Rev. EntreLinguas, Araraquara, v. 10, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529
DOI: https://doi.org/10.29051/el.v10i00.16809 1
NOÇÕES TEÓRICAS E CONCEITOS SUBJACENTES À AQUISIÇÃO DA LÍNGUA
INGLESA EM CONTEXTO BILÍNGUE
NOCIONES TEÓRICAS Y CONCEPTOS SUBYACENTES A LA ADQUISICIÓN DE LA
LENGUA INGLESA EN UN CONTEXTO BILINGÜE
THEORETICAL NOTIONS AND CONCEPTS UNDERLYING THE ACQUISITION OF
THE ENGLISH LANGUAGE IN A BILINGUAL SETTING
Simone FRYE1
e-mail: peixotosimonefrye@gmail.com
Renata Fonseca Lima da FONTE2
e-mail: renata.fonte@unicap.br
Antonio Henrique Coutelo de MORAES3
e-mail: antonio.moraes@ufr.edu.br
Como referenciar este artigo:
FRYE, S.; FONTE, R. F. L.; MORAES, A. H. C. Noções
teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da ngua inglesa
em contexto bilíngue. Rev. EntreLinguas, Araraquara, v. 10,
n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529. DOI:
https://doi.org/10.29051/el.v10i00.16809
| Submetido em: 27/05/2022
| Revisões requeridas em: 17/01/2024
| Aprovado em: 11/02/2024
| Publicado em: 13/03/2024
Editora:
Profa. Dra. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Recife PE Brasil. Doutoranda em Ciências da Linguagem
(PPGCL); Professora de inglês EBTT (IFPE).
2
Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Recife PE Brasil. Docente e Pesquisadora do Programa
de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem (PPGCL).
3
Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Rondonópolis MT Brasil. Docente e Coordenador Adjunto
do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGEdu).
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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RESUMO: O presente artigo constitui um recorte de dissertação e versa sobre teorias e
conceitos relacionados à aquisição de línguas e bilinguismo. Propõe-se analisar pressupostos
teóricos e conceitos a partir de dados de um indivíduo bilíngue. Especificamente, objetivou-se
identificar dados articulados às concepções de línguas e bilinguismo, reconhecer o status das
línguas de um indivíduo bilíngue e conceituar terminologia referente às noções de L1, L2, LE,
LA e bilinguismo. A pesquisa fundamenta-se nos estudos sobre aquisição de L2 e bilinguismo
desenvolvidos por Grosjean, Moraes, dentre outros. A metodologia compreende um estudo de
caso baseado em abordagem qualitativa de cunho longitudinal cuja amostra incluiu um
levantamento de dados sobre um indivíduo bilíngue e suas línguas. Como resultado, logrou-se
caracterizar o nosso entendimento sobre os conceitos abordados, bem como elaborar definições
dos termos L1, L2, LE, LA e bilinguismo.
PALAVRAS-CHAVE: Bilinguismo. Língua Inglesa. Aquisição de L2. Conceitos.
Terminologia.
RESUMEN: El presente artículo constituye un recorte de disertación y trata de teorías y
conceptos relacionados a la adquisición de lenguas y bilingüismo. Se propone analizar
presupuestos teóricos y conceptos a partir de datos de un sujeto bilingüe. Específicamente, se
objetivó identificar datos articulados a las concepciones de lenguas y bilingüismo; reconocer
el status de las lenguas de un sujeto bilingüe y conceptualizar terminología referente a las
nociones de L1, L2, LE, LA y bilingïismo. La investigación se basa en estudios sobre
adquisición de L2 y bilingüismo desarrollados por Grosjean; Moraes, entre otros. La
metodología integra un estudio de caso basado en abordaje cualitativo longitudinal cuya
muestra incluye una recolección de datos sobre un sujeto bilingüe y sus lenguas. Como
resultado, se logró caracterizar nuestro entendimiento sobre los conceptos abordados, como
también elaborar definiciones de L1, L2, LE, LA y bilingüismo.
PALABRAS CLAVE: Bilingüismo. Lengua Inglesa. Adquisición de L2. Conceptos.
Terminología.
ABSTRACT: This paper is a dissertation clipping and discusses theories and concepts related
to language acquisition and bilingualism. The goal is to analyze theoretical assumptions and
concepts from the data of a bilingual individual. Specifically, the objective was to identify data
related to the conception of languages and bilingualism, recognize a bilingual individual
language status, and conceptualize terminology associated with the notions of L1, L2, FL
(Foreign Language), AL (additional language), and bilingualism. This research is based on L2
acquisition and bilingualism studies developed by Grosjean and Moraes, amongst others. The
methodology comprises a longitudinal case study based on a qualitative approach, the sample
of which included data on a bilingual individual and his languages. As a result, we were able
to portray an understanding of the elicited concepts, as well as formulate definitions for the
terms L1, L2, FL, AL, and bilingualism.
KEYWORDS: Bilingualism. English Language. L2 Acquisition. Concepts. Terminology.
Simone FRYE; Renata Fonseca Lima da FONTE e Antonio Henrique Coutelo de MORAES
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Introdução
No mundo global, a instabilidade e a miscigenação cultural ganham papel de destaque,
tendo o desenvolvimento linguístico, nessa senda, impactado consideravelmente a identidade
das línguas e seus falantes, como expressa Rajagopalan (2001). Em decorrência de questões
histórico-político-econômicas, o valor de uma língua em detrimento de outras configura-se
amplamente, segundo o linguista (Rajagopalan, 2001), sendo o inglês conduzido a uma casta
hegemônica.
A circunstância de dependência econômica e cultural do Brasil com relação aos EUA
intensificou-se no período pós-2ª Guerra Mundial, como declaram Souza et al. (2015). Mais
tarde, nos anos 70, o Brasil, com sua economia cada vez mais pautada em moldes internacionais
e com a escola pública fracassando no ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras, concede
espaço à iniciativa privada que, desde então, deslancha em ofertas de ensino de língua
estrangeira, especialmente o inglês. Celeremente, de acordo com Megale (2019), escolas
bilíngues surgem, escolas regulares ressignificam-se como bilíngues e outras adotam currículo
bilíngue. Leffa e Irala (2014) reconhecem a necessidade de conceituação das línguas,
particularmente no âmbito do ensino de línguas. Nesse sentido, torna-se imprescindível a
definição dos termos segunda língua (L2), ngua materna ou primeira língua (L1), língua
estrangeira (LE), língua adicional (LA) e bilinguismo.
Diante do elucidado, dois questionamentos alavancaram a construção do artigo: Como
acepções teóricas sobre aquisição de L2 e bilinguismo dialogam com dados realísticos de um
indivíduo bilíngue e suasnguas? Que crenças, opiniões e sentimentos um indivíduo bilíngue
tem com relação a suas línguas? Considerando-se tais inquirições e com a finalidade de obter
respostas às indagações, elencamos duas hipóteses: (i) Concepções teóricas sobre aquisição de
L2 e bilinguismo articulam-se com situações reais e naturalísticas, embasando o entendimento
e recriação de conceitos na área; (ii) O indivíduo bilíngue têm crenças, opiniões e sentimentos
no tocante à relação idiossincrática estabelecida com suas línguas. O objeto de análise do estudo
compreende dados de um indivíduo bilíngue a partir dos quais se reconhecem, concebem e
recriam noções teóricas e conceitos.
Aludindo aos pressupostos supracitados, validamos o mérito de nossa pesquisa, cuja
importância científica propicia aprofundamento teórico e avanços para as áreas de Educação,
Linguística Aplicada e Aquisição de Linguagem. Subsequentemente, abordamos concepções
teóricas em aquisição.
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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Concepções Teóricas em Aquisição de Línguas
Na presente seção, aludimos ao campo das concepções de L1, L2, LE, LA e bilinguismo
a fim de evidenciar os termos utilizados e discutidos no âmbito da aquisição de L2 e bilinguismo
em nossa pesquisa. Para tal, lançamos mão de postulados teórico-científicos a fim de tratar das
noções de cada construto especificamente.
Preliminarmente, versamos sobre o conceito de L1. Grosjean (2015) refere-se à L1
como ‘home language’ (a língua de casa) e acrescenta que é a língua que as crianças adquirem
em primeira ordem. Moraes (2018) conceitua a L1 como “(...) a língua adquirida e/ou aprendida
de forma natural, seja ela a língua do ambiente familiar ou não”. (Moraes, 2018, p. 17). De
acordo com Spinassé (2006), uma língua pode ser considerada L1 se for a primeira língua
aprendida pelo indivíduo, se for a língua materna, do pai ou de familiares, ou ainda a língua
predominante falada em casa.
Além disso, a língua é classificada como L1 se for a mais utilizada no dia-a-dia, se
houver uma relação afetiva estabelecida com ela, se for a língua dominante ou se for a língua
mais confortável para o indivíduo. Portanto, o conceito de L1 é abrangente e está sujeito a
diversas variáveis. Grosjean (2015) destaca que períodos de reorganização das línguas,
portanto, a L1 pode deixar de ser a língua principal, mais forte e predominante para o indivíduo,
podendo ter seu status alterado; modificando-se, ao longo do tempo, conforme ressalva
Spinassé (2006).
Corroborando noções implicadas nos conceitos sobre a L1, entendemos que a
circunscrição e diferenciação na conceituação de cada termo proposto é ofício complexo e
envolve outras questões e variáveis importantes, especialmente ao considerarmos a conjuntura
de múltiplas nguas. Ainda, fazendo-se referência à L1, Leffa e Irala (2014) preconizam que
sua aquisição acontece integrada em uma relação que engloba aspectos sistêmicos, de prática
social e de constituição de sujeito, os quais se desenvolvem a partir da própria língua.
Com relação à L2, Spinassé (2006) coloca que é outra língua que não a L1,
independentemente da ordem de aquisição e serve à comunicação, com papel relevante na
inclusão do indivíduo na comunidade a que pertence. Moraes (2012) destaca que se trata de
toda e qualquer língua aprendida após a L1. Spinassé (2006) indica, ainda, não haver receita
para a diferenciação das línguas, sendo a relação que se estabelece entre os indivíduos e as
línguas fator preponderante na atribuição de valor e status. Grosjean (2015), em sua obra
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Bicultural, Bilingual”, levanta a premissa de que a L2 é aprendida geralmente quando as
crianças começam a frequentar a escola.
Entrelaçado ao conceito de L2, surge o de LE, cujo termo, segundo Leffa e Irala (2014),
tradicionalmente vem sendo usado para diferenciá-lo daquele, tendo como fundamento a
localização, ao considerar-se ideia de distância em termos geográficos. Contrariamente, na
visão de Moraes (2018), a LE “refere-se àquela ngua de um outro país, aprendida no país de
origem do estudante ou não (Moraes, 2018, p. 17). Spinassé (2006) alude à função das línguas
na vida e cultura do falante como fator a ser considerado para que se possa diferenciar as línguas
enquanto L2 ou LE; no entanto, ressalta que “a diferenciação não é absoluta, cada caso deve
ser avaliado como um caso específico” (Spinassé, 2006, p. 6).
Na tentativa de diferenciar construtos, Leffa e Irala (2014) propõem o termo Língua
Adicional (LA), que é mais contemporâneo e surge como termo alternativo para designar a(s)
língua (s) que se aprende(m); pressupõe a ideia de língua(s) que é(são) adquirida(s) por
acréscimo, depois da materna, não havendo necessidade de se considerar contextos, propósitos
e ordem de aquisição; além de ser mais abrangente do que os conceitos de L2 e LE. Dentre as
noções sobre bilinguismo apresenta-se a concepção a partir de uma L2 de Spinassé (2006),
sendo o desenvolvimento bilíngue infantil relacionado à aquisição de duas línguas ou mais
simultaneamente desde o nascimento, como propõe Genesse (1987).
algumas décadas, Bloomfield (1950) tratou o bilinguismo como sendo o controle
nativo de duas línguas; a fala em alcance de perfeição. Cabe ressaltar que o linguista (1950)
recorre à ideia de aprendiz perfeito de língua estrangeira em sua validação acerca do
bilinguismo, o que, a nosso ver, além de inconsistente, não condiz com a realidade, sobretudo
ao contrastá-la com a caracterização mais completa e realista engendrada por Grosjean (2018)
sobre o tema.
O autor pontua mitos e esclarece que, de fato, o bilinguismo ocorre em todos os países
do mundo e os indivíduos bilíngues encontram-se inseridos nesse contexto global,
independentemente de classe social e grupos etários, além de adquirir as línguas em diferentes
momentos em sua trajetória de vida. Grosjean (2018) observa, ainda, que os bilíngues
geralmente não são iguais ou equiparadamente fluentes nas línguas que sabem e/ou usam, têm
sotaque na língua que foi aprendida depois e poucos são tradutores e intérpretes proficientes.
Na obra Bilingualism: A short introduction”, Grosjean (2012) define bilinguismo como
o uso cotidiano de duas ou mais línguas, ou dialetos. O autor ressalta o caráter mais abrangente
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e realista de sua definição, pois engloba um número maior de falantes. Nessa mesma linha de
pensamento, em seu artigo Être Bilingue Aujourd'hui” reafirma a sua proposição e elucida:
(...) eu utilizo bilíngue’ em vez de ‘multilíngue’ ou ‘plurilíngue’(...) a
definição que eu dou ao bilinguismo, há muitos anos, não limita o número de
línguas; trata-se da utilização de duas ou de muitas línguas (ou dialetos) no
cotidiano da vida. Somos muitos os que conhecemos muitas línguas, mas uma
vez que se trata de sua utilização regular, o número diminui, e o bilinguismo
domina o plurilinguismo (Grosjean, 2018, p. 7-8, tradução nossa)
4
.
Outrossim, ainda sobre o bilinguismo, Grosjean (2012, 2015) destaca dois fatores
caracterizadores: o uso da língua e a fluência na língua, passíveis de mudanças no transcurso
do tempo - o wax and wanedas línguas (o vai e vem das línguas). Nosso caminhar segue o
rumo da perspectiva teórica de Grosjean e, a partir de suas definições, conduzimos nosso
entendimento em relação à concepção genérica de bilinguismo; não havendo a necessidade de
inclusão, nesse estudo, de outra terminologia como trilinguismo, quadrilinguismo,
plurilinguismo nem multilinguismo. Do mesmo modo, o caráter ‘guarda-chuva’ do termo
bilinguismo abriga outro construto, estendendo-se aos indivíduos que, nessa conjuntura, são
sempre bilíngues e não trilíngues ou poliglotas. A esse respeito, no presente estudo, considera-
se ‘bilíngue’ o indivíduo que faz uso de duas ou mais línguas em seu cotidiano,
independentemente do nível de proficiência nas referidas línguas.
O bilinguismo, segundo Grosjean (1998), origina-se das nguas em situação de contato
por várias causas, como migrações, o nacionalismo e federalismo, educação e cultura, negócios
e comércio, casamentos mistos, surdez, etc. Para o pesquisador, os bilíngues usam suas línguas
com finalidades, indivíduos e em áreas da vida diferentes, suscitando um desenvolvimento de
fluência linguística em níveis diversificados, na medida exigida por cada necessidade que surge,
porquanto nem todas as facetas da vida requerem a mesma língua ou sempre duas ou mais
línguas.
Moraes (2018), amparado no conceito de bilinguismo de Grosjean, destaca que as
línguas exercem papéis distintos, com a possibilidade de predominância de uma delas, e que,
de forma geral, o indivíduo bilíngue expressa questões da vida profissional e social na língua
4
Texto original: “(...) j'utilise 'bilingue' à la place de 'multilingue' ou 'plurilingue' (...)la définition que je donne
du bilinguisme, depuis de nombreuses années, ne limite pas le nombre de langues: il s'agit de l'utilisation de deux
ou de plusieurs langues (ou dialectes) dans la vie de tous les jours (...). Nous sommes nombreux à connaître
plusieurs langues, mais lorsqu'il s'agit de leur utilisation régulière, le nombre diminue, et le bilinguisme domine
le plurilinguisme(Grosjean, 2018, p. 7-8).
Simone FRYE; Renata Fonseca Lima da FONTE e Antonio Henrique Coutelo de MORAES
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da sociedade em que vive e questões de cunho emocional, vida privada e religião na primeira
língua. O bilinguismo, na visão de Moraes (2018), refere-se às línguas a partir do ponto de vista
de seus usuários, aludindo ao repertório de nguas do qual os bilíngues podem fazer uso. Por
conseguinte, a definição contempla a primeira língua (L1) e qualquer número de outras línguas
(L2, L3...), sendo que o acesso ao repertório linguístico ocorre em momentos diferentes, a partir
de necessidades linguísticas específicas, as quais definirão quando e como as línguas serão
usadas, não importando a frequência, pois cada situação vai diferir de acordo com cada
necessidade que se apresenta na vida do indivíduo bilíngue.
Ainda, apontamos o entendimento de que para indivíduos surdos, as definições
divergem destas proposições de Grosjean. No caso específico deste estudo, aspectos sobre o
bilinguismo terão relação com a língua inglesa, a ngua portuguesa e a ngua espanhola. Na
seguinte seção, descrevemos os postulados teórico-metodológicos desenvolvidos com o intuito
de alcançar os objetivos propostos no estudo.
Metodologia
Este trabalho trata-se de um estudo de caso baseado em abordagem qualitativa de cunho
longitudinal que engloba um levantamento de dados sobre um indivíduo bilíngue e suas línguas,
a partir dos quais se analisam, identificam e constroem noções teóricas e conceitos. A coleta
de dados foi realizada em ambiente domiciliar, em dois momentos, a saber: a) a partir de um
texto narrativo, redigido pela mãe do indivíduo bilíngue, autora do referido artigo, sobre o
jovem e a sua trajetória de vida enquanto sujeito bilíngue desde o nascimento até os 27 anos,
idade no momento da produção das narrativas; b) entrevista informal bilíngue, perguntas
escritas em inglês e português e respostas escritas em inglês, via mensagens de texto mediada
pelo aplicativo de mensagens WhatsApp sobre as crenças, opiniões e sentimentos do indivíduo
relativos à percepção de si enquanto sujeito bilíngue e a relação estabelecida com suas línguas.
É importante esclarecer que a pesquisadora, que é mãe do participante, utilizou seu
amplo conhecimento sobre a trajetória linguística de seu filho bilíngue para criar uma narrativa
autêntica e detalhada. Embora essa abordagem possa introduzir possíveis vieses na geração dos
dados, devido ao forte laço familiar compartilhado por ambos, permitiu uma análise clara e
interessante das teorias, as quais foram gradualmente relacionadas aos eventos reais na vida de
um indivíduo em sua jornada bilíngue. Isso culminou na possibilidade concreta de desenvolver
conceitos essenciais para os campos da aquisição de linguagem e do bilinguismo.
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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O uso do aplicativo de mensagens WhatsApp como meio escolhido para a realização da
entrevista, realizada de forma escrita, justifica-se pelo fato da mãe-entrevistadora e filho-sujeito
da pesquisa residirem em países distintos, além da praticidade e da casualidade que tornam a
pesquisa mais convidativa e leve, como também a regularidade, disponibilidade e rapidez no
uso do aplicativo que funciona em aparelhos celulares, sempre ao alcance das mãos.
A análise dos dados coletados envolveu a identificação de informações relevantes que
estivessem alinhadas com os pressupostos teóricos e concepções sobre línguas e bilinguismo.
Isso incluiu a identificação das crenças, opiniões e sentimentos do indivíduo bilíngue em
relação às suas línguas, o reconhecimento do status dessas línguas e a definição dos termos
relacionados às noções de L1, L2, LE, LA e bilinguismo. Em seguida, prosseguiu-se com a
seção de análise e discussão dos dados.
Análise e Discussão de dados
A discussão proposta para cada conceito foi estabelecida a partir da análise e reflexão
de dados realísticos e naturalísticos da vida de um sujeito bilíngue. Os dados apresentam-se em
forma de narrativas, as quais traçam o perfil do participante, sendo justificadas pela relevância
das informações para a discussão dos dados, e cujo contexto será explanado e articulado com
as questões a serem abordadas nessa seção, como segue.
Situação narrativa 1
Jovem, codinome ‘T’, natural de Recife; de mãe brasileira e pai panamenho, residente
na casa da avó materna, esta colombiana. Desde o nascimento, teve contato com o português,
falado pela mãe, avô e tios e com o espanhol falado pelo pai, avó, amigos e parentes. Na escola,
educou-se formalmente até os 9 anos em português; também aprendia inglês como matéria
escolar e frequentava um curso de idiomas. Em casa, estudava espanhol com a avó, professora,
além das viagens à Colômbia e ao Panamá.
Na primeira situação narrativa apresentada, elucida-se o conceito de L1. Versamos
sobre a concepção proposta por Grosjean (2015), segundo quem a L1 é a home language’ (a
língua de casa), a que primeiro se adquire enquanto criança; refletimos sobre o aporte de Moraes
(2018), quem esclarece: “L1 é a nomenclatura referente à língua adquirida e/ou aprendida de
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forma natural, seja ela a ngua do ambiente familiar ou não” (Moraes, 2018, p. 17). Além disso,
foi considerado o conceito de L1 de acordo com Spinassé (2006), que a define como sendo a
primeira ngua aprendida pelo indivíduo, a língua materna, do pai ou de familiares, ou a língua
predominante falada em casa.
Também é considerada a língua mais utilizada pelo falante em seu cotidiano, aquela
com a qual estabelece uma relação afetiva, a língua dominante ou aquela na qual o indivíduo
se sente mais confortável. Na situação narrativa 1, descrita acima, indicamos que o sujeito em
questão tem duas L1, o português e o espanhol, ambos adquiridos em contexto familiar, em
primeira ordem e de forma simultânea. À língua inglesa, nesse cenário, é atribuído o status de
LE. Prosseguimos à situação narrativa 2, a partir da qual discutimos o conceito de L2 e noções
teóricas que atendem às inquietações conceituais.
Situação narrativa 2
Aos 9 anos, ‘T’ foi morar nos EUA com a mãe; lá estudou inglês e, em 6 meses, já tinha
sido dispensado das aulas especiais para alunos estrangeiros e ingressado no programa para
alunos superdotados. Usava o inglês em nível proficiente, acima da média para a sua idade e a
idade de seus pares; tinha contato próximo com a língua espanhola, falada por colegas de classe
e membros da comunidade. Como o idioma preferencialmente utilizado em seu lar brasileiro
na América era o português, ele compartilhava suas experiências em casa nesse idioma. No
entanto, o uso do português gradualmente se tornou mais desafiador, com pausas e desvios.
Cinco anos depois, o adolescente interagia exclusivamente em inglês com seus irmãos,
nascidos no local. Por volta dos 15 anos, tornou-se praticamente impossível para ele expressar-
se em português; embora demonstrasse compreender o idioma, não o falava mais. Seu discurso
era inteiramente em inglês. Nesse período, além do inglês, ele estudava espanhol na escola,
integrando uma turma especial para falantes nativos desse idioma, embora não fosse
considerado um falante nativo de espanhol... ou seria?
Para corroborar a análise da situação narrativa 2, exposta anteriormente, consideramos
as definições teóricas de Spinassé (2006), que se refere à L2 como sendo qualquer idioma além
da L1; de Moraes (2018), para quem a L2 é toda língua aprendida após a L1; e de Grosjean
(2015), que considera a L2 como o idioma adquirido pelas crianças ao ingressarem na escola.
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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No contexto da narrativa 2, articulamos o disposto com as questões abordadas na
pesquisa. No que concerne ao uso e à fluência, as línguas são passíveis de mudança ao longo
do tempo, como ressalta Grosjean (2012, 2015); portanto, nesse cenário, o intercâmbio de
valores, funções e dominância das línguas ocorreu ao longo de 15 anos.
Na conjuntura apresentada, o inglês torna-se uma L2, que exerce dominância de fluência
e uso na vida de ‘T’, com relação ao português e ao espanhol, suas L1. Nessa perspectiva,
Grosjean (2012) trata da questão da mudança de status em termos de dominância da L1. A
situação narrativa 3 encena diferente momento na vida de ‘T’, com a reorganização de suas
línguas no transcurso do tempo e novas relações estabelecidas entre ele e suas línguas.
Situação narrativa 3
Dois anos depois, volta para o Brasil, agora com 17 anos, e ingressa em uma escola na
qual estuda português como idioma principal, além das aulas regulares de inglês como matéria
escolar. Curiosamente, o português não parecia ser um obstáculo para aquele adolescente que
já, por tanto tempo, não o usava; mantinha-se na média quanto às notas, falava, lia e escrevia
em português, embora tivesse passado 8 anos sem qualquer contato formal com a língua. Após
6 meses, viajou para o Panamá, onde reside até os dias atuais. Com o pai e familiares usava
sempre o espanhol e, na escola, cursou o último ano do Ensino Médio, sendo o espanhol o
idioma principal, além do inglês como disciplina escolar.
Graduou-se em Letras com habilitação em língua inglesa e língua espanhola. Casou-se
com uma panamenha que fala inglês; ou seja, em casa, fala inglês e, no trabalho, usa mais o
inglês que o espanhol; o português muito raramente quando viaja ao Brasil ou quando se
comunicava pelas redes sociais digitais com a mãe e alguns parentes, entretanto,
preferencialmente sempre usa o inglês no cotidiano.
A princípio, observamos mudanças ocorridas ao longo de 27 anos de vida do indivíduo
‘T’. Atribuiu-se status de L1 para as nguas portuguesa e espanhola e de L2 para a língua
inglesa, assim nomeadas pelo respaldo de fundamentações teóricas pertinentes e pelo
alinhamento de cada construto à malha conceitual em questão.
No entanto, ressaltamos que, com relação ao tema, a percepção do indivíduo denota
disparidade singular quando comparada a nossa interpretação sobre a relação entre suas línguas
e consequente categorização. Durante uma entrevista bilíngue, na qual as perguntas foram
formuladas em inglês e português, ao ser questionado sobre qual idioma considerava ser sua
Simone FRYE; Renata Fonseca Lima da FONTE e Antonio Henrique Coutelo de MORAES
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L1, ele respondeu em inglês que o português é sua L1. Ele explicou que, embora não domine o
português como no passado e não o considere sua “melhor” língua atualmente, é a ngua que
aprendeu primeiro e que primeiro foi introduzida em sua vida.
“first language would depend on, whether you mean first language that I
learned, that came into my life...I consider my first language to be Portuguese,
but it’s not my ‘best’ language” [primeira língua dependeria de, se você quer
dizer primeira língua que eu aprendi, que chegou a minha vida…eu considero
minha primeira língua o português, mas não é a minha melhor’ língua”]
(Frye, 2019, tradução nossa).
Em seguida, o participante entrevistado indaga se a L1 à qual a pergunta se refere é a
língua na qual ele pensa quando quer se comunicar, pois se for o caso, considera então o inglês
como sendo a sua L1:
“If you mean my first language, as the first one I think about when wanting to
communicate, I consider that to be English” [“se você quer dizer minha
primeira língua, como a primeira na qual penso quando quero me comunicar,
eu considero o inglês como primeira língua”] (Frye, 2019, tradução nossa).
Verificamos que, antes de ir ao cerne da resposta, ‘T’ pondera sobre a L1 e fatores
associados ao conceito. Afirma, então, que a sua L1 pode ser o português ou o inglês, a depender
da consideração ou não de determinados fatos. Na situação 3, embasamos as informações
facilitadas através da narrativa nas premissas de Spinassé (2006). A autora discorre sobre a não
existência de ‘receita’ na diferenciação das línguas e sobre ‘outra’ relação estabelecida com a
língua possibilitar mudança de status entre as línguas; o que esclarece a variação de estrato a
que se submeteram as nguas citadas ao analisarmos a situação narrativa 3, anteriormente
elencada. A ‘outra’ relação constituída pode gerar diferenças na fluência e no uso das línguas,
como também no espaço a ser ocupado pela língua, alteração do grau de importância e,
sobretudo, impactar a autopercepção do indivíduo no que tange à mudança de status das línguas
em sua vida.
Após levantamento de dados caracterizadores, apreciação de acepções teóricas
pertinentes e alusão às situações narrativas apresentadas, afirmamos que a língua inglesa tem
status de L2, visto que foi adquirida depois da L1, quando ‘T’ tinha 9 anos, período em que
começou a frequentar a escola nos EUA. Contudo, durante entrevista, ‘T’ é questionado acerca
do papel da língua espanhola em sua vida e, em resposta, revela considerar o espanhol como
sua L2, ao não a considerar a sua melhor língua nem a primeira que aprendeu:
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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I see Spanish as a second language for me, since it’s neither my best nor the
first one I learned” [“Eu vejo o espanhol como uma segunda língua para mim,
uma vez que não é nem a melhor e nem a primeira que aprendi”] (Frye, 2019,
tradução nossa).
Ressaltamos que, mediante a análise das situações narrativas e do suporte teórico
adequado, 'T' adquiriu o português e o espanhol de forma simultânea. Ambos os idiomas
constituem as línguas familiares com as quais teve contato desde o nascimento. No entanto, em
sua percepção e entendimento pessoal, o espanhol é considerado sua L2. Esse fato guia-nos por
uma via, na qual a atribuição de conceitos às línguas deve considerar, além de (re)
configurações e mudança de status, a relação peculiar que o indivíduo estabelece com as
línguas, contextos de uso, a fluência nas línguas e habilidades linguísticas.
Passamos à sequência conceitual de L2 e, ancorados nas premissas de Grosjean (2012,
2015); Moraes (2012, 2018); Spinassé (2006); Leffa e Irala (2014), caracterizamos o nosso
entendimento sobre os conceitos abordados, mais especificamente de acordo com o que postula
Grosjean (2012) acerca da dominância da L2. Nessa linha, o autor continua e discorre sobre a
cautela que devemos ter ao presumir que a L1 de uma pessoa é automaticamente a ngua
dominante.
A mudança de status e as diferentes fases por que passam as línguas ao longo dos anos,
têm ainda, de acordo com o linguista, grande efeito sobre os processos psicolinguísticos do
indivíduo bilíngue. Nessa perspectiva, de igual forma, considerando-se a idiossincrasia do
indivíduo acerca de suas línguas, sustentamos que ‘T’ tem como L1 o português e como L2 o
inglês e o espanhol. Vale destacar que o espanhol foi adquirido antes do inglês, porém este
último passou a exercer dominância em relação ao espanhol e ao português. Sucessivamente,
elencamos discussão sobre a LE, em contraste à noção de L2; seguimos com apreciação da ideia
de LA e bilinguismo, bem como consecutiva definição dos termos.
Consoante ao apontado na seção de ‘Concepções Teóricas em Aquisição de L2’, os
conceitos de L2 e LE correlacionam-se à medida que constituem uma não- L1, conforme aponta
Spinassé (2006). No entanto, a noção de LE evoca uma ideia de distância com relação ao
aprendiz, segundo Leffa e Irala (2014), sendo caracterizada como a língua de um outro país,
podendo ser aprendida no país de origem do aprendiz ou não, de acordo com Moraes (2018).
Com relação ao conceito de L2, Grosjean (2015) indica que é a língua aprendida ao se ingressar
na escola e Spinassé acrescenta que a L2 serve a propósitos comunicativos e de integração
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social, sabendo-se que a diferenciação dos termos L2 e LE deve levar em consideração
especificidades em cada caso.
Retomando o enredo apresentado nas três situações narrativas e confrontando os fatos
narrados com o embasamento teórico exposto, conclui-se que o inglês, durante os 27 anos de
vida do indivíduo, possui status de L2 com absoluta dominância. No entanto, no passado,
quando 'T' era criança e estudava o idioma na escola como disciplina e em cursos
extracurriculares, o inglês era considerado sua LE.
No tocante à LA, os autores Leffa e Irala (2014) trazem a ideia de Língua Adicional
(LA) como uma língua que se soma ao repertório linguístico dos aprendizes e tem foro mais
abrangente. Deste modo, acertaríamos em afirmar que ‘T’ tem o português como L1, sendo o
espanhol e o inglês suas LAs.
Discutimos, a seguir, o conceito de bilinguismo, seguindo o viés da perspectiva teórica
de Grosjean (2018) e, a partir de suas definições, conduzimos nosso entendimento em relação
ao sentido da concepção genérica de bilinguismo; não havendo a necessidade de inclusão, nesse
estudo, de outra terminologia como trilinguismo, quadrilinguismo, plurilinguismo, nem
tampouco multilinguismo. Considerando-se as situações narrativas elucidadas anteriormente,
em que o indivíduo ‘T’ se desenvolve, desde o nascimento, em atmosfera interativa bilíngue,
na qual duas ou mais línguas são usadas, ratificamos a caracterização de ocorrência de caso de
bilinguismo, cuja definição elencamos mais adiante, na seção de resultados.
A análise enfocou as respostas dadas às duas perguntas que compuseram a entrevista:
1ª pergunta: Qual você considera ser a sua língua materna, primeira língua (L1)? O português,
o inglês ou o espanhol? 2ª pergunta: Qual o papel do espanhol em sua vida? A seguir, na seção
de resultados, lançamos nossas elaborações conceituais sobre a terminologia referente às
noções de L1, L2, LE, LA e bilinguismo.
Resultados
Confluindo com preceitos teóricos de Grosjean, elaboramos a nossa própria definição
de L1, a saber:
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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Primeira língua, língua materna ou L1 Terminologia que se refere à primeira língua
com a qual a criança estabelece contato, aprendida/adquirida em contexto familiar ou não,
passível de mudança de status ao longo do tempo.
Na sequência, procedemos às definições por nós elaboradas dos termos L2, LE e LA, a
seguir:
Segunda língua, L2 Terminologia que se refere a qualquer ngua aprendida/adquirida
depois da L1, formal ou informalmente, que serve a propósitos de comunicação e inclusão
social, prevendo-se contexto de imersão em nível global ou local.
Língua estrangeira, LE Terminologia que designa a língua própria de outro país,
aprendida/adquirida formal ou informalmente, prescindindo de contexto de imersão.
Língua adicional, LA Terminologia que diz respeito a qualquer língua
aprendida/adquirida depois da L1, formal ou informalmente, de caráter abrangente,
pressupondo a adjunção daquelas ao repertório linguístico do indivíduo e prescindindo de
especificação de contextos e propósitos.
Ressalva-se que, em nossa consideração, o termo ‘formal’ refere-se ao contexto escolar;
e ‘informal’ refere-se à situação dos processos de aprendizado/aquisição fora do contexto
escolar. Delimitamos, a seguir, nosso entendimento e elaboramos a definição de bilinguismo
engendrada a partir das acepções de Grosjean (2012, 1998, 2018), como segue:
Bilinguismo Terminologia referente ao uso de duas ou mais línguas no cotidiano,
independentemente da proficiência (conhecimento da língua), do domínio de uso, área(s) de
habilidade(s) linguística(s) e fluência.
Isto posto, procedemos, em seção subsequente, às considerações finais.
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Considerações finais
Por meio da presente investigação, foram revelados dados que se alinharam às
concepções de língua e bilinguismo, os quais embasaram a elaboração de construtos teóricos
relacionados às terminologias de L1, L2, LE, LA e bilinguismo. Foram examinadas respostas
obtidas por meio de entrevistas facilitadas e narrativas sobre um indivíduo bilíngue e suas
línguas, das quais foram extraídos os dados para análise.
Em nosso contexto de pesquisa, as hipóteses confirmaram-se; construtos teóricos sobre
aquisição de L2 e bilinguismo articularam-se com dados concretos e com situações realístico-
naturalísticas, promovendo a consolidação de conhecimento e elaboração de conceitos;
ademais, reafirmou-se o valor do caráter subjetivo e idiossincrático relativo a crenças, opiniões
e sentimentos existentes na relação entre um indivíduo bilíngue e suas línguas. Especialmente,
conseguimos atingir os objetivos de pesquisa ao constatar que pressupostos teóricos e conceitos
dialogam com dados verídicos acerca de um indivíduo bilíngue e suas línguas. Em viés
específico, identificamos informações que dialogam com as concepções de línguas e
bilinguismo; reconhecemos o status das línguas de um indivíduo bilíngue e conceituamos
terminologia referente às noções de L1, L2, LE, LA e bilinguismo.
Os dados revelados fornecem informações relevantes sobre conceitos teóricos na
aquisição de L2 e bilinguismo, além de impulsionarem a descoberta de novos insights sobre o
tema. Isso possibilita a (re)formulação de conceitos estruturantes atualizados com base em
construções teóricas estabelecidas previamente no campo da aquisição de L2 e bilinguismo.
Além disso, os achados relacionados à aquisição de L2 e bilinguismo validam a importância
científica da pesquisa, uma vez que construtos foram debatidos e conceitos foram delineados.
Quanto à relevância social, esta reforça a conscientização e a formação docente, cujo
conhecimento e prática beneficiarão diretamente os alunos.
Nesse cenário de objetivos alcançados, partindo-se do entendimento de conceitos à
elaboração de acepções teóricas propícias dos termos referenciados no estudo, enseja-se
horizonte promissor para as áreas das Ciências da Linguagem, Linguística Aplicada e
Educação.
Noções teóricas e conceitos subjacentes à aquisição da língua inglesa em contexto bilíngue
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não aplicável.
Financiamento: Financiamento próprio.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O artigo trata-se de um recorte de pesquisa realizada após aprovação do
comitê de ética da Universidade Católica de Pernambuco, inserida no projeto 3.051.141. A
pesquisa, cadastrada sob o número CAEE 25894319.8.0000.5206, recebeu aprovação em
29/11/2019. Logo, o trabalho respeitou a ética durante a pesquisa.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais utilizados no trabalho não estão
disponíveis para acesso.
Contribuições dos autores: Simone: Conceitualização, Curadoria de dados, Análise
formal, Investigação, Metodologia, Administração do projeto, Recursos, Software,
Visualização, Escrita - rascunho original, Escrita - revisão e edição. Renata:
Conceitualização, Análise formal, Metodologia, Administração do projeto, Supervisão,
Validação, Visualização, Escrita - revisão e edição. Antônio: Conceitualização, Análise
formal, Supervisão, Validação, Visualização, Escrita -revisão e edição.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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THEORETICAL NOTIONS AND CONCEPTS UNDERLYING THE ACQUISITION
OF THE ENGLISH LANGUAGE IN A BILINGUAL SETTING
NOÇÕES TEÓRICAS E CONCEITOS SUBJACENTES À AQUISIÇÃO DA LÍNGUA
INGLESA EM CONTEXTO BILÍNGUE
NOCIONES TEÓRICAS Y CONCEPTOS SUBYACENTES A LA ADQUISICIÓN DE LA
LENGUA INGLESA EN UN CONTEXTO BILINGÜE
Simone FRYE1
e-mail: peixotosimonefrye@gmail.com
Renata Fonseca Lima da FONTE2
e-mail: renata.fonte@unicap.br
Antonio Henrique Coutelo de MORAES3
e-mail: antonio.moraes@ufr.edu.br
How to reference this paper:
FRYE, S.; FONTE, R. F. L.; MORAES, A. H. C. Theoretical
notions and concepts underlying the acquisition of the english
language in a bilingual setting. Rev. EntreLinguas,
Araraquara, v. 10, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529.
DOI: https://doi.org/10.29051/el.v10i00.16809
| Submitted: 27/05/2022
| Revisions required: 17/01/2024
| Approved: 11/02/2024
| Published: 13/03/2024
Editor:
Prof. Dr. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Catholic University of Pernambuco (UNICAP), Recife PE Brazil. Doctoral degree Candidate in Language
Sciences (PPGCL); Teacher of English EBTT (IFPE).
2
Catholic University of Pernambuco (UNICAP), Recife PE Brazil. Faculty Member and Researcher of the
Graduate Program in Language Sciences (PPGCL).
3
Federal University of Rondonópolis (UFR), Rondonópolis MT Brazil. Faculty Member and Deputy
Coordinator of the Graduate Program in Education (PPGEdu).
Theoretical notions and concepts underlying the acquisition of the english language in a bilingual setting
Rev. EntreLinguas, Araraquara, v. 10, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529
DOI: https://doi.org/10.29051/el.v10i00.16809 2
ABSTRACT: This paper is a dissertation clipping and discusses theories and concepts related
to language acquisition and bilingualism. The goal is to analyze theoretical assumptions and
concepts from the data of a bilingual individual. Specifically, the objective was to identify data
related to the conception of languages and bilingualism, recognize a bilingual individual
language status, and conceptualize terminology associated with the notions of L1, L2, FL
(Foreign Language), AL (additional language), and bilingualism. This research is based on L2
acquisition and bilingualism studies developed by Grosjean and Moraes, amongst others. The
methodology comprises a longitudinal case study based on a qualitative approach, the sample
of which included data on a bilingual individual and his languages. As a result, we were able to
portray an understanding of the elicited concepts, as well as formulate definitions for the terms
L1, L2, FL, AL, and bilingualism.
KEYWORDS: Bilingualism. English Language. L2 Acquisition. Concepts. Terminology.
RESUMO: O presente artigo constitui um recorte de dissertação e versa sobre teorias e
conceitos relacionados à aquisição de línguas e bilinguismo. Propõe-se analisar pressupostos
teóricos e conceitos a partir de dados de um indivíduo bilíngue. Especificamente, objetivou-se
identificar dados articulados às concepções de línguas e bilinguismo, reconhecer o status das
línguas de um indivíduo bilíngue e conceituar terminologia referente às noções de L1, L2, LE,
LA e bilinguismo. A pesquisa fundamenta-se nos estudos sobre aquisição de L2 e bilinguismo
desenvolvidos por Grosjean, Moraes, dentre outros. A metodologia compreende um estudo de
caso baseado em abordagem qualitativa de cunho longitudinal cuja amostra incluiu um
levantamento de dados sobre um indivíduo bilíngue e suas línguas. Como resultado, logrou-se
caracterizar o nosso entendimento sobre os conceitos abordados, bem como elaborar
definições dos termos L1, L2, LE, LA e bilinguismo.
PALAVRAS-CHAVE: Bilinguismo. Língua Inglesa. Aquisição de L2. Conceitos.
Terminologia.
RESUMEN: El presente artículo constituye un recorte de disertación y trata de teorías y
conceptos relacionados a la adquisición de lenguas y bilingüismo. Se propone analizar
presupuestos teóricos y conceptos a partir de datos de un sujeto bilingüe. Específicamente, se
objetivó identificar datos articulados a las concepciones de lenguas y bilingüismo; reconocer
el status de las lenguas de un sujeto bilingüe y conceptualizar terminología referente a las
nociones de L1, L2, LE, LA y bilingïismo. La investigación se basa en estudios sobre
adquisición de L2 y bilingüismo desarrollados por Grosjean; Moraes, entre otros. La
metodología integra un estudio de caso basado en abordaje cualitativo longitudinal cuya
muestra incluye una recolección de datos sobre un sujeto bilingüe y sus lenguas. Como
resultado, se logró caracterizar nuestro entendimiento sobre los conceptos abordados, como
también elaborar definiciones de L1, L2, LE, LA y bilingüismo.
PALABRAS CLAVE: Bilingüismo. Lengua Inglesa. Adquisición de L2. Conceptos.
Terminología.
Simone FRYE; Renata Fonseca Lima da FONTE and Antonio Henrique Coutelo de MORAES
Rev. EntreLinguas, Araraquara, v. 10, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529
DOI: https://doi.org/10.29051/el.v10i00.16809 3
Introduction
In the global world, instability and cultural miscegenation play a prominent role, with
linguistic development significantly impacting the identity of languages and their speakers, as
Rajagopalan (2001) expressed. Due to historical-political-economic factors, the value of one
language over others is widely configured, according to the linguist (Rajagopalan, 2001), with
English being led to a hegemonic status.
The circumstance of Brazil's economic and cultural dependence on the USA intensified
in the post-World War II period, as declared by Souza et al. (2015). Later, in the 1970s, Brazil,
with its economy increasingly based on international models and with public schools failing in
foreign language teaching and learning, gave space to private initiative, which since then has
flourished in offering foreign language education, especially English. According to Megale
(2019), bilingual schools emerge, regular schools redefine themselves as bilingual, and others
adopt a bilingual curriculum. Leffa and Irala (2014) acknowledge the need for the
conceptualization of languages, particularly in the context of language teaching. In this sense,
the definition of terms such as second language (L2), native language or first language (L1),
foreign language (FL), additional language (AL), and bilingualism becomes essential.
Given the elucidated, two questions drove the construction of the article: How do
theoretical concepts about L2 acquisition and bilingualism interact with realistic data from a
bilingual individual and their languages? What beliefs, opinions, and feelings do a bilingual
individual have regarding their languages? Considering these inquiries and aiming to obtain
answers to the questions, we formulated two hypotheses: (i) Theoretical concepts about L2
acquisition and bilingualism are articulated with real and naturalistic situations, supporting the
understanding and re-creation of concepts in the field; (ii) The bilingual individual holds beliefs,
opinions, and feelings regarding the idiosyncratic relationship established with their languages.
The object of analysis of the study comprises data from a bilingual individual from which
theoretical notions and concepts are recognized, conceived, and recreated.
Referring to the aforementioned assumptions, we validate the merit of our research,
whose scientific significance provides theoretical depth and advancements for the fields of
Education, Applied Linguistics, and Language Acquisition. Subsequently, we address
theoretical concepts in language acquisition.
Theoretical notions and concepts underlying the acquisition of the english language in a bilingual setting
Rev. EntreLinguas, Araraquara, v. 10, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529
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Theoretical Concepts in Language Acquisition
In this section, we allude to the field of concepts of L1, L2, FL, AL, and bilingualism in
order to highlight the terms used and discussed in the context of L2 acquisition and bilingualism
in our research. To do so, we draw on theoretical-scientific postulates to discuss the notions of
each construct specifically.
Firstly, we discuss the concept of L1. Grosjean (2015) refers to L1 as the 'home
language' and adds that it is the language that children acquire in the first instance. Moraes
(2018) conceptualizes L1 as "(...) the language acquired and/or learned naturally, whether it is
the language of the family environment or not" (Moraes, 2018, p. 17, our translation).
According to Spinassé (2006), a language can be considered L1 if it is the first language learned
by the individual, if it is the mother tongue, of the father, or of relatives, or even if it is the
predominant language spoken at home.
Moreover, the language is classified as L1 if it is the most used in daily life, if there is
an emotional relationship established with it, if it is the dominant language, or if it is the most
comfortable language for the individual. Therefore, the concept of L1 is comprehensive and
subject to various variables. Grosjean (2015) highlights that there are periods of language
reorganization. Therefore, L1 may cease to be the main, strongest, and predominant language
for the individual, and its status may be altered, changing over time, as Spinassé (2006) notes.
Corroborating notions implied in the concepts of L1, we understand that circumscription
and differentiation in the conceptualization of each proposed term are complex tasks and
involve other important issues and variables, especially when considering the context of
multiple languages. Furthermore, with reference to L1, Leffa, and Irala (2014) advocate that its
acquisition occurs integrated into a relationship that encompasses systemic aspects, social
practice, and subject constitution, which develop from the language itself.
Regarding L2, Spinassé (2006) states that it is another language other than L1,
regardless of the order of acquisition, and serves communication, with a significant role in the
individual's inclusion in the community to which they belong. Moraes (2012) emphasizes that
it refers to any language learned after L1. Spinassé (2006) also indicates that there is no recipe
for differentiating languages, with the relationship established between individuals and
languages being a predominant factor in assigning value and status. Grosjean (2015), in his
work "Bicultural, Bilingual," posits that L2 is generally learned when children begin attending
school.
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Intertwined with the concept of L2 is that of FL, whose term, according to Leffa and
Irala (2014), has traditionally been used to differentiate it from the former, based on location,
considering the idea of geographical distance. Conversely, in Moraes' view (2018), FL "refers
to a language from another country, learned in the student's country of origin or not" (Moraes,
2018, p. 17, our translation). Spinassé (2006) refers to the function of languages in the speaker's
life and culture as a factor to be considered in differentiating languages as L2 or FL; however,
he emphasizes that "the differentiation is not absolute, each case must be evaluated as a specific
case" (Spinassé, 2006, p. 6, our translation).
In an attempt to differentiate constructs, Leffa and Irala (2014) propose the term
Additional Language (AL), which is more contemporary and emerges as an alternative term to
designate the language(s) that is (are) learned; it presupposes the idea of language(s) acquired
in addition to the native one, without the need to consider contexts, purposes, and order of
acquisition; besides being more comprehensive than the concepts of L2 and FL. Among the
notions about bilingualism, Spinassé's (2006) conception of an L2 is presented, with childhood
bilingual development related to the acquisition of two or more languages simultaneously from
birth, as proposed by Genesse (1987).
Decades ago, Bloomfield (1950) treated bilingualism as the native control of two
languages; speaking with perfection. It is worth noting that the linguist (1950) resorts to the
idea of a perfect foreign language learner in his validation of bilingualism, which, in our view,
besides being inconsistent, does not correspond to reality, especially when contrasted with the
more comprehensive and realistic characterization provided by Grosjean (2018) on the subject.
The author points out myths and clarifies that bilingualism occurs in all countries
worldwide, and bilingual individuals are part of this global context, regardless of social class
and age group, acquiring languages at different times in their life trajectories. Grosjean (2018)
also observes that bilinguals are generally not equally fluent in the languages they know and/or
use, have an accent in the language learned later, and few are proficient translators and
interpreters.
In the work Bilingualism: A short introduction”, Grosjean (2012) defines bilingualism
as the daily use of two or more languages or dialects. The author emphasizes the broader and
more realistic nature of his definition, as it encompasses a larger number of speakers. Along the
same line of thought, in his article Être Bilingue Aujourd'huihe reaffirms his proposition and
elucidates:
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[...] I use 'bilingual' instead of 'multilingual' or 'plurilingual' [...], the definition
I have given to bilingualism, for many years, does not limit the number of
languages; it is about the use of two or many languages (or dialects) in
everyday life. Many of us know many languages, but since it is about their
regular use, the number decreases, and bilingualism dominates over
multilingualism (Grosjean, 2018, p. 7-8, our translation)
4
.
Furthermore, on the subject of bilingualism, Grosjean (2012, 2015) highlights two
defining factors: language use and language fluency, which are subject to changes over time -
the 'wax and wane' of languages. Our approach follows Grosjean's theoretical perspective, and
based on his definitions, we guide our understanding regarding the generic conception of
bilingualism; there is no need to include, in this study, other terminology such as trilingualism,
quadrilingualism, plurilingualism, or multilingualism. Similarly, the umbrella term
'bilingualism' encompasses another construct, extending to individuals who, in this context, are
always bilingual and not trilingual or polyglots. In this regard, in the present study, an individual
is considered 'bilingual' if they use two or more languages in their daily life, regardless of their
proficiency level in said languages.
Bilingualism, according to Grosjean (1998), originates from languages in contact
situations due to various causes such as migrations, nationalism and federalism, education and
culture, business and trade, mixed marriages, deafness, etc. For the researcher, bilinguals use
their languages for different purposes, individuals, and areas of life, prompting the development
of linguistic fluency at varied levels, as demanded by each arising need, as not all facets of life
require the same language or always two or more languages.
Moraes (2018), building upon Grosjean's concept of bilingualism, emphasizes that
languages play distinct roles, with the possibility of one of them predominating. Generally,
bilingual individuals express professional and social life matters in the language of the society
they live in, while issues related to emotions, private life, and religion are expressed in their
first language. According to Moraes (2018), bilingualism refers to languages from the
perspective of their users, referring to the language repertoire that bilinguals can use. Therefore,
the definition encompasses the first language (L1) and any number of other languages (L2,
L3...), with access to the linguistic repertoire occurring at different times, based on specific
4
Original text: “(...) j'utilise 'bilingue' à la place de 'multilingue' ou 'plurilingue' (...)la définition que je donne du
bilinguisme, depuis de nombreuses années, ne limite pas le nombre de langues: il s'agit de l'utilisation de deux ou
de plusieurs langues (ou dialectes) dans la vie de tous les jours (...). Nous sommes nombreux à connaître plusieurs
langues, mais lorsqu'il s'agit de leur utilisation régulière, le nombre diminue, et le bilinguisme domine le
plurilinguisme” (Grosjean, 2018, p. 7-8).
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linguistic needs. These needs determine when and how the languages will be used, regardless
of frequency, as each situation will differ according to the individual bilingual's life
circumstances.
Furthermore, it is acknowledged that definitions may differ from Grosjean's
propositions for deaf individuals. In the specific case of this study, aspects of bilingualism will
relate to the English, Portuguese, and Spanish languages. In the following section, we describe
the theoretical-methodological postulates developed to achieve the objectives proposed in the
study.
Methodology
This study is a case study based on a longitudinal qualitative approach, encompassing
data collection about a bilingual individual and their languages, from which theoretical notions
and concepts are analyzed, identified, and constructed. Data collection took place in a home
environment at two moments: a) from a narrative text written by the mother of the bilingual
individual, who is also the author of this article, detailing the young man's life trajectory as a
bilingual subject from birth until the age of 27, at the time of narrative production; b) a bilingual
informal interview, with questions written in English and Portuguese, and responses written in
English, conducted via text messages using the WhatsApp messaging app, focusing on the
individual's beliefs, opinions, and feelings regarding their perception of themselves as bilingual
subjects and the relationship established with their languages.
It is essential to clarify that the researcher, who is the participant's mother, utilized her
extensive knowledge of her bilingual son's language trajectory to create an authentic and
detailed narrative. While this approach may introduce potential biases in data generation due to
the strong familial bond shared by both, it allowed for a clear and insightful analysis of theories,
gradually relating them to real-life events in an individual's bilingual journey. This ultimately
led to the concrete possibility of developing essential concepts for the fields of language
acquisition and bilingualism.
The use of the WhatsApp messaging app as the chosen medium for conducting the
written interview is justified by the fact that the interviewing mother and research subject's son
reside in different countries, as well as the convenience and informality that make the research
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more inviting and relaxed. Additionally, the regularity, availability, and speed of the app's use
on mobile devices, always at hand, contribute to its suitability for this purpose.
The analysis of the collected data involved identifying relevant information aligned with
theoretical assumptions and concepts about languages and bilingualism. This included
identifying the beliefs, opinions, and feelings of the bilingual individual regarding their
languages, recognizing the status of these languages, and defining terms related to notions of
L1, L2, LE, LA, and bilingualism. Subsequently, the analysis and discussion section proceeded.
Analysis and Discussion of Data
The discussion proposed for each concept was established from the analysis and
reflection of realistic and naturalistic data from the life of a bilingual individual. The data are
presented in the form of narratives, which outline the participant's profile, justified by the
relevance of the information for discussing the data, and whose context will be explained and
articulated with the issues to be addressed in this section, as follows.
Narrative Situation 1
Young, codenamed 'T', native of Recife; of a Brazilian mother and Panamanian father,
residing in the maternal grandmother's house, who is Colombian. Since birth, he has had contact
with Portuguese, spoken by his mother, grandfather, and uncles, and with Spanish spoken by
his father, grandmother, friends, and relatives. At school, he received formal education in
Portuguese until the age of 9; there, he also learned English as a school subject and attended a
language course. At home, he studied Spanish with his grandmother, a teacher, in addition to
trips to Colombia and Panama.
In the first narrative situation presented, the concept of L1 is elucidated. We discuss the
conception proposed by Grosjean (2015), according to whom L1 is the 'home language,' the
one first acquired as a child; we reflect on the contribution of Moraes (2018), who clarifies: "L1
is the nomenclature referring to the language acquired and/or learned naturally, whether it is
the language of the family environment or not" (Moraes, 2018, p. 17, our translation).
Additionally, the concept of L1, according to Spinassé (2006), was considered, defining it as
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the first language learned by the individual, the mother tongue of the father or relatives, or the
predominant language spoken at home.
Also considered is the language most used by the speaker in their daily life, the one with
which they establish an affective relationship, the dominant language, or the one in which the
individual feels most comfortable. In narrative situation 1, described above, we indicate that
the subject in question has two L1s, Portuguese and Spanish, acquired in a family context, in
first order, and simultaneously. English is assigned the status of LE in this scenario. We proceed
to narrative situation 2, from which we discuss the concept of L2 and theoretical notions that
address conceptual concerns.
Narrative Situation 2
At the age of 9, 'T' moved to the USA with his mother; there, he studied English and,
within 6 months, had already been exempted from special classes for foreign students and
enrolled in the program for gifted students. He used English proficiently, above average for his
age and that of his peers; he had close contact with the Spanish language, spoken by classmates
and community members. Since the preferred language used in his Brazilian home in America
was Portuguese, he shared his experiences at home in this language. However, the use of
Portuguese gradually became more challenging, with pauses and deviations.
Five years later, the teenager interacted exclusively in English with his siblings, who
were born in the local area. Around the age of 15, it became practically impossible for him to
express himself in Portuguese; although he demonstrated an understanding of the language, he
no longer spoke it. His speech was entirely in English. During this period, in addition to English,
he studied Spanish at school, integrating a special class for native speakers of that language,
although he was not considered a native Spanish speaker...or was he?
To corroborate the analysis of narrative situation 2, previously discussed, we considered
the theoretical definitions of Spinassé (2006), who refers to L2 as any language other than L1;
of Moraes (2018), for whom L2 is any language learned after L1; and of Grosjean (2015), who
considers L2 as the language acquired by children upon entering school.
In the context of narrative 2, we articulate the provisions with the issues addressed in
the research. Regarding the use and fluency, languages are subject to change over time, as
Grosjean (2012, 2015) emphasizes; therefore, in this scenario, the exchange of values,
functions, and dominance of languages occurred over 15 years.
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In the presented situation, English becomes an L2, which exercises dominance in
fluency and use in 'T's life, in relation to Portuguese and Spanish, his L1s. From this perspective,
Grosjean (2012) addresses the issue of status change in terms of L1 dominance. Narrative
situation 3 stages a different moment in 'T's life, with the reorganization of his languages over
time and new relationships established between him and his languages.
Narrative Situation 3
Two years later, he returns to Brazil, now at 17 years old, and enrolls in a school where
he studies Portuguese as the main language, in addition to regular English classes as a school
subject. Interestingly, Portuguese did not seem to be an obstacle for the teenager who had not
used it for so long; he remained average in his grades, spoke, read, and wrote in Portuguese,
even though he had gone 8 years without any formal contact with the language. After 6 months,
he traveled to Panama, where he has been residing to this day. With his father and relatives, he
always used Spanish, and at school, he completed the last year of high school, with Spanish as
the main language, in addition to English as a school subject.
He graduated in Literature with a focus on English and Spanish. He married a
Panamanian who speaks English; thus, at home, he speaks English, and at work, he uses English
more than Spanish; Portuguese only very rarely when traveling to Brazil or when
communicating through digital social networks with his mother and some relatives; however,
he always prefers to use English in his daily life.
Initially, we observed changes that occurred over 27 years in the life of individual 'T'.
The languages Portuguese and Spanish were assigned the status of L1, and English as L2,
named as such by the support of relevant theoretical foundations and the alignment of each
construct with the conceptual framework in question.
However, we emphasize that, regarding the topic, the individual's perception denotes a
unique disparity compared to our interpretation of the relationship between his languages and
the consequent categorization. During a bilingual interview, questions were posed in English
and Portuguese, and when asked which language he considered to be his L1, he answered in
English that Portuguese is his L1. He explained that although he does not master Portuguese as
he did in the past and does not consider it his "best" language currently, it is the language he
learned first and was first introduced into his life.
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First language would depend on, whether you mean first language that I
learned, that came into my life...I consider my first language to be Portuguese,
but it’s not my ‘best’ language (Frye, 2019).
Next, the interviewed participant questions whether the L1 referred to in the question is
the language he thinks in when he wants to communicate, because if that is the case, then he
considers English to be his L1:
If you mean my first language, as the first one I think about when wanting to
communicate, I consider that to be English (Frye, 2019).
We note that, before getting to the heart of the response, 'T' reflects on L1 and factors
associated with the concept. He then asserts that his L1 could be either Portuguese or English,
depending on the consideration of certain facts. In Situation 3, we substantiate the information
provided through the narrative on the premises of Spinassé (2006). The author discusses the
absence of a 'recipe' in differentiating languages and how 'another' relationship established with
the language can lead to a change in status among languages, which clarifies the variation in
strata to which the languages mentioned were subjected when analyzing the previously listed
narrative situation 3. The 'other' relationship formed can generate differences in fluency and
language use, as well as the space to be occupied by the language, altering the degree of
importance and, above all, impacting the individual's self-perception regarding the change in
status of languages in their life.
After characterizing data, considering relevant theoretical meanings, and alluding to the
narrative situations presented, we affirm that the English language has the status of L2, as it
was acquired after L1 when 'T' was 9 years old, a period when he started attending school in
the USA. However, during the interview, 'T' is questioned about the role of the Spanish
language in his life and, in response, he reveals considering Spanish to be his L2, as he does
not consider it his best language or the first one he learned:
I see Spanish as a second language for me, since it’s neither my best nor the
first one I learned (Frye, 2019).
We emphasize that, through the analysis of narrative situations and appropriate
theoretical support, 'T' acquired Portuguese and Spanish simultaneously. Both languages
constitute the familiar languages with which he had contact since birth. However, in his
perception and personal understanding, Spanish is considered his L2. This fact guides us along
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a path where assigning concepts to languages must consider, in addition to (re)configurations
and status changes, the peculiar relationship that the individual establishes with languages,
usage contexts, language fluency, and linguistic skills.
Moving on to the conceptual sequence of L2 and, anchored in the premises of Grosjean
(2012, 2015); Moraes (2012, 2018); Spinassé (2006); Leffa and Irala (2014), we characterize
our understanding of the concepts addressed, more specifically in accordance with Grosjean's
(2012) postulation regarding the dominance of L2. In this line, the author continues and
discusses the caution we must exercise when assuming that a person's L1 is automatically the
dominant language.
According to linguists, the change in status and the different phases that languages go
through over the years also have a significant effect on the psycholinguistic processes of the
bilingual individual. From this perspective, similarly considering the idiosyncrasy of the
individual regarding their languages, we maintain that 'T' has Portuguese as his L1 and English
and Spanish as his L2s. It is worth noting that Spanish was acquired before English, but the
latter began to dominate over Spanish and Portuguese. Subsequently, we list a discussion about
LE, in contrast to the notion of L2; we proceed with an appreciation of the idea of LA and
bilingualism, as well as a consecutive definition of the terms.
In accordance with the points raised in the section on "Theoretical Concepts in L2
Acquisition," the concepts of L2 and FL (Foreign Language) correlate as they both constitute a
non-L1, as indicated by Spinassé (2006). However, the notion of FL evokes an idea of distance
from the learner, according to Leffa and Irala (2014), being characterized as the language of
another country, which may or may not be learned in the learner's home country, according to
Moraes (2018). Regarding the concept of L2, Grosjean (2015) indicates that it is the language
learned upon entering school, and Spinassé adds that L2 serves communicative and social
integration purposes, knowing that the differentiation between the terms L2 and FL must take
into account specificities in each case.
Returning to the storyline presented in the three narrative situations and confronting the
narrated facts with the theoretical foundation, it is concluded that English, during the
individual's 27 years of life, holds the status of L2 with absolute dominance. However, in the
past, when 'T' was a child and studied the language in school as a subject and in extracurricular
courses, English was considered his FL.
Regarding the FL, authors Leffa and Irala (2014) bring up the idea of Additional
Language (FL) as a language that adds to the learners' linguistic repertoire and has a broader
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scope. Thus, we would be correct in stating that 'T' has Portuguese as his L1, with Spanish and
English being his FLs.
We discuss, following the theoretical perspective of Grosjean (2018), the concept of
bilingualism, and based on his definitions, we guide our understanding regarding the meaning
of the generic conception of bilingualism; there is no need for the inclusion, in this study, of
other terminology such as trilingualism, quadrilingualism, plurilingualism, or even
multilingualism. Considering the narrative situations elucidated previously, in which the
individual 'T' develops, from birth, in a bilingual interactive atmosphere where two or more
languages are used, we reaffirm the characterization of a case of bilingualism, whose definition
we list later in the results section.
The analysis focused on the responses given to the two questions that composed the
interview: 1st question: Which do you consider to be your mother tongue, first language (L1)?
Portuguese, English, or Spanish? 2nd question: What is the role of Spanish in your life?
Following this, in the results section, we present our conceptual elaborations on the terminology
related to the notions of L1, L2, FL, AL, and bilingualism.
Results
Aligning with Grosjean's theoretical precepts, we have developed our own definition of
L1, as follows:
First language, mother tongue, or L1 Terminology referring to the first language
with which the child comes into contact, learned/acquired in a family or non-family context,
subject to status changes over time.
Next, we proceed with the definitions we have elaborated for the terms L2, FL, and AL,
as follows:
Second language, L2 - Terminology referring to any language learned/acquired after
L1, formally or informally, serving purposes of communication and social inclusion, with
immersion context envisaged at a global or local level.
Foreign language, FL - Terminology designating the language of another country,
learned/acquired formally or informally, regardless of immersion context.
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Additional language, AL - Terminology referring to any language learned/acquired
after L1, formally or informally, with a comprehensive character, presupposing the addition
of those languages to the individual's linguistic repertoire and irrespective of specification
of contexts and purposes.
It is noted that, in our consideration, the term 'formal' refers to the school context; and
'informal' refers to the situation of learning/acquisition processes outside the school context.
Following this delineation, we proceed to outline our understanding and develop the definition
of bilingualism engendered from the concepts of Grosjean (2012, 1998, 2018), as follows:
Bilingualism - Terminology refers to the use of two or more languages in everyday life,
regardless of proficiency (language knowledge), usage mastery, area(s) of linguistic skill(s),
and fluency.
With that said, we proceed, in the subsequent section, to the final considerations.
Final considerations
Through this investigation, data emerged that aligned with the conceptions of language
and bilingualism, forming the basis for the development of theoretical constructs related to the
terminologies of L1, L2, FL, AL, and bilingualism. Responses obtained through facilitated
interviews and narratives about a bilingual individual and their languages were examined, from
which data were extracted for analysis.
In our research context, the hypotheses were confirmed; theoretical constructs on L2
acquisition and bilingualism were articulated with concrete data and realistic-naturalistic
situations, promoting the consolidation of knowledge and the development of concepts.
Furthermore, the value of the subjective and idiosyncratic nature of beliefs, opinions, and
feelings in the relationship between a bilingual individual and their languages was reaffirmed.
Specifically, we were able to achieve the research objectives by finding that theoretical
assumptions and concepts resonate with authentic data about a bilingual individual and their
languages. From a specific perspective, we identified information that aligns with the
conceptions of language and bilingualism; we recognized the status of the languages of a
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bilingual individual and conceptualized terminology related to the notions of L1, L2, FL, AL,
and bilingualism.
The revealed data provide relevant information about theoretical concepts in L2
acquisition and bilingualism and drive the discovery of new insights on the subject. This enables
the (re)formulation of updated foundational concepts based on previously established
theoretical constructs in the field of L2 acquisition and bilingualism. Furthermore, the findings
related to L2 acquisition and bilingualism validate the scientific importance of the research, as
constructs were debated and concepts were delineated. Regarding social relevance, it reinforces
awareness and teacher training, where knowledge and practice will directly benefit students.
This scenario of achieved objectives, starting from the understanding of concepts to the
development of suitable theoretical definitions of the terms referenced in the study, fosters a
promising horizon for the fields of Language Sciences, Applied Linguistics, and Education.
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Simone FRYE; Renata Fonseca Lima da FONTE and Antonio Henrique Coutelo de MORAES
Rev. EntreLinguas, Araraquara, v. 10, n. 00, e024002, 2024. e-ISSN: 2447-3529
DOI: https://doi.org/10.29051/el.v10i00.16809 17
CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Funding: Self-funded.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The article is a excerpt from a research conducted after approval by the
ethics committee of the Catholic University of Pernambuco, inserted in project 3.051.141.
The research, registered under number CAEE 25894319.8.0000.5206, received approval
on 11/29/2019. Therefore, the work respected ethics during the research.
Data and material availability: The data and materials used in the work are not available
for access.
Author’s contributions: Simone: Conceptualization, Data curation, Formal analysis,
Investigation, Methodology, Project administration, Resources, Software, Visualization,
Writing - original draft, Writing - review and editing. Renata: Conceptualization, Formal
analysis, Methodology, Project administration, Supervision, Validation, Visualization,
Writing - review and editing. Antônio: Conceptualization, Formal analysis, Supervision,
Validation, Visualization, Writing - review and editing.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.