Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21007 1
DIGITALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO E RUPTURAS NAS DINÂMICAS LABORAIS:
UM ESTUDO SOBRE O SETOR DE AUTOPEÇAS DE RAFAELA, PROVÍNCIA DE
SANTA FÉ
1
DIGITALIZACIÓN DE LA PRODUCCIÓN Y RUPTURAS EN LAS DINÁMICAS
LABORALES: UN ESTUDIO SOBRE EL SECTOR AUTOPARTISTA DE RAFAELA,
PROVINCIA DE SANTA FE
DIGITIZATION OF PRODUCTION AND DISRUPTIONS IN LABOR DYNAMICS: A
STUDY ON THE AUTO PARTS SECTOR IN RAFAELA, SANTA FE PROVINCE
Ana DROLAS
2
e-mail: anad[email protected]
Marcelo DELFINI
3
e-mail: marce[email protected]
Lucía TOMASINI
4
e-mail: lucia.to[email protected]
Hollman LEÓN
5
e-mail: hleon@campus.ungs.edu.ar
Como referenciar este artigo:
DROLAS, Ana; DELFINI, Marcelo; TOMASINI, Lucía; LEÓN,
Hollman. Digitalização da produção e rupturas nas dinâmicas
laborais: um estudo sobre o setor de autopeças de Rafaela,
província de Santa . Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31,
n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
10.52780/res.v31iesp.1.21007.
| Submetido em: 03/04/2026
| Revisões necessárias em: 15/04/2026
| Aprovado em: 20/05/2026
| Publicado em: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
Este artigo faz parte de um projeto de pesquisa financiado pela Universidade Nacional de Rafaela (UNRAF): “Educação e
trabalho: a demanda por perfis profissionais em empresas de Rafaela no contexto das transformações tecnoprodutivas.
2
Universidade Nacional de Luján (UNLu), Buenos Aires CABA Argentina. Pesquisadora do CONICET, PROESI-UNLu.
Coordenadora PROESI - UNLu.
3
Universidade Nacional de Rafaela (UNRAF), Rafaela Santa (SF) Argentina. Doutor em Ciências Sociais pela
Universidade de Buenos Aires (UBA), pesquisador do CONICET e professor da UNRAF/UBA no programa de Relações
Trabalhistas. Coordenou diversos projetos de pesquisa relacionados à sociologia do trabalho. É autor de artigos publicados em
periódicos nacionais e internacionais sobre relações trabalhistas, gestão do trabalho e transformações laborais no contexto da
digitalização, entre outros temas. Leciona na UNRAF.
4
Universidade Nacional de Rafaela (UNRAF), Rafaela Santa Fé (SF) Argentina. Professora da UNRAF.
5
Instituto de Desenvolvimento Humano - Universidade Nacional General Sarmiento (UNGS IDEI), Los Polvorines Buenos
Aires (BA) Argentina. Professor-pesquisador da UNGS IDEI.
Digitalização da produção e rupturas nas dinâmicas laborais: um estudo sobre o setor de autopeças de Rafaela, província de Santa
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21007 2
RESUMO: O objetivo do presente artigo é investigar os efeitos das transformações digitais
sobre as dinâmicas laborais desenvolvidas em empresas de autopeças no âmbito dos processos
de digitalização. Trata-se, em um primeiro momento, de examinar a profundidade das
mudanças incorporadas pelas empresas e os efeitos delas sobre a organização produtiva, as
condições de trabalho e as relações laborais. Para tanto, a análise será realizada em empresas
de autopeças da cidade de Rafaela, na província de Santa , tendo em vista que essa cidade
conta com um setor de autopeças de forte tradição histórica, empresas fornecedoras de
montadoras e um peso substancial no nível de emprego local e nacional. A base empírica
constitui-se a partir de uma metodologia qualitativa, desenvolvida por meio de entrevistas com
delegados sindicais das empresas objeto de estudo e secretários-gerais do setor.
PALAVRAS-CHAVE: Indústria 4.0. Cadeia Automotiva. Autopeças. Digitalização. Relações
Laborais.
RESUMEN: El objetivo del presente artículo es indagar acerca de los efectos de las
transformaciones digitales sobre las dinámicas laborales que se desarrollan en empresas
autopartistas en el marco de los procesos de digitalización. Se trata de indagar, en primera
instancia, sobre la profundidad de los cambios incorporados por las empresas y los efectos de
ello sobre la organización productiva, las condiciones de trabajo y las relaciones laborales.
Para ello, el análisis se llevará adelante en firmas de autopartes de la localidad santafesina de
Rafaela, en virtud de que esta localidad cuenta con un sector autopartista de fuerte raigambre
histórica, firmas proveedoras de terminales y un peso sustancial en el nivel de empleo local y
nacional. La base empírica se conforma a partir de una metodología cualitativa, desarrollada
a partir de entrevistas a delegados sindicales de las empresas objeto de estudio y secretarios
generales del sector.
PALABRAS CLAVE: Industria 4.0. Trama automotriz. Autopartistas. Digitalización.
Relaciones laborales.
ABSTRACT: The aim of this article is to examine the effects of digital transformations on labor
dynamics within auto parts companies in the context of digitalization processes. First, it seeks
to assess the depth of the changes adopted by firms and their effects on productive organization,
working conditions, and labor relations. To this end, the analysis focuses on auto parts firms
located in Rafaela, in the province of Santa Fe, given that this locality has a historically rooted
auto parts sector, companies supplying automotive assemblers, and a substantial share of local
and national employment. The empirical basis consists of a qualitative methodology developed
through interviews with union delegates from the firms under study and general secretaries of
the sector.
KEYWORDS: Industry 4.0. Automotive Value Chain. Auto Parts. Digitalization. Labor
Relations.
Ana DROLAS, Marcelo DELFINI, Lucía TOMASINI e Hollman LEÓN
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
Nas últimas décadas do século XX e nas primeiras décadas deste século, a mudança
tecnológica adquiriu um dinamismo sem precedentes na história do capitalismo, já habituado a
saltos tecnológicos cíclicos que redundaram na aceleração dos mecanismos de extração de
mais-valia relativa, moldando transformações profundas nos processos de produção, na
organização do trabalho e nas relações laborais. Essas transformações estão ocorrendo cada vez
mais rapidamente e atingindo mais setores produtivos e laborais. Em particular, o
desenvolvimento e a difusão de tecnologias digitais (como robótica avançada, análise de dados,
inteligência artificial, Internet das Coisas e sistemas ciberfísicos, todos falsamente considerados
inevitáveis) estão reconfigurando as formas como o trabalho é produzido, gerenciado e
controlado em múltiplos setores de atividade.
No setor industrial, esse processo foi conceituado sob a noção de Indústria 4.0,
entendida como um novo paradigma de produção baseado na integração de tecnologias digitais
em toda a cadeia de valor, desde o projeto do produto até a manufatura e a logística (Kagermann
et al., 2013). Embora grande parte da literatura tenha enfatizado os impactos dessas
transformações na produtividade e na competitividade empresarial, um consenso crescente
sobre a necessidade de analisar seus efeitos no trabalho e, mais especificamente, nas relações
de trabalho como um todo (Lahera Sánchez, 2021; Martín Artiles, 2021; Graglia; Lazzareschi,
2018; Pfeiffer, 2017; Autor, 2015).
Nesse contexto, o setor automotivo tornou-se um exemplo primordial de como esses
processos se desenrolam, combinando uma longa tradição de organização industrial com uma
forte pressão para incorporar inovações tecnológicas relacionadas tanto à digitalização quanto
à transição energética, além de possuir uma longa tradição de organizações sindicais. Essas
transformações impactam não apenas as montadoras, mas também toda a rede produtiva, que
enfrenta o imperativo de se adaptar a padrões de produção, tecnológicos e organizacionais cada
vez mais exigentes.
Considerando todos esses elementos, o objetivo deste artigo é investigar os efeitos
imediatos dos processos de digitalização da produção sobre a dinâmica do trabalho em
empresas de autopeças na cidade de Rafaela
6
, província de Santa Fé, Argentina.
Especificamente, analisa as mudanças introduzidas na organização do trabalho, nas condições
6
Rafaela é a capital do departamento de Castellanos, localizada na região centro-oeste da província de Santa Fé,
Argentina. Com 103.000 habitantes, é a terceira cidade mais populosa da província, destacando-se como um centro
industrial, comercial e agrícola.
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de trabalho e nos mecanismos de negociação e conflito decorrentes desses processos de
transformação, a partir da perspectiva de delegados e dirigentes sindicais do setor, perspectiva
essa obtida por meio de entrevistas semiestruturadas.
Contribuições da sociologia do trabalho para a compreensão dos novos contextos de
digitalização
A análise dos processos contemporâneos de digitalização produtiva pode ser situada
dentro de uma tradição mais ampla da sociologia do trabalho que, desde meados do século XX,
tem abordado sistematicamente a relação entre mudança tecnológica, organização do trabalho
e relações sociais de produção. Nessas perspectivas, o foco não tem sido exclusivamente na
inovação tecnológica em si, mas sim nas formas específicas que ela assume em sua integração
aos processos de trabalho e seus efeitos sobre a vida laboral.
Acreditamos que as contribuições clássicas da disciplina são fundamentais para
recuperar essa perspectiva. Em particular, Georges Friedmann (1961) apontou desde cedo que
o progresso tecnológico deveria ser analisado em termos de suas consequências para a
fragmentação do trabalho, a perda de sentido no trabalho e as condições de trabalho, destacando
as tensões entre a racionalização produtiva e a experiência subjetiva do trabalhador. De uma
posição complementar, Pierre Naville (1974) propôs uma leitura sociológica da automação que
enfatiza sua natureza socialmente construída, observando que os efeitos da mudança
tecnológica dependem das relações sociais e das decisões organizacionais que a enquadram,
além das regulamentações em nível macro que a introdução de novas tecnologias deve acarretar.
Essas contribuições estabelecem um arcabouço analítico particularmente produtivo para
abordar os processos de digitalização em curso, uma vez que deslocam o foco da tecnologia
para o trabalho, questionando como tarefas, hierarquias, qualificações e as margens de
autonomia são redefinidas. Nesse sentido, a sociologia do trabalho oferece ferramentas
conceituais para analisar continuidades históricas em formas de racionalização produtiva, sem
ignorar as especificidades introduzidas pelas tecnologias digitais.
Desenvolvimentos recentes na disciplina revisitaram essas preocupações para analisar
as transformações do trabalho no capitalismo contemporâneo, caracterizado pela intensificação
dos processos de controle, pela padronização de procedimentos e pela centralidade dos
mecanismos de gestão. Diversos autores apontaram que a digitalização reforça formas de
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controle indireto, baseadas em indicadores, métricas e sistemas informatizados, que
reconfiguram as formas tradicionais de supervisão e avaliação do trabalho (Castillo; Agulló,
2012; Moore, 2018).
Na Argentina, a sociologia do trabalho tem proporcionado uma perspectiva
particularmente atenta às mediações institucionais e às especificidades dos processos de
modernização produtiva em economias periféricas. Estudos sobre reestruturação produtiva têm
demonstrado que a incorporação de novas tecnologias está ligada a trajetórias empresariais
heterogêneas, marcos regulatórios específicos e relações de trabalho historicamente
constituídas, dando origem a diversas configurações do trabalho industrial (Novick, 2001).
Dessa perspectiva, analisar a digitalização da produção no setor de autopeças permite
revisitar uma preocupação central da sociologia do trabalho: compreender como as mudanças
tecnológicas se traduzem (ou não) em transformações na organização do trabalho, nas
condições laborais e na relação entre capital e trabalho. Essa abordagem é fundamental para
interpretar empiricamente os processos observados, evitando interpretações tecnocráticas e
situando a digitalização no contexto social e produtivo em que se desenvolve.
Digitalização produtiva, trabalho e relações laborais: contribuições para o debate.
Os processos de mudança tecnológica dificilmente podem ser analisados sem considerar
as relações que se desenvolvem entre empregadores e trabalhadores, as quais têm sido
abordadas sob diversas perspectivas ideológicas (Delfini, 2010). Sem se aprofundar nas
contribuições específicas das diferentes correntes teóricas das relações de trabalho ou nas
dificuldades analíticas que elas apresentam, este artigo adota uma concepção ampla de relações
de trabalho. Nesse sentido, entende-se que elas abrangem as formas de organização do trabalho
entre e dentro das empresas, as normas que permitem sua implementação, o vínculo que conecta
trabalhadores e empregadores e o desenvolvimento da relação entre os atores envolvidos. Nessa
perspectiva, as relações de trabalho também se referem à questão da coordenação entre
empregadores, sindicatos e o Estado. Nessa linha, Bilbao (1999) argumenta que as relações de
trabalho não se limitam ao momento do “uso da força de trabalho, ou seja, ao processo de
produção, mas incluem vários aspectos: os mecanismos de entrada e saída do emprego, os
sistemas de remuneração e incentivos, as modalidades de atribuição de tarefas, os dispositivos
de ancoragem institucional, as formas de regulação da mobilidade interna, a organização do
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tempo de trabalho, os programas de formação e reconhecimento de qualificações e,
eventualmente, os mecanismos de desenvolvimento de carreira (Delfini; Drolas, 2014).
Em termos institucionais, as empresas influenciam as relações de trabalho, entendidas
de forma ampla como os vínculos estabelecidos entre trabalhadores e empregadores que
estruturam a relação de subordinação dos primeiros aos últimos dentro de uma economia
capitalista. Com base nessa situação estrutural de subordinação, o Estado introduz (por meio da
legislação trabalhista e da intervenção dos tribunais do trabalho diante de potenciais conflitos)
a necessidade de estabelecer normas que regulem essa relação no ambiente de trabalho. Além
disso, essas relações estão integradas e interligadas com a estrutura econômica vigente, com os
mecanismos regulatórios estatais, com os níveis de emprego, desemprego e atividade
econômica, e com o estado do equilíbrio das forças sociais. As transformações que ocorrem em
cada uma dessas áreas terão um impacto diferenciado sobre as relações de trabalho como um
todo.
Em consonância com esse raciocínio, um “modelo argentino de relações trabalhistas
pode ser identificado em termos institucionais, enquadrando as situações que se desenrolam no
nível micro do processo de trabalho. Esse modelo, predominante desde a década de 1940
(embora com modificações parciais ao longo dos anos, até fevereiro de 2026, quando o
Congresso aprovou uma lei que alterou radicalmente o regime trabalhista na Argentina),
caracterizou-se por: (1) forte intervenção estatal de caráter protetivo, expressa em seu papel
político de aprovar acordos e convenções coletivas e em sua participação ativa na formação dos
atores do movimento sindical e na definição de seu perfil (por meio da concessão ou negação
de registro sindical aos sindicatos); (2) o fortalecimento do poder institucional verticalizado do
sindicato e a consolidação do modelo de sindicato único, cuja base estrutural repousa em
comissões internas e no corpo de delegados, com funções frequentemente difusas; e (3) a
extensão da negociação coletiva centralizada por ramo de atividade, juntamente com a evolução
da remuneração através de mecanismos de indexação e negociação coletiva, complementada
por um sistema abrangente de segurança social e bem-estar (garantido tanto pelo Estado como
pelo sindicato
7
).
É dentro dessa estrutura institucional e dessas relações de poder que os debates
contemporâneos sobre a mudança tecnológica devem ser situados. Nas últimas décadas, os
processos de mudança tecnológica ocuparam um lugar central nos debates sobre a
7
Atualmente, com a aprovação da reforma trabalhista pelo Congresso, alguns desses elementos foram
profundamente modificados e até mesmo revogados.
Ana DROLAS, Marcelo DELFINI, Lucía TOMASINI e Hollman LEÓN
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reconfiguração do trabalho e das relações laborais. Assim como o torno CNC o foi em sua
época, a atual expansão das tecnologias digitais na produção industrial é interpretada como um
novo momento de transformação para o capitalismo, caracterizado pela integração de sistemas
computacionais, automação avançada e gestão em tempo real dos processos produtivos, e pelo
tão almejado fim da lacuna entre o trabalho prescrito e o trabalho real. Na esfera industrial, essa
dinâmica tem sido conceituada sob a noção de Indústria 4.0, entendida como um paradigma
que articula tecnologias digitais, sistemas ciberfísicos e redes de informação ao longo de toda
a cadeia de valor (Kagermann et al., 2013).
De uma perspectiva sociológica e a partir de diversas abordagens, observa-se que esses
processos não podem ser analisados apenas como inovações técnicas, mas sim como
transformações socioprodutivas que reconfiguram as formas de organização do trabalho,
reestruturam os sistemas de qualificação e intensificam os mecanismos de controle do trabalho
(Coriat, 2019; Castillo; Agulló, 2012). A hipótese é que a digitalização não opera de forma
instantânea, homogênea ou linear, mas sim articulada com estruturas produtivas preexistentes,
relações de poder e marcos institucionais específicos.
Uma das discussões centrais diz respeito aos impactos da automação e da digitalização
no emprego e nos processos de trabalho. Longe de substituir diretamente o trabalho humano,
diversos estudos indicam que as mudanças tecnológicas tendem a modificar o conteúdo do
trabalho, redistribuindo tarefas entre trabalhadores e sistemas automatizados e dando origem a
novas combinações de conhecimento técnico, habilidades específicas e competências digitais
(Autor, 2015). No setor industrial, essas transformações frequentemente resultam em maior
versatilidade funcional e intensificação das demandas cognitivas, sem necessariamente
implicar uma melhoria nas condições de trabalho (Lahera Sánchez, 2021; Martín Artiles, 2021;
Graglia; Lazzareschi, 2018).
Na Argentina, a sociologia do trabalho demonstrou, desde cedo, preocupação com os
processos desiguais e conflituosos de modernização produtiva. Alguns estudos sobre
reestruturação produtiva das décadas de 1990 e 2000 destacaram que a incorporação de novas
tecnologias se combinou com mudanças no controle organizacional e comportamental,
flexibilidade laboral (tanto interna quanto externa) e uma redefinição dos papéis sindicais
(Novick, 2001; Drolas, 2010). Esses estudos ressaltam que as transformações técnicas são
mediadas por estratégias empresariais, capacidades estatais e formas de ação coletiva, o que é
fundamental para a compreensão de seus efeitos sobre o trabalho (Delfini; Drolas, 2024).
Digitalização da produção e rupturas nas dinâmicas laborais: um estudo sobre o setor de autopeças de Rafaela, província de Santa
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Por outro lado, outros estudos analisaram como a introdução de tecnologias digitais
reforça os mecanismos de controle e supervisão do trabalho, redefinindo a própria ideia de
trabalho subordinado. A gestão informatizada da produção, a rastreabilidade das operações e o
controle de qualidade, bem como a medição contínua do desempenho, tendem a reduzir a
autonomia dos trabalhadores e a reconfigurar as formas tradicionais de supervisão (Drolas,
2010; Del Bono, 2020, 2024; Moore, 2018). Nesse contexto, a digitalização também parece
estar associada a novas formas de disciplinamento laboral e ao surgimento de conflitos
relacionados aos ritmos de trabalho, à avaliação de desempenho e à disponibilidade constante.
Em relação aos sistemas de qualificação, a literatura argentina tem destacado que a
mudança tecnológica não elimina a centralidade do trabalho humano, mas sim revaloriza certos
conhecimentos e habilidades, muitas vezes invisibilizados pelos discursos tecnocráticos. O
conhecimento tácito, a experiência acumulada e a capacidade de resolver problemas situados
permanecem elementos-chave em contextos de produção altamente tecnológicos (Drolas, 2010;
Figari, 2015; Neffa, 2010). No entanto, essas demandas frequentemente coexistem com a
limitada formalização da formação e com processos informais de aprendizagem no local de
trabalho.
Por fim, diversos estudos sobre a indústria e as cadeias de valor na Argentina indicam
que a digitalização da produção assume características específicas em setores integrados em
redes globais, como as indústrias automotiva e de autopeças (Baruj et al., 2021; Basco et al.,
2018; Grupo de Trabalho Argentina da CEPAL, 2024). Nesses casos, as demandas tecnológicas
impostas pelos fabricantes finais tendem a aprofundar as assimetrias entre as empresas e a
condicionar as estratégias de investimento e organização do trabalho dos fornecedores locais.
Esse contexto torna particularmente relevante a análise das transformações do trabalho a partir
de uma perspectiva situada, considerando tanto a dinâmica da produção quanto as relações
trabalhistas e sindicais.
A cadeia produtiva automotiva e o setor de autopeças. A especificidade de Rafaela
A indústria automotiva é, em termos gerais, um dos setores em que a transformação
digital tem apresentado avanços concretos. Esse processo é impulsionado principalmente pelas
empresas líderes do setor (em especial, fabricantes de automóveis e diversos grandes
fornecedores de autopeças) que registram altos níveis de adoção de tecnologias associadas à
Ana DROLAS, Marcelo DELFINI, Lucía TOMASINI e Hollman LEÓN
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chamada Indústria 4.0 (Arcidiacono et al., 2019; Basco et al., 2018; Bhatia; Kumar, 2022;
Kosacoff, 2021; McKinsey, 2021).
Contudo, o conhecimento disponível sobre toda a rede automotiva permanece limitado,
especialmente além dessas empresas líderes. Nesse sentido, a cadeia produtiva é entendida
como um espaço econômico de trocas composto por uma ou mais empresas centrais, juntamente
com seus fornecedores e clientes. Essas empresas centrais lideram o processo produtivo e
estruturam as relações com o restante da rede.
No caso específico da indústria automotiva, ela abrange uma gama diversificada de
atores que participam de diferentes etapas da produção. Isso inclui setores industriais básicos
(como a produção de laminados planos e não planos, alumínio, petroquímica, vidro e têxteis),
bem como atividades relacionadas à fabricação de peças e componentes, à montagem de
conjuntos e subconjuntos, à produção de automóveis e à sua subsequente distribuição e
comercialização, tanto no mercado interno quanto internacional.
No entanto, essa estrutura é organizada em torno de uma montadora, que conduz o
processo de produção e integra os diversos fornecedores de peças e componentes. Por sua vez,
a venda dos veículos produzidos é feita principalmente por meio de concessionárias.
Assim, o setor produtivo ligado aos fornecedores das fábricas de montagem está
estruturado em diferentes anéis. O chamado "primeiro anel" é composto pelas empresas que
vendem diretamente para as montadoras. Trata-se de um pequeno grupo de fornecedores que,
em geral, estabelecem relações estreitas e de longo prazo com as montadoras.
As empresas do primeiro anel, por sua vez, dependem de um segundo nível de
fornecedores, o chamado “segundo anel, geralmente composto por empresas menores que
fornecem principalmente ao primeiro anel, embora em alguns casos também possam fornecer
diretamente às montadoras. Este segundo nível está ligado a um “terceiro anel de fornecedores,
cujos membros muitas vezes também participam do mercado de reposição (Delfini et al., 2008).
Essa rede industrial é complementada por um grupo de empresas de portes variados,
ligadas ao setor comercial (concessionárias oficiais e não oficiais, venda de peças de reposição,
entre outras) e ao setor de serviços, como oficinas mecânicas, oficinas de funilaria e
borracharias.
Especificamente, a indústria de autopeças constitui um elo estratégico na rede produtiva
da Argentina e um componente central do setor automotivo. Segundo dados do Centro de
Estudos de Produção (CEP XXI), a indústria argentina de autopeças compreende
Digitalização da produção e rupturas nas dinâmicas laborais: um estudo sobre o setor de autopeças de Rafaela, província de Santa
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aproximadamente 1.400 empresas, em sua maioria de capital nacional, e gera cerca de 50.000
empregos diretos. (CEP XXI, 2022).
Do ponto de vista da sua estrutura produtiva, a cadeia de autopeças é caracterizada por
um elevado nível de segmentação e hierarquia, dando origem a assimetrias relevantes em
termos de poder de negociação, desenvolvimento de capacidades tecnológicas e margens de
lucro (Delfini, 2010).
A província de Santa ocupa um lugar de destaque nessa rede produtiva,
principalmente devido à sua tradição industrial e metalúrgica. Diversos estudos indicam que a
província concentra um número significativo de empresas de autopeças e metalurgia integradas
à cadeia de suprimentos automotiva nacional, com presença tanto no mercado interno quanto
em segmentos voltados para a exportação. Essas empresas estão distribuídas por diversos polos
industriais, principalmente a Grande Rosário, o corredor industrial de Santa e a região
centro-oeste da província. O perfil empresarial da província é dominado por pequenas e médias
empresas (PMEs), com uma média de 10 a 20 funcionários por empresa. Essa predominância
de PMEs gerou uma estrutura de cadeia de valor dupla. Por um lado, há um pequeno grupo de
empresas, geralmente grandes fornecedoras do primeiro anel, e, por outro, pequenas e médias
empresas pertencentes ao segundo e terceiro níveis da cadeia de suprimentos (Governo de Santa
Fé, 2008).
Um padrão semelhante é observado em Rafaela. O Observatório Industrial de Rafaela
(2025) identifica uma rede produtiva composta principalmente por médias e grandes empresas
em termos de emprego, apoiada, no entanto, por uma ampla base de unidades menores. Juntas,
estas representam aproximadamente 70% do emprego industrial da cidade, com uma presença
marcante de atividades metalúrgicas e fornecedores ligados às cadeias de suprimentos
automotivas e de autopeças.
Nesse contexto, a cidade de Rafaela se destaca como um importante polo produtivo na
região central da província de Santa Fé, com forte presença industrial e longa tradição em
metalurgia e fabricação de componentes. Essa dinâmica apresenta às empresas locais o desafio
de se adaptarem a padrões cada vez mais rigorosos em termos de qualidade, eficiência e
rastreabilidade, mantendo, ao mesmo tempo, níveis significativos de emprego na força de
trabalho da cidade.
Do ponto de vista do emprego, o setor industrial em Rafaela é um dos principais
geradores de emprego formal local, com uma parcela significativa proveniente da metalurgia e
de atividades relacionadas à fabricação de autopeças. Segundo dados do CEP XXI de 2022,
Ana DROLAS, Marcelo DELFINI, Lucía TOMASINI e Hollman LEÓN
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havia 35 empresas de autopeças, representando 8% das empresas do setor industrial e
empregando 22% do pessoal industrial, bem acima da média nacional, onde os fabricantes de
autopeças representam 4% da indústria.
Além disso, a integração dessas empresas nas cadeias de valor nacionais e internacionais
confere ao setor local de autopeças um papel de destaque no perfil de exportação da cidade.
Segundo relatórios institucionais, os produtos manufaturados (incluindo autopeças) constituem
uma das categorias com maior participação nas exportações locais, reforçando a centralidade
do setor na estrutura produtiva e econômica de Rafaela.
Nesse contexto, o setor de autopeças em Rafaela se caracteriza por uma combinação de
raízes históricas profundas, integração em cadeias de valor altamente exigentes e um processo
progressivo de incorporação de tecnologias de produção avançadas. Essas características fazem
do setor um espaço privilegiado para analisar os efeitos da digitalização nas relações de trabalho
como um todo, em um contexto no qual as transformações tecnológicas se entrelaçam com as
estruturas de produção e sindicais preexistentes.
Dada a configuração da rede produtiva nacional, composta por diversos setores de
atividade, a configuração das relações trabalhistas, em termos de atores, resulta em participação
diversificada. Em termos sindicais, atuam o Sindicato de Mecánicos y Afines del Transporte
Automotor de la República Argentina (SMATA) e a Unión Obrera Metalúrgica (UOM). O
primeiro representa trabalhadores das fábricas de montagem e/ou concessionárias oficiais,
enquanto o segundo, embora tenha presença em uma fábrica de montagem (Peugeot Citroën),
sua representação mais significativa seentre as empresas metalúrgicas, muitas das quais são
fornecedoras de primeiro escalão. Além desses dois sindicatos, existem outros setores e
representações sindicais. É o caso da indústria vidreira, por meio de dois sindicatos: o Sindicato
de Obreros de la Industria del Vidrio y Afines (SOIVA) e o Sindicato de Empleados de la
Industria del Vidrio y Afines de la República Argentina (SEIVARA). A indústria de borracha e
pneus é representada por dois sindicatos: o Sindicato Único de Trabajadores del Neumático y
Afines (SUTNA) e o Sindicato de Empleados del Caucho y Afines; a indústria petroquímica
(Federación de Trabajadores de la Industria Química y Petroquímica); e a indústria de tintas
(Unión del Personal de Fábricas de Pintura y Afines de la República Argentina). também
representação sindical para supervisores, como a Asociación de Supervisores de la Industria
Metalúrgica de la República Argentina (ASIMRA) e a Asociación del Personal Superior de
Daimler Chrysler Argentina.
Digitalização da produção e rupturas nas dinâmicas laborais: um estudo sobre o setor de autopeças de Rafaela, província de Santa
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O cenário sindical na cidade de Rafaela é estruturado principalmente em torno de duas
grandes organizações: a Unión Obrera Metalúrgica de la República Argentina (UOMRA) e o
Sindicato de Mecánicos y Afines del Transporte Automotor (SMATA). A seção de Rafaela da
UOM representa a maioria dos metalúrgicos, focando sua missão na defesa de seus direitos,
qualidade de vida e condições de trabalho. A seção de Rafaela do SMATA complementa essa
representação, concentrando-se nos mecânicos e trabalhadores do setor automotivo e de
transportes. Por outro lado, existem sindicatos que competem diretamente com os ramos que
compõem o setor de autopeças, como a SOCAYA (Sindicato de Obreros del Caucho, Anexos
y Afines), a SEIVARA (Sindicato de Empleados de la Industria del Vidrio y Afines de la
República Argentina) ou a SOIVA (Sindicato de Obreros de la Industria del Vidrio), ou outros
que envolvem a participação de sindicatos setoriais (plásticos, química, eletrônica), embora não
tenham presença específica em Rafaela, competem diretamente com os ramos que compõem o
setor de autopeças.
Estratégia metodológica
A pesquisa emprega uma metodologia qualitativa, focada na construção de uma análise
baseada nas experiências de representantes sindicais diante dos processos de digitalização da
produção. A base empírica foi estabelecida por meio de seis entrevistas semiestruturadas
realizadas com delegados sindicais de empresas de autopeças e um secretário-geral do setor. As
entrevistas foram conduzidas virtualmente por meio de dispositivos eletrônicos entre outubro
de 2025 e fevereiro de 2026.
Essa estratégia nos permite captar, a partir de uma perspectiva situada, as mudanças
introduzidas nos processos de trabalho, nas condições de trabalho e nas relações laborais, bem
como as tensões, a resistência e as estratégias empregadas pelos sindicatos. Nesse sentido, o
embasamento empírico em contextos de produção específicos possibilita reconstruir o olhar dos
atores sobre as transformações tecnológicas e organizacionais, atentando tanto para seus efeitos
materiais quanto para suas dimensões simbólicas e relacionais. Como apontam Denzin e
Lincoln (2011), a pesquisa qualitativa orienta-se para o estudo de fenômenos em seus próprios
contextos, buscando compreendê-los em termos dos significados que as pessoas lhes atribuem.
Nessa perspectiva, a análise não se limita a descrever mudanças formais na organização do
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trabalho, mas busca analisar o fenômeno por meio das experiências e práticas pelas quais essas
mudanças são apropriadas, negociadas ou resistidas pelos diversos atores envolvidos.
A abordagem qualitativa é particularmente relevante para abordar processos em curso
caracterizados por alta heterogeneidade e dinâmicas de adaptação não lineares (Valles, 2000).
Em contextos de transformação tecnológica, onde coexistem diferentes configurações de
produção e trajetórias organizacionais, essa abordagem permite captar a variabilidade interna
dos casos e evitar interpretações falsamente homogêneas ou deterministas. Da mesma forma,
como argumenta Flick (2004), a pesquisa qualitativa é especialmente adequada para explorar
fenômenos complexos e instáveis, nos quais as categorias analíticas devem se engajar
constantemente com o trabalho de campo. Dessa forma, a estratégia adotada fomenta uma
abordagem flexível e reflexiva, sensível às particularidades setoriais e às configurações
institucionais específicas, permitindo a reconstrução da lógica de ação dos atores sindicais
diante de cenários de produção em transformação.
Discussão
Os resultados do estudo estão em consonância com a literatura existente, que destaca a
natureza não linear dos potenciais impactos da produção digital. Longe de produzir efeitos
homogêneos, esses processos estão intrinsecamente ligados às trajetórias produtivas das
próprias empresas, às relações de trabalho preexistentes e às estruturas sindicais, bem como às
características das comunidades em que cada empresa está inserida. Nesse sentido, os resultados
reforçam a ideia de que a introdução de tecnologias digitais não pode ser entendida como um
processo puramente técnico ou como uma força que atua uniformemente sobre o emprego ou a
organização do trabalho. Ao contrário, seus efeitos são mediados por configurações
socioprodutivas específicas, que envolvem tanto as estratégias de modernização corporativa
quanto os arranjos institucionais das relações de trabalho, bem como as condições territoriais
em que as empresas operam.
De um modo geral, os depoimentos recolhidos junto dos representantes sindicais
descrevem um setor que, embora ainda vivencie as tensões inerentes a uma rede produtiva em
reestruturação, é amplamente percebido como estando em um período relativamente dinâmico.
Uma parcela significativa dos entrevistados acredita que a atividade mantém um nível de
desempenho aceitável ou mesmo favorável em comparação com o ano anterior (2024), embora
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algumas vozes apontem para uma certa estagnação ou declínio em algumas empresas,
especialmente aquelas com vínculo exclusivo com o mercado interno e uma relação mais
instável com a adoção de tecnologias da Indústria 4.0. Essas percepções sugerem que os
processos de transformação produtiva não se desenrolam de forma uniforme no setor, mas sim
dão origem a trajetórias empresariais distintas, condicionadas tanto pela integração das
empresas em mercados específicos quanto pela sua capacidade de sustentar estratégias de
investimento e adaptação diante de contextos econômicos em constante mudança.
Nesse contexto, os relatos concordam que diversas fábricas implementaram processos
para incorporar novas tecnologias, enquanto em outras (menos frequentemente) as mudanças
tecnológicas são escassas ou inexistentes. Um aspecto que emerge claramente nas entrevistas é
que, onde inovações foram introduzidas nos processos de produção (automação, digitalização
ou mesmo robótica), geralmente não se observam reduções significativas no número de
funcionários; pelo contrário, em alguns casos, menciona-se até mesmo a expansão da força de
trabalho. Em contrapartida, os entrevistados identificam situações de perda de empregos em
estabelecimentos onde não houve investimentos tecnológicos ou processos de modernização da
produção de qualquer tipo. Esse padrão confirma que a relação entre tecnologia e emprego não
é direta ou mecânica. Em vez disso, parece estar ligada à capacidade de certas empresas de
manter ou melhorar sua posição produtiva por meio de processos de modernização que lhes
permitam manter ou expandir seus níveis de atividade.
Em seus relatos, representantes sindicais descrevem uma integração gradual de
tecnologias digitais nos processos produtivos, particularmente em áreas relacionadas ao
controle de qualidade, à automação de operações específicas e à gestão da produção. Contudo,
longe de descrever uma substituição direta ou total da mão de obra humana, o que emerge com
maior frequência é uma reconfiguração de tarefas e responsabilidades, associada tanto à
expansão de funções quanto a processos de requalificação profissional. Assim, as
transformações observadas parecem ser mais uma questão de reorganização do conteúdo do
trabalho do que de substituição direta da força de trabalho, dando origem a perfis profissionais
que combinam tarefas operacionais com outras relacionadas ao monitoramento, rastreamento e
interação com sistemas tecnológicos.
Em alguns casos, a digitalização ou a introdução de inovações de processo implicam
maior integração entre as funções operacionais e de supervisão, exigindo dos trabalhadores
conhecimentos ou habilidades técnicas adicionais e maior capacidade de interação com
sistemas automatizados. Segundo os entrevistados, isso representa uma mudança de tarefas
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focadas principalmente em operações de produção para tarefas mais intimamente ligadas ao
controle, monitoramento e rastreamento de processos. Esse tipo de transformação é
frequentemente acompanhado por uma intensificação do trabalho, associada a ritmos de
produção mais rígidos e à redução das margens de autonomia na execução das tarefas, uma vez
que estas se tornam cada vez mais protocolizadas e subordinadas ao ritmo imposto pelos
sistemas tecnológicos. Nesse sentido, certas inovações não apenas introduzem novas exigências
em termos de qualificações ou adaptabilidade ao trabalho, mas também contribuem para
redefinir as formas de controle e coordenação do trabalho, ampliando as capacidades de
monitoramento e regulação do processo produtivo por meio de dispositivos tecnológicos.
Nesse contexto, pode-se interpretar que a lacuna entre o trabalho prescrito e o trabalho
real (uma lacuna que tradicionalmente habilitava tempos mortos, acordos informais na
organização das tarefas ou formas específicas de cooperação entre os trabalhadores) está
diminuindo cada vez mais. A crescente formalização das operações e as capacidades de
monitoramento associadas aos sistemas digitais parecem estar limitando progressivamente o
espaço para os trabalhadores reinterpretarem ou adaptarem seu trabalho diário. Subjacente a
essas percepções, de forma mais ou menos explícita, está a preocupação dos entrevistados com
o declínio da saúde dos trabalhadores, a potencial deterioração das condições de trabalho e a
capacidade dos marcos estabelecidos pelos acordos coletivos de trabalho de conter ou regular
essas transformações.
Como mencionado anteriormente, apenas em alguns casos específicos a incorporação
de novas tecnologias de processo e organização está associada a uma redução no quadro de
funcionários. Quando isso ocorre, os entrevistados atribuem o fato principalmente ao
achatamento das pirâmides hierárquicas (um efeito que, em certos setores, está relacionado à
expansão de esquemas de multitarefa) e à redefinição dos perfis ocupacionais com base em
processos de treinamento e reorganização interna. Mesmo assim, essas novas condições não
parecem ter resultado em conflitos trabalhistas significativos. Essa relativa ausência de
conflitos abertos pode ser interpretada tanto pelo fato de que as transformações observadas nem
sempre se traduzem em demissões abruptas, quanto pela margem de atuação disponível aos
sindicatos diante de processos de reorganização produtiva que tendem a ser impulsionados
principalmente pelos empregadores.
Um tema recorrente nas entrevistas é a participação limitada dos sindicatos nos
processos de tomada de decisão relacionados à introdução de novas tecnologias. Os
participantes indicam que, na maioria dos casos, os sindicatos não foram convidados a discutir
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a forma, o ritmo ou os critérios que orientavam esses processos, nem seu impacto sobre a força
de trabalho. Quando a comunicação ocorria, era informal ou acontecia depois que as decisões
haviam sido tomadas pela administração da empresa. Questões-chave como os potenciais
efeitos sobre os níveis de emprego, a redefinição dos perfis de trabalho (com impacto direto nas
qualificações e categorias negociadas em convenções coletivas), a intensificação do trabalho e
as condições em que ele é realizado raramente fazem parte dos processos de deliberação e
negociação entre as partes envolvidas. Nesse sentido, os processos de inovação tecnológica
ficam amplamente sob a governança das empresas, o que historicamente limita a possibilidade
de antecipar, discutir ou regular coletivamente seus efeitos sobre o trabalho no âmbito das
relações trabalhistas.
Considerações finais
A análise do trabalho de campo indica que os processos observados de digitalização
produtiva não se traduzem em efeitos uniformes sobre o emprego ou a organização do trabalho.
Em vez disso, seu desenvolvimento parece ser mediado pelas trajetórias de produção das
empresas, suas estratégias de investimento e as configurações institucionais das relações de
trabalho em que operam, bem como pelas características das comunidades onde essas empresas
desenvolvem sua produção. Nesse sentido, os resultados do estudo reforçam a perspectiva
desenvolvida no referencial teórico, segundo a qual os processos de mudança tecnológica não
operam de forma automática ou homogênea, mas sim se articulam com estruturas produtivas
preexistentes, relações de poder e marcos institucionais específicos.
Nesse contexto, as evidências reunidas sugerem que a incorporação de tecnologias
digitais no setor analisado não resultou, pelo menos durante o período considerado, em
processos generalizados de substituição da mão de obra humana. Ao contrário, o que emerge é
uma reconfiguração do conteúdo do trabalho, caracterizada pela expansão de funções, pela
integração de tarefas operacionais com atividades de monitoramento e controle e por maiores
exigências de interação com sistemas automatizados. Esse tipo de transformação está em
consonância com os argumentos de que os processos de automação e digitalização tendem
menos a eliminar a mão de obra humana do que a modificar seu conteúdo e redistribuir tarefas
entre trabalhadores e dispositivos técnicos, gerando novas combinações de conhecimento
produtivo, experiência de trabalho e habilidades relacionadas ao uso de tecnologias digitais.
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Ao mesmo tempo, as transformações descritas parecem ser acompanhadas por
dinâmicas de intensificação do trabalho, ligadas à crescente formalização das tarefas e à redução
da autonomia na sua execução. Nesse sentido, a digitalização produtiva não redefine os perfis
profissionais e as qualificações exigidas, como também introduz novas modalidades de
organização e controle do trabalho. Como alerta a literatura sobre digitalização e controle do
trabalho, a gestão informatizada da produção e a possibilidade de monitorar diferentes
dimensões do desempenho em tempo real tendem a reforçar os mecanismos de supervisão e a
reconfigurar as formas tradicionais de controle do trabalho (Moore, 2018; Del Bono, 2020,
2024). Essas dinâmicas podem ter implicações significativas para as condições laborais e para
o desgaste dos trabalhadores, questões que, segundo os depoimentos recolhidos, ainda não
parecem ocupar um lugar central na agenda dos sindicatos.
Outro elemento que emerge consistentemente nos depoimentos relaciona-se à
participação limitada dos sindicatos nos processos de tomada de decisão referentes à
incorporação de novas tecnologias. A ausência de espaços formais para deliberação e
negociação nesses processos sugere que as transformações tecnológicas tendem a se
desenvolver principalmente por iniciativa das empresas, o que restringe as possibilidades de
antecipação coletiva de seus efeitos sobre o emprego, a organização do trabalho ou as condições
de trabalho. Essa situação é particularmente significativa considerando a importância histórica
que a negociação coletiva e a institucionalização dos mecanismos de representação sindical no
local de trabalho tiveram no modelo argentino de relações trabalhistas (Delfini, 2010; Delfini;
Drolas, 2014).
Em conjunto, esses resultados permitem situar as conclusões do estudo em um debate
mais amplo sobre as transformações contemporâneas do trabalho industrial em contextos de
digitalização produtiva. Em vez de processos lineares de substituição tecnológica, os casos
analisados apontam para dinâmicas complexas de reorganização do trabalho, moldadas pela
heterogeneidade produtiva das empresas e pelas capacidades institucionais de regular essas
mudanças, em consonância com as análises de reestruturação produtiva desenvolvidas para a
indústria argentina. Nesse sentido, os resultados do estudo ajudam a refinar interpretações que
antecipam impactos homogêneos da digitalização sobre o emprego e destacam a importância
de se considerar as configurações socioprodutivas específicas em que esses processos se
desenrolam.
A análise aqui apresentada fornece evidências baseadas em depoimentos de
representantes sindicais que esclarecem como esses processos são percebidos e vivenciados no
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âmbito fabril. Essa perspectiva é particularmente relevante para a compreensão não apenas das
transformações tecnológicas em si, mas também de seus efeitos sobre a organização do
trabalho, as condições de trabalho e a dinâmica das relações trabalhistas em contextos
industriais específicos. Além disso, os resultados ressaltam a importância de se considerar o
papel das instituições trabalhistas, das estratégias empresariais e das formas de ação coletiva na
configuração dos impactos da mudança tecnológica uma dimensão que permanece central
para a análise sociológica das transformações contemporâneas no trabalho.
Por fim, as conclusões levantam questões relevantes para pesquisas futuras,
particularmente no que diz respeito à evolução dessas transformações a médio prazo, seus
possíveis efeitos cumulativos na organização do trabalho e nas condições de trabalho, e o papel
que as instituições do mundo do trabalho podem desempenhar na regulação dos processos de
inovação tecnológica na indústria.
Em uma escala mais ampla, as conclusões do estudo sugerem que os processos de
digitalização da produção em contextos industriais como o analisado se desenvolvem de forma
situada e são condicionados por configurações socioprodutivas específicas. Em setores
integrados em cadeias de valor globais, como as indústrias automotiva e de autopeças, as
exigências tecnológicas impulsionadas pelas montadoras convivem com estruturas
empresariais heterogêneas, marcos institucionais particulares e tradições de relações
trabalhistas que moldam a forma concreta que essas transformações assumem. Nesse sentido,
os casos analisados destacam a importância de abordar a digitalização industrial não apenas
como um processo técnico, mas também como uma dinâmica socialmente configurada, cujos
efeitos sobre o trabalho, o emprego e as relações trabalhistas dependem das capacidades
institucionais e das formas de ação coletiva envolvidas em sua regulação.
Ana DROLAS, Marcelo DELFINI, Lucía TOMASINI e Hollman LEÓN
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Est u d os de S o ci ol o gi a , Ar ar a q u ar a, v. 3 1 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 0 9 , 2 0 2 6 . e-I S S N: 1 9 8 2-4 7 1 8
D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1ies p. 1. 2 1 0 0 7 2 2
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : A r e vist a p or d ar a o p ort u ni d a d e d e p u bli c ar m os .
Fi n a n ci a m e nt o : N ã o h o u v e fi n a n ci a m e nt o .
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h o u v e c o nflit os d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : N ã o pr e cis o u .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri a l: N ã o pr e cis o u .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : Os a ut or es p arti ci p ar e m i g u al m e nt e d a pr o d u ç ã o d o arti g o .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21007 1
DIGITALIZACIÓN DE LA PRODUCCIÓN Y RUPTURAS EN LAS DINÁMICAS
LABORALES: UN ESTUDIO SOBRE EL SECTOR AUTOPARTISTA DE RAFAELA,
PROVINCIA DE SANTA FE
1
DIGITALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO E RUPTURAS NAS DINÂMICAS LABORAIS: UM
ESTUDO SOBRE O SETOR DE AUTOPEÇAS DE RAFAELA, PROVÍNCIA DE SANTA
DIGITIZATION OF PRODUCTION AND DISRUPTIONS IN LABOR DYNAMICS: A
STUDY ON THE AUTO PARTS SECTOR IN RAFAELA, SANTA FE PROVINCE
Cómo citar este artículo:
DROLAS, Ana; DELFINI, Marcelo; TOMASINI, Lucía; LEÓN,
Hollman. Digitalización de la producción y rupturas en las
dinámicas laborales: un estudio sobre el sector autopartista de
Rafaela, provincia de Santa Fe. Estudos de Sociologia,
Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718.
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21007.
| Enviado: 03/04/2026
| Modificaciones solicitadas: 15/04/2026
| Aprobado: 20/05/2026
| Publicado: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
El presente artículo se inscribe en el marco del proyecto de investigación financiado por la Universidad Nacional de Rafaela
(UNRAF). “Educación y trabajo. La demanda de perfiles profesionales de las empresas rafaelinas en el marco de las
transformaciones tecnoproductivas”.
2
Universidad Nacional de Luján (UNLu), Buenos Aires CABA Argentina. Investigadora CONICET, PROESI-UNLu.
Coordinadora PROESI-UNLu.
3
Universidad Nacional de Rafaela (UNRAF), Rafaela Santa Fe (SF) Argentina. Marcelo Delfini es Dr. en Ciencias Sociales
por la UBA, Investigador del CONICET y Docente UNRAF/UBA en la carrera de relaciones del trabajo. Ha dirigido diferentes
investigaciones relacionadas a la sociología del trabajo. Autor de artículos publicados en revistas nacionales e internacionales
sobre Relaciones laborales, gestión del trabajo y transformaciones laborales en el marco de la digitalización, entre otros.
Docente UNRAF.
4
Universidad Nacional de Rafaela (UNRAF), Rafaela Santa Fe (SF) Argentina. Docente UNRAF.
5
Instituto del Desarrollo Humano - Universidad Nacional de General Sarmiento (UNGS IDEI), Los Polvorines Buenos
Aires (BA) Argentina. Investigador docente UNGS IDEI.
Digitalización de la producción y rupturas en las dinámicas laborales: un estudio sobre el sector autopartista de Rafaela, provincia de
Santa Fe
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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RESUMEN: El objetivo del presente artículo es indagar acerca de los efectos de las
transformaciones digitales sobre las dinámicas laborales que se desarrollan en empresas
autopartistas en el marco de los procesos de digitalización. Se trata de indagar, en primera
instancia, sobre la profundidad de los cambios incorporados por las empresas y los efectos de
ello sobre la organización productiva, las condiciones de trabajo y las relaciones laborales. Para
ello, el análisis se llevará adelante en firmas de autopartes de la localidad santafesina de Rafaela,
en virtud de que esta localidad cuenta con un sector autopartista de fuerte raigambre histórica,
firmas proveedoras de terminales y un peso sustancial en el nivel de empleo local y nacional.
La base empírica se conforma a partir de una metodología cualitativa, desarrollada a partir de
entrevistas a delegados sindicales de las empresas objeto de estudio y secretarios generales del
sector.
PALABRAS CLAVE: Industria 4.0. Trama automotriz. Autopartistas. Digitalización.
Relaciones laborales.
RESUMO: O objetivo do presente artigo é investigar os efeitos das transformações digitais
sobre as dinâmicas laborais desenvolvidas em empresas de autopeças no âmbito dos processos
de digitalização. Trata-se, em um primeiro momento, de examinar a profundidade das
mudanças incorporadas pelas empresas e os efeitos delas sobre a organização produtiva, as
condições de trabalho e as relações laborais. Para tanto, a análise será realizada em empresas
de autopeças da cidade de Rafaela, na província de Santa , tendo em vista que essa cidade
conta com um setor de autopeças de forte tradição histórica, empresas fornecedoras de
montadoras e um peso substancial no nível de emprego local e nacional. A base empírica
constitui-se a partir de uma metodologia qualitativa, desenvolvida por meio de entrevistas com
delegados sindicais das empresas objeto de estudo e secretários-gerais do setor.
PALAVRAS-CHAVE: Indústria 4.0. Cadeia Automotiva. Autopeças. Digitalização. Relações
Laborais.
ABSTRACT: The aim of this article is to examine the effects of digital transformations on labor
dynamics within auto parts companies in the context of digitalization processes. First, it seeks
to assess the depth of the changes adopted by firms and their effects on productive organization,
working conditions, and labor relations. To this end, the analysis focuses on auto parts firms
located in Rafaela, in the province of Santa Fe, given that this locality has a historically rooted
auto parts sector, companies supplying automotive assemblers, and a substantial share of local
and national employment. The empirical basis consists of a qualitative methodology developed
through interviews with union delegates from the firms under study and general secretaries of
the sector.
KEYWORDS: Industry 4.0. Automotive Value Chain. Auto Parts. Digitalization. Labor
Relations.
Ana DROLAS, Marcelo DELFINI, Lucía TOMASINI y Hollman LEÓN
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026009, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introducción
En las últimas décadas del siglo pasado y las que van de este, el cambio tecnológico ha
adquirido un dinamismo inédito en la historia del capitalismo, ya acostumbrado a saltos
tecnológicos cíclicos que redundaron en la aceleración de los mecanismos de extracción de
plusvalía relativa, configurando transformaciones profundas en los procesos productivos, en la
organización del trabajo y en las relaciones laborales. Transformaciones que se dan cada vez
más velozmente y alcanzan más sectores productivos y laborales. En particular, el desarrollo y
la difusión de tecnologías digitales (como la robótica avanzada, la analítica de datos, la
inteligencia artificial, el Internet de las cosas y los sistemas ciberfísicos, todas falazmente
consideradas inevitables) están reconfigurando las formas de producir, gestionar y controlar el
trabajo en múltiples sectores de actividad.
En el ámbito industrial, este proceso ha sido conceptualizado bajo la noción de Industria
4.0, entendida como un nuevo paradigma productivo basado en la integración de tecnologías
digitales a lo largo de toda la cadena de valor, desde el diseño del producto hasta la fabricación
y la logística (Kagermann et al., 2013). Si bien gran parte de la literatura ha enfatizado los
impactos de estas transformaciones sobre la productividad y la competitividad empresarial,
existe un consenso creciente respecto de la necesidad de analizar sus efectos sobre el trabajo, y
más específicamente sobre las relaciones laborales en su conjunto (Lahera Sánchez, 2021;
Martín Artiles, 2021; Graglia; Lazzareschi, 2018; Pfeiffer, 2017; Autor, 2015).
En este marco, el sector automotriz se ha constituido en uno de los espacios
privilegiados para observar estos procesos en tanto combina una larga tradición de organización
industrial con una fuerte presión por incorporar innovaciones tecnológicas asociadas tanto a la
digitalización como a la transición energética, a la vez que contiene una larga historia de
organizaciones sindicales. Estas transformaciones no solo impactan sobre las terminales
automotrices, sino también sobre la trama productiva en su conjunto, que tiene el imperativo de
adaptarse a estándares productivos, tecnológicos y organizacionales cada vez más exigentes.
Teniendo en cuenta todos estos elementos, el objetivo del presente artículo es indagar
los efectos inmediatos que tienen los procesos de digitalización productiva sobre las dinámicas
laborales en empresas autopartistas de la ciudad de Rafaela
6
, provincia de Santa Fe, República
Argentina. En particular, se analizan los cambios introducidos en la organización del trabajo,
6
Rafaela es la ciudad cabecera del Departamento Castellanos, situado en el centro-oeste de la provincia de Santa
Fe, Argentina. Con 103 000 habitantes, es la tercera ciudad más poblada de la provincia, destacándose como un
núcleo industrial, comercial y agrícola.
Digitalización de la producción y rupturas en las dinámicas laborales: un estudio sobre el sector autopartista de Rafaela, provincia de
Santa Fe
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las condiciones laborales y los marcos de negociación y conflicto emergentes de los procesos
de transformación, a partir de la perspectiva de delegados sindicales y dirigentes gremiales del
sector, perspectiva a la que hemos accedido a través de la aplicación de entrevistas
semiestructuradas.
Aportes de la sociología del trabajo para la comprensión de los nuevos contextos de
digitalización
El análisis de los procesos contemporáneos de digitalización productiva puede
inscribirse en una tradición más amplia de la sociología del trabajo que, desde mediados del
siglo XX, ha abordado de manera sistemática la relación entre cambio técnico, organización del
trabajo y relaciones sociales de producción. Desde estos enfoques, el interés no se ha centrado
exclusivamente en la innovación tecnológica en sí misma, sino en las formas concretas que
asume su incorporación en los procesos de trabajo y en sus efectos sobre la vida laboral.
Creemos que los aportes clásicos de la disciplina resultan fundamentales para recuperar
esta perspectiva. En particular, Georges Friedmann (1961) señaló tempranamente que el
progreso técnico debía analizarse en función de sus consecuencias sobre la fragmentación del
trabajo, la pérdida de sentido de la actividad laboral y las condiciones de trabajo, destacando
las tensiones entre racionalización productiva y experiencia subjetiva del trabajador. Desde una
posición complementaria, Pierre Naville (1974) propuso una lectura sociológica de la
automatización que enfatiza su carácter socialmente construido, advirtiendo que los efectos del
cambio técnico dependen de las relaciones sociales y de las decisiones organizacionales que lo
encuadran, además de las regulaciones macro que la introducción de nuevas tecnologías debería
implicar.
Estas contribuciones permiten establecer un marco analítico que resulta especialmente
productivo para abordar los procesos actuales de digitalización, en tanto desplazan el foco desde
la tecnología hacia el trabajo, interrogando los modos en que se redefinen las tareas, las
jerarquías, las calificaciones y los márgenes de autonomía. En este sentido, la sociología del
trabajo ofrece herramientas conceptuales para analizar las continuidades históricas en las
formas de racionalización productiva, sin desconocer las especificidades que introducen las
tecnologías digitales.
Los desarrollos más recientes de la disciplina han retomado estas preocupaciones para
analizar las transformaciones del trabajo en el capitalismo contemporáneo, caracterizado por la
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intensificación de los procesos de control, la estandarización de procedimientos y la centralidad
de los dispositivos de gestión. Diversos autores han señalado que la digitalización refuerza
modalidades de control indirecto, basadas en indicadores, métricas y sistemas informatizados,
que reconfiguran las formas tradicionales de supervisión y evaluación del trabajo (Castillo;
Agulló, 2012; Moore, 2018).
En el campo argentino, la sociología del trabajo ha aportado una mirada particularmente
atenta a las mediaciones institucionales y a las especificidades de los procesos de
modernización productiva en economías periféricas. Los estudios sobre reestructuración
productiva han mostrado que la incorporación de nuevas tecnologías se articula con trayectorias
empresariales heterogéneas, marcos regulatorios específicos y relaciones laborales
históricamente constituidas, dando lugar a configuraciones diversas del trabajo industrial
(Novick, 2001).
Desde esta perspectiva, el análisis de la digitalización productiva en el sector
autopartista permite recuperar una preocupación central de la sociología del trabajo:
comprender cómo los cambios técnicos se traducen (o no) en transformaciones en la
organización del trabajo, en las condiciones laborales y en las relaciones entre capital y trabajo.
Este enfoque resulta clave para interpretar empíricamente los procesos observados, evitando
lecturas tecnologicistas y situando la digitalización en el entramado social y productivo en el
que se despliega.
Digitalización productiva, trabajo y relaciones laborales: aportes para la discusión
Los procesos de cambio tecnológico difícilmente puedan analizarse sin considerar las
relaciones que se configuran entre empresarios y trabajadores, las cuales han sido abordadas
desde distintas vertientes ideológicas (Delfini, 2010). Sin profundizar en los aportes específicos
de las diversas corrientes teóricas de las relaciones de trabajo ni en las dificultades analíticas
que estas presentan, en este trabajo se adopta una concepción amplia de las relaciones laborales.
En tal sentido, se entiende que abarcan las formas de organización del trabajo entre las empresas
y en el interior de cada una de ellas, las regulaciones que posibilitan su procesamiento, el
vínculo que articula a trabajadores y empleadores y el desenvolvimiento de la relación entre los
actores involucrados. Desde esta perspectiva, las relaciones laborales remiten también a la
problemática de la articulación entre empresarios, sindicatos y Estado. En esta línea, Bilbao
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Santa Fe
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(1999) sostiene que las relaciones laborales no se circunscriben al momento del “uso” de la
fuerza de trabajo, es decir, al proceso productivo, sino que comprenden diversos aspectos: los
mecanismos de ingreso y egreso del empleo, los sistemas de remuneración e incentivos, las
modalidades de asignación de tareas, los dispositivos de anclaje institucional, las formas de
regulación de la movilidad interna, la organización del tiempo de trabajo, los programas de
formación y reconocimiento de calificaciones y, eventualmente, los mecanismos de desarrollo
de la carrera laboral (Delfini; Drolas, 2014).
En términos institucionales, las empresas inciden sobre las relaciones laborales,
entendidas en sentido amplio como los vínculos que se establecen entre trabajadores y
empleadores y que encuadran la relación de subordinación de los primeros respecto de los
segundos en el marco de una economía capitalista. A partir de esta situación estructural de
subordinación, el Estado introduce (mediante una legislación laboral y la intervención de los
fueros laborales frente a los conflictos que puedan suscitarse) la necesidad de establecer reglas
que regulen dicha relación en los espacios de trabajo. Asimismo, estas relaciones se encuentran
integradas y articuladas con la estructura económica predominante, con los mecanismos de
regulación estatal, con los niveles de empleo, desempleo y actividad, y con el estado de la
correlación de fuerzas sociales. Las transformaciones que se produzcan en cada uno de estos
planos impactarán de manera diferencial en el conjunto de las relaciones laborales.
En consonancia con este razonamiento, en términos institucionales puede identificarse
un “modelo argentino” de relaciones laborales que encuadra las situaciones que se despliegan
en el nivel micro del proceso de trabajo. Este modelo, predominante desde la década de 1940
(aunque con modificaciones parciales a lo largo de los años, hasta febrero de 2026, mes en el
que se aprobó en el Congreso una ley que modifica radicalmente el régimen laboral en
Argentina), se caracterizó por: (1) una fuerte intervención estatal de carácter protectorio,
expresada en su rol político de homologación de acuerdos y CCT y en su activa participación
en la conformación de los actores del movimiento sindical y en la definición de su perfil (a
través del otorgamiento o no de la personería gremial); (2) el fortalecimiento del poder
institucional verticalizado del sindicato y la consolidación del modelo de sindicato único, cuya
base estructural se asienta en las comisiones internas y en el cuerpo de delegados, con funciones
frecuentemente desdibujadas; y (3) la extensión de la negociación colectiva centralizada por
rama de actividad, junto con la evolución de las remuneraciones mediante mecanismos de
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indexación y negociación colectiva, complementada por un amplio sistema de previsión y
seguridad social (garantizado tanto por el Estado como por el sindicato
7
).
Es en el marco de este entramado institucional y de relaciones de poder donde deben
inscribirse los debates contemporáneos sobre cambio tecnológico. En las últimas décadas, los
procesos de cambio tecnológico han ocupado un lugar central en los debates sobre la
reconfiguración del trabajo y de las relaciones laborales. Como ha sido en su momento el torno
de control numérico, actualmente la expansión de tecnologías digitales en la producción
industrial es interpretada como un nuevo momento de transformación del capitalismo,
caracterizado por la integración entre sistemas informáticos, automatización avanzada y gestión
en tiempo real de los procesos productivos y el soñado fin de la brecha entre trabajo prescripto
y trabajo real. En el ámbito industrial, esta dinámica ha sido conceptualizada bajo la noción de
Industria 4.0, entendida como un paradigma que articula tecnologías digitales, sistemas
ciberfísicos y redes de información a lo largo de toda la cadena de valor (Kagermann et al.,
2013).
Desde una perspectiva sociológica y desde distintos enfoques se ha advertido que estos
procesos no pueden ser analizados únicamente como innovaciones técnicas, sino como
transformaciones socio-productivas que resetean las formas de organización del trabajo,
reconfiguran los sistemas de calificación e intensifican los mecanismos de control laboral
(Coriat, 2019; Castillo; Agulló, 2012). La hipótesis es que la digitalización no opera de manera
instantánea, homogénea ni lineal, sino que se articula con estructuras productivas preexistentes,
relaciones de poder y marcos institucionales específicos.
Una de las discusiones que aparecen como centrales refiere a los impactos de la
automatización y la digitalización sobre el empleo y los procesos de trabajo. Lejos de tratarse
de una sustitución directa del trabajo humano, diversos estudios señalan que los cambios
tecnológicos tienden a modificar el contenido del trabajo, redistribuyendo tareas entre
trabajadores y sistemas automatizados, y dando lugar a nuevas combinaciones entre saberes
técnicos, trabajo específico y saberes digitales (Autor, 2015). En el sector industrial, estas
transformaciones suelen redundar en una mayor polivalencia funcional y una intensificación de
las exigencias cognitivas, sin que ello suponga necesariamente una mejora de las condiciones
laborales (Lahera Sánchez, 2021; Martín Artiles, 2021; Graglia; Lazzareschi, 2018).
7
En la actualidad, ante la aprobación de la reforma laboral por parte del Congreso, algunos de estos elementos se
ven profundamente modificados y hasta derogados.
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En el caso argentino, la sociología del trabajo ha mostrado tempranamente preocupación
por los procesos de modernización productiva que se desarrollan de manera desigual y
conflictiva. Algunos estudios sobre reestructuración productiva de las décadas de 1990 y 2000
destacaron que la incorporación de nuevas tecnologías se combinó con cambios
organizacionales y de control comportamental, flexibilización laboral (interna y externa) y
redefinición de los roles sindicales (Novick, 2001; Drolas, 2010). Estas investigaciones
subrayan que las transformaciones técnicas están mediadas por estrategias empresariales,
capacidades estatales y formas de acción colectiva, lo que resulta clave para comprender sus
efectos sobre el trabajo (Delfini; Drolas, 2024).
Por otro lado, otros trabajos han analizado cómo la introducción de tecnologías digitales
refuerza los dispositivos de control y supervisión del trabajo, redefiniendo la idea misma de
trabajo subordinado. La gestión informatizada de la producción, la trazabilidad de las
operaciones y del control de calidad y la medición permanente del desempeño tienden a reducir
los márgenes de autonomía de los trabajadores y a reconfigurar las formas tradicionales de
supervisión (Drolas, 2010; Del Bono, 2020, 2024; Moore, 2018). En este marco, la
digitalización aparece asociada también a nuevas formas de disciplinamiento laboral y a la
emergencia de conflictos en torno a los ritmos de trabajo, la evaluación del desempeño y la
disponibilidad permanente.
En relación con los sistemas de calificación, la literatura argentina ha destacado que los
procesos de cambio tecnológico no eliminan la centralidad del trabajo humano, sino que
revalorizan determinados saberes y habilidades, muchas veces invisibilizados por los discursos
tecnocráticos. Los conocimientos tácitos, la experiencia acumulada y la capacidad de resolución
de problemas situados continúan siendo elementos clave en contextos productivos altamente
tecnificados (Drolas, 2010; Figari, 2015; Neffa, 2010). Sin embargo, estas demandas suelen
coexistir con una escasa formalización de la capacitación y con procesos de aprendizaje
informal en el puesto de trabajo.
Por último, diversos estudios sobre industria y cadenas de valor en la Argentina señalan
que la digitalización productiva adquiere características específicas en sectores integrados a
tramas globales, como el automotriz y autopartista (Baruj et al., 2021; Basco et al., 2018;
Equipo de trabajo de la oficina de la CEPAL en la Argentina, 2024). En estos casos, las
exigencias tecnológicas impuestas por las empresas terminales tienden a profundizar las
asimetrías entre firmas y a condicionar las estrategias de inversión y organización del trabajo
de los proveedores locales. Este contexto vuelve particularmente relevante el análisis de las
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transformaciones laborales desde una perspectiva situada, que considere tanto las dinámicas
productivas como las relaciones laborales y sindicales.
La trama productiva automotriz y el sector autopartista. La especificidad de Rafaela
La industria automotriz constituye, en términos generales, uno de los sectores en los que
la transformación digital ha avanzado de manera concreta. Este proceso es impulsado
principalmente por las empresas líderes del sector (en particular, las terminales automotrices y
un conjunto de grandes autopartistas) que registran altos niveles de incorporación de
tecnologías asociadas a la denominada “industria 4.0” (Arcidiacono et al., 2019; Basco et al.,
2018; Bhatia; Kumar, 2022; Kosacoff, 2021; Mckinsey, 2021).
Sin embargo, el conocimiento disponible sobre el conjunto de la trama automotriz
resulta aún limitado, especialmente más allá de estas firmas de referencia. En este sentido, se
entiende por trama productiva a un espacio económico de intercambio conformado por una o
más empresas núcleo, junto con sus proveedores y clientes. Son estas empresas núcleo las que
lideran el proceso productivo y estructuran las relaciones con el resto del entramado.
En el caso específico de la trama automotriz, esta se compone de una diversidad de
actores que participan en distintos eslabones productivos. Entre ellos se incluyen sectores
industriales básicos (como la producción de laminados planos y no planos, aluminio,
petroquímicos, vidrio y textiles) así como las actividades vinculadas a la fabricación de partes
y piezas, el ensamblaje de conjuntos y subconjuntos, la producción de automóviles y su
posterior distribución y comercialización, tanto en el mercado interno como externo.
Sin embargo, esta estructura se organiza en torno a una empresa terminal, que es la que
conduce el proceso productivo e integra a los distintos proveedores de partes y componentes.
A su vez, la comercialización de los vehículos producidos se canaliza principalmente a través
de las concesionarias.
De este modo, el sector productivo vinculado a los proveedores de las firmas
ensambladoras se estructura en distintos anillos. El denominado “primer anillo” está
conformado por aquellas empresas que venden directamente a las terminales. Se trata de un
grupo reducido de proveedores que, en general, establecen relaciones estrechas y de largo plazo
con las automotrices.
Digitalización de la producción y rupturas en las dinámicas laborales: un estudio sobre el sector autopartista de Rafaela, provincia de
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Las empresas del primer anillo se apoyan, a su vez, en un segundo nivel de proveedores,
el denominado “segundo anillo”, integrado generalmente por firmas de menor tamaño que
abastecen principalmente a las del primer nivel, aunque en algunos casos también pueden
proveer directamente a las terminales. Este segundo anillo se articula con un “tercer anillo” de
proveedores, cuyos integrantes suelen participar también en el mercado de reposición (Delfini
et al., 2008).
A este entramado industrial se suma un conjunto de empresas de diversa escala
vinculadas al sector comercial (concesionarias oficiales y no oficiales, venta de repuestos, entre
otras) y al sector de servicios, como talleres mecánicos, chapistas y gomerías.
Específicamente la industria autopartista constituye un eslabón estratégico dentro del
entramado productivo argentino y un componente central en la trama automotriz. De acuerdo
con datos del Centro de Estudios para la Producción (CEP XXI), la industria autopartista
argentina se compone de alrededor de 1400 empresas, mayoritariamente de capital nacional, y
genera alrededor de 50.000 puestos de trabajo directos (CEP XXI, 2022).
Desde el punto de vista de su estructura productiva, la cadena automotriz-autopartista
se caracteriza por un elevado nivel de segmentación y jerarquización, dando lugar a asimetrías
relevantes en términos de poder de negociación, desarrollo de capacidades tecnológicas y
márgenes de rentabilidad (Delfini, 2010).
La provincia de Santa Fe ocupa un lugar relevante dentro de este entramado productivo
en particular por su tradición industrial y metalmecánica. Diversos estudios señalan que la
provincia concentra un conjunto significativo de empresas autopartistas y metalmecánicas
integradas a la trama/cadena automotriz nacional, con presencia tanto en el mercado interno
como en segmentos orientados a la exportación. Estas firmas se distribuyen en distintos nodos
industriales, entre los que se destacan el Gran Rosario, el corredor industrial santafesino y la
región centro-oeste de la provincia. El perfil empresarial de esta provincia está dominado por
pequeñas y medianas empresas (PyMEs), con un promedio de 10 a 20 empleados por empresa.
Esta prevalencia de PyMEs ha generado una estructura de cadena de valor dual. Por un lado,
existe un grupo reducido de empresas, generalmente grandes proveedores del “primer anillo”
y, por otro lado, pequeñas y medianas empresas pertenecientes al segundo y tercer anillo de la
trama (Gobierno de Santa Fe, 2008).
En Rafaela se observa un patrón de características similares. El Observatorio Industrial
de Rafaela (2025) identifica un entramado productivo compuesto mayoritariamente por
empresas medianas y grandes en términos de empleo, sustentado, no obstante, en una base
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amplia de unidades de menor tamaño. En conjunto, estas explican alrededor del 70% del empleo
industrial de la ciudad, con una marcada presencia de actividades metalmecánicas y de
proveedores vinculados a las cadenas automotriz y autopartista.
En este contexto, la ciudad de Rafaela se configura como un nodo productivo relevante
dentro de la región centro de la provincia de Santa Fe, con una fuerte impronta industrial y una
histórica especialización en actividades metalmecánicas y de fabricación de componentes. Esta
dinámica coloca a las empresas locales frente al desafío de adaptarse a estándares crecientes en
términos de calidad, eficiencia y trazabilidad, al tiempo que sostienen niveles de empleo
relevantes para la estructura laboral de la ciudad.
Desde el punto de vista del empleo, el sector industrial en Rafaela representa uno de los
principales generadores de trabajo registrado a nivel local, con una participación significativa
de la metalmecánica y las actividades vinculadas a la fabricación de autopartes. Según datos de
CEP XXI para 2022 existían 35 empresas autopartistas, correspondiente al 8% de las firmas
manufactureras, a la vez que empleaban 22% de personal industrial, muy por encima de la
media nacional, donde las autopartistas alcanzan 4% de la industria.
Asimismo, la inserción de estas empresas en cadenas de valor de alcance nacional e
internacional otorga al sector autopartista local un papel destacado dentro del perfil exportador
de la ciudad. De acuerdo con informes institucionales, las manufacturas de origen industrial
(entre ellas las autopartes) constituyen uno de los rubros con mayor participación en las
exportaciones locales, lo que refuerza la centralidad del sector en la estructura productiva y
económica de Rafaela.
En este marco, la trama autopartista de Rafaela se caracteriza por combinar una fuerte
raigambre histórica, una inserción en cadenas de valor altamente exigentes y un proceso
progresivo de incorporación de tecnologías productivas avanzadas. Estas características
convierten al sector en un espacio privilegiado para analizar los efectos de la digitalización
sobre las relaciones laborales en su conjunto en un contexto donde las transformaciones
tecnológicas se articulan con estructuras productivas y sindicales preexistentes.
Dada la configuración de la trama productiva a nivel nacional, integrada por diversos
sectores de actividad, la configuración de las relaciones laborales, en términos de actores hace
que tenga una participación diversa. En términos sindicales, intervienen el Sindicato de
Mecánicos y Afines del Transporte Automotor de la República Argentina (SMATA) y Unión
Obrera Metalúrgica (UOM), en el caso del primero representa a los trabajadores de las
terminales y/o concesionarias oficiales y en el caso del segundo, si bien tiene intervención en
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una terminal (Peugeot Citroën) su representación más importante se desarrolla entre las
empresas metalmecánicas, muchas de las cuales se encuentran en el primer anillo de
proveedores. Además de estos dos actores sindicales existen otros sectores y representaciones
gremiales. Tal es el caso del vidrio, por medio de dos sindicatos: Sindicato de Obreros de la
Industria del Vidrio y Afines (SOIVA) y el Sindicato de Empleados de la Industria del Vidrio
y Afines de la República Argentina (SEIVARA); el caucho y neumático, donde también
intervienen dos sindicatos: el Sindicato Único de Trabajadores del Neumático y Afines
(SUTNA) y Sindicato de Empleados del Caucho y Afines; el petroquímico (Federación de
Trabajadores de la Industria Química y Petroquímica) y el de pinturas (Unión del Personal de
Fábricas de Pintura y Afines de la República Argentina). Existe, a su vez, representación
gremial de supervisores, como en el caso de la Asociación de Supervisores de la Industria
Metalúrgica de la República Argentina (ASIMRA) y la Asociación del Personal Superior de
Daimler Chrysler Argentina.
El panorama sindical del sector en la ciudad de Rafaela se articula principalmente en
dos grandes organizaciones, la Unión Obrera Metalúrgica de la República Argentina (UOMRA)
y el Sindicato de Mecánicos y Afines del Transporte Automotor (SMATA). La UOM seccional
Rafaela, representa al contingente mayoritario de trabajadores metalúrgicos, enfocando su
misión en defensa de los derechos, la calidad de vida y el trabajo. Por su parte, SMATA
seccional Rafaela, complementa el espectro de representación, enfocándose en los mecánicos
y afines al transporte automotor. Por otro lado, se encuentran gremios que tienen competencia
directa sobre ramas que integran el sector autopartista como SOCAYA (Sindicato de Obreros
del Caucho, Anexos y Afines), SEIVARA (Sindicato de Empleados de la Industria del Vidrio
y Afines de la República Argentina) o SOIVA (Sindicato de Obreros de la Industria del Vidrio),
u otros que implican la participación de sindicatos sectoriales (plástico, químicos, electrónicos)
aunque no tienen presencia específica en Rafaela, tienen competencia directa sobre las ramas
que integran el sector autopartista.
Estrategia metodológica
La investigación se apoya en una metodología cualitativa, orientada a construir el
análisis con base en las experiencias de los actores sindicales frente a los procesos de
digitalización productiva. La base empírica se conformó a partir de seis entrevistas
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semiestructuradas realizadas a delegados sindicales de empresas autopartistas y a un secretario
general del sector. Las entrevistas se realizaron entre los meses de octubre de 2025 y febrero de
2026, de manera virtual a través de dispositivos electrónicos.
Esta estrategia permite captar, desde una perspectiva situada, los cambios introducidos
en los procesos de trabajo, las condiciones laborales y las relaciones laborales, así como las
tensiones, resistencias y estrategias desplegadas por las organizaciones sindicales. En este
sentido, el anclaje empírico en contextos específicos de producción posibilita reconstruir la
mirada de los actores sobre las transformaciones tecnológicas y organizacionales, atendiendo
tanto a sus efectos materiales como a sus dimensiones simbólicas y relacionales. Tal como
señalan Denzin y Lincoln (2011), la investigación cualitativa se orienta a estudiar los
fenómenos en sus escenarios propios, intentando comprenderlos en términos de los significados
que las personas les otorgan. Desde esta perspectiva, el análisis no se limita a describir cambios
formales en la organización del trabajo, sino que procura analizar el fenómeno a través de las
experiencias y prácticas mediante las cuales dichos cambios son apropiados, negociados o
resistidos por los distintos actores involucrados.
El enfoque cualitativo resulta especialmente pertinente para abordar procesos en curso,
caracterizados por una alta heterogeneidad y por dinámicas de adaptación no lineales (Valles,
2000). En contextos de transformación tecnológica, donde coexisten distintas configuraciones
productivas y trayectorias organizacionales, este enfoque permite captar la variabilidad interna
de los casos y evitar lecturas falsamente homogéneas o deterministas. Asimismo, como plantea
Flick (2004), la investigación cualitativa es especialmente adecuada cuando se trata de explorar
fenómenos complejos y poco estabilizados, en los que las categorías analíticas deben dialogar
de manera constante con el trabajo de campo. De este modo, la estrategia adoptada favorece
una aproximación flexible y reflexiva, sensible a las particularidades sectoriales y a las
configuraciones institucionales específicas, permitiendo reconstruir las lógicas de acción de los
actores sindicales frente a escenarios productivos en transformación.
Discusión
Los hallazgos del estudio dialogan con la literatura que advierte sobre el carácter no
lineal de los impactos posibles de la digitalización productiva. Lejos de producir efectos
homogéneos, estos procesos se articulan con trayectorias productivas propias de las empresas,
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relaciones laborales y configuraciones sindicales preexistentes, así como con las características
de la comunidad en la que se encuentra instalada cada firma. En este sentido, los resultados
refuerzan la idea de que la introducción de tecnologías digitales no puede ser comprendida
como un proceso puramente técnico ni como una fuerza que actúa de manera uniforme sobre el
empleo o la organización del trabajo. Por el contrario, sus efectos se encuentran mediados por
configuraciones socio-productivas específicas, en las que intervienen tanto las estrategias
empresariales de modernización como los arreglos institucionales de las relaciones laborales y
las condiciones territoriales en las que se insertan las firmas.
En términos generales, los testimonios recogidos entre los delegados sindicales
describen un sector que, aún atravesado por las tensiones propias de un entramado productivo
en proceso de reestructuración, es percibido mayoritariamente como un sector que atraviesa un
momento relativamente dinámico. Buena parte de los entrevistados evalúa que la actividad
mantiene un nivel de funcionamiento aceptable o incluso favorable respecto al año
inmediatamente anterior (2024), aunque también aparecen voces que señalan cierto
estancamiento o deterioro en algunas empresas, especialmente en aquellas que tienen un
vínculo exclusivo con el mercado interno y una relación más zigzagueante con la incorporación
de tecnologías 4.0. Estas percepciones sugieren que los procesos de transformación productiva
no se desarrollan de manera uniforme dentro del sector, sino que dan lugar a trayectorias
empresariales diferenciadas, condicionadas tanto por la inserción de las firmas en determinados
mercados como por su capacidad de sostener estrategias de inversión y adaptación frente a
contextos económicos cambiantes.
En ese marco, los relatos coinciden en destacar que en numerosas plantas se han puesto
en marcha procesos de incorporación de nuevas tecnologías, mientras que en otras (menos
frecuentes) los cambios tecnológicos resultan escasos o directamente inexistentes. Un aspecto
que surge con claridad en las entrevistas es que allí donde se han introducido innovaciones en
los procesos productivos (automatización, digitalización o incluso robotización) no se verifican,
en general, reducciones significativas del empleo; por el contrario, en algunos casos incluso se
mencionan procesos de ampliación de las plantillas. De manera inversa, los delegados
identifican situaciones de pérdida de puestos de trabajo en establecimientos donde no se
registraron inversiones tecnológicas o procesos de modernización productiva, sean de la
naturaleza que fueran. Este patrón confirma que la relación entre tecnología y empleo no se
presenta en términos directos o mecánicos. Antes bien, parece estar vinculada a la capacidad de
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ciertas empresas para sostener o mejorar su posicionamiento productivo a través de procesos
de modernización que les permiten mantener niveles de actividad o expandirlos.
En los relatos, los delegados sindicales dan cuenta de una incorporación progresiva de
tecnologías digitales en los procesos productivos, particularmente en áreas vinculadas al control
de calidad, la automatización de operaciones específicas y la gestión de la producción. Sin
embargo, lejos de describirse un reemplazo directo o total del trabajo humano, lo que aparece
con mayor frecuencia es una reconfiguración de tareas y responsabilidades, asociada tanto a la
ampliación de funciones como a procesos de recalificación de los trabajadores. De este modo,
las transformaciones observadas parecen inscribirse más en procesos de reorganización del
contenido del trabajo que en dinámicas de sustitución directa de la fuerza de trabajo, dando
lugar a perfiles laborales que combinan tareas operativas con otras vinculadas al seguimiento,
monitoreo e interacción con sistemas tecnológicos.
En algunos casos, la digitalización o la introducción de innovaciones en los procesos
implica una mayor integración entre funciones operativas y de supervisión, demandando a los
trabajadores saberes o habilidades técnicas adicionales y una mayor capacidad de interacción
con sistemas automatizados. Se trata, según describen los entrevistados, de un desplazamiento
desde tareas centradas principalmente en la operación productiva hacia otras más vinculadas al
control, monitoreo y seguimiento de procesos. Este tipo de transformaciones suele ir
acompañado de una intensificación del trabajo, asociada a ritmos productivos más ajustados y
a una reducción de los márgenes de autonomía en la ejecución de las tareas, en la medida en
que estas se encuentran cada vez más protocolizadas y subordinadas a la cadencia impuesta por
los sistemas tecnológicos. En este sentido, ciertas innovaciones no sólo introducen nuevas
exigencias en términos de calificación o “adaptabilidad laboral”, sino que también contribuyen
a redefinir las formas de control y coordinación del trabajo, ampliando las capacidades de
seguimiento y regulación del proceso productivo mediante dispositivos tecnológicos.
En este contexto, se puede interpretar que la brecha entre el trabajo prescripto y el
trabajo real (brecha que tradicionalmente habilitaba tiempos muertos, arreglos informales en la
organización de las tareas o formas específicas de cooperación entre trabajadores) tiende a
reducirse cada vez más. La creciente protocolización de las operaciones y las capacidades de
monitoreo asociadas a los sistemas digitales parecen limitar progresivamente los márgenes de
reinterpretación o adaptación del trabajo cotidiano por parte de los trabajadores. Detrás de estas
percepciones aparece, de manera más o menos explícita, la preocupación de los entrevistados
por el desgaste de la salud de los trabajadores, el deterioro potencial de las condiciones de
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trabajo y la capacidad de los marcos establecidos por los convenios colectivos para contener o
regular estas transformaciones.
Como se señaló anteriormente, solo en algunos casos puntuales la incorporación de
nuevas tecnologías de proceso y organización se asocia a una disminución de las plantillas.
Cuando esto ocurre, los entrevistados lo vinculan principalmente con el achatamiento de las
pirámides de categorías laborales (efecto que en determinados sectores se relaciona con la
expansión de esquemas de multitarea) y con la redefinición de perfiles ocupacionales a partir
de procesos de capacitación y reorganización interna. Aun así, no parece que estas nuevas
condiciones hayan tenido como corolario conflictos laborales significativos. Esta relativa
ausencia de conflictos abiertos puede interpretarse tanto en relación con el hecho de que las
transformaciones observadas no siempre se traducen en pérdidas abruptas de empleo, como con
los márgenes de acción disponibles para las organizaciones sindicales frente a procesos de
reorganización productiva que tienden a desarrollarse principalmente bajo iniciativa
empresarial.
Un elemento que aparece de manera reiterada en las entrevistas refiere a la escasa
participación de las organizaciones sindicales en las instancias de decisión vinculadas a la
introducción de nuevas tecnologías. Los delegados señalan que, en la mayoría de los casos, las
asociaciones sindicales no fueron convocadas a discutir la forma, la velocidad ni los criterios
que orientan estos procesos, ni los impactos sobre la fuerza de trabajo. Cuando existió algún
tipo de comunicación, ésta adoptó un carácter informal o a posteriori de las decisiones ya
tomadas por las direcciones de las empresas. Cuestiones centrales como los posibles efectos
sobre el nivel de empleo, la redefinición de perfiles laborales (con impacto directo sobre la
grilla de calificaciones y categorías negociada en los convenios colectivos), la intensificación
del trabajo o las condiciones en que este se desarrolla rara vez forman parte de instancias de
deliberación y negociación entre las partes involucradas. En este sentido, los procesos de
innovación tecnológica aparecen mayormente bajo la gobernanza de las empresas, lo que
históricamente limita las posibilidades de que sus efectos laborales sean anticipados, discutidos
o regulados colectivamente en el ámbito de las relaciones laborales.
Consideraciones finales
El análisis del trabajo de campo permite señalar que los procesos de digitalización
productiva observados no se traducen en efectos uniformes sobre el empleo ni sobre la
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organización del trabajo. Antes bien, su desarrollo aparece mediado por las trayectorias
productivas de las empresas, sus estrategias de inversión y las configuraciones institucionales
de las relaciones laborales en las que se inscriben, así como por las características de la
comunidad en la que las empresas llevan adelante su producción. En este sentido, los resultados
del estudio refuerzan la perspectiva desarrollada en el marco teórico, según la cual los procesos
de cambio tecnológico no operan de manera automática ni homogénea, sino que se articulan
con estructuras productivas preexistentes, relaciones de poder y marcos institucionales
específicos.
En este marco, la evidencia recogida sugiere que la incorporación de tecnologías
digitales en el sector analizado no se ha traducido, al menos en el período considerado, en
procesos generalizados de sustitución de trabajo humano. Por el contrario, lo que emerge es una
reconfiguración del contenido del trabajo, caracterizada por la ampliación de funciones, la
integración de tareas operativas con actividades de monitoreo y control, y mayores
requerimientos de interacción con sistemas automatizados. Este tipo de transformaciones
resulta consistente con los planteos que señalan que los procesos de automatización y
digitalización tienden menos a eliminar el trabajo humano que a modificar su contenido y a
redistribuir tareas entre trabajadores y dispositivos técnicos (Autor, 2015), generando nuevas
combinaciones entre saberes productivos, experiencia laboral y competencias vinculadas al uso
de tecnologías digitales.
Al mismo tiempo, las transformaciones relatadas parecen acompañarse de dinámicas de
intensificación del trabajo vinculadas a la creciente protocolización de las tareas y a la reducción
de los márgenes de autonomía en su ejecución. En este sentido, la digitalización productiva no
sólo redefine los perfiles ocupacionales y las calificaciones requeridas, sino que también
introduce nuevas modalidades de organización y control del proceso de trabajo. Tal como
advierte la literatura sobre digitalización y control laboral, la gestión informatizada de la
producción y la posibilidad de monitorear en tiempo real diferentes dimensiones del desempeño
tienden a reforzar los dispositivos de supervisión y a reconfigurar las formas tradicionales de
control del trabajo (Moore, 2018; Del Bono, 2020, 2024). Estas dinámicas pueden tener
implicancias relevantes para las condiciones laborales y para el desgaste de los trabajadores,
cuestiones que, de acuerdo con los testimonios relevados, no parecen ocupar todavía un lugar
central en la agenda de las organizaciones sindicales.
Otro elemento que surge de manera consistente en los testimonios refiere a la limitada
participación de las organizaciones sindicales en las instancias de decisión vinculadas a la
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incorporación de nuevas tecnologías. La ausencia de espacios formales de deliberación y
negociación sobre estos procesos sugiere que las transformaciones tecnológicas tienden a
desarrollarse principalmente bajo iniciativa empresarial, lo que restringe las posibilidades de
anticipar colectivamente sus efectos sobre el empleo, la organización del trabajo o las
condiciones laborales. Esta situación resulta particularmente significativa si se considera el
peso histórico que, en el modelo argentino de relaciones laborales, han tenido la negociación
colectiva y la institucionalización de mecanismos de representación sindical en los lugares de
trabajo (Delfini, 2010; Delfini; Drolas, 2014).
En conjunto, estos resultados permiten situar los hallazgos del estudio dentro de un
debate más amplio sobre las transformaciones contemporáneas del trabajo industrial en
contextos de digitalización productiva. Más que procesos lineales de sustitución tecnológica,
los casos analizados remiten a dinámicas complejas de reorganización del trabajo atravesadas
por la heterogeneidad productiva de las empresas y por las capacidades institucionales para
regular estos cambios, en línea con los análisis sobre reestructuración productiva desarrollados
para la industria argentina. En este sentido, los resultados del estudio contribuyen a matizar las
interpretaciones que anticipan impactos homogéneos de la digitalización sobre el empleo y
ponen de relieve la importancia de considerar las configuraciones socio-productivas concretas
en las que estos procesos se desarrollan.
El análisis que aquí presentamos aporta evidencia basada en testimonios de
representantes sindicales que permite iluminar cómo estos procesos son percibidos y
experimentados en el nivel de las plantas productivas. Esta perspectiva resulta particularmente
relevante para comprender no sólo las transformaciones tecnológicas en mismas, sino
también sus efectos sobre la organización del trabajo, las condiciones laborales y las dinámicas
de las relaciones laborales en contextos industriales concretos. Asimismo, los resultados
subrayan la importancia de considerar el papel de las instituciones laborales, de las estrategias
empresariales y de las formas de acción colectiva en la configuración de los impactos del
cambio tecnológico, una dimensión que continúa siendo central para el análisis sociológico de
las transformaciones contemporáneas del trabajo.
Finalmente, los hallazgos abren interrogantes relevantes para futuras investigaciones,
particularmente en relación con la evolución de estas transformaciones en el mediano plazo,
sus posibles efectos acumulativos sobre la organización del trabajo y las condiciones laborales,
y el papel que pueden desempeñar las instituciones del mundo del trabajo en la regulación de
los procesos de innovación tecnológica en la industria.
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En una escala más amplia, los resultados del estudio sugieren que los procesos de
digitalización productiva en contextos industriales como el analizado se despliegan de manera
situada y condicionada por configuraciones socio-productivas específicas. En sectores
integrados a cadenas de valor globales, como el automotriz y autopartista, las exigencias
tecnológicas impulsadas por las empresas terminales conviven con estructuras empresariales
heterogéneas, marcos institucionales particulares y tradiciones de relaciones laborales que
modelan la forma concreta que adoptan estas transformaciones. En este sentido, los casos
analizados ponen de relieve la importancia de abordar la digitalización industrial no sólo como
un proceso técnico, sino como una dinámica socialmente configurada, cuyos efectos sobre el
trabajo, el empleo y las relaciones laborales dependen de las capacidades institucionales y de
las formas de acción colectiva que intervienen en su regulación.
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A n a D R O L A S , M ar c el o D E L FI NI , L u a T O M A SI NI y H oll m a n L E Ó N
Est u d os de S o ci ol o gi a , Ar ar a q u ar a, v. 3 1 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 0 9 , 2 0 2 6 . e-I S S N: 1 9 8 2-4 7 1 8
D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1ies p. 1. 2 1 0 0 7 2 3
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A g r a d e ci mi e nt os : L os a ut or es a gr a d e c e n a l a r e vist a p or bri n d arl es l a o p ort u ni d a d d e
p u bli c ar est e artí c ul o .
Fi n a n ci a ci ó n : Est a i n v esti g a ci ó n n o r e ci bi ó fi n a n ci a ci ó n e xt er n a .
C o nfli ct os d e i nt e r és: L os a ut or es d e cl ar a n n o t e n er c o nfli ct os d e i nt er és.
A p r o b a ci ó n éti c a : N o a pli c a bl e .
Dis p o ni bili d a d d e d at os y m at e ri al es : N o a pli c a ble .
C o nt ri b u ci o n es d e l os a ut o r es : L os a ut or es c o ntri b u y er o n p or i g u al a l a el a b or a ci ó n d e
est e artí c ul o.
P r o c es a mi e nt o y e di ci ó n: E dit o r a I b e r o -A m e ric a n a d e E d u c a ç ã o
R e visi ó n, di a gr a m a ci ó n , n or m ali z a ci ó n y tr a d u c ci ó n