Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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RELAÇÕES DE TRABALHO E AÇÃO SINDICAL EM TERRITÓRIOS
GREENFIELD: O CASO DA STELLANTIS EM GOIANA (PE)
1
RELACIONES LABORALES Y ACCIÓN SINDICAL EN TERRITORIOS
GREENFIELD: EL CASO DE STELLANTIS EN GOIANA (PE)
LABOR RELATIONS AND UNION ACTION IN GREENFIELD TERRITORIES: THE
CASE OF STELLANTIS IN GOIANA (PE)
Raphael Jonathas da Costa LIMA
2
e-mail: raph[email protected]
Maria Carolina BARCELLOS
3
e-mail: mariab[email protected]
Como referenciar este artigo:
LIMA, Raphael Jonathas da Costa; BARCELLOS, Maria Carolina.
Relações de trabalho e ação sindical em territórios Greenfield: o
caso da Stellantis em Goiana (PE). Estudos de Sociologia,
Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718.
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21018.
| Submetido em: 20/03/2026
| Revisões requeridas em: 15/04/2026
| Aprovado em: 03/05/2026
| Publicado em: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
Agradecimentos à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ),
ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), à Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e aos colegas Cristiano Monteiro (PPGS/UFF), Fernanda Cavalcante
(PPGS/UFF) e Lucas Afonso (PPGS/UFF), que participaram da pesquisa que resultou neste artigo.
2
Universidade Federal Fluminense (UFF), Volta Redonda Rio de Janeiro (RJ) Brasil. Doutor em Sociologia
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor associado do Departamento Multidisciplinar de
Volta Redonda (VMD), do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA) e do Programa de Pós-
Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor associado VMD, PPGA,
PPGS.
3
Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói Rio de Janeiro (RJ) Brasil. Doutoranda em Sociologia pelo
Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (PPGS/UFF), foi pesquisadora
visitante na Università degli Studi di Salerno (Unisa), Itália. Possui mestrado em Sociologia e graduação em
Administração Pública pela UFF. Pesquisadora no Brazilian research in auto industry (BRAIN).
Relações de trabalho e ação sindical em territórios Greenfield: o caso da Stellantis em Goiana (PE)
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RESUMO: O artigo investiga como a ação sindical se constitui em um contexto produtivo
greenfield, tomando como estudo de caso a atuação do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco (SINDMETAL-PE)
na planta da Stellantis em Goiana (PE). A partir de pesquisa qualitativa baseada em observação
direta e entrevistas realizadas em 2022 e 2026, analisa-se como o sindicato interpreta e responde
às transformações nas relações de trabalho e na organização produtiva do polo. Os resultados
evidenciam um quadro ambíguo, no qual persistem práticas antissindicais, rotatividade elevada
e desigualdades salariais, ao mesmo tempo em que se observam processos de adaptação e
fortalecimento da representação sindical. Argumenta-se que, embora a expansão produtiva se
apoie em desigualdades territoriais, ela também engendra dinâmicas socioprodutivas que
reconfiguram a ação coletiva e as institucionalidades do trabalho em territórios de implantação
recente.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdades regionais. Indústria automotiva. Programa Inovar-
Auto. Sindicato.
RESUMEN: El artículo investiga cómo se constituye la acción sindical en un contexto
productivo greenfield, tomando como estudio de caso la actuación del Sindicato de
Trabajadores en las Industrias Metalúrgicas, Mecánicas y de Material Eléctrico de
Pernambuco (SINDMETAL-PE) en la planta de Stellantis en Goiana (PE). A partir de una
investigación cualitativa basada en la observación directa y entrevistas realizadas en 2022 y
2026, se analiza cómo el sindicato interpreta y responde a las transformaciones en las
relaciones laborales y en la organización productiva del polo. Los resultados evidencian un
panorama ambiguo, en el cual persisten prácticas antisindicales, una elevada rotación y
desigualdades salariales, al mismo tiempo que se observan procesos de adaptación y
fortalecimiento de la representación sindical. Se argumenta que, si bien la expansión
productiva se apoya en desigualdades territoriales, también engendra dinámicas
socioproductivas que reconfiguran la acción colectiva y las institucionalidades del trabajo en
territorios de implantación reciente.
PALABRAS CLAVE: Desigualdades regionales. Industria automotriz. Programa Inovar-
Auto. Sindicato.
ABSTRACT: The article investigates how union action is constituted in a greenfield productive
context, taking as a case study the performance of the Union of Workers in the Metallurgical,
Mechanical, and Electrical Material Industries of Pernambuco (SINDMETAL-PE) at the
Stellantis plant in Goiana (PE). Based on qualitative research utilizing direct observation and
interviews conducted in 2022 and 2026, the study analyzes how the union interprets and
responds to transformations in labor relations and the productive organization of the hub. The
results reveal an ambiguous scenario, in which anti-union practices, high turnover, and wage
inequalities persist, while simultaneously showing processes of adaptation and the
strengthening of trade union representation. It is argued that although productive expansion
relies on territorial inequalities, it also engenders socio-productive dynamics that reconfigure
collective action and labor institutions in recently established territories.
KEYWORDS: Regional inequalities. Automotive industry. Inovar-Auto Program. Trade union.
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
Durante décadas, a trajetória da produção automotiva brasileira foi marcada por forte
concentração no chamado “cinturão industrial” do ABC Paulista. Um ponto de inflexão nesse
padrão ocorreu em 1976, com a instalação da primeira planta da FIAT em Betim (MG),
considerada uma estratégia pioneira de desconcentração territorial dessa indústria. Nos anos
1990, essa tendência se ampliou com o Novo Regime Automotivo (NRA), em 1994. Conforme
observa Cardoso (2003), o programa impulsionou a reestruturação tecnológica do setor e
estimulou a reespacialização das Original Equipment Manufacturers (OEMs). Elas passaram a
direcionar novos investimentos para regiões fora do ABC paulista, motivadas pela oferta de
incentivos fiscais por estados sem tradição na produção automotiva.
Entre projetos desse período estão a planta da Volkswagen Caminhões e Ônibus em
Resende (RJ), inaugurada em 1996 sob o modelo inovador do consórcio modular; o complexo
da Renault em São José dos Pinhais (PR), criado em 1998, seguido pela instalação da Audi-
Volkswagen no mesmo município em 1999; a unidade da Mitsubishi em Catalão (GO); e a
planta da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG). Já no início dos anos 2000, a General Motors
colocou em operação sua unidade em Gravataí (RS), ao passo que novos empreendimentos
ampliavam a presença do setor em diferentes regiões do país, como a Iveco em Sete Lagoas
(MG), a PSA Peugeot-Citroën em Porto Real (RJ) e a Ford em Camaçari (BA), inauguradas
entre 2000 e 2001. A criação de novos espaços produtivos, interpretados à luz da noção de
greenfields (Martin; Veiga, 2002; Dulci, 2018), constitui, na verdade, uma tendência observada
globalmente desde os anos 1980, quando corporações começaram a se deslocar de regiões
industriais tradicionais (brownfields) para localidades sem tradição na manufatura automotiva
e com fraca articulação sindical. Um exemplo disso foi o deslocamento das montadoras
japonesas para o sul dos Estados Unidos (Dicken, 2010).
A partir de 2011, com o Programa Inovar-Auto, iniciou-se um novo ciclo de
investimentos. Isso resultou na chegada de um novo conjunto de montadoras ao Brasil, a
exemplo de Nissan, Jaguar Land Rover e da Jeep, que se instalou no município de Goiana, no
estado de Pernambuco. Em 2021, a FIAT Chrysler Automobiles (FCA), sua proprietária,
fundiu-se ao Grupo PSA proprietário das marcas Peugeot e Citroën , dando origem ao
Grupo Stellantis. Atualmente, a Stellantis reúne 14 marcas europeias e norte-americanas, como
FIAT, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram, figurando entre as maiores multinacionais automotivas do
mundo. No Brasil, a empresa ocupa posição de destaque no mercado, tendo alcançado 29,4%
de participação nas vendas em 2024. Entre os modelos de maior sucesso no país destacam-se a
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picape Strada, da FIAT veículo mais vendido no mercado nacional, e o Jeep Compass, líder no
segmento de SUVs médios (Stellantis, 2025).
Do ponto de vista da produção, a multinacional opera a partir de três importantes polos
no Brasil: Betim (Minas Gerais), Porto Real (Rio de Janeiro) e Goiana (Pernambuco). Betim
remonta à criação pela FIAT, nos anos 1970, de um pujante cluster industrial composto por
inúmeros fornecedores, além de pequenas e médias empresas que foram surgindo no seu
entorno com o passar dos anos (Humphrey; Schmitz, 2002). O polo de Porto Real foi
inaugurado em 2001 pela PSA Peugeot-Citroën e até hoje organiza-se em torno da ideia de um
tecnopolo com fornecedores nas imediações. Por sua vez, a unidade de Goiana, inaugurada em
2015, foi concebida como um projeto industrial integrado, contando atualmente com um
supplier park instalado em seu entorno. Trata-se do empreendimento mais recente da Stellantis
no Brasil e, também do mais tecnológico do grupo.
Nesse contexto, o presente artigo analisa como a implantação dessa unidade produtiva
em Goiana (PE) repercutiu na constituição de novas institucionalidades associadas ao trabalho
e às relações industriais. Em particular, busca compreender como se configurou a ação sindical
nesse território produtivo emergente, tomando como foco a atuação do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco
(SINDMETAL-PE). O trabalho adotou uma perspectiva longitudinal, com pesquisa de campo
realizada em 2022 e 2026, o que permitiu captar continuidades e mudanças nas estratégias
sindicais ao longo da consolidação do polo, dimensão ainda pouco explorada na literatura sobre
greenfields automotivos. O texto está organizado em uma seção contextual sobre o polo,
seguida da metodologia, dos resultados e discussão centrados na trajetória do SINDMETAL-
PE, nas relações de trabalho, na saúde e segurança e na economia política do polo e, por fim,
as considerações finais sintetizam os achados e apontam para uma agenda de pesquisa em
aberto.
A presença da Stellantis em Goiana
Como mencionado anteriormente, a inauguração da planta da Jeep em Goiana, em 2015,
inscreve-se no contexto de reorganização da indústria automotiva nacional, que teve como
instrumento de indução o Programa Inovar-Auto (20132017), uma das últimas grandes
políticas industriais brasileiras voltadas ao setor. Entre seus objetivos estava o estímulo à
inovação tecnológica e à ampliação da capacidade produtiva nacional, bem como a
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
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possibilidade de desconcentração geográfica da atividade industrial, com novos investimentos
direcionados para regiões fora dos polos tradicionais.
A unidade da FCA-Jeep dividiu por alguns anos o protagonismo na região Nordeste com
o polo da Ford em Camaçari (BA), até o encerramento das atividades dessa unidade em 2021.
Como ocorreu em outros casos de implantação de grandes projetos industriais, a chegada da
montadora foi acompanhada por elevadas expectativas quanto à geração de emprego formal e
à interiorização do desenvolvimento, com potencial para reduzir a desigualdade regional, tal
como descrito por Ramalho (2015) acerca do Sul Fluminense e Garcia (2010) a respeito do Rio
Grande do Sul.
A escolha de Goiana como lócus do empreendimento resultou de um processo de
seleção locacional conduzido pela FCA ainda antes da criação do Grupo Stellantis (Lima, 2020;
Ladosky, 2021; Oliveira; Ladosky; Rombaldi, 2019). Inicialmente cogitada para o Complexo
Industrial Portuário de Suape, a planta acabou sendo redirecionada em função de uma
combinação de fatores estratégicos. Entre eles, os baixos custos da força de trabalho, a doação
de uma extensa área pelo grupo empresarial João Santos e um amplo pacote de incentivos
fiscais concedidos pelo poder público. O roteiro foi parecido com o de decisões estratégicas
anteriores (Arbix; Zilbovicius, 2002), como o caso da formação do polo automotivo do Sul
Fluminense (Dulci, 2018; 2021; Ramalho, 2005; Ramalho, 2015); da Ford em Camaçari (BA)
(Dulci, 2018; Dulci, 2021); e da General Motors em Gravataí (RS) (Garcia, 2010).
Desenvolvida a partir da economia açucareira e, posteriormente, de atividades agrícolas
diversas, Goiana caracteriza-se por ser historicamente marcada por desigualdades sociais, baixa
urbanização e limitada oferta de empregos formais. O município localiza-se na Mata Norte de
Pernambuco, em posição equidistante entre as capitais Recife (PE) e João Pessoa (PB), e se
destaca pelo cultivo de cana e pela indústria cimenteira, cabendo mencionar a Cimentos Nassau.
Goiana também desempenha papel relevante como um centro regional de comércio, setor de
onde provém parte da força de trabalho posteriormente absorvida pelo polo automotivo. No
passado, o município também abrigou uma pequena atividade têxtil, semelhante à da vizinha
Paulista (PE), incluindo a presença de vilas operárias (Leite Lopes, 1978).
Goiana pode ser caracterizada como um greenfield, em função de seus potenciais custos
mais baixos e de condições institucionais consideradas mais favoráveis à implantação produtiva
(Oliveira; Ladosky; Rombaldi, 2019; Bubbico, 2021; Monteiro; Lima; Afonso, 2024). A
implantação de uma unidade automotiva em um território sem tradição no setor foi condição
frequentemente destacada pela própria gestão empresarial como um fator que possibilitou maior
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liberdade na concepção organizacional, logística e produtiva da fábrica. Em 2023, o Plant
Manager da unidade, Jasson Azevedo, destacou à imprensa que as características greenfield
são diferenciais da planta. Segundo ele, a ausência de vínculos prévios da região com o setor
automotivo possibilitou “pensar uma fábrica mais pura, otimizada, com ganhos logísticos e
operacionais” (Souza, 2023). Essa leitura também se alinha à ideia de que a empresa pôde
desenvolver, naquele território, seu próprio know-how e moldar a força de trabalho de acordo
com os padrões produtivos desejados, sem a influência de práticas industriais e institucionais
previamente estabelecidas.
Um investimento dessa magnitude em um território historicamente marcado por baixos
indicadores socioeconômicos tende a produzir impactos relevantes sobre o emprego, a renda e
as trajetórias ocupacionais locais. Estudos sobre o caso indicam efeitos positivos associados à
ampliação do emprego formal, ao aumento da qualificação profissional e à expansão da
escolarização (Jatobá, 2025). Esses processos ainda aparecem associados a outras
externalidades positivas, como a atração de novos investimentos, a formação de clusters
industriais e melhorias na infraestrutura urbana e logística.
Do ponto de vista produtivo, a unidade instalada em Goiana apresenta características
que ajudam a qualificar esse processo. A unidade é uma fabricante de automóveis, isto é,
desenvolve todas as etapas do processo produtivo, indo da estamparia à montagem, passando
por funilaria e pintura. Com exceção da montagem, as outras três etapas são altamente
automatizadas e funcionam a partir da operação de cerca de 600 robôs, que ajudam a fazer dessa
a planta mais moderna da multinacional no mundo. Nela são produzidos modelos premium, isto
é, produtos de maior valor agregado, como os Jeeps Renegade, Compass e Commander, além
da FIAT Toro e da RAM Rampage. A linha de produção opera em três turnos, 24 horas por dia,
de segunda à sexta-feira, com uma produção diária de mil veículos. Além disso, uma nova linha
está em desenvolvimento para produzir veículos elétricos da chinesa Leapmotors, recentemente
adquirida pela Stellantis.
Para além das características da linha de produção, o empreendimento de Goiana foi
concebido desde sua origem como um complexo produtivo integrado, estruturado em torno de
um modelo de supplier park que articula a montadora e seus principais fornecedores no entorno
imediato da planta. A viabilidade do projeto contou com significativo apoio do poder público,
incluindo linhas de crédito subsidiadas de instituições financeiras estatais, como o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo dados recentes, o Polo
Automotivo Stellantis de Goiana conta com cerca de 38 fornecedores locais, dos quais
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
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aproximadamente 20 estão instalados no próprio supplier park, enquanto os demais se
distribuem pelos municípios vizinhos. Esse número representa um crescimento significativo em
relação ao início das operações, quando o polo contava com cerca de 22 fornecedores (Belfort,
2025). Todos esses fatores contribuem para conformar um ambiente industrial específico e uma
ação sindical passível de análise (Ladosky, 2018; Ladosky, 2021; Bubbico, 2021; Oliveira;
Ladosky; Rombaldi, 2019).
Metodologia
A pesquisa que subsidia este artigo integra um projeto mais amplo, de caráter
qualitativo, voltado à análise dos efeitos territoriais da indústria automotiva em Goiana (PE), a
partir da implantação do Polo Automotivo Stellantis. Esse esforço mais abrangente envolveu
duas etapas de trabalho de campo realizadas no município: a primeira, em agosto de 2022, e a
segunda, em fevereiro de 2026
4
. Nesse sentido, a abordagem que vem sendo adotada se orienta
epistemologicamente na perspectiva de Ragin (1987), tratando o caso de Goiana como uma
configuração complexa, que envolve a interação entre múltiplos atores e dimensões
incluindo empresas, trabalhadores, Estado e organizações sindicais. A pesquisa mais ampla tem
contemplado essa diversidade de perspectivas.
Para os fins deste artigo, entretanto, adotou-se um recorte analítico específico, centrado
nas percepções e estratégias dos atores sindicais. O objetivo foi compreender como o
sindicalismo local interpreta e atua diante das transformações recentes nas relações de trabalho
e na organização produtiva do território.
Na etapa de 2022, foram realizadas entrevistas semiestruturadas de caráter exploratório,
voltadas ao mapeamento de atores estratégicos e à contextualização da chegada e consolidação
da Stellantis na região. Já a etapa de 2026 permitiu retomar parte desses atores e aprofundar a
análise das continuidades e mudanças nas percepções e estratégias sindicais ao longo do
período. Nessa ocasião, quatro dirigentes sindicais (dois homens e duas mulheres) foram
entrevistados e houve o registro de um seminário organizado pela Confederação Nacional dos
Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na sede do SINDMETAL-PE, no
Recife.
O Quadro 1, a seguir, resume as principais dimensões investigadas:
4
Ao todo, os trabalhos de campo envolveram observação direta de espaços institucionais (como o Polo Automotivo
de Goiana, instituições de ensino e de formação profissional, entre outros) e entrevistas com dirigentes sindicais e
patronais, técnicos da prefeitura, ex-secretários e lideranças de movimentos sociais.
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Quadro 1 Desenho de pesquisa
Variáveis de interesse
Técnicas
Fonte: Elaboração dos autores.
A análise das entrevistas foi conduzida por meio de codificação temática, buscando
identificar padrões recorrentes nas narrativas dos entrevistados (Ragin, 1987). Inicialmente,
procedeu-se à leitura integral do material empírico transcrito, seguida da atribuição de códigos
a trechos relevantes das entrevistas (Bardin, 2011). Esses códigos foram construídos a partir de
temas que emergiram das próprias falas dos entrevistados, adotando a codificação aberta de
Bryman (2012), bem como dimensões analíticas relacionadas ao referencial teórico da pesquisa
(Ragin, 1987). Posteriormente, os códigos foram organizados em categorias e subcategorias
analíticas, permitindo sistematizar os diferentes eixos temáticos presentes no material empírico:
Quadro 2 Categorias temáticas e codificação
Categorias
Códigos utilizados
Relações de trabalho e
conflito sindical
ANTISSIN: Práticas antissindicais (uso de polícia, pressão e monitoramento).
SUBSEDE: Gestão da presença física do sindicato em Goiana vs. Recife.
NEG_COLET: Processos de negociação de acordos (ACT) e convenções (CCT).
Saúde e Segurança do
SAU_MENT: Relatos de doenças mentais, surtos e pressão psicológica.
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Categorias
Códigos utilizados
Trabalhador
SUB_CAT: Subnotificação de acidentes e resistência à emissão de CAT.
ERGON: Lesões por esforço repetitivo e problemas ergonômicos.
ACID_FAT: Memória e registros de acidentes fatais no polo.
Economia e Política
Industrial
DISP_REG: Disparidade salarial e de benefícios entre as plantas de Goiana, Betim e
Porto Real.
ROT_ESTR: Rotatividade (turnover) como ferramenta de gestão ou política.
INC_GOV: Relação com governos e uso de incentivos fiscais.
Perspectivas futuras
AUTO_IA: Impacto da automação nos postos de trabalho.
CARRO_ELET: Transição para veículos elétricos (projeto Leapmotor).
REINV_SIND: Reinvenção da Imagem e atração de jovens trabalhadores.
Fonte: Elaboração dos autores.
Resultados e discussão
A trajetória do SINMETAL-PE
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material
Elétrico de Pernambuco (SINDMETAL-PE), fundado em 1935 e com sede em Recife,
representa cerca de 40 mil trabalhadores da indústria metalúrgica em diferentes regiões do
estado. De maneira geral, a base do SINDMETAL-PE é composta por empresas do ramo
automotivo, siderúrgico, tecnológico e da energia eólica. Historicamente, sua atuação
estruturou-se em torno da negociação coletiva de caráter mais abrangente, por meio da
celebração de Convenções Coletivas de Trabalho com o sindicato patronal, cobrindo um
conjunto diversificado de empresas da base.
O Polo Automotivo Stellantis de Goiana, contudo, redefiniu parte do escopo de atuação
do sindicato, incorporando trabalhadores vinculados à indústria automotiva e às empresas
fornecedoras instaladas no complexo industrial e região. Nesse novo contexto, observa-se uma
diferenciação interna das formas de negociação coletiva, que passaram a se organizar em
múltiplas frentes a partir de Acordos Coletivos de Trabalho celebrados diretamente com as
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empresas do polo. No âmbito dessa frente, o sindicato estima representar cerca de 14 mil
trabalhadores ligados à cadeia automotiva da Stellantis.
Quadro 3 Representação dos trabalhadores da Stellantis e fornecedoras
Sindicato
Profissional
Endereço
Central
Instrumento
Coletivo
Número de
representados
Sindicato dos
Trabalhadores
Metalúrgicos de
Pernambuco
(SINDMETAL
PE).
CNPJ:
11.010.501/0001-
75
Rua Almeida
Cunha, 364 Santo
Amaro, Recife -PE
Central Única dos
Trabalhadores
(CUT)
Acordo Coletivo de
Trabalho (ACT)
Stellantis: ≈
4.000 + Setor
auto.: ≈ 14.700
Fonte: Elaboração dos autores.
A constituição da representação sindical no interior da planta ocorreu de forma gradual
e esteve fortemente associada às trajetórias individuais de alguns trabalhadores que passaram a
atuar como lideranças no local de trabalho. Nas entrevistas realizadas, os relatos demonstram
percursos distintos de aproximação com a atividade sindical. Em um dos casos, essa
aproximação esteve relacionada a uma experiência sindical prévia, que levou o trabalhador a
buscar inicialmente uma posição na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio
(CIPA). Segundo o Entrevistado A
5
, a atuação na CIPA representou um primeiro espaço
institucional de participação na empresa, que permitiu aproximar-se da atuação sindical:
me candidatei à CIPA, fui o segundo mais votado naquela época. [...] Eu
sabia que ia se aproximar a eleição do sindicato e ficava pensando: ‘Vou ou
não vou?’, sabendo que ali precisava de muitas coisas para o sindicato ajudar
os trabalhadores, porque muito trabalhador é leigo, não tem formação, às
vezes é o primeiro emprego de muitos ali (Entrevistado A, SINDMETAL-PE,
2022).
em outro caso, o engajamento na representação coletiva emergiu a partir de
experiências de conflito no ambiente de trabalho. Após ingressar na planta como técnico em
mecânica e assumir funções de liderança na linha de produção, o Entrevistado B descreve um
contexto de deterioração das relações com a gerência, incluindo episódios de perseguição e
5
Os nomes dos entrevistados foram suprimidos com o objetivo de preservar seu anonimato, sendo identificados
no texto apenas por sua posição ou vínculo institucional.
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
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frustração quanto às promessas de promoção. Segundo ele, esse processo foi decisivo para sua
aproximação com a representação dos trabalhadores: “Pra ser sincero, eu era um babão da
empresa até ela me dar um chute na bunda. [...] Foi quando comecei a procurar o sindicato e
conversar com o H. Ele me mostrou o que de fato era o sindicato” (Entrevistado B,
SINDMETAL-PE, 2026).
Relações de trabalho e conflito sindical
O relato também menciona que, no ambiente da empresa, a imagem do sindicato era
inicialmente mediada pelo próprio discurso gerencial. Como afirma o entrevistado, quando
representantes sindicais distribuíam materiais informativos na porta da fábrica, a orientação da
supervisão era observar quais trabalhadores aceitavam os panfletos: “dependendo da pressão
que eles (gerentes da empresa) colocam, ficam até com medo de pegar um folheto
(SINDMETAL-PE, 2022). Esse tipo de prática é percebido pelos dirigentes como uma
constante antissindical por parte da empresa, e que aparece nas entrevistas tanto em 2022 quanto
em 2026. Para eles, um dos seus efeitos mais visíveis seria o baixo nível de sindicalização entre
os trabalhadores do polo automotivo, que provavelmente não ultrapassa 5% da base de
trabalhadores. Segundo um dos dirigentes, “a empresa é extremamente antissindical. Se você
se filiar hoje, corre o risco de ser demitido” (SINDMETAL-PE, 2022). Segundo relatos, a maior
parte dos trabalhadores sindicalizados seriam justamente aqueles que possuem algum tipo de
estabilidade no emprego, como membros da CIPA ou trabalhadores afastados por questões de
saúde.
Na entrevista de 2022, eles descreveram diferentes mecanismos que, na sua avaliação,
contribuem para restringir a atuação sindical no interior do complexo industrial. Cabe destacar
as dificuldades do sindicato de acessar os trabalhadores no espaço da fábrica e a necessidade
de comunicação à empresa a respeito da realização de atividades de divulgação: “a gente tem
que mandar um comunicado com 48h e informar o que vai divulgar” (SINDMETAL-PE, 2022).
Outra prática é o acionamento de forças policiais durante mobilizações sindicais realizadas nas
imediações da planta. Como relata um dos dirigentes, mesmo quando as atividades são
informadas à empresa, a presença policial pode se dar durante as ações de distribuição de
materiais informativos na porta da fábrica. Segundo o entrevistado, essa é “a orientação da
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própria Jeep
6
para todo o polo. Eles não querem sindicalização lá dentro(SINDMETAL-PE,
2022).
Na entrevista de 2026, os representantes sindicais (dois deles também entrevistados em
2022) afirmaram que esse conjunto de práticas não se restringe ao contexto de Goiana, sendo
uma orientação da empresa em diferentes países onde mantém unidades produtivas. Essa leitura
dialoga com Bubbico (2021), que identifica, no caso da unidade da FIAT em Melfi (Itália),
também um greenfield, a existência de práticas que visam limitar a atuação sindical. No caso
pernambucano, contudo, a atuação no interior da planta mostra-se mais restrita, com limitações
à realização de assembleias internas. Esses elementos sugerem que a ação sindical tende a se
configurar menos como uma presença institucionalizada no espaço produtivo e mais como uma
atuação mediada por estratégias indiretas, externas à fábrica. Nas entrevistas realizadas nesse
período, contudo, não foram mencionadas evidências diretas da continuidade de práticas mais
contundentes anteriormente relatadas, como o controle da comunicação sindical ou o
acionamento do aparato estatal.
Os relatos mais recentes concentram-se em duas dimensões principais: a persistência de
um clima de receio entre trabalhadores em relação à interação com representantes sindicais e a
percepção, por parte dos dirigentes, de que a empresa estimula práticas de oposição ao
sindicato. Essa oposição se expressa, sobretudo, na recusa ao desconto negocial, previsto nos
Acordos Coletivos de Trabalho. Trata-se de uma contribuição destinada ao financiamento das
atividades sindicais, como formação profissional da categoria e investimentos em
infraestrutura. Segundo um dos dirigentes:
Depois da campanha salarial, a gente abre dez dias para oposição. o
trabalhador tem a oportunidade de fazer oposição ou não. Hoje uma
quantidade considerável de trabalhadores que saem de Goiana para fazer
oposição no sindicato, no Recife. [...] algo entre [...] mais ou menos 3.000 a
3.500 trabalhadores. [...] Se a gente deixasse isso em Goiana, ia duplicar ou
triplicar. Por causa disso, a gente retirou a subsede de Goiana. Hoje não existe
nenhuma assistência sindical lá. Toda assistência médica, jurídica
permanece no sindicato, no Recife, para sócios e não-sócios. O nosso intuito,
obviamente, é que quanto menos trabalhadores fizerem oposição, melhor.
Porque se trata de uma empresa totalmente antissindical. Ela manda os
trabalhadores saírem durante o horário de trabalho para ir ao sindicato fazer
oposição. Qual era o nosso medo da subsede? Foi justamente o que começou
a acontecer. A empresa chegava a fornecer carro para os trabalhadores irem
até lá. Como Goiana é perto, o trabalhador saía, fazia a oposição e voltava
(SINDMETAL-PE, 2026).
6
A planta foi concebida inicialmente para a produção de veículos da marca Jeep, o que faz com que a unidade
produtiva seja frequentemente referida simplesmente como “Jeep”.
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A posição relatada contrasta com os depoimentos de 2022, nos quais os representantes
defendiam a reabertura de uma subsede em Goiana como forma de ampliar a presença sindical
no território. À época, o fechamento era atribuído sobretudo aos efeitos da Reforma Trabalhista
e à redução da demanda por atendimentos presenciais após o fim das homologações realizadas
pelo sindicato. As entrevistas mais recentes indicam, entretanto, que a permanência das
atividades sindicais no Recife passou a ser incorporada como estratégia adaptativa para lidar
com as manifestações de oposição ao desconto negocial. Essa dinâmica está articulada às
formas de organização do sindicato, que podem variar ao longo do tempo. Ela reflete os
tensionamentos entre diferentes dimensões da ação sindical como a necessidade de garantir
recursos financeiros, manter a representação da base e preservar sua capacidade de atuação.
Isso ocorre em um equilíbrio instável que Hyman (2001) denomina “geometria do
sindicalismo”.
7
No âmbito das negociações coletivas, essa reconfiguração também se expressa nas
formas de atuação do SINDMETAL-PE junto ao polo automotivo. Como mencionado
anteriormente, o sindicato tem negociado com a Stellantis e seus fornecedores a partir de
Acordos Coletivos de Trabalho, celebrados diretamente com as empresas, diferentemente do
padrão tradicional da entidade, baseado em Convenções Coletivas firmadas com o sindicato
patronal. Os dirigentes sindicais destacam que essas negociações seguem a lógica da data-base
estadual da categoria. Inicialmente, a convenção coletiva que estabelece os parâmetros gerais
para o setor metalúrgico no estado é negociada em setembro. A partir dessa referência,
desenvolve-se a campanha salarial do setor automotivo, que envolve tanto a Stellantis quanto
as empresas fornecedoras do complexo industrial, como explica um dos representantes
sindicais:
Primeiro negocia a convenção. Depois a Jeep negocia o acordo específico
dela. (O acordo) depende muito da negociação. Em termos de reajuste salarial,
depende da inflação e do que a gente consegue negociar. Às vezes, a categoria
consegue ganho real. Em outras negociações, a gente opta por melhorar outras
coisas. Por exemplo, na última negociação, a discussão ficou entre ganho real
no salário ou melhoria na PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Houve
consenso entre as partes e a gente acabou melhorando a PLR para os
trabalhadores da Jeep e do supplier park, mas sem ganho real naquele
momento. Mas uma coisa importante: nunca houve perda salarial
(SINDMETAL-PE, 2026).
7
Hyman (2001) entende o sindicalismo como um equilíbrio instável entre mercado, classe e sociedade, cujas
combinações produzem diferentes estratégias ao longo do tempo.
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Embora essas negociações façam parte de um mesmo processo de campanha salarial,
elas resultam em acordos coletivos distintos e com datas-base específicas: no caso da Stellantis,
a data-base é novembro, enquanto os acordos com as empresas fornecedoras, em geral,
apresentam datas-base em dezembro. Na avaliação sindical, essa diferenciação é utilizada de
forma estratégica pela empresa, tanto para fragmentar a mobilização coletiva quanto para obter
vantagens nas negociações:
Por exemplo, se vocês acompanharem a inflação em novembro, geralmente
ela é um pouco maior do que em dezembro; a tendência é dezembro… se em
novembro não está tão boa a situação, em dezembro a tendência é estar pior.
Aí eles já usam dessa forma também, de o reajuste de novembro ser um e de
dezembro ser outro (SINDMETAL-PE, 2022).
Além disso, a perspectiva sindical em 2026 aponta para a centralidade da montadora na
definição dos parâmetros negociados no interior do polo, uma vez que os acordos firmados com
a Stellantis tendem a orientar aqueles estabelecidos com as empresas sistemistas. Como
sintetiza um dos dirigentes:
[...] uma coisa a gente negocia só com a Jeep. A gente negocia com a Jeep e a
Jeep passa para todo mundo. O resto, todo mundo segue o mesmo padrão
[sobre as sistemistas]. [...] Ela é quem define o valor que todo mundo vai
pagar. Na mesa a gente trata diretamente com ela (SINDMETAL-PE, 2026).
No interior desse arranjo, ainda que a montadora concentre poder na definição dos
padrões negociados, os relatos sinalizam uma ampliação progressiva da agência e da presença
sindical. Se em 2022, havia apenas dois representantes diretamente vinculados à base da fábrica,
nos anos seguintes observa-se a expansão desse quadro, com a incorporação de delegados nas
empresas fornecedoras e o aumento do número de diretores eleitos com atuação no polo. Em
2026, a estrutura passou a contar com 26 representantes, entre diretores e delegados sindicais.
Esse movimento dialoga com a perspectiva de Ramalho (2015), a partir de sua análise sobre o
Sul Fluminense. Ele sugere que a presença da indústria em contextos greenfield, mesmo
marcada por assimetrias de poder, pode estimular a recomposição e a articulação de forças
coletivas no território.
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
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Saúde e Segurança do Trabalhador
Um desafio recorrente nas entrevistas realizadas refere-se às questões de saúde e
segurança no trabalho, especialmente no que diz respeito ao adoecimento psíquico e às
condições ergonômicas da produção. Os relatos de 2022 indicam um aumento expressivo de
casos de sofrimento mental, associado tanto às intensas mudanças organizacionais quanto às
incertezas em relação à permanência no emprego. Como destacado por um dirigente sindical,
o volume de adoecimento teria “crescido quatro vezes”, sobretudo entre trabalhadores com
maior tempo de empresa, que enfrentam dificuldades para se adaptar ao ritmo e às
transformações no processo produtivo. Segundo o sindicalista:
[...] Na empresa, infelizmente, é isso: você trabalhou na Jeep e foi desligado,
você não consegue entrar em outra empresa. Muito raramente você consegue.
É como se fosse um bloqueio desse sistema todo. Para poder entrar, ninguém
contrata; se trabalhou no polo, não chama para outra empresa (SINDMETAL-
PE, 2022).
O quadro se agrava quando se considera a pressão psicológica associada a esse tipo de
experiência narrada pelos dirigentes. Trata-se de um medo difuso do desemprego e da
possibilidade de “bloqueio” no mercado de trabalho local, que tem potencial de operar como
mecanismo disciplinar concomitante ao desgaste psíquico dos trabalhadores. Esses elementos
aparecem nas entrevistas, e são frequentemente associados a episódios de sofrimento mais
agudo como surtos, que estão vinculados tanto à insegurança ocupacional quanto ao ritmo
intenso de trabalho nas linhas de produção. O ritmo de produção, imposto a partir do World
Class Manufacturing (WCM)
8
, contribui para a internalização de uma lógica de
comprometimento e performance que engaja diretamente os trabalhadores nas metas
empresariais (Ladosky, 2018; Bubbico, 2021). Nesses termos, ainda que não se reduza a
instrumentos específicos, essa dinâmica aproxima-se do que Pina e Stotz (2011) caracterizam
como uma forma de “administração por estresse”. Nela, a pressão por resultados e a insegurança
no emprego atuam de maneira combinada na regulação da força de trabalho.
De acordo com os recentes relatos sindicais, a questão da saúde mental continua
presente, mas o ponto que tem chamado atenção é a discrepância entre o número de
afastamentos por problemas de saúde e a quantidade relativamente baixa de Comunicações de
Acidente de Trabalho (CAT) emitidas pelas empresas. Um dos entrevistados menciona, por
8
O WCM é um sistema global de gestão produtiva da FCA/Stellantis, baseado em metas de eficiência como “zero
defeitos” e “zero desperdício”.
Relações de trabalho e ação sindical em territórios Greenfield: o caso da Stellantis em Goiana (PE)
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exemplo, a abertura de uma ação civil pública pelo Ministério Público do Trabalho após
identificar que a empresa concentrava simultaneamente um número elevado de afastamentos e
um volume reduzido de registros formais de acidentes de trabalho: “Era a maior empresa de
Pernambuco em número de afastamentos, mas ao mesmo tempo a menor em emissão de CATs”
(SINDMETAL-PE, 2026). Nesse caso, mesmo na ausência da comunicação formal por parte
da empresa, em alguns casos, o próprio Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reconhece
o nexo entre o adoecimento e o trabalho ao analisar os pedidos de afastamento. Acidentes fatais,
por sua vez, não são descritos como frequentes na unidade. Mas os relatos também destacam
que, em determinadas situações, a morte do trabalhador ocorre posteriormente no hospital. Isso
pode fazer com que o óbito não seja formalmente registrado como ocorrido no local de trabalho.
Segundo Pina e Stotz (2011), esse conjunto de práticas busca “abafar” a relação entre o
ritmo intenso de trabalho e o adoecimento ou acidente, tentando individualizar o problema de
saúde como algo “biológico” e não “ocupacional”. Embora não haja confirmação de que todos
esses elementos se apliquem ao polo de Goiana, indicadores de segurança podem ser associados
a instrumentos de bonificação, como a PLR. Nesse contexto, a pressão para não registrar
acidentes ou doenças, seja por parte da empresa, seja do próprio grupo de trabalho (visando não
comprometer o bônus financeiro), pode funcionar como um fator adicional de subnotificação.
De todo modo, as doenças mais frequentemente mencionadas nas entrevistas estão
relacionadas a problemas ergonômicos e lesões por esforço repetitivo, sobretudo em regiões do
corpo, como ombro, punho e mãos, associadas às atividades realizadas nas linhas de produção.
Segundo os dirigentes sindicais, trabalhadores que apresentam esse tipo de problema muitas
vezes acabam dispensados pelas empresas. Isso evidencia uma prática recorrente no mercado
de trabalho: tornar trabalhadores com problemas de saúde, baixo desempenho ou que retornam
de afastamentos pelo INSS “alvos preferenciais” de demissões (Pina; Stotz, 2010). Nessas
situações, o sindicato relata recorrer a ações judiciais para contestar demissões consideradas
irregulares e buscar a reintegração do trabalhador ao emprego. Informalmente, os
representantes sindicais mencionaram que essas dificuldades acabam por conferir ao sindicato
uma legitimidade singular em momentos de vulnerabilidade operária, transformando o socorro
direto em uma ferramenta de afirmação perante a base (Ramalho, 2015).
Economia e Política Industrial
Um dos temas recorrentes em ambas as entrevistas é a comparação entre Goiana e outras
plantas do grupo, principalmente com Betim (MG) e, em menor escala, Porto Real (RJ). Em
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
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2022, um dos entrevistados trouxe como exemplo que, enquanto a remuneração média de um
trabalhador de “chão de fábrica” em Goiana girava em torno de R$ 1.470, trabalhadores em
Betim poderiam receber aproximadamente R$ 2.400 em funções equivalentes. Segundo o
SINDMETAL-PE (2022), essa diferença é justificada pela empresa com base na maior
“maturidade” daquela planta. Como sintetiza: “é sempre isso, sempre a mesma coisa. Betim
tem quarenta anos”. Nesse sentido, tanto as percepções sindicais quanto a própria justificativa
empresarial reforçam a interpretação de Goiana como um greenfield, no qual níveis salariais
mais baixos aparecem como um traço relevante na comparação com outras unidades. Essa
racionalidade empresarial, no entanto, não é inédita, mas presente na própria instalação da FIAT
em Betim (MG), na década de 1970, associada, à época, à busca por condições mais favoráveis
de custo do trabalho em relação ao ABC Paulista. O que se observa, contudo, é que esse padrão
se desloca ao longo do tempo, de modo que plantas mais recentes, como Goiana, passam a
ocupar essa posição relativa de menor custo.
Essa dinâmica torna-se mais evidente quando contrastada com o desempenho da
unidade pernambucana, considerada a “galinha dos ovos de ouro” do grupo Stellantis. Embora
seja descrita pelos próprios dirigentes sindicais como uma das plantas mais rentáveis do grupo,
em razão de vantagens logísticas, fiscais e organizacionais, essa performance não se traduz em
convergência dos níveis salariais com outras unidades. Na entrevista de 2026, tal disparidade
permanece como tema central, mas os entrevistados passam a enfatizar também fatores como a
desigualdade regional do mercado de trabalho brasileiro: “não acontece só na Jeep. Em muitas
empresas é assim: [...] você trabalhando no Sul e no Sudeste tende a ter maior salário”
(SINDMETAL-PE, 2026). Ao tomar as diferenças regionais como referência para a definição
dos salários, a expansão produtiva acaba se apoiando nas desigualdades territoriais existentes.
Nesse sentido, a interiorização da indústria não necessariamente reduz distâncias, podendo, em
certos casos, reproduzi-las sob novas bases (Dulci, 2021). Esse processo, no longo prazo,
consolida uma ‘regulação por baixo’, que permite estruturar novas unidades a partir de padrões
distintos daqueles observados em regiões mais consolidadas (Ramalho, 2015).
Ao mesmo tempo, os dados sugerem que essa diferenciação não se sustenta apenas nos
níveis salariais, mas também nas dinâmicas de emprego, cuja rotatividade da força de trabalho
aparece como um elemento relevante na composição desse quadro. Segundo um dos dirigentes,
enquanto em Betim é possível encontrar trabalhadores com até trinta anos de empresa, em
Goiana raramente se encontram empregados com mais de uma década de vínculo, em razão da
rotatividade historicamente elevada. Para os entrevistados, essa situação aparece também como
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parte de uma estratégia de gestão da força de trabalho, com a substituição de trabalhadores mais
antigos (e com salários mais elevados) por novos empregados contratados em patamares
inferiores para funções semelhantes. Como resume um dos dirigentes: “estão demitindo
trabalhadores mais antigos, com salários maiores, e contratando novos com salários menores
para fazer a mesma função” (SINDMETAL-PE, 2026).
Como apontam Pina e Stotz (2011), a rotatividade pode operar justamente como um
mecanismo de contenção da massa salarial, incidindo com mais força sobre os trabalhadores
com maior tempo de empresa. Nesses casos, a substituição por novos empregados, admitidos
com salários mais baixos, tende a alongar o tempo de progressão salarial e a manter esse
diferencial no interior da planta. A questão da rotatividade havia sido mencionada na
entrevista realizada em 2022, quando os dirigentes sindicais sugeriram que esse fenômeno
poderia estar relacionado, ao menos parcialmente, às metas de geração de empregos vinculadas
a programas de incentivos fiscais. Trata-se, contudo, de uma hipótese levantada pelos
entrevistados, cuja verificação exigiria a análise de dados adicionais sobre políticas de
incentivo, níveis de emprego e dinâmicas de contratação e desligamento ao longo do tempo.
Além dessas dinâmicas de contratação e rotatividade, os entrevistados indicam que a
empresa busca estabelecer certos padrões salariais entre as diferentes plantas do grupo,
especialmente no caso de novas funções ou cargos técnicos. Nesse contexto, a circulação de
profissionais qualificados entre unidades produtivas também aparece como parte da estratégia
empresarial na interpretação dos representantes sindicais, particularmente entre engenheiros e
quadros técnicos envolvidos em projetos específicos. Como explica um dos dirigentes, “quando
o profissional é bom, a empresa o faz circular entre as plantas” (SINDMETAL-PE, 2026),
conforme as demandas de cada projeto. Entre os exemplos mencionados, destaca-se o caso de
uma engenheira natural de Olinda. Ela iniciou sua trajetória na planta de Goiana como
especialista de processo. Posteriormente, assumiu cargos de coordenação e gerência e, mais
recentemente, foi transferida para a França para atuar na estrutura global da Stellantis.
Perspectivas futuras
As transformações observadas no Polo Automotivo Stellantis de Goiana também
apontam para um conjunto de oportunidades e desafios futuros associados às mudanças
tecnológicas e às reconfigurações organizacionais no setor automotivo. Em primeiro lugar, o
avanço da automação e da inteligência artificial é colocado como algo preocupante, que “tende
a reduzir postos de trabalho. Se não for substituição direta por robôs, de qualquer forma, a
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necessidade de mão de obra vai ficando mais limitada” (SINDMETAL-PE, 2026). Do ponto de
vista dos atores sindicais, esse movimento é percebido como se já estivesse em curso, ainda que
marcado por incertezas quanto à intensidade e aos desdobramentos concretos no território.
Diferentemente de outras unidades da Stellantis em escala global, que enfrentam processos
recentes de retração produtiva e ajuste de capacidade, o polo de Goiana permanece inserido em
uma trajetória de relativa estabilidade e expansão.
Em paralelo, a introdução da produção de veículos elétricos no polo, associada à
parceria entre a Stellantis e a empresa chinesa Leapmotor, acrescenta novos elementos de
incerteza quanto à configuração futura da cadeia produtiva local. Segundo relatos, a
eletrificação tende a implicar na redução da intensidade do trabalho ao longo da cadeia, uma
vez que a produção de veículos eletrificados requer menos componentes e etapas produtivas.
Como destacado por um dirigente, “a cadeia produtiva do eletrificado usa muito menos mão de
obra. A estimativa é algo como 30% da mão de obra necessária para um carro a combustão”
(SINDMETAL-PE, 2026). Essa diferença torna-se particularmente expressiva quando
comparada à estrutura atual do polo. Enquanto a cadeia produtiva associada aos veículos a
combustão mobiliza cerca de 14 mil trabalhadores, a nova linha dedicada aos veículos
eletrificados deve operar com um contingente significativamente menor, estimado entre 500 e
600 trabalhadores apenas na produção direta. Ainda que se trate, inicialmente, de uma linha
específica e separada, dados apontam para uma potencial reconfiguração da base produtiva e
ocupacional, com implicações diretas para o emprego e para a organização sindical. Ainda
assim, observa-se um movimento de antecipação por parte do sindicato diante deste cenário de
transformações tecnológicas. Nesse contexto, a entidade tem se engajado em iniciativas
voltadas à discussão da transição justa, em articulação com entidades como a ANFAVEA e a
CUT. Isso sinaliza para uma perspectiva de atuação orientada à capacidade de intervir nos
processos de reconfiguração ocupacional em curso.
Desde a entrevista de 2022, os representantes sindicais também têm mencionado
implicitamente a necessidade de reinvenção da imagem do sindicato, especialmente no que se
refere à atração de trabalhadores mais jovens, inseridos em um contexto produtivo marcado por
maior rotatividade, novas tecnologias e expectativas distintas em relação ao trabalho. Como
ressaltado pelos representantes sindicais em 2026, “a gente quer mostrar que o sindicato hoje
não é o mesmo de antes… tem muita gente nova chegando… o sindicato também está
mudando” (SINDMETAL-PE, 2026).
Relações de trabalho e ação sindical em territórios Greenfield: o caso da Stellantis em Goiana (PE)
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Essa renovação se articula também a mudanças na composição social da categoria,
particularmente no que diz respeito à inserção de mulheres no setor automotivo. Embora a
estrutura sindical ainda seja majoritariamente masculina, observa-se a existência de espaços
organizativos voltados à participação feminina, como a secretaria e os coletivos de mulheres do
sindicato. No plano produtivo, também é um desafio ampliar a participação feminina. Embora
atividades como a costura de bancos, realizadas, por exemplo, pela sistemista Lear Corporation,
concentrem um número expressivo de mulheres, essa inserção permanece marcada pela divisão
sexual do trabalho. Nesses casos, determinadas funções tendem a ser associadas a competências
socialmente construídas fora do espaço fabril, como destreza manual e cuidado, o que acaba
por reproduzir, no interior da produção, hierarquias de gênero presentes em outros âmbitos
da vida social (Oliveira, 2021).
Considerações finais
Ao longo dos últimos anos, o Polo Automotivo de Goiana e a atuação do SINDMETAL-
PE vêm sendo objeto de um conjunto relevante de estudos, que analisam desde a implantação
do empreendimento até suas primeiras configurações socioprodutivas (Ladosky, 2018;
Ladosky, 2021; Oliveira; Ladosky; Rombaldi, 2019; Bubbico, 2021; Oliveira, 2021). Sem
desconsiderar esses aportes, que constituem, em grande medida, o ponto de partida desta
análise, o presente artigo buscou contribuir com um panorama da atividade sindical metalúrgica
pernambucana entre 2022 e 2026. O enfoque, neste caso, não foi reconstituir o processo de
implantação, mas observar como determinadas dinâmicas vêm se desdobrando ao longo do
tempo, especialmente no que se refere às estratégias sindicais, às condições de trabalho e às
formas de regulação no interior do polo. O interesse, sobretudo, esteve em compreender a
constituição sindical em um greenfield, considerando o que se tornou e o que tem sido possível
construir, ou tensionar, a partir deste contexto produtivo.
Nesse sentido, tomando como referência a leitura dos atores sindicais, a comparação
entre os dois momentos permite evidenciar tanto continuidades como a persistência de
práticas antissindicais e de mecanismos de controle da força de trabalho quanto mudanças
importantes, a exemplo da ampliação da estrutura de representação sindical, da reconfiguração
de suas estratégias de atuação e das transformações nos padrões de adoecimento e rotatividade.
Mais do que isso, os achados permitem relativizar a ideia de que a expansão recente da indústria
automotiva no Brasil levaria, de forma quase automática, a uma convergência das condições de
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trabalho e da organização coletiva entre territórios. O que se observa, pelo contrário, é um
quadro mais ambíguo, no qual ganhos localizados coexistem com a reprodução, e, em certos
aspectos, a atualização, de desigualdades estruturais. Assim, conclui-se que o SINDMETAL-
PE:
a) tem lidado com elementos que continuam a limitar a atuação sindical dentro do
polo. O baixo nível de sindicalização, associado a um ambiente percebido como
antissindical, ao receio dos trabalhadores em se aproximar da entidade e à
própria dinâmica de oposição ao desconto negocial, aponta para a presença de
mecanismos que dificultam o enraizamento do sindicato no local de trabalho.
b) carece de articulação em meio a estratégias empresariais mais amplas, nas quais
o território aparece como recurso para definir padrões de gestão e de regulação
do trabalho, incluindo a manutenção de disparidades salariais em relação a
outras plantas e o uso da rotatividade como instrumento de controle. A
interiorização da produção, longe de reduzir assimetrias regionais, tende a se
apoiar nelas como recurso competitivo, consolidando formas de regulação do
trabalho que operam a partir de padrões locais mais baixos (Dulci, 2021;
Ramalho, 2015).
c) mobiliza novas estratégias, como a concentração das atividades sindicais em
Recife, que representa uma retração territorial de caráter defensivo frente às
estratégias empresariais de estímulo à oposição.
d) vem se fortalecendo internamente, com a ampliação do número de
representantes no polo (de 2, em 2022, para 26, em 2026), indicando maior
capilaridade na base.
e) tem buscado diversificar seus repertórios de ação, incluindo a judicialização e a
ampliação da atuação nas empresas fornecedoras, estratégias em
desenvolvimento cujo alcance merece acompanhamento continuado.
f) enfrenta, segundo relato de seus dirigentes, situações de sofrimento psíquico,
questões ergonômicas, desgaste físico e indícios de subnotificação de
adoecimentos e acidentes um quadro que, embora careça de confirmação por
dados independentes, merece atenção analítica.
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Em suma, os achados dialogam com a perspectiva observada por Ramalho (2015),
segundo a qual os investimentos produtivos não produzem apenas efeitos econômicos, mas
também engendram dinâmicas socioprodutivas capazes de reconfigurar relações de poder,
estimular formas de organização coletiva e dar origem a novas institucionalidades no território.
No caso de Goiana, isso se expressa tanto nos limites impostos à ação sindical quanto nas
possibilidades, ainda em construção, de sua rearticulação. Cabe reconhecer, contudo, que o
recorte adotado, centrado nas percepções dos atores sindicais, implica limitações analíticas. A
ausência de dados sistemáticos sobre emprego, acidentes e saúde do trabalhador, assim como
das perspectivas da empresa e dos trabalhadores não-sindicalizados, restringe generalizações
mais amplas. Essas lacunas indicam possibilidades de aprofundamento futuro.
Por fim, longe de esgotar a análise, os resultados aqui apresentados apontam para uma
agenda de pesquisa ainda aberta. A continuidade das transformações no setor automotivo
especialmente com a transição para veículos elétricos , os efeitos de longo prazo das
dinâmicas de rotatividade sobre a constituição de uma classe trabalhadora local, as trajetórias
ocupacionais no interior das redes globais de produção, bem como as questões de gênero e
saúde do trabalhador, colocam novos desafios analíticos. Nesse sentido, o caso de Goiana segue
como um terreno privilegiado para compreender os desdobramentos da indústria automotiva no
Brasil, sobretudo os modos pelos quais desenvolvimento, trabalho e ação coletiva se articulam
em territórios produtivos greenfield.
Raphael Jonathas da Costa LIMA e Maria Carolina BARCELLOS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 0 1 8 2 6
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : A gr a d e ci m e nt os à F u n d a ç ã o C arl os C h a g as Fil h o d e A m p ar o à
P es q uis a d o Est a d o d o Ri o d e J a n eir o ( F A P E RJ), a o C o ns el h o N a ci o n al d e
D es e n v ol vi m e nt o Ci e ntífi c o e T e c n ol ó gi c o ( C N P q), à C o or d e n a ç ã o d e A p erf ei ç o a m e nt o d e
P ess o al d e E nsi n o S u p eri or ( C A P E S) e a os c ol e g as Cristi a n o M o nt eir o ( P P G S/ U F F),
F er n a n d a C a v al c a nt e ( P P G S/ U F F) e L u c as Af o ns o ( P P G S/ U F F), q u e p arti ci p ar a m d a
p es q uis a q u e r es ult o u n est e arti g o.
Fi n a n ci a m e nt o : N ã o h o u v e fi n a n ci a m e nt o.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h o u v e c o nflit os d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : N ã o pr e cis o u .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : N ã o .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : A m b os os a ut or es s ã o r es p o ns á v eis p el o arti g o .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21018 1
LABOR RELATIONS AND UNION ACTION IN GREENFIELD TERRITORIES:
THE CASE OF STELLANTIS IN GOIANA (PE)
1
RELAÇÕES DE TRABALHO E AÇÃO SINDICAL EM TERRITÓRIOS GREENFIELD:
O CASO DA STELLANTIS EM GOIANA (PE)
RELACIONES LABORALES Y ACCIÓN SINDICAL EN TERRITORIOS
GREENFIELD: EL CASO DE STELLANTIS EN GOIANA (PE)
Raphael Jonathas da Costa LIMA
2
e-mail: raph[email protected]
Maria Carolina BARCELLOS
3
e-mail: mariab[email protected]
How to reference this paper:
LIMA, Raphael Jonathas da Costa; BARCELLOS, Maria Carolina.
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case
of Stellantis in Goiana (PE). Estudos de Sociologia, Araraquara, v.
31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
10.52780/res.v31iesp.1.21018.
| Submitted: 20/03/2026
| Revisions required: 15/04/2026
| Approved: 03/05/2026
| Published: 27/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Maria Chaves Jardim
1
Thanks to the Carlos Chagas Filho Foundation for Research Support of the State of Rio de Janeiro (FAPERJ),
the National Council for Scientific and Technological Development (CNPq), the Coordination for the
Improvement of Higher Education Personnel (CAPES), and colleagues Cristiano Monteiro (PPGS/UFF), Fernanda
Cavalcante (PPGS/UFF), and Lucas Afonso (PPGS/UFF), who participated in the research that resulted in this
article.
2
Fluminense Federal University (UFF), Volta Redonda Rio de Janeiro (RJ) Brazil. Ph.D. in Sociology from
the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ). Associate Professor in the Multidisciplinary Department of Volta
Redonda (VMD), the Graduate Program in Administration (PPGA), and the Graduate Program in Sociology
(PPGS) at Fluminense Federal University (UFF). Associate Professor, VMD, PPGA, and PPGS.
3
Fluminense Federal University (UFF), Niterói Rio de Janeiro (RJ) Brazil. Ph.D. candidate in Sociology in
the Graduate Program in Sociology (PPGS) at Fluminense Federal University (UFF). She was a Visiting
Researcher at the Università degli Studi di Salerno (UNISA), Italy. She holds an M.A. in Sociology and a
Bachelors degree in Public Administration from UFF. Researcher with the Brazilian Research in Auto Industry
(BRAIN).
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case of Stellantis in Goiana (PE)
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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ABSTRACT: The article investigates how union action is constituted in a greenfield
productive context, taking as a case study the performance of the Union of Workers in the
Metallurgical, Mechanical, and Electrical Material Industries of Pernambuco (SINDMETAL-
PE) at the Stellantis plant in Goiana (PE). Based on qualitative research utilizing direct
observation and interviews conducted in 2022 and 2026, the study analyzes how the union
interprets and responds to transformations in labor relations and the productive organization of
the hub. The results reveal an ambiguous scenario, in which anti-union practices, high turnover,
and wage inequalities persist, while simultaneously showing processes of adaptation and the
strengthening of trade union representation. It is argued that although productive expansion
relies on territorial inequalities, it also engenders socio-productive dynamics that reconfigure
collective action and labor institutions in recently established territories.
KEYWORDS: Regional inequalities. Automotive industry. Inovar-Auto Program. Trade
union.
RESUMO: O artigo investiga como a ação sindical se constitui em um contexto produtivo
greenfield, tomando como estudo de caso a atuação do Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco (SINDMETAL-PE)
na planta da Stellantis em Goiana (PE). A partir de pesquisa qualitativa baseada em
observação direta e entrevistas realizadas em 2022 e 2026, analisa-se como o sindicato
interpreta e responde às transformações nas relações de trabalho e na organização produtiva
do polo. Os resultados evidenciam um quadro ambíguo, no qual persistem práticas
antissindicais, rotatividade elevada e desigualdades salariais, ao mesmo tempo em que se
observam processos de adaptação e fortalecimento da representação sindical. Argumenta-se
que, embora a expansão produtiva se apoie em desigualdades territoriais, ela também
engendra dinâmicas socioprodutivas que reconfiguram a ação coletiva e as institucionalidades
do trabalho em territórios de implantação recente.
PALAVRAS-CHAVE: Desigualdades regionais. Indústria automotiva. Programa Inovar-
Auto. Sindicato.
RESUMEN: El artículo investiga cómo se constituye la acción sindical en un contexto
productivo greenfield, tomando como estudio de caso la actuación del Sindicato de
Trabajadores en las Industrias Metalúrgicas, Mecánicas y de Material Eléctrico de
Pernambuco (SINDMETAL-PE) en la planta de Stellantis en Goiana (PE). A partir de una
investigación cualitativa basada en la observación directa y entrevistas realizadas en 2022 y
2026, se analiza cómo el sindicato interpreta y responde a las transformaciones en las
relaciones laborales y en la organización productiva del polo. Los resultados evidencian un
panorama ambiguo, en el cual persisten prácticas antisindicales, una elevada rotación y
desigualdades salariales, al mismo tiempo que se observan procesos de adaptación y
fortalecimiento de la representación sindical. Se argumenta que, si bien la expansión
productiva se apoya en desigualdades territoriales, también engendra dinámicas
socioproductivas que reconfiguran la acción colectiva y las institucionalidades del trabajo en
territorios de implantación reciente.
PALABRAS CLAVE: Desigualdades regionales. Industria automotriz. Programa Inovar-
Auto. Sindicato.
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introduction
For decades, the trajectory of Brazilian automotive production was marked by strong
concentration in the so-called industrial belt of the ABC Paulista. A turning point in this pattern
occurred in 1976, with the installation of FIATs first plant in Betim (MG), considered a
pioneering strategy of territorial deconcentration in this industry. In the 1990s, this trend
expanded with the Novo Regime Automotivo [New Automotive Regime] (NRA), in 1994. As
Cardoso (2003) observes, the program drove the technological restructuring of the sector and
encouraged the respatialization of Original Equipment Manufacturers (OEMs). They began
directing new investments to regions outside the ABC Paulista, motivated by the offer of tax
incentives by states with no tradition in automotive production.
Among the projects from this period are the Volkswagen Caminhões e Ônibus
[Volkswagen Trucks and Buses] plant in Resende (RJ), inaugurated in 1996 under the
innovative modular consortium model; the Renault complex in São José dos Pinhais (PR),
created in 1998, followed by the installation of Audi-Volkswagen in the same municipality in
1999; the Mitsubishi unit in Catalão (GO); and the Mercedes-Benz plant in Juiz de Fora (MG).
In the early 2000s, General Motors put its unit in Gravataí (RS) into operation, while new
ventures expanded the sectors presence in different regions of the country, such as Iveco in
Sete Lagoas (MG), PSA Peugeot-Citroën in Porto Real (RJ), and Ford in Camaçari (BA),
inaugurated between 2000 and 2001. The creation of new productive spaces, interpreted
through the notion of greenfields (Martin; Veiga, 2002; Dulci, 2018), is, in fact, a trend
observed globally since the 1980s, when corporations began moving from traditional industrial
regions (brownfields) to locations with no tradition in automotive manufacturing and weak
union articulation. One example of this was the relocation of Japanese automakers to the
southern United States (Dicken, 2010).
Beginning in 2011, with the Programa Inovar-Auto [Inovar-Auto Program], a new
investment cycle began. This resulted in the arrival of a new set of automakers in Brazil, such
as Nissan, Jaguar Land Rover, and Jeep, which settled in the municipality of Goiana, in the
state of Pernambuco. In 2021, FIAT Chrysler Automobiles (FCA), its owner, merged with
Grupo PSA [PSA Group]owner of the Peugeot and Citroën brandsgiving rise to Grupo
Stellantis [Stellantis Group]. Currently, Stellantis brings together 14 European and North
American brands, such as FIAT, Jeep, Peugeot, Citroën, and Ram, ranking among the worlds
largest automotive multinationals. In Brazil, the company holds a prominent market position,
having reached a 29.4% share of sales in 2024. Among the most successful models in the
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case of Stellantis in Goiana (PE)
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country are the FIAT Strada pickup, the best-selling vehicle in the national market, and the Jeep
Compass, leader in the mid-size SUV segment (Stellantis, 2025).
From the standpoint of production, the multinational operates through three major hubs
in Brazil: Betim (Minas Gerais), Porto Real (Rio de Janeiro), and Goiana (Pernambuco). Betim
dates back to FIATs creation, in the 1970s, of a strong industrial cluster composed of numerous
suppliers, as well as small and medium-sized companies that emerged in its surroundings over
the years (Humphrey; Schmitz, 2002). The Porto Real hub was inaugurated in 2001 by PSA
Peugeot-Citroën and is still organized around the idea of a technopole with suppliers nearby.
The Goiana unit, in turn, inaugurated in 2015, was conceived as an integrated industrial project
and currently includes a supplier park installed around it. It is Stellantiss most recent venture
in Brazil and also the groups most technologically advanced.
In this context, this article analyzes how the implementation of this production unit in
Goiana (PE) affected the constitution of new institutionalities associated with work and
industrial relations. In particular, it seeks to understand how union action was configured in this
emerging productive territory, focusing on the activity of the Sindicato dos Trabalhadores nas
Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco [Union of Workers
in the Metallurgical, Mechanical, and Electrical Material Industries of Pernambuco]
(SINDMETAL-PE). The study adopted a longitudinal perspective, with field research carried
out in 2022 and 2026, which made it possible to capture continuities and changes in union
strategies throughout the consolidation of the hub, a dimension still little explored in the
literature on automotive greenfields. The text is organized into a contextual section on the hub,
followed by the methodology, the results and discussioncentered on the trajectory of
SINDMETAL-PE, labor relations, health and safety, and the political economy of the hub
and, finally, the final considerations synthesize the findings and point to an open research
agenda.
The presence of Stellantis in Goiana
As mentioned above, the inauguration of the Jeep plant in Goiana in 2015 was part of
the reorganization of the national automotive industry, whose induction instrument was the
Programa Inovar-Auto [Inovar-Auto Program] (20132017), one of the last major Brazilian
industrial policies aimed at the sector. Among its objectives were stimulating technological
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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innovation and expanding national production capacity, as well as enabling the geographical
deconcentration of industrial activity, with new investments directed toward regions outside
traditional hubs.
For some years, the FCA-Jeep unit shared prominence in the Northeast region with
Fords hub in Camaçari (BA), until that unit ceased operations in 2021. As occurred in other
cases involving the implementation of large industrial projects, the automakers arrival was
accompanied by high expectations regarding the generation of formal employment and the
interiorization of development, with the potential to reduce regional inequality, as described by
Ramalho (2015) concerning Southern Rio de Janeiro and by Garcia (2010) regarding Rio
Grande do Sul.
The choice of Goiana as the site of the enterprise resulted from a locational selection
process conducted by FCA even before the creation of Grupo Stellantis [Stellantis Group]
(Lima, 2020; Ladosky, 2021; Oliveira; Ladosky; Rombaldi, 2019). Initially considered for the
Complexo Industrial Portuário de Suape [Suape Industrial Port Complex], the plant was
eventually redirected as a result of a combination of strategic factors. These included the low
cost of the workforce, the donation of an extensive area by the João Santos business group, and
a broad package of tax incentives granted by the public authorities. The path was similar to that
of previous strategic decisions (Arbix; Zilbovicius, 2002), such as the formation of the
automotive hub in Southern Rio de Janeiro (Dulci, 2018; 2021; Ramalho, 2005; Ramalho,
2015); Ford in Camaçari (BA) (Dulci, 2018; Dulci, 2021); and General Motors in Gravataí (RS)
(Garcia, 2010).
Developed from the sugar economy and, later, from various agricultural activities,
Goiana is historically characterized by social inequalities, low urbanization, and a limited
supply of formal jobs. The municipality is located in the Mata Norte region of Pernambuco,
equidistant from the capitals Recife (PE) and João Pessoa (PB) and stands out for sugarcane
cultivation and the cement industry, with Cimentos Nassau deserving mention. Goiana also
plays a relevant role as a regional commercial center, a sector from which part of the workforce
later absorbed by the automotive hub originated. In the past, the municipality also housed a
small textile activity, similar to that of neighboring Paulista (PE), including the presence of
workers villages (Leite Lopes, 1978).
Goiana can be characterized as a greenfield because of its potentially lower costs and
institutional conditions considered more favorable to productive implementation (Oliveira;
Ladosky; Rombaldi, 2019; Bubbico, 2021; Monteiro; Lima; Afonso, 2024). The
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case of Stellantis in Goiana (PE)
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026007, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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implementation of an automotive unit in a territory with no tradition in the sector was frequently
highlighted by business management itself as a factor that enabled greater freedom in the
organizational, logistical, and productive design of the factory. In 2023, the units Plant
Manager, Jasson Azevedo, told the press that the plants greenfield characteristics are one of its
distinctive features. According to him, the absence of prior links between the region and the
automotive sector made it possible to “think of a purer, more optimized factory, with logistical
and operational gains” (Souza, 2023). This interpretation also aligns with the idea that the
company was able to develop its own know-how in that territory and shape the workforce
according to the desired production standards, without the influence of previously established
industrial and institutional practices.
An investment of this magnitude in a territory historically marked by low
socioeconomic indicators tends to produce significant impacts on employment, income, and
local occupational trajectories. Studies on the case indicate positive effects associated with the
expansion of formal employment, increased professional qualification, and the expansion of
schooling (Jatobá, 2025). These processes are also associated with other positive externalities,
such as the attraction of new investments, the formation of industrial clusters, and
improvements in urban and logistical infrastructure.
From a productive standpoint, the unit installed in Goiana has characteristics that help
qualify this process. The unit is an automobile manufacturer; that is, it carries out all stages of
the production process, from stamping to assembly, including bodywork and painting. With the
exception of assembly, the other three stages are highly automated and operate through
approximately 600 robots, which help make this the multinationals most modern plant in the
world. It produces premium models, that is, higher value-added products, such as the Jeep
Renegade, Compass, and Commander, as well as the FIAT Toro and the RAM Rampage. The
production line operates in three shifts, 24 hours a day, from Monday to Friday, with a daily
output of one thousand vehicles. In addition, a new line is under development to produce
electric vehicles from the Chinese company Leapmotor, recently acquired by Stellantis.
Beyond the characteristics of the production line, the Goiana enterprise was conceived
from its origin as an integrated production complex, structured around a supplier park model
that articulates the automaker and its main suppliers in the immediate surroundings of the plant.
The projects feasibility relied on significant public support, including subsidized credit lines
from state financial institutions, such as the Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social [Brazilian Development Bank] (BNDES). According to recent data, the Polo
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Automotivo Stellantis de Goiana [Stellantis Automotive Hub of Goiana] has about 38 local
suppliers, approximately 20 of which are installed in the supplier park itself, while the others
are distributed among neighboring municipalities. This number represents significant growth
compared with the beginning of operations, when the hub had around 22 suppliers (Belfort,
2025). All these factors contribute to shaping a specific industrial environment and a form of
union action subject to analysis (Ladosky, 2018; Ladosky, 2021; Bubbico, 2021; Oliveira;
Ladosky; Rombaldi, 2019).
Methodology
The research underpinning this article is part of a broader qualitative project aimed at
analyzing the territorial effects of the automotive industry in Goiana (PE), following the
implementation of the Polo Automotivo Stellantis [Stellantis Automotive Hub]. This broader
effort involved two stages of fieldwork carried out in the municipality: the first in August 2022
and the second in February 2026
4
. In this sense, the approach adopted is epistemologically
oriented by Ragins (1987) perspective, treating the Goiana case as a complex configuration
involving the interaction among multiple actors and dimensionsincluding companies,
workers, the State, and trade union organizations. The broader research has encompassed this
diversity of perspectives.
For the purposes of this article, however, a specific analytical focus was adopted,
centered on the perceptions and strategies of trade union actors. The objective was to understand
how local unionism interprets and acts in response to recent transformations in labor relations
and in the productive organization of the territory.
In the 2022 stage, exploratory semi-structured interviews were conducted, aimed at
mapping strategic actors and contextualizing the arrival and consolidation of Stellantis in the
region. The 2026 stage, in turn, made it possible to revisit some of these actors and deepen the
analysis of continuities and changes in union perceptions and strategies over the period. On that
occasion, four union leaders (two men and two women) were interviewed, and a seminar
organized by the Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores
4
The fieldwork involved direct observation of institutional spaces (such as the Goiana Automotive Complex,
educational and vocational training institutions, among others) and interviews with trade union and employer
leaders, municipality technicians, former secretaries, and social movement leaders.
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case of Stellantis in Goiana (PE)
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[National Confederation of Metalworkers of the Unified Workers Central] (CUT) at the
SINDMETAL-PE headquarters in Recife was recorded.
Table 1 below summarizes the main dimensions investigated:
Table 1 Research design
Variables of interest
Techniques
Source: Prepared by the authors.
The analysis of the interviews was conducted through thematic coding, seeking to
identify recurring patterns in the interviewees narratives (Ragin, 1987). Initially, the
transcribed empirical material was read in full, followed by the assignment of codes to relevant
excerpts from the interviews (Bardin, 2011). These codes were constructed both from themes
that emerged from the interviewees own statements, following Brymans (2012) open coding
approach, and from analytical dimensions related to the studys theoretical framework (Ragin,
1987). Subsequently, the codes were organized into analytical categories and subcategories,
making it possible to systematize the different thematic axes present in the empirical material:
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
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Table 2 Thematic categories and coding
Categories
Codes used
Labor relations and
union conflict
ANTISSIN: Anti-union practices (use of police, pressure, and monitoring).
SUBSEDE: Management of the unions physical presence in Goiana vs. Recife.
NEG_COLET: Negotiation processes for collective agreements (ACT) and
collective conventions (CCT).
Workers health and
safety
SAU_MENT: Reports of mental illness, breakdowns, and psychological pressure.
SUB_CAT: Underreporting of accidents and resistance to issuing CAT forms.
ERGON: Repetitive strain injuries and ergonomic problems.
ACID_FAT: Memory and records of fatal accidents in the hub.
Economy and
industrial policy
DISP_REG: Wage and benefits disparity among the Goiana, Betim, and Porto Real
plants.
ROT_ESTR: Turnover as a management tool or policy.
INC_GOV: Relationship with governments and use of tax incentives.
Future perspectives
AUTO_IA: Impact of automation on jobs.
CARRO_ELET: Transition to electric vehicles (Leapmotor project).
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Categories
Codes used
REINV_SIND: Reinvention of image and attraction of young workers.
Source: Prepared by the authors.
Results and discussion
The trajectory of SINDMETAL-PE
The Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material
Elétrico de Pernambuco [Union of Workers in the Metallurgical, Mechanical, and Electrical
Material Industries of Pernambuco] (SINDMETAL-PE), founded in 1935 and headquartered in
Recife, represents about 40,000 workers in the metallurgical industry across different regions
of the state. In general, SINDMETAL-PEs base is composed of companies in the automotive,
steel, technology, and wind energy sectors. Historically, its activity was structured around
broader collective bargaining, through the signing of Convenções Coletivas de Trabalho
[Collective Bargaining Agreements] with the employers union, covering a diverse set of
companies within its base.
The Polo Automotivo Stellantis de Goiana [Stellantis Automotive Hub of Goiana],
however, redefined part of the unions scope of action by incorporating workers linked to the
automotive industry and to supplier companies located in the industrial complex and
surrounding region. In this new context, an internal differentiation of collective bargaining
forms can be observed, which began to be organized across multiple fronts through Acordos
Coletivos de Trabalho [Company-Level Collective Agreements] signed directly with
companies in the hub. Within this front, the union estimates that it represents about 14,000
workers linked to Stellantiss automotive chain.
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
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Table 3 Representation of Stellantis and supplier workers
Workers union
Address
Central
Collective
instrument
Number
represented
Sindicato dos
Trabalhadores
Metalúrgicos de
Pernambuco
[Metalworkers
Union of
Pernambuco]
(SINDMETAL-
PE).
CNPJ:
11.010.501/0001-
75
Rua Almeida
Cunha, 364 Santo
Amaro, Recife -PE
Central Única dos
Trabalhadores
[Unified Workers
Central] (CUT)
Acordo Coletivo de
Trabalho
[Company-Level
Collective
Agreement] (ACT)
Stellantis: ≈
4,000 + Auto
sector: ≈
14,700
Source: Prepared by the authors.
The constitution of union representation inside the plant occurred gradually and was
strongly associated with the individual trajectories of some workers who began to act as leaders
in the workplace. In the interviews conducted, the accounts reveal different paths of
approximation to union activity. In one case, this approximation was related to prior union
experience, which initially led the worker to seek a position on the Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes e Assédio [Internal Commission for Accident and Harassment
Prevention] (CIPA). According to Interviewee A
5
, participation in the CIPA represented a first
institutional space for participation within the company, which made it possible to become
closer to union activity:
Then I ran for CIPA, and I was the second most voted at that time. [...] I knew
the union election was coming up, and I kept thinking: Should I do it or not?,
knowing that there were many things there for the union to help workers with,
because many workers are laypeople, they have no training, and sometimes it
is the first job for many of them there (Interviewee A, SINDMETAL-PE,
2022).
In another case, engagement in collective representation emerged from experiences of
conflict in the workplace. After joining the plant as a mechanical technician and taking on
leadership roles on the production line, Interviewee B describes a context of deteriorating
5
The names of the interviewees were omitted to preserve their anonymity, and they are identified in the text only
by their position or institutional affiliation.
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relations with management, including episodes of persecution and frustration regarding
promises of promotion. According to him, this process was decisive for his approximation to
worker representation: “To be honest, I was a company lackey until it kicked me in the backside.
[...] That was when I started looking for the union and talking to H. He showed me what the
union actually was” (Interviewee B, SINDMETAL-PE, 2026).
Labor relations and union conflict
The account also mentions that, within the company environment, the unions image
was initially mediated by management discourse itself. As the interviewee states, when union
representatives distributed informational materials at the factory gate, supervisors instructed
workers to observe who accepted the leaflets: “depending on the pressure they (company
managers) put on them, they are even afraid to take a leaflet” (SINDMETAL-PE, 2022). This
type of practice is perceived by union leaders as a constant anti-union stance on the part of the
company, appearing in interviews both in 2022 and 2026. For them, one of its most visible
effects would be the low level of unionization among workers in the automotive hub, probably
not exceeding 5% of the worker base. According to one of the leaders, “the company is
extremely anti-union. If you join today, you run the risk of being fired” (SINDMETAL-PE,
2022). According to the accounts, most unionized workers are precisely those who have some
form of job stability, such as members of the Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e
Assédio [Internal Commission for Accident and Harassment Prevention] (CIPA) or workers on
leave due to health issues.
In the 2022 interview, they described different mechanisms that, in their view,
contribute to restricting union activity inside the industrial complex. Worth highlighting are the
unions difficulties in accessing workers within the factory space and the need to notify the
company about the carrying out of outreach activities: “we have to send a notice 48 hours in
advance and inform what we are going to distribute” (SINDMETAL-PE, 2022). Another
practice is the calling of police forces during union mobilizations held near the plant. As one of
the leaders reports, even when the activities are communicated to the company, police presence
may occur during actions to distribute informational materials at the factory gate. According to
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the interviewee, this is “Jeep
6
s own guidance for the entire hub. They do not want unionization
inside” (SINDMETAL-PE, 2022).
In the 2026 interview, union representatives (two of whom had also been interviewed
in 2022) stated that this set of practices is not limited to the Goiana context, but reflects a
company orientation in different countries where it maintains production units. This reading
dialogues with Bubbico (2021), who identifies, in the case of FIATs unit in Melfi (Italy), also
a greenfield, the existence of practices aimed at limiting union activity. In the Pernambuco case,
however, activity inside the plant appears more restricted, with limitations on holding internal
assemblies. These elements suggest that union action tends to be configured less as an
institutionalized presence in the productive space and more as an activity mediated by indirect
strategies external to the factory. In the interviews conducted during this period, however, no
direct evidence was mentioned of the continuation of more forceful practices previously
reported, such as control over union communication or the activation of the state apparatus.
The most recent accounts focus on two main dimensions: the persistence of a climate of
fear among workers regarding interaction with union representatives and the perception, on the
part of the leaders, that the company encourages practices of opposition to the union. This
opposition is expressed above all in the refusal to pay the bargaining fee provided for in the
Acordos Coletivos de Trabalho [Company-Level Collective Agreements]. This is a contribution
intended to finance union activities, such as professional training for the category and
investments in infrastructure. According to one of the leaders:
After the wage campaign, we open a ten-day period for opposition. Then
workers have the opportunity to oppose or not. Today there is already a
considerable number of workers who leave Goiana to file opposition at the
union, in Recife. [...] something between [...] roughly 3,000 and 3,500
workers. [...] If we allowed this in Goiana, it would double or triple. Because
of this, we withdrew the branch office from Goiana. Today there is no union
assistance there. All assistancemedical, legalremains at the union, in
Recife, for members and non-members. Our aim, obviously, is that the fewer
workers file opposition, the better. Because this is a totally anti-union
company. It sends workers out during working hours to go to the union to file
opposition. What was our fear regarding the branch office? It was precisely
what began to happen. The company even provided cars for workers to go
there. Since Goiana is nearby, the worker would leave, file opposition, and
return (SINDMETAL-PE, 2026).
6
The plant was initially designed for the production of Jeep vehicles, which is why the production unit is frequently
referred to simply as Jeep.
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case of Stellantis in Goiana (PE)
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The position reported contrasts with the 2022 statements, in which representatives
defended reopening a branch office in Goiana as a way to expand the unions presence in the
territory. At that time, the closure was attributed mainly to the effects of the Reforma
Trabalhista [Labor Reform] and to the reduction in demand for in-person assistance after the
end of homologations carried out by the union. The more recent interviews indicate, however,
that maintaining union activities in Recife came to be incorporated as an adaptive strategy to
deal with manifestations of opposition to the bargaining fee. This dynamic is connected to the
unions forms of organization, which may vary over time. It reflects the tensions among
different dimensions of union actionsuch as the need to secure financial resources, maintain
representation of the base, and preserve its capacity for action. This occurs within an unstable
balance that Hyman (2001) calls the “geometry of trade unionism.
7
In the sphere of collective bargaining, this reconfiguration is also expressed in the forms
of action of SINDMETAL-PE alongside the automotive hub. As mentioned earlier, the union
has negotiated with Stellantis and its suppliers through Acordos Coletivos de Trabalho
[Company-Level Collective Agreements], signed directly with the companies, unlike the
entitys traditional pattern, based on Convenções Coletivas [Collective Bargaining
Agreements] signed with the employers union. Union leaders emphasize that these
negotiations follow the logic of the state-level base date for the category. Initially, the collective
agreement that establishes the general parameters for the metallurgical sector in the state is
negotiated in September. Based on this reference, the wage campaign for the automotive sector
is developed, involving both Stellantis and the supplier companies in the industrial complex, as
one union representative explains:
First, the convention is negotiated. Then Jeep negotiates its own specific
agreement. (The agreement) depends a lot on the negotiation. In terms of wage
adjustment, it depends on inflation and on what we are able to negotiate.
Sometimes the category achieves real gains. In other negotiations, we choose
to improve other things. For example, in the last negotiation, the discussion
was between a real wage gain or an improvement in PLR (Participação nos
Lucros e Resultados [Profit Sharing]). There was consensus between the
parties, and we ended up improving PLR for Jeep and supplier park workers,
but without a real wage gain at that moment. But one important thing: there
has never been wage loss (SINDMETAL-PE, 2026).
7
Hyman (2001) understands trade unionism as an unstable equilibrium between market, class, and society, the
combinations of which produce different strategies over time.
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
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Although these negotiations are part of the same wage campaign process, they result in
distinct collective agreements with specific base dates: in the case of Stellantis, the base date is
November, while agreements with supplier companies generally have base dates in December.
In the unions assessment, this differentiation is used strategically by the company both to
fragment collective mobilization and to obtain advantages in negotiations:
For example, if you follow inflation in November, it is usually a little higher
than in December; the trend is December… if the situation is already not so
good in November, in December the tendency is to be worse. So they also use
it in this way, with the November adjustment being one and the December
adjustment another (SINDMETAL-PE, 2022).
In addition, the union perspective in 2026 points to the centrality of the automaker in
defining the parameters negotiated within the hub, since the agreements signed with Stellantis
tend to guide those established with the supplier companies. As one of the leaders summarizes:
[...] one thing we negotiate only with Jeep. We negotiate with Jeep, and Jeep
passes it on to everyone. The rest, everyone follows the same standard
[regarding the system suppliers]. [...] It is the one that defines the amount
everyone will pay. At the table, we deal directly with it (SINDMETAL-PE,
2026).
Within this arrangement, although the automaker concentrates power in defining
negotiated standards, the accounts indicate a progressive expansion of union agency and
presence. Whereas in 2022 there were only two representatives directly linked to the factory
base, in the following years there was an expansion of this structure, with the incorporation of
delegates in supplier companies and an increase in the number of elected directors active in the
hub. In 2026, the structure came to include 26 representatives, including union directors and
delegates. This movement dialogues with Ramalhos (2015) perspective, based on his analysis
of Southern Rio de Janeiro. He suggests that the presence of industry in greenfield contexts,
even when marked by power asymmetries, can stimulate the recomposition and articulation of
collective forces in the territory.
Workers health and safety
A recurring challenge in the interviews conducted concerns occupational health and
safety issues, especially with regard to mental illness and the ergonomic conditions of
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production. 2022 accounts indicate a significant increase in cases of mental distress, associated
both with intense organizational changes and with uncertainties regarding job retention. As
highlighted by one union leader, the volume of illness would have “increased fourfold,”
especially among workers with longer tenure at the company, who face difficulties adapting to
the pace and transformations of the production process. According to the unionist:
[...] In the company, unfortunately, that is how it is: if you worked at Jeep and
were dismissed, you cannot get into another company. Very rarely can you. It
is as if there were a blockade across this whole system. To get in, no one hires
you; if you worked in the hub, they do not call you for another company
(SINDMETAL-PE, 2022).
The situation becomes more serious when considering the psychological pressure
associated with this type of experience narrated by the leaders. It involves a diffuse fear of
unemployment and of the possibility of being “blocked” in the local labor market, which has
the potential to operate as a disciplinary mechanism alongside workers psychological strain.
These elements appear in the interviews and are frequently associated with episodes of more
acute suffering, such as breakdowns, which are linked both to occupational insecurity and to
the intense pace of work on the production lines. The production pace, imposed through World
Class Manufacturing (WCM)
8
, contributes to the internalization of a logic of commitment and
performance that directly engages workers in corporate targets (Ladosky, 2018; Bubbico,
2021). In these terms, although it cannot be reduced to specific instruments, this dynamic comes
close to what Pina and Stotz (2011) characterize as a form of “management by stress.” In it,
pressure for results and job insecurity operate in combination in the regulation of the workforce.
According to recent union accounts, the issue of mental health remains present, but the
point that has drawn attention is the discrepancy between the number of leaves of absence for
health problems and the relatively low number of Comunicações de Acidente de Trabalho
[Work Accident Reports] (CAT) issued by companies. One interviewee mentions, for example,
the filing of a public civil action by the Ministério Público do Trabalho [Public Labor
Prosecutors Office] after identifying that the company simultaneously concentrated a high
number of leaves and a low volume of formal work accident records: “It was the largest
company in Pernambuco in number of leaves, but at the same time the smallest in issuing
CATs” (SINDMETAL-PE, 2026). In this case, even in the absence of formal communication
8
WCM is a global production management system by FCA/Stellantis, based on efficiency targets such as zero
defects and zero waste.
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
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by the company, in some cases the Instituto Nacional do Seguro Social [National Social
Security Institute] (INSS) itself recognizes the link between illness and work when analyzing
leave requests. Fatal accidents, in turn, are not described as frequent at the unit. But the accounts
also emphasize that, in certain situations, the workers death occurs later in the hospital. This
may mean that the death is not formally recorded as having occurred in the workplace.
According to Pina and Stotz (2011), this set of practices seeks to muffle” the
relationship between the intense pace of work and illness or accidents, attempting to
individualize the health problem as something “biological” rather than “occupational.”
Although there is no confirmation that all these elements apply to the Goiana hub, safety
indicators may be associated with bonus instruments, such as PLR (Participação nos Lucros e
Resultados [Profit Sharing]). In this context, pressure not to report accidents or illnesses,
whether from the company or from the work group itself (aiming not to jeopardize the financial
bonus), may function as an additional factor of underreporting.
In any case, the illnesses most frequently mentioned in the interviews are related to
ergonomic problems and repetitive strain injuries, especially in parts of the body such as the
shoulder, wrist, and hands, associated with activities performed on the production lines.
According to union leaders, workers who present this type of problem often end up being
dismissed by companies. This reveals a recurring practice in the labor market: turning workers
with health problems, low performance, or who return from leaves granted by the INSS into
“preferred targets” for dismissals (Pina; Stotz, 2010). In these situations, the union reports
resorting to legal action to challenge dismissals considered irregular and to seek the workers
reinstatement. Informally, union representatives mentioned that these difficulties end up
granting the union a unique legitimacy in moments of workers vulnerability, transforming
direct assistance into a tool of affirmation before the rank and file (Ramalho, 2015).
Economy and Industrial Policy
One of the recurring themes in both interviews is the comparison between Goiana and
other plants in the group, especially Betim (MG) and, to a lesser extent, Porto Real (RJ). In
2022, one of the interviewees mentioned as an example that, while the average remuneration of
a “shop floor” worker in Goiana was around R$ 1,470, workers in Betim could earn
approximately R$ 2,400 in equivalent positions. According to SINDMETAL-PE (2022), this
difference is justified by the company on the basis of the greater “maturity” of that plant. As
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summarized: “it is always that, always the same thing. Betim is forty years old.” In this sense,
both union perceptions and the companys own justification reinforce the interpretation of
Goiana as a greenfield, in which lower wage levels appear as a relevant feature when compared
with other units. This business rationale, however, is not new, but was already present in the
installation of FIAT in Betim (MG) in the 1970s, associated at the time with the search for more
favorable labor cost conditions in relation to the ABC Paulista. What is observed, however, is
that this pattern shifts over time, so that more recent plants, such as Goiana, come to occupy
this relative position of lower cost.
This dynamic becomes more evident when contrasted with the performance of the
Pernambuco unit, considered the “goose that lays the golden eggs” of Grupo Stellantis
[Stellantis Group]. Although described by union leaders themselves as one of the groups most
profitable plants, due to logistical, fiscal, and organizational advantages, this performance does
not translate into convergence of wage levels with other units. In the 2026 interview, this
disparity remains a central theme, but the interviewees also begin to emphasize factors such as
the regional inequality of the Brazilian labor market: “it does not happen only at Jeep. In many
companies it is like this: [...] working in the South and Southeast tends to mean higher wages”
(SINDMETAL-PE, 2026). By taking regional differences as a reference for defining wages,
productive expansion ultimately relies on pre-existing territorial inequalities. In this sense, the
interiorization of industry does not necessarily reduce distances and may, in certain cases,
reproduce them on new bases (Dulci, 2021). In the long term, this process consolidates a
“regulation from below,” which makes it possible to structure new units based on standards
different from those observed in more consolidated regions (Ramalho, 2015).
At the same time, the data suggest that this differentiation is not sustained only by wage
levels, but also by employment dynamics, in which workforce turnover appears as a relevant
element in the composition of this picture. According to one of the leaders, while in Betim it is
possible to find workers with up to thirty years at the company, in Goiana employees with more
than a decade of employment are rarely found, due to historically high turnover. For the
interviewees, this situation also appears as part of a workforce management strategy, involving
the replacement of longer-serving workers (with higher wages) by new employees hired at
lower levels for similar positions. As one of the leaders summarizes: “they are dismissing
longer-serving workers, with higher wages, and hiring new ones with lower wages to perform
the same function” (SINDMETAL-PE, 2026).
Raphael Jonathas da Costa LIMA and Maria Carolina BARCELLOS
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As Pina and Stotz (2011) point out, turnover may operate precisely as a mechanism for
containing the wage bill, affecting more strongly workers with longer tenure at the company.
In these cases, replacement by new employees hired at lower wages tends to extend the time
required for wage progression and to maintain this differential within the plant. The issue of
turnover had already been mentioned in the interview conducted in 2022, when union leaders
suggested that this phenomenon could be related, at least partially, to job creation targets linked
to tax incentive programs. This is, however, a hypothesis raised by the interviewees, whose
verification would require the analysis of additional data on incentive policies, employment
levels, and hiring and dismissal dynamics over time.
In addition to these hiring and turnover dynamics, the interviewees indicate that the
company seeks to establish certain wage standards across the groups different plants,
especially in the case of new functions or technical positions. In this context, the circulation of
qualified professionals among production units also appears, in the interpretation of union
representatives, as part of the companys strategy, particularly among engineers and technical
staff involved in specific projects. As one of the leaders explains, “when the professional is
good, the company makes them circulate among the plants” (SINDMETAL-PE, 2026),
according to the demands of each project. Among the examples mentioned, the case of an
engineer from Olinda stands out. She began her trajectory at the Goiana plant as a process
specialist. Later, she took on coordination and management positions and, more recently, was
transferred to France to work within Stellantiss global structure.
Future perspectives
The transformations observed in the Polo Automotivo Stellantis de Goiana [Stellantis
Automotive Hub of Goiana] also point to a set of future opportunities and challenges associated
with technological changes and organizational reconfigurations in the automotive sector. First,
the advance of automation and artificial intelligence is presented as a matter of concern, as it
“tends to reduce jobs. If it is not direct replacement by robots, in any case, the need for labor
becomes more limited” (SINDMETAL-PE, 2026). From the perspective of union actors, this
movement is perceived as already under way, although marked by uncertainties regarding its
intensity and concrete developments in the territory. Unlike other Stellantis units on a global
scale, which have faced recent processes of productive contraction and capacity adjustment, the
Goiana hub remains inserted in a trajectory of relative stability and expansion.
Labor relations and union action in Greenfield territories: the case of Stellantis in Goiana (PE)
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At the same time, the introduction of electric vehicle production in the hub, associated
with the partnership between Stellantis and the Chinese company Leapmotor, adds new
elements of uncertainty regarding the future configuration of the local production chain.
According to the accounts, electrification tends to imply a reduction in labor intensity
throughout the chain, since the production of electrified vehicles requires fewer components
and production stages. As one leader emphasized, “the production chain of electrified vehicles
uses much less labor. The estimate is something like 30% of the labor required for a
combustion-engine car” (SINDMETAL-PE, 2026). This difference becomes particularly
significant when compared with the current structure of the hub. While the production chain
associated with combustion-engine vehicles mobilizes around 14,000 workers, the new line
dedicated to electrified vehicles is expected to operate with a significantly smaller workforce,
estimated at between 500 and 600 workers only in direct production. Although this is initially
a specific and separate line, the data point to a potential reconfiguration of the productive and
occupational base, with direct implications for employment and union organization. Even so, a
movement of anticipation by the union can be observed in response to this scenario of
technological transformations. In this context, the organization has engaged in initiatives aimed
at discussing just transition, in coordination with entities such as ANFAVEA and CUT. This
signals a perspective of action oriented toward the capacity to intervene in ongoing processes
of occupational reconfiguration.
Since the 2022 interview, union representatives have also implicitly mentioned the need
to reinvent the unions image, especially with regard to attracting younger workers, who are
inserted in a productive context marked by higher turnover, new technologies, and distinct
expectations regarding work. As union representatives emphasized in 2026, “we want to show
that the union today is not the same as before… there are many young people arriving… the
union is also changing” (SINDMETAL-PE, 2026).
This renewal is also linked to changes in the social composition of the category,
particularly with regard to the entry of women into the automotive sector. Although the union
structure remains predominantly male, there are organizational spaces aimed at womens
participation, such as the unions womens secretariat and womens collectives. At the
productive level, expanding womens participation also remains a challenge. Although
activities such as seat sewing, carried out, for example, by the system supplier Lear Corporation,
concentrate a significant number of women, this insertion remains marked by the sexual
division of labor. In these cases, certain tasks tend to be associated with socially constructed
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skills outside the factory space, such as manual dexterity and care, which ultimately reproduces,
within production, gender hierarchies already present in other spheres of social life (Oliveira,
2021).
Final considerations
Over the last few years, the Polo Automotivo de Goiana [Automotive Hub of Goiana]
and the activity of SINDMETAL-PE have been the object of a relevant set of studies, which
analyze everything from the implementation of the enterprise to its first socio-productive
configurations (Ladosky, 2018; Ladosky, 2021; Oliveira; Ladosky; Rombaldi, 2019; Bubbico,
2021; Oliveira, 2021). Without disregarding these contributions, which largely constitute the
starting point of this analysis, this article sought to contribute an overview of metallurgical
union activity in Pernambuco between 2022 and 2026. The focus, in this case, was not to
reconstruct the implementation process, but to observe how certain dynamics have unfolded
over time, especially with regard to union strategies, working conditions, and forms of
regulation within the hub. The central interest was to understand union constitution in a
greenfield, considering what it has become and what has been possible to build, or contest, from
this productive context.
In this sense, taking the reading of union actors as a reference, the comparison between
the two moments makes it possible to highlight both continuitiessuch as the persistence of
anti-union practices and mechanisms for controlling the workforceand important changes,
such as the expansion of the union representation structure, the reconfiguration of its action
strategies, and transformations in patterns of illness and turnover. More than that, the findings
make it possible to relativize the idea that the recent expansion of the automotive industry in
Brazil would almost automatically lead to convergence in working conditions and collective
organization across territories. What is observed, on the contrary, is a more ambiguous picture,
in which localized gains coexist with the reproduction and, in certain respects, the updating of
structural inequalities. Thus, it is concluded that SINDMETAL-PE:
a) has dealt with elements that continue to limit union activity within the hub. The
low level of unionization, associated with an environment perceived as anti-
union, workers fear of approaching the organization, and the very dynamics of
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opposition to the bargaining fee, points to the presence of mechanisms that
hinder the unions rootedness in the workplace.
b) lacks articulation amid broader corporate strategies, in which the territory
appears as a resource for defining standards of labor management and regulation,
including the maintenance of wage disparities in relation to other plants and the
use of turnover as an instrument of control. The interiorization of production, far
from reducing regional asymmetries, tends to rely on them as a competitive
resource, consolidating forms of labor regulation that operate from lower local
standards (Dulci, 2021; Ramalho, 2015).
c) mobilizes new strategies, such as concentrating union activities in Recife, which
represents a defensive territorial retreat in response to corporate strategies that
encourage opposition.
d) has been strengthening internally, with an expansion in the number of
representatives in the hubfrom 2 in 2022 to 26 in 2026indicating greater
capillarity among the rank and file.
e) has sought to diversify its repertoires of action, including judicialization and the
expansion of activity in supplier companies, strategies still under development
whose reach deserves continued monitoring.
f) faces, according to the accounts of its leaders, situations of psychological
distress, ergonomic problems, physical strain, and signs of underreporting of
illnesses and accidentsa picture that, although it requires confirmation through
independent data, deserves analytical attention.
In sum, the findings dialogue with the perspective observed by Ramalho (2015),
according to which productive investments do not produce only economic effects, but also
engender socio-productive dynamics capable of reconfiguring power relations, stimulating
forms of collective organization, and giving rise to new institutionalities in the territory. In the
case of Goiana, this is expressed both in the limits imposed on union action and in the
possibilities, still under construction, for its rearticulation. It must be recognized, however, that
the approach adopted, centered on the perceptions of union actors, entails analytical limitations.
The absence of systematic data on employment, accidents, and workers health, as well as the
perspectives of the company and non-unionized workers, restricts broader generalizations.
These gaps indicate possibilities for future deepening.
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Finally, far from exhausting the analysis, the results presented here point to a research
agenda that remains open. The continuity of transformations in the automotive sector
especially with the transition to electric vehicles , the long-term effects of turnover dynamics
on the constitution of a local working class, occupational trajectories within global production
networks, as well as issues related to gender and workers health, pose new analytical
challenges. In this sense, the case of Goiana remains a privileged terrain for understanding the
developments of the automotive industry in Brazil, especially the ways in which development,
work, and collective action are articulated in greenfield productive territories.
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D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 0 1 8 2 7
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g e m e nts : T h e a ut h ors ac k n o wl e d g e t h e C arl os C h a g as Fil h o F o u n d ati o n f or
R es e ar c h S u p p ort of t h e St at e of Ri o d e J a n eir o ( F A P E RJ) , t h e N ati o n al C o u n cil f or
S ci e ntifi c a n d T e c h n ol o gi c al D e v el o p m e nt ( C N P q) , t h e C o or di n ati o n f or t h e I m pr o v e m e nt
of Hi g h er E d u c ati o n P ers o n n el ( C A P E S) , a n d t h eir c oll e a g u es Cristi a n o M o nt eir o
( P P G S/ U F F), F er n a n d a C a v al c a nt e ( P P G S/ U F F) , a n d L u c as Af o ns o ( P P G S/ U F F) , w h o
p arti ci p at e d i n t h e r es e ar c h t h at r es ult e d i n t his arti cl e.
F u n di n g : T his r es e ar c h r e c ei v e d n o e xt er n al f u n di n g .
C o nfli cts of i nt e r est : T h e a ut h ors d e cl ar e n o c o nfli cts of i nt er est .
Et hi c al a p p r o v al : N ot a p pli c a ble .
D at a a n d m at e ri al a v ail a bilit y : N ot a p pli c a bl e .
A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : B ot h a ut h ors ar e r es p o nsi bl e f or t his arti cl e .
P r o c essi n g a n d e diti n g: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g, f or m atti n g, n or m ali z ati o n a n d tr a nsl ati o n