image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302494A ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, FOME E PRIVAÇÃO TECNOLÓGICALA ESCUELA EN TIEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, HAMBRE Y CARENCIA TECNOLÓGICASCHOOL IN TIMES OF PANDEMIC: HELPLESSNESS, HUNGER AND TECHNOLOGICAL DEPRIVATIONFlávia Gonçalves da SILVA1Maria CIAVATTA2RESUMO: Este artigo resulta do conhecimento das contingências que a população brasileira vivencia em tempos de pandemia da COVID-19, cujas situações de desamparo, fome e privação tecnológica tornaram-se mais evidentes. Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia na história do presente, isto é,no tempo-espaço nos acontecimentos do período de 2020 a 2021. Foi utilizadauma abordagem histórico-qualitativa com observaçãoparticipante e análise da legislação.Defendemos que a distribuição dos bens sociais de forma igualitária colide com os interesses das classes dominantes, sendo necessária uma mudança urgente na forma como produzimos a nossa existência e o sentido do desenvolvimento econômico e social. Procuramos demonstrar os desafios do período pandêmico emuma escola pública do estado do Rio de Janeiro.Neste contexto, osresultados apontamparao agravamentodas situações deexclusão social e de desamparovivenciadas pelos alunos, professores e gestores.PALAVRAS-CHAVE: Tempo presente.Escola.Pandemia.Desigualdades sociais.RESUMEN:Este artículo resulta del conocimiento de las contingencias que vive la población brasileña en tiempos de la pandemia de la COVID 19, cuyas situaciones de desamparo, hambre y carencia tecnológica se han vuelto más evidentes. Desde un punto de vista metodológico, ubicamos la pandemia en la historia del presente, es decir, en el tiempo-espacio en los acontecimientos del período 2020 a 2021. Se utilizó un enfoque histórico-cualitativo con observación participante y análisis de la legislación. Defendemos que la distribución de los bienes sociales de manera igualitaria choca con los intereses de las clases dominantes, exigiendo un cambio urgente en la forma en que producimos nuestra existencia y el sentido del desarrollo económico y social. Buscamos demostrar los desafíos del período de la pandemia en una escuela pública del Estado de Río de Janeiro. En este contexto, los resultados apuntan al recrudecimiento de las situaciones de exclusión social y desamparo que viven estudiantes, docentes y directivos.PALABRAS CLAVE: Tiempo presente.Escuela.Pandemia.Diferencias sociales.1Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói RJ Brasil. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação. ORCID:https://orcid.org/0000-0001-5249-3001.E-mail: flaviagsmendes@gmail.com2Universidade Federal Fluminense (UFF), NiteróiRJBrasil. Professora Titular em Trabalho e Educação do Programa de Pós-graduação em Educação.Doutorado em Educação (PUC-Rio).ORCID:https://orcid.org/0000-0001-5854-6063.E-mail:maria.ciavatta@gmail.com
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302495ABSTRACT:This article results from the knowledge of the contingencies that the Brazilian population experiences in times of the COVID 19 pandemic, whose situations of helplessness, hunger and technological deprivation have become more evident. From a methodological point of view, we place the pandemic in the history of the present, that is, in time-space in the events of the period from 2020 to 2021. A historical-qualitative approach was used with participant observation and analysis of legislation.We defend that the distribution of social goods in an egalitarian way collides with the interests of the dominant classes, requiring an urgent change in the way we produce our existence and the meaning of economic and social development. We seek to demonstrate the challenges of the pandemic period in a public school in the State of Rio de Janeiro. In this context, the results point to the worsening of situations of social exclusion and helplessness experienced by students, teachers and managers.KEYWORDS:Present tense.School.Pandemic.Social differences.IntroduçãoEste texto foi elaborado durante o processo de pesquisa para a tese de doutorado (SILVA, 2019) sobreo ensino médio integral e integrado àeducação profissional,na rede pública do estado do Rio de Janeiro3.Os impasses e transformações da rotina escolar provocados pela pandemia daCovid-19trouxeram novas questões ao campo de pesquisa trabalho-educação, particularmente,à concepção de ensino integral e de formação integrada. Às mediações e contradições presentes, historicamente,na formação da classe trabalhadora, vimos acrescentar as dificuldades geradas pela pandemia, inclusive do ponto de vista dos direitos sociais nãoconsolidados(saúde, educação, moradia, alimentação e outros).Vive-se um presente sob a ameaça permanente de contaminação da Covid-19, pela incerteza sobre o atendimento médico e a eficácia dos tratamentos, pela inquietação e desalento que invadem a alma no prolongado distanciamento social. Este trabalho nasceu do conhecimento e da aproximação com as contingências que a população brasileira e a humanidade como um todo estão vivendo no presente. Nas escolas, a proximidade faz parte da estrutura de relações entre os alunos e os professores, e o distanciamento social com uso de máscaras foi a única medida protetora efetiva até a chegada das vacinas. Foram expedidas normas legais para a circulação de pessoas, e professores e alunos foram orientados pelas autoridades a permanecerem em casa. 3SILVA, Flávia Gonçalves da,EnsinoMédio Integrale Integrado à Educação Integral Profissional: mediações e contradições na formação da classe trabalhadora. Projeto de tese de doutorado. (Educação) do Programa de Pós-graduaçãoem Educaçãoda Universidade Federal Fluminense,sob a orientação da Prof.(a) Dr.(a) Maria Ciavatta.Niterói: UFF, 2019
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302496Quase imediatamente, no estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Educação (SEEDUC) iniciou a convocação dos professores para o Ensino Remoto e orientou acerca dos procedimentos didáticos a serem seguidos para a continuidade dos estudos dos alunos. Este trabalho é produto de observação participante e do registro e análise de sucessivos relatos de professoras do Ensino Básico sobre as condições de implantação do Ensino Remoto e as condições de vida dos alunos do Colégio Estadual “20”4, no períodode13 de março de 2020 a início de outubro de 2021, quanto às condições e necessidades de moradia e segurança, de alimentação e de acesso aos recursos digitais para o estudo, em suas casas.Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia da Covid-19 na história do presente (BAUMAN, 2007; HOBSBAWN, 1995; NORA, 1984). Sobre as necessidades humanas, temos por referência sua relação com a estrutura social (MARX, 1980; MÉSZÁROS, 1996). Outras fontes de consulta e acompanhamento das mudanças de vida, ocorridas durante a Pandemia, são os noticiários da grande imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo. Trata-se de um estudo com abordagemhistórico-qualitativa,que busca demonstrar os desafios do período pandêmico para os alunos, professores e gestores de uma escola pública do estado do Rio de Janeiro.Na primeira seção,tratamos da história do presente; na segunda seção, refletimos sobre o sistema capital, as políticas públicas e as desigualdades sociais; na terceira seção traçamos um quadro das condições de moradia, alimentação, segurança e acesso dos alunos às tecnologias digitais e as novas atribuições dos professores para prover atividades em ensino remoto; e, por último, nossas considerações finais, seguidas das referências.A história do tempo presenteFalar da pandemia da Covid-19 é falar do tempo em que estamosvivendo, é falar de acontecimentos queestamos compartilhando. No campo dos historiadores, essa proximidade à dimensão temporal deu origem à história do tempo presente, que diz respeito à concepção do tempo passado, presente e futuro e à possibilidade de conhecimento de cada uma destas temporalidades5.Uma primeira concepção do tempo presente é a interpretação da história mediante uma leitura factual e imediatista, o tempo como um presente permanente, o presenteísmo. O termo é visto com sentido pejorativo na medida em que trata dos fenômenos isolados de seu contexto 4O número “20” dado ao Colégio Estadual visa preservar a identidade da comunidade escolar.5Esta introdução dá continuidade à exposição oral de Ciavatta (2009).
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302497histórico, e suscita um apagamento da memória pelo desconhecimento do passado. Mas esta concepção não prevalece entre todos os reconhecidos historiadores, para os quais a história do presente é uma questão de marco de temporalidade, porque suas exigências são as mesmas de toda concepção de história.Assumimos, aqui, esta particularidade da história como história do tempo presente que tem diversas vertentes de aproximação. Uma delas é o presenteísmo, concebido em função das grandes transformações do século XX. É a leitura de Zygmunt Bauman (2007) que trata em seus livros do Amor líquido, da Vida líquida, da Modernidade líquida. Assim ele justifica em um folder:“O mundo eu chamo de líquido porque, como todos os líquidos, ele jamais se imobiliza nem conserva sua forma por muito tempo”(BAUMAN, 2011, p. 2).Em Vida líquida, Bauman (2007) “[...] chama a atenção para os problemas que a atual condição do sistema capitalista suscita no ser humano hoje, entre a necessidade de se adaptar ao ritmo destrutivo-criativo6dos mercados e o medo de ficar defasado, tornar-se dispensável.” Neste mundo de mudanças em ritmo permanente, as realizações individuais se fazem e se desfazem. O que lembra Marxe Engels (1998, p. 8), no Manifesto, quando diz sobre o sistemacapitalista:“tudo que é sólido e estável se desmancha no ar”.Outra vertente da história do presente está nos estudos sobre a juventude. A ideia de uma juventude presentista é encontrada nosestudos dosociólogo italiano Alberto Melucci (1996, p. 4), quando menciona queA juventude, por causa de suas condições culturais e biológicas, é o grupo social mais diretamente exposto a estes dilemas, o grupo que os torna visíveis para a sociedade como um todo”.O presenteísmo vivido afeta a compreensão do tempo que se torna presente, sem memória do passado e sem perspectiva de futuro. A aceleração do tempo pelas tecnologias de comunicação (internet e meios de transporte) tem imprimido um ritmo mais rápido à produção de bens e às relações entre as pessoas. Salvo pesquisas posteriores, Hobsbawn (1995, no Brasil e 1994, na Europa) teria sido o primeiro historiador a chamar a atenção para a forma como a juventude vive uma espécie de presente contínuo: “Quase todos osjovens de hoje nascem em uma espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem” (HOBSBAWN, 1995, p.13). No Prefácio do livro A era dos extremos:obreve século XX, Hobsbawn(1995),dá vezo a uma leitura da quase impossibilidade de escrever uma história do 6Mészáros (1996) chama esse fenômeno do mundo capitalista atual de produção destrutiva.
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302498presente. Seus argumentos trazem a marca de sua cultura histórica, legitimidade científica e honestidade na identificação dos limites do historiador. O sistema capital, as políticas públicas e as desigualdades sociaisDesamparo, fome e privação tecnológica não são apenas palavras, são produtos de uma estrutura social, cujas necessidades humanas não são supridas por meio de políticas econômicas e sociais universalizadas para o trabalho, o emprego e o atendimento às necessidades de vida de toda a população. Consequentemente, geram-se desigualdades sociais que, no Brasil, têm uma história antiga, vêm da Colônia, permanecem no Império e prolongam-se na República até nossos dias. A apropriação da riqueza social produzida pelotrabalho concentra-se e acumula-se nas mãos dos proprietários dos meios de produção, os empresários, seus investimentos financeiros, sua articulação com rentistas internacionais e com os poderes republicanos, a serviço do sistema capitalista.As desigualdades são visíveis na estrutura de classes que, neste tempo de pandemia, atingem principalmente, de forma grave, os mais pobres. Postos de saúde e hospitais públicos apresentam recursos e serviços que evidenciam a carência de políticas públicas efetivas para a enfrentar a gravidade da doença. Na outra extremidade da pirâmide social, que dá forma à população brasileira, é visível a abundância nos serviços médicos privados para as classes de alta renda.O sentido das palavras de Marx (1980, p. 554) de, pelo trabalho, pela educação e pela organização social, “produzir seres humanos plenamente desenvolvidosdesfaz-se na miragem das propagandas enganosas e na ausência do poder público. Não são assegurados a todos os meios de suprir as necessidades básicas de sobrevivência, como alimentação, água potável, saneamento, moradia, saúde, educação, segurança, seguridade social. Outras dificuldades das classes de baixa renda são a desinformação e a falta de conhecimento crítico e apoio jurídico para mover-se nos meandros dos direitos sociais, não assegurados pelo poder público.O sistema capital opera com rígidos controles sociais por meio do poder econômico, da legislação favorável aos negócios. Há uma crescente polarização inerente à estrutura global do capitalismo, à financeirização da economia e à nossa situação de país dependente do sistema capital dos países desenvolvidos (FERNANDES, 1973; MARINI, 2000; SANTOS, 2000), articulados com as elites nacionais.É um desenvolvimento que se alimenta do arcaico (FRIGOTTO,2010) e que não contribui para o desenvolvimento de um país que mantém excluídade direitos básicos grande
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302499parcela da população. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua, 2020), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma taxa de desocupação das pessoas de 14 anos ou mais de idade de 13,3% da população,no segundo trimestre de 20207.A distribuição dos bens sociais colide com os interesses da burguesia nacional e internacional. Milhares de crianças, jovens e adultos da classe trabalhadora são relegados a um papel secundário nas políticas públicas. Essas questões foram claramente evidenciadas em tempos de pandemia da Covid-19. No Colégio Estadual “20”, à semelhança de outros da rede pública, muitas crianças, repentinamente, ficaram sem a alimentação diária, com os seus pais desempregados, sem internet e meios digitais para, no mínimo, continuar alimentando o corpo físico e o seu desenvolvimento cognitivo.A escola, como ressaltamFrigotto, Ciavatta e Ramos (2012, p. 7), deve ser compreendida dentro do projeto de sociedade em que vivemos:Por ser a escola uma instituição produzida dentro de determinadas relações sociais, este retrato só ganha melhor compreensão quando apreendido no interior da especificidade do projeto capitalista de sociedade, que foi sendo construído no Brasil: um longo processo de colonização (econômica,político-social e cultural), sendo a última sociedade ocidental a proclamar o fim da escravidão.Em um país de escolarização tardia paraamaioria da população, com dados de universalização do ensino fundamental apenas datados do final do século passado,e ainda com o desafio de levar a educação escolar para a totalidade dos jovens do Ensino Médio e para aqueles que não puderam escolarizar-se em um suposto tempo certo, encontramos sobre a escola uma gama de atribuições. A responsabilidade de alimentar as crianças, jovens e adultos é uma delas. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), sem dúvida, é um dos mais importantes programas de alimentação do mundo e beneficia milhões de estudantes da educação brasileira. É também por meio da escola que um dos principais programas de transferência de renda, o Bolsa Família, baliza os seus beneficiários8.Em virtude da pandemia da Covid-19, nos deparamos com algumas contradições dessa forma de desenvolvimento social. Com as escolas fechadas, a ação parte do isolamento social, propostopela Organização Mundial da Saúde (OMS); a fome começou a bater à porta das 7Pesquisa disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?edicao=28382&t=destaques. Acesso em: 04 nov. 2020.8Cioso dos dividendospolíticos de um programa criado pelos governos petistas, e pressionado pelas contas públicas do país, a serviço do capital rentista, o Bolsa Família está sendo reestruturado pelo atual governo.
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302500crianças em diversos estados e cidades brasileiras. A escola vem sendo novamente chamada a dar conta de um problema que, na essência, não é seu: as necessidades nutricionais diárias dos seus alunos e familiares.A exclusão digital é outro fator que impactou a exclusão das crianças e jovens oriundos da classe trabalhadoradiante de tal contexto pandêmico. As escolas públicas se depararam com a seguinte situação: alguns governos estaduais implementaram o ensino remoto e a dura realidade dos pobres mais uma vez foi evidenciada. No Colégio Estadual “20”, poucos alunos tinham acesso aosequipamentos digitais e à internet de qualidade,que poderiam facilitar o contato entre a escola e família.As funções da escola e a sua teia de significaçõesO trabalho de campo que dá base a este trabalho tem como referência principal a observação participante, apresentada pelo antropólogo Howard Becker (1993, p. 47):O observador participante coleta dados através de sua participação na vida cotidiana do grupo ou organização que estuda. Ele observa as pessoas que está estudando para ver as situações com que se deparam normalmente e como se comportam diante delas. Entabula conversação com alguns ou com todos os participantes desta situação e descobre as interpretações que eles têm sobre os acontecimentos que observou.No entanto, dadas as circunstâncias de convivência diária com os problemas gerados pela pandemia da Covid-19, pelos imprevistos gerados pela realidade e pelos encaminhamentos das autoridades, não realizamos a pesquisa segundo os quatro estágios de análise do autor (BECKER, 1993,p. 49-50). Realizamoso trabalho segundo as circunstâncias e as necessidades dos alunos, familiares e equipes escolares, na escola e nas visitas às famílias para entregar cestas básicas.Nossa observação e reflexão busca evidenciar o cotidiano de uma comunidade escolar da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, atingida duramente pelas consequências das diversas crises que assolam o nosso país, e que a pandemia da Covid-19 apenas intensificou.Buscamos, também, provocar a reflexão sobre as mudanças urgentes que se fazem necessárias não só para a escola, mas para a sociedade brasileira como um todo.A escola está localizada em uma região pobre e afastada dos grandes centros comerciais e com o tráfico de drogas e violência conflagrados, uma realidade que pode perfeitamente estender-se a outras escolas e regiões do nosso país. A escola escolhida tem uma média de 400 alunos, 35 professores e três membros da equipe gestora.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302501A pandemia mundial da Covid-19 mostrou a ferida aberta da desigualdade social que assola o nosso país e, mais especificamente, a realidade do estado do Rio de Janeiro. No decreto de nº.46.970,de 13 de março de 2020(RIO DE JANEIRO, 2020a), o Governador Wilson Witzel (atualmente, punido com a perda do mandato após impeachmentsofrido por várias improbidades)9, implementou, inicialmente, uma série de medidas e, dentre elas, a suspensão temporária por 15 dias das aulas presenciais como uma das ações de prevenção ao contágio da doença. Mas a situação se prolongou por mais 15 dias e por meses seguidos,até o mês de outubro de 2021, quando a resolução SEEDUC (Secretaria de Estado de Educação) nº.5993,de 19 de outubro de 2021(RIO DE JANEIRO,2021), determinou a retomada total dos alunos às atividades presenciais. Os problemas ocasionados pelo fechamento das escolas não tardaram a aparecer. Os professores foram colocados em recesso escolar por duas semanas e os alunos tiveram as suas férias de metade do ano antecipadas. Durante esse período de recesso foram gestados, no seio do Governo Estadual, por meio da (SEEDUC), as ideias de um Ensino Remoto. E todos os profissionais da educação foram surpreendidos com esse novo modo de interação com os alunos. Estava, assim, fechada a parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e a gigante norte americana Google, por meio de sua plataforma digital Google ClassRoom (sala de aula), no dia 18 de março de 202010, anunciada amplamente nas redes sociais e meiosde comunicação. Os professores receberam capacitação/formação como formadores, da própria SEEDUC e da equipe da Google.Professores, alunos e gestores receberam um e-mailespecífico com logine senha para acessar uma escolaque era transportada para o universo virtual. A princípio,houve muita discussão entre os profissionais de educação,capitaneados pelo Sindicato dos Profissionais de Educação (SEPE),que tentou resistir a essa nova medida emanada dos órgãos oficiais. Afinal, essa medida não foi amplamente debatida entre os profissionais da educação e gerou muita insegurança entre todos. Mas o medo de contaminação pelo novo víruse a insegurança em relação ao seu próprio emprego não permitiram uma maior resistência dos professores a essas medidas. 9As observações e análise refletem situações vivenciadas, em especial, durante o período de março de 2020 a outubro de 2021.10Para conferir a entrevista completa do Secretário de Educação do estado do Rio de Janeiro, Pedro Fernandes, basta clicar no linka seguir.Disponível em: https://www.facebook.com/watch/?v=270821307247696. Acesso em: 24 jul. 2020.
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302502Diante de muitos questionamentos quanto aos procedimentos adotados pela SEEDUC, para que a educação se efetivasse no período de isolamento social, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou esclarecimentos a esta Secretaria de Estado(Ofício 2ª PJTCPEC nº.112/2020, de 19 de março de 2020, Recomendação nº.01/2020)11.Resumidamente, o Ofício citado solicitava respostas da SEEDUC quanto à garantia da saúde de alunos, profissionais de educação e familiares; de que forma se daria o cumprimento do ano letivo de 2020; como estavam sendo garantidos os espaços de discussão nos diversos colegiados das instituições de ensino; informações sobre um eventual uso de plataformas digitais e se estaria garantido o acesso aosalunos enquanto durassem as medidas de isolamento social; de que forma estava acontecendo o atendimento aos alunos com necessidades especiais. Também cabia àSEEDUC informar se, porventura, numa volta às aulas, os estudantes com necessidades específicasseriam atendidos em seus domicílios; deveria informar ao Ministério Público do estado do Rio de Janeiro (MPRJ)como seria garantido o direito à alimentação escolar aos seus alunos e quais os recursos que seriam utilizados para esta ação.A Recomendação nº.01/2020(RIO DE JANEIRO, 2020b), já citada anteriormente, vai além e acrescenta o pedido de esclarecimentos em relação ao custo dos acordos entre a Google e a SEEDUC e aos valores já pagos. Como também exige o cumprimento da Deliberação do Conselho Estadual de Educação (CEE) nº.376, de 23 de março de 2020(RIO DE JANEIRO, 2020c), documento em que se faz necessário que o órgão torne público o Plano de Ação Pedagógica antes de implementar o ensino remoto. Enfim, mesmo em meio a tantas decisões judiciais e pedidos de esclarecimentos oriundos da sociedade civil, de forma autocrática, a SEEDUC iniciou as aulas remotas no dia 06 de abril de 2020.Os professores e gestores escolares tiveram que se reinventar. Não nos referimos aqui apenas ao aprendizado de novas tecnologias digitais, mas a aprender uma nova forma de viver. Esses profissionais são mães, pais, avós. Antes do isolamento social imposto pelo novo cenáriopandêmico tinham uma rede de apoio para desenvolver as suas tarefas laborais. Os filhos estavam na creche ou na escola, ou mesmo na casa das avós. Essas pessoas, neste momento, deveriam ser protegidas e afastadas do contato com as crianças sob o risco de contágio fácil da doença e de consequências graves, como até mesmo a morte.Sobre as mulheres professoras e profissionais da educação o peso era maior, cabia-lhes a tarefa de ser mãe, mulher, profissional, estudante e cuidadora da família. Isso tudo ao mesmo 11Disponível em: https://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.pdf. Acesso em: 25 jul. 2020.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302503tempo e o tempo todo. Mas professores e gestores assumiram a tarefa de desenvolver o ensino remoto. Longe de ser uma unanimidade entre os educadores, era o que cabia naquele momento tão difícil e incerto para todos.Como já citado, os problemas ocasionados pelo fechamento das escolas começaram a surgir. Os alunos, para acessaressa plataforma digital, GoogleSala de Aula, precisavam de equipamentos digitais e internet banda larga ou um pacote de dados móveis que suportasse o uso da ferramenta. E isso não foi possível para 70% dos alunos dessa comunidade. As famílias, muitas vezes, contavam apenas com um celular, que,muitas vezes, ficava com o pai ou mãe do aluno. Aqueles que ainda podiam acessar foram surpreendidos pelo roubo de cabos de internet em meio à pandemia, e o percentual caiu ainda mais. Os professores e gestores também tiveram que comprar equipamentos melhores e aumentar a velocidade de suas redes de internet e/ou contratarem novos serviços, um custo adicional para esses profissionais. Um, dois ou no máximo três alunos por dia participavam das aulas. Para uma escola que atende com prioridade aos jovens, os danos são imensuráveis. Tanto a formação escolar como a formação humana, que se formam em outras instâncias sociais também, mas que não podem prescindir desse espaço, estavam comprometidas. Aos gestores cabia fazeressa escola funcionar,auxiliando os alunos, famílias e professores para que as coisas dessem certo. Além de pesar sobre eles a administração da escola no ambiente virtual e físico, porque a escola continuava no mesmo lugar e com os seus problemas de manutenção, de ordem burocrática,e com uma tarefa a mais: a de auxiliar as famílias dando suporte alimentar aos alunos que dele necessitavam. Afinal, a escola deveria estar pronta e de pé para uma volta às aulas que poderia ocorrer a qualquer momento.A promessa de internet fornecida pelo estado sem custos para os profissionais e alunos das escolas somente se concretizou, parcialmente, quase um ano depois,quando a SEEDUC criou o aplicativo Applique-see colocou em uso no dia 1º de março de 202112,que funcionava com acesso gratuito aos alunos e professores da rede. Passados muitos meses de isolamento social, poucos alunos puderam participar dessa nova forma de ensinar e aprender. A falta de aparelhos celulares e computadores também contribuiu para o afastamento dos alunos. O abismo entre os estudantes das escolas particulares, consideradas de qualidade, e os alunos da rede pública estadual,se alargou mais ainda13.A dualidade educacional brasileira fez-se 12Maiores informações sobre o Applique-seestão disponíveis em: https://www.seeduc.rj.gov.br/applique-se. Acesso em: 25 abr. 2022.13“Adolescentes das camadas A e B estudam 64% mais horas do que os da classe E, mostra estudo da FGV Social com dados do IBGE. Os números são de agosto e os responsáveis pela pesquisa são os economistas Marcelo Neri e Manuel Osório” (ALFANO, 2020, p. 17).
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302504presente de forma mais acentuada nestes tempos de pandemia. Gramsci (2001), em seus escritos, nos remete ao conceito de escola unitária, uma escola que atenda a todos da mesma forma, que seja capaz de unir os saberes universais aos saberes técnicos. Descreve a função do Estado,que é de assumir as despesas com instrução que estão a cargo da família. E somente assim, com a educação pública, que se pode alcançar a todos, independentemente das classes sociais a que pertencem: A escola unitária ou de formação humanista (entendido este termo, “humanismo”, em sentido amplo e não apenas em sentido tradicional), ou de cultura geral, deveria assumir a tarefa de inserir os jovens na atividade social, depois de tê-los elevado a um certo grau de maturidade e capacidade para a criação intelectual e prática e a uma certa autonomia na orientação e na iniciativa (GRAMSCI, 2001, p.36, grifo do autor).A maior parte dos alunos desta comunidade, em específico, tiveram o seu processo de aprendizagem interrompido. A falta dos instrumentais básicos para um ensino remoto e do endereço dos alunos também fizeram a diferença. A solução encontrada pela SEEDUC, para osalunos que não tinham acesso à plataforma digital, foi a entrega14, na casa de cada um deles, das apostilas de Atividades Autorreguladas,15,em papel impresso.Para que essa ação se concretizasse foi firmado um contrato com os Correios. Os Correios deveriam entregar nas residências dos alunos (sem acesso à internet) as atividades elaboradas pela SEEDUC. Mas as apostilas não chegaram a todos os alunos. Os alunos que vivem em área com a violência deflagrada não receberam as apostilas em tempo real, por ameaças ou interferência dos traficantes locais. Aqueles que receberam os materiais em suas residências também tiveram muitas dificuldadespara executar as tarefas.Entendendo que o professor é fundamental para que haja uma aprendizagem significativa, a Educação Escolar, como mera transmissão de conhecimentos,se fez mais forte na rede estadual, apesar dos esforços dos professores e gestores. Para os alunos que não tiveram acesso à interação com o professor, restava fazer as atividades sozinhos em suas casas, ou com a ajuda de familiares nem sempre com tempo ou preparados para ajudar seus filhos. Saviani 14Diante da decisão da SEEDUC de fazer chegar materiais impressos a todos que não receberam pelos Correios ou que não acessaram a plataforma online, o gestor e uma funcionária foram à comunidade convidar os alunos a pegar as atividades na escola e distribuir pessoalmente alguns desses materiais,e depararam-se com as barricadas impostas pelo tráfico como um limite físico de até onde o poder público poderia chegar. Essa situação é imposta aos moradores de comunidades, como esta, que tem otráfico deflagrado. Os pais relatam que os serviços públicos não vão além das barricadas impostas pelo tráfico,e que progressivamente foram perdendo os seus endereços e dependendo cada vez mais de comerciantes locais,que cederam voluntariamente seus estabelecimentos para o recebimento de encomendas e correspondências dos moradores locais.15Atividades elaboradas pelos professores da rede estadual no ano de 2013 e que fazem parte um banco de dados da SEEDUC.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302505(2019, p. 43) nos traz uma importante reflexão:Portanto, para existir a escola não basta a existência do saber sistematizado. É necessário viabilizar as condições de sua transmissão e assimilação”.Se é correto afirmar que em algumas escolas esse ensino remoto alcançou uma quantidade maior de alunos, também é correto afirmar que os alunos afastados dos centros da cidade e que moram em regiõesmais pobres sofreram mais com a ausência da escola, não apenas como um lugar de troca de conhecimentos, mas como um lugar cheio de significações. A alimentação escolar, sem dúvida, merece uma atenção especial neste relato. A SEEDUC passou a distribuir a ajuda alimentar aos alunos com maior vulnerabilidade social por meio do PNAE, que se modificou para atender à especificidade da situação, como faz ver este trecho da Resolução do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação -FNDE, . 02/2020(BRASIL, 2020a).A situação causava imensa preocupação e sofrimento aos gestores escolares, a quem cabia mapear esses alunos e fazer chegar a ajuda. A opção por levar o alimento às casas dos alunos, sem dúvida, se mostrou ainda mais dolorosa. Muitos alunos moram em lugares onde o poder público não chega e as condições de vida são muito difíceis. As barricadas que o tráfico de drogas instala nas ruas e que deveriam ser retiradas e recolocadas para que o carro chegasse até as casas dos alunos aumentava o sofrimento dos funcionários, gestores e de voluntários, que se dispuseram a entregar a ajuda. Aquelas famílias que não recebiam o alimento no mesmo momento dasoutrasentravam em desespero. Era um sinal de que a fome começava a chegar às famílias,e os relatos orais e escritos eram terríveis. A Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro, no dia 23 de maio de 202016,obrigou as escolas estaduais e municipais a distribuir alimentação a todos os alunos de sua rede, por meio da entrega de alimentos ou vale ou ticketspara a compra direta. A partir deste momento, os recursos estaduais regulares retornaram às contas correntes da escola e os gestores puderam contar com todos os recursos de merenda disponibilizados para a escola em tempos antes da pandemia.Porém, evidenciou-se um problema: a renda per capita diária por aluno é muita baixa. A Resolução SEEDUC . 5722, de 18 de fevereiro de 2019 (Rio de Janeiro, 2019),estabelece os valores repassados às escolas de horário parcial para aquisição de gêneros alimentícios, que é de R$ 0,62. Esse valor é complementado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar 16Disponível em: http://www.defensoria.rj.def.br/noticia/detalhes/10297-DPRJ-garante-na-Justica-alimentacao-para-alunos-da-rede-publica. Acesso em: 25 jul. 2020.
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302506(PNAE), como informa a mesma Resolução. Ou seja, os recursos se complementam, porém, não foram suficientes para a distribuição de cestas básicas completas para todos, completas no sentido de atender a todas as necessidades nutricionais dos alunos. A Resolução nº.06, de 08 de maio de 2020 (PNAE)(BRASIL, 2020b),estabelece um valor per capita diáriopara os alunos do ensino fundamental e médio da rede pública de educação básica de R$ 0,36. Portanto, as escolas dispõem de menos de um real por dia. Então,qual foi a solução acordada com a justiça, diante da afirmação, por parte do governo do estado do Rio de Janeiro, de falta de recursos para atender a todos os alunos matriculados com uma cesta básica completa? Os gestores deveriam fazer uma consulta pública a toda a comunidade sobre a necessidade do recebimento dessa ajuda alimentar. E assim os gestores procederam, mesmo com todas as limitações de alcançar a todos os alunos e famílias com essa pesquisa, por motivos já citados aqui, e que passam pela falta de tecnologia e de internet em muitas localidades ou ainda pelas barreiras físicas para alcançar essas famílias. Cada vez mais a escola é chamada a desempenhar diversos papéis sociais, o que a afasta de sua função primeira, a educação. Algebaille (2009, p. 90) fala da escola como instrumento de gestão da pobreza”,e nos traz uma reflexão importante para se pensar a escola historicamente. O aprofundamento de uma forma histórica de escola em que o “escolar” ultrapassa em muito o “educativo”, subordinando-o a outros fins, indica a necessidade de tomar a discussão das relações que a produzem, por meio da reconstituição de alguns elos que efetivamente vingaram no novo contexto -especialmente aqueles entre as inúmeras formas de utilização da escola -, tornando-se a base de implementação de “ajustes” que aprofundariam alguns traços e problemas constitutivos da escola brasileira (ALGEBAILLE, 2009, p.89-90, grifos do autor).Outro aspecto agudizado durante a pandemia da Covid-19 foi o da escola como instância de proteção social. As crianças e jovens ficaram mais vulneráveis à violência na comunidade e na vida doméstica; muitas vezes, ficaram sozinhas em casa quando os pais conseguiam trabalho. Alguns alunos envolveram-se com o tráfico. Na escola, eles podiam contar com os professores, coordenadores e gestores como apoio,e um lugar seguro para passar algum tempo do seu dia. Foi grande a quantidade de jovens que procuraram a escola em busca de documentos e declarações para trabalhar em estágios mal remunerados, para suprir as carências das famílias,que também aumentou, e foi outro fator quecontribuiu para a diminuição do acesso à plataforma onlinefornecida pela SEEDUC. Principalmente, os alunos do 3º ano do Ensino
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302507Médio, que são os mais velhos. Os depoimentos dos alunos são dramáticos. A escolha entre estudar e manter-se vivos não é uma escolha e,sim, uma imposição para esses alunos. A necessidade de trabalhar dos jovens, filhos da classe trabalhadora, nos remete a insistir na urgência da implementação de políticas públicas que atendam a essa parcela da população. Existem algumas chaves de análise, particularmente para os séculos XX e XXI, que nos ajudam a compreender a forma de desenvolvimento brasileiro dependente, de uma intensa expropriação do trabalho e dos meios de vida da população e de imensa concentração de capital nas mãos de poucos grupos empresariais em sua interligação com o grande capital internacional. O capitalismo, desenvolvido e globalizado agora por todas as partes do mundo, guarda peculiaridades e formas de desenvolvimento próprios. Como Marini (2000), Santos (2000) e outros cientistas sociais, Fernandes (1973) aponta que o tipo de capitalismo que irrompeu na América Latina foi do tipo dependente: Esse modelo reproduz as formas de apropriação e de expropriação inerentes do capitalismo moderno (aos níveis da circulação das mercadorias e da organização da produção). Mas, possui um componente adicional específico e típico: a acumulação de capital institucionaliza-se para promover a expansão concomitante dos núcleos hegemônicos externos e internos (ou seja, as economias centrais e os setores sociais dominantes) (FERNANDES, 1973,p. 45).Fernandes (1973) avança em sua análise explicitando que esse modelo de capitalismo traz consigo a aparência de expropriação dos setores internos pelos setores externos, mas pontua que, realmente,os países de capitalismo dependente estão sujeitos a uma extração permanente de suas riquezas, mas que, na verdade, quem sofre mesmo a extração de riquezas é a grande massa assalariada da população. O Brasil desenvolveu essa forma de capitalismoe não rompeu as amarras que o prendiam ao arcaico, antes, as intensificou. Shiroma,MoraeseEvangelista (2000, p. 9) explicitam que, para se analisar as políticas públicas, faz-se necessário “[...] considerar não apenas a dinâmica do capital, seus meandros e articulações, mas os antagonismos e complexos processos sociais que com ele se confrontam”. O sistema capital opera com rígidos controles sociais: com exceção dos trabalhadores de alta qualificação, necessários à organização técnica e social das empresas e rentabilidade financeira; salários mínimos, o suficientepara garantir a sobrevivência da força de trabalho e intensificação da taxa de exploração; tecnologias sociais e digitais de manipulaçãodos interesses e ideologias de justificativa das benesses do capital, em nome do desenvolvimento econômico, principalmente, o consumo sob o signo do status social; repressão e violência frente às manifestações de dissenso. Mészáros (1987, p. 34-35) analisa a necessidade de controle
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302508social do capital:“Ora, o fato é que nos defrontamos aqui com uma contradição interna de um sistema de produção e controle: um sistema que não pode evitar o aumento das expectativas, mesmo ante a ameaça de um completo colapso de sua capacidade em satisfazê-las.Os alunos voltaram às aulas de forma presencial em outubro de 2021, mas as mazelas sociais que atingem, de forma prioritária, os alunos das escolas públicas, fruto da expropriação que as suas famílias sofrem, permanentemente, se mostram mais uma vez como feridas abertas. A preocupação, neste momento, incide sobre a evasão escolar. O Globo, na edição de domingododia 7de novembro de 2021, mostra o drama vivido por alunos e famílias nesta volta às aulas, em matéria intitulada: “O difícil retorno à escola”;a reportagemmostra algumas histórias de alunos das escolas do Rio de Janeiro. Um deles deixou de estudar para trabalhar e ajudar no sustento da família, outra aluna engravidou e,além do abandono escolar, vive sem condições de garantir o próprio sustento e do filho, outros não conseguiram sequer acompanhar às aulas online, por falta de celular. A matéria mostra também os esforços de professores e das escolas para trazer esse alunode volta às aulas, mesmo sabendo de suas duras condições de vida (GALDO; SCHIMIDT, 2021).Situações como essas, apontadas pela imprensa, reforçam os achados de nossa pesquisa de imersão na realidade de uma escola pública da periferia do estado do Rio de Janeiro. Mas podem, perfeitamente, evidenciar as situações vividas por milhares de crianças e jovens espalhados por esse imenso Brasil,e devem ser consideradas na elaboração das políticas públicas, como também fazer parte dos nossos esforços como educadores para que mudanças profundas sejam implementadas na forma como vivemos em sociedade.Considerações finaisEstas considerações finais buscam destacar a análise das principais questões teóricas e práticas que enfrentamos na pesquisa sobre a educação escolar, em nossa prática acadêmico-científica e profissional. Seu tempo é o tempo presente,da emergência da pandemia da Covid-19 e suas consequências na vida dos alunos e seus familiares, dos professores e gestores de uma escola de nível fundamental e médio, de um bairro da região metropolitana do Rio de Janeiro, de março de 2020 a outubro de2021. O trabalho também se desenvolveu considerando os documentos legais e os encaminhamentos políticos dados pelas autoridades educacionais do estado do Rio de Janeiro, no contexto das diretivas nacionais.Temos como pressuposto que a análise do tempo presente tem as mesmas exigências epistemológicas da história sobre fatos do passado. Exige a localização no tempo-espaço dos
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302509acontecimentos, a explicitação das fontes documentais, dos sujeitos envolvidos e do contexto do objeto de pesquisa. Reconhecemos a difusão rápida e extensa da Covid-19, a aceleração do tempo pelas tecnologias, a busca de soluções para a educação escolar pelo ensino remoto, diante das exigências do distanciamento social. Convivemos com a angústia do manejo inesperado de novas metodologias e da carência de equipamentos e condições de vida dos alunos (alimentação, moradia, internet, computadores e/ou celulares) para acompanharem as lições elaboradas pelos professores.Desamparo, fome e privação tecnológica constituem a totalidade social, “síntese de múltiplas determinações” (MARX, 1977, p. 229),com queos sujeitos sociais fazem a história nestes tempos difíceis. Estas não são apenas palavras, são produtos de uma estrutura social, cujas necessidades humanas não são supridas por meio de políticas econômicas e sociais universalizadas para o trabalho, o emprego e o atendimento às necessidades de vida de toda a população.Pela observação participante e nossa inserção no sistema de ensino local, vimos como muitas crianças, repentinamente, ficaram sem a alimentação diária, com os seus pais desempregados, sem internet e sem meios digitais para, no mínimo, continuar alimentando o corpo físico e o seu desenvolvimento cognitivo. Neste contexto, cada vez mais a escola é chamada a desempenhar diversos papéis sociais, o que a afasta de sua função primeira, a educação. Estes fatos do cotidiano escolar não são aceitáveis diante do agravamento das desigualdades sociais, da crescente polarização que pauta a estrutura global do sistema capitalista,em que prevalecem os interesses do mercadoea financeirização da economia. Acrescente-se nossa situação de país dependente dos países desenvolvidos, que se articulam com os interesses das elites nacionais, como bem evidenciam Marini (2000),Fernandes (1973) e outros. Face às contradições entre o que a infância e a juventude necessitam e o que os sistemas de ensino lhes oferecem, com o agravante das restrições sociais e econômicas destes dias de pandemia, cabe lembrar o conceito de escola unitária de Gramsci (2011): que a função do Estado que é a de assumir plenamente as despesas com instrução que estão a cargo da família e pesam para as famílias de trabalhadores de baixa renda. É somente com a educação pública que se pode oferecer uma educação de qualidade a todos, independente das classes sociais a que pertencem.
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302510REFERÊNCIASALFANO, B. Tempo na pandemia de estudo de adolescentes das classes mais altas é 64% maior do que dos pobres. O Globo, 2020. Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/tempo-na-pandemia-de-estudo-de-adolescentes-das-classes-mais-altas-64-maior-do-que-dos-pobres-24703054. Acesso em 27/07/2021ALGEBAILLE, E. Escola pública e pobreza no Brasil. A ampliação para menos. Rio de Janeiro: Lamparina; Faperj, 2009.BAUMAN, Z. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.BAUMAN, Z. Sobre escrever cartas... de um mundo líquido moderno. In: BAUMAN,Z.44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.BECKER, H. Métodos de pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo: Hucitec, 1993.BRASIL. Resolução n. 02, de 09 de abril de 2020. Dispõe sobre a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE durante o período de estado de calamidade pública[...]. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2020a Disponível em: https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/13453-resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%B0-02,-de-09-de-abril-de-2020. Acesso em: 12 mar. 2022.BRASIL. Resolução n. 06, de 08 de maio de 2020. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE. Brasília, DF: MEC; FNDE, 2020b. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/13511-resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%BA-6,-de-08-de-maio-de-2020. Acesso em: 10 fev. 2022.CIAVATTA, M. A história do presente -Uma opção teórica marxista para a pesquisa em trabalho e educação?SEMINÁRIO DE PESQUISA DO GRUPO THESE, 9., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: UFF, UERJ e EPJJV, 2009. No prelo.Disponível em: http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/l202.pdf.Acesso em: 01 ago. 2021.FERNANDES, F. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.FRIGOTTO, G. A produtividade da escola improdutiva: Um reexame das relações entre educação e estrutura econômico-social capitalista. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2010.FRIGOTTO, G; CIAVATTA, M.; RAMOS, M. (org.). Ensino Médio Integrado: Concepção e contradições. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2012.GALDO, R.; SCHIMIDT, S. O difícil retorno à escola: Professores vão às casas de alunos faltosos e criam até grupo de “detetives” para evitar a evasão. O Globo, Rio de Janeiro, 2021.GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. v. 2.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAe Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302511HOBSBAWN, E. A era dos extremos: O breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.MARINI, R. M. Dialética da dependência. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.MARX, K. Contribuição para a crítica da economia política. Lisboa: Estampa, 1977.MARX, K. O capital. (Crítica da economia política). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Cortez, 1998.MELUCCI, A. Juventude, tempo e movimentos sociais. Revista Brasileira de Educação, v. 4, n. 2, p. 3-14, maio/dez. 1996. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n05-06/n05-06a02.pdf. Acesso em: 23 maio 2021.MÉSZÁROS, I. A necessidade de controle social. São Paulo: Ensaio, 1987.MÉSZÁROS, I. Produção destrutiva e Estado capitalista.2. ed. São Paulo: Editora Ensaio, 1996.NORA, P. Entre mémoire et histoire: Laproblematiquedeslieux. In:NORA, P. Leslieux de memoire: La République. Paris: Gallimard, 1984.RIO DE JANEIRO. Decreto n. 46.970, de 13 de março de 2020. Dispõe sobre medidas temporárias de prevenção ao contágio e de enfrentamento da propagação decorrente do novo coronavírus (Covid-19), do regime de trabalho de servidor público e contratado, e dá outras providências. Rio de Janeiro: Governo do Estado, 2020a. Disponível em: https://pge.rj.gov.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=MTAyMjE%2C. Acesso em: 12 jan. 2022.RIO DE JANEIRO. Deliberação CEE n. 376, de 23 de março de 2020. Orienta as Instituições integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Estado do Rio de Janeiro [...]. Rio de Janeiro: Presidência do CEE, 2020c. Disponível em: http://www.cee.rj.gov.br/deliberacoes/D_2020-376.pdf. Acesso em: 25 abr. 2021.RIO DE JANEIRO. Recomendação n. 01/2020, de 03 de abril de 2020. Rio de Janeiro: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, 2020b. Disponível em: http://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.pdf. Acesso em: 25 abr. 2021.RIO DE JANEIRO. Resolução SEEDUC n. 5993, de 19 de outubro de 2021. Dispõe sobre as diretrizes para o retorno das aulas presenciais no sistema estadual de ensino do Rio de Janeiro, em todas suas etapas e modalidades, e dá outras providências. Rio de Janeiro: Secretário de Estado de Educação, 2021. Disponível em: https://ibee.com.br/materia/resolucao-seeduc-5993-de-19-10-2021-dispoe-sobre-as-diretrizes-para-o-retorno-das-aulas-presenciais-no-sistema-estadual-de-ensino-do-rio-de-janeiro-em-todas-suas-etapas-e-modalidades-e-da-outras-p/. Acesso em: 12 fev. 2022.
image/svg+xmlA escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302512SANTOS, T. A teoria da dependência. Balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica, quadragésimo ano: Novas aproximações. Campinas, SP: Autores Associados, 2019.SHIROMA, E. O.; MORAES, M. C. M.; EVANGELISTA, O. Política Educacional. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.SILVA, F. G.Ensino Médio Integral e Integrado à Educação Integral Profissional: Mediações e contradições na formação da classe trabalhadora. 2019. Tese(Doutorado em Educação) Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, sob a orientação da Prof.(a) Dr.(a) Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019Como referenciar este artigoSILVA, F. G.; CIAVATTA, M. A escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológica. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, out./dez. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16730Submetido em: 30/04/2022Revisões requeridas em: 09/07/2022Aprovado em: 11/10/2022Publicado em: 30/12/2022Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.Revisão, formatação, normalização e tradução.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302495LA ESCUELA EN TIEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, HAMBRE Y CARENCIA TECNOLÓGICAA ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, FOME E PRIVAÇÃO TECNOLÓGICASCHOOL IN TIMES OF PANDEMIC: HELPLESSNESS, HUNGER AND TECHNOLOGICAL DEPRIVATIONFlávia Gonçalves da SILVA1Maria CIAVATTA2RESUMEN: Este artículo resulta del conocimiento de las contingencias que vive la población brasileña en tiempos de la pandemia de la COVID 19, cuyas situaciones de desamparo, hambre y carencia tecnológica se han vuelto más evidentes. Desde un punto de vista metodológico, ubicamos la pandemia en la historia del presente, es decir, en el tiempo-espacio en los acontecimientos del período 2020 a 2021. Se utilizó un enfoque histórico-cualitativo con observación participante y análisis de la legislación. Defendemos que la distribución de los bienes sociales de manera igualitaria choca con los intereses de las clases dominantes, exigiendo un cambio urgente en la forma en que producimos nuestra existencia y el sentido del desarrollo económico y social. Buscamos demostrar los desafíos del período de la pandemia en una escuela pública del Estado de Río de Janeiro. En este contexto, los resultados apuntan al recrudecimiento de las situaciones de exclusión social y desamparo que viven estudiantes, docentes y directivos.PALABRAS CLAVE: Tiempo presente. Escuela. Pandemia. Diferencias sociales.RESUMO: Este artigo resulta do conhecimento das contingências que a população brasileira vivencia em tempos de pandemia da COVID-19, cujas situações de desamparo, fome e privação tecnológica tornaram-se mais evidentes. Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia na história do presente, isto é,no tempo-espaço nos acontecimentos do período de 2020 a 2021. Foi utilizadauma abordagem histórico-qualitativa com observaçãoparticipante e análise da legislação.Defendemos que a distribuição dos bens sociais de forma igualitária colide com os interesses das classes dominantes, sendo necessária uma mudança urgente na forma como produzimos a nossa existência e o sentido do desenvolvimento econômico e social. Procuramos demonstrar os desafios do período pandêmico emuma escola pública do estado do Rio de Janeiro.Neste contexto, osresultados apontamparao agravamentodas situações deexclusão social e de desamparovivenciadas pelos alunos, professores e gestores.PALAVRAS-CHAVE: Tempo presente.Escola.Pandemia.Desigualdades sociais.1Universidad Federal Fluminense (UFF), Niterói RJ Brasil. Estudiante de doctorado del Programa de Posgrado en Educación. ORCID:https://orcid.org/0000-0001-5249-3001.E-mail: flaviagsmendes@gmail.com2Universidad Federal Fluminense (UFF), NiteróiRJBrasil. Profesora Titular en Trabajo y Educación del Programa de Posgrado en Educación.Doctorado en Educación (PUC-Rio).ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5854-6063.E-mail:maria.ciavatta@gmail.com
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302496ABSTRACT:This article results from the knowledge of the contingencies that the Brazilian population experiences in times of the COVID 19 pandemic, whose situations of helplessness, hunger and technological deprivation have become more evident. From a methodological point of view, we place the pandemic in the history of the present, that is, in time-space in the events of the period from 2020 to 2021. A historical-qualitative approach was used with participant observation andanalysis of legislation.We defend that the distribution of social goods in an egalitarian way collides with the interests of the dominant classes, requiring an urgent change in the way we produce our existence and the meaning of economic and social development. We seek to demonstrate the challenges of the pandemic period in a public school in the State of Rio de Janeiro. In this context, the results point to the worsening of situations of social exclusion and helplessness experienced by students, teachersand managers.KEYWORDS:Present tense.School.Pandemic.Social differences.IntroducciónEste texto fue elaborado durante el proceso de investigación para la tesis doctoral (SILVA, 2019) sobre secundaria integral e integrada a la educación profesional, en la red pública del estado de Río de Janeiro3.Los callejones sin salida y las transformaciones de la rutina escolar causados por la pandemia de Covid-19 trajeron nuevas preguntas al campo de la investigación trabajo-educación, particularmente a la concepción de la educación integral y la formación integrada. A las mediaciones y contradicciones presentes, históricamente, en la formación de la clase trabajadora, hemos sumado las dificultades generadas por la pandemia, incluso desde el punto de vista de los derechos sociales no consolidados (salud, educación, vivienda, alimentación y otros).Existe un presente bajo la amenaza permanente de contaminación del Covid-19, la incertidumbre sobre la atención médica y la efectividad de los tratamientos, la inquietud y consternación que invaden el alma en el distanciamiento social prolongado. Este trabajo nació del conocimiento y la aproximación con las contingencias que la población brasileña y la humanidad en su conjunto están viviendo en el presente.En las escuelas, la proximidad forma parte de la estructura de relaciones entre estudiantes y profesores, y el distanciamiento social con el uso de mascarillas fue la única medida de protección efectiva hasta la llegada de las vacunas.Se promulgaron normas jurídicas para la circulación de personas, y las autoridades ordenaron a los maestros y estudiantes que se quedaran en casa. 3SILVA, Flávia Gonçalves da, Escuela Secundaria Integral e Integrada a la Educación Profesional Integral: mediaciones y contradicciones en la formación de la clase obrera. Proyecto de tesis doctoral. (Educación) del Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Federal Fluminense, bajo la dirección de la Prof. Dr. (a) Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302497Casi inmediatamente, en el estado de Rio de Janeiro, la Secretaría de Educación (SEEDUC) inició la convocatoria de profesores para la Educación a Distancia y asesoró sobre los procedimientos didácticos a seguir para la continuidad de los estudios de los estudiantes. Este trabajo es producto de la observación participante y del registro y análisis de sucesivos informes de maestros de escuela primaria sobre las condiciones de implementación de la Educación Remota y las condiciones de vida de los estudiantes del Colegio Estatal "20"4, desde el 13 de marzo de 2020 hasta principios de octubre de 2021, respecto de las condiciones y necesidades de vivienda y seguridad, alimentación y acceso a recursos digitales para el estudio, en sus hogares.Desde un punto de vista metodológico, situamos la pandemia del Covid-19 en la historia del presente (BAUMAN, 2007; HOBSBAWN, 1995; NORA, 1984). Sobre las necesidades humanas, nos referimos a su relación con la estructura social (MARX, 1980; MÉSZÁROS, 1996). Otras fuentes de consulta y monitoreo de los cambios de vida, que ocurrieron durante la pandemia, son las noticias de la mayor prensa de Río de Janeiro y São Paulo. Se trata de un estudio con enfoque histórico-cualitativo, que busca demostrar los desafíos del período de pandemia para estudiantes, profesores y directivos de una escuela pública en el estado de Río de Janeiro.En la primera sección, tratamos la historia del presente; en la segunda sección, reflexionamos sobre el sistema de capitales, las políticas públicas y las desigualdades sociales; En la tercera sección esbozamos un panorama de las condiciones de vivienda, alimentación, seguridad y acceso de los estudiantes a las tecnologías digitales y las nuevas atribuciones de los docentes para impartir actividades en educación remota; y, finalmente, nuestras consideraciones finales, seguidas de referencias.La historia de la actualidadHablar de la pandemia del Covid-19 es hablar del tiempo que estamos viviendo, es hablar de eventos que estamos compartiendo. En el campo de los historiadores, esta proximidad a la dimensión temporal dio lugar a la historia del tiempo presente, que se refiere a la concepción del tiempo pasado, presente y futuro y la posibilidad de conocimiento de cada una de estas temporalidades5.4El número "20" dado al Colegio Estatal tiene como objetivo preservar la identidad de la comunidad escolar.5Esta introducción continúa la presentación oral de Ciavatta (2009).
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302498Una primera concepción del tiempo presente es la interpretación de la historia a través de una lectura fáctica e inmediata, el tiempo como don permanente, el presentismo. El término es visto con un significado peyorativo en el sentido de que trata de fenómenos aislados de su contexto histórico, y causa una pérdida de memoria por la ignorancia del pasado. Pero esta concepción no prevalece entre todos los historiadores reconocidos, para quienes la historia del presente es una cuestión de temporalidad, porque sus requisitos son los mismos que toda concepción de la historia.Aquí asumimos esta particularidad de la historia como una historia del tiempo presente, que tiene varios aspectos de aproximación. Uno de ellos es el presentismo, concebido en función de las grandes transformaciones del siglo XX. Es la lectura de Zygmunt Bauman (2007) la que trata en sus libros delAmor Líquido, de Vida Neta, de Modernidad Líquida. Así lo justifica enunacarpeta: "El mundo que llamo líquido porque, como todos los líquidos, nunca inmoviliza ni conserva su forma por mucho tiempo".(BAUMAN, 2011, p. 2, nuestra traducción).EnVida líquida, Bauman (2007, nuestra traducción) “[...] llama la atención sobre los problemas que la condición actual del sistema capitalista plantea en el ser humano actual, entre la necesidad de adaptarse al ritmo destructivo-creativo6de los mercados y el miedo a perder el contacto, a volverse prescindible". En este mundo de cambios a un ritmo permanente, los logros individuales se hacen y se desaprovechan. Lo que Marx y Engels recuerdan (1998, p. 8, nuestra traducción), en el Manifiesto, cuando dice sobre el sistema capitalista: "todo lo que es sólido y estable se desmantela en el aire".Otro aspecto de la historia del presente está en los estudios sobre la juventud. La idea de una juventud presentista se encuentra en los estudios del sociólogo italiano Alberto Melucci (1996, p. 4, nuestra traducción), cuando menciona que "la juventud, porsus condiciones culturales y biológicas, es el grupo social más directamente expuesto a estos dilemas, el grupo que los hace visibles a la sociedad en su conjunto".El presentismo vivido afecta la comprensión del tiempo que se hace presente, sin memoria del pasado y sin perspectiva del futuro. La aceleración del tiempo por las tecnologías de la comunicación (internet y medios de transporte) ha dado un ritmo más rápido a la producción de bienes y las relaciones entre las personas. Salvo nuevas investigaciones, Hobsbawn (1995, en Brasil y 1994, en Europa) habría sido el primer historiador en llamar la atención sobre la forma en que la juventud vive una 6Mészáros (1996) llama a este fenómeno del mundo capitalista actual producción destructiva.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302499especie de presente continuo: "Casi todos los jóvenes de hoy nacen en una especie de presente continuo, sin ninguna relación orgánica con el pasado público del tiempo en el que viven" (HOBSBAWN, 1995, p. 13, nuestra traducción).En el prefacio del libro La era de los extremos: el breve siglo XX, Hobsbawn(1995),da una lectura de la casi imposibilidad de escribir una historia del presente. Sus argumentos llevan la marca de su cultura histórica, legitimidad científica y honestidad en la identificación de los límites del historiador. El sistema de capitales, las políticas públicas y las desigualdades socialesIndefensión, hambre y privación tecnológica no son sólo palabras, son productos de una estructura social, cuyas necesidades humanas no se satisfacen a través de políticas económicas y sociales universales para el trabajo, el empleo y la satisfacción de las necesidades de vida de toda la población. En consecuencia, se generan desigualdades sociales que, en Brasil, tienen una historia antigua, provienen de la Colonia, permanecen en el Imperio y continúan en la República hasta nuestros días. La apropiación de la riqueza social producida por el trabajo se concentra y se acumula en manos de los propietarios de los medios de producción, los empresarios, sus inversiones financieras, su articulación con los rentistas internacionales y con los poderes republicanos, al servicio del sistema capitalista.Las desigualdades son visibles en la estructura de clases que, en este momento de pandemia, afectan principalmente, de manera severa, a los más pobres. Los centros de salud y los hospitales públicos presentan recursos y servicios que ponen de relieve la falta de políticas públicas eficaces para hacer frente a la gravedad de la enfermedad. En el otro extremo de la pirámide social, que forma la población brasileña, es visible la abundancia de servicios médicos privados para las clases de altos ingresos.El significado de las palabras de Marx (1980, p. 554, nuestra traducción) de, por trabajo, educación y organización social, "producir seres humanos plenamente desarrollados" se desmorona en el espejismo de los anuncios engañosos y en la ausencia de poder público. No se garantizan todos los medios para satisfacer las necesidades básicas de supervivencia, como alimentos, agua potable, saneamiento, vivienda, salud, educación, seguridad, seguridad social. Otras dificultades de las clases de bajos ingresos son la desinformación y la falta de conocimiento crítico y apoyo legal para moverse en las complejidades de los derechos sociales, no asegurados por el gobierno.El sistema de capital opera con estrictos controles sociales a través del poder económico, la legislación favorable a las empresas. Existe una creciente polarización inherente a la
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302500estructura global del capitalismo, la financiarización de la economía y nuestra situación como país dependiente del sistema de capitales de los países desarrollados (FERNANDES, 1973; MARINI, 2000; SANTOS, 2000), articulado con las élites nacionales.Es un desarrollo que se alimenta de lo arcaico (FRIGOTTO, 2010) y que no contribuye al desarrollo de un país que mantiene excluida de los derechos básicos a gran parte de la población. El Plan Nacional Continua por Muestreo de Domicilios(PNAD Contínua, 2020), el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), muestra una tasa de desempleo de personas de 14 años o más del 13,3% de la población en el segundo trimestre de 20207. La distribución de los bienes sociales choca con los intereses de la burguesía nacional e internacional. Miles de niños, jóvenes y adultos de la clase trabajadora son relegados a un papel secundario en las políticas públicas. Estos problemas se evidenciaron claramente en tiempos de pandemia de covid-19. En el Colegio Estatal "20", como otros en la red pública, los niñosde repente se quedaron sin comida diaria, con sus padres desempleados, sin internet y medios digitales para al menos seguir alimentando el cuerpo físico y su desarrollo cognitivo.La escuela, como señalan Frigotto, Ciavatta y Ramos (2012, p. 7, nuestra traducción), debe entenderse dentro del proyecto de sociedad en el que vivimos:Debido a que la escuela es una institución producida dentro de ciertas relaciones sociales, este retrato solo gana mejor comprensión cuando se capta dentro de la especificidad del proyecto capitalista de la sociedad, que se estaba construyendo en Brasil: un largo proceso de colonización (económica, político-social ycultural), siendo la última sociedad occidental en proclamar el fin de la esclavitud.En un país de escolarización tardía para la mayoría de la población, con datos de universalización de la escuela primaria que datan sólo de finales del siglo pasado, y todavía con el desafío de llevar la educación escolar a todos los jóvenes en la escuela secundaria y para aquellos que no pudieron escolarizar en un supuesto momento determinado, encontramos sobre la escuela una serie de tareas. La responsabilidad de alimentar a niños, jóvenes y adultos es una de ellas. El Programa Nacional de Alimentación Escolar (PNAE), sin duda, es uno de los programas de alimentación más importantes del mundo y beneficia a millones de estudiantes de educación brasileña. Es también a través de la escuela que uno de los principales programas de transferencia de ingresos, Bolsa Familia, guía a sus beneficiarios8.7Búsqueda disponible en: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?edicao=28382&t=destaques. Acceso: 04 nov. 2020.8Ocioso de los dividendos políticos de un programa creado por los gobiernos del PT, y presionado por las cuentas públicas del país, al servicio del capital rentado, Bolsa Familia está siendo reestructurado por el actual gobierno.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302501Debido a la pandemia de Covid-19, estamos atrapados en algunas contradicciones en esta forma de desarrollo social. Con las escuelas cerradas, la acción forma parte del aislamiento social, propuesto por la Organización Mundial de la Salud (OMS); El hambre comenzó a llamar a la puerta de los niños en varios estados y ciudades brasileñas. La escuela ha sido llamada nuevamente para dar cuenta de un problema que, en esencia, no es suyo: las necesidades nutricionales diarias de sus estudiantes y familiares.La exclusión digital es otro factor que impactó la exclusión de niños y jóvenes de la clase trabajadora en este contexto de pandemia. Las escuelas públicas se han enfrentado a la siguiente situación: algunos gobiernos estatales han implementado la educación remota y la dura realidad de los pobres se ha evidenciado una vez más. En el Colegio Estatal "20", pocos estudiantes tenían acceso a equipos digitales de calidad e Internet, lo que podía facilitar el contacto entre la escuela y la familia. Las funciones de la escuela y su red de significadosEl trabajo de campo que da las bases de este trabajo tiene como referencia principal la observación participante, presentada por el antropólogo Howard Becker (1993, p. 47, nuestra traducción):El observador participante recopila datos a través de su participación en la vida diaria del grupo u organización que estudia. Observa a las personas que está estudiando para ver las situaciones a las que normalmente llegan y cómo se comportan ante ellas. Converso con algunos o todos los participantes en esta situación y descubro las interpretaciones que tienen sobre los eventos que observaron. Sin embargo, dadas las circunstancias de convivencia cotidiana con los problemas generados por la pandemia del Covid-19, los imprevistos generados por la realidad y las derivaciones de las autoridades, no realizamos la investigación de acuerdo con las cuatro etapas de análisis del autor (BECKER, 1993, p. 49-50, nuestra traducción). Realizamos el trabajo según las circunstancias y necesidades de los alumnos, familiares y equipos escolares, en el colegio y en visitas a familias para entregar canastas básicas.Nuestra observación y reflexión busca resaltar la vida cotidiana de una comunidad escolar en la región metropolitana del estado de Río de Janeiro, duramente golpeada por las consecuencias de las diversas crisis que afectan a nuestro país, y que la pandemia de Covid-19 solo se ha intensificado. También buscamos provocar una reflexión sobre los cambios urgentes que son necesarios no solo para la escuela, sino para la sociedad brasileña en su conjunto.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302502La escuela está ubicada en una región pobre y alejada de grandes centros comerciales y con tráfico de drogas y violencia conflagrada, una realidad que perfectamente puede extenderse a otras escuelas y regiones de nuestro país. La escuela elegida tiene un promedio de 400 estudiantes, 35 profesores y tres miembros del equipo directivo.La pandemia mundial de Covid-19 mostró la herida abierta de la desigualdad socialque azota a nuestro país y, más específicamente, la realidad del estado de Río de Janeiro. En el decreto No. 46.970, de 13 de marzo de 2020 (RIO DE JANEIRO, 2020a), El gobernador Wilson Witzel (actualmente castigado con la pérdida del cargo después delimpeachmentsufridas por diversas faltas de conducta)9, iinicialmentese implementaron una serie de medidas y, entre ellas, la suspensión temporal por 15 días de las clases presenciales como una de las acciones para prevenir el contagio de la enfermedad. Pero la situación duró otros 15 días y meses seguidos, hasta octubre de 2021, cuando la resolución SEEDUC (Secretaría de Estado de Educación) No. 5993, de 19 de octubre de 2021 (RIO DE JANEIRO,2021), determinó la reanudación total de los estudiantes a las actividades presenciales. Los problemas causados por el cierre de las escuelas pronto aparecieron. Los maestros fueron puestos en el recreo escolar durante dos semanas y los estudiantes tenían sus vacaciones semestrales con anticipación. Durante este período de receso, las ideas de una Educación Remota fueron utilizadas dentro del Gobierno del Estado (SEEDUC). Y todos los profesionales de la educación se sorprendieron por esta nueva forma de interactuar con los estudiantes. Así, se cerró la asociación entre la Secretaría de Estado de Educación y el gigante estadounidense Google, a través de su plataforma digital Google ClassRoom (sala de aula), enmarzo 18, 202010, ampliamente anunciado en las redes sociales y los medios de comunicación. Los profesores recibieron formación como formadores, de la propia SEEDUC y del equipo de Google.Profesores, alumnos y directivos recibieron un correo electrónico específico con login y contraseñapara acceder a una escuela que fue transportada al universo virtual. En un primer momento, hubo mucha discusión entre los profesionales de la educación, encabezados por el Sindicato de Profesionales de la Educación (SEPE), que intentaron resistir esta nueva medida emanada de los organismos oficiales. Después de todo, esta medida no fue ampliamente 9Las observaciones y análisis reflejan situaciones experimentadas, especialmente durante el período comprendido entre marzo de 2020 y octubre de 2021.10Para ver la entrevista completa del Secretario de Educación del Estado de Río de Janeiro, Pedro Fernandes, simplemente haga clic en elsiguiente enlace. Disponible en: https://www.facebook.com/watch/?v=270821307247696. Acceso: 24 Jul. 2020.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302503debatida entre los profesionales de la educación y generó mucha inseguridad entre todos. Pero el miedo a la contaminación por el nuevo virus y la inseguridad sobre su propio empleo no han permitido a los maestros resistirse aestas medidas. Frente a muchas preguntas sobre los procedimientos adoptados por SEEDUC, para que la educación pudiera tener lugar en el período de aislamiento social, el Ministerio Público del Estado de Rio de Janeiro(MPRJ) solicitó aclaración a esta Secretaría de Estado (Carta 2ª PJTCPEC No. 112/2020, de 19 de marzo de 2020, Recomendación No. 01/2020)11.Brevemente, la mencionada Carta solicitaba respuestas de la SEEDUC sobre la garantía de la salud de los estudiantes, profesionales de la educación y familiares; cómo estaría en marcha el año escolar 2020; ya que se garantizaban los espacios de discusión en los diversos colegiados de las instituciones educativas; información sobre el posible uso de plataformas digitales y si se garantizará el acceso a los alumnos mientras se garantizan las medidas de aislamiento social; cómo estaba sucediendo la atención a los estudiantes con necesidades especiales. También corresponde a SEEDUC informar si, tal vez, en un regreso a clases, los estudiantes con necesidades específicas serán atendidos en sus hogares; debe informar al Ministerio Público del Estado de Rio de Janeiro (MPRJ) cómo se garantizaría el derecho a la alimentación escolar a sus estudiantes y qué recursos se utilizarían para esta acción. La Recomendación No. 01/2020 (RIO DE JANEIRO, 2020b), anteriormente mencionado, va más allá y añade la solicitud de aclaración sobre el coste de los acuerdos entre Google y SEEDUC y los importes ya pagados. Como también requiere el cumplimiento de la Deliberación de la Junta Estatal de Educación (CEE) nº.376, de 23 de marzode 2020(RIO DE JANEIRO, 2020c), documento en el que es necesario que la agencia haga público el Plan de Acción Pedagógica antes de implementar la educación remota. Finalmente, incluso en medio de tantas decisiones judiciales y solicitudes de aclaración provenientes de la sociedad civil, de manera autocrática, SEEDUC inició clases remotas el 6 de abril de 2020.Los maestros y los directores de las escuelas tuvieron que reinventarse. No solo estamos hablando de aprender nuevas tecnologías digitales, sino de aprender una nueva forma de vida. Estos profesionales son madres, padres, abuelos. Ante el aislamiento social impuesto por el nuevo escenario pandémico contaban con una red de apoyo para desarrollar sus tareas laborales. Los niños estaban en la guardería o la escuela, o incluso en la casa de sus abuelas. Estas 11Disponible en: https://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.pdf. Acceso: 25 Jul. 2020.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302504personas, en este momento, deben ser protegidas y retiradas del contacto con niños en riesgo de contagio fácil de la enfermedad y consecuencias graves, como incluso la muerte. Para las maestras y profesionales de la educación el peso era mayor, dependía de ellas ser madre, mujer, profesional, estudiante y cuidadora familiar. Todo esto al mismo tiempo y todo el tiempo. Pero los maestros y gerentes asumieron la tarea de desarrollar la educación remota. Lejos de ser una unanimidad entre los educadores, era lo que encajaba en ese momento tan difícil e incierto para todos. Como ya se mencionó, los problemas causados por el cierre de escuelas comenzaron a surgir. Los estudiantes, para acceder a esta plataforma digital, GoogleClassroom, necesitaban equipos digitales e internet de banda ancha o un paquete de datosmóviles que soportara el uso de la herramienta. Y eso no fue posible para el 70% de los estudiantes de esta comunidad. Las familias a menudo solo tenían un teléfono celular, que a menudo se quedaba con el padre o la madre del estudiante. Aquellos que aún podían acceder se sorprendieron por el robo de cables de Internet en medio de la pandemia, y el porcentaje cayó aún más. Los profesores y directivos también tuvieron que comprar mejores equipos y aumentar la velocidad de sus redes de internet y/o contratar nuevos servicios, un costo adicional para estos profesionales. Uno, dos o un máximo de tres estudiantes por día participaron en las clases. Para una escuela que atiende a los jóvenes con prioridad, el daño es inconmensurable. Tanto la educación escolar como la formación humana, que también se forman en otras instancias sociales, pero que no pueden prescindir de este espacio, se vieron comprometidas. Los gerentes pudieron hacer que esta escuela funcionara, ayudando a los estudiantes, las familias y los maestros a hacer que las cosas funcionaran. Además de pesarles la administración de la escuela en el entorno virtual y físico, porque la escuela seguía en el mismo lugar y con sus problemas de mantenimiento, burocráticos, y con una tarea más: ayudar a las familias proporcionando apoyo alimentario a los alumnos que lo necesitaban. Después de todo, la escuela debe estar lista y de pie para un regreso a clase que podría ocurrir en cualquier momento.La promesa de internet gratuito del estado para profesionales y estudiantes escolares solo se materializó, parcialmente, casi un año después, cuando SEEDUC creó la aplicación Applique-sey puesto en uso el 1 de marzo de 202112,que funcionaba con acceso gratuito a estudiantes y profesores en la red. Después de muchos meses de aislamiento social, pocos estudiantes pudieron participar en esta nueva forma de enseñar y aprender. La falta de 12Más información sobre Applique-seestádisponible en: https://www.seeduc.rj.gov.br/applique-se. Acceso: 25 de abril de 2022.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302505dispositivos móviles y computadoras también contribuyó a la eliminación de estudiantes. La brecha entre los estudiantes de las escuelas privadas, consideradas de calidad, y los estudiantes de la red pública estatal, se amplió aún más13.La dualidad educativa brasileña estuvo presente de manera más marcada en estos tiempos de pandemia. Gramsci (2001), en sus escritos, nos remite al concepto de escuela unitaria, una escuela que reúne a todos de la misma manera, que es capaz de unir el conocimiento universal con el conocimiento técnico. Describe la función del Estado, que es asumir los gastos de educación que son sufragados por la familia. Y sólo así, con la educación pública, se puede llegar a todos, independientemente de las clases socialesa las que pertenezcan: La escuela de educación unitaria o humanista (entendida por este término, "humanismo", en un sentido amplio y no sólo en el sentido tradicional), o de cultura general, debe asumir la tarea de insertar a los jóvenes en la actividadsocial, después de haberlos elevado a un cierto grado de madurez y capacidad de creación intelectual y práctica y una cierta autonomía en orientación e iniciativa (GRAMSCI, 2001, p. 36, griffin del autor, nuestra traducción).La mayoría de los estudiantes de esta comunidad, en particular, vieron interrumpido su proceso de aprendizaje. La falta de instrumentos básicos para la enseñanza a distancia y la dirección de los estudiantes también marcaron la diferencia. La solución encontrada por SEEDUC,para los estudiantes que no tenían acceso a la plataforma digital, fue la entrega de14, en la casa de cada uno de ellos, de los folletos de Actividades Autorreguladas15,en papel impreso.Para que esta acción se llevara a cabo, se firmó un contrato con la Oficina de Correos. La Oficina de Correos debe entregar a las residencias de los estudiantes (sin acceso a internet) las actividades elaboradas por SEEDUC. Pero los folletos no llegaron a todos los estudiantes. Los estudiantes que viven en un área con la violencia que ha tenido no han recibido los folletos en tiempo real, debido a amenazas o interferencias de traficantes locales. Aquellos que 13"Los adolescentes de los niveles A y B estudian un 64% más de horas que los de la clase E, muestra un estudio de FGV Social con datos del IBGE. Las cifras son de agosto y los responsables de la investigación son los economistas Marcelo Neri y Manuel Osório" (ALFANO, 2020, p. 17, nuestra traducción).14Ante la decisión de SEEDUC de llevar materiales impresos a todos los que no recibieron por parte de Correos o que no accedieron a la plataforma en línea, el gerente y un empleado fueron a la comunidad para invitar a los estudiantes a tomar las actividades en la escuela y distribuir personalmente algunos de estos materiales, y se encontraron con las barricadas impuestas por el tráfico como un límite físico de hasta dónde podía llegar el gobierno. Esta situación se impone a los residentes de comunidades, comoesta, que tiene la trata en el exterior. Los padres informan que los servicios públicos no van más allá de las barricadas impuestas por la trata, y que han ido perdiendo cada vez más sus direcciones y resonando cada vez más en los comerciantes locales, que han renunciado voluntariamente a sus establecimientos para recibir paquetes y correo de los residentes locales.15Actividades elaboradas por los docentes de la red estatal en 2013 y que forman parte de una base de datos de SEEDUC.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302506recibieron los materiales en sus hogares tambiéntuvieron muchas dificultades para realizar las tareas.Entendiendo que el docente es fundamental para un aprendizaje significativo, la Educación Escolar, como mera transmisión de conocimientos, se ha fortalecido en la red estatal, a pesar de los esfuerzosde docentes y directivos. Para los estudiantes que no tenían acceso a la interacción con el maestro, se les dejó hacer las actividades solos en sus hogares, o con la ayuda de miembros de la familia no siempre con tiempo o preparados para ayudar a sus hijos. Saviani (2019, p. 43) nos trae una importante reflexión: "Por lo tanto, para existir la escuela no basta con la existencia de conocimiento sistematizado. Es necesario habilitar las condiciones de su transmisión y asimilación".Si es correcto decir que en algunas escuelas esta enseñanza remota ha llegado a un mayor número de estudiantes, también es correcto decir que los estudiantes alejados de los centros urbanos y que viven en regiones más pobres sufrieron más por la ausencia de escuela, no solo como un lugar de intercambio de conocimientos, sino como un lugar lleno de significados. Sin duda, la alimentación escolar merece una atención especial en este informe. SEEDUC comenzó a distribuir ayuda alimentaria a estudiantes con mayor vulnerabilidad social a través del PNAE, el cual ha cambiado para atender las particularidades de la situación, como este extracto de la Resolución del Fondo Nacional para el Desarrollo de la Educación -FNDE, . 02/2020(BRASIL, 2020a).La situación causó una inmensa preocupación y sufrimiento a los directores de las escuelas, que pudieron mapear a estos estudiantes y obtener ayuda. La elección de llevar comida a los hogares de los estudiantes sin duda resultó aún más dolorosa. Muchos estudiantes viven en lugares donde el poder público no llega y las condiciones de vida son muy difíciles. Las barricadas que el narcotráfico instala en las calles y que deben ser removidas y reubicadas para que el auto pueda llegar a las casas de los estudiantesaumentaron el sufrimiento de empleados, gerentes y voluntarios, que estaban dispuestos a entregar la ayuda.Las familias que no recibieron alimentos al mismo tiempo que las demás se desesperaron. Era una señal de que el hambre comenzaba a llegar a las familias, y los relatos orales y escritos eran terribles. La Defensoría Pública del Estado de Rio de Janeiro, el 23 de mayo de 202016,obligó a las escuelas estatales y municipales a distribuir alimentos a todos los estudiantes de su red, a 16Disponible en: http://www.defensoria.rj.def.br/noticia/detalhes/10297-DPRJ-garante-na-Justica-alimentacao-para-alunos-da-rede-publica. Acceso: 25 jul. 2020.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302507través de la entrega de alimentos o valeso boletospara compra directa. A partir de este momento, los recursos estatales regulares regresaron a las cuentas corrientes de la escuela y los gerentes pudieron contar con todos los recursos de almuerzo puestos a disposición de la escuela en los días previos a la pandemia.Sin embargo, había un problema: el ingreso diario per cápita por estudiante es muy bajo. La Resolución SEEDUC . 5722, de 18 de febrero de 2019 (Rio de Janeiro, 2019),establece los montos transferidos a las escuelas a tiempo parcial para la adquisición de alimentos, que es de R$ 0,62. Este valor se complementa con el Programa Nacional de Alimentación Escolar (PNAE), según lo informado por la misma Resolución. En otras palabras, los recursos se complementan entre sí, sin embargo, no fueron suficientes para la distribución de canastas básicas completas para todos, completas para satisfacer todas las necesidades nutricionales de los estudiantes. La Resolución nº.06, de 08de mayode 2020 (PNAE)(BRASIL, 2020b),establece un valor diario per cápita para los estudiantes de primaria y secundaria de la red pública de educación básica de R$ 0,36. Por lo tanto, las escuelas tienen menos de un real por día. Entonces, ¿cuál fue la solución acordada con la justicia, dada la declaración del gobierno del estado de Rio de Janeiro de falta de recursos para atender a todos los estudiantes matriculados con una canasta básica completa? Los gestores deben hacer una consulta pública con toda la comunidad sobre la necesidad de recibir esta ayuda alimentaria. Y así procedieron los directivos, incluso con todas las limitaciones de llegar a todos los estudiantes y familias con esta investigación, por razones ya mencionadas aquí, y que pasan por la falta de tecnología e internet en muchos lugares o incluso las barreras físicas para llegar a estas familias. Cada vez más la escuela está llamada a desempeñar diversos roles sociales, lo que la aleja de su primera función, la educación. Algebaille (2009, p. 90, nuestra traducción) habla de la escuela como un "instrumento de gestión de la pobreza", y nos trae una reflexión importante para pensar la escuela históricamente. La profundización de una forma histórica de escuela en la que la "escuela" supera con creces a la "educativa", subordinándola a otros fines, indica la necesidad de llevar la discusión de las relaciones que la producen, a través de la reconstitución de algunos vínculos que han vengado efectivamente en el nuevo contexto -especialmente aquellos entre lasnumerosas formas de uso de la escuela -, convirtiéndose en la base de la implementación de "ajustes" que profundizarían algunos rasgos y problemas constitutivos de la escuela brasileña (ALGEBAILLE, 2009, p. 89-90, grifos de los autores, nuestra traducción).
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302508Otro aspecto agudizado durante la pandemia de Covid-19 fue el de la escuela como instancia de protección social. Los niños y los jóvenes se han vuelto más vulnerables a la violencia en la comunidad y en la vida doméstica; A menudo estaban solos en casa cuando sus padres conseguían trabajo. Algunos estudiantes se involucraron en la trata. En la escuela, podían contar con maestros, coordinadores y gerentes como apoyo, y un lugar seguro para pasar algún tiempo del día. Hubo un gran número de jóvenes que acudieron a la escuela en busca de documentos y declaraciones para trabajar en pasantías mal remuneradas, para satisfacer las necesidades de las familias, que también aumentaron, y fue otro factor que contribuyó a la reducción del acceso a la plataformaenlínea proporcionada por la SEEDUC. Especialmente los estudiantes de tercer año de secundaria, que son los mayores. Los testimonios de los estudiantes son dramáticos. La elección entre estudiar y mantenerse vivo no es una elección sino una imposición para estos estudiantes. La necesidad de trabajar por los jóvenes, hijos de la clase trabajadora, nos lleva a insistir en la urgencia de implementar políticas públicas que satisfagan a esta porción de la población. Hay algunas claves de análisis, particularmente para los siglos 20 y 21, que nos ayudan a comprender la forma de desarrollo brasileño dependiente, una intensa expropiación del trabajo y los medios de vida de la población y la inmensa concentración de capital en manos de pocos grupos empresariales en su interconexión con el gran capital internacional. El capitalismo, desarrollado y globalizado ahora por todas partes del mundo, tiene peculiaridades y formas de desarrollo propias. Al igual que Marini (2000), Santos (2000) y otros científicos sociales, Fernandes (1973) señala que el tipo de capitalismo que estalló en América Latina fue del tipo dependiente: Este modelo reproduce las formas de apropiación y expropiación inherentes al capitalismo moderno (en los niveles del movimiento de mercancías y la organización de la producción). Pero tiene un componente adicional específico y típico: la acumulación de capital se institucionaliza para promover la expansión concomitante de núcleos hegemónicos externos e internos (es decir, economías centrales y sectores sociales dominantes) (FERNANDES, 1973,p. 45, nuestra traducción).Fernandes (1973) avanza en su análisis explicando que este modelo de capitalismo trae consigo la apariencia de expropiación de los sectores internos por los sectores externos, pero señala que, realmente, los países del capitalismo dependiente están sujetosa una extracción permanente de su riqueza, pero que, en realidad, quien sufre incluso la extracción de riqueza es
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302509la gran masa salarial de la población. Brasil desarrolló esta forma de capitalismo y no rompió los lazos que lo unían a lo arcaico, antes, los intensificaba. Shiroma, Moraes y Evangelista (2000, p. 9, nuestra traducción) explican que, para analizar las políticas públicas, es necesario "[...] Considere no solo la dinámica del capital, sus complejidades y articulaciones, sino también los antagonismos y los complejos procesos sociales que lo enfrentan". El sistema de capital opera con estrictos controles sociales: con la excepción de los trabajadores altamente calificados, necesarios para la organización técnica y social de las empresas y la rentabilidad financiera; salarios mínimos, suficientes para garantizar la supervivencia de la fuerza de trabajo y la intensificación de la tasa de explotación; tecnologías sociales y digitales de manipulación de intereses e ideologías de justificación de los beneficios del capital, en nombre del desarrollo económico, principalmente el consumo bajo el signo del estatus social; represión y violencia frente a la disidencia.Mészáros (1987, p. 34-35, nuestra traducción) analiza la necesidad de control social del capital: "Ahora, el hecho es que nos enfrentamos aquí a una contradicción interna de un sistema de producción y control: un sistema que no puede evitar aumentar las expectativas, incluso frente a la amenaza de un colapso completo de su capacidad para satisfacerlas". Los estudiantes regresaron a clases presenciales en octubre de 2021, pero los males sociales que afectan, prioritariamente, a los estudiantes de las escuelas públicas, resultado de la expropiación que sufren sus familias, permanentemente, se muestran una vez más como heridas abiertas. La preocupación en este momento es sobre la deserción escolar. O Globo, en la edición dominical del 7 de noviembre de 2021, muestra el drama vivido por estudiantes y familias en este regreso a clases, en un artículo titulado: "El difícil regreso a la escuela"; el informe muestra algunas historias de estudiantes de escuelas de Río de Janeiro. Una de ellas dejó de estudiar para trabajar y ayudar a mantener a la familia, otra estudiante quedó embarazada y, además de la deserción escolar, vive incapaz de garantizar su propio sustento y el de su hijo, otras ni siquiera podían seguir clases en línea, porfalta deteléfono celular.El artículo también muestra los esfuerzos de los profesores y las escuelas para traer a este estudiante de vuelta a clase, incluso conociendo sus duras condiciones de vida (GALDO; SCHIMIDT, 2021).Situaciones como estas, señaladas por la prensa, refuerzan los hallazgos de nuestra investigación de inmersión en la realidad de una escuela pública en las afueras del estado de Rio de Janeiro. Pero pueden resaltar perfectamente las situaciones vividas por miles de niños y jóvenes dispersos por todo este inmenso Brasil, y deben ser considerados en la elaboración de
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302510políticas públicas, así como ser parte de nuestros esfuerzos como educadores para que se implementen cambios profundos en la forma en que vivimos en la sociedad.Consideraciones finalesEstas consideraciones finales buscan resaltar el análisis de las principales cuestiones teóricas y prácticas a las que nos enfrentamos en la investigación sobre educación escolar, en nuestra práctica académico-científica y profesional. Su momento es el presente, el surgimiento de la pandemia de Covid-19 y sus consecuencias en la vida de los estudiantes y sus familias, maestros y gerentes de una escuela primaria y secundaria, en un barrio de la región metropolitana de Río de Janeiro, de marzo de 2020 a octubre de 2021. El trabajo también se desarrolló teniendo en cuenta los documentos legales y las referencias políticas dadas por las autoridades educativas del estado de Río de Janeiro, en el contexto de las directivas nacionales.Suponemos que el análisis del tiempo presente tiene los mismos requisitos epistemológicos de la historia sobre hechos del pasado. Requiere la localización en el espacio-tiempo de los acontecimientos, la explicación de las fuentes documentales, los temas implicados y el contexto del objeto de investigación. Reconocemos la rápida y extensa difusión del Covid-19, la aceleración del tiempo por las tecnologías, la búsqueda de soluciones para la educación escolar mediante la educación remota, frente a las exigencias del distanciamiento. Vivimos con la angustia del manejo inesperado de nuevas metodologías y la falta de equipos y condiciones de vida de los estudiantes (alimentación, vivienda, internet, computadoras y/o teléfonos móviles) para seguir las lecciones elaboradas por los profesores.La impotencia, el hambre y la privación tecnológica constituyen la totalidad social, "síntesis de múltiples determinaciones" (MARX, 1977, p. 229, nuestra traducción), con la que los sujetos sociales hacen historia en estos tiempos difíciles. No son sólo palabras, son productos de una estructura social, cuyas necesidades humanas no se satisfacen a través de políticas económicas y sociales universales para el trabajo, el empleo y la satisfacción de las necesidades vitales de toda la población.A través de la observación participante y nuestra inserción en el sistema educativo local, vimos cómo muchos niños repente se quedaron sin comida diaria, con sus padres desempleados, sin internet y sin medios digitales para al menos seguir alimentando el cuerpo físico y su desarrollo cognitive. En este contexto, la escuela está cada vez más llamada a desempeñar diversos roles sociales, lo que la aleja de su primera función, la educación.
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302511Estos hechos de la vida escolar cuotidiano no son aceptables en vista del empeoramiento de las desigualdades sociales, la creciente polarización que guía la estructura global del sistema capitalista, en el que prevalecen los intereses del mercado y la financiarización de la economía. Agregue nuestra situación como país dependiente de los países desarrollados, que se articulan con los intereses de las élites nacionales, como lo demuestran Marini (2000), Fernandes (1973) y otros. En vista de las contradicciones entre lo que la infancia y la juventud necesitan y lo que los sistemas educativos les ofrecen, con el agravante de las limitaciones sociales y económicas de estos días de pandemia, vale la pena recordar el concepto de escuela unitaria de Gramsci (2011): que la función del Estado que es asumir plenamente los gastos con educación que están a cargo de la familia y pesan sobre las familias de los trabajadores de bajos ingresos.Solo con la educación pública podemos ofrecer una educación de calidad a todos, independientemente de las clases sociales a las que pertenezcan.REFERENCIASALFANO, B. Tempo na pandemia de estudo de adolescentes das classes mais altas é 64% maior do que dos pobres. O Globo, 2020. Disponible en: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/tempo-na-pandemia-de-estudo-de-adolescentes-das-classes-mais-altas-64-maior-do-que-dos-pobres-24703054. Acceso: 27jul. 2021ALGEBAILLE, E. Escola pública e pobreza no Brasil. A ampliação para menos. Rio de Janeiro: Lamparina; Faperj, 2009.BAUMAN, Z. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.BAUMAN, Z. Sobre escrever cartas... de um mundo líquido moderno. In: BAUMAN,Z.44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.BECKER, H. Métodos de pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo: Hucitec, 1993.BRASIL. Resolução n. 02, de 09 de abril de 2020. Dispõe sobre a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE durante o período de estado de calamidade pública[...]. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2020a Disponible en: https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/13453-resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%B0-02,-de-09-de-abril-de-2020. Acceso: 12 mar. 2022.BRASIL. Resolução n. 06, de 08 de maio de 2020. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE. Brasília, DF: MEC; FNDE, 2020b. Disponible en: https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/13511-resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%BA-6,-de-08-de-maio-de-2020. Acceso: 10 feb. 2022.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302512CIAVATTA, M. A história do presente -Uma opção teórica marxista para a pesquisa em trabalho e educação?SEMINÁRIO DE PESQUISA DO GRUPO THESE, 9., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: UFF, UERJ e EPJJV, 2009. No prelo. Disponible en: http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/l202.pdf.Acceso en:01 agosto2021.FERNANDES, F. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.FRIGOTTO, G. A produtividade da escola improdutiva: Um reexame das relações entre educação e estrutura econômico-social capitalista. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2010.FRIGOTTO, G; CIAVATTA, M.; RAMOS, M. (org.). Ensino Médio Integrado: Concepção e contradições. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2012.GALDO, R.; SCHIMIDT, S. O difícil retorno à escola: Professores vão às casas de alunos faltosos e criam até grupo de “detetives” para evitar a evasão. O Globo, Rio de Janeiro, 2021.GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. v. 2.HOBSBAWN, E. A era dos extremos: O breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.MARINI, R. M. Dialética da dependência. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.MARX, K. Contribuição para a crítica da economia política. Lisboa: Estampa, 1977.MARX, K. O capital. (Crítica da economia política). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Cortez, 1998.MELUCCI, A. Juventude, tempo e movimentos sociais. Revista Brasileira de Educação, v. 4, n. 2, p. 3-14, maio/dez. 1996. Disponible en: http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n05-06/n05-06a02.pdf. Consultado: 23 mayo 2021.MÉSZÁROS, I. A necessidade de controle social. São Paulo: Ensaio, 1987.MÉSZÁROS, I. Produção destrutiva e Estado capitalista.2. ed. São Paulo: Editora Ensaio, 1996.NORA, P. Entre mémoire et histoire: Laproblematiquedeslieux. In:NORA, P. Leslieux de memoire: La République. Paris: Gallimard, 1984.RIO DE JANEIRO. Decreto n. 46.970, de 13 de março de 2020. Dispõe sobre medidas temporárias de prevenção ao contágio e de enfrentamento da propagação decorrente do novo coronavírus (Covid-19), do regime de trabalho de servidor público e contratado, e dá outras providências. Rio de Janeiro: Governo do Estado, 2020a. Disponible en:
image/svg+xmlLa escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológicaRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302513https://pge.rj.gov.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=MTAyMjE%2C. Acceso: 12 enero2022.RIO DE JANEIRO. Deliberação CEE n. 376, de 23 de março de 2020. Orienta as Instituições integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Estado do Rio de Janeiro [...]. Rio de Janeiro: Presidência do CEE, 2020c. Disponible en: http://www.cee.rj.gov.br/deliberacoes/D_2020-376.pdf. Acceso: 25 abr.2021.RIO DE JANEIRO. Recomendação n. 01/2020, de 03 de abril de 2020. Rio de Janeiro: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, 2020b. Disponible en: http://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.pdf. Acceso: 25 abr. 2021.RIO DE JANEIRO. Resolução SEEDUC n. 5993, de 19 de outubro de 2021. Dispõe sobre as diretrizes para o retorno das aulas presenciais no sistema estadual de ensino do Rio de Janeiro, em todas suas etapas e modalidades, e dá outras providências. Rio de Janeiro: Secretário de Estado de Educação, 2021. Disponible en: https://ibee.com.br/materia/resolucao-seeduc-5993-de-19-10-2021-dispoe-sobre-as-diretrizes-para-o-retorno-das-aulas-presenciais-no-sistema-estadual-de-ensino-do-rio-de-janeiro-em-todas-suas-etapas-e-modalidades-e-da-outras-p/. Acceso: 12 feb. 2022.SANTOS, T. A teoria da dependência. Balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica, quadragésimo ano: Novas aproximações. Campinas, SP: Autores Associados, 2019.SHIROMA, E. O.; MORAES, M. C. M.; EVANGELISTA, O. Política Educacional. Riode Janeiro: DP&A, 2000.SILVA, F. G.Ensino Médio Integral e Integrado à Educação Integral Profissional: Mediações e contradições na formação da classe trabalhadora. 2019. Tese(Doutorado em Educação) Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, sob a orientação da Prof.(a) Dr.(a) Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAy Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514,oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302514Cómo hacer referencia a este artículoSILVA, F. G.; CIAVATTA, M. La escuela en tiempos de pandemia: Desamparos, hambre y carencia tecnológica. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2495-2514, oct./dic. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16730Presentado en: 30/04/2022Revisiones requeridas en: 09/07/2022Aprobado en: 11/10/2022Publicado en: 30/12/2022Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación -EIAE.Corrección, formateo, normalización y traducción.
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302494SCHOOL IN TIMES OF PANDEMIC: HELPLESSNESS, HUNGER AND TECHNOLOGICAL DEPRIVATIONA ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, FOME E PRIVAÇÃO TECNOLÓGICALA ESCUELA EN TIEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, HAMBRE Y CARENCIA TECNOLÓGICAFlávia Gonçalves da SILVA1Maria CIAVATTA2ABSTRACT:This article results from the knowledge of the contingencies that the Brazilian population experiences in times of the COVID-19 pandemic, whose situations of helplessness, hunger and technological deprivation have become more evident. From a methodological point of view, we place the pandemic in the history of the present, that is, in time-space in the events of the period from 2020 to 2021. A historical-qualitative approach was used with participant observation and analysis of legislation. We defend that the distribution of social goods in an egalitarian way collides with the interests of the dominant classes, requiring an urgent change in the way we produce our existence and the meaning of economic and social development. We seek to demonstrate the challenges of the pandemic period in a public school in the State of Rio de Janeiro. In this context, the results point to the worsening of situations of social exclusion and helplessness experienced by students, teachers and managers.KEYWORDS:Present tense. School. Pandemic. Social differences.RESUMO:Este artigo resulta do conhecimento das contingências que a população brasileira vivencia em tempos de pandemia da COVID-19, cujas situações de desamparo, fome e privação tecnológica tornaram-se mais evidentes. Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia na história do presente, istoé,no tempo-espaço nos acontecimentos do período de 2020 a 2021. Foi utilizadauma abordagem histórico-qualitativa com observaçãoparticipante e análise da legislação.Defendemos que a distribuição dos bens sociais de forma igualitária colide com os interesses das classes dominantes, sendo necessária uma mudança urgente na forma como produzimos a nossa existência e o sentido do desenvolvimento econômico e social. Procuramos demonstrar os desafios do período pandêmico emuma escola pública do estado do Rio de Janeiro.Neste contexto, osresultados apontamparao agravamentodas situações deexclusão social e de desamparovivenciadas pelos alunos, professores e gestores.PALAVRAS-CHAVE: Tempo presente.Escola.Pandemia.Desigualdades sociais.1Fluminense Federal University(UFF), Niterói RJ Brazil.Doctoral student in the Graduate Program in Education. ORCID:https://orcid.org/0000-0001-5249-3001.E-mail: flaviagsmendes@gmail.com2Fluminense Federal University (UFF), NiteróiRJBrazil. Professor in Work and Education at the Graduate Program in Education. PhD in Education (PUC-Rio).ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5854-6063.E-mail:maria.ciavatta@gmail.com
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302495RESUMEN:Este artículo resulta del conocimiento de las contingencias que vive la población brasileña en tiempos de la pandemia de la COVID 19, cuyas situaciones de desamparo, hambre y carencia tecnológica se han vuelto más evidentes. Desde un punto de vista metodológico, ubicamos la pandemia en la historia del presente, es decir, en el tiempo-espacio en los acontecimientos del período 2020 a 2021. Se utilizó un enfoque histórico-cualitativo con observación participante y análisis de la legislación. Defendemos que la distribución de los bienes sociales de manera igualitaria choca con los intereses de las clases dominantes, exigiendo un cambio urgente en la forma en que producimos nuestra existencia y el sentido del desarrollo económico y social. Buscamos demostrar los desafíos del período de la pandemia en una escuela pública del Estado de Río de Janeiro. En este contexto, los resultados apuntan al recrudecimiento de las situaciones de exclusión social y desamparo que viven estudiantes, docentes y directivos.PALABRAS CLAVE: Tiempo presente.Escuela.Pandemia.Diferencias sociales.IntroductionThis text was written during the research process for the doctoral thesis (SILVA, 2019) on comprehensive high school integrated with professional education, in the public network of the state of Rio de Janeiro3.The dilemmasand transformations in the school routine caused by the Covid-19 pandemic brought new issues to the field of labor-education research, particularly to the conception of integral education and integrated training. To the mediations and contradictions historically present in the formation of the working class, we have added the difficulties generated by the pandemic, including from the point of view of non-consolidated social rights (health, education, housing, food, and others).We live in the present underthe permanent threat of contamination from Covid-19, because of the uncertainty about medical care and the effectiveness of treatments, because of the uneasiness and discouragement that invade the soul in the prolonged social distance. This work was born from the knowledge and closeness with the contingencies that the Brazilian population and humanity as a whole are living in the present. In schools, closeness is part of the structure of relationships between students and teachers, and social distancing with the use of masks was the only effective protective measure until the arrival of vaccines. Legal regulations were issued for the circulation of people, and teachers and students were told by the authorities to stay at home. 3SILVA, Flávia Gonçalves da,EnsinoMédio Integrale Integrado à Educação Integral Profissional: mediações e contradições na formação da classe trabalhadora. Project for a doctoral thesis (Education) from the Postgraduate Program in Education at the Fluminense Federal University, under the supervision of Prof. Dr. Maria Ciavatta.Niterói: UFF, 2019
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302496Almost immediately, in the state of Rio de Janeiro, the Secretary of Education (SEEDUC) began recruiting teachers for Remote Education and oriented them about the didactic procedures to be followed for the continuity of the students' studies. This paper is the product of participant observation and of the record and analysis of successive reports from elementary school teachers about the conditions of implementation of Remote Learning and the living conditions of the students of the State School "20", in the period from March 13, 2020 to the beginning of October 2021, regarding the conditions and needs of housing and safety, food and access to digital resources for study, in their homes.From a methodological point of view, we situate the Covid-19 pandemic in the history of the present (BAUMAN, 2007; HOBSBAWN, 1995; NORA, 1984). Regarding human needs, we have by reference their relation to the social structure (MARX, 1980; MÉSZÁROS, 1996). Other sources of consultation and follow-up of the changes in life, which occurred during the Pandemic, are the news of the big press in Rio de Janeiro and São Paulo. This is a study with a qualitative-historical approach, which seeks to demonstrate the challenges of the pandemic period for students, teachers and managers of a public school in the stateof Rio de Janeiro.In the first section we deal with the history of the present; in the second section we reflect on the capital system, public policies, and social inequalities; in the third section we draw a picture of the conditions of housing, food, security, and access of students to digital technologies and the new attributions of teachers to provide activities in remote teaching; and, finally, our final considerations, followed by the references.The History of the Present TimeTo talk about the Covid-19 pandemic is to talk about the time in which we are living, is to talk about events that we are sharing. In the field of historians, this proximity to the temporal dimension gave rise to the history of the present time, which concerns the conception of past, present and future time and the possibility of knowing each of these temporalities4.A first conception of the present time is the interpretation of history through a factual and immediate reading, time as a permanent present,presenteeism. The term is seen in a pejorative sense insofar as it deals with phenomena in isolation from their historical context, andleads to an erasure of memory through ignorance of the past. But this conception does not prevail among all recognized historians, for whom the history of the present is a question of a 4This introduction continues Ciavatta's oral presentation (2009).
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302497temporality frame, because its requirements are the same as those of every conception of history.Here we assume this particularity of history as history of the present time, which has several approaches. One of them is presenteeism, conceived in function of the great transformations of the 20th century. It is the reading of Zygmunt Bauman (2007) who deals in his books with Liquid Love, Liquid Life, Liquid Modernity. Thus,he justifies in a folder: "I call the world liquid because, like all liquids, it is never immobilized or keeps its shape for long".(BAUMAN, 2011, p. 2).In Liquid Life, Bauman (2007, our translation) "[...] calls attention to the problems that the current condition of the capitalist system raises in human beings today, between the need to adapt to the destructive-creative rhythm5of the markets and the fear of becoming outdated, becoming expendable." In this world of change at a permanent pace, individual achievements are made and unmade. Which reminds Marx and Engels (1998, p. 8, our translation), in the Manifesto, when he says about the capitalist system: "everything that is solid and stable falls apart in the air."Another strand of the history of the present is in the studies about youth. The idea of a presentist youth is found in the studies of Italian sociologist Alberto Melucci (1996, p. 4, our translation), when he mentions that "Youth, because of its cultural and biological conditions, is the social group most directly exposed to these dilemmas, the group that makes them visible to society as a whole.The presentism experienced affects the understanding of time that becomes present, with no memory of the past and no perspective of the future. The acceleration of time by communication technologies (internet and means of transportation) has given a faster pace to the production of goods and the relationships between people. Except for later researches, Hobsbawn (1995, in Brazil, and 1994, in Europe) would have been the first historian to call attention to the way young people live a kind of continuous present: "Almost all young people today are born into a kind of continuous present, without any organic relationship with the public past of the time in which they live" (HOBSBAWN, 1995, p. 13). In the Preface of the book The Age of Extremes: The ShortTwentieth Century, Hobsbawn (1995), gives rise to a reading of the near impossibility of writing a history of the present. His arguments bear the mark of his historical culture, scientific legitimacy, and honesty in identifying the limits of the historian. 5Mészáros (1996) calls this phenomenon of the current capitalist world destructive production.
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302498The capital system, public policiesand social inequalitiesHelplessness, hunger and technological deprivation are not just words, they are products of a social structure, whose human needs are not met through universalized economic and social policies for work, employment, and meeting thelife needs of the entire population. Consequently, social inequalities are generated that, in Brazil, have an ancient history, coming from the Colony, remaining in the Empire and continuing in the Republic until our days. The appropriation of the social wealth produced by labor is concentrated and accumulates in the hands of the owners of the means of production, the entrepreneurs, their financial investments, their articulation with international rent-seekers and with the republican powers, at the serviceof the capitalist system.Inequalities are visible in the class structure which, in this time of pandemic, hits the poorest people the hardest. Health centers and public hospitals have resources and services that show the lack of effective public policiesto face the gravity of the disease. At the other end of the social pyramid, which shapes the Brazilian population, the abundance of private medical services for the high-income classes is visible.The meaning of Marx's (1980, p. 554, our translation) words that, through work, education and social organization, "produce fully developed human beings" is undone in the mirage of misleading advertisements and the absence of public power. Not everyone is guaranteed the means to meet the basic needs for survival,such as food, drinking water, sanitation, housing, health, education, security, and social security. Other difficulties of the low-income classes are misinformation and lack of critical knowledge and legal support to move through the meanders of social rights, not assured by the public power.The capital system operates with rigid social controls through economic power, through business-friendly legislation. There is a growing polarization inherent to the global structure of capitalism, the financialization of the economy and our situation as a country dependent on the capital system of developed countries (FERNANDES, 1973; MARINI, 2000; SANTOS, 2000), articulated with the national elites.It is a development that feeds on the archaic (FRIGOTTO, 2010) and does not contribute to the development of a country that keeps a large portion of the population excluded from basic rights. The Continuous National Household Sample Survey (PNAD Contínua, 2020), of the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE in its Portuguese acronym), shows an unemployment rate for people aged 14 or older of 13.3% of the population in the second quarter of 2020.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302499The distribution of social goods collides with the interests of the national and international bourgeoisie. Thousands of working-classchildren, youth and adults are relegated to a secondary role in public policies. These issues were clearly evidenced in times of the Covid-19 pandemic. In State School "20", like others in the public network, many children suddenly found themselves without daily food, with their parents unemployed, without internet and digital media to at least continue nourishing their physical bodies and their cognitive development.The school, as emphasized by Frigotto, Ciavatta, and Ramos (2012, p. 7, our translation), should be understood within the project of society in which we live:Because the school is an institution produced within certain social relations, this portrait can only be better understood when understood within the specificity of the capitalist project of society that was being built in Brazil: a long process of colonization (economic, political-social and cultural), being the last Western society to proclaim the end of slavery.In a country with late schooling for the majority of the population, with data on the universalization of primary education dating only from the end of the last century, and still with the challenge of bringing school education to all young people in high school and to those who could not be educated in a supposedly certain time, we find over the school a range of attributions. The responsibility of feeding children, young people and adults is one of them. The National School Feeding Program (PNAE), withouta doubt, is one of the most important feeding programs in the world and benefits millions of students in Brazilian education. It is also through the school that one of the main income transfer programs, the Bolsa Família (Family Grant), targets its beneficiaries6.Due to the Covid-19 pandemic, we are faced with some contradictions of this form of social development. With schools closed, the action starts from the social isolation, proposed by the World Health Organization (WHO); hunger started knocking onthe door of children in several Brazilian states and cities. The school is again being called upon to take care of a problem that, in essence, is not theirs: the daily nutritional needs of their students and families.Digital exclusion is another factor that has impacted the exclusion of working-class children and young people from this pandemic context. Public schools were faced with the following situation: some state governments implemented remote education and the harsh reality of the poor was once again evidenced. In the State School "20", few students had access 6Jealous of the political dividends of a program created by the PT governments, and pressured by the country's public accounts, at the service of rent-seeking capital, the Bolsa Família is being restructured by the current government.
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302500to quality digital equipment and internet, which could facilitate the contact between school and family.The functions of the school and its web of meaningsThe fieldwork that forms the basis of this work has as its main reference participant observation, presented by anthropologist Howard Becker (1993, p. 47, our translation):The participant observer collects data through his participation in the daily life of the group or organization he is studying. He observes the people he is studying to see what situations they normally encounter and how they behave in front of them. He engages in conversation with some or all of the participants in this situation and discovers their interpretations of the events he has observed.However, given the circumstances of living with the daily problems generated by the Covid-19 pandemic, the unforeseen events generated by reality and the authorities' referrals, we did notcarry out the research according to the author's four stages of analysis (BECKER, 1993, p. 49-50). We carried out the work according to the circumstances and the needs of the students, their families and school staff, at school and during visits to the families to deliver baskets of basic food supplies.Our observation and reflection seeks to evidence the daily life of a school community in the metropolitan region of the state of Rio de Janeiro, hit hard by the consequences of the various crises that plague our country, and that the Covid-19 pandemic has only intensified. We also seek to provoke reflection on the urgent changes that are needed not only for the school, but for Brazilian society as a whole.The school is located in a poor region far away fromthe big commercial centers and with drug dealing and violence in conflagration, a reality that can perfectly extend to other schools and regions of our country. The chosen school has an average of 400 students, 35 teachers and three members of the management team.The Covid-19 world pandemic showed the open wound of social inequality that plagues our country and, more specifically, the reality of the state of Rio de Janeiro. In decree No. 46.970, dated March 13, 2020 (RIO DE JANEIRO, 2020a), Governor Wilson Witzel (currently, punished with the loss of his mandate after impeachment suffered for various improbabilities)7, 7The observations and analysis reflect situations experienced, in particular, during the period from March 2020 to October 2021.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302501implemented, initially, a series of measures and, among them, the temporary suspension of classes for 15 days as one of the actions to prevent the contagion of the disease. But the situation continued for another 15 days and for months at a time, until October 2021, when the SEEDUC resolution (Secretariade Estado de Educação) nº. 5993, of October 19, 2021 (RIO DE JANEIRO, 2021), determined the total return of students to classroom activities. The problems caused by the closing of the schools soon appeared. Teachers were put on recess for two weeks and students had their mid-year vacation brought forward. During this period of recess, the ideas of a Remote Schooling were generated within the State Government, through the (SEEDUC). And all the education professionals were surprised with this new way of interacting with the students. The partnership between the State Department of Education and the North American giant Google, through its digital platform Google Classroom, was thus closed on March 18, 20208, widely announced in social networks and media. The teachers received training/training as trainers, from SEEDUC itself and from the Google team.Teachers, students and managers received a specific e-mail with a login and password to access a school that was transported to the virtual universe. At first, there was much discussion among education professionals, led by the Union of Education Professionals (SEPE in Portuguese), who tried to resist this new measure issued by the official bodies. After all, this measure was not widely debated among education professionals and generated a lot of insecurity among everyone. But the fear of contamination by the new virus and the insecurity about their own job did not allow a greater resistance from teachers to these measures. Faced with many questionings about the procedures adopted by SEEDUC, in order for education to take place during the social isolation period, the State Public Ministry of Rio de Janeiro (MPRJ) requested clarifications from this State Secretariat (2nd PJTCPEC Official Letter no. 112/2020, of March 19, 2020, Recommendation no. 01/2020)9.In short, the aforementioned letter requested answers from SEEDUC regarding the guarantee of health for students, education professionals, and their families; how the 2020 school year would be fulfilled; how the spaces for discussion were being guaranteed in the various collegiate bodies of the education institutions; information about the possible use of 8To check out the complete interview with Rio de Janeiro State Education Secretary Pedro Fernandes, just click on the following link. Available at: https://www.facebook.com/watch/?v=270821307247696. Access on: 24 July2020.9Available at: https://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.pdf. Access on: 25 July2020.
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302502digital platforms and whether access would be guaranteed to students while the social isolation measures lasted; how students with special needs were being cared for. It was also SEEDUC's responsibility to inform if, perhaps, in a return to school, students with special needs would be assisted at their homes; it should inform the Public Ministry of the state of Rio de Janeiro (MPRJ) how the right to school meals would be guaranteed to its students and what resources would be used for this action. Recommendation no. 01/2020 (RIO DE JANEIRO, 2020b), already mentioned above, goes further and adds the request for clarifications regarding the cost of the agreements between Google and SEEDUC and the amounts already paid. It also demands compliance with the Deliberation of the State Education Council (CEE) No. 376 of March 23, 2020 (RIO DE JANEIRO, 2020c), a document that requires the agency to make public the Pedagogical Action Plan before implementing remote learning. Finally, even in the midst of many court decisions and requests for clarification from civil society, in an autocratic way, SEEDUC started the remote classes on April 6th, 2020.Teachers and school managers have had to reinvent themselves. We are not just referring here to learning new digital technologies, but to learning a new way of living. These professionals are mothers, fathers, grandparents. Before the social isolation imposed by the new pandemic scenario, they had a support network to develop their work tasks. Their children were in daycare or at school, or even at their grandmothers' homes. These people, at this time, should be protected and kept away from contact with the children under the risk of easy contagion of the disease and serious consequences, such as even death. The burden was heavier on women teachers and educational professionals, who had to be mothers, wives, professionals, students, and family caretakers. All this at the same time and all the time. But teachers and managers took on the task of developing remote teaching. Far from being unanimous among educators, it was what fit at that difficult and uncertain time for everyone. As already mentioned, the problems caused by the closing of schools began to emerge. The students, to access this digital platform, Google Classroom, needed digital equipment and broadband internet or a mobile data package that supported the use of the tool. And this was not possible for 70% of the students in this community. Families often had only a cell phone, which often stayed with the student's parent. Those who could still access it were surprised by the theft of Internet cables in the midst of the pandemic, and the percentage dropped even further.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302503The teachers and managers also had to buy better equipment and increase the speed of their internet networks and/or hire new services, an additional cost for these professionals. One, two or at most three students per day attended classes. For a school that prioritizes young people, the damage is immeasurable. Both the school formation and the human formation, which is formed in other social instances as well, but which cannot do without this space, were compromised. It was up to the managers to make this school work, helping the students, families and teachers to make things work. Besides weighing on them the administration of the school in the virtual and physical environment, because the school was still in the same place and with its maintenance problems, of bureaucratic order, and with an extra task: helping the families by giving food support to the students who needed it. After all, the school had to be ready and standing for the return to school that could happen at any moment.The promise of internet provided by the state at no cost to school professionals and students only partially materialized almost a year later, when SEEDUC created the Applique-seapplication and put it into use on March 1st, 202110,that functioned with free access to the students and teachers of the network. After many months of social isolation, few students were able to participate in this new way of teaching and learning. The lack of cell phones and computers also contributed to the alienation of the students. The abyss between students from private schools, considered to be of high quality, and students from the state public network, widened even more11.The Brazilian educational duality has been present in a more accentuated way in these pandemic times. Gramsci (2001), in his writings, refers us to the concept of unitary school, a school that serves everyone in the same way, one that is able to unite universal knowledge to technical knowledge. He describes the role of the State, which is to assume the expenses with educationthat are the responsibility of the family. And only then, with public education, can it reach everyone, regardless of the social classes to which they belong: The unitary school or school of humanistic formation (this term, "humanism", is understood in a broad sense and not only in the traditional sense), or school of general culture, should assume the task of inserting the young into social activity, after having raised them to a certain degree of maturity and capacity for intellectual andpractical creation and to a certain autonomy in orientation and initiative (GRAMSCI, 2001, p. 36, emphasis added, our translation).10Further information about Applique-seis available at: https://www.seeduc.rj.gov.br/applique-se. Access on: 25 Apr. 2022.11Adolescents from classes A and B study 64% more hours than those from class E, shows a study by FGV Social with data from IBGE. The numbers are from August and the responsible for the research are the economists Marcelo Neri and Manuel Osório". (ALFANO, 2020, p. 17).
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302504Most of the students in this community, in particular, hadtheir learning process interrupted. The lack of basic tools for remote learning and the students' address also made the difference. The solution found by SEEDUC, for the students that did not have access to the digital platform, was the delivery12, in each of their homes, the Self-Regulated Activities workbooks,13,on printed paper.To make this action happen, a contract was signed with Correios (the Brazilian Post Office). Correiosshould deliver to the homes of the students (without internet access) the activities prepared by SEEDUC. But the handouts did not reach all the students. The students who live in areas where violence has broken out did not receive the workbooks in real time, because of threats or interference from local drug dealers. Those who received the materials at home also had a hard time completing the assignments.Understanding that the teacher is fundamental for meaningful learning, School Education, as a mere transmission of knowledge, became stronger in the state system, despite the efforts of teachers and managers. For students who did not have access to interaction with the teacher, it remained to do the activities alone in their homes, or with the help of family members not always with time or prepared to help their children. Saviani (2019, p. 43, our translation) brings us an important reflection: "Therefore, for the school to exist, the existence of systematized knowledge is not enough. It is necessary to make possible the conditions of its transmission and assimilation".If it is correct to say that in some schools this remote education reached a larger number of students, it is also correct to say that students far from the city centers and living in poorer regions suffered more from the absence of school, not only as a place to exchange knowledge, but as a place full of meanings. School feeding, without a doubt, deserves special attention in this report. SEEDUC started distributing food aid to students with greater social vulnerability through the PNAE, which was modified to meet the specificity of the situation, as this excerpt from the Resolution 12Faced with SEEDUC's decision to get printed materials to everyone who didn't receive them through Correiosor who didn't access the online platform, the manager and a female employee went to the community to invite the students to pick up the activities atschool and personally distribute some of these materials, and they came across the barricades imposed by the drug traffic as a physical limit to how far the public power could reach. This situation is imposed on the residents of communities, such as this one, that are deflated by trafficking. Parents report that public services do not go beyond the barricades imposed by drug trafficking, and that they gradually lost their addresses and depended more and more on local businesses that voluntarily gave up their establishments to receive packages and mail from local residents.13Activities developed by teachers of the state network in 2013 and that are part of a SEEDUC database.
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302505of the National Fund for Education Development -FNDE, no. 02/2020 (BRAZIL, 2020a) shows.The situation caused immense concern and suffering to school managers, who were responsible for mapping these students and getting help to them. The option of taking the food to the students' homes, without a doubt, proved to be even more painful. Many studentslive in places where public power does not reach and the living conditions are very difficult. The barricades that the drug traffic sets up in the streets and that had to be removed and put back in place for the car to reach the students' homes increased the suffering of the employees, managers, and volunteers who were willing to deliver the aid. Those families that did not receive the food at the same time as the others went into despair. It was a sign that hunger was starting to get to the families, and the oral and written reports were terrible. On May 23, 2020, the Public Defender's Office of the State of Rio de Janeiro forced state and municipal schools to distribute food to all students in their network, through the delivery of food or vouchers or tickets for direct purchase. From this moment on, the regular state resources returned to the school's current accounts and the managers were able to count on all the lunch resources made available to the school in times before the pandemic.However, a problem became evident: the daily per capita income per student is very low. SEEDUC Resolution No. 5722, of February 18, 2019 (Rio de Janeiro, 2019), establishes the values passed on to part-time schools for the purchase of foodstuffs, which is R$ 0.62. This value is complemented by the National School Nourishment Program (PNAE in the Portuguese acronym), as the same Resolution informs. In other words, the resources complement each other, but were not sufficient for the distribution of complete food baskets for all, complete in the sense of meeting all the nutritional needs of students. Resolution no. 06, of May 08, 2020 (PNAE) (BRASIL, 2020b), establishes a daily per capita value for elementary and high school students in the public basic education network of R$ 0.36. Therefore, schools have less than one real per day. So, what was the solution agreed upon with the courts, in face of the Rio de Janeiro state government's claim of lack of resources to provide all enrolled students with a complete basic food basket? The managers should make a public consultation to the whole community about the need to receive this food aid. And so,the managers proceeded, even with all the limitations of reaching all the students and families with this survey, forreasons already mentioned here, and that include the lack of technology and internet in many locations or even the physical barriers to reach these families.
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302506Increasingly the school is called to play several social roles, which takes it away from its primary function, education. Algebaille (2009, p. 90) talks about school as an "instrument for the management of poverty", and brings us an important reflection to think about school historically.The deepening of a historical form of school in which the "school" far exceeds the "educational", subordinating it to other purposes, indicates the need to take the discussion of the relations that produce it, through the reconstitution of some links that effectively avenged in the new context -especially those between the numerous forms of use of the school -becoming the basis of implementation of "adjustments" that would deepen some features and problems constitutive of the Brazilian school (ALGEBAILLE, 2009, p. 89-90, emphasis added, our translation).Another aspect that was aggravated during the Covid-19 pandemic was that of the school as an instance of social protection. Children and youth were more vulnerable to violence in the community and in home life; they often stayed home alone when their parents got jobs. Some students became involved in drug trafficking. At school, they could count on the teachers, coordinators and managers for support, and a safe place to spend some time of their day. The number of young people who came to the school looking for documents and declarations to work in poorly paid internships, to supply the needs of their families, also increased, and was another factor that contributed to the decrease in access to the online platform provided by SEEDUC. Especially, the 3rd year high school students, who are the oldest. The students' testimonies are dramatic. The choice between studying and staying alive is not a choice, but an imposition for these students. The need to work of young people, children of the working class, leads us to insist on the urgency of implementing public policies that attend to this part of the population. There are some keys of analysis, particularly for the 20th and 21st centuries, that help us understand the form of dependent Brazilian development, of an intense expropriation of labor and of the means of living of the population and of an immense concentration of capital in the hands of a few business groups in their interconnection with big international capital. Capitalism, now developed and globalized all over the world, has its own peculiarities and forms of development. Like Marini (2000), Santos (2000) and other social scientists, Fernandes (1973) points out that the type of capitalism that erupted in Latin America was of the dependent type: This model reproduces the forms of appropriation and expropriation inherent in modern capitalism (at the levels of the circulation of commodities and the organization of production). But it has an additional specific and typical component: the accumulationof capital is institutionalized to promote the
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302507concomitant expansion of the external and internal hegemonic nuclei (that is, the central economies and the dominant social sectors) (FERNANDES, 1973,p. 45, our translation).Fernandes (1973) goes further in his analysis explaining that this model of capitalism brings with it the appearance of expropriation of the internal sectors by the external sectors, but he points out that, in fact, the countries with dependent capitalism are subject to a permanent extraction of their wealth, but that, in fact, those who really suffer the extraction of wealth are the great mass of wage-earning population. Brazil developed this form of capitalism and did not break the ties that bound it to the archaic, but rather intensified them. Shiroma, Moraes and Evangelista (2000, p. 9) explain that, in order to analyze public policies, it is necessary "[...] to consider not only the dynamics of capital, its intricacies and articulations, but also the antagonisms and complex social processes that confront it. The capital system operates with rigid social controls: with the exception of highly qualified workers, necessary for the technical and social organization of companies and financial profitability; minimum wages, enough to guarantee the survival of the labor force and intensification of the exploitation rate; social and digital technologies of manipulation of interests and ideologies to justify the benefits of capital, in the name of economic development, especially consumption under the sign of social status; repression and violence against manifestations of dissent. Mészáros (1987, p. 34-35, our translation) analyzes capital's need for social control: "Now, the fact is that we are faced here with an internal contradiction of a system of production and control: a system that cannot avoid increasing expectations, even in the face of the threat of a complete collapse of its capacity to satisfy them. The students returned to classes in October 2021, but the social evils that affect, in a priority way, the public-schoolstudents, the result of the expropriation that their families suffer permanently, show themselves once again as open wounds. The concern, at this moment, focuses on the school dropout rate. O Globo, in the Sunday edition of November 7, 2021, shows the drama experienced by students and families in this return to school, in an article entitled: "The difficult return to school"; the report shows some stories of students from schools in Rio de Janeiro. One of them dropped out of school to work and help support his family, another student got pregnant and, besides dropping out of school, lives without conditions to guarantee her own sustenance and that of her son, others couldn't even keep up with the online classes, due to the lack of a cell phone. The article also shows the efforts of teachers and schools to bring these students back to school, even though they are aware of their harsh living conditions (GALDO; SCHIMIDT, 2021).
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302508Situations like these, pointed out by the press, reinforce the findings of our research of immersion in the reality of a public school in the outskirts of the state of Rio de Janeiro. But they may well highlight the situations experienced by thousands of children and young people spread throughout this huge Brazil, and should be considered in the development of public policies, as well as be part of our efforts as educators for profound changes to be implemented in the way we live in society.Final remarksThese final considerations seek to highlight the analysis of the main theoretical and practical issues that we face in our research on school education, in our academic-scientific and professional practice. Its time is the present time, of the emergenceof the Covid-19 pandemic and its consequences in the lives of students and their families, of teachers and managers of a primary and secondary school, in a neighborhood of the metropolitan region of Rio de Janeiro, from March 2020 to October 2021. The work was also developed considering the legal documents and the political directions given by the educational authorities of the state of Rio de Janeiro, in the context of the national directives.Our assumption is that the analysis of the present time has the same epistemological demands as the analysis of past facts. It demands the location in time-space of the events, the explicitness of the documental sources, the subjects involved and the context of the research object. We recognize the rapid and extensive diffusion of Covid-19, the acceleration of time by technologies, the search for solutions for school education by remote teaching, in the face of the demands of social distance. We live with the anguish of the unexpected handling of new methodologies and the students' lack of equipment and living conditions (food, housing, internet, computers and/or cell phones) to follow the lessons prepared by the teachers.Helplessness, hunger and technological deprivation constitute the social totality, "synthesis of multiple determinations" (MARX, 1977, p. 229), with which social subjects make history in these difficult times. These are not just words, they are products of a social structure whose human needs are not met by universalized economic and social policies for work, employment, and meeting the living needs of the entire population.Through participant observation and our insertion in the local school system, we saw how many children were suddenly left without daily food, with their parents unemployed, without internet and without digital media to at least continue nourishing their physical bodies
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302509and their cognitive development. In this context, the school is increasingly called to play various social roles, which takes it away from its primary function, education. These facts of daily school life are not acceptable in the face of worsening social inequalities, of the growing polarization that guides the global structure of the capitalist system, in which the interests of the market and the financialization of the economy prevail. Add to this our situation as a country dependent on the developed countries, which are articulated with the interests of the national elites, as Marini (2000), Fernandes (1973), and others have shown. Given the contradictions between what children and youth need and what the education systems offer them, with the aggravating social and economic restrictions of these pandemic days, it is worth remembering Gramsci's (2011) concept of the unitary school: that the function of the State is to fully assume the expenses with education that are borne by the family and weigh on the families of low-income workers. It is only with public education that one can offer a quality education to all, regardless of the social classes to which they belong.REFERENCESALFANO, B. Tempo na pandemia de estudo de adolescentes das classes mais altas é 64% maior do que dos pobres. O Globo, 2020. Available at: https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/tempo-na-pandemia-de-estudo-de-adolescentes-das-classes-mais-altas-64-maior-do-que-dos-pobres-24703054. Access on:27 July 2021.ALGEBAILLE, E. Escola pública e pobreza no Brasil. A ampliação para menos. Rio de Janeiro: Lamparina; Faperj, 2009.BAUMAN, Z. Vida líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.BAUMAN, Z. Sobre escrever cartas... de um mundo líquido moderno. In: BAUMAN, Z.44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.BECKER, H. Métodos de pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo: Hucitec, 1993.BRAZIL. Resolução n. 02, de 09 de abril de 2020. Dispõe sobre a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE durante o período de estado de calamidade pública[...]. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2020a Available at: https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/13453-resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%B0-02,-de-09-de-abril-de-2020. Access on: 12 Mar. 2022.BRAZIL. Resolução n. 06, de 08 de maio de 2020. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar PNAE. Brasília, DF: MEC; FNDE, 2020b. Available at:
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302510https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/13511-resolu%C3%A7%C3%A3o-n%C2%BA-6,-de-08-de-maio-de-2020. Access on: 10 Feb. 2022.CIAVATTA, M. A história do presente -Uma opção teórica marxista para a pesquisa em trabalho e educação?SEMINÁRIO DE PESQUISA DO GRUPO THESE, 9., 2009, Rio de Janeiro. Anais [...]. Rio de Janeiro: UFF, UERJ e EPJJV, 2009. No prelo. Available at: http://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/l202.pdf.Access on: 01 Aug. 2021.FERNANDES, F. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.FRIGOTTO, G. A produtividade da escola improdutiva: Um reexame das relações entre educação e estrutura econômico-social capitalista. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2010.FRIGOTTO, G; CIAVATTA, M.; RAMOS, M. (org.). Ensino Médio Integrado: Concepção e contradições. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2012.GALDO, R.; SCHIMIDT, S. O difícil retorno à escola: Professores vão às casas de alunos faltosos e criam até grupo de “detetives” para evitar a evasão. O Globo, Rio de Janeiro, 2021.GRAMSCI, A. Cadernos do Cárcere. Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. v. 2.HOBSBAWN, E. A era dos extremos: O breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.MARINI, R. M. Dialética da dependência. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.MARX, K. Contribuição para a crítica da economia política. Lisboa: Estampa, 1977.MARX, K. O capital. (Crítica da economia política). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Cortez, 1998.MELUCCI, A. Juventude, tempo e movimentos sociais. Revista Brasileira de Educação, v. 4, n. 2, p. 3-14, maio/dez. 1996. Available at: http://educa.fcc.org.br/pdf/rbedu/n05-06/n05-06a02.pdf. Access on: 23 May2021.MÉSZÁROS, I. A necessidade de controle social. São Paulo: Ensaio, 1987.MÉSZÁROS, I. Produção destrutiva e Estado capitalista.2. ed. São Paulo: Editora Ensaio, 1996.NORA, P. Entre mémoire et histoire: Laproblematiquedeslieux. In:NORA, P. Leslieux de memoire: La République. Paris: Gallimard, 1984.RIO DE JANEIRO. Decreto n. 46.970, de 13 de março de 2020. Dispõe sobre medidas temporárias de prevenção ao contágio e de enfrentamento da propagação decorrente do novo coronavírus (Covid-19), do regime de trabalho de servidor público e contratado, e dá outras
image/svg+xmlFlávia Gonçalves da SILVAand Maria CIAVATTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302511providências. Rio de Janeiro: Governo do Estado, 2020a. Available at: https://pge.rj.gov.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=MTAyMjE%2C. Access on: 12 Jan. 2022.RIO DE JANEIRO. Deliberação CEE n. 376, de 23 de março de 2020. Orienta as Instituições integrantes do Sistema Estadual de Ensino do Estado do Rio de Janeiro [...]. Rio de Janeiro: Presidência do CEE, 2020c. Available at: http://www.cee.rj.gov.br/deliberacoes/D_2020-376.pdf. Access on: 25 Apr. 2021.RIO DE JANEIRO. Recomendação n. 01/2020, de 03 de abril de 2020. Rio de Janeiro: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, 2020b. Available at: http://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.pdf. Access on: 25 Apr. 2021.RIO DE JANEIRO. Resolução SEEDUC n. 5993, de 19 de outubro de 2021. Dispõe sobre as diretrizes para o retorno das aulas presenciais no sistema estadual de ensino do Rio de Janeiro, em todas suas etapas e modalidades, e dá outras providências. Rio de Janeiro: Secretário de Estado de Educação, 2021. Available at: https://ibee.com.br/materia/resolucao-seeduc-5993-de-19-10-2021-dispoe-sobre-as-diretrizes-para-o-retorno-das-aulas-presenciais-no-sistema-estadual-de-ensino-do-rio-de-janeiro-em-todas-suas-etapas-e-modalidades-e-da-outras-p/. Access on: 12 Feb. 2022.SANTOS, T. Ateoria da dependência. Balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica, quadragésimo ano: Novas aproximações. Campinas, SP: Autores Associados, 2019.SHIROMA, E. O.; MORAES, M. C. M.; EVANGELISTA, O. Política Educacional. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.SILVA, F. G.Ensino Médio Integral e Integrado à Educação Integral Profissional: Mediações e contradições na formação da classe trabalhadora. 2019. Tese(Doutorado em Educação) Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense, sob a orientação da Prof.(a) Dr.(a) Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019
image/svg+xmlSchool in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivationRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167302512How to reference this articleSILVA, F. G.; CIAVATTA, M. School in times of pandemic: Helplessness, hunger and technological deprivation. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2494-2512, Oct./Dec. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16730Submitted: 30/04/2022Revisions required: 09/07/2022Approved: 11/10/2022Published: 30/12/2022Processing and publication by the Editora Ibero-Americana de Educação.Correction, formatting, standardization and translation.