Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21085 1
FORMAÇÃO SINDICAL COMO AÇÃO ESTRATÉGICA
FORMACIÓN SINDICAL COMO ACCIÓN ESTRATÉGICA
POLITICAL EDUCATION AS A STRATEGIC UNION ACTION
Hélio da COSTA
1
e-mail: daco[email protected]
Lilian Rose ARRUDA
2
e-mail: lilianrarr[email protected]
Como referenciar este artigo:
COSTA, Hélio da; ARRUDA, Lilian Rose. Formação sindical
como ação estratégica. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31,
n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
10.52780/res.v31iesp.1.21085.
| Submetido em: 11/04/2026
| Revisões requeridas em: 15/04/2026
| Aprovado em: 05/05/2026
| Publicado em: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SABC), São Bernardo do Campo São Paulo (SP) Brasil. Doutor em
Sociologia do Trabalho pela FFLCH da USP. Mestre em História Social pela Unicamp e Doutor em Sociologia do
Trabalho pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 1988 atua no campo da formação sindical em paralelo
com atividades acadêmicas. Atualmente é Coordenador Técnico do Departamento de Formação do Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC.
2
Pesquisadora da área de Sociologia do Trabalho, São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Ciências
Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pesquisadora independente.
Formação sindical como ação estratégica
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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RESUMO: Este artigo analisa a política de formação sindical do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC e como, no decorrer dos anos, essa política respondeu às necessidades impostas pelas
mudanças no mundo do trabalho. Desde a cada de 1980 o Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC colocou a formação sindical como prioridade nas resoluções de seus congressos: o III de
1999 priorizou a prática como ferramenta fundamental para implementar a sua estratégia de
organização. A formação do Sindicato, contudo, necessitou acompanhar as mudanças que
ocorriam no mundo do trabalho que envolviam o enfrentamento às reestruturações produtivas
desencadeadas pelas empresas do setor a partir, sobretudo, da década de 1990. Neste sentido, a
combinação de organização no local de trabalho, negociação coletiva, articulação internacional
e formação sindical tratando desses temas contribuiu para criar as condições para o sindicato
responder aos desafios impostos pelo capitalismo neoliberal.
PALAVRAS-CHAVE: Formação sindical. Movimento sindical. Reestruturação produtiva.
Organização no local de trabalho. Movimento sindical internacional.
RESUMEN: Este artículo analiza la política de formación sindical del Sindicato de
Metalúrgicos del ABC y cómo, a lo largo de los años, dicha política respondió a las necesidades
impuestas por los cambios en el mundo del trabajo. Desde la década de 1980, el Sindicato de
Metalúrgicos del ABC priorizó la formación sindical en las resoluciones de sus congresos; el
III Congreso de 1999 destacó esta práctica como una herramienta fundamental para
implementar su estrategia de organización. Sin embargo, la formación del sindicato tuvo que
adaptarse a las transformaciones laborales, enfrentando las reestructuraciones productivas
impulsadas por las empresas del sector, principalmente desde la década de 1990. En este
sentido, la combinación de organización en el lugar de trabajo, negociación colectiva,
articulación internacional y formación sindical sobre estos temas contribuyó a crear las
condiciones para que el sindicato respondiera a los desafíos del capitalismo neoliberal.
PALABRAS CLAVE: Formación sindical. Movimiento sindical. Reestructuración productiva.
Organización en el lugar de trabajo. Movimiento sindical internacional.
ABSTRACT: This article analyzes the union training policy of the ABC Metalworkers' Union
and how, over the years, this policy responded to the needs imposed by changes in the world of
work. Since the 1980s, the ABC Metalworkers' Union has prioritized union training in its
congress resolutions; the 3rd Congress in 1999 emphasized this practice as a fundamental tool
for implementing its organizational strategy. However, the union's training program had to
adapt to changing labor dynamics, specifically addressing the productive restructuring
launched by sector companies, mainly from the 1990s onward. In this sense, combining
workplace organization, collective bargaining, international coordination, and targeted union
training helped create the necessary conditions for the union to respond to the challenges
imposed by neoliberal capitalism.
KEYWORDS: Union training. Trade union movement. Productive restructuring. Workplace
organization. International trade union movement.
Hélio da COSTA e Lilian Rose ARRUDA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
“A superação da curiosidade ingênua dos grupos populares pela curiosidade
crítica é um exercício fundamental e permanente a ser experimentado
incansavelmente. Exercício que implica viver a relação dialética teoria-
prática. E vivê-la de tal maneira que nos ponhamos cada vez mais distantes
de cair na tentação populista ou basista de negar o papel da teoria ou na
tentação elitista de, negando a prática, exclusivisar a importância da teoria.
Uma necessita da outra como nós do ar que respiramos”
[Paulo Freire falando aos educadores do Instituto Cajamar em 1995] (Freire,
2017, p. 378).
Este artigo busca analisar historicamente a política de formação sindical do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) e como, no decorrer dos anos, essa política respondeu às
necessidades impostas pelas mudanças no mundo do trabalho. Para isso, foi utilizada literatura
pertinente sobre o tema, bem como entrevistas em profundidade, realizadas com dirigentes
sindicais do Sindicato entre os anos de 2020 e 2024. As entrevistas contemplam dirigentes de
diferentes gerações, desde aquela que fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) na
década de 1980 até a geração que atua sob um contexto muito distinto na década de 2020.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, especialmente a partir do ciclo grevista de 1978
a 1980, é tido como uma das maiores manifestações de trabalhadores contra a ditadura militar,
e foi um agente importante ao dar um novo rumo para a abertura política articulada pelo regime.
Para a ditadura, a abertura teria de ser “lenta, gradual e segura”, numa transição democrática
conduzida pelo alto, sem os solavancos políticos provocados pelas demandas da crescente
oposição popular
3
.
Num contexto de forte repressão ao movimento sindical, as greves dos metalúrgicos do
ABC tinham como principal objetivo estabelecer um processo de negociação em que os
sindicatos patronais levassem efetivamente em conta as demandas dos grevistas. A greve de
1980, a mais longa, e que durou 41 dias, foi derrotada economicamente, mas politicamente foi
extremamente vitoriosa, projetando o Sindicato como referência do sindicalismo combativo
chamado de “novo sindicalismo” que emergia na cena nacional e alçava o seu principal líder,
Luiz Inácio da Silva, o Lula, como maior liderança sindical do país. Lula relembrou em várias
entrevistas, depoimentos e discursos a importância dos 41 dias de luta (incluindo todo o
processo de preparação da greve) para o crescimento da militância sindical, apesar da não
conquista das reivindicações.
3
Não queremos, contudo, menosprezar o trabalho silencioso (às vezes, nem tão silencioso) ocorrido nas fábricas
nos anos anteriores à greve de 1980, como observam Santana (2018), Negro (2004); French (2020); Martins
(1994); Humphrey (1982) e Rainho (1980).
Formação sindical como ação estratégica
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O dado concreto é que ninguém aguentou 41 dias porque na prática o
companheiro tinha que pagar leite, tinha que pagar a conta de luz, tinha que
pagar gás, a mulher começou a cobrar o dinheiro do pão, ele então começou a
sofrer pressão e não aguentou. Mas é engraçado porque na derrota a gente
ganhou muito mais sem ganhar economicamente do que quando a gente
ganhou economicamente. Significa que não é dinheiro que resolve o problema
de uma greve, não é 5%, não é 10%, é o que está embutido de teoria política
de conhecimento político e de tese política numa greve (CUT, 2018)
4
.
A euforia dos militantes e a efervescência que tomou conta do sindicato, mesmo com o
resultado econômico frustrado, foi a grande vitória política da greve, demonstrando a
importância do envolvimento da militância sindical na sua preparação, que se sentiu
corresponsável pelo seu desfecho, atuando nos piquetes, reunindo trabalhadores nos bairros,
nos pontos de ônibus, fortalecendo, inclusive, redes sociais já existentes (Macedo, 2010). Esse
ganho político precisava ser canalizado para dentro das fábricas de forma mais organizada, e
essa percepção foi reforçada com o processo de “enxugamento” das fábricas, com as demissões
em massa ocorrendo a partir de 1982 e a reestruturação produtiva nos anos seguintes. Nesse
sentido, teve início o esforço de constituição das comissões de fábrica e a capacitação dos seus
membros para o enfrentamento dos desafios no mundo do trabalho que se apresentavam a partir
dos anos 1980 (Barbosa, 2003).
Uma das iniciativas foi a criação da subseção do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em 1981, tendo à frente Osvaldo Cavignato,
economista, que desempenhava funções de assessoria desde 1975 para municiar os dirigentes
com dados para as negociações através de pesquisas. Alguns anos depois, o Sindicato
incorporou engenheiros de produção para auxiliar na compreensão da reestruturação produtiva
e, consequentemente, no seu processo de negociação com o Sindicato e nos processos
formativos. A imprensa do Sindicato, com o jornal “Tribuna Metalúrgica”, sempre foi uma voz
potente dos trabalhadores e, também, as ações culturais, como o Grupo de Teatro Forja, se
somaram ao esforço de organização e conscientização da base metalúrgica (Paranhos, 1999).
O Sindicato também iniciou um processo intenso de intercâmbio e solidariedade
internacional que foi se aprofundando e se incorporando à sua cultura sindical (Magalhães,
2013; Costa, 2022)
5
.
4
Leia a íntegra do discurso histórico de Lula em São Bernardo acessando: https://www.cut.org.br/noticias/leia-a-
integra-do-discurso-historico-de-lula-em-sao-bernardo-20e3. Acesso em: 18 mar. 2026.
5
Desde a criação dos Comitês Mundiais dos Trabalhadores na Volkswagen AG e na Mercedes-Benz Daimler
AG, as plantas de São Bernardo do Campo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC sempre tiveram um papel
destacado.
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Um terceiro esforço, não menos fundamental, foi a estruturação do Departamento de
Formação, que passou a desenvolver cursos, oficinas e seminários com o objetivo de capacitar
os dirigentes para intervirem dentro e fora da fábrica. Esse conjunto de ações, formado por
pesquisa e estudos, intercâmbio sindical, parcerias com instituições de pesquisa e a estruturação
de cursos regulares de formação sindical constitui processos formativos que capacitam, cada
um ao seu modo, os dirigentes para enfrentarem os desafios colocados por diferentes
conjunturas. Evidentemente, a experiência da luta é um aspecto fundamental no processo de
formação política da classe trabalhadora, e com os metalúrgicos do ABC não foi diferente. É a
partir desse “fazer-se” da classe operária que a formação sindical se apresenta na sua dimensão
integral
6
.
Nos limites deste texto, seria impossível darmos conta do amplo repertório da formação
sindical, nos deteremos no presente artigo, na abordagem das atividades formativas
desenvolvidas pelo Departamento de Formação Sindical do SMABC e estruturada em cursos
de capacitação em diferentes períodos para responder aos desafios organizativos e políticos
colocados para a sua direção. Cientes que estaremos longe de fazer justiça a toda riqueza da
experiência de formação sindical dos metalúrgicos do ABC, destacaremos de início a herança
da educação popular nos diálogos e parcerias estabelecidos por militantes, dirigentes e
assessores do Sindicato; a sintonia fina entre os desafios organizativos e os programas de
formação e alguns aspectos dos desafios atuais, que também desafiam a formação.
A herança da educação popular
Um mergulho nos vários depoimentos que fazem parte do livro A geração que criou a
CUT: história contada por quem a faz (Nascimento et al., 2023), nos a dimensão do
despertar do movimento sindical no final dos anos 1970 e nos anos seguintes em nível nacional,
e como as greves no ABC paulista impactaram esse despertar.
A capilaridade nacional das pastorais permitiu a circulação e o intercâmbio entre
militantes e dirigentes de várias regiões do país, que talvez fosse improvável se não houvesse
um polo aglutinador que possibilitasse esses encontros, como aconteceu com as organizações
operárias e camponesas lideradas pela Igreja. A educação popular levada adiante pelas pastorais
procurava combinar uma leitura crítica da realidade com a práxis transformadora nas fábricas,
6
Silvia Manfredi (1986, p. 22-26), em trabalho pioneiro sobre formação sindical, ressalta esse conjunto de ações
no campo formativo somado às lutas dentro e fora da fábrica como aspectos constitutivos de um processo formativo
a partir da ótica dos trabalhadores.
Formação sindical como ação estratégica
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nos bairros, no campo ou em qualquer lugar onde fosse possível desenvolver uma ação militante
através do método “ver-julgar-agir”, tão popular nos anos 1980 e mencionado por vários ex-
dirigentes como um período de formação de base muito consistente com cursos, seminários e
encontros que se proliferavam por todo o país num contexto crescente de agitação política. “É
possível afirmar que a esquerda católica foi o caminho pelo qual a educação popular, tão
conhecida e debatida a partir das teorias de Paulo Freire, chegou e influenciou decisivamente a
educação sindical” (Junior, 2025, p.11)
7
.
Heloisa de Souza Martins (1994) traça um rico painel da atuação das pastorais operárias
no ABC no período 1954-1975 em que a figura de D. Jorge, “o bispo vermelho”, ganhou
destaque nas greves logo após o golpe militar de 1964
8
. French (2024, p. 242) menciona o
protesto do padre Rubens Chasseraux na Vila Palmares em Santo André, no dia 28 de setembro
de 1966, que chamava a atenção para “o mundo da minoria dominante deste falso progresso”,
e continuava “um mundo de fome, de miséria, de perseguições, de espancamentos, de falta de
liberdade...”.
Uma das principais formas para o apoio conquistado foi a educação de lideranças e do
trabalhador da base. Para isso, destacaram-se as atuações de algumas instituições como a
Fundação Casa do Trabalhador (FCT), fundada em 1978; a Federação dos Órgãos para a
Assistência Social e Educacional (FASE), de 1961, e o Centro de Educação Popular (CEPIS),
de 1977.
A educação popular foi objeto de análise sob várias perspectivas no contexto do
processo de redemocratização e emergência das lutas populares, como o Movimento Contra a
Carestia, as greves dos Metalúrgicos do ABC e dos Metalúrgicos de São Paulo, na I Conferência
de Brasileira de Educação, realizada em abril de 1980 na Pontifícia Universidade Católica
(PUC) de São Paulo. Na ocasião, foi debatida a experiência da educação popular na conjuntura
dos anos 1960, quando os movimentos sociais e o sindicalismo ganharam relevância frente aos
dilemas do desenvolvimento, bem como o combate à desigualdade estrutural do país, que
começava a viver o boom da industrialização e da urbanização. Nesse contexto de resgate da
educação popular, emergia a perspectiva de sua retomada como instrumento das classes
7
No ano de 1963 Paulo Freire teve contato com os movimentos estudantis de renovação cristã, Juventude
Estudantil Católica (JEC) e Juventude Universitária Católica (JUC) donde viriam líderes como Frei Betto e
Betinho , e com os movimentos de trabalhadores, a Juventude Operária Católica (JOC).
8
Segundo a autora, “até o final de 1970, a Igreja, enquanto corpo, procurou manter a sua unidade, contendo os
excessos de seus membros, ao mesmo tempo que ia se afirmando perante o Estado, sem abrir mão de uma posição
crítica, principalmente com relação às violações de direitos humanos” (Martins, 1994, p. 221).
Hélio da COSTA e Lilian Rose ARRUDA
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populares na construção da democracia e de reconfiguração do papel do Estado como resultado
das lutas da sociedade civil que colocavam “novos sujeitos em cena
9
.
O CEPIS, em especial, teve grande proximidade com o chamado “novo sindicalismo”,
representado pelas oposições sindicais e por alguns sindicatos, como os metalúrgicos de São
Bernardo e Diadema. Tiveram destaque no trabalho sindical educadores populares com notória
atuação na oposição à ditadura militar como Frei Betto, Paulo Vannuchi e Paulo de Tarso. Os
dois primeiros tinham forte proximidade com os metalúrgicos de São Bernardo e Diadema
(Junior, 2025, p. 12). O CEPIS, que viria a ter uma forte influência na concepção pedagógica
do Instituto Cajamar (Inca), fundado em 1986, além de ter Paulo Freire como patrono e
presidente do Conselho Diretivo, contou com a colaboração intensa de Pedro Pontual e Frei
Betto nos seus primeiros anos.
Além dos membros do CEPIS, o Inca também contou com a contribuição de quadros
experientes oriundos da resistência comunista à ditadura militar, com destaque para Wladimir
Pomar, ex-dirigente do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e preso político, que se tornou
dirigente do Partido dos Trabalhadores e que, na condição de Secretário de Formação, foi
indicado para direção do Inca desde a sua fundação em 1986
10
.
Muitos dirigentes sindicais ligados à Central Única dos Trabalhadores passaram pelo
Instituto Cajamar desde a sua fundação. O Inca foi um espaço de intenso intercâmbio entre
dirigentes de todo o Brasil, do campo e da cidade, dos setores público e privado. Dessa forma,
a educação popular foi penetrando e fazendo parte da cultura de capacitação dos quadros do
novo sindicalismo que se viam representados na Central Única dos Trabalhadores desde a sua
fundação, em agosto de 1983, e que também davam um sentido concreto à concepção classista
da CUT ao reunir vivências tão diferentes do ponto de vista do trabalho, mas tão intensamente
compartilhadas na luta e na perspectiva política
11
.
O Inca também foi um local de muitos eventos históricos, como o seminário sobre “70
anos da experiência de construção do socialismo”, em 1987, que reuniu diferentes gerações de
socialistas. O evento contou com a presença histórica de Luiz Carlos Prestes, Apolônio de
Carvalho, Jacob Gorender, Fúlvio Abramo, David Capistrano, Marco Aurélio Garcia, Wladimir
9
Várias apresentações da I Conferência Brasileira de educação foram publicadas no livro A questão política da
educação popular, de Aida Bezerra e Carlos Rodrigues Brandão (1980).
10
Além da formação sindical, havia no Instituto Cajamar a formação partidária e para os movimentos sociais. O
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) utilizava as instalações do Inca para fazer formação dos seus
quadros até a inauguração da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em 2005.
11
Paulo Fontes e Valter Pomar (2021), em breve elucidativo texto, ressaltam a importância do Inca para a geração
que criou a CUT.
Formação sindical como ação estratégica
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Pomar, José Dirceu e do próprio Lula. Questões espinhosas para a esquerda, como a relação
entre partidos e sindicatos eram debatidas no Inca entre dirigentes sindicais e partidários, que
tocavam em questões delicadas e desafiadoras diante do apreço ao princípio da liberdade e
autonomia sindical que orientou o novo sindicalismo e, de certa forma, orientou o seu discurso
em oposição ao velho sindicalismo
12
.
O Instituto Cajamar também teve um papel destacado na formulação e difusão da
política nacional de formação da CUT nos seus primeiros anos até a fundação das escolas
sindicais orgânicas da Central, que passavam a se dedicar à formação dos quadros cutistas nas
suas respectivas regiões
13
. O programa de Formação de Formadores (FF) foi um dos programas
estratégicos para a difusão da “formação cutista” em todo o país, ao incorporar a pedagogia
freiriana com os desafios da organização sindical a partir dos seus valores e princípios.
Nessas breves notas, chamamos a atenção para a circularidade das ideias e experiências
que sempre permeou a trajetória do novo sindicalismo e, nesse processo, destacamos a presença
marcante dos metalúrgicos do ABC na construção coletiva dos princípios da formação sindical
que caracterizariam a década de 1980 e permanecem até hoje nos fóruns de formação da CUT
e nos diversos espaços em que os metalúrgicos estão presentes, cuja origem remete à rica
experiência da educação popular na América Latina, especialmente a partir dos anos 1960.
Formação, reestruturação negociada e organizações no local de trabalho
Podemos afirmar que a formação sindical tem sido adotada como elemento estratégico
aliado a outras esferas de ação, organização e reflexão dos sindicatos. Para Gaban (2011), a
formação sindical faz parte de uma tradição desenvolvida pelo movimento sindical brasileiro
ao longo do século XX, e o Sindicato do Metalúrgicos do ABC faz parte dessa tradição.
Para além dos assuntos econômicos e trabalhistas, o movimento sindical e operário que
emergiu entre os metalúrgicos do ABC no final da década 1970, e que alguns anos mais tarde
daria origem à Central Única dos Trabalhadores, tinha entre as suas reivindicações questões
relacionadas aos direitos da cidadania.
12
Sobre o seminário que abordou a relação Sindicato e partido, conferir artigo da revista publicada pelo próprio
Inca: “Relação Partido – Sindicato. Cadernos de Debates 1, maio de 1988”. Entre os 47 participantes, 7 pertenciam
aos quadros dos metalúrgicos do ABC.
13
A primeira escola orgânica da CUT foi a Escola Sete de outubro em Belo Horizonte (MG), fundada em junho
de 1990, seguida pela Escola Sindical São Paulo, em agosto de 1993. Esta última funcionou nas instalações do
Inca até 1995.
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[...] ainda que a questão imediatamente visível desse movimento tenha sido a
luta pela reposição salarial no segundo semestre de 1977, em decorrência dos
índices da inflação de 1973, a finalidade da luta sindical era o direito à
cidadania. Essas demandas perpassavam o cotidiano fabril, o bairro, a questão
da moradia, melhores condições de vida e trabalho, melhores salários, bem
como representavam a afirmação de uma classe trabalhadora que o
aceitava uma cidadania limitada (Rodrigues, 1997, p. 19).
A formação sindical, neste sentido, tinha de dar conta de um leque de questões que
englobavam a luta dos trabalhadores e trabalhadoras. Para isso, o III Congresso do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC, de 1999, priorizou a prática da formação sindical como ferramenta
fundamental para implementar a sua nova estratégia de organização. O III Congresso colocou
como prioridades para o sindicato “1) definir os eixos de ação, 2) a política de formação de
novos quadros, e 3) política de gestão de pessoal.” (Gaban, 2011, p. 58). Ainda segundo Gaban
(2011), o referido congresso estabeleceu dois eixos para a política de formação do sindicato:
“Sindicato na fábrica e “Sindicato e sociedade”.
Em sua concepção, a formação sindical dos metalúrgicos do ABC não estava desatrelada
da ação sindical no local de trabalho. Chamadas de Comissões de Fábrica, Comissões de
Empresa, Comitês de Empresa, Sistema Único de Representação (SUR), e com diferentes
formatos, a partir década de 1970, como lembra Rodrigues (1991), essas organizações
ganharam espaço nas discussões das Oposições Sindicais, do sindicalismo do ABC e, mais
tarde, da Central Única dos Trabalhadores.
Ainda segundo Rodrigues (1991), para além da organização de comissões criadas para
dar suporte aos movimentos grevistas do final da década de 1970, as organizações no local de
trabalho passaram a ser uma ferramenta perene e relevante do movimento sindical do ABC. À
época, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema contemplou a
organização no local de trabalho nas resoluções de seu III Congresso, realizado de 6 a 15 de
outubro de 1978.
Na primeira metade da década de 1980, com a ditadura militar em plena decadência,
trabalhadores encontraram nas comissões de fábrica uma forma de enfrentar os conflitos no
local de trabalho e o autoritarismo das chefias. Consequentemente, naquele período, as
comissões se multiplicaram em várias categorias, sobretudo na categoria metalúrgica. Ainda na
década de 1980, em busca de estabilidade, muitas comissões se institucionalizaram mediante a
criação de regulamentos e estatutos.
Desde a década de 1970, vinham se desenrolando no Brasil processos de reestruturação
produtiva nas empresas. Em um primeiro momento, isso aconteceu com a introdução Círculos
Formação sindical como ação estratégica
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de Controle de Qualidade (CCQs); o segundo momento foi entre 1984 até o final da década de
1990, quando foi introduzido o just-in-time; na terceira fase, iniciada nos anos 1990, em um
contexto estabilização da moeda nacional e abertura de novos mercados, foram introduzidas
“estratégias organizacionais e a adoção de novas formas de gestão do trabalho mais compatíveis
com as necessidades de flexibilização da produção e com o envolvimento dos trabalhadores
com a qualidade e a produtividade” (Leite, 2003, p. 71-79).
Para além das perdas de postos de trabalho e fechamento de empresas, a região do ABC
foi assumindo outra configuração. Para o dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em
entrevista realizada em 17 de junho de 2020, ao longo dos anos, o ABC tem passado por um
processo de desindustrialização com vários impactos.
Não é só no dia a dia dos trabalhadores, mas tem um impacto inclusive para a
receita pública. Se a gente pegar o ICMS
14
aqui no ABC, nós saímos, em 2014,
de 9 bilhões e meio de ICMS, para, em 2019, pouco mais de 6 bilhões. [...]
Em 5 anos, a gente perdeu mais de 3 bilhões de arrecadação de ICMS. Isso
compromete toda a estrutura local, então, de fato, a gente perdeu. [...] Nesses
5 anos, perdemos em massa salarial mais de 4 bilhões de reais (Rodrigues,
Ramalho; Lima, 2022, p. 35).
As respostas sindicais para enfrentar esses processos são diversas em virtude dos
diferentes perfis de empresas do setor existentes na região: grandes empresas que convivem
com pequenas e médias, formas de organização, tecnologia e gestão diferenciadas. É necessário
entender as metamorfoses do trabalho para enfrentar os processos de reestruturação produtiva.
Nesse aspecto, a formação sindical é um elemento relevante, como lembra outro dirigente do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em entrevista realizada em 5 de setembro de 2024
(Rodrigues, 2025, n.p.):
A gente já passou pela reestruturação produtiva, que ali foi algo que, querendo
ou não, por mais que a gente perceba que surgem novas formas de trabalho.
Mas, precisamos estar atentos, né? Por isso que muitas vezes o Sindicato aqui
está atento a discutir com governos, com as próprias empresas, porque a
tecnologia não é uma coisa que a gente vai impedir ela de acontecer, ou seja,
é uma realidade. Então a gente precisa preparar os atuais trabalhadores, mas
também os futuros, para que acompanhe também essa evolução se formando.
Neste cenário complexo, nas grandes montadoras, as comissões de fábrica e comitês de
empresa jogam um papel importante para negociar as reestruturações impostas pelas empresas.
No caso da Volkswagen Anchieta, a atuação da Comissão de Fábrica dos trabalhadores foi
14
Trata-se de um tributo estadual: Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.
Hélio da COSTA e Lilian Rose ARRUDA
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DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21085 11
relevante em face às mudanças que ocorreram internamente. Criada pela empresa em 1980, a
representação interna dos trabalhadores passou a opinar sobre o que ocorria na fábrica e a
efetuar negociações a partir de 1982, ano da primeira eleição dos representantes, quando os
trabalhadores assumiram o controle da comissão.
No decorrer da década de 1990, essa prática ganharia a denominação “reestruturação
negociada”, ou ainda “ação sindical propositiva”, e se consolidaria no ABC paulista na década
de 2000. Autores apontam a construção dessa estratégia entre os metalúrgicos do ABC:
Rodrigues (1999) destaca que o novo sindicalismo foi levado a discutir os efeitos da recessão
da década de 1980, passando de um sindicalismo conflitivo para um sindicalismo de
negociação, “ou seja, na medida do possível, uma mudança concertada entre capital e trabalho”
(Rodrigues 1999, p. 241). Blass (2001), por sua vez, ressalta a importância e as trajetórias
diferenciadas das comissões da Volkswagen Anchieta e da Ford, ambas criadas na década de
1980, mas observa a formação de uma característica negociadora por parte da primeira.
O caso da Volkswagen Anchieta é ilustrativo: a unidade foi atingida por iniciativas de
reestruturação produtiva a partir da década de 1990: em 1997, a VW anunciou 10 mil demissões
e o fechamento da fábrica Anchieta, negociações entre sindicato e empresa e articulações
internacionais evitaram o desfecho. Foi programado um Programa de Demissão Voluntária
(PDV), uma reformulação do banco de horas e, ademais, a negociação do Novo Polo a ser
fabricado na unidade. Em 1998, mais uma vez, a VW Brasil anunciou demissões, 10 mil no
Brasil e 7 mil na Anchieta, e o Sindicato, juntamente com a Comissão dos Trabalhadores, com
apoio internacional do sindicato alemão IG-Metall e do Conselho Geral do Trabalhadores,
negociaram com a direção mundial da empresa a criação da “semana Volkswagen” de 32 horas
semanais, evitando as demissões (Costa, 2022, p. 88-90)
Entrando nos anos 2000, a VW do Brasil implementou seus processos de reestruturação
tomando como base a focalização de produtos e formação de cadeias produtivas:
os exemplos o o Consórcio Modular, no qual toda a atividade de
transformação foi terceirizada; na Volkswagen/Anchieta, com a produção do
“Novo Polo”, a partir de 2002, parte do processo de produção foi terceirizado
e sete empresas fornecedoras se instalaram dentro da fábrica de São Bernardo
do Campo para produzir pneus e rodas, agregado de porta, chicotes,
componentes de chassi, tanque de combustível, escapamento e pedaleira.
(Arruda, 2010, p. 9).
Em continuidade, o processo de reestruturação na VW foi realizado em duas fases: a
Fase I, que compreendeu a manutenção da semana Volkswagen em 2001 e o Projeto Autovisão
Formação sindical como ação estratégica
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em 2003; e a Fase II, com o Programa de Demissão Voluntária de 2006. Representantes da
Comissão de Fábrica que acompanharam as fases ressaltaram que a estratégia era negociar. Para
o coordenador da Comissão de Fábrica da unidade Anchieta à época, em entrevista realizada
em 7 de setembro de 2009, “a melhor forma é a gente negociar ou deixar a fábrica demitir, pra
gente ir pra rua”, ou, conforme expressou uma integrante da Comissão de Fábrica em entrevista
realizada em 15 de junho de 2009, sobre a crise do capitalismo de 2008/2009,
15
“a Volks não
está sofrendo com a crise porque a reestruturação foi feita antes, foi negociada antes
(Arruda, 2010, p.12).
Entretanto, a prática da negociação não exclui outras formas de luta, como o lembra ex-
vice-presidente do Comitê Mundial em entrevista realizada em 24 de março de 2008:
Então você inicia um processo de negociação pela própria negociação em si,
e não mais pela demonstração de força de um ou de outro lado. É lógico que
tanto por parte do movimento sindical quanto por parte do setor empresarial
ainda existem pessoas que têm esse mesmo entendimento, essa mesma
concepção de de trás. Mas na sua maioria, hoje a busca primeira é esgotar
todas as formas de negociação possível e, a partir do resultado negativo dessa
negociação, sim, você faz a luta que você achar que deve, que tem que fazer.
É o que eu acabei de citar como exemplo. Nós fizemos todo o processo de
negociação sobre participação dos resultados, em 2005 na Volkswagen, e nós
fizemos 28 dias de greve por causa de uma diferença de 300 e poucos reais
(Arruda, 2010, p. 86).
A formação sindical teria de acompanhar essa a movimentação, e isso incluía a
organização no local de trabalho. Em entrevista realizada em 25 de junho de 2021, um ex-
dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e um dos
fundadores da CUT explica a importância de a formação sindical abordar o dia a dia do chão
de fábrica e da organização no local de trabalho (Nascimento et al., 2021, n.p.)
Então, por isso que eu estou falando assim: havia uma distância [da formação]
entre as necessidades de dar, fortalecer a ação sindical, a atividade sindical.
Essa distância, entendeu? Aí, então, o sindicato não se via ali, não estava ali.
Então, quando eu ficava discutindo uma OLT
16
você discutir OLT no ponto
de vista da organização, do local de trabalho é uma coisa; mas tem que discutir
como é que nós vamos conseguir fazer com que a representação sindical esteja
garantida dentro do local de trabalho, como garantia. Essa é a discussão sobre
Organização Local do Trabalho.
15
Na crise de 2008, os pequenos investidores estadunidenses deram como garantia seus imóveis para
financiamentos imobiliários. Como os investidores não tiveram capacidade de pagar os financiamentos, os bancos
quebraram, originando um efeito dominó em âmbito mundial (Folha de São Paulo, 22 de outubro de 2008).
16
OLT: Organização no Local de Trabalho.
Hélio da COSTA e Lilian Rose ARRUDA
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Como citamos, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estruturou sua formação em
dois eixos “Sindicato na fábrica” e “Sindicato e Sociedade”, isso implicava ter duas linhas
formação: de dirigentes e de massa. Gaban (2011) ressalta que a linha de formação de dirigentes
englobava cursos voltados para militantes, dirigentes dos Comitês Sindicais de Empresas
(CSEs), das Comissões de Fábrica, dos SURs e das Comissões Internas de Prevenção de
Acidentes (CIPAs). A formação de massa era voltada à comunidade por meio do programa
Sindicato e Cidadania em convênio com o Serviço Nacional da Indústria (SENAI).
Silvia Gaban (2011) fez um levantamento das resoluções dos 3º, 4º, 5º e 6º Congressos
do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de 1999 a 2006, e destaca que no Congresso, a pauta
enfatizada era a consolidação dos CSEs e a luta pelo Sindicato Nacional. Ainda segundo
Gaban (2011), as resoluções do Congresso de 2006 reafirmam a formação como uma área
imprescindível do SMABC no preparo de seus dirigentes para os desafios colocados pelo
sindicado e pela sociedade. Nesse sentido, foram definidos três eixos para a formação:
a formação permanente de militantes e dirigentes, com cursos de
sensibilização de trabalhadores para participação no sindicato, ambas
voltadas à consolidação da Organização no Local de Trabalho (OLT) e à
ação do sindicato na sociedade, a formação profissional dos metalúrgicos
considerando cooperação com outras entidades e finalmente a formação dos
metalúrgicos por meio do ‘Fundo de formação’ (Gaban, 2011, n.p., grifos
nossos).
Como Gaban (2001) assinala, nos programas dos cursos do período 2000-2009 foi
inserido o curso de Organização no Local de Trabalho. Mas, além disso, o eixo “Sindicato na
Fábrica” se desdobrou em dois núcleos: reestruturação produtiva e os novos marcos de atuação
na fábrica, incluindo cursos de especialização em Negociação Coletiva. O outro núcleo era
relacionado à ação no local de trabalho (CSE, OLT, Trabalho de Base). Com isso, a formação
atendia às questões relevantes do contexto que o Sindicato estava vivendo: as reestruturações
produtivas das empresas, a necessidade de negociação e a atuação das organizações nos locais
de trabalho face aos impactos sobre o emprego e as condições de trabalho.
Contemplar a negociação coletiva nos cursos de formação não era (e não é ainda) tarefa
tão simples. Mesmo porque os acordos se tornaram mais complexos com o esvaziamento das
convenções coletivas e a preponderância dos acordos coletivos, como explica um dirigente do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e funcionário da Volkswagen em entrevista realizada em
14 de outubro de 2020:
Formação sindical como ação estratégica
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Esse é um movimento que ocorre no final dos anos 2000 até 2010
2007/2008... Não! 2008/2009/2010, foi onde se concretizou isso, de fato.
As montadoras perceberam que, seguir aquilo que era convenção, seguir
aquilo que era estabelecido para todo mundo não traria a ela a flexibilização
que eles necessitavam, portanto criou-se as opções de fazer acordo por
empresa; e o movimento sindicato se viu numa condição muito difícil porque,
a empresa anuncia “3 mil demissões”, “2 mil demissões” e fala para o
sindicato: “ou eu demito esse tanto ou nós vamos produzir um acordo com
essas bases.” E aí, no acordo que “essas bases” — que ela chama tem lá o
PDV
17
, tem o aumento do plano médico, tem o reajuste salarial, tem
manutenção das cláusulas sociais ou mudança das cláusulas sociais; portanto,
ela já faz um acordo específico para ela, fica fora do processo de negociação
global, o que vai fazendo com que haja um esvaziamento. E isso se repete com
todas as montadoras; então, Mercedes fez; Volks fez; Scania fez; Toyota fez;
Ford enfim, vai... E ao sair de uma negociação conjunta você tem aqueles
que são menores produzindo convenção coletiva (Rodrigues, 2021, p. 315).
Como explica Gaban (2011), para introduzir a negociação coletiva nos cursos de
formação, ainda no período de 1999-2009, dentro do eixo Sindicato na Fábrica, foi resgatada
da educação popular a prática pedagógica chamada “situação-desafio ou situação-problema”.
Tratava-se de um desafio para negociar uma proposta de reestruturação de uma empresa: o
desafio era colocado no início do curso para ser retomado no final. Após discussões teóricas
sobre reestruturação, as reflexões passavam pela reestruturação em si e pela organização no
local de trabalho.
Muitas das decisões de reestruturação produtiva partem das matrizes das empresas.
Nesse sentido, a solidariedade internacional e a negociação conjunta entre os trabalhadores se
tornou uma estratégia necessária. A atuação globalizada das empresas requereu ações também
globalizadas por parte dos sindicatos. Costa (2022) ressalta que além do Brasil ter sido o
primeiro país emergente a receber multinacionais, na década de 1950-60, boa parte delas se
instalaram na região do ABC. Dentro desse contexto, o Sindicato dos Metalúrgicos desenvolveu
uma experiência internacional exitosa de enfretamento ao combinar “o pensar global e o agir
local”, e conseguiu com isso estabelecer um diálogo internacional entre os trabalhadores. A
estratégia sindical, contudo, foi se tornando complexa, internacionalizada, como se pôde
observar com a participação do Sindicato nos Comitês Mundiais de Empresas.
O diálogo pode ser mediado pelas Federações Sindicais Internacionais (FSIs), também
chamadas Federações Sindicais Globais (FSGs) ou Global Unions Federation (GUFs). A
federação internacional, que representa a categoria metalúrgica é a IndustriALL Global Union,
fundada em 2012, em uma união da Federação Internacional dos Trabalhadores da Indústria
17
PDV: Programa de Demissão Voluntária.
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Metalúrgica (FITIM) e a Federação Internacional de Sindicatos de Trabalhadores Químicos, de
Energia, de Minas e de Outros Setores (ICEM) e a Federação Internacional dos Trabalhadores
Têxteis, de Vestuário e de Couro (ITGLWF).
Na categoria metalúrgica, os trabalhadores organizaram os comitês mundiais da
Volkswagen, da Mercedes, da Scania, da General Motors, da Ford, entre outros. Os
metalúrgicos do ABC participaram ativamente dessa movimentação. Com efeito, em junho de
2002, os Comitês da VW e Mercedes assinaram um código de conduta com as empresas.
Tratava-se, entre os metalúrgicos do ABC, de recusar os destinos de outros polos
industriais.
Os metalúrgicos do ABC se recusaram a aceitar o desfecho vivido por Detroit.
Investiram na organização das comissões de fábrica, fortalecendo a
organização sindical no local de trabalho. Investiram na contratação de
técnicos e assessores, produzindo estudos e pesquisas sobre as transformações
que passavam a ocorrer nas montadoras e nas empresas de autopeças. Também
foram realizados esforços para capacitar dirigentes por meio de cursos de
formação sindical, além do intercâmbio internacional com outras
organizações sindicais, especialmente da Europa (Costa, 2022, p. 84, grifos
nossos).
Costa (2022) lembra que, no caso da Volkswagen nos processos desencadeados nos anos
2000, houve trocas internacionais intensas entre representantes sindicais brasileiros, alemães e
a matriz da empresa. Anúncios de demissões de funcionários que partiram da matriz nesse
período levaram representantes dos trabalhadores a buscarem a cooperação internacional:
representantes brasileiros conseguiram em 2001, na Alemanha, com a presença do presidente
da VW Brasil, do secretário-geral do Comitê Mundial dos Trabalhadores, a suspensão de cerca
de 3.000 demissões anunciadas pela empresa.
Em 2006 a empresa anunciou o corte de 20 mil trabalhadores em âmbito mundial. Nesse
episódio, os trabalhadores se articularam internacionalmente e, em maio de 2006, organizaram
encontros do Comitê Mundial, na Alemanha, e outro da Rede Sindical Alemão-Ibero-
Americana, em Puebla, no México. No ABC, o sindicato e a representação interna dos
trabalhadores fecharam um acordo que renovava a estabilidade de emprego acordada em 2001
e mantinha a unidade Anchieta em funcionamento.
O exemplo da Volkswagen nos ajuda a perceber que as reestruturações produtivas
desencadeadas em escala global envolvem uma rede complexa de negociações internacionais
entre sindicatos, representações internas, o Comitê Mundial de Trabalhadores, matriz e filiais
da empresa. As relações sindicais internacionais não foram iniciativas apenas dos sindicatos
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alemães, eram também um dos objetivos dos representantes da Comissão de Fábrica da unidade
Anchieta, e funcionavam como estratégia de resistência e fortalecimento da organização
sindical. Concomitantemente, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC investiu na capacitação de
dirigentes para compreender e lidar com as transformações locais e globais que estavam
ocorrendo no mundo do trabalho.
A pandemia neoliberal
A década de 2010 viria com novos desafios para a classe trabalhadora e, em especial
para os metalúrgicos do ABC. A reforma trabalhista em 2017 e a reforma da previdência social
em 2019 retiraram os direitos e abalaram as organizações sindicais. Ademais, a indústria
metalúrgica do ABC vivenciou a introdução da indústria 4.0 nas montadoras em 2017
18
, e o
fechamento da Ford em 2019.
As transformações estruturais do capitalismo vêm ocasionando mudanças no perfil dos
trabalhadores, o que trouxe outras dificuldades para a ação sindical. Dirigentes sindicais
apontam mudanças entre os metalúrgicos: entre os jovens, não mais a ideia de pertencer a
uma empresa pelo resto de sua vida profissional. A mudança de perfil pode estar relacionada
com a introdução do modelo de acumulação flexível, no qual não há, por parte das novas
gerações, a preocupação de planejamento de longo prazo de suas trajetórias profissionais. Dois
fatos são evidentes: um é “o fim do emprego vitalício, outro, o desaparecimento de carreiras
inteiramente dedicadas a uma única instituição; o mesmo no que diz respeito, no terreno
público, ao caráter mais incerto e de curto prazo adquirido pelos programas de amparo e
previdência governamental” (Sennett, 2006, p. 30-31).
Para o dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entrevistado em 12 de junho
de 2024, a mudança de perfil impacta na formação sindical:
O Sindicato nosso é um Sindicato que trabalha muito na questão da formação.
Inclusive isso a gente tira até no nosso congresso, que é o que a gente chama
de “militância”, que não é o representante sindical, mas é aquele cara que faz
a militância nossa dentro da fábrica. Então, o nosso Sindicato investe muito
nisso, na formação. Na formação política. Mas, quando a gente pega uma
geração que parece que vem com pensamentos diferentes, a gente uma
resistência para poder participar e talvez a gente participou, muitas pessoas,
mas de uma geração. Essas pessoas estão saindo e a gente não se atentou
18
A linha 4.0 inaugurada na Mercedes-Benz foi uma conquista do Sindicato dos Metalúrgicos, depois de uma
longa negociação de 2013 a 2017, como uma alternativa para preservar a planta de SBC, ameaçada de fechamento.
No entanto, os problemas oriundos do processo de trabalho não deixaram de existir. O mesmo aconteceu nas
plantas da Volkswagen e Scania.
Hélio da COSTA e Lilian Rose ARRUDA
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muitas vezes que precisava de gente nova nessas atividades, que precisava
trazer gente nova até para o próprio comitê também, que é uma dificuldade
que a gente tem. Então, talvez parte da culpa seja nossa, mesmo. Mas a própria
geração que a gente hoje dentro da fábrica, não tem essa vontade não.
Talvez seja uma geração com pensamentos diferentes. Não sei se pode ser isso
(Rodrigues, 2025, n.p.).
A percepção do depoimento acima torna-se mais preocupante após a crise de 2008, que
assinalou a parceria cada vez mais forte entre o neoliberalismo e o autoritarismo, o que criou
um ambiente extremamente indigesto para o sindicalismo combativo, que vai além das práticas
antissindicais de outros períodos autoritários. No seu combate sem tréguas ao edifício
socialdemocrata construído no pós-guerra, enfraquecer o poder de negociação dos sindicatos
ganhou centralidade na guerra para precarizar o trabalho e eliminar direitos, revivendo as
experiências dos Estados Unidos e da Inglaterra na década de 1980, como observou Streeck
(2013)
19
. No Brasil, esse ponto de inflexão se materializou nas reformas neoliberais
mencionadas anteriormente.
Marilena Chauí (2019, n.p.), observa, com perspicácia, o que se gestou nas últimas
décadas, uma outra face do totalitarismo, o totalitarismo neoliberal:
Nos totalitarismos anteriores, o estado era espelho e o modelo da sociedade,
isto é, instituíam a estatização da sociedade: todas as esferas sociais e políticas
não apenas como organizações, mas, o totalitarismo neoliberal faz o inverso:
a sociedade se torna o espelho para o Estado, definindo como referência,
definindo como referência central o mercado, como um tipo determinado de
organização: a empresa a escola é uma empresa, o hospital é uma empresa,
o centro cultural é uma empresa, uma igreja é uma empresa e, evidentemente
o Estado é uma empresa.
Como desdobramento desse processo, vale ressaltar que as condições do enfrentamento
ideológico dentro e fora do local de trabalho são tarefas cada vez mais desafiadoras para os
dirigentes sindicais. Primeiro, ocorreu o ressurgimento de militâncias de direita e extrema
direita que têm grande performance nas redes sociais e, também têm demonstrado capacidade
de ocupar as ruas. No contraponto às aspirações classistas, universais e solidárias, são exaltados
valores como o empreendedorismo e a meritocracia como caminho natural para o sucesso
profissional. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Moisés Selerges, definiu o período
pós-pandemia, como o período da “Retomada” para o Sindicato, reforçada pela vitória do
presidente Lula nas eleições de 2022 e pela da nova direção do Sindicato, eleita em 2023 em
19
Segundo o autor: “A destruição do Sindicato dos controladores de tráfego aéreo por Ronald Reagan, em 1981,
e vitória de Margareth Thatcher sobre o sindicato dos mineiros, em 1984, constituem pontos de viragem dramáticos
e simbolicamente importantes” (Streeck, 2013, p.).
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um ambiente de extrema polarização e de muitas dificuldades para os trabalhadores apesar dos
resultados das eleições
20
.
O Departamento de Formação tomou a iniciativa, em 2023, de realizar uma pesquisa
com toda a Direção Plena, recém-empossada, sobre quais seriam os principais desafios para a
categoria e como a formação poderia auxiliar nesse processo. A partir daí, a ideia era estruturar
um plano de formação de longa duração, de dois anos
21
.Como exemplo, os principais desafios
apontados por 58 respondentes da pesquisa foi a disseminação das fake news pelas redes sociais
no cotidiano da fábrica, seguido pelo processo de despolitização da categoria, apontado por 43
respondentes. Esses dois apontamentos, segundo os representantes, são obstáculos para se falar
sobre os problemas da fábrica e sobre o sindicato com os trabalhadores.
Com as informações propiciadas pela pesquisa, foram indicados como eixos para a
formação: a retomada e o significado da organização no local de trabalho; o papel dos CSEs
como eixo norteador do projeto de formação. Nesse sentido, deveriam ser tratadas as dimensões
política; cultural; ação sindical e transformações no mundo do trabalho; sindicato e sociedade;
sindicato e meio ambiente.
O que queremos ressaltar ao mencionar a realização da pesquisa é a permanente busca
do SMABC, que trabalha para que a sua política de formação sindical não se perca e não se
distancie das demandas organizativas apontadas pelos seus próprios dirigentes, continuando em
permanente diálogo com os trabalhadores da base e, dessa forma, procurando se ajustar e se
reinventar, assim como acontece com própria ação sindical.
Considerações finais
Durante mais de cinco meses, os metalúrgicos do ABC debateram a necessidade de
avançar na organização sindical, enraizando a representação sindical no local de trabalho e
avançando nas experiências das Comissões de Fábrica. No II Congresso da categoria, em 1996,
foi aprovada, depois de longos debates, a criação dos Comitês Sindicais de Empresas (CSEs),
que passaram a ser implementados a partir de 1999. Os CSEs, segundo o ex-presidente do
20
“Retomada essa que significa em sentido mais amplo a retomada do contato direto com o governo federal, do
diálogo direto com a classe trabalhadora, das políticas industriais para a região, da participação popular (Moisés
Selerges no editorial da Tribuna Metalúrgica, 2023).
21
Dos 155 representantes dos Comitês Sindicais de Empresas (CSEs), eleitos para o triênio 2023-2026, que
constitui a Direção Plena, 125 responderam ao questionário. A pesquisa e a proposta de curso resultante foram
analisadas por Cappucci et. al. (2025, p. 8-13), sob a perspectiva da pedagogia libertadora de Paulo Freire, partindo
da psicologia social na sua vertente crítica e da experiência do movimento sindical.
Hélio da COSTA e Lilian Rose ARRUDA
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Sindicato, Luiz Marinho, “foram a terceira revolução do novo sindicalismo”
22
, ao romper com
o modelo de representação corporativo e ao aprofundar a democracia sindical, na medida que
todos os representantes dos CSEs eleitos no local de trabalho tornavam-se automaticamente
membros da Direção Plena do Sindicato, superando o modelo corporativo que limitava por lei
a direção a 21 membros. Dessa forma, o sindicato passava a estar mais presente no cotidiano
da fábrica procurando resolver os problemas que se apresentavam de forma mais rápida e
fortalecendo os vínculos do Sindicato com a sua base, que passava a conviver com o seu
representante sindical de forma permanente.
Não foi por acaso, que no III Congresso da categoria, em 1999, a formação sindical
ganhou destaque diante da enorme tarefa de preparar os membros dos CSEs a assumirem o
desafio de implantar e consolidar o novo “modelo sindical dos metalúrgicos do ABC”. A
estruturação e a valorização de uma política de formação pelos metalúrgicos do ABC estão
intrinsecamente ligadas ao seu projeto político-sindical de responder aos desafios colocados
para os trabalhadores em diferentes conjunturas, em paralelo com a renovação dos seus quadros
sindicais.
Mesmo em face às mudanças que vêm ocorrendo no mundo do trabalho, passados mais
de 20 anos do III Congresso de 1999 que definiu os eixos da formação sindical, os metalúrgicos
do ABC mostraram capacidade de combinar organização no local de trabalho, negociação,
articulação internacional e capacitação e estruturação de programas de formação sindical para
enfrentar as dificuldades impostas pelo capitalismo neoliberal.
O modelo sindical dos metalúrgicos do ABC superou historicamente as barreiras
impostas pelo modelo sindical corporativista ao fincar suas bandeiras no interior das fábricas,
primeiro com as Comissões de Fábrica e, depois, a partir de 1999, com a implementação dos
Comitês Sindicais de Empresas, que são eleitos nos seus locais de trabalho, reafirmando o
princípio democrático: quem não for eleito no seu local de trabalho, não poderá pertencer à
direção do sindicato. É esse compromisso com o enraizamento na base e um projeto de
transformação que aponta para a renovação e aprimoramento da ação sindical que dá sentido à
longa trajetória da formação sindical dos metalúrgicos do ABC.
22
Para mais informações, consulte a entrevista com Luiz Marinh em: https://smabc.org.br/comites-sindicais-de-
empresa-a-3-revolucao-do-novo-sindicalismo. Acesso em: 19 mar. 2026. Luiz Marinho foi presidente do Sindicato
no período 1996 a 2003.
Formação sindical como ação estratégica
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21085 20
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em 2001-2006. 2010. 179 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) Programa de Pós-
Graduação em Ciências Sociais, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo,
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D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 0 8 5 2 3
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : N ã o .
Fi n a n ci a m e nt o : N ã o h o u v e fi n a n ci a m e nt o.
C o nflit os d e i nt e r ess e : N ã o h o u v e c o nflit os d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : N ã o pr e cis o u .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m at e ri al : N ã o .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : A m b os os a ut or es c o ntri b uír a m i g u al m e nt e p ar a a o br a.
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m at a ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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POLITICAL EDUCATION AS A STRATEGIC UNION ACTION
FORMAÇÃO SINDICAL COMO AÇÃO ESTRATÉGICA
FORMACIÓN SINDICAL COMO ACCIÓN ESTRATÉGICA
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COSTA, Hélio da; ARRUDA, Lilian Rose. Political education as a
strategic union action. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31,
n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
10.52780/res.v31iesp.1.21085.
| Submitted: 11/04/2026
| Revisions required: 15/04/2026
| Approved: 05/05/2026
| Published: 27/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Maria Chaves Jardim
1
ABC Metalworkers' Union (SABC), São Bernardo do Campo São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in the Sociology
of Work from the Faculty of Philosophy, Letters and Human Sciences (FFLCH) at the University of São Paulo
(USP). M.A. in Social History from the State University of Campinas (Unicamp) and Ph.D. in the Sociology of
Work from the University of São Paulo (USP). Since 1988, he has worked in the field of trade union education in
parallel with academic activities. He is currently the Technical Coordinator of the Training Department of the
ABC Metalworkers' Union.
2
Researcher in the field of Sociology of Work, São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Social Sciences
from the Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP). Independent researcher.
Political education as a strategic union action
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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ABSTRACT: This article analyzes the union training policy of the ABC Metalworkers Union
and how, over the years, this policy responded to the needs imposed by changes in the world of
work. Since the 1980s, the ABC Metalworkers Union has prioritized union training in its
congress resolutions; the 3rd Congress in 1999 emphasized this practice as a fundamental tool
for implementing its organizational strategy. However, the unions training program had to
adapt to changing labor dynamics, specifically addressing the productive restructuring launched
by sector companies, mainly from the 1990s onward. In this sense, combining workplace
organization, collective bargaining, international coordination, and targeted union training
helped create the necessary conditions for the union to respond to the challenges imposed by
neoliberal capitalism.
KEYWORDS: Union training. Trade union movement. Productive restructuring. Workplace
organization. International trade union movement.
RESUMO: Este artigo analisa a política de formação sindical do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC e como, no decorrer dos anos, essa política respondeu às necessidades impostas pelas
mudanças no mundo do trabalho. Desde a década de 1980 o Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC colocou a formação sindical como prioridade nas resoluções de seus congressos: o III de
1999 priorizou a prática como ferramenta fundamental para implementar a sua estratégia de
organização. A formação do Sindicato, contudo, necessitou acompanhar as mudanças que
ocorriam no mundo do trabalho que envolviam o enfrentamento às reestruturações produtivas
desencadeadas pelas empresas do setor a partir, sobretudo, da década de 1990. Neste sentido,
a combinação de organização no local de trabalho, negociação coletiva, articulação
internacional e formação sindical tratando desses temas contribuiu para criar as condições
para o sindicato responder aos desafios impostos pelo capitalismo neoliberal.
PALAVRAS-CHAVE: Formação sindical. Movimento sindical. Reestruturação produtiva.
Organização no local de trabalho. Movimento sindical internacional.
RESUMEN: Este artículo analiza la política de formación sindical del Sindicato de
Metalúrgicos del ABC y cómo, a lo largo de los años, dicha política respondió a las necesidades
impuestas por los cambios en el mundo del trabajo. Desde la década de 1980, el Sindicato de
Metalúrgicos del ABC priorizó la formación sindical en las resoluciones de sus congresos; el
III Congreso de 1999 destacó esta práctica como una herramienta fundamental para
implementar su estrategia de organización. Sin embargo, la formación del sindicato tuvo que
adaptarse a las transformaciones laborales, enfrentando las reestructuraciones productivas
impulsadas por las empresas del sector, principalmente desde la década de 1990. En este
sentido, la combinación de organización en el lugar de trabajo, negociación colectiva,
articulación internacional y formación sindical sobre estos temas contribuyó a crear las
condiciones para que el sindicato respondiera a los desafíos del capitalismo neoliberal.
PALABRAS CLAVE: Formación sindical. Movimiento sindical. Reestructuración productiva.
Organización en el lugar de trabajo. Movimiento sindical internacional.
Hélio da COSTA and Lilian Rose ARRUDA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introduction
Overcoming the naive curiosity of popular groups through critical curiosity
is a fundamental and permanent exercise to be tirelessly experienced. It is an
exercise that implies living the dialectical relationship between theory and
practice. And living it in such a way that we place ourselves increasingly
farther from falling into the populist or grassroots temptation of denying the
role of theory, or into the elitist temptation of, by denying practice, making
the importance of theory exclusive. One needs the other as we need the air
we breathe.
[Paulo Freire speaking to educators at Cajamar Institute in 1995] (Freire,
2017, p. 378, our translation).
This article seeks to historically analyze the union education policy of Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union] (SMABC) and how, over the years, this
policy responded to the needs imposed by changes in the world of work. To this end, relevant
literature on the topic was used, as well as in-depth interviews conducted with union leaders of
the Sindicato [Union] between 2020 and 2024. The interviews include leaders from different
generations, from the one that founded Central Única dos Trabalhadores [Unified Workers
Central] (CUT) in the 1980s to the generation that operates in a very different context in the
2020s.
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union], especially from the
strike cycle of 1978 to 1980 onward, is regarded as one of the largest workers demonstrations
against the military dictatorship and was an important agent in giving a new direction to the
political opening articulated by the regime. For the dictatorship, the opening would have to be
slow, gradual, and safe, in a democratic transition conducted from above, without the political
jolts provoked by the demands of the growing popular opposition
3
.
In the context of strong repression against the union movement, the ABC metalworkers
strikes had as their main objective the establishment of a negotiation process in which
employers unions would effectively take the strikers demands into account. The 1980 strike,
the longest one, lasting 41 days, was defeated economically, but politically it was extremely
victorious, projecting the Sindicato [Union] as a reference point for the combative unionism
known as new unionism, which was emerging on the national scene and raised its main
leader, Luiz Inácio da Silva, Lula, as the countrys greatest union leader. In several interviews,
testimonies, and speeches, Lula recalled the importance of the 41 days of struggle (including
3
We do not wish, however, to downplay the silent (at times, not so silent) work that took place within the factories
in the years leading up to the 1980 strike, as noted by Santana (2018), Negro (2004), French (2020), Martins
(1994), Humphrey (1982), and Rainho (1980).
Political education as a strategic union action
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the entire strike preparation process) for the growth of union militancy, despite the failure to
achieve the demands.
The concrete fact is that no one could withstand 41 days because, in practice,
the comrade had to pay for milk, had to pay the electricity bill, had to pay for
gas, his wife began asking for bread money, so he began to suffer pressure and
could not endure it. But it is funny because in defeat we gained much more
without winning economically than when we won economically. This means
that money is not what solves the problem of a strike, it is not 5%, it is not
10%; it is what is embedded in a strike in terms of political theory, political
knowledge, and political thesis (CUT, 2018, our translation)
4
.
The enthusiasm of the militants and the effervescence that took over the union, even
with the frustrating economic outcome, constituted the strikes great political victory,
demonstrating the importance of involving union militants in its preparation. They felt co-
responsible for its outcome, taking part in picket lines, gathering workers in neighborhoods and
at bus stops, and even strengthening already existing social networks (Macedo, 2010). This
political gain needed to be channeled into the factories in a more organized way, and this
perception was reinforced by the process of factory downsizing, with mass layoffs beginning
in 1982 and productive restructuring in the following years. In this sense, efforts began to
establish factory committees and to train their members to face the challenges in the world of
work that emerged from the 1980s onward (Barbosa, 2003).
One of the initiatives was the creation of a subsection of Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos [Inter-Union Department of Statistics and
Socioeconomic Studies] (Dieese) in 1981, led by Osvaldo Cavignato, an economist who had
already been performing advisory functions since 1975, supplying union leaders with data for
negotiations through research. A few years later, the Sindicato [Union] incorporated production
engineers to help understand productive restructuring and, consequently, its negotiation process
with the Sindicato [Union] and its educational processes. The Sindicatos [Unions] press,
through the newspaper Tribuna Metalúrgica, was always a powerful voice for workers, and
cultural actions, such as Grupo de Teatro Forja [Forja Theater Group], also joined the effort to
organize and raise awareness among the metalworking base (Paranhos, 1999).
4
Read the full text of Lulas historic speech in São Bernardo by accessing: https://www.cut.org.br/noticias/leia-a-
integra-do-discurso-historico-de-lula-em-sao-bernardo-20e3. Accessed on: 18 Mar. 2026.
Hélio da COSTA and Lilian Rose ARRUDA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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The Sindicato [Union] also began an intense process of international exchange and
solidarity, which deepened over time and became incorporated into its union culture
(Magalhães, 2013; Costa, 2022)
5
.
A third effort, no less fundamental, was the structuring of Departamento de Formação
[Education Department], which began to develop courses, workshops, and seminars with the
objective of training leaders to intervene both inside and outside the factory. This set of actions,
composed of research and studies, union exchange, partnerships with research institutions, and
the structuring of regular union education courses, constitutes educational processes that train,
each in its own way, leaders to face the challenges posed by different conjunctures. Evidently,
the experience of struggle is a fundamental aspect of the working classs political education
process, and it was no different with the ABC metalworkers. It is from this making of the
working class that union education presents itself in its integral dimension
6
.
Within the limits of this text, it would be impossible to cover the broad repertoire of
union education. In this article, we will focus on the educational activities developed by
Departamento de Formação Sindical do SMABC [SMABC Union Education Department] and
structured into training courses in different periods to respond to the organizational and political
challenges posed to its leadership. Aware that we will be far from doing justice to the full
richness of the ABC metalworkers union education experience, we will initially highlight the
legacy of popular education in the dialogues and partnerships established by militants, leaders,
and advisors of the Sindicato [Union]; the fine tuning between organizational challenges and
education programs; and some aspects of current challenges, which also challenge education.
The legacy of popular education
A close look at the many testimonies that make up the book A geração que criou a CUT:
história contada por quem a faz [The generation that created CUT: history told by those who
made it] (Nascimento et al., 2023) gives us a sense of the awakening of the union movement in
the late 1970s and in the following years at the national level, as well as how the strikes in the
ABC region of São Paulo influenced that awakening.
5
Since the creation of the World Employee Committees at Volkswagen AG and Mercedes-BenzDaimler AG,
the São Bernardo do Campo plants within the ABC Metalworkers Union have always played a prominent role.
6
Silvia Manfredi (1986, p. 22-26), in a pioneering work on trade union education, highlights this set of actions in
the educational field combined with struggles both inside and outside the factory as constitutive aspects of a
formative process from the workers perspective.
Political education as a strategic union action
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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The nationwide reach of the pastoral organizations enabled circulation and exchange
among militants and leaders from several regions of the country, which might have been
unlikely had there not been an aggregating center that made such encounters possible, as
occurred with the workers and peasants organizations led by the Church. The popular
education advanced by the pastoral organizations sought to combine a critical reading of reality
with transformative praxis in factories, neighborhoods, the countryside, or anywhere militant
action could be developed through the see-judge-act method, so popular in the 1980s and
mentioned by several former leaders as a period of very consistent grassroots education, with
courses, seminars, and meetings that proliferated throughout the country in a growing context
of political agitation. It is possible to state that the Catholic left was the path through which
popular education, so well-known and debated based on Paulo Freires theories, reached and
decisively influenced union education (Junior, 2025, p. 11, our translation)
7
.
Heloisa de Souza Martins (1994) provides a rich overview of the work of the workers
pastoral organizations in the ABC region from 1954 to 1975, a period in which the figure of
Dom Jorge, the red bishop, gained prominence in the strikes shortly after the 1964 military
coup
8
. French (2024, p. 242, our translation) mentions the protest by Father Rubens Chasseraux
in Vila Palmares, Santo André, on September 28, 1966, which called attention to the world of
the dominant minority of this false progress, and continued: a world of hunger, misery,
persecution, beatings, lack of freedom....
One of the main forms of support that was built was the education of leaders and rank-
and-file workers. To this end, the work of several institutions stood out, such as Fundação Casa
do Trabalhador [Workers House Foundation] (FCT), founded in 1978; Federação dos Órgãos
para a Assistência Social e Educacional [Federation of Organizations for Social and Educational
Assistance] (FASE), founded in 1961; and Centro de Educação Popular [Popular Education
Center] (CEPIS), founded in 1977.
Popular education was analyzed from various perspectives in the context of the
redemocratization process and the emergence of popular struggles, such as Movimento Contra
a Carestia [Movement Against the High Cost of Living], the strikes of the Metalúrgicos do
ABC [ABC Metalworkers] and the Metalúrgicos de São Paulo [São Paulo Metalworkers], at
7
In 1963, Paulo Freire encountered student movements for Christian renewal, such as the Catholic Student Youth
(JEC) and the Catholic University Youth (JUC)from which leaders like Frei Betto and Betinho would emerge
, as well as with labor movements, specifically the Catholic Working Youth (JOC).
8
According to the author, until the end of 1970, the Church, as a body, sought to maintain its unity, containing
the excesses of its members, while simultaneously asserting itself before the State, without giving up a critical
stance, particularly regarding human rights violations (Martins, 1994, p. 221, our translation).
Hélio da COSTA and Lilian Rose ARRUDA
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the I Conferência Brasileira de Educação [First Brazilian Conference on Education], held in
April 1980 at Pontifícia Universidade Católica de São Paulo [Pontifical Catholic University of
São Paulo] (PUC-SP). On that occasion, the experience of popular education in the context of
the 1960s was debated, when social movements and unionism gained relevance in relation to
the dilemmas of development, as well as the fight against the countrys structural inequality, at
a time when Brazil was beginning to experience the boom of industrialization and urbanization.
In this context of recovering popular education, the perspective emerged of resuming it as an
instrument of the popular classes in building democracy and reconfiguring the role of the State
as a result of civil society struggles that placed new subjects on the scene
9
.
CEPIS, in particular, was very close to the so-called new unionism, represented by
union oppositions and by some unions, such as the metalworkers of São Bernardo and Diadema.
Popular educators with notable involvement in opposition to the military dictatorship stood out
in union work, including Frei Betto, Paulo Vannuchi, and Paulo de Tarso. The first two had
close ties with the metalworkers of São Bernardo and Diadema (Junior, 2025, p. 12, our
translation). CEPIS would later have a strong influence on the pedagogical conception of
Instituto Cajamar [Cajamar Institute] (Inca), founded in 1986, which, in addition to having
Paulo Freire as patron and president of its Governing Council, relied on the intense
collaboration of Pedro Pontual and Frei Betto in its early years.
In addition to CEPIS members, Inca also benefited from the contribution of experienced
cadres from the communist resistance to the military dictatorship, especially Wladimir Pomar,
a former leader of Partido Comunista do Brasil [Communist Party of Brazil] (PC do B) and a
political prisoner, who became a leader of Partido dos Trabalhadores [Workers Party] and, as
Secretary of Education, was appointed to the leadership of Inca from its foundation in 1986
10
.
Many union leaders linked to Central Única dos Trabalhadores [Unified Workers
Central] went through Instituto Cajamar [Cajamar Institute] from its foundation onward. Inca
was a space of intense exchange among leaders from all over Brazil, from the countryside and
the city, and from the public and private sectors. In this way, popular education gradually
entered and became part of the training culture of the cadres of new unionism, who saw
themselves represented in Central Única dos Trabalhadores [Unified Workers Central] from
9
Several presentations from the First Brazilian Conference on Education were published in the book A questão
política da educação popular [The Political Question of Popular Education], by Aida Bezerra and Carlos
Rodrigues Brandão (1980).
10
In addition to trade union education, Instituto Cajamar provided political party training and education for social
movements. The Landless Workers Movement (MST) used the Inca facilities to train its cadres until the
inauguration of the Florestan Fernandes National School (ENFF) in 2005.
Political education as a strategic union action
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its foundation in August 1983 and who also gave concrete meaning to CUTs class-based
conception by bringing together experiences that were so different from the standpoint of work,
yet so intensely shared in struggle and political perspective
11
.
Inca was also the site of many historic events, such as the seminar on 70 years of the
experience of building socialism, in 1987, which brought together different generations of
socialists. The event included the historic presence of Luiz Carlos Prestes, Apolônio de
Carvalho, Jacob Gorender, Fúlvio Abramo, David Capistrano, Marco Aurélio Garcia, Wladimir
Pomar, José Dirceu, and Lula himself. Thorny issues for the left, such as the relationship
between parties and unions, were debated at Inca among union and party leaders, who addressed
delicate and challenging questions in light of the commitment to the principle of union freedom
and autonomy that guided new unionism and, in a certain sense, shaped its discourse in
opposition to old unionism
12
.
Instituto Cajamar [Cajamar Institute] also played a prominent role in formulating and
disseminating CUTs national education policy in its early years, until the founding of the
Centrals organic union schools, which began to dedicate themselves to training CUT cadres in
their respective regions
13
. The Formação de Formadores [Training of Trainers] (FF) program
was one of the strategic programs for disseminating CUT education throughout the country
by incorporating Freirean pedagogy with the challenges of union organization based on its
values and principles.
In these brief notes, we call attention to the circulation of ideas and experiences that has
always permeated the trajectory of new unionism. In this process, we highlight the strong
presence of the ABC metalworkers in the collective construction of the principles of union
education that would characterize the 1980s and remain present to this day in CUT education
forums and in the various spaces where metalworkers are active, whose origins go back to the
rich experience of popular education in Latin America, especially from the 1960s onward.
11
Paulo Fontes and Valter Pomar (2021), in a brief and elucidating text, highlight the importance of Inca for the
generation that founded the CUT.
12
Regarding the seminar that addressed the relationship between trade unions and political parties, see the article
in the journal published by Inca itself: Relação Partido Sindicato [Party-Union Relationship]. Cadernos de
Debates 1, May 1988. Among the 47 participants, 7 belonged to the cadres of the ABC metalworkers.
13
The first organic school of the CUT was the Escola Sete de Outubro [October Seventh School] in Belo Horizonte
(MG), founded in June 1990, followed by the Escola Sindical São Paulo [São Paulo Labor School] in August 1993.
The latter operated within the Inca facilities until 1995.
Hélio da COSTA and Lilian Rose ARRUDA
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Education, negotiated restructuring, and workplace organizations
We may state that union education has been adopted as a strategic element combined
with other spheres of union action, organization, and reflection. For Gaban (2011), union
education is part of a tradition developed by the Brazilian union movement throughout the
twentieth century, and Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union] is part
of that tradition.
Beyond economic and labor issues, the union and workers movement that emerged
among the ABC metalworkers in the late 1970s, and that a few years later would give rise to
Central Única dos Trabalhadores [Unified Workers Central], included among its demands
issues related to citizenship rights.
[...] although the immediately visible issue of this movement was the struggle
for wage replacement in the second half of 1977, as a result of the 1973
inflation rates, the purpose of union struggle was the right to citizenship. These
demands permeated everyday factory life, the neighborhood, the housing
question, better living and working conditions, better wages, and also
represented the affirmation of a working class that no longer accepted limited
citizenship (Rodrigues, 1997, p. 19).
Union education, in this sense, had to address a range of issues that encompassed the
struggles of workers. To this end, the III Congresso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
[Third Congress of the ABC Metalworkers Union], held in 1999, prioritized the practice of
union education as a fundamental tool for implementing its new organizational strategy. The
III Congress set as priorities for the union 1) defining the axes of action, 2) the policy for
training new cadres, and 3) personnel management policy (Gaban, 2011, p. 58, our
translation). Also, according to Gaban (2011), that congress established two axes for the unions
education policy: Union in the factory and Union and society.
In its conception, union education among the ABC metalworkers was not detached from
union action in the workplace. Called Comissões de Fábrica [Factory Committees], Comissões
de Empresa [Company Committees], Comitês de Empresa [Company Committees], Sistema
Único de Representação [Unified Representation System] (SUR), and taking different forms
from the 1970s onward, as Rodrigues (1991) recalls, these organizations gained space in the
discussions of Oposições Sindicais [Union Oppositions], ABC unionism, and later Central
Única dos Trabalhadores [Unified Workers Central].
Also, according to Rodrigues (1991), beyond the organization of committees created to
support the strike movements of the late 1970s, workplace organizations became a permanent
Political education as a strategic union action
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and relevant tool of the ABC union movement. At the time, Sindicato dos Metalúrgicos de São
Bernardo do Campo e Diadema [Metalworkers Union of São Bernardo do Campo and
Diadema] included workplace organization in the resolutions of its III Congress, held from
October 6 to 15, 1978.
In the first half of the 1980s, with the military dictatorship in full decline, workers found
in factory committees a way to confront workplace conflicts and the authoritarianism of
management. Consequently, during that period, committees multiplied across several
categories, especially among metalworkers. Still in the 1980s, in search of stability, many
committees became institutionalized through the creation of regulations and statutes.
Since the 1970s, processes of productive restructuring had been unfolding in Brazilian
companies. At first, this occurred with the introduction of Círculos de Controle de Qualidade
[Quality Control Circles] (CCQs); the second moment lasted from 1984 until the end of the
1990s, when just-in-time was introduced; in the third phase, which began in the 1990s, in a
context of national currency stabilization and the opening of new markets, organizational
strategies and the adoption of new forms of labor management more compatible with the needs
of production flexibility and workers involvement with quality and productivity were
introduced (Leite, 2003, p. 71-79, our translation).
Beyond job losses and company closures, the ABC region gradually took on a different
configuration. For a leader of Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers
Union], in an interview conducted on June 17, 2020, over the years the ABC region has
undergone a process of deindustrialization with several impacts.
It is not only in workers everyday lives, but it also has an impact on public
revenue. If we take the ICMS here in the ABC region, we went from 9.5 billion
in ICMS
14
in 2014 to just over 6 billion in 2019. [...] In five years, we lost
more than 3 billion in ICMS revenue. This compromises the entire local
structure, so, in fact, we lost. [...] In those five years, we lost more than 4
billion reais in total payroll (Rodrigues, Ramalho; Lima, 2022, p. 35, our
translation).
Union responses to confront these processes are diverse because of the different profiles
of companies in the sector located in the region: large companies coexist with small and
medium-sized ones, with distinct forms of organization, technology, and management. It is
necessary to understand the metamorphoses of work in order to face processes of productive
restructuring. In this respect, union education is a relevant element, as another leader of
14
This is a state tax: ICMS (State Value-Added Tax on Services and Circulation of Goods).
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Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union] recalls in an interview
conducted on September 5, 2024 (Rodrigues, 2025, n.p., our translation):
We have already gone through productive restructuring, which was something
that, whether we like it or not, as much as we realize that new forms of work
are emerging. But we need to be attentive, right? That is why the Sindicato
[Union] here is often attentive to discussing with governments and with the
companies themselves, because technology is not something we are going to
prevent from happening; in other words, it is already a reality. So, we need to
prepare current workers, but also future ones, so that they can keep up with
this evolution through education.
In this complex scenario, in the large automakers, the factory committees and company
committees play an important role in negotiating the restructuring imposed by companies. In
the case of Volkswagen Anchieta, the actions of the workers Comissão de Fábrica [Factory
Committee] were relevant in the face of the changes that occurred internally. Created by the
company in 1980, the internal workers representation began to express opinions on what was
happening in the factory and to conduct negotiations from 1982 onward, the year of the first
election of representatives, when workers took control of the committee.
During the 1990s, this practice came to be called negotiated restructuring, or also
propositional union action, and it became consolidated in the ABC region of São Paulo in the
2000s. Authors point to the construction of this strategy among the ABC metalworkers:
Rodrigues (1999) emphasizes that new unionism was led to discuss the effects of the recession
of the 1980s, shifting from conflict-oriented unionism to negotiation-oriented unionism, that
is, as far as possible, a concerted change between capital and labor (Rodrigues 1999, p. 241,
our translation). Blass (2001), in turn, highlights the importance and different trajectories of the
Volkswagen Anchieta and Ford committees, both created in the 1980s, but notes the
development of a negotiating characteristic on the part of the former.
The case of Volkswagen Anchieta is illustrative: the plant was affected by productive
restructuring initiatives starting in the 1990s. In 1997, VW announced 10,000 layoffs and the
closure of the Anchieta plant; negotiations between the union and the company, together with
international coordination, prevented that outcome. A Programa de Demissão Voluntária
[Voluntary Dismissal Program] (PDV) was planned, along with a reformulation of the time
bank and, furthermore, the negotiation of the Novo Polo [New Polo] to be manufactured at the
plant. In 1998, once again, VW Brasil announced layoffs10,000 in Brazil and 7,000 at
Anchietaand the Sindicato [Union], together with the Comissão dos Trabalhadores [Workers
Committee], with international support from the German union IG-Metall and the Conselho
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Geral dos Trabalhadores [General Workers Council], negotiated with the companys global
management the creation of the 32-hour weekly Volkswagen week, preventing the layoffs
(Costa, 2022, p. 88-90, our translation).
Entering the 2000s, VW do Brasil [VW of Brazil] implemented its restructuring
processes based on product focus and the formation of production chains:
Examples include the Consórcio Modular [Modular Consortium], in which the
entire transformation activity was outsourced; at Volkswagen/Anchieta, with
the production of the Novo Polo [New Polo], beginning in 2002, part of
the production process was outsourced and seven supplier companies set up
inside the São Bernardo do Campo plant to produce tires and wheels, door
assemblies, wiring harnesses, chassis components, fuel tanks, exhaust
systems, and pedal assemblies (Arruda, 2010, p. 9, our translation).
Continuing this process, restructuring at VW was carried out in two phases: Phase I,
which included maintaining the Volkswagen week in 2001 and the Autovisão Project in 2003;
and Phase II, with the Programa de Demissão Voluntária [Voluntary Dismissal Program] of
2006. Representatives of the Comissão de Fábrica [Factory Committee] who followed these
phases emphasized that the strategy was to negotiate. For the coordinator of the Comissão de
Fábrica [Factory Committee] at the Anchieta unit at the time, in an interview conducted on
September 7, 2009, the best way is for us to negotiate, or else let the factory lay people off and
for us to go out into the streets, or, as a member of the Comissão de Fábrica [Factory
Committee] expressed in an interview conducted on June 15, 2009, regarding the 2008/2009
15
crisis of capitalism, Volks is not suffering from the crisis because the restructuring had already
been done before, had already been negotiated before (Arruda, 2010, p. 12, our translation).
However, the practice of negotiation does not exclude other forms of struggle, as the
former vice-president of the Comitê Mundial [World Committee] recalled in an interview
conducted on March 24, 2008:
So, you begin a negotiation process through negotiation itself, and no longer
through a demonstration of strength by one side or the other. Of course, both
within the union movement and within the business sector there are still people
who have that same understanding, that same conception from back then. But
for the most part, today the first aim is to exhaust every possible form of
negotiation and, if that negotiation produces a negative result, then yes, you
carry out whatever struggle you think should be carried out, that must be
carried out. That is the example I just mentioned. We carried out the entire
15
During the 2008 crisis, small American investors used their properties as collateral for mortgages. Since these
investors were unable to repay the loans, the banks collapsed, triggering a worldwide domino effect (Folha de
S.Paulo, October 22, 2008).
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negotiation process over profit sharing in 2005 at Volkswagen, and we went
on strike for 28 days because of a difference of just over 300 reais (Arruda,
2010, p. 86, our translation).
Union education would have to accompany this movement, and this included workplace
organization. In an interview conducted on June 25, 2021, a former leader of Sindicato dos
Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema [Metalworkers Union of São Bernardo
do Campo and Diadema] and one of the founders of CUT explains the importance of union
education addressing everyday life on the shop floor and workplace organization (Nascimento
et al., 2021, our translation).
So that is why I am saying this: there was a distance [in education] between
the needs of giving strength to union action, to union activity. That distance,
you understand? So then, the union did not see itself there, it was not there.
So, when I kept discussing OLT
16
to discuss OLT from the standpoint of
organization, of the workplace, is one thing; but we have to discuss how we
are going to ensure that union representation is guaranteed inside the
workplace, as a guarantee. That is the discussion about Organização Local do
Trabalho [Workplace Organization].
As already mentioned, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers
Union] structured its education around two axes: Union in the factory and Union and
society; this implied two lines of education: leadership education and mass education. Gaban
(2011) emphasizes that the leadership education line included courses aimed at militants,
leaders of the Comitês Sindicais de Empresas [Company Union Committees] (CSEs),
Comissões de Fábrica [Factory Committees], SURs, and Comissões Internas de Prevenção de
Acidentes [Internal Accident Prevention Committees] (CIPAs). Mass education was aimed at
the community through the Sindicato e Cidadania [Union and Citizenship] program, in
partnership with Serviço Nacional da Indústria [National Industrial Training Service] (SENAI).
Silvia Gaban (2011) surveyed the resolutions of the 3rd, 4th, 5th, and 6th Congresses of
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union], from 1999 to 2006, and
notes that at the 4th Congress, the emphasized agenda was the consolidation of the CSEs
and the struggle for the Sindicato Nacional [National Union]. Also, according to Gaban (2011),
the resolutions of the 6th Congress of 2006 reaffirm education as an indispensable area of
SMABC in preparing its leaders for the challenges posed by the union and by society. In this
sense, three axes were defined for education:
16
OLT: Workplace Organization (Organização no Local de Trabalho).
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the permanent education of militants and leaders, with courses to raise
workers awareness about participation in the union, both aimed at
consolidating Organização no Local de Trabalho [Workplace
Organization] (OLT) and the unions action in society; the professional
education of metalworkers, considering cooperation with other entities; and
finally, the education of metalworkers through the Fundo de formação
[Education Fund] (Gaban, 2011, n.p., emphasis added, our translation).
As Gaban (2001) points out, in the course programs for the 2000-2009 period, the course
Organização no Local de Trabalho [Workplace Organization] was included. In addition, the
Union in the Factory axis unfolded into two core areas: productive restructuring and the new
frameworks for action in the factory, including specialization courses in collective bargaining.
The other core area was related to action in the workplace (CSE, OLT, grassroots work). Thus,
education addressed the relevant issues of the context the Sindicato [Union] was experiencing
companies productive restructuring, the need for negotiation, and the role of workplace
organizations in the face of impacts on employment and working conditions.
Including collective bargaining in education courses was notand still is notsuch a
simple task. This is also because agreements became more complex with the weakening of
collective conventions and the predominance of collective agreements, as explained by a leader
of Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union] and Volkswagen
employee in an interview conducted on October 14, 2020:
This is already a movement that occurs there at the end of the 2000s up to
20102007/2008... No!2008/2009/2010, that is when it actually
materialized. The automakers realized that following what was established by
convention, following what was established for everyone, would not give
them the flexibility they needed; therefore, the options were created to make
agreements by company. And the union movement found itself in a very
difficult position because the company announces there, 3,000 layoffs,
2,000 layoffs, and says to the union: either I lay off this many people or we
will produce an agreement on these terms. And then, in the agreement with
these terms”—as the company calls themthere is the PDV
17
, there is the
increase in the health plan, there is the wage adjustment, there is the
maintenance of social clauses or changes to social clauses; therefore, it already
makes an agreement specific to itself, outside the global negotiation process,
which gradually leads to a weakening. And this is repeated with all the
automakers; so Mercedes did it; Volks did it; Scania did it; Toyota did it;
Fordand so on... And when you leave a joint negotiation, you have the
smaller ones producing a collective convention (Rodrigues, 2021, p. 315, our
translation).
17
PDV: Voluntary Severance Program (Programa de Demissão Voluntária).
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As Gaban (2011) explains, in order to introduce collective bargaining into education
courses, still in the 1999-2009 period, within the Union in the Factory axis, the pedagogical
practice called challenge-situation, or problem-situation was recovered from popular
education. It consisted of a challenge to negotiate a company restructuring proposal: the
challenge was presented at the beginning of the course and taken up again at the end. After
theoretical discussions on restructuring, the reflections moved through restructuring itself and
workplace organization.
Many decisions related to productive restructuring originate at company headquarters.
In this sense, international solidarity and joint bargaining among workers became a necessary
strategy. The globalized operations of companies required equally globalized actions by unions.
Costa (2022) emphasizes that, in addition to Brazil being the first emerging country to receive
multinationals in the 1950s and 1960s, many of them established themselves in the ABC region.
Within this context, Sindicato dos Metalúrgicos [Metalworkers Union] developed a successful
international experience of confrontation by combining thinking globally and acting locally,
thereby managing to establish an international dialogue among workers. The union strategy,
however, became increasingly complex and internationalized, as could be observed through the
Sindicatos [Unions] participation in the Comitês Mundiais de Empresas [World Company
Committees].
Dialogue may be mediated by Federações Sindicais Internacionais [International Trade
Union Federations] (FSIs), also called Federações Sindicais Globais [Global Union
Federations] (FSGs) or Global Unions Federation (GUFs). The international federation that
represents the metalworking sector is IndustriALL Global Union, founded in 2012 through the
merger of Federação Internacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica [International
Metalworkers Federation] (FITIM), Federação Internacional de Sindicatos de Trabalhadores
Químicos, de Energia, de Minas e de Outros Setores [International Federation of Chemical,
Energy, Mine and General Workers Unions] (ICEM), and Federação Internacional dos
Trabalhadores Têxteis, de Vestuário e de Couro [International Textile, Garment and Leather
Workers Federation] (ITGLWF).
In the metalworking sector, workers organized the world committees of Volkswagen,
Mercedes, Scania, General Motors, Ford, among others. The ABC metalworkers actively
participated in this movement. Indeed, in June 2002, the VW and Mercedes Committees signed
a code of conduct with the companies.
For the ABC metalworkers, this meant refusing the fate of other industrial centers.
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The ABC metalworkers refused to accept the outcome experienced by Detroit.
They invested in the organization of factory committees, strengthening union
organization in the workplace. They invested in hiring technicians and
advisors, producing studies and research on the transformations taking place
in automakers and auto parts companies. Efforts were also made to train
leaders through union education courses, in addition to international
exchange with other union organizations, especially from Europe (Costa,
2022, p. 84, emphasis added, our translation).
Costa (2022) recalls that, in the case of Volkswagen during the processes triggered in
the 2000s, there were intense international exchanges among Brazilian and German union
representatives and the companys headquarters. Announcements of employee layoffs
originating from headquarters during this period led workers representatives to seek
international cooperation: in 2001, in Germany, in the presence of the president of VW Brasil
[VW Brazil] and the secretary-general of Comitê Mundial dos Trabalhadores [World Workers
Committee], Brazilian representatives secured the suspension of around 3,000 layoffs
announced by the company.
In 2006, the company announced the elimination of 20,000 jobs worldwide. In that
episode, workers coordinated internationally and, in May 2006, organized meetings of Comi
Mundial [World Committee] in Germany and another of Rede Sindical Alemão-Ibero-
Americana [German-Ibero-American Union Network] in Puebla, Mexico. In the ABC region,
the Sindicato [Union] and the internal workers representation reached an agreement that
renewed the employment stability agreed upon in 2001 and kept the Anchieta unit in operation.
The Volkswagen example helps us see that productive restructuring processes triggered
on a global scale involve a complex network of international negotiations among unions,
internal representations, Comitê Mundial de Trabalhadores [World Workers Committee],
company headquarters, and subsidiaries. International union relations were not initiatives only
of German unions; they were also one of the objectives of the representatives of Comissão de
Fábrica [Factory Committee] at the Anchieta unit and functioned as a strategy of resistance and
strengthening of union organization. At the same time, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
[ABC Metalworkers Union] invested in training leaders to understand and deal with the local
and global transformations taking place in the world of work.
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The neoliberal pandemic
The 2010s would bring new challenges for the working class and, especially, for the
ABC metalworkers. The 2017 labor reform and the 2019 social security reform removed rights
and shook union organizations. In addition, the ABC metalworking industry experienced the
introduction of Industry 4.0 in automakers in 2017
18
and the closure of Ford in 2019.
The structural transformations of capitalism have been causing changes in workers
profiles, which has created further difficulties for union action. Union leaders point to changes
among metalworkers: among young people, there is no longer the idea of belonging to a
company for the rest of ones working life. This change in profile may be related to the
introduction of the flexible accumulation model, in which new generations show little concern
for long-term planning of their professional trajectories. Two facts are evident: one is the end
of lifetime employment, the other, the disappearance of careers entirely devoted to a single
institution; the same applies, in the public sphere, to the more uncertain and short-term character
acquired by government support and social security programs (Sennett, 2006, p. 30-31).
For the leader of Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union],
interviewed on June 12, 2024, this change in profile has an impact on union education:
Our Sindicato [Union] is a union that works a great deal on education. We
even define this in our congress, what we call militancy, which is not the
union representative, but that person who carries out our militancy inside the
factory. So our Sindicato [Union] invests a lot in this, in education. In political
education. But when we encounter a generation that already seems to come
with different ways of thinking, we see resistance to participating; perhaps
many of us participated, but from one generation. These people are leaving,
and we often did not realize that we needed new people in these activities, that
we needed to bring new people even into the committee itself, which is a
difficulty we face. So perhaps part of the blame is ours, indeed. But the
generation we see today inside the factory does not have that desire. Perhaps
it is a generation with different ways of thinking. I do not know if that could
be it (Rodrigues, 2025, our translation).
The perception expressed in the testimony above becomes even more concerning after
the 2008 crisis, which marked an increasingly strong partnership between neoliberalism and
authoritarianism, creating an extremely inhospitable environment for combative unionism,
going beyond the anti-union practices of other authoritarian periods. In its relentless attack on
18
The 4.0 assembly line inaugurated at Mercedes-Benz was a victory for the Metalworkers Union following a
long period of negotiations from 2013 to 2017, serving as an alternative to preserve the SBC plant, which was
under threat of closure. However, the issues stemming from the labor process did not cease to exist. The same
occurred at the Volkswagen and Scania plants.
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the social-democratic edifice built in the postwar period, weakening unions bargaining power
became central to the war to precarize work and eliminate rights, reviving the experiences of
the United States and England in the 1980s, as Streeck (2013)
19
observed. In Brazil, this turning
point materialized in the neoliberal reforms mentioned earlier.
Marilena Chauí (2019, n.p., our translation) perceptively observes what has been
gestating over recent decades: another face of totalitarianism, neoliberal totalitarianism:
In previous totalitarianisms, the State was the mirror and model of society,
that is, they instituted the statization of society: all social and political spheres
not only as organizations; neoliberal totalitarianism does the opposite: society
becomes the mirror for the State, defining the market as its central reference,
as a specific type of organization: the companythe school is a company, the
hospital is a company, the cultural center is a company, a church is a company,
and, evidently, the State is a company.
As an unfolding of this process, it is worth emphasizing that the conditions for
ideological confrontation inside and outside the workplace are increasingly challenging tasks
for union leaders. First, there was the resurgence of right-wing and far-right militancy, which
performs strongly on social media and has also shown the capacity to occupy the streets. In
contrast to class-based, universal, and solidaristic aspirations, values such as entrepreneurship
and meritocracy are exalted as the natural path to professional success. The president of
Sindicato dos Metalúrgicos [Metalworkers Union], Moisés Selerges, defined the post-
pandemic period as the period of Retomada [Resumption] for the Sindicato [Union],
reinforced by President Lulas victory in the 2022 elections and by the new leadership of the
Sindicato [Union], elected in 2023 in an environment of extreme polarization and many
difficulties for workers despite the election results
20
.
In 2023, the Departamento de Formação [Education Department] took the initiative of
conducting a survey with the entire Direção Plena [Full Leadership], newly sworn in, about the
main challenges facing the category and how education could help in this process. From there,
the idea was to structure a long-term, two-year education plan
21
. As an example, the main
19
According to the author: The destruction of the air traffic controllers union by Ronald Reagan in 1981, and
Margaret Thatchers victory over the miners union in 1984, constitute dramatic and symbolically important
turning points (Streeck, 2013, n.p., our translation).
20
This resumption means, in a broader sense, the resumption of direct contact with the federal government, of
direct dialogue with the working class, of industrial policies for the region, and of popular participation. Moisés
Selerges in the editorial of Tribuna Metalúrgica, 2023.
21
Out of the 155 representatives of the Company Union Committees (CSEs) elected for the 20232026 triennium,
who constitute the Full Leadership, 125 answered the questionnaire. The research and the resulting course proposal
were analyzed by Cappucci et al. (2025, pp. 8-13) from the perspective of Paulo Freires liberating pedagogy,
drawing from the critical branch of social psychology and the experience of the trade union movement.
Hélio da COSTA and Lilian Rose ARRUDA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026005, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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challenges identified by the 58 survey respondents were the dissemination of fake news through
social media in everyday factory life, followed by the process of depoliticization of the
category, identified by 43 respondents. According to the representatives, these two issues are
obstacles to discussing factory problems and the union with workers.
Based on the information provided by the survey, the following axes were indicated for
education: the resumption and meaning of workplace organization; and the role of the CSEs as
the guiding axis of the education project. In this sense, the political and cultural dimensions
should be addressed, as well as union action and transformations in the world of work; union
and society; and union and the environment.
What we wish to emphasize by mentioning the survey is SMABCs ongoing effort to
ensure that its union education policy is not lost and does not become detached from the
organizational demands identified by its own leaders, continuing in permanent dialogue with
rank-and-file workers and, in this way, seeking to adjust and reinvent itself, just as union action
itself does.
Final considerations
For more than five months, the ABC metalworkers debated the need to advance union
organization by rooting union representation in the workplace and expanding the experiences
of the Comissões de Fábrica [Factory Committees]. At the categorys II Congresso [Second
Congress], in 1996, after lengthy debates, the creation of the Comitês Sindicais de Empresas
[Company Union Committees] (CSEs) was approved, and they began to be implemented in
1999. According to former Sindicato [Union] president Luiz Marinho, the CSEs were the third
revolution of new unionism,
22
because they broke with the corporate model of representation
and deepened union democracy, insofar as all CSE representatives elected in the workplace
automatically became members of the Direção Plena do Sindicato [Unions Full Leadership],
overcoming the corporate model that legally limited the leadership to 21 members. In this way,
the Sindicato [Union] became more present in the daily life of the factory, seeking to solve
emerging problems more quickly and strengthening the Sindicatos [Unions] ties with its base,
which began to interact permanently with its union representative.
22
For more information, see the interview with Luiz Marinho at: https://smabc.org.br/comites-sindicais-de-
empresa-a-3-revolucao-do-novo-sindicalismo. Accessed on: 19 Mar. 2026. Luiz Marinho was the president of the
Union from 1996 to 2003.
Political education as a strategic union action
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It was no coincidence that, at the categorys III Congresso [Third Congress] in 1999,
union education gained prominence in view of the enormous task of preparing CSE members
to take on the challenge of implementing and consolidating the new modelo sindical dos
metalúrgicos do ABC [ABC metalworkers union model]. The structuring and valuing of an
education policy by the ABC metalworkers are intrinsically linked to their political-union
project of responding to the challenges posed to workers in different conjunctures, in parallel
with the renewal of their union cadres.
Even in the face of the changes that have been taking place in the world of work, more
than 20 years after the III Congresso [Third Congress] of 1999 defined the axes of union
education, the ABC metalworkers have shown the capacity to combine workplace organization,
negotiation, international coordination, and the training and structuring of union education
programs to confront the difficulties imposed by neoliberal capitalism.
ABC metalworkers union model] historically overcame the barriers imposed by the
corporatist union model by planting its banners inside the factories, first through the Comissões
de Fábrica [Factory Committees] and then, from 1999 onward, through the implementation of
the Comitês Sindicais de Empresas [Company Union Committees], which are elected in their
workplaces, reaffirming the democratic principle: anyone who is not elected in their workplace
cannot belong to the union leadership. It is this commitment to rooting itself in the rank and file
and to a project of transformation, pointing toward the renewal and improvement of union
action, that gives meaning to the long trajectory of union education among the ABC
metalworkers.
Hélio da COSTA and Lilian Rose ARRUDA
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Est u d os de S o ci ol o gi a , Ar ar a q uar a, v. 3 1 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 0 5 , 2 0 2 6. e -I S S N: 1 9 8 2 -4 7 1 8
D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 0 8 5 2 4
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g e m e nts : N o n e .
F u n di n g : T his r es e ar c h r e c ei v e d n o e xt er n al f u n di n g .
C o nfli cts of i nt e r est : T h e a ut h ors d e cl ar e n o c o nfli cts of i nt er est .
Et hi c al a p p r o v al : N ot a p pli c a ble .
D at a a n d m at e ri al a v ail a bilit y : N ot a p pli c a ble .
A ut h o rs c o nt ri b uti o ns : B ot h a ut h ors c o ntri b ut e d e q u all y t o t his w or k .
P r o c essi n g a n d e diti n g: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g, f or m atti n g, n or m ali z ati o n a n d tr a nsl ati o n