“E O MUNDO VAI VER UMA FLOR BROTAR DO IMPOSSÍVEL CHÃO”: APRENDIZAGEM DE ALUNOS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE


“Y EL MUNDO VA A VER UNA FLOR BROTAR DEL IMPOSIBLE SUELO”: APRENDIZADO DE ALUMNOS EN SITUACION DE VULNERABILIDAD


“AND THE WORLD WILL SEE A FLOWER BLOOM FROM THE IMPOSSIBLE GROUND”: STUDENTS’ LEARNING IN A SITUATION OF VULNERABILITY


Sílvia de Fátima Pilegi RODRIGUES1 Marcilene Muniz Monteiro CONCEIÇÃO2


RESUMO: Este texto propõe uma reflexão sobre o impacto da pandemia desencadeada pelo coronavírus na aprendizagem de estudantes, principalmente da rede pública de ensino. Toma- se como ponto de partida a análise de dados coletados a partir do trabalho realizado com alunos atendidos no Projeto Acreditar, desenvolvido em uma escola da rede municipal de Rondonópolis, Mato Grosso, antes de 2020. Com a suspensão das aulas presenciais, os estudantes foram abruptamente afastados das escolas e passaram a depender da infraestrutura disponível em seus lares. É fato que, quanto mais pobre a família, mais precária tem sido a participação do aluno no ensino remoto emergencial. Some-se a isso o fato de que muitos pais e/ou responsáveis não têm escolaridade nem preparo suficientes para ajudar os estudantes na realização das atividades enviadas. Assim, busca-se analisar impactos da pandemia e ponderar sobre alternativas que oportunizem a aprendizagem de alunos em situação de vulnerabilidade.


PALAVRAS-CHAVE: Educação. Aprendizagem. Apoio educacional. Pandemia. Projeto Acreditar.


RESUMEN: Este texto propone una reflexión sobre el impacto de la pandemia desencadenada por el coronavirus en el aprendizaje de estudiantes, principalmente de la red pública de enseño. Se toma como punto de partida el análisis de datos recolectados a partir del trabajo realizado con alumnos atendidos en el Proyecto Acreditar, desarrollado en una escuela de la red municipal de Rondonópolis, Mato Grosso, antes de 2020. Con la suspensión de las clases presenciales, los estudiantes fueron abruptamente apartados de las escuelas y pasaron a depender de la infraestructura disponible en sus hogares. Es un hecho que, mientras más pobre la familia es, más precaria ha sido la participación del alumno en la enseñanza remoto de emergencia. Sumada esto, la realidad de que muchos padres y/o responsables no tienen escolaridad ni preparación suficientes para ayudar a los estudiantes en la realización de las actividades enviadas. Así, se busca analizar impactos de la pandemia y reflexionar sobre alternativas que den oportunidad al aprendizaje de alumnos en situación de vulnerabilidad.



1 Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Rondonópolis – MT – Brasil. Professora Associada do Instituto de Ciências Humanas e Sociais e do Programa de Pós-graduação em Educação. Doutorado em Educação: História, Política, Sociedade (PUC-SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0109-4593. E-mail: silvia.pilegi@ufr.edu.br

2 Secretaria Municipal de Educação (SEMED), Rondonópolis – MT – Brasil. Docente do Ensino Fundamental Anos Iniciais na Escola Municipal de Educação Básica Princesa Isabel. Mestrado em Educação (UFMT). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7386-3101. E-mail: marcymuniz@hotmail.com




PALABRAS CLAVE: Educación. Aprendizaje. Apoyo educacional. Pandemia. Proyecto Acreditar.


ABSTRACT: This text proposes a reflection on the impact of the pandemic triggered by the coronavirus in students’ learning process, mainly in the public school system. The starting point is the analysis of data collected from the work carried out with students assisted by the Project called Believe, developed in a municipal school in Rondonópolis, Mato Grosso, before 2020. With the suspension of classroom lessons, students were abruptly removed from schools and began to depend on the infrastructure available in their homes. It is a fact that, the poorer the family, the more precarious the student's participation in emergency remote education has been. Furthermore, many parents and/or guardians do not have enough formal schooling or preparation to help students carry out the activities sent teachers. Thus, we seek to analyze the impacts of the pandemic and consider alternatives that provide learning opportunities for students in a vulnerable situation.


KEYWORDS: Education. Learning. Educational support. Pandemic. Project Believe.


Introdução


Sonhar mais um sonho impossível Lutar quando é fácil ceder Vencer o inimigo invencível Negar quando a regra é vender


Sofrer a tortura implacável Romper a incabível prisão Voar num limite improvável Tocar o inacessível chão3


A reflexão proposta neste texto volta-se para a discussão dos impactos no campo educacional decorrentes da pandemia desencadeada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da doença COVID-19, mais particularmente sobre um grupo de alunos da rede municipal de Rondonópolis – MT.

Algumas pesquisas de larga escala estão sendo realizadas para avaliar e analisar esse impacto, como a desenvolvida pelo grupo Alfabetização em Rede (2020) e por Barberia, Cantarelli e Schmalz (2020). Contudo, como prenuncia a epígrafe acima, é necessário sonhar mais um (ou muitos outros) sonho impossível e continuar lutando, mesmo quando seria mais fácil ceder. Dessa forma, tomando como ponto de partida a análise de dados coletados a partir de um trabalho realizado com alunos atendidos pelo Projeto Acreditar, desenvolvido em uma


3 “Sonho impossível” é uma composição de Francisco Buarque de Hollanda, Mitch Leigh, Joseph Darion e Rui Alexandre Guerra Coelho Pereira. A canção foi composta em 1972, mas gravada e lançada em 1975, no disco “Chico Buarque e Maria Bethânia Ao Vivo”.




escola da rede municipal de Rondonópolis, no sudeste mato-grossense, antes de 2020, objetiva- se refletir sobre o impacto da pandemia desencadeada pelo coronavírus na aprendizagem de estudantes, principalmente da rede pública de ensino.

Este texto consiste em um relato de experiência que, embora tenha se deparado com variados obstáculos e dificuldades, lutou e – ainda que não tenha vencido o “o inimigo invencível” do analfabetismo e da exclusão social – obteve êxito no que se refere à promoção da aprendizagem com alguns estudantes que se encontravam em defasagem de conhecimento em relação ao ano escolar que estavam matriculados. Tal experiência também é pensada nesse contexto pandêmico que aprofundou as desigualdades, exclusões e marginalizações.

Assim, a partir de dados coletados no período de agosto a dezembro de 2017 e de abril a julho de 2018, especificamente com 4 crianças que integravam o Projeto Acreditar (que será detalhado em seção específica), são tecidas reflexões sobre sonhos e lutas daqueles que acreditam em flores brotando do impossível chão.


A educação no contexto da pandemia em Rondonópolis


É minha lei, é minha questão Virar esse mundo, cravar esse chão

Não me importa saber se é terrível demais Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz

(HOLLANDA et al., 1972)


Pandemia. Esse termo passou a ser recorrente em nosso vocabulário, ainda que não o compreendêssemos claramente. Para se ter uma ideia, colocando essa palavra no buscador Google®, em 0,51 segundos surgiram aproximadamente 396.000.000 de resultados (08/10/2021, às 8h40min).

Embora o termo não tenha sido criado em 2019, não há dúvidas de que ele atualmente está associado ao coronavírus, designado SARS-CoV-2, causador da doença COVID-19, que foi assim nomeada em referência ao tipo de vírus e ao ano de início da epidemia: Coronavirus disease - 2019. Com a propagação rápida desse vírus pelos continentes, no dia 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO – World Health Organization) declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.

Segundo dados da OMS, até 07/10/2021, “houve 236.132.082 de casos confirmados de COVID-19, incluindo 4.822.472 mortes, notificados à Organização. Desde 6 de outubro de




2021, um total de 6.262.445.422 de doses de vacina foram administradas”4. Esses dados demonstram o impacto da pandemia no mundo.

No Brasil, segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, cujo balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de saúde, até às 20h do dia 07/10/2021, o:


País contabiliza 599.865 óbitos e 21.532.210 casos de coronavírus desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Média móvel é de 438 vítimas diárias e voltou a apontar queda (G1, 07/10/2021 20h00)5


Diversas ações foram tomadas para conter e enfrentar a disseminação desse vírus pelo mundo. No Brasil, entre tropeços, atrasos e informações desencontradas, foi criado o Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES) do Ministério da Saúde, no dia 22 de janeiro de 2020, e elaborado o Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV) (BRASIL, 2020).

No estado de Mato Grosso, por meio do Decreto nº 416, de 20 de março de 2020, foi instituído o teletrabalho, a redução da jornada de trabalho e o revezamento nos órgãos públicos do estado, que também foi seguido pelos municípios. A partir desse documento, outros decretos e normativas foram instituídos mediante o avanço da doença e, em meados de 2021, sua paulatina redução nos óbitos e contaminação, somada à vacinação da população.

Nesse contexto, inicialmente as aulas foram imediatamente suspensas em toda a rede estadual, municipal e privada de Mato Grosso; mas essa última foi gradualmente instalando o ensino híbrido (aulas presenciais e remotas) a partir do segundo semestre de 2020 e iniciou o ano letivo de 2021 também com a oferta nessa modalidade. No que se refere ao atendimento escolar da rede pública, os municípios estabeleceram calendários e modalidades distintas, prevalecendo o remoto, enquanto na rede estadual mato-grossense foram retomadas as aulas na modalidade híbrida somente no dia 3 de agosto de 2021 e o retorno 100% presencial no dia 18 de outubro do mesmo ano6.

No que tange à cidade de Rondonópolis, também considerando a necessidade de isolamento social como medida de enfrentamento à pandemia do coronavírus, foi publicado o Decreto nº 9.407, de 17 março de 2020. Em seu Art. 9º, item III, determinou, em caráter


4 Disponível em: https://covid19.who.int/table. Acesso em: 08 out. 2021

5 Disponível em: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2021/10/07/brasil-se-aproxima-de-600-mil- mortes-por-covid-com-menor-media-movel-de-vitimas-em-quase-11-meses.ghtml. Acesso em: 08 out 2021.

6 Dados elaborados a partir de informações coletadas no site da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso. Acesso em: http://www3.seduc.mt.gov.br/-/18163383-mato-grosso-retoma-aulas-100-presenciais-momento-e-de- somar-forcas-pela-educacao- Acesso em: 08 out. 2021


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587



obrigatório, a “suspensão das atividades presenciais em Universidades, Faculdades, Escolas Profissionalizantes, Cursos Pré-vestibulares, Cursos Preparatórios em geral e Instituições que mantém cursos de formação e treinamento” (Rondonópolis, Decreto nº 9.407/2020).

Devido à pressão da iniciativa privada, de estudantes e familiares, dentre outros fatores, alterações nesse decreto ocorreram em maio daquele ano, mesmo com a propagação do vírus e o crescimento de óbitos, com precário atendimento hospitalar às vítimas da Covid-19, ainda pouco conhecida naquele momento. Dessa forma, o Art. 3º do Decreto nº 9.515, de 07 de maio de 2020, embora tenha mantido suspensas as aulas na maior parte das escolas da rede municipal, passou a autorizar “por prazo indeterminado, de forma controlada”, o funcionamento de diversas atividades, dentre as quais estão:


  1. aulas na rede municipal de ensino médio;

  2. aulas na rede privada de ensino médio;

  3. aulas nos cursos superiores públicos e privados;

  4. aulas nas escolas profissionalizantes, técnicas e de treinamentos, cursos pré-vestibulares e preparatórios em geral, somente para alunos a partir dos 15 (quinze) anos de idade (RONDONÓPOLIS, 2020).


É importante destacar que, durante o ano de 2020, vários decretos foram estabelecidos com avanços e recuos em relação ao recrudescimento e/ou afrouxamento das medidas de segurança sanitária, impactando, também, no atendimento escolar (notadamente privado, visto que foi o primeiro a estabelecer o ensino remoto e, depois, híbrido em Mato Grosso).

Com a suspensão das aulas na rede municipal de ensino de Rondonópolis, foi publicado no Diário Oficial Eletrônico (Diorondon-e) nº 4.705, do dia 26 de maio de 2020 (folhas 12 a 16), o “Programa de Atividades para Além da Escola” (RONDONÓPOLIS, 2020).

A metodologia de trabalho, conforme descrito no próprio Programa, previa somente a utilização de atividades impressas:


Às unidades escolares caberá a organização dos professores e estagiários para a elaboração das atividades, entrega aos pais e/ou responsáveis, recebimento, registro e correção das atividades, bem como sanar dúvidas que vierem a surgir em relação às atividades.

A Secretaria Municipal de Educação será responsável por orientar os profissionais das unidades escolares quanto à elaboração das atividades, acompanhar todo o processo, sanar possíveis dúvidas e providenciar os recursos necessários (RONDONÓPOLIS, 2020, p. 14)


Como é possível inferir – e o nome do programa também é esclarecedor – a proposta envolvia a realização de atividades impressas, sem aulas (presenciais e/ou remotas), explicação de conteúdo ou outra possibilidade de abordagem do conteúdo escolar.




De acordo com o cronograma constante no referido documento, no período de 27/05/2020 a 05/06/2020, as unidades escolares deveriam “elaborar a proposta de trabalho, bem como dedicar-se à elaboração das atividades” (Idem, p. 15), ao passo que a devolução das atividades para a unidade escolar por parte dos alunos, pais e/ou responsáveis ocorreria em cinco etapas, com início em 22/06/2020 e término em 14/08/2020.

Em 2021, o nome foi alterado para “Programa de Atividades Escolares da Rede Municipal de Ensino”, publicado no Diário Oficial Eletrônico (Diorondon-e) nº 4.880, de 11 de fevereiro de 2021 (RONDONÓPOLIS, 2021). Também aqui a prioridade é dada à entrega e recepção de atividades impressas, com cronograma estabelecendo as datas para esse fim, organizadas em quinzenas.

Com a implementação desse Programa, a continuidade do ano letivo se deu por meio de “apostilas” de atividades elaboradas pelos professores e retiradas pelos pais e/ou responsáveis dos alunos quinzenalmente. Em caso de dúvidas, as perguntas geralmente eram feitas aos professores, em seus números particulares de telefone celular, por meio do aplicativo WhatsApp®, geralmente em grupos de trocas de mensagens correspondentes às turmas dos estudantes ou grupos de pais, se fossem dos anos iniciais, e nos grupos das disciplinas, caso se tratasse dos anos finais do Ensino Fundamental.

Os professores respondiam às dúvidas por meio de áudios ou vídeos explicativos. Na próxima entrega, os pais/responsáveis devolviam as atividades respondidas e pegavam novo material, e assim ocorreu durante todo o ano letivo de 2020 até o mês de julho de 2021 pois, no retorno das férias de julho, no mês de agosto, as aulas retornaram de forma híbrida.

No Diário Oficial Eletrônico (Diorondon-e) nº 4.994, de 27 de julho de 2021, foi publicado o “Plano de Retorno às Aulas Presenciais”, contendo “Diretrizes Técnicas e Pedagógicas para o Plano de Retorno às Aulas Presenciais e as recomendações direcionadas aos Profissionais da Educação, Pais e/ou Responsáveis e Crianças/Estudantes da Rede Municipal de Ensino/RME” (RONDONÓPOLIS-MT, 2021, p. 10).

Ensino híbrido (do inglês blended learning) tem sido uma expressão utilizada nesse período pandêmico para denominar diferentes meios que não se dão propriamente (ou integralmente) no âmbito escolar. Embora a terminologia seja recorrente atualmente, ela não foi criada em 2020. Como explicam Michel Horn e Hearther Staker,


Ensino híbrido é qualquer programa educacional formal no qual um estudante aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino on-line, com algum elemento de controle dos estudantes sobre o tempo, o lugar, o caminho e/ou ritmo (HORN; STAKER, 2015. p. 34)




A despeito de no Brasil haver ampla experiência com ensino a distância, híbrido e outras modalidades para além da que se estruturou ao longo do tempo em nossa realidade, sistema educacional, cultura e legislação pertinente, elas se desenvolveram voltadas principalmente para o ensino superior e formação técnica/tecnológica. No que se refere à Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, foi notadamente com a pandemia que essa questão se instalou de forma emergente, urgente e improvisada.

Até mesmo alguns programas e recursos já existentes e não utilizados (ou usados por poucos) profissionais da educação passaram a fazer parte do cotidiano de planejamento e ensino. Para ilustrar essa afirmação, é possível mencionar alguns recursos do Google Apps, como o Google Classroom®, que é um sistema de gerenciamento de conteúdo para escolas lançado para o público em 2014, e o Google Meet®, que consiste em um serviço de comunicação por vídeo, iniciado em 2017. Em 2020 eles foram disponibilizados gratuitamente, embora com algumas restrições em relação aos “pacotes” pagos. Outras ferramentas foram utilizadas para gerenciar tarefas, planejar, criar conteúdos, estabelecer/manter algum canal de comunicação entre alunos e professores em tempo real (atividades síncronas) ou não (atividades assíncronas), dentre elas o WhatsApp®. Assim, principalmente esses recursos foram usados durante o ano de 2020 para a realização de “aulas remotas” para substituir as aulas presencias nas escolas devido à Pandemia de covid-19, juntamente com atividades impressas, visto que muitos estudantes não dispunham de recursos tecnológicos para participarem digitalmente.

No que se refere à rede municipal de Rondonópolis, o que foi praticado, em linhas gerais, foi uma semana estudando na sala de aula com o professor e alguns colegas e na outra em casa, respondendo uma “apostila” de atividades. Portanto, não houve ensino híbrido com interação por meio de plataformas digitais, já que muitos alunos não dispunham de internet em suas residências, muito menos de recursos tecnológicos para acessá-la. Somando-se a isso, alguns docentes do Ensino Fundamental só respondiam às dúvidas dos alunos por meio de áudios enviados pelo aplicativo WhatsApp, diferente da Educação Infantil, na qual os professores gravavam vídeos explicativos sobre os conteúdos abordados nos materiais.

É importante destacar que a precariedade, o improviso e obstáculos para o ensino remoto emergencial não foram fenômenos circunscritos à Rondonópolis. De modo geral, vê-se que o material impresso (frequentemente nomeado como apostila) esteve presente nesse processo, combinado também com a utilização de outras ferramentas. A pesquisa survey desenvolvida pelo coletivo ALFABETIZAÇÃO EM REDE, que somou 14.730 respondentes distribuídos por todas as regiões do país, ilustra essa afirmação.




Gráfico 1 – Ferramentas e plataformas usadas no ensino remoto


Fonte: Pesquisa Alfabetização em Rede (2020, p. 192)


Embora para um percentual expressivo da rede pública nacional a sala de aula tenha sido transferida para a tela do celular ou do computador,


Surpreendente, ainda, é o uso de recursos impressos como auxílio do ensino remoto (em muitos contextos, o ensino remoto está restrito ao envio de atividades impressas para as crianças realizarem em casa, sob a orientação de pais e/ou responsáveis), em torno de 55,89% [...]. O uso de materiais impressos pode se relacionar à própria tradição escolar, cujas práticas se alicerçam nesses suportes didáticos, mas também podem ser vinculados às desigualdades sociais que incidem sobre nossos estudantes, em grande parte excluídos das ferramentas tecnológicas e dos instrumentos socioculturais e cognitivos essenciais à participação nos processos remotos sincrônicos (EM REDE, 2020, p. 192)


Nesse contexto de mudanças e novas adaptações do ensino, os professores tiveram que, em tempo recorde, aprender a utilizar as ferramentas tecnológicas, comprar novos aparelhos celulares, computadores, ampliar o gasto com internet banda larga (onde foi possível) e energia elétrica em suas residências, dentre outros custos e investimentos para que pudessem gravar vídeos e áudios e enviá-los, assim como receber de seus alunos e arquivá-los.

Para contabilizar como dia letivo, a família ou responsável teve que ajudar a criança a realizar a atividade, gravar a realização da tarefa e enviar no grupo da sala/disciplina para confirmar que a atividade foi realizada pelo próprio estudante. Contudo, mesmo com tanta exigência, ainda houve apostilas que não foram respondidas pelos alunos e sim por outras pessoas. Ou seja, evidencia-se a precariedade do processo de ensino e de aprendizagem.





Projeto Acreditar e a aprendizagem dos alunos


E amanhã, se esse chão que eu beijei

For meu leito e perdão Vou saber que valeu delirar E morrer de paixão (HOLLANDA et al., 1972)


Com a necessidade de isolamento social, abruptamente as atividades foram interrompidas, projetos e programas foram suspensos ou cancelados. Um deles foi o Projeto Acreditar, que era desenvolvido na Escola Municipal de Educação Básica Princesa Isabel, em Rondonópolis – MT.

Essa escola se localiza na região periférica de Rondonópolis e recebe alunos de vários bairros da cidade e zona rural. Alguns desafios se colocam para essa unidade, pois frequentemente eles se mudam ou deixam de ir às aulas devido à mudança de emprego dos pais, dificuldade de transporte, atividades domésticas que precisam realizar, dentre outros fatores que contribuem para o aprofundamento da defasagem de aprendizagem em relação ao conteúdo da fase/ano em que estudam e o abandono escolar, comprometendo o próprio processo de alfabetização.

Foi com o olhar voltado para esses alunos, as dificuldades enfrentadas por eles para frequentar a escola, permanecer nela e aprender que, em 2012, foi criado o Projeto Acreditar. Sua proposta envolvia aulas diferenciadas no contraturno, a utilização de material concreto e atendimento em grupos pequenos, geralmente formado por quatro estudantes.

As aulas eram significativas, pois partiam de temas relacionados às suas vivências, elaboradas em forma de sequências de atividades, as quais eram planejadas levando em consideração as necessidades de cada grupo, que era formado a partir das etapas em que estavam.

No período de 2012 a 2018, muitos alunos foram atendidos no Projeto Acreditar e, em ritmos diferentes, progrediram em suas aprendizagens. No gráfico a seguir é retratado o avanço de um grupo que participou de uma pesquisa-intervenção. Os dados foram coletados entre 2017 e 2018, tendo como referência as hipóteses de escritas: pré-silábica, silábica sem valor sonoro convencional, silábica com valor sonoro convencional, silábico-alfabética e alfabética.




Gráfico 2 – Evolução dos colaboradores da pesquisa


Fonte: Conceição (2019, p. 145)


Esses alunos avançaram em suas aprendizagens impulsionados por um trabalho diferenciado ao que geralmente é proposto em sala de aula, com estratégias e atendimentos particularizados, utilização de livros de literatura infantil enviados pelo Ministério da Educação (MEC) por meio do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), jogos elaborados pelo Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL), além de atividades de recorte e colagem com temáticas das sequências de atividades desenvolvidas com eles.

Contudo, apesar da relevância do Projeto Acreditar para a aprendizagem dos alunos, ele foi finalizado e, em 2019, a equipe gestora elaborou outro, voltado para o uso de jogos pedagógicos pelos professores em sala de aula.

Em 2020, devido à pandemia, todas as atividades (Projeto Pais na escola, Projeto de apoio pedagógico, Projeto Atleta Cidadão, Projeto Criança Feliz) que eram desenvolvidas naquela escola foram suspensas para evitar a proliferação do vírus e cumprir as normas de saúde pública estabelecidas pela Secretaria Municipal de Saúde.

Essa pandemia trouxe inúmeros prejuízos físicos, materiais, sociais, emocionais para todos. Mas não há dúvidas de que os mais pobres foram e são os mais vulneráveis. Muitos trabalhadores e arrimos de família perderam seus empregos, saúde e até familiares. Nesse cenário, as crianças também foram prejudicadas. Se analisado somente pelo prisma da educação escolar, com o distanciamento social elas foram privadas do contato com colegas e professores (e das muitas aprendizagens que se dão no processo de interação). O ensino remoto foi reduzido





à entrega e devolutiva de materiais impressos, ou seja, a preocupação centrou-se no conteúdo a ser passado. A aprendizagem não se colocou nessa pauta. À propósito, até o termo é reducionista, pois é “ensino” remoto, sem a inclusão da outra face desse processo: a aprendizagem.

Pensando nas crianças em situação de vulnerabilidade, o problema se agrava, já que muitos pais e/ou responsáveis não estão alfabetizados para ajudar os(as) filhos(as) na realização das atividades enviadas. Além disso, para apoiar o processo de alfabetização no lar faz-se necessário no mínimo algum preparo para esse fim, recursos e condições adequadas.

Com o início do ensino híbrido no segundo semestre de 2021, foi possível observar o quanto esses alunos foram prejudicados. Eles se apresentam apáticos ao ensino e muitas vezes estão desmotivados, já que perceberam que, mesmo sem aprender os conteúdos necessários para a próxima fase/ano, irão passar para a seguinte.

Assim, infelizmente muitas crianças e adolescentes relatam que ficar em casa respondendo às apostilas é mais cômodo e fácil que ir para a escola. É lamentável e preocupante que alguns estudantes digam que só frequentam as aulas por causa da presença, porque se abandonarem a escola o Conselho Tutelar vai até seus lares e isso poderá trazer consequências aos pais ou responsáveis.

Somando a esse contexto, infelizmente também há professores que estão desanimados com a profissão, não se sentem capazes ou motivados para intervir de forma positiva e propositiva nessa situação.

Quanto ao poder público, além dos dados aqui demonstrados, verifica-se a inoperância para agir em um contexto adverso para prover docentes e discentes de condições básicas para o trabalho remoto, tais como equipamentos adequados, formação docente, preparo de pais e/ou responsáveis para apoiar a aprendizagem dos estudantes, dentre outras consequências das decisões e encaminhamentos nos âmbitos municipal, estadual e federal.




Considerações finais


E assim, seja lá como for Vai ter fim a infinita aflição E o mundo vai ver uma flor Brotar do impossível chão (HOLLANDA et al., 1972)


Com a pandemia do novo coronavírus e a necessidade do isolamento social, acentuaram- se ainda mais as desigualdades sociais, principalmente no que se refere à educação, uma vez que, com o fechamento das escolas e para dar continuidade ao ano letivo de 2020, que foi interrompido drasticamente para evitar a proliferação do vírus, o ensino passou a ser remoto. No caso da rede municipal de ensino de Rondonópolis, como dito anteriormente, adotou-se o sistema de “apostilas”.

Já nas escolas da rede estadual, as aulas remotas aconteceram de forma virtual, por meio de plataformas como Google Meet ou Classroom, aplicativos como o WhatsApp e, para aqueles alunos que não tinham acesso à internet, foram disponibilizados materiais impressos.

Nesse sentido, os professores foram obrigados a, em pouco tempo, aprender a trabalhar com ferramentas tecnológicas, adquirir materiais e disponibilizar recursos próprios para que o ano letivo tivesse continuidade.

Pode-se dizer que, em ambas as redes, os resultados não foram satisfatórios, pois a questão educacional não pode ser reduzida à não interrupção do ano letivo.

Dentre os impactos do longo tempo de distanciamento dos alunos em relação ao ambiente escolar, da falta de infraestrutura e precariedade do ensino remoto emergencial, observa-se que muitos estudantes não querem voltar para a escola, preferem ficar em casa respondendo as “apostilas” para terem mais tempo livre; também há aqueles que não estão interessados nos conteúdos escolares e não participam das aulas (mesmo tendo voltado a frequentar a escola), pois já constataram que não haverá reprovação.

Se o período pandêmico trouxe desafios e danos como os discutidos aqui, faz-se necessário e urgente voltar os cuidados para a aprendizagem e singularidades dos sujeitos – professores e alunos – para os próximos desafios. Dentre eles é possível destacar a motivação para ensinar e aprender (não só conteúdos escolares); colocar a escola em articulação com as redes que construiu, visto que criou canais de comunicação com as famílias e alunos, utilizou- se de mídias até então pouco exploradas no processo educacional, debateu-se sobre o protagonismo de docentes e discentes: tais conhecimentos e construções não podem se perder nem substituir o trabalho realizado e que tenha sido positivo. A questão é agregar e ressignificar, em diálogo permanente.



Assim, é preciso ter cuidado especial com o ensino dos alunos que não avançaram em suas aprendizagens, como também às suas necessidades socioemocionais e de todos os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, para que seja possível criar “[...] um ambiente educacional potencialmente motivador [...]” (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004, p. 145).

Talvez, para que o mundo veja uma flor brotar do impossível chão, seja necessário acreditar que todos podem e merecem aprender, resgatar a alegria na escola, na satisfação que a cultura deve e pode proporcionar aos alunos, como argumentou Snyders (1988). Nesse sentido, ações como o Projeto Acreditar podem se constituir como espaços de diálogo e aprendizagem, compreendendo os ritmos e necessidades individuais, mas dentro de um projeto coletivo de (re)construção de uma escola melhor e mais inclusiva pós-pandemia.


REFERÊNCIAS


BARBERIA, Lorena; CANTARELLI, Luiz; SCHMALZ, Pedro Henrique de Santana. Uma avaliação dos programas de educação pública remota dos estados e capitais brasileiros durante a pandemia do COVID-19. Disponível em http://fgvclear.org/site/wp- content/uploads/remote-learning-in-the-covid-19-pandemic-v-1-0-portuguese-diagramado- 1.pdf. Acesso 20/05/2021.


BRASIL. Ministério da Saúde. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE-nCoV). Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus 2019-nCoV. Versão eletrônica preliminar. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/07/plano- contingencia-coronavirus-preliminar.pdf Acesso em: 16 set. 2021.


CONCEIÇÃO, Marcilene Muniz Monteiro. Alfabetização a partir do trabalho com sequência didática: reflexões sobre o processo de aprendizagem de leitura e escrita. Dissertação (Mestrado em Educação) – Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Mato Grosso, Rondonópolis, 2019.


EM REDE, Alfabetização. Alfabetização em rede: uma investigação sobre o ensino remoto da alfabetização na pandemia COVID-19 – relatório técnico (parcial). Revista Brasileira de Alfabetização, n. 13, p. 185-201, 3 dez. 2020. Disponível em: https://revistaabalf.com.br/index.html/index.php/rabalf/article/view/465. Acesso em: 27 abr. 2021.


GUIMARÃES, Sueli Édi Rufini; BORUCHOVITCH, Evely. O estilo motivacional do professor e a motivação intrínseca dos estudantes: uma perspectiva da Teoria da Autodeterminação. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 17, n. 2, p. 143-150, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prc/a/DwSBb6xK4RknMzkf5qqpZ6Q/abstract/?lang=pt# Acesso em: 21 set. 2021.




HOLLANDA, Francisco Buarque et al. Sonho impossível. Disponível em: https://www.jobim.org/chico/handle/2010.2/2210?show=full. Acesso em: 29 set. 2021.


HORN, Michel; STAKER, Hearther. Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação. Porto Alegre: Penso, 2015.


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+Disp%C3%B5e+sobre+medidas+excepcionais%2C+de+car%C3%A1ter+tempor%C3%A1ri o%2C+para+a+preven%C3%A7%C3%A3o+dos+riscos+de+dissemina%C3%A7%C3%A3o. pdf/a57d4ad9-3ef7-3959-8352-534363a839f2 Acesso em: 16 set. 2021.


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Disponível em: http://www.rondonopolis.mt.gov.br/media/docs/edicoes/2021/February/584a044c-16e7-46de- ac78-7095009a3654.pdf Acesso em: 16 set. 2021.


SNYDERS, Georges. A alegria na escola. São Paulo: Manole, 1988.


Como referenciar este artigo


RODRIGUES, S. F. P.; CONCEIÇÃO, M. M. M. E o mundo vai ver uma flor brotar do impossível chão”: Aprendizagem de alunos em situação de vulnerabilidade. Revista Ibero- Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.1.16323


Submissão: 24/11/2021

Revisões requeridas: 19/02/2022 Aprovado em: 28/02/2022 Publicado em: 01/03/2022




“Y EL MUNDO VA A VER UNA FLOR BROTAR DEL IMPOSIBLE SUELO”: APRENDIZADO DE ALUMNOS EN SITUACION DE VULNERABILIDAD


“E O MUNDO VAI VER UMA FLOR BROTAR DO IMPOSSÍVEL CHÃO”:

APRENDIZAGEM DE ALUNOS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE


“AND THE WORLD WILL SEE A FLOWER BLOOM FROM THE IMPOSSIBLE

GROUND”: STUDENTS’ LEARNING IN A SITUATION OF VULNERABILITY


Sílvia de Fátima Pilegi RODRIGUES1 Marcilene Muniz Monteiro CONCEIÇÃO2


RESUMEN: Este texto propone una reflexión sobre el impacto de la pandemia desencadenada por el coronavirus en el aprendizaje de estudiantes, principalmente de la red pública de enseño. Se toma como punto de partida el análisis de datos recolectados a partir del trabajo realizado con alumnos atendidos en el Proyecto Acreditar, desarrollado en una escuela de la red municipal de Rondonópolis, Mato Grosso, antes de 2020. Con la suspensión de las clases presenciales, los estudiantes fueron abruptamente apartados de las escuelas y pasaron a depender de la infraestructura disponible en sus hogares. Es un hecho que, mientras más pobre la familia es, más precaria ha sido la participación del alumno en la enseñanza remoto de emergencia. Sumada esto, la realidad de que muchos padres y/o responsables no tienen escolaridad ni preparación suficientes para ayudar a los estudiantes en la realización de las actividades enviadas. Así, se busca analizar impactos de la pandemia y reflexionar sobre alternativas que den oportunidad al aprendizaje de alumnos en situación de vulnerabilidad.


PALABRAS CLAVE: Educación. Aprendizaje. Apoyo educacional. Pandemia. Proyecto Acreditar.


RESUMO: Este texto propõe uma reflexão sobre o impacto da pandemia desencadeada pelo coronavírus na aprendizagem de estudantes, principalmente da rede pública de ensino. Toma- se como ponto de partida a análise de dados coletados a partir do trabalho realizado com alunos atendidos no Projeto Acreditar, desenvolvido em uma escola da rede municipal de Rondonópolis, Mato Grosso, antes de 2020. Com a suspensão das aulas presenciais, os estudantes foram abruptamente afastados das escolas e passaram a depender da infraestrutura disponível em seus lares. É fato que, quanto mais pobre a família, mais precária tem sido a participação do aluno no ensino remoto emergencial. Some-se a isso o fato de que muitos pais e/ou responsáveis não têm escolaridade nem preparo suficientes para ajudar os estudantes na


1 Universidad Federal de Rondonópolis (UFR), Rondonópolis – MT – Brasil. Profesora Asociada en el Instituto de Ciencias Humanas y Sociales y en el Programa de Posgrado en Educación. Doctorado en Educación: Historia, Política, Sociedad (PUC-SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0109-4593. Correo electrónico: silvia.pilegi@ufr.edu.br

2 Departamento Municipal de Educación (SEMED), Rondonópolis – MT – Brasil. Maestra de Primaria de Primeros Años en la Escuela Municipal de Educación Básica Princesa Isabel. Maestría en Educación (UFMT). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7386-3101. Correo electrónico: marcymuniz@hotmail.com




realização das atividades enviadas. Assim, busca-se analisar impactos da pandemia e ponderar sobre alternativas que oportunizem a aprendizagem de alunos em situação de vulnerabilidade.


PALAVRAS-CHAVE: Educação. Aprendizagem. Apoio educacional. Pandemia. Projeto Acreditar.


ABSTRACT: This text proposes a reflection on the impact of the pandemic triggered by the coronavirus in students’ learning process, mainly in the public school system. The starting point is the analysis of data collected from the work carried out with students assisted by the Project called Believe, developed in a municipal school in Rondonópolis, Mato Grosso, before 2020. With the suspension of classroom lessons, students were abruptly removed from schools and began to depend on the infrastructure available in their homes. It is a fact that, the poorer the family, the more precarious the student's participation in emergency remote education has been. Furthermore, many parents and/or guardians do not have enough formal schooling or preparation to help students carry out the activities sent teachers. Thus, we seek to analyze the impacts of the pandemic and consider alternatives that provide learning opportunities for students in a vulnerable situation.


KEYWORDS: Education. Learning. Educational support. Pandemic. Project Believe.


Introdução


Soñar con otro sueño imposible Lucha cuando es fácil ceder Vence al enemigo invencible Negar cuando la regla es vender


Sufrir torturas implacables Romper la prisión inconcebible Volar a un límite poco probable Toca el piso inaccesible3


La reflexión propuesta en este texto se centra en la discusión de los impactos en el ámbito educativo derivados de la pandemia desencadenada por el coronavirus (SARS-CoV-2), causante de la enfermedad COVID-19, más concretamente en un grupo de estudiantes de la red municipal de Rondonópolis - MT.

Se están llevando a cabo algunas investigaciones a gran escala para evaluar y analizar este impacto, como la desarrollada por el grupo Network Literacy (2020) y por Barberia, Cantarelli e Schmalz (2020). Sin embargo, como predice el epígrafe anterior, es necesario soñar un sueño imposible más (o muchos otros) y seguir luchando, incluso cuando sería más fácil


3 "Sonho impossível" es una composición de Francisco Buarque de Hollanda, Mitch Leigh, Joseph Darion y Rui Alexandre Guerra Coelho Pereira. La canción fue compuesta en 1972, pero grabada y lanzada en 1975 en el álbum "Chico Buarque and Maria Bethânia Ao Vivo".


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, marzo 2022. e-ISSN: 1982-5587



ceder. Así, tomando como punto de partida el análisis de los datos recogidos de un trabajo realizado con alumnos asistidos por el Proyecto Acreditar, desarrollado en un colegio de la red municipal de Rondonópolis, en el sureste de Mato Grosso, antes de 2020, el objetivo es reflexionar sobre el impacto de la pandemia desencadenada por el coronavirus en el aprendizaje de los alumnos, especialmente en el sistema de colegios públicos.

Este texto consiste en un relato de experiencias que, aunque se enfrentaron a diversos obstáculos y dificultades, lucharon y, aunque no superaron al "enemigo invencible" del analfabetismo y la exclusión social, lograron promover el aprendizaje con algunos estudiantes que estaban en un rezago de conocimientos en relación con el año escolar en el que estaban matriculados. Esta experiencia también se piensa en este contexto de pandemia que profundizó las desigualdades, exclusiones y marginaciones.

Así, a partir de datos recogidos de agosto a diciembre de 2017 y de abril a julio de 2018, concretamente con 4 niños que formaron parte del Proyecto Acreditar (que se detallará en un apartado específico), se tejen reflexiones sobre sueños y luchas de quienes creen en las flores brotando del suelo imposible.


La educación en el contexto de la pandemia en Rondonópolis


Es mi ley, es mi pregunta Gira este mundo, clava este piso

No me importa si es demasiado terrible

¿Cuántas guerras tendré que ganar por un poco de paz?

(HOLLANDA et al., 1972)


Pandemia. Este término se volvió recurrente en nuestro vocabulario, aunque no lo entendiéramos con claridad. Para hacerse una idea poniendo esa palabra en el buscador Google®, en 0,51 segundos aparecieron aproximadamente 396.000.000 de resultados (08/10/2021 a las 8:40 a.m.).

Aunque el término no se creó en 2019, no hay duda de que actualmente está asociado con el coronavirus, llamado SARS-CoV-2, que causó la enfermedad COVID-19, que recibió el nombre del tipo de virus y el año del comienzo de la epidemia: Enfermedad por coronavirus - 2019. Con la rápida propagación de este virus por los continentes, el 30 de enero de 2020, la Organización Mundial de la Salud (OMS) declaró una Emergencia de Salud Pública de importancia internacional.

Según datos de la OMS, hasta el 10/07/2021, "había 236.132.082 casos confirmados de COVID-19, incluidas 4.822.472 muertes reportadas a la Organización. Al 6 de octubre de 2021,




se han administrado un total de 6,262,445,422 dosis de vacuna”4. Estos datos demuestran el impacto de la pandemia en el mundo.

En Brasil, según una encuesta del consorcio de vehículos de prensa sobre la situación de la pandemia de coronavirus en Brasil, cuyo balance se realiza a partir de datos de los departamentos de salud estatales, hasta las 8 pm del 10/07/2021, el:


El país ha contabilizado 599.865 muertes y 21.532.210 casos de coronavirus desde el inicio de la pandemia, según un balance del consorcio de vehículos de medios con datos de los Departamentos de Salud. La media móvil es de 438 víctimas diarias y de nuevo punto de caída (G1, 07/10/2021 20h00)5


Se han tomado varias medidas para contener y abordar la propagación de este virus en todo el mundo. En Brasil, en medio de tropiezos, retrasos y desinformación, el 22 de enero de 2020 se creó el Centro de Operaciones de Emergencia en Salud (COES) del Ministerio de Salud, y el Nuevo Coronavirus (2019-nCoV) (BRASIL, 2020) preparó el Plan Nacional de Contingencia para la Infección Humana.

En el estado de Mato Grosso, a través del Decreto No. 416 del 20 de marzo de 2020, se instituyó el teletrabajo, la reducción de jornada laboral y el relevo en los organismos públicos del estado, que también fue seguido por los municipios. A partir de este documento, se instituyeron otros decretos y reglamentos a través del avance de la enfermedad y, a mediados de 2021, su reducción gradual de muertes y contaminación, sumado a la vacunación de la población.

En este contexto, inicialmente se suspendieron inmediatamente las clases en toda la red estatal, municipal y privada de Mato Grosso; pero este último fue instalando paulatinamente la docencia híbrida (presenciales y a distancia) a partir del segundo semestre de 2020 e inició el curso escolar 2021 también con la oferta en esta modalidad. Con respecto a la asistencia a la escuela pública, los municipios establecieron distintos calendarios y modalidades, prevaleciendo la remota, mientras que en la red estatal las clases de mato-grossense se retomaron en modalidad híbrida solo el 3 de agosto de 2021 y el regreso 100% presencial el 18 de octubre del mismo año6.

Respecto a la ciudad de Rondonópolis, considerando también la necesidad del aislamiento social como medida para hacer frente a la pandemia del coronavirus, se publicó el


4 Disponible en: https://covid19.who.int/table. Acceso: 08 oct. 2021

5 Disponible en: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2021/10/07/brasil-se-aproxima-de-600-mil- mortes-por-covid-com-menor-media-movel-de-vitimas-em-quase-11-meses.ghtml. Acceso: 08 Oct 2021.

6 Datos preparados a partir de la información recopilada en el sitio web del Departamento de Educación del Estado de Mato Grosso. Acceso en: http://www3.seduc.mt.gov.br/-/18163383-mato-grosso-retoma-aulas-100- presenciais-momento-e-de-somar-forcas-pela-educacao- Acceso en: 08 oct. 2021


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, marzo 2022. e-ISSN: 1982-5587



Decreto N° 9.407 del 17 de marzo de 2020. En su artículo 9, inciso III, determinó, en nivel obligatorio, la "suspensión de actividades presenciales en Universidades, Colegios, Escuelas Vocacionales, Cursos Pre-vestibulares, Cursos Preparatorios en general e Instituciones que realizan cursos de capacitación y capacitación" (Rondonópolis, Decreto N° 9.407/2020).

Debido a la presión del sector privado, estudiantes y familiares, entre otros factores, los cambios en este decreto ocurrieron en mayo de ese año, incluso con la propagación del virus y el crecimiento de las muertes, con una atención hospitalaria precaria para las víctimas del Covid-19, aún poco conocida en ese momento. Así, el art. 3 del Decreto N° 9.515, del 7 de mayo de 2020, aunque mantuvo suspendidas las clases en la mayoría de los colegios de la red municipal, comenzó a autorizar "por tiempo indefinido, de manera controlada", el funcionamiento de varias actividades, entre las que se encuentran:


  1. clases en la red municipal de liceos;

  2. clases en la red de escuelas secundarias privadas;

  3. clases en cursos de educación superior públicos y privados;

  4. clases en escuelas vocacionales, técnicas y formación, cursos pre- vestibulares y preparatorios en general, solo para estudiantes a partir de 15 (quince) años de edad (RONDONÓPOLIS, 2020).


Es importante destacar que, durante el año 2020, se establecieron varios decretos con avances y retrocesos en relación al resurgimiento y/o aflojamiento de las medidas de seguridad sanitaria, impactando también en la asistencia escolar (noblemente privada, ya que fue la primera en establecer la educación a distancia y luego híbrida en Mato Grosso).

Con la suspensión de clases en la red escolar municipal de Rondonópolis, se publicó el "Programa de Actividades Más Allá de la Escuela" (RONDONÓPOLIS, 2020) en el Boletín Oficial Electrónico (Diorondon-e) no. 4,705.

La metodología de trabajo, tal como se describe en el propio Programa, se prevé únicamente para el uso de actividades impresas:


Las unidades escolares se encargarán de la organización de los profesores y aprendices para la preparación de actividades, entrega a padres y/o tutores, recepción, inscripción y corrección de actividades, así como para resolver dudas que puedan surgir en relación con las actividades.

El Departamento Municipal de Educación será el encargado de orientar a los profesionales de las unidades escolares en cuanto a la preparación de actividades, seguimiento de todo el proceso, lectura de posibles dudas y aportación de los recursos necesarios (RONDONÓPOLIS, 2020, p. 14)


Como es posible inferir -y el nombre del programa también es esclarecedor- la propuesta implicaba la realización de actividades impresas, sin clases (presenciales y/o remotas), explicación de contenidos u otra posibilidad de abordar contenidos escolares.



De acuerdo con el cronograma establecido en este documento, en el período comprendido entre el 27/05/2020 y el 05/06/2020, las unidades escolares deberán "preparar la propuesta de trabajo, así como dedicarse a la preparación de actividades" (Idem, p. 15), mientras que el regreso de las actividades a la unidad escolar por parte de estudiantes, padres y/o tutores se llevaría a cabo en cinco etapas, comenzando el 22/06/2020 y finalizando el 14/08/2020.

En 2021, el nombre fue cambiado a "Programa de Actividades Escolares Municipales", publicado en el Boletín Oficial Electrónico (Diorondon-e) no. 4,880, del 11 de febrero de 2021 (RONDONÓPOLIS, 2021). Aquí también se da prioridad a la entrega y recepción de actividades impresas, con un cronograma que fija las fechas para este fin, organizadas quincenalmente.

Con la implementación de este Programa, la continuidad del año escolar se llevó a cabo a través de "folletos" de actividades elaboradas por los maestros y retiradas por los padres y/o tutores de los estudiantes quincenalmente. En caso de duda, se solían hacer preguntas a los profesores, en sus números de celular privados, a través de la aplicación WhatsApp®, generalmente en grupos de intercambio de mensajes correspondientes a las clases de alumnos o grupos de padres, si eran de los primeros años, y en los grupos de las disciplinas, si eran los últimos años de primaria.

Los maestros respondieron preguntas a través de audios o videos explicativos. En la siguiente entrega, los padres/tutores devolvieron las actividades contestadas y se llevaron material nuevo, y así ocurrió durante todo el curso escolar 2020 hasta el mes de julio de 2021 porque, al regreso de las vacaciones de julio, en agosto, las clases regresaron de forma híbrida. En el Diario Oficial Electrónico (Diorondon-e) N° 4.994, del 27 de julio de 2021, se publicó el "Plan de Retorno a clases presenciales", que contiene "Lineamientos Técnicos y Pedagógicos para el Plan de Retorno a clases presenciales y recomendaciones dirigidas a Profesionales de la Educación, Padres y/o Tutores e Hijos/Estudiantes de la Red Educativa

Municipal/RME" (RONDONÓPOLIS-MT, 2021, p. 10).

Enseñanza híbrida (del inglés blended learning) ha sido una expresión utilizada en este periodo pandémico para nombrar diferentes medios que no tienen lugar de forma adecuada (o total) en el ámbito escolar. Aunque la terminología es actualmente recurrente, no se creó en 2020. Como explican Michel Horn y Hearther Staker,


La enseñanza híbrida es cualquier programa educativo formal en el que un estudiante aprende, al menos en parte, a través de la enseñanza en línea, con algún elemento de control del estudiante sobre el tiempo, el lugar, el camino y / o el ritmo (HORN; STAKER, 2015. pág. 34)




A pesar de que en Brasil existe una amplia experiencia con el aprendizaje a distancia, híbrido y otras modalidades más allá de lo que se ha estructurado a lo largo del tiempo en nuestra realidad, sistema educativo, cultura y legislación pertinente, se desarrollaron principalmente enfocados en la educación superior y la formación técnica / tecnológica. Con respecto a la Educación Infantil y los primeros años de la escuela primaria, se notificó con la pandemia que este tema se instaló de manera emergente, urgente e improvisada.

Incluso algunos programas y recursos existentes y no utilizados (o utilizados por unos pocos) profesionales de la educación se convirtieron en parte de la planificación y la enseñanza diarias. Para ilustrar esta afirmación, puedes mencionar algunas características de Google Apps, como Google Classroom®, que es un sistema de gestión de contenidos para escuelas lanzado al público en 2014, y el Google Meet®, que consiste en un servicio de comunicación por video, iniciado en 2017. En 2020 se pusieron a disposición de forma gratuita, aunque con algunas restricciones en los "paquetes" de pago. Se utilizaron otras herramientas para gestionar tareas, planificar, crear contenidos, establecer/mantener algún canal de comunicación entre alumnos y profesores en tiempo real (actividades síncronas) o no (actividades asincrónicas), incluido WhatsApp®. Así, principalmente estos recursos fueron utilizados durante el año 2020 para realizar "clases a distancia" para reemplazar las clases a las que se asiste en las escuelas debido a la pandemia de covid-19, junto con actividades impresas, ya que muchos estudiantes no contaban con los recursos tecnológicos para participar digitalmente.

Con respecto a la red municipal de Rondonópolis, lo que se practicó, en términos generales, fue una semana estudiando en el aula con el profesor y algunos compañeros y en el otro en casa, respondiendo a un "folleto" de actividades. Por lo tanto, no hubo una enseñanza híbrida con interacción a través de plataformas digitales, ya que muchos estudiantes no tenían internet en sus hogares, mucho menos recursos tecnológicos para acceder a él. Además, algunos maestros de primaria solo respondieron a las preguntas de los estudiantes a través de audios enviados por la aplicación WhatsApp, diferente de Educación Infantil, en la que los maestros grabaron videos explicativos sobre los contenidos cubiertos en los materiales.

Es importante destacar que la precariedad, la improvisación y los obstáculos a la enseñanza remota de emergencia no eran fenómenos circunscritos a Rondonópolis. En general, se puede ver que el material impreso (a menudo denominado folleto) estaba presente en este proceso, combinado también con el uso de otras herramientas. La búsqueda survey desarrollado por el colectivo ALFABETIZACIÓN EN RED, que totalizaron 14.730 encuestados distribuidos por todo el país, ilustra esta afirmación.




Gráfico 1 - Herramientas y plataformas utilizadas en la educación remota


Fuente: Encuesta de alfabetización en red (2020, p. 192)


Aunque para un porcentaje significativo de la red pública nacional, el aula se ha trasladado a la pantalla del móvil o del ordenador,


Sorprendente, aún, es el uso de recursos impresos como ayuda de la educación a distancia (en muchos contextos, la educación a distancia se limita al envío de actividades impresas para que los niños las realicen en casa, bajo la guía de padres y/ o tutores), alrededor del 55,89% [...]. El uso de materiales impresos puede relacionarse con la propia tradición escolar, cuyas prácticas se basan en estos soportes didácticos, pero también puede vincularse a las desigualdades sociales que afectan a nuestros estudiantes, en gran medida excluidos de las herramientas tecnológicas y los instrumentos socioculturales y cognitivos esenciales para la participación en procesos remotos sincrónicos (REDE, 2020, p. 192)


En este contexto de cambios y nuevas adaptaciones de la enseñanza, los docentes tuvieron que, en tiempo récord, aprender a utilizar herramientas tecnológicas, comprar nuevos dispositivos móviles, computadoras, aumentar el gasto en internet de banda ancha (cuando sea posible) y electricidad en sus hogares, entre otros costos e inversiones para que pudieran grabar videos y audios y enviarlos, así como recibir de sus alumnos y archivarlos.

Para contar como día escolar, la familia o tutor tenía que ayudar al niño a realizar la actividad, registrar el desempeño de la tarea y enviar al grupo de la sala/disciplina para confirmar que la actividad fue realizada por el propio alumno. Sin embargo, incluso con tanta




demanda, todavía había folletos que no fueron respondidos por los estudiantes, sino por otras personas. En otras palabras, la precariedad del proceso de enseñanza y aprendizaje es evidente.


Proyecto Creer y el aprendizaje de los estudiantes


Y mañana, si ese piso me besaba

Por mi cama y perdón Sabré que valió la pena delirar

Y morir de pasión (HOLLANDA et al., 1972)


Con la necesidad de aislamiento social, las actividades se interrumpieron abruptamente, los proyectos y programas se suspendieron o cancelaron. Uno de ellos fue el Proyecto Acreditar, que se desarrolló en la Escuela Municipal de Educación Básica Princesa Isabel, en Rondonópolis - MT.

Esta escuela está ubicada en la región periférica de Rondonópolis y acoge a estudiantes de diversos barrios de la ciudad y zona rural. Algunos desafíos surgen para esta unidad, debido a que a menudo se mudan o no asisten a clases debido al cambio de empleo de los padres, dificultad en el transporte, actividades domésticas que deben realizarse, entre otros factores que contribuyen a la profundización de la brecha de aprendizaje en relación con el contenido de la fase / año en el que estudian y la deserción escolar, comprometiendo el propio proceso de alfabetización.

Fue con los ojos de estos estudiantes, las dificultades que enfrentaron para asistir a la escuela, permanecer en ella y aprender que, en 2012, se creó el Proyecto Acreditar. Su propuesta implicaba clases diferenciadas en el turno, el uso de material concreto y cuidados en grupos reducidos, generalmente formados por cuatro alumnos.

Las clases fueron significativas, pues partieron de temas relacionados con sus experiencias, elaborados en forma de secuencias de actividades, que se planificaron teniendo en cuenta las necesidades de cada grupo, que se formó a partir de las etapas en las que se encontraban.

En el período de 2012 a 2018, muchos estudiantes fueron atendidos en el Proyecto Acreditar y, a diferentes ritmos, progresaron en su aprendizaje. El siguiente gráfico muestra el progreso de un grupo que participó en una investigación de intervención. Los datos fueron recolectados entre 2017 y 2018, tomando como referencia las hipótesis de los escritos: presilábico, silábico sin valor sonoro convencional, silábico con valor sonoro convencional, valor sonoro silábico-alfabético y alfabético.




Gráfico 2 - Evolución de los colaboradores de investigación


Fonte: Conceição (2019, p. 145)


Estos estudiantes avanzaron en su aprendizaje impulsados por un trabajo diferenciado de lo que se suele proponer en el aula, con estrategias y cuidados individualizados, uso de libros de literatura infantil enviados por el Ministerio de Educación (MEC) a través del Pacto Nacional por la Alfabetización en la Edad Adecuada (PNAIC), juegos preparados por el Centro de Estudios en Educación y Lenguaje (CEEL), además de actividades de recorte y collage con temas de las secuencias de actividades desarrolladas con ellos.

Sin embargo, a pesar de la relevancia del Proyecto Acreditar para el aprendizaje de los estudiantes, se finalizó y, en 2019, el equipo directivo desarrolló otro, dirigido al uso de juegos pedagógicos por parte de los profesores en el aula.

En 2020, debido a la pandemia, se suspendieron todas las actividades (Proyecto Padres en la escuela, Proyecto de Apoyo Pedagógico, Proyecto Atleta Ciudadano, Proyecto Niño Feliz) que se desarrollaron en esa escuela para prevenir la proliferación del virus y cumplir con los estándares de salud pública establecidos por el Departamento de Salud Municipal.

Esta pandemia ha traído innumerables daños físicos, materiales, sociales y emocionales a todos. Pero no hay duda de que los más pobres fueron y son los más vulnerables. Muchos trabajadores y trabajadores familiares han perdido sus empleos, su salud e incluso sus familiares. Nesse cenário, as crianças também foram prejudicadas. Si se analizan solo a través del prisma de la educación escolar, con el distanciamiento social se vieron privados del contacto con colegas y maestros (y de los muchos aprendizajes que tienen lugar en el proceso de




interacción). La enseñanza a distancia se redujo a la entrega y devolución de materiales impresos, es decir, la preocupación se centró en el contenido a aprobar. El aprendizaje no ha estado en la agenda. Por cierto, incluso el término es reduccionista, porque es "enseñanza" remota sin la inclusión del otro lado de este proceso: el aprendizaje.

Pensando en los niños en situación de vulnerabilidad, el problema se agrava, ya que muchos padres y/o tutores no están alfabetizados para ayudar a los niños en la realización de las actividades enviadas. Además, para apoyar el proceso de alfabetización en el hogar es necesario al menos cierta preparación para este propósito, recursos y condiciones adecuadas.

Con el inicio de la educación híbrida en el segundo semestre de 2021, se pudo observar cuánto se vieron perjudicados estos estudiantes. Son apáticos a la enseñanza y a menudo no están motivados, ya que se dieron cuenta de que, incluso sin aprender los contenidos necesarios para la siguiente fase / año, pasarán a la siguiente.

Así que desafortunadamente muchos niños y adolescentes informan que quedarse en casa respondiendo a los folletos es más cómodo y fácil que ir a la escuela. Es lamentable y preocupante que algunos alumnos digan que solo asisten a clases por su presencia, pues si abandonan el colegio el Consejo de Tutela va a sus casas y esto podría tener consecuencias para los padres o tutores.

Sumando a este contexto, desafortunadamente también hay maestros que están desanimados por la profesión, no se sienten capaces o motivados para intervenir positiva y propositivamente en esta situación.

En cuanto al poder público, además de los datos aquí mostrados, existe inoperancia para actuar en un contexto adverso para brindar a docentes y estudiantes condiciones básicas para el trabajo remoto, tales como equipamiento adecuado, capacitación docente, preparación de padres y/o tutores para apoyar el aprendizaje de los estudiantes, entre otras consecuencias de decisiones y derivaciones a nivel municipal, estatal y federal.


Consideraciones finales


Y así, sea lo que sea. Habrá un fin a la aflicción infinita Y el mundo verá una flor

Brotar del suelo imposible (HOLLANDA et al., 1972)


Con la pandemia del nuevo coronavirus y la necesidad de aislamiento social, las desigualdades sociales se acentuaron aún más, especialmente en lo que respecta a la educación,




ya que, con el cierre de las escuelas y para continuar el año escolar 2020, que se interrumpió drásticamente para evitar la proliferación del virus, la enseñanza se volvió remota. En el caso del sistema escolar municipal de Rondonópolis, como se indicó anteriormente, el sistema de “Folletos”.

En las escuelas de la red estatal, las clases remotas se llevaron a cabo de manera virtual, a través de plataformas como Google Meet o Classroom, aplicaciones como WhatsApp y, para aquellos estudiantes que no tenían acceso a internet, se pusieron a disposición materiales impresos.

En este sentido, los docentes se vieron obligados a, en poco tiempo, aprender a trabajar con herramientas tecnológicas, adquirir materiales y poner a disposición recursos propios para que el curso escolar continuara.

Se puede decir que, en ambas redes, los resultados no fueron satisfactorios, porque la cuestión educativa no puede reducirse a la no interrupción del curso escolar.

Entre los impactos del largo tiempo de distanciamiento de los estudiantes del entorno escolar, la falta de infraestructura y la precariedad de la educación remota de emergencia, se observa que muchos estudiantes no quieren volver a la escuela, prefieren quedarse en casa respondiendo los "folletos" para tener más tiempo libre; también están los que no están interesados en el contenido escolar y no participan en las clases (a pesar de que han regresado a la escuela), porque ya han encontrado que no habrá desaprobación.

Si el período de pandemia ha traído desafíos y daños como los que aquí se discuten, es necesario y urgente devolver la atención al aprendizaje y las singularidades de las asignaturas - profesores y alumnos- a los próximos retos. Entre ellos es posible destacar la motivación para enseñar y aprender (no solo contenido escolar); poniendo a la escuela en conjunto con las redes que construyó, ya que creó canales de comunicación con familias y estudiantes, utilizó medios que antes eran poco explorados en el proceso educativo, debatió el protagonismo de docentes y estudiantes: tales conocimientos y construcciones no se pueden perder ni reemplazar el trabajo realizado y que ha sido positivo. El punto es agregar y resignificar, en diálogo permanente.

Así, es necesario tener especial cuidado con la enseñanza de los alumnos que no han avanzado en su aprendizaje, así como con sus necesidades socioemocionales y todas aquellas implicadas en el proceso de enseñanza y aprendizaje, de manera que sea posible crear "[...] un entorno educativo potencialmente motivador [...]" (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004, p. 145).

Quizás, para que el mundo vea brotar una flor del suelo imposible, es necesario creer que todos pueden y merecen aprender, rescatar la alegría en la escuela, en la satisfacción que la



cultura debe y puede proporcionar a los estudiantes, como argumentó Snyders (1988). En este sentido, acciones como el Proyecto Acreditar pueden constituir espacios de diálogo y aprendizaje, comprendiendo ritmos y necesidades individuales, pero dentro de un proyecto colectivo de (re)construir una escuela postpandemia mejor y más inclusiva.


REFERENCIAS


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SNYDERS, Georges. A alegria na escola. São Paulo: Manole, 1988.


Cómo hacer referencia a este artículo


RODRIGUES, S. F. P.; CONCEIÇÃO, M. M. M. "Y el mundo va a ver una flor brotar del imposible suelo": Aprendizado de alumnos en situación de vulnerabilidad. Revista Ibero- Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, marzo 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.1.16323


Sumisión en: 24/11/2021

Revisiones requeridas en: 19/02/2022

Aprobado en: 28/02/2022

Publicado en: 01/03/2022




“AND THE WORLD WILL SEE A FLOWER BLOOM FROM THE IMPOSSIBLE GROUND”: STUDENTS’ LEARNING IN A SITUATION OF VULNERABILITY


“E O MUNDO VAI VER UMA FLOR BROTAR DO IMPOSSÍVEL CHÃO”:

APRENDIZAGEM DE ALUNOS EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE


“Y EL MUNDO VA A VER UNA FLOR BROTAR DEL IMPOSIBLE SUELO”:

APRENDIZADO DE ALUMNOS EN SITUACION DE VULNERABILIDAD


Sílvia de Fátima Pilegi RODRIGUES1 Marcilene Muniz Monteiro CONCEIÇÃO2


ABSTRACT: This text proposes a reflection on the impact of the pandemic triggered by the coronavirus in students’ learning process, mainly in the public school system. The starting point is the analysis of data collected from the work carried out with students assisted by the Project called Believe, developed in a municipal school in Rondonópolis, Mato Grosso, before 2020. With the suspension of classroom lessons, students were abruptly removed from schools and began to depend on the infrastructure available in their homes. It is a fact that, the poorer the family, the more precarious the student's participation in emergency remote education has been. Furthermore, many parents and/or guardians do not have enough formal schooling or preparation to help students carry out the activities sent teachers. Thus, we seek to analyze the impacts of the pandemic and consider alternatives that provide learning opportunities for students in a vulnerable situation.


KEYWORDS: Education. Learning. Educational support. Pandemic. Project Believe.


RESUMO: Este texto propõe uma reflexão sobre o impacto da pandemia desencadeada pelo coronavírus na aprendizagem de estudantes, principalmente da rede pública de ensino. Toma- se como ponto de partida a análise de dados coletados a partir do trabalho realizado com alunos atendidos no Projeto Acreditar, desenvolvido em uma escola da rede municipal de Rondonópolis, Mato Grosso, antes de 2020. Com a suspensão das aulas presenciais, os estudantes foram abruptamente afastados das escolas e passaram a depender da infraestrutura disponível em seus lares. É fato que, quanto mais pobre a família, mais precária tem sido a participação do aluno no ensino remoto emergencial. Some-se a isso o fato de que muitos pais e/ou responsáveis não têm escolaridade nem preparo suficientes para ajudar os estudantes na realização das atividades enviadas. Assim, busca-se analisar impactos da pandemia e ponderar sobre alternativas que oportunizem a aprendizagem de alunos em situação de vulnerabilidade.



  1. Federal University of Rondonópolis (UFR), Rondonópolis – MT – Brazil. Associate Professor at the Institute of Human and Social Sciences and at the Graduate Program in Education. PhD in Education: History, Politics, Society (PUC-SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0109-4593. E-mail: silvia.pilegi@ufr.edu.br

  2. Municipal Secretary of Education (SEMED), Rondonópolis – MT – Brazil. Teacher of the Elementary School

    Early Years at the Princesa Isabel Municipal School of Basic Education. Master in Education (UFMT). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7386-3101. E-mail: marcymuniz@hotmail.com




    PALAVRAS-CHAVE: Educação. Aprendizagem. Apoio educacional. Pandemia. Projeto Acreditar.


    RESUMEN: Este texto propone una reflexión sobre el impacto de la pandemia desencadenada por el coronavirus en el aprendizaje de estudiantes, principalmente de la red pública de enseño. Se toma como punto de partida el análisis de datos recolectados a partir del trabajo realizado con alumnos atendidos en el Proyecto Acreditar, desarrollado en una escuela de la red municipal de Rondonópolis, Mato Grosso, antes de 2020. Con la suspensión de las clases presenciales, los estudiantes fueron abruptamente apartados de las escuelas y pasaron a depender de la infraestructura disponible en sus hogares. Es un hecho que, mientras más pobre la familia es, más precaria ha sido la participación del alumno en la enseñanza remoto de emergencia. Sumada esto, la realidad de que muchos padres y/o responsables no tienen escolaridad ni preparación suficientes para ayudar a los estudiantes en la realización de las actividades enviadas. Así, se busca analizar impactos de la pandemia y reflexionar sobre alternativas que den oportunidad al aprendizaje de alumnos en situación de vulnerabilidad.

    PALABRAS CLAVE: Educación. Aprendizaje. Apoyo educacional. Pandemia. Proyecto Acreditar.


    Introduction


    To dream one more impossible dream To fight when it is easy to give in To defeat the invincible enemy Deny when the rule is to sell


    Suffering the implacable torture Breaking the unfeasible prison Flying at an improbable limit Touching the inaccessible ground3


    The reflection proposed in this text turns to the discussion of the impacts in the educational field resulting from the pandemic triggered by the coronavirus (SARS-CoV-2), causing the disease COVID-19, more particularly on a group of students in the municipal network of Rondonópolis - MT.

    Some large-scale research is being carried out to evaluate and analyze this impact, such as the one developed by the group Literacy Network (2020) and by Barberia, Cantarelli and Schmalz (2020). However, as the epigraph above foreshadows, it is necessary to dream one (or many) more impossible dreams and keep fighting, even when it would be easier to give in. Thus, taking as a starting point the analysis of data collected from a work performed with


  3. "Impossible Dream" is a composition by Francisco Buarque de Hollanda, Mitch Leigh, Joseph Darion and Rui Alexandre Guerra Coelho Pereira. The song was composed in 1972, but recorded and released in 1975 in the album "Chico Buarque e Maria Bethânia Ao Vivo". (our translation)


    RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, Mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587



    students assisted by the Acreditar (Believe) Project, developed in a school of the municipal network of Rondonópolis, in the southeast of Mato Grosso, before 2020, the objective is to reflect on the impact of the pandemic triggered by the coronavirus in the learning of students, especially in the public education network.

    This text consists of a report of an experience that, although it has been faced with various obstacles and difficulties, it has fought and - although it has not defeated the "invincible enemy" of illiteracy and social exclusion - has been successful in promoting learning with some students who were lacking knowledge in relation to the school year in which they were enrolled. Such experience is also thought of in this pandemic context that has deepened inequalities, exclusions, and marginalizations.

    Thus, from data collected in the period from August to December 2017 and from April to July 2018, specifically with 4 children who were part of the Acreditar Project (which will be detailed in a specific section), reflections are woven about dreams and struggles of those who believe in flowers sprouting from the impossible ground.


    Education in the context of the pandemic in Rondonópolis


    It is my law, it is my question To turn this world, to dig this ground I don't care if it's too terrible

    How many wars I'll have to win for some peace (HOLLANDA et al., 1972, our translation)


    Pandemic. This term has become recurrent in our vocabulary, even if we did not understand it clearly. To get an idea, entering this word into the Google® search engine, in 0.51 seconds approximately 396,000,000 results appeared (10/08/2021, 8:40 AM).

    Although the term was not created in 2019, there is no doubt that it is currently associated with the coronavirus, designated SARS-CoV-2, causing the disease COVID-19, which was so named in reference to the type of virus and the year the epidemic began: Coronavirus disease - 2019. With the rapid spread of this virus across continents, on January 30, 2020, the World Health Organization (WHO/WHO) declared a Public Health Emergency of International Concern.

    According to WHO data, as of October 7, 2021, "there have been 236,132,082 confirmed cases of COVID-19, including 4,822,472 deaths, reported to the Organization. As of October 6, 2021, a total of 6,262,445,422 doses of vaccine have been administered" . These data demonstrate the impact of the pandemic in the world.




    In Brazil, according to a survey done by the consortium of press vehicles about the situation of the coronavirus pandemic in Brazil, whose balance is made from data from the state health departments, until 8 pm on October 7, 2021, the:


    The country counts 599,865 deaths and 21,532,210 cases of coronavirus since the beginning of the pandemic, according to the consortium of press media with data from health secretariats. The moving average is 438 victims per day and again pointed to a drop (G1, 07/10/2021 20:00)


    Several actions were taken to contain and confront the spread of this virus around the world. In Brazil, among stumbles, delays, and mismatched information, the Health Emergency Operations Center (COES) of the Ministry of Health was created on January 22, 2020, and the National Contingency Plan for Human Infection by the new Coronavirus (2019-nCoV) was prepared ( BRAZIL, 2020).

    In the state of Mato Grosso, by means of Decree No. 416, March 20, 2020, telework was instituted, the reduction of the workday and the relay in the public agencies of the state, which was also followed by the municipalities. From this document on, other decrees and norms were instituted as the disease advanced and, in mid-2021, its gradual reduction in deaths and contamination, added to the vaccination of the population.

    In this context, initially, classes were immediately suspended in the entire state, municipal, and private school system in Mato Grosso; but the latter gradually installed hybrid education (face-to-face and remote classes) as of the second semester of 2020 and started the 2021 school year also offering this modality. With regard to school attendance in the public school system, the municipalities established different calendars and modalities, with the remote modality prevailing, while in the Mato Grosso state school system classes in the hybrid modality were only resumed on August 3, 2021, and the return to 100% face-to-face on October 18 of the same year.4.

    Regarding the city of Rondonópolis, also considering the need for social isolation as a measure to combat the coronavirus pandemic, Decree No. 9407 was published on March 17, 2020. In its Article 9, item III, it determined, on a mandatory basis, the "suspension of classroom activities in universities, colleges, vocational schools, pre-vestibular courses, preparatory courses in general, and institutions that hold training courses" (Rondonópolis, Decree No. 9407/2020).


  4. Data compiled from information collected on the website of the Mato Grosso State Department of Education. Accessed at: http://www3.seduc.mt.gov.br/-/18163383-mato-grosso-retoma-aulas-100-presenciais-momento-e- de-somar-forcas-pela-educacao- Accessed on: 08 Oct. 2021


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, Mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587



Due to pressure from the private sector, students, and family members, among other factors, changes to this decree occurred in May of that year, even as the virus spread and the number of deaths increased, with precarious hospital care for Covid-19 victims, still little known at that time. Thus, Article 3 of Decree No. 9,515 of May 7, 2020, although it kept classes suspended in most schools in the municipal network, now authorizes "for an indefinite period, in a controlled manner", the operation of various activities, among which are:


  1. classes in the municipal high school network;

  2. classes in the private high school network;

  3. classes in public and private higher education courses;

  4. classes at vocational, technical and training schools, pre-vestibular and preparatory courses in general, only for students 15 (fifteen) years old or older (RONDONÓPOLIS, 2020).


It is important to note that, during 2020, several decrees were established with advances and retreats in relation to the tightening and/or loosening of health security measures, impacting, also, on school attendance (notably private, since it was the first to establish remote and, later, hybrid education in Mato Grosso).

With the suspension of classes in the municipal school network of Rondonópolis, the "Beyond School Activities Program" (RONDONÓPOLIS, 2020) was published in the Electronic Official Journal (Diorondon-e) No. 4,705, on May 26, 2020 (pages 12 to 16).

The work methodology, as described in the Program itself, foresees only the use of printed activities:


The school units will be responsible for organizing the teachers and trainees to prepare the activities, deliver them to parents and/or guardians, receive, register and correct the activities, as well as answer questions that may arise in relation to the activities.

The Municipal Education Secretary will be responsible for guiding the professionals in the school units in the development of activities, monitoring the whole process, answering possible questions, and providing the necessary resources (RONDONÓPOLIS, 2020, p. 14)


As can be inferred - and the name of the program is also enlightening - the proposal involved the realization of printed activities, without classes (presential and/or remote), explanation of content or any other possibility of approaching the school content.

According to the schedule in the document, in the period from 05/27/2020 to 06/05/2020, the school units should "prepare the work proposal, as well as dedicate themselves to the preparation of the activities" (Idem, p. 15), while the return of the activities to the school




unit by the students, parents and/or guardians would occur in five stages, starting on 06/22/2020 and ending on 08/14/2020.

In 2021, the name was changed to "School Activities Program of the Municipal Education Network", published in the Official Electronic Journal (Diorondon-e) No. 4.880, February 11, 2021 (RONDONÓPOLIS, 2021). Here too, priority is given to the delivery and reception of printed activities, with a schedule establishing dates for this purpose, organized in fortnights.

With the implementation of this Program, the continuity of the school year was given by means of "workbooks" of activities prepared by the teachers and picked up by the parents and/or guardians of the students every two weeks. In case of doubts, questions were usually asked to the teachers, on their private cell phone numbers, through the WhatsApp® application, usually in message exchange groups corresponding to the students' classes or parents' groups, if they were from the early years, and in subject groups, if they were from the final years of elementary school.

The teachers answered the questions by means of audios or explanatory videos. In the next delivery, the parents/guardians would return the answered activities and get new material, and this happened during the entire school year of 2020 until July 2021, because, in August, when the July vacation came back, the classes returned in hybrid form.

In the Official Electronic Journal (Diorondon-e) No. 4.994, July 27, 2021, the "Plan for the Return to School Classes" was published, containing "Technical and Pedagogical Guidelines for the Plan for the Return to School Classes and the recommendations directed to Education Professionals, Parents and/or Guardians and Children/Students in the Municipal Education Network/RME" (RONDONÓPOLIS-MT, 2021, p. 10).

Blended learning has been a term used in this pandemic period to refer to different media that do not take place entirely (or entirely) in the school setting. Although the terminology is recurrent today, it was not created in 2020. As Michel Horn and Hearther Staker explain


Hybrid education is any formal educational program in which a student learns, at least in part, through online learning, with some element of student control over time, place, path and/or pace (HORN; STAKER, 2015. p. 34)


Despite the fact that in Brazil there is ample experience with distance, hybrid and other modalities beyond the one that has been structured over time in our reality, educational system, culture and relevant legislation, they have developed mainly focused on higher education and technical/technological training. As far as Child Education and the initial years of Elementary


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, Mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587



School are concerned, it was notably with the pandemic that this issue emerged in an emergent, urgent, and improvised way.

Even some existing programs and resources not used (or used by few) education professionals became part of the daily planning and teaching routine. To illustrate this statement, it is possible to mention some Google Apps resources, such as Google Classroom®, which is a content management system for schools launched to the public in 2014, and Google Meet®, which consists of a video communication service, started in 2017. In 2020 they were made available for free, although with some restrictions on paid "packages." Other tools were used to manage tasks, plan, create content, establish/maintain some communication channel between students and teachers in real time (synchronous activities) or not (asynchronous activities), among them WhatsApp®. Thus, mainly these resources were used during 2020 for the realization of "remote classes" to replace in-person classes in schools due to the covid-19 Pandemic, along with printed activities, since many students did not have the technological resources to participate digitally.

As for Rondonópolis’ municipal network, what was practiced, in general terms, was one week studying in the classroom with the teacher and some classmates and the next at home, answering a "workbook" of activities. Therefore, there was no hybrid teaching with interaction through digital platforms, since many students did not have internet at home, much less technological resources to access it. In addition, some elementary school teachers only answered students' questions through audios sent by the WhatsApp application, unlike in Kindergarten, where teachers recorded explanatory videos about the content covered in the materials.

It is important to highlight that the precariousness, improvisation, and obstacles to emergency remote teaching were not phenomena limited to Rondonópolis. In general, we see that printed material (often referred to as handouts) was present in this process, combined with the use of other tools. The survey research developed by ALFABETIZAÇÃO EM REDE, which had 14,730 respondents distributed throughout all regions of the country, illustrates this statement.




Graph 1 – Tools and platforms used in remote teaching5


Source: Alfabetização em rede Survey (2020, p. 192)


However, for a significant percentage of the national public network, the classroom has been transferred to the cell phone or computer screen,


Surprising, still, is the use of printed resources as an aid to remote teaching (in many contexts, remote teaching is restricted to sending printed activities for children to do at home, under the guidance of parents and/or guardians), around 55.89% [...]. The use of printed materials can be related to the school tradition itself, whose practices are based on these teaching aids, but can also be linked to the social inequalities that affect our students, largely excluded from technological tools and sociocultural and cognitive instruments essential to participation in remote synchronous processes (EM REDE, 2020, p. 192)


In this context of changes and new teaching adaptations, teachers had to, in record time, learn to use technological tools, buy new cell phones, computers, increase spending on broadband internet (where possible) and electricity in their homes, among other costs and investments so that they could record videos and audios and send them, as well as receive and archive them from their students.

To count as a school day, the family or guardian had to help the child to perform the activity, record the performance of the task, and send it in the classroom/discipline group to confirm that the activity was performed by the student himself. However, even with so much demand, there were still handouts that were not answered by the students but by other people. In other words, the precariousness of the teaching and learning process is evident.



5 Não se aplica = Not applied, Plataforma da própria rede/escola/televisão = Own network/school/television platform; Materiais impressos/Apostilas = Printed material/coursebooks


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, Mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587



Acreditar Project and student learning


And tomorrow, if this ground I kissed Is my bed and my forgiveness

I'll know that it was worth delirious

And die of passion (HOLLANDA et al., 1972, our translation)


With the need for social isolation, abruptly the activities were interrupted, projects and programs were suspended or canceled. One of them was the Acreditar Project, which was developed in the Princesa Isabel Municipal School of Basic Education, in Rondonópolis - MT. This school is located in the outskirts of Rondonópolis and receives students from several neighborhoods in the city and rural area. Some challenges are posed to this unit, as they often move or miss classes due to their parents' change of job, transportation difficulties, domestic activities they need to perform, among other factors that contribute to the deepening of the learning gap in relation to the content of the phase/year they are studying and the school dropout, compromising the literacy process itself.

It was with an eye on these students and the difficulties they face to attend school, stay in school, and learn that, in 2012, the Acreditar Project was created. Its proposal involved differentiated classes in the afterschool, the use of concrete material, and attendance in small groups, usually formed by four students.

The classes were meaningful, because they were based on themes related to their experiences, prepared in the form of sequences of activities, which were planned taking into account the needs of each group, which was formed based on the stages they were in.

From 2012 to 2018, many students were assisted in the Acreditar Project and, at different paces, they progressed in their learning. In the following graph, the progress of a group that participated in a research-intervention is depicted. The data were collected between 2017 and 2018, with reference to the writing hypotheses: pre-syllabic, syllabic with no conventional sound value, syllabic with conventional sound value, syllabic-alphabetic, and alphabetic.




Graph 2 – Evolution of research collaborators6


Source: Conceição (2019, p. 145)


These students progressed in their learning driven by work that was different from what is usually proposed in the classroom, with particular strategies and assistance, use of children's literature books sent by the Ministry of Education (MEC) through the National Pact for Literacy at the Right Age (PNAIC), games developed by the Center for Studies in Education and Language (CEEL), and cut-and-paste activities with themes from the sequences of activities developed with them.

However, despite the relevance of the Acreditar Project for student learning, it was terminated and, in 2019, the management team developed another one focused on the use of educational games by teachers in the classroom.

In 2020, due to the pandemic, all the activities (Parents at School Project, Pedagogical Support Project, Citizen Athlete Project, Happy Child Project) that were being developed at that school were suspended to prevent the virus from spreading and to comply with the public health regulations established by the Municipal Health Secretariat.

This pandemic has brought countless physical, material, social, and emotional losses to everyone. But there is no doubt that the poorest were and are the most vulnerable. Many workers and breadwinners lost their jobs, their health, and even their families. In this scenario, children were also damaged. If analyzed only through the prism of school education, with the social distance they were deprived of contact with classmates and teachers (and of the many learning


6 Diagnóstico = Diagnosis


RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, Mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587



experiences that take place in the process of interaction). Remote teaching was reduced to the delivery and return of printed materials, that is, the concern was centered on the content to be passed on. Learning was not placed on this agenda. By the way, even the term is reductionist, as it is remote "teaching", without the inclusion of the other side of this process: learning.

Thinking about children in vulnerable situations, the problem gets worse, since many parents and/or guardians are not literate to help their children with the activities sent. Moreover, to support the literacy process at home it is necessary to have at least some preparation for this purpose, resources, and adequate conditions.

With the start of hybrid teaching in the second half of 2021, it has been possible to observe how much these students have suffered. They are apathetic to learning and are often unmotivated, since they realize that even without learning the content required for the next phase/year, they will move on to the next one.

Thus, unfortunately, many children and adolescents report that staying at home and answering their textbooks is more comfortable and easier than going to school. It is unfortunate and worrisome that some students say that they only attend classes because of attendance, because if they drop out of school the Guardianship Council will go to their homes and this could bring consequences to their parents or guardians.

Adding to this context, unfortunately there are also teachers who are discouraged with their profession and do not feel capable or motivated to intervene in a positive and propositive way in this situation.

As for the public authorities, in addition to the data shown here, there is the inoperativeness to act in an adverse context to provide teachers and students with basic conditions for remote work, such as adequate equipment, teacher training, preparation of parents and/or guardians to support student learning, among other consequences of decisions and referrals at the municipal, state, and federal levels.




Final considerations


And so, no matter how The endless affliction will end And the world will see a flower

Sprout from the impossible ground (HOLLANDA et al., 1972, our translation)


With the pandemic of the new coronavirus and the need for social isolation, social inequalities have become even more pronounced, especially in regard to education, since, with the closing of schools and in order to continue the 2020 school year, which was drastically interrupted to avoid the proliferation of the virus, teaching became remote. In the case of the Rondonópolis municipal school system, as previously mentioned, the "workbooks" system was adopted.

In the state schools, remote classes took place virtually, through platforms such as Google Meet or Classroom, applications such as WhatsApp, and, for those students who did not have internet access, printed materials were made available.

In this regard, teachers had to, in a short period of time, learn to work with technological tools, acquire materials and make their own resources available so that the school year could continue.

It can be said that, in both networks, the results were not satisfactory, because the educational issue cannot be reduced to the non-interruption of the school year.

Among the impacts of the long time of distance of the students in relation to the school environment, of the lack of infrastructure and precariousness of the emergency remote teaching, it can be observed that many students don't want to go back to school, preferring to stay at home answering the "handouts" to have more free time; there are also those who are not interested in the school contents and don't participate in the classes (even having gone back to school), because they already know that there will be no failure.

If the pandemic period brought challenges and damages such as those discussed here, it is necessary and urgent to turn our attention to the learning and singularities of the subjects - teachers and students - for the next challenges. Among them, it is possible to highlight the motivation to teach and learn (not only school contents); to put the school in articulation with the networks it has built, since it has created communication channels with families and students, used media that were little explored in the educational process until then, and discussed the protagonism of teachers and students: such knowledge and constructions cannot be lost or replace the work done and that has been positive. The point is to add and re-signify, in permanent dialog.



Thus, special care must be taken with the teaching of students who have not advanced in their learning, as well as with their socioemotional needs and those of everyone involved in the teaching and learning process, so that it is possible to create "[...] a potentially motivating educational environment [...]" (GUIMARÃES; BORUCHOVITCH, 2004, p. 145).

Perhaps, for the world to see a flower sprouting from the impossible ground, it is necessary to believe that everyone can and deserves to learn, to rescue the joy in school, in the satisfaction that culture should and can provide to the students, as Snyders (1988) argued. In this sense, actions such as the Acreditar Project can be constituted as spaces for dialogue and learning, understanding the individual rhythms and needs, but within a collective project of (re)construction of a better and more inclusive post-pandemic school.


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How to reference this article


RODRIGUES, S. F. P.; CONCEIÇÃO, M. M. M. “And the world will see a flower bloom from the impossible ground”: Students’ learning in a situation of vulnerability. Revista Ibero- Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. esp. 1, p. 0795-0809, Mar. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.1.16323


Submitted: 24/11/2021 Revisions required: 19/02/2022 Approved: 28/02/2022 Published: 01/03/2022


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Translation reviewer: Alexander Vinícius Leite da Silva