Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 1
MARCAS NA TRAJETÓRIA E NO PRESENTE DO CATÓLICO CRISTIANISMO
DA LIBERTAÇÃO
HUELLAS EN LA TRAYECTORIA Y EN EL PRESENTE DEL CRISTIANISMO
CATÓLICO DE LIBERACIÓN
MARKS ON THE TRAJECTORY AND IN THE PRESENT OF CATHOLIC
LIBERATION CHRISTIANITY
André Ricardo de SOUZA1
e-mail: anrisouza@uol.com.br
Como referenciar este artigo:
SOUZA, A. R. Marcas na trajetória e no presente do católico
cristianismo da libertação. Estudos de Sociologia, Araraquara, v.
28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460
| Submetido em: 07/11/2022
| Revisões requeridas em: 26/12/2022
| Aprovado em: 14/08/2023
| Publicado em: 29/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos SP Brasil. Departamento de sociologia.
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 2
RESUMO: O cristianismo da libertação constituiu-se como um fenômeno religioso com
desdobramentos políticos relevantes na América Latina, entre as décadas de 1960 e 80, no
contexto de regimes militares e processos de reabertura democrática, sendo que este artigo
enfoca o caso brasileiro. Abarcando também iniciativas protestantes, ele é fundamentalmente
católico, tendo passado por um refluxo devido a posicionamentos dos papas João Paulo II e
Bento XVI, assim como o avanço evangélico pentecostal e o crescimento do ideário neoliberal.
Em face do pontificado de Francisco fatos novos ocorreram de modo a resgatar aspectos desse
catolicismo politizado de esquerda, com destaque para determinada proposição econômica que
gerou uma significativa mobilização no Brasil. O artigo, elaborado com base em consulta
bibliográfica e pesquisa de campo, aborda essa trajetória do cristianismo da libertação.
PALAVRAS-CHAVE: Cristianismo da libertação. Catolicismo. Papa Francisco. Economia de
Francisco e Clara.
RESUMEN: El cristianismo de liberación se constituyó como un fenómeno religioso con
desarrollos políticos relevantes en América Latina, entre las décadas de 1960 y 1980, en el
contexto de regímenes militares y procesos de reapertura democrática, y este artículo se centra
en el caso brasileño. Englobando también iniciativas protestantes, es fundamentalmente
católica, habiendo pasado por un reflujo debido a las posiciones de los papas Juan Pablo II y
Benedicto XVI, así como al avance evangélico pentecostal y al crecimiento de la ideología
neoliberal. Frente al pontificado de Francisco, ocurrieron nuevos hechos para rescatar
aspectos de ese catolicismo politizado de izquierda, con énfasis en cierta propuesta económica
que generó una importante movilización en Brasil. El artículo, basado en consulta
bibliográfica e investigación de campo, aborda esta trayectoria del cristianismo de liberación.
PALABRAS CLAVE: Cristianismo de liberación. Catolicismo. Papa Francisco. Economía de
Francisco y Clara.
ABSTRACT: Liberation Christianity was constituted as a religious phenomenon with relevant
political consequences in Latin America, between the 1960s and 80s, in the context of military
regimes and democratic reopening processes, and this article focuses on the Brazilian case.
Also encompassing Protestant initiatives, it is fundamentally Catholic, having gone through a
reflux due to the positions of Popes John Paul II and Benedict XVI, as well as the Pentecostal
evangelical advance and the growth of neoliberal ideology. In face of Francis' pontificate, new
facts occurred in order to rescue aspects of this left-wing politicized Catholicism, with emphasis
on a certain economic proposition that generated a significant mobilization in Brazil. The
article, based on bibliographic consultation and field research, addresses this trajectory of
Liberation Christianity.
KEYWORDS: Liberation christianity. Catholicism. Pope Francis. Economy of Francis and
Clare.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 3
Introdução
Em termos da confluência entre religião e política no Brasil, antes da emergência
pentecostal, em meados dos anos 1980 (PIERUCCI, 1989; FRESTON, 1993), outro fenômeno
religioso teve impacto e desdobramentos, no âmbito do catolicismo, trata-se do segmento
católico influenciado pela Teologia da Libertação e composto pelas Comunidades Eclesiais de
Base (CEBs) e as pastorais sociais (MAINWARING, 1989; DOIMO, 1995). Tal vertente
decorreu de um processo que antecedeu, mas teve expressivo impulso com o Concílio Vaticano
II e a subsequente valorização dos leigos nos anos 1960, além do engajamento de politizados
jovens católicos na França e na América Latina, o surgimento de grupos de reflexão bíblica e o
fortalecimento dos movimentos de Educação de Base - MEB e da Ação Católica em suas
variações: estudantil e operária (SOUZA, 1984; MACEDO, 1986; TEIXEIRA, 1988;
SCHERER-WARREN, 1990; LÖWY; GARCÍA-RUIZ, 1997; WANDERLEY, 2007). Esse
fenômeno se caracterizou não apenas pela atuação de católicos, mas também de adeptos do
protestantismo histórico, identificados, em grande medida, com o chamado movimento
ecumênico (ALTMAN, 1994). Por tais características, que extrapolam os limites católicos, todo
esse conjuto foi chamado de cristianismo da libertação pelo sociológo Michael Löwy (2000;
2016).
O cristianismo da libertação se expandiu entre os anos 1960 e 80, vindo a ter papel
destacado no país, no contexto da reabertura democrática. Tal reabertura teve início ao final da
década de 1970 e começou a encerrar com a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986, este,
que, por coincidência, foi o ano que marcou também a entrada efetiva dos evangélicos
pentecostais nas nacionais disputas eleitorais (PIERUCCI, 1989; FRESTON, 1993). Em
decorrência de tal fenômeno, especificamente no meio católico, ganharam força, entre as
décadas subsequentes, expressões políticas de esquerda reivindicando direitos cidadãos.
Verifica-se, portanto, que o cristianismo da libertação influenciou de modo significativo
uma parcela da sociedade brasileira, tendo desdobramentos relevantes mediante a formação de
movimentos sociais, organizações da sociedade civil e uma das maiores legendas políticas de
esquerda do mundo: o Partido dos Trabalhadores - PT. O cristianismo da libertação viria a
passar por um intenso refluxo entre o último decênio do século XX e as duas primeiras décadas
do centenário seguinte. As causas e as principais características de tal processo serão abordadas
mais adiante, neste artigo. Cabe, por ora, apenas apontar que algo novo e importante no
catolicismo mundial ocorreu mediante o início do pontificado de Francisco, em 2013, gerando
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 4
fatos que estão reverberando também no Brasil e fazem levantar indícios de que, talvez, um
novo ciclo tenha iniciado.
Embora o cristianismo da libertação, evidentemente, não tenha terminado, fato é que
sofreu significativo enfraquecimento, significando o período do Papa Francisco não uma forte
retomada, propriamente dita, mas, sim e de alguma maneira, uma nova fase em sua história
O artigo discute os fatos marcantes da trajetória do cristianismo da libertação, seu
nascedouro, desenvolvimento, grande enfraquecimento e o momento atual no Brasil em face da
atuação de Francisco.
Origem e desenvolvimento do cristianismo da libertação
Costuma-se dizer que o Concílio Vaticano II - principal evento católico do século XX,
ocorrido entre 1962 e 1965 - marcou o início de um processo de abertura e incentivo da igreja
à participação de leigos em suas próprias organizações (PRANDI; SANTOS, 2015). Teriam
sido plantadas ali as sementes tanto do cristianismo da libertação quanto do movimento
politicamente conservador da Renovação Carismática Católica (PRANDI, 1997).
Círculos bíblicos, surgidos no campo e na cidade, viriam formar, naquela década, as
CEBs, constituindo um “novo jeito de ser igreja”, caracterizado pela valorização maior dos
leigos agentes de pastoral, principalmente as mulheres e pela contraposição constante à
desigualdade social. Buscava combinar aspectos marxistas com a leitura contextualizada e
crítica da Bíblia. Foi de fato importante a referência do educador Paulo Freire, sobremaneira
sua obra Pedagogia do oprimido (1970) e a aplicação de sua metodologia pedagógica,
semelhantemente ao que ocorria no âmbito do Movimento de Educação de Base - MEB
(BRANDÃO, 1980; WANDERLEY, 1984). que se considerar também os relevantes
desdobramentos juvenis da Ação Católica ocorridos no país, por influência principalmente da
juventude católica francesa: a Juventude Operária Católica - JOC e a Juventude Universitária
Católica - JUC (SOUZA, 2006).
No cenário do regime militar e mediante os estudos bíblicos, houve nas CEBs analogia
entre o Egito Antigo, opressor do cativo povo hebreu, com o governo autoritário brasileiro e
sua relação com a população pobre (MESTERS, 1986). A mobilização no campo, em sintonia
com sindicatos rurais, e na cidade, reivindicando equipamentos urbanos e contra a carestia -
modo pelo qual a inflação era chamada - fez surgir movimentos populares. Estava em curso o
desenvolvimento das pastorais sociais.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 5
Em face da interpretação religiosa do cristianismo da libertação quanto à ditadura então
vigente, ativistas esquerdistas do movimento estudantil e de partidos políticos viriam encontrar
na igreja certo refúgio para sua prática militante, contribuindo também para certa
intelectualização desse meio (BEOZZO, 1984). Isso também ocorria em outros países latino-
americanos, igualmente marcados por seus respectivos regimes militares (GOTAY, 1985). No
Brasil teve destaque a atuação dos cardeais: dom Paulo Evaristo Arns, de São Paulo e dom
Hélder Câmara, de Recife e Olinda, no enfrentamento de generais e pela busca de proteção a
militantes - também freiras e padres - de tortura e extermínio, igualmente chamando certa
atenção internacional para o fato (MAINWARING, 1989; SERBIN, 2001).
O endurecimento do regime do Brasil, a partir do Ato Institucional 5, em 1968,
coincidiu com a realização, no mesmo ano, da Conferência Episcopal Latino-Americana em
Medellín, Colômbia, quando a igreja continental fez uma importante inflexão assumindo
pastoralmente a proposta de disseminação das CEBs e a perspectiva da Teologia da Libertação,
mediante o lema da “Opção pelos pobres”. Houve certo encorajamento institucional para que
os clérigos questionassem os governos autoritários e, em alguns casos, levassem ao extremo o
enfrentamento deles, vindo até a participar de guerrilhas, serem torturados e assassinados,
mesmo estando fora da luta armada (LÖWY, 2000; TAMAIO, 2018).
outra coincidência histórica envolvendo o Brasil e o catolicismo latino-americano.
O marco de reabertura democrática no país foi a Lei da Anistia, em 1979, permitindo a volta de
exilados políticos que se encontravam no estrangeiro, dentre eles o ex-militante da JUC e da
Ação Popular (AP), Herbert de Souza, o sociólogo Betinho, cantado na música-símbolo daquele
período “O bêbado e o equilibrista” (1979), de Aldir Blac (NAKANO; ROIMAN, 2001). No
mesmo ano, aconteceu o segundo encontro da Conselho Episcopal Latino-Americano
(CELAM) - após sua criação, em 1955, no Rio de Janeiro, sob a liderança de dom Manuel
Lerraín, bispo chileno de Talca e de dom Hélder Câmara. O evento - ocorrido na cidade
mexicana de Puebla, no pontificado de João Paulo II, que fez espécie de intermediação entre
interesses da cúria romana e o episcopado latino-americano - não foi tão crítico do status quo
continental, como havia sido o de 1968, embora tenha confirmado a adesão dos bispos da região
ao cristianismo da libertação (PASSOS, 2019).
Um ano antes, no Brasil, haviam eclodido as massivas greves do Sindicado dos
Metalúrgicos do ABC Paulista sob a liderança de Luiz Inácio da Silva, o Lula, iniciando o
chamado novo sindicalismo, com apoio do então bispo de São Bernardo do Campo, dom
Claudio Hummes e do ‘fundo de greve’, organizado em paróquias para sindicalistas com
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 6
salários suspensos. Tal fenômeno sociopolítico, contando com a adesão de mais agentes de
pastoral, ganhou força, vindo a ensejar a criação do PT em 1980 e da Central Única dos
Trabalhadores (CUT) em 1983 (RODRIGUES, 1988; MARTINS, 1994; SECCO, 2011).
No campesinato, a criação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ainda em 1975 -
contando com decisiva participação do bispo da Diocese de Goiás, dom Tomás Balduíno e de
dom Pedro Casaldáliga, da mato-grossense prelazia de São Félix do Araguaia - viria contribuir
para o fortalecimento do sindicalismo rural. A partir dela, surgiria no interior do Paraná, em
1984, aquele que veio a se tornar o maior movimento social do país, o dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra - MST (PAIVA, 1985; MENEZES NETO, 2007; PY; PEDLWSKY, 2018). Verifica-
se, portanto, que o cristianismo da libertação teve efeitos importantes, tanto no meio urbano,
quanto no rural, com desdobramentos políticos expressivos.
O refluxo vivenciado
Embora a maioria das ditaduras militares latino-americanas estivesse em declínio, a
conferência continental de bispos, ocorrida em 1979, contou com a participação de João Paulo
II, em seu segundo ano de pontificado, algo que contribuiu significativamente para fazê-la mais
moderada que a anterior, realizada uma década antes na Colômbia. Quatro anos depois do
evento em Puebla, o conservador papa polonês visitou a Nicarágua e repreendeu com dedo
em riste o padre Ernesto Cardenal (de joelhos), que era então ministro da Cultura do governo
que ele ajudou a formar, após a Revolução Sandinista, também ocorrida em 1979 e que teve a
participação expressiva de militantes do catolicismo da libertação (CABESTRERO, 1983). Tal
ato, permeado de simbolismo, marcou o que viria ser o papado de Karol Wojtyla.
Nos anos 1980, João Paulo II se aproximaria bastante do presidente estadunidense
Ronald Reagan em sua cruzada contra os governos alinhados à União Soviética, algo que
culminou com a derrubada do Muro de Berlim em 1989 e a subsequente desintegração do bloco
socialista europeu (ESCURRA, 1984; DELLA CAVA, 1985). Naquele mesmo ano, o papa
desferiu um expressivo golpe na ala progressista da igreja no Brasil ao reduzir a Arquidiocese
de São Paulo, retirando dela amplas áreas das zonas Leste e Sul paulistanas, onde dom Paulo
Evaristo Arns fazia significativo trabalho com CEBs e pastorais sociais (CARVALHO, 2013).
Outro fato emblemático ocorrido neste sentido, três anos depois, foi a punição imposta
pelo então cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o alemão Josef Ratzinger,
ao frade franciscano Leonardo Boff, considerado junto com o padre peruano Gustavo Gutierrez
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 7
os dois principais teólogos da libertação (BOFF, 1981; GUTIERREZ, 1983). Boff foi proibido,
em 1984, de fazer palestras e publicar, sendo ele o caso mais estridente entre os vários teólogos
punidos por aquele que foi o braço direito de João Paulo II (LACERDA, 2009; LIBANIO,
1983).
O pontífice polonês levou adiante seu projeto de “restauração conservadora” da igreja
mundial (DELLA CAVA, 1985), nomeando, gradativamente, bispos muito tradicionalistas em
substituição àqueles que haviam participado do Conselho Vaticano II, assim como imprimindo
contornos bem mais conservadores na formação em seminários dos novos padres. A reabertura
democrática no Brasil fez com que a igreja deixasse de ser o espaço de acolhimento de
militantes esquerdistas, agora, engajados de modo muito predominantemente em sindicatos,
partidos, movimentos sociais e organizações não governamentais. Por outro lado, o
desmoronamento do bloco socialista europeu, concomitantemente ao grande fortalecimento
mundial do neoliberalismo, contribuiu para o enfraquecimento do pensamento de esquerda,
inclusive no âmbito do cristianismo da libertação. E no cenário religioso nacional, estava em
destacado crescimento o pentecostalismo, acompanhado pelo conservador movimento da
Renovação Carismática Católica (RCC) e certo refluxo das CEBs (PRANDI; SOUZA, 1996).
Os evangélicos pentecostais entraram no cenário político-partidário, vale lembrar, a
partir da eleição da Assembleia Constituinte, em 1986, capitaneados pela Assembleia de Deus
(AD) e movidos pela palavra de ordem: Irmão vota em irmão” (SYLVESTRE, 1986;
FRESTON, 1993). Outras igrejas teriam tal engajamento político, com destaque para a
Universal do Reino de Deus (IURD), que, junto com outras denominações neopentecostais,
além da AD e outras mais, teriam uma forte inserção televisiva nos anos posteriores, sendo que
tudo isso contribuiu para o fortalecimento evangélico e o grande crescimento de seu rebanho
no país. Por sua vez, a Igreja Católica buscou fazer frente a essa realidade dando aval e estímulo
à RCC, que havia vindo dos Estados Unidos ao Brasil no início dos anos 1970 e obteve pleno
vigor de expansão duas décadas depois (PRANDI, 1997). Sociologicamente, o movimento
carismático constituiu uma busca católica de resposta dupla, por um lado oposta ao avanço
pentecostal e, por outro, contrariamente às CEBs (PRANDI; SOUZA, 1996; ORO, 1996).
No âmbito do catolicismo carismático, surgiu outra forma de organização eclesial
denominada Comunidade de Aliança e Vida. A Canção Nova, no interior paulista e liderada
por um dos pioneiros da RCC no país, padre Jonas Abib, é a maior delas, constituindo uma rede
própria, homônima, de televisão e rádio. Também no estado de São Paulo surgiram outras
emissoras televisivas católicas com fortes traços carismáticos: a Rede Vida de Televisão e a
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 8
Século 21, sendo esta liderada por mais um iniciador da RCC no Brasil, o estadunidense padre
jesuíta Eduardo Dougherty (CARRANZA; MARIZ; CAMURÇA, 2009; CARRANZA, 2011).
E ainda neste meio, caracterizado pela confluência entre carismatismo católico e TV, surgiram
os chamados padres cantores, tendo sido Marcelo Rossi o que mais chamou atenção, enquanto
busca da igreja por fazer frente ao avanço pentecostal, sendo algo oposto ao cristianismo da
libertação (SOUZA, 2005), dada sua despolitização e ênfase na vivência emocional dos
indivíduos, em vez das questões sociais, sobremaneira a desigualdade.
Quando Joseph Ratzinger - tornado Bento XVI e sucessor de João Paulo II - veio ao
Brasil, em 2007, encontrou no país o cristianismo da libertação bastante enfraquecido. Nem
assim ele aceitou encontrar o então badalado padre Rossi. Desta maneira, o papa alemão
ressaltou sua posição bastante conservadora, também em relação às inovações midiáticas
decorrentes do catolicismo carismático.
A despeito dos pontificados nitidamente contrários de João Paulo II e Bento XVI, o
catolicismo da libertação subsistiu e conseguiu manter certa influência sobre a CNBB,
sobremaneira em relação aos posicionamentos da entidade nacional de bispos contendo críticas
às liberais políticas econômicas de governos, bem mais afeitas a interesses de empresários do
que de trabalhadores. Nas bases de dioceses e paróquias, entretanto, tal influência diminuiu
bastante, em grande medida, devido à substituição de bispos e padres, após falecimentos e
aposentadorias, por outros mais conservadores.
Francisco e um determinado resgate
Como se sabe, Bento XVI enfrentaria, em 2012, uma grande crise no governo da igreja,
caracterizada por escândalos sexuais (com foco na pedofilia) e, sobremaneira, financeiros,
envolvendo o Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como Banco do Vaticano
(DALAI; DANTAS, 2012), fazendo com que em 28 de fevereiro de 2013, após seis séculos,
acontecesse novamente a renúncia de um papa. No conclave finalizado em 13 de março daquele
ano, tornou-se pontífice o cardeal de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, primeiro latino-
americano e jesuíta eleito papa. Ao assumir o nome Francisco, em homenagem ao santo de
Assis e ter expressivos gestos e atos condizentes2, o argentino iniciava uma nova fase, após dois
Trata-se, sobremaneira, do ritual simplificado através do qual ele optou por ser introduzido no cargo, assim como
o fato de residir e em uma modesta acomodação no Vaticano, fazer refeições no refeitório com outras pessoas e
usar carro popular para locomoção.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 9
pontificados seguidos, na trajetória da instituição romana, tendo sido estes de caráter bastante
clerical e conservador.
Após a inédita simplicidade que caracterizou o ritual de entronização, o primeiro gesto
expressivo do papa Francisco foi a celebração, em 8 de julho de 2013, na mediterrânea ilha de
Lampedusa denunciando a condição dos refugiados africanos que buscam a Europa, sendo parte
deles vitimados por naufrágio (PIQUÉ, 2014). No ano seguinte, o pontífice recebeu, em
audiência, deres políticos socialistas, inclusive do Partido da Esquerda Europeia, quando se
decidiu iniciar um processo de diálogo entre marxistas e católicos, algo que tomou a forma de
vários encontros, culminando num curso de verão ocorrido em 2018 na Grécia (LÖWY, 2020).
Ainda no plano do posicionamento político internacional, de caráter progressista,
Francisco veio a intermediar negociações entre Cuba e Estados Unidos, em setembro de 2015,
quando este país ainda era governado por Barack Obama e foi visitado pelo pontífice, após
passar pela ilha caribenha3. Nas eleições estadunidenses do ano seguinte, enquanto o candidato
ultradireitista que viria vencê-las, Donald Trump, teve como principal bandeira de campanha o
propósito de erguer um muro anti-imigração entre seu país e o México, o papa argentino
defendeu formar “pontes” entre nações e indivíduos diferentes4. Em julho de 2015, Francisco
havia sido recebido na Bolívia pelo então presidente Evo Morales no II Encontro Mundial dos
Movimentos Populares, evento em que fez um discurso eloquente ressaltando as contradições
do capitalismo em sua fase neoliberal5. As visitas feitas a Bolívia e Cuba, assim como a
publicação, em maio, da encíclica Laudato Si’ - na qual criticou o capitalismo, embora o o
tenha nominado, preferindo chamá-lo de “sistema atual”, reverberando afirmações da exortação
apostólica Evangelii Gaudium, de 2013 - fizeram com que o pontífice fosse chamado de
“marxista” por extremistas de direita estadunidenses (NEVES, 2016; COELHO, 2018). Cabe
dizer que Bergoglio se pauta, desde o período como cardeal em Buenos Aires (1997; 2013),
pela semelhante, porém não marxista, Teologia do Povo, propalada pelo teólogo, igualmente
jesuíta e argentino, Juan Carlos Scannone (2019).
Em termos estritamente pastorais, o ex-cardeal de Buenos Aires deu passos relevantes,
em consonância com o cristianismo da libertação. Recebeu no Vaticano, em 2013, o padre
Disponível em:
https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2015/09/24/interna_internacional,691546/papa-francisco-faz-
discurso-historico-no-congresso-dos-estados-unidos.shtml. Acesso em: 10 mar. 2022
Disponível em:
https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2015/09/24/interna_internacional,691546/papa-francisco-faz-
discurso-historico-no-congresso-dos-estados-unidos.shtml. Acesso em: 05 out. 2020.
Disponível em: https://www.cnbb.org.br/confira-a-integra-do-discurso-do-papa-francisco-no-encontro-mundial-
dos-movimentos-populares/. Acesso em: 30 set. 2020.
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 10
peruano Gustavo Gutiérrez, pioneiro na disseminação dessa vertente teológica libertária. Cinco
anos depois, canonizou dom Oscar Romero, o arcebispo salvadorenho executado em 1980 por
militares de seu país, enquanto celebrava uma missa (BINGEMER, 2012). Outra canonização
marcante foi a do papa João XXIII, que, Bergoglio, diplomaticamente, realizou em 2014 junto
com a de João Paulo II. Quatro anos depois, Francisco conduziu no Vaticano o Sínodo da
Amazônia, voltado para as questões desse bioma continental e a escassez de padres na região,
valorizando o papel dos leigos, tendo ele promovido e valorizado o conjunto amplo de entidades
integrantes da Rede Eclesial Pan-Amazônica - REPAM (HUMMES, 2019; SILVEIRA; PY;
REIS, 2019).
No dia de maio de 2019, simbólica data do Trabalhador, o papa argentino iniciou algo
novo ao convocar, para março seguinte, um encontro mundial reunindo em Assis, Itália, jovens,
ativistas e renomados intelectuais6 para repensar o desenvolvimento econômico do planeta,
buscando enfrentar a desigualdade e o aquecimento global. O evento, que reverencia o santo
medieval e é denominado Economia de Francisco (EoF), veio ocorrer remotamente, em
novembro de 2020, devido à pandemia do Covid-19. Entre os dias 22 e 24 de setembro de 2022,
enfim, o evento aconteceu presencialmente na cidade italiana, contando com a participação de
dois mil jovens de diferentes países, sendo duzentos brasileiros, parte deles atuantes em
pastorais sociais católicas. Em seu discurso no dia de encerramento, selando o “Pacto de Assis”,
papa Francisco, além de chamar a atenção para a questão climática e a necessidade de mudanças
não superficiais, mas sim estruturais, fez menção crítica ao capitalismo duas vezes:
Pois bem, a primeira economia de mercado nasceu na Europa do século XIII,
em contacto diário com os frades franciscanos, que eram amigos daqueles
primeiros mercadores. Sem dúvida, essa economia criava riqueza, mas não
desprezava a pobreza. Criar riqueza sem desprezar a pobreza (...) Por fim,
uma insustentabilidade espiritual do nosso capitalismo. O ser humano, criado
à imagem e semelhança de Deus, antes de ser um averiguador de bens, é um
indagador de sentido (...) O nosso capitalismo, ao contrário, quer ajudar os
pobres mas não os estima, não compreende a bem-aventurança paradoxal:
“Bem-aventurados os pobres” (cf. Lc 6, 20)
.
No Brasil, essa convocação pontifícia, feita inicialmente em 2019, gerou expressiva
mobilização de jovens, não católicos, além de agentes de pastoral, professores universitários,
militantes de movimentos sociais e entidades voltadas ao cooperativismo autogestionário e à
Com destaque para o indiano Amartya Sen, professor de economia da Universidade de Harvard e o também
economista, porém bengali e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus.
Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2022/september/documents/20220924-
visita-assisi.html. Acesso em: 14 out. 2022.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 11
agroecologia. Promovendo encontros em dioceses e universidades católicas, embora com
características ecumênicas, tal mobilização ganhou o nome de Articulação Brasileira pela
Economia de Francisco e Clara (ABEFC), homenageando a santa colaboradora de Francisco de
Assis e reivindicando paridade de gênero, sendo algo combinado com uma ideia mais ampla de
“equilíbrio”:
No caminhar junto, feminino e masculino buscam novos paradigmas: da
competição para a colaboração; do egoísmo para a generosidade; da
exploração para a sustentabilidade; da acumulação para a distribuição; do
desequilíbrio nas relações entre pessoas e países para o equilíbrio, com
comércio justo e solidário; do consumo desenfreado ao consumo responsável;
da ganância ao altruísmo (...) a espiritualidade deve ser contemplada na
Economia de Francisco e Clara a partir do exemplo iniciado pelo jovem de
Assis, que se despojou de bens materiais para se enriquecer espiritualmente
.
A ABEFC adotou para si dez princípios que devem balizar suas ações, de modo a buscar:
a) economia a serviço da vida; b) economia que considere a espiritualidade como dimensão que
favoreça o afeto e a solidariedade; c) economia circular e integrada que elimine os bitos de
consumo de energias não renováveis e valorize as formas de energia sustentáveis; d) economia
baseada na alimentação saldável e agricultura familiar que proteja os Direitos da Natureza; e)
economia que evite a mercantilização de bens comuns como educação e saúde; f) economia que
desenvolva outras formas solidárias, popular que valorize a comunhão; g) economia global
menos desigual que rediscuta as dívidas internacionais com tributação mais social e ecológica;
h) economia contra o Estado mínimo, por um Estado que seja estrutura de promoção do
equilíbrio entre igualdade e liberdade; i) economia que valorize os coletivos, as comunidades,
os grupos politicamente minoritários e socialmente desprivilegiados; j) economia do trabalho
universal que evite a precarização do trabalhador9.
Além da busca de paridade de gênero, outra marca da ABEFC é a militância
anticapitalista. Esta decorreu sobremaneira de uma nota de repúdio da Articulação Brasileira,
em relação ao Conselho para o Capitalismo Inclusivo, lançado em 8 de dezembro de 2020 por
27 grandes investidores e empresários de corporações multinacionais, em parceria com o
Vaticano, através da intermediação do cardeal ganês Peter Tukson, responsável pelo Dicastério
para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, o mesmo departamento do governo
Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/594766-carta-de-clara-e-francisco-direto-do-brasil-para-
o-encontro-mundial-em-assis; acesso em: 18/07/2020.
Disponível em: http://economiadefranciscoeclara.com.br/10-principios-da-economia-de-francisco-e-clara/.
Acesso em: 25 abr. 2021.
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 12
da igreja incumbido da organização do EoF10. Embora o pontífice tenha dado anuência à
articulação corporativa do bispo africano e o economista e diretor científico do EoF, Luigino
Bruni, possua escritos a favor do que ele chama de “capitalismo comunitário” (BRUNI, 2020),
a mobilização brasileira é marcada pelo posicionamento político de esquerda e contrário ao
capitalismo, reivindicando uma sociedade organizada a partir de outros parâmetros (BETTO,
2019; OLIVEIRA, 2020; SOUZA, 2020). Verifica-se no posicionamento da ABEFC, portanto,
uma coerência com a postura do pontífice argentino, em termos de solidariedade aos mais
pobres e questionamento do sistema econômico que os marginaliza, sendo estas marcas do
cristianismo da libertação.
No âmbito dessa rede brasileira, formada a partir do chamado de Francisco, ocorre o
engajamento, não apenas de agentes de pastoral, mas também de militantes de movimentos
sociais11, estudantes e professores universitários, além de políticos, com destaque para o ex-
senador e atual deputado estadual paulista pelo PT, Eduardo Suplicy, com sua bandeira da renda
básica (SUPLICY, 2020). Tendo elaborado um material específico para a Campanha da
Fraternidade de 2022, sobre o tema da educação, a ABEFC conta com respaldo da CNBB, cujos
dirigentes se reuniram com sua coordenação e a participação de agentes pastorais, inclusive
representante da importante organização Cáritas Brasileira. No clero, tem destaque, em termos
desse apoio, o bispo auxiliar de Belo Horizonte, presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para a Comunicação da CNBB e ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais,
dom Joaquim Mol e bispo auxiliar de Belo Horizonte, assim como dom Vicente de Paulo
Ferreira, também auxiliar da mesma arquidiocese. A partir da PUC Minas, se está buscando
uma articulação com ouras universidades católicas, mediante a realização de atividades sobre
o tema, com vistas a introduzir modificações nos programas dos cursos de economia e inserção
de disciplina sobre a Economia de Francisco na grade curricular de outros cursos.
Somada a mobilização pela Economia de Francisco e Clara à continuidade de atividades
e eventos caracterizados pela presença de agentes de pastoral ditos progressistas, como Semana
Social Brasileira (em sua edição), o Grito dos Excluídos (28ª edição) e o Encontro
Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/sobre-o-ihu/78-noticias/605742-sobre-o-lancamento-do-conselho-
para-o-capitalismo-inclusivo-com-o-vaticano-nota-da-articulacao-brasileira-pela-economia-de-francisco-e-clara .
Acesso em: 22 dez. 2020.
Sobressaindo algumas entidades representativas de tais movimentos: Articulação Nacional de Agroecologia
(ANA), Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES), Rede Brasileira de Bancos Comunitários, Articulação
Semiárido Brasileiro (ASA), União Nacional das Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis (Unicatadores),
Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil), União Nacional das Cooperativas da Agricultura
Familiar (Unicafes) e a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab-MST).
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 13
Intereclesial de CEBs (15ª edição), observa-se certa resiliência do católico cristianismo da
libertação.
Considerações finais
O catolicismo latino-americano viveu expressivas mudanças, a partir da década de 1960,
com a formação e os desdobramentos do cristianismo da libertação, algo que esteve
significativamente presente nas lutas nacionais contrárias aos regimes militares e até mesmo
num processo revolucionário, com decorrente surgimento de um novo governo, no caso da
Nicarágua. Especificamente no Brasil, o catolicismo da libertação, como visto, teve bastante
importância no surgimento do novo sindicalismo, do PT e do MST, além de outros movimentos
sociais menores e de ONGs, algumas de abrangência nacional como a Federação de Órgãos
para a Assistência Social e Educacional - FASE (SOUZA, 2013). Constituiu, como se sabe, um
espaço importante de acolhimento de militantes esquerdistas de partidos e sindicatos,
perseguidos pela ditadura militar e de formação de destacados ativistas sociais12. Em grande
medida, veio a gerar também, entre os anos 1990 e 2000, um conjunto de iniciativas econômicas
pautadas pelo princípio da autogestão - grupos comunitários de produção coletiva - contando
com o protagonismo da Cáritas Brasileira e chamado de economia solidária (SOUZA, 2013).
A partir da segunda metade dos 1980, verificamos ter ocorrido alteração contundente no
cenário nacional, também religioso, pois após a reabertura democrática, a igreja perdeu parte
da relevância que tinha, em termos políticos, passando por certo esvaziamento de agentes
pastorais que se tornaram militantes de movimentos, sindicatos, partidos e ONGs. De outro
lado, os evangélicos pentecostais entraram ativamente na política partidária, sendo que o
proselitismo desse segmento religioso fez aumentar com o desenvolvimento do
neopentecostalismo e a atuação de suas denominações, tanto na arena política quanto nas dias
eletrônicas (MARIANO, 1999; BAPTISTA, 2009). Sob o pontificado bastante conservador de
João Paulo II houve grande combate ao cristianismo da libertação e apoio, em várias dioceses,
a seu principal oponente no meio eclesial brasileiro: o movimento da RCC.
O papa Bento XVI veio reforçar a mundial posição institucional da igreja opostamente
ao cristianismo da libertação, porém sem grandes incentivos ao movimento carismático católico
Entre os militantes, chamo atenção para os ex-ministros dos governos Lula e Dilma Rousseff: Patrus Ananias
(Desenvolvimento Social) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência da República). Cabe dizer que
este, mesmo sem cargo em governo, segue atuando junto ao, novamente presidente Lula, inclusive na interlocução
com lideranças religiosas, não apenas católicas.
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 14
e menos ainda aos chamados padres cantores. Tal pontífice fez questão de demonstrar
despreocupação em relação à concorrência católica com as denominações evangélicas, optando,
na prática, por uma igreja voltada para si mesma. Diante do grave quadro de crises eclesiais,
Ratzinger surpreendeu ao renunciar, em 2013, propiciando que no conclave seguinte uma
mudança expressiva viesse a ocorrer, quando Bergoglio se tornou o papa Francisco. Desde
então, o catolicismo ditado pelo Vaticano vem vivenciando atos pontifícios considerados
progressistas, em termos de moral sexual e familiar, com expressões respeitosas e até
valorativas a indivíduos homossexuais e divorciados; de política internacional, sobremaneira
mediante a solidariedade a Cuba e Bolívia; e quanto ao catolicismo da libertação, através da
interlocução com seus teólogos e a emblemática canonização de Oscar Romero.
No Brasil, alguma influência política de Francisco se pode depreender do fato de ele ter
se contraposto enfaticamente a Jair Bolsonaro quanto a questões ambientais na 75ª Assembleia
Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e no Sínodo da Amazônia, em 2019, mas,
principalmente, ao receber Lula, então recém-saído da prisão, no Vaticano, abençoando-o
ostensivamente, conforme as imagens do encontro, algo que ajudou a reestabelecer a imagem
do líder do PT, contribuindo, de algum modo, para que ele chegasse à exitosa campanha
presidencial, em 2022, contra o extremista de direita. Do ponto de vista pastoral, ainda
dúvida sobre o grau de influência do papa argentino nas bases paroquiais, embora a CNBB e
coletivos de padres e bispos tenham se manifestado através de contundentes cartas públicas
contra o governo de Bolsonaro (SOUZA; BATISTA, 2021).
A demonstração mais visível da influência de Francisco no Brasil se observa na
mobilização em torno da proposta dele para repensar o desenvolvimento econômico planetário
mediante parâmetros ambientais. Realizando a ABEFC eventos presenciais e remotos com
público expressivo e a participação de freiras, clérigos (inclusive dirigentes da CNBB)
lideranças de outras vertentes religiosas13, intelectuais, representantes de movimentos sociais e
expoentes da Teologia da Libertação, com destaque para Leonardo Boff, ela vem tendo razoável
crescimento nos três anos, desde que começou a ser formada. Com sua propalada militância
anticapitalista, reivindicando políticas públicas concernentes, tal rede constitui a decorrência
expressiva mais recente do cristianismo da libertação.
Embora tenha havido notório refluxo, a partir dos anos 1990 (PRANDI; SOUZA, 1996),
observa-se que o cristianismo da libertação deixou marcas profundas em congregações
Destaque para a luterana pastora Romi Bencke, secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs -
CONIC.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 15
religiosas, pastorais sociais e na própria CNBB, que costuma ter contundentes posicionamentos
quanto ao cenário socioeconômico e político do país. A dimensão de sua abrangência e o poder
de influência na sociedade brasileira diminuiu em face do grande avanço evangélico
pentecostal, assim como o crescimento de feições católicas conservadoras, principalmente a
RCC e, mais que tudo isso, o grande avanço da chamada cultura política neoliberal, valorizando
bem mais aspectos individuais e de consumo do que comunitários e associativos. Nesse
contexto, a emergência do papa Francisco, com suas relevantes iniciativas progressistas, veio
trazer ares novos, havendo destaque para a mobilização formada com vistas à busca de
mudanças socioeconômicas, tendo como referência os santos de Assis.
Verifica-se, portanto, que a Economia de Francisco e Clara constitui uma parcela com
crescente relevância do cristianismo da libertação, fenômeno este, que, embora tenha se
enfraquecido nas três últimas décadas, prossegue com certa relevância no cenário religioso e
político nacional.
REFERÊNCIAS
ALTMANN, W. Lutero e libertação: releitura de Lutero em perspectiva latino-americana.
São Paulo: Sinodal, 1994.
BAPTISTA, S. Pentecostais e neopentecostais na política brasileira: um estudo sobre
cultura política, Estado e atores coletivos religiosos no Brasil. São Paulo: Instituto Metodista
Izabela Hendrix e Annablume, 2009.
BEOZZO, J. O. Cristãos na universidade e na política: história da JUC e da AP. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1984.
BETIATO, M. A. Papa Francisco: a semântica missionária de uma igreja em saída. Tese de
doutorado em teologia. Curitiba: PUCPR, 2018.
BETTO, F. A economia de Francisco. Brasil de Fato, 19 ago. 2019. Disponível em:
https://www.brasildefators.com.br/2019/08/19/artigo-or-a-economia-de-francisco. Acesso em:
20 maio 2020.
BINGEMER, M. C. L. Dom Oscar Romero: mártir da libertação. Rio de Janeiro/São Paulo:
PUC-Rio/Santuário, 2012.
BOFF, L. Igreja, carisma e poder: ensaios de eclesiologia militante. Rio de Janeiro: Vozes,
1981.
BRANDÃO, C. R. A questão política da educação popular. São Paulo: Brasiliense, 1980.
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 16
BRUNI, L. Entrevista: “Vou falar sobre a economia segundo Francisco”. IHU Online, 15 set.
2020. Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/602846-vou-falar-sobre-a-
economia-segundo-francisco-entrevista-com-luigino-bruni. Acesso em: 12 fev. 2021.
CABESTRERO, T. Ministros de Deus, ministros do povo: testemunho de três sacerdotes no
governo revolucionário da Nicarágua: Ernesto Cardenal, Miguel d’Escoto, Fernando
Cardenal. Petrópolis, RJ: Vozes, 1983.
CARRANZA, B. Catolicismo midiático. Aparecida: Idéias & Letras, 2011.
CARRANZA, B.; MARIZ, C.; CAMURÇA, M. (org.). Novas comunidades católicas: em
busca do espaço pós-moderno. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2009.
CARVALHO, R. (org.). O cardeal da resistência: as muitas vidas de Dom Paulo Evaristo
Arns. São Paulo: Instituto Vladmir Herzog, 2013.
COELHO, A. S. Entre acusações e perplexidades: o anticapitalismo e o papa Francisco.
Caminhos, [S. l.], v. 16, n. 1, p. 63-81, 2018.
DALAI, D.; DANTAS, G. A renúncia do papa Bento XVI e a profunda crise da Igreja
Católica. Brasília: Centelha Cultural, 2012.
DELLA CAVA, R. A ofensiva vaticana. Religião e Sociedade, [S. l.], v. 12, n. 3, p. 38-83,
1985.
DOIMO, A. M. A vez e a voz do popular: movimentos sociais e participação política no
Brasil pós-70. Rio de Janeiro: Relume Dumará e ANPOCS, 1993.
ESCURRA, A. M. O Vaticano e o Governo Reagan: convergências na América Central.
São Paulo: Hucitec, 1984.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970.
FRESTON, P. Protestantes e políticas no Brasil: da Constituinte ao impeachment. 1993.
Tese (Doutorado em Ciências Sociais) Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP,
1993.
GOTAY, S. S. O pensamento cristão revolucionário na América Latina e no Caribe. São
Paulo: Paulinas, 1989.
LACERDA, L. Uma análise da polêmica em torno do livro Igreja, carisma e poder na
Arquidiocese do Rio de Janeiro. 2009. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.
LIBÂNIO, J. B. A volta à grande disciplina. São Paulo: Loyola, 1983.
LÖWY, M.; GARCÍA-RUIZ, J. Les sources françaises du christianimse de la libération au
Brésil. Archives de Sciences Sociales des Religions, [S. l.], p. 9-32, 1997.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 17
LÖWY, M. A guerra dos deuses: religião e política na América Latina. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2000.
LÖWY, M. O que é cristianismo da libertação? Religião e política na América Latina. São
Paulo: Perseu Abramo e Expressão Popular, 2016.
LÖWY, M. Considerações sobre o Papa Francisco. A Terra Redonda, 1 mar. 2020.
Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/consideracoes-sobre-o-papa-francisco/. Acesso
em: 15 mar. 2021.
GUTIÉREZ, G. Teologia da libertação: perspectivas. São Paulo: Loyola, 1983.
HUMMES, C. O sínodo para a Amazônia. São Paulo: Paulus, 2019.
MACEDO, C. C. Tempo de gênesis. São Paulo: Brasiliense, 1986.
MAINWARING, S. O surgimento da igreja popular, 1964-1973. São Paulo: Brasiliense,
1989.
MARIANO, R. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo:
Loyola, 1999.
MENEZES NETO, A. J. A Igreja Católica e os movimentos sociais do campo: a Teologia da
Libertação e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. Cadernos CRH, [S. l.], v.
20, n. 50, p. 331-342, 2007.
MESTERS, C. Bíblia: lirvro da aliança (Êxodo 19-24). São Paulo, Paulina, 1986.
NAKANO, M.; ROIMAN, A. (org.). Estreitando nós: lembranças de um: lembranças de um
semeador de utopias. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.
NEVES, J. C. A economia de Francisco: diagnósticos de um equívoco. Cascais: Principia,
2016.
ORO, A. P. Avanço pentecostal e reação católica. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
OLIVEIRA, P. A. R. Economia de Francisco e Clara para quê? Iser Assessoria, 18 set. 2020.
Disponível em: https://iserassessoria.org.br/pedro-a-ribeiro-de-oliveira-economia-de-
francisco-e-clara-para-que/. Acesso em: 20 out. 2020.
PAIVA, V. Igreja e questão agrária. São Paulo: Loyola, 1985.
PASSOS, J. D. A teologia de Puebla: lutas, ambiguidades e continuidades. Horizonte, [S. l.],
v. 17, n. 54, p. 1386-1407, 2019.
PIERUCCI, A. F. Representantes de Deus em Brasília: a bancada evangélica na Constituinte.
Ciências Sociais Hoje, 1989. Vértice - Revista dos Tribunais, [S. l.], p. 104-132, 1989.
PIQUÉ, E. Papa Francisco: vida e revolução. São Paulo: Leya, 2014.
Marcas na trajetória e no presente do católico cristianismo da libertação
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 18
PRANDI, R. Um sopro do Espírito: a renovação conservadora do catolicismo carismático.
São Paulo: EDUSP e FAPESP, 1997.
PRANDI, R.; SANTOS, R. W. Mudança religiosa na sociedade secularizada: o Brasil 50 anos
após o Concílio Vaticano II. Contemporânea - Revista de Sociologia da UFSCar, [S. l.], v.
5, p. 351-379, 2015.
PRANDI, R.; SOUZA, A. R. A carismática despolitização da Igreja Católica. In: PIERUCCI,
A. F.; PRANDI, R. A realidade social das religiões no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1996.
PY, F.; PEDLOWSKI, M. A. Atuação de religiosos luteranos nos movimentos sociais rurais
no Brasil (1975-1985). Tempo, v. 24, p. 233-252, 2018.
RODRIGUES, I. J. Igreja e Movimento Operário Nas Origens do Novo Sindicalismo no
Brasil (1964-1978). História: Questões e Debates, Curitiba, v. 28, p. 25-28, 1988.
SCANNONE, J. C. A teologia do povo: raízes teológicas do Papa Francisco. São Paulo:
Paulinas, 2019.
SCHERER-WARREM, I. Redescobrindo a nossa dignidade: uma avaliação da libertação na
América Latina. Religião e Sociedade, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 162-177, 1990.
SECCO, L. História do PT. São Paulo: Ateliê, 2011.
SERBIN, K. Diálogos nas sombra: bispos e militares, tortura e justiça. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.
SILVEIRA, E. J. S.; PY, F.; REIS, M. V. F. O Sínodo da Amazônia e os dilemas do
catolicismo. Revista Pistis & Práxis: Teologia e Pastoral, [S. l.], v. 11, p. 669-691, 2019.
SOUZA, A. R. Igreja in concert: padres cantores, mídia e marketing. São Paulo: Annablume
e FAPESP, 2005.
SOUZA, A. R. Os laços entre igreja, governo e economia solidária. São Carlos, SP:
EDUFSCar e FAPESP, 2013.
SOUZA, A. R. Pilares da Economia de Francisco e Clara e o enfrentamento da profunda crise.
Contempornea - Revista de Sociologia da UFSCar, [S. l.], v. 10, n. 1, p. 367-377, 2020.
SOUZA, A. R.; BATISTA, B. M. Os efeitos políticos no Brasil dos sete anos iniciais do papa
Francisco. Revista Brasileira de Histria das Religies, [S. l.], Ano XIII, n. 39, p. 189-206,
2021.
SOUZA, L. A. G. A JUC, os estudantes e a política. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984.
SOUZA, N. Ação católica: militância leiga no Brasil: méritos e limites. Revista de Cultura
Teológica, [S. l.], v. 15, n. 55, p. 39-59, abr./jun. 2006.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 19
SUPLICY, E. M. Renda básica de cidadania: a saída é pela porta. São Paulo, Cortez e
Fundação Perseu Abramo, 2013.
SYLVESTRE, J. Irmão vota em irmão: os evangélicos, a Constituinte e a Bíblia. Brasília,
DF: Pergaminho. 1986.
TAMAYO, J.-J. Medellín: del cristianismo colonial al cristianismo liberador. REVER, [S. l.],
v. 18, n. 2, p. 13-34, 2018.
TEIXEIRA, F. A gênese das CEBs no Brasil: elementos explicativos. São Paulo: Paulinas,
1988.
WANDERLEY, L. E. Educar para transformar: educação popular, Igreja Católica e
política no Movimento de Educação de Base. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984.
WANDERLEY, L. E. Democracia e igreja popular. São Paulo: EDUC, 2007.
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Não se aplica.
Financiamento: CNPq.
Conflitos de interesse: Não há conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho respeitou as disposições éticas de pesquisa.
Disponibilidade de dados e material: Sim. Além dos livros e capítulos de livros
publicados e que podem ser publicamente acessados, os artigos de periódicos científicos,
teses de doutorado e dissertações de mestrado estão disponíveis na internet.
Contribuições dos autores: Toda a elaboração do artigo foi feita por André Ricardo de
Souza.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 1
MARKS ON THE TRAJECTORY AND IN THE PRESENT OF CATHOLIC
LIBERATION CHRISTIANITY
MARCAS NA TRAJETÓRIA E NO PRESENTE DO CATÓLICO CRISTIANISMO DA
LIBERTAÇÃO
HUELLAS EN LA TRAYECTORIA Y EN EL PRESENTE DEL CRISTIANISMO
CATÓLICO DE LIBERACIÓN
André Ricardo de SOUZA1
e-mail: anrisouza@uol.com.br
How to reference this article:
SOUZA, A. R. Marks on the trajectory and in the present of catholic
liberation christianity. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n.
00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460
| Submitted: 07/11/2022
| Required revisions: 26/12/2022
| Approved: 14/08/2023
| Published: 29/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Federal University of São Carlos (UFSCar), São Carlos SP Brazil. Department of Sociology.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 2
ABSTRACT: Liberation Christianity was constituted as a religious phenomenon with relevant
political consequences in Latin America, between the 1960s and 80s, in the context of military
regimes and democratic reopening processes, and this article focuses on the Brazilian case. Also
encompassing Protestant initiatives, it is fundamentally Catholic, having gone through a reflux
due to the positions of Popes John Paul II and Benedict XVI, as well as the Pentecostal
evangelical advance and the growth of neoliberal ideology. In face of Francis' pontificate, new
facts occurred in order to rescue aspects of this left-wing politicized Catholicism, with emphasis
on a certain economic proposition that generated a significant mobilization in Brazil. The
article, based on bibliographic consultation and field research, addresses this trajectory of
Liberation Christianity.
KEYWORDS: Liberation christianity. Catholicism. Pope Francis. Economy of Francis and
Clare.
RESUMO: O cristianismo da libertação constituiu-se como um fenômeno religioso com
desdobramentos políticos relevantes na América Latina, entre as décadas de 1960 e 80, no
contexto de regimes militares e processos de reabertura democrática, sendo que este artigo
enfoca o caso brasileiro. Abarcando também iniciativas protestantes, ele é fundamentalmente
católico, tendo passado por um refluxo devido a posicionamentos dos papas João Paulo II e
Bento XVI, assim como o avanço evangélico pentecostal e o crescimento do ideário neoliberal.
Em face do pontificado de Francisco fatos novos ocorreram de modo a resgatar aspectos desse
catolicismo politizado de esquerda, com destaque para determinada proposição econômica
que gerou uma significativa mobilização no Brasil. O artigo, elaborado com base em consulta
bibliográfica e pesquisa de campo, aborda essa trajetória do cristianismo da libertação.
PALAVRAS-CHAVE: Cristianismo da libertação. Catolicismo. Papa Francisco. Economia
de Francisco e Clara.
RESUMEN: El cristianismo de liberación se constituyó como un fenómeno religioso con
desarrollos políticos relevantes en América Latina, entre las décadas de 1960 y 1980, en el
contexto de regímenes militares y procesos de reapertura democrática, y este artículo se centra
en el caso brasileño. Englobando también iniciativas protestantes, es fundamentalmente
católica, habiendo pasado por un reflujo debido a las posiciones de los papas Juan Pablo II y
Benedicto XVI, así como al avance evangélico pentecostal y al crecimiento de la ideología
neoliberal. Frente al pontificado de Francisco, ocurrieron nuevos hechos para rescatar
aspectos de ese catolicismo politizado de izquierda, con énfasis en cierta propuesta económica
que generó una importante movilización en Brasil. El artículo, basado en consulta
bibliográfica e investigación de campo, aborda esta trayectoria del cristianismo de liberación.
PALABRAS CLAVE: Cristianismo de liberación. Catolicismo. Papa Francisco. Economía de
Francisco y Clara.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 3
Introduction
In terms of the confluence between religion and politics in Brazil, before the Pentecostal
emergence in the mid-1980s (PIERUCCI, 1989; FRESTON, 1993), another religious
phenomenon had an impact and unfolded within Catholicism, namely the Catholic segment
influenced by Liberation Theology and made up of the Basic Ecclesial Communities (CEBs)
and social pastorals (MAINWARING, 1989; DOIMO, 1995). This was the result of a process
that preceded, but was given a significant boost by the Second Vatican Council and the
subsequent appreciation of the laity in the 1960s, as well as the engagement of politicized young
Catholics in France and Latin America, the emergence of biblical reflection groups and the
strengthening of the Basic Education movements (MEB - Portuguese initials) and Catholic
Action in its variations: student and worker (SOUZA, 1984; MACEDO, 1986; TEIXEIRA,
1988; SCHERER-WARREN, 1990; LÖWY; GARCÍA-RUIZ, 1997; WANDERLEY, 2007).
This phenomenon was characterized not only by the actions of Catholics, but also by adherents
of historic Protestantism, largely identified with the so-called ecumenical movement
(ALTMAN, 1994). Because of these characteristics, which go beyond Catholic boundaries, this
whole ensemble has been called liberation Christianity by sociologist Michael Löwy (2000;
2016).
Liberation Christianity expanded between the 1960s and 1980s, playing a prominent
role in the country in the context of the reopening of democracy. This reopening began at the
end of the 1970s and began to close with the election of the Constituent Assembly in 1986,
which, coincidentally, was also the year that marked the effective entry of Pentecostal
evangelicals into national electoral disputes (PIERUCCI, 1989; FRESTON, 1993). As a result
of this phenomenon, specifically in the Catholic milieu, left-wing political expressions
demanding citizens' rights gained strength in subsequent decades.
It can therefore be seen that liberation Christianity had a significant influence on a
portion of Brazilian society, with important developments through the formation of social
movements, civil society organizations and one of the largest left-wing political parties in the
world: the Workers' Party (PT). Liberation Christianity went through an intense reflux between
the last decade of the 20th century and the first two decades of the following century. The causes
and main characteristics of this process will be discussed later in this article. For now, it's worth
pointing out that something new and important in world Catholicism occurred with the
beginning of Francis' pontificate in 2013, generating events that are also reverberating in Brazil
and raising indications that perhaps a new cycle has begun.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 4
Although liberation Christianity is obviously not over, the fact is that it has suffered a
significant weakening, with the period of Pope Francis not signifying a strong revival, per se,
but rather, and in some way, a new phase in its history.
The article discusses the key events in the trajectory of liberation Christianity, its birth,
development, great weakening and the current moment in Brazil in the face of Francis' work.
Origin and development of liberation Christianity
It is often said that the Second Vatican Council - the main Catholic event of the 20th
century, which took place between 1962 and 1965 - marked the beginning of a process of
opening and encouraging the church to involve lay people in its own organizations (PRANDI;
SANTOS, 2015). This planted the seeds of both liberation Christianity and the politically
conservative Catholic Charismatic Renewal movement (PRANDI, 1997).
Bible circles, which emerged in the countryside and in the city, would form the CEBs
in that decade, constituting a "new way of being church", characterized by a greater appreciation
of lay pastoral agents, especially women, and by constant opposition to social inequality. It
sought to combine Marxist aspects with a contextualized and critical reading of the Bible. The
reference of the educator Paulo Freire was indeed important, especially his work Pedagogy of
the Oppressed (1970) and the application of his pedagogical methodology, similar to what
happened in the context of the Basic Education Movement - MEB (BRANDÃO, 1980;
WANDERLEY, 1984). We should also consider the relevant youth developments of Catholic
Action that took place in the country, mainly influenced by French Catholic youth: the Catholic
Workers' Youth (JOC) and the Catholic University Youth (JUC) (SOUZA, 2006).
Against the backdrop of the military regime and through biblical studies, the CEBs drew
an analogy between Ancient Egypt, the oppressor of the captive Hebrew people, and the
authoritarian Brazilian government and its relationship with the poor (MESTERS, 1986).
Mobilization in the countryside, in line with rural unions, and in the city, demanding urban
facilities and against the carestia - as inflation was called - gave rise to popular movements. The
development of social pastoral work was underway.
In view of the religious interpretation of liberation Christianity in relation to the
dictatorship in force at the time, left-wing activists from the student movement and political
parties came to find a certain refuge in the church for their militant practice, also contributing
to a certain intellectualization of this milieu (BEOZZO, 1984). This was also happening in other
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 5
Latin American countries, which were also marked by their respective military regimes
(GOTAY, 1985). In Brazil, the cardinals Dom Paulo Evaristo Arns, from São Paulo, and Dom
Hélder Câmara, from Recife and Olinda, stood out in confronting the generals and seeking to
protect militants - also nuns and priests - from torture and extermination, also drawing some
international attention to the fact (MAINWARING, 1989; SERBIN, 2001).
The hardening of the regime in Brazil, starting with Institutional Act n. 5 in 1968,
coincided with the holding of the Latin American Bishops' Conference in Medellín, Colombia,
in the same year, when the continental church made an important shift, taking on the pastoral
proposal of spreading the CEBs and the perspective of Liberation Theology, through the motto
of the "Option for the Poor". There was some institutional encouragement for clerics to question
authoritarian governments and, in some cases, to confront them to the extreme, even taking part
in guerrilla warfare, being tortured and murdered, even though they were not involved in the
armed struggle (LÖWY, 2000; TAMAIO, 2018).
There is another historical coincidence involving Brazil and Latin American
Catholicism. The milestone in the reopening of democracy in the country was the Amnesty Law
in 1979, which allowed the return of political exiles who had been abroad, among them the
former JUC and Popular Action (AP) militant Herbert de Souza, the sociologist Betinho, sung
in the iconic song of that period "O bêbado e o equilibrista" (1979), by Aldir Blac (NAKANO;
ROIMAN, 2001). In the same year, the second meeting of the Latin American Episcopal
Council (CELAM) took place - after its creation in 1955 in Rio de Janeiro, under the leadership
of Dom Manuel Lerraín, the Chilean bishop of Talca, and Dom Hélder Câmara. The event -
which took place in the Mexican city of Puebla during the pontificate of John Paul II, who acted
as a kind of intermediary between the interests of the Roman Curia and the Latin American
episcopate - was not as critical of the continental status quo as the 1968 event had been, although
it did confirm the adherence of the region's bishops to liberation Christianity (PASSOS, 2019).
A year earlier, in Brazil, the massive strikes of the ABC Paulista Metalworkers' Union
had erupted under the leadership of Luiz Inácio da Silva, Lula, initiating the so-called new
unionism, with the support of the then bishop of São Bernardo do Campo, Dom Claudio
Hummes, and the 'strike fund', organized in parishes for union members with suspended
salaries. This socio-political phenomenon, which was joined by more pastoral workers, gained
momentum and led to the creation of the PT in 1980 and the Workers' Union Center (Central
Única dos Trabalhadores - CUT) in 1983 (RODRIGUES, 1988; MARTINS, 1994; SECCO,
2011).
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 6
In the peasantry, the creation of the Pastoral Land Commission (CPT - Portuguese
initials) in 1975 - with the decisive participation of the bishop of the Diocese of Goiás, Dom
Tomás Balduíno, and Dom Pedro Casaldáliga, from the Mato Grosso prelature of São Félix do
Araguaia - would contribute to the strengthening of rural trade unionism. In 1984, the largest
social movement in the country, the Landless Rural Workers (Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra - MST), emerged in the interior of Paraná (PAIVA, 1985; MENEZES NETO,
2007; PY; PEDLWSKY, 2018). It can therefore be seen that liberation Christianity had
important effects in both urban and rural areas, with significant political consequences.
The reflux experienced
Although most of Latin America's military dictatorships were already in decline, the
continental bishops' conference in 1979 was attended by John Paul II, in his second year of
pontificate, something that significantly contributed to making it more moderate than the
previous one, held a decade earlier in Colombia. Four years after the event in Puebla, the
conservative Polish pope visited Nicaragua and reprimanded Father Ernesto Cardenal (on his
knees), who was then Minister of Culture in the government he had helped to form after the
Sandinista Revolution, which also took place in 1979 and had the significant participation of
militants of liberation Catholicism (CABESTRERO, 1983). This act, permeated with
symbolism, marked what would become the papacy of Karol Wojtyla.
In the 1980s, John Paul II became very close to US President Ronald Reagan in his
crusade against governments aligned with the Soviet Union, something that culminated in the
fall of the Berlin Wall in 1989 and the subsequent disintegration of the European socialist bloc
(ESCURRA, 1984; DELLA CAVA, 1985). That same year, the pope dealt a significant blow
to the progressive wing of the Church in Brazil by reducing the Archdiocese of São Paulo,
removing from it large areas of the eastern and southern zones of São Paulo, where Dom Paulo
Evaristo Arns had done significant work with CEBs and social pastoral work (CARVALHO,
2013).
Another emblematic event in this regard, three years later, was the punishment imposed
by the then cardinal and prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, the German
Josef Ratzinger, on the Franciscan friar Leonardo Boff, considered together with the Peruvian
priest Gustavo Gutierrez to be the two main liberation theologians (BOFF, 1981; GUTIERREZ,
1983). In 1984, Boff was banned from giving lectures and publishing, making him the most
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 7
strident case among several theologians punished by John Paul II's right-hand man
(LACERDA, 2009; LIBANIO, 1983).
The Polish pontiff carried out his project of "conservative restoration" of the world
church (DELLA CAVA, 1985), gradually appointing very traditionalist bishops to replace those
who had taken part in the Second Vatican Council, as well as imposing much more conservative
outlines on the seminary training of new priests. The reopening of democracy in Brazil meant
that the church ceased to be a place where left-wing militants were welcomed, as they were
now predominantly engaged in trade unions, parties, social movements and non-governmental
organizations. On the other hand, the collapse of the European socialist bloc, concomitant with
the worldwide strengthening of neoliberalism, contributed to the weakening of left-wing
thinking, including within the framework of liberation Christianity. And on the national
religious scene, Pentecostalism was already on the rise, accompanied by the conservative
Catholic Charismatic Renewal (CCR) movement and a certain reflux of the CEBs (PRANDI;
SOUZA, 1996).
Pentecostal evangelicals entered the political-party scene, it is worth remembering, after
the election of the Constituent Assembly in 1986, led by the Assembly of God (AD - Portuguese
intials) and driven by the slogan: "Brother votes for brother" (SYLVESTRE, 1986; FRESTON,
1993). Other churches would have such a political commitment, especially the Universal
Church of the Kingdom of God (IURD - Portuguese initials), which, along with other neo-
Pentecostal denominations, in addition to the AD and others, would have a strong television
presence in later years, all of which contributed to the strengthening of evangelicalism and the
great growth of its flock in the country. For its part, the Catholic Church tried to cope with this
reality by endorsing and encouraging the CCR, which had come to Brazil from the United States
in the early 1970s and achieved full expansion two decades later (PRANDI, 1997).
Sociologically, the charismatic movement was a Catholic search for a double response, on the
one hand opposing the Pentecostal advance and, on the other, opposing the CEBs (PRANDI;
SOUZA, 1996; ORO, 1996).
Within charismatic Catholicism, another form of ecclesial organization called the
Community of Covenant and Life has emerged. Canção Nova, in the interior of São Paulo and
led by one of the pioneers of the CCR in the country, Father Jonas Abib, is the largest of these,
and has its own television and radio network. Other Catholic television stations with strong
charismatic traits have also emerged in the state of São Paulo: Rede Vida de Televisão and
Século 21, the latter led by another initiator of the CCR in Brazil, the American Jesuit priest
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 8
Eduardo Dougherty (CARRANZA; MARIZ; CAMURÇA, 2009; CARRANZA, 2011). And
still in this milieu, characterized by the confluence of Catholic charismaticism and TV, the so-
called singing priests emerged, with Marcelo Rossi attracting the most attention as the church's
quest to confront the Pentecostal advance, being somewhat opposed to liberation Christianity
(SOUZA, 2005), given its depoliticization and emphasis on the emotional experience of
individuals, rather than social issues, especially inequality.
When Joseph Ratzinger - who became Benedict XVI and succeeded John Paul II - came
to Brazil in 2007, he found the country's liberation Christianity already quite weakened. Even
so, he did not agree to meet the then popular Father Rossi. In this way, the German pope
emphasized his very conservative position, also in relation to the media innovations that stem
from charismatic Catholicism.
Despite the clearly contrary pontificates of John Paul II and Benedict XVI, liberation
Catholicism persisted and managed to maintain a certain influence over the CNBB, especially
in relation to the national bishops' organization's positions criticizing the liberal economic
policies of governments, which were much more in the interests of businessmen than workers.
At the grassroots level in dioceses and parishes, however, this influence has greatly diminished,
largely due to the replacement of bishops and priests, after deaths and retirements, by more
conservative ones.
Francis and a certain rescue
As we know, in 2012 Benedict XVI faced a major crisis in church governance,
characterized by sexual scandals (with a focus on pedophilia) and, above all, financial scandals
involving the Institute for Works of Religion (IOR - Portuguese initials), known as the Vatican
Bank (DALAI; DANTAS, 2012), which led, on 28 February 2013, to the resignation of a pope
again after six centuries. In the conclave that ended on 13 March of that year, the cardinal from
Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, became pontiff, the first Latin American and Jesuit to be
elected pope. By taking on the name Francis, in homage to the saint of Assisi, and having
expressive gestures and acts to match2, the Argentinian was beginning a new phase, after two
consecutive pontificates, in the history of the Roman institution, which had been rather clerical
and conservative.
This is mainly due to the simplified ritual through which he chose to be introduced to the post, as well as the fact
that he lives in modest accommodation in the Vatican, eats meals in the refectory with other people and uses a
popular car to get around.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 9
After the unprecedented simplicity that characterized the enthronement ritual, Pope
Francis' first expressive gesture was a celebration on 8 July 2013 on the Mediterranean island
of Lampedusa denouncing the plight of African refugees seeking Europe, some of whom were
shipwrecked (PIQUÉ, 2014). The following year, the pontiff received socialist political leaders
in audience, including from the Party of the European Left, when it was decided to start a
process of dialog between Marxists and Catholics, something that took the form of several
meetings, culminating in a summer course held in 2018 in Greece (LÖWY, 2020).
Still on the level of international political positioning of a progressive nature, Francis
brokered negotiations between Cuba and the United States in September 2015, when the latter
was still governed by Barack Obama and was visited by the pontiff after passing through the
Caribbean island3. In the US elections the following year, while the ultra-right-wing candidate
who would win them, Donald Trump, had as his main campaign banner the intention of erecting
an anti-immigration wall between his country and Mexico, the Argentine pope advocated
forming "bridges" between different nations and individuals4. In July 2015, Francis was
received in Bolivia by then president Evo Morales at the Second World Meeting of Popular
Movements, where he gave an eloquent speech highlighting the contradictions of capitalism in
its neoliberal phase5. His visits to Bolivia and Cuba, as well as the publication, in May, of the
encyclical Laudato Si' - in which he criticized capitalism, although he did not name it, preferring
to call it the "current system", reverberating statements from the apostolic exhortation Evangelii
Gaudium, from 2013 - led the pontiff to be called a "Marxist" by American right-wing
extremists (NEVES, 2016; COELHO, 2018). It should be said that Bergoglio has been guided,
since his time as cardinal in Buenos Aires (1997; 2013), by the similar, but non-Marxist,
Theology of the People, promoted by the theologian, also Jesuit and Argentinian, Juan Carlos
Scannone (2019).
In strictly pastoral terms, the former cardinal of Buenos Aires has taken important steps
in line with liberation Christianity. In 2013, he received the Peruvian priest Gustavo Gutiérrez
at the Vatican, a pioneer in the dissemination of this libertarian theological strand. Five years
later, he canonized Dom Oscar Romero, the Salvadoran archbishop executed in 1980 by his
country's military while celebrating Mass (BINGEMER, 2012). Another important
Available: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2015/09/24/interna_internacional,691546/papa-
francisco-faz-discurso-historico-no-congresso-dos-estados-unidos.shtml. Access: 10 Mar. 2022
Available: https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2015/09/24/interna_internacional,691546/papa-
francisco-faz-discurso-historico-no-congresso-dos-estados-unidos.shtml. Access: 05 Oct. 2020.
Available: https://www.cnbb.org.br/confira-a-integra-do-discurso-do-papa-francisco-no-encontro-mundial-dos-
movimentos-populares/. Access: 30 Sept. 2020.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 10
canonization was that of Pope John XXIII, which Bergoglio diplomatically carried out in 2014
together with that of John Paul II. Four years later, Francis led the Synod on the Amazon at the
Vatican, focusing on the issues of this continental biome and the shortage of priests in the
region, valuing the role of the laity, and he promoted and valued the wide range of entities that
make up the Pan-Amazon Ecclesial Network - REPAM (HUMMES, 2019; SILVEIRA; PY;
REIS, 2019).
On 1 May 2019, the symbolic Labor Day, the Argentine pope started something new by
convening a world meeting in Assisi, Italy, in March, bringing together young people, activists
and renowned intellectuals6 to rethink the planet's economic development, in an attempt to
tackle inequality and global warming. The event, which pays homage to the medieval saint and
is called the Economy of Francis (EoF), will take place remotely in November 2020 due to the
Covid-19 pandemic. Between the 22 and 24 September 2022, the event finally took place in
person in the Italian city, with the participation of 2,000 young people from different countries,
including 200 Brazilians, some of whom work in Catholic social ministries. In his speech on
the closing day, sealing the "Pact of Assis", Pope Francis, in addition to drawing attention to
the climate issue and the need for not superficial but structural changes, made critical mention
of capitalism twice:
Well, the first market economy was born in 13th century Europe, in daily
contact with the Franciscan friars, who were friends of those first merchants.
Undoubtedly, this economy created wealth, but it did not despise poverty.
Creating wealth without despising poverty (...) Finally, there is a spiritual
unsustainability to our capitalism. The human being, created in the image and
likeness of God, before being a seeker of goods, is a seeker of meaning (...)
Our capitalism, on the other hand, wants to help the poor but does not esteem
them, does not understand the paradoxical beatitude: "Blessed are the poor"
(cf. Lc 6, 20, our translation)
.
In Brazil, this pontifical call, initially made in 2019, generated a significant mobilization
of young people, not only Catholics, but also pastoral workers, university professors, activists
from social movements and entities focused on self-managed cooperatives and agroecology.
Promoting meetings in Catholic dioceses and universities, albeit with ecumenical
characteristics, this mobilization took on the name of the Brazilian Articulation for the
Economy of Francis and Clare (ABEFC - Portuguese initials), paying homage to the saintly
In particular, the Indian Amartya Sen, professor of economics at Harvard University, and the Bengali economist
and winner of the 2006 Nobel Peace Prize, Muhammad Yunus.
Available: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2022/september/documents/20220924-visita-
assisi.html. Access: 14 Oct. 2022.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 11
collaborator of Francis of Assisi and demanding gender parity, combined with a broader idea
of "balance":
In walking together, women and men are seeking new paradigms: from
competition to collaboration; from selfishness to generosity; from exploitation
to sustainability; from accumulation to distribution; from imbalance in
relations between people and countries to balance, with fair trade and
solidarity; from unbridled consumption to responsible consumption; from
greed to altruism (...) spirituality must be contemplated in the Economy of
Francis and Clare, starting from the example set by the young man from
Assisi, who stripped himself of material goods to enrich himself spiritually
(our translation).
The ABEFC has adopted ten principles that should guide its actions in order to: a) an
economy at the service of life; b) an economy that considers spirituality as a dimension that
fosters affection and solidarity; c) a circular and integrated economy that eliminates habits of
consuming non-renewable energy and values sustainable forms of energy; d) an economy based
on healthy food and family farming that protects the Rights of Nature; e) an economy that
avoids the commodification of common goods such as education and health; g) a less unequal
global economy that rediscusses international debts with more social and ecological taxation;
h) an economy against the minimal state, for a state that is a structure that promotes a balance
between equality and freedom; i) an economy that values collectives, communities, politically
minority and socially underprivileged groups; j) a universal labor economy that avoids the
precariousness of workers.9.
In addition to the pursuit of gender parity, another hallmark of the ABEFC is anti-
capitalist activism. This was particularly the result of a note of repudiation by the Brazilian
Articulation, in relation to the Council for Inclusive Capitalism, launched on 8 December 2020
by 27 major investors and businessmen from multinational corporations, in partnership with the
Vatican, through the intermediation of Ghanaian Cardinal Peter Tukson, head of the Dicastery
for Integral Human Development Service, the same department of the church government
in charge of organizing the EoF10. Although the pontiff gave his consent to the African
bishop's corporate articulation and the economist and scientific director of the EoF, Luigino
Available: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/594766-carta-de-clara-e-francisco-direto-do-brasil-para-o-
encontro-mundial-em-assis. Access: 18 July 2020.
Available: http://economiadefranciscoeclara.com.br/10-principios-da-economia-de-francisco-e-clara/. Access:
25 Abr. 2021.
Available: https://www.ihu.unisinos.br/sobre-o-ihu/78-noticias/605742-sobre-o-lancamento-do-conselho-para-
o-capitalismo-inclusivo-com-o-vaticano-nota-da-articulacao-brasileira-pela-economia-de-francisco-e-clara .
Access: 22 Dec. 2020.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 12
Bruni, has written in favour of what he calls "community capitalism" (BRUNI, 2020), the
Brazilian mobilization is marked by a left-wing political stance against capitalism, calling for
a society organized on the basis of other parameters (BETTO, 2019; OLIVEIRA, 2020;
SOUZA, 2020). The ABEFC's position is therefore consistent with the stance of the Argentinian
pontiff, in terms of solidarity with the poorest and questioning the economic system that
marginalizes them, which are hallmarks of liberation Christianity.
Within this Brazilian network, formed at the call of Francis, there is a commitment not
only from pastoral workers, but also from militants from social movements11, students and
university professors, as well as politicians, especially the former senator and current São Paulo
state deputy for the PT, Eduardo Suplicy, with his banner of basic income (SUPLICY, 2020).
Having prepared specific material for the 2022 Fraternity Campaign on the theme of education,
the ABEFC has the backing of the CNBB, whose leaders have already met with its coordination
and the participation of pastoral agents, including a representative of the important Brazilian
Caritas organization. Among the clergy, the auxiliary bishop of Belo Horizonte, president of
the CNBB's Episcopal Pastoral Commission for Communication and former rector of the
Pontifical Catholic University of Minas Gerais, Dom Joaquim Mol, auxiliary bishop of Belo
Horizonte, stands out in terms of this support, as does Dom Vicente de Paulo Ferreira, also
auxiliary bishop of the same archdiocese. From PUC Minas, we are trying to link up with other
Catholic universities by carrying out activities on the subject, with a view to introducing
changes to the syllabuses of economics courses and including subjects on the Economy of
Francis in the curriculum of other courses.
If we add the mobilization for the Economy of Francisco and Clara to the continuity of
activities and events characterized by the presence of so-called progressive pastoral agents, such
as the Brazilian Social Week (in its 6th edition), the Cry of the Excluded (28th edition) and the
Interecclesial Meeting of CEBs (15th edition), we can see a certain resilience in Catholic
liberation Christianity.
Some of the organizations representing these movements stand out: National Articulation of Agroecology
(Articulação Nacional de Agroecologia - ANA), Brazilian Solidarity Economy Forum (Fórum Brasileiro de
Economia Solidária - FBES), Brazilian Network of Community Banks, Brazilian Semiarid Articulation
(Articulação Semiárido Brasileiro - ASA), National Union of Recyclable Waste Collectors (União Nacional das
Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis - Unicatadores), Center for Cooperatives and Solidarity
Enterprises (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários - Unisol Brasil), National Union of Family
Farming Cooperatives (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar - Unicafes) and the
Confederation of Agrarian Reform Cooperatives of Brazil (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária
do Brasil - Concrab-MST).
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 13
Final considerations
Latin American Catholicism underwent significant changes from the 1960s onwards
with the formation and development of liberation Christianity, something that was significantly
present in national struggles against military regimes and even in a revolutionary process, with
the emergence of a new government in the case of Nicaragua. Specifically in Brazil, liberation
Catholicism, as we have seen, was very important in the emergence of the new trade unionism,
the PT and the MST, as well as other smaller social movements and NGOs, some of which were
national in scope, such as the Federation of Organizations for Social and Educational Assistance
- FASE (SOUZA, 2013). It was, as is well known, an important space for welcoming left-wing
party and trade union activists persecuted by the military dictatorship and for training prominent
social activists12. Mostly between the 1990s and 2000s, it also spawned a set of economic
initiatives based on the principle of self-management - community groups for collective
production - with the leading role of Cáritas Brasileira and called the solidarity economy
(SOUZA, 2013).
From the second half of the 1980s onwards, we can see that there was a significant change
in the national scenario, also in terms of religion, because after the reopening of democracy, the
church lost some of its relevance in political terms, experiencing a certain emptying of pastoral
agents who became activists in movements, unions, parties and NGOs. On the other hand,
Pentecostal evangelicals actively entered party politics, and the proselytizing of this religious
segment only increased with the development of neo-Pentecostalism and the activities of its
denominations, both in the political arena and in the electronic media (MARIANO, 1999;
BAPTISTA, 2009). Under the very conservative pontificate of John Paul II, there was a great
fight against liberation Christianity and support, in several dioceses, for its main opponent in
the Brazilian ecclesial milieu: the CCR movement.
Pope Benedict XVI reinforced the church's worldwide institutional position in
opposition to liberation Christianity, but without giving much encouragement to the Catholic
charismatic movement, and even less to the so-called singing priests. This pontiff made a point
of showing his unconcern about Catholic competition with evangelical denominations, opting
in practice for a church that was focused on itself. Faced with a serious ecclesial crisis,
Ratzinger surprisingly resigned in 2013, which led to a significant change in the following
Among the activists, I would draw attention to the former ministers of the Lula and Dilma Rousseff governments:
Patrus Ananias (Social Development) and Gilberto Carvalho (General Secretariat of the Presidency of the
Republic). It's worth noting that the latter, even without a government post, continues to work closely with
President Lula, including in dialogue with religious leaders, not just Catholics.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 14
conclave, when Bergoglio became Pope Francis. Since then, Catholicism dictated by the
Vatican has experienced pontifical acts considered progressive, in terms of sexual and family
morality, with respectful and even evaluative expressions towards homosexuals and divorced
people; international politics, especially through solidarity with Cuba and Bolivia; and
liberation Catholicism, through dialogue with its theologians and the emblematic canonization
of Oscar Romero.
In Brazil, some of Francis' political influence can be seen in the fact that he emphatically
opposed Jair Bolsonaro on environmental issues at the 75th General Assembly of the United
Nations (UN) and at the Amazon Synod in 2019, but especially when he received Lula, then
recently released from prison, at the Vatican, ostentatiously blessing him, according to the
images of the meeting, something that helped re-establish the PT leader's image, contributing
in some way to his successful presidential campaign in 2022 against the right-wing extremist.
From a pastoral point of view, there is still doubt about the degree of influence of the Argentine
pope on the parish bases, although the CNBB and collectives of priests and bishops have spoken
out in strong public letters against Bolsonaro's government (SOUZA; BATISTA, 2021).
The most visible demonstration of Francis' influence in Brazil can be seen in the
mobilization around his proposal to rethink planetary economic development using
environmental parameters. The ABEFC has held face-to-face and remote events with large
audiences and the participation of nuns, clerics (including CNBB leaders), leaders of other
religious strands13, intellectuals, representatives of social movements and exponents of
Liberation Theology, especially Leonardo Boff, and it has seen reasonable growth in the three
years since it was formed. With its proclaimed anti-capitalist militancy and demands for
relevant public policies, this network is the most recent significant outgrowth of liberation
Christianity.
Although there has been a notable reflux since the 1990s (PRANDI; SOUZA, 1996), it
can be seen that liberation Christianity has left a deep mark on religious congregations, social
ministries and the CNBB itself, which usually has strong positions on the country's socio-
economic and political scenario. The extent of its reach and power of influence in Brazilian
society has diminished in the face of the great Pentecostal evangelical advance, as well as the
growth of conservative Catholic features, especially the CCR and, above all, the great advance
of the so-called neoliberal political culture, which values individual and consumer aspects much
The highlight was Lutheran pastor Romi Bencke, general secretary of the National Council of Christian
Churches - CONIC.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 15
more than community and associative ones. In this context, the emergence of Pope Francis,
with his relevant progressive initiatives, has brought new airs, with emphasis on the
mobilization formed with a view to seeking socio-economic changes, with reference to the
saints of Assisi.
It can therefore be seen that the Economy of Francis and Clare is an increasingly
important part of liberation Christianity, a phenomenon which, although it has weakened in the
last three decades, continues to have a certain relevance on the national religious and political
scene.
REFERENCES
ALTMANN, W. Lutero e libertação: releitura de Lutero em perspectiva latino-americana.
São Paulo: Sinodal, 1994.
BAPTISTA, S. Pentecostais e neopentecostais na política brasileira: um estudo sobre
cultura política, Estado e atores coletivos religiosos no Brasil. São Paulo: Instituto Metodista
Izabela Hendrix e Annablume, 2009.
BEOZZO, J. O. Cristãos na universidade e na política: história da JUC e da AP. Petrópolis,
RJ: Vozes, 1984.
BETIATO, M. A. Papa Francisco: a semântica missionária de uma igreja em saída. Tese de
doutorado em teologia. Curitiba: PUCPR, 2018.
BETTO, F. A economia de Francisco. Brasil de Fato, 19 ago. 2019. Available at:
https://www.brasildefators.com.br/2019/08/19/artigo-or-a-economia-de-francisco. Access: 20
May 2020.
BINGEMER, M. C. L. Dom Oscar Romero: mártir da libertação. Rio de Janeiro/São Paulo:
PUC-Rio/Santuário, 2012.
BOFF, L. Igreja, carisma e poder: ensaios de eclesiologia militante. Rio de Janeiro: Vozes,
1981.
BRANDÃO, C. R. A questão política da educação popular. São Paulo: Brasiliense, 1980.
BRUNI, L. Entrevista: “Vou falar sobre a economia segundo Francisco”. IHU Online, 15 set.
2020. Available at: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/602846-vou-falar-sobre-a-
economia-segundo-francisco-entrevista-com-luigino-bruni. Access: 12 Feb. 2021.
CABESTRERO, T. Ministros de Deus, ministros do povo: testemunho de três sacerdotes no
governo revolucionário da Nicarágua: Ernesto Cardenal, Miguel d’Escoto, Fernando
Cardenal. Petrópolis, RJ: Vozes, 1983.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 16
CARRANZA, B. Catolicismo midiático. Aparecida: Idéias & Letras, 2011.
CARRANZA, B.; MARIZ, C.; CAMURÇA, M. (org.). Novas comunidades católicas: em
busca do espaço pós-moderno. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2009.
CARVALHO, R. (org.). O cardeal da resistência: as muitas vidas de Dom Paulo Evaristo
Arns. São Paulo: Instituto Vladmir Herzog, 2013.
COELHO, A. S. Entre acusações e perplexidades: o anticapitalismo e o papa Francisco.
Caminhos, [S. l.], v. 16, n. 1, p. 63-81, 2018.
DALAI, D.; DANTAS, G. A renúncia do papa Bento XVI e a profunda crise da Igreja
Católica. Brasília: Centelha Cultural, 2012.
DELLA CAVA, R. A ofensiva vaticana. Religião e Sociedade, [S. l.], v. 12, n. 3, p. 38-83,
1985.
DOIMO, A. M. A vez e a voz do popular: movimentos sociais e participação política no
Brasil pós-70. Rio de Janeiro: Relume Dumará e ANPOCS, 1993.
ESCURRA, A. M. O Vaticano e o Governo Reagan: convergências na América Central.
São Paulo: Hucitec, 1984.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970.
FRESTON, P. Protestantes e políticas no Brasil: da Constituinte ao impeachment. 1993.
Tese (Doutorado em Ciências Sociais) Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP,
1993.
GOTAY, S. S. O pensamento cristão revolucionário na América Latina e no Caribe. São
Paulo: Paulinas, 1989.
LACERDA, L. Uma análise da polêmica em torno do livro Igreja, carisma e poder na
Arquidiocese do Rio de Janeiro. 2009. Dissertação (Mestrado em História) Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.
LIBÂNIO, J. B. A volta à grande disciplina. São Paulo: Loyola, 1983.
LÖWY, M.; GARCÍA-RUIZ, J. Les sources françaises du christianimse de la libération au
Brésil. Archives de Sciences Sociales des Religions, [S. l.], p. 9-32, 1997.
LÖWY, M. A guerra dos deuses: religião e política na América Latina. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2000.
LÖWY, M. O que é cristianismo da libertação? Religião e política na América Latina. São
Paulo: Perseu Abramo e Expressão Popular, 2016.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 17
LÖWY, M. Considerações sobre o Papa Francisco. A Terra Redonda, 1 mar. 2020.
Available at: https://aterraeredonda.com.br/consideracoes-sobre-o-papa-francisco/. Access: 15
Mar. 2021.
GUTIÉREZ, G. Teologia da libertação: perspectivas. São Paulo: Loyola, 1983.
HUMMES, C. O sínodo para a Amazônia. São Paulo: Paulus, 2019.
MACEDO, C. C. Tempo de gênesis. São Paulo: Brasiliense, 1986.
MAINWARING, S. O surgimento da igreja popular, 1964-1973. São Paulo: Brasiliense,
1989.
MARIANO, R. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo:
Loyola, 1999.
MENEZES NETO, A. J. A Igreja Católica e os movimentos sociais do campo: a Teologia da
Libertação e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. Cadernos CRH, [S. l.], v.
20, n. 50, p. 331-342, 2007.
MESTERS, C. Bíblia: lirvro da aliança (Êxodo 19-24). São Paulo, Paulina, 1986.
NAKANO, M.; ROIMAN, A. (org.). Estreitando nós: lembranças de um: lembranças de um
semeador de utopias. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.
NEVES, J. C. A economia de Francisco: diagnósticos de um equívoco. Cascais: Principia,
2016.
ORO, A. P. Avanço pentecostal e reação católica. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
OLIVEIRA, P. A. R. Economia de Francisco e Clara para quê? Iser Assessoria, 18 set. 2020.
Available at: https://iserassessoria.org.br/pedro-a-ribeiro-de-oliveira-economia-de-francisco-
e-clara-para-que/. Access: 20 Oct. 2020.
PAIVA, V. Igreja e questão agrária. São Paulo: Loyola, 1985.
PASSOS, J. D. A teologia de Puebla: lutas, ambiguidades e continuidades. Horizonte, [S. l.],
v. 17, n. 54, p. 1386-1407, 2019.
PIERUCCI, A. F. Representantes de Deus em Brasília: a bancada evangélica na Constituinte.
Ciências Sociais Hoje, 1989. Vértice - Revista dos Tribunais, [S. l.], p. 104-132, 1989.
PIQUÉ, E. Papa Francisco: vida e revolução. São Paulo: Leya, 2014.
PRANDI, R. Um sopro do Espírito: a renovação conservadora do catolicismo carismático.
São Paulo: EDUSP e FAPESP, 1997.
Marks on the trajectory and in the present of catholic liberation christianity
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 18
PRANDI, R.; SANTOS, R. W. Mudança religiosa na sociedade secularizada: o Brasil 50 anos
após o Concílio Vaticano II. Contemporânea - Revista de Sociologia da UFSCar, [S. l.], v.
5, p. 351-379, 2015.
PRANDI, R.; SOUZA, A. R. A carismática despolitização da Igreja Católica. In: PIERUCCI,
A. F.; PRANDI, R. A realidade social das religiões no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1996.
PY, F.; PEDLOWSKI, M. A. Atuação de religiosos luteranos nos movimentos sociais rurais
no Brasil (1975-1985). Tempo, v. 24, p. 233-252, 2018.
RODRIGUES, I. J. Igreja e Movimento Operário Nas Origens do Novo Sindicalismo no
Brasil (1964-1978). História: Questões e Debates, Curitiba, v. 28, p. 25-28, 1988.
SCANNONE, J. C. A teologia do povo: raízes teológicas do Papa Francisco. São Paulo:
Paulinas, 2019.
SCHERER-WARREM, I. Redescobrindo a nossa dignidade: uma avaliação da libertação na
América Latina. Religião e Sociedade, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 162-177, 1990.
SECCO, L. História do PT. São Paulo: Ateliê, 2011.
SERBIN, K. Diálogos nas sombra: bispos e militares, tortura e justiça. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.
SILVEIRA, E. J. S.; PY, F.; REIS, M. V. F. O Sínodo da Amazônia e os dilemas do
catolicismo. Revista Pistis & Práxis: Teologia e Pastoral, [S. l.], v. 11, p. 669-691, 2019.
SOUZA, A. R. Igreja in concert: padres cantores, mídia e marketing. São Paulo: Annablume
e FAPESP, 2005.
SOUZA, A. R. Os laços entre igreja, governo e economia solidária. São Carlos, SP:
EDUFSCar e FAPESP, 2013.
SOUZA, A. R. Pilares da Economia de Francisco e Clara e o enfrentamento da profunda crise.
Contempornea - Revista de Sociologia da UFSCar, [S. l.], v. 10, n. 1, p. 367-377, 2020.
SOUZA, A. R.; BATISTA, B. M. Os efeitos polticos no Brasil dos sete anos iniciais do papa
Francisco. Revista Brasileira de Histria das Religies, [S. l.], Ano XIII, n. 39, p. 189-206,
2021.
SOUZA, L. A. G. A JUC, os estudantes e a política. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984.
SOUZA, N. Ação católica: militância leiga no Brasil: méritos e limites. Revista de Cultura
Teológica, [S. l.], v. 15, n. 55, p. 39-59, abr./jun. 2006.
SUPLICY, E. M. Renda básica de cidadania: a saída é pela porta. São Paulo, Cortez e
Fundação Perseu Abramo, 2013.
André Ricardo de SOUZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023019, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17460 19
SYLVESTRE, J. Irmão vota em irmão: os evangélicos, a Constituinte e a Bíblia. Brasília,
DF: Pergaminho. 1986.
TAMAYO, J.-J. Medellín: del cristianismo colonial al cristianismo liberador. REVER, [S. l.],
v. 18, n. 2, p. 13-34, 2018.
TEIXEIRA, F. A gênese das CEBs no Brasil: elementos explicativos. São Paulo: Paulinas,
1988.
WANDERLEY, L. E. Educar para transformar: educação popular, Igreja Católica e
política no Movimento de Educação de Base. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984.
WANDERLEY, L. E. Democracia e igreja popular. São Paulo: EDUC, 2007.
CRediT Author Statement
Acknowledgements: Not applicable.
Financing: CNPq.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest.
Ethical approval: The work respected the ethical standards of research.
Availability of data and material: Yes. In addition to the books and book chapters that
have been published and can be publicly accessed, scientific journal articles, doctoral theses
and master's dissertations are available on the internet.
Authors’ contributions: The article was entirely written by André Ricardo de Souza.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.