Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 1
DESCONFIANÇA DA URNA ELETRÔNICA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE
SÃO PAULO DE 2020
DESCONFIANZA DE LA MÁQUINA DE VOTACIÓN ELECTRÓNICA EN LAS
ELECCIONES MUNICIPALES DE SÃO PAULO 2020
DISTRUST OF THE ELECTRONIC VOTING MACHINE IN THE 2020 SÃO PAULO
LOCAL ELECTIONS
Rosemary SEGURADO1
e-mail: roseseg@uol.com.br
Fabrício AMORIM2
e-mail: fabrimorim@gmail.com
Carlos RAÍCES3
e-mail: craices12@gmail.com
Como referenciar este artigo:
SEGURADO, R.; AMORIM, F.; RAÍCES, C. Desconfiança da
urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-
ISSN: 1982-4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379
| Submetido em: 31/10/2022
| Revisões requeridas em: 29/09/2023
| Aprovado em: 13/10/2023
| Publicado em: 30/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Pós-doutora em
Comunicação Política pela Universidad Rey Juan Carlos de Madrid. Pesquisadora do Núcleo de Artes, Mídia e
Política (NEAMP-PUCSP). Profa. Dra. do Programa de Estudos Pós-graduandos em Ciências Sociais da Pontifícia
Universidade Católica da São Paulo e da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP).
Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Jornalista. Mestre
e Doutorando em Ciências Sociais pela PUC/SP. Pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política
(NEAMP-PUSP). Editor assistente na Revista Aurora.
Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Jornalista. Mestre
em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Artes, Mídia
e Política (NEAMP-PUCSP).
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 2
RESUMO: O Brasil conta com poucas pesquisas sobre recepção de desinformação.
Acreditamos que compreender os efeitos produzidos por esse tipo narrativo traz uma
contribuição que amplia a compreensão da complexidade desse fenômeno. Nesse sentido, a
pesquisa realizada durante as eleições municipais de São Paulo de 2020 teve como objetivo
analisar as fontes de informação consultadas pelos eleitores e verificar como se posicionavam
em relação à desinformação. Para a realização do estudo foram adotadas duas técnicas de
pesquisa: grupo de discussão e entrevista em profundidade. A metodologia de grupo de
discussão é das mais adequadas por permitir que se compreenda as atitudes e comportamentos
de grupos inseridos em uma dada realidade social. As entrevistas em profundidade permitem a
conversação com pessoas que podem oferecer informações relevantes para o objetivo da
pesquisa. Foram utilizados roteiro de entrevista semiestruturada e selecionados dois perfis
ideológicos, progressista e conservador, subdivididos por idade e classificação socioeconômica.
PALAVRAS-CHAVE: Urnas. Eleições municipais. Desinformação. Conservadorismo-
progressismo.
RESUMEN: Hay poca investigación en Brasil a cerca de la recepción de la desinformación.
Creemos que comprender los efectos producidos por este tipo de narrativa nos ofrece una
contribución que amplía la comprensión de la complejidad de este fenómeno. Así, la
investigación realizada durante las elecciones municipales de São Paulo tuvo como objetivo
analizar las fuentes de información de los electores y verificar cómo se posicionaron frente a
la desinformación. Para realizar el estudio se adoptaron dos técnicas de investigación: grupo
de discusión y entrevista en profundidad. La metodología de grupos de discusión es la más
adecuada ya que permite comprender las actitudes y comportamientos de los grupos dentro de
una determinada realidad social y las entrevistas en profundidad permiten conversar con
personas que pueden ofrecer información relevante para el objetivo de la investigación. Se
utilizó un guion de entrevista semiestructurada y se seleccionaron dos perfiles ideológicos,
progresista y conservador, subdivididos por edad y clasificación socioeconómica.
PALABRAS CLAVE: Sistema electoral. Elecciones locales. Desinformación.
Conservadorismo-progresismo.
ABSTRACT: Brazil has few surveys on the reception of disinformation. Understanding the
effects produced by this type of narrative can bring a contribution that allows understand the
complexity of this phenomenon. In this sense, the research carried out during the local elections
in the city of São Paulo aimed to analyze the sources of information most consulted by voters
and to verify how they positioned themselves in relation to disinformation. To carry out the
study, two research techniques were adopted: discussion group and in-depth interview. The
discussion group methodology is the most appropriate as it allows one to understand the
attitudes and behaviors of groups within a given social reality and in-depth interviews allow
conversations with people who can offer information relevant to the research objective. A semi-
structured interview script was used and two ideological profiles were selected, progressive
and conservative, subdivided by age and socioeconomic classification.
KEYWORDS: Electoral system. Local elections. Disinformation. Conservatism. Progressism.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 3
Introdução
Durante a eleição municipal de 2020 na cidade de São Paulo, o NEAMP (Núcleo de
Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP) realizou pesquisa com eleitoras e eleitores para
entender a dieta informacional durante o processo eleitoral. Além de compreender como os
eleitores buscavam informações sobre o pleito, também buscou-se captar o comportamento dos
eleitores em relação à desinformação.
Embora no período das eleições de 2020 o tema fraudes no sistema eleitoral não
apresentasse forte marca no debate público, foi possível detectar sua presença em peças de
desinformação nas redes sociais. No presente artigo abordaremos a construção da narrativa em
torno das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral desde as eleições municipais em São Paulo, o
que nos auxilia compreender o movimento dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro,
liderança que intensificou os ataques ao sistema eleitoral e, particularmente, às urnas eletrônicas
a partir de fevereiro de 2021, conforme observado em estudos recentes (RECUERO, 2020; FGV
DAPP, 2020; DOURADO, 2021).
O objetivo da pesquisa foi compreender os valores atitudinais e comportamentais dos
eleitores progressistas e conservadores do município de São Paulo (INGLEHART; BAKER,
2000). A motivação dos pesquisadores partiu da carência de estudos sobre a dieta informacional
de eleitores durante processos eleitorais, considerando a importância do consumo informacional
nesse período sobre as questões relacionadas ao pleito e, principalmente, pelo crescimento
significativo do compartilhamento de fake news e desinformação nas eleições presidenciais de
2018, conforme é possível observar em diversos estudos (RECUERO, 2020; DOURADO,
2020, RUEDIGER, 2019).
A pesquisa adotou duas técnicas metodológicas: o grupo de discussão e a entrevista em
profundidade por considerá-las adequadas para se alcançar os objetivos da pesquisa. Foram
realizados 6 grupos de discussão (online) com progressistas; 1 grupo com conservadores; 3
entrevistas em profundidade com progressistas; 7 entrevistas em profundidade com
conservadores, sendo todos eleitoras e eleitores nas seguintes faixas etárias: 16 a 24 anos; 25 a
35; 36 a 45; 46 a 55 anos, todos on-line, dadas as restrições impostas pelo período da pandemia
de COVID-19.
Os participantes dos grupos de discussão e os informantes das entrevistas em
profundidade foram definidos por compartilharem características nos perfis ideológicos
conservadores e progressistas, tendo passado por um filtro de recrutamento prévio, com uma
bateria de questões socioeconômicas e ideológicas. Os termos conservadorismo-progressismo
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 4
são entendidos aqui como díades relacionais propícias para o entendimento de valores e
comportamentos dos entrevistados. A pesquisa qualitativa foi escolhida por ser a que mais se
adequa ao estudo de recepção e nos permite aprofundar essas percepções (BAUER; GASKELL,
2008).
Para a seleção dos entrevistados apresentamos um filtro dividido em duas partes: a
primeira parte foi composta com perguntas para a identificação socioeconômica e questões
relacionadas a gênero, raça, renda, escolaridade e hábitos de consumo de mídias. Na segunda
parte do filtro, destacamos questões polêmicas do debate social e político da última década no
país com o objetivo de identificar o posicionamento político e ideológico no intuito de
categorizá-los como conservadores ou progressistas.
Durante a realização dos grupos de discussão e das entrevistas em profundidade
aplicávamos o roteiro e, em uma das etapas, apresentávamos para avaliação dos participantes
imagens no formato de memes divulgados nas redes digitais. Foram apresentadas as 3 principais
peças de desinformação que circularam nas redes digitais durante o período da pesquisa.
Tratavam-se de peças de desinformação selecionadas a partir do levantamento realizado por
agências de checagem de fatos, dados e declarações (CONCEIÇÃO, SEGURADO, 2020)
Desinformação, é importante ressaltar, não deve ser pensada como sinônimo de fake
news, conforme apontam Wardle e Drakhashan (2017). Inicialmente, as autoras consideram o
termo fake news impreciso. Se olharmos o campo da notícia (news) e do jornalismo, um dos
princípios que norteiam os profissionais é que quando a informação é falsa não deveria ser
veiculada, tendo em vista que a prática jornalística pressupõe procedimentos de
verificação/checagem dos fatos. Além disso, é fundamental pensarmos que políticos se
apropriam e vulgarizaram o termo fake news acionando-o quando são questionados por seus
atos, seja pelo jornalista ou por qualquer cidadão que problematize suas decisões ou
manifestações.
A desinformação é caracterizada por uma intencionalidade (WARDLE;
DRAKHASHAN, 2017), ou seja, frequentemente é usada para atingir a reputação de
indivíduos, grupos ou até mesmo um país considerado adversário. Essa estratégia está cada vez
mais presente na política em âmbito internacional e tem se apresentado como preocupação de
segmentos progressistas da sociedade, considerando os impactos gerados no debate entre
diferentes atores, grupos e instituições. Na mesma perspectiva, Allcott e Gentzkow (2017)
definem o fenômeno como artigos noticiosos que são propositalmente falsos, reforçando a ideia
da intencionalidade na produção da falsificação.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 5
Em outra perspectiva, Guess, Nyhan e Reifler (2018) apontam para “um novo tipo de
desinformação política marcada por uma dubiedade factual”. Para os autores, as pessoas tendem
a consumir notícias que reforçam suas opiniões, seus pontos de vista sobre diferentes aspectos
da realidade. Essa dinâmica funciona como uma espécie de viés de confirmação que ocorre
quando os indivíduos buscam informações para dar suporte a suas próprias ideias ou crenças.
A desinformação opera para reafirmar crenças e ideias no âmbito de disputas políticas
e em ambientes fortemente polarizados, e tende a alimentar as chamadas bolhas, impedindo que
haja um debate aberto e democrático entre contrários. Essa dinâmica faz implodir pontes,
diálogos, debates com alguma consistência para além de meras opiniões infundadas, aspecto
que pode ser danoso, dependendo da amplitude de sua expansão. Pode chegar a linchamentos
de reputação e até mesmo de eliminação física daquele com quem se discorda, gerando um
ambiente hostil, polarizado e extremamente perigoso.
Outra perspectiva importante é que conteúdos falsos e desinformação influenciam na
configuração do debate social e político em virtude do alcance; “eles precisam mobilizar um
grande número de públicos incluindo testemunhas, aliados, reações e compartilhamentos,
bem como adversários para contestar, sinalizar e desmentir” (BOUNEGRU et al., 2017,
tradução livre). Considerando o amplo uso das tecnologias digitais para o compartilhamento de
desinformação, é preciso enfatizar a importância que esses dispositivos ocupam no processo de
compartilhamento da desinformação. Nesse aspecto, é fundamental debatermos o papel central
dos mediadores sociotécnicos nesse processo, como os algoritmos e a inteligência artificial. Os
mecanismos automatizados, ampliados pela presença da inteligência artificial, são cada vez
mais importantes e alteram a percepção do que é recebido e compartilhado nas diferentes
plataformas de mídias digitais.
Parisier (2011) nos ajuda a compreender os chamados filtros/bolhas e seus potenciais
riscos à sociedade democrática. As operações algorítmicas possuem processos de filtragem de
conteúdos e exercem uma espécie de direcionamento daquilo que deve ser visto pelos usuários
nas dias sociais. Além disso, é importante perceber que essa lógica dos filtros tem
influenciado até mesmo os meios de comunicação que, cada vez mais, buscam estratégias para
ganhar espaço entre diferentes grupos. O autor afirma que a tela dos computadores atua como
uma “uma espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de
nossos cliques feitas por observadores algorítmicos” (PARISIER, 2011, p. 50).
Significa dizer que os algoritmos atuam como uma espécie de filtro, de curadoria que
direciona a atenção dos usuários a determinados conteúdos, provocando uma espécie de edição
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 6
da realidade com a ampliação de exposição a conteúdos desinformativos. A lógica algorítmica
atua invisivelmente, baseada nas informações fornecidas pelos próprios usuários nas redes a
partir das chamadas pegadas digitais que deixam registrados os rastros de dados gerados pelos
acessos a sites, aplicativos, fóruns de arquivos, entre outros. Os dados são fundamentais para a
formação do big data, que pode ser compreendido como o processo de coleta, armazenamento,
organização e análise de um grande volume de dados usados para ações estratégicas de grupos
ou empresas com o objetivo de direcionar campanhas mais assertivas para influenciar grupos
específicos.
Vale lembrar que os escândalos envolvendo a empresa Cambridge Analytica,
responsável pelo marketing político da campanha de 2016 que elegeu o ex-presidente dos EUA
Donald Trump, trouxe à tona os métodos utilizados pelo uso do big data e a análise de dados,
demonstrando que o rastreamento dos comportamentos humanos por meio dos rastros digitais
possibilita realizar predições e influenciar opiniões e comportamentos e, como observado
naquele pleito, pode alterar os resultados eleitorais.
Farkas e Schou (2019) apontam que as fake news são componentes intrínsecos nas lutas
políticas contemporâneas e que os políticos utilizam esse termo para deslegitimar e atacar seus
opositores. Baseados nos estudos de Laclau sobre populismo, os autores afirmam que o termo
fake news atua como espécie de significante flutuante, o que permite ser utilizado por políticos
de extrema direita em relação a seus opositores, por exemplo, contra a grande mídia, quando
essa crítica a propagação de desinformação produzida por eles. Ao acusar os veículos de
imprensa, esse perfil de liderança busca deslegitimar, desacreditar e associar esses veículos a
seus opositores.
Outro fator importante é que os indivíduos recebem as informações de pessoas
consideradas confiáveis, ou seja, que possuem alguma proximidade e que são consideradas
referências acima de qualquer tipo de suspeita. O contexto também é muito importante para
aumentar ou diminuir a credibilidade nessas informações. Nota-se que em momentos de tensão
social e política, as pessoas tendem a ficar mais vulneráveis à desinformação e às notícias
fraudulentas. Bruno e Roque (2019) afirmam que até mesmo os que acreditam com ressalvas
no conteúdo ou aqueles que não se importam se a notícia é falsa ou verdadeira, podem
compartilhá-la, desde que esteja em consonância com o que pensam a respeito do conteúdo
recebido.
Bail (2018) afirma que a participação dos algoritmos na formação das bolhas em
dinâmicas políticas polarizadas também deve considerar que esses dispositivos filtram os
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 7
conteúdos baseados nas preferências dos usuários, sendo fundamental pensar que as buscas por
determinados conteúdos funcionam como um viés de confirmação para validar nossas ideias ou
concepções pré-estabelecidas, independentemente de qualquer processo de verificação ou
checagem, podendo fazer com que esses usuários reforcem suas convicções.
É importante destacar que o processo de sofisticação e velocidade na criação de
dispositivos tecnológicos na produção e disseminação de desinformação traz um conjunto de
preocupações, principalmente para os processos políticos eleitorais.
Apesar das fake news causarem um dano assustador, o uso da
inteligência artificial e técnicas de aprendizado profundo que deram
origem às deepfakes, permite a criação rápida e de alta qualidade de
conteúdos digitais falsos, tal o potencial de alterar a verdade e desgastar
a confiança, dando “autenticidadeàs fake news (HASAN; SALAH,
2019).
O aprendizado de máquinas apresenta desafios significativos para a sociedade e não
somente para a comunidade de pesquisadores, tendo em vista que os impactos causados por
esses dispositivos afetam diversas dimensões da vida social e política, considerando que essas
ferramentas vão se tornando populares e acessíveis (PATRINI et al., 2018).
Os possíveis efeitos em relação a conteúdos enganosos ou falsos são mais eficazes à
medida que trazem emoções fortes, como medo, raiva e acabam sendo fatores importantes para
aumentar o compartilhamento e, consequentemente, o engajamento se torna mais potente. Esse
tipo de fenômeno tem sido abordado em estudos que mostram a influência dessas práticas no
debate político e foi verificado também em nosso estudo com os eleitores durante as eleições
de 2020 no município de São Paulo.
Breve contextualização do debate sobre a segurança das eleições no Brasil
O questionamento da segurança das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral de maneira
geral não é novo no país, como dito. Ocorre desde a implantação do sistema de votação
eletrônica em 1996, mas ganhou maior repercussão nos pleitos presidenciais de 2014, com a
reação do então candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) na polarização
com o Partido dos Trabalhadores (PT) e em 2018, refletindo as mudanças na configuração das
forças políticas (SANTOS, 2017; TARAUCO, 2022; LIMA et al., 2019).
A polarização entre PT e PSDB pode ser situada durante os anos 1990 e se mantém entre
as duas agremiações partidárias até as eleições de 2014. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 8
(PSDB) venceu sua primeira eleição presidencial, tendo sido reeleito em 1998, tendo seu
principal adversário nos dois pleitos Luis Inácio Lula da Silva (PT).
Sem conseguir fazer o sucessor em 2002, o PSDB teve seu candidato José Serra
derrotado por Luís Inácio Lula da Silva. Começava o ciclo do Partido dos Trabalhadores na
presidência do país. Nas eleições de 2010 Lula conseguiu fazer sua sucessora para dar
continuidade a seu projeto político. Dilma Rousseff (PT) foi eleita em um pleito bastante
conflituoso que sinalizava um momento em que o antagonismo entre as duas forças políticas
mudava de patamar e ganhava contornos mais agressivos (COUTO, 2014; REIS, 2014;
BORGES; VIDIGAL, 2018).
Durante aproximadamente 20 anos, a polarização entre PT e PSDB praticamente
monopolizou o debate político do país, sendo que as demais forças políticas se articulavam, em
certa medida, em torno desses dois projetos políticos. Ao longo desse período, podemos
identificar momentos de grandes tensões, conflitos e posicionamentos antagônicos em relação
a diversos temas de interesse nacional. No entanto, é importante ressaltar que até 2014 a disputa
entre os dois partidos se realizava dentro do jogo democrático, mesmo que em alguns momentos
pontuais seja possível identificar a intensificação da disputa pela hegemonia (ALVES, 2010).
Nas eleições presidenciais de 2014, Aécio Neves (PSDB) foi derrotado por Dilma
Rousseff (PT) por pequena diferença de votos e não aceitou o resultado das urnas. O PSDB
entrou com pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando acesso a diversos
documentos, além de realizar auditoria em 684 urnas, conforme consta no relatório de auditoria
das eleições de 2014. Esse momento pode ser considerado um divisor de águas nos
questionamentos em relação à segurança das urnas eletrônicas, considerando que o
levantamento de suspeitas existentes, até então, partiam de grupos políticos minoritários,
influenciados pelas teorias da conspiração, que sempre buscavam colocar em xeque os
princípios básicos da ordem democrática com o objetivo claro de criar instabilidade para
questionar os processos eleitorais como a escolha direta dos representantes por meio do voto
universal. A suspeição das eleições passava a ganhar outras dimensões e pudemos observar que
nos últimos anos vem se transformando em um dos novos elementos da radicalização de forças
conservadoras e de extremistas do país. Movimento que o cientista político Wanderley
Guilherme dos Santos (2017) notara ao traçar o roteiro do golpe parlamentar de 2016, que se
apoia no discurso conservador de rejeição ao progresso econômico das classes vulneráveis
esculpido em discurso contra a corrupção. “Primeiro acusam os vitoriosos de fraude eleitoral,
depois, de corrupção” (p. 34).
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 9
O questionamento à lisura do processo eleitoral e às instituições como o TSE,
responsável por garantir a integridade e transparência das eleições brasileiras, passaram a ser o
foco central da crítica de lideranças políticas, principalmente pelos conservadores. Começava
a ganhar corpo a narrativa de que as urnas eletrônicas não são auditáveis, portanto podem ser
fraudadas, a exemplo do que supostamente havia ocorrido em 2014, mesmo que o TSE
tivesse finalizado as investigações sem detectar nenhuma fraude nas urnas.
Segundo estudiosos dos sistemas eletrônicos do voto, esse tipo de argumento não se
justifica. Ao contrário, demostraram que as urnas eletrônicas permitem a ampliação da
transparência e da agilidade no processo de divulgação dos resultados dos sufrágios, tendo o
processo de votação e envio dos resultados várias etapas de verificação do voto até a divulgação
do resultado final.
Todas as áreas de acesso ao interior das urnas eletrônicas são lacradas para assegurar a
inviolabilidade. Qualquer tentativa de fraude tem de quebrar mais de 30 barreiras de proteção
durante o período do processo eleitoral, que passam por lacres físicos da urna; testes de software
por várias equipes; abertura do código fonte; cadeia de segurança em hardware; projeto de
hardware e software dedicados à eleição; criptografias em várias etapas; derivação de chaves
da urna; embaralhamento dos votos no RDV; boletim de urna impresso; conferência de hash e
assinatura digital; conferência no dia da eleição da autenticidade e da integridade dos programas
instalados na urna.
A questão, como apontado, ultrapassa o aspecto técnico. O questionamento da
segurança das urnas eletrônicas se constitui como pano de fundo para uma estratégia mais ampla
de suspeição das eleições como pilar fundamental da sociedade democrática e, a partir desse
mecanismo, passar a questionar os pleitos e colocar em dúvida o processo político, deslegitimar
o voto eletrônico, questionar as eleições com base em teorias conspiratórias e fragilizar a
democracia representativa.
Para os setores mais radicalizados à direita, o processo eleitoral se constitui como um
momento importante para o questionamento da democracia (NICOLAU, 1988). Essa estratégia
pode ser verificada em âmbito internacional e expressa um padrão nos discursos
ultraconservadores, uma espécie de cartilha adotada por esse espectro ideológico, como visto
com Donald Trump, em 2020, nos EUA, com Jeanine Áñez, na Bolívia, em 2019, com Keiko
Ver mais em: “Urna eletrônica tem mais de 30 camadas de segurança”. Disponível em:
https://www.tre-sp.jus.br/imprensa/noticias-tre-sp/2021/Junho/urna-eletronica-tem-mais-de-30-camadas-de-
seguranca-1. Acesso em: 09 out. 2021.
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 10
Fujimori, em 2021, no Peru. É possível notar que esses candidatos adotam um discurso baseado
na lógica da desestabilização do processo eleitoral por meio do caos gerado a partir da avalanche
de desinformação amplamente compartilhada nas mídias sociais.
Parte dessa estratégica tem por objetivo se afirmar como representantes antissistema, o
que não deve ser confundido com os movimentos de mesmo cunho da década de 1990. Uma
das principais vozes do movimento antissistema é Steve Bannon (preso no fim de 2021 nos
EUA acusado de lavagem de dinheiro, conspiração e esquema de fraude), que assessorou
Donald Trump, e esteve à frente de redes de propagação dos valores da extrema direita pelo
mundo. Bannon, que manteve contato próximo com a família Bolsonaro, declarou no evento
"Cibersimpósio de Mike Lindell", organizado pela extrema direita americana em agosto de
2021, que "Bolsonaro vai vencer" a disputa de 2022 pela presidência "a menos que seja
roubado"
.
Esse tipo de discurso abre caminho para que lideranças políticas autoritárias aspirem
governar sem o respaldo das urnas, e, na eventualidade de um resultado contrário que aponte
derrota, ameaçam insuflar o povo para contestar os resultados eleitorais oficiais, instrumento
que foi largamente utilizado pelo candidato Jair Bolsonaro durante a campanha à reeleição de
2022 e após sua derrota, culminando nos atos violentos e antidemocráticos de 08/01/2023.
Causar instabilidade no cenário eleitoral é parte da lógica de atuação dos grupos
ultraconservadores e é por meio da produção de narrativas disruptivas que essas lideranças se
legitimam como antissistema. A recorrente fala de Jair Bolsonaro - “vou acabar com tudo isso
que está aí” - indica a estratégia de desestabilizar as instituições e procedimentos democráticos.
O questionamento às urnas eletrônicas não é recente. Projetos de lei pelo voto impresso
em complemento as urnas eletrônicas não começaram com Bolsonaro. Tramitaram no
Congresso nos anos de 2009 e 2015
, mas foram revogados ao serem julgados inconstitucionais
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2013 e 2018, respectivamente.
Também não é exatamente novidade Jair Bolsonaro fazer esse tipo de questionamento.
Em 2015, quando deputado federal, apresentou uma proposta de emenda à Constituição para
que houvesse a impressão do registro do voto. Portanto, as urnas deveriam passar a imprimir o
comprovante de votação, conferidos pelo próprio eleitor e, posteriormente, depositado em um
recipiente lacrado. Esse movimento, que recebeu apoio de parte do Exército brasileiro, foi
Ver mais em UOL - https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/08/24/pf-monitora-ataques-urnas-
bannon-estrategista-trump.htm?cmpid=copiaecola). Acesso em: 16 set. 2021.
Mais em Folha de S. Paulo - https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/05/testado-em-2002-voto-impresso-
causou-confusao-e-tornou-urna-eletronica-vulneravel-a-fraude.shtml. Acesso em: 27 jul. 2021.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 11
contestado por diversos grupos. Para ficarmos em experiências mais recentes, trabalho de
Figueiredo, Silva e Carvalho (2022) intitulado The forensics of fraud: Evidence from the 2018
Brazilian presidential election, levou a uma série de testes matemáticos os resultados das
eleições 2018, não tendo sido constatado indícios de irregularidades nas urnas eletrônicas. Em
uma investigação sobre os códigos-fonte do sistema eletrônico de votação, especialistas da
Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE)
“atestaram a segurança e auditabilidade dos sistemas e dos
equipamentos que irão registar os votos dos brasileiros”. Testes de integridade das urnas
eletrônica realizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o primeiro turno das eleições
gerais de 2022 em 641 urnas igualmente demostraram eficiência do uso do sistema eletrônico.
Desinformação sobre as urnas eletrônicas: as redes digitais nas eleições municipais de São
Paulo em 2020
O Brasil conta com poucas pesquisas sobre recepção de desinformação. Compreender
os efeitos produzidos por esse tipo narrativo traz uma contribuição que amplia o entendimento
a respeito da complexidade desse fenômeno. Nesse sentido, a pesquisa realizada durante as
eleições municipais de São Paulo do ano de 2020 tinha o objetivo de analisar as fontes de
informação mais consultadas pelos eleitores e verificar como se posicionavam em relação à
desinformação que circulava nos aplicativos das redes digitais no período.
A pesquisa adotou duas técnicas: a de grupo de discussão e a de entrevista em
profundidade. O grupo de discussão é um dos métodos mais apropriados para alcançar os
resultados desejados, considerando que permite compreender atitudes e comportamentos em
grupos inseridos em uma dada realidade social. Seu uso foi fundamental para alcançar os
objetivos da pesquisa e poder entender as estratégias adotadas pelos informantes-entrevistados
para compor as respectivas dietas informacionais. A técnica de discussão em grupo foi realizada
adotando o formato europeu, no qual os participantes interagiram e o moderador direcionou o
diálogo
Os participantes dos grupos de discussão e os informantes das entrevistas em
profundidade foram definidos por compartilharem características comuns dentro dos perfis
ideológicos estabelecidos pela pesquisa entre conservadores e progressistas, tendo passado por
um filtro de recrutamento prévio com uma bateria de questões socioeconômicas e ideológicas.
Mais informações em: https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2022/08/25/unicamp-usp-e-ufpe-chancelam-
seguranca-das-urnas-eletronicas
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 12
Para a seleção dos entrevistados, apresentamos um filtro dividido em duas partes: a primeira
foi composta por perguntas para a identificação socioeconômica e questões relacionadas a
gênero, raça, renda, escolaridade e hábitos de consumo de mídias.
Na segunda parte do filtro, destacamos questões polêmicas do debate social e político
da última década no país com o objetivo de identificar o posicionamento político e ideológico
no intuito de categorizá-los como conservadores ou progressistas. Nessa parte, apresentamos
algumas frases para que nos informassem a partir da seguinte escala: concordo totalmente;
concordo parcialmente; discordo parcialmente; discordo totalmente e nem concordo, nem
discordo. Também incluímos uma pergunta para autoidentificação ideológica: se se considera
de direita, de centro ou de esquerda e a possibilidade de uma resposta espontânea, caso não
quisesse declarar seu posicionamento
.
Buscando ampliar a oferta de análise e alcançar os resultados esperados, optamos pela
metodologia de pesquisa qualitativa por ser a que mais se adequa ao estudo de recepção e nos
permite aprofundar essas percepções (BAUER; GASKELL, 2008). Em nossa pesquisa
qualitativa com grupos de discussão e entrevistas em profundidade para compreender as
principais fontes de informações utilizadas pelos eleitores da cidade de São Paulo, verificamos
a dieta informacional, a percepção sobre a circulação de notícias falsas e a desinformação
durante o processo eleitoral.
O sistema eleitoral tem angariado grande engajamento entre os usuários e tende a resistir
com o passar dos anos (FGV DAPP, 2020), superando retóricas falsas como ocorrido com “kit
gay” ou “ideologia de gênero”, temas verificados nas eleições de 2018. O negacionismo sobre
o processo eleitoral e a temática das urnas eletrônicas retomados em 2018, com forte incremento
nas eleições de 2022, reforçou o caminho de uma violência simbólica que faz dos adversários
inimigos e promove uma escalada de boatos e desinformação que busca confundir e prejudicar
a diferenciação de verdade factual, fake news e pós verdade (DA EMPOLI, 2019).
Durante a realização dos grupos de discussão e das entrevistas em profundidade
aplicamos roteiro no qual, em uma das etapas, eram apresentadas imagens no formato de meme
divulgadas nas redes digitais para avaliação dos participantes. Foram selecionadas as três peças
desinformativas que mais circularam nas redes sociais no recorte temporal da pesquisa, sendo
que duas se concentravam no tema das urnas eletrônicas. Apresentamos aqui o resultado da
análise de uma das imagens.
Para os procedimentos metodológicos ver Fake News & Desinformação nas eleições de 2020 em:
https://www.editorafi.org/ebook/515fakenews
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 13
Imagem 1
Fonte: Agência Pública
A imagem 1 acima foi a que mais suscitou debate nos grupos de discussão onde os
participantes teceram considerações sobre o sistema eleitoral, sendo possível identificar
diferença no posicionamento dos dois grupos, conservadores e progressistas. Cabe lembrar que
em razão da preservação do anonimato dos sujeitos, não são identificados os participantes nas
falas apresentadas.
Desacreditar as urnas
O tema das urnas eletrônicas já circulava no ecossistema das redes sociais desde 2014,
elevando-se fortemente no período das eleições de 2018, tendo uma retomada no período das
eleições municipais de 2020 (FGV DAPP, 2020, p. 11). Interessante notar que conteúdos de
descrença na urna eletrônica obtiveram engajamento mesmo em anos não eleitorais
(DOURADO et al., 2021, p. 16), estratégia adotada por defensores do voto impresso para
manter uma base de seguidores unida. Diante disso, buscamos compreender como os eleitores
se posicionam frente a esse assunto. Em seu eixo estão a desconfiança nos mecanismos de
funcionamento das urnas eletrônicas e da segurança e transparência no processo eleitoral.
Mecanismo notado em especial entre os participantes dos grupos conservadores que têm na
chave da antipolítica (AVRITZER, 2020) um modus operandi de seu funcionamento.
Apresentamos a imagem 1 divulgada nas redes digitais e outros meios de comunicação
ao grupo de entrevistados. O uso da imagem que diz serem apenas 3 os países que utilizam urna
eletrônica foi essencial, uma vez que buscamos compreender a recepção da desinformação
sobre as urnas eletrônicas e se ela interferiria no pleito eleitoral.
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 14
A imagem apresentada trouxe posicionamentos diversos no que se refere às urnas
eletrônicas, com participantes com perfil conservador demonstrando maior empatia com o
tema, enquanto progressistas apresentaram maior suspeição em relação ao conteúdo. Entre os
conservadores a posição não foi unânime, tendo sido apresentado posicionamento contrário à
demanda por voto impresso, favorável ao voto impresso, de desconfiança nas urnas e no
processo eleitoral e de manipulação do resultado das eleições. Entre 10 conservadores, 3 foram
veementes em apontar a imagem como mentira, os 3 pertencentes ao único grupo de
conservadores que aceitou se reunir virtualmente. Se 3 perceberam desinformação na imagem,
quatro participantes demonstraram claro receio quanto à segurança das urnas eletrônicas,
defendendo emissão de algum tipo de comprovante ou mesmo o fim das urnas eletrônicas por
serem passíveis de manipulação, tendo um conservador de 30 anos afirmado que a informação
apresentada no meme preocupa “porque os dois outros países são países tidos como ditaduras
socialistas”. Um outro eleitor conservador se referiu à imagem como “informativa” e dois
disseram não saber se a imagem é verdadeira porque não haviam visto em outras mídias. Ainda
entre os conservadores, um dos entrevistados do grupo de 16 a 24 anos assegurou que “Cuba e
Venezuela não são democracias”, de onde deriva seu temor em relação às urnas.
O tema das urnas tem aparecido nos debates nas redes para desacreditar o processo
eleitoral, comentou um participante conservador do grupo de 46 a 55 anos, ao lembrar que o
tema esteve no discurso de Bolsonaro em 2018. “O Aécio tinha questionado a eleição da
Dilma”, lembrou outro participante de perfil conservador.
Os discursos dos que desconfiam do processo eleitoral via urnas eletrônicas tem como
justificativa a defesa do aprimoramento do sistema e da democracia. Sobre esse aspecto
escrevem Levitsky e Ziblatt (2018) que “uma das grandes ironias de como as democracias
morrem é que a própria defesa da democracia é muitas vezes usada como pretexto para a sua
subversão” (LEVITSKY; ZIBLAT, 2018, p. 94).
Os grupos progressistas exprimiram reação mais coesa, assegurando a falsidade do
material apresentado. Os entrevistados desse espectro apressaram-se em utilizar palavras como
“fake news”, “mentira”, “motivo de risada” para se referirem à desinformação apresentada.
Levantamento do Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA)
revela que
26 dos 178 países usam o voto eletrônico, sendo que outros 16 utilizam a tecnologia em pleitos
Ver mais em IDEA: https://www.idea.int/data-tools/question-view/742. Acesso em: 05 ago. 2021.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 15
regionais. De acordo com a verificação da Agência Lupa
, Cuba tem um sistema eleitoral com
votação impressa, enquanto na Venezuela é híbrido, com voto eletrônico seguido da etapa de
voto impresso depositado em urna para a denominado “verificação cidadã”.
A desinformação sobre urnas eletrônicas em Cuba, Venezuela e Brasil circula nas redes
sociais pelo menos desde 2018, quando data a primeira checagem feita pela Agência Aos
Fatos
.
A disseminação de conteúdos falsos nas redes sociais favorece a preservação de um
clima de opinião favorável, permanentemente passível ao contato com essas publicações
(GOMES; DOURADO, 2019). O ato de partilhar informações nos ambientes digitais estabelece
o local em que os discursos em conflito são autorizados e desautorizados numa dinâmica que
depende da visibilidade dada pelos próprios usuários (RECUERO, 2020).
A deslegitimação do modelo eletrônico de votação discutido a partir da exposição da
desinformação sobre as urnas eletrônicas não prevaleceu entre os conservadores com uma
“impressão de consenso”, como também foi verificado por Recuero (2020, p. 385) em outra
pesquisa sobre desinformação e urnas eletrônicas, mas apareceu entre poucos conservadores.
Um conservador, da faixa etária de 36 a 45 anos, destacou que a “intenção é
descredibilizar a urna eletrônica”. A palavra “mentira” foi mencionada por uma pessoa,
conservadora, 36 a 45 anos, e por um homem conservador da faixa de 46 a 55 anos: “não recebi
(o post), mas é mentira”. Segundo este entrevistado, a deslegitimação da urna eletrônica tem
como propósito “colocar dúvida sobre o processo eleitoral” e “gerar dúvida no processo
democrático”. Ele justifica sua visão a partir da ideia de interesses políticos na criação de
incertezas, fato que ele espontaneamente associou a Bolsonaro. Na visão deste conservador,
Bolsonaro vale-se da estratégia de deslegitimar as urnas eletrônicas prevenindo-se da
possibilidade de derrota nas eleições de 2022.
Observamos maior desconfiança em relação às urnas eletrônicas no grupo de discussão
na faixa etária de 16 a 24 anos e também na faixa etária de 46 a 55 anos. Um conservador
homem no intervalo de idade mais jovem se antecipou à sua manifestação de incerteza
justificando que não era um “terraplanista de urna eletrônica” e relacionou naturalmente sua
visão da urna eletrônica com a do presidente da República: “acredito que deveria ter além da
votação na urna eletrônica, algo que comprove aquela votação, vide aquela proposta do atual
Ver mais em Agência Lupa: https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/09/30/verificamos-brasil-urnas-
eletronicas/. Acesso em: 05 ago. 2021.
Ver mais em Aos Fatos: https://apublica.org/checagem/2018/06/truco-imagem-falsa-diz-que-so-tres-paises-
tem-voto-eletronico/. Acesso em: 06 ago. 2021.
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 16
presidente Bolsonaro, enquanto era deputado ainda, com relação ao voto impresso.
Principalmente pra comparar e ver a eficácia”.
Jair Bolsonaro (PL) colocou em dúvida as urnas eletrônicas no processo eleitoral de
2018
. Ao final da campanha que o elegeu, afirmou que não admitiria desfecho diferente do
que a sua vitória
. Durante o mandato, assegurou ter vencido no primeiro turno das eleições,
apontando para uma suposta fraude eleitoral para a qual nunca apresentou provas
, apesar de
ter afirmado por muito tempo tê-las
. O então presidente da República, em live em rede social
convocada para a apresentação das provas, acabou por não as demonstrar
, mas insistiu no
discurso de desestabilização. Sobre a segurança das urnas, a Polícia Federal não encontrou
registros de fraudes em suas investigações
.
Definindo-se por um olhar “radical” acerca das urnas eletrônicas, outro jovem
conservador apresentou perspectiva semelhante, com a argumentação de que o modelo
eletrônico de votação é uma “máquina de dar golpe” que “qualquer um pode fraudar”. O
entrevistado ainda defendeu o procedimento de apuração por voto impresso. Um entrevistado
conservador, 46 a 55 anos, alegou não ter convicção da segurança na urna eletrônica, pois
considera o sistema frágil: “não transmite 100% de confiança”. De acordo com o entrevistado,
o STF e alguns veículos de comunicação tratam as pessoas como “ignorantes”, sendo que
muitos desses órgãos de imprensa não mostram o lado “positivo” do governo Bolsonaro.
Ao contrário do seu discurso de deslegitimação das urnas, Jair Bolsonaro defendeu o
modelo eletrônico no ano de 1993
para combater fraudes. O oportunismo de ocasião do ex-
presidente, encontrando uma bandeira para sinalizar ao eleitorado, parece ser uma estratégia
para ocultar as reais intenções de enfraquecimento da democracia.
A autoridade do líder que origina um discurso falso é um ponto de legitimação a seus
apoiadores, de acordo com Recuero (2020). A deslegitimação das urnas eletrônicas ocasiona
incerteza no processo eleitoral, combalindo a democracia no Brasil (RECUERO, 2020, p. 388).
Ver mais em Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/07/bolsonaro-diz-eleicoes-estarao-
de-qualquer-maneira-sob-suspeicao.shtml?origin=folha. Acesso em: 09 ago. 2021.
Ver mais em El País Brasil: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/28/politica/1538156620_841871.html.
Acesso em: 10 ago. 2021.
Ver mais em Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/sem-apresentar-provas-
bolsonaro-diz-que-houve-fraue-eleitoral-e-que-foi-eleito-no-1o-turno.shtml. Acesso em: 10 ago. 2021.
Ver mais em Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/06/4930103-bolsonaro-
eu-fui-eleito-no-1-turno--eu-tenho-provas-materiais-disso.html. Acesso em: 10 ago. 2021.
Ver mais em Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=NimDa_Xs6Xg. Acesso em: 29 ago. 2021.
Ver mais em Estadão: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,pf-se-recusa-a-mostrar-registros-de-
irregularidades-nas-urnas-eletronicas,70003787578. Acesso em: 12 ago. 2021.
Ver mais em O Globo: https://oglobo.globo.com/epoca/ha-25-anos-bolsonaro-defendeu-informatizar-
apuracao-das-eleicoes-para-combater-fraudes-23160301. Acesso em: 12 ago. 2021.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 17
O então presidente Bolsonaro ameaçou as instituições ao afirmar que o Brasil pode ter
um “problema pior”
que a violência a que assistimos na sede do Legislativo dos Estados
Unidos após a derrota de Donald Trump. Outra ameaça veio do ministro da Defesa, General
Walter Braga Netto, que em mensagem ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira
(Progressistas-AL) comunicou que não haveria eleições em 2022 se o voto impresso “auditável”
não estivesse em vigor
. Braga Neto foi candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro
(PL) em 2022. Segundo Bolsonaro, eleições “democráticas” ocorreriam com “contagem
pública de votos”
. Essas declarações foram dadas poucos dias após o discurso do então
presidente da República (18 de julho de 2022) a embaixadores convocados ao Palácio do
Planalto, quando Bolsonaro reforçou sem provas o questionamento ao sistema eleitoral.
É de se notar nesse período eleitoral como as Forças Armadas tomaram para si a
incumbência não constitucional de atuar como fiscalizadoras das eleições, tendo falado
inicialmente ter auditado as urnas. Ao ser questionado e intimado pelo presidente do Superior
Tribunal Eleitoral (TSE) a apresentar o relatório de auditoria das urnas, o Ministério da Defesa
alegou ter realizado uma fiscalização, e não auditoria. O relatório foi entregue após o
segundo turno das eleições sem comprovar fraudes nas urnas.
Outro elemento observado nos discursos do campo conservador foi o temor da
aproximação do Brasil com países “socialistas/comunistas”, o que seria corroborado pelo meme
apresentado. Um eleitor conservador de 21 anos disse: “além da urna, deveria ter um
comprovante. A informação de 3 países usarem (a urna eletrônica), me deixa mais
desconfiado e propenso a querer comprovação de voto”, relata, apesar de ponderar que
“imagem não gera confiabilidade”.
Há um ecossistema de fontes para confirmação de notícias que dificilmente escapam às
“bolhas” como se referem os próprios entrevistados. Quando saem das bolhas, buscam a
confirmação das informações em páginas de busca ou portais da grande imprensa. Como
Ver mais em Estadão: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,se-nao-tiver-voto-impresso-em-2022-
vamos-ter-problema-pior-que-eua-diz-bolsonaro,70003573533. Acesso em: 13 ago. 2021.
Ver mais em Estadão: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ministro-da-defesa-faz-ameaca-e-
condiciona-eleicoes-de-2022-ao-voto-impresso,70003785916. Acesso em: 13 ago. 2021.
Ver mais em Estado de Minas:
https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2021/08/01/interna_politica,1291873/bolsonaro-eleicoes-
democraticas-somente-com-contagem-publica-dos-votos.shtml. Acesso em: 13 ago. 2021.
Ver mais em Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/07/bolsonaro-repete-teorias-da-
conspiracao-e-ataca-urnas-stf-e-tse-a-embaixadores.shtml
Esse discurso valeu um processo por abuso do poder político por parte do presidente da República, tendo sido
julgado e condenado à inelegibilidade por 8 anos. Disponível em:
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2023/Junho/por-maioria-de-votos-tse-declara-bolsonaro-inelegivel-
por-8-anos
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 18
informa uma eleitora conservadora da faixa entre 36 e 45 anos, ela “segue as informações com
o marido, que ouve CBN, Bandeirantes e Datena”. A mesma eleitora diz confiar no G1 e tem
desconfiança com UOL. E afirma não gostar da revista semanal Veja
por esta ser ligada ao
Grupo Globo. “Pra mim ela é da Globo, não adianta falarem que não é”.
Se eleitores do campo conservador apresentaram em suas falas simpatia quanto à
informação apresentada no meme por este relacionar o Brasil aos países “socialistas/
comunistas”, no espectro progressista a imagem foi vista com suspeita exatamente por fazer
esta conexão considerada “mentirosa” na opinião da maioria.
Desinformação e ódio como estratégia
Embora em ambos os espectros ideológicos a mentira tenha sido citada como uma
característica da desinformação, o foi com mais frequência nos grupos progressistas. Entre os
9 eleitores desse espectro expostos à imagem, apenas um (na faixa de 46 a 55 anos) chegou a
demonstrar preocupação para com a questão da segurança nas urnas, e disse não ter chegado a
uma conclusão sobre a confiabilidade do sistema. Os demais denominam a imagem apresentada
como “tendenciosa”, “fake news” e “mentira”, como já exposto.
Na fala de dois eleitores progressistas surgiu a conexão do meme apresentado com as
eleições dos Estados Unidos e as ações do ex-presidente Donald Trump que igualmente
questionava o resultado das urnas. Ao ver a imagem, uma mulher progressista da faixa etária
de 46 a 55 anos disse que “pode ser o povo do Trump que põe isso (a imagem). Estão indignados
com a cédula, lá”. O eleitor progressista que demostrou preocupação com a seguraa das urnas
disse não ter chegado a uma conclusão sobre qual sistema é mais suscetível a fraude após
acompanhar as eleições nos Estados Unidos. Donald Trump articulou o discurso de possíveis
fraudes nas eleições dos Estados Unidos nos meses anteriores à eleição, tendo culminado no
dia 3 de novembro (dia da eleição nos EUA e período entre o primeiro e segundo turno no
Brasil) quando o ex-presidente dos EUA declarou não aceitar a derrota para Joe Biden, tendo
ampliado os ataques ao sistema de votação, que é realizado por meio impresso na maior parte
do território estadunidense. O discurso de suspeição criou condições para ações de grupos
extremistas que, em janeiro de 2021, invadiram o Capitólio.
A revista Veja era propriedade do Abril Cultural e foi vendida em dezembro de 2018 para o empresário Fábio
Carvalho. Ambos são concorrentes do Grupo Globo.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 19
O episódio demonstrou o impacto do discurso antissistêmico e sua capacidade de
mobilizar grupos extremistas (reação também observada no Brasil, em 8 de janeiro de 2023).
O conturbado processo político que deteriorou o ambiente das eleições no Brasil e nos
Estados Unidos esteve presente nas falas dos participantes da pesquisa. A percepção do alcance
da desinformação trabalhada de forma sistemática e organizada nas redes sociais perpassou os
discursos dos participantes dos dois grupos ideológicos, tendo sido percebida a disseminação
do ódio como estratégia política. Um participante progressista de 35 anos, ao comentar a
intenção que alimenta a imagem apresentada sobre as urnas eletrônicas, disse: “Querem
tumultuar. Quem está mais alienado vai aceitar essa informação. O ódio é parte importante
desse processo”.
Podemos perceber que ideologia e preconceito são elementos que circundam os
discursos sobre urna eletrônica, onde o sujeito reproduz e reafirma opinião comum a um grupo,
tornando-se refém dessas ideias e perdendo a capacidade de exercer sua autonomia e
singularidade (CHAUI, 2008). Mesmo em um pleito no qual os eleitores participantes da
pesquisa demonstraram certo cansaço da polarização assistida nas eleições de 2018, as disputas
ideológicas ocuparam lugar nas mídias sociais, antecipando debates da campanha eleitoral de
2022 e mantendo a chama da polarização que sustenta o engajamento de grupos que disputam
poder em torno de assuntos que provocam o enfraquecimento de instituições democráticas
(LEVITSKY; ZIBLATT, 2018), merecendo atenção da sociedade.
Em agosto de 2021, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 135/19) que obrigaria
a “expedição de cédulas físicas” após o voto eletrônico, foi rejeitada na Câmara dos Deputados,
tendo recebido 229 votos favoráveis, 218 contrários e uma abstenção. Para ser aprovada, a PEC
precisava obter 308 votos. Cabe destacar que a única abstenção foi do deputado Aécio Neves
(PSDB), o mesmo que em 2014 não reconheceu a derrota para a ex-presidenta Dilma Rousseff
(PT) e pediu a recontagem dos votos, demonstrando dificuldade em reconhecer a vontade dos
eleitores expressa nas urnas.
Mesmo que a PEC 135/19 tenha sido rejeitada na Câmara dos Deputados, o ex-
presidente Bolsonaro e seus grupos de apoiadores que cultivam a desconfiança no sistema
eleitoral mantiveram sua atuação, espalhando desinformação conforme é possível observar com
os dados objetivos da pesquisa realizada pela FGV DAPP (Diretoria de Análise de Políticas
Públicas). O estudo analisou as postagens com acusações de fraude na urna eletrônica e defesa
do voto impresso em publicações no Facebook, entre novembro de 2020 e janeiro de 2022. Nos
chamou a atenção nesse monitoramento o fato de ele ter sido iniciado no mesmo período em
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 20
que realizamos nossos grupos de discussão com os eleitores e eleitoras do município de São
Paulo. Nesse sentido, é interessante verificar que as imagens que apareciam nas checagens de
informação em 2020 estavam na mesma perspectiva do monitoramento realizado pela FGV,
demonstrando a estratégia do bolsonarismo de manter suas redes alimentadas com teorias da
conspiração sobre as fraudes nas urnas eletrônicas e desconfiança no sistema eleitoral.
Entre novembro de 2020 e janeiro de 2022 o monitoramento localizou 394.370
postagens publicadas em 27.840 perfis de grupos pessoais e públicos sobre fraudes nas urnas
eletrônicas e a defesa do voto impresso. Além das postagens, foi possível identificar 111
milhões de interações, demonstrando que essas mensagens provocaram reações nos usuários da
rede social.
Durante o ano de 2021, verificou-se intensa atividade de grupos em páginas favoráveis
ao voto impresso e é possível observar que houve uma média de interações superior desde 2014,
quando o debate ganhou força, mostrando a forte capacidade de mobilização das redes por parte
dos grupos que apoiam a pauta de questionamento do voto eletrônico.
Outro dado é a organização na disseminação da desinformação. Doze são as contas que
concentram o maior número de interações nos posts do Facebook e entre eles destaca-se o ex-
presidente Jair Bolsonaro e a deputada federal Carla Zambelli, que foi responsável por 1.576
publicações no período do monitoramento.
Considerações finais
Os processos eleitorais ocupam um lugar fundamental nas democracias liberais e
desempenham papel importante no jogo democrático, sendo de forma recorrente denominados
“festa da democracia”.
As urnas eletrônicas foram implantadas no Brasil em 1996. Mesmo que em alguns
pleitos tenham sido levantadas dúvidas sobre os resultados, em nenhum outro período se
verificou uma campanha tão intensa de questionamento sobre sua confiabilidade.
Os resultados apresentados nesta pesquisa com eleitores conservadores e progressistas
nas eleições municipais de 2020 na cidade de São Paulo demonstram que os dois grupos
apresentaram percepções e crenças distintas sobre as urnas eletrônicas. Progressistas não
manifestam questionamentos categóricos sobre a confiabilidade nas urnas, enquanto
conservadores, mesmo que de forma não homogênea, tendem a apresentar argumentos que
demonstram uma desconfiança maior nos resultados.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 21
O grupo de conservadores afirmou que a informação apresentada na imagem (meme) é
importante, reafirmando a necessidade do estabelecimento de formas de comprovação do voto,
tendo esse grupo demonstrado preocupação maior com a possibilidade de fraude nas urnas.
Ressaltaram ainda que a afirmação no meme da existência de urnas eletrônicas apenas em três
países aumenta a desconfiança sobre a segurança das eleições, utilizando dessa (des)informação
para expor o risco do Brasil se igualar a países considerados socialistas ou comunistas, nos
dizeres de alguns participantes, tendo esse grupo apresentado frágil modelo de checagem das
informações como apresentado anteriormente.
O grupo de progressistas acusou a imagem apresentada de “fake news", caracterizando
a postagem como tendenciosa com interesse em deslegitimar as eleições nacionais ao associar
o Brasil a países identificados com o ideário comunista. Um dos participantes estabeleceu uma
conexão com as eleições estadunidenses e as investidas do ex-presidente Donald Trump de
deslegitimar as eleições norte-americanas, tendo demonstrado preocupação com a repetição, no
Brasil, dos acontecimentos ocorridos na tentativa de invasão do Capitólio.
O processo de questionamento da lisura das eleições de deslegitimação da democracia
tem se mostrado importante na tática da direita extremada. Movimento que tem entre suas
motivações o mecanismo de reação de parte dos conservadores às conquistas, nas estruturas
sociais, da diversidade de interesses e valores sociais. Nas palavras do pesquisador Wanderley
Guilherme dos Santos, a “rejeição ao progresso econômico e social das classes vulneráveis”
(2017, p. 32) é um denominador que permeou os golpes de 1950, 1964 e 2016.
O processo civilizatório que luta contra a estratégia social de afastamento e
discriminação tem cada vez mais exposto divergências e tensionamentos que não reconhecem
nas vias democráticas estrutura de superação e conciliação, apostando no modus da antipolítica
e do desmonte da democracia o caminho para resolver o seu problema particular, como expõe
Avritzer (2020). Foi dentro dessa lógica que chegou ao comando do Poder Executivo o então
deputado Jair Bolsonaro. “Ele chegou à presidência não como líder político, mas como alguém
disposto a destruir políticas e políticos” (AVRITZER, p. 5).
Nesse contexto, o fenômeno da desinformação tem ganhado maior relevância nos
últimos anos, dado o avanço das ferramentas digitais de divulgação de notícias (ou supostas
notícias), e às ferramentas de mensageria eletrônica, enfraquecendo o debate público e
impactando a democracia. Para alguns autores, como Charles Tilly (2007), estamos assistindo
a um processo de desdemocratização. Ao tratar dos avanços e retrocessos nos processos de
democratização e desdemocatização, Tilly elenca três aspectos como elementos da capacidade
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 22
de o Estado incrementar ou reduzir a democracia: 1) avanço ou retrocesso das relação das redes
interpessoais de confiança (parentescos, grupos religiosos e relações comerciais) que afetam
decisões de políticas públicas; 2) aumento ou redução da desigualdade e 3) maior ou menor
autonomia dos centros de poder coercitivos sobre políticas públicas, o que evitaria práticas
clientelistas (TILLY, 2007, p. 23 - 75, tradução livre).
Estudioso das dinâmicas do confronto, o autor tem na temática da “desigualdade
durável” um de seus pontos agudos de pesquisa. As estruturas das desigualdades podem ser
ampliadas com a deslegitimação da democracia, reduzindo a participação de grupos
minoritários, eliminando direitos, ainda assim sob uma democracia. São “traços patológicos”,
nas palavras de Nelson do Valle (2004), que mantêm desigualdades no país, com sub-
representação das minorias de raça, sexo, gênero e poder econômico. A capacidade do Estado
em supervisionar e garantir o processo democrático determina a possibilidade de avançar ou
recuar no sistema democrático. Nas palavras de Tilly, a baixa capacidade do Estado inibe a
democracia. No caso brasileiro, poderíamos nos perguntar se há uma baixa capacidade ou uma
baixa vontade em sustentar a democracia. Retomando o pensamento de Avritzer (2020), a crise
do bolsonarismo se estende para além dos ataques às urnas e às eleições. Afeta o fazer política
e o entendimento de democracia. A questão dos ataques sistemáticos e organizados à urna
eletrônica está no diapasão da antipolítica de um governo que catalisa crises e tem nesse modo
de operação uma fonte de coesão de grupos conservadores.
REFERÊNCIAS
ALLCOTT, H.; GENTZKOW, M. Social media and fake news in the 2016 election. Journal
of Economic Perspectives, [S. l.], v. 31, n. 2, p. 211-236, 2017.
ALVES, A. R. C., O conceito de hegemonia: de Gramsci a Laclau e Mouffe. Lua Nova, São
Paulo, v. 80, p. 71-96, 2010.
AVRITZER, L. Política e antipolítica: A crise do governo Bolsonaro. São Paulo: Todavia,
2020.
BAUER, M. W.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um
manual prático. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
BRUNO, F.; ROQUE, T A ponta de um iceberg de desconfiança. In: BARBOSA, M. (org).
Pós-verdade, fake news reflexões sobre a guerra das narrativas. Rio de Janeiro: Cobogó,
2019.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 23
BOUNEGRU, L.; GRAY, J.; VENTURINI, T.; MAURI, M. A Field Guide to Fake news.
Public Data Lab, [S. l.], 2017. Disponível em: http://fakenews.publicdatalab.org/. Acesso
em: 12 ago. 2020.
BORGES, A.; VIDIGAL, R. Do lulismo ao antipetismo? Polarizão, partidarismo e voto nas
eleões presidenciais brasileiras, Opinião Pública, [S. l.], v. 24, n. 1, Jan.-Apr. 2018. DOI:
https://doi.org/10.1590/1807-0191201824153.
CHAUI, M. O que é ideologia? São Paulo: Brasiliense, 2008.
CHINO, L. B. S; COIMBRA, R. C. M, A segurança do voto no Brasil. In: Cadernos
Adenauer XIX, no. I, Eleições 2018 e perspectivas para o novo governo, Rio de Janeiro:
Fundação Konrad Adenauer, abril 2019.
COUTO, C. G. “Novas eleições críticas?”. Em Debate, [S. l.], v. 6, p. 17-24, 2014.
CONCEIÇÃO, D. L.; SEGURADO, R. Fact-checking: uma análise da checagem de
informação política do projeto Truco! Estudos de Sociologia, [S. l.], v. 25 n. 48, 2020.
DALMAZO, C.; VALENTE, J. Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à
desinformação em busca de cliques. Media & Jornalismo, [S. l.], v. 18, n. 32, p. 155-169,
2018. Disponível em: https://impactum-journals.uc.pt/mj/article/view/5682. Acesso em: 20
ago. 2021.
DOURADO, T.; ALMEIDA, S.; PIAIA, V.; CARVALHO, D., “Redes Digitais de
Conspiração Eleitoral no Brasil: um estudo do fluxo interplataforma de atores e discursos
sobre fraude nas urnas eletrônicas e manipulação eleitoral”. In: CONGRESSO
COMPOLÍTICA: DEMOCRACIA E OPINIÃO PÚBLICA EM TEMPOS DE FAKE NEWS,
9., 2020. Anais [...]. [S. l.: s. n.], 2020. Disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1L8dfJQaxB2v-5cXmySyOB0n8glLOFT3B/view. Acesso em:
20 ago. 2021.
DOURADO, T. Processos de rumores e circulação de fake news: paralelos teóricos e o caso
das eleições municipais de 2020 do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Konrad Adenauer,
Cadernos Adenauer, [S. l.], v. XXII, n. 1, 2021.
FARKAS, J.; SCHOU, J, Post-Truth, Fake News and Democracy: Mapping the politics of
Falsehood, Sweden: Routledge, 2019.
FGV DAPP. Desinformação on-line e Eleições no Brasil: a circulação de links sobre
desconfiança no sistema eleitoral brasileiro no Facebook e no YouTube (2014-2020). Rio de
Janeiro: FGV DAPP, 2020. Disponível em:
http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/30085. Acesso em: 20 ago. 2021.
FIGUEIREDO, F. D.; SILVA, L.; CARVALHO, E. The forensics of fraud: Evidence from
the 2018 Brazilian presidential election. Forensic Science International: Synergy, [S. l.], v.
5, 2022.
Desconfiança da urna eletrônica nas eleições municipais de São Paulo de 2020
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 24
GOMES, W.; DOURADO, T. M. Fake news, um fenômeno de comunicação política entre
jornalismo, política e democracia. Estudos em Jornalismo e Mídia, v. 16, n. 2, p. 33-45,
2019.
INGLEHART, R.; BAKER, W. E. Modernization, cultural change, and the persistence of
traditional values. American Sociological Review, Washington, D.C, v. 65, n. 1, 19-51,
2000. DOI: 10.2307/2657288.
LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar
Editora, 2018.
LEMOS, A.; MARQUES, D. Vigilância guiada por dados, privacidade e Covid-19. Lab404
Vigilância Guiada, Salvador, 11 maio 2020. Disponível em: http://bit.ly/3aj61Us. Acesso
em: 20 maio 2020.
LIMA, B; CANTRERA, F.; GREGÓRIO, P. C. S. Competição partidária e interação
estratégica na eleição presidencial brasileira de 2018. In: Congreso Lationamericano de
Ciencia Política, de la Asociación Latinoamericana de Ciencias Políticas, 10., 2019. Anais
[...]. [S. l.: s. n.], 2019.
NORRIS, P. Why Electoral Integrity Matters. New York: Cambridge University Press,
2014.
PARISER, E. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. Rio de Janeiro:
Zahar, 2011.
PATRINI, G.; LINI, S.; IVERY-LAW, H.; DAHL, M. Commoditisation of AI, digital
forgery and the end of trust: how we can fix it. 2018. Disponível em:
https://giorgiop.github.io/posts/2018/03/17/AI-and-digital-forgery/. Acesso em: 20 ago. 2021.
RECUERO, R. #FraudenasUrnas: estratégias discursivas de desinformação no Twitter nas
eleições 2018. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, [S. l.], v. 20, n. 3, p. 383-406,
2020. DOI: 10.1590/1984-6398202014635.
REIS, F. W. “Eleição de 2014:”’país dividido’ e questão social”. Em Debate, [S. l.], v. 6, p.
8-1, 2014.
ROQUE, T. O negacionismo no poder. Piauí, São Paulo, n. 161, fev. 2020. Disponível em:
https://bit.ly/37Xv2kX. Acesso em: 23 maio 2020.
RUEDIGER, M. A. Desinformação nas eleições 2018: o debate sobre fake news no Brasil,
Rio de Janeiro: FGV DAPP, 2019.
RUEDIGER, M. A.; GRASSI, A. (coord.). O ecossistema digital nas eleições municipais de
2020 no Brasil: o buzz da desconfiança no sistema eleitoral no Facebook, YouTube e Twitter.
Policy paper. Rio de Janeiro: FGV DAPP, 2020.
SANTOS, W. G. A democracia impedida: o Brasil no século XXI. Rio de Janeiro: FGV
Editora, 2017.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM e Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 25
TARAUCO, G. Esquerda, direita e eleições presidenciais no Brasil. Estudos Avançados, v.
36, n. 106, p. 133-133, 2022. DOI: 10.1590/s0103-4014.2022.36106.008
TILLY, C., Democracy. Cambridge University Press: Nova York, 2007.
TSE, BRASIL. Teste de integridade das eleições 2022. TSE, [S. l.], 2022. Disponível em:
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Outubro/teste-de-integridade-das-eleicoes-
2022-comprova-eficiencia-das-urnas. Acesso em: 05 out. 2022.
VALLE, N.; HASENBALG, C. Origens e Destinos: desigualdades sociais ao longo da vida.
Rio de Janeiro: TopBooks, 2004.
WARDLE, C.; DERAKHSHAN. H. Information Disorder: Toward and interdisciplinary
framework for research and policy making. [S. l.: s. n.], 2017. Disponível em:
http://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://rm.coe.int/information-disorder-toward-an-
interdisciplinary-framework-for-researc/168076277c. Acesso em: 27 ago. 2021.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não se aplica.
Financiamento: Não houve financiamento.
Conflitos de interesse: Não há conflito de interesses.
Aprovação ética: O trabalho respeitou a ética durante a pesquisa, informando os
entrevistados de todos os processos. O estudo não passou por um comitê de ética.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e materiais coletados e utilizados não estão
disponíveis para acesso online.
Contribuições dos autores: O trabalho foi dividido igualmente entre os autores desde a
coleta de dados, entrevistas e redação do texto.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 1
DISTRUST OF THE ELECTRONIC VOTING MACHINE IN THE 2020 SÃO PAULO
LOCAL ELECTIONS
DESCONFIANÇA DA URNA ELETRÔNICA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE SÃO
PAULO DE 2020
DESCONFIANZA DE LA MÁQUINA DE VOTACIÓN ELECTRÓNICA EN LAS
ELECCIONES MUNICIPALES DE SÃO PAULO 2020
Rosemary SEGURADO1
e-mail: roseseg@uol.com.br
Fabrício AMORIM2
e-mail: fabrimorim@gmail.com
Carlos RAÍCES3
e-mail: craices12@gmail.com
How to reference this article:
SEGURADO, R.; AMORIM, F.; RAÍCES, C. Distrust of the
electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-
ISSN: 1982-4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379
| Submitted: 31/10/2022
| Required revisions: 29/09/2023
| Approved: 13/10/2023
| Published: 30/12/2023
Editor:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo SP Brazil. Post-doctorate in Political
Communication from the Universidad Rey Juan Carlos de Madrid. Researcher at the Center for Arts, Media and
Politics (NEAMP-PUCSP). Professor of the Postgraduate Studies Program in Social Sciences at the Pontifical
Catholic University of São Paulo and the School of Sociology and Politics Foundation (FESPSP).
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo SP Brazil. Journalist. Master's degree in
Social Sciences and PhD student in Social Sciences at PUC/SP. Researcher at the Center for Studies in Art, Media
and Politics (NEAMP-PUSP). Assistant editor at Aurora Magazine.
Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP), São Paulo SP Brazil. Journalist. Master in Social
Sciences from the Pontifical Catholic University of São Paulo and researcher at the Center for Arts, Media and
Politics (NEAMP-PUCSP).
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 2
ABSTRACT: Brazil has few surveys on the reception of disinformation. Understanding the
effects produced by this type of narrative can bring a contribution that allows understand the
complexity of this phenomenon. In this sense, the research carried out during the local elections
in the city of São Paulo aimed to analyze the sources of information most consulted by voters
and to verify how they positioned themselves in relation to disinformation. To carry out the
study, two research techniques were adopted: discussion group and in-depth interview. The
discussion group methodology is the most appropriate as it allows one to understand the
attitudes and behaviors of groups within a given social reality and in-depth interviews allow
conversations with people who can offer information relevant to the research objective. A semi-
structured interview script was used and two ideological profiles were selected, progressive and
conservative, subdivided by age and socioeconomic classification.
KEYWORDS: Electoral system. Local elections. Disinformation. Conservatism.
Progressism
RESUMO: O Brasil conta com poucas pesquisas sobre recepção de desinformação.
Acreditamos que compreender os efeitos produzidos por esse tipo narrativo traz uma
contribuição que amplia a compreensão da complexidade desse fenômeno. Nesse sentido, a
pesquisa realizada durante as eleições municipais de São Paulo de 2020 teve como objetivo
analisar as fontes de informação consultadas pelos eleitores e verificar como se posicionavam
em relação à desinformação. Para a realização do estudo foram adotadas duas técnicas de
pesquisa: grupo de discussão e entrevista em profundidade. A metodologia de grupo de
discussão é das mais adequadas por permitir que se compreenda as atitudes e comportamentos
de grupos inseridos em uma dada realidade social. As entrevistas em profundidade permitem
a conversação com pessoas que podem oferecer informações relevantes para o objetivo da
pesquisa. Foram utilizados roteiro de entrevista semiestruturada e selecionados dois perfis
ideológicos, progressista e conservador, subdivididos por idade e classificação
socioeconômica.
PALAVRAS-CHAVE: Urnas. Eleições municipais. Desinformação. Conservadorismo-
progressismo.
RESUMEN: Hay poca investigación en Brasil a cerca de la recepción de la desinformación.
Creemos que comprender los efectos producidos por este tipo de narrativa nos ofrece una
contribución que amplía la comprensión de la complejidad de este fenómeno. Así, la
investigación realizada durante las elecciones municipales de São Paulo tuvo como objetivo
analizar las fuentes de información de los electores y verificar cómo se posicionaron frente a
la desinformación. Para realizar el estudio se adoptaron dos técnicas de investigación: grupo
de discusión y entrevista en profundidad. La metodología de grupos de discusión es la más
adecuada ya que permite comprender las actitudes y comportamientos de los grupos dentro de
una determinada realidad social y las entrevistas en profundidad permiten conversar con
personas que pueden ofrecer información relevante para el objetivo de la investigación. Se
utilizó un guion de entrevista semiestructurada y se seleccionaron dos perfiles ideológicos,
progresista y conservador, subdivididos por edad y clasificación socioeconómica.
PALABRAS CLAVE: Sistema electoral. Elecciones locales. Desinformación.
Conservadorismo-progresismo.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 3
Introduction
During the 2020 municipal election in the city of São Paulo, NEAMP (PUC-SP's Center
for Studies in Art, Media and Politics) conducted a survey of voters to understand the
information diet during the electoral process. In addition to understanding how voters sought
information about the election, they also sought to capture voter behavior in relation to
disinformation.
Although during the 2020 elections the issue of fraud in the electoral system did not
feature strongly in the public debate, it was possible to detect its presence in pieces of
disinformation on social media. In this article we will look at the construction of the narrative
around electronic voting machines and the electoral system since the municipal elections in São
Paulo, which helps us to understand the movement of supporters of President Jair Bolsonaro, a
leadership that has intensified its attacks on the electoral system and, in particular, on electronic
voting machines since February 2021, as observed in recent studies (RECUERO, 2020; FGV
DAPP, 2020; DOURADO, 2021).
The aim of the research was to understand the attitudinal and behavioral values of
progressive and conservative voters in the city of São Paulo (INGLEHART; BAKER, 2000).
The researchers were motivated by the lack of studies on the information diet of voters during
electoral processes, considering the importance of information consumption during this period
on issues related to the election and, especially, by the significant growth in the sharing of fake
news and disinformation in the 2018 presidential elections, as can be seen in several studies
(RECUERO, 2020; DOURADO, 2020, RUEDIGER, 2019).
The research adopted two methodological techniques: the focus group and the in-depth
interview, as they were considered suitable for achieving the research objectives. 6 focus groups
(online) were held with progressives; 1 group with conservatives; 3 in-depth interviews with
progressives; 7 in-depth interviews with conservatives, all of whom were voters in the following
age groups: 16 to 24; 25 to 35; 36 to 45; 46 to 55, all online, given the restrictions imposed by
the COVID-19 pandemic period.
The participants in the discussion groups and the informants in the in-depth interviews
were defined because they shared characteristics in the conservative and progressive ideological
profiles, having passed a prior recruitment filter, with a battery of socio-economic and
ideological questions. The terms conservatism-progressivism are understood here as relational
dyads conducive to understanding the values and behaviors of the interviewees. Qualitative
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 4
research was chosen because it is best suited to the study of reception and allows us to delve
deeper into these perceptions (BAUER; GASKELL, 2008).
To select the interviewees, we presented a filter divided into two parts: the first part
consisted of questions for socio-economic identification and questions related to gender, race,
income, education and media consumption habits. In the second part of the filter, we highlighted
controversial issues from the social and political debate of the last decade in the country with
the aim of identifying their political and ideological positioning in order to categorize them as
conservative or progressive.
During the discussion groups and in-depth interviews, we applied the script and, in one
of the stages, presented the participants with images in the format of memes published on digital
networks. The three main pieces of disinformation that circulated on digital networks during
the research period were presented. These were pieces of disinformation selected from a survey
carried out by agencies that check facts, data and statements (CONCEIÇÃO, SEGURADO,
2020).
Disinformation, it is important to note, should not be thought of as synonymous with
fake news, as Wardle and Drakhashan (2017) point Oct. Initially, the authors consider the term
fake news to be inaccurate. If we look at the field of news and journalism, one of the guiding
principles for professionals is that when information is false, it should not be broadcast, given
that journalistic practice presupposes fact-checking procedures. In addition, it is essential to
think that politicians have appropriated and vulgarized the term fake news, using it when they
are questioned about their actions, either by journalists or by any citizen who questions their
decisions or manifestations.
Disinformation is characterized by intent (WARDLE; DRAKHASHAN, 2017), i.e. it is
often used to damage the reputation of individuals, groups or even a country considered to be
an adversary. This strategy is increasingly present in international politics and has become a
concern for progressive segments of society, considering the impacts generated in the debate
between different actors, groups and institutions. From the same perspective, Allcott and
Gentzkow (2017) define the phenomenon as news articles that are deliberately false, reinforcing
the idea of intentionality in the production of falsification.
From another perspective, Guess, Nyhan and Reifler (2018) point to "a new type of
political disinformation marked by factual dubiousness". For the authors, people tend to
consume news that reinforces their opinions, their points of view on different aspects of reality.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 5
This dynamic works as a kind of confirmation bias that occurs when individuals look for
information to support their own ideas or beliefs.
Disinformation works to reaffirm beliefs and ideas in the context of political disputes
and in highly polarized environments, and tends to feed the so-called bubbles, preventing open
and democratic debate between opposing parties. This dynamic implodes bridges, dialogues
and debates with some consistency beyond mere unfounded opinions, which can be damaging,
depending on the extent to which it spreads. It can lead to reputation lynchings and even the
physical elimination of those with whom one disagrees, creating a hostile, polarized and
extremely dangerous environment.
Another important perspective is that false content and disinformation influence the
configuration of social and political debate by virtue of their reach; "they need to mobilize a
large number of audiences - including witnesses, allies, reactions and shares, as well as
opponents to contest, signal and deny" (BOUNEGRU et al., 2017, our translation). Considering
the widespread use of digital technologies for sharing disinformation, it is necessary to
emphasize the importance that these devices occupy in the process of sharing disinformation.
In this respect, it is essential to discuss the central role of socio-technical mediators in this
process, such as algorithms and artificial intelligence. Automated mechanisms, amplified by
the presence of artificial intelligence, are increasingly important and alter the perception of what
is received and shared on different digital media platforms.
Parisier (2011) helps us to understand the so-called filters/bubbles and their potential
risks to democratic society. Algorithmic operations have content filtering processes and exert a
kind of direction on what should be seen by users on social media. It is also important to realize
that this filtering logic has influenced even the media, which are increasingly looking for
strategies to gain a foothold among different groups. The author states that the computer screen
acts as "a kind of mirror that reflects our own interests, based on the analysis of our clicks by
algorithmic observers" (PARISIER, 2011, p. 50, our translation).
This means that algorithms act as a kind of filter, a curator that directs users' attention
to certain content, causing a kind of editing of reality by increasing exposure to uninformative
content. Algorithmic logic acts invisibly, based on the information provided by users
themselves on the networks through the so-called digital footprints that leave traces of data
generated by accessing websites, applications, file forums, among others. Data is fundamental
to the formation of big data, which can be understood as the process of collecting, storing,
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 6
organizing and analyzing a large volume of data used for strategic actions by groups or
companies with the aim of targeting more assertive campaigns to influence specific groups.
It is worth remembering that the scandals involving the company Cambridge Analytica,
responsible for the political marketing of the 2016 campaign that elected former US president
Donald Trump, brought to light the methods used by the use of big data and data analysis,
demonstrating that tracking human behavior through digital traces makes it possible to make
predictions and influence opinions and behaviors and, as observed in that election, can alter
electoral results.
Farkas and Schou (2019) point out that fake news is an intrinsic component of
contemporary political struggles and that politicians use this term to delegitimize and attack
their opponents. Based on Laclau's studies on populism, the authors claim that the term fake
news acts as a kind of floating signifier and allows it to be used by far-right politicians in
relation to their opponents, for example, against the mainstream media, when it criticizes the
spread of disinformation produced by them. By accusing the press, this leadership profile seeks
to delegitimize, discredit and associate them with their opponents.
Another important factor is that individuals receive information from people they
consider to be trustworthy, i.e. people they are close to and who are considered to be above
suspicion. The context is also very important in increasing or decreasing the credibility of this
information. In times of social and political tension, people tend to be more vulnerable to
misinformation and fraudulent news. Bruno and Roque (2019) state that even those who believe
the content with reservations or those who do not care whether the news is false or true can
share it, as long as it is in line with what they think about the content received.
Bail (2018) states that the participation of algorithms in the formation of bubbles in
polarized political dynamics must also take into account that these devices filter content based
on user preferences, and it is essential to think that searches for certain content act as a
confirmation bias to validate our ideas or pre-established conceptions, regardless of any
verification or checking process, and can cause these users to reinforce their convictions.
It is important to point out that the process of sophistication and speed in the creation of
technological devices for the production and dissemination of disinformation raises a number
of concerns, especially for electoral political processes.
Although fake news already causes frightening damage, the use of
artificial intelligence and deep learning techniques, which gave rise to
deepfakes, allows for the rapid and high-quality creation of false digital
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 7
content, which has the potential to alter the truth and erode trust, giving
fake news "authenticity" (HASAN; SALAH, 2019, our translation).
Machine learning presents significant challenges for society and not just for the research
community, given that the impacts caused by these devices affect various dimensions of social
and political life, as these tools become popular and accessible (PATRINI et al., 2018).
The possible effects in relation to misleading or false content are more effective as they
bring out strong emotions such as fear, anger and end up being important factors in increasing
sharing and, consequently, engagement becomes more powerful. This type of phenomenon has
been addressed in studies that show the influence of these practices on political debate and was
also verified in our study with voters during the 2020 elections in the municipality of São Paulo.
A brief contextualization of the debate on election security in Brazil
Questioning the security of electronic ballot boxes and the electoral system in general
is not new in the country. It has been going on since the electronic voting system was
implemented in 1996, but it gained greater repercussions in the 2014 presidential elections, with
the reaction of the then candidate of the Brazilian Social Democracy Party (PSDB) in the
polarization with the Workers' Party (PT) and in 2018, reflecting the changes in the
configuration of political forces (SANTOS, 2017; TARAUCO, 2022; LIMA et al., 2019).
The polarization between the PT and the PSDB can be traced back to the 1990s and
continued until the 2014 elections. In 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) won his first
presidential election and was re-elected in 1998, with his main opponent in both elections being
Luis Inácio Lula da Silva (PT).
Unable to find a successor in 2002, the PSDB had its candidate José Serra defeated by
Luís Inácio Lula da Silva. The Workers' Party's cycle as president began. In the 2010 elections,
Lula succeeded in making his successor to continue his political project. Dilma Rousseff (PT)
was elected in a very contentious election that signaled a moment when the antagonism between
the two political forces was changing levels and becoming more aggressive (COUTO, 2014;
REIS, 2014; BORGES; VIDIGAL, 2018).
For approximately 20 years, the polarization between the PT and PSDB practically
monopolized the country's political debate, with the other political forces articulating
themselves, to a certain extent, around these two political projects. Throughout this period, we
can identify moments of great tensions, conflicts and antagonistic positions on various issues
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 8
of national interest. However, it is important to emphasize that until 2014, the dispute between
the two parties took place within the democratic game, even if in some specific moments it is
possible to identify the intensification of the dispute for hegemony (ALVES, 2010).
In the 2014 presidential elections, Aécio Neves (PSDB) was defeated by Dilma Rousseff
(PT) by a small margin and did not accept the results of the polls. The PSDB filed a request
with the Superior Electoral Court (TSE) asking for access to various documents, in addition to
auditing 684 ballot boxes, as stated in the 2014 election audit report. This moment can be
considered a turning point in the questioning of the security of electronic ballot boxes,
considering that the existing suspicions, until then, came from minority political groups,
influenced by conspiracy theories, which always sought to call into question the basic principles
of the democratic order with the clear aim of creating instability to question electoral processes
such as the direct choice of representatives through universal suffrage. Suspicion of the
elections began to take on new dimensions and we have seen that in recent years it has become
one of the new elements in the radicalization of conservative and extremist forces in the country.
A movement that political scientist Wanderley Guilherme dos Santos (2017) noted when he
outlined the 2016 parliamentary coup, which is based on the conservative discourse of rejection
of the economic progress of the vulnerable classes sculpted into a discourse against corruption.
"First they accuse the victors of electoral fraud, then of corruption" (p. 34, our translation).
Questioning the fairness of the electoral process and institutions like the TSE, which is
responsible for ensuring the integrity and transparency of Brazilian elections, became the
central focus of criticism from political leaders, especially conservatives. The narrative that the
electronic ballot boxes are not auditable and can therefore be rigged began to take shape, as
allegedly happened in 2014, even though the TSE had already completed its investigations
without detecting any fraud in the ballot boxes.
According to scholars of electronic voting systems, this kind of argument is unjustified.
On the contrary, they have shown that electronic ballot boxes allow for greater transparency
and agility in the process of disseminating the results of votes, with the process of voting and
sending the results having several stages of verification of the vote until the final result is
released.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 9
All access areas to the inside of the electronic ballot boxes are sealed to ensure
inviolability. Any attempt at fraud has to break through more than 30 protective barriers
during
the electoral process, which include physical sealing of the ballot box; software testing by
various teams; opening the source code; hardware security chain; hardware and software design
dedicated to the election; encryption at various stages; derivation of ballot box keys; shuffling
of votes in the RDV; printed ballot box bulletins; hash and digital signature verification;
verification on election day of the authenticity and integrity of the programs installed in the
ballot box.
The issue, as has been pointed out, goes beyond the technical aspect. Questioning the
security of electronic voting machines is the backdrop to a broader strategy to cast doubt on
elections as a fundamental pillar of democratic society and, from this mechanism, to question
the elections and cast doubt on the political process, delegitimize electronic voting, question
elections based on conspiracy theories and weaken representative democracy.
For the most radicalized sectors on the right, the electoral process is an important
moment for questioning democracy (NICOLAU, 1988). This strategy can be seen
internationally and expresses a pattern in ultraconservative discourses, a kind of primer adopted
by this ideological spectrum, as seen with Donald Trump in 2020 in the US, Jeanine Áñez in
Bolivia in 2019 and Keiko Fujimori in Peru in 2021. It can be seen that these candidates adopt
a discourse based on the logic of destabilizing the electoral process through the chaos generated
by the avalanche of disinformation widely shared on social media.
Part of this strategy is aimed at asserting themselves as anti-establishment
representatives, which should not be confused with the similar movements of the 1990s. One
of the main voices of the anti-establishment movement is Steve Bannon (arrested at the end of
2021 in the US on charges of money laundering, conspiracy and fraud), who advised Donald
Trump, and was at the head of networks propagating far-right values around the world. Bannon,
who has maintained close contact with the Bolsonaro family, declared at the "Mike Lindell's
Cybersymposium" event, organized by the American far right in August 2021, that "Bolsonaro
will win" the 2022 race for the presidency "unless it is stolen"
.
More at: “Urna eletrônica tem mais de 30 camadas de segurança”. Disponível em:
https://www.tre-sp.jus.br/imprensa/noticias-tre-sp/2021/Junho/urna-eletronica-tem-mais-de-30-camadas-de-
seguranca-1. Access: 09 Oct. 2021.
More at UOL: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2021/08/24/pf-monitora-ataques-urnas-
bannon-estrategista-trump.htm?cmpid=copiaecola). Access: 16 Sept. 2021.
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 10
This type of discourse paves the way for authoritarian political leaders to aspire to
govern without the backing of the vote and, in the event of an opposite result that indicates
defeat, threaten to inflame the people to contest the official election results, an instrument that
was widely used by candidate Jair Bolsonaro during the 2022 re-election campaign and after
his defeat, culminating in the violent and anti-democratic acts of 8 January 2023. Causing
instability in the electoral scenario is part of the logic of action of ultraconservative groups and
it is through the production of disruptive narratives that these leaders legitimize themselves as
anti-system. Jair Bolsonaro's recurring line - "I'm going to put an end to everything that's there"
(our translation) - indicates his strategy of destabilizing democratic institutions and procedures.
The questioning of electronic ballot boxes is not new. Bills for printed ballots in addition
to electronic voting machines did not start with Bolsonaro. They went through Congress in 2009
and 2015
but were repealed when they were ruled unconstitutional by the Supreme Court (STF)
in 2013 and 2018, respectively.
Jair Bolsonaro is not exactly new to this kind of questioning either. In 2015, when he
was a federal deputy, he presented a proposal to amend the Constitution so that voting records
would be printed. In other words, the ballot boxes should print the voting receipt, which would
be checked by the voter himself and then deposited in a sealed container. This movement, which
received support from part of the Brazilian Army, was contested by various groups. To focus
on more recent experiences, a paper by Figueiredo, Silva and Carvalho (2022) entitled The
forensics of fraud: Evidence from the 2018 Brazilian presidential election, subjected the results
of the 2018 elections to a series of mathematical tests, and found no evidence of irregularities
in the electronic ballot boxes. In an investigation into the source codes of the electronic voting
system, experts from the University of Campinas (Unicamp), the University of São Paulo (USP)
and the Federal University of Pernambuco (UFPE)
"attested to the security and auditability of
the systems and equipment that will record the votes of Brazilians" (our translation). Tests of
the integrity of the electronic ballot boxes carried out by the Superior Electoral Court (TSE)
after the first round of the 2022 general elections on 641 ballot boxes also demonstrated the
efficiency of the use of the electronic system.
More at Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/05/testado-em-2002-voto-impresso-
causou-confusao-e-tornou-urna-eletronica-vulneravel-a-fraude.shtml. Acces: 27 July 2021.
More information at: https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2022/08/25/unicamp-usp-e-ufpe-chancelam-
seguranca-das-urnas-eletronicas
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 11
Disinformation about electronic ballot boxes: digital networks in São Paulo's 2020
municipal elections
Brazil has little research on the reception of disinformation. Understanding the effects
produced by this type of narrative makes a contribution that broadens our understanding of the
complexity of this phenomenon. In this sense, the research carried out during the municipal
elections in São Paulo in 2020 aimed to analyze the sources of information most consulted by
voters and verify how they positioned themselves in relation to the disinformation circulating
on digital network applications during the period.
The research used two techniques: focus groups and in-depth interviews. The focus
group is one of the most appropriate methods for achieving the desired results, as it allows us
to understand the attitudes and behaviors of groups within a given social reality. Its use was
fundamental to achieving the research objectives and being able to understand the strategies
adopted by the informant-interviewees to compose their respective information diets. The group
discussion technique was carried out using the European format, in which the participants
interacted and the moderator directed the dialog.
The participants in the discussion groups and the informants in the in-depth interviews
were defined because they shared common characteristics within the ideological profiles
established by the research between conservatives and progressives, having passed a prior
recruitment filter with a battery of socio-economic and ideological questions. To select the
interviewees, we presented a filter divided into two parts: the first consisted of questions for
socio-economic identification and questions related to gender, race, income, education and
media consumption habits.
In the second part of the filter, we highlighted controversial issues in the social and
political debate of the last decade in the country with the aim of identifying their political and
ideological position in order to categorize them as conservative or progressive. In this part, we
presented some phrases for them to tell us using the following scale: totally agree; partially
agree; partially disagree; totally disagree and neither agree nor disagree. We also included a
question for ideological self-identification: do you consider yourself right-wing, center or left-
wing and the possibility of a spontaneous response if you did not want to state your position
.
In order to broaden the range of analysis and achieve the expected results, we opted for
the qualitative research methodology because it is best suited to the study of reception and
For methodological procedures see Fake News & Desinformação nas eleições de 2020 at:
https://www.editorafi.org/ebook/515fakenews
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 12
allows us to deepen these perceptions (BAUER; GASKELL, 2008). In our qualitative research
with focus groups and in-depth interviews to understand the main sources of information used
by voters in the city of São Paulo, we verified the information diet, the perception of the
circulation of fake news and disinformation during the electoral process.
The electoral system has garnered a great deal of engagement among users and tends to
endure over the years (FGV DAPP, 2020), overcoming false rhetoric such as that which
occurred with the "gay kit" or "gender ideology", themes that were seen in the 2018 elections.
The denialism about the electoral process and the issue of electronic ballot boxes resumed in
2018, with a strong increase in the 2022 elections, reinforced the path of symbolic violence that
makes enemies of opponents and promotes an escalation of rumors and disinformation that
seeks to confuse and undermine the differentiation of factual truth, fake news and post-truth
(DA EMPOLI, 2019).
During the discussion groups and in-depth interviews, we applied a script in which, in
one of the stages, the participants were presented with images in meme format that had been
circulated on digital networks. We selected the three pieces of disinformation that circulated
the most on social media during the research period, two of which focused on the topic of
electronic ballot boxes. Here we present the results of the analysis of one of the images.
Image 1*
*The image reads: “Did you know that there are 193 countries in the world? But just 3 make use o
electronic ballot boxes? Brasi, Cuba, Venezuela
Source: Agência Pública
Image 1 above was the one that sparked the most debate in the discussion groups, where
participants discussed the electoral system, and it was possible to identify differences in the
positions of the two groups, conservatives and progressives. It should be remembered that in
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 13
order to preserve the anonymity of the subjects, the participants are not identified in the
speeches presented.
Discrediting the Eletronic Ballot Boxes
The topic of electronic ballot boxes had already been circulating in the social media
ecosystem since 2014, rising sharply during the 2018 elections, and resuming during the 2020
municipal elections (FGV DAPP, 2020, p. 11). It is interesting to note that content that
disbelieves in the electronic ballot box obtained engagement even in non-election years
(DOURADO et al., 2021, p. 16), a strategy adopted by supporters of the printed ballot to
maintain a united base of followers. Considering this, we sought to understand how voters
position themselves in relation to this issue. At its core is distrust in the mechanisms of how
electronic ballot boxes work and in the security and transparency of the electoral process. This
mechanism is particularly noticeable among members of conservative groups whose modus
operandi is anti-politics (AVRITZER, 2020).
We presented the group of interviewees with image 1, which was disseminated on digital
networks and other media. The use of this image, which says that there are only 3 countries that
use electronic voting machines, was essential as we sought to understand the reception of
disinformation about electronic voting machines and whether it would interfere in the electoral
process.
The image presented brought out different positions regarding electronic voting
machines, with participants with a conservative profile showing greater empathy with the issue,
while progressives were more suspicious of the content. Among the conservatives, the position
was not unanimous, with participants opposing the demand for a printed ballot, in favor of a
printed ballot, distrusting the ballot boxes and the electoral process and manipulation of the
election results. Among 10 conservatives, 3 were vehement in pointing out that the image was
a lie, the 3 belonging to the only group of conservatives who agreed to meet virtually. While 3
perceived misinformation in the image, four participants showed a clear fear of the security of
electronic ballot boxes, advocating the issue of some kind of voucher or even the end of
electronic ballot boxes because they are susceptible to manipulation, with a 30-year-old
conservative saying that the information presented in the meme worries him "because the two
other countries are countries considered to be socialist dictatorships" (our translation). Another
conservative voter referred to the image as "informative" and two said they did not know if the
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 14
image was true because they had not seen it in other media. Still among the conservatives, one
of the interviewees from the 16-24 age group said that "Cuba and Venezuela are not
democracies" (our translation), which is where his fear of the polls comes from.
The topic of the ballot box has appeared in debates on the networks to discredit the
electoral process, commented a conservative participant from the 46 to 55 age group, recalling
that the topic was in Bolsonaro's speech in 2018. "Aécio had questioned Dilma's election" (our
translation), recalled another conservative participant.
The discourses of those who distrust the electoral process via electronic ballot boxes are
justified by the defense of improving the system and democracy. Levitsky and Ziblatt (2018)
write that "one of the great ironies of how democracies die is that the very defense of democracy
is often used as a pretext for its subversion" (LEVITSKY; ZIBLAT, 2018, p. 94, our
translation).
Progressive groups expressed a more cohesive reaction, assuring that the material
presented was false. Interviewees from this spectrum were quick to use words like "fake news",
"lie", "laughing stock" to refer to the disinformation presented.
A survey by the Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA)
reveals that
26 of the 178 countries use electronic voting, with another 16 using the technology in regional
elections. According to a check by Agência Lupa
, Cuba has an electoral system with printed
ballots, while Venezuela has a hybrid system, with electronic voting followed by a stage of
printed ballots deposited in a ballot box for what is known as "citizen verification".
Disinformation about electronic ballot boxes in Cuba, Venezuela and Brazil has been
circulating on social media since at least 2018, when the first check was made by the Aos Fatos
agency
.
The dissemination of false content on social networks favors the preservation of a
climate of favorable opinion, which is permanently susceptible to contact with these
publications (GOMES; DOURADO, 2019). The act of sharing information in digital
environments establishes the place where conflicting discourses are authorized and
deauthorized in a dynamic that depends on the visibility given by the users themselves
(RECUERO, 2020).
More at IDEA: https://www.idea.int/data-tools/question-view/742. Access: 05 Aug. 2021.
More at Agência Lupa: https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/09/30/verificamos-brasil-urnas-eletronicas/.
Access: 05 Aug. 2021.
More at Aos Fatos: https://apublica.org/checagem/2018/06/truco-imagem-falsa-diz-que-so-tres-paises-tem-
voto-eletronico/. Access: 06 Aug. 2021.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 15
The delegitimization of the electronic voting model discussed based on the exposure of
disinformation about electronic ballot boxes did not prevail among conservatives with an
"impression of consensus", as was also verified by Recuero (2020, p. 385) in another survey on
disinformation and electronic ballot boxes, but it did appear among a few conservatives.
One conservative, aged between 36 and 45, pointed out that the "intention is to discredit
the electronic ballot box". The word "lie" was mentioned by a conservative, aged 36 to 45, and
by a conservative man aged 46 to 55: "I didn't receive it (the post), but it's a lie" (our translation).
According to this interviewee, the purpose of delegitimizing the electronic ballot box is to "cast
doubt on the electoral process" and "generate doubt in the democratic process" (our translation).
He justifies his view based on the idea of political interests in creating uncertainty, a fact that
he spontaneously associated with Bolsonaro. In this conservative's view, Bolsonaro is using the
strategy of delegitimizing the electronic ballot boxes to prevent the possibility of defeat in the
2022 elections.
We observed greater distrust of electronic ballot boxes in the discussion group in the 16
to 24 age group and also in the 46 to 55 age group. A conservative man in the younger age
bracket anticipated his expression of uncertainty by justifying that he was not an "electronic
ballot box flat-earther" and naturally related his view of the electronic ballot box to that of the
President of the Republic: "I believe that in addition to the vote in the electronic ballot box,
there should be something to prove that vote, like the proposal by current President Bolsonaro,
while he was still a member of parliament, regarding the printed vote. Mainly to compare and
see how effective it is" (our translation).
Jair Bolsonaro (PL) has cast doubt on the electronic ballot boxes in the 2018 electoral
process
. At the end of the campaign that elected him, he said that he would not accept an
outcome other than his victory
. During his term in office, he assured that he had won in the
first round of the elections, pointing to alleged electoral fraud for which he never presented
proof
, despite having long claimed to have it
. The then President of the Republic, in a social
media live called to present the evidence, ended up not showing it
, but insisted on the
More iat Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/07/bolsonaro-diz-eleicoes-estarao-de-
qualquer-maneira-sob-suspeicao.shtml?origin=folha. Access: 09 Aug. 2021.
More at El País Brasil: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/28/politica/1538156620_841871.html. Access:
10 Aug. 2021.
More at Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/sem-apresentar-provas-bolsonaro-
diz-que-houve-fraue-eleitoral-e-que-foi-eleito-no-1o-turno.shtml. Access: 10 Aug. 2021.
More at Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/06/4930103-bolsonaro-eu-
fui-eleito-no-1-turno--eu-tenho-provas-materiais-disso.html. Access: 10 Aug. 2021.
More at Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=NimDa_Xs6Xg. Access: 29 Aug. 2021.
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 16
destabilization discourse. Regarding the security of the ballot boxes, the Federal Police found
no records of fraud in their investigations
.
Defining himself by a "radical" view of the electronic ballot box, another young
conservative presented a similar perspective, arguing that the electronic voting model is a "scam
machine" that "anyone can hack" (our translation). The interviewee also defended the printed
ballot counting procedure. A conservative interviewee, aged 46 to 55, claimed that he was not
convinced of the security of the electronic ballot box, as he considers the system to be fragile:
"it doesn't transmit 100% confidence" (our translation). According to the interviewee, the STF
and some media outlets treat people as "ignorant", and many of these media outlets do not show
the "positive" side of the Bolsonaro government.
Contrary to his speech delegitimizing the ballot box, Jair Bolsonaro defended the
electronic model in 1993
to combat fraud. The former president's occasional opportunism,
finding a banner to signal to the electorate, seems to be a strategy to hide his real intentions of
weakening democracy.
The authority of the leader who originates a false discourse is a point of legitimization
for his supporters, according to Recuero (2020). The delegitimization of electronic ballot boxes
causes uncertainty in the electoral process, undermining democracy in Brazil (RECUERO,
2020, p. 388).
Then-president Bolsonaro threatened institutions by saying that Brazil could have a
"worse problem"
than the violence we saw in the US legislature after Donald Trump's defeat.
Another threat came from the Minister of Defense, General Walter Braga Netto, who in a
message to the President of the Chamber of Deputies, Arthur Lira (Progressistas-AL)
announced that there would be no elections in 2022 if the "auditable" printed ballot was not in
place
. Braga Neto was the vice-presidential candidate on Jair Bolsonaro's (PL) ticket in 2022.
According to Bolsonaro, "democratic" elections would only take place with a "public vote
count"
. These statements were made a few days after the then president's speech (18 July
More at Estadão: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,pf-se-recusa-a-mostrar-registros-de-
irregularidades-nas-urnas-eletronicas,70003787578. Access: 12 Aug. 2021.
More at O Globo: https://oglobo.globo.com/epoca/ha-25-anos-bolsonaro-defendeu-informatizar-apuracao-das-
eleicoes-para-combater-fraudes-23160301. Access: 12 Aug. 2021.
More at Estadão: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,se-nao-tiver-voto-impresso-em-2022-vamos-ter-
problema-pior-que-eua-diz-bolsonaro,70003573533. Access: 13 Aug. 2021.
More at Estadão: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ministro-da-defesa-faz-ameaca-e-condiciona-
eleicoes-de-2022-ao-voto-impresso,70003785916. Access: 13 Aug. 2021.
More at Estado de Minas:
https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2021/08/01/interna_politica,1291873/bolsonaro-eleicoes-
democraticas-somente-com-contagem-publica-dos-votos.shtml. Access: 13 Aug. 2021.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 17
2022) to ambassadors summoned to the Planalto Palace, when Bolsonaro reinforced his
questioning of the electoral system without proof.
It is noteworthy that during this election period, the Armed Forces took upon themselves
the non-constitutional task of acting as election inspectors, having initially talked about auditing
the ballot boxes. When questioned and summoned by the president of the Superior Electoral
Court (TSE) to present the ballot box audit report, the Ministry of Defense claimed to have
carried out an inspection, not an audit. The report was only delivered after the second round of
the elections without proving fraud in the ballot boxes.
Another element observed in the speeches of the conservative camp was the fear of
Brazil coming closer to "socialist/communist" countries, which would be corroborated by the
meme presented. A 21-year-old conservative voter said: "In addition to the ballot box, there
should be a voucher. The information that only 3 countries use it (the electronic ballot box)
makes me more suspicious and more likely to want proof of vote," he said, although he
pondered that "image does not generate reliability" (our translation).
There is an ecosystem of sources for confirming news that is difficult to escape the
"bubbles", as the interviewees themselves put it. When they do get out of their bubbles, they
look for confirmation on search engines or mainstream media portals. As one conservative voter
aged between 36 and 45 says, she "follows the information with her husband, who listens to
CBN, Bandeirantes and Datena" (our translation). The same voter says she trusts G1 and is
suspicious of UOL. And she says she does not like the weekly magazine Veja
because it is
linked to the Globo Group. "For me it belongs to Globo, there's no point in saying it does not"
(our translation).
While voters in the conservative camp were sympathetic to the information presented
in the meme because it linked Brazil to "socialist/communist" countries, in the progressive
spectrum the image was viewed with suspicion precisely because it made a connection
considered "untrue" in the opinion of the majority.
More at Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/07/bolsonaro-repete-teorias-da-
conspiracao-e-ataca-urnas-stf-e-tse-a-embaixadores.shtml
This speech earned the president a trial for abuse of political power, and he was tried and sentenced to
ineligibility for eight years. Available: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2023/Junho/por-maioria-de-
votos-tse-declara-bolsonaro-inelegivel-por-8-anos
Veja magazine was owned by Abril Cultural and was sold in December 2018 to businessman Fábio Carvalho.
Both are competitors of Globo Group.
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 18
Disinformation and hatred as a strategy
Although lying was cited as a characteristic of disinformation in both ideological
spectrums, it was more frequent in progressive groups. Among the 9 voters from this spectrum
exposed to the image, only one (aged 46 to 55) even showed concern about the issue of ballot
box security and said he had not come to a conclusion about the system's reliability. The others
described the image as "biased", "fake news" and "lies", as already mentioned.
Two progressive voters made the connection between the meme and the US elections
and the actions of former president Donald Trump, who also questioned the outcome of the
polls. Upon seeing the image, a progressive woman between the ages of 46 and 55 said that "it
could be Trump's people who put that up (the image). They're outraged by the ballot there". The
progressive voter who expressed concern about the security of the ballot boxes said he had not
come to a conclusion about which system is more susceptible to fraud after following the
elections in the United States. Donald Trump articulated the discourse of possible fraud in the
US elections in the months leading up to the election, culminating on 3 of November (election
day in the US and the period between the first and second rounds in Brazil) when the former
US president declared that he would not accept defeat by Joe Biden, and expanded his attacks
on the voting system, which is conducted by paper ballot in most of the US territory. The
discourse of suspicion created the conditions for actions by extremist groups who, in January
2021, invaded the Capitol.
The episode demonstrated the impact of anti-systemic discourse and its ability to
mobilize extremist groups (a reaction also observed in Brazil on 8 January 2023).
The troubled political process that deteriorated the atmosphere of the elections in Brazil
and the United States was present in the speeches of the research participants. The perception
of the scope of disinformation that is systematically and organized on social networks
permeated the speeches of participants from both ideological groups, and the dissemination of
hatred was perceived as a political strategy. A 35-year-old progressive participant, commenting
on the intention behind the image presented about the electronic ballot boxes, said: "They want
to stir things up. Those who are more alienated will accept this information. Hatred is an
important part of this process" (our translation).
We can see that ideology and prejudice are elements that surround discourse on the
electronic ballot box, where the subject reproduces and reaffirms an opinion common to a
group, becoming hostage to these ideas and losing the ability to exercise their autonomy and
singularity (CHAUI, 2008). Even in an election in which the voters participating in the survey
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 19
showed a certain weariness of the polarization seen in the 2018 elections, ideological disputes
took place on social media, anticipating debates in the 2022 electoral campaign and maintaining
the flame of polarization that sustains the engagement of groups vying for power around issues
that cause the weakening of democratic institutions (LEVITSKY; ZIBLATT, 2018), deserving
society's attention.
In August 2021, the Constitutional Amendment Bill (PEC 135/19), which would have
obliged "physical ballots" to be issued after electronic voting, was rejected in the Chamber of
Deputies, having received 229 votes in favor, 218 against and one abstention. To be approved,
the PEC needed 308 votes. It is worth noting that the only abstention came from Aécio Neves
(PSDB), the same person who in 2014 did not recognize his defeat to former president Dilma
Rousseff (PT) and called for a recount of the votes, demonstrating difficulty in recognizing the
will of the voters expressed at the polls.
Even though PEC 135/19 was rejected in the Chamber of Deputies, ex-president
Bolsonaro and his groups of supporters who cultivate distrust in the electoral system continued
their activities, spreading disinformation, as can be seen from the objective data of the research
carried out by FGV DAPP (Portuguese initials for Directorate for Public Policy Analysis). The
study analyzed posts accusing the electronic ballot box of fraud and defending the printed ballot
in Facebook posts between November 2020 and January 2022. We were struck by the fact that
this monitoring began during the same period in which we held our focus groups with voters in
the municipality of São Paulo. In this sense, it is interesting to see that the images that appeared
in the information checks in 2020 were in the same perspective as the monitoring carried out
by the FGV, demonstrating Bolsonaro's strategy of keeping its networks fed with conspiracy
theories about fraud in the electronic ballot boxes and distrust in the electoral system.
Between November 2020 and January 2022, the monitoring found 394,370 posts
published on 27,840 personal and public group profiles about fraud in the electronic ballot box
and the defense of the printed vote. In addition to the posts, it was possible to identify 111
million interactions, demonstrating that these messages provoked reactions in users of the social
network.
During 2021, there was intense group activity on pages in favor of the printed ballot and
it is possible to observe that there was a higher average number of interactions since 2014, when
the debate gained momentum, showing the strong capacity for mobilization of networks by
groups that support the agenda of questioning electronic voting.
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 20
Another fact is the organization of the dissemination of disinformation. Twelve accounts
have the highest number of interactions on Facebook posts, including former president Jair
Bolsonaro and federal deputy Carla Zambelli, who were responsible for 1,576 posts during the
monitoring period.
Final considerations
Electoral processes occupy a fundamental place in liberal democracies and play an
important role in the democratic game, often being referred to as the "festival of democracy".
Electronic voting machines were introduced in Brazil in 1996. Although in some
elections doubts have been raised about the results, in no other period has there been such an
intense campaign to question their reliability.
The results presented in this survey of conservative and progressive voters in the 2020
municipal elections in the city of São Paulo show that the two groups have different perceptions
and beliefs about electronic voting machines. Progressives do not express categorical questions
about the reliability of the ballot boxes, while conservatives, albeit not homogeneously, tend to
present arguments that demonstrate greater distrust of the results.
The group of conservatives stated that the information presented in the image (meme)
is important, reaffirming the need to establish ways of verifying the vote, with this group
showing greater concern about the possibility of fraud at the polls. They also pointed out that
the meme's assertion that electronic voting machines exist in only three countries increases
distrust about the security of the elections, using this (dis)information to expose the risk of
Brazil becoming like countries considered to be socialist or communist, in the words of some
participants, with this group presenting a fragile model for checking information, as presented
above.
The group of progressives accused the image presented of "fake news", characterizing
the post as biased in the interest of delegitimizing the national elections by associating Brazil
with countries identified with the communist ideology. One of the participants made a
connection with the US elections and former president Donald Trump's attempts to delegitimize
the US elections, and expressed concern that Brazil would repeat the events of the attempted
invasion of the Capitol.
The process of questioning the fairness of the elections and delegitimizing democracy
has been an important tactic of the extreme right. This movement is motivated by the reaction
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 21
of conservatives to the achievements of the diversity of interests and social values in social
structures. In the words of researcher Wanderley Guilherme dos Santos, the "rejection of the
economic and social progress of the vulnerable classes" (2017, p. 32, our translation) is a
denominator that permeated the coups of 1950, 1964 and 2016.
The civilizing process that fights against the social strategy of alienation and
discrimination has increasingly exposed divergences and tensions that do not recognize in
democratic ways a structure for overcoming and conciliation, betting on the modus of anti-
politics and the dismantling of democracy as the way to solve their particular problem, as
Avritzer (2020) explains. It was within this logic that the then deputy Jair Bolsonaro came to
command the executive branch. "He came to the presidency not as a political leader, but as
someone willing to destroy policies and politicians" (AVRITZER, p. 5, our translation).
In this context, the phenomenon of disinformation has become more relevant in recent
years, given the advance of digital tools for disseminating news (or supposed news), and
electronic messaging tools, weakening public debate and impacting democracy. For some
authors, such as Charles Tilly (2007), we are witnessing a process of de-democratization. When
dealing with advances and setbacks in the processes of democratization and de-
democratization, Tilly lists three aspects as elements of the state's ability to increase or reduce
democracy: 1) advances or setbacks in the relationships of interpersonal networks of trust
(kinship, religious groups and business relationships) that affect public policy decisions; 2) an
increase or reduction in inequality and 3) greater or lesser autonomy of coercive power centers
over public policies, which would avoid clientelist practices (TILLY, 2007, pp. 23 - 75, our
translation).
A scholar of the dynamics of confrontation, the author's research focuses on the issue of
"durable inequality". The structures of inequality can be amplified by delegitimizing
democracy, reducing the participation of minority groups, eliminating rights, even under a
democracy. These are "pathological traits", in the words of Nelson do Valle (2004), which
maintain inequalities in the country, with under-representation of minorities of race, sex, gender
and economic power. The state's capacity to supervise and guarantee the democratic process
determines whether the democratic system can advance or retreat. In Tilly's words, low state
capacity inhibits democracy. In the Brazilian case, we could ask ourselves whether there is a
low capacity or a low will to sustain democracy. Returning to Avritzer's thinking (2020), the
crisis of Bolsonarism extends beyond attacks on the ballot box and elections. It affects the
making of politics and the understanding of democracy. The issue of systematic and organized
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 22
attacks on the electronic ballot box is part of the anti-politics of a government that catalyzes
crises and has in this mode of operation a source of cohesion for conservative groups.
REFERENCES
ALLCOTT, H.; GENTZKOW, M. Social media and fake news in the 2016 election. Journal
of Economic Perspectives, [S. l.], v. 31, n. 2, p. 211-236, 2017.
ALVES, A. R. C., O conceito de hegemonia: de Gramsci a Laclau e Mouffe. Lua Nova, São
Paulo, v. 80, p. 71-96, 2010.
AVRITZER, L. Política e antipolítica: A crise do governo Bolsonaro. São Paulo: Todavia,
2020.
BAUER, M. W.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um
manual prático. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
BRUNO, F.; ROQUE, T A ponta de um iceberg de desconfiança. In: BARBOSA, M. (org).
Pós-verdade, fake news reflexões sobre a guerra das narrativas. Rio de Janeiro: Cobogó,
2019.
BOUNEGRU, L.; GRAY, J.; VENTURINI, T.; MAURI, M. A Field Guide to Fake news.
Public Data Lab, [S. l.], 2017. Available: http://fakenews.publicdatalab.org/. Access: 12
Aug. 2020.
BORGES, A.; VIDIGAL, R. Do lulismo ao antipetismo? Polarização, partidarismo e voto nas
eleões presidenciais brasileiras, Opinião Pública, [S. l.], v. 24, n. 1, Jan.-Apr. 2018. DOI:
10.1590/1807-0191201824153.
CHAUI, M. O que é ideologia? São Paulo: Brasiliense, 2008.
CHINO, L. B. S; COIMBRA, R. C. M, A segurança do voto no Brasil. In: Cadernos
Adenauer XIX, no. I, Eleições 2018 e perspectivas para o novo governo, Rio de Janeiro:
Fundação Konrad Adenauer, abril 2019.
COUTO, C. G. “Novas eleições críticas?”. Em Debate, [S. l.], v. 6, p. 17-24, 2014.
CONCEIÇÃO, D. L.; SEGURADO, R. Fact-checking: uma análise da checagem de
informação política do projeto Truco! Estudos de Sociologia, [S. l.], v. 25 n. 48, 2020.
DALMAZO, C.; VALENTE, J. Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à
desinformação em busca de cliques. Media & Jornalismo, [S. l.], v. 18, n. 32, p. 155-169,
2018. Available: https://impactum-journals.uc.pt/mj/article/view/5682. Access: 20 Aug. 2021.
DOURADO, T.; ALMEIDA, S.; PIAIA, V.; CARVALHO, D., “Redes Digitais de
Conspiração Eleitoral no Brasil: um estudo do fluxo interplataforma de atores e discursos
sobre fraude nas urnas eletrônicas e manipulação eleitoral”. In: CONGRESSO
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 23
COMPOLÍTICA: DEMOCRACIA E OPINIÃO PÚBLICA EM TEMPOS DE FAKE NEWS,
9., 2020. Anais [...]. [S. l.: s. n.], 2020. Available:
https://drive.google.com/file/d/1L8dfJQaxB2v-5cXmySyOB0n8glLOFT3B/view. Access: 20
Aug. 2021.
DOURADO, T. Processos de rumores e circulação de fake news: paralelos teóricos e o caso
das eleições municipais de 2020 do Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Konrad Adenauer,
Cadernos Adenauer, [S. l.], v. XXII, n. 1, 2021.
FARKAS, J.; SCHOU, J, Post-Truth, Fake News and Democracy: Mapping the politics of
Falsehood, Sweden: Routledge, 2019.
FGV DAPP. Desinformação on-line e Eleições no Brasil: a circulação de links sobre
desconfiança no sistema eleitoral brasileiro no Facebook e no YouTube (2014-2020). Rio de
Janeiro: FGV DAPP, 2020. Available:
http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/30085. Access: 20 Aug. 2021.
FIGUEIREDO, F. D.; SILVA, L.; CARVALHO, E. The forensics of fraud: Evidence from
the 2018 Brazilian presidential election. Forensic Science International: Synergy, [S. l.], v.
5, 2022.
GOMES, W.; DOURADO, T. M. Fake news, um fenômeno de comunicação política entre
jornalismo, política e democracia. Estudos em Jornalismo e Mídia, v. 16, n. 2, p. 33-45,
2019.
INGLEHART, R.; BAKER, W. E. Modernization, cultural change, and the persistence of
traditional values. American Sociological Review, Washington, D.C, v. 65, n. 1, 19-51,
2000. DOI: 10.2307/2657288.
LEVITSKY, S.; ZIBLATT, D. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar
Editora, 2018.
LEMOS, A.; MARQUES, D. Vigilância guiada por dados, privacidade e Covid-19. Lab404
Vigilância Guiada, Salvador, 11 maio 2020. Available: http://bit.ly/3aj61Us. Access: 20 May
2020.
LIMA, B; CANTRERA, F.; GREGÓRIO, P. C. S. Competição partidária e interação
estratégica na eleição presidencial brasileira de 2018. In: Congreso Lationamericano de
Ciencia Política, de la Asociación Latinoamericana de Ciencias Políticas, 10., 2019. Anais
[...]. [S. l.: s. n.], 2019.
NORRIS, P. Why Electoral Integrity Matters. New York: Cambridge University Press,
2014.
PARISER, E. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. Rio de Janeiro:
Zahar, 2011.
Distrust of the electronic voting machine in the 2020 São Paulo local elections
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 24
PATRINI, G.; LINI, S.; IVERY-LAW, H.; DAHL, M. Commoditisation of AI, digital
forgery and the end of trust: how we can fix it. 2018. Available:
https://giorgiop.github.io/posts/2018/03/17/AI-and-digital-forgery/. Access: 20 Aug. 2021.
RECUERO, R. #FraudenasUrnas: estratégias discursivas de desinformação no Twitter nas
eleições 2018. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, [S. l.], v. 20, n. 3, p. 383-406,
2020. DOI: 10.1590/1984-6398202014635.
REIS, F. W. “Eleição de 2014:”’país dividido’ e questão social”. Em Debate, [S. l.], v. 6, p.
8-1, 2014.
ROQUE, T. O negacionismo no poder. Piauí, São Paulo, n. 161, fev. 2020. Available:
https://bit.ly/37Xv2kX. Access: 23 maio 2020.
RUEDIGER, M. A. Desinformação nas eleições 2018: o debate sobre fake news no Brasil,
Rio de Janeiro: FGV DAPP, 2019.
RUEDIGER, M. A.; GRASSI, A. (coord.). O ecossistema digital nas eleições municipais de
2020 no Brasil: o buzz da desconfiança no sistema eleitoral no Facebook, YouTube e Twitter.
Policy paper. Rio de Janeiro: FGV DAPP, 2020.
SANTOS, W. G. A democracia impedida: o Brasil no século XXI. Rio de Janeiro: FGV
Editora, 2017.
TARAUCO, G. Esquerda, direita e eleições presidenciais no Brasil. Estudos Avançados, v.
36, n. 106, p. 133-133, 2022. DOI: 10.1590/s0103-4014.2022.36106.008
TILLY, C., Democracy. Cambridge University Press: Nova York, 2007.
TSE, BRASIL. Teste de integridade das eleições 2022. TSE, [S. l.], 2022. Available:
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Outubro/teste-de-integridade-das-eleicoes-
2022-comprova-eficiencia-das-urnas. Access: 05 Oct. 2022.
VALLE, N.; HASENBALG, C. Origens e Destinos: desigualdades sociais ao longo da vida.
Rio de Janeiro: TopBooks, 2004.
WARDLE, C.; DERAKHSHAN. H. Information Disorder: Toward and interdisciplinary
framework for research and policy making. [S. l.: s. n.], 2017. Available:
http://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://rm.coe.int/information-disorder-toward-an-
interdisciplinary-framework-for-researc/168076277c. Access: 27 Aug. 2021.
Rosemary SEGURADO; Fabrício AMORIM and Carlos RAÍCES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023024, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17379 25
CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Financing: There was no financing.
Conflict of interest: There is no conflict of interest.
Ethical approval: The work respected ethics during the research, informing the
interviewees of all the processes. The study did not go through an ethics committee.
Availability of data and material: The data and materials collected and used are not
available for online access.
Authors’ contributions: The work was divided equally between the authors from data
collection, interviews and writing the text.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.