Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 1
ENTRE O TRAUMA E O CUIDADO: PRÁTICAS EDUCATIVAS,
CORREGULAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO RELACIONAL DE FAMÍLIAS EM
CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL
ENTRE EL TRAUMA Y EL CUIDADO: PRÁCTICAS EDUCATIVAS, COREGULACIÓN
Y TRANSFORMACIÓN RELACIONAL DE FAMILIAS EN CONTEXTOS DE
VULNERABILIDAD SOCIAL
BETWEEN TRAUMA AND CARE: EDUCATIONAL PRACTICES, CO-REGULATION,
AND RELATIONAL TRANSFORMATION OF FAMILIES IN CONTEXTS OF SOCIAL
VULNERABILITY
João Laurentino dos SANTOS
1
e-mail: jlauren[email protected]
Como referenciar este artigo:
Santos, J. L. (2026). Entre o trauma e o cuidado: práticas
educativas, corregulação e transformação relacional de
famílias em contextos de vulnerabilidade social. Doxa: Rev.
Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026018.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21483
| Submetido em: 02/05/2026
| Revisões requeridas em: 12/05/2026
| Aprovado em: 20/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doutor em
Psicologia Clínica pelo Núcleo de Família e Comunidade.
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 2
RESUMO: Este artigo propõe reinterpretação das práticas parentais em contextos de
vulnerabilidade social à luz da teoria do trauma do desenvolvimento, articulando contribuições do
Pensamento Sistêmico, da Teoria da Complexidade, do Construcionismo Social, da Neurobiologia
Relacional e da Terapia Narrativa. O estudo realiza reinterpretação hermenêutica e retrospectiva de
acervo produzido em duas pesquisas com famílias vinculadas à Associação Meninos do Morumbi,
em São Paulo, entre 2001 e 2010, na PUC-SP. As pesquisas originais combinaram abordagens
qualitativas e quantitativas, incluindo Grupos Reflexivos, Grupos Focais, atendimentos familiares,
genogramas e o Inventário de Estilos Parentais. A análise compreendeu práticas parentais violentas
e inconsistentes como expressões de sofrimento relacional, desregulação emocional e transmissão
intergeracional do trauma, e não apenas como falhas morais ou déficits educacionais. Evidenciou-
se o papel dos Grupos Reflexivos na corregulação, reflexividade e reautoria parental. Conclui-se
que essa abordagem amplia a compreensão da parentalidade, deslocando o foco da culpabilização
para perspectiva relacional.
PALAVRAS-CHAVE: Trauma do desenvolvimento. Parentalidade. Práticas educativas.
Vulnerabilidade social. Grupos reflexivos.
RESUMEN: Este artículo propone una reinterpretación de las prácticas parentales en contextos
de vulnerabilidad social a la luz de la teoría del trauma del desarrollo, articulando contribuciones
del Pensamiento Sistémico, la Teoría de la Complejidad, el Construccionismo Social, la
Neurobiología Relacional y la Terapia Narrativa. El estudio realiza una reinterpretación
hermenéutica y retrospectiva de un acervo producido en dos investigaciones previas con familias
vinculadas a la Associação Meninos do Morumbi, en São Paulo, Brasil, entre 2001 y 2010, en la
Pontificia Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP). Las investigaciones originales
combinaron enfoques cualitativos y cuantitativos, incluidos Grupos Reflexivos, Grupos Focales,
sesiones de atención familiar, genogramas y el Inventario de Estilos Parentales. El análisis
comprendió las prácticas parentales violentas e inconsistentes como expresiones de sufrimiento
relacional, desregulación emocional y transmisión intergeneracional del trauma, y no únicamente
como fallas morales o déficits educativos. Se evidenció el papel de los Grupos Reflexivos en la
promoción de la corregulación, la reflexividad y la reautoría parental. Se concluye que este
enfoque amplía la comprensión de la parentalidad, desplazando el foco de la culpabilización
individual hacia una perspectiva relacional.
PALABRAS CLAVE: Trauma del desarrollo. Parentalidad. Prácticas educativas. Vulnerabilidad
social. Grupos reflexivos.
ABSTRACT: This article proposes a reinterpretation of parenting practices in contexts of social
vulnerability in light of developmental trauma theory, integrating contributions from Systems
Thinking, Complexity Theory, Social Constructionism, Relational Neurobiology, and Narrative
Therapy. The study conducts a hermeneutic and retrospective reinterpretation of a body of material
produced in two previous studies involving families affiliated with the Associação Meninos do
Morumbi in São Paulo, Brazil, between 2001 and 2010, at the Pontifical Catholic University of São
Paulo (PUC-SP). The original studies combined qualitative and quantitative approaches, including
Reflective Groups, Focus Groups, family counseling sessions, genograms, and the Parenting Styles
Inventory. The analysis understood violent and inconsistent parenting practices as expressions of
relational distress, emotional dysregulation, and the intergenerational transmission of trauma,
rather than merely as moral failings or educational deficits. The findings highlighted the role of
Reflective Groups in promoting coregulation, reflexivity, and parental re-authoring. It is concluded
that this approach broadens the understanding of parenting by shifting the focus from individual
blame toward a relational perspective.
KEYWORDS: Developmental trauma. Parenting. Educational practices. Social vulnerability.
Reflective groups.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 3
INTRODUÇÃO
As práticas educativas no contexto das famílias em situação de vulnerabilidade social
nos convocam a um exercício de compreensão que ultrapassa leituras normativas e explicações
simplificadoras. Ao longo de minha trajetória profissional, em contato direto com pais e mães
que enfrentam cotidianamente os desafios de educar seus filhos em condições adversas, tornou-
se evidente que a experiência da parentalidade, nesses contextos, não pode ser compreendida
fora das condições concretas da vida cotidiana.
A realidade dessas famílias é marcada por múltiplas tensões: precariedade econômica,
instabilidade nas relações conjugais, ausência ou fragilidade de redes de apoio e exposição
recorrente a situações de violência. Nesse cenário, educar filhos deixa de ser apenas uma função
socialmente prescrita e passa a constituir-se como uma experiência complexa, muitas vezes
atravessada por sofrimento, improvisos e resistência. É justamente essa complexidade que
demanda referenciais teóricos capazes de compreender os processos relacionais em seus
próprios contextos, para além de explicações lineares e reducionistas.
Sob a perspectiva do pensamento sistêmico novo paradigmático (Vasconcellos, 2002) e
da complexidade (Morin, 2002), tais experiências não podem ser reduzidas a relações lineares
de causa e efeito, mas devem ser compreendidas como fenômenos emergentes de sistemas
relacionais dinâmicos, nos quais múltiplos fatores exercem influências, desde os micro e macro
contextos 2 históricos, afetivos, sociais e culturais. Aquilo que somos constitui-se em um self
interconectado, atravessado pelas mídias, pelas relações familiares e comunitárias, pelos meios
de comunicação e pelas redes sociais (Gergen, 1991), que se interpenetram e se retroalimentam.
É nesse campo que a articulação com o conceito de trauma se torna particularmente
fecundo, permitindo aprofundar a compreensão das práticas educativas não como
comportamentos isolados, mas como expressões de histórias e contextos que atravessam as
pessoas, podendo se constituir em situações potencialmente traumáticas ao longo do
desenvolvimento nas diferentes fases do ciclo vital familiar (Walsh, 2016). Embora a literatura
antropológica e sociológica examine com densidade os impactos estruturais dos riscos,
privações e vulnerabilidades sobre as famílias, identifica-se uma importante lacuna científica
no campo da psicologia do desenvolvimento e da terapia familiar: as investigações que avaliam
as dificuldades educativas parentais tendem, historicamente, a oscilar entre dois polos
reducionistas. Por um lado, adota-se uma perspectiva patologizante que individualiza a
vulnerabilidade; por outro, recorre-se a modelos protocolares, instrucionistas e
comportamentais de avaliação (como o Inventário de Estilos Parentais [IEP]) que classificam
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 4
comportamentos severos — como a punição inconsistente e o abuso físico — estritamente sob
a categoria de ‘déficits de habilidades’ ou ‘escolhas disciplinares inadequadas’.
O limite interpretativo desses modelos tradicionais reside na desconsideração de que
tais práticas hostis ou inconsistentes sugerem não ser simples falhas de aprendizagem
relacional, mas sim manifestações somáticas e afetivas de sistemas nervosos cronicamente
desregulados pelo peso do estresse cumulativo e da transmissão intergeracional de feridas
relacionais. A literatura científica contemporânea em cuidado informado pelo trauma
(neurobiologia interpessoal) demonstra que a exposição contínua ao desamparo altera o
funcionamento neurofisiológico e as estratégias adaptativas de sobrevivência do sujeito.
Contudo, há uma escassez de estudos que cruzem dados empíricos de oscilações longitudinais
de práticas educativas em contextos vulneráveis com esta perspectiva clínica do trauma
relacional e do desenvolvimento.
Justifica-se, portanto, a presente releitura interpretativa e retrospectiva do acervo
empírico e longitudinal de duas pesquisas consecutivas (Santos, 2006, 2011), que
acompanharam 100 famílias ao longo de 24 meses sob um delineamento de pesquisa-ação.
Propõe-se um deslocamento epistemológico essencial: afastar-se da lógica da culpabilização ou
do mero ‘treino comportamental’ para reler os dados quantitativos longitudinais (clusters) e as
vinhetas qualitativas dos Grupos Reflexivos de Pais sob a lente da Teoria do Trauma do
Desenvolvimento. Ao propor a compreensão sobre como o sofrimento invisibilizado e as
reações automáticas afetam as práticas educativas, este estudo busca oferecer novos caminhos
para a compreensão de dispositivos comunitários e clínicos de corregulação relacional e
reautoria parental na esfera da saúde pública e assistência social.
UM OLHAR QUE SE DESLOCA: CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS
A releitura retrospectiva e a ampliação compreensiva
O percurso metodológico que sustenta este artigo não tem origem em uma nova coleta
de dados, mas baseia-se em uma sólida investigação empírica e longitudinal construída ao longo
de duas pesquisas acadêmicas consecutivas (Santos, 2006, 2011), realizadas com famílias em
situação de vulnerabilidade social (IPVS 4). Trata-se, portanto, de uma releitura interpretativa
e retrospectiva de um acervo empírico já consolidado. Originalmente, essas investigações não
foram operacionalizadas tendo o ‘trauma’ como variável a priori. Contudo, o contato contínuo
com o material empírico revelou intensidades, repetições e formas de sofrimento nas práticas
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 5
educativas que excediam as categorias iniciais. Assim, a aproximação com o campo do trauma
não foi uma decisão teórica prévia, mas uma necessidade analítica que emergiu da escuta, tendo
como objetivo produzir uma ampliação compreensiva do fenômeno, permitindo que o próprio
material convocasse novas perguntas.
Os dispositivos e a lógica epistemológica
Em Santos (2011), adotou-se um delineamento quanti-qualitativo de pesquisa-ação
(pesquisa interventiva), balizado pelos referenciais do Pensamento Sistêmico Novo-
Paradigmático, da Complexidade e da Fenomenologia. O acompanhamento longitudinal de 100
famílias ao longo de 24 meses utilizou Grupos Reflexivos (como contexto generativo da
pesquisa, núcleo de intervenção e sensibilização comunitária) e Grupos Focais (para
aprofundamento dialógico dos temas emergentes nos grupos reflexivos). Quantitativamente,
aplicou-se o Inventário de Estilos Parentais (IEP) em quatro momentos (marco zero (início), 6,
12 e 24 meses) para aferir a oscilação temporal e possíveis mudanças de práticas educativas
como Monitoria Positiva, Comportamento Moral, Punição Inconsistente, Negligência,
Disciplina Relaxada, Monitoria Negativa e Abuso Físico.
Critérios analíticos, lógica interpretativa e triangulação
A análise do vasto material qualitativo das pesquisas originais pautou-se em uma lógica
hermenêutica e fenomenológica, na qual as categorias não foram impostas a priori, mas
emergiram organicamente por meio de uma análise pragmática e semântica das conversações.
Ao decodificar os discursos em busca de seus sentidos subjacentes, o fenômeno educativo foi
organizado em grandes eixos: categorias temáticas (conteúdos amplos), subcategorias
(significados específicos) e unidades de significado (núcleos narrativos). A articulação final
desses achados consolidou-se por meio da triangulação de métodos, cruzando os dados
estatísticos do Inventário de Estilos Parentais (IEP) — que evidenciaram flutuações objetivas,
como o ‘Efeito Sanfona’, seguidas por diminuições com estabilização ao final de 24 meses —
com a riqueza intersubjetiva das narrativas grupais. Essa triangulação operou não apenas como
ferramenta de validação, mas para dissolver a dicotomia entre as abordagens quantitativa e
qualitativa, iluminando como as oscilações numéricas nas práticas parentais eram um reflexo
direto das desregulações emocionais descritas nas falas dos pais.
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 6
A partir dessa base empírica consolidada, o segundo movimento interpretativo proposto
por este estudo desenvolveu-se em três momentos articulados. Inicialmente, realizou-se a
revisitação das narrativas e unidades de significado originárias, com o intuito de rastrear
recorrências, tensões e zonas de silêncio relacionadas às experiências de sofrimento. Em
seguida, estabeleceu-se um diálogo hermenêutico entre esse material e os referenciais
contemporâneos da teoria do trauma do desenvolvimento, da neurobiologia relacional e da
terapia narrativa.
Por fim, procedeu-se à construção de novas categorias analíticas voltadas à
compreensão da desregulação emocional, da transmissão intergeracional do trauma, dos
processos de corregulação e da reautoria narrativa. Diferentemente das categorias produzidas
nas pesquisas originais, essas novas formulações possuem natureza eminentemente
interpretativa e não descritiva, funcionando como operadores teóricos para uma compreensão
atualizada do fenômeno. As distinções entre as interpretações prévias e aquelas desenvolvidas
neste novo escopo estruturam a seção de resultados e discussão.
O estatuto metodológico das vinhetas
Neste processo de releitura hermenêutica, as narrativas transcritas ganham vida sob a
forma de vinhetas. Mais do que meros exemplos ilustrativos usados para confirmar hipóteses
teóricas, elas assumem o papel de verdadeiros pontos de condensação da experiência humana.
A escolha de cada vinheta guiou-se por sua potência clínica em revelar os delicados
cruzamentos entre a história de vida de cada sujeito e sua forma de educar. Desse modo, a teoria
encontra âncora na vivência concreta, permitindo que essas narrativas representem a
complexidade das relações, o esgotamento, a repetição de padrões e, sobretudo, a força e a
insistência das tentativas de cuidado em contextos de estresse contínuo.
Diante da vastidão desse acervo quanti-qualitativo, o processo de triagem e extração de
dados contou com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). No entanto, o uso
dessa tecnologia limitou-se à estruturação ágil de planilhas e à síntese preliminar dos textos,
sem jamais substituir a sensibilidade e a interpretação do pesquisador. Todos os dados foram
minuciosamente validados e conferidos de forma manual para assegurar a fidedignidade, a
precisão analítica e o rigor ético. Esse cuidado foi inegociável para garantir que as vozes e as
subjetividades dos participantes não fossem, em momento algum, achatadas ou reduzidas por
um algoritmo. Por fim, todo o esforço analítico concentrou-se em articular profundamente essas
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 7
duas dimensões: as práticas educativas e as marcas do trauma do desenvolvimento na
experiência cotidiana e familiar de educar os filhos.
Considerações éticas
O cuidado e o rigor ético guiaram cada passo deste trabalho, desde as coletas de dados
originais até o presente esforço de releitura, uma postura indispensável ao lidarmos com as
histórias de famílias em situação de vulnerabilidade social. Todo o projeto foi devidamente
respaldado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo (PUC-SP) (Protocolo nº 281/2009). A participação dessas famílias ocorreu de
forma genuinamente voluntária e segura, firmada por meio da assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos responsáveis. Para proteger
incondicionalmente a identidade e a dignidade de cada participante, o anonimato foi preservado
com o máximo rigor, utilizando-se nomes fictícios para desidentificar todas as narrativas e
vinhetas. Esse mesmo zelo estendeu-se ao uso da Inteligência Artificial nesta atual etapa: a
tecnologia foi operada em um ambiente controlado e estritamente ético, sempre sob atenta
supervisão humana, resguardando o sigilo absoluto das experiências e das histórias de vida tão
intimamente compartilhadas conosco.
Por fim, com o intuito de tornar sensível e explícito o deslocamento de olhar promovido
por esta releitura hermenêutica, elaborou-se o Quadro 1. Essa síntese apresenta de forma clara
as principais diferenças entre as categorias analíticas que predominaram nas pesquisas originais
e as novas perspectivas que ganharam contorno a partir do diálogo profundo com a teoria do
trauma do desenvolvimento.
Quadro 1.
Transição epistemológica das categorias analíticas
Fenômeno/Variável empírica
Interpretação nas pesquisas
originais (Santos, 2006, 2011)
Nova interpretação sob a lente
do trauma (presente estudo).
(Santos, 2011; van der Kolk,
2014)
Abuso Físico e Negligência (IEP)
(Gomide, 2006)
Práticas educativas negativas
decorrentes de herança cultural
transgeracional ou déficits de
competências parentais (Santos,
2006, 2011).
Expressões somáticas de
desregulação emocional
neurobiológica e reações
automáticas de sobrevivência
(defesa) sob estresse crônico
(Schore, 2003; van der Kolk,
2014).
Punição Inconsistente (IEP)
(Gomide, 2006)
Inconsistência na aplicação de
regras por falta de limites claros,
gerando vulnerabilidade educativa
(Santos, 2011).
Engrenagem relacional que
compromete a construção do apego
seguro, mimetizando a
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 8
imprevisibilidade típica dos
ambientes de trauma relacional.
‘Efeito Sanfona’ (Oscilação 6-12
meses) (Santos, 2011)
Relaxamento temporário da
vigilância parental ou desatenção
dos pais devido ao distanciamento
dos encontros grupais (Santos,
2011).
Colapso temporário da janela de
tolerância dos pais pela
desestabilização da rede de
segurança e perda do ‘andaime’ de
corregulação do grupo.
A Estabilização aos 24 meses
(Santos, 2011)
Aprendizagem, treino e
internalização de competências
educativas e atitudes de monitoria
positiva (Santos, 2011).
Consolidação de uma experiência
de segurança internalizada e
fortalecimento das capacidades
reflexivas de autocontrole
(reautoria) (Siegel, 2012; White &
Epston, 1990).
Papel do Grupo Reflexivo
(Santos, 2011)
Espaço dialógico e pedagógico de
sensibilização, troca de
experiências e redefinição de
papéis de gênero (Santos, 2011).
Dispositivo clínico-comunitário de
corregulação relacional ativa e
espaço de testemunho externo para
a reautoria identitária (Herman,
1992; White & Epston, 1990).
Nota. Elaborado pelo autor (2026).
Compreendida essa transição epistemológica, importa destacar que as categorias
apresentadas no Quadro 1 não representam a substituição das interpretações originais por uma
nova leitura considerada mais verdadeira. Elas expressam, antes, o movimento hermenêutico
realizado neste estudo, no qual o reencontro com o acervo empírico, à luz de novos referenciais
teóricos, possibilitou ampliar o horizonte de compreensão dos fenômenos já observados. Nesse
sentido, a releitura não busca corrigir as análises anteriormente produzidas, mas aprofundá-las,
evidenciando dimensões que permaneceram latentes no momento em que os dados foram
originalmente interpretados.
Não se trata de aplicar uma teoria sobre um material já pronto, mas de permitir que o
próprio material convoque novas perguntas. A aproximação com o campo do trauma não foi
uma decisão prévia, mas uma necessidade que emergiu da escuta — uma forma de dar nome e
densidade a experiências que já estavam presentes, ainda que não explicitadas dessa maneira.
Ao aproximar-se do tema do trauma do desenvolvimento no contexto das práticas
educativas na família, o que se torna visível são as marcas da repetição, da desregulação, da
intensidade emocional e das dificuldades de sustentação de vínculos em contextos marcados
pela instabilidade presentes quando os pais agiam para educar seus filhos.
Nesse novo momento de um processo compreensivo, as vinhetas ganham um lugar
central. Elas não são apenas exemplos ilustrativos, mas pontos de condensação da experiência.
Ao revisitá-las, não buscamos confirmar hipóteses, mas escutar novamente o que elas têm a
dizer, agora a partir de um outro horizonte. O que antes era compreendido como dificuldade ou
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 9
limitação, falha ou até falta de capacidade, por exemplo, passa a ser visto também como
expressão de histórias atravessadas por profundo sofrimento e luta na busca de superação.
Um material que, ao ser revisitado dessa maneira, nos convoca inevitavelmente a reler
essas práticas e oscilações parentais sob novas perspectivas. É esse movimento de abertura que
inspira os questionamentos norteadores de nossa análise, destacados a seguir:
• Sobre a desregulação emocional: em vez de categorizar variáveis como ‘Punição
Inconsistente’, ‘Negligência’ e ‘Abuso Físico’ (Gomide, 2006) apenas como escolhas
inadequadas ou déficits de habilidades parentais, seria possível reler esses
comportamentos como expressões diretas de desregulação emocional e respostas
automáticas de sobrevivência frente à instabilidade social e relacional?
• Sobre a transmissão intergeracional: as práticas educativas violentas poderiam ser
compreendidas não apenas como herança de valores culturais, mas como a transmissão
de marcas de traumas relacionais crônicos que limitaram a capacidade de autorregulação
desses adultos?
• Sobre a necessidade de corregulação contínua: como a teoria do trauma explicaria o
‘efeito sanfona’ (recaídas nas práticas parentais entre 6 e 12 meses), e estaria essa
oscilação relacionada a uma desestabilização da rede de segurança do sistema nervoso
dos pais devido à diminuição na frequência dos grupos?
• Sobre o grupo como dispositivo clínico Antitrauma: poderiam os Grupos Reflexivos
transcender o status de espaços dialógicos para serem considerados verdadeiros
‘ambientes de cuidado relacional’, capazes de atuar na regulação emocional dos pais e
suprir a escuta e a sintonia que lhes faltou na infância?
O primeiro deles diz respeito à desregulação emocional. Longe de ser compreendida
como um ‘mau comportamento’ ou um transtorno de conduta intencional, ela pede um olhar
mais empático: trata-se de uma dificuldade, muitas vezes em nível neurobiológico, de modular,
tolerar e se recuperar de estados afetivos extremos — como o medo e a raiva — diante do
estresse. Nesses momentos de angústia, a pessoa passa a agir movida por respostas instintivas
e automáticas de sobrevivência, seja lutando, fugindo ou paralisando (Perry & Szalavitz, 2006;
Schore, 2003; van der Kolk, 2014).
Como nos lembra Bessel van der Kolk (2014), as feridas do trauma comprometem a
capacidade do sistema nervoso de voltar ao seu eixo de equilíbrio após uma ameaça, mantendo
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 10
o organismo preso em um exaustivo estado de prontidão defensiva. Allan Schore (2003)
complementa essa visão ao destacar que a nossa capacidade de regulação emocional é
construída no colo, por meio dos circuitos neurobiológicos tecidos nos laços de apego e no afeto
dos primeiros anos de vida. Dialogando com essa perspectiva, Michael White (2019) nos
convida a enxergar as crianças submetidas a essas dores não como meros receptáculos passivos
do sofrimento, mas como sujeitos incrivelmente ativos, que criam conhecimentos e estratégias
próprias para sobreviver. Para ele, o trauma nunca resume a totalidade de quem essas pessoas
são; existem sempre histórias de resistência, preservação e busca por segurança que,
infelizmente, acabam abafadas por narrativas focadas apenas no problema.
O segundo conceito que guia nosso olhar é a transmissão intergeracional do trauma.
Essa ideia amplia a noção de herança familiar, levando-a para o campo neurobiológico e
relacional, para nos ajudar a entender como dores não curadas e dificuldades emocionais de
uma geração são passadas adiante, moldando o ambiente das próximas (Bowen, 1978; Fraiberg
et al., 1975; Schore, 2003; van der Kolk, 2014). Murray Bowen (1978) já observava como certos
padrões emocionais viajam no tempo, especialmente em famílias marcadas por uma intensa
reatividade. É o que Selma Fraiberg et al. (1975) descreveram, de forma profunda e poética,
como os “fantasmas no quarto do bebê”: as experiências traumáticas não elaboradas pelos pais
que insistem em assombrar o momento sagrado da interação com seus próprios filhos. Autores
como Schore (2003) e van der Kolk (2014) evidenciam que esse legado doloroso transita pelas
vias invisíveis da neurobiologia e das relações, impactando diretamente os vínculos de apego,
a capacidade de se acalmar no amparo do outro (corregulação) e o desenvolvimento da própria
paz interior.
Em contraposição a essas feridas, o terceiro conceito é a corregulação, entendida como
um processo relacional no qual um ambiente ou uma pessoa segura atua como um ‘andaime’
emocional, ajudando a acalmar e a regular o sistema nervoso desestabilizado do outro (Schore,
2003; Siegel, 2012; Porges, 2011). Para Daniel J. Siegel (2012), a regulação emocional se
desenvolve inicialmente em contextos relacionais seguros, nos quais a presença empática e
previsível do cuidador auxilia o indivíduo a organizar seus estados internos. De modo
semelhante, Allan Schore (2003) afirma que a corregulação constitui a base do
desenvolvimento da autorregulação, especialmente nas relações de apego precoce.
Já Stephen Porges (2011), a partir da Teoria Polivagal, explica que sinais de segurança
emitidos na relação interpessoal são capazes de modular estados defensivos do sistema nervoso
autônomo, favorecendo calma, conexão social e sensação de segurança.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 11
O quarto conceito é o de dispositivo clínico Antitrauma, que eleva intervenções sociais
(como os Grupos Reflexivos) ao status de ambientes terapêuticos de ‘cura’ relacional, cujo
objetivo central é fornecer a escuta, a aceitação e a previsibilidade que faltaram na formação
inicial desses pais, permitindo que a corregulação aconteça (Herman, 1992; Schore, 2003; van
der Kolk, 2014; Winnicott, 1965). Segundo Judith Herman (1992), processos de recuperação
do trauma dependem da construção de contextos seguros e relacionais capazes de restaurar
vínculos de confiança e pertencimento. Na mesma direção, Donald Winnicott (1965) descreve
a importância do “ambiente suficientemente bom” como condição para o amadurecimento
emocional e a integração psíquica. Já Allan Schore (2003) e Bessel van der Kolk (2014)
ressaltam que experiências relacionais seguras e previsíveis podem reorganizar padrões
defensivos do sistema nervoso, favorecendo processos de regulação emocional, integração e
reparação do trauma relacional.
O quinto e último alinhamento conceitual refere-se à ressignificação das práticas
educativas negativas. Historicamente, o Inventário de Estilos Parentais (IEP) categorizou
variáveis como ‘Punição Inconsistente’, ‘Negligência’ e ‘Abuso Físico’ para mensurar o
desenvolvimento ou a inibição de comportamentos antissociais (Gomide, 2006). No entanto,
sob a lente do trauma do desenvolvimento, propõe-se que esses comportamentos não sejam
lidos apenas como escolhas modos inadequados de se relacionar com os filhos, falhas morais
ou déficits de habilidades parentais.
Apoiando-se em autores como Gabor Maté e Daniel Maté (2023), sugere-se reler essas
práticas como expressões diretas de desregulação emocional e respostas automáticas de
sobrevivência frente à instabilidade social e relacional crônica. O uso da agressão e da
inconsistência deixa de ser entendido como um ato deliberado para causar dano, revelando-se
como respostas instintivas aprendidas e incorporadas ao longo de trajetórias marcadas por
experiências traumáticas vivenciadas pelos próprios adultos em suas infâncias (Santos, 2006;
2011; Maté & Maté, 2023).
Segundo Maté e Maté (2023), comportamentos defensivos persistentes frequentemente
representam adaptações de sobrevivência desenvolvidas em contextos precoces de dor
emocional, negligência ou insegurança relacional, sendo posteriormente automatizados pelo
sistema nervoso. Estudos recentes têm demonstrado que experiências de violência parental
produzem impactos duradouros na organização emocional, nos vínculos afetivos e na
construção identitária dos indivíduos ao longo do desenvolvimento (Ferreira & Santos, 2025).
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 12
PRÁTICAS EDUCATIVAS EM CONTEXTOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL:
DA NORMATIVIDADE À COMPLEXIDADE
A Lente do Construcionismo Social nos convida para uma reflexão sobre como
construímos nossa realidade, a noção de mundo e o conhecimento. Assim, a partir da releitura
que nos propomos, somos inspirados em nosso olhar para o fenômeno do trauma do
desenvolvimento não a partir do Déficit Individual, mas sim como uma construção no Campo
Relacional.
Assim, nossa compreensão das práticas educativas em contextos de vulnerabilidade
social exige um deslocamento epistemológico que recuse explicações baseadas exclusivamente
em déficits individuais ou falhas morais. Nesse sentido, o Construcionismo Social oferece um
valioso referencial teórico ao fundamentar-se na crítica ao individualismo e propor uma
perspectiva estritamente relacional (Gergen, 1991; Rasera & Guanaes-Lorenzi, 2010). Como
argumenta Kenneth Gergen (1991), o sujeito não pode ser compreendido como uma entidade
isolada e autocontida, mas como resultado de processos relacionais e discursivos historicamente
construídos. Na mesma direção, Emerson Fernando Rasera e Carla Guanaes-Lorenzi (2010)
destacam que os significados produzidos nas relações sociais moldam as formas pelas quais as
pessoas compreendem a si mesmas, seus sofrimentos e suas práticas cotidianas.
Tradicionalmente, grande parte da produção psicológica organizou-se a partir da busca
pelo que se passa ‘dentro’ da pessoa, produzindo a ilusão de um sujeito ‘essencial’, autônomo,
autocontido e dono absoluto de suas razões e emoções. Contudo, ao transpor essa visão
individualista para as famílias em situação de vida marcada por vulnerabilidade social, corre-
se o risco de patologizar comportamentos que, na verdade, são efeitos de um campo relacional
tensionado pelas demandas urgentes e estressantes de sobrevivência no cotidiano.
A perspectiva construcionista propõe, portanto, uma mudança de direção: em vez de
perguntar apenas o que há de errado ‘dentro’ desses pais, passa-se a questionar de quais
conversações eles participaram ao longo de suas histórias de vidas e das quais participam
atualmente e quais efeitos essas interações (e os macro contextos sociais) produzem em suas
vidas. Quando pais e mães relatam dificuldades na imposição de limites ao exercerem
autoridade parental ou protagonizam episódios de desregulação pelas práticas violentas que
utilizam, tais práticas não emergem como escolhas livres de um ‘eu’ estável, mas como
expressões de um eu situado, fragmentado e atravessado por múltiplas tensões sociais,
históricas e comunitárias.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 13
Compreende-se, assim, que não existe o nível ‘micro’ (a relação familiar íntima em si)
sem a presença do ‘macro’ (o contexto sociopolítico e as vulnerabilidades do entorno) que
influenciam a visão de mundo e o modo de viver em termos das práticas de si nas famílias.
Desta forma, compreender o fenômeno das práticas educativas e do trauma do desenvolvimento
passa por considerar a complexidade que forma uma trama, da qual fazem parte múltiplas
dimensões — aquelas relacionadas a questões oriundas das diferenças de classe social,
diferenças raciais e de gênero, que envolve as dimensões LGBTQIAPN+.
É exatamente nessa intersecção que os discursos normativos ganham força. O
Construcionismo Social destaca que a dimensão histórica e cultural do vocabulário utilizado
para descrever o mundo produz realidades e possibilidades de reconhecimento de si. No campo
da educação familiar, observa-se a forte influência de um discurso normativo hegemônico sobre
o que seria uma ‘família adequada’, ‘uma boa educação’ e ‘filhos bem-educados’, ancorado no
modelo nuclear tradicional das classes dominantes. Quando as famílias não conseguem
corresponder a esse ideal inatingível para a sua realidade material e social, emergem na maioria
dos pais profundos sentimentos de inadequação, culpa e fracasso. O construcionismo nos
convida a uma postura reflexiva permanente diante daquilo que tomamos como evidente,
questionando: quem ganha e quem perde com essa forma normativa de descrever o mundo, as
famílias, a educação, o trauma e a parentalidade? A quem interessa esta maneira de enxergar os
pais exercendo suas tarefas educativas em tais contextos e seus resultados e explicações?
Ao articularmos essa visão com a teoria do trauma do desenvolvimento, a linguagem e
as dinâmicas de comunicação (verbais e não verbais) assumem um papel central. O trauma
contínuo não é apenas um evento localizado na psique individual, mas um processo mantido
em redes de relações marcadas pela imprevisibilidade e fragilidade dos vínculos. Sob essa ótica,
as práticas educativas violentas deixam de ser lidas apenas como ‘incompetência parental’ e
revelam-se como a atualização de discursos e de padrões relacionais voltados à sobrevivência
frente ao estresse e ao desamparo crônico.
A RELEITURA E RESSIGNIFICAÇÃO DOS DADOS QUANTITATIVOS
(CLUSTERS)
A teoria do trauma ressignifica os dados quantitativos e os clusters avaliados pelo
Inventário de Estilos Parentais (IEP) ao deslocar a compreensão de ‘falha educativa’ ou ‘déficit
de habilidades’ para a percepção da violência como um processo de desregulação emocional e
relacional profundo.
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 14
O Cluster 3, identificado em Santos (2011) a partir do Inventário de Estilos Parentais
(IEP) como o perfil ‘muito vulnerável’, é fortemente caracterizado pelo uso elevado de ‘Punição
Inconsistente’ e ‘Abuso Físico’. Sob a lente da teoria do trauma, os comportamentos mapeados
neste cluster exemplificam o trauma intergeracional ao revelar que essas práticas não são
simples falhas nas relações educativas parentais, déficits de habilidades ou heranças culturais
passivas, mas sim a manifestação direta de feridas neurobiológicas e relacionais profundas
transferidas de uma geração para a outra.
O Cluster 3 exemplifica essa transmissão por meio de dois pilares centrais:
1. O abuso físico como herança da desregulação emocional: as altas médias de violência
presentes no Cluster 3 são ressignificadas pela teoria do trauma não como atos
deliberados para causar dano à criança, mas como respostas de sobrevivência aprendidas
e incorporadas ao longo de trajetórias marcadas por experiências traumáticas vividas
pelos próprios pais em suas infâncias. A alta incidência de agressão indica severas
limitações no repertório relacional e regulatório desses adultos. Eles reproduzem o
‘modelo duro’ ou ‘perverso’ de forma instintiva porque não lhes foram dadas
oportunidades anteriores em seus desenvolvimentos para se autorregularem e
reprocessarem os traumas intergeracionais que sofreram;
2. A punição inconsistente como engrenagem do trauma do desenvolvimento: a
inconsistência exacerbada no Cluster 3 deixa de ser lida apenas como ‘disciplina mal
aplicada’ e passa a ser compreendida como a própria base que gera e perpetua o trauma.
Ao oscilarem de forma imprevisível devido ao seu próprio estresse e desregulação, os
pais falham em oferecer uma rede de cuidado responsiva, comprometendo a construção
do apego e a experiência de segurança na criança. É essa mesma imprevisibilidade
contínua que formará o trauma do desenvolvimento da nova geração.
Dessa forma, os dados referentes ao Cluster 3 (grupo de alta vulnerabilidade) revelam,
com profunda sensibilidade, as engrenagens do trauma intergeracional. Tanto nos números
quanto nas narrativas, percebe-se que o que esses pais transmitem sob o rótulo de ‘repetição de
modelos’ vai muito além de uma simples reprodução de valores educativos equivocados. Trata-
se, na verdade, do eco de marcas vivas deixadas por traumas relacionais crônicos. Ao longo de
suas histórias, essas feridas podem ter limitado a capacidade de autorregulação desses adultos,
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 15
fazendo com que, diante do estresse e da sensação de desamparo, a violência irrompa não como
uma escolha consciente, mas como uma dolorosa resposta automática de sobrevivência.
É justamente nesse cenário de fragilidade extrema que a alta incidência da ‘Punição
Inconsistente’ ganha contornos mais nítidos. Essa inconstância nas reações parentais podem
instaurar uma atmosfera de imprevisibilidade relacional, atuando como a própria engrenagem
dos quadros de desenvolvimento adverso. Tal compreensão encontra forte respaldo no estudo
brasileiro conduzido por Borges (2014) sobre a prevalência dos critérios para o Transtorno
Traumático do Desenvolvimento (TTD). A pesquisa evidenciou que crianças e adolescentes
submetidos a cenários de risco intrafamiliar crônico — como abuso físico e negligência por
parte de seus principais cuidadores — apresentam chances significativamente maiores de
desenvolver o espectro completo de desregulação somatoafetiva e cognitiva que caracteriza o
TTD.
Borges (2014) nos demonstra, portanto, que a imprevisibilidade no vínculo opera como
o principal fator de risco etiológico nesses contextos urbanos. À luz dessa lente mais empática
e científica, compreendemos que as oscilações emocionais e as práticas educativas severas
captadas no Cluster 3 pelo Inventário de Estilos Parentais (IEP) não são meras estatísticas. Elas
despontam como marcadores fidedignos e palpáveis de um ambiente biopsicossocial
potencialmente traumático, um ciclo de dor que clama por acolhimento e por intervenções que
ajudem a quebrar essas invisíveis correntes de repetição.
O ‘EFEITO SANFONA’ E AS RECAÍDAS COMO REFLEXO DO ESTRESSE
CRÔNICO
Ao analisar o percurso longitudinal das famílias do Cluster 2 — caracterizadas por uma
vulnerabilidade intermediária —, os dados do Teste de Friedman revelaram um movimento
curioso e profundamente humano: após uma evolução bastante positiva nos primeiros seis
meses, ocorreu uma oscilação aos doze meses, marcada pelo reaparecimento de práticas
negativas, como a punição inconsistente e a disciplina relaxada, aliadas a uma queda na
monitoria positiva. Na leitura original da pesquisa, essa flutuação foi atribuída à diminuição na
frequência das reuniões grupais, que teria provocado uma espécie de ‘desconexão’ na atenção
dos pais.
Contudo, sob a ótica da teoria do trauma, esse oscilar — que chamamos aqui de ‘efeito
sanfona’ — ganha uma compreensão muito mais sensível e empática. Educar em territórios de
vulnerabilidade social significa exercer a parentalidade sob estresse crônico e constante
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 16
imprevisibilidade, atravessada pelo desemprego, pelas violências e pela escassez de redes de
apoio e acesso a bens recursos. Nossa compreensão é que quando os encontros do Grupo
Reflexivo se tornaram menos frequentes, esses cuidadores podem ter sentido desestabilizado o
seu ‘andaime emocional’, ou seja, a rede externa que lhes oferecia sustentação e corregulação.
Sem essa estrutura para absorver o impacto das tensões diárias, a instabilidade do cotidiano
ultrapassou a janela de tolerância neurobiológica dos pais. Diante do esgotamento, eles podem
ter perdido temporariamente o equilíbrio que vinham construindo e resvalaram, de modo
instintivo e defensivo, para velhos mecanismos de sobrevivência — como o grito, a força física
ou a imprevisibilidade nas regras.
Entretanto, o olhar prolongado sobre esse percurso nos mostra que esse tropeço não
significou um retrocesso definitivo, mas parte de um processo de maturação relacional. Ao
alcançar os 24 meses de acompanhamento, a análise fatorial dos dados revelou uma
estabilização profunda e duradoura do sistema familiar. Nesse estágio final, as práticas de
cuidado afetuoso e pautadas no respeito, como a monitoria positiva e o comportamento moral,
consolidaram-se como um eixo estruturante, superando de forma definitiva as dinâmicas de
abuso e negligência. Essa conquista a longo prazo demonstra que a experiência no grupo atuou
como um dispositivo de corregulação que, gradativamente, foi absorvido e internalizado pelos
pais, permitindo que as atitudes positivas deixassem de ser meras tentativas pontuais e se
transformassem em verdadeiros princípios balizadores de suas vidas em família.
Lida pela perspectiva do trauma do desenvolvimento — que se constitui historicamente
por meio de vínculos ausentes, imprevisíveis ou violentos —, essa evolução estatística sugere
que o Grupo Reflexivo pode ser compreendido como um importante dispositivo clínico de
regulação relacional e corregulação. Ao oferecerem um ambiente estável de escuta atenta,
aberta e generosa, sem julgamento com reconhecimento e previsibilidade (os antídotos exatos
para o trauma relacional), os encontros funcionaram como uma experiência relacional que
possibilitou a construção ou a recuperação da segurança. A consolidação aos 24 meses
evidencia que o grupo deixou de ser apenas um apoio externo e tornou-se uma experiência de
segurança internalizada. Os pais deixaram de usar a violência não por terem aprendido uma
‘técnica educativa’, mas porque o convívio contínuo e a corregulação grupal fortaleceram suas
capacidades psíquicas e neurológicas, permitindo que substituíssem a reatividade instintiva pelo
autocontrole e a reflexividade, quebrando, assim, o ciclo vicioso da repetição traumática
intergeracional. Essa compreensão aproxima-se das contribuições de Michael White (2012), ao
destacar que experiências traumáticas somente podem ser elaboradas em contextos que
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 17
ofereçam segurança psicológica e emocional suficientes para impedir processos de
retraumatização. Segundo o autor, ambientes relacionais seguros favorecem o desenvolvimento
de narrativas alternativas e possibilitam que sujeitos traumatizados reconheçam habilidades,
valores, vínculos e formas de resistência que permanecem obscurecidos pelas experiências de
sofrimento.
O GRUPO REFLEXIVO COMO DISPOSITIVO CLÍNICO ANTITRAUMA E ESPAÇO
DE REAUTORIA PARENTAL
Originalmente, os Grupos Reflexivos e Focais foram desenhados como espaços
metodológicos e dialógicos de coconstrução. No entanto, sob a perspectiva de que o trauma do
desenvolvimento se constitui de forma relacional, a sua transformação também precisa,
obrigatoriamente, ocorrer em contextos relacionais. Acreditamos que o grupo pôde atuar na
regulação emocional dos pais funcionando como um poderoso dispositivo clínico e comunitário
de transformação, operando por meio da integração entre a corregulação neurobiológica, a
epistemologia do Construcionismo Social da construção do self relacional e os processos de
Reautoria propostos pela Terapia Narrativa (White & Epston, 1990).
Antes de adentrarmos a dinâmica operacional e prática do grupo, faz-se necessário delinear
quatro premissas teóricas da Terapia Narrativa que sustentam as intervenções neste contexto:
• A externalização do problema: prática discursiva ancorada na premissa de que ‘a pessoa não
é o problema; o problema é o problema’. Envolve investigar a dificuldade (como a violência,
a desregulação emocional ou a ansiedade) como uma entidade separada da identidade do
indivíduo, diminuindo drasticamente os sentimentos de culpa, fracasso e isolamento. Ao
fazê-lo, a pessoa experimenta um deslocamento em relação à narrativa dominante do
problema, podendo reconhecer que sua identidade não se reduz às respostas que
desenvolveu diante de experiências de sofrimento e adversidade. Esse deslocamento
favorece o reconhecimento de habilidades, valores e formas de resistência até então
obscurecidos pela experiência traumática, ampliando o senso de agência e abrindo
possibilidades para a construção de narrativas alternativas sobre si mesma e sobre suas
relações;
• Momentos extraordinários: também conhecidos como ‘desfechos únicos’, referem-se a
qualquer evento, ação, pensamento ou intenção que contradiga a história problemática
dominante. São lampejos de ação em que a pessoa resistiu à opressão do problema,
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 18
evidenciando a contradição presente no seu discurso dominante, na identidade saturada pelo
‘problema’. A partir de uma escuta atenta e sensível, o terapeuta ou coordenador do grupo
procura identificar, ampliar e colocar em relação esses acontecimentos, explorando os
significados, valores, habilidades e intenções que neles se expressam. O que se espera da
intervenção não é apenas reconhecer uma exceção ao problema, mas favorecer a construção
de conexões entre esses acontecimentos e outras experiências da vida, de modo que possam
ganhar força e significado e contribuir para o desenvolvimento de narrativas alternativas
sobre si, sobre suas relações e sobre suas possibilidades de ação;
• Reautoria: é o processo dialógico e colaborativo de cocriação de linhas alternativas de
identidade. A reautoria ocorre quando os momentos extraordinários (anteriormente
isolados) passam a ser vinculados através do tempo, organizados em uma nova sequência e
dotados de um novo significado ancorado nas esperanças, propósitos e nos valores dos pais
na família;
• Testemunha externa: como os problemas traumáticos frequentemente silenciam as pessoas,
a consolidação de uma nova história de identidade exige a reconexão relacional com uma
audiência (que pode ser o próprio grupo) convidada a ouvir, validar e autenticar a nova
narrativa. O compartilhar, por meio da troca de experiências, possibilita a construção de um
espaço de testemunho no qual cada participante pode reconhecer sua experiência na
narrativa do outro e, ao mesmo tempo, ser reconhecido em sua própria trajetória. Nesse
processo, a dor pode ganhar novos significados, não pela comparação ou hierarquização dos
sofrimentos, mas pela possibilidade de perceber diferentes formas de enfrentar a
adversidade, resistir às experiências traumáticas e reconstruir caminhos de cuidado e
relação. Ao testemunhar a resistência e as possibilidades de transformação presentes na
experiência do outro, a pessoa pode ampliar seu próprio senso de possibilidade e fortalecer
a esperança de que novas formas de relação consigo mesma, com os filhos e com os outros
também possam ser construídas. Sob essa lente, o grupo atua como um espaço que
desestabiliza as histórias dominantes saturadas de sofrimento, culpa e fracasso, permitindo
a construção de novas identidades parentais por meio de quatro mecanismos centrais,
comentados a seguir.
Processos colaborativos e a desconstrução da culpa
Esse processo de transformação e internalização do cuidado ocorre, fundamentalmente,
por meio de três movimentos interligados. O primeiro deles diz respeito aos processos
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 19
colaborativos e à desconstrução da culpa por meio da corregulação. Ao ingressarem no grupo,
essas famílias encontram o que, muitas vezes, lhes foi dolorosamente negado em suas próprias
histórias: um ambiente previsível, de escuta atenta, aberta e livre de julgamentos. Essa presença
constante e acolhedora funciona como um verdadeiro ‘andaime emocional’, ajudando a
absorver o estresse crônico e fortalecendo a capacidade neurobiológica dos pais de se
acalmarem diante das adversidades. Sob a lente do Construcionismo Social, ocorre um
deslocamento do peso individual para o campo relacional. Ao compartilharem suas dores, os
cuidadores desconstroem o sentimento de inadequação imposto pelos discursos normativos. É
o que ilustra, com profundo alívio, a participante Sueli (GF2): “Ah, eu achei que só eu tivesse
problema. Eu sempre pensei: isso só acontece comigo, tudo é comigo... Mas eu tô vendo que...
Todo mundo tem problema né? ... Ah, eu fico mais aliviada...”.
A partir desse alívio compartilhado, abre-se espaço para um segundo movimento
essencial: a externalização do problema e a adoção de uma pausa fisiológica. A opressão gerada
pela vulnerabilidade extrema faz com que, não raro, os pais assumam conclusões de identidade
profundamente problemáticas e depreciativas sobre si mesmos. No entanto, a externalização
permite que eles compreendam o comportamento agressivo não como a essência de quem são,
nem como maldade ou falta de amor pelos filhos, mas como uma resposta automática de
sobrevivência diante do esgotamento. A dinâmica relacional do grupo cria um distanciamento
saudável, ensinando-os a dar um passo atrás e respirar antes de agir. A fala de Eliana (GR1)
evidencia essa conquista, ao relatar como aprendeu a frear o impulso no calor das emoções:
Hoje eu tento, eu vou respirar e falo: 'sobe pro teu quarto que eu vou respirar', porque se eu
pegar ele naquele momento, eu acabo machucando ele ... Se eu estou na cozinha, e ele apronta
na sala, eu falo: “eu vou respirar pra não te bater” porque tudo meu agora é bater, bater,
bater!!!
Por fim, esse respiro ganha forma e sentido no terceiro movimento: o poder do diálogo
e a busca atenta por ‘momentos extraordinários’. Na perspectiva construcionista, a linguagem
não serve apenas para descrever o mundo, mas para construí-lo. O grupo atua, portanto, como
um espaço de investigação cuidadosa desses pequenos eventos cotidianos que desafiam e
contrariam a história dominante de descontrole. Em vez de reagirem de maneira cega e
instintiva, os pais aprendem a utilizar o diálogo para gerar novos significados, usando esses
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 20
desfechos únicos como catalisadores de uma mudança real. A fala de Claudete (GR3)
materializa de forma poética como essa reflexividade freia o ciclo de repetição do trauma:
... se recebemos uma educação traumática podemos fazer a transformação na hora de educar
os filhos, é como se eu decantasse o que ficou do trauma, o que ficou de ruim e passasse a tirar
algo de bom daquilo! Isso foi a principal mudança. De que forma? Refletindo assim: se estou
nervosa, com a cabeça em outro lugar, eu vou bater? Eu vou bater por quê? ... Isso vai educar?
Então começo a ponderar melhor!
A testemunha externa e a reautoria da identidade preferida
O quarto e mais profundo passo se dá quando o impacto dessa regulação relacional
alcança o ‘cenário de identidade’ dos pais. A Terapia Narrativa afasta o foco das ‘carências
internas’ para explorar as afirmações intencionais da pessoa — seus valores, esperanças,
propósitos e compromissos. O grupo passa a atuar como uma ‘testemunha externa’, validando
as novas histórias de vida, desejos e intenções dos pais quanto ao que desejam no exercício da
tarefa parental na educação de seus filhos na família. Assim, o dispositivo grupal deixa de ser
apenas uma rede de apoio externo e se torna uma experiência de segurança internalizada, uma
voz estabilizadora que acompanha os pais no dia a dia. Ao reescrever sua história, o sujeito
abandona as conclusões identitárias negativas e realiza a reautoria de sua identidade, quebrando
a transmissão intergeracional do trauma.
O ápice dessa reautoria é narrado por Expedita (GF3), outrora vítima de graves abusos
na infância e reprodutora de violências severas, que relata como a nova narrativa preferida de
cuidado foi autenticada pelo próprio filho:
Hoje, quando o meu filho sai pra escola ... ele me abraça e me beija, antes de sair e diz: “essa
é a mãe que eu pedi a Deus” e vai embora! ... O outro meu filho fala: “mãe, eu preciso
conversar com a Senhora” ... então quando todo mundo sai e ficamos só nós dois, ele começa
a contar as coisas (antigamente não era assim). Então eu penso: “obrigada Senhor!” ... Graças
a Deus, estou começando a ser uma boa mãe!
Ao discutir trauma e identidade, Michael White (2012) chama atenção para o risco de
discursos excessivamente centrados na vitimização, os quais podem reforçar sentimentos de
fragilidade, desamparo e desorganização identitária. Em contraposição, o autor propõe práticas
relacionais que favoreçam o fortalecimento do senso de agência, permitindo que sujeitos
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 21
traumatizados sejam reconhecidos também por suas capacidades de enfrentamento, resistência
e reconstrução de sentido.
A potência clínica dos Grupos Reflexivos — capaz de desconstruir a culpa e frear o
ciclo de violência — encontra forte respaldo na ciência internacional contemporânea sobre o
cuidado informado pelo trauma. Uma ampla meta-análise (Liu et al., 2024) comprovou que
treinar os pais apenas com técnicas rígidas de disciplina e controle gera um impacto ínfimo em
sua saúde mental (d = 0,04). Em contrapartida, intervenções focadas na regulação afetiva e na
conexão relacional alcançam resultados muito superiores (d = 0,31). É exatamente essa a alma
do dispositivo grupal: ao abandonar os ‘manuais’ prescritivos e apostar na construção
colaborativa de novas narrativas, o estresse e a reatividade parental diminuem.
Essa transformação relacional alicerça-se no que o modelo Trust-Based Relational
Intervention (TBRI) define como segurança sentida ou felt-safety (Hunsley et al., 2025; Purvis
et al., 2013). Unindo neurociência, teoria do apego e desenvolvimento infantil, essa abordagem
prova que um vínculo seguro e corregulado estabiliza o sistema nervoso. Na prática, essa
estabilização afeta diretamente a criança, chegando a reduzir comportamentos disruptivos e
agressões verbais em até 88% em ambientes escolares. É essa mesma segurança afetiva, outrora
ausente, que vemos florescer de forma comovente no relato de Expedita (GF3). Ao romper com
a severidade herdada, ela alcança uma reautoria identitária validada de forma tocante pelo
próprio filho: “essa é a mãe que pedi a Deus”.
Existe, portanto, uma profunda sinergia prática e teórica entre essas abordagens.
Enquanto o TBRI nasceu como um modelo clínico voltado para a díade cuidador-criança, o
Grupo Reflexivo atua como o ‘andaime’ comunitário que permite a essas famílias vulneráveis
internalizarem e aplicarem tais princípios no calor do seu cotidiano.
Princípios de Conexão (Connecting Principles) e a Intersubjetividade
Os Princípios de Conexão do TBRI focam no desenvolvimento de apegos seguros por
meio de estratégias de engajamento (sintonização vocal, escuta, presença empática) e
estratégias de consciência (mindfulness) do cuidador sobre seu próprio histórico relacional).
Assim, podemos destacar:
• O grupo como espaço de segurança sentida (felt-safety): o TBRI postula que o cérebro
traumatizado só aprende e se reorganiza quando experimenta segurança física e
psicológica. O Grupo Reflexivo atua fornecendo exatamente esse ‘andaime emocional’
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 22
previsível e acolhedor. Ao compartilhar dores sem o peso do julgamento, como relata a
participante Sueli (“achei que só eu tivesse problema... Fico mais aliviada”), os pais
reduzem a reatividade do sistema nervoso central, saindo do modo de sobrevivência
defensiva;
• Consciência e a revisitação intergeracional: A estratégia de mindfulness do TBRI exige
que o cuidador tome consciência de sua própria história de apego e de seus gatilhos. No
Grupo Reflexivo, isso ocorre de forma potente no processo de reautoria identitária. Ao
revisitarem suas infâncias dolorosas, os pais conseguem, pela primeira vez, ‘decantar o
trauma’. Como afirma poeticamente a participante Claudete: “...se recebemos uma
educação traumática podemos fazer a transformação na hora de educar os filhos, é
como se eu decantasse o que ficou de ruim e passasse a tirar algo de bom daquilo!”.
Princípios de Empoderamento (Empowering Principles) e a Regulação Somática
No TBRI, os Princípios de Empoderamento cuidam das necessidades físicas e
ambientais da criança, promovendo regulação física e preparando o sistema somático para lidar
com o estresse. No Grupo Reflexivo, esse empoderamento é transposto para o próprio sistema
autônomo dos pais.
• A pausa fisiológica como autorregulação somática: pais traumatizados operam sob
constante estresse crônico, o que gera respostas automáticas e reativas de sobrevivência
(agressão). A dinâmica dos Grupos Reflexivos instrumentaliza os pais a reconhecerem
esses estados de desregulação somática e a aplicarem a Pausa Fisiológica. A participante
Eliana descreve perfeitamente essa estratégia de empoderamento e regulação de seu
próprio corpo: “...hoje eu tento, eu vou respirar e falo: ‘sobe pro teu quarto que eu vou
respirar’ porque se eu pegar ele naquele momento, eu acabo machucando ele...”;
• Previsibilidade e o ‘efeito sanfona’: o TBRI enfatiza as necessidades ecológicas (rotina
e transições previsíveis) para manter o sistema nervoso regulado. A análise do ‘efeito
sanfona’ nos dados quantitativos confirma essa premissa: quando a frequência das
reuniões do Grupo Reflexivo diminuiu (ruptura na rede de corregulação), os pais
perderam temporariamente esse suporte externo de modulação, indicando que a
estabilização somatorrelacional de longo prazo exige a manutenção contínua de
ambientes seguros.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 23
Princípios de Correção (Correcting Principles) e a Reautoria
Os Princípios de Correção no TBRI focam em desarmar comportamentos baseados no
medo por meio de estratégias responsivas não punitivas, ensinando competências sociais
durante momentos de calma.
• Desarmando a resposta de medo: o TBRI orienta o cuidador a focar na necessidade por
trás do comportamento da criança, e não apenas no comportamento disruptivo em si. No
Grupo Reflexivo, isso ocorre quando as práticas hostis originais (como o abuso físico e
a punição inconsistente) são ressignificadas. Os pais passam a compreender que a
reatividade da criança e suas próprias agressões são expressões de desregulação
somatoafetiva, e não ‘falhas morais’ ou ‘incompetência’;
• Momentos extraordinários como aprendizado proativo: o grupo atua mapeando e
celebrando os ‘momentos extraordinários’ (desfechos únicos em que o pai substituiu a
agressão pelo diálogo em momentos de calma). Essa prática mimetiza as estratégias
proativas do TBRI. Ela adensa e fortalece a narrativa de competência dos cuidadores,
permitindo a reautoria de sua identidade parental;
• O grupo como testemunha externa e o IDEAL Response©: o TBRI propõe respostas
imediatas, diretas e focadas em restaurar a conexão (mecanismos do IDEAL
Response©). Quando os pais trazem seus novos desfechos de cuidado para o grupo, o
espaço atua como a Testemunha Externa. A audiência grupal valida, autentica e ‘segura
a esperança’ dessas novas trajetórias não violentas de educação. O ápice desse ciclo de
transformação e conexão é ilustrado por Expedita, que relata com orgulho o testemunho
do próprio filho: “Hoje... ele me abraça e me beija... e diz: ‘essa é a mãe que eu pedi a
Deus’...”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A articulação entre as práticas educativas e o trauma do desenvolvimento convida a um
deslocamento profundo na forma como olhamos para as famílias em situação de risco e
vulnerabilidades pessoais e sociais, de uma lógica punitiva e culpabilizante para abraçar uma
perspectiva sistêmica e relacional. Sob essa ótica, atitudes parentais severas, negligentes ou
inconsistentes deixam de ser rotuladas como meros déficits disciplinares ou falhas morais. Elas
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 24
revelam-se como respostas instintivas de sobrevivência, expressões corporais de cuidadores
exaustos que tentam se regular diante de um estresse crônico e de um sofrimento cumulativo.
É essencial reconhecer, contudo, que essa dor não nasce no vácuo; ela é inseparável das
profundas desigualdades estruturais, econômicas e culturais que atravessam o cotidiano dessas
pessoas. A lente do trauma é potente para desvendar essas dinâmicas, mas precisa caminhar de
mãos dadas com a realidade social para dar conta de toda a complexidade da experiência
humana.
Com essa leitura mais empática — que integra a neurobiologia interpessoal, a
complexidade e a terapia narrativa —, o papel dos Grupos Reflexivos também se transforma.
Mais do que simples espaços educativos ou de instrução, eles revelaram-se verdadeiros
dispositivos comunitários de corregulação emocional e reautoria identitária. Ao oferecerem
escuta atenta, segurança e sintonização, os grupos ajudaram a frear a dolorosa repetição dos
ciclos de trauma ao longo das gerações. Essa força relacional explica, inclusive, o que
chamamos de ‘efeito sanfona’. As oscilações observadas nas práticas educativas entre o sexto
e o décimo segundo mês não representaram um fracasso parental, mas um reflexo direto da
flutuação na disponibilidade da rede de apoio. Quando os encontros rarearam, a ausência desse
‘andaime’ emocional desestabilizou os cuidadores, provando que a manutenção das
transformações familiares exige uma rede de sustentação contínua.
Apesar da força analítica e clínica desses achados, é preciso olhar para o estudo com
honestidade metodológica, reconhecendo suas limitações. Trata-se de uma investigação
retrospectiva sobre um acervo de dados de 2006 a 2011, época em que o trauma ainda não era
a variável central (Santos, 2006, 2011). Portanto, estamos diante de uma releitura hermenêutica,
focada em narrativas de uma única comunidade na Zona Sul de São Paulo, o que limita sua
generalização. Além disso, as inferências sobre o sistema nervoso basearam-se em relatos e
comportamentos, sem o uso de medidores psicofisiológicos diretos. Essas fronteiras, no
entanto, desenham um horizonte promissor para o futuro. Ficam as portas abertas para pesquisas
prospectivas e experimentais que testem essas intervenções com grupos de controle, validem
instrumentos de trauma complexo para o Brasil e incluam marcadores biológicos, como a
variabilidade da frequência cardíaca e hormônios associados ao estresse.
Pensar a educação familiar nas bordas da vulnerabilidade exige, em última análise,
sustentar uma posição ética corajosa: aquela que acolhe, simultaneamente, a dor e a
responsabilidade, o peso da repetição e a esperança da transformação. Recusar a armadilha dos
reducionismos que patologizam essas famílias significa enxergar o sofrimento em sua
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 25
totalidade biopsicossocial. É uma aposta firme na força transformadora das conexões seguras,
dos vínculos de afeto e dos processos coletivos. Afinal, é por meio desse compromisso ético e
científico que conseguimos não apenas compreender, mas verdadeiramente amparar e
ressignificar a vida de quem educa em meio às adversidades.
Entre o trauma e o cuidado: práticas educativas, corregulação e transformação relacional de famílias em contextos de vulnerabilidade
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 26
REFERÊNCIAS
Borges, E. S. (2014). Prevalência dos critérios diagnósticos do transtorno traumático do
desenvolvimento em crianças e adolescentes em diferentes cenários de risco para maus-
tratos em um meio urbano [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul]. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS.
http://hdl.handle.net/10183/106867
Bowen, M. (1978). Family therapy in clinical practice. Jason Aronson.
Ferreira, L., & Santos, J. L. (2025). Violência parental, trauma e o impacto na construção da
identidade adulta. Revista on-line de Política e Gestão Educacional, 29, e025113.
https://doi.org/10.22633/rpge.v29i00.20814
Fraiberg, S., Adelson, E., & Shapiro, V. (1975). Ghosts in the nursery: A psychoanalytic
approach to the problems of impaired infant-mother relationships. Journal of the
American Academy of Child Psychiatry, 14(3), 387–421.
https://doi.org/10.1016/S0002-7138(09)61442-4
Gergen, K. J. (1991). The saturated self: Dilemmas of identity in contemporary life. Basic
Books.
Gomide, P. I. C. (2006). Inventário de estilos parentais (IEP): Modelo teórico – Manual de
aplicação, apuração e interpretação. Vozes.
Herman, J. L. (1992). Trauma and recovery: The aftermath of violence—from domestic abuse
to political terror. Basic Books.
Hunsley, J. L., Shelley, L. T., West, A., Call, C., & Knight, D. K. (2025). Hope Connection®
2.0: The effectiveness of a post-adoption family camp intervention for promoting
emotional and behavioral health among adopted children. Children and Youth Services
Review, 168, 108058. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2024.108058
Liu, A. Y., Gubbels, J., & Orobio de Castro, B. (2024). The effectiveness of trauma-informed
parenting programs for traumatized parents and their components: A meta-analytic
study. Clinical Child and Family Psychology Review, 27, 1113–1143.
https://doi.org/10.1007/s10567-024-00503-5
Maté, G., & Maté, D. (2023). O mito do normal: Trauma, saúde e cura em um mundo doente
(F. Abreu, Trad.). Sextante.
Morin, E. (2002). O método 5: A humanidade da humanidade (J. M. Silva, Trad.). Meridional.
Perry, B. D., & Szalavitz, M. (2006). The boy who was raised as a dog: And other stories from
a child psychiatrist’s notebook. Basic Books.
Purvis, K. B., Cross, D. R., Dansereau, D. F., & Parris, S. R. (2013). Trust-based relational
intervention (TBRI): A systematic approach to complex developmental trauma. Child
& Youth Services, 34(4), 360–386. https://doi.org/10.1080/0145935X.2013.859906
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 27
Santos, J. L. (2006). “Transformando” – “nós” em “laços”: Um estudo compreensivo dos
valores parentais em famílias de baixa renda [Dissertação de mestrado, Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo]. Repositório Institucional da PUC-SP.
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15518
Santos, J. L. (2011). Casa de pais, escola de filhos: Um estudo sobre transformações nos
significados, valores e práticas de educar filhos em famílias de baixa renda [Tese de
doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Repositório Institucional da
PUC-SP. https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15026
Schore, A. N. (2003). Affect dysregulation and disorders of the self. W. W. Norton.
Van der Kolk, B. (2014). The body keeps the score: Brain, mind, and body in the healing of
trauma. Viking.
Vasconcellos, M. J. E. (2002). Pensamento sistêmico: O novo paradigma da ciência. Papirus.
Walsh, F. (2016). Strengthening family resilience (3rd ed.). Guilford Press.
Winnicott, D. W. (1965). The maturational processes and the facilitating environment: Studies
in the theory of emotional development. Hogarth Press.
White, M. (2019). Crianças, trauma e o desenvolvimento de um enredo subordinado. In M.
White, Clássicos da terapia narrativa (C. N. Silva & S. M. G. Anastácio, Trads., pp.
117–125). Dulwich Centre Publications.
White, M., & Epston, D. (1990). Narrative means to therapeutic ends. W. W. Norton.
E ntre o tr a u m a e o c ui d a d o: pr áti c as e d u c ativ as, c orr e g ul a ç ã o e tr a nsf or m a ç ã o r el a ci o n al d e f a míli as e m c o ntext os d e v ul n er a b ili d a d e
s o ci al
D o x a: R e v. B r as. Psi c o. e E d u c. , Ar ar a q u ara, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 8 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 8 3 2 8
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : G ost ari a d e a gr a d e c er à Pr of. ª Dr a. R os a M ari a S ef a ni ni d e M a c e d o ( i n
m e m ori a m ), q u e est e v e c o mi g o n as orie nt a ç õ es e q u e m uit o t eri a s e al e gr a d o p el os
d es d o br a m e nt os d os tr a b al h os a p artir d a diss ert a çã o e d a t es e q u e d er a m ori g e m a est e e
o utr os arti g os.
Fi n a n ci a m e nt o : O C N P Q e F A P E S P fi n a n ci ar a m b ols a p ar a os est u d os q u e r es ult ar a m est e
arti g o.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h á c o nflit os d e i nt er ess e.
A p r o v a ç ã o éti c a : C o mit ê d e Éti c a e m P es q uis a d a P o ntifí ci a U ni v ersi d a d e C at óli c a d e S ã o
P a ul o ( P U C -S P) ( Pr ot o c ol o nº 2 8 1/ 2 0 0 9) .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : Os d a d os est ã o dis p o ní v eis n o a cer v o d a P U C -S P .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : Ú ni c o a ut or .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m ata ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 1
BETWEEN TRAUMA AND CARE: EDUCATIONAL PRACTICES, CO-
REGULATION, AND RELATIONAL TRANSFORMATION OF FAMILIES IN
CONTEXTS OF SOCIAL VULNERABILITY
ENTRE O TRAUMA E O CUIDADO: PRÁTICAS EDUCATIVAS, CORREGULAÇÃO E
TRANSFORMAÇÃO RELACIONAL DE FAMÍLIAS EM CONTEXTOS DE
VULNERABILIDADE SOCIAL
ENTRE EL TRAUMA Y EL CUIDADO: PRÁCTICAS EDUCATIVAS, COREGULACIÓN
Y TRANSFORMACIÓN RELACIONAL DE FAMILIAS EN CONTEXTOS DE
VULNERABILIDAD SOCIAL
João Laurentino dos SANTOS
1
e-mail: jlauren[email protected]
How to reference this paper:
Santos, J. L. (2026). Between trauma and care: Educational
practices, co-regulation, and relational transformation of
families in contexts of social vulnerability. Doxa: Rev. Bras.
Psico. e Educ., 27(esp1), e026018.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21483
| Submitted: 02/05/2026
| Revisions required: 12/05/2026
| Approved: 20/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. in Clinical
Psychology from the Family and Community Center.
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 2
ABSTRACT: This article proposes a reinterpretation of parenting practices in contexts of social
vulnerability in light of developmental trauma theory, integrating contributions from Systems
Thinking, Complexity Theory, Social Constructionism, Relational Neurobiology, and Narrative
Therapy. The study conducts a hermeneutic and retrospective reinterpretation of a body of material
produced in two previous studies involving families affiliated with the Associação Meninos do
Morumbi in São Paulo, Brazil, between 2001 and 2010, at the Pontifical Catholic University of São
Paulo (PUC-SP). The original studies combined qualitative and quantitative approaches, including
Reflective Groups, Focus Groups, family counseling sessions, genograms, and the Parenting Styles
Inventory. The analysis understood violent and inconsistent parenting practices as expressions of
relational distress, emotional dysregulation, and the intergenerational transmission of trauma, rather
than merely as moral failings or educational deficits. The findings highlighted the role of Reflective
Groups in promoting coregulation, reflexivity, and parental re-authoring. It is concluded that this
approach broadens the understanding of parenting by shifting the focus from individual blame
toward a relational perspective.
KEYWORDS: Developmental trauma. Intergenerational trauma. Parenting. Parenting practices.
Social vulnerability.
RESUMO: Este artigo propõe reinterpretação das práticas parentais em contextos de
vulnerabilidade social à luz da teoria do trauma do desenvolvimento, articulando contribuições do
Pensamento Sistêmico, da Teoria da Complexidade, do Construcionismo Social, da Neurobiologia
Relacional e da Terapia Narrativa. O estudo realiza reinterpretação hermenêutica e retrospectiva
de acervo produzido em duas pesquisas com famílias vinculadas à Associação Meninos do
Morumbi, em São Paulo, entre 2001 e 2010, na PUC-SP. As pesquisas originais combinaram
abordagens qualitativas e quantitativas, incluindo Grupos Reflexivos, Grupos Focais,
atendimentos familiares, genogramas e o Inventário de Estilos Parentais. A análise compreendeu
práticas parentais violentas e inconsistentes como expressões de sofrimento relacional,
desregulação emocional e transmissão intergeracional do trauma, e não apenas como falhas
morais ou déficits educacionais. Evidenciou-se o papel dos Grupos Reflexivos na corregulação,
reflexividade e reautoria parental. Conclui-se que essa abordagem amplia a compreensão da
parentalidade, deslocando o foco da culpabilização para perspectiva relacional.
PALAVRAS-CHAVE: Trauma do desenvolvimento. Parentalidade. Práticas educativas.
Vulnerabilidade social. Grupos reflexivos.
RESUMEN: Este artículo propone una reinterpretación de las prácticas parentales en contextos
de vulnerabilidad social a la luz de la teoría del trauma del desarrollo, articulando contribuciones
del Pensamiento Sistémico, la Teoría de la Complejidad, el Construccionismo Social, la
Neurobiología Relacional y la Terapia Narrativa. El estudio realiza una reinterpretación
hermenéutica y retrospectiva de un acervo producido en dos investigaciones previas con familias
vinculadas a la Associação Meninos do Morumbi, en São Paulo, Brasil, entre 2001 y 2010, en la
Pontificia Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP). Las investigaciones originales
combinaron enfoques cualitativos y cuantitativos, incluidos Grupos Reflexivos, Grupos Focales,
sesiones de atención familiar, genogramas y el Inventario de Estilos Parentales. El análisis
comprendió las prácticas parentales violentas e inconsistentes como expresiones de sufrimiento
relacional, desregulación emocional y transmisión intergeneracional del trauma, y no únicamente
como fallas morales o déficits educativos. Se evidenció el papel de los Grupos Reflexivos en la
promoción de la corregulación, la reflexividad y la reautoría parental. Se concluye que este
enfoque amplía la comprensión de la parentalidad, desplazando el foco de la culpabilización
individual hacia una perspectiva relacional.
PALABRAS CLAVE: Trauma del desarrollo. Trauma intergeneracional. Parentalidad. Prácticas
parentales. Vulnerabilidad social.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 3
INTRODUCTION
Educational practices in the context of families in situations of social vulnerability call
on us to engage in an exercise of understanding that goes beyond normative interpretations and
oversimplified explanations. Throughout my professional career, in direct contact with fathers
and mothers who face the daily challenges of raising their children under adverse conditions, it
has become evident that the experience of parenthood in these contexts cannot be understood
apart from the concrete realities of everyday life.
The reality of these families is marked by multiple stresses: economic precariousness,
instability in marital relationships, the absence or fragility of support networks, and recurring
exposure to situations of violence. In this scenario, raising children ceases to be merely a
socially prescribed role and instead becomes a complex experience, often marked by suffering,
improvisation, and resilience. It is precisely this complexity that calls for theoretical
frameworks capable of understanding relational processes within their own contexts, beyond
linear and reductionist explanations.
From the perspective of the new paradigmatic systemic thinking (Vasconcellos, 2002)
and complexity theory (Morin, 2002), such experiences cannot be reduced to linear cause-and-
effect relationships, but must be understood as emergent phenomena of dynamic relational
systems, in which multiple factors exert influence, ranging from micro- and macro-level
historical, affective, social, and cultural contexts. Who we are is constituted by an
interconnected self, permeated by the media, family and community relationships, the mass
media, and social networks (Gergen, 1991), which interpenetrate and feed into one another.
It is in this field that the connection with the concept of trauma becomes particularly
fruitful, allowing for a deeper understanding of educational practices—not as isolated
behaviors, but as expressions of the histories and contexts that shape people’s lives—which can
constitute potentially traumatic situations throughout development at different stages of the
family life cycle (Walsh, 2016). Although anthropological and sociological literature
thoroughly examines the structural impacts of risks, deprivations, and vulnerabilities on
families, a significant scientific gap has been identified in the fields of developmental
psychology and family therapy: research evaluating parental educational difficulties has
historically tended to oscillate between two reductionist extremes. On the one hand, a
pathologizing perspective is adopted that individualizes vulnerability; on the other, protocol-
based, instructional, and behavioral assessment models (such as the Parenting Styles
Inventory—PSI) are used, which classify severe behaviors—such as inconsistent punishment
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 4
and physical abuse—strictly under the category of ‘skill deficits’ or ‘inappropriate disciplinary
choices.’
The interpretive limitation of these traditional models lies in their failure to recognize
that such hostile or inconsistent behaviors suggest they are not merely failures in relational
learning, but rather somatic and affective manifestations of nervous systems chronically
dysregulated by the weight of cumulative stress and the intergenerational transmission of
relational wounds. Contemporary scientific literature on trauma-informed care (interpersonal
neurobiology) demonstrates that continuous exposure to neglect alters an individual’s
neurophysiological functioning and adaptive survival strategies. However, there is a scarcity of
studies that cross-reference empirical data on longitudinal fluctuations in educational practices
in vulnerable contexts with this clinical perspective on relational trauma and development.
This interpretive and retrospective reexamination of the empirical and longitudinal data
from two consecutive studies (Santos, 2006, 2011)—which followed 100 families over 24
months using an action-research design—is therefore warranted. We propose a fundamental
epistemological shift: moving away from the logic of blame or mere ‘behavioral training’ to
reinterpret the longitudinal quantitative data (clusters) and the qualitative vignettes from the
Parent Reflection Groups through the lens of Developmental Trauma Theory. By proposing an
understanding of how invisible suffering and automatic reactions affect educational practices,
this study seeks to offer new pathways for understanding community- and clinic-based
mechanisms of relational co-regulation and parental re-authoring in the realm of public health
and social services.
SHIFTING PERSPECTIVE: METHODOLOGICAL CONSIDERATIONS
Retrospective reinterpretation and comprehensive expansion
The methodological approach underpinning this article does not stem from new data
collection but is based on solid empirical and longitudinal research developed over the course
of two consecutive academic studies (Santos, 2006, 2011), conducted with families in situations
of social vulnerability (IPVS 4). This is, therefore, an interpretive and retrospective
reexamination of an already established body of empirical evidence. Originally, these studies
were not designed with “trauma” as an a priori variable. However, ongoing engagement with
the empirical data revealed intensities, repetitions, and forms of suffering in educational
practices that went beyond the initial categories. Thus, the approach to the field of trauma was
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 5
not a prior theoretical decision but an analytical necessity that emerged from listening, with the
aim of producing a comprehensive expansion of the phenomenon, allowing the data itself to
raise new questions.
The devices and epistemological logic
In Santos (2011), a quantitative-qualitative action research design (interventional
research) was adopted, guided by the frameworks of New Paradigm Systemic Thinking,
Complexity Theory, and Phenomenology. The longitudinal follow-up of 100 families over 24
months utilized Reflective Groups (as a generative context for the research, a hub for
intervention, and a means of community awareness-raising) and Focus Groups (for a deeper
dialogic exploration of themes emerging in the reflective groups). Quantitatively, the Parenting
Styles Inventory (IEP) was administered at four time points (baseline (start), 6, 12, and 24
months) to assess temporal variation and possible changes in parenting practices such as
Positive Monitoring, Moral Behavior, Inconsistent Punishment, Neglect, Lax Discipline,
Negative Monitoring, and Physical Abuse.
Analytical criteria, interpretive logic, and triangulation
The analysis of the vast amount of qualitative data from the original studies was guided
by a hermeneutic and phenomenological approach, in which categories were not imposed a
priori but emerged organically through a pragmatic and semantic analysis of the conversations.
By decoding the discourses in search of their underlying meanings, the educational
phenomenon was organized into broad axes: thematic categories (broad content), subcategories
(specific meanings), and units of meaning (narrative nuclei). The final synthesis of these
findings was consolidated through methodological triangulation, cross-referencing statistical
data from the Parenting Styles Inventory (PSI)—which revealed objective fluctuations, such as
the ‘Yo-yo Effect,’ followed by decreases and stabilization at the end of 24 months—with the
intersubjective richness of the group narratives. This triangulation served not only as a
validation tool but also to dissolve the dichotomy between quantitative and qualitative
approaches, illuminating how numerical fluctuations in parenting practices were a direct
reflection of the emotional dysregulation described in the parents’ statements.
Building on this consolidated empirical foundation, the second interpretive phase
proposed by this study unfolded in three interconnected stages. First, we revisited the original
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 6
narratives and units of meaning in order to identify recurring themes, tensions, and areas of
silence related to experiences of suffering. Next, a hermeneutic dialogue was established
between this material and contemporary frameworks from developmental trauma theory,
relational neurobiology, and narrative therapy.
Finally, new analytical categories were developed to understand emotional
dysregulation, the intergenerational transmission of trauma, processes of co-regulation, and
narrative re-authoring. Unlike the categories produced in the original studies, these new
formulations are eminently interpretive rather than descriptive in nature, serving as theoretical
frameworks for an updated understanding of the phenomenon. The distinctions between
previous interpretations and those developed within this new framework form the basis of the
results and discussion section.
The methodological status of vignettes
In this process of hermeneutic reinterpretation, the transcribed narratives come to life in
the form of vignettes. More than mere illustrative examples used to confirm theoretical
hypotheses, they take on the role of true focal points of human experience. The selection of
each vignette was guided by its clinical power to reveal the delicate intersections between each
subject’s life story and their approach to education. In this way, theory finds its anchor in
concrete lived experience, allowing these narratives to represent the complexity of
relationships, burnout, the repetition of patterns, and, above all, the strength and persistence of
care-giving efforts in contexts of continuous stress.
Given the vastness of this quantitative-qualitative dataset, the process of data screening
and extraction was supported by Artificial Intelligence (AI) tools. However, the use of this
technology was limited to the rapid structuring of spreadsheets and the preliminary synthesis
of the texts, without ever replacing the researcher’s sensitivity and interpretation. All data were
meticulously validated and manually checked to ensure reliability, analytical precision, and
ethical rigor. This care was non-negotiable to guarantee that the participants’ voices and
subjectivities were not, at any time, flattened or reduced by an algorithm. Finally, the entire
analytical effort focused on deeply articulating these two dimensions: educational practices and
the marks of developmental trauma in the everyday and familial experience of raising children.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 7
Ethical considerations
Care and ethical rigor guided every step of this work, from the original data collection
to the present effort to reinterpret the data—an indispensable approach when dealing with the
stories of families in situations of social vulnerability. The entire project was duly supported
and approved by the Research Ethics Committee of the Pontifical Catholic University of São
Paulo (PUC-SP) (Protocol No. 281/2009). These families’ participation was genuinely
voluntary and safe, formalized through the signing of the Informed Consent Form (ICF) by their
guardians. To unconditionally protect the identity and dignity of each participant, anonymity
was preserved with the utmost rigor, using fictitious names to de-identify all narratives and
vignettes. This same care extended to the use of Artificial Intelligence in this current phase: the
technology was operated in a controlled and strictly ethical environment, always under close
human supervision, safeguarding the absolute confidentiality of the experiences and life stories
so intimately shared with us.
Finally, in order to highlight and make explicit the shift in perspective brought about by
this hermeneutic reinterpretation, Table 1 was developed. This summary clearly presents the
main differences between the analytical categories that predominated in the original studies and
the new perspectives that took shape through an in-depth dialogue with the theory of
developmental trauma.
Table 1.
Epistemological transition of analytical categories
Phenomenon/Empirical variable
Interpretation in the original
studies (Santos, 2006, 2011)
New interpretation from a
trauma perspective (this study)
(Santos, 2011; van der Kolk,
2014)
Physical Abuse and Neglect
(IEP)
(Gomide, 2006)
Negative educational practices
resulting from transgenerational
cultural inheritance or deficits in
parenting skills (Santos, 2006,
2011).
Somatic expressions of
neurobiological emotional
dysregulation and automatic
survival (defense) reactions under
chronic stress (Schore, 2003; van
der Kolk, 2014).
Inconsistent Punishment (IEP)
(Gomide, 2006)
Inconsistency in enforcing rules
due to a lack of clear boundaries,
leading to educational vulnerability
(Santos, 2011).
A relational dynamic that
undermines the development of
secure attachment, mimicking the
unpredictability typical of
environments marked by relational
trauma.
‘Yoyo Effect’ (Fluctuation over
6–12 months)
(Santos, 2011)
Temporary relaxation of parental
supervision or parental inattention
due to the distance from group
meetings (Santos, 2011).
Temporary collapse of the parents’
window of tolerance due to the
destabilization of the safety net and
loss of the group’s co-regulation
‘scaffolding.’
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 8
Stabilization at 24 Months
(Santos, 2011)
Learning, practicing, and
internalizing educational skills and
positive mentoring attitudes
(Santos, 2011).
Consolidation of an internalized
experience of safety and
strengthening of reflective self-
control capacities (re-authoring)
(Siegel, 2012; White & Epston,
1990).
Role of the Reflective Group
(Santos, 2011)
A space for dialogue and pedagogy
aimed at raising awareness,
exchanging experiences, and
redefining gender roles (Santos,
2011).
A clinical-community mechanism
for active relational co-regulation
and a space for external validation
to support identity re-authoring
(Herman, 1992; White & Epston,
1990).
Note. The Author (2026).
Once this epistemological transition is understood, it is important to emphasize that the
categories presented in Table 1 do not represent the replacement of the original interpretations
with a new reading considered more accurate. Rather, they express the hermeneutic process
carried out in this study, in which a renewed engagement with the empirical data, in light of
new theoretical frameworks, made it possible to broaden the horizon of understanding of the
phenomena already observed. In this sense, the reinterpretation does not seek to correct the
analyses previously produced, but rather to deepen them, highlighting dimensions that remained
latent at the time the data were originally interpreted.
It is not a matter of applying a theory to ready-made material, but of allowing the
material itself to raise new questions. The engagement with the field of trauma was not a
premeditated decision, but a necessity that emerged from listening—a way of giving name and
substance to experiences that were already present, even if not explicitly articulated in that way.
When approaching the theme of developmental trauma in the context of educational
practices within the family, what becomes visible are the marks of repetition, dysregulation,
emotional intensity, and difficulties in sustaining bonds in contexts marked by instability—
contexts present when parents were acting to raise their children.
At this new stage in a comprehensive process, vignettes take center stage. They are not
merely illustrative examples, but points where experience is condensed. In revisiting them, we
do not seek to confirm hypotheses, but rather to listen anew to what they have to say, now from
a different perspective. What was previously understood as a difficulty or limitation, a failure,
or even a lack of ability, for example, comes to be seen also as an expression of stories marked
by profound suffering and struggle in the quest for overcoming.
This material, when revisited in this way, inevitably calls on us to reexamine these
parental practices and fluctuations from new perspectives. It is this movement toward openness
that inspires the guiding questions of our analysis, highlighted below:
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 9
• On emotional dysregulation: rather than categorizing variables such as ‘Inconsistent
Punishment,’ ‘Neglect,’ and ‘Physical Abuse’ (Gomide, 2006) merely as inappropriate
choices or deficits in parenting skills, might it be possible to reinterpret these behaviors
as direct expressions of emotional dysregulation and automatic survival responses to
social and relational instability?
• On intergenerational transmission: Could violent parenting practices be understood not
only as a legacy of cultural values, but also as the transmission of the scars of chronic
relational trauma that have limited these adults’ capacity for self-regulation?
• On the need for continuous co-regulation: How would trauma theory explain the ‘yo-yo
effect’ (relapses in parenting practices between 6 and 12 months), and is this fluctuation
related to a destabilization of the parents’ nervous system’s safety net due to a decrease
in group attendance?
• Regarding the group as an anti-trauma clinical intervention: could Reflective Groups
transcend their status as spaces for dialogue to be considered true ‘environments of
relational care,’ capable of influencing parents’ emotional regulation and providing the
listening and attunement they lacked in childhood?
The first of these concerns emotional dysregulation. Far from being understood as ‘bad
behavior’ or an intentional conduct disorder, it calls for a more empathetic perspective: it is a
difficulty—often at the neurobiological level—in modulating, tolerating, and recovering from
extreme emotional states—such as fear and anger—in the face of stress. In these moments of
distress, the person begins to act driven by instinctive and automatic survival responses,
whether by fighting, fleeing, or freezing (Perry & Szalavitz, 2006; Schore, 2003; van der Kolk,
2014).
As Bessel van der Kolk (2014) reminds us, the wounds of trauma compromise the
nervous system’s ability to return to its state of balance after a threat, keeping the body trapped
in an exhausting state of defensive readiness. Allan Schore (2003) expands on this view by
emphasizing that our capacity for emotional regulation is developed in the lap, through the
neurobiological circuits woven into the bonds of attachment and affection during the early years
of life. In line with this perspective, Michael White (2019) invites us to view children subjected
to such pain not as mere passive recipients of suffering, but as incredibly active agents who
develop their own knowledge and strategies for survival. For him, trauma never sums up the
entirety of who these people are; there are always stories of resilience, survival, and the search
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 10
for safety that, unfortunately, end up being overshadowed by narratives focused solely on the
problem.
The second concept that guides our perspective is the intergenerational transmission of
trauma. This idea expands the notion of family inheritance, bringing it into the neurobiological
and relational realms, to help us understand how a generation’s unhealed pain and emotional
difficulties are passed down, shaping the environment of subsequent generations (Bowen, 1978;
Fraiberg et al., 1975; Schore, 2003; van der Kolk, 2014). Murray Bowen (1978) had already
observed how certain emotional patterns travel through time, especially in families marked by
intense reactivity. This is what Selma Fraiberg et al. (1975) described, in a profound and poetic
way, as the “ghosts in the baby’s room”: the unresolved traumatic experiences of parents that
persist in haunting the sacred moment of interaction with their own children. Authors such as
Schore (2003) and van der Kolk (2014) demonstrate that this painful legacy travels through the
invisible pathways of neurobiology and relationships, directly impacting attachment bonds, the
ability to calm oneself in the safety of another (co-regulation), and the development of one’s
own inner peace.
In contrast to these wounds, the third concept is co-regulation, understood as a relational
process in which a safe environment or person acts as an emotional “scaffold,” helping to soothe
and regulate the other person’s destabilized nervous system (Schore, 2003; Siegel, 2012;
Porges, 2011). According to Daniel J. Siegel (2012), emotional regulation initially develops in
secure relational contexts, in which the caregiver’s empathetic and predictable presence helps
the individual organize their internal states. Similarly, Allan Schore (2003) asserts that co-
regulation forms the basis for the development of self-regulation, especially in early attachment
relationships.
Stephen Porges (2011), drawing on Polyvagal Theory, explains that signals of safety
emitted in interpersonal relationships are capable of modulating defensive states of the
autonomic nervous system, promoting calm, social connection, and a sense of security.
The fourth concept is that of the anti-trauma clinical device, which elevates social
interventions (such as Reflective Groups) to the status of therapeutic environments for relational
‘healing’, whose central objective is to provide the listening, acceptance, and predictability that
were lacking in these parents’ early upbringing, thereby allowing co-regulation to occur
(Herman, 1992; Schore, 2003; van der Kolk, 2014; Winnicott, 1965). According to Judith
Herman (1992), trauma recovery processes depend on the creation of safe, relational contexts
capable of restoring bonds of trust and belonging. Similarly, Donald Winnicott (1965) describes
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 11
the importance of the “good enough environment” as a condition for emotional maturation and
psychic integration. Allan Schore (2003) and Bessel van der Kolk (2014), meanwhile,
emphasize that secure and predictable relational experiences can reorganize the nervous
system’s defensive patterns, promoting processes of emotional regulation, integration, and
healing from relational trauma.
The fifth and final conceptual framework concerns the reframing of negative
educational practices. Historically, the Parenting Styles Inventory (PSI) categorized variables
such as ‘Inconsistent Punishment,’ ‘Neglect,’ and ‘Physical Abuse’ to measure the development
or inhibition of antisocial behaviors (Gomide, 2006). However, from the perspective of
developmental trauma, it is proposed that these behaviors not be interpreted solely as
inappropriate choices in relating to children, moral failings, or deficits in parenting skills.
Drawing on authors such as Gabor Maté and Daniel Maté (2023), it is suggested that
these practices be reinterpreted as direct expressions of emotional dysregulation and automatic
survival responses to chronic social and relational instability. The use of aggression and
inconsistency is no longer understood as a deliberate act intended to cause harm, but rather as
instinctive responses learned and internalized over the course of life trajectories marked by
traumatic experiences the adults themselves endured during their childhoods (Santos, 2006;
2011; Maté & Maté, 2023).
According to Maté and Maté (2023), persistent defensive behaviors often represent
survival adaptations developed in early-life contexts of emotional pain, neglect, or relational
insecurity, which are subsequently automated by the nervous system. Recent studies have
shown that experiences of parental violence have lasting impacts on individuals’ emotional
organization, emotional bonds, and identity formation throughout their development (Ferreira
& Santos, 2025).
EDUCATIONAL PRACTICES IN CONTEXTS OF SOCIAL VULNERABILITY:
FROM NORMATIVITY TO COMPLEXITY
The lens of social constructionism invites us to reflect on how we construct our reality,
our conception of the world, and our knowledge. Thus, based on the reinterpretation we
propose, we are inspired to view the phenomenon of developmental trauma not through the lens
of individual deficit, but rather as a construction within the relational field.
Thus, our understanding of educational practices in contexts of social vulnerability
requires an epistemological shift that rejects explanations based exclusively on individual
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 12
deficits or moral failings. In this sense, Social Constructionism offers a valuable theoretical
framework by grounding itself in a critique of individualism and proposing a strictly relational
perspective (Gergen, 1991; Rasera & Guanaes-Lorenzi, 2010). As Kenneth Gergen (1991)
argues, the individual cannot be understood as an isolated and self-contained entity, but rather
as the result of historically constructed relational and discursive processes. Similarly, Emerson
Fernando Rasera and Carla Guanaes-Lorenzi (2010) emphasize that the meanings produced in
social relations shape the ways in which people understand themselves, their suffering, and their
everyday practices.
Traditionally, much of psychological scholarship has been organized around the search
for what goes on ‘inside’ a person, creating the illusion of an ‘essential,’ autonomous, self-
contained subject who is the absolute master of their own thoughts and emotions. However,
when this individualistic view is applied to families living in situations marked by social
vulnerability, there is a risk of pathologizing behaviors that are, in fact, the result of a relational
context strained by the urgent and stressful demands of daily survival.
The constructionist perspective therefore proposes a shift in direction: instead of asking
only what is wrong ‘inside’ these parents, we begin to ask what conversations they have
participated in throughout their life histories and in which they currently participate, and what
effects these interactions (and the broader social contexts) have on their lives. When fathers and
mothers report difficulties in setting limits while exercising parental authority or engage in
episodes of dysregulation through the violent practices they employ, such practices do not
emerge as free choices of a stable ‘self’, but as expressions of a situated self—one that is
fragmented and traversed by multiple social, historical, and community tensions.
It is thus clear that the ‘micro’ level (the intimate family relationship itself) cannot exist
without the ‘macro’ level (the sociopolitical context and the vulnerabilities of the surrounding
environment), which influence worldviews and ways of life in terms of self-care practices
within families. Thus, understanding the phenomenon of educational practices and
developmental trauma requires considering the complexity that forms a web comprising
multiple dimensions—those related to issues stemming from differences in social class, race,
and gender, which also encompass LGBTQIAPN+ dimensions.
It is precisely at this intersection that normative discourses gain strength. Social
Constructionism emphasizes that the historical and cultural dimension of the vocabulary used
to describe the world produces realities and possibilities for self-recognition. In the field of
family education, there is a strong influence of a hegemonic normative discourse on what
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 13
constitutes an ‘adequate family’ ‘a good education,’ and ‘well-behaved children,’ anchored in
the traditional nuclear family model of the ruling classes. When families are unable to live up
to this ideal—which is unattainable given their material and social reality—deep feelings of
inadequacy, guilt, and failure emerge in most parents. Constructionism invites us to adopt a
constantly reflective stance toward what we take for granted, asking: Who gains and who loses
from this normative way of describing the world, families, education, trauma, and parenthood?
Whose interests are served by this way of viewing parents as they carry out their educational
duties in such contexts, along with the resulting outcomes and explanations?
When we link this perspective to the theory of developmental trauma, language and
communication dynamics (both verbal and nonverbal) take on a central role. Ongoing trauma
is not merely an event confined to the individual psyche, but a process sustained within
networks of relationships marked by the unpredictability and fragility of bonds. From this
perspective, violent educational practices are no longer interpreted solely as ‘parental
incompetence’ but are revealed as the manifestation of discourses and relational patterns geared
toward survival in the face of stress and chronic helplessness.
THE REINTERPRETATION AND REFRAMING OF QUANTITATIVE DATA
(CLUSTERS)
Trauma theory reframes the quantitative data and clusters assessed by the Parenting
Styles Inventory (IEP) by shifting the understanding of ‘educational failure’ or ‘skill deficits’
toward the perception of violence as a process of profound emotional and relational
dysregulation.
Cluster 3, identified by Santos (2011) using the Parenting Styles Inventory (IEP) as the
‘highly vulnerable’ profile, is strongly characterized by high use of ‘Inconsistent Punishment’
and ‘Physical Abuse.’ Through the lens of trauma theory, the behaviors mapped in this cluster
exemplify intergenerational trauma by revealing that these practices are not merely failures in
parental educational relationships, skill deficits, or passive cultural legacies, but rather the direct
manifestation of deep neurobiological and relational wounds passed down from one generation
to the next.
Cluster 3 illustrates this transmission through two central pillars:
1. Physical abuse as a legacy of emotional dysregulation: The high rates of violence
observed in Cluster 3 are reinterpreted by trauma theory not as deliberate acts intended
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 14
to harm the child, but as survival responses learned and internalized over the course of
life trajectories marked by traumatic experiences endured by the parents themselves
during their own childhoods. The high incidence of aggression indicates severe
limitations in these adults’ relational and regulatory repertoires. They instinctively
reproduce the ‘harsh’ or ‘perverse’ model because they were not given earlier
opportunities in their development to self-regulate and reprocess the intergenerational
traumas they suffered;
2. Inconsistent punishment as a driving force behind developmental trauma: the heightened
inconsistency in Cluster 3 is no longer viewed merely as ‘poorly applied discipline’ but
is now understood as the very foundation that generates and perpetuates trauma. By
fluctuating unpredictably due to their own stress and dysregulation, parents fail to
provide a responsive care network, compromising the child’s ability to form secure
attachments and experience a sense of safety. It is this very ongoing unpredictability that
will shape the developmental trauma of the next generation.
Thus, the data regarding Cluster 3 (the high-vulnerability group) reveal, with profound
insight, the mechanisms of intergenerational trauma. Both the numbers and the narratives show
that what these parents pass on under the label of ‘repeating patterns’ goes far beyond a simple
reproduction of misguided educational values. In fact, it is the echo of deep scars left by chronic
relational trauma. Throughout their life stories, these wounds may have limited these adults’
capacity for self-regulation, causing violence to erupt—in the face of stress and a sense of
helplessness—not as a conscious choice, but as a painful, automatic survival response.
It is precisely in this context of extreme vulnerability that the high incidence of
‘Inconsistent Punishment’ becomes more clearly evident. This inconsistency in parental
responses can create an atmosphere of relational unpredictability, acting as the very mechanism
driving adverse developmental outcomes. This understanding is strongly supported by the
Brazilian study conducted by Borges (2014) on the prevalence of criteria for Traumatic
Developmental Disorder (TDD). The research showed that children and adolescents exposed to
chronic intrafamilial risk scenarios—such as physical abuse and neglect by their primary
caregivers—are significantly more likely to develop the full spectrum of somatoaffective and
cognitive dysregulation that characterizes TDD.
Borges (2014) thus demonstrates that unpredictability in the attachment relationship acts
as the primary etiological risk factor in these urban contexts. Through this more empathetic and
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 15
scientific lens, we understand that the emotional fluctuations and harsh parenting practices
identified in Cluster 3 by the Parenting Styles Inventory (IEP) are not mere statistics. They
emerge as reliable and tangible markers of a potentially traumatic biopsychosocial
environment—a cycle of pain that cries out for support and for interventions that help break
these invisible chains of repetition.
THE ‘YO-YO EFFECT’ AND RELAPSES AS A REFLECTION OF CHRONIC
STRESS
When analyzing the longitudinal trajectory of families in Cluster 2—characterized by
moderate vulnerability—the Friedman test data revealed a curious and deeply human pattern:
after a very positive trend in the first six months, a fluctuation occurred at the 12-month mark,
marked by the reappearance of negative practices, such as inconsistent punishment and lax
discipline, coupled with a decline in positive monitoring. In the original interpretation of the
study, this fluctuation was attributed to a decrease in the frequency of group meetings, which
was thought to have caused a sort of ‘disconnection’ in the parents’ attention.
However, from the perspective of trauma theory, this fluctuation—which we refer to
here as the ‘yo-yo effect’—gains a much more sensitive and empathetic understanding.
Parenting in socially vulnerable communities means raising children under chronic stress and
constant unpredictability, marked by unemployment, violence, and a lack of support networks
and access to resources. Our understanding is that when the Reflective Group meetings became
less frequent, these caregivers may have felt that their ‘emotional scaffolding’—that is, the
external network that offered them support and co-regulation—had been destabilized. Without
this structure to absorb the impact of daily stresses, the instability of everyday life exceeded the
parents’ neurobiological window of tolerance. Faced with exhaustion, they may have
temporarily lost the balance they had been building and instinctively and defensively slipped
back into old survival mechanisms—such as shouting, physical force, or unpredictable rules.
However, a closer look at this journey shows us that this setback did not represent a
definitive step backward, but rather part of a process of relational maturation. Upon reaching
the 24-month follow-up, factor analysis of the data revealed a profound and lasting stabilization
of the family system. In this final stage, practices of affectionate and respectful care—such as
positive monitoring and moral behavior—became firmly established as a structural pillar,
definitively overcoming the dynamics of abuse and neglect. This long-term achievement
demonstrates that the group experience served as a co-regulatory mechanism that was gradually
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 16
absorbed and internalized by the parents, allowing positive attitudes to evolve from mere
isolated attempts into genuine guiding principles for their family life.
Viewed from the perspective of developmental trauma—which is historically
constituted through absent, unpredictable, or violent attachments—this statistical trend suggests
that the Reflective Group can be understood as an important clinical mechanism for relational
regulation and co-regulation. By offering a stable environment of attentive, open, and generous
listening—free from judgment and characterized by recognition and predictability (the exact
antidotes to relational trauma)—the sessions functioned as a relational experience that enabled
the construction or recovery of security. The consolidation observed at 24 months demonstrates
that the group ceased to be merely an external source of support and became an experience of
internalized security. The parents stopped using violence not because they had learned an
‘educational technique,’ but because the ongoing interaction and group co-regulation
strengthened their psychological and neurological capacities, allowing them to replace
instinctive reactivity with self-control and reflexivity, thereby breaking the vicious cycle of
intergenerational traumatic repetition. This understanding aligns with the contributions of
Michael White (2012), who emphasizes that traumatic experiences can only be processed in
contexts that offer sufficient psychological and emotional safety to prevent processes of
retraumatization. According to the author, safe relational environments foster the development
of alternative narratives and enable traumatized individuals to recognize skills, values, bonds,
and forms of resilience that remain obscured by experiences of suffering.
THE REFLECTIVE GROUP AS A CLINICAL ANTI-TRAUMA TOOL AND A SPACE
FOR PARENTAL RE-AUTHORING
Originally, Reflective and Focus Groups were designed as methodological and
dialogical spaces for co-construction. However, given that developmental trauma is constituted
relationally, its transformation must also necessarily occur in relational contexts. We believe
that the group was able to facilitate parents’ emotional regulation by functioning as a powerful
clinical and community-based mechanism for transformation, operating through the integration
of neurobiological co-regulation, the social constructionist epistemology of the construction of
the relational self, and the processes of re-authoring proposed by Narrative Therapy (White &
Epston, 1990).
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 17
Before delving into the operational and practical dynamics of the group, it is necessary
to outline four theoretical premises of Narrative Therapy that underpin the interventions in this
context:
• The externalization of the problem: a discursive practice rooted in the premise that ‘the
person is not the problem; the problem is the problem.’ It involves examining the difficulty
(such as violence, emotional dysregulation, or anxiety) as an entity separate from the
individual’s identity, thereby drastically reducing feelings of guilt, failure, and isolation. In
doing so, the person experiences a shift away from the dominant narrative of the problem
and may come to recognize that their identity is not limited to the responses they have
developed in the face of experiences of suffering and adversity. This shift facilitates the
recognition of skills, values, and forms of resilience that had previously been obscured by
the traumatic experience, expanding the sense of agency and opening up possibilities for
constructing alternative narratives about oneself and one’s relationships;
• Extraordinary moments: also known as ‘unique outcomes’—these refer to any event, action,
thought, or intention that contradicts the dominant problematic narrative. They are flashes
of action in which the person resisted the oppression of the problem, revealing the
contradiction present in their dominant discourse and in their identity saturated by the
‘problem.’ Through attentive and sensitive listening, the therapist or group facilitator seeks
to identify, expand upon, and connect these events, exploring the meanings, values, skills,
and intentions expressed within them. The goal of the intervention is not merely to
recognize an exception to the problem, but to foster the creation of connections between
these events and other life experiences, so that they may gain strength and meaning and
contribute to the development of alternative narratives about oneself, one’s relationships,
and one’s possibilities for action;
• Re-authoring: This is the dialogic and collaborative process of co-creating alternative lines
of identity. Re-authoring occurs when extraordinary moments (previously isolated) become
linked across time, organized into a new sequence, and imbued with new meaning rooted
in the hopes, purposes, and values of the parents within the family;
• External witness: Since traumatic experiences often silence people, the consolidation of a
new identity narrative requires a relational reconnection with an audience (which may be
the group itself) invited to listen, validate, and authenticate the new narrative. Sharing,
through the exchange of experiences, enables the creation of a space for testimony in which
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 18
each participant can recognize their own experience in another’s narrative and, at the same
time, be recognized in their own journey. In this process, pain can take on new meanings—
not through the comparison or ranking of suffering, but through the opportunity to perceive
different ways of facing adversity, resisting traumatic experiences, and rebuilding paths of
care and connection. By bearing witness to the resilience and possibilities for transformation
present in another’s experience, a person can expand their own sense of possibility and
strengthen the hope that new ways of relating to themselves, their children, and others can
also be built. From this perspective, the group serves as a space that challenges dominant
narratives saturated with suffering, guilt, and failure, enabling the construction of new
parental identities through four central mechanisms, discussed below.
Collaborative processes and the deconstruction of guilt
This process of transformation and internalization of care occurs primarily through three
interconnected movements. The first of these concerns collaborative processes and the
deconstruction of guilt through co-regulation. Upon joining the group, these families find what
has often been painfully denied to them in their own life stories: a predictable environment
marked by attentive, open, and nonjudgmental listening. This constant and welcoming presence
functions as a true ‘emotional scaffold,’ helping to absorb chronic stress and strengthening
parents’ neurobiological capacity to calm themselves in the face of adversity. Through the lens
of Social Constructionism, there is a shift in focus from the individual to the relational sphere.
By sharing their struggles, caregivers deconstruct the sense of inadequacy imposed by
normative discourses. This is what participant Sueli (GF2) illustrates with deep relief: “Oh, I
thought I was the only one with problems. I always thought: this only happens to me, it’s all on
me… But I’m realizing that… Everyone has problems, right? … Oh, I feel so much more
relieved…”.
From this shared relief, space opens up for a second essential step: externalizing the
problem and taking a physiological break. The oppression generated by extreme vulnerability
often leads parents to draw deeply problematic and self-deprecating conclusions about their
own identity. However, externalization allows them to understand aggressive behavior not as
the essence of who they are, nor as malice or a lack of love for their children, but as an automatic
survival response in the face of exhaustion. The group’s relational dynamics create a healthy
distance, teaching them to take a step back and breathe before acting. Eliana’s (GR1) statement
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 19
highlights this achievement as she describes how she learned to rein in her impulse in the heat
of the moment:
Nowadays I try—I take a breath and say, “Go up to your room while I take a breath,” because
if I grab him in that moment, I’ll end up hurting him… If I’m in the kitchen and he’s misbehaving
in the living room, I say, “I’m going to take a breath so I don’t hit you,” because all I want to
do right now is hit, hit, hit!!!
Finally, this respite takes shape and meaning in the third movement: the power of
dialogue and the attentive search for “extraordinary moments.” From a constructivist
perspective, language serves not only to describe the world but to construct it. The group thus
functions as a space for the careful investigation of these small, everyday events that challenge
and contradict the dominant narrative of chaos. Instead of reacting blindly and instinctively,
parents learn to use dialogue to generate new meanings, employing these unique outcomes as
catalysts for real change. Claudete’s (GR3) words poetically illustrate how this reflexivity
breaks the cycle of repeated trauma:
if we’ve had a traumatic upbringing, we can bring about a transformation when it comes to
raising our own children—it’s as if I were filtering out what remained of the trauma, the
negative aspects, and then drawing something positive from it! That was the main change. In
what way? By reflecting like this: If I’m nervous, with my mind elsewhere, am I going to hit
them? Why would I hit them? … Will that teach them anything? So I start to think things through
more carefully!
The external witness and the re-authoring of one’s preferred identity
The fourth and deepest step occurs when the impact of this relational regulation reaches
the parents’ ‘identity scenario’. Narrative Therapy shifts the focus away from ‘internal
deficiencies’ to explore the person’s intentional statements—their values, hopes, purposes, and
commitments. The group begins to act as an ‘external witness’ by validating the parents’ new
life stories, desires, and intentions regarding what they hope to achieve in their role as parents
in raising their children within the family. Thus, the group setting ceases to be merely an
external support network and becomes an experience of internalized security—a stabilizing
voice that accompanies the parents in their daily lives. By rewriting their story, individuals
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 20
abandon negative identity-related conclusions and rewrite their identity, breaking the
intergenerational transmission of trauma.
The culmination of this reauthoring is recounted by Expedita (GF3), a former victim of
severe childhood abuse who went on to perpetrate severe acts of violence, as she describes how
her new preferred narrative of care was validated by her own son:
Today, when my son leaves for school… he hugs and kisses me before he goes and says, “This
is the mom I asked God for,” and then he leaves! … My other son says, “Mom, I need to talk to
you”… so when everyone else leaves and it’s just the two of us, he starts telling me things (it
wasn’t like that before). So I think, “Thank you, Lord!” … Thank God, I’m starting to be a good
mom!
When discussing trauma and identity, Michael White (2012) draws attention to the risk
of discourses that are overly focused on victimization, which can reinforce feelings of
vulnerability, helplessness, and a sense of disorientation regarding one’s identity. In contrast,
the author proposes relational practices that foster a sense of agency, allowing traumatized
individuals to be recognized also for their capacities for coping, resilience, and the
reconstruction of meaning.
The clinical power of Reflective Groups—capable of deconstructing guilt and breaking
the cycle of violence—is strongly supported by contemporary international research on trauma-
informed care. A comprehensive meta-analysis (Liu et al., 2024) demonstrated that training
parents solely in rigid discipline and control techniques has a negligible impact on their mental
health (d = 0.04). In contrast, interventions focused on emotional regulation and relational
connection achieve far superior results (d = 0.31). This is precisely the essence of the group
approach: by moving away from prescriptive ‘manuals’ and investing in the collaborative
construction of new narratives, parental stress and reactivity decrease.
This relational transformation is grounded in what the Trust-Based Relational
Intervention (TBRI) model defines as felt safety (Hunsley et al., 2025; Purvis et al., 2013). By
integrating neuroscience, attachment theory, and child development, this approach
demonstrates that a secure, co-regulated bond stabilizes the nervous system. In practice, this
stabilization directly affects the child, reducing disruptive behaviors and verbal aggression by
up to 88% in school settings. It is this very same emotional security—once absent—that we see
blossoming in a deeply moving way in Expedita’s account (GF3). By breaking free from
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 21
inherited harshness, she achieves a re-authoring of her identity, which is touchingly validated
by her own son: “This is the mother I asked God for.”
There is, therefore, a profound practical and theoretical synergy between these
approaches. While TBRI originated as a clinical model focused on the caregiver-child dyad, the
Reflective Group acts as the community ‘scaffolding’ that enables these vulnerable families to
internalize and apply these principles in the midst of their daily lives.
Connecting Principles and Intersubjectivity
The TBRI Principles of Connection focus on the development of secure attachments
through engagement strategies (vocal attunement, listening, empathetic presence) and strategies
of awareness (mindfulness) on the part of the caregiver regarding their own relational history.
Thus, we can highlight the following:
• The group as a space of felt safety: TBRI posits that the traumatized brain only learns
and reorganizes itself when it experiences physical and psychological safety. The
Reflective Group functions by providing precisely this predictable and welcoming
‘emotional scaffolding.’ By sharing their pain without the burden of judgment—as
participant Sueli reports (“I thought I was the only one with a problem… I feel more
relieved”)—parents reduce the reactivity of the central nervous system, moving out of
defensive survival mode;
• Awareness and Intergenerational Revisitation: The TBRI mindfulness strategy requires
the caregiver to become aware of their own attachment history and triggers. In the
Reflective Group, this occurs powerfully as part of the process of identity reauthoring.
By revisiting their painful childhoods, parents are able, for the first time, to “settle the
trauma.” As participant Claudete poetically puts it: “...if we had a traumatic upbringing,
we can bring about transformation when raising our own children; it’s as if I were
settling what was bad and starting to draw something good from it!”
Empowering Principles and Somatic Regulation
In TBRI, the Principles of Empowerment address the child’s physical and
environmental needs, promoting physical regulation and preparing the somatic system to cope
with stress. In the Reflective Group, this empowerment is extended to the parents’ own
autonomic nervous system.
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 22
• The physiological pause as somatic self-regulation: Traumatized parents operate under
constant chronic stress, which triggers automatic and reactive survival responses
(aggression). The dynamics of the Reflective Groups empower parents to recognize
these states of somatic dysregulation and to apply the Physiological Pause. Participant
Eliana perfectly describes this strategy for empowering herself and regulating her own
body: “...today I try—I take a breath and say, ‘Go up to your room; I’m going to take a
breath,’ because if I pick him up at that moment, I’ll end up hurting him...”;
• Predictability and the ‘yo-yo effect’—TBRI emphasizes ecological needs (routine and
predictable transitions) to keep the nervous system regulated. Analysis of the ‘yo-yo
effect’ in the quantitative data confirms this premise: when the frequency of Reflective
Group meetings decreased (a disruption in the co-regulation network), parents
temporarily lost this external modulatory support, indicating that long-term
somatorelational stabilization requires the continuous maintenance of safe
environments.
Correcting Principles and Re-authoring
The Principles of Correction in TBRI focus on defusing fear-based behaviors through
nonpunitive, responsive strategies, while teaching social skills during calm moments.
• Defusing the fear response: TBRI guides caregivers to focus on the need underlying the
child’s behavior, rather than just on the disruptive behavior itself. In the Reflective
Group, this occurs when the original hostile practices (such as physical abuse and
inconsistent punishment) are reframed. Parents come to understand that the child’s
reactivity and their own aggression are expressions of somatoaffective dysregulation,
not ‘moral failings’ or ‘incompetence.’
• Extraordinary moments as proactive learning: the group works to identify and celebrate
‘extraordinary moments’ (unique instances in which the parent replaced aggression with
dialogue during calm moments). This practice mirrors the proactive strategies of TBRI.
It reinforces and strengthens caregivers’ narrative of competence, allowing them to
reclaim their parental identity;
• The group as an external witness and the IDEAL Response©: TBRI proposes
immediate, direct responses focused on restoring connection (mechanisms of the
IDEAL Response©). When parents bring their new care outcomes to the group, the
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 23
group acts as the External Witness. The group audience validates, authenticates, and
‘holds onto the hope’ of these new, nonviolent parenting trajectories. The culmination
of this cycle of transformation and connection is illustrated by Expedita, who proudly
shares her son’s own testimony: “Today… he hugs and kisses me… and says, ‘This is
the mom I asked God for’…”.
FINAL CONSIDERATIONS
The connection between educational practices and developmental trauma calls for a
profound shift in the way we view families facing personal and social risks and vulnerabilities—
moving away from a punitive and blame-oriented approach toward a systemic and relational
perspective. From this perspective, harsh, neglectful, or inconsistent parenting styles are no
longer labeled as mere disciplinary shortcomings or moral failings. They are revealed as
instinctive survival responses—physical expressions of exhausted caregivers trying to cope
with chronic stress and cumulative suffering. It is essential to recognize, however, that this pain
does not arise in a vacuum; it is inseparable from the deep structural, economic, and cultural
inequalities that permeate these people’s daily lives. The lens of trauma is powerful for
uncovering these dynamics, but it must go hand in hand with social reality to capture the full
complexity of the human experience.
With this more empathetic approach—which integrates interpersonal neurobiology,
complexity theory, and narrative therapy—the role of Reflective Groups is also transformed.
More than mere educational or instructional spaces, they have proven to be true community-
based mechanisms for emotional co-regulation and identity re-authoring. By offering attentive
listening, safety, and attunement, the groups helped break the painful repetition of cycles of
trauma across generations. This relational strength even explains what we call the ‘yo-yo
effect.’ The fluctuations observed in educational practices between the sixth and twelfth months
did not represent a parental failure, but rather a direct reflection of the fluctuation in the
availability of the support network. When the meetings became less frequent, the absence of
this emotional ‘scaffolding’ destabilized the caregivers, proving that sustaining family
transformations requires a continuous support network.
Despite the analytical and clinical strength of these findings, we must approach the study
with methodological honesty, acknowledging its limitations. This is a retrospective
investigation of a dataset from 2006 to 2011, a period when trauma was not yet the central
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 24
variable (Santos, 2006, 2011). Therefore, we are dealing with a hermeneutic reinterpretation
focused on narratives from a single community in the South Zone of São Paulo, which limits
its generalizability. Furthermore, inferences regarding the nervous system were based on
reports and behaviors, without the use of direct psychophysiological measures. These
limitations, however, point to a promising future. The door remains open for prospective and
experimental studies that test these interventions with control groups, validate complex trauma
assessment tools for Brazil, and include biological markers, such as heart rate variability and
stress-related hormones.
Reflecting on family education at the margins of vulnerability ultimately requires
upholding a courageous ethical stance: one that simultaneously embraces pain and
responsibility, the burden of repetition, and the hope for transformation. Rejecting the trap of
reductionist approaches that pathologize these families means viewing suffering in its full
biopsychosocial context. It is a firm commitment to the transformative power of secure
connections, bonds of affection, and collective processes. After all, it is through this ethical and
scientific commitment that we are able not only to understand but also to truly support and give
new meaning to the lives of those who raise children amid adversity.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 25
REFERENCES
Borges, E. S. (2014). Prevalência dos critérios diagnósticos do transtorno traumático do
desenvolvimento em crianças e adolescentes em diferentes cenários de risco para maus-
tratos em um meio urbano [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul]. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS.
http://hdl.handle.net/10183/106867
Bowen, M. (1978). Family therapy in clinical practice. Jason Aronson.
Ferreira, L., & Santos, J. L. (2025). Violência parental, trauma e o impacto na construção da
identidade adulta. Revista on-line de Política e Gestão Educacional, 29, e025113.
https://doi.org/10.22633/rpge.v29i00.20814
Fraiberg, S., Adelson, E., & Shapiro, V. (1975). Ghosts in the nursery: A psychoanalytic
approach to the problems of impaired infant-mother relationships. Journal of the
American Academy of Child Psychiatry, 14(3), 387–421.
https://doi.org/10.1016/S0002-7138(09)61442-4
Gergen, K. J. (1991). The saturated self: Dilemmas of identity in contemporary life. Basic
Books.
Gomide, P. I. C. (2006). Inventário de estilos parentais (IEP): Modelo teórico – Manual de
aplicação, apuração e interpretação. Vozes.
Herman, J. L. (1992). Trauma and recovery: The aftermath of violence—from domestic abuse
to political terror. Basic Books.
Hunsley, J. L., Shelley, L. T., West, A., Call, C., & Knight, D. K. (2025). Hope Connection®
2.0: The effectiveness of a post-adoption family camp intervention for promoting
emotional and behavioral health among adopted children. Children and Youth Services
Review, 168, 108058. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2024.108058
Liu, A. Y., Gubbels, J., & Orobio de Castro, B. (2024). The effectiveness of trauma-informed
parenting programs for traumatized parents and their components: A meta-analytic
study. Clinical Child and Family Psychology Review, 27, 1113–1143.
https://doi.org/10.1007/s10567-024-00503-5
Maté, G., & Maté, D. (2023). O mito do normal: Trauma, saúde e cura em um mundo doente
(F. Abreu, Trad.). Sextante.
Morin, E. (2002). O método 5: A humanidade da humanidade (J. M. Silva, Trad.). Meridional.
Perry, B. D., & Szalavitz, M. (2006). The boy who was raised as a dog: And other stories from
a child psychiatrist’s notebook. Basic Books.
Purvis, K. B., Cross, D. R., Dansereau, D. F., & Parris, S. R. (2013). Trust-based relational
intervention (TBRI): A systematic approach to complex developmental trauma. Child
& Youth Services, 34(4), 360–386. https://doi.org/10.1080/0145935X.2013.859906
Between trauma and care: Educational practices, co-regulation, and relational transformation of families in contexts of social vulnerability
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 26
Santos, J. L. (2006). “Transformando” – “nós” em “laços”: Um estudo compreensivo dos
valores parentais em famílias de baixa renda [Dissertação de mestrado, Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo]. Repositório Institucional da PUC-SP.
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15518
Santos, J. L. (2011). Casa de pais, escola de filhos: Um estudo sobre transformações nos
significados, valores e práticas de educar filhos em famílias de baixa renda [Tese de
doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Repositório Institucional da
PUC-SP. https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15026
Schore, A. N. (2003). Affect dysregulation and disorders of the self. W. W. Norton.
Van der Kolk, B. (2014). The body keeps the score: Brain, mind, and body in the healing of
trauma. Viking.
Vasconcellos, M. J. E. (2002). Pensamento sistêmico: O novo paradigma da ciência. Papirus.
Walsh, F. (2016). Strengthening family resilience (3rd ed.). Guilford Press.
Winnicott, D. W. (1965). The maturational processes and the facilitating environment: Studies
in the theory of emotional development. Hogarth Press.
White, M. (2019). Crianças, trauma e o desenvolvimento de um enredo subordinado. In M.
White, Clássicos da terapia narrativa (C. N. Silva & S. M. G. Anastácio, Trads., pp.
117–125). Dulwich Centre Publications.
White, M., & Epston, D. (1990). Narrative means to therapeutic ends. W. W. Norton.
J o ã o L a ur e nti n o d os S a nt os
D o x a : R e v. B r as. Psi c o. e E d u c., Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 8 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 8 3 2 7
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : I w o ul d li k e t o t h a n k Pr of. Dr. R os a M ari a S ef a ni ni d e M a c e d o (i n
m e m ori a m), w h o s er v e d as m y a d vis or a n d w h o w o ul d h a v e b e e n v er y pl e as e d wit h t h e
d e v el o p m e nts t h at h a v e e m er g e d fr o m t h e diss ert ati o n a n d t h esis t h at g a v e ris e t o t his a n d
ot h er arti cl es .
F u n di n g : C N P Q a n d F A P E S P pr o vi d e d f u n di n g f or t h e r es e ar c h t h at l e d t o t his arti cl e .
C o nfli c ts of int e r es t: T h er e ar e n o c o nfli cts of i nt er est .
Et hi c al a p p r o v al : R es e ar c h Et hi cs C o m mitte e of t h e P o ntifi c al C at h oli c U ni v ersit y of S ã o
P a ul o ( P U C -S P) ( Pr ot o c ol N o. 2 8 1/ 2 0 0 9) .
D at a a n d m at e ri als a v ail a bilit y : T h e d at a ar e a v ail a bl e i n t h e P U C -S P c oll e cti o n .
A ut h o rs ’ c o nt ri b uti o ns : Si n gl e a ut h or .
P r o c essi n g a n d e diti n g : E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, st a n d ar di zati o n a n d Tr a nslati o n
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 1
ENTRE EL TRAUMA Y EL CUIDADO: PRÁCTICAS EDUCATIVAS,
COREGULACIÓN Y TRANSFORMACIÓN RELACIONAL DE FAMILIAS EN
CONTEXTOS DE VULNERABILIDAD SOCIAL
ENTRE O TRAUMA E O CUIDADO: PRÁTICAS EDUCATIVAS, CORREGULAÇÃO E
TRANSFORMAÇÃO RELACIONAL DE FAMÍLIAS EM CONTEXTOS DE
VULNERABILIDADE SOCIAL
BETWEEN TRAUMA AND CARE: EDUCATIONAL PRACTICES, CO-REGULATION,
AND RELATIONAL TRANSFORMATION OF FAMILIES IN CONTEXTS OF SOCIAL
VULNERABILITY
João Laurentino dos SANTOS
1
e-mail: jlauren[email protected]
Cómo citar este artículo:
Santos, J. L. (2026). Entre el trauma y el cuidado: prácticas
educativas, coregulación y transformación relacional de
familias en contextos de vulnerabilidad social. Doxa: Rev.
Bras. Psico. e Educ., 27(esp1), e026018.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21483
| Enviado: 02/05/2026
| Modificaciones solicitadas: 12/05/2026
| Aprobado: 20/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo – São Paulo (SP) – Brasil. Doctor en
Psicología Clínica por el Núcleo de Familia y Comunidad.
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 2
RESUMEN: Este artículo propone una reinterpretación de las prácticas parentales en contextos de
vulnerabilidad social a la luz de la teoría del trauma del desarrollo, articulando contribuciones del
Pensamiento Sistémico, la Teoría de la Complejidad, el Construccionismo Social, la Neurobiología
Relacional y la Terapia Narrativa. El estudio realiza una reinterpretación hermenéutica y
retrospectiva de un acervo producido en dos investigaciones previas con familias vinculadas a la
Associação Meninos do Morumbi, en São Paulo, Brasil, entre 2001 y 2010, en la Pontificia
Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP). Las investigaciones originales combinaron enfoques
cualitativos y cuantitativos, incluidos Grupos Reflexivos, Grupos Focales, sesiones de atención
familiar, genogramas y el Inventario de Estilos Parentales. El análisis comprendió las prácticas
parentales violentas e inconsistentes como expresiones de sufrimiento relacional, desregulación
emocional y transmisión intergeneracional del trauma, y no únicamente como fallas morales o
déficits educativos. Se evidenció el papel de los Grupos Reflexivos en la promoción de la
corregulación, la reflexividad y la reautoría parental. Se concluye que este enfoque amplía la
comprensión de la parentalidad, desplazando el foco de la culpabilización individual hacia una
perspectiva relacional
PALABRAS CLAVE: Trauma del desarrollo. Parentalidad. Prácticas educativas. Vulnerabilidad
social. Grupos reflexivos.
RESUMO: Este artigo propõe reinterpretação das práticas parentais em contextos de
vulnerabilidade social à luz da teoria do trauma do desenvolvimento, articulando contribuições do
Pensamento Sistêmico, da Teoria da Complexidade, do Construcionismo Social, da Neurobiologia
Relacional e da Terapia Narrativa. O estudo realiza reinterpretação hermenêutica e retrospectiva
de acervo produzido em duas pesquisas com famílias vinculadas à Associação Meninos do
Morumbi, em São Paulo, entre 2001 e 2010, na PUC-SP. As pesquisas originais combinaram
abordagens qualitativas e quantitativas, incluindo Grupos Reflexivos, Grupos Focais,
atendimentos familiares, genogramas e o Inventário de Estilos Parentais. A análise compreendeu
práticas parentais violentas e inconsistentes como expressões de sofrimento relacional,
desregulação emocional e transmissão intergeracional do trauma, e não apenas como falhas
morais ou déficits educacionais. Evidenciou-se o papel dos Grupos Reflexivos na corregulação,
reflexividade e reautoria parental. Conclui-se que essa abordagem amplia a compreensão da
parentalidade, deslocando o foco da culpabilização para perspectiva relacional.
PALAVRAS-CHAVE: Trauma do desenvolvimento. Parentalidade. Práticas educativas.
Vulnerabilidade social. Grupos reflexivos.
ABSTRACT: This article proposes a reinterpretation of parenting practices in contexts of social
vulnerability in light of developmental trauma theory, integrating contributions from Systems
Thinking, Complexity Theory, Social Constructionism, Relational Neurobiology, and Narrative
Therapy. The study conducts a hermeneutic and retrospective reinterpretation of a body of material
produced in two previous studies involving families affiliated with the Associação Meninos do
Morumbi in São Paulo, Brazil, between 2001 and 2010, at the Pontifical Catholic University of São
Paulo (PUC-SP). The original studies combined qualitative and quantitative approaches, including
Reflective Groups, Focus Groups, family counseling sessions, genograms, and the Parenting Styles
Inventory. The analysis understood violent and inconsistent parenting practices as expressions of
relational distress, emotional dysregulation, and the intergenerational transmission of trauma,
rather than merely as moral failings or educational deficits. The findings highlighted the role of
Reflective Groups in promoting coregulation, reflexivity, and parental re-authoring. It is concluded
that this approach broadens the understanding of parenting by shifting the focus from individual
blame toward a relational perspective.
KEYWORDS: Developmental trauma. Parenting. Educational practices. Social vulnerability.
Reflective groups.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 3
INTRODUCCIÓN
Las prácticas educativas en el contexto de familias en situación de vulnerabilidad social
nos invitan a un ejercicio de comprensión que trasciende las interpretaciones normativas y las
explicaciones simplistas. A lo largo de mi trayectoria profesional, en contacto directo con
padres y madres que a diario se enfrentan a los retos de criar a sus hijos en condiciones adversas,
se ha hecho evidente que la experiencia de la parentalidad, en estos contextos, no puede
entenderse al margen de las condiciones concretas de la vida cotidiana.
La realidad de estas familias está marcada por múltiples tensiones: inseguridad
económica, inestabilidad en las relaciones matrimoniales, ausencia o fragilidad de redes de
apoyo y exposición recurrente a situaciones de violencia. En este contexto, la crianza de los
hijos deja de ser una mera función socialmente impuesta y se convierte en una experiencia
compleja, a menudo marcada por el sufrimiento, la improvisación y la resistencia. Es
precisamente esta complejidad la que exige marcos teóricos capaces de comprender los
procesos relacionales dentro de sus propios contextos, más allá de explicaciones lineales y
reduccionistas.
Desde la perspectiva del nuevo paradigma del pensamiento sistémico (Vasconcellos,
2002) y la complejidad (Morin, 2002), tales experiencias no pueden reducirse a relaciones
lineales de causa y efecto, sino que deben entenderse como fenómenos emergentes de sistemas
relacionales dinámicos, en los que múltiples factores ejercen influencia, desde contextos
históricos, afectivos, sociales y culturales micro y macro. Lo que somos constituye un self
interconectado, atravesado por las plataformas, las relaciones familiares y comunitarias, los
medios de comunicación y las redes sociales (Gergen, 1991), que se interpenetran y
retroalimentan entre sí.
Es en este campo donde la conexión con el concepto de trauma se vuelve
particularmente fructífera, permitiendo una comprensión más profunda de las prácticas
educativas no como comportamientos aislados, sino como expresiones de historias y contextos
que afectan a las personas y que pueden constituir situaciones potencialmente traumáticas a lo
largo del desarrollo en las diferentes fases del ciclo de vida familiar (Walsh, 2016). Aunque la
literatura antropológica y sociológica examina exhaustivamente el impacto estructural de la
pobreza en las familias, se identifica una importante laguna científica en el campo de la
psicología del desarrollo y la terapia familiar: la investigación que evalúa las dificultades
educativas de los padres ha tendido históricamente a oscilar entre dos polos reduccionistas. Por
un lado, se adopta una perspectiva patologizante que individualiza la vulnerabilidad; por otro
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 4
lado, se utilizan modelos de evaluación conductual e instruccional basados en protocolos (como
el Inventario de Estilos Parentales [IEP]), clasificando conductas graves, como el castigo
inconsistente y el abuso físico, estrictamente bajo la categoría de “déficits de habilidades” o
“elecciones disciplinarias inapropiadas”.
La limitación interpretativa de estos modelos tradicionales radica en su desprecio por el
hecho de que tales prácticas hostiles o inconsistentes sugieren no solo fallas en el aprendizaje
pedagógico, sino más bien manifestaciones somáticas y afectivas de sistemas nerviosos
crónicamente desregulados por el peso del estrés acumulativo y la transmisión
intergeneracional de heridas relacionales. La literatura científica contemporánea sobre la
atención informada sobre el trauma (neurobiología interpersonal) demuestra que la exposición
continua a la indefensión altera el funcionamiento neurofisiológico y las estrategias de
supervivencia adaptativas. Sin embargo, existe una escasez de estudios que contrasten datos
empíricos sobre fluctuaciones longitudinales en prácticas educativas en contextos vulnerables
con esta perspectiva clínica sobre el trauma relacional y el desarrollo.
Por lo tanto, se justifica esta relectura interpretativa y retrospectiva de los datos
empíricos y longitudinales de dos estudios consecutivos (Santos, 2006, 2011), que siguieron a
100 familias durante 24 meses bajo un diseño de investigación-acción. Se propone un cambio
epistemológico esencial: alejarse de la lógica de la culpa o del mero “entrenamiento
conductual” para releer los datos cuantitativos longitudinales (clusters) y las viñetas cualitativas
de los Grupos Reflexivos de Padres a través de la lente de la Teoría del Trauma del Desarrollo.
Al proponer una comprensión de cómo el sufrimiento invisible y las reacciones automáticas
afectan las prácticas educativas, este estudio busca ofrecer nuevas vías para comprender los
mecanismos comunitarios y clínicos de corregulación relacional y reautoría parental en el
ámbito de la salud pública y la asistencia social.
UN CAMBIO DE PERSPECTIVA: CONSIDERACIONES METODOLÓGICAS
La relectura retrospectiva y la ampliación comprensiva
El enfoque metodológico que sustenta este artículo no surge de la recopilación de
nuevos datos, sino que se basa en una sólida investigación empírica y longitudinal desarrollada
a lo largo de dos estudios académicos consecutivos (Santos, 2006, 2011) realizados con familias
en situación de vulnerabilidad social (IPVS 4). Se trata, por lo tanto, de una relectura
interpretativa y retrospectiva de un corpus empírico ya consolidado. Originalmente, estas
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 5
investigaciones no operacionalizaron el “trauma” como variable a priori. Sin embargo, el
contacto continuo con el material empírico reveló intensidades, repeticiones y formas de
sufrimiento en las prácticas educativas que trascendían las categorías iniciales. Así, el abordaje
del campo del trauma no fue una decisión teórica previa, sino una necesidad analítica surgida
de la escucha, con el objetivo de producir una expansión integral del fenómeno, permitiendo
que el propio material planteara nuevas preguntas.
Los dispositivos y la lógica epistemológica
En Santos (2011), se adoptó un diseño de investigación-acción cuantitativo-cualitativo
(investigación intervencionista), guiado por los marcos del Pensamiento Sistémico Nuevo-
Paradigmático, la Complejidad y la Fenomenología. El seguimiento longitudinal de 100
familias durante 24 meses utilizó Grupos Reflexivos (como contexto generativo para la
investigación, núcleo de la intervención y sensibilización comunitaria) y Grupos Focales (para
profundizar dialógicamente en los temas que surgieron en los grupos reflexivos).
Cuantitativamente, el Inventario de Estilos Parentales (IEP) se aplicó en cuatro momentos (línea
base (inicio), 6, 12 y 24 meses) para evaluar la oscilación temporal y los posibles cambios en
las prácticas educativas tales como Monitoreo Positivo, Comportamiento Moral, Castigo
Inconsistente, Negligencia, Disciplina Relajada, Monitoreo Negativo y Abuso Físico.
Criterios analíticos, lógica interpretativa y triangulación
El análisis del vasto material cualitativo de las investigaciones originales se guió por
una lógica hermenéutica y fenomenológica, en la que las categorías no se impusieron a priori,
sino que surgieron orgánicamente a través de un análisis pragmático y semántico de las
conversaciones. Al decodificar los discursos en busca de sus significados subyacentes, el
fenómeno educativo se organizó en ejes principales: categorías temáticas (contenidos amplios),
subcategorías (significados específicos) y unidades de significado (núcleos narrativos). La
articulación final de estos hallazgos se consolidó mediante la triangulación metodológica,
cotejando los datos estadísticos del Inventario de Estilos Parentales (IEP) —que evidenciaron
fluctuaciones objetivas, como el “efecto acordeón”, seguido de disminuciones con
estabilización al final de los 24 meses— con la riqueza intersubjetiva de las narrativas grupales.
Esta triangulación sirvió no solo como herramienta de validación, sino también para disolver la
dicotomía entre los enfoques cuantitativos y cualitativos, poniendo de manifiesto cómo las
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 6
fluctuaciones numéricas en las prácticas de crianza eran un reflejo directo de la desregulación
emocional descrita en los relatos de los padres.
Partiendo de esta sólida base empírica, el segundo enfoque interpretativo propuesto en
este estudio se desarrolló en tres etapas bien definidas. Inicialmente, se revisaron las narrativas
y unidades de significado originales para identificar recurrencias, tensiones y zonas de silencio
relacionadas con experiencias de sufrimiento. Posteriormente, se estableció un diálogo
hermenéutico entre este material y marcos teóricos contemporáneos de la teoría del trauma del
desarrollo, la neurobiología relacional y la terapia narrativa.
Finalmente, se construyeron nuevas categorías analíticas para comprender la
desregulación emocional, la transmisión intergeneracional del trauma, los procesos de
corregulación y de la reautoría narrativa. A diferencia de las categorías de la investigación
original, estas nuevas formulaciones son eminentemente interpretativas, más que descriptivas,
y funcionan como operadores teóricos para una comprensión actualizada del fenómeno. Las
distinciones entre las interpretaciones previas y las desarrolladas dentro de este nuevo marco
estructuran la sección de resultados y discusión.
El estatus metodológico de las viñetas
En este proceso de reinterpretación hermenéutica, las narrativas transcritas cobran vida
en forma de viñetas. Más que simples ejemplos ilustrativos para confirmar hipótesis teóricas,
se convierten en auténticos puntos de condensación de la experiencia humana. La selección de
cada viñeta se guió por su potencial clínico para revelar las delicadas intersecciones entre la
historia de vida de cada sujeto y su forma de educar. De este modo, la teoría encuentra un
fundamento en la experiencia concreta, permitiendo que estas narrativas representen la
complejidad de las relaciones, el agotamiento, la repetición de patrones y, sobre todo, la fuerza
y la persistencia de los intentos de cuidado en contextos de estrés continuo.
Dada la inmensidad de esta recopilación cuantitativa y cualitativa, el proceso de
selección y extracción de datos se basó en herramientas de Inteligencia Artificial (IA). Sin
embargo, el uso de esta tecnología se limitó a la estructuración ágil de hojas de cálculo y la
síntesis preliminar de textos, sin sustituir jamás la sensibilidad e interpretación del investigador.
Todos los datos fueron validados y revisados meticulosamente de forma manual para garantizar
la fiabilidad, la precisión analítica y el rigor ético. Este cuidado fue fundamental para asegurar
que las voces y subjetividades de los participantes nunca se vieran distorsionadas ni reducidas
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 7
por un algoritmo. Finalmente, todo el esfuerzo analítico se centró en articular en profundidad
estas dos dimensiones: las prácticas educativas y las huellas del trauma del desarrollo en la
experiencia cotidiana y familiar de la crianza de los hijos.
Consideraciones éticas
El cuidado y el rigor ético guiaron cada paso de este trabajo, desde la recopilación de
datos originales hasta el actual esfuerzo de reinterpretación, una postura indispensable al
abordar las historias de familias en situación de vulnerabilidad social. Todo el proyecto fue
debidamente respaldado y aprobado por el Comité de Ética en Investigación de la Pontificia
Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP) (Protocolo n.° 281/2009). La participación de
estas familias fue genuinamente voluntaria y segura, formalizada mediante la firma del
Formulario de Consentimiento Informado (FCI) por sus tutores. Para proteger
incondicionalmente la identidad y la dignidad de cada participante, se preservó el anonimato
con el máximo rigor, utilizando nombres ficticios para anonimizar todas las narrativas y viñetas.
Este mismo cuidado se extendió al uso de la Inteligencia Artificial en esta etapa: la tecnología
se operó en un entorno controlado y estrictamente ético, siempre bajo estrecha supervisión
humana, salvaguardando la absoluta confidencialidad de las experiencias e historias de vida
compartidas con tanta intimidad.
Finalmente, para hacer perceptible y explícito el cambio de perspectiva que promueve
esta reinterpretación hermenéutica, se elaboró la Tabla 1. Esta síntesis presenta claramente las
principales diferencias entre las categorías analíticas que predominaron en la investigación
original y las nuevas perspectivas surgidas del diálogo profundo con la teoría del trauma del
desarrollo.
Tabla 1.
Transición epistemológica de las categorías analíticas
Fenómeno/Variable Empírica
Interpretación en la
investigación original (Santos,
2006, 2011)
Una nueva interpretación desde
la perspectiva del trauma
(presente estudio). (Santos,
2011; van der Kolk, 2014)
Abuso Físico y Negligencia (IEP)
(Gomide, 2006)
Prácticas educativas negativas
resultantes de la herencia cultural
transgeneracional o de deficiencias
en las habilidades parentales
(Santos, 2006, 2011).
Expresiones somáticas de la
desregulación emocional
neurobiológica y reacciones
automáticas de supervivencia
(defensa) bajo estrés crónico
(Schore, 2003; van der Kolk,
2014).
Castigo Inconsistente (IEP)
(Gomide, 2006)
Inconsistencia en la aplicación de
las reglas debido a la falta de
Un mecanismo relacional que
compromete la construcción de un
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 8
límites claros, generando
vulnerabilidad educativa (Santos,
2011).
apego seguro, imitando la
imprevisibilidad típica de los
entornos de trauma relacional.
“Efecto acordeón” (Fluctuación
de 6 a 12 meses) (Santos, 2011)
Relajación temporal de la
supervisión parental o falta de
atención de los padres debido al
distanciamiento de las reuniones
grupales (Santos, 2011).
Colapso temporal de la ventana de
tolerancia de los padres debido a la
desestabilización de la red de
seguridad y la pérdida del
“andamio” de corregulación del
grupo.
La Estabilización a los 24 meses
(Santos, 2011)
Aprendizaje, formación e
interiorización de habilidades
educativas y actitudes de
seguimiento positivas (Santos,
2011).
Consolidación de una experiencia
de seguridad internalizada y
fortalecimiento de las capacidades
de autocontrol reflexivo (reautoría)
(Siegel, 2012; White & Epston,
1990).
Papel del Grupo Reflexivo
(Santos, 2011)
Un espacio dialógico y pedagógico
para la concienciación, el
intercambio de experiencias y la
redefinición de los roles de género
(Santos, 2011).
Dispositivo clínico-comunitario de
corregulación relacional activa y
espacio de testigo externo para la
reautoría de la identidad (Herman,
1992; White & Epston, 1990).
Nota. Elaborado por el autor (2026).
Una vez comprendida esta transición epistemológica, es importante destacar que las
categorías presentadas en la Tabla 1 no representan la sustitución de las interpretaciones
originales por una nueva lectura considerada más veraz. Más bien, expresan el movimiento
hermenéutico realizado en este estudio, en el que el reencuentro con los datos empíricos, a la
luz de nuevos marcos teóricos, permitió ampliar el horizonte de comprensión de los fenómenos
ya observados. En este sentido, la reinterpretación no busca corregir los análisis previamente
elaborados, sino profundizarlos, resaltando dimensiones que permanecieron latentes en el
momento de la interpretación original de los datos.
No se trata de aplicar una teoría a material preexistente, sino de permitir que el material
mismo suscite nuevas preguntas. El enfoque del campo del trauma no fue una decisión
preconcebida, sino una necesidad que surgió de la escucha: una forma de dar nombre y
profundidad a experiencias que ya estaban presentes, aunque no se expresaran explícitamente
de esa manera.
Al abordar el tema del trauma del desarrollo en el contexto de las prácticas educativas
familiares, se hacen visibles las marcas de repetición, desregulación, intensidad emocional y
dificultades para mantener vínculos en contextos marcados por la inestabilidad, presentes
cuando los padres actuaban para educar a sus hijos.
En esta nueva fase de un proceso comprensivo, las viñetas cobran protagonismo. No son
meros ejemplos ilustrativos, sino puntos de condensación de la experiencia. Al revisarlas, no
buscamos confirmar hipótesis, sino escuchar nuevamente lo que tienen que decir, ahora desde
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 9
una perspectiva diferente. Lo que antes se entendía como dificultad o limitación, fracaso o
incluso falta de habilidad, por ejemplo, ahora también se percibe como la expresión de historias
marcadas por un profundo sufrimiento y lucha en la búsqueda de superar desafíos.
Este material, al ser revisado de esta manera, nos invita inevitablemente a releer estas
prácticas y fluctuaciones parentales desde nuevas perspectivas. Es este movimiento de apertura
el que inspira las preguntas que guían nuestro análisis, destacadas a continuación:
• En cuanto a la desregulación emocional: en lugar de categorizar variables como “castigo
inconsistente”, “negligencia” y “abuso físico” (Gomide, 2006) simplemente como
elecciones inadecuadas o deficiencias en las habilidades parentales, ¿sería posible
reinterpretar estos comportamientos como expresiones directas de desregulación
emocional y respuestas automáticas de supervivencia ante la inestabilidad social y
relacional?
• En cuanto a la transmisión intergeneracional: ¿podrían entenderse las prácticas
educativas violentas no solo como una herencia de valores culturales, sino también como
la transmisión de secuelas de traumas relacionales crónicos que han limitado la
capacidad de autorregulación de estos adultos?
• En cuanto a la necesidad de una corregulación continua: ¿cómo explicaría la teoría del
trauma el “efecto acordeón” (recaídas en las prácticas parentales entre los 6 y los 12
meses), y estaría esta oscilación relacionada con una desestabilización de la red de
seguridad del sistema nervioso de los padres debido a una disminución en la frecuencia
de las actividades grupales?
• Sobre el grupo como dispositivo clínico antitrauma: ¿podrían los Grupos Reflexivos
trascender el estatus de espacios dialógicos para ser considerados verdaderos “entornos
de atención relacional”, capaces de actuar en la regulación emocional de los padres y
proporcionar la escucha y la sintonía que les faltaron en la infancia?
La primera de estas cuestiones se refiere a la desregulación emocional. Lejos de
entenderse como “mala conducta” o un trastorno de conducta intencional, requiere un enfoque
más empático: se trata de una dificultad, a menudo a nivel neurobiológico, para modular, tolerar
y recuperarse de estados afectivos extremos —como el miedo y la ira— ante el estrés. En estos
momentos de angustia, la persona comienza a actuar impulsada por respuestas instintivas y
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 10
automáticas de supervivencia, ya sea luchando, huyendo o paralizándose (Perry & Szalavitz,
2006; Schore, 2003; van der Kolk, 2014).
Como nos recuerda Bessel van der Kolk (2014), las heridas del trauma comprometen la
capacidad del sistema nervioso para recuperar su equilibrio tras una amenaza, manteniendo al
organismo atrapado en un estado agotador de alerta defensiva. Allan Schore (2003)
complementa esta perspectiva al destacar que nuestra capacidad de regulación emocional se
construye desde la infancia, a través de los circuitos neurobiológicos que se tejen en los lazos
de apego y afecto de los primeros años de vida. En diálogo con esta perspectiva, Michael White
(2019) nos invita a ver a los niños sometidos a estos dolores no como meros receptáculos
pasivos del sufrimiento, sino como sujetos increíblemente activos que crean su propio
conocimiento y estrategias para sobrevivir. Para él, el trauma nunca resume la totalidad de lo
que son estas personas; siempre hay historias de resistencia, preservación y búsqueda de
seguridad que, lamentablemente, terminan siendo silenciadas por narrativas centradas
únicamente en el problema.
El segundo concepto que guía nuestra perspectiva es la transmisión intergeneracional
del trauma. Esta idea amplía la noción de herencia familiar, llevándola al ámbito
neurobiológico y relacional para ayudarnos a comprender cómo el dolor no resuelto y las
dificultades emocionales de una generación se transmiten, moldeando el entorno de la siguiente
(Bowen, 1978; Fraiberg et al., 1975; Schore, 2003; van der Kolk, 2014). Murray Bowen (1978)
ya observó cómo ciertos patrones emocionales se transmiten a través del tiempo, especialmente
en familias marcadas por una intensa reactividad. Esto es lo que Selma Fraiberg et al. (1975)
describieron, de manera profunda y poética, como los “fantasmas en la habitación del bebé”:
las experiencias traumáticas no procesadas por los padres que insisten en acechar el momento
sagrado de interacción con sus propios hijos. Autores como Schore (2003) y van der Kolk
(2014) demuestran que este doloroso legado viaja a través de las vías invisibles de la
neurobiología y las relaciones, impactando directamente en los vínculos de apego, la capacidad
de encontrar calma en el apoyo de los demás (corregulación) y el desarrollo de la paz interior.
En contraste con estas heridas, el tercer concepto es la corregulación, entendida como
un proceso relacional en el que un entorno o persona segura actúa como un andamiaje
emocional, ayudando a calmar y regular el sistema nervioso desestabilizado del otro (Schore,
2003; Siegel, 2012; Porges, 2011). Según Daniel J. Siegel (2012), la regulación emocional se
desarrolla inicialmente en contextos relacionales seguros, donde la presencia empática y
predecible del cuidador ayuda al individuo a organizar sus estados internos. De manera similar,
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 11
Allan Schore (2003) afirma que la corregulación constituye la base para el desarrollo de la
autorregulación, especialmente en las primeras relaciones de apego.
Stephen Porges (2011), basándose en la Teoría Polivagal, explica que las señales de
seguridad emitidas en las relaciones interpersonales son capaces de modular los estados
defensivos del sistema nervioso autónomo, promoviendo la calma, la conexión social y una
sensación de seguridad.
El cuarto concepto es el del dispositivo clínico antitrauma, que eleva las intervenciones
sociales (como los Grupos Reflexivos) al estatus de entornos terapéuticos para la “sanación”
relacional, cuyo objetivo central es proporcionar la escucha, la aceptación y la previsibilidad
que faltaron en la crianza inicial de estos padres, permitiendo que se produzca la corregulación
(Herman, 1992; Schore, 2003; van der Kolk, 2014; Winnicott, 1965). Según Judith Herman
(1992), los procesos de recuperación del trauma dependen de la construcción de contextos
seguros y relacionales capaces de restaurar los lazos de confianza y pertenencia. De manera
similar, Donald Winnicott (1965) describe la importancia de un “entorno suficientemente
bueno” como condición para la maduración emocional y la integración psíquica. Allan Schore
(2003) y Bessel van der Kolk (2014) destacan que las experiencias relacionales seguras y
predecibles pueden reorganizar los patrones defensivos del sistema nervioso, favoreciendo los
procesos de regulación emocional, integración y reparación del trauma relacional.
La quinta y última alineación conceptual se refiere a la resignificación de las prácticas
educativas negativas. Históricamente, el Inventario de Estilos Parentales (IEP) categorizaba
variables como “Castigo Inconsistente”, “Negligencia” y “Abuso Físico” para medir el
desarrollo o la inhibición de conductas antisociales (Gomide, 2006). Sin embargo, desde la
perspectiva del trauma del desarrollo, se propone que estas conductas no deben interpretarse
únicamente como elecciones pedagógicas inadecuadas, fallas morales o deficiencias en las
habilidades parentales.
Basándose en autores como Gabor Maté y Daniel Maté (2023), se sugiere que estas
prácticas se reinterpreten como expresiones directas de desregulación emocional y respuestas
automáticas de supervivencia ante la inestabilidad social y relacional crónica. El uso de la
agresión y la inconsistencia deja de entenderse como un acto deliberado para causar daño,
revelándose como respuestas instintivas aprendidas e incorporadas a lo largo de trayectorias
marcadas por experiencias traumáticas vividas por los propios adultos en su infancia (Santos,
2006; 2011; Maté & Maté, 2023).
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 12
Según Maté y Maté (2023), las conductas defensivas persistentes suelen representar
adaptaciones de supervivencia desarrolladas en contextos tempranos de dolor emocional,
negligencia o inseguridad relacional, y posteriormente son automatizadas por el sistema
nervioso. Estudios recientes han demostrado que las experiencias de violencia parental
producen impactos duraderos en la organización emocional, los vínculos afectivos y la
construcción de la identidad de los individuos a lo largo del desarrollo (Ferreira & Santos,
2025).
PRÁCTICAS EDUCATIVAS EN CONTEXTOS DE VULNERABILIDAD SOCIAL: DE
LA NORMATIVIDAD A LA COMPLEJIDAD
La perspectiva del construccionismo social nos invita a reflexionar sobre cómo
construimos nuestra realidad, nuestra concepción del mundo y nuestro conocimiento. Así,
mediante la reinterpretación que proponemos, nos sentimos inspirados a contemplar el
fenómeno del trauma del desarrollo no desde la perspectiva de un déficit individual, sino como
una construcción dentro del ámbito relacional.
Así pues, nuestra comprensión de las prácticas educativas en contextos de
vulnerabilidad social requiere un cambio epistemológico que rechace las explicaciones basadas
exclusivamente en déficits individuales o fallas morales. En este sentido, el construccionismo
social ofrece un valioso marco teórico al fundamentarse en una crítica del individualismo y
proponer una perspectiva estrictamente relacional (Gergen, 1991; Rasera & Guanaes-Lorenzi,
2010). Como argumenta Kenneth Gergen (1991), el sujeto no puede entenderse como una
entidad aislada y autónoma, sino como el resultado de procesos relacionales y discursivos
construidos históricamente. De manera similar, Emerson Fernando Rasera y Carla Guanaes-
Lorenzi (2010) destacan que los significados producidos en las relaciones sociales configuran
la manera en que las personas se comprenden a sí mismas, su sufrimiento y sus prácticas
cotidianas.
Tradicionalmente, gran parte de la investigación psicológica se ha centrado en la
búsqueda de lo que ocurre “dentro” de la persona, creando la ilusión de un sujeto “esencial”,
autónomo, autosuficiente y dueño absoluto de sus razones y emociones. Sin embargo, al
trasladar esta visión individualista a familias que viven en situaciones de vulnerabilidad social,
se corre el riesgo de patologizar conductas que, en realidad, son consecuencia de un entorno
relacional sometido a la presión de las exigencias urgentes y estresantes de la supervivencia
diaria.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 13
La perspectiva constructivista propone, por lo tanto, un cambio de rumbo: en lugar de
preguntarse únicamente qué falla “dentro” de estos padres, comienza a cuestionar las
conversaciones en las que han participado a lo largo de su vida y en las que participan
actualmente, y qué efectos producen estas interacciones (y los contextos macrosociales) en sus
vidas. Cuando los padres y las madres informan de dificultades para establecer límites al ejercer
la autoridad parental o se involucran en episodios de desregulación a través de prácticas
violentas, dichas prácticas no surgen como elecciones libres de un “yo” estable, sino como
expresiones de un yo situado y fragmentado, atravesado por múltiples tensiones sociales,
históricas y comunitarias.
Se entiende, pues, que el nivel “micro” (la relación familiar íntima en sí misma) no
existe sin la presencia del nivel “macro” (el contexto sociopolítico y las vulnerabilidades del
entorno circundante) que influyen en la cosmovisión y el modo de vida en términos de prácticas
de sí dentro de las familias. Por lo tanto, comprender el fenómeno de las prácticas educativas y
el trauma del desarrollo requiere considerar la complejidad que conforma una red que incluye
múltiples dimensiones: aquellas relacionadas con cuestiones derivadas de las diferencias de
clase social, las diferencias raciales y de género, y aquellas que involucran las dimensiones
LGBTQIAPN+.
Es precisamente en esta intersección donde los discursos normativos cobran fuerza. El
construccionismo social subraya que la dimensión histórica y cultural del vocabulario utilizado
para describir el mundo genera realidades y posibilidades de autoconocimiento. En el ámbito
de la educación familiar, existe una fuerte influencia de un discurso normativo hegemónico
sobre lo que constituye una “familia adecuada”, una “buena educación” y “niños bien
educados”, anclado en el modelo nuclear tradicional de las clases dominantes. Cuando las
familias no logran alcanzar este ideal inalcanzable para su realidad material y social, surgen
profundos sentimientos de insuficiencia, culpa y fracaso en la mayoría de los padres. El
construccionismo nos invita a una reflexión permanente sobre lo que damos por sentado,
cuestionando: ¿quién gana y quién pierde con esta forma normativa de describir el mundo, las
familias, la educación, el trauma y la paternidad? ¿Quién se beneficia de esta manera de ver a
los padres desempeñando sus tareas educativas en tales contextos, y cuáles son los resultados y
las explicaciones para ellos?
Al integrar esta perspectiva con la teoría del trauma del desarrollo, la dinámica del
lenguaje y la comunicación (verbal y no verbal) adquiere un papel central. El trauma persistente
no es simplemente un evento localizado en la psique individual, sino un proceso que se
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 14
mantiene dentro de redes de relaciones marcadas por la imprevisibilidad y la fragilidad de los
vínculos. Desde esta perspectiva, las prácticas educativas violentas dejan de interpretarse
simplemente como “incompetencia parental y se revelan como una actualización de discursos
y patrones relacionales orientados a la supervivencia frente al estrés crónico y la indefensión.
LA RELECTURA Y RESIGNIFICACIÓN DE LOS DATOS CUANTITATIVOS
(CLUSTERS)
La teoría del trauma redefine los datos cuantitativos y los clusters evaluados por el
Inventario de Estilos Parentales (IEP), al cambiar la comprensión del “fracaso educativo” o el
“déficit de habilidades” a la percepción de la violencia como un proceso de profunda
desregulación emocional y relacional.
El Cluster 3, identificado por Santos (2011) a partir del Inventario de Estilos Parentales
(IEP) como el perfil “muy vulnerable”, se caracteriza por el uso frecuente de “castigo
inconsistente” y “abuso físico”. Desde la perspectiva de la teoría del trauma, las conductas
descritas en este cluster ejemplifican el trauma intergeneracional, al revelar que estas prácticas
no son simplemente fallas pedagógicas, deficiencias de habilidades o herencias culturales
pasivas, sino más bien la manifestación directa de profundas heridas neurobiológicas y
relacionales transmitidas de una generación a otra.
El Cluster 3 ejemplifica esta transmisión a través de dos pilares centrales:
1. El maltrato físico como consecuencia de la desregulación emocional: la teoría del
trauma reinterpreta los altos índices de violencia presentes en el Cluster 3 no como actos
deliberados para dañar al niño, sino como respuestas de supervivencia aprendidas,
incorporadas a lo largo de trayectorias marcadas por experiencias traumáticas vividas
por los propios padres durante su infancia. La elevada incidencia de agresión indica
graves limitaciones en el repertorio relacional y regulatorio de estos adultos.
Reproducen instintivamente el modelo “duro” o “perverso” porque no tuvieron
oportunidades previas en su desarrollo para autorregularse y reprocesar los traumas
intergeneracionales que sufrieron;
2. El castigo inconsistente como engranaje del trauma del desarrollo: la inconsistencia
exacerbada en el Cluster 3 ya no se considera simplemente una “disciplina mal
aplicada”, sino que se entiende como la base misma que genera y perpetúa el trauma. Al
fluctuar de forma impredecible debido a su propio estrés y desregulación, los padres no
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 15
logran proporcionar una red de cuidados adecuada, lo que compromete el desarrollo del
apego y la sensación de seguridad del niño. Es precisamente esta imprevisibilidad
continua la que moldeará el trauma del desarrollo de la nueva generación.
Así, los datos relativos al Cluster 3 (grupo de alta vulnerabilidad) revelan, con profunda
sensibilidad, el funcionamiento del trauma intergeneracional. Tanto en las cifras como en las
narrativas, queda claro que lo que estos padres transmiten bajo la etiqueta de “repetición de
modelos” va mucho más allá de una simple reproducción de valores educativos erróneos. Se
trata, de hecho, del eco de cicatrices permanentes dejadas por traumas relacionales crónicos. A
lo largo de su historia, estas heridas han limitado la capacidad de autorregulación de estos
adultos, provocando que la violencia estalle no como una elección consciente, sino como una
dolorosa respuesta automática de supervivencia ante el estrés y la sensación de impotencia.
Es precisamente en este escenario de extrema fragilidad donde la alta incidencia del
“castigo inconsistente” se define con mayor claridad. Esta inconsistencia en las reacciones
parentales crea una atmósfera de imprevisibilidad relacional, que actúa como mecanismo
fundamental para la aparición de patrones de desarrollo adversos. Esta idea encuentra un fuerte
respaldo en el estudio brasileño realizado por Borges (2014) sobre la prevalencia de los criterios
para el Trastorno Traumático del Desarrollo (TTD). La investigación demostró que los niños y
adolescentes expuestos a situaciones de riesgo intrafamiliar crónico —como el maltrato físico
y la negligencia por parte de sus cuidadores principales— tienen probabilidades
significativamente mayores de desarrollar todo el espectro de desregulación somatoafectiva y
cognitiva que caracteriza al TTD.
Borges (2014) demuestra, por lo tanto, que la imprevisibilidad en el vínculo funciona
como el principal factor de riesgo etiológico en estos contextos urbanos. Desde esta perspectiva
más empática y científica, comprendemos que las fluctuaciones emocionales y las duras
prácticas educativas registradas en el Cluster 3 por el Inventario de Estilos Parentales (IEP) no
son meras estadísticas. Emergen como marcadores fiables y tangibles de un entorno biosocial
potencialmente traumático, un ciclo de dolor que clama por apoyo e intervenciones que ayuden
a romper estas invisibles cadenas de repetición.
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 16
EL “EFECTO ACORDEÓN” Y LAS RECAÍDAS COMO REFLEJO DEL ESTRÉS
CRÓNICO
Al analizar la trayectoria longitudinal de las familias del Cluster 2 —caracterizado por
una vulnerabilidad intermedia—, los datos de la prueba de Friedman revelaron un patrón
curioso y profundamente humano: tras una evolución bastante positiva en los primeros seis
meses, se produjo una oscilación a los doce meses, marcada por la reaparición de prácticas
negativas, como el castigo inconsistente y la disciplina laxa, junto con una disminución de la
supervisión positiva. En la interpretación original de la investigación, esta fluctuación se
atribuyó a una disminución en la frecuencia de las reuniones grupales, lo que habría provocado
una especie de “desconexión” en la atención parental.
Sin embargo, desde la perspectiva de la teoría del trauma, esta oscilación —que
denominamos “efecto acordeón”— adquiere una comprensión mucho más sensible y empática.
Educar en entornos de vulnerabilidad social implica ejercer la paternidad bajo estrés crónico e
imprevisibilidad constante, marcada por el desempleo, la violencia y la escasez de redes de
apoyo. Cuando las reuniones del Grupo Reflexivo se volvieron menos frecuentes, estos
cuidadores vieron desestabilizado su “andamiaje emocional”, es decir, la red externa que les
ofrecía apoyo y corregulación. Sin esta estructura para absorber el impacto de las tensiones
diarias, la inestabilidad de la vida cotidiana superó la ventana de tolerancia neurobiológica de
los padres. Ante el agotamiento, perdieron temporalmente el equilibrio que habían estado
construyendo e instintivamente y a la defensiva recurrieron a antiguos mecanismos de
supervivencia, como los gritos, la fuerza física o la imprevisibilidad en las normas.
Sin embargo, un análisis más profundo de este proceso revela que este tropiezo no
representó un retroceso definitivo, sino más bien parte de un proceso de maduración relacional.
Tras 24 meses de seguimiento, el análisis factorial de los datos mostró una estabilización
profunda y duradera del sistema familiar. En esta etapa final, las prácticas de cuidado afectuoso
y respetuoso, como la supervisión positiva y el comportamiento moral, se consolidaron como
un eje estructurador, superando definitivamente la dinámica de abuso y negligencia. Este logro
a largo plazo demuestra que la experiencia en el grupo actuó como un mecanismo de
corregulación que los padres asimilaron e interiorizaron gradualmente, permitiendo que las
actitudes positivas dejaran de ser meros intentos aislados y se transformaran en verdaderos
principios rectores de su vida familiar.
Desde la perspectiva del trauma del desarrollo —que históricamente se constituye a
través de vínculos ausentes, impredecibles o violentos—, esta evolución estadística sugiere que
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 17
el Grupo Reflexivo puede entenderse como un dispositivo clínico importante para la regulación
y corregulación relacional. Al ofrecer un entorno estable de escucha atenta, reconocimiento y
previsibilidad (los antídotos exactos para el trauma relacional), las reuniones funcionaron como
una experiencia correctiva de seguridad. La consolidación a los 24 meses muestra que el grupo
dejó de ser simplemente un apoyo externo y se convirtió en una experiencia internalizada de
seguridad. Los padres dejaron de usar la violencia no porque hubieran aprendido una “técnica
educativa”, sino porque la interacción continua y la corregulación grupal fortalecieron sus
capacidades psíquicas y neurológicas, permitiéndoles reemplazar la reactividad instintiva con
autocontrol y reflexividad, rompiendo así el círculo vicioso de la repetición traumática
intergeneracional. Esta comprensión coincide con las contribuciones de Michael White (2012),
quien enfatiza que las experiencias traumáticas solo pueden procesarse en contextos que
ofrezcan suficiente seguridad psicológica y emocional para prevenir procesos de
retraumatización. Según la autora, los entornos relacionales seguros favorecen el desarrollo de
narrativas alternativas y permiten a las personas traumatizadas reconocer habilidades, valores,
vínculos y formas de resiliencia que permanecen ocultos por las experiencias de sufrimiento.
EL GRUPO REFLEXIVO COMO DISPOSITIVO CLÍNICO ANTITRAUMA Y COMO
ESPACIO PARA LA REAUTORÍA PARENTAL
Originalmente, los grupos reflexivos y focales se concibieron como espacios
metodológicos y dialógicos para la coconstrucción. Sin embargo, desde la perspectiva de que
el trauma del desarrollo se constituye relacionalmente, su transformación también debe ocurrir
necesariamente en contextos relacionales. Creemos que el grupo actúa en la regulación
emocional de los padres, funcionando como un poderoso dispositivo clínico y comunitario para
la transformación, operando a través de la integración entre la corregulación neurobiológica, la
epistemología del Construccionismo Social y los procesos de reautoría propuestos por la
Terapia Narrativa (White & Epston, 1990).
Antes de adentrarnos en la dinámica operativa y práctica del grupo, es necesario esbozar
cuatro premisas teóricas de la Terapia Narrativa que sustentan las intervenciones en este
contexto:
• La externalización del problema: una práctica discursiva basada en la premisa de que
“la persona no es el problema; el problema es el problema”. Consiste en investigar la
dificultad (como la violencia, la desregulación emocional o la ansiedad) como una
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 18
entidad separada de la identidad del individuo, lo que reduce drásticamente los
sentimientos de culpa y aislamiento;
• Momentos extraordinarios: también conocidos como “resultados únicos”, se refieren a
cualquier evento, acción, pensamiento o intención que contradiga la narrativa
problemática dominante. Son destellos de acción en los que la persona resistió la
opresión del problema, resaltando la contradicción presente en su discurso dominante,
en la identidad saturada por el “problema”;
• Reautoría: es el proceso dialógico y colaborativo de co-crear líneas de identidad
alternativas. La reautoría se produce cuando los momentos extraordinarios (previamente
aislados) se vinculan a través del tiempo, se organizan en una nueva secuencia y se dotan
de un nuevo significado anclado en las esperanzas, propósitos y valores de los padres
dentro de la familia;
• Testigo externo: dado que los problemas traumáticos a menudo silencian a las personas,
la consolidación de una nueva historia de identidad requiere una reconexión relacional
con una audiencia (que puede ser el propio grupo) invitada a escuchar, validar y
autenticar la nueva narrativa.
Desde esta perspectiva, el grupo actúa como un espacio que desestabiliza las narrativas
dominantes saturadas de sufrimiento, culpa y fracaso, permitiendo la construcción de nuevas
identidades parentales a través de cuatro mecanismos centrales, que se analizan a continuación.
Procesos colaborativos y la deconstrucción de la culpa
Este proceso de transformación e internalización del cuidado se produce
fundamentalmente a través de tres movimientos interconectados. El primero se refiere a los
procesos colaborativos y a la deconstrucción de la culpa mediante la corregulación. Al unirse
al grupo, estas familias encuentran lo que a menudo se les ha negado dolorosamente en sus
propias historias: un entorno predecible de escucha atenta, abierta y sin prejuicios. Esta
presencia constante y acogedora funciona como un verdadero “andamiaje emocional”, que
ayuda a absorber el estrés crónico y fortalece la capacidad neurobiológica de los padres para
calmarse ante la adversidad. Desde la perspectiva del construccionismo social, se produce un
cambio de la carga individual al ámbito relacional. Al compartir su dolor, los cuidadores
deconstruyen el sentimiento de insuficiencia impuesto por los discursos normativos. Esto lo
ilustra, con profundo alivio, la participante Sueli (GF2): “Ah, pensé que era la única con
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 19
problemas. Siempre pensé: esto solo me pasa a mí, todo gira en torno a mí... Pero me doy
cuenta de que... Todo el mundo tiene problemas, ¿verdad?... Ah, me siento más aliviada...”.
A partir de este alivio compartido, se abre un espacio para un segundo movimiento
esencial: la externalización del problema y la adopción de una pausa fisiológica. La opresión
generada por la extrema vulnerabilidad a menudo lleva a los padres a sacar conclusiones
profundamente problemáticas y despectivas sobre su propia identidad. Sin embargo, la
externalización les permite comprender el comportamiento agresivo no como la esencia de
quienes son, ni como malicia o falta de amor hacia sus hijos, sino como una respuesta
automática de supervivencia ante el agotamiento. La dinámica relacional del grupo crea un
distanciamiento saludable, enseñándoles a dar un paso atrás y respirar antes de actuar. El
discurso de Eliana (GR1) resalta este logro, al relatar cómo aprendió a controlar sus impulsos
en el fragor del momento:
Hoy lo intento, respiro hondo y le digo: “Sube a tu habitación, voy a respirar hondo”, porque
si lo agarro en ese momento, terminaré lastimándolo... Si estoy en la cocina y él se está portando
mal en la sala, le digo: “Voy a respirar hondo para no pegarte”, porque ahora lo único que
hago es pegar, pegar, pegar!!!
Finalmente, este respiro cobra forma y significado en el tercer movimiento: el poder del
diálogo y la búsqueda atenta de “momentos extraordinarios”. Desde una perspectiva
constructivista, el lenguaje no solo sirve para describir el mundo, sino también para construirlo.
El grupo, por lo tanto, actúa como un espacio para la investigación minuciosa de estos pequeños
acontecimientos cotidianos que desafían y contradicen la narrativa dominante de falta de
control. En lugar de reaccionar ciegamente e instintivamente, los padres aprenden a usar el
diálogo para generar nuevos significados, utilizando estos resultados únicos como catalizadores
de un cambio real. El discurso de Claudete (GR3) materializa poéticamente cómo esta
reflexividad ralentiza el ciclo de repetición del trauma.
...si tuvimos una infancia traumática, podemos transformarla al criar a nuestros hijos. ¡Es como
si estuviera filtrando lo que quedaba del trauma, lo malo, y empezara a extraer algo bueno de
ello! Ese fue el cambio principal. ¿Cómo? Reflexionando así: si estoy nerviosa, con la mente
en otra parte, ¿voy a pegar? ¿Por qué pegaría?... ¿Eso enseñará? ¡Entonces empiezo a pensar
las cosas con más detenimiento!
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 20
El testigo externo y la reautoría de la identidad preferida
El cuarto y más profundo paso se produce cuando el impacto de esta regulación
relacional llega al “paisaje identitario” de los padres. La terapia narrativa desplaza el enfoque
de las “deficiencias internas” para explorar las afirmaciones intencionales de la persona: sus
valores, esperanzas, propósitos y compromisos. El grupo actúa entonces como un “testigo
externo”, validando las nuevas historias de vida, deseos e intenciones de los padres respecto a
lo que buscan en su rol parental al criar a sus hijos dentro de la familia. De este modo, el entorno
grupal deja de ser simplemente una red de apoyo externa y se convierte en una sensación de
seguridad internalizada, una voz estabilizadora que acompaña a los padres en su vida diaria. Al
reescribir su historia, el individuo abandona conclusiones negativas sobre su identidad y realiza
su reautoría, rompiendo la transmisión intergeneracional del trauma.
La culminación de esta reescritura es narrada por Expedita (GF3), anteriormente víctima
de graves abusos infantiles y perpetradora de violencia grave, quien relata cómo su nueva
narrativa preferida sobre el cuidado fue validada por su propio hijo:
Hoy, cuando mi hijo se va al colegio... me abraza y me besa antes de irse y me dice: “Esta es
la madre que le pedí a Dios”, ¡y se va!... Mi otro hijo me dice: “Mamá, necesito hablar
contigo”... luego, cuando todos se van y nos quedamos solo nosotros dos, empieza a contarme
cosas (antes no era así). Entonces pienso: “¡Gracias, Señor!”.... ¡Gracias a Dios, estoy
empezando a ser una buena madre!
Al hablar de trauma e identidad, Michael White (2012) destaca el riesgo de discursos
excesivamente centrados en la victimización, que pueden reforzar sentimientos de fragilidad,
impotencia y desorganización de la identidad. En contraste, el autor propone prácticas
relacionales que favorecen el fortalecimiento del sentido de agencia, permitiendo que las
personas traumatizadas sean reconocidas también por su capacidad de afrontamiento,
resistencia y reconstrucción de significado.
El poder clínico de los Grupos Reflexivos —capaces de deconstruir la culpa y romper
el ciclo de violencia— encuentra un sólido respaldo en la ciencia internacional contemporánea
sobre la atención informada sobre el trauma. Un amplio metaanálisis (Liu et al., 2024) demostró
que capacitar a los padres únicamente con técnicas rígidas de disciplina y control tiene un
impacto insignificante en su salud mental (d = 0,04). En contraste, las intervenciones centradas
en la regulación afectiva y la conexión relacional logran resultados mucho mejores (d = 0,31).
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 21
Esta es precisamente la esencia del entorno grupal: al abandonar los “manuales” prescriptivos
y centrarse en la construcción colaborativa de nuevas narrativas, disminuyen el estrés y la
reactividad parental.
Esta transformación relacional se basa en lo que el modelo Trust-Based Relational
Intervention (TBRI) define como felt-safety (Hunsley et al., 2025; Purvis et al., 2013). Al
combinar neurociencia, teoría del apego y desarrollo infantil, este enfoque demuestra que un
vínculo seguro y corregulado estabiliza el sistema nervioso. En la práctica, esta estabilización
afecta directamente al niño, reduciendo las conductas disruptivas y la agresión verbal hasta en
un 88% en entornos escolares. Es esta misma seguridad afectiva, antes ausente, la que vemos
florecer de manera conmovedora en el relato de Expedita (GF3). Al romper con la severidad
heredada, logra una reconstrucción de su identidad, validada de forma conmovedora por su
propio hijo: “Esta es la madre que le pedí a Dios”.
Por lo tanto, existe una profunda sinergia práctica y teórica entre estos enfoques. Si bien
el TBRI se originó como un modelo clínico centrado en la díada cuidador-niño, el Grupo
Reflexivo actúa como el andamiaje comunitario que permite a estas familias vulnerables
interiorizar y aplicar dichos principios en el fragor de su vida diaria.
Principios de Conexión (Connecting Principles) y la intersubjetividad
Los Principios de Conexión TBRI se centran en desarrollar vínculos seguros mediante
estrategias de interacción (tono de voz, escucha, presencia empática) y estrategias de atención
plena (mindfulness) del cuidador respecto a su propia historia relacional. Por lo tanto, podemos
destacar:
• El grupo como espacio de seguridad sentida (felt-safety): el TBRI postula que el cerebro
traumatizado solo aprende y se reorganiza cuando experimenta seguridad física y
psicológica. El Grupo Reflexivo actúa proporcionando precisamente este andamiaje
emocional predecible y acogedor. Al compartir el dolor sin el peso del juicio, como
informa la participante Sueli (“Pensaba que era la única con problemas... Ahora me
siento más aliviada”), los padres reducen la reactividad del sistema nervioso central,
saliendo del modo de supervivencia defensiva;
• Conciencia y revisión intergeneracional: La estrategia mindfulness del TBRI requiere
que los cuidadores tomen conciencia de su propia historia de apego y sus
desencadenantes. En el Grupo Reflexivo, esto se manifiesta de manera poderosa en el
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 22
proceso de reconstrucción de la identidad. Al revisitar sus dolorosas infancias, los
padres pueden, por primera vez, “desenterrar el trauma”. Como afirma poéticamente la
participante Claudete: “...si recibimos una crianza traumática, podemos transformarla
al criar a nuestros hijos; ¡es como si desenterrara lo malo y comenzara a extraer algo
bueno de ello!”.
Principios de Empoderamiento (Empowering Principles) y la Regulación Somática
En el TBRI, los Principios de Empoderamiento abordan las necesidades físicas y
ambientales del niño, promoviendo la regulación física y preparando el sistema somático para
afrontar el estrés. En el Grupo Reflexivo, este empoderamiento se transfiere al sistema
autónomo de los padres.
• La pausa fisiológica como autorregulación somática: los padres traumatizados operan
bajo un estrés crónico constante, que genera respuestas de supervivencia automáticas y
reactivas (agresión). La dinámica de los Grupos Reflexivos empodera a los padres para
reconocer estos estados de desregulación somática y aplicar la Pausa Fisiológica. La
participante Eliana describe perfectamente esta estrategia de empoderamiento y
regulación de su propio cuerpo: “...hoy lo intento, voy a respirar y me digo: ‘sube a tu
habitación para que pueda respirar’ porque si lo levanto en ese momento, termino
lastimándolo...”;
• Previsibilidad y el “efecto acordeón”: el TBRI enfatiza las necesidades ecológicas
(transiciones rutinarias y predecibles) para mantener regulado el sistema nervioso. El
análisis del “efecto acordeón” en datos cuantitativos confirma esta premisa: cuando
disminuyó la frecuencia de las reuniones del Grupo Reflexivo (interrupción en la red de
corregulación), los padres perdieron temporalmente este apoyo modulador externo, lo
que indica que la estabilización somatorrelacional a largo plazo requiere el
mantenimiento continuo de entornos seguros.
Principios de Corrección (Correcting Principles) y Reautoría
Los principios de corrección en TBRI se centran en neutralizar las conductas basadas
en el miedo mediante estrategias de respuesta no punitivas, enseñando habilidades sociales
durante momentos de calma.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 23
• Desactivar la respuesta de miedo: el TBRI guía al cuidador para que se centre en la
necesidad que subyace al comportamiento del niño, y no solo en el comportamiento
disruptivo en sí. En el Grupo Reflexivo, esto ocurre cuando se replantean las prácticas
hostiles originales (como el abuso físico y el castigo inconsistente). Los padres llegan a
comprender que la reactividad del niño y su propia agresividad son expresiones de
desregulación somatoafectiva, y no “fallas morales” o “incompetencia”;
• Momentos extraordinarios como aprendizaje proactivo: el grupo actúa identificando y
celebrando “momentos extraordinarios” (resultados únicos en los que el padre sustituyó
la agresión por el diálogo durante momentos de calma). Esta práctica imita las
estrategias proactivas del TBRI. Fortalece la narrativa de la competencia del cuidador,
permitiendo la redefinición de su identidad parental;
• El grupo como testigo externo y el IDEAL Response©: el TBRI propone respuestas
inmediatas y directas centradas en restablecer la conexión (mecanismos del IDEAL
Response©). Cuando los padres comparten sus nuevos resultados de crianza con el
grupo, este actúa como testigo externo. El grupo valida, autentica y “mantiene la
esperanza” de estas nuevas trayectorias de crianza no violenta. La culminación de este
ciclo de corrección y conexión se ilustra con Expedita, quien relata con orgullo el
testimonio de su hijo: “Hoy... me abraza y me besa... y dice: ‘Esta es la madre que le
pedí a Dios’...”.
CONSIDERACIONES FINALES
La conexión entre las prácticas educativas y el trauma del desarrollo invita a un cambio
profundo en nuestra visión de las familias vulnerables: abandonamos una lógica punitiva y
centrada en la culpa para adoptar una perspectiva sistémica y relacional. Desde este punto de
vista, las actitudes parentales severas, negligentes o inconsistentes dejan de ser consideradas
meras deficiencias disciplinarias o fallas morales. Se revelan como respuestas instintivas de
supervivencia, expresiones corporales de cuidadores exhaustos que intentan autorregularse ante
el estrés crónico y el sufrimiento acumulativo. Es fundamental reconocer, sin embargo, que este
dolor no surge de la nada; es inseparable de las profundas desigualdades estructurales,
económicas y culturales que impregnan la vida cotidiana de estas personas. La perspectiva del
trauma es poderosa para desvelar estas dinámicas, pero debe ir de la mano de la realidad social
para dar cuenta de la complejidad de la experiencia humana.
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 24
Con este enfoque más empático —que integra la neurobiología interpersonal, la
complejidad y la terapia narrativa—, el rol de los Grupos Reflexivos también se transforma.
Más que simples espacios educativos o instructivos, se han revelado como verdaderos
mecanismos comunitarios para la corregulación emocional y la reconstrucción de la identidad.
Al ofrecer escucha atenta, seguridad y sintonía, los grupos ayudaron a frenar la dolorosa
repetición de ciclos traumáticos intergeneracionales. Esta fortaleza relacional incluso explica
lo que llamamos el “efecto acordeón”. Las fluctuaciones observadas en las prácticas educativas
entre el sexto y el duodécimo mes no representaron un fracaso parental, sino un reflejo directo
de la fluctuación en la disponibilidad de la red de apoyo. Cuando las reuniones se volvieron
menos frecuentes, la ausencia de este “andamiaje” emocional desestabilizó a los cuidadores, lo
que demuestra que mantener las transformaciones familiares requiere una red de apoyo
continua.
A pesar de la solidez analítica y clínica de estos hallazgos, es necesario considerar el
estudio con honestidad metodológica, reconociendo sus limitaciones. Se trata de una
investigación retrospectiva de datos de 2006 a 2011, un período en el que el trauma aún no era
la variable central (Santos, 2006, 2011). Por lo tanto, nos enfrentamos a una reinterpretación
hermenéutica, centrada en narrativas de una sola comunidad en la Zona Sur de São Paulo, lo
que limita su generalización. Además, las inferencias sobre el sistema nervioso se basaron en
informes y comportamientos, sin el uso de medidas psicofisiológicas directas. Sin embargo,
estas limitaciones abren un horizonte prometedor para el futuro. Se mantienen abiertas las
puertas para la investigación prospectiva y experimental que ponga a prueba estas
intervenciones con grupos de control, valide instrumentos complejos para la evaluación del
trauma en Brasil e incluya marcadores biológicos como la variabilidad de la frecuencia cardíaca
y las hormonas relacionadas con el estrés.
Reflexionar sobre la educación familiar en las fronteras de la vulnerabilidad exige, en
última instancia, mantener una postura ética valiente: una que abrace simultáneamente el dolor
y la responsabilidad, el peso de la repetición y la esperanza de transformación. Rechazar la
trampa del reduccionismo que patologiza a estas familias implica comprender el sufrimiento en
su totalidad biopsicosocial. Se trata de un firme compromiso con el poder sanador de las
conexiones seguras, los lazos afectivos y los procesos colectivos. Después de todo, es a través
de este compromiso ético y científico que no solo podemos comprender, sino también apoyar
y dar un nuevo sentido a la vida de quienes educan en medio de la adversidad.
João Laurentino dos Santos
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 25
REFERENCIAS
Borges, E. S. (2014). Prevalência dos critérios diagnósticos do transtorno traumático do
desenvolvimento em crianças e adolescentes em diferentes cenários de risco para maus-
tratos em um meio urbano [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul]. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS.
http://hdl.handle.net/10183/106867
Bowen, M. (1978). Family therapy in clinical practice. Jason Aronson.
Ferreira, L., & Santos, J. L. (2025). Violência parental, trauma e o impacto na construção da
identidade adulta. Revista on-line de Política e Gestão Educacional, 29, e025113.
https://doi.org/10.22633/rpge.v29i00.20814
Fraiberg, S., Adelson, E., & Shapiro, V. (1975). Ghosts in the nursery: A psychoanalytic
approach to the problems of impaired infant-mother relationships. Journal of the
American Academy of Child Psychiatry, 14(3), 387–421.
https://doi.org/10.1016/S0002-7138(09)61442-4
Gergen, K. J. (1991). The saturated self: Dilemmas of identity in contemporary life. Basic
Books.
Gomide, P. I. C. (2006). Inventário de estilos parentais (IEP): Modelo teórico – Manual de
aplicação, apuração e interpretação. Vozes.
Herman, J. L. (1992). Trauma and recovery: The aftermath of violence—from domestic abuse
to political terror. Basic Books.
Hunsley, J. L., Shelley, L. T., West, A., Call, C., & Knight, D. K. (2025). Hope Connection®
2.0: The effectiveness of a post-adoption family camp intervention for promoting
emotional and behavioral health among adopted children. Children and Youth Services
Review, 168, 108058. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2024.108058
Liu, A. Y., Gubbels, J., & Orobio de Castro, B. (2024). The effectiveness of trauma-informed
parenting programs for traumatized parents and their components: A meta-analytic
study. Clinical Child and Family Psychology Review, 27, 1113–1143.
https://doi.org/10.1007/s10567-024-00503-5
Maté, G., & Maté, D. (2023). O mito do normal: Trauma, saúde e cura em um mundo doente
(F. Abreu, Trad.). Sextante.
Morin, E. (2002). O método 5: A humanidade da humanidade (J. M. Silva, Trad.). Meridional.
Perry, B. D., & Szalavitz, M. (2006). The boy who was raised as a dog: And other stories from
a child psychiatrist’s notebook. Basic Books.
Purvis, K. B., Cross, D. R., Dansereau, D. F., & Parris, S. R. (2013). Trust-based relational
intervention (TBRI): A systematic approach to complex developmental trauma. Child
& Youth Services, 34(4), 360–386. https://doi.org/10.1080/0145935X.2013.859906
Entre el trauma y el cuidado: prácticas educativas, coregulación y transformación relacional de familias en contextos de vulnerabilidad
social
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026018, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21483 26
Santos, J. L. (2006). “Transformando” – “nós” em “laços”: Um estudo compreensivo dos
valores parentais em famílias de baixa renda [Dissertação de mestrado, Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo]. Repositório Institucional da PUC-SP.
https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15518
Santos, J. L. (2011). Casa de pais, escola de filhos: Um estudo sobre transformações nos
significados, valores e práticas de educar filhos em famílias de baixa renda [Tese de
doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Repositório Institucional da
PUC-SP. https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15026
Schore, A. N. (2003). Affect dysregulation and disorders of the self. W. W. Norton.
Van der Kolk, B. (2014). The body keeps the score: Brain, mind, and body in the healing of
trauma. Viking.
Vasconcellos, M. J. E. (2002). Pensamento sistêmico: O novo paradigma da ciência. Papirus.
Walsh, F. (2016). Strengthening family resilience (3rd ed.). Guilford Press.
Winnicott, D. W. (1965). The maturational processes and the facilitating environment: Studies
in the theory of emotional development. Hogarth Press.
White, M. (2019). Crianças, trauma e o desenvolvimento de um enredo subordinado. In M.
White, Clássicos da terapia narrativa (C. N. Silva & S. M. G. Anastácio, Trads., pp.
117–125). Dulwich Centre Publications.
White, M., & Epston, D. (1990). Narrative means to therapeutic ends. W. W. Norton.
J o ã o L a ur e nti n o d os S a nt os
D o x a : R e v. B r as. Psi c o. e E d u c., Ar ar a q u ar a, v. 2 7 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 1 8 , 2 0 2 6 . e -I S S N: 2 5 9 4 -8 3 8 5
D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 8 3 2 7
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d eci mi e nt os : M e g ust arí a e x pr es ar mi a gr a d e ci mi e nt o a l a Pr of.ª Dr a. R os a M aria
S ef a ni ni d e M a c e d o ( i n m e m ori a m), q ui e n m e a c o m p a ñ ó d ur a nt e l a ori e nt a ci ó n y s e h a bría
al e gr a d o pr of u n d a m e nt e p or l os a v a n c es d eri v a d os d e l os tr a b aj os r e ali z a d os a p artir d e l a
dis ert a ci ó n y l a t esis q u e di er o n ori g e n a est e y otr os artí c ul os .
Fi n a n ci a ci ó n : El C N P Q y l a F A P E S P fi n a n ci ar o n b e c as p ar a l os est u di os q u e dier o n l u g ar
a est e artí c ul o.
C o nfli ct os d e i nt e r és: N o e xist e n c o nfli ct os d e i nt er és .
A p r o b a ci ó n éti c a : C o mit é d e Éti c a e n I n v esti g a ci ó n d e l a P o ntifi ci a U ni v ersi d a d C at óli c a
d e S ã o P a ul o ( P U C -S P) ( Pr ot o c ol o n.º 2 8 1/ 2 0 0 9).
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : L os d at os est á n dis p o ni bl es e n el a c er v o d e l a P U C -
S P.
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : Ú nic o a ut or.
P r o c es a mi e nt o y e dici ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, dia gr a m a ci ó n , n or m ali z a ci ó n y tr a d u c ci ó n