Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023015, 2023. e-ISSN: 1982-4718
DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28iesp.2.18871 1
O DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO SIDERÚRGICA NA AMAZÔNIA
ORIENTAL E O DEBATE SOBRE O PROCESSO DE APRIMORAMENTO
TECNOLÓGICO E SOCIAL
EL DESARROLLO DE LA PRODUCCIÓN SIDERÚRGICA EN LA AMAZONÍA
ORIENTAL Y EL DEBATE SOBRE EL PROCESO DE PERFECCIONAMIENTO
TECNOLÓGICO Y SOCIAL
THE DEVELOPMENT OF STEEL PRODUCTION IN THE EASTERN AMAZON AND
THE DEBATE ON THE PROCESS OF TECHNOLOGICAL AND SOCIAL
UPGRADING
Marcelo Sampaio CARNEIRO1
e-mail: marcelo.sampaio@ufma.br
Roberto Martins MANCINI2
e-mail: robertomancini89@hotmail.com
Como referenciar este artigo:
CARNEIRO, M. S.; MANCINI, R. M. O desenvolvimento da
produção siderúrgica na Amazônia Oriental e o debate sobre o
processo de aprimoramento tecnológico e social. Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023015, 2023. e-ISSN:
1982-4718. DOI: https://doi.org/10.52780/res.v28iesp.2.18871
| Submetido em: 15/08/2023
| Revisões requeridas em: 19/10/2023
| Aprovado em: 05/11/2023
| Publicado em: 29/12/2023
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís MA Brasil. Professor Titular do Departamento de
Sociologia e Antropologia.
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís MA Brasil. Bolsista de Pós-doutorado no Programa
de Pós-Graduação em Ciências Sociais.
O desenvolvimento da produção siderúrgica na Amazônia Oriental e o debate sobre o processo de aprimoramento tecnológico e social
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RESUMO: O artigo analisa o processo de desenvolvimento da atividade siderúrgica na
Amazônia Oriental, que, ao longo dos últimos trinta anos (1990-2020), se organizou como
parte de uma cadeia global de mercadoria, procurando identificar as principais transformações
operada nessa cadeia. Utilizando a perspectiva das abordagens das cadeias globais de valor e
das redes de produção global, discutimos a possibilidade que o processo de aprimoramento
tecnológico em curso nessa cadeia produza benefícios para os trabalhadores e o território no
qual essas empresas se localizam, destacando, contudo, o papel desempenhado por
determinados agentes coletivos na modificação da atuação dessas empresas siderúrgicas.
PALAVRAS-CHAVE: Siderurgia. Cadeia global de valor. Rede de produção Global.
Amazônia. Contestação.
RESUMEN: El artículo analiza el proceso de desarrollo de la siderurgia en la Amazonía
Oriental, que en los últimos treinta años (1990-2020) se ha organizado como parte de una
cadena global de mercancías, buscando identificar las principales transformaciones
operadas en esa cadena. Desde la perspectiva de los enfoques de cadenas globales de valor y
redes globales de producción, discutimos la posibilidad de que el proceso de mejora
tecnológica en curso en esta cadena produzca beneficios para los trabajadores y el territorio
en el que se encuentran estas empresas, destacando, sin embargo, el papel que juegan ciertos
agentes colectivos en la modificación del desempeño de estas empresas siderúrgicas.
PALABRAS CLAVE: Industria metalúrgica. Cadena de valor mundial. Red de Producción
Global. Amazonas. Contestación social.
ABSTRACT: The article analyzes the development process of the steel industry in the
Eastern Amazon, which, over the last thirty years (1990-2020), has been organized as part of
a global commodity chain, seeking to identify the main transformations operated in this
chain. Using the perspective of global value chain approaches and global production
networks, we discuss the possibility that the ongoing technological upgrading process in this
chain will produce benefits for workers and the territory in which these companies are
located, highlighting, however, the role played by certain collective agents in modifying the
performance of these steel companies.
KEYWORDS: Steel industry. Global value chain. Global production network. Amazon.
Contestation.
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023015, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
Em artigo escrito nos anos 1980, acerca dos grandes projetos de investimento na
Amazônia e da crescente integração da região no mercado mundial, Elmar Altvater (1989)
argumentou que com a transformação dos recursos naturais em mercadorias, os centros de
produção regional passaram a ser incluídos no processo de circulação internacional dos
capitais, defendendo a necessidade do Estado brasileiro introduzir restrições de natureza
política nesse trânsito de mercadorias e capitais, de forma a tentar orientar o processo de
desenvolvimento regional.
A reflexão de Altvater (1989), realizada partir da análise da implantação do Projeto
Ferro Carajás, antecipou algumas questões que são centrais para o debate sobre processos de
desenvolvimento (CARNEIRO, 2012) e que dizem respeito às disputas que se estabelecem
entre investidores privados e agências estatais, operando em diferentes escalas territoriais,
pela captura do valor gerado em diferentes tipos de atividades econômicas.
Contudo, apesar da originalidade dessa reflexão, ela não conferiu o devido destaque ao
papel desempenhado por agentes sociais não-estatais nos processos de implantação e
desenvolvimento dos chamados grandes projetos de investimento (HALL, 1991), o que foi
realizado em período mais recente, por uma abordagem da socioeconomia do
desenvolvimento denominada de modelo das redes de produção globais (RPGs)
(HENDERSON et al., 2011).
De acordo com essa perspectiva, que surgiu como uma crítica à abordagem das
cadeias globais de mercadoria (ou global commodities chains) (GEREFFI, 2007), na análise
da economia globalizada é preciso considerar não somente a relação estabelecida entre as
empresas líderes e as subcontratadas, mas, também, o papel desempenhado por agentes não-
econômicos situados nos planos nacional e local, no processo de conformação das atividades
econômicas em questão.
Vale dizer que essa crítica dos defensores da abordagem das RPGs foi validada pelos
autores da perspectiva das cadeias globais de mercadorias, que, em balanço recente de sua
perspectiva de análise (GEREFFI, 2018), reconheceram a necessidade de observar processos
de disputas de valor, incorporando o debate sobre a questão do aprimoramento social (social
upgrading) nas cadeias de mercadorias, a partir da atuação de sindicatos e movimentos sociais
(BARRIENTOS; GEREFFI; ROSSI, 2018).
Nesse sentido, este artigo discute a trajetória de uma atividade econômica implantada
na Amazônia Oriental, a da produção siderúrgica, que se organizou como parte de uma cadeia
O desenvolvimento da produção siderúrgica na Amazônia Oriental e o debate sobre o processo de aprimoramento tecnológico e social
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(ou rede) global de valor, procurando identificar as principais transformações operadas nessa
cadeia, ao longo dos últimos trinta anos (1990-2020).
Iniciada como uma atividade de produção de ferro-gusa e orientada para atender a
demanda de aciarias localizadas principalmente nos Estados Unidos, a produção siderúrgica
amazônica passou, em período recente, por um processo de aprimoramento (upgrading)
tecnológico, com a implantação de duas aciarias, empresas dedicadas à produção de
vergalhões, laminados e trefilados de aço (Sinobrás e Aço Verde Brasil), produtos
siderúrgicos de maior valor agregado que o ferro-gusa originalmente elaborado.
Contudo, se do ponto de vista tecnológico o aprimoramento da produção siderúrgica é
um dado inquestionável, a questão que procuramos responder neste artigo diz respeito aos
resultados que esse tipo de aprimoramento tem produzido, isto é, se o avanço para uma etapa
mais nobre da produção siderúrgica tem gerado melhorias em termos de benefícios sociais
para os trabalhadores envolvidos no processo de trabalho (industrial e florestal) e se esse
processo de produção siderúrgico, que envolve a utilização de carvão vegetal, tem assumido
perfil mais sustentável.
Dessa forma, o artigo inicia com uma breve discussão acerca das perspectivas da
socioeconomia do desenvolvimento acima citadas, procurando identificar suas principais
contribuições. Em seguida, apresenta os principais elementos do processo de estruturação da
produção siderúrgica na Amazônia Oriental, destacando o papel desempenhado pela
contestação social no processo de evolução dessa atividade. Na terceira seção, discute o
processo recente de constituição de um setor de produção de aço na região, a partir do caso
das empresas Aço Verde Brasil e Sinobrás, buscando identificar a existência de processos de
aprimoramento (upgrading) social. Por último, na conclusão, discutimos os desafios
colocados para as empresas que realizaram o processo de aprimoramento e analisamos o
significado desse processo em termos da desconexão relativa com a cadeia (ou rede) global de
valor que estruturou a produção siderúrgica na Amazônia.
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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O debate sobre a captura de valor e a questão do aprimoramento tecnológico e social
nas cadeias (ou redes) globais de valor
A discussão atual acerca das teorias do desenvolvimento confere um papel central às
chamadas cadeias globais de mercadorias (GCC) na estruturação do comércio internacional.
De acordo com Gereffi, Posthuma e Rossi (2021), baseados em dados do Banco Mundial, na
atualidade, algo próximo de 50% do movimento global de mercadorias seriam organizados
por esse tipo de relação interempresarial.
Segundo Bair (2009), a aceitação dessa abordagem que nasceu como um
prolongamento da teoria do sistema-mundo de Immanuel Wallerstein estaria relacionada
com o êxito das estratégias de industrialização orientadas para a exportação, nos anos 1980,
que deu grande visibilidade à produção de bens realizada por empresas subcontratadas,
geralmente localizadas no sudeste da Ásia, que haviam se tornado as principais fornecedoras
de insumos para as economias centrais do capitalismo.
De acordo com a primeira versão dessa abordagem, a questão central de análise
dizia
respeito às relações de cooperação e conflito estabelecidas pelas diferentes empresas ao longo
de uma determinada cadeia produtiva, relação apreendida, conceitualmente, como a estrutura
de governança da respectiva cadeia (GEREFFI, 1994). A partir das análises empíricas sobre
determinados setores econômicos, os pesquisadores das GCC identificaram a existência de
duas estruturas de governança básicas nas cadeias globais. No caso de indústrias como a
automobilística, a governança da cadeia seria dirigida pelas empresas produtoras (producer-
driven); enquanto num setor como o da indústria têxtil, a direção da cadeia estaria localizada
nas firmas compradoras (buyer-driven). Como destacou Gereffi (1994, p. 99): “Se nas
indústrias dirigidas pela produção as características da demanda são moldadas pelos padrões
de produção, nas cadeias dirigidas pelos compradores a organização do consumo é o
determinante maior de onde e como a manufatura global é localizada”.
Posteriormente, o debate acerca das cadeias globais de mercadorias foi enriquecido,
com a substituição do termo mercadoria por valor, para chamar atenção da questão da disputa
pela riqueza produzida e para dar conta da análise de produtos não-padronizados, que não são
commodities, mas que conformam uma parte importante do comércio internacional.
O trabalho de Gereffi tornou-se o principal ponto de referência nessa
literatura, mas o seu conceito central de ‘cadeia global de mercadoria’ é
Os outros elementos conceituais da abordagem dizem respeito a análise da estrutura de inputs-outputs da
cadeia, a descrição da configuração territorial da produção e o contexto institucional no qual ela se encontra
inserida (BAIR, 2009).
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enganoso. O problema é que o termo ‘mercadoria’ (commodity) tende a ser
associado a produtos padronizados feitos em grande quantidade, enquanto
uma grande parte das pesquisas focaliza a fabricação e a comercialização de
produtos diferenciados. O conceito ‘cadeia global de valor’ tem a vantagem
de chamar a atenção para onde e por quem o valor é agregado ao longo da
cadeia (SCHMITZ, 2005, p. 328).
Uma crítica mais recente, destaca uma fragilidade metodológica na abordagem das
cadeias globais de valor (ou de mercadorias)
, pelo fato de centrar-se quase que
exclusivamente nas relações interempresariais, descurando do papel desempenhado por atores
sociais não-econômicos na estrutura de governança das cadeias. Para essa perspectiva,
denominada de Redes de Produção Globais, é preciso considerar que as relações interfirmas
“são profundamente influenciadas pelos contextos sociopolíticos dentro dos quais elas estão
enraizadas” (HENDERSON et al., 2011, p. 153), ou seja, dizem que é preciso observar tanto a
estrutura de governança da cadeia (relação interfirmas) quanto a forma como a cadeia se
enraíza no território.
Para analisar esse enraizamento territorial
, os autores da perspectiva das RPGs
destacam a necessidade de considerar a forma como “agentes coletivos que procuram
influenciar companhias em localidades específicas das RPGs, seus respectivos governos e, por
vezes, agências internacionais” (HENDERSON et al., 2011, p. 158). Dentre esses agentes
coletivos, citam, por exemplo, sindicatos, associações patronais e organizações não-
governamentais (ONGs), que atuam desenvolvendo ações sobre as empresas em diferentes
pontos da cadeia (rede) global de valor.
Outro debate importante, diz respeito às possibilidades de que empresas localizadas
em países na periferia da economia capitalista consigam realizar ações de aperfeiçoamento
(upgrading), passando de atividades menos valorizadas para outras, que envolvam a geração e
captura de maior valor agregado, no âmbito da respectiva cadeia produtiva (GEREFFI, 2018).
De acordo com a tipologia estabelecida pelos estudos das cadeias globais de valor,
existem quatro tipos básicos de aprimoramento: i) melhoria de produtos: quando a firma
passa a fabricar um produto de melhor qualidade ou mais sofisticado; ii) melhoria de
processo: quando a empresa reorganiza seu processo produtivo, passando a produzir de forma
A discussão metodológica sobre pesquisa em cadeias de valor proposta por Fleury e Fleury (2005) é ilustrativa
a esse respeito, pois, ao indicarem os passos para o desenvolvimento da pesquisa, os autores apresentam uma
listagem que inclui empresas (dos setores químico e têxtil) e associações de representação empresarial, mas
sequer mencionam os sindicatos ou outros atores dos locais nos quais essas empresas estão localizadas.
De certa forma, a abordagem das RPGs retoma uma distinção que foi realizada por Altvater (1989) sobre
processos de produção de valor do espaço e no espaço, no qual ele chama atenção para o fato de que a maior
parte do valor gerado no território amazônico será apropriado em outros espaços, seguindo a lógica de
valorização do capital.
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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mais eficiente; iii) avanço funcional: quando a empresa se desloca para novas etapas na
cadeia de valor, passando a desenvolver atividades como o design dos produtos fabricados e,
iv) avanço intersetorial: a empresa utiliza competências adquiridas numa função específica
para ingressar em outra atividade (ou setor) (SCHMITZ, 2005, p. 323).
Contudo, o aspecto mais importante para a compreensão dos processos de upgrading,
diz respeito ao fato de que a mudança de posição numa cadeia de valor, com a possibilidade
de ganhos em termos de poder e de valor agregado, envolve disputas com outros agentes na
cadeia (SCHMITZ, 2005). De acordo com Berthe, Grouiez e Dupuy (2018), a maior parte dos
estudos sobre processos de aprimoramento se baseiam em pesquisas nas quais a mudança
ocorre como decorrência de movimentos da empresa líder na cadeia, contudo, como vimos
anteriormente, outros atores sociais, enraizados nos territórios nos quais essas firmas se
localizam, também podem influenciar no processo de aprimoramento.
Nesse sentido, ao analisar uma estrutura econômica em termos de cadeias de
mercadorias ou valor, devemos considerar que as atividades estudadas se encontram
encapsuladas no âmbito de diferentes unidades territoriais (subnacional, nacional e global),
dependendo, nesse sentido, de ações de infraestrutura e de políticas públicas (industrial,
cambial, desenvolvimento regional etc.) desenvolvidas no âmbito dessas unidades, bem como
da mobilização de outros agentes sociais, impactados ou interessados por essas políticas
públicas, que atuam no sentido de melhorar sua situação.
Outro aspecto que também deve ser destacado, e que se relaciona com a discussão
acerca dos diferentes tipos de aprimoramento industrial, diz respeito à natureza do upgrading
em questão e aos seus possíveis impactos no desenvolvimento da economia local ou regional,
na qualidade dos empregos oferecidos e na forma como essa atividade impacta o meio
ambiente. Ou seja, é preciso considerar não somente a dimensão produtiva do aprimoramento,
mas tentar verificar como esse processo afeta o território no qual a atividade se encontra
implantada, pois, existe a possibilidade de que a obtenção de uma melhor posição pela(s)
empresa(s) na cadeia de mercadorias seja realizada às custas da diminuição da qualidade do
emprego ou da exploração intensiva de recursos naturais (RAWORTH; KIDDER, 2009).
O desenvolvimento da produção siderúrgica na Amazônia Oriental e o debate sobre o processo de aprimoramento tecnológico e social
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O desenvolvimento da produção siderúrgica na Amazônia oriental: uma breve
periodização
A produção nacional de ferro-gusa tendo o carvão vegetal como insumo energético e
redutor inicia-se no século XIX e consolida-se nos anos trinta do século XX (SUZIGAN,
1986). Mesmo com o surgimento e expansão da siderurgia a coque metalúrgico, a produção
guseira baseada no carvão vegetal continuou ocupando um importante espaço na siderurgia
brasileira, respondendo por algo em torno de 25 a 35% da produção total de ferro-gusa nos
últimos anos.
O desenvolvimento dessa produção baseou-se no estabelecimento de um sistema
produtivo marcado pela coexistência de dois tipos de produtores de ferro-gusa: os produtores
integrados e os produtores independentes. Os primeiros fabricam ferro-gusa dentro de
unidades siderúrgicas de maior porte, incluindo a produção de aço e outros produtos mais
elaborados, enquanto as unidades independentes caracterizam-se pela produção exclusiva do
ferro-gusa, vendendo-a em seguida para fundições e aciarias.
Até o final de 1980, a produção de ferro-gusa a carvão vegetal concentrou-se quase
que exclusivamente no estado de Minas Gerais, contudo, a partir do final dessa década, foram
implantadas as primeiras unidades siderúrgicas na Amazônia Oriental, localizadas nos
municípios de Açailândia-MA e Marabá-PA. Esse deslocamento da produção de ferro-gusa
para a Amazônia Oriental foi possível pela atuação decisiva do governo federal, que,
procurando aproveitar a infraestrutura (ferrovia e porto) criada para o escoamento da
produção mineral de Carajás, desenvolveu um conjunto de incentivos financeiros (isenção
fiscal e subsídios) para atrair grupos empresariais com alguma experiência na atividade
siderúrgica (CARNEIRO, 1989; MONTEIRO, 1998).
Nesse sentido, a implantação da produção guseira na região de Carajás teve início com
o deslocamento de grupos siderúrgicos de Minas Gerais (Itaminas) e o investimento de
empresas que participaram das obras de construção civil da ferrovia Carajás (Queiroz Galvão,
Camargo Corrêa), que, aproveitando-se dos incentivos e isenções fiscais oferecidos pelo
governo federal, tornaram-se produtores de ferro-gusa (Quadro 1).
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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Quadro 1 Primeiras empresas siderúrgicas implantadas na Amazônia Oriental
Nome da Empresa
Localização
Início
Controlador da Empresa
Cia. Vale do Pindaré S.A.
Açailândia-MA
1988
Construtora Brasil (MG)
Viena Siderúrgica do Maranhão S.A.
Açailândia-MA
1988
Grupo Andrade Valadares (MG)
Cia Siderúrgica do Pará S.A.
Marabá-PA
1988
Grupo Itaminas (MG)
Siderúrgica Marabá S. A
Marabá-PA
1988
Grupo Belauto (PA)
Fonte: Carneiro (2021)
Além do apoio estatal, a grande disponibilidade de carvão vegetal também foi um
fator crucial para a implantação regional dessa produção siderúrgica. Apesar do discurso
estatal de que o carvão vegetal seria produzido a partir de fontes renováveis (manejo florestal
ou reflorestamento), a lenha consumida pelas siderúrgicas de Carajás em seus primeiros anos
teve três fontes principais: a abertura de matas nativas, os resíduos da conversão de florestas
para a implantação de pastagens e os resíduos da exploração madeireira (MONTEIRO, 1998;
ASSIS, CARNEIRO, 2015).
Por outro lado, também contribuiu para o baixo custo do carvão consumido pelas
siderúrgicas de Carajás, o valor pago pela mão de obra utilizada. Como mostraram diversos
estudos, os trabalhadores mobilizados pelos produtores de carvão vegetal, geralmente
empreiteiros subcontratados pelas siderúrgicas, raramente possuíam carteira de trabalho
assinada, trabalhavam em condições precarizadas, com a ocorrência de muitas situações
classificadas como de trabalho escravo contemporâneo (SUTTON, 1994; MONTEIRO, 1998;
CARNEIRO, 2008).
Foi somente a partir da atuação da crítica social, com destaque para as ações do Centro
de Defesa dos Direitos Humanos em Açailândia no Maranhão e da Comissão Pastoral da
Terra (CPT) no Pará, que as condições de trabalho na cadeia da produção guseira na
Amazônia passam a ser objeto de uma fiscalização governamental mais intensa, a partir da
mobilização dos grupos móveis de fiscalização (PITOMBEIRA, 2011).
O boom na produção de ferro-gusa na Amazônia (1998 a 2008)
Enquanto no período inicial de sua implantação as empresas localizadas na Amazônia
tinham uma pequena presença no campo da siderurgia nacional, a partir da segunda metade
dos anos 1990 esse cenário se modifica, com as exportações amazônicas da commodity
ultrapassando a casa da 1,0 milhão de toneladas (1998), chegando a atingir, antes da crise
econômica de 2008, a casa das 3,6 milhões de toneladas. Por outro lado, quando considerada a
participação no total nacional exportado, as siderúrgicas de Carajás passam de 11,34 %, no
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início da década, para cerca de 35% em 1997, chegando a mais da metade do ferro-gusa
exportado na década seguinte (CARNEIRO, 2021).
Essa ampliação da produção guseira amazônica está relacionada com a entrada de
novos grupos empresariais no campo econômico e com a ampliação da capacidade produtiva
das empresas que poderíamos chamar de “pioneiras”, caso da Viena Siderúrgica e da Cia Vale
do Pindaré que foi adquirida pelo grupo Queiroz Galvão - em Açailândia-MA e da Cia.
Siderúrgica do Pará em Marabá-PA. No quadro a seguir (Quadro 2), apresentamos as empesas
que compõem o campo da produção siderúrgica de Carajás nesse segundo momento,
ordenando-as pelo ano de entrada em operação, destacando também os grupos empresariais
controladores.
Quadro 2 Empresas segundo localização, início de operação e grupo controlador
Nome da Empresa
Localização
Início
Controlador da Empresa
Cia. Vale do Pindaré S.A.
Açailândia-MA
1988
Grupo Queiroz Galvão (PE)
Viena Siderúrgica do Maranhão S.A.
Açailândia-MA
1988
Grupo Andrade Valadares ((MG)
Cia Siderúrgica do Pará S.A.
Marabá-PA
1988
Grupo Costa Monteiro (MG)
Siderúrgica Marabá S. A.
Marabá-PA
1988
Grupo Aço Cearense (CE)
Siderúrgica do Maranhão S.A.
Açailândia-MA
1991
Grupo Queiroz Galvão (PE)
Cia. Siderúrgica do Maranhão S.A.
Santa Inês-MA
1991
Grupo Queiroz Galvão (PE)
Maranhão Gusa S.A.
Bacabeira-MA
1992
Grupo Calsete (MG)
Gusa Nordeste S.A.
Açailândia-MA
1993
Grupo Ferroeste (MG)
Ferro-gusa do Maranhão Ltda.
Açailândia-MA
1996
Grupo Aterpa (MG)
Siderúrgica Ibérica Pará S.A.
Marabá-PA
2002
Promotora Vascoasturiana (ESP)
Usina Siderúrgica de Marabá
Marabá-PA
2002
Demétrio Fernandes Ribeiro (PA)
Ferro-gusa Carajás S.A.
Marabá-PA
2005
Empresa Vale S.A.
Siderúrgica do Pará S.A.
Marabá-PA
2005
Grupo Valadares Gontijo (MG)
Sidenorte Siderurgia Ltda.
Marabá-PA
2006
Sem Identificação
Usina Siderúrgica do Pará S.A.
Barcarena-PA
2007
Grupo Costa Monteiro (MG)
Marabá Gusa Siderurgia Ltda.
Marabá-PA
2007
Grupo Leolar (PA)
Da Terra Siderúrgica Ltda.
Marabá-PA
2007
Grupo Revemar (PA)
Cikel Siderurgia S.A.
Marabá-PA
2008
Grupo Cikel Brasil Verde (PR)
Siderúrgica Norte Brasil S.A.
Marabá-PA
2008
Grupo Aço Cearense (CE)
Fonte: Carneiro (2021)
Analisado do ponto de vista cronológico, a entrada desses novos grupos empresariais
na produção guseira amazônica ocorreu em dois momentos. Na primeira etapa, entre 1991 e
1996, ocorreu uma expansão de unidades no estado do Maranhão, com a implantação da
Simara, Gusa Nordeste e Fergumar em Açailândia, a Cosima em Santa Inês e a Margusa em
Bacabeira. Na segunda etapa, que teve início no começo do século XXI, o desenvolvimento
do parque guseiro se concentrou no estado do Pará. Entre 2002 e 2008, nove empresas são
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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implantadas no Distrito Industrial de Marabá e uma, a Usina Siderúrgica do Pará, na cidade
portuária de Barcarena-PA.
De acordo com relatório do Instituto Observatório Social (IOS, 2006), essa expansão
está relacionada com a decisão do governo paraense de desonerar o pagamento do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o minério de ferro comprado por
essas siderúrgicas, bem como com a maior disponibilidade de carvão vegetal oriundo de mata
nativa. Portanto, podemos dizer que essa conjuntura expansionista abriu a possibilidade para o
deslocamento de agentes econômicos ‘neófitos’ na produção siderúrgica, como é o caso dos
grupos empresariais atuantes no segmento varejista do estado do Pará (Leolar, Revemar e
Diferro), de uma empresa do setor florestal (Cikel Brasil Verde) ou da Sidepar, firma
pertencente ao grupo Valadares Gontijo, com atuação no setor da construção civil.
A crise econômica de 2008 e a resposta das empresas siderúrgicas
A crise econômica de 2008 teve seu epicentro na economia norte-americana e
provocou uma forte recessão nos mercados globais. Por conseguinte, as exportações
amazônicas de ferro-gusa, orientadas para o mercado norte-americano, foram fortemente
impactadas. De acordo com os dados apresentados no Gráfico 1, as exportações regionais de
ferro-gusa passaram de cerca de 3,5 milhões de toneladas em 2006 para 1,5 milhão em 2010,
recuperando-se um pouco nos anos 2011-2012, caindo novamente no período 2015-2020, até
começar um processo de recuperação em 2021, mas, num nível muito baixo, de cerca de 500-
600 mil toneladas/ano. Contudo, se a queda observada nesse período foi geral, ela atingiu de
forma diferenciada as empresas siderúrgicas localizadas no Maranhão e no Pará, pois, como
mostram os dados abaixo, nos anos 2017-2019 não houve exportação de ferro-gusa a partir do
estado do Pará, enquanto as exportações oriundas do território maranhense mantiveram-se
num patamar médio de cerca de 450 mil toneladas/ano.
O desenvolvimento da produção siderúrgica na Amazônia Oriental e o debate sobre o processo de aprimoramento tecnológico e social
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Gráfico 1 Evolução das exportações de ferro-gusa (em t) do PSC e das empresas nos
estados do Maranhão e do Pará 2000 a 2022
Fonte: Dados da CAMEX-MDIC
A explicação para o declínio e fechamento quase total do parque guseiro localizado
em Marabá-PA com exceção da produção para consumo próprio da empresa Sinobrás e a
resistência da atividade em Açailândia-MA está relacionada a dois aspectos: a mobilização
política pelo diferimento no preço do minério de ferro vendido pela Vale S/A e os
investimentos diferenciados realizados por empresas localizadas no Maranhão para obtenção
de carvão vegetal de fontes legais.
No primeiro caso, é preciso lembrar que no mesmo momento em que a crise de 2008
provocou a retração na demanda de ferro-gusa e jogou o preço da commodity para baixo, a
empresa Vale S/A decidiu, aproveitando a demanda chinesa, elevar o preço do minério de
ferro de US$ 48,00 para US$ 137,00 a tonelada (RAMALHO; CARNEIRO, 2015). Diante de
tal situação, as empresas localizadas em Açailândia, com o apoio destacado do Sindicato dos
Trabalhadores na Indústria Metalúrgica do município (STIMA), desenvolveram uma
campanha para que a Vale S/A reduzisse o preço do minério de ferro, com o argumento de
que o novo preço inviabilizaria a atividade siderúrgica na região. De acordo com o presidente
do STIMA, Jarlis Adelino, a mobilização surtiu efeito e a Vale S/A se comprometeu a vender
o minério à US$ 93,00 a tonelada (RAMALHO; CARNEIRO, 2015).
0
500000
1000000
1500000
2000000
2500000
3000000
3500000
4000000
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
Maranhão Pará Total
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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Em Marabá-PA, apesar do fechamento provisório da maioria das empresas em 2008
(SANTOS; ASSIS, 2015) e da decretação de falência da Cia. Siderúrgica do Pará (Cosipar),
em 2012, não houve mobilização semelhante
. Falando em audiência para discutir a crise do
setor na Câmara Municipal de Marabá, em 16 de outubro de 2015, o presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Marabá (SIMETAL), Neiba Nunes destacou que “a fórmula adotada em
Açailândia precisaria ser repetida em Marabá. Vamos aprender como se faz gusa com preço
baixo e ainda competir no mercado internacional” (CARNEIRO, 2021, p. 184).
Outro fator que dificultou a manutenção das atividades da maior parte das empresas de
Marabá-PA diz respeito à ausência de investimentos no suprimento de carvão vegetal oriundo
de fontes legais e às pesadas multas cobradas pelos órgãos responsáveis pela fiscalização
ambiental. Esse foi o caso, por exemplo, das empresas Cosipar, Siderúrgica Ibérica e da
Siderúrgica do Pará S/A (Sidepar), que foram objeto de uma pesada multa cerca de 284
milhões de reais durante a operação de fiscalização “Saldo Negro”, realizada pelo Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em 2011 (SANTOS;
ASSIS, 2015).
No caso das principais empresas localizadas em Açailândia-MA, Viena Siderúrgica,
Gusa Nordeste e Queiroz Galvão Siderurgia, a questão da contestação social e ambiental foi
enfrentada mais cedo, com a criação do Instituo Carvão Cidadão, em 2004, e com o forte
investimento em plantações de eucalipto para a produção de carvão vegetal (CARNEIRO,
2021), o que levou essas empresas a formalizarem as relações de trabalho e a realizarem
investimentos em tecnologias para a mecanização da produção de carvão, num padrão que em
nada lembra o início da atividade de carvoejamento na região (CARNEIRO, 1995;
MONTEIRO, 1998).
Apesar desse investimento, do tratamento diferenciado obtido na compra do minério
da Vale S/A e a despeito das empresas do Grupo Queiroz Galvão (GQG) terem se destacado
entre as firmas que melhores resultados obtiveram nas exportações de ferro-gusa após a crise
de 2008, o GQG resolveu vender seus ativos florestais na região para a empresa Suzano de
Papel e Celulose (em 2016), abandonando as atividades siderúrgicas na região.
Ocorreram manifestações de trabalhadores metalúrgicos em Marabá, após a demissão de cerca de 480
funcionários pela empresa Cosipar, contudo, essa mobilização foi motivada pela defesa dos direitos trabalhistas
dos demitidos e não pela manutenção da empresa em funcionamento (CARNEIRO, 2021).
O desenvolvimento da produção siderúrgica na Amazônia Oriental e o debate sobre o processo de aprimoramento tecnológico e social
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A crise de 2008 e a questão do aprimoramento produtivo na produção siderúrgica na
Amazônia Oriental
Como destacaram Gereffi, Posthuma e Rossi (2021), choques econômicos externos,
como o derivado da crise econômica de 2008-2009, produziram efeitos importantes nas
cadeias globais de mercadorias, pois, demonstraram a fragilidade da posição de empresas
localizadas nas posições iniciais das cadeias de suprimentos. Nesse sentido, podemos dizer
que no caso da siderurgia amazônica, essa crise funcionou como catalizador de algumas
transformações que estavam em processamento nesse campo econômico (CARNEIRO, 2021;
MANCINI, 2021).
Como mostrado no gráfico 1, os dados mais recentes das exportações de ferro-gusa do
Polo Siderúrgico de Carajás mostram que a produção regional de ferro-gusa nunca retomou o
patamar dos anos 2000, estando na casa das 600 mil toneladas/ano, quando chegou a atingir a
casa de 3,6 milhões de toneladas.
Essa produção vem sendo mantida principalmente pelas siderúrgicas que continuam
operando em Açailândia-MA, a Viena Siderúrgica e a Gusa Nordeste, pois a Aço Verde
Brasil, também localizada nesse município, consome ferro-gusa para a produção de aço. No
caso de Marabá-PA, a empresa que continua com operação integral é a Sinobrás, que também
utiliza ferro-gusa na produção de aço. Contudo, conforme notícia publicada em janeiro de
2020, duas unidades de produção de ferro-gusa voltaram a operar em Marabá-PA, a
Siderúrgica Âncora (antiga Maragusa) e a Gusa Brasil (antiga Sidepar).
O quadro a seguir (Quadro 3) apresenta a conformação atual da produção siderúrgica
no Polo Siderúrgico de Carajás, que, apesar de bastante reduzido quando comparado ao
período anterior, mostra uma modificação positiva, com o estabelecimento de duas empresas
que produzem aço e derivados, a Sinobrás e a Aço Verde Brasil.
Quadro 3 Informações das empresas em funcionamento no PSC 2022
Empresa
Localização
Início
Controlador
Produtos Fabricados
Viena Siderúrgica
Açailândia-MA
1988
Grupo Valadares
Ferro-Gusa
Gusa Nordeste
Açailândia-MA
1991
Grupo Ferroeste
Ferro-Gusa
Aço Verde Brasil
Açailândia-MA
2016
Aço, Tarugos, Vergalhões e Fio-
Máquina
Siderúrgica Norte
Brasil S/A
Marabá-PA
2006
Aço Cearense
Aço, Tarugos, Vergalhões, Fio-
Máquina e Arames
Gusa Brasil
Marabá-PA
2020
Sem Informação
Ferro-Gusa
Siderurgia Âncora
Marabá-PA
2020
Sem Informação
Ferro-Gusa
Fonte: Carneiro (2021)
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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O desenvolvimento da produção de aço e derivados pela Siderúrgica Norte Brasil S/A
(Sinobrás) e pela Aço Verde Brasil (AVB) representa aquilo que na discussão sobre cadeias
de valor se define como um aprimoramento funcional, situação na qual determinada(s)
empresa(s) passa(m) a ocupar novas etapas na cadeia de valor, fabricando produtos
siderúrgicos mais elaborados e capturando maior quantidade de valor (SCHMITZ, 2005).
A Siderúrgica Norte Brasil S/A (Sinobrás) é uma empresa do grupo Aço Cearense e
começou a produzir aço em 2006, em Marabá-PA, enquanto a Aço Verde Brasil S/A (AVB),
que pertence ao grupo Ferroeste, foi inaugurada dez anos depois, em 2016, no Distrito
Industrial do Pequiá (Açailândia-MA). Além de implantadas em momentos diferentes, essas
duas empresas seguem rotas tecnológicas diferentes para a fabricação de aço. A Sinobrás
utiliza um mix de 30% de ferro-gusa e 70% de aço, ao passo que a AVB utiliza 75% de ferro-
gusa e 25% de sucata no seu processo produtivo. De acordo com informações do diretor
industrial da AVB, a escolha dessa rota tecnológica deveu-se ao fato do grupo Ferroeste ser
um grande produtor de ferro-gusa na região e que a utilização do ferro-gusa a carvão vegetal
permite a elaboração de produtos diversificados, caso do vergalhão e fio-máquina, que são
commodities, mas também, fios-máquinas de alta qualidade (CARNEIRO, 2021).
Quando começou sua implantação em Marabá-PA, a Sinobrás adquiriu uma empresa
que produzia e exportava ferro-gusa, a Siderúrgica Marabá S/A (Simara), operando dois altos
fornos. O carvão vegetal utilizado pela empresa na produção de ferro-gusa é oriundo de treze
fazendas localizadas no estado do Tocantins para fugir das exigências de manutenção de
área de reserva legal, que são bem maiores em áreas do bioma amazônico (ASSIS;
CARNEIRO, 2015) que perfazem um total de 24 mil hectares, 14 mil dos quais com
plantações de eucalipto (SINOBRAS, 2014).
De acordo com informações do grupo Ferroeste, em sua primeira etapa a AVB poderá
produzir 600 mil toneladas de aço, voltadas principalmente para o mercado interno. Por outro
lado, vale dizer que o projeto da fábrica prevê a construção de uma segunda etapa, o que
permitirá a empresa dobrar sua capacidade produtiva. A entrada em funcionamento da AVB
ocorreu em 2016, com a produção de 157 mil toneladas de aço. Nos anos seguintes, a empresa
continuou ampliando sua produção, tendo atingido a marca de 338 mil toneladas de aço em
2019. Além de aço, a AVB produz, também, laminados longos (fios-máquina e vergalhões) e
produtos semiacabados (tarugos) (AVB, 2020).
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A Sinobrás entrou em operação em 2006, com uma previsão inicial de produção de
200 mil toneladas anuais de aço, capacidade essa que foi ampliada ao longo do tempo e
permitiu que a empresa chegasse, em 2019, com uma produção de 338 mil toneladas. De
acordo com informações publicadas no jornal Valor Econômico, a Sinobrás produz
vergalhões, fios-máquina e trefilados de aço destinados integralmente ao mercado interno
(CAMARGO, 2012).
No quadro (Quadro 4), encontra-se a evolução da produção de aço bruto pelas
empresas e/ou grupos siderúrgicos no Brasil entre 2017 e 2020. Como pode ser observado, a
produção total oscilou entre 31,4 e 37,1 milhões de toneladas por ano, com destaque para os
grupos Arcelor Mittal, Gerdau Aço Longos e as empresas CSN e Ternium Brasil, que em
2020 responderam por cerca de 74,0% do total produzido.
Quadro 4 Produção de aço bruto por empresa ou grupo siderúrgico (em mil toneladas)
Empresa ou Grupo Siderúrgico
2017
2018
2019
2020
2021
Aço Verde do Brasil (AVB)
144
279
338
321
345
Aperam Inox América do Sul
716
709
688
696
754
Grupo Arcelor Mittal*
11.121
11.188
9.858
8.717
11.161
Cia. Siderúrgica Nacional (CSN)
4.426
4.199
3.043
3.810
4.260
Companhia Siderúrgica do Pecém
2.455
2.978
2.866
2.743
2.811
Grupo Gerdau S/A
6.955
6.654
6.301
6.220
6.974
SIMEC
284
480
671
988
951
Siderúrgica Norte Brasil (SINOBRÁS)
389
345
345
330
367
Ternium Brasil
4.497
4.606
4.379
4.138
4.529
Usiminas S/A
3.012
3.086
3.264
2.760
3.178
Vallourec Tubos do Brasil S/A
671
769
705
588
710
Villares Metals S/A
108
114
111
104
134
TOTAL
34.778
35.407
32.569
31.415
37.174
* Envolve a produção das unidades da Arcelor Mittal Aços Longos, Tubarão e Sul Fluminense
Fonte: Brasil (2022)
Como pode ser observado no quadro acima, enquanto a Sinobrás vem mantendo uma
fabricação de aço constante, na faixa de 350 mil toneladas, a produção da Aço Brasil Verde
vem crescendo de forma regular, tendo atingido, em 2021, o seu maior patamar, com 345 mil
toneladas. Ou seja, embora a produção de aço das empresas siderúrgicas localizadas na
Amazônia venha crescendo, ela representa uma pequena proporção da produção nacional, o
que significa dizer que do ponto vista da teoria dos campos elas atuam como agentes
dominados no campo da produção de aço brasileira, e que sua manutenção e/ou ampliação de
participação nesse novo campo econômico passa pela capacidade de se posicionar vis-à-vis os
grandes grupos do setor (CARNEIRO, 2021).
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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O movimento desenvolvido por essas duas empresas, parece indicar que alguns
agentes da produção siderúrgica de Carajás estão apostando em estratégias de upgrading
funcional (SCHMITZ, 2005), com a passagem para processos de fabricação de produtos mais
sofisticados e de maior valor agregado, saindo da produção de ferro-gusa para a de aço e
derivados e apostando no diferencial de um aço que é produzido com base numa economia de
baixo carbono (AVB, 2021). Nesse novo contexto, uma questão importante é saber se essas
empresas conseguirão se manter nesse novo mercado, que é dominado por grupos econômicos
de maior porte (IAB, 2021).
Outra dimensão importante da discussão acerca dos processos de aprimoramento diz
respeito às possibilidades de que a mudança de posição na cadeia de valor gere resultados
positivos em termos sociais, para os trabalhadores e comunidades das localidades onde essas
empresas se situam. A expectativa é que o processo de mudança tecnológica, que demanda
uma força de trabalho mais qualificada, venha a propiciar uma melhoria dos empregos e das
condições de trabalho, com mais proteção e direitos para os operários (BARRIENTOS;
GEREFFI; ROSSI, 2018).
No caso da produção de aço pelas empresas do Polo Siderúrgico de Carajás, os dados
disponíveis apontam para a abertura de postos de trabalhos com um nível de remuneração
mais elevado, nesse sentido, podemos afirmar que a passagem para a produção de aço tem
produzido efeitos positivos no mercado de trabalho local (MANCINI, 2021), ainda que o
número de trabalhadores atualmente contratados seja inferior ao observado no momento de
maior nível de atividade da produção siderúrgica na região, antes da crise de 2008
(MANCINI; CARNEIRO, 2018a).
Uma última dimensão desse processo de aprimoramento, ainda não abordado na
bibliografia consultada, refere-se aos efeitos ambientais positivos da transformação
tecnológica na produção siderúrgica na Amazônia, pois a passagem da produção de ferro gusa
para a de aço exigiu das empresas estudadas a aquisição e implantação de áreas florestais
próprias, desvinculando-as de processos de desmatamento e inserindo-as no movimento de
produção do chamado “aço ecológico ou verde”, com contribuição positiva para o processo de
captura de gás carbônico na atmosfera e, por conseguinte, na luta contra o aquecimento global
(ADEODATO, 2019).
Essa dimensão ambiental positiva é reforçada pelo relatório de sustentabilidade da
empresa Aço Verde Brasil, que destaca que “no ramo siderúrgico, o Grupo busca a
verticalização da produção de aço verde, conceito criado para um aço produzido 100% com
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energia renovável e, uma pegada de carbono, sem a utilização de combustível fóssil” (AVB,
2021, p. 6, grifo nosso)
. Nesse sentido, a produção de aço utilizando carvão vegetal como
insumo pode ser vista como uma estratégia de qualidade (MANCINI, 2021) na competição de
um campo econômico dominado por empresas com capacidades produtivas bem maiores
(Gerdau, ArcelorMittal), o que permitiria à AVB entrar, por exemplo, no ramo da produção
de aços especiais (CARVALHO; MESQUITA; CARDARELLI, 2017).
Conclusão
A inserção da indústria siderúrgica na Amazônia Oriental, tendo por base a construção
da primeira unidade produtora de ferro gusa, completa, em 2023, trinta e cinco anos de
existência. Nestas três décadas, esta atividade insdutrial passou por um forte momento de
crescimento, entre o final do anos de 1990 e 2008, oscilando com períodos de crise,
vivenciados sobretudo a partir de 2008.
Os momentos de crise trouxeram dois conjuntos de efeitos: aqueles relacionados à
eficiência econômica e as estratégias de lucro das empresas, e outros referentes às
transformações no aparato institucional do campo da produção siderúrgica. Acerca destes
efeitos, estudos anteriores demonstraram que as empresas ou grupos siderúrgicos foram
combalidos pela crise global de 2008 e pelo movimento de crítica social conformado por
atores da sociedade civil. O resultado foi a redução da capacidade produzida, corte de postos
de trabalhos e o fechamento de unidades produtivas (CARNEIRO, 2008; MANCINI;
CARNEIRO, 2018a).
A partir do final dos anos 2000, alguns dos grupos mobilizaram estratégias que
resultaram em transformações relevantes no campo: o grupo Queiroz Galvão foi pioneiro na
incorporação da produção de carvão vegetal a partir de uma empresa própria (MANCINI;
CARNEIRO, 2018b); e os grupos Aço Cearense e Ferroeste avançaram na cadeia de valor do
aço, construindo usinas integradas que produzem aço e laminados longos. Nesta fase,
constatou-se a implantação de novas estratégias de lucro, organizadas através de um novo
modelo produtivo, que permitiram os processos de aprimoramento produtivo e social dos
últimos anos (MANCINI, 2021; CARNEIRO, 2021).
Contudo, esse processo de aprimoramento produtivo implicou num afastamento
relativo das empresas (AVB e Sinobras) da cadeia ou rede global de valor que estruturou a
Por sua vez, no caso da Sinobrás, o destaque é conferido para a utilização da sucata, que é defendida pela
empresa como uma estratégia de reduzir o impacto sobre os recursos naturais (SINOBRÁS, 2014, p. 63).
Marcelo Sampaio CARNEIRO e Roberto Martins MANCINI
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formação da produção guseira na Amazônia (SANTOS, 2010), pois ao investirem na
produção de aço elas deixam ou reduzem sua participação nas exportações de ferro-gusa para
o mercado norte-americano, orientando esse insumo para a produção própria de bens mais
elaborados. Nesse sentido, podemos dizer que essas empresas realizaram uma espécie de
aprimoramento estratégico
(BERTHE; GROUIEZ; DUPUY, 2018), que se carateriza pelo
desenvolvimento de um movimento autônomo em relação ao agente líder de uma determinada
cadeia ou rede global de valor, desenvolvendo novas atividades ou produtos.
A fabricação de produtos com maior valor agregado encaminharam as empresas para
mercados mais recompensadores e colocam a possibilidade de continuidade da diversificação
produtiva nos próximos anos, como pode ser observado na implantatação da trefilação tanto
na Sinobrás quanto na AVB, cuja produção parte de produtos acabados, como é o caso do fio-
máquina. Este avanço, contudo, é acompanhado da inserção em um novo contexto de
competição, agora nacional, em que o sucesso dos grupos siderúrgicos localizados na
Amazônia oriental dependerá das estratégias adotadas para enfrenteram players com maior
aporte econômico e presença no mercado brasileiro.
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THE DEVELOPMENT OF STEEL PRODUCTION IN THE EASTERN AMAZON
AND THE DEBATE ON THE PROCESS OF TECHNOLOGICAL AND SOCIAL
UPGRADING
O DESENVOLVIMENTO DA PRODUÇÃO SIDERÚRGICA NA AMAZÔNIA
ORIENTAL E O DEBATE SOBRE O PROCESSO DE APRIMORAMENTO
TECNOLÓGICO E SOCIAL
EL DESARROLLO DE LA PRODUCCIÓN SIDERÚRGICA EN LA AMAZONÍA
ORIENTAL Y EL DEBATE SOBRE EL PROCESO DE PERFECCIONAMIENTO
TECNOLÓGICO Y SOCIAL
Marcelo Sampaio CARNEIRO1
e-mail: marcelo.sampaio@ufma.br
Roberto Martins MANCINI2
e-mail: robertomancini89@hotmail.com
How to reference this article:
CARNEIRO, M. S.; MANCINI, R. M. The development of steel
production in the Eastern Amazon and the debate on the process of
technological and social upgrading. Estudos de Sociologia,
Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023015, 2023. e-ISSN: 1982-4718.
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| Submitted: 15/08/2023
| Required revisions: 19/10/2023
| Approved: 05/11/2023
| Published em: 29/12/2023
Editor:
Prof. Dr. Maria Chaves Jardim
Executive Deputy Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
Federal University of Maranhão (UFMA), São Luís MA Brazil. Full Professor in the Department of Sociology
and Anthropology.
Federal University of Maranhão (UFMA), São Luís MA Brazil. Post-doctoral fellow in the Postgraduate
Program in Social Sciences.
The development of steel production in the Eastern Amazon and the debate on the process of technological and social upgrading
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023015, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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ABSTRACT: The article analyzes the development process of the steel industry in the Eastern
Amazon, which, over the last thirty years (1990-2020), has been organized as part of a global
commodity chain, seeking to identify the main transformations operated in this chain. Using
the perspective of global value chain approaches and global production networks, we discuss
the possibility that the ongoing technological upgrading process in this chain will produce
benefits for workers and the territory in which these companies are located, highlighting,
however, the role played by certain collective agents in modifying the performance of these
steel companies.
KEYWORDS: Steel industry. Global value chain. Global production network. Amazon.
Contestation.
RESUMO: O artigo analisa o processo de desenvolvimento da atividade siderúrgica na
Amazônia Oriental, que, ao longo dos últimos trinta anos (1990-2020), se organizou como
parte de uma cadeia global de mercadoria, procurando identificar as principais
transformações operada nessa cadeia. Utilizando a perspectiva das abordagens das cadeias
globais de valor e das redes de produção global, discutimos a possibilidade que o processo de
aprimoramento tecnológico em curso nessa cadeia produza benefícios para os trabalhadores
e o território no qual essas empresas se localizam, destacando, contudo, o papel desempenhado
por determinados agentes coletivos na modificação da atuação dessas empresas siderúrgicas.
PALAVRAS-CHAVE: Siderurgia. Cadeia global de valor. Rede de produção Global.
Amazônia. Contestação.
RESUMEN: El artículo analiza el proceso de desarrollo de la siderurgia en la Amazonía
Oriental, que en los últimos treinta años (1990-2020) se ha organizado como parte de una
cadena global de mercancías, buscando identificar las principales transformaciones operadas
en esa cadena. Desde la perspectiva de los enfoques de cadenas globales de valor y redes
globales de producción, discutimos la posibilidad de que el proceso de mejora tecnológica en
curso en esta cadena produzca beneficios para los trabajadores y el territorio en el que se
encuentran estas empresas, destacando, sin embargo, el papel que juegan ciertos agentes
colectivos en la modificación del desempeño de estas empresas siderúrgicas.
PALABRAS CLAVE: Industria metalúrgica. Cadena de valor mundial. Red de Producción
Global. Amazonas. Contestación social.
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 28, n. esp. 2, e023015, 2023. e-ISSN: 1982-4718
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Introduction
In an article written in the 1980s about the major investment projects in the Amazon and
the region's growing integration into the world market, Elmar Altvater (1989) argued that with
the transformation of natural resources into commodities, the regional production centers were
included in the process of international capital circulation, defending the need for the Brazilian
state to introduce political restrictions on this transit of goods and capital, in order to try to
guide the process of regional development.
Altvater's reflection (1989), based on an analysis of the implementation of the Carajás
Iron Project, anticipated some issues that are central to the debate on development processes
(CARNEIRO, 2012) and which concern the disputes that are established between private
investors and state agencies, operating on different territorial scales, over the capture of the
value generated in different types of economic activities.
However, despite the originality of this reflection, it did not give due prominence to the
role played by non-state social agents in the implementation and development processes of the
so-called large investment projects (HALL, 1991), which was done in a more recent period by
an approach to the socioeconomics of development called the global production networks
(GPN) model (HENDERSON et al., 2011).
According to this perspective, which emerged as a critique of the global commodity
chains approach (GEREFFI, 2007), when analyzing the globalized economy, it is necessary to
consider not only the relationship established between the leading companies and their
subcontractors, but also the role played by non-economic agents located at national and local
level in the process of shaping the economic activities in question.
It is worth mentioning that this criticism from the advocates of the GPN approach has
been validated by the authors of the global commodity chains perspective, who, in a recent
assessment of their perspective of analysis (GEREFFI, 2018), recognized the need to observe
processes of value disputes, incorporating the debate on the issue of social upgrading in
commodity chains, based on the actions of trade unions and social movements (BARRIENTOS;
GEREFFI; ROSSI, 2018).
In this sense, this article discusses the trajectory of an economic activity implemented
in the Eastern Amazon, that of steel production, which has been organized as part of a global
value chain (or network), seeking to identify the main transformations that have taken place in
this chain over the last thirty years (1990-2020).
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Started as a pig iron production activity and aimed at meeting the demand of steel mills
located mainly in the United States, Amazonian steel production has recently undergone a
process of technological upgrading, with the establishment of two steel mills, companies
dedicated to the production of rebar, rolled and drawn steel (Sinobrás and Aço Verde Brasil),
steel products with greater added value than the pig iron originally produced.
However, while from a technological point of view the improvement of steel production
is an unquestionable fact, the question we seek to answer in this article concerns the results that
this type of improvement has produced, that is, whether the move towards a nobler stage of
steel production has generated improvements in terms of social benefits for the workers
involved in the work process (industrial and forestry) and whether this steel production process,
which involves the use of charcoal, has taken on a more sustainable profile.
The article begins with a brief discussion of the socio-economic perspectives on
development mentioned above, seeking to identify their main contributions. It then presents the
main elements of the process of structuring steel production in the Eastern Amazon,
highlighting the role played by social protest in the process of developing this activity. The
third section discusses the recent process of establishing a steel production sector in the region,
based on the case of the companies Aço Verde Brasil and Sinobrás, seeking to identify the
existence of social upgrading processes. Finally, in the conclusion, we discuss the challenges
facing the companies that have carried out the upgrading process and analyze the significance
of this process in terms of the relative disconnection from the global value chain (or network)
that has structured steel production in the Amazon.
The debate on value capture and the question of technological and social improvement in
global value chains (or networks)
The current discussion on development theories gives a central role to the so-called
global commodity chains (GCC) in structuring international trade. According to Gereffi,
Posthuma and Rossi (2021), based on data from the World Bank, close to 50% of the global
movement of goods is currently organized by this type of inter-business relationship.
According to Bair (2009), the acceptance of this approach - which was born as an
extension of Immanuel Wallerstein's world-system theory - was related to the success of export-
oriented industrialization strategies in the 1980s, which gave great visibility to the production
of goods by subcontracted companies, generally located in Southeast Asia, which had become
the main suppliers of inputs to the central economies of capitalism.
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
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According to the first version of this approach, the central question of analysis
concerned the relationships of cooperation and conflict established by the different companies
along a given production chain, a relationship conceptually understood as the governance
structure of the respective chain (GEREFFI, 1994). Based on empirical analyses of certain
economic sectors, GCC researchers have identified the existence of two basic governance
structures in global chains. In the case of industries such as the automobile industry, the chain's
governance would be directed by the producing companies (producer-driven); while in a sector
such as the textile industry, the chain's direction would be located in the buying firms (buyer-
driven). As Gereffi (1994, p. 99, our translation) points out: "If in production-driven industries
the characteristics of demand are shaped by production patterns, in buyer-driven chains the
organization of consumption is the major determinant of where and how global manufacturing
is located".
Subsequently, the debate on global commodity chains was enriched by replacing the
term commodity with value, to draw attention to the issue of the dispute over the wealth
produced and to consider the analysis of non-standardized products, which are not commodities,
but which make up an important part of international trade.
Gereffi's work has become the main point of reference in this literature, but
his central concept of the 'global commodity chain' is misleading. The problem
is that the term 'commodity' tends to be associated with standardized products
made in large quantities, while much of the research focuses on the
manufacture and marketing of differentiated products. The concept 'global
value chain' has the advantage of drawing attention to where and by whom
value is added along the chain (SCHMITZ, 2005, p. 328, our translation).
A more recent critique highlights a methodological weakness in the approach to global
value (or commodity) chains
, due to the fact that it focuses almost exclusively on inter-
company relations, neglecting the role played by non-economic social actors in the governance
structure of the chains. For this perspective, called Global Production Networks, it is necessary
to consider that inter-firm relations "are profoundly influenced by the socio-political contexts
within which they are rooted" (HENDERSON et al., 2011, p. 153, our translation), in other
The other conceptual elements of the approach concern the analysis of the input-output structure of the chain, the
description of the territorial configuration of production and the institutional context in which it is inserted (BAIR,
2009).
The methodological discussion on research into value chains proposed by Fleury and Fleury (2005) is illustrative
in this respect, since, when indicating the steps for developing the research, the authors present a list that includes
companies (from the chemical and textile sectors) and business representation associations, but they do not
mention the unions or other actors in the places where these companies are located.
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words, they say that it is necessary to observe both the governance structure of the chain (inter-
firm relations) and the way in which the chain is rooted in the territory.
To analyze this territorial rootedness
, the authors of the GPN perspective highlight the
need to consider how "collective agents seeking to influence companies in specific GPN
locations, their respective governments and sometimes international agencies" (HENDERSON
et al., 2011, p. 158, our translation). Among these collective agents, they cite, for example,
trade unions, employers' associations and non-governmental organizations (NGOs), which take
action against companies at different points in the global value chain (network).
Another important debate concerns the possibilities for companies located in countries
on the periphery of the capitalist economy to upgrade from less valued activities to others that
involve generating and capturing greater added value within the respective production chain
(GEREFFI, 2018).
According to the typology established by global value chain studies, there are four basic
types of improvement: i) product improvement: when the firm starts to manufacture a better
quality or more sophisticated product; ii) process improvement: when the company
reorganizes its production process, starting to produce more efficiently; iii) functional
advancement: when the company moves to new stages in the value chain, starting to develop
activities such as the design of the products manufactured and, iv) intersectoral advancement:
the company uses skills acquired in a specific function to enter another activity (or sector)
(SCHMITZ, 2005).
However, the most important aspect for understanding upgrading processes concerns
the fact that changing position in a value chain, with the possibility of gains in terms of power
and added value, involves disputes with other agents in the chain (SCHMITZ, 2005). According
to Berthe, Grouiez and Dupuy (2018), most studies on upgrading processes are based on
research in which change occurs as a result of movements by the leading company in the chain,
however, as we have already seen, other social actors, rooted in the territories in which these
firms are located, can also influence the upgrading process.
In this sense, when analyzing an economic structure in terms of commodity or value
chains, we must consider that the activities studied are encapsulated within different territorial
units (sub-national, national and global), depending, in this sense, on infrastructure actions and
De certa forma, a abordagem das RPGs retoma uma distinção que foi realizada por Altvater (1989) sobre
processos de produção de valor do espaço e no espaço, no qual ele chama atenção para o fato de que a maior parte
do valor gerado no território amazônico será apropriado em outros espaços, seguindo a lógica de valorização do
capital.
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
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public policies (industrial, foreign exchange, regional development etc.) developed within these
units, as well as the mobilization of other social agents, impacted or interested by these public
policies, which act to improve their situation.
Another aspect that should also be highlighted, and which relates to the discussion about
the different types of industrial upgrading, concerns the nature of the upgrading in question and
its possible impacts on the development of the local or regional economy, the quality of the
jobs offered and the way in which this activity impacts the environment. In other words, it is
necessary to consider not only the productive dimension of upgrading, but also to try to
ascertain how this process affects the territory in which the activity is located, since there is a
possibility that the company(ies) obtaining a better position in the commodity chain may be at
the expense of reducing the quality of employment or the intensive exploitation of natural
resources (RAWORTH; KIDDER, 2009).
The development of steel production in the eastern Amazon: a brief periodization
The national production of pig iron using charcoal as an energy input and reducer began
in the 19th century and was consolidated in the 1930s (SUZIGAN, 1986). Even with the
emergence and expansion of the metallurgical coke plant, charcoal-based pig iron production
has continued to occupy an important place in the Brazilian steel industry, accounting for
around 25 to 35% of total pig iron production in recent years.
The development of this production was based on the establishment of a production
system marked by the coexistence of two types of pig iron producers: integrated producers and
independent producers. The former manufacture pig iron within larger steel units, including the
production of steel and other more elaborate products, while independent units are characterized
by producing pig iron exclusively and then selling it to foundries and steelworks.
Until the end of the 1980s, the production of charcoal pig iron was concentrated almost
exclusively in the state of Minas Gerais. However, from the end of that decade, the first steel
plants were set up in the Eastern Amazon, located in the municipalities of Açailândia-MA and
Marabá-PA. This shift in pig iron production to the Eastern Amazon was only made possible
by the decisive action of the federal government, which, seeking to take advantage of the
infrastructure (railroad and port) created to transport mineral production from Carajás,
developed a set of financial incentives (tax exemptions and subsidies) to attract business groups
with some experience in the steel industry (CARNEIRO, 1989; MONTEIRO, 1998).
The development of steel production in the Eastern Amazon and the debate on the process of technological and social upgrading
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In this sense, the implementation of iron and steel production in the Carajás region began
with the relocation of steel groups from Minas Gerais (Itaminas) and the investment of
companies that took part in the construction of the Carajás railroad (Queiroz Galvão, Camargo
Corrêa), which, taking advantage of the incentives and tax exemptions offered by the federal
government, became pig iron producers (Chart 1).
Chart 1 - First steel companies set up in the Eastern Amazon
Company name
Location
Start
Company Controller
Cia. Vale do Pindaré S.A.
Açailândia-MA
1988
Construtora Brasil (MG)
Viena Siderúrgica do Maranhão S.A.
Açailândia-MA
1988
Grupo Andrade Valadares (MG)
Cia Siderúrgica do Pará S.A.
Marabá-PA
1988
Grupo Itaminas (MG)
Siderúrgica Marabá S. A
Marabá-PA
1988
Grupo Belauto (PA)
Source: Carneiro (2021)
In addition to state support, the wide availability of charcoal was also a crucial factor in
the regional establishment of this steel production. Despite the state's claim that charcoal would
be produced from renewable sources (forest management or reforestation), the wood consumed
by the Carajás steel mills in their early years came from three main sources: the opening up of
native forests, the waste from the conversion of forests for the establishment of pastures and
the waste from logging (MONTEIRO, 1998; ASSIS, CARNEIRO, 2015).
On the other hand, the low cost of the charcoal consumed by the Carajás steel mills also
contributed to the amount paid for the labor used. As several studies have shown, the workers
mobilized by the charcoal producers, usually contractors subcontracted by the steel mills, rarely
had a signed work permit and worked in precarious conditions, with the occurrence of many
situations classified as contemporary slave labor (SUTTON, 1994; MONTEIRO, 1998;
CARNEIRO, 2008).
It was only through the work of social critics, especially the Human Rights Defense
Centre in Açailândia, Maranhão, and the Pastoral Land Commission (CPT Portuguese initials)
in Pará, that working conditions in the Amazon's sawmill production chain came under more
intense government scrutiny, with the mobilization of mobile inspection groups
(PITOMBEIRA, 2011).
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
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The boom in pig iron production in the Amazon (1998 to 2008)
While the companies located in the Amazon had a small presence in the national steel
industry in the initial period of its implementation, this scenario changed in the second half of
the 1990s, with Amazonian exports of the commodity surpassing 1.0 million tons (1998) and
reaching 3.6 million tons before the economic crisis of 2008. On the other hand, when
considering the share of total national exports, the Carajás steel mills went from 11.34% at the
beginning of the decade to around 35% in 1997, reaching more than half of the pig iron exported
in the following decade (CARNEIRO, 2021).
This expansion of Amazonian steel production is related to the entry of new business
groups into the economic field and the expansion of the production capacity of companies that
we could call "pioneers", such as Viena Siderúrgica and Cia Vale do Pindaré - which was
acquired by the Queiroz Galvão group - in Açailândia-MA and Cia. Siderúrgica do Pará in
Marabá-PA. In the following table (Chart 2), we present the companies that make up the Carajás
steel production field in this second phase, sorting them by the year they started operating, and
also highlighting the controlling business groups.
Chart 2 - Companies according to location, start of operation and controlling group
Company name
Location
Start
Company controller
Cia. Vale do Pindaré S.A.
Açailândia-MA
1988
Grupo Queiroz Galvão (PE)
Viena Siderúrgica do Maranhão S.A.
Açailândia-MA
1988
Grupo Andrade Valadares ((MG)
Cia Siderúrgica do Pará S.A.
Marabá-PA
1988
Grupo Costa Monteiro (MG)
Siderúrgica Marabá S. A.
Marabá-PA
1988
Grupo Aço Cearense (CE)
Siderúrgica do Maranhão S.A.
Açailândia-MA
1991
Grupo Queiroz Galvão (PE)
Cia. Siderúrgica do Maranhão S.A.
Santa Inês-MA
1991
Grupo Queiroz Galvão (PE)
Maranhão Gusa S.A.
Bacabeira-MA
1992
Grupo Calsete (MG)
Gusa Nordeste S.A.
Açailândia-MA
1993
Grupo Ferroeste (MG)
Ferro-gusa do Maranhão Ltda.
Açailândia-MA
1996
Grupo Aterpa (MG)
Siderúrgica Ibérica Pará S.A.
Marabá-PA
2002
Promotora Vascoasturiana (ESP)
Usina Siderúrgica de Marabá
Marabá-PA
2002
Demétrio Fernandes Ribeiro (PA)
Ferro-gusa Carajás S.A.
Marabá-PA
2005
Empresa Vale S.A.
Siderúrgica do Pará S.A.
Marabá-PA
2005
Grupo Valadares Gontijo (MG)
Sidenorte Siderurgia Ltda.
Marabá-PA
2006
Sem Identificação
Usina Siderúrgica do Pará S.A.
Barcarena-PA
2007
Grupo Costa Monteiro (MG)
Marabá Gusa Siderurgia Ltda.
Marabá-PA
2007
Grupo Leolar (PA)
Da Terra Siderúrgica Ltda.
Marabá-PA
2007
Grupo Revemar (PA)
Cikel Siderurgia S.A.
Marabá-PA
2008
Grupo Cikel Brasil Verde (PR)
Siderúrgica Norte Brasil S.A.
Marabá-PA
2008
Grupo Aço Cearense (CE)
Source: Carneiro (2021)
From a chronological point of view, the entry of these new business groups into
Amazonian iron and steel production took place in two stages. In the first stage, between 1991
The development of steel production in the Eastern Amazon and the debate on the process of technological and social upgrading
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and 1996, there was an expansion of units in the state of Maranhão, with the establishment of
Simara, Gusa Nordeste and Fergumar in Açailândia, Cosima in Santa Inês and Margusa in
Bacabeira. In the second stage, which began at the start of the 21st century, the development of
the iron and steel industry was concentrated in the state of Pará. Between 2002 and 2008, nine
companies were set up in the Marabá Industrial District and one, the Usina Siderúrgica do
Pará, in the port city of Barcarena-PA.
According to a report by the Social Observatory Institute (IOS, 2006), this expansion is
related to the decision by the government of Pará to waive the payment of the Tax on the
Circulation of Goods and Services (ICMS) on the iron ore bought by these steel mills, as well
as the greater availability of charcoal from native forests. Therefore, we can say that this
expansionist situation has opened up the possibility for 'neophyte' economic agents to move
into steel production, such as the business groups operating in the retail sector in the state of
Pará (Leolar, Revemar and Diferro), a company in the forestry sector (Cikel Brasil Verde) or
Sidepar, a firm belonging to the Valadares Gontijo group, which operates in the civil
construction sector.
The 2008 economic crisis and the response of steel companies
The 2008 economic crisis had its epicenter in the US economy and caused a sharp
recession in global markets. As a result, Amazonian pig iron exports, which are geared towards
the North American market, were heavily impacted. According to the data shown in Graph 1,
regional pig iron exports fell from around 3.5 million tons in 2006 to 1.5 million in 2010,
recovering somewhat in the years 2011-2012, falling again in the period 2015-2020, until
starting a recovery process in 2021, but at a very low level of around 500-600 thousand
tons/year. However, if the drop observed in this period was general, it affected the steel
companies located in Maranhão and Pará differently, because, as the data below shows, in the
years 2017-2019 there were no exports of pig iron from the state of Pará, while exports from
Maranhão remained at an average level of around 450,000 tons/year.
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
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Graph 1 - Evolution of pig iron exports (in tons) from PSC and companies in the states of
Maranhão and Pará - 2000 to 2022
Source: Dados da CAMEX-MDIC
The explanation for the decline and almost total closure of the iron and steel industry
located in Marabá-PA - with the exception of production for the company Sinobrás' own
consumption - and the resistance of the activity in Açailândia-MA is related to two aspects: the
political mobilization for a deferral in the price of iron ore sold by Vale S/A and the
differentiated investments made by companies located in Maranhão to obtain charcoal from
legal sources.
In the first case, it should be remembered that at the same time as the 2008 crisis caused
a downturn in demand for pig iron and drove the price of the commodity down, Vale S/A
decided, taking advantage of Chinese demand, to raise the price of iron ore from US$ 48.00 to
US$ 137.00 a ton (RAMALHO; CARNEIRO, 2015). Faced with this situation, the companies
located in Açailândia, with the strong support of the municipality's Metal Industry Workers'
Union (STIMA), campaigned for Vale S/A to reduce the price of iron ore, arguing that the new
price would make steelmaking in the region unfeasible. According to the president of STIMA,
Jarlis Adelino, the mobilization had an effect and Vale S/A undertook to sell the ore at
US$93.00 a tonne (RAMALHO; CARNEIRO, 2015).
0
500000
1000000
1500000
2000000
2500000
3000000
3500000
4000000
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
Maranhão Pará Total
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In Marabá-PA, despite the temporary closure of most of the companies in 2008
(SANTOS; ASSIS, 2015) and the bankruptcy of Cia. Siderúrgica do Pará (Cosipar) in 2012,
there was no similar mobilization
. Speaking at a hearing to discuss the sector's crisis at the
Marabá City Council on 16 October 2015, the president of the Marabá Metalworkers' Union
(SIMETAL), Neiba Nunes, pointed out that "the formula adopted in Açailândia would have to
be repeated in Marabá. We will learn how to make pig iron at a low price and still compete on
the international market" (CARNEIRO, 2021, p. 184, our translation).
Another factor that has made it difficult for most of the companies in Marabá-PA to
maintain their activities is the lack of investment in the supply of charcoal from legal sources
and the heavy fines levied by the bodies responsible for environmental inspection. This was the
case, for example, of the companies Cosipar, Siderúrgica Ibérica and Siderúrgica do Pará S/A
(Sidepar), which were subject to a heavy fine - around 284 million reais - during the "Black
Balance" inspection operation carried out by the Brazilian Institute for the Environment and
Renewable Natural Resources (IBAMA) in 2011 (SANTOS; ASSIS, 2015).
In the case of the main companies located in Açailândia-MA, Viena Siderúrgica, Gusa
Nordeste and Queiroz Galvão Siderurgia, the issue of social and environmental protest was
tackled earlier, with the creation of the Citizen Coal Institute in 2004, and heavy investment in
eucalyptus plantations for charcoal production (CARNEIRO, 2021), which led these companies
to formalize labour relations and invest in technologies to mechanize charcoal production, in a
pattern that is not at all reminiscent of the early days of charcoal production in the region
(CARNEIRO, 1995; MONTEIRO, 1998).
Despite this investment, the differentiated treatment obtained in the purchase of ore from
Vale S/A and despite the fact that the companies of the Queiroz Galvão Group (GQG) stood
out among the firms with the best results in pig iron exports after the 2008 crisis, GQG decided
to sell its forestry assets in the region to Suzano de Papel e Celulose (in 2016), abandoning its
steelmaking activities in the region.
There were demonstrations by metalworkers in Marabá, following the dismissal of around 480 employees by the
company Cosipar, however, this mobilization was motivated by the defense of the dismissed workers' labor rights
and not by keeping the company in business (CARNEIRO, 2021).
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
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The 2008 crisis and the question of improving steel production in the Eastern Amazon
As Gereffi, Posthuma and Rossi (2021) point out, external economic shocks, such as the
one caused by the 2008-2009 economic crisis, have had important effects on global commodity
chains, as they have demonstrated the fragility of the position of companies located in the initial
positions of supply chains. In this sense, we can say that in the case of the Amazonian steel
industry, this crisis acted as a catalyst for some transformations that were underway in this
economic field (CARNEIRO, 2021; MANCINI, 2021).
As shown in Graph 1, the most recent data on pig iron exports from the Carajás Steel
Complex show that regional pig iron production has never regained the level of the 2000s,
standing at around 600,000 tons/year, when it reached 3.6 million tons.
This production has been maintained mainly by the steel mills that continue to operate
in Açailândia-MA, Viena Siderúrgica and Gusa Nordeste, since o Verde Brasil, also located
in this municipality, uses pig iron to produce steel. In the case of Marabá-PA, the company that
continues to operate fully is Sinobrás, which also uses pig iron to produce steel. However,
according to news published in January 2020, two pig iron production units have started
operating again in Marabá-PA, Siderúrgica Âncora (formerly Maragusa) and Gusa Brasil
(formerly Sidepar).
The following chart (Chart 3) shows the current shape of steel production in the Carajás
Steel Complex, which, although quite small compared to the previous period, shows a positive
change, with the establishment of two companies that produce steel and steel products, Sinobrás
and Aço Verde Brasil.
Chart 3 - Information on companies operating in the PSC - 2022
Company
Location
Start
Controller
Manufactured Products
Viena Siderúrgica
Açailândia-MA
1988
Grupo Valadares
Pig iron
Gusa Nordeste
Açailândia-MA
1991
Grupo Ferroeste
Pig iron
Aço Verde Brasil
Açailândia-MA
2016
Steel, Billets, Rebar and Wire Rods
Siderúrgica Norte
Brasil S/A
Marabá-PA
2006
Aço Cearense
Steel, Billets, Rebar and Wire Rods
Gusa Brasil
Marabá-PA
2020
Sem Informação
Pig iron
Siderurgia Âncora
Marabá-PA
2020
Sem Informação
Pig iron
Source: Carneiro (2021)
The development of the production of steel and steel products by Siderúrgica Norte
Brasil S/A (Sinobrás) and Aço Verde Brasil (AVB) represents what in the discussion on value
chains is defined as a functional improvement, a situation in which a certain company or
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companies occupy new stages in the value chain, manufacturing more elaborate steel products
and capturing a greater amount of value (SCHMITZ, 2005).
Siderúrgica Norte Brasil S/A (Sinobrás) is a company belonging to the Aço Cearense
group and started producing steel in 2006 in Marabá-PA, while Aço Verde Brasil S/A (AVB),
which belongs to the Ferroeste group, was inaugurated ten years later, in 2016, in the Pequiá
Industrial District (Açailândia-MA). As well as being set up at different times, these two
companies follow different technological routes to manufacture steel. Sinobrás uses a mix of
30% pig iron and 70% steel, while AVB uses 75% pig iron and 25% scrap in its production
process. According to information from AVB's industrial director, this technological route was
chosen because the Ferroeste group is a major producer of pig iron in the region and the use of
charcoal-fired pig iron allows to produce diversified products, such as rebar and wire rod, which
are commodities, but also high-quality wire rod (CARNEIRO, 2021).
When it started operating in Marabá-PA, Sinobrás acquired a company that produced
and exported pig iron, Siderúrgica Marabá S/A (Simara), which operated two blast furnaces.
The charcoal used by the company in the production of pig iron comes from thirteen farms
located in the state of Tocantins - to escape the requirements of maintaining legal reserve areas,
which are much larger in areas of the Amazon biome (ASSIS; CARNEIRO, 2015) - totaling
24,000 hectares, 14,000 of which are eucalyptus plantations (SINOBRAS, 2014).
According to information from the Ferroeste group, in its first stage AVB will be able
to produce 600,000 tons of steel, mainly for the domestic market. On the other hand, it is worth
mentioning that the plant's project includes the construction of a second stage, which will allow
the company to double its production capacity. AVB began operating in 2016, producing
157,000 tons of steel. In the following years, the company continued to expand its production,
reaching 338,000 tons of steel in 2019. In addition to steel, AVB also produces long rolled
products (wire rod and rebar) and semi-finished products (billets) (AVB, 2020).
Sinobrás began operating in 2006, with an initial production forecast of 200,000 tons of
steel per year. This capacity was expanded over time and allowed the company to reach 338,000
tons of production in 2019. According to information published in the Valor Econômico
newspaper, Sinobrás produces rebar, wire rod and drawn steel destined entirely for the domestic
market (CAMARGO, 2012).
Chart 4 shows the evolution of crude steel production by steel companies and/or groups
in Brazil between 2017 and 2020. As can be seen, total production fluctuated between 31.4 and
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37.1 million tons per year, with the Arcelor Mittal, Gerdau Aço Longos and CSN and Ternium
Brasil groups standing out, accounting for around 74.0% of total production in 2020.
Chart 4 - Crude steel production by steel company or group (in thousand tons)
Steel company or group
2017
2018
2019
2020
2021
Aço Verde do Brasil (AVB)
144
279
338
321
345
Aperam Inox América do Sul
716
709
688
696
754
Grupo Arcelor Mittal*
11.121
11.188
9.858
8.717
11.161
Cia. Siderúrgica Nacional (CSN)
4.426
4.199
3.043
3.810
4.260
Companhia Siderúrgica do Pecém
2.455
2.978
2.866
2.743
2.811
Grupo Gerdau S/A
6.955
6.654
6.301
6.220
6.974
SIMEC
284
480
671
988
951
Siderúrgica Norte Brasil (SINOBRÁS)
389
345
345
330
367
Ternium Brasil
4.497
4.606
4.379
4.138
4.529
Usiminas S/A
3.012
3.086
3.264
2.760
3.178
Vallourec Tubos do Brasil S/A
671
769
705
588
710
Villares Metals S/A
108
114
111
104
134
TOTAL
34.778
35.407
32.569
31.415
37.174
* It involves the production of the Arcelor Mittal Aços Longos, Tubarão and Sul Fluminense units.
Source: Brasil (2022)
As can be seen in the chart above, while Sinobrás has maintained a constant steel
production of around 350,000 tons, Aço Brasil Verde's production has been growing steadily,
having reached its highest level in 2021, with 345,000 tons. In other words, although the steel
production of the steel companies located in the Amazon has been growing, it represents a small
proportion of national production, which means that from the point of view of field theory they
act as dominated agents in the field of Brazilian steel production, and that their maintenance
and/or expansion of participation in this new economic field depends on their ability to position
themselves vis-à-vis the large groups in the sector (CARNEIRO, 2021).
The move made by these two companies seems to indicate that some players in Carajás
steel production are betting on functional upgrading strategies (SCHMITZ, 2005), with the
transition to more sophisticated and higher value-added product manufacturing processes,
moving away from pig iron production to steel and derivatives and betting on the differential
of steel that is produced on the basis of a low carbon economy (AVB, 2021). In this new context,
an important question is whether these companies will be able to hold their own in this new
market, which is dominated by larger economic groups (IAB, 2021).
Another important dimension of the discussion about upgrading processes concerns the
possibilities that the change in position in the value chain will generate positive results in social
terms for the workers and communities in the localities where these companies are located. The
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expectation is that the process of technological change, which demands a more qualified
workforce, will lead to an improvement in jobs and working conditions, with more protection
and rights for workers (BARRIENTOS; GEREFFI; ROSSI, 2018).
In the case of steel production by the companies of the Carajás Steel Complex, the data
already available points to the opening of jobs with a higher level of remuneration, so we can
say that the switch to steel production has had positive effects on the local labor market
(MANCINI, 2021), even though the number of workers currently hired is lower than that
observed at the time of the highest level of steel production activity in the region, before the
2008 crisis (MANCINI; CARNEIRO, 2018a).
A final dimension of this process of improvement, which has not yet been addressed in
the literature consulted, refers to the positive environmental effects of the technological
transformation in steel production in the Amazon, since the transition from pig iron to steel
production required the companies studied to acquire and implement their own forest areas,
disconnecting them from deforestation processes and inserting them into the production
movement of so-called "ecological or green steel", with a positive contribution to the process
of capturing carbon dioxide in the atmosphere and, consequently, in the fight against global
warming (ADEODATO, 2019).
This positive environmental dimension is reinforced by the sustainability report of the
company Aço Verde Brasil, which points out that "in the steel industry, the Group seeks to
verticalize the production of green steel, a concept created for steel produced 100% with
renewable energy and a carbon footprint, without the use of fossil fuels" (AVB, 2021, p. 6,
authors’ emphasis, our translation)
. In this sense, the production of steel using charcoal as an
input can be seen as a quality strategy (MANCINI, 2021) in the competition of an economic
field dominated by companies with much larger production capacities (Gerdau, ArcelorMittal),
which would allow AVB to enter, for example, the field of specialty steel production
(CARVALHO; MESQUITA; CARDARELLI, 2017).
In the case of Sinobrás, the emphasis is on the use of scrap metal, which the company defends as a strategy to
reduce the impact on natural resources (SINOBRÁS, 2014, p. 63).
Marcelo Sampaio CARNEIRO and Roberto Martins MANCINI
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Conclusion
The insertion of the steel industry in the Eastern Amazon, based on the construction of
the first pig iron production unit, will be thirty-five years old in 2023. In these three decades,
this industrial activity has experienced strong growth between the end of the 1990s and 2008,
oscillating with periods of crisis, especially since 2008.
The crisis brought two sets of effects: those related to the economic efficiency and profit
strategies of the companies, and others related to transformations in the institutional apparatus
of the steel production field. Regarding these effects, previous studies have shown that steel
companies or groups were shaken by the global crisis of 2008 and by the movement of social
criticism formed by civil society actors. The result was a reduction in production capacity, job
cuts and the closure of production units (CARNEIRO, 2008; MANCINI; CARNEIRO, 2018a).
From the late 2000s onwards, some of the groups mobilized strategies that resulted in
significant transformations in the field: the Queiroz Galvão group pioneered the incorporation
of charcoal production from its own company (MANCINI; CARNEIRO, 2018b); and the Aço
Cearense and Ferroeste groups advanced in the steel value chain, building integrated mills that
produce steel and long rolled products. This phase saw the implementation of new profit
strategies, organized through a new production model, which enabled the productive and social
improvement processes of recent years (MANCINI, 2021; CARNEIRO, 2021).
However, this process of production improvement meant that the companies (AVB and
Sinobras) moved away from the global value chain or network that structured the formation of
steel production in the Amazon (SANTOS, 2010), since by investing in steel production they
stopped or reduced their participation in pig iron exports to the North American market,
directing this input towards their own production of more elaborate goods. In this sense, we can
say that these companies have carried out a kind of strategic improvement
(BERTHE;
GROUIEZ; DUPUY, 2018), which is characterized by the development of an autonomous
movement in relation to the leading agent of a given global value chain or network, developing
new activities or products.
The manufacture of products with higher added value has led the companies to more
rewarding markets and raises the possibility of continued production diversification in the
coming years, as can be seen in the implementation of wire drawing at both Sinobrás and AVB,
whose production starts with finished products, such as wire rod. This progress, however, is
As opposed to constrained upgrading, which is carried out under the leadership of the leading firms in global
value chains or networks (BERTHE; GROUIEZ; DUPUY, 2018, p. 193).
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accompanied by the insertion into a new context of competition, now national, in which the
success of the steel groups located in the eastern Amazon will depend on the strategies adopted
to face players with a greater economic contribution and presence in the Brazilian market.
REFERENCES
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Horizonte: AVB, 2020.
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