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Do banquinho ao caderninho: Discricionariedade e estigma nos procedimentos de matrícula em escolas cariocas
RIAEE
–
Revista Ibero
-
Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
v. 17, n. esp. 3, p.
2322
-
2342
, nov. 2022
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ISSN: 1982
-
5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16692
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DO BANQUINHO AO CADERNINHO: DISCRICIONARIEDADE E ESTIGMA NOS
PROCEDIMENTOS DE MATRÍCULA EM ESCOLAS CARIOCAS
DE LA BANQUETA AL CUADERNO: DISCRECIÓN Y ESTIGMA EN
PROCEDIMIENTOS DE MATRÍCULA EN ESCUELAS CARIOCAS
FROM BENCH TO SMALL
NOTEBOOK: DISCRETION AND STIGMA IN
ENROLLMENT PROCEDURES IN CARIOCAS´S SCHOOLS
Ryna Wanzeler de OLIVEIRA
1
Ana
pires do
PRADO
2
Rodrigo ROSISTOLATO
3
RESUMO
: O artigo analisa os procedimentos de matrícula de escolas municipais do Rio de
Janeiro. Partimos da ideia de que os gestores da Coordenadoria Regional de Educação (CRE)
e das escolas são os burocratas responsáveis pela implementação da política de matríc
ula e
podem agir de forma discricionária no atendimento ao público. Consideramos que suas
percepções sobre as escolas, estudantes e famílias estão pautadas em estigmas. Utilizamos
entrevistas realizadas com a assessoria da CRE e com diretores de escolas da
mesma região da
cidade. Os resultados evidenciam discricionariedade da burocracia nos procedimentos de
matrícula e revelam a produção e reprodução de estigmas das escolas, reforçando um cenário
de desigualdade educacional e com tendência à iniquidade na d
istribuição de vagas.
PALAVRAS
-
CHAVE
: Burocracia educacional. Políticas de matrícula escolar. Burocracia de
nível de rua. Estigma.
RESUMEN
:
El artículo analiza los procedimientos de matrícula de las escuelas municipales
de Rio de Janeiro. Partimos de l
a idea de que los directivos de la Coordinación Regional de
Educación (CRE) y las escuelas son los burócratas responsables de implementar la política
de matrícula y pueden actuar de manera discrecional en la atención al público.
Consideramos que sus percep
ciones sobre las escuelas, los estudiantes y las familias se basan
en estigmas. Utilizamos entrevistas realizadas con la CRE y los directores de escuelas de la
misma región de la ciudad. Los resultados muestran discrecionalidad de la burocracia en los
proc
edimientos de matrícula y revelan la producción y reproducción de estigmas en las
escuelas, reforzando un escenario de desigualdad educativa y una tendencia a la inequidad
en la distribución de plazas
.
1
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Brasil. Mestre em Educação pelo
Programa de
Pós
-
graduação
em Educação
.
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0002
-
9218
-
5713. E
-
mail:
rynawanzel@yahoo.com.br
2
Universidade Federal do Rio de Janei
ro (UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Brasil
. Professora Associada da
Faculdade de Educação e do Programa de
Pós
-
graduação
em Educação
.
Doutora
do
em Antropologia
(UAB/Espanha)
. ORCID: https://orcid.org/0000
-
0002
-
5897
-
6503. E
-
mail: anapprado@yahoo.com
3
Universi
dade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Brasil
. Professor Associado da
Faculdade de Educação e coordenador do Programa de
Pós
-
graduação
em Educação
.
Doutor
ado
em
Antropologia
Social (UFRJ)
. ORCID: https://orcid.org/0000
-
0002
-
4025
-
0632.
E
-
mail:
rodrigo.rosistolato@gmail.com
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Ryna OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO e Rodrigo ROSISTOLATO
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Americana de Estudos em Educa
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PALABRAS CLAVE
: Burocracia educativa.
Políticas de matricula escolar. Burocracia de
nível de calle. Estigma.
ABSTRACT:
The article analyzes the enrollment procedures of municipal schools in Rio de
Janeiro.
We consider that Regional Education Coordination (CRE) and school are the
bureaucrats responsible for implementing the enrollment policy and may act in a
discretionary
way. We consider that their perceptions about schools, students and parents are
based on stigmas. We used interviews carried out with regional staff and with school
directors. The results show the bureaucracy's discretion in enrollment procedures and revea
l
the production and reproduction of stigmas in schools, reinforcing a scenario of educational
inequality and a tendency towards inequity in the distribution of places.
KEYWORDS:
Educational bureaucracy. School enrollment policy.
Street level bureaucracy.
Stigma
.
Introdução
“MB” então vai pra Safira. E aí, a gente acaba ficando com os “R”.
(Dorothy, diretora da E. M. Turmalina
4
)
O trecho em destaque é parte da
entrevista realizada com uma diretora que narrava o
processo de matrícula escolar entre as escolas da rede municipal do Rio de Janeiro. Ela
descrevia como as escolas de primeiro segmento do ensino fundamental enviavam os alunos,
no processo denominado de r
emanejamento, para as escolas de segundo segmento. A diretora
indicou que algumas escolas recebiam os alunos de famílias “mais estruturadas” e com
“conceito MB” (Muito Bom) e outras tinham que “ficar com os R (Regular)”
5
.
A descrição da diretora
revela uma situação na rede municipal carioca já analisada na
literatura sociológica: a distribuição dos alunos na matrícula entre as unidades escolares não
ocorre exclusivamente de forma aleatória, tendo a burocracia educacional um papel ativo no
processo
de concessão de vagas. (
ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014; CARVALHO, 2014;
MOREIRA, 2014; OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al.
, 2016, 2019
). O conjunto de
ações dos burocratas envolve, conforme demonstraremos,
ações discricionárias, no sentido
proposto por Lipsky
(2019); e acabam por contribuir não somente com a reprodução de
desigualdades no interior das redes de ensino, mas também com a produção de novas formas
de desigualdade.
4
Todos os nomes são fictícios.
5
A Secretaria Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro avalia o processo de aprendizagem dos
estudantes com conceitos.
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A política de matrícula no município do Rio de Janeiro, embora possua regras e
proced
imentos delimitados na legislação, têm os gestores da Coordenadoria Regional de
Educação (CRE) e os gestores escolares como responsáveis pela sua implementação. Essa
configuração permite que os gestores atuem com autonomia e com ações discricionárias sobre
a concessão de vagas para os estudantes, orientados pelas suas percepções e decisões, dentro
dos limites da lei. Os implementadores das políticas agem em um campo de possibilidades e
no processo de implementação há uma série de ações pontuais que não cont
radiz
necessariamente o texto da lei, mas que podem ser antagônicas ao espírito da lei (LIPSKY,
2019; MAYNARD
-
MOOD; MUSHENO, 2003). Essa ação acontece num espaço dinâmico
que também depende da capacidade de navegação social dos gestores.
Nesta perspectiva
, o objetivo geral deste artigo é analisar as ações e interações da
burocracia escolar
–
CRE e diretores escolares
-
no processo de matrícula e sua consequente
produção e reprodução de estigmas (GOFFMAN, 19
88
). Analisaremos a legislação municipal
de matríc
ulas e trabalharemos com o conjunto de entrevistas realizadas com diretores de
escolas municipais do 1º e 2º segmento do ensino fundamental de uma região da cidade e a
entrevista realizada com a responsável pela matrícula da CRE.
Há pesquisas anteriores s
obre os procedimentos de matrícula na rede municipal do Rio
de Janeiro (
ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014; CARVALHO, 2014; OLIVEIRA, 2020;
ROSISTOLATO
et al.
, 2016, 2019
), mas elas não enfocam o papel da CRE no processo. Essa
é uma das contribuições do nosso arti
go que introduz essa instância nas reflexões sobre a
burocracia de nível de rua nas políticas educacionais (LIPSKY, 2019). Além disso, a
relevância em tratar essas questões origina
-
se no debate sobre as desigualdades de
oportunidades educacionais. As lacun
as da regulamentação das políticas de matrícula das
escolas municipais do Rio de Janeiro e as regras informais e ações discricionárias da
burocracia podem criar barreiras ao acesso às escolas, suscitando desigualdades na
distribuição de vagas.
Nosso argum
ento é que os gestores das escolas e da CRE são os burocratas
responsáveis pela implementação da política de matrícula e podem agir discricionariamente
no atendimento ao público (LIPSKY, 2019; PIRES; LOTTA; OLIVEIRA, 2018). Além disso,
suas percepções sobr
e as escolas, seus alunos e suas famílias atuam na produção e reprodução
de estigmas das escolas e dos estudantes (
GOFFMAN, 1988
).
Na sequência do texto, apresentaremos o debate sobre burocracia de nível de rua,
discricionariedade e estigma, descreveremos
a legislação de matrícula da cidade do Rio de
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Janeiro e apresentaremos as percepções dos gestores das escolas e da CRE sobre os
procedimentos de matrícula e sua atuação em cada processo. A análise do material
evidenciará a discricionariedade da burocracia
nos procedimentos de matrícula e a produção e
reprodução de estigmas das escolas, reforçando um cenário de desigualdade educacional.
Burocracia de nível de rua, discricionariedade e estigma
A política de matrícula no município do Rio de Janeiro tem
regras e procedimentos
determinados pela legislação e possui os gestores da CRE e escolares como responsáveis pela
sua implementação. Essa configuração permite que os gestores atuem com grau de autonomia
sobre a concessão de vagas para os estudantes, orien
tados pelas suas próprias percepções e
decisões, dentro dos limites da lei, por meio de ações discricionárias. (
ALMEIDA, 2019;
BRUEL, 2014; CARVALHO, 2014; OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al.
, 2016, 2019
).
Embora haja consciência de que esse procedimento de
matrícula aconteça em um
espaço formalizado, com a lógica burocrática racionalizada (WEBER,
2000
) e construído para
ser aleatório, dentro de uma lógica republicana, há uma série de elementos que a contradizem.
Segundo Lipsky (2019), o burocrata de nível d
e rua é o agente responsável pela
implementação de uma política pública, que age diretamente em sua execução, em contato
direto com o público
-
alvo da política. Os burocratas de nível de rua são parte fundamental do
processo de implementação das políticas p
úblicas, sendo vistos como aqueles que a fazem e
com relevante papel em suas reconfigurações ocorridas no decorrer das interações com os
cidadãos.
Lipsky (2019) argumenta que na implementação de toda e qualquer política pública
haverá necessariamente a açã
o destes agentes e suas funções “são construídas com base em
dois aspectos inter
-
relacionados de suas posições: relativo alto grau de discricionariedade e
relativa autonomia por parte da autoridade organizacional” (LIPSKY, 2019, p. 55). Esta
perspectiva co
loca os burocratas de nível de rua como agentes formuladores de políticas e
proporciona a ideia da discricionariedade como inevitável, inerente e, até mesmo, desejável
para a implementação e reconfiguração das políticas (CAVALCANTI; LOTTA; PIRES,
2018). Pa
ra Lipsky, “a discricionariedade é um conceito relativo. Quanto maior o grau de
discricionariedade, ma
i
s evidente torna
-
se essa análise para compreender o caráter de
comportamento dos trabalhadores” (LIPSKY, 2019, p. 58).
Lipsky (2019) demarca duas formas
de atuação dos burocratas de nível de rua com o
público
-
alvo das políticas. Na primeira, o agente da burocracia em nível de rua atenderia a
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todos os indivíduos de forma equânime conforme suas necessidades ou características,
garantido a todos os mesmos dir
eitos. Na segunda forma o atendimento se daria no
favorecimento de cidadãos, de acordo com a leitura do burocrata sobre determinadas
características e contextos. Essa relação pode se dar em troca de favores, por leituras
estereotipadas relacionadas à popul
ação
-
alvo da política, conveniência ou repasse de
informações específicas.
Maynard
-
Moody e Musheno (2003) demonstram que os agentes públicos, embora
regidos por regulamentação formal, atuam de maneira distinta em cada situação. Os
julgamentos normativos do
s burocratas existem na tensão entre regras e normas
institucionalizadas
-
formais e tácitas
-
e as situações apresentadas pelos cidadãos
-
clientes. As
contínuas tensões e incompatibilidades entre política ou prática e o caso ou circunstância
fornecem
insig
hts
sobre a natureza das normas e a possibilidade de mudança.
Os estudos no Brasil sobre os gestores escolares se dividem entre os que os definem
como burocratas de nível de rua (
ALMEIDA, 2019; OLIVEIRA, 2020; OLIVEIRA; LIMA;
OLIVEIRA, 2018; ROSISTOLATO
et al.
, 2019
)
e aqueles que os definem como burocratas
de médio escalão (OLIVEIRA; ABRUCIO, 2018). Muylaert (2019) enfatiza que o papel do
diretor é complexo e híbrido, pois em al
guns momentos atua em contato direto com os
estudantes e suas famílias, mas também realiza trabalho administrativo que o vincula à
instituição que o nomeou e representa.
Consideramos a atuação dos gestores escolares e
membros da CRE como híbrida, pois atua
m como burocratas de médio escalão na definição,
implementação e monitoramento da política de matrícula e exercem papel de burocratas de
nível de rua no atendimento direto ao público foco da política.
Os procedimentos de matrícula escolar envolvem uma sér
ie de procedimentos que
demandam a atuação dos gestores escolares e membros da CRE em negociações com as
famílias dos alunos. Sendo assim, na nossa perspectiva, a matrícula escolar permite que os
burocratas transitem entre os níveis. Os burocratas, em seus
papéis de médio escalão ou nível
de rua, utilizam espaços de discricionariedade e realizam ações discricionárias de acordo com
seus julgamentos na distribuição de vagas entre as escolas e no direcionamento de estudantes
às vagas existentes. Não estamos an
alisando as ações de um ou outro burocrata, considerando
os níveis médio e de rua, mas sim as performances de um e outro. As ações relacionadas às
matrículas ocorrem em cenários de negociação, nos quais os lugares ocupados pelos
profissionais por vezes per
mitem trânsitos e algum nível de fluidez, considerando inclusive os
perfis de famílias que os acionam diretamente.
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As ações discricionárias dos gestores, pautadas em juízos de valor, preconceitos e pré
-
conceitos estabelecidos nas interações sociais podem
resultar em situações de estigmatização.
Para Goffman (19
88
), o conceito de estigma compreende um conjunto de atributos e marcas
concedidas aos indivíduos ou aos grupos sociais que acarreta uma percepção de inabilitação
para a aceitação social plena. O aut
or elenca uma dupla perspectiva sobre o termo estigma, em
que o estigmatizado assume que sua característica distintiva já é conhecida ou é
imediatamente evidente, em uma condição de desacreditado; ou que esta característica não é
conhecida ou perceptível n
a relação com os presentes, configurando uma condição de
desacreditável.
Segundo Goffman (19
88
), o que separa os desacreditados dos desacreditáveis é a
diferença entre a identidade virtual
-
o que se espera
–
e a identidade real
–
o que se mostra.
Se a ide
ntidade virtual apresenta características que levam à formação de conceitos negativos
e ela está próxima da identidade real, o indivíduo pode ser considerado um desacreditado.
Caso mantenha os dois lados em um relativo equilíbrio, o indivíduo é desacreditá
vel.
No nosso estudo, a escola pública pode ser considerada como desacreditável e
considerando um cenário de interação, a partir da identidade social virtual, também seus
estudantes podem ser considerados desacreditáveis. Uma escola com estudantes com
des
empenho abaixo do esperado pode ser estigmatizada e tanto a escola quanto seus alunos
podem ser desacreditáveis. Porém, alguns alunos podem ser considerados desacreditados. Os
desacreditados têm essa dinâmica particular entre as duas identidades e ao entra
rem para esse
grupo, tornam
-
se estigmatizados.
Analisando as diferenças que geram estigma, Link e Phelan (2001) elencam que o
estigma existe quando: as pessoas distinguem e rotulam diferenças; as crenças culturais
dominantes reúnem pessoas rotuladas a est
ereótipos negativos; as pessoas rotuladas são
posicionadas em categorias distintas separando o nós e eles; e as pessoas rotuladas
experienciam menor status e discriminação. A estigmatização está vinculada ao lugar social,
econômico e à força política, perm
itindo a identificação das diferenças, a construção de
estereótipos, a separação das pessoas rotuladas em categorias distintas e a completa execução
de desaprovação, rejeição, exclusão e discriminação em uma relação de poder. Para Bailey
(1971), as reputaç
ões individuais são construídas e mantidas nas interações face a face e a
reputação não é feita pelas qualidades que a pessoa possui, mas sim, pelas opiniões que os
outros têm dela. Esta perspectiva reafirma que estigmas, rotulagem e reputação advêm do
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cen
ário da interação social. Nestes contextos constroem
-
se indivíduos e grupos inteiros que
passam a ser caracterizados como inabilitados para aceitação social plena.
Os espaços de discricionariedade nos procedimentos de matrícula das escolas cariocas
podem
configurar um cenário que favorece a produção e reprodução de estigmas e reputações
entre as unidades escolares. A identificação de diferenças, a construção de estereótipos a
partir da identidade social virtual, a separação de “nós” e “eles” entre aqueles
que merecem a
vaga em determinadas escolas e os que não merecem não somente reproduzem desigualdades
sociais de origem, como produzem novas formas de desigualdade.
Metodologia
Para realização da análise trabalhamos com distintas e
complementares fontes de
dados. Utilizamos a legislação municipal que regulamenta a rede de ensino e a política de
matrícula para análise dos procedimentos formais e legais. Para compreender as percepções
dos gestores sobre os procedimentos de matrícula, u
tilizamos as entrevistas
6
realizadas na
CRE com a assessoria de matrícula e com seis gestores de escolas municipais de um polo de
matrícula
7
. As escolas foram escolhidas porque, considerando a diversidade e a localidade do
público atendido, são estratifi
cadas em nível socioeconômico e hierarquizadas por prestígio e
desempenho escolar.
Os estudos já realizados sobre a rede municipal carioca indicam que devido à
estratificação no sistema educacional municipal do Rio de Janeiro, as escolas públicas são
dist
intas, tanto em desempenho quanto em prestígio e reputação. As pesquisas demonstraram
a existência de disputa entre as famílias por escolas públicas de alto prestígio e mecanismos
utilizados pelas escolas nessa situação, que permitem a seleção de determina
do perfil de
alunos, gerando estratificação da rede municipal do Rio de Janeiro (
OLIVEIRA, 2020;
ROSISTOLATO
et a
l.
,
2016, 2019)
.
As escolas pesquisadas encontram
-
se próximas geograficamente, muitas delas
compartilhando muros que delimitam os terrenos. Do ponto de vista arquitetônico, todas
possuem instalações equivalentes para o atendimento dos alunos. São 6 escolas pesquisadas: a
E
scola Municipal (E.M.) Pérola oferece educação infantil; a E. M. Alexandrita oferece
atendimento exclusivamente aos anos do 1º segmento do ensino fundamental; a E.M. Safira
atende o 1º segmento do ensino fundamental e tem o 6º ano experimental; a E. M. Opa
la, a E.
6
Projeto de pesquisa dos autores,
financiado pelo CNPq, e aprovado pelo comitê de ética.
7
O polo é um conjunto de escolas próximas geograficamente e que organizam a alocação de alunos na matrícula.
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M. Azurita e a E. M. Turmalina oferecem exclusivamente o 2º segmento do ensino
fundamental, sendo que a primeira oferece do 7º ao 9º ano e as outras duas escolas oferecem
do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.
Para este artigo analisamos as entrev
istas com foco nas percepções dos gestores sobre
as interações da burocracia nos procedimentos de matrícula. Com base nelas, mapeamos os
processos discricionários alicerçados em estigmas sobre as escolas, os alunos e às suas
famílias.
A rede municipal e
a política de matrícula
A gestão da educação da Rede Municipal do Rio de Janeiro é realizada pelo nível
central
–
a Secretaria Municipal de Educação (SME)
-
e onze Coordenadorias Regionais de
Educação, as CRE, que são instâncias intermediárias de adminis
tração das escolas, divididas
em áreas de abrangência da cidade. As CRE são as instâncias de mediação entre a SME e as
escolas
8
.
Em relação à matrícula, a SME é responsável por formular e implementar a política
educacional de matrículas da rede pública m
unicipal de ensino. Anualmente é publicada uma
Resolução com o calendário das matrículas e seus procedimentos. Já as CRE devem trabalhar
nas ações de coordenação, planejamento e acompanhamento do processo de matrícula nas
unidades escolares. Embora o decre
to regulamente as competências da SME e as atribuições
das CRE, não detalha as ações e a forma de implementação da matrícula. Cada CRE possui
uma Gerência de Supervisão e Matrícula que é responsável pela coordenação das ações de
supervisão da gestão escola
r, organiza e monitora o processo de matrícula e promove
consultorias de matrícula com as escolas com a finalidade de planejar o atendimento de
matrícula na região
9
.
A análise da legislação nos permite indicar que em relação à matrícula, a SME
formula a p
olítica de matrícula, as CRE coordenam, planejam e acompanham o processo de
matrícula na região em que atuam e à Gerência de Matrícula é imputada a responsabilidade de
implementar a política promovendo consultorias, junto às escolas. No entanto, a legislaç
ão
municipal não regulamenta as consultorias, sua organização e o monitoramento dessas ações.
Tampouco há menções sobre as atribuições direcionadas ao processo de matrícula escolar
8
O Decreto 45707 de 14 de março de 2019 regulamenta as competências da SME e das CRE
(
RIO
DE
JANEIRO
, 2019).
9
O Decreto 45707 de 14 de março de 2019 delimita as funções da Gerência de Supervisão e Matrícula, mas para
os objetivos deste artigo ressaltamos as ações relacionadas à matrícula escolar
(
RIO DE JANEIRO
, 2019).
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como uma das funções das unidades escolares, apesar de as unidades escolare
s participarem
das reuniões de consultoria com a CRE para distribuição de vagas.
A matrícula da rede municipal carioca é dividida em três modalidades: inicial,
renovada ou transferência. Desde 2016, os procedimentos de matrícula são realizados
exclusivame
nte pela plataforma digital “matricula.rio”, obedecendo as disposições da
resolução vigente e o calendário de matrícula estipulado pela SME.
A matrícula inicial é o procedimento de entrada de alunos na Rede Municipal do Rio
de Janeiro. A matrícula renovada
é o processo referente à continuidade do aluno na rede. Este
procedimento é realizado anualmente pela escola. No entanto, devido à configuração da rede
municipal carioca que tem um conjunto de escolas que atendem somente a um dos segmentos
do ensino funda
mental, a matrícula poderá ser renovada pelo processo denominado
remanejamento. O remanejamento é a transferência em bloco de estudantes para escolas
pertencentes ao mesmo polo, que atendem ao segmento subsequente. A vaga para esses
alunos está garantida n
a legislação municipal, mas não há uma definição legal dos
procedimentos de remanejamento. A transferência é o procedimento que possibilita a
mudança de escola na rede. Este processo pode ocorrer ao longo do ano ou no final do
período letivo e pode ser rea
lizado via matrícula digital ou presencial na escola.
A regulamentação não orienta nos casos em que a demanda é maior que a oferta em
uma determinada escola, permitindo que haja espaço para decisões e ações por parte dos
gestores. Desta forma, os processo
s de remanejamento e transferência dependem das
determinações publicadas na resolução e das interações entre gestores de escolas e da CRE,
entre gestores de escolas do mesmo polo e entre gestores e famílias.
A seguir analisaremos as entrevistas
realizadas com a assessora e os diretores
escolares da CRE. O objetivo é demonstrar suas percepções sobre suas atuações nos
procedimentos de matrícula e os espaços para discricionariedade dos burocratas. Também
indicaremos como as interações entre os gesto
res, pautadas em identidades sociais virtuais,
podem produzir estigmas entre as escolas.
Matrícula inicial: “Nesse começo fica igual pra todo mundo. Você não tem privilégio”
A diretora da E. M. Alexandrita, escola de 1º segmento do ensino fundamental,
enfatiza em sua entrevista que a implementação do sistema
on
-
line
de matrícula acabou com a
formação de filas nas escolas e o considera mais justo: “Então esse processo, a meu ver,
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analisando todo esse caminhar, é o processo assim, mais reto, mais tranquilo e pra mim não
tem injustiça! É o processo mais certo!”.
A fala da assessora da CRE sobre
o procedimento de matrícula inicial reforça a ideia
de que esse processo é isento de interferência da burocracia e independente de conhecimento
ou poder de influência. Todos os interessados na matrícula
-
vereadores, amigos ou não
-
devem passar pelo mesm
o procedimento.
Mas a parte boa do site, chega um vereador, te pede... Ele tem o mesmo
acesso que você, eu, qualquer pessoa... chega uma amiga minha que
trabalha na CRE e me pede.... Eu não tenho como dar essa vaga pra ela. Vai
entrar através do site. Ne
sse começo fica igual pra todo mundo. Você não
tem privilégio.
[
...
]
Você não vai ser privilegiado porque você tem cargo,
porque conhece alguém, porque é amigo do diretor
[
...
]
(
Assessora da CRE)
.
O momento de matrícula inicial,
on
-
line
, é visto pelos gestores como um processo com
distribuição aleatória. Nessa etapa, confo
rme a resolução, a atuação dos gestores consiste em
orientar os pais, caso seja solicitado, sobre os procedimentos e indicar onde encontrar as
ferramentas tecnológicas para realizar as inscrições, caso não tenham acesso à internet.
A atuação da burocracia
para o momento de matrícula inicial também se estende à
definição de quantas vagas serão destinadas ao
site
para cada ano de escolaridade das escolas,
por meio de reuniões entre a assessoria da CRE e as escolas do polo. As reuniões,
denominadas consultoria
s de matrículas, ocorrem na CRE e, nesse momento, as escolas
informam a projeção de alunos que serão aprovados/remanejados, retidos e o quantitativo de
vagas que serão disponibilizadas. A assessora da CRE descreve o funcionamento das
consultorias de matríc
ulas:
Existe consultoria de matrícula que começa mais ou menos no mês de
agosto. As escolas são chamadas aqui individualmente e elas fazem uma
previsão
[
...
]
Quando fecha, no último dia de aula
[
...
]
A gente fecha a
quantidade de vagas, alimenta o site.
[
...
]
. Aí todo mundo é alocado
[
...
]
. E
aí a gente faz de novo outro levantamento dentro das vagas que a gente
ofereceu.
[
...
]
Com a participação das escolas... tem uma nova consultoria...
(Assessora d
a CRE)
.
Os burocratas não possuem, com base nas entrevistas e na resolução vigente, qualquer
poder de influência nesta etapa do procedimento, garantindo que esse seja um processo mais
equânime para todos os interessados. Porém, as entrevistas nos proporci
onaram uma visão
ampliada do processo de matrícula que abre espaço para a ações discricionárias. São as
atuações dos gestores da CRE no “atender o banquinho” e dos diretores nas matrículas diretas
na escola, com o “caderninho”, e as decisões de gestores da
CRE e das escolas no
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remanejamento.
Em ambos os cenários é possível perceber ações discricionárias dos
burocratas, tanto nas escolas quanto na burocracia intermediária da CRE. Tais ações ocorrem
em interlocução direta ou indireta de forma que por vezes at
é mesmo as funções específicas
de cada agente tornam
-
se fluidas. A questão central que discutiremos é que as negociações e a
fluidez não ocorrem com base na equidade no atendimento ao público
-
alvo da política, mas
sim com foco nas leituras
-
por vezes esti
gmatizadoras
-
que são feitas sobre os alunos e as
suas famílias.
“Atender o banquinho” e discricionariedade da CRE
A assessora da CRE, ao descrever suas atribuições, ressalta o atendimento ao público
que vai à CRE em busca de vagas, chamado por ela de “atender o banquinho”. Assim o
descreve:
A gente tem mais de 80% do nosso trabalho aqui muito voltado pro
atendimento
ao público, atendimento às vagas. Então a equipe fica muito
nessa ação, que a gente chama aqui de atender o banquinho. É... a gente
fala atender o banquinho porque ficam as pessoas esperando ali no
banquinho,... pra poder pleitear vaga.
[
...
]
Vêm aqui bus
car vaga...O ano
inteiro (Assessora da CRE)
.
Devido ao procedimento exclusivamente digital, a assessoria auxilia os responsáveis
que não possuem acesso a computadores para as inscrições, porém enfatiza que, embora a
equipe alimente o sistema no período es
pecífico, não possui gerência sobre o
site
.
O que a gente faz aqui é dar um acolhimento às pessoas que não tem...
porque o site
[
...
]
você pode acessar de qualquer lugar da sua casa
[
...
]
Só
que a população, de forma geral, nem sempre tem habilidade pra tratar
disso.
[
...
]
o que a gente faz é dar o acesso ao site, dar o acolhimento, estar
ali instruindo a pessoa a usar o site
[
...
]
(Assessora da CRE)
.
Quando o sistema digital de matrícula
fecha, os responsáveis podem demandar por
vagas diretamente nas escolas. Mesmo nesse cenário, muitos pais procuram a CRE para a
escolha. A assessora detalha mais uma movimentação do “atender o banquinho”:
Algumas pessoas não querem ficar rodando
escola pra saber
[
...
]
Aí ela vem
na CRE. Aí ela, aqui na CRE pergunta: “Eu moro em [bairro da zona
norte]... Eu quero saber aonde tem vaga de 6º ano.” Aí a CRE olha onde
tem vaga, faz o encaminhamento pra ele, aí entra em contato com a escola
(Assessora da
CRE)
.
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Nossos dados nos permitem indicar a existência de um espaço de atuação da
burocracia na movimentação dos alunos na rede, selecionando unidades escolares específicas,
de acordo com as demandas que surgem na CRE. Entende
-
se o “atender o banquinho” co
mo o
primeiro espaço de discricionariedade da burocracia de nível de rua.
Matrícula na escola e discricionariedade: “Eu tenho a autonomia de convocar nesse
caderno.”
Como já dito, com o final do período de matrícula
on
-
line
os responsáveis podem
procurar por vagas diretamente nas escolas ou na CRE. A decisão sobre as vagas de matrícula
na escola configura
-
se como o segundo espaço de discricionariedade da burocracia de
nível de
rua. É um espaço de atuação dos burocratas com autonomia para distribuição de vagas e
seleção de alunos. Os procedimentos adotados para esta etapa não estão previstos em
resolução. Isso configura a possibilidade de ação do gestor com maior autonom
ia, seguindo
critérios próprios para distribuição dessas vagas e da realização de um jogo de influências
para a alocação de alunos em determinadas escolas (ALMEIDA, 2019).
Quando o sistema fecha, nós temos a autonomia de abrir um caderno, eu
tenho um cade
rno e as mães vêm e me procuram, colocam o nomezinho da
criança, a idade e um telefone. Assim que aparece uma vaga, eu ligo e
convoco aquela criança
[
..
.]
por esse caderninho. Eu tenho a autonomia de
convocar nesse caderno. Eu não preciso esperar nada, aut
onomia nossa,
né? (Anita, diretora da E. M. Pérola)
.
A diretora da E. M. Azurita revela seus critérios para recebimento de alunos pós
matrícula
on
-
line
:
[fico] olhando para a cara da pessoa, eu olho o jeito de falar, eu vejo se é
um bom responsável, eu o
lho se é aquela mãe que veio só pra pegar o filho e
“ralar peito” ou se é uma mãe que realmente está a fim de uma escola de
qualidade.
[
...
]
Olha só, mãe, nós temos excelentes escolas na rede pública,
experimente uma delas porque são os alunos que fazem a
escola (Rebeca,
diretora da E. M. Azurita)
.
Os gestores escolares, num espaço de interação com os responsáveis e com relativo
espaço de autonomia para distribuição das vagas existentes em suas escolas, a partir de um
julgamento das características apresentadas pelos responsáveis, decidem se alocarão
os
estudantes ou solicitarão que as famílias retornem em outro momento ou que procurem a CRE
para que sejam orientados a buscar por vagas em outras unidades.
A ação de julgar os responsáveis pelo jeito de falar, pela vestimenta, pelo interesse e
participação na vida escolar dos seus filhos e pela procura por vagas fora do período
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determinado pelo calendário proposto pela SME pode ser analisada pela perspectiva
de
Goffman (19
88
). Os gestores, a partir de um julgamento com base em conceitos prévios, ou
seja, da identidade social virtual estabelecida do outro, decidem quem é merecedor ou não
merecedor da vaga.
A discricionariedade aparece diretamente motivada com b
ase em leituras
estigmatizadoras relacionadas às famílias e aos alunos. Uma mãe que é lida como alguém que
deseja “ralar peito” não é bem
-
vinda na escola. Nem ela e nem seu filho. Mesmo que essa
leitura tenha por base exclusivamente as visões dos agentes n
o primeiro momento de
interação com as famílias.
Remanejamento e discricionariedade: “É uma decisão minha. A gente acha que é o mais
justo.”
Sobre o processo de remanejamento, os gestores informam que a decisão sobre as
escolas para as quais os alunos s
erão remanejados é realizada pela CRE. A configuração pode
ser alterada de acordo com a ordenação do território em vigência ou com a organização de
oferta de escolaridade definida pela gestão da CRE. A diretora Rebeca, da E.M. Azurita,
relata a dinâmica: “
A própria CRE dava as vagas, a gente só dava as vagas para a CRE e a
própria CRE fazia essa distribuição
[
...
]
. Ela que vai distribuir, a gente não interfere, isso daí é
critério deles”.
A assessora da CRE também apresenta em sua fala um exemplo de como ac
ontece a
distribuição das vagas entre as escolas do polo de matrícula no período de remanejamento e
afirma que é uma decisão dela a distribuição de vagas, evidenciando o poder discricionário da
CRE.
A Azurita só recebe remanejamento das escolas do entorno
dela.
[
...
]
aí a
direção é que vê com as mães qual é o critério. A forma como vai preencher,
aí é com a escola.
Entrevistador: Não tem legislação pra isso?
Assessora: Não, não tem. É uma decisão minha. A gente acha que é o mais
justo
(Assessora da
CRE)
.
Ao mesmo tempo em que observamos a discricionariedade da CRE na distribuição das
vagas entre as escolas no remanejamento, a CRE também possibilita espaço de autonomia das
unidades escolares. Os gestores exercem seu poder discricionário ao selecionar
para quais
escolas serão direcionados os alunos, quantos e quem são os alunos que serão alocados nas
escolas. Os gestores criam seus critérios e fazem sorteios ou indicam prioridades de vaga por
desempenho:
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Tem direção que faz sorteio, tem direção que d
á prioridade pra uma criança
que tá com desempenho maior... “Ah, vai ser premiado porque teve menos
falta”. Aí vai do critério de cada direção... Negociação com os pais, “quem
não abre mão desse”... (Assessora da CRE)
.
Tem escolas que eu sei que fazem sor
teio,
[
...
]
, tem escolas que deixam, por
exemplo, os alunos que tiraram ´A` escolherem primeiro, não quer dizer que
´B` ou ´R` não podem vir pra cá, não é isso (Rebeca, diretora da E.M.
Azurita)
.
As percepções dos gestores configuram
-
se em uma série de de
cisões pautadas em
espaços de discricionariedade. O direcionamento dos alunos e o poder de escolha estão
centrados na burocracia e nos critérios estabelecidos com maior flexibilidade, em parte por
conta da ausência de detalhamento do procedimento na resolu
ção.
A decisão sobre as vagas de remanejamento configura
-
se como o terceiro espaço de
discricionariedade da burocracia de nível de rua. Além disso, todo o movimento pautado na
interação entre os gestores também é analisável pela perspectiva de Goffman (19
88
) à medida
em que os estigmas podem ser orientados por identidades sociais virtuais anteriores. As
escolas de anos iniciais, que recebem alunos da educação infantil, nunca vistos antes pelas
gestoras, trabalham com uma representação sobre aqueles alunos,
uma representação
estigmatizada. As escolas de primeiro e segundo segmentos, que recebem alunos por
remanejamento, também trabalham com essa representação e são informadas sobre os alunos
na interação entre os gestores.
Reputação e estigma: “A gente tem a Azurita que é
top
dos
tops
.” x "A gente acaba
aceitando esse processo todo, porque alguém precisa ficar com eles.”
A assessora da CRE, ao ser indagada sobre sua percepção sobre as escolas da região,
explica que há esco
las estigmatizadas na rede, como os Centros Integrados de Educação
Pública (CIEP)
10
. No entanto, ressalta que as escolas são equivalentes em qualidade de
atendimento, apesar de algumas escolas terem maior demanda por vagas por fatores ligados
ao desempenho
em avaliações
11
e localização. A assessora reconhece o prestígio de uma das
escolas e a nomeia: “A gente tem a Azurita que é
top
dos
tops
”.
A gestora da E. M. Turmalina evidencia a percepção de um processo de construção de
estigma de sua unidade escolar, pois recebe, em sua concepção, os piores alunos, não sendo,
10
O Centro Integrado de
Educação Pública foi um projeto do Estado do Rio de Janeiro nos anos 1980.
11
A assessora mencionou os resultados de avaliação do SAEB, Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Básica, desenvolvido desde 1990 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira
(INEP) e do IDERIO, Índice de Desenvolvimento da Educação do Município do Rio de Janeiro, criado em 2010.
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por este motivo, uma escola procurada para matrículas na região: “a nossa escola
não é hoje
muito foco de vaga
[
...
]
porque a gente recebe alunos mais difíceis.
[
...
]
Se sobrou isso pra
gente, a gente vai ter que trabalhar!
Vai fazer o que com as crianças?
Jogar fora?”
Devido a inexistência de critérios de remanejamento na resolução
de matrícula, os
gestores decidem quais alunos vão para cada escola, influenciando as percepções sobre a sua
escola e configurando um processo de produção e reprodução de estigmas e de confirmação
de boas reputações entre as escolas.
O MB vai
[
..
.]
pra Azurita, entende?
Porque a Azurita é uma escola elitizada
no nosso polo. É uma escola que pega os alunos com os melhores
rendimentos.
[
...
]
a Safira é uma escola experimental.
[
...
]
tem que ser
alunos de excelência pra fazerem parte desse experimental
[
...
]
“MB”,
então vai pra Safira. E a gente acaba ficando com os “R” (Dorothy,
diretora da E.M. Turmalina)
.
Para os gestores entrevistados a E.M. Azurita apresenta maior reconhecimento na
região por causa de seu desempenho nas avaliações, mesmo argumento
utilizado pela
assessora da CRE. O prestígio da escola na comunidade é reconhecido e o fato de ter um
prédio pequeno, com poucas salas em uma região sem violência também seria um atrativo e
uma preferência das famílias.
A diretora da E. M. Safira revela a interferência da diretora da E. M. Azurita na
reunião de assessoria, chegando a escolher as escolas que enviariam seus alunos no
remanejamento. Podemos levantar como hipótese que essa gestora possui um maior poder
discri
cionário em relação às outras unidades escolares, poder conferido pela CRE em função
de seus resultados educacionais.
[
...
]
na última reunião de consultoria... A diretora da Azurita falou que
prefere receber como alunos novos, os alunos para o 6º ano e n
ão para o 7º.
Entrevistador: Mas isso excluiria todos os seus, então?
Carla: Sim. Excluiu todos os meus. Ela prefere receber alunos para o sexto
e não para o sétimo ano. Porque ela disse que preferia sexto ano porque ela
observou que os nossos alunos... nã
o só os nossos, né, mas os alunos vindos
do experimental, quando eles vão pro sétimo ano regular na outra escola,
eles têm uma dificuldade (Carla, diretora da E. M. Safira)
.
Essa evidência sugere que a diretora da E. M. Azurita apresenta capacidade
diferenciada de seleção de alunos em relação às demais escolas do polo, por conta de sua
reputação na região. É possível observar que a escola, por ser mais procurada e com maior
pr
estígio, consegue um maior gerenciamento das vagas disponibilizadas, diferentemente das
escolas menos procuradas que recebem os alunos que “sobram”. A reputação da escola está
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conectada ao estigma que recebe. As relações estabelecidas entre os gestores con
tribuem para
uma distribuição de alunos não aleatória, aumentando a estratificação entre as escolas da rede,
em um mesmo polo de matrículas e ampliando as desigualdades educacionais
(
OLIVEIRA,
2020;
ROSISTOLATO
et al
.
,
2016, 2019).
A diretora da E. M. Turmalina evidencia ações que transpõem os limites impostos pela
matrícula digital, em que se revela a ação de definir o perfil do aluno direcionado à escola:
“Porque eu acho que o aluno R precisa que alguém acolha ele
[
...
]
. Alguém tem
que pegar
essas crianças, né? Então a gente acaba recebendo essa criança”. O remanejamento de alunos
“R” (regular) para escolas específicas reforça um estereótipo de escola “que ninguém quer”
por receber os alunos “que ninguém quer”. A gestora Dorothy con
sidera que recebe os piores
alunos, aqueles que ninguém quer, oriundos de famílias desestruturadas, dificultando o fazer
pedagógico. A diretora, através da identidade real, que é a confirmação da identidade social
virtual, estigmatiza seus estudantes e sua
escola. O remanejamento de alunos de alto
desempenho na rede é direcionado às escolas de boa reputação e a sua escola não tem
demanda, tornando
-
se a “escola que ninguém quer”. Analisando os estudantes da E. M.
Turmalina na perspectiva de Goffman (19
88
), e
les têm uma manifestação da identidade social
virtual próxima à sua identidade social real. São alunos desacreditados que, nessa dinâmica,
tornam
-
se estigmatizados.
Percebe
-
se que a consolidação dos estigmas atinge os indivíduos e
a instituição. Os alunos
“que ninguém quer” estão nas escolas “que ninguém quer” e ambas as
trajetórias
-
individual e institucional seguem consolidando estigmas com relação às famílias e
aos estudantes.
O gestor da escola Opala afirma que não pode negar vaga para as famílias no p
rocesso
de remanejamento, mas indica que seus professores sinalizam a escola de origem dos
estudantes, demonstrando a construção de estigmas:
A gente aceita de tudo quanto é escola. A gente sabe que tem algumas
escolas aí, assim, que a parte disciplinar
deixa a desejar, né... Mas se eu
tenho vaga, eu não posso negar vaga, né? Os professores já ficam assim:
´Leandro, vem de tal lugar, heim… (Leandro, diretor da escola Opala)
.
Ao analisar as entrevistas sobre os procedimentos de matrícula, especialmente so
bre
transferências e remanejamento, os gestores indicam a avaliação negativa do perfil de origem
dos estudantes, justificada pela identidade virtual que possuem sobre eles. Argumentam com
o local de moradia, as relações familiares, com o baixo rendimento e
scolar e a indisciplina,
sem informações que as confirmem.
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As falas dos gestores seguem duas tendências. Na primeira, os gestores apontam as
condições dos estudantes como desacreditados, argumentando que eles e suas famílias
chegam à escola com atributos i
ndesejáveis para o desenvolvimento pedagógico da escola
como, por exemplo, a indisciplina. Na segunda, há a defesa do estigma público da escola, de
como ela é vista pelos outros. Portanto, são argumentos que tendem a apresentar a condição
das escolas munic
ipais como desacreditáveis.
Considerações finais
Neste artigo analisamos as percepções dos agentes da burocracia educacional nos
procedimentos de matrícula escolar e identificamos dinâmicas de produção e reprodução de
estigmas entre escolas municipais da rede municipal de educação. A análise da legislaçã
o
municipal sobre a matrícula indica regras e normas, mas com lacunas que permitem
adaptações
e discricionaridades
por parte dos burocratas.
As entrevistas realizadas com os gestores das escolas de uma mesma região da cidade
e com a assessoria de matrícul
a da CRE nos permitem afirmar que, na percepção deles, a
matrícula online é um processo “sem privilégios” e “mais justo”. Esse material também nos
proporcionou o mapeamento das ações dos gestores nas matrículas que nos indicam três
espaços de ação discrici
onária.
O primeiro espaço discricionário ocorre no âmbito da CRE com o “atender o
banquinho” que ocorre ao longo do ano. Com o sistema de matrícula online ou com a busca
de vagas direto na CRE, há interação direta com os cidadãos que são alvo da política
de
matrícula, com possíveis critérios de escolha de escolas por parte do burocrata, dependendo
da família e de sua história. A matrícula nas escolas dependerá dos gestores da CRE,
orientados por seus julgamentos, juízo de valor e estigmas.
O segundo espaço
discricionário ocorre nas escolas ao final do período de matrícula
on
-
line
. Neste momento os gestores das escolas têm autonomia com as vagas disponíveis,
pois as famílias procuram as vagas diretamente nas escolas. Os critérios podem ser a ordem
de chegada
, com o uso do “caderninho”, ou com a avaliação da família e sua forma de falar,
de se vestir ou de se apresentar na unidade escolar. Os gestores interagem com o público e de
forma discricionária e a partir do observável nesta interação selecionam seus est
udantes.
O terceiro espaço discricionário ocorre no processo de remanejamento e com atuação
ativa e interação da gestão da CRE e os diretores escolares. A CRE decide números de vagas
para cada escola e os gestores exercem seu poder discricionário ao selecionar para
quais
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escolas serão direcionados os alunos, quantos e quem são os alunos que serão alocados nas
escolas. Cada gestor tem o seu critério para o remanejamento: sorteio, desempenho do aluno,
participação na reunião.
As entrevistas evidenciaram que há um enc
aminhamento dos melhores alunos para
escolas de maior desempenho e melhor reputação. Frases como “Se sobrou isso pra gente, a
gente vai ter que trabalhar! Vai fazer o que com as crianças? Jogar fora?”, revelam um
universo de estigmatização sofrido pelas un
idades escolares que recebem um alunado com
baixo desempenho acadêmico e situação social considerada desfavorável pela burocracia. As
gestoras aceitam trabalhar com os alunos simplesmente porque não seria possível jogá
-
los
fora. O poder de excluí
-
los de de
terminadas escolas está diretamente relacionado à reputação
construída pelas escolas na rede. São as escolas estigmatizadas que recebem os alunos
estigmatizados e assim consolida
-
se um circuito que não é apenas de reprodução das
desigualdades, mas principa
lmente de produção de desigualdades no interior de sistemas
educacionais que deveriam ser pautados pela equidade na distribuição de vagas e
conhecimento escolar.
As escolas com melhor reputação têm maior poder de decisão em
situações de demanda maior que a
oferta e são as que recebem os alunos com melhor
desempenho acadêmico, reforçando um cenário de desigualdade educacional e iniquidade na
distribuição de vagas.
As ações discricionárias e as interações da CRE com os gestores, entre os gestores das
escolas
e entre gestores e as famílias reforçam a construção dos estigmas e da reputação das
escolas. As ações discricionárias são pautadas nas identidades sociais virtuais dos alunos e
suas famílias e reforçam a estigmatização entre os espaços escolares quando d
eterminam o
perfil de alunos que serão remanejados. Estigmas compõem reputações, porém a maneira
como essa reputação se consolida e se legitima depende do plano interacional e da biografia
do indivíduo. O processo de estigmatização das escolas está vincula
do à estigmatização das
famílias e as escolas estigmatizadas são aquelas que recebem os alunos estigmatizados. Os
estudantes são estigmatizados porque
são
lidos como possuidores de conceitos mais baixos,
com problemas relacionados à disciplina e oriundos de famílias cujos pais não acompanham a
vida escolar de seus filhos ou não apresentam controle sobre o desempenho dos alunos.
Tem
-
se assim um intricado cená
rio onde reputações e estigmas aparecem como elementos
motivadores das ações dos burocratas, não apenas reproduzindo, mas ampliando e produzindo
novas formas de desigualdade nos sistemas educacionais.
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Do banquinho ao caderninho: Discricionariedade e estigma nos procedimentos de matrícula em escolas cariocas
RIAEE
–
Revista Ibero
-
Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
v. 17, n. esp. 3, p.
2322
-
2342
, nov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16692
2340
AGRADECIMENTO
: Pesquisa financiada pelo Conselho Nac
ional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
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Ryna OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO e Rodrigo ROSISTOLATO
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Economia e Sociedade
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Fundamentos
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OLIVEIRA, R.; PRADO, A. P.; ROSISTOLATO, R.
Do banquinho ao caderninho:
Discricionariedade e estigma nos procedimentos de matrícula em escolas cariocas.
Revista
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Submetido em:
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Revisões requeridas em
: 22/06/2022
Aprovado em
: 30/08/2022
Publicado em
: 30/11/2022
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DE LA BANQUETA AL CUADERNO: DISCRECIÓN Y ESTIGMA EN
PROCEDIMIENTOS DE MATRÍCULA EN ESCUELAS CARIOCAS
DO BANQUINHO AO CADERNINHO: DISCRICIONARIEDADE E ESTIGMA NOS
PROCEDIMENTOS DE MATRÍCULA EM ESCOLAS CARIOCAS
FROM BENCH TO SMALL
NOTEBOOK: DISCRETION AND STIGMA IN
ENROLLMENT PROCEDURES IN CARIOCAS´S SCHOOLS
Ryna Wanzeler de OLIVEIRA
1
Ana
pires do
PRADO
2
Rodrigo ROSISTOLATO
3
RESUMEN
: El artículo analiza los procedimientos de matrícula de las escuelas municipales
de R
i
o
de Janeiro. Partimos de la idea de que los directivos de la Coordinación Regional de
Educación (CRE) y las escuelas son los burócratas responsables de implementar la política de
matrícula y pueden actuar de manera discrecional en la atención al público. Co
nsideramos que
sus percepciones sobre las escuelas, los estudiantes y las familias se basan en estigmas.
Utilizamos entrevistas realizadas con la CRE y los directores de escuelas de la misma región
de la ciudad. Los resultados muestran discrecionalidad de
la burocracia en los procedimientos
de matrícula y revelan la producción y reproducción de estigmas en las escuelas, reforzando
un escenario de desigualdad educativa y una tendencia a la inequidad en la distribución de
plazas.
PALABRAS CLAVE
: Burocracia
educativa. Políticas de matrícula escolar. Burocracia de
nivel de calle. Estigma.
RESUMO
: O artigo analisa os procedimentos de matrícula de escolas municipais do Rio de
Janeiro. Partimos da ideia de que os gestores da Coordenadoria Regional de Educação
(CRE) e das escolas são os burocratas responsáveis pela implementação da política de
matríc
ula e podem agir de forma discricionária no atendimento ao público. Consideramos
que suas percepções sobre as escolas, estudantes e famílias estão pautadas em estigmas.
Utilizamos entrevistas realizadas com a assessoria da CRE e com diretores de escolas da
mesma região da cidade. Os resultados evidenciam discricionariedade da burocracia nos
procedimentos de matrícula e revelam a produção e reprodução de estigmas das escolas,
1
Universidad Federal de Rio de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Brasil.
Maestría en Educación por el
Programa de
Posgrado en Educación.
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0002
-
9218
-
5713. E
-
mail:
rynawanzel@yahoo.com.br
2
Universidad Federal de Río de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Brasil
.
Profesora Asociada, Facultad de
Educación y programa de posgrado en Educación. Doctorado en Antropología
(UAB/
España
)
. ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0002
-
5897
-
6503. E
-
mail: anapprado@yahoo.com
3
Universidad Federal de Río de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Brasil
.
Profesor asociado de la Facultad
de Educación y coordinador del Programa de Posgrado en Educación. Doctorado en Antropología Social
(UFRJ)
. ORCID: https://orcid.org/0000
-
0002
-
4025
-
0632. E
-
mail: rodrigo.rosistolato@gmail.com
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Ryna
OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO
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Rodrigo ROSISTOLATO
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reforçando um cenário de desigualdade educacional e com tendência à iniquidade na
d
istribuição de vagas.
PALAVRAS
-
CHAVE
: Burocracia educacional. Políticas de matrícula escolar. Burocracia
de nível de rua. Estigma.
ABSTRACT:
The article analyzes the enrollment procedures of municipal schools in Rio de
Janeiro.
We consider that Regiona
l Education Coordination (CRE) and school are the
bureaucrats responsible for implementing the enrollment policy and may act in a
discretionary way. We consider that their perceptions about schools, students and parents are
based on stigmas. We used interv
iews carried out with regional staff and with school
directors. The results show the bureaucracy's discretion in enrollment procedures and reveal
the production and reproduction of stigmas in schools, reinforcing a scenario of educational
inequality and a
tendency towards inequity in the distribution of places.
KEYWORDS:
Educational bureaucracy. School enrollment policy.
Street level bureaucracy.
Stigma
.
Introducción
"MB" luego va
para Safira
. Y luego terminamos con las "Rs".
(
Dorothy,
directora de E. M. Turmalina
4
)
El extracto destacado es parte de la entrevista realizada con un director que narró el
proceso de inscripción escolar entre las escuelas de la red municipal de R
i
o de Janeiro. Ella
describió cómo las escuelas primarias del
primer segmento enviaron estudiantes, en el proceso
llamado reurbanización, a escuelas del segundo segmento
. El rector indicó que algunos
colegios recibían alumnos de familias "más estructuradas" y con "concepto MB" (Muy
Bueno) y otros tenían que "quedars
e con la R (Regular)"
5
.
La descripción del director revela una situación en la red municipal de Río de Janeiro
ya analizada en la literatura sociológica: la distribución de los estudiantes en la matrícula
entre las unidades escolares no ocurre exclusivamente al azar, con la buroc
racia educativa un
papel activo en el proceso de concesión de vacantes.
(
ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014;
CARVALHO, 2014; MOREIRA, 2014; OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al.
, 2016,
2019
).
El conjunto de acciones de los burócratas implica, como demostraremos, acci
ones
discrecionales, en el sentido propuesto por Lipsky (2019); y terminan contribuyendo no solo a
4
Todos los nombres son ficticios.
5
La Secretaría Municipal de Educación de la ciudad de Río de Janeiro evalúa el proceso de aprendizaje de los
estudiantes con conceptos.
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la reproducción de desigualdades dentro de las redes educativas, sino también a la producción
de nuevas formas de desigualdad.
La política de matrícula en e
l municipio de Río de Janeiro, aunque tiene normas y
procedimientos delimitados en la legislación, tiene a los gerentes de la Coordinación Regional
de Educación (CRE) y a los gerentes escolares como responsables de su implementación. Esta
configuración per
mite a los gerentes actuar con autonomía y acciones discrecionales sobre la
concesión de vacantes a los estudiantes, guiados por sus percepciones y decisiones, dentro de
los límites de la ley. Los ejecutores de políticas actúan en un campo de posibilidades
y en el
proceso de implementación hay una serie de acciones específicas que no necesariamente
contradicen el texto de la ley, pero que pueden ser antagónicas al espíritu de la ley
(LIPSKY,
2019; MAYNARD
-
MOOD; MUSHENO, 2003).
Esta acción tiene lugar en un
espacio
dinámico que también depende de la capacidad de navegación social de los gestores.
En esta perspectiva, el objetivo general de este artículo es analizar las acciones e
interacciones de la burocracia escolar
-
CRE y directores de escuela
-
en el pr
oceso de registro
y su consecuente producción y reproducción de estigmas
(GOFFMAN, 19
88
).
Analizaremos
la legislación de matrícula municipal y trabajaremos con el conjunto de entrevistas realizadas
a directores de escuelas municipales del 1er y 2do segment
o de escuela primaria en una región
de la ciudad y la entrevista realizada con la persona responsable del registro de CRE.
Existen estudios previos sobre procedimientos de registro en la red municipal de Río
de Janeiro (ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014; ROBLE, 2014; OLIVEIRA, 2020;
ROSISTOLATO
et al.
,
2016, 2019), pero no se centran en el papel de la CRE en el proceso.
Esta es una d
e las aportaciones de nuestro artículo que introduce esta instancia en reflexiones
sobre la burocracia callejera en las políticas educativas (LIPSKY, 2019). Además, la
relevancia en el tratamiento de estos temas se origina en el debate sobre las desigualda
des de
las oportunidades educativas. Las brechas en la regulación de las políticas de matrícula de las
escuelas municipales en Río de Janeiro y las reglas formales y las acciones discrecionales de
la burocracia pueden crear barreras para el acceso a las es
cuelas, creando desigualdades en la
distribución de las vacantes.
Nuestro argumento es que los gerentes de escuelas y CRE son los burócratas
responsables de implementar la política de inscripción y pueden actuar discrecionalmente al
servir al
público (LIPSKY, 2019; PLATILLO; LOTTA; OLIVEIRA, 2018). Además, sus
percepciones sobre las escuelas, sus estudiantes y sus familias trabajan en la producción y
reproducción de estigmas de escuelas y estudiantes (GOFFMAN, 1988).
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OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO
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Rodrigo ROSISTOLATO
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Después del texto, presenta
remos el debate sobre la burocracia a nivel de calle, la
discreción y el estigma, describiremos la legislación de registro de la ciudad de Río de Janeiro
y presentaremos las percepciones de los gerentes escolares y CRE sobre los procedimientos
de inscripci
ón y su desempeño en cada proceso. El análisis del material evidenciará la
discrecionalidad de la burocracia en los procedimientos de matrícula y la producción y
reproducción de estigmas escolares, reforzando un escenario de desigualdad educativa.
Burocr
acia a nivel de calle, discreción y estigma
La política de inscripción en el municipio de Río de Janeiro tiene reglas y
procedimientos determinados por la legislación y tiene a los gerentes de CRE y escolares
como responsables de su implementación. Esta c
onfiguración permite a los gestores actuar
con cierto grado de autonomía sobre la concesión de vacantes para estudiantes, guiados por
sus propias percepciones y decisiones, dentro de los límites de la ley, a través de acciones
discrecionales.
(ALMEIDA, 201
9; BRUEL, 2014; ROBLE, 2014; OLIVEIRA, 2020;
ROSISTOLATO
et al.
,
2016, 2019).
Aunque hay conciencia de que este procedimiento de registro ocurre en un espacio
formalizado, con la lógica burocrática racionalizada (WEBER, 2000) y construida para ser
aleatoria, dentro de una lógica republicana, hay una serie de elementos que la contrad
icen.
Según Lipsky (2019), el burócrata a nivel de calle es el agente responsable de implementar
una política pública, que actúa directamente sobre su ejecución, en contacto directo con el
público objetivo de la política. Los burócratas callejeros son part
e fundamental del proceso de
implementación de políticas públicas, siendo vistos como quienes lo hacen y con un papel
relevante en sus reconfiguraciones ocurridas durante las interacciones con los ciudadanos.
Lipsky (2019) sostiene que en la implementación
de todas y cada una de las políticas
públicas necesariamente habrá la acción de estos agentes y sus funciones "se construyen en
base a dos aspectos interrelacionados de sus posiciones: alto grado relativo de discreción y
autonomía relativa por parte de la
autoridad organizacional" (LIPSKY, 2019, p. 55). Esta
perspectiva coloca a los burócratas a nivel de calle como agentes de formulación de políticas
y proporciona la idea de discreción como inevitable, inherente e incluso deseable para la
implementación y
reconfiguración de políticas (CAVALCANTI; LOTTA; PIRES, 2018).
Para Lipsky, "la discreción es un concepto relativo. Cuanto mayor es el grado de discreción,
más evidente se vuelve este análisis para comprender el carácter de comportamiento de los
trabajador
es" (LIPSKY, 2019, p. 58).
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Lipsky (2019) demarcó dos formas de acción de los burócratas a nivel de calle con el
público objetivo de las políticas. En la primera, el agente de la burocracia a pie de calle
serviría a todos los individuos de manera equitativa
según sus necesidades o características,
garantizados a todos los mismos derechos. En la segunda forma, el servicio estaría a favor de
los ciudadanos, de acuerdo con la lectura del burócrata sobre ciertas características y
contextos. Esta relación se pued
e dar a cambio de favores, por lecturas estereotipadas
relacionadas con la población objetivo de la política, conveniencia o transferencia de
información específica.
Maynard
-
Moody y Musheno (2003) demuestran que los funcionarios públicos, aunque
se rigen p
or una regulación formal, actúan de manera diferente en cada situación. Los juicios
normativos de los burócratas existen en la tensión entre las reglas y normas institucionalizadas
-
formales y tácitas
-
y las situaciones presentadas por los ciudadanos
-
clien
tes. Las continuas
tensiones e incompatibilidades entre la política o la práctica y el caso o circunstancia
proporcionan
insights
sobre la naturaleza de las normas y la posibilidad de cambio.
Los estudios en Brasil sobre directores de escuelas se dividen entre aquellos que los
definen como burócratas a nivel de calle (ALMEIDA, 2019; OLIVEIRA, 2020; OLIVO;
ARCHIVO; OLIVEIRA, 2018; ROSISTOLATO
et al.
,
2019) y quienes los definen como
burócratas d
e rango medio (OLIVEIRA; ABRUCIO, 2018). Muylaert (2019) enfatiza que el
papel del director es complejo e híbrido, porque a veces actúa en contacto directo con los
estudiantes y sus familias, pero también realiza un trabajo administrativo que lo vincula a
la
institución que lo nombró y representa. Consideramos el desempeño de los gerentes escolares
y los miembros de CRE como híbridos, ya que actúan como burócratas de rango medio en la
definición, implementación y monitoreo de la política de inscripción y de
sempeñan el papel
de burócratas a nivel de calle en el servicio directo al enfoque público de la política.
Los procedimientos de inscripción escolar implican una serie de procedimientos que
requieren el desempeño de los administradores escolares y los miembros de CRE en las
negociaciones con las familias de los estudiantes. Por lo tanto, desde nuestra perspecti
va, la
inscripción escolar permite a los burócratas moverse entre niveles. Los burócratas, en sus
roles de nivel medio o de calle, utilizan espacios de discreción y realizan acciones
discrecionales de acuerdo con sus juicios en la distribución de lugares e
ntre las escuelas y en
la dirección de los estudiantes a las vacantes existentes. No estamos analizando las acciones
de uno u otro burócrata, considerando los niveles medio y callejero, sino más bien las
actuaciones de uno y otro. Las acciones relacionadas
con la inscripción ocurren en escenarios
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comerciales, en los que los lugares ocupados por profesionales a veces permiten tránsitos y
cierto nivel de fluidez, incluso considerando los perfiles de las familias que los desencadenan
directamente.
Las accione
s discrecionales de los gerentes, basadas en juicios de valor, prejuicios y
preconceptos establecidos en las interacciones sociales pueden resultar en situaciones de
estigmatización. Para Goffman (1988), el concepto de estigma comprende un conjunto de
atri
butos y marcas otorgadas a individuos o grupos sociales que conlleva una percepción de
incapacidad para la plena aceptación social. El autor enumera una doble perspectiva sobre el
término estigma, en la que el estigmatizado asume que su característica dist
intiva ya es
conocida o es inmediatamente evidente, en condición de desacreditado; o que esta
característica no es conocida o perceptible en la relación con los presentes, configurando una
condición de desacreditable.
Según Goffman (1988), lo que hay entre
lo desacreditado y lo desacreditable es la
diferencia entre la identidad virtual
-
lo que se espera
-
y la identidad real
-
lo que se muestra
-
.
Si la identidad virtual presenta características que conducen a la formación de conceptos
negativos y está cerca d
e la identidad real, el individuo puede considerarse un desacreditado.
Si mantienes ambos lados en un equilibrio relativo, el individuo es increíble.
En nuestro estudio, la escuela pública puede ser considerada como desacreditable y
considerando un escenario de interacción, desde la identidad social virtual, también sus
estudiantes pueden ser considerados desacreditables. Una escuela con estudiantes de
bajo
rendimiento puede ser estigmatizada y tanto la escuela como sus estudiantes pueden ser
desacreditados. Sin embargo, algunos estudiantes pueden ser considerados desacreditados.
Los desacreditados tienen esta dinámica particular entre las dos identidade
s y cuando se unen
a este grupo, se estigmatizan.
Analizando las diferencias que generan el estigma, Link y Phelan (2001) muestran que
el estigma existe cuando: las personas distinguen y etiquetan las diferencias; las creencias
culturales dominantes reúne
n a personas etiquetadas como estereotipos negativos; Las
personas etiquetadas se posicionan en categorías distintas separando los nodos y ellos; y las
personas etiquetadas experimentan un estatus más bajo y discriminación. La estigmatización
está vinculad
a a la fuerza social, económica y política, permitiendo la identificación de
diferencias, la construcción de estereotipos, la separación de personas etiquetadas en
diferentes categorías y la ejecución completa de la desaprobación, el rechazo, la exclusión
y la
discriminación en una relación de poder. Para Bailey (1971), las reputaciones individuales se
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construyen y mantienen en interacciones cara a cara y la reputación no está hecha por las
cualidades que la persona posee, sino más bien por las opiniones qu
e otros tienen de ella. Esta
perspectiva reafirma que los estigmas, el etiquetado y la reputación provienen del escenario
de la interacción social. En estos contextos, se construyen individuos y grupos enteros que se
caracterizan por ser
inhabilitados
para
la plena aceptación social.
Los espacios de discreción en los procedimientos de inscripción de las escuelas de Río
pueden configurar un escenario que favorece la producción y reproducción de estigmas y
reputaciones entre las unidades escolares. La identi
ficación de diferencias, la construcción de
estereotipos desde la identidad social virtual, la separación de "nosotros" y "ellos" entre
quienes merecen el lugar en ciertas escuelas y quienes no merecen no solo reproducen
desigualdades sociales de origen, s
ino que también producen nuevas formas de desigualdad.
Metodología
Para realizar el análisis trabajamos con fuentes de datos diferentes y complementarias.
Utilizamos la legislación municipal que regula la red educativa y la política de matrícula para
analizar los procedimientos formales y legales. Para comprender las percepciones de los
gerentes sobre los procedimientos de inscripción, utilizamos las entrevistas
6
realizado en CRE
con el asesoramiento de registro y con seis gerentes de escuelas
municipales de un centro de
inscripción
7
. Las escuelas fueron elegidas porque, considerando la diversidad y localidad del
público atendido, están estratificadas en nivel socioeconómico y jerarquizadas por prestigio y
rendimiento escolar.
Los estudios ya realizados en la red municipal de Rio de
Janeiro indican que debido a
la estratificación en el sistema educativo municipal de Rio de Janeiro, las escuelas públicas
son distintas, tanto en rendimiento como en prestigio y reputación. Las investigaciones
demostraron la existencia de una disputa entr
e familias por escuelas públicas de prestigio y
mecanismos utilizados por escuelas en esta situación, que permiten la selección de un cierto
perfil de estudiantes, generando estratificación de la red municipal de Rio de Janeiro
(OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al.
,
2016
, 2019).
Las escuelas encuestadas están geográficamente cerca, muchas de ellas comparten
muros que delimitan el terreno. Desde un punto de vista arquitectónico, todos cuentan con
6
Proyecto de investigación de los autores, financiado por el CNPq y aprobado por e
l comité de ética.
7
El centro es un conjunto de escuelas que están geográficamente cerca y organizan la asignación de estudiantes
en la inscripción.
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instalaciones equivalentes para la asistencia de los estudiante
s. Hay 6 escuelas encuestadas: la
Escuela Municipal (E.M.) Pearl ofrece educación infantil; E. M. Alexandrita ofrece atención
exclusivamente para el 1er segmento de la escuela primaria; E.M. Safira sirve el 1er segmento
de la escuela primaria y tiene el 6t
o año experimental; E. M. Opala, E. M. Azurita y E. M.
Turmalina ofrecen exclusivamente el 2º segmento de primaria, el primero ofrece de 7º a 9º
grado y las otras dos escuelas ofrecen del 6º al 9º grado de primaria.
Para este artículo analizamos las entrev
istas centrándonos en las percepciones de los
gerentes sobre las interacciones de la burocracia en los procedimientos de inscripción. Con
base en ellos, mapeamos procesos discrecionales basados en estigmas sobre las escuelas, los
estudiantes y sus familias
.
La red municipal y la política registral
La gestión educativa de la Red Municipal de Río de Janeiro es llevada a cabo por el
nivel central
-
el Departamento Municipal de Educación (SME)
-
y once Coordinadores
Regionales de Educación, la CRE, que
son instancias intermedias de la administración
escolar, divididos en áreas cubiertas por la ciudad. Las UC son los órganos de mediación entre
la PYME y las escuelas
8
.
En relación con la matrícula, la PYME es responsable de formular e implementar la
polí
tica educativa de matrícula del sistema escolar público municipal. Una Resolución se
publica anualmente con el calendario de registros y sus procedimientos. Por otro lado, las
CRE debe trabajar en las acciones de coordinación, planificación y seguimiento d
el proceso
de matrícula en las unidades escolares. Aunque el decreto regula las competencias de la pyme
y las atribuciones de las CRE, no detalla las acciones y la forma en que se implementa el
registro.
Cada CRE cuenta con una Supervisión y Gestión de Ins
cripciones que se encarga de
coordinar las acciones de supervisión de la gestión escolar, organiza y monitorea el proceso
de matrícula y promueve consultorías de matrícula con las escuelas con el fin de planificar la
matrícula en la región
9
.
El análisis
de la legislación nos permite indicar
que,
en relación a la matrícula, la SME
formula la política de matrícula, la CRE coordina, planifica y monitorea el proceso de
8
El Decreto 45707 del 14 de marzo de 2019 regula las competencias de las
SME
y la CRE (R
I
O DE JANEIRO,
20
19).
9
El Decreto 45707 del 14 de marzo de 2019 delimita las funciones de la Supervisión y Gestión de la Matrícula,
pero para los fines de este artículo destacamos las acciones relacionadas con la matrícula escolar (RÍO DE
JANEIRO, 2019).
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inscripción en la región en la que opera y a la Gerencia de Inscripciones se le imputa la
responsabilidad de implementar la política
de promoción de consultorías, con las escuelas. Sin
embargo, la legislación municipal no regula las consultorías, su organización y el seguimiento
de estas acciones. Tampoco se mencionan las atribuciones dirigidas al proceso de matrícula
escolar como una d
e las funciones de las unidades escolares, aunque las unidades escolares
participan en las reuniones de consulta con CRE para la distribución de vacantes.
El registro de la red municipal de Río de Janeiro se divide en tres modalidades: inicial,
renovada o
transferencia. Desde 2016, los procedimientos de registro son realizados
exclusivamente por la plataforma digital "matricula.rio", obedeciendo las disposiciones de la
resolución actual y el calendario de inscripción estipulado por la
SME
.
La
inscripción inicial es el procedimiento para la entrada de estudiantes en la Red
Municipal de Rio de Janeiro. La matrícula renovada es el proceso relacionado con la
continuidad del estudiante en la red. Este procedimiento es realizado anualmente por la
esc
uela. Sin embargo, debido a la configuración de la red municipal de Río de Janeiro que
tiene un conjunto de escuelas que sirven sólo a uno de los segmentos de la escuela primaria, la
inscripción puede ser renovada por el proceso llamado reurbanización. La
reurbanización es la
transferencia en bloque de estudiantes a escuelas pertenecientes al mismo polo, que sirven al
segmento posterior.
La vacante para estos estudiantes está garantizada en la legislación
municipal, pero no existe una definición legal de lo
s procedimientos de re
asignación
.
La
transferencia es el procedimiento que permite el cambio de escuela en la red. Este proceso
puede ocurrir durante todo el año o al final del período escolar y se puede realizar a través de
la inscripción digital o presen
cial en la escuela.
La regulación no orienta en los casos en que la demanda es mayor que la oferta en una
escuela determinada, lo que permite que haya espacio para decisiones y acciones por parte de
los gerentes. Así, los procesos de reubicación y traslad
o dependen de las determinaciones
publicadas en la resolución y de las interacciones entre los directivos escolares y la CRE,
entre los gestores escolares de un mismo polo y entre los directivos y las familias.
A continuación, analizaremos las entrevistas
con el evaluador y los directores de las
escuelas de CRE. El objetivo es demostrar sus percepciones sobre sus acciones en los
procedimientos de registro y los espacios para la discreción de los burócratas. También
indicaremos cómo las interacciones entre
gerentes, basadas en identidades sociales virtuales,
pueden producir estigmas entre las escuelas.
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Registro inicial: "En este principio es lo mismo para todos. No tienes ningún privilegio".
La directora de E. M. Alexandrita, una escuela primaria del 1er segmento, enfatiza en
su entrevista que la implementación del sistema de inscripción
en línea
termi
nó con la
formación de colas
en las
escuelas y lo considera más justo: "
Así que este proceso, en mi
opinión, analizando todo este caminar, es el proceso así, más recto, ¡más tranquilo y para mí
no tiene injusticia!
¡Es el proceso correcto!"
El discurso del asesor de CRE sobre el procedimiento de registro inicial refuerza la
idea de que este proceso está libre de interferencias de la burocracia e independiente del
conocimiento o el poder de influencia. Todos los interesados en la inscripción
-
concejales,
amigos o no
-
deben pasar por el mismo procedimiento.
Pero la parte buena del
sitio
llega un concejal, te pregunta... Él tiene el
mismo acceso que tú, yo, cualquiera... viene un amigo mío que trabaja en
CRE y me pregunta.... No puedo darle es
te lugar. Va a pasar por el sitio
web. Al principio es lo mismo para todos. No tienes ningún privilegio. [...]
No serás privilegiado porque tengas un cargo, porque conozcas a alguien,
porque seas amigo del director[...]
(Asesor
CRE
)
.
El momento de registro inicial,
en línea
, es
visto por los gerentes como un proceso con
distribución aleatoria. En esta etapa, según la resolución, el rol de los gerentes consiste en
orientar a los padres, si así lo solicitan, sobre los procedimientos e in
dicar dónde encontrar las
herramientas tecnológicas para realizar los registros, si no tienen acceso a Internet.
La actuación de la burocracia para el momento de la matrícula inicial también se
extiende a la definición de cuántas
vacantes se asignarán al
sitio
por cada año de escolaridad
de las escuelas, a través de reuniones entre el consejo de CRE y las escuelas del centro. Las
reuniones, llamadas consultorías de inscripción, tienen lugar en CRE y, en ese momento, las
escuelas informan la proyección de los est
udiantes que serán aprobados/reubicados, retenidos
y el número de vacantes que estarán disponibles. El asesor de
la CRE
describe el
funcionamiento de las consultorías de inscripción:
Hay consultoría de registro que comienza alrededor del mes de agosto. L
as
escuelas se llaman aquí individualmente y hacen una predicción [...]
Cuando cierra, el último día de clases [...] Cerramos el número de vacantes,
alimentamos el sitio. [...]. Allí se asigna a todos [...]. Y luego volvemos a
hacer otra encuesta dentro de
las vacantes que ofrecimos. [...] Con la
participación de las escuelas... cuenta con una nueva consultoría... (Asesor
de CRE).
Los burócratas no tienen, sobre la base de las entrevistas y la resolución actual, ningún
poder de influencia en esta etapa del
procedimiento, asegurando que este sea un proceso más
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equitativo para todas las partes interesadas. Sin embargo, las entrevistas nos proporcionaron
una visión ampliada del proceso de inscripción que deja espacio para acciones discrecionales.
Estas son las
acciones de los gerentes de CRE en "servir al taburete" y los directores en la
inscripción directa en la escuela, con el "cuaderno", y las decisiones de los gerentes de CRE y
las escuelas en las reubicaciones. En ambos escenarios es posible percibir accio
nes
discrecionales de burócratas, tanto en las escuelas como en la burocracia intermedia de la
CRE. Tales acciones ocurren en interlocución directa o indirecta, de modo que a veces incluso
las funciones específicas de cada agente se vuelven fluidas. El tem
a central que discutiremos
es que las negociaciones y la fluidez no ocurren en base a la equidad en el servicio al público
objetivo de la política, sino más bien con un enfoque en las lecturas, a veces estigmatizantes,
que se hacen sobre los estudiantes y
sus familias.
"Conozca
la
banquet
a
" y la discreción de CRE
La asesora
CRE
, al describir sus atribuciones, enfatiza el servicio al público que acude
a la CRE en busca de vacantes, llamado por ella a "atender la banqueta". Esto lo describe:
Tenemos más del 80% de nuestro trabajo aquí muy centrado en el servicio
al cliente, la a
tención a las vacantes. Así que el equipo está muy involucrado
en esta acción, que llamamos aquí para conocer el taburete. Es... Hablamos
para contestar el taburete porque la gente está esperando allí en
la
banqueta...
para poder alegar vacante.
[...]
Vienen
aquí a buscar un trabajo.
Todo el año
(Asesor de CRE).
Debido al procedimiento exclusivamente digital, el asesor asiste a los responsables que
no tienen acceso a las computadoras para los registros, pero enfatiza que, aunque el equipo
aliment
a el sistema en el período específico, no tiene administración en el
sitio
.
Lo que hacemos aquí es dar la bienvenida a las personas que no tienen...
Porque el sitio [...] puedes acceder desde cualquier lugar de tu casa [...]
Pero la población, en general
, no siempre tiene la capacidad de manejarlo.
[...] Lo que hacemos es dar acceso al sitio, dar al anfitrión, estar allí
instruyendo a la persona para que use el sitio [...] (Asesor de CRE).
Cuando se cierre el sistema de matrícula digital, los responsables podrán exigir plazas
directamente en las escuelas. Incluso en este escenario, muchos padres buscan CRE para
elegir. El asesor detalla otro movimiento de "conocer la banqueta":
Algunas per
sonas no quieren ir a la escuela para saber[...] Luego viene a
CRE. Entonces ella, aquí en CRE pregunta: "Yo vivo en [barrio de la zona
norte]... Quiero saber dónde hay un trabajo de sexto grado". Luego, CRE
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busca dónde hay una vacante, le hace la referenc
ia y luego se comunica con
la escuela (Asesor de CRE).
Nuestros datos nos permiten indicar la existencia de un espacio para que la burocracia
actúe en el movimiento de estudiantes en la red, seleccionando unidades escolares específicas,
de acuerdo con las
demandas que surgen en CRE. Se entiende la "respuesta a la banqueta"
como el primer espacio de discrecionalidad de la burocracia a pie de calle.
Matrícula escolar y discreción: "Tengo la autonomía para convocar en este cuaderno".
Como ya se dijo,
con el final del período de inscripción en línea,
los responsables
pueden buscar plazas directamente en las escuelas o CRE. La decisión sobre las vacantes de
matrícula escolar es el segundo espacio de discreción de la burocracia a nivel de calle. Es un
esp
acio para burócratas con autonomía para la distribución de vacantes y selección de
estudiantes. Los procedimientos adoptados para esta etapa no están previstos en la resolución.
Esto configura la posibilidad de actuación del gestor con mayor autonomía, sig
uiendo
criterios propios para la distribución de estas vacantes y la realización de un juego de
influencias para la asignación de alumnos en determinados centros educativos
(ALMEIDA,
2019).
Cuando el sistema se cierra, tenemos la autonomía de abrir un cua
derno,
tengo un cuaderno y las madres vienen a buscarme, ponen el nombre del
niño, la edad y un teléfono. Tan pronto como aparece una vacante, llamo y
llamo a ese niño [...] para este cuaderno. Tengo la autonomía para
convocar en este cuaderno. No necesito
esperar nada, nuestra autonomía,
¿verdad?
(Anita, diretora da E. M. Pérola)
.
La directora de E. M. Azurita revela sus criterios para recibir estudiantes después de
la
inscripción
en línea
:
[Estoy] mirando la cara de la persona, miro la forma de hablar, veo si es
una buena persona, miro si es esa madre que vino solo para recoger a su
hijo y "rallar su pecho" o si es una madre que realmente está en una escuela
de calidad. [...] Mira, mamá, ten
emos excelentes escuelas en la red pública,
prueba una de ellas porque son los estudiantes los que hacen la escuela.
(Rebeca, diretora da E. M. Azurita)
.
Los directores de las escuelas, en un espacio de interacción con los responsables y con
relativo espa
cio de autonomía para la distribución de las vacantes existentes en sus escuelas, a
partir de un juicio de las características presentadas por los tutores, deciden si asignar a los
estudiantes o pedir a las familias que regresen en otro momento o buscar la
CRE para que se
les instruya a buscar vacantes en otras unidades.
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La acción de juzgar a los responsables de la forma en que hablan, por la vestimenta,
por el interés y la participación en la vida escolar de sus hijos y por la búsqueda de vacantes
fuera d
el período determinado por el calendario propuesto por el SME puede analizarse desde
la perspectiva de Goffman (1988).
Los gerentes, basados en un juicio basado en conceptos
previos, es decir, la identidad social virtual establecida del otro, deciden quién
merece o no la
vacante. La discreción parece directamente motivada en base a lecturas estigmatizantes
relacionadas con las familias y los estudiantes. Una madre que se lee como alguien que desea
"rallar el pecho" no es bienvenida en la escuela. Ni ella ni
su hijo. Incluso si esta lectura se
basa exclusivamente en las opiniones de los agentes en el primer momento de interacción con
las familias.
Tranquilizador y discreción: "Es mi decisión. Creemos que es lo más justo".
Sobre el proceso de reurbanización, los gerentes informan que la decisión sobre las
escuelas a las que se reasignará a los estudiantes es tomada por CRE.
La configuración puede
ser cambiada de acuerdo al ordenamiento del territorio vigente o con la organiz
ación de la
oferta escolar definida por la gerencia de la CRE. La directora Rebeca, de E.M. Azurita, relata
la dinámica: "La propia CRE dio las vacantes, nosotros solo le dimos las vacantes a la CRE y
la propia CRE hizo esta distribución [...]. Ella lo va
a distribuir, no interferimos, ese es su
criterio".
La asesora CRE también presenta en su discurso un ejemplo de cómo la distribución
de vacantes entre las escuelas del centro de matrícula en el período de reubicación y afirma
que es su decisión distribuir
las vacantes, evidenciando la discreción de CRE.
Azurita solo recibe re
-
manejo
de las escuelas a su alrededor. [...] Entonces
la dirección es que ve con las madres cuál es el criterio. La forma en que lo
vas a llenar, eso es con la escuela.
Entrevistador: ¿No tiene legislación para eso?
As
esor
: No, no lo haces. Es mi decisión. Creem
os que es lo más
justo
(
Asesor de CRE
)
.
Al mismo tiempo que observamos la discreción de la CRE en la distribución de
vacantes entre las escuelas en la reubicación, la CRE también permite espacio para la
autonomía de las unidades escolares. Los gerentes ej
ercen su discreción seleccionando a qué
escuelas se dirigirá a los estudiantes, cuántos y quiénes son los estudiantes que serán
asignados a las escuelas. Los administradores crean sus criterios y trazan o indican las
prioridades de vacantes por desempeño:
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Hay una dirección que hace dibujar, tiene una dirección que da prioridad a
un niño que está rindiendo más alto... "Oh, vas a ser recompensado porque
has tenido menos falta". Ahí van los criterios de cada dirección...
Negociación con los padres, "quién no
renuncia a esto"... (Asesor de CRE).
Hay escuelas que sé dibujar, [...], hay escuelas que dejan, por ejemplo, que
los alumnos que tomaron 'A' elijan primero, no quiere decir que 'B' o 'R' no
puedan venir aquí, no es eso (Rebeca, directora de E.M. Azurita
).
Las percepciones de los directivos se configuran en una serie de decisiones basadas en
espacios de discreción. La focalización de los estudiantes y el poder de elección se centran en
la burocracia y los criterios establecidos con mayor flexibilidad, en par
te debido a la falta de
detalle del procedimiento en la resolución.
La decisión sobre las vacantes de remanencia es el tercer espacio de discrecionalidad
de la burocracia a nivel de calle. Además, todo el movimiento basado en la interacción entre
gerentes también se analiza desde la perspectiva de Goffman (1988) en la medi
da en que los
estigmas pueden guiarse por identidades sociales virtuales anteriores. Las escuelas de primer
año, que reciben estudiantes de educación infantil,
nunca
vistos por los gerentes, trabajan con
una representación sobre esos estudiantes, una repre
sentación estigmatizada. Las escuelas del
primer y segundo segmento, que reciben estudiantes
por traslado
, también trabajan con esta
representación y se les informa sobre los estudiantes en la interacción entre los gerentes.
Reputación y estigma: "Tenem
os a Azurita que
está en
la cima de los
topes
".
x
"Terminamos aceptando todo este proceso, porque alguien necesita quedarse con ellos".
La asesora de CRE, cuando se le pregunta sobre su percepción de las escuelas de la
región, explica que hay
escuelas estigmatizadas en la red, como los Centros Integrados de
Educación Pública (CIEP)
10
.
Sin embargo, señala que las escuelas son equivalentes en calidad
de atención, aunque algunas escuelas tienen una mayor demanda de vacantes por factores
relacionad
os con el desempeño en las evaluaciones
11
y ubicación. El asesor reconoce el
prestigio de una de las escuelas y la nombra: "Tenemos Azurita que es
top
de los tops
”.
El gerente de E. M. Turmalina destaca la percepción de un proceso de construcción de
estigma de su unidad escolar, porque recibe, en su concepción, a los peores estudiantes, y no
es, por esta razón, una escuela buscada para la matrícula en la región: "nues
tra escuela no es
10
El Centro Integrado d
e Educación Pública fue un proyecto del Estado de Río de Janeiro en la década de 1980.
11
El asesor mencionó los resultados de la evaluación del SAEB, Sistema Nacional de Evaluación de la
Educación Básica, desarrollado desde 1990 por el Instituto Nacional
de Estudios e Investigaciones Educativas
Anísio Teixeira (INEP) e IDERIO, Índice de Desarrollo Educativo del Municipio de Río de Janeiro, creado en
2010.
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hoy un foco muy de vacante [...] Porque recibimos estudiantes más difíciles. [...] Si eso nos
queda, ¡vamos a tener que trabajar!
¿Qué vas a hacer con los niños? ¿Tirar?"
Debido a la falta de criterios de reubicación en la
resolución de matrícula, los gerentes
deciden qué estudiantes van a cada escuela, influyendo en las percepciones sobre su escuela y
configurando un proceso de producción y reproducción de estigmas y confirmación de buena
reputación entre las escuelas.
La
MB va [...] a Azurita, ¿sabes? Porque Azurita es una escuela elitista en
nuestro polo. Es una escuela que obtiene estudiantes con los mejores
ingresos. [...] Sapphire es una escuela experimental. [...] tienen que ser
estudiantes de excelencia para formar p
arte de este experimento [...] "MB",
luego ve a Zafiro. Y terminamos con la "R" (Dorothy, directora de E.M.
Turmalina).
Para los gerentes entrevistados, E.M. Azurita tiene mayor reconocimiento en la región
por su desempeño en las evaluaciones, el mismo ar
gumento utilizado por el asesor de CRE.
Se reconoce el prestigio de la escuela en la comunidad y el hecho de tener un edificio pequeño
con pocas habitaciones en una región sin violencia también sería un atractivo y una
preferencia de las familias.
El dire
ctor de E. M. Safira revela la interferencia del director de E. M. Azurita en la
reunión asesora, incluso eligiendo las escuelas que enviarían a sus alumnos en la
reinstalación
. Podemos plantear como hipótesis que este gestor tiene una mayor
discrecionalid
ad en relación con las otras unidades escolares, facultad conferida por CRE
debido a sus resultados educativos.
[...] En la última reunión de consultoría... La directora de Azurita dijo que
prefiere recibir como nuevos estudiantes, estudiantes para
6to grado y no
para 7mo grado.
Entrevistador: ¿Pero eso excluiría todo lo suyo entonces?
Carla: Sí. Has excluido todo lo mío. Ella prefiere llevar a los estudiantes a
sexto grado y no a séptimo grado. Porque dijo que prefería sexto grado
porque notó que
nuestros estudiantes ... no solo la nuestra, cierto, sino que
los alumnos que vienen de lo experimental, cuando van al séptimo año
regular en la otra escuela, tienen una dificultad (Carla, directora de E. M.
Safira).
Esta evidencia sugiere que la director
a de E. M. Azurita tiene una capacidad
diferenciada para seleccionar estudiantes en relación con otras escuelas del centro, debido a su
reputación en la región. Es posible observar que la escuela, al ser más buscada y con mayor
prestigio, logra una mayor g
estión de las vacantes disponibles, a diferencia de las escuelas
menos buscadas que reciben a los estudiantes que "permanecen". La reputación de la escuela
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Ryna
OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO
y
Rodrigo ROSISTOLATO
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Revista Ibero
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está relacionada con el estigma que recibe. Las relaciones establecidas entre los gestores
contribuy
en a una distribución no aleatoria de los estudiantes, aumentando la estratificación
entre las escuelas de la red, en el mismo centro de matrícula y ampliando las desigualdades
educativas (OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al.
,
2016, 2019).
El director de E.
M. Turmalina destaca acciones que traspasan los límites impuestos
por la matrícula digital, en las que se revela la acción de definir el perfil del alumno dirigido
al colegio: "Porque creo que el alumno R necesita que alguien le dé la bienvenida [...].
Alg
uien tiene que conseguir a estos niños, ¿verdad? Así que terminamos recibiendo a este
niño".
La reasignación de estudiantes "R" (regulares) en escuelas específicas refuerza el
estereotipo de una escuela "que nadie quiere" al dar la bienvenida a estudiantes
"que nadie
quiere".
La gerente Dorothy considera que recibe a los peores estudiantes, aquellos que nadie
quiere, provenientes de familias desestructuradas, lo que dificulta la tarea pedagógica. La
directora, a través de la identidad real, que es la confir
mación de la identidad social virtual,
estigmatiza a sus alumnos y a su escuela.
La reubicación de estudiantes de alto rendimiento en
la red se dirige a escuelas de buena reputación y su escuela no tiene demanda, lo que la
convierte en la "escuela que nadie quiere". Analizando a los estudiantes de E. M. Turmalina
desde la perspectiva d
e Goffman (1988), tienen una manifestación de identidad social virtual
cercana a su identidad social real.
Son estudiantes desacreditados que, en esta dinámica, se
estigmatizan.
Se percibe que la consolidación de los estigmas afecta a los individuos y a la
institución. Los estudiantes "que nadie quiere" están en escuelas "que nadie quiere" y ambas
trayectorias, individual e institucional, continúan consolidando estigmas con respecto a las
familias y los estudiantes.
El gerente de la escuela Opala afirma que
no puede negar una vacante para familias en
el proceso de reubicación, pero indica que sus maestros señalan la escuela de origen de los
estudiantes, demostrando la construcción de estigmas:
Aceptamos todo lo que es escuela. Sabemos que hay algunas escue
las allí,
por lo que la parte disciplinaria deja que desear, ¿verdad? Pero si tengo
una vacante, no puedo negar la vacante, ¿verdad? Los profesores ya son
así:
́
Leandro, viene de un lugar así, eh... (Leandro, director de la escuela
Opala).
Al analizar las
entrevistas sobre los procedimientos de inscripción, especialmente
sobre traslados y reubicación, los gerentes indican la evaluación negativa del perfil de origen
de los estudiantes, justificada por su identidad virtual en ellos. Discuten con el lugar de
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residencia, las relaciones familiares, el bajo rendimiento escolar y la indisciplina, sin
información que los confirme.
Las declaraciones de los gerentes siguen dos tendencias. En el primero, los directivos
señalan las condiciones de los estudiantes como d
esacreditadas, argumentando que ellos y sus
familias llegan a la escuela con atributos indeseables para el desarrollo pedagógico de la
escuela, como la indisciplina. En el segundo, está la defensa del estigma público de la escuela,
de cómo es vista por los
demás. Por lo tanto, estos son argumentos que tienden a presentar la
condición de las escuelas municipales como desacreditable.
Consideraciones finales
En este artículo analizamos las percepciones de los agentes de la burocracia educativa
en los procedimientos de matrícula escolar e identificamos dinámicas de producción y
reproducción de estigmas entre las escuelas municipales de la red educativa municipa
l. El
análisis de la legislación municipal sobre registro indica reglas y estándares, pero con vacíos
que permiten adaptaciones y discrecionalidad por parte de los burócratas.
Las entrevistas realizadas a los directivos de colegios de la misma región de l
a ciudad
y con el asesoramiento registral de CRE nos permiten afirmar que, en su percepción, la
matrícula online es un proceso "sin privilegios" y "más justo". Este material también nos
proporcionó el mapeo de las acciones de los gerentes en las inscripcio
nes que indican tres
espacios de acción discrecional.
El primer espacio discrecional tiene lugar dentro del ámbito de CRE con el "servicio al
taburete" que se produce durante todo el año. Con el sistema de inscripción en línea o con la
búsqueda de vacante
s directas en CRE, hay interacción directa con los ciudadanos que son el
objetivo de la política de inscripción, con posibles criterios para la elección de escuelas por
parte del burócrata, dependiendo de la familia y su historial. La matrícula en las escu
elas
dependerá de los gestores de la CRE, guiados por sus juicios, juicios de valor y estigmas.
El segundo espacio discrecional ocurre en las escuelas al final del
período de
inscripción
en línea
. Por el momento, los directores escolares tienen autonomía c
on las
vacantes disponibles, porque las familias buscan vacantes directamente en las escuelas. Los
criterios pueden ser el orden de llegada, con el uso del "cuaderno", o con la evaluación de la
familia y su forma de hablar, vestir o presentar en la unidad
escolar. Los gerentes interactúan
con el público y de manera discrecional y a partir de lo observable en esta interacción
seleccionan a sus estudiantes.
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OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO
y
Rodrigo ROSISTOLATO
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El tercer espacio discrecional ocurre en el proceso de reurbanización y con la acción
activa y la inte
racción de la administración de CRE y los directores de las escuelas. CRE
decide el número de plazas para cada escuela y los gerentes ejercen su discreción al
seleccionar qué escuelas se dirigirán a los estudiantes, cuántos y quiénes son los estudiantes
qu
e se asignarán en las escuelas. Cada gerente tiene sus criterios para la
reasignación
: sorteo,
rendimiento del estudiante, participación en la reunión.
Las entrevistas mostraron que hay una derivación de los mejores estudiantes a
escuelas con mayor rendimiento y mejor reputación. Frases como "Si esto nos lo dejan,
¡vamos a tener que trabajar! ¿Qué vas a hacer con los niños? ¿Tirar?", revelan un universo d
e
estigmatización que sufren las unidades escolares que reciben a un estudiante con bajo
rendimiento académico y situación social considerada desfavorable por la burocracia.
Los
gerentes aceptan trabajar con los estudiantes simplemente porque no sería posi
ble tirarlos. El
poder de excluirlos de ciertas escuelas está directamente relacionado con la reputación
construida por las escuelas en la red. Son las escuelas estigmatizadas las que reciben a los
estudiantes estigmatizados y así consolidan un circuito qu
e no es solo de reproducción de
desigualdades, sino principalmente de la producción de desigualdades dentro de los sistemas
educativos que deben guiarse por la equidad en la distribución de vacantes y conocimientos
escolares. Las escuelas con mejor reputac
ión tienen mayor poder de decisión en situaciones
de mayor demanda que oferta y son las que reciben a los estudiantes con mejor rendimiento
académico, reforzando un escenario de desigualdad educativa e iniquidad en la distribución de
vacantes.
Las accione
s discrecionales y las interacciones de CRE con los gerentes, entre los
gerentes de las escuelas y entre los gerentes y las familias refuerzan la construcción de
estigmas y la reputación de las escuelas. Las acciones discrecionales se basan en las
identida
des sociales virtuales de los estudiantes y sus familias y refuerzan la estigmatización
entre los espacios escolares al determinar el perfil de los estudiantes que serán reubicados.
Los estigmas conforman las reputaciones, pero la forma en que esta reputac
ión se consolida y
legitima depende del plan de interacción y la biografía del individuo. El proceso de
estigmatización de las escuelas está vinculado a la estigmatización de las familias y las
escuelas estigmatizadas son las que reciben a los estudiantes
estigmatizados.
Los estudiantes
son estigmatizados porque se les lee como que tienen conceptos más bajos, con problemas
relacionados con la disciplina y provenientes de familias cuyos padres no siguen la vida
escolar de sus hijos o no tienen control sobre
el desempeño de los estudiantes. Así, existe un
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intrincado escenario donde las reputaciones y los estigmas aparecen como elementos
motivadores de las acciones de los burócratas, no solo reproduciendo, sino expandiendo y
produciendo nuevas formas de desigua
ldad en los sistemas educativos.
GRACIAS
: Investigación financiada por el Consejo Nacional de Desarrollo Científico y
Tecnológico (CNPq).
Proceso 420596/2018
-
6.
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De la banqueta al cuaderno: Discreción y estigma en procedimientos de matrícula en escuelas cariocas
RIAEE
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
v. 17, n. esp. 3, p.
2322
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2342
, nov. 2022
e
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ISSN: 1982
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16692
2342
Cómo hacer referencia a este artículo
OLIVEIRA, R.; PRADO, A. P.; ROSISTOLATO, R.
De la banqueta al cuaderno: Discreción
y estigma en procedimientos de matrícula en escuelas cariocas
.
Revista Ibero
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Americana de
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ISSN:
1982
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5587.
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16692.
Presentado en:
13/04/2022
Revisiones requeridas en
:
22/06/2022
Aprobado en
:
30/08/2022
Publicado en
:
30/11/2022
Procesamiento y edición
: Editora Iberoamericana de Educación
-
EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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From bench to small notebook:
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scretion and stigma in enrollment procedures in cariocas´s schools
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FROM BENCH TO SMALL NOTEBOOK: DISCRETION AND STIGMA IN
ENROLLMENT PROCEDURES IN CARIOCAS´S SCHOOLS
DO BANQUINHO AO CADERNINHO: DISCRICIONARIEDADE E ESTIGMA NOS
PROCEDIMENTOS DE MATRÍCULA EM ESCOLAS CARIOCAS
DE LA BANQUETA AL
CUADERNO: DISCRECIÓN Y ESTIGMA EN
PROCEDIMIENTOS DE MATRÍCULA EN ESCUELAS CARIOCAS
Ryna Wanzeler de OLIVEIRA
1
Ana
pires do
PRADO
2
Rodrigo ROSISTOLATO
3
ABSTRACT:
The article analyzes the enrollment procedures of municipal schools in Rio de
Janeiro.
We consider that Regional Education Coordination (CRE) and school are the
bureaucrats responsible for implementing the enrollment policy and may act in a discretionary
way. We consider that their perceptions about schools, students and parents are based on
stigmas. We used interviews carried out with regional staff and with school directors. The
results show the bureaucracy's discretion in enrollment procedures and revea
l the production
and reproduction of stigmas in schools, reinforcing a scenario of educational inequality and a
tendency towards inequity in the distribution of places.
KEYWORDS:
Educational bureaucracy. School enrollment policy.
Street level bureaucracy.
Stigma.
RESUMO
: O artigo analisa os procedimentos de matrícula de escolas municipais do Rio de
Janeiro. Partimos da ideia de que os gestores da Coordenadoria Regional de Educação (CRE)
e das escolas são os burocratas responsáveis pela implementação da política de matríc
ula e
podem agir de forma discricionária no atendimento ao público. Consideramos que suas
percepções sobre as escolas, estudantes e famílias estão pautadas em estigmas. Utilizamos
entrevistas realizadas com a assessoria da CRE e com diretores de escolas da
mesma região
da cidade. Os resultados evidenciam discricionariedade da burocracia nos procedimentos de
matrícula e revelam a produção e reprodução de estigmas das escolas, reforçando um cenário
de desigualdade educacional e com tendência à iniquidade na d
istribuição de vagas.
PALAVRAS
-
CHAVE
: Burocracia educacional. Políticas de matrícula escolar. Burocracia de
nível de rua. Estigma.
1
Federal University of Rio de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Bra
z
il.
Master in Education by the Graduate
Program in Education
.
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0002
-
9218
-
5713.
E
-
mail: rynawanzel@yahoo.com.br
2
Federal University of Rio de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Bra
z
il
.
Associate Professor at the School of
Education and at the Graduate Program in Education.
PhD in Anthr
opology (UAB/Spain
)
. ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0002
-
5897
-
6503. E
-
mail: anapprado@yahoo.com
3
Federal University of Rio de Janeiro
(UFRJ), Rio de Janeiro
–
RJ
–
Bra
z
il
.
Associate Professor at the School of
Education and coordinator of the Graduate Program in Education.
PhD in Social Anthropology
(UFRJ)
. ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0002
-
4025
-
0632. E
-
mail: rodrigo.rosistolato@gmail.com
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Ryna OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO
and
Rodrigo ROSISTOLATO
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação,
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v. 17, n. esp. 3, p.
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RESUMEN
:
El artículo analiza los procedimientos de matrícula de las escuelas municipales
de Rio de Janeiro. Partimos de la
idea de que los directivos de la Coordinación Regional de
Educación (CRE) y las escuelas son los burócratas responsables de implementar la política de
matrícula y pueden actuar de manera discrecional en la atención al público. Consideramos
que sus percepc
iones sobre las escuelas, los estudiantes y las familias se basan en estigmas.
Utilizamos entrevistas realizadas con la CRE y los directores de escuelas de la misma región
de la ciudad. Los resultados muestran discrecionalidad de la burocracia en los proce
dimientos
de matrícula y revelan la producción y reproducción de estigmas en las escuelas, reforzando
un escenario de desigualdad educativa y una tendencia a la inequidad en la distribución de
plazas
.
PALABRAS CLAVE
: Burocracia educativa.
Políticas de matrícula escolar. Burocracia de
nivel de calle. Estigma
.
Introduction
"VG" then goes to Sa
fira
. And then, we end up with the "R's".
(Dorothy, principal
of
Turmalina
Elementary School
4
)
The excerpt in focus is part of an interview with a principal who narrated the process of
school enrollment among schools in the municipal network of Rio de Janeiro. She described
how first
-
segment elementary schools sent students, in a process called real
location, to second
-
segment schools. The director indicated that some schools received students from "more
structured" families and with "VG" concepts" (Very Good), and others had to "keep the R
(Regular)”
5
.
The director's description reveals a situation in the Rio de Janeiro municipal network
already analyzed in the sociological literature: the distribution of students in enrollment among
school units does not occur exclusively randomly, with the educational
bureaucracy having an
active role in the process of granting vacancies. (ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014;
CARVALHO, 2014; MOREIRA, 2014; OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al
., 2016,
2019). The set of actions of bureaucrats involves, as we will demonstrate, discret
ionary actions,
in the sense proposed by Lipsky (2019); and they end up contributing not only to the
reproduction of inequalities within education networks, but also to the production of new forms
of inequality.
The enrollment policy in the municipality o
f Rio de Janeiro, although it has rules and
procedures delimited in the legislation, has the managers of the Regional Education Coordinator
4
All names are fictitious
.
5
The Municipal Education Secretariat of the city of Rio de Janeiro evaluates the students' learning process with
concepts
.
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(CRE
in the Portuguese acronym
) and school managers as responsible for its implementation.
This configuration allows
the managers to act with autonomy and discretionary actions on the
granting of openings for students, guided by their perceptions and decisions, within the limits
of the law. Policy implementers act in a field of possibilities and in the implementation pr
ocess
there is a series of punctual actions that do not necessarily contradict the text of the law, but
may be antagonistic to the spirit of the law (LIPSKY, 2019; MAYNARD
-
MOOD; MUSHENO,
2003). This action takes place in a dynamic space that also depends o
n the social navigation
capacity of managers
.
From this perspective, the general objective of this article is to analyze the actions and
interactions of the school bureaucracy
-
CRE and school principals
-
in the process of
enrollment and its consequent p
roduction and reproduction of stigmas (GOFFMAN, 1988). We
will analyze the municipal legislation on enrollment and work with the set of interviews
conducted with principals of municipal schools of the 1st and 2nd segments of elementary
school in a region o
f the city and the interview conducted with the CRE enrollment officer.
There is previous research on enrollment procedures in the municipal network of Rio
de Janeiro (ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014; CARVALHO, 2014; OLIVEIRA, 2020;
ROSISTOLATO
et al
., 2016, 2
019), but they do not focus on the role of the CRE in the process.
This is one of the contributions of our article that introduces this instance into the reflections
on street
-
level bureaucracy in education policy (LIPSKY, 2019). Moreover, the relevance in
addressing these issues originates in the debate on inequalities of educational opportunities. The
gaps in the regulation of enrollment policies for Rio de Janeiro's municipal schools and the
informal rules and discretionary actions of the bureaucracy can
create barriers to school access,
giving rise to inequalities in the distribution of places.
Our argument is that school and CRE managers are the bureaucrats responsible for
implementing enrollment policy and can act discretionarily in serving the public
(LIPSKY,
2019; PIRES; LOTTA; OLIVEIRA, 2018). Moreover, their perceptions of schools, their
students, and their families act in the production and reproduction of stigmas of schools and
students (GOFFMAN, 1988).
Following the text, we will present the deb
ate on street
-
level bureaucracy, discretion
and stigma, describe the enrollment legislation of the city of Rio de Janeiro, and present the
perceptions of school and CRE managers about enrollment procedures and their performance
in each process. The analysi
s of the material will highlight the discretionary nature of the
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Ryna OLIVEIRA; Ana Pires do PRADO
and
Rodrigo ROSISTOLATO
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
v. 17, n. esp. 3, p.
2317
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Nov
. 2022
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ISSN: 1982
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DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16692
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bureaucracy in enrollment procedures and the production and reproduction of stigma in schools,
reinforcing a scenario of educational inequality
.
Street
-
level bureaucracy,
discretion, and stigma
The enrollment policy in the municipality of Rio de Janeiro has rules and procedures
determined by legislation and has the CRE and school managers as responsible for its
implementation. This configuration allows managers to act with a degree of autonomy ov
er the
granting of vacancies for students, guided by their own perceptions and decisions, within the
limits of the law, through discretionary actions. (ALMEIDA, 2019; BRUEL, 2014;
CARVALHO, 2014; OLIVEIRA, 2020; ROSISTOLATO
et al
., 2016, 2019).
Although th
ere is awareness that this enrollment procedure happens in a formalized
space, with rationalized bureaucratic logic (WEBER, 2000) and built to be random, within a
republican logic, there are a number of elements that contradict it. According to Lipsky (201
9),
the street
-
level bureaucrat is the agent responsible for implementing a public policy, who acts
directly in its execution, in direct contact with the policy's target audience. Street
-
level
bureaucrats are a fundamental part of the public policy impleme
ntation process, being seen as
those who make it and with a relevant role in its reconfigurations occurring in the course of
interactions with citizens.
Lipsky (2019) argues that in the implementation of any and all public policy there will
necessarily be
the action of these agents and their roles "are built on two interrelated aspects of
their positions: relative high degree of discretion and relative autonomy from organizational
authority" (LIPSKY, 2019, p. 55). This perspective places street
-
level bureau
crats as
policymaking agents and provides the idea of discretion as inevitable, inherent, and even
desirable for policy implementation and reconfiguration (CAVALCANTI; LOTTA; PIRES,
2018). For Lipsky, "discretion is a relative concept. The greater the degr
ee of discretion, the
more obvious this analysis becomes for understanding the character of workers' behavior"
(LIPSKY, 2019, p. 58).
Lipsky (2019) demarcates two ways in which street
-
level bureaucrats act with the policy
target audience. In the first, the agent of the bureaucracy at street level would serve all
individuals equally according to their needs or characteristics, guaranteein
g all the same rights.
In the second form, the service would favor citizens according to the bureaucrat's reading of
certain characteristics and contexts. This relationship can take place in exchange for favors, for
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From bench to small notebook:
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scretion and stigma in enrollment procedures in cariocas´s schools
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stereotypical readings related to the po
licy's target population, for convenience, or for passing
on specific information.
Maynard
-
Moody and Musheno (2003) show that public agents, although governed by
formal regulations, act differently in each situation. The normative judgments of bureaucrats
exist in the tension between institutionalized rules and norms
-
formal and tacit
-
and the
situations presented by citizen
-
clients. The ongoing tensions and incompatibilities between
policy or practice and the case or circumstance provide insights into th
e nature of norms and
the possibility of change.
Studies in Brazil on school managers are divided between those that define them as
street
-
level bureaucrats (ALMEIDA, 2019; OLIVEIRA, 2020; OLIVEIRA; LIMA;
OLIVEIRA, 2018; ROSISTOLATO
et al
., 2019) and those
that define them as mid
-
level
bureaucrats (OLIVEIRA; ABRUCIO, 2018). Muylaert (2019) emphasizes that the role of the
principal is complex and hybrid, as at times he acts in direct contact with students and their
families, but also performs administrative
work that binds him to the institution that appointed
him and represents him. We consider the role of school managers and CRE members as hybrid,
as they act as mid
-
level bureaucrats in defining, implementing, and monitoring the enrollment
policy and play t
he role of street
-
level bureaucrats in direct service to the policy's focus
audience.
School enrollment procedures involve a series of procedures that require school
managers and CRE members to negotiate with students' families. Thus, from our perspective
,
school enrollment allows bureaucrats to move between levels. Bureaucrats, in their mid
-
level
or street
-
level roles, use spaces of discretion and perform discretionary actions according to
their judgments in distributing vacancies among schools and direct
ing students to existing
vacancies. We are not analyzing the actions of one bureaucrat or another, considering middle
and street levels, but rather the performances of one and the other. The actions related to
enrollment occur in negotiation scenarios, in
which the places occupied by the professionals
sometimes allow transits and some level of fluidity, considering even the profiles of the families
that directly contact them.
The discretionary actions of managers, based on value judgments, prejudices and
p
reconceptions established in social interactions may result in stigmatizing situations. For
Goffman (1988), the concept of stigma comprises a set of attributes and marks granted to
individuals or social groups that entails a perception of ineligibility for
full social acceptance.
The author lists a double perspective on the term stigma, in which the stigmatized person
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assumes that his/her distinctive characteristic is already known or immediately evident, in a
condition of being discredited; or that this ch
aracteristic is not known or perceptible in the
relationship with those present, configuring a condition of being discreditable.
According to Goffman (1988), what separates the discredited from the discreditable is
the difference between virtual identity
-
what is expected
-
and real identity
-
what is shown. If
the virtual identity presents characteristics that lead to the formation of negative concepts and
it is close to the real identity, the individual can be considered a discreditable. If it keeps both
sides in a relative balance, the individual is a discreditable.
In our study, the public school can be considered as discreditable and considering a
scenario of interaction, from the virtual social identity, its students can also be considered
discredita
ble. A school with underperforming students can be stigmatized and both the school
and its students can be discreditable. However, some students can be considered discreditable.
The disreputable have this particular dynamic between the two identities and b
y joining this
group they become stigmatized
.
Analyzing the differences that generate stigma, Link and Phelan (2001) list that stigma
exists when: people distinguish and label differences; dominant cultural beliefs lump labeled
people into negative stereotypes; labeled people are placed into distinct
categories separating
the us and them; and labeled people experience lower status and discrimination. Stigmatization
is linked to social and economic place and political power, allowing for the identification of
differences, the construction of stereotypes
, the separation of labeled people into distinct
categories, and the complete execution of disapproval, rejection, exclusion, and discrimination
in a power relationship. For Bailey (1971), individual reputations are constructed and
maintained in face
-
to
-
fa
ce interactions and reputation is not made by the qualities a person
possesses, but rather, by the opinions others have of him or her. This perspective reaffirms that
stigmas, labeling, and reputation come from the setting of social interaction. In these c
ontexts
individuals and entire groups are constructed who come to be characterized as unfit for full
social acceptance.
The discretionary spaces in the enrollment procedures of Rio de Janeiro schools may
configure a scenario that favors the production and
reproduction of stigmas and reputations
among school units. The identification of differences, the construction of stereotypes based on
virtual social identity, the separation of "us" and "them" between those who deserve a place in
certain schools and tho
se who don't, not only reproduce social inequalities of origin, but also
produce new forms of inequality
.
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scretion and stigma in enrollment procedures in cariocas´s schools
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Methodology
To carry out the analysis, we worked with different and complementary sources of data.
We used the municipal legislation that regulates
the school network and the enrollment policy
to analyze the formal and legal procedures. To understand the managers' perceptions about the
enrollment procedures, we used the interviews
6
held at the CRE with the enrollment advisory
and with six municipal school managers from an enrollment hub
7
.
The schools were chosen
because, considering the diversity and locality of the public attended, they are stratified in
socioeconomic level and hi
erarchized by prestige and school performance
.
The studies already conducted on Rio de Janeiro's municipal network indicate that due
to stratification in Rio de Janeiro's municipal educational system, public schools are distinct
both in performance and in prestige and reputation. Research has shown the
existence of a
dispute among families for high prestige public schools and mechanisms used by schools in this
situation, which allow the selection of a certain profile of students, generating stratification of
the Rio de Janeiro municipal network (OLIVEIR
A, 2020; ROSISTOLATO
et al
., 2016, 2019).
The surveyed schools are geographically close, many of them sharing walls that delimit
the land. From an architectural point of view, they all have equivalent facilities for the care of
students. There are 6 schoo
ls surveyed: the
Elementary School
(E
.S.
) Pérola offers early
childhood education; the
E.S
. Alexandrita offers care exclusively to the years of the 1st segment
of elementary education; the
E.S
. Safira serves the 1st segment of elementary education and
has
an experimental 6th grade; the
E.S
. Opala, the
E.S
. Azurita, and the
E.S
. Turmalina offer
exclusively the 2nd segment of elementary education, with the first offering the 7th to 9th grade
and the other two schools offering the 6th to 9th grade.
For this pa
per we analyze the interviews with a focus on managers' perceptions of the
interactions of bureaucracy in enrollment procedures. Based on these, we mapped the
discretionary processes grounded in stigmas about schools, students, and their families
.
The
municipal network and the enrollment policy
The management of education in the Rio de Janeiro Municipal Network is carried out
by the central level
-
the Municipal Secretariat of Education (SME
in the Portuguses acronym
)
-
and eleven Regional Education Co
ordinators (CREs), which are intermediate instances of
6
The authors' research project, funded by CNPq, and approved by the ethics committee
.
7
The hub is a group of schools that are geogr
aphically close to each other and that organize the allocation of
students for enrollment
.
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school management, divided into coverage areas of the city. The CREs are instances of
mediation between the SME and the schools.
Regarding enrollment, the SME is responsible for formulating and implem
enting the
educational policy of enrollment in the municipal public school network. Every year, a
Resolution is published with the enrollment calendar and its procedures. The CRE, on the other
hand, must work on the coordination, planning and monitoring of
the enrollment process in the
school units. Although the decree regulates the competencies of the SME and the attributions
of the CRE, it does not detail the actions and the way of implementing the enrollment. Each
CRE has a Supervision and Enrollment Man
agement Office, which is responsible for
coordinating school management supervision activities, organizing and monitoring the
enrollment process and promoting enrollment consultations with schools in order to plan the
enrollment process in the region.
The
analysis of the legislation allows us to indicate that, in relation to enrollment, the
SME formulates the enrollment policy, the CREs coordinate, plan and monitor the enrollment
process in the region where they operate, and the Enrollment Manager is respon
sible for
implementing the policy by promoting consultations with schools. However, the municipal
legislation does not regulate the consultancies, their organization or the monitoring of these
actions. Nor is there any mention of the attributions directed
at the school enrollment process
as one of the functions of the school units, despite the fact that the school units participate in
consultancy meetings with the CRE for the distribution of vacancies
.
Enrollment in the Rio de Janeiro municipal network is
divided into three modalities:
initial, renewed or transfer. Since 2016, enrollment procedures are carried out exclusively
through the digital platform "matricula.rio", complying with the provisions of the resolution in
force and the enrollment calendar st
ipulated by the SME.
Initial enrollment is the procedure for entering students into the Rio de Janeiro
Municipal Network. Renewed registration is the process that refers to the continuity of the
student in the network. This procedure is carried out annually by the school. Howe
ver, due to
the configuration of the municipal network in Rio de Janeiro, which has a set of schools that
attend only one of the segments of elementary school, enrollment can be renewed through a
process called remanagement. Reassignment is the block trans
fer of students to schools
belonging to the same center, which serve the subsequent segment. The vacancy for these
students is guaranteed in the municipal legislation, but there is no legal definition of the
procedures for transfer. The transfer is the pro
cedure that enables the change of school in the
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network. This process can occur throughout the year or at the end of the school term and can
be done via digital enrollment or in person at the school.
The regulations do not provide guidance in cases where
demand is greater than supply
in a particular school, allowing room for decisions and actions by managers. Thus, the process
of relocation and transfer depends on the determinations published in the resolution and on the
interactions between school manager
s and the CRE, between managers of schools in the same
center, and between managers and families.
Next we will analyze the interviews conducted with the advisor and the school principals
of the CRE. The goal is to demonstrate their perceptions about their
actions in the enrollment
procedures and the spaces for bureaucratic discretion. We will also indicate how interactions
among managers, based on virtual social identities, can produce stigmas among schools
.
Initial enrollment: "In this
very
beginning it
is the same for everybody. You have no
privilege.
The principal of the
E.S
. Alexandrita, an elementary school, emphasized in her interview
that the implementation of the online enrollment system eliminated the formation of lines at
schools and
considers it fairer: "So this process, in my opinion, analyzing all this progress, is
the straightest, most peaceful process, and for me, there is no injustice! It is the most correct
process!
The CRE advisor's speech about the initial enrollment procedure reinforces the idea that
this process is free from bureaucratic interference and independent of knowledge or power of
influence. All those interested in enrollment
-
councilors, friends or no
t
-
must go through the
same procedure
.
But the good part of the site, a councilman comes and asks you... He has the
same access as you, me, anyone... a friend of mine who works at the CRE
comes and asks me .... I can't give her this job. She will get in
through the site.
In the beginning, it is the same for everyone. You have no privilege. [...] You
won't be privileged because you have a position, because you know someone,
because you are a friend of the director [...] (CRE Advisor
)
.
The moment of
initial online enrollment is seen by managers as a process with random
distribution. At this stage, according to the resolution, the managers' role consists of guiding
parents, if requested, about the procedures and indicating where to find the technologic
al tools
to make the registrations, in case they do not have access to the Internet.
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