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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
ão
RIAEE
–
Revista Ibero
-
A
mericana de
Estudos e
m
E
ducação
,
Araraquara
,
v.
17
, n.
e
s
p. 3
,
p.
20
95
-
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ov
.
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e
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:
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oi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16722
2095
CONTEXTOS E TRAJETÓRIAS PARA A ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS:
APORTES TEÓRICOS PARA O CAMPO DA EDUCAÇÃO
1
CONTEXTOS Y TRAYECTORIAS PARA EL ANÁLISIS DE LAS POLÍTICAS
PÚBLICAS: APORTES TEÓRICOS AL CAMPO DE LA EDUCACIÓN
CONTEX
TS AND TRAJECTORIES FOR THE ANAL
YSIS OF PUBLIC POLICIES:
THEORETICAL CONTRIBUTIONS TO EDUCATION
Breynner Ricardo de OLIVEIRA
2
Maria Mich
elle Fernandes
ALVES
3
Gustavo Adolf
FICHTER FILHO
4
RESUMO
:
O artigo apresenta um modelo de análise de contextos para se compreender as
trajetórias
de implementação de políticas públicas, fornecendo aportes teóricos e
metodológicos para o campo da educação. Parte da necessidade de superação das perspectivas
tradicionais que reduzem as políticas a sistemas simplificados e, para tal, considera as
dimen
s
ões políticas da implementação, apresentando a noção de trajetória. Propõe cinco
contextos, entrelaçados: (1) contexto das conjunturas; (2) contexto dos conteúdos da política;
(3) contextos institucionais; (4) contexto das experiências; e (5) contexto dos
territórios. Os
contextos permitem compreender trajetórias por meio de uma cadeia transversal, fluida e
dinâmica de processos de tomada de decisão, que mobiliza diversos atores, processos, saberes
e práticas. Nossos resultados sugerem um modelo que consid
e
ra as tensões, as contradições,
os desafios, e as inflexões vinculadas à vida das políticas, de modo que as análises sejam mais
densas e contextualizadas
.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
C
ontextos. Trajetórias.
Implementaçã
o
.
Políticas
públicas.
Polític
as
educacionai
s
.
RESUMEN
:
El artículo presenta un modelo de análisis de contextos para comprender la
trayectoria de imple
mentación de políticas públicas, con aportes teóricos y metodológicos al
campo de la educación. Parte de la necesidad de superar las
perspectivas t
ra
dicionales que
reducen las políticas a sistemas simplificados, como el ciclo clásico, y considera las
dimen
siones políticas de la implementación, presentando la noción de trayectoria. Enumera
1
Agradecemos à Rede de Estudo
s s
obre Impl
ementação de
Po
líticas P
úb
licas Educ
a
c
i
onais (REIPPE), com
a
colaboração do Itaú Social, o apoio financeiro para as traduções deste artigo pa
ra o inglês e o espanhol
.
2
Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Mariana
–
MG
–
Brasil. Professor
no
Programa
de Pós
-
Grad
u
aç
ão em Edu
ca
ção. Douto
r
a
d
o e
m Educação (UFMG)
.
M
embro da Rede de Estudos sobre Implementação
de Políticas Públicas Educacionais
(REIPPE
)
.
OR
CID: https:/
/orcid.org/0000
-
0003
-
0956
-
4753. E
-
mail:
breynner.
o
li
veira@gma
il
.c
om
3
Un
i
v
e
rsidade Federal de O
u
ro Preto (UFOP), Mariana
–
MG
–
Brasil. Doutoranda no Programa de Pós
-
Graduação em Educação.
Membro da Red
e de Estudos sobre Implementação de Políticas Públicas Educacionais
(REIPPE).
ORC
ID: https
://orcid.org
/
00
00
-
0002
-
7
26
4
-
2817. E
-
m
a
i
l:
michelle190877@gmail.com
4
Universidade Federal
de Ouro Preto (UFOP), Mariana
–
MG
–
Brasil. Me
stre
pelo
Programa de Pós
-
Graduação
em Educação.
Membro
da
Rede de E
studos sobre
Im
plementaç
ão
de Políti
c
a
s
Públicas Educaciona
i
s
(REIPPE).
ORCID: http
s://orcid.org/0000
-
0002
-
5742
-
4264. E
-
mail: g
ustavofichterf@gmail.com
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B
reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
usta
vo A
dolf F
ICHTER FILHO
RIAEE
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evista Ibero
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A
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E
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ucação
, Araraquara
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cinco contextos entrelazados: (1) contexto de l
a coyuntura; (2
)
contexto del contenido de la
política; (3) contexto institucional; (4) contexto de la experiencia; y (5) co
ntexto territorial.
Los contextos permiten comprender las trayectorias a través de una cadena transversal,
fluida y dinámica de proc
esos de toma de
d
ecisiones, que moviliza diferentes actores,
procesos, saberes y prácticas. Nuestros resultados sugieren un
modelo que considera las
tensiones, contradicciones, desafíos e inflexiones vinculadas a la vida de las políticas, de
modo que los a
nálisis sean má
s
densos y contextualizados.
PALABRAS CLAVE
:
Contextos. Trayectorias. Implementación. P
o
l
í
ticas públi
cas. Políticas
educativas.
ABSTRAC
T:
The article presents an analysis model of contexts to understand the
trajectory
of im
plementation of public policie
s,
providing theoretical and methodological contributions
to the education field. It starts with the need to overcome traditional perspectives that reduce
policies to oversimplified systems, such as the classi
c cycle. It consi
ders the political
dimensions
of
implementation, presenting the concept of trajectory and proposing five related
contexts: (1) contexts of the conjunctures; (2) contexts of policy contents; (3) institutional
contexts; (4) contexts of exper
iences; and (5) t
erritory contexts. The context
s
allow to
understand the trajectories through a transversal, fluid, and dynamic chain of decision
-
making processes, which triggers and mobilizes different actors, processes, knowledge, and
practices, crossing
them. Our result
s suggest a model that conside
rs
the tensions,
contradictions, challenges, and inflections linked to the life of policies, so that the analyzes
are more dense and contextualized.
KEYWORDS
: Contexts
. Trajectories. Implementatio
n. Public poli
cy. Educational policies.
Int
r
odução
O ob
je
tivo deste artigo
é
propo
r
um modelo de análise de contextos para se
compreender as trajetórias de implementação de políticas públicas
,
aprofundando
e
articulando
a
po
rtes teóricos e metodológicos
que dialoguem
com o campo das políticas
e
pro
g
ramas educac
io
nais.
Diversos autores utilizam as mais variadas definições para políticas
públicas.
Souza
(
2006
,
p. 24
)
cita algumas delas, a partir de um referencial calcado no Est
ado:
“conjunto de ações do go
verno que irão
produzir efeitos específic
o
s”
,
d
e
Lynn
5
(
198
0
apud
SOUZA
,
2006
,
p. 24)
;
“o que o governo escolhe ou não fazer”,
de
Dye
(
1984
); ou a definição
de
Laswell
6
(
1958
apud
SOUZA
,
2006
p. 24
), que determina que o estud
o de políticas
públicas busca responder
“qu
em ganha o quê, por quê e q
u
e diferença fa
z
”
.
N
a
mesma
5
LYNN, L. E.
Designing Public P
olicy
: A
Casebook
on the Role
of Policy Analysis. Santa Moni
ca
:
G
oodyear
,
1980.
6
LA
S
WE
LL, H.
D.
P
olitics
: W
h
o
Gets What, Wh
en, How
.
Cleveland, Meridian Books. 1936/1958.
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rias para a análise de Políti
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teóricos para o campo da educaç
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direção, Hofling (2001
, p.
31
) retoma uma definição clássica ao afirmar que as políticas são o
“Estado em ação”.
Aut
ores vinculados à perspectiva da a
ção pública, por sua vez, compreendem
as
políticas p
úblicas a partir d
e
outras
p
ossibi
l
idades ana
lí
ti
cas, onde o Estado não é o ator
central ou o mais relevante, uma vez que as políticas não necessariamente nascem na/da aç
ão
estatal, mas por meio da atuaçã
o dos diversos atores que ocupam a ar
ena pública.
Ha
lpern
,
Lascoumes
e
Le Galé
s
(
2021
)
as analisa
m
at
ravés dos instrumentos, ou dispositivos que
compõem as relações sociais, com ênfase nas interações, nos conflitos e nas d
isputas que a
arena pública revela
.
Benamouzig
e
Borraz
(
2021
), por sua
vez, o fazem a
través da
compreen
s
ão das
es
tratég
i
as adotada
s
pe
las organizações que atuam na esfera pública e como
são capazes de mobilizar agendas e interesses.
Tais concepções indica
m que a análise das políticas públ
icas engloba diversos
aspectos associ
ados: os atores
envolvidos, suas
c
onexões
e
inter
e
sses; o pr
oc
es
so de
formulação e execução; a definição das agendas; as dinâmicas de implementação; os objetivos
propostos e os resultad
os conquistados. Dessa forma, conf
orma
-
se um campo
multidisciplinar, en
volvendo a soci
ologia, a ciência
p
olítica
,
a admi
n
istração p
úb
li
ca, a
economia, além dos campos específicos, tais como educação, saúde e segurança.
Oliveira
(
2019
) afirma que ainda há o
predomínio de uma concepção insti
tucionalista
centrada na hierarquia e
nos objetivos
“oficiais” das pol
í
ticas,
qu
e supe
r
valoriza a
e
ta
pa de
formulação das políticas e assume, linearmente, que tais objetivos serão alcançados se os
insumos requeridos forem
disponibilizados. Essa perspectiva
idealiza as interações entre os
ator
es implementado
res a partir de um
a
perspe
ct
iva we
b
eriana
—
q
ue
c
ompreende uma
atuação objetiva e não política dos burocratas
—
e acredita na previsibilidade dos processos,
assegurando q
ue a implementação entregará os re
sultados esperados.
É nesse contexto
que a noção de
trajetória emerge
,
como p
er
specti
v
a analític
a
im
portante para a análise da formulação, da implementação e da avaliação das políticas,
contrapondo
-
se, portanto, a ideia l
inear do ciclo clássico de polític
as, muito difundido na
literatura
7
. A
partir da form
ulação de
Gussi
e
O
liveira
(
2016
)
e
Oliveira
(
2
01
9
), partimos do
princípio de que analisar uma política pública implica compreender o seu itinerário, ou seja,
analisar seus efeitos, seus resultados, seus
impactos e as questões associadas
ao
desenho e sua
i
mplementação, tran
s
versalm
en
te. To
r
nam
-
se nec
es
sá
rias, portanto, perspectivas que
consideram a complexidade das trajetórias das políticas públicas.
7
Conforme
Souza
(
2006
),
o ciclo das políticas públicas pode s
er descrito em quatro etapas ou momentos: (1)
Construção de agenda; (2) Formulação
da
política;
(3) Impleme
nt
ação; e (4
)
Avaliação
.
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reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
usta
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, Araraquara
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Ancorados em
Oliveira
(
2019
) e
Oliveira
e
Peixoto
(
2021
)
, compreendemos que o
processo de imp
lementação reve
la a dimensão polí
t
ica que
p
ermeia
toda a tra
je
tó
ria de uma
política pública, marcada por considerável complexidade e dinamicidade. Essa perspectiva
reconhece a
capacidade decisória dos atores que atuam a
o longo da cadeia de implementação,
m
arcada por inte
rações, interpreta
ç
ões, de
ci
sões e
tensões qu
e
ab
rem margem para inúmeras
possibilidades de implementação das políticas
–
um processo imprevisível, especialmente
quando os territórios, onde as políticas a
contecem, são levados em consideração
.
Também nessa
direção,
Lejano
(
2
012
) pr
op
õe aná
l
ises conte
xt
ua
lizadas e complexas
das políticas públicas. O autor afirma que os diferentes modelos hegemônicos desenvolvidos
a
o longo do tempo procuraram, de modo geral,
reduzir as políticas
a
sistemas de a
nálise
excessiv
amente simplificad
o
s. Esse
s
modelo
s
, assim co
mo
o
ciclo clássico das políticas
públicas, partem de uma lógica linear, centrados na mensuração do objeto de estudo
,
impedindo a compreensão da política na fo
rma como ela realmente ocorre e é viv
ida,
experienci
ada por uma multip
l
icidade
d
e ator
e
s.
Rodrigu
es
(
2008
,
2016
) apresenta uma proposta de avaliação de políticas que também
leva em consideração os contextos, sejam
eles sociais, econômicos, políticos e cult
urais, seja
pela análise instituciona
l, das relações
de poder, dos int
e
resses
e
valore
s
que perme
ia
m
os
processos de formulação e implementação das políticas.
Ainda que a discussão proposta pela
autora esteja ins
erida no campo da avaliação de políticas, su
as considerações são relevantes
para
analisar os con
textos relacionado
s
aos pr
oc
essos
de formulaç
ão
e
de implementação.
No campo da educação, destacam
-
se as contribuições de Stephen Ball e outros autores
dedicado
s a analisar as conexões entre os contextos
a partir de outra leitura do ciclo d
e
políticas (
BAL
L
;
BOWE
;
GOLD
,
199
2
;
BALL
,
1
994
;
B
ALL
;
MAGUIR
E
;
B
RAUN
,
2016
).
Ao fazerem uma crítica ao ciclo clássico aplicado ao campo da educação, os autores fornecem
um con
junto de referenciais teóricos e metodológic
os que permitem ao analista
,
investi
gar
programas e
políticas educacio
n
ais des
de
sua
f
ormulação i
ni
ci
al até sua avaliação, passando
pela etapa da implementação, onde, segundo esses autores, a política é atuada.
Neste artigo, partimos, portanto, de alguns
pressupostos: o primeiro está relaci
onado
ao fato de
que as análises n
ã
o devem
i
gnora
r
a articula
çã
o
entre a formulação e a
implementação, sob o risco de negligenciar dimensões importantes do universo da política
. É
importante que os analistas descrevam, d
e maneira contextualizada, os percur
sos complexos
da
s políticas públic
a
s. Torn
a
-
se ne
c
essário, po
rt
an
to, compreender os movimentos produzidos
pelas políticas, as formas como elas são interpretadas e contextualiza
das, as interações entre
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rias para a análise de Políti
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os atores e institu
ições, dentre outras dimensões que p
odem ser desvela
das ao longo de su
a
trajet
ór
ia, a
n
tes do mome
nt
o
da formulação.
Além disso, considera
-
se que os textos que descrevem e regulam as políticas não são
colocados em
prática linear e objetivamente, pois seus c
ontextos são diversos e produzem
alt
erações nas polí
ticas. Até que as
p
olítica
s
sejam
de fato imp
le
me
ntadas e materializadas em
serviços públicos nos territórios e na vida cotidiana, há uma longa cadeia de proces
sos de
tomada de decisão, que se estende por
diferentes níveis e que podem modif
icar suas intenç
ões
e resultados.
L
ogo, os
t
extos
não são doc
um
en
tos estáticos e os contextos, consequentemente,
são decisivos para se compreender essas dinâmicas.
Por fim, os
movimentos das políticas devem ser consider
ados desde sua formulação,
perpassan
do a implementaç
ão e a avaliação.
A
inda, é
i
mport
a
nte conside
rá
-
l
as não como um
fluxo ordenado e contínuo de fases, mas como momentos que se entrelaçam e são mediados
por conte
xtos específicos, também intercruzados.
Ass
im, a partir das contribuições desse
conjunto de aut
ores, esse artigo
a
present
a
uma
m
o
delo que ar
ti
cu
la tais referenciais e avança nessa discussão, de modo a fornecer novos
aportes teóricos que orientam a análise
das políticas com base em seus contextos e
suas
trajetórias de implementação, i
ncluindo as polí
ticas e os program
a
s educa
ci
onais
.
Para tal,
ap
re
sentamos
cinco contextos de análise, que devem ser compreendidos de modo entrelaçado:
(1) contexto das conjuntu
ras; (2) contexto dos conteúdos da política;
(3) contextos
institucionais; (4) c
ontexto das expe
riências; e (5) co
n
texto d
os
terr
i
tórios.
Al
ém
d
a introdução e das considerações finais, o artigo está organizado em três
seções. Na primeira, partimos das dis
cussões clássicas sobre o ciclo das política
s públicas e
suas conexões com a imp
lementação. Na s
egunda, tencionamo
s
essas
co
nexõe
s
, alargando
o
e
spectro de análise a partir das contribuições dos autores referenciados nesta introdução. A
terceira seção
,
apr
esenta o referencial proposto, fundamentando
os cinco contextos de análise
.
O
processo de imp
lementação e o cic
l
o cláss
ic
o das
políticas p
úb
li
cas
Conforme
Souza
(
2006
), há na literatura vários modelos para analisar as políticas
públicas. Um desses modelos é o ciclo clássico, que parte da ideia d
e que a política percorre
fases line
ares, interligad
as e interdependen
t
es: def
in
ição
d
e agenda; e
la
bo
ração
ou formulação
das políticas e programas; implementação; e avaliação. Segundo
Oliveira
(
2019
), a definição
de agenda compreende o momento em que os te
mas ou questões se tornam relevantes
e são
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B
reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
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vo A
dolf F
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, Araraquara
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2100
abordados
pelos governos e
p
elo Est
ad
o. Ca
b
eria ao ana
li
st
a, po
rtanto, compreender os
motivos pelos quais tais questões tornaram
-
se relevantes para a agenda.
Para
Lotta
(
2019
), a formulação das políticas compreen
de as definições, elaborações e
pla
nejamentos a resp
eito dos formatos
e
objeti
vo
s a
s
erem adotado
s
na
s políticas. O papel dos
atores e das coalizões no processo seriam os pontos de análise.
De acordo c
om
Oliveira
(
2019
), a implementação diz respeito às fo
rmas com que as
políticas são execu
tadas.
Oliveira
e
Peixoto
(
2019
) es
c
larecem
q
ue a
implementaçã
o
de
ve ser
compreendida como um processo dinâmico, em que há interações entre os agentes
implementadores
–
os burocratas, nos diversos níveis em que atuam
–
co
m os destinatários
das políticas. N
essas interações
acontecem conflito
s
, tensõ
es
, di
s
putas e nego
ci
aç
ões entre os
atores envolvidos nesse processo.
Por fim, a avaliação, de acordo com
Lotta
(
2019
), con
stitui a mensuração dos
resultados das políticas. Na v
isão de
Rosa
,
Lima
e
Aguiar
(
2021
),
a avaliação é um
a fase de
question
a
mentos
so
bre
o
s processos
da
s
políticas: os objetivos foram cumpridos? Os grupos
beneficiários foram atingidos? A mudança social al
mejada foi alcançada? Por isso, é uma
etapa de produçã
o de informação sobre a política, q
ue pode retroalim
entar todo o ciclo
.
A fas
e
da i
m
plementação,
e
sp
ecificamente, pode ser considerada como uma das mais
importantes pois, segundo
Lotta
(
2019
), correspo
nde ao momento em que os planos
formulados são colocad
os em prática pela ação de diferent
es atores. Nessa
mesma linha de
rac
i
ocínio,
L
ouza
n
o
,
Freitas
,
Sa
nt
os
,
Ribeiro
e
Gusmão
(
2018
) afirmam que, em relação a
essa etapa, os analistas buscam compreender o q
ue acontece com as ideias e os objetivos que
serão con
cretizados.
Lotta
(
2019
) afirma que
os estudos sobre
implementação sur
g
iram ap
ós
gra
n
de
desenvolv
im
en
to do campo de estudos da avaliação das políticas públicas. Os conhecimentos
deste campo
,
permitiram
o reconhecimento das diferenças entre os resultados da
s políticas e
seus objetivos inicia
is. Com isso, os
questionamentos a
r
espeito
d
os m
o
tivos dessas
d
if
erenças
promoveram os estudos sobre os processos que colocavam as políticas em prática.
São recorrent
es, na literatura, sínteses que apresentam o desenvolv
imento desse campo
com base em dife
rentes gerações d
e estudos, tais co
m
o em
Ma
tl
and
(
1995
),
Lotta
(
20
19
) e
Bichir
(
2020
). Dentre as gerações de estudos de implementação, destaca
-
se a dicotomia
presente
nas duas primeiras:
top down
e
bottom
-
up
. A primeira g
eração de estudos,
denominada
top d
own
, nos anos de
1970, assumia que
a
s polít
ic
as p
ú
blicas, ao s
er
em
colocadas em prática, de cima para baixo, gerariam os resultados previamente planejados.
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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
ão
RIAEE
–
Revista Ibero
-
A
mericana de
Estudos e
m
E
ducação
,
Araraquara
,
v.
17
, n.
e
s
p. 3
,
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20
95
-
2117
,
n
ov
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2022
e
-
ISSN
:
1982
-
5587
DOI:
https://d
oi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16722
2101
Com uma for
te preocupação normativa e, compreendendo que o proces
so decisório deveria se
dar, exclus
ivamente, por rep
resentantes eleito
s
, tal g
er
ação
assumia que
ca
be
ria aos
burocratas a simples execução das políticas. De acordo com
Lotta
(
2019
), para esses estudos,
se os atores burocráticos não eleitos tomassem decisõe
s durante a implementação, que
alte
rassem objetivos
ou tarefas previam
e
nte des
en
hada
s
, isso const
it
ui
ria uma subversão ou
perversão. Dessa forma, esses estudos procuravam encontrar os erros no processo
de
implementação para corrigi
-
los.
Bichir
(
2020
) afirm
a que as principais críticas a esse
s estudos estavam
relacionadas ao
f
a
to de i
gn
orar
e
m os conflit
os
,
a complexidade e a ambiguidade que podem estar presentes na
implementação.
Matland
(
1995
), por sua ve
z, destaca que a centralidade dada pela visão
top
-
down
aos formuladores das políticas e a
uma suposta impl
ementação estritam
e
nte ope
ra
cion
a
l
foram foco
d
as
críticas. Em síntese, tais críticas se pautaram na invisibilização da capacidade
decisória dos buroc
ratas na dimensão política presente tanto na formulaçã
o quanto na
implementação.
Em cont
raponto com a pri
meira, a segunda g
e
ração d
e
estu
d
os, surgida
no
s
anos 1970
e 1980, é denominada de
bottom
-
up
(de baixo para cima). Segundo
Bichir
(
2020
), esses
estudo
s tinham como foco
,
os processos locais de implementaç
ão, no contexto da entrega da
polít
ica. Por isso, a
análise feita por
e
ssa abo
rd
agem
olhava a imp
le
me
ntação de baixo para
cima, tendo como principal referência o que acontece de fato no momento da imple
mentação.
É nessa geração que se desenvolveram os estu
dos sobre as burocracias de nível d
e rua,
conceito f
ormulado por
Lipsk
y
(
1980
)
.
Segu
n
do esse auto
r,
t
ais burocratas vivenciam o
cotidiano com a população usuária, as dificuldades do processo de trabalho local, al
ém de
realizar a mediação entre os cidadãos
e o Estado possibilitando ampliar a
dimensão de
cida
dania e o papel cr
í
tico pa
ra
com
os sujeitos
us
uá
rios.
Oliveira
(
2019
) aponta a relevância dos estudos de
Lipsky
(
1980
) e de
diversos
pesquisadores que avançar
am nessa direção para a análise de implementa
ção nos contextos
locais, uma vez
que, a partir dess
es estudos, as pes
q
uisas p
as
sar
a
m a enfocar,
no
n
ível micro,
como as decisões são tomadas; as práticas adotadas; o processamento das regras e das
normas; as in
terações com os cidadãos; as atitudes dos age
ntes de base, seus padrões de
comp
ortamento e sobre
como interpretam e
traduze
m
as
p
olíticas em f
un
çã
o da rotina, das
normas e do trabalho cotidiano que desempenham.
É possível identificar nas duas primeiras g
erações uma dicotomia entre os focos de
anális
e. Se, por um lado, os estudos
to
p down
focalizavam
a legitimidade das
decisõe
s
do
s
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B
reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
usta
vo A
dolf F
ICHTER FILHO
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mericana d
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Estudos e
m
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, Araraquara
,
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, n.
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p. 3
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2117
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DOI:
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2102
formuladores;
p
or
outro, as abordagens
bottom
-
up
priorizavam o que acontecia nas bases.
Ainda que outras perspectivas analític
as tenham se desenvolvido posteriormente visan
do
à
superação dessa dualidade, t
al dicotomia perman
eceu presente nas
a
nálises
.
A
partir da déca
da
d
e 1990, diversos autores propuseram
-
se a buscar a superação dessa
dualidade, elaborando outros modelos analít
icos e teóricos. Como exemplos, pode
-
se citar
os
modelos desenvolvidos por
Matl
and
(
1995
) e
Sabati
er
(
2007
).
Mat
land
(
1995
)
p
r
opôs a
análise da
i
mp
lementação a partir da relação entre as dimensões ambiguidade e conflito,
considerando esses elementos co
mo determinantes no desenvolvimento de seus proces
sos.
Segundo
Lotta
,
Bauer
,
Jo
bim
e
Merchán
(
2021
), a
ambiguidade r
efer
e
-
se ao
e
s
paço dado pela
po
lí
ti
ca para interpretação e adaptação tanto com relação aos meios como aos fins. O conflito
está relacionado
à interdependência
entre os atores e à (in)compati
bilidade de objetivos.
Sabati
er
(
2007
), por sua vez,
pretende comp
reen
d
er os p
r
o
cessos decisórios
a
p
artir e
dentro de coalizões, composta por atores que compartilham crenças sobre as políticas dentro
de um
subsistema de políticas. Assim, as mudanças decor
rem da competição e do aprend
izado
dentro dos subsis
temas.
Lotta
(
2019
)
afirma
q
ue, tanto o model
o
de
Matland
(
1995
) quanto o
modelo de
Sabatier
(
2007
), analisam os processos decisórios inseridos nas políti
cas públicas,
sendo uma tentativa de sair da contr
aposição entre formulação e i
mplementação.
Particula
rmente, para
S
abat
i
er
(
200
7
)
, a necessidade d
e
si
mplificar e organizar a
complexidade dos processos se confronta com o desafio de não silenciar e secundar
izar
dimensões também relevantes.
Esse desafio é
expresso nas diferentes corre
ntes teóricas dos estud
os de
implemen
taçã
o
que, a
o
focalizar determi
na
do
s aspectos dos processos, acabam por
invisibilizar outros. As discussões de
Matland
(
1995
),
Sabatier
(
200
7
),
Lotta
(
2019
) e
Oliveira
(
2019
) demonstram, por
tanto, uma necessidade da sup
eração dessas nuances,
bem como da
bu
sca
p
or novo
s
modelos analítico
s.
As discussões empreendidas a respeito das análises de políticas públicas, com enfoque
nos processos de im
plementação, trazem desafios para o campo em quest
ão e informam que
tais geraçõ
es não são mutuamente e
xcludentes, um
a ve
z
que am
b
a
s fornecem evidên
ci
as
importantes sobre a vida das políticas. Assumindo que o ciclo, ao isolar as fases de
formulação, impleme
ntação e avaliação, reforça uma visão ingênua, irr
ealista e determinista
acerca
das políticas, relegan
do
-
as a decisõ
es g
e
renciai
s
e administrativas
,
co
mo convergir e
alargar os enfoques de modo que as políticas sejam percebidas de maneira orgânica,
sistêmi
ca, transversal e integrada? Esse é o objeto da pr
óxima seção.
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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
ão
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Revista Ibero
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mericana de
Estudos e
m
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ducação
,
Araraquara
,
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2103
Outros enfoque
s para a análise da impl
ementação de
pol
í
ticas p
ú
b
licas
Gussi
e
Oliv
ei
ra
(
2016
) enfatizam que a política pública possui trajetórias e, portanto,
não tem apenas um único sentido, pois pode ser ressignificada de acordo com seus
desdobramentos nas instituiçõ
es ou nos territórios on
de aterrissa
m. N
e
ssa dir
e
ç
ão,
Oli
veira
(
2019
)
a
fi
rma que as políticas são um processo de sucessivos sentidos a elas atribuídos; são
uma sucessão de avanços e rupturas que dão movimento ao seu processo.
Nesse sentido, o conceito de t
rajetória, transposto po
r
Oliveira
(
2019
)
e
Oliv
e
i
ra
e
Gussi
(
20
16
) p
ar
a
o campo das políticas educacionais, fornece uma perspectiva analítica
importante para a análise dos diferentes processos, movimentos e sentidos que as co
mpõem,
contrapondo
-
se à perspe
ctiva linear do ciclo de
políticas.
Esta
b
elece
-
s
e
,
portanto, a
necess
id
ad
e de se compreender tais movimentos, ou itinerários das políticas públicas,
considerando as diferentes e complexas dimensões que os constituem, circunscr
evendo seus
efeitos, seus resu
ltados, seus impactos e
dimensões as
soci
a
das ao
d
e
senho e a sua
imple
me
nt
ação.
Lejano
(
2012
) afirma que os diferentes modelos hegemônicos desenvolvidos ao longo
do tempo (dos clássicos aos pós
-
positivistas) procuraram reduzir
as políticas a sistemas de
an
álise fechados e simplif
icados. O ri
sco
d
o prees
t
a
belecimento de mode
lo
s
de análises
fechados, segundo o autor, consiste na incapacidade do desvelamento de novas dimensões e
elementos dos processos das políticas. Dessa forma,
as análises baseadas em tais m
odelos,
correm o risco d
e simplesmen
te c
o
nfirmar
d
imensões simplifica
da
s
e definidas previamente.
O problema, segundo
Lejano
(
2012
), é o perigo de as análises se distanciarem do real,
escondendo dimensões densas e complexas qu
e permeiam os contextos nos qu
ais as políticas
se dese
nvolvem
—
o
que
o
autor
c
h
ama, metaforicament
e,
d
e “mitificação das políticas”.
Tal distanciamento do real, ou “mitificação”, surge já nos processos de formulação das
políticas, uma vez que, via de reg
ra, os formuladores encontram
-
se distanciados das
popu
lações por e
las
a
fetadas
.
Dessa forma, tal pr
ob
le
mática encontra
-
se até mesmo antes das
lacunas presentes nos diferentes modelos de análise, constituindo o que
Lejano
(
2012
) chama
de distância entre pro
jeto e ação política. Em outra
s palavras, ao mitificar
ou simplifi
car
e
xcessiv
a
m
ente, corre
-
se o ri
sc
o
de propor, formular e/ou analisar políticas ignorando a
complexidade do mundo real, impedindo a compreensão da política na forma como ela
realmente ocorr
e e é vivida, experienciada po
r uma multiplicidade de
atores.
Send
o as
s
im, par
a
o autor, uma vez qu
e
as
políticas são colocadas em prática nos mais
diversos contextos e, consequentemente, produzem distintos resultados, torna
-
se necessária a
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B
reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
usta
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-
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Estudos e
m
E
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ucação
, Araraquara
,
v.
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,
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-
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ov. 2022
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ISSN: 1982
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DOI:
https://d
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2104
compreensão des
ses contextos. Por consequênci
a,
Lejano
(
2012
)
,
afirma
a necessida
de d
e
supera
ç
ã
o da lacuna entre o
t
ex
to e o contexto presente nas análises políticas. A partir dessas
constatações, o autor propõe um modelo de análise pautado na contextualidade, na
experiê
ncia e na complexidade. Assim,
a proposta de análise d
esenvolvida
pelo
autor e
s
t
á
fundamentada no p
ar
ad
igma hermenêutico, com foco na interpretação. Ao buscar
compreender os significados de uma política para aqueles que a vivenciam, o autor, então,
propõe
duas dimensões de análise: (1)
experiência e (2) coerê
ncia ou enca
ixe
i
nstituc
i
o
nal.
Sobre a primei
ra
d
imensão, o autor afirma que os contextos em que as políticas são
colocadas em prática só podem ser compreendidos por quem os tenha experimentado. As
expe
riências, segundo
Lejano
(
2012
), são os conhecimentos
daqueles que
est
ã
o inser
i
d
os nos
cenários e c
on
ju
nturas que conformam as políticas. Considerando a experiência dos
envolvidos nas políticas, seus saberes, sentimentos (elementos multidimensionais e
subj
etivos), os pesquisadores pode
m elevar suas análises a
níveis mais
com
p
lexos,
a
s
sim
como são as exp
er
iê
ncias. Objetivando descrições densas e que respeitem a complexidade das
políticas, o autor propõe análises através de métodos que favoreçam os atores que
as
vivenciam a elencar difere
ntes dimensões de suas e
xperiências.
A
s
egunda
di
mensão proposta por
L
ej
ano
(
2012
), descreve como uma política é
incorporada em um determinado contexto. O autor parte do princípio de que “uma nova
política não apenas aterris
s
a em uma situação; em vez dis
so, a política deve achar
conexões
co
m os
padrõe
s
e
xistentes de govern
an
ça
, estruturas sociais e a própria comunidade”
(
LEJANO
,
2012
, p. 227). Ao considerar que os contextos institucionais e organizacionais
afetam as políticas
e que, por isso, são por eles
contingenciadas,
Lejano
(
2012
), afir
ma q
u
e as
p
o
lí
ticas não são simpl
es
me
nte colocadas em prática de maneira objetiva e linear.
Para o autor, as instituições reais não são apenas regras e estruturas organizacionais;
são aren
a
s entrelaçadas com sua cultur
a, com histórias, persona
lidades e ou
tras
contin
g
ên
cias
de contexto. Q
ua
nd
o as políticas entram em contato com as instituições e com os sujeitos que
nelas coexistem, a elas são atribuídas conexões com as realidades e culturas
e
xistentes nesses
espaços. Log
o, uma política precisa s
e encaixar c
om o
s
conte
x
to
s pelos quais naveg
a.
Assim, a noção de coerência assume que políticas, textos e instituições se adequam
aos contextos e o engajamento do texto com o real induz mudanças reai
s
na maneira pela qual
a polít
ica é posta em ação. Dess
a forma, uma
vez
que a
d
iv
ersidade é esperada
n
a
forma em
que as políticas se manifestam em diferentes instituições, o trabalho de análise deve buscar
compreender tais contextos. Dessa forma,
Lejano
(
2
0
12
), propõe análises que, atr
avés da
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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
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Revista Ibero
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mericana de
Estudos e
m
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ducação
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,
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ov
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2022
e
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ISSN
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1982
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2105
experiência dos a
tores que vi
vem
a
s polí
t
ic
as, busquem compree
nd
er
como as políticas se
desenvolvem frente aos contextos complexos pelos quais elas navegam.
A avaliação em profundidade, proposta por
Rodrigues
(
2008
,
20
1
6
), é pautada
também no parad
igma hermenêutico (aborda
gem interpre
tati
v
a) que
fu
ndamenta a proposta
d
e
Lejano
(
2012
). Segundo a autora, não é possível alcançar um resultado exato acerca de
uma política uma vez que a ela podem ser atribuídos diferentes sig
n
ificados por aqueles que
as e
xperimentam. A autora pro
põe, então,
quat
r
o eixo
s
d
e análise de políti
ca
s:
(1) conteúdo do
programa/política; (2) contexto da formulação da política; (3) trajetórias institucionais de um
programa/política; e (4) espectro tempo
r
al e territorial, detalhados
no quadro 1:
Quadro 1
–
Eixos de aná
lise
da ava
l
ia
ção em profundidade
Ei
xos de análise
Características
Conteúdo do
programa/política
Análise dos objetivos, critérios, dinâmica de implantação, acompanhamento e
avaliação. Anal
isa também as bases conceituai
s (paradigmas orientador
es e as
conc
epçõ
e
s e val
o
r
es que os informam)
,
be
m como os conceitos e noções centrais que
sustentam a política
/programa.
Contexto da
formulação da
política
Análise do momento político e condições soci
oeconômicas em que o
programa/
política foi formulado e
encerrado,
bem
c
omo apr
e
e
nsão do modelo polí
ti
co
,
econômico e social que sustentou a política à época de sua f
ormulação.
Trajetórias
institucionais de um
programa/política
Análise do grau de coerência
/dispersão do programa/polític
a ao longo do seu trânsi
to
pelas via
s in
s
titucio
n
a
is, nos distintos n
ív
ei
s e camadas organizacionais e hierárquicos.
Segundo Rodrigues
(2008), quando uma/um política/programa é formulada na esfera
federal, para ser avaliada/o,
é importante a reconstituição
de sua trajetória, ou s
eja, as
muda
nças
nos sen
t
i
dos dados aos objet
iv
os
do programa e à sua dinâmica, conforme
transita por espaços d
iferenciados e, ao mesmo tempo, desce nas hierarquias
institucionais até chegar à base.
E
spectro temporal e
territorial
Apreensão da configuraç
ão temporal
e te
r
ritoria
l
do percurso do/a pr
og
ra
ma/política
de forma a confrontar as/os propostas/objetivos gerais da política com as
especificidades locais e sua historicidade.
Fonte: Rodrigues (2008
,
2016)
No campo educaciona
l, destaca
-
se a Abordagem
do Ciclo de
Polí
t
icas
f
o
rm
ulada por
Stephen B
al
l
e outros autores (
BALL
;
BOWE
;
GOLD
,
1992
;
BALL
,
1994
). Esses autores
rejeitam os modelos que separam as fases de formulação e de implementação e propõem
cinco con
textos de análise:
(1) contexto de influência
; (2) contex
to d
a
prod
u
ç
ão
de texto; (3)
cont
ex
to
da prática; (4) contexto dos resultados ou efeitos e (5) contexto da estratégia política.
Esses contextos estão inter
-
relacionados e não há uma dimensão
sequenci
al ou linear entre
eles, uma vez que cada um
deles aprese
nta
a
renas
,
lu
gares e grupos de i
nt
er
esse, havendo
também disputas e embates (
BALL
;
BOWE
;
GOLD
,
1992
apud
MAINARDES
,
2006
).
O contexto de influência é onde normalmente as políticas educaci
onais são
iniciadas e
os disc
ursos políticos são const
ruídos com a
pre
s
ença d
e
g
rupos de interesses
,
r
ed
es de
relação estabelecidas dentro e em torno de partidos políticos, do governo e do processo
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B
reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
usta
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ICHTER FILHO
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e
Estudos e
m
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ucação
, Araraquara
,
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p. 3
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2106
legislativo. O contexto da produção de texto está relacion
ado ao tex
to da política
prop
riamente dito, que precis
a ser lido em
re
l
ação a
o
t
empo e ao local esp
ec
í
fi
co de sua
produção. Em relação ao contexto da prática, é onde a política está sujeita à interpretação e
recriação, produzindo efeitos e consequências qu
e podem re
presentar mudanças
e
transformações signific
ativas na pol
íti
c
a orig
i
na
l. Segundo
Oliveira
(
2
01
9
), os
sujeitos que
atuam no nível local, no contexto da prática, não são simplesmente executores das políticas;
assumem um papel ativo pelo fato de alt
erarem, ad
aptarem, interpreta
rem e traduzirem a
políti
ca a partir d
as
s
uas cr
e
nç
as, valores, percep
çõ
e
s,
atitudes que, de uma certa forma,
refletem nas decisões a serem tomadas por esses sujeitos.
O contexto dos resultados ou efeitos trata dos efeitos da p
olítica em
relação às
questõe
s de justiça, igualdade,
liberdade ind
ivi
d
ual e
e
fe
tivação de direitos
.
N
es
se contexto,
“as políticas deveriam ser analisadas em termos do seu impacto e das interações com
desigualdades existentes” (
BALL
;
BOWE
;
GOLD
,
1992
apud
MAINARDES
,
2006
, p. 54).
Por
fim, o contexto da estra
tégia política
d
i
z respe
i
t
o à identificação e
a
ná
li
se de um conjunto
de atividades sociais e políticas que seriam necessárias para lidar de uma maneira mais eficaz
com as desigualdades sociais criadas o
u reproduzi
das pela/o política
/programa educacional
in
vestigado.
Av
an
ç
ando ne
s
s
a perspectiva,
Ball
,
Ma
gu
ire
e
Braun
(
2016
) formularam a teoria da
atuação
afirmando que as políticas educacionais não são meramente implementadas, mas
sujeitas a processos de
recontextualização e recriação
, no contexto da prática
. A teoria da
at
u
ação es
t
á
voltada para a com
pr
ee
ns
ão de como contextos complexos e com uma
diversida
de de atores interagem, criativamente, em processos de interpretação, tradução e
contextualização de
políticas educacionais. Segund
o eles, os contextos atu
am de maneira
at
i
va
nos
r
e
sultados das políti
ca
s
e,
portanto, mesmo contextos semelhantes afetam de m
aneira
diferente a materialização das políticas de acordo com suas peculiaridades. Uma das maneiras
c
om que os contextos atuam ativ
amente na materialização
das políticas
d
i
z respe
i
t
o à forma
com que e
la
s
sã
o interpretadas e traduzidas em âmbito local, ou s
eja, nas escolas.
Para
Ball
,
Maguire
e
Braun
(
2016
), a interpretação é um processo político que envo
lve
a leitura inicial e a atri
buição de sentidos à pol
ítica. Essas i
nt
e
rpretaç
õ
e
s são desenvolvidas
c
om
b
ase na forma com que as políticas se encaixam na r
ealidade da instituição escolar.
Interpretações, dessa forma, dialogam com os contextos e possibilida
des da instituição, e
culminam
na criação de uma narra
tiva instituci
on
a
l frent
e
às políticas. A tra
du
çã
o,
segundo os
autores, é um processo mais prático, m
arcado pela elaboração de textos, materiais e espaços
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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
ão
RIAEE
–
Revista Ibero
-
A
mericana de
Estudos e
m
E
ducação
,
Araraquara
,
v.
17
, n.
e
s
p. 3
,
p.
20
95
-
2117
,
n
ov
.
2022
e
-
ISSN
:
1982
-
5587
DOI:
https://d
oi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16722
2107
institucionais que vão colocar a política em pr
ática. Ambos os processos são
intimamente
relacionados
e envolvem co
ns
i
derávei
s
doses de criativida
de
e
s
ubjetividade.
Os autores, ao discutirem como os co
ntextos, muito específicos em cada instituição
escolar, agem de maneira ativa e relevante na forma co
mo as políticas são atuadas,
p
ropuseram quatro dimensõ
es contextuais
:
(
1) cont
e
x
tos situados; (2) c
ul
tu
ra
s profissionais;
(3) contextos materiais; e (4) co
ntextos externos, detalhadas no quadro 2:
Quadro 2
–
Dimensões contextuais da teoria da atuação
Dim
ensões contextuais
Característi
cas
Contextos situados
Dimensões his
tó
r
icas e
l
o
cais da escola: asp
ec
to
s
de seu bairro, características
de seu público e procura por matrículas. Esses fatores influenciam, por
exemplo, as demandas dos alunos e sua relação co
m professores.
Culturas profis
sionais
Valores e exper
i
ências dos pr
of
e
ssores.
S
ua formação, tempo
de
a
tu
ação,
relações departamentais e de colaboração afetam a forma como as políticas
educacionais são lidas e interpretadas.
Contextos materiais
Orçamentos
, infraestrutura e funcionários
.
Contextos externos
D
imensões exter
na
s
à inst
i
t
uição escolar, como
p
re
ss
ões e expectativas,
posições nas tabelas classificativas e requisitos legais, ou conjunturas políticas.
Fonte:
Ball
,
Maguire
e
Braun
(
2016
)
De acordo
com
Ball
,
Maguire
e
Braun
(
20
16
), essas dimensões con
textuais serv
em
c
omo um
d
i
spositivo analítico
a
s
er
considerado em pesquisas de campo que busquem
compreender as circunstâncias que influenciam a atuação cotidiana nas escolas. Com base
nessas
formulaçõ
es, entendemos que podem ser a
mpliadas para outros esp
aços, enfoque
s e
níveis
h
i
erárquicos e organi
za
ci
on
ais de implementação, extrapolando o plano dos territórios.
Contextos e trajetórias no processo de implementação de políticas
As discussões propos
tas por
Lejano
(
2012
),
Rodrigue
s
(
2008
,
2016
),
Ball
,
B
owe
e
Gold
(
1
992
)
,
Ball
(
1
994
),
Ball
,
Maguire
e
B
ra
un
(
2016
), dialogam diretamente com o
conceito de trajetória proposto por
Gussi
e
Oliveira
(
2016
) e
Oliveira
(
2019
). Para
Oliveira
(
2019
) e
Oliveira
e
Peixoto
(
2021
), à medida que na
vegam, as políticas são
ressignifica
das
e
produ
z
e
m sentidos em meio
a
pr
oc
essos de avanços e de rupturas. Tal conceito permite
refazer os passos importantes de uma política
–
os discursos, os argumentos, a
s dimensões
legislat
ivas e regulamentares, suas tra
nsformações, as inflexõ
es e as evolu
çõe
s
. Além
d
i
sso, a
trajetória r
ev
el
a
dimensões contextuais tanto em relação às concepções, contextos e ideologias
dos textos oficiais, quanto dos deslocamentos, recurso
s e contextos quando
as políticas são
colocadas em
prática. Logo, o concei
to de trajetó
ria
configu
r
a
-
se como uma import
an
te
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B
reynner
Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
S
e
G
usta
vo A
dolf F
ICHTER FILHO
RIAEE
–
R
evista Ibero
-
A
mericana d
e
Estudos e
m
E
d
ucação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
e
s
p. 3
,
p.
2095
-
2117
,
n
ov. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://d
oi.org/10.21723/riaee.v17iesp.3.16722
2108
p
erspectiva analítica, epistemológica e metodológica para a análise de contextos que
permeiam e influenciam o percurso das políticas
públicas.
Assim, a
partir das discussões empreendi
das por esses autores a
respeito das
an
á
lises
d
e
políticas públicas,
a
rt
ic
uladas com o conceito de trajetória, propõe
-
se um modelo de
análise que objetiva fornecer novos
aportes teóricos que orientem a aná
lise das políticas c
om
base em seus contextos e sua
s trajetórias de implem
entação. Com
bas
e
nessa
p
r
oposta,
fornecemos
ap
or
te
s teóricos e metodológicos que dialogam com o campo e a análise de
programas educacionais, alargando sua compreensão.
Ao todo, são
propostos cinco cont
extos
de análise, interconectad
os:
(1) contexto das co
njunturas; (2
) c
o
ntexto
d
o
s conteúdos da
polí
ti
ca
;
(3) contextos institucionais; (4) contexto das experiências; e (5) contexto dos
territórios. A figura 1 apresenta as dimensões de a
nálise para cada con
texto e como esses
devem ser co
mpreendidos, de modo en
trelaçado e t
ran
s
versal:
Figura 1
–
Contexto
s
as
so
ciados às trajetórias das políticas
Fonte: Elabora
d
o
pelo
s autores
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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
ão
RIAEE
–
Revista Ibero
-
A
mericana de
Estudos e
m
E
ducação
,
Araraquara
,
v.
17
, n.
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p. 3
,
p.
20
95
-
2117
,
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.
2022
e
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ISSN
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2109
Contexto das conjunturas
O contexto das conjunturas engloba as agendas, suas de
finições e os processos
as
sociados à formulação da po
lítica
a partir d
o
s c
e
nár
io
s políticos, econô
mi
co
s
e sociais; dos
marcos legais que a amparam e do levantamento de outras políticas relacionadas à po
lítica
analisada. Em consonância com o que propõe
Ball
,
Bowe
e
Gold
(
1992
) e
Bal
l
(
1994
), pela
análise da c
onjunt
ura será po
s
sív
e
l a
na
lisar como as polí
ti
ca
s
públicas são iniciadas, bem
como as disputas de grupos em relação às suas finalidades e interesses
.
Rodrigues
(
2008
,
2016
) afirma que, ao se analisar o
contexto da formulação de
uma
política, é possível le
vantar
dados sobr
e
o
m
ome
nt
o político e as co
nd
iç
õe
s socioeconômicas,
além do levantamento de outras políticas correlacionadas. Ao se analisar a conjun
tura,
consegue
-
se apreender a historicidade da polít
ica investigada, ou seja,
um conjunto de
aspectos e f
atores
que dizem
r
esp
e
ito
à
sua arquitetura,
se
u
de
senho e sua identidade.
Contexto dos conteúdos da política
O contexto dos conteúdos da política e
stá ligado à análise dos textos oficiais que
instit
uem a política. Esses docume
ntos podem ser textos leg
ais of
iciais, com
e
ntári
o
s
f
ormais
ou informai
s
so
br
e os textos oficiais, pronunciamentos, vídeos e outras fontes que forneçam
elementos que permitam ao
analista compreender a política a partir de uma per
spectiva
normativa e regulat
ória (
BALL
;
BOWE
;
GOLD
,
1
992
ap
ud
MAINARD
E
S
,
200
6
).
Em acordo com o q
ue
pr
op
õe
Rodrigues
(
2008
;
2016
), consiste na análise de objetivos
e bases conceituais presentes nos textos oficiais. Segundo a autora, importa ao pesquisador
, a
partir do texto, desenvol
ver uma análise de conte
údo das
“ideias,
n
oções
e
v
a
lores” que a
orie
nt
am
e
a embasam. Feito isso, o analista deverá, também, sistematizar os processos e
regras que regem a política, de modo visualizar sua implementação a parti
r dos textos.
Ball
,
Bowe
e
G
old
(
1992
apud
MAINARDE
S
,
2006
), por sua
vez, af
ir
ma
m que os
textos
p
o
lít
i
co
s representam a política e que, por isso, precisam ser lidos de uma maneira
crítica, pois não são necessariamente coerentes e claros, podendo ser cont
raditórios. Dessa
forma, os textos políticos são o
re
sultado de disput
a
s e aco
rd
os
, pois os grupos
q
ue
a
tu
am
dentro dos diferentes lugares da produção de textos competem para controlar as
representações da política
.
Parte
-
se do princípio de que a análise d
os c
onteúdos da política, além de f
avorecer a
compre
e
nsã
o prática prop
o
sta, po
ss
ibilita o desvelam
en
to d
e
dimensões que dialogam com
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B
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Ricardo de
OLIVEIRA;
Maria Mich
elle
Fernandes ALVE
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evista Ibero
-
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e
Estudos e
m
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ucação
, Araraquara
,
v.
17
, n.
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s
p. 3
,
p.
2095
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2117
,
n
ov. 2022
e
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ISSN: 1982
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DOI:
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2110
outros contextos a serem analisados. O entendimento a respeito das bases conceituais e
ideologias manifestas nos textos ofi
ciai
s pode oferecer subsídios para
a análise da conj
u
gaç
ão
de interess
e
s de di
fe
rentes grupos nos
mo
ment
os
de definição da agenda e da formulação da
política. Por outro lado, a sistematização de objetivos e diretrizes presentes nos documentos
favorece a an
ális
e das diferentes estratégias ad
otadas nos proces
s
os
de implementaç
ã
o.
Co
nt
extos institucionais
Es
se
contexto está relacionado à análise do movimento da política pelas vias
institucionais. Implica analisar os diversos níveis institucionais, organizac
ionais
e
hierárquicos que são mobil
izados pela polític
a
at
é que se che
g
ue ao n
ív
el local, nos territ
ór
io
s.
Rodrigues
(
2008
,
2016
) afirma que esse contexto é considerado um dos mais importantes
pois, por meio dele, é possível detectar mudanças ocorridas dur
ante o
percurso da política
pelas v
ias institucionais,
por
meio dos pr
o
cessos,
d
as normas, das rotin
as
,
in
terações e
dinâmicas que conformam as políticas ao longo de seu percurso pelas organizações, nos
diversos níveis e camadas da estrutura governamental
e das
arenas públicas.
Nessa direç
ão,
Lejano
(
2012
) a
f
irma que as pol
í
ticas n
ão
são meramente
imple
me
nt
ad
as ou colocadas em prática de uma forma linear e objetiva. Na medida em que as
políticas entram em contato com diferentes níveis institucionais, são a
tribuí
das a elas
conexõe
s e signifi
cados, sendo, porta
n
to, adaptadas a
o
s conte
xt
os pelos quais elas
tr
an
si
tam.
Em virtude das características do federalismo brasileiro e da descentralização que
permeia as políticas sociais, de saúde e de educação, nota
-
se
, aind
a, que há um compl
exo
conjunt
o de camadas e níve
i
s institucionai
s
que as
c
ontingenciam ao long
o
de
s
uas trajetórias.
No caso da política educacional, a divisão de competências, garantida pela Constituição de
1988 (
BRASIL
,
1988
), entre os entes federa
dos, p
roduz distintos ní
veis e cama
das de
execução: ca
b
e ao governo fe
d
eral fo
rm
ular e coordenar pol
ít
ic
as
que serão implementadas
por estados e municípios.
Contexto das experiências
De acordo com
Lejano
(
2012
), os contextos em que as políticas são col
ocadas e
m
prática só podem ser comp
reendidos por alguém
que os tenha e
x
perimen
ta
do. De acordo com
o
au
to
r,
a experiência é configurada como sendo o conhecimento prático dos atores inserid
os
na situação política, dentre os quais, seus saberes, crenças, ideo
logias e
concepções.
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Contextos e trajetó
rias para a análise de Políti
cas
Públicas:
Aportes
teóricos para o campo da educaç
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Revista Ibero
-
A
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Estudos e
m
E
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,
Araraquara
,
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s
p. 3
,
p.
20
95
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2117
,
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.
2022
e
-
ISSN
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2111
O autor expli
ca sua escolha pela
f
undamentação d
e
seu mo
de
lo na experiência ao
c
ri
ti
car os modelos tradicionais de análise. Ele propõe que, ao contrário dos modelos
que se
baseiam em medidas, valores e racionalizações, os analistas bu
squem a
autenticidade, isto é, a
co
mpreensão das situaç
õ
es políticas c
o
m base
na
experiência dos ato
re
s.
S
egundo o autor, por
meio de uma descrição densa, o analista pode desvelar, descre
ver e integrar diferentes
aspectos da política, a partir de diferente
s tipos
de conhecimento.
Lejano
(
2
012
) propõe, portant
o, uma abordage
m
metodo
ló
gica que permita aos
a
to
re
s
que vivenciam as políticas elencar diferentes dimensões de suas experiências.
É preciso,
então, garantir liberdade para que
contém
suas experiências
, de pr
eferência em mais de um
espa
ço de fala. Dentre a
lguns dos métod
o
s possí
ve
is, destacam
-
se as n
ar
ra
ti
vas e etnografias.
Ball
,
Maguire
e
Braun
(
2016
), por sua vez, ao tratar das
cult
uras profissionais
,
sistematizaram alguns elementos que influenciam co
mo as p
olíticas são atuadas nas
ins
tituições escolares.
Para os autore
s
, valor
es
, trajetórias de for
ma
çã
o
e tempo de atuação dos
professores, bem como relações departamentais e de colabo
ração vigentes nas instituições,
afetam a forma como as políticas são
lidas e
interpretadas nas escolas.
Segundo
Ball
,
Bowe
G
old
(
1992
), ess
e
s eleme
nt
os compõem aspectos
su
bj
et
ivos daqueles profissionais que vivem
as políticas e, portanto, são de interess
e dos analistas que buscam compreender como as
políticas são experiment
adas.
É por isso que, nesse context
o, interessa ao ana
l
ista identifica
r
e
comp
re
ender as crenças, os
v
al
or
es, as percepções, os saberes, as práticas cotidianas e as
interações que perme
iam as políticas ao longo de sua implementação.
É importante considera
r, no
entanto, um caráter transvers
al do
contexto da e
x
periência
aqui
p
roposto
,
que
o
articula com o
s
de
ma
is contextos. Em outras palavras, a experiência está
relacionada ao olhar dos atores que atuam nos diferentes níveis, sejam aqueles que formulam,
seja
m aque
les que implementam ou aquele
s que avaliam. Isso
implica que, a
p
artir d
a
exper
iência desses s
uj
ei
to
s, é possível compreender dimensões que dizem respeito, por
exemplo, não só a suas questões subjetivas, mas também a aspectos institucionais,
aconteci
mentos
, influências das conjunturas
políticas nos dife
r
entes níveis fe
d
erativo
s,
recu
rsos disponívei
s
pa
ra
a implementação, percepções sobre os momentos das políticas,
sobre os demais atores, sobre os territórios, sobre os destinatários, dentre outros. A
e
xperiê
ncia revela, portanto, as sub
jetividades das pol
í
ticas.
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