v
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326
SOB NOVAS ENGRENAGENS: RECONFIGURAÇÕES DO TRABALHO
INDUSTRIAL E DA EXPERIÊNCIA OPERÁRIA NO SÉCULO XXI
BAJO NUEVOS ENGRANAJES: RECONFIGURACIONES DEL TRABAJO
INDUSTRIAL Y DE LA EXPERIENCIA OBRERA EN EL SIGLO XXI
UNDER NEW GEARS: RECONFIGURATIONS OF INDUSTRIAL WORK AND THE
WORKERS’ EXPERIENCE IN THE 21ST CENTURY
Iram Jácome RODRIGUES
1
e-mail: iramjro[email protected]
Jacob Carlos LIMA
2
e-mail: jacob[email protected]
Aline Suelen PIRES
3
e-mail: alinep[email protected]
Como referenciar este artigo:
RODRIGUES, Iram Jácome; LIMA, Jacob Carlos; PIRES, Aline
Suelen. Sob novas engrenagens: reconfigurações do trabalho
industrial e da experiência operária no século XXI. Estudos de
Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN:
1982-4718. DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326.
| Submetido em: 14/05/2026
| Revisões requeridas em: 20/05/2026
| Aprovado em: 16/06/2026
| Publicado em: 27/07/2026
Editora:
Profa. Dra. Maria Chaves Jardim
1
Universidade de São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Sociologia pela Universidade
de São Paulo e professor aposentado do Departamento de Economia da USP. Pesquisador do CNPq bolsista de
produtividade em pesquisa. Professor livre-docente sênior do Departamento de Sociologia da USP.
2
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos São Paulo (SP) Brasil. Doutor em Sociologia pela
Universidade de São Paulo. Pesquisador do CNPq bolsista de produtividade em pesquisa. Professor titular no
Departamento de Sociologia da UFSCAR.
3
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos São Paulo (SP) Brasil. Doutora em Sociologia
pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Pesquisadora do CNPq bolsista de produtividade em
pesquisa. Docente do Departamento de Sociologia e do Programa de pós-graduação em Sociologia da UFSCAR.
Sob novas engrenagens: reconfigurações do trabalho industrial e da experiência operária no século XXI
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 2
Apresentação
A proposta deste dossiê é abordar as configurações contemporâneas do trabalho
industrial e da ação sindical, buscando refletir sobre as transformações recentes na condição
operária. Seu ponto de partida foi o projeto de pesquisa A condição operária revisitada: os
trabalhadores da indústria automotiva paulista no início do século XXI, financiado pelo CNPq
(Edital Universal 2021-2024), estudo desenvolvido, essencialmente, junto às três montadoras
de São Bernardo do Campo Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen , e que envolveu a
aplicação de mais de 900 questionários e cerca de quarenta entrevistas, além de visitas de campo
às fábricas e ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. No entanto, além de apresentar os
resultados desse estudo, este dossiê reúne ainda contribuições de outros pesquisadores
brasileiros dedicados ao tema, contemplando as consequências da reorganização territorial da
indústria e da digitalização e fragmentação da produção do setor automotivo. Buscando ampliar
o escopo das reflexões e estabelecer diálogos comparativos com a América Latina, incorporam-
se aqui discussões sobre as transformações recentes no cenário industrial e sindical da
Argentina, com foco no setor automotivo.
O trabalho industrial e a ação sindical vêm sofrendo importantes transformações nas
últimas décadas. A despeito do inaudito movimento grevista que levou à irrupção de grandes
mobilizações de atores sociais vinculados ao mundo do trabalho no Brasil no final dos anos
1970, passados mais de quarenta anos desse processo, ocorreu um arrefecimento da ação
operária e os sindicatos estão enfrentando, no período mais recente, uma crise de legitimação
sem precedentes. Os anos 1990 foram tempos difíceis para os trabalhadores no país. Houve
aumento dos processos de terceirização, bem como mudanças na geografia produtiva, com o
deslocamento das empresas para áreas menos sindicalizadas e, por isso mesmo, com menor
tradição de organização dos trabalhadores e salários mais baixos; tendo ocorrido ainda uma
reorganização na produção com o avanço das mudanças tecnológicas e organizacionais que
deixaram a produção mais enxuta.
Esse quadro resultou no crescimento da insegurança no mundo do trabalho, colocando
em xeque, por diferentes razões, a organização e mobilização dos trabalhadores. Em outras
palavras, novas fábricas, novas tecnologias, o aprofundamento das terceirizações, a
reespacialização da produção, a desnacionalização de setores industriais como as autopeças e a
privatização de empresas públicas foram mudanças que afetaram profundamente a classe
operária industrial. Apenas no período de 2003-2016 durante os governos do Partido dos
Trabalhadores , esse processo teve alguma reversão. Após esse breve intervalo, ocorreu uma
Iram Jácome RODRIGUES, Jacob Carlos LIMA e Aline Suelen PIRES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 3
mudança radical na relação do(s) governo(s) com os trabalhadores e seus organismos de
representação e, como resultado da Reforma Trabalhista de 2017, houve um enfraquecimento
ainda maior do poder sindical. Entre as consequências dessa reforma estão uma queda
acentuada da taxa de sindicalização nos últimos anos, cortes de recursos financeiros para os
sindicatos, mudanças nas regras da negociação coletiva, entre outros aspectos, cenário agravado
no contexto da pandemia de covid-19.
Em termos tecnológicos, as indústrias instaladas nos anos 1990 e nas décadas seguintes
se caracterizaram pelo uso decrescente da força de trabalho, reduzindo o número de empregos
sem, contudo, se destacarem em termos de inovação na comparação com suas matrizes no
exterior. Para os trabalhadores, a reorganização espacial e tecnológica representou redução
salarial e participação de novas gerações de trabalhadores mais escolarizados, mas sem
experiência de trabalho industrial e sem tradição de atividade sindical, além de fortemente
impregnados do ideário empreendedor. As novas tecnologias amparadas no trabalho digital e a
terceirização tornaram-se um dilema no que se refere à construção de uma identidade coletiva
entre esses trabalhadores. A fragmentação sindical representada pela dispersão geográfica das
novas unidades industriais diminuiu o ímpeto mobilizador dos sindicatos. Mesmo assim, no
caso do ABC paulista, os trabalhadores das montadoras automobilísticas e seu sindicato
continuam representando uma elite entre os trabalhadores fabris pela permanência de um
trabalho fordista, mesmo que em constante fragilização, verificando-se uma manutenção das
conquistas sindicais representadas e mantidas pelas Comissões Sindicais na Empresa (CSEs).
Em outras palavras, neste caso, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC conseguiu, a partir da
organização nos locais de trabalho, em um conjunto de empresas grandes e médias indústrias
e, em particular, nas três montadoras situadas no município de São Bernardo do Campo,
dirimir os efeitos mais perversos dessas mudanças.
O objetivo deste dossiê é recuperar esse processo e os desafios que ele representa em
termos das mudanças nos padrões tecnológicos das montadoras, sua permanência no país e suas
consequências para uma categoria de trabalhadores que se constituiu em importante ator
coletivo nas lutas sociais das últimas décadas. A partir desse cenário de mudanças, buscou-se
refletir sobre as perspectivas do trabalho industrial e o futuro do sindicalismo, investigando e
caracterizando o que seria uma nova condição operária decorrente das mudanças concretas
na cultura do trabalho, fortemente marcada por uma lógica individual e empreendedora, e o
enfraquecimento de uma perspectiva coletiva própria das lutas sociais.
Sob novas engrenagens: reconfigurações do trabalho industrial e da experiência operária no século XXI
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 4
Nos primeiros quatro artigos, este dossiê discute os resultados da pesquisa realizada no
ABC paulista, envolvendo trabalhadores e lideranças no âmbito do setor automotivo e do
sindicalismo metalúrgico. As temáticas abordadas nesses capítulos iniciais tratam dos seguintes
pontos: o perfil dos trabalhadores da indústria automotiva e o papel do sindicato na
conformação de uma identidade operária; as transformações geracionais e as mudanças na
cultura do trabalho desses trabalhadores; a liderança sindical suas trajetórias, percepções sobre
o mundo do trabalho - desafios e perspectivas; a formação política dos militantes e dirigentes
metalúrgicos como ação sindical estratégica.
No primeiro artigo, A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria
automotiva e o protagonismo sindical, Rodrigues e Lima apresentam um perfil dessa nova
classe operária destacando suas origens, faixa etária, escolaridade e envolvimento sindical. Fica
evidente que essa classe não é tão nova assim, com a maioria dos trabalhadores tendo acima
dos 35 anos e sendo altamente escolarizada. Observou-se que a perenidade da atividade sindical
faz com que eles se identifiquem como trabalhadores e tenham o sindicato como referência, o
qual, por sua vez, mantém permanente interlocução com os trabalhadores, apresentando uma
continuidade de atuação que demonstra o porquê do seu forte protagonismo mesmo num
contexto econômico insatisfatório.
Em seguida, Pires e Diéguez, no artigo Uma categoria em transformação: mudanças e
permanências entre gerações de metalúrgicos do ABC, tipificam quatro gerações de
trabalhadores a fundadora, a das greves, a da reestruturação produtiva e a 4.0 com
experiências distintas e diferentes trajetórias de socialização no trabalho. Destacam a geração
da reestruturação produtiva, privilegiada pela pesquisa, e suas tensões entre um fordismo
resistente e mudanças recentes na cultura do trabalho. O artigo conclui assinalando uma
reconfiguração contínua da condição operária e não uma ruptura geracional , marcada
pela heterogeneidade das experiências geracionais e por tensões entre individualização e ação
coletiva, ao mesmo tempo em que se observa a persistência da fábrica como referência de
inserção social em um contexto de precarização
Costa e Arruda, em A Formação Política como Ação Sindical Estratégica, analisam a
política de formação sindical do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacando seu papel
estratégico desde as greves históricas das décadas de 1970 e 1980. Eles apontam que a criação
do Departamento de Formação Sindical permitiu capacitar militantes e dirigentes, fortalecendo
a organização da categoria frente às ofensivas patronais e aos desafios políticos. Ao longo de
mais de quatro décadas, essa formação contribuiu para a negociação coletiva, a preservação de
Iram Jácome RODRIGUES, Jacob Carlos LIMA e Aline Suelen PIRES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 5
empregos e a adaptação às inovações tecnológicas. A questão proposta é como essa política
sustenta a renovação dos quadros sindicais e a capacidade de enfrentamento da entidade em
diferentes conjunturas.
Em Lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo: um perfil social e trajetórias de
formação da militância sindical, Martins e Melo discutem o perfil das lideranças metalúrgicas
organizadas pela Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores
(FEM-CUT) no estado de São Paulo com base em questionário aplicado na plenária da referida
instituição, que ocorreu em maio de 2025, no município de Itanhaém. Além disso, analisa-se as
trajetórias e as perspectivas para o movimento sindical de algumas lideranças do ABC paulista
com base em entrevistas em profundidade realizadas entre 2024 e 2025.
Os três artigos seguintes são derivados de outras pesquisas sobre o setor no Brasil e na
Argentina, e discorrem sobre os desafios do aumento da fragmentação e integração da produção
e a experiência da relação capital/trabalho.
Em Relações de trabalho e ação sindical em territórios greenfield: o caso da Stellantis
em Goiana (PE), Costa Lima e Barcellos discutem os desafios enfrentados pela ação sindical
diante das transformações espaciais e institucionais no setor automotivo brasileiro, tomando
como estudo de caso o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e
de Material Elétrico de Pernambuco (SINDMETAL-PE) na planta da Stellantis, localizada em
Goiana (PE). O Polo Automotivo Stellantis Goiana, inaugurado em 2015 como um projeto
greenfield, é representativo da reespacialização recente da indústria automotiva no Brasil. A
partir de entrevistas com diretores do SINDMETAL-PE, o estudo evidencia que a fábrica
considerada a mais moderna da Stellantis no mundo reproduz uma cultura organizacional
antissindical, característica observada em outras unidades globais da empresa, acirrando o
tensionamento nas relações entre sindicato e empresa.
Cató, Spinosa e Bosisio, em Trabajadores automotrices y sindicatos frente a las
políticas de desindustrialización del gobierno de Milei, a partir de projetos coletivos do
CONICET (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas) e da Universidade de
Buenos Aires, analisam o impacto das políticas de ajuste e desindustrialização do governo Milei
sobre o emprego, a qualidade do trabalho e as relações trabalhistas no setor automotivo
argentino, com foco no corredor Norte da Grande Buenos Aires, que concentra três grandes
empresas automobilísticas Ford, Volkswagen e Toyota. Essas três grandes montadoras e
fabricantes de autopeças multinacionais foram examinadas, considerando tanto a caracterização
estatística do setor quanto uma análise do espaço territorial e sua relação com o trabalho. Por
Sob novas engrenagens: reconfigurações do trabalho industrial e da experiência operária no século XXI
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 6
meio de entrevistas, as vozes de trabalhadores e sindicatos são coletadas para avaliar como
essas transformações afetaram as condições de trabalho e as estratégias sindicais.
Continuando a análise sobre a situação argentina, Drolas, Delfini, Tomasini e León, em
Digitalización de la producción y rupturas en las dinámicas laborales. Un estudio sobre el
sector autopartista de Rafaela, Provincia de Santa Fe, discutem os efeitos da transformação
digital na dinâmica do trabalho no setor de autopeças de Rafaela, província de Santa Fé.
Utilizando uma metodologia qualitativa baseada em entrevistas com representantes sindicais e
líderes do setor, o estudo buscou compreender como a digitalização associada à Indústria
4.0 remodelou a organização da produção, as condições de trabalho e as relações trabalhistas.
A pesquisa analisa a profundidade das mudanças tecnológicas dentro das empresas e suas
consequências para os sistemas de qualificação e estratégias de adaptação diante das novas
demandas de produção do setor automotivo.
Em Ensaio: tecnologia e trabalho, Salerno discute como os sistemas produtivos de
distribuição e comercialização de bens e pessoas estão sendo digitalizados. Para tanto, ele
caracteriza a transformação digital e suas perspectivas, em especial, o dilema de não adoção da
transformação digital por algumas empresas, dilema similar ao de não automatizar, não reduzir
estoques via esquemas do tipo just-in-time e assemelhados. A partir dessa caracterização,
discutem-se os impactos para o mundo do trabalho e para a ação coletiva, entendido aqui em
seu todo, incluindo os ditos autônomos, PJs e terceirizados, impactos estes que são projeções
idealizadas de uma situação social congelada frente à indeterminação do jogo político-social.
Finalizando o dossiê, temos a entrevista com Wellington Messias Damasceno, intitulada
Entre a fábrica e o futuro: a trajetória de uma liderança operária diante das mudanças no
trabalho e no sindicalismo, realizada pela equipe da pesquisa A condição operária revisitada.
No relato, o entrevistado, recém-eleito Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ao
discorrer sobre sua trajetória, oferece uma análise aprofundada das transformações no mundo
do trabalho e no sindicalismo contemporâneo. Aborda as mudanças estruturais na indústria
automotiva e os novos desafios da organização dos trabalhadores frente à precarização e à
Indústria 4.0, interlocução fundamental para pesquisas no campo do trabalho industrial, do setor
automotivo e do sindicalismo.
O presente dossiê, ancorado em pesquisas no âmbito do setor automotivo em diferentes
localidades, traz uma reflexão tanto sobre os desafios que estão postos para o futuro do trabalho
a partir das transformações na produção, na cultura do trabalho, no sentimento de pertencimento
das classes trabalhadoras quanto sobre as mudanças relacionadas à visão de mundo de amplos
Iram Jácome RODRIGUES, Jacob Carlos LIMA e Aline Suelen PIRES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 7
contingentes operários e o conjunto desse processo para o trabalho organizado e para a relação
capital/trabalho pois, os sindicatos são pulverizados, enquanto as empresas são globais e, se a
luta continua, parece estar mais difícil, nos termos de Salerno em seu artigo supracitado. Dito
de outro modo, essa dinâmica seria tão-somente expressão da relação entre homens e máquinas,
trabalhadores e empresas ou representaria um certo ethos das sociedades capitalistas
contemporâneas?
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação
Revisão, formatação, normalização e tradução
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 1
UNDER NEW GEARS: RECONFIGURATIONS OF INDUSTRIAL WORK AND THE
WORKERS EXPERIENCE IN THE 21ST CENTURY
SOB NOVAS ENGRENAGENS: RECONFIGURAÇÕES DO TRABALHO INDUSTRIAL
E DA EXPERIÊNCIA OPERÁRIA NO SÉCULO XXI
BAJO NUEVOS ENGRANAJES: RECONFIGURACIONES DEL TRABAJO
INDUSTRIAL Y DE LA EXPERIENCIA OBRERA EN EL SIGLO XXI
Iram Jácome RODRIGUES
1
e-mail: iramjro[email protected]
Jacob Carlos LIMA
2
e-mail: jacob[email protected]
Aline Suelen PIRES
3
e-mail: alinep[email protected]
How to reference this paper:
RODRIGUES, Iram Jácome; LIMA, Jacob Carlos; PIRES, Aline
Suelen. Under new gears: reconfigurations of industrial work and
the workers experience in the 21st century. Estudos de Sociologia,
Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718.
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326.
| Submitted: 14/05/2026
| Revisions required: 20/05/2026
| Approved: 16/06/2026
| Published: 27/07/2026
Editor:
Prof. Dr. Maria Chaves Jardim
1
University of São Paulo (USP), São Paulo São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the University of
São Paulo and retired Professor in the Department of Economics at USP. Research Productivity Fellow of the
Brazilian National Council for Scientific and Technological Development (CNPq). Senior Associate Professor
(Livre-Docente) in the Department of Sociology at USP.
2
Federal University of São Carlos (UFSCar), São Carlos São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the
University of São Paulo. Research Productivity Fellow of the Brazilian National Council for Scientific and
Technological Development (CNPq). Full Professor in the Department of Sociology at UFSCar.
3
Federal University of São Carlos (UFSCar), São Carlos São Paulo (SP) Brazil. Ph.D. in Sociology from the
Federal University of São Carlos (UFSCar). Research Productivity Fellow of the Brazilian National Council for
Scientific and Technological Development (CNPq). Faculty Member in the Department of Sociology and in the
Graduate Program in Sociology at UFSCar.
Under new gears: reconfigurations of industrial work and the workers experience in the 21st century
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 2
Presentation
The aim of this dossier is to examine contemporary forms of industrial labor and union
activity, seeking to reflect on recent transformations in the “working-class condition.” Its
starting point was the research project A condição operária revisitada: os trabalhadores da
indústria automotiva paulista no início do século XXI [The Working-Class Condition
Revisited: Workers in São Paulos Automotive Industry at the Beginning of the 21st Century]
funded by CNPq (Edital Universal 20212024), a study conducted primarily in collaboration
with the three automakers in São Bernardo do CampoMercedes-Benz, Scania, and
Volkswagenand involved administering more than 900 questionnaires and conducting
approximately forty interviews, in addition to field visits to the factories and the ABC
Metalworkers Union. However, in addition to presenting the results of this study, this dossier
also brings together contributions from other Brazilian researchers dedicated to the topic,
addressing the consequences of the industrys territorial reorganization and the digitization and
fragmentation of production in the automotive sector. Seeking to broaden the scope of these
reflections and establish comparative dialogues with Latin America, this dossier incorporates
discussions on recent transformations in Argentinas industrial and labor union landscape, with
a focus on the automotive sector.
Industrial labor and union activity have undergone significant changes in recent
decades. Despite the unprecedented strike movement that led to the emergence of large-scale
mobilizations of social actors linked to the world of work in Brazil in the late 1970s, more than
forty years into this process, labor activism has cooled down, and unions have recently been
facing an unprecedented crisis of legitimacy. The 1990s were difficult times for workers in the
country. There was an increase in outsourcing, as well as changes in the geography of
production, with companies relocating to areas with lower unionization rates and, consequently,
a weaker tradition of worker organization and lower wages; there was also a reorganization of
production driven by technological and organizational changes that made production more
“lean.”
This situation has led to growing insecurity in the world of work, underminingfor
various reasonsthe organization and mobilization of workers. In other words, new factories,
new technologies, the increasing use of outsourcing, the re-spatialization of production, the
denationalization of industrial sectors such as auto parts, and the privatization of public
companies were changes that profoundly affected the industrial working class. Only during the
20032016 periodunder the Workers Party governmentsdid this process see some
Iram Jácome RODRIGUES, Jacob Carlos LIMA and Aline Suelen PIRES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 3
reversal. After this brief interlude, there was a radical shift in the governments relationship
with workers and their representative bodies, and, as a result of the 2017 Labor Reform, union
power was further weakened. Among the consequences of this reform are a sharp decline in
union membership rates in recent years, cuts to financial resources for unions, and changes to
collective bargaining rules, among other factorsa situation exacerbated by the COVID-19
pandemic.
In technological terms, the industries established in the 1990s and in the following
decades were characterized by a declining reliance on the workforce, reducing the number of
jobs without, however, standing out in terms of innovation when compared to their parent
companies abroad. For workers, this spatial and technological reorganization meant lower
wages and the entry of new generations of workers who were better educated but lacked
industrial work experience and a tradition of union activity, and who were strongly imbued with
an entrepreneurial mindset. New technologies based on digital work and outsourcing became a
dilemma when it came to building a collective identity among these workers. The fragmentation
of the labor movement, reflected in the geographic dispersion of the new industrial facilities,
has diminished the unions ability to mobilize workers. Even so, in the case of the ABC region
of São Paulo, workers at the automakers and their union continue to represent an elite among
factory workers due to the persistence of Fordist-style workalbeit one that is constantly being
erodedwith union gains represented and maintained by the In-House Union Committees
(CSEs). In other words, in this case, the ABC Metalworkers Union managedthrough
workplace organization across a range of companiesincluding large and medium-sized
industriesin particular, at the three automakers located in the municipality of São Bernardo
do Campoto mitigate the most pernicious effects of these changes.
This dossier aims to examine this process and the challenges it poses in terms of changes
in automakers technological standards, their continued presence in the country, and the
consequences for a category of workers that has emerged as a key collective actor in the social
struggles of recent decades. Starting from this environment of change, we sought to reflect on
the prospects for industrial labor and the future of the labor movement, investigating and
characterizing what might be considered a “new” working-class condition resulting from
concrete changes in work cultureone strongly marked by an individualistic and
entrepreneurial mindsetand the weakening of the collective perspective characteristic of
social struggles.
Under new gears: reconfigurations of industrial work and the workers experience in the 21st century
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 4
In the first four articles, this dossier discusses the results of research conducted in the
ABC region of São Paulo, involving workers and leaders within the automotive sector and the
metalworkers union movement. The themes addressed in these initial chapters cover the
following points: the profile of automotive industry workers and the role of the union in shaping
a working-class identity; generational shifts and changes in the work culture of these workers;
union leadershipits trajectories and perceptions of the world of work, including challenges
and prospects; and the political education of metalworkers activists and leaders as a strategic
union action.
In the first article, A condição operária revisitada: os trabalhadores da indústria
automotiva e o protagonismo sindical,” Rodrigues and Lima present a profile of this new
working class, highlighting its origins, age group, educational background, and union
involvement. It is clear that this class is not all that new, with most workers being over 35 years
old and highly educated. It was observed that the continuity of union activity leads them to
identify as workers and view the union as a point of reference; the union, in turn, maintains
constant dialogue with the workers, demonstrating a continuity of action that explains the
reason for their strong leadership even in an unfavorable economic context.
Next, Pires and Diéguez, in the article “Uma categoria em transformação: mudanças e
permanências entre gerações de metalúrgicos do ABC,” identify four generations of workers—
the founding generation, the strike generation, the industrial restructuring generation, and the
“4.0” generation—each with distinct experiences and different trajectories of socialization in
the workplace. They highlight the generation of productive restructuringthe focus of the
studyand the tensions within it between a resilient Fordist model and recent changes in work
culture. The article concludes by pointing to a continuous reconfiguration of the working-class
conditionrather than a generational rupturemarked by the heterogeneity of generational
experiences and by tensions between individualization and collective action, while noting the
persistence of the factory as a reference point for social integration in a context of increasing
precariousness.
In A Formação Política como Ação Sindical Estratégica”, Costa and Arruda analyze
the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC [ABC Metalworkers Unions] political education
policy, highlighting its strategic role since the historic strikes of the 1970s and 1980s. They
point out that the creation of the Departamento de Formação Sindical [Department of Union
Education] made it possible to train activists and leaders, strengthening the organization of the
workforce in the face of employer offensives and political challenges. Over more than four
Iram Jácome RODRIGUES, Jacob Carlos LIMA and Aline Suelen PIRES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 5
decades, this training has contributed to collective bargaining, job preservation, and adaptation
to technological innovations. The question raised is how this policy supports the renewal of
union leadership and the organizations capacity to confront challenges in different contexts.
In Lideranças metalúrgicas no estado de São Paulo: um perfil social e trajetórias de
formação da militância sindicalMartins and Melo discuss the profile of metalworkers’ leaders
organized by the Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores
(FEM-CUT) [State Federation of Metalworkers of the Central Única dos Trabalhadores] in the
state of São Paulo, based on a questionnaire administered at the institutions plenary session,
which took place in May 2025 in the municipality of Itanhaém. In addition, the trajectories and
prospects for the labor movement among some leaders in the ABC region of São Paulo are
analyzed based on in-depth interviews conducted between 2024 and 2025.
The following three articles are derived from other studies on the sector in Brazil and
Argentina, and discuss the challenges posed by increasing fragmentation and integration of
production, as well as the dynamics of the capital-labor relationship.
In “Relações de trabalho e ação sindical em territórios greenfield: o caso da Stellantis
em Goiana (PE),” Costa Lima and Barcellos discuss the challenges faced by union action in
the face of spatial and institutional transformations in the Brazilian automotive sector, using the
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de
Pernambuco (SINDMETAL-PE) [Union of Workers in the Metalworking, Mechanical and
Electrical Materials Workers Union of Pernambuco] at the Stellantis plant located in Goiana
(PE) as a case study. The Stellantis Goiana Automotive Hub, inaugurated in 2015 as a
greenfield project, and is representative of the recent spatial restructuring of the automotive
industry in Brazil. Based on interviews with SINDMETAL-PE executives, the study shows that
the plantconsidered Stellantiss most modern facility worldwideperpetuates an anti-union
organizational culture, a characteristic observed at other global units of the company, thereby
exacerbating tensions in relations between the union and the company.
Cató, Spinosa, and Bosisio, in Trabajadores automotrices y sindicatos frente a las
políticas de desindustrialización del gobierno de Milei,” based on collaborative projects by
CONICET (National Council for Scientific and Technical Research) and the University of
Buenos Aires, analyze the impact of the Milei administrations austerity and deindustrialization
policies on employment, job quality, and labor relations in Argentinas automotive sector,
focusing on the Northern Corridor of Greater Buenos Aires, which is home to three major
automakersFord, Volkswagen, and Toyota. These three major multinational automakers and
Under new gears: reconfigurations of industrial work and the workers experience in the 21st century
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 6
auto parts manufacturers were examined, considering both the statistical profile of the sector
and an analysis of the territorial space and its relationship to labor. Through interviews, the
voices of workers and unions are gathered to assess how these transformations have affected
working conditions and union strategies.
Continuing the analysis of the situation in Argentina, Drolas, Delfini, Tomasini, and
León, in Digitalización de la producción y rupturas en las dinámicas laborales. Un estudio
sobre el sector autopartista de Rafaela, Provincia de Santa Fe,” discuss the effects of digital
transformation on labor dynamics in the auto parts sector in Rafaela, Santa Fe Province. Using
a qualitative methodology based on interviews with union representatives and industry leaders,
the study sought to understand how digitizationassociated with Industry 4.0has reshaped
the organization of production, working conditions, and labor relations. The research analyzes
the depth of technological changes within companies and their consequences for training
systems and adaptation strategies in the face of new production demands in the automotive
sector.
In Ensaio: tecnologia e trabalho,” Salerno discusses how production systems for the
distribution and marketing of goods and people are being digitized. To accomplish that goal, he
characterizes the digital transformation and its implications, particularly the dilemma faced by
some companies in not adopting digital transformationa dilemma similar to that of not
automating or not reducing inventories through just-in-time and similar schemes. Based on this
characterization, the author discusses the impacts on the world of work and on collective
actionunderstood here in its entirety, including so-called self-employed workers, sole
proprietors, and outsourced workersimpacts that are idealized projections of a social situation
“frozen in the face of the indeterminacy of the political-social game.”
To conclude this dossier, we present an interview with Wellington Messias Damasceno,
titled “Entre a fábrica e o futuro: a trajetória de uma liderança operária diante das mudanças
no trabalho e no sindicalismo,” conducted by the research team behind “The Working-Class
Condition Revisited.” In the interview, the interviewee—the newly elected President of the
ABC Metalworkers Uniondiscusses his career and offers an in-depth analysis of the
transformations in the world of work and in contemporary unionism. He addresses the structural
changes in the automotive industry and the new challenges facing worker organization in the
face of precarious employment and Industry 4.0a discussion that is fundamental for research
in the fields of industrial labor, the automotive sector, and trade unionism.
Iram Jácome RODRIGUES, Jacob Carlos LIMA and Aline Suelen PIRES
Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 31, n. esp. 1, e026002, 2026. e-ISSN: 1982-4718
DOI: 10.52780/res.v31iesp.1.21326 7
This dossier, grounded in research conducted within the automotive sector in various
locations, reflects both on the challenges facing the future of workarising from
transformations in production, work culture, and the working classes sense of belongingand
on the changes related to the worldview of large contingents of workers and the broader
implications of this process for organized labor and the capital-labor relationship, since, “unions
are fragmented, while companies are global, and although the struggle continues, it seems to be
getting harder,” as Salerno puts it in his aforementioned article. In other words, is this dynamic
merely an expression of the relationship between humans and machines, workers and
companies, or does it represent a certain ethos of contemporary capitalist societies?
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação
Proofreading, formatting, normalization and translation