero. De manera similar, Langenderfer-Magruder et al. (2016) observaron, en una muestra
de adultos LGBTQ de Colorado, tasas más altas de victimización entre los participantes
transgénero que entre sus pares cisgénero, mientras que Whitfield et al. (2021) identificaron
mayores probabilidades de reportar violencia emocional, física y sexual entre estudiantes
LGBT, particularmente personas bisexuales y transgénero.
Paralelamente, la literatura sobre la violencia en adultos mayores ha reconocido que la
violencia conyugal en la vejez constituye un fenómeno distinto, históricamente poco explorado
tanto en los estudios sobre violencia doméstica como en los estudios sobre violencia contra las
personas mayores. Este reconocimiento es particularmente importante para este artículo, ya que
nos permite comprender que la violencia conyugal en adultos mayores no debe diluirse
automáticamente en categorías más amplias de maltrato, negligencia o violencia intrafamiliar,
puesto que implica dinámicas específicas de intimidad, dependencia, trayectoria vital,
enfermedad y búsqueda de ayuda (Hillman & Russell, 2024).
Sin embargo, si bien ya existe un corpus de literatura relativamente consolidado sobre
la violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+ y otro, igualmente relevante, sobre el
envejecimiento y el abuso en la vejez de las personas LGBTQIA+, la investigación centrada
específicamente en la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas mayores
LGBTQIA+ sigue siendo escasa, fragmentada y conceptualmente dispersa. Esta limitación
exige cautela analítica. No es metodológicamente apropiado tratar la violencia conyugal, la
violencia contra las personas mayores, elder abuse, la discriminación institucional y otras
formas de vulnerabilización que atraviesan el envejecimiento de las personas LGBTQIA+ como
equivalentes. Estas categorías pueden superponerse en ciertos contextos, pero no son sinónimas
ni se refieren automáticamente al mismo objeto de análisis.
Esta distinción es particularmente importante porque la invisibilidad que caracteriza el
envejecimiento LGBTQIA+ no se limita a la sexualidad o al reconocimiento de la identidad,
sino que también se extiende a experiencias de sufrimiento relacional y violencia. Los estudios
sobre la sexualidad en la vejez muestran que las personas mayores todavía son representadas
con frecuencia como asexuales, carentes de deseo o alejadas de las relaciones íntimas, mientras
que la investigación sobre el envejecimiento y el género resalta la persistencia de patrones
tradicionales, desigualdades y silencios en la forma en que el afecto, el cuerpo y la vida sexual
se entienden socialmente en esta etapa de la vida (Bevilacqua et al., 2019; Crema & De Tilio,
2021; Santana, 2017; Vieira et al., 2016). En las poblaciones LGBTQIA+, este silencio tiende
a profundizarse frente a la heteronormatividad, la historia de patologización y criminalización,
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el rechazo familiar, una mayor probabilidad de vivir solos y la presencia de servicios que están
poco preparados para reconocer relaciones y demandas que se desvían de la norma
cisheterosexual (Marchbank et al., 2024; Pocahy, 2022).
Además, la producción científica sobre la violencia en las relaciones LGBTQ+ aún
enfrenta importantes desafíos metodológicos. Revisiones recientes señalan limitaciones en las
medidas utilizadas para detectar intimate partner violence en poblaciones LGBTQ+, con
problemas de validez, fiabilidad y escasa incorporación de formas específicas de abuso, como
identity abuse, las amenazas de outing y el control sobre los cuidados relacionados con la
transición de género (Kelleher et al., 2025). Esta situación refuerza la idea de que la escasez de
evidencia sobre la violencia conyugal en adultos mayores LGBTQIA+ no solo se debe al menor
volumen de estudios, sino también a dificultades conceptuales e instrumentales dentro del
propio campo.
Ante este panorama, este artículo se centra en la violencia conyugal en el envejecimiento
de adultos mayores LGBTQIA+, considerándola un tema relevante, pero aún insuficientemente
consolidado en la literatura. El análisis adopta una postura metodológicamente honesta, que no
presupone la existencia de un campo maduro y completamente delimitado, sino que busca
examinar críticamente lo que la literatura disponible nos permite afirmar sobre esta
intersección. Para ello, se moviliza la literatura desde tres ejes parcialmente superpuestos:
estudios sobre violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+, estudios sobre el envejecimiento
LGBTQIA+ y estudios sobre abuso y violencia en la vejez entre minorías sexuales y de género.
El objetivo no es fusionar estos campos, sino comprender sus puntos de convergencia, sus
diferencias conceptuales y los límites analíticos de su articulación.
Así, se argumenta que la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas
mayores LGBTQIA+ puede entenderse como un fenómeno atravesado por múltiples capas de
invisibilidad: la invisibilidad de la sexualidad y las relaciones íntimas en la vejez; la
invisibilidad histórica de las trayectorias vitales LGBTQIA+; la invisibilidad de la violencia en
las relaciones no heterocéntricas; y la invisibilidad institucional producida por servicios,
políticas y mecanismos de atención que aún no están suficientemente preparados para reconocer
dichas experiencias. Más que ofrecer respuestas definitivas a un campo en consolidación, este
artículo busca contribuir a su delimitación analítica, recopilando y analizando la literatura
disponible para explicitar tanto el conocimiento ya producido como las lagunas que aún deben
abordarse.
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Problema de investigación
Si bien la literatura ya ha demostrado la relevancia de la violencia conyugal en las
poblaciones LGBTQ+ y, paralelamente, ha ampliado la comprensión del envejecimiento, la
sexualidad, la discriminación y las vulnerabilidades en la vejez LGBTQIA+, el conocimiento
específicamente enfocado en la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas
mayores LGBTQIA+ sigue estando menos consolidado. Esta brecha se manifiesta tanto en la
dispersión conceptual entre categorías como intimate partner violence, elder abuse y otras
formas de vulnerabilidad en el envejecimiento LGBTQIA+, como en la insuficiencia de
estudios que articulen directamente las relaciones íntimas abusivas, el curso de la vida, la vejez
y la diversidad sexual y de género.
En vista de esto, el problema que guía este artículo es: ¿cómo ha construido, delimitado
y problematizado la literatura la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas
mayores LGBTQIA+, especialmente considerando las superposiciones y distinciones entre la
violencia conyugal, la violencia contra las personas mayores, la invisibilidad relacional y las
vulnerabilidades institucionales?
Objetivos
Objetivo general: analizar críticamente la literatura sobre la violencia conyugal en el
envejecimiento de las personas mayores LGBTQIA+, buscando comprender cómo se ha
construido este fenómeno en la intersección de los estudios sobre violencia conyugal en
poblaciones LGBTQ+, el envejecimiento de las personas LGBTQIA+ y la violencia contra las
personas mayores, así como identificar los elementos que estructuran su invisibilidad, sus
vulnerabilidades específicas y los límites institucionales para su reconocimiento y
confrontación.
Objetivos específicos: a) identificar, en la literatura, cómo se ha caracterizado la
violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+, prestando atención a formas específicas de abuso
relacionadas con la orientación sexual, la identidad de género, las amenazas de outing, el abuso
dirigido a la identidad sexual o de género, el control de la expresión de género y las barreras
para buscar ayuda; b) examinar cómo se describe el envejecimiento de las personas mayores
LGBTQIA+ en la literatura como un contexto marcado por la invisibilidad, el silencio, la
heteronormatividad, el aislamiento, la discriminación y las redes de apoyo frágiles, y cómo
estos elementos pueden afectar la experiencia de la violencia conyugal; c) analizar críticamente
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la contribución y las limitaciones de la literatura sobre violencia contra las personas mayores y
elder abuse para comprender la violencia conyugal en el envejecimiento LGBTQIA+; d)
resaltar las brechas teóricas, empíricas y metodológicas que aún existen en la producción
científica sobre la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas mayores
LGBTQIA+, indicando las limitaciones actuales y las necesidades para el avance del campo.
METODOLOGÍA
Este artículo consiste en una revisión crítica narrativa de la literatura, con un enfoque
cualitativo, guiada por el problema de investigación y la necesidad de examinar la producción
científica sobre la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas mayores
LGBTQIA+ desde campos parcialmente superpuestos. La elección de este diseño se debe al
estado actual de la literatura, que aún se caracteriza por la dispersión conceptual, la
heterogeneidad metodológica y la escasa consolidación empírica específica sobre el tema.
El corpus analizado consistió en 19 publicaciones nacionales e internacionales, desde
2011 hasta 2025, recopiladas y seleccionadas durante la elaboración del manuscrito en torno a
tres temas principales: violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+; envejecimiento de
personas LGBTQIA+; y abuso, violencia y vulnerabilidades en la vejez entre minorías sexuales
y de género. Se priorizaron los artículos científicos, las revisiones, los capítulos académicos y
los estudios originales que contribuyeron directamente a definir el objeto de estudio. También
se consideraron, de forma complementaria, los informes institucionales y los documentos
técnicos cuando contribuyeron a contextualizar las deficiencias en el campo, los problemas de
los servicios o los desafíos en la respuesta institucional.
La selección analítica de textos se guió por la relevancia temática y la centralidad
argumentativa. El corpus conservó materiales que abordaban, de manera más directa, al menos
una de las siguientes dimensiones: definición y problematización de la violencia conyugal o la
violencia de pareja en poblaciones LGBTQ+; el envejecimiento de las personas LGBTQIA+
en relación con la sexualidad, el género, el estigma, la heteronormatividad, el aislamiento o las
redes de apoyo; el abuso, la negligencia, la vulnerabilidad o la violencia en la vejez que
involucra a minorías sexuales y de género; y las limitaciones conceptuales, metodológicas o
instrumentales de la literatura sobre la violencia en las relaciones LGBTQ+. Se excluyeron los
textos con una relación meramente tangencial al problema propuesto o que no aportaban una
contribución analítica efectiva a la delimitación del corpus.
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El análisis se realizó mediante una lectura exhaustiva, comparativa e interpretativa de
los textos seleccionados. Con fines organizativos, los materiales se distribuyeron en tres ejes
temáticos y se sometieron a un examen analítico según su enfoque temático, la naturaleza de la
publicación, las contribuciones conceptuales, la evidencia empírica y su utilidad para el
problema de investigación. Operacionalmente, el proceso analítico se organizó en tres etapas:
identificación de las categorías y definiciones utilizadas en los estudios; mapeo de regularidades
y tensiones en el corpus; y examen de las lagunas en el campo, incluyendo la escasez de trabajos
centrados directamente en adultos mayores LGBTQIA+ en situación de violencia conyugal, las
dificultades de medición y la recurrente dilución del fenómeno en categorías más amplias de
abuso o vulnerabilidad.
Dado que se trata de una revisión narrativa crítica, este estudio no adopta un protocolo
de búsqueda exhaustiva ni criterios de reproducibilidad típicos de las revisiones sistemáticas o
exploratorias. Su objetivo no es ofrecer un mapeo exhaustivo de la literatura, sino construir una
lectura analítica, conceptualmente controlada y metodológicamente rigurosa del corpus
recopilado. En este sentido, el análisis busca delimitar claramente lo que la literatura nos
permite afirmar, lo que solo sugiere y lo que aún constituye una laguna.
VIOLENCIA CONYUGAL EN POBLACIONES LGBTQ+: CARACTERIZACIÓN
DEL FENÓMENO Y ESPECIFICIDADES ANALÍTICAS
La literatura sobre violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+ ha demostrado
consistentemente que este fenómeno no puede considerarse residual, excepcional ni derivado
del modelo heterosexual como estándar universal. Por el contrario, estudios y revisiones indican
que las personas lesbianas, gays, bisexuales, transgénero y otras personas con disidencias
sexuales y de género pueden experimentar violencia conyugal en niveles significativos, aunque
su medición varía ampliamente entre las investigaciones (Ard & Makadon, 2011; Brown &
Herman, 2015; Calton et al., 2016). El problema, por lo tanto, no radica solo en su ocurrencia,
sino también en su reconocimiento y denominación.
En este campo, uno de los avances más importantes en la literatura ha sido el cambio en
la comprensión de la violencia, pasando de modelos rígidamente anclados en roles de género
binarios a nociones como coerción, control y dominación relacional. Este cambio nos permite
comprender que la violencia en las relaciones LGBTQ+ puede implicar agresión física, sexual,
psicológica y económica, pero también formas específicas de control de la identidad, como
amenazas de outing, exposición de la orientación sexual o la identidad de género a terceros,
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restringir el acceso a la comunidad LGBTQ+, chantaje emocional basado en el estigma y
controlar la transición o la expresión de género (Calton et al., 2016; Campo & Tayton, 2015;
Kelleher et al., 2025).
La literatura también muestra que la distribución del riesgo no es homogénea dentro de
la comunidad LGBTQ+. Langenderfer-Magruder et al. (2016) identificaron una prevalencia
significativa de victimización por parte de la pareja íntima entre adultos LGBTQ en Colorado,
con tasas más altas entre participantes transgénero que entre sus pares cisgénero. Whitfield et
al. (2021), al analizar a estudiantes universitarios LGBT, observaron mayores probabilidades
de violencia emocional, física y sexual, particularmente entre personas bisexuales y
transgénero. Estos estudios no pueden extrapolarse automáticamente a la vejez, pero ayudan a
demostrar que la vulnerabilidad a la violencia conyugal en las poblaciones LGBTQ+ está
estratificada internamente por género, sexualidad y, en algunos casos, por marcadores raciales
y sociales.
Este punto cobra aún más relevancia al considerar la literatura sobre personas
transgénero y no conformes con el género. Peitzmeier et al. (2020) identificaron altas
prevalencias de violencia física y sexual a lo largo de la vida y un mayor riesgo de victimización
en comparación con las personas cisgénero. Además, los autores asocian la violencia conyugal
en poblaciones transgénero con peor salud mental, mayor consumo de sustancias y peores
desenlaces en salud sexual, lo que indica que la experiencia de la violencia no se limita a la
esfera privada de la relación, sino que está conectada con desigualdades estructurales más
amplias. En atención primaria, Valentine et al. (2017) también hallaron mayores probabilidades
de exposición a la violencia física o sexual entre todos los subgrupos transgénero y no
conformes con el género analizados, en comparación con las mujeres cisgénero, además de
niveles significativos de aislamiento y conductas controladoras.
En conjunto, esta investigación respalda dos conclusiones relevantes para este artículo.
La primera es que la violencia conyugal en las poblaciones LGBTQ+ tiene sus propias
particularidades analíticas y no debe tratarse únicamente como una derivación del modelo
heterocéntrico clásico. La segunda es que la diversidad interna del ámbito LGBTQ+ debe
mantenerse visible, especialmente al considerar la mayor vulnerabilidad de las personas trans,
no binarias y bisexuales. Estas conclusiones sirven de base para el debate posterior sobre la
vejez, sin autorizar extrapolaciones automáticas a las personas mayores LGBTQIA+.
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ENVEJECIMIENTO DE LAS PERSONAS LGBTQIA+: INVISIBILIDAD,
SEXUALIDAD, ESTIGMA Y REDES DE APOYO
El segundo eje del corpus demuestra que el envejecimiento de las personas LGBTQIA+
no puede reducirse a una simple extensión cronológica del envejecimiento en general. Se trata
de una experiencia marcada por una historia de estigma, criminalización, patologización,
silencios familiares e institucionales y, en muchos casos, la fragilidad de las redes de apoyo
tradicionales. La bibliografía recopilada muestra que la vejez de las personas LGBTQIA+ se
vive frecuentemente bajo el signo de la invisibilidad: invisibilidad de la sexualidad en la vejez,
invisibilidad de la disidencia en relación con la hetero(cis)normatividad e invisibilidad de
necesidades específicas de cuidado y protección.
Los estudios sobre la sexualidad en la vejez ayudan a comprender este contexto. Las
personas mayores siguen siendo representadas con frecuencia como asexuales, carentes de
deseo o alejadas de la intimidad, y esta representación funciona como una forma de
silenciamiento social del cuerpo, el afecto y la vida relacional. Al mismo tiempo, la
investigación sobre el envejecimiento y el género muestra que, incluso en la vejez, persisten
desigualdades y expectativas normativas distintas para hombres y mujeres, lo que afecta la
forma en que el deseo, la autonomía, la compañía y la vulnerabilidad se interpretan socialmente
(Bevilacqua et al., 2019; Crema & De Tilio, 2021; Santana, 2017; Vieira et al., 2016). En las
poblaciones LGBTQIA+, estos silencios tienden a profundizarse, ya que la disidencia sexual y
de género se ve agravada por el edadismo y la naturalización de la vejez como un espacio de
retraimiento afectivo-sexual.
Esta imagen no es meramente simbólica. Marchbank et al. (2024) muestran que las
personas mayores LGBTQIA+ tienden a enfrentar condiciones que aumentan su vulnerabilidad
al abuso y la exclusión: mayor probabilidad de aislamiento social, menor apoyo de sus familias
de origen, mayor dependencia de los servicios de atención formal y una profunda desconfianza
hacia los sistemas de salud y las instituciones de atención a largo plazo. El informe también
destaca que la discriminación en la salud, home care e long-term care sigue siendo un problema
estructural, lo que lleva a muchas personas mayores LGBTQIA+ a retrasar o evitar el acceso a
la atención. De manera similar, Pocahy (2022) subraya que el envejecimiento disidente no
puede entenderse al margen de las relaciones de poder que organizan el género, la sexualidad,
la clase y el reconocimiento social.
Este aspecto es particularmente importante para el alcance de este artículo. Si la
experiencia del envejecimiento de las personas LGBTQIA+ ya está marcada por el silencio, el
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reconocimiento precario y la inseguridad institucional, entonces el reconocimiento de la
violencia conyugal tiende a ser aún más difícil. No se trata simplemente de una dificultad
individual para nombrar el abuso, sino de un contexto relacional y social en el que las relaciones
íntimas de las personas mayores LGBTQIA+ pueden ser deslegitimadas, invisibilizadas o
tratadas como irrelevantes por los servicios e instituciones.
ABUSO, VIOLENCIA Y VULNERABILIDADES EN LA VEJEZ DE LAS PERSONAS
LGBTQIA+
El tercer eje del corpus reúne estudios sobre abuso y violencia en la vejez entre minorías
sexuales y de género. Esta sección es indispensable para el artículo, pero requiere un análisis
conceptual preciso. No constituye, en sí misma, literatura sobre violencia conyugal, aunque
contribuye significativamente a la comprensión de las vulnerabilidades, las formas de abuso y
las barreras institucionales que afectan a la vejez LGBTQIA+.
El estudio de Gutman et al. (2023) es particularmente importante en este sentido porque
ofrece uno de los pocos análisis cuantitativos poblacionales sobre el abuso entre personas
mayores pertenecientes a minorías sexuales. Utilizando datos del Canadian Longitudinal Study
on Aging, los autores identificaron una prevalencia general de abuso del 10,0% entre personas
heterosexuales y del 12,0% entre personas pertenecientes a minorías sexuales, con una mayor
prevalencia entre las mujeres de estas últimas. El abuso psicológico fue el más frecuente; el
abuso financiero apareció como aquel en el que la orientación sexual se mantuvo como un
predictor significativo en el modelo multivariante; y el abuso físico, aunque menos frecuente,
también estuvo presente. Los autores destacan además la asociación con la soledad, la
depresión, las experiencias adversas tempranas y una peor autopercepción de la salud.
Este estudio es valioso por dos razones. Primero, porque demuestra cuantitativamente
que las personas mayores pertenecientes a minorías sexuales no pueden ser tratadas como un
grupo homogéneo en relación con la violencia y el abuso en la vejez. Segundo, porque muestra
que cierta vulnerabilidad se distribuye de manera desigual dentro del propio grupo,
particularmente entre las mujeres de minorías sexuales. Sin embargo, también es necesario
reconocer sus limitaciones para el presente artículo: se trata de un estudio sobre el elder abuse
en un sentido amplio, y no específicamente sobre la violencia conyugal. Por lo tanto, su
principal utilidad aquí radica en respaldar la existencia de vulnerabilidades específicas y la
relevancia de diferenciar los subtipos de abuso, y no en proporcionar evidencia directa de
violencia de pareja íntima.
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El informe de Marchbank et al. (2023) refuerza este punto de otra manera. La síntesis
muestra que las personas mayores 2SLGBTQIA+ pueden sufrir abuso y negligencia física,
psicológica, financiera y sexual, así como microagresiones y discriminación sistémica en los
servicios. También muestra que la literatura disponible aún es limitada, que existe poco
consenso sobre la edad límite para definir older adults y que hay una gran necesidad de
investigación cuantitativa y cualitativa más sólida. Además, el informe enfatiza la presencia de
discriminación en la atención médica, long-term care y home care, el regreso al armario en los
entornos de atención, la importancia de la capacitación culturalmente segura y la persistencia
de la homofobia y la transfobia como factores de riesgo.
Esta sección, por lo tanto, contribuye al artículo en dos niveles. En primer lugar, muestra
que el envejecimiento de las personas LGBTQIA+ constituye un terreno de vulnerabilidad
diferenciada al abuso. En segundo lugar, subraya que gran parte de las respuestas institucionales
siguen siendo insuficientes para acoger, nombrar y afrontar estas experiencias. Sin embargo, es
fundamental mantener una clara distinción analítica: esta bibliografía ayuda a comprender el
contexto de la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas LGBTQIA+, pero no
debe considerarse automáticamente equivalente a la bibliografía sobre violencia de pareja.
BARRERAS PARA EL RECONOCIMIENTO, LA BÚSQUEDA DE AYUDA Y LA
RESPUESTA INSTITUCIONAL
Si la violencia conyugal en las poblaciones LGBTQ+ ya ha enfrentado un
reconocimiento tardío, la literatura también muestra que las barreras para buscar ayuda
constituyen uno de los elementos más persistentes del fenómeno. Calton et al. (2016) sintetizan
estas dificultades en torno a tres ejes: comprensión limitada del problema, estigma y
desigualdades sistémicas. Esto significa que la dificultad para buscar ayuda no se reduce a la
indecisión individual, sino que está arraigada en contextos donde la violencia es poco
reconocida, la víctima teme ser expuesta y los servicios tienden a operar desde marcos
heteronormativos.
Campo y Tayton (2015) refuerzan este debate al demostrar que la violencia conyugal en
las comunidades LGBTIQ+ ha permanecido invisible durante mucho tiempo en las respuestas
gubernamentales, legales y de asistencia social, precisamente porque los sistemas de protección
se construyeron según un marco heterosexual en el que se presume que los hombres son los
agresores y las mujeres las víctimas. En este contexto, las víctimas LGBTQ+ pueden tener
dificultades para identificar la violencia como tal, y los profesionales pueden tener dificultades
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para reconocer las dinámicas de coerción y control en relaciones que no se ajustan a este
modelo.
Ford et al. (2013) aportan pruebas concretas de esta limitación institucional. En una
encuesta realizada a profesionales que trabajan en servicios de prevención e intervención de la
violencia doméstica en Los Ángeles, los autores hallaron bajos niveles de formación específica
en LGBT IPV (intimate partner violence), ausencia casi total de personal con responsabilidad
específica en este tema y la percepción generalizada de que los servicios no atienden
adecuadamente a esta población. Entre las demandas más frecuentes se encontraban
asesoramiento psicológico, vivienda segura, apoyo legal y ayuda para acceder al sistema
sanitario. Por lo tanto, el estudio sugiere que la insuficiencia institucional es menos episódica
que estructural.
Cuando la atención se centra en la vejez, estas barreras tienden a intensificarse. La
literatura sobre el envejecimiento de las personas LGBTQIA+ indica que estas pueden evitar
los servicios por temor a la discriminación, la pérdida de autonomía, la institucionalización
hostil o el regreso al armario. Por lo tanto, el problema de la violencia conyugal no se limita al
reconocimiento de la experiencia abusiva, sino que también implica la ausencia de vías seguras,
culturalmente competentes y legitimadoras para su revelación. Es en este punto donde el debate
sobre la violencia conyugal en el envejecimiento de las personas mayores LGBTQIA+ adquiere
su mayor densidad crítica: la invisibilidad del fenómeno no solo proviene de la escasez de
estudios, sino también de la precariedad de las condiciones institucionales para su
reconocimiento.
CONSIDERACIONES FINALES
A partir del corpus recopilado, se puede afirmar que la violencia conyugal en el
envejecimiento de las personas mayores LGBTQIA+ constituye un tema relevante, aunque aún
insuficientemente consolidado. La literatura sobre violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+
ya ofrece una base importante sobre prevalencia, especificidades del abuso y barreras para la
ayuda. La literatura sobre el envejecimiento LGBTQIA+, a su vez, muestra que la vejez está
marcada por la invisibilidad, el edadismo, la heteronormatividad y la fragilidad institucional.
La literatura sobre el abuso en la vejez entre las minorías sexuales y de género evidencia
vulnerabilidades específicas, discriminación sistémica y la necesidad de respuestas
Entre silencios y violencias: revisión de la literatura sobre la violencia conyugal en el envejecimiento de personas mayores LGBTQIA+
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DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21463 14
culturalmente seguras. El problema radica en que estas tres áreas aún se abordan más mediante
aproximaciones críticas que mediante una integración consolidada.
Aquí es donde las referencias más relevantes, como Hillman y Russell (2024), adquieren
importancia estratégica, ya que ayudan a orientar el debate hacia un terreno más directamente
vinculado a la violencia conyugal entre adultos mayores LGBTQ+. Aun así, el estado actual
del campo sugiere que la violencia conyugal en personas mayores LGBTQIA+ sigue
caracterizándose por una baja densidad empírica, una fuerte superposición conceptual y
respuestas institucionales insuficientes. Lejos de debilitar el artículo, este diagnóstico
constituye uno de sus principales hallazgos.
La principal contribución académica de esta revisión radica en definir, con mayor
precisión, un campo que aún aparece fragmentado en la literatura. Al articular críticamente
estudios sobre violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+, envejecimiento LGBTQIA+ y
abuso en la vejez entre minorías sexuales y de género, el artículo demuestra que la violencia
conyugal en el envejecimiento de las personas mayores LGBTQIA+ no debe considerarse ni
una extensión automática de la literatura sobre violencia conyugal en poblaciones LGBTQ+, ni
un simple subtipo de violencia contra las personas mayores.
Como revisión narrativa crítica, este estudio presenta limitaciones que conviene
reconocer. El corpus analítico, compuesto por 19 publicaciones de 2011 a 2025, no es el
resultado de una búsqueda exhaustiva y refleja, en parte, la concentración de estudios en el
Norte Global y el aún reducido número de investigaciones centradas directamente en adultos
mayores LGBTQIA+ en situación de violencia conyugal. Esta condición restringe la
generalización de los hallazgos y refuerza la idea de que las inferencias aquí presentadas deben
interpretarse como una delimitación analítica de un campo en consolidación, y no como una
síntesis definitiva de la literatura.
Por lo tanto, el avance de este debate requiere nuevas investigaciones empíricas,
cualitativas y cuantitativas, centradas especialmente en las experiencias de las personas
mayores LGBTQIA+ en situación de violencia conyugal, las diferencias internas entre
subgrupos y las respuestas de los servicios de salud, asistencia social y justicia. También es
necesario desarrollar instrumentos más sensibles a las formas específicas de abuso en las
relaciones LGBTQ+, particularmente en la vejez, así como fortalecer los mecanismos
institucionales de apoyo, denuncia y atención que no reproduzcan la invisibilidad, el estigma ni
la violencia secundaria.
Marcelo Foroni Fender
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M ar c el o F or o ni F e n d er
D o x a: R e v. Br as. Psic o. e E d u c ., Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 5 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4-8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 6 3 1 7
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : N o a pli c a.
Fi n a n ci a ci ó n : C o or d e n a ç ã o d e A p erf ei ç o a m e nt o d e P ess o al d e Ní v el S u p eri or ( C A P E S) .
C o nfli ct os d e i nt e r és : N o e xist e n c o nfli ct os d e i nter és q u e d e clar ar.
A p r o b a ci ó n éti c a : D a d o q u e s e tr at a d e u n a r e visi ó n bi bli o gr áfi c a, el est u di o n o i m pli c ó l a
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éti c a.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al : El c or p us utili z a d o c o nst a d e d o c u m e nt os d e a c c es o
p ú bli c o o d o c u m e nt os p u est os a dis p osi ci ó n p ar a el a n álisis t e xt u al.
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es: M ar c el o F or o ni F e n d er f u e r es p o ns a bl e d e l a c o n c e p ci ó n
d el t e xt o, l a d efi ni ci ó n d el pr o ble m a d e i n v esti g a ci ó n, la r e visi ó n bi bli o gr áfi c a y la
r e d a c ci ó n d el m a n us crit o.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
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