RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681 1
GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA E SUA INTERFACE NA FORMAÇÃO DE
PROFESSORES/AS: A EXPERIÊNCIA DO GDE/UFPB
GÉNERO Y DIVERSIDAD EN LA ESCUELA Y SU INTERFAZ EN LA FORMACIÓN
DOCENTE: LA EXPERIENCIA DE/LA GDE/UFPB
GENDER AND DIVERSITY AT SCHOOL AND THEIR INTERFACE IN TEACHER
EDUCATION: THE EXPERIENCE OF GDE/UFPB
Jeane Felix da SILVA1
e-mail: jeanefelix@gmail.com
Maria Eulina Pessoa de CARVALHO2
e-mail: mepcarv@gmail.com
Joseval dos Reis MIRANDA3
e-mail: josevalmiranda@yahoo.com.br
Como referenciar este artigo:
SILVA, J. F. da; CARVALHO, M. E. P. de; MIRANDA; J. dos R.
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de
professores/as: A experiência do GDE/UFPB. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681
| Submetido em: 15/04/2022
| Revisões requeridas em: 23/05/2022
| Aprovado em: 15/11/2022
| Publicado em: 12/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió AL Brasil. Professora Adjunta do Centro de Educação da
Universidade Federal de Alagoas. Doutorado em Educação (UFRGS).
2
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa PB Brasil. Professora Titular no Departamento de
Habilitação Pedagógica. Pós-doutorado na Universidade de Valencia, Espanha.
3
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa PB Brasil. Professor Associado no Departamento de
Metodologia da Educação. Doutorado em Educação (UnB).
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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RESUMO: Este texto trata do Curso de Especialização Gênero e Diversidade na Escola (GDE),
uma proposta pioneira, de âmbito nacional, destinada à formação de educadoras/es.
Inicialmente, recupera a proposta de oferta desse curso de formação docente continuada,
situando-a em seu contexto político. Em seguida, apresenta a experiência do Núcleo
Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero, do Centro de
Educação da Universidade Federal da Paraíba, em sua primeira oferta, em 2014-2015. Focaliza,
então, a experiência recente de sua segunda turma em 2020-2021, no formato à distância,
durante o isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19, e descreve seu alunado, suas
motivações e expectativas, com base em um questionário aplicado em julho de 2021. Neste
momento de ataque aos estudos e às políticas de gênero, especialmente na educação escolar,
finaliza argumentando sobre a importância da inclusão da perspectiva de gênero na formação
docente.
PALAVRAS-CHAVE: Gênero. Diversidade. Formação docente. GDE.
RESUMEN: Este texto trata sobre el Curso de Especialización en Género y Diversidad en la
Escuela (GDE), una propuesta pionera, en Brasil, dirigida a la formación de educadores.
Inicialmente, recupera la propuesta de formación continua de profesores sobre eses temas,
situándola en su contexto político. Luego presenta la experiencia del Centro Interdisciplinario
de Investigación y Acción sobre Mujer y Relaciones de Género, del Centro de Educación de la
Universidad Federal de Paraíba, en su primera oferta, en 2014-2015. Enfoca la experiencia
reciente de su segunda promoción en 2020-2021, en el formato a distancia, durante la
pandemia del Covid-19, y describe a sus alumnos, sus motivaciones y expectativas, con base
en un cuestionario aplicado en julio de 2021. En este momento de ataque a los estudios y
políticas de género, especialmente en la educación escolar, termina argumentando sobre la
importancia de incluir la perspectiva de género en la formación docente.
PALABRAS CLAVE: Género. Diversidad. Formación de profesores. GDE.
ABSTRACT: This paper focuses on the Gender and Diversity at School (GDE) program, a
pioneering nationwide teacher continual education policy proposal. Initially, it places this
initiative in the current Brazilian political context. It then presents the experience of its first
class, sponsored by the Interdisciplinary Gender Center (NIPAM) of the College of Education
of the Federal University of Paraiba (UFPB), in 2014-2015. Mainly, it addresses the recent
experience of its second class, in 2020-2021, through distance education, during the social
isolation resulting from the Covid-19 pandemic. Based on responses to a questionnaire applied
in July 2021, it describes its students’ motivations and expectations. At this time of attack on
gender studies and policies, especially in schools, it concludes by arguing the importance of
including the gender perspective in teacher education.
KEYWORDS: Gender. Diversity. Teacher education. GDE.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO e Joseval dos Reis MIRANDA
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Introdução
Pense num curso que jamais me arrependerei de ter feito! O GDE é uma
experiência acadêmica e de vida que ampliou MUITO minhas visões sobre
sexualidade, gênero, relações étnico-raciais e conhecimentos metodológicos
como docente/discente. Só tenho a agradecer (ESTUDANTE, homem).
A fala do estudante utilizada para abrir este texto serviu como mote para inspirar sua
escrita, que tem como intuito apresentar a experiência do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e
Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero (NIPAM), do Centro de Educação (CE) da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na oferta da segunda turma do Curso Gênero e
Diversidade na Escola (GDE). O Curso foi realizado entre agosto de 2020 e dezembro de 2021,
em formato à distância, devido ao contexto do isolamento social decorrente da pandemia de
Covid-19.
O Curso “Gênero e Diversidade na Escola” (GDE) teve sua origem em meados da
década de 2000, a partir de uma iniciativa conjunta da Secretaria Especial de Políticas para as
Mulheres (SPM/PR), Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR/PR),
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC) e Conselho
Britânico, órgão do Reino Unido voltado à promoção dos direitos humanos, educação e cultura.
Integrava a Rede de Educação para a Diversidade (Rede), encarregada de disseminar as
necessárias e inadiáveis políticas de inclusão de gênero, orientação sexual e raça/etnia na
educação básica brasileira, em que a formação docente é estratégica, como ainda se pode
encontrar no site do Ministério da Educação:
A Rede de Educação para a Diversidade (Rede) é um grupo permanente de
instituições públicas de ensino superior dedicado à formação continuada de
profissionais de educação. O objetivo é disseminar e desenvolver
metodologias educacionais para a inserção dos temas da diversidade no
cotidiano das salas de aula. São ofertados cursos de formação continuada para
professores da rede pública da educação básica em oito áreas da diversidade:
relações étnico-raciais, gênero e diversidade, formação de tutores, jovens e
adultos, educação do campo, educação integral e integrada, ambiental e
diversidade e cidadania (BRASIL, c2018).
A primeira oferta do GDE ocorreu em 2006 como um projeto-piloto, ofertado pelo
Centro Latino-americano em Sexualidade e Direitos Humanos do Instituto de Medicina Social
da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (CLAM/IMS/UERJ). Conferia certificado de 180
horas, como curso de extensão para participantes com nível médio completo, e como curso de
aperfeiçoamento para participantes com curso superior completo. Nessa primeira oferta, foram
matriculados/as 1.200 profissionais de educação dos municípios de Niterói e Nova Iguaçu (Rio
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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de Janeiro), Maringá (Paraná), Dourados (Mato Grosso do Sul), Porto Velho (Rondônia) e
Salvador (Bahia). Finalizaram o curso cerca de “900 profissionais de educação” (HENRIQUES
et al., 2007, p. 54).
Para a oferta inicial, o CLAM/IMS/UERJ elaborou o material didático do Curso, que
foi organizado em quatro módulos Diversidade, Gênero, Sexualidade e Orientação Sexual, e
Raça e Etnia
4
. Assim, destaca-se outro ganho importante do GDE: a articulação entre relações
de gênero, relações étnico-raciais e diversidade sexual, bem como entre as problemáticas do
androcentrismo, sexismo, misoginia, racismo, heterossexismo e homofobia, indicando sua
complexidade temática.
O GDE foi uma aposta da política educacional brasileira para contribuir com a reflexão
sobre as questões de gênero, sexualidade e relações étnico-raciais nas escolas, com vistas a
contribuir para a redução de preconceitos associados às diferenças e diversidades da nossa
população. Para isso, tinha como objetivo central:
[...] formar educadores/as das redes públicas de educação básica nos temas
gênero, orientação sexual e relações étnico-raciais, visando provê-los/as de
ferramentas para refletirem criticamente sobre a prática pedagógica
individual e coletiva e combaterem toda forma de discriminação no ambiente
escolar (HENRIQUES et al., 2007, p. 54).
Contudo, cabe assinalar que o GDE, no âmbito da gestão federal, foi desenvolvido em
um contexto educacional em que as políticas de igualdade e de valorização das diferenças e
identidades emergiam e se fortaleciam. Nesse contexto de políticas públicas, sociais e
especificamente educacionais em que se insere o Curso GDE, situam-se alguns documentos e
leis, publicados desde o final da década de 1990, listados a seguir:
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Temas Transversais Orientação
Sexual e Pluralidade Cultural, de 1998, um marco na inclusão de gênero, sexualidade e
diversidade na política curricular brasileira (BRASIL, 1998);
Plano Nacional de Educação (PNE) de 2001 documento que estabelecia
diretrizes e metas para a educação pelo período de dez anos desde sua publicação, no qual as
questões de gênero eram consideradas em ações que iam da inserção temática nas formações
continuadas de profissionais da educação aos livros didáticos (BRASIL, 2001).
Planos Nacionais de Políticas para Mulheres PNPM I, de 2004, PNPM II, de
4
Os materiais do Curso podem ser acessados na página do CLAM na internet: http://www.e-clam.org/gde.php
Cabe destacar que esse material, embora tenha sido produzido no âmbito de uma ação do Ministério da Educação,
foi retirado de sua página oficial.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO e Joseval dos Reis MIRANDA
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2008 e PNPM III, de 2013, lembrando a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres,
com status de ministério, ligada à Presidência da República (SPM-PR), em 2003 (BRASIL,
2004a, 2008, 2013);
Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH), em duas versões,
a primeira lançada em 2003 e a segunda em 2006, com foco na construção de uma cultura de
direitos humanos, exercício da solidariedade e respeito às diversidades;
Programa Brasil sem Homofobia Programa de Combate à Violência e à
Discriminação contra LGBT e Promoção da Cidadania Homossexual, de 2004, o qual possuía
uma seção específica voltada às ações de enfrentamento à homo/lesbo/transfobia no contexto
educacional (BRASIL, 2004b);
Leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008, estabelecendo a inclusão
obrigatória da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” no currículo da
educação básica (BRASIL, 2008);
Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010, visando à garantia de direitos e
igualdade de oportunidades à população negra (BRASIL, 2010).
Assim, o Curso Gênero e Diversidade na Escola pode ser considerado “a mais
importante iniciativa de política educacional nacional voltada à formação docente continuada
sobre a problemática das relações de desigualdade de gênero, articuladas às questões de
raça/etnia, sexualidade e orientação sexual(CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55), traduzindo
o investimento do Estado brasileiro, nesse período, “para instituir uma cultura de direitos
humanos e enfrentar as variadas formas de discriminação presentes nas relações sociais, através
da educação, e a partir da escola” (CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55).
Após a primeira oferta, o GDE foi descentralizado e passou a ser ofertado em formato
à distância ou semipresencial por várias universidades públicas brasileiras, por meio do sistema
Universidade Aberta do Brasil (UAB), alcançando as diversas regiões do país e propiciando,
além da formação específica para abordar questões de gênero, sexualidade e relações étnico-
raciais, “a inclusão digital de docentes da educação básica” (CARVALHO; FREITAS, 2018,
p. 55) em exercício, um ganho importante de competências digitais na formação docente
continuada.
Nesse contexto de oferta do GDE descentralizadamente pelas universidades, o Curso foi
ofertado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio do Núcleo Interdisciplinar de
Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero (NIPAM) do Centro de Educação
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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(CE), com carga-horária de 200 horas, conferindo os referidos certificados de extensão e
aperfeiçoamento. Em 2009, o NIPAM/CE/UFPB realizou o Curso GDE
Extensão/Aperfeiçoamento em 12 municípios paraibanos que contavam com polos da UFPB-
Virtual, atingindo 520 matrículas e 295 conclusões (CARVALHO, 2010).
Em 2014, mais uma vez com apoio da UFPB Virtual e de sua Unidade de Educação a
Distância, o NIPAM/CE/UFPB ofertou o Curso de Especialização Gênero e Diversidade na
Escola (1º GDE - Especialização), destinado a professoras/es da rede pública, profissionais da
educação em geral, educadoras/es sociais e demais interessados na temática, com carga horária
de 360 horas, na modalidade educação a distância (EaD), porém com algumas aulas e avaliações
presenciais. Certificado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPG), conforme a
Resolução 49/2013 do CONSEPE/UFPB, com financiamento da SECADI/MEC/FNDE
(Processo SECADI 23000.017937/2013-42) e gestão financeira do COMFOR/CPME/PRG, o
curso ofertou 300 vagas, totalmente gratuitas. Por meio de parcerias com as Secretarias de
Educação dos municípios paraibanos de Alagoa Grande, Areia, Araruna, Cabedelo, Pitimbu e
João Pessoa, matriculou 339 participantes, sendo 267 mulheres e 72 homens, a maioria de João
Pessoa (NIPAM, 2015).
Seu currículo foi composto de sete módulos sucessivos, com material impresso e digital,
via CD-rom, quais sejam: Introdução à educação a distância (IEAD), Diversidade, Elaboração
de Projeto Pedagógico (EPP), Relações Étnico-raciais, Relações de Gênero, Sexualidade e
Orientação Sexual, e Metodologia de Projeto de Pesquisa (MPP). Na plataforma Moodle PEX,
os módulos foram ministrados por docentes com doutorado, apoiados por tutoras/es pós-
graduadas/os ou pós-graduandas/os, com especialização e/ou militância nas suas temáticas, e
atuação intensiva no ambiente virtual de aprendizagem (AVA), objetivando evitar a evasão,
comum nos cursos EaD (NIPAM, 2015).
A Aula Inaugural presencial do GDE-Especialização ocorreu em 16 junho de 2014,
em turnos e horários distintos para atender ao máximo de participantes. A previsão de realização
do curso era de 18 meses, mas prolongou-se até dezembro de 2015 (NIPAM, 2015), com a
conclusão de 148 participantes, 110 mulheres e 38 homens, que apresentaram seus trabalhos de
conclusão do curso (TCC) de 28 de setembro a 11 de dezembro.
A orientação para os TCC foi que deveriam articular teoria e prática, enfocando
propostas de intervenção no currículo, na gestão, no ensino e nas relações escolares; tratar
gênero transversalmente a qualquer temática; e adotar a interseccionalidade, incluindo outras
diferenças e desigualdades, como classe social, deficiência, idade/geração, além de raça-etnia
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e orientação sexual. Os interesses temáticos foram organizados em projetos guarda-chuva para
possibilitar a orientação coletiva em grupos de pesquisa (NIPAM, 2015). Assim, o GDE-
Especialização foi uma experiência inusitada de pós-graduação em massa, possibilitada pela
EaD e pelo financiamento do MEC, com uma taxa de rendimento geral de 45,53%, subtraindo-
se os 14 inscritos que nunca acessaram o Moodle Pex (NIPAM, 2015).
Rosa (2016), em sua dissertação de mestrado, investigou os impactos do GDE-
Especialização ofertado pelo NIPAM/UFPB na prática pedagógica das/os participantes,
analisando textos escritos de 69 docentes que cursaram o Módulo Gênero para evidenciar suas
aprendizagens ao longo da vida e ao término do módulo, e as possibilidades de ressignificação
propiciadas pelo curso. A autora concluiu que o referido módulo contribuiu para que as/os
docentes ressignificassem suas aprendizagens e buscassem desenvolver práticas pedagógicas
mais equânimes quanto a gênero, e comprometidas com o respeito à diversidade na escola.
A Experiência do 2º GDE-Especialização do NIPAM/CE/UFPB
Em 2020, o NIPAM/CE/UFPB passou a ofertar uma segunda turma do GDE-
Especialização. O currículo da segunda oferta do Curso de Especialização em Gênero e
Diversidade na Escola foi aprovado por meio da Resolução CONSEPE/UFPB nº 45/2019, que
estabelecia uma carga horária total de 390 horas-aula distribuída em 7 módulos, assim como na
primeira oferta, e o Trabalho de Conclusão de Curso. Esses componentes curriculares foram
ministrados por docentes do Centro de Educação/UFPB sob a responsabilidade do
NIPAM/CE/UFPB (UFPB, 2019).
Cabe ressaltar que para a segunda turma se previam, conforme sinaliza a Resolução do
Curso, encontros presenciais em dois momentos, no início e no final de cada disciplina.
Entretanto, por conta da pandemia da Covid-19, a sistemática precisou ser reorganizada e as
atividades passaram a acontecer de maneira síncrona (pela plataforma Google Meet) e
assíncrona (a partir de atividades realizadas pela plataforma Moodle Pex). Esta segunda oferta
do curso teve início em agosto de 2020, com término em dezembro de 2021.
No que diz respeito ao Trabalho de Conclusão de Curso, este consistiu na elaboração,
pelo/a discente, de um texto resultante de pesquisa empírica ou bibliográfica, em forma de
artigo científico, cujo objeto de estudo estivesse relacionado ao campo da Educação em
interface com as temáticas de Gênero e/ou Sexualidade e/ou Relações Étnico-Raciais.
Com a oferta de 100 vagas, totalmente gratuitas, o curso contou com 75 inscritos/as para
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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o processo seletivo e 74 devidamente matriculados/as, sendo 43 mulheres, 30 homens e 01
pessoa não binária, com idades entre 24 e 50 anos. Com o encerramento do curso em dezembro
de 2021 computamos uma evasão seja por desistência, seja por reprovação de 19 estudantes,
sendo 7 homens e 12 mulheres; logo, concluíram o curso 55 estudantes, sendo 1 pessoa não
binária, 31 mulheres e 23 homens.
Em relação à caracterização do grupo de cursistas que permaneceram no curso, tem-se
o seguinte perfil: quanto à raça/cor, 54,9% autodeclarados/as pardos/as, 17,6% pretos/as e
27,5% brancos/as; quanto à orientação sexual, 54,9% autodeclarados/as heterossexuais, 29,4%
homossexuais, 11,8% bissexuais e 3,9% outra orientação; quanto ao estado civil, 60,8% dos/as
estudantes informaram estar solteiros/as, 15,7% casados/as, 19,6% em união estável, 2%
divorciados/as, e 2% em outro estado civil.
A formação inicial dos/as estudantes da segunda turma do GDE foi bastante diversa,
composta pelos seguintes cursos: Pedagogia, Ciências Biológicas, Educação Física, História,
Geografia, Letras, Serviço Social, Psicologia, Direito, Fisioterapia, Biblioteconomia,
Antropologia, Cinema e Audiovisual, e Ciências Agrárias.
Ao caracterizar o grupo de cursistas da segunda turma no que diz respeito à religião e à
prática religiosa obteve-se, por meio de suas autodeclarações, o seguinte retrato da turma:
23,5% são católicos/as, 13,7% evangélicos/as, 9,8% espíritas, 7,8% possuem religiões de matriz
africana, e 49% não possuem religião. Entre os/as estudantes que autodeclararam possuir
alguma religião, 43,1% afirmaram ser praticantes e 56,9% não praticantes. Quanto ao quesito
renda individual, os dados do questionário aplicado revelam que a maioria dos/as estudantes do
Curso GDE, isto é, 76,4%, recebem até três salários-mínimos, sendo que 43,1% recebem até
um salário-mínimo e 33,3% recebem entre dois e três salários-mínimos.
Diante desse detalhamento das características da segunda turma do Curso de
Especialização em Gênero e Diversidade na Escola-GDE, pode-se afirmar que as
temáticas/discussões/reflexões que envolvam gênero, sexualidade e relações étnico-raciais na
formação devem perpassar todas as áreas de conhecimento. Nesse contexto, independentemente
da religião e da prática religiosa adotada, os/as cursistas sentem a necessidade e estão abertos/as
ao diálogo e à formação sobre esses conteúdos, que fazem parte do cotidiano de todos/as. Nessa
ótica, corrobora-se Alevato (2012), ao mencionar a formação em assuntos relacionados à
Educação Sexual (acrescentando-se, no caso do GDE, também, gênero e raça):
[...] não é uma ‘disciplina’ à parte. É formação humana que se relaciona não
apenas com a escolha do parceiro ou com a obediência às determinações de
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‘parâmetros curriculares’. Relaciona-se com todas as esferas da vida.
Relaciona-se à organização da sociedade, às políticas da subjetividade, às
relações de poder e até ao sofrimento vivido por aqueles/as que ousam (ou não
ousam, que também sofrem) ir além dos artefatos materiais e simbólicos
que identificam e enquadram seu gênero (ALEVATO, 2012, p. 84).
Essa imbricação e implicação das temáticas do GDE, em todas as esferas da vida e nas
necessidades de formação humana, é revelada nas motivações e expectativas de seu alunado,
como ilustrado a seguir.
Quem faz o GDE? Motivações e expectativas do seu alunado
Em julho de 2021, na fase final do curso, por meio de uma abordagem de pesquisa
qualitativa, a coordenação do curso aplicou um questionário online, com questões abertas e
fechadas, com as/os participantes, com a finalidade de conhecer seu perfil, motivações e
expectativas em relação ao curso. Entre as principais motivações destacam-se a necessidade de
formação profissional e de ampliação do repertório teórico e metodológico em relação às
temáticas do curso; o desejo de aprender sobre como abordar essas temáticas no contexto das
escolas; e a ânsia de compreender as temáticas por vivência própria. A seguir, apresentam-se
alguns trechos das respostas aos questionários relativas às contribuições do GDE para a
formação dos/as seus/as estudantes:
Eu resolvi realizar esse curso, pois tenho me deparado, no dia a dia da escola,
com inúmeros discursos sexistas, racistas e homofóbicos, que muitas vezes
são invisibilizados ou partem de pessoas que trabalham nesse ambiente.
Dessa forma, eu senti a necessidade de aprender mais sobre as questões que
envolvem gênero e diversidade, para que eu possa saber lidar e combater as
mais diversas formas de preconceitos (ESTUDANTE, mulher).
Por sentir a necessidade de compreender a importância do gênero, da
diversidade e da valorização destes, e de saber abordar e conceituar no
âmbito escolar. A contribuição do curso é importantíssima para nos
formarmos professores acolhedores, que valorizam as diferenças e lutam pela
quebra da violência, preconceito e desvalorização, tão presentes no espaço
escolar (ESTUDANTE, mulher).
Atuar de forma ética com a diversidade de alunos, respeitando as suas
singularidades. O curso possibilitou a quebra de paradigmas bem como
permitiu que eu pudesse acessar espaços antes inimagináveis (ESTUDANTE,
homem).
Os trechos destacados acima apontam para a necessidade que os/as professores/as
demonstram de se sentirem preparados/as para abordarem questões de gênero, sexualidade e
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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relações étnico-raciais nas escolas. O insuficiente preparo docente para lidar com essas questões
nas escolas não é algo exatamente recente: os cursos de formação inicial de professores/as têm
pouco espaço para a discussão dessas temáticas em suas matrizes curriculares, ficando essas
discussões em componentes curriculares optativos, ou seja, apenas estudantes interessados/as
nessas temáticas terão oportunidade de estudá-las em seus cursos de graduação (CAVASIN;
UNBEHAUN; GAVA, 2011), o que demanda esforços de formação continuada.
Contudo, embora essas temáticas tenham pouco espaço nos currículos de formação
inicial, elas estão nas escolas e, de algum modo, irão demandar posicionamento dos/as
professores/as, o que nem sempre ocorre de modo apropriadamente educativo, restringindo-se
a algum tipo de repreensão ou de silenciamento. Segundo Meyer e Felix (2012, p. 124), “o fato
de um/a profissional não se sentir preparado/a para lidar com essas questões também pode
indicar que este/a simplesmente não deseja trabalhar com esses temas, exatamente porque eles
são potencialmente conflituosos”.
Em relação ao espaço dessas temáticas nos cursos de graduação, em sua formação
inicial, os/as estudantes dizem:
Na graduação, ficaram muitas lacunas sobre essas temáticas, tendo em vista
a amplitude e necessidade de desenvolver o debate (ESTUDANTE, mulher).
[o GDE trouxe] Aprendizado pessoal e profissional, como também para suprir
algumas lacunas que o meu curso me deixou em relação a sexualidade e
gênero (ESTUDANTE, mulher).
Aprimorar e ampliar sobre o conceito de gênero, levando em consideração
que não tivemos uma disciplina específica na graduação (ESTUDANTE,
mulher).
Essas respostas corroboram o argumento de que é fundamental ampliar o debate sobre
as temáticas abordadas no GDE nos cursos de formação inicial e continuada de professores/as,
particularmente em meio às tensões políticas em torno da (não) abordagem dessas questões nas
escolas. Felix (2015, p. 255), ao referir-se às disputas políticas em torno da abordagem das
questões de gênero e sexualidade nas escolas, indica que isso acontece porque esses “temas
vêm sendo considerados “polêmicos”, secundários, desnecessários, por docentes e outros/as
trabalhadores/as das escolas, mas também por gestores/as públicos e por uma parcela
importante e significativa da sociedade”.
Consequentemente, em tempos de disputas em torno da abordagem educativa dessas
temáticas nas escolas, é preciso fortalecer a formação docente para que esses/as profissionais
tenham argumentos teórico-práticos para exercerem sua função de educar crianças, jovens e
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adultos/as para viverem em uma sociedade dinâmica e plural, respeitando as diferenças. Sobre
isso, disse um/a estudante do GDE:
Minhas motivações foram para entender as diferenças entre gênero e
sexualidade, e todo o dinamismo em volta desses temas. Para que eu tivesse
a oportunidade de defender as pautas LGBTQIA+ com mais segurança e
domínio, seja nas rodas de conversa presencial ou nas redes. A luta em defesa
dos direitos, e por respeito, ainda se faz necessária e eu sentia necessidade
de ter esse domínio para poder explicar as pautas para qualquer pessoa e de
qualquer idade (ESTUDANTE, mulher).
Esse depoimento indica a complexidade e implicações das temáticas abordadas pelo
curso. Nesse sentido, é preciso apostar na atuação docente qualificada no tocante às questões
de gênero, sexualidade e relações étnico-raciais, particularmente porque essas temáticas têm
sido deturpadas e confundidas no âmbito educacional e da sociedade em geral. Por isso,
entende-se que a abordagem educativa dessas questões nas escolas e cursos de formação de
professores/as “é fundamental tanto para promover uma cultura de respeito às diferenças e aos
direitos humanos, quanto para fomentar uma pedagogia que ensine, entre outras coisas, que as
diferenças de sexo [de gênero, de raça-etnia] não podem ser materializadas em desigualdades
de direitos e de acesso” (FELIX, 2015, p. 225).
Como se vê, as motivações para cursar o GDE foram diversas, com destaque para a
necessidade de formação continuada sobre as suas temáticas, o reconhecimento da importância
de aprender como abordar tais questões em sala de aula, e a compreensão de que é preciso
enfrentar as desigualdades e lutar por um mundo mais justo e igualitário para todas as pessoas.
Nesse sentido, a seguir, destaca-se a inclusão dessas temáticas na formação de professores/as.
A Importância da inclusão da temática e da perspectiva de gênero na formação docente
Ao se referirem à inserção das temáticas gênero, sexualidade e relações étnico-raciais
no âmbito da formação docente, os/as estudantes destacaram as contribuições do curso GDE,
particularmente na ampliação de conhecimentos e análise de diferentes formas de pensar a
inserção dessas questões nas escolas. Além disso, também foram mencionadas as contribuições
do curso para a desconstrução de preconceitos e para o autoconhecimento, conforme indicam
os trechos a seguir:
[o curso possibilitou] Aprofundamento e embasamento teórico, e de
metodologias, para o exercício docente. Na esfera pessoal: desconstrução de
meus próprios preconceitos (ESTUDANTE, homem).
Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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Para além da formação profissional em termos de acúmulo de conhecimentos
teóricos e metodológicos sobre o tema de gênero, sexualidade e relações
étnico-raciais, o GDE contribui para o autoconhecimento, para a ampliação
de nossa percepção de nós mesmos, enquanto sujeitos socioculturais,
portadores de identidades diferentes. Aprendemos a reconhecer nossos
pertencimentos identitários, culturais, desconstruir ideias e práticas
conservadoras, nos reconhecendo como diversos, sujeitos de direitos.
Também nos oferece uma dinâmica favorável à autogestão e organização de
nossa vida acadêmica e profissional (ESTUDANTE, Mulher).
[O GDE trouxe contribuições] como profissional: Mais conhecimento
científico; desenvolvimento intelectual e segurança para tratar do assunto na
escola. Como pessoa, além de desenvolver o culto e o intelecto, me sinto mais
empático com as causas das pessoas que sofrem discriminação e posso ver
casos relacionados a temáticas de exclusão social e diversidade étnica/racial,
sexual e de gênero de outra forma (ESTUDANTE, homem).
Os/as estudantes também destacaram como relevante o fato de que, ao acontecer em
tempos de pandemia, o curso possibilitou uma forma de poderem mudar o foco das
preocupações, pois precisavam dar conta das atividades semanais do curso, como ressaltou um
dos alunos adiante. Essa perspectiva demonstra a importância do estudo como forma de ampliar
percepções de mundo e de ocupar as mentes para além dos problemas que nos afetam individual
e coletivamente. Além disso, segundo os/as estudantes, o Curso propiciou ampliação do
repertório teórico sobre as questões abordadas nos componentes curriculares.
Foi maravilhoso cursar o GDE. Primeiro, pois o curso se iniciou em um
momento de muita tensão por causa da pandemia do novo Coronavírus, o
curso veio como uma "válvula de escape" em meio às preocupações, muitas
mortes ocorrendo por causa da doença. Segundo a rotina de desenvolver
atividades e leituras semanais de assuntos tão importantes na rotina docente,
foi extremamente prazeroso e importante para o desenvolvimento de
criticidade e desconstrução. Terceiro, eu, como professor de Biologia e
pedagogo, sinto a obrigação de me aperfeiçoar a cada instante, em cada
oportunidade, e o GDE oferecido por uma instituição de ensino de qualidade
como a UFPB foi uma chance imperdível para lapidação profissional
(ESTUDANTE, homem).
Gênero e sexualidade são termos muito amplos, deles conseguimos
compreender nosso papel individual e nossos deveres coletivos. Criamos
consciências críticas, que além de libertadoras, foram também incômodos
necessários para aumentar a vontade de lutar por uma sociedade mais justa.
Desejo poder ver, cada vez mais, pessoas se engajando nessa defesa, e é meu
dever transmitir esses saberes de forma respeitosa e acolhedora, que
contemple a todes (ESTUDANTE, Mulher).
A ampliação de conhecimentos sobre gênero, sexualidade e questões étnico-raciais,
particularmente por professores/as, é fundamental para contribuir com a construção de uma
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sociedade mais justa. Por isso, argumenta-se aqui pela sua abordagem educativa na formação
inicial e continuada de docentes. Nas palavras de Vianna (2012, p. 139), a “formação docente
é uma das múltiplas searas nas quais poderemos adquirir mecanismos de superação de algumas
ideias preconcebidas e construir novos conhecimentos e práticas”.
Na direção de ampliar o processo de construção de formas de ser e estar sujeitos de
gênero, de sexualidade e de raça em uma sociedade machista, heteronormativa e racista como
a nossa, perguntou-se no questionário quais as contribuições do GDE. Destacam-se as seguintes
respostas a essa questão:
O GDE me fez desconstruir vários preconceitos, ressignificar com afeto, a
docência, a pesquisa, a educação, utilizar lentes, como por exemplo as de
gênero, relações étnico-raciais, para analisar a sociedade e assim identificar
e agir contra as formas de violências e desigualdades. Contribuiu também
para que hoje eu me coloque politicamente enquanto uma mulher negra,
lésbica e feminista (ESTUDANTE, Mulher).
Participar do curso contribuiu, de forma significativa, para que eu pudesse
ampliar ainda mais o meu olhar para as questões de gênero, raça e
sexualidade. Isso porque agora me foi acrescentado um conhecimento
teórico, que eu posso usar tanto na vida pessoal, quanto na área profissional
(ESTUDANTE, Mulher).
Permitiu, enquanto mulher preta, analisar diversas questões sociais, as quais
a sociedade estabelece na perspectiva de gênero e raça (ESTUDANTE,
Mulher).
Os trechos acima sinalizam para a importância do GDE tanto em termos de formação
profissional quanto de suas contribuições para a vida privada dos/as estudantes, com destaque
para a sua autopercepção como sujeitos de gênero, de raça e de sexualidade. Considerando que
gênero, raça e sexualidade são construções sociais e, portanto, possíveis de serem ensinadas e
aprendidas, destaca-se a contribuição do GDE para a formação pessoal e profissional de
seus/suas estudantes.
Ao serem questionados/as sobre as suas expectativas de abordagem das temáticas
estudadas no Curso em suas práticas profissionais, os/as estudantes destacam algumas
dificuldades e, sobretudo, potencialidades:
Minhas expectativas são as melhores possíveis. Sinto que o GDE me
capacitou para desenvolver assuntos como "Gênero e Sexualidade" na escola,
considerados como polêmicos e abomináveis pela sociedade conservadora.
Confesso que, na minha condição de professor contratado em Instituto
Federal de Ensino, sinto um pouco de receio em tratar desses assuntos tão
descaradamente, trato de maneira discreta, descontruindo o preconceito e
discriminação a todo instante, em toda oportunidade, seja pela leitura e
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debates de textos que tratam sobre a diversidade e que têm relação com os
temas abordados nos conteúdos das ementas das minhas disciplinas
(ESTUDANTE, homem).
Minhas expectativas ao aplicar meus conhecimentos adquiridos no GDE são
as melhores possíveis. Durante a especialização foram muitas descobertas e
aprendizados que enriqueceram meu vocabulário e minhas discussões sobre
gênero e sexualidade. Eu, como professora, vi a necessidade de aprender mais
sobre essa temática, e hoje sinto mais firmeza em poder auxiliar da melhor
forma possível os alunes, trazendo esse assunto de maneira empática,
didática e acolhedora para a sala de aula (ESTUDANTE, Mulher).
Embora estejamos vivendo um período complicado, cada dia mais se faz[em]
essencial[is] os conhecimentos adquiridos durante o curso. Para lutar contra
o preconceito e discriminação, é preciso estar por dentro dos temas, com uma
boa base teórica para conseguir debater (mesmo que os demais sujeitos não
estejam abertos a isso) e explicar o correto e proteger a população
vulnerável, no caso, as crianças. Dessa forma, minha expectativa é cada vez
mais por em prática o que foi aprendido a fim de empoderar os sujeitos à
minha volta, seja em escolas, aulas particulares, até mesmo amigos e amigas
(ESTUDANTE, Mulher).
Constata-se, nesses depoimentos, que as/os estudantes sentem-se, além de mais
capacitados/as, positivamente motivados/as a contribuir e intervir em assuntos polêmicos, como
gênero e sexualidade. Têm noção dos riscos do confronto com pessoas e grupos conservadores,
mas disposição para descontruir preconceitos e discriminações, de maneira empática e didática,
como aponta uma das alunas, bem como proteger a população vulnerável e empoderar os
sujeitos na escola e fora dela, como indicou uma das estudantes. Considera-se que a abordagem
educativa das questões de gênero e diversidade na escola é fundamental e, para isso, faz-se
necessário investir na formação inicial e continuada de docentes. Desse modo, cursos como o
Gênero e Diversidade na Escola precisam continuar a serem ofertados, ampliando a dimensão
formativa dos/as profissionais da educação.
Considerações finais
Diante das evidências expostas por meio dos relatos dos/as estudantes, bem como de
nossa experiência como docentes e coordenadores/as do Curso GDE, ratificamos a necessidade
de investimento em políticas públicas de formação continuada que contemplem as temáticas da
diversidade, especialmente para professores e professoras. Gênero, sexualidade e relações
étnico-raciais são questões estruturantes em uma sociedade machista, homo/lesbo/transfóbica e
racista como a nossa e, por isso, é preciso que sejam abordadas educativamente nas escolas e
cursos de formação docente.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO e Joseval dos Reis MIRANDA
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Verificou-se que o Curso propiciou o aprofundamento das temáticas gênero,
sexualidade e diversidade sexual, raça e etnia em processos teórico-práticos, que permitiram
aos/as estudantes refletirem sobre sua atuação profissional, bem como sobre sua constituição
como seres humanos em uma sociedade desigual, ampliando a consciência da necessidade de
contribuirmos com a construção de um mundo mais justo e solidário. Refletir sobre essas
temáticas é perceber como as estruturas de desigualdade sexual, racial e de gênero operam
produzindo preconceitos diversos, os quais precisam ser enfrentados, e esse enfrentamento
passa, sobretudo, pelos processos educativos, escolares ou não.
Não poderíamos deixar de mencionar que esta segunda oferta do Curso GDE se deu em
um contexto de isolamento social em decorrência da pandemia de COVID-19 e, apesar de toda
as dificuldades e desafios dessa situação, propiciou aos/as cursistas de toda a Paraíba e, também,
de outros estados, experienciar um processo formativo intenso, bem como ressignificar o uso
de tecnologias como recursos educativos.
Por fim, desejamos que outras experiências formativas sobre as temáticas trabalhadas
no GDE sejam reconfiguradas e ofertadas para um número cada vez maior de pessoas,
provocando reflexões e práticas que contribuam com o fortalecimento de uma sociedade
comprometida com os direitos humanos.
REFERÊNCIAS
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Gênero e diversidade na escola e sua interface na formação de professores/as: A experiência do GDE/UFPB
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CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Agradecemos a todos/as os/as estudantes da turma do Curso de
Especialização em Gênero e Diversidade na Escola-GDE/UFPB que participaram da
pesquisa.
Financiamento: Não Aplicável
Conflitos de interesse: Não Aplicável.
Aprovação ética: Seguindo os princípios éticos da pesquisa com seres humanos todos/as
os/as estudantes participantes da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido-TCLE. Enfatizamos o objetivo do estudo e a garantia da não divulgação das
suas identidades.
Disponibilidade de dados e material: Não Aplicável.
Contribuições dos autores: Todas as autoras e o autor atuaram no planejamento da
pesquisa, no processo de geração dos dados, na análise das informações produzidas e na
escrita do Artigo.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681 1
GÉNERO Y DIVERSIDAD EN LA ESCUELA Y SU INTERFAZ EN LA
FORMACIÓN DOCENTE: LA EXPERIENCIA DE/LA GDE/UFPB
GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA E SUA INTERFACE NA FORMAÇÃO DE
PROFESSORES/AS: A EXPERIÊNCIA DO GDE/UFPB
GENDER AND DIVERSITY AT SCHOOL AND THEIR INTERFACE IN TEACHER
EDUCATION: THE EXPERIENCE OF GDE/UFPB
Jeane Felix da SILVA1
e-mail: jeanefelix@gmail.com
Maria Eulina Pessoa de CARVALHO2
e-mail: mepcarv@gmail.com
Joseval dos Reis MIRANDA3
e-mail: josevalmiranda@yahoo.com.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
SILVA, J. F. da; CARVALHO, M. E. P. de; MIRANDA; J. dos R.
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación
docente: La experiencia de/la GDE/UFPB. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681
| Enviado en: 15/04/2022
| Revisiones requeridas el: 23/05/2022
| Aprobado el: 15/11/2022
| Publicado el: 12/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Alagoas (UFAL), Maceió AL Brasil. Profesora Adjunta del Centro de Educación de
la Universidad Federal de Alagoas. Doctorado en Educación (UFRGS).
2
Universidad Federal de Paraíba (UFPB), João Pessoa PB Brasil. Profesora Titular del Departamento de
Habilitación Pedagógica. Becaria postdoctoral en la Universidad de Valencia, España.
3
Universidad Federal de Paraíba (UFPB), João Pessoa PB Brasil. Profesor Asociado del Departamento de
Metodología Educativa. Doctorado en Educación (UnB).
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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RESUMEN: Este texto trata sobre el Curso de Especialización en Género y Diversidad en la
Escuela (GDE), una propuesta pionera, en Brasil, dirigida a la formación de educadores.
Inicialmente, recupera la propuesta de formación continua de profesores sobre eses temas,
situándola en su contexto político. Luego presenta la experiencia del Centro Interdisciplinario
de Investigación y Acción sobre Mujer y Relaciones de Género, del Centro de Educación de la
Universidad Federal de Paraíba, en su primera oferta, en 2014-2015. Enfoca la experiencia
reciente de su segunda promoción en 2020-2021, en el formato a distancia, durante la pandemia
del Covid-19, y describe a sus alumnos, sus motivaciones y expectativas, con base en un
cuestionario aplicado en julio de 2021. En este momento de ataque a los estudios y políticas de
género, especialmente en la educación escolar, termina argumentando sobre la importancia de
incluir la perspectiva de género en la formación docente.
PALABRAS CLAVE: Género. Diversidad. Formación de profesores. GDE.
RESUMO: Este texto trata do Curso de Especialização Gênero e Diversidade na Escola
(GDE), uma proposta pioneira, de âmbito nacional, destinada à formação de educadoras/es.
Inicialmente, recupera a proposta de oferta desse curso de formação docente continuada,
situando-a em seu contexto político. Em seguida, apresenta a experiência do Núcleo
Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero, do Centro de
Educação da Universidade Federal da Paraíba, em sua primeira oferta, em 2014-2015.
Focaliza, então, a experiência recente de sua segunda turma em 2020-2021, no formato à
distância, durante o isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19, e descreve seu
alunado, suas motivações e expectativas, com base em um questionário aplicado em julho de
2021. Neste momento de ataque aos estudos e às políticas de gênero, especialmente na
educação escolar, finaliza argumentando sobre a importância da inclusão da perspectiva de
gênero na formação docente.
PALAVRAS-CHAVE: Gênero. Diversidade. Formação docente. GDE.
ABSTRACT: This paper focuses on the Gender and Diversity at School (GDE) program, a
pioneering nationwide teacher continual education policy proposal. Initially, it places this
initiative in the current Brazilian political context. It then presents the experience of its first
class, sponsored by the Interdisciplinary Gender Center (NIPAM) of the College of Education
of the Federal University of Paraiba (UFPB), in 2014-2015. Mainly, it addresses the recent
experience of its second class, in 2020-2021, through distance education, during the social
isolation resulting from the Covid-19 pandemic. Based on responses to a questionnaire applied
in July 2021, it describes its students’ motivations and expectations. At this time of attack on
gender studies and policies, especially in schools, it concludes by arguing the importance of
including the gender perspective in teacher education.
KEYWORDS: Gender. Diversity. Teacher education. GDE.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO y Joseval dos Reis MIRANDA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681 3
Introducción
¡Piensa en un curso del que nunca me arrepentiré de haber tomado! El GDE
es una experiencia académica y de vida que ha ampliado enormemente mis
puntos de vista sobre la sexualidad, el género, las relaciones étnico-raciales
y el conocimiento metodológico como profesor/alumno. Solo tengo que darte
las gracias (ESTUDIANTE, hombre).
El discurso del alumno utilizado para abrir este texto sirvió de lema para inspirar su
escrito, que tiene como objetivo presentar la experiencia del Centro Interdisciplinario de
Investigación y Acción sobre la Mujer y las Relaciones de Sexo y Género (NIPAM), del Centro
de Educación (CE) de la Universidad Federal de Paraíba (UFPB), en la oferta de la segunda
clase del Curso de Género y Diversidad en la Escuela (GDE). El Curso se realizó entre agosto
de 2020 y diciembre de 2021, en formato a distancia, debido al contexto de aislamiento social
producto de la pandemia de Covid-19.
El Curso "Género y Diversidad en la Escuela" (GDE) se originó a mediados de la década
de 2000, a partir de una iniciativa conjunta de la Secretaría Especial de Políticas de la Mujer
(SPM/PR), la Secretaría Especial de Políticas de Igualdad Racial (SEPPIR/PR), la Secretaría
de Educación Continua, Alfabetización y Diversidad (SECAD/MEC) y el British Council, un
organismo del Reino Unido dedicado a la promoción de los derechos humanos. educación y
cultura. Fue miembro de la Red de Educación para la Diversidad (Rede), encargada de difundir
las políticas necesarias y urgentes para la inclusión de género, orientación sexual y raza/etnia
en la educación básica brasileña, en la que la formación docente es estratégica, como aún se
puede encontrar en el sitio web del Ministerio de Educación:
La Red de Educación para la Diversidad (Rede) es un grupo permanente de
instituciones públicas de educación superior dedicadas a la formación
continua de profesionales de la educación. El objetivo es difundir y desarrollar
metodologías educativas para la inserción de temáticas de diversidad en la
vida cotidiana de las aulas. Se ofrecen cursos de educación continua para
docentes de la red pública de educación básica en ocho áreas de diversidad:
relaciones étnico-raciales, género y diversidad, formación de tutores, jóvenes
y adultos, educación rural, educación integral e integrada, medio ambiente y
diversidad y ciudadanía (BRASIL, c2018, nuestra traducción).
La primera oferta de GDE tuvo lugar en 2006 como proyecto piloto, ofrecido por el
Centro Latinoamericano de Sexualidad y Derechos Humanos del Instituto de Medicina Social
de la Universidad del Estado de Río de Janeiro (CLAM/IMS/UERJ). Otorgó un certificado de
180 horas, como curso de extensión para los participantes con estudios secundarios completos,
y como curso de perfeccionamiento para los participantes con estudios superiores completos.
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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En esta primera oferta, se inscribieron 1.200 profesionales de la educación de los municipios
de Niterói y Nova Iguaçu (Río de Janeiro), Maringá (Paraná), Dourados (Mato Grosso do Sul),
Porto Velho (Rondônia) y Salvador (Bahía). Sobre "900 profesionales de la educación"
(HENRIQUES et al., 2007, p. 54).
Para la oferta inicial, CLAM/IMS/UERJ preparó el material didáctico del curso, que se
organizó en cuatro módulos: Diversidad, Género, Sexualidad y Orientación Sexual, y Raza y
Etnia
4
. Así, se destaca otra ganancia importante del GDE: la articulación entre las relaciones de
género, las relaciones étnico-raciales y la diversidad sexual, así como entre los problemas del
androcentrismo, el sexismo, la misoginia, el racismo, el heterosexismo y la homofobia, lo que
indica su complejidad temática.
El GDE fue una apuesta de la política educativa brasileña para contribuir a la reflexión
sobre las cuestiones de género, sexualidad y relaciones étnico-raciales en las escuelas, con el
objetivo de contribuir a la reducción de los prejuicios asociados a las diferencias y diversidades
de nuestra población. Para ello, su principal objetivo era:
[...] Capacitar a los educadores de las redes públicas de educación básica en
los temas de género, orientación sexual y relaciones étnico-raciales, con el
objetivo de brindarles herramientas para reflexionar críticamente sobre la
práctica pedagógica individual y colectiva y combatir todas las formas de
discriminación en el ámbito escolar (HENRIQUES et al., 2007, p. 54, nuestra
traducción).
Sin embargo, cabe destacar que el GDE, en el ámbito de la gestión federal, se desarrolló
en un contexto educativo en el que surgieron y se fortalecieron políticas de igualdad y
valoración de las diferencias e identidades. En este contexto de políticas públicas, sociales y
específicamente educativas en el que se inserta el Curso GDE, existen algunos documentos y
leyes, publicados desde finales de la década de 1990, que se enumeran a continuación:
Parámetros Curriculares Nacionales (PCN) Temas Transversales Orientación
Sexual y Pluralidad Cultural, de 1998, un hito en la inclusión del género, la sexualidad y la
diversidad en la política curricular brasileña (BRASIL, 1998);
Plan Nacional de Educación (PNE) de 2001, documento que estableció
lineamientos y metas para la educación para el período de diez años desde su publicación, en el
que se consideraron los temas de género en acciones que iban desde la inclusión temática en la
4
Se puede acceder a los materiales del curso en el sitio web del CLAM: http://www.e-clam.org/gde.php Cabe
señalar que este material, aunque fue producido en el marco de una acción del Ministerio de Educación, fue retirado
de su sitio web oficial.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO y Joseval dos Reis MIRANDA
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formación continua de los profesionales de la educación hasta los libros de texto (BRASIL,
2001);
Planes Nacionales de Políticas de la Mujer PNPM I, 2004, PNPM II, 2008 y
PNPM III, 2013, recordando la creación de la Secretaría de Políticas de la Mujer, con rango de
ministerio, vinculada a la Presidencia de la República (SPM-PR), en 2003 (BRASIL, 2004a,
2008, 2013);
Plan Nacional de Educación en Derechos Humanos (PNEDH), en dos versiones,
la primera lanzada en 2003 y la segunda en 2006, centrada en la construcción de una cultura de
derechos humanos, el ejercicio de la solidaridad y el respeto a la diversidad;
Programa Brasil sin Homofobia Programa de Combate a la Violencia y la
Discriminación contra las Personas LGBT y de Promoción de la Ciudadanía Homosexual,
2004, que contó con una sección específica centrada en las acciones de lucha contra el
homo/lesbo/transfobia en el contexto educativo (BRASIL, 2004b);
Las Leyes N.º 10.639 de 2003 y N.º 11.645 de 2008, que establecen la inclusión
obligatoria del tema "Historia y Cultura Afrobrasileña e Indígena" en el currículo de la
educación básica (BRASIL, 2008);
Estatuto de Igualdad Racial, Ley 12.288/2010, destinada a garantizar los
derechos y la igualdad de oportunidades a la población negra (BRASIL, 2010).
Así, el Curso Género y Diversidad en la Escuela puede considerarse "la iniciativa de
política educativa nacional más importante destinada a la formación continua de docentes sobre
el problema de las relaciones de desigualdad de género, articulado con cuestiones de raza/etnia,
sexualidad y orientación sexual" (CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55, nuestra traducción),
traduciendo la inversión del Estado brasileño, en este período, "para establecer una cultura de
los derechos humanos y enfrentar las diversas formas de discriminación presentes en las
relaciones sociales, a través de la educación y desde la escuela" (CARVALHO; FREITAS,
2018, p. 55, nuestra traducción).
Después de la primera oferta, el GDE fue descentralizado y pasó a ser ofrecido en
formato a distancia o semipresencial por varias universidades públicas brasileñas, a través del
sistema de la Universidad Abierta de Brasil (UAB), llegando a las diversas regiones del país y
proporcionando, además de formación específica para abordar temas de nero, sexualidad y
relaciones étnico-raciales, "la inclusión digital de los docentes de educación básica"
(CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55, nuestra traducción) en la práctica, un importante
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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aumento de las competencias digitales en la formación continua del profesorado.
En este contexto de oferta del GDE descentralizado por las universidades, el Curso fue
ofrecido por la Universidad Federal de Paraíba (UFPB), a través del Centro Interdisciplinario
de Investigación y Acción sobre la Mujer y las Relaciones Sexuales y de Género (NIPAM) del
Centro de Educación (CE), con una carga horaria de 200 horas, confiriendo los certificados de
extensión y perfeccionamiento antes mencionados. En 2009, el NIPAM/CE/UFPB realizó el
Curso de Extensión/Perfeccionamiento GDE en 12 municipios de Paraíba que contaban con
centros UFPB-Virtual, alcanzando 520 inscripciones y 295 finalizaciones (CARVALHO,
2010).
En 2014, nuevamente con el apoyo de la UFPB Virtual y su Unidad de Educación a
Distancia, NIPAM/CE/UFPB ofreció el Curso de Especialización Género y Diversidad en la
Escuela (1º GDE - Especialización), dirigido a docentes de escuelas públicas, profesionales de
la educación en general, educadores sociales y otros interesados en el tema, con una carga
horaria de 360 horas. en la modalidad de educación a distancia (EaD), pero con algunas clases
presenciales y evaluaciones. Certificado por el Decanato de Posgrado e Investigación (PRPG),
de acuerdo con la Resolución n.º 49/2013 del CONSEPE/UFPB, con financiación de
SECADI/MEC/FNDE (Proceso SECADÍ 23000.017937/2013-42) y gestión financiera de
COMFOR/CPME/PRG, el curso ofreció 300 vacantes, totalmente gratuitas. A través de
alianzas con los Departamentos de Educación de los municipios de Alagoa Grande, Areia,
Araruna, Cabedelo, Pitimbu y João Pessoa, se inscribieron 339 participantes, 267 mujeres y 72
hombres, la mayoría de ellos de João Pessoa (NIPAM, 2015).
Su plan de estudios se componía de siete módulos sucesivos, con material impreso y
digital, en CD-rom, a saber: Introducción a la Educación a Distancia (IEAD), Diversidad,
Desarrollo de Proyectos Pedagógicos (EPP), Relaciones Étnico-Raciales, Relaciones de
Género, Sexualidad y Orientación Sexual, y Metodología de Proyectos de Investigación (MPP).
En la plataforma Moodle PEX, los módulos fueron impartidos por profesores con doctorado,
apoyados por tutores de posgrado o estudiantes de posgrado, con especialización y/o militancia
en sus temas, y trabajo intensivo en el ambiente virtual de aprendizaje (AVA), con el objetivo
de evitar la deserción, común en los cursos de educación a distancia (NIPAM, 2015).
La Clase Inaugural presencial de la Especialización GDE se llevó a cabo el 16 de
junio de 2014, en diferentes turnos y horarios para atender al máximo número de participantes.
Se esperaba que el curso durara 18 meses, pero se prolongó hasta diciembre de 2015 (NIPAM,
2015), con la conclusión de 148 participantes, 110 mujeres y 38 hombres, que presentaron sus
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO y Joseval dos Reis MIRANDA
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trabajos de finalización del curso (TCC) del 28 de septiembre al 11 de diciembre.
La orientación de los TCC fue que debían articular teoría y práctica, centrándose en
propuestas de intervención en el currículo, la gestión, la enseñanza y las relaciones escolares;
tratar el género de manera transversal a cualquier tema; y adoptar la interseccionalidad,
incluyendo otras diferencias y desigualdades, como la clase social, la discapacidad, la
edad/generación, así como la raza-etnia y la orientación sexual. Los intereses temáticos se
organizaron en proyectos paraguas para permitir la orientación colectiva en los grupos de
investigación (NIPAM, 2015). Así, la Especialización GDE fue una experiencia inusual de
posgrado masivo, posibilitada por la educación a distancia y el financiamiento del MEC, con
una tasa de rendimiento global del 45,53%, restando los 14 matriculados que nunca accedieron
a Moodle Pex (NIPAM, 2015).
Rosa (2016), en su tesis de maestría, investigó los impactos de la Especialización
GDE ofrecida por NIPAM/UFPB en la práctica pedagógica de los participantes, analizando
textos escritos de 69 profesores que cursaron el Módulo de Género para destacar sus
aprendizajes a lo largo de la vida y al final del módulo, y las posibilidades de resignificación
que brinda el curso. La autora concluyó que este módulo contribuyó a que los docentes
resignificaran su aprendizaje y buscaran desarrollar prácticas pedagógicas más equitativas en
términos de género, y comprometidas con el respeto a la diversidad en la escuela.
La experiencia de la 2ª Especialización GDE del NIPAM/CE/UFPB
En 2020, NIPAM/CE/UFPB pasó a ofrecer una segunda clase de la Especialización
GDE. El plan de estudios de la segunda oferta del Curso de Especialización en Género y
Diversidad en la Facultad fue aprobado a través de la Resolución CONSEPE/UFPB n.º 45/2019,
que estableció una carga horaria total de 390 horas lectivas distribuidas en 7 módulos, así como
en la primera oferta, y el Trabajo de Conclusión del Curso. Estos componentes curriculares
fueron impartidos por profesores del Centro de Enseñanza/UFPB bajo la responsabilidad del
NIPAM/CE/UFPB (UFPB, 2019).
Cabe destacar que para la segunda clase se planificaron encuentros presenciales, como
se indica en la Resolución del Curso, en dos horarios, al inicio y al final de cada disciplina. Sin
embargo, debido a la pandemia de Covid-19, el sistema tuvo que reorganizarse y las actividades
comenzaron a realizarse de forma sincrónica (a través de la plataforma Google Meet) y
asincrónica (a partir de las actividades realizadas a través de la plataforma Moodle Pex). Esta
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oferta de segundo curso comenzó en agosto de 2020 y finalizó en diciembre de 2021.
Con respecto al Trabajo de Finalización del Curso, éste consistió en la elaboración, por
parte del estudiante, de un texto resultante de una investigación empírica o bibliográfica, en
forma de artículo científico, cuyo objeto de estudio estuvo relacionado con el campo de la
Educación en relación con los temas de Género y/o Sexualidad y/o Relaciones Étnico-Raciales.
Con la oferta de 100 vacantes, totalmente gratuitas, el curso contó con 75 inscritos para
el proceso de selección y 74 debidamente inscritos, 43 mujeres, 30 hombres y 01 persona no
binaria, con edades comprendidas entre los 24 y los 50 años. Con la finalización del curso en
diciembre de 2021, computamos una deserción -ya sea por abandono o reprobación- de 19
estudiantes, 7 hombres y 12 mujeres; Por lo tanto, 55 estudiantes completaron el curso, 1
persona no binaria, 31 mujeres y 23 hombres.
En cuanto a la caracterización del grupo de estudiantes que permanecieron en el curso,
se obtiene el siguiente perfil: en cuanto a raza/color, 54.9% se auto declararon morenos, 17.6%
negros y 27.5% blancos; en cuanto a la orientación sexual, el 54,9% se declaró heterosexual, el
29,4% homosexual, el 11,8% bisexual y el 3,9% de otras orientaciones; En cuanto al estado
civil, el 60,8% de los estudiantes refirieron ser solteros, el 15,7% casados, el 19,6% en unión
estable, el 2% divorciados y el 2% en otro estado civil.
La formación inicial de los alumnos de la segunda promoción del GDE fue muy diversa,
consistente en las siguientes asignaturas: Pedagogía, Ciencias Biológicas, Educación Física,
Historia, Geografía, Idiomas, Trabajo Social, Psicología, Derecho, Fisioterapia,
Bibliotecología, Antropología, Cine y Audiovisual, y Ciencias Agropecuarias.
Al caracterizar el grupo de alumnos de la segunda clase en lo que se refiere a la religión
y la práctica religiosa, se obtuvo el siguiente retrato de la clase, a través de sus
autodeclaraciones: 23,5% son católicos, 13,7% son evangélicos, 9,8% son espíritas, 7,8%
tienen religiones de origen africano y 49% no tienen religión. Entre los estudiantes que
declararon tener alguna religión, el 43,1% dijo que eran practicantes y el 56,9% no practicantes.
En cuanto a los ingresos individuales, los datos del cuestionario revelan que la mayoría de los
estudiantes del Curso GDE, es decir, el 76,4%, recibe hasta tres salarios mínimos, el 43,1%
recibe hasta un salario mínimo y el 33,3% recibe entre dos y tres salarios mínimos.
Ante este detalle de las características de la segunda promoción del Curso de
Especialización en Género y Diversidad de la Escuela-GDE, se puede afirmar que los
temas/discusiones/reflexiones que involucran género, sexualidad y relaciones étnico-raciales
en la formación deben permear todas las áreas del conocimiento. En este contexto,
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO y Joseval dos Reis MIRANDA
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independientemente de la religión y la práctica religiosa adoptada, los estudiantes sienten la
necesidad y están abiertos al diálogo y a la formación sobre estos contenidos, que forman parte
de la vida cotidiana de todos. Desde este punto de vista, Alevato (2012) lo corrobora cuando
menciona la formación en temas relacionados con la Educación Sexual (añadiendo, en el caso
del GDE, género y raza):
[...] No es una "disciplina" separada. Es una formación humana que se
relaciona no sólo con la elección de un compañero o con la obediencia a las
determinaciones de "parámetros curriculares". Se relaciona con todas las
esferas de la vida. Tiene que ver con la organización de la sociedad, con las
políticas de la subjetividad, con las relaciones de poder, e incluso con el
sufrimiento que experimentan quienes se atreven (o no se atreven, ya que
también sufren) a ir más allá de los artefactos materiales y simbólicos que
identifican y enmarcan su género (ALEVATO, 2012, p. 84, nuestra
traducción).
Esta imbricación e implicación de los temas del GDE, en todas las esferas de la vida y
en las necesidades de la formación humana, se revela en las motivaciones y expectativas de sus
estudiantes, como se ilustra a continuación.
¿Quién fabrica GDE? Motivaciones y expectativas de tu alumno
En julio de 2021, ya en la fase final del curso, a través de un enfoque de investigación
cualitativa, la coordinación del curso aplicó un cuestionario online, con preguntas abiertas y
cerradas, a los participantes, con el fin de conocer su perfil, motivaciones y expectativas en
relación con el curso. Entre las principales motivaciones se encuentran la necesidad de
formación profesional y la ampliación del repertorio teórico y metodológico en relación con los
temas del curso; el deseo de aprender cómo abordar estos temas en el contexto de las escuelas;
y el afán de entender los temas a través de la propia experiencia. A continuación, se presentan
algunos extractos de las respuestas a los cuestionarios relativos a las aportaciones del GDE a la
formación de sus estudiantes:
Decidí hacer este curso, porque me he encontrado, en el día a a de la
escuela, con numerosos discursos sexistas, racistas y homófobos, que muchas
veces se invisibilizan o provienen de personas que trabajan en este entorno.
De esta manera, sentí la necesidad de aprender más sobre las cuestiones de
género y diversidad, para saber cómo lidiar y combatir las más diversas
formas de prejuicio (ESTUDIANTE, mujer).
Porque sienten la necesidad de comprender la importancia del género, la
diversidad y su valoración, y saber abordarlas y conceptualizarlas en el
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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ámbito escolar. El aporte del curso es muy importante para que nos
convirtamos en docentes acogedoras, que valoren las diferencias y luchen por
romper la violencia, los prejuicios y la desvalorización, tan presentes en el
espacio escolar (ESTUDIANTE, mujer).
Actuar éticamente con la diversidad del alumnado, respetando sus
singularidades. El curso me permitió romper paradigmas y acceder a
espacios antes inimaginables (ESTUDIANTE, hombre).
Los pasajes destacados anteriormente señalan la necesidad de que los docentes se
sientan preparados para abordar cuestiones de nero, sexualidad y relaciones étnico-raciales
en las escuelas. La insuficiente preparación de los docentes para tratar estos temas en las
escuelas no es precisamente reciente: los cursos de formación inicial docente tienen poco
espacio para la discusión de estos temas en sus matrices curriculares, quedando estas
discusiones en componentes curriculares optativos, es decir, solo los estudiantes interesados en
estos temas tendrán la oportunidad de estudiarlos en sus cursos de graduación (CAVASIN;
UNBEHAUN; GAVA, 2011), lo que requiere esfuerzos de educación continua.
Sin embargo, aunque estos temas tienen poco espacio en los currículos de formación
inicial, lo están en las escuelas y, de alguna manera, demandarán una posición por parte de
los docentes, lo que no siempre ocurre de manera educativa adecuada, restringiéndose a algún
tipo de reprimenda o silenciamiento. De acuerdo con Meyer y Félix (2012, p. 124, nuestra
traducción), "el hecho de que un profesional no se sienta preparado para lidiar con estos temas
también puede indicar que simplemente no quiere trabajar con estos temas, precisamente
porque son potencialmente conflictivos".
En cuanto al espacio de estos temas en los cursos de pregrado, en su formación inicial,
los estudiantes manifiestan:
En el programa de graduación, hubo muchas lagunas sobre estos temas, en
vista de la amplitud y necesidad de desarrollar el debate (ESTUDIANTE,
mujer).
[el GDE aportó] Aprendizaje personal y profesional, así como para llenar
algunos vacíos que me dejó mi curso con relación a la sexualidad y el género
(ESTUDIANTE, mujer).
Mejorar y ampliar el concepto de género, teniendo en cuenta que no
contábamos con una disciplina específica en el programa de pregrado
(ESTUDIANTE, mujer).
Estas respuestas corroboran el argumento de que es fundamental ampliar el debate sobre
los temas abordados en el GDE en los cursos de formación inicial y continua para docentes,
particularmente en medio de las tensiones políticas en torno al (no) abordaje de estos temas en
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO y Joseval dos Reis MIRANDA
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las escuelas. Félix (2015, p. 255, nuestra traducción), al referirse a las disputas políticas en torno
al abordaje de las cuestiones de género y sexualidad en las escuelas, indica que esto sucede
porque estos "temas han sido considerados 'controvertidos', secundarios, innecesarios, por
docentes y otros trabajadores escolares, pero también por gestores públicos y por una parte
importante y significativa de la sociedad".
En consecuencia, en tiempos de disputas por el abordaje educativo de estos temas en las
escuelas, es necesario fortalecer la formación docente para que estos profesionales cuenten con
argumentos teóricos y prácticos para ejercer su función de educar a niños, jóvenes y adultos
para vivir en una sociedad dinámica y plural, respetando las diferencias. Sobre esto, un
estudiante de GDE dijo:
Mis motivaciones eran entender las diferencias entre género y sexualidad, y
todo el dinamismo en torno a estos temas. Para que tuviera la oportunidad de
defender las agendas LGBTQIA+ con más seguridad y dominio, ya sea en
círculos de conversación cara a cara o en redes. La lucha en defensa de los
derechos, y por el respeto, sigue siendo necesaria y sentí la necesidad de tener
esta maestría para poder explicar las pautas a cualquier persona y de
cualquier edad (ESTUDIANTE, mujer).
Esta afirmación indica la complejidad y las implicaciones de los temas abordados en el
curso. En este sentido, es necesario invertir en el desempeño de docentes calificados en temas
de género, sexualidad y relaciones étnico-raciales, particularmente porque estos temas han sido
distorsionados y confundidos en el ámbito educativo y en la sociedad en general. Por ello, se
entiende que el abordaje educativo de estos temas en las escuelas y en los cursos de formación
docente "es fundamental tanto para promover una cultura de respeto a las diferencias y a los
derechos humanos, como para fomentar una pedagogía que enseñe, entre otras cosas, que las
diferencias de sexo [género, raza-etnia] no pueden materializarse en desigualdades de derechos
y accesos" (FELIX, 2015, p. 225, nuestra traducción).
Como se puede apreciar, las motivaciones para asistir al GDE fueron diversas, con
énfasis en la necesidad de educación continua sobre sus temas, el reconocimiento de la
importancia de aprender a abordar estos temas en el aula, y la comprensión de que es necesario
enfrentar las desigualdades y luchar por un mundo más justo e igualitario para todas las
personas. En este sentido, a continuación, se destaca la inclusión de estos temas en la formación
docente.
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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La importancia de incluir la temática y la perspectiva de género en la formación docente
Al referirse a la inclusión de los temas de género, sexualidad y relaciones étnico-raciales
en el ámbito de la formación docente, los estudiantes destacaron los aportes del curso GDE,
particularmente en la ampliación de conocimientos y análisis de diferentes formas de pensar
sobre la inserción de estos temas en las escuelas. Además, también se mencionaron los aportes
del curso a la deconstrucción de prejuicios y autoconocimiento, como se indica en los siguientes
extractos:
[el curso posibilitó] Profundización y fundamentación teórica, y
metodologías, para la práctica docente. En el ámbito personal:
deconstrucción de mis propios prejuicios (ESTUDIANTE, hombre).
Además de la formación profesional en términos de acumulación de
conocimientos teóricos y metodológicos sobre el tema de género, sexualidad
y relaciones étnico-raciales, el GDE contribuye al autoconocimiento, a la
ampliación de nuestra percepción de nosotros mismos, como sujetos
socioculturales, portadores de identidades diferentes. Aprendemos a
reconocer nuestra identidad y pertenencias culturales, a deconstruir ideas y
prácticas conservadoras, reconociéndonos como sujetos diversos, de
derechos. También nos ofrece una dinámica favorable para la autogestión y
organización de nuestra vida académica y profesional (ESTUDIANTE,
Mujer).
[El GDE aportó] como profesional: Más conocimiento científico, desarrollo
intelectual y confianza para tratar el tema en la escuela. Como persona,
además de desarrollar el culto y el intelecto, me siento más empática con las
causas de las personas que sufren discriminación y puedo ver casos
relacionados con temas de exclusión social y diversidad étnica/racial, sexual
y de género de otra manera (ESTUDIANTE, hombre).
Los estudiantes también destacaron como relevante el hecho de que, al desarrollarse en
tiempos de pandemia, el curso les permitió cambiar el foco de sus inquietudes, ya que
necesitaban dar cuenta de las actividades semanales del curso, como lo destacó uno de los
estudiantes a continuación. Esta perspectiva demuestra la importancia del estudio como una
forma de ampliar las percepciones del mundo y ocupar las mentes más allá de los problemas
que nos afectan individual y colectivamente. Además, según los estudiantes, el curso supuso
una ampliación del repertorio teórico sobre los temas abordados en los componentes
curriculares.
Fue maravilloso asistir al GDE. En primer lugar, debido a que el curso
comenzó en un momento de gran tensión debido a la pandemia del nuevo
Coronavirus, el curso llegó como una "válvula de escape" en medio de las
preocupaciones, muchas muertes ocurridas a causa de la enfermedad. De
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acuerdo con la rutina de desarrollar actividades semanales y lecturas de
temas tan importantes en la rutina de enseñanza, fue sumamente placentero e
importante para el desarrollo de la criticidad y la deconstrucción. En tercer
lugar, yo, como profesor y pedagogo de Biología, siento la obligación de
superarme en cada momento, en cada oportunidad, y el GDE ofrecido por
una institución educativa de calidad como la UFPB fue una oportunidad
imperdible para el perfeccionamiento profesional (ESTUDIANTE, hombre).
Género y sexualidad son términos muy amplios, a partir de los cuales
podemos entender nuestro rol individual y nuestros deberes colectivos.
Creamos conciencias críticas, que además de ser liberadoras, también eran
malestares necesarios para aumentar la voluntad de luchar por una sociedad
más justa. Quiero poder ver, cada vez más, a personas comprometidas en esta
defensa, y es mi deber transmitir este conocimiento de una manera respetuosa
y acogedora, que contemple a todos (ESTUDIANTE, Mujer).
La ampliación del conocimiento sobre género, sexualidad y cuestiones étnico-raciales,
en particular por parte de los docentes, es fundamental para contribuir a la construcción de una
sociedad más justa. Por lo tanto, se argumenta aquí por su enfoque educativo en la formación
inicial y permanente de los docentes. En palabras de Vianna (2012, p. 139, nuestra traducción),
"la formación docente es uno de los múltiples campos en los que podemos adquirir mecanismos
para superar algunas ideas preconcebidas y construir nuevos conocimientos y prácticas".
Con el fin de ampliar el proceso de construcción de formas de ser y ser sujetos de género,
sexualidad y raza en una sociedad sexista, heteronormativa y racista como la nuestra, el
cuestionario preguntaba cuáles son los aportes del GDE. Destacan las siguientes respuestas a
esta pregunta:
El GDE me hizo deconstruir varios prejuicios, resignificar con afecto,
docencia, investigación, educación, utilizar lentes, como los de género,
relaciones étnico-raciales, para analizar la sociedad y así identificar y actuar
contra formas de violencia y desigualdades. También contribuyó a mi
posición política actual como mujer negra, lesbiana y feminista
(ESTUDIANTE, Mujer).
Participar en el curso contribuyó, de manera significativa, a que pudiera
ampliar aún más mi visión de las cuestiones de género, raza y sexualidad.
Esto se debe a que ahora se me han agregado conocimientos teóricos, que
puedo utilizar tanto en mi vida personal como en el área profesional
(ESTUDIANTE, Mujer).
Permitió, como mujer negra, analizar diversas cuestiones sociales, que la
sociedad establece desde la perspectiva de género y raza (ESTUDIANTE,
Mujer).
Los pasajes anteriores señalan la importancia del GDE tanto en términos de formación
profesional como de sus contribuciones a la vida privada de los estudiantes, con énfasis en su
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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autopercepción como sujetos de género, raza y sexualidad. Considerando que el género, la raza
y la sexualidad son construcciones sociales y, por lo tanto, susceptibles de ser enseñadas y
aprendidas, se destaca la contribución del GDE a la formación personal y profesional de sus
estudiantes.
Al ser preguntados sobre sus expectativas de abordar los temas estudiados en el Curso
en sus prácticas profesionales, los estudiantes destacan algunas dificultades y, sobre todo,
potencialidades:
Mis expectativas son las mejores posibles. Siento que el GDE me ha permitido
desarrollar asignaturas como "Género y Sexualidad" en la escuela,
consideradas como controvertidas y abominables por la sociedad
conservadora. Confieso que, como profesor contratado en el Instituto Federal
de Educación, siento un poco de miedo a tratar estos temas con tanta
desvergüenza, los trato con discreción, deconstruyendo los prejuicios y la
discriminación en todo momento, en cada oportunidad, ya sea leyendo y
debatiendo textos que tratan sobre la diversidad y que están relacionados con
los temas abordados en los contenidos de los programas de mis disciplinas
(ESTUDIANTE, hombre).
Mis expectativas a la hora de aplicar mis conocimientos adquiridos en GDE
son las mejores posibles. Durante la especialización, hubo muchos
descubrimientos y aprendizajes que enriquecieron mi vocabulario y mis
discusiones sobre género y sexualidad. Yo, como docente, vi la necesidad de
aprender más sobre este tema, y hoy me siento más firme en poder ayudar a
los estudiantes de la mejor manera posible, llevando este tema de una manera
empática, didáctica y acogedora al aula (ESTUDIANTE, Mujer).
Aunque vivimos en un periodo complicado, los conocimientos adquiridos
durante el curso son cada vez más imprescindibles. Para luchar contra los
prejuicios y la discriminación, es necesario estar al tanto de los temas, con
una buena base teórica para poder debatir (aunque los otros temas no estén
abiertos a ello) y explicar lo que es correcto y proteger a la población
vulnerable, en este caso, los niños. De esta manera, mi expectativa es poner
en práctica lo aprendido con el fin de empoderar a los sujetos que me rodean,
ya sea en escuelas, clases particulares, incluso amigos (ESTUDIANTE,
Mujer).
En estas declaraciones, se puede observar que los estudiantes se sienten, además de estar
más calificados, motivados positivamente para contribuir e intervenir en temas controvertidos,
como el género y la sexualidad. Son conscientes de los riesgos de confrontación con personas
y grupos conservadores, pero dispuestos a deconstruir los prejuicios y la discriminación, de
manera empática y didáctica, como señala uno de los estudiantes, así como a proteger a la
población vulnerable y empoderar a los sujetos en la escuela y fuera de ella, como indicó uno
de los estudiantes. Se considera que el abordaje educativo de las cuestiones de género y
diversidad en las escuelas es fundamental y, para ello, es necesario invertir en la formación
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO y Joseval dos Reis MIRANDA
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inicial y continua de los docentes. Por ello, es necesario seguir ofreciendo cursos como Género
y Diversidad en la Escuela, ampliando la dimensión formativa de los profesionales de la
educación.
Consideraciones finales
Ante la evidencia presentada a través de los relatos de los estudiantes, así como nuestra
experiencia como docentes y coordinadores del Curso GDE, ratificamos la necesidad de invertir
en políticas públicas de formación continua que aborden los temas de diversidad, especialmente
para los docentes. El género, la sexualidad y las relaciones étnico-raciales son cuestiones
estructurantes en una sociedad sexista, homo/lesbo/transfóbica y racista como la nuestra y, por
lo tanto, es necesario que se aborden educativamente en las escuelas y en los cursos de
formación del profesorado.
Se encontró que el Curso brindó la profundización de los temas de género, sexualidad y
diversidad sexual, raza y etnicidad en procesos teórico-prácticos, lo que permitió a los
estudiantes reflexionar sobre su desempeño profesional, así como sobre su constitución con los
seres humanos en una sociedad desigual, ampliando la conciencia de la necesidad de contribuir
a la construcción de un mundo más justo y solidario. Reflexionar sobre estos temas es percibir
cómo operan las estructuras de desigualdad sexual, racial y de género produciendo diversos
prejuicios, que es necesario enfrentar, y esta confrontación pasa, sobre todo, por los procesos
educativos, escolares o no.
No podíamos dejar de mencionar que esta segunda oferta del Curso GDE se dio en un
contexto de aislamiento social como consecuencia de la pandemia de COVID-19 y, a pesar de
todas las dificultades y desafíos de esta situación, proporcionó a estudiantes de todo Paraíba y
también de otros estados la experiencia de un intenso proceso de formación, así como la
resignificación del uso de las tecnologías como recursos educativos.
Finalmente, esperamos que otras experiencias formativas sobre los temas trabajados en
el GDE sean reconfiguradas y ofrecidas a un número cada vez mayor de personas, provocando
reflexiones y prácticas que contribuyan al fortalecimiento de una sociedad comprometida con
los derechos humanos.
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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Fecha de consulta: 18 oct. 2022.
Género y diversidad en la escuela y su interfaz en la formación docente: La experiencia de/la GDE/UFPB
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: Agradecemos a todos los alumnos de la promoción del Curso de
Especialización en Género y Diversidad de la Escuela-GDE/UFPB que participaron de la
investigación.
Financiación: No aplicable.
Conflictos de intereses: No aplicable.
Aprobación ética: Siguiendo los principios éticos de la investigación con seres humanos,
todos los estudiantes participantes en la investigación firmaron el Término de
Consentimiento Libre y Esclarecido-TCLE. Hacemos hincapié en el propósito del estudio
y en garantizar que sus identidades no sean reveladas.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: Todos los autores y el autor trabajaron en la planificación
de la investigación, en el proceso de generación de datos, en el análisis de la información
producida y en la redacción del artículo.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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GENDER AND DIVERSITY AT SCHOOL AND THEIR INTERFACE IN TEACHER
EDUCATION: THE EXPERIENCE OF GDE/UFPB
GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA E SUA INTERFACE NA FORMAÇÃO DE
PROFESSORES/AS: A EXPERIÊNCIA DO GDE/UFPB
GÉNERO Y DIVERSIDAD EN LA ESCUELA Y SU INTERFAZ EN LA FORMACIÓN
DOCENTE: LA EXPERIENCIA DE/LA GDE/UFPB
Jeane Felix da SILVA1
e-mail: jeanefelix@gmail.com
Maria Eulina Pessoa de CARVALHO2
e-mail: mepcarv@gmail.com
Joseval dos Reis MIRANDA3
e-mail: josevalmiranda@yahoo.com.br
How to reference this article:
SILVA, J. F. da; CARVALHO, M. E. P. de; MIRANDA; J. dos R.
Gender and diversity at school and their interface in teacher
education: The experience of GDE/UFPB. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681
| Submitted: 15/04/2022
| Revisions required: 23/05/2022
| Approved: 15/11/2022
| Published: 12/12/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Alagoas (UFAL), Maceió AL Brazil. Adjunct Professor at the Education Center at the
Federal University of Alagoas. PhD in Education (UFRGS).
2
Federal University of Paraíba (UFPB), João Pessoa PB Brazil. Full Professor at the Department of
Pedagogical Qualification. Postdoctoral at the University of Valencia, Spain.
3
Federal University of Paraíba (UFPB), João Pessoa PB Brazil. Associate Professor in the Department of
Education Methodology. PhD in Education (UnB).
Gender and diversity at school and their interface in teacher education: The experience of GDE/UFPB
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ABSTRACT: This paper focuses on the Gender and Diversity at School (GDE) program, a
pioneering nationwide teacher continual education policy proposal. Initially, it places this
initiative in the current Brazilian political context. It then presents the experience of its first
class, sponsored by the Interdisciplinary Gender Center (NIPAM) of the College of Education
of the Federal University of Paraiba (UFPB), in 2014-2015. Mainly, it addresses the recent
experience of its second class, in 2020-2021, through distance education, during the social
isolation resulting from the Covid-19 pandemic. Based on responses to a questionnaire applied
in July 2021, it describes its students’ motivations and expectations. At this time of attack on
gender studies and policies, especially in schools, it concludes by arguing the importance of
including the gender perspective in teacher education.
KEYWORDS: Gender. Diversity. Teacher education. GDE.
RESUMO: Este texto trata do Curso de Especialização Gênero e Diversidade na Escola
(GDE), uma proposta pioneira, de âmbito nacional, destinada à formação de educadoras/es.
Inicialmente, recupera a proposta de oferta desse curso de formação docente continuada,
situando-a em seu contexto político. Em seguida, apresenta a experiência do Núcleo
Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero, do Centro de
Educação da Universidade Federal da Paraíba, em sua primeira oferta, em 2014-2015.
Focaliza, então, a experiência recente de sua segunda turma em 2020-2021, no formato à
distância, durante o isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19, e descreve seu
alunado, suas motivações e expectativas, com base em um questionário aplicado em julho de
2021. Neste momento de ataque aos estudos e às políticas de gênero, especialmente na
educação escolar, finaliza argumentando sobre a importância da inclusão da perspectiva de
gênero na formação docente.
PALAVRAS-CHAVE: Gênero. Diversidade. Formação docente. GDE.
RESUMEN: Este texto trata sobre el Curso de Especialización en Género y Diversidad en la
Escuela (GDE), una propuesta pionera, en Brasil, dirigida a la formación de educadores.
Inicialmente, recupera la propuesta de formación continua de profesores sobre eses temas,
situándola en su contexto político. Luego presenta la experiencia del Centro Interdisciplinario
de Investigación y Acción sobre Mujer y Relaciones de Género, del Centro de Educación de la
Universidad Federal de Paraíba, en su primera oferta, en 2014-2015. Enfoca la experiencia
reciente de su segunda promoción en 2020-2021, en el formato a distancia, durante la
pandemia del Covid-19, y describe a sus alumnos, sus motivaciones y expectativas, con base
en un cuestionario aplicado en julio de 2021. En este momento de ataque a los estudios y
políticas de género, especialmente en la educación escolar, termina argumentando sobre la
importancia de incluir la perspectiva de género en la formación docente.
PALABRAS CLAVE: Género. Diversidad. Formación de profesores. GDE.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO and Joseval dos Reis MIRANDA
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Introduction
Think of a course that I will never regret taking! The GDE is an academic and
life experience that greatly expanded my views on sexuality, gender, ethnic-
racial relations and methodological knowledge as a teacher/student. I just
have to thank (STUDENT, man).
The student's speech used to open this text served as a motto to inspire his writing, which
aims to present the experience of the Interdisciplinary Center for Research and Action on
Women and Sex and Gender Relations (NIPAM), of the Education Center (CE) from the
Federal University of Paraíba (UFPB), offering the second class of the Gender and Diversity at
School Course (GDE). The Course was held between August 2020 and December 2021, in a
distance format, due to the context of social isolation resulting from the Covid-19 pandemic.
The “Gender and Diversity at School” Course (GDE) had its origins in the mid-2000s,
from a joint initiative of the Special Secretariat for Policies for Women (SPM/PR), Special
Secretariat for Racial Equality Policies (SEPPIR/PR), Secretariat for Continuing Education,
Literacy and Diversity (SECAD/MEC) and the British Council, a UK body focused on
promoting human rights, education and culture. It was part of the Diversity Education Network
(Network), responsible for disseminating the necessary and urgent policies for the inclusion of
gender, sexual orientation and race/ethnicity in Brazilian basic education, in which teacher
training is strategic, as can still be found in the Ministry of Education website:
The Diversity Education Network (Network) is a permanent group of public
higher education institutions dedicated to the continued training of education
professionals. The objective is to disseminate and develop educational
methodologies for the inclusion of diversity themes in everyday classrooms.
Continuing training courses are offered for public basic education teachers in
eight areas of diversity: ethnic-racial relations, gender and diversity, training
of tutors, young people and adults, rural education, integral and integrated
education, environmental and diversity and citizenship (BRAZIL, c2018, our
translation).
The first offer of the GDE occurred in 2006 as a pilot project, offered by the Latin
American Center for Sexuality and Human Rights of the Institute of Social Medicine of the
State University of Rio de Janeiro (CLAM/IMS/UERJ). It provided a 180-hour certificate, as
an extension course for participants with a high school level, and as an improvement course for
participants with a higher education degree. In this first offer, 1,200 education professionals
were enrolled from the municipalities of Niterói and Nova Iguaçu (Rio de Janeiro), Maringá
(Paraná), Dourados (Mato Grosso do Sul), Porto Velho (Rondônia) and Salvador (Bahia).
Around “900 education professionals” completed the course (HENRIQUES et al., 2007, p. 54).
Gender and diversity at school and their interface in teacher education: The experience of GDE/UFPB
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For the initial offer, CLAM/IMS/UERJ prepared the Course's teaching material, which
was organized into four modules Diversity, Gender, Sexuality and Sexual Orientation, and
Race and Ethnicity
4
. Thus, another important gain of the GDE stands out: the articulation
between gender relations, ethnic-racial relations and sexual diversity, as well as between the
issues of androcentrism, sexism, misogyny, racism, heterosexism and homophobia, indicating
its thematic complexity.
The GDE was a commitment by Brazilian educational policy to contribute to reflection
on issues of gender, sexuality and ethnic-racial relations in schools, with a view to contributing
to the reduction of prejudices associated with the differences and diversities of our population.
To achieve this, its central objective was:
[...] train educators from public basic education networks on the topics of
gender, sexual orientation and ethnic-racial relations, aiming to provide them
with tools to critically reflect on individual and collective pedagogical
practice and combat all forms of discrimination in the school environment
(HENRIQUES et al., 2007, p. 54, our translation).
However, it is worth noting that the GDE, within the scope of federal management, was
developed in an educational context in which policies of equality and appreciation of
differences and identities emerged and were strengthened. In this context of public, social and
specifically educational policies in which the GDE Course is inserted, there are some
documents and laws, published since the end of the 1990s, listed below:
National Curricular Parameters (PCN) Cross-Cutting Themes Sexual
Orientation and Cultural Plurality, from 1998, a milestone in the inclusion of gender, sexuality
and diversity in Brazilian curriculum policy (BRASIL, 1998);
National Education Plan (PNE) of 2001 document that established guidelines
and goals for education for a period of ten years since its publication, in which gender issues
were considered in actions ranging from thematic insertion in the continuing training of
education professionals to textbooks (BRASIL, 2001);
National Policy Plans for Women PNPM I, 2004, PNPM II, 2008 and PNPM
III, 2013, remembering the creation of the Secretariat for Policies for Women, with the status
of a ministry, linked to the Presidency of the Republic (SPM-PR), in 2003 (BRASIL, 2004a,
4
The Course materials can be accessed on the CLAM website: http://www.e-clam.org/gde.php It is worth
highlighting that this material, although it was produced within the scope of an action by the Ministry of Education,
was taken from its official page.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO and Joseval dos Reis MIRANDA
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2008, 2013);
National Human Rights Education Plan (PNEDH), in two versions, the first
launched in 2003 and the second in 2006, focusing on building a culture of human rights,
exercising solidarity and respect for diversity;
Brazil Without Homophobia Program Program to Combat Violence and
Discrimination against LGBT and Promote Homosexual Citizenship, from 2004, which had a
specific section focused on actions to combat homo/lesbo/transphobia in the educational
context (BRASIL, 2004b);
Laws No. 10,639, of 2003, and No. 11,645, of 2008, establishing the mandatory
inclusion of the theme “Afro-Brazilian and Indigenous History and Culture” in the basic
education curriculum (BRASIL, 2008);
Racial Equality Statute, Law 12,288/2010, aiming to guarantee rights and equal
opportunities for the black population (BRASIL, 2010).
Thus, the Gender and Diversity at School Course can be considered “the most important
national educational policy initiative aimed at continuing teacher training on the issue of gender
inequality relations, linked to issues of race/ethnicity, sexuality and sexual orientation
(CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55, our translation), translating the investment of the
Brazilian State, during this period, “to establish a culture of human rights and confront the
various forms of discrimination present in social relations, through education, and from school
(CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55, our translation).
After the first offer, the GDE was decentralized and began to be offered in a distance or
blended format by several Brazilian public universities, through the Universidade Aberta do
Brasil (UAB) system, reaching the different regions of the country and providing, in addition
to training specific to addressing issues of gender, sexuality and ethnic-racial relations, “the
digital inclusion of basic education teachers” (CARVALHO; FREITAS, 2018, p. 55, our
translation) in practice, an important gain in digital skills in continuing teacher training.
In this context of the GDE being offered decentrally by universities, the Course was
offered by the Federal University of Paraíba (UFPB), through the Interdisciplinary Center for
Research and Action on Women and Sex and Gender Relations (NIPAM) of the Education
Center (CE), with a workload of 200 hours, granting the aforementioned extension and
improvement certificates. In 2009, NIPAM/CE/UFPB carried out the GDE
Extension/Improvement Course in 12 municipalities in Paraíba that had UFPB-Virtual centers,
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reaching 520 enrollments and 295 completions (CARVALHO, 2010).
In 2014, once again with the support of UFPB Virtual and its Distance Education Unit,
NIPAM/CE/UFPB offered the Gender and Diversity in School Specialization Course (1st GDE
- Specialization), aimed at teachers in the network public, education professionals in general,
social educators and others interested in the topic, with a workload of 360 hours, in the distance
education modality (EaD), but with some face-to-face classes and assessments. Certified by the
Dean of Postgraduate Studies and Research (PRPG), according to Resolution No. 49/2013 of
CONSEPE/UFPB, with financing from SECADI/MEC/FNDE (Process SECADI
23000.017937/2013-42) and financial management from COMFOR/ CPME/PRG, the course
offered 300 places, completely free. Through partnerships with the Education Departments of
the Paraíba municipalities of Alagoa Grande, Areia, Araruna, Cabedelo, Pitimbu and João
Pessoa, it enrolled 339 participants, 267 women and 72 men, the majority from João Pessoa
(NIPAM, 2015).
Its curriculum was composed of seven successive modules, with printed and digital
material, via CD-rom, namely: Introduction to distance education (IEAD), Diversity,
Preparation of a Pedagogical Project (EPP), Ethnic-racial Relations, Gender Relations,
Sexuality and Sexual Orientation, and Research Project Methodology (MPP). On the Moodle
PEX platform, the modules were taught by teachers with a doctorate, supported by postgraduate
or postgraduate tutors, with specialization and/or activism in their themes, and intensive work
in the virtual learning environment (AVA), aiming to avoid evasion, common in distance
learning courses (NIPAM, 2015).
The in-person Inaugural Class of the 1st GDE-Specialization took place on June 16,
2014, in different shifts and times to accommodate the maximum number of participants. The
course was expected to take 18 months, but it lasted until December 2015 (NIPAM, 2015), with
the completion of 148 participants, 110 women and 38 men, who presented their course
completion work (TCC) in September 28th to December 11th.
The orientation for the TCCs was that they should articulate theory and practice,
focusing on intervention proposals in the curriculum, management, teaching and school
relations; treat gender across any theme; and adopt intersectionality, including other differences
and inequalities, such as social class, disability, age/generation, in addition to race-ethnicity and
sexual orientation. Thematic interests were organized into umbrella projects to enable collective
guidance in research groups (NIPAM, 2015). Thus, the 1st GDE-Specialization was an unusual
mass postgraduate experience, made possible by distance learning and MEC funding, with an
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overall yield rate of 45.53%, subtracting the 14 registrants who never accessed Moodle Pex
(NIPAM, 2015).
Rosa (2016), in her master's thesis, investigated the impacts of the 1st GDE-
Specialization offered by NIPAM/UFPB on the pedagogical practice of the participants,
analyzing written texts from 69 teachers who took the Gender Module to highlight their learning
throughout the life and at the end of the module, and the possibilities for new meaning provided
by the course. The author concluded that the aforementioned module contributed to teachers
redefining their learning and seeking to develop pedagogical practices that were more gender-
equal, and committed to respecting diversity at school.
The Experience of the 2nd GDE-Specialization at NIPAM/CE/UFPB
In 2020, NIPAM/CE/UFPB started offering a second class of the GDE-Specialization.
The curriculum for the second offer of the Specialization Course in Gender and Diversity at
School was approved through CONSEPE/UFPB Resolution No. 45/2019, which established a
total course load of 390 class hours distributed across 7 modules, as in the first offer, and the
Course Conclusion Work. These curricular components were taught by teachers from the
Education Center/UFPB under the responsibility of NIPAM/CE/UFPB (UFPB, 2019).
It is worth noting that for the second group, as indicated in the Course Resolution, face-
to-face meetings were planned at two moments, at the beginning and at the end of each subject.
However, due to the Covid-19 pandemic, the system needed to be reorganized and activities
began to take place synchronously (through the Google Meet platform) and asynchronously
(based on activities carried out through the Moodle Pex platform). This second course offering
began in August 2020, ending in December 2021.
With regard to the Course Completion Work, this consisted of the preparation, by the
student, of a text resulting from empirical or bibliographical research, in the form of a scientific
article, whose object of study was related to the field of Education in interface with the themes
of Gender and/or Sexuality and/or Ethnic-Racial Relations.
Offering 100 places, completely free of charge, the course had 75 people signed up for
the selection process and 74 duly enrolled, 43 women, 30 men and 01 non-binary person, aged
between 24 and 50 years old. With the closing of the course in December 2021, we recorded an
evasion either due to withdrawal or failure of 19 students, 7 men and 12 women; Therefore,
55 students completed the course, including 1 non-binary person, 31 women and 23 men.
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In relation to the characterization of the group of students who remained on the course,
we have the following profile: regarding race/color, 54.9% self-declared mixed race, 17.6%
black and 27.5% white /to the; regarding sexual orientation, 54.9% self-declared heterosexual,
29.4% homosexual, 11.8% bisexual and 3.9% another orientation; Regarding marital status,
60.8% of students reported being single, 15.7% married, 19.6% in a stable union, 2% divorced,
and 2% in another marital status.
The initial training of students in the second group of the GDE was quite diverse,
consisting of the following courses: Pedagogy, Biological Sciences, Physical Education,
History, Geography, Literature, Social Work, Psychology, Law, Physiotherapy, Librarianship,
Anthropology, Cinema and Audiovisual, and Agricultural Sciences.
When characterizing the group of students in the second class with regard to religion
and religious practice, the following portrait of the class was obtained through their self-
declarations: 23.5% are Catholic, 13.7% evangelical/ 9.8% are spiritualists, 7.8% have religions
of African origin, and 49% have no religion. Among the students who self-declared to have
some religion, 43.1% said they were practitioners and 56.9% were non-practitioners. Regarding
individual income, data from the questionnaire revealed that the majority of students on the
GDE Course, that is, 76.4%, receive up to three minimum wages, with 43.1% receiving up to
one minimum wage and 33.3% receive between two and three minimum wages.
Given this detail of the characteristics of the second class of the Specialization Course
in Gender and Diversity at School-GDE, it can be stated that the themes/discussions/reflections
involving gender, sexuality and ethnic-racial relations in training must permeate all areas of
knowledge. In this context, regardless of the religion and religious practice adopted, course
participants feel the need and are open to dialogue and training on these contents, which are
part of everyone's daily life. From this perspective, Alevato (2012) corroborates this by
mentioning training in subjects related to Sexual Education (adding, in the case of GDE, gender
and race):
[...] it is not a separate 'discipline'. It is human formation that is related not
only to the choice of a partner or to obedience to the determinations of
'curricular parameters'. It relates to all spheres of life. It is related to the
organization of society, the politics of subjectivity, power relations and even
the suffering experienced by those who dare (or do not dare, since they also
suffer) to go beyond the material and symbolic artifacts that identify and frame
their gender (ALEVATO, 2012, p. 84, our translation).
This overlap and implication of GDE themes, in all spheres of life and in the needs of
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human formation, is revealed in the motivations and expectations of its students, as illustrated
below.
Who makes the GDE? Motivations and expectations of your students
In July 2021, already in the final phase of the course, through a qualitative research
approach, the course coordination applied an online questionnaire, with open and closed
questions, with the participants, with the purpose of knowing their profile, motivations and
expectations regarding the course. Among the main motivations are the need for professional
training and expansion of the theoretical and methodological repertoire in relation to the course
themes; the desire to learn about how to approach these themes in the context of schools; and
the desire to understand the themes through personal experience. Below are some excerpts from
the responses to the questionnaires regarding the contributions of the GDE to the training of its
students:
I decided to take this course, as I have come across countless sexist, racist
and homophobic speeches on a daily basis at school, which are often made
invisible or come from people who work in this environment. Therefore, I felt
the need to learn more about issues involving gender and diversity, so that I
can know how to deal with and combat the most diverse forms of prejudice
(STUDENT, woman).
Because I feel the need to understand the importance of gender, diversity and
their appreciation, and to know how to approach and conceptualize them in
the school environment. The contribution of the course is extremely important
to train us as welcoming teachers, who value differences and fight to break
violence, prejudice and devaluation, so present in the school space
(STUDENT, woman).
Act ethically with the diversity of students, respecting their singularities. The
course made it possible to break paradigms as well as allowing me to access
previously unimaginable spaces (STUDENT, man).
The excerpts highlighted above point to the need for teachers to feel prepared to address
issues of gender, sexuality and ethnic-racial relations in schools. Insufficient teacher
preparation to deal with these issues in schools is not exactly recent: initial teacher training
courses have little space for discussing these themes in their curricular matrices, leaving these
discussions in optional curricular components, that is, Only students interested in these themes
will have the opportunity to study them in their undergraduate courses (CAVASIN;
UNBEHAUN; GAVA, 2011), which demands continued training efforts.
However, although these themes have little space in initial training curricula, they are
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in schools and, in some way, will demand positioning from teachers, which does not always
occur in an appropriately educational way, being restricted to some type of of reprimand or
silencing. According to Meyer and Felix (2012, p. 124), “the fact that a professional does not
feel prepared to deal with these issues may also indicate that he/she simply does not want to
work with these topics, precisely because they are potentially conflicting”.
Regarding the space of these themes in undergraduate courses, in their initial training,
students say:
During graduation, there were many gaps on these topics, given the breadth
and need to develop the debate (STUDENT, woman).
[the GDE brought] personal and professional learning, as well as to fill some
gaps that my course left me with in relation to sexuality and gender
(STUDENT, woman).
Improve and expand on the concept of gender, taking into account that we did
not have a specific subject in graduation (STUDENT, woman).
These responses corroborate the argument that it is essential to expand the debate on the
themes covered in the GDE in initial and continuing teacher training courses, particularly in the
midst of political tensions surrounding the (non) approach of these issues in schools. Felix
(2015, p. 255), when referring to the political disputes surrounding the approach to gender and
sexuality issues in schools, indicates that this happens because these “themes have been
considered “controversial”, secondary, unnecessary, by teachers and other school workers, but
also by public managers and an important and significant portion of society”.
Consequently, in times of disputes surrounding the educational approach to these
themes in schools, it is necessary to strengthen teacher training so that these professionals have
theoretical-practical arguments to exercise their function of educating children, young people
and adults to live in a dynamic and plural society, respecting differences. About this, a GDE
student said:
My motivations were to understand the differences between gender and
sexuality, and all the dynamism around these themes. So that I would have the
opportunity to defend LGBTQIA+ issues with more security and control,
whether in face-to-face conversations or online. The fight in defense of rights,
and for respect, is still necessary and I felt the need to have this domain to be
able to explain the agenda to anyone and of any age (STUDENT, woman).
This statement indicates the complexity and implications of the themes covered by the
course. In this sense, it is necessary to invest in qualified teaching activities regarding issues of
gender, sexuality and ethnic-racial relations, particularly because these themes have been
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misrepresented and confused in the educational sphere and in society in general. Therefore, it
is understood that the educational approach to these issues in schools and teacher training
courses “is fundamental both to promote a culture of respect for differences and human rights,
and to foster a pedagogy that teaches, among other things, that differences in sex [gender, race-
ethnicity] cannot be materialized in inequalities of rights and access” (FELIX, 2015, p. 225, our
translation).
As can be seen, the motivations for taking the GDE were diverse, with emphasis on the
need for continued training on its themes, the recognition of the importance of learning how to
approach such issues in the classroom, and the understanding that it is necessary to face the
inequalities and fight for a fairer and more equal world for all people. In this sense, below, the
inclusion of these themes in teacher training is highlighted.
The importance of including gender themes and perspectives in teacher training
When referring to the inclusion of the themes of gender, sexuality and ethnic-racial
relations within the scope of teacher training, the students highlighted the contributions of the
GDE course, particularly in expanding knowledge and analyzing different ways of thinking
about the insertion of these issues in schools. Furthermore, the course's contributions to the
deconstruction of prejudices and self-knowledge were also mentioned, as indicated in the
following excerpts:
[ the course made it possible] Deepening and theoretical basis, and
methodologies, for teaching. In the personal sphere: deconstruction of my
own prejudices (STUDENT, man).
In addition to professional training in terms of the accumulation of theoretical
and methodological knowledge on the subject of gender, sexuality and ethnic-
racial relations, the GDE contributes to self-knowledge, to the expansion of
our perception of ourselves, as sociocultural subjects, bearers of different
identities. We learn to recognize our identity and cultural belonging,
deconstruct conservative ideas and practices, recognizing ourselves as
diverse, subjects of rights. It also offers us a dynamic favorable to self-
management and organization of our academic and professional life
(STUDENT, Woman).
[The GDE brought contributions] as a professional: More scientific
knowledge; intellectual development and confidence to deal with the subject
at school. As a person, in addition to developing culture and intellect, I feel
more empathetic with the causes of people who suffer discrimination and I
can see cases related to themes of social exclusion and ethnic/racial, sexual
and gender diversity in other ways (STUDENT, man).
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The students also highlighted as relevant the fact that, taking place in times of pandemic,
the course provided a way for them to change the focus of their concerns, as they needed to
manage the course's weekly activities, as one of the students highlighted below. This
perspective demonstrates the importance of study as a way of expanding perceptions of the
world and occupying minds beyond the problems that affect us individually and collectively.
Furthermore, according to the students, the Course provided an expansion of the theoretical
repertoire on the issues addressed in the curricular components.
It was wonderful to take the GDE. Firstly, as the course began at a time of
great tension due to the new Coronavirus pandemic, the course came as an
"escape valve" amid concerns, with many deaths occurring because of the
disease. According to the routine of developing activities and weekly readings
on subjects that are so important in the teaching routine, it was extremely
pleasurable and important for the development of criticality and
deconstruction. Third, as a Biology teacher and pedagogue, I feel the
obligation to improve myself at every moment, at every opportunity, and the
GDE offered by a quality educational institution like UFPB was an
unmissable chance for professional development (STUDENT, man).
Gender and sexuality are very broad terms, from which we can understand
our individual role and our collective duties. We created critical awareness,
which in addition to being liberating, was also necessary discomfort to
increase the will to fight for a more just society. I wish to be able to see, more
and more, people engaging in this defense, and it is my duty to transmit this
knowledge in a respectful and welcoming way, which encompasses everyone
(STUDENT, Woman).
Expanding knowledge about gender, sexuality and ethnic-racial issues, particularly by
teachers, is fundamental to contributing to the construction of a more just society. Therefore, it
is argued here for its educational approach in the initial and continuing training of teachers. In
the words of Vianna (2012, p. 139, our translation), “teacher training is one of the multiple
areas in which we can acquire mechanisms to overcome some preconceived ideas and build
new knowledge and practices”.
In order to expand the process of constructing ways of being and being subjects of
gender, sexuality and race in a sexist, heteronormative and racist society like ours, the
questionnaire asked what the contributions of the GDE were. The following answers to this
question stand out:
The GDE made me deconstruct several prejudices, give a new meaning to
teaching, research, education, use lenses, such as gender, ethnic-racial
relations, to analyze society and thus identify and act against forms of violence
and inequalities. It also contributed to my positioning myself politically today
as a black, lesbian and feminist woman (STUDENT, Woman).
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Participating in the course significantly contributed to my being able to
further expand my perspective on issues of gender, race and sexuality. This is
because I have now gained theoretical knowledge, which I can use both in my
personal life and in the professional field (STUDENT, Woman).
It allowed, as a black woman, to analyze various social issues, which society
establishes from the perspective of gender and race (STUDENT, Woman).
The excerpts above highlight the importance of the GDE both in terms of professional
training and its contributions to the private lives of students, with emphasis on their self-
perception as subjects of gender, race and sexuality. Considering that gender, race and sexuality
are social constructions and, therefore, possible to be taught and learned, the contribution of the
GDE to the personal and professional training of its students stands out.
When asked about their expectations for approaching the themes studied in the Course
in their professional practices, students highlight some difficulties and, above all, potentialities:
My expectations are the best possible. I feel that the GDE enabled me to
develop subjects such as "Gender and Sexuality" at school, considered
controversial and abhorrent by conservative society. I confess that, as a
professor hired at a Federal Education Institute, I feel a little afraid of dealing
with these matters so blatantly, I deal with them discreetly, deconstructing
prejudice and discrimination at all times, at every opportunity, whether
through reading or debates of texts that deal with diversity and that are
related to the themes covered in the contents of the syllabi of my subjects
(STUDENT, man).
My expectations when applying my knowledge acquired at GDE are the best
possible. During the specialization, there were many discoveries and
learnings that enriched my vocabulary and my discussions about gender and
sexuality. As a teacher, I saw the need to learn more about this topic, and
today I feel more confident in being able to help students in the best possible
way, bringing this subject in an empathetic, didactic and welcoming way to
the classroom (STUDENT, Woman).
Although we are living in a complicated period, the knowledge acquired
during the course is becoming more and more essential. To fight against
prejudice and discrimination, it is necessary to be on top of the issues, with a
good theoretical basis to be able to debate (even if the other subjects are not
open to it) and explain what is correct and protect the vulnerable population,
in this case, children. In this way, my expectation is to put into practice what
has been learned in order to empower the subjects around me, whether in
schools, private classes, even friends (STUDENT, Woman).
In these statements, it can be seen that students feel, in addition to being more capable,
positively motivated to contribute and intervene in controversial issues, such as gender and
sexuality. They are aware of the risks of confrontation with conservative people and groups,
but are willing to deconstruct prejudices and discrimination, in an empathetic and didactic way,
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as one of the students points out, as well as protecting the vulnerable population and
empowering individuals at school and outside, as indicated one of the students. It is considered
that the educational approach to gender and diversity issues in schools is fundamental and, for
this, it is necessary to invest in the initial and continuing training of teachers. Therefore, courses
such as Gender and Diversity at School need to continue to be offered, expanding the training
dimension of education professionals.
Final remarks
Given the evidence exposed through student reports, as well as our experience as
teachers and coordinators of the GDE Course, we ratify the need for investment in public
policies for continuing education that address diversity themes, especially for teachers and
teachers. Gender, sexuality and ethnic-racial relations are structuring issues in a sexist, homo/
lesbo /transphobic and racist society like ours and, therefore, they need to be addressed
educationally in schools and teacher training courses.
It was found that the Course provided a deeper understanding of the themes of gender,
sexuality and sexual diversity, race and ethnicity in theoretical-practical processes, which
allowed students to reflect on their professional performance, as well as on their constitution
with human beings in a society unequal, increasing awareness of the need to contribute to the
construction of a more just and supportive world. Reflecting on these themes is to understand
how the structures of sexual, racial and gender inequality operate producing different
prejudices, which need to be faced, and this confrontation involves, above all, educational
processes, whether school or not.
We could not fail to mention that this second offering of the GDE Course took place in
a context of social isolation as a result of the COVID-19 pandemic and, despite all the
difficulties and challenges of this situation, it provided course participants from all over Paraíba
and, also, from other states, experience an intense training process, as well as giving new
meaning to the use of technologies as educational resources.
Finally, we hope that other training experiences on the themes worked on in the GDE
are reconfigured and offered to an increasing number of people, provoking reflections and
practices that contribute to the strengthening of a society committed to human rights.
Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO and Joseval dos Reis MIRANDA
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Jeane Felix da SILVA; Maria Eulina Pessoa de CARVALHO and Joseval dos Reis MIRANDA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023127, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16681 17
CRediT Author Statement
Acknowledgments: We would like to thank all the students from the 2nd class of the
Specialization Course in Gender and Diversity at Escola-GDE/UFPB who participated in
the research.
Financing: Not Applicable
Conflicts of interest: Not Applicable.
Ethical approval: Following the ethical principles of research with human beings, all
students participating in the research signed the Informed Consent Form. We emphasize the
objective of the study and the guarantee of non-disclosure of their identities.
Availability of data and material: Not Applicable.
Author contributions: All authors and the author acted in research planning, in the data
generation process, in the analysis of the information produced and in writing the Article.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Review, formatting, standardization, and translation.