image/svg+xml
A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2118
A IMPLEMENTAÇÃO DO PROINFÂNCIA SOB A ÓTICA DAS RELAÇÕES
INTERGOVERNAMENTAIS
1
LA IMPLEMENTACIÓN DE PROINFÂNCIA DESDE LA PERSPECTIVA DE LAS
RELACIONES INTERG
UBERNAMENTALES
THE IMPLEMENTATION OF PROINFANCIA FEDERAL PROGRAM FROM THE
PERSPECTIVE OF INTERGOVER
NMENTAL RELATIONS
Yasmim Mar
ques de
MELO
2
Sandra Cristina
GOMES
3
RESUMO
:
Um
dos aspectos destacado pela literatura de
implemen
tação de políticas públicas
refere
-
se às tensões que envolvem uma formulação centralizada na esfera federal e su
a
execução l
ocal. Com base em estudos da área, e
ste artigo analisa como se deu a
implemen
tação do Proinfância
–
um programa federal de apoio à construção e reforma de
escolas de Educação Infantil
–
e quais visões os gestores federais e municipais do progra
m
a
têm sobre
os problemas de
implemen
tação. Para
isso
, um estudo de caso em profundidade foi
feito para o município de Natal/RN utilizando
-
se de revisão bibliográfica, análise documental,
dados do programa e
entrevistas
com
gestores municipais e federais
.
O
s pri
ncipai
s achados
mostram que
a rigidez das no
rmas de adesão e execução
do programa
combinada a
não
existência
de
espa
ços institucionais
de diálogo,
pactuaç
õe
s ou
de partic
i
p
aç
ã
o dos governos
municipais
r
esultam em
ausência
de soluções
coletivas
d
e pro
b
lem
as típic
os d
e
implementação
em um estado federativo
.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
Políticas
educacionais.
P
rograma
Proinfância
.
R
elações
intergovernamentais.
Formulação de políticas públicas
.
Implemen
tação de políticas.
RESUMEN
:
Uno de los aspectos que destaca
l
a liter
a
t
ur
a sobre la implementación de
políticas públicas se refiere a las tensiones que implican una formulación centralizada a nivel
federal y su ejecución local. Con base en estudios en el área, este artículo analiza la
implementación de Proinfância
–
u
n progr
a
m
a
federal de apoyo a la construcción y
renovación de escuelas de Educación Infantil
–
y qué visiones tienen los gestores federales y
municipales del programa sobre los problemas de implementación. Para ello, se realizó un
estudio de caso en profun
d
idad pa
r
a
l
a ciudad de Natal/RN utilizando revisión de literatura,
1
Agradece
mos
à Re
de de Estudos sobre I
mplementação de Políticas Públicas Educacionais (REIPPE), com
a
colaboração do Itaú Social, o apoio financeiro para as traduções deste artigo para o inglês e o espanhol.
Este
artigo
apre
sen
ta parte
dos
resulta
do
s
da
dissertação
de
M
elo
(2020)
.
Um
a
versão preliminar deste
texto foi
apresentada
no IV
Encontro Na
cional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas
(ENE
PCP)
.
2
F
u
n
d
a
ç
ã
o
G
e
t
ú
l
i
o
V
a
r
g
a
s
(
FGV
/
EAESP
)
, São Paulo
–
SP
–
Brasil
. Do
utoran
da
em Admini
stração Pública e
Governo
.
OR
CID
:
http
s://orcid.org/0
0
00
-
0002
-
7262
-
0888
.
E
-
mail:
yasmimmarquesm@gmail.com
3
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(
UFRN
)
,
Natal
–
RN
–
Br
asil. Professora do
De
partamento de
Políticas Públicas (DPP/UFR
N) e d
o
P
rograma d
e Pós
-
graduação em Estudos
Ur
ban
o
s e R
egionais
(PPEUR/
UFRN)
.
Douto
ra e Mest
re em Ciên
cia Política (U
SP).
M
embro da Rede de Estudos sobre
Implementação de Polític
as Pública
s Educacionais (REIPPE)
.
ORCID:
http
s
://orcid.org/0000
-
0002
-
7703
-
648
8
.
E
-
mai
l:
sandra
.gome
s@ufrn.br
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
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2118
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2138
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n
ov. 2022
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ISSN: 1982
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2119
análisis de documentos, datos del programa y entrevistas con gestores municipales y
federales. Los principales hallazgos muestran que la rigidez de las reglas de adhesión y
ejecución del p
r
ograma,
s
um
ado a la inexistencia de espacios institucionales de diálogo,
concertación o participación de los gobiernos municipales, redundan en la ausencia de
soluciones a problemas típicos de implementación en un estado federal.
PALABRAS CLAVE
: Política
s
educat
i
v
as
. Programa Proinfancia. Relaciones
intergubernamentales. Formulación de políticas públicas. Implementación de políticas.
ABSTRACT
:
One of the aspects discussed by the
public policy
implemen
tation
literature
refers to the tensions involving a
c
e
ntralized
formulat
i
o
n
of policies
and the execution by
subnational governments
. Based o
n
are
a
studies
, this article
show
s
how
Proinfancia
–
a
federal program
fina
nci
ng the
e
xpansion
of
kindergarten
schools
–
was
implemented
and the
perceptio
ns
munici
pal a
n
d
federal a
gents
have concern
ing
the
problems of implement
ation.
An
in
-
depth case study is carried out analyzing the city of Natal, in the
State of Rio Grande
do
Norte, Brazil, using
bibliographical
revision, documen
t
and data anal
ysis, and interviews
wit
h
official
a
gents.
The ma
ins findings
s
uggest tha
t
extreme rigorous norms to adhere and to
execute federal programs
combined
with the
absence
of formal c
hannels of
dialogu
e,
participation and agreements with m
un
ici
pal governments
produce
no
collective
solu
t
i
ons for
pr
oblems that
should be
expected
in a federal
sta
t
e
during implementation
.
KEYWORDS
:
E
ducation policy. Proinfancia
Federal Program
. Intergovernmental relations.
Formulation of public policies.
Implemen
tation of
p
o
licies.
Introdução
A liter
atu
r
a de
imp
lemen
tação de políticas públicas é permeada por diferentes lentes
analíticas para explicar o processo complexo em que as políticas ganham forma na prática. N
o
contexto
das relações intergovernamentais n
o federalis
m
o
brasileiro
,
tal complexidade
é
e
levada
,
pois
, tipicamente,
envolve desenhos institucionais com formulação centralizada na
esfera federal e
implemen
tação loca
l pelos
governos subnacionais
,
que, por sua vez, detêm
realidades e capacidades muito diversa
s
e desiguais
(
ARRETCHE
,
2012
;
BIC
HIR
,
2020
;
G
OMES
,
2009
;
OLIVEIRA
;
LOTTA
,
20
19
).
Para
Oliveira
e
Lotta
(
2019
)
,
um dos problemas relacionados à formulação de políticas
nacionais está na
adoção de modelos únicos e rígidos pelos órgãos federais
que
não
perm
i
t
e
m
aos governos subnacionais ada
pta
r
em instr
umentos de planejamento e de gestão às suas
particularidades locais
.
O resultado seria
, então,
uma diminuição da autonomia administrativa
ou d
a
capacidade de execução dos entes subnacion
a
i
s
, elevando
os riscos de não se ati
n
gir os
objetivos de
uma
política
pública.
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A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
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Estudos em Educação
, Araraquara
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https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
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2120
Este
artigo apresenta um caso ilustrativo desse processo
descrito por
Oliveira
e
Lotta
(
2019
)
ao analisar como se deu o processo de
implemen
tação de um programa federal em
nív
e
l
municipal
. Os achados mostram q
ue
a
rigidez das normas
de
adesão e
de
execução
combinada
s
a
não
existência de
espaços institucionais de diálogo, pactuações ou de
participação dos governos municipais
r
esultam em
ausência de soluções de problemas típicos
d
e
implemen
tação
.
Observa
-
se que
gesto
r
es federais
, por um
la
do,
atrib
uem à falta de
capacidade
de gestão
dos municípios a explicação para os problemas de execução de
programas federais e, de outro lado,
gestores municipais
consideram
que os entraves
são
g
erados pel
as
normas
inade
quadas
d
os ór
g
ãos federais.
Para
is
s
o
, o Pro
grama Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para
a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (PROINF
Â
NCIA) é utilizado
como caso
empírico
. O
Proinfância foi
instituído em
2
0
07
,
integrando uma série de outras
ações do
governo fe
der
al destin
adas ao enfrentamento das desigualdades de acesso existentes na
educação infantil (
FNDE
,
n.d.
).
O Programa consiste
em uma política de apoio à expansão
do acesso a
esse nível de
ensino
,
q
u
e
é ofertad
o
pelos municípios
,
por
m
eio de
projetos pa
r
a a
construç
ão e/ou reforma
de escolas de Educação Infantil (
c
reches
e pré
-
escola)
. O
Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE)
é o órgão federal responsável tanto pel
a aprovação
dos projet
o
s
enviados pelos municípios quanto
p
elo
estabeleciment
o
da
s normas
para
sua
execu
ção
.
O Proinf
â
ncia é
um
caso de interesse
,
uma vez que
,
de acordo com
Oliveira
e
Lotta
(
2019
)
,
é
exemplo de uma centralização
que vai além do
processo de formulação
e
se
este
n
d
e
para
uma
centralização também na
sua execução.
Ess
e
mo
delo de e
xecução
,
ao estilo
top
-
down
de indução federal
,
não é exclusivo das
políticas federais em educação.
Oliveira
e
Lotta
(
2019
), assim como
Pires
e
Gomide
(
2016
),
observa
ra
m movimentos semelhant
e
s
de centralização
no Programa Minh
a
Casa, Minha Vid
a
(P
MCMV), no
qual o desenho institucional também reflete a decisão de adoção de padrões
únicos e nacionais, muito rígidos e com
baixa possibilidade de adaptação às realidades e
aos
contextos locais, tan
t
o
na formulação como na
implemen
taç
ã
o. Uma das conse
q
uên
cias dess
a
baixa capacidade de
adaptação de projetos às realidades locais
é a inviabilidade ou
o
atraso na
execução da política ou, dito de outro modo, na
eficácia
e
na
efetividade de uma política
pú
b
l
ica
.
E
ste artigo objetiva analisa
r
como a
implemen
t
açã
o do Proi
nfância
ocorreu
na prática
e quais visões os gestores federais e municipais do programa têm sobre os problemas de
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
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2118
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2138
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n
ov. 2022
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ISSN: 1982
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https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2121
implemen
tação.
De acordo com a natureza do estudo e
com a final
i
d
ade de
atender ao
objetivo
proposto, foi escolh
i
do o caso do mun
i
cíp
io de Nat
al/RN para
uma
análise em
profundidade. Os
seguintes procedimentos metodológicos
foram adotados
: revisão
bibliográfica de trabalhos acadêmicos nesta temática; análise documental
d
as principais
legislações e documentos instituc
i
onais acerca do
P
rog
rama Proi
nfância; análise dos dados
sobre os recursos repassados para os municípios do Rio Grande do Norte
que aderiram ao
p
rograma e os tipos de obras executad
a
s
por
esses entes federados
-
,
dados
f
ornecidos pelo
FNDE, em 2020,
por me
i
o da
Lei de Aces
s
o à
Informaç
ão
;
e e
ntrevistas
estruturadas
para
captar as visões dos agentes
implemen
tadores em comparação
àquelas
dos agentes
formuladores
,
real
izadas em 2020
.
Os entrevistados cederam consentime
nto
livre e
esclarecido para as
e
ntrevistas e suas respostas
s
ã
o
anonimi
zada
s
.
À
l
uz desse contexto e objetivos delineados
, o artigo, além desta introdução, conta
com uma seção que resgata alguns dos elementos centrais do debate sobre as relações
intergovernamentais na
implemen
tação de
p
rogramas federais;
outra
qu
e
a
presenta
o desen
h
o
i
nstitucional do Proinfância
e as mudanças nas regras de execução
; e uma seção empírica que
apresenta os achados
para o caso do município de
Natal
/RN
.
A
s considerações finais
recu
p
e
ram os principais aspectos discutidos
neste trabalho
e
a
lgumas
d
e
suas
i
m
pli
cações
,
que
pode
m
permit
ir
uma
reformulação no modo de interação entre órgãos federais e
subnacionais
.
Relações intergovernamentais na
implemen
tação local de
p
rogramas
f
ederais
O
s
estudos sobre relações intergovernamentais no Bra
sil
c
onsolid
aram re
l
ativo
consenso de que as reformas adotadas por diferentes governos na esfera federal, desde a
década de 1990, tinham como objetivo produzir patamares mínimos nacionais na provisão de
po
l
íticas sociais a cargo de Estados e municípios (
AB
RUCIO, 2005;
ALMEIDA
, 2005;
ARRETCHE, 2002, 2012; BICHIR, 2011; BICHIR; SIMONI JUNIOR; PEREIRA, 2020;
FRANZESE; ABRUCIO, 2013
).
Ao adotar estratégias de normatização federal dessas políticas, o modelo f
ed
e
rativo
brasileiro teria se caracterizado pela form
ulaç
ã
o em ní
vel nac
i
onal
(
policy decision
-
making
)
com
implemen
tação (ou execução) subnacional (
policy
-
making
)
,
como propõe
Arretche
(
2012
). A expansão na provisão de serviços públicos
,
como em saúde, edu
ca
ç
ão ou
assistência social
,
seriam exemplos de instr
umen
t
os de i
ndução
n
acion
al de políticas
públicas
.
No entanto
, cresce uma literatura no Brasil que passa a se debruçar sobre o processo de
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A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
RIAEE
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Revista I
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Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
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2118
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2138
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ov. 2022
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ISSN: 1982
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5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2122
implemen
tação de políticas públicas
que mostra uma diversidade de situaçõ
es
nos modos e
resultados da execução de pol
ític
a
s nacio
nais, a
f
etada
por inúmeros fatores
(
FARIA
,
2012
;
LOTTA
,
2019
;
MEL
O
,
2020
;
PIRES
,
2019
).
Os contextos locais, com suas realidades próprias,
impactam
o modo de
implemen
tação a depender da percepção da
bu
r
ocracia
implemen
tadora
sobre os valores
e
mbut
i
dos na
polític
a
públ
ica, do entendimento (diverso) de como se deve operacionalizar a
política, de dificuldades locais não antecipadas no desenho institucional da política, dentre
outros apontados pelos
estud
os
da área.
T
ambém é destacado
,
por uma lite
ratu
r
a mais
recente
,
que
o modo de
implemen
tação de política
s pode contribuir tanto para a redução das
desigualdades quanto, ao contrário, para a sua reprodução
, isto é,
no lugar
de combat
ê
-
las
,
políticas públicas
pode
m
manter ou
a
u
mentar a exclusão de
gru
pos
s
ociais
mais
vu
l
neráv
eis
a
direitos
e
serviços públicos
que
a política, originalmente,
procurava produzir acesso
(
PIRES
,
2019
).
Essa discussão é de especial interesse neste estudo, pois a elevada centralização
decisória e
a
r
igidez dos instrumentos de
exe
c
ução do
Proinf
â
ncia,
definidos pelo FNDE, um
órgão federal central
vinculado ao Ministério da Educação (MEC),
afetaram negativamente a
capacidade e agilidade das respostas em tempo oportuno aos gargalos de
implemen
tação
de
ss
e
programa nacional.
Em ana
logi
a
às dua
s cliva
g
ens a
nalíticas que inauguram o debate sobre
implemen
tação, o Proinfância pode ser caracterizado como uma política de estilo
top
-
down
,
ou seja
, o entendimento de que é possível “controlar” os agentes responsá
ve
i
s pela
sua
execução
na pon
ta d
o
sistem
a ao se
estab
elecer normas específicas
e rígidas
para o
cumprimento de etapas de
implemen
tação
.
Dito de outra forma, uma política ao estilo
top
-
down
parte da premissa
de
que os
burocratas responsáveis pel
a
f
ormulação em nível central são capaz
es d
e
estabe
lecer
i
n
strum
entos de gestão que controlem e induzam gestores nos municípios e Estados a fazerem
exatamente o que se espera, sem
“
desvio de rota
”
.
Nes
s
e
caso,
a visão predominante é
a de
que os órgãos centra
is
devem
estabelecer
uma série de nor
mati
z
ações e
proced
i
mento
s
regulatórios para que os
agentes
implemen
tadores
sigam,
com rigor
, as etapas pré
-
definidas.
Nessa perspectiva, os problemas de
implemen
tação se referem a “desvios de rotas”
dos
gestores
locais
, isto é, estes
teriam
se desvia
do
do
mod
o
planej
ado (e
p
revis
to) de
operacionalização da política.
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
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Revista I
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Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
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2123
A limitação dessa perspectiva analítica e de gestão é que, na prática,
há
diversos
fatores que afetam a
imple
me
n
tação local, mas que não puderam ser antecipados no momento
da formulação de uma
polí
t
ica púb
lica. A
s
razõ
es para
isso
são as mais diversas
4
, mas
uma
nova visão do problema é inaugurada pela perspectiva analítica conhecida como
bottom
-
up
nos estudos de
i
m
plemen
tação.
Ao se questionar a possibilidade (real) de se ter o controle quase q
ue t
o
tal do
comport
a
mento
de
implemen
tadores ou, ainda, da forma de
implemen
tação local por meio de
rígidos ou minuciosos procedimentos de operacionalização de uma polític
a
,
os estudiosos da
perspectiva
bottom
-
up
invertem os termos do debate: “da pergunta
inic
i
al por
que os
b
urocr
atas se desviam dos objetivos definidos na política formulada para como burocratas
implemen
tam, na prática, esta política” (
GOMES
,
2019
, p. 45).
U
m
d
os aprendizados do debate entre uma
implemen
tação de tipo
top
-
down
versus
outra de
tip
o
bottom
-
up
é q
u
e não
se trata, ao final, de um dilema em que se deva escolher
um
mod
elo único
de
implemen
tação. Em outras palavras, o acompanhamento de como
determina
da
política está sendo
implemen
tada na prática (ou na ponta do sistema) é
um
insumo d
e in
f
ormação
import
a
nte p
ara identificar dificuldades que surjam e que não puderam
ser antecipadas no momento
de elabora
ção do
desenho
institucional
da política ou dos
instrumentos de
im
pl
e
men
tação.
Com
isso
, uma interação
–
que também pressupõe uma comuni
caç
ã
o efetiv
a
–
en
tr
e os
gestores da ponta do sistema e burocratas de órgãos centrais, que formulam os procedimentos
de execução das políticas,
poderiam p
roduzir aprendizados que, em tes
e,
permitiriam
readequar normativas e desenhos institucionais para aum
ent
a
r a capa
cidade
d
e re
sposta e
de
entrega de bens e serviços públicos.
A literatura brasileira tem mostrado que programas com maior capacidade relacional
entre agentes públicos
, inclu
si
v
e os que incorporam a participação dos
atores sociais afetados
pelas
p
o
líticas
,
produ
z
em
aj
ustes que melhoram a resposta ou
a
solução de problemas ou
entraves típicos de processos de
implemen
tação
, produzindo o que Pires e Gomide (2016)
chamam de capacida
de
de gerar inovação no desenho da política.
Na próxima seção, é apr
es
e
ntado o P
roinf
â
nc
ia
do ponto de vista dos formuladores em
nível federal e como as normas para adesão dos municípios foram
se tornando
progressivamente
mais rígidas
(
OLIVEIRA
;
LOTTA
,
20
19
)
,
ao estilo
top
-
down
de
implemen
tação
.
4
P
ara um apanh
ado
desse
debate,
ver
Lotta
(
2019
),
Bichir
(
202
0
) e
Gomes
(
2019
)
.
image/svg+xml
A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2124
O
PROINF
Â
NCIA
no plano
da
f
o
rmulação p
elo
s
gesto
res federais
O Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede
Escolar Pública de Educação Infantil (PROINF
Â
NCIA) foi criado em 2007,
a
través da
Resolução/CD/FNDE nº 6
,
de 24 de abril de 2007
(
FNDE
,
200
7
a
)
,
n
as gestõe
s d
o
então
Ministro da Educação, Fernando Haddad, e do então Presidente do FNDE, Daniel Silva
Balaban, como uma ação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)
.
O
princi
p
a
l objetivo do
programa
consistia em
ampliar
o acesso das crianças d
e q
ua
t
ro
meses
a s
ei
s anos
de idade à educação infantil por meio da construção de creches e pré
-
escolas e, paralelamente, reformar a infraestrutura física das que já existiam e equipá
-
las
(
FNDE
,
2007
a
)
.
O Proinfância
,
nessa fase inicial
,
possu
ía
fundamen
t
o
s q
ue podem ser
di
vi
didos
em dois grupos, em que o primeiro
estava
relacionado diretamente com o problema
que essa política pública pretend
ia
atacar: a questão das dificuldades de a
c
e
sso e da qualidade
dos equipamentos da educação infantil, serviço públi
c
o
ti
picamente a
car
go
dos m
unicípios
brasileiros; e o segundo
tinha por objetivo
corrigir as desigualdades de acesso das crianças à
educação infantil
,
a partir da expansão da oferta
d
e
vagas (
FNDE
,
2007
a
).
Esses fundamentos consideram que o Brasil, por s
e
u
le
gado institu
cio
na
l e hi
stórico,
suas dimensões territoriais continentais e por outros fatores, agrega imensas desigualdades,
dentre elas
,
a de capacidade fiscal e administrativa,
a
lém das desigualdades intramunicipais
–
especialmente relevantes nos mu
n
i
cíp
ios de maior
po
rt
e popu
lacional
e com re
alidades intra
-
urbanas também desiguais em termos de acesso
, c
ondições de vida e de oportunidades
de sua
população
. Todos esses elementos se expressam em desigualdades de acesso a serviços
públicos, principalmen
t
e
pe
lo segmento
da
po
pulaçã
o em situação de maior
v
ulnerabilidade
social. Nesse sentido, o Proinfância se insere em um conjunto de políticas que procuram
aumentar a inclusão social
, a par
tir da
corre
ção das
desigualdade
s de a
cesso ao serviço
público
.
Cumpre
re
ssaltar
que
,
n
a d
écada
de
19
90
,
a educação infantil não se conf
i
gurava como
uma prioridade para o governo federal
,
que centralizava
seus
esforços para o nível
fundamental,
até
então o único obrigatório
e
que
ainda
não havia alcançado a u
niversalização
d
o a
cesso
naquel
e
mom
ento
.
As iniciativas de apoio à expansão de cr
e
ches e pré
-
escolas eram
poucas, como apoio financeiro para a
aquisição de material didático para alunos da pré
-
escola
(4 a 6
a
n
os), formação de professores e suporte para a
implemen
tação
do
Re
ferencial
Cu
rr
icu
lar N
acional de Educação Infantil de 1998
(
BRA
S
IL
,
1998
)
ou nos municípios
inseridos no Programa Comunidade Solidária (
IPEA
,
2003
). Apesar dessas poucas iniciativas,
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2125
o
cenário era d
e
destinação de
pouc
os
recursos financeiros para a educ
açã
o infantil,
pa
rti
cular
mente afetados pela diminuição dos
recursos arrecadados para o salário educação
em 1999 (
IPEA
,
2003
).
Assim
, o Proinfância surge em um contexto em que a
e
xpansão do ensino fundamental
já havia se consolidado e novos níveis e modali
dad
es de e
nsino
p
ass
am a entrar como
prioridade na
a
genda de discussões sobre políticas educacionais. Contudo, para que haja esse
repasse de recursos, os
municípios
e
o
Distrito
F
ederal, responsáveis pela oferta da educação
infantil, devem se adequar às di
ret
rizes d
o Fun
do
Na
cional de Desenvolvimento da Ed
u
cação
presentes no Manual de Assistência Financeira (Resolução CD/FNDE
n
° 08
,
de 24 de abril de
2007)
(
FNDE
,
2007b
)
,
que or
ien
t
a
m
a elaboração dos projetos que devem ser enviados pelos
entes
federados
ao
FND
E e seg
uir t
od
as
as
suas
orientações
.
A
Resoluç
ã
o/CD/FNDE nº 6, de 24 de abril de 2007
(
FNDE
,
2007a
)
também
estabelecia critérios de priorização para os
governos
subnacionai
s qu
e
desejassem receber o
repasse do recurso na fase inicial do Programa. Esse
s c
ritério
s est
ão
di
spostos no Anexo I da
Resolução
e abrangem três aspectos: populacional, educacional e de vulnerabilidade social.
Na dimensão populacional, são classificados
com
o
prioritários aqueles municípios que
possuem maior crescimento populaciona
l e
maior
popul
aç
ão
de crianças classificadas na
id
a
de da educação infantil e maior concentração de população em áreas urbanas. Na dimensão
educacional, estabelece
-
se a prioriza
ção
d
e municípios com menores indicadores de distorção
idade
-
série no ensino fu
nda
mental
e com
m
aio
res números de professores com
n
ível superior.
Já na dimensão de vulnerabilidade social, há a priorização de municípios com maiores
percentuais de mulheres c
omo
ú
nicas responsáveis pela provisão, alto índice de jovens em
situação de vul
ner
abilida
de so
ci
oec
onômica e menor orçamento para
e
ducação infantil
(
FNDE
,
2007
a
).
Cumpre ressaltar que o
Proinfância passou por mudanças institucionais ao longo dos
anos
,
em que alguns critérios foram modificados, sobretudo quando o
p
rograma foi inserido
no
escop
o do P
r
ogra
ma de Aceleração do Cresciment
o
(P
A
C)
, visando ampliar o quantitativo
de municípios atendidos e conferir mais celeridade ao processo de transferência de
recu
r
sos.
Oliveira
e
Lotta
(
2019
) demonstram que as mudanças nas regras de adesão a
o P
roinfâ
ncia
f
o
ram
respostas do FNDE frente às di
f
iculdades que os municípios tinham para
implemen
tar a
política. No primeiro período, de 2007 a 2011, o programa teve baixa
cap
a
cidade de entrega
:
dos 2.542 projetos conveniados com os municípios, apenas 40
% f
oram e
fetiva
m
ente
executados
.
Para as autoras,
o
instrumento adotado para adesão
–
por meio de convênios
–
era
image/svg+xml
A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2126
uma das razões para a baixa capacidade de entrega do progra
ma
,
t
endo em vista diversos
impedimentos burocráticos que as prefeituras enfrentava
m
.
Nota
-
se, ad
i
ci
o
n
al
mente, que
n
a
fase inicial
do programa os c
ritérios
de prio
ridade
não
re
flet
iam um princípio de justiça propriamente equitati
vo po
is
os
cr
i
térios
populacional e
d
e
ter melhores condições
educaciona
is
acabam por g
erar
a
reprodução d
as
des
iguald
ades
e
d
uc
a
c
ionais
existentes
e
apenas
o terceiro,
que lista a
vulnerabilidade social, tem uma
intencionalidade corretiva. De modo mais claro,
o critério populacional define como
prioritários o
s
mu
n
icípios com maior população em idade de educação i
nfa
ntil,
mas ta
m
bé
m
com maior concentração de população em áreas urbanas e o educacional define como
prioritários os municípios
com menores taxas de distorção idade
-
série e maior quantitativo de
profis
sio
n
ais com formação em nível superior, enquanto o crit
éri
o de v
ulnera
b
i
lid
ade social
prioriza municípios
“com maiores percentuais de mulheres chefes de família, com maiores
percentuais de jovens em situação de pobreza e com menores disponibilidades de rec
urs
o
s
para financiamento da educação infantil”
(
FNDE
,
2
007
a
)
.
Ne
sse se
n
t
ido
, o
p
rograma
tinha, no
seu desenho original,
uma intencionalidade conflituosa por combinar princípios
de justiça que
vão em sentido
s
opostos
5
.
Contudo, o critério da vulnerabilidade social,
como
primeiro critério para atendimento,
evid
enc
ia a p
rioriz
a
ç
ão
de destinaç
ão
d
e recursos para municípios mais vulneráveis,
mobilizando, portanto, um critério equitativo, visto que objetiva corrigir as desigualdades de
acesso à educação infantil e atender à demanda de vagas para
a educação infantil
a p
artir
de
cre
c
h
es
e, assim, g
ar
a
n
tir igualdade na oferta do serviço
, prom
ovendo
, em sua, maior inclusão
social
.
Ainda que não seja suficiente, esse critério marca um importante movimento em
direção à uma educação mais justa, sobretudo nes
s
a etapa de ensi
no
ainda
marcad
a
p
or
uma
ampla
desigualdade de acesso.
Esse objetivo fica mais evidente
no
d
esenho institucional do
Programa Brasil Carinhoso
,
que surge
,
em 2012, como uma ação do Plano Brasil Sem Miséria
e, posteriormente, torna
-
se um programa educacional
ex
ecuta
do pelo
FNDE
com
vistas a
atuar de forma
complementar
e
, ao
mesmo tempo, paralela
a
o Proinfância
na expansã
o
d
a
s
matrículas da educação infantil
(
CAMPE
L
LO
;
FALCÃO
;
COSTA
,
2014
),
mas
,
dessa
vez,
com
critérios de priorização
para
municípios e família
s e
m situ
ação d
e
vul
nerabilidade social
mais claros
.
5
Agradecemos a
pareceri
sta
anônima
da revista por apontar a necessidade desse esclarecimento
no texto.
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2127
O
desenho institucional do Proinfância
,
que esta
be
l
e
ce financiamento para projetos
que visam
à
construção e/ou
à
reforma das
c
reches financiados pelo FNDE a serem
executados
à risca
pelos entes subnacion
ais
, com
põe o q
u
e
Ol
iveira
e
Lotta
(
2019
, p.
456)
cha
m
am de “modelos de políticas públicas p
ro
n
t
os e acabados, estabelecidos pelo governo
federal
e sobre os quais os governos municipais têm pouca possibilidade de escolhas e/ou
adequação às especificidades
loc
ais”
.
Eles
r
e
sult
am em inúmeros desafios e gargalo
s
de
implemen
tação gerados por essa
elevada rigidez
. De acordo com
Oliveira
e
Lotta
(
2019
) esse
movimento faz parte de um processo
geral
de recentralização
de políticas públicas
do governo
Dilma, especia
lme
nte n
o prime
i
ro m
andato (2011
-
2014)
,
e
que o Proin
f
ância ilustra bem
.
Conforme a
s
a
u
toras supracitadas, a partir de 2009
,
o M
EC
e o FNDE optam, em
virtude das dificuldades dos municípios, por padronizar os projetos
arquitetônicos
das
escolas
de educaçã
o i
nfant
il que
a
ntes
eram estruturados conforme model
o
proposto por esses entes
subnacionais
e que acab
a
ram por se tornar
um
d
os
gargalos de
implemen
tação do programa.
Esses projetos poderiam ser do “tipo A (projeto não padronizado) ou tipos B e C (projeto
s
a
rquit
etônico
s
pad
ronizados e que correspondem a 90
%
das obras selecionadas)”
(
OLIVEIRA
;
LOTTA
,
2019
, p. 454).
Em
s
uma, o Proinfância tinha como objetivo corrigir desigualdades de acesso à creche
e
à
pré
-
escola ao apoiar financeira e tecnicamente os muni
cíp
ios
brasilei
ros
n
o processo de
construção e refor
m
a de instituições de ensino voltadas à educação infantil. En
tr
e
t
anto, o
Proinfância, por seu desenho institucional
fortemente centralizad
o
não apenas em termos de
formulação da política como também no qu
e s
e re
fere às
forma
s de execução da política
públic
a
, tornou
-
se um caso claro da complexidade
que envolve a produçã
o de um
padrão
nacional
. N
es
s
e
caso específico, baseia
-
se apenas no contexto urbano, não se adequando,
portanto, às especificidades e
às
div
ers
idad
es de si
tuaçõ
es de todo o território brasilei
r
o.
A
implemen
tação do PROINF
Â
N
C
I
A no Município de Natal
No que tange
à
implemen
tação do Proinfância no Rio Grande do Norte, a análise dos
dados fornecidos pelo FNDE
,
via Lei de Acess
o à Informação,
p
erm
itiu
identif
ic
ar
que
,
dos
167 municípios do Rio Grande do Norte, 111 receberam recur
s
os oriundos do governo federa
l
d
e
s
tinados à execução do
Proinfância
no período de 2008 a 2019
, isto é, cerca de 66% do total
de municípios do Estado.
Desses, o municípi
o d
e Na
tal rece
be
u o
maior quantitativo de
recursos
e
m valores absolutos
,
em boa medida
,
porque
se
trata
da
mai
o
r
área administrativa
em termos de porte populacional do
e
stado e com uma população
-
alvo maior.
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A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
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b
a ótica
das relações intergovernamentais
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–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2128
Em 2020,
conf
orme Melo (2020),
o município de N
ata
l contava co
m 74 Centros
M
unicipais
de
Educação Infantil (CMEIs) que oferta
va
m a educação infantil
(creche
e pré
-
escola),
sendo
qu
e
12 foram construídos com recursos do Proinfância
. A
tabela
1
traz as
informações da distribuição dos CMEIs por bairros da
ci
dade e as in
formações sobr
e o
quanti
tat
ivo de salas disponíveis e de alunos atendidos
em cada CMEI
.
Tabela 1
–
E
scola
s
construídas
com recurso
s
do Proinfância
por
bairro e região de
localização
,
número de salas de aula e de alunos
no m
unicípio de Nata
l,
2020
Nome d
o CMEI
Bairro
Região
A
dmini
strativa
N° de
salas
N° de
alunos
Antonio Gurgel De Melo
Potengi
Norte
10
40
6
Belchior Jo
rge de Sá
N
.
S.
Apresentação
Norte
4
187
Mailde Ferreira Pinto
Potengi
Norte
8
360
Maria de Nazaré
Lagoa Azul
Norte
8
3
58
Professora
Rosalba Dias d
e Barros
Pote
ngi
Norte
8
342
Santa Cecília
Pajuçara
Norte
4
176
Telma Rejane Moura Freire
Lagoa Azul
No
rte
8
345
P
r
ofessora Terezinha de Jesus
Pajuçara
Norte
10
467
Clara Camarão
Planalto
Oeste
5
217
Maria Luiza
Planalto/
Gua
rapes
Oeste
8
283
Profess
ora Antô
nia F
ernanda Jalles
Pitimbu
S
ul
16
337
Maria dos Martírios Lisboa de
Menezes
Pitimb
u
S
ul
4
153
T
otal
93
3.
6
3
1
Fonte:
E
laborado pelas autor
as
com
base em
M
elo
(202
0
)
A partir dos
dado
s da Tab
ela 1, percebe
-
se que o
s CM
EIs construí
dos a partir de
recursos do
Proinfânc
i
a co
ncentram
-
se
n
as Zonas Norte (8), Oeste (2) e Sul (2) da
c
idade
.
Quando se analisam as regiões e, especificamente, os bairros escolhidos pela Prefeitura do
Natal p
ara a
constru
ção das escolas do Proi
nfân
cia
,
nota
-
se
a priorização de bairros com
maior c
o
ncen
tração de p
o
p
ulação em situação de vulnerabilidade social
:
dos 12 CMEIs,
oito
(66,6%) foram construídos na Região Administrativa Norte, área em que reside a popul
ação
com meno
r poder aquisitivo agre
gado
e que possu
i os maiores indicadores de vulnerabi
l
idad
e
social da
C
idade
;
dois
(16,6%) na Região Oeste, que é a segunda
região
com
maior
concentração da população de baixa renda da cidade; e
dois
(16,6%) na
r
egião Su
l, ár
ea em
qu
e reside a população da
cid
ade
com maio
r poder aquisitivo
, mas com encla
ves urbanos
.
Quando sobre
pomo
s
esses
d
ados
à localização espacial d
e favelas e
de
conjuntos
habitacionais do
município
de Natal
(
M
EDEIROS
,
2018
),
identificamos
que a maio
ria d
os
CMEIs
construídos com recurs
os d
o Proinfânci
a (83%)
fo
i
alocad
a
próxim
a
a esses dois tipos
de aglomerad
os u
r
banos
e
a vasta maioria nas franjas ou periferias da
cidade
. Mesmo no caso
da região
Sul
,
foram construídos
CMEIs
no bairro Pitimbu
,
em uma
área
de conju
nto
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2129
habitacional
que co
ncen
tra populaçã
o em situação
de vulnerabilidade social
.
A distribuição
espacial dos CMEIs
construídos com rec
u
rsos do Proinfância
,
além de
outras características
dos espaços urbanos de Natal
,
pode ser visualizada no Map
a 1.
V
erif
ica
-
s
e
,
por out
r
o lado
,
qu
e há
bairros
car
acterizados
por uma situação de alta precariedade social e urbana que não
foram contemplados, ainda que houvesse uma alta demanda, como é o caso Igapó e Mãe
Luíza.
Mapa 1
–
D
istribuição espacial das cre
ches
do munic
ípio de Nata
l/RN
, das e
s
c
ol
as do
Proinf
ância
e localização das favelas e conjunto
s
habitacionais
Fonte:
Melo
(
2020
)
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A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
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Revista I
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Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
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2130
A
razão pela
qual
e
s
s
e
s
bairros
,
que cumprem com
os critéri
o
s
de prioridade do
Proinf
â
ncia
,
não ter
em
nenhuma creche construída é que a elevada informalidade e
adensame
nto c
onstruti
vo desse tipo de ocupaç
ão
u
rbana
–
com
presença de favelas e outros
assentamentos
p
recários
–
não permite: 1) encontrar ter
renos dispo
n
í
veis para a construção de
um equipamento escolar
;
e 2)
quando há terrenos,
não
se tem a dominialidade, isto
é, n
ão
há
re
gistro
público e oficia
l d
e
propriedad
e em
cartórios
,
resultado d
a história de
ocu
p
ações
informais e
irregulares
do Brasil urbano
.
Com
o será vist
o
adiante, esse problema não foi
endereçado pelo programa federal
,
ainda que esta seja uma realida
de nã
o exclus
iva de Natal.
Assim, p
erc
e
be
-
se, de m
aneira geral, que os CMEIs construídos com r
e
cursos do
Proinfância em Natal foram alocados em ár
eas
de alta vulnerabilidade
social
,
com
destaque
pa
ra u
m conjunto significativo de escolas construídas nos c
o
njunt
os habit
acionais
,
espaços
que c
ont
a
m com
maior
ordenamento
e
planejamento
urbano
s
-
e
m
tes
e
,
locais que
possuem
espaços para
receber
equipamentos públicos
.
Porém
,
também
se observa
escolas
construídas
em bairros periféricos ou
em
enclaves urbanos e
p
r
óximo
s
a
fave
las
,
em assentamentos
p
rec
á
rios
, muita
s vezes, irregulares administrativamente
.
Ne
s
s
es
casos, os
problemas de
terrenos com terraplanagem e dominialidade de terrenos públicos são ainda maiores
e
tornaram
-
se um dos problemas para a
execução
do P
roinf
ân
c
i
a
no
caso do município de N
ata
l
.
Direci
o
n
ando o olhar para o quantitativo de matrículas,
constata
-
se, a partir dos dados
do Censo Escolar
sintetizados pelo QEdu,
um aumento expressivo na expansão de vagas para
o segmento da ed
ucação infa
n
t
il (cre
che
e pré
-
esc
ola) nos CMEIs que rece
ber
a
m recurso
s
do
Proinfância
no período de 2014 a 2020
6
.
O Gráfico
1
permite identificar
que a capacidade de
atendimento dos CMEIs financiados pe
lo Proinfân
c
i
a vai crescendo ao longo dos anos
,
conforme os equipamentos s
ão c
onstruído
s
,
entregues
e entram e
m f
u
ncionamen
t
o
.
6
O
ptamos por restringir a análise pa
ra a
par
tir de
20
14 devido à ausência de inform
açõ
e
s par
a os CMEIs
Belchior Jorge de Sá
,
Maild
e Ferreira Pinto
, Maria de Naza
ré,
Tel
ma Rej
ane Moura Freire
e
Mari
a
dos Martírios
Lisboa de Menezes
no período an
terior.
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2131
Gráfico 1
–
E
volução
das
matrículas nas
e
scolas construídas ou reformadas com recursos do
Proinfância
, m
unicípio de Natal, 2014
-
2020
*
H
á ausência de
dados para
o
CMEI Clara Camarão
para o ano de
20
1
5.
Fonte:
E
laborado
pelas autoras c
om
b
ase nas i
n
f
ormações dispostas no Portal do
Q
E
du
(
2022
)
O primeiro desembolso de recursos do FNDE para Natal ocorre em junho de 2010
,
mas é apenas em 2013 que 50% do
s recursos
s
ã
o
pagos
. A
totalidade de liberação
p
a
ra todos
os p
rojetos
se dá em outubro
de
2019
, o
que
se reflete n
a capacidade de
atendimentos dos
equipamentos. Os dados do Gráfico 1 mostram um aumento gradativo no quantitativo de
matrículas de todos os C
MEIs do Pro
i
n
fância em Natal
desde 2014
. N
o entan
t
o, nota
-
se qu
e é
somente a partir de
201
7
que há
uma
expansão significativa na capacidade de atendimento
desses equipamentos escolares.
F
oram
também
realizadas
seis
entrevista
s
com gestore
s
envolvidos no Proinfância
,
buscando
compreender mel
hor
as inform
a
ções
apresent
adas
. Dessas
seis
entrev
ist
a
s, uma
f
oi
exploratória e
realizada com
um
(a)
servidor(a) da
União Nacional dos Dirigentes Municipais
de Educação
–
UNDI
ME. Das cinco
r
estantes, três foram realizadas com gestores
(as)
e ex
-
gestores
(as)
do Fundo Nac
i
onal de Desen
volvimento da Educação (
e
nt
r
evistados
1
, 2 e 3) e
duas foram realizadas com gestores
(as)
da Secretaria Municipal de Educação
de Natal
(
e
ntrevistados
4 e 5). Para
e
ste artigo, optou
-
se por focar na questão
central
, isto é, a
visão dos
gestores
públicos
acer
ca dos desafios
e
gargal
os
d
a
implemen
t
ação do Proinfância
.
De acordo com
as falas dos
(as)
gestores
(as)
e ex
-
gesto
res
(as)
do
FN
D
E
, os desafios de
implemen
tação
podem ser classificados em dois
grandes
grupos
. O
primeiro está relacionado
à ques
t
ão
da motivaç
ão
das empreiteiras de e
xec
u
tarem um p
r
ojeto arquitetônico
,
como o do
Proinfância
,
e
de
possuírem a capacidade técnica de
executar o mo
d
e
lo
proposto pelo FNDE,
image/svg+xml
A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2132
assim como se submeter ao modelo de recebimento de pagamento que é marcado por atr
a
sos e
interro
mpimentos.
Dito de o
utra
fo
r
ma,
os ges
t
ores apontam que esse modelo
de
contratação
produz dificuldades de encontrar
empresas capazes
ou
interessadas
em construir as escolas
tendo em vista
as
diferentes
e muito d
iversas
realidades locais
.
No
s
egundo grupo,
estão as
dificuldades t
écn
i
cas, opera
c
ionais e fiscais do
s
município
s
que precisam re
alizar os pro
c
e
dimentos técnicos e burocráticos, conforme as
orientações do FNDE e do MEC. Dentre
elas
, destaca
-
se
a realização dos contratos, licitações
e
d
e
disponibili
dade de terreno de acord
o c
o
m as espec
i
ficações
. Os trechos abaixo
,
publicados originalmente em
Melo (2020),
ilustram os
argumentos:
[
...
]
o principal problema foi a capacidade brasileira de executar. Tanto
capacidade pública, quanto capacidade privada. Nós não temos, ainda que
a
e
n
genharia s
eja
uma ciência já antiga e com padrões e
normas e ABNTs,
você não tem isso nacio
nalmente, uma
c
apacidade de todas as construtoras
fazerem com celeridade, com economicidade,
com padrão. E ao mesmo
tempo as prefeituras. O Proinfância
,
ele foi
de
s
e
nhado para
se
r uma
construção linear, isso foi pens
a
do por questão de segurança das criança
s.
Você tem d
i
f
iculdades várias, e eu diria que uma grande dificuldade
executiva das prefeituras, mas eu não isentaria o setor privado, ao contrário,
eu acho qu
e e
l
e
é corresp
ons
ável, ele não demonstrou capacidade.
[
.
..
]
um
dos problemas do desenho do Proi
nfância é que
e
le foi desenhado
imaginando condições mínimas que seriam aceitáveis
nacionalmente
[
...
]
um padrão mínimo que está muito acima de muitos estados e
mu
n
i
cípios e
d
epo
is
implemen
tar isso é um desafio gigan
t
e
(
entrevistado 1
,
gestor federal,
2020
, grifo
s
noss
o
s
).
Nos municípios, muito problema de terreno, os terrenos não se viabilizavam,
problemas de documentação para comprovar propriedade do terreno,
um
p
r
oblema que
eu
achava que era básico
,
mas
,
enfim, fo
i
maior do que eu
imaginei, foi o proble
ma da terrapl
a
n
agem, os municípios eram responsáveis
por entregar o terreno com terraplanagem, e não conseguiam
.
E
nquanto não
entregavam não davam a primeira fa
se.
E
ntão essa
inc
apacidade da gestão
dos municípios é u
m
negócio absurdo no País
(
entrevistado
2
,
gestor
fed
e
r
al,
2020, grifo
s
nosso
s
).
São 2 desafios
:
n
a
captação de empreiteiras sérias que suportem o tempo
de desembolso que a gente tem hoje para fazer
o p
a
g
amento das
ob
ras
em execução e a questão da execuçã
o
da política
.
O
desafio é o
município
c
onseguir diss
i
p
ar,
porque a gente dá o projeto padronizado, fala
das especificações do terreno
,
mas tem as dificuldades número 1 de eles não
terem terreno, com
ade
q
u
ação neces
sár
ia para poder construir e nem pelas
di
m
ensões necessárias, principalmente nos
grandes centr
o
s
urbanos, 2
ª
a
capacidade de licitar obra pela dificuldade do processo licitatório como um
todo e pela dificuldade de se ter engenheiros qualific
ado
s
para licit
açã
o da
obra e a 3
ª
também que é muito im
p
ortante é a questão da falta de recurso
s, a
desconti
n
u
idade do programa
.
A
gente não investe mais no programa para
novas pactuações, são as principais dificuldades, a questão da execução
desde a sepa
raç
ã
o
do terren
o à
contratação da empresa, a fiscalizaçã
o
por
parte do
município
até a parte da
falta de verb
a
s
para dar continuidade aos
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2133
que
t
ê
m
, e principalmente para novas pactuações.
[
...
]
eu estou trabalhando
na parte do atendimento às
p
refeituras
e v
ocê
v
erifica o
qua
nto eles são
carentes de acesso à info
r
mação.
Se a gente não tiver um bom corp
o
técnico par
a
dar esse apoio, às vezes, o
m
unicípio
não consegue fazer
uma obra na vida, que é justo na obra do ProInfância que ele não
consegue terminar, porq
ue
n
ã
o tem enge
nhe
iro, não tem alguém que
conheça que po
d
e dar algum tipo de suporte no
m
unicípi
o
, tanto na
p
a
r
te de execução, de licitação, de acompanhamento da obra,
fiscalização da obra
[
...
]
muitas vezes eles não têm capacidade técnica
para fazer isso,
en
t
ã
o o apoio
do
FNDE é fundamental para a execução
de
v
árias políticas
(
entrevistado 3
,
gestor
federal,
202
0
,
grifo
s
nosso
s
).
Na visão dos
(as)
gestores
(as)
municipais
,
o
s
principa
is
desafio
s
destacado
s
são
encontrar
o
terreno adequado para a construção
das
c
reches, ta
nto
pela necessidade de
dominialidade do
t
erreno quanto
pel
a disponibilidade de
um terreno de
a
cordo com as
especificações do FNDE
. Além disso,
há ainda
problemas com o
processo de
desembolsos
dos recursos financeiros pelo
FNDE
,
o
que torna
o r
i
t
mo das obr
as
lento e, em muitos casos,
marcado por
i
nterrupções temporárias e/ou definitivas
,
como ilustra
m
os trechos a seguir:
As obras não estão paralisadas, estão sendo construídas. Mas é sempre tudo
muito lento.
Então
,
assim, há muitas interrup
çõe
s
devido ao
não
pagamento pelo MEC.
A obra está anda
n
do
,
andando
aí para. Tanto que
duas obras
praticamente
j
á eram pra ter sido entregues no meio do ano e não
foram. Nós estamos aguardando a conclusão dessas obras pra fazermos a
transferência dos espaç
os
a
n
tigos, que
sã
o casas alugadas, para esse espaço.
E
a gente recebe muita cobrança tanto das d
iretoras como
d
a comunidade
público
-
alvo. Então o que eu vejo é o problema da interrupção do pagamento
da empresa de engenharia.
[
.
.
.
]
Não fica claro pra mim,
mas
eu
vejo que
é
uma questão de prioridade: ‘ah, esse m
ê
s o recurso vai para Pernambuco e
não par
a o Rio Grand
e
do Norte.
Eu vejo que é uma questão de uma opção
política mesmo.
Acho muito desgastante porque a Secretaria tem que ir
a Brasília, o Prefeito t
em
q
ue
ir a Bra
síl
ia.
É muito desgastante porque
não é u
m
programa? Ou continua ou extingue. Se nã
o tem condiçõ
e
s
,
vai
extinguir, mas
,
se ele está ativo
,
tem que ter os recursos
(
entrevistado 4
,
gestor municipal,
2020, grifo
s
nosso
s
).
Os principais desaf
ios
sã
o terreno
s,
já começa daí. Mas, por exemplo,
terre
n
o é muito difícil, porque tem que ter aqu
elas medidas
c
e
rtas, tem que
ter dominialidade, a documentação pública, e aí que é o terrível. Para mim,
dentro na nossa realidade, pelo pouco que eu acompanh
o,
e
ss
a parte d
e t
er
a dominialidade do terreno é o maio
r
desafio para que a construção
comece
(
en
trevistado 5
,
g
estor municipal,
2020, grifo
s
nosso
s
).
Nota
-
se
que os problemas de
implemen
tação
, na visão dos
gestores municipais
,
não se
referem
à
falta de
cap
a
ci
dade de g
est
ão, pois são fatores externos ao contr
o
le das secretarias
municipais de educação
. A questão d
a
ausência de registro formal de dominialidade dos
terrenos é
, inclusive,
um problema nacional,
não exclusivo do município
de Natal,
resultado
da
hi
s
tó
rica ocup
açã
o irregular nos grandes centros urbano
s
,
como é o caso das favelas
image/svg+xml
A
implementação do
Pro
inf
â
ncia
so
b
a ótica
das relações intergovernamentais
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/r
iaee.v17iesp.3.
16621
2134
brasileiras
e de muitas per
iferias urbanas
.
O mesmo pode
s
e
r observado com relação
às
construtoras
que vencem os processos licitatórios,
são
de pequeno porte e não suporta
m o
(l
o
n
go) tem
po
de desembolsos previstos pelo FNDE
, at
r
asando o cronograma e a entrega do
equipamento.
As
rígid
as
normas
para execução
da política
, como
definidas
pelo FNDE
,
ape
sar
de
bem
-
intencionadas
ao tentar produzir i
nsumos p
rontos e acabados
-
esp
eci
a
lm
ente rele
van
tes
para os municípios
com baixa capac
i
dade estatal
-
, acab
am
por
elim
inar
totalmente
a
capacidade de resposta a
probl
emas
t
í
picos
de
implementação
pelos
próprios
gestores
municipais
. Tendo em vista
a
enorme
diversidade regional
, em
um
p
a
ís
d
e
dimensões
co
ntinentais, permeado por d
esigualdades
m
ú
ltiplas
, um p
rojeto único e naci
onal sem
adequações
locais
, tenderá a
re
produzir
atrasos e abandono
s de
obras públicas que
, em
seu
objetivo original,
buscava
produzir maior inclusão social
.
Cons
ide
r
a
ç
ões finai
s
Este artigo procurou
analisar
como a imp
l
ementação do Proinfância ocorreu na
prática
e qu
a
i
s visões os gestores federais e municipais do programa têm sobre os problemas de
implementação.
O programa teve uma eficácia parcial: por um lado,
os
e
qu
ipamentos
es
colares localizam
-
se
em áreas vulnerávei
s
e de alta vulnerabilidade
;
e, por
outro,
não
co
n
s
eguiu
atender
outras
áreas prioritárias de acordo com
o esperado no desenho institucional
do programa.
Deve
-
se
is
s
o
a problemas de execução do proj
eto
qu
e não são
co
ntemplados nas
normas
federais.
Os prin
c
ipais
gargalos de
implemen
tação
apo
ntados pelos
g
e
stores e ex
-
gestores da
burocracia federal e local
foram
: as dificuldades de construção das creches em virtude da
existência de poucas construtoras
em
co
ndições d
e
e
xecutar o projeto, a forma
demorada
de
t
r
ansferência de recursos, o recorren
te problema d
a
falta de terrenos públicos adequados às
especificidades do projeto
com comprovação da dominialidade e a baixa capacidade técnica
-
burocrática dos mu
nic
í
pi
os
. Este
últ
imo
asp
ecto, porém,
é
um dos fatores mai
s
citados pelos
gestores federais como um problema na
imple
men
tação da p
o
l
ítica
, mas não é visto como o
principal problema na visão dos próprios gestores municipais
.
Pode
-
se dizer que o
estabelecime
nto
de
padr
oniz
açõ
es
nacionais
é, ao mesmo tempo, uma nece
s
sidade e um
problema.
O estudo aqui realizado ilustra os problemas de
um
desenho insti
t
u
cional único para
todo o país associado aos problemas de capacidade burocrática
e
sugere
que o programa ger
a
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Yasmim Marques de MELO
e
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
esp. 3
,
p.
2118
-
2138
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2135
pr
o
bl
emas
de
i
mpl
emen
tação que
poderiam ser solucionados
s
e existissem
instâncias de
negociação, pactuação e diálogo em que os gover
nos locais ti
v
e
ssem assento e participação.
A
tentativa do FNDE de adotar um padrão de projetos que permit
isse
superar os p
rob
l
e
m
as
conhec
ido
s das desigualdades de capacidades entr
e
os municípios brasileiros
gera
um efeito
adverso:
um modelo de execução e
xcessivamente
r
ígido que não permite adequações às
realidades e
aos
contextos locais, resultando em demora e, em muitos caso
s,
e
m
abandono
e
n
ão conclusão de obras.
O argumento cen
t
ral
trabalhado no
artigo
foi de
que ess
a
excessiv
a rigidez
burocrátic
a
ao estilo
to
p
-
down
, caracterizado pela ausência de canais de diálogo, interação ou de
pactuação entre gestores locais e órgãos
cen
t
r
a
is
,
imped
e
a
identificação dos problemas
típ
icos
(e
esperados)
do momento de implementação de políticas públicas
. Como resultado,
não se estabelecem revisões e ajustes no
rmativos que
p
e
rmitiriam melhorar e agilizar a
entrega de serviços e bens públic
os
e
a
s respost
as
para os problemas de execução
. Sem
espa
ç
os de diálogo e trocas institucionalizados, o próprio sistema fica dependente de soluções
caso a caso e exposto à
s
inf
luências polí
t
i
cas
e ao
clientelismo político
.
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Pro
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ncia
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b
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6
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A
implementação do
Pro
inf
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a ótica
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DOI:
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iaee.v17iesp.3.
16621
2138
Como referenciar
este
artigo
MELO
,
Y. M.
;
GOMES
, S.
A implementação do Proinfância sob a ótica das relações
intergovernamentais
.
Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação
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17, n. esp
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3, p.
21
18
-
21
38
, nov. 2022. e
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ISSN
: 1982
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5587. DOI:
https://doi.org/
10.
21
723
/r
ia
ee.
v17iesp.3.16621
Submetido em:
15/03/2022
Revisões requ
eridas em
:
27/06/2022
Aprovado em
:
0
7/09/2022
Publicado em
:
30/11/2022
Processamento e editoração: Editora Ibero
-
Americana
de Educação.
Revisão, formataçã
o,
normaliza
ção e tradução.
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La implementación de
Proinfância
desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
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Estud
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ISSN: 1982
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2118
LA IMPLEMENTACIÓN DE PROINFÂNCIA DESDE LA PERSPECTIVA DE LAS
RELACIONES INTERG
UBERNAMENTALES
1
A IMPLEMENTAÇÃO DO PROINFÂNCIA SOB A ÓTICA DAS RELAÇÕES
INTERGOVERNAMENTAIS
THE IMPLEMENTATION OF PROINFANCIA FEDERAL PROGRAM FROM THE
PERSPECTIVE OF INTERGOVER
NMENTAL RELATIONS
Yasmim Mar
ques de
MELO
2
Sandra Cristina
GOMES
3
RESUMEN
:
Uno de los aspectos que destaca
l
a liter
a
t
ura sobre la implementación de
políticas públicas se refiere a las tensiones que implican una formulación centralizada a n
ivel
federal
y su ejecución local. Con base en estudios en el área, este artículo analiza la
implementación de Proinfância
–
u
n progr
a
m
a federal de apoyo a la construcción y renovación
de escuelas de Educación Infantil
–
y qué visiones tienen los gestores fe
derales y mu
nicipales
del programa sobre los problemas de implementación. Para ello, se realizó un estudio de caso
en profun
d
idad pa
r
a
la ciudad de Natal/RN utilizando revisión de literatura, análisis de
documentos, datos del programa y entrevistas con ges
tores munici
pales y federales. Los
principales hallazgos muestran que la rigidez de las reglas de adhesión y ejecución del
p
r
ograma,
s
umado a la inexistencia de espacios institucionales de diálogo, concertación o
participación de los gobiernos municipales,
redundan en
la ausencia de soluciones a
problemas típicos de implementación en un estado federal.
PALABRAS CLAVE
: Política
s
educat
i
v
as. Programa Proinf
a
ncia. Relaciones
intergubernamentales. Formulación de políticas públicas. Implementación de políticas.
RESUMO
:
U
m
dos aspectos destacado pela literatura de
implemen
tação de políticas
públicas refere
-
se às tensões que envolvem uma formulação centralizada na esfera federal e
su
a
execução local. Com base em estudos da área, e
ste artigo analisa como se deu a
implemen
taç
ão do Proinfância
–
um programa federal de apoio à construção e reforma de
escolas de Educação Infantil
–
e quais visões os gestores federais e municipais do progra
m
a
1
Agradecemos a la Red de Estudios sobre la Implementación de Políticas Públicas Educativas
(REIPPE),
con la
colaboración del Itaú Social, apoyo financiero para las traducciones de este
artículo al inglés y al español. Este
ar
tículo pr
esenta parte de los resultados de la disertación de Melo (2020).
Una versión preliminar de este texto
fue presentada en el IV Encuentro Nacional de Docencia e Investigación del Campo de la Audiencia Pública
(ENE
PCP)
.
2
Fundación Getúlio Vargas
(
FG
V
/
EAESP
)
,
São Paulo
–
SP
–
Brasil
.
Estudiante de
Doctorado en
Administración Pública y Gobierno
.
OR
CID
:
http
s://orcid.org/0
0
00
-
0002
-
7262
-
0888
.
E
-
mail:
yasmimmarquesm@gmail.com
3
Universidad Federal de Rio Grande do N
orte
(
UFRN
)
,
Natal
–
RN
–
Br
asil.
Pro
fes
or
a
del D
epartamento de
Políticas Públicas
(DPP/UFR
N)
y el Programa de Posgrado en Estudios Urbanos y Regionales
(PPEUR/
UFRN)
.
Doctorado y Máster en Ciencia Política
(U
SP).
Miembro de la Red de Estudios sobre Impleme
ntación de
Políticas Públicas Educati
vas
(REIPPE)
.
ORCID:
http://orcid.org/0000
-
0002
-
7703
-
648
8
.
E
-
mail:
sandra.gome
s@ufrn.br
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Yasmim Marques de MELO
y
Sandra GOMES
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Estudos em Educação
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n
ov. 20
22
e
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ISSN: 19
82
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5587
DOI:
ht
tps://doi.org/10.2172
3/riaee.v17iesp.3.16621
2119
têm sobre os problemas de
implemen
tação. Para
isso
, um estudo de caso em prof
undidade foi
feito para o município de Natal/RN utilizando
-
se de revisão bibliográfica, análise
documental,
dados do programa e
entrevistas
com
gestores municipais e federais
.
O
s
pri
ncipais achados mostram que
a rigidez das no
rmas de adesão e execução
do p
rograma
comb
inada a
não
existência
de
espa
ços institucionais
de diálogo,
pactuaç
õe
s ou
de
partic
i
p
aç
ã
o dos governos
municipais
r
esultam em
ausência
de soluções
coletivas
d
e
pro
b
lem
as típicos d
e implementação
em um estado federativo
.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
Políti
cas
educacio
nais.
P
rograma
Proinfância
.
R
elações
intergovernamentais.
Formulação de políticas públicas
.
Implemen
tação de políticas.
ABSTRACT
:
One of the aspects discussed by the
public policy
implemen
tation
literature
refers to the tensions involving a
c
e
ntralized
formulat
i
o
n
of policies
and the execution by
subnational governments
. Based o
n
are
a
studies
, this article
show
s
how
Proinfancia
–
a
federal program
fina
nci
ng the
e
xpansion
of
kindergarten
schools
–
was
implemented
and the
perceptio
ns
munici
pal a
n
d
federal a
gents
have concern
ing
the
problems of implement
ation.
An
in
-
depth case study is carried out analyzing the city of Natal, in the
State of Rio Grande
do
Norte, Brazil, using
bibliographical
revision, documen
t
and data anal
ysis, and interviews
wit
h
official
a
gents.
The ma
ins findings
s
uggest tha
t
extreme rigorous norms to adhere and to
execute federal programs
combined
with the
absence
of formal c
hannels of
dialogu
e,
participation and agreements with m
un
ici
pal governments
produce
no
collective
solu
t
i
ons for
pr
oblems that
should be
expected
in a federal
sta
t
e
during implementation
.
KEYWORDS
:
E
ducation policy. Proinfancia
Federal Program
. Intergovernmental relations.
Formulation of public policies.
Implemen
tation of
p
o
licies.
Introducción
La li
teratura de
implementación de políticas públicas está permeada por diferentes
lentes analíticos para explicar el complejo proceso en el que las políticas toman forma en la
práctica. En el contexto de las relaciones intergubernamentales en el federalis
mo br
asileño,
est
a complejidad es alta, porque típicamente involucra diseños institucionales con
formulación centralizada en la esfera federal e implementación local por parte de gobiernos
subnacionales, que, a su vez, tienen realidades y capacidades muy d
ivers
as y desigua
les.
(
ARRETCHE
,
2012
;
BIC
HIR
,
2020
;
GOMES
,
2009
;
OLIVEIRA
;
LOTTA
,
20
19
).
Para Oliveira y Lotta (2019), uno de los problemas relacionados con la formulación de
políticas nacionales es la adopción de modelos únicos y rígidos por parte de las age
ncias
federa
les que no permiten a los gobiernos subnacionales adaptar los instrumentos
de
planificación y gestión a sus particularidades locales.
El resultado sería entonces una
disminución de la autonomía administrativa o de la capacidad de implementación
de las
image/svg+xml
La implementación de
Proinfância
desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
RIAEE
–
Revista I
bero
-
Americana de
Estud
os em Educação
,
Araraquara,
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17
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2120
enti
dades subnacionales, lo que aumentaría los riesgos de no alcanzar los objetivos de una
política pública.
Este artículo presenta un caso ilustrativo de este proceso descrito por Oliveira y Lotta
(2019) al analizar cómo se llevó a cabo el proces
o de impleme
ntación de un programa federal
a nivel municipal.
Los hallazgos muestran que la rigidez de las reglas de membresía y
ejecución combinada con la falta de espacios institucionales para el diálogo, los acuerdos o la
participación de los gobiernos
municipales
resultan en la ausencia de soluciones a los
proble
mas típicos de implementación. Se observa que los administradores federales, por un
lado, atribuyen a la falta de capacidad de gestión de los municipios la explicación de los
problemas de ejecuc
ión de los p
rogramas federales y, por otro lado, los administr
adores
municipales consideran que los obstáculos son generados por las normas inadecuadas de las
agencias federales.
Para ello, el Programa Nacional de
R
eestructuración y
A
dquisición de
E
quipam
iento
para l
a Red de Escuelas Públicas de Educación Infantil
(PROINF
Â
NCIA
) se utiliza como
caso empírico.
Proinfância fue establecida en 2007, integrando una serie de otras acciones del
gobierno federal destinadas a abordar las desigualdades de acceso exis
tentes en la
educación
de la primera infancia
(
FNDE
,
n.d.
).
El Programa consiste en una política de apoyo a la ampliación del acceso a este nivel
educativo, que es ofrecido por los municipios, a través de proyectos para la construcción y/o
reforma de escu
elas de educ
ación infantil (guarderías y preescolares).
El Fondo Nacional para
el Desarrollo de la Educación
(FNDE)
es la agencia federal responsable tanto de la
aprobación de los proyectos presentados por los municipios como del establecimiento de
normas
para su impl
ementación.
Proinfância es un caso de interés, ya que, según Oliveira y
Lotta (2019), es un ejemplo de una centralización que va más allá del proceso de formulación
y se extiende a una centralización también en su ejecución.
Este modelo de eje
cución, al e
stilo de
top
-
down
no es exclusivo de las políticas
federales en educación.
Oliveira y Lotta (2019), así como Pires y Gomide (2016), observaron
movimientos de centralización similares en el Programa Mi casa, mi vida
(P
MCMV),
en el
que el diseño
instituciona
l también refleja la decisión de adoptar estándares únicos y
nacionales, muy rígidos y con baja posibilidad de adaptación a las realidades y contextos
locales, tanto en formulación como en implementación. Una de las consecue
ncias de esta baja
c
apacidad par
a adaptar los proyectos a las realidades locales es la inviabilidad o retraso en la
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Yasmim Marques de MELO
y
Sandra GOMES
RIAEE
–
Revista I
bero
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Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara,
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22
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DOI:
ht
tps://doi.org/10.2172
3/riaee.v17iesp.3.16621
2121
implementación de la política o, de otra manera, en la efectividad y eficacia de una política
pública.
Este artículo tiene como objetivo analizar cómo ocurrió l
a implementa
ción de
Proinfância en la práctica y qué puntos de vista tienen los gestores federales y municipales del
programa sobre los problemas de implementación.
De acuerdo con la naturaleza del estudio y
para cumplir con el objetivo propuesto, el caso
del municipi
o de Natal/RN fue elegido para un
análisis en profundidad.
Se adoptaron los siguientes procedimientos metodológicos: revisión
bibliográfica de trabajos académicos sobre este tema; análisis documental de las principales
leyes y documentos instit
ucionales so
bre el Programa Proinfância; análisis de los datos sobre
lo
s recursos transferidos a los municipios de Rio Grande do Norte que se unieron al programa
y los tipos de obras realizadas por estas entidades federadas
-
datos proporcionados por el
FN
DE,
en 2020,
a través de la Ley de Acceso a la Información; y entrevistas estructuradas
para capturar las opiniones de los agentes implementadores en comparación con las de los
agentes formuladores, realizadas en 2020.
Los entrevistados dieron su consentim
ient
o libre
e
informado a las entrevistas y sus respuestas son anónimas.
A la luz de este contexto y objetivos esbozados, el artículo, además de esta
introducción, tiene una sección que rescata algunos de los elementos centrales del debate
sobre las relac
iones interg
ubernamentales en la implementación de programas federales; ot
ro
que presenta el diseño institucional de Proinfância y los cambios en las reglas de ejecución; y
una sección empírica que presenta los hallazgos para el caso del municipio de Natal
/RN.
Las
con
sideraciones finales recuperan los principales aspectos discutidos en este trabajo y algunas
de sus implicaciones, lo que puede permitir una reformulación en el modo de interacción entre
las agencias federales y subnacionales.
Relaciones inte
rgubernament
ales en la implementación local de programas federales
Los estudios sobre las relaciones intergubernamentales en el Brasil consolidaron un
consenso relativo de que las reformas adoptadas por diferentes gobiernos a nivel federal desde
el deceni
o de 1990 te
nían por objeto producir niveles nacionales mínimos en l
a provisión de
políticas sociales por los estados y municipios
(
AB
RUCIO, 2005; ALMEIDA
, 2005;
ARRETCHE, 2002, 2012; BICHIR, 2011; BICHIR; SIMONI JUNIOR; PEREIRA, 2020;
FRANZESE; ABRUCIO, 2
013
).
Al ad
optar estrategias de estandarización federal de estas políticas, el modelo
federativo brasileño se habría caracterizado por la formulación a nivel nacional.
(
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Proinfância
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decision
-
making
)
con implementación (o implementación) subnacional
(
policy
-
maki
ng
)
,
como pr
opone
Arretche
(
2012
).
La expansión de la prestación de servicios públicos, como la
salud, la educación o la asistencia social, sería un ejemplo de instrumentos de inducción
nacional de políticas públicas. Sin embargo, una literatura crece en B
rasil que co
mienza a
centrarse en e
l proceso de implementación de políticas públicas que muestra una diversidad
de situaciones en las formas y resultados de la implementación de políticas nacionales,
afectadas por numerosos factores.
(
FARIA
,
2012
;
LOTTA
,
2
019
;
MEL
O
,
2
020
;
PIRES
,
2019
).
Los contextos locales, con sus propias realidades, impactan el modo de
implementación dependiendo de la percepción de la burocracia implementadora sobre los
valores incorporados en la política pública, la comprensión (divers
a) de cómo l
a política debe
ser
operacionalizada, las dificultades locales no previstas en el diseño institucional de la
política, entre otros señalados por estudios en el área.
También se señala, en la literatura más
reciente, que la forma en que se imple
mentan las p
olíticas puede contribuir tanto a la
reducción de las desigualdades como, por el contrario, a su reproducción, es decir, en lugar de
combatirlas, las políticas públic
as pueden mantener o aumentar la exclusión de grupos
sociales más vulnerables
a los derech
os y servicios públicos que la política. Originalmente se
buscó producir acceso
(
PIRES
,
2019
).
Esta discusión es de especial interés en este estudio, debido a la alta centralización de
la toma de decisiones y la rigidez de los instrumentos de
ejecución d
e Proinfância, definidos
por la FNDE, una agencia federal central vinculada al Ministerio de Educ
ación
(MEC),
afectó
negativamente la capacidad y agilidad de las respuestas oportunas a los cuellos de botella de
la implementación de este program
a nacional.
En analogía con las dos divisiones analíticas que inauguran el debate sobre la
implementación, Proinfância puede caracterizarse como una política de estilo
top
-
down
,
es
decir, el entendimiento de que es posible "controlar" a los agentes respons
ables de su
ejecución en la punta del sistema estableciendo estándares específicos y estrictos para el
cumplimiento de los pasos de implementación.
Dicho de otra manera, una política al estilo
top
-
down
p
arte de la premisa de que los
burócratas responsable
s de la form
ulación a nivel central son capaces de establecer
herramientas de gestión que controlan e inducen a los gestores en municipios y estados a
hacer exactamente lo que se espera, sin "desviación
de ruta".
En este caso, la opinión
predominante es qu
e las agenci
as centrales deben establecer una serie de normas y
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procedimientos regulatorios para que los agentes ejecutores sigan estrictamente los pasos
predefinidos.
Desde esta perspectiva, los problemas de implementación se refieren a
"desviaciones de r
utas" de los
administradores locales, es decir, se habrían desviado de la
forma planificada (y prevista) de operacionalizar la política
.
La limitación de esta perspectiva analítica y de gestión es que, en la práctica, existen
varios factores que afectan la
implementac
ión local, pero que no pudieron anticiparse en el
momento de la formulación de una política pública.
Las razones de esto son
las más diversas
4
,
Pero una nueva visión del problema es inaugurada por la perspectiva analítica
conocida como
bottom
-
u
p
en los est
udios de implementación.
Al cuestionar la posibilidad (real) de tener un control casi total del comportamiento de
los implementadores o, incluso, de la forma de implementación local a través de
procedimientos rígidos o exhaustivos de operacion
alización de
una política, los estudio
sos
desde la perspectiva
bottom
-
up
i
nvertir los términos del debate: "de la pregunta inicial de por
qué los burócratas se mueven de los objetivos establecidos en la política formulada para cómo
los burócratas implement
an esta polí
tica en la práctica"
(
GOMES
,
2019
, p. 45).
Uno de los aprendizajes del debate entre una implementación de tipo
top
-
down
versus
otro tipo
bottom
-
up
es que no
se trata, en definitiva, de un dilema en el que deba elegirse un
único modelo de aplica
ción. En otr
as palabras, el monitoreo de cómo se está implementando
una política determinada en la práctica (o en la punta del sistema) es una fuente de
información i
mportante para identificar las dificultades que surgen y que no podrían
anticiparse en el
momento de l
a elaboración del diseño institucional de la política o los
instrumentos de implementación.
Por lo tanto, una interacción
-
que también presupone una comunicación efectiva
-
entre
los gerentes en la punta del sistema y los burócratas de las agenc
ias centrale
s, que formulan
los procedimientos para implementar políticas, podría producir aprendizajes
que, en el caso,
permitirían realinear regulaciones y diseños institucionales para aumentar la capacidad de
respuesta y entrega de bienes y servicios pú
blicos.
La l
iteratura brasileña ha demostrado que los programas con mayor capacidad
relacional entre los agentes públicos, incluidos aquellos que incorporan la participación de
actores sociales afectados por las políticas, producen ajustes que mejoran la r
espuesta
o
s
olución de problemas u obstáculos típicos de los procesos de implementación, produciendo
4
Para un resumen de este debate, véase Lotta (2019), Bichir (2020) y Gomes (2019).
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lo que Pires y Gomide (2016) llaman la capacidad de generar innovación en el diseño de la
política.
En la siguiente sección, Proinfância se presenta desde
el punto de
vista de los
formuladores a nivel federal y cómo las reglas para la participación de los municipios se
fueron volviendo progresivamente más estrictas
(
OLIVEIRA
;
LOTTA
,
20
19
)
,
al estilo
top
-
down
implementación.
PROINFÂNCIA en el plan de form
u
lación por
los administradores federales
El Programa Nacional de Reestructuración y Adquisición de Equipamiento para la
Red de Escuelas Públicas de Educación Infantil
(PROINF
Â
NCIA)
fue creado en 2007,
mediante Resolución CD/FNDE No. 6 del 24 de abril de
2
007
(
FNDE
,
200
7
a
)
,
en las
administraciones del entonces ministro de Educación, Fernando Haddad, y del entonces
presidente de la FNDE, Daniel Silva Balaban, como acción del Plan de Desarrollo de la
Educación (PDE).
El objetivo principal del programa era am
p
liar el acc
eso de los niños de cuatro meses a
seis años de edad a la educación de la primera infancia a través de la construcción de
guarderías y preescolares y, al mismo tiempo, reformar la infraestructura física
de los que ya
existían y equiparlos
(
FNDE
,
2007
a
)
.
Pr
oinfância, en esta fase inicial, tenía fundamentos que
se pueden dividir en dos grupos, en los que el primero estaba directamente relacionado con el
problema que esta política pública pretendía atacar: el tema de las dificultades de acceso y la
calidad d
e
los equipos de educación de la primera infancia, un servicio público típicamente a
cargo de los municipios brasileños; y el segundo tenía como objetivo corregir las
desigualdades de acceso de los niños a la educación infantil, a partir de la am
p
liación d
e
la
oferta de vacantes
(
FNDE
,
2007
a
).
Estas fundaciones consideran que Brasil, debido a su legado institucional e histórico,
sus dimensiones territoriales continentales y otros factores, agrega inmensas desigualdades,
entre ellas, la de la capa
c
idad fiscal
y administrativa, además de las desig
ualdades
intramunicipales
–
e
specialmente relevante en municipios con mayor tamaño poblacional y
con realidades intraurbanas también desiguales en cuanto a acceso, condiciones de vida y
oportunidades de su
p
oblación.
T
odos estos elementos se expresan en desigualdades de acceso
a los servicios públicos, principalmente por parte del segmento de la población en situaciones
de mayor vulnerabilidad social. En este sentido, Proinfância forma parte de un conjunto d
e
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políticas
que buscan aumentar la inclusión social, basadas en la corrección de las
desigualdades en el acceso al servicio público.
Cabe destacar que, en la década de 1990, la educación de la primera infancia no era
una prioridad para el gobierno federal,
que central
izó sus esfuerzos al nivel fundamental,
hasta entonces el único obligatorio y que aún no había alcanzado la universalizac
ión del
acceso en ese momento.
Las iniciativas para apoyar la expansión de guarderías y centros
preescolares fueron pocas,
c
omo el apoy
o financiero para la adquisición de materiales
didácticos para estudiantes de preescolar (4 a 6 años), la capacitación de maestros y el apoyo
para la im
plementación del Marco Curricular Nacional para la Educación de la Primera
Infancia de 1998
(
BRASIL, 199
8) o en los municipios insertados en el Programa Comunitario
Solidario
(
IPEA
,
2003
).
A pesar de estas pocas iniciativas, el escenario era la asignación de
pocos recursos financieros para la educación de la primera infancia, particularmente afec
t
ada
por la
disminución de los fondos recaudados para el salario de la educación en 1999
(
IPEA
,
2003
).
Así, Proinfância emerge en un contexto en el que la expansión de la escuela primaria
ya se había consolidado y nuevos niveles y modalidades de enseñanza
c
omienzan a
entrar
como prioridad en la agenda de discusiones sobre políticas educativas.
Sin embargo, para
transferir recursos, los municipios y el Distrito Federal, responsables de la provisión de
educación infantil, deben adecuarse a los lineamientos de
l
Fondo Naci
onal para el Desarrollo
de la Educación presentes en el Manual de Asistencia F
inanciera.
(Resolução CD/FNDE
n
°
08
,
de 24 de abril de 2007)
(
FNDE
,
2007b
)
,
que guían la elaboración de proyectos que deben
ser enviados por las entidades federadas a
la FNDE y s
iguen todos sus lineamientos.
La Resolución CD/FNDE Nº 6 de 24 de abril de 2007 (FNDE, 2007a) también
estableció criterios de priorización para los gobiernos subnacionales que deseen recibir la
transferencia del recurso en la fase inicial del P
r
ograma.
Est
os criterios se recogen en el
Anexo I de la Resolución y abarcan tres aspectos: población, vulnerabilidad educativa y
social.
En la dimensión poblacional, se clasifican como prioritarios los municipios con mayor
crecimiento poblacional y mayor
p
oblación de
niños clasificados en edad de educación
infantil y mayor concentración poblacional en zonas urbanas.
En la dimensión educativa, se
establece la priorización de los municipios con menores indicadores de distorsión edad
-
grado
en la escuela prima
r
ia y con ma
yor número de maestros con educación superior. En la
dimensión de vulnerabilidad social, existe la pri
orización de los municipios con mayores
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porcentajes de mujeres como únicos responsables de la provisión, una alta tasa de jóvenes en
situación
de vulnerab
ilidad socioeconómica y un menor presupuesto para educación infantil
(FNDE, 2007a).
Cabe destacar que Proinfância ha experimentado cambios institucionales a lo largo de
los años, en los que algunos criterios han sido modificados, especialmente
c
uando el
pr
ograma fue insertado en el ámbito del Programa de Aceleración del Crecimiento
(P
A
C)
,
con el fin de aumentar el número de municipios atendidos y dar más velocidad al proceso de
transferencia de recursos.
Oliveira
y
Lotta
(
2019
)
demostrar que los
cambios en
las normas de
adhesión de Proinfância fueron respuestas FNDE a las dificultades que tuvieron los
municipios para implementar la política.
En el primer período, de 2007 a 2011, el programa
tuvo baja capacidad de entrega: de los 2.542 proyectos c
o
ntratados c
on los municipios, solo el
40% se ejecutaron efectivamente. Para los autores, el instrumento adoptado para la adhesión
–
a través de acuer
dos
–
fue una de las razones de la baja capacidad de entrega del programa, en
vista de varios impedimentos
burocrático
s que enfrentaron los municipios.
También se observa que en la fase inicial del programa los criterios de prioridad no
reflejaban un principio de justicia propiamente equitativo porque los criterios poblacionales y
mejores condiciones educativ
a
s terminan
generando la reproducción de las de
sigualdades
educativas existentes y solo el tercero, que enumera la vulnerabilidad social, tiene una
intención correctiva.
Más claramente, el criterio poblacional define como prioritarios los
municipios con ma
y
or població
n en edad de educación
infantil, pero también con mayor
concentración de población en áreas urbanas y el educativo define como prioritarios los
municipios con menores índices de distorsión edad
-
grado y mayor número de profesionales
con educació
n
superior,
mientras que el criter
io de vulnerabilidad social prioriza municipios
"con mayores porcentajes de mujeres jefas de familia, con mayores porcentajes de jóvenes en
situación de pobreza y con menor disponibilidad de recursos para financiar la edu
c
ación
infan
til"
(
FNDE
,
2
007
a
)
.
En este sentido, el programa tenía, en su diseño original, una
intencionalidad conflictiva al combinar principios de justicia que van en direcciones
opuestas
5
.
Sin embargo, el criterio de vulnerabilidad social, como primer
c
riterio de
atención,
evidencia la priorización de la asignación de recursos a los municipios más vulnerables,
movilizando, por tanto, un criterio justo, ya que pretende corregir las desigualda
des de
acceso
a la educación infantil y atender la demanda de v
a
cantes para
educación infantil de guarderías
5
Agradecemos al revisor anónimo de la revista
por señalar la necesidad de esta acl
ara
ción en e
l texto.
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y, así, garantizar la igualdad en la oferta del servicio, promoviendo, en su, una mayor
inclusión social.
Aunque no es suficiente, este criterio marca un importante avance hacia una educación
más justa, especia
l
mente en es
ta etapa de la enseñanza todavía marcada por una amplia
desigualdad de acceso.
Este objetivo es más evidente en el diseño institucional del Programa
Brasil Afectuoso, que aparece, en 2012, como una acción del Plan Brasil Sin Miseria y, más
tard
e
, se convie
rte en un programa educativo ejecutado por la FNDE con el objetivo de actuar
de
manera complementaria y, al mismo tiempo, paralela a Proinfância en la expansión de la
educación
de juerga de matrícula
(CAMPELLO;
FALCÃO
; COSTA, 2014), pero esta v
e
z,
con crit
erios de priorización para municipios y familias en situación de vulnerabilida
d social
más claros.
El diseño institucional de Proinfância, que establece el financiamiento para proyectos
destinados a la construcción y/o reforma de guarderías fin
a
nciadas por
FNDE para ser
ejecutadas al pie de la letra por entidades subnacionales, conforma lo que Oliveira
y Lotta
(
2019
, p.
456
) los llaman "modelos de políticas públicas listos para usar y terminados
establecidos por el gobierno federal y en los que
l
os gobierno
s municipales tienen pocas
opciones y / o adaptación a las especificidades locales".
Resultan en numerosos desafíos de
implementación y cuellos de botella generados por esta alta rigidez. Según Oliveira y Lotta
(2019) este movimiento es parte d
e
un proceso
general de recentralización de las políticas
públicas del gobierno de Dilma, especia
lmente en el primer mandato (2011
-
2014), y eso
Proinfância ilustra bien.
Según los autores antes mencionados, a partir de 2009,
MEC
y
FNDE
optan, debido a
las
d
ificultades
de los municipios, por estandarizar los proyectos arquitectónicos de las
escuelas de educación infantil que anteriormente estaban estructurados de acuerdo co
n el
modelo propuesto por estas entidades subnacionales y que eventualmente se convirt
i
eron en
uno
de los cuellos de botella de implementación del programa.
Estos proyectos podrían ser de
"tipo A (diseño no estándar) o tipos B y C (proyectos arquitectónicos estandarizados que
corresponden al 90% de las obras seleccionadas)" (OLIVEIRA; LOTTA
,
2019, p. 4
54).
En resumen, Proinfância tuvo como objetivo corregir las desigualdades en el acceso a
guarderías y preescolares mediante el apoyo financiero y técnico a los municipios brasileños
en el proceso de construcción y reforma de las instituciones
e
ducativas c
entra
das en la
educación de la primera infancia.
Sin embargo, Proinfância, debido a su diseño institucional
fuertemente centralizado no sólo en términos de formulación de políticas sino también en lo
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que respecta a las formas de ejecución de la
s
políticas
públicas, se ha convertido en un caso
claro de la
complejidad que implica la producción de una norma nacional. En este caso
específico, se basa sólo en el contexto urbano, no adaptándose, por lo tanto, a las
especificidades y diversidades de la
s
situacione
s en todo el territorio brasileño.
La implementación de PROINFÂNCIA en el municipio de Natal
En cuanto a la implementación de Proinfância en Rio Grande do Norte, el análisis de
los datos proporcionados por la FNDE, a través de la Ley de Acc
e
so a la Inf
ormación,
permitió identificar que, de los 167 municipios de Rio Grande do Norte, 111 recibieron
fondos del gobierno federal para la ejecución de Proinfância en el período de 2008 a 2019, es
decir, 66% del total de municipios del estado.
De es
t
os, el muni
cipio de Natal recibió la
mayor cantidad de recursos en valores absolutos, en gran medida, porque
es el área
administrativa más grande en términos de tamaño de población en el estado y con una
población objetivo más grande.
En 2020, según Melo
(
2020), el m
unicipio de Natal tenía 74 Centros Municipales de
Educación Infantil
(CMEIs)
que ofrecían educación infantil (guardería y preescolar), y 12
fueron construidas con recursos de Proinfância. La Tabla 1 proporciona información sobre la
distribución
de CMEI por
vecindarios de la ciudad e información sobre el número de
habitaciones dispo
nibles y estudiantes atendidos en cada CMEI.
Tabla 1
-
Escuelas construidas con recursos de Proinfância por barrio y región de ubicación,
número de aulas y estudiante
s
en el muni
cipio de Natal, 2020
Nombre
del
CMEI
Vecindario
Región
administrativa
Número de
habitaciones
Número de
estudiantes
Antonio Gurgel De Melo
Potengi
Norte
10
40
6
Belchior Jo
rge de Sá
N
.
S.
Apresentação
Norte
4
187
Mailde Ferreira Pinto
Poten
g
i
Norte
8
3
60
Maria de Nazaré
Lagoa Azul
Norte
8
3
58
Professora Rosalba Dias d
e Barros
Pote
ngi
Norte
8
342
Santa Cecília
Pajuçara
Norte
4
176
Telma Rejane Moura Freire
Lagoa Azul
No
rte
8
345
P
r
ofessora Terezinha de Jesus
Pajuçara
Norte
10
467
Clara
Camarão
Pla
nalto
Oeste
5
217
Maria Luiza
Planalto/
Gua
rapes
Oeste
8
283
Profess
ora Antô
nia F
ernanda Jalles
Pitimbu
Sur
16
337
Maria dos Martírios Lisboa de
Menezes
Pitimb
u
Sur
4
153
T
otal
93
3.
6
3
1
Fuente: Elaborado por los autores a partir de Melo (2
0
20)
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2129
A part
ir de los datos de la Tabla 1, se percibe que los CMEI
s
construidos a partir de
recursos de Proinfância se concentran en las Zonas Norte
(8),
Oeste (2) y Sur (2) de la ciudad.
Al analizar las regiones y, específicamente, los barrios elegidos po
r
la Ciudad
de Natal para la
construcción de escuelas
P
roinfância, se advierte la priorización de los barrios con mayor
concentración de población en situación de vulnerabilidad social: de
los 12 CMEI
s
, ocho
(66,6%) fueron construidos en la Región Administ
r
ativa Norte
, área en la que reside la
población con menor poder adquisitivo agregado y que tiene los mayores indicadores de
vulnerabilidad social de la Ciudad; dos (16,6%) en la Región Occ
idental, que es la segunda
región con mayor concentración de poblac
i
ón de bajos
ingresos de la ciudad; y dos (16,6%)
en la región Sur, zona en la que reside la población de la ciudad con mayor poder adquisitivo,
pero con enclaves urbanos.
Cuando superamos estos datos a la ubicación espacial de barrios marginales y
urbaniz
a
ciones en e
l municipio de Natal
(
M
EDEIROS
,
2018
),
identificamos que la mayoría
de l
o
s CMEI
s
construidas con recursos de Proinfância (83%) estaban ubicadas cerca de estos
dos tipos de clusters urbanos y la gran mayoría en los márgenes o periferias de la ci
u
dad.
Inclus
o en el caso de la región Sur, los CMEI
s
se construyeron en el barrio Pitimbu, en una
zona de complejo habitacional que concentra población en situación de vulnerabilidad social.
La distribución espacial de l
o
s CMEI
s
construidas con recursos de
Proinfância
, además de
otras características de los espacios urbanos de Natal, puede ser visualizada en el Mapa 1. Por
otro lado, se verifica que hay barrios caracterizados por una situación
de alta precariedad
social y urbana que no fueron contemplados,
a
unque hubo
una alta demanda, como es el caso
de Igapó y Mãe Luíza.
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La implementación de
Proinfância
desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
RIAEE
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Revista I
bero
-
Americana de
Estud
os em Educação
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-
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DOI:
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Mapa 1
-
Distribución espacial de las guarderías en el municipio de Natal/RN, escuelas
P
roinfância y ubicación de favelas y urbanizaciones
Fuente: Melo (2020)
La razón por la cual e
s
tos barrios,
que cumplen con los criterios de prioridad de
Proinfância, no tienen guarderías construidas es que la alta informalidad y densidad
constructiva de este tipo de ocupación urbana
–
con la presencia de barrios marginales y
otros
asentamientos pr
e
carios
–
no
permite:
1) encontrar terrenos disponibles para la construcción
de un equipo escolar; y
2) cuando hay tierra,
o tienes el dominio
, isto
é
, no existe un registro
público y oficial de propiedad en l
a
notarí
a
,
resultado de la historia de ocupacio
n
es informale
s
e irregulares en el Brasil urbano.
Como se verá más adelante, este problema no fue abordado
por el programa federal, a pesar de que esta es una realidad navideña no exclusiva.
Así, se percibe, en general, que los CMEI
s
construidos con recur
s
os de Proinf
ância en
Natal fueron asignados en áreas de alta vulnerabilidad social, con énfasis en un conjunto
significativo de escuelas construidas en urbanizaciones, espacios que tienen mayo
r
planificación y planificación urbana
-
en teoría, lugares que
tienen espac
ios para recibir
equipamiento público.
Sin embargo, también hay escuelas construidas en barrios periféricos o
en enclaves urbanos y cerca de barrios marginales, en asentamientos precarios, a menudo
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Yasmim Marques de MELO
y
Sandra GOMES
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irregulares administrativamente. En estos cas
o
s, los probl
emas de tierras con movimiento de
tierr
as y dominalidad de tierras públicas son aún mayores y se han convertido en uno de los
problemas para la ejecución de Proinfância en el caso del municipio de Natal.
Dirigiendo la vista al número de matrí
c
ulas, se ver
ifica, a partir de los datos del Censo Escolar
sintetizados por el
QEdu,
un aumento significativo en la ampliación de vacantes para el
segmento de educación de la primera infancia (guardería y preescolar) en los CMEI
s
que
recibieron recursos d
e
Proinfância
en el período de 2014 a
2020
6
.
El Gráfico 1 permite
identificar que la capacidad de servicio de las CMEI financiadas por Proinfância está
creciendo a lo largo de los años, a medida que los equipos son construidos, entregados y
puestos en oper
a
ción.
Gráfi
co 1
-
Evolución de la matrícula en escuelas construidas o reformadas con recursos
P
roinfância, municipio de Natal, 2014
-
2020
* No hay datos para CMEI Clara Camarão para el año 2015.
Fuente: Elaborado por los autores a partir de la informa
c
ión contenid
a en el Portal QEdu (2022)
El primer desembolso de recursos para Navidad tiene lugar en junio de 2010, pero no
es hasta 2013 que se paga el 50% de los fondos. La liberación total para todos los proyectos
tiene lugar en octubre de 2019, lo que
se refleja e
n la capacidad de los servic
ios de equipos.
Los datos del Gráfico 1 muestran un aumento gradual en el número de inscripciones de todas
l
o
s CMEI
s
de Proinfância en Natal desde 2014. Sin embargo
, se observa que es solo a partir
6
Se optó por restringir el análisis a partir de 2014 debido a la falta de información para los CMEI
s
Belchior
Jorge de Sá, Mailde Ferreira Pinto, Maria de Nazaré, Telma Rejane Moura Freire y Maria
dos Martírios Lisboa
de Menezes en e
l p
eríodo an
terior.
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desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
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de 2017 que hay u
n
a expansión
significativa en la capacidad
de atención de estos equipos
escolares.
También se realizaron seis entrevistas con gerentes involucrados en Proinfância,
buscando comprender mejor las informaciones presentadas. De estas seis entrevistas, una fue
exploratoria
y se realizó con un servidor del Sindicato Nacional de Líderes Educati
vos
Municipales (UNDIME). De los cinco restantes, tres se realizaron con gerentes y ex gerentes
del Fondo Nacional para el Desarrollo de la Educación (entrevistados 1, 2 y
3
) y dos con
gerentes del Departamento Municipal de Educación Natal (entrevistados 4
y 5). Para este
artículo, elegimos enfocarnos en el tema central, es decir, la visión de los gestores públicos
sobre los desafíos y cuellos de botella de la implementación
de Proinfânc
ia.
De acuerdo con las declaraciones de gerentes y ex gerentes de la FNDE, los desafíos
de implementación se pueden clasificar en dos grandes grupos.
El primero está relacionado
con la cuestión de la motivación de los contratistas para realiza
r
un proyecto
arquitectónico,
como la
P
roinfância, y tener la capacidad técnica para ejecutar el modelo propuesto por la
FNDE, así como para someterse al modelo de
recibo de pago que está marcado por retrasos e
interrupciones.
De otras maneras, los directi
v
os señalan q
ue este modelo de contratación
produce dificultades para encontrar empresas capaces o interesadas en construir escuelas ante
las diferentes y muy diversas realidades locales.
En el segundo grupo, están las dificultades técnicas, operativas y
f
iscales de l
os
municipios que necesitan realizar los trámites técnicos y burocráticos, de acuerdo con los
lineamientos de la FNDE y el MEC.
Entre ellos, destacamos la ejecución de contratos,
licitaciones y disponibilidad de terrenos según especificaciones
.
Los extract
os a continuación,
publicados originalmente en Melo (2020), ilustran los argumentos:
[...] el principal problema era la capacidad brasileña para desempeñarse.
Tanto la capacidad pública como la capacidad privada. No tenemos, a pesar
de que l
a
ingeniería
es una ciencia antigua y con estándares y estándares y
ABNT
s
,
No tienes eso a nivel nacional, una capacidad de todas las empresas
de construcción para hacerlo rápidamente, con economía, con estándar.
Y al
mismo tiempo los ayuntamientos.
El Pr
o
i
nfância
, fue
diseñado para ser una
construcción lineal, esto fue pensado en aras de la seguridad de los niños.
Usted tiene varias dificultades, y yo diría una gran dificultad ejecutiva de las
prefecturas, pero no eximiría al sector privado, al contrario,
c
reo que es
c
orresponsable, no ha demostrado capacidad.
[
.
..
]
Uno de los problemas del
diseño
P
roinfantil es que fue diseñado imaginando condiciones mínimas
que serían aceptables
a nivel nacional.
[
...
]
Un estándar mínimo que está
muy por encima de muchos
e
stados y mun
icipios y luego implementarlo es
un
desafío gigante (Entrevistado 1, Gerente Federal, 2020, Nuestros grifos).
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En los municipios, muchos problemas de tierra, la tierra no era factible,
problemas de documentación para probar la propiedad de la
t
ierra, un
pr
oblema que pensé que era básico, pero, finalmente, fue más grande de lo
que imaginaba, fue el problema del movi
miento de tierras, los municipios se
encargaron de entregar la tierra con movimientos de tierra, y no pudieron.
Hasta que cumplieron
,
no abandona
ron la primera fase.
Así que esta
incapacidad de la gestión de los municipios es un negocio absurdo en el
país
(entrevistado 2, gerente federal, 2020, nuestros grifos).
Hay 2
retos: en la captación de contratistas serios que soporten el tiemp
o
de desembol
so que tenemos hoy para realizar el pago de las obras en
ejecución y el tema de la ejecución de la póliza. El reto es que el
municipio pueda disiparse
,
porque damos el diseño
estandarizado, habla
de las especificaciones del terreno, pero tien
e
las dificul
tades número 1 de
ellos al no tener terreno, con adecuación necesaria para poder construir o por
las dimensiones necesarias, sobre todo en grandes núcleos urbanos, 2º la
capaci
dad de licitar obra debido a la dificultad del proceso de licitació
n
en su
conju
nto y la dificultad de contar con ingenieros calificados para licitar la
obra y el 3º También lo que es muy importante es el tema de la falta de
recursos, la discontinuidad del
programa.
Ya no invertimos en el programa
para nuevos contratos, s
o
n las princi
pales dificultades, el tema de ejecución
desde la separación del terreno hasta la contratación de la empresa, la
supervisión por parte del municipio a la parte de la falta de fondos para
continuar los que tienen, y sobre todo para nuevos contr
a
tos. [...] E
stoy
trabajando en la parte del servicio a los ayuntamientos y compruebes cuánto
les
falta el acceso a la información.
Si no tenemos un buen personal
técnico para dar este apoyo, a veces el municipio no puede hacer un
trabajo en la vida, lo cu
a
l es justo e
n el trabajo de ProInfância que no
puede terminar, porque no hay ingeniero, no hay alguien que sepa que
pueda dar algún
tipo de apoyo en el municipio, tanto en la parte de
ejecución, licitación, seguimiento de la obra, supervisión de la obra
[
...]
muchas
veces no tienen la capacidad técnica para hacerlo, por lo que el
apoyo de la FNDE es fundamental para la ejecución de d
iversas políticas
(entrevistado 3, gerente federal, 2020, nuestros grifos).
En opinión de los gestores
municipales
, los pri
n
cipales desa
fíos
destacados
son
encontrar el terreno adecuado para la construcción
de
guarderías
, tanto por la necesidad de
terrenos como por la disponibilidad de un terreno acorde a las especificaciones de la FNDE.
Además, también existen problemas con e
l
proceso de
desembolso de recursos financieros por
parte de la FNDE, lo que hace que el ritmo de las obras sea lento y, en muchos casos,
marcado por interrupciones temporales y/o definitivas, como se ilustra en los s
iguientes
extractos:
Las obras no est
á
n paralizada
s, se están construyendo.
Pero siempre es muy
lento.
Entonces, por lo tanto, hay muchas interrupciones debido a la
falta de pago por parte de
MEC
.
El trabajo es caminar, caminar allí. Tanto
es así que
prácticamente se suponía que dos obras deb
í
an haber sid
o
entregadas a mediados de año y no lo fueron. Estamos a la espera de la
finalización de estas obras para hacer el traslado de los espacios antiguos,
que son viviendas alquiladas, a este espacio. Y rec
ibimos mucho dinero tanto
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Proinfância
desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
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de los directore
s
como de la
comunidad del público objetivo. Así que lo que
veo es el problema de la interrupción salarial de la empresa de ingeniería.
[
.
.
.
]
No me queda claro, pero veo que es una cuestión prioritaria: 'ah, este
mes el recurso va a Pernambuco y no a Rio G
r
ande do Nort
e.
Veo que es
una cuestión de una opción política en sí misma. Me parece muy
agotador porque la Secretaría tiene que ir a Brasilia, el alcalde tiene que
ir a
Brasilia.
¿Es demasiado agotador porque no es un espectáculo?
O
continúa o se extin
g
ue. Si no ti
ene condiciones, se extinguirá, pero si está
activo,
debe tener
los recursos
(entrevistado 4, gerente municipal, 2020,
nuestros grifos).
Los principales desafíos son la tierra, comienza desde allí. Pero, por ejemplo,
el terreno es muy difíci
l
, porque tie
ne que tener esas medidas correctas, tiene
que tener dominio, documentación pública, y eso es lo terrible. Para mí,
dentro de nuestra reali
dad, para lo poco que sigo,
esta parte de tener el
dominio de la tierra es el mayor desafío para que com
i
ence la
cons
trucción
(entrevistado 5, gerente municipal, 2020, nuestros grifos).
Se observa que los problemas de implementación, en opinión de los gerentes
municipales, no se refieren a la falta de capacidad de gestión, ya que son factores externos al
co
n
trol de los
departamentos municipales de educación.
La cuestión de la ausencia de registro
formal de la dominalidad de la tierra es incluso un problema nacional, no exclusivo del
municipio de Natal, resultante de la ocupación irregular histórica en grande
s
centros urb
anos,
como es el caso de las favelas bra
sileñas y muchas periferias urbanas.
Lo mismo se puede
observar con respecto a las empresas constructoras que ganan los procesos de licitación, son
pequeñas y no soportan el (largo) tiempo de desembolsos
proporcionad
o por la FNDE,
retrasando el cronograma y entrega de los equipos.
Las estrictas reglas para implementar la política, definidas por la FNDE, aunque bien
intencionadas cuando se trata de producir sumas confeccionadas y terminadas, especialmente
relevantes p
ara municipios con baja capacidad estatal, terminan eliminando tota
lmente la
capacidad de respuesta a los problemas típicos de la implementación por parte de los propios
gerentes municipales. En vista de
la enorme diversidad regional
, en un
pa
í
s de dimensi
ones
continentales, permeado por múltiples desigualdades, un proyec
to único y nacional sin
adaptaciones locales, tenderá a reproducir retrasos y abandonos de obras públicas que, en su
objetivo original, buscaban producir una mayor inclusión so
c
ial.
Cons
ideraciones finales
Este artículo buscó analizar cómo ocurrió la implementación de Proinfância en la
práctica y qué puntos de vista tienen los gestores federales y municipales del programa sobre
los problemas de implementación. El programa tu
v
o una eficac
ia parcial: por un la
do, el
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y
Sandra GOMES
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Revista I
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equipamiento escolar está ubicado en zonas vulnerables y de alta vulnerabilidad; y, por otro
lado, no pudo cumplir con otras áreas prioritarias como se esperaba en el diseño institucional
del programa. Esto se debe
a
problemas d
e implementación del
proyecto que no están
contemplados en las normas federales.
Los principales cuellos de botella de implementación señalados por los gerentes y ex
gerentes de la burocracia federal y local fueron: las dificultades de constr
u
ir guardería
s debido
a la existencia de pocas empresas constructoras capaces de ejecutar el pr
oyecto, la forma lenta
de transferencia de recursos, el problema recurrente de la falta de terrenos públicos adecuados
a las especificidades del proyecto con pru
e
ba de la dom
inalidad y la baja capacidad técnico
-
burocrática de los municipios.
Este último aspecto, sin embargo, es uno de los factores más
citados por los administradores federales como un problema en la implementación de la
política, pero no es visto c
o
mo el princi
pal problema en opinión de los propios
administradores municipales.
Se puede decir que el establecimiento de normas nacionales es,
al mismo tiempo, una necesidad y un problema.
El estudio realizado aquí ilustra los problemas de un diseño insti
t
ucional únic
o para
todo el país asociados a problemas de capacidad burocrática y sugiere que el programa genera
problemas de implementación que podrían resolverse si hubiera instancias de n
egociación,
acuerdo y diálogo en las que los gobiernos locales tuv
i
eran asiento
y participación.
El intento
de la FNDE de adoptar un patrón de proyectos que supere los problemas conocidos de
desigualdades de capacidad entre los municipios brasileños tiene un efecto adverso: un
modelo de ejecución excesivamente rígido que
no permite a
daptaciones a las
realidades y
contextos locales, lo que resulta en demoras y, en muchos casos, abandono y no finalización
de las obras.
El argumento central elaborado en el artículo fue que esta excesiva rigidez burocrática
al estilo
to
p
-
dow
n
,
caracteriz
ada por la ausencia de canales
El diálogo, la
interacción o el
acuerdo entre los gestores locales y las agencias centrales, impide la identificación de
problemas típicos (y esperados) del momento de implementación de las políticas públicas.
Co
m
o resultado,
no se establecen revisiones y ajustes regulatorios que mejoren y agilicen la
prestación de servicios y bienes públicos y las respuestas a los problemas de ejecución. Sin
espacios para el diálogo y los intercambios institucionalizados, el pr
op
i
o sistema de
pende de
soluciones caso por caso y está expuesto a
influencias y clientelismo políticos
.
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desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
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La implementación de
Proinfância
desde la perspectiva de las relaciones intergubernamentales
RIAEE
–
Revista I
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Estud
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,
Araraquara,
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17
, n.
esp. 3
,
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Cómo hacer referencia a este ar
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MELO
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3, p.
21
18
-
21
38
, nov. 2022. e
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ISSN
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5587. DOI:
htt
ps:
//doi.org
/10.21
723
/r
iae
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v17iesp.3.16621
Presentado en
:
15/03/2022
Revisiones requeridas en
:
27/06/2022
Aprobado en
:
0
7/09/2022
Publicado en
:
30/11/2022
Procesamiento y edición
: Editora Iberoamericana de Educación
-
EIAE.
Corrección, formateo
, n
ormalizac
ión y traducción.
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The implementation of
P
roinfancia
federal program from the perspective of intergovernmental relations
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
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2117
THE IMPLEMENTATION OF PROINFANCIA FEDERAL PROGRAM FROM THE
PERSPECTIVE OF INTERGOVERNMENTAL RELATIONS
A IMPLEMENTAÇÃO DO PROINFÂNCIA SOB A ÓTICA DAS RELAÇÕES
INTERGOVERNAMENTAIS
1
LA IMPLEMENTACIÓN DE PROINFÂNCIA DESDE LA
PERSPECTIVA DE LAS
RELACIONES INTERGUBERNAMENTALES
Yasmim Marques de
MELO
2
Sandra Cristina
GOMES
3
ABSTRACT
:
One of the aspects discussed by the public policy implementation literature
refers to the tensions involving a centralized formulation of policies and the execution by
subnational governments. Based on area studies, this article shows how Proinfancia
–
a f
ederal
program financing the expansion of
kindergarten schools
–
was implemented and the
perceptions municipal and federal agents have concerning
the problems of implementation. An
in
-
depth case study is carried out analyzing the city of Natal, in the State of Rio Grande do
Norte, Brazil, using bibliographical revision, document and data analysis, and interviews with
official agents. The mains find
ings suggest that extreme rigorous norms to adhere and to
execute federal programs combined with the absence of formal channels of dialogue,
participation and agreements with municipal governments produce no collective solutions for
problems that should be
expected in a federal state during implementation.
KEYWORDS
: Education policy. Proinfancia Federal Program. Intergovernmental relations.
Formulation of public policies.
Implementation of policies.
RESUMO
:
Um
dos aspectos destacado pela literatura de
i
mplemen
tação de políticas públicas
refere
-
se às tensões que envolvem uma formulação centralizada na esfera federal e sua
execução local. Com base em estudos da área, e
ste artigo analisa como se deu a
implemen
tação
do Proinfância
–
um programa federal de apoio à construção e reforma de escolas de
Educação Infantil
–
e quais visões os gestores federais e municipais do programa têm sobre os
problemas de
implemen
tação. Para
isso
, um estudo de caso em profundidade foi feito para o
mun
icípio de Natal/RN utilizando
-
se de revisão bibliográfica, análise documental, dados do
1
We thank the Network for Studies on the Implementation of Public Educational Policies (REIPPE in the
Portuguese abbreviation), with the collaboration of Itaú Social, for the financial support for the translations of this
article into English and Spanish. T
his article presents part of the results of the dissertation by Melo (2020).
A
preliminary version of this text was presented at the
IV Encontro Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de
Públicas
(ENEPCP).
2
Fundação Getúlio Vargas
(
FGV
/
EAESP
)
, São
Paulo
–
SP
–
Bra
z
il
.
PhD candidate in Public Administration and
Government
.
ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0002
-
7262
-
0888
.
E
-
mail:
yasmimmarquesm@gmail.com
3
Federal University of Rio Grande do Norte
(
UFRN
)
,
Natal
–
RN
–
Bra
z
il.
Professor at the Department
of Public
Policy (DPP/UFRN) and at the Postgraduate Program in Urban and Regional Studies (PPEUR/UFRN). PhD and
Master in Political Science (USP). Member of the Network for Studies on Implementation of Public Educational
Policies
(REIPPE).
ORCID: http://or
cid.org/0000
-
0002
-
7703
-
6488.
E
-
mail:
sandra.gomes@ufrn.br
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Yasmim Marques de MELO
and
Sandra GOMES
RIAEE
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação
,
Araraquara
, v. 17, n. esp. 3, p.
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2118
programa e entrevistas
com
gestores municipais e federais.
Os principais achados mostram
que a rigidez das normas de adesão e execução do programa combinada a não exist
ência de
espaços institucionais de diálogo, pactuações ou de participação dos governos municipais
resultam em ausência de soluções
coletivas
de problemas típicos de implementação em um
estado federativo.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
Políticas educacionais.
P
rograma
Pr
oinfância
.
R
elações
intergovernamentais.
Formulação de políticas públicas
.
Implemen
tação de políticas.
RESUMEN
:
Uno de los aspectos que destaca la literatura sobre la implementación de
políticas públicas se refiere a las tensiones que implican una formulación centralizada a nivel
federal y su ejecución local. Con base en estudios en el área, este artículo analiza la
implementación de Proinfância
–
un programa federal de apoyo a la construcción y renovación
de escuelas de Educación Infantil
–
y qué visiones tienen los gestores federales y municipales
del programa sobre los problemas de implementación. Para ello, se real
izó un estudio de caso
en profundidad para la ciudad de Natal/RN utilizando revisión de literatura, análisis de
documentos, datos del programa y entrevistas con gestores municipales y federales. Los
principales hallazgos muestran que la rigidez de las regl
as de adhesión y ejecución del
programa, sumado a la inexistencia de espacios institucionales de diálogo, concertación o
participación de los gobiernos municipales, redundan en la ausencia de soluciones a
problemas típicos de implementación en un estado fe
deral.
PALABRAS CLAVE
: Políticas educativas. Programa Proinfancia. Relaciones
intergubernamentales. Formulación de políticas públicas.
Implementación de políticas.
Introdu
ction
The literature on public policy implementation is permeated by different analytical
lenses to explain the complex process in which policies take shape in practice. In the context of
intergovernmental relations in Brazilian federalism, such complexity is hi
gh, as it typically
involves institutional designs with formulation centralized in the federal sphere and local
implementation by subnational governments, which, in turn, hold very diverse and unequal
realities and capabilities (ARRETCHE, 2012; BICHIR, 202
0; GOMES, 2009; OLIVEIRA;
LOTTA, 2019).
For Oliveira and Lotta (2019), one of the problems related to the formulation of national
policies lies in the adoption of single and rigid models by federal agencies that do not allow
subnational governments to ada
pt planning and management instruments to their local
particularities. The result would then be a decrease in the administrative autonomy or in the
execution capacity of subnational entities, increasing the risks of not achieving the objectives
of a public
policy.
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The implementation of
P
roinfancia
federal program from the perspective of intergovernmental relations
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Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
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This article presents an illustrative case of this process described by Oliveira and Lotta
(2019) by analyzing how the implementation process of a federal program at the municipal
level took place. The findings show that the rigidity of the adhes
ion and execution rules
combined with the lack of institutional spaces for dialogue, pacts, or participation of municipal
governments result in the absence of solutions to typical implementation problems. It can be
observed that federal managers, on one ha
nd, attribute to the lack of management capacity of
municipalities the explanation for the implementation problems of federal programs and, on the
other hand, municipal managers consider that the obstacles are generated by the inadequate
rules of federal a
gencies.
To this end, the National Program for the Restructuring and Acquisition of Equipment
for the Public School Network of Early Childhood Education (PROINFÂNCIA) is used as an
empirical case study. Proinfância was instituted in 2007, as part of a ser
ies of other federal
government actions designed to address inequalities of access in early childhood education
(
FNDE
,
n.d.
).
The Program consists of a policy to support the expansion of access to this level of
education, which is offered by the municipalities through projects for the construction and/or
renovation of pre
-
school and nursery schools. The National Fund for Educatio
n Development
(FNDE in the Portuguese acronym) is the federal agency responsible for both the approval of
the projects submitted by the municipalities and for establishing the rules for their execution.
Proinfância is a case of interest since, according to
Oliveira and Lotta (2019), it is an example
of a centralization that goes beyond the formulation process and extends to a centralization in
its execution as well.
This top
-
down, federal induction
-
style model of execution is not unique to federal
policies
in education. Oliveira and Lotta (2019), as well as Pires and Gomide (2016), observed
similar centralization movements in the
Minha Casa, Minha Vida
Program (PMCMV), in
which the institutional design also reflects the decision to adopt single, national st
andards, very
rigid and with low possibility of adaptation to local realities and contexts, both in formulation
and implementation. One of the consequences of this low capacity to adapt projects to local
realities is the infeasibility or delay in policy ex
ecution, or, to put it another way, in the efficacy
and effectiveness of a public policy.
This article aims to analyze how the implementation of Proinfância occurred in practice
and what views the federal and municipal managers of the program have about th
e problems of
implementation. According to the nature of the study and in order to meet the proposed
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Yasmim Marques de MELO
and
Sandra GOMES
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objective, the case of the municipality of Natal/RN was chosen for an in
-
depth analysis. The
following methodological procedures were adopted: bibliographi
c review of academic works
on this theme; document analysis of the main legislations and institutional documents about the
Proinfância Program; analysis of the data on the resources passed on to the municipalities of
Rio Grande do Norte that joined the pro
gram and the types of works executed by these federated
entities
-
data provided by the FNDE, in 2020, through the Access to Information Law; and
structured interviews to capture the views of the implementing agents in comparison to those
of the formulatin
g agents, carried out in 2020. Interviewees provided informed consent for the
interviews and their responses are anonymized.
In light of this context and the objectives outlined, the article, in addition to this
introduction, has a section that recalls so
me of the central elements of the debate on
intergovernmental relations in the implementation of federal programs; another section that
presents the institutional design of Proinfância and the changes in the implementation rules;
and an empirical section t
hat presents the findings for the case of Natal
, capital city of Rio
Grande do Norte State
. The final
remarks
recover the main aspects discussed in this paper and
some of its implications, which may allow a reformulation in the mode of interaction between
federal and subnational agencies
.
Intergovernmental relations in the local implementation of federal programs
Studies on intergovernmental relations in Brazil have consolidated a relative consensus
that the reforms adopted by different governments at the federal level, since the 1990s, aimed
to produce national minimum standards in the provision of social policies
under the
responsibility of states and municipalities (ABRUCIO, 2005; ALMEIDA, 2005; ARRETCHE,
2002, 2012; BICHIR, 2011; BICHIR; SIMONI JUNIOR; PEREIRA, 2020; FRANZESE;
ABRUCIO, 2013).
By adopting federal normatization strategies for these policies, the
Brazilian federative
model would have been characterized by formulation at the national level (policy decision
-
making) with subnational implementation (or execution) (policy
-
making), as proposed by
Arretche (2012). The expansion in the provision of public
services, as in health, education or
social assistance, would be examples of instruments of national induction of public policies.
However, there is a growing literature in Brazil that starts to address the process of public policy
implementation that show
s a diversity of situations in the modes and results of national policy
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The implementation of
P
roinfancia
federal program from the perspective of intergovernmental relations
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Revista Ibero
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execution, affected by numerous factors (FARIA, 2012; LOTTA, 2019; MELO, 2020; PIRES,
2019).
Local contexts, with their own realities, impact the mode of implementation depending
on t
he perception of the implementing bureaucracy about the values embedded in the public
policy, the (diverse) understanding of how the policy should be operationalized, local
difficulties not anticipated in the institutional design of the policy, among other
s pointed out by
studies in the area. It is also highlighted, by a more recent literature, that the mode of
implementation of policies can contribute both to the reduction of inequalities and, on the
contrary, to their reproduction, that is, instead of fig
hting them, public policies can maintain or
increase the exclusion of more vulnerable social groups to rights and public services that the
policy originally sought to produce access to
(PIRES, 2019).
This discussion is of special interest in this study, b
ecause the high centralization of
decision
-
making and the rigidity of the instruments of implementation of Proinfância, defined
by the FNDE, a central federal agency linked to the Ministry of Education (MEC), have
negatively affected the capacity and agili
ty of timely responses to the implementation
bottlenecks of this national program.
In analogy to the two analytical cleavages that inaugurate the debate on implementation,
Proinfância can be characterized as a top
-
down style policy, that is, the understanding that it is
possible to "control" the agents responsible for its execution at th
e tip of the system by
establishing specific and rigid norms for the fulfillment of implementation steps.
In other words, a top
-
down policy assumes that the bureaucrats responsible for
formulating the policy at the central level are able to establish mana
gement instruments that
control and induce managers at the municipalities and states to do exactly what is expected,
without "deviating from course". In this case, the predominant view is that the central agencies
should establish a series of norms and reg
ulatory procedures for the implementing agents to
strictly follow the pre
-
defined steps. In this perspective, implementation problems refer to
"route deviations" by local managers, that is, they would have deviated from the planned (and
expected) way of op
erationalizing the policy
.
The limitation of this analytical and management perspective is that, in practice, there
are several factors that affect local implementation but that could not be anticipated at the time
of formulating a public policy. The reaso
ns for this are the most diverse
4
,
but a new view of the
4
For an overview of this debate, see Lotta (2019), Bichir (2020) and Gomes (2019
)
.
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Yasmim Marques de MELO
and
Sandra GOMES
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação
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Araraquara
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2122
problem is inaugurated by the analytical perspective known as bottom
-
up in implementation
studies.
When questioning the (real) possibility of having almost total control over the behavior
of impleme
nters or, even, the form of local implementation through rigid or meticulous
operationalization procedures of a policy, scholars of the bottom
-
up perspective invert the terms
of the debate: “from the initial question why bureaucrats deviate from the object
ives defined in
the formulated policy to how bureaucrats implement this policy in practice” (GOMES, 2019,
p. 45).
One of the learnings from the debate between a top
-
down implementation versus a
bottom
-
up implementation is that it is not, in the end, a dile
mma in which one should choose a
single implementation model. In other words, monitoring how a given policy is being
implemented in practice (or at the end of the system) is an important source of information to
identify difficulties that arise and that co
uld not be anticipated when drawing up the institutional
design of the policy or the implementation instruments
.
With this, an interaction
–
which also presupposes effective communication
–
between
managers at the top of the system and
bureaucrats from central bodies, who formulate the
procedures for implementing policies, could produce learning that, in theory, would allow
readjusting regulations and institutional designs to increase responsiveness and delivery of
public goods and servi
ces.
The Brazilian literature has shown that programs with greater relational capacity
between public agents, including those that incorporate the participation of social actors
affected by policies, produce adjustments that improve the response or solutio
n of problems or
obstacles typical of implementation processes, producing what Pires and Gomide (2016) call it
the ability to generate innovation in policy design.
In the next section, Proinfância is presented from the point of view of formulators at the
f
ederal level and how the norms for adherence by municipalities have become progressively
stricter (OLIVEIRA; LOTTA, 2019), in a top
-
down style of implementation.
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The implementation of
P
roinfancia
federal program from the perspective of intergovernmental relations
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
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ISSN: 1982
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16621
2123
PROINFÂNCIA in terms of formulation by federal managers
The National Program for Restructurin
g and Acquisition of Equipment for the Public
School Network of Early Childhood Education (PROINFÂNCIA) was created in 2007, through
Resolution/CD/FNDE nº 6, of April 24, 2007 (FNDE, 2007a), in the
by the x
Minister of
Education, Fernando Haddad, and the
f
ormer
President of the FNDE, Daniel Silva Balaban, as
part of the Education Development Plan (PDE
in the Portuguese acronym
).
The main objective of the program was to expand the access of children from four
months to six years of age to early childhood edu
cation by building daycare centers and
preschools and, at the same time, renovating the physical infrastructure of those that already
existed and equipping them ( FNDE, 2007a). Proinfância, in this initial phase, had foundations
that can be divided into tw
o groups, in which the first was directly related to the problem that
this public policy intended to tackle: the issue of difficulties in accessing and quality of early
childhood education equipment, service public typically in charge of Brazilian municipa
lities;
and the second aimed to correct inequalities in children's access to early childhood education,
based on the expansion of the number of vacancies (FNDE, 2007a).
These fundamentals consider that Brazil, due to its institutional and historical legacy
,
its continental territorial dimensions and other factors, aggregates immense inequalities, among
them, fiscal and administrative capacity, in addition to intra
-
municipal inequalities
-
especially
relevant in municipalities with larger populations. and wi
th intra
-
urban realities that are also
unequal in terms of access, living conditions and opportunities for its population. All these
elements are expressed in inequalities of access to public services, mainly by the segment of
the population in a situation
of greater social vulnerability. In this sense, Proinfância is part of
a set of policies that seek to increase social inclusion, based on the correction of inequalities in
access to the public service
.
It should be noted that, in the 1990s, early childhood education was not a priority for
the federal government, which centralized its efforts to the fundamental level, until then the
only mandatory one and which had not yet achieved universal access at tha
t time. There were
few initiatives to support the expansion of day care centers and pre
-
schools, such as financial
support for the acquisition of didactic material for pre
-
school students (4 to 6 years old), teacher
training and support for the implementat
ion of the National Curriculum Reference for Early
Childhood Education in 1998 (BRASIL, 1998) or in municipalities included in the Comunidade
Solidária Program (IPEA, 2003). Despite these few initiatives, the scenario was one of
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allocation of few financial
resources for early childhood education, particularly affected by the
decrease in resources collected for the education salary in 1999 (IPEA, 2003).
Thus, Proinfância emerged in a context in which the expansion of fundamental
education had already been co
nsolidated and new levels and modalities of education started to
become a priority in the agenda of discussions on educational policies. However, in order for
this transfer of resources to take place, the municipalities and the Federal District, responsibl
e
for offering early childhood education, must comply with the guidelines of the National Fund
for the Development of Education present in the Financial Assistance Manual (Resolution
CD/FNDE No. 08 , April 24, 2007) (FNDE, 2007b), which guide the preparati
on of projects
that must be sent by the federal entities to the FNDE and follow all its guidelines.
Resolution/CD/FNDE nº 6, of April 24, 2007 (FNDE, 2007a) also established
prioritization criteria for subnational governments that wished to receive the tra
nsfer of
resources in the initial phase of the Program. These criteria are set out in Annex I of the
Resolution and cover three aspects: population, education and social vulnerability
.
In the population dimension, those municipalities with the highest popu
lation growth
and the highest population of children classified at kindergarten age and the highest
concentration of population in urban areas are classified as priority. In the educational
dimension, prioritization is established for municipalities with l
ower indicators of age
-
grade
distortion in fundamental education and with greater numbers of teachers with higher education.
In the dimension of social vulnerability, there is prioritization of municipalities with higher
percentages of women as solely resp
onsible for provision, a high rate of young people in
socioeconomically vulnerable situations and a smaller budget for early childhood education
(FNDE, 2007a).
It should be noted that Proinfância underwent institutional changes over the years, in
which som
e criteria were modified, especially when the program was included in the scope of
the Growth Acceleration Program (PAC
in the Portuguese acronym
), aiming to expand the
number of municipalities served and provide more speed to the resource transfer process
.
Oliveira and Lotta (2019) demonstrate that the changes in the rules for joining Proinfância were
FNDE responses to the difficulties that municipalities had to implement the policy. In the first
period, from 2007 to 2011, the program had a low delivery ca
pacity: of the 2,542 projects agreed
with the municipalities, only 40% were effectively executed. For the authors, the instrument
adopted for adherence
–
through agreements
–
was one of the reasons for the low delivery
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capacity of the program, in view of s
everal bureaucratic impediments that
cities and towns
faced
.
It is also noted that, in the initial phase of the program, the priority criteria did not reflect
a properly equitable principle of justice, since the population criteria and having better
educa
tional conditions end up generating the reproduction of existing educational inequalities
and only the third, which lists social vulnerability has a corrective intention. More clearly, the
population criterion defines as priority the municipalities with th
e largest population of early
childhood education age, but also with a greater concentration of population in urban areas, and
the educational criterion defines as priority the municipalities with lower age
-
grade distortion
rates and higher number of profe
ssionals with higher education, while the criterion of social
vulnerability prioritizes municipalities “with higher percentages of female heads of household,
with higher percentages of young people in poverty and with lower availability of resources to
fin
ance early childhood education” (FNDE , 2007a). In this sense, the program had, in its
original design, a conflicting intentionality by combining principles of justice that go in
opposite directions
5
.
However, the criterion of social
vulnerability, as the first criterion for assistance,
highlights the prioritization of resource allocation to the most vulnerable municipalities, thus
mobilizing an equitable criterion, as it aims to correct inequalities in access to early childhood
educat
ion and meet the demand for vacancies for early childhood education from day care
centers and, thus, guarantee equality in the offer of the service, promoting, in its, greater social
inclusion.
Even if it is not enough, this criterion marks an important mo
vement towards a fairer
education, especially in this stage of education still marked by a wide inequality of access. This
objective is more evident in the institutional design of the Brasil Carinhoso Program, which
emerged, in 2012, as an action of the Br
asil Sem Miséria Plan and, later, became an educational
program carried out by the FNDE with a view to acting in a complementary way and, at the
same time, at the same time, parallel to Proinfância in expanding enrollments in early childhood
education (CAM
PELLO; FALCÃO; COSTA, 2014), but this time with clearer prioritization
criteria for municipalities and families in situations of social vulnerability.
The institutional design of Proinfância, which establishes funding for projects aimed at
building and/or
renovating daycare centers financed by the FNDE to be executed strictly by
subnational entities, composes what Oliveira and Lotta (2019, p. 456) call “ ready
-
made models
5
We are grateful to the journal's anonymous reviewer for pointing out the need for clarification in the
text.
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of public policies, established by the federal government and over which municipal
gov
ernments have little choice and/or adequacy to local specificities”. They result in numerous
challenges and implementation bottlenecks generated by this high rigidity. According to
Oliveira and Lotta (2019), this movement is part of a general process of re
centralization of
public policies by Dilma
Rousseff’s
government, especially in the first term (2011
-
2014), and
which Proinfância illustrates well
.
According to the authors mentioned above, from 2009 onwards, the MEC and the FNDE
opted, due to the difficu
lties of the municipalities, to standardize the architectural projects of
early childhood education schools that were previously structured according to the model
proposed by these subnational entities and that ended up becoming become one of the program
i
mplementation bottlenecks. These projects could be of “type A (non
-
standard project) or types
B and C (standard architectural projects that correspond to 90% of the selected works)”
(OLIVEIRA; LOTTA, 2019, p. 454).
In short, Proinfância aimed to correct in
equalities in access to daycare and preschool by
providing financial and technical support to Brazilian municipalities in the process of building
and renovating teaching institutions dedicated to early childhood education. However,
Proinfância, due to its
strongly centralized institutional design, not only in terms of policy
formulation but also with regard to the ways in which public policy is implemented, has become
a clear case of the complexity involved in the production of a national standard. In this
specific
case, it is based only on the urban context, therefore not adapting to the specificities and
diversity of situations throughout the Brazilian territory
.
The implementation of PROINFÂNCIA i
n
Natal
With regard to the implementation of Proinfância in Rio Grande do Norte, the analysis
of the data provided by the FNDE, via the Law of Access to Information, made it possible to
identify that, of the 167 municipalities in Rio Grande do Norte, 111 received
resources from
the federal government destined for the execution of Proinfância in the period from 2008 to
2019, that is, about 66% of the total number of municipalities in the State. Of these, the
municipality of Natal received the largest amount of resou
rces in absolute terms, largely
because it is the largest administrative area in terms of population size in the state and with a
larger target population.
In 2020, according to Melo (2020), the municipality of Natal had 74 Municipal Centers
for Early Chil
dhood Education (CMEIs) that offered early childhood education (day care and
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preschool), 12 of which were built with Proinfância funds. Table 1 brings information on the
distribution of CMEIs by neighborhoods in the city and information on the number of ro
oms
available and students served in each CMEI.
Table
1
–
Schools built with Proinfância resources by neighborhood and region, number of
classrooms and students in Natal, 2020
CMEI’s name
Neigh
borhood
Administrative
Region
No. of
rooms
Number of
students
Antonio Gurgel De Melo
Potengi
North
10
406
Belchior Jorge de Sá
N. S.
Apresentação
North
4
187
Mailde Ferreira Pinto
Potengi
North
8
360
Maria de Nazaré
Lagoa Azul
North
8
358
Professora Rosalba Dias de Barros
Potengi
North
8
342
Santa Cecília
Pajuçara
North
4
176
Telma Rejane Moura Freire
Lagoa Azul
North
8
345
Professora Terezinha de Jesus
Pajuçara
North
10
467
Clara Camarão
Planalto
West
5
217
Maria Luiza
Planalto/Guarapes
West
8
283
Professora Antônia Fernanda
Jalles
Pitimbu
South
16
337
Maria dos Martírios Lisboa de
Menezes
Pitimbu
South
4
153
Total
93
3.631
Source: Prepared by the authors based on
Melo (2020)
From the data in Table 1, it can be seen that the CMEIs built using Proinfância
resources
are concentrated in the North (8), West (2) and South (2) zones of the city. When analyzing the
regions and, specifically, the neighborhoods chosen by the Municipality of Natal for the
construction of the Proinfância schools, it is noted the pri
oritization of neighborhoods with the
highest concentration of population in a situation of social vulnerability: of the 12 CMEIs, eight
(66, 6%) were built in the North Administrative Region, an area where the population with the
lowest aggregate purchasi
ng power resides and which has the highest indicators of social
vulnerability in the City; two (16.6%) in the West Region, which is the second region with the
highest concentration of low
-
income population in the city; and two (16.6%) in the South
region,
where the population of the city with the highest purchasing power resides, but with
urban enclaves.
When we superimpose these data on the spatial location of favelas and housing
complexes in the municipality of Natal (MEDEIROS, 2018), we identified that most CMEIs
built with Proinfância resources (83%) were allocated close to these two types of urban
agg
lomerations and the vast majority on the fringes or outskirts of the city. Even in the case of
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the South region, CMEIs were built in the Pitimbu neighborhood, in a housing development
area that concentrates a population in a situation of social vulnerabili
ty. The spatial distribution
of CMEIs built with resources from Proinfância, in addition to other characteristics of urban
spaces in Natal, can be seen on Map 1. It is verified, on the other hand, that there are
neighborhoods characterized by a situation o
f high social and urban precariousness that were
not contemplated, even though there was a high demand, as is the case of Igapó and Mãe Luíza
.
Map
1
–
Spatial distribution of kindergartens in the city of Natal/RN, Proinfância schools and
location of slum
s and housing complexes
Source
: Melo (2020)
The reason why these neighborhoods, which meet Proinfância's
priority criteria, do not
have any kindergartens built is that the high informality and constructive density of this type of
urban occupation
-
with the presence of slums and other precarious settlements
-
does not allow:
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1) find land available for the co
nstruction of school facilities; and 2) when there are lands, there
is no ownership, that is, there is no public and official registration of ownership in notaries, a
result of the history of informal and irregular occupations in urban Brazil. As will be s
een
below, this problem was not addressed by the federal program, even though this is not a reality
exclusive to Natal.
Thus, it can be seen, in general, that the CMEIs built with resources from Proinfância
in Natal were allocated in areas of high social v
ulnerability, with emphasis on a significant
number of schools built in housing complexes, spaces that have greater organization and
planning. urban
-
in theory, places that have spaces to receive public equipment. However,
schools built in peripheral neig
hborhoods or in urban enclaves and close to slums are also
observed, in precarious settlements, often administratively irregular. In these cases, the
problems of land with earthworks and ownership of public land are even greater and have
become one of the
problems for the execution of Proinfância in the case of the municipality of
Natal.
Looking at the number of enrollments, based on the School Census data summarized by
QEdu, it can be seen that there has been a significant increase in the expansion of vaca
ncies for
the early childhood education segment (daycare and preschool) in the CMEIs that received
resources from the Pre
-
childhood in the period from 2014 to 2020. Graph 1 shows that the
service capacity of the CMEIs financed by Proinfância grows over the
years, as the equipment
is built, delivered and goes into operation
.
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Graph
1
–
Evolution of enrollments in schools built or renovated with Proinfância funds,
Natal, 2014
-
2020
* There is no data for the CMEI Clara Camarão
for the year 2015.
Source: Prepared by the authors based on information available on the QEdu Portal (2022)
The first disbursement of FNDE resources for Natal takes place in June 2010, but it is
only in 2013 that 50% of the resources are paid. The total
release for all projects takes place in
October 2019, which is reflected in the service capacity of the equipment. The data in Graph 1
show a gradual increase in the number of enrollments of all Proinfância CMEIs in Natal since
2014. However, it is noted t
hat it is only from 2017 onwards that there is a significant expansion
in the service capacity of these school facilities.
Six interviews were also carried out with managers involved in Proinfância, seeking to
better understand the information presented. O
f these six interviews, one was exploratory and
carried out with an employee of the National Union of Municipal Education Directors
-
UNDIME. Of the remaining five, three were carried out with managers and former managers
of the National Education Developm
ent Fund (interviewees 1, 2 and 3) and two were carried
out with managers of the Municipal Secretary of Education of Natal (interviewees 4 and 5). For
this article, we chose to focus on the central question, that is, the public managers' view of the
challe
nges and bottlenecks in the implementation of Proinfância.
According to the speeches of FNDE managers and former managers, the
implementation challenges can be classified into two large groups. The first is related to the
question of the motivation of cont
ractors to carry out an architectural project, such as
Proinfância, and having the technical capacity to execute the model proposed by the FNDE, as
well as submitting to the payment receipt model that is marked by delays and interruptions. In
1000
1500
2000
2500
3000
3500
2014
2015
2016
2017
2018
2020
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other words,
managers point out that this contracting model makes it difficult to find companies
capable or interested in building schools in view of the different and very diverse local realities.
In the second group, there are the technical, operational and fiscal di
fficulties of the
municipalities that need to carry out the technical and bureaucratic procedures, according to the
guidelines of the FNDE and the MEC. Among them, we highlight the realization of contracts,
bids and availability of land according to specif
ications. The excerpts below, originally
published in Melo (2020), illustrate the arguments
:
[
...
]
the main problem was the Brazilian ability to execute. Both public
capacity and private capacity. We don't have, even though engineering is an
old science and with standards and norms and ABNTs, you don't have this
nationally, a capacity of all constructio
n companies to do it quickly,
economically, with a standard. And at the same time the city halls. The
Proinfância was designed to be a linear construction, this was thought for the
safety of children. You have several difficulties, and I would say a great
executive difficulty for city halls, but I would not exempt the private sector,
on the contrary, I think that it is co
-
responsible, it has not shown capacity. [...]
one of the design problems of Proinfância is that it was designed
imagining minimum conditi
ons that would be acceptable nationally
[...] a
minimum standard that is far above many states and municipalities and then
implementing it is a huge challenge ( interviewee 1, federal manager, 2020,
emphasis added
).
In the municipalities, a lot of land pr
oblems, the lands were not viable,
documentation problems to prove ownership of the land, a problem that I
thought was basic, but, in the end, it was bigger than I imagined, it was the
problem of earthworks, the municipalities were responsible for deliveri
ng the
land with earthworks, and they couldn't. While they didn't deliver, they didn't
give the first phase
. So this incapacity of municipal management is an
absurd business in the country
(interviewee 2, federal manager, 2020, our
emphasis).
There are 2
challenges:
attracting serious contractors that can support the
disbursement time that we have today to pay for works in progress and
the issue of implementing the policy
.
The challenge is for the municipality
to be able to dissipate it,
because we give th
e standardized project, talk about
the specifications of the land, but there is the number 1 difficulty that they do
not have land, with the necessary adaptation to be able to build and not even
the necessary dimensions, especially in large centers urban p
rojects, 2nd the
ability to bid for work due to the difficulty of the bidding process as a whole
and the difficulty of having qualified engineers to bid for the work and 3rd,
which is also very important, is the issue of lack of resources, the discontinuit
y
of the program. We do not invest more in the program for new agreements,
the main difficulties are the issue of execution, from the separation of the land
to the hiring of the company, the inspection by the municipality, even the lack
of funds to continu
e those that have, and mainly for new agreements. [...] I'm
working on the service to city halls and you see how much they lack access to
information.
If we don't have a good technical body to provide this
support, sometimes the municipality is unable to c
arry out a project in
life, which is precisely in the work of ProInfância that it cannot finish,
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because there is no engineer, there is no one who knows that can provide
some kind of support in the municipality, both in terms of execution,
bidding, work mo
nitoring, work inspection [...] they often do not have the
technical capacity to do this, so support from the FNDE is essential for
the execution of various policies
(interviewee 3, federal manager, 2020,
emphasis added)
).
In the view of
municipal managers, the main challenges highlighted are finding suitable
land for the construction of day care centers, both due to the need for ownership of the land and
the availability of land in accordance with the specifications of the FNDE. In additi
on, there are
still problems with the disbursement process of financial resources by the FNDE, which makes
the pace of works slow and, in many cases, marked by temporary and/or permanent
interruptions, as illustrated in the following excerpts
:
The works are not paralyzed, they are being built. But it's always very slow.
So, there are many interruptions due to non
-
payment by the MEC
. The
work is moving forward, moving forward. So much so that two works were
practically supposed to be delivered in
the middle of the year and they weren't.
We are waiting for the completion of these works so that we can transfer the
old spaces, which are rented houses, to this space. And we receive a lot of
demand from both the directors and the target audience commun
ity. So what
I see is the problem of interruption of payments to the engineering company.
[...] It is not clear to me, but I see that it is a matter of priority: 'ah, this month
the resource will go to Pernambuco and not to Rio Grande do Norte.
I see it
as
a matter of political choice. I find it very exhausting because the
Secretariat has to go to Brasília, the Mayor has to go to Brasília
. Is it too
exhausting because it's not a program? Either continue or extinguish. If there
are no conditions, it will ext
inguish, but if it is active, it has to have the
resources (interviewee 4, municipal manager, 2020, our emphasis).
The main challenges are earthly, it starts from there. But, for example, land is
very difficult, because you have to have the right measurem
ents, you have to
have ownership, public documentation, and that's the terrible thing. For me,
within our reality, from the little I follow,
this part of having ownership of
the land is the biggest challenge for construction to begin
(interviewee 5,
munici
pal manager, 2020, our emphasis)
.
It is noted that the implementation problems, in the view of the municipal managers, do
not refer to the lack of management capacity, as they are factors external to the control of the
municipal education departments. The
issue of the lack of formal registration of ownership of
land is even a national problem, not exclusive to the municipality of Natal, as a result of the
historical irregular occupation in large urban centers, as is the case of Brazilian slums and many
urb
an peripheries. The same can be observed in relation to the construction companies that win
the bidding processes, are small and do not support the (long) time of disbursements foreseen
by the FNDE, delaying the schedule and the delivery of the equipment.
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The rigid norms for implementing the policy, as defined by the FNDE, although well
-
intentioned in trying to produce ready
-
made and finished inputs
-
especially relevant for
municipalities with low state capacity
-
end up completely eliminating the ability
to respond to
typical implementation problems by city managers themselves. In view of the enormous
regional diversity, in a country of continental dimensions, permeated by multiple inequalities,
a single and national project without local adaptations will
tend to reproduce delays and
abandonment of public works that, in their original objective, sought to produce greater social
inclusion
.
Final remarks
This article sought to analyze how the implementation of Proinfância occurred in
practice and what views federal and municipal managers of the program have about the
problems of implementation. The program has had a partial effectiveness: on one hand, the
school equipment is located in vulnerable and high vulnerability areas; and on the other hand,
it has not been able to attend other priority areas as expected in the institutional design of the
program. This is due to project implementation problems that a
re not contemplated in the
federal regulations.
The main implementation bottlenecks pointed out by managers and former managers of
the federal and local bureaucracy were: the difficulties in building the day
-
care centers due to
the existence of few constr
uction companies in a position to execute the project, the slow
transfer of resources, the recurrent problem of the lack of public land suitable to the specificities
of the project with proof of ownership, and the low technical and bureaucratic capacity of
the
municipalities. This last aspect, however, is one of the factors most cited by federal managers
as a problem in the implementation of the policy, but it is not seen as the main problem in the
view of the municipal managers themselves. It can be said t
hat the establishment of national
standardization is both a necessity and a problem.
The study carried out here illustrates the problems of a single institutional design for the
whole country associated with problems of bureaucratic capacity and suggests
that the program
generates implementation problems that could be solved if there were instances of negotiation,
agreement and dialogue in which local governments had a seat and participation. The FNDE's
attempt to adopt a pattern of projects that would all
ow overcoming the known problems of
unequal capacities among Brazilian municipalities generates an adverse effect: an excessively
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Yasmim Marques de MELO
and
Sandra GOMES
RIAEE
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rigid execution model that does not allow adaptations to local realities and contexts, resulting
in delays and, in many cases,
in abandonment and non
-
completion of works.
The central argument worked on in the article was that this excessive top
-
down
bureaucratic inflexibility, characterized by the absence of dialogue, interaction or pactualization
channels between local managers
and central agencies, prevents the identification of typical
(and expected) problems at the moment of implementation of public policies. As a result,
normative revisions and adjustments that would improve and speed up the delivery of services
and public g
oods and the responses to implementation problems are not established. Without
institutionalized spaces for dialogue and exchange, the system itself becomes dependent on
case
-
by
-
case solutions and exposed to political influences and political clientelism
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15/03/2022
Revisions required
: 27/06/2022
Approved
: 07/09/2022
Published
:
30/11/2022
Processing and publication by the Editora Ibero
-
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de Educação.
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