Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
1
INGLÊS COMO LÍNGUA FRANCA: A IDEOLOGIA DO INGLÊS PADRÃO E
IMPLICAÇÕES PARA A SALA DE AULA
EL INGLÉS COMO LENGUA FRANCA: LA IDEOLOGÍA DEL INGLÉS ESTÁNDAR Y SUS
IMPLICACIONES EN EL AULA
ENGLISH AS A LINGUA FRANCA: THE IDEOLOGY OF STANDARD ENGLISH AND
CLASSROOM IMPLICATIONS
Keila Brito dos Santos ALBA
1
e-mail: keilabsa@gmail.com
Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
2
e-mail: nilvaobs@gmail.com
Como referenciar este artigo:
ALBA, K. B. S. Inglês como língua franca: a ideologia do
Inglês padrão e implicações para a sala de aula. Rev. Entre
Línguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN:
2447-3529. DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
| Submetido em: 23/11/2024
| Revisões requeridas em: 26/03/2025
| Aprovado em: 15/10/2025
| Publicado em: 21/12/2025
Editores:
Prof. Dr. Ivair Carlos Castelan
Profa. Dra. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá Paraná (PR) Brasil. Programa de Pós-graduação em
Letras.
2
Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Paranavaí Paraná (PR) Brasil.
Professora Doutora do
Colegiado de Pedagogia.
Keila Brito dos Santos ALBA e Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
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RESUMO: Este artigo traz uma reflexão sobre o inglês como língua franca, sua concepção,
abordagem e implicações pedagógicas. Também aborda a questão da ideologia do inglês padrão
e a perspectiva do falante nativo e do não nativo no contexto de falante de um idioma em
situações globais. Questões relevantes sob a perspectiva de ILF, como identidade, ideologia e
contemporaneidade, com a finalidade de romper padrões hegemônicos e uma abordagem tida
como ultrapassada no ensino de língua inglesa, estão contempladas na produção.
PALAVRAS-CHAVE: Inglês como língua franca. Sala de aula. Ideologia. Inglês padrão.
RESUMEN: Este artículo presenta una reflexión sobre el inglés como lengua franca, su
concepción, enfoque e implicaciones pedagógicas. Asimismo, aborda la cuestión de la
ideología del inglés estándar y la perspectiva del hablante nativo y no nativo en el contexto del
uso de una lengua en situaciones globales. Se contemplan cuestiones relevantes desde la
perspectiva del ILF, como la identidad, la ideología y la contemporaneidad, con el objetivo de
romper patrones hegemónicos y superar un enfoque considerado obsoleto en la enseñanza de
la lengua inglesa.
PALABRAS CLAVE: Inglés como lengua franca. Aula. Ideología. Inglés estándar.
ABSTRACT: This paper reflects on English as a lingua franca, its conception, approach and
pedagogical implications. It also addresses the issue of the ideology of Standard English and
the perspective of the native speaker and non-native speaker in the context of speaking a
language in global situations. Relevant issues from the perspective of ELF, such as identity,
ideology and contemporaneity, breaking hegemonic patterns and an approach considered
outdated in English language teaching are covered in the production.
KEYWORDS: English as a lingua franca. Classroom. Ideology. Standard english.
Keila Brito dos Santos ALBA e Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
3
Introdução
Neste artigo são trazidas algumas reflexões sobre o inglês como língua franca, sua
concepção, abordagem e implicações pedagógicas. Também são abordadas as questões
ideológicas do inglês padrão e a perspectiva do falante nativo e do não nativo. Serão tratadas
questões importantes relacionadas ao inglês como língua franca (ILF), como identidade,
ideologia e contemporaneidade.
Diante das dificuldades que o professor de língua inglesa pode encontrar nas salas de
aula, justifica-se o presente trabalho, isso porque muitas ideologias acerca do ensino da língua
inglesa podem ter uma grande influência do ensino tradicional, centradas na ideologia da língua
inglesa padrão e do falante nativo. Fruto do imperialismo britânico e americano, a expansão da
língua inglesa apresenta fortes características ideológicas mantidas pelos países hegemônicos,
com os quais os demais países mantêm contato ou dependem.
Ao propor ensinar o inglês pela perspectiva da língua franca, o professor, primeiramente,
pode se propor a conhecer as ideologias dominantes intrínsecas ao estudo da ngua inglesa e
escolher o posicionamento que irá adotar em sua prática de ensino e aprendizagem.
No decorrer do presente trabalho, contribuições relevantes de Baker (2018), Bordon
(2020), Cogo (2012), Jordão (2010), Moita Lopes (2008), Santos e Siqueira (2019), Seidholfer
(2001) e Siqueira (2018, 2023), serão trabalhadas em três etapas: os conceitos relacionados ao
estudo de ILF; a ideologia do inglês padrão e do falante nativo; e as implicações pedagógicas.
Concepção, conceituação e natureza
O uso do inglês como língua franca ocorre quando pessoas de diferentes nacionalidades
e línguas maternas utilizam o inglês como meio de comunicação para superarem barreiras
linguísticas e se entenderem. Isso é comum em situações em que pessoas de diferentes origens
precisam comunicar-se, seja em um contexto mercadológico, acadêmico, turístico ou em outros
cenários globais.
O inglês tornou-se a principal língua de comunicação internacional devido ao seu amplo
uso em negócios, ciência, tecnologia, diplomacia e entretenimento. Devido à natureza global
do inglês, muitas pessoas falam diferentes variedades de inglês, até mesmo dentro de um mesmo
país. Por isso, é tão importante afastar a ideia do falante ideal e de que existe um padrão que
deve ser seguido. Nesse sentido, vale ressaltar as três características do inglês padrão:
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01. É um constructo idealizado e irreal, que não leva em conta a variação (as
mudanças realizadas pelos usuários no uso).
02. É visto por aqueles que o impõem como politicamente neutro e acessível a
todos; contudo, trata-se da língua falada pelas classes privilegiadas,
considerada superior a qualquer outra variedade.
03. É reforçado na educação, uma vez que as escolas impõem a língua padrão
ao atribuírem boas notas àqueles que a utilizam e notas baixas àqueles que não
a utilizam (Bordon, 2020, p. 55-56, tradução da autora).
3
A concepção e o uso do ILF representam uma abordagem na qual o inglês é utilizado
como meio de comunicação entre falantes de diferentes línguas maternas e essa concepção
difere da ideia de que o inglês deve ser baseado em normas e no sotaque de falantes nativos. O
ILF reconhece que a maioria dos falantes de inglês no mundo não é de língua inglesa materna
e que o inglês é usado predominantemente como uma língua de comunicação global em
contextos internacionais. Nesse sentido, o ILF foi definido como “qualquer uso do inglês entre
falantes de diferentes nguas maternas, para os quais o inglês é o meio de comunicação
escolhido e, muitas vezes, a única opção” (Seidholfer, 2001, p. 7, tradução da autora).
4
É importante que os falantes entendam que existem essas diferenças. Por outro lado,
precisam ser observadas as habilidades de comunicação como compreensões auditiva e de
fala e expressões oral e corporal e, além da língua, compreender as normas culturais e a
etiqueta de comunicação é importante para evitar mal-entendidos e ofensas culturais; detalhes
essenciais quando usa o ILF, uma vez que a comunicação eficaz é fundamental.
O falante de ILF pode utilizar estratégias criativas para facilitar a comunicação com
interlocutores de diferentes contextos. Na concepção de ILF, é importante destacar algumas
características-chave como o fato de que o ILF reconhece e valoriza a diversidade linguística
dos falantes de inglês, permitindo que eles usem suas próprias variedades de inglês e estruturas
linguísticas, em vez de adesão reforçada às normas do inglês nativo. Nesse contexto, a
consciência de ELF envolve ver os aprendizes de inglês como usuários do inglês, e não como
aprendizes que buscam ter como objetivo o inglês de falantes nativos(Bordon, 2020, p. 44,
tradução da autora)
5
. Isso porque a principal ênfase do ILF é a comunicação eficaz; os falantes
3
1. It is an idealized unreal construct, which does not take into account variation (changes made by users through
use). 2. It is seen by those who impose it as being politically neutral, and accessible to everyone yet, as the language
spoken by the privileged classes, superior to any other variety. 3. It is reinforced in education, since schools impose
standard language by awarding good grades to those who use it and poor grades to those who dont.
4
Any use of English among speakers of different first languages for whom english is the communicative medium
of choice, and often the only option”.
5
ELF awareness involves seeing learners of English as users of English rather than learners trying to aiming at
native-speaker English”.
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de língua inglesa concentram-se em transmitir suas mensagens e garantem que sejam
compreendidos, em vez de buscar a perfeição gramatical ou fonética.
É importante lembrar ainda que a língua inglesa, em muitas situações, é considerada
uma língua internacional, seja para os negócios, estudos, turismo ou para situações sociais.
Sobre o inglês ser considerado uma ngua internacional, Cogo (2012, p. 97, tradução
da autora) destaca que: “Para negócios, estudos, comércio, socialização ou turismo, o inglês é,
hoje em dia, uma língua verdadeiramente internacional. […] essa internacionalização do inglês
tem consequências inevitáveis, não apenas para a forma como ele é usado, mas também para a
forma como é ensinado”
6
.
O ILF leva em consideração as diferenças culturais e sociais entre os falantes e adapta
a comunicação de acordo com essas diferenças, promovendo uma compreensão mútua. O ILF
aceita uma ampla variedade de sotaques e estilos de inglês. Os falantes não são julgados com
base em seu sotaque ou pronúncia, desde que a comunicação seja clara, inclusive, quando
faltantes nativos como falantes de ILF que participam de interações em ILF não como falantes
nativos, mas como usuários de ILF, adaptando o seu inglês para ser compatível com o de outros
falantes — mesmo porque o uso do inglês como língua franca é altamente contextual. A forma
como o inglês é usado pode variar dependendo do contexto, do público e do propósito da
comunicação; isso demonstra o quanto os falantes de ILF são flexíveis e adaptáveis na
comunicação para diferentes práticas comunicativas, mesmo porque as línguas transformam-se
o tempo todo em todos os contextos. Eles podem alternar entre variedades de inglês, usando
estratégias de negociação significativas. Tanto que:
Sob a égide do empoderamento do usuário, o qual desestabiliza as relações de
poder entre os supostos donos da língua, compreendo o ILF como um
fenômeno profundamente inter(trans)cultural que, por excelência, se
materializa em espaços onde deve predominar o desejo de se explorar e aceitar
diferenças na comunicação, relativizar valores e posturas, assim como
desenvolver a habilidade de mediar o contato de diferentes grupos em práticas
comunicativas (Baker, 2018 apud Siqueira, 2018, p. 99).
De tal forma, Siqueira (2018, p. 96) considera ainda que, o avanço do inglês pelo mundo
é um fenômeno de caráter transcultural e que, por conta disso, transcende a concepção
tradicional de língua franca, flagrantemente anacrônica para um mundo que se enxerga cada
6
For business, studying, trading, socializing, or tourism, English is nowadays a truly international language. […]
this internalization of English has inevitable consequences, not only for the way it is used but also the way it is
taught”.
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vez mais multilíngue e que reclama a simetria de poder tão própria de contextos
interculturalmente sensíveis”.
Sob a perspectiva de ILF, é importante destacar a presença do falante nativo na interação
com um interlocutor de uma língua materna distinta da sua, deixando-se bastante claro que,
nesse diálogo transcultural, que as relações de poder precisam ser neutralizadas, em especial
por conta do papel ativo daqueles usuários que transformam a língua.
Falante nativo e a ideologia do inglês padrão
É importante discutir acerca da ideologia do falante nativo de inglês, tendo em vista que
essa ideologia pode estar associada a muitos contextos que consideram que aqueles podem ser
percebidos como tendo um status linguístico mais elevado, podendo resultar em privilégios
linguísticos, sendo que ainda podem ser preferidos para empregos, oportunidades educacionais
e outras situações em que o inglês é uma língua importante. Diante dessa ideologia, temos que:
Vivemos tempos de rompimentos de fronteiras, de negociação de poder e
imprevisibilidades. Na minha ótica, nesse pormenor, a rota “centro-periferia”,
exatamente por conta da expansão da língua inglesa pelo mundo, vem, a cada
dia, se vendo forçada a operar em outras bases de poder. Um exemplo disso é
o destronamento do falante nativo que, mesmo a contragosto de muitos, foi
destituído de sua aura de divindade e hoje habita o espaço dos mortais, ou seja,
está nivelado no seu status a qualquer usuário de inglês de qualquer parte do
mundo. Incertezas são nossas companheiras, modelos prontos não mais nos
interessam, binarismos são coisa do passado (Siqueira, 2018, p. 109-110).
Para fins de contextualização, os falantes nativos de inglês podem não ser o foco
principal na discussão do ILF, mas eles podem desempenhar um papel importante. A ideologia
do falante nativo em relação ao ILF pode variar amplamente e é necessário considerar que em
relação à aceitação da diversidade linguística, muitos falantes nativos de inglês estão cientes da
diversidade linguística e da importância de adaptar-se ao contexto de comunicação. Eles podem
adotar uma abordagem mais inclusiva e tolerante em relação aos sotaques e estilos de fala de
não nativos de inglês. Infelizmente, em muitas situações, ainda existe a cultura da valorização
do inglês britânico e do norte-americano como uma ideologia subjacente. Na realidade,
observa-se que o inglês britânico é uma variedade linguística que abrange uma ampla gama de
sotaques, dialetos e estilos de fala, refletindo a diversidade do Reino Unido e de suas
comunidades linguísticas. De fato, existem algumas características linguísticas que são
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frequentemente associadas ao inglês britânico e que podem ser influenciadas por fatores
históricos, sociais e regionais:
Mas o que é interessante nessa discussão é que ela desequilibra o status do
falante nativo e de sua norma, se ajustando bem a nossa posição teórica, que
situa o inglês nas margens. É assim, por exemplo, que Mignolo (2000:252)
ressalta que “os valores nacionais colocados nas línguas... não mais
correspondem à experiência transnacional de uma parte significativa da
população, como também [a sua] experiência translinguística”
20
, chamando
atenção para a enorme força que, por exemplo, o inglês tem fora dos Estados
Unidos e Inglaterra assim como o espanhol fora da Espanha e o francês no
mundo francófono (Mignolo, 2000: 239) (Lopes, 2008, p. 328).
O inglês britânico pode ser frequentemente associado à tradição e ao conservadorismo
linguístico, muitas vezes percebido como mais formal do que algumas variedades do inglês, o
que pode ser atribuído à influência da realidade britânica, sua história e cultura imperial.
Observa-se que tendo a língua inglesa como instrumento imperial:
O papel do inglês no mundo contemporâneo é explicado pela importância que
o Império Britânico teve no século XIX e, no início do século XX, e pela
predominância mundial da economia dos Estados Unidos a partir da Segunda
Guerra Mundial, gerando um tipo de neocolonialismo ou imperialismo. Esse
momento histórico-econômico se estende até o final do século XX e toma
novas direções no que se convencionou chamar de globalização, ainda que
haja muitas maneiras de entender o significado desse termo (Lopes, 2008, p.
313).
Na perspectiva do inglês padrão e sua ideologia, Bordon (2020, p. 56-58) ressalta que o
inglês padrão é uma variedade do inglês, linguisticamente igual a qualquer outro. O Recieved
Pronunciation (RP) era frequentemente considerado o padrão de prestígio, enquanto os
sotaques regionais eram frequentemente estigmatizados. Felizmente, as atitudes em relação a
isso têm mudado ao longo do tempo e muitas variedades de inglês britânico são agora
valorizadas e apreciadas por suas variações culturais; assim como todas as línguas, o inglês
britânico continua a evoluir ao longo do tempo. A influência de mídia, migração e globalização
tem afetado a língua, levando às mudanças no vocabulário, na pronúncia e na gramática.
Da mesma forma ocorre com o General American (GA), a expectativa de que apenas o
GA de alto prestígio seja reconhecido em sala de aula nega aspectos da identidade dos alunos
como falantes não-nativos de inglês. Sotaques o-nativos estão presentes na grande maioria
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dos falantes de inglês em todo o mundo e devem ser reconhecidos e discutidos nas aulas de
inglês.
Nesse sentido, Bordon (2020, p. 57, tradução da autora) salienta que “o uso exclusivo
do Inglês Padrão e dos acentos RP (Received Pronunciation) ou GA (General American) limita
os aprendizes, nega-lhes oportunidades de autoexpressão e nega aspectos de sua identidade”
7
.
É importante lembrar que o inglês britânico não é uma ideologia única, mas uma coleção
diversificada de variedades linguísticas que refletem as complexidades e nuances da sociedade
britânica. Cada pessoa que fala inglês no Reino Unido pode ter sua própria perspectiva e atitude
em relação à língua e a língua está sempre em evolução.
No entanto, como o inglês é uma língua usada em diversos contextos, os seus falantes
nativos sabem da importância da língua e podem ter uma atitude aberta em relação à diversidade
linguística. Como todas as línguas, a língua inglesa está em constante mudança e evolução; a
língua está em constante transformação, incorporando novas palavras, expressões e modos de
comunicação. O inglês possui uma ampla gama de variações regionais em termos de sotaques,
dialetos e vocabulário. Os falantes nativos de inglês podem ter uma ligação forte com o sotaque
e o dialeto de sua região de origem, mas também são capazes de entender e adaptar-se às
diferentes variedades de inglês. Muitos falantes nativos confirmam a importância do
multilinguismo e podem valorizar a aprendizagem de outras línguas; eles também podem adotar
uma atitude positiva em relação à acessibilidade e à comunicação eficaz, especialmente quando
em interação com falantes não nativos de inglês. Sobre a comunicação em ILF, temos que:
Dois pontos importantes precisam ser abordados em relação a essa
caracterização do ELF como uma forma de comunicação intercultural.
Primeiro, e de modo mais evidente, isso implica que o ELF não é
culturalmente nem identitariamente ‘neutro’, como foi sugerido por alguns
pesquisadores de ELF (por exemplo, House, 2014). Afirmar que existe algo
como uma comunicação neutra é não compreender a natureza da comunicação
como prática social. Toda comunicação, intercultural ou não, envolve
participantes cujas identidades estarão presentes na interação de uma forma
ou de outra. Além disso, a comunicação é uma forma de prática cultural e,
portanto, necessariamente envolve mobilizar, construir e negociar referenciais
culturalmente situados e práticas comunicativas (Baker, 2018, p. 27, tradução
da autora).
8
7
The exclusive use of Standard English and RP or GA accents limits learners denies them opportunities for self-
expression, and denies aspects of their identity.
8
Two important points need to be addressed in relation to this characterisation of ELF as a form of intercultural
communication. First, and most obviously, this entails that ELF is not culturally or identity ‘neutral’, as has been
suggested by some ELF researchers (e.g.House, 2014). To claim that there is such a thing as neutral
communication is to misunderstand the nature of communication as a social practice. All communication,
intercultural or otherwise, involves participants whose identities will be present in the interaction in one way or
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Considerando a diversidade de falantes nativos de inglês em todo o mundo, não é
possível generalizar completamente suas atitudes e ideologias linguísticas. Cada indivíduo pode
ter suas próprias perspectivas e experiências relacionadas ao inglês.
A sigla ILF representa muito mais do que o uso do inglês como uma língua de
comunicação entre pessoas de diferentes línguas maternas em contextos interculturais. É
importante observar que o conceito de ILF concentra-se na função do inglês como meio de
comunicação eficaz, independentemente da origem linguística dos falantes. Portanto, os
falantes nativos de inglês não são necessariamente o foco principal na discussão do ILF, mas
eles podem desempenhar um papel importante. Assim, destaca Siqueira (2018):
Nas já hoje consolidadas releituras do termo, Seidlhofer (2011, p. 7) concebe
o ILF como “qualquer uso do inglês entre falantes de diferentes línguas
maternas para quem a língua é o meio de comunicação de escolha e,
geralmente, a única opção”. Cogo e Dewey (2012, p. 8), por sua vez, definem
o ILF como “o uso do inglês em contextos onde o idioma é utilizado como
uma língua de contato por falantes de variados backgrounds linguísticos que,
normalmente, não dispõem de uma outra língua em comum (Siqueira, 2018,
p. 98-99).
O entendimento da cultura e do contexto dos falantes inglês é fundamental no ILF. Os
falantes de inglês podem ser sensíveis às normas culturais, expectativas de comunicação e
modos de expressão de seus interlocutores. Muitos falantes de inglês podem ver a interação em
contextos de ILF como uma oportunidade de aprendizado mútuo, em que todos podem
aprimorar suas habilidades linguísticas e culturais.
No entanto, é importante destacar que as atitudes em relação ao ILF podem variar
consideravelmente entre os falantes de inglês. Alguns podem ser mais tradicionalistas e podem
ter uma preferência por normas linguísticas tradicionais, enquanto outros podem adotar uma
abordagem mais aberta e inclusiva. O conceito de ILF enfatiza a eficácia da comunicação em
inglês, independentemente da origem dos falantes. Portanto, a ideologia do falante nativo em
relação ao ILF pode variar, onde muitos estão abertos à diversidade linguística e cultural e
priorizam a comunicação eficaz. A ideologia de um falante nativo de inglês pode variar
amplamente, uma vez que as pessoas têm uma diversidade de opiniões, valores e opiniões. A
língua inglesa é falada em muitos países ao redor do mundo e os falantes nativos podem ter
another. Furthermore, communication is a form of cultural practice and so will necessarily involve drawing on,
constructing and negotiating culturally based frames of reference and communicative practices (Baker, 2018, p.
27, tradução da autora).
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origens culturais e experiências de vida muito diferentes. Por isso, constata Santana (2020, p.
166) que o ILF “é índice de que o universo é altamente heterogêneo”.
Implicações pedagógicas do ensino de inglês sob a perspectiva do ILF
Pautar uma discussão quanto às implicações pedagógicas do ensino de línguas e no
presente estudo, a língua inglesa exige necessariamente trazer para o centro de reflexão o
processo de ensino e aprendizagem e, consequentemente, a mediação.
Em uma perspectiva crítica “o ensino é a relação que o professor estabelece com o
conhecimento e a aprendizagem é a relação que o aluno estabelece com o conhecimento.
(Almeida; Oliveira; Arnoni, 2007, p. 111). O aluno pode aprender desde que alguém no caso
o professor o ensine. A ele cabe desenvolver o processo de ensino, cujo dever é a
aprendizagem do aluno.
O ensino da língua inglesa é uma disciplina importante em muitas partes do mundo,
devido ao papel predominante do inglês como principal língua de comunicação. Nessa
perspectiva, o inglês como língua franca refere-se ao uso do inglês como uma língua de
comunicação entre pessoas de diferentes línguas maternas mundo afora. Em um contexto de
ILF, as pessoas usam o inglês como uma ferramenta de comunicação, muitas vezes em situações
internacionais e multiculturais.
Nesse sentindo, Moita Lopes (2008) destaca que:
nenhuma língua experimentou o poder do inglês em termos de domínio
planetário. A estimativa é que mais de 1 bilhão de pessoas aprendam inglês
atualmente, de acordo com dados do Conselho Britânico de 2005
(www.weforum.org), sendo que 375 milhões falam inglês como primeira
língua (ainda que esteja cada vez mais difícil definir exatamente esse tipo de
inglês, como vou discutir posteriormente), e 750 milhões usem o inglês como
segunda ngua. As projeções são que, se o ritmo de desenvolvimento do inglês
global continuar, em 10 anos, mais 2 bilhões de pessoas vão falar esse idioma
(Graddol, 2006), chegando ao total de 3 bilhões de falantes no mundo (Lopes,
2008, p. 314).
O ensino do inglês sob a abordagem de ILF tende a ser mais inclusivo e flexível, uma
vez que não se baseia rigidamente nas normas dos falantes nativos. Isso torna a língua mais
acessível a uma ampla gama de estudantes e faz com que estes sintam-se confortáveis com o
fato de não terem que seguir padrões para aprenderem uma língua e a comunicarem-se
eficazmente.
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Tendo em vista essas características, o ensino da língua inglesa pela perspectiva do ILF
enfatiza o uso prático da língua como meio de comunicação internacional, não se concentrando
em orientações tidas como padrões nativos de falantes de inglês. A importância do ensino da
língua inglesa sob esse enfoque reside em diversos aspectos. O ILF registra que o inglês é usado
como uma língua franca em todo o mundo, portanto, os alunos precisam ser preparados para se
comunicarem de forma eficaz, não somente em ambiente global de educação, cultura, lazer,
viagens, negócios e afins, mas para sentirem-se inseridos em um contexto global de
comunicação de maneira confortável, segura e eficaz em situações de mundo real. Dessa
maneira, o ILF permite que os alunos compreendam e sejam compreendidos por um público
diversificado de falantes de inglês, o que é fundamental em um mundo cada vez mais
interconectado; isso amplia suas oportunidades de interação e colaboração em contextos
internacionais.
Por isso que, conforme ressalta Jordão (2010), resultante de algumas crenças, a
sociedade, mesmo com esforços institucionais e comunitários, está muito distante de falar inglês
ou proporcionar aos menos privilegiados a tão desejada mobilidade social e/ou econômica
mobilidade baseada no estatuto social da língua inglesa como uma commodity que permite
galgar degraus na estrutura social. Para tanto, elenca fatos com base das teorias pós-
colonialistas sobre a formação dos professores de inglês no Brasil:
Se tomamos, portanto, este amplo escopo das teorias pós-coloniais, veremos
que a formação/educação de professores, e mais especificamente a formação
de professores de inglês no Brasil, faz parte desse tecido, pelo menos quanto
aos seguintes aspectos:
A insistência na distinção colonial nativo e não-nativo perdura no campo das
teorias de aquisição de línguas e ensino de inglês como língua estrangeira
(EFL), principalmente no que diz respeito aos conteúdos a serem
ensinados/aprendidos e aos métodos de ensino e formação de professores. Tal
distinção e o destaque dado a ela ainda informam as identidades dos
professores de EFL, influenciando as maneiras como tais professores se
percebem na sociedade e como eles são vistos pelas comunidades de que
participam. O ensino de línguas estrangeiras, especialmente no caso do inglês,
coloca os não-nativos envolvidos localmente no processo de
ensino/aprendizagem em posições subalternas em relação à autoridade que os
falantes nativos supostamente teriam sobre sua própria língua; a língua
inglesa se tornou uma commodity no mundo (Jordão, 2004). Ela é comprada
e vendida como um objeto de consumo com base na crença de que o domínio
desta língua permite, inclusive aos cidadãos das classes sociais e culturas
menos privilegiadas, alcançar melhores posições na sociedade (May, 2001);
O conceito de letramento é geralmente equacionado a racionalidade e
habilidade intelectual” (Norton, 2007, p.9); essa crença coloca a língua inglesa
como a língua da ciência e da tecnologia e dela advém uma outra crença, ainda
mais perigosa a de que “pessoas letradas em inglês [poderiam ser
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consideradas] mais racionais e mais hábeis intelectualmente do que aquelas
que não sabem inglês” (Norton, 2007, p. 9);
O ensino/aprendizagem de EFL no Brasil tem sido via de regra a reprodução
de modelos de ensino/aprendizagem ditos internacionais a maioria deles
desenvolvidos no norte, ou seja, na Inglaterra e nos Estados Unidos; a
educação de professores de inglês tem seguido os mesmos modelos,
normalmente objetivando simplesmente desenvolver o “conhecimento para a
prática”, e apenas muito raramente preocupando-se com o “conhecimento da
prática (Cochran-Smith; Lytle, 1999) (Jordão, 2010, p. 428-429).
Jordão (2010) destaca sua crença profunda de que a característica localizada e
contextual de cada alternativa que se apresenta como solução possível, diante da noção freireana
de práxis como uma prática teórica e uma teoria prática, que:
Para Freire (1998, 1999) existe uma profunda interação entre teoria e prática,
tanto que chega a borrar a distinção entre as duas, e a trazer à tona a noção de
teoria como uma forma de prática. Isso significa que discussões teóricas e as
alternativas que tais discussões possibilitam o práticas em si mesmas, e
como tal constituem modos de saber e construir realidades. Outra implicação
da noção freireana de práxis é a reconceituação de agência em discurso, numa
compreensão de agência como uma prática reflexiva que desafia
constantemente, em vários campos ideológicos, seus próprios pressupostos e
desdobramentos, enfocando a transformação e constante reavaliação de
procedimentos interpretativos de construção de sentidos, e os conhecimentos
por eles produzidos (Jordão, 2010, p. 438).
Ao colocar ênfase na comunicação eficaz e na compreensão mútua, incentivando os
alunos a desenvolverem habilidades de escuta, fala, leitura e escrita, o ILF pode ajudar a
melhorar as competências comunicativas dos alunos em situações do mundo real em vários
contextos, inclusive, valorizando as variações linguísticas e confirmando que diferentes
sotaques, estilos e estruturas linguísticas podem coexistir e ser igualmente eficazes. Isso
contribui para uma abordagem mais inclusiva e respeitosa em relação às diferentes formas de
falar inglês em todo o mundo, inclusive afastando-se das normas e ideologia do falante nativo.
Nessa linha de pensamento, Santos e Siqueira (2019) apontam que:
a perspectiva de ILF é relevante para nosso contexto, sendo apontado os
seguintes princípios dentre aqueles a serem levados em consideração: o estudo
e a experiência comunicativa com diferentes variedades do inglês, reflexões
sobre questões de identidade e posse da LI, discussões acerca de como avaliar
habilidades produtivas que se distanciam das normas do falante nativo, a
natureza intercultural do inglês e questões de inteligibilidade (Santos;
Siqueira, 2019, p. 78).
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Os alunos podem ter diferentes necessidades linguísticas individuais, as quais o
professor não deve ignorar. É importante pensar o processo de ensino levando em consideração
essas necessidades individuais e esse cotidiano com a clareza de que para ensinar, o professor
deve empenhar-se em estabelecer as diferenças entre o conhecimento produzido historicamente
pelo conjunto da humanidade ou seja, o conhecimento científico e as experiências
cotidianas do aluno.
O estudante aprende quando relaciona, por meio da oposição, suas
experiências cotidianas com os tópicos relativos ao conhecimento
sistematizado pela humanidade que lhe são ensinados pelo professor. Esse
conhecimento modifica a sua vida cotidiana, mas não a suprime, ao contrário,
fortalece, na medida em que permite que ela seja pensada e, dessa forma,
articulada às experiências que a humanidade vem sistematizando no decorrer
da história. Quanto maior for a articulação, maiores serão as possibilidades de
mediação (Almeida; Oliveira; Arnoni, 2007, p. 118).
Contudo, tendo em mente que o inglês padrão ainda desempenha um papel fundamental
em muitos contextos como na comunicação global, negócios internacionais, educação
acadêmica, entre outros —, a decisão de não ensinar o inglês padrão na sala de aula deve ser
tomada com cuidado e com atenção aos objetivos e necessidades específicas dos alunos e
considerando o contexto educacional.
O professor de língua inglesa precisa estar ciente do seu importante papel político e
formador, procurando sempre motivar o estudante de língua inglesa a ter pensamento crítico
com relação ao aprendizado e buscar conhecimento acerca de outras culturas, inclusive dos
países hegemônicos de língua inglesa, para que possa formar opinião e trabalhar sob a
perspectiva de ILF. Siqueira (2005, p. 4) destaca que existe “[...] uma crítica vigorosa diante da
postura supostamente alienada e apolítica da maioria dos professores, onde a glorificação de
culturas estrangeiras, principalmente as culturas americana e britânica, se tornou uma máxima.”
Além de ciente de sua responsabilidade enquanto professor de língua inglesa, é
importante o professor estar atento aos desafios, ao discurso ideológico de estudos relacionados
à língua inglesa e sua relação com o ensino e aprendizagem, apresentando a concepção de seu
uso enquanto língua franca em sala de aula e tentar afastar a ideia do inglês padrão em estudos
de língua inglesa. Nessa perspectiva, Lopes (2008) destaca a importância de haver uma
valorização do professor não-nativo de inglês um dos pontos mais problemáticos na
formação de professores —, devido ao ideal inatingível de competência nativa para muitos
professores estrangeiros com os quais ainda se opera (Lopes, 2008, p. 329).
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Diante dessa possibilidade, surge um novo posicionamento por parte dos responsáveis
pelo processo de ensino e aprendizagem desse idioma tão falado e desejado no mundo inteiro.
Um posicionamento pautado em uma consciência crítica e bem orientada para a igualdade entre
os povos e classes sociais de todas as partes do globo. Igualdade esta que em nada tem a ver
com a assimilação de costumes e práticas únicas para todos ou que se ancora não na completa
identificação entre os seres, mas numa igualdade advogada em termos de valor e apreciação
dos indivíduos por serem todos seres humanos.
No ensino do ILF, o foco não é a pronúncia perfeita e de acordo com padrões nativos
britânicos ou norte-americanos, mas sim, na comunicação eficaz. O objetivo é permitir que os
falantes entendam ou compreendam, independentemente de seus sotaques ou origens
linguísticas, e, por isso, é importante reconhecer que o inglês pode ser usado em uma variedade
de contextos e para diversos fins. Observa-se que o inglês falado no mundo todo consiste em
uma comunicação intercultural, sendo importante ressaltar que o ensino da língua inglesa pode
incluir tanto metodologias tradicionais para determinadas situações, quanto metodologias de
um ensino sob a perspectiva de ILF para situações variadas, especialmente em situações de
mundo real. Nesse sentido:
A comunicação em ELF ocorre com os falantes utilizando estratégias
comunicativas e mobilizando seu repertório linguístico. As estratégias
comunicativas, ou estratégias pragmáticas, são usadas para negociar sentidos,
isto é, para superar dificuldades de comunicação. Durante a interação, os
interlocutores negociam sentidos ao acomodar seu discurso a fim de alcançar
um terreno comum. Eles utilizam estratégias comunicativas como paráfrase,
repetição e alternância de códigos (code-switching) para ajustar seu discurso
ao interlocutor. Essas estratégias são centrais na comunicação em ELF, que se
apoia na cooperação entre os falantes. Para os professores, promover a
conscientização sobre essas estratégias comunicativas em sala de aula pode
capacitar os aprendizes a interagir com outros usuários de ELF e a lidar com
possíveis rupturas na comunicação (Bordon, 2020, p. 40-41, tradução da
autora)
9
.
9
ELF communication takes place with the speakers using communicative strategies and drawing on their linguistic
repertoire. Communicative strategies, or pragmatic strategiesm are used to negotiate meaning, that is to overcome
communication difficulties. During communication, interlocutors negotiate meaning by accommodating their
discourse to reach common ground. They use communication strategies such as paraphrasing, repetition, and
code-switching to accommodate their discourse to the interlocutor. These strategies are key in ELF
communication, which relies on cooperation between speakers. For teachers, raising awareness of these
communication strategies in class can equip learners to interact with other ELF users and be ready to deal with
possible breakdowns in communication.
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O processo de ensino e aprendizagem de inglês como língua franca procura envolver
abordagens e metodologias específicas para o ensino, confirmando que o inglês é
frequentemente usado como meio de comunicação entre falantes do mundo todo. O ILF é uma
abordagem que procura valorizar a eficácia da comunicação, uma vez que as normas
linguísticas podem variar amplamente entre falantes não nativos.
Ademais, a conscientização sobre o ensino e a aprendizagem sob a perspectiva de ILF
envolve a aquisição e o uso da língua inglesa em diversos contextos, tanto que o ensino de ILF
geralmente baseia-se em uma abordagem comunicativa, onde o destaque é a compreensão
mútua e a comunicação bem-sucedida. Os aprendizes sob a perspectiva de ILF precisam ser
encorajados a compreender e se comunicarem efetivamente, independentemente da cultura e
do estilo de fala de seus interlocutores. Nessa linha de pensamento:
é possível constatar, como bem pontuam Jordão e Marques (2018, p. 55), que
a ideia de ILF não é mais concebida como uma variedade da LI, mas sim como
um contexto específico de uso da língua que produz formas da língua e
maneiras de interagir e comunicar muito diferentes daquelas esperadas em
contatos de interação tradicionais, no qual o construto do falante nativo é uma
referência absoluta. Dessa forma, as maneiras como usamos a língua são
dependentes do contexto, contexto aqui compreendido como um determinante
muito mais amplo do que o conceito tradicional de contexto como ‘situação
de uso’. Contexto, portanto, indica não apenas um espaço físico ou graus de
formalidade de culturas particulares, mas também indica dimensões afetivas,
históricas, cognitivas, espaciais, perceptivas, materiais, representacionais de
nossas ontologias e epistemologias, de como interlocutores compreendem e,
portanto, têm as práticas interacionais deles construídas (Santos; Siqueira,
2019, p. 67-68).
Os aprendizes de ILF devem ser orientados quanto ao emprego de recursos de
comunicação eficazes como reformulação, perguntas simples e gestos para superar
possíveis barreiras na comunicação. Sob o enfoque da consciência intercultural, a compreensão
das diferenças culturais e das normas de comunicação de outros povos é fundamental no
contexto do ILF.
Assim, observa-se que:
a perspectiva de ILF é relevante para nosso contexto, sendo apontado os
seguintes princípios dentre aqueles a serem levados em consideração: o estudo
e a experiência comunicativa com diferentes variedades do inglês, reflexões
sobre questões de identidade e posse da LI, discussões acerca de como avaliar
habilidades produtivas que se distanciam das normas do falante nativo, a
natureza intercultural do inglês e questões de inteligibilidade (Santos;
Siqueira, 2019, p. 78).
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Conhecer as possíveis diferenças culturais que podem afetar a comunicação pode ajudar
os alunos a desenvolver habilidades interculturais. Os aprendizes de ILF quando incentivados
a serem flexíveis em sua linguagem, adaptando-se às necessidades da situação e dos
interlocutores, possivelmente farão uso de linguagem mais simples e vocabulário universal.
Mesmo porque, como ressalta Siqueira (2018), os professores de inglês precisam desenvolver
o conhecimento, habilidade e disposição para tornarem-se produtores e não apenas
consumidores de conhecimento e materiais pedagógicos, procurando adotar outros
encaminhamentos que levem a uma prática descolonizada do ensino de língua inglesa:
E, assim, ao apontar para diversos encaminhamentos que possam levar a uma
prática de ELI descolonizada, Kumaravadivelu (2016) sugere um
ordenamento que, entre outras questões, deve contemplar ões como, por
exemplo, abandonar estudos comparativos sobre quem ensina melhor este ou
aquele aspecto da língua, muito comum quando se trata de ensino de
pronúncia, por conta de sotaques, conceber estratégias instrucionais
específicas de cada contexto, levando em consideração as exigências
históricas, políticas, sociais, culturais e educacionais locais, preparar materiais
didáticos que respondam às estratégias instrucionais concebidas por
profissionais locais, visibilizando o fato de que os livros produzidos nos
centros hegemônicos de ELI são instrumentos de propagação dos princípios
de métodos gestados nesses espaços, reestruturar programas de educação
docente existentes de modo que futuros professores de inglês possam
desenvolver conhecimento, habilidade e disposição para se tornarem
produtores, e não apenas consumidores, de conhecimento e materiais
pedagógicos, engajar-se em pesquisa proativa, não reativa, visando à redução
da brutal e exclusiva dependência dos sistemas de conhecimentos dos centros
hegemônicos, e assim por diante (Siqueira, 2018, p. 106).
Os recursos de ensino, materiais didáticos e atividades planejadas e aplicadas pelo
professor precisam ser frequentemente pensados para refletir a natureza da comunicação em
ILF; procurar amparar e orientar os aprendizes sob a perspectiva de ILF para lidarem com
situações reais de comunicação, diante de contextos diversificados é papel do professor.
Considerações Finais
As discussões aqui apresentadas permitem iniciar reflexões acerca das práticas
realizadas pelos professores no contexto de sala de aula. Mesmo, muitas vezes, sendo uma
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tarefa difícil incluir no contexto de ensino e aprendizagem em sala de aula, o ensino de língua
inglesa pode avançar muito com os estudos sob a perspectiva de ILF.
O ensino da língua inglesa sob a perspectiva de ILF vai ao encontro com a realidade
de que o inglês está presente em contextos diversos e seu papel social, sendo que, a conceituação
aqui utilizada para os preceitos de ILF possibilita reconhecer sua importância em estudos sobre
as suas implicações pedagógicas.
Aqui, entendemos que a perspectiva do ILF está alinhada a uma educação crítica, que
pode proporcionar um rompimento com ideias convencionais de ensino de língua inglesa,
podendo levar os professores a repensarem seus objetivos de ensino.
No contexto da sala de aula, ensinar sob a perspectiva de ILF pode ser considerado
também no ensino de habilidades linguísticas. Os alunos podem aprender habilidades de fala,
escrita e leitura numa perspectiva de mundo. São habilidades valiosas que facilitam a
comunicação intercultural, porque ao aprender a língua inglesa sob a perspectiva de diferentes
culturas e países em contato com pessoas do mundo todo pode-se promover a compreensão
intercultural e a tolerância; isso é de uma riqueza inigualável. O enriquecimento cultural é uma
das características mais importantes ao se aprender a língua inglesa sob essa perspectiva, o que
também permite que os alunos ampliem seus horizontes.
A língua inglesa desempenha um papel importantíssimo como ngua franca e tem se
tornado fundamental a abordagem sob a perspectiva de ILF no contexto da sala de aula para
preparar os alunos para o mundo. E, no campo educacional, diante de novas perspectivas, os
professores e os alunos podem construir olhares críticos sobre suas práticas.
Diante dessas perspectivas tão enriquecedoras, o ensino de língua inglesa pode estar
pautado em uma consciência crítica e bem orientada, no sentido de que a comunicação sob a
perspectiva do ILF considere o tratamento igualitário, respeitando a diversidade de todas as
culturas e as questões sociais entre povos de todos os países.
O ensino de língua inglesa sob a abordagem de ILF pode fazer com que falantes e
aprendizes sintam-se inseridos, valorizados e integrados diante dos padrões e costumes do
outro.
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por uma descolonização de concepções, práticas e atitudes. Línguas e Letras, v. 19, 2018.
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Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não se aplica.
Financiamento: CAPES.
Conflitos de interesse: Não se aplica.
Aprovação ética: Não se aplica.
Disponibilidade de dados e material: Não se aplica.
Contribuições dos autores: Keila Brito dos Santos Alba, participou na análise bibliográfica
e redação, considerando a epistemologia interpretativista e a tipologia documental, tendo
em vista que a pesquisa é qualitativa e construtivista social, voltada para os estudos da área.
A coautora, Dra. Nilva de Oliveira Brito dos Santos, contribuiu com a construção das
implicações pedagógicas voltadas para o ensino da língua inglesa, trazendo para o centro
da reflexão o processo de ensino e aprendizagem e, consequentemente, a mediação.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
1
ENGLISH AS A LINGUA FRANCA: THE IDEOLOGY OF STANDARD ENGLISH
AND CLASSROOM IMPLICATIONS
INGLÊS COMO LÍNGUA FRANCA: A IDEOLOGIA DO INGLÊS PADRÃO E
IMPLICAÇÕES PARA A SALA DE AULA
EL INGLÉS COMO LENGUA FRANCA: LA IDEOLOGÍA DEL INGLÉS ESTÁNDAR Y
SUS IMPLICACIONES EN EL AULA
Keila Brito dos Santos ALBA
1
e-mail: keilabsa@gmail.com
Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
2
e-mail: nilvaobs@gmail.com
How to reference this paper:
ALBA, K. B. S. English as a lingua franca: the ideology of
standard English and classroom implications. Rev. Entre
Línguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN:
2447-3529. DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
| Submitted: 23/11/2024
| Revisions required: 26/03/2025
| Approved: 15/10/2025
| Published: 21/12/2025
Editors:
Prof. Dr. Ivair Carlos Castelan
Prof. Dr. Rosangela Sanches da Silveira Gileno
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
State University of Maringá (UEM), Maringá – Paraná (PR) – Brazil. Graduate Program in Letters.
2
State University of Paraná (UNESPAR), ParanavParaná (PR) – Brazil. Professor with a Ph.D. in the Pedagogy
Program.
Keila Brito dos Santos ALBA and Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
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ABSTRACT: This paper reflects on English as a lingua franca, its conception, approach and
pedagogical implications. It also addresses the issue of the ideology of Standard English and
the perspective of the native speaker and non-native speaker in the context of speaking a
language in global situations. Relevant issues from the perspective of ELF, such as identity,
ideology and contemporaneity, breaking hegemonic patterns and an approach considered
outdated in English language teaching are covered in the production.
KEYWORDS: English as a lingua franca. Classroom. Ideology. Standard english.
RESUMO: Este artigo traz uma reflexão sobre o inglês como língua franca, sua concepção,
abordagem e implicações pedagógicas. Também aborda a questão da ideologia do inglês
padrão e a perspectiva do falante nativo e do não nativo no contexto de falante de um idioma
em situações globais. Questões relevantes sob a perspectiva de ILF, como identidade, ideologia
e contemporaneidade, com a finalidade de romper padrões hegemônicos e uma abordagem tida
como ultrapassada no ensino de língua inglesa, estão contempladas na produção.
PALAVRAS-CHAVE: Inglês como língua franca. Sala de aula. Ideologia. Inglês padrão.
RESUMEN: Este artículo presenta una reflexión sobre el inglés como lengua franca, su
concepción, enfoque e implicaciones pedagógicas. Asimismo, aborda la cuestión de la
ideología del inglés estándar y la perspectiva del hablante nativo y no nativo en el contexto del
uso de una lengua en situaciones globales. Se contemplan cuestiones relevantes desde la
perspectiva del ILF, como la identidad, la ideología y la contemporaneidad, con el objetivo de
romper patrones hegemónicos y superar un enfoque considerado obsoleto en la enseñanza de
la lengua inglesa.
PALABRAS CLAVE: Inglés como lengua franca. Aula. Ideología. Inglés estándar.
Keila Brito dos Santos ALBA and Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
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3
Introduction
This article presents reflections on English as a lingua franca, addressing its conception,
approaches, and pedagogical implications. It also examines the ideological issues surrounding
Standard English and the perspectives of native and non-native speakers. Key issues related to
English as a Lingua Franca (ELF), such as identity, ideology, and contemporaneity, are
discussed.
Given the challenges that English language teachers may face in classroom contexts,
this study is justified, as many ideologies surrounding English language teaching are still
strongly influenced by traditional models, centered on the ideology of Standard English and the
native speaker. As a product of British and American imperialism, the global spread of English
carries strong ideological features sustained by hegemonic countries with which other nations
maintain contact or dependency.
By proposing the teaching of English from a lingua franca perspective, teachers are first
encouraged to recognize the dominant ideologies intrinsic to the study of the English language
and to define the stance they will adopt in their teaching and learning practices.
Throughout this study, relevant contributions by Baker (2018), Bordon (2020), Cogo
(2012), Jordão (2010), Moita Lopes (2008), Santos and Siqueira (2019), Seidlhofer (2001), and
Siqueira (2018, 2023) are discussed in three stages: concepts related to ELF studies; the
ideology of Standard English and the native speaker; and pedagogical implications.
Conception, Conceptualization, and Nature
The use of English as a lingua franca occurs when individuals from different
nationalities and mother tongues use English as a means of communication to overcome
linguistic barriers and achieve mutual understanding. This is common in situations where
people from diverse backgrounds need to communicate, whether in commercial, academic,
tourism-related, or other global contexts.
English has become the primary language of international communication due to its
widespread use in business, science, technology, diplomacy, and entertainment. Given the
global nature of English, many people speak different varieties of the language, even within the
same country. Therefore, it is essential to move away from the notion of the ideal speaker and
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the idea that there is a single standard to be followed. In this regard, three characteristics of
Standard English should be highlighted:
01. It is an idealized unreal construct, which does not take into account
variation (changes made by users through use).
02. It is seen by those who impose it as being politically neutral, and accessible
to everyone yet, as the language spoken by the privileged classes, superior to
any other variety.
03. It is reinforced in education, since schools impose standard language by
awarding good grades to those who use it and poor grades to those who don’t
(Bordon, 2020, p. 55-56).
The conception and use of ELF represent an approach in which English is employed as
a means of communication among speakers of different mother tongues, differing from the idea
that English should be based on native-speaker norms and accents. ELF acknowledges that the
majority of English speakers worldwide are not native speakers and that English is
predominantly used as a global means of communication in international contexts. In this sense,
ELF has been defined as “any use of English among speakers of different first languages for
whom english is the communicative medium of choice, and often the only option” (Seidholfer,
2001, p. 7).
It is important for speakers to understand that such differences exist. At the same time,
communicative skills—such as listening and speaking comprehension, oral and bodily
expression—must be considered, and, beyond language itself, understanding cultural norms
and communication etiquette is essential to avoid misunderstandings and cultural offenses.
These aspects are particularly relevant in ELF contexts, where effective communication is a
core objective.
ELF speakers may employ creative strategies to facilitate communication with
interlocutors from different backgrounds. Within the ELF framework, several key
characteristics stand out, particularly the recognition and appreciation of linguistic diversity
among English speakers, allowing them to use their own varieties and linguistic structures
rather than strictly adhering to native English norms. In this context, “ELF awareness involves
seeing learners of English as users of English rather than learners trying to aiming at native-
speaker English” (Bordon, 2020, p. 44). This is because the primary emphasis of ELF is on
effective communication; English users focus on conveying meaning and ensuring
understanding, rather than striving for grammatical or phonetic perfection.
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It is also important to note that English is often considered an international language in
many contexts, including business, education, tourism, and social interaction. Regarding
English as an international language, Cogo (2012, p. 97, authors translation) emphasizes that:
“For business, studying, trading, socializing, or tourism, English is nowadays a truly
international language. […] this internalization of English has inevitable consequences, not
only for the way it is used but also the way it is taught.”
ELF takes into account the cultural and social differences among speakers and adapts
communication accordingly, promoting mutual understanding. It accepts a wide range of
accents and styles of English. Speakers are not judged based on accent or pronunciation, as long
as communication is clear. This includes native speakers who participate in ELF interactions
not as linguistic authorities, but as ELF users who adapt their English to be compatible with
that of other speakers. This is particularly relevant because the use of English as a lingua franca
is highly contextual: how English is used varies according to context, audience, and
communicative purpose. This variability demonstrates the flexibility and adaptability of ELF
speakers in different communicative practices, especially considering that languages are
constantly evolving across contexts. Speakers may alternate between varieties of English and
employ strategies of meaning negotiation. As highlighted:
Under the aegis of user empowerment, which destabilizes power relations
among the supposed owners of the language, I understand ELF as a
profoundly inter(trans)cultural phenomenon that materializes, par excellence,
in spaces where the desire to explore and accept differences in communication
should prevail, to relativize values and stances, and to develop the ability to
mediate contact among different groups in communicative practices (Baker,
2018 apud Siqueira, 2018, p. 99, our translation).
Accordingly, Siqueira (2018, p. 96, our translation) further argues that the global spread
of English is a transcultural phenomenon and, therefore, “transcends the traditional conception
of lingua franca, which is clearly anachronistic for a world that increasingly perceives itself as
multilingual and demands the power symmetry characteristic of interculturally sensitive
contexts.”
From an ELF perspective, it is also important to highlight the presence of native
speakers in interactions with interlocutors whose mother tongue differs from theirs. In such
transcultural dialogues, power relations must be neutralized, particularly given the active role
of users who continuously transform the language.
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Native Speaker and the Ideology of Standard English
It is essential to discuss the ideology of the native English speaker, as this ideology is
often associated with contexts in which native speakers are perceived as having higher linguistic
status, which may result in linguistic privilege. They may be preferred for employment,
educational opportunities, and other situations in which English plays a central role. In light of
this ideology, the following perspective is relevant:
We live in times of border ruptures, power negotiations, and unpredictability.
From my perspective, in this regard, the “center–periphery” route, precisely
because of the global expansion of the English language, has increasingly been
forced to operate on other bases of power. One example is the dethroning of
the native speaker who, even against the wishes of many, has been stripped of
their aura of divinity and now inhabits the space of mortals; that is, they are
placed on an equal footing with any English user from anywhere in the world.
Uncertainty is our companion, ready-made models no longer interest us, and
binaries belong to the past (Siqueira, 2018, p. 109-110, our translation).
For contextualization purposes, native English speakers may not be the central focus in
discussions of ELF; however, they can still play an important role. Native-speaker ideology in
relation to ELF varies widely. Regarding the acceptance of linguistic diversity, many native
English speakers are aware of such diversity and of the need to adapt to specific communicative
contexts. They may adopt more inclusive and tolerant attitudes toward non-native accents and
speech styles. Nevertheless, in many situations, the valorization of British and American
English persists as an underlying ideology. In practice, British English itself encompasses a
wide range of accents, dialects, and speech styles, reflecting the linguistic diversity of the
United Kingdom and its communities. Indeed, certain linguistic features are often associated
with British English and are influenced by historical, social, and regional factors.
What is particularly relevant in this discussion is that it destabilizes the status
of the native speaker and their norm, aligning well with a theoretical stance
that situates English at the margins. In this sense, Mignolo (2000) highlights
that “the national values placed on languages… no longer correspond to the
transnational experience of a significant part of the population, nor to their
translinguistic experience,” drawing attention to the considerable strength of
English outside the United States and England, as well as Spanish outside
Spain and French in the Francophone world (Mignolo, 2000: 239) (Lopes,
2008, p. 328, our translation).
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British English is often associated with tradition and linguistic conservatism and is
frequently perceived as more formal than some other varieties of English. This perception can
be attributed to the influence of British historical, social, and imperial realities. Considering
English as an imperial instrument, it is observed that:
The role of English in the contemporary world is explained by the importance
of the British Empire in the nineteenth century and the early twentieth century,
as well as by the global predominance of the United States economy after
World War II, generating a form of neocolonialism or imperialism. This
historical and economic moment extends until the end of the twentieth century
and takes on new directions in what has come to be called globalization,
although there are many ways of understanding the meaning of this term
(Lopes, 2008, p. 313, our translation).
From the perspective of Standard English and its ideology, Bordon (2020, p. 56-58)
emphasizes that Standard English is one variety of English, linguistically equivalent to any
other. Received Pronunciation (RP) was often considered the prestige standard, while regional
accents were frequently stigmatized. Fortunately, attitudes toward this issue have changed over
time, and many varieties of British English are now valued and appreciated for their cultural
diversity. As with all languages, British English continues to evolve. The influence of media,
migration, and globalization has affected the language, leading to changes in vocabulary,
pronunciation, and grammar.
A similar situation occurs with General American (GA). The expectation that only
high-prestige GA should be recognized in the classroom denies aspects of students’ identities
as non-native speakers of English. Non-native accents are present among the vast majority of
English speakers worldwide and should be acknowledged and discussed in English classes. In
this sense, Bordon (2020, p. 57, authors translation) highlights that “the exclusive use of
Standard English and RP or GA accents limits learners denies them opportunities for self-
expression, and denies aspects of their identity.”
It is important to note that British English is not a single ideology but rather a diverse
collection of linguistic varieties that reflect the complexities and nuances of British society.
Each person who speaks English in the United Kingdom may hold their own perspective and
attitude toward the language, which is constantly evolving.
Moreover, because English is used in a wide range of contexts, native speakers are aware
of its global importance and may adopt an open attitude toward linguistic diversity. Like all
languages, English is in constant change and evolution, continuously incorporating new words,
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expressions, and modes of communication. English displays a wide range of regional variations
in accents, dialects, and vocabulary. Native speakers may have a strong attachment to the accent
and dialect of their region of origin, but they are also generally able to understand and adapt to
different varieties of English. Many native speakers recognize the importance of
multilingualism and value the learning of other languages; they may also adopt a positive
attitude toward accessibility and effective communication, especially when interacting with
non-native speakers of English. Regarding communication in ILF, the following considerations
apply:
Two important points need to be addressed in relation to this characterisation
of ELF as a form of intercultural communication. First, and most obviously,
this entails that ELF is not culturally or identity ‘neutral’, as has been
suggested by some ELF researchers (e.g.House, 2014). To claim that there is
such a thing as neutral communication is to misunderstand the nature of
communication as a social practice. All communication, intercultural or
otherwise, involves participants whose identities will be present in the
interaction in one way or another. Furthermore, communication is a form of
cultural practice and so will necessarily involve drawing on, constructing and
negotiating culturally based frames of reference and communicative practices
(Baker, 2018, p. 27).
Given the diversity of native English speakers worldwide, it is not possible to fully
generalize their attitudes and linguistic ideologies. Each individual may hold distinct
perspectives and experiences related to the English language.
The acronym ILF represents much more than the use of English as a means of
communication among people with different mother tongues in intercultural contexts. It is
important to note that the concept of ILF focuses on the function of English as an effective
means of communication, regardless of speakers’ linguistic backgrounds. Therefore, native
speakers of English are not necessarily the central focus of ILF discussions, although they may
play a significant role. As highlighted by Siqueira (2018):
In the now well-established reinterpretations of the term, Seidlhofer (2011, p.
7) conceives ILF as “any use of English among speakers of different mother
tongues for whom the language is the chosen means of communication and
generally the only option.” Cogo and Dewey (2012, p. 8), in turn, define ILF
as “the use of English in contexts where the language functions as a contact
language among speakers from varied linguistic backgrounds who normally
do not share another common language” (Siqueira, 2018, p. 98-99, our
translation).
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Understanding the culture and context of English speakers is fundamental to ILF.
English speakers may be sensitive to the cultural norms, communicative expectations, and
modes of expression of their interlocutors. Many view interaction in ILF contexts as an
opportunity for mutual learning, in which all participants can enhance their linguistic and
cultural skills.
However, it is important to emphasize that attitudes toward ILF may vary considerably
among English speakers. Some may adopt a more traditionalist stance and prefer conventional
linguistic norms, while others may embrace a more open and inclusive approach. The ILF
concept emphasizes communicative effectiveness in English, regardless of speakers’ origins.
Consequently, native-speaker ideologies regarding ILF can vary widely, with many being open
to linguistic and cultural diversity and prioritizing effective communication. The ideology of a
native English speaker may differ substantially, as individuals hold diverse opinions, values,
and beliefs. English is spoken in many countries around the world, and native speakers may
have very different cultural backgrounds and life experiences. For this reason, Santana (2020,
p. 166, our translation) observes that ILF “is an indication that the world is highly
heterogeneous.”
Pedagogical implications of english language teaching from an ILF
perspective
Framing a discussion on the pedagogical implications of language teaching—and, in the
present study, of the English language—necessarily requires placing the teaching–learning
process and, consequently, mediation at the center of reflection. From a critical perspective,
“teaching is the relationship that the teacher establishes with knowledge, and learning is the
relationship that the student establishes with knowledge” (Almeida; Oliveira; Arnoni, 2007, p.
111, our translation). Students can learn insofar as someone—namely, the teacher—teaches
them. It is the teachers responsibility to develop the teaching process, whose purpose is student
learning.
English language teaching is an important discipline in many parts of the world due to
the predominant role of English as the main language of communication. From this perspective,
English as a lingua franca refers to the use of English as a means of communication among
people with different mother tongues worldwide. In an ILF context, individuals use English as
a communicative tool, often in international and multicultural situations.
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In this regard, Moita Lopes (2008) emphasizes that:
No language has experienced the power of English in terms of planetary
dominance. It is estimated that more than one billion people are currently
learning English, according to data from the British Council in 2005
(www.weforum.org), of whom 375 million speak English as a first language
(although it is increasingly difficult to define exactly what this type of English
is, as will be discussed later), and 750 million use English as a second
language. Projections indicate that, if the pace of global English development
continues, within ten years an additional two billion people will speak the
language (Graddol, 2006), reaching a total of three billion speakers worldwide
(Lopes, 2008, p. 314, our translation).
Teaching English from an ILF approach tends to be more inclusive and flexible, as it is
not rigidly based on native-speaker norms. This makes the language more accessible to a wide
range of learners and helps students feel comfortable with the fact that they do not need to
follow fixed standards in order to learn a language and communicate effectively.
Given these characteristics, English language teaching from an ILF perspective
emphasizes the practical use of the language as a means of international communication, rather
than focusing on guidelines regarded as native-speaker standards. The relevance of teaching
English under this approach lies in several aspects. ILF recognizes that English is used as a
lingua franca worldwide; therefore, students need to be prepared to communicate effectively
not only in global contexts of education, culture, leisure, travel, business, and related areas, but
also to feel included in a global communicative context in a comfortable, confident, and
effective manner in real-world situations. In this way, ILF enables learners to understand and
be understood by a diverse audience of English speakers, which is essential in an increasingly
interconnected world. This broadens their opportunities for interaction and collaboration in
international contexts.
For this reason, as Jordão (2010) points out, based on certain beliefs, society—even with
institutional and community efforts—remains far from speaking English or providing less
privileged groups with the much-desired social and/or economic mobility, a mobility grounded
in the social status of English as a commodity that allows individuals to climb the social
hierarchy. To support this argument, Jordão draws on postcolonial theories regarding the
education of English teachers in Brazil, highlighting that:
If we take this broad scope of postcolonial theories, we will see that teacher
education—and more specifically the education of English teachers in
Brazil—is part of this fabric, at least in the following respects:
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The persistence of the colonial distinction between native and non-native
speakers in theories of language acquisition and English as a Foreign
Language (EFL) teaching, particularly with regard to what content should be
taught/learned and the methods of teaching and teacher education. This
distinction, and the emphasis placed on it, continue to shape EFL teachers’
identities, influencing how they perceive themselves in society and how they
are perceived by the communities in which they participate. Foreign language
teaching, especially English, places locally involved non-native participants
in the teaching–learning process in subordinate positions in relation to the
authority supposedly held by native speakers over their own language;
English has become a global commodity (Jordão, 2004). It is bought and sold
as a consumer good, based on the belief that mastery of the language enables
even individuals from less privileged social classes and cultures to achieve
better positions in society (May, 2001);
The concept of literacy is generally equated with “rationality and intellectual
ability” (Norton, 2007, p. 9). This belief positions English as the language of
science and technology and gives rise to another, even more dangerous
belief—that “people literate in English [could be considered] more rational
and more intellectually capable than those who do not know English” (Norton,
2007, p. 9);
EFL teaching and learning in Brazil has, as a rule, reproduced so-called
international teaching–learning models—most of them developed in the
Global North, that is, in England and the United States. English teacher
education has followed the same models, usually aiming simply to develop
“knowledge for practice” and only very rarely addressing “knowledge of
practice” (Cochran-Smith; Lytle, 1999) (Jordão, 2010, p. 428-429, our
translation).
Jordão (2010) further emphasizes a strong belief in the localized and contextual nature
of each alternative presented as a possible solution, grounded in the Freirean notion of praxis
as both theoretical practice and practical theory, arguing that:
For Freire (1998, 1999), there is a profound interaction between theory and
practice, to the point of blurring the distinction between them and bringing
forth the notion of theory as a form of practice. This means that theoretical
discussions and the alternatives they enable are practices in themselves and,
as such, constitute ways of knowing and constructing realities. Another
implication of the Freirean notion of praxis is the reconceptualization of
agency in discourse, understood as a reflexive practice that constantly
challenges its own assumptions and unfoldings across various ideological
fields, focusing on transformation and the continuous reassessment of
interpretive procedures for meaning-making and the knowledge they produce
(Jordão, 2010, p. 438, our translation).
By emphasizing effective communication and mutual understanding, and by
encouraging students to develop listening, speaking, reading, and writing skills, ILF can help
enhance learners’ communicative competence in real-world situations across diverse contexts.
This includes valuing linguistic variation and affirming that different accents, styles, and
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linguistic structures can coexist and be equally effective. Such an approach contributes to a
more inclusive and respectful view of the multiple ways English is spoken around the world,
moving away from native-speaker norms and ideologies.
In this line of reasoning, Santos and Siqueira (2019) point out that:
The ILF perspective is relevant to the present context, and the following
principles are highlighted among those to be considered: the study of and
communicative experience with different varieties of English; reflections on
issues of identity and ownership of English; discussions on how to assess
productive skills that diverge from native-speaker norms; the intercultural
nature of English; and issues of intelligibility (Santos; Siqueira, 2019, p. 78,
our translation).
Students may have different individual linguistic needs, which teachers should not
overlook. It is essential to conceive the teaching process by taking these individual needs into
account and by understanding everyday classroom practices with the clarity that, in order to
teach, the teacher must strive to establish distinctions between historically produced knowledge
by humanity as a whole—namely, scientific knowledge—and students’ everyday experiences.
Students learn when they relate, through contrast, their everyday experiences
to topics related to knowledge that has already been systematized by humanity
and is taught by the teacher. This knowledge transforms their everyday life but
does not suppress it; on the contrary, it strengthens it insofar as it enables
everyday life to be reflected upon and, thus, articulated with the experiences
humanity has systematized throughout history. The greater this articulation,
the greater the possibilities for mediation (Almeida; Oliveira; Arnoni, 2007,
p. 118, our translation).
Nevertheless, considering that Standard English still plays a central role in many
contexts—such as global communication, international business, and academic education—the
decision not to teach Standard English in the classroom must be made cautiously, with careful
attention to students’ specific goals and needs and to the educational context.
English teachers must be aware of their important political and formative role,
continually encouraging learners to develop critical thinking regarding language learning and
to seek knowledge about other cultures, including those of hegemonic English-speaking
countries, so that they can form informed opinions and work from an ILF perspective. Siqueira
(2005, p. 4, our translation) points out that there is “[...] a strong critique of the supposedly
alienated and apolitical stance of most teachers, in which the glorification of foreign cultures—
especially American and British cultures—has become a maxim.”
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In addition to being aware of their responsibilities as English teachers, educators must
also remain attentive to challenges and to ideological discourses related to English and its
relationship with teaching and learning. This involves presenting the conception of English as
a lingua franca in the classroom and seeking to distance English language studies from an
exclusive focus on Standard English. From this perspective, Lopes (2008) emphasizes the
importance of valuing the non-native English teacher—one of the most problematic issues in
teacher education—due to the unattainable ideal of native-like competence that still prevails for
many foreign teachers (Lopes, 2008, p. 329).
Within this framework, a new stance emerges among those responsible for the teaching
learning process of this widely spoken and highly desired language. This stance is grounded in
critical awareness and oriented toward equality among peoples and social classes worldwide.
Such equality has nothing to do with the assimilation of uniform customs and practices, nor is
it based on complete identification among individuals, but rather on an equality advocated in
terms of value and appreciation of individuals as human beings.
In ILF-oriented teaching, the focus is not on perfect pronunciation according to British
or North American native-speaker standards, but on effective communication. The aim is to
enable speakers to understand and be understood regardless of their accents or linguistic
backgrounds. Therefore, it is essential to recognize that English can be used in a wide range of
contexts and for multiple purposes. English as spoken worldwide constitutes an intercultural
form of communication, and English language teaching may incorporate both traditional
methodologies for certain situations and ILF-oriented methodologies for varied contexts,
especially real-world situations. In this regard:
ELF communication takes place with the speakers using communicative
strategies and drawing on their linguistic repertoire. Communicative
strategies, or pragmatic strategiesm are used to negotiate meaning, that is to
overcome communication difficulties. During communication, interlocutors
negotiate meaning by accommodating their discourse to reach common
ground. They use communication strategies such as paraphrasing, repetition,
and code-switching to accommodate their discourse to the interlocutor. These
strategies are key in ELF communication, which relies on cooperation
between speakers. For teachers, raising awareness of these communication
strategies in class can equip learners to interact with other ELF users and be
ready to deal with possible breakdowns in communication (Bordon, 2020, p.
40-41).
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The teaching and learning process of English as a lingua franca involves specific
approaches and methodologies, reaffirming that English is frequently used as a means of
communication among speakers worldwide. ILF is an approach that seeks to value
communicative effectiveness, given that linguistic norms may vary widely among non-native
speakers.
Moreover, awareness of teaching and learning from an ILF perspective involves the
acquisition and use of English in diverse contexts. Consequently, ILF teaching is generally
grounded in a communicative approach, in which mutual understanding and successful
communication are emphasized. Learners within an ILF framework need to be encouraged to
understand and communicate effectively, regardless of their interlocutors’ cultural backgrounds
or speech styles. In this line of reasoning:
as Jordão and Marques (2018, p. 55) aptly point out, the notion of ILF is no
longer conceived as a variety of English, but rather as a specific context of
language use that produces linguistic forms and ways of interacting and
communicating that differ significantly from those expected in traditional
interactional encounters, in which the native-speaker construct serves as an
absolute reference. Thus, the ways in which language is used are context-
dependent, with context understood here as a determinant far broader than the
traditional concept of context as a “situation of use.” Context therefore refers
not only to physical spaces or degrees of formality in particular cultures, but
also to affective, historical, cognitive, spatial, perceptual, material, and
representational dimensions of our ontologies and epistemologies—how
interlocutors understand and, consequently, how their interactional practices
are constructed (Santos; Siqueira, 2019, p. 67-68, our translation).
ILF learners should be guided in the use of effective communicative resources—such
as paraphrasing, asking simple questions, and using gestures—to overcome potential
communication barriers. From an intercultural awareness perspective, understanding cultural
differences and the communicative norms of other peoples is fundamental in the ILF context.
Accordingly, it is observed that:
the ILF perspective is relevant to our context, and the following principles are
highlighted among those to be considered: the study of and communicative
experience with different varieties of English; reflections on issues of identity
and ownership of English; discussions on how to assess productive skills that
diverge from native-speaker norms; the intercultural nature of English; and
issues of intelligibility (Santos; Siqueira, 2019, p. 78, our translation).
Awareness of potential cultural differences that may affect communication can help
learners develop intercultural skills. ILF learners, when encouraged to be flexible in their
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language use by adapting to situational and interlocutor needs, are likely to employ simpler
language and more universal vocabulary. As Siqueira (2018) emphasizes, English teachers must
develop the knowledge, skills, and willingness to become producers—not merely consumers—
of knowledge and pedagogical materials, seeking alternative pathways that foster a decolonized
practice of English language teaching:
Thus, by pointing to various pathways that may lead to a decolonized practice
of English language teaching, Kumaravadivelu (2016) proposes a framework
that, among other aspects, should include actions such as abandoning
comparative studies on who teaches specific aspects of the language better—
common in pronunciation teaching due to accent-related issues; conceiving
instructional strategies specific to each context, taking into account local
historical, political, social, cultural, and educational demands; preparing
teaching materials that respond to instructional strategies designed by local
professionals, making visible the fact that textbooks produced in hegemonic
ELT centers serve as instruments for disseminating principles of methods
developed in those spaces; restructuring existing teacher education programs
so that future English teachers can develop the knowledge, skills, and
willingness to become producers rather than mere consumers of knowledge
and pedagogical materials; engaging in proactive rather than reactive research
aimed at reducing the harsh and exclusive dependence on knowledge systems
from hegemonic centers; and so forth (Siqueira, 2018, p. 106, our translation).
Teaching resources, instructional materials, and activities planned and implemented by
teachers must be consistently designed to reflect the nature of communication in ILF contexts.
Supporting and guiding learners from an ILF perspective to deal with real-life communicative
situations across diverse contexts is a central responsibility of the teacher.
Final Considerations
The discussions presented here allow for the initiation of reflections on classroom
practices carried out by teachers. Although incorporating ILF-oriented perspectives into
classroom teaching and learning may often be challenging, English language teaching can
advance significantly through studies grounded in the ILF framework.
Teaching English from an ILF perspective aligns with the reality that English operates
across diverse contexts and fulfills a social role. The conceptualization adopted here regarding
ILF principles enables recognition of their importance in studies on pedagogical implications.
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From this standpoint, the ILF perspective is understood as aligned with critical
education, as it enables a break from conventional ideas of English language teaching and
encourages teachers to rethink their instructional objectives.
In the classroom context, teaching from an ILF perspective can also be applied to the
development of linguistic skills. Learners can acquire speaking, writing, and reading skills from
a global perspective—skills that are highly valuable in facilitating intercultural communication.
Learning English through engagement with different cultures and countries and through
interaction with people worldwide can promote intercultural understanding and tolerance,
which constitutes an unparalleled form of enrichment. Cultural enrichment is one of the most
significant characteristics of learning English from this perspective, as it also allows learners to
broaden their horizons.
The English language plays a crucial role as a lingua franca, and adopting an ILF
perspective in the classroom has become essential to prepare learners for the contemporary
world. Within the educational field, and in light of new perspectives, teachers and students are
able to develop critical views of their own practices.
In view of these highly enriching perspectives, English language teaching can be
grounded in a critical and well-informed awareness, such that communication from an ILF
perspective promotes equitable treatment while respecting cultural diversity and the social
realities of peoples across all countries.
Teaching English through an ILF approach can enable speakers and learners to feel
included, valued, and integrated when engaging with the standards and cultural practices of
others.
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por uma descolonização de concepções, práticas e atitudes. Línguas e Letras, v. 19, 2018.
Keila Brito dos Santos ALBA and Nilva de Oliveira Brito dos SANTOS
Rev. EntreLínguas, Araraquara, v. 11, n. 00, e025010, 2025. e-ISSN: 2447-3529
DOI: 10.29051/el.v11i00.19838
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Funding: CAPES.
Conflicts of interest: Not applicable.
Ethical approval: Not applicable.
Data and material availability: Not applicable.
Authors’ contributions: Keila Brito dos Santos Alba contributed to the bibliographic
analysis and writing, grounded in interpretivist epistemology and documentary typology,
considering that the research is qualitative and socially constructivist, focused on studies in
the field. The co-author, Dr. Nilva de Oliveira Brito dos Santos, contributed to the
development of pedagogical implications for English language teaching, placing the
teaching–learning process and, consequently, mediation at the center of the discussion.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, standardization and translation