Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 1
MEDO, SILÊNCIO E RESISTÊNCIA: EXPERIÊNCIAS DE JOVENS GAYS NO
PROCESSO DE REVELAÇÃO SOCIAL DA HOMOSSEXUALIDADE
MIEDO, SILENCIO Y RESISTENCIA: EXPERIENCIAS DE JÓVENES GAYS EN EL
PROCESO DE REVELACIÓN SOCIAL DE LA HOMOSEXUALIDAD
FEAR, SILENCE, AND RESISTANCE: YOUNG GAY MEN’S EXPERIENCES IN THE
PROCESS OF THE SOCIAL DISCLOSURE OF HOMOSEXUALITY
Edson Luiz DEFENDI
1
e-mail: edson[email protected]
Rosane Mantilla de SOUZA
2
e-mail: rosan[email protected]
Como referenciar este artigo:
Defendi, E. L., & Souza, R. M. (2026). Medo, silêncio e
resistência: experiências de jovens gays no processo de
revelação social da homossexualidade. Doxa: Rev. Bras.
Psico. e Educ., 27(esp1), e026022.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21469
| Submetido em: 27/05/2026
| Revisões requeridas em: 15/06/2026
| Aprovado em: 08/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), São Caetano do Sul – São Paulo (SP) – Brasil. Doutor
em Psicologia Clínica (PUC-SP). Professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.
2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doutora em
Psicologia Clínica (PUC-SP). Professora Titular e Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia
Clínica (PUC-SP).
Medo, silêncio e resistência: experiências de jovens gays no processo de revelação social da homossexualidade
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 2
RESUMO: Jovens gays masculinos enfrentam desafios específicos no seu desenvolvimento
pessoal quanto a reconhecer, aceitar e revelar socialmente sua orientação afetivo-sexual
homoafetiva. Com o objetivo de compreender esses desafios, realizou-se uma pesquisa
qualitativo-descritiva, por meio de um Grupo Focal, com sete jovens gays masculinos, com
idade entre 18 e 24 anos, residentes na região metropolitana da cidade de São Paulo. Os
resultados apontaram o sentimento de medo e o silenciamento como denominador comum nas
experiências do processo de revelação social para diferentes contextos sociais. Revelar a
homossexualidade exige constante análise e reflexão, e o maior desafio permanece sendo a
revelação para a família de origem, com medo de rejeição e violência. Concluiu-se que o
processo de revelação social para essa população específica é cercado de muitos riscos, mas são
experiências de resistência e proteção, contribuindo para amortecer os estressores psicossociais
e conferindo maior qualidade de vida aos jovens nos relacionamentos interpessoais.
PALAVRAS-CHAVE: Juventude. Homossexualidade masculina. Revelação. Medo. Família.
RESUMEN: Los jóvenes homosexuales enfrentan desafíos específicos en su desarrollo
personal al reconocer, aceptar y revelar socialmente su orientación afectivo-sexual
homoafectiva. Con el objetivo de comprender estos desafíos, se realizó una investigación
cualitativo-descriptiva mediante un Grupo Focal con siete jóvenes homosexuales, de entre 18
y 24 años, residentes en la región metropolitana de São Paulo. Los resultados señalaron el
miedo y el silenciamiento como denominadores comunes en las experiencias del proceso de
revelación social en distintos contextos sociales. Revelar la homosexualidad exige un análisis
y una reflexión constantes, y el mayor desafío sigue siendo la revelación a la familia de origen,
debido al miedo al rechazo y a la violencia. Se concluyó que el proceso de revelación social
para esta población específica está rodeado de numerosos riesgos, pero también constituye
experiencias de resistencia y protección que ayudan a amortiguar los estresores psicosociales
y contribuyen a una mayor calidad de vida en las relaciones interpersonales de estos jóvenes.
PALABRAS CLAVE: Juventud. Homosexualidad masculina. Revelación. Miedo. Familia.
ABSTRACT: Young gay men face specific challenges in their personal development when it
comes to recognizing, accepting, and socially disclosing their homoaffective sexual orientation.
Aiming to understand these challenges, a qualitative descriptive study was conducted using a
Focus Group with seven young gay men, aged 18 to 24, living in the metropolitan region of São
Paulo. The results revealed fear and silencing as common denominators in their experiences
of social disclosure across different social contexts. Coming out as homosexual requires
constant analysis and reflection, and the greatest challenge remains disclosure to the family of
origin, driven by fear of rejection and violence. It was concluded that the process of social
disclosure for this specific population is surrounded by many risks, yet these experiences also
function as acts of resistance and protection, helping to buffer psychosocial stressors and
contributing to greater quality of life in the interpersonal relationships of these young men.
KEYWORDS: Youth. Male homosexuality. Disclosure. Fear. Family.
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
O presente artigo tem como objetivo compreender a experiência de jovens gays
masculinos associados aos desafios no processo de revelação social da homossexualidade.
Apesar de avanços e mudanças legais, sociais e culturais que vêm beneficiando
positivamente jovens homossexuais e outras identidades da comunidade LGBTQIAPN+ no que
diz respeito à maior tolerância quanto à percepção de sua identidade e orientação homoafetiva
e do processo da revelação social (Quinalha et al., 2024), nota-se um recrudescimento da
LGBTfobia e a necessidade de maior produção de conhecimento para compreender os impactos
desse fenômeno junto à saúde mental desta população.
Segundo Defendi e El Khouri (2021), o processo de revelação social da
homossexualidade tem sido apontado como um dos maiores desafios para jovens gays, sendo
entendido como um processo que movimenta um conjunto de medos, expressos em sofrimentos
psíquicos e incertezas relativas às mudanças que possam acontecer no ambiente familiar,
escolar, de trabalho e social, receio de perdas afetivas valiosas e de situações de discriminação,
isolamento e violência, ou seja, segundo Braga et al. (2018), um rito de passagem fundamental
para autopercepção da orientação afetiva homossexual que envolve riscos e cálculos.
Defendi (2019) informa que o processo de revelação social uma é uma realidade que
permeia a vida de jovens gays e que representa importante passo para o autorreconhecimento e
a construção de uma identidade positiva, no qual a pessoa compartilha sua orientação afetiva
sexual e desejos com outras pessoas (familiares, amigos, colegas de trabalho ou estranhos),
tornando-se cada vez mais visível socialmente como uma pessoa LGBTI+.
Savin-Williams (2016) descreve que adolescentes e jovens homossexuais enfrentam
duas importantes tarefas em seu processo de desenvolvimento psicossocial. A primeira está
relacionada a se reconhecer e se perceber homossexual, e a segunda refere-se a contar ou revelar
para as pessoas seus desejos homoeróticos, orientação e experiências afetivas e sexuais,
partilhando essas informações com sua rede pessoal e social. É muito comum que jovens e
adolescentes homossexuais sintam-se diferentes de outros pares de sua idade. Podem se sentir
isolados e com dificuldade de dividir e compartilhar sentimentos que, em um primeiro
momento, podem ser muito confusos e sofridos.
Além de enfrentarem a homofobia internalizada (Antunes, 2016), desconstruindo
psicologicamente crenças, regras, valores e normas que valorizam formas hegemônicas de viver
e de se relacionar afetiva e sexualmente, o risco da revelação social da homossexualidade pode
Medo, silêncio e resistência: experiências de jovens gays no processo de revelação social da homossexualidade
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implicar em perdas relacionais valiosas e situações de violência físicas e psicológicas (Defendi,
2022).
No que concerne às questões de violência, desde 2023, o Atlas da Violência IPEA 2023
(Cerqueira & Bueno, 2023) vem demonstrando que pessoas LGBTI+ sofrem taxas elevadas de
violência psicológica, forma de agressão típica do ambiente doméstico e frequentemente
invisibilizada nos registros oficiais, devido à subnotificação e à ausência de padronização na
coleta de dados, principalmente quando as violências ocorrem no âmbito familiar (Cerqueira &
Bueno, 2025), tendência essa reforçada em estudos anteriores, como a análise de Vasconcelos et
al. (2023) sobre a Pesquisa Nacional de Saúde 2019, que demonstra que pessoas LGBTI+ têm
probabilidade mais que dobrada de sofrer violência em comparação com pessoas heterossexuais,
com predominância de agressões psicológicas e sexuais, muitas delas ocorrendo em espaços
privados e domésticos, apontando que homens jovens gays têm quase oito vezes mais chances de
sofrer violência física e sexual.
Mesmo cercada de riscos e violências, a revelação social se configura como um processo
de grande importância no processo de desenvolvimento de pessoas LGBTI+, contribuindo
imensamente para seu desenvolvimento psicossocial, pois confere sentimento de pertença,
produzindo confiança para construção de suas identidades, desejos e orientação afetiva sexual
(Guittar, 2014; Savin-Willians, 2016).
Deve-se considerar ainda que a experiência e a revelação da homossexualidade para
homens gays estão associadas à lógica da construção de gênero, e, no caso da homossexualidade
masculina, subvertem e ferem a lógica das condições de poder subjacentes à masculinidade.
Maciel Júnior (2013, 2022) discute como ‘ser’ e ‘tornar-se’ homem na sociedade impõe
aos homens uma série de pré-requisitos sobre o que define a verdadeira masculinidade:
condições e características associadas à força, resistência, competência física e
heterossexualidade compulsória definem o ser masculino e sua posição hegemônica nas
relações sociais. Ainda segundo o autor, os comportamentos e atitudes que destoam as
prescrições sociais de gênero e que definem as masculinidades influenciam a construção do ser
masculino para homens homossexuais, que também foram socializados dentro de regras e
lógicas do ser masculino, que, em nossa cultura, apresentam uma enorme relação com a
heterossexualidade.
Desta forma, os homens são pressionados social e psicologicamente a afirmarem a
masculinidade e a escamotearem condições que não sejam culturalmente estabelecidas como
masculinas, sendo que isto pode gerar confusão e conflitos para jovens gays, seja referente à
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
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construção de sua identidade masculina, seja no medo da violência e discriminação social ao
exporem, divulgarem ou revelarem socialmente sua orientação afetiva sexual. Essa lógica
produz muito preconceito e violência voltados para homens homossexuais afeminados, por
exemplo, pois estes se assemelham a características associados ao feminino em seu jeito de se
relacionar e de viver, encontrando, inclusive, segundo Defendi (2022), Trevisan (2018) e Nunan
(2010), muito preconceito e violência dentro da própria comunidade LGBTI+.
Segundo Defendi e El Khouri (2021), a revelação da homossexualidade para a família
de origem representa um dos maiores desafios para jovens gays. O risco de a situação resvalar
para um segredo aberto, possibilidades de afastamento e ambiguidades relacionais importantes
podem surgir. Diferentemente de outros grupos minorizados que são discriminados por
questões étnico-raciais e/ou religiosas, jovens gays, em sua imensa maioria, são filhos/as de
famílias heterossexuais, revelando um preconceito vertical, ou seja, ao invés de proteção e
acolhimento, a violência e o preconceito podem surgir nas relações intrafamiliares.
De acordo com Moura et al. (2023), em uma revisão integrativa sobre violência doméstica
e pessoas LGBTI+, a família é um dos primeiros e mais intensos espaços de violência para jovens
gays e outros jovens da comunidade LGBTI+. A violência psicológica é justamente a forma mais
típica de violência familiar: humilhações, ameaças, expulsão de casa, vigilância excessiva,
coerção moral e religiosa produzem grande vulnerabilidade à saúde física e mental desses jovens,
indicando que, nessa realidade, segundo Singh et al. (2015), jovens gays têm maior probabilidade
de desenvolvimento de problemas psicológicos e psiquiátricos; abuso de álcool e drogas; ideação
e pensamentos suicidas — e o próprio suicídio; discriminação e violência social, familiar e
escolar; homicídios por crimes de ódio e homofobia; e maior vulnerabilidade a contrair infecções
sexualmente transmissíveis.
Nesse sentido, as redes de apoio pessoal/social, sejam elas presenciais ou on-line (Souza
& Defendi, 2021), são fundamentais no processo de revelação social para jovens gays. Freitas
et al. (2017) revelaram que os mecanismos de proteção psicossociais e estratégias de
enfrentamento utilizados por esses jovens podem ser categorizados em níveis pessoais,
relacionais e contextuais, sendo promotores do desenvolvimento de habilidades pessoais na
presença de riscos e vulnerabilidades.
O apoio e o acolhimento de familiares e outros grupos sociais são considerados de
extrema importância para homossexuais jovens, porém, o reflexo da revelação da
homossexualidade para familiares reveste-se de situações bastante complexas, oscilando entre
atitudes de compreensão até situações de extrema rejeição, pois os familiares necessitam revisar
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as expectativas sobre seu filho homossexual, e não obstante sentem-se confusos e culpados,
tendem a se distanciar, negar a situação, podendo enfraquecer possibilidades de apoio e suporte
(Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018).
Portanto, investigar processos de revelação social da homossexualidade no universo de
jovens gays reveste-se de extrema importância para expandir o conhecimento de estressores
específicos experimentados por esse grupo, promovendo práticas e intervenções
psicoeducacionais e clínicas mais contextualizadas e assertivas, o que norteou a pesquisa
realizada, diferenciando essa investigação de outras já existentes pelo contexto e origem dos
participantes da pesquisa e oportunidade de debaterem a temática por intermédio do grupo
focal.
MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa qualitativa-descritiva, que buscou compreender o referido
fenômeno de forma multidimensional e complexa, enfatizando a natureza socialmente
construída da realidade (Denzin & Lincoln, 2006). A estratégia metodológica foi a do Grupo
Focal, por privilegiar a interação entre os participantes, oportunizando a troca, criando um
ambiente favorável à discussão e propiciando a manifestação de percepções, pontos de vista e
sentimentos.
Participantes
Participaram desta pesquisa 7 (sete) jovens gays masculinos, com idade entre 18 e 24
anos, provenientes de camadas médias da população, residentes na Região Metropolitana da
cidade de São Paulo. Todos os participantes atenderam aos critérios de inclusão da pesquisa,
assim definidos: ser homem cisgênero; declarar-se homossexual; ter mais de 18 e menos de 25
anos; e ter experimentado situações de revelação social de sua homossexualidade em seus
relacionamentos interpessoais.
Para garantir o sigilo e o anonimato dos participantes, em conformidade com as
diretrizes éticas e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), todos os nomes apresentados no
decorrer deste artigo e nas transcrições são pseudônimos (nomes fictícios).
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
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Instrumentos
Utilizou-se uma ficha de identificação preenchida pelos jovens, que buscou informações
como: nome completo, data e local de nascimento, estado civil, escolaridade, endereço,
ocupação principal; com que idade começou a perceber a homossexualidade: se possui perfil
nas redes sociais e, em caso afirmativo, em quais; se está vivendo um relacionamento amoroso
e, em caso afirmativo, há quanto tempo.
Os temas principais discutidos no Grupo Focal foram apresentados em forma de
perguntas, a saber:
1) Quais são os desafios para você assumir e revelar sua orientação sexual?
2) Como foi e como têm sido essas experiências para você? Com o que você se deparou
e tem se deparado?
Procedimentos
Os participantes foram recrutados por intermédio de mensagens em redes sociais,
principalmente o Facebook, em páginas específicas direcionadas a jovens gays. Após
recebimento do contato do jovem interessado em participar da pesquisa, realizou-se o contato
direto, via ligação telefônica, a fim de explicar com mais detalhes os procedimentos e informá-
lo sobre data, local e horário da realização do Grupo Focal. Ao receber o aceite para a
participação, o jovem foi incluído em um grupo no WhatsApp, administrado pelo pesquisador,
com objetivo de agilizar a transmissão de informações e dirimir possíveis dúvidas.
Ao todo, foram recrutados 11 jovens que aceitaram participar do encontro, sendo que
quatro não compareceram. Desses, três justificaram a ausência no dia do encontro e apenas um
jovem não justificou sua ausência. Assim, o Grupo Focal ficou composto por sete participantes.
O encontro foi realizado em um local exclusivamente reservado para essa finalidade,
um espaço confortável e acessível, garantindo sigilo. Também integraram a equipe de pesquisa
duas jovens, sendo uma psicóloga e outra estudante, que tinham o papel de apoiar o pesquisador
na realização do procedimento, que foi filmado e gravado na íntegra.
Após realizadas as devidas apresentações pelos próprios participantes, deu-se início ao
grupo. O pesquisador informou novamente sobre os objetivos da pesquisa, agradeceu a
participação de todos, leu em voz alta e solicitou a assinatura de cada um dos participantes no
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Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
3
, obedecendo às diretrizes das
Resoluções nº 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde. Dado o consentimento, o
pesquisador entregou a ficha de identificação para que todos a preenchessem.
Após o preenchimento da ficha de identificação, foi entregue a cada participante uma
caneta e duas folhas de um bloco de notas autoadesivas estilo post-it no tamanho 76 mm x 102
mm. Solicitou-se, então, que cada um escrevesse no bloco sua resposta para a primeira pergunta
disparadora da discussão no grupo. Após os participantes escreverem suas respostas, recolheu-
se as anotações, que foram fixadas em um flip chart. O pesquisador leu em voz alta as respostas
e, a partir daí, iniciou-se a discussão e o debate sobre os temas. Todos os jovens puderam falar
sobre seus desafios e experiências e a discussão fluiu de forma espontânea.
O material filmado foi transcrito na íntegra e o vídeo completo do procedimento foi
assistido diversas vezes pelo pesquisador para a realização da análise temática, na qual se
utilizou trechos das falas dos participantes ilustrando a análise. As categorias temáticas foram
construídas por meio de uma análise reflexiva e sistemática, seguindo Braun e Clarke (2006),
que envolveu a codificação inicial dos dados, a busca por padrões de sentido e a organização
desses padrões em temas coerentes e representativos do conjunto analisado, estratégias essas
para garantir a confiabilidade e o rigor interpretativo da análise qualitativa.
RESULTADOS
Tratou-se de um grupo com características semelhantes, cujos dados de identificação se
encontram na Tabela 1. Todos se declararam solteiros, com educação de nível superior
completa ou incompleta, provenientes da Cidade ou Estado de São Paulo, ou de estado vizinho.
Apenas Carlos
4
mora junto com um companheiro. Os demais vivem com os pais ou em
repúblicas estudantis. Embora tenha se buscado delimitar a faixa etária até 25 anos, a idade
máxima obtida foi 24 anos em apenas um dos jovens. A proximidade de faixa etária dos
participantes, no entanto, não se refletiu na idade em que cada um se percebeu homossexual.
Tal percepção variou dos 8 até os 15 anos. Ao se considerar a idade atual do participante, já
transcorreram no mínimo 4 anos desde a tomada de consciência da orientação sexual.
3
Projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética da PUC-SP. Parecer Consubstanciado nº 2.626.043, de 27 de
abril de 2018. CAAE nº 86084818.8.0000.5482.
4
Foram utilizados nomes fictícios para garantir o sigilo dos participantes.
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Tabela 1.
Identificação e dados dos participantes
Nome
Estado civil
Escolaridade
Ocupação
Com qual idade
se percebeu
homossexual?
Antonio
Solteiro
Superior incompleto
Estudante
13/14 anos
Bernardo
Solteiro
Superior completo
Professor
10/12 anos
Carlos
Solteiro
Superior incompleto
Editor
10 anos
Daniel
Solteiro
Superior incompleto
Estagiário
15 anos
Elton
Solteiro
Superior incompleto
Estudante
8 anos
Fabio
Solteiro
Superior incompleto
Estagiário
11 anos
Gael
Solteiro
Superior incompleto
Estudante
13/14 anos
Nota. Elaboração própria (2026).
Quanto à vivência de um relacionamento amoroso, além de Carlos, que, como já foi
mencionado, coabita com um companheiro, Fabio também declara estar em um relacionamento
amoroso atualmente, sendo o tempo de relacionamento de ambos, respectivamente, 1 ano e 10
meses e quatro meses. Antonio não está vivendo um relacionamento amoroso no momento,
porém declarou um relacionamento prévio com seis meses de duração. Carlos, Daniel, Elton e
Gael declararam que não estão vivendo um relacionamento no momento, e não explicitaram se
já viveram.
Portanto, guardadas as semelhanças etárias, de proveniência, econômicas e
educacionais, obteve-se uma diversidade de idade de tomada de consciência da orientação
sexual e de experiência relacional-amorosa entre os participantes.
O Quadro 1 apresenta as respostas obtidas à primeira pergunta disparadora do Grupo
Focal: “Quais são os desafios para você assumir e revelar sua orientação sexual?”, conforme
redigidas pelo participante. Como é possível observar nestas afirmações, são diversos os
desafios em relação a assumir e revelar a homossexualidade.
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Quadro 1.
Quais são os desafios para você assumir e revelar sua orientação sexual?
PARTICIPANTE
RESPOSTAS
Antonio
A pressão que a sociedade impõe à sexualidade e o medo da violência urbana
Bernardo
Situação minoritária, religião, expectativa da sociedade, medo de discriminação
Carlos
Medo de agressão e medo de ser expulso de casa
Daniel
Ter que mostrar à sociedade que é algo normal
Elton
Medo de sofrer agressões e perseguições / Preconceito – exclusão social /
Expectativa social e frustração / Religião da família / Desconfortos em ambientes
políticos e exposição – amigos heteros me expõem
Fabio
Para mim, os desafios são da própria sociedade. A princípio, achava que seria a
família, mas após me deparar com pouca representatividade social, seja na
política ou em outras áreas, percebi que o meio em que vivemos ainda não aceita.
Aos poucos vai engolindo, mas ainda não aceita
Gael
Enfrentar o medo, o medo que leva a julgamento, que pode levar à solidão que
leva a estigmas / Medo – solidão – julgamento e estigmas
Nota. Elaboração própria (2026).
De uma forma geral, percebeu-se que, entre os participantes, houve os que colocaram o
foco do desafio em si, principalmente em relação a sentimentos de medo e frustações (medo de
sofrer violência urbana por ser homossexual, medo de sofrer agressão, discriminação,
perseguição; medo de ser expulso de casa; medo da solidão, de ser julgado e sofrer com
estigmas; sentimento de frustação frente às expectativas sociais), e os que o colocaram fora, no
mundo social heteronormativo (lidar com sociedade que não aceita, tendo que mostrar que a
homossexualidade é algo normal; situação minoritária, religiosidade da sociedade e da família,
sociedade que não engole a homossexualidade).
Estes dois conjuntos de afirmações funcionaram como gatilhos e foram sendo
aprofundados na discussão do grupo. Os conteúdos desta discussão foram organizados em duas
categorias e três subcategorias, apresentadas no Quadro 2, e que serão analisadas mais
detalhadamente a seguir. Cabe observar que a discussão realizada também absorveu as repostas
referentes à segunda pergunta (“Como foi e como têm sido essas experiências para você? Com
o que você se deparou e tem se deparado?”). Os depoimentos e respostas à segunda pergunta
foram surgindo espontaneamente no Grupo Focal, e seu conteúdo foi incorporado às categorias
construídas.
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Quadro 2. Categorias e subcategorias
Categorias
Subcategorias
1. Desafios em lidar e enfrentar o medo de se
perceber e se assumir homossexual para si e em
diversos contextos sociais.
2. Existir e resistir: experiências e estratégias da
revelação social.
1.1 Percepção da homossexualidade e expectativas
sociais.
1.2 Desafios e medo no grupo familiar.
1.3 Desafio ao lidar com o preconceito de gênero
dentro da comunidade LGBT.
Nota. Elaboração própria (2026).
CATEGORIA 1 – DESAFIO EM LIDAR E ENFRENTAR O MEDO DE SE PERCEBER
E SE ASSUMIR HOMOSSEXUAL PARA SI E EM DIVERSOS CONTEXTOS SOCIAIS
O desafio de lidar e enfrentar o medo decorrente do preconceito, seja ele internalizado
ou institucionalizado, surgiu com grande frequência nas narrativas e no processo de discussão
grupal no que diz respeito à tomada de consciência e assunção da homossexualidade. Ao
declararem seus desafios e narrarem suas experiências, os jovens contaram sobre como se
sentem vulneráveis, a intensa vivência de medos, bem como ressaltaram algumas estratégias e
mecanismos de proteção para lidarem com essas experiências e ameaças, situações essas que
foram identificadas tanto no processo individual e psicológico como nos relacionamentos
interpessoais travados nos diversos contextos sociais.
A subcategoria “Percepção da homossexualidade e expectativas sociais” refere-se ao
fato de que o reconhecimento da orientação do desejo homoafetivo é considerado uma tarefa
imprescindível no desenvolvimento psicossocial de jovens gays. Embora caiba lembrar que este
reconhecimento e percepção tenha variado dos 8 aos 15 anos dos participantes (Tabela 1), todos
os jovens referem que a percepção de que se sentiam diferentes de seus pares por conta de sua
orientação sexual implicava em sentimentos ambíguos, medo da solidão e sofrimento psíquico.
Gael, por exemplo, relata o quanto sentiu medo ao se perceber homossexual, sentimento esse
apreendido pelo jovem em relação ao estigma e julgamentos sociais, bem como pelos
julgamentos que fez em relação a si próprio, evidenciando a complexa e sistêmica relação entre
os preconceitos internalizados e institucionalizados que atravessam a experiência de
homossexuais jovens. Elton declara que quando começou a se perceber gay, sua vida virou um
caos, sentia-se muito culpado e com medo que notassem sua homossexualidade, como pode-se
observar nos relatos abaixo.
os desafios para mim foram, sei lá, primeiro foi o desafio pessoal... Tipo, é… Enfrentar o medo
da solidão, dos estigmas e do julgamento. (Gael, 18 anos)
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eu comecei a ver que eu me atraia muito por meninos, por homens e aí isso começou a se tornar
um caos na minha vida... Uma coisa horrível, me causava muito sofrimento psíquico. (Elton, 22
anos)
A discussão em torno deste tema — Percepção da homossexualidade e expectativas
sociais — foi se aprofundando na medida em que os jovens relataram a importância de serem
aceitos e reconhecidos socialmente como homossexuais. Nesse sentido, lidar com as
expectativas sociais atreladas à crença de uma heterossexualidade compulsória e naturalizada,
apareceu como um importante estressor, na medida em que esses jovens relatam que se sentem
desafiados a superar e a enfrentar diariamente, seja descontruindo expectativas sobre si, seja
para os outros.
Bernardo relata que se cobrava para se encaixar naquilo que a sociedade prescreve como
‘normal’ e ‘natural’ para um homem em sua idade, ou seja, cobravam uma namorada, e isso
fazia com que se sentisse ameaçado e com medo de ser rechaçado por não corresponder às suas
expectativas. Elton também revela que uma de suas maiores frustações ao se entender
homossexual foi que não conseguiria satisfazer os anseios de uma sociedade heteronormativa
e que, especificamente, frustraria sua família, em especial, sua mãe.
expectativa da sociedade é um desafio... Porque também todo mundo começa a namorar, todo
mundo espera e aí entra a família também... Então, essa expectativa sempre me cobrou muito,
então aí eu me cobrava, eu tenho que me encaixar, eu tenho que me encaixar e esse era o meu
maior medo. (Bernardo, 22 anos)
questão da expectativa que a sociedade tem e que a minha família tinha sobre mim e a
frustração de chegar até a minha mãe e falar que ela não vai me ver com uma menina e isso
para a sociedade também é muito frustrante. (Elton, 22 anos)
Foi consenso entre os jovens que existe, atualmente, maior visibilidade e
representatividade social para a homossexualidade, sendo esse fator percebido como um
aspecto protetivo e de apoio para assunção da identidade sexual, ajudando a construir estratégias
internas e externas e facilitando o processo de autoaceitação. Elton trouxe para discutir no grupo
como essa representatividade contribui para homens e mulheres gays se assumirem, bem como
buscar maior apoio, estratégias e ferramentas para esse processo.
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eu sinto que tem um movimento acontecendo, não sinto uma estagnação eu sinto um movimento
e quando se fala de representatividade eu acho que isso ajuda o homem e a mulher gay ter uma
consciência mais cedo do que é … E ter ferramentas mais cedo do que é, de como agir, de como
criar estratégias para si para se aceitar melhor. (Elton, 22 anos)
Esses jovens discutiram que a internet vem sendo um recurso de grande valia para obter
esclarecimentos sobre a homossexualidade e para se reconhecer como tal, sendo que, nesse
sentido, o livre acesso a informações na rede pôde ser percebido como elemento de apoio e
proteção no que tange ao fortalecimento frente ao processo de assumir a homossexualidade e a
autoaceitação. O jovem Gael aponta a internet como um recurso que promoveu grande mudança
a jovens gays da atual geração, pois dissemina informações, ajuda a dar visibilidade à
homossexualidade e afasta a solidão, tendo se beneficiado por essa experiência, como relata
abaixo.
sei lá, eu preciso me conhecer, aí eu fui pesquisar entrei na internet eu pensei eu preciso me
conhecer, ai o que que eu sou, será que eu sou gay? Aí eu coloquei lá na internet um
questionário e deu sim, sim, sim [risos), aí sou gay e aí eu via isso como um problema, entrava
e procurava na internet como se fosse um problema, tipo assim, como curar, só que depois eu
fui descobrindo que não, que isso que não é problema, o problema está na sociedade e não em
mim, e não no que eu sou... Fora que me ajudou muito quando me sentia sozinho. (Gael, 18
anos)
A partir do surgimento deste tema, os jovens passaram a discutir e refletir sobre como
a internet tem sido um recurso de grande valia para obter esclarecimentos sobre a
homossexualidade e para que o indivíduo se reconheça como tal, sendo que, nesse sentido, o
livre acesso a informações sobre homossexualidade na rede digital e a possibilidade de
encontrar pares pôde ser percebido como elemento de apoio no que tange ao fortalecimento
frente ao processo de assumir a homossexualidade.
A Subcategoria “Desafios e medo no grupo familiar” reflete um dos principais desafios
destacados pelos jovens homossexuais em assumir a homossexualidade para a família de
origem, seja pelo medo das reações e atitudes dos familiares, seja pelo sentimento de culpa e
de vergonha que os próprios jovens relataram sentir, revelando o quanto essa situação pode
gerar problemas e crises na dinâmica e no relacionamento familiar, incluindo o medo de serem
expulsos de casa.
Medo, silêncio e resistência: experiências de jovens gays no processo de revelação social da homossexualidade
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meus medos eram mais relacionados à experiência com a minha família.... Ah sei lá, eu tinha
mais medo da minha família me por pra fora, meu principal medo quando eu me assumi.
(Carlos, 22 anos)
Os jovens relataram que se sentiram constantemente ameaçados ou com medo de serem
inquiridos, questionados e perseguidos pelos familiares, gerando muita pressão psicológica.
Daniel contou que sofreu muito porque era constantemente questionado por seus genitores
quanto à sua orientação sexual, sendo a pressão tão grande que o jovem “sentiu-se obrigado”
a assumir, relatando que a relação estabelecida entre ele e os genitores era marcado pelo
evitamento e medo. Fabio, em sua narrativa, descreveu que foi “descoberto” pela família e foi
perseguido e pressionado até contar/assumir que era gay. Bernardo, o único jovem que ainda
não se assumiu para sua família de origem, relatou no grupo a experiência de um primo que foi
pressionado pela família a contar sobre sua homossexualidade e que, depois que contou, viu os
pais de seu primo fazerem de sua vida um inferno, experiência essa que pode ter influenciado
em sua decisão de não contar para sua família até o momento.
sofri muito, bastante na adolescência, com isso eu me assumi porque meus pais perguntaram,
me pressionaram muito. (Daniel, 24 anos).
eu conversava com um menino um pouco mais velho do que eu, mas não muito, no MSN, mas
enfim eu sempre apagava as conversas né.... Meu pai... Rato de internet, eu não sei, descobriu,
pegou todas as conversas que eu havia apagado.... Aí ele imprimiu todas as conversas e aí me
ligou... Não, minha mãe me ligou gritando no telefone, falando você é gay? E eu falei não... Eu
pensei, isso não tá acontecendo... Enfim, ele foi lá em casa, jogou as conversas abertamente...
Assim, eram conversas um pouco constrangedoras... Foi um turbilhão de coisas assim como eu
fui descoberto, eu não precisei chegar e falar, mas ao mesmo tempo que eu fui pressionado, foi
muito difícil! Eu falei ok, eu sou isso mesmo. (Fabio, 21 anos)
eu tenho um primo que é gay. Eles [a família] o colocaram contra a parede até ele contar e
depois que o menino contou começaram a fazer da vida dele um inferno. (Bernardo, 22 anos)
A forma como o grupo familiar concebe a homossexualidade é determinante para o
processo de assunção, segundo os participantes. Famílias com crenças religiosas que condenam
a homossexualidade e famílias que concebem normas socializadoras de gênero muito rígidas
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promovem um ambiente mais ameaçador, gerando muito medo e sofrimento. Bernardo contou
que sua família de origem é extremamente católica, que relaciona homossexualidade a pecado
e que essa característica familiar sempre foi um empecilho para sua assunção, pois gera muito
medo e preocupação. Elton e Gael, ambos vindos de famílias evangélicas, cresceram ouvindo
que ser gay era algo horrível, condenável e pecaminoso, além de serem questionados e
repreendidos por terem um jeito muito afeminado.
Religião foi complicado porque eu venho de berço católico, família muito católica e sempre
aquele medo, aquela preocupação, é pecado, é pecado, é pecado… E isso complicou minha
vida, minha decisão em assumir. (Bernardo, 22 anos)
um desafio pessoal é que eu nasci numa família assim, eu ia com a minha vó desde pequeno
numa igreja evangélica e aí eu sempre ouvia que ser gay é uma coisa errada... Que é uma coisa
feia, que você vai queimar no inferno, esses discursos, sei lá, eu me sentia meio estranho com
isso e o meu pai também. Desde criança eu já agia meio afeminado e o meu pai já ia me
moldando e falando, tá errado, não senta desse jeito, não anda desse jeito, não fala desse jeito.
(Gael, 18 anos)
Dos sete jovens participantes, apenas um trouxe uma experiência positiva quanto a
assumir para a família de origem. No relato da experiência deste jovem, houve a discussão sobre
como o fato de assumir para a família e ser aceito conferiu um fortalecimento de suas atitudes
para lidar com o preconceito e a discriminação nas relações sociais mais amplas, ou seja, o
apoio da família revelou-se como um aspecto protetivo, contribuindo para a autoaceitação e o
desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.
Assim a minha família sempre me aceitou bem, os meus amigos eu sempre tinha convivido com
alguns que já tinham se assumido homossexuais, então assim que eles se assumiram eu já me
senti seguro para falar também, e para minha família foi bem tranquilo ... Eu só tinha um pouco
de medo de falar com o meu pai, por conta da família dele. ... Então por conta disso eu tinha
medo de falar com ele, mas eu lembro que eu conversei com ele e com a minha mãe, e foi bem
tranquilo, ele falou me que amava de qualquer jeito, então eu fiquei muito feliz com isso, então
eu já tinha a base da família. (Antonio, 18 anos)
A terceira subcategoria refere-se a “Lidar com o preconceito de gênero dentro da
comunidade LGBT”, sendo esse preconceito relacionado às performances de gênero. Foi
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consenso na discussão do grupo que, quanto mais afeminados em relação à performance de
gênero é um homem homossexual, mais suscetível ele é à discriminação e dificuldade de ser
aceito na comunidade LGBT. Comentaram que, por vezes, falta empatia e acolhimento da
comunidade e que ela reproduz preconceitos da sociedade heteronormativa, concluindo, na
discussão, que quanto mais afeminado, maior a rejeição social dentro da própria comunidade,
aspecto compreendidos pelos jovens como desafios a serem enfrentados.
eu acho que no universo gay como já citaram... Eu sentia muita dificuldade desde sempre... Os
gays não se acolhem, não se reconhecem enquanto grupo ... Falta solidariedade, empatia.
(Carlos, 22 anos).
uma coisa da sociedade que eu acho, não é só a sociedade hetero, podemos dizer no meio gay
também é muito difícil, podemos dizer porque quando você é afeminado, por exemplo, você não
é aceito nesta porcaria deste meio. (Daniel, 24 anos)
Os jovens discutiram sobre o estigma em relação aos homossexuais afeminados na
sociedade como um todo e na comunidade LGBT, que são chamados/apelidados de poc-poc
5
por outros gays que não se consideram afeminados, desqualificando-os e associando-os
claramente a performances de gênero ligadas ao feminino, revelando que a misoginia é um
preconceito observado pelos jovens, oriundo da comunidade LGBT.
[...] é quase um xingamento... geralmente é assim, ‘poc-poc’ vai ser a bichinha mais nova...
mas afeminada e mais... (Bernardo, 22 anos)
CATEGORIA 2 – EXISTIR E RESISTIR: EXPERIÊNCIAS E ESTRATÉGIAS DA
REVELAÇÃO SOCIAL
Nesta segunda categoria, os jovens compartilharam experiências sensíveis e
fundamentais sobre o processo de revelação social da homossexualidade e como percebem esse
momento em suas trajetórias. Um sentimento que uniu as falas foi a constatação de que
vivemos, hoje, um cenário de maior tolerância e representatividade, o que indubitavelmente
acolhe e impulsiona o ato de se revelar. De modo geral, eles avaliam essa vivência
5
O termo poc-poc faz alusão ao barulho do sapato de salto alto utilizado por mulheres e, portanto, quanto mais
afeminando, mais poc-poc é classificado o homossexual na comunidade LGBTI+.
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contemporânea como positiva, embora tragam ponderações que revelam a complexidade do
tema.
Gael, por exemplo, nutre uma visão bastante otimista e esperançosa: ele observa que a
mídia e os meios de comunicação deixaram de retratar a pessoa homossexual sob lentes
caricatas e estereotipadas, enxergando esse avanço estrutural como um dispositivo poderoso e
encorajador para quem deseja se assumir. Bernardo, por outro lado, traz um contraponto
cauteloso a essa perspectiva. Embora reconheça de forma clara essa importante mudança social
apontada pelo colega, ele pondera e questiona se esse novo cenário, na prática dolorosa e íntima
do cotidiano, realmente torna a jornada de se revelar menos difícil para quem a vivência.
eu acredito que tenha mudado para melhor, mas pela questão da representatividade, porque
antigamente o gay... Era aquela coisa caricata, hoje não, você já vê filmes que instruem que
dizem, sabe, sei lá, você vê séries, você vê, enfim, acho que a representatividade está ajudando
os jovens gays a se assumirem e se revelar. (Gael, 18 anos)
Os jovens discutiram que a revelação é um importante dispositivo de visibilidade, que
confere existência e resistência, contribuindo para combater o preconceito contra
homossexuais. Além disso, foi identificada pelos jovens como um fator de bem-estar
psicossocial, sendo qualificada como uma vivência positiva, libertadora, e sentida como
importante elemento de desenvolvimento pessoal. Elton relata que sente a revelação social
como um ato de existência, ou seja, revelar significa enfrentar o preconceito, resistir em uma
sociedade que discrimina homossexuais. Bernardo e Daniel falaram sobre como é libertador
revelar a homossexualidade, o quanto a revelação traz alívio e bem-estar.
desafio maior é existir nessa sociedade e depois resistir, assim, de você criar resistência,
resistência para você mesmo para poder enfrentar todo o preconceito de tudo que tem na
sociedade, e uma das formas é a gente se revelar. (Elton, 22 anos)
toda a hora falando assim, mas você não vai me oprimir mais, chega, chega, chega, é chato,
apesar de ser libertador, é libertador, você conta, mas é chato você porque tem uma hora que
você cansa... Mas é libertador falar. (Daniel, 24 anos)
Outro tema marcante no Grupo Focal foi o planejamento estratégico por trás da
revelação da homossexualidade. Os jovens debateram como o impacto de assumir-se está
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intimamente ligado ao momento e ao contexto escolhidos. Para eles, embora a revelação social
seja um passo fundamental, a decisão exige um constante ‘cálculo de custo-benefício’. Agir por
impulso ou sem o devido preparo, alertaram, pode desencadear situações dolorosas e
complexas, especialmente dentro do núcleo familiar.
As vivências compartilhadas ilustraram perfeitamente esse delicado balanço. Carlos, por
exemplo, relatou que, mesmo com medo e após ensaiar bastante, escolheu se abrir com a família
na noite de Natal. O impacto da ocasião, no entanto, gerou conflitos e um triste afastamento nas
relações em casa. Já a estratégia de Antonio é diária e mais seletiva: ele prefere compartilhar
sua orientação de forma espontânea com pessoas por quem sente apreço e identificação, embora
faça questão de sempre confirmar sua homossexualidade caso seja questionado diretamente.
Em contrapartida, Gael trouxe um relato profundamente comovente sobre o peso dessa
exposição. Movido pela necessidade vital de ser autêntico com os pais, ele acabou sofrendo um
rechaço extremo de ambos. A dor e o medo gerados por essa rejeição familiar o mergulharam
em uma tristeza tão avassaladora que o levaram a cogitar o suicídio, evidenciando a extrema
vulnerabilidade que permeia esse processo.
fiquei um bom tempo ensaiando, ensaiando, cheguei a chamar a minha mãe no meu quarto,
chorando ... Falei sobre várias outras coisas e não falei sobre isso, várias tentativas... Não sei
o quê, não sei o que lá... Aí eu falei no Natal, para acabar mesmo... Aí eu falei para minha mãe,
você quer um presente ... Eu sou gay, foi assim mesmo, eu passei o Natal e o Ano Novo sem
ninguém falar comigo, mas enfim, meus medos eram esses. (Carlos, 22 anos)
Na maioria das vezes eu me desafio mesmo, falar, nem tenho problema e não sinto necessidade
de falar com todo mundo, só para pessoas que eu gosto, pessoas que as vezes perguntam... Sim,
eu sou homossexual, mas é um negócio que não é normatizado para as pessoas, então acaba
sendo muito difícil em algumas situações... Precisa pensar no impacto disso. (Antonio, 18 anos)
só que chegou na hora de falar para meus pais, só que eu não queria falar para eles, só que eu
sentia essa necessidade porque eu ouvia vários relatos, ah eu contei para o meus pais ... Enfim,
não foi nada planejado, enfim, só foi, aconteceu... Enfim, eu fui retaliado pelos dois, os dois
não aceitaram... Eu me senti muito sozinho... Ahhh, mas eu prefiro ter um filho preso do que
um filho gay, quando eu escutei isso eu fiquei… tchau mundo, eu fiquei muito triste. (Gael, 18
anos)
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Ressalta-se que a revelação da homossexualidade para a família de origem foi a
experiência que trouxe relatos de maior emoção no Grupo Focal e ocupou boa parte da
discussão, sendo considerada por todos os jovens como o desafio mais importante. A maioria
dos jovens relatou que sentiu muito medo e que ficou muito confusa na tomada de decisão de
contar ou não sobre sua homossexualidade para os familiares. Porém, a revelação para a família
trouxe sentimentos positivos de alívio para os jovens e relatos de melhoria de qualidade no
relacionamento interpessoal. Um dos participantes, Elton, refere que, após revelar sua
homossexualidade para a mãe, percebeu evidente melhora em sua saúde física e mental.
aí ela falou ahhh mas você não precisa se sentir culpado, ela me acolheu de uma forma
tão incrível que eu chorava no colo dela e me sentia uma criança de 7 anos de idade,
eu não conseguia falar nada assim, só chorava e eu não sabia o quanto eu precisava
desta experiência ... E foi uma experiência incrível, minhas insônias diminuíram depois
que eu falei, eu tive menos ansiedade, menos dificuldade para falar em público depois
disso... Eu não tinha a consciência de quanto eu precisava daquilo... Que minha mãe
reconhecesse que eu não tenho culpa de uma coisa que eu sou. (Elton, 22 anos)
Os relatos revelam que o processo de compreender e assumir a homossexualidade tem
sido amparado por uma bem-vinda mudança cultural, impulsionada por maior
representatividade social e acesso à informação, especialmente via internet. Contudo, revelar
essa verdade íntima para a família de origem permanece como um desafio monumental, um
dado que corrobora fortemente com a literatura da área (Nascimento & Scorsolini-Comim,
2018; Savin-Williams, 2016). Apesar de todas as tensões envolvidas, a pesquisa demonstra que
dar esse passo e assumir a própria identidade atua como um amortecedor de estressores,
promovendo qualidade de vida e um desenvolvimento pessoal muito mais positivo.
No entanto, o estudo também trouxe à luz um achado paradoxal e doloroso: o
preconceito vivenciado dentro da própria comunidade LGBTI+. Em vez do acolhimento
esperado, os jovens frequentemente encontram opressão entre seus pares. Esse fenômeno
escancara como as rígidas normas de socialização de gênero estruturam nossa sociedade,
evidenciando que jovens homossexuais com traços mais afeminados acabam sendo os maiores
alvos desse preconceito intragrupo.
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DISCUSSÃO
Os resultados indicam que a vulnerabilidade que permeia a percepção e a revelação
social da homossexualidade é marcada, sobretudo, pelo medo e pelo peso do silenciamento.
Para se protegerem e lidarem com essas dores, os jovens desenvolvem estratégias de
enfrentamento que envolvem desde o delicado reconhecimento de si mesmos até a
administração das expectativas sociais, o combate aos preconceitos (inclusive os da própria
comunidade) e o complexo planejamento da revelação aos familiares.
Esse doloroso caminho de autoaceitação alinha-se a estudos que demonstram o quanto
é gerador de sofrimento psicológico para o jovem se apropriar de uma orientação sexual
dissidente, tornando-o extremamente vulnerável ao estresse. Como aponta Antunes (2016), o
sentimento de medo transborda das relações interpessoais para a própria relação do jovem
consigo mesmo. Imersos em uma socialização heteronormativa, eles precisam travar uma
batalha solitária e desafiadora para desconstruir seus próprios preconceitos internalizados. Todo
esse processo de reconhecimento identitário gera tensões profundas e, inevitavelmente,
empurra esses jovens para situações de aguda vulnerabilidade psicossocial, confirmando os
alertas trazidos por Savin-Williams (2016).
Cabe discutir que as evidências surgidas em relação aos desafios da assunção e
revelação da homossexualidade corroboram os estudos Savin-Williams (2016), que descrevem
que o processo é lento, consistindo em várias etapas e variando de acordo com o ritmo de vida
cada indivíduo em seu contexto, fenômeno esse também percebido nas histórias de vida dos
jovens. Pode-se entender que esses sofrimentos reforçam o que já vem sendo apontado em
diversas pesquisas com esta temática, realizadas ao longo de anos, demonstrando que a tarefa
de ‘sair do armário’ para si é um momento crucial para o homossexual jovem, processo muitas
vezes solitário e repleto de sentimentos que podem afetar de forma negativa a percepção que o
indivíduo tem de si, colocando em risco sua saúde mental (Braga et al., 2018; Freitas et al.,
2017).
Depreende-se desta situação que homossexuais jovens necessitam revisar as
expectativas em relação a si e a sociedade, e ajustar essas expectativas denota um caminho de
autoaceitação. E, em decorrência deste processo, desenvolver essa aceitação em seus
relacionamentos interpessoais, aspectos também retratados na pesquisa de Drescher (2014), que
demonstra que empreender essas transformações constitui importante mecanismo de
enfrentamento e proteção.
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Foi consenso entre esses jovens que o maior desafio em relação à revelação social ocorre
no contexto familiar, pois suas histórias corroboraram diversos estudos, tanto em âmbito
nacional quanto internacional, que mostram o quanto a revelação da homossexualidade nas
relações familiares é cercada de muitos tabus e desafios (Braga et al., 2018; Nascimento;
Scorsolini-Comin, 2018).
A rejeição familiar após a revelação da homossexualidade é uma das experiências mais
dolorosas para esses jovens, gerando um sofrimento psicológico intenso que pode perdurar por
anos. Por isso, assumir-se para a família de origem desponta como um estressor monumental,
permeado por um medo profundo. Como aponta Savin-Williams (2016), esse momento
costuma ocorrer em um clima de extrema imprevisibilidade e alta carga emocional, deflagrando
uma complexa revisão de vínculos: enquanto os pais podem relatar o choque de ‘não
reconhecerem mais o filho’, o jovem é assombrado pelo pavor de não ser aceito e de colocar
em risco suas relações mais valiosas. Essa dinâmica, segundo Nascimento e Scorsolini-Comim
(2018), pode instaurar conflitos profundos e permanentes no seio familiar. Diante dessa aguda
vulnerabilidade, muitos são impulsionados a buscar amparo e suporte em outras redes pessoais
e sociais para dar conta de tamanha dor.
O peso dessa decisão torna-se ainda mais esmagador quando os jovens avaliam os
contextos que dificultam a revelação em casa. Crenças religiosas enraizadas e padrões de gênero
muito rígidos atuam como grandes paralisadores, gerando um medo que influencia diretamente
a coragem de seguir em frente e compartilhar sua verdade. Esses dados evidenciam como a
engrenagem heteronormativa, quando entrelaçada a estigmas religiosos e de gênero, sustenta
um preconceito estrutural que eleva drasticamente o estresse e os desafios enfrentados por eles,
confirmando as perspectivas de Savin-Williams (2016) e Defendi (2022).
Em um necessário e acolhedor contraponto, a pesquisa também ilumina o efeito
imensamente protetivo da aceitação. Quando a família abraça essa revelação de forma positiva,
ela constrói um escudo inestimável para a saúde mental desses jovens. O acolhimento familiar
consolida uma base segura, permitindo que eles transitem pelo mundo e por suas relações
sociais com muito mais confiança, pois sabem que contam com o amor e o apoio dentro da
própria casa para lidar com os desafios de serem quem realmente são (Savin-Williams, 2016).
O sentir-se aceito e integrado à dinâmica familiar ao assumir a homossexualidade, traz
importantes demandas e revela diversos aspectos estressores que necessitam ser equacionados
pelos jovens e seus familiares. Mesmo com caráter imprevisível e cercado de medos e
sofrimentos, esse processo também foi percebido pelos jovens como recurso protetivo,
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principalmente quando existe um acolhimento e uma escuta, sendo percebido como fonte de
estímulo e enfrentamento para superar os desafios de autoaceitação e revelação da
homossexualidade. Esses dados também foram relatados na pesquisa de Silva et al. (2015),
realizada com jovens brasileiros.
Outro desafio a ser discutido envolve a percepção dos jovens em relação ao preconceito,
principalmente de gênero, originário da comunidade LGTBI+. Os jovens discutiram que
homossexuais mais afeminados sofrem mais preconceitos, evidenciando um paradoxo sobre
como um grupo, no caso, a comunidade LGBTI+, que supostamente deveria acolher
homossexuais e lhes conferir apoio, também pode ferir e discriminar. Usualmente, os jovens
homossexuais frente a seus desafios idealizam uma comunidade LGBTI+ acolhedora e livre de
preconceitos, ou seja, uma espécie de ‘paraíso’, porém essas pessoas não estão apartadas da
sociedade como um todo, na qual a prevalência de preconceito em relação a gênero ainda é
muito forte.
O relato e a discussão sobre a discriminação dentro da própria comunidade LGBTI+
trazem à tona uma realidade dolorosa, mas profundamente documentada. Esse fenômeno
corrobora os achados de Carmo e Cunha (2017), que já haviam observado essa dinâmica em
seus estudos sobre os desafios de homens homossexuais. Como alerta Antunes (2016), ao
investigar a homofobia internalizada, o heterossexismo e a misoginia infelizmente também
habitam os espaços de sociabilidade gay. Nesse contexto, o homem gay afeminado é quem sofre
o maior impacto desse preconceito intragrupo. Essa realidade escancara como as performances
de gênero e as rígidas prescrições socioculturais sobre masculinidade e hegemonia (Maciel
Júnior, 2013, 2022) continuam a oprimir e a aprofundar a vulnerabilidade psicossocial desses
jovens, mesmo onde eles deveriam encontrar acolhimento.
Superar essas barreiras para revelar a homossexualidade e integrá-la genuinamente ao
cotidiano exige enorme coragem. Embora reconheçam que a maior representatividade atual
facilita esse caminho, os jovens pesquisados não romantizam o processo. Para eles, assumir-se
transcende a busca íntima por autoaceitação; é um verdadeiro ato político. Essa atitude confere
visibilidade e cria um ciclo de retroalimentação vital para o desenvolvimento psicológico e
pessoal. De forma muito sensível, as falas evidenciam o quanto essa revelação cruza as
fronteiras entre o mundo privado e o público, marcando e regulando a inserção social do
indivíduo.
Contudo, como nos lembra Sedgwick (2007), sair do armário não é um evento único,
mas uma negociação constante e para a vida toda. A cada nova experiência ou contato com um
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novo grupo, o jovem se vê obrigado a refazer o delicado balanço entre os custos e os benefícios
de compartilhar sua verdade. Ainda que essa avaliação contínua seja desafiadora e
frequentemente permeada pelo medo, a conclusão do grupo é unânime: o ato de falar sobre
quem se é carrega uma força profundamente libertadora. Ao romper o silêncio, eles abandonam
o desgaste exaustivo da dissimulação e a vigilância constante para esconder sua orientação,
encontrando um alívio fundamental contra o estresse que antes consumia suas vidas.
Esse ponto permite concluir o quanto os desafios e as demandas de jovens homossexuais
masculinos quanto a assumir, revelar a homossexualidade, revestem-se de situações complexas
em nível psicossocial, reforçando a necessidade de se conhecer as especificidades desse
processo (Singh et al., 2015), pois, enquanto profissionais e pesquisadores no campo das
ciências humanas, ampliar o conhecimento e aprimorar as intervenções junto a esse público
pode conferir apoio e suporte mais qualificado e efetivo, levando em conta resultados de
diversas pesquisas que focam essa temática.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi visto pela narrativa dos participantes desta pesquisa, apesar de maior
tolerância e aceitação social da homossexualidade, assumir e revelar a homossexualidade para
jovens gays ainda trazem desafios importantes, sendo o sentimento de medo um denominador
comum nas discussões empreendidas no Grupo Focal. O medo de assumir a homossexualidade,
numa perspectiva pessoal, relacional e social e a construção de estratégias de enfrentamento
ante o preconceito social e a homofobia em diversos contextos representam os principais
desafios para jovens homossexuais masculinos.
Portanto, aceitar-se homossexual, lidar com medo de serem excluídos e rejeitados por
não atenderem às expectativas sociais e familiares, preconceitos de gênero oriundos da
comunidade LGBTI+, que discrimina jovens gays afeminados, e a revelação da
homossexualidade para a família de origem foram os temas considerados desafiadores para
esses jovens. Pode-se observar também que o assumir e o revelar vêm sendo beneficiados por
maior representatividade da homossexualidade e por intermédio do acesso a informações e
contatos via internet.
Os limites desta pesquisa podem ser observados pelo número de participantes, bem
como por não introduzir outras categorias de análise intersecionais para a discussão, tais como
raça, condições socioeconômicas, entre outras. Importante considerar que outro fator limitante
Medo, silêncio e resistência: experiências de jovens gays no processo de revelação social da homossexualidade
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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da pesquisa é a ausência de perspectivas de diferentes contextos socioculturais e outras
identidades LGBTQIAPN+.
A pesquisa não teve o intento de produzir generalizações, porém visou contribuir com
um recorte do problema e iluminar um aspecto de grande importância para profissionais da área
de educação e saúde que atuam com temas relacionados a sexualidade, educação sexual e,
principalmente, para orientação e apoio psicossocial a jovens homossexuais masculinos que
experimentam desafios e vulnerabilidades específicas por conta de uma orientação sexual não-
normativa. Os resultados da análise reforçam achados de outros estudos sobre desafio da
revelação social, principalmente para familiares de jovens gays, incentivando a elaboração de
ações em políticas públicas em saúde e educação que tratem desta temática.
Por fim, espera-se que esse estudo colabore para reforçar o protagonismo de jovens
homossexuais, auferindo importância à escuta de suas experiências, seus desafios, de que forma
constroem estratégias para existirem e resistirem frente ao mundo que os desqualifica e os
discrimina. Espera-se que esse estudo possa estimular outras produções cientificas sobre essa
temática, considerando as condições culturais e sociais de um universo tão diversificado como
o brasileiro, já que a produção nacional ainda é escassa nessa área.
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Fi n a n ci a m e nt o : O pr es e nt e tr a b al h o f oi r e ali z a d o c o m o a p oi o d a C o or d e n a ç ã o d e
A p erf ei ç o a m e nt o d e P ess o al d e Ní v el S u p eri or – Br asil ( C A P E S) – C ó di g o d e
Fi n a n ci a m e nt o 0 0 1 . Pr o c ess o nº 8 8 8 8 7. 1 4 8 0 1 9/ 2 0 1 7 -0 0.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o s e a pli c a .
A p r o v a ç ã o étic a : Pr oj et o d e p es q uis a a pr o v a d o p el o C o mit ê d e Éti c a d a P o ntifí ci a
U ni v ersi d a d e C at óli c a d e S ã o P a ul o . P ar e c er C o ns u bst a n ci a d o n.º 2. 6 2 6. 0 4 3 d e 2 7 d e a bril
d e 2 0 1 8. C A A E nº 8 6 0 8 4 8 1 8. 8. 0 0 0 0. 5 4 8 2 .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : Dis p o ní v el n o a cer v o/ bi bli ot e c a di git al d a P o ntifí ci a
U ni v ersi d a d e C at óli c a d e S ã o P a ul o .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : E L D f oi o i d e ali z a d or d o est u d o, r e di gi u e e dit o u o t e xt o,
c ol et o u e a n alis o u os d a d os, d es cr e v e u os r es ult a d os e dis c uss ã o, e m pr e e n d e u as b us c as d o
r ef er e n ci al t e óri c o. R M S ori e nt o u e s u p er visi o n o u t o d as as et a p as d a p es q uis a, r e vis o u e
c o ntri b ui p ar a or g a ni z ar r es ult a d os e dis c uss ã o .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m eri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 1
FEAR, SILENCE, AND RESISTANCE: YOUNG GAY MEN’S EXPERIENCES IN
THE PROCESS OF THE SOCIAL DISCLOSURE OF HOMOSEXUALITY
MEDO, SILÊNCIO E RESISTÊNCIA: EXPERIÊNCIAS DE JOVENS GAYS NO
PROCESSO DE REVELAÇÃO SOCIAL DA HOMOSSEXUALIDADE
MIEDO, SILENCIO Y RESISTENCIA: EXPERIENCIAS DE JÓVENES GAYS EN EL
PROCESO DE REVELACIÓN SOCIAL DE LA HOMOSEXUALIDAD
Edson Luiz DEFENDI
1
e-mail: edson[email protected]
Rosane Mantilla de SOUZA
2
e-mail: rosan[email protected]
How to reference this paper:
Defendi, E. L., & Souza, R. M. (2026). Fear, silence, and
resistance: young gay men’s experiences in the process of the
social disclosure of homosexuality. Doxa: Rev. Bras. Psico.
e Educ., 27, e026022.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21469
| Submitted: 27/05/2026
| Revisions required: 15/06/2026
| Approved: 08/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Municipal University of São Caetano do Sul (USCS), São Caetano do Sul – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in
Clinical Psychology (PUC-SP). Professor at the Municipal University of São Caetano do Sul.
2
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in Clinical
Psychology (PUC-SP). Full Professor and Coordinator of the Graduate Program in Clinical Psychology (PUC-
SP).
Fear, silence, and resistance: young gay men’s experiences in the process of the social disclosure of homosexuality
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469: 2
ABSTRACT: Young gay men face specific challenges in their personal development when it
comes to recognizing, accepting, and socially disclosing their homoaffective sexual orientation.
Aiming to understand these challenges, a qualitative descriptive study was conducted using a
Focus Group with seven young gay men, aged 18 to 24, living in the metropolitan region of
São Paulo. The results revealed fear and silencing as common denominators in their experiences
of social disclosure across different social contexts. Coming out as homosexual requires
constant analysis and reflection, and the greatest challenge remains disclosure to the family of
origin, driven by fear of rejection and violence. It was concluded that the process of social
disclosure for this specific population is surrounded by many risks, yet these experiences also
function as acts of resistance and protection, helping to buffer psychosocial stressors and
contributing to greater quality of life in the interpersonal relationships of these young men.
KEYWORDS: Youth. Male homosexuality. Disclosure. Fear. Family.
RESUMO: Jovens gays masculinos enfrentam desafios específicos no seu desenvolvimento
pessoal quanto a reconhecer, aceitar e revelar socialmente sua orientação afetivo-sexual
homoafetiva. Com o objetivo de compreender esses desafios, realizou-se uma pesquisa
qualitativo-descritiva, por meio de um Grupo Focal, com sete jovens gays masculinos, com
idade entre 18 e 24 anos, residentes na região metropolitana da cidade de São Paulo. Os
resultados apontaram o sentimento de medo e o silenciamento como denominador comum nas
experiências do processo de revelação social para diferentes contextos sociais. Revelar a
homossexualidade exige constante análise e reflexão, e o maior desafio permanece sendo a
revelação para a família de origem, com medo de rejeição e violência. Concluiu-se que o
processo de revelação social para essa população específica é cercado de muitos riscos, mas
são experiências de resistência e proteção, contribuindo para amortecer os estressores
psicossociais e conferindo maior qualidade de vida aos jovens nos relacionamentos
interpessoais.
PALAVRAS-CHAVE: Juventude. Homossexualidade masculina. Revelação. Medo. Família.
RESUMEN: Los jóvenes homosexuales enfrentan desafíos específicos en su desarrollo
personal al reconocer, aceptar y revelar socialmente su orientación afectivo-sexual
homoafectiva. Con el objetivo de comprender estos desafíos, se realizó una investigación
cualitativo-descriptiva mediante un Grupo Focal con siete jóvenes homosexuales, de entre 18
y 24 años, residentes en la región metropolitana de São Paulo. Los resultados señalaron el
miedo y el silenciamiento como denominadores comunes en las experiencias del proceso de
revelación social en distintos contextos sociales. Revelar la homosexualidad exige un análisis
y una reflexión constantes, y el mayor desafío sigue siendo la revelación a la familia de origen,
debido al miedo al rechazo y a la violencia. Se concluyó que el proceso de revelación social
para esta población específica está rodeado de numerosos riesgos, pero también constituye
experiencias de resistencia y protección que ayudan a amortiguar los estresores psicosociales
y contribuyen a una mayor calidad de vida en las relaciones interpersonales de estos jóvenes.
PALABRAS CLAVE: Juventud. Homosexualidad masculina. Revelación. Miedo. Familia.
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 3
INTRODUCTION
This article aims to understand the experiences of young gay men associated with the
challenges involved in the process of socially disclosing homosexuality.
Despite legal, social, and cultural advances and changes that have positively benefited
young homosexual people and other identities within the LGBTQIAPN+ community with
regard to greater tolerance in the perception of their identity and homoaffective orientation and
in the process of social disclosure (Quinalha et al., 2024), there has been a resurgence of
LGBTphobia and a need for greater knowledge production to understand the impacts of this
phenomenon on the mental health of this population.
According to Defendi and El Khouri (2021), the process of socially disclosing
homosexuality has been identified as one of the greatest challenges for young gay men and is
understood as a process that mobilizes a set of fears, expressed through psychological suffering
and uncertainties regarding changes that may occur in the family, school, work, and social
environments, fear of losing valuable affective relationships, and situations of discrimination,
isolation, and violence; that is, according to Braga et al. (2018), a fundamental rite of passage
for the self-perception of homoaffective orientation that involves risks and calculations.
Defendi (2019) states that the process of social disclosure is a reality that permeates the
lives of young gay men and represents an important step toward self-recognition and the
construction of a positive identity, in which the person shares their affective-sexual orientation
and desires with other people (family members, friends, coworkers, or strangers), becoming
increasingly socially visible as an LGBTI+ person.
Savin-Williams (2016) describes that homosexual adolescents and young people face
two important tasks in their psychosocial development process. The first is related to
recognizing and perceiving themselves as homosexual, and the second refers to telling or
disclosing to people their homoerotic desires, orientation, and affective and sexual experiences,
sharing this information with their personal and social network. It is very common for
homosexual adolescents and young people to feel different from other peers their age. They
may feel isolated and have difficulty dividing and sharing feelings that, at first, may be very
confusing and painful.
In addition to confronting internalized homophobia (Antunes, 2016), psychologically
deconstructing beliefs, rules, values, and norms that value hegemonic ways of living and
relating affectively and sexually, the risk of socially disclosing homosexuality may imply the
Fear, silence, and resistance: young gay men’s experiences in the process of the social disclosure of homosexuality
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469: 4
loss of valuable relationships and situations of physical and psychological violence (Defendi,
2022).
Regarding violence, since 2023, the IPEA Atlas of Violence 2023 (Cerqueira & Bueno,
2023) has shown that LGBTI+ people experience high rates of psychological violence, a form
of aggression typical of the domestic environment and frequently rendered invisible in official
records because of underreporting and the lack of standardization in data collection, especially
when violence occurs within the family (Cerqueira & Bueno, 2025). This trend is reinforced by
earlier studies, such as the analysis by Vasconcelos et al. (2023) of the 2019 National Health
Survey, which demonstrates that LGBTI+ people are more than twice as likely to experience
violence compared with heterosexual people, with a predominance of psychological and sexual
aggression, much of it occurring in private and domestic settings, indicating that young gay
men are almost eight times more likely to experience physical and sexual violence.
Even when surrounded by risks and violence, social disclosure is configured as a process
of great importance in the development of LGBTI+ people, contributing enormously to their
psychosocial development because it confers a sense of belonging and produces confidence for
the construction of their identities, desires, and affective-sexual orientation (Guittar, 2014;
Savin-Williams, 2016).
It must also be considered that the experience and disclosure of homosexuality among
gay men are associated with the logic of gender construction and, in the case of male
homosexuality, subvert and challenge the logic of the power conditions underlying masculinity.
Maciel Júnior (2013, 2022) discusses how ‘being’ and ‘becoming’ a man in society
imposes on men a series of prerequisites regarding what defines true masculinity: conditions
and characteristics associated with strength, endurance, physical competence, and compulsory
heterosexuality define being male and its hegemonic position in social relations. According to
the author, behaviors and attitudes that diverge from the social prescriptions of gender and that
define masculinities influence the construction of being male for homosexual men, who were
also socialized within rules and logics of being male, which, in our culture, are strongly related
to heterosexuality.
Thus, men are socially and psychologically pressured to affirm masculinity and conceal
conditions that are not culturally established as masculine, and this may generate confusion and
conflicts for young gay men, whether regarding the construction of their male identity or fear
of violence and social discrimination when exposing, publicizing, or socially disclosing their
affective-sexual orientation. This logic produces considerable prejudice and violence toward
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 5
effeminate homosexual men, for example, because they resemble characteristics associated
with the feminine in their ways of relating and living and, according to Defendi (2022), Trevisan
(2018), and Nunan (2010), they also encounter considerable prejudice and violence within the
LGBTI+ community itself.
According to Defendi and El Khouri (2021), disclosing homosexuality to the family of
origin represents one of the greatest challenges for young gay men. The risk that the situation
may become an open secret, possibilities of distancing, and significant relational ambiguities
may arise. Unlike other minoritized groups that are discriminated against on ethnic-racial and/or
religious grounds, young gay men are, overwhelmingly, sons of heterosexual families,
revealing a vertical prejudice; that is, instead of protection and acceptance, violence and
prejudice may emerge within intrafamilial relationships.
According to Moura et al. (2023), in an integrative review on domestic violence and
LGBTI+ people, the family is one of the first and most intense spaces of violence for young
gay men and other young people in the LGBTI+ community. Psychological violence is
precisely the most typical form of family violence: humiliation, threats, expulsion from the
home, excessive surveillance, and moral and religious coercion produce great vulnerability in
the physical and mental health of these young people, indicating that, in this reality, according
to Singh et al. (2015), young gay men are more likely to develop psychological and psychiatric
problems; alcohol and drug abuse; suicidal ideation and thoughts—and suicide itself; social,
family, and school discrimination and violence; homicides due to hate crimes and homophobia;
and greater vulnerability to contracting sexually transmitted infections.
In this sense, personal/social support networks, whether face-to-face or online (Souza
& Defendi, 2021), are fundamental in the process of social disclosure for young gay men.
Freitas et al. (2017) revealed that the psychosocial protection mechanisms and coping strategies
used by these young people can be categorized at personal, relational, and contextual levels and
promote the development of personal skills in the presence of risks and vulnerabilities.
Support and acceptance from family members and other social groups are considered
extremely important for young homosexual people; however, the repercussions of disclosing
homosexuality to family members are marked by highly complex situations, ranging from
attitudes of understanding to situations of extreme rejection, because family members need to
revise their expectations regarding their homosexual child and, although they feel confused and
guilty, they tend to distance themselves and deny the situation, which may weaken possibilities
of support (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018).
Fear, silence, and resistance: young gay men’s experiences in the process of the social disclosure of homosexuality
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469: 6
Therefore, investigating processes of social disclosure of homosexuality among young
gay men is extremely important for expanding knowledge of the specific stressors experienced
by this group, promoting more contextualized and assertive psychoeducational and clinical
practices and interventions. This guided the research conducted, distinguishing this
investigation from others already existing because of the context and origin of the research
participants and the opportunity for them to debate the topic through a focus group.
METHOD
This is a qualitative-descriptive study that sought to understand the phenomenon in a
multidimensional and complex manner, emphasizing the socially constructed nature of reality
(Denzin & Lincoln, 2006). The methodological strategy adopted was the Focus Group, because
it privileges interaction among participants, enabling exchange, creating an environment
conducive to discussion, and facilitating the expression of perceptions, points of view, and
feelings.
Participants
Seven young gay men, aged between 18 and 24 years, from middle socioeconomic strata
and residing in the Metropolitan Region of São Paulo, participated in this study. All participants
met the study’s inclusion criteria, defined as follows: being a cisgender man; self-identifying
as homosexual; being older than 18 and younger than 25 years; and having experienced
situations of socially disclosing their homosexuality in interpersonal relationships.
To ensure participants’ confidentiality and anonymity, in accordance with ethical
guidelines and the General Data Protection Law (LGPD), all names presented throughout this
article and in the transcripts are pseudonyms (fictitious names).
Instruments
An identification form completed by the young participants was used to gather
information such as full name, date and place of birth, marital status, educational level, address,
main occupation; at what age they began to perceive their homosexuality; whether they had
profiles on social media and, if so, on which platforms; whether they were currently in a
romantic relationship and, if so, for how long.
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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The main topics discussed in the Focus Group were presented in the form of questions,
as follows:
1) What are the challenges for you in acknowledging and disclosing your sexual
orientation?
2) What was and what has this experience been like for you? What have you encountered
and continued to encounter?
Procedures
Participants were recruited through messages on social media, mainly Facebook, on
specific pages aimed at young gay men. After receiving contact from a young person interested
in participating in the study, direct contact was made by telephone to explain the procedures in
greater detail and inform him of the date, location, and time of the Focus Group. After agreeing
to participate, the young person was included in a WhatsApp group administered by the
researcher, with the aim of streamlining the transmission of information and clarifying possible
doubts.
In total, 11 young men were recruited and agreed to participate in the meeting, four of
whom did not attend. Of these, three justified their absence on the day of the meeting, and only
one did not provide a reason. Thus, the Focus Group consisted of seven participants.
The meeting was held in a place exclusively reserved for this purpose, a comfortable
and accessible space that guaranteed confidentiality. The research team also included two
young women, one a psychologist and the other a student, whose role was to support the
researcher in conducting the procedure, which was filmed and audio-recorded in full.
After the participants introduced themselves, the group began. The researcher again
explained the study objectives, thanked everyone for participating, read aloud, and requested
each participant’s signature on the Informed Consent Form (ICF)
3
, in accordance with the
guidelines of Resolutions No. 466/12 and 510/16 of the National Health Council. After consent
was given, the researcher distributed the identification form for everyone to complete.
After completing the identification form, each participant received a pen and two sheets
from a 76 mm x 102 mm self-adhesive post-it notepad. Each participant was then asked to write
his response to the first question used to initiate the group discussion. After participants wrote
3
The research project was approved by the Ethics Committee of PUC-SP. Substantiated Opinion No. 2,626,043,
dated April 27, 2018. CAAE No. 86084818.8.0000.5482.
Fear, silence, and resistance: young gay men’s experiences in the process of the social disclosure of homosexuality
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their responses, the notes were collected and attached to a flip chart. The researcher read the
answers aloud, and the discussion and debate on the topics began. All the young men were able
to talk about their challenges and experiences, and the discussion flowed spontaneously.
The filmed material was transcribed in full, and the complete video of the procedure
was watched several times by the researcher for thematic analysis, in which excerpts from
participants’ statements were used to illustrate the analysis. The thematic categories were
constructed through a reflective and systematic analysis following Braun and Clarke (2006),
which involved initial coding of the data, searching for patterns of meaning, and organizing
these patterns into coherent themes representative of the analyzed corpus, strategies aimed at
ensuring the reliability and interpretive rigor of the qualitative analysis.
RESULTS
The group had similar characteristics, and identification data are shown in Table 1. All
participants declared themselves single, had completed or incomplete higher education, and
came from the City or State of São Paulo, or a neighboring state. Only Carlos
4
lives with a
partner. The others live with their parents or in student housing. Although the age range had
been delimited up to 25 years, the maximum age obtained was 24 years, in only one participant.
The proximity of the participants’ ages, however, was not reflected in the age at which each
perceived himself as homosexual. This perception ranged from 8 to 15 years. Considering each
participant’s current age, at least four years had already elapsed since becoming aware of their
sexual orientation.
Table 1.
Participant identification and data
Name
Marital
status
Education
Occupation
At what age did
you perceive
yourself as
homosexual?
Antonio
Single
Incomplete higher
education
Student
13/14
Bernardo
Single
Higher education
completed
Teacher
10/12
Carlos
Single
Incomplete higher
education
Editor
10
Daniel
Single
Incomplete higher
education
Intern
15
Elton
Single
Incomplete higher
education
Student
8
4
Fictitious names were used to ensure participants’ confidentiality.
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Fabio
Single
Incomplete higher
education
Intern
11
Gael
Single
Incomplete higher
education
Student
13/14
Note. Prepared by the authors (2026).
Regarding romantic relationships, in addition to Carlos, who, as already mentioned,
lives with a partner, Fabio also reported currently being in a romantic relationship; their
relationship durations were, respectively, one year and ten months and four months. Antonio is
not currently in a romantic relationship but reported a previous relationship lasting six months.
Carlos, Daniel, Elton, and Gael stated that they were not currently in a relationship and did not
specify whether they had been in one before.
Therefore, despite similarities in age, origin, economic background, and education, there
was diversity in the age at which participants became aware of their sexual orientation and in
their romantic-relational experiences.
Table 2 presents the answers obtained to the first question used to initiate the Focus
Group: “What are the challenges for you in acknowledging and disclosing your sexual
orientation?”, as written by each participant. As can be seen in these statements, there are
various challenges related to acknowledging and disclosing homosexuality
Table 2.
What are the challenges for you in acknowledging and disclosing your sexual orientation?
PARTICIPANT
RESPONSES
Antonio
The pressure society places on sexuality and fear of urban violence.
Bernardo
Minority status, religion, society’s expectations, fear of discrimination.
Carlos
Fear of aggression and fear of being kicked out of home.
Daniel
Having to show society that it is something normal.
Elton
Fear of suffering aggression and persecution / Prejudice – social exclusion /
Social expectations and frustration / Family religion / Discomfort in political
environments and exposure – heterosexual friends expose me.
Fabio
For me, the challenges are those of society itself. At first, I thought it would be
the family, but after encountering little social representation, whether in politics
or other areas, I realized that the environment we live in still does not accept it.
Little by little it swallows it, but it still does not accept it.
Gael
Facing fear, the fear that leads to judgment, which can lead to loneliness that
leads to stigma / Fear – loneliness – judgment and stigma.
Note. Prepared by the authors (2026).
In general, it was observed that among the participants, some placed the focus of the
challenge on themselves, especially regarding feelings of fear and frustration (fear of
experiencing urban violence because they are homosexual, fear of aggression, discrimination,
persecution; fear of being expelled from home; fear of loneliness, being judged, and suffering
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stigma; feelings of frustration in the face of social expectations), while others placed it outside
themselves, in the heteronormative social world (dealing with a society that does not accept
them, having to show that homosexuality is normal; minority status, religiosity of society and
family, a society that does not accept homosexuality).
These two sets of statements functioned as triggers and were explored in greater depth
during the group discussion. The content of this discussion was organized into two categories
and three subcategories, presented in Table 3, which will be analyzed in more detail below. It
should be noted that the discussion also incorporated the answers related to the second question
(“What was and what has this experience been like for you? What have you encountered and
continued to encounter?”). The testimonies and answers to the second question emerged
spontaneously in the Focus Group, and their content was incorporated into the constructed
categories.
Table 3.
Categories and subcategories
Categories
Subcategories
1. Challenges in dealing with and confronting
the fear of perceiving and acknowledging
oneself as homosexual, for oneself and in
different social contexts.
2. Existing and resisting: experiences and
strategies of social disclosure.
1.1 Perception of homosexuality and social
expectations.
1.2 Challenges and fear within the family group.
1.3 Challenge of dealing with gender prejudice
within the LGBT community.
Note. Prepared by the authors (2026).
CATEGORY 1 – CHALLENGES IN DEALING WITH AND CONFRONTING THE
FEAR OF PERCEIVING AND ACKNOWLEDGING ONESELF AS HOMOSEXUAL,
FOR ONESELF AND IN DIFFERENT SOCIAL CONTEXTS
The challenge of dealing with and confronting fear arising from prejudice, whether
internalized or institutionalized, appeared very frequently in the narratives and in the group
discussion process regarding becoming aware of and acknowledging homosexuality. When
describing their challenges and narrating their experiences, the young men spoke about how
vulnerable they feel, their intense experiences of fear, and some protection strategies and
mechanisms they use to deal with these experiences and threats. These situations were identified
both in the individual and psychological process and in interpersonal relationships in different
social contexts.
The subcategory “Perception of homosexuality and social expectations” refers to the
fact that recognizing the orientation of homoaffective desire is considered an essential task in
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the psychosocial development of young gay men. Although it should be recalled that this
recognition and perception varied from 8 to 15 years of age among participants (Table 1), all
the young men reported that perceiving that they felt different from their peers because of their
sexual orientation involved ambiguous feelings, fear of loneliness, and psychological suffering.
Gael, for example, reports how afraid he felt when he perceived himself as homosexual, a
feeling learned by the young man in relation to stigma and social judgments, as well as through
judgments he made about himself, revealing the complex and systemic relationship between
internalized and institutionalized prejudices that permeate the experience of young homosexual
people. Elton states that when he began to perceive himself as gay, his life became chaotic; he
felt very guilty and afraid that others would notice his homosexuality, as can be seen in the
statements below.
the challenges for me were, I don’t know, first it was the personal challenge... Like, um... Facing
the fear of loneliness, stigma, and judgment. (Gael, 18 years old)
I started to see that I was very attracted to boys, to men, and then this began to become chaos
in my life... Something horrible, it caused me a lot of psychological suffering. (Elton, 22 years
old)
The discussion around this topic—Perception of homosexuality and social
expectations—deepened as the young men reported the importance of being accepted and
socially recognized as homosexual. In this sense, dealing with social expectations linked to the
belief in compulsory and naturalized heterosexuality emerged as an important stressor, insofar
as these young men reported feeling challenged to overcome and confront these expectations
daily, whether by deconstructing expectations about themselves or those held by others.
Bernardo reports that he pressured himself to fit into what society prescribes as ‘normal’
and ‘natural’ for a man his age; that is, people expected him to have a girlfriend, and this made
him feel threatened and afraid of being rejected for not meeting those expectations. Elton also
reveals that one of his greatest frustrations upon understanding himself as homosexual was that
he would not be able to satisfy the expectations of a heteronormative society and, specifically,
would disappoint his family, especially his mother.
society’s expectation is a challenge... Because everyone also starts dating, everyone expects it,
and then the family comes into it too... So, this expectation always demanded a lot from me, and
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then I demanded it from myself, I have to fit in, I have to fit in, and that was my greatest fear.
(Bernardo, 22 years old)
the issue of the expectation society has and that my family had about me and the frustration of
going to my mother and telling her that she will not see me with a girl, and for society this is
also very frustrating. (Elton, 22 years old)
There was consensus among the young men that there is currently greater social
visibility and representation of homosexuality, and this factor was perceived as protective and
supportive in the process of acknowledging sexual identity, helping to build internal and
external strategies and facilitating self-acceptance. Elton brought to the group discussion how
this representation contributes to gay men and women coming out, as well as seeking greater
support, strategies, and tools for this process.
I feel that there is a movement happening, I don’t feel stagnation, I feel movement, and when
we talk about representation I think this helps gay men and women become aware earlier of
what it is... And have tools earlier regarding what it is, how to act, how to create strategies for
themselves to accept themselves better. (Elton, 22 years old)
These young men discussed how the internet has been a very valuable resource for
obtaining information about homosexuality and recognizing oneself as such. In this sense, free
access to information online could be perceived as an element of support and protection in
strengthening the process of acknowledging homosexuality and self-acceptance. Gael points to
the internet as a resource that brought major change for gay youth of the current generation
because it disseminates information, helps make homosexuality visible, and reduces loneliness,
and he benefited from this experience, as reported below.
I don’t know, I need to know myself, then I went searching, went on the internet, I thought I need
to know myself, so what am I, am I gay? Then I typed a questionnaire on the internet and it said
yes, yes, yes [laughs], then I’m gay, and I used to see this as a problem, I would go online and
search as if it were a problem, like, how to cure it, but later I discovered that no, that this is not
a problem, the problem is in society and not in me, and not in what I am... Besides, it helped me
a lot when I felt alone. (Gael, 18 years old)
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From the emergence of this topic, the young men began to discuss and reflect on how
the internet has been a highly valuable resource for obtaining information about homosexuality
and for individuals to recognize themselves as such. In this sense, free access to information
about homosexuality in the digital environment and the possibility of finding peers could be
perceived as a source of support in strengthening the process of acknowledging homosexuality.
The subcategory “Challenges and fear within the family group” reflects one of the main
challenges highlighted by young homosexual men in acknowledging homosexuality to their
family of origin, whether because of fear of family members’ reactions and attitudes, or because
of feelings of guilt and shame that the young men themselves reported, revealing how much
this situation can generate problems and crises in family dynamics and relationships, including
fear of being expelled from home.
my fears were more related to the experience with my family.... I don’t know, I was more afraid
of my family throwing me out, my main fear when I came out. (Carlos, 22 years old)
The young men reported that they felt constantly threatened or afraid of being
questioned, interrogated, and persecuted by family members, generating considerable
psychological pressure. Daniel said he suffered a great deal because he was constantly
questioned by his parents about his sexual orientation, with the pressure being so intense that
he ‘felt forced’ to come out, reporting that the relationship established between him and his
parents was marked by avoidance and fear. Fabio, in his narrative, described that he was ‘found
out’ by his family and was pursued and pressured until he admitted/acknowledged that he was
gay. Bernardo, the only young man who had not yet come out to his family of origin, reported
to the group the experience of a cousin who was pressured by the family to talk about his
homosexuality and that, after he did, he saw his cousin’s parents make his life hell, an
experience that may have influenced his decision not to tell his family until now.
I suffered a lot, a lot during adolescence, because of this I came out because my parents asked
me, they pressured me a lot. (Daniel, 24 years old)
I talked to a boy a little older than me, but not much older, on MSN, but anyway I always deleted
the conversations, right.... My father... an internet rat, I don’t know, found out, got all the
conversations I had deleted.... Then he printed all the conversations and called me... No, my
mother called me screaming on the phone, saying are you gay? And I said no... I thought, this
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isn’t happening... Anyway, he went to my house, threw the conversations openly on the table...
They were somewhat embarrassing conversations... It was a whirlwind of things, how I was
found out, I didn’t have to go there and say it, but at the same time I was pressured, it was very
difficult! I said okay, I really am this. (Fabio, 21 years old)
I have a cousin who is gay. They [the family] cornered him until he told them, and after the boy
told them they started making his life hell. (Bernardo, 22 years old)
The way the family group conceives homosexuality is decisive for the coming-out
process, according to participants. Families with religious beliefs that condemn homosexuality
and families that conceive very rigid gender socialization norms promote a more threatening
environment, generating considerable fear and suffering. Bernardo reported that his family of
origin is extremely Catholic, associates homosexuality with sin, and that this family
characteristic has always been an obstacle to his coming out because it generates considerable
fear and concern. Elton and Gael, both from evangelical families, grew up hearing that being
gay was something horrible, condemnable, and sinful, in addition to being questioned and
reprimanded for having very effeminate mannerisms.
Religion was complicated because I come from a Catholic background, a very Catholic family,
and always that fear, that worry, it’s a sin, it’s a sin, it’s a sin... And that complicated my life,
my decision to come out. (Bernardo, 22 years old)
a personal challenge is that I was born into a family like this, I used to go with my grandmother
from a young age to an evangelical church and I always heard that being gay is something
wrong... That it’s something ugly, that you’re going to burn in hell, those kinds of messages, I
don’t know, I felt kind of strange about it, and my father too. Since childhood I already acted
kind of effeminate and my father was already shaping me and saying, that’s wrong, don’t sit
like that, don’t walk like that, don’t talk like that. (Gael, 18 years old)
Of the seven participating young men, only one reported a positive experience of
coming out to his family of origin. In this young man’s account, there was discussion about
how coming out to the family and being accepted strengthened his attitudes for dealing with
prejudice and discrimination in broader social relationships; that is, family support was revealed
as a protective factor, contributing to self-acceptance and the development of coping strategies.
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My family always accepted me well, my friends, I had always lived with some who had already
come out as homosexual, so as soon as they came out I already felt safe to say it too, and with
my family it was very easy... I was only a little afraid of telling my father because of his family...
So because of that I was afraid to tell him, but I remember that I talked to him and my mother,
and it was very easy, he told me he loved me no matter what, so I was very happy about that, so
I already had the support of the family. (Antonio, 18 years old)
The third subcategory refers to “Dealing with gender prejudice within the LGBT
community,” with this prejudice being related to gender performances. There was consensus in
the group discussion that the more effeminate a homosexual man is in terms of gender
performance, the more susceptible he is to discrimination and difficulty being accepted within
the LGBT community. Participants commented that, at times, there is a lack of empathy and
acceptance within the community and that it reproduces prejudices from heteronormative
society, concluding in the discussion that the more effeminate the person, the greater the social
rejection within the community itself, an aspect understood by the young men as a challenge to
be confronted.
I think in the gay world, as others have already mentioned... I always felt a lot of difficulty...
Gays don’t welcome one another, don’t recognize themselves as a group... There is a lack of
solidarity, empathy. (Carlos, 22 years old)
one thing about society that I think, it’s not only heterosexual society, we can say in the gay
environment too it is very difficult, we can say because when you are effeminate, for example,
you are not accepted in this damn environment. (Daniel, 24 years old)
The young men discussed the stigma toward effeminate homosexual men in society as
a whole and within the LGBT community, who are called/nicknamed poc-poc
5
by other gay
men who do not consider themselves effeminate, disqualifying them and clearly associating
them with gender performances linked to the feminine, revealing that misogyny is a prejudice
observed by the young men as originating from the LGBT community.
5
The term poc-poc alludes to the sound of high-heeled shoes worn by women and, therefore, the more effeminate
a homosexual man is, the more ‘poc-poc’ he is classified within the LGBTI+ community.
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[...] it is almost an insult... generally it’s like this, ‘poc-poc’ will be the younger little fag... more
effeminate and more... (Bernardo, 22 years old)
CATEGORY 2 – EXISTING AND RESISTING: EXPERIENCES AND STRATEGIES
OF SOCIAL DISCLOSURE
In this second category, the young men shared sensitive and fundamental experiences
regarding the process of socially disclosing homosexuality and how they perceive this moment
in their trajectories. One feeling that united their statements was the observation that we
currently live in a context of greater tolerance and representation, which undoubtedly welcomes
and encourages the act of coming out. In general, they evaluate this contemporary experience
positively, although they make considerations that reveal the complexity of the topic.
Gael, for example, holds a very optimistic and hopeful view: he observes that the media
and communication channels have stopped portraying homosexual people through caricatured
and stereotyped lenses, seeing this structural progress as a powerful and encouraging device for
those who want to come out. Bernardo, on the other hand, offers a cautious counterpoint to this
perspective. Although he clearly recognizes this important social change highlighted by his
colleague, he questions whether this new scenario, in the painful and intimate practice of
everyday life, truly makes the journey of coming out less difficult for those who experience it.
I believe it has changed for the better, but because of representation, because in the past gay
people... It was that caricatured thing, today it isn’t like that, you already see films that educate,
that say, you know, I don’t know, you see series, you see, anyway, I think representation is
helping young gay people come out and disclose themselves. (Gael, 18 years old)
The young men discussed that disclosure is an important device of visibility that confers
existence and resistance, contributing to combating prejudice against homosexual people. In
addition, it was identified by the young men as a factor of psychosocial well-being,
characterized as a positive and liberating experience and felt as an important element of
personal development. Elton reports that he experiences social disclosure as an act of existence;
that is, disclosing means confronting prejudice, resisting in a society that discriminates against
homosexual people. Bernardo and Daniel spoke about how liberating it is to disclose
homosexuality and how much relief and well-being disclosure brings.
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the biggest challenge is existing in this society and then resisting, like, creating resistance,
resistance for yourself so you can face all the prejudice, everything there is in society, and one
of the ways is for us to disclose ourselves. (Elton, 22 years old)
always saying, but you’re not going to oppress me anymore, enough, enough, enough, it’s
annoying, although it is liberating, it is liberating, you tell them, but it’s annoying because there
comes a time when you get tired... But it is liberating to say it. (Daniel, 24 years old)
Another striking topic in the Focus Group was the strategic planning behind disclosing
homosexuality. The young men debated how the impact of coming out is closely linked to the
moment and context chosen. For them, although social disclosure is a fundamental step, the
decision requires a constant ‘cost-benefit calculation.’ Acting impulsively or without proper
preparation, they warned, may trigger painful and complex situations, especially within the
family nucleus.
The shared experiences perfectly illustrated this delicate balance. Carlos, for example,
reported that, even though he was afraid and after rehearsing many times, he chose to open up
to his family on Christmas night. The impact of the occasion, however, generated conflicts and
a sad distancing in family relationships. Antonio’s strategy, on the other hand, is daily and more
selective: he prefers to share his orientation spontaneously with people he likes and identifies
with, although he always makes a point of confirming his homosexuality if directly questioned.
In contrast, Gael offered a deeply moving account of the weight of this exposure. Driven
by the vital need to be authentic with his parents, he ended up suffering extreme rejection from
both of them. The pain and fear generated by this family rejection plunged him into such
overwhelming sadness that he considered suicide, revealing the extreme vulnerability that
permeates this process.
I spent a long time rehearsing, rehearsing, I even called my mother into my room, crying... I
talked about several other things and didn’t talk about this, several attempts... blah blah blah...
Then I said it at Christmas, just to get it over with... Then I told my mother, do you want a
present... I’m gay, that’s really how it was, I spent Christmas and New Year without anyone
talking to me, but anyway, those were my fears. (Carlos, 22 years old)
Most of the time I challenge myself to say it, I don’t even have a problem with it and I don’t feel
the need to tell everyone, only people I like, people who sometimes ask... Yes, I’m homosexual,
Fear, silence, and resistance: young gay men’s experiences in the process of the social disclosure of homosexuality
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but it’s something that is not normalized for people, so it ends up being very difficult in some
situations... You need to think about the impact of this. (Antonio, 18 years old)
but then it came time to tell my parents, but I didn’t want to tell them, only I felt this need because
I heard several accounts, ah I told my parents... Anyway, it wasn’t planned, anyway, it just
happened... Anyway, I was retaliated against by both of them, neither accepted it... I felt very
alone... Ahhh, but I would rather have a son in prison than a gay son, when I heard that I
thought... goodbye world, I became very sad. (Gael, 18 years old)
It should be emphasized that disclosing homosexuality to the family of origin was the
experience that elicited the most emotional accounts in the Focus Group and occupied a large
part of the discussion, being considered by all the young men the most important challenge.
Most of them reported feeling very afraid and very confused in deciding whether or not to tell
their family members about their homosexuality. However, disclosure to the family brought
positive feelings of relief and reports of improved quality in interpersonal relationships. One
participant, Elton, stated that after disclosing his homosexuality to his mother, he noticed a clear
improvement in his physical and mental health.
then she said ahhh but you don’t need to feel guilty, she welcomed me in such an incredible way
that I cried in her lap and felt like a 7-year-old child, I couldn’t say anything, I just cried and I
didn’t know how much I needed that experience... And it was an incredible experience, my
insomnia decreased after I told her, I had less anxiety, less difficulty speaking in public after
that... I wasn’t aware of how much I needed that... That my mother recognized that I’m not guilty
for something that I am. (Elton, 22 years old)
The accounts reveal that the process of understanding and acknowledging
homosexuality has been supported by a welcome cultural change, driven by greater social
representation and access to information, especially via the internet. However, disclosing this
intimate truth to the family of origin remains a monumental challenge, a finding that strongly
corroborates the literature in the field (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018; Savin-Williams,
2016). Despite all the tensions involved, the study demonstrates that taking this step and
acknowledging one’s identity acts as a buffer against stressors, promoting quality of life and
much more positive personal development.
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However, the study also brought to light a paradoxical and painful finding: prejudice
experienced within the LGBTI+ community itself. Instead of the expected acceptance, the
young men frequently encounter oppression among their peers. This phenomenon exposes how
rigid gender socialization norms structure our society, showing that young homosexual men
with more effeminate traits end up being the greatest targets of this intragroup prejudice.
DISCUSSION
The results indicate that the vulnerability permeating the perception and social
disclosure of homosexuality is marked above all by fear and the burden of silence. To protect
themselves and cope with these pains, the young men develop coping strategies ranging from
the delicate recognition of themselves to managing social expectations, confronting prejudices
(including those within their own community), and the complex planning of disclosure to family
members.
This painful path of self-acceptance is aligned with studies that demonstrate how
psychologically distressing it can be for a young person to appropriate a dissident sexual
orientation, making them extremely vulnerable to stress. As Antunes (2016) points out, the
feeling of fear spills over from interpersonal relationships into the young person’s relationship
with himself. Immersed in heteronormative socialization, they must fight a solitary and
challenging battle to deconstruct their own internalized prejudices. This entire process of
identity recognition generates profound tensions and inevitably pushes these young people into
situations of acute psychosocial vulnerability, confirming the warnings raised by Savin-
Williams (2016).
It should be discussed that the evidence emerging regarding the challenges of
acknowledging and disclosing homosexuality corroborates the studies of Savin-Williams
(2016), which describe the process as slow, consisting of several stages and varying according
to the pace of each individual’s life in his context, a phenomenon also perceived in the life
stories of the young men. These forms of suffering can be understood as reinforcing what has
already been pointed out in several studies on this topic over the years, showing that the task of
‘coming out of the closet’ to oneself is a crucial moment for young homosexual people, a
process often solitary and filled with feelings that may negatively affect the individual’s
perception of himself, putting his mental health at risk (Braga et al., 2018; Freitas et al., 2017).
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It follows from this situation that young homosexual people need to revise expectations
regarding themselves and society, and adjusting these expectations denotes a path toward self-
acceptance. As a result of this process, they must develop this acceptance in their interpersonal
relationships, aspects also portrayed in the study by Drescher (2014), which demonstrates that
undertaking these transformations constitutes an important coping and protection mechanism.
There was consensus among these young men that the greatest challenge regarding
social disclosure occurs in the family context, because their stories corroborated several studies,
both nationally and internationally, showing how disclosure of homosexuality within family
relationships is surrounded by many taboos and challenges (Braga et al., 2018; Nascimento &
Scorsolini-Comin, 2018).
Family rejection after disclosing homosexuality is one of the most painful experiences
for these young people, generating intense psychological suffering that may persist for years.
For this reason, coming out to the family of origin emerges as a monumental stressor, permeated
by deep fear. As Savin-Williams (2016) points out, this moment usually occurs in a climate of
extreme unpredictability and high emotional burden, triggering a complex revision of bonds:
while parents may report the shock of ‘no longer recognizing their son,’ the young person is
haunted by the fear of not being accepted and of putting his most valuable relationships at risk.
According to Nascimento and Scorsolini-Comin (2018), this dynamic may establish profound
and lasting conflicts within the family. Faced with this acute vulnerability, many are driven to
seek support in other personal and social networks in order to cope with such pain.
The weight of this decision becomes even more overwhelming when young people
assess contexts that make disclosure at home more difficult. Deeply rooted religious beliefs and
very rigid gender patterns act as major paralyzing forces, generating fear that directly influences
the courage to move forward and share their truth. These data reveal how the heteronormative
machinery, when intertwined with religious and gender stigmas, sustains structural prejudice
that drastically increases the stress and challenges faced by them, confirming the perspectives
of Savin-Williams (2016) and Defendi (2022).
In a necessary and welcoming counterpoint, the study also sheds light on the immensely
protective effect of acceptance. When the family embraces the disclosure positively, it builds
an invaluable shield for the mental health of these young people. Family acceptance
consolidates a secure base, allowing them to move through the world and their social
relationships with much greater confidence because they know they can count on love and
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support within their own home to face the challenges of being who they truly are (Savin-
Williams, 2016).
Feeling accepted and integrated into family dynamics when acknowledging
homosexuality brings important demands and reveals several stressors that need to be managed
by the young person and family members. Even though it is unpredictable and surrounded by
fears and suffering, this process was also perceived by the young men as a protective resource,
especially when there is acceptance and listening, being perceived as a source of encouragement
and coping to overcome the challenges of self-acceptance and disclosure of homosexuality.
These data were also reported in the study by Silva et al. (2015), conducted with young
Brazilians.
Another challenge to be discussed involves the young men’s perception of prejudice,
especially gender prejudice, originating within the LGBTI+ community. They discussed that
more effeminate homosexual men experience more prejudice, revealing a paradox in how a
group—in this case, the LGBTI+ community—that should supposedly welcome homosexual
people and provide support can also hurt and discriminate. Young homosexual people facing
their challenges often idealize a welcoming and prejudice-free LGBTI+ community, that is, a
kind of ‘paradise’; however, these people are not separate from society as a whole, in which the
prevalence of gender prejudice remains very strong.
The accounts and discussion about discrimination within the LGBTI+ community itself
bring to light a painful but extensively documented reality. This phenomenon corroborates the
findings of Carmo and Cunha (2017), who had already observed this dynamic in their studies
on the challenges of homosexual men. As Antunes (2016) warns in investigating internalized
homophobia, heterosexism and misogyny unfortunately also inhabit gay social spaces. In this
context, the effeminate gay man suffers the greatest impact of this intragroup prejudice. This
reality exposes how gender performances and rigid sociocultural prescriptions regarding
masculinity and hegemony (Maciel Júnior, 2013, 2022) continue to oppress and deepen the
psychosocial vulnerability of these young men, even where they should find acceptance.
Overcoming these barriers to disclose homosexuality and genuinely integrate it into
everyday life requires enormous courage. Although they recognize that greater current
representation facilitates this path, the young men studied do not romanticize the process. For
them, coming out transcends the intimate search for self-acceptance; it is a true political act.
This attitude confers visibility and creates a vital feedback cycle for psychological and personal
development. Very sensitively, their statements reveal how this disclosure crosses the
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boundaries between the private and public worlds, marking and regulating the individual’s
social insertion.
However, as Sedgwick (2007) reminds us, coming out is not a single event but a constant
lifelong negotiation. With each new experience or contact with a new group, the young person
is obliged to redo the delicate balance between the costs and benefits of sharing his truth.
Although this continuous assessment is challenging and frequently permeated by fear, the
group’s conclusion is unanimous: speaking about who one is carries a profoundly liberating
force. By breaking the silence, they abandon the exhausting wear of concealment and constant
vigilance required to hide their orientation, finding fundamental relief from the stress that had
previously consumed their lives.
This point makes it possible to conclude how the challenges and demands faced by
young homosexual men regarding acknowledging and disclosing homosexuality involve
complex situations at the psychosocial level, reinforcing the need to understand the specificities
of this process (Singh et al., 2015). As professionals and researchers in the human sciences,
expanding knowledge and improving interventions with this population can provide more
qualified and effective support, taking into account the results of several studies focused on this
topic.
FINAL CONSIDERATIONS
As seen in the narratives of participants in this study, despite greater tolerance and social
acceptance of homosexuality, acknowledging and disclosing homosexuality still present
important challenges for young gay men, with fear being a common denominator in the Focus
Group discussions. Fear of acknowledging homosexuality from personal, relational, and social
perspectives and the construction of coping strategies in the face of social prejudice and
homophobia in different contexts represent the main challenges for young gay men.
Therefore, accepting oneself as homosexual, dealing with the fear of exclusion and
rejection for not meeting social and family expectations, gender prejudices originating within
the LGBTI+ community that discriminate against effeminate young gay men, and disclosing
homosexuality to the family of origin were the topics considered challenging by these young
men. It can also be observed that acknowledgment and disclosure have been benefited by
greater representation of homosexuality and through access to information and contacts via the
internet.
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The limitations of this study can be observed in the number of participants, as well as in
not introducing other intersectional categories of analysis for discussion, such as race,
socioeconomic conditions, among others. It is also important to consider that another limiting
factor is the absence of perspectives from different sociocultural contexts and other
LGBTQIAPN+ identities.
The study did not intend to produce generalizations but sought to contribute a
perspective on the problem and shed light on an aspect of great importance for professionals in
education and health who work with topics related to sexuality, sex education, and, especially,
psychosocial guidance and support for young gay men who experience specific challenges and
vulnerabilities because of a non-normative sexual orientation. The results of the analysis
reinforce findings from other studies on the challenge of social disclosure, especially to the
families of young gay men, encouraging the development of public policy actions in health and
education addressing this topic.
Finally, it is hoped that this study will help strengthen the protagonism of young
homosexual people, giving importance to listening to their experiences and challenges and to
the ways in which they construct strategies to exist and resist in a world that disqualifies and
discriminates against them. It is hoped that this study may stimulate other scientific productions
on this topic, considering the cultural and social conditions of a universe as diverse as Brazil,
since national production in this area remains scarce.
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Ps y c h ol o g y at t h e P o ntifi cal C at h oli c U ni v ersit y of S ã o P a ul o .
F u n di n g : T his w or k w as c arri e d o ut wit h t h e s u p p ort of t h e C o or di n ati o n f or t h e
I m pr o v e m e nt of Hi g h er E d u cati o n P ers o n n el – Br a zil ( C A P E S) – F u n di n g C o d e 0 0 1.
Pr o cess N o. 8 8 8 8 7. 1 4 8 0 1 9/ 2 0 1 7 -0 0 .
C o nfli cts of i nt e r est: N ot a p pli c a bl e .
Et hi c al a p p r o v al : R es e ar c h pr oj e ct a p pr o v e d b y t h e Et hi cs C o m mitt e e of t h e P o ntifi c al
C at h oli c U ni v ersit y of S ã o P a ul o. S u bst a nti at e d O pi ni o n N o. 2, 6 2 6, 0 4 3, d at e d A pril 2 7,
2 0 1 8. C A A E N o. 8 6 0 8 4 8 1 8. 8. 0 0 0 0. 5 4 8 2 .
D at a a n d m at e ri als a v ail a bilit y : A v ail a bl e i n t h e c oll e cti o n/ di git al li br ar y of t h e P o ntifi c al
C at h oli c U ni v ersit y of S ã o P a ul o .
A ut h o rs’ c o nt ri b uti o ns : E L D c o n c ei v e d t h e st u d y, wr ot e a n d e dit e d t h e t e xt, c oll e ct e d a n d
a n al y z e d t h e d at a, d es cri b e d t h e r es ults a n d dis c ussi o n, a n d c o n d u ct e d s e ar c h es f or t h e
t h e or eti c al fr a m e w or k. R M S a d vis e d a n d s u p er vis e d all st a g es of t h e r es e ar c h, r e vi e w e d t h e
m a n us cri pt, a n d c o ntri b ut e d t o or g a ni zi n g t h e r es ults a n d dis c ussi o n .
P r o c ess i n g a n d e dit i n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n a n d Tr a nsl ati o n
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MIEDO, SILENCIO Y RESISTENCIA: EXPERIENCIAS DE JÓVENES GAYS EN EL
PROCESO DE REVELACIÓN SOCIAL DE LA HOMOSEXUALIDAD
MEDO, SILÊNCIO E RESISTÊNCIA: EXPERIÊNCIAS DE JOVENS GAYS NO
PROCESSO DE REVELAÇÃO SOCIAL DA HOMOSSEXUALIDADE
FEAR, SILENCE, AND RESISTANCE: YOUNG GAY MEN’S EXPERIENCES IN THE
PROCESS OF THE SOCIAL DISCLOSURE OF HOMOSEXUALITY
Edson Luiz DEFENDI
1
e-mail: edson[email protected]
Rosane Mantilla de SOUZA
2
Cómo citar este artículo:
Defendi, E. L., & Souza, R. M. (2026). Miedo, silencio y
resistencia: experiencias de jóvenes gays en el proceso de
revelación social de la homosexualidad. Doxa: Rev. Bras.
Psico. e Educ., 27(esp1), e026022.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21469
| Enviado: 27/05/2026
| Modificaciones solicitadas: 15/06/2026
| Aprobado: 08/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor adjunto ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), São Caetano do Sul – São Paulo (SP) – Brasil. Doctor
en Psicología Clínica (PUC-SP). Profesor de la Universidade Municipal de São Caetano do Sul.
2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doctora en
Psicología Clínica (PUC-SP). Profesora titular y coordinadora del Programa de Posgrado en Psicología Clínica
(PUC-SP).
Miedo, silencio y resistencia: experiencias de jóvenes gays en el proceso de revelación social de la homosexualidad
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 2
RESUMEN: Los jóvenes homosexuales enfrentan desafíos específicos en su desarrollo
personal al reconocer, aceptar y revelar socialmente su orientación afectivo-sexual
homoafectiva. Con el objetivo de comprender estos desafíos, se realizó una investigación
cualitativo-descriptiva mediante un Grupo Focal con siete jóvenes homosexuales, de entre 18
y 24 años, residentes en la región metropolitana de São Paulo. Los resultados señalaron el miedo
y el silenciamiento como denominadores comunes en las experiencias del proceso de revelación
social en distintos contextos sociales. Revelar la homosexualidad exige un análisis y una
reflexión constantes, y el mayor desafío sigue siendo la revelación a la familia de origen, debido
al miedo al rechazo y a la violencia. Se concluyó que el proceso de revelación social para esta
población específica está rodeado de numerosos riesgos, pero también constituye experiencias
de resistencia y protección que ayudan a amortiguar los estresores psicosociales y contribuyen
a una mayor calidad de vida en las relaciones interpersonales de estos jóvenes.
PALABRAS CLAVE: Juventud. Homosexualidad masculina. Revelación. Miedo. Familia.
RESUMO: Jovens gays masculinos enfrentam desafios específicos no seu desenvolvimento
pessoal quanto a reconhecer, aceitar e revelar socialmente sua orientação afetivo-sexual
homoafetiva. Com o objetivo de compreender esses desafios, realizou-se uma pesquisa
qualitativo-descritiva, por meio de um Grupo Focal, com sete jovens gays masculinos, com
idade entre 18 e 24 anos, residentes na região metropolitana da cidade de São Paulo. Os
resultados apontaram o sentimento de medo e o silenciamento como denominador comum nas
experiências do processo de revelação social para diferentes contextos sociais. Revelar a
homossexualidade exige constante análise e reflexão, e o maior desafio permanece sendo a
revelação para a família de origem, com medo de rejeição e violência. Concluiu-se que o
processo de revelação social para essa população específica é cercado de muitos riscos, mas
são experiências de resistência e proteção, contribuindo para amortecer os estressores
psicossociais e conferindo maior qualidade de vida aos jovens nos relacionamentos
interpessoais.
PALAVRAS-CHAVE: Juventude. Homossexualidade masculina. Revelação. Medo. Família.
ABSTRACT: Young gay men face specific challenges in their personal development when it
comes to recognizing, accepting, and socially disclosing their homoaffective sexual orientation.
Aiming to understand these challenges, a qualitative descriptive study was conducted using a
Focus Group with seven young gay men, aged 18 to 24, living in the metropolitan region of São
Paulo. The results revealed fear and silencing as common denominators in their experiences
of social disclosure across different social contexts. Coming out as homosexual requires
constant analysis and reflection, and the greatest challenge remains disclosure to the family of
origin, driven by fear of rejection and violence. It was concluded that the process of social
disclosure for this specific population is surrounded by many risks, yet these experiences also
function as acts of resistance and protection, helping to buffer psychosocial stressors and
contributing to greater quality of life in the interpersonal relationships of these young men.
KEYWORDS: Youth. Male homosexuality. Disclosure. Fear. Family.
Edson Luiz Defendi & Rosane Mantilla de Souza
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026022, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21469 3
INTRODUCCIÓN
Este artículo pretende comprender las experiencias de los jóvenes homosexuales en
relación con los desafíos que supone el proceso de revelar socialmente su homosexualidad.
A pesar de los avances y cambios legales, sociales y culturales que han beneficiado
positivamente a los jóvenes homosexuales y otras identidades de la comunidad LGBTQIAPN+
con respecto a una mayor tolerancia hacia la percepción de su identidad y orientación
homoafectiva y el proceso de revelación social (Quinalha et al., 2024), hay un resurgimiento
notable de la LGBTfobia y una necesidad de producir más conocimiento para comprender los
impactos de este fenómeno en la salud mental de esta población.
Según Defendi y El Khouri (2021), el proceso de revelación social de la homosexualidad
se ha identificado como uno de los mayores desafíos para los jóvenes homosexuales, entendido
como un proceso que implica un conjunto de miedos, expresados en sufrimiento psicológico e
incertidumbres respecto a los cambios que pueden ocurrir en la familia, la escuela, el trabajo y
el entorno social, miedo a pérdidas afectivas valiosas y situaciones de discriminación,
aislamiento y violencia, es decir, según Braga et al. (2018), un rito de paso fundamental para la
autopercepción de la orientación afectiva homosexual que implica riesgos y cálculos.
Defendi (2019) informa que el proceso de revelación social es una realidad que
impregna la vida de los jóvenes homosexuales y representa un paso importante hacia el
autoconocimiento y la construcción de una identidad positiva, en la que la persona comparte su
orientación afectivo-sexual y sus deseos con otras personas (familiares, amigos, compañeros de
trabajo o desconocidos), haciéndose cada vez más visible socialmente como persona LGBTI+.
Savin-Williams (2016) describe que los adolescentes y jóvenes homosexuales se
enfrentan a dos tareas importantes en su desarrollo psicosocial. La primera se relaciona con el
reconocimiento y la autoimagen homosexual, y la segunda con la comunicación de sus deseos
homoeróticos, su orientación y sus experiencias afectivas y sexuales, compartiendo esta
información con su red personal y social. Es muy común que los jóvenes y adolescentes
homosexuales se sientan diferentes de sus compañeros. Pueden sentirse aislados y tener
dificultades para expresar sentimientos que, al principio, pueden resultar muy confusos y
dolorosos.
Además de enfrentar la homofobia internalizada (Antunes, 2016), deconstruyendo
psicológicamente creencias, reglas, valores y normas que valoran las formas hegemónicas de
vivir y relacionarse afectiva y sexualmente, el riesgo de revelar socialmente la homosexualidad
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puede implicar valiosas pérdidas relacionales y situaciones de violencia física y psicológica
(Defendi, 2022).
En cuanto a la violencia, desde 2023, el Atlas de Violencia 2023 de la IPEA (Cerqueira &
Bueno, 2023) ha demostrado que las personas LGBTI+ sufren altas tasas de violencia psicológica,
una forma de agresión típica del ámbito doméstico y que con frecuencia se invisibiliza en los
registros oficiales debido a la falta de denuncias y la falta de estandarización en la recopilación
de datos, especialmente cuando la violencia ocurre dentro de la familia (Cerqueira & Bueno,
2025). Esta tendencia se ve reforzada en estudios previos, como el análisis de Vasconcelos et al.
(2023) sobre la Encuesta Nacional de Salud de 2019, que muestra que las personas LGBTI+
tienen más del doble de probabilidades de sufrir violencia en comparación con las personas
heterosexuales, con un predominio de la agresión psicológica y sexual, muchas de las cuales
ocurren en espacios privados y domésticos, lo que indica que los hombres jóvenes homosexuales
tienen casi ocho veces más probabilidades de sufrir violencia física y sexual.
Aun rodeada de riesgos y violencia, la revelación social es un proceso de gran
importancia en el desarrollo de las personas LGBTI+, que contribuye enormemente a su
desarrollo psicosocial, ya que proporciona un sentido de pertenencia, generando confianza para
la construcción de sus identidades, deseos y orientación sexual (Guittar, 2014; Savin-Williams,
2016).
También debe considerarse que la experiencia y la revelación de la homosexualidad para
los hombres homosexuales están asociadas con la lógica de la construcción de género y, en el
caso de la homosexualidad masculina, subvierten y violan la lógica de las condiciones de poder
subyacentes a la masculinidad.
Maciel Júnior (2013, 2022) analiza cómo el ser y el devenir hombre en la sociedad
imponen a los hombres una serie de prerrequisitos sobre lo que define la verdadera
masculinidad: condiciones y características asociadas con la fuerza, la resistencia, la
competencia física y la heterosexualidad obligatoria definen el ser masculino y su posición
hegemónica en las relaciones sociales. Según el autor, los comportamientos y actitudes que se
desvían de las prescripciones sociales de género y que definen las masculinidades influyen en
la construcción del ser masculino para los hombres homosexuales, quienes también fueron
socializados dentro de las reglas y lógicas del ser masculino, las cuales, en nuestra cultura,
tienen una fuerte relación con la heterosexualidad.
De esta forma, los hombres se ven presionados social y psicológicamente para afirmar
su masculinidad y ocultar características que no se consideran culturalmente masculinas. Esto
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puede generar confusión y conflicto en los jóvenes homosexuales, tanto en lo que respecta a la
construcción de su identidad masculina como al temor a la violencia y la discriminación social
al exponer, revelar o manifestar públicamente su orientación sexual. Esta lógica produce
numerosos prejuicios y violencia dirigidos a hombres homosexuales afeminados, por ejemplo,
debido a que presentan características asociadas a la feminidad en su forma de relacionarse y
vivir, llegando incluso a sufrir, según Defendi (2022), Trevisan (2018) y Nunan (2010), muchos
prejuicios y violencia dentro de la propia comunidad LGBTI+.
Según Defendi y El Khouri (2021), revelar la homosexualidad a la familia de origen
representa uno de los mayores desafíos para los jóvenes homosexuales. Existe el riesgo de que
la situación se convierta en un secreto a voces, la posibilidad de distanciamiento y la aparición
de importantes ambigüedades en las relaciones. A diferencia de otros grupos marginados que
sufren discriminación por motivos étnico-raciales o religiosos, la gran mayoría de los jóvenes
homosexuales provienen de familias heterosexuales, lo que evidencia un prejuicio vertical; es
decir, en lugar de protección y aceptación, pueden surgir violencia y prejuicios en las relaciones
intrafamiliares.
Según Moura et al. (2023), en una revisión integradora sobre violencia doméstica y
personas LGBTI+, la familia es uno de los primeros y más intensos espacios de violencia para
los jóvenes homosexuales y otros jóvenes de la comunidad LGBTI+. La violencia psicológica es
precisamente la forma más típica de violencia familiar: la humillación, las amenazas, la expulsión
del hogar, la vigilancia excesiva, la coerción moral y religiosa producen una gran vulnerabilidad
para la salud física y mental de estos jóvenes, lo que indica que, en esta realidad, según Singh et
al. (2015), los jóvenes homosexuales tienen más probabilidades de desarrollar problemas
psicológicos y psiquiátricos; abuso de alcohol y drogas; ideación y pensamientos suicidas, y el
suicidio mismo; discriminación y violencia social, familiar y escolar; homicidios debido a
crímenes de odio y homofobia; y una mayor vulnerabilidad a contraer infecciones de transmisión
sexual.
En este sentido, las redes de apoyo personal/social, ya sean presenciales o en línea
(Souza & Defendi, 2021), son fundamentales en el proceso de revelación social para los jóvenes
homosexuales. Freitas et al. (2017) revelaron que los mecanismos de protección psicosocial y
las estrategias de afrontamiento utilizadas por estos jóvenes pueden clasificarse en niveles
personales, relacionales y contextuales, promoviendo el desarrollo de habilidades personales
ante riesgos y vulnerabilidades.
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El apoyo y la aceptación de los familiares y otros grupos sociales se consideran
extremadamente importantes para los jóvenes homosexuales; sin embargo, la reacción al
revelar la homosexualidad a los familiares es bastante compleja, abarcando desde actitudes de
comprensión hasta situaciones de rechazo extremo, ya que los familiares necesitan revisar sus
expectativas sobre su hijo homosexual y, además, se sienten confundidos y culpables, tendiendo
a distanciarse y negar la situación, lo que puede debilitar las posibilidades de apoyo
(Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018).
Por lo tanto, investigar los procesos de revelación social de la homosexualidad entre
hombres jóvenes homosexuales es de suma importancia para ampliar el conocimiento sobre los
factores de estrés específicos que experimenta este grupo, promoviendo prácticas e
intervenciones psicoeducativas y clínicas más contextualizadas y asertivas. Esto guió la
investigación realizada, diferenciándola de otras ya existentes debido al contexto y origen de
los participantes y a la oportunidad de abordar el tema mediante el grupo focal.
MÉTODO
Se trata de una investigación cualitativo-descriptiva, que buscaba comprender el
fenómeno mencionado de manera multidimensional y compleja, haciendo hincapié en la
naturaleza socialmente construida de la realidad (Denzin & Lincoln, 2006). La estrategia
metodológica empleada fue el Grupo Focal, ya que prioriza la interacción entre los
participantes, brindando oportunidades para el intercambio, creando un entorno propicio para
el debate y permitiendo la expresión de percepciones, puntos de vista y sentimientos.
Participantes
Siete (7) jóvenes homosexuales, de entre 18 y 24 años de edad, de clase media y
residentes en la Región Metropolitana de la ciudad de São Paulo, participaron en esta
investigación. Todos los participantes cumplieron con los criterios de inclusión de la
investigación, definidos de la siguiente manera: ser hombre cisgénero; identificarse como
homosexual; tener entre 18 y 25 años de edad; y haber experimentado situaciones de revelación
social de su homosexualidad en sus relaciones interpersonales.
Para garantizar la confidencialidad y el anonimato de los participantes, de conformidad
con las directrices éticas y la Ley General de Protección de Datos (LGPD), todos los nombres
que aparecen en este artículo y en las transcripciones son seudónimos (nombres ficticios).
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Instrumentos
Se utilizó un formulario de identificación que rellenaron los jóvenes, en el que se
solicitaba información como la siguiente: nombre completo, fecha y lugar de nacimiento, estado
civil, nivel educativo, dirección, ocupación principal; a qué edad empezó a darse cuenta de que
era homosexual; si tiene un perfil en redes sociales y, en caso afirmativo, en cuáles; si
actualmente mantiene una relación sentimental y, en caso afirmativo, desde cuándo.
Los temas principales tratados en el grupo focal se presentaron en forma de preguntas,
a saber:
1) ¿Qué dificultades encuentras al aceptar y revelar tu orientación sexual?
2) ¿Cómo fueron estas experiencias para ti, y cómo han sido? ¿Qué has encontrado y
qué sigues encontrando?
Procedimientos
Los participantes fueron reclutados a través de mensajes en las redes sociales,
principalmente en Facebook, en páginas específicas dirigidas a hombres jóvenes homosexuales.
Tras obtener la información de contacto de los jóvenes interesados en participar en la
investigación, se les contactó directamente por teléfono para explicarles el procedimiento con
más detalle e informarles sobre la fecha, el lugar y la hora del grupo focal. Una vez que
aceptaron participar, se les incluyó en un grupo de WhatsApp, administrado por el investigador,
para agilizar la transmisión de información y resolver cualquier duda.
En total, se reclutaron 11 jóvenes que aceptaron participar en la reunión, pero cuatro no
asistieron. De estos, tres justificaron su ausencia el día de la reunión y solo uno no la justificó.
Por lo tanto, el grupo focal estuvo compuesto por siete participantes.
La reunión tuvo lugar en un espacio reservado exclusivamente para este fin, un lugar
cómodo y accesible que garantizaba la confidencialidad. El equipo de investigación también
incluyó a dos jóvenes, una psicóloga y una estudiante, cuyo papel era apoyar a la investigadora
durante el procedimiento, que fue filmado y grabado íntegramente.
Tras la presentación de los participantes, comenzó la sesión. El investigador reiteró los
objetivos de la investigación, agradeció la participación de todos, leyó en voz alta y solicitó a
cada participante que firmara el Término de Consentimiento Libre e Informado (TCLE, por sus
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siglas en portugués)
3
, de conformidad con las directrices de las Resoluciones n.º 466/12 y
510/16 del Consejo Nacional de Salud. Una vez otorgado el consentimiento, el investigador
entregó a cada participante los formularios de identificación para que los completaran.
Tras completar el formulario de identificación, cada participante recibió un bolígrafo y
dos hojas de bloc de notas adhesivas (tipo Post-it) de 76 mm x 102 mm. A continuación, se les
pidió que escribieran su respuesta a la primera pregunta que dio inicio al debate grupal. Una
vez escritas las respuestas, se recogieron las notas y se colocaron en un rotafolio. El
investigador leyó las respuestas en voz alta, dando comienzo así al debate sobre los temas
tratados. Todos los jóvenes pudieron hablar de sus retos y experiencias, y la conversación fluyó
con naturalidad.
El material filmado fue transcrito íntegramente, y el investigador visualizó varias veces
el vídeo completo del procedimiento para llevar a cabo el análisis temático, en el que se
utilizaron extractos del discurso de los participantes para ilustrar el análisis. Las categorías
temáticas se construyeron mediante un análisis reflexivo y sistemático, siguiendo a Braun y
Clarke (2006), que incluyó la codificación inicial de los datos, la búsqueda de patrones de
significado y la organización de estos patrones en temas coherentes y representativos del
conjunto analizado. Estas estrategias garantizaron la fiabilidad y el rigor interpretativo del
análisis cualitativo.
RESULTADOS
Se trató de un grupo con características similares, cuyos datos de identificación se
encuentran en la Tabla 1. Todos se declararon solteros, con estudios superiores completos o
incompletos, de la ciudad o el estado de São Paulo, o de un estado vecino. Solo Carlos
4
vive
con pareja. Los demás viven con sus padres o en residencias estudiantiles. Aunque se intentó
limitar el rango de edad a 25 años, la edad máxima obtenida fue de 24 años para solo uno de
los jóvenes. Sin embargo, la proximidad en el rango de edad de los participantes no se reflejó
en la edad a la que cada uno se percibió como homosexual. Esta percepción varió de 8 a 15
años. Considerando la edad actual del participante, han transcurrido al menos 4 años desde que
tomó conciencia de su orientación sexual.
3
Proyecto de investigación aprobado por el Comité de Ética de la PUC-SP. Dictamen fundamentado n.° 2.626.043,
de fecha 27 de abril de 2018. CAAE n.° 86084818.8.0000.5482.
4
Se utilizaron nombres ficticios para garantizar la confidencialidad de los participantes.
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Tabla 1.
Identificación y datos de los participantes
Nombre
Estado civil
Educación
Ocupación
¿A qué edad te
diste cuenta de
que eras gay?
Antonio
Soltero
Educación superior
incompleta
Estudiante
13/14 años
Bernardo
Soltero
Educación superior
completa
Profesor
10/12 años
Carlos
Soltero
Educación superior
incompleta
Editor
10 años
Daniel
Soltero
Educación superior
incompleta
Pasante
15 años
Elton
Soltero
Educación superior
incompleta
Estudiante
8 años
Fabio
Soltero
Educación superior
incompleta
Aprendiz
11 años
Gael
Soltero
Educación superior
incompleta
Estudiante
13/14 años
Nota. Elaboración propia (2026).
En cuanto a las relaciones sentimentales, además de Carlos, quien, como ya se
mencionó, vive con pareja, Fabio también declara que actualmente tiene una relación
sentimental, con una duración de 1 año y 10 meses y 4 meses, respectivamente. Antonio no
tiene pareja actualmente, pero declaró haber tenido una relación anterior de seis meses. Carlos,
Daniel, Elton y Gael afirmaron no tener pareja actualmente y no especificaron si la tuvieron en
el pasado.
Por lo tanto, a pesar de las similitudes en edad, antecedentes, estatus económico y
educación, existe una diversidad de edades en las que los participantes tomaron conciencia de
su orientación sexual y experimentaron relaciones románticas.
El Cuadro 1 presenta las respuestas obtenidas a la primera pregunta que dio origen al
Grupo Focal: “¿Cuáles son los desafíos que enfrentas al aceptar y revelar tu orientación
sexual?”, tal como fueron redactadas por el participante. Como se puede observar en estas
declaraciones, existen varios desafíos relacionados con la aceptación y la revelación de la
homosexualidad.
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Cuadro 1.
¿Qué dificultades encuentras al aceptar y revelar tu orientación sexual?
PARTICIPANTE
RESPUESTAS
Antonio
La presión que la sociedad ejerce sobre la sexualidad y el miedo a la violencia
urbana.
Bernardo
Condición de minoría, religión, expectativas sociales, miedo a la discriminación.
Carlos
Miedo a la agresión y miedo a ser expulsado de la casa.
Daniel
Tener que demostrarle a la sociedad que es algo normal.
Elton
Miedo a sufrir agresión y persecución / Prejuicios – exclusión social /
Expectativas sociales y frustración / Religión familiar / Malestar en entornos
políticos y exposición – amigos heterosexuales me exponen
Fabio
Para mí, los desafíos provienen de la propia sociedad. Al principio, pensé que
sería la familia, pero tras encontrar poca representación social, tanto en la política
como en otros ámbitos, me di cuenta de que el entorno en el que vivimos aún no
lo acepta. Poco a poco lo va asimilando, pero todavía no lo acepta del todo.
Gael
Enfrentar el miedo, el miedo que lleva al juicio, que puede llevar a la soledad,
que lleva al estigma / Miedo – soledad – juicio y estigma
Nota. Elaboración propia (2026).
En general, se observó que, entre los participantes, había quienes centraban el desafío
en sí mismos, principalmente en relación con sentimientos de miedo y frustración (miedo a
sufrir violencia urbana por ser homosexual, miedo a sufrir agresión, discriminación,
persecución; miedo a ser expulsados del hogar; miedo a la soledad, a ser juzgados y a sufrir
estigmas; sentimiento de frustración ante las expectativas sociales), y quienes lo situaban fuera,
en el mundo social heteronormativo (lidiar con una sociedad que no lo acepta, tener que
demostrar que la homosexualidad es algo normal; situación de minoría, religiosidad de la
sociedad y la familia, sociedad que no acepta la homosexualidad).
Estas dos series de afirmaciones sirvieron como detonantes y se exploraron con mayor
profundidad en la discusión grupal. El contenido de esta discusión se organizó en dos categorías
y tres subcategorías, presentadas en el Cuadro 2, que se analizarán con más detalle a
continuación. Cabe destacar que la discusión también incluyó las respuestas a la segunda
pregunta (“¿Cómo fueron y cómo han sido estas experiencias para usted? ¿Qué ha encontrado
y qué está encontrando?”). Los testimonios y las respuestas a la segunda pregunta surgieron
espontáneamente en el grupo focal y su contenido se incorporó a las categorías elaboradas.
Cuadro 2.
Categorías y subcategorías
Categorías
Subcategorías
1. Desafíos para afrontar y superar el miedo a
reconocerse y aceptarse como homosexual,
tanto a uno mismo como en diversos contextos
sociales.
2. Existir y resistir: experiencias y estrategias de
revelación social.
1.1 Percepción de la homosexualidad y
expectativas sociales.
1.2 Desafíos y temores dentro del grupo familiar.
1.3 Desafíos para abordar los prejuicios de género
dentro de la comunidad LGBT.
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Nota. Elaboración propia (2026).
CATEGORÍA 1: EL RETO DE AFRONTAR Y SUPERAR EL MIEDO A
RECONOCERSE Y ACEPTARSE COMO HOMOSEXUAL, TANTO A NIVEL
PERSONAL COMO EN DIVERSOS CONTEXTOS SOCIALES
El reto de afrontar y superar el miedo derivado de los prejuicios, ya sean internalizados
o institucionalizados, surgió con frecuencia en las narrativas y discusiones grupales sobre la
concienciación y la aceptación de la homosexualidad. Al expresar sus dificultades y relatar sus
experiencias, los jóvenes describieron su vulnerabilidad, la intensa sensación de miedo que
experimentan y destacaron algunas estrategias y mecanismos de protección para sobrellevar
estas experiencias y amenazas. Estas situaciones se identificaron tanto en el proceso individual
y psicológico como en las relaciones interpersonales establecidas en diversos contextos
sociales.
La subcategoría “Percepción de la homosexualidad y expectativas sociales” se refiere al
hecho de que reconocer la orientación homosexual se considera una tarea esencial en el
desarrollo psicosocial de los jóvenes homosexuales. Si bien es importante recordar que este
reconocimiento y percepción varió entre los 8 y los 15 años entre los participantes (Tabla 1),
todos los jóvenes informaron que la percepción de sentirse diferentes de sus compañeros debido
a su orientación sexual implicaba sentimientos ambiguos, miedo a la soledad y sufrimiento
psicológico. Gael, por ejemplo, relata el miedo que sintió al darse cuenta de que era
homosexual, un sentimiento que experimentó en relación con el estigma y los juicios sociales,
así como los juicios que él mismo se hacía, lo que resalta la compleja y sistémica relación entre
los prejuicios internalizados e institucionalizados que impregnan la experiencia de los jóvenes
homosexuales. Elton afirma que cuando comenzó a darse cuenta de que era gay, su vida se
convirtió en un caos; se sentía muy culpable y temía que la gente notara su homosexualidad,
como se puede observar en los relatos a continuación.
los desafíos para mí fueron, no sé, primero fue el desafío personal... Como, es... Enfrentar el
miedo a la soledad, a los estigmas y a los juicios. (Gael, 18 años)
Empecé a darme cuenta de que me sentía muy atraído por los chicos, por los hombres, y
entonces empezó a convertirse en un caos en mi vida... Algo horrible, me causó mucho
sufrimiento psicológico. (Elton, 22 años)
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El debate en torno a este tema —la percepción de la homosexualidad y las expectativas
sociales— se profundizó a medida que los jóvenes destacaron la importancia de ser aceptados
y reconocidos socialmente como homosexuales. En este sentido, lidiar con las expectativas
sociales vinculadas a la creencia en la heterosexualidad obligatoria y naturalizada se reveló
como un factor de estrés significativo, ya que estos jóvenes manifestaron sentirse desafiados a
superar y afrontar estas expectativas a diario, tanto deconstruyendo las expectativas sobre sí
mismos como las de los demás.
Bernardo relata la presión que sentía para ajustarse a lo que la sociedad consideraba
“normal” y “natural” para un hombre de su edad; concretamente, la presión por tener novia, lo
que le hacía sentir amenazado y temeroso de ser rechazado por no cumplir con sus expectativas.
Elton también revela que una de sus mayores frustraciones al darse cuenta de que era gay fue
no poder satisfacer los deseos de una sociedad heteronormativa y, específicamente, decepcionar
a su familia, sobre todo a su madre.
las expectativas de la sociedad son un desafío... Porque todos empiezan a salir con alguien,
todos tienen expectativas, y luego la familia también entra en juego... Así que, esta expectativa
siempre me presionó mucho, así que seguí presionándome a mí mismo, tengo que encajar, tengo
que encajar, y ese era mi mayor miedo. (Bernardo, 22 años)
el tema de las expectativas que la sociedad y mi familia tenían de mí, y la frustración de ir a mi
madre y decirle que no me vería con una chica, y que esto también se aplica a la sociedad. Es
muy frustrante. (Elton, 22 años)
Los jóvenes coincidieron en que actualmente existe mayor visibilidad y representación
social de la homosexualidad, un factor que se percibe como un aspecto protector y de apoyo
para la aceptación de la identidad sexual, que ayuda a construir estrategias internas y externas
y facilita el proceso de autoaceptación. Elton planteó el tema en el grupo para debatir cómo esta
representación contribuye a que hombres y mujeres homosexuales salgan del armario, así como
a que busquen mayor apoyo, estrategias y herramientas para este proceso.
Siento que hay un movimiento en marcha, no siento estancamiento, siento movimiento, y en lo
que respecta a la representación, creo que eso ayuda a los hombres y mujeres homosexuales a
tener conciencia antes de lo que es... Y a tener herramientas antes de lo que es, de cómo actuar,
de cómo crear estrategias para que se acepten mejor a sí mismos. (Elton, 22 años)
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Estos jóvenes comentaron cómo internet ha sido un recurso valioso para obtener
información sobre la homosexualidad y para reconocerse a sí mismos como tales. En este
sentido, el libre acceso a la información en línea podría percibirse como un elemento de apoyo
y protección que fortalece el proceso de salir del armario y aceptarse a sí mismos. El joven Gael
señala internet como un recurso que ha propiciado un cambio significativo para los jóvenes
homosexuales de la generación actual, ya que, al difundir información, ayuda a dar visibilidad
a la homosexualidad y a combatir la soledad, habiéndose beneficiado de esta experiencia, como
relata a continuación.
No sé, necesito conocerme a mí mismo, así que investigué, entré en internet y pensé, necesito
conocerme a mí mismo, ¿qué soy?, ¿soy gay? Así que puse un cuestionario en internet y decía
sí, sí, sí [ríe], así que soy gay y luego lo vi como un problema, entré en internet y busqué como
si fuera un problema, como, cómo curarlo, pero luego descubrí que no, ese no es el problema,
el problema está en la sociedad y no en mí, y no en lo que soy... Además, me ayudó mucho
cuando me sentía solo. (Gael, 18 años)
Desde que surgió este tema, los jóvenes han comenzado a debatir y reflexionar sobre
cómo internet se ha convertido en un valioso recurso para obtener información sobre la
homosexualidad y para que las personas se reconozcan como tales. En este sentido, el libre
acceso a información sobre la homosexualidad en la red digital y la posibilidad de encontrar
pareja se han percibido como un elemento de apoyo para fortalecer el proceso de aceptación de
la propia homosexualidad.
La subcategoría “Desafíos y miedos en el grupo familiar” refleja uno de los principales
desafíos que destacan los jóvenes homosexuales al revelar su orientación sexual a sus familias,
ya sea por miedo a las reacciones y actitudes familiares, o por sentimientos de culpa y vergüenza
que los propios jóvenes manifestaron sentir, lo que revela hasta qué punto esta situación puede
generar problemas y crisis en la dinámica y las relaciones familiares, incluido el miedo a ser
expulsados de casa.
mis miedos estaban más relacionados con mi experiencia con mi familia... Oh, no sé, tenía más
miedo de que mi familia me echara, mi principal miedo cuando salí del armario. (Carlos, 22
años)
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Los jóvenes manifestaron sentirse constantemente amenazados o temerosos de ser
cuestionados, interrogados y perseguidos por sus familiares, lo que generaba una gran presión
psicológica. Daniel relató haber sufrido mucho porque sus padres lo cuestionaban
constantemente sobre su orientación sexual, y la presión era tan intensa que el joven “se sintió
obligado” a asumirlo, relatando que la relación con sus progenitores estaba marcada por la
evasión y el miedo. Fabio, en su narrativa, describió que fue “descubierto” por su familia y que
fue perseguido y presionado hasta contar/asumir que era gay. Bernardo, el único joven que aún
no ha salido del armario ante su familia de origen, compartió en el grupo la experiencia de un
primo que fue presionado por su familia para revelar su homosexualidad y que, después de
contarlo, vio cómo los padres de su primo le hacían la vida un infierno, experiencia que puede
haber influido en su decisión de no contárselo a su familia hasta el momento.
Sufrí mucho, bastante durante la adolescencia con esto, salí del armario porque mis padres me
preguntaron, me presionaron mucho. (Daniel, 24 años)
yo conversaba con un chico un poco mayor que yo, pero no mucho, por MSN, pero en fin,
siempre borraba las conversaciones, ¿no?... Mi padre... Ratón de internet, no sé, lo descubrió,
consiguió todas las conversaciones que yo había borrado... Luego imprimió todas las
conversaciones y me llamó... No, mi madre me llamó gritando por teléfono, diciendo ¿eres gay?
Y yo dije no... Pensé, esto no está pasando... En fin, él fue a casa, tiró las conversaciones
abiertamente... O sea, eran conversaciones un poco embarazosas... Fue un torbellino de cosas
así como fui descubierto, no tuve que llegar y hablar, pero al mismo tiempo que fui presionado,
¡fue muy difícil! Dije ok, soy eso mismo. (Fabio, 21 años)
tengo un primo que es gay. Lo acorralaron [la familia] hasta que lo contó, y después de que el
chico lo contó empezaron a hacerle la vida un infierno. (Bernardo, 22 años)
Según los participantes, la forma en que el grupo familiar percibe la homosexualidad es
crucial para el proceso de aceptación de la propia orientación sexual. Las familias con creencias
religiosas que condenan la homosexualidad y las familias con normas de género muy rígidas
crean un entorno más amenazante, generando mucho miedo y sufrimiento. Bernardo relató que
su familia de origen es extremadamente católica, asociando la homosexualidad con el pecado,
y que esta característica familiar siempre ha sido un obstáculo para su aceptación de la propia
orientación sexual, ya que genera mucho miedo y preocupación. Elton y Gael, ambos de
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familias evangélicas, crecieron escuchando que ser gay era algo horrible, condenable y
pecaminoso, y fueron cuestionados y reprendidos por tener modales muy afeminados.
La religión era complicada porque vengo de un entorno católico, de una familia muy católica,
y siempre existía ese miedo, esa preocupación, es un pecado, es un pecado, es un pecado... Y
eso complicó mi vida, mi decisión de salir del armario. (Bernardo, 22 años)
un desafío personal es que nací en una familia así, iba con mi abuela a una iglesia evangélica
desde pequeño y siempre oí que ser gay es algo malo... Que es algo feo, que te vas a quemar en
el infierno, ese tipo de cosas, no sé, me sentía un poco raro al respecto y mi padre también.
Desde niño ya actuaba de forma un poco afeminada y mi padre ya me estaba moldeando y
diciéndome: eso está mal, no te sientes así, no camines así, no hables así. (Gael, 18 años)
De los siete jóvenes participantes, solo uno compartió una experiencia positiva sobre
cómo reveló su orientación sexual a su familia de origen. En su relato, se habló de cómo el
hecho de haberlo hecho y haber sido aceptado fortaleció su capacidad para afrontar los
prejuicios y la discriminación en sus relaciones sociales; es decir, el apoyo familiar demostró
ser un factor protector que contribuyó a la autoaceptación y al desarrollo de estrategias de
afrontamiento.
Así que mi familia siempre me aceptó bien, siempre había salido con algunos de mis amigos
que ya habían salido del armario como gays, así que en cuanto ellos lo hicieron me sentí seguro
para hablar también, y para mi familia fue muy fácil... Solo tenía un poco de miedo de hablar
con mi padre, por su familia....Así que por eso tenía miedo de hablar con él, pero recuerdo que
hablé con él y con mi madre, y fue muy fácil, me dijo que me quería sin importar nada, así que
me alegré mucho por eso, así que ya tenía la base de mi familia. (Antonio, 18 años)
La tercera subcategoría se refiere a “Cómo afrontar los prejuicios de género dentro de
la comunidad LGBT”, siendo este prejuicio relacionado con las performances de género. El
grupo llegó al consenso de que cuanto más afeminado sea un hombre homosexual en su
performance de género, más susceptible será a la discriminación y más difícil será su aceptación
dentro de la comunidad LGBT. Comentaron que a veces existe una falta de empatía y
aceptación por parte de la comunidad, lo que reproduce prejuicios de la sociedad
heteronormativa. Concluyeron que cuanto más afeminado sea un hombre, mayor será el rechazo
social dentro de su propia comunidad, aspectos que los jóvenes entienden como desafíos a
afrontar.
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Creo que en la comunidad gay, como ya se ha mencionado... siempre he sentido mucha
dificultad... Los gays no se aceptan entre sí, no se reconocen como grupo... Hay falta de
solidaridad, de empatía. (Carlos, 22 años)
Una cosa sobre la sociedad que creo, y no es solo la sociedad heterosexual, podemos decir que
también en la comunidad gay, es que es muy difícil, podemos decir que porque cuando eres
afeminado, por ejemplo, no eres aceptado en esta porquería de ambiente. (Daniel, 24 años)
Los jóvenes debatieron sobre el estigma que rodea a los homosexuales afeminados en
la sociedad en general y dentro de la comunidad LGBT, quienes a menudo son llamados o
apodados poc-poc
5
por otros hombres gay que no se consideran afeminados, descalificándolos
así y asociándolos claramente con performances de género vinculadas a la feminidad. Esto
revela que la misoginia es un prejuicio observado por los jóvenes, originado en la comunidad
LGBT.
[...] es casi un insulto... suele ser así, 'poc-poc' será el más joven, más afeminado y más...
(Bernardo, 22 años)
CATEGORÍA 2 – EXISTENCIA Y RESISTENCIA: EXPERIENCIAS Y
ESTRATEGIAS DE REVELACIÓN SOCIAL
En esta segunda categoría, los jóvenes compartieron experiencias sensibles y
fundamentales sobre el proceso de revelación social de la homosexualidad y cómo perciben
este momento de sus vidas. Un denominador común en sus relatos fue la constatación de que
hoy vivimos en un contexto de mayor tolerancia y representación, que sin duda acoge y fomenta
el acto de salir del armario. En general, valoran esta experiencia contemporánea como positiva,
aunque plantean consideraciones que revelan la complejidad del tema.
Gael, por ejemplo, mantiene una visión bastante optimista y esperanzadora: observa que
los medios de comunicación han dejado de retratar a las personas homosexuales mediante
caricaturas y estereotipos, considerando este progreso estructural como una herramienta
poderosa y alentadora para quienes desean revelar su orientación sexual. Bernardo, por otro
5
El término poc-poc alude al sonido de los zapatos de tacón alto que usan las mujeres y, por lo tanto, cuanto más
afeminado sea un homosexual, más poc-poc se le clasifica dentro de la comunidad LGBTI+.
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lado, ofrece una perspectiva cautelosa. Si bien reconoce claramente este importante cambio
social señalado por su colega, reflexiona y cuestiona si este nuevo escenario, en la dolorosa e
íntima práctica de la vida cotidiana, realmente facilita el proceso de revelar la orientación sexual
para quienes lo experimentan.
Creo que ha cambiado para mejor, pero debido al tema de la representación, porque antes, las
personas homosexuales... Era algo caricaturesco, hoy no es así, ves películas que instruyen,
que dicen, ya sabes, ves series, ya ves, de todos modos, creo que la representación está
ayudando a los jóvenes homosexuales a salir del armario y revelarse. (Gael, 18 años)
Los jóvenes comentaron que salir del armario es una herramienta importante para la
visibilidad, que confiere existencia y resistencia, contribuyendo a combatir los prejuicios contra
las personas homosexuales. Además, lo identificaron como un factor de bienestar psicosocial,
describiéndolo como una experiencia positiva y liberadora, y sintiéndolo como un elemento
importante del desarrollo personal. Elton afirma que para él salir del armario es un acto de
existencia; es decir, revelar la propia orientación sexual implica confrontar los prejuicios y
resistir en una sociedad que discrimina a las personas homosexuales. Bernardo y Daniel
hablaron de lo liberador que es revelar la propia homosexualidad y del gran alivio y bienestar
que esto conlleva.
el mayor desafío es existir en esta sociedad y luego resistir, así que tienes que crear resistencia,
resistencia para ti mismo para enfrentar todos los prejuicios que existen en la sociedad, y una
de las maneras es que nos revelemos. (Elton, 22 años)
hablas así todo el tiempo, pero ya no me vas a oprimir más, basta, basta, basta, es molesto,
aunque sea liberador, es liberador, me lo dices, pero es molesto porque llega un punto en que
te cansas... Pero es liberador hablar. (Daniel, 24 años)
Otro tema destacado en el grupo de discusión fue la planificación estratégica detrás de
la revelación de la homosexualidad. Los jóvenes debatieron sobre cómo el impacto de salir del
armario está estrechamente ligado al momento y contexto elegidos. Para ellos, si bien la
revelación social es un paso fundamental, la decisión requiere un análisis constante de costo-
beneficio. Advirtieron que actuar impulsivamente o sin la preparación adecuada puede
desencadenar situaciones dolorosas y complejas, especialmente en el seno familiar.
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Las experiencias compartidas ilustran a la perfección este delicado equilibrio. Carlos,
por ejemplo, contó que, a pesar del miedo y tras mucha preparación, decidió revelar su
homosexualidad a su familia en la noche de Navidad. Sin embargo, el impacto de la ocasión
generó conflictos y un triste distanciamiento en sus relaciones familiares. La estrategia de
Antonio, en cambio, es diaria y más selectiva: prefiere compartir su orientación sexual de forma
espontánea con personas con las que siente afecto e identificación, aunque siempre se asegura
de confirmar su homosexualidad si se le pregunta directamente.
En contraste, Gael ofreció un relato profundamente conmovedor sobre el peso de esta
exposición. Impulsado por la necesidad vital de ser auténtico con sus padres, terminó sufriendo
un rechazo extremo por parte de ambos. El dolor y el miedo generados por este rechazo familiar
lo sumieron en una tristeza tan abrumadora que lo llevó a contemplar el suicidio, lo que pone
de manifiesto la extrema vulnerabilidad que impregna este proceso.
Pasé mucho tiempo ensayando, ensayando, incluso llamé a mi madre a mi habitación,
llorando... Hablé de varias otras cosas y no hablé de eso, varios intentos... No sé qué, no sé qué
más... Luego hablé en Navidad, para terminarlo de verdad... Luego le dije a mi madre, ¿quieres
un regalo?... Soy gay, así fue, pasé la Navidad y el Año Nuevo sin que nadie me hablara, pero
bueno, esos eran mis miedos. (Carlos, 22 años).
La mayoría de las veces me reto a hablar, no tengo problema y no siento la necesidad de hablar
con todo el mundo, solo con la gente que me cae bien, gente que a veces pregunta... Sí, soy gay,
pero es algo que no está normalizado para la gente, así que termina siendo muy difícil en
algunas situaciones... Hay que pensar en el impacto de eso. (Antonio, 18 años)
pero cuando llegó el momento de contárselo a mis padres, no quería decírselo, pero sentí la
necesidad porque había oído varias historias, oh, se lo conté a mis padres... En fin, no fue
planeado para nada, simplemente sucedió... En fin, ambos me tomaron represalias, ninguno de
los dos lo aceptó... Me sentí muy solo... Ahhh, pero prefiero tener un hijo en la cárcel que un
hijo gay, cuando oí eso pensé... adiós mundo, estaba muy triste. (Gael, 18 años)
Cabe destacar que revelar la propia homosexualidad a la familia fue la experiencia que
generó mayor emoción en el grupo focal y ocupó una parte significativa de la discusión, siendo
considerada por todos los jóvenes como el desafío más importante. La mayoría manifestó sentir
mucho miedo y confusión sobre si debían o no contarles a sus familias acerca de su
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homosexualidad. Sin embargo, revelarla les brindó una sensación de alivio y una mejora en sus
relaciones interpersonales. Un participante, Elton, afirmó que, tras revelar su homosexualidad
a su madre, notó una clara mejoría en su salud física y mental.
entonces me dijo: “Oh, pero no tienes por qué sentirte culpable”. Me abrazó de una manera
tan increíble que lloré en su regazo y me sentí como un niño de siete años. No podía decir nada,
solo lloraba, y no sabía cuánto necesitaba esta experiencia... Y fue una experiencia increíble.
Mi insomnio disminuyó después de hablar, tuve menos ansiedad, menos dificultad para hablar
en público después de eso... No era consciente de cuánto necesitaba eso... Que mi madre
reconociera que no tengo la culpa de ser quien soy. (Elton, 22 años)
Los relatos revelan que el proceso de comprensión y aceptación de la homosexualidad
se ha visto favorecido por un cambio cultural positivo, impulsado por una mayor representación
social y acceso a la información, especialmente a través de internet. Sin embargo, revelar esta
verdad íntima a la familia de origen sigue siendo un reto monumental, un hecho que corrobora
la literatura en este campo (Nascimento & Scorsolini-Comim, 2018; Savin-Williams, 2016). A
pesar de todas las tensiones que esto conlleva, la investigación demuestra que dar este paso y
aceptar la propia identidad actúa como un amortiguador frente a los factores estresantes,
promoviendo una mejor calidad de vida y un desarrollo personal mucho más positivo.
Sin embargo, el estudio también reveló un hallazgo paradójico y doloroso: el prejuicio
que se experimenta dentro de la propia comunidad LGBTI+. En lugar de la aceptación esperada,
los jóvenes a menudo sufren opresión entre sus pares. Este fenómeno evidencia la rigidez de
las normas de socialización de género que estructuran nuestra sociedad, mostrando que los
jóvenes homosexuales con rasgos más afeminados terminan siendo las principales víctimas de
este prejuicio intragrupal.
DISCUSIÓN
Los resultados indican que la vulnerabilidad que impregna la percepción y la revelación
social de la homosexualidad está marcada, sobre todo, por el miedo y el peso del silencio. Para
protegerse y afrontar estos sufrimientos, los jóvenes desarrollan estrategias de afrontamiento
que van desde el delicado reconocimiento de sí mismos hasta la gestión de las expectativas
sociales, la lucha contra los prejuicios (incluidos los de su propia comunidad) y la compleja
planificación de la revelación a los miembros de la familia.
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Este doloroso camino hacia la autoaceptación coincide con estudios que demuestran el
profundo sufrimiento psicológico que supone para los jóvenes adoptar una orientación sexual
disidente, lo que los hace extremadamente vulnerables al estrés. Como señala Antunes (2016),
el miedo se extiende desde las relaciones interpersonales hasta la propia relación del joven
consigo mismo. Inmersos en la socialización heteronormativa, deben librar una batalla solitaria
y desafiante para deconstruir sus prejuicios internalizados. Todo este proceso de
reconocimiento de la identidad genera profundas tensiones e inevitablemente los empuja a
situaciones de aguda vulnerabilidad psicosocial, confirmando las advertencias de Savin-
Williams (2016).
Cabe destacar que la evidencia surgida respecto a los desafíos de aceptar y revelar la
homosexualidad corrobora los estudios de Savin-Williams (2016), que describen el proceso
como lento, compuesto por varias etapas y variable según el ritmo de vida de cada individuo en
su contexto, un fenómeno también observado en las historias de vida de los jóvenes. Se puede
entender que estos sufrimientos refuerzan lo ya señalado en diversos estudios sobre este tema,
realizados a lo largo de los años, demostrando que la tarea de “salir del armario” es un momento
crucial para los jóvenes homosexuales, un proceso que suele ser solitario y cargado de
sentimientos que pueden afectar negativamente la autoimagen del individuo, poniendo en
riesgo su salud mental (Braga et al., 2018; Freitas et al., 2017).
De esta situación se desprende que los jóvenes homosexuales necesitan revisar sus
expectativas sobre sí mismos y la sociedad, y ajustar dichas expectativas representa un camino
hacia la autoaceptación. Como resultado de este proceso, desarrollan esta aceptación en sus
relaciones interpersonales, aspectos que también se describen en la investigación de Drescher
(2014), la cual demuestra que emprender estas transformaciones constituye un importante
mecanismo de afrontamiento y protección.
Hubo consenso entre estos jóvenes en que el mayor desafío con respecto a la revelación
social se produce dentro del contexto familiar, ya que sus historias corroboraron varios estudios,
tanto nacionales como internacionales, que muestran hasta qué punto la revelación de la
homosexualidad en las relaciones familiares está rodeada de muchos tabúes y desafíos (Braga
et al., 2018; Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018).
El rechazo familiar tras la revelación de la homosexualidad es una de las experiencias
más dolorosas para estos jóvenes, generando un intenso sufrimiento psicológico que puede
prolongarse durante años. Por lo tanto, revelar la propia orientación sexual a la familia de origen
se convierte en un factor de estrés monumental, impregnado de un profundo temor. Como
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señala Savin-Williams (2016), este momento suele darse en un ambiente de extrema
incertidumbre y alta carga emocional, desencadenando una compleja revisión de las relaciones:
mientras que los padres pueden expresar la conmoción de “ya no reconocer a su hijo”, el joven
se ve atormentado por el miedo a no ser aceptado y a poner en peligro sus relaciones más
valiosas. Esta dinámica, según Nascimento y Scorsolini-Comim (2018), puede crear conflictos
profundos y permanentes en el seno familiar. Ante esta aguda vulnerabilidad, muchos se ven
impulsados a buscar apoyo y consuelo en otras redes personales y sociales para sobrellevar tal
dolor.
El peso de esta decisión se vuelve aún más abrumador cuando los jóvenes consideran
los contextos que dificultan la revelación en el hogar. Las creencias religiosas profundamente
arraigadas y las normas de género muy rígidas actúan como importantes factores paralizantes,
generando un miedo que influye directamente en la valentía para seguir adelante y compartir
su verdad. Estos datos resaltan cómo el marco heteronormativo, cuando se entrelaza con los
estigmas religiosos y de género, perpetúa un sesgo estructural que aumenta drásticamente el
estrés y los desafíos que enfrentan, confirmando las perspectivas de Savin-Williams (2016) y
Defendi (2022).
Como contrapunto necesario y reconfortante, la investigación también pone de
manifiesto el inmenso efecto protector de la aceptación. Cuando la familia acoge esta revelación
de forma positiva, crea un valioso escudo para la salud mental de estos jóvenes. La aceptación
familiar consolida una base segura que les permite desenvolverse en el mundo y en sus
relaciones sociales con mucha más confianza, porque saben que cuentan con el amor y el apoyo
de su hogar para afrontar los retos de ser quienes realmente son (Savin-Williams, 2016).
Al revelar la propia homosexualidad, sentirse aceptado e integrado en la dinámica
familiar conlleva exigencias significativas y revela diversos aspectos estresantes que deben ser
abordados por los jóvenes y sus familias. A pesar de su naturaleza impredecible y los miedos y
sufrimientos que evoca, este proceso también fue percibido por los jóvenes como un recurso
protector, especialmente cuando existe aceptación y escucha, siendo visto como una fuente de
aliento y mecanismos de afrontamiento para superar los desafíos de la autoaceptación y la
revelación de la propia homosexualidad. Estos datos también fueron recogidos en la
investigación de Silva et al. (2015), realizada con jóvenes brasileños.
Otro desafío a abordar es la percepción que tienen los jóvenes sobre los prejuicios,
especialmente los de género, dentro de la comunidad LGBTI+. Los jóvenes comentaron que
los homosexuales con rasgos más afeminados sufren más prejuicios, lo que pone de manifiesto
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la paradoja de que un grupo, en este caso la comunidad LGBTI+, que supuestamente debería
acoger a los homosexuales y brindarles apoyo, también puede herirlos y discriminarlos. Por lo
general, los jóvenes homosexuales, al enfrentarse a estos desafíos, idealizan una comunidad
LGBTI+ acogedora y libre de prejuicios, una especie de “paraíso”. Sin embargo, estas personas
no están exentas de la realidad de la sociedad en su conjunto, donde la prevalencia de los
prejuicios de género sigue siendo muy fuerte.
El relato y la discusión de la discriminación dentro de la propia comunidad LGBTI+
sacan a la luz una realidad dolorosa pero profundamente documentada. Este fenómeno
corrobora los hallazgos de Carmo y Cunha (2017), quienes ya habían observado esta dinámica
en sus estudios sobre los desafíos que enfrentan los hombres homosexuales. Como advierte
Antunes (2016), al investigar la homofobia internalizada, el heterosexismo y la misoginia
lamentablemente también habitan los espacios sociales gay. En este contexto, el hombre gay
afeminado es quien sufre el mayor impacto de este prejuicio intragrupal. Esta realidad revela
crudamente cómo las performances de género y las rígidas prescripciones socioculturales sobre
la masculinidad y la hegemonía (Maciel Júnior, 2013, 2022) siguen oprimiendo y
profundizando la vulnerabilidad psicosocial de estos jóvenes, incluso allí donde deberían
encontrar apoyo.
Superar estas barreras para revelar la homosexualidad e integrarla plenamente en la vida
cotidiana requiere una valentía enorme. Si bien reconocen que una mayor representación hoy
facilita este camino, los jóvenes encuestados no idealizan el proceso. Para ellos, salir del
armario trasciende la búsqueda íntima de la autoaceptación; es un verdadero acto político. Esta
actitud les otorga visibilidad y crea un ciclo de retroalimentación vital para su desarrollo
psicológico y personal. De manera muy sensible, sus declaraciones revelan hasta qué punto esta
revelación trasciende los límites entre el mundo privado y el público, marcando y regulando la
integración social del individuo.
Sin embargo, como nos recuerda Sedgwick (2007), salir del armario no es un evento
único, sino una negociación constante a lo largo de la vida. Con cada nueva experiencia o
contacto con un nuevo grupo, el joven se ve obligado a reevaluar el delicado equilibrio entre
los costos y los beneficios de compartir su verdad. Si bien esta evaluación continua es desafiante
y a menudo está marcada por el miedo, la conclusión del grupo es unánime: hablar abiertamente
sobre la propia identidad conlleva una fuerza profundamente liberadora. Al romper el silencio,
abandonan la agotadora carga de la disimulación y la constante vigilancia para ocultar su
orientación, encontrando un alivio fundamental del estrés que antes consumía sus vidas.
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Este punto nos permite concluir la complejidad de los desafíos y las exigencias que
enfrentan los jóvenes homosexuales al aceptar y revelar su homosexualidad a nivel psicosocial,
lo que refuerza la necesidad de comprender las particularidades de este proceso (Singh et al.,
2015). Como profesionales e investigadores en el campo de las ciencias humanas, ampliar el
conocimiento y mejorar las intervenciones con esta población puede brindar un apoyo más
cualificado y eficaz, teniendo en cuenta los resultados de diversos estudios centrados en este
tema.
CONSIDERACIONES FINALES
Como se observa en los relatos de los participantes en esta investigación, a pesar de la
mayor tolerancia y aceptación social de la homosexualidad, revelar la propia orientación sexual
sigue presentando importantes desafíos para los jóvenes homosexuales, siendo el miedo un
denominador común en las discusiones del grupo focal. El temor a revelar la orientación sexual,
desde una perspectiva personal, relacional y social, y la construcción de estrategias de
afrontamiento frente a los prejuicios sociales y la homofobia en diversos contextos representan
los principales retos para los jóvenes homosexuales.
Por lo tanto, la autoaceptación como homosexual, el miedo a la exclusión y el rechazo
por no cumplir con las expectativas sociales y familiares, los prejuicios de género provenientes
de la comunidad LGBTI+, que discrimina a los jóvenes homosexuales afeminados, y revelar la
propia homosexualidad a la familia de origen fueron los temas considerados más difíciles para
estos jóvenes. También se observa que la mayor representación de la homosexualidad y el
acceso a información y contactos a través de internet han facilitado el proceso de salir del
armario y revelar la propia homosexualidad.
Las limitaciones de esta investigación se observan en el número de participantes, así
como en la omisión de otras categorías de análisis interseccionales, como la raza y las
condiciones socioeconómicas, entre otras. Cabe destacar que otro factor limitante es la ausencia
de perspectivas de diferentes contextos socioculturales y de otras identidades LGBTQIAPN+.
Esta investigación no pretendía generalizar, sino aportar una perspectiva sobre el
problema e iluminar un aspecto de gran importancia para los profesionales de la educación y la
salud que trabajan con temas relacionados con la sexualidad, la educación sexual y,
especialmente, la orientación y el apoyo psicosocial a jóvenes homosexuales que experimentan
desafíos y vulnerabilidades específicas debido a una orientación sexual no normativa. Los
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resultados del análisis refuerzan los hallazgos de otros estudios sobre el reto de la revelación
social, en particular para las familias de jóvenes homosexuales, e impulsan el desarrollo de
políticas de salud pública y educación que aborden esta problemática.
Finalmente, se espera que este estudio contribuya a fortalecer el protagonismo de los
jóvenes homosexuales, enfatizando la importancia de escuchar sus experiencias, sus desafíos y
cómo construyen estrategias para existir y resistir frente a un mundo que los descalifica y
discrimina. Asimismo, se espera que este estudio pueda estimular otras producciones científicas
sobre este tema, considerando las condiciones culturales y sociales de un universo tan diverso
como el brasileño, dado que la producción nacional en esta área aún es escasa.
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Mi e d o, sil e n ci o y r esist e n ci a: e x p eri e n ci as d e j ó v e n es g a ys e n el pr o c es o d e r e v el a ci ó n s o ci al d e l a h o m os e x u ali d a d
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 2 2 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 6 9 2 8
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : Gr a ci as a t o d os l os mi e m br os d el pr of es or a d o d el Pr o gr a m a d e P os gr a d o
e n Psi c ol o gí a Clí ni c a d e l a P o ntifi ci a U ni v ersi d a d C at óli c a d e S ã o P a ul o.
Fi n a n ci a ci ó n : Est e tr a b aj o s e r e ali z ó c o n el a p o y o d e l a C o or di n a ci ó n d e P erf e c ci o n a mi e nt o
d el P ers o n al d e Ni v el S u p eri or – Br asil ( C A P E S) – C ó di g o d e Fi n a n ci a ci ó n 0 0 1. Pr o c es o
N o. 8 8 8 8 7. 1 4 8 0 1 9/ 2 0 1 7 -0 0.
C o nflict os d e i nt e r és : N o a pli c a.
A p r o b a ci ó n étic a : Pr o y e ct o d e i n v esti g a ci ó n a pr o b a d o p or el C o mit é d e Éti c a d e l a
P o ntifi cia U ni v ersi d a d C at óli c a d e S ã o P a ul o. Di ct a m e n f u n d a m e nt a d o n. ° 2. 6 2 6. 0 4 3 d el
2 7 d e a bril d e 2 0 1 8. C A A E n.° 8 6 0 8 4 8 1 8. 8. 0 0 0 0. 5 4 8 2.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : Dis p o ni bl es e n l a c ol e c ci ó n/ bi bli ot e c a di git al d e l a
P o ntifi cia U ni v ersi d a d C at óli c a d e S ã o P a ul o.
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o res : E L D c o n ci bi ó el est u di o, r e d a ct ó y e dit ó el t e xt o, r e c o pil ó
y a n ali z ó l os d at os, d es cri bi ó l os r es ult a d os y l a dis c usi ó n, y ll e v ó a c a b o l a b ús q u e d a d el
m ar c o t e óri c o. R M S g ui ó y s u p er vis ó t o d as l as et a p as d e l a i n v esti g a ci ó n, r e vis ó y
c o ntri b u y ó a l a or g a ni z a ci ó n d e l os r es ult a d os y l a dis c usi ó n.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, di a gr a m a ci ó n , n or m ali z a ci ó n y tr a d u c ci ó n