Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21118 1
A CONDIÇÃO OPERÁRIA REVISITADA: OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA
AUTOMOTIVA E O PROTAGONISMO SINDICAL
LA CONDICIÓN OBRERA REVISITADA: LOS TRABAJADORES DE LA INDUSTRIA
AUTOMOTRIZ Y EL PROTAGONISMO SINDICAL
THE WORKING-CLASS CONDITION REVISITED: AUTOMOTIVE INDUSTRY
WORKERS AND UNION LEADERSHIP
Iram Jácome RODRIGUES
1
e-mail: iramjro[email protected]
Jacob Carlos LIMA
2
e-mail: jacob[email protected]
Como referenciar este artigo:
RODRIGUES, Iram Jácome; LIMA, Jacob Carlos. A condição
operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o
protagonismo sindical. Estudos de Sociologia, Araraquara, v.
31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
10.52780/res.v31iesp.1.21118.
| Submetido em: 22/04/2026
| Revisões requeridas em: 28/04/2026
| Aprovado em: 10/05/2026
| Publicado em: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Sociologia pela Universidade
de São Paulo e professor aposentado do Departamento de Economia da USP. Pesquisador do CNPq bolsista de
produtividade em pesquisa. Professor livre-docente sênior do Departamento de Sociologia da USP.
2
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Sociologia pela
Universidade de São Paulo. Pesquisador do CNPq bolsista de produtividade em pesquisa. Professor titular do
Departamento de Sociologia da UFSCar.
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21118 2
RESUMO: Este artigo discute resultados de pesquisa realizada com trabalhadores de três
empresas do setor automotivo em São Bernardo do Campo, no Grande ABC Paulista, base do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Este texto representa uma revisita a esses personagens e
a um território fundamentais nas mobilizações com a irrupção da vaga grevista a partir de 1978.
Quem são esses trabalhadores hoje? Como podemos caracterizar a condição operária? Podemos
falar em fragmentação da classe e sua reconfiguração frente aos determinantes estruturais,
econômicos, tecnológicos e políticos da reestruturação capitalista das últimas cadas? Como
isso se reflete na ação sindical, seus impasses, limites e dificuldades? Em que medida a relação
com o trabalho mudou e que implicações traz para o cotidiano fabril? Buscando responder a
isso, a pesquisa concentrou-se em três montadoras, com observação do trabalho, aplicação de
questionários e entrevistas com lideranças no sindicato e nas Comissões Sindicais de Empresa
(CSEs).
PALAVRAS-CHAVE: Condição operária. Operários fabris. Perfil socioeconômico.
Sindicato. Mudanças no trabalho.
RESUMEN: Este artículo analiza los resultados de una investigación realizada con
trabajadores de tres empresas del sector automotor en São Bernardo do Campo, en el Gran
ABC Paulista, base del Sindicato de Metalúrgicos del ABC. Este texto representa una revisita
a estos personajes y a un territorio fundamentales en las movilizaciones con la irrupción de la
ola de huelgas a partir de 1978. ¿Quiénes son estos trabajadores hoy? ¿Cómo podemos
caracterizar la condición obrera? ¿Podemos hablar de fragmentación de la clase y su
reconfiguración frente a los determinantes estructurales, económicos, tecnológicos y políticos
de la reestructuración capitalista de las últimas décadas? ¿Cómo se refleja esto en la acción
sindical, sus impases, límites y dificultades? ¿En qué medida ha cambiado la relación con el
trabajo y qué implicaciones trae para el cotidiano fabril? Para responder a esto, la
investigación se concentró en tres montadoras, mediante la observación del trabajo, la
aplicación de cuestionarios y entrevistas con líderes en el sindicato y en las Comisiones
Sindicales de Empresa (CSE).
PALABRAS CLAVE: Condiciones laborales. Trabajadores de fábrica. Perfil socioeconómico.
Sindicato. Cambios en el trabajo.
ABSTRACT: This article discusses the results of research conducted with workers from three
automotive companies in São Bernardo do Campo, in the Greater ABC region of São Paulo,
the base of the ABC Metalworkers' Union. This text revisits these characters and a territory
that were fundamental to worker mobilizations with the outbreak of the strike wave starting in
1978. Who are these workers today? How can we characterize the working-class condition?
Can we speak of class fragmentation and its reconfiguration in the face of the structural,
economic, technological, and political determinants of the capitalist restructuring of recent
decades? How is this reflected in union action, its impasses, limits, and difficulties? To what
extent has the relationship with work changed, and what implications does this bring to daily
factory life? Seeking to answer this, the research focused on three automakers, using workplace
observation, questionnaires, and interviews with leaders at the union and the Factory Union
Committees (CSEs).
KEYWORDS: Working conditions. Factory workers. Socioeconomic profile. Trade union.
Changes in work.
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introdução
As transformações no trabalho, na economia e na sociedade que se iniciaram nos anos
1970 trouxeram muitas dificuldades à ão coletiva dos trabalhadores em diferentes partes do
mundo. Nos países mais industrializados, esse processo dava então sinais de esgotamento.
De outra parte, no Brasil e naqueles países que se convencionou, posteriormente, denominar de
Sul Global, esse movimento apontava caminhos aparentemente diferentes. Os países de
industrialização antiga viviam a crise do compromisso fordista, e nos países de
industrialização tardia como é o caso no Brasil observava-se um crescimento razoável da
produção de bens de consumo duráveis produzidos para o mercado interno e, em particular, o
crescimento do parque industrial automotivo concentrado na região do ABC paulista. Grandes
empresas como a Volkswagen, Ford (antiga Willys Overland do Brasil), Mercedes-Benz,
Scania e Toyota se instalaram, a partir dos anos 1950, no município de São Bernardo do Campo,
enquanto a General Motors (GM), por sua vez, se estabeleceu no vizinho município de São
Caetano do Sul. Em função dessas grandes empresas, um número crescente de trabalhadores
foi atraído pelos novos empregos fabris, engrossando o êxodo rural para as cidades. Essa nova
classe operária em formação experenciou o despotismo levado às últimas consequências no
interior das empresas, sustentado pela ditadura militar que impedia toda e qualquer
manifestação, seja nos locais de trabalho, no âmbito da sociedade ou na esfera política.
De repente, o país viu explodir o movimento operário e os movimentos sociais de forma
mais significativa a partir de maio de 1978. São Paulo foi o principal epicentro dessa onda
grevista, e os metalúrgicos do ABC paulista, aliados ao sindicato dos metalúrgicos de São
Bernardo do Campo e Diadema, foram os principais porta-vozes desses “novos tempos”.
Na visão de um ativo participante destes acontecimentos:
a partir de 12 de maio de 78 eclode um tsunami de mobilizações, sobretudo
operárias, industriais, basicamente. Começa com uma greve na Scania, em São
Bernardo [e a] Wheaton, uma fábrica de vidros para automóveis, para
veículos. [...] O fato é que quando a gente viu aquela coisa extraordinária a
partir do dia 12 de maio...Foi um negócio fabuloso! Que eu acho que todos
que vão falar sobre esse período vão mostrar que aquilo teve um impacto
enorme, imenso, que era chamado ‘os dias que valem por anos’. [...] A partir
daquelas duas greves, não parou mais e não precisava....
3
(Nascimento et al.,
2023, p. 307-322)
3
Entrevista de Paulo Skromov, parte do livro A Geração que criou a CUT (Nascimento et al., 2023).
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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As greves de 1978 representaram um marco. O país passou por um processo que se
situava na contramão dos países industrializados. Esses viviam um processo de declínio do
sistema fordista e o início de uma restruturação econômica marcada por inovações
organizacionais como o Toyotismo , e tecnológicas, com o avanço da automação, a lean
production, o enxugamento de fábricas e o surgimento do desemprego estrutural. No final dos
anos 1970 e início da década seguinte, o movimento grevista levou à irrupção de grandes
mobilizações de atores sociais vinculados ao mundo do trabalho, dando grande visibilidade ao
operariado fabril representativo da “modernidade” capitalista em nosso continente.
Os trabalhadores das montadoras de veículos automotores e o sindicato dos
metalúrgicos do ABC capitanearam o amplo movimento grevista que se estendeu
nacionalmente, contribuindo para o fim da ditadura militar e a redemocratização do país.
Enquanto a Europa discutia o fim do proletariado industrial, no Brasil, os metalúrgicos paulistas
corporificavam a vanguarda de classe em sua luta por emancipação. Esse processo se estendeu
pela década de 1980, mesmo com uma crescente crise econômica do qual o país sairia na
década seguinte. Foram organizadas centrais sindicais e a constituição de um partido de massa
dos trabalhadores pela primeira vez na história nacional, num contexto em que alguns autores
discutiam o “final” da história.
Na década de 1990, chegou a reestruturação produtiva que se consolidava
globalmente, favorecida pelas políticas de cunho neoliberal. Novas montadoras se instalam no
país fora da região do ABC em busca de greenfields, sem trabalho organizado. As grandes
fábricas passam a empregar cada vez menos trabalhadores, recorrendo às terceirizações e às
redes empresariais que se constituem globalmente. Os sindicatos assumiram cada vez mais uma
atitude defensiva nas negociações, preocupados com a manutenção dos empregos, buscando
evitar as demissões em massa. Nesse sentido, ampliou-se a sua atuação, o desenvolvimento
regional passou a ser discutido num contexto de desindustrialização que, progressivamente
atingiu o ABC paulista. Fala-se em sindicalismo cidadão (Veras de Oliveira, 2011), buscando
reforçar o sindicalismo em seu protagonismo político, para além do debate corporativo.
Nas duas primeiras décadas do novo século, foi possível assistir ao aprofundamento
desse processo. Ao mesmo tempo, o Partido dos Trabalhadores assumiu o poder político e
tentou frear os avanços do neoliberalismo, num contexto no qual este aparece cada vez mais
como única saída.
O aprofundamento das terceirizações, a reespacialização da produção, a
desnacionalização de setores industriais como o das autopeças, e a privatização de empresas
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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públicas afetaram profundamente a classe operária industrial. As políticas públicas de inserção
social e o aumento do salário-mínimo resultaram no surgimento do que seria uma nova classe
média (Neri, 2012), que, na realidade, refletiu uma mobilidade social ascendente de parte dos
trabalhadores, propiciado pelo maior acesso ao consumo, e levou ademais a uma crescente
desidentificação desses mesmos trabalhadores como trabalhadores.
Mudanças estruturais foram acompanhadas por mudanças ideológicas fortalecidas pelo
empresariado, pela mídia empresarial e pela divisão religiosa, marcada pelo avanço dos
evangélicos, que difundiram e reforçaram valores tais como o individualismo, a meritocracia e
uma pretensa liberdade de escolha no mercado de trabalho representado pelo ideário do
empreendedorismo como alternativa à relação salarial (Lima, 2024).
E, passados quase cinquenta anos das grandes mobilizações, o que podemos falar sobre
a condição operária? Ocorreu um arrefecimento das mobilizações e os sindicatos enfrentam, no
período mais recente, uma crise significativa, cuja ponta do icerberg é a drástica diminuição da
taxa de sindicalização e a perda do protagonismo. Nos países industrializados do Ocidente, esse
fenômeno ocorre desde a segunda metade da década de 1970, e é mais significativo no
sindicalismo metalúrgico. (Martins Rodrigues, 1999; Visser, 2012). Já no Brasil, esse processo
de dessindicalização se acentuou, fortemente, pós-reforma trabalhista de 2016
4
.
O objetivo deste artigo, parafraseando Beaud e Pialoux (2009), é fazer uma releitura,
um retorno à condição operária, no contexto brasileiro, a partir de pesquisa realizada em três
empresas do setor automotivo localizadas no município de São Bernardo do Campo
5
. Trata-se
de caracterizar, nesta terceira década do século XXI, a nova classe operária, num contexto de
capitalismo informacional; de traçar um perfil socioeconômico desse grupo operário; e de
analisar a visão desses trabalhadores sobre o trabalho fabril, as suas percepções sobre as
mudanças no chão de fábrica a partir das novas tecnologias no ambiente de trabalho, além da
visão que esses operários têm sobre o sindicato. Nesse sentido, tentaremos responder às
seguintes indagações: quais as peculiaridades deste grupo operário? Quais os elementos de
continuidades e rupturas presentes hoje e o que os aproxima e/ou distancia das gerações
anteriores? Em que medida a relação com o trabalho mudou neste período e que implicações
esta questão traz para a “condição operária”? Aque ponto esse processo e as mudanças nos
padrões tecnológicos dessas empresas têm trazido consequências desafiadoras a um grupo de
4
Sobre o tema da reforma trabalhista ver, entre outros, Krein (2018).
5
Projeto de pesquisa “A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva paulista no início
do século XXI”, financiada pelo CNPQ (processo 407953/2021-3).
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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trabalhadores operários da indústria automobilística que se constituiu em importante ator
coletivo nas lutas sociais das últimas décadas no Brasil? Quais os impactos tanto objetivos
quanto subjetivos no redesenho do novo operário do ABC? O que esse conjunto de questões
nos diz sobre a instituição sindical, sua ação e seu futuro?
A pesquisa
A pesquisa foi realizada entre 2022 e 2025 com visitas às plantas de três montadoras em
São Bernardo do Campo, a aplicação de questionários aos trabalhadores (61 questões fechadas,
abertas e de múltipla escolha) e entrevistas com lideranças sindicais no Sindicato dos
metalúrgicos e nos CSEs (Comitês Sindicais de Empresas). A amostra foi aleatória, e foram
registradas proporções compatíveis com bancos de dados públicos, como a RAIS (Relação
Anual de Informações Sociais). O questionário abrangeu os seguintes temas: 1. Perfil
socioeconômico; 2. Trajetória profissional e relações de trabalho; 3. Condições de trabalho; 4.
O sindicato; 5. Sociabilidades extra fábrica e perspectivas. As respostas foram coletadas no
período de 14 de outubro a 16 de abril de 2025. A aplicação se deu por meio da plataforma
Google Forms, e contou com auxílio da diretoria do sindicato dos metalúrgicos do ABC
6
e os
respectivos CSEs (Comitês Sindicais de Empresa) das plantas pesquisadas, que facilitou a
participação dos trabalhadores nas três montadoras.
Além da aplicação do questionário, foram realizadas 32 entrevistas com lideranças
sindicais, dezenas de idas a campo e visitas às empresas e ao sindicato durante o período da
pesquisa. Cerca de 27 entrevistas foram individuais, e foram feitas mais três: uma para
representação dos trabalhadores nas respectivas empresas. Além disso, foram realizadas duas
entrevistas iniciais: a primeira exploratória e a segunda com o objetivo de organização do
campo da pesquisa com representantes do sindicato dos metalúrgicos do ABC. É importante
dizer que as entrevistas foram realizadas tanto no sindicato quanto nas três empresas. Nessas
três montadoras, o sindicato tem locais de funcionamento em diferentes áreas das fábricas e um
espaço amplo em cada uma destas plantas, onde está localizada a sala principal do CSE (Comitê
Sindical de Empresa) e/ou SUR (Sistema Único de Representação). O roteiro das entrevistas
contemplou os seguintes aspectos: 1. Trajetória individual e familiar; 2. Mudanças na fábrica e
no mundo do trabalho; 3. Questões atuais do setor automotivo; 4. Sindicalismo no sec. XXI.
6
Respectivamente, em 3 de maio de 2023 e 5 de maio de 2024.
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Quem são os metalúrgicos do ABC
Dados da subseção do Dieese
7
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos) do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
8
mostram alguns números mais
gerais sobre os trabalhadores e trabalhadoras da base deste sindicato que ajudam a compor um
quadro mais amplo sobre este grupo operário. O sindicato abarca em sua base territorial 76.180
trabalhadores, dos quais 12.626 são mulheres (equivalente a 16,6%) e 63.554 são homens
(83,4%), espalhados por 1700 estabelecimentos metalúrgicos. Desses, 25.600 (33,6%) têm
jornadas menores ou iguais a 40h semanais; os outros 50.600 (66,4%) são trabalhadores cujas
jornadas são superiores a 40h semanais, trabalhando em condições muito mais difíceis em
pequenas fábricas, oficinas e onde, muitas vezes, o sindicato chega com mais dificuldade.
A remuneração média, para o conjunto dos trabalhadores na base do sindicato dos
metalúrgicos é de R$ 6.719,76 por mês. De outra parte, o sindicato conta com cerca de 26 mil
sindicalizados: 23 mil homens e 3 mil mulheres. As três montadoras em São Bernardo do
Campo Scania, Volkswagen e Mercedes-Benz que estão na base do Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC, participam com, respectivamente, 3.464 sócios, 5.643 e 5.816,
representando, praticamente, 65% dos associados ao sindicato.
Além disso, é importante ressaltar que se somam às três montadoras acima citadas um
conjunto de médias empresas, que são aquelas que têm assento na direção plena do sindicato
do ABC, organismo que conta com a participação de cerca de 170 metalúrgicos/as. Em outras
palavras, a maioria dos trabalhadores que são sócios do sindicato estão naquelas empresas
consideradas grandes (as três montadoras) e nas médias perfazendo um total de cerca de 40-
50 plantas industriais num universo de 1.700 estabelecimentos metalúrgicos, e que têm uma
taxa de sindicalização maior, salários mais altos e jornada de trabalho de até, no máximo, 40
horas semanais. Isso representa uma grande assimetria em todos os sentidos, em relação ao
conjunto dos estabelecimentos industriais que fazem parte da base do sindicato dos
metalúrgicos do ABC.
Perfil dos trabalhadores e trabalhadoras nas três montadoras
Em pesquisa realizada em 1963 (Martins Rodrigues, 1970, p. 3) em uma fábrica
automobilística em São Bernardo do Campo, destacava-se a baixa mobilização política dos
7
Dados da Subseção do Dieese Sindicato dos metalúrgicos do ABC, janeiro de 2026.
8
O sindicato dos metalúrgicos do ABC, atualmente, abrange os municípios de São Bernardo do Campo, Diadema,
Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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trabalhadores metalúrgicos do setor automotivo em São Bernardo do Campo, chamando a
atenção para a origem rural desses trabalhadores e a migração recente, num contexto de forte
crescimento da região metropolitana de São Paulo. Um total de 53% daqueles operários havia
trabalhado na lavoura. Retornando em 1984 para nova pesquisa com os operários nessa
empresa, o autor encontrou um quadro bem diferente. Duas décadas depois, os operários dessa
fábrica nascidos no estado de São Paulo eram maioria, 54%, e os trabalhadores de outras
regiões do país representavam 46% (Martins Rodrigues, 1990, p. 113). Escrevendo no final da
década de 1970 e tendo pesquisado a mesma empresa, Humphrey (1982) questionava a variável
“origem”, indicando a crescente mobilização desses trabalhadores. De toda forma, são duas
“fotografias” distintas: no primeiro caso, a pesquisa de Martins Rodrigues (1970) se debruça
sobre um grupo operário recém-chegado à vida urbana. o segundo estudo se apoia em um
grupo que vivenciou o chamado período do “milagre brasileiro” — curto período entre 1968 e
1973 durante a ditadura militar, quando as taxas de crescimento da economia foram muito
elevadas, crescendo em média 10% ao ano. Em outras palavras, a origem rural e a migração
recente nos anos 1970 não constituíram empecilho à mobilização operária nesta região,
considerando a alta concentração de fábricas e de trabalhadores que se tornou estopim das
mobilizações de 1978.
No que tange nossa pesquisa atual, a grande maioria dos trabalhadores nas três
empresas nasceu na região Sudeste (87,3%) e outros 10% são oriundos do Nordeste, conforme
o Gráfico 1. De outra parte, ao fazermos a separação por estados da Federação, os nascidos em
São Paulo representam quase 85% de todos os 906 respondentes. Trata-se de um percentual
extremamente alto, o que indica também os diferenciais de mobilidade dentro do país. Com as
políticas sociais dos governos populares a partir dos anos 2000, houve redução significativa da
migração nordestina para o Sudeste. O que se evidencia é a presença de gerações de
trabalhadores cuja origem é o estado de São Paulo.
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Gráfico 1 Região de nascimento
Fonte: elaborado pelos autores.
O Gráfico 2 ilustra a disparidade entre homens e mulheres nas três montadoras
pesquisadas, sendo que apenas 10% dos trabalhadores são do sexo feminino. Como foi
demonstrado em pesquisas anteriores sobre a categoria de trabalhadores metalúrgicos no ABC
paulista, predomina a presença masculina, historicamente marcada num setor no qual, desde
seus primórdios e por muito tempo, a força física na utilização de máquinas e equipamentos a
justificava
9
. Essa situação ainda é perceptível em empresas menores. A despeito de as mulheres
representarem hoje quase 17% do conjunto de trabalhadores na base do sindicato do ABC, nas
montadoras, mesmo com toda a automação, as trabalhadoras em média representam um
percentual muito pequeno.
Apesar desta distância entre a participação masculina e feminina, observa-se nas
empresas automotivas, de acordo com a série histórica 2006/2025
10
para o conjunto dos
empregados formais na base do Sindicato dos metalúrgicos do ABC, um pequeno incremento
no emprego feminino: em 2006, havia cerca de 11.600, e em 2025, aproximadamente 13.500
metalúrgicas. Vale dizer que houve também um incremento no conjunto da base do sindicato
de quase 2 mil trabalhadoras. o número de trabalhadores caiu de cerca de 91.400 em 2006
para 76.180, uma queda de 18.400 trabalhadores nestas duas décadas, o que equivale a quase
20% do total da mão de obra masculina. O percentual de mulheres no chão de fábrica, como
9
Perticarrari (2007), utilizando dados da RAIS em 1995 e 2000, apresentou a participação feminina por ocupações
na indústria metalúrgica: mal chegava a 10% no chão de fábrica.
10
Cf. “Série histórica do emprego formal na Base SMABC (2006-2025)”. Subseção Dieese, 2026.
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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mostram os dados, é ainda pequeno, mesmo com o crescimento do número de trabalhadoras
nos últimos anos. Há, no entanto, algumas características deste grupo de trabalhadoras que
chama bastante a atenção quando são correlacionadas as seguintes variáveis: idade por sexo;
escolaridade por sexo e instrução do pai por sexo, conforme veremos mais adiante.
Gráfico 2 Sexo
Fonte: elaborado pelos autores.
No que diz respeito à questão da cor ou raça (Gráfico 3), aproximadamente 54% se
autodeclararam brancos, a maioria. Aqueles que, em contraposição, se declararam não-brancos
representam 46%. As autodeclarações trazem a caracterização de raça pela cor da pele, situação
historicamente construída, refletindo estudos que indicam que a classe operária brasileira tem
cor e sexo. Vale destacar que a categoria dos trabalhadores de montadoras possui alto grau de
escolaridade e qualificação, o que os torna uma espécie de elite do operariado industrial no país.
Na pesquisa, acompanhamos a autodeclaração normatizada pelo IBGE.
Gráfico 3 Cor ou raça
Fonte: elaborado pelos autores.
10,2
89,8
Sexo (%)
Feminino Masculino
1,5
53,8
,6
32,7
11,5
Cor ou ra (%)
Amarela Branca Indígena Parda Preta
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
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Com relação à idade (Gráfico 4), a metade dos trabalhadores está na faixa de 36 a 45
anos. o intervalo de 46 a 55 anos concentra 32% dos trabalhadores. De outra parte, a faixa
etária entre 18 e 35 representa 15% do total da amostra. Aqui, vale ressaltar que na faixa de
idade entre 18 e 25 anos o percentual de trabalhadores é muito pequeno: apenas 4%. É possível
que estes números tenham relação com a perda de atratividade do trabalho fabril para a
juventude, mesmo que nessas fábricas haja salários comparativamente mais altos no setor,
direitos sociais previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), além de outros
benefícios que caracterizariam o setor automotivo como fordista
11
.
Estamos nos referindo a um contexto de mudanças não apenas econômicas, mas, como
observado, culturais; um contexto em que o trabalho regular com direitos se contrapõe à
ideologia do empreendedorismo, da individualidade e da meritocracia. A título de ilustração,
isso se reflete na baixa procura por cursos oferecidos pelo SENAI (Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial) dentro das próprias montadoras e que servem de porta de entrada ao
emprego na fábrica. Além disso, observa-se a quebra de uma norma seguida pelas empresas: a
indicação familiar. Entre os mais jovens, a perspectiva de uma carreira de longo termo na
fábrica, em geral, não está no horizonte. Um outro fator que, em parte, limita o interesse
daqueles que estão na faixa etária inicial para o trabalho fabril se refere às mudanças que foram
levadas adiante pelas empresas no que concerne o salário inicial e o tempo para ser promovido.
Esses aspectos também tendem a desestimular a entrada dos jovens no sistema fabril, como
indicaram vários entrevistados.
Gráfico 4 Idade
Fonte: elaborado pelos autores.
11
Para uma discussão sobre gerações operárias no ABC paulista, veja o artigo de Pires e Diéguez neste dossiê.
26 a 35
11%
36 a 45
50%
46 a 55
32%
55 a 67
3%
Distribuição dos respondentes por faixa etária
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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No caso das mulheres, conforme o gráfico 5, o maior contingente está na faixa etária de
36 a 45 anos. De outra parte, entre as mulheres na faixa etária entre 18 e 25 anos, o percentual
é bastante elevado: 26,4% contra apenas 1,6% dos trabalhadores. No intervalo de 26 a 35 anos,
as trabalhadoras perfazem quase 20% do contingente feminino e os homens apenas 10,5% do
masculino. Em outras palavras, quando observamos a idade das trabalhadoras e dos
trabalhadores entre 18 e 35 anos, notamos que as mulheres representam mais de 46% do
contingente feminino, enquanto os homens, apenas 12% do conjunto masculino. É possível
dizer que, tendencialmente, levando em conta os dois grupos, mais mulheres nas faixas etárias
mais baixas estão escolhendo o trabalho fabril e que, no médio prazo, as mulheres serão um
contingente que se aproximará cada vez mais do grupo masculino. Como destacado acima, a
despeito de ser um número ainda pequeno, chama atenção o percentual de mulheres na faixa
etária de 18 a 25 anos. Isso significa dizer que mais jovens mulheres adolescentes estão
adentrando a fábrica pelo curso do SENAI e os jovens, como mostram quase todas as
entrevistas, não têm uma relação tão forte com o trabalho fabril como tiveram seus pais e
avós, e buscam alternativas.
Gráfico 5 Distribuição etária por sexo
Fonte: elaborado pelos autores.
O Gráfico 6, sobre escolaridade, mostra que 41% dos 906 trabalhadores que
responderam ao questionário têm o ensino médio completo e quase 29% possuem instrução no
ensino superior. Além disso, mais de 8% da amostra cursou ou está cursando um curso de pós-
graduação. Os trabalhadores das três empresas pesquisadas têm um alto grau de instrução
formal quando comparados com o conjunto da população brasileira. Parte desses trabalhadores
estudaram enquanto trabalhavam nas fábricas, frequentando cursos superiores em escolas
26,4%
1,6%
19,8%
10,5%
40,7%
50,6%
12,1%
33,7%
1,1%
3,7%
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
Feminino Masculino
Faixas etária por sexo
18 a 25 anos 26 a 35 36 a 45 46 a 55 55 a 67
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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privadas da região. No caso da pós-graduação, é sintomática a presença de lideranças e sua
efetiva profissionalização enquanto tal, com maior disponibilidade de tempo e politização.
Gráfico 6 Escolaridade
Fonte: elaborado pelos autores.
O Gráfico 7 nos traz dados sobre a escolaridade por sexo. Nesse sentido, o percentual
de homens e mulheres com curso superior é praticamente igual, com pequena predominância
para as mulheres: 29,3% contra 28,3%. Entre aqueles que estão cursando uma faculdade, as
mulheres representam quase 30% e os homens cerca de 17%. De outra parte, um pouco mais
do dobro de mulheres fez algum curso de pós-graduação: 16,3% contra 7,6% dos homens. O
que estes dados mostram é que as mulheres estão se qualificando mais para enfrentar os desafios
e concorrências do mercado de trabalho
12
.
12
Dados do Censo 2022 do IBGE demonstram a diferença em termos de instrução e permanência escolar: no
ensino superior 20,7% das mulheres com 25 anos ou mais contra 15,8% dos homens possuem graduação completa;
entre 18 a 24 anos, 32,6% das mulheres estão na escola, 28,1% dos homens.
1,1
,7
2,1
41,1
17,8
28,8
8,5
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
45,0
Fundamental
Incompleto
Fundamental
Completo
Médio
Incompleto
Médio
Completo
Superior
Incompleto
Superior
Completo
Pos-graduação
(comp ou
incompleta)
Escolaridade
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Gráfico 7 Escolaridade por sexo
Fonte: elaborado pelos autores.
Ainda com relação ao tema da escolaridade, quando cruzamos a escolaridade do pai por
sexo, conforme o Gráfico 8, alguns dados chamam a atenção: o percentual de pais da
trabalhadora e do trabalhador que cursaram, no máximo, até a 4ª série, o antigo curso primário,
representa, respectivamente, 41,3% contra 43,7%. no que diz respeito ao curso superior,
15,2% dos pais das trabalhadoras têm curso superior completo contra 4,2% dos pais dos
trabalhadores. Esses dados mais gerais permitem questionar a sucessão geracional de
trabalhadores dessas empresas. Em outros termos, o trabalho nas montadoras continua atraindo
trabalhadores com menor escolaridade e inserção precária no mercado de trabalho, o que pode
explicar a atração pelo trabalho nas montadoras como uma espécie de atalho à mobilidade
social. Guimarães (1993), estudando os petroquímicos na Bahia, utilizou o conceito “atalho”
para explicar a possibilidade de mobilidade de grupos de trabalhadores menos escolarizados.
De certa forma, o conceito atualizou a discussão feita por Martins Rodrigues (1970), ao discutir
a satisfação de operários metalúrgicos de origem migrante com o emprego industrial.
Isso é verdade quando analisamos a geração anterior, como mostram os dados deste
gráfico. Por outro lado, para a atual geração de mulheres trabalhadoras nas montadoras de 18 a
25 anos, é possível aventar a hipótese de que pais com nível superior tendem a aumentar a
propensão dos filhos e, particularmente, das filhas a também cursarem uma faculdade.
1,1%
1,1%
2,2%
,5%
0,0%
2,3%
21,7%
43,2%
29,3%
16,5%
29,3%
28,7%
16,3%
7,6%
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
Feminino Masculino
Escolaridade por sexo
Fundamental Incompleto Fundamental Completo
Médio Incompleto Médio Completo
Superior Incompleto Superior Completo
Pos-graduação (comp ou incompleta)
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
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Gráfico 8 Escolaridade do pai por sexo
Fonte: elaborado pelos autores.
O Gráfico 9 ilustra a divisão religiosa que o país tem passado nas últimas décadas, com
o crescimento das igrejas evangélicas, e como isso tem trazido, em alguns casos, impactos
significativos à solidariedade de classe
13
. Esta afirmação fundamenta-se na constatação dos
valores difundidos por essas igrejas em termos de individualismo, meritocracia e
empreendedorismo, contrapondo-se à perspectiva coletivista característica do que Castel (2003)
chama de “sociedade salarial”, ou na versão brasileira, “cidadania regulada”, discutida por
Wanderley Guilherme dos Santos (1979). Os dados refletem, além disso, as mudanças culturais
e religiosas nas fábricas. Embora os que se declarem católicos continuem maioria (54%), são
seguidos dos evangélicos e protestantes com 26,2%. Esses números acompanham os dados do
IBGE com relação às mudanças religiosas no país percebidas no censo de 2022. O mesmo
acontece com os que se declaram sem religião, com 9%, e os espíritas e umbandistas com 3,4%
e 3,5% respectivamente. Esses dados acompanham a tendência dos números colhidos no censo
de 2022 pelo IBGE.
13
Dados do censo do IBGE de 2022 mostram 56,7% da população brasileira acima de 10 anos de idade é católica,
em 2010 eram 65,1%. os evangélicos alcançaram o patamar de 26,9% em 2022. Em 2010, representavam 21,6%.
Aqueles que não tinham religião alcançaram 9,28% e as religiões de matriz africana representam 1%.
41,3%
43,7%
15,2%
4,2%
2,2%
1,5%
16,3%
20,4%
20,7%
23,0%
2,2%
6,0%
2,2%
1,1%
0,0%
,1%
0,0%
50,0%
Feminino Masculino
Escolaridade do pai por sexo
Até a quarta série Curso Superior Completo
Curso Superior incompleto Ensino Fundamental/Primeiro grau completo
Ensino médio/Segundo grau completo Ensino médio/Segundo grau incompleto
Pós-graduação completa Pós-Graduação incompleta
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Gráfico 9 Religião
Fonte: elaborado pelos autores.
No que tange às Tabelas 1 e 2, referentes ao estado civil, quase 82% são casados; os
solteiros representam aproximadamente 12%; os divorciados, pouco mais de 6%. No entanto,
quando correlacionamos estado civil com sexo, na Tabela 2, algumas diferenças: 38% das
mulheres são solteiras contra 11,5% dos homens. Enquanto 85% dos homens são casados, entre
as mulheres este percentual é bem menor: 47%. Além disso, as mulheres se divorciam e/ou se
separam mais que os homens: 13% contra 5,7%
14
.
Tabela 1 Estado civil
Estado civil
%
Casado(a)/União estável
81,7%
Solteiro(a)
11,5%
Divorciado(a)/Separado(a)
6,4%
Viúvo(a)
0,4%
Total Geral
100,0%
Fonte: elaborado pelos autores.
14
Pires e Diegues, neste dossiê, referenciando a pesquisa de Tomizaki (2007) discutem a duração de casamentos
na categoria.
1,2
1,4
,7
53,8
3,4
23,8
2,2
9,2
3,5
Religião
Outro Cristão Ateu Católica Espírita Evangélica Protestante Sem religião Umbandista
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
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Tabela 2 Estado civil por sexo
Qual a sua situação conjugal atual?
Outro
Casado(a) ou
União estável e
Divorciado(a) ou
separado
Solteiro(a)
Viúvo(a)
Feminino
1,1%
46,7%
13,0%
38,0%
1,1%
Masculino
0,5%
85,4%
5,7%
8,1%
0,4%
Fonte: elaborado pelos autores.
Esse conjunto de gráficos e tabelas fornece um painel do perfil dos trabalhadores das
montadoras pesquisadas, considerando que se constituem, por fatores históricos, distintamente
em termos de organização do trabalho, salários, direitos e mobilização dos trabalhadores. A
composição sexual e racial não difere muito de outras categorias de trabalhadores que compõem
a classe operária brasileira, mas a maior escolaridade levanta questões sobre a atratividade do
emprego nessas fábricas. É necessário considerar que o número de trabalhadores terceirizados
varia em todas as fábricas. No caso da Volkswagen, estima-se que o número de terceirizados
equivale ao número de trabalhadores regulares (em torno de 8.000). Entre as três, a Scania é a
que menos utiliza trabalhadores terceirizados, sendo que os refeitórios e os bombeiros são
contratados regularmente. No total, estima-se que 1/3 dos trabalhadores dessas montadoras são
terceirizados.
A condição operária
O caráter fordista dessas empresas aparece em diversos indicadores. Um deles é o tempo
de trabalho na empresa. O gráfico 10 mostra que aqueles que têm de 11 a 15 anos de trabalho
na empresa concentram quase 1/3 de todos os trabalhadores e, se computarmos todos os que
têm acima de 16 anos na empresa, chegamos a um percentual de 40,3%. Vale dizer que mais
de 70% dos trabalhadores nestas três montadoras têm acima de 11 anos de trabalho na empresa.
É um número extremamente elevado por qualquer comparação que possamos fazer,
principalmente se levarmos em conta que, neste caso, se trata de trabalhadores do chão de
fábrica e horistas. Cerca de 14% têm mais de 26 anos trabalhando na mesma montadora.
Além disso, e certamente por essa razão 96% dos trabalhadores nas três empresas
automotivas pesquisadas têm contrato por tempo indeterminado, conforme o gráfico 11.
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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Devemos destacar que a forte presença sindical é um fator de negociação dessa estabilidade,
considerando as constantes inovações tecnológicas. Os cortes de postos de trabalho e
diminuição de trabalhadores em razão das novas tecnologias na produção continuam. O
sindicato, no entanto, desempenha um papel fundamental nas negociações com essas plantas
automotivas e, como os dados da pesquisa mostram, a representação dos trabalhadores tem uma
legitimidade muito grande junto ao conjunto dos trabalhadores.
Gráfico 10 Tempo de trabalho na empresa
Fonte: elaborado pelos autores.
Os tipos de contrato também são indicadores dessas negociações. Os contratos
permanentes de horistas e mensalistas predominam mesmo depois da reforma trabalhista de
2017. Entretanto, como ressaltamos, a pesquisa não trabalhou com os terceirizados, o que
permitiria uma maior compreensão desse padrão estável de utilização da força de trabalho. É
importante ressaltar, no entanto, que os trabalhadores terceirizados nas três montadoras não são
representados pelo sindicato dos metalúrgicos do ABC. Por força de lei, não se permite ao
sindicato principal, no caso, o dos metalúrgicos, representar o conjunto dos trabalhadores nas
empresas. pequenos sindicatos das empresas terceiras, mas que não têm força e praticamente
nenhuma representatividade junto a estes trabalhadores.
É importante ressaltar que os trabalhadores das três empresas pesquisadas são operários
com um alto índice de sindicalização; ademais, seus salários são comparativamente muito altos
em relação àqueles que trabalham nas pequenas empresas da base do sindicato e que têm muitos
2,0
4,4
10,0
11,8
31,5
18,9
7,7
13,7
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
Até 11
meses
De 1 a 2
anos
De 3 a 5
anos
De 6 a 10
anos
De 11 a 15
anos
De 16 a 20
anos
De 21 a 25
anos
Mais de 26
anos
Tempo de empresa (%)
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anos de trabalho nas respectivas fábricas. O mesmo ocorre em relação aos operários/as
terceirizados/as que, eventualmente, trabalham ao seu lado na empresa e que ainda têm
benefícios e condições muito díspares. A sindicalização nas três empresas representa, como já
mencionado, praticamente, 2/3 de todos os sindicalizados em uma base de 1.700 empresas
metalúrgicas.
Isso nos permite afirmar que esses trabalhadores são uma “elite” do conjunto dos
operários da base do sindicato dos metalúrgicos do ABC: os mais escolarizados, os mais
qualificados, com índices de sindicalização média de 75%, a esmagadora maioria com salários
significativos, empregos estáveis, com jornadas de trabalho que não ultrapassam 40 horas, o
que demarca um horizonte de organização da vida, projetos etc., de longo prazo. Como
mencionado, do total de trabalhadores na base do sindicato, 76.180, 1/3, ou seja, 25,6 mil
operários estão trabalhando em jornadas menores ou iguais a 40 horas semanais. Este grupo
operário é o core em que se apoia o sindicato dos metalúrgicos do ABC.
Certamente por isso, 96% dos trabalhadores nas três empresas automotivas pesquisadas
têm contrato por tempo indeterminado, conforme o gráfico 11. Devemos destacar que a forte
presença sindical é um fator de negociação dessa estabilidade, considerando as constantes
inovações tecnológicas como as transformações informacionais, os robôs que fazem diversas
funções, a aplicação de Inteligência Artificial e outras que caracterizam a chamada indústria
4.0, além da tendência a cortes de trabalhadores e diminuição da mão de obra.
Gráfico 11 Tipo de contrato
Fonte: elaborado pelos autores.
A remuneração, indicada no Gráfico 12, é outro indicador do diferencial desses
trabalhadores frente ao mercado de trabalho fabril: 18,8% recebem um salário maior que R$
6.000, 00, o equivalente a quase 4 salários-mínimos (nos valores de março de 2026), o que os
coloca acima de 80% dos trabalhadores assalariados no país como um todo. Além disso, 40%
96,2
2,6
1,1
Tipo de contrato (%)
Contrato por tempo indeterminado Contrato temporário Contrato terceirizado
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dos trabalhadores nessas três empresas percebem um salário maior que R$ 7.000,00, o que
significa 4,3 salários-mínimos. Um percentual não desprezível, de quase 25% dos operários,
tem salários acima de R$8.000,00, vale dizer, quase cinco vezes o salário-mínimo atual (março
2026).
Gráfico 12 Faixa salarial
Fonte: elaborado pelos autores.
Outros indicadores sobre condições de trabalho podem ser considerados a partir da visita
às fábricas. As três montadoras foram inauguradas na década de 1950 e passaram por mudanças,
reformas e tiveram prédios acrescidos nesse período, bem como prédios que estão atualmente
vazios devido à redução do número de trabalhadores. É o caso da Volkswagen que passou de
40.000 trabalhadores na década de 1970 para cerca de 7 mil trabalhadores atualmente. Há, nas
três fábricas, amplos restaurantes, algumas áreas de lazer e descanso, horta comunitária (no
caso da Mercedes-Benz), espaço para as atividades sindicais os comitês sindicais de empresa
têm representantes em toda as áreas das montadoras. Dependendo da unidade, o barulho é muito
alto e os trabalhadores utilizam material de proteção, o mesmo com relação às áreas de pintura.
Os trabalhadores também dispõem de ampla frota de ônibus que os levam a bairros de São
Paulo e do ABC paulista.
,8
5,3
11,0
9,8
14,2
18,8
17,3
11,8
10,9
,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
14,0
16,0
18,0
20,0
Até R$
2.000,00
De R$
2001,00 a
R$ 3.000,00
De R$
3.001,00a
R$ 4.000,00
De R$
4.001,00 a
R$ 5.000,00
De R$
5.001,00 a
R$ 6 000,00
De R$
6.001,00 a
R$ 7.000,00
De R$
7.001,00 a
R$ 8.000,00
De R$
8.001,00 a
R$ 9.000,00
Mais de R$
9.000,00
Faixa salarial (%)
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
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Organização sindical e autoidentificação de classe
Este é um grupo operário extremamente sindicalizado. Praticamente 98% dos
trabalhadores são sindicalizados, conforme mostra a Tabela 3, e o percentual de trabalhadores
que têm participação nas atividades do sindicato também é muito alta, de acordo com a Tabela
4. Quanto à participação nas atividades sindicais, cerca de 1/3 participam muito: “sempre” e
“muito frequentemente”; aproximadamente, 30% participam ‘frequentemente” e, 34%
disseram frequentar pouco o sindicato e/ou ter uma presença “menos frequente” nas atividades
do organismo de representação.
Por outro lado, se juntarmos os que responderam “frequentemente” com os que
assinalaram “muito frequentemente” e os que participam “sempre”, temos uma forte adesão:
60% dos sindicalizados apoiam as ações levadas adiante pelo sindicato. Isso representa muito
mais do que uma “vanguarda”: corresponde a 2/3 dos metalúrgicos nas três empresas em tela.
Poderíamos dizer que é uma espécie de “vanguarda ampliada” funcionando como a espinha
dorsal do sindicalismo do ABC.
Tabela 3 Sindicalização
Frequência
Porcentagem
Não
20
2,2
Sim
886
97,8
Total
906
100,0
Fonte: elaborado pelos autores.
Tabela 4 Participação nas atividades sindicais
Com que frequência você participa das atividades organizadas pelo sindicato?
Frequência
Porcentagem
Frequentemente
257
28,4
Muito frequentemente
109
12,0
Nunca
52
5,7
Pouco frequente
310
34,2
Sempre
178
19,6
Total
906
100,0
Fonte: elaborado pelos autores.
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
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Em resumo, analisando a relação entre a frequência de participação nas atividades
sindicais e a condição de ser sindicalizado ou não, verifica-se uma forte correlação entre a
sindicalização e a presença nas atividades, revelando que quanto maior o vínculo formal com o
sindicato, maior a propensão de engajamento nas ações coletivas.
Por outro lado, entre os que não são sindicalizados (2,2%), os percentuais são muito
baixos e tendem a se concentrar nos extremos da não-participação: 0,4% nunca participam,
0,2% comparecem muito frequentemente e 0,3% sempre, mas de maneira residual. Isso sugere
uma correlação forte, negativamente, entre não ser sindicalizado e o envolvimento nas
atividades, que a ausência de filiação implica um afastamento quase total da dinâmica
organizativa.
Em outras palavras, a sindicalização não é tão-somente um vínculo casual, mas uma
questão fundamental no coeficiente de participação: quanto maior a vinculação formal, maior
é o engajamento e a frequência em atividades; quanto menor ou inexistente o vínculo, maior a
ausência e a distância do processo coletivo. Nesses sentido, poderíamos nos perguntar: o que
leva a uma sindicalização tão alta entre os trabalhadores das três montadoras em questão? A
que se deve este fenômeno que atravessa diferentes dicotomias? Masculino/feminino,
católicos/evangélicos, por exemplo, escolaridade maior/menor, maiores/menores salários,
maior/menor qualificação, entre outros?
Uma das explicações se relaciona a uma política deliberada do sindicato, voltada à
organização nos locais de trabalho. Dito de outra forma, qual é a grande questão que o
sindicalismo ABC nos mostra? Sem organização no chão de fábrica, o sindicalismo sempre terá
“os pés de barro”. Nas montadoras, à época, e m um pequeno grupo de médias empresas
metalúrgicas da base do sindicato, a visão sindical vem do início dos anos 1970, ainda
embrionariamente.
Uma reconstituição mais minuciosa da história do Sindicato de São Bernardo
mostra que a partir de 1969 [...] começa a manifestar-se uma certa
combatividade nas negociações com o patronato. Um exemplo é a luta pela
antecipação salarial (em outubro de 1971), a despeito das condições pouco
favoráveis dentro das quais ela se desenvolve (Garcia, 1982, p. 10-27).
Com as eleições realizadas [no sindicato] em 1972, Lula passa fazer parte da diretoria
e, juntamente com outros dirigentes, cria um instrumento chamado Conselho de Coordenação
dos trabalhadores de base, que tinha por objetivo “estabelecer uma ponte entre a luta do
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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sindicato e aquela que se desdobra dentro da empresa” (Garcia, 1982, p. 10-27).
De toda forma, a primeira comissão de fábrica reconhecida pela empresa foi a comissão
dos trabalhadores da Ford, que foi empossada em 26 de fevereiro de 1982, na sede do sindicato
em 26 de fevereiro de 1981 (Rodrigues, 1990, p. 52-53). A grande questão que o sindicalismo
ABC nos mostra é que este tema da organização por local de trabalho passou a ser um tema
importante para sua estratégia sindical e, com a criação da comissão de fábrica da Ford no início
dos anos 1980, esta forma de organização por local de trabalho ganhou muito mais força e
migrou para outras grandes e médias empresas da base do sindicato chamadas, hoje, de Comitê
Sindical de Empresa (CSE) e/ou Sistema Único de Representação (SUR), base da organização
dos trabalhadores no chão de fábrica nas montadoras no ABC e em um conjunto de médias
empresas na base territorial do sindicato.
É importante salientar que o sindicato tem um acordo com as montadoras de sua base
no que diz respeito à recepção admissional dos trabalhadores que ingressam nestas empresas.
A representação sindical tem uma hora para explicar a importância do sindicato, direitos, etc.
O que as lideranças que foram entrevistadas para esta pesquisa observam é que, em geral, depois
dessa exposição, a ampla maioria dos que ingressam nestas três empresas já assinam sua ficha
de sócio ao sindicato. Além disso, uma vez sindicalizado, o operário não precisa pagar a taxa
negocial que representa 6% do salário na data-base, e também fica isento do pagamento de 6%
da negociação anual sobre Participação nos Lucros e Resultados. Levando-se em conta que a
PLR representa, em geral, o equivalente a pelo menos o acréscimo de mais três salários ao ano,
nessas empresas haveria, certamente, um cálculo da relação custo//benefício nesse processo.
Essa participação massiva e a presença permanente do sindicato na fábrica é ilustrada
pela avaliação feita pelos trabalhadores sobre a atuação do sindicato: 79,3% avalia sua atuação
como boa ou ótima (Tabela 5). , entretanto, certa oposição que se manifesta nas avaliações
da atuação como regular a péssima, que atinge cerca de 20,7%. Segundo entrevistas com
lideranças sindicais, durante o governo Bolsonaro houve tentativas de organização de uma
chapa de oposição ao sindicato, mas que não foram adiante.
Tabela 5 Avaliação da atuação do sindicato
Frequência
Porcentagem
Boa
398
43,9
Ótima
321
35,4
Péssima
9
1,0
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21118 24
Regular
144
15,9
Ruim
34
3,8
Total
906
100,0
Fonte: elaborado pelos autores.
Como já dissemos, nas últimas décadas a mobilidade de trabalhadores na faixa de 2 a 5
salários-mínimos e sua inclusão na sociedade de consumo levaram a uma desidentificação de
classe e a uma discussão acadêmica e midiática de que o país agora seria composto
majoritariamente por uma classe média. Esse debate, presente fortemente na década anterior,
não resistiu a pesquisas mais consistentes que indicaram que as mudanças foram mais
simbólicas e culturais do que uma efetiva transformação na estrutura de classes. De qualquer
forma, esse processo teve forte impacto político, com a adesão a valores mais conservadores
que tem se refletido nas últimas eleições.
No caso desta pesquisa, a trajetória sindical foi e continua sendo um fator determinante
na autopercepção da classe trabalhadora. Em outros termos, uma consciência sindical de
suas condições econômicas objetivas, que estes trabalhadores têm um nível médio de renda
que, em termos de estratificação social, os colocaria na classe média. Assim, temos que mais
de 90% se autoidentificam como classe trabalhadora/operário em razão de um trabalho sindical
permanente dentro das montadoras e da presença de lideranças desses trabalhadores na direção
do sindicato.
Isso pode ser verificado na taxa de sindicalização dos trabalhadores que participaram da
pesquisa. Praticamente todos eram sindicalizados. Quando perguntados se recomendariam o
trabalho na fábrica conforme se pode observar no Gráfico 13, as respostas foram
positivase iam aumentando conforme a idade do respondente. A diferença geracional aparece
entre os trabalhadores de 18 a 25 anos, dos quais 35% não recomendariam o trabalho na fábrica,
e os mais velhos, dos quais 19% não recomendariam. Essa mudança geracional já foi discutida,
entre outros, por Tomizaki (2007), ao estudar duas gerações de metalúrgicos em uma destas
montadoras, e Corrochano (2001).
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21118 25
Gráfico 13 Indicação trabalho para o/a filho/a
Fonte: elaborado pelos autores.
Concluindo: perspectivas e desafios ao trabalho e à ação sindical
Assistimos, nas últimas décadas, a uma forte escolarização no grupo estudado, dado o
alto nível salarial depois de alguns anos de trabalho comparativamente a outros
trabalhadores. Há bons indicadores do ponto de vista da renda, da escolaridade, da propriedade
de casa própria (43% m sua residência quitada e cerca de 38% financiada). A categoria se
encaixa na faixa de renda de classe média e é marcada por forte acesso ao consumo de bens
duráveis.
No entanto, a despeito destas transformações, ainda é muito forte a identidade
metalúrgica neste grupo operário. Isso pode ser visto pela opção de indicação de um filho ou
filha para continuar metalúrgico/a, como sublinhado acima, bem como pela autoidentificação
que este agrupamento possui no que tange a se considerar parte da classe trabalhadora (Gráfico
14). 91% das mulheres e 96% dos homens se consideram parte da classe trabalhadora e/ou
operário/a. Já 7,6% das mulheres e 3,6% dos homens se auto identificam como classe média.
26,1%
23,8%
73,9%
76,2%
0%
50%
100%
Feminino Masculino
Você indicaria seu trabalho a um/a filha/o ou a um/a
jovem?
Não Sim
A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva e o protagonismo sindical
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Gráfico 14 Autoidentificação de classe
Fonte: elaborado pelos autores.
Esse percentual extremamente alto de identificação com a classe operária mostra que, a
despeito das crenças, valores, da formação escolar, das trajetórias individuais, e talvez por isso
mesmo, a identidade enquanto metalúrgico do ABC é muito forte; e esse fenômeno se explicaria
pela tradição de lutas, conquistas, derrotas e também, aprendizado, formação e reconhecimento
desse grupo no âmbito local, regional e nacional que vem sendo construído há, pelo menos,
cinquenta anos.
Nesse aspecto, a instituição sindical tem se mostrado muito atuante e, a despeito dos
novos tempos, possui, ainda, um poder de barganha muito grande junto às fábricas automotivas
localizadas na base do sindicato. Mesmo com todas as adversidades e desafios deste novo
mundo do trabalho, a organização sindical funciona, neste caso específico, como um
contrapoder às empresas automobilísticas em uma tentativa de “redução de danos” nos impactos
tanto objetivos quanto subjetivos que as transformações mais gerais do capitalismo trazem para
o “redesenho” deste operário das montadoras no ABC na terceira década do século XXI.
O que nos sugere o conjunto de dados desta investigação? Uma questão que salta aos
olhos é o nível de organização sindical nestas empresas e o índice de sindicalização destes
trabalhadores, que representam 2/3 dos sindicalizados ao sindicato dos metalúrgicos do ABC.
De um lado, esse dado representa uma força muito grande na relação com essas empresas, que
são as maiores na base do sindicato, com cerca de 40-50 fábricas. São aquelas que pagam os
melhores salários, têm boas condições de trabalho, padrão de benefícios considerado bom e
onde a jornada de trabalho é de, no máximo, 40 horas semanais. De outro está a miríade de
7,6%
3,6%
91,3%
96,3%
1,1%
,1%
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
80,0%
100,0%
120,0%
Feminino Masculino
Autoidentificação de classe
Classe Média Classe trabalhadora/Operário Não sei/não entendi
Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
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cerca de 1.700 pequenas e microempresas (por vezes, pequenas oficinas), onde as condições de
trabalho não são boas, a jornada de trabalho é superior a 40 horas semanais, os salários são bem
menores, possuem menos benefícios e um baixo patamar de sindicalização. A pergunta que fica
é: por quanto tempo esse “equilíbrio instável” se manterá? Este, sem dúvida, é um tema para
futuras pesquisas.
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Iram Jácome RODRIGUES e Jacob Carlos LIMA
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Est u d os d e S o ci ol o gi a , Ar ar a q u ar a, v. 3 1 , n. es p. 1 , e 0 2 6 0 0 3 , 2 0 2 6 . e-I S S N: 1 9 8 2 -4 7 1 8
D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 1 1 8 3 0
C R e di T A ut h or St at e m e nt
R e c o n h e ci m e nt os : Nã o .
Fi n a n ci a m e nt o : N ã o h o u v e fi n a n ci a m e nt o.
C o nflit os d e i nt e r ess e : Nã o h o u v e c o nflit os d e i nt er ess e .
A p r o v a ç ã o éti c a : N ã o pr e cis o u .
Dis p o ni bili d a d e d e d a d os e m ate ri al : Nã o .
C o nt ri b ui ç õ es d os a ut o r es : Os d ois a ut or es p arti c i p ar a m i g u al m e nt e d o d es e n v ol vi m ent o
d o tr a b al h o .
P r o c ess a m e nt o e e dit o r a ç ã o: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
R e vis ã o, f or m ata ç ã o, n or m ali z a ç ã o e tr a d u ç ã o
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THE WORKING-CLASS CONDITION REVISITED: AUTOMOTIVE INDUSTRY
WORKERS AND UNION LEADERSHIP
A CONDIÇÃO OPERÁRIA REVISITADA: OS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA
AUTOMOTIVA E O PROTAGONISMO SINDICAL
LA CONDICIÓN OBRERA REVISITADA: LOS TRABAJADORES DE LA INDUSTRIA
AUTOMOTRIZ Y EL PROTAGONISMO SINDICAL
Iram Jácome RODRIGUES
1
e-mail: iramjro[email protected]
Jacob Carlos LIMA
2
e-mail: jacob[email protected]
How to reference this paper:
RODRIGUES, Iram Jácome; LIMA, Jacob Carlos. The working-
class condition revisited: automotive industry workers and union
leadership. Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1,
e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718. DOI:
10.52780/res.v31iesp.1.21118.
| Submitted: 22/04/2026
| Revisions required: 28/04/2026
| Approved: 10/05/2026
| Published: 27/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Maria Chaves Jardim
1
University of São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the University of
São Paulo and Retired Professor in the Department of Economics at USP. Research Productivity Fellow of the
Brazilian National Council for Scientific and Technological Development (CNPq). Senior Associate Professor
(Livre-Docente) in the Department of Sociology at USP.
2
Federal University of São Carlos (UFSCar), São Carlos São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the
University of São Paulo. Research Productivity Fellow of the Brazilian National Council for Scientific and
Technological Development (CNPq). Full Professor in the Department of Sociology at UFSCar.
The working-class condition revisited: automotive industry workers and union leadership
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21118 2
ABSTRACT: This article discusses the results of research conducted with workers from three
automotive companies in São Bernardo do Campo, in the Greater ABC region of São Paulo,
the base of the ABC Metalworkers Union. This text revisits these characters and a territory
that were fundamental to worker mobilizations with the outbreak of the strike wave starting in
1978. Who are these workers today? How can we characterize the working-class condition?
Can we speak of class fragmentation and its reconfiguration in the face of the structural,
economic, technological, and political determinants of the capitalist restructuring of recent
decades? How is this reflected in union action, its impasses, limits, and difficulties? To what
extent has the relationship with work changed, and what implications does this bring to daily
factory life? Seeking to answer this, the research focused on three automakers, using workplace
observation, questionnaires, and interviews with leaders at the union and the Factory Union
Committees (CSEs).
KEYWORDS: Working conditions. Factory workers. Socioeconomic profile. Trade union.
Changes in work.
RESUMO: Este artigo discute resultados de pesquisa realizada com trabalhadores de três
empresas do setor automotivo em São Bernardo do Campo, no Grande ABC Paulista, base do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Este texto representa uma revisita a esses personagens e
a um território fundamentais nas mobilizações com a irrupção da vaga grevista a partir de
1978. Quem são esses trabalhadores hoje? Como podemos caracterizar a condição operária?
Podemos falar em fragmentação da classe e sua reconfiguração frente aos determinantes
estruturais, econômicos, tecnológicos e políticos da reestruturação capitalista das últimas
décadas? Como isso se reflete na ação sindical, seus impasses, limites e dificuldades? Em que
medida a relação com o trabalho mudou e que implicações traz para o cotidiano fabril?
Buscando responder a isso, a pesquisa concentrou-se em três montadoras, com observação do
trabalho, aplicação de questionários e entrevistas com lideranças no sindicato e nas Comissões
Sindicais de Empresa (CSEs).
PALAVRAS-CHAVE: Condição operária. Operários fabris. Perfil socioeconômico.
Sindicato. Mudanças no trabalho.
RESUMEN: Este artículo analiza los resultados de una investigación realizada con
trabajadores de tres empresas del sector automotor en São Bernardo do Campo, en el Gran
ABC Paulista, base del Sindicato de Metalúrgicos del ABC. Este texto representa una revisita
a estos personajes y a un territorio fundamentales en las movilizaciones con la irrupción de la
ola de huelgas a partir de 1978. ¿Quiénes son estos trabajadores hoy? ¿Cómo podemos
caracterizar la condición obrera? ¿Podemos hablar de fragmentación de la clase y su
reconfiguración frente a los determinantes estructurales, económicos, tecnológicos y políticos
de la reestructuración capitalista de las últimas décadas? ¿Cómo se refleja esto en la acción
sindical, sus impases, límites y dificultades? ¿En qué medida ha cambiado la relación con el
trabajo y qué implicaciones trae para el cotidiano fabril? Para responder a esto, la
investigación se concentró en tres montadoras, mediante la observación del trabajo, la
aplicación de cuestionarios y entrevistas con líderes en el sindicato y en las Comisiones
Sindicales de Empresa (CSE).
PALABRAS CLAVE: Condiciones laborales. Trabajadores de fábrica. Perfil socioeconómico.
Sindicato. Cambios en el trabajo.
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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Introduction
The transformations in work, the economy, and society that began in the 1970s brought
many difficulties to workers collective action in different parts of the world. In the most
industrialized countries, this process was already showing signs of exhaustion. On the other
hand, in Brazil and in those countries that would later come to be called the Global South, this
movement pointed to apparently different paths. Countries with older industrialization were
already experiencing the crisis of the Fordist compromise, while in countries of late
industrializationas in the case of Brazilthere was reasonable growth in the production of
durable consumer goods for the domestic market and, in particular, the expansion of the
automotive industrial complex concentrated in the ABC region of São Paulo. Large companies
such as Volkswagen, Ford (formerly Willys Overland do Brasil), Mercedes-Benz, Scania, and
Toyota established themselves, from the 1950s onward, in the municipality of São Bernardo do
Campo, while General Motors (GM), in turn, settled in the neighboring municipality of São
Caetano do Sul. As a result of these large companies, a growing number of workers were
attracted by new factory jobs, swelling the rural exodus to the cities. This newly forming
working class experienced despotism taken to its ultimate consequences inside companies,
sustained by the military dictatorship, which prevented any and all forms of expression, whether
in workplaces, in society, or in the political sphere.
Suddenly, the country saw the labor movement and social movements erupt more
significantly from May 1978 onward. São Paulo was the main epicenter of this strike wave, and
the metalworkers of the ABC region of São Paulo, together with the Metalworkers Union of
São Bernardo do Campo and Diadema, were the main spokespeople of these new times.
In the opinion of an active participant in these events:
from May 12, 1978 onward, a tsunami of mobilizations broke out, above all
workers mobilizations, industrial ones, basically. It began with a strike at
Scania, in São Bernardo [and at] Wheaton, a factory that made glass for
automobiles, for vehicles. [...] The fact is that when we saw that extraordinary
thing from May 12 onward... It was fabulous! I think everyone who talks about
that period will show that it had an enormous, immense impact, what was
called the days that are worth years. [...] From those two strikes onward, it
did not stop, and it did not need to
3
.... (Nascimento et al., 2023, p. 307-322).
The strikes of 1978 represented a milestone. The country went through a process that
ran counter to that of industrialized countries. They were experiencing the decline of the Fordist
3
Paulo Skromov interview, part of the book A Geração que criou a CUT (Nascimento et al., 2023).
The working-class condition revisited: automotive industry workers and union leadership
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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system and the beginning of an economic restructuring marked by organizational innovations
such as Toyotismand technological innovations, with the advance of automation, lean
production, factory downsizing, and the emergence of structural unemployment. In the late
1970s and early 1980s, the strike movement led to the eruption of major mobilizations by social
actors linked to the world of work, giving great visibility to factory workers representative of
capitalist modernity on our continent.
Workers in automobile assembly plants and the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
[ABC Metalworkers Union] led the broad strike movement that spread nationally, contributing
to the end of the military dictatorship and the countrys redemocratization. While Europe was
discussing the end of the industrial proletariat, in Brazil, metalworkers from São Paulo
embodied the class vanguard in their struggle for emancipation. This process continued through
the 1980s, even amid a growing economic crisis from which the country would only emerge in
the following decade. Trade union federations were organized, and a mass workers party was
constituted for the first time in national history, in a context in which some authors were
discussing the end of history.
In the 1990s, productive restructuring arrived, already consolidated globally and favored
by neoliberal policies. New automakers set up operations in the country outside the ABC region
in search of greenfields, without organized labor. Large factories began employing fewer and
fewer workers, relying on outsourcing and on business networks constituted globally. Unions
increasingly adopted a defensive stance in negotiations, concerned with maintaining jobs and
seeking to avoid mass layoffs. In this sense, their action expanded: regional development began
to be discussed in a context of deindustrialization that progressively affected the ABC region
of São Paulo. There was talk of citizen unionism (Veras de Oliveira, 2011), seeking to reinforce
unionism in its political protagonism beyond the corporatist debate.
In the first two decades of the new century, it was possible to witness the deepening of
this process. At the same time, the Partido dos Trabalhadores [Workers Party] assumed
political power and tried to curb the advances of neoliberalism, in a context in which it
increasingly appeared as the only way out.
The deepening of outsourcing, the respatialization of production, the denationalization
of industrial sectors such as auto parts, and the privatization of public companies profoundly
affected the industrial working class. Public policies for social inclusion and the increase in the
minimum wage resulted in the emergence of what would be called a new middle class (Neri,
2012), which, in reality, reflected the upward social mobility of part of the working class, made
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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possible by greater access to consumption, and also led to a growing disidentification of these
same workers as workers.
Structural changes were accompanied by ideological changes strengthened by the
business community, business media, and religious division, marked by the growth of
evangelical groups, which disseminated and reinforced values such as individualism,
meritocracy, and a supposed freedom of choice in the labor market represented by the ideology
of entrepreneurship as an alternative to the wage relationship (Lima, 2024).
And, almost fifty years after the great mobilizations, what can we say about the working-
class condition? Mobilizations have cooled down, and unions have faced, in the most recent
period, a significant crisis, the tip of the iceberg being the drastic decline in unionization rates
and the loss of protagonism. In Western industrialized countries, this phenomenon has occurred
since the second half of the 1970s and is more significant in metalworkers unionism (Martins
Rodrigues, 1999; Visser, 2012). In Brazil, however, this process of deunionization intensified
sharply after the 2016 labor reform
4
.
The objective of this article, paraphrasing Beaud and Pialoux (2009), is to reread, or
return to, the working-class condition in the Brazilian context, based on research conducted in
three companies in the automotive sector located in the municipality of São Bernardo do
Campo
5
. It seeks to characterize, in this third decade of the twenty-first century, the new
working class in a context of informational capitalism; to outline the socioeconomic profile of
this group of workers; and to analyze these workers views on factory work, their perceptions
of changes on the shop floor resulting from new technologies in the workplace, as well as their
views of the union. In this sense, we will attempt to answer the following questions: What are
the particularities of this group of workers? What elements of continuity and rupture are present
today, and what brings them closer to and/or distances them from previous generations? To
what extent has the relationship with work changed during this period, and what implications
does this issue have for the working-class condition? To what extent have this process and
changes in the technological standards of these companies brought challenging consequences
for a group of workersautomobile industry workerswho became an important collective
actor in social struggles in Brazil in recent decades? What are the objective and subjective
4
On the topic of labor reform, see, among others, Krein (2018).
5
Research project A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria automotiva paulista no início
do século XXI [The Working-Class Condition Reconsidered: Automotive Industry Workers in São Paulo at the
Beginning of the 21st Century], funded by CNPq (grant number 407953/2021-3).
The working-class condition revisited: automotive industry workers and union leadership
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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impacts on the redesign of the new ABC worker? What does this set of questions tell us about
the union institution, its action, and its future?
The research
The research was conducted between 2022 and 2025 through visits to the plants of three
automakers in São Bernardo do Campo, the administration of questionnaires to workers (61
closed, open-ended, and multiple-choice questions), and interviews with union leaders at the
Sindicato dos Metalúrgicos [Metalworkers Union] and in the CSEs (Comitês Sindicais de
Empresas [Company Union Committees]). The sample was random, and proportions
compatible with public databases, such as RAIS (Relação Anual de Informações Sociais
[Annual Social Information Report]), were recorded. The questionnaire covered the following
themes: 1. Socioeconomic profile; 2. Professional trajectory and labor relations; 3. Working
conditions; 4. The union; 5. Extra-factory sociabilities and perspectives. Responses were
collected from October 14 to April 16, 2025. The questionnaire was administered through the
Google Forms platform and was supported by the leadership of the Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC [ABC Metalworkers Union]
6
and the respective CSEs (Comitês Sindicais de Empresa
[Company Union Committees]) of the plants studied, which facilitated workers participation
in the three automakers.
In addition to administering the questionnaire, 32 interviews were conducted with union
leaders, along with dozens of field visits and visits to the companies and to the union during the
research period. Approximately 27 interviews were individual, and three additional interviews
were carried out: one with workers representatives in the respective companies. In addition,
two initial interviews were conducted: the first exploratory and the second aimed at organizing
the research field with representatives of the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC
Metalworkers Union]. It is important to note that the interviews were conducted both at the
union and at the three companies. In these three automakers, the union has operating spaces in
different areas of the factories and a large space in each of these plants, where the main room
of the CSE (Comitê Sindical de Empresa [Company Union Committee]) and/or SUR (Sistema
Único de Representação [Unified Representation System]) is located. The interview guide
covered the following aspects: 1. Individual and family trajectory; 2. Changes in the factory
6
On May 3, 2023, and May 5, 2024, respectively.
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026003, 2026. e-ISSN: 1982-4718
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and in the world of work; 3. Current issues in the automotive sector; 4. Unionism in the twenty-
first century.
Who are the ABC metalworkers?
Data from the subseção do Dieese
7
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos) [DIEESE subsection (Inter-Union Department of Statistics and
Socioeconomic Studies)] of the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers
Union]
8
show some broader figures on the male and female workers represented by this union,
helping to compose a wider picture of this working-class group. The unions territorial base
encompasses 76,180 workers, of whom 12,626 are women (equivalent to 16.6%) and 63,554
are men (83.4%), spread across 1,700 metalworking establishments. Of these, 25,600 (33.6%)
have working hours of 40 hours per week or less; the other 50,600 (66.4%) are workers whose
working hours exceed 40 hours per week, working under much more difficult conditions in
small factories, workshops, and places where the union often has greater difficulty reaching
them.
The average remuneration for workers as a whole within the base of the Sindicato dos
Metalúrgicos [Metalworkers Union] is R$ 6,719.76 per month. In addition, the union has
around 26,000 members: 23,000 men and 3,000 women. The three automakers in São Bernardo
do CampoScania, Volkswagen, and Mercedes-Benzwhich are part of the base of the
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union], account for, respectively,
3,464 members, 5,643 members, and 5,816 members, representing practically 65% of the
unions membership.
In addition, it is important to emphasize that, alongside the three automakers mentioned
above, there is a set of medium-sized companies that have seats on the full board of the
Sindicato do ABC [ABC Union], a body that includes the participation of around 170 male and
female metalworkers. In other words, most workers who are union members are in those
companies considered large (the three automakers) and in medium-sized companiestotaling
around 40 to 50 industrial plantswithin a universe of 1,700 metalworking establishments.
These companies have higher unionization rates, higher wages, and working hours of, at most,
40 hours per week. This represents a major asymmetry in every sense in relation to the full set
7
Data from the Dieese SubsectionMetalworkers Union of the ABC Region, January 2026.
8
The Metalworkers Union of the ABC Region currently covers the municipalities of São Bernardo do Campo,
Diadema, Ribeirão Pires, and Rio Grande da Serra.
The working-class condition revisited: automotive industry workers and union leadership
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of industrial establishments that form part of the base of the Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC [ABC Metalworkers Union].
Profile of male and female workers in the three automakers
In research conducted in 1963 (Martins Rodrigues, 1970, p. 3) at an automobile factory
in São Bernardo do Campo, the low political mobilization of metalworkers in the automotive
sector in São Bernardo do Campo was highlighted, drawing attention to these workers rural
origins and recent migration in a context of strong growth in the metropolitan region of São
Paulo. A total of 53% of those workers had worked in agriculture. Returning in 1984 for new
research with workers at this company, the author found a very different picture. Two decades
later, workers at this factory born in the state of São Paulo were already the majority, 54%,
while workers from other regions of the country represented 46% (Martins Rodrigues, 1990, p.
113). Writing in the late 1970s and having researched the same company, Humphrey (1979)
questioned the origin variable, pointing to the growing mobilization of these workers. In any
case, these are two distinct snapshots: in the first case, Martins Rodriguess research (1970)
focuses on a working-class group newly arrived in urban life. The second study, by contrast, is
based on a group that experienced the so-called period of the Brazilian miracle”—a short
period between 1968 and 1973during the military dictatorship, when economic growth rates
were very high, averaging 10% per year. In other words, rural origin and recent migration in
the 1970s did not constitute an obstacle to worker mobilization in this region, considering the
high concentration of factories and workers that became the trigger for the mobilizations of
1978.
Regarding our current research, most workers in the three companies were born in the
Southeast region (87.3%), and another 10% come from the Northeast, as shown in Graph 1. On
the other hand, when we separate the data by states of the Federation, those born in São Paulo
represent almost 85% of all 906 respondents. This is an extremely high percentage, which also
indicates differences in mobility within the country. With the social policies of popular
governments from the 2000s onward, there was a significant reduction in migration from the
Northeast to the Southeast. What becomes evident is the presence of generations of workers
whose origin is the state of São Paulo.
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
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Graph 1 Region of birth
Source: prepared by the authors.
Graph 2 illustrates the disparity between men and women in the three automakers
studied, with only 10% of workers being female. As previous research on the category of
metalworkers in the ABC region of São Paulo has already shown, male presence predominates,
historically marked in a sector in which, from its beginnings and for a long time, physical
strength in the use of machinery and equipment was used as a justification
9
. This situation is
still noticeable in smaller companies. Although women today represent almost 17% of all
workers in the base of the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union],
in automakers, even with all the automation, female workers on average represent a very small
percentage.
Despite this gap between male and female participation, a small increase in female
employment can be observed in automotive companies, according to the 20062025 historical
series
10
for the set of formal employees within the base of the Sindicato dos Metalúrgicos do
ABC [ABC Metalworkers Union]: in 2006, there were about 11,600 female metalworkers, and
in 2025, approximately 13,500. It is worth noting that there was also an increase of almost 2,000
female workers within the unions overall base. The number of male workers, however, fell
from about 91,400 in 2006 to 76,180, a decrease of 18,400 workers over these two decades,
equivalent to almost 20% of the total male workforce. The percentage of women on the shop
9
Perticarrari (2007), using RAIS data from 1995 and 2000, presented female participation by occupation in the
metalworking industry: it barely reached 10% on the shop floor.
10
Cf. Historical Series of Formal Employment in the SMABC Base (20062025). Dieese Subsection, 2026.
The working-class condition revisited: automotive industry workers and union leadership
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floor, as the data show, is still small, despite the growth in the number of female workers in
recent years. There are, however, some characteristics of this group of female workers that draw
considerable attention when the following variables are correlated: age by sex; education by
sex; and fathers education by sex, as we will see below.
Graph 2 Sex
Source: prepared by the authors.
Regarding color or race (Graph 3), approximately 54% self-identified as white, the
majority. Those who, by contrast, declared themselves non-white represent 46%. These self-
identifications characterize race by skin color, a historically constructed situation, reflecting
studies that indicate that the Brazilian working class has both color and sex. It is worth noting
that the category of automaker workers has a high level of education and qualifications, which
makes them a kind of elite within the countrys industrial working class. In the research, we
followed the self-identification categories standardized by the IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística [Brazilian Institute of Geography and Statistics]).
Graph 3 Color or race
10,2
89,8
Sexo (%)
Feminino Masculino
1,5
53,8
,6
32,7
11,5
Cor ou ra (%)
Amarela Branca Indígena Parda Preta
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
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Source: prepared by the authors.
Regarding age (Graph 4), half of the workers are between 36 and 45 years old. The 46-
to-55 age group accounts for 32% of workers. On the other hand, the age range between 18 and
35 represents 15% of the total sample. Here, it is worth emphasizing that in the 18-to-25 age
range the percentage of workers is very small: only 4%. These figures may be related to the
loss of attractiveness of factory work for young people, even though these factories offer
comparatively higher wages in the sector, social rights provided for in the CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho [Consolidation of Labor Laws]), as well as other benefits that would
characterize the automotive sector as Fordist
11
. We are referring to a context of changes that
are not only economic but also, as already observed, cultural; a context in which regular work
with rights stands in contrast to the ideology of entrepreneurship, individuality, and
meritocracy. By way of illustration, this is reflected in the low demand for courses offered by
SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial [National Industrial Apprenticeship
Service]) within the automakers themselves, which serve as an entry point into factory
employment. In addition, there is a breakdown of a norm once followed by companies: family
referral. Among younger workers, the prospect of a long-term career in the factory is generally
no longer on the horizon. Another factor that partly limits the interest of those in the youngest
age group in factory work concerns changes implemented by companies regarding starting
wages and the time required for promotion. These aspects also tend to discourage young people
from entering the factory system, as several interviewees indicated.
Graph 4 Age
11
For a discussion on working-class generations in the ABC region of São Paulo, see the article by Pires and
Dieguez in this dossier.
26 a 35
11%
36 a 45
50%
46 a 55
32%
55 a 67
3%
Distribuição dos respondentes por faixa etária
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Source: prepared by the authors.
In the case of women, as shown in Graph 5, the largest group is in the 36-to-45 age
range. On the other hand, among women between 18 and 25 years old, the percentage is quite
high: 26.4%, compared with only 1.6% of male workers. In the 26-to-35 age range, female
workers make up almost 20% of the female workforce, while men account for only 10.5% of
the male workforce. In other words, when we observe the age of female and male workers
between 18 and 35, we note that women represent more than 46% of the female contingent,
while men represent only 12% of the male group. It is possible to say that, as a tendency, taking
both groups into account, more women in the younger age groups are choosing factory work
and that, in the medium term, women will constitute a contingent increasingly closer to the
male group. As highlighted above, although the number is still small, the percentage of women
in the 18-to-25 age range is striking. This means that more young women are entering the
factory through SENAI courses, while young men, as almost all interviews show, no longer
have as strong a relationship with factory work as their fathers and grandfathers did, and are
seeking alternatives.
Graph 5 Age distribution by sex
Source: prepared by the authors.
Graph 6, on education, shows that 41% of the 906 workers who answered the
questionnaire have completed secondary education, and almost 29% have higher education. In
addition, more than 8% of the sample has completed or is enrolled in a graduate program.
Workers in the three companies studied have a high level of formal education when compared
with the Brazilian population as a whole. Some of these workers studied while working in the
factories, attending higher education courses at private institutions in the region. In the case of
26,4%
1,6%
19,8%
10,5%
40,7%
50,6%
12,1%
33,7%
1,1%
3,7%
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
Feminino Masculino
Faixas etária por sexo
18 a 25 anos 26 a 35 36 a 45 46 a 55 55 a 67
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
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graduate studies, the presence of leaders and their effective professionalization as such is
symptomatic, with greater availability of time and politicization.
Graph 6 Education
Source: prepared by the authors.
Graph 7 presents data on education by sex. In this sense, the percentage of men and
women with a higher education degree is practically the same, with a slight predominance
among women: 29.3% compared with 28.3%. Among those currently enrolled in college,
women represent almost 30% and men about 17%. On the other hand, slightly more than twice
as many women have taken some graduate course: 16.3% compared with 7.6% of men. What
these data show is that women are becoming more qualified to face the challenges and
competition of the labor market
12
.
12
Data from the 2022 IBGE Census demonstrate the gap in education level and school retention: in higher
education, 20.7% of women aged 25 or older hold a bachelors degree, compared to 15.8% of men; among those
aged 18 to 24, 32.6% of women are enrolled in school, compared to 28.1% of men.
1,1
,7
2,1
41,1
17,8
28,8
8,5
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
40,0
45,0
Fundamental
Incompleto
Fundamental
Completo
Médio
Incompleto
Médio
Completo
Superior
Incompleto
Superior
Completo
Pos-graduação
(comp ou
incompleta)
Escolaridade
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Graph 7 Education by sex
Source: prepared by the authors.
Still regarding the topic of education, when we cross-reference fathers education by
sex, as shown in Graph 8, some data stand out: the percentage of fathers of female and male
workers who completed, at most, up to the 4th grade, the former primary school level,
represents, respectively, 41.3% compared with 43.7%. With regard to higher education, 15.2%
of the fathers of female workers have completed higher education, compared with 4.2% of the
fathers of male workers. These broader data allow us to question the generational succession of
workers in these companies. In other words, work in automakers continues to attract workers
with lower education levels and precarious insertion in the labor market, which may explain the
attraction of work in automakers as a kind of shortcut to social mobility. Guimarães (1993),
studying petrochemical workers in Bahia, used the concept of shortcut to explain the
possibility of mobility among groups of less-educated workers. In a way, the concept updated
the discussion developed by Martins Rodrigues (1970), when discussing the satisfaction of
metalworkers of migrant origin with industrial employment.
This is true when we analyze the previous generation, as the data in this graph show. On
the other hand, for the current generation of female workers in automakers aged 18 to 25, it is
possible to advance the hypothesis that parents with higher education tend to increase the
likelihood that their childrenand particularly their daughterswill also attend college.
1,1%
1,1%
2,2%
,5%
0,0%
2,3%
21,7%
43,2%
29,3%
16,5%
29,3%
28,7%
16,3%
7,6%
0,0%
10,0%
20,0%
30,0%
40,0%
50,0%
Feminino Masculino
Escolaridade por sexo
Fundamental Incompleto Fundamental Completo
Médio Incompleto Médio Completo
Superior Incompleto Superior Completo
Pos-graduação (comp ou incompleta)
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Graph 8 Fathers education by sex
Source: prepared by the authors.
Graph 9 illustrates the religious division the country has undergone in recent decades,
with the growth of evangelical churches, and how this has, in some cases, had significant
impacts on class solidarity
13
. This statement is based on the values disseminated by these
churches in terms of individualism, meritocracy, and entrepreneurship, in contrast to the
collectivist perspective characteristic of what Castel (2003) calls the wage society, or, in the
Brazilian version, regulated citizenship, discussed by Wanderley Guilherme dos Santos
(1979). The data also reflect cultural and religious changes in factories. Although those who
declare themselves Catholic remain the majority (54%), they are followed by evangelicals and
Protestants, with 26.2%. These numbers follow IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística [Brazilian Institute of Geography and Statistics]) data regarding religious changes in
the country observed in the 2022 census. The same occurs with those who declare themselves
to have no religion, at 9%, and Spiritists and Umbanda practitioners, at 3.4% and 3.5%,
respectively. These data follow the trend of the figures collected in the 2022 census by the IBGE
[Brazilian Institute of Geography and Statistics].
13
Data from the 2022 IBGE Census show that 56.7% of the Brazilian population over 10 years of age is
Catholic, down from 65.1% in 2010. Meanwhile, Evangelicals reached the 26.9% mark in 2022, up from 21.6%
in 2010. Those with no religion reached 9.28%, and Afro-Brazilian religions represent 1%.
41,3%
43,7%
15,2%
4,2%
2,2%
1,5%
16,3%
20,4%
20,7%
23,0%
2,2%
6,0%
2,2%
1,1%
0,0%
,1%
0,0%
50,0%
Feminino Masculino
Escolaridade do pai por sexo
Até a quarta série Curso Superior Completo
Curso Superior incompleto Ensino Fundamental/Primeiro grau completo
Ensino médio/Segundo grau completo Ensino médio/Segundo grau incompleto
Pós-graduação completa Pós-Graduação incompleta
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Graph 9 Religion
Source: prepared by the authors.
Regarding Tables 1 and 2, concerning marital status, almost 82% are married; single
respondents represent approximately 12%; and divorced respondents slightly more than 6%.
However, when we correlate marital status with sex, in Table 2, some differences appear: 38%
of women are single compared with 11.5% of men. While 85% of men are married, among
women this percentage is much lower: 47%. In addition, women divorce and/or separate more
than men: 13% compared with 5.7%
14
.
Table 1 Marital status
Marital status
%
Married/common-law union
81,7%
Single
11,5%
Divorced/separated
6,4%
Widowed
0,4%
Overall total
100,0%
14
Pires and Diegues, in this dossier, referencing the research by Tomizaki (2007), discuss marriage duration
within this category of workers.
1,2
1,4
,7
53,8
3,4
23,8
2,2
9,2
3,5
Religião
Outro Cristão Ateu Católica Espírita Evangélica Protestante Sem religião Umbandista
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Source: prepared by the authors.
Table 2 Marital status by sex
What is your current marital status?
Other
Married or
common-law
union
Divorced or
separated
Single
Widowed
Female
1,1%
46,7%
13,0%
38,0%
1,1%
Male
0,5%
85,4%
5,7%
8,1%
0,4%
Source: prepared by the authors.
This set of graphs and tables provides an overview of the profile of workers in the
automakers studied, considering that, due to historical factors, they are distinct in terms of work
organization, wages, rights, and worker mobilization. The sex and racial composition does not
differ greatly from other categories of workers that make up the Brazilian working class, but
the higher level of education raises questions about the attractiveness of employment in these
factories. It is necessary to consider that the number of outsourced workers varies across all
factories. In the case of Volkswagen, it is estimated that the number of outsourced workers is
equivalent to the number of regular workers (around 8,000). Among the three, Scania is the one
that uses outsourced workers the least, with cafeteria staff and firefighters being hired regularly.
Overall, it is estimated that one-third of the workers in these automakers are outsourced.
The working-class condition
The Fordist character of these companies appears in several indicators. One of them is
length of service in the company. Graph 10 shows that those who have worked from 11 to 15
years in the company account for almost one-third of all workers and, if we include all those
with more than 16 years in the company, we reach a percentage of 40.3%. In other words, more
than 70% of workers in these three automakers have worked for more than 11 years in the
company. This is an extremely high figure by any comparison we might make, especially if we
consider that, in this case, these are shopfloor and hourly workers. Around 14% have worked
for more than 26 years in the same automaker.
The working-class condition revisited: automotive industry workers and union leadership
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In additionand certainly for this reason96% of workers in the three automotive
companies studied have open-ended employment contracts, as shown in Graph 11. It should be
emphasized that the strong union presence is a factor in negotiating this stability, considering
constant technological innovations. Job cuts and reductions in the workforce as a result of new
production technologies continue. The union, however, plays a fundamental role in negotiations
with these automotive plants and, as the research data show, worker representation enjoys very
strong legitimacy among workers.
Graph 10 Length of service in the company
Source: prepared by the authors.
Types of contracts are also indicators of these negotiations. Permanent contracts for
hourly and monthly workers predominate even after the 2017 labor reform. However, as already
noted, the research did not include outsourced workers, which would allow for a better
understanding of this stable pattern in the use of the labor force. It is important to emphasize,
however, that outsourced workers in the three automakers are not represented by the Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union]. By law, the main unionin this case,
the metalworkers unionis not allowed to represent all workers in the companies. There are
small unions for third-party companies, but they have little strength and virtually no
representativeness among these workers.
It is important to emphasize that the workers in the three companies studied are workers
with a high rate of unionization; moreover, their wages are comparatively very high in relation
2,0
4,4
10,0
11,8
31,5
18,9
7,7
13,7
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
35,0
Até 11
meses
De 1 a 2
anos
De 3 a 5
anos
De 6 a 10
anos
De 11 a 15
anos
De 16 a 20
anos
De 21 a 25
anos
Mais de 26
anos
Tempo de empresa (%)
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to those who work in the small companies within the unions base and who have many years of
work in their respective factories. The same applies to outsourced male and female workers
who may work alongside them in the company and who still have very different benefits and
conditions. Unionization in the three companies represents, as already mentioned, practically
two-thirds of all union members in a base of 1,700 metalworking companies.
This allows us to state that these workers are an elite within the broader group of
workers represented by the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Union]:
the most educated, the most qualified, with average unionization rates of 75%, the
overwhelming majority with significant wages, stable jobs, and working hours that do not
exceed 40 hours, which defines a horizon for organizing life, projects, and so on over the long
term. As already mentioned, of the total number of workers in the unions base, 76,180, one-
thirdthat is, 25,600 workerswork schedules of less than or equal to 40 hours per week. This
working-class group is the core on which the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC
Metalworkers Union] relies.
Certainly, for this reason, 96% of workers in the three automotive companies studied
have open-ended employment contracts, as shown in Graph 11. It should be emphasized that
the strong union presence is a factor in negotiating this stability, considering constant
technological innovations such as informational transformations, robots that perform various
functions, the application of Artificial Intelligence, and other developments that characterize
so-called Industry 4.0, in addition to the tendency toward workforce cuts and reductions in
labor.
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Graph 11 Type of contract
Source: prepared by the authors.
Remuneration, shown in Graph 12, is another indicator of these workers difference in
relation to the factory labor market: 18.8% receive a salary higher than R$ 6,000.00, equivalent
to almost four minimum wages (in March 2026), which places them above 80% of wage
workers in the country as a whole. In addition, 40% of workers in these three companies earn
more than R$ 7,000.00, which means 4.3 minimum wages. A non-negligible share, almost 25%
of workers, have salaries above R$ 8,000.00, that is, almost five times the current minimum
wage (March 2026).
Graph 12 Salary range
Source: prepared by the authors.
96,2
2,6
1,1
Tipo de contrato (%)
Contrato por tempo indeterminado Contrato temporário Contrato terceirizado
,8
5,3
11,0
9,8
14,2
18,8
17,3
11,8
10,9
,0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
14,0
16,0
18,0
20,0
Até R$
2.000,00
De R$
2001,00 a
R$ 3.000,00
De R$
3.001,00a
R$ 4.000,00
De R$
4.001,00 a
R$ 5.000,00
De R$
5.001,00 a
R$ 6 000,00
De R$
6.001,00 a
R$ 7.000,00
De R$
7.001,00 a
R$ 8.000,00
De R$
8.001,00 a
R$ 9.000,00
Mais de R$
9.000,00
Faixa salarial (%)
Iram Jácome RODRIGUES and Jacob Carlos LIMA
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Other indicators of working conditions can be considered based on visits to the factories.
The three automakers were inaugurated in the 1950s and have undergone changes and
renovations, with buildings added during this period, as well as buildings that are currently
empty due to the reduction in the number of workers. This is the case of Volkswagen, which
went from 40,000 workers in the 1970s to around 7,000 workers today. In the three factories,
there are large cafeterias, some leisure and rest areas, a community garden (in the case of
Mercedes-Benz), and space for union activitiesthe company union committees have
representatives in all areas of the automakers. Depending on the unit, the noise is very loud and
workers use protective equipment, as also occurs in painting areas. Workers also have access
to a large fleet of buses that take them to neighborhoods in São Paulo and the ABC region of
São Paulo.
Union organization and class self-identification
This is an extremely unionized working-class group. Practically 98% of workers are
union members, as Table 3 shows, and the percentage of workers who participate in union
activities is also very high, according to Table 4. Regarding participation in union activities,
about one-third participate a great deal: always and very frequently; approximately 30%
participate frequently; and 34% said they attend the union little and/or have a less frequent
presence in the activities of the representative body. On the other hand, if we combine those
who answered frequently with those who indicated very frequently and those who always
participate, we find strong adherence: 60% of unionized workers support the actions carried out
by the union. This represents much more than a vanguard: it corresponds to two-thirds of the
metalworkers in the three companies under analysis. We could say that it is a kind of expanded
vanguard functioning as the backbone of ABC unionism.
Table 3 Unionization
Frequency
Percentage
No
20
2,2
Yes
886
97,8
Total
906
100,0
Source: prepared by the authors.
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Table 4 Participation in union activities
How often do you participate in activities organized by the union?
Frequency
Percentage
Frequently
257
28,4
Very frequently
109
12,0
Never
52
5,7
Infrequently
310
34,2
Always
178
19,6
Total
906
100,0
Source: prepared by the authors.
In summary, analyzing the relationship between the frequency of participation in union
activities and union membership status, there is a strong correlation between unionization and
presence in activities, revealing that the stronger the formal bond with the union, the greater the
propensity for engagement in collective actions.
On the other hand, among those who are not union members (2.2%), the percentages are
very low and tend to be concentrated at the extremes of non-participation: 0.4% never
participate, 0.2% attend very frequently, and 0.3% always attend, but only residually. This
suggests a strong negative correlation between not being unionized and involvement in
activities, since the absence of membership implies an almost total distancing from the
organizational dynamic.
In other words, unionization is not merely a casual bond, but a fundamental factor in the
participation coefficient: the greater the formal affiliation, the greater the engagement and
frequency in activities; the weaker or nonexistent the bond, the greater the absence and distance
from the collective process. In this sense, we might ask: what leads to such high unionization
among workers in the three automakers in question? What explains this phenomenon that cuts
across different dichotomies? Male/female, Catholics/evangelicals, higher/lower education,
higher/lower wages, higher/lower qualifications, among others?
One explanation is related to a deliberate policy by the union aimed at organization in
the workplace. In other words, what is the major issue that ABC unionism shows us? Without
organization on the shop floor, unionism will always have feet of clay. In the automakers at
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the time, and in a small group of medium-sized metalworking companies within the unions
base, this union perspective dates back to the early 1970s, still in embryonic form.
A more detailed reconstruction of the history of the Sindicato de São Bernardo
[São Bernardo Union] shows that from 1969 onward [...] a certain
combativeness in negotiations with employers was already beginning to
emerge. One example is the struggle for wage advances (in October 1971),
despite the unfavorable conditions under which it developed (Garcia, 1982, p.
10-27).
With the elections held [in the union] in 1972, Lula became part of the board and,
together with other leaders, created an instrument called the Conselho de Coordenação dos
trabalhadores de base [Coordination Council of rank-and-file workers], whose objective was
to establish a bridge between the unions struggle and the struggle unfolding inside the
company (Garcia, 1982, p. 1027).
In any case, the first factory committee recognized by a company was the Ford workers
committee, which was inaugurated on February 26, 1982, at the union headquarters on February
26, 1981 (Rodrigues, 1990, p. 5253). The major issue that ABC unionism shows us is that
workplace organization became an important theme in its union strategy and, with the creation
of Fords factory committee in the early 1980s, this form of workplace organization gained
much more strength and migrated to other large and medium-sized companies within the
unions base, now called Comitê Sindical de Empresa (CSE) [Company Union Committee]
and/or Sistema Único de Representação (SUR) [Unified Representation System], the basis of
workers organization on the shop floor in the automakers in the ABC region and in a set of
medium-sized companies within the unions territorial base.
It is important to point out that the union has an agreement with the automakers in its
base regarding the onboarding of workers who enter these companies. Union representation has
one hour to explain the importance of the union, rights, and so on. What the leaders interviewed
for this research observe is that, in general, after this presentation, the vast majority of those
who enter these three companies already sign their union membership form. In addition, once
unionized, the worker does not need to pay the bargaining fee, which represents 6% of the salary
on the collective bargaining date, and is also exempt from paying 6% of the annual negotiation
on Profit and Results Sharing. Considering that PLR (Participação nos Lucros e Resultados
[Profit and Results Sharing]) generally represents the equivalent of at least three additional
salaries per year, in these companies there would certainly be a cost-benefit calculation in this
process.
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This massive participation and the unions permanent presence in the factory are
illustrated by workers assessment of the unions performance: 79.3% evaluate its performance
as good or excellent (Table 5). There is, however, some opposition, which appears in
assessments ranging from fair to very poor, reaching around 20.7%. According to interviews
with union leaders, during the Bolsonaro government there were attempts to organize an
opposition slate against the union, but they did not move forward.
Table 5 Assessment of the unions performance
Frequency
Percentage
Good
398
43,9
Excellent
321
35,4
Very poor
9
1,0
Fair
144
15,9
Poor
34
3,8
Total
906
100,0
Source: prepared by the authors.
As we have already said, in recent decades the mobility of workers in the range of two
to five minimum wages and their inclusion in consumer society have led to class
disidentification and to an academic and media debate claiming that the country would now be
composed mainly of a middle class. This debate, strongly present in the previous decade, did
not withstand more consistent research indicating that the changes were more symbolic and
cultural than an effective transformation in the class structure. In any case, this process had a
strong political impact, with adherence to more conservative values that has been reflected in
recent elections.
In the case of this research, the union trajectory has been, and continues to be, a
determining factor in workers self-perception as part of the working class. In other words, there
is a union consciousness of their objective economic conditions, since these workers have an
average income level that, in terms of social stratification, would place them in the middle class.
Thus, more than 90% self-identify as working class/workers because of permanent union work
within the automakers and the presence of these workers leaders in the unions leadership.
This can be seen in the unionization rate of the workers who participated in the research.
Practically all of them were union members. When asked whether they would recommend
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factory workas can be seen in Graph 13the answers were positive and increased according
to the respondents age. The generational difference appears among workers aged 18 to 25, of
whom 35% would not recommend factory work, and older workers, of whom 19% would not
recommend it. This generational change has already been discussed, among others, by
Tomizaki (2007), in a study of two generations of metalworkers in one of these automakers,
and by Corrochano (2001).
Graph 13 Recommendation of factory work for ones son/daughter
Source: prepared by the authors.
Concluding: perspectives and challenges for work and union action
In recent decades, we have witnessed a strong increase in schooling among the group
studied, given the high wage levelafter a few years of workcompared with other workers.
There are good indicators in terms of income, education, and home ownership (43% own their
residence outright and about 38% are financing it). The category falls within the middle-class
income range and is marked by strong access to the consumption of durable goods.
However, despite these transformations, the metalworker identity remains very strong
in this working-class group. This can be seen in the option of recommending that a son or
daughter continue as a metalworker, as emphasized above, as well as in this groups self-
identification as part of the working class (Graph 14). Among women, 91%, and among men,
96%, consider themselves part of the working class and/or workers. Meanwhile, 7.6% of
women and 3.6% of men self-identify as middle class.
Graph 14 Class self-identification
26,1%
23,8%
73,9%
76,2%
0%
50%
100%
Feminino Masculino
Você indicaria seu trabalho a um/a filha/o ou a um/a
jovem?
Não Sim
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Source: prepared by the authors.
This extremely high percentage of identification with the working class shows that,
despite beliefs, values, educational backgrounds, and individual trajectoriesand perhaps
precisely because of themthe identity as an ABC metalworker is very strong. This
phenomenon can be explained by the tradition of struggles, achievements, defeats, and also
learning, formation, and recognition of this group at the local, regional, and national levels,
which has been built over at least fifty years.
In this respect, the union institution has proved to be very active and, despite the new
times, still has considerable bargaining power with the automotive factories located within the
unions base. Even with all the adversities and challenges of this new world of work, union
organization functions, in this specific case, as a counterpower to automobile companies in an
attempt at harm reduction regarding both the objective and subjective impacts that the broader
transformations of capitalism bring to the redesign of this automaker worker in the ABC
region in the third decade of the twenty-first century.
What does the set of data from this investigation suggest? One issue that stands out is
the level of union organization in these companies and the unionization rate of these workers,
who represent two-thirds of those unionized with the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC
Metalworkers Union]. On the one hand, this figure represents great strength in the relationship
with these companies, which are the largest within the unions base, comprising around 40 to
50 factories. They are the ones that pay the best wages, have good working conditions, a benefits
standard considered good, and where the working week is, at most, 40 hours. On the other hand,
there is the myriad of around 1,700 small and microenterprisessometimes small workshops
7,6%
3,6%
91,3%
96,3%
1,1%
,1%
0,0%
20,0%
40,0%
60,0%
80,0%
100,0%
120,0%
Feminino Masculino
Autoidentificação de classe
Classe Média Classe trabalhadora/Operário Não sei/não entendi
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where working conditions are not good, the working week exceeds 40 hours, wages are much
lower, benefits are fewer, and the level of unionization is low. The question that remains is: for
how long will this unstable equilibrium be maintained? This, without a doubt, is a topic for
future research.
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D OI: 1 0. 5 2 7 8 0/r es. v 3 1i es p. 1. 2 1 1 1 8 3 0
C R e di T A ut h or St at e m e nt
A c k n o wl e d g e m e nts : N o n e .
F u n di n g : N o f u n di n g w as r e c ei v e d .
C o nfli cts of i nt e r est : T h e a ut h ors d e cl are n o c o nfli cts of i nt er est.
Et hic al a p p r o v al : N ot r e q uir e d.
D at a a n d m at e ri al a v ail a bilit y : N ot a p pli c a bl e.
A ut h o rs c o ntri b uti o ns : B ot h a ut h ors c o ntri b ut e d e q u all y t o t h e d e v el o p m e nt of t his st u d y.
P r o c essi n g a n d e diti n g: E dit o r a I b e r o -A m e ri c a n a d e E d u c a ç ã o
Pr o ofr e a di n g, f or m atti n g, n or m ali z ati o n a n d tr a nsl ati o n