A SOCIOBIODIVERSIDADE AMAZÔNICA EM BUSCA DE MERCADOS
INTERNACIONAIS
SOCIOBIODIVERSIDAD AMAZÓNICA EN BUSCA DE MERCADOS
INTERNACIONALES
AMAZON SOCIO-BIODIVERSITY IN SEARCH OF INTERNATIONAL MARKETS
Ana Margarida Castro EULER
1
e-mail: ana.euler@embrapa.br
Catherine AUBERTIN
2
e-mail: catherine.aubertin@ird.fr
Nathalie CIALDELLA
3
e-mail: nathalie.cialdella@cirad.fr
Como referenciar este artigo:
EULER, A. M. C.; AUBERTIN, C.; CIALDELLA, N. A
sociobiodiversidade amazônica em busca de mercados
internacionais. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2,
e023013, 2023. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
https://doi.org/10.52780/res.v28iesp.2.18868
| Submetido em: 15/08/2023
| Revisões requeridas em: 19/10/2023
| Aprovado em: 05/11/2023
| Publicado em: 29/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Embrapa Amapá, Macapá AP Brasil. Pesquisadora, PhD, Engenheira Florestal.
2
Institut de Recherche pour le Développement (IRD), Paris França. Pesquisadora, Doutora, Economista.
3
Centre de Cooperation International (CIRAD), Montpellier França. Pesquisadora, Doutora, Engenheira
Agrônoma.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023013, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28iesp.2.18868 1
A sociobiodiversidade amazônica em busca de mercados internacionais
2
RESUMO: Na Amazônia brasileira, o conceito de bioeconomia lança uma nova luz sobre
sustentabilidade do processamento e comercialização de produtos da floresta associados aos
territórios de povos e comunidades tradicionais. Este artigo se propõe a discutir as
potencialidades do desenvolvimento de ingredientes naturais (bioinsumos) a partir do
conhecimento de populações locais, de acordo com a demanda dos mercados internacionais.
Primeiramente, vamos relembrar como surgiu o conceito de bioeconomia, vinculado à
promoção da sociobiodiversidade. Em seguida, apresentaremos as principais tendências
observadas no mercado internacional de cosméticos. Com base em nossas experiências de
campo com as populações amazônicas e visitas realizadas em feiras e com profissionais da área
cosmética, identificaremos os obstáculos a serem superados para uma comercialização mais
ampla dos produtos amazônicos. Ao final avaliaremos o quanto a noção de sociobiodiversidade
é compatível com a lógica de mercado.
PALAVRAS-CHAVE: Amazônia. Bioeconomia. Produtos cosméticos. Cadeias de valor.
Povos e comunidades tradicionais.
RESUMEN: En la Amazonía brasileña, el concepto de bioeconomía arroja nuevas luces sobre
la sostenibilidad del procesamiento y comercialización de productos forestales asociados a los
territorios de pueblos y comunidades tradicionales. Este artículo propone discutir el potencial
para el desarrollo de ingredientes naturales (bioinsumos) a partir del conocimiento de las
poblaciones locales, de acuerdo con la demanda de los mercados internacionales. Primero,
presentamos cómo surge el concepto de bioeconomía, vinculado a la promoción de la
sociobiodiversidad. A continuación, haremos referencia a las principales tendencias
observadas en el mercado cosmético internacional. Con base en nuestras experiencias en
campo con poblaciones amazónicas y visitas realizadas en ferias y con profesionales en el
campo de la cosmética, identificaremos los obstáculos a superar para una comercializatión
más amplia de los productos amazónicos. Al final, evaluaremos qué tan compatible es la noción
de socio-biodiversidad con la lógica del mercado.
PALABRAS CLAVE: Amazonia. Bioeconomía. Productos cosméticos. Cadenas de valor.
Pueblos y comunidades tradicionales.
ABSTRACT: In the Brazilian Amazon, the concept of bioeconomy sheds new light on the
sustainable processing and commercialization of forest products associated with the territories
of indigenous peoples and local communities. This article analyzes the potential to develop
cosmetic products from natural ingredients based on local knowledge, and according to
international market demand. First, we review the concept of bioeconomy and its linkages to
the promotion of socio-biodiversity. We then present the main trends observed in the
international cosmetics market. Drawing from field experiences with Amazonian populations,
visits to fairs, and interviews with cosmetics professionals, we then identify the obstacles to a
wider commercialization of Amazonian products. We conclude with a discussion of how
compatible the notion of socio-biodiversity is with the market logics.
KEYWORDS: Amazon. Bioeconomy. Cosmetic products. Value chains. Indigenous and local
communities.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023013, 2023. e-ISSN: 1982-4718
Ana Margarida Castro EULER; Catherine AUBERTIN e Nathalie CIALDELLA
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Introdução
No seu primeiro discurso como Ministra do Meio Ambiente do novo governo Lula, em
4 de janeiro 2023, Marina Silva anunciou a criação de uma Secretaria de Bioeconomia para
estimular uma economia que valorize a sociobiodiversidade
4
. Trata-se de reconhecer o
conhecimento associado à biodiversidade para que seus detentores, povos e comunidades
tradicionais, possam dela obter renda digna e meios para gestão de seus territórios (Figura 1).
Figura 1 - Mapa da Amazônia com as categorias de destinação de terras de acordo com o tipo
de uso. Áreas em amarelo e verde claro são territórios da sociobiodiversidade,
respectivamente terras indígenas e UCs de uso sustentável
Fonte: ISA e Imazon, 2011 apud Imazom, 2015
A bioeconomia seria um novo avatar para a promoção de produtos da
sociobiodiversidade? Os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) com o
4
O Estado brasileiro reconheceu a importância do imenso patrimônio socioambiental ao criar a Política Nacional
de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (Decreto 6040/2007) e ao formular o
Plano Nacional de Promoção das Cadeias dos Produtos da Sociobiodiversidade em 2009. Assim, cunhou o
conceito de sociobiodiversidade como “a inter-relação entre diversidade biológica, sistemas socioculturais e o
manejo dos recursos naturais, com base no conhecimento e na cultura das populações tradicionais e dos
agricultores familiares” e de produtos da sociobiodiversidade como bens e serviços que têm relação direta com
essas populações, suas práticas, saberes e territórios (Decreto 6040/2007).
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conceito de desenvolvimento sustentável preconizam a valoração econômica dos elementos da
biodiversidade como alavanca transformadora garantindo sua conservação e a renda das
populações tradicionais (BRUNDTLAND, 1987; CBD, 1992). Mas será a bioeconomia capaz
de superar os problemas estruturais inerentes à Amazônia, tanto de inclusão das populações
tradicionais, quanto os gargalhos de infraestrutura para o desenvolvimento de suas cadeias de
valor?
O Brasil se tornou uma liderança global no debate ambiental a partir da promulgação da
Constituição cidadã
5
(BRASIL, 2016) e ao sediar a II Conferência da ONU sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento (RIO-92), ocasião em que foram assinadas a Convenção-Quadro
sobre Mudanças do Clima (CQMC) e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). No
contexto das negociações, a posição defendida pelo Brasil foi de cooperação multilateral com
“responsabilidades comuns, porém diferenciadas” (common but differentiated responsabilities
and respective capabilities - CBDR, princípio declarado pelo CQMC em 1992), trazendo ao
centro do debate o enfrentamento às desigualdades regionais entre países do norte e sul global
e a necessidade de transferência de recursos e tecnologias como condicionantes para
enfrentamento dos desafios globais.
Essa posição soberana reflete os avanços obtidos no Brasil com a mobilização da
sociedade civil em torno do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) e da Aliança dos Povos
da Floresta em defesa dos direitos territoriais e modos de vida dos povos e comunidades
tradicionais da Amazônia (MEMORIAL CHICO MENDES, 2022). Uma luta violenta, que
findou no assassinato de diversas lideranças, entre elas Chico Mendes em 1988, foi um marco
para a construção de uma política de regularização e demarcação de territórios de uso coletivo.
Por sua vez, o Brasil atua no cenário internacional a favor da promoção do uso sustentável da
biodiversidade e eleva os povos e comunidades tradicionais como guardiãs e provedoras dos
conhecimentos tradicionais associados a biodiversidade, assegurando a elas a repartição de
benefícios pelo acesso e uso desses recursos (ALEGRETTI, 2011).
Entretanto, essas populações ainda vivem em condições precárias e os indicadores
sociais da Amazônia brasileira o hoje os piores do Brasil
6
. O mito em torno do “tesouro verde”
5
A Constituição federal de 1988, no seu Artigo 225, declara que todos os brasileiros têm o direito fundamental
“ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações”.
6
Alguns indicadores comparados a média nacional: taxa de mortalidade infantil é aproximadamente 50% mais
alta; expectativa de vida é cerca de 5% mais baixa; índice de vulnerabilidade social (IVS-IPEA) é próximo de 40%
acima; população entre 25-29 anos que nem trabalha e nem estuda é 10% acima; renda mensal domiciliar per
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5
criado a partir da CDB está longe de ser uma prática consolidada
7
. Os conhecimentos e práticas
tradicionais sobre a biodiversidade, seus esforços para proteger o meio ambiente, assim como
os produtos que dele extraem e transformam, ainda não são reconhecidos pelo mercado na
forma de insumos de alto valor comercial e com retorno econômico justo para as comunidades.
Contudo, a valorização de produtos da sociobiodiversidade se insere em um contexto
em que prevalece a lógica do mercado regulatório aplicada às questões sociais e ambientais
(AUBERTIN, 2002), onde paira a dúvida se a comercialização de produtos da
sociobiodiversidade, por si só, pode garantir a conservação das florestas e melhorar a qualidade
de vida de suas populações (HOMMA, 2018).
Para responder a essa questão, este artigo se propõe a discutir o papel potencial a ser
desempenhado pelos mercados internacionais, notadamente o setor de cosméticos, como
propulsor da bioeconomia da sociobiodiversidade a partir da utilização de ingredientes naturais
(bioinsumos) da biodiversidade amazônica associada ao conhecimento de populações locais, e
considerando o perfil cada vez mais exigente dos consumidores.
Primeiramente, vamos relembrar como surgiu o conceito de bioeconomia e como esse
debate se insere no contexto da Amazônia e na promoção da sociobiodiversidade. Em seguida,
apresentamos as principais tendências observadas no mercado internacional de cosméticos.
Com base em revisão bibliográfica, nossas experiências de campo com as populações
amazônicas e visitas realizadas a feiras e entrevistas a profissionais da área cosmética,
analisamos obstáculos a serem superados e possíveis estratégias para uma comercialização mais
ampla dos produtos amazônicos. Ao final discutimos o quanto a noção de sociobiodiversidade
é compatível com a lógica de mercado.
capita é 40% abaixo; taxa de mestres e doutores por 100 mil habitantes é de aproximadamente 15% contra 45%
no restante do país (IBGE, 2010).
7 Se por um lado o Brasil foi pioneiro com a Medida Provisória 2186-16/2001, posteriormente com a lei
13.123/2015 (BRASIL, 2015) de acesso a biodiversidade e repartição de benefícios, reconheceu os direitos e
deveres do estado em relação aos seus Povos e Comunidade Tradicionais (Decreto Lei 6.040/2007 e Decreto
5.051/2004 ratifica Convenção 169 da OIT) e seus territórios (Lei 11.284/2006 de Concessão de Florestas
Públicas). Por outro, nos últimos anos houve aumento expressivo da perda de florestas (INPE, 2022), escalada da
violência contra as populações e invasões, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio em seus territórios
(CIMI, 2022; CPT, 2022).
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Bioeconomia da sociobiodiversidade: um debate em curso
Manter as florestas tropicais em pé e zerar o desmatamento são atributos fundamentais
para a descarbonização da economia mundial, assim como promover a conservação da
biodiversidade e sua valoração e uso sustentável (ABRAMOVAY; EULER; COSTA, 2022)
Nesse contexto, as florestas tropicais deveriam figurar no centro da agenda de promoção
mundial da bioeconomia, mas no âmbito internacional, são escassas as referências científicas
que associam bioeconomia às florestas tropicais (BUGGE; HANSEN; KLITKOU, 2016;
ABRAMOVAY; EULER; COSTA, 2022). As estratégias e políticas nacionais são em sua
maioria focadas na métrica do carbono, e a dimensão econômica é claramente dominante,
enquanto as perspectivas ambientais e sociais são menos representadas (COSTA, 2021).
Historicamente, a União Europeia (UE) foi protagonista no tema, ao adotar programa
de investimento em tecnologias baseadas em insumos de origem biológica para redução de sua
dependência energética em combustíveis fósseis. Isso envolve dedicar terras agrícolas à
produção de biomassa (culturas energéticas) ou energia (agrivoltaísmo), ter novos materiais de
origem biológica substituindo plásticos, desenvolver química verde por meio da bioengenharia
etc. (EUROPEAN UNION, 2012). Nos últimos vinte anos, a bioeconomia, que também se
associada aos conceitos de economia verde e economia circular, figura como um modelo
alternativo de produção associado (principalmente) a substituição de combustíveis e materiais
de base fóssil por biológicos, ao aumento da eficiência e produtividade no uso dos recursos
naturais e, em última instância, a inclusão social (UNEP, 2022).
No Brasil existem programas governamentais que contemplam a promoção da
bioeconomia
tanto
no
âmbito
federal
como
dos
estados
com
abordagens
diversas:
biotecnológica, bioinsumos, cadeias da sociobiodiversidade, restauração, serviços ambientais
etc. Notadamente, o impacto desses programas ainda é baixo, considerando a restrição
orçamentária, a ausência de uma visão estratégica e de instrumentos de governança em torno
de sua implementação (COSTA, 2021)
8
. Os estados do Amazonas e Pará, maiores estados da
Amazônia brasileira em termos de superfície, também definiram suas diretrizes e cadeias
produtivas estratégicas para um programa de bioeconomia (AMAZONAS, 2021; PARÁ, 2021).
Essa disputa de narrativas e amplitude de conceitos carrega ambiguidades que têm sido
alvo de críticas. Durante o Fórum Mundial de Bioeconomia realizado em Belém em 2021, os
8
Alguns exemplos são o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Bioeconomia e a Plataforma
Biofuturo (MCTI, 2018), o programa Bioeconomia Brasil Sociobiodiversidade (BRASIL, 2019), o Programa
Prioritário de Bioeconomia (PPBio) (SUFRAMA, 2018).
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Ana Margarida Castro EULER; Catherine AUBERTIN e Nathalie CIALDELLA
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movimentos sociais elaboraram um documento criticando a falta de representatividade e espaço
para discussão.
Não compactuamos com qualquer tentativa e estratégia baseada somente na
lógica do mercado. Somos contra processos de inovação que resultem em
pacotes tecnológicos e sistemas de produção de altos insumos, difundidos para
substituir a floresta nativa por monocultivo de variedades geneticamente
uniformes (CARTA DA AMAZÔNIA 2021, n.p.).
Nesse sentido, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
(FAO) tem promovido princípios orientados a sustentabilidade de programas de bioeconomia,
que incluem mecanismos de governança para assegurar processos de consulta e gestão de riscos
(FAO, 2021).
Costa (2021, p. 16), ao discutir os modelos teóricos de bioeconomia e sua aplicação para
o contexto amazônico conclui que “essa nova bioeconomia para a maior floresta tropical do
planeta deve ser criativamente implantada, pois não existem outros países tropicais que a
tenham desenvolvido”. Ao comparar as principais abordagens classificadas por Bugge, Hansen
e Klitkou (2016) biotecnológica, biorrecursos e bioecológica o autor defende que a mais
apropriada para a Amazônia se alinha prioritariamente com o conceito de bioeconomia
bioecológica, baseada na promoção da biodiversidade, conservação e restauração dos
ecossistemas e seus serviços, integrando também a participação social e distribuição de
benefícios entre os diferentes atores que integram as cadeias de valor. Costa e outros autores
(2022) cunham esse novo paradigma como “bioeconomia da sociobiodiversidade” apoiada em
sistemas agroflorestais, no extrativismo e em soluções locais capazes de promover o
desenvolvimento endógeno.
De forma similar, Waack e outros (2021) ao apresentarem proposta formulada pela
Concertação para Amazônia
9
, classificam três tipologias ou bioeconomias: florestal, de
commodities e sociobioeconomia. Essa última contempla redes de conhecimento produtivo
associadas às florestas e seus povos e comunidades tradicionais, com ciência e tecnologia
aplicadas a promoção do uso sustentável e diminuição das desigualdades sociais e territoriais.
Outras visões de destaque, se referem mais especificamente com a questão da
valorização da sociobiodiversidade em mercados internacionais. A iniciativa Amazônia 4.0
10
9
Uma Concertação pela Amazônia é uma “rede de pessoas, instituições e empresas formada para buscar soluções
para a conservação e o desenvolvimento sustentável deste território”. Disponível em:
https://concertacaoamazonia.com.br/sobre-nos/. Acesso em: 14 set. 2023.
10
Amazônia 4.0 é uma instituição formada por cientistas e pesquisadores que trabalha em parceria com
organizações que tem como principal tarefa entregar soluções ambientais para o bem-estar coletivo. Disponível
em: https://amazonia4.org/institucional/. Acesso em: 14 set. 2023.
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023013, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023013, 2023.
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28iesp.2.18868
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impulsionada pelo pesquisador Ismael Nobre (NOBRE; NOBRE, 2019), propõe integrar os
povos e comunidades da floresta à quarta revolução industrial e tecnológica (inteligência
artificial, internet das coisas, big data, redes neurais, drones, sensores remotos, QR Codes e
outros dispositivos) para a promoção de bioindústrias com geração de produtos inovadores e
com alto valor agregado na região. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) por sua vez, vislumbra uma bioeconomia na Amazônia orientada às atividades
produtivas e ao desenvolvimento tecnológico, agregando valor à sociobiodiversidade
amazônica através de investimentos nas áreas do conhecimento tradicional e inovação
tecnológica para agregação de valor a biomassa, preservação e expansão das florestas
(PAMPLONA; SALARINI; KADRI, 2021).
Todas as visões de bioeconomia para Amazônia convergem em princípios tais como a
promoção da diversidade, equidade, inclusão, regeneração, governança, valorização e respeito
aos conhecimentos tradicionais. Assim como destacam a necessidade de incorporação de
inovações científicas e tecnológicas e de infraestrutura como condição para a transformação de
recursos naturais em bens e serviços de alto valor econômico e social.
Este artigo adota a visão de bioeconomia da sociobiodiversidade como proposta por
Costa e outros (2022), e se propõe a explorar a área específica dos mercados de cosméticos.
Partimos deste exemplo particular para entender o papel atual ou potencial dos consumidores e
mercados internacionais e discutir se o ideário da sociobiodiversidade é compatível com a
lógica dos mercados. Na próxima sessão analisaremos as principais tendências e a participação
dos produtos da Amazônia no mercado mundial de cosméticos.
Tendências do mercado internacional de cosméticos em direção à sociobiodiversidade:
back to nature
O Brasil, e em especial a região amazônica, detém 30% da biodiversidade do planeta.
São cerca de 30 mil espécies de plantas catalogadas (REFLORA, 2021), mais de 159 com uso
econômico atual e potencial (CORADIN; CAMILLO; VIEIRA, 2022) sendo 60 para produção
cosmética (PASTORE et al., 2005). Assegurar o futuro da floresta passa por um novo modelo
de economia capaz de promover o uso sustentável, reduzir as taxas de desmatamento e
assegurar direitos e distribuição de renda aos seus povos e comunidades tradicionais. Vale
lembrar que 90% do desmatamento na Amazônia é ilegal e ocorre em terras públicas
(MAPBIOMAS, 2022). Na prática, a dinâmica econômica da região ainda está associada a
atividades não compatíveis com a floresta como a pecuária extensiva e monocultura de grãos.
Ana Margarida Castro EULER; Catherine AUBERTIN e Nathalie CIALDELLA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023013, 2023.
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Atualmente são inúmeras as barreiras para a realização do potencial da bioeconomia da
sociobiodiversidade, começando pela baixa densidade de pesquisas exploratórias sobre as
espécies, sua distribuição, características que as diferenciem quanto às potencialidades de uso
(RIBEIRO; SOARES-FILHO, 2022). Mesmo as cadeias de produtos conhecidos e com
mercados consolidados são pouco competitivas devido ao baixo nível de estruturação e
organização produtiva (protocolos de manejo e processamento, logística, aspectos regulatórios
e sanitários etc.) (VEIGA; RIOS, 2021).
A escolha exploratória deste estudo com foco no setor de cosméticos é pelo seu grande
potencial de agregação de valor aos produtos da sociobiodiversidade (CNI, 2013) com
repartição de benefícios e promoção do desenvolvimento local. Atualmente, a participação de
produtos da Amazônia, como óleos e manteigas vegetais, nos mercados internacionais é
irrelevante (COSLOVSKY,2021). Por outro lado, as substâncias naturais representam um ativo
estratégico para as empresas de produtos cosméticos pois têm grande apelo mercadológico
(FEBEA, 2022), embora presentes em pequenas quantidades na maioria (75%) dos chamados
“produtos naturais” (WYNBERG; LAIRD, 2015).
Segundo relatório publicado pela empresa Zion Market Research (2018), até 2024, o
mercado global de beleza e cosméticos deve ultrapassar 863 bilhões de dólares. Esse mercado
global mostra uma notável taxa de crescimento anual (média de 5% entre 2017-2020)
impulsionado sobretudo por influenciadores digitais, avanços científicos traduzidos em novas
tecnologias e inovações em produtos. É um setor dinâmico ao qual os consumidores dedicam
boa parte do seu orçamento, e estão cada vez mais preocupados com questões éticas, produtos
naturais, orgânicos e sustentáveis (FEBEA, 2022; COSMETICA ITALIA, 2022). O aumento
da renda nos mercados asiático e brasileiro, e a crescente inclusão de mulheres no mercado de
trabalho também são fatores que têm tido impacto direto no aumento do mercado de cosméticos
(L’ORÉAL, 2020).
De acordo com estudos estatísticos e relatórios publicados por empresas deste segmento,
os asiáticos são os maiores consumidores de produtos cosméticos seguidos por norte-
americanos e europeus ocidentais (STATISTA, 2022; L’ORÉAL, 2020; WYNBERG; LAIRD,
2015; ALIOZE, 2022 ). O Brasil é o quarto maior mercado do mundo, ficando atrás somente
dos EUA, China e Japão (WEBER, 2020). A França é o principal país exportador e domina o
mercado global de produtos cosméticos. um grande investimento em pesquisa em
ingredientes, matérias-primas, formulações, embalagens adensado na região chamada
Cosmetic Valley reconhecida como centro de excelência nesta área (COSMETIC VALLEY,
A sociobiodiversidade amazônica em busca de mercados internacionais
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023013, 2023.
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2023). Essa atividade econômica envolve 3.200 empresas e gera 246.000 postos de trabalho,
sendo que 80% das empresas do setor são familiares e 57% dos colaboradores são mulheres.
Envolve nove Universidades, 220 laboratórios públicos e 8.200 pesquisadores (FEBEA, 2021).
Segundo a Fédération des Entreprises de la Beauté (FEBEA), o investimento em
Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é o mais eficiente da França, com 3,6 patentes depositadas
por milhão de euros gastos. No mundo, estima-se que o investimento em P&D seja de 9 bilhões
de dólares americanos (WYNBERG; LAIRD, 2013). Ingredientes e extratos naturais
representaram 49% de toda a atividade de patentes na indústria de “cuidados pessoais” entre
1990 e 2009, 34% atribuídos a plantas (WYNBERG; LAIRD, 2013). A maioria das patentes
são baseadas em fórmulas à base de espécies notoriamente conhecidas e muito tempo
comercializadas (ex.: Aloe vera, sândalo, patchouli, rosa, menta, jasmim). As espécies da
biodiversidade amazônica são pouco estudadas e por essa razão desconhecidas nos mercados
(nacional e internacional). Logo, há um enorme campo de prospecção a ser explorado.
A área de marketing tem grande influência na decisão das empresas sobre tendências,
na busca por novidade e originalidade, pois produtos têm ciclos de vida cada vez mais curtos.
Novos produtos são “enriquecidos” com ingredientes naturais, atendendo a uma crescente
preocupação e expectativa dos consumidores. Assim, de acordo com a Associação Slow
Cosmétique (2020), embora os cosméticos convencionais continuem a responder pela maior
fatia das vendas (cerca de 90%), a demanda por produtos ecológicos, saudáveis e naturais, bem
como as diferentes certificações (orgânico, vegano, COSMOS, USBT, comércio justo etc.)
tiveram um crescimento médio de 44%. O principal fator limitante a aquisição de produtos
naturais é o preço, pois 51% das consumidoras francesas consideram cosméticos à base de
ingredientes naturais muito caros.
Um grupo seleto de 10 empresas respondem por cerca de 50% das vendas totais de
cosméticos naturais com receitas geradas em torno de US$ 10 bilhões em 2013 (WYNBERG;
LAIRD, 2015). Uma empresa brasileira está entre as maiores neste mercado, com presença em
mais de 100 países. No seu Relatório Anual 2021, a Natura apresenta 38 bioingredientes
fornecidos por 64 comunidades e cerca de 10.000 famílias na Amazônia, e em outros 17 países
(NATURA & CO, 2022). Também é brasileira a principal empresa fornecedora de ingredientes
naturais (bioinsumos) e orgânicos provenientes da Amazônia, controlada por uma
multinacional suíça da indústria química. Ela exporta insumos para empresas de 70 países e
declara contribuir para a conservação de 2 milhões de hectares de vegetação nativa a partir das
atividades de produção sustentável, 98% situadas na Amazônia (GRUPO SABARÁ, 2021).
Ana Margarida Castro EULER; Catherine AUBERTIN e Nathalie CIALDELLA
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Programa Natura Amazônia (PAM) tem como objetivo fomentar negócios sustentáveis e o
desenvolvimento local, sempre com foco na valorização da sociobiodiversidade, do
conhecimento tradicional e da cultura da região. Os investimentos do PAM são baseados
em três pilares: i) Ciência, Tecnologia e Inovação; ii) Fortalecimento Institucional das
comunidades fornecedoras de insumos; iii) estruturação de Cadeias Produtivas sustentáveis
da sociobiodiversidade. Nos últimos 20 anos seus investimentos na Amazônia foram de
cerca de R$2 bilhões de reais, auxiliando na preservação de mais de dois milhões de hectares
de florestas, e tendo destinado R$33 milhões em repartição de benefícios para 40
comunidades pelo acesso ao patrimônio genético e conhecimentos tradicionais.
Um ponto importante, quanto ao tamanho da demanda por insumos naturais (ex.: óleos,
manteigas e extratos vegetais) é que, em geral, as quantidades de ingredientes usados em
produtos cosméticos são muito pequenas. Devido à falta de regulamentação em relação à
nomenclatura, produtos com diferentes porcentagens de ingredientes (de 90% a menos de 10%)
podem ser chamados de naturais, de base biológica, green cosmetics, bioativos, fazendo com
que pareçam equivalentes para os consumidores (RENEWABLE CARBON, 2019).
Figura 2 - Caso Natura: Programa Natura Amazônia (PAM)
Fonte: Relatório Natura & CO, 2021
A “história” dos diferentes ingredientes associada à sua região de origem é uma parte
crítica das marcas e com grande apelo de marketing (WYNBERG; LAIRD, 2015). Nesse
sentido, as comunidades locais se limitam ao papel de fornecedoras de matéria prima (ex.:
sementes, cascas, resina) com pouca ou nenhuma agregação de valor e baixo retorno econômico
(RIBEIRO; SOARES-FILHO, 2022). Para as empresas, trabalhar com produtos naturais,
especialmente da Amazônia, é um desafio, pois demanda um grande investimento em logística,
P&D e marketing dos produtos para promover sua aceitação pelos consumidores (NATURA &
CO, 2022).
Finalmente, quem consome estes produtos está se beneficiando de um serviço
ecossistêmico (de provisão) oferecido pelas florestas, e um serviço ambiental fruto do trabalho
de comunidades (extrativistas, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu) que
cuidam de sua proteção. Incorporar esses serviços ao valor de venda dos produtos da
sociobiodiversidade seria uma resposta imediata para combater os problemas atuais enfrentados
pelas comunidades (baixos preços, fome, desigualdades etc.) com ganho de autonomia. Em
contraposição, a corrida por mercados de carbono que têm muitos intermediários (ONGs,
certificadoras, traders etc.) e questões éticas (venda de crédito para continuar emitindo CO
2
),
além de ser um mercado especulativo (THE GUARDIAN, 2023).
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O enorme potencial da biodiversidade amazônica tem gerado pouco retorno às
comunidades tradicionais que detém conhecimentos ancestrais sobre seu uso (TOZATO et al.,
2021; RIBEIRO; SOARES FILHO, 2022). Apesar do Brasil ser precursor na implementação
da CDB contando com marco regulatório nacional há mais de 20 anos (Medida Provisória-MP
2186-16/2001; Lei 13123/2015; Decreto 8772/2016), a repartição de benefícios pelo acesso a
recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados (ABS sigla em inglês) por empresas
usuárias gerou uma receita muito aquém do esperado: cerca de R$24 milhões no período de
2001-2020, 83% ainda não pagos (TOZATO et al., 2021). Se por um lado, o tema é considerado
complexo e desperta incertezas e precaução nas empresas que adotam uma postura de “esperar
para ver” a fim de minimizar riscos à imagem e intrincados protocolos de conformidade às
legislações de diferentes países (WYNBERG; LAIRD, 2015). Por outro, é fundamental
aumentar a transparência sobre o uso de espécies nativas nas indústrias de transformação e
mapear as cadeias produtivas dos produtos da biodiversidade (RIBEIRO; SOARES FILHO,
2022).
Na prática, a tendência é que novas linhas de produtos naturais contem com a utilização
de espécies agrícolas, especialmente frutas e legumes (ex.: sementes de uva, maçã, pera, frutas
vermelhas) que são conhecidas no mundo inteiro e não se enquadram nas exigências de
repartição de benefícios do Protocolo de Nagoya. Ingredientes derivados de resíduos de
alimentos têm sido explorados para obter cosméticos “mais saudáveis”: cosmecêuticos,
nutracêuticos e nutricosméticos (FARIA-SILVA, et al., 2020). Beleza, bem-estar e saúde são
conceitos relacionados, logo, muitos avanços na área da biotecnologia de produtos são
compartilhados entre as indústrias de cosméticos, alimentos e fármacos. (DINI; LANERI,
2021).
Outra tendência das grandes marcas, especialmente na Europa ocidental, é priorizar a
prospecção de ativos da biodiversidade local, com circuitos curtos para o fornecimento de
matérias primas. Muitas empresas estão investindo em áreas próprias de cultivo e também
compram de coletores (FEBEA, 2022).
Produtos naturais a base de espécies consideradas exóticas” (ex.: sândalo, mirra, cássia,
cedro, canfora, rosas, pimentas) têm longo histórico de comércio e grande aceitação dos
consumidores, principalmente de marcas de alto luxo. Neste caso, países pertencentes as antigas
rotas orientais que incluem Ásia, Oriente Médio e Norte da África, continuam sendo os
principais fornecedores de matéria prima natural importada para o setor de beleza. Outra rota
de comércio de matéria prima do setor de cosméticos europeu são países africanos com quem
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Desde 2014, 100% dos volumes de karité adquiridos pela L'Oréal vem de Burkina Faso. 40 mil
mulheres organizadas em sete grupos de produtoras são fornecedoras de matéria prima para a
empresa. Como parte dos benefícios associados a essa cadeia de valor são relacionados um preço
justo, pré-financiamento das colheitas, o pagamento de um prêmio associado à melhoria da
qualidade do produto, associada à formação contínua e à implementação de um fundo comunitário
para implantar os projetos de desenvolvimento local.
tiveram relações coloniais. Essencialmente produtos com apelo de comércio justo, que reforçam
estratégia de marketing de produto ético, natural/orgânico e apoio ao desenvolvimento e
combate à pobreza. Alguns exemplos de produtos são manteiga de Karité, óleo de Baobá, óleo
de Argan, e essência de Baunilha (FEBEA, 2021).
Figura 3 - Caso L’ORÉAL
Fonte: Fédération des Entreprises de la Beau(FEBEA), 2022
Estudos recentes sobre o potencial e obstáculos de acesso ao mercado internacional para
produtos da biodiversidade da Amazônia (COLOVSKY, 2021; APEX, 2022; CONEXSUS,
2022; ORIGENS, 2021) convergem quanto ao desafio de equilíbrio entre as especificidades da
demanda do mercado/indústria (volume, qualidade, padronização), as peculiaridades associadas
as espécies de interesse (ecologia, distribuição, densidade, capacidade suporte, nível de ameaça)
e suas formas tradicionais de extração. Neste caso, é importante considerar que essas são
baseadas no conhecimento tradicional e adaptadas a uma lógica de produção de subsistência
com a venda de excedentes (ALEGRETTI, 2011).
Responder a uma nova lógica de produção em escala, demanda a existência de
protocolos de boas práticas baseados no conhecimento técnico-científico que avaliem e
monitorem a capacidade suporte dos ecossistemas. E os estudos nessa área ainda são bastante
escassos para as espécies da sociobiodiversidade amazônica. Também demanda o
fortalecimento da organização social para superar desafios históricos relacionados a
informalidade e mercados imperfeitos (CIALDELLA et al., 2021; ABRAMOVAY et al, 2021),
assim como com a construção de Protocolos Comunitários que definem acordos coletivos para
gestão dos recursos naturais e territórios, e indicam a forma como as comunidades querem ser
consultadas pelo governo e empresas sobre os mecanismos de repartição de benefícios e de
resolução de conflitos (EULER, 2021).
A Tabela 1 apresenta uma lista dos principais bioingredientes da sociobiodiersidade
amazônica, presentes na In-Cosmetics Global (Figura 4), maior salão de insumos para a
indústria de cosméticos do mundo. A maioria dos produtos são de empresas brasileiras que
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ocuparam o Pavilhão Brasil promovido pela Agência brasileira de promoção de Exportações e
Investimentos (Apex Brasil).
Tabela 1 - Lista dos principais bioingredientes da sociobiodiersidade amazônica presentes na
Feira In-Cosmetics em 2022
TIPO DE INGREDIENTE
PRODUTO
ESPÉCIE
Óleos
Manteigas
Extratos
Resinas
Açaí
Euterpe oleracea
X
X
Andiroba
Carapa guianensis
X
X
Babaçu
Orbignya oleífera
X
Buriti
Mauritia flexuosa
X
X
Guaraná
Paullinia cupana
X
X
castanha da amazônia
Bertholletia excelsa
X
Copaíba
Copaifera officinalis
X
Maracujá
Passiflora edulis
X
Patauá
Oenocarpus bataua
X
Pracaxi
Pentaclethra macroloba
X
Urucum
Bixa orellana
X
pau rosa
Aniba rósea
X
Bacuri
Platonia insignis
X
X
cupuaçu,
Theobroma grandiflorum
X
X
Murumuru
Astrocaryum murumuru
X
X
Tucumã
Astrocaryum vulgare
X
X
Ucuúba
Virola surinamensis
X
Breu branco
Protium heptaphyllum
X
Fonte: Elaborada pelas autoras (2022)
Figura 4 - Produtos da sociobiodiversidade amazônica apresentados na In-Cosmetic, maior
feira mundial de insumos da indústria de cosméticos
Fonte: Fotografia de Ana Euler, 2022
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É essencial assegurar mecanismos responsáveis e éticos de repartição justa dos
benefícios entre provedores e usuários da biodiversidade, para evitar o desequilíbrio de poder
entre “a indústria” e “a comunidade”, possibilitando um equilíbrio entre o respeito à cultura e
os modos de vida local e as demandas do negócio (RIBEIRO; SOARES FILHO, 2022; COSTA,
2021). Atualmente, as experiências de sucesso existentes contam em sua maioria, com a
intermediação e o apoio técnico de organizações não governamentais e financiamentos não
reembolsáveis. São iniciativas pioneiras, e por essa razão, ainda não atingiram a maturidade
que comprove a viabilidade sem tal apoio.
Açaí, guaraná, abacaxi, castanhas e cacau foram identificados pela Apex (2022) como
os principais produtos da Amazônia com potencial de expansão de mercado e reconhecidos
pelos consumidores estrangeiros como produtos do “Brasil”. Atualmente, o destino das
exportações restringe-se, em grande medida, a países sul-americanos com proximidade
geográfica, não coincidindo com os maiores importadores mundiais. Da mesma forma que
Colovsky (2021), este estudo conclui que a melhor estratégia para aumentar a participação dos
produtos da Amazônia nos mercados internacionais é priorizar investimentos nas cadeias
produtivas que se encontram estruturadas e com mercados estabelecidos, com foco no ganho
de qualidade dos produtos exportados e na promoção de arranjos pré-competitivos.
Costa e outros autores (2022), discordam quanto a estratégia de priorização de mercados
internacionais, mais exigentes quanto a legislação e padrões certificação (voluntária), e que ao
final não garantem melhor remunerações para os produtores. Para esses autores o melhor
caminho para alavancar a sociobioeconomia na Amazônia é investir na expansão dos mercados
locais, regionais e nacionais, que o Brasil tem um enorme mercado consumidor (4
o
maior
mercado de cosméticos e 2
o
maior mercado de fragrâncias) que ainda não conhece os produtos
da Amazônia. Investir em novos modelos de negócios que busquem valorizar a origem,
enfatizar as qualidades holísticas sobre as quantidades dos produtos da sociobiodiversidade
(RIBEIRO; SOARES FILHO, 2022; SMERALDI; SANTOS, 2021).
Essa estratégia tem sido adotada por várias ONGs para conexão entre comunidades,
empresas e consumidores em todo o território nacional. A experiência do programa Origens
Brasil (2021) enfatiza que a geração de valor está essencialmente relacionada a origem do
produto e quem o produz. Transparência, diálogo, mecanismos de controle, rastreabilidade e
respeito ao modo de vida dos povos da floresta são valores que pautam as relações desta rede
que conecta 2.210 produtores e 35 empresas com compromisso socioambiental. Essa poderia
ser uma estratégia a ser adotada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal,
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Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), esse setor nacionalmente conta com 2794 empresas com
registro na Anvisa (WEBER, 2020).
A cadeia de suprimentos de ingredientes naturais
Muitos bioinsumos e espécies vegetais são compartilhadas pelas indústrias de
cosméticos e alimentos, e por essa razão a cadeia de suprimentos usa intermediários comuns
(WYNBERG; LAIRD, 2015). Os fornecedores de matéria prima, extrativistas ou agricultores
familiares, produzem em pequena quantidade e não têm informações sobre o mercado. Quem
compra, em geral, são atravessadores, pessoas com penetração nas comunidades e com poder
(as vezes abusivos) de precificação para garantir matéria prima barata e a “viabilidade” dos
produtos no mercado. Estes vendem para distribuidores, que por sua vez fornecem para
formuladores de produtos intermediários (bioinsumos), etapa importante de agregação de valor
da cadeia. Esses bioinsumos podem passar novamente por distribuidores e então finalmente
chegam as grandes marcas que lançam produtos finalizados. Distribuidores e formuladores são
peças-chave dessa cadeia, pois são eles que efetivamente prospectam novos produtos a serem
oferecidos às grandes marcas internacionalmente. É uma cadeia longa, com grande desconexão
entre os seus agentes.
Produtos da sociobiodiversidade tem alto custo de produção devido a sua natureza
extrativa, localização remota com ausência de infraestrutura. O mercado de cosméticos é muito
exigente, especialmente quanto ao padrão de qualidade dos produtos. A estabilidade da matéria
prima e a sua performance são fatores chaves para escolha dos produtos (ex.: propriedades
funcionais). Este é o valor real de um novo produto, para além das questões socioambientais
que estão muito associadas a área de marketing. Existem inúmeras legislações regulatórias para
cada país. Normas técnicas, sanitárias e ambientais tendem a se consolidar como a principal
barreira ao acesso a mercados para produtos extrativistas e agroflorestais da Amazônia
(VEIGA; RIOS, 2021). Para estarem aptos a exportação os produtos precisam ter fichas técnicas
com análises físico-químicas, de toxidade, entre outras. Esses procedimentos são caros e
demandam laboratórios especializados. São procedimentos que estão fora do alcance dos
produtores e pequenas empresas na Amazônia.
Além disso, as empresas internacionais buscam produtos com certificações voluntárias
para satisfazer clientes cada vez mais exigentes quanto aos padrões de sustentabilidade dos
produtos (CONEXSUS, 2022). As principais certificações voluntárias utilizadas pelo setor de
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cosméticos para dar credibilidade quanto a sustentabilidade dos seus produtos são Iso 26000,
ISO16128, UEBT, LVMH, EcoVadis, Fair for Life, Ecocert, NATRUE, COSMOS, BDIH,
Fairtrade. Se por um lado, padrões de certificação demandam mudanças nas formas
tradicionais de produção e incidem em aumento de trabalho e custos para os produtores. Por
outro, os compradores (intermediários) raramente estão dispostos a pagar mais pelos produtos
certificados.
Considerações finais
Sabemos que a comercialização de produtos da sociobiodiversidade por si não pode
garantir a proteção da floresta e o bem-estar de suas populações. Políticas de bioeconomia
voltadas para Amazônia precisam responder aos desafios ambientais e reduzir às desigualdades
sociais, e serem acompanhadas de políticas de desenvolvimento de infraestruturas e
empoderamento das organizações locais, entre outras.
Procuramos avaliar o quanto o setor de cosméticos representa (ou não) uma
oportunidade para os produtos da sociobiodiversidade da Amazônia e para a promoção da
bioeconomia que integra aos ativos biológicos valores imateriais e éticos, com valorização dos
conhecimentos tradicionais dos povos e comunidades da floresta. Se a preocupação mundial
com a conservação da maior floresta tropical do mundo será capaz de “humanizar” o mercado,
ou ao menos sensibilizar empresas e consumidores sobre a necessidade de investir em cadeias
de valor que gerem oportunidade, maior autonomia e desenvolvimento na região amazônica.
Apesar do tema da “sustentabilidade” estar presente como questão central no discurso
hegemônico do setor de cosméticos, e da franca expansão da demanda por produtos naturais, a
tomada de decisão pelas marcas e indústrias sobre que produtos e regiões investir considera
prioritariamente os conhecimentos existentes sobre as espécies, sua disponibilidade de acesso,
qualidade e características da matéria prima. A história que acompanha o produto é um atributo
valorizado para promoção da imagem das empresas, mas não é fator principal.
Portanto, dado o contexto apresentado, realizar o potencial da sociobiodiversidade
amazônica no cenário internacional é uma tarefa desafiadora. Demanda essencialmente a
estruturação das cadeias de suprimento (supply chains) para os produtos que tem mercado, e
uma estratégia de marketing para potencializar a imagem da Amazônia e relacioná-la a
crescente demanda por produtos naturais, éticos e sustentáveis. Porém, acima de tudo, é
fundamental priorizar pesquisas sobre os princípios ativos que caracterizam a funcionalidade e
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o diferencial das espécies, ainda pouco conhecidas. Isso pode e deve ser feito associando os
conhecimentos tradicionais ao que de mais moderno na fronteira científica, gerando
agregação de valor e repartição de benefícios que garantam o desenvolvimento regional.
O exemplo da França é interessante, ao integrar empresas, universidades e start-ups em
um Cosmetic Valley(Vale dos Cosméticos), tem sido capaz de se manter na vanguarda do
setor, gerar conhecimento e inovações com o surgimento de novas empresas a cada ano. A
Amazônia tem potencial para se tornar um ‘Vale dos Cosméticos da Sociobiodiversidade’, mas
o Brasil precisa inovar criando ambiente para promoção de arranjos pré-competitivos, a co-
construção de conhecimento e parcerias duradouras entre povos e comunidades tradicionais,
centros de pesquisa e inovação e empresas comprometidas com valores socioambientais.
Precisa melhorar o nível de informação sobre as condições para promoção de parcerias e
comércio internacional, em particular sobre a aplicação da Lei 13.123, da Biodiversidade
(BRASIL, 2015) e do Protocolo de Nagoya, fundamental para garantir a segurança de
pesquisadores, investidores e sobretudo das populações.
AGRADECIMENTOS: Aos representantes das empresas de cosméticos pelas entrevistas, por
compartilharem sua visão sobre o mercado e o potencial dos produtos da sociobiodiversidade:
100% Amazônia, Beraca, Citroleo, Assessa, Greentech, Amazon Silk, Clarins, Guayapi,
Givaudan, Merc, Bioran Corea. Um agradecimento especial ao Sr. Gaston Vizcarra Kennedy
da empresa Candela Peru, pela revisão e críticas ao trabalho.
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