Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 1
DA REPRODUÇÃO À REFLEXÃO: MASCULINIDADES E HERANÇAS
FAMILIARES ADVERSAS
DE LA REPRODUCCIÓN A LA REFLEXIÓN: MASCULINIDADES Y LEGADOS
FAMILIARES ADVERSOS
FROM REPRODUCTION TO REFLECTION: MASCULINITIES AND ADVERSE
FAMILY LEGACIES
Daniela Pupo Barbosa BIANCHI
1
e-mail: daniela@cocriarpsicologia.net
Ida KUBLIKOWSKI
2
e-mail: idaku[email protected]
Como referenciar este artigo:
Bianchi, D. P. B., & Kublikowski, I. (2026). Da reprodução
à reflexão: masculinidades e heranças familiares adversas.
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026024.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21473
| Submetido em: 15/04/2026
| Revisões requeridas em: 23/04/2026
| Aprovado em: 04/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doutora pelo
Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica.
2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Docente no
Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica.
Da reprodução à reflexão: masculinidades e heranças familiares adversas
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 2
RESUMO: Este estudo qualitativo analisou o impacto de padrões transgeracionais na
construção de significados atribuídos às masculinidades por homens adultos cisgênero que
vivenciaram experiências adversas na infância. Dados de entrevistas semiestruturadas
individuais e genogramas foram submetidos à análise temática reflexiva, da qual emergiram
três temas: heranças masculinas ambivalentes; lealdades invisíveis e repetição transgeracional;
e diferenciação, ruptura e reconstrução reflexiva. A masculinidade foi aprendida em contextos
de ambivalência afetiva, violência, alcoolismo parental e ausência emocional, transmitidos de
forma não linear entre gerações. Figuras masculinas familiares apareceram simultaneamente
como fontes de cuidado e sofrimento, organizando experiências de identificação, rejeição e
ambivalência. Terapia, paternidade, espiritualidade e sofrimento psíquico mobilizaram
movimentos de questionamento, diferenciação e reconstrução diante das referências masculinas
herdadas. As experiências adversas familiares não determinam linearmente a identidade
masculina, mas constituem um campo relacional no qual cada sujeito constrói, com os recursos
disponíveis, formas próprias e singulares de significar e viver a masculinidade.
PALAVRAS-CHAVE: Masculinidades. Experiências adversas na infância. Transmissão
transgeracional.
RESUMEN: Este estudio cualitativo analizó el impacto de los patrones transgeneracionales
en la construcción de significados atribuidos a las masculinidades por hombres adultos
cisgénero que vivieron experiencias adversas durante la infancia. Los datos de entrevistas
semiestructuradas individuales y genogramas fueron sometidos a un análisis temático
reflexivo, del que surgieron tres temas: herencias masculinas ambivalentes; lealtades invisibles
y repetición transgeneracional; y diferenciación, ruptura y reconstrucción reflexiva. La
masculinidad fue aprendida en contextos de ambivalencia afectiva, violencia, alcoholismo
parental y ausencia emocional, transmitidos de forma no lineal entre generaciones. Las figuras
masculinas familiares aparecieron simultáneamente como fuentes de cuidado y sufrimiento,
configurando experiencias de identificación, rechazo y ambivalencia. La terapia, la
paternidad, la espiritualidad y el sufrimiento psíquico movilizaron procesos de
cuestionamiento, diferenciación y reconstrucción frente a las referencias masculinas
heredadas. Las experiencias familiares adversas no determinan linealmente la identidad
masculina, sino que constituyen un campo relacional en el que cada sujeto construye formas
propias y singulares de significar y vivir la masculinidad.
PALABRAS CLAVE: Masculinidades. Experiencias adversas en la infancia. Transmisión
transgeneracional.
ABSTRACT: This qualitative study analyzed the impact of transgenerational patterns on the
construction of meanings attributed to masculinities by cisgender adult men who experienced
adverse childhood experiences. Data from individual semi-structured interviews and
genograms were subjected to reflexive thematic analysis, yielding three themes: ambivalent
masculine legacies; invisible loyalties and transgenerational repetition; and differentiation,
rupture, and reflexive reconstruction. Masculinity was learned in contexts of emotional
ambivalence, violence, parental alcoholism, and emotional absence, transmitted nonlinearly
across generations. Male family figures simultaneously represented sources of care and
suffering, shaping experiences of identification, rejection, and ambivalence. Therapy,
fatherhood, spirituality, and psychological distress prompted processes of questioning,
differentiation, and reconstruction in relation to inherited masculine references. Adverse family
experiences do not linearly determine masculine identity but constitute a relational field in
which each individual, using available resources, constructs personal and singular ways of
understanding and living masculinity.
KEYWORDS: Masculinities. Adverse childhood experiences. Transgenerational transmission.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUÇÃO
As experiências adversas na infância têm sido amplamente associadas a prejuízos no
desenvolvimento emocional, relacional e psicossocial ao longo do ciclo de vida. Felitti et al.
(1998) demonstraram que as experiências relacionadas a violência, negligência, abuso,
alcoolismo familiar, sofrimento psíquico parental e instabilidade relacional apresentam
associação significativa com diferentes desfechos negativos em saúde física e mental na vida
adulta. Desde então, diferentes estudos vêm apontando que tais experiências podem influenciar
processos de vinculação, de regulação emocional e de organização relacional, bem como as
formas de enfrentamento desenvolvidas na infância e adolescência (Andrade et al., 2022;
Kalmakis & Chandler, 2014; Kublikowski & Bianchi, 2025).
Compreender as experiências adversas na infância exige considerar a família não apenas
como núcleo biológico ou estrutura normativa, mas também como campo relacional no qual se
organizam pertencimentos, vínculos, crenças, silenciamentos e formas de subjetivação. Bianchi
e Kublikowski (2022) veem a família como um sistema de relações de afeto e pertencimento
que se perpetua ao longo do tempo e que busca assegurar sobrevivência biopsicossocial a seus
membros. Tal perspectiva possibilita compreender que os padrões relacionais, modos de
vinculação, expectativas e formas de organização emocional podem atravessar diferentes
gerações familiares, participando da manutenção da continuidade e da homeostase do campo
familiar (Bianchi, 2026). As experiências relacionadas a violência, alcoolismo, negligência
emocional e rigidez afetiva podem ser compreendidas não apenas como eventos isolados, mas
também como fenômenos inseridos em dinâmicas relacionais e transgeracionais mais amplas.
Diferentes autores da perspectiva sistêmica e transgeracional (Boszormenyi-Nagy &
Spark, 1983; Bowen, 1991) destacam que as famílias transmitem não apenas histórias e
vínculos de pertencimento, mas também formas de manejo emocional, expectativas relacionais,
crenças e modos de funcionamento familiar que influenciam a experiência subjetiva de seus
membros. Para Bowen (1991), o desenvolvimento humano ocorre em permanente tensão entre
pertencimento e diferenciação, de modo que os indivíduos buscam simultaneamente preservar
vínculos familiares e construir autonomia emocional. A noção de diferenciação do self refere-
se justamente à capacidade de manter relativa autonomia emocional e intelectual sem
rompimento dos vínculos afetivos, permitindo ao sujeito reconhecer criticamente padrões
familiares sem reproduzi-los de maneira automática.
Além dessa perspectiva, Boszormenyi-Nagy e Spark (1983) propõem o conceito de
‘lealdades invisíveis’, que se referem a vínculos éticos, emocionais e relacionais que conectam
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os membros de uma família ao longo das gerações, organizando expectativas de pertencimento,
reciprocidade, compromisso e obrigação relacional, muitas vezes de maneira não consciente ou
não verbalizada. Nessa direção, determinadas formas de masculinidade, padrões emocionais e
modos de relação podem ser transmitidos entre gerações não apenas por identificação
consciente, mas também por vínculos de lealdade e obrigação relacional que permanecem
ativos mesmo diante de experiências familiares marcadas por sofrimento, violência ou
ambivalência afetiva.
As formas de masculinidade construídas ao longo da infância e adolescência também se
organizam nesse campo relacional. Mais do que discursos explícitos sobre o que significa ‘ser
homem’, os meninos aprendem formas de expressão emocional, manejo dos conflitos, modos
de vinculação e estratégias de pertencimento a partir das relações familiares e sociais que
vivenciam (Connell, 2005; Connell et al., 2005). Em contextos marcados por violência,
negligência, silenciamento afetivo e rigidez relacional, determinadas práticas masculinas
podem ser transmitidas e naturalizadas ao longo das gerações, constituindo referências
marcantes para a construção identitária masculina (Levell, 2020; Zaniewski et al., 2022; hooks
3
,
2025).
No campo de estudos das masculinidades, Connell (2005) propõe compreendê-las como
configurações de práticas produzidas historicamente em contextos sociais específicos e
atravessadas por relações de poder, pertencimento e reconhecimento. Tal perspectiva afasta-se
de compreensões essencialistas do masculino ao reconhecer a existência de múltiplas
masculinidades organizadas de maneira dinâmica e relacional. Em diálogo com essa
abordagem, Connell et al. (2005) destacam que as masculinidades são construções sociais
continuamente negociadas nas interações cotidianas, especialmente no interior das relações
familiares, comunitárias e culturais.
Connell e Messerschmidt (2013) aprofundam esse argumento ao proporem que a
masculinidade hegemônica não é um tipo fixo de caráter, mas uma configuração de práticas
que legitima determinadas posições de poder e subordina outras formas de masculinidade,
variando conforme os contextos históricos e culturais. Assim, as experiências familiares
adversas não apenas produzem sofrimento emocional, mas também podem participar da
constituição de formas específicas de masculinidade relacionadas ao controle emocional, à
rigidez afetiva, à autossuficiência e à dificuldade de reconhecimento da vulnerabilidade.
3
Respeitou-se neste artigo a grafia em minúsculas que bell hooks advoga para seu nome.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
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hooks (2025) oferece uma contribuição fundamental ao campo de estudos das
masculinidades ao argumentar que a cultura patriarcal impõe aos homens que, desde a infância,
a vulnerabilidade, o afeto e a necessidade de cuidado sejam suprimidas, como condição de
alcançar pertencimento ao universo masculino. Considera que o problema central não se limita
às estruturas sociais que organizam as relações de poder entre homens e mulheres, mas inclui a
forma como os próprios homens são desde cedo ensinados a negar aspectos essenciais de sua
vida emocional, aprendendo que amar, precisar de cuidados ou demonstrar fragilidade
representam ameaças à identidade masculina. Esse processo de supressão emocional, aprendido
nas relações familiares e reforçado nas interações sociais, não apenas gera sofrimento psíquico,
mas também compromete a capacidade de construir vínculos afetivos consistentes e de
reconhecer a própria vulnerabilidade como parte constitutiva da experiência humana. A
transformação desse quadro, segundo hooks (2025), exige que os homens sejam capazes de
nomear e elaborar as formas pelas quais aprenderam a suprimir o afeto, processo que passa
necessariamente pela revisão crítica das referências masculinas recebidas no âmbito familiar.
Estudos recentes têm apontado que homens expostos a experiências adversas na infância
frequentemente constroem estratégias adaptativas associadas a dureza emocional,
hipervigilância relacional, controle afetivo e silenciamento do sofrimento (Levell, 2020;
Zaniewski et al., 2022). Em muitos casos, tais estratégias aparecem articuladas a formas de
pertencimento e reconhecimento masculino socialmente valorizadas, ainda que produzam
sofrimento psíquico e dificuldades relacionais ao longo da vida adulta. Ao mesmo tempo,
pesquisas qualitativas indicam que homens expostos a contextos familiares violentos ou
negligentes não reproduzem tais experiências de maneira linear ou automática, desenvolvendo
frequentemente movimentos ambivalentes de identificação, crítica, resistência e reelaboração
das referências masculinas aprendidas no contexto familiar (Callaghan et al., 2025).
A presente investigação advém de observarmos que, apesar do crescimento das
pesquisas sobre experiências adversas na infância e masculinidades, ainda são escassos os
estudos qualitativos brasileiros voltados à compreensão das articulações entre experiências
adversas familiares, transmissão transgeracional e construção da masculinidade em homens
adultos. Assim, este estudo teve por objetivo investigar o impacto dos padrões transgeracionais
na construção de significados atribuídos às masculinidades por homens adultos cisgênero que
vivenciaram experiências adversas na infância.
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METODOLOGIA
Adotou-se para a pesquisa uma abordagem qualitativa, propícia para compreender os
fenômenos em seus contextos, a fim de investigar como os indivíduos atribuem significados às
experiências vividas (Denzin & Lincoln, 2005). Parte-se do pressuposto que a perspectiva
adotada pelo pesquisador se articula com o empírico em um processo de coconstrução que
sustenta a subjetividade do pesquisador e exclui a possibilidade de uma postura totalmente
neutra e objetiva. Nesse sentido, adotou-se uma abordagem narrativa, compreendendo o self
como um contador de histórias que, ao narrar sua experiência, a organiza em identidade e, por
meio dos significados atribuídos às próprias ações, permite a autocompreensão e a abertura ao
outro (Kublikowski, 2023).
Participantes
Participaram do estudo 10 homens adultos brasileiros selecionados de forma
intencional, conforme os pressupostos da amostragem qualitativa (Yin, 2015).
A delimitação etária adotada considerou que a maturidade biológica e psicossocial tende
a apresentar maior consolidação a partir dos 30 anos (Rodrigues & Kublikowski, 2014). O
limite superior de 59 anos foi definido em consonância com a classificação da Organização
Mundial da Saúde para o início da velhice e com a legislação brasileira vigente, especialmente
a Política Nacional do Idoso (Brasil, 1994) e o Estatuto da Pessoa Idosa (Brasil, 2003), que
estabelecem os 60 anos como marco legal para a condição de pessoa idosa.
Foram considerados elegíveis indivíduos de nacionalidade brasileira com idades de 30
a 59 anos que se autodeclarassem homens cisgênero e que relatassem experiências familiares
significativas relacionadas à construção de suas masculinidades, incluindo experiências
adversas ocorridas no contexto familiar durante a infância e adolescência, independente do
estado civil e orientação sexual. Foram excluídos indivíduos que não atendessem a pelo menos
um desses critérios.
A divulgação do convite para participação voluntária ocorreu no âmbito da rede de
contatos da pesquisadora, por meio de abordagem direta e indicação de pessoas conhecidas,
estratégia que possibilitou o acesso a participantes compatíveis com os critérios estabelecidos
para o estudo.
Os participantes com idades de 31 a 53 anos tinham alto nível de escolaridade e
apresentaram diversidade quanto à cor/etnia, orientação sexual, estado civil e profissão (Tabela
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1), espectro este relevante para ampliar a heterogeneidade experiencial da amostra e favorecer
a inclusão de diferentes perspectivas sobre masculinidades, relações familiares e trajetórias
transgeracionais no contexto investigado.
Tabela 1.
Caracterização sociodemográfica dos participantes
Participante
Cor/etnia
Estado civil
Escolaridade
Área de
trabalho
Filhos
Orientação
sexual
P1
Branco
Casado
Superior completo
Saúde
Não
Heterossexual
P2
Branco
Divorciado
Superior completo
Tecnologia
Não
Heterossexual
P3
Branco
União
estável
Superior completo
Jurídica
Não
Heterossexual
P4
Branco
Casado
Pós-graduação
Econômica
Não
Heterossexual
P5
Negro
Casado
Superior completo
Administrativa
Não
Heterossexual
P6
Branco
Casado
Pós-graduação
Design
Não
Homossexual
P7
Branco
Casado
Pós-graduação
Financeira
Sim
Heterossexual
P8
Branco
Casado
Pós-graduação
Saúde
Sim
Homossexual
P9
Pardo
Separado
Ensino médio
completo
Transporte
Não
Heterossexual
P10
Negro
Casado
Doutorando
Acadêmica
Não
Homossexual
Nota. Dados da pesquisa.
Entrevista semiestruturada
Optou-se pela entrevista semiestruturada como principal estratégia de coleta de dados.
Esse tipo de entrevista caracteriza-se pela utilização de perguntas abertas e pelo caráter
conversacional e relacional, favorecendo a livre expressão do participante e a emergência de
conteúdos inesperados e significativos para a investigação (Kvale, 1996). Embora os
participantes tenham tido liberdade para desenvolver os temas abordados, a condução buscou
garantir que os tópicos relevantes para os objetivos da pesquisa fossem contemplados.
Considerando que as questões relacionadas às normas de gênero podem influenciar tanto
a adesão masculina às pesquisas quanto a profundidade das respostas oferecidas (Souza, 2022),
buscou-se proporcionar um ambiente acolhedor e empático que favorecesse a confiança, a
abertura emocional e o compartilhamento de experiências mais íntimas. Assim, a entrevista
semiestruturada possibilitou não apenas acessar experiências individuais dos participantes, mas
também compreender as formas pelas quais construíram sentidos sobre masculinidade, vínculos
familiares, sofrimento emocional e trajetórias de vida.
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Genograma
O genograma é definido por Krüger e Werlang (2008) como um desenho gráfico da vida
familiar que possibilita aproximação às heranças simbólicas transmitidas e transformadas nas
famílias. O instrumento consolidou-se como recurso em pesquisas qualitativas para
investigação de padrões relacionais, repetições, vínculos, rupturas e formas de organização
transgeracional.
No contexto desta pesquisa, o genograma foi utilizado como instrumento auxiliar para
organização das informações transgeracionais presentes nas entrevistas, contribuindo para a
identificação de padrões familiares relacionados às masculinidades.
Análise temática reflexiva
Para a análise dos dados, foi adotada a análise temática reflexiva, proposta por Braun e
Clarke (2006, 2016). O método orienta-se pela identificação, análise e interpretação de padrões
de significado (temas) em um conjunto de dados qualitativos, reconhecendo o papel ativo e
situado do pesquisador na construção desses padrões. Diferentemente de abordagens que
concebem os temas como estruturas latentes preexistentes nos dados, a análise temática
reflexiva compreende os temas como produtos de um processo interpretativo, atravessado pelo
referencial teórico, pelos objetivos da pesquisa e pelo posicionamento epistemológico do
pesquisador (Braun & Clarke, 2006, 2016). Essa perspectiva mostrou-se especialmente
adequada aos objetivos deste estudo, voltado à compreensão de padrões transgeracionais de
masculinidade em contextos familiares adversos.
O processo analítico seguiu as fases propostas por Braun e Clarke (2006) de modo
recursivo e não linear. As entrevistas foram transcritas na íntegra e submetidas a leituras
repetidas, constituindo a etapa de familiarização com os dados. Em seguida, foram gerados
códigos iniciais a partir das narrativas, progressivamente agrupados em temas candidatos,
revisados quanto à coerência interna e à distinção entre si e posteriormente definidos e
nomeados. O relato analítico foi produzido articulando os temas entre si e com a questão de
pesquisa. Neste estudo, cada entrevista foi analisada em conjunto com o respectivo genograma,
o qual permitiu visualizar e organizar informações transgeracionais presentes nas narrativas,
repetições de padrões relacionais, vínculos afetivos e modelos masculinos transmitidos ao
longo das gerações (McGoldrick et al., 2012). Essa articulação entre os dois instrumentos
enriqueceu o processo de codificação e contribuiu para a construção dos temas.
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A reflexividade da pesquisadora esteve presente em todas as fases do processo analítico.
Os significados colhidos na análise são compreendidos como coconstituídos entre os dados, os
objetivos do estudo, o referencial teórico e o posicionamento da pesquisadora, dimensão que
não representa um viés a ser eliminado, mas uma condição constitutiva da pesquisa qualitativa,
que deve ser tornada explícita e ser rigorosamente considerada (Braun & Clarke, 2006). O
processo analítico contou com suporte auxiliar da ferramenta ChatGPT (GPT-4, OpenAI),
utilizado de forma estritamente delimitada na fase de organização inicial dos dados e na geração
preliminar de códigos. Todo o material produzido com apoio da ferramenta foi
sistematicamente revisado e reinterpretado pela pesquisadora, permanecendo sob sua
responsabilidade epistemológica a construção dos temas, a interpretação dos dados e a produção
de sentido (Turobov et al., 2024).
PROCEDIMENTOS E CUIDADOS ÉTICOS
Os cuidados éticos seguiram as diretrizes previstas na Lei nº 14.874/2024 (Brasil, 2024),
garantindo sigilo, confidencialidade e proteção das informações compartilhadas. Este artigo
integra uma investigação mais ampla aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (parecer nº 7.668.502, de 26 de junho de 2025), cujos dados
foram coletados de forma unificada junto aos demais estudos que compõem a tese de doutorado
da primeira autora.
RESULTADOS
A análise conjunta das entrevistas e dos genogramas permitiu identificar padrões
recorrentes relacionados às experiências masculinas construídas ao longo das trajetórias
familiares dos participantes. As narrativas revelaram que a masculinidade foi frequentemente
aprendida em contextos marcados por ambivalência afetiva, rigidez emocional, violência,
ausência de acolhimento e modelos contraditórios de masculinidade. Os genogramas
contribuíram para a visualização e organização das informações transgeracionais presentes nas
entrevistas, permitindo identificar repetições de padrões relacionais, vínculos afetivos e
modelos masculinos transmitidos ao longo das gerações familiares (McGoldrick et al., 2012).
Ao mesmo tempo, os relatos evidenciaram movimentos de reflexão, diferenciação e revisão
crítica dessas heranças familiares na vida adulta.
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Os temas apresentados a seguir não foram compreendidos como categorias fixas ou
universais, mas como núcleos interpretativos gerados a partir das recorrências, tensões e
sentidos compartilhados nas narrativas dos participantes, em consonância com Braun e Clarke
(2006), que apontam que os temas representam padrões de significado relevantes em relação à
questão de pesquisa e são gerados por meio de um processo ativo e reflexivo de interpretação
dos dados.
A análise possibilitou a emersão de três temas principais: (1) heranças masculinas
ambivalentes; (2) lealdades invisíveis e repetição transgeracional; e (3) diferenciação, ruptura
e reconstrução reflexiva. Embora apresentados separadamente para fins analíticos, os temas
mostraram-se profundamente interligados, compondo processos subjetivos dinâmicos
relacionados às experiências adversas na infância, às transmissões familiares de modelos
masculinos e às formas de elaboração da masculinidade.
Heranças masculinas ambivalentes
As narrativas dos participantes evidenciaram que suas primeiras referências de
masculinidade foram construídas em contextos marcados por ambivalência afetiva,
instabilidade relacional e contradições nos modelos masculinos familiares. Pais, avôs, padrastos
e outras figuras masculinas apareceram simultaneamente associados a proteção,
responsabilidade, trabalho e cuidado, mas também a violência, alcoolismo, ausência emocional,
rigidez afetiva e imprevisibilidade. Nos relatos, admiração, ressentimento, identificação e
rejeição coexistiam de maneira entrelaçada, compondo experiências masculinas marcadas por
tensões afetivas persistentes.
Em diferentes narrativas, as figuras masculinas familiares compareceram
simultaneamente como fontes de cuidado e sofrimento. P1 descreve ter sido “apresentado a
diversos masculinos”, reconhecendo referências contraditórias entre pai e avô. Enquanto o pai
lhe oferecia a possibilidade de uma masculinidade afetiva: “Meu pai me permitiu ser um homem
afetuoso ... o homem não precisa ser rude”, o avô representava um modelo associado à
virilidade tradicional e à infidelidade masculina: “O homem era pra ser safado, o homem era
pra ser mulherengo”. A ambivalência aparece sintetizada quando o participante descreve o avô
como “um avô excelente” e, ao mesmo tempo, “um péssimo marido”.
A coexistência de presença afetiva e ausência emocional também permeou diferentes
relatos. P3 descreve um ambiente familiar marcado pela fragilidade dos adultos: “Eu olho pros
lados e eu não vejo segurança em lugar nenhum”, mas relata encontros pontuais de intenso
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carinho com o pai: “Cada vez que a gente se encontrava, ele era muito carinhoso”. A expectativa
pela chegada paterna evidencia uma experiência masculina construída entre afeto momentâneo
e ausência estrutural. De forma semelhante, P4 descreve o pai como alguém profundamente
admirado: “Meu pai era um cara que eu queria ser”, embora simultaneamente associado ao
alcoolismo, à instabilidade e à incapacidade de sustentar vínculos: “Meu pai nunca terminou
nada que ele começou; inclusive ele não terminou de ser pai”. P4 também descreve uma figura
paterna intensa, mas imprevisível: “Quando ele estava, ele era uma figura onipresente, só que
muitas vezes ele não estava”.
A narrativa de P5 evidencia experiências marcadas pela ausência paterna e pela
convivência com modelos masculinos contraditórios: “Eu fui criado basicamente sem presença
do meu pai. Meu pai abandonou minha mãe quando eu era bebê e ainda tentou me matar”. Ao
mesmo tempo, descreve o avô como figura carinhosa, mas também associada a práticas
machistas naturalizadas: “Meu avô era muito mais carinhoso, mas olhando com o olhar de
masculinidade, ele era o típico velho sem-vergonha”. A convivência entre cuidado, dominação
e violência comparece de maneira recorrente na narrativa.
P6 fala da masculinidade familiar como marcada por desorganização emocional e
alcoolismo paterno: “Eu percebia o quão tóxico eram a maioria das masculinidades que eu tinha
por perto”, descrevendo um pai que “entrou no alcoolismo mais pesado” e que “não conseguia
demonstrar carinho de uma maneira carinhosa”. A narrativa sugere que a presença física do pai
coexistia com importantes dificuldades de expressão afetiva e cuidado emocional.
P7 descreve experiências masculinas fortemente associadas à violência e à
agressividade herdadas como referências positivas. Relata que cresceu ouvindo histórias de
brigas paternas: “Meu pai sempre contou histórias de quando ele era adolescente, de quando ele
era novo e tal, que só briga; eu achava isso o máximo”. O bisavô paterno aparece como figura
extrema dessa herança, um homem que havia matado pessoas, e cujas histórias o pai contava
“de certa forma, com orgulho”. Ao longo da entrevista, P7 reconhece ter incorporado esses
valores desde cedo, descrevendo uma trajetória marcada por episódios recorrentes de uma
violência que considerava natural, mas que somente mais tarde passou a questionar.
A fragmentação das referências masculinas também compareceu como elemento
recorrente. “Eu tenho três pais: meu pai, meu padrinho e meu padrasto, mas somando tudo, não
dá um”, afirma P8, descrevendo figuras masculinas percebidas como insuficientes e
emocionalmente incompletas. Em P9, a ambivalência é condensada na metáfora por ele próprio
construída: “Eu fui gerado por um lobo e por uma cobra”. O pai é descrito simultaneamente
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como protetor e ameaçador: “Meu pai era extremamente bravo. Ele era protetor, mas ele era
rígido”. O relato associa masculinidade, cuidado e medo em uma mesma experiência relacional.
Por fim, P10 descreve uma experiência marcada por contradições entre sensibilidade e
rigidez nos modelos masculinos familiares. Afirma que o pai “era uma pessoa muito sensível,
era o homem que chorava; ele era uma pessoa empática”, mas também reproduzia discursos
associados à masculinidade tradicional, dizendo que “homem não chora”.
As narrativas indicam, portanto, que os participantes aprenderam formas de
masculinidade em contextos nos quais cuidado e violência, proteção e medo, presença e
ausência estiveram frequentemente associados. Mais do que modelos masculinos estáveis e
coerentes, os relatos descrevem experiências marcadas por contradições, fragmentações e
ambiguidades afetivas que atravessaram diferentes gerações familiares.
Lealdades invisíveis e repetição transgeracional
As narrativas evidenciaram a presença recorrente de padrões masculinos transmitidos
entre gerações, especialmente os relacionados a alcoolismo, violência, ausência afetiva e
distanciamento emocional. Em muitos relatos, pais, avôs e outros homens da família
reproduziam formas semelhantes de lidar com sofrimento, autoridade, afetos e conflitos, o que
sugere continuidades familiares que atravessavam diferentes gerações. Os participantes
frequentemente demonstraram reconhecer essas repetições ao longo de suas histórias, ainda que
em diferentes níveis de consciência e elaboração.
O alcoolismo constituiu o padrão mais recorrente nas narrativas, mas sua presença
assumiu formas distintas conforme a trajetória de cada família. Em alguns casos, foi possível
identificar uma cadeia de transmissão explícita entre gerações. P4 descreve que avô e pai
compartilhavam o mesmo padrão: “Ele e meu pai tinham o mesmo problema do alcoolismo”,
associando diretamente a deterioração das trajetórias masculinas da família ao uso do álcool ao
longo de gerações. Em P6, o avô paterno e o pai bebiam simultaneamente na mesma casa: o pai
“às vezes nove e meia da manhã, ele já estava com uma caipirinha na mão”, enquanto o avô “ia
beber num boteco perto ou comprava uma garrafa de cachaça e escondia”, revelando que o
padrão atravessava duas gerações masculinas no mesmo espaço doméstico. O avô paterno de
P10 “também tinha problemas com álcool” e morreu jovem. O pai seguiu trajetória semelhante,
fazendo uso abusivo de álcool e também morrendo precocemente.
Nos demais participantes, o alcoolismo não se configurou como cadeia direta de
transmissão, mas mostrou-se como experiência adversa persistente que neles organizou o
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sofrimento e a subjetividade desde a infância. P1 cresceu convivendo com o alcoolismo do avô
materno, que “bebia, batia o carro, se colocava em situações de risco”, gerando uma atmosfera
doméstica de tensão e imprevisibilidade. P8 descreve que “durante muito tempo, a palavra que
me fazia começar a chorar era ‘saideira’”, pois o pai permanecia longos períodos no bar, e que
“faltava dinheiro pra várias outras coisas, mas pra bebida nunca faltou” — síntese de uma
infância marcada pela centralidade do álcool na organização familiar. P9 relata que “o meu tio
bebeu tanto, mas tanto, que ele morreu de cirrose”, associando o alcoolismo à rigidez dos avós
maternos e aos problemas de saúde mental que se espalharam pela família: “São situações
mentais que eu acho que foram muito parte de como minha avó e meu avô trataram eles —
enfim, o ciclo”. Em nenhum desses casos os participantes reproduziram o padrão do alcoolismo
na própria vida, mas todos carregam as marcas da convivência com ele, especialmente as da
imprevisibilidade afetiva, da ausência emocional e da instabilidade relacional que o uso abusivo
do álcool produzia nas figuras masculinas de referência.
A transmissão de padrões violentos de lidar com conflitos e exercer autoridade
apresentou cadeia intergeracional mais explícita e direta. P3 descreve uma genealogia de
violência que remonta ao bisavô: “O pai dele batia nele, humilhava ele, e ele fez isso com o
meu pai”, revelando como a agressividade e a humilhação se transmitiram de geração em
geração, transformando-se, porém, ao longo do tempo: o pai de P3 não reproduziu a violência
física que recebeu, mas P3 reconhece herdar padrões relacionais disfuncionais que se
manifestam em suas relações afetivas de formas mais sutis, que ele ativamente busca modificar:
“Eu não quero ser esse ser humano que faz isso com a pessoa que mais ama”.
Em P7, a cadeia de violência é mais direta e extensa. O avô materno era alcoólatra grave
e violento, “tomava uns três litros de cachaça por dia” e “foi preso duas vezes, uma vez por
bater na minha avó”. O pai reproduziu padrões de agressividade física com os filhos. P7, por
sua vez, reconhece ter reproduzido esses padrões em suas relações afetivas: “Já pratiquei muita
violência psicológica” e chegou a defender práticas violentas na educação de crianças: “Uns
tapinhas tem que dar, tem que bater, porque às vezes se torna insuportável”. A consciência
sobre essa cadeia foi o que o motivou a buscar terapia, “justamente para tentar quebrar essa
corrente que vem se arrastando na minha família durante muito tempo da violência contra
crianças”. Esse participante foi o que mais explicitamente nomeou a transmissão
transgeracional como problema a ser interrompido.
Em algumas narrativas, a repetição transgeracional esteve associada menos à violência
explícita ou ao alcoolismo e mais à transmissão de formas de solidão, autossuficiência e
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distanciamento emocional. P2 identifica esse movimento de maneira direta ao afirmar que “o
padrão se repete” e que “essa herança do masculino que é mais forte é remar sozinho”,
reconhecendo que acabou reproduzindo o modo de funcionamento do pai: “Eu acabei remando
como ele, tipo sozinho”. Em P6, a ausência emocional do pai produziu um ambiente familiar
em que a mãe assumia todas as responsabilidades, enquanto o pai se tornava funcionalmente
ausente: “Minha mãe cuidando da casa, de todo mundo, responsável por trazer o dinheiro,
organizar as finanças, botar a casa em ordem, e meu pai às vezes trabalhando, às vezes não
trabalhando, bebendo nessa dinâmica mais desagregadora”. P6 reconhece ter herdado desse
ambiente uma tendência à autossuficiência excessiva que precisou aprender a questionar.
As narrativas também evidenciaram repetições relacionadas à ausência paterna e à
dificuldade de sustentação dos vínculos familiares ao longo das gerações. P3 descreve uma
cadeia de instabilidade relacional: “Meus pais separaram quando eu tinha quatro anos, eu tive
padrastos, ficou com o meu primeiro padrasto até os meus onze, e depois já engatou um outro.
Só que todos esses relacionamentos foram relacionamentos que não foram sadios”,
acrescentando que “a minha mãe teve três casamentos e teve um filho com cada um”, revelando
que a dificuldade de sustentar vínculos afetivos consistentes se repetia de geração em geração
sem que nenhuma figura masculina conseguisse interromper o padrão. Em P5, a ausência
paterna inscreveu-se no cotidiano de formas concretas e duradouras: “Não aparecia no dia do
aniversário, muito menos a bicicleta, tanto que eu não ando de bicicleta até hoje”. P9 descreve
perceber em si elementos associados à figura paterna, especialmente relacionados à
explosividade emocional: “Eu era explosivo e aquilo me assustava bastante”, reconhecendo que
a rigidez herdada do ambiente familiar havia se instalado nele antes que pudesse nomeá-la.
As narrativas indicam, portanto, que os padrões transgeracionais não se reproduzem de
forma linear ou idêntica entre gerações. Eles se transformam, se deslocam e assumem novas
formas, mas mantêm uma continuidade subjacente que organiza silenciosamente as
experiências relacionais e afetivas dos participantes. Alcoolismo, violência, ausência emocional
e autossuficiência compareceram como elementos recorrentes dessas transmissões familiares,
ainda que assumindo configurações distintas em cada trajetória.
Diferenciação, ruptura e reconstrução reflexiva
Apesar da presença consistente de padrões transgeracionais relacionados à violência,
alcoolismo, ausência emocional e rigidez afetiva, as narrativas também evidenciaram
movimentos de questionamento, diferenciação e reconstrução em relação às masculinidades
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aprendidas ao longo da infância e adolescência. Esses movimentos apareceram de formas
distintas entre os participantes, envolvendo processos graduais de revisão de comportamentos,
relações afetivas, formas de cuidado e modos de compreender o que significa ser homem.
Em diferentes relatos, a diferenciação mostrou-se associada à necessidade de
interromper padrões percebidos como geradores de sofrimento. P1 descreve que “precisei me
afastar para me reaproximar”, referindo-se ao distanciamento temporário das figuras parentais
como parte do processo de reorganização das relações familiares. Também relata ter se sentado
“com cada um em separado para perdoá-los e pedir perdão”, e afirma que “a espiritualidade me
ajuda a construir uma identidade, um significado, um sentido do porquê eu vivo”. Em P2, o
movimento de mudança se revela mais gradual, relacionado à tentativa de flexibilizar formas
de funcionamento marcadas pela autossuficiência e pelo isolamento: “Eu fui me moldando, me
abrindo mais; quis me aproximar mais das pessoas”.
As narrativas também revelaram que a consciência sobre os padrões herdados não
significava necessariamente interrupção imediata desses comportamentos. P3 declara: “Eu não
quero ser esse ser humano que faz isso com a pessoa que mais ama”, ao mesmo tempo que
reconhece dificuldades em modificar determinadas reações emocionais e relacionais. P4, por
sua vez, descreve um processo contínuo de revisão, afirmando que “quero descobrir quem eu
sou” e que “se alguém me convence de que eu estou errado, eu mudo de ideia”, indicando
abertura para a revisão de posições consolidadas. De forma semelhante, P6 descreve que, apesar
do esforço de diferenciação frente aos modelos familiares, “se eu for para o automático, me
pega”, mas relata também movimentos concretos de mudança, tais como “ser menos
autossuficiente o tempo inteiro” e “contar e aceitar a ajuda das outras pessoas”. Ele define a
masculinidade como “um exercício que eu estou fazendo sempre”.
Em vários relatos, a terapia esteve associada aos processos de revisão das experiências
masculinas familiares. P7 afirma que o principal motivo pelo qual buscou terapia foi
“justamente para entender a minha posição nessa relação que eu vou ter com a L. [filha]”. O
nascimento da filha também aparece como marco importante em seu processo de revisão das
próprias referências masculinas, especialmente quanto às formas de autoridade e cuidado. Ele
passa a questionar “qual o tipo de presença masculina eu quero ter”, diferenciando “o cara que
impõe respeito” do “cara que põe medo”. A paternidade também comparece em P8 como
elemento associado à interrupção de padrões familiares relacionados ao alcoolismo: “G. [filho]
chegou, eu não bebo mais. Eu só bebo cerveja sem álcool. O G. não vai passar pelo que eu
passei”.
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Em P5 e P9, os movimentos de reconstrução se mostram relacionados a experiências
intensas de sofrimento psíquico. P5 descreve a tentativa de suicídio como marco de
reorganização da própria trajetória, afirmando posteriormente que “a pessoa não quer se matar;
ela quer se livrar daquela dor que está sentindo” e que “eu não estou vivo à toa”. Ele também
se define como “homem, machista em desconstrução”, reconhecendo simultaneamente a
permanência e a revisão de determinados padrões aprendidos. P9, por sua vez, descreve um
percurso de diferenciação a partir das próprias experiências familiares, relatando que “de duas
pessoas briguentas, eu escolhi a paz — de duas pessoas que se batem, eu escolhi apartar, de
duas pessoas que se xingam, eu escolhi a calmaria”. Também afirma que “a consciência foi
despertada de tanta frustração, tanta decepção, tanta agonia”, associando o processo de
mudança à necessidade de se diferenciar das experiências familiares que vivenciara.
Em P10, os movimentos de diferenciação aparecem associados à sexualidade, aos papéis
de gênero e às experiências de pertencimento. Ele descreve que “hoje eu não preciso mais
reafirmar isso o tempo todo”, referindo-se à relação com a própria masculinidade, e acrescenta
que “eu gosto de brincar com esses papéis de gênero”. Relata ainda que “a gente está no
processo de adoção”, indicando a construção de novas formas de parentalidade e cuidado. Ao
final da entrevista, descreve que “tem muitas coisas que confluíram pra eu estar bem assim
hoje”.
As narrativas indicam, portanto, que os participantes não descreveram as
masculinidades aprendidas na infância como experiências fixas ou imutáveis. Embora os
padrões familiares permanecessem presentes de diferentes formas, os relatos também
evidenciaram movimentos de revisão, questionamento e diferenciação frente às experiências
masculinas herdadas. Terapia, paternidade, relações afetivas, espiritualidade e experiências de
sofrimento apareceram, em diferentes trajetórias, associadas a processos de reorganização das
formas de viver e compreender a masculinidade.
DISCUSSÃO
Os resultados apresentados permitem compreender como 10 homens adultos que
vivenciaram experiências adversas na infância constroem significados sobre suas
masculinidades a partir de heranças familiares marcadas por ambivalência, repetição
transgeracional e movimentos graduais de diferenciação. A análise de suas narrativas revelou
que a masculinidade não foi aprendida como modelo coerente e estável, mas como campo de
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tensão no qual cuidado e violência, presença e ausência, identificação e rejeição coexistiram de
forma persistente. Esses achados dialogam com a literatura sobre experiências adversas na
infância, masculinidades e transmissão transgeracional, apontando para a complexidade dos
processos pelos quais os homens constroem sentidos sobre si mesmos a partir das relações
familiares em meio às quais cresceram.
A compreensão das masculinidades como configurações de práticas produzidas
historicamente em contextos relacionais específicos, conforme propõem Connell (2005) e
Connell e Messerschmidt (2013), encontra sustentação direta nos achados deste estudo. Em
nenhuma das narrativas analisadas a masculinidade emergiu como identidade singular ou como
herança linear; ao contrário, ela se mostrou como resultado de negociações contínuas entre
modelos contraditórios, expectativas relacionais não ditas e vínculos afetivos marcados por
sofrimento e ambivalência. Esse dado reforça a perspectiva de que as masculinidades não são
transmitidas como conteúdos explícitos, mas aprendidas nas práticas cotidianas das relações
familiares, nos gestos, nos silêncios, nas ausências e nas formas de lidar com o conflito e o afeto
que os homens ao redor dos participantes demonstravam, ou não conseguiam demonstrar. Para
Connell et al. (2005), as masculinidades são construções sociais continuamente negociadas nas
interações cotidianas, especialmente no interior das relações familiares, e as narrativas dos
participantes deste estudo ilustram esse processo com precisão, revelando homens que
cresceram imersos em masculinidades plurais, nenhuma delas suficientemente coerente para
oferecer uma referência estável.
Essa ambivalência nas referências masculinas encontra sustentação também na
perspectiva sistêmica e transgeracional. Para Bowen (1991), o desenvolvimento subjetivo
ocorre em permanente tensão entre pertencimento e diferenciação, tensão que se organiza
primeiramente no interior das relações familiares. As figuras masculinas descritas pelos
participantes, simultaneamente objetos de identificação e de rejeição, constituem o campo
relacional no qual essa tensão se instala desde a infância. O fato de nenhum participante ter
recebido um modelo masculino coerente e estável sugere que a ambivalência não foi um
acidente individual em cada trajetória, mas uma característica estrutural do campo familiar no
qual esses homens cresceram. Esse dado está em consonância com a compreensão de
Boszormenyi-Nagy e Spark (1983) sobre a família como sistema de lealdades e obrigações
relacionais que organizam a experiência subjetiva mesmo quando não são conscientemente
reconhecidas: os participantes cresceram vinculados a modelos masculinos que geravam
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sofrimento, mas dos quais não podiam simplesmente se desligar, porque esses modelos eram
também fonte de pertencimento, identidade e reconhecimento familiar.
A dimensão do alcoolismo, presente em praticamente todas as narrativas, merece
atenção específica nesse contexto. Em diferentes relatos, o álcool apareceu não apenas como
padrão comportamental individual, mas como organizador das dinâmicas familiares, associado
à imprevisibilidade afetiva, à deterioração dos vínculos e à deterioração das trajetórias
masculinas ao longo das gerações. Kalmakis e Chandler (2014) identificam a imprevisibilidade
como uma das dimensões mais nocivas das experiências adversas na infância, na medida em
que compromete os processos de vinculação e de regulação emocional que se desenvolvem nas
relações primárias. Felitti et al. (1998) também apontam que a convivência com alcoolismo
familiar constitui uma das experiências adversas com maior associação a desfechos negativos
ao longo do ciclo vital, dado que encontra ressonância direta nas trajetórias dos participantes
deste estudo, nas quais o alcoolismo esteve associado não apenas ao sofrimento imediato, mas
à transmissão transgeracional de padrões de ausência emocional, violência e instabilidade
relacional.
É precisamente nessa dimensão transgeracional que os achados deste estudo encontram
maior ressonância com a perspectiva de Boszormenyi-Nagy e Spark (1983). O conceito de
lealdades invisíveis, vínculos éticos e relacionais que conectam os membros de uma família ao
longo das gerações, organizando expectativas de pertencimento e obrigação relacional muitas
vezes de maneira não consciente, permite compreender por que determinados padrões
masculinos se reproduzem mesmo quando os próprios participantes os reconhecem como
geradores de sofrimento. Em diferentes narrativas, os participantes descreveram movimentos
simultâneos de reconhecimento, crítica e repetição dos padrões herdados, reproduzindo em suas
próprias relações formas de violência, distanciamento emocional ou autossuficiência que
haviam recebido de seus pais e avôs, mesmo sem a intenção consciente de fazê-lo.
Esse fenômeno é consistente com o que Boszormenyi-Nagy e Spark (1983) descrevem
como a força organizadora das lealdades invisíveis: não são as intenções conscientes que
determinam a transmissão, mas os vínculos de pertencimento e obrigação que operam abaixo
do limiar da consciência. A noção de diferenciação do self proposta por Bowen (1991)
complementa essa compreensão ao indicar que a interrupção desses padrões exige não apenas
o reconhecimento intelectual da herança recebida, mas um processo de construção de
autonomia emocional que permita ao sujeito se posicionar criticamente em relação a sua história
familiar sem romper os vínculos de pertencimento que sustentam sua identidade.
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Estudos recentes têm apontado que homens expostos a experiências adversas na infância
constroem frequentemente estratégias adaptativas associadas a dureza emocional,
hipervigilância relacional e silenciamento do sofrimento (Levell, 2020; Zaniewski et al., 2022).
Os achados deste estudo confirmam esse padrão, mas acrescentam uma dimensão que a
literatura nem sempre contempla com a mesma ênfase: a consciência dos participantes sobre
esses padrões e os esforços ativos de transformação que muitos deles empreenderam ao longo
da vida adulta. Nesse sentido, os resultados dialogam com Callaghan et al. (2025), para quem
homens expostos a contextos familiares violentos ou negligentes não reproduzem tais
experiências de maneira linear ou automática, desenvolvendo com frequência movimentos
ambivalentes de identificação, crítica, resistência e reelaboração das referências masculinas
aprendidas. As trajetórias de P3 e P7, que buscaram terapia justamente para interromper uma
cadeia de violência que atravessava gerações, ou a de P8, que abandonou o álcool com a
chegada do filho, ou ainda a de P9, que construiu um caminho de diferenciação radical a partir
de escolhas deliberadas e solitárias, são exemplos que ilustram essa capacidade de agência
mesmo diante de heranças densas e persistentes.
Nesse processo de diferenciação, foram vários os recursos e experiências que
apareceram nas narrativas como elementos organizadores da transformação. A terapia, a
paternidade, a espiritualidade, o sofrimento psíquico intenso e as relações afetivas significativas
foram mencionados pelos participantes como marcos que precipitaram ou sustentaram os
movimentos de revisão das masculinidades herdadas. Essa diversidade de caminhos é coerente
com a perspectiva de Bowen (1991), segundo a qual a diferenciação do self não segue um
percurso único ou previsível, mas se organiza a partir das condições relacionais e subjetivas
específicas de cada trajetória. Bianchi e Kublikowski (2022) e Bianchi (2026) reforçam essa
perspectiva ao compreenderem a família como sistema de relações de afeto e pertencimento
que se perpetua ao longo do tempo, assegurando a seus membros não apenas sobrevivência
biopsicossocial, mas também condições para transformação quando os sujeitos encontram
recursos para se posicionar reflexivamente diante da herança recebida.
É nesse ponto que se torna particularmente relevante a contribuição de hooks (2025),
ao argumentar que a cultura patriarcal impõe aos homens, desde a infância, a supressão da
vulnerabilidade, do afeto e da necessidade de cuidado como condições de pertencimento ao
universo masculino. Esse processo de supressão, aprendido nas relações familiares, reforçado
nas interações sociais e naturalizado como atributo da masculinidade, é exatamente o que as
narrativas dos participantes revelam: homens que cresceram em ambientes nos quais o afeto
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masculino era escasso, contraditório ou condicionado e que precisaram, ao longo da vida adulta,
aprender a reconhecer e a nomear necessidades emocionais que foram sistematicamente
silenciadas em sua formação. Para hooks (2025), a transformação dessa condição não passa
pela negação da masculinidade, mas pela construção de formas de ser homem nas quais o amor,
o cuidado e a vulnerabilidade possam ser vividos sem ameaça à identidade, o que, em diferentes
graus e formas, é exatamente o projeto que os participantes do presente estudo descrevem estar
construindo em suas vidas.
Os achados apontam, portanto, a necessidade de compreender a construção das
masculinidades em contextos adversos como processo simultâneo de transmissão e
transformação. As heranças familiares não determinam linearmente as identidades masculinas,
mas constituem o campo de tensão a partir do qual cada sujeito constrói, com os recursos
disponíveis em sua trajetória, formas próprias de ser homem. Essa compreensão tem
implicações relevantes para a prática clínica em psicologia, especialmente no trabalho com
homens que buscam elaborar experiências adversas da infância e ressignificar as referências
masculinas que receberam, abrindo espaço para masculinidades mais afetivas, reflexivas e
capazes de sustentar vínculos sem recorrer à violência, ao distanciamento ou ao silenciamento
do sofrimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este estudo, buscou-se compreender o impacto dos padrões transgeracionais na
construção de significados atribuídos às masculinidades por homens adultos que vivenciaram
experiências adversas na infância. Os achados evidenciaram que a masculinidade foi aprendida
em contextos marcados por ambivalência afetiva, repetição transgeracional e movimentos
graduais de diferenciação, processos estes que se mostraram profundamente interligados e que
não podem ser compreendidos de forma isolada.
A análise das narrativas indicou que as experiências adversas na infância não
determinam linearmente as identidades masculinas, mas constituem o campo relacional a partir
do qual cada sujeito constrói, com os recursos disponíveis em sua trajetória, formas próprias de
significar e viver a masculinidade. Alcoolismo, violência, ausência emocional e rigidez afetiva
apareceram como padrões transmitidos entre gerações, mas também como experiências que,
quando elaboradas reflexivamente, puderam se tornar ponto de partida para movimentos de
transformação e diferenciação.
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Estes achados têm implicações relevantes para a prática clínica em psicologia. O
trabalho com homens que vivenciaram experiências adversas na infância requer atenção às
heranças transgeracionais que organizam silenciosamente suas formas de se relacionar, exercer
autoridade e lidar com o sofrimento, dimensões que frequentemente não chegam nomeadas à
clínica, mas que se manifestam nas dificuldades relacionais, na rigidez afetiva e no
silenciamento da vulnerabilidade. Compreender esses padrões como produtos de transmissões
familiares, e não como falhas individuais, abre espaço para intervenções mais sensíveis e
eficazes.
Como limitação, tem-se o fato de que a amostra se compôs exclusivamente de homens
cisgênero brasileiros, com predominância de participantes brancos e com ensino superior, o que
restringe o alcance dos resultados. Por outro lado, os processos descritos neste estudo podem
contribuir para a construção de espaços clínicos de reflexividade acerca das identidades
masculinas e dos modos como elas são produzidas ao longo das trajetórias familiares. Estudos
futuros poderão investigar as especificidades das masculinidades em contextos de maior
vulnerabilidade social. A inclusão de perspectivas interseccionais, articulando gênero, cor/etnia
e classe, poderá enriquecer significativamente a compreensão dos processos de transmissão e
transformação das masculinidades em contextos adversos.
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D a ni el a P u p o B ar b os a Bi a n c hi & I d a K u bli k o ws ki
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 2 4 , 2 0 2 6. e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 7 3 2 5
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : N ã o .
Fi n a n ci a m e nt o : Est e tr a b al h o f oi r e ali z a d o c o m a p oi o d a C o or d e n a ç ã o d e
A p erf ei ç o a m e nt o d e P ess o al d e Ní v el S u p eri or – Br asil ( C A P E S).
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á c o nflit o s d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : O tr a b al h o p ass o u p or C o mit ê d e Éti c a d e P es q uis a vi n c ul a d o à P U C -S P .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : Os d a d os e m at eri ais utili z a d os n o tr a b al h o n ã o est ã o
dis p o ní v eis p ar a a c ess o , p or s e tr at ar d e e ntr e vist as c o m c ar át er si gil os o, o b e d e c e n d o a o
C o mit ê d e Éti c a p ar a P es q uis a . A t es e c o m pl et a est ar á dis p o ní v el n o sit e d a P U C -S P a p artir
d e 2 0 2 7.
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : As c o ntri b ui ç õ es s ã o si mil ar es.
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 1
FROM REPRODUCTION TO REFLECTION: MASCULINITIES AND ADVERSE
FAMILY LEGACIES
DA REPRODUÇÃO À REFLEXÃO: MASCULINIDADES E HERANÇAS FAMILIARES
ADVERSAS
DE LA REPRODUCCIÓN A LA REFLEXIÓN: MASCULINIDADES Y LEGADOS
FAMILIARES ADVERSOS
Daniela Pupo Barbosa BIANCHI
1
e-mail: daniela@cocriarpsicologia.net
Ida KUBLIKOWSKI
2
e-mail: idaku[email protected]
How to reference this paper:
Bianchi, D. P. B., & Kublikowski, I. (2026). From
reproduction to reflection: masculinities and adverse family
legacies. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026024.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21473
| Submitted: 15/04/2026
| Revisions required: 23/04/2026
| Approved: 04/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in Clinical
Psychology.
2
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brazil. Professor in the
Graduate Program in Clinical Psychology.
From reproduction to reflection: masculinities and adverse family legacies
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 2
ABSTRACT: This qualitative study analyzed the impact of transgenerational patterns on the
construction of meanings attributed to masculinities by cisgender adult men who experienced
adverse childhood experiences. Data from individual semi-structured interviews and genograms
were subjected to reflexive thematic analysis, yielding three themes: ambivalent masculine legacies;
invisible loyalties and transgenerational repetition; and differentiation, rupture, and reflexive
reconstruction. Masculinity was learned in contexts of emotional ambivalence, violence, parental
alcoholism, and emotional absence, transmitted nonlinearly across generations. Male family figures
simultaneously represented sources of care and suffering, shaping experiences of identification,
rejection, and ambivalence. Therapy, fatherhood, spirituality, and psychological distress prompted
processes of questioning, differentiation, and reconstruction in relation to inherited masculine
references. Adverse family experiences do not linearly determine masculine identity but constitute
a relational field in which each individual, using available resources, constructs personal and
singular ways of understanding and living masculinity.
KEYWORDS: Masculinities. Adverse childhood experiences. Transgenerational transmission.
RESUMO: Este estudo qualitativo analisou o impacto de padrões transgeracionais na construção
de significados atribuídos às masculinidades por homens adultos cisgênero que vivenciaram
experiências adversas na infância. Dados de entrevistas semiestruturadas individuais e
genogramas foram submetidos à análise temática reflexiva, da qual emergiram três temas:
heranças masculinas ambivalentes; lealdades invisíveis e repetição transgeracional; e
diferenciação, ruptura e reconstrução reflexiva. A masculinidade foi aprendida em contextos de
ambivalência afetiva, violência, alcoolismo parental e ausência emocional, transmitidos de forma
não linear entre gerações. Figuras masculinas familiares apareceram simultaneamente como
fontes de cuidado e sofrimento, organizando experiências de identificação, rejeição e
ambivalência. Terapia, paternidade, espiritualidade e sofrimento psíquico mobilizaram
movimentos de questionamento, diferenciação e reconstrução diante das referências masculinas
herdadas. As experiências adversas familiares não determinam linearmente a identidade
masculina, mas constituem um campo relacional no qual cada sujeito constrói, com os recursos
disponíveis, formas próprias e singulares de significar e viver a masculinidade.
PALAVRAS-CHAVE: Masculinidades. Experiências adversas na infância. Transmissão
transgeracional.
RESUMEN: Este estudio cualitativo analizó el impacto de los patrones transgeneracionales en la
construcción de significados atribuidos a las masculinidades por hombres adultos cisgénero que
vivieron experiencias adversas durante la infancia. Los datos de entrevistas semiestructuradas
individuales y genogramas fueron sometidos a un análisis temático reflexivo, del que surgieron tres
temas: herencias masculinas ambivalentes; lealtades invisibles y repetición transgeneracional; y
diferenciación, ruptura y reconstrucción reflexiva. La masculinidad fue aprendida en contextos de
ambivalencia afectiva, violencia, alcoholismo parental y ausencia emocional, transmitidos de
forma no lineal entre generaciones. Las figuras masculinas familiares aparecieron
simultáneamente como fuentes de cuidado y sufrimiento, configurando experiencias de
identificación, rechazo y ambivalencia. La terapia, la paternidad, la espiritualidad y el sufrimiento
psíquico movilizaron procesos de cuestionamiento, diferenciación y reconstrucción frente a las
referencias masculinas heredadas. Las experiencias familiares adversas no determinan linealmente
la identidad masculina, sino que constituyen un campo relacional en el que cada sujeto construye
formas propias y singulares de significar y vivir la masculinidad.
PALABRAS CLAVE: Masculinidades. Experiencias adversas en la infancia. Transmisión
transgeneracional.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCTION
Adverse childhood experiences have been widely associated with impairments in
emotional, relational, and psychosocial development throughout the life cycle. Felitti et al.
(1998) demonstrated that experiences related to violence, neglect, abuse, family alcoholism,
parental psychological distress, and relational instability are significantly associated with
different negative physical and mental health outcomes in adulthood. Since then, different
studies have indicated that such experiences may influence attachment processes, emotional
regulation, and relational organization, as well as the coping strategies developed during
childhood and adolescence (Andrade et al., 2022; Kalmakis & Chandler, 2014; Kublikowski &
Bianchi, 2025).
Understanding adverse childhood experiences requires considering the family not only
as a biological nucleus or normative structure, but also as a relational field in which belonging,
bonds, beliefs, silences, and forms of subjectivation are organized. Bianchi and Kublikowski
(2022) view the family as a system of relationships of affection and belonging that perpetuates
itself over time and seeks to ensure the biopsychosocial survival of its members. This
perspective makes it possible to understand that relational patterns, ways of bonding,
expectations, and forms of emotional organization may traverse different family generations,
contributing to the maintenance of continuity and homeostasis within the family field (Bianchi,
2026). Experiences related to violence, alcoholism, emotional neglect, and affective rigidity
can be understood not only as isolated events, but also as phenomena embedded in broader
relational and transgenerational dynamics.
Different authors from systemic and transgenerational perspectives (Boszormenyi-Nagy
& Spark, 1983; Bowen, 1991) emphasize that families transmit not only histories and bonds of
belonging, but also forms of emotional management, relational expectations, beliefs, and modes
of family functioning that influence the subjective experience of their members. For Bowen
(1991), human development occurs in a permanent tension between belonging and
differentiation, so that individuals simultaneously seek to preserve family bonds and construct
emotional autonomy. The notion of differentiation of self refers precisely to the capacity to
maintain relative emotional and intellectual autonomy without severing affective bonds,
allowing individuals to critically recognize family patterns without reproducing them
automatically.
In addition to this perspective, Boszormenyi-Nagy and Spark (1983) propose the
concept of ‘invisible loyalties,’ which refers to ethical, emotional, and relational bonds that
From reproduction to reflection: masculinities and adverse family legacies
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 4
connect family members across generations, organizing expectations of belonging, reciprocity,
commitment, and relational obligation, often in an unconscious or unspoken manner. In this
sense, certain forms of masculinity, emotional patterns, and ways of relating may be transmitted
across generations not only through conscious identification, but also through bonds of loyalty
and relational obligation that remain active even in the face of family experiences marked by
suffering, violence, or affective ambivalence.
The forms of masculinity constructed throughout childhood and adolescence are also
organized within this relational field. More than explicit discourses about what it means to ‘be
a man,’ boys learn forms of emotional expression, ways of managing conflicts, modes of
bonding, and strategies of belonging through the family and social relationships they experience
(Connell, 2005; Connell et al., 2005). In contexts marked by violence, neglect, affective
silencing, and relational rigidity, certain masculine practices may be transmitted and naturalized
across generations, constituting significant references for the construction of masculine identity
(Levell, 2020; Zaniewski et al., 2022; hooks
3
, 2025).
In the field of masculinity studies, Connell (2005) proposes understanding masculinities
as configurations of practices historically produced in specific social contexts and permeated
by relations of power, belonging, and recognition. This perspective departs from essentialist
understandings of masculinity by recognizing the existence of multiple masculinities organized
dynamically and relationally. In dialogue with this approach, Connell et al. (2005) emphasize
that masculinities are social constructions continuously negotiated in everyday interactions,
especially within family, community, and cultural relationships.
Connell and Messerschmidt (2013) deepen this argument by proposing that hegemonic
masculinity is not a fixed character type, but a configuration of practices that legitimizes certain
positions of power and subordinates other forms of masculinity, varying according to historical
and cultural contexts. Thus, adverse family experiences not only produce emotional suffering,
but may also participate in the constitution of specific forms of masculinity related to emotional
control, affective rigidity, self-sufficiency, and difficulty recognizing vulnerability.
hooks (2025) offers a fundamental contribution to the field of masculinity studies by
arguing that patriarchal culture imposes on men, from childhood onward, the suppression of
vulnerability, affection, and the need for care as a condition for belonging to the male world.
She considers that the central problem is not limited to the social structures that organize power
relations between men and women, but also includes the way men themselves are taught from
3
The lowercase spelling advocated by bell hooks for her name was respected in this article.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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an early age to deny essential aspects of their emotional lives, learning that loving, needing
care, or showing fragility represent threats to masculine identity. This process of emotional
suppression, learned within family relationships and reinforced through social interactions, not
only generates psychological suffering, but also compromises the capacity to build consistent
affective bonds and to recognize one’s own vulnerability as a constitutive part of human
experience. Transforming this situation, according to hooks (2025), requires men to be able to
name and elaborate the ways in which they learned to suppress affection, a process that
necessarily involves critically reviewing the masculine references received within the family.
Recent studies have indicated that men exposed to adverse childhood experiences often
construct adaptive strategies associated with emotional toughness, relational hypervigilance,
affective control, and silencing of suffering (Levell, 2020; Zaniewski et al., 2022). In many
cases, such strategies appear linked to socially valued forms of male belonging and recognition,
even though they produce psychological suffering and relational difficulties throughout adult
life. At the same time, qualitative studies indicate that men exposed to violent or neglectful
family contexts do not reproduce such experiences in a linear or automatic manner, often
developing ambivalent movements of identification, criticism, resistance, and re-elaboration of
the masculine references learned within the family context (Callaghan et al., 2025).
The present investigation arose from our observation that, despite the growth of research
on adverse childhood experiences and masculinities, qualitative Brazilian studies focused on
understanding the articulations among adverse family experiences, transgenerational
transmission, and the construction of masculinity in adult men remain scarce. Thus, this study
aimed to investigate the impact of transgenerational patterns on the construction of meanings
attributed to masculinities by cisgender adult men who experienced adverse childhood
experiences.
METHOD
A qualitative approach was adopted for the study, as it is appropriate for understanding
phenomena in their contexts in order to investigate how individuals attribute meanings to lived
experiences (Denzin & Lincoln, 2005). It is assumed that the perspective adopted by the
researcher is articulated with the empirical material in a process of co-construction that sustains
the researcher’s subjectivity and excludes the possibility of a completely neutral and objective
stance. In this sense, a narrative approach was adopted, understanding the self as a storyteller
From reproduction to reflection: masculinities and adverse family legacies
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who, by narrating experience, organizes it into identity and, through the meanings attributed to
one’s own actions, enables self-understanding and openness to the other (Kublikowski, 2023).
Participants
Ten Brazilian adult men selected intentionally, according to the assumptions of
qualitative sampling (Yin, 2015), participated in the study.
The age range adopted considered that biological and psychosocial maturity tends to
become more consolidated from the age of 30 onward (Rodrigues & Kublikowski, 2014). The
upper limit of 59 years was defined in accordance with the World Health Organization
classification for the beginning of old age and with current Brazilian legislation, particularly
the National Policy for Older Adults (Brasil, 1994) and the Statute of the Older Person (Brasil,
2003), which establish 60 years as the legal threshold for being considered an older person.
Individuals were considered eligible if they were Brazilian nationals aged 30 to 59 years,
self-identified as cisgender men, and reported significant family experiences related to the
construction of their masculinities, including adverse experiences occurring within the family
context during childhood and adolescence, regardless of marital status and sexual orientation.
Individuals who did not meet at least one of these criteria were excluded.
The invitation for voluntary participation was disseminated within the researcher’s
contact network through direct approach and referrals by acquaintances, a strategy that made it
possible to access participants compatible with the criteria established for the study.
The participants, aged 31 to 53 years, had a high level of education and presented
diversity in color/ethnicity, sexual orientation, marital status, and profession (Table 1), a
spectrum relevant to broadening the experiential heterogeneity of the sample and favoring the
inclusion of different perspectives on masculinities, family relationships, and transgenerational
trajectories in the context investigated.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Table 1.
Sociodemographic characteristics of participants
Participant
Age
Race/ethnicity
Marital
status
Education
Field of work
Children
Sexual
orientation
P1
39
White
Married
Complete higher
education
Health
No
Heterosexual
P2
53
White
Divorced
Complete higher
education
Technology
No
Heterosexual
P3
38
White
Stable union
Complete higher
education
Legal
No
Heterosexual
P4
38
White
Married
Postgraduate
Economics
No
Heterosexual
P5
44
Black
Married
Complete higher
education
Administrative
No
Heterosexual
P6
51
White
Married
Postgraduate
Design
No
Homosexual
P7
39
White
Married
Postgraduate
Finance
Yes
Heterosexual
P8
48
White
Married
Postgraduate
Health
Yes
Homosexual
P9
32
Brown
Separated
Complete high
school
Transportation
No
Heterosexual
P10
31
Black
Married
Doctoral student
Academic
No
Homosexual
Note. Research data.
Semi-structured interview
The semi-structured interview was chosen as the main data collection strategy. This type
of interview is characterized by the use of open-ended questions and by its conversational and
relational nature, favoring participants’ free expression and the emergence of unexpected and
meaningful content for the investigation (Kvale, 1996). Although participants were free to
develop the topics addressed, the interview was conducted in a way that sought to ensure that
the topics relevant to the research objectives were covered.
Considering that issues related to gender norms can influence both male adherence to
research and the depth of the responses offered (Souza, 2022), an effort was made to provide a
welcoming and empathetic environment that fostered trust, emotional openness, and the sharing
of more intimate experiences. Thus, the semi-structured interview made it possible not only to
access participants’ individual experiences, but also to understand the ways in which they
constructed meanings about masculinity, family bonds, emotional suffering, and life
trajectories.
Genogram
The genogram is defined by Krüger and Werlang (2008) as a graphic representation of
family life that enables an approach to symbolic legacies transmitted and transformed within
From reproduction to reflection: masculinities and adverse family legacies
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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families. The instrument has become established as a resource in qualitative research for
investigating relational patterns, repetitions, bonds, ruptures, and forms of transgenerational
organization.
In the context of this research, the genogram was used as an auxiliary instrument for
organizing the transgenerational information present in the interviews, contributing to the
identification of family patterns related to masculinities.
Reflexive thematic analysis
For data analysis, reflexive thematic analysis, as proposed by Braun and Clarke (2006,
2016), was adopted. The method is oriented toward identifying, analyzing, and interpreting
patterns of meaning (themes) within a qualitative data set, recognizing the researcher’s active
and situated role in constructing these patterns. Unlike approaches that conceive themes as
latent structures preexisting in the data, reflexive thematic analysis understands themes as
products of an interpretive process shaped by the theoretical framework, research objectives,
and the researcher’s epistemological positioning (Braun & Clarke, 2006, 2016). This
perspective proved especially appropriate for the objectives of this study, which focused on
understanding transgenerational patterns of masculinity in adverse family contexts.
The analytical process followed the phases proposed by Braun and Clarke (2006) in a
recursive and nonlinear manner. The interviews were fully transcribed and subjected to repeated
readings, constituting the familiarization stage. Initial codes were then generated from the
narratives and progressively grouped into candidate themes, which were reviewed for internal
coherence and distinction from one another, and subsequently defined and named. The
analytical report was produced by articulating the themes with one another and with the research
question. In this study, each interview was analyzed together with its corresponding genogram,
which made it possible to visualize and organize transgenerational information present in the
narratives, repetitions of relational patterns, affective bonds, and male models transmitted
across generations (McGoldrick et al., 2012). This articulation between the two instruments
enriched the coding process and contributed to theme construction.
The researcher’s reflexivity was present throughout all phases of the analytical process.
The meanings gathered in the analysis are understood as co-constituted among the data, the
study objectives, the theoretical framework, and the researcher’s positioning, a dimension that
does not represent a bias to be eliminated, but a constitutive condition of qualitative research
that must be made explicit and rigorously considered (Braun & Clarke, 2006). The analytical
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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process included auxiliary support from the ChatGPT tool (GPT-4, OpenAI), used in a strictly
delimited manner during the initial organization of the data and preliminary code generation.
All material produced with the support of the tool was systematically reviewed and
reinterpreted by the researcher, while epistemological responsibility for theme construction,
data interpretation, and meaning production remained entirely with her (Turobov et al., 2024).
PROCEDURES AND ETHICAL CONSIDERATIONS
Ethical procedures followed the guidelines established in Law No. 14,874/2024 (Brasil,
2024), ensuring secrecy, confidentiality, and protection of the information shared. This article
is part of a broader investigation approved by the Research Ethics Committee of the Pontifical
Catholic University of São Paulo (opinion No. 7,668,502, dated June 26, 2025), whose data
were collected in a unified manner together with the other studies that make up the first author’s
doctoral thesis.
RESULTS
The joint analysis of the interviews and genograms made it possible to identify recurring
patterns related to masculine experiences constructed throughout the participants’ family
trajectories. The narratives revealed that masculinity was frequently learned in contexts marked
by affective ambivalence, emotional rigidity, violence, lack of emotional support, and
contradictory models of masculinity. The genograms contributed to visualizing and organizing
the transgenerational information present in the interviews, allowing the identification of
repetitions of relational patterns, affective bonds, and male models transmitted across family
generations (McGoldrick et al., 2012). At the same time, the accounts revealed movements of
reflection, differentiation, and critical review of these family legacies in adulthood.
The themes presented below were not understood as fixed or universal categories, but
as interpretive nuclei generated from recurrences, tensions, and shared meanings within the
participants’ narratives, in accordance with Braun and Clarke (2006), who state that themes
represent relevant patterns of meaning in relation to the research question and are generated
through an active and reflexive process of data interpretation.
The analysis enabled the emergence of three main themes: (1) ambivalent masculine
legacies; (2) invisible loyalties and transgenerational repetition; and (3) differentiation, rupture,
and reflective reconstruction. Although presented separately for analytical purposes, the themes
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were deeply interconnected, composing dynamic subjective processes related to adverse
childhood experiences, family transmission of male models, and ways of elaborating
masculinity.
Ambivalent masculine legacies
The participants’ narratives showed that their first references of masculinity were
constructed in contexts marked by affective ambivalence, relational instability, and
contradictions in family male models. Fathers, grandfathers, stepfathers, and other male figures
appeared simultaneously associated with protection, responsibility, work, and care, but also
with violence, alcoholism, emotional absence, affective rigidity, and unpredictability. In the
accounts, admiration, resentment, identification, and rejection coexisted in an intertwined
manner, composing masculine experiences marked by persistent affective tensions.
In different narratives, family male figures appeared simultaneously as sources of care
and suffering. P1 describes having been “introduced to different masculinities,” recognizing
contradictory references between father and grandfather. While the father offered him the
possibility of an affectionate masculinity: “My father allowed me to be an affectionate man ...
a man does not need to be rude,” the grandfather represented a model associated with traditional
virility and male infidelity: “A man was supposed to be naughty, a man was supposed to be a
womanizer.” The ambivalence is summarized when the participant describes the grandfather as
“an excellent grandfather” and, at the same time, “a terrible husband.”
The coexistence of affective presence and emotional absence also permeated different
accounts. P3 describes a family environment marked by adult fragility: “I look around and I
don’t see safety anywhere,” but reports occasional encounters of intense affection with his
father: “Every time we met, he was very affectionate.” The expectation surrounding the father’s
arrival reveals a masculine experience constructed between momentary affection and structural
absence. Similarly, P4 describes his father as someone he deeply admired: “My father was a
guy I wanted to be,” while simultaneously associating him with alcoholism, instability, and the
inability to sustain bonds: “My father never finished anything he started; including, he never
finished being a father.” P4 also describes an intense but unpredictable father figure: “When he
was there, he was an omnipresent figure, but many times he was not there.”
P5’s narrative reveals experiences marked by paternal absence and coexistence with
contradictory male models: “I was basically raised without my father’s presence. My father
abandoned my mother when I was a baby and even tried to kill me.” At the same time, he
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describes his grandfather as an affectionate figure, but also associated with naturalized sexist
practices: “My grandfather was much more affectionate, but looking at it through the lens of
masculinity, he was the typical shameless old man.” The coexistence of care, domination, and
violence appears recurrently in the narrative.
P6 describes family masculinity as marked by emotional disorganization and paternal
alcoholism: “I realized how toxic most of the masculinities around me were,” describing a
father who “went into heavier alcoholism” and who “could not demonstrate affection in an
affectionate way.” The narrative suggests that the father’s physical presence coexisted with
significant difficulties in affective expression and emotional care.
P7 describes masculine experiences strongly associated with violence and
aggressiveness inherited as positive references. He reports growing up hearing stories about his
father’s fights: “My father always told stories from when he was a teenager, when he was young
and such, only fights; I thought that was amazing.” The paternal great-grandfather appears as
an extreme figure within this legacy, a man who had killed people, whose stories the father told
“in a certain way, with pride.” Throughout the interview, P7 recognizes having incorporated
these values from an early age, describing a trajectory marked by recurrent episodes of violence
that he considered natural, but only later began to question.
The fragmentation of masculine references also appeared as a recurring element. “I have
three fathers: my father, my godfather, and my stepfather, but if you add them all up, they still
don’t make one,” says P8, describing male figures perceived as insufficient and emotionally
incomplete. In P9, ambivalence is condensed in a metaphor he himself constructed: “I was
generated by a wolf and a snake.” The father is described simultaneously as protective and
threatening: “My father was extremely angry. He was protective, but he was rigid.” The account
associates masculinity, care, and fear within the same relational experience.
Finally, P10 describes an experience marked by contradictions between sensitivity and
rigidity within family male models. He states that his father “was a very sensitive person, he
was the man who cried; he was an empathetic person,” but also reproduced discourses
associated with traditional masculinity, saying that “men don’t cry.”
The narratives therefore indicate that participants learned forms of masculinity in
contexts in which care and violence, protection and fear, presence and absence were frequently
associated. Rather than stable and coherent male models, the accounts describe experiences
marked by contradictions, fragmentations, and affective ambiguities that traversed different
family generations.
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Invisible loyalties and transgenerational repetition
The narratives revealed the recurrent presence of masculine patterns transmitted across
generations, especially those related to alcoholism, violence, affective absence, and emotional
distancing. In many accounts, fathers, grandfathers, and other men in the family reproduced
similar ways of dealing with suffering, authority, affection, and conflict, suggesting family
continuities that crossed different generations. Participants frequently demonstrated recognition
of these repetitions throughout their histories, although at different levels of awareness and
elaboration.
Alcoholism constituted the most recurrent pattern in the narratives, but its presence
assumed different forms according to each family trajectory. In some cases, it was possible to
identify an explicit chain of transmission across generations. P4 describes that his grandfather
and father shared the same pattern: “He and my father had the same alcoholism problem,”
directly associating the deterioration of the family’s male trajectories with alcohol use across
generations. In P6, the paternal grandfather and father drank simultaneously in the same house:
the father “sometimes at nine-thirty in the morning, already had a caipirinha in his hand,” while
the grandfather “would go drink at a bar nearby or buy a bottle of cachaça and hide it,” revealing
that the pattern crossed two male generations within the same domestic space. P10’s paternal
grandfather “also had problems with alcohol” and died young. The father followed a similar
trajectory, abusing alcohol and also dying prematurely.
In the other participants, alcoholism did not constitute a direct chain of transmission,
but appeared as a persistent adverse experience that organized suffering and subjectivity from
childhood onward. P1 grew up living with his maternal grandfather’s alcoholism, who “drank,
crashed the car, put himself in risky situations,” generating a domestic atmosphere of tension
and unpredictability. P8 describes that “for a long time, the word that made me start crying was
‘last round,’” because his father remained for long periods at the bar, and that “there wasn’t
money for several other things, but there was never a shortage of money for drinking”—a
synthesis of a childhood marked by the centrality of alcohol in family organization. P9 reports
that “my uncle drank so much, so much, that he died of cirrhosis,” associating alcoholism with
the rigidity of his maternal grandparents and the mental health problems that spread through
the family: “These are mental situations that I think were very much part of how my
grandmother and grandfather treated them—anyway, the cycle.” In none of these cases did the
participants reproduce the pattern of alcoholism in their own lives, but all carried the marks of
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living with it, especially the affective unpredictability, emotional absence, and relational
instability produced by abusive alcohol use in male reference figures.
The transmission of violent patterns of dealing with conflict and exercising authority
presented a more explicit and direct intergenerational chain. P3 describes a genealogy of
violence that goes back to his great-grandfather: “His father beat him, humiliated him, and he
did that to my father,” revealing how aggressiveness and humiliation were transmitted from
generation to generation, although transformed over time: P3’s father did not reproduce the
physical violence he had received, but P3 recognizes that he inherited dysfunctional relational
patterns that manifest more subtly in his affective relationships, which he actively seeks to
change: “I don’t want to be that human being who does this to the person he loves most.”
In P7, the chain of violence is more direct and extensive. The maternal grandfather was
a severe alcoholic and violent, “drank about three liters of cachaça a day” and “was arrested
twice, once for beating my grandmother.” The father reproduced patterns of physical
aggressiveness with his children. P7, in turn, recognizes having reproduced these patterns in his
affective relationships: “I have committed a lot of psychological violence” and even defended
violent practices in childrearing: “You have to give a few slaps, you have to hit them, because
sometimes they become unbearable.” Awareness of this chain was what motivated him to seek
therapy, “precisely to try to break this chain that has been dragging on in my family for a long
time, the violence against children.” This participant was the one who most explicitly named
transgenerational transmission as a problem to be interrupted.
In some narratives, transgenerational repetition was associated less with explicit
violence or alcoholism and more with the transmission of forms of loneliness, self-sufficiency,
and emotional distancing. P2 identifies this movement directly when stating that “the pattern
repeats itself” and that “the strongest masculine legacy is rowing alone,” recognizing that he
ended up reproducing his father’s mode of functioning: “I ended up rowing like him, like,
alone.” In P6, the father’s emotional absence produced a family environment in which the
mother assumed all responsibilities, while the father became functionally absent: “My mother
taking care of the house, everyone, responsible for bringing in the money, organizing the
finances, putting the house in order, and my father sometimes working, sometimes not working,
drinking in this more disorganizing dynamic.” P6 recognizes having inherited from this
environment a tendency toward excessive self-sufficiency that he later needed to learn to
question.
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The narratives also revealed repetitions related to paternal absence and difficulty
sustaining family bonds across generations. P3 describes a chain of relational instability: “My
parents separated when I was four, I had stepfathers, she stayed with my first stepfather until I
was eleven, and then she already got into another one. But all these relationships were
relationships that were not healthy,” adding that “my mother had three marriages and had a
child with each one,” revealing that the difficulty of sustaining consistent affective bonds
repeated from generation to generation without any male figure managing to interrupt the
pattern. In P5, paternal absence became inscribed in everyday life in concrete and lasting ways:
“He didn’t show up on my birthday, much less with the bicycle, so much so that I still don’t
ride a bicycle today.” P9 describes perceiving in himself elements associated with the father
figure, especially related to emotional explosiveness: “I was explosive and that scared me a
lot,” recognizing that the rigidity inherited from the family environment had become installed
in him before he was able to name it.
The narratives therefore indicate that transgenerational patterns are not reproduced in a
linear or identical manner across generations. They transform, shift, and assume new forms, but
maintain an underlying continuity that silently organizes participants’ relational and affective
experiences. Alcoholism, violence, emotional absence, and self-sufficiency appeared as
recurring elements of these family transmissions, although taking different configurations in
each trajectory.
Differentiation, rupture, and reflective reconstruction
Despite the consistent presence of transgenerational patterns related to violence,
alcoholism, emotional absence, and affective rigidity, the narratives also revealed movements
of questioning, differentiation, and reconstruction in relation to the masculinities learned
throughout childhood and adolescence. These movements appeared in different forms among
participants, involving gradual processes of reviewing behaviors, affective relationships, ways
of caring, and ways of understanding what it means to be a man.
In different accounts, differentiation appeared associated with the need to interrupt
patterns perceived as producing suffering. P1 describes that “I needed to distance myself in
order to get closer again,” referring to temporary distancing from parental figures as part of
reorganizing family relationships. He also reports having sat “with each one separately to
forgive them and ask for forgiveness,” and states that “spirituality helps me construct an
identity, a meaning, a sense of why I live.” In P2, the movement of change appears more
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gradual, related to the attempt to make more flexible forms of functioning marked by self-
sufficiency and isolation: “I started molding myself, opening up more; I wanted to get closer to
people.”
The narratives also revealed that awareness of inherited patterns did not necessarily
mean immediate interruption of these behaviors. P3 declares: “I don’t want to be that human
being who does this to the person he loves most,” while at the same time recognizing difficulties
in modifying certain emotional and relational reactions. P4, in turn, describes a continuous
process of review, stating that “I want to discover who I am” and that “if someone convinces
me that I’m wrong, I change my mind,” indicating openness to revising consolidated positions.
Similarly, P6 describes that, despite his efforts to differentiate himself from family models, “if
I go on automatic, it catches me,” but also reports concrete movements of change, such as
“being less self-sufficient all the time” and “counting on and accepting help from other people.”
He defines masculinity as “an exercise that I am always doing.”
In several accounts, therapy was associated with processes of reviewing family
masculine experiences. P7 states that the main reason he sought therapy was “precisely to
understand my position in this relationship that I’m going to have with L. [daughter].” The birth
of his daughter also appears as an important milestone in his process of reviewing his own
masculine references, especially regarding forms of authority and care. He began to question
“what kind of male presence I want to have,” differentiating between “the guy who commands
respect” and “the guy who instills fear.” Fatherhood also appears in P8 as an element associated
with interrupting family patterns related to alcoholism: “G. [son] arrived, I don’t drink anymore.
I only drink non-alcoholic beer. G. is not going to go through what I went through.”
In P5 and P9, movements of reconstruction appear related to intense experiences of
psychological suffering. P5 describes the suicide attempt as a milestone in reorganizing his own
trajectory, later stating that “the person does not want to kill themselves; they want to get rid of
the pain they are feeling” and that “I am not alive for nothing.” He also defines himself as a
“man, sexist in deconstruction,” recognizing simultaneously the persistence and revision of
certain learned patterns. P9, in turn, describes a path of differentiation from his own family
experiences, reporting that “from two quarrelsome people, I chose peace – from two people
who hit each other, I chose to intervene, from two people who insult each other, I chose calm.”
He also states that “awareness was awakened from so much frustration, so much
disappointment, so much anguish,” associating the process of change with the need to
differentiate himself from the family experiences he had lived through.
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In P10, movements of differentiation appear associated with sexuality, gender roles, and
experiences of belonging. He describes that “today I no longer need to reaffirm this all the
time,” referring to his relationship with his own masculinity, and adds that “I like to play with
these gender roles.” He also reports that “we are in the adoption process,” indicating the
construction of new forms of parenthood and care. At the end of the interview, he describes that
“many things have converged for me to be doing well like this today.”
The narratives therefore indicate that participants did not describe the masculinities
learned in childhood as fixed or immutable experiences. Although family patterns remained
present in different ways, the accounts also revealed movements of review, questioning, and
differentiation in relation to inherited masculine experiences. Therapy, fatherhood, affective
relationships, spirituality, and experiences of suffering appeared, in different trajectories,
associated with processes of reorganizing ways of living and understanding masculinity.
DISCUSSION
The results presented make it possible to understand how 10 adult men who experienced
adverse childhood experiences construct meanings about their masculinities from family
legacies marked by ambivalence, transgenerational repetition, and gradual movements of
differentiation. The analysis of their narratives revealed that masculinity was not learned as a
coherent and stable model, but as a field of tension in which care and violence, presence and
absence, identification and rejection coexisted persistently. These findings dialogue with the
literature on adverse childhood experiences, masculinities, and transgenerational transmission,
pointing to the complexity of the processes through which men construct meanings about
themselves from the family relationships within which they grew up.
The understanding of masculinities as configurations of practices historically produced
in specific relational contexts, as proposed by Connell (2005) and Connell and Messerschmidt
(2013), is directly supported by the findings of this study. In none of the narratives analyzed
did masculinity emerge as a singular identity or linear inheritance; on the contrary, it appeared
as the result of continuous negotiations among contradictory models, unspoken relational
expectations, and affective bonds marked by suffering and ambivalence. This finding reinforces
the perspective that masculinities are not transmitted as explicit content, but learned in the
everyday practices of family relationships, in gestures, silences, absences, and ways of dealing
with conflict and affection that the men around the participants demonstrated, or failed to
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demonstrate. For Connell et al. (2005), masculinities are social constructions continuously
negotiated in everyday interactions, especially within family relationships, and the narratives
of the participants in this study illustrate this process precisely, revealing men who grew up
immersed in plural masculinities, none of them coherent enough to offer a stable reference.
This ambivalence in male references is also supported by systemic and transgenerational
perspectives. For Bowen (1991), subjective development occurs in a permanent tension
between belonging and differentiation, a tension that is first organized within family
relationships. The male figures described by participants, simultaneously objects of
identification and rejection, constitute the relational field in which this tension is established
from childhood onward. The fact that no participant received a coherent and stable male model
suggests that ambivalence was not an individual accident in each trajectory, but a structural
characteristic of the family field in which these men grew up. This finding is consistent with
Boszormenyi-Nagy and Spark’s (1983) understanding of the family as a system of loyalties and
relational obligations that organize subjective experience even when they are not consciously
recognized: participants grew up linked to male models that generated suffering, but from which
they could not simply detach themselves, because these models were also sources of belonging,
identity, and family recognition.
The dimension of alcoholism, present in practically all narratives, deserves specific
attention in this context. In different accounts, alcohol appeared not only as an individual
behavioral pattern, but as an organizer of family dynamics, associated with affective
unpredictability, deterioration of bonds, and deterioration of male trajectories across
generations. Kalmakis and Chandler (2014) identify unpredictability as one of the most harmful
dimensions of adverse childhood experiences, insofar as it compromises attachment and
emotional regulation processes that develop within primary relationships. Felitti et al. (1998)
also indicate that living with family alcoholism constitutes one of the adverse experiences most
strongly associated with negative outcomes throughout the life cycle, a finding that directly
resonates with the trajectories of participants in this study, in which alcoholism was associated
not only with immediate suffering, but with the transgenerational transmission of patterns of
emotional absence, violence, and relational instability.
It is precisely in this transgenerational dimension that the findings of this study resonate
most strongly with the perspective of Boszormenyi-Nagy and Spark (1983). The concept of
invisible loyalties, ethical and relational bonds that connect family members across generations,
organizing expectations of belonging and relational obligation often unconsciously, helps
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explain why certain masculine patterns are reproduced even when participants themselves
recognize them as sources of suffering. In different narratives, participants described
simultaneous movements of recognition, criticism, and repetition of inherited patterns,
reproducing in their own relationships forms of violence, emotional distancing, or self-
sufficiency received from fathers and grandfathers, even without consciously intending to do
so.
This phenomenon is consistent with what Boszormenyi-Nagy and Spark (1983) describe
as the organizing force of invisible loyalties: it is not conscious intentions that determine
transmission, but bonds of belonging and obligation operating below the threshold of
awareness. Bowen’s (1991) notion of differentiation of self complements this understanding by
indicating that interrupting these patterns requires not only intellectual recognition of the
inheritance received, but a process of constructing emotional autonomy that allows the
individual to position themselves critically in relation to family history without severing the
bonds of belonging that sustain identity.
Recent studies have indicated that men exposed to adverse childhood experiences
frequently construct adaptive strategies associated with emotional toughness, relational
hypervigilance, and silencing of suffering (Levell, 2020; Zaniewski et al., 2022). The findings
of this study confirm this pattern, but add a dimension that the literature does not always address
with equal emphasis: participants’ awareness of these patterns and the active efforts of
transformation that many undertook throughout adult life. In this sense, the results dialogue
with Callaghan et al. (2025), for whom men exposed to violent or neglectful family contexts do
not reproduce such experiences linearly or automatically, but often develop ambivalent
movements of identification, criticism, resistance, and re-elaboration of learned masculine
references. The trajectories of P3 and P7, who sought therapy precisely to interrupt a chain of
violence spanning generations, or P8, who stopped drinking with the arrival of his son, or P9,
who constructed a path of radical differentiation through deliberate and solitary choices, are
examples that illustrate this capacity for agency even in the face of dense and persistent legacies.
In this process of differentiation, several resources and experiences appeared in the
narratives as organizing elements of transformation. Therapy, fatherhood, spirituality, intense
psychological suffering, and significant affective relationships were mentioned by participants
as milestones that precipitated or sustained movements of revising inherited masculinities. This
diversity of paths is consistent with Bowen’s (1991) perspective, according to which
differentiation of self does not follow a single or predictable route, but is organized from the
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specific relational and subjective conditions of each trajectory. Bianchi and Kublikowski (2022)
and Bianchi (2026) reinforce this perspective by understanding the family as a system of
affective relationships and belonging that perpetuates itself over time, ensuring its members not
only biopsychosocial survival, but also conditions for transformation when individuals find
resources to position themselves reflectively in relation to the inheritance received.
It is at this point that hooks’ (2025) contribution becomes particularly relevant, as she
argues that patriarchal culture imposes on men, from childhood onward, the suppression of
vulnerability, affection, and the need for care as conditions for belonging to the male world.
This process of suppression, learned in family relationships, reinforced in social interactions,
and naturalized as an attribute of masculinity, is exactly what participants’ narratives reveal:
men who grew up in environments in which male affection was scarce, contradictory, or
conditional, and who, throughout adult life, had to learn to recognize and name emotional needs
that had been systematically silenced in their upbringing. For hooks (2025), transforming this
condition does not involve denying masculinity, but constructing ways of being a man in which
love, care, and vulnerability can be lived without threatening identity, which, to different
degrees and in different forms, is precisely the project that participants in the present study
describe themselves as constructing in their lives.
The findings therefore point to the need to understand the construction of masculinities
in adverse contexts as a simultaneous process of transmission and transformation. Family
legacies do not linearly determine masculine identities, but constitute the field of tension from
which each individual constructs, with the resources available in their trajectory, their own ways
of being a man. This understanding has relevant implications for clinical practice in psychology,
especially in work with men seeking to elaborate adverse childhood experiences and re-signify
the masculine references they received, opening space for more affective, reflective
masculinities capable of sustaining bonds without resorting to violence, distancing, or the
silencing of suffering.
FINAL CONSIDERATIONS
This study sought to understand the impact of transgenerational patterns on the
construction of meanings attributed to masculinities by adult men who experienced adverse
childhood experiences. The findings showed that masculinity was learned in contexts marked
by affective ambivalence, transgenerational repetition, and gradual movements of
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differentiation, processes that were deeply interconnected and cannot be understood in
isolation.
The analysis of the narratives indicated that adverse childhood experiences do not
linearly determine masculine identities, but constitute the relational field from which each
individual constructs, with the resources available in their trajectory, their own ways of
signifying and living masculinity. Alcoholism, violence, emotional absence, and affective
rigidity appeared as patterns transmitted across generations, but also as experiences that, when
reflectively elaborated, could become starting points for movements of transformation and
differentiation.
These findings have relevant implications for clinical practice in psychology. Work with
men who experienced adverse childhood experiences requires attention to the transgenerational
legacies that silently organize their ways of relating, exercising authority, and dealing with
suffering, dimensions that often do not arrive at the clinic already named, but manifest
themselves in relational difficulties, affective rigidity, and the silencing of vulnerability.
Understanding these patterns as products of family transmission, rather than as individual
failures, opens space for more sensitive and effective interventions.
As a limitation, the sample consisted exclusively of Brazilian cisgender men,
predominantly White and with higher education, which restricts the scope of the results. On the
other hand, the processes described in this study may contribute to the construction of clinical
spaces for reflexivity regarding masculine identities and the ways in which they are produced
across family trajectories. Future studies may investigate the specificities of masculinities in
contexts of greater social vulnerability. The inclusion of intersectional perspectives, articulating
gender, color/ethnicity, and class, may significantly enrich the understanding of processes of
transmission and transformation of masculinities in adverse contexts.
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Fr o m re pr o d u cti o n t o r efl e cti o n: m as c uli niti es a n d a d v ers e f a mil y l e g a ci es
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 2 4 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 7 3 2 4
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : N o n e .
F u n di n g : T his w or k w as c arri e d o ut wit h s u p p ort fr o m t h e C o or di n ati o n f or t h e
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P r o c ess i n g a n d e dit i n g: E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n a n d Tr a nsl ati o n
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 1
DE LA REPRODUCCIÓN A LA REFLEXIÓN: MASCULINIDADES Y LEGADOS
FAMILIARES ADVERSOS
DA REPRODUÇÃO À REFLEXÃO: MASCULINIDADES E HERANÇAS FAMILIARES
ADVERSAS
FROM REPRODUCTION TO REFLECTION: MASCULINITIES AND ADVERSE
FAMILY LEGACIES
Daniela Pupo Barbosa BIANCHI
1
e-mail: daniela@cocriarpsicologia.net
Ida KUBLIKOWSKI
2
e-mail: idak[email protected]
Cómo citar este artículo:
Bianchi, D. P. B., & Kublikowski, I. (2026). De la
reproducción a la reflexión: masculinidades y legados
familiares adversos. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
27(esp1), e026024.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21473
| Enviado: 15/04/2026
| Modificaciones solicitadas: 23/04/2026
| Aprobado: 04/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doctoranda en
el Programa de Posgrado en Psicología Clínica.
2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Profesora del
Programa de Posgrado en Psicología Clínica.
De la reproducción a la reflexión: masculinidades y legados familiares adversos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 2
RESUMEN: Este estudio cualitativo analizó el impacto de los patrones transgeneracionales en la
construcción de significados atribuidos a las masculinidades por hombres adultos cisgénero que
vivieron experiencias adversas durante la infancia. Los datos de entrevistas semiestructuradas
individuales y genogramas fueron sometidos a un análisis temático reflexivo, del que surgieron tres
temas: herencias masculinas ambivalentes; lealtades invisibles y repetición transgeneracional; y
diferenciación, ruptura y reconstrucción reflexiva. La masculinidad fue aprendida en contextos de
ambivalencia afectiva, violencia, alcoholismo parental y ausencia emocional, transmitidos de forma
no lineal entre generaciones. Las figuras masculinas familiares aparecieron simultáneamente como
fuentes de cuidado y sufrimiento, configurando experiencias de identificación, rechazo y
ambivalencia. La terapia, la paternidad, la espiritualidad y el sufrimiento psíquico movilizaron
procesos de cuestionamiento, diferenciación y reconstrucción frente a las referencias masculinas
heredadas. Las experiencias familiares adversas no determinan linealmente la identidad masculina,
sino que constituyen un campo relacional en el que cada sujeto construye formas propias y
singulares de significar y vivir la masculinidad.
PALABRAS CLAVE: Masculinidades. Experiencias adversas en la infancia. Transmisión
transgeneracional.
RESUMO: Este estudo qualitativo analisou o impacto de padrões transgeracionais na construção
de significados atribuídos às masculinidades por homens adultos cisgênero que vivenciaram
experiências adversas na infância. Dados de entrevistas semiestruturadas individuais e
genogramas foram submetidos à análise temática reflexiva, da qual emergiram três temas:
heranças masculinas ambivalentes; lealdades invisíveis e repetição transgeracional; e
diferenciação, ruptura e reconstrução reflexiva. A masculinidade foi aprendida em contextos de
ambivalência afetiva, violência, alcoolismo parental e ausência emocional, transmitidos de forma
não linear entre gerações. Figuras masculinas familiares apareceram simultaneamente como
fontes de cuidado e sofrimento, organizando experiências de identificação, rejeição e
ambivalência. Terapia, paternidade, espiritualidade e sofrimento psíquico mobilizaram
movimentos de questionamento, diferenciação e reconstrução diante das referências masculinas
herdadas. As experiências adversas familiares não determinam linearmente a identidade
masculina, mas constituem um campo relacional no qual cada sujeito constrói, com os recursos
disponíveis, formas próprias e singulares de significar e viver a masculinidade.
PALAVRAS-CHAVE: Masculinidades. Experiências adversas na infância. Transmissão
transgeracional.
ABSTRACT: This qualitative study analyzed the impact of transgenerational patterns on the
construction of meanings attributed to masculinities by cisgender adult men who experienced
adverse childhood experiences. Data from individual semi-structured interviews and genograms
were subjected to reflexive thematic analysis, yielding three themes: ambivalent masculine
legacies; invisible loyalties and transgenerational repetition; and differentiation, rupture, and
reflexive reconstruction. Masculinity was learned in contexts of emotional ambivalence, violence,
parental alcoholism, and emotional absence, transmitted nonlinearly across generations. Male
family figures simultaneously represented sources of care and suffering, shaping experiences of
identification, rejection, and ambivalence. Therapy, fatherhood, spirituality, and psychological
distress prompted processes of questioning, differentiation, and reconstruction in relation to
inherited masculine references. Adverse family experiences do not linearly determine masculine
identity but constitute a relational field in which each individual, using available resources,
constructs personal and singular ways of understanding and living masculinity.
KEYWORDS: Masculinities. Adverse childhood experiences. Transgenerational transmission.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21473 3
INTRODUCCIÓN
Las experiencias adversas en la infancia se han asociado ampliamente con deficiencias
en el desarrollo emocional, relacional y psicosocial a lo largo del ciclo vital. Felitti et al. (1998)
demostraron que las experiencias relacionadas con la violencia, la negligencia, el abuso, el
alcoholismo familiar, el sufrimiento psíquico parental y la inestabilidad relacional están
significativamente asociadas con diversos resultados negativos en la salud física y mental en la
edad adulta. Desde entonces, diferentes estudios han indicado que dichas experiencias pueden
influir en los procesos de apego, la regulación emocional y la organización relacional, así como
en los mecanismos de afrontamiento desarrollados en la infancia y la adolescencia (Andrade et
al., 2022; Kalmakis & Chandler, 2014; Kublikowski & Bianchi, 2025).
Para comprender las experiencias adversas en la infancia, es necesario considerar a la
familia no solo como un núcleo biológico o una estructura normativa, sino también como un
campo relacional en el que se organizan la pertenencia, los vínculos, las creencias, los
silenciamientos y las formas de subjetivación. Bianchi y Kublikowski (2022) conciben a la
familia como un sistema de relaciones afectivas y de pertenencia que se perpetúa a lo largo del
tiempo y busca asegurar la supervivencia biopsicosocial de sus miembros. Esta perspectiva
permite comprender que los patrones relacionales, los modos de apego, las expectativas y las
formas de organización emocional pueden trascender las distintas generaciones familiares,
participando en el mantenimiento de la continuidad y la homeostasis del campo familiar
(Bianchi, 2026). Las experiencias relacionadas con la violencia, el alcoholismo, la negligencia
emocional y la rigidez afectiva pueden entenderse no solo como eventos aislados, sino también
como fenómenos insertos en dinámicas relacionales y transgeneracionales más amplias.
Diversos autores desde la perspectiva sistémica y transgeneracional (Boszormenyi-
Nagy & Spark, 1983; Bowen, 1991) destacan que las familias transmiten no solo historias y
lazos de pertenencia, sino también formas de gestión emocional, expectativas relacionales,
creencias y modos de funcionamiento familiar que influyen en la experiencia subjetiva de sus
miembros. Para Bowen (1991), el desarrollo humano se produce en una tensión permanente
entre pertenencia y diferenciación, de modo que los individuos buscan simultáneamente
preservar los lazos familiares y construir autonomía emocional. La noción de diferenciación
del self se refiere precisamente a la capacidad de mantener una autonomía emocional e
intelectual relativa sin romper los vínculos afectivos, lo que permite al sujeto reconocer
críticamente los patrones familiares sin reproducirlos automáticamente.
De la reproducción a la reflexión: masculinidades y legados familiares adversos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Más allá de esta perspectiva, Boszormenyi-Nagy y Spark (1983) proponen el concepto
de “lealtades invisibles”, que se refiere a los vínculos éticos, emocionales y relacionales que
conectan a los miembros de la familia a través de las generaciones, organizando expectativas
de pertenencia, reciprocidad, compromiso y obligación relacional, a menudo de forma
inconsciente o tácita. En este sentido, ciertas formas de masculinidad, patrones emocionales y
modos de relacionarse pueden transmitirse entre generaciones no solo mediante la
identificación consciente, sino también a través de vínculos de lealtad y obligación relacional
que permanecen activos incluso ante experiencias familiares marcadas por el sufrimiento, la
violencia o la ambivalencia afectiva.
Las formas de masculinidad construidas a lo largo de la infancia y la adolescencia
también se organizan dentro de este campo relacional. Más allá de los discursos explícitos sobre
lo que significa “ser un hombre”, los niños aprenden formas de expresión emocional, manejo
de conflictos, estilos de apego y estrategias de pertenencia a partir de las relaciones familiares
y sociales que experimentan (Connell, 2005; Connell et al., 2005). En contextos marcados por
la violencia, el abandono, el silenciamiento afectivo y la rigidez relacional, ciertas prácticas
masculinas pueden transmitirse y naturalizarse a través de las generaciones, constituyendo
referencias significativas para la construcción de la identidad masculina (Levell, 2020;
Zaniewski et al., 2022; hooks
3
, 2022).
En el campo de los estudios de masculinidad, Connell (2005) propone entenderlas como
configuraciones de prácticas producidas históricamente en contextos sociales específicos y
atravesadas por relaciones de poder, pertenencia y reconocimiento. Esta perspectiva se aparta
de las concepciones esencialistas de la masculinidad al reconocer la existencia de múltiples
masculinidades organizadas de manera dinámica y relacional. En diálogo con este enfoque,
Connell et al. (2005) destacan que las masculinidades son constructos sociales que se negocian
continuamente en las interacciones cotidianas, especialmente dentro de las relaciones
familiares, comunitarias y culturales.
Connell y Messerschmidt (2013) profundizan en este argumento al proponer que la
masculinidad hegemónica no es un tipo de carácter fijo, sino una configuración de prácticas
que legitima ciertas posiciones de poder y subordina otras formas de masculinidad, variando
según los contextos históricos y culturales. Así, las experiencias familiares adversas no solo
producen sufrimiento emocional, sino que también pueden contribuir a la constitución de
3
Este artículo respeta la ortografía en minúsculas que bell hooks defiende para su nombre.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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formas específicas de masculinidad relacionadas con el control emocional, la rigidez afectiva,
la autosuficiencia y la dificultad para reconocer la vulnerabilidad.
hooks (2022) aporta una contribución fundamental al campo de los estudios de la
masculinidad al argumentar que la cultura patriarcal impone a los hombres, desde la infancia,
la supresión de la vulnerabilidad, el afecto y la necesidad de cuidado como condición para
alcanzar la pertenencia al universo masculino. Considera que el problema central no se limita a
las estructuras sociales que organizan las relaciones de poder entre hombres y mujeres, sino que
incluye cómo a los propios hombres se les enseña desde temprana edad a negar aspectos
esenciales de su vida emocional, aprendiendo que amar, necesitar cuidado o demostrar
fragilidad representan amenazas a la identidad masculina. Este proceso de supresión emocional,
aprendido en las relaciones familiares y reforzado en las interacciones sociales, no solo genera
sufrimiento psicológico, sino que también compromete la capacidad de construir vínculos
afectivos consistentes y de reconocer su propia vulnerabilidad como parte constitutiva de la
experiencia humana. Transformar esta situación, según hooks (2022), requiere que los hombres
sean capaces de nombrar y elaborar las formas en que han aprendido a suprimir el afecto, un
proceso que implica necesariamente una revisión crítica de las referencias masculinas recibidas
en el seno familiar.
Estudios recientes han indicado que los hombres expuestos a experiencias adversas en
la infancia suelen desarrollar estrategias adaptativas asociadas con la dureza emocional, la
hipervigilancia relacional, el control afectivo y la supresión del sufrimiento (Levell, 2020;
Zaniewski et al., 2022). En muchos casos, estas estrategias parecen estar articuladas con formas
de pertenencia y reconocimiento de la masculinidad socialmente valorada, aunque produzcan
sufrimiento psicológico y dificultades relacionales a lo largo de la vida adulta. Al mismo
tiempo, la investigación cualitativa indica que los hombres expuestos a contextos familiares
violentos o negligentes no reproducen dichas experiencias de forma lineal o automática, sino
que desarrollan con frecuencia movimientos ambivalentes de identificación, crítica, resistencia
y reelaboración de las referencias masculinas aprendidas en el contexto familiar (Callaghan et
al., 2025).
Esta investigación surge de nuestra observación de que, a pesar del creciente número de
estudios sobre experiencias adversas en la infancia y masculinidades, aún existe una escasez de
estudios cualitativos brasileños centrados en comprender las conexiones entre las experiencias
familiares adversas, la transmisión transgeneracional y la construcción de la masculinidad en
hombres adultos. Por lo tanto, este estudio tuvo como objetivo investigar el impacto de los
De la reproducción a la reflexión: masculinidades y legados familiares adversos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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patrones transgeneracionales en la construcción de significados atribuidos a las masculinidades
por hombres adultos cisgénero que vivieron experiencias adversas en la infancia.
MÉTODO
Para esta investigación se adoptó un enfoque cualitativo, propicio para comprender los
fenómenos dentro de sus contextos, con el fin de indagar cómo los individuos atribuyen
significado a las experiencias vividas (Denzin & Lincoln, 2005). Se parte de la premisa de que
la perspectiva adoptada por la investigadora se articula con lo empírico en un proceso de
coconstrucción que sustenta la subjetividad de la investigadora y excluye la posibilidad de una
postura completamente neutral y objetiva. En este sentido, se adoptó un enfoque narrativo,
centrado en la comprensión del self como un narrador que, al contar su experiencia, la organiza
en una identidad y, a través de los significados atribuidos a sus propias acciones, permite la
autocomprensión y la apertura a los demás (Kublikowski, 2023).
Participantes
En el estudio participaron diez hombres adultos brasileños, seleccionados
intencionalmente según los principios del muestreo cualitativo (Yin, 2015).
El rango de edad adoptado consideró que la madurez biológica y psicosocial tiende a
consolidarse más a partir de los 30 años (Rodrigues & Kublikowski, 2014). El límite superior
de 59 años se definió de acuerdo con la clasificación de la Organización Mundial de la Salud
para el inicio de la vejez y con la legislación brasileña vigente, especialmente la Política
Nacional para las Personas Mayores (Brasil, 1994) y el Estatuto de la Persona Mayor (Brasil,
2003), que establecen los 60 años como el punto de referencia legal para la condición de persona
mayor.
Se consideraron elegibles las personas de nacionalidad brasileña de entre 30 y 59 años
que se autoidentificaran como hombres cisgénero y que informaran de experiencias familiares
significativas relacionadas con la construcción de su masculinidad, incluidas las experiencias
adversas ocurridas en el contexto familiar durante la infancia y la adolescencia,
independientemente del estado civil y la orientación sexual. Se excluyó a las personas que no
cumplían al menos uno de estos criterios.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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La invitación a participar voluntariamente se difundió dentro de la red de contactos de
la investigadora, a través del contacto directo y las referencias de conocidos, una estrategia que
permitió acceder a participantes compatibles con los criterios establecidos para el estudio.
Los participantes de entre 31 y 53 años tenían un alto nivel educativo y presentaban
diversidad en términos de raza/etnia, orientación sexual, estado civil y profesión (Tabla 1), un
espectro relevante para ampliar la heterogeneidad experiencial de la muestra y favorecer la
inclusión de diferentes perspectivas sobre las masculinidades, las relaciones familiares y las
trayectorias transgeneracionales en el contexto investigado.
Tabla 1.
Características sociodemográficas de los participantes
Participante
Edad
Raza/etnia
Estado civil
Escolaridad
Área de
trabajo
Hijos
Orientación
sexual
P1
39
Blanco
Casado
Educación superior
completa
Salud
No
Heterosexual
P2
53
Blanco
Divorciado
Educación superior
completa
Tecnología
No
Heterosexual
P3
38
Blanco
Unión
estable
Educación superior
completa
Legal
No
Heterosexual
P4
38
Blanco
Casado
Posgrado
Económico
No
Heterosexual
P5
44
Negro
Casado
Educación superior
completa
Administrativo
No
Heterosexual
P6
51
Blanco
Casado
Posgrado
Diseño
No
Homosexual
P7
39
Blanco
Casado
Posgrado
Financiero
Sí
Heterosexual
P8
48
Blanco
Casado
Posgrado
Salud
Sí
Homosexual
P9
32
Pardo
Separado
Educación secundaria
completa
Transporte
No
Heterosexual
P10
31
Negro
Casado
Doctorando
Académico
No
Homosexual
Nota. Datos de investigación.
Entrevista semiestructurada
Se optó por la entrevista semiestructurada como principal estrategia de recolección de
datos. Este tipo de entrevista se caracteriza por el uso de preguntas abiertas y por su carácter
conversacional y relacional, lo que favorece la libre expresión del participante y la aparición de
contenido inesperado y significativo para la investigación (Kvale, 1996). Si bien los
participantes tuvieron libertad para desarrollar los temas abordados, el proceso de entrevista
buscó asegurar que se cubrieran los temas relevantes para los objetivos de la investigación.
Considerando que las cuestiones relacionadas con las normas de género pueden influir
tanto en la participación masculina en la investigación como en la profundidad de las respuestas
De la reproducción a la reflexión: masculinidades y legados familiares adversos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026024, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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ofrecidas (Souza, 2022), el objetivo fue proporcionar un entorno acogedor y empático que
fomentara la confianza, la apertura emocional y el intercambio de experiencias más íntimas. De
este modo, la entrevista semiestructurada permitió no solo acceder a las experiencias
individuales de los participantes, sino también comprender las formas en que construyen
significados sobre la masculinidad, los lazos familiares, el sufrimiento emocional y las
trayectorias vitales.
Genograma
El genograma es definido por Krüger y Werlang (2008) como una representación gráfica
de la vida familiar que permite comprender los legados simbólicos transmitidos y
transformados dentro de las familias. Este instrumento se ha consolidado como un recurso en
la investigación cualitativa para analizar patrones relacionales, repeticiones, vínculos, rupturas
y formas de organización transgeneracional.
En el contexto de esta investigación, el genograma se utilizó como herramienta auxiliar
para organizar la información transgeneracional presente en las entrevistas, contribuyendo a la
identificación de patrones familiares relacionados con las masculinidades.
Análisis temático reflexivo
Para el análisis de datos, se adoptó el análisis temático reflexivo, propuesto por Braun y
Clarke (2006, 2016). Este método se guía por la identificación, el análisis y la interpretación de
patrones de significado (temas) en un conjunto de datos cualitativos, reconociendo el rol activo
y contextualizado del investigador en la construcción de estos patrones. A diferencia de los
enfoques que conciben los temas como estructuras latentes preexistentes en los datos, el análisis
temático reflexivo los entiende como productos de un proceso interpretativo, influenciado por
el marco teórico, los objetivos de la investigación y el posicionamiento epistemológico del
investigador (Braun & Clarke, 2006, 2016). Esta perspectiva resultó particularmente adecuada
para los objetivos de este estudio, que se centró en comprender los patrones transgeneracionales
de masculinidad en contextos familiares adversos.
El proceso analítico siguió las fases propuestas por Braun y Clarke (2006) de manera
recursiva y no lineal. Las entrevistas se transcribieron íntegramente y se sometieron a lecturas
repetidas, constituyendo la etapa de familiarización con los datos. Posteriormente, se generaron
códigos iniciales a partir de las narrativas, que se agruparon progresivamente en temas
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candidatos, se revisaron para comprobar su coherencia interna y la distinción entre ellos, y
finalmente se definieron y nombraron. El informe analítico se elaboró articulando los temas
entre sí y con la pregunta de investigación. En este estudio, cada entrevista se analizó junto con
su genograma correspondiente, lo que permitió visualizar y organizar la información
transgeneracional presente en las narrativas, las repeticiones de patrones relacionales, los
vínculos afectivos y los modelos masculinos transmitidos entre generaciones (McGoldrick et
al., 2012). Esta articulación entre los dos instrumentos enriqueció el proceso de codificación y
contribuyó a la construcción de los temas.
La reflexividad de la investigadora estuvo presente en todas las fases del proceso
analítico. Los significados recopilados en el análisis se entienden como coconstituidos entre los
datos, los objetivos del estudio, el marco teórico y el posicionamiento de la investigadora; una
dimensión que no representa un sesgo a eliminar, sino una condición constitutiva de la
investigación cualitativa, que debe explicitarse y considerarse rigurosamente (Braun & Clarke,
2006). El proceso analítico se apoyó en la herramienta ChatGPT (GPT-4, OpenAI), utilizada
de forma estrictamente delimitada en la fase inicial de organización de datos y en la generación
preliminar de códigos. Todo el material producido con el apoyo de la herramienta fue revisado
y reinterpretado sistemáticamente por la investigadora, quien mantuvo la responsabilidad
epistemológica de la construcción de temas, la interpretación de datos y la producción de
significado (Turobov et al., 2024).
PROCEDIMIENTOS ÉTICOS Y PRECAUCIONES
Las consideraciones éticas se ajustaron a las directrices establecidas en la Ley N°
14.874/2024 (Brasil, 2024), garantizando el secreto, la confidencialidad y la protección de la
información compartida. Este artículo forma parte de una investigación más amplia aprobada
por el Comité de Ética en Investigación de la Pontificia Universidad Católica de São Paulo
(opinión N° 7.668.502, de fecha 26 de junio de 2025), cuyos datos se recopilaron de manera
unificada junto con los demás estudios que integran la tesis doctoral del primer autor.
RESULTADOS
El análisis combinado de las entrevistas y los genogramas permitió identificar patrones
recurrentes relacionados con las experiencias masculinas construidas a lo largo de las
trayectorias familiares de los participantes. Las narrativas revelaron que la masculinidad se
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aprendía frecuentemente en contextos marcados por la ambivalencia afectiva, la rigidez
emocional, la violencia, la falta de acogida y modelos contradictorios de masculinidad. Los
genogramas contribuyeron a la visualización y organización de la información
transgeneracional presente en las entrevistas, permitiendo la identificación de repeticiones de
patrones relacionales, vínculos afectivos y modelos masculinos transmitidos a través de las
generaciones familiares (McGoldrick et al., 2012). Al mismo tiempo, los relatos evidenciaron
procesos de reflexión, diferenciación y revisión crítica de estas herencias familiares en la edad
adulta.
Los temas que se presentan a continuación no se entendieron como categorías fijas o
universales, sino como núcleos interpretativos generados a partir de las recurrencias, tensiones
y significados compartidos en las narrativas de los participantes, en línea con Braun y Clarke
(2006), quienes señalan que los temas representan patrones de significado relevantes para la
pregunta de investigación y se generan a través de un proceso activo y reflexivo de
interpretación de datos.
El análisis permitió identificar tres temas principales: (1) legados masculinos
ambivalentes; (2) lealtades invisibles y repetición transgeneracional; y (3) diferenciación,
ruptura y reconstrucción reflexiva. Si bien se presentaron por separado con fines analíticos,
estos temas demostraron estar profundamente interconectados, abarcando procesos subjetivos
dinámicos relacionados con experiencias adversas en la infancia, la transmisión familiar de
modelos masculinos y las formas de elaborar la masculinidad.
Herencias masculinas ambivalentes
Los relatos de los participantes revelaron que sus primeras referencias a la masculinidad
se construyeron en contextos marcados por la ambivalencia afectiva, la inestabilidad relacional
y las contradicciones en los modelos masculinos familiares. Padres, abuelos, padrastros y otras
figuras masculinas aparecían asociadas simultáneamente con la protección, la responsabilidad,
el trabajo y el cuidado, pero también con la violencia, el alcoholismo, la ausencia emocional, la
rigidez afectiva y la imprevisibilidad. En los relatos, la admiración, el resentimiento, la
identificación y el rechazo coexistían de forma entrelazada, conformando experiencias
masculinas marcadas por persistentes tensiones afectivas.
En diferentes relatos, figuras masculinas familiares aparecieron simultáneamente como
fuentes de cuidado y sufrimiento. El participante P1 describe haber sido “presentado a diversos
masculinos”, reconociendo referencias contradictorias entre su padre y su abuelo. Mientras que
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su padre le ofreció la posibilidad de una masculinidad afectuosa: “Mi padre me permitió ser un
hombre cariñoso… un hombre no necesita ser grosero”, su abuelo representaba un modelo
asociado con la virilidad tradicional y la infidelidad masculina: “Se suponía que un hombre
debía ser un canalla, un mujeriego”. Esta ambivalencia se sintetiza cuando el participante
describe a su abuelo como “un abuelo excelente” y, al mismo tiempo, “un marido terrible”.
La coexistencia de presencia afectiva y ausencia emocional también impregnó
diferentes relatos. P3 describe un entorno familiar marcado por la fragilidad de los adultos:
“Miro a mi alrededor y no veo seguridad en ninguna parte”, pero relata encuentros ocasionales
de intenso afecto con su padre: “Cada vez que nos veíamos, era muy cariñoso”. La expectativa
de la llegada del padre revela una experiencia masculina construida entre el afecto momentáneo
y la ausencia estructural. De manera similar, P4 describe a su padre como alguien
profundamente admirado: “Mi padre era un tipo al que quería parecerme”, aunque
simultáneamente asociado con el alcoholismo, la inestabilidad y la incapacidad para mantener
vínculos: “Mi padre nunca terminaba nada de lo que empezaba; ni siquiera terminaba de ser
padre”. P4 también describe una figura paterna intensa pero impredecible: “Cuando estaba
presente, era una figura omnipresente, pero muchas veces no lo estaba”.
La narración de P5 revela experiencias marcadas por la ausencia paterna y la
coexistencia con modelos masculinos contradictorios: “Prácticamente me crié sin la presencia
de mi padre. Mi padre abandonó a mi madre cuando yo era un bebé e incluso intentó matarme”.
Al mismo tiempo, describe a su abuelo como una figura cariñosa, pero también asociada con
prácticas sexistas naturalizadas: “Mi abuelo era mucho más afectuoso, pero desde una
perspectiva masculina, era el típico viejo desvergonzado”. La coexistencia de cuidado,
dominación y violencia aparece recurrentemente en la narración.
P6 habla de la masculinidad familiar marcada por la desorganización emocional y el
alcoholismo paterno: “Me di cuenta de lo tóxicas que eran la mayoría de las masculinidades
que me rodeaban”, describiendo a un padre que “cayó en un alcoholismo muy severo” y que
“no podía demostrar afecto de forma amorosa”. La narración sugiere que la presencia física del
padre coexistía con importantes dificultades para expresar afecto y brindar apoyo emocional.
P7 describe las experiencias masculinas fuertemente asociadas con la violencia y la
agresión heredadas como referencias positivas. Relata que, durante su infancia, escuchaba
historias de las peleas de su padre: “Mi padre siempre contaba historias de cuando era
adolescente, joven y todo eso, que solo peleaba; me parecía lo más genial del mundo”. Su
bisabuelo paterno aparece como una figura extrema de esta herencia, un hombre que había
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matado gente, y cuyas historias su padre contaba “en cierto modo, con orgullo”. A lo largo de
la entrevista, P7 reconoce haber incorporado estos valores desde temprana edad, describiendo
una trayectoria marcada por episodios recurrentes de violencia que consideraba naturales, pero
que solo más tarde comenzó a cuestionar.
La fragmentación de los modelos masculinos también apareció como un elemento
recurrente. “Tengo tres padres: mi padre biológico, mi padrino y mi padrastro, pero sumando
todo, no llega a ser uno solo”, afirma P8, describiendo figuras masculinas percibidas como
insuficientes y emocionalmente incompletas. En P9, la ambivalencia se condensa en la metáfora
que él mismo construyó: “Fui engendrado por un lobo y una serpiente”. El padre es descrito
simultáneamente como protector y amenazante: “Mi padre era extremadamente severo. Era
protector, pero rígido”. El relato asocia masculinidad, cuidado y miedo en una misma
experiencia relacional.
Finalmente, P10 describe una experiencia marcada por las contradicciones entre la
sensibilidad y la rigidez en los modelos masculinos que le eran familiares. Afirma que su padre
“era una persona muy sensible, era el tipo de hombre que lloraba; era una persona empática”,
pero también reproducía discursos asociados con la masculinidad tradicional, diciendo que “los
hombres no lloran”.
Por lo tanto, los relatos indican que los participantes aprendieron formas de
masculinidad en contextos donde el cuidado y la violencia, la protección y el miedo, la
presencia y la ausencia se asociaban frecuentemente. Más que modelos masculinos estables y
coherentes, los relatos describen experiencias marcadas por contradicciones, fragmentaciones
y ambigüedades afectivas que abarcaron diferentes generaciones familiares.
Lealtades invisibles y repetición transgeneracional
Los relatos revelaron la presencia recurrente de patrones masculinos transmitidos de
generación en generación, especialmente aquellos relacionados con el alcoholismo, la
violencia, la ausencia emocional y el distanciamiento emocional. En muchos testimonios,
padres, abuelos y otros familiares varones reproducían formas similares de afrontar el
sufrimiento, la autoridad, el afecto y el conflicto, lo que sugiere continuidades familiares que
abarcaban distintas generaciones. Los participantes demostraron con frecuencia reconocer estas
repeticiones a lo largo de sus historias, aunque con diferentes niveles de conciencia y
elaboración.
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El alcoholismo fue el patrón más recurrente en las narrativas, pero su presencia adoptó
formas distintas según la trayectoria de cada familia. En algunos casos, fue posible identificar
una cadena explícita de transmisión entre generaciones. P4 describe que el abuelo y el padre
compartían el mismo patrón: “Él y mi padre tenían el mismo problema con el alcoholismo”,
asociando directamente el deterioro de las trayectorias masculinas en la familia con el consumo
de alcohol a lo largo de las generaciones. En P6, el abuelo paterno y el padre bebían
simultáneamente en la misma casa: el padre “a veces a las nueve y media de la mañana, ya tenía
una caipiriña en la mano”, mientras que el abuelo “iba a beber a un bar cercano o compraba una
botella de cachaça y la escondía”, revelando que el patrón abarcaba dos generaciones
masculinas en el mismo espacio doméstico. El abuelo paterno de P10 “también tenía problemas
con el alcohol” y murió joven. El padre siguió una trayectoria similar, abusando del alcohol y
muriendo también prematuramente.
En los demás participantes, el alcoholismo no se presentó como una cadena de
transmisión directa, sino más bien como una experiencia adversa persistente que marcó su
sufrimiento y subjetividad desde la infancia. P1 creció conviviendo con el alcoholismo de su
abuelo materno, quien “bebía, chocaba su auto y se exponía a situaciones de riesgo”, creando
un ambiente doméstico de tensión e incertidumbre. P8 describe que “durante mucho tiempo, la
palabra que me hacía llorar era ‘la última copa’”, porque su padre pasaba largas horas en el bar,
y que “nunca faltó dinero para muchas otras cosas, pero nunca faltó dinero para bebidas”: un
resumen de una infancia marcada por la centralidad del alcohol en la organización familiar. P9
relata que “mi tío bebía tanto, tanto, que murió de cirrosis”, asociando el alcoholismo con la
rigidez de sus abuelos maternos y los problemas de salud mental que se extendieron por toda la
familia: “Estos son problemas de salud mental que creo que fueron una parte importante de
cómo mi abuela y mi abuelo los trataron; en resumen, el ciclo”. En ninguno de estos casos los
participantes reprodujeron el patrón de alcoholismo en sus propias vidas, pero todos llevan las
marcas de vivir con él, especialmente las de imprevisibilidad afectiva, ausencia emocional e
inestabilidad relacional que el uso abusivo del alcohol produjo en los modelos masculinos.
La transmisión de patrones violentos de resolución de conflictos y el ejercicio de la
autoridad presentaron una cadena intergeneracional más explícita y directa. P3 describe una
genealogía de violencia que se remonta a su bisabuelo: “Su padre lo golpeó, lo humilló, y él
hizo lo mismo con mi padre”, revelando cómo la agresión y la humillación se transmitieron de
generación en generación, transformándose, sin embargo, con el tiempo: el padre de P3 no
reprodujo la violencia física que recibió, pero P3 reconoce haber heredado patrones relacionales
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disfuncionales que se manifiestan en sus relaciones afectivas de maneras más sutiles, las cuales
busca activamente modificar: “No quiero ser ese ser humano que le hace eso a la persona que
más ama”.
En P7, la cadena de violencia es más directa y extensa. El abuelo materno era un
alcohólico severo y violento: “bebía unos tres litros de cachaça al día” y “fue arrestado dos
veces, una por golpear a mi abuela”. El padre reproducía patrones de agresión física con sus
hijos. P7, a su vez, reconoce haber reproducido estos patrones en sus relaciones afectivas: “He
practicado mucha violencia psicológica” e incluso defendió prácticas violentas en la educación
de los niños: “Hay que dar unas cuantas palmaditas, hay que pegar, porque a veces se vuelve
insoportable”. La conciencia de esta cadena fue lo que lo motivó a buscar terapia, “precisamente
para intentar romper esta cadena de violencia contra los niños que se ha estado arrastrando en
mi familia durante mucho tiempo”. Este participante fue quien más explícitamente mencionó
la transmisión transgeneracional como un problema que debía interrumpirse.
En algunas narrativas, la repetición transgeneracional se asoció menos con la violencia
explícita o el alcoholismo y más con la transmisión de formas de soledad, autosuficiencia y
desapego emocional. P2 identifica este movimiento directamente al afirmar que “el patrón se
repite” y que “esta herencia masculina más fuerte está remando sola”, reconociendo que terminó
reproduciendo la forma de funcionar de su padre: “Terminé remando como él, un poco solo”.
En P6, la ausencia emocional del padre produjo un ambiente familiar en el que la madre asumió
todas las responsabilidades, mientras que el padre se volvió funcionalmente ausente: “Mi madre
cuidando la casa, de todos, responsable de traer el dinero, organizar las finanzas, poner la casa
en orden, y mi padre a veces trabajando, a veces no trabajando, bebiendo en esta dinámica más
perturbadora”. P6 reconoce haber heredado de este ambiente una tendencia hacia la
autosuficiencia excesiva que necesitaba aprender a cuestionar.
Las narrativas también revelaron patrones recurrentes relacionados con la ausencia
paterna y la dificultad de mantener los lazos familiares a través de las generaciones. P3 describe
una cadena de inestabilidad relacional: “Mis padres se separaron cuando yo tenía cuatro años,
tuve padrastros, viví con mi primer padrastro hasta los once años, y luego comencé con otro.
Pero todas estas relaciones eran relaciones tóxicas”, agregando que “mi madre tuvo tres
matrimonios y un hijo con cada uno”, revelando que la dificultad de mantener vínculos
emocionales consistentes se repetía de generación en generación sin que ninguna figura
masculina pudiera interrumpir el patrón. En P5, la ausencia paterna se inscribió en la vida diaria
de maneras concretas y duraderas: “No apareció en mi cumpleaños, mucho menos trajo su
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bicicleta, tanto que todavía hoy no ando en bicicleta”. P9 describe percibir en sí mismo
elementos asociados con la figura paterna, especialmente relacionados con la explosividad
emocional: “Yo era explosivo y eso me asustaba bastante”, reconociendo que la rigidez
heredada del entorno familiar se había arraigado en él antes de que pudiera nombrarla.
Por lo tanto, las narrativas indican que los patrones transgeneracionales no se
reproducen de forma lineal ni idéntica a lo largo de las generaciones. Se transforman, cambian
y adoptan nuevas formas, pero mantienen una continuidad subyacente que organiza
silenciosamente las experiencias relacionales y afectivas de los participantes. El alcoholismo,
la violencia, la ausencia emocional y la autosuficiencia aparecieron como elementos recurrentes
en estas transmisiones familiares, aunque con configuraciones distintas en cada trayectoria.
Diferenciación, ruptura y reconstrucción reflexiva
A pesar de la presencia constante de patrones transgeneracionales relacionados con la
violencia, el alcoholismo, la ausencia emocional y la rigidez afectiva, las narrativas también
revelaron procesos de cuestionamiento, diferenciación y reconstrucción en relación con las
masculinidades aprendidas durante la infancia y la adolescencia. Estos procesos se
manifestaron de maneras distintas entre los participantes, e implicaron una revisión gradual de
conductas, relaciones afectivas, formas de cuidado y maneras de comprender lo que significa
ser hombre.
En diferentes relatos, se demostró que la diferenciación estaba asociada con la necesidad
de interrumpir patrones percibidos como generadores de sufrimiento. P1 describe que
“necesitaba distanciarme para reconectar”, refiriéndose al distanciamiento temporal de las
figuras parentales como parte del proceso de reorganización de las relaciones familiares.
También relata haberse sentado “con cada uno por separado para perdonarlos y pedir perdón”,
y afirma que “la espiritualidad me ayuda a construir una identidad, un significado, un sentido
de por qué vivo”. En P2, el movimiento de cambio se revela como más gradual, relacionado
con el intento de crear formas de funcionamiento más flexibles marcadas por la autosuficiencia
y el aislamiento: “Me estaba moldeando, abriéndome más; quería acercarme a la gente”.
Las narrativas también revelaron que la conciencia de los patrones heredados no
implicaba necesariamente una interrupción inmediata de estos comportamientos. P3 afirma:
“No quiero ser esa persona que le hace esto a la persona que más amo”, al tiempo que reconoce
las dificultades para modificar ciertas reacciones emocionales y relacionales. P4, por su parte,
describe un proceso continuo de revisión, declarando que “quiero descubrir quién soy” y que
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“si alguien me convence de que estoy equivocado, cambio de opinión”, lo que indica apertura
a revisar posiciones arraigadas. De manera similar, P6 describe que, a pesar del esfuerzo por
diferenciarse de los modelos familiares, “si actúo en piloto automático, me afecta”, pero
también informa de movimientos concretos de cambio, como “ser menos autosuficiente todo el
tiempo” y “depender de otras personas y aceptar su ayuda”. Define la masculinidad como “un
ejercicio que siempre estoy haciendo”.
En varios relatos, la terapia se asoció con procesos de revisión de las experiencias
familiares masculinas. P7 afirma que la razón principal por la que buscó terapia fue
“precisamente para comprender mi posición en esta relación que tendré con L. [hija]”. El
nacimiento de su hija también aparece como un hito importante en su proceso de revisión de
sus propias referencias masculinas, especialmente en lo que respecta a las formas de autoridad
y cuidado. Comienza a cuestionarse “qué tipo de presencia masculina quiero tener”,
diferenciando “el hombre que impone respeto” del “hombre que infunde miedo”. La paternidad
también aparece en P8 como un elemento asociado con la interrupción de los patrones
familiares relacionados con el alcoholismo: “G. [hijo] llegó, ya no bebo. Solo bebo cerveza sin
alcohol. G. no pasará por lo que yo pasé”.
En P5 y P9, se muestra que los movimientos de reconstrucción están relacionados con
experiencias intensas de sufrimiento psíquico. P5 describe el intento de suicidio como un hito
en la reorganización de su propia trayectoria, afirmando posteriormente que “la persona no
quiere suicidarse; quiere deshacerse del dolor que siente” y que “no estoy vivo en vano”.
También se define a sí mismo como “un hombre, un machista en deconstrucción”, reconociendo
simultáneamente la permanencia y la revisión de ciertos patrones aprendidos. P9, a su vez,
describe un camino de diferenciación basado en sus propias experiencias familiares,
informando que “de dos personas pendencieras, elegí la paz; de dos personas que se golpeaban,
elegí apartarlos; de dos personas que se insultaban, elegí la calma”. También afirma que “la
conciencia despertó de tanta frustración, tanta decepción, tanta agonía”, asociando el proceso
de cambio con la necesidad de diferenciarse de las experiencias familiares que había vivido.
En P10, los movimientos de diferenciación aparecen asociados con la sexualidad, los
roles de género y las experiencias de pertenencia. Describe que “hoy ya no necesito reafirmar
esto constantemente”, refiriéndose a su relación con su propia masculinidad, y añade que “me
gusta jugar con estos roles de género”. También informa que “estamos en proceso de adopción”,
lo que indica la construcción de nuevas formas de paternidad y cuidado. Al final de la entrevista,
describe que “muchas cosas se han conjugado para que hoy me encuentre bien”.
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Por lo tanto, las narrativas indican que los participantes no describieron las
masculinidades aprendidas en la infancia como experiencias fijas o inmutables. Si bien los
patrones familiares persistieron de diversas formas, los relatos también evidenciaron procesos
de revisión, cuestionamiento y diferenciación en relación con las experiencias masculinas
heredadas. La terapia, la paternidad, las relaciones afectivas, la espiritualidad y las experiencias
de sufrimiento aparecieron, en distintas trayectorias, asociadas a procesos de reorganización de
las formas de vivir y comprender la masculinidad.
DISCUSIÓN
Los resultados presentados permiten comprender cómo diez hombres adultos que
experimentaron vivencias infantiles adversas construyen significados sobre su masculinidad a
partir de legados familiares marcados por la ambivalencia, la repetición transgeneracional y los
procesos graduales de diferenciación. El análisis de sus narrativas reveló que la masculinidad
no se aprendió como un modelo coherente y estable, sino como un campo de tensión donde
coexistían persistentemente el cuidado y la violencia, la presencia y la ausencia, la
identificación y el rechazo. Estos hallazgos dialogan con la literatura sobre vivencias infantiles
adversas, masculinidades y transmisión transgeneracional, evidenciando la complejidad de los
procesos mediante los cuales los hombres construyen significados sobre sí mismos a partir de
las relaciones familiares en las que crecieron.
La comprensión de las masculinidades como configuraciones de prácticas producidas
históricamente en contextos relacionales específicos, como proponen Connell (2005) y Connell
y Messerschmidt (2013), encuentra apoyo directo en los hallazgos de este estudio. En ninguna
de las narrativas analizadas surgió la masculinidad como una identidad singular o como una
herencia lineal; por el contrario, apareció como resultado de negociaciones continuas entre
modelos contradictorios, expectativas relacionales tácitas y vínculos afectivos marcados por el
sufrimiento y la ambivalencia. Estos datos refuerzan la perspectiva de que las masculinidades
no se transmiten como contenidos explícitos, sino que se aprenden en las prácticas cotidianas
de las relaciones familiares, en gestos, silencios, ausencias y formas de manejar el conflicto y
el afecto que los hombres que rodeaban a los participantes demostraron, o no demostraron. Para
Connell et al. (2005), las masculinidades son constructos sociales que se negocian
continuamente en las interacciones cotidianas, especialmente dentro de las relaciones
familiares, y las narrativas de los participantes en este estudio ilustran este proceso con
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precisión, revelando hombres que crecieron inmersos en masculinidades plurales, ninguna de
las cuales es lo suficientemente coherente como para ofrecer una referencia estable.
Esta ambivalencia en las referencias masculinas también encuentra apoyo en la
perspectiva sistémica y transgeneracional. Para Bowen (1991), el desarrollo subjetivo se
produce en una tensión permanente entre pertenencia y diferenciación, una tensión que se
organiza principalmente dentro de las relaciones familiares. Las figuras masculinas descritas
por los participantes, simultáneamente objetos de identificación y rechazo, constituyen el
campo relacional en el que esta tensión se establece desde la infancia. El hecho de que ningún
participante recibiera un modelo masculino coherente y estable sugiere que la ambivalencia no
fue un accidente individual en cada trayectoria, sino una característica estructural del campo
familiar en el que estos hombres crecieron. Estos datos son consistentes con la comprensión de
Boszormenyi-Nagy y Spark (1983) de la familia como un sistema de lealtades y obligaciones
relacionales que organizan la experiencia subjetiva incluso cuando no se reconocen
conscientemente: los participantes crecieron vinculados a modelos masculinos que generaban
sufrimiento, pero de los que no podían simplemente desvincularse, porque estos modelos
también eran una fuente de pertenencia, identidad y reconocimiento familiar.
La dimensión del alcoholismo, presente en prácticamente todas las narrativas, merece
una atención específica en este contexto. En diferentes relatos, el alcohol apareció no solo como
un patrón de comportamiento individual, sino también como organizador de la dinámica
familiar, asociado con la imprevisibilidad afectiva, el deterioro de los vínculos y el deterioro de
las trayectorias masculinas a través de las generaciones. Kalmakis y Chandler (2014) identifican
la imprevisibilidad como una de las dimensiones más dañinas de las experiencias adversas en
la infancia, ya que compromete los procesos de vinculación y regulación emocional que se
desarrollan en las relaciones primarias. Felitti et al. (1998) también señalan que vivir con el
alcoholismo familiar constituye una de las experiencias adversas más fuertemente asociadas
con resultados negativos a lo largo del ciclo vital, dado que encuentra resonancia directa en las
trayectorias de los participantes en este estudio, en el que el alcoholismo se asoció no solo con
el sufrimiento inmediato, sino también con la transmisión transgeneracional de patrones de
ausencia emocional, violencia e inestabilidad relacional.
Es precisamente en esta dimensión transgeneracional donde los hallazgos de este estudio
resuenan con mayor fuerza con la perspectiva de Boszormenyi-Nagy y Spark (1983). El
concepto de lealtades invisibles, vínculos éticos y relacionales que conectan a los miembros de
la familia a través de las generaciones, organizando expectativas de pertenencia y obligación
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relacional a menudo de forma inconsciente, nos permite comprender por qué ciertos patrones
masculinos se reproducen incluso cuando los propios participantes los reconocen como
generadores de sufrimiento. En diferentes narrativas, los participantes describieron
movimientos simultáneos de reconocimiento, crítica y repetición de patrones heredados,
reproduciendo en sus propias relaciones formas de violencia, desapego emocional o
autosuficiencia que habían recibido de sus padres y abuelos, incluso sin la intención consciente
de hacerlo.
Este fenómeno coincide con lo que Boszormenyi-Nagy y Spark (1983) describen como
la fuerza organizadora de las lealtades invisibles: no son las intenciones conscientes las que
determinan la transmisión, sino los lazos de pertenencia y obligación que operan por debajo del
umbral de la conciencia. La noción de diferenciación del self propuesta por Bowen (1991)
complementa esta comprensión al indicar que la ruptura de estos patrones requiere no solo el
reconocimiento intelectual de la herencia recibida, sino también un proceso de construcción de
autonomía emocional que permita al sujeto posicionarse críticamente en relación con su historia
familiar sin romper los lazos de pertenencia que sustentan su identidad.
Estudios recientes han indicado que los hombres expuestos a experiencias adversas en
la infancia suelen desarrollar estrategias adaptativas asociadas con la fortaleza emocional, la
hipervigilancia relacional y el silenciamiento del sufrimiento (Levell, 2020; Zaniewski et al.,
2022). Los hallazgos de este estudio confirman este patrón, pero añaden una dimensión que la
literatura no siempre considera con el mismo énfasis: la conciencia de los participantes sobre
estos patrones y los esfuerzos transformadores activos que muchos de ellos emprendieron a lo
largo de su vida adulta. En este sentido, los resultados son consistentes con Callaghan et al.
(2025), quienes sostienen que los hombres expuestos a contextos familiares violentos o
negligentes no reproducen tales experiencias de manera lineal o automática, sino que
frecuentemente desarrollan movimientos ambivalentes de identificación, crítica, resistencia y
reelaboración de referencias masculinas aprendidas. Las trayectorias de P3 y P7, que buscaron
terapia precisamente para interrumpir una cadena de violencia que abarcaba generaciones, o la
de P8, que dejó el alcohol con la llegada de su hijo, o incluso la de P9, que construyó un camino
de diferenciación radical basado en decisiones deliberadas y solitarias, son ejemplos que
ilustran esta capacidad de acción incluso frente a legados densos y persistentes.
En este proceso de diferenciación, surgieron en las narrativas diversos recursos y
experiencias como elementos organizadores de la transformación. La terapia, la paternidad, la
espiritualidad, el sufrimiento psíquico intenso y las relaciones afectivas significativas fueron
De la reproducción a la reflexión: masculinidades y legados familiares adversos
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mencionadas por los participantes como hitos que precipitaron o sostuvieron los movimientos
de revisión de las masculinidades heredadas. Esta diversidad de caminos es coherente con la
perspectiva de Bowen (1991), según la cual la diferenciación del self no sigue un camino único
o predecible, sino que se organiza a partir de las condiciones relacionales y subjetivas
específicas de cada trayectoria. Bianchi y Kublikowski (2022) y Bianchi (2026) refuerzan esta
perspectiva al comprender la familia como un sistema de relaciones afectivas y de pertenencia
que se perpetúa a lo largo del tiempo, asegurando a sus miembros no solo la supervivencia
biopsicosocial, sino también las condiciones para la transformación cuando los sujetos
encuentran recursos para posicionarse reflexivamente en relación con la herencia recibida.
Aquí es donde la contribución de hooks (2022) cobra especial relevancia, ya que
argumenta que la cultura patriarcal impone a los hombres, desde la infancia, la supresión de la
vulnerabilidad, el afecto y la necesidad de cuidado como condiciones para pertenecer al
universo masculino. Este proceso de supresión, aprendido en las relaciones familiares,
reforzado en las interacciones sociales y naturalizado como un atributo de la masculinidad, es
precisamente lo que revelan las narrativas de los participantes: hombres que crecieron en
entornos donde el afecto masculino era escaso, contradictorio o condicional, y que, a lo largo
de su vida adulta, necesitaron aprender a reconocer y nombrar necesidades emocionales que
fueron sistemáticamente silenciadas durante su crianza. Para hooks (2022), la transformación
de esta condición no implica la negación de la masculinidad, sino la construcción de formas de
ser hombre en las que el amor, el cuidado y la vulnerabilidad puedan experimentarse sin
amenazar la identidad, lo cual, en diversos grados y de diferentes maneras, es precisamente el
proyecto que los participantes en este estudio describen como la construcción de sus vidas.
Por lo tanto, los hallazgos señalan la necesidad de comprender la construcción de las
masculinidades en contextos adversos como un proceso simultáneo de transmisión y
transformación. Los legados familiares no determinan linealmente las identidades masculinas,
sino que constituyen el campo de tensión a partir del cual cada individuo construye, con los
recursos disponibles en su trayectoria, sus propias formas de ser hombre. Esta comprensión
tiene implicaciones relevantes para la práctica clínica en psicología, especialmente en el trabajo
con hombres que buscan procesar experiencias adversas de la infancia y reinterpretar las
referencias masculinas recibidas, abriendo así un espacio para masculinidades más afectivas y
reflexivas, capaces de mantener vínculos sin recurrir a la violencia, el distanciamiento o el
silenciamiento del sufrimiento.
Daniela Pupo Barbosa Bianchi & Ida Kublikowski
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CONSIDERACIONES FINALES
Este estudio buscó comprender el impacto de los patrones transgeneracionales en la
construcción de significados atribuidos a la masculinidad por hombres adultos que
experimentaron vivencias adversas en la infancia. Los hallazgos mostraron que la masculinidad
se aprendió en contextos marcados por la ambivalencia afectiva, la repetición transgeneracional
y los movimientos graduales de diferenciación; procesos que demostraron estar profundamente
interconectados y que no pueden entenderse de forma aislada.
El análisis de las narrativas indicó que las experiencias adversas en la infancia no
determinan linealmente las identidades masculinas, sino que constituyen el campo relacional a
partir del cual cada sujeto construye, con los recursos disponibles a lo largo de su vida, sus
propias formas de significar y experimentar la masculinidad. El alcoholismo, la violencia, la
ausencia emocional y la rigidez afectiva aparecieron como patrones transmitidos entre
generaciones, pero también como experiencias que, al ser procesadas reflexivamente, podían
convertirse en puntos de partida para procesos de transformación y diferenciación.
Estos hallazgos tienen implicaciones relevantes para la práctica clínica en psicología.
Trabajar con hombres que han experimentado vivencias adversas en la infancia requiere prestar
atención a los legados transgeneracionales que organizan silenciosamente sus formas de
relacionarse, ejercer autoridad y afrontar el sufrimiento; dimensiones que a menudo no se
nombran en los entornos clínicos, pero que se manifiestan en dificultades relacionales, rigidez
afectiva y la represión de la vulnerabilidad. Comprender estos patrones como productos de la
transmisión familiar, y no como fallas individuales, abre el camino a intervenciones más
sensibles y efectivas.
Una limitación es que la muestra consistió exclusivamente en hombres brasileños
cisgénero, participantes predominantemente blancos con educación superior, lo que restringe
el alcance de los resultados. Por otro lado, los procesos descritos en este estudio pueden
contribuir a la construcción de espacios clínicos para la reflexión sobre las identidades
masculinas y las formas en que se producen a lo largo de las trayectorias familiares. Futuros
estudios podrían investigar las particularidades de las masculinidades en contextos de mayor
vulnerabilidad social. La inclusión de perspectivas interseccionales, que articulen género,
raza/etnia y clase, podría enriquecer significativamente la comprensión de los procesos de
transmisión y transformación de las masculinidades en contextos adversos.
De la reproducción a la reflexión: masculinidades y legados familiares adversos
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C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : N o .
Fi n a n ci a ci ó n : Est e tr a b aj o f u e r e ali z a d o c o n el a p o y o d e l a C o or di n a ci ó n d e
P erf e c ci o n a mi e nt o d e P ers o n al d e Ni v el S u p eri or – Br asil ( C A P E S).
C o nfli ct os d e i nt e r és : N o e xist e n c o nflict os d e i nt er és.
A p r o b a ci ó n étic a : El tr a b aj o f u e s o m eti d o a l a e v al u a ci ó n d el C o mit é d e Éti c a e n
I n v esti g a ci ó n vi n c ul a d o a l a P U C-S P.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : L os d at os y m at eri al es utili z a d os e n el tr a b aj o n o
está n dis p o ni bl es p ar a s u a c c es o, d e bi d o a q u e s e tr at a d e e ntr e vist as d e c ar á ct er
c o nfi d e n ci al, d e c o nf or mi d a d c o n l as n or m as d el C o mit é d e Éti c a e n I n v esti g a ci ó n. L a t esis
c o m pl eta est ar á dis p o ni bl e e n e l siti o w e b d e l a P U C -S P a p artir d e 2 0 2 7.
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : L as c o ntri b u ci o n es f u er o n si mil ar es.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, di a gr a m a ci ó n , n or m ali z a ci ó n y tr a d u c ci ó n