Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21080 1
LIDERANÇAS METALÚRGICAS NO ESTADO DE SÃO PAULO: PERFIL SOCIAL
E TRAJETÓRIAS DE FORMAÇÃO DA MILITÂNCIA SINDICAL
LIDERAZGOS METALÚRGICOS EN EL ESTADO DE SÃO PAULO: PERFIL SOCIAL
Y TRAYECTORIAS DE FORMACIÓN DE LA MILITANCIA SINDICAL
METALWORKERS LEADERSHIP IN SÃO PAULO: SOCIAL PROFILE AND
TRAJECTORIES OF LABOR ACTIVISM FORMATION
Fernando Ramalho MARTINS
1
e-mail: fern[email protected]
Filipe Augusto Freitas MELO
2
e-mail: filipeafm[email protected]
Como referenciar este artigo:
MARTINS, Fernando Ramalho; MELO, Filipe Augusto Freitas.
Lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo: perfil social e
trajetórias de formação da militância sindical. Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN:
1982-4718. DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21080.
| Submetido em: 09/04/2026
| Revisões requeridas em: 15/04/2026
| Aprovado em: 05/05/2026
| Publicado em: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
Universidade do Estadual Paulista (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Sociologia pela
UFSCar, professor assistente no Departamento de Administração Pública da Faculdade de Ciências e Letras da
Unesp de Araraquara. Professor assistente FCLAr.
2
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Sociologia pela USP, realiza
estágio Pós-doutoral no Departamento de Sociologia da USP. Pós-doutorado Departamento de Sociologia USP.
Lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo: perfil social e trajetórias de formação da militância sindical
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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RESUMO: Este artigo analisa o perfil social e as trajetórias de militância de lideranças
sindicais metalúrgicas vinculadas à Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única dos
Trabalhadores (FEM-CUT) no Estado de São Paulo. A pesquisa combina dados quantitativos
provenientes de um survey aplicado durante a Plenária Estatutária da FEM-CUT/SP,
realizada em 2025, com entrevistas em profundidade conduzidas com dirigentes sindicais de
diferentes sindicatos metalúrgicos paulistas. Os resultados indicam que o perfil dessas
lideranças apresenta características relativamente estáveis, como predominância masculina,
elevada experiência sindical e escolaridade crescente. As trajetórias analisadas sugerem
mudanças nas bases sociais da militância sindical. Observa-se entre as lideranças entrevistadas
a recorrência de trajetórias associadas à reprodução intergeracional da condição operária e à
construção gradual da militância no interior do universo fabril. O artigo contribui para a
compreensão das bases sociais do sindicalismo metalúrgico contemporâneo e dos processos de
formação de lideranças no interior da classe trabalhadora.
PALAVRAS-CHAVE: Sindicalismo. Lideranças sindicais. Metalúrgicos. Trajetórias de
militância. Sociologia do trabalho.
RESUMEN: Este artículo analiza el perfil social y las trayectorias de militancia de dirigentes
sindicales metalúrgicos vinculados a la Federación Estadual de los Metalúrgicos de la Central
Única de los Trabajadores (FEM-CUT) en el estado de São Paulo. La investigación combina
datos cuantitativos provenientes de una encuesta aplicada durante la Plenaria Estatutaria
de la FEM-CUT/SP, realizada en 2025, con entrevistas en profundidad realizadas a dirigentes
de distintos sindicatos metalúrgicos paulistas. Los resultados indican que el perfil de estas
dirigencias presenta características relativamente estables, como predominio masculino,
elevada experiencia sindical y niveles crecientes de escolaridad. Las trayectorias analizadas
sugieren cambios en las bases sociales de la militancia sindical. Entre los dirigentes
entrevistados se observa con frecuencia trayectorias asociadas a la reproducción
intergeneracional de la condición obrera y a la construcción gradual de la militancia dentro
del propio universo fabril. El artículo contribuye a la comprensión de las bases sociales del
sindicalismo metalúrgico contemporáneo.
PALABRAS CLAVE: Sindicalismo. Liderazgo sindical. Trabajadores metalúrgicos.
Trayectorias de militancia. Sociología del trabajo.
ABSTRACT: This article analyzes the social profile and trajectories of union activism among
metalworker leaders affiliated with the São Paulo State Federation of Metalworkers of the
Central Única dos Trabalhadores (FEM-CUT). The study combines quantitative data from a
survey conducted during the 9th Statutory Plenary of FEM-CUT/SP in 2025 with in-depth
interviews carried out with union leaders from different metalworker unions in the state of São
Paulo. The findings indicate that the social profile of these leaders displays relatively stable
characteristics, including male predominance, long-term union experience, and rising levels of
education. The trajectories analyzed point to the increasing relevance of the intergenerational
reproduction of the working-class condition and to the gradual formation of union activism
within a consolidated urban-industrial environment. The article contributes to the
understanding of contemporary metalworker unionism and of the processes through which
union leadership is formed within the working class.
KEYWORDS: Unionism. Union leadership. Metalworkers. Trajectories of activism. Sociology
of work.
Fernando Ramalho MARTINS e Filipe Augusto Freitas MELO
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
As transformações recentes no mundo do trabalho recolocaram o debate sobre o destino
do sindicalismo no Brasil. A intensificação da reestruturação produtiva, a flexibilização das
relações de trabalho e emprego e as mudanças institucionais no campo trabalhista aprofundaram
desafios conhecidos pelas formas tradicionais de organização e representação coletiva. Nesse
cenário, questões relativas à capacidade de mobilização, à representatividade e aos recursos de
poder da ação sindical voltaram a ocupar lugar central na agenda de pesquisa sobre o
sindicalismo contemporâneo.
O debate sobre as transformações do sindicalismo brasileiro, contudo, não é recente.
Desde os anos 1990, autores como Leôncio Martins Rodrigues discutem se os sindicatos
estariam diante de um processo de declínio estrutural ou de uma crise passível de recomposição
diante das mudanças do capitalismo contemporâneo (Martins Rodrigues, 1999). Ao longo das
décadas seguintes, esse debate foi sendo progressivamente requalificado por estudos que
enfatizam processos de adaptação e reconfiguração das bases sociais e políticas do sindicalismo
(Santana; Rodrigues; Diéguez, 2023). Nesse processo, as mudanças na esfera produtiva
iniciadas nos anos 1990 demandaram um novo perfil de liderança, ao mesmo tempo em que
novas pautas que Nancy Fraser (2017) denomina emancipatórias (gênero e raça) foram
incorporadas à ação sindical. Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, abriu-se
ainda um espaço inédito de atuação no aparelho de Estado, levando muitas organizações a
enfatizarem a via institucional em detrimento do amadurecimento organizativo diante das
transformações no mundo do trabalho (Silva, 2023).
Essa configuração revelou fragilidades no período posterior à interrupção do ciclo
petista, quando o movimento sindical se viu enfraquecido pela ausência de aporte
governamental frente a um processo severo de desindustrialização. Investigações sobre o
fechamento de plantas como as da LG (Taubaté), Mercedes-Benz (Iracemápolis), Toyota (SBC)
e Ford (SBC e Taubaté) demonstram que, nesse cenário de crise estrutural, as lideranças são
compelidas a mobilizar redes de atores locais e complexos recursos políticos para mediar o
encerramento das atividades e seus impactos sociais (Bicev; Melo, 2022; Martins; Melo, 2024;
Melo, 2025).
Nesse debate, consolidou-se também uma agenda de pesquisas voltada à caracterização
empírica dos trabalhadores e dirigentes sindicais, interessada em compreender quem são os
sujeitos que permanecem vinculados às organizações sindicais em contextos de profundas
transformações no mundo do trabalho. Estudos sobre o perfil social dos sindicalistas, como os
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de Rodrigues e Martins (2005), Rodrigues et al. (2006) e Rodrigues e Ramalho (2014),
destacam a importância de variáveis como escolaridade, origem social e inserção ocupacional
para compreender as bases sociais da ação sindical. Pesquisas mais recentes sobre as direções
da Central Única dos Trabalhadores (CUT), como as de Carvalho (2014) e Carvalho e Bicev
(2021), apontam para a predominância masculina entre os dirigentes, a elevação progressiva da
escolaridade e a consolidação de trajetórias longas de militância.
Entre as diferentes categorias profissionais, os metalúrgicos ocupam posição central na
história do sindicalismo brasileiro e na própria formação da sociologia do trabalho no país.
Desde o processo de industrialização e, especialmente, a partir das greves do ABC paulista no
final da década de 1970, o setor metalúrgico tornou-se objeto privilegiado de estudos
sociológicos. Pesquisas clássicas de autores como Cardoso (1960), Martins Rodrigues (1970),
Lopes (1971) e Rodrigues (1979) enfatizavam a origem rural de grande parte do operariado
industrial e os desafios associados à formação de uma identidade coletiva entre trabalhadores
recentemente incorporados ao universo urbano-industrial.
Décadas depois, contudo, a própria consolidação das regiões industriais brasileiras
produziu transformações nas bases sociais da classe trabalhadora. Em muitas áreas
industrializadas, como o ABC paulista, o trabalho fabril deixou de ser apenas o destino
ocupacional de migrantes recém-chegados do meio rural e passou a constituir também um
horizonte profissional transmitido entre gerações. Essa transformação coloca uma questão
sociologicamente relevante: em que medida as lideranças sindicais metalúrgicas
contemporâneas continuam refletindo o padrão clássico de origem social do operariado
industrial brasileiro, marcado pela migração rural, ou passaram a expressar trajetórias
associadas à reprodução intergeracional da condição operária em regiões urbano-industriais
consolidadas?
As entrevistas analisadas neste estudo sugerem a presença desse processo geracional.
Em diversos casos, os dirigentes entrevistados são filhos de trabalhadores industriais que
migraram anteriormente para os centros industriais paulistas, enquanto os próprios
entrevistados cresceram em contextos urbanos fortemente marcados pela presença da indústria.
Nessas trajetórias, a socialização para o trabalho fabril ocorre frequentemente de forma precoce,
mediada por redes familiares, experiências locais de trabalho e instituições de formação
profissional. Ao mesmo tempo, as narrativas também indicam a persistência de trajetórias
familiares associadas à migração e à origem rural, evidenciando que os processos de formação
da classe trabalhadora industrial continuam socialmente heterogêneos.
Fernando Ramalho MARTINS e Filipe Augusto Freitas MELO
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É nesse contexto que se insere o presente artigo. O objetivo é analisar o perfil social e
as trajetórias de militância de lideranças sindicais metalúrgicas vinculadas à Federação Estadual
dos Metalúrgicos da CUT no estado de São Paulo. A partir de um survey aplicado durante a 9ª
Plenária Estatutária da FEM-CUT/SP, realizada em Itanhaém (SP), em 2025, e de entrevistas
em profundidade com dirigentes e representantes sindicais
3
, buscamos compreender quem são
essas lideranças e como se constrói sua inserção na militância sindical.
A hipótese que orienta o artigo é que as trajetórias das lideranças metalúrgicas
contemporâneas refletem o processo de consolidação histórica de regiões urbano-industriais,
no qual a reprodução intergeracional da condição operária ganha maior peso relativo na
formação das trajetórias profissionais e políticas. Isso não significa o desaparecimento das
trajetórias associadas à migração rural ou à inserção recente na indústria, amplamente
documentadas pela literatura clássica, mas indica a coexistência de diferentes padrões de
origem social e de socialização para o trabalho industrial.
Este artigo contribui para a literatura sobre sindicalismo e sociologia do trabalho em três
aspectos principais. Em primeiro lugar, apresenta evidências empíricas recentes sobre o perfil
social e as trajetórias de militância de lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo. Em
segundo lugar, ao analisar essas trajetórias à luz da literatura clássica sobre o operariado
industrial brasileiro, o estudo permite atualizar o debate sobre as bases sociais do sindicalismo
metalúrgico contemporâneo, identificando simultaneamente elementos de continuidade e
transformação nos processos de recrutamento das lideranças. Por fim, o estudo evidencia que o
engajamento sindical se constrói por processos graduais de inserção e aprendizagem política no
cotidiano das relações de trabalho.
Além desta introdução, o artigo está organizado da seguinte forma. A próxima seção
apresenta o referencial teórico e o diálogo com a literatura sobre sindicalismo e formação de
lideranças no movimento sindical brasileiro, com especial atenção aos debates sobre a formação
da classe trabalhadora industrial e a reprodução social das lideranças sindicais. Em seguida,
descrevemos os procedimentos metodológicos da pesquisa, seguidos dos resultados do survey,
a partir dos quais discutimos o perfil social das lideranças e algumas características gerais de
sua inserção no mundo do trabalho e no movimento sindical. Posteriormente, analisamos as
trajetórias de formação da militância sindical, examinando os padrões de origem social dos
dirigentes e os processos de socialização política que estruturam suas trajetórias. Por fim, as
3
Entrevistas realizadas no âmbito do projeto Universal CNPq “A condição operária revisitada: os trabalhadores
da indústria automotiva paulista no início do século XXI” (Processo nº 407953/2021-3).
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considerações finais retomam os principais resultados do estudo e discutem suas implicações
para a compreensão das bases sociais e dos processos de formação das lideranças no
sindicalismo metalúrgico contemporâneo.
Metodologia
Este estudo adota uma abordagem de métodos mistos, combinando dados quantitativos
e qualitativos (Creswell; Creswell, 2021). O desenho da pesquisa baseia-se em uma estratégia
de triangulação concomitante, na qual os dois tipos de dados são produzidos de forma paralela
e, posteriormente, integrados na análise, permitindo articular a caracterização descritiva do
perfil social das lideranças com a reconstrução qualitativa de suas trajetórias de militância.
A etapa quantitativa consistiu na aplicação de um questionário estruturado destinado a
caracterizar o perfil social e ocupacional dos representantes sindicais presentes na Plenária
Estatutária da Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores no
estado de São Paulo (FEM-CUT/SP). A coleta foi realizada entre os dias 14 e 16 de maio de
2025, no município de Itanhaém (SP). Os participantes foram convidados a responder ao
questionário por meio de formulário eletrônico disponibilizado na plataforma Google Forms.
Ao todo, foram obtidas 71 respostas válidas, de um universo aproximado de 110 participantes
do evento.
A realização do levantamento durante a plenária da FEM-CUT constituiu uma estratégia
relevante de pesquisa, uma vez que o evento funciona como um espaço de convergência
organizativa, reunindo dirigentes e representantes sindicais provenientes de diferentes
sindicatos metalúrgicos do estado de São Paulo. Esse contexto permitiu acessar atores com
atuação regular nas instâncias federativas do sindicalismo metalúrgico e vinculados a distintas
realidades produtivas e organizativas.
É importante destacar, contudo, que o levantamento realizado não constitui uma amostra
probabilística, não permitindo generalizações estatísticas para o conjunto do sindicalismo
metalúrgico paulista. Trata-se de um recorte empírico definido por conveniência e
acessibilidade institucional, cujo alcance analítico é predominantemente descritivo e
exploratório. Ainda assim, o levantamento fornece informações relevantes sobre o perfil social
dos representantes que participam das instâncias federativas da categoria.
A etapa qualitativa baseou-se na realização de 33 entrevistas semiestruturadas com
dirigentes e representantes sindicais vinculados a sindicatos metalúrgicos paulistas filiados à
CUT, com destaque para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC). A seleção dos
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entrevistados ocorreu a partir de indicações de dirigentes sindicais e contemplou atores com
diferentes posições e trajetórias na estrutura sindical, incluindo membros de direções sindicais,
representantes em comissões de fábrica e integrantes de comitês sindicais de empresa.
As entrevistas foram realizadas entre maio de 2023 e abril de 2025. Enquanto o survey
permitiu identificar características estruturais do perfil social das lideranças, as entrevistas
foram mobilizadas para reconstruir trajetórias profissionais e processos de socialização política,
buscando compreender como experiências familiares, inserções ocupacionais e vivências no
local de trabalho contribuem para a formação da militância sindical.
O material qualitativo foi estudado por meio de análise de conteúdo (Bardin, 2011),
utilizando procedimentos de codificação aberta (Bryman, 2016), adequados ao caráter
exploratório da pesquisa. O processo de codificação foi realizado com o apoio do software
NVivo, que permitiu organizar o corpus de entrevistas, identificar categorias recorrentes nas
narrativas dos entrevistados e sistematizar dimensões analíticas relacionadas às trajetórias de
militância, às experiências no trabalho e às interpretações produzidas pelos dirigentes sobre os
desafios contemporâneos do sindicalismo.
Por fim, a integração entre os dados quantitativos e qualitativos foi orientada por uma
lógica de complementaridade analítica. Enquanto o levantamento fornece uma base descritiva
sobre o perfil social das lideranças presentes na plenária da FEM-CUT, as entrevistas permitem
aprofundar a análise das trajetórias de formação da militância sindical, possibilitando
compreender como essas lideranças constroem suas disposições militantes e interpretam os
desafios contemporâneos da ação coletiva no setor metalúrgico.
Perfil social das lideranças sindicais metalúrgicas
Esta seção apresenta o perfil social e ocupacional das lideranças sindicais presentes na
Plenária Estatutária da FEM-CUT/SP com base nos dados do survey aplicado durante o
evento. Mais do que oferecer uma caracterização meramente descritiva do grupo pesquisado, a
análise desses dados permite identificar alguns traços estruturais das bases sociais do
sindicalismo metalúrgico contemporâneo, fornecendo elementos para compreender quem são
os sujeitos que ocupam posições de liderança no interior da categoria.
De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, a
categoria dos metalúrgicos é majoritariamente masculina: 86,32% são trabalhadores desse sexo,
enquanto 13,68% são trabalhadoras do sexo feminino. Entre os delegados sindicais da amostra,
as trabalhadoras estão ainda mais sub-representadas: são apenas 9,9% diante de 90,1% de
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delegados do sexo masculino. Esses dados indicam que, embora o setor metalúrgico seja
historicamente marcado por forte predominância masculina, essa assimetria também se
reproduz no interior das instâncias de representação sindical, sugerindo a persistência de
barreiras à participação feminina nas posições de liderança da categoria.
No que se refere à cor ou raça dos dirigentes, 49,3% se declaram brancos, enquanto
26,8% e 23,9% se declaram, respectivamente, pretos e pardos. Isso indica uma distribuição
relativamente equilibrada entre participantes brancos e não-brancos, sugerindo que as instâncias
de representação sindical refletem, ao menos parcialmente, a diversidade racial presente na base
social da categoria metalúrgica.
Os dirigentes sindicais presentes na plenária da FEM-CUT se concentram, em sua
maioria, nas faixas etárias a partir dos 36 anos, sendo que 46,5% têm entre 46 e 55 anos.
Figura 1 Distribuição dos dirigentes sindicais por faixa etária (em %)
Fonte: Elaboração dos autores.
Esse padrão etário aproxima-se daquele identificado por Carvalho e Bicev (2021) em
estudo sobre o perfil das direções da CUT, no qual também se observa a predominância de
dirigentes situados em faixas etárias mais elevadas, associadas a trajetórias mais longas de
inserção no mundo do trabalho e na militância sindical. Esse perfil sugere que o acesso às
posições de liderança tende a estar relacionado a percursos mais prolongados de experiência
profissional e organizativa no interior da categoria.
Quanto à religião, os que se declaram católicos são maioria absoluta: 69%. Os
evangélicos (14,1%) e os sem religião (8,5%) são os outros grupos que superam a marca dos
5%.
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Figura 2 Distribuição dos dirigentes sindicais por religião (em %)
Fonte: Elaboração dos autores.
A presença majoritária de dirigentes católicos reflete, em certa medida, padrões
historicamente observados na composição religiosa da classe trabalhadora brasileira
4
. Ao
mesmo tempo, a presença de evangélicos e de indivíduos sem religião sugere uma
diversificação crescente das referências religiosas entre os dirigentes sindicais.
No que se refere à escolarização, observa-se que atualmente apenas 11,3% das
lideranças estão estudando. Ainda assim, os dados indicam que o nível educacional dessas
lideranças é superior ao de seus pais, como é possível visualizar nas figuras a seguir.
4
Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que os católicos permanecem como o principal grupo religioso
do país (56,7% da população), embora em trajetória de queda desde 2010. (Loschi, 2025). Disponível em:
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43593-censo-2022-
catolicos-seguem-em-queda-evangelicos-e-sem-religiao-crescem-no-pais. Acesso em: 20 mar. 2026.
Lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo: perfil social e trajetórias de formação da militância sindical
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Figura 3 Distribuição dos dirigentes sindicais por escolarização (em %)
Fonte: Elaboração dos autores.
Figura 4 Distribuição dos dirigentes sindicais por escolarização do pai (em %)
Fonte: Elaboração dos autores.
A comparação entre o nível de escolaridade dos dirigentes e o de seus pais sugere a
presença de um processo de mobilidade educacional intergeracional no interior dessas
trajetórias. Esse resultado aproxima-se de achados de pesquisas recentes sobre o perfil das
direções sindicais no Brasil. Estudos baseados nos congressos nacionais da CUT indicam um
crescimento contínuo da escolaridade dos dirigentes, com aumento significativo da proporção
de lideranças com ensino superior ao longo da última década (Carvalho; Bicev, 2021)
Quanto à origem das lideranças, observa-se que não se trata predominantemente de
trabalhadores migrantes de outros estados. Com efeito, apenas 14,1% dos dirigentes são
provenientes do Nordeste, 4,8% do Sul e 4,2% de outros estados do Sudeste. Não responderam
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à pesquisa migrantes do Norte ou do Centro-Oeste. 8,5% dos respondentes nasceram na capital
paulista, 12,7% no ABC paulista e os demais, 57,7%, nasceram em outros municípios do estado.
Esse padrão sugere que, ao menos entre os participantes da plenária analisada, as
lideranças sindicais metalúrgicas não são predominantemente compostas por trabalhadores
migrantes de primeira geração industrial, como descrito em parte da literatura clássica sobre o
operariado brasileiro. Em vez disso, observa-se a predominância de dirigentes oriundos do
próprio estado de São Paulo e socializados em regiões já marcadas pela presença da indústria.
No que se refere à estrutura familiar, 77,5% dos entrevistados afirmaram estar casados
ou vivendo maritalmente, enquanto 16,9% se declararam divorciados ou separados e 5,6%
afirmaram estar solteiros. Do total, apenas 7% afirmaram não ter filhos, contra 36,6% com
apenas um filho, 42,3% com dois filhos, 9,9% com três filhos e 4,2% com quatro ou mais filhos.
Em relação à ocupação do cônjuge, observa-se que, em sua maioria, exercem trabalho
remunerado. Isso indica um cenário no qual as famílias de líderes sindicais dependem
frequentemente de mais de uma fonte de renda, como é possível verificar no gráfico a seguir.
Figura 5 Ocupação do cônjuge
Fonte: Elaboração dos autores.
Esses dados sugerem um perfil familiar relativamente estabilizado entre as lideranças
sindicais analisadas, marcado pela predominância de uniões conjugais duradouras, presença de
filhos e acesso à moradia própria.
Com efeito, 56,3% dos entrevistados afirmaram viver com cônjuge ou companheira/o e
filhas/os, ao passo que 21,1% vivem apenas com cônjuge ou companheira/o e 15,5% vivem
sozinhos. A maior parte (83,3%) reside em casas, e não em apartamentos. Além disso, 53,5%
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vivem em residência própria quitada, enquanto 39,4% vivem em residência própria ainda não
quitada. Apenas 5,6% vivem em domicílio alugado e 1,4% em domicílio cedido.
Todos os dirigentes possuem contrato de trabalho permanente com suas respectivas
empresas, seja como horista ou mensalista. A maioria trabalha na mesma empresa há mais de
onze anos, como é possível observar na figura a seguir.
Figura 6 Tempo de trabalho na empresa
Fonte: Elaboração dos autores.
Esse dado sugere a presença de trajetórias profissionais relativamente estáveis no
interior da indústria metalúrgica, nas quais a permanência prolongada na mesma empresa
constitui uma característica recorrente. Quanto à segurança no emprego, 14,1% disseram estar
muito preocupados em perder seus empregos nos próximos anos, 42,3% afirmaram estar
parcialmente preocupados e 43,7% responderam não estar preocupados.
No que se refere aos rendimentos, a maioria das lideranças sindicais recebe salários
situados entre 3.001 e 7.000 reais.
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Figura 7 Faixa salarial
Fonte: Elaboração dos autores.
Antes de trabalharem em suas empresas atuais, 60,6% das lideranças já trabalhavam na
indústria: 1,4% em montadoras de veículos, 11,3% em empresas fabricantes de autopeças,
26,8% em outras empresas metalúrgicas e 21,1% em indústrias não-metalúrgicas. Apenas 9,9%
não tiveram outro emprego além do atual. Outros 15,5% trabalhavam anteriormente no
comércio, enquanto 7% são egressos do setor de serviços e 5,6% afirmaram ter trabalhado por
conta própria. Apenas 1,4% declararam experiência prévia na lavoura.
Esse conjunto de informações indica que a maior parte das lideranças possui trajetórias
profissionais fortemente ancoradas no setor industrial. A passagem prévia por diferentes
empresas metalúrgicas ou segmentos da indústria sugere percursos ocupacionais construídos
predominantemente no interior do universo produtivo.
Quase um quarto das lideranças (23,9%) tem familiares que trabalham na mesma
empresa. A indicação de familiares foi responsável por 19,7% dos dirigentes conseguirem seus
empregos, número superado pela indicação de amigos (23,9%) e pelos processos formais de
seleção (50,7%).
Os dados do survey também indicam uma forte identificação dessas lideranças com a
condição trabalhadora. Diante de diferentes opções de autoidentificação, 80,3% dos
respondentes se definem como pertencentes à classe trabalhadora, enquanto 18,3% optam pela
categoria operário e apenas 1,4% se percebem como integrantes da classe média. Esse resultado
Lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo: perfil social e trajetórias de formação da militância sindical
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sugere que, mesmo estando inseridos no trabalho industrial, os dirigentes tendem a privilegiar
uma identificação mais ampla com a classe trabalhadora em detrimento de categorias mais
específicas como a de operário. Tal padrão indica que a experiência sindical e a atuação em
posições de representação contribuem para a construção de uma identidade de classe mais
abrangente, que ultrapassa a definição estrita associada à posição ocupacional no processo
produtivo.
Esse padrão de identificação aparece articulado a uma avaliação relativamente positiva
do trabalho nas empresas em que atuam. 83,1% dos dirigentes afirmam sentir orgulho de
trabalhar na empresa em que trabalham, enquanto 8,5% afirmam não sentir orgulho e 8,5% não
souberam responder.
No que se refere ao uso do tempo livre, 50,7% das lideranças sindicais afirmam assistir
televisão como principal passatempo, seguido por navegar na internet (39,4%). Participar de
churrascos (38%), visitar amigos e parentes (32,4%), ir a barzinhos (25,4%), ler (23,9%) e
frequentar igrejas (21,1%) também aparecem como atividades recorrentes entre os dirigentes.
Figura 8 Faixa salarial
Fonte: Elaboração dos autores.
Em conjunto, os dados do survey delineiam o perfil de lideranças sindicais
predominantemente masculinas, com trajetórias profissionais longas no setor industrial, níveis
de escolaridade superiores aos de suas famílias de origem e forte identificação com a condição
de trabalhadores. Esse retrato fornece uma base empírica para compreender quem são os
sujeitos que ocupam posições de liderança no sindicalismo metalúrgico contemporâneo.
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Na seção seguinte, a análise das entrevistas permite aprofundar essa caracterização ao
reconstruir as trajetórias sociais e os processos de socialização política que conduziram esses
trabalhadores à militância sindical.
Trajetórias sociais, profissionais e sindicais das lideranças entrevistadas
Os resultados do levantamento apresentados na seção anterior indicam que as lideranças
analisadas possuem trajetórias relativamente longas de inserção no trabalho industrial e forte
identificação com a condição de classe trabalhadora. Para compreender com maior
profundidade como se estruturam esses percursos, esta seção examina as trajetórias de formação
da militância a partir das entrevistas em profundidade realizadas com dirigentes sindicais.
No clássico estudo de Martins Rodrigues (1970), o operariado industrial paulista era
predominantemente composto por trabalhadores de primeira geração e oriundos do meio rural.
Nas trajetórias analisadas neste artigo, por outro lado, observa-se com frequência a presença de
dirigentes que cresceram em famílias inseridas no universo industrial. Em diversos relatos,
os entrevistados são filhos de trabalhadores metalúrgicos ou de outros trabalhadores da
indústria, tendo sido socializados desde cedo em contextos urbanos marcados pela presença da
atividade fabril.
Esse padrão sugere a presença de processos de reprodução intergeracional da condição
operária, nos quais o trabalho industrial aparece como horizonte ocupacional relativamente
consolidado entre gerações sucessivas. A presença recorrente de familiares vinculados à fábrica
nas narrativas dos entrevistados funciona como um vetor de socialização ocupacional que
contribui não apenas para a manutenção dos vínculos laborais, mas também para a transmissão
de referências simbólicas e experiências coletivas associadas à identidade operária. Esse
resultado dialoga com os dados do levantamento apresentados na seção anterior, que indicam a
predominância de dirigentes nascidos no próprio estado de São Paulo e socializados em regiões
já marcadas pela presença histórica da indústria.
Isso não significa, contudo, o desaparecimento das trajetórias associadas à migração ou
à origem rural. Em diversas narrativas, os pais ou avós dos dirigentes aparecem como
trabalhadores provenientes do meio rural ou de regiões periféricas do país que migraram para
os polos industriais paulistas em busca de melhores condições de vida.
Em uma das entrevistas, por exemplo, um dirigente relata que sua família tinha origem
no meio rural e que a migração para a indústria ocorreu apenas na geração de seus pais:
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sou de uma família muito humilde, meu pai, minha mãe, meus avós
trabalhavam na roça, algumas vezes meu pai deixou a família e veio
trabalhar aqui, trabalhou na Petroquímica União, trabalhou na usina nuclear
de Angra dos Reis, mas eram períodos curtos, de 6 meses, 8 meses, ganhava
um dinheiro e tinha que voltar para para cuidar da roça e dos filhos
(Entrevista com diretor executivo do SMABC, 12 jun. 2024).
Ainda nesse sentido, outro entrevistado reportou:
Bom, eu sou do estado do Ceará, mais precisamente nascido na cidade de
Mauriti, eu sou filho de agricultores. Meu pai é agricultor, sempre moraram
no campo, minha mãe, eles têm basicamente o ensino primário. Eu vim para
São Paulo em 91 primeiramente, eu tinha 16 anos (Entrevista com
Coordenador da Regional do SMABC, 28 ago. 2024).
Esses relatos ilustram trajetórias familiares nas quais a migração rural-urbana constituiu
uma etapa importante do processo de inserção industrial. Os excertos evidenciam a centralidade
da família na socialização inicial para o trabalho industrial. Além disso, as trajetórias são
marcadas por experiências precoces de trabalho, frequentemente em contextos de informalidade
e necessidade econômica, anteriores ao ingresso em grandes empresas metalúrgicas. Essas
experiências são narradas retrospectivamente como momentos formativos decisivos.
[...] eu sempre fui inquieto por conta da injustiça que eu percebia,
principalmente na escola ou na rua. Desde pequeno, enxergando aquela
dificuldade, eu tinha fissura em trabalhar para ajudar com alguma coisa.
Então, com 8 ou 9 anos, eu pedia para minha mãe ou para alguém arrumar um
saco para andar pelos terrenos baldios da região, para catar lata, alguma coisa,
pra vender para o sujeito que passava ali no carrinho. Para ganhar algum
dinheiro, para ter dinheiro para comprar um pão, alguma coisa assim. Então,
eu queria ser adulto muito cedo, ter responsabilidade e trabalhar (Entrevista
com dirigente que exerce alto cargo no SMABC, 21 nov. 2024).
Em outros casos, a inserção precoce no trabalho aparece associada à vivência direta da
exploração e à emergência de formas elementares de reação coletiva, ainda fora do espaço
sindical formal:
Acho que tinha 14 [anos quando comecei a trabalhar]. [...] Eu trabalhei em
uma empresa [...] onde eu tive o meu primeiro contato com o mundo do
trabalho [...] quem me arrumou isso foi a minha mãe. [...] E foi o meu primeiro
contato com o mundo do trabalho. Nós trabalhávamos de segunda a sábado
[...] O Seu M., por diversas vezes, pedia para a gente ficar além da jornada.
[...] A gente ficava lá. que ele não pagava hora extra para nós, e a gente
achava aquilo injusto. E um dia nós questionamos (trabalhava eu, meu irmão
e um amigo meu nessa fábrica): “Seu M., a gente fica até mais tarde aí, mas o
senhor não paga hora extra”. [...] Ele falou: “Mas não tem que pagar hora
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extra, vocês ganham caixinha do cliente.” Eu falei: “Não, mas caixinha é outra
coisa”. [...] eu organizei uma greve. Acho que tinha uns dez
trabalhadores [...] eu falei: “Porra, vamos parar isso aqui, não é justo o Seu
M. fazer o que ele faz com a gente”. Todo mundo concordou na hora. [...] Na
hora do almoço, depois do almoço, a gente não volta ao trabalho. [...] ele
chegou [...] e viu a gente parado. Ele falou: “Ué, vocês não vão voltar para o
trabalho?” Eu falei: “Não, não vamos voltar não, enquanto o senhor não pagar
hora extra ninguém volta ao trabalho aqui”. Ele virou um animal. [...] Ele deu
um grito que acabou a greve na hora, todo mundo ficou com medo, quem
continuou a “greve” foi eu, meu irmão e esse amigo meu. [...] E por óbvio que
ele demitiu os três; e ligou para minha mãe (Entrevista com dirigente que
exerce alto cargo no SMABC, 12 jun. 2024).
Essa fala é representativa de algo recorrentemente relatado nas entrevistas: a vivência
da exploração muitas vezes antecede a militância sindical formal, funcionando como
experiência inaugural de indignação moral e de ação coletiva.
A entrada no setor metalúrgico aparece, para muitos entrevistados, como um momento
de inflexão na trajetória profissional, no qual experiências laborais marcadas pela instabilidade
e pela circulação por diferentes ocupações cedem lugar a percursos mais contínuos no interior
da indústria.
Eu trabalhava cinco meses em uma [empresa], era novo ainda e não tinha
aquela responsabilidade, então eu ficava numa fábrica, não gostava muito e
saía. [...] Até que eu entrei nessa fábrica que eu trabalho. Tinha um pessoal
mais antigo, fiz amizade com eles e tal. Eles acabavam pegando no meu pé e
tal “não, trabalha direitinho aí que você vai ser efetivo e tal” e graças a Deus,
deu certo! eu fiquei e estou 22 anos (Entrevista com coordenador
regional do SMABC, 12 jun. 2024).
Então, eu comecei a trabalhar aos 14 anos em uma indústria gráfica [...]
trabalhei um ano nessa gráfica, depois eu saí de e comecei a trabalhar em
uma metalúrgica em São Caetano do Sul [...]por dois anos. Depois de lá,
trabalhei na Auto Comércio e Indústria Acil [...] trabalhei por quatro anos e
meio também e depois de trabalhei um mês na antiga BVE (Brasinca
Veículos Especiais) [...] trabalhei apenas um mês lá. E aí, eu tinha enviado um
currículo aqui para a Scania e fui chamado aqui na Scania, entrei na Scania e
estou até hoje (Entrevista com coordenador de CSE em montadora em São
Bernardo do Campo, 7 mar. 2025).
No que se refere à aproximação com o sindicato, as entrevistas indicam que o ingresso
na militância raramente ocorre de forma imediata. Em diversos casos, ele é mediado por
colegas, chefias intermediárias ou por situações concretas de conflito no local de trabalho,
sendo frequentemente acompanhado, no início, por desconfiança em relação às organizações
sindicais.
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O Expedito uma vez me chamou e falou assim: “Olha, eu estou sabendo que
vai ter eleição [da Comissão de Fábrica] aí e que o Bezerrinha te chamou. Por
que você não vai na chapa com ele?” Eu falei: “Expedito, negócio de
sindicato, eu não vou me meter com isso não, é tudo ladrão”. Ele falou:
“Você conhece o seu sindicato?” Eu falei: “Não”. Ele falou: “Então antes de
você dizer isso votinha que conhecer o seu sindicato. [...] Outra coisa: você
não terá futuro aqui dentro da fábrica, você fala demais [...] no sindicato eu
vejo um caminho para você, pelo fato de você falar. (E o cara era chefe!)”
(Entrevista com dirigente que exerce alto cargo no SMABC, 12 jun. 2024)
eu estava indo para o refeitório, estou comendo [...] pintou o debate sobre
a PLR [Participação nos Lucros e Resultados] [...] e eu comecei a destilar
todo o meu senso comum na mesa, tipo: “Olha, esse negócio de PLR aí, o
sindicato é um bando de ladrão!” [...] “E outra, um monte de velho de cabelo
branco que fica gritando no microfone [...]”, enfim. [...] a pessoa virou para
mim e falou: “Pô, cara, que legal! Você é uma pessoa crítica, né?” [...] “Você
já pensou em ir para o sindicato?” Eu falei: “Você está louco, cara! [...] Esses
malucos, um bando de máfia, ladrão. Vão me matar lá. Não posso entrar nesse
negócio.” [...] ele falou: “Prazer. Moisés da Comissão de Fábrica” (Entrevista
com dirigente que exerce alto cargo na Confederação Nacional dos
Metalúrgicos da CUT CNM-CUT, 21 fev. 2025).
Os excertos permitem observar que a militância se constrói por meio de processos
graduais de socialização política, nos quais a experiência prática da representação e o embate
cotidiano antecedem a adesão ideológica explícita. Como demonstram os relatos, a resistência
inicial cede espaço a trajetórias progressivas que se profissionalizam ao passar pela CIPA, pela
Comissão de Fábrica ou pelo Comitê Sindical de Empresa, culminando no ingresso na direção
sindical.
Além disso, algumas trajetórias são atravessadas por experiências prévias de militância
fora do sindicalismo metalúrgico, como a participação em movimentos religiosos, sociais ou
sindicais em outros setores, inclusive no meio rural:
Meu pai foi o primeiro trabalhador a se associar, naquela região, ao sindicato
dos rurais e, com o tempo, o meu irmão começou a militar nos trabalhadores
rurais e se tornou Presidente do Sindicato [...] fizeram muitas lutas,
conquistaram terra [...] o trabalhador [...] sofria muita ameaça [...] então tem
uma... tinha uma certa inspiração pelo movimento sindical, corria um
pouco nas veias essa questão de lutar pelos trabalhadores (Entrevista com
membro da Diretoria Executva do SMABC, 12 jun. 2024).
Agora fazendo a junção [...] até então [...] eu tinha a ação política na sociedade
muito desvinculada com a ação política dentro da fábrica. Era a teologia da
libertação, era a Pastoral da Terra, era a Pastoral da Criança, era a Pastoral da
Juventude e tal [...] mas eu não entendia essa vinculação com o mundo do
trabalho, e a partir daí, comecei a entender (Entrevista com dirigente que
exerce alto cargo na CNM-CUT, 21 fev. 2025)
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Essas trajetórias sugerem que a formação das disposições associadas ao habitus
militante, nos termos propostos por Rombaldi e Tomizaki (2017), pode ter início no contato
com situações percebidas, nas narrativas dos entrevistados, como formas de injustiça no
cotidiano laboral. Nesse processo, experiências concretas de exploração, conflito e contestação
no interior das relações de trabalho tendem a funcionar como momentos iniciais de socialização
política, a partir dos quais os trabalhadores passam a reinterpretar sua posição no universo
produtivo e a reconhecer a ação coletiva como um repertório legítimo de intervenção. A
constituição das lideranças sindicais aparece, assim, menos como resultado de uma adesão
ideológica imediata e mais como produto de trajetórias graduais de engajamento, nas quais a
participação em conflitos cotidianos e em instâncias de representação no local de trabalho
contribui para a incorporação progressiva de disposições militantes. Ainda que as condições
gerais de trabalho sejam frequentemente avaliadas de forma positiva pelos dirigentes, o
cotidiano das fábricas permanece atravessado por conflitos e tensões que alimentam processos
de mobilização e socialização política.
Em síntese, as trajetórias analisadas evidenciam um padrão distinto daquele descrito nos
estudos clássicos sobre o operariado industrial paulista: no conjunto dos entrevistados, tende a
prevalecer a socialização em um universo urbano-industrial já consolidado e, em muitos casos,
a reprodução intergeracional da condição operária, com a família desempenhando papel central
na construção inicial da identidade metalúrgica. Essa configuração contribui para compreender
os resultados do levantamento, que evidenciam uma forte inserção das lideranças no universo
produtivo e uma ampla identificação com a condição de classe trabalhadora.
As entrevistas indicam ainda que o ingresso no sindicato tende a ocorrer por meio de
experiências sucessivas de participação e representação no local de trabalho. Trata-se de um
processo de socialização política no qual experiências prévias de inserção no trabalho se
articulam a redes de sociabilidade no ambiente produtivo, à participação em instâncias
intermediárias de representação e a práticas cotidianas de negociação e enfrentamento. Esse
percurso cumulativo contribui para a incorporação progressiva de disposições favoráveis à ação
coletiva, que se consolidam ao longo das trajetórias de militância.
Tal processo permite interpretar a construção da militância como formação progressiva
de um habitus militante (Rombaldi; Tomizaki, 2017), no qual disposições práticas forjadas no
cotidiano do trabalho são convertidas em orientações duráveis para a ação coletiva. Essas
trajetórias também estruturam as formas pelas quais os dirigentes percebem e interpretam os
desafios contemporâneos da ação sindical no setor metalúrgico.
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Considerações finais
A análise apresentada neste artigo buscou compreender o perfil social e as trajetórias de
militância das lideranças sindicais metalúrgicas vinculadas à FEM-CUT no estado de São
Paulo. A partir da combinação entre os dados do survey aplicado durante a Plenária
Estatutária da federação e as entrevistas em profundidade realizadas com dirigentes sindicais,
foi possível identificar algumas características centrais que marcam tanto a composição social
dessas lideranças quanto os percursos de formação de sua militância.
Os resultados do levantamento indicam que as lideranças analisadas apresentam
trajetórias relativamente longas de inserção no mundo do trabalho industrial, frequentemente
associadas a experiências precoces de trabalho e a fortes vínculos com o universo fabril.
Observa-se também um padrão de escolarização superior ao das gerações anteriores e
uma forte identificação com a condição de classe trabalhadora, indicando a consolidação de um
perfil de dirigente sindical profundamente enraizado no universo produtivo. Nesse sentido, os
resultados dialogam com achados recentes da literatura sobre o perfil das direções da CUT, que
apontam para a predominância masculina entre os dirigentes, o aumento progressivo da
escolarização e a presença de trajetórias longas de militância sindical (Carvalho; Bicev, 2021).
As entrevistas em profundidade, por sua vez, permitem reconstruir com maior detalhe
os processos de formação da militância sindical. Os relatos indicam que muitos dirigentes
cresceram em famílias inseridas no setor industrial, o que favorece processos de socialização
precoce para o trabalho fabril e para a cultura operária. Em diversos casos, os entrevistados são
filhos de trabalhadores que migraram anteriormente para os centros industriais paulistas,
enquanto eles próprios foram socializados em contextos urbanos fortemente marcados pela
presença da indústria.
Se, nos estudos clássicos sobre o operariado industrial paulista, predominavam
trabalhadores de primeira geração industrial, frequentemente oriundos do meio rural e
recentemente incorporados ao universo urbano-industrial, as trajetórias observadas entre as
lideranças entrevistadas sugerem um contexto marcado pela consolidação histórica de regiões
urbano-industriais nas quais o trabalho fabril passa a ser transmitido, em muitos casos, entre
gerações. As entrevistas indicam, assim, a presença de dirigentes pertencentes a uma segunda
geração de trabalhadores industriais, socializados desde cedo em ambientes familiares e
territoriais fortemente marcados pela presença da indústria.
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Isso não significa, contudo, o desaparecimento das trajetórias associadas à migração ou
à origem rural. Em diversas narrativas, os pais ou avós dos dirigentes aparecem como
trabalhadores provenientes do meio rural ou de regiões periféricas do país que migraram para
os polos industriais paulistas em busca de melhores condições de vida. Desse modo, as
trajetórias analisadas revelam a coexistência de diferentes padrões de origem social, refletindo
processos históricos mais amplos de formação e consolidação da classe trabalhadora industrial
no Brasil.
Em conjunto, os resultados sugerem que a formação das lideranças sindicais
metalúrgicas não se reduz a um processo de adesão ideológica ou a decisões individuais
isoladas, mas se estrutura ao longo de trajetórias cumulativas de inserção no trabalho industrial
e de participação em instâncias de representação no local de trabalho. Nesse sentido, a
militância sindical pode ser compreendida como resultado de processos graduais de
socialização política, nos quais experiências cotidianas de trabalho, conflito e negociação
contribuem para a incorporação de disposições favoráveis à ação coletiva. Esses percursos
permitem interpretar a formação das lideranças como constituição de um habitus militante, no
qual disposições práticas forjadas no universo produtivo são convertidas em orientações
duráveis para a ação sindical.
Por fim, algumas limitações da pesquisa devem ser consideradas. O levantamento
quantitativo foi realizado durante um evento específico da federação, e não constitui uma
amostra probabilística do conjunto das lideranças sindicais metalúrgicas do estado de São
Paulo. Ainda assim, a combinação entre survey e entrevistas em profundidade permitiu
construir um retrato consistente do perfil social e das trajetórias de militância de dirigentes que
participam das instâncias organizativas da categoria. Pesquisas futuras poderão aprofundar essa
agenda investigando comparativamente outras regiões do país ou distintos setores industriais,
contribuindo para ampliar a compreensão das transformações em curso nas bases sociais do
sindicalismo brasileiro.
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SILVA, Thamires Cristina da. Somos Governo!: uma análise do sindicalismo brasileiro nos
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Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2023.
F er n a n d o R a m al h o M A R TI N S e Fili pe A u g ust o Fr eit as M E L O
Est u d os de S o ci ol o gi a , Ar ar a q uar a, v. 3 1, n. es p. 1, e 0 2 6 0 0 6, 2 0 2 6. e -I S S N: 1 9 8 2-4 7 1 8
D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 0 8 0 2 5
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : N ã o .
Fi n a n ci a m e nt o : Pr oj et o U ni v ers al C N P q A c o n di ç ã o o p er ári a r e visit a d a: os tr a b al h a d or es
d a i n d ústri a a ut o m oti v a p a ulista n o i ní ci o d o s é c ul o X XI ( Pr o c ess o 4 0 7 9 5 3/ 2 0 2 1 -3) .
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h o u v e c o nflit os d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : N ã o pr e cis o u .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : N ã o .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : A m b os os a ut or es c o ntri b r a m i g u al m e nt e p ar a a o br a .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21080 1
METALWORKERS LEADERSHIP IN SÃO PAULO: SOCIAL PROFILE AND
TRAJECTORIES OF LABOR ACTIVISM FORMATION
LIDERANÇAS METALÚRGICAS NO ESTADO DE SÃO PAULO: PERFIL SOCIAL E
TRAJETÓRIAS DE FORMAÇÃO DA MILITÂNCIA SINDICAL
LIDERAZGOS METALÚRGICOS EN EL ESTADO DE SÃO PAULO: PERFIL SOCIAL
Y TRAYECTORIAS DE FORMACIÓN DE LA MILITANCIA SINDICAL
How to reference this paper:
MARTINS, Fernando Ramalho; MELO, Filipe Augusto Freitas.
Metalworkers leadership in São Paulo: social profile and
trajectories of labor activism formation. Estudos de Sociologia,
Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN: 1982-4718.
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21080.
| Submitted: 09/04/2026
| Revisions required: 15/04/2026
| Approved: 05/05/2026
| Published: 27/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Maria Chaves Jardim
1
São Paulo State University (Unesp), Araraquara São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the Federal
University of São Carlos (UFSCar). Assistant Professor in the Department of Public Administration at the School
of Sciences and Letters (FCLAr), São Paulo State University (Unesp), Araraquara. Assistant Professor, FCLAr.
2
University of São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the University of
São Paulo (USP). Currently pursuing postdoctoral research in the Department of Sociology at the University of
São Paulo (USP). Postdoctoral Researcher, Department of Sociology, USP.
Metalworkers leadership in São Paulo: social profile and trajectories of labor activism formation
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ABSTRACT: This article analyzes the social profile and trajectories of union activism among
metalworker leaders affiliated with the São Paulo State Federation of Metalworkers of the
Central Única dos Trabalhadores (FEM-CUT). The study combines quantitative data from a
survey conducted during the 9th Statutory Plenary of FEM-CUT/SP in 2025 with in-depth
interviews carried out with union leaders from different metalworker unions in the state of São
Paulo. The findings indicate that the social profile of these leaders displays relatively stable
characteristics, including male predominance, long-term union experience, and rising levels of
education. The trajectories analyzed point to the increasing relevance of the intergenerational
reproduction of the working-class condition and to the gradual formation of union activism
within a consolidated urban-industrial environment. The article contributes to the understanding
of contemporary metalworker unionism and of the processes through which union leadership is
formed within the working class.
KEYWORDS: Unionism. Union leadership. Metalworkers. Trajectories of activism.
Sociology of work.
RESUMO: Este artigo analisa o perfil social e as trajetórias de militância de lideranças
sindicais metalúrgicas vinculadas à Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única
dos Trabalhadores (FEM-CUT) no Estado de São Paulo. A pesquisa combina dados
quantitativos provenientes de um survey aplicado durante a Plenária Estatutária da FEM-
CUT/SP, realizada em 2025, com entrevistas em profundidade conduzidas com dirigentes
sindicais de diferentes sindicatos metalúrgicos paulistas. Os resultados indicam que o perfil
dessas lideranças apresenta características relativamente estáveis, como predominância
masculina, elevada experiência sindical e escolaridade crescente. As trajetórias analisadas
sugerem mudanças nas bases sociais da militância sindical. Observa-se entre as lideranças
entrevistadas a recorrência de trajetórias associadas à reprodução intergeracional da
condição operária e à construção gradual da militância no interior do universo fabril. O artigo
contribui para a compreensão das bases sociais do sindicalismo metalúrgico contemporâneo
e dos processos de formação de lideranças no interior da classe trabalhadora.
PALAVRAS-CHAVE: Sindicalismo. Lideranças sindicais. Metalúrgicos. Trajetórias de
militância. Sociologia do trabalho.
RESUMEN: Este artículo analiza el perfil social y las trayectorias de militancia de dirigentes
sindicales metalúrgicos vinculados a la Federación Estadual de los Metalúrgicos de la Central
Única de los Trabajadores (FEM-CUT) en el estado de São Paulo. La investigación combina
datos cuantitativos provenientes de una encuesta aplicada durante la Plenaria Estatutaria
de la FEM-CUT/SP, realizada en 2025, con entrevistas en profundidad realizadas a dirigentes
de distintos sindicatos metalúrgicos paulistas. Los resultados indican que el perfil de estas
dirigencias presenta características relativamente estables, como predominio masculino,
elevada experiencia sindical y niveles crecientes de escolaridad. Las trayectorias analizadas
sugieren cambios en las bases sociales de la militancia sindical. Entre los dirigentes
entrevistados se observa con frecuencia trayectorias asociadas a la reproducción
intergeneracional de la condición obrera y a la construcción gradual de la militancia dentro
del propio universo fabril. El artículo contribuye a la comprensión de las bases sociales del
sindicalismo metalúrgico contemporáneo.
PALABRAS CLAVE: Sindicalismo. Liderazgo sindical. Trabajadores metalúrgicos.
Trayectorias de militancia. Sociología del trabajo.
Fernando Ramalho MARTINS and Filipe Augusto Freitas MELO
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026006, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21080: 3
Introduction
Recent transformations in the world of work have brought the debate on the future of
unionism in Brazil back to the fore. The intensification of productive restructuring, the
flexibilization of labor and employment relations, and institutional changes in the labor field
have deepened challenges already familiar to traditional forms of collective organization and
representation. In this context, questions concerning mobilization capacity, representativeness,
and the power resources of union action have once again occupied a central place in the research
agenda on contemporary unionism.
The debate on the transformations of Brazilian unionism, however, is not recent. Since
the 1990s, authors such as Leôncio Martins Rodrigues have discussed whether unions were
facing a process of structural decline or a crisis that could be recomposed in light of changes in
contemporary capitalism (Martins Rodrigues, 1999). Over the following decades, this debate
was progressively reframed by studies emphasizing processes of adaptation and reconfiguration
of the social and political bases of unionism (Santana; Rodrigues; Diéguez, 2023). In this
process, changes in the productive sphere that began in the 1990s demanded a new leadership
profile, while new agendaswhich Nancy Fraser (2017) calls emancipatory agendas (gender
and race)were incorporated into union action. With the election of Luiz Inácio Lula da Silva
in 2002, an unprecedented space for action within the state apparatus also opened up, leading
many organizations to emphasize the institutional path to the detriment of organizational
maturation in response to transformations in the world of work (Silva, 2023).
This configuration revealed weaknesses in the period following the interruption of the
Workers Party cycle, when the union movement found itself weakened by the absence of
governmental support amid a severe process of deindustrialization. Studies on the closure of
plants such as LG (Taubaté), Mercedes-Benz (Iracemápolis), Toyota (SBC), and Ford (SBC
and Taubaté) show that, in this scenario of structural crisis, leaders are compelled to mobilize
networks of local actors and complex political resources to mediate the shutdown of activities
and its social impacts (Bicev; Melo, 2022; Martins; Melo, 2024; Melo, 2025).
Within this debate, a research agenda also became consolidated around the empirical
characterization of workers and union leaders, seeking to understand who the subjects are who
remain linked to union organizations in contexts of profound transformations in the world of
work. Studies on the social profile of unionists, such as those by Rodrigues and Martins (2005),
Rodrigues et al. (2006), and Rodrigues and Ramalho (2014), highlight the importance of
variables such as education, social origin, and occupational insertion for understanding the
Metalworkers leadership in São Paulo: social profile and trajectories of labor activism formation
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social bases of union action. More recent studies on the leadership bodies of the Central Única
dos Trabalhadores [Unified Workers Central] (CUT), such as those by Carvalho (2014) and
Carvalho and Bicev (2021), point to male predominance among leaders, the progressive rise in
educational attainment, and the consolidation of long trajectories of activism.
Among the different professional categories, metalworkers occupy a central position in
the history of Brazilian unionism and in the very formation of the sociology of work in the
country. Since the industrialization process and especially since the strikes in the ABC region
of São Paulo at the end of the 1970s, the metalworking sector has become a privileged object
of sociological studies. Classic research by authors such as Cardoso (1960), Martins Rodrigues
(1970), Lopes (1971), and Rodrigues (1979) emphasized the rural origins of much of the
industrial working class and the challenges associated with the formation of a collective identity
among workers recently incorporated into the urban-industrial world.
Decades later, however, the very consolidation of Brazilian industrial regions produced
transformations in the social bases of the working class. In many industrialized areas, such as
the ABC region of São Paulo, factory work ceased to be merely the occupational destination of
newly arrived migrants from rural areas and became a professional horizon transmitted across
generations. This transformation raises a sociologically relevant question: to what extent do
contemporary metalworker union leaders continue to reflect the classic pattern of social origin
of the Brazilian industrial working class, marked by rural migration, or have they come to
express trajectories associated with the intergenerational reproduction of the working-class
condition in consolidated urban-industrial regions?
The interviews analyzed in this study suggest the presence of this generational process.
In several cases, the leaders interviewed are children of industrial workers who had previously
migrated to industrial centers in São Paulo, while the interviewees themselves grew up in urban
contexts strongly marked by the presence of industry. In these trajectories, socialization into
factory work often occurs early, mediated by family networks, local work experiences, and
vocational training institutions. At the same time, the narratives also indicate the persistence of
family trajectories associated with migration and rural origins, showing that the processes of
formation of the industrial working class remain socially heterogeneous.
It is within this context that the present article is situated. Its objective is to analyze the
social profile and trajectories of activism of metalworker union leaders affiliated with the
Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT [State Federation of CUT Metalworkers] in the
state of São Paulo. Based on a survey administered during the 9th Statutory Plenary of FEM-
Fernando Ramalho MARTINS and Filipe Augusto Freitas MELO
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CUT/SP, held in Itanhaém (SP) in 2025, and on in-depth interviews with union leaders and
representatives
3
, we seek to understand who these leaders are and how their insertion into union
activism is constructed.
The hypothesis guiding the article is that the trajectories of contemporary metalworker
leaders reflect the historical consolidation of urban-industrial regions, in which the
intergenerational reproduction of the working-class condition gains greater relative weight in
the formation of professional and political trajectories. This does not mean the disappearance
of trajectories associated with rural migration or recent entry into industry, widely documented
by the classic literature, but rather indicates the coexistence of different patterns of social origin
and socialization into industrial work.
This article contributes to the literature on unionism and the sociology of work in three
main respects. First, it presents recent empirical evidence on the social profile and trajectories
of activism of metalworker leaders in the state of São Paulo. Second, by analyzing these
trajectories in light of the classic literature on the Brazilian industrial working class, the study
updates the debate on the social bases of contemporary metalworker unionism, simultaneously
identifying elements of continuity and transformation in leadership recruitment processes.
Finally, the study shows that union engagement is built through gradual processes of insertion
and political learning in the everyday dynamics of labor relations.
In addition to this introduction, the article is organized as follows. The next section
presents the theoretical framework and the dialogue with the literature on unionism and
leadership formation in the Brazilian union movement, with special attention to debates on the
formation of the industrial working class and the social reproduction of union leaders. We then
describe the methodological procedures of the research, followed by the results of the survey,
based on which we discuss the social profile of the leaders and some general characteristics of
their insertion into the world of work and the union movement. Subsequently, we analyze the
trajectories of formation of union activism, examining the patterns of social origin of the leaders
and the processes of political socialization that structure their trajectories. Finally, the
concluding remarks revisit the main findings of the study and discuss their implications for
understanding the social bases and leadership-formation processes in contemporary
metalworker unionism.
3
Interviews conducted within the framework of the CNPq Universal Project The working-class condition
revisited: automotive industry workers in São Paulo at the beginning of the 21st century (Grant No. 407953/2021-
3).
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Methodology
This study adopts a mixed-methods approach, combining quantitative and qualitative
data (Creswell; Creswell, 2021). The research design is based on a concomitant triangulation
strategy, in which both types of data are produced in parallel and subsequently integrated in the
analysis, making it possible to articulate the descriptive characterization of the leaders social
profile with the qualitative reconstruction of their trajectories of activism.
The quantitative stage consisted of administering a structured questionnaire designed to
characterize the social and occupational profile of the union representatives present at the 9th
Statutory Plenary of the Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única dos
Trabalhadores [State Federation of Metalworkers of the Unified Workers Central] in the state
of São Paulo (FEM-CUT/SP). Data collection was carried out between May 14 and 16, 2025,
in the municipality of Itanhaém (SP). Participants were invited to answer the questionnaire
through an electronic form made available on the Google Forms platform. In all, 71 valid
responses were obtained from an approximate universe of 110 event participants.
Conducting the survey during the FEM-CUT plenary constituted a relevant research
strategy, since the event functions as a space of organizational convergence, bringing together
union leaders and representatives from different metalworker unions in the state of São Paulo.
This context made it possible to access actors regularly involved in the federative bodies of
metalworker unionism and linked to distinct productive and organizational realities.
It is important to emphasize, however, that the survey conducted does not constitute a
probabilistic sample and therefore does not allow for statistical generalizations to metalworker
unionism in São Paulo as a whole. Rather, it is an empirical cutout defined by convenience and
institutional accessibility, whose analytical scope is predominantly descriptive and exploratory.
Even so, the survey provides relevant information on the social profile of representatives who
participate in the federative bodies of the category.
The qualitative stage was based on 33 semi-structured interviews with union leaders and
representatives linked to metalworker unions in São Paulo affiliated with the CUT, with
particular emphasis on the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union]
(SMABC). Interviewees were selected through referrals by union leaders and included actors
occupying different positions and following different trajectories within the union structure,
including members of union leadership bodies, representatives on factory committees, and
members of company union committees.
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The interviews were conducted between May 2023 and April 2025. Whereas the survey
made it possible to identify structural characteristics of the leaders social profile, the interviews
were used to reconstruct professional trajectories and processes of political socialization,
seeking to understand how family experiences, occupational insertions, and workplace
experiences contribute to the formation of union activism.
The qualitative material was examined through content analysis (Bardin, 2011), using
open coding procedures (Bryman, 2016) appropriate to the exploratory character of the
research. The coding process was carried out with the support of the NVivo software, which
made it possible to organize the interview corpus, identify recurring categories in the
interviewees narratives, and systematize analytical dimensions related to trajectories of
activism, workplace experiences, and the interpretations produced by leaders regarding the
contemporary challenges of unionism.
Finally, the integration of quantitative and qualitative data was guided by a logic of
analytical complementarity. Whereas the survey provides a descriptive basis for the social
profile of the leaders present at the FEM-CUT plenary, the interviews make it possible to
deepen the analysis of the trajectories of formation of union activism, enabling an understanding
of how these leaders build their activist dispositions and interpret the contemporary challenges
of collective action in the metalworking sector.
Social profile of metalworker union leaders
This section presents the social and occupational profile of the union leaders present at
the 9th Statutory Plenary of FEM-CUT/SP, based on data from the survey administered during
the event. More than offering a merely descriptive characterization of the group studied, the
analysis of these data makes it possible to identify some structural features of the social bases
of contemporary metalworker unionism, providing elements for understanding who the subjects
are who occupy leadership positions within the category.
According to data from the Relação Anual de Informações Sociais [Annual Social
Information Report] (RAIS) for 2024, the metalworking category is predominantly male:
86.32% are male workers, while 13.68% are female workers. Among the union delegates in the
sample, women workers are even more underrepresented: they account for only 9.9%,
compared with 90.1% male delegates. These data indicate that, although the metalworking
sector has historically been marked by strong male predominance, this asymmetry is also
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reproduced within union representation bodies, suggesting the persistence of barriers to
womens participation in leadership positions in the category.
With regard to the race or color of the leaders, 49.3% identify as white, while 26.8%
and 23.9% identify, respectively, as Black and brown. This indicates a relatively balanced
distribution between white and non-white participants, suggesting that union representation
bodies reflect, at least partially, the racial diversity present in the social base of the
metalworking category.
The union leaders present at the FEM-CUT plenary are concentrated mostly in age
groups from 36 years onward, with 46.5% between 46 and 55 years old.
Figure 1 Distribution of union leaders by age group (%)
Source: Authors elaboration.
This age pattern is close to that identified by Carvalho and Bicev (2021) in a study on
the profile of CUT leadership bodies, which also observes the predominance of leaders in higher
age groups, associated with longer trajectories of insertion into the world of work and union
activism. This profile suggests that access to leadership positions tends to be related to more
prolonged paths of professional and organizational experience within the category.
Regarding religion, those who identify as Catholic constitute an absolute majority: 69%.
Evangelicals (14.1%) and those with no religion (8.5%) are the other groups exceeding the 5%
mark.
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Figure 2 Distribution of union leaders by religion (%)
Source: Authors elaboration.
The majority presence of Catholic leaders reflects, to some extent, patterns historically
observed in the religious composition of the Brazilian working class
4
. At the same time, the
presence of Evangelicals and individuals with no religion suggests growing diversification in
religious references among union leaders.
With regard to schooling, only 11.3% of the leaders are currently studying. Even so, the
data indicate that the educational level of these leaders is higher than that of their parents, as
can be seen in the figures below.
4
Data from the 2022 Demographic Census indicate that Catholics remain the countrys primary religious group
(56.7% of the population), although on a downward trajectory since 2010 (Loschi, 2025). Available at:
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/43593-censo-2022-
catolicos-seguem-em-queda-evangelicos-e-sem-religiao-crescem-no-pais. Accessed on: 20 Mar. 2026.
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Figure 3 Distribution of union leaders by schooling (%)
Source: Authors elaboration.
Figure 4 Distribution of union leaders by fathers schooling (%)
Source: Authors elaboration.
The comparison between the educational level of the leaders and that of their fathers
suggests the presence of a process of intergenerational educational mobility within these
trajectories. This result is close to findings from recent research on the profile of union
leadership bodies in Brazil. Studies based on CUT national congresses indicate a continuous
increase in leaders schooling, with a significant rise in the proportion of leaders with higher
education over the last decade (Carvalho; Bicev, 2021).
As for the leaders origins, they are not predominantly migrant workers from other
states. In fact, only 14.1% of the leaders come from the Northeast, 4.8% from the South, and
4.2% from other states in the Southeast. No migrants from the North or Center-West answered
the survey. A total of 8.5% of respondents were born in the city of São Paulo, 12.7% in the
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ABC region of São Paulo, and the remaining 57.7% were born in other municipalities in the
state.
This pattern suggests that, at least among the participants in the plenary analyzed,
metalworker union leaders are not predominantly composed of first-generation industrial
migrant workers, as described in part of the classic literature on the Brazilian working class.
Instead, there is a predominance of leaders originating from the state of São Paulo itself and
socialized in regions already marked by the presence of industry.
With regard to family structure, 77.5% of respondents stated that they were married or
living with a partner, while 16.9% identified as divorced or separated and 5.6% as single. Of
the total, only 7% stated that they had no children, compared with 36.6% with one child, 42.3%
with two children, 9.9% with three children, and 4.2% with four or more children.
Regarding the spouses occupation, most are engaged in paid work. This indicates a
scenario in which the families of union leaders often depend on more than one source of income,
as can be seen in the following chart.
Figure 5 Spouses occupation
Source: Authors elaboration.
These data suggest a relatively stable family profile among the union leaders analyzed,
marked by the predominance of lasting marital unions, the presence of children, and access to
home ownership.
Indeed, 56.3% of respondents stated that they live with a spouse or partner and children,
while 21.1% live only with a spouse or partner and 15.5% live alone. Most (83.3%) live in
houses rather than apartments. In addition, 53.5% live in a fully paid-off owned residence, while
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39.4% live in an owned residence that has not yet been fully paid off. Only 5.6% live in rented
housing and 1.4% in housing provided by others.
All the leaders have permanent employment contracts with their respective companies,
whether as hourly or salaried workers. Most have worked at the same company for more than
eleven years, as can be seen in the figure below.
Figure 6 Length of employment at the company
Source: Authors elaboration.
This finding suggests the presence of relatively stable professional trajectories within
the metalworking industry, in which prolonged permanence at the same company is a recurring
characteristic. Regarding job security, 14.1% said they were very concerned about losing their
jobs in the coming years, 42.3% stated that they were partially concerned, and 43.7% answered
that they were not concerned.
With regard to earnings, most union leaders receive wages between 3,001 and 7,000
reais.
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Figure 7 Wage range
Source: Authors elaboration.
Before working at their current companies, 60.6% of the leaders had already worked in
industry: 1.4% in vehicle assembly plants, 11.3% in auto-parts manufacturing companies,
26.8% in other metalworking companies, and 21.1% in non-metalworking industries. Only
9.9% had not held another job besides their current one. Another 15.5% had previously worked
in commerce, while 7% came from the service sector and 5.6% stated that they had been self-
employed. Only 1.4% reported prior experience in agriculture.
This set of information indicates that most leaders have professional trajectories strongly
anchored in the industrial sector. Previous experience in different metalworking companies or
industrial segments suggests occupational paths built predominantly within the productive
universe.
Almost one quarter of the leaders (23.9%) have family members who work at the same
company. Family referrals were responsible for 19.7% of the leaders obtaining their jobs, a
figure exceeded by referrals from friends (23.9%) and formal selection processes (50.7%).
The survey data also indicate a strong identification of these leaders with the working-
class condition. Faced with different options for self-identification, 80.3% of respondents
define themselves as belonging to the working class, while 18.3% choose the category worker
and only 1.4% perceive themselves as members of the middle class. This result suggests that,
even though they are inserted in industrial work, leaders tend to privilege a broader
Metalworkers leadership in São Paulo: social profile and trajectories of labor activism formation
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identification with the working class over more specific categories such as worker. This pattern
indicates that union experience and activity in representative positions contribute to the
construction of a broader class identity that goes beyond the strict definition associated with
occupational position in the production process.
This pattern of identification appears linked to a relatively positive assessment of work
in the companies where they are employed. A total of 83.1% of leaders state that they feel proud
to work at the company where they are employed, while 8.5% state that they do not feel proud
and 8.5% did not know how to answer.
With regard to the use of free time, 50.7% of union leaders state that watching television
is their main pastime, followed by browsing the internet (39.4%). Taking part in barbecues
(38%), visiting friends and relatives (32.4%), going to bars (25.4%), reading (23.9%), and
attending churches (21.1%) also appear as recurring activities among the leaders.
Figure 8 Wage range
Source: Authors elaboration.
Taken together, the survey data outline the profile of predominantly male union leaders,
with long professional trajectories in the industrial sector, educational levels higher than those
of their families of origin, and strong identification with the condition of workers. This portrait
provides an empirical basis for understanding who the subjects are who occupy leadership
positions in contemporary metalworker unionism.
In the following section, the analysis of the interviews makes it possible to deepen this
characterization by reconstructing the social trajectories and processes of political socialization
that led these workers to union activism.
Fernando Ramalho MARTINS and Filipe Augusto Freitas MELO
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Social, professional, and union trajectories of the leaders interviewed
The survey results presented in the previous section indicate that the leaders analyzed
have relatively long trajectories of insertion into industrial work and a strong identification with
the working-class condition. To understand in greater depth how these paths are structured, this
section examines the trajectories through which activism is formed, based on the in-depth
interviews conducted with union leaders.
In Martins Rodriguess classic study (1970), the industrial working class in São Paulo
was predominantly composed of first-generation workers from rural backgrounds. In the
trajectories analyzed in this article, by contrast, one frequently observes the presence of leaders
who grew up in families already inserted in the industrial universe. In several accounts, the
interviewees are children of metalworkers or other industrial workers and were socialized from
an early age in urban contexts marked by the presence of factory activity.
This pattern suggests the presence of processes of intergenerational reproduction of the
working-class condition, in which industrial work appears as a relatively consolidated
occupational horizon across successive generations. The recurring presence of family members
linked to the factory in the interviewees narratives functions as a vector of occupational
socialization that contributes not only to the maintenance of labor ties but also to the
transmission of symbolic references and collective experiences associated with working-class
identity. This result resonates with the survey data presented in the previous section, which
indicate the predominance of leaders born in the state of São Paulo itself and socialized in
regions already marked by the historical presence of industry.
This does not mean, however, that trajectories associated with migration or rural origins
have disappeared. In several narratives, the leaders parents or grandparents appear as workers
from rural areas or peripheral regions of the country who migrated to industrial centers in São
Paulo in search of better living conditions.
In one of the interviews, for example, a leader reports that his family came from a rural
background and that migration into industry occurred only in his parents generation:
I come from a very humble family; my father, my mother, my grandparents
worked in the fields. Sometimes my father left the family there and came to
work here; he worked at Petroquímica União [Petrochemical Union], he
worked at the Angra dos Reis nuclear power plant, but these were short
periods, six months, eight months; he earned some money and had to go back
there to take care of the fields and the children (Interview with executive
director of SMABC, June 12, 2024).
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Along the same lines, another interviewee reported:
Well, I am from the state of Ceará, more precisely born in the city of Mauriti.
I am the son of farmers. My father is a farmer; they always lived in the
countryside, my mother too; they basically have primary education. I first
came to São Paulo in 1991; I was 16 years old (Interview with Regional
Coordinator of SMABC, Aug. 28, 2024).
These accounts illustrate family trajectories in which rural-urban migration constituted
an important stage in the process of industrial insertion. The excerpts highlight the centrality of
the family in initial socialization into industrial work. In addition, the trajectories are marked
by early work experiences, often in contexts of informality and economic necessity, before
entry into large metalworking companies. These experiences are retrospectively narrated as
decisive formative moments.
[...] I was always restless because of the injustice I perceived, especially at
school or in the street. Since I was little, seeing that hardship, I had a strong
urge to work to help with something. So, when I was eight or nine, I would
ask my mother or someone to get me a sack so I could walk through the vacant
lots in the area, collecting cans or something to sell to the guy who passed by
with the cart. To earn some money, to have money to buy bread, something
like that. So I wanted to be an adult very early, to have responsibility and to
work (Interview with a leader holding a high-ranking position at SMABC,
Nov. 21, 2024).
In other cases, early entry into work appears associated with the direct experience of
exploitation and the emergence of elementary forms of collective reaction, still outside the
formal union sphere:
I think I was 14 [when I started working]. [...] I worked at a company [...]
where I had my first contact with the world of work [...] my mother got me
that job. [...] And it was my first contact with the world of work. We worked
from Monday to Saturday [...] Mr. M. repeatedly asked us to stay beyond our
working hours. [...] We stayed there. But he did not pay us overtime, and we
thought that was unfair. And one day we questioned him (it was me, my
brother, and a friend of mine working in that factory): “Mr. M., we stay late,
but you don’t pay overtime.” [...] He said: “But I don’t have to pay overtime;
you get tips from the customers.” I said: “No, but tips are something else.” [...]
Then I organized a strike. I think there were about ten workers there [...] Then
I said: “Damn, let’s stop this, it’s not fair for Mr. M. to do what he does to us.”
Everyone agreed right away. [...] At lunchtime, after lunch, we would not go
back to work. [...] Then he arrived [...] and saw us stopped. He said: “So, aren’t
you going back to work?” I said: “No, we’re not going back until you pay
overtime; nobody goes back to work here.” He went wild. [...] He shouted so
loudly that the strike ended right then; everyone got scared, and the only ones
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who continued the “strike” were me, my brother, and that friend of mine. [...]
And obviously he fired the three of us and called my mother (Interview with
a leader holding a high-ranking position at SMABC, June 12, 2024).
This statement is representative of something repeatedly reported in the interviews: the
experience of exploitation often precedes formal union activism, functioning as an inaugural
experience of moral indignation and collective action.
For many interviewees, entry into the metalworking sector appears as a turning point in
their professional trajectories, in which work experiences marked by instability and movement
across different occupations give way to more continuous paths within industry.
I worked five months at one [company]; I was still young and didnt have that
sense of responsibility, so I would stay at a factory, not like it much, and leave.
[...] Until I joined the factory where I work now. There were some older people
there; I became friends with them and so on. They would end up pushing me
a bit, saying, “No, work properly and you’ll become permanent,” and thank
God it worked out there! I stayed there and have been there for 22 years
(Interview with regional coordinator of SMABC, June 12, 2024).
So, I started working at age 14 in a printing industry [...] I worked for one year
at that printing company, then I left and started working at a metalworking
company in São Caetano do Sul [...] for two years. After that, I worked at Auto
Comércio e Indústria Acil [Acil Auto Trade and Industry] [...] I worked there
for four and a half years as well, and after that I worked for one month at the
former BVE (Brasinca Veículos Especiais [Brasinca Special Vehicles]) [...] I
worked there for only one month. Then I had sent a résumé here to Scania and
was called here to Scania; I joined Scania and have been here ever since
(Interview with CSE coordinator at an assembly plant in São Bernardo do
Campo, Mar. 7, 2025).
With regard to approaching the union, the interviews indicate that entry into activism
rarely occurs immediately. In several cases, it is mediated by coworkers, middle managers, or
concrete situations of conflict in the workplace, and is often accompanied, at first, by distrust
toward union organizations.
Expedito once called me and said: “Look, I hear there’s going to be an election
[for the Factory Committee] and that Bezerrinha invited you. Why dont you
join his slate?” I said: “Expedito, this union business, Im not getting involved
in that; they’re all thieves.” He said: “Do you know your union?I said: “No.”
He said: “Then before saying that, you should get to know your union. [...]
Another thing: you will have no future here inside the factory; you talk too
much [...] in the union I can already see a path for you, because you speak up.
(And the guy was a boss!)” (Interview with a leader holding a high-ranking
position at SMABC, June 12, 2024).
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Then I was going to the cafeteria, I was there eating [...] a debate came up
about PLR [Profit and Results Sharing] [...] and then I started pouring out all
my common sense at the table, like: “Look, this PLR thing, the union is a
bunch of thieves!” [...] “And another thing, a bunch of old guys with white
hair shouting into the microphone [...]”, and so on. [...] The person turned to
me and said: “Wow, man, that’s great! Youre a critical person, aren’t you?”
[...] “Have you ever thought about going to the union?” I said: “Are you crazy,
man! [...] Those guys, a bunch of mafia people, thieves. Theyll kill me there.
I can’t get into that.” [...] He said: “Nice to meet you. Moisés, from the Factory
Committee” (Interview with a leader holding a high-ranking position at the
Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT [National Confederation of
CUT Metalworkers] CNM-CUT, Feb. 21, 2025).
The excerpts make it possible to observe that activism is built through gradual processes
of political socialization, in which the practical experience of representation and everyday
confrontation precede explicit ideological adherence. As the accounts show, initial resistance
gives way to progressive trajectories that become professionalized through participation in the
CIPA, the Factory Committee, or the Company Union Committee, culminating in entry into
union leadership.
In addition, some trajectories are shaped by prior experiences of activism outside
metalworker unionism, such as participation in religious, social, or union movements in other
sectors, including in rural areas:
My father was the first worker to join, in that region, the rural workers union
and, over time, my brother began to be active among rural workers and
became President of the Union [...] they carried out many struggles, won land
[...] the worker [...] suffered many threats [...] so there is... there was already
a certain inspiration from the union movement; this question of fighting for
workers already ran somewhat in our veins (Interview with member of the
Executive Board of SMABC, June 12, 2024).
Now bringing it together [...] until then [...] my political action in society was
very disconnected from political action inside the factory. It was liberation
theology, the Pastoral da Terra [Land Pastoral], the Pastoral da Criança
[Childrens Pastoral], the Pastoral da Juventude [Youth Pastoral], and so on
[...] but I did not understand this connection with the world of work, and from
then on, I began to understand it (Interview with a leader holding a high-
ranking position at CNM-CUT, Feb. 21, 2025).
These trajectories suggest that the formation of dispositions associated with a militant
habitus, in the terms proposed by Rombaldi and Tomizaki (2017), may begin through contact
with situations perceived, in the interviewees narratives, as forms of injustice in everyday labor
life. In this process, concrete experiences of exploitation, conflict, and contestation within labor
relations tend to function as initial moments of political socialization, through which workers
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begin to reinterpret their position in the productive universe and to recognize collective action
as a legitimate repertoire of intervention. The constitution of union leaders thus appears less as
the result of immediate ideological adherence and more as the product of gradual trajectories
of engagement, in which participation in everyday conflicts and in workplace representation
bodies contributes to the progressive incorporation of activist dispositions. Although general
working conditions are often assessed positively by the leaders, factory everyday life remains
traversed by conflicts and tensions that feed processes of mobilization and political
socialization.
In summary, the trajectories analyzed reveal a pattern distinct from that described in
classic studies on the industrial working class in São Paulo: among the interviewees,
socialization in an already consolidated urban-industrial universe tends to prevail, and, in many
cases, so does the intergenerational reproduction of the working-class condition, with the family
playing a central role in the initial construction of metalworker identity. This configuration
helps explain the survey results, which reveal the leaders strong insertion into the productive
universe and broad identification with the working-class condition.
The interviews also indicate that entry into the union tends to occur through successive
experiences of participation and representation in the workplace. It is a process of political
socialization in which previous experiences of insertion into work are articulated with
sociability networks in the productive environment, participation in intermediate bodies of
representation, and everyday practices of negotiation and confrontation. This cumulative path
contributes to the progressive incorporation of dispositions favorable to collective action, which
become consolidated over the course of trajectories of activism.
This process makes it possible to interpret the construction of activism as the progressive
formation of a militant habitus (Rombaldi; Tomizaki, 2017), in which practical dispositions
forged in everyday work are converted into durable orientations toward collective action. These
trajectories also structure the ways in which leaders perceive and interpret the contemporary
challenges of union action in the metalworking sector.
Final considerations
The analysis presented in this article sought to understand the social profile and
trajectories of activism of metalworker union leaders affiliated with FEM-CUT in the state of
São Paulo. By combining data from the survey administered during the federations 9th
Statutory Plenary with in-depth interviews conducted with union leaders, it was possible to
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identify some central characteristics that mark both the social composition of these leaders and
the paths through which their activism is formed.
The survey results indicate that the leaders analyzed have relatively long trajectories of
insertion into the world of industrial work, frequently associated with early work experiences
and strong ties to the factory universe.
A pattern of schooling higher than that of previous generations is also observed, as well
as a strong identification with the working-class condition, indicating the consolidation of a
profile of union leader deeply rooted in the productive universe. In this sense, the results are in
dialogue with recent findings in the literature on the profile of CUT leadership bodies, which
point to male predominance among leaders, the progressive increase in schooling, and the
presence of long trajectories of union activism (Carvalho; Bicev, 2021).
The in-depth interviews, in turn, make it possible to reconstruct in greater detail the
processes through which union activism is formed. The accounts indicate that many leaders
grew up in families already inserted in the industrial sector, which favors processes of early
socialization into factory work and working-class culture. In several cases, the interviewees are
children of workers who had previously migrated to industrial centers in São Paulo, while they
themselves were socialized in urban contexts already strongly marked by the presence of
industry.
If, in classic studies on the industrial working class in São Paulo, first-generation
industrial workers predominated, often coming from rural areas and recently incorporated into
the urban-industrial universe, the trajectories observed among the leaders interviewed suggest
a context marked by the historical consolidation of urban-industrial regions in which factory
work has come to be transmitted, in many cases, across generations. The interviews thus
indicate the presence of leaders who already belong to a second generation of industrial
workers, socialized from an early age in family and territorial environments strongly marked
by the presence of industry.
This does not mean, however, the disappearance of trajectories associated with
migration or rural origins. In several narratives, the leaders parents or grandparents appear as
workers from rural areas or peripheral regions of the country who migrated to industrial centers
in São Paulo in search of better living conditions. Thus, the trajectories analyzed reveal the
coexistence of different patterns of social origin, reflecting broader historical processes of
formation and consolidation of the industrial working class in Brazil.
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Taken together, the results suggest that the formation of metalworker union leaders
cannot be reduced to a process of ideological adherence or to isolated individual decisions;
rather, it is structured over cumulative trajectories of insertion into industrial work and
participation in workplace representation bodies. In this sense, union activism can be
understood as the result of gradual processes of political socialization, in which everyday
experiences of work, conflict, and negotiation contribute to the incorporation of dispositions
favorable to collective action. These paths make it possible to interpret leadership formation as
the constitution of a militant habitus, in which practical dispositions forged in the productive
universe are converted into durable orientations toward union action.
Finally, some limitations of the research should be considered. The quantitative survey
was carried out during a specific federation event and does not constitute a probabilistic sample
of the full set of metalworker union leaders in the state of São Paulo. Even so, the combination
of survey and in-depth interviews made it possible to construct a consistent portrait of the social
profile and trajectories of activism of leaders who participate in the categorys organizational
bodies. Future research may deepen this agenda by comparatively investigating other regions
of the country or different industrial sectors, contributing to a broader understanding of the
ongoing transformations in the social bases of Brazilian unionism.
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Et hi c al a p p r o v al : N ot a p pli c a bl e .
D at a a n d m at e ri al a v ail a bilit y N ot a p pli c a bl e .
A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : B ot h a ut h ors c o ntri b ut e d e q u all y t o t his w or k .
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