Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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VIOLÊNCIA DE GÊNERO E MASCULINIDADE HEGEMÔNICA
VIOLENCIA DE GÉNERO Y MASCULINIDAD HEGEMÓNICA
GENDER-BASED VIOLENCE AND HEGEMONIC MASCULINITY
Sonia Ligia ANGELICO
1
e-mail: slangelico@uol.com.br
Como referenciar este artigo:
Angelico, S. L. (2026). Violência de gênero e masculinidade
hegemônica. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1),
e026020. https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21492
| Submetido em: 06/05/2026
| Revisões requeridas em: 12/05/2026
| Aprovado em: 16/07/2026
| Publicado em: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Instituto Casa Yasmin, Santo Amaro – São Paulo (SP) – Brasil. Doutora e Mestra em Psicologia Clínica pelo
Programa de Pós-Graduação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2018). Diretora do Instituto Casa
Yasmin.
Violência de gênero e masculinidade hegemônica
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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RESUMO: Este artigo discute a relação entre violência de gênero e masculinidade hegemônica
na contemporaneidade, com foco nas transformações sociais que atravessam o comportamento
masculino. O objetivo é compreender como a masculinidade tradicional, associada ao homem
viril, potente e bem-sucedido, sustenta práticas violentas. A investigação se baseou na tese de
doutorado Homens em movimento: pesquisa qualitativa da masculinidade na geração X e
geração Y (2025), na qual foram identificadas questões inesperadas sobre o homem tradicional,
aspectos relevantes para a compreensão da violência no espaço privado. Foi realizada pesquisa
qualitativa com dois grupos focais, utilizando o software IRaMuTeQ e análise temática. Os
resultados indicaram permanências da masculinidade hegemônica nas gerações X e Y, apesar
de apresentarem diferenças de comportamento entre elas (gerações). Conclui-se que a violência
de gênero permanece vinculada às estruturas culturais de dominação, coexistindo com
processos de transformação identitária masculina.
PALAVRAS-CHAVE: Violência de gênero. Masculinidade hegemônica. Espaço privado.
Parentalidade.
RESUMEN: Este artículo analiza la relación entre la violencia de género y la masculinidad
hegemónica en la actualidad, centrándose en las transformaciones sociales que afectan el
comportamiento masculino. El objetivo es comprender cómo la masculinidad tradicional,
asociada al hombre viril, poderoso y exitoso, sustenta las prácticas violentas. La investigación
se basó en la tesis de doctorado Hombres en movimiento: investigación cualitativa sobre la
masculinidad en la generación X y la generación Y (2025), en la que se identificaron cuestiones
inesperadas sobre el hombre tradicional, aspectos relevantes para comprender la violencia en
el ámbito privado. Se llevó a cabo una investigación cualitativa con dos grupos focales,
utilizando el software IRaMuTeQ y el análisis temático. Los resultados indicaron la
persistencia de la masculinidad hegemónica en las generaciones X e Y, a pesar de que
presentan diferencias de comportamiento entre ellas (las generaciones). Se concluye que la
violencia de género sigue vinculada a las estructuras culturales de dominación, coexistiendo
con procesos de transformación de la identidad masculina.
PALABRAS CLAVE: Violencia de género. Masculinidad hegemónica. Espacio privado.
Paternidad.
ABSTRACT: This article discusses the relationship between gender-based violence and
hegemonic masculinity in contemporary society, focusing on the social transformations that
shape male behavior. The objective is to understand how traditional masculinity—associated
with the virile, powerful, and successful man—sustains violent practices. The investigation was
based on the doctoral dissertation Men in Motion: A Qualitative Study of Masculinity in
Generation X and Generation Y (2025), which identified unexpected issues concerning the
traditional male figure, highlighting aspects relevant to understanding violence within the
private sphere. A qualitative study was conducted with two focus groups, using the IRaMuTeQ
software and thematic analysis. The results indicated the persistence of hegemonic masculinity
among both Generation X and Generation Y, despite differences in behavioral patterns between
these generations. It is concluded that gender-based violence remains linked to cultural
structures of domination, coexisting with ongoing processes of transformation in male
identities.
KEYWORDS: Gender-based violence. Hegemonic masculinity. Private sphere. Parenthood.
Sonia Ligia Angelico
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INTRODUÇÃO
Quem, como a autora, viveu a infância, adolescência e mesmo parte da vida adulta sem
internet, sabe como tudo era muito diferente. As pessoas se comunicavam por meio de
telefones, cartas e telegramas. As pesquisas eram feitas em livros, enciclopédias e dicionários,
e o jornal impresso e a televisão eram as principais fontes de notícias.
A educação era tradicional e o papel do homem e da mulher eram bem diferenciados.
A família considerada ideal era composta por uma hierarquia descendente: pai, mãe e filhos,
em que o homem era responsável pela esfera pública, e a mulher, pela esfera privada. Na
maioria dos lares, esperava-se do homem o papel do provedor, e da mulher, o de cuidadora,
expressão complementar de domínios hierarquizados. De fato, esse modelo de família,
nuclearizada e decorrente da ascensão da burguesia urbana dos séculos XVIII e XIX, é apenas
uma das expressões da família humana, mas, a despeito de outros formatos ao longo do tempo,
trazem em seu bojo o traço comum da posição social superior do masculino.
Desde o 2º ou 3º milênio A.C., várias sociedades — Índia, China, Irã, Judeia, Astecas
— terão como marca o patriarcado, vocábulo usado no sentido de orientação masculina da
organização social. A desigualdade entre gêneros no mundo e no Brasil é sustentada por uma
cultura patriarcal que prioriza o acúmulo de patrimônio e a perpetuação de valores tradicionais.
Assim, de acordo com o dicionário Michaelis, o vocábulo ‘patriarcado’ é definido como
um sistema social e político no qual a autoridade e o controle são exercidos predominantemente
pelos homens. Essa definição reflete a estrutura social em que os homens ocupam posições de
poder e liderança, enquanto as mulheres são relegadas a papéis subordinados e dependentes.
O patriarcado é caracterizado por uma hierarquia que privilegia o masculino e limita a
igualdade de gênero, influenciando as relações familiares, sociais e institucionais. Quem viveu
numa família assim estruturada sentiu as demandas do feminino, sujeitas de uma educação
tradicional, em que os valores eram a castidade, a obediência e os bons modos; em síntese, a
submissão.
Essa realidade levou-me a refletir sobre como o projeto de vida feminino parecia
restringir-se a casar e ter filhos, configurando uma visão limitada do papel da mulher na
sociedade, e, assim, fui estudar, para entender qual lugar ocupava na sociedade, na família e
comigo mesma. Minha primeira formação foi em Serviço Social (sonho de criança fazer
trabalho social) e, daí, foi um pulo para graduação em Psicologia (fazia psicoterapia). Seguindo
meu caminho de aprendizado, me formei em Gestalt Terapia no Instituto Sedes Sapientiae (SP),
Terapia de Casal e Família na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e, em
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seguida, cursei mestrado sobre Machismo em 2019 na PUC-SP e doutorado com a tese Homens
em movimento: pesquisa qualitativa da masculinidade na geração X e na geração Y em 2025,
também na PUC-SP.
Como terapeuta sistêmica de família, casal e individual no meu consultório particular
desde 1983 e como diretora há 19 anos da Organização Não-Governamental (ONG) Instituto
Casa Yasmin com população vulnerável, senti a necessidade de buscar conhecimento por estar
também experenciando, vivendo e sentindo todas as consequências das transformações da pós-
modernidade. Concordo com o pensamento da Prof.ª Dra. Rosa M. S. Macedo (2009) de que
“a visão paradigmática pós-moderna admite a construção da realidade pelo observador como
parte do observado” (p. 69). Entende-se, assim, que o papel do psicólogo de casal, família e
individual é de suma importância atualmente.
O psicoterapeuta atua como um facilitador para seu cliente, conduzindo-o para o
entendimento de seus conflitos e emoções que, provavelmente, estarão relacionados às crenças
e valores de sua família de origem. O psicoterapeuta é um norteador atento e de escuta, que
proporciona um espaço de respeito, possibilitando, com isso, uma compreensão amorosa de
suas dificuldades para que possa traçar o seu caminho com mais clareza e saber qual foi e qual
é seu papel no sistema familiar, procurando ter a noção de si mesmo nas repetições de sua
história de família para, quem sabe, ‘ser’ uma pessoa mais livre consigo mesmo.
Para uma melhor compreensão deste homem tradicional, se faz necessário observar a
complexidade de transformações que estão ocorrendo na sociedade, na política, na economia,
na família e nas questões de gênero, e com a pandemia ocasionando mudanças no
comportamento de todos nós seres humanos, somada à crise econômica, à radicalização na
política, às crescentes e recentes reivindicações das mulheres, em protestos contra o assédio,
feminicídio, os muitos casos de estupro e violência doméstica apresentados pela mídia, fica
evidente que, mesmo hoje, há homens que acreditam serem superiores e donos das mulheres,
podendo tratá-las como bem lhes convêm, com atitudes normativas do comportamento
machista, o que, em função da nova posição feminina, é considerado retrógrado, preconceituoso
e culturalmente inaceitável.
Esses processos contribuíram para questionar a supremacia masculina, embora suas
transformações ainda estejam em curso e presentes na atitude da masculinidade hegemônica.
Dando sequência para a compreensão deste homem, que foi educado para ser forte,
provedor e viril, encontra-se sozinho, sem saber como agir ou mesmo identificar o que sente
diante das demandas femininas e das transformações sociais que o pressionam por mudanças.
Sonia Ligia Angelico
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Em seu desespero de perder poder, referências e reconhecimento, pode recorrer à violência
como forma equivocada de autodefesa e sobrevivência.
Segundo o Mapa da Segurança Pública 2024, foram registrados 17.009 suicídios no
Brasil em 2023, correspondendo a 8,6 mortes por 100 mil habitantes (Brasil, 2024).
Aproximadamente 78% dos casos registrados no primeiro semestre envolveram homens. Esses
números sugerem que a rigidez da masculinidade tradicional — marcada pela negação da
vulnerabilidade, do autocuidado e da expressão emocional — pode estar associada ao
sofrimento psíquico, ao adoecimento e à mortalidade masculina.
O que fazer com este homem? Ele está expressando conflitos, inseguranças e medos.
Não se trata de justificar a violência, mas de compreendê-la em sua complexidade. É necessário
ajudá-lo a compreender a si mesmo e a romper com a armadilha cultural do patriarcado, que
legitima um modelo hegemônico de masculinidade como o único possível, correto e vitorioso
e impossível de ser atingido, que faz parte da própria armadilha cultural com objetivo na
manutenção do poder masculino.
Com o exposto acima, a relevância deste artigo é poder contribuir a partir do meu estudo
Homens em movimento: pesquisa qualitativa da masculinidade na geração X e na geração Y
(Angelico, 2025), e trazer uma luz no túnel da questão da masculinidade hegemônica (homem
provedor, viril e bem-sucedido) e a possibilidade, mesmo que seja uma pequena pesquisa
acadêmica, de um início de uma mudança nas crenças e valores culturais que tanto massacram
e cobram deste homem o ‘empoderamento impossível’ para ser atingido.
Em relação à geração X (40 a 55 anos), o homem pai, que não se sente ameaçado em
sua masculinidade no cuidar do seu filho, se sente satisfeito e generoso, se abrindo para suas
emoções. Outro aspecto importante a se comentar é que os homens da geração Y (26 a 39 anos)
trazem as questões da masculinidade hegemônica, mas têm consciência de que precisam mudar,
apesar de suas crenças e valores tradicionais. Se sentem inseguros em relação às mulheres, que
estão mais seguras e trabalhando, e eles são a primeira geração mais pobre financeiramente
depois de avô e pai, que não sabem se terão filhos e casar.
Tanto os homens quanto as mulheres são resultado de uma construção social que
perdurou durante séculos, e que está se transformando muito devagar, como todas as crenças,
costumes e tradições que são muito difíceis de mudar.
Violência de gênero e masculinidade hegemônica
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MASCULINIDADE HEGEMÔNICA
“Ser homem é não se parecer com nada do
feminino” (Kimmel, 1996).
No Brasil, somente há cerca de um século a ideologia machista tem sido falada e
questionada. Está presente no sistema econômico, social e político, nas religiões, na mídia, no
sistema educacional e no núcleo familiar. Nesse sistema, a mulher encontra-se submissa ao
homem, sem direito de expressão, ou sendo forçada pela sociedade machista a servir às
vontades do marido ou do pai, caracterizando um tradicional regime patriarcal.
Como lembra Giddens (1991), o machismo pós-moderno é um fenômeno novo que se
alimenta da antiga cultura patriarcal e a reafirma nos vícios e compulsões da sociedade pós-
tradicional. Ele se exterioriza no exibicionismo, na vanglória, no prazer da dominação e na
imposição da crueldade em si mesma, corrompendo valores associados ao individualismo como
princípio universal, à responsabilidade social e à solidariedade cidadã. Essa estrutura
hierárquica, na qual o masculino ocupa posição superior ao feminino, traduz-se na ideologia
machista, presente na sociedade há milênios.
A afirmação de que “o macho só é macho em certos momentos, a fêmea é fêmea durante
toda a sua vida, pelo menos durante toda a sua juventude” (Badinter, 1993, p. 3) sustenta a
discussão de que a ordem ‘seja homem’ não é tão evidente quanto parece e que a virilidade não
é tão natural quanto se pretende fazer acreditar. Nascer menino não basta: ser homem implica
um trabalho constante de validação. Em contrapartida, as mulheres não precisam provar
continuamente que são mulheres. Segundo a autora, age-se como se a feminilidade fosse
natural, enquanto a masculinidade precisa ser conquistada, muitas vezes a um alto custo. O
próprio homem e aqueles que o cercam demonstram tão pouca confiança em sua identidade
sexual que frequentemente exigem provas de sua virilidade.
Ao abordar o conceito de machismo, é importante distingui-lo da masculinidade
hegemônica. Enquanto o machismo corresponde a um sistema de crenças, valores e práticas
que sustenta a desigualdade de gênero entre homens e mulheres, a masculinidade hegemônica
refere-se ao modelo cultural dominante do que significa ser um ‘homem de verdade’,
influenciando comportamentos e expectativas sociais. Segundo Badinter (1993), esse padrão é,
em grande medida, inalcançável: embora muitos homens busquem aproximar-se desse ideal,
persistem ambiguidades e contradições em sua vivência cotidiana, diante das múltiplas
exigências impostas por esse modelo de masculinidade.
Segundo Connell (1995):
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Masculinidade hegemônica pode ser definida como a configuração de uma prática de gênero
que incorpora a resposta aceita ao problema da legitimidade do patriarcado, que garante (ou que
se ocupa de garantir) a posição dominante dos homens e a subordinação das mulheres. (Cornell,
1995, p. 77)
O conceito nos mostra que a masculinidade hegemônica não tem um padrão fixo, por
suportar estruturas e normas sociais, que mudam com o tempo e o lugar e que têm a
discriminação sexual como ponto fundamental da dominação.
Esse modo de ser homem que reproduz e legitima uma opressão sexista é uma
masculinidade que vem sendo questionada e desconstruída gradativamente. A violência de
gênero estende-se a qualquer caso em que uma diferença sexual seja utilizada para dar razão a
uma desigualdade de gênero.
Complementando o pensamento acima, Angelico (2019) registra que:
o homem tem uma posição difícil na sociedade, em função de como foi educado de como ele é
visto, de como é cobrado e o que se espera dele. O processo cultural, os valores e crenças do
patriarcado estão arraigados, tanto nas atitudes de homens como de mulheres brasileiros. A
ideologia machista está presente na sociedade, principalmente em relação ao trabalho e à
sexualidade onde o homem se define em sua masculinidade. (p. 67)
Ampliando seu olhar sobre masculinidades, Maciel Jr. (2013) aborda:
o principal objetivo dos estudos críticos sobre homens na atualidade é entender como as
masculinidades são construídas, produzidas e reproduzidas, assumindo que são variadas e
mutáveis ao longo do tempo (história) e espaço (cultura), dentro da mesma sociedade, ao longo
do ciclo vital e biografia individual. (Maciel Jr., 2013, pp. 50–51)
As transformações nas relações de gênero têm levado ao questionamento de privilégios
e modelos tradicionais de masculinidade. Nesse contexto, os debates sobre a identidade
masculina apontam para uma crise da masculinidade contemporânea, marcada pela necessidade
de redefinição das identidades e dos papéis masculinos.
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CRISE DA MASCULINIDADE
Segundo Ramos (2000), na década de 1980, nos EUA, e nos últimos anos da década de
1990, no Brasil, surgiu uma discussão acerca da crise da masculinidade. Mas que crise é essa?
Segundo o autor, com base em Trevisan (2021), o masculino não está em crise, uma vez que
ele, em si, é um gênero que vive em estado de crise permanente e endêmica na sociedade
patriarcal. Nesse sentido, a masculinidade não é algo dado, mas algo que constantemente se
procura conquistar. Para o autor, as conquistas do feminismo não determinaram a crise, só a
tornaram mais visível (Ramos, 2000).
De acordo com Alvim e Souza (2004), a nova psicologia do homem surgiu tardiamente
diante de problemas urgentes, pois os homens estavam fortemente presentes em diversas
situações de vulnerabilidade social e comportamental, como abuso de substâncias, situação de
rua, violência, afastamento dos filhos, mortes por homicídios, suicídios, acidentes e doenças
relacionadas ao estresse. Os autores afirmam, ainda, que a demora em enfrentar essas questões
contribuiu para uma atual crise de conexão entre homens e mulheres (Alvim & Souza, 2004).
Uma pesquisa Eles por Elas (HeForShe), realizada pela ONU Mulheres (2016), revelou
que 95% das mulheres e 81% dos homens entrevistados concordam que o homem brasileiro é
machista. O estudo também aponta que os estereótipos associados à masculinidade geram
dificuldades para os próprios homens: 66,5% afirmaram não conversar com amigos sobre
medos e sentimentos; 45% gostariam de não se sentir obrigatoriamente responsáveis pelo
sustento financeiro da família; e 45,5% desejariam expressar-se de forma menos dura ou
agressiva, mas não sabem como. Nessa perspectiva, também não parece ser simples lidar com
a figura do ‘herói durão’ e com o ideal de virilidade, que exige demonstrações constantes de
força, poder e capacidade de prover. Dados mais recentes da mesma iniciativa mostram que
56,5% dos homens gostariam de manter relações mais próximas e afetuosas com os amigos,
enquanto 54% desejariam ter maior liberdade para explorar hobbies pouco usuais sem serem
julgados (ONU Mulheres, 2016, 2021).
Mas, como indica Bourdieu (2010), o privilégio masculino é também uma cilada:
e encontra sua contrapartida na tensão e contenção permanentes, levadas por vezes ao absurdo,
que impõe a todo homem o dever de afirmar, em toda e qualquer circunstância, sua virilidade.
(Bourdieu, 2010, p. 64)
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Para ele, a família tem o papel principal na reprodução de dominação e da visão
masculina, pois é nela que se impõe a experiência, desde muito cedo, da divisão sexual do
trabalho e da representação legítima dessa divisão.
Trevisan (2021) comenta que a ‘desintegração’ do masculino tem a ver com as
transformações históricas que começaram a inviabilizar a manutenção do mito. Continuando
seu pensamento, diz:
hoje o masculino sofre investidas e transformações em escala planetária. Seus mitos se revelam
fragilíssimos, vitimados pela própria “ilusão do masculino” que a sociedade patriarcal
esmeradamente veio criando para a construção do “verdadeiro homem”. (Trevisan, 2021, p. 21)
Segundo o autor, “os grupos de ódio que deflagram ataques ao feminismo nas redes
sociais e o aumento de casos de estupro e feminicídio em todo mundo podem ser apontados
como sintomas de uma crise ainda em curso” (Trevisan, 2021, p. 29).
O que constatamos na fala dos autores e da autora do artigo é como o padrão
estabelecido para a masculinidade hegemônica é praticamente impossível de ser atingindo,
trazendo conflitos, ambiguidades e sofrimento para este homem.
Embora as origens do patriarcado se percam no tempo, até os dias atuais, o regime
patriarcal é visto como um modelo a seguir, para onde se dirige toda a vida econômica, social
e política englobando a Igreja e o Estado.
Segundo Souza e Ramires (2006), a partir da década de 1970, transformações sociais,
econômicas, políticas e tecnológicas — como os movimentos pelos direitos das mulheres e
minorias, a inserção feminina no mercado de trabalho, a difusão da mídia, a pílula
anticoncepcional, a legalização do divórcio e a mudança para uma economia de serviços —
passaram a questionar e flexibilizar o papel tradicional do homem, gerando mudanças
significativas tanto em sua atuação pública quanto em sua vida privada.
Desde os meados do século XX, com ou sem crise, a imagem pública do masculino é
ambivalente e os homens entraram em questão, talvez menos no espaço público quanto no
privado. A prática clínica e uma miríade de pesquisas sobre família e conjugalidade indicam
que é no espaço doméstico — divisão das tarefas domésticas, demanda de satisfação conjugal
e sexual no casamento — e na participação no cuidado da prole que se identificam as grandes
exigências de, diga-se, atualização dos comportamentos. O quanto isso gera uma crise da(s)
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masculinidade(s) como concepção social é diverso do que ocorre no dia a dia da família, quando
se trata de relacionamentos vinculares, que é o que interessa compreender em profundidade.
As transformações contemporâneas produziram deslocamentos na identidade
masculina. Segundo Bauman (2001), a modernidade líquida é marcada pela instabilidade das
referências tradicionais, o que pode levar muitos homens a vivenciarem a perda da autoridade
doméstica e econômica como crise identitária. Nesse cenário, a violência tende a operar como
tentativa de restauração simbólica do poder masculino. Kimmel (1996) reforça que a crise não
decorre dos homens em si, mas da própria ‘receita de masculinidade’, que também sustenta a
opressão de mulheres e minorias. Nesse contexto, abre-se a discussão sobre violência de gênero
e o comportamento do homem tradicional na sociedade contemporânea.
VIOLÊNCIA DE GÊNERO
A violência é compreendida como um problema de saúde pública e pode ser definida,
conforme Minayo e Souza (1997), como qualquer ação intencional perpetrada por indivíduos,
grupos, instituições, classes ou nações contra outras pessoas, causando prejuízos, danos físicos,
sociais, psicológicos e/ou espirituais.
A violência associada à masculinidade hegemônica pode ser compreendida como uma
resposta defensiva inconsciente diante do medo da perda da individualidade, historicamente
vinculada ao papel de provedor e à construção de uma sexualidade centrada no chamado ‘poder
falocêntrico’.
Quando falamos de violência masculina, o foco recai sobre a violência de gênero. Esse
conceito é mais amplo do que a noção de violência contra a mulher, pois engloba também
crianças, adolescentes e as masculinidades subalternas que, segundo Connell (1995a),
correspondem aos homens que não se enquadram nos padrões da masculinidade hegemônica.
De acordo com a Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (2022), a violência de gênero
compreende qualquer forma de agressão física, psicológica, sexual ou simbólica motivada pela
identidade de gênero ou orientação sexual. Historicamente, as mulheres figuram entre as
principais vítimas desse tipo de violência, segundo a Defensoria, em razão das relações
desiguais de poder que estruturam a sociedade. Dados do Atlas da violência 2026 evidenciam
essa assimetria ao mostrarem que, enquanto os homens são maioria entre as vítimas de
homicídios e mortes por causas externas, as mulheres concentram os maiores índices de
Sonia Ligia Angelico
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violência doméstica e feminicídio, demonstrando que a violência de gênero opera por dinâmicas
distintas, embora inter-relacionadas (Cerqueira & Bueno, 2026).
Neste contexto, a violência masculina pode ser compreendida como um fenômeno social
e histórico associado ao patriarcado, aos processos de socialização de gênero e à consolidação
da masculinidade hegemônica. Mais do que um comportamento individual, ela constitui uma
prática social aprendida e frequentemente legitimada como forma de afirmação identitária,
baseada em ideais de poder, força e virilidade. Assim, a violência não deve ser entendida como
inerente aos homens, mas como um dispositivo culturalmente construído, cujos efeitos atingem
tanto as vítimas diretas quanto a própria imagem social da masculinidade na
contemporaneidade.
Segundo Bourdieu (2010), a chamada violência simbólica constitui uma prática social
por meio da qual relações de poder moldam comportamentos e identidades. Já o terapeuta
familiar sistêmico Bowen (2004) afirma que a violência de gênero está associada a padrões
familiares que atravessam gerações e podem ser transmitidos como modelos relacionais no
interior do sistema familiar.
Na prática clínica da terapia familiar, esse argumento costuma significar que a violência
é vista como um padrão relacional aprendido; ela pode ser desaprendida e transformada; o foco
terapêutico inclui comunicação, regulação emocional, crenças sobre masculinidade e dinâmicas
familiares intergeracionais. Ou seja, a terapia não entende a violência masculina como ‘natureza
do homem’, mas como um comportamento construído em contextos sociais e familiares
específicos.
Além disso, à violência praticada por homens constitui um grave problema social e de
saúde pública no Brasil., como podemos ver nos dados do Atlas da violência 2024, que indicam
mais de 90% das mortes violentas intencionais no país vitimam homens, e a maioria dos autores
também é masculina (Cerqueira & Bueno, 2024). No campo da violência doméstica, os homens
figuram majoritariamente como agressores, especialmente em relações conjugais e familiares.
Dados do Mapa da Violência 2015: Homicídio de mulheres no Brasil indicam que o
Brasil ocupa a quinta posição mundial em feminicídios, evidenciando a persistência de
estruturas sociais conservadoras e patriarcais (Waiselfisz, 2015). Além disso, o país lidera os
índices de assassinatos de pessoas trans e de gêneros diversos. Segundo dados da Transgender
Europe (TGEU), citados por Nogueira (2024), essa violência está associada a uma lógica
Violência de gênero e masculinidade hegemônica
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patriarcal que privilegia modelos hegemônicos de masculinidade e marginaliza aqueles que não
correspondem às expectativas da heteronormatividade
2
.
No Brasil, os homens figuram majoritariamente como autores (doméstica, familiar,
estupro) e vítimas de violências, como nas letais (armas de fogo, roubos, assassinatos),
acidentes (carro, brigas) e comportamentos de risco na saúde. A socialização masculina ainda
é fortemente marcada pela repressão emocional e pela valorização do risco. Homens procuram
menos os serviços de saúde, realizam menos ações preventivas e apresentam maior resistência
ao cuidado, o que está diretamente associado a padrões culturais de masculinidade (Brasil, n.d.).
Do ponto de vista teórico, autores como R. W. Connell (1995b) e Connell e
Messerschmidt (2005) demonstram que a masculinidade hegemônica se organiza em torno de
atributos como poder, controle, virilidade, racionalidade e dominação, frequentemente
sustentados pela negação da vulnerabilidade e pela repressão emocional. Nesse modelo, a
violência — simbólica, psicológica ou física — surge como recurso legítimo para manutenção
da autoridade masculina, sobretudo quando o homem percebe ameaças à sua posição de poder,
seja no âmbito privado (família, relações afetivas) ou no espaço público (trabalho, status social).
Kimmel (2013) argumenta que uma parcela significativa da violência masculina está
associada a experiências de medo e à percepção de não corresponder aos parâmetros
culturalmente estabelecidos de ‘ser homem’. Nesse quadro, a violência funciona como um
mecanismo de reafirmação identitária diante de situações de frustração, perda de status e tensão
frente às transformações sociais contemporâneas, como o avanço dos direitos das mulheres, a
pluralização das identidades de gênero e a reconfiguração das relações familiares. O autor
denomina esse processo de ‘masculinidade ameaçada’, destacando que sentimentos de
humilhação, fracasso ou impotência simbólica podem desencadear respostas violentas como
tentativa de restauração da masculinidade ferida (Kimmel, 2013). Essas reações podem ser
direcionadas a outros sujeitos — mulheres, crianças e homens em posições subordinadas — ou
voltadas contra si mesmos, expressando-se em comportamentos autodestrutivos, como abuso
de substâncias, envolvimento em brigas e suicídio.
2
Heteronormatividade (do grego hetero, ‘diferente’, e norma, ‘esquadro’, em latim) é a norma, o padrão, ou o
considerado normal numa sociedade em que a pessoa seja heterossexual, ou seja, sinta atração pelo gênero oposto.
É um vocábulo usado para descrever situações nas quais orientações sexuais diferentes da heterossexual são
marginalizadas, ignoradas ou perseguidas por práticas sociais, crenças ou políticas. Isso inclui a ideia de que os
seres humanos recaem em duas categorias distintas e complementares: macho e fêmea; que relações sexuais e
maritais são normais somente entre pessoas de sexos diferentes.
Sonia Ligia Angelico
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A violência como componente estrutural da masculinidade hegemônica
Segundo Connell (1995b), a masculinidade hegemônica baseia-se em um modelo
normativo de domínio, virilidade e poder, tanto no âmbito público quanto privado. Nesse
cenário, a violência funciona não como um desvio, mas como um mecanismo regulador e um
recurso legitimado para manter a subordinação das mulheres, produzir hierarquias entre os
próprios homens e reafirmar a autoridade sempre que for percebida como ameaçada.
Violência como linguagem emocional
Como evidenciado pelo documentário O silêncio dos homens
3
(Papo de Homem, 2019),
— fundamentado em um projeto que ouviu mais de 40 mil pessoas —, a masculinidade
hegemônica frequentemente apoia-se na negação e na ridicularização de atributos associados
ao feminino, a exemplo da inteligência emocional e do cuidado.
Diante dessa repressão, estudos contemporâneos indicam que a violência atua como
uma forma empobrecida de comunicação emocional. Privados de um repertório simbólico
adequado para expressar medos, frustrações e sofrimentos psíquicos, muitos homens convertem
dor em raiva, transformam vulnerabilidade em ataque e utilizam a força física como via de
expressão. A agressividade, portanto, configura-se como um sintoma direto da negação
emocional imposta socialmente aos homens.
CONSEQUÊNCIAS DA VIOLÊNCIA PARA A MASCULINIDADE
Adoecimento físico e psíquico dos homens
As consequências do modelo hegemônico violento refletem-se, primordialmente, no
adoecimento físico e psíquico dos homens. Dados do Ministério da Saúde apontam uma maior
incidência de comportamentos de risco na população masculina, resultando em elevadas taxas
de consumo abusivo de álcool e maior mortalidade por causas externas, como acidentes e
homicídios (Brasil, n.d.). O suicídio, que afeta desproporcionalmente a população masculina
— responsável por cerca de 8 em cada 10 casos registrados no país —, evidencia de forma
drástica o caráter autodestrutivo desse padrão.
3
Esse filme faz parte de um projeto que ouviu mais de 40 mil pessoas a respeito das masculinidades. Além do
documentário, esse estudo resultou também num livro-ferramenta com dados públicos por meio de um convênio
com o Consórcio de Informações Sociais (CIS) da Universidade de São Paulo (Papo de Homem, 2019).
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Essa dinâmica é agravada pela repressão emocional e pela dificuldade em buscar ajuda,
gerando o que Courtenay (2000) define como ‘violência masculina contra si’, caracterizada por
isolamento, adoecimento silencioso e baixa adesão aos cuidados de saúde. Paradoxalmente,
essa masculinidade sustentada pela agressividade revela-se frágil e dependente da submissão
alheia, uma vez que, conforme destacam Connell e Messerschmidt (2013), quanto mais rígido
for o modelo de gênero, maior será a sua instabilidade e vulnerabilidade diante das
transformações sociais.
Impactos sociais e intergeracionais
A violência masculina compromete vínculos familiares, afeta o desenvolvimento
infantil e perpetua ciclos de desigualdade de gênero. Trata-se, portanto, de um fenômeno que
extrapola o indivíduo e se configura como questão coletiva e estrutural. Não é natural nem
inevitável, mas resultado de processos históricos de socialização que associam masculinidade
a poder, controle e negação da vulnerabilidade. No Brasil, os dados oficiais do Mapa da
Violência demonstram que esses modelos produzem elevado custo social, humano e
econômico, atingindo especialmente os próprios homens.
O enfrentamento da violência masculina exige políticas públicas intersetoriais, práticas
clínicas sensíveis ao gênero e ações educativas que promovam masculinidades plurais,
cuidadoras e emocionalmente responsáveis. Investir na transformação das masculinidades é
estratégia central para a redução da violência e para a promoção da saúde coletiva.
Como consequência, a imagem social do homem violento passa a ser socialmente
associado ao risco, à ameaça e à incapacidade de lidar com frustrações de forma elaborada. Essa
imagem negativa afeta não apenas aqueles que praticam violência direta, mas recai, de forma
difusa, sobre o masculino enquanto categoria social, gerando desconfiança, vigilância e, em
alguns casos, estigmatização.
Paradoxalmente, revela também um impasse subjetivo: muitos homens permanecem
socializados para a dureza emocional, o silêncio psíquico e a resolução dos conflitos pela força,
ao mesmo tempo em que são cobrados por atitudes empáticas, dialógicas e não violentas. Sem
espaços simbólicos e institucionais adequados para reelaborar sua identidade, parte desses
homens responde com resistência, ressentimento ou intensificação da violência — inclusive
contra si mesmos, por meio de comportamentos autodestrutivos, abuso de substâncias e
suicídio.
Sonia Ligia Angelico
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Outro ponto para este entendimento é o homem público e o homem no mundo privado,
objeto de nosso estudo, que, com as mulheres trabalhando fora, tem sido cobrado no papel do
cuidado com os filhos, nos afazeres domésticos e no que eles precisam mudar.
HOMEM PÚBLICO E HOMEM PRIVADO
Quando se fala do homem público, está-se falando de hierarquia, poder, prestígio e
desigualdade, que acontecem até hoje, onde eles se encontram numa posição estável apesar dos
questionamentos e do efeito da internet, dos sites e do mundo digital que criticam e abordam
seu papel na sociedade, como casos de assédio, violência, grupos de ódio contra mulher, entre
outros.
No mundo público, o homem ainda pode sustentar a performance hegemônica; no
mundo privado, expõe dimensões da subjetividade que o espaço público permite ocultar:
fragilidade emocional, dependência afetiva, insegurança sexual, medo de abandono.
Como argumenta Michael Kimmel (1996), a masculinidade tradicional é construída
como performance diante de outros homens. No espaço doméstico, porém, a performance cede
lugar à intimidade — e é justamente aí que o ideal hegemônico pode se fragilizar.
No mundo privado, este homem encontra demandas por diálogo emocional, exposição
de fragilidades, expectativa de coparticipação doméstica, e questionamento da autoridade.
Esse contraste gera um fenômeno que poderíamos denominar como uma ambivalência:
um self público potente e um self privado inseguro. É este self privado inseguro que
abordaremos mais à frente.
PATERNIDADE CONTEMPORÂNEA
Para compreender o homem no mundo privado, é necessário contextualizá-lo no
universo doméstico. O homem torna-se pai quando nasce um filho, mas a experiência da
paternidade vai além da condição biológica. Nas últimas décadas, a paternidade tem passado
por transformações significativas. Tradicionalmente, o pai era visto como alguém relativamente
afastado da dinâmica familiar, cuja presença estava associada principalmente ao cumprimento
de normas sociais e à função de provedor. As mudanças nas configurações familiares e as
demandas da sociedade contemporânea passaram a exigir um novo modelo de paternidade, no
qual o pai assume um papel mais próximo, participativo e corresponsável nas relações
familiares (Rodrigues & Gonçalves, 2011).
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Nas famílias organizadas segundo a lógica tradicional da complementaridade provedor-
cuidadora, a paternidade era exercida predominantemente por meio do cuidado indireto,
representado pelo sustento financeiro e pela autoridade, enquanto a maternidade estava
associada ao cuidado direto dos filhos.
O conceito de parentalidade emerge com a chegada dos filhos e envolve os processos
de criação, educação e socialização. Esse exercício exige dos pais habilidades de nutrir,
orientar, proteger e adaptar-se às diferentes etapas do desenvolvimento infantil (Minuchin,
1982). O nascimento de uma criança provoca uma transformação significativa na estrutura
familiar, exigindo ajustes no sistema conjugal para responder às novas demandas parentais.
Inicialmente, o subsistema parental organiza-se para atender às necessidades básicas da criança,
como cuidado e alimentação; posteriormente, amplia-se para funções relacionadas à orientação,
educação e socialização.
Esse processo demanda uma renegociação constante de limites entre os cônjuges, a
família ampliada e outras influências externas (Lamela et al., 2010; Minuchin, 1982). Ao longo
do desenvolvimento infantil, o subsistema parental precisa adaptar-se continuamente às novas
exigências, sem perder o apoio mútuo característico da relação conjugal. As funções parentais
tornam-se progressivamente mais complexas à medida que a criança cresce (Frizzo et al., 2005).
É importante destacar que a rotina familiar e a divisão dos cuidados com os filhos
constituem não apenas uma fonte recorrente de conflito conjugal, mas também um fator
associado ao declínio da satisfação conjugal (Bogdan et al., 2022). Esse dado evidencia como
a naturalização da responsabilidade feminina pelos cuidados ainda representa um importante
fator de tensão na vida doméstica.
Nesse sentido, é fundamental compreender que a concepção de masculinidade vigente
em cada período histórico constitui o enquadre para o exercício da paternidade. Masculinidade
e paternidade mantêm uma relação de influência recíproca ao longo da história. Se, em outros
momentos, a figura paterna era confundida com a função de provedor, atualmente espera-se
que o pai também exerça funções de cuidado e envolvimento afetivo (Souza, 1994).
Os estudos de Faria (2003), Fender (2016) e Machado (2021) reforçam essa perspectiva
ao demonstrarem que o envolvimento paterno tende a produzir experiências positivas e
satisfatórias para os homens. Entretanto, outros autores, como Cerveny e Chaves (2010),
observam que ainda persiste a representação do pai como provedor financeiro e da mãe como
provedora emocional da família, mesmo quando ambos exercem atividades profissionais com
jornadas equivalentes.
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Faria (2003), ao investigar grupos de pais em uma pesquisa qualitativa, analisou os
conflitos vivenciados na experiência da paternidade, suas características e os caminhos de
transformação construídos pelos participantes. O estudo demonstrou que tais conflitos estão
relacionados às tensões entre modelos patriarcais e pós-patriarcais de masculinidade e
parentalidade.
Segundo o autor, existe frequentemente uma desarmonia entre a concepção consciente
do que significa ser um homem e um pai contemporâneo e os conteúdos inconscientes
associados aos arquétipos masculinos presentes na cultura, que ainda valorizam a figura do
homem provedor, heroico e conquistador (Faria, 2003). Essa tensão ajuda a compreender
muitos dos desafios enfrentados pelos homens na construção de novas formas de exercer a
paternidade na atualidade.
De fato, Del Priore (2013) reforça que o conceito de pai adquiriu novas formas nas
últimas décadas, de opressor para amigo, e continua:
hoje, os pais não ocupam — ou não desejam ocupar — um papel de puro autoritarismo … O
papel do pai, ao contrário, é tornar possível o encaminhamento da criança, desde sua realidade
biológica de pequeno ser vivo até sua maturidade e sua integração social. De preferência com
responsabilidade e afeto. Mesmo sua função econômica se reduziu, graças ao trabalho feminino
e ao salário da mãe. (Del Priore, 2013, p. 182)
Esse impacto de transformação e mudanças sociais tem conduzido o homem/pai a
refletir o seu papel na sociedade contemporânea, saindo da imposição de poder e virilidade para
exercer sua função de pai numa relação horizontal com sua mulher e de maior equidade nas
funções domésticas, educacionais e sociais.
Tudo isso vem de encontro às aspirações originais do movimento feminista, que,
seguindo o sociólogo Michael Kimmel (1996), espera que um homem seja ético,
emocionalmente presente e responsável por seus valores em suas ações com as mulheres, assim
como com outros homens; ou seja, direta ou indiretamente, o feminismo favorece a
masculinidade atual.
Diante destas mudanças, podemos dizer que podem estar emergindo novas formas de
masculinidade no mundo privado: masculinidades cuidadoras; masculinidades igualitárias; e
modelos baseados em vulnerabilidade e diálogo.
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A tensão entre esses modelos emergentes e o modelo tradicional de pai — mais rígido,
distante e autoritário — caracteriza o cenário contemporâneo da paternidade. Nesse contexto, a
violência pode ser compreendida tanto como uma forma de resistência às mudanças quanto
como um sintoma das transições em curso.
Partindo dessa compreensão, apresentaremos a tese de doutorado da autora com o
objetivo de aprofundar a análise dos conflitos e dos marcadores sociais que influenciam o
comportamento do homem contemporâneo. Entre esses fatores, destacam-se as crises
econômicas, a maior independência feminina, a diversidade de gênero e de configurações
familiares, a transição de uma economia centrada na produção para outra orientada aos serviços,
além da influência crescente da mídia, da internet e de outras transformações socioculturais que
têm levado os homens a repensar sua identidade, seus papéis e suas relações.
HOMENS EM MOVIMENTO: PESQUISA QUALITATIVA DA MASCULINIDADE
NA GERAÇÃO X E NA GERAÇÃO Y
O objetivo deste trabalho foi identificar como homens cisgêneros heterossexuais
pertencentes à Geração X (nascidos entre 1965 e 1979) e à Geração Y (nascidos entre 1980 e
1994), em seu espaço privado, estão elaborando suas questões emocionais no ambiente
doméstico, na relação com a companheira, no exercício da paternidade e na vida cotidiana,
diante das transformações geracionais que vêm ocorrendo no mundo digital, na sociedade, no
trabalho, na família e nas relações interpessoais.
Para essa compreensão, serão apresentados conhecimentos que ampliem o olhar sobre
o tema a partir dos conceitos de masculinidades, gênero, sexualidade, paternidade e mudanças
geracionais. O propósito consiste em identificar possíveis demandas e sofrimentos presentes no
mundo privado dessas gerações, bem como compreender se existem diferenças geracionais
relacionadas ao comportamento masculino e às construções de gênero.
A pesquisa qualitativa foi desenvolvida por meio de grupos focais, método caracterizado
pela realização de entrevistas em grupo. Após a transcrição do material obtido, realizou-se uma
análise textual com o auxílio do software IRaMuTeQ. Os resultados referentes à Geração X
(nascidos entre 1965 e 1979) e à Geração Y (nascidos entre 1980 e 1994) foram inicialmente
analisados e apresentados separadamente. Em seguida, foram produzidos os temas
correspondentes a cada classe identificada, possibilitando a elaboração da análise e a obtenção
dos resultados finais.
Sonia Ligia Angelico
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Como complemento à análise das gerações X e Y no Brasil, realizou-se uma pesquisa
sobre os principais acontecimentos políticos, econômicos e sociais ocorridos entre 1965 e 1994,
bem como sobre os modos de vida, os comportamentos e as transformações culturais que
marcaram esse período histórico.
Outro aspecto importante para este estudo refere-se ao fato de que, com a chegada do
século XXI, o conceito de gerações na Sociologia passou a ser retomado sob uma nova
perspectiva. Além das diferenças de classe social, passaram a ser consideradas as desigualdades
de gênero, étnico-raciais e culturais. Nesse contexto, torna-se fundamental revisitar as
trajetórias das gerações passadas para compreender as iniciativas coletivas das gerações atuais
e os desafios que elas enfrentam.
A partir desse conjunto de referenciais teóricos, dados históricos e resultados empíricos,
serão apresentados, separadamente, os resultados e a discussão referentes a cada geração
investigada.
Resultados e Discussão da Geração X (homens de 40 a 55 anos)
Os resultados indicam que os homens da Geração X vivenciaram importantes
transformações sociais relacionadas às relações de gênero e à vida familiar. Trata-se da primeira
geração que acompanhou a inserção massiva das mulheres no mercado de trabalho, processo
que alterou significativamente a dinâmica doméstica. Nesse contexto, as mulheres passaram a
acumular responsabilidades relacionadas ao trabalho remunerado, aos cuidados da casa e à
criação dos filhos, produzindo mudanças nas expectativas direcionadas aos homens.
Diante dessas transformações, os participantes relataram sentir pressão para participar
mais ativamente dos afazeres domésticos e dos cuidados com os filhos. O espaço familiar
passou a funcionar como um verdadeiro laboratório social, no qual maternidade e paternidade
vêm sendo constantemente ressignificadas. Ao mesmo tempo em que enfrentam desafios
relacionados à redefinição dos papéis de gênero, esses homens também relatam satisfação
pessoal no exercício da paternidade, demonstrando maior envolvimento afetivo e emocional
com os filhos.
Entretanto, as mudanças geracionais também produzem inseguranças. Muitos
participantes expressaram dúvidas sobre como educar os filhos em um contexto social diferente
daquele em que foram criados. Um dos entrevistados sintetiza essa percepção ao afirmar: “não
existe manual para se educar, você vai criar do jeito que tem que ser feito, um ou outro vai dar
um toque, vai te falar como é que você cria filho, entendeu? E aí você vê como é que tá”.
Violência de gênero e masculinidade hegemônica
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Os dados também evidenciam certa resistência em relação à ampliação da autonomia
feminina e às mudanças nas relações de gênero, revelando tensões entre valores tradicionais e
novas expectativas sociais. Ao compararem suas experiências com as de seus pais, os
participantes reconhecem que enfrentam desafios distintos daqueles vividos pelas gerações
anteriores. Como relatou um entrevistado: “eu vejo que hoje eu tenho outros desafios do que
meu pai teve lá no passado, né? Entendeu?”. Essa percepção demonstra que a paternidade
contemporânea é atravessada por transformações sociais que exigem novas formas de
adaptação e negociação dos papéis familiares.
Resultados e Discussão da Geração Y (homens de 25 a 39 anos)
Os homens da Geração Y apresentam características distintas das observadas na
Geração X. Conhecidos como nativos digitais, cresceram em um contexto marcado pela
expansão da internet, das mídias digitais e das plataformas de comunicação, elementos que
influenciaram significativamente suas formas de socialização, construção identitária e
percepção das relações de gênero.
Os participantes demonstraram maior abertura às mudanças sociais e às novas
experiências, valorizando o desenvolvimento pessoal e a realização profissional antes da
constituição de uma família. Além disso, convivem em ambientes de trabalho que reúnem
diferentes gerações, transformando esses espaços em importantes laboratórios sociais de troca,
aprendizagem e confronto entre valores tradicionais e contemporâneos.
Entretanto, essa geração também enfrenta desafios específicos. Os participantes
vivenciam os efeitos da instabilidade econômica e das mudanças no mercado de trabalho,
fatores que dificultam a manutenção dos modelos tradicionais de masculinidade. Apesar das
transformações sociais e do maior acesso à informação, os resultados revelam que os valores
associados à masculinidade hegemônica ainda permanecem presentes em suas crenças e
expectativas.
Essa situação produz conflitos e sofrimento. Muitos homens relatam sentimentos de
inadequação e insegurança, especialmente nas relações com as mulheres, demonstrando
dúvidas sobre sua aceitação e sobre qual papel devem desempenhar nas relações afetivas
contemporâneas. Um dos participantes expressa essa percepção ao afirmar: “Na época do meu
pai, ele tinha uma estabilidade maior e podia manter aquele papel: ‘Ah, fui criado para ser
provedor do lar’. E, talvez, hoje, não consiga”.
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Os resultados sugerem que a Geração Y vive uma tensão constante entre os modelos
tradicionais de masculinidade, ainda valorizados socialmente, e as novas exigências relacionais
e profissionais da contemporaneidade. Esse cenário evidencia os desafios enfrentados pelos
homens na construção de identidades masculinas mais flexíveis em um contexto marcado por
profundas transformações sociais, econômicas e culturais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para compreender o fenômeno em sua totalidade (violência de gênero e masculinidade
hegemônica), é preciso ir além do indivíduo agressor e analisar a estrutura que o forma. A crise
contemporânea não é do ‘ser homem’ em si, mas de um modelo hegemônico tradicional que já
não corresponde às exigências de uma sociedade plural, democrática e igualitária. O desafio
reside na construção de masculinidades que prescindam da violência como linguagem de
afirmação identitária.
A pergunta central não é apenas ‘por que os homens matam?’, mas ‘que tipo de
masculinidade estamos criando — e que tipo de masculinidade queremos construir daqui para
frente?’.
Isso inclui repensar como meninos são educados na família, na escola e na sociedade;
como homens aprendem (ou não) a se expressar emocionalmente; o papel da mídia e da cultura
na reprodução de estereótipos; o acesso limitado a políticas de saúde mental masculina; e a
ausência de modelos positivos de masculinidade que valorizem diálogo, corresponsabilidade e
empatia.
Isto envolve educação afetiva, paternidade ativa, igualdade de gênero desde a infância,
políticas públicas de prevenção e acolhimento, fortalecimento de redes de apoio que permitam
aos homens falar de dores antes que elas se transformem em agressão, cooperando na
construção de novas referências de masculinidade — mais humanas, plurais e capazes de
conviver com igualdade.
Finalizando com os resultados desta pesquisa, pode-se afirmar que houve e está havendo
muitas mudanças geracionais. Os homens buscam adaptar-se às novas realidades e
alterações/acomodações que estão acontecendo no mundo e no Brasil, com as transformações
oriundas do mundo digital com inteligência artificial, mídias entre outros.
Não se pode deixar de ter em conta que, no mundo moderno, os homens buscam
construir e manter suas identidades em meio à constante mudança. Lutam para se conectar a
Violência de gênero e masculinidade hegemônica
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grupos que também estão em movimento, tentando preservar suas identidades por um breve
período, mas enfrentam a efemeridade dessas conexões como processos em aberto.
Um aspecto importante a se comentar é que, no exercício da paternidade, este pai
generoso, que se sente satisfeito em estar cuidando e aprendendo a reconhecer tanto a sua
emoção quanto a do seu filho, não se vê ameaçado e nem julgado em sua masculinidade,
conseguindo expressar seu sentimento e afeto de forma espontânea e descontraída.
O que está acontecendo com os homens não pode ser analisado isoladamente. Eles são
produtos e agentes de um mundo em transição. Se muitos vivem crises, medos e ressentimentos,
é porque o antigo modelo de masculinidade não oferece mais respostas, e o novo ainda está em
construção.
Os homens precisam de seu lugar de fala, para conversarem, debaterem, trocarem e
refletirem sobre seus valores e crenças que tanto os oprimem e cobram algo impossível de
atingir está masculinidade onde não podem sentir, chorar e amar sem culpa.
Sonia Ligia Angelico
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C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : N ã o h á .
Fi n a n ci a m e nt o : P a g o p el a pr ó pri a a ut or a.
C o nflit os d e i nt e r ess e : Nã o h o u v e c o nflit os d e i nt er ess e .
A pr o v a ç ã o éti c a : N ã o pr e cis o u .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : Os tr a b al h os cit a d os a o l o n g o d o t e xt o s e e n c o ntr a m
n a list a d e r ef erê n ci as .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : A a ut or a é a ú ni c a r es p o ns á v el p el a pr o d u ç ã o d o arti g o.
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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GENDER-BASED VIOLENCE AND HEGEMONIC MASCULINITY
VIOLÊNCIA DE GÊNERO E MASCULINIDADE HEGEMÔNICA
VIOLENCIA DE GÉNERO Y MASCULINIDAD HEGEMÓNICA
How to reference this paper:
Angelico, S. L. (2026). Gender-based violence and
hegemonic masculinity. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ.,
27(esp1), e026020.
https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21492
| Submitted: 06/05/2026
| Revisions required: 12/05/2026
| Approved: 16/07/2026
| Published: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Casa Yasmin Institute, Santo Amaro – São Paulo (SP) – Brazil. Ph.D. and Master’s degree in Clinical Psychology
from the Graduate Program at the Pontifical Catholic University of São Paulo (2018). Director of the Casa Yasmin
Institute.
Gender-based violence and hegemonic masculinity
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21492 2
ABSTRACT: This article discusses the relationship between gender-based violence and
hegemonic masculinity in contemporary society, focusing on the social transformations that
shape male behavior. The objective is to understand how traditional masculinity—associated
with the virile, powerful, and successful man—sustains violent practices. The investigation was
based on the doctoral dissertation Men in Motion: A Qualitative Study of Masculinity in
Generation X and Generation Y (2025), which identified unexpected issues concerning the
traditional male figure, highlighting aspects relevant to understanding violence within the
private sphere. A qualitative study was conducted with two focus groups, using the IRaMuTeQ
software and thematic analysis. The results indicated the persistence of hegemonic masculinity
among both Generation X and Generation Y, despite differences in behavioral patterns between
these generations. It is concluded that gender-based violence remains linked to cultural
structures of domination, coexisting with ongoing processes of transformation in male
identities.
KEYWORDS: Gender-based violence. Hegemonic masculinity. Private sphere. Parenthood.
RESUMO: Este artigo discute a relação entre violência de gênero e masculinidade
hegemônica na contemporaneidade, com foco nas transformações sociais que atravessam o
comportamento masculino. O objetivo é compreender como a masculinidade tradicional,
associada ao homem viril, potente e bem-sucedido, sustenta práticas violentas. A investigação
se baseou na tese de doutorado Homens em movimento: pesquisa qualitativa da masculinidade
na geração X e geração Y (2025), na qual foram identificadas questões inesperadas sobre o
homem tradicional, aspectos relevantes para a compreensão da violência no espaço privado.
Foi realizada pesquisa qualitativa com dois grupos focais, utilizando o software IRaMuTeQ e
análise temática. Os resultados indicaram permanências da masculinidade hegemônica nas
gerações X e Y, apesar de apresentarem diferenças de comportamento entre elas (gerações).
Conclui-se que a violência de gênero permanece vinculada às estruturas culturais de
dominação, coexistindo com processos de transformação identitária masculina.
PALAVRAS-CHAVE: Violência de gênero. Masculinidade hegemônica. Espaço privado.
Parentalidade.
RESUMEN: Este artículo analiza la relación entre la violencia de género y la masculinidad
hegemónica en la actualidad, centrándose en las transformaciones sociales que afectan el
comportamiento masculino. El objetivo es comprender cómo la masculinidad tradicional,
asociada al hombre viril, poderoso y exitoso, sustenta las prácticas violentas. La investigación
se basó en la tesis de doctorado Hombres en movimiento: investigación cualitativa sobre la
masculinidad en la generación X y la generación Y (2025), en la que se identificaron cuestiones
inesperadas sobre el hombre tradicional, aspectos relevantes para comprender la violencia en
el ámbito privado. Se llevó a cabo una investigación cualitativa con dos grupos focales,
utilizando el software IRaMuTeQ y el análisis temático. Los resultados indicaron la
persistencia de la masculinidad hegemónica en las generaciones X e Y, a pesar de que
presentan diferencias de comportamiento entre ellas (las generaciones). Se concluye que la
violencia de género sigue vinculada a las estructuras culturales de dominación, coexistiendo
con procesos de transformación de la identidad masculina.
PALABRAS CLAVE: Violencia de género. Masculinidad hegemónica. Espacio privado.
Paternidad.
Sonia Ligia Angelico
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INTRODUCTION
Anyone who, like the author, spent their childhood, adolescence, and even part of their
adult life without the internet knows how different everything used to be. People communicated
by phone, letter, and telegram. Research was conducted in books, encyclopedias, and
dictionaries, and print newspapers and television were the main sources of news.
Education was traditional, and the roles of men and women were clearly distinct. The
ideal family was structured as a descending hierarchy: father, mother, and children, in which
the man was responsible for the public sphere and the woman for the private sphere. In most
households, the man was expected to be the provider, and the woman, the caregiver—a
complementary expression of these hierarchical domains. In fact, this nuclear family model—
which emerged from the rise of the urban bourgeoisie in the 18th and 19th centuries—is just
one expression of the human family; yet, despite other forms that have existed over time, they
all share the common trait of the man’s superior social position.
Since the 2nd or 3rd millennium B.C., various societies—India, China, Iran, Judea, and
the Aztecs—have been characterized by patriarchy, a term used to describe a male-dominated
social structure. Gender inequality around the world and in Brazil is sustained by a patriarchal
culture that prioritizes the accumulation of wealth and the perpetuation of traditional values.
Thus, according to the Michaelis dictionary, the term “patriarchy” is defined as a social
and political system in which authority and control are exercised predominantly by men. This
definition reflects a social structure in which men occupy positions of power and leadership,
while women are relegated to subordinate and dependent roles.
Patriarchy is characterized by a hierarchy that privileges the masculine and limits gender
equality, influencing family, social, and institutional relationships. Those who grew up in such
a family structure experienced the demands placed on women, who were subjected to a
traditional upbringing in which the values were chastity, obedience, and good manners—in
short, submission.
This reality led me to reflect on how a woman’s life path seemed to be limited to getting
married and having children, reflecting a narrow view of women’s role in society; and so I went
on to study, to understand what place I occupied in society, in the family, and within myself.
My first degree was in Social Work (it had been my childhood dream to do social work), and
from there it was a short step to earning a bachelor’s degree in Psychology (I was doing
psychotherapy). Continuing on my path of learning, I earned a degree in Gestalt Therapy from
the Sedes Sapientiae Institute (SP), a degree in Couples and Family Therapy from the Pontifical
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Catholic University of São Paulo (PUC-SP), and then completed a master’s degree on
Machismo in 2019 at PUC-SP and a doctorate with the thesis Homens em movimento: pesquisa
qualitativa da masculinidade na geração X e na geração Y in 2025, also at PUC-SP.
As a systemic family, couples, and individual therapist in my private practice since 1983
and as the director for the past 19 years of the non-governmental organization (NGO) Instituto
Casa Yasmin, which serves vulnerable populations, I felt the need to seek knowledge because
I, too, was experiencing, living through, and feeling all the consequences of the transformations
of postmodernity. I agree with the view of Prof. Dr. Rosa M. S. Macedo (2009) that “the
postmodern paradigmatic perspective acknowledges that reality is constructed by the observer
as part of what is observed” (p. 69). It is thus understood that the role of the couples, family,
and individual psychologist is of paramount importance today.
The psychotherapist acts as a facilitator for their client, guiding them toward an
understanding of their conflicts and emotions, which are likely related to the beliefs and values
of their family of origin. The psychotherapist is an attentive and empathetic guide who provides
a space of respect, thereby enabling a compassionate understanding of the client’s difficulties
so that they can chart their path with greater clarity and understand what their role was and is
within the family system, seeking to gain self-awareness through the repetitions of their family
history so that, perhaps, they may ‘be’ a person who is freer with themselves.
To better understand this traditional man, it is necessary to observe the complexity of
the transformations taking place in society, politics, the economy, the family, and gender
issues—with the pandemic causing changes in the behavior of all of us as human beings,
compounded by the economic crisis, political radicalization, and the growing and recent
demands of women in protests against harassment, femicide, the many cases of rape and
domestic violence reported by the media, it is evident that, even today, there are men who
believe themselves to be superior and the owners of women, able to treat them as they see fit,
with attitudes that reinforce sexist behavior—which, given women’s new status, is considered
regressive, prejudiced, and culturally unacceptable.
These developments have helped to challenge male supremacy, although these
transformations are still ongoing and evident in the attitudes of hegemonic masculinity.
Continuing with the understanding of this man—who was raised to be strong, a provider,
and virile—he finds himself alone, unsure of how to act or even identify what he feels in the
face of women’s demands and the social transformations that pressure him to change. In his
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desperation over the loss of power, points of reference, and recognition, he may resort to
violence as a misguided form of self-defense and survival.
According to the Mapa da Segurança Pública 2024, 17,009 suicides were recorded in
Brazil in 2023, corresponding to 8.6 deaths per 100,000 inhabitants (Brasil, 2024).
Approximately 78% of the cases recorded in the first half of the year involved men. These
figures suggest that the rigidity of traditional masculinity—marked by the denial of
vulnerability, self-care, and emotional expression—may be associated with psychological
distress, illness, and male mortality.
What should be done with this man? He is expressing conflicts, insecurities, and fears.
This is not about justifying violence, but about understanding it in all its complexity. We must
help him understand himself and break free from the cultural trap of patriarchy, which
legitimizes a hegemonic model of masculinity as the only possible, correct, and victorious
one—and one that is impossible to achieve—and which is itself part of the cultural trap
designed to maintain male power.
Given the above, the significance of this article lies in its ability to contribute, based on
my study Homens em movimento: pesquisa qualitativa da masculinidade na geração X e na
geração Y (Angelico, 2025), and to shed some light on the issue of hegemonic masculinity (the
provider, virile, and successful man) and the possibility—even if it is just a small academic
study—of initiating a shift in the cultural beliefs and values that so heavily burden men and
demand of them an ‘impossible empowerment’ to achieve.
Regarding Generation X (ages 40 to 55), the father—who does not feel his masculinity
is threatened by caring for his child—feels satisfied and generous, opening up to his emotions.
Another important point to note is that men of Generation Y (ages 26 to 39) grapple with issues
of hegemonic masculinity but are aware that they need to change, despite their traditional
beliefs and values. They feel insecure around women, who are more confident and working,
and they are the first generation to be financially poorer than their grandfathers and fathers,
unsure whether they will have children or get married.
Both men and women are the product of a social construct that has endured for centuries
and is changing very slowly, just like all beliefs, customs, and traditions that are very difficult
to change.
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HEGEMONIC MASCULINITY
“To be a man is to bear no resemblance to anything
feminine” (Kimmel, 1996).
In Brazil, it has only been about a century since sexist ideology has been discussed and
questioned. It is present in the economic, social, and political systems, in religions, in the media,
in the educational system, and within the family unit. In this system, women are subjugated to
men, denied the right to self-expression, or forced by a sexist society to serve the will of their
husbands or fathers, characterizing a traditional patriarchal regime.
As Giddens (1991) points out, postmodern machismo is a new phenomenon that feeds
on the old patriarchal culture and reaffirms it through the vices and compulsions of post-
traditional society. It manifests itself in exhibitionism, boastfulness, the pleasure of domination,
and the imposition of cruelty for its own sake, corrupting values associated with individualism
as a universal principle, social responsibility, and civic solidarity. This hierarchical structure,
in which the masculine occupies a position superior to the feminine, translates into a sexist
ideology that has been present in society for millennia.
The assertion that “a man is only a man at certain moments, while a woman is a woman
throughout her life, at least throughout her youth” (Badinter, 1993, p. 3) supports the argument
that the imperative ‘be a man’ is not as self-evident as it seems and that masculinity is not as
natural as we are led to believe. Being born a boy is not enough: being a man involves a constant
effort to prove one’s worth. In contrast, women do not need to continually prove that they are
women. According to the author, people act as if femininity were natural, while masculinity
must be earned, often at a high cost. Men themselves and those around them show so little
confidence in their sexual identity that they frequently demand proof of their masculinity.
When addressing the concept of machismo, it is important to distinguish it from
hegemonic masculinity. While machismo corresponds to a system of beliefs, values, and
practices that sustains gender inequality between men and women, hegemonic masculinity
refers to the dominant cultural model of what it means to be a ‘real man,’ influencing behaviors
and social expectations. According to Badinter (1993), this standard is, to a large extent,
unattainable: although many men strive to approach this ideal, ambiguities and contradictions
persist in their daily lives, given the multiple demands imposed by this model of masculinity.
According to Connell (1995):
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Hegemonic masculinity can be defined as a gender practice that embodies the accepted response
to the problem of patriarchy’s legitimacy, which guarantees (or seeks to guarantee) the dominant
position of men and the subordination of women. (Cornell, 1995, p. 77)
This concept shows us that hegemonic masculinity does not have a fixed standard, as it
is underpinned by social structures and norms that change over time and across different places,
and that have gender discrimination as a fundamental aspect of domination.
This way of being a man—which reproduces and legitimizes sexist oppression—is a
form of masculinity that has been gradually questioned and deconstructed. Gender-based
violence extends to any situation in which a sexual difference is used to justify gender
inequality.
Building on the above, Angelico (2019) notes that:
... men face a difficult position in society, due to how they were raised, how they are perceived,
how they are held accountable, and what is expected of them. The cultural processes, values,
and beliefs of patriarchy are deeply ingrained in the attitudes of both Brazilian men and women.
Macho ideology is present in society, particularly in relation to work and sexuality, where men
define themselves through their masculinity. (Angelico, 2019, p. 67)
Broadening his perspective on masculinities, Maciel Jr. (2013) notes:
the main objective of critical studies on men today is to understand how masculinities are
constructed, produced, and reproduced, assuming that they are varied and changeable over time
(history) and space (culture), within the same society, throughout the life cycle and individual
biography. (Maciel Jr., 2013, pp. 50–51)
Changes in gender relations have led to a reexamination of privileges and traditional
models of masculinity. In this context, debates about male identity point to a crisis in
contemporary masculinity, marked by the need to redefine male identities and roles.
THE CRISIS OF MASCULINITY
According to Ramos (2000), a discussion about the crisis of masculinity emerged in the
1980s in the U.S. and in the late 1990s in Brazil. But what kind of crisis is this? According to
the author, drawing on Trevisan (2021), masculinity is not in crisis, since it is, in and of itself,
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a gender that exists in a state of permanent and endemic crisis within patriarchal society. In this
sense, masculinity is not a given but something that is constantly sought after. For the author,
the achievements of feminism did not cause the crisis; they merely made it more visible (Ramos,
2000).
According to Alvim and Souza (2004), the new psychology of men emerged belatedly
in the face of urgent problems, as men were heavily represented in various situations of social
and behavioral vulnerability, such as substance abuse, homelessness, violence, estrangement
from their children, deaths by homicide, suicide, accidents, and stress-related illnesses. The
authors further assert that the delay in addressing these issues has contributed to a current crisis
in the relationship between men and women (Alvim & Souza, 2004).
A survey titled HeForShe, conducted by UN Women (2016), revealed that 95% of
women and 81% of men surveyed agree that Brazilian men are sexist. The study also points out
that stereotypes associated with masculinity create difficulties for men themselves: 66.5% said
they do not talk to friends about their fears and feelings; 45% would prefer not to feel obligated
to be financially responsible for their families; and 45.5% would like to express themselves in
a less harsh or aggressive manner but do not know how. From this perspective, it also does not
seem easy to deal with the image of the ‘tough hero’ and the ideal of virility, which demands
constant displays of strength, power, and the ability to provide. More recent data from the same
initiative show that 56.5% of men would like to maintain closer and more affectionate
relationships with their friends, while 54% would like to have greater freedom to explore
unusual hobbies without being judged (UN Women, 2016, 2021).
But, as Bourdieu (2010) points out, male privilege is also a trap:
and finds its counterpart in the constant tension and restraint—sometimes taken to the point of
absurdity—that imposes on every man the duty to assert his masculinity in any and all
circumstances. (Bourdieu, 2010, p. 64)
For him, the family plays the primary role in reproducing domination and the masculine
worldview, since it is within the family that the experience of the sexual division of labor—and
the legitimate representation of that division—is imposed from a very early age.
Trevisan (2021) notes that the ‘disintegration’ of the masculine is linked to historical
transformations that have begun to make it impossible to sustain the myth. Continuing his line
of thought, he says:
Sonia Ligia Angelico
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today, masculinity is undergoing challenges and transformations on a global scale. Its myths are
proving to be extremely fragile, victimized by the very “illusion of masculinity” that patriarchal
society has painstakingly created to construct the “true man”. (Trevisan, 2021, p. 21)
According to the author, “hate groups that launch attacks on feminism on social media
and the rise in cases of rape and femicide worldwide can be seen as symptoms of an ongoing
crisis” (Trevisan, 2021, p. 29).
What we observe in the statements of the authors of this article is how the established
standard for hegemonic masculinity is practically impossible to achieve, leading to conflicts,
ambiguities, and suffering for men.
Although the origins of patriarchy are lost in time, to this day, the patriarchal system is
viewed as a model to be followed, guiding all economic, social, and political life, including the
Church and the State.
According to Souza and Ramires (2006), beginning in the 1970s, social, economic,
political, and technological transformations—such as the women’s and minority rights
movements, women’s entry into the labor market, the spread of the media, the birth control pill,
the legalization of divorce, and the shift toward a service-based economy—began to challenge
and soften the traditional role of men, leading to significant changes in both their public roles
and their private lives.
Since the mid-20th century, with or without a crisis, the public image of masculinity has
been ambivalent, and men have come under scrutiny, perhaps less in the public sphere than in
the private one. Clinical practice and a myriad of studies on family and marital relationships
indicate that it is in the domestic sphere—the division of household chores, the demand for
marital and sexual satisfaction within marriage—and in participation in the care of children that
the greatest demands for, so to speak, behavioral change are identified. The extent to which this
generates a crisis of masculinity (or masculinities) as a social construct differs from what occurs
in the day-to-day life of the family, particularly when it comes to intimate relationships—which
is what we are interested in understanding in depth.
Contemporary transformations have led to shifts in male identity. According to Bauman
(2001), liquid modernity is marked by the instability of traditional reference points, which can
lead many men to experience the loss of domestic and economic authority as an identity crisis.
In this scenario, violence tends to function as an attempt at the symbolic restoration of male
power. Kimmel (1996) emphasizes that the crisis does not stem from men themselves, but from
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the very ‘recipe for masculinity,’ which also underpins the oppression of women and minorities.
In this context, a discussion arises regarding gender-based violence and the behavior of
traditional men in contemporary society.
GENDER-BASED VIOLENCE
Violence is understood as a public health problem and can be defined, according to
Minayo and Souza (1997), as any intentional act perpetrated by individuals, groups, institutions,
classes, or nations against other people, causing harm and physical, social, psychological,
and/or spiritual damage.
Violence associated with hegemonic masculinity can be understood as an unconscious
defensive response to the fear of losing individuality, historically linked to the role of provider
and to the construction of a sexuality centered on so-called ‘phallocentric power.’
When we talk about male violence, the focus is on gender-based violence. This concept
is broader than the notion of violence against women, as it also encompasses children,
adolescents, and subaltern masculinities, which, according to Connell (1995a), refer to men
who do not conform to the standards of hegemonic masculinity.
According to the Rio Grande do Sul Public Defender’s Office (2022), gender-based
violence encompasses any form of physical, psychological, sexual, or symbolic aggression
motivated by gender identity or sexual orientation. Historically, women have been among the
primary victims of this type of violence, according to the Public Defender’s Office, due to the
unequal power relations that structure society. Data from the Atlas da Violência 2026 highlight
this asymmetry by showing that, while men constitute the majority of victims of homicides and
deaths from external causes, women account for the highest rates of domestic violence and
femicide, demonstrating that gender-based violence operates through distinct yet interrelated
dynamics (Cerqueira & Bueno, 2026).
In this context, male violence can be understood as a social and historical phenomenon
associated with patriarchy, gender socialization processes, and the consolidation of hegemonic
masculinity. More than just individual behavior, it constitutes a learned social practice that is
often legitimized as a form of identity affirmation, based on ideals of power, strength, and
virility. Thus, violence should not be understood as inherent to men, but as a culturally
constructed mechanism whose effects impact both direct victims and the very social image of
masculinity in contemporary society.
Sonia Ligia Angelico
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According to Bourdieu (2010), so-called symbolic violence constitutes a social practice
through which power relations shape behaviors and identities. Meanwhile, the systemic family
therapist Bowen (2004) asserts that gender-based violence is associated with family patterns
that span generations and can be transmitted as relational models within the family system.
In the clinical practice of family therapy, this argument typically means that violence is
viewed as a learned relational pattern; it can be unlearned and transformed; the therapeutic
focus includes communication, emotional regulation, beliefs about masculinity, and
intergenerational family dynamics. In other words, therapy does not view male violence as
‘human nature,’ but rather as behavior constructed within specific social and family contexts.
Furthermore, violence perpetrated by men constitutes a serious social and public health
problem in Brazil, as we can see from data in the Atlas da Violência 2024, which indicate that
more than 90% of intentional violent deaths in the country victimize men, and the majority of
perpetrators are also male (Cerqueira & Bueno, 2024). In the context of domestic violence, men
predominantly act as perpetrators, especially in marital and family relationships.
Data from the Mapa da Violência 2025: Homicídio de mulheres no Brasil indicate that
Brazil ranks fifth worldwide in femicides, highlighting the persistence of conservative and
patriarchal social structures (Waiselfisz, 2015). Furthermore, the country has the highest rates
of murders of transgender and gender-diverse people. According to data from Transgender
Europe (TGEU), cited by Nogueira (2024), this violence is associated with a patriarchal logic
that privileges hegemonic models of masculinity and marginalizes those who do not conform
to heteronormative expectations
2
.
In Brazil, men are predominantly the perpetrators (domestic violence, family violence,
rape) and victims of violence, including lethal incidents (firearms, robberies, homicides),
accidents (car accidents, fights), and risky health behaviors. Male socialization remains strongly
marked by emotional repression and a glorification of risk. Men are less likely to seek health
services, take fewer preventive measures, and are more resistant to seeking care—all of which
are directly linked to cultural patterns of masculinity (Brasil, n.d.).
From a theoretical perspective, authors such as R. W. Connell (1995b) and Connell and
Messerschmidt (2005) demonstrate that hegemonic masculinity is organized around attributes
2
Heteronormativity (from the Greek hetero, ‘different’, and norma, ‘rule’ in Latin) is the norm, the standard, or
what is considered normal in a society in which a person is heterosexual—that is, feels attraction to the opposite
gender. It is a term used to describe situations in which sexual orientations other than heterosexuality are
marginalized, ignored, or persecuted by social practices, beliefs, or policies. This includes the idea that human
beings fall into two distinct and complementary categories: male and female; and that sexual and marital
relationships are normal only between people of different sexes.
Gender-based violence and hegemonic masculinity
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such as power, control, virility, rationality, and domination, often sustained by the denial of
vulnerability and emotional repression. In this model, violence—whether symbolic,
psychological, or physical—emerges as a legitimate means of maintaining male authority,
especially when men perceive threats to their position of power, whether in the private sphere
(family, romantic relationships) or in the public sphere (work, social status).
Kimmel (2013) argues that a significant portion of male violence is associated with
experiences of fear and the perception of failing to meet culturally established standards of
‘being a man.’ In this context, violence functions as a mechanism for reaffirming identity in the
face of frustration, loss of status, and tension arising from contemporary social transformations,
such as the advancement of women’s rights, the pluralization of gender identities, and the
reconfiguration of family relationships. The author refers to this process as ‘threatened
masculinity’ and highlights that feelings of humiliation, failure, or symbolic impotence can
trigger violent responses as an attempt to restore wounded masculinity (Kimmel, 2013). These
reactions may be directed at others—women, children, and men in subordinate positions—or
turned against oneself, manifesting in self-destructive behaviors such as substance abuse,
involvement in fights, and suicide.
Violence as a structural component of hegemonic masculinity
According to Connell (1995b), hegemonic masculinity is based on a normative model
of dominance, virility, and power, in both the public and private spheres. In this context,
violence functions not as a deviation, but as a regulatory mechanism and a legitimized means
of maintaining women’s subordination, establishing hierarchies among men themselves, and
reaffirming authority whenever it is perceived as threatened.
Violence as an emotional language
As evidenced by the documentary O silêncio dos homens
3
(Papo de Homem, 2019)–
based on a project that interviewed more than 40,000 people,—hegemonic masculinity often
relies on the denial and ridicule of attributes associated with femininity, such as emotional
intelligence and care.
3
This film is part of a project that surveyed more than 40,000 people on the topic of masculinities. In addition to
the documentary, this study also resulted in a resource book containing public data, produced through a partnership
with the Social Information Consortium (CIS) at the University of São Paulo (Papo de Homem, 2019).
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In the face of this repression, contemporary studies indicate that violence acts as an
impoverished form of emotional communication. Deprived of an adequate symbolic repertoire
to express fears, frustrations, and psychological suffering, many men convert pain into anger,
transform vulnerability into aggression, and use physical force as a means of expression.
Aggression, therefore, emerges as a direct symptom of the emotional denial socially imposed
on men.
CONSEQUENCES OF VIOLENCE FOR MASCULINITY
Physical and mental health issues among men
The consequences of the violent hegemonic model are reflected, first and foremost, in
men’s physical and mental health issues. Data from the Ministry of Health indicate a higher
incidence of risky behaviors among the male population, resulting in high rates of alcohol abuse
and higher mortality from external causes, such as accidents and homicides (Brasil, n.d.).
Suicide, which disproportionately affects the male population—accounting for about 8 out of
every 10 cases recorded in the country—drastically highlights the self-destructive nature of this
pattern.
This dynamic is exacerbated by emotional repression and the difficulty in seeking help,
generating what Courtenay (2000) defines as ‘male violence against oneself,’ characterized by
isolation, silent suffering, and low adherence to health care. Paradoxically, this masculinity
sustained by aggression proves to be fragile and dependent on the submission of others, since,
as Connell and Messerschmidt (2013) point out, the more rigid the gender model, the greater
its instability and vulnerability in the face of social change.
Social and intergenerational impacts
Male violence undermines family bonds, affects child development, and perpetuates
cycles of gender inequality. It is, therefore, a phenomenon that extends beyond the individual
and constitutes a collective and structural issue. It is neither natural nor inevitable, but rather
the result of historical socialization processes that associate masculinity with power, control,
and the denial of vulnerability. In Brazil, official data from the Mapa da Violência show that
these models impose a high social, human, and economic cost, affecting men themselves in
particular.
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Addressing male violence requires intersectoral public policies, gender-sensitive
clinical practices, and educational initiatives that promote plural, caring, and emotionally
responsible masculinities. Investing in the transformation of masculinities is a central strategy
for reducing violence and promoting public health.
As a result, the social image of the violent man comes to be associated with risk, threat,
and an inability to cope with frustrations in a constructive manner. This negative image affects
not only those who commit direct violence but also, in a diffuse way, men as a social category,
generating mistrust, surveillance, and, in some cases, stigmatization.
Paradoxically, it also reveals a subjective impasse: many men continue to be socialized
to emotional hardness, psychological silence, and the resolution of conflicts through force,
while at the same time being expected to adopt empathetic, dialogical, and nonviolent attitudes.
Without adequate symbolic and institutional spaces to reshape their identity, some of these men
respond with resistance, resentment, or an escalation of violence—including against
themselves, through self-destructive behaviors, substance abuse, and suicide.
Another key aspect of this understanding is the public man and the man in the private
sphere—the subject of our study—who, with women working outside the home, has been
expected to take on the role of caring for children, handling household chores, and making the
necessary changes.
PUBLIC MAN AND PRIVATE MAN
When we speak of the public figure, we are speaking of hierarchy, power, prestige, and
inequality—phenomena that persist to this day, where these figures remain in a stable position
despite the challenges and the impact of the internet, websites, and the digital world, which
criticize and address their role in society—such as cases of harassment, violence, and hate
groups targeting women, among others.
In the public sphere, men can still maintain their hegemonic performance; in the private
sphere, they reveal aspects of subjectivity that the public sphere allows them to conceal:
emotional fragility, emotional dependence, sexual insecurity, and fear of abandonment.
As Michael Kimmel (1996) argues, traditional masculinity is constructed as a
performance in the presence of other men. In the domestic sphere, however, this performance
gives way to intimacy—and it is precisely there that the hegemonic ideal can be undermined.
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In the private sphere, this man faces demands for emotional dialogue, the exposure of
vulnerabilities, expectations of shared household responsibilities, and challenges to his
authority.
This contrast gives rise to a phenomenon we might call ambivalence: a powerful public
self and an insecure private self. It is this insecure private self that we will address later on.
CONTEMPORARY FATHERHOOD
To understand men in their private lives, it is necessary to place them within the context
of the domestic sphere. A man becomes a father when a child is born, but the experience of
fatherhood goes beyond the biological reality. In recent decades, fatherhood has undergone
significant changes. Traditionally, the father was seen as someone relatively detached from
family dynamics, whose presence was associated primarily with compliance with social norms
and the role of provider. Changes in family structures and the demands of contemporary society
have called for a new model of fatherhood, in which the father assumes a closer, more
participatory, and jointly responsible role in family relationships (Rodrigues & Gonçalves,
2011).
In families organized according to the traditional logic of provider-caregiver
complementarity, fatherhood was exercised predominantly through indirect care—represented
by financial support and authority—while motherhood was associated with the direct care of
children.
The concept of parenthood emerges with the arrival of children and involves the
processes of child-rearing, education, and socialization. This role requires parents to have the
skills to nurture, guide, protect, and adapt to the different stages of child development
(Minuchin, 1982). The birth of a child brings about a significant transformation in the family
structure, requiring adjustments in the marital system to meet new parental demands. Initially,
the parental subsystem organizes itself to meet the child’s basic needs, such as care and feeding;
later, it expands to include functions related to guidance, education, and socialization.
This process requires a constant renegotiation of boundaries between spouses, the
extended family, and other external influences (Lamela et al., 2010; Minuchin, 1982).
Throughout a child’s development, the parental subsystem must continually adapt to new
demands without losing the mutual support characteristic of the marital relationship. Parental
roles become progressively more complex as the child grows (Frizzo et al., 2005).
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It is important to note that family routines and the division of child-rearing
responsibilities constitute not only a recurring source of marital conflict but also a factor
associated with a decline in marital satisfaction (Bogdan et al., 2022). This finding highlights
how the normalization of women’s responsibility for caregiving still represents a significant
source of tension in domestic life.
In this sense, it is essential to understand that the prevailing conception of masculinity
in each historical period provides the framework for the exercise of fatherhood. Masculinity
and fatherhood have maintained a relationship of mutual influence throughout history. While
in the past the father figure was equated with the role of provider, today fathers are also expected
to perform caregiving roles and demonstrate emotional involvement (Souza, 1994).
Studies by Faria (2003), Fender (2016), and Machado (2021) reinforce this perspective
by demonstrating that paternal involvement tends to produce positive and satisfying
experiences for men. However, other authors, such as Cerveny and Chaves (2010), note that
the stereotype of the father as the family’s financial provider and the mother as its emotional
provider still persists, even when both parents work full-time jobs with equivalent work hours.
Faria (2003), in a qualitative study of groups of fathers, analyzed the conflicts
experienced in the journey of fatherhood, their characteristics, and the paths of transformation
forged by the participants. The study demonstrated that these conflicts are related to tensions
between patriarchal and post-patriarchal models of masculinity and parenthood.
According to the author, there is often a disconnect between the conscious conception
of what it means to be a contemporary man and father and the unconscious content associated
with masculine archetypes present in culture, which still value the figure of the provider, heroic,
and conquering man (Faria, 2003). This tension helps explain many of the challenges men face
in developing new ways of exercising fatherhood today.
In fact, Del Priore (2013) emphasizes that the concept of fatherhood has taken on new
forms in recent decades—shifting from oppressor to friend—and continues:
today, parents do not play—or do not wish to play—a purely authoritarian role ... The father’s
role, on the contrary, is to facilitate the child’s development, from his biological reality as a
small living being to his maturity and social integration. Preferably with responsibility and
affection. Even his economic role has diminished, thanks to women’s work and the mother’s
income. (Del Priore, 2013, p. 182)
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This impact of transformation and social change has led men/fathers to reflect on their
role in contemporary society, moving away from the imposition of power and masculinity to
fulfill their role as fathers in a horizontal relationship with their wives and with greater equity
in domestic, educational, and social responsibilities.
All of this aligns with the original aspirations of the feminist movement, which,
according to sociologist Michael Kimmel (1996), expects men to be ethical, emotionally
present, and accountable for their values in their interactions with women, as well as with other
men; in other words, directly or indirectly, feminism promotes contemporary masculinity.
In light of these changes, we can say that new forms of masculinity may be emerging in
the private sphere: caring masculinities; egalitarian masculinities; and models based on
vulnerability and dialogue.
The tension between these emerging models and the traditional model of the father—
who is more rigid, distant, and authoritarian—characterizes the contemporary landscape of
fatherhood. In this context, violence can be understood both as a form of resistance to change
and as a symptom of the ongoing transitions.
Based on this understanding, we will present the author’s doctoral dissertation with the
aim of deepening the analysis of the conflicts and social markers that influence the behavior of
contemporary men. Among these factors, the following stand out: economic crises, greater
female independence, diversity in gender and family structures, the transition from a
production-centered economy to a service-oriented one, as well as the growing influence of the
media, the internet, and other sociocultural transformations that have led men to rethink their
identity, their roles, and their relationships.
MEN ON THE MOVE: A QUALITATIVE STUDY OF MASCULINITY AMONG
GENERATION X AND GENERATION Y
The objective of this study was to identify how cisgender heterosexual men belonging
to Generation X (born between 1965 and 1979) and Generation Y (born between 1980 and
1994), in their private lives, are processing their emotional issues within the home, in their
relationships with their partners, in their roles as fathers, and in their daily lives, in the face of
the generational changes taking place in the digital world, in society, at work, within the family,
and in interpersonal relationships.
To foster this understanding, insights will be presented that broaden the perspective on
the topic based on the concepts of masculinities, gender, sexuality, fatherhood, and generational
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changes. The aim is to identify potential challenges and struggles present in the private lives of
these generations, as well as to understand whether there are generational differences related to
male behavior and gender constructions.
The qualitative research was conducted using focus groups, a method characterized by
group interviews. After transcribing the collected data, a textual analysis was performed using
the IRaMuTeQ software. The results pertaining to Generation X (born between 1965 and 1979)
and Generation Y (born between 1980 and 1994) were initially analyzed and presented
separately. Next, themes corresponding to each identified group were identified, enabling the
analysis to be carried out and the final results to be obtained.
To complement the analysis of Generations X and Y in Brazil, research was conducted
on the major political, economic, and social events that occurred between 1965 and 1994, as
well as on the lifestyles, behaviors, and cultural transformations that marked this historical
period.
Another important aspect of this study relates to the fact that, with the arrival of the 21st
century, the concept of generations in sociology began to be reexamined from a new
perspective. In addition to differences in social class, gender, ethnic-racial, and cultural
inequalities began to be taken into account. In this context, it is essential to revisit the
trajectories of past generations to understand the collective initiatives of current generations
and the challenges they face.
Based on this set of theoretical frameworks, historical data, and empirical findings, the
results and discussion pertaining to each generation studied will be presented separately.
Results and Discussion for Generation X (men aged 40 to 55)
The results indicate that Generation X men experienced significant social changes
related to gender relations and family life. This is the first generation to have witnessed the
massive entry of women into the labor market, a process that significantly altered domestic
dynamics. In this context, women began to shoulder responsibilities related to paid work,
household chores, and child-rearing, leading to changes in the expectations placed on men.
Faced with these changes, participants reported feeling pressure to participate more
actively in household chores and child care. The family environment has come to function as a
veritable social laboratory, in which motherhood and fatherhood are constantly being redefined.
While facing challenges related to the redefinition of gender roles, these men also report
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personal satisfaction in the role of fatherhood, demonstrating greater emotional and affective
involvement with their children.
However, generational changes also give rise to insecurities. Many participants
expressed doubts about how to raise their children in a social context different from the one in
which they were raised. One of the interviewees sums up this perception by stating: “There’s
no manual for raising kids; you’ll raise them the way it has to be done. One person or another
will chime in, tell you how to raise a child—you know what I mean? And then you’ll see how
it goes.”
The data also reveal a certain resistance to the expansion of women’s autonomy and
changes in gender relations, highlighting tensions between traditional values and new social
expectations. When comparing their experiences to those of their parents, participants
acknowledge that they face challenges distinct from those experienced by previous generations.
As one interviewee reported: “I see that today I have different challenges than my father did
back in the day, right? You know what I mean?” This perception demonstrates that
contemporary fatherhood is shaped by social transformations that require new ways of adapting
to and negotiating family roles.
Results and Discussion for Generation Y (men aged 25 to 39)
Men of Generation Y exhibit characteristics distinct from those observed in Generation
X. Known as digital natives, they grew up in a context marked by the expansion of the internet,
digital media, and communication platforms—elements that have significantly influenced their
socialization, identity formation, and perception of gender relations.
The participants demonstrated greater openness to social change and new experiences,
prioritizing personal development and professional fulfillment over starting a family.
Furthermore, they work in environments that bring together different generations, transforming
these spaces into important social laboratories for exchange, learning, and the clash between
traditional and contemporary values.
However, this generation also faces specific challenges. The participants experience the
effects of economic instability and changes in the labor market—factors that make it difficult
to maintain traditional models of masculinity. Despite social transformations and greater access
to information, the results reveal that values associated with hegemonic masculinity remain
present in their beliefs and expectations.
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This situation leads to conflict and suffering. Many men report feelings of inadequacy
and insecurity, especially in their relationships with women, expressing doubts about whether
they are accepted and about what role they should play in contemporary romantic relationships.
One of the participants expresses this perception by stating: “In my father’s day, he had greater
stability and could maintain that role: ‘Oh, I was raised to be the breadwinner.’ And maybe
today, I can’t.”
The results suggest that Generation Y experiences constant tension between traditional
models of masculinity—which are still socially valued—and the new relational and
professional demands of the contemporary world. This scenario highlights the challenges men
face in constructing more flexible masculine identities in a context marked by profound social,
economic, and cultural transformations.
FINAL CONSIDERARIONS
To understand the phenomenon in its entirety (gender-based violence and hegemonic
masculinity), we must look beyond the individual perpetrator and analyze the structure that
shapes him. The contemporary crisis is not one of ‘being a man’ in and of itself, but of a
traditional hegemonic model that no longer meets the demands of a pluralistic, democratic, and
egalitarian society. The challenge lies in constructing masculinities that do not rely on violence
as a means of asserting identity.
The central question is not merely ‘Why do men kill?’ but ‘What kind of masculinity
are we creating—and what kind of masculinity do we want to build going forward?’
This includes rethinking how boys are raised within the family, at school, and in society;
how men learn (or fail to learn) to express themselves emotionally; the role of the media and
culture in perpetuating stereotypes; limited access to men’s mental health policies; and the
absence of positive models of masculinity that value dialogue, shared responsibility, and
empathy.
This involves emotional education, active fatherhood, gender equality from childhood
onward, public policies for prevention and support, and the strengthening of support networks
that allow men to talk about their pain before it turns into aggression, thereby cooperating in
the construction of new models of masculinity—ones that are more humane, pluralistic, and
capable of coexisting on an equal footing.
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In conclusion, based on the results of this research, it can be stated that there have
been—and continue to be—many generational changes. Men are seeking to adapt to the new
realities and changes/adjustments taking place in the world and in Brazil, including the
transformations stemming from the digital world—such as artificial intelligence and social
media, among others.
We cannot fail to take into account that, in the modern world, men seek to build and
maintain their identities amid constant change. They struggle to connect with groups that are
also in flux, trying to preserve their identities for a brief period, but they face the transience of
these connections as ongoing processes.
An important point to note is that, in the exercise of fatherhood, this generous father—
who finds satisfaction in caring for his child and learning to recognize both his own emotions
and those of his son—does not feel threatened or judged in his masculinity, and is able to
express his feelings and affection in a spontaneous and relaxed manner.
What is happening to men cannot be analyzed in isolation. They are both products and
agents of a world in transition. If many are experiencing crises, fears, and resentments, it is
because the old model of masculinity no longer offers answers, and the new one is still under
construction.
Men need a space to speak—to talk, debate, exchange ideas, and reflect on the values
and beliefs that so oppress them and demand something impossible to achieve: a masculinity
in which they cannot feel, cry, or love without guilt.
Gender-based violence and hegemonic masculinity
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S o ni a Li gi a A n g elic o
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D OI: 1 0. 3 0 7 1 5/ d o x a. v 2 7i es p. 1. 2 1 4 9 2 2 5
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g m e nts : N o n e .
F u n di n g : F u n d e d b y t h e a ut h or h ers elf.
C o nflicts of i nt e r est : T h er e w er e n o c o nfli cts of i nt er est.
Et hi c al a p p r o v al : N ot r e q uir e d.
D at a a n d m at e ri al a v ail a bilit y : T h e w or ks cit e d t hr o u g h o ut t h e t e xt ar e i n cl u d e d i n t h e
r ef er e n c e list.
A ut h o rs’ c o nt ri b uti o ns : T h e a ut h or is s ol el y r es p o nsi bl e f or t h e pr o d u cti o n of t h e arti cl e.
P r o c essi n g a n d e diti n g : E dit o r a I b e r o-A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g , f or m atti n g, st a n d ar di z ati o n a n d Tr a nsl ati o n
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21492 1
VIOLENCIA DE GÉNERO Y MASCULINIDAD HEGEMÓNICA
VIOLÊNCIA DE GÊNERO E MASCULINIDADE HEGEMÔNICA
GENDER-BASED VIOLENCE AND HEGEMONIC MASCULINITY
Sonia Ligia ANGELICO
1
e-mail: slangelico@uol.com.br
Cómo citar este artículo:
Angelico, S. L. (2026). Violencia de género y masculinidad
hegemónica. Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., 27(esp1),
e026020. https://doi.org/10.30715/doxa.v27iesp.1.21492
| Enviado: 06/05/2026
| Modificaciones solicitadas: 12/05/2026
| Aprobado: 16/07/2026
| Publicado: 10/09/2026
Editor:
Prof. Dr. Paulo Rennes Marçal Ribeiro
Editor ejecutivo adjunto:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Instituto Casa Yasmin, Santo Amaro – São Paulo (SP) – Brasil. Doctora y Magíster en Psicología Clínica por el
Programa de Posgrado de la Pontificia Universidad Católica de São Paulo (2018). Directora del Instituto Casa
Yasmin.
Violencia de género y masculinidad hegemónica
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
DOI: 10.30715/doxa.v27iesp.1.21492 2
RESUMEN: Este artículo analiza la relación entre la violencia de género y la masculinidad
hegemónica en la actualidad, centrándose en las transformaciones sociales que afectan el
comportamiento masculino. El objetivo es comprender cómo la masculinidad tradicional,
asociada al hombre viril, poderoso y exitoso, sustenta las prácticas violentas. La investigación
se basó en la tesis de doctorado Hombres en movimiento: investigación cualitativa sobre la
masculinidad en la generación X y la generación Y (2025), en la que se identificaron cuestiones
inesperadas sobre el hombre tradicional, aspectos relevantes para comprender la violencia en el
ámbito privado. Se llevó a cabo una investigación cualitativa con dos grupos focales, utilizando
el software IRaMuTeQ y el análisis temático. Los resultados indicaron la persistencia de la
masculinidad hegemónica en las generaciones X e Y, a pesar de que presentan diferencias de
comportamiento entre ellas (las generaciones). Se concluye que la violencia de género sigue
vinculada a las estructuras culturales de dominación, coexistiendo con procesos de
transformación de la identidad masculina.
PALABRAS CLAVE: Violencia de género. Masculinidad hegemónica. Espacio privado.
Paternidad.
RESUMO: Este artigo discute a relação entre violência de gênero e masculinidade
hegemônica na contemporaneidade, com foco nas transformações sociais que atravessam o
comportamento masculino. O objetivo é compreender como a masculinidade tradicional,
associada ao homem viril, potente e bem-sucedido, sustenta práticas violentas. A investigação
se baseou na tese de doutorado Homens em movimento: pesquisa qualitativa da masculinidade
na geração X e geração Y (2025), na qual foram identificadas questões inesperadas sobre o
homem tradicional, aspectos relevantes para a compreensão da violência no espaço privado.
Foi realizada pesquisa qualitativa com dois grupos focais, utilizando o software IRaMuTeQ e
análise temática. Os resultados indicaram permanências da masculinidade hegemônica nas
gerações X e Y, apesar de apresentarem diferenças de comportamento entre elas (gerações).
Conclui-se que a violência de gênero permanece vinculada às estruturas culturais de
dominação, coexistindo com processos de transformação identitária masculina.
PALAVRAS-CHAVE: Violência de gênero. Masculinidade hegemônica. Espaço privado.
Parentalidade.
ABSTRACT: This article discusses the relationship between gender-based violence and
hegemonic masculinity in contemporary society, focusing on the social transformations that
shape male behavior. The objective is to understand how traditional masculinity—associated
with the virile, powerful, and successful man—sustains violent practices. The investigation was
based on the doctoral dissertation Men in Motion: A Qualitative Study of Masculinity in
Generation X and Generation Y (2025), which identified unexpected issues concerning the
traditional male figure, highlighting aspects relevant to understanding violence within the
private sphere. A qualitative study was conducted with two focus groups, using the IRaMuTeQ
software and thematic analysis. The results indicated the persistence of hegemonic masculinity
among both Generation X and Generation Y, despite differences in behavioral patterns between
these generations. It is concluded that gender-based violence remains linked to cultural
structures of domination, coexisting with ongoing processes of transformation in male
identities.
KEYWORDS: Gender-based violence. Hegemonic masculinity. Private sphere. Parenthood.
Sonia Ligia Angelico
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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INTRODUCCIÓN
Quienes, como la autora, vivieron la infancia, la adolescencia e incluso parte de la edad
adulta sin internet, saben lo diferente que era todo. La gente se comunicaba por teléfono, carta
y telegrama. Las investigaciones se realizaban en libros, enciclopedias y diccionarios, y los
periódicos y la televisión eran las principales fuentes de noticias.
La educación era tradicional y los roles de hombres y mujeres estaban claramente
diferenciados. La familia ideal se consideraba compuesta por una jerarquía descendente: padre,
madre e hijos, donde el hombre era responsable del ámbito público y la mujer del privado. En
la mayoría de los hogares, se esperaba que el hombre fuera el proveedor y la mujer la cuidadora,
una expresión complementaria de los dominios jerárquicos. De hecho, este modelo de familia
nuclear, surgido del auge de la burguesía urbana en los siglos XVIII y XIX, es solo una
expresión de la familia humana, pero, a pesar de otros formatos a lo largo del tiempo, comparte
el rasgo común de la posición social superior del hombre.
Desde el segundo o tercer milenio a. C., diversas sociedades —India, China, Irán, Judea,
Aztecas— se han caracterizado por el patriarcado, término que describe la organización social
centrada en el hombre. La desigualdad de género en el mundo y en Brasil se sustenta en una
cultura patriarcal que prioriza la acumulación de riqueza y la perpetuación de los valores
tradicionales.
Así, según el diccionario Michaelis, la palabra “patriarcado” se define como un sistema
social y político en el que la autoridad y el control son ejercidos predominantemente por los
hombres. Esta definición refleja la estructura social en la que los hombres ocupan posiciones
de poder y liderazgo, mientras que las mujeres quedan relegadas a roles subordinados y
dependientes.
El patriarcado se caracteriza por una jerarquía que privilegia lo masculino y limita la
igualdad de género, influyendo en las relaciones familiares, sociales e institucionales. Quienes
vivían en una familia tan estructurada sentían las exigencias de lo femenino, sometidos a una
educación tradicional donde los valores eran la castidad, la obediencia y las buenas maneras;
en resumen, la sumisión.
Esta realidad me llevó a reflexionar sobre cómo el proyecto de vida femenino parecía
limitarse a casarse y tener hijos, configurando una visión reducida del rol de la mujer en la
sociedad. Por ello, decidí estudiar para comprender mi lugar en la sociedad, en la familia y
conmigo misma. Mi primera licenciatura fue en Trabajo Social (un sueño de infancia) y de ahí
pasé a una licenciatura en Psicología (ya que ejercía la psicoterapia). Siguiendo mi trayectoria
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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académica, me gradué en Terapia Gestalt en el Instituto Sedes Sapientiae (SP), en Terapia de
Pareja y Familia en la Pontificia Universidad Católica de São Paulo (PUC-SP), y posteriormente
completé una maestría en Machismo en 2019 en la PUC-SP y un doctorado con la tesis Hombres
en movimiento: investigación cualitativa sobre la masculinidad en la generación X y la
generación Y en 2025, también en la PUC-SP.
Como terapeuta sistémica que trabaja con familias, parejas e individuos en mi consulta
privada desde 1983, y como directora durante 19 años de la organización no gubernamental
(ONG) Instituto Casa Yasmin, que atiende a poblaciones vulnerables, sentí la necesidad de
buscar conocimiento porque también estoy experimentando, viviendo y sintiendo todas las
consecuencias de las transformaciones de la posmodernidad. Coincido con la idea de la
profesora Dra. Rosa M. S. Macedo (2009) de que “la visión paradigmática posmoderna admite
la construcción de la realidad por parte del observador como parte de lo observado” (p. 69). Se
entiende, por lo tanto, que el rol del psicólogo que trabaja con parejas, familias e individuos es
de suma importancia en la actualidad.
El psicoterapeuta actúa como facilitador para su paciente, guiándolo hacia la
comprensión de sus conflictos y emociones, que probablemente estén relacionados con las
creencias y valores de su familia de origen. El psicoterapeuta es un guía atento y receptivo, que
proporciona un espacio de respeto, permitiendo así una comprensión amorosa de sus
dificultades para que puedan trazar su camino con mayor claridad y comprender cuál fue y es
su rol dentro del sistema familiar, buscando alcanzar la autoconciencia en la repetición de su
historia familiar para, quizás, convertirse en una persona más libre interiormente.
Para comprender mejor a este hombre tradicional, es necesario observar la complejidad
de las transformaciones que se producen en la sociedad, la política, la economía, la familia y
las cuestiones de género. Con la pandemia provocando cambios en el comportamiento de todos
los seres humanos, sumado a la crisis económica, la radicalización política y las crecientes y
recientes demandas de las mujeres en protestas contra el acoso, el feminicidio y los numerosos
casos de violación y violencia doméstica denunciados en los medios, resulta evidente que,
incluso hoy en día, existen hombres que se creen superiores a las mujeres y que se sienten
dueños de ellas, capaces de tratarlas a su antojo, con actitudes normativas de comportamiento
machista. Esto, dada la nueva posición de la mujer, se considera retrógrado, prejuicioso e
inaceptable culturalmente.
Sonia Ligia Angelico
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Estos procesos han contribuido a cuestionar la supremacía masculina, aunque sus
transformaciones aún están en curso y presentes en las actitudes de la masculinidad
hegemónica.
Continuando con nuestra comprensión de este hombre, criado para ser fuerte, proveedor
y viril, se encuentra solo, sin saber cómo actuar ni siquiera identificar sus sentimientos ante las
exigencias femeninas y las transformaciones sociales que lo presionan para cambiar. En su
desesperación por perder poder, referencias y reconocimiento, puede recurrir a la violencia
como una forma equivocada de autodefensa y supervivencia.
Según el Mapa da Segurança Pública 2024, se registraron 17.009 suicidios en 2023, lo
que equivale a 8,6 muertes por cada 100.000 habitantes (Brasil, 2024). Aproximadamente el
78% de los casos registrados en el primer semestre del año correspondieron a hombres. Estas
cifras sugieren que la rigidez de la masculinidad tradicional —caracterizada por la negación de
la vulnerabilidad, el autocuidado y la expresión emocional— podría estar asociada con el
sufrimiento psicológico, la enfermedad y la mortalidad masculina.
¿Qué hacer con este hombre? Está expresando conflictos, inseguridades y miedos. No
se trata de justificar la violencia, sino de comprenderla en toda su complejidad. Es necesario
ayudarlo a comprenderse a sí mismo y a liberarse de la trampa cultural del patriarcado, que
legitima un modelo hegemónico de masculinidad como el único posible, correcto y victorioso,
imposible de alcanzar, y que forma parte de la propia trampa cultural, cuyo objetivo es mantener
el poder masculino.
Sobre la base de lo anterior, la relevancia de este artículo radica en su contribución,
derivada de mi estudio Hombres en movimiento: investigación cualitativa sobre la
masculinidad en la generación X y la generación Y (Angelico, 2025), para arrojar luz sobre el
tema de la masculinidad hegemónica (el hombre proveedor, viril y exitoso) y la posibilidad,
aunque sea un pequeño estudio académico, de iniciar un cambio en las creencias y valores
culturales que tan a menudo oprimen y le exigen a este hombre un “empoderamiento imposible”
de alcanzar.
En cuanto a la Generación X (de 40 a 55 años), el padre, que no se siente amenazado en
su masculinidad al cuidar de su hijo, se siente satisfecho y generoso, abriéndose a sus
emociones. Otro aspecto importante a destacar es que los hombres de la Generación Y (de 26 a
39 años) plantean cuestiones de masculinidad hegemónica, pero son conscientes de la necesidad
de cambiar, a pesar de sus creencias y valores tradicionales. Se sienten inseguros en relación
con las mujeres, que gozan de mayor seguridad y trabajan, y conforman la primera generación
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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en ser económicamente más pobre que sus abuelos y padres, la cual no sabe si tendrá hijos o se
casará.
Tanto hombres como mujeres son el resultado de una construcción social que ha
perdurado durante siglos y que se está transformando muy lentamente, como todas las
creencias, costumbres y tradiciones que son muy difíciles de cambiar.
MASCULINIDAD HEGEMÓNICA
“Ser hombre es no parecerse en nada a lo femenino”
(Kimmel, 1996).
En Brasil, apenas hace un siglo que se empezó a debatir y cuestionar la ideología del
machismo. Esta ideología está presente en los sistemas económico, social y político, en las
religiones, en los medios de comunicación, en el sistema educativo y en el seno de la familia.
En este sistema, las mujeres están subordinadas a los hombres, sin derecho a expresarse, o se
ven obligadas por una sociedad patriarcal a complacer los deseos de sus maridos o padres, lo
que caracteriza un régimen patriarcal tradicional.
Como nos recuerda Giddens (1991), el machismo posmoderno es un fenómeno nuevo
que se nutre de la antigua cultura patriarcal y la reafirma en los vicios y compulsiones de la
sociedad postradicional. Se manifiesta en el exhibicionismo, la vanagloria, el placer de la
dominación y la imposición de la crueldad misma, corrompiendo valores asociados al
individualismo como principio universal, la responsabilidad social y la solidaridad ciudadana.
Esta estructura jerárquica, en la que lo masculino ocupa una posición superior a lo femenino,
se traduce en la ideología machista, presente en la sociedad desde hace milenios.
La afirmación de que “un hombre solo es hombre en ciertos momentos, una mujer lo es
durante toda su vida, al menos durante su juventud” (Badinter, 1993, p. 3) respalda el argumento
de que la orden de “ser hombre” no es tan obvia como parece y que la virilidad no es tan natural
como suele representarse. Nacer varón no es suficiente: ser hombre implica un proceso
constante de validación. En cambio, las mujeres no necesitan demostrar continuamente que son
mujeres. Según la autora, la feminidad se trata como si fuera natural, mientras que la
masculinidad debe ganarse, a menudo a un alto precio. Los propios hombres y quienes los
rodean demuestran tan poca confianza en su identidad sexual que frecuentemente exigen
pruebas de su virilidad.
Sonia Ligia Angelico
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Al abordar el concepto de machismo, es importante distinguirlo de la masculinidad
hegemónica. Mientras que el machismo corresponde a un sistema de creencias, valores y
prácticas que perpetúa la desigualdad de género entre hombres y mujeres, la masculinidad
hegemónica se refiere al modelo cultural dominante de lo que significa ser un “hombre de
verdad”, influyendo en los comportamientos y las expectativas sociales. Según Badinter (1993),
este estándar es, en gran medida, inalcanzable: si bien muchos hombres buscan acercarse a este
ideal, persisten ambigüedades y contradicciones en su vida cotidiana, dadas las múltiples
exigencias que impone este modelo de masculinidad.
Según Connell (1995):
La masculinidad hegemónica puede definirse como la configuración de una práctica de género
que incorpora la respuesta aceptada al problema de la legitimidad del patriarcado, que garantiza
(o busca garantizar) la posición dominante de los hombres y la subordinación de las mujeres.
(Cornell, 1995, p. 77)
Este concepto nos muestra que la masculinidad hegemónica no tiene un patrón fijo, ya
que sustenta estructuras y normas sociales que cambian con el tiempo y el lugar, y que tienen
la discriminación sexual como punto fundamental de dominación.
Esta forma de ser hombre, que reproduce y legitima la opresión sexista, es una
masculinidad que ha sido cuestionada y deconstruida gradualmente. La violencia de género
abarca cualquier caso en el que se utilice una diferencia sexual para justificar la desigualdad de
género.
Complementando la idea anterior, Angelico (2019) señala que:
Los hombres ocupan una posición difícil en la sociedad debido a su crianza, la percepción que
se tiene de ellos, las expectativas que se depositan en ellos y lo que se espera de ellos. El proceso
cultural, los valores y las creencias del patriarcado están profundamente arraigados en las
actitudes de hombres y mujeres brasileños. La ideología machista está presente en la sociedad,
especialmente en relación con el trabajo y la sexualidad, donde los hombres se definen a sí
mismos a través de su masculinidad. (Angelico, 2019, p. 67)
Ampliando su perspectiva sobre las masculinidades, Maciel Jr. (2013) aborda:
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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el objetivo principal de los estudios críticos sobre los hombres hoy en día es comprender cómo
se construyen, producen y reproducen las masculinidades, asumiendo que son variadas y
mutables a lo largo del tiempo (historia) y el espacio (cultura), dentro de la misma sociedad, a
lo largo del ciclo de vida y la biografía individual. (Maciel Jr., 2013, pp. 50–51)
Las transformaciones en las relaciones de género han llevado a cuestionar los privilegios
y los modelos tradicionales de masculinidad. En este contexto, los debates sobre la identidad
masculina señalan una crisis de la masculinidad contemporánea, marcada por la necesidad de
redefinir las identidades y los roles masculinos.
CRISIS DE MASCULINIDAD
Según Ramos (2000), en la década de 1980 en Estados Unidos y a finales de la de 1990
en Brasil surgió un debate sobre la crisis de la masculinidad. Pero, ¿qué crisis es esta? Según
el autor, basándose en Trevisan (2021), la masculinidad no está en crisis, puesto que, en sí
misma, es un género que vive en un estado de crisis permanente y endémica en la sociedad
patriarcal. En este sentido, la masculinidad no es algo dado, sino algo que se busca
constantemente conquistar. Para el autor, los logros del feminismo no determinaron la crisis,
sino que solo la hicieron más visible (Ramos, 2000).
Según Alvim y Souza (2004), la nueva psicología masculina surgió tardíamente ante
problemas urgentes, ya que los hombres estaban fuertemente presentes en diversas situaciones
de vulnerabilidad social y conductual, como el abuso de sustancias, la falta de vivienda, la
violencia, el distanciamiento de los hijos, las muertes por homicidios, suicidios, accidentes y
enfermedades relacionadas con el estrés. Los autores también afirman que la demora en abordar
estos problemas contribuyó a la actual crisis de conexión entre hombres y mujeres (Alvim &
Souza, 2004).
Una encuesta de HeForShe realizada por ONU Mujeres (2016) reveló que el 95% de las
mujeres y el 81% de los hombres entrevistados coinciden en que los hombres brasileños son
sexistas. El estudio también señala que los estereotipos asociados a la masculinidad generan
dificultades para los propios hombres: el 66,5% afirmó no hablar con sus amigos sobre sus
miedos y sentimientos; el 45% desearía no sentirse obligado a proveer económicamente a su
familia; y el 45,5% desearía expresarse de una manera menos dura o agresiva, pero no sabe
cómo. Desde esta perspectiva, tampoco parece sencillo lidiar con la figura del “héroe duro” y
el ideal de virilidad, que exige demostraciones constantes de fuerza, poder y capacidad de
Sonia Ligia Angelico
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proveer. Datos más recientes de la misma iniciativa muestran que el 56,5% de los hombres
desearía mantener relaciones más cercanas y afectuosas con sus amigos, mientras que el 54%
desearía tener mayor libertad para explorar pasatiempos inusuales sin ser juzgado (ONU
Mujeres, 2016, 2021).
Pero, como indica Bourdieu (2010), el privilegio masculino también es una trampa:
y encuentra su contraparte en la tensión y restricción permanentes, a veces llevadas hasta el
punto del absurdo, que imponen a cada hombre el deber de afirmar, en toda circunstancia, su
virilidad. (Bourdieu, 2010, p. 64)
Para él, la familia desempeña el papel principal en la reproducción de la dominación y
la perspectiva masculina, ya que es dentro de la familia donde se impone, desde muy temprana
edad, la experiencia de la división sexual del trabajo y la representación legítima de esta
división.
Trevisan (2021) comenta que la “desintegración” de lo masculino está relacionada con
transformaciones históricas que comenzaron a hacer inviable el mantenimiento del mito.
Continuando con su idea, afirma:
hoy en día, la masculinidad está sufriendo ataques y transformaciones a escala planetaria. Sus
mitos se revelan extremadamente frágiles, víctimas de la misma “ilusión de masculinidad” que
la sociedad patriarcal ha creado meticulosamente para la construcción del “hombre verdadero”.
(Trevisan, 2021, p. 21)
Según la autora, “los grupos de odio que lanzan ataques contra el feminismo en las redes
sociales y el aumento de los casos de violación y feminicidio en todo el mundo pueden señalarse
como síntomas de una crisis en curso” (Trevisan, 2021, p. 29).
Lo que observamos en las declaraciones de los autores y de la autora del artículo es
cómo el estándar establecido para la masculinidad hegemónica es prácticamente imposible de
alcanzar, lo que genera conflicto, ambigüedad y sufrimiento para este hombre.
Aunque los orígenes del patriarcado se pierden en el tiempo, incluso hoy en día el
sistema patriarcal se considera un modelo a seguir, hacia el cual se orienta toda la vida
económica, social y política, incluyendo la Iglesia y el Estado.
Según Souza y Ramires (2006), a partir de la década de 1970, las transformaciones
sociales, económicas, políticas y tecnológicas —como los movimientos por los derechos de las
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mujeres y las minorías, la entrada de las mujeres en el mercado laboral, la difusión de los medios
de comunicación, la píldora anticonceptiva, la legalización del divorcio y el cambio hacia una
economía de servicios— comenzaron a cuestionar y a flexibilizar el papel tradicional de los
hombres, generando cambios significativos tanto en su vida pública como privada.
Desde mediados del siglo XX, con o sin crisis, la imagen pública de la masculinidad ha
sido ambivalente, y los hombres han sido cuestionados, quizás menos en el ámbito público que
en el privado. La práctica clínica y una infinidad de investigaciones sobre la familia y la
conyugalidad indican que es en el ámbito doméstico —la división de las tareas domésticas, la
demanda de satisfacción marital y sexual en el matrimonio— y en la participación en el cuidado
de los hijos donde se identifican las mayores exigencias de, digamos, actualización de
comportamientos. El grado en que esto genera una crisis de la masculinidad como concepción
social difiere de lo que ocurre en la vida cotidiana de la familia, en lo que respecta a las
relaciones de vinculación, que es lo importante para comprender en profundidad.
Las transformaciones contemporáneas han generado cambios en la identidad masculina.
Según Bauman (2001), la modernidad líquida se caracteriza por la inestabilidad de las
referencias tradicionales, lo que puede llevar a muchos hombres a experimentar la pérdida de
autoridad doméstica y económica como una crisis de identidad. En este contexto, la violencia
suele funcionar como un intento de restauración simbólica del poder masculino. Kimmel (1996)
subraya que la crisis no proviene de los hombres en sí, sino de la propia “receta de la
masculinidad”, que también perpetúa la opresión de las mujeres y las minorías. En este
contexto, se abre el debate sobre la violencia de género y el comportamiento del hombre
tradicional en la sociedad contemporánea.
VIOLENCIA DE GÉNERO
La violencia se entiende como un problema de salud pública y puede definirse, según
Minayo y Souza (1997), como cualquier acción intencional perpetrada por individuos, grupos,
instituciones, clases o naciones contra otras personas, causando daño físico, social, psicológico
y/o espiritual.
La violencia asociada a la masculinidad hegemónica puede entenderse como una
respuesta defensiva inconsciente al miedo a perder la individualidad, históricamente vinculada
al rol de proveedor y a la construcción de una sexualidad centrada en el llamado “poder
falocéntrico”.
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Cuando hablamos de violencia masculina, la atención se centra en la violencia de
género. Este concepto es más amplio que la noción de violencia contra las mujeres, ya que
también abarca a niños, adolescentes y masculinidades subalternas que, según Connell (1995a),
corresponden a hombres que no se ajustan a los patrones de la masculinidad hegemónica.
Según la Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (2022), la violencia de género abarca
cualquier forma de agresión física, psicológica, sexual o simbólica motivada por la identidad
de género o la orientación sexual. Históricamente, las mujeres han sido las principales víctimas
de este tipo de violencia, según la Defensoría Pública, debido a las relaciones de poder
desiguales que estructuran la sociedad. Los datos del Atlas da violência 2026 evidencian esta
asimetría al mostrar que, si bien los hombres constituyen la mayoría de las víctimas de
homicidios y muertes por causas externas, las mujeres presentan las tasas más altas de violencia
doméstica y feminicidio, lo que demuestra que la violencia de género opera a través de
dinámicas distintas, aunque interrelacionadas (Cerqueira & Bueno, 2026).
En este contexto, la violencia masculina puede entenderse como un fenómeno social e
histórico asociado al patriarcado, los procesos de socialización de género y la consolidación de
la masculinidad hegemónica. Más que un comportamiento individual, constituye una práctica
social aprendida, frecuentemente legitimada como una forma de afirmación de la identidad,
basada en ideales de poder, fuerza y virilidad. Por lo tanto, la violencia no debe entenderse
como algo inherente a los hombres, sino como un mecanismo culturalmente construido, cuyos
efectos impactan tanto a las víctimas directas como a la imagen social de la masculinidad en la
sociedad contemporánea.
Según Bourdieu (2010), la llamada violencia simbólica constituye una práctica social
mediante la cual las relaciones de poder configuran comportamientos e identidades. La
terapeuta familiar sistémica Bowen (2004) afirma que la violencia de género está asociada con
patrones familiares que se transmiten de generación en generación y pueden ser adoptados
como modelos relacionales dentro del sistema familiar.
En la práctica clínica de la terapia familiar, este argumento suele implicar que la
violencia se considera un patrón relacional aprendido; puede desaprenderse y transformarse; el
enfoque terapéutico incluye la comunicación, la regulación emocional, las creencias sobre la
masculinidad y la dinámica familiar intergeneracional. En otras palabras, la terapia no entiende
la violencia masculina como algo inherente a la naturaleza masculina, sino como un
comportamiento construido dentro de contextos sociales y familiares específicos.
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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Además, la violencia perpetrada por hombres constituye un grave problema social y de
salud pública en Brasil, como se puede observar en los datos del Atlas da Violência, que indican
que más del 90% de las muertes violentas intencionales en el país victimizan a hombres, y la
mayoría de los perpetradores también son hombres (Cerqueira & Bueno, 2024). En el ámbito
de la violencia doméstica, los hombres son predominantemente los agresores, especialmente en
las relaciones matrimoniales y familiares.
Los datos del Mapa de la Violencia 2015: Homicidio de Mujeres en Brasil indican que
el país ocupa el quinto lugar a nivel mundial en feminicidios, lo que evidencia la persistencia
de estructuras sociales conservadoras y patriarcales (Waiselfisz, 2015). Además, el país
encabeza las tasas de asesinatos de personas transgénero y de género diverso. Según datos de
Transgender Europe (TGEU), citados por Nogueira (2024), esta violencia se asocia con una
lógica patriarcal que privilegia los modelos hegemónicos de masculinidad y margina a quienes
no se ajustan a las expectativas heteronormativas
2
.
En Brasil, los hombres son predominantemente tanto perpetradores (violencia
doméstica, violencia familiar, violación) como víctimas de violencia, incluyendo violencia letal
(armas de fuego, robos, homicidios), accidentes (accidentes de tránsito, peleas) y conductas de
riesgo para la salud. La socialización masculina aún está fuertemente marcada por la represión
emocional y la valoración del riesgo. Los hombres buscan servicios de salud con menos
frecuencia, toman menos medidas preventivas y muestran mayor resistencia al autocuidado, lo
cual está directamente relacionado con los patrones culturales de masculinidad.
Desde un punto de vista teórico, autores como RW Connell (1995b) y Connell y
Messerschmidt (2005) demuestran que la masculinidad hegemónica se organiza en torno a
atributos como el poder, el control, la virilidad, la racionalidad y la dominación, a menudo
sustentados por la negación de la vulnerabilidad y la represión emocional. En este modelo, la
violencia —simbólica, psicológica o física— emerge como un recurso legítimo para mantener
la autoridad masculina, especialmente cuando un hombre percibe amenazas a su posición de
poder, ya sea en la esfera privada (familia, relaciones afectivas) o en la esfera pública (trabajo,
estatus social).
2
La heteronormatividad (del griego hetero , “diferente”, y norma , “cuadrado”, en latín) es la norma, el estándar
o lo que se considera normal en una sociedad donde una persona es heterosexual, es decir, siente atracción por el
sexo opuesto. Es un término que se usa para describir situaciones en las que las orientaciones sexuales distintas a
la heterosexual son marginadas, ignoradas o perseguidas por prácticas, creencias o políticas sociales. Esto incluye
la idea de que los seres humanos se dividen en dos categorías distintas y complementarias: hombre y mujer; y que
las relaciones sexuales y matrimoniales son normales solo entre personas de distinto sexo.
Sonia Ligia Angelico
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Kimmel (2013) sostiene que una parte significativa de la violencia masculina se asocia
con experiencias de miedo y la percepción de no ajustarse a los parámetros culturalmente
establecidos de “ser hombre”. En este contexto, la violencia funciona como un mecanismo para
reafirmar la identidad frente a la frustración, la pérdida de estatus y la tensión relacionada con
las transformaciones sociales contemporáneas, como el avance de los derechos de las mujeres,
la pluralización de las identidades de género y la reconfiguración de las relaciones familiares.
El autor denomina a este proceso “masculinidad amenazada”, destacando que los sentimientos
de humillación, fracaso o impotencia simbólica pueden desencadenar respuestas violentas como
un intento de restaurar una masculinidad herida (Kimmel, 2013). Estas reacciones pueden
dirigirse contra otras personas —mujeres, niños y hombres en posiciones subordinadas— o
volverse contra sí mismos, expresándose en conductas autodestructivas como el abuso de
sustancias, la participación en peleas y el suicidio.
La violencia como componente estructural de la masculinidad hegemónica
Según Connell (1995b), la masculinidad hegemónica se basa en un modelo normativo
de dominación, virilidad y poder, tanto en el ámbito público como en el privado. En este
contexto, la violencia no funciona como una desviación, sino como un mecanismo regulador y
un recurso legitimado para mantener la subordinación de las mujeres, generar jerarquías entre
los propios hombres y reafirmar la autoridad cuando esta se percibe amenazada.
La violencia como lenguaje emocional
Como demuestra el documental O silêncio dos homens
3
(Papo de Homem, 2019),
basado en un proyecto que encuestó a más de 40.000 personas, la masculinidad hegemónica a
menudo se basa en la negación y el ridículo de atributos asociados a la feminidad, como la
inteligencia emocional y la capacidad de cuidar a los demás.
Ante esta represión, estudios contemporáneos indican que la violencia actúa como una
forma empobrecida de comunicación emocional. Privados de un repertorio simbólico adecuado
para expresar miedos, frustraciones y sufrimiento psicológico, muchos hombres transforman el
dolor en ira, la vulnerabilidad en ataque y recurren a la fuerza física como medio de expresión.
3
Esta película forma parte de un proyecto que encuestó a más de 40 000 personas sobre las masculinidades.
Además del documental, este estudio también dio como resultado un manual con datos públicos gracias a un
acuerdo con el Consorcio de Información Social (CIS) de la Universidad de São Paulo (Papo de Homem, 2019).
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La agresividad, por lo tanto, se configura como un síntoma directo de la negación emocional
socialmente impuesta a los hombres.
CONSECUENCIAS DE LA VIOLENCIA PARA LA MASCULINIDAD
Padecimientos físicos y mentales en los hombres
Las consecuencias del modelo hegemónico violento se reflejan principalmente en los
problemas de salud física y mental de los hombres. Datos del Ministério da Saúde indican una
mayor incidencia de conductas de riesgo en la población masculina, lo que se traduce en altas
tasas de abuso de alcohol y mayor mortalidad por causas externas, como accidentes y
homicidios (Brasil, n.d.). El suicidio, que afecta de manera desproporcionada a la población
masculina —responsable de aproximadamente 8 de cada 10 casos registrados en el país—, pone
de manifiesto de forma drástica el carácter autodestructivo de este patrón.
Esta dinámica se ve exacerbada por la represión emocional y la dificultad para buscar
ayuda, generando lo que Courtenay (2000) define como “autoviolencia masculina”,
caracterizada por el aislamiento, la enfermedad silenciosa y la escasa adherencia a la atención
médica. Paradójicamente, esta masculinidad sostenida por la agresión resulta frágil y
dependiente de la sumisión de los demás, ya que, como señalan Connell y Messerschmidt
(2013), cuanto más rígido es el modelo de género, mayor es su inestabilidad y vulnerabilidad
ante las transformaciones sociales.
Impactos sociales e intergeneracionales
La violencia masculina compromete los vínculos familiares, afecta el desarrollo infantil
y perpetúa ciclos de desigualdad de género. Se trata, por lo tanto, de un fenómeno que trasciende
al individuo y se configura como una cuestión colectiva y estructural. No es natural ni
inevitable, sino el resultado de procesos históricos de socialización que asocian la masculinidad
con el poder, el control y la negación de la vulnerabilidad. En Brasil, los datos oficiales del
Mapa da Violência demuestran que estos modelos generan un elevado costo social, humano y
económico, afectando especialmente a los propios hombres.
Abordar la violencia masculina requiere políticas públicas intersectoriales, prácticas
clínicas con perspectiva de género e iniciativas educativas que promuevan masculinidades
plurales, solidarias y emocionalmente responsables. Invertir en la transformación de las
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masculinidades es una estrategia fundamental para reducir la violencia y promover la salud
colectiva.
Como consecuencia, la imagen social del hombre violento pasa a asociarse con el riesgo,
la amenaza y la incapacidad de afrontar la frustración de forma elaborada. Esta imagen negativa
afecta no solo a quienes ejercen la violencia directa, sino también a la masculinidad como
categoría social, generando desconfianza, vigilancia y, en algunos casos, estigmatización.
Paradójicamente, también revela un callejón sin salida subjetivo: muchos hombres
siguen socializados para mostrar dureza emocional, silencio psíquico y resolución de conflictos
mediante la fuerza, al tiempo que se les presiona para que adopten actitudes empáticas,
dialógicas y no violentas. Sin espacios simbólicos e institucionales adecuados para redefinir su
identidad, algunos de estos hombres responden con resistencia, resentimiento o una
intensificación de la violencia, incluso contra sí mismos, a través de conductas autodestructivas,
abuso de sustancias y suicidio.
Otro punto a tener en cuenta para comprender esto es la figura del hombre en el ámbito
público y el hombre en el ámbito privado, objeto de nuestro estudio, a quienes, junto con las
mujeres que trabajan fuera del hogar, se les ha responsabilizado del papel que desempeñan en
el cuidado de los hijos, las tareas domésticas y los cambios que deben introducir.
HOMBRE PÚBLICO Y HOMBRE PRIVADO
Cuando hablamos del hombre público, hablamos de jerarquía, poder, prestigio y
desigualdad, que aún existen hoy en día, donde se encuentran en una posición estable a pesar
del cuestionamiento y el efecto de internet, los sitios web y el mundo digital que critican y
abordan su papel en la sociedad, como casos de acoso, violencia, grupos de odio contra las
mujeres, entre otros.
En el ámbito público, un hombre aún puede sostener una performance hegemónica; en
el ámbito privado, expone dimensiones de la subjetividad que el espacio público le permite
ocultar: fragilidad emocional, dependencia afectiva, inseguridad sexual, miedo al abandono.
Como argumenta Michael Kimmel (1996), la masculinidad tradicional se construye
como una performance ante otros hombres. Sin embargo, en el ámbito doméstico, la
performance da paso a la intimidad, y es precisamente ahí donde el ideal hegemónico puede
volverse frágil.
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En su vida privada, este hombre se enfrenta a exigencias de diálogo emocional, a la
exposición de vulnerabilidades, a expectativas de participación conjunta en el ámbito doméstico
y al cuestionamiento de la autoridad.
Este contraste genera un fenómeno que podríamos llamar ambivalencia: un self público
poderoso y un self privado inseguro. Es este self privado inseguro el que abordaremos más
adelante.
LA PATERNIDAD CONTEMPORÁNEA
Para comprender a los hombres en el ámbito privado, es necesario contextualizarlos
dentro del universo doméstico. Un hombre se convierte en padre cuando nace un hijo, pero la
experiencia de la paternidad trasciende la condición biológica. En las últimas décadas, la
paternidad ha experimentado transformaciones significativas. Tradicionalmente, se veía al
padre como alguien relativamente ajeno a la dinámica familiar, cuya presencia se asociaba
principalmente con el cumplimiento de las normas sociales y el rol de proveedor. Los cambios
en las configuraciones familiares y las exigencias de la sociedad contemporánea han comenzado
a requerir un nuevo modelo de paternidad, en el que el padre asume un rol más cercano,
participativo y corresponsable en las relaciones familiares (Rodrigues & Gonçalves, 2011).
En las familias organizadas según la lógica tradicional de complementariedad entre
proveedor y cuidador, la paternidad se ejercía predominantemente a través del cuidado
indirecto, representado por el apoyo financiero y la autoridad, mientras que la maternidad se
asociaba con el cuidado directo de los hijos.
El concepto de paternidad surge con la llegada de los hijos e implica los procesos de
crianza, educación y socialización. Este ejercicio requiere que los padres posean las habilidades
para nutrir, guiar, proteger y adaptarse a las diferentes etapas del desarrollo infantil (Minuchin,
1982). El nacimiento de un hijo provoca una transformación significativa en la estructura
familiar, lo que exige ajustes en el sistema conyugal para responder a las nuevas demandas
parentales. Inicialmente, el subsistema parental se organiza para satisfacer las necesidades
básicas del niño, como el cuidado y la alimentación; posteriormente, se expande a funciones
relacionadas con la orientación, la educación y la socialización.
Este proceso exige una constante renegociación de los límites entre los cónyuges, la
familia extensa y otras influencias externas (Lamela et al., 2010; Minuchin, 1982). A lo largo
del desarrollo infantil, el subsistema parental necesita adaptarse continuamente a las nuevas
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demandas sin perder el apoyo mutuo característico de la relación conyugal. Las funciones
parentales se vuelven progresivamente más complejas a medida que el niño crece (Frizzo et al.,
2005).
Es importante destacar que las rutinas familiares y la división del cuidado infantil no
solo son una fuente recurrente de conflicto conyugal, sino también un factor asociado con la
disminución de la satisfacción marital (Bogdan et al., 2022). Estos datos demuestran cómo la
naturalización de la responsabilidad femenina en el cuidado de los hijos sigue representando
una fuente significativa de tensión en la vida doméstica.
En este sentido, es fundamental comprender que la concepción predominante de
masculinidad en cada período histórico constituye el marco para el ejercicio de la paternidad.
Masculinidad y paternidad mantienen una relación de influencia recíproca a lo largo de la
historia. Si bien en otras épocas la figura paterna se confundía con la función de proveedor,
actualmente se espera que el padre también desempeñe funciones de cuidado y participación
afectiva (Souza, 1994).
Estudios como los de Faria (2003), Fender (2016) y Machado (2021) refuerzan esta
perspectiva al demostrar que la participación paterna tiende a generar experiencias positivas y
satisfactorias para los hombres. Sin embargo, otros autores, como Cerveny y Chaves (2010),
observan que la representación del padre como proveedor económico y de la madre como
proveedora emocional de la familia persiste, incluso cuando ambos realizan actividades
profesionales con jornadas laborales equivalentes.
Faria (2003), en un estudio cualitativo con grupos de padres, analizó los conflictos
experimentados en la paternidad, sus características y las trayectorias de transformación
construidas por los participantes. El estudio demostró que dichos conflictos están relacionados
con las tensiones entre los modelos patriarcales y pospatriarcales de masculinidad y paternidad.
Según el autor, suele existir una disonancia entre la concepción consciente de lo que
significa ser hombre y padre contemporáneo y los contenidos inconscientes asociados a los
arquetipos masculinos presentes en la cultura, que aún valoran la figura del proveedor, el héroe
y el conquistador (Faria, 2003). Esta tensión ayuda a comprender muchos de los desafíos que
enfrentan los hombres al construir nuevas formas de ejercer la paternidad en la actualidad.
En efecto, Del Priore (2013) refuerza que el concepto de padre ha adquirido nuevas
formas en las últimas décadas, pasando de opresor a amigo, y continúa:
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hoy en día, los padres no desempeñan —o no desean desempeñar— un rol de autoritarismo
puro... El rol del padre, por el contrario, es posibilitar el desarrollo del niño, desde su realidad
biológica como pequeño ser vivo hasta su madurez e integración social. Preferiblemente con
responsabilidad y afecto. Incluso su función económica se ha reducido, gracias al trabajo de las
mujeres y al salario de la madre. (Del Priore, 2013, p. 182)
Este impacto de la transformación y el cambio social ha llevado a los hombres/padres a
reflexionar sobre su papel en la sociedad contemporánea, alejándose de la imposición de poder
y virilidad para ejercer su rol como padres en una relación horizontal con sus esposas y con
mayor igualdad en las funciones domésticas, educativas y sociales.
Todo esto coincide con las aspiraciones originales del movimiento feminista, que,
siguiendo al sociólogo Michael Kimmel (1996), espera que un hombre sea ético,
emocionalmente presente y responsable de sus valores en sus acciones con las mujeres, así
como con otros hombres; es decir, directa o indirectamente, el feminismo favorece la
masculinidad actual.
Dados estos cambios, podemos decir que pueden estar surgiendo nuevas formas de
masculinidad en el ámbito privado: masculinidades basadas en el cuidado; masculinidades
igualitarias; y modelos basados en la vulnerabilidad y el diálogo.
La tensión entre estos modelos emergentes y la figura paterna tradicional —más rígida,
distante y autoritaria— caracteriza el panorama contemporáneo de la paternidad. En este
contexto, la violencia puede entenderse tanto como una forma de resistencia al cambio como
un síntoma de transiciones en curso.
Partiendo de esta premisa, presentaremos la tesis doctoral de la autora con el objetivo
de profundizar en el análisis de los conflictos y marcadores sociales que influyen en el
comportamiento de los hombres contemporáneos. Entre estos factores, destacamos las crisis
económicas, la mayor independencia femenina, la diversidad de género y las configuraciones
familiares, la transición de una economía centrada en la producción a una orientada a los
servicios, así como la creciente influencia de los medios de comunicación, internet y otras
transformaciones socioculturales que han llevado a los hombres a replantearse su identidad, sus
roles y sus relaciones.
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HOMBRES EN MOVIMIENTO: UN ESTUDIO CUALITATIVO DE LA
MASCULINIDAD EN LA GENERACIÓN X Y LA GENERACIÓN Y
El objetivo de este estudio fue identificar cómo los hombres cisgénero heterosexuales
pertenecientes a la Generación X (nacidos entre 1965 y 1979) y a la Generación Y (nacidos
entre 1980 y 1994), en su espacio privado, procesan sus problemas emocionales en el entorno
doméstico, en su relación con su pareja, en el ejercicio de la paternidad y en la vida cotidiana,
frente a las transformaciones generacionales que se han producido en el mundo digital, en la
sociedad, en el trabajo, en la familia y en las relaciones interpersonales.
Para lograr esta comprensión, se presentarán conocimientos que amplíen la perspectiva
sobre el tema, basándose en los conceptos de masculinidades, género, sexualidad, paternidad y
cambios generacionales. El objetivo es identificar posibles demandas y sufrimientos presentes
en la vida privada de estas generaciones, así como comprender si existen diferencias
generacionales relacionadas con el comportamiento masculino y las construcciones de género.
Se realizó una investigación cualitativa mediante grupos focales, un método
caracterizado por la realización de entrevistas grupales. Tras transcribir el material obtenido, se
llevó a cabo un análisis textual utilizando el programa IRaMuTeQ. Los resultados
correspondientes a la Generación X (nacida entre 1965 y 1979) y la Generación Y (nacida entre
1980 y 1994) se analizaron inicialmente y se presentaron por separado. Posteriormente, se
generaron temas correspondientes a cada grupo identificado, lo que permitió profundizar en el
análisis y obtener los resultados finales.
Como complemento al análisis de las generaciones X e Y en Brasil, se realizó una
investigación sobre los principales acontecimientos políticos, económicos y sociales que
tuvieron lugar entre 1965 y 1994, así como sobre los estilos de vida, los comportamientos y las
transformaciones culturales que marcaron este período histórico.
Otro aspecto importante para este estudio radica en que, con la llegada del siglo XXI, el
concepto de generaciones en Sociología se ha replanteado desde una nueva perspectiva.
Además de las diferencias de clase social, se han incorporado las desigualdades de género,
étnicas, raciales y culturales. En este contexto, resulta fundamental revisar las trayectorias de
las generaciones pasadas para comprender las iniciativas colectivas de las generaciones actuales
y los retos a los que se enfrentan.
Sobre la base de este conjunto de marcos teóricos, datos históricos y resultados
empíricos, los resultados y el análisis relativos a cada generación investigada se presentarán por
separado.
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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Resultados y análisis de la Generación X (hombres de 40 a 55 años)
Los resultados indican que los hombres de la Generación X experimentaron
transformaciones sociales significativas relacionadas con las relaciones de género y la vida
familiar. Esta fue la primera generación en presenciar la incorporación masiva de las mujeres
al mercado laboral, un proceso que alteró significativamente la dinámica doméstica. En este
contexto, las mujeres comenzaron a acumular responsabilidades relacionadas con el trabajo
remunerado, las tareas del hogar y la crianza de los hijos, lo que produjo cambios en las
expectativas depositadas en los hombres.
Ante estas transformaciones, los participantes manifestaron sentir presión para
involucrarse más activamente en las tareas domésticas y el cuidado de los hijos. El espacio
familiar ha comenzado a funcionar como un verdadero laboratorio social, donde la maternidad
y la paternidad se redefinen constantemente. Si bien enfrentan desafíos relacionados con la
redefinición de los roles de género, estos hombres también expresan satisfacción personal en el
ejercicio de la paternidad, demostrando una mayor implicación afectiva y emocional con sus
hijos.
Sin embargo, los cambios generacionales también producen inseguridades. Muchos
participantes expresaron dudas sobre cómo criar hijos en un contexto social diferente al suyo.
Uno de los entrevistados resume esta percepción diciendo: “no hay un manual para criar hijos;
uno los cría como debe ser. Una o dos personas te darán algún consejo, te dirán cómo criar a un
niño, ¿sabes? Y luego ves qué pasa”.
Los datos también revelan cierta resistencia a la expansión de la autonomía femenina y
a los cambios en las relaciones de género, lo que pone de manifiesto las tensiones entre los
valores tradicionales y las nuevas expectativas sociales. Al comparar sus experiencias con las
de sus padres, los participantes reconocen que se enfrentan a retos diferentes a los de las
generaciones anteriores. Como afirmó uno de los entrevistados: “veo que hoy tengo retos
distintos a los que tuvo mi padre en el pasado, ¿sabes? ¿Lo entiendes?”. Esta percepción
demuestra que la paternidad contemporánea está marcada por transformaciones sociales que
exigen nuevas formas de adaptación y negociación de los roles familiares.
Sonia Ligia Angelico
Doxa: Rev. Bras. Psico. e Educ., Araraquara, v. 27, n. esp. 1, e026020, 2026. e-ISSN: 2594-8385
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Resultados y análisis de la Generación Y (hombres de 25 a 39 años)
Los hombres de la Generación Y presentan características distintas a las observadas en
la Generación X. Conocidos como nativos digitales, crecieron en un contexto marcado por la
expansión de internet, los medios digitales y las plataformas de comunicación, elementos que
influyeron significativamente en sus formas de socialización, construcción de identidad y
percepción de las relaciones de género.
Los participantes demostraron una mayor apertura a los cambios sociales y a las nuevas
experiencias, valorando el desarrollo personal y la realización profesional antes de formar una
familia. Además, trabajan en entornos que reúnen a diferentes generaciones, transformando
estos espacios en importantes laboratorios sociales para el intercambio, el aprendizaje y la
confrontación entre valores tradicionales y contemporáneos.
Sin embargo, esta generación también enfrenta desafíos específicos. Los participantes
experimentan los efectos de la inestabilidad económica y los cambios en el mercado laboral,
factores que dificultan el mantenimiento de los modelos tradicionales de masculinidad. A pesar
de las transformaciones sociales y un mayor acceso a la información, los resultados revelan que
los valores asociados con la masculinidad hegemónica aún persisten en sus creencias y
expectativas.
Esta situación genera conflicto y sufrimiento. Muchos hombres manifiestan
sentimientos de insuficiencia e inseguridad, especialmente en sus relaciones con las mujeres, lo
que evidencia dudas sobre su aceptación y el papel que deberían desempeñar en las relaciones
románticas contemporáneas. Uno de los participantes expresa esta percepción al afirmar: “En
la época de mi padre, él tenía mayor estabilidad y podía mantener ese rol: “Ah, me criaron para
ser el sostén de la familia”. Y quizás, hoy en día, no pueda”.
Los resultados sugieren que la Generación Y experimenta una tensión constante entre
los modelos tradicionales de masculinidad, aún valorados socialmente, y las nuevas exigencias
relacionales y profesionales de la sociedad contemporánea. Este escenario pone de relieve los
retos que enfrentan los hombres al construir identidades masculinas más flexibles en un
contexto marcado por profundas transformaciones sociales, económicas y culturales.
CONSIDERACIONES FINALES
Para comprender plenamente el fenómeno (violencia de género y masculinidad
hegemónica), es necesario ir más allá del agresor individual y analizar la estructura que lo
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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moldea. La crisis contemporánea no radica en “ser hombre” en sí, sino en un modelo
hegemónico tradicional que ya no satisface las demandas de una sociedad pluralista,
democrática e igualitaria. El reto consiste en construir masculinidades que no recurran a la
violencia como lenguaje de afirmación de la identidad.
La pregunta central no es solo “¿por qué matan los hombres?”, sino “¿qué tipo de
masculinidad estamos creando y qué tipo de masculinidad queremos construir en el futuro?”.
Esto incluye repensar cómo se cría a los niños en la familia, en la escuela y en la
sociedad; cómo los hombres aprenden (o no aprenden) a expresarse emocionalmente; el papel
de los medios de comunicación y la cultura en la reproducción de estereotipos; el acceso
limitado a las políticas de salud mental para hombres; y la ausencia de modelos positivos de
masculinidad que valoren el diálogo, la responsabilidad compartida y la empatía.
Esto implica educación emocional, paternidad activa, igualdad de género desde la
infancia, políticas públicas de prevención y apoyo, fortalecimiento de redes de apoyo que
permitan a los hombres hablar de su dolor antes de que se convierta en agresión, y cooperación
en la construcción de nuevas referencias para la masculinidad: más humanas, plurales y capaces
de convivir en igualdad.
En conclusión, con base en los resultados de esta investigación, se puede afirmar que ha
habido y sigue habiendo muchos cambios generacionales. Los hombres buscan adaptarse a las
nuevas realidades y transformaciones que se producen en el mundo y en Brasil, derivadas del
mundo digital, incluyendo la inteligencia artificial, los medios de comunicación y otros
factores.
Es innegable que, en el mundo actual, los hombres buscan construir y mantener su
identidad en medio del cambio constante. Luchan por conectar con grupos que también están
en constante transformación, intentando preservar su identidad durante un breve periodo, pero
se enfrentan a la naturaleza efímera de estas conexiones como procesos abiertos.
Un aspecto importante a mencionar es que, en el ejercicio de la paternidad, este padre
generoso, que se siente satisfecho al cuidar y aprender a reconocer tanto sus propias emociones
como las de su hijo, no se siente amenazado ni juzgado en su masculinidad, logrando expresar
sus sentimientos y afecto de forma espontánea y relajada.
Lo que les sucede a los hombres no puede analizarse de forma aislada. Son a la vez
producto y protagonistas de un mundo en transición. Si muchos experimentan crisis, miedos y
resentimientos, es porque el antiguo modelo de masculinidad ya no ofrece respuestas, y el nuevo
aún está en construcción.
Sonia Ligia Angelico
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Los hombres necesitan una voz para hablar, para debatir, intercambiar ideas y
reflexionar sobre los valores y creencias que tanto los oprimen y le exigen algo imposible de
lograr a esta masculinidad, en la cual no pueden sentir, llorar y amar sin culpa.
Violencia de género y masculinidad hegemónica
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C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : N o h a y.
Fi n a n ci a ci ó n : Fi n a n ci a d o p or l a pr o pi a a ut or a.
C o nflict os d e i nt e r és : N o h u b o c o nfli ct os d e i nt er és.
A pr o b a ci ó n étic a : N o f u e n e c es ari a.
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : L os tr a b aj os cit a d os a l o l ar g o d el t e xt o s e
e n c u e ntr a n e n l a list a d e r ef er e n ci as.
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : L a a ut or a es l a ú ni c a r es p o ns a bl e d e l a el a b or a ci ó n d el
artí c ul o.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, di a gr a m a ci ó n , n or m ali z a ci ó n y tr a d u c ci ó n