Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 1
A DIFÍCIL HERANÇA: DISPOSIÇÕES E TRAJETÓRIAS SOCIAIS DE DUAS
FAMÍLIAS DA CIDADE DE JULIACA NO PERU
LA DIFÍCIL HERENCIA: DISPOSICIONES Y TRAYECTORIAS SOCIALES EN DOS
FAMILIAS DE LA CIUDAD DE JULIACA-PERÚ
DIFFICULT HERITAGE: DISPOSITIONS AND SOCIAL TRAJECTORIES IN TWO
FAMILIES FROM JULIACA (PERU)
Francisco Euler Otazu CONZA1
e-mail: eulerfrancisco36@gmail.com
Como referenciar este artigo:
CONZA, F. E. O. A difícil herança: Disposições e trajetórias sociais
de duas famílias da cidade de Juliaca no Peru. Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-
4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757
| Submetido em: 07/02/2023
| Revisões requeridas em: 11/09/2023
| Aprovado em: 25/10/2023
| Publicado em: 30/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas Rio Grande do Sul (RS) Brasil. Professor adjunto da
Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nacional de Altiplano-Puno (UNAP). Mestre em Sociologia
(UFPel).
A difícil herança: Disposições e trajetórias sociais de duas famílias da cidade de Juliaca no Peru
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 2
RESUMO: O presente artigo é o estudo de duas famílias em relação a suas trajetórias e
disposições na cidade de Juliaca no Peru. As famílias são observadas a partir da perspectiva do
ator plural de Bernard Lahire, especificamente, centra-se no descobrimento da transferência, ou
não, do trabalho informal dos pais aos filhos. A metodologia usada é de cunho qualitativo,
contou com a participação de dois integrantes por cada família: chefa de família e filha ou filho.
Nesse sentido, entre 2021 e 2022, realizou-se entrevistas em profundidade com dois e três
membros de cada família. O principal resultado deste trabalho costa que a reprodução do
trabalho informal não é reproduzida pelos filhos, pois observam-se configurações familiares
heterogêneas com disposições comerciais e profissionais das famílias estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Trabalho informal. Configurações familiares. Disposições. Peru.
RESUMEN: Este articulo aborda el estudio de dos familias en relación con sus trayectorias y
disposiciones en la ciudad de Juliaca, Perú. Las familias son observadas a partir de la
perspectiva del actor plural, de Bernard Lahire, de forma específica, se ha centrado en el
descubrimiento de la transferencia o no transferencia del trabajo informal de los padres hacia
los hijos. La metodología utilizada ha sido de corte cualitativo, contando con la participación
de dos integrantes por cada familia: jefa de familia e hijo(a), para ello, se ha realizado
entrevistas a profundidad entre tres y dos por cada miembro familiar a mediados del 2021 y
parte del 2022. El principal indicio muestra que la reproducción del trabajo informal no es
reproducida por los hijos, se observan configuraciones familiares heterogéneas con
disposiciones comerciales y profesionales en las familias estudiadas.
PALABRAS CLAVE: Trabajo informal. Configuraciones familiares. Disposiciones. Perú.
ABSTRACT: This article aims to study two families in relation to their trajectories and
dispositions in the Peruvian city of Juliaca. Both families are observed from Bernard Lahire’s
perspective of plural actor. Lahire, specifically, has focused on the discovery of parents
transferring (or not) of informal work to children. Qualitative methodology was applied and
two members of each family were considered: head of household and son/daughter. Since mid-
year 2021 until year 2022, in-depth interviews (2 or 3) were applied to each family member.
The main hint shows that informal work is not reproduced by children. In both families,
heterogeneous configurations (with commercial and professional settings) can be observed.
KEYWORDS: Informal labor. Family settings. Dispositions. Peru.
Francisco Euler Otazu CONZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
O trabalho informal continua a ser uma questão polêmica. Ele se originou na década de
1980 na América Latina e vem se aprofundando desde a década de 1990. No Peru, dois
estágios marcantes de informalidade. Por um lado, os primeiros estudos sobre a informalidade
começaram na década de 1980 (MANKY, 2017). Nesse contexto, o trabalho informal seria
interpretado como produto da estrutura social, destacando-se três visões: a econômica (DE
SOTO, 2009), a antropológica (MATOS MAR, 1984; 2012) e a sociológica (QUIJANO, 1980;
1998). Essas perspectivas concentram sua análise na migração interna de áreas rurais para áreas
urbanas.
Por outro lado, com as reformas trabalhistas estabelecidas pelo governo de Alberto
Fujimori (1990-2000). O foco da análise passou a ser os atores. Nesse contexto, a migração
estava em sua terceira onda. São os novos Limeños (filhos de origem provincial) que iniciam
seus próprios negócios, movendo-se sob duas estratégias: tradicional e moderna no espaço
urbano (CATACORA, 2013). Um estudo que se destaca é a contribuição dos antropólogos
Jürgen Golte e Adans Valdivia (2019): los caballos de troya de los invasores: estrategias
campesinas en la conquista de la gran Lima (Os cavalos de Troia dos invasores: estratégias
camponesas na conquista da Grande Lima). Ambos os antropólogos se concentram em
migrantes de diferentes origens geográficas que se estabeleceram na cidade de Lima: migrantes
de Lima, migrantes das terras altas do sul, migrantes das terras altas do norte e migrantes do
litoral. Eles são, em sua maioria, proprietários de pequenas empresas.
A maioria das pesquisas sobre a informalidade no Peru tem adotado uma abordagem
fragmentada. Por um lado, os primeiros estudos os identificam como grupos homogêneos que
são um produto da estrutura social, ou seja, uma visão macro-social. Por outro lado, com as
reformas trabalhistas, eles se concentram nos atores sociais: os trabalhadores informais são
agentes de seu próprio desenvolvimento, por exemplo, no caso dos grupos empresariais de
Unicachi e Gamarra - centros comerciais de migrantes do sul do Peru - longe de formar uma
massa homogênea dentro do corpo da informalidade, eles decidem se agrupar por meio de
diferentes redes de associação: afetiva, econômica, social e cultural (CATACORA, 2013;
ROJAS, 2014; 2021), embora essas pesquisas observem a informalidade em diferentes estágios;
em uma extensão limitada, elas foram abordadas a partir de indivíduos. O objetivo deste artigo
foi descobrir quais disposições são mobilizadas ou suspensas na família e que tipo de
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configurações familiares ela adquiriu na cidade de Juliaca
, no Peru. Estamos interessados em
descobrir se as mulheres chefes de família (mães) transmitem a seus filhos o trabalho que
realizam: vender. Para isso, a perspectiva sociológica do ator plural de Bernard Lahire orientou
esta pesquisa.
O estudo das disposições baseadas em dois grupos familiares em um espaço social com
uma tradição informal é complexo e requer uma análise mais aprofundada. Usando entrevistas
em profundidade com dois grupos familiares, o foco foi nas trajetórias sociais e biográficas dos
participantes. As trajetórias dos chefes de família e de seus filhos foram então cruzadas para
verificar a transferência ou não de disposições entre as duas famílias. As informações foram
obtidas de 04 participantes, com duas a três entrevistas por entrevistado. Da mesma forma,
foram elaborados dois roteiros de entrevistas não estruturadas: família e crianças. O desenho da
amostra foi realizado de forma teórico-intencional, utilizando critérios de exclusão e inclusão.
No caso dos critérios de exclusão, consideramos os participantes que eram mais jovens, tinham
menos experiência em vendas e não trabalhavam no mercado de alimentos de Santa Bárbara
.
Critérios de inclusão em relação às mulheres chefes de família: idade considerável atingida, ou
seja, idosas, categoria diferente no mercado de alimentos. No caso das crianças, o critério
adotado foi a proximidade geográfica e afetiva que elas têm com as mulheres chefes de família.
O estudo reduzido de famílias e arranjos em um espaço social de trabalho informal é
uma contribuição substancial para a compreensão da informalidade a partir da perspectiva dos
indivíduos. Dessa forma, o artigo está organizado em três seções. Primeiramente, são analisadas
as contribuições da teoria bourdieusiana, destacando a perspectiva plural de Bernard Lahire
associada às disposições, com foco nos ativos individuais dos atores sociais. De forma
complementar, é apresentado o conceito de configurações familiares de Bernard Lahire. Por
fim, as evidências são apresentadas em dois estágios: o desdobramento (perfis sociais,
disposições dos atores sociais, rupturas de disposições, cruzamento de trajetórias sociais) e a
reconstrução (configurações familiares) dos grupos familiares.
A cidade de Juliaca pertence à província de San Roman, localizada no departamento de Puno, Peru.
Os mercados de alimentos são locais onde são vendidos produtos de necessidade básica. Os primeiros mercados
de alimentos no Peru começaram a funcionar em 1950 (INEI, 2017). Neste caso, vamos nos referir ao mercado de
alimentos Santa Barbara: o mais antigo da cidade de Juliaca.
Francisco Euler Otazu CONZA
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A perspectiva sociológica: do habitus às heranças individuais
O habitus representa o princípio ativador das práticas. Elas se referem a um conjunto de
atividades geradoras que se desdobram na relação dialética entre o habitus e a situação. Nessa
relação, o agente realiza um processo de ajuste em um espaço social. Tal noção busca superar
o essencialismo, presente no estruturalismo e no individualismo, orientado para resgatar o
agente como um ser ativo, criativo e inventivo (ORTIZ, 1989), ou seja, uma ação que não deve
ser confundida como "uma reação mecânica, nem o produto de uma determinação direta por
certas causas, nem uma práxis inspirada por um projeto consciente ou um plano racional"
(BOURDIEU, 2019, p. 253-254, tradução nossa), em termos abstratos, o habitus incorpora uma
finalidade sem fim, que questiona o condicionamento.
Da mesma forma, o habitus é um elemento gerador poderoso que foi incorporado no
agente e é objetivado nas formas de andar, ficar em e falar, conforme destacado por Pierre
Bourdieu (1989) nas linhas a seguir:
Um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as
experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de
percepções, apropriações e ações [...] funcionando o tempo todo como
disposições permanentes que evidenciam um processo de internalização e
externalização, mais do que um destino, é uma possibilidade que se expressa
em gestos, maneiras de ficar em pé, andar e falar (BOURDIEU, 1989, p. 65,
tradução nossa).
A partir disso, podemos deduzir que o habitus é um sistema de disposições duradouras,
incorporadas e corporificadas nos agentes como resultado de um processo duplo: internalização
e externalização.
No entanto, as noções de habitus e campo requerem uma revisão crítica e empírica, uma
vez que, à medida que o indivíduo singular é introduzido, a pluralidade começa a emergir. Da
mesma forma, ambos os conceitos são generalizantes e homogeneizadores, e corresponderiam
ao estudo de grandes grupos sociais com casos especiais ou singulares (LAHIRE, 2005; 2001).
Nesse sentido, o sociólogo francês Bernard Lahire propõe uma sociologia em escala individual
ou uma sociologia psicológica, com foco no indivíduo singular. Ele busca o social no indivíduo
singular, entrando no contexto da socialização primária e secundária dos atores sociais.
Nas sociedades contemporâneas, são produzidos atores diferenciados. Isso é verificado
externa e internamente, pois eles passaram por diferentes experiências ao longo de sua trajetória
social. Como resultado, suas ações são diversas e heterogêneas. O autor investiga o social
A difícil herança: Disposições e trajetórias sociais de duas famílias da cidade de Juliaca no Peru
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dentro do indivíduo. Para o autor, a prática social é um produto do passado incorporado e do
contexto atual, produzindo uma prática observável.
A teoria do ator plural
se distancia de duas visões: a singularidade do ator e a
fragmentação interna. Por um lado, a singularidade do ator está relacionada à crítica de Pierre
Bourdieu ao conceito de habitus, que acabaria por compreender as dimensões da prática de
forma unitária. Por exemplo, em seu trabalho A Distinção, a manifestação do gosto dos
indivíduos conforme suas posições na estratificação da sociedade francesa, ele generaliza o
conceito de habitus de classe em um espaço social: ele examina os gostos com um grupo social
e sob uma visão macro-sociológica. Por outro lado, ao investigar cada ator individual, surge
uma realidade menos uniforme e mais simples (LAHIRE, 2001). Por outro lado, a fragmentação
interna está relacionada à proposta de Erving Goffman sobre o self, ou seja, o indivíduo estaria
dividido em diferentes selves. Em uma avaliação, o problema com o conceito de habitus de
Bourdieu foi destacar a singularidade das disposições, enquanto o problema de Goffman foi
enfatizar demais a fragmentação (LAHIRE, 2005). Em tais análises, haveria um tipo de
essencialismo. Da mesma forma, ambas as visões interferem na observação empírica do ator
plural. Portanto, a proposta do ator plural supõe a superação dessas duas formas de
essencialismo (LAHIRE, 2001).
A teoria do ator plural se concentra nos contextos dos atores sociais. Esses contextos,
pelos quais os indivíduos transitaram, são múltiplos, formando uma pluralidade de disposições.
Essas disposições não são coerentes nem homogêneas, mas formam um estoque armazenado
na trajetória do indivíduo, que, em alguns casos, pode ou não ser atualizado. O objetivo de
Bernard Lahire é entrar no passado incorporado e nas experiências de socializações anteriores
para questionar uma articulação homogênea entre o passado e o presente.
A desarticulação entre o passado e o presente dos atores sociais. As teorias de ação que
se concentraram no passado do ator (primeira infância) foram orientadas nesse sentido. Em
contrapartida, outras teorias se concentraram no presente (momento da ação) sem considerar as
ações passadas. Isso levou a duas negligências. Primeiro, aquelas que se concentram no passado
do ator não levam em consideração a ordem da interação, as características singulares e
pragmáticas dos contextos. Segundo, aqueles que abordam o presente do ator, voluntária ou
involuntariamente, não argumentam que toda ação presente depende do passado incorporado
A teoria do ator plural busca entender o indivíduo em toda a sua complexidade, baseando-se na literatura de
Marcel Proust e na sociologia francesa (Émile Durkheim, Maurice Halbwachs e Pierre Bourdieu) (LAHIRE,
2001).
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dos atores (LAHIRE, 2001). Assim, ambas as perspectivas estudam o ator social
separadamente. Portanto, a articulação entre o passado e o presente é heterogênea. Observamos
isso nas microcrises ou desajustes
pelos quais os indivíduos passam no decorrer de sua
trajetória social. Isso também é observado no caso da família.
Configurações de famílias heterogêneas
A transmissão do habitus na família ocorre de forma harmoniosa. Na família, a
constituição do habitus é interpretada como uma estrutura mental que, tendo sido inculcada em
todos os indivíduos socializados de uma determinada maneira, é tanto individual quanto
coletiva (BOURDIEU, 1996). Ele também é orientado para sustentar uma ordem social, ou seja,
a reprodução, não apenas biológica, mas também social, que está relacionada à estrutura de um
espaço de relações sociais. Portanto, a família, na visão de Bourdieu, é um lugar por excelência
"de acumulação do capital e de suas diferentes espécies e de sua transmissão entre gerações:
ela salvaguarda sua unidade pela e para a transmissão, para poder transmitir, e porque ela é
tanto que transmite" [...]. (BOURDIEU, 1996, p. 131, tradução nossa). Nesse sentido, a família
é uma instituição de reprodução social.
Por outro lado, para Bernard Lahire, a família não é designada como um organismo
coerente, homogêneo e harmonioso, como destacam as visões macrossociológicas do ambiente
familiar. Além disso, não é comum encontrar configurações familiares uniformemente
homogêneas, cultural e moralmente, como enfatiza o autor.
[…] poucos casos-modelo que nos permitiriam falar de um habitus
familiar coerente, produzindo disposições gerais inteiramente orientadas nas
mesmas direções. Muitas crianças vivem em um espaço de socialização
familiar com demandas variáveis e características variadas, em que exemplos
e contraexemplos caminham lado a lado (um pai analfabeto e uma irmã na
universidade, irmãos e irmãs que "têm sucesso" na escola e outros que
fracassam, e assim por diante), um espaço familiar em que princípios
contraditórios de socialização se cruzam […] (LAHIRE, 2001, p. 45-46,
tradução nossa).
Da mesma forma, a dissonância na família
, proposta por Lahire, pode ser vista ao
destacar a pluralidade de experiências dos atores. Nesse caso, a família aparece como a matriz
Os desejos dos atores e as situações reais nem sempre são coerentes. Nessa articulação, podem ser observadas
pequenas e médias crises: divórcios, crises familiares, etc. (LAHIRE, 2001).
Outro estudo sobre família e escola pode ser encontrado em seu livro Sucesso escolar nos meios populares: as
razões do improvável, publicado em 2004.
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para a formação das disposições mentais e do comportamento das crianças, onde elas aprendem,
mas também é onde o sofrimento e todos os males estão presentes. Por exemplo, no caso da
escrita, são visualizadas as diferenças na conformação dessa matriz de socialização.
Crianças que incorporam as funções, representações e certos efeitos
cognitivos e organizacionais específicos da escrita por meio de impregnação
indireta e difusa, ou seja, por meio de todo um ambiente familiar e não por
meio de atos diretos de escrita e leitura (solicitados ou explicados, realizados
como colaborador, observados e imitados) (LAHIRE, 2011, p. 18, tradução
nossa).
O universo familiar é orientado como pedagogicamente instigante, a escola encena esse
universo. Por outro lado, crianças que não foram familiarizadas com a escrita e a leitura: a
escola incorpora um novo universo. No nosso caso, observaremos a heterogeneidade das
disposições familiares nos setores informais, como veremos a seguir.
Perfis sociais e as trajetórias dos indivíduos
Os perfis sociais que serão apresentados a seguir foram reconstruídos a partir das
entrevistas. Assim, apresentamos quatro perfis sociais na seguinte ordem: Marta e Juan (filho),
Eva e Judit (filha)
. A análise também foi dividida em dois grupos: família A (Marta e Juan) e
família B (Eva e Judit). Isso foi feito para analisar e expor as configurações familiares.
Marta: comércio e profissão
Marta vende na seção de peixes. Ela trabalha no mercado há mais de 15 anos e sua mãe
também vendia na mesma barraca que ela ocupa agora. Marta enfatiza que sua mãe não permitia
que os filhos viessem ao mercado, eles vinham para ajudá-la de maneiras específicas: abrir
a banca, levar o almoço e fechar a banca. Marta concluiu duas profissões na universidade:
serviço social e psicologia, mas ambas não foram seguidas. O trabalho de Marta começa cedo:
ela se levanta às cinco horas da manhã para chegar ao mercado às seis horas da manhã e abrir
sua banca. Ela vende no mercado por três dias e depois vai para a cidade de Arequipa: vende e
compra mercadorias para trazer de volta à cidade de Juliaca. A maioria dos filhos de Marta
mora na cidade de Arequipa, com exceção de Juan (o filho mais velho), que mora na cidade de
Juliaca para trabalhar. Ela tem quatro filhos: três meninos e uma menina: o mais velho tem 46
anos, o seguinte tem 39 anos, o outro tem 38 anos e a filha mais nova tem 36 anos. Cada um de
Los nombres utilizados son ficticios. Ello con la finalidad de resguardar la identidad de los participantes.
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seus filhos tem ensino superior: um é administrador de empresas, outro é técnico do SENATI
(Serviço Nacional de Treinamento Técnico), o terceiro é professor de educação infantil e o
último é técnico em redes de computadores. A maioria de seus filhos, exceto o mais velho, está
trabalhando em suas profissões.
Juan: música e profissão
Juan esteve envolvido em uma variedade de atividades profissionais. Entre elas,
pudemos identificar: música, vendas no setor editorial e empreendedorismo. Ele também
estudou administração de empresas, mas não concluiu seus estudos: ele o utiliza como uma
ferramenta de trabalho para suas atividades, especialmente no setor editorial. Das três
atividades, a atividade musical adquire notoriedade em sua carreira. Essa atividade foi
influenciada por seu pai e avô paterno. Ele cresceu longe da atividade comercial, pois sua mãe,
assim como sua avó, não permitia que os filhos se dedicassem ou se relacionassem com a
atividade comercial.
Eva: comércio e a segunda residência
Eva trabalha no mundo do comércio desde muito jovem. Ela migrou para a cidade de
Juliaca quando tinha 16 anos de idade. Seus pais são de origem camponesa, dedicavam-se à
agricultura e à criação de gado. Ela começou a vender carne de cordeiro na feira rural da cidade
de Juliaca, que hoje é o centro comercial 1 (um espaço dedicado à venda de diferentes
produtos de primeira e segunda necessidade). Ela não ficou por muito tempo, pois eles foram
transferidos para o mercado de alimentos de Santa Bárbara. Ela permaneceria lá por mais de 15
anos, trabalhando na seção de carnes do mercado. No entanto, em um período de crise: o baixo
consumo de carne de cordeiro e o crescimento dos vendedores de cordeiro fizeram com que ela
saísse. Nesse contexto, sua barraca foi transferida para outro vendedor
. Daquele momento em
diante, Eva não voltou mais ao mercado. Atualmente, ela vive com sua filha mais nova (Judit),
que também compartilhou a mesma biografia no mercado.
A transferência de uma barraca no mercado de alimentos é quando é disponibilizada para outro vendedor.
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Judit: comércio e profissão
A mais nova de três irmãos, Judit cresceu no mundo do comércio desde muito cedo. Ela
vendia junto com a mãe no mercado, passando a infância e parte da adolescência no mercado.
Ela enfatiza que o mercado era sua vida, no entanto, como apontamos, a crise pela qual a mãe
passou também afetou a trajetória da filha; nesse caso, a mãe deixou o mercado e a filha se
tornou professora. Em seus primeiros dias como estudante, ela ainda tinha a ideia de continuar
no mundo do comércio e, ao mesmo tempo, estudar, mas seus estudos pedagógicos
não
permitiram que ela permanecesse em ambas as atividades e, assim, ela se dedicou
completamente aos estudos. Atualmente, Judit é professora de escola primária e trabalha no
interior da cidade de Juliaca. Ela mora com a mãe, a filha e o marido, que também é professor.
Disposições familiares e patrimônios individuais: a herança difícil
Como observamos (nos perfis sociais descritos), no caso de Eva e Judit, destaca-se o
universo comercial, especificamente, a venda de carne de cordeiro no mercado de Santa
Bárbara. No entanto, ambas abandonaram essa atividade por quase dez anos e, em uma
reconstrução da família A, sustentamos que há duas biografias familiares marcadas em ambas
as trajetórias: o trabalho no mercado e o rompimento com o universo comercial.
Família A: arranjos rurais, comerciais e profissionais
A formação do mundo do comércio. O comércio é uma das atividades que se expande
na cidade de Juliaca de forma generalizada. Nesse caso, Eva havia migrado para a cidade de
Juliaca para começar a vender carne de cordeiro. Vale a pena observar que Eva não começou
no mercado de Santa Bárbara, mas sim no mercado dos fazendeiros da cidade de Juliaca, como
ela ressalta: "Sim, antes... antes... não havia um, mas também começamos a vender no mercado
pequeno
. Esse foi o primeiro mercado e, de lá, viemos para cá, para Santa Bárbara. No
mercado antigo, que ficava no centro comercial, [...] era pampa
, eles vendiam de tudo lá;
era como um Qhatu [palavra etimológica quéchua que significa feira ou mercado ao ar livre]
[...](tradução nossa). Como Eva indica, ela começou a vender carne de cordeiro em uma
barraca não fixa, ou seja, vendia na rua. Assim, a maioria dos primeiros vendedores que se
estabeleceram no mercado de Santa Bárbara veio do Centro Comercial N°1 da cidade de
Os estudos pedagógicos são obrigatórios para lecionar no setor educacional.
Mercado ao ar livre que mais tarde seria transferido para o mercado de Santa Barbara.
Etimologicamente, vem do Quéchua, que significa um espaço plano ou planície. Deve-se observar que Eva usa
a palavra Quéchua na maioria das entrevistas, pois é sua língua materna.
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Juliaca. Foi lá, de acordo com Eva, que ocorreu a primeira relação social com o universo do
comércio.
No caso de Eva, as disposições rurais são formadas na primeira socialização,
relacionadas às atividades agrícolas e pecuárias, embora em pequena escala e para
autoconsumo. A transição do mundo rural para o urbano não é um processo de ruptura, mas de
complementaridade. O conhecimento adquirido no mundo rural: o desenvolvimento de
atividades agrícolas e de criação de animais incorpora uma disposição rural que é mobilizada
no espaço urbano.
Na cidade de Juliaca, Eva transita entre dois espaços sociais: o mercado e sua casa. Ela
menciona que o mercado simboliza sua segunda casa
, já que na maior parte do tempo ela está
em sua banca. Assim, seu horário de trabalho começou das cinco da manhã às seis da noite,
mesmo nos fins de semana.
Para ir ao mercado vender, eu me levantava às 5h da manhã e ficava no
mercado até as 6h da tarde, claro, voltava para casa para almoçar: todos os
dias eu ia ao mercado para vender. Mas às vezes havia limpeza [dentro do
mercado] e no domingo eu não saía. Nesse dia, eu limpava minha casa e ia ao
mercado fazer compras para cozinhar; às vezes eu pegava cabeças
e as
descascava para vender (Eva, Juliaca, tradução nossa).
Como pode ser visto, Eva passa a maior parte do tempo no mercado. Isso mostra a
formação de "disposições comerciais" durante sua juventude (segunda socialização), que são
traduzidas em vendas e clientes. Nesse contexto, de seus três filhos, apenas a filha mais nova
(Judit) se socializa no mundo do comércio. Seus outros filhos optam por outras atividades.
Dessa forma, as trajetórias da filha e da mãe estão entrelaçadas com o mercado.
A mãe enfatiza o papel da filha no mundo do comércio. Isso se reflete no estreito
relacionamento emocional e profissional entre as duas. Como ela enfatiza nas linhas a seguir:
[…] Minha filha também trabalhou o tempo todo, ela costumava se vender e
ir à escola
. Ela era muito trabalhadora, acordava muito cedo: às 6h já estava
vendendo. Ela aglomerava as pessoas, enquanto eu preparava o café da manhã.
Ela voltava dizendo: -Mamãe, vendi! -. Ela me dava cada centavo do que
vendia, às vezes ficava no mercado, eu lhe dizia: -Vá vender, vou ficar um
pouco para lavar roupas e fazer coisas-. Ela também é açougueira [risos] (Eva,
Juliacam, tradução nossa).
Isso poderia ser exemplificado como uma "instituição total", nas palavras do sociólogo canadense Erving
Goffman.
Nesse caso, a expressão "pegar cabeças" está relacionada à coleta de mercadorias, nesse caso, a cabeça de
cordeiro que é usada para preparar um ensopado.
O sistema educacional peruano é dividido em dois: educação básica (pré-escola, escola primária e escola
secundária) e educação superior.
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A mãe afirma que sua filha está envolvida no mundo do comércio desde os sete anos de
idade. Em relação a seus outros irmãos, a filha mais nova está ligada ao trabalho de vendas.
Nesse contexto, aparece a coerência da transferência dos acordos comerciais para sua filha mais
nova.
Naquela época, a rotina de Judit ocorre em dois espaços sociais: a escola e o mercado.
Esses espaços são formados pelas maneiras de acordar cedo, ir ao mercado, comprar
mercadorias e frequentar a escola ao mesmo tempo:
[…] Todos os dias, eu me levantava às cinco da manhã para comprar
mercadorias em outros mercados, porque vendíamos carne de cordeiro e
miúdos, então eu ia a outros mercados para comprar [mercadorias] por um
preço mais baixo. Eu também estudava na escola primária, então, às sete da
manhã, tinha de voltar para casa para me arrumar, tomar o café da manhã para
ir à escola e, quando saía da escola, que terminava a uma da tarde, voltava ao
mercado para continuar ajudando minha mãe e almoçar lá também. Então, eu
ficava até as cinco ou seis e meia da tarde, quando terminávamos, e íamos para
casa, e isso acontecia todos os dias […] (Judit, Juliaca, tradução nossa).
O hábito de ir ao mercado todos os dias é uma indicação da formação de disposições
comerciais. Isso é concebido na primeira socialização de Judit. É no mercado de alimentos que
as disposições comerciais são estabelecidas. Da mesma forma, a predisposição que está sendo
formada também implica seu sacrifício, nesse caso, reduzir as atividades da primeira
socialização para se dedicar ao trabalho, como Judit expressa da seguinte forma
[…] quase não tive infância: brincando, não, como as outras crianças; passei
meu tempo trabalhando, mas o que aprendi é que rias mães comerciantes
também tinham filhas que também eram minhas contemporâneas, então todas
nós sempre fizemos esse trabalho: estudávamos e trabalhávamos no mercado
[…] (Judit, Juliaca, tradução nossa).
Da mesma forma, Judit enfatiza que a socialização com o mercado não é um caso único;
outras meninas também desempenharam o mesmo papel. Apesar do fato de o comércio ser um
trabalho de adulto. O negócio e a constante interação com outras pessoas agradavam Judit:
“[…] Uma boa experiência é o trabalho no mercado porque eu gostei, no […], […] Eu gostava
de vender carne, portanto, essa situação do comércio de comprar, de vender, no […]” (Judit,
Juliaca, tradução nossa).
O universo do comércio para Judit se traduz em ganho de dinheiro e acumulação. Da
mesma forma, a venda não era uma atividade imposta: “[…] eu gostava de trocar, de ter dinheiro
na mão: de juntar, e eu fazia isso porque gostava e não porque minha e me obrigava, acho
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que minha vida era o mercado […]” (Judit, Juliaca, tradução nossa). A satisfação de estar inter-
relacionado com o mercado e a venda está se tornando uma disposição comercial que se traduz,
seguindo Pierre Bourdieu, em uma estrutura estruturante.
A relação entre o universo do trabalho (o mercado) e o universo escolar continuaria na
segunda socialização: a escola. Na adolescência, a incorporação é total, como aponta Judit:
“[…] na escola, o oposto, era meu trabalho [estar] no mercado, eu estava lá o tempo todo. […]”
(Judit, Juliaca, tradução nossa). Nesse período, o universo do comércio constitui uma
disposição que se traduz em um corpo socializado.
A ruptura biográfica com o universo comercial
A suspensão das provisões comerciais. Surge uma crise na biografia de Judit e de sua
mãe. Depois de terem trabalhado no comércio de carne de cordeiro durante a maior parte de
suas vidas, elas decidem deixar o mercado, seguindo caminhos diferentes. Nesse caso, a decisão
estava ligada à queda na demanda por carne de cordeiro. Momentaneamente, eles decidiram
reativar o negócio, comprando mais mercadorias e adquirindo um empréstimo bancário, mas a
crise persistiria. Portanto, decidiram vender a barraca e abandonar o negócio. Por um lado, a
mãe passa a cozinhar: vende caldo de cabeça de cordeiro
fora da cidade de Juliaca. Por outro
lado, a filha decide se formar como professora.
No caso da filha, os acordos comerciais são substituídos por acordos profissionais.
Deve-se observar que Judit trabalhou no mercado até os 18 anos de idade. Essa mudança está
relacionada ao surgimento de disposições profissionais: estudar para se tornar professora,
conforme reproduzido nas linhas a seguir:
Hum... Eu sempre tive um objetivo: ser profissional. Bom, tirando o fato de
que eu gostava de sustentar a minha mãe no mercado, mas eu tinha que ser
profissional, e eu tive muitas dificuldades para ser profissional, porque, de
repente, se eu tivesse tido mais apoio financeiro dos meus pais, eu teria ido
para outra universidade ou para outro lugar; mas a única opção que eu tinha
era estudar na Escola Pedagógica porque, também, não exigia muita despesa,
né, e como era em Juliaca, eu tinha que estudar, sim ou sim, na Escola
Pedagógica. E, além do fato de eu também gostar um pouco da área de
educação, eu queria seguir uma carreira profissional em direito, né? Mas eu
não tinha essa possibilidade e tive que pensar, né, em ser uma profissional e
decidi estudar (Judit, Juliaca, tradução nossa).
A preparação de um ensopado à base de cabeça de cordeiro é comum nas terras altas do Peru.
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As provisões comerciais são mobilizadas. Judit é profundamente afetada por essa
ruptura:
[…] Quando eu saí do mercado, "fiquei bastante chocada", isso foi quando eu
tinha 18 anos, quando eu estava na escola pedagógica
, porque eu fiz o ensino
superior na escola pedagógica, eu já estava estudando há dois semestres e tive
que sair do mercado. A escola pedagógica não me permitia mais continuar
com o mercado, como é em uma forma escolar: como na escola; então, eu
tinha que ficar o dia todo no mercado ou continuar meus estudos, havia duas
questões que eu tinha que decidir por questões de tempo (Judit, Juliaca).
A disposição profissional é fortalecida por dois fatores: o início de seus estudos em
pedagogia e a saída de sua mãe do setor de vendas. No início, as disposições comerciais e
profissionais estão em conflito. Assim, no início, Judit queria continuar vendendo carne de
cordeiro, mas, com o passar dos semestres, a atividade comercial se tornou um obstáculo, pois
exigia mais de uma pessoa para gerenciá-la. Nesse caso, como a mãe havia deixado o negócio
de venda de carne. Essa separação reforça o abandono do mundo comercial:
[…] Se minha mãe tivesse continuado a vender, eu teria continuado a ajudá-
la à tarde ou aos sábados ou domingos, dependendo do meu tempo, mesmo
quando eu estava estudando, eu ainda vendia carne: janeiro e fevereiro,
durante as férias, mas depois não foi mais possível, porque, como você sabe,
o comércio é para você estar lá todos os dias, e os proprietários dependem de
você estar todos os dias, para que possa vender. Portanto, como vendi em
janeiro, fevereiro, março e abril, e nos outros meses em que estive ausente,
não pude continuar. Por isso, me dediquei aos estudos. Depois dos cinco anos
em que estive na Pedagogia, não voltei mais ao mercado[…] (Judit, Juliaca,
tradução nossa).
Judit ressalta que, enquanto estava na faculdade de pedagogia, tentou continuar com seu
negócio, trabalhando sazonalmente nos meses em que não tinha aulas, mas isso era complicado
pelo tempo que ela levava para sustentar as duas atividades: estudar e trabalhar. Após essa
tentativa, não retornou ao mercado de alimentos de Santa Bárbara.
Portanto, podemos induzir que as configurações da família A são heterogêneas. Isso é
verificado no trânsito por diferentes universos: rural, comercial e profissional. Outra
característica em relação à família A é a suspensão da disposição comercial pela filha e a
ativação da disposição profissional. Essa ruptura com o universo comercial é produzida por
dois fatores: a diminuição das vendas e a crise econômica, modificando a trajetória social de
ambos os membros.
O curso Pedagógico é uma instituição pública de ensino superior para o treinamento de futuros professores, que
envolve cinco anos de estudo.
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Família B: disposições comerciais, profissionais, musicais e empresariais
As disposições profissionais de Marta e Juan são heterogêneas. Essas disposições não
são coerentes: em alguns contextos, elas aparecem claramente e, em outros, são negligenciadas.
Por um lado, a transferência de disposições comerciais é fraca em Marta. Isso é confirmado na
segunda socialização de Marta. Por exemplo, a presença pontual da filha na barraca da mãe.
Isso acontece mais claramente quando ela era estudante do ensino médio, como Marta ressalta:
"[...] depois que eu saía da escola, porque isso fechava às sete horas da noite [mercado de
alimentos], às cinco horas da tarde eu vinha, depois de me trocar, eu ajudava minha mãe, é isso
mesmo, era assim que o tempo passava, depois eu fui estudar na universidade em Arequipa e,
de lá, eu não podia vir [...]" (Marta, Juliaca, tradução nossa).
Deve-se observar que, após a escola, houve uma "pausa" com acordos comerciais.
Nesse contexto, Marta cursou o ensino superior na cidade de Arequipa. Essa ruptura foi
familiar, pois Marta era a única filha que mantinha um relacionamento com o mercado, porque
a mãe de Marta não gostava que seus filhos viessem ao mercado, como ela mesma salientou:
[…] No caso da minha mãe, ela nunca trouxe os filhos, eu vinha para ajudá-
la, ela chegava de manhã cedo e arrumava as coisas na barraca, e eu ia estudar,
depois voltava trazendo o almoço; à tarde, eu voltava para ajudá-la a fechar a
barraca, ela não gostava que a gente brincasse ou corresse (Marta, Juliaca,
tradução nossa).
Nesse caso, a mãe de Marta está fazendo os primeiros contatos com o universo
comercial. Os arranjos comerciais estavam sendo mobilizados. Quando Marta terminou o
ensino médio, ela se mudou para a cidade de Arequipa para estudar duas carreiras profissionais:
serviço social e psicologia; no entanto, Marta continuaria com o negócio de sua mãe anos mais
tarde. Quando perguntamos a Marta qual era o motivo de não seguir sua profissão e continuar
com o negócio de sua mãe. Ela afirmou que foi por dois motivos: laços emocionais e
econômicos para dar continuidade ao negócio da mãe. Deve-se observar que Marta tinha um
relacionamento esporádico com o mercado, ou seja, ela não se estabeleceu como sua mãe.
A maioria dos filhos de Marta trabalha no mundo profissional. Embora ela receba apoio
de seus filhos para as vendas de Natal e Ano Novo, nenhum de seus filhos está diretamente
envolvido no negócio ou nas vendas. Quando perguntada se algum de seus filhos estava
envolvido no negócio, ela claramente nega seu relacionamento com o negócio. Ela nega
claramente o envolvimento de seus filhos no negócio, conforme destaca a seguir:
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Com uma empresa? não, não. Eles têm sua profissão e trabalham nela. Agora,
por exemplo, no Natal eu trago perus e um deles vem e me ajuda. Minha filha
vem às vezes; meu filho está saindo às duas horas da tarde e minha filha está
chegando às seis horas da tarde […] (Marta, Juliaca, tradução nossa).
A mãe declara claramente o rompimento com os acordos comerciais. O relacionamento
dos filhos é de apoio. Assim, de todos os filhos, Juan é mais próximo da mãe do que os outros
irmãos.
Juan é o mais velho dos irmãos e trabalha na cidade de Juliaca. Seu trabalho está
relacionado à venda de livros para uma editora. Ele também treina professores de educação
básica no setor educacional, especificamente no uso de plataformas educacionais, e, ao mesmo
tempo, trabalha no mundo artístico. Os universos pelos quais ele transita são o artístico, o
profissional e o empresarial. No primeiro período de sua vida (infância), Juan se relacionou
com o ambiente artístico. É nesse contexto que sua disposição musical começa a tomar forma.
Isso está enraizado em seu ambiente familiar e tem uma profunda influência sobre Juan, como
ele expressa nas linhas a seguir:
Desde muito cedo, sempre tive uma inclinação para o mundo da música. Na
minha casa sempre havia música, digamos que minha família, por parte de pai,
era muito musical: todo aniversário, toda festa era acompanhada por um violão
e todos cantavam; foi que nasceu minha veia musical, minha mãe e meu
avô também tocavam, e também em Juliaca, onde nasci e cresci até os cinco
anos de idade. A música fazia parte de todos os dias da minha vida, então foi
que nasceu minha inclinão para a música e, obviamente, eu a reforcei
tocando instrumentos e brincando na escola […] (Juan, Juliaca, tradução
nossa).
O pai desempenha um papel central como agente de socialização nas disposições
musicais: "[...] A família do meu pai aqui em Arequipa, vamos dizer assim, é muito crioula e
em todos os aniversários e festas que havia ou situações em que eles se reuniam, os violões
estavam sempre presentes e eles começavam a cantar e tudo mais, né" (Juan, Juliaca, tradução
nossa).
O contexto musical faz parte da família, principalmente o pai, que contribui para a
educação musical de Juan. Isso é complementado pela educação musical que ele receberia em
duas escolas de música ao longo de sua vida. A educação musical de Juan foi incentivada por
seu pai, como ele mesmo destaca: “[…] meu pai me apoia em minhas inclinações [musicais] e
me coloca para estudar na Federação Bancária [infância] e, mais tarde, quando estou em Juliaca,
começo a estudar música e o faço na Escola Musical de Puno [juventude](Juan, Juliaca,
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tradução nossa). A educação musical na família é incorporada por seu pai, com seu avô paterno
como um segundo agente de socialização no universo musical, como ele destaca.
Meu avô paterno [...] me contava muitas histórias sobre a região rural onde
ele cresceu - Putina. Ele tocava seu violão e bandolim e eles iam a serenatas,
garotas e festas. E, tudo isso, né. Na juventude, obviamente; ele acabou se
aposentando como diretor de escola e, obviamente, sempre gostou de arte;
quando comecei a desenvolver meu amor pela música, "quem realmente me
apoiou na música" foi meu avô paterno, na verdade, meu primeiro instrumento
mais valioso foi dado por ele aos 7 anos de idade - ele me deu uma gaita de
boca - e depois, aos 12 anos, um charango
na Bolívia. Então, por causa de
sua qualidade de ser, digamos, ele me incentivou a adquirir experiência nesse
tipo de coisa, não apenas com o charango, mas também com a bandurria
[…]
(Juan, Juliaca, tradução nossa).
A socialização da música é incorporada por Juan por meio de seu pai e avô paterno. Este
último lhe dá três instrumentos musicais em cada fase de sua vida: na infância, ele lhe dá uma
gaita de boca, na adolescência, um charango e, finalmente, na juventude, uma bandurria.
Assim, o avô paterno e o pai constituem agentes de socialização do habitus musical. Na segunda
socialização, as disposições musicais são confirmadas, como afirma o entrevistado: “[…] na
escola, quando eu era mais velho, formei grupos e participamos de eventos e nos saímos muito
bem. Foi quando comecei minha carreira musical […]” (Juan, Juliaca, tradução nossa). A
infância e a adolescência parecem consolidar a transferência do hábito musical. Isso aparece
até mesmo na juventude de Juan, quando ele começa seus estudos universitários, como ele
indica:
[…] Sou o fundador da Tuna universitária da Universidade Nacional Néstor
Cáceres Velázquez (UANCV), sou o primeiro tuno da UANCV. Depois, sou
o primeiro charro da cidade de Juliaca. Em Juliaca, não havia mariachis e o
primeiro cantor de ranchera em Juliaca fui eu: fui o primeiro charro da cidade
de Juliaca. […] (Juan, Juliaca, tradução nossa).
Na universidade, Juan fundou dois grupos musicais e começou a cantar, especificamente
música ranchera. A carreira musical estava se consolidando em sua juventude, mas tomaria um
novo rumo: Juan decidiu se candidatar a uma carreira em administração. Segundo ele, essa
mudança estava relacionada a um teste vocacional:
[…] Quando eu ia me inscrever na universidade, como todos os jovens, estava
muito perdido. Pensei que seria engenheiro de sistemas, mas na academia de
Arequipa me convenceram a fazer medicina e, no final, não consegui entrar
em nenhuma. Então, fui para Juliaca e, quando estava na Universidade
Andina [universidade particular], eles me fizeram um teste vocacional. Nesse
O charango é um instrumento de cordas de origem peruano-boliviana.
A bandurria é um instrumento de cordas da família do alaúde.
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teste vocacional, me deram duas opções: administrador de empresas e, a
outra, músico profissional. Naquela época, a universidade oferecia a
carreira de administrador de empresas; eu até entrei na universidade em
primeiro lugar em administração e, a partir de então, passei a viver dessa
área […] (Juan, Juliaca, traduçãonossa).
Os estudos de gestão de Juan não estão relacionados apenas ao teste vocacional, mas
foram formados desde sua infância. Essa inclinação também está relacionada à influência de
seu pai.
[…] Eu me considero um leitor assíduo e também sou muito bom em
matemática, e é por isso que me senti tão inclinado para a disciplina de
administração. Meu pai foi gerente por 17 anos da indústria SURGE
, ele
gerenciava cerca de 17 empresas na região [Arequipa], que eram os famosos
fogões SURGE, não apenas gerenciadas em nível nacional, mas também
exportadas, até mesmo para a Bolívia, Equador, meu pai era o gerente de tudo
o que era SURGE em Arequipa e, bem, passei minha vida vendo no que ele
trabalhava. Isso talvez tenha me guiado na direção que eu iria tomar (Juan,
Juliaca, tradução nossa).
O pai de Juan, além de estar envolvido no mundo da arte, também gerenciava uma
empresa que operava em nível nacional. Essas disposições empreendedoras apareceriam mais
tarde em Juan.
Violação de disposições comerciais
Juan e sua mãe se afastam do mundo comercial. A mãe de Juan, como já descrevemos,
estudou duas profissões: serviço social e psicologia. Quando perguntam a Juan se ele pensou
em se tornar um vendedor de peixes como sua mãe, ele menciona que isso não é coerente,
conforme expresso abaixo:
A verdade é que eu ajudo minha mãe, talvez mais que todos os meus irmãos -
como minha mãe deve ter lhe contado -, que estou mais com ela, por
exemplo, nas campanhas que ela faz no final do ano em seu negócio, em algum
momento, passou pela minha cabeça me dedicar a isso também. O detalhe é
algo muito fundamental, e é que meu pai - que descanse em paz - sempre nos
incutiu algo importante: "você tem a obrigação, como filho, de ser mais do
que seu pai", então, digamos: sua mãe não ficou em um mercado vendendo
peixe para que o filho continuasse naquele mercado vendendo peixe e... não
sei se você percebeu, mas manter um negócio, como o da minha mãe, muito
trabalho! Não só por causa das viagens, mas também porque ela tem que abrir
o negócio às cinco da manhã, pegar gelo e, portanto, é "um trabalho muito
cansativo", "muito desgastante" e, para ser sincero, eu cresci com isso, não
A indústria SURGE é uma empresa peruana que fabrica eletrodomésticos, como fogões.
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tenho ideia de como viver disso, porque ser um comerciante de peixe é uma
angústia diária […] (Juan, Juliaca, tradução nossa).
As razões, de acordo com Juan, estão relacionadas ao fato de que a atividade de sua mãe
é muito exigente, um alto nível de perdas e estresse, ou seja, um espaço de incerteza: quantos
produtos serão vendidos e quanto será perdido. Portanto, as crianças que estão cientes da
atividade sacrificial de sua mãe rompem com o mundo do comércio. Da mesma forma, a e
reforçou a ruptura com os arranjos comerciais desde que seus filhos eram crianças, ao o
permitir que eles permanecessem no mercado com ela. A descontinuidade na venda de peixes
ainda é profunda, pois estaria relacionada a um princípio familiar que eles herdaram de geração
em geração em sua família.
Em suma, as duas famílias são caracterizadas por configurações familiares
heterogêneas. Isso se deve ao trânsito por diferentes universos sociais entre os chefes de família
e os filhos. Da mesma forma, o contexto de ruptura em relação ao universo comercial é
diferenciado. No caso da família A, a ruptura ocorre na segunda socialização da filha mais nova,
mobilizando a trajetória social da família. No caso da família B, a ruptura com o mundo
comercial ocorre durante a primeira socialização do filho mais velho.
Conclusões
Nosso estudo tratou da mobilização de disposições dentro da família. A principal
indicação é que a reprodução das disposições das mulheres chefes de família não é reproduzida
por seus filhos. Isso se reflete, em primeiro lugar, na pluralidade de disposições que se
estabelecem nas famílias estudadas: rural, comercial, musical, empresarial e profissional, que
foram formadas nos diferentes contextos dos atores sociais. Da mesma forma, a
descontinuidade está relacionada às rupturas disposicionais que as crianças fazem em sua
trajetória social. No caso da família A (Marta e Juan), o contexto de dissociação com o universo
comercial ocorre na primeira socialização. No caso da família B (Eva e Judit), a ruptura ocorre
na segunda socialização. Essas rupturas biográficas geram a mobilização de disposições
comerciais (típicas de mulheres chefes de família) na direção de disposições profissionais.
Em segundo lugar, a não reprodução social está relacionada à matriz de socialização das
disposições que influenciam os atores sociais. Nesse caso, elas são diferenciadas em ambas as
famílias. No caso da família A, a matriz de formação das disposições profissionais é produzida
pela instituição educacional onde Judit estuda. Na família B, as disposições profissionais são
mobilizadas pela mãe desde a primeira socialização de Juan. Outros agentes de socialização
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também intervêm e complementam as disposições profissionais: o avô e o pai, ambos
influenciando as disposições musicais e empresariais de João. Portanto, a pluralidade de
disposições está relacionada à matriz de socialização e aos contextos pelos quais os atores
passaram em sua trajetória social. Isso nos leva a afirmar que ambas as famílias adquirem
configurações familiares heterogêneas.
O estudo da informalidade entre mulheres chefes de família que trabalham no mercado
de alimentos abre uma nova perspectiva sobre o trabalho informal. Ela se baseia na
transferência de provisões para os filhos dentro da família. Nesse caso, o estudo foi orientado
pela perspectiva do ator plural, o que possibilitou um aprofundamento nas variações das
disposições internas e externas dos indivíduos. Ao mesmo tempo, as evidências mostram que
a informalidade está em um estágio de mobilização, ou seja, a primeira geração de atores sociais
(pais), cuja matriz de trabalho estava ligada ao trabalho informal, está se mobilizando em
direção à classe média. É prematuro afirmar uma mobilização homogênea do setor informal em
direção à classe média. Portanto, recomendamos estender o estudo a um número maior de
famílias para nos aproximarmos do processo de mobilidade social e dos novos significados da
informalidade.
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Macmillan Press, 1998. p. 261-277.
Francisco Euler Otazu CONZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 23
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaria de agradecer à Universidade Federal de Pelotas (Mestrado em
Sociologia).
Financiamento: Gostaria de agradecer à CAPES pelo financiamento feito para o
desenvolvimento da pesquisa.
Conflitos de interesse: O presente trabalho não contém conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho é produto da dissertação de pesquisa que foi avaliada por um
jurado que fizeram as revisões a nivel teórico, metodológico e das análises da pesquisa.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e os materiais que foram utilizados para a
pesquisa estão disponibilizados em sua íntegra na dissertação de mestrado, disponível de
forma online na plataforma da Universidade Federal de Pelotas.
Contribuições dos autores: O autor é responsável por toda a obra e faz uma contribuição
substancial para o desenvolvimento da sociologia do trabalho e da família para compreender
os novos rumos do trabalho informal em sociedades com altos níveis de trabalho informal,
neste caso, o Peru.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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LA DIFÍCIL HERENCIA: DISPOSICIONES Y TRAYECTORIAS SOCIALES EN
DOS FAMILIAS DE LA CIUDAD DE JULIACA-PERÚ
A DIFÍCIL HERANÇA: DISPOSIÇÕES E TRAJETÓRIAS SOCIAIS DE DUAS
FAMÍLIAS DA CIDADE DE JULIACA NO PERU
DIFFICULT HERITAGE: DISPOSITIONS AND SOCIAL TRAJECTORIES IN TWO
FAMILIES FROM JULIACA (PERU)
Francisco Euler Otazu CONZA1
e-mail: eulerfrancisco36@gmail.com
Cómo hacer referencia a este artículo:
CONZA, F. E. O. La difícil herencia: Disposiciones y trayectorias
sociales en dos familias de la ciudad de Juliaca-Perú. Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-
4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757
| Presentado en: 07/02/2023
| Revisiones requeridas en: 11/09/2023
| Aprobado en: 25/10/2023
| Publicado en: 30/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidad Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas Rio Grande do Sul (RS) Brasil. Profesor adjunto en la
Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad Nacional del Altiplano-Puno (UNAP). Maestría en Sociología
(UFPel).
La difícil herencia: Disposiciones y trayectorias sociales en dos familias de la ciudad de Juliaca-Perú
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 2
RESUMEN: Este articulo aborda el estudio de dos familias en relación con sus trayectorias y
disposiciones en la ciudad de Juliaca, Perú. Las familias son observadas a partir de la
perspectiva del actor plural, de Bernard Lahire, de forma específica, se ha centrado en el
descubrimiento de la transferencia o no transferencia del trabajo informal de los padres hacia
los hijos. La metodología utilizada ha sido de corte cualitativo, contando con la participación
de dos integrantes por cada familia: jefa de familia e hijo(a), para ello, se ha realizado
entrevistas a profundidad entre tres y dos por cada miembro familiar a mediados del 2021 y
parte del 2022. El principal indicio muestra que la reproducción del trabajo informal no es
reproducida por los hijos, se observan configuraciones familiares heterogéneas con
disposiciones comerciales y profesionales en las familias estudiadas.
PALABRAS CLAVE: Trabajo informal. Configuraciones familiares. Disposiciones. Perú.
RESUMO: O presente artigo é o estudo de duas famílias em relação a suas trajetórias e
disposições na cidade de Juliaca no Peru. As famílias são observadas a partir da perspectiva
do ator plural de Bernard Lahire, especificamente, centra-se no descobrimento da
transferência, ou não, do trabalho informal dos pais aos filhos. A metodologia usada é de cunho
qualitativo, contou com a participação de dois integrantes por cada família: chefa de família
e filha ou filho. Nesse sentido, entre 2021 e 2022, realizou-se entrevistas em profundidade com
dois e três membros de cada família. O principal resultado deste trabalho costa que a
reprodução do trabalho informal não é reproduzida pelos filhos, pois observam-se
configurações familiares heterogêneas com disposições comerciais e profissionais das famílias
estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Trabalho informal. Configurações familiares. Disposições. Peru.
ABSTRACT: This article aims to study two families in relation to their trajectories and
dispositions in the Peruvian city of Juliaca. Both families are observed from Bernard Lahire’s
perspective of plural actor. Lahire, specifically, has focused on the discovery of parents
transferring (or not) of informal work to children. Qualitative methodology was applied and
two members of each family were considered: head of household and son/daughter. Since mid-
year 2021 until year 2022, in-depth interviews (2 or 3) were applied to each family member.
The main hint shows that informal work is not reproduced by children. In both families,
heterogeneous configurations (with commercial and professional settings) can be observed.
KEYWORDS: Informal labor. Family settings. Dispositions. Peru.
Francisco Euler Otazu CONZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Introducción
El trabajo informal continúa siendo una temática controversial. Esta se origina desde los
años ochenta en América Latina, y profundizándose desde los años noventa. En el Perú, se
evidencia dos etapas marcadas de la informalidad. Por un lado, los primeros estudios de la
informalidad comienzan desde los años ochenta (MANKY, 2017). En este contexto, el trabajo
informal seria interpretado como el producto de la estructura social, se destacan tres visiones:
la económica (DE SOTO, 2009), la antropológica (MATOS MAR, 1984; 2012) y la sociológica
(QUIJANO, 1980; 1998). Estas perspectivas concentran su análisis en la migración interna del
área rural con destino al espacio urbano.
Por otro lado, con las reformas laborales establecidas por el gobierno de Alberto
Fujimori (1990-2000). El foco de análisis se moviliza hacia los actores. En este contexto, las
migraciones se ubican en su tercera oleada. Son los nuevos limeños (hijos nacidos de origen
provincianos) que emprenden sus propios negocios, movilizándose bajo dos estrategias:
tradicionales y modernas en el espacio urbano (CATACORA, 2013). Un estudio que
destacamos fue el aporte de los antropólogos Jürgen Golte y Adans Valdivia (2019): los
caballos de troya de los invasores: estrategias campesinas en la conquista de la gran Lima.
Ambos antropólogos se concentran en migrantes de diferentes orígenes geográficos asentados
en la ciudad de Lima: migrantes de Lima, migrantes de la sierra sur, migrantes de la sierra norte
y migrantes provenientes de la costa. Ellos, en su mayoría, son propietarios de pequeños
negocios.
La mayoría de las investigaciones realizadas acerca de la informalidad en el Perú se han
aproximado de forma fragmentada. Por un lado, los primeros estudios los identifican como
grupos homogéneos producto de la estructura social, es decir, una mirada macrosocial. Por otro
lado, con las reformas laborales, se enfocan en los actores sociales : los informales son agentes
de su propio desarrollo, por ejemplo, el caso de los grupos emprendedores de Unicachi y
Gamarra centros comerciales de migrantes del sur del Perú lejos de conformar una masa
homogénea dentro del cuerpo de la informalidad deciden agruparse por diferentes redes de
asociación: afectiva, económica, social y cultural (CATACORA, 2013; ROJAS, 2014; 2021),
aunque dichas investigaciones observan la informalidad en diferentes etapas; en poca medida
se ha abordado desde los individuos. El objetivo de este trabajo ha sido el descubrir qué
disposiciones son movilizadas o suspendidas dentro de la familia y qué tipo de configuraciones
La difícil herencia: Disposiciones y trayectorias sociales en dos familias de la ciudad de Juliaca-Perú
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familiares adquirió en la ciudad de Juliaca
, Perú. Nos interesa descubrir si las jefas de
familia(madre) heredan a sus hijos el trabajo que realizan: la venta. Para tal fin, la perspectiva
sociológica del actor plural, de Bernard Lahire, ha norteado la presente investigación.
El estudio de las disposiciones a partir de dos grupos familiares en un espacio social de
tradición informal resulta complejo, y requiere de un análisis más ampliado. Utilizando
entrevistas a profundidad a dos grupos familiares, se ha centrado en las trayectorias sociales y
biográficas de los participantes. Estos se han ido desdoblándose en los contextos por donde han
transitado, luego se realizó el cruzamiento de trayectorias entre las jefas de familia y los hijos
para la verificación de la transferencia o no transferencia de las disposiciones entre ambas
familias. La obtención de la información se ha realizado a partir de 04 participantes, cuyo
número de entrevistas ha sido entre dos y tres entrevistas por cada entrevistado. Asimismo, se
ha diseñado dos guías de entrevistas no estructuradas: jejas de familia e hijos. Para el diseño de
la muestra se ha realizó de forma teórico-intencional, tomándose criterios de exclusión y de
inclusión. En el caso de los criterios de exclusión, se han considerado participantes con menor
edad alcanzada, menor trayectoria en la venta y que no laboran en el mercado de abastos de
Santa Barbara
. Los criterios de inclusión en relación con las jefas de familia: una edad
alcanzada considerable, es decir, personas de tercera edad, diferente rubro en el mercado de
abastos. En el caso de los hijos, el criterio adoptado ha sido por la aproximación geográfica y
afectiva que mantienen con las jefas de familia.
El reducido estudio de las familias y las disposiciones en un espacio social de trabajo
informal resulta un aporte sustancial en la comprensión de la informalidad a partir de los
individuos. De esta manera, el artículo se organiza en tres apartados. Primero, se analizan los
aportes de la teoría bourdiana, destacando la perspectiva plural de Bernard Lahire asociada con
las disposiciones, centrándonos en los patrimonios individuales de los actores sociales. De
forma complementaria, se expone el concepto de configuraciones familiares, de Bernard Lahire.
Finalmente, se exponen los indicios en dos momentos: el desdoblamiento (los perfiles sociales,
las disposiciones de los actores sociales, las rupturas disposicionales, el cruzamiento de las
trayectorias sociales) y la reconstrucción (las configuraciones familiares) de los grupos
familiares.
La ciudad de Juliaca pertenece a la provincia de San Román, ubicada en el departamento de Puno, Perú.
Los mercados de abastos son espacios donde se expenden productos de primera necesidad. Los primeros
mercados de abastos en el Perú funcionan a partir de 1950 (INEI, 2017). En este caso, nos referiremos al mercado
de abastos de Santa Barbara: el más antiguo de la ciudad de Juliaca.
Francisco Euler Otazu CONZA
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La perspectiva sociológica: habitus a los patrimonios individuales
El habitus representa el principio activador de las prácticas. Estas se refieren a un
conjunto de actividades generativas que se desenvuelven en la relación dialéctica entre el
habitus y la situación. En esta relación, el agente realiza un proceso de ajuste dentro de un
espacio social. Tal noción se esfuerza en la superación del esencialismo, presente en el
estructuralismo y en el individualismo, orientado a rescatar el agente como un ser activo,
creativo e inventivo (ORTIZ, 1989), esto es, una acción que no debe ser confundida como “una
reacción mecánica, ni el producto de una determinación directa por ciertas causas, ni una praxis
inspirada por un proyecto consciente o un plan racional” (BOURDIEU, 2019, p. 253-254,
nuestra traducción), en términos abstractos, el habitus personifica una finalidad sin fin, que
cuestiona los condicionamientos.
Asimismo, el habitus es un elemento poderosamente generador que se ha encarnado en
el agente y se objetiva en las formas de caminar, pararse y de hablar como fue resaltado por
Pierre Bourdieu (1989) en las siguientes líneas:
Un sistema de disposiciones durables y transponibles que, integrando todas
las experiencias pasadas, funciona a cada momento como una matriz de
percepciones, de apropiaciones y de acciones […] funcionando todo el tiempo
como disposiciones permanentes que resalta un proceso de interiorización y
de exteriorización, más que un destino es una posibilidad que se expresa en
gestos, formas de pararse, de caminar y de hablar (BOURDIEU, 1989, p. 65,
nuestra traducción).
De ello, podemos desprender que el habitus es un sistema de disposiciones duraderas,
incorporadas y encarnadas en los agentes producto de un doble proceso: de interiorización y de
exteriorización.
Sin embargo, las nociones de habitus y de campo precisan de una revisión crítica y
empírica, ya que a medida que se introduce en el individuo singular comienza a emerger la
pluralidad. Asimismo, ambos conceptos son generalizadoras y homogeneizadoras, y
corresponderían al estudio de grandes grupos sociales con casos especiales o singulares
(LAHIRE, 2005; 2001). En este sentido, el sociólogo francés Bernard Lahire propone una
sociología a escala individual o una sociología psicológica, centralizándose en el individuo
singular. El autor busca lo social en el individuo singular, introduciéndose en el contexto de la
socialización primaria y secundaria de los actores sociales.
En las sociedades contemporáneas, se producen actores diferenciados. Ello se verifica
exterior e interiormente, ya que han transitado por diferentes experiencias a lo largo de su
La difícil herencia: Disposiciones y trayectorias sociales en dos familias de la ciudad de Juliaca-Perú
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trayectoria social. Por ello, sus acciones son diversas y heterogéneas. El autor indaga lo social
dentro del individuo. Para el autor, la práctica social es producto del pasado incorporado y el
contexto actual, produciéndose una práctica observable.
La teoría del actor plural
se distancia de dos visiones: la unicidad del actor y la
fragmentación interna. De un lado, la unicidad del actor se relaciona a la crítica del concepto
de habitus, de Pierre Bourdieu, el cual acabaría comprendiendo de manera unitaria las
dimensiones de la práctica. Por ejemplo, en su obra La Distinción los gustos en la sociedad
francesa, realiza una generalización del concepto de habitus de clase en un espacio social:
examina los gustos con un grupo social y bajo una visión macrosociológica. Por el contrario, al
indagar cada actor singular se nota una realidad menos uniforme y simple (LAHIRE, 2001). De
otro lado, la fragmentación interna se relaciona a la propuesta por Erving Goffman sobre el yo,
esto es, el individuo estaría dividido en diversos yo. Realizando una evaluación, el problema
del concepto de habitus en Bourdieu ha sido en resaltar la unicidad de las disposiciones; en
cuanto el problema de Goffman fue el enfatizar en demasía la fragmentación (LAHIRE, 2005).
En tales análisis existiría una suerte de esencialismo. De igual manera, ambas visiones
interfieren en la observación empírica del actor plural. Por lo tanto, la propuesta del actor plural
supone la superación de esas dos formas de esencialismo (LAHIRE, 2001).
La teoría del actor plural se enfoca en los contextos de los actores sociales. Estos
contextos, por donde los individuos han transitado, son múltiples, conformando una pluralidad
de disposiciones. Estas disposiciones ni son coherentes ni homogéneas, sino que conforman un
stock almacenado dentro de la trayectoria del individuo, en algunos casos, puede o no ser
actualizada. La finalidad de Bernard Lahire es introducirse en el pasado incorporado y en las
experiencias de socializaciones anteriores con el objetivo de cuestionar una articulación
homogénea entre el pasado y el presente.
La desarticulación entre el pasado y el presente de los actores sociales. En esta línea se
han orientado las teorías de la acción que se han centralizado en el pasado del actor (la primera
infancia). En contrapartida, otras teorías se han enfocado en el presente (momento de la acción)
sin considerar las acciones pasadas. Esto condujo a dos negligencias. Primero, los que se
orientan al pasado del actor, no llevan en consideración el orden de la interacción, las
características singulares y pragmáticas de los contextos. Segundo, los que se dirigen en
La teoría del actor plural busca comprender al individuo en toda su complejidad, apoyándose en la literatura de
Marcel Proust y en la sociología francesa (Emilio Durkheim, Maurice Halbwachs y Pierre Bourdieu) (LAHIRE,
2001).
Francisco Euler Otazu CONZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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dirección del presente del actor, voluntaria o involuntariamente, no discurren que toda la acción
presente dependa del pasado incorporado de los actores (LAHIRE, 2001). Así, ambas
perspectivas estudian por separado al actor social. Por tanto, la articulación entre el pasado y el
presente son heterogéneas. Esto lo observamos en las microcrisis o desajustes
que los
individuos atraviesan a lo largo de su trayectoria social. Esto se observa, también, para el caso
de la familia.
Las configuraciones familiares heterogéneas
La transmisión del habitus en la familia se produce de forma harmoniosa. Dentro de la
familia la constitución del habitus es interpretada como una estructura mental que, habiendo
sido inculcada a todos los individuos socializados de cierta manera, es a la vez individual y
colectiva (BOURDIEU, 1996). También, se orienta al sostenimiento de un orden social, es
decir, la reproducción, no solo biológica, sino social que se relaciona a la estructura de un
espacio de relaciones sociales. Por ello, la familia, bajo la visión bourdiana, supone un lugar
por “excelencia de acumulación de capital y sus diferentes especies y de su transmisión entre
las generaciones: ella salvaguarda su unidad por y para la transmisión, a fin de poder transmitir,
y porque ella es tanto que transmite” […] (BOURDIEU, 1996, p. 131, nuestra traducción). En
este sentido, la familia es una institución de reproducción social.
En cambio, para Bernard Lahire, la familia no es designada como un organismo
coherente, homogéneo y harmonioso, como es resaltado por las visiones macrosociologicas del
medio familiar. También, no es común encontrar de manera uniforme las configuraciones
familiares homogéneas cultural y moralmente como lo resalta el autor.
[…] son poco numerosos los casos modelos que permitirían hablar de un
habitus familiar coherente, productor de disposiciones generales enteramente
orientadas para las mismas direcciones. Numerosos niños viven
concretamente en el seno de un espacio familiar de socialización con
exigencias variables y con características variadas, donde ejemplos y
contraejemplos caminan lado a lado (un padre analfabeto y una hermana en la
universidad, hermanos y hermanas con “éxito” escolar y otros con fracaso, y
así por delante), espacio familiar en que principios de socialización
contradictorias se entrecruzan […] (LAHIRE, 2001, p. 45-46, nuestra
traducción).
Los deseos de los actores y las situaciones reales no siempre son coherentes. Dentro de esta articulación se puede
observar las crisis pequeñas y medias: los divorcios, las crisis familiares, etc. (LAHIRE, 2001).
La difícil herencia: Disposiciones y trayectorias sociales en dos familias de la ciudad de Juliaca-Perú
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Asimismo, la disonancia en la familia
, propuesta por Lahire, se constata en resaltar la
pluralidad de experiencias de los actores. En este caso, la familia aparece como la matriz de la
formación de las disposiciones mentales y comportamientos de los niños, donde se aprende;
pero también, es donde están presentes los sufrimientos y todos los males. Por ejemplo, en el
caso de la escritura, se visualiza las diferencias en la conformación de esta matriz de
socialización.
Los niños que incorporan las funciones, las representaciones y ciertos efectos
cognitivos y organizacionales específicos de la escritura por impregnación
indirecta y difusa, esto es, a través de todo un ambiente familiar y no a través
de actos directos de escritura y lectura (solicitado o explicados, efectuados
como colaborador, observados e imitados) (LAHIRE, 2011, p. 18, nuestra
traducción).
El universo familiar se orienta como pedagógicamente instigador, la escuela escenifica
ese universo. En cambio, los niños que no tuvieron una familiarización con la escritura y la
lectura: la escuela personifica un nuevo universo. Para nuestro caso, observaremos la
heterogeneidad de las disposiciones familiares en sectores informales como lo veremos a
continuación.
Los perfiles sociales y las trayectorias de los individuos
Los perfiles sociales que se presentarán a continuación se han reconstruido a partir de
las entrevistas. Así, exponemos cuatro perfiles sociales en el siguiente orden: Marta y Juan
(hijo), Eva y Judith(hija)
. Asimismo, el análisis se ha dividido en dos grupos: familia A (Marta
y Juan) y la familia B (Eva y Judit). Ello con la finalidad de analizar y exponer las
configuraciones familiares.
Marta: el comercio y la profesión
Marta vende en la sección de pescado. Ella viene trabajando en el mercado de abastos
más de 15 años, su madre también vendía en el mismo puesto de venta que ella ocupa ahora.
Marta enfatiza que su madre no permitía que sus hijos vinieran al mercado, solamente, ella
venía a ayudarle de forma específica: abrir su puesto de venta, llevarle almuerzo y cerrar su
puesto de venta. Marta ha concluido dos profesiones en la universidad: servicio social y
Otro estudio sobre la familia y la escuela se encuentra en su libro titulado en portugués de Sucesso escolar nos
meios populares: as razoes do improvável, publicado en el 2004.
Los nombres utilizados son ficticios. Ello con la finalidad de resguardar la identidad de los participantes.
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psicología, los cuales, no ha ejercido. El trabajo de Marta empieza desde temprano: se levanta
a las cinco de la mañana para llegar a las seis de la mañana al mercado y abrir su puesto. Ella
vende en el mercado tres días, luego se va a la ciudad de Arequipa: se dedica a la venta y compra
mercadería para traer a la ciudad de Juliaca. La mayoría de los hijos de Marta residen en la
ciudad de Arequipa, excepto Juan (el hijo mayor), quien vive en la ciudad de Juliaca por razones
de trabajo. Ella tiene cuatro hijos: tres varones y una mujer: el mayor tiene 46 años, el siguiente
39, el otro 38 y, la hija menor, 36 años. Cada uno de sus hijos cuenta con estudios superiores:
uno es administrador de empresas, otro es técnico en SENATI (Servicio Nacional de
Adiestramiento Técnico), la tercera es profesora de Educación Inicial y el último es técnico en
redes informáticas. La mayoría de sus hijos se desenvuelven en su profesión, excepto el mayor.
Juan: la música y la profesión
Juan se ha dedicado en diversas actividades laborales. Entre las que hemos podido
identificar: las musicales, la venta en el rubro editorial y las emprendedoras. Asimismo, cuenta
con estudios en administración no concluidas: lo ejerce como una herramienta de trabajo a las
actividades que se dedica, especialmente, en el rubro de la editorial. De las tres actividades, la
actividad musical adquiere notoriedad en su trayectoria. Esta actividad fue influenciada por
parte de su padre y su abuelo paterno. Él creció alejado de la actividad del comercio, ya que su
madre, al igual que su abuela, no permitieron que sus hijos se dediquen o estuvieran
relacionados con la actividad comercial.
Eva: el comercio y el segundo hogar
Eva trabaja desde muy joven en el universo del comercio. Ella migra a la ciudad de
Juliaca cuando tenía 16 años. Sus padres son de origen campesino, se dedicaban a las
actividades del campo y la ganadería. Ella se inicia en la venta de carne de cordero en la feria
campesina de la ciudad de Juliaca, lo que ahora es el centro comercial n. 1(espacio dedicado a
la venta de diferentes productos de primera y segunda necesidad). En ese espacio permanecería
poco tiempo, ya que serían reubicados al mercado de abastos de Santa Bárbara. Ella
permanecería más de 15 años trabajando en el mercado en la sección de carnes. Sin embargo,
en una etapa de crisis: el bajo consumo de carne de cordero y el crecimiento de vendedoras de
carne de cordero generan su abandono. En ese contexto, su puesto de venta es traspasado a otra
vendedora
. Desde ese momento, Eva no retornaría al mercado de abastos. En la actualidad,
El traspaso de puesto de venta en el mercado de abastos se pone a disposición de otra vendedora.
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ella vive con su hija menor (Judit), quien, también ha compartido la misma biografía dentro del
mercado.
Judit: el comercio y la profesión
La hija menor de tres hermanos, Judit, desde temprana edad creció en el universo del
comercio. Ella vendía junto con su madre en el mercado, transitando su niñez y parte de su
adolescencia en el mercado. Ella resalta que el mercado era su vida, no obstante, como lo hemos
señalado, la crisis atravesada por la madre afecta, también, la trayectoria de la hija, en este caso,
la madre abandona el mercado y la hija se forma como profesora. En sus inicios como
estudiante, ella, aun, mantenía la idea de continuar en el universo del comercio y paralelamente
estudiar, pero los estudios de pedagogía
no le permitieron permanecer en ambas actividades,
por lo cual, se introduce de forma completa en sus estudios. En la actualidad, Judit es profesora
de educación primaria y trabaja en el interior de la ciudad de Juliaca. Asimismo, ella vive con
su madre, su hija y su esposo, quien también es profesor.
Las disposiciones familiares y los patrimonios individuales: la difícil herencia
Como hemos observado (en los perfiles sociales descritos) respecto al caso de Eva y
Judit, destaca el universo comercial, específicamente, la venta de carne de cordero dentro del
mercado de abastos de Santa Bárbara. Sin embargo, ambas han abandonado esta actividad cerca
de diez años, realizando una reconstrucción de la familia A sostenemos que son dos la biografías
familiares marcadas en ambas trayectorias: el trabajo dentro del mercado y la ruptura con el
universo comercial.
La familia A: las disposiciones rurales, comerciales y profesionales
La formación del universo del comercio. El comercio se configura en una de las
actividades que se expande en la ciudad de Juliaca de forma generalizada. En este caso, Eva
había migrado con destino a la ciudad de Juliaca para iniciarse en la venta de carne de cordero.
Cabe destacar que, Eva no comienza en el mercado de Santa Barbara, sino que se inicia en la
feria campesina de la ciudad de Juliaca, como lo resalta: “Si, antes… antes… no había, pero
nosotras, también hemos empezado a vender en el mercado chiquito
. Ese era el primer
mercado, de ahí, ya nos hemos venido aquí a Santa Bárbara. En el mercado antiguo, que estaba
Los estudios pedagógicos son obligatorios para el ejercicio de la docencia en el sector educativo.
Mercado al aire libre que luego serian reubicados al mercado Santa Bárbara.
Francisco Euler Otazu CONZA
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en el centro comercial, […]era pampa
nomas, ahí vendían de todo; era como un Qhatu
[palabra de etimología quechua que significa feria o mercado al aire libre] […]. Como indica,
Eva, comienza en la venta de carne de cordero en un puesto no fijo, es decir, vendía en la calle.
Así, la mayoría de los primeros vendedores que se establecieron en el mercado de Santa
Bárbara, vinieron del Centro Comercial N°1 de la ciudad de Juliaca. Allí fue, según Eva, la
primera relación social con el universo del comercio.
En el caso de Eva, las disposiciones rurales se van formando en la primera socialización,
relacionándose con las actividades agrícolas y de ganadería, aunque en pequeña escala y para
el autoconsumo. La transición del mundo rural al urbano no es un proceso de ruptura, sino de
complementariedad. Los conocimientos adquiridos del mundo rural: desarrollar actividades
agrícolas y de ganadería encarna una disposición rural que son movilizadas al espacio urbano.
En la ciudad de Juliaca, Eva se moviliza entre dos espacios sociales: el mercado y su
hogar. Ella menciona que el mercado simboliza su segunda casa
, ya que la mayor parte del
tiempo ha permanecido en su puesto de venta. Así, su horario de trabajo comenzaba desde las
cinco de la mañana hasta las seis de la noche, incluso, los fines de semana.
Para ir a vender al mercado, me levantaba a las 5:00 a.m. y estaba en el
mercado hasta las 6:00 de la tarde, claro que, venía a almorzar a mi casa: todos
los días iba al mercado a vender. Pero a veces había limpieza [dentro del
mercado] y domingo no salía. Ese día, realizaba limpieza en mi casa e iba al
mercado a realizar compras para cocinar; a veces me agarraba cabezas
y lo
pelaba para vender […] (Eva, Juliaca, nuestra traducción).
Como se verifica, Eva convive la mayor parte del tiempo en el mercado. Este indicio
muestra la formación de las “disposiciones comerciales” durante su juventud (segunda
socialización) que se traducen entre la venta y los clientes. En ese contexto, de sus tres hijos,
solamente, la hija menor (Judit) socializa con el universo del comercio. Sus demás hijos
optarían por otras actividades. De esta forma, se entrecruzan las trayectorias de la hija y la
madre con el mercado de abastos.
La madre resalta el rol de la hija en el universo del comercio. Estos se ven reflejados en
la estrecha relación emocional y laboral que mantienen ambas. Como lo enfatiza en las
siguientes líneas:
Etimológicamente proviene del quechua que significa un espacio llano o llanura, cabe destacar que, Eva en la
mayoría de las entrevistas utiliza el quechuismo, ya que es su lengua materna.
Esta podría ejemplificarse como una “institución total” en palabras del sociólogo canadiense Erving Goffman.
En este caso la expresión “agarrar cabezas” está relacionada a la recolección de mercadería, en este caso, la
cabeza de cordero que es utilizada para preparar un potaje.
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[…] ¡Mi hijita ha trabajado total!, también, ella se vendía y se iba a la
escuela
. Ella bien trabajadorcita ha sido, “tempranito” se levantaba: a las
6:00 a.m. ya está vendiendo. Ella aglomeraba a la gente, mientras yo estaba
preparaba el desayuno. Ella regresaba diciendo: - ¡mamita he vendido! -. Ella
me daba hasta el último centavo de lo que vendía, a veces se quedaba en el
mercado, le decía: -corre a vender, me voy a quedar un rato a lavar la ropa y
realizar las cosas-. Ella, también, es carnicerita[risas] (Eva, Juliaca, nuestra
traducción).
La madre manifiesta que su hija se relaciona con el universo del comercio desde los
siete años. En relación con sus otros hermanos, la hija menor mantiene lazos laborales con la
venta. En este contexto, aparece la coherencia de la transferencia de las disposiciones
comerciales a su hija menor.
En aquel tiempo, la rutina de Judit transcurre en dos espacios sociales: la escuela y el
mercado. Esto se van formando en las formas de levantarse temprano, ir al mercado, comprar
mercadería y paralelamente asistir a la escuela:
[…]Todos los días, yo me levantaba a las cinco de la mañana para comprar
mercadería en otros mercados, porque vendíamos carne de cordero y
menudencia, entonces, yo iba a comprar[mercadería] a otros mercados con
menos precio, no. Y, después, traía todo esto para venderlo en el mercado;
ponía todo listo y empezaba a vender; yo, también, estudiaba la primaria,
entonces, a las siete de la mañana ya tenía que venirme a mi casa para
alistarme, tomar mi desayuno para ir a la escuela, entonces, cuando salía de la
escuela, que terminaba a la una de la tarde, regresaba al mercado a seguir
ayudándole a mi mamá y almorzar ahí, también. Entonces, me quedaba hasta
las cinco y media o seis de la tarde, que terminábamos, y nos veníamos a
nuestra casa, entonces, eso era todos los días […] (Judit, Juliaca, nuestra
traducción).
El hábito de ir todos los días con destino al mercado son indicios de la formación de las
disposiciones comerciales. Esta se va concibiéndose en la primera socialización de Judit. Es en
el mercado de abastos que se establecen las disposiciones comerciales. Asimismo, la
predisposición que va formándose, conlleva, también su sacrificio, en este caso, reducir las
actividades propias de la primera socialización para dedicarse al trabajo, como lo expresa Judit
de la siguiente forma:
[…]yo no he tenido casi una niñez: estar jugando, no, como otros niños; me
he pasado trabajando, pero lo que voy rescatando es que varias mamás
comerciantes tenían, también, sus hijas que también eran mis contemporáneas,
entonces, todas realizábamos ese trabajo siempre: estudiábamos y
trabajábamos en el mercado […] (Judit, Juliaca, nuestra traducción).
El sistema educativo peruano se divide en dos: educación básica (inicial, primaria- escuela- y secundaria-
colegio-) y la educación superior.
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De igual manera, Judit resalta que la socialización con el mercado no es un caso singular,
otras niñas, también, desarrollaban el mismo rol. A pesar de que el comercio es una labor de las
personas adultas. El negocio e interactuar constantemente con otros, le agradaba a Judit:
“[…]Una experiencia bonita es el trabajo en el mercado porque a me gustaba, no […],
[…]me gustaba vender carne, entonces, esa situación del comercio de comprar, de vender, no
[…]” (Judit, Juliaca, nuestra traducción).
El universo del comercio para Judit se traduce en la obtención de dinero y la
acumulación. De igual modo, la venta no era una actividad impuesta: “[…] me gustaba
intercambiar, poseer el dinero en la mano: juntar, y lo efectuaba porque me agradaba y no
porque mi mamá me obligaba, mi vida creo que era el mercado […]” (Judit, Juliaca, nuestra
traducción). La satisfacción por estar interrelacionada dentro mercado y la venta se van
convirtiendo en una disposición comercial que se traduce, siguiendo a Pierre Bourdieu, en una
estructura estructurante.
La relación entre el universo laboral (el mercado) y el escolar continuarían en la segunda
socialización: el colegio. En la adolescencia, la incorporación es total como lo señala Judit:
“[…]En el colegio, más bien, era mi trabajo [estar en] el mercado, ahí estaba todo el tiempo
[…]” (Judit, Juliaca, nuestra traducción). En este período, el universo del comercio constituye
una disposición que se traduce en un cuerpo socializado.
La ruptura biográfica con el universo comercial
La suspensión de las disposiciones comerciales. Una crisis se presenta en la biografía
de Judit y su madre. Luego de haber trabajado en la venta de carne de cordero, casi toda su vida,
deciden abandonar el mercado, tomando diferentes caminos. En este caso, la decisión estaba
asociada a la caída de la demanda de carne de cordero. Momentáneamente, deciden reactivar
su negocio, comprando más mercadería y adquiriendo un préstamo bancario, pero esta crisis
persistiría. Por ello, deciden vender su puesto de venta y abandonar su negocio. Por un lado, la
madre se moviliza en el rubro de la cocina: la venta de caldo de cabeza de cordero
fuera de la
ciudad de Juliaca. A su vez, la hija decide formarse como profesora.
Las disposiciones comerciales, en el caso de la hija, son sustituidas por las disposiciones
profesionales. Cabe resaltar que, Judit, ha trabajado en el mercado hasta los 18 años. Este
la preparación de un potaje a base de la cabeza de cordero es común en la sierra del Perú.
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cambio, se relaciona con la aparición de las disposiciones profesionales: estudiar para ser
profesora como es reproducida en las siguientes líneas:
Hum…yo tenía siempre un objetivo: el de ser profesional. Bueno, aparte de
que me gustaba apoyarla a mi mamá en el mercado, pero yo tenía que ser
profesional y esto, que tuve ¡muchas dificultades! para ser profesional, porque
de repente, si hubiera tenido más apoyo económico de parte de mis padres,
hubiera ido a otra universidad u otro lugar; pero la única opción que tuve fue
el de estudiar en el Pedagógico porque, también, no demandaba mucho gasto,
¿no?, y como estaba en Juliaca, tenía que estudiar, o , en el pedagógico.
Y, aparte de que también me gustaba un poco el campo de la educación, pero
yo quería seguir la carrera profesional de Derecho, ¿no? Pero no tuve esa
posibilidad y tuve que pensar, no, para ser profesional y me decidí estudiar
(Judit, Juliaca, nuestra traducción).
Las disposiciones comerciales son movilizadas. Esta ruptura afecta profundamente a
Judit:
[…]cuando me fui del mercado, “me chocó bastante”, eso era a los 18 años,
cuando estaba en el pedagógico
, porque yo estudié mi superior en el
pedagógico, estaba estudiando ya dos semestres y tuve que dejar el mercado.
El pedagógico ya no me permitía continuar con el mercado, como es de forma
escolarizada: como en el colegio; entonces, tenía que estar todo el día en el
mercado o continuar mis estudios, eran dos cuestiones que tenía que decidir
por cuestiones de tiempo (Judit, Juliaca, nuestra traducción).
La disposición profesional se ven fortalecidas por dos factores: el comienzo de sus
estudios en pedagogía y el alejamiento de la madre en el rubro de la venta. En un inicio, las
disposiciones comerciales y las profesionales entran en conflicto. Así, al principio, Judit, desea
continuar en la venta de la carne de cordero, pero conforme transcurre los semestres, la actividad
del comercio se constituye en un obstáculo, ya que la actividad del comercio para su
administración demandaba más de una persona. En este caso, como la madre había abandonado
el rubro de la venta de carne. Esta separación refuerza el abandono del universo comercial:
[…]si mi mamá hubiese seguido vendiendo, yo hubiera seguido ayudándole
en las tardes o los sábados o domingos, dependiendo de mi tiempo, incluso,
cuando estaba en el pedagógico, todavía vendía carne: enero y febrero en
tiempo de vacaciones, pero después ya no se pudo, porque como usted sabe.
El comercio es para que uno esté a diario, y los caseros dependen de tu
permanencia que tu estes, va a depender para que tú puedas vender. Entonces,
como yo vendía en enero, febrero, marzo y abril, y los demás meses me
ausentaba, ya no podía continuar. Por eso, me dediqué a estudiar. Después de
los cinco años que estaba en el Pedagógico, ya no volal mercado… […]
(Judit, Juliaca, nuestra traducción).
El Pedagógico es un centro superior público de formación de futuros profesores que conlleva cinco años de
estudio.
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Judit resalta que, mientras estuvo en el pedagógico, intentó continuar con su negocio,
trabajando de forma estacional en los meses que no tenía clases, pero se complicaría a razón
del tiempo que le demandaba sostenerse en ambas actividades: estudiar y trabajar. Después de
ese intento, ya no regreso al mercado de abastos de Santa Bárbara.
Por tanto, podemos inducir que las configuraciones de la familia A son heterogéneas.
Esto se verifica en el tránsito por diferentes universos: rural, comercial y profesional. Otra
característica en relación con la familia A es la suspensión de la disposición comercial por parte
de la hija y la activación de la disposición profesional. Esta ruptura con el universo comercial
se produce por dos factores: la disminución en la venta y la crisis económica, modificando la
trayectoria social de ambas integrantes.
La familia B: las disposiciones comerciales, profesionales, musicales y emprendedoras
Las disposiciones profesionales de Marta y Juan son heterogéneas. Estas disposiciones
no son coherentes: en algunos contextos aparece con claridad y, en otros, es abandonada. Por
un lado, la transferencia de las disposiciones comerciales es débil en Marta. Ello se confirma
en la segunda socialización de Marta. Por ejemplo, la concurrencia puntual de la hija al puesto
de venta de la madre. Esto sucede con mayor claridad en la etapa de estudiante de secundaria
como lo resalta Marta: “[…]después que salía del colegio, porque esto se cerraba a las siete de
la noche [mercado de abastos], a las cinco de la tarde venía, luego de cambiarme, le ayudaba a
mi mamá, así es, así paso el tiempo, luego me fui a estudiar a la universidad en Arequipa y de
ahí, ya no pude venir […]” (Marta, Juliaca, nuestra traducción).
Cabe señalar que, luego de la etapa del colegio, se produce “la ruptura” con las
disposiciones comerciales. En este contexto, Marta cursa sus estudios superiores en la ciudad
de Arequipa. Esta ruptura ha sido familiar, ya que Marta fue la única hija que mantuvo relación
con el mercado, a razón de que, a la madre de Marta no le agradaba que sus hijos vinieran al
mercado como lo señala:
[…] en caso de mi mama, nunca ha traído a sus hijos, yo he venido para
ayudarle, venía tempranito y acomodaba las cosas de su puesto, y me iba a
estudiar, luego regresaba trayéndole el almuerzo; en la tarde, regresaba a
ayudarle a cerrar su puesto, no le gustaba que estemos jugando o correteando
(Marta, Juliaca, nuestra traducción).
En este caso, la madre de Marta va realizando las primeras rupturas con el universo
comercial. Las disposiciones comerciales se van movilizándose. Cuando Marta concluye sus
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estudios secundarios, se traslada a la ciudad de Arequipa para estudiar dos carreras
profesionales: servicio social y psicología; sin embargo, Marta continuaría con el negocio de la
madre años más tarde. Cuando le preguntamos a Marta cuál era la razón para no desenvolverse
en su profesión y continuar en la actividad de su madre. Ella manifiesta que son por dos razones:
los lazos afectivos y económicos para continuar el negocio de la madre. Cabe señalar que, Marta
tuvo una relación esporádica con el mercado, es decir, no estableciéndose como su madre.
La mayoría de los hijos, de Marta, se desenvuelven en el universo profesional. Si bien
recibe apoyo de sus hijos en las ventas por fiestas de navidad y de fin de año, ninguno de sus
hijos se dedica o actúa directamente en el negocio o la venta. Al indagar, si alguno de sus hijos
estaba involucrado en el negocio. Ella niega con claridad su relación con el negocio por parte
de los hijos como lo resalta de la siguiente forma:
Con ¿negocio?, no, no. Ellos tienen su profesión y trabajan allí. Ahora, que
me venga ayudar es otra cosa, por ejemplo, para navidad yo traigo pavos y
viene uno y me ayuda. Mi hija viene a veces; mi hijo se está yendo a las dos
de la tarde y mi hija está llegando a las seis de la tarde, así, ellos se organizan
[…] (Marta, Juliaca, nuestra traducción).
La madre afirma con claridad la ruptura con las disposiciones comerciales. La relación
de los hijos es de apoyo. Así, de todos sus hijos es Juan quien mantiene una cercanía más
próxima con la madre en comparación con sus demás hermanos.
Juan es el mayor de los hermanos y trabaja en la ciudad de Juliaca. Su actividad laboral
está relacionada con la venta de libros de una editorial. Asimismo, capacita en el sector
educativo a docentes de educación básica, específicamente, en el uso de plataformas educativas,
paralelamente se desenvuelve en el mundo artístico. Los universos por donde se moviliza son
el artístico, el profesional y de emprendimiento. En el primer período de su vida (la niñez), Juan
estaba relacionado con el ambiente artístico. En ese contexto, comienza a formarse la
disposición musical. Esta se arraiga en su entorno familiar e influye profundamente en Juan
como lo expresa en las siguientes líneas:
Desde muy pequeño, yo siempre estuve inclinado en el mundo musical. En mi
casa siempre existió la música, digamos que mi familia, por parte de mí padre
era muy musical: cada cumpleaños, cada fiesta era acompañada por una
guitarra y todos cantaban; desde ahí nace y parte mi vena musical, mi madre
y mi abuelo, también tocaban, y además en Juliaca donde nací y crecí hasta
los cinco años. La música era parte de todos los días de la vida, entonces, de
ahí nace mi inclinación por la música y, obviamente, le doy refuerzo tocando
instrumentos, tocando en el colegio […] (Juan, Juliaca, nuestra traducción).
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El padre juega un rol central como agente de socialización en las disposiciones
musicales: […]La familia de mi padre aquí en Arequipa, digámoslo así, es muy criolla que en
todo cumpleaños y fiesta que había o situación que se reunían, siempre estaban presentes las
guitarras y se ponían a cantar y todo, no (Juan, Juliaca, nuestra traducción).
El contexto musical forma parte de la familia, principalmente, es el padre quien
contribuye en la formación musical de Juan. Ello se complementa con la educación musical que
recibiría en dos centros de enseñanza musical a lo largo de su vida. La educación musical fue
impulsada por el padre como lo resalta Juan: “[…] mi padre me apoya en mis
inclinaciones[musicales] y me pone a estudiar en la Federación Bancaria[niñez] y,
posteriormente, cuando estoy en Juliaca, me pongo a estudiar música y lo hago en la Escuela
Musical de Puno[juventud]” (Juan, Juliaca, nuestra traducción). La educación musical dentro
de la familia es incorporada por parte de su padre, sumándose el abuelo paterno como segundo
agente de socialización en el universo musical como lo resalta.
Mi abuelo paterno […] me contaba muchas historias del campo, donde él se
crio -Putina. Él tocaba su guitarra y su mandolina e iban, pues a las serenatas,
a las chicas y las fiestas. Y, todo ello, no. En su juventud, obviamente; Él
termina jubilándose como director de un colegio, y obviamente, siempre le
gustó el arte; yo cuando empiezo a desarrollar mi afición por la música,
“realmente el que me apoya en la música” fue mi abuelo paterno, es más, mi
primer instrumento más valioso me lo regala él a la edad de 7 años -me regala
una melódica- y, después, a la edad de 12 años, un charango
en Bolivia.
Luego a la edad de 18 años, una bandurria
, entonces, él por su calidad de ser,
digamos, me impulsó a que yo pueda adquirir experiencia en ese tipo de cosas,
no […] (Juan, Juliaca, nuestra traducción).
La socialización de la música es incorporada por Juan mediante el padre y el abuelo
paterno. Este último, le regala tres instrumentos musicales en cada una de las épocas de su vida:
en la niñez le regala una melódica, en la adolescencia un charango y, finalmente, en su juventud
una bandurria. Por ello, el abuelo paterno y el padre constituyen agentes de socialización del
hábito musical. En la segunda socialización, las disposiciones musicales se van confirmando
como lo declara el entrevistado: “[…]en el colegio, cuando tengo más edad, conformo grupos
y participábamos en eventos y, nos va muy bien. Ahí es cuando comienzo mi carrera musical
[…]” (Juan, Juliaca, nuestra traducción). La niñez y la adolescencia parecen afianzar la
transferencia del hábito musical. Esta, inclusive, aparece en la etapa de la juventud de Juan,
cuando comienza los estudios universitarios como lo indica:
El charango es un instrumento de cuerda, su origen es peruano-boliviano.
La bandurria es un instrumento de cuerda familia de laúd.
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[…]yo soy fundador de la Tuna universitaria de la Universidad Nacional
Néstor Cáceres Velázquez (UANCV), soy el primer tuno de la UANCV.
Después soy el primer charro de la ciudad de Juliaca. En Juliaca, no existía
mariachis y el primer cantante de ranchera de Juliaca ha sido mi persona:
como el primer charro de la ciudad de Juliaca […] (Juan, Juliaca, nuestra
traducción).
En la universidad, Juan funda dos grupos musicales y se incursiona en el canto,
específicamente, de música ranchera. La trayectoria musical se fue consolidándose en su
juventud, pero tomaría un nuevo rumbo: Juan decide postular a la carrera de administración.
Según él, este cambio, se relaciona a una prueba vocacional:
[…]cuando yo iba postular a la universidad, como todo joven, estaba muy
perdido. Yo pensaba que iba a ser ingeniero de sistemas, pero en la academia
de Arequipa me convencieron para que me presentara a medicina, y al final,
no ingresé a ninguna. Y, me fui a Juliaca, cuando estaba en la universidad
andina [universidad privada], me tomaron una prueba vocacional. En esa
prueba vocacional me salió dos opciones: administrador de empresas y, la
otra, como musico profesional. En esa oportunidad la universidad solo
ofrecía la carrera de administración de empresas; ingreso, incluso, en el
primer puesto a la universidad en administración y, de ahí para adelante, me
gano la vida en esa rama […] (Juan, Juliaca, nuestra traducción).
Los estudios de administración de Juan no solo se relacionan a la prueba vocacional,
sino que fueron formándose desde su niñez. Esta inclinación se relaciona a la influencia,
también, de su padre.
[…] me considero un asiduo lector y en la matemática, también, muy bueno,
será por eso por lo que me incliné mucho por el tema de la administración. Mi
padre fue gerente por 17 años de la industria SURGE
, manejaba alrededor
de 17 empresas en la región [Arequipa] que eran las afamadas cocinas
SURGE, no solamente se manejaban a nivel nacional, sino también, que se
exportaban, incluso, a Bolivia, Ecuador, mi padre era gerente de todo lo que
era Surge en Arequipa y, pues yo pami vida viendo lo que él trabajaba. Esto
quizá me orientó por el lado que iba a tomar […] (Juan, Juliaca, nuestra
traducción).
El padre de Juan aparte de estar relacionado con el mundo del arte, también,
administraba una empresa que funcionaba a nivel nacional. Estas disposiciones emprendedoras
aparecerán más tarde en Juan.
La industria SURGE es una empresa peruana que se dedica a la fabricación de aparatos de uso domésticos, por
ejemplo, cocinas.
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La ruptura con las disposiciones comerciales
Juan y su madre se alejan del universo comercial. La madre de Juan, como lo hemos
descrito, ha estudiado dos profesiones: servicio social y psicología. Al preguntar a Juan, si
alguna vez pensó en dedicarse a la venta de pescado como su madre, él menciona que no es
coherente como es expresada a seguir:
La verdad que -yo ayudo a mi madre-, quizá de todos mis hermanos -como te
habrá contado mi madre- ya que estoy más con ella, por ejemplo, en las
campañas que ella tiene por fin de año en su negocio, en alguna oportunidad,
se me cruzó por la mente en dedicarme a esto, también. El detalle es algo muy
fundamental, y es que mi señor padre -que en paz descanse- siempre nos
inculcó algo importante: “tú tienes la obligación como hijo de ser más que tu
padre”, entonces, digamos: tu madre no se ha quedado en un mercado a vender
pescado para que su hijo siga en ese mercado vendiendo pescado y… no sé si
te habrás dado cuenta, pero el mantener un negocio, como el de mí madre, es
¡muy sacrificado! No solamente por el tema del viaje, sino es por el tema de
que tiene que abrir su negocio a las cinco de la mañana, agarrar hielo y,
entonces, es “un trabajo muy desgastante”, “muy agobiante” y, la verdad, yo
que he crecido con esto, no tengo la más cercana idea de vivir de eso porque
el ser comerciante de pescado es una angustia diaria […] (Juan, Juliaca,
nuestra traducción).
Las razones, según Juan, se relacionan a que la actividad de su madre es muy sacrificada,
un alto nivel de pérdidas y de estrés, esto es, un espacio de incertidumbre: cantidad de productos
que se venderán y qué parte será materia de pérdida. Por tanto, los hijos que conocen la actividad
sacrificada de la madre realizan una ruptura con el universo del comercio. Asimismo, la madre
ha reforzado la ruptura con las disposiciones comerciales desde que sus hijos eran niños, no
permitiéndoles permanecer en el mercado junto a ella. La discontinuidad en la venta de pescado
es aún profunda, ya que estaría relacionada a un principio familiar que han heredado
generacionalmente en su familia.
En suma, las dos familias se caracterizan por poseer configuraciones familiares
heterogéneas. Esto debido al tránsito por diferentes universos sociales entre las jefas de familia
y los hijos. Asimismo, el contexto de ruptura en relación con el universo comercial es
diferenciado. En el caso de la familia A, la ruptura se produce en la segunda socialización de la
hija menor, movilizándose la trayectoria social de la familia. Para el caso de la familia B, la
ruptura con el universo comercial se realiza en la primera socialización del hijo mayor.
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Conclusiones
Nuestro estudio ha tratado sobre la movilización de las disposiciones dentro de la
familia. El principal indicio muestra que la reproducción de las disposiciones de las jefas de
familia no es reproducida por lo hijos. Esto se ve reflejado, primero, en la pluralidad
disposicionales que se establecen en las familias estudiadas: rurales, comerciales, musicales,
emprendedoras y profesionales que se han formado en los diferentes contextos de los actores
sociales. Asimismo, la discontinuidad se relaciona a las rupturas disposicionales que los hijos
van realizando dentro su trayectoria social. En el caso de la familia A (Marta y Juan) el contexto
de disociación con el universo comercial se produce en la primera socialización. En el caso de
la familia B (Eva y Judit), la ruptura se efectúa en la segunda socialización. Estas rupturas
biográficas generan la movilización de las disposiciones comerciales (propio de las jefas de
familia) en dirección a las disposiciones profesionales.
Segundo, la no reproducción social se relaciona a la matriz de socialización de las
disposiciones que influye en los actores sociales. En este caso son diferenciados en ambas
familias. Para el caso de la familia A, la matriz de formación de las disposiciones profesionales
se produce por parte de la institución educativa donde estudia Judit. En la familia B, las
disposiciones profesionales son movilizados por la madre desde la primera socialización de
Juan. Asimismo, intervienen otros agentes de socialización que complementan las
disposiciones profesionales: el abuelo y el padre, ambos actores influyen en las disposiciones
musicales y emprendedoras de Juan. Por tanto, la pluralidad de las disposiciones está
relacionada a la matriz de socialización y los contextos por donde los actores han transitado en
su trayectoria social. Esto conlleva a afirmar que ambas familias adquieren configuraciones
familiares heterogéneas.
El estudio de la informalidad en jefas de familia que laboran en el mercado de abastos,
apertura una nueva mirada para comprender el trabajo informal. Ello a partir de la transferencia
de las disposiciones hacia los hijos dentro de la familia. En este caso, se ha orientado a partir
de la perspectiva del actor plural que ha posibilitado profundizar en las invariaciones de las
disposiciones tanto interior como exteriormente dentro de los individuos. Asu vez, los indicios
muestran que la informalidad se encuentra en una etapa de movilización, esto es, la primera
generación de los actores sociales (los padres) cuya matriz de trabajo estaba relacionada al
trabajo informal, movilizándose hacia la clase media. Resulta apresurado afirmar una
movilización homogénea del sector informal hacia la clase media. Por ello, recomendamos que
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se amplíe el estudio a mayor cantidad de grupos familiares, con la finalidad de acercarnos al
proceso de movilidad social y los nuevos sentidos de la informalidad.
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Francisco Euler Otazu CONZA
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DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 23
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaria de agradecer à Universidade Federal de Pelotas (Mestrado em
Sociologia).
Financiamento: Gostaria de agradecer à CAPES pelo financiamento feito para o
desenvolvimento da pesquisa.
Conflitos de interesse: O presente trabalho não contém conflitos de interesse.
Aprovação ética: O trabalho é produto da dissertação de pesquisa que foi avaliada por um
jurado que fizeram as revisões a nivel teórico, metodológico e das análises da pesquisa.
Disponibilidade de dados e material: Os dados e os materiais que foram utilizados para a
pesquisa estão disponibilizados em sua íntegra na dissertação de mestrado, disponível de
forma online na plataforma da Universidade Federal de Pelotas.
Contribuições dos autores: O autor é responsável por toda a obra e faz uma contribuição
substancial para o desenvolvimento da sociologia do trabalho e da família para compreender
os novos rumos do trabalho informal em sociedades com altos níveis de trabalho informal,
neste caso, o Peru.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 1
DIFFICULT HERITAGE: DISPOSITIONS AND SOCIAL TRAJECTORIES IN TWO
FAMILIES FROM JULIACA (PERU)
A DIFÍCIL HERANÇA: DISPOSIÇÕES E TRAJETÓRIAS SOCIAIS DE DUAS
FAMÍLIAS DA CIDADE DE JULIACA NO PERU
LA DIFÍCIL HERENCIA: DISPOSICIONES Y TRAYECTORIAS SOCIALES EN DOS
FAMILIAS DE LA CIUDAD DE JULIACA-PERÚ
Francisco Euler Otazu CONZA1
e-mail: eulerfrancisco36@gmail.com
How to reference this article:
CONZA, F. E. O. Difficult heritage: Dispositions and social
trajectories in two families from Juliaca (Peru). Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-
4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757
| Submitted: 07/02/2023
| Required revisions: 11/09/2023
| Approved: 25/10/2023
| Published: 30/12/2023
Editor:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Federal University of Pelotas (UFPel), Pelotas RS Brazil. Adjunct professor at the Faculty of Social Sciences
of the Universidad Nacional del Altiplano-Puno (UNAP). Master in Sociology (UFPel).
Difficult heritage: Dispositions and social trajectories in two families from Juliaca (Peru)
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 2
ABSTRACT: This article aims to study two families in relation to their trajectories and
dispositions in the Peruvian city of Juliaca. Both families are observed from Bernard Lahire’s
perspective of plural actor. Lahire, specifically, has focused on the discovery of parents’
transferring (or not) of informal work to children. Qualitative methodology was applied and
two members of each family were considered: head of household and son/daughter. Since mid-
year 2021 until year 2022, in-depth interviews (2 or 3) were applied to each family member.
The main hint shows that informal work is not reproduced by children. In both families,
heterogeneous configurations (with commercial and professional settings) can be observed.
KEYWORDS: Informal labor. Family settings. Dispositions. Peru.
RESUMO: O presente artigo é o estudo de duas famílias em relação a suas trajetórias e
disposições na cidade de Juliaca no Peru. As famílias são observadas a partir da perspectiva
do ator plural de Bernard Lahire, especificamente, centra-se no descobrimento da
transferência, ou não, do trabalho informal dos pais aos filhos. A metodologia usada é de cunho
qualitativo, contou com a participação de dois integrantes por cada família: chefa de família
e filha ou filho. Nesse sentido, entre 2021 e 2022, realizou-se entrevistas em profundidade com
dois e três membros de cada família. O principal resultado deste trabalho costa que a
reprodução do trabalho informal não é reproduzida pelos filhos, pois observam-se
configurações familiares heterogêneas com disposições comerciais e profissionais das famílias
estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Trabalho informal. Configurações familiares. Disposições. Peru.
RESUMEN: Este articulo aborda el estudio de dos familias en relación con sus trayectorias y
disposiciones en la ciudad de Juliaca, Perú. Las familias son observadas a partir de la
perspectiva del actor plural, de Bernard Lahire, de forma específica, se ha centrado en el
descubrimiento de la transferencia o no transferencia del trabajo informal de los padres hacia
los hijos. La metodología utilizada ha sido de corte cualitativo, contando con la participación
de dos integrantes por cada familia: jefa de familia e hijo(a), para ello, se ha realizado
entrevistas a profundidad entre tres y dos por cada miembro familiar a mediados del 2021 y
parte del 2022. El principal indicio muestra que la reproducción del trabajo informal no es
reproducida por los hijos, se observan configuraciones familiares heterogéneas con
disposiciones comerciales y profesionales en las familias estudiadas.
PALABRAS CLAVE: Trabajo informal. Configuraciones familiares. Disposiciones. Perú.
Francisco Euler Otazu CONZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Introduction
Informal labor continues to be a controversial issue. It originated in Latin America in
the 1980s and has been growing since the 1990s. In Peru, there are two marked stages of
informality. On the one hand, the first studies of informality began in the 1980s (MANKY,
2017). In this context, informal work would be interpreted as the product of the social structure,
three visions stand out: the economic (DE SOTO, 2009), the anthropological (MATOS MAR,
1984; 2012) and the sociological (QUIJANO, 1980; 1998). These perspectives focus their
analysis on internal migration from rural areas to urban areas.
On the other hand, with the labor reforms established by the government of Alberto
Fujimori (1990-2000). The focus of analysis shifts to the actors. In this context, migrations are
in their third wave. They are the new Limeños (children born of provincial origins) who
undertake their own businesses, mobilizing under two strategies: traditional and modern in the
urban space (CATACORA, 2013). One study we highlight was the contribution of
anthropologists Jürgen Golte and Adans Valdivia (2019): the Trojan horses of the invaders:
peasant strategies in the conquest of greater Lima. Both anthropologists focus on migrants from
different geographical origins settled in the city of Lima: migrants from Lima, migrants from
the southern highlands, migrants from the northern highlands, and migrants coming from the
coast. Most of them are small business owners.
Most research on informality in Peru has taken a fragmented approach. On the one hand,
the first studies identified them as homogeneous groups resulting from the social structure, i.e.,
a macro-social view. On the other hand, with labor reforms, they focus on the social actors:
informal workers are agents of their own development, for example, the case of the
entrepreneurial groups of Unicachi and Gamarra - commercial centers of migrants from
southern Peru - far from forming a homogeneous mass within the body of informality, they
decide to group together through different networks of association: affective, economic, social
and cultural (CATACORA, 2013; ROJAS, 2014; 2021), although such research observes
informality at different stages; to a limited extent it has been approached from individuals. The
objective of this work has been to discover what dispositions are mobilized or suspended within
the family and what type of family configurations it acquired in the city of Juliaca
, Peru. We
are interested in discovering whether female heads of household (mother) inherit to their
The city of Juliaca belongs to the province of San Roman, located in the department of Puno, Peru.
Difficult heritage: Dispositions and social trajectories in two families from Juliaca (Peru)
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children the work they do: selling. To this end, Bernard Lahire's sociological perspective of the
plural actor has guided this research.
The study of dispositions based on two family groups in a social space with an informal
tradition is complex and requires a broader analysis. Using in-depth interviews with two family
groups, we focused on the social and biographical trajectories of the participants. The
trajectories of the heads of household and their children were then cross-checked to verify the
transfer or non-transfer of dispositions between the two families. The information was obtained
from 04 participants, whose number of interviews was between two and three interviews per
interviewee. Likewise, two unstructured interview guides were designed: family and children.
The sample design was carried out in a theoretical-intentional manner, using exclusion and
inclusion criteria. In the case of the exclusion criteria, participants were considered to be
younger, with less experience in sales and who do not work in the Santa Barbara food market
.
Inclusion criteria for female heads of household: considerable age attained, i.e., senior citizens,
different line of business in the food market. In the case of the children, the criterion adopted
has been the geographic and affective proximity that they maintain with the female heads of
household.
The reduced study of families and arrangements in a social space of informal work is a
substantial contribution to the understanding of informality from the point of view of
individuals. Thus, the article is organized in three sections. First, the contributions of
Bourdieusian theory are analyzed, highlighting Bernard Lahire's plural perspective associated
with dispositions, focusing on the individual assets of social actors. In a complementary way,
Bernard Lahire's concept of family configurations is presented. Finally, the evidence is
presented in two moments: the unfolding (social profiles, social actors' dispositions,
dispositional ruptures, the crossing of social trajectories) and the reconstruction (family
configurations) of family groups.
Food markets are spaces where basic necessities are sold. The first food markets in Peru began operating in 1950
(INEI, 2017). In this case, we will refer to the Santa Barbara food market: the oldest in the city of Juliaca..
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The sociological perspective: habitus to individual heritages
The habitus represents the activating principle of practices. These refer to a set of
generative activities that unfold in the dialectical relationship between the habitus and the
situation. In this relationship, the agent carries out a process of adjustment within a social space.
Such a notion strives in overcoming essentialism, present in structuralism and individualism,
oriented to rescue the agent as an active, creative and inventive being (ORTIZ, 1989), that is,
an action that should not be confused as "a mechanical reaction, nor the product of a direct
determination by certain causes, nor a praxis inspired by a conscious project or a rational plan"
(BOURDIEU, 2019, p. 253-254, our translation), in abstract terms, the habitus embodies an
endless finality, which questions conditioning.
Likewise, habitus is a powerfully generative element that has been embodied in the
agent and is objectified in the ways of walking, standing and speaking as highlighted by Pierre
Bourdieu (1989) in the following lines:
A system of durable and transposable dispositions that, integrating all past
experiences, functions at every moment as a matrix of perceptions,
appropriations and actions [...] functioning all the time as permanent
dispositions that highlight a process of internalization and externalization,
more than a destiny, it is a possibility that is expressed in gestures, ways of
standing, walking and speaking (BOURDIEU, 1989, p. 65, our translation).
From this, we can conclude that the habitus is a system of lasting dispositions,
incorporated and embodied in the agents as a result of a double process: internalization and
externalization.
However, the notions of habitus and field require a critical and empirical revision, since
as the singular individual is introduced, plurality begins to emerge. Likewise, both concepts are
generalizing and homogenizing, and would correspond to the study of large social groups with
special or singular cases (LAHIRE, 2005; 2001). In this sense, the French sociologist Bernard
Lahire proposes a sociology on an individual scale or a psychological sociology, focusing on
the singular individual. The author looks for the social in the singular individual, entering into
the context of the primary and secondary socialization of social actors.
In contemporary societies, differentiated actors are produced. This is verified externally
and internally, since they have gone through different experiences throughout their social
trajectory. Therefore, their actions are diverse and heterogeneous. The author investigates the
social within the individual. For the author, social practice is the product of the incorporated
past and the current context, producing an observable practice.
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The theory of the plural actor
distances itself from two visions: the uniqueness of the
actor and internal fragmentation. On the one hand, the uniqueness of the actor is related to Pierre
Bourdieu's critique of the concept of habitus, which would end up understanding in a unitary
way the dimensions of practice. For example, in his work The Distinction of Tastes in French
Society, he generalizes the concept of class habitus in a social space: he examines tastes with a
social group and under a macro-sociological vision. On the contrary, by investigating each
singular actor, a less uniform and simple reality is noted (LAHIRE, 2001). On the other hand,
internal fragmentation is related to Erving Goffman's proposal about the self, that is, the
individual would be divided into different selves. In an evaluation, the problem of Bourdieu's
concept of habitus has been to highlight the uniqueness of dispositions, whereas Goffman's
problem was to overemphasize fragmentation (LAHIRE, 2005). In such analyses there would
be a sort of essentialism. Similarly, both visions interfere in the empirical observation of the
plural actor. Therefore, the proposal of the plural actor supposes the overcoming of these two
forms of essentialism (LAHIRE, 2001).
The plural actor theory focuses on the contexts of social actors. These contexts, through
which individuals have passed, are multiple, forming a plurality of dispositions. These
dispositions are neither coherent nor homogeneous, but form a stock stored within the
individual's trajectory, which in some cases may or may not be updated. Bernard Lahire's aim
is to enter into the incorporated past and into the experiences of previous socializations in order
to question a homogeneous articulation between the past and the present.
The disarticulation between the past and the present of social actors. Theories of action
that have focused on the actor's past (early childhood) have been oriented along these lines. In
contrast, other theories have focused on the present (moment of action) without considering
past actions. This has led to two oversights. First, those oriented to the actor's past do not take
into consideration the order of interaction, the singular and pragmatic characteristics of the
contexts. Second, those that are directed towards the actor's present, voluntarily or
involuntarily, do not argue that all present action depends on the actors' embodied past
(LAHIRE, 2001). Thus, both perspectives study the social actor separately. Therefore, the
articulation between the past and the present are heterogeneous. We observe this in the micro-
The plural actor theory seeks to understand the individual in all its complexity, drawing on the literature of Marcel
Proust and French sociology (Emil Durkheim, Maurice Halbwachs and Pierre Bourdieu) (LAHIRE, 2001).
Francisco Euler Otazu CONZA
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crises or maladjustments
that individuals go through throughout their social trajectory. This is
also observed in the case of the family.
Heterogeneous family configurations
The transmission of the habitus in the family takes place in a harmonious way. Within
the family, the constitution of the habitus is interpreted as a mental structure which, having been
inculcated in all individuals socialized in a certain way, is both individual and collective
(BOURDIEU, 1996). It is also oriented towards the maintenance of a social order, that is,
reproduction, not only biological, but also social, which is related to the structure of a space of
social relations. Therefore, the family, under Bourdieu's vision, is a place par excellence "of
accumulation of capital and its different species and of its transmission between generations: it
safeguards its unity by and for transmission, in order to be able to transmit, and because it is so
much that it transmits" [...] (BOURDIEU, 1996, p. 131, our translation). In this sense, the family
is an institution of social reproduction.
On the other hand, for Bernard Lahire, the family is not designated as a coherent,
homogeneous and harmonious organism, as highlighted by the macrosociological visions of the
family environment. Also, it is not common to find uniformly homogeneous family
configurations, culturally and morally as the author emphasizes.
[...] there are few model cases that would allow us to speak of a coherent
family habitus, producing general dispositions entirely oriented in the same
directions. Many children live concretely within a family space of
socialization with variable demands and varied characteristics, where
examples and counter-examples walk side by side (an illiterate father and a
sister at university, brothers and sisters with school "success" and others with
failure, and so on), a family space in which contradictory principles of
socialization intersect [...] (LAHIRE, 2001, p. 45-46, our translation).
Likewise, the dissonance in the family
, proposed by Lahire, is noted in highlighting the
plurality of experiences of the actors. In this case, the family appears as the matrix of the
formation of children's mental dispositions and behaviors, where they learn; but it is also where
suffering and all evils are present. For example, in the case of writing, the differences in the
conformation of this socialization matrix are visualized.
The desires of the actors and the real situations are not always coherent. Within this articulation, small and
medium crises can be observed: divorces, family crises, etc. (LAHIRE, 2001).
Another study on family and school is found in his book entitled in Portuguese Sucesso escolar nos meios
populares: as razoes do improvável, published in 2004.
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Children who incorporate the functions, representations and certain specific
cognitive and organizational effects of writing by indirect and diffuse
impregnation, that is, through a whole family environment and not through
direct acts of writing and reading (requested or explained, carried out as a
collaborator, observed and imitated) (LAHIRE, 2011, p. 18, our translation).
The family universe is oriented as pedagogically instigating, the school stages this
universe. On the other hand, children who have not been familiarized with writing and reading:
the school embodies a new universe. For our case, we will observe the heterogeneity of family
dispositions in informal sectors as we will see below.
Social profiles and individual trajectories
The social profiles that will be presented below have been reconstructed from the
interviews. Thus, we present four social profiles in the following order: Marta and Juan (son),
Eva and Judith (daughter)
. Likewise, the analysis has been divided into two groups: family A
(Marta and Juan) and family B (Eva and Judith). This was done in order to analyze and expose
the family configurations.
Marta: trade and profession
Marta sells in the fish section. She has been working at the market for more than 15
years; her mother also sold at the same stall she now occupies. Marta emphasizes that her
mother did not allow her children to come to the market, she only came to help her in specific
ways: opening her stall, bringing her lunch and closing her stall. Marta has completed two
professions at the university: social service and psychology, both of which she has not practiced.
Marta's work starts early: she gets up at five in the morning to get to the market at six in the
morning to open her stall. She sells at the market for three days, then goes to the city of
Arequipa: she sells and buys merchandise to bring back to the city of Juliaca. Most of Marta's
children live in the city of Arequipa, except for Juan (the eldest son), who lives in the city of
Juliaca for work. She has four children: three boys and one girl: the oldest is 46, the next is 39,
the other is 38, and the youngest daughter is 36. Each of her children has higher education: one
is a business administrator, another is a SENATI (National Technical Training Service)
technician, the third is an early childhood education teacher, and the last is a computer network
technician. Most of her children, except the eldest, are working in their professions.
The names used are fictitious. This is to protect the identity of the participants.
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Juan: music and profession
Juan has been involved in various work activities. Among those we have been able to
identify: music, sales in the publishing industry and entrepreneurship. Likewise, he has not
concluded his studies in administration: he uses it as a work tool for the activities he is dedicated
to, especially in the area of publishing. Of the three activities, the musical activity acquires
notoriety in his trajectory. This activity was influenced by his father and paternal grandfather.
He grew up away from the commercial activity, since his mother, as well as his grandmother,
did not allow their children to dedicate themselves or to be related to the commercial activity.
Eva: trade and the second home
Eva has been working in the world of commerce since she was very young. She migrated
to the city of Juliaca when she was 16 years old. Her parents are of peasant origin, they were
dedicated to farming and livestock activities. She started selling lamb meat at the country fair
in the city of Juliaca, which is now the commercial center n. 1 (a space dedicated to the sale of
different products of first and second necessity). She would remain in that space for a short
time, as they would be relocated to the Santa Barbara food market. She would remain for more
than 15 years working in the market in the meat section. However, in a period of crisis: the low
consumption of lamb meat and the growth of lamb meat vendors caused her to leave. In this
context, her stall is transferred to another vendor
. From that moment on, Eva did not return to
the market. At present, she lives with her youngest daughter (Judit), who has also shared the
same biography in the market.
Judith: trade and profession
The youngest daughter of three siblings, Judit grew up in the world of commerce from
an early age. She sold with her mother in the market, spending her childhood and part of her
adolescence in the market. She emphasizes that the market was her life, however, as we have
pointed out, the crisis experienced by the mother also affects the daughter's trajectory, in this
case, the mother leaves the market and the daughter becomes a teacher. In her early days as a
student, she still had the idea of continuing in the world of commerce and, at the same time,
studying, but her pedagogical studies
did not allow her to remain in both activities, which is
why she is fully involved in her studies. At present, Judit is a primary school teacher and works
The transfer of a stall at the food market is made available to another vendor.
Pedagogical studies are mandatory for teaching in the education sector.
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in the interior of the city of Juliaca. She lives with her mother, her daughter and her husband,
who is also a teacher.
Family dispositions and individual estates: the difficult inheritance
As we have observed (in the social profiles described) in the case of Eva and Judit, the
commercial universe stands out, specifically, the sale of lamb meat in the Santa Barbara market.
However, both of them have abandoned this activity for about ten years, and in a reconstruction
of the family A we maintain that there are two family biographies marked in both trajectories:
the work in the market and the break with the commercial universe.
Family A: rural, commercial and professional provisions
The formation of the universe of commerce. Commerce is one of the activities that
expands in the city of Juliaca in a generalized way. In this case, Eva had migrated to the city of
Juliaca to start selling lamb meat. It should be noted that Eva did not start in the Santa Barbara
market, but rather in the farmers' market in the city of Juliaca, as she points out: "Yes, before...
before... there was none, but we also started selling in the small market
. That was the first
market, and from there, we have come here to Santa Barbara. In the old market, which was in
the commercial center, [...] it was just pampa
, they sold everything there; it was like a Qhatu
[a Quechua etymological word meaning fair or open-air market] [...]. As Eva indicates, she
began selling lamb meat in a non-fixed stall, that is to say, she sold in the street. Thus, most of
the first vendors who established themselves in the Santa Bárbara market came from the
Commercial Center n. 1 in the city of Juliaca. It was there, according to Eva, the first social
relationship with the universe of commerce.
In Eva's case, the rural dispositions are formed in the first socialization, relating to
agricultural and livestock activities, although on a small scale and for self-consumption. The
transition from the rural to the urban world is not a process of rupture, but of complementarity.
The knowledge acquired from the rural world: developing agricultural and livestock activities
embodies a rural disposition that is mobilized in the urban space.
Open-air market that would later be relocated to the Santa Barbara market.
Etymologically, it comes from Quechua, which means a flat space or plain. It should be noted that Eva uses the
Quechua word in most of the interviews, since it is her mother tongue.
Francisco Euler Otazu CONZA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 11
In the city of Juliaca, Eva moves between two social spaces: the market and her home.
She mentions that the market symbolizes her second home
, since most of the time she has
remained at her stall. Thus, her work schedule began at five in the morning and lasted until six
at night, even on weekends.
To go to the market to sell, I would get up at 5:00 a.m. and I was at the market
until 6:00 in the evening, of course, I would come home for lunch: every day
I went to the market to sell. But sometimes there was cleaning [inside the
market] and on Sunday I didn't go out. That day, I would clean my house and
go to the market to shop for cooking; sometimes I would take heads
and skin
them to sell [...] (Eva, Juliaca, our translation).
As can be seen, Eva spends most of her time in the market. This indication shows the
formation of "commercial dispositions" during her youth (second socialization), which are
translated between sales and customers. In this context, of her three children, only the youngest
daughter (Judit) socializes with the world of commerce. Her other children would opt for other
activities. In this way, the trajectories of the daughter and the mother are intertwined with the
food market.
The mother highlights the daughter's role in the world of commerce. These are reflected
in the close emotional and working relationship between the two. As she emphasizes in the
following lines:
[...] My little daughter has worked a lot, too, she used to sell and go to school
.
She was a hard worker, she got up very early: at 6:00 a.m. she was already
selling. She would gather the people, while I was preparing breakfast. She
would come back saying: - Mommy, I have sold! -. She would give me every
penny of what she sold, sometimes she would stay in the market, I would tell
her: -Run to sell, I am going to stay a while to wash clothes and do things-.
She, too, is a butcher [laughs] (Eva, Juliaca, our translation).
The mother states that her daughter has been involved in the world of commerce since
she was seven years old. In relation to her other siblings, the youngest daughter maintains labor
ties with sales. In this context, the consistency of the transfer of commercial arrangements to
her youngest daughter appears.
This could be exemplified as a "total institution" in the words of the Canadian sociologist Erving Goffman.
In this case, the expression "take heads" is related to the collection of merchandise, in this case, the lamb's head
that is used to prepare a soup.
The Peruvian education system is divided in two: basic education (pre-school, primary school and secondary
school) and higher education.
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At that time, Judit's routine takes place in two social spaces: the school and the market.
These are formed in the ways of getting up early, going to the market, buying merchandise and
attending school at the same time:
[...] Every day, I would get up at five in the morning to buy merchandise in
other markets, because we sold lamb and offal, so I would go to other markets
to buy [merchandise] at a lower price, no. And then I would bring all this to
sell it in the market; I would get everything ready and start selling; I was also
in elementary school, so at seven in the morning I had to come home to get
ready, eat my breakfast to go to school, so when I got out of school, which
ended at one in the afternoon, I would go back to the market to continue
helping my mother and have lunch there, too. Then, I would stay until half
past five or six in the afternoon, when we finished, and we would go home, so
that was every day [...] (Judit, Juliaca, our translation).
The habit of going to the market every day is an indication of the formation of
commercial dispositions. This is conceived in Judit's first socialization. It is at the market that
commercial dispositions are established. Likewise, the predisposition that is being formed also
entails her sacrifice, in this case, to reduce the activities of the first socialization in order to
dedicate herself to work, as Judit expresses it in the following way:
[...] I haven't had much of a childhood: playing, no, not like other children; I
have spent my time working, but what I have learned is that several merchant
mothers also had their daughters who were also my contemporaries, so we all
always did that work: we studied and worked in the market [...] (Judit, Juliaca,
our translation).
Likewise, Judit emphasizes that socialization with the market is not a unique case; other
girls, too, developed the same role. Despite the fact that trading is a job for adults. The business
and constantly interacting with others pleased Judit: "[...]A nice experience is the work in the
market because I liked it, no [...], [...] I liked selling meat, so, that situation of commerce of
buying, selling, no [...]" (Judit, Juliaca, our translation).
The universe of commerce for Judit translates into obtaining money and accumulation.
Likewise, selling was not an imposed activity: "[...] I liked to exchange, to have money in my
hand: to collect, and I did it because I liked it and not because my mother forced me, I think my
life was the market [...]" (Judit, Juliaca, our translation). The satisfaction of being interrelated
within the market and the sale becomes a commercial disposition that translates, following
Pierre Bourdieu, into a structuring structure.
The relationship between the labor universe (the market) and the school universe would
continue in the second socialization: school. In adolescence, incorporation is total, as Judit
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points out: "[...] In school, rather, it was my job [to be in] the market, I was there all the time
[...]" (Judit, Juliaca, our translation). In this period, the universe of commerce constitutes a
disposition that translates into a socialized body.
The biographical break with the commercial universe
The suspension of commercial arrangements. A crisis arises in the biography of Judit
and her mother. After having worked in lamb meat sales almost all their lives, they decide to
leave the market, taking different paths. In this case, the decision was associated with the drop
in demand for lamb meat. Momentarily, they decide to reactivate their business, buying more
merchandise and acquiring a bank loan, but this crisis would persist. Therefore, they decide to
sell their stall and abandon their business. On the one hand, the mother moves into the cooking
business: selling lamb head broth
outside the city of Juliaca. On the other hand, the daughter
decides to become a teacher.
In the daughter's case, commercial provisions are replaced by professional provisions.
It should be noted that Judit worked in the market until she was 18 years old. This change is
related to the appearance of professional dispositions: studying to become a teacher, as
reproduced in the following lines:
Hum... I always had a goal: to be a professional. Well, apart from the fact that
I liked to support my mother in the market, but I had to be a professional and
this, I had many difficulties to become a professional, because suddenly, if I
had had more economic support from my parents, I would have gone to
another university or another place; but the only option I had was to study at
the Pedagogical School because, also, it did not demand much expense, right,
and since I was in Juliaca, I had to study, yes or yes, at the Pedagogical School.
And, apart from the fact that I also liked the field of education a little bit, but
I wanted to pursue a professional career in law, right? But I didn't have that
possibility and I had to think, no, to be a professional and I decided to study
(Judit, Juliaca, our translation).
Commercial provisions are mobilized. This rupture deeply affects Judit:
[...] When I left the market, "I was quite shocked", that was when I was 18
years old, when I was in the pedagogical school
, because I studied my higher
education at the pedagogical school, I was already studying for two semesters
and I had to leave the market. The pedagogical school did not allow me to
continue with the market, as it is in a school form: as in the school; then, I had
The preparation of a stew based on lamb's head is common in the highlands of Peru.
The Pedagogical School is a public higher education center for the formation of future teachers, which requires
five years of study.
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to be all day at the market or continue my studies, there were two issues that
I had to decide for time reasons (Judit, Juliaca).
The professional disposition is strengthened by two factors: the beginning of her studies
in pedagogy and her mother's departure from the sales field. At the beginning, the commercial
and professional dispositions come into conflict. Thus, at the beginning, Judit wished to
continue selling lamb meat, but as the semesters went by, the commercial activity became an
obstacle, since the commercial activity required more than one person to manage it. In this case,
as the mother had abandoned the meat business. This separation reinforces the abandonment of
the commercial universe:
[...] if my mother had continued selling, I would have continued helping her
in the afternoons or on Saturdays or Sundays, depending on my time, even
when I was in school, I still sold meat: January and February during vacation
time, but then it was no longer possible, because as you know, the commerce
is for you to be there every day, and the owners depend on your permanence,
it depends on you to be able to sell. So, as I was selling in January, February,
March and April, and the other months I was absent, I could not continue. That
is why I dedicated myself to studying. After the five years I was at the
Pedagogic School, I never went back to the market... [...] (Judit, Juliaca, our
translation).
Judit points out that, while she was in school, she tried to continue with her business,
working seasonally during the months when she did not have classes, but it was complicated
due to the time required to support both activities: studying and working. After that attempt,
she did not return to the Santa Barbara food market.
Therefore, we can induce that the configurations of family A are heterogeneous. This is
verified in the transit through different universes: rural, commercial and professional. Another
characteristic in relation to family A is the suspension of the commercial disposition by the
daughter and the activation of the professional disposition. This break with the commercial
universe is produced by two factors: the decrease in sales and the economic crisis, modifying
the social trajectory of both members.
Family B: commercial, professional, musical and entrepreneurial dispositions
Marta's and Juan's professional dispositions are heterogeneous. These dispositions are
not consistent: in some contexts they appear clearly and, in others, they are neglected. On the
one hand, the transfer of commercial dispositions is weak in Marta. This is confirmed in Marta's
second socialization. For example, the daughter's punctual concurrence to the mother's sales
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stand. This happens more clearly when she was a high school student, as Marta points out: "[...]
after I got out of school, because it closed at 7 p.m. [food market], at 5 p.m. I would come, after
changing, I would help my mother, that's right, that's how time went by, then I went to study at
the university in Arequipa and from there, I could not come anymore [...]" (Marta, Juliaca, our
translation).
It should be noted that, after high school, there was a "break" with the commercial
arrangements. In this context, Marta attended higher education in the city of Arequipa. This
rupture has been familiar, since Marta was the only daughter who maintained a relationship
with the market, because Marta's mother did not like her children to come to the market, as she
points out:
[...] in the case of my mother, she has never brought her children, I have come
to help her, she came early and arranged the things in her stall, and I went to
study, then I returned bringing her lunch; in the afternoon, I returned to help
her close her stall, she did not like that we were playing or running around
(Marta, Juliaca, our translation).
In this case, Marta's mother is making the first breaks with the commercial universe.
The commercial provisions are being mobilized. When Marta concludes her secondary studies,
she moves to the city of Arequipa to study two professional careers: social service and
psychology; however, Marta would continue with her mother's business years later. When we
asked Marta what the reason was for not pursuing her profession and continuing in her mother's
business. She states that it is for two reasons: emotional and economic ties to continue her
mother's business. It should be noted that Marta had a sporadic relationship with the market,
i.e., she did not establish herself as her mother did.
Most of Marta's children are involved in the professional world. Although she receives
support from her children for Christmas and New Year's Eve sales, none of her children are
directly involved in the business or sales. When asked if any of her children were involved in
the business. She clearly denies her children's involvement in the business as she highlights as
follows:
With a commerce? No, no. They have their profession and they work there.
Now, that they come to help me is another thing, for example, for Christmas
I bring turkeys and one of them comes and helps me. My daughter comes
sometimes; my son is leaving at two o'clock in the afternoon and my daughter
is arriving at six o'clock in the afternoon, so they organize themselves [...]
(Marta, Juliaca, our translation).
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The mother clearly states the break with commercial arrangements. The relationship of
the children is supportive. Thus, of all her children, it is Juan who maintains a closer relationship
with his mother than his other siblings.
Juan is the oldest of the brothers and works in the city of Juliaca. His work is related to
the sale of books for a publishing house. He also trains teachers of basic education in the
educational sector, specifically in the use of educational platforms, and at the same time he
works in the artistic world. The universes through which she moves are artistic, professional
and entrepreneurial. In the first period of his life (childhood), Juan was related to the artistic
environment. In this context, the musical disposition begins to form. This is rooted in his family
environment and deeply influences Juan as he expresses it in the following lines:
Since I was very young, I was always inclined to the musical world. In my
house there was always music, let's say that my family, on my father's side
was very musical: every birthday, every party was accompanied by a guitar
and everyone sang; from there my musical vein was born and starts, my
mother and my grandfather also played, and also in Juliaca where I was born
and grew up until I was five years old. Music was part of every day of my life,
so that's where my inclination for music was born and, obviously, I reinforced
it by playing instruments, playing at school [...] (Juan, Juliaca, our translation).
The father plays a central role as an agent of socialization in musical dispositions: [...]
My father's family here in Arequipa, let's say it this way, is very Creole, and in every birthday
and party that there were situations that they got together, there were always guitars and they
would sing and everything, no (Juan, Juliaca, our translation).
The musical context is part of the family, mainly, it is the father who contributes to
Juan's musical education. This is complemented by the musical education he would receive in
two music schools throughout his life. The musical education was encouraged by the father as
Juan highlights: "[...] my father supports me in my [musical] inclinations and puts me to study
at the Federación Bancaria [childhood] and, later, when I am in Juliaca, I start studying music
and I do it at the Escuela Musical de Puno [youth]" (Juan, Juliaca). Musical education within
the family is incorporated by his father, with his paternal grandfather joining him as a second
agent of socialization in the musical universe, as he points out.
My paternal grandfather [...] told me many stories of the countryside, where
he grew up -Putina. He played his guitar and his mandolin and they went, well,
to serenades, to girls and parties. And, all of that, no. In his youth, obviously;
He ends up retiring as a school principal, and obviously, he always liked art;
when I begin to develop my love for music, "really the one who supports me
in music" was my paternal grandfather, in fact, my first most valuable
instrument was given to me by him at the age of 7 years old - he gave me a
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melodica - and, later, at the age of 12, a charango
in Bolivia. Then at the age
of 18, a bandurria
, then, because of his quality of being, let's say, he
encouraged me to acquire experience in that kind of things, no [...] (Juan,
Juliaca).
The socialization of music is incorporated by Juan through his father and paternal
grandfather. The latter gives him three musical instruments in each of the periods of his life: in
his childhood he gives him a melodica, in his adolescence a charango and, finally, in his youth
a bandurria. Therefore, the paternal grandfather and the father constitute agents of socialization
of the musical habit. In the second socialization, the musical dispositions are confirmed as the
interviewee states: "[...] at school, when I was older, I formed groups and we participated in
events and we did very well. That's when I started my musical career [...]" (Juan, Juliaca).
Childhood and adolescence seem to consolidate the transfer of the musical habit. This even
appears in Juan's youth, when he begins university studies, as he indicates:
[...] I am the founder of the University Tuna of the National University Néstor
Cáceres Velázquez (UANCV), I am the first tuno of the UANCV. Then I am
the first charro of the city of Juliaca. In Juliaca, there were no mariachis and
the first ranchera singer in Juliaca was me: I was the first charro in the city of
Juliaca [...] (Juan, Juliaca).
In college, Juan founded two musical groups and started singing, specifically ranchera
music. The musical career was consolidating in his youth, but would take a new direction: Juan
decided to apply for a career in administration. According to him, this change is related to a
vocational test:
[...] when I was going to apply to university, like all young people, I was very
lost. I thought I was going to be a systems engineer, but at the academy in
Arequipa they convinced me to apply for medicine, and in the end, I didn't get
into any of them. And, I went to Juliaca, when I was at the Andean university
[private university], they took a vocational test. In that vocational test I had
two options: business administrator and, the other, as a professional
musician. At that time the university only offered the career of business
administration; I even entered the university in the first place in
administration and, from then on, I made a living in that field [...]. (Juan,
Juliaca, our translation).
Juan's management studies are not only related to the vocational test, but were formed
since his childhood. This inclination is also related to the influence of his father.
The charango is a stringed instrument of Peruvian-Bolivian origin.
The bandurria is a stringed instrument of the lute family.
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[...] I consider myself an assiduous reader and in mathematics, too, yes I am
very good at it, that is why I was very much inclined to the subject of
administration. My father was manager for 17 years of the SURGE
industry,
he managed around 17 companies in the region [Arequipa] which were the
famous SURGE kitchens, not only managed nationally, but also exported,
even to Bolivia, Ecuador, my father was manager of all that was Surge in
Arequipa and, well, I spent my life seeing what he worked. This perhaps
guided me in the direction I was going to take [...] (Juan, Juliaca).
Juan's father, besides being related to the art world, also managed a company that
operated at a national level. These entrepreneurial dispositions would later appear in Juan.
The break with commercial practices
Juan and his mother move away from the commercial universe. Juan's mother, as we
have described, has studied two professions: social service and psychology. When Juan is asked
if he ever thought about selling fish like his mother, he mentions that it is not coherent as
expressed below:
The truth is that -I help my mother-, perhaps of all my siblings -as my mother
may have told you- since I am more with her, for example, in the campaigns
she has for the end of the year in her business, at some point, it crossed my
mind to dedicate myself to this, too. The detail is something very fundamental,
and it is that my father - may he rest in peace - always instilled in us something
important: "you have the obligation as a son to be more than your father", so,
let's say: your mother has not stayed in a market to sell fish so that her son
continues in that market selling fish and... I don't know if you have noticed,
but maintaining a business, like my mother's, is very hard work! Not only
because of the travel, but also because she has to open her business at five in
the morning, get ice and, therefore, it is "a very tiring job", "very exhausting"
and, to tell the truth, I have grown up with this, I have no idea of making a
living from it because being a fish trader is a daily anguish [...] (Juan, Juliaca,
our translation).
The reasons, according to Juan, are related to the fact that his mother's activity is very
sacrificial, a high level of losses and stress, that is, a space of uncertainty: the amount of
products that will be sold and what part will be lost. Therefore, the children who know the
mother's sacrificial activity make a break with the universe of commerce. Likewise, the mother
has reinforced the rupture with commercial arrangements since her children were children, not
allowing them to remain in the market with her. The discontinuity in the sale of fish is still
SURGE Industry is a Peruvian company engaged in the manufacture of household appliances, such as stoves,
refrigerators and other household appliances.
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profound, as it would be related to a family principle that they have inherited generationally in
their family.
In sum, the two families are characterized by heterogeneous family configurations. This
is due to the transit through different social universes between the heads of household and the
children. Likewise, the context of rupture in relation to the commercial universe is
differentiated. In the case of family A, the break occurs in the second socialization of the
youngest daughter, mobilizing the social trajectory of the family. In the case of family B, the
break with the commercial universe occurs during the first socialization of the eldest son.
Conclusions
Our study has dealt with the mobilization of dispositions within the family. The main
evidence shows that the reproduction of the dispositions of female heads of household is not
reproduced by their children. This is reflected, first, in the plurality of dispositions established
in the families studied: rural, commercial, musical, entrepreneurial and professional, which
have been formed in the different contexts of the social actors. Likewise, discontinuity is related
to the dispositional breaks that the children make in their social trajectory. In the case of family
A (Marta and Juan) the context of dissociation with the commercial universe occurs in the first
socialization. In the case of family B (Eva and Judit), the break takes place in the second
socialization. These biographical ruptures generate the mobilization of commercial dispositions
(typical of female heads of household) in the direction of professional dispositions.
Second, social non-reproduction is related to the socialization matrix of the dispositions
that influence the social actors. In this case they are differentiated in both families. In the case
of family A, the matrix of formation of professional dispositions is produced by the educational
institution where Judit studies. In family B, the professional dispositions are mobilized by the
mother from the first socialization of Juan. Other socialization agents also intervene and
complement the professional dispositions: the grandfather and the father, both of whom
influence Juan's musical and entrepreneurial dispositions. Therefore, the plurality of
dispositions is related to the socialization matrix and the contexts through which the actors have
passed in their social trajectory. This leads us to affirm that both families acquire heterogeneous
family configurations.
The study of informality in female heads of household who work in the food market
opens a new perspective to understand informal work. This is based on the transfer of
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dispositions to the children within the family. In this case, it has been oriented from the
perspective of the plural actor, which has made it possible to delve into the variations of
dispositions both internally and externally within individuals. In turn, the evidence shows that
informality is in a stage of mobilization, that is, the first generation of social actors (parents)
whose work matrix was related to informal work, mobilizing towards the middle class. It is
hasty to affirm a homogeneous mobilization of the informal sector towards the middle class.
For this reason, we recommend that the study be extended to a larger number of family groups
in order to approach the process of social mobility and the new meanings of informality.
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Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. 00, e023027, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28i00.17757 22
CRediT Author Statement
Acknowledgements: I would like to thank the Federal University of Pelotas (Master's
Degree in Sociology).
Financing: I would like to thank CAPES for funding the research.
Conflict of interest: This work contains no conflicts of interest.
Ethical approval: The work is the product of a research dissertation that was evaluated by
a panel of judges who reviewed the theoretical, methodological and analytical aspects of
the research.
Availability of data and material: The data and materials used for the research are
available in their entirety in the master's thesis, available online on the platform of the
Federal University of Pelotas.
Authors’ contributions: The author is responsible for the entire work and makes a
substantial contribution to the development of the sociology of work and the family in order
to understand the new directions of informal work in societies with high levels of informal
work, in this case Peru.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.