Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 1
“TE CUIDA”: A DOMINAÇÃO GESTIONÁRIA DO GOVERNO EDUARDO LEITE
FRENTE À PANDEMIA NO RS
"CUÍDESE": LA DOMINACIÓN GERENCIAL DEL GOBIERNO DE EDUARDO
LEITE FRENTE A LA PANDEMIA EN RS
“TAKE CARE”: THE MANAGERIAL DOMINATION OF EDUARDO LEITE’S
GOVERNMENT IN FACE OF THE PANDEMIC IN RS
Pedro Schlee SOLER1
e-mail: pschleesoler@gmail.com
Elaine da Silveira LEITE2
e-mail: elaineleite10@gmail.com
Como referenciar este artigo:
SOLER, P. S.; LEITE, E. S. “Te cuida”: A dominação gestionária
do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS. Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-
4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519
| Submetido em: 28/11/2022
| Revisões requeridas em: 04/03/2023
| Aprovado em: 13/09/2023
| Publicado em: 30/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas RS Brasil. Doutorando no Programa de Pós-Graduação em
Sociologia (PPGS). Cientista Social (UFPel) e Mestre em Sociologia (UFPel).
Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas RS Brasil. Doutora em Sociologia (UFSCar). Professora
do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Departamento de Sociologia e Política.
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 2
RESUMO: O presente artigo visa a refletir sobre a atuação do estado do Rio Grande do Sul em
face da pandemia de COVID-19. Como particularidade metodológica e analítica, buscou-se
compreender a reprodução da lógica neoliberal por parte do governo do RS, através da análise
temática das lives de combate à pandemia da Covid-19, protagonizadas pelo então Governador
Eduardo Leite. Por tratar-se de um período de crise sanitária, o Estado esteve à frente de uma
conjuntura de tensão político-econômica momentos críticos (cf. BOLTANSKI; THÉVENOT,
1999) , revelando, portanto, a gramática moral (BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1999) que
norteou a gestão do governador na pandemia, apontando a incorporação de princípios que
buscaram enfatizar a eficiência (sem desperdício orçamentário para a saúde), o foco na
manutenção das atividades econômicas (política das bandeiras), que caracterizam mecanismos
de “dominação gestionária” (BOLTANSKI, 2013), marcada pela tentativa de despolitizar a
pandemia e moldada por valores individualizantes e empresariais.
PALAVRAS-CHAVE: Governo do RS. Pandemia. Covid-19. Dominação gestionária.
Neoliberalismo. Capital simbólico.
RESUMEN: Este artículo tiene como objetivo reflexionar sobre las acciones del estado de Rio
Grande do Sul frente a la pandemia del COVID-19. Como particularidad metodológica y
analítica, buscamos comprender la reproducción de la lógica neoliberal por parte del gobierno
de Rio Grande do Sul, a través de un análisis temático de las acciones de combate a la
pandemia de Covid-19, lideradas por el entonces gobernador Eduardo Leite. Por tratarse de
un período de crisis sanitaria, el Estado estaba al frente de una situación de tensión política y
económica - momentos críticos (cf. BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) - revelando así la
gramática moral (BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1999) que guió la gestión de la pandemia por
parte del gobernador, señalando la incorporación de principios que buscaban enfatizar la
eficiencia (sin despilfarrar el presupuesto sanitario), el enfoque en el mantenimiento de las
actividades económicas (política de banderas), que caracterizan mecanismos de "dominación
gerencial" (BOLTANSKI, 2013), marcados por el intento de despolitizar la pandemia y
moldeados por valores individualizantes y empresariales.
PALABRAS CLAVE: Gobierno de RS. Pandemia. Covid-19. Dominación empresarial.
Neoliberalismo. Capital simbólico.
ABSTRACT: This paper aims to reflect on the performance of the State of Rio Grande do Sul
(RS) during COVID-19 pandemic. As a methodological and analytical particularity, it pursued
to understand the reproduction of neoliberal logic by the government of RS, by analyzing the
livestreams, carried out by the Governor Eduardo Leite. As it was a period of health crisis, the
State was at the forefront of a conjuncture of political-economic tension critical moments (cf.
BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) , thus revealing moral grammars (BOLTANSKI;
THEVÉNOT, 1999) that guided the governor’s management during the pandemic, pointing to
the incorporation of principles that sought to emphasize efficiency (no budget waste for health),
the focus on maintaining economic activities (flags policy), which characterize mechanisms of
“managerial domination” (BOLTANSKI, 2013), marked by the attempt to depoliticize the
pandemic and shaped by individualizing and business values.
KEYWORDS: RS government. Pandemic. Covid-19. Managerial domination. Neoliberalism.
Symbolic capital.
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 3
Introdução
O presente artigo
visa a refletir sobre o papel do Estado
em face da pandemia de
COVID-19. Como particularidade metodológica e analítica, busca-se compreender a
reprodução da lógica neoliberal por parte do governo do estado do Rio Grande do Sul (RS)
através de uma análise temática das lives de combate à pandemia da Covid-19, protagonizadas
pelo então Governador Eduardo Leite EL
(Partido da Social Democracia Brasileira
PSDB), referente aos anos desde 2020 até o fim do primeiro trimestre de 2021. Por tratar-se de
um período de crise sanitária, o Estado esteve à frente de uma conjuntura de tensão político-
econômica, considerada como momento crítico (MC)
(cf. BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999),
permitindo um vasto material para observação e análise da natureza das narrativas e políticas
do governo do RS.
Vale relembrar que a pandemia do coronavírus originada em 2019 evocou debates sobre
os limites do neoliberalismo ao questionar, em especial, a capacidade do sistema de saúde
(público e privado) e de seguridade social do país, fortalecendo a polêmica discussão entre
saúde e economia, principalmente referente às medidas preventivas e de combate que marcaram
o Brasil durante a pandemia de COVID-19.
Desse modo, o neoliberalismo tem sido compreendido de diferentes formas, seja de
inspiração marxista (ANDERSON, 1995) ou por uma abordagem que tem como ponto de
Este artigo é resultado da dissertação “Colapso Iminente: Uma análise da reprodução da racionalidade neoliberal
no governo do RS frente à Covid-19”, efetuada no PPGS Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPEL
Universidade Federal de Pelotas, sob orientação da Professora Elaine da Silveira Leite (Bolsista Produtividade
CNPq), defendida em 24/03/2022 com apoio da bolsa Capes.
Salientamos que a distinção entre as palavras “Estado” e “estado” se referem a distinção conceitual das mesmas.
Quando nos referirmos ao Estado, estamos tratando no sentido da categoria histórica organizacional das
sociedades, a qual nos debruçamos sobre o conceito de Bourdieu (2014) como explicitado nas páginas 4 e 5 deste
artigo. Quando utilizarmos estado, estaremos tratando de unidades federativas, as quais, majoritariamente ao longo
deste trabalho, serão referentes ao estado do Rio Grande do Sul.
Eduardo Leite nasceu em 1985 na cidade de Pelotas, interior do Rio Grande do Sul. Começou sua carreira política
muito jovem, em 2001, filiando-se ao PSDB, partido que é filiado até o momento (2023). Leite considera-se um
liberal desde sua entrada na política institucional (FOLHA, 2020). O atual governador do RS foi vereador da cidade
de Pelotas, deputado estadual do RS (mandato interrompido para assumir a prefeitura de Pelotas), prefeito de
Pelotas e atualmente é o governador do estado. Leite sempre teve sua carreira política relacionada à jovialidade.
No decorrer do artigo utilizaremos EL como referência a Eduardo Leite.
“momentos críticos (moments critiques), que faz referência, ao mesmo tempo, à atividade crítica das pessoas e à
raridade de um momento de crise” (BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999). Segundo os autores referenciados, estes
momentos de crise, são momentos de ruptura, de percepção do mal funcionamento de situações, conjunturas
políticas e sociais. Nesta conjuntura, os problemas sociais se tornam ainda mais aparentes, de tal forma que, os
indivíduos não conseguem mais viver com sua presença, e/ou superá-los, fazendo com que os sujeitos externalizem
sua frustração de diversas maneiras. Isto pois, a partir do momento em que problemas sociais podem ser percebidos
por parte da sociedade, torna-se claro o mau funcionamento de estruturas sociais e é necessária sua crítica. A
tendência é, portanto, que o mau funcionamento seja comunicado, compartilhado e externalizado entre os
indivíduos. Portanto, crítico do ponto de vista da crise e de sua crítica.
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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partida o pensamento de Foucault, o qual concebe o neoliberalismo para além das mudanças no
sistema econômico, considerando-o um novo “princípio e método de racionalização do
exercício do governo” (FOUCAULT, 2008, p. 142), entre outras perspectivas que buscam
compreender o neoliberalismo de baixo para cima (por exemplo, GAGO, 2016).
Para este trabalho, frisamos que o neoliberalismo trata de externalizar a racionalidade
econômica liberal para todas as outras esferas do mundo social, isto é, a lógica do mercado
abrange as demais esferas sociais e requer do Estado os requisitos necessários para tal; uma
espécie de agente facilitador da ordem econômica que deve reger a ordem social. Nesse sentido,
Dardot e Laval (2016a) afirmam que
É preciso, então, supor que a racionalidade neoliberal se caracteriza
precisamente pela expansão e fortalecimento da “lógica de mercado” fora da
esfera mercantil. Ora, isto quer dizer que o neoliberalismo deve ser
caracterizado pela transformação da competição em forma geral das
atividades de produção, especialmente daquelas que produzem serviços não
mercantis e até mesmo daquelas atividades sociais fora da esfera produtiva
(DARDOT; LAVAL, 2016a, p. 2).
Tais práticas governamentais neoliberais concretizam uma nova racionalidade, que
internaliza as condutas de concepção neoliberal em processos de subjetivação (DARDOT;
LAVAL, 2016a, p. 2) que passam a configurar a realidade.
Cabe destacar que, como forma de propagação do pensamento neoliberal, têm-se os
think tanks, que, de acordo com Gros (2008), são institutos que se desenvolveram via “redes de
articulação entre intelectuais, acadêmicos e suas publicações, empresas jornalísticas,
organizações empresariais e um novo tipo de institutos privados de pesquisa sobre políticas
públicas” (GROS, 2008, p. 3). Alguns trabalhos acadêmicos que se desenvolveram ao longo
das décadas de 1990 e 2000 como Gros (2008), Dickel (2010), Cadoná (2012) e Bolzan (2010)
demonstram a peculiar relação da racionalidade neoliberal no RS, em especial, por meio dos
think tanks e da prevalência do mercado sobre a esfera pública em assuntos de política
econômica
. Assim, o Rio Grande do Sul é marcado como berço de rios institutos
liberais/neoliberais do país.
Mais especificamente em relação às ligações entre neoliberalismo e pandemia, vimos
que, no Brasil, sem um protocolo universal em âmbito federal, restou aos estados e municípios
administrarem a seu modo a crise sanitária. De acordo com Lazzarato (2020), a saúde no
Este artigo não visa tratar dos think tanks para compreender tal dinâmica para isso, ver a dissertação Soler
(2022).
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
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sistema capitalista, especialmente no capitalismo periférico, funciona de forma just in time, com
zero camas desocupadas sem necessidade de armazenamento, de estoque, de preparação para o
salvamento de vidas. O cálculo econômico da saúde é baseado no mínimo custo e não no
mínimo impacto para com as vidas humanas; dessa forma, a saúde pública é uma fonte de
biopolítica
do Estado (FOUCAULT, 2001), um processo de acumulação de capital fundado na
exploração do sofrimento humano (MBEMBE, 2018; SANTOS et al., 2020; ARAÚJO, 2020).
Essa relação entre o modo de pensar empresarial e sua ampliação como racionalidade
hegemônica é fruto da mentalidade neoliberal, que parece ter vigorado na gestão da pandemia,
no caso, do Rio Grande do Sul.
Para isso, analisamos o conteúdo das lives do governador publicadas na página oficial
do Facebook/Youtube do governo do estado do Rio Grande do Sul focadas no combate à
pandemia
, as quais mostraram-se uma fonte analítica importante, ao as considerarmos capitais
informacionais estatais, que, de acordo com Bourdieu (1993), são um meio de poder que forma
estruturas e construções intelectuais, capazes de moldar, transformar ou manter ordens sociais;
assim, tal capital funciona como forma meramente informacional para com os cidadãos, mas
também como modulação das narrativas sobre a pandemia como processo de legitimação da
gestão do governo em análise. Tal conceito de capital informacional estatal recorre sobre a
própria definição de Estado de Bourdieu (2014, p. 33), na qual o Estado seria “um princípio de
produção, de representação legítima do mundo social”, e além disso
O Estado pode ser definido como um princípio de ortodoxia, isto é, um
princípio oculto que só pode ser captado nas manifestações da ordem pública,
entendida ao mesmo tempo como ordem física e como o inverso da desordem,
da anarquia, da guerra civil, por exemplo. Um princípio oculto perceptível nas
manifestações da ordem pública, entendida simultaneamente no sentido físico
e no sentido simbólico [...] diria que Estado é o nome que damos aos princípios
ocultos, invisíveis - para designar uma espécie de deus absconditus - da ordem
social, e ao mesmo tempo da dominação tanto física como simbólica assim
como da violência física e simbólica (BOURDIEU, 2014, p. 30-34).
“Biopolítica: “Eu entendia por isso a maneira como se procurou, desde o século XVIII, racionalizar os problemas
postos à prática governamental pelos fenômenos próprios de um conjunto de viventes constituídos em população:
saúde, higiene, natalidade, longevidade, raças…” (FOUCAULT, 2008, p. 431).
Utilizamos o método de análise de conteúdo (BARDIN, 1997) nas lives do Governador EL visando a sua
interpretação e categorização. Para isso, fizemos uma triagem dos vídeos da página do Governador EL, conforme
os 04 momentos críticos, formulados como tipos ideais (WEBER, 2004): Chegada da pandemia no Estado (março,
2020); Começo da política de bandeiras (maio, 2020); Final de ano 2020 e preparação para as festas (dezembro,
2020) e o ápice da pandemia no RS (março, 2021). Efetuamos primeiramente uma análise temática, sendo que,
para ser possível a efetivação dela, foram estipuladas três etapas: “a pré-análise, a exploração do material e o
tratamento dos resultados obtidos" (MENDES, 2018, p. 12). Dessa forma, as lives analisadas aqui foram: 1ª live
1º MC - 16/03/2020; 2ª live - 1° MC - 03/04/2020; live MC - 09/05/2020; 4ª live MC- 08/12/2020;
live - MC - 22/02/2021; e, live MC - 05/03/2021. Para a descrição da metodologia completa, ver Soler
(2022) que deu origem a este artigo.
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
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Desse modo, compreendemos que as lives representam parte importante da tentativa de
dominação simbólica do Estado, isto é, uma forma de dominar a “representação legítima” da
ordem social frente à pandemia.
Aliadas a tal pressuposto teórico, as lives também revelam a gramática moral
(BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1998) mobilizada na referida gestão. Nesse sentido, foi possível
verificar a existência de quatro momentos críticos, que envolveram os significados e os sentidos
de justiça isto é, repertórios morais que representam a gramática moral da gestão do governo
EL durante a pandemia de COVID-19.
Assim, pautamos a construção da gramática moral e dos momentos críticos pela
sociologia pragmática francesa. De tal modo, a gramática moral (BOLTANSKI; THEVÉNOT,
1998) denota a capacidade cognitiva e os mecanismos de ação e justificação compartilhados
pelos atores na produção de significados e sentidos de justiça na condução da gestão da crise
sanitária. Isto é, tal gramática revelada pelo capital informacional das lives permitiu aos atores
coordenarem suas ações e justificativas, delineando os repertórios que constituem a gramática
moral que fundamenta o sentido de justiça da referida gestão pautado pelos mecanismos de
“dominação gestionária” (BOLTANSKI, 2013). Portanto, conforme constatamos, a gramática
moral aqui corresponde aos repertórios dos quatro momentos críticos que exemplificam a
ordem de grandeza da cité por projetos que caracterizam o mundo conexionista (BOLTANSKI;
CHIAPELLO, 2009), que revelam a capacidade dos atores de coordenar e justificar as suas
ações em um momento de crise, que ofuscam as gramáticas cívica e de bem comum
(BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1998) como referencial normativo na condução da gestão
pública da crise pandêmica.
Para nossa investigação, portanto, o período de análise foi dividido em quatro momentos
críticos (BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) referentes à pandemia no estado do RS, sendo
eles: I) A chegada do vírus (03/2020); II) A implementação da política de bandeiras (05/2020);
III) A preparação para as festas de fim de ano de 2020; e IV) O período em que o estado esteve
com diversos municípios em bandeira preta (03/2021). Consideramos tais momentos críticos,
conforme Boltanski e Thévenot (1999, p. 359), aqueles momentos que “fazem referência, ao
mesmo tempo, à atividade crítica das pessoas e à raridade de um momento de crise”. Esses
momentos de crise são momentos de ruptura, de percepção de situações em momentos
extraordinários, ou melhor, conjunturas econômicas, políticas e sociais. Assim, pretendemos
analisar a possível influência da agenda neoliberal na gestão EL de combate à pandemia da
Covid-19 a partir das lives do governo do estado do Rio Grande do Sul (capital informacional).
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
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As evidências desta pesquisa apontam que as lives, as quais compõem o corpo analítico,
evidenciam a incorporação de princípios que buscaram enfatizar a eficiência (sem desperdício
orçamentário para a saúde) e o foco na manutenção das atividades econômicas (política das
bandeiras), que caracterizam mecanismos de “dominação gestionária” (BOLTANSKI, 2013)
na tentativa de conter a crise sanitária, bem como a falta/precariedade de políticas públicas para
a população, que revelam como o bem comum é permeado por valores que moldam o ideário
individualizante e empresarial.
De acordo com Boltanski (2013, p. 454)
, esses momentos de crise “inocentam a classe
dominante” e baseiam suas orientações em “especialistas”; estes, por sua vez, nos apresentam
a realidade “como ela é”, sem haver possibilidade de mudança em um sentido que não aquele
proposto pelos próprios gestores. Em vista disso, constatamos que os significados e os sentidos
dos repertórios que emergem da gramática moral da gestão EL foram marcados pela
racionalidade neoliberal (GROS, 2008; DARDOT; LAVAL, 2016; ANDERSON, 1995).
O presente artigo está dividido em 04 capítulos, incluindo esta introdução. O capítulo
dois realiza uma exposição cronológica dos momentos críticos pela análise das lives que
compõem o corpus analítico da pesquisa. Em seguida, teremos o capítulo referente à
despolitização presente no discurso neoliberal no que diz respeito à gestão da pandemia, e, por
fim, breves considerações finais.
TE CUIDA RS
- momentos críticos e seus repertórios
Primeiro momento crítico
Não uma expectativa de que se contenha, de não termos o vírus sendo
disseminado; a questão é disseminar este contágio no limite da capacidade
da nossa infraestrutura de saúde, para atender aqueles casos mais graves
(LEITE, 2020a, grifo nosso).
O excerto acima é referente à fala do Governador EL que caracteriza o primeiro
momento crítico. Tal fala é referente à live do dia 16/03/2020, na semana do primeiro caso
confirmado de Covid-19 no RS. A live contava com a presença do Governador EL, assim como
grande parte dos secretários do governo. Logo no terceiro minuto do vídeo, o governador afirma
Boltanski (2013, p. 454) afirma que: “um regime de dominação gestionária, baseado na valorização e na
exploração da mudança, os momentos de pânico, de desorganização, de desamparo moral, de salve-se quem
puder, ou seja, também de individualismo frenético, desempenham um papel importante” (BOLTANSKI, 2013).
“Te cuida RS” foi o nome do programa do governo do estado do RS destinado à conscientização sobre o
coronavírus.
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
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que “não motivo para pânico”; isto é, a narrativa de controle do caos, associada aos grifos
no excerto acima, aponta que, desde o princípio da pandemia no RS, o governo estadual agiu
de forma semelhante à descrita por Lazzarato (2020) no modelo just in time, ou seja, um sistema
de saúde que funcione com “zero camas desocupadas”. Portanto, ele justifica que o pânico não
é necessário porque os casos graves não vão exceder o número de camas.
Adentrando ao final dessa live, EL afirma novamente: “neste período, vamos manter
hábitos que permitam não haver disseminação do vírus além da capacidade do nosso sistema
de saúde (EDUARDO LEITE, 2020a, grifo nosso). Assim, o governador recomenda à
população que mantenha os ambientes ventilados, bem como que evite aglomerações, e, em
caso de sintomas, aconselha que todos fiquem em casa. Nesse período não houve propostas de
políticas públicas e sociais efetivas, ou seja, políticas de bem comum advindas de uma
gramática cívica (BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009).
Reconstituindo a gestão de EL pelas lives que formam o corpo analítico desta pesquisa,
vale destacar que no dia 03/04/2020 o governador começa com o informe de que houve 365
casos confirmados no RS e 05 mortes pelo coronavírus. A situação se agrava em comparação à
conjuntura da live anterior; assim, são anunciados o aumento e a implementação de diversos
leitos em diferentes cidades, tendo em vista a necessidade de ampliação da capacidade
hospitalar, principalmente na região metropolitana de Porto Alegre e norte/nordeste do RS. Ao
mesmo tempo, EL mostra-se sensível à economia e aos pequenos empresários (por exemplo,
na referida live, o governador afirma aos incluídos na modalidade Simples
que a cota para
pagamento referente aos impostos nacionais será prorrogada nos próximos três meses).
Após, EL expõe que irá conversar com a então secretária de planejamento do RS, Leany
Lemos, e com o reitor à época da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e epidemiologista
Pedro Hallal
, o qual apresentou a pesquisa Epicovid-RS, um estudo epidemiológico inédito
sobre a pandemia de Covid-19 no país. Assim, EL busca mostrar à população que sua gestão
está preocupada com a economia, bem como é amparada em princípios científicos e pautada
pela eficiência ao garantir a abertura de leitos conforme demanda (aumento de casos graves),
conferindo justificativa e legitimidade às suas ações e inações.
Sistema de tributação nacional para micro e médias empresas.
Professor Universitário, ex-reitor da UFPel, educador físico e epidemiologista. Foi e é destaque nas pesquisas
envolvendo a Covid-19 no Brasil, tendo, inclusive, participado da CPI da pandemia, realizada pelo Senado Federal
em busca de possíveis escândalos de corrupção, omissão e inadimplência da máquina pública no enfrentamento
da pandemia. Hallal foi convidado para relatar, enquanto epidemiologista, a sua visão acerca da pandemia no
Brasil.
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
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Momento crítico 2
Seguimos para a live em que EL lançou o programa do distanciamento controlado, no
dia 09/05/2020, marcando o início do segundo momento crítico. Nessa live, esteve presente
grande parte da equipe técnica do governo do estado, incluindo, novamente, a secretária de
planejamento Leany Lemos, a secretária de saúde Arita Bergman, o procurador geral do estado
Eduardo Costa, e Pedro Tonon Zuanazzi, diretor do Departamento de Economia e Estatística
(DEE), órgão que foi criado a partir da extinção da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
Nesse momento, fomos apresentados ao modelo de distanciamento controlado que seria
adotado no RS, o qual utilizava a lógica das bandeiras (amarela, laranja, vermelha e preta)
para a diferenciação de regiões e consequentemente suas políticas de enfrentamento da
pandemia, visando à necessidade de conter o avanço da pandemia sem desperdício
orçamentário estadual, bem como evitando a paralisação (total) das atividades econômicas. Ou
Seja, conforme o site do estado: “educação, comércio, serviços, indústria, transportes e
agricultura, entre outros, terão restrições proporcionais ao nível de segurança do contágio da
Covid-19 e o respectivo impacto econômico” (RIO GRANDE DO SUL, 2020a, grifo nosso).
Isto é, notamos que os repertórios da gramática moral buscavam caracterizar uma gestão
controlada da pandemia que permitia, via regionalização, o funcionamento das atividades
econômicas, de acordo com a intensidade de propagação do vírus. Desse modo, o modelo
controlado por bandeiras foi justificado em relação à preocupação com uma crise econômica:
“[...] A gente vai ficar com tudo fechado em todo lugar o tempo todo? Não dá, não é possível,
a gente tem que ter um modelo mais racional” (LEITE, 2020b). Isto significa, um modelo just
in time de gestão, no qual, em caso de alta disseminação e aumento de ocupação dos leitos,
busca-se atender a demanda populacional, reduzindo desperdício orçamentário (com a saúde),
mas garantindo o bom funcionamento da economia.
Exemplificando a construção de tal momento, EL, nessa live, informa que esteve com
empresas como a Brasil Foods S.A. (BRF)
e a José Batista Sobrinho (JBS)
para decidir
maneiras de reabrir os frigoríficos os quais foram fechados pois foram focos de disseminação
As bandeiras foram parte do modelo de distanciamento controlado gerado pelo governo do estado do RS. Suas
cores representavam o risco da Covid-19 em determinadas regiões do estado. As bandeiras escureciam na medida
em que o risco era mais alto, ou seja, amarela (risco baixo), laranja (risco médio), vermelha (risco alto) e preta
(risco crítico) (RIO GRANDE DO SUL, 2020a).
BRF: um dos maiores complexos agroindustriais do mundo, oriundo da fusão da Perdigão com a Sadia (BRF,
2020).
JBS: multinacional brasileira de indústria de alimentos (JBS, 2021). Em maio de 2022, tornou-se a maior
companhia de alimentos do mundo, desbancando a Nestlé.
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, que não havia meios eficazes de garantir que os trabalhadores fossem protegidos do vírus
.
Prosseguindo, EL afirma que o fechamento destes envolveria o sacrifício de animais, devido à
questão sanitária. Tal foco reforçou a preocupação com a continuidade das atividades
econômicas de grandes conglomerados do RS; com isso, buscou-se reduzir o impacto do setor
privado, reforçado pela justificativa de que não se podia correr o risco de perder empregos,
apontando o papel do grande empresariado gaúcho na tomada de decisões referentes à gestão
da pandemia. Nesse sentido, as alianças entre o poder público e o empresariado marcaram o
direcionamento político na promoção do bem comum, como veremos no próximo capítulo.
Nesse momento, EL e sua equipe ratificaram a necessidade do controle das mortes, bem
como do cuidado com as vidas para evitar o colapso do sistema de saúde estadual; entretanto,
é interessante notar como o risco da exposição ao vírus foi sempre afirmado como necessário
para evitar o aprofundamento da crise econômica. EL afirma em determinado momento da live
que
não é uma opção aqui entre, libera tudo para ter a economia crescendo, porque
se liberar tudo e perdermos o controle da situação e houver um número
grande de pessoas contaminadas e mortes, a pressão por fechar vai ser
grande; e vamos fechar sem ter perspectiva, perdendo o controle da
situação, e isso é ruim pra todo mundo. Porque as vidas vão ter sido perdidas
e são irrecuperáveis, e de outro lado a economia também vai se perder (LEITE,
2020b, grifo nosso).
Cabe destacar que o próprio governador afirma que seria difícil garantir que a população
utilizasse a máscara em locais públicos uma política referendada no RS, após mais de um mês
da recomendação oficial do Ministério da Saúde para seu uso (MARTINS, 2020); ao mesmo
tempo, EL pede para que a própria população fiscalize a utilização das máscaras assim como já
fiscaliza os “fumantes em locais públicos"
.
De acordo com notícia publicada pelo G1 RS (2020): “Conforme o MPT, a medida fica mantida até que a
empresa comprove "atendimento rigoroso e integral das medidas fixadas pela Gerência Regional do Trabalho
(GRT)", nesse caso se referindo ao frigorífico JBS Passo Fundo Aves. “O local ficou fechado, entre abril e maio,
devido à disseminação do coronavírus na planta. Conforme o Ministério Público do Trabalho, 287 funcionários
testaram positivo para doença”. Conforme o MPT, nessa época, um a cada quatro infectados no RS seria um
trabalhador de frigoríficos (G1 RS, 2020). Também foram inúmeros os casos de surtos de Covid-19 em diversos
frigoríficos do estado ao longo da pandemia. O MPT (2020a; 2020b), chegou a considerar 30% dos casos do RS
oriundos dos frigoríficos. Como afirmado pelo desembargador do caso em junho: “[...] a JBS Aves Ltda. está
atuando livremente na escolha das medidas que entende cabíveis para prevenir e combater o novo Coronavírus,
expondo seus empregados a condições de trabalho inadequadas [...]” (MPT, 2020a).
O Governo Federal tem programas e atuações pesadas contra o tabagismo desde 1989, nos quais se incluem
fatores que ajudam a diminuir o consumo do tabaco em locais públicos, como: “Redução da aceitação social do
tabagismo; Redução dos estímulos para a iniciação; Redução do acesso aos produtos derivados do tabaco; Proteção
contra os riscos do tabagismo passivo; Redução das barreiras sociais que dificultam a cessação de fumar; […]”
(CAVALCANTE, 2005). Tal processo levou anos de reeducação por meio de diversos meios, o que não funcionou
apenas com um pedido à população sem meios materiais para se educar e se proteger.
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Nesse ponto, vale ressaltar que a política das bandeiras adotadas foi construída a partir
de diferentes motivações. Aparentemente, foi efetuada uma tentativa de mitigar o contágio com
as menores “perdas”
econômicas possíveis, de acordo com Pedro Hallal, o qual afirmava
que “foi crítico do modelo desde o primeiro momento” (RUSCHEL, 2021).
Vale destacar que Pedro Tonon Zuanazzi, diretor do DEE, estava presente nesse
momento, dando suporte técnico em relação às questões econômicas referentes aos planos de
ação do governo do estado. O diretor teve pouca participação na coletiva e fez comentários
pontuais relacionados principalmente à logística e à dinâmica das bandeiras, comentando
questões referentes à quantidade de leitos disponíveis e óbitos em algumas cidades do RS.
Assim, nota-se a importância do conhecimento “técnico”, “científico” e “racional” nos
repertórios de EL. Entretanto, tal gramática moral ofusca a falta de planejamento no sentido de
suprir demandas sociais, tais como a fome, a necessidade da compra de insumos e de
Equipamentos de Proteção Individual (EPI's) para suprir os aumentos de leitos ocupados
(mesmo que por demanda). Dessa forma, prevaleceu a lógica focada na liberação econômica,
mediada pelo cálculo na saúde, colocando a atuação individual da população como garantidora
do bem comum (BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009), pautado por significados que enfatizam
a confiança na iniciativa individual e privada do que na ação do Estado. O segundo momento
crítico se encerra com 407 mil casos confirmados (CORONAVÍRUS RS, 2022) e 7.235 óbitos
(CSSEGISANDDATA, 2022) no RS.
Momento crítico 3
A live do dia 08/12/2020, que marca o terceiro momento crítico, começou com o
anúncio da reunião entre o fórum dos governadores do Brasil com o então Ministro da Saúde,
Eduardo Pazuello. EL, acompanhado da secretária de saúde Arita Bergmann, não mede palavras
para elogiar a parceria com o governo federal no combate à pandemia:
é importante deixar claro aqui antes de mais nada, eu fiz esse registro na
reunião e faço novamente aqui publicamente: não faltou nenhum apoio por
parte do Ministério da Saúde para o governo do estado do Rio Grande do Sul,
como também para os outros estados. [...] Posicionamentos políticos
diferentes, ideologias e ideias e entendimentos diferentes sobre o
distanciamento, nós não vamos aqui polemizar, mas, do ponto de vista de
“Perdas”, entre aspas, porque a noção de perda econômica aplicada pela gestão EL constantemente se referia à
lógica econômica apenas como uma máquina que não poderia parar; se parasse, haveria perdas significativas, ou
seja, não eram cogitadas diferentes formas econômicas de atuação estatal que pudessem mitigar possíveis perdas,
realocar formas de produção, proteger os trabalhadores com efetividade ou garantir um amparo estatal de maior
magnitude (SOLER, 2022).
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
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suporte técnico, de suporte de recurso e de suporte em materiais e
equipamentos, a parceria com Ministério da Saúde tem sido efetiva e tem sido
de bastante resultado em apoio ao estado, aos estados e também aos
municípios (LEITE, 2020c).
Em seguida, EL lamenta a politização do tema da vacinação e afirma que se trata de
uma situação que deve ser analisada pelo ponto de vista “técnico e não político”. Aqui, podemos
perceber as características da racionalidade neoliberal referida por Brown (2020), como uma
tentativa de despolitização da própria política, o que a autora chama de afirmações “pós-
ideológicas” (grifo nosso), ou seja, uma etapa da tecnocracia
de destituição de qualquer outra
ordem moral e política que não aquela estabelecida como técnica, neutra e pura da racionalidade
neoliberal. Uma ordem que, via de regra, também é avessa ao Estado democrático e ao bem
comum, uma vez que é originada e orientada no sentido individualizante, despolitizante e
disciplinado pelo mercado, segundo Brown (2020).
Ao final da live, o governador, mais uma vez, intensifica a necessidade de a população
se proteger e chama atenção para o programa “Te cuida”. EL reafirma que os hospitais do RS
mais que dobraram a capacidade das UTIs do SUS, porém afirma que elas estão com ocupação
de 80%, e, na rede privada, quase 100%, assim sendo, o sistema estava quase colapsando.
Assim, seguiu-se a mesma estratégia de combate à pandemia, reforçando o “pedido” à
população para que se responsabilize pelos cuidados e pelo controle da disseminação do vírus.
“Te cuida”, conforme a dominação gestionária (BOLTANSKI, 2013), remete ao
combate da crise como uma situação intangível, reforçando a ideia de que o governante pouco
pode fazer em termos de bem comum. Na realidade, o governador recorrentemente pede a
contribuição da população para se cuidar, em especial com a chegada das festas de fim de ano,
conforme:
o governo do estado está empreendendo uma rie de medidas, em todas as
áreas, para a segurança dos veranistas. Precisamos que vocês comprem essa
ideia e adotem os cuidados necessários para evitarmos a proliferação do vírus
e para que passemos por esse veraneio com o mínimo de intercorrências: usem
máscara, lavem as mãos, mantenham o distanciamento físico (RIO GRANDE
DO SUL, 2020b).
Nesse sentido, a gramática moral aponta o emprego de estratégias políticas de
sensibilização dos atores/cidadãos no nível individual a respeito da crise sanitária e econômica.
Aqui, vale enfatizar que não estamos eximindo a população da responsabilidade por sua
Na própria fala de EL que estamos debatendo no referido parágrafo, o governador afirma que devemos prezar
pela “técnica e não pela política”.
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
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conduta, mas buscando dar atenção para a relação entre responsabilidade da conduta individual
e, de certa forma, o ofuscamento da questão blica (gramática cívica) e/ou da inação do
governo estadual. Esse momento crítico termina em 21/02/2021
, totalizando 11.771 óbitos
(CSSEGISANDDATA, 2022) e 677.156 casos confirmados (SECRETARIA DA SAÚDE DO
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2022) no RS.
Momento crítico 4
Marcando o quarto momento crítico, a live do dia 22/02/2021 registrou o ápice da
pandemia no RS. EL afirma a seriedade do momento, reforçando que o sistema de saúde está à
beira do colapso. A taxa de ocupação das UTIs no estado era de 86%, o maior nível desde o
começo da pandemia, e a curva seguia em crescimento, como afirmado pela secretária de saúde
Arita Bergmann:
é muito importante que a população compreenda que não se trata aqui de o
governo sozinho resolver a questão da pandemia, porque tudo que está ao
alcance do governo está sendo feito em termos de estruturação da saúde, mas
é absolutamente insuficiente a sua estruturação se não houver colaboração por
parte de todos para que o vírus circule menos e até que haja a imunização em
grande escala da população […] (LEITE, 2021a).
O governador afirma que participou de uma reunião com as prefeituras do RS, e que foi
questionado sobre a possibilidade de voltar ao modelo do distanciamento controlado
ordenado
pelo estado, que o distanciamento controlado havia passado por mudanças que permitiam
maior autonomia das prefeituras, não sendo necessário seguir a normativa do estadual. Apesar
da situação de calamidade, EL afirma que é governador, mas que é necessário que se leve em
consideração as escolhas da população nos municípios, e que é importante o engajamento dos
prefeitos. Desse modo, a maioria das prefeituras optou por manter a cogestão, ou seja, optou
pela decisão municipal/local na definição dos protocolos; assim, a decisão do governo do estado
Os dados de casos são de 20/02/2021, pois o dia 21/02/2021 não está disponível na plataforma utilizada.
O programa de bandeiras havia começado de maneira em que as bandeiras delimitadas pelo governo estadual
correspondiam a obrigações envolvendo questões sanitárias determinadas por decreto, as quais deveriam ser
cumpridas pelos municípios. Com o passar da pandemia, o governo estadual acatou a demanda das prefeituras e
tornou a classificação de bandeiras apenas uma sugestão aos municípios, que já vinham apelando contra o decreto
na justiça. O que era obrigação se tornou negociação, e, posteriormente, sugestão. Esse momento de sugestão foi
chamado de “cogestão”. Por isso, na live do dia 22/02/2021, EL sugere que a delimitação das regras por via das
bandeiras estipuladas pelo governo do estado deveria voltar. Entretanto, ele apenas sugere tal mudança, mesmo à
beira do colapso do sistema de saúde estatal. Hallal et al. (2021, p. 1548, tradução nossa) coloca “A pressão dos
empresários e do governo federal para reabrir a economia; [...] O governo passou a liberar a apelação das cidades
contra as cores determinadas pelo modelo para a sua região como alguns dos motivos para os pontos positivos do
combate à pandemia no começo da crise terem sido perdidos no decorrer do ano de 2020”.
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ficou mais uma vez no “apelo” às prefeituras para que adotem as medidas necessárias.
Nesse momento, a situação já era de colapso, mas, segundo a secretária de saúde: “Não
pode perder a esperança, o cidadão também é o fiscal”. EL também ratifica esse comentário:
“Bastante importante aqui a manifestação da Arita, ela traz um tanto do que nós temos
observado do relato dos hospitais, relatos de situação dramática, relatos de situação de caos
iminente, de colapso iminente” (LEITE, 2021a, grifo nosso).
A live de 05/03/2021 foi feita no contexto em que se veiculavam informações sobre filas
de espera de 25 pessoas para cada leito de UTI, isto é, o auge da pandemia, o período mais
crítico no estado. O modelo just in time chegou ao colapso e as atividades econômicas seguiram,
de certa forma, sua normalidade adequada à cogestão das regiões e de suas prefeituras sem o
devido suporte e determinação de políticas mais efetivas de controle por parte do Estado.
Apesar de EL afirmar que
até dia quatorze de fevereiro, 0.72 livre para cada leito ocupado. Eram no dia
quatorze de fevereiro 628 leitos livres no estado, ou seja, não podíamos
entender que oferecesse ali um risco maior como se observou agora e que tem
essa situação de leitos esgotados (LEITE, 2021b).
Devemos salientar que dia 21/02/2021 foi o pico da pandemia no RS, até então, tanto
no que diz respeito ao crescimento do número de leitos utilizados diariamente (novas pessoas
sendo internadas) quanto do número de leitos totais utilizados (todas as pessoas internadas)
(LEITE, 2021b). No entanto, na live realizada no dia posterior (22), o governador não faz
referência explícita a tal situação, ou seja, não ocorreram alardes sobre o pior momento da
pandemia, chegando, assim, ao colapso iminente.
Por fim, o governador reafirma que os leitos de UTI foram duplicados desde o começo
da pandemia, mas não havia como aumentar o número das UTIs de acordo com a velocidade
da curva da pandemia. EL afirma que o recurso advindo do Governo Federal é muito menor do
que o afirmado pelo então presidente Jair Bolsonaro, e diz: “Nenhum país do mundo resolveu
o coronavírus apenas ampliando a estrutura hospitalar porque ela é absolutamente limitada [...]
a expansão que se fez aqui, e se trabalha para continuar fazendo não sustenta o nível de
crescimento” (LEITE, 2021b). A live termina em um tom melancólico e com um pedido de que
a população "não se aglomere". Para que fique em casa “Te cuida RS”. EL ainda afirma que
os números de mortes/internações crescerão nos próximos dias.
Desse modo, percebe-se que, durante um ano da pandemia no país no âmbito federal e,
no caso do RS, no auge da crise (com a vacinação em andamento, mas a passos lentos), a
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
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gramática moral seguia “Te cuida” –, caracterizando a crise como fator externo sobre o qual
pouco pode ser feito pelo poder público, restando à população (desassistida) o controle das
crises sanitária e econômica marcando uma gestão despolitizada, mas justificada como
eficiente, sem desperdícios de recursos públicos, conduzida pela gica just in time,
racionalizada (política de bandeiras e cogestão), utilizando políticas assistencialistas e
emergenciais de curto prazo e baixa capilaridade.
Assim, o ápice da pandemia é o estágio final dos quatros momentos críticos da análise,
contabilizando 27.286 óbitos (CSSEGISANDDATA, 2022) e 1.163.314 casos no RS
(SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2022).
Gramática moral: a crise como despolitização da pandemia
A proposta da seleção das lives que caracterizam os momentos críticos deste estudo nos
remonta a Weber (2004), sendo o “tipo ideal” de recurso metodológico de análise para
apresentar a gestão do governo do RS, permitindo definir um corpus analítico para compreender
a gramática moral que compôs os repertórios da pandemia. Assim, as lives reduzidas a
momentos críticos revelaram o capital informacional (cf. BOURDIEU, 1993) do Estado,
reproduzindo, multiplicando, modificando e produzindo racionalidades.
A gramática moral da gestão EL revelou a lógica do modelo just in time na condução
da pandemia, quando se refere à saúde: tem-se a garantia dos leitos por demanda, ou seja,
determina-se a capacidade hospitalar a partir da demanda de entrada de novos infectados. Desta
forma é calculada de uma maneira efetiva “gastar” apenas o necessário, calculando, portanto,
uma certa quantidade "aceitável" ou “prevista” de enfermos e até de mortes.
Tal formato de gestão passou, assim, a vigorar também na política de distanciamento
controlada pelas bandeiras, a qual caracteriza o segundo momento crítico. Nesse período, ficou
visível a importância das posições da elite econômica, isto é, do empresariado gaúcho no que
se refere à proposta de políticas de condução da gestão da crise sanitária. Vale ressaltar que a
política das bandeiras acabou por funcionar de modo regionalizado, o qual “jogou” a
responsabilidade e o controle para as prefeituras modelo que foi criticado pelo
epidemiologista Pedro Hallal. Tal modelo considerou o cálculo econômico como norma para
as (in)ações do Estado.
A gramática moral, portanto, revela que o Estado geriu a pandemia calculando
mortos/infectados, avaliando a circulação do vírus ao considerar as necessidades econômicas
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
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de cada região e tendo um debate unilateral apenas com as partes as quais o Estado considerava
“técnicas” e neutras politicamente.
Mais especificamente o momento crítico três, marcado pela promoção do programa “Te
cuida”, que passa a responsabilizar
explicitamente os indivíduos, prezou pelo diálogo com a
iniciativa privada. Assim, restou aos próprios cidadãos “se cuidarem” num momento de amplo
risco e contágio, como foram as festas de fim de ano, que culminaram no ápice da pandemia no
estado.
Assim, o momento crítico IV consolidou e demonstrou o resultado do que consideramos
gestão neoliberal da pandemia quando o sistema de saúde estava colapsando, não foram
tomadas medidas intensivas para combatê-la. De alguma forma, a gestão da crise teve como
apelo a responsabilização individual dos gaúchos, garantindo, assim, as festividades de fim de
ano e, consequentemente, o colapso do sistema de saúde no primeiro trimestre de 2021.
Tais apontamentos sugerem fortemente uma relação com o neoliberalismo, conforme
exposto por Dardot e Laval (2016a; 2016b) e Foucault (2001; 2008), que a gestão estadual
buscou equacionar o custo da pandemia, calculando a saúde para não interferir no bom
funcionamento da economia. Foi possível notar que a gramática moral teve como base o debate
científico; entretanto, apesar do governador referenciar a ciência repetidas vezes no material
analisado, houve a emergência de decisões políticas em detrimento da epidemiologia, como
podemos supor a partir das falas de Pedro Hallal ao Zero Hora (RUSCHEL, 2021) ou em seu
próprio artigo referente aos dados da EPICOVID-RS (HALLAL et al., 2021).
No caso de nossa pesquisa, concluímos que os repertórios que constituíram a gramática
moral reforçam que as decisões foram tomadas de maneira política e de forma a beneficiar a
funcionalidade econômica de acordo com uma agenda neoliberal. A expressão “Te cuida”
resume a gestão do governo do RS na pandemia, uma lógica que flerta com o “salve-se quem
puder”, que exemplifica o que chamamos de regime de dominação gestionária (BOLTANSKI,
2013), que os repertórios dos momentos críticos moldaram a crise como um fator externo,
assim ajuizando as mazelas do contexto pandêmico como um processo de responsabilização do
indivíduo.
A gramática moral, portanto, está pautada numa gestão despolitizada da pandemia,
apelando para o técnico (BROWN, 2020), mas respaldado por repertórios explicitamente
ancorados no discurso da gestão eficiente, ou seja, sem desperdícios de recursos públicos,
Utilizo “responsabilizou” não no sentido de culpa, mas no de repassar uma responsabilidade que deveria emanar
do poder público.
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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conduzida pela lógica just in time (leitos/bandeiras/economia), pela racionalização (política de
bandeiras, cogestão), bem como pela boa intenção do setor empresarial, que propagou o temor
de uma crise econômica ser mais grave do que a sanitária.
Como nos adverte Brown (2020), as desigualdades oriundas do modelo econômico e
social atuais são inerentes à humanidade. Não há alternativa, do inglês There’s No Alternative
(TINA), é utilizado pela mesma autora como um reflexo da racionalidade por trás do
neoliberalismo não nada que possa ser feito para mudar a situação atual, apenas “Te cuida”.
Assim, a narrativa e (in)ação política da gestão EL, de acordo com a referida autora, não se
propõe ao debate democrático, mas reforça a lógica de mercado como natural e sem muitas
alternativas, legitimando o debate de que o Estado nada pode fazer, e que, se o fizer, poderá
gerar uma crise econômica (desemprego, fechamento de empresas etc.) mais grave do que a
crise sanitária. Assim, as políticas públicas e sociais, nesse período, foram assistencialistas e
pontuais, deixando a população como sobrevivente de sua própria vida “Te cuida”. Isso posto,
tal gramática moral está em sintonia com a cité por projetos (BOLTANSKI; CHIAPELLO,
2009) que ofuscaram as gramáticas de ordem cívica e de promoção do bem comum como ordem
normativa da gestão pública.
Os momentos críticos deste estudo exemplificam a lógica de dominação gestionária
(BOLTANSKI, 2013) que suporta a legitimidade da ausência do Estado na promoção da vida,
na qual, no Brasil, podemos dizer que, sócio-historicamente, a responsabilização dos indivíduos
por sua condição é recorrente, concretizando uma subjetividade que justifica e legitima a gestão
neoliberal frente a uma gestão cívica da ordem de bem comum.
Breves considerações finais
Este artigo buscou apresentar a dominação gestionária marcada pela racionalidade
neoliberal da gestão EL, mais especificamente no que diz respeito ao combate à pandemia e
Covid-19. Logo, foi possível compreender a construção da gramática moral, especificada pelos
momentos críticos que caracterizaram os significados e sentidos da referida gestão, marcados
pela dominação gestionária (BOLTANSKI, 2013). O posicionamento do governo do RS foi
analisado como capital informacional (cf. BOURDIEU, 1993), como uma ferramenta direta de
biopoder, que atuou de forma calculista, respaldada pela justificativa do modelo just in time.
Assim, os momentos críticos (BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) revelaram
repertórios que resumiram as (in)ações e justificativas que caracterizaram posicionamentos e
“Te cuida”: A dominação gestionária do governo Eduardo Leite frente à pandemia no RS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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decisões adotadas pelo governo do RS, apontando a gramática moral que conduziu a gestão EL
durante a pandemia no estado do RS, culminando na incorporação de princípios que buscaram
enfatizar a eficiência do cálculo econômico (sem desperdício orçamentário para a saúde), o foco
na manutenção das atividades econômicas (política das bandeiras), que caracterizam
mecanismos de “dominação gestionária” (BOLTANSKI, 2013) na tentativa de conter a crise
sanitária, bem como a ausência de propostas de políticas públicas (bem comum), e reforço de
políticas individualizantes de combate à pandemia “Te cuida”.
Portanto, conforme constatamos, a gramática moral aqui corresponde à ordem de
grandeza da cité por projetos, que caracteriza o mundo conexionista (BOLTANSKI;
CHIAPELLO, 2009), a qual, a partir dos quatro momentos críticos, revela a capacidade dos
atores da referida gestão em justificar as suas ações em um momento de crise baseadas em
grandezas que ofuscam a gramática cívica como referencial normativo na condução da gestão
pública da crise sanitária.
Nesse sentido, tal gramática, marcada pela racionalidade neoliberal (GROS, 2008;
DARDOT; LAVAL, 2016; ANDERSON, 1995) constituiu a ordem normativa que caracterizou
a gestão do EL na pandemia, que deu significados e sentidos às medidas técnicas do governo,
despolitizando, portanto, a pandemia (BROWN, 2020).
Face à falta de políticas públicas eficazes, seja no âmbito federal seja no estadual, a
pandemia ainda deixa, no ano de 2022, um enorme número de vítimas, enfatizando que a
maioria dos suscetíveis à exposição e à morte foram (e são) grupos de maior fragilidade social
e econômica. Pouco se debateu como questão pública (bem comum) a respeito das
consequências humanas, trabalhistas, psicológicas e de renda da população nisso a ciência
parecia não ser conclamada.
Pedro Schlee SOLER e Elaine da Silveira LEITE
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DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 23
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: PPGSociologia da Universidade Federal de Pelotas e a Capes.
Financiamento: Bolsa Capes.
Conflitos de interesse: Não.
Aprovação ética: Sim, o trabalho seguiu a ética em pesquisa, mas não passou por um
comitê de ética específico.
Disponibilidade de dados e material: Sim, estão disponíveis pois são frutos da dissertação
de mestrado do segundo autor, Pedro Schlee Soler, disponível em:
https://wp.ufpel.edu.br/ppgs/files/2022/05/Dissertacao-Final-Pedro-Soler-PPGS.pdf.
Contribuições dos autores: O presente artigo é fruto da dissertação de mestrado do
segundo autor Pedro Schlee Soler defendida no Programa de Pós-graduação em Sociologia
da Universidade Federal de Pelotas no ano de 2022, o qual conduziu a pesquisa sob
orientação da Profa. Elaine Leite, que supervisionou a pesquisa e realizou adaptação para o
formato de artigo, que é fruto do projeto de pesquisa geral: “Ressignificando a economia:
produção, consumo e mercados locais”, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-
graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 1
“TAKE CARE”: THE MANAGERIAL DOMINATION OF EDUARDO LEITE’S
GOVERNMENT IN FACE OF THE PANDEMIC IN RS
“TE CUIDA”: A DOMINAÇÃO GESTIONÁRIA DO GOVERNO EDUARDO LEITE
FRENTE À PANDEMIA NO RS
"CUÍDESE": LA DOMINACIÓN GERENCIAL DEL GOBIERNO DE EDUARDO
LEITE FRENTE A LA PANDEMIA EN RS
Pedro Schlee SOLER1
e-mail: pschleesoler@gmail.com
Elaine da Silveira LEITE2
e-mail: elaineleite10@gmail.com
How to reference this article:
SOLER, P. S.; LEITE, E. S. “Take care”: The managerial
domination of Eduardo Leite’s government in face of the pandemic
in RS. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025,
2023. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519
| Submitted: 28/11/2022
| Required revisions: 04/03/2023
| Approved: 13/09/2023
| Published: 30/12/2023
Editor:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Federal University of Pelotas (UFPel), Pelotas RS Brazil. PhD student in the Postgraduate Program in
Sociology (PPGS). Social Scientist (UFPel) and Master in Sociology (UFPel).
Federal University of Pelotas (UFPel), Pelotas RS Brazil. PhD in Sociology (UFSCar). Professor in the
Postgraduate Program in Sociology and the Department of Sociology and Politics.
“Take care”: The managerial domination of Eduardo Leite’s government in face of the pandemic in RS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 2
ABSTRACT: This paper aims to reflect on the performance of the State of Rio Grande do Sul
(RS) during COVID-19 pandemic. As a methodological and analytical particularity, it pursued
to understand the reproduction of neoliberal logic by the government of RS, by analyzing the
livestreams, carried out by the Governor Eduardo Leite. As it was a period of health crisis, the
State was at the forefront of a conjuncture of political-economic tension critical moments (cf.
BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) , thus revealing moral grammars (BOLTANSKI;
THEVÉNOT, 1999) that guided the governor’s management during the pandemic, pointing to
the incorporation of principles that sought to emphasize efficiency (no budget waste for health),
the focus on maintaining economic activities (flags policy), which characterize mechanisms of
“managerial domination” (BOLTANSKI, 2013), marked by the attempt to depoliticize the
pandemic and shaped by individualizing and business values.
KEYWORDS: RS government. Pandemic. Covid-19. Managerial domination. Neoliberalism.
Symbolic capital.
RESUMO: O presente artigo visa a refletir sobre a atuação do estado do Rio Grande do Sul
em face da pandemia de COVID-19. Como particularidade metodológica e analítica, buscou-
se compreender a reprodução da lógica neoliberal por parte do governo do RS, através da
análise temática das lives de combate à pandemia da Covid-19, protagonizadas pelo então
Governador Eduardo Leite. Por tratar-se de um período de crise sanitária, o Estado esteve à
frente de uma conjuntura de tensão político-econômica momentos críticos (cf. BOLTANSKI;
THÉVENOT, 1999) , revelando, portanto, a gramática moral (BOLTANSKI; THEVÉNOT,
1999) que norteou a gestão do governador na pandemia, apontando a incorporação de
princípios que buscaram enfatizar a eficiência (sem desperdício orçamentário para a saúde),
o foco na manutenção das atividades econômicas (política das bandeiras), que caracterizam
mecanismos de dominação gestionária” (BOLTANSKI, 2013), marcada pela tentativa de
despolitizar a pandemia e moldada por valores individualizantes e empresariais.
PALAVRAS-CHAVE: Governo do RS. Pandemia. Covid-19. Dominação gestionária.
Neoliberalismo. Capital simbólico.
RESUMEN: Este artículo tiene como objetivo reflexionar sobre las acciones del estado de Rio
Grande do Sul frente a la pandemia del COVID-19. Como particularidad metodológica y
analítica, buscamos comprender la reproducción de la lógica neoliberal por parte del gobierno
de Rio Grande do Sul, a través de un análisis temático de las acciones de combate a la
pandemia de Covid-19, lideradas por el entonces gobernador Eduardo Leite. Por tratarse de
un período de crisis sanitaria, el Estado estaba al frente de una situación de tensión política y
económica - momentos críticos (cf. BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) - revelando así la
gramática moral (BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1999) que guió la gestión de la pandemia por
parte del gobernador, señalando la incorporación de principios que buscaban enfatizar la
eficiencia (sin despilfarrar el presupuesto sanitario), el enfoque en el mantenimiento de las
actividades económicas (política de banderas), que caracterizan mecanismos de "dominación
gerencial" (BOLTANSKI, 2013), marcados por el intento de despolitizar la pandemia y
moldeados por valores individualizantes y empresariales.
PALABRAS CLAVE: Gobierno de RS. Pandemia. Covid-19. Dominación empresarial.
Neoliberalismo. Capital simbólico.
Pedro Schlee SOLER and Elaine da Silveira LEITE
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 3
Introduction
This article
aims to reflect on the role of the State
in the face of the COVID-19
pandemic. As a methodological and analytical particularity, it seeks to understand the
reproduction of neoliberal logic by the government of the state of Rio Grande do Sul (RS)
through a thematic analysis of the lives to combat the Covid-19 pandemic, led by the then
Governor Eduardo Leite - EL
(Brazilian Social Democracy Party - PSDB), referring to the
years from 2020 to the end of the first quarter of 2021. As this was a period of health crisis, the
state was at the forefront of a politically and economically tense situation, considered a critical
moment (CM)
(see BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999), providing ample material for
observing and analyzing the nature of the RS government's narratives and policies.
It is worth remembering that the coronavirus pandemic that originated in 2019 evoked
debates about the limits of neoliberalism by questioning, in particular, the capacity of the
country's health system (public and private) and social security, strengthening the controversial
discussion between health and economics, especially regarding the preventive and combat
measures that marked Brazil during the COVID-19 pandemic.
In this way, neoliberalism has been understood in different ways, whether from a
Marxist perspective (ANDERSON, 1995) or from an approach that takes Foucault's thinking
as its starting point, which conceives neoliberalism beyond changes in the economic system,
This article is the result of the dissertation "Colapso Iminente: Uma análise da reprodução da racionalidade
neoliberal no governo do RS frente à Covid-19" (Imminent Collapse: An analysis of the reproduction of neoliberal
rationality in the RS government in the face of Covid-19), carried out at the PPGS - Postgraduate Program in
Sociology at the Federal University of Pelotas (UFPEL): under the guidance of Professor Elaine da Silveira Leite
(CNPq Productivity Fellow), defended on 03/24/2022 with the support of the Capes scholarship.
We stress that the distinction between the words "State" and "state" refers to their conceptual distinction. When
we refer to the State, we are dealing in the sense of the historical organizational category of societies, which we
look at Bourdieu's (2014) concept as explained on pages 4 and 5 of this article. When we use state, we are dealing
with federal units, which, for the most part throughout this work, will refer to the state of Rio Grande do Sul.
Eduardo Leite was born in 1985 in the city of Pelotas, in the interior of Rio Grande do Sul. He began his political
career at a very young age, in 2001, joining the PSDB, the party he is still a member of (2023). Leite has considered
himself a liberal since his entry into institutional politics (FOLHA, 2020). The current governor of the state of Rio
Grande do Sul was a city councillor for the city of Pelotas, a state deputy for the state of Rio Grande do Sul (his
term was interrupted to take over as mayor of Pelotas), mayor of Pelotas and is currently the governor of the state.
Leite's political career has always been associated with youth.
Throughout the article we will use EL as a reference to Eduardo Leite.
"critical moments (moments critiques), which refers at the same time to people's critical activity and the rarity of
a moment of crisis" (BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999, our translation). According to the aforementioned
authors, these moments of crisis are moments of rupture, of realizing that situations, political and social
conjunctures are malfunctioning. At this juncture, social problems become even more apparent, so that individuals
can no longer live with their presence and/or overcome them, causing them to externalize their frustration in
various ways. This is because, from the moment that social problems can be perceived by society, it becomes clear
that social structures are malfunctioning and need to be criticized. The tendency is therefore for malfunctions to
be communicated, shared and externalized among individuals. It is therefore critical from the point of view of the
crisis and its critique.
“Take care”: The managerial domination of Eduardo Leite’s government in face of the pandemic in RS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 4
considering it a new "principle and method of rationalizing the exercise of government"
(FOUCAULT, 2008, p. 142, our translation), among other perspectives that seek to understand
neoliberalism from the bottom up (for example, GAGO, 2016).
For the purposes of this paper, we would stress that neoliberalism is about externalizing
liberal economic rationality to all other spheres of the social world, i.e. the logic of the market
encompasses the other social spheres and requires the state to meet the necessary requirements;
a kind of facilitating agent for the economic order that should govern the social order. In this
sense, Dardot and Laval (2016a) state that
It must therefore be assumed that neoliberal rationality is characterized
precisely by the expansion and strengthening of "market logic" outside the
mercantile sphere. This means that neoliberalism must be characterized by the
transformation of competition into a general form of production activities,
especially those that produce non-market services and even social activities
outside the productive sphere (DARDOT; LAVAL, 2016a, p. 2, our
translation).
These neoliberal government practices materialize a new rationality, which internalizes
neoliberal conception behaviors in subjectivation processes (DARDOT; LAVAL, 2016a, p. 2)
that come to shape reality.
It is worth noting that, as a way of propagating neoliberal thinking, there are think tanks,
which, according to Gros (2008), are institutes that have developed via "networks of articulation
between intellectuals, academics and their publications, journalistic companies, business
organizations and a new type of private research institutes on public policies" (GROS, 2008, p.
3, our translation). Some academic works that were developed throughout the 1990s and 2000s,
such as Gros (2008), Dickel (2010), Cadoná (2012) and Bolzan (2010), demonstrate the peculiar
relationship of neoliberal rationality in Rio Grande do Sul, especially through think tanks and
the prevalence of the market over the public sphere in matters of economic policy
. Thus, Rio
Grande do Sul is marked as the cradle of several liberal/neoliberal institutes in the country.
More specifically in relation to the links between neoliberalism and the pandemic, we
saw that in Brazil, without a universal protocol at the federal level, it was left to the states and
municipalities to manage the health crisis in their own way. According to Lazzarato (2020),
health in the capitalist system, especially in peripheral capitalism, works just in time, with zero
unoccupied beds and no need for storage, stock or preparation to save lives. The economic
This article does not aim to deal with think tanks in order to understand this dynamic - for that, see Soler's
dissertation (2022).
Pedro Schlee SOLER and Elaine da Silveira LEITE
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 5
calculation of health is based on the minimum cost and not on the minimum impact on human
lives; in this way, public health is a source of State biopolitics
(FOUCAULT, 2001), a process
of capital accumulation based on the exploitation of human suffering (MBEMBE, 2018;
SANTOS et al., 2020; ARAÚJO, 2020). This relationship between the corporate way of
thinking and its expansion as a hegemonic rationality is the result of the neoliberal mentality,
which seems to have prevailed in the management of the pandemic, in this case in Rio Grande
do Sul.
To do this, we analyzed the content of the governor's lives published on the official
Facebook/Youtube page of the Rio Grande do Sul state government focused on combating the
pandemic
, which proved to be an important analytical source, considering state informational
capital, which, according to Bourdieu (1993), is a means of power that forms intellectual
structures and constructions, capable of shaping, transforming or maintaining social orders;
Thus, this capital functions merely as a form of information for citizens, but also as a way of
modulating narratives about the pandemic as a process of legitimizing the management of the
government under analysis. This concept of state informational capital draws on Bourdieu's
own definition of the State (2014, p. 33, our translation), in which the state would be "a principle
of production, of legitimate representation of the social world", and furthermore
The State can be defined as a principle of orthodoxy, that is, a hidden principle
that can only be captured in the manifestations of public order, understood
both as physical order and as the opposite of disorder, anarchy, civil war, for
example. A hidden principle perceptible in the manifestations of public order,
understood simultaneously in the physical and symbolic sense [...] I would say
that the State is the name we give to the hidden, invisible principles - to
designate a kind of deus absconditus - of social order, and at the same time of
both physical and symbolic domination as well as physical and symbolic
violence (BOURDIEU, 2014, p. 30-34, our translation).
"Biopolitics: "I understood this to mean the way in which, since the 18th century, an attempt has been made to
rationalize the problems posed to government practice by the phenomena specific to a group of living people
constituted into a population: health, hygiene, birth rates, longevity, races..." (FOUCAULT, 2008, p. 431, our
translation).
We used the content analysis method (BARDIN, 1997) on the lives of Governor EL in order to interpret and
categorize them. To do this, we screened the videos on Governor EL's page according to the four critical moments,
formulated as ideal types (WEBER, 2004): Arrival of the pandemic in the state (March, 2020); Beginning of the
flag policy (May, 2020); End of the year 2020 and preparation for the holidays (December, 2020) and the peak of
the pandemic in RS (March, 2021). We first carried out a thematic analysis and, in order to be able to do this, three
stages were stipulated: "pre-analysis, exploration of the material and treatment of the results obtained" (MENDES,
2018, p. 12, our translation). Thus, the lives analyzed here were: live MC - 16/03/2020; live - MC -
03/04/2020; 3ª live 2º MC - 09/05/2020; 4ª live MC- 08/12/2020; 5ª live - 4° MC - 22/02/2021; and, live
4º MC - 05/03/2021. For a description of the full methodology, see Soler (2022) which led to this article.
“Take care”: The managerial domination of Eduardo Leite’s government in face of the pandemic in RS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023025, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17519 6
In this way, we understand that the lives represent an important part of the State's
attempt at symbolic domination, that is, a way of dominating the "legitimate representation" of
the social order in the face of the pandemic.
Allied to this theoretical assumption, the lives also reveal the moral grammar
(BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1998) mobilized in this management. In this sense, it was
possible to verify the existence of four critical moments, which involved the meanings and
senses of justice - that is, moral repertoires that represent the moral grammar of the EL
government's management during the COVID-19 pandemic.
Thus, we base the construction of moral grammar and critical moments on French
pragmatic sociology. In this way, moral grammar (BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1998) denotes
the cognitive capacity and mechanisms of action and justification shared by the actors in the
production of meanings and senses of justice in the management of the health crisis. In other
words, this grammar revealed by the informational capital of the lives allowed the actors to
coordinate their actions and justifications, outlining the repertoires that make up the moral
grammar that underpins the sense of justice of this management based on the mechanisms of
"managerial domination" (BOLTANSKI, 2013). Therefore, as we have seen, the moral
grammar here corresponds to the repertoires of the four critical moments that exemplify the
order of magnitude of the cité par projects that characterize the connectionist world
(BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009), which reveal the ability of the actors to coordinate and
justify their actions at a time of crisis, which overshadow the civic and common good grammars
(BOLTANSKI; THEVÉNOT, 1998) as a normative reference in the conduct of public
management of the pandemic crisis.
For our investigation, therefore, the period of analysis was divided into four critical
moments (BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) relating to the pandemic in the state of RS,
namely: I) The arrival of the virus (03/2020); II) The implementation of the flag policy
(05/2020); III) The preparation for the 2020 holiday season; and IV) The period in which the
state had several municipalities under black flag (03/2021). We consider these critical moments,
according to Boltanski and Thévenot (1999, p. 359, our translation), to be those moments that
"refer at the same time to people's critical activity and to the rarity of a moment of crisis". These
moments of crisis are moments of rupture, of perception of situations at extraordinary times, or
rather, economic, political and social conjunctures. Thus, we intend to analyze the possible
influence of the neoliberal agenda on the EL management of the fight against the Covid-19
pandemic, based on the lives of the Rio Grande do Sul state government (informational capital).
Pedro Schlee SOLER and Elaine da Silveira LEITE
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The evidence of this research shows that the lives, which make up the analytical body,
evidence the incorporation of principles that sought to emphasize efficiency (no budget waste
for health) and the focus on maintaining economic activities (flag policy), which characterize
mechanisms of "managerial domination" (BOLTANSKI, 2013) in an attempt to contain the
health crisis, as well as the lack of public policies for the population, which reveal how the
common good is permeated by values that shape the individualizing and business ideology.
According to Boltanski (2013, p. 454)
, these moments of crisis "exonerate the ruling
class" and base their orientations on "experts", who, in turn, present us with reality "as it is",
with no possibility of change in any direction other than that proposed by the managers
themselves. In view of this, we can see that the meanings and senses of the repertoires that
emerge from the moral grammar of EL management have been marked by neoliberal rationality
(GROS, 2008; DARDOT; LAVAL, 2016; ANDERSON, 1995).
This article is divided into four chapters, including this introduction. Chapter two gives
a chronological account of the critical moments through the analysis of the lives that make up
the analytical corpus of the research. This is followed by a chapter on the depoliticization
present in the neoliberal discourse regarding the management of the pandemic and, finally, brief
concluding remarks.
TAKE CARE RS
- critical moments and their repertoires
First critical moment
There is no expectation that it will be contained, that we won't have the virus
spreading; the issue is to spread this contagion within the limits of the
capacity of our health infrastructure, to deal with the most serious cases
(LEITE, 2020a, authors’ emphasis, our translation).
The excerpt above refers to the speech by Governor EL that characterizes the first
critical moment. This speech refers to the live broadcast on 16 March 2020, the week of the
first confirmed case of Covid-19 in Rio Grande do Sul. The live was attended by Governor EL,
as well as most of the government's secretaries. In the very third minute of the video, the
governor states that "there is no reason to panic"; that is, the narrative of chaos control,
associated with the emphasis in the excerpt above, points out that, since the beginning of the
Boltanski (2013, p. 454, our translation) states that: "a regime of managerial domination, based on valuing and
exploiting change, moments of panic, of disorganization, of moral helplessness, of save yourself if you can, in
other words, also of frantic individualism, play an important role" (BOLTANSKI, 2013).
"Te cuida RS" was the name of the RS state government's program to raise awareness about the coronavirus.
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pandemic in RS, the state government has acted in a similar way to that described by Lazzarato
(2020) in the just-in-time model, that is, a health system that works with "zero unoccupied
beds". Therefore, he justifies that panic is not necessary because serious cases will not exceed
the number of beds.
Towards the end of this live, EL states once again: "during this period, we will maintain
habits that allow the virus not to spread beyond the capacity of our health system"
(EDUARDO LEITE, 2020a, authors’ emphasis, our translation). Thus, the governor
recommends that the population keep their rooms ventilated, avoid crowds and, in the event of
symptoms, advises everyone to stay at home. During this period, there were no proposals for
effective public and social policies, that is, policies for the common good stemming from a
civic grammar (BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009).
Reconstituting the management of EL through the lives that form the analytical body of
this research, it is worth noting that on 03 April 2020, the governor begins with the report that
there have been 365 confirmed cases in RS and 5 deaths from the coronavirus. The situation
has worsened compared to the previous live; thus, the increase and implementation of several
beds in different cities is announced, in view of the need to expand hospital capacity, especially
in the metropolitan region of Porto Alegre and the north/northeast of RS. At the same time, EL
has shown himself to be sensitive to the economy and small business owners (for example, in
the aforementioned live, the governor tells those included in the Simples
modality that the
payment quota for national taxes will be extended for the next three months).
Afterwards, EL explained that he was going to talk to the then planning secretary of RS,
Leany Lemos, and to the rector at the time of the Federal University of Pelotas (UFPel) and
epidemiologist Pedro Hallal
, who presented the Epicovid-RS research, an unprecedented
epidemiological study on the Covid-19 pandemic in the country. Thus, EL seeks to show the
population that its management is concerned about the economy, as well as being supported by
scientific principles and guided by efficiency in guaranteeing the opening of beds according to
demand (increase in serious cases), giving justification and legitimacy to its actions and
inactions.
National taxation system for micro and medium-sized enterprises.
University professor, former rector of UFPel, physical educator and epidemiologist. He was and is a leading
figure in research involving Covid-19 in Brazil, having even participated in the CPI on the pandemic, carried out
by the Federal Senate in search of possible corruption scandals, omission and default by the public machine in
dealing with the pandemic. Hallal was invited, as an epidemiologist, to give his view of the pandemic in Brazil.
Pedro Schlee SOLER and Elaine da Silveira LEITE
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Critical moment 2
We moved on to the live in which EL launched the controlled distancing program, on
09 May 2020, marking the beginning of the second critical moment. This live was attended by
a large part of the state government's technical team, including, again, planning secretary Leany
Lemos, health secretary Arita Bergman, state attorney general Eduardo Costa, and Pedro Tonon
Zuanazzi, director of the Department of Economics and Statistics (DEE), a body that was
created after the demise of the Economics and Statistics Foundation (FEE).
At this point, we were introduced to the controlled distancing model that would be
adopted in Rio Grande do Sul, which used the logic of flags (yellow, orange, red and black)
to differentiate regions and consequently their policies for dealing with the pandemic, aiming
to contain the advance of the pandemic without wasting the state budget, as well as avoiding
the (total) paralysis of economic activities. In other words, according to the state's website:
"education, commerce, services, industry, transportation and agriculture, among others, will
have restrictions proportional to the level of safety of Covid-19 contagion and the respective
economic impact" (RIO GRANDE DO SUL, 2020a, authors’ emphasis, our translation).
In other words, we can see that the repertoires of moral grammar sought to characterize
a controlled management of the pandemic that allowed economic activities to function, via
regionalization, according to the intensity of the spread of the virus. In this way, the model
controlled by flags was justified in relation to concerns about an economic crisis: "[...] Are we
going to keep everything closed everywhere all the time? We can't, it's not possible, we have to
have a more rational model" (LEITE, 2020b, our translation). This means a just-in-time
management model, in which, in the event of high dissemination and increased bed occupancy,
the aim is to meet population demand, reducing budget waste (with health), but ensuring the
smooth functioning of the economy.
Exemplifying the construction of such a moment, EL, in this live, informs us that he
met with companies such as Brasil Foods S.A. (BRF)
and José Batista Sobrinho (JBS)
to
decide on ways of reopening the slaughterhouses - which were closed because they were
hotbeds of the spread of the virus - since there were no effective means of ensuring that workers
The flags were part of the controlled distancing model generated by the RS state government. Their colors
represented the risk of Covid-19 in certain regions of the state. The flags darkened the higher the risk, i.e. yellow
(low risk), orange (medium risk), red (high risk) and black (critical risk) (RIO GRANDE DO SUL, 2020a).
BRF: one of the largest agro-industrial complexes in the world, resulting from the merger of Perdigão and Sadia
(BRF, 2020).
JBS: Brazilian multinational food company (JBS, 2021). In May 2022, it became the largest food company in
the world, overtaking Nestlé.
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were protected from the virus
. EL went on to say that closing them would involve the sacrifice
of animals, due to health concerns. This focus reinforced the concern about the continuity of
the economic activities of large conglomerates in Rio Grande do Sul; with this, they sought to
reduce the impact of the private sector, reinforced by the justification that they couldn't risk
losing jobs, pointing to the role of Rio Grande do Sul's big business community in making
decisions regarding the management of the pandemic. In this sense, the alliances between the
public authorities and business marked the political direction in promoting the common good,
as we will see in the next chapter.
At this point, EL and his team ratified the need to control deaths and care for lives to
avoid the collapse of the state health system; however, it is interesting to note how the risk of
exposure to the virus was always affirmed as necessary to avoid deepening the economic crisis.
EL states at one point in the live that
it's not an option here between releasing everything to keep the economy
growing, because if we release everything and lose control of the situation and
there will be a large number of contaminated people and deaths, the
pressure to close is going to be great; and then we're going to close with no
prospects, losing control of the situation, and that's bad for everyone. Because
lives will have already been lost and are irrecoverable, and on the other hand
the economy will also be lost (LEITE, 2020b, authors’ emphasis, our
translation).
It is worth noting that the governor himself states that it would be difficult to ensure that
the population uses the mask in public places - a policy endorsed in RS, after more than a month
of the Ministry of Health's official recommendation for its use (MARTINS, 2020); at the same
time, EL asks the population itself to monitor the use of masks just as it already monitors
"smokers in public places"
.
According to news published by G1 RS (2020): "According to the MPT, the measure is maintained until the
company proves "strict and full compliance with the measures set by the Regional Labor Management (GRT)", in
this case referring to the JBS Passo Fundo Poultry slaughterhouse. "The site was already closed between April and
May due to the spread of the coronavirus in the plant. According to the Labor Prosecutor's Office, 287 employees
tested positive for the disease." According to the MPT, at that time, one in four people infected in RS was a
slaughterhouse worker (G1 RS, 2020). There have also been numerous cases of Covid-19 outbreaks in various
meatpacking plants in the state throughout the pandemic. The MPT (2020a; 2020b) even considered that 30% of
the cases in RS came from meatpacking plants. As the judge in the case stated in June: "[...] JBS Aves Ltda. is
acting freely in choosing the measures it deems appropriate to prevent and combat the new Coronavirus, exposing
its employees to inadequate working conditions [...]" (MPT, 2020a, our translation).
The Federal Government has had strong programs and actions against smoking since 1989, which include factors
that help reduce tobacco consumption in public places, such as: "Reducing the social acceptance of smoking;
Reducing stimuli for initiation; Reducing access to tobacco products; Protecting against the risks of passive
smoking; Reducing social barriers that hinder smoking cessation; [...]" (CAVALCANTE, 2005, our translation).
This process took years of re-education through various means, which did not work simply by asking people
without material means to educate themselves and protect themselves.
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At this point, it is worth noting that the flags policy adopted was built on different
motivations. Apparently, an attempt was made to mitigate contagion with the least possible
economic "losses"
, according to Pedro Hallal, who already stated that he "was critical of the
model from the first moment" (RUSCHEL, 2021, our translation).
It is worth noting that Pedro Tonon Zuanazzi, director of the DEE, was present at the
time, providing technical support on economic issues relating to the state government's action
plans. The director did not take part in the press conference and made specific comments mainly
related to logistics and the dynamics of the flags, commenting on issues related to the number
of beds available and deaths in some cities in RS.
This shows the importance of "technical", "scientific" and "rational" knowledge in the
repertoires of EL. However, this moral grammar overshadows the lack of planning to meet
social demands, such as hunger, the need to buy supplies and Personal Protective Equipment
(PPE) to meet the increase in occupied beds (even if on demand). In this way, the logic focused
on economic liberation prevailed, mediated by calculation in health, placing the individual
actions of the population as the guarantor of the common good (BOLTANSKI; CHIAPELLO,
2009), guided by meanings that emphasize trust in individual and private initiative rather than
in the actions of the State. The second critical moment ended with 407,000 confirmed cases
(CORONAVÍRUS - RS, 2022) and 7,235 deaths (CSSEGISANDDATA, 2022) in RS.
Critical moment 3
The live on 8 December 2020, which marks the third critical moment, began with the
announcement of the meeting between the forum of Brazilian governors and the then Minister
of Health, Eduardo Pazuello. EL, accompanied by health secretary Arita Bergmann, did not
mince words in praising the partnership with the federal government in fighting the pandemic:
it's important to make it clear here first of all, I made this point at the meeting
and I'll make it again here publicly: there was no lack of support from the
Ministry of Health for the government of the state of Rio Grande do Sul, as
well as for the other states. [...] Different political positions, ideologies and
different ideas and understandings about distancing, we're not going to
polemicize here, but from the point of view of technical support, resource
support and support in materials and equipment, the partnership with the
Ministry of Health has been effective and has been very successful in
"Losses", in quotation marks, because the notion of economic loss applied by EL management constantly
referred to economic logic only as a machine that could not stop; if it stopped, there would be significant losses,
in other words, different economic forms of state action that could mitigate possible losses, reallocate forms of
production, protect workers effectively or guarantee state support of a greater magnitude were not considered
(SOLER, 2022).
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supporting the state, the states and also the municipalities (LEITE, 2020c, our
translation).
EL then laments the politicization of the vaccination issue and says that it is a situation
that should be analyzed from a "technical and non-political" point of view. Here, we can see
the characteristics of neoliberal rationality referred to by Brown (2020), such as an attempt to
depoliticize politics itself, what the author calls "post-ideological" statements (authors’
emphasis), in other words, a stage in technocracy
of dismissing any moral and political order
other than that established as technical, neutral and pure in neoliberal rationality. An order that,
as a rule, is also averse to the democratic State and the common good, since it is originated and
oriented in the individualizing, depoliticizing and market-disciplined sense, according to Brown
(2020).
At the end of the live, the governor once again stressed the need for the population to
protect itself and drew attention to the "Take Care" program. EL reaffirms that hospitals in RS
have more than doubled the capacity of SUS ICUs, but states that they are at 80% occupancy,
and in the private network, almost 100%, so the system was almost collapsing. Thus, the same
strategy was followed to combat the pandemic, reinforcing the "request" to the population to
take responsibility for caring for and controlling the spread of the virus.
"Take Care", according to managerial domination (BOLTANSKI, 2013), refers to
combating the crisis as an intangible situation, reinforcing the idea that the ruler can do little in
terms of the common good. In reality, the governor repeatedly asks for the population's
contribution to taking care of themselves, especially with the arrival of the end-of-year
festivities:
the state government is undertaking a series of measures, in all areas, to ensure
the safety of holidaymakers. We need you to buy into this idea and take the
necessary precautions to prevent the spread of the virus and to get through this
summer with the minimum of complications: wear a mask, wash your hands,
keep your physical distance (RIO GRANDE DO SUL, 2020b, our translation).
In this sense, moral grammar points to the use of political strategies to sensitize
actors/citizens at the individual level about the health and economic crisis. Here, it is worth
emphasizing that we are not exempting the population from responsibility for their conduct, but
seeking to draw attention to the relationship between responsibility for individual conduct and,
in a way, the overshadowing of the public issue (civic grammar) and/or the inaction of the state
In EL's own speech, which we are discussing in the aforementioned paragraph, the governor states that we
should value "technique and not politics".
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government. This critical moment ends on 21 February 2021
, with a total of 11,771 deaths
(CSSEGISANDDATA, 2022) and 677,156 confirmed cases (SECRETARIA DA SAÚDE DO
RIO GRANDE DO SUL, 2022) in Rio Grande do Sul.
Critical moment 4
Marking the fourth critical moment, the live on 22 February 2021 recorded the peak of
the pandemic in Rio Grande do Sul. EL affirms the seriousness of the moment, reinforcing that
the health system is on the verge of collapse. The ICU occupancy rate in the state was 86%, the
highest level since the beginning of the pandemic, and the curve continued to rise, as stated by
health secretary Arita Bergmann:
it is very important that the population understands that this is not about the
government alone solving the issue of the pandemic, because everything
within the government's reach is being done in terms of structuring health, but
its structuring is absolutely insufficient if there is no collaboration on the part
of everyone so that the virus circulates less and until there is large-scale
immunization of the population [...] (LEITE, 2021a, our translation).
The governor says that he took part in a meeting with the mayors of RS, and that he was
asked about the possibility of returning to the model of controlled distancing
ordered by the
state, since controlled distancing had undergone changes that allowed greater autonomy for the
mayors, and it was not necessary to follow state regulations. Despite the calamity, EL says that
he is governor, but that the choices of the population in the municipalities must be taken into
account, and that it is important for the mayors to be involved. In this way, the majority of
municipalities opted to maintain co-management, in other words, they opted for the
municipal/local decision to define the protocols; thus, the state government's decision was once
again an "appeal" to the municipalities to adopt the necessary measures.
At that point, the situation was already collapsing, but, according to the health secretary:
The case data is from 20 February 2021, as 21 February 2021 is not available on the platform used.
The flags program had begun in a way in which the flags defined by the state government corresponded to
obligations involving health issues determined by decree, which had to be fulfilled by the municipalities. As the
pandemic wore on, the state government acceded to the demands of the municipalities and made the classification
of flags just a suggestion to the municipalities, which had already been appealing against the decree in the courts.
What was an obligation became a negotiation, and then a suggestion. This moment of suggestion was called "co-
management". Therefore, in the live of 22 February 2021, EL suggests that the delimitation of the rules via the
flags stipulated by the state government should return. However, he only suggests such a change, even on the verge
of the collapse of the state health system. Hallal et al. (2021, p. 1548, our translation) put it this way: "The pressure
from entrepreneurs and the federal government to reopen the economy; [...] The government began to release the
appeal of cities against the colors determined by the model for their region as some of the reasons why the positive
points of the fight against the pandemic at the beginning of the crisis were lost in the course of 2020".
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"You can't lose hope, the citizen is also the inspector". EL also ratifies this comment: "Arita's
statement is very important here, it brings some of what we have seen from the hospitals, reports
of a dramatic situation, reports of imminent chaos, imminent collapse" (LEITE, 2021a,
authors’ emphasis, our translation).
The 05 March 2021 live was made in the context of information about waiting lists of
25 people for each ICU bed, i.e. the height of the pandemic, the most critical period in the state.
The just-in-time model collapsed and economic activities went on, to a certain extent, as normal
under the co-management of the regions and their municipalities, without the proper support
and determination of more effective control policies on the part of the State. Although EL
claims that
by 14 of February, 0.72 free for each occupied bed. On 14 of February, there
were 628 free beds in the state, which means that we could not understand that
there was a greater risk there, as has now been observed, and that there is this
situation of beds being exhausted (LEITE, 2021b, our translation).
We should point out that 21 February 2021 was the peak of the pandemic in Rio Grande
do Sul, both in terms of the growth in the number of beds used daily (new people being
hospitalized) and the number of total beds used (all people hospitalized) (LEITE, 2021b).
However, in the live broadcast held the following day (22), the governor made no explicit
reference to this situation, i.e. there were no alarms about the worst moment of the pandemic,
and thus the imminent collapse.
Finally, the governor reaffirms that ICU beds have been doubled since the beginning of
the pandemic, but there was no way to increase the number of ICUs according to the speed of
the pandemic curve. He states that the resources coming from the federal government are much
smaller than those claimed by then-president Jair Bolsonaro, and says: "No country in the world
has solved the coronavirus just by expanding the hospital structure because it is absolutely
limited [...] the expansion that has been done here, and that we are working to continue doing,
does not sustain the level of increase" (LEITE, 2021b, our translation). The live ends on a
melancholy note and with a request for the population "not to crowd in". To stay at home -
"Take care RS". He also states that the number of deaths/hospitalizations will rise in the coming
days.
In this way, it can be seen that, during a year of the pandemic in the country at the
federal level and, in the case of RS, at the height of the crisis (with vaccination already
underway, but at a slow pace), the moral grammar continued - "Take care of yourself" -,
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characterizing the crisis as an external factor about which little can be done by the public
authorities, leaving the (unassisted) population to control the health and economic crises -
marking a depoliticized management, but justified as efficient, without wasting public
resources, conducted by the just-in-time logic, rationalized (flag policy and co-management),
using short-term and emergency assistance policies and low capillarity.
Thus, the peak of the pandemic is the final stage of the four critical moments of the
analysis, accounting for 27,286 deaths (CSSEGISANDDATA, 2022) and 1,163,314 cases in
RS (SECRETARIA DA SAÚDE DO RIO GRANDE DO SUL, 2022).
Moral grammar: the crisis as depoliticization of the pandemic
The proposal to select the lives that characterize the critical moments of this study takes
us back to Weber (2004), being the "ideal type" of methodological resource for analysis to
present the management of the RS government, allowing us to define an analytical corpus to
understand the moral grammar that composed the repertoires of the pandemic. Thus, the lives
reduced to critical moments revealed the State's informational capital (see BOURDIEU, 1993),
reproducing, multiplying, modifying and producing rationalities.
The moral grammar of EL management has revealed the logic of the just-in-time model
in the management of the pandemic, when it comes to health: beds are guaranteed on demand,
i.e. hospital capacity is determined based on the demand for new infected people. In this way,
it is calculated in an effective way - "spending" only what is necessary, thus calculating a certain
"acceptable" or "expected" amount of sick people and even deaths.
This management format also came into force in the policy of distancing controlled by
the flags, which characterizes the second critical moment. During this period, the importance
of the positions of the economic elite, i.e. the business community of Rio Grande do Sul,
became clear when it came to proposing policies for managing the health crisis. It is worth
noting that the flags policy ended up working in a regionalized way, which "threw"
responsibility and control to the municipalities - a model that was criticized by epidemiologist
Pedro Hallal. This model considered economic calculation as the norm for the State's
(in)actions.
The moral grammar, therefore, reveals that the State managed the pandemic by
calculating dead/infected, assessing the circulation of the virus by considering the economic
needs of each region and having a unilateral debate only with the parties that the State
“Take care”: The managerial domination of Eduardo Leite’s government in face of the pandemic in RS
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considered "technical" and politically neutral.
More specifically, critical moment three, marked by the promotion of the "Te Cuida"
(Take Care) program, which makes individuals explicitly responsible, prioritized dialogue with
the private sector. Thus, it was left to the citizens themselves to "take care of themselves" at a
time of great risk and contagion, such as the end-of-year festivities, which culminated in the
height of the pandemic in the state.
Thus, the critical moment IV consolidated and demonstrated the result of what we
consider neoliberal management of the pandemic - when the health system was collapsing, no
intensive measures were taken to combat it. Somehow, the management of the crisis appealed
to the individual responsibility of the people of Rio Grande do Sul, thus guaranteeing the end-
of-year festivities and, consequently, the collapse of the health system in the first quarter of
2021.
These notes strongly suggest a relationship with neoliberalism, as exposed by Dardot
and Laval (2016a; 2016b) and Foucault (2001; 2008), since the state administration sought to
equate the cost of the pandemic, calculating health so as not to interfere with the smooth
functioning of the economy. It was possible to notice that the moral grammar was based on
scientific debate; however, despite the governor repeatedly referring to science in the material
analyzed, political decisions emerged to the detriment of epidemiology, as we can assume from
Pedro Hallal's statements to Zero Hora (RUSCHEL, 2021) or in his own article referring to
EPICOVID-RS data (HALLAL et al., 2021).
In the case of our research, we concluded that the repertoires that constituted the moral
grammar reinforce that the decisions were made politically and in a way that benefited
economic functionality according to a neoliberal agenda. The expression "Take care" sums up
the RS government's management of the pandemic, a logic that flirts with "save yourself if you
can", which exemplifies what we call a regime of managerial domination (BOLTANSKI,
2013), since the repertoires of critical moments shaped the crisis as an external factor, thus
judging the ills of the pandemic context as a process of individual accountability.
The moral grammar, therefore, is based on a depoliticized management of the pandemic,
appealing to the technical (BROWN, 2020), but backed by repertoires explicitly anchored in
the discourse of efficient management, that is, without wasting public resources, driven by just-
in-time logic (beds/flags/economy), rationalization (flag policy, co-management), as well as the
good intentions of the business sector, which propagated the fear of an economic crisis being
more serious than the health crisis.
Pedro Schlee SOLER and Elaine da Silveira LEITE
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As Brown (2020) warns us, the inequalities arising from the current economic and social
model are inherent to humanity. There's No Alternative (TINA) is used by the same author as
a reflection of the rationality behind neoliberalism - there's nothing that can be done to change
the current situation, just "Take care". Thus, the narrative and political (in)action of EL
management, according to the aforementioned author, does not propose democratic debate, but
rather reinforces market logic as natural and without many alternatives, legitimizing the debate
that the State can do nothing, and that if it does, it could generate an economic crisis
(unemployment, company closures, etc.) that is more serious than the health crisis. Thus, public
and social policies during this period were assistance-based and ad hoc, leaving the population
to survive their own lives - "Take care". That said, this moral grammar is in line with the cité
par projects (BOLTANSKI; CHIAPELLO, 2009) which overshadowed the grammars of civic
order and the promotion of the common good as the normative order of public management.
The critical moments of this study exemplify the logic of managerial domination
(BOLTANSKI, 2013) that supports the legitimacy of the absence of the State in the promotion
of life, in which, in Brazil, we can say that, socio-historically, the accountability of individuals
for their condition is recurrent, concretizing a subjectivity that justifies and legitimizes
neoliberal management in the face of a civic management of the order of the common good.
Brief final considerations
This article sought to present the managerial domination marked by the neoliberal
rationality of EL management, more specifically with regard to combating the pandemic and
Covid-19. Thus, it was possible to understand the construction of the moral grammar, specified
by the critical moments that characterized the meanings and senses of this management, marked
by managerial domination (BOLTANSKI, 2013). The position of the RS government was
analyzed as informational capital (see BOURDIEU, 1993), as a direct tool of biopower, which
acted in a calculating manner, backed by the just-in-time model.
Thus, the critical moments (BOLTANSKI; THÉVENOT, 1999) revealed repertoires
that summarized the (in)actions and justifications that characterized the positions and decisions
adopted by the RS government, pointing to the moral grammar that led EL management during
the pandemic in the state of RS, culminating in the incorporation of principles that sought to
emphasize the efficiency of economic calculation (without budgetary waste for health), the
focus on maintaining economic activities (flag policy), which characterize mechanisms of
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"managerial domination" (BOLTANSKI, 2013) in an attempt to contain the health crisis, as
well as the absence of public policy proposals (common good), and the reinforcement of
individualizing policies to combat the pandemic - "Take care".
Therefore, as we have seen, the moral grammar here corresponds to the order of
magnitude of the cité par projects, which characterizes the connectionist world (BOLTANSKI;
CHIAPELLO, 2009), which, based on the four critical moments, reveals the ability of the actors
in this management to justify their actions at a time of crisis based on magnitudes that
overshadow civic grammar as a normative reference in the conduct of public management of
the health crisis.
In this sense, this grammar, marked by neoliberal rationality (GROS, 2008; DARDOT;
LAVAL, 2016; ANDERSON, 1995) constituted the normative order that characterized the
management of EL in the pandemic, which gave meanings and senses to the government's
technical measures, thus depoliticizing the pandemic (BROWN, 2020).
Given the lack of effective public policies, both at federal and state level, the pandemic
still leaves a huge number of victims in 2022, emphasizing that the majority of those susceptible
to exposure and death were (and are) groups with greater social and economic fragility. Little
has been debated as a public issue (common good) about the human, labor, psychological and
income consequences for the population - science seemed not to be called upon in this regard.
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: PPGSociologia of the Federal University of Pelotas and Capes.
Financing: Capes scholarship
Conflict of Interest: No.
Ethical approval: Yes, the work followed research ethics, but did not go through a specific
ethics committee.
Availability of data and material: Yes, they are available because they are the fruit of the
master's thesis of the second author, Pedro Schlee Soler, available at:
https://wp.ufpel.edu.br/ppgs/files/2022/05/Dissertacao-Final-Pedro-Soler-PPGS.pdf.
Authors contributions: This article is the result of second author Pedro Schlee Soler's
master's thesis, defended at the Federal University of Pelotas' Sociology Postgraduate
Program in 2022. He conducted the research under the guidance of Prof. Elaine Leite, who
supervised the research and adapted it to article format, which is the result of the general
research project: "Ressignificando a economia: produção, consumo e mercados locais"
(Ressignifying the economy: production, consumption and local markets), developed within
the scope of the Federal University of Pelotas' Sociology Postgraduate Program.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.