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A escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológica
RIAEE
–
Revista Ibero
-
Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
v. 17, n. 4, p.
2494
-
2512
, out./dez. 2022
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16730
2494
A ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, FOME E PRIVAÇÃO
TECNOLÓGICA
LA ESCUELA EN TIEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, HAMBRE Y CARENCIA
TECNOLÓGICA
SCHOOL IN TIMES OF PANDEMIC: HELPLESSNESS, HUNGER AND
TECHNOLOGICAL DEPRIVATION
Flávia Gonçalves da
SILVA
1
Maria
CIAVATTA
2
RESUMO:
Este artigo resulta
do conhecimento
das contingências que a população brasileira
vivencia em tempos de pandemia da COVID
-
19, cujas situações de desamparo, fome e privação
tecnológica
tornaram
-
se mais evidentes. Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia
na história do presente
,
isto é
,
no tempo
-
espaço nos acontecimentos do período de 2020 a 202
1
.
Foi utilizad
a
uma abordagem histórico
-
qualitativa
com observação
participante e a
nálise da
legislação.
Defendemos que a distribuição dos bens sociais de forma igualitária colide com os
interesses das classes dominantes, sendo necessária uma mudança urgente na forma como
produzimos a nossa existência e o sentido do desenvolvimento econô
mico e social. Procuramos
demonstrar os desafios do período pandêmico
em
uma escola pública do
e
stado do Rio de
Janeiro
.
Neste
contexto, os
resultados apontam
para
o agravamento
das
situações de
exclusão
social e
de desamparo
vivenciad
a
s pel
o
s
alunos, professores e gestores
.
PALAVRAS
-
CHAVE
: Tempo presente
.
Escola
.
Pandemia
.
Desigualdades sociais.
RESUMEN
:
Este artículo resulta del conocimiento de las contingencias que vive la población
brasileña en tiempos de la pandemia de la COVID 19,
cuyas situaciones de desamparo, hambre
y carencia tecnológica se han vuelto más evidentes. Desde un punto de vista metodológico,
ubicamos la pandemia en la historia del presente, es decir, en el tiempo
-
espacio en los
acontecimientos del período 2020 a 202
1
. Se utilizó un enfoque histórico
-
cualitativo con
observación participan
te y análisis de la legislación
. Defendemos que la distribución de los
bienes sociales de manera igualitaria choca con los intereses de las clases dominantes,
exigiendo un cambio urgen
te en la forma en que producimos nuestra existencia y el sentido del
desarrollo económico y social. Buscamos demostrar los desafíos del período de la pandemia
en una escuela pública del Estado de Río de Janeiro. En este contexto, los resultados apuntan
al
recrudecimiento de las situaciones de exclusión social y desamparo que viven estudiantes,
docentes y directivos.
PALABRAS
C
LAVE
:
Tiempo presente
.
Escuela
.
Pandemia
.
Diferencias sociales.
1
Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói
–
RJ
–
Brasil. Doutoranda do Programa de Pós
-
Graduação em
Educação. ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0001
-
5249
-
3001
.
E
-
mail: flaviagsmendes@gmail.com
2
Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói
–
RJ
–
Brasil. Professora Titular em Trabalho e Educação do
Programa de Pós
-
graduação em Educação
.
Doutorado em Educação (PUC
-
Rio).
ORC
ID
:
https://orcid.org/0000
-
0001
-
5854
-
6063
.
E
-
mail:
maria.ciavatta@gmail.com
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Flávia Gonçalves da SILVA
e
Maria CIAVATTA
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ABSTRACT
:
This article results from the knowledge of the
contingencies that the Brazilian
population experiences in times of the COVID 19 pandemic, whose situations of helplessness,
hunger and technological deprivation have become more evident. From a methodological point
of view, we place the pandemic in the hi
story of the present, that is, in time
-
space in the events
of the period from 2020 to 202
1
. A historical
-
qualitative approach was used with participant
observation and analysis of legisla
tion.
We defend that the distribution of social goods in an
egalitarian way collides with the interests of the dominant classes, requiring an urgent change
in the way we produce our existence and the meaning of economic and social development. We
seek to demons
trate the challenges of the pandemic period in a public school in the State of Rio
de Janeiro. In this context, the results point to the worsening of situations of social exclusion
and helplessness experienced by students, teachers and managers.
KEYWORDS
:
Present tense
.
School
.
Pandemic
.
Social differences
.
Introdução
Este texto
foi elaborado durante o processo de
pesquisa
para a tese de
doutorado
(
SILVA,
2019
)
sobre
o ens
ino médio integral e integrado à
educação profissional
,
na rede
pública do
e
stado do Rio de Janeiro
3
.
Os impasses e transformações da rotina escolar
provocados pela
pandemia d
a
Covid
-
19
trouxeram novas questões ao campo de pesquisa
t
rabalho
-
educação
, particularmente
,
à concepção de ensino integral e
de
formação integrada
.
À
s mediações e contradições presentes
, historicamente,
na formação da classe trabalhadora
,
vimos acrescentar as
dificuldades
geradas pela pandemia
, inclusive
do ponto de vista dos
direitos sociais
não
consolidados
(saúde, educação, moradia, alimentação e o
u
tros)
.
Vive
-
se um presente sob a ameaça permanente de contaminação da Covid
-
19, pela
incerteza sobre o atendimento médico e a eficácia dos tratamentos, pela inquietação e desalento
que invadem a alma no prolongado distanciamento social. Este trabalho nasceu do
conhecimento e da aproximação com as contingências que a população bras
ileira e a
humanidade como um todo estão vivendo no presente. Nas escolas, a proximidade faz parte da
estrutura de relações entre os alunos e os professores, e o distanciamento social com uso de
máscaras foi a única medida protetora efetiva até a chegada d
as vacinas. Foram expedidas
normas legais para a circulação de pessoas, e professores e alunos foram orientados pelas
autoridades a permanecerem em casa.
3
SILVA, Flávia Gonçalves da,
Ensino
Médio Integral
e Integrado à Educação Integral Profissional: mediações e
contradições na formação da classe trabalhadora. Projeto de tese de doutorado. (Educação) do
Programa de Pós
-
graduação
em Educação
da
Universidade Federal
Fluminense,
sob a orientação
da
Prof.(a) Dr
.(a) Maria Ciavatta.
Niterói: UFF, 2019
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Quase imediatamente, no
e
stado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Educação (SEEDUC)
iniciou a convoca
ção dos professores para o Ensino Remoto e orientou acerca dos
procedimentos didáticos a serem seguidos para a continuidade dos estudos dos alunos. Este
trabalho é produto
de observação participante e do registro e análise
de sucessivos relatos de
professo
ras do Ensino Básico sobre as condições de implantação do Ensino Remoto e as
condições de vida dos alunos do Colégio Estadual “20”
4
, no período
de
13 de março de 2020 a
início de outubro de 2021, quanto às condições e necessidades de moradia e segurança,
de
alimentação e de acesso aos recursos digitais para o estudo, em suas casas.
Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia da C
ovid
-
19 na história do
presente (B
AUMAN
, 2007;
HOBSBAWN, 1995;
N
ORA
, 1984). Sobre as necessidades
humanas, temos por
referência sua relação com a estrutura social (M
ARX
, 1980; M
ÉSZÁROS
,
1996). Outras fontes de consulta e acompanhamento das mudanças de vida, ocorridas durante
a Pandemia, são os noticiários da grande imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Trata
-
se
de u
m estudo com abordagem
histórico
-
qualitativa
,
que busca
demonstrar os desafios do
período pandêmico para os alunos, professores e gestores de uma escola pública do
e
stado do
Rio de Janeiro
.
Na primeira seção
,
tratamos da história do presente; na segunda seção, refletimos sobre
o sistema capital, as políticas públicas e as desigualdades sociais; na terceira seção traçamos
um quadro das condições de moradia, alimentação, segurança e acesso dos alunos às
tecnolog
ias digitais e as novas atribuições dos professores para prover atividades em ensino
remoto; e, por último, nossas considerações finais
, seguidas das referências
.
A história do tempo presente
Falar da pandemia da C
ovid
-
19 é falar do tempo em que estamos
vivendo, é falar de
acontecimentos qu
e
estamos compartilhando. No campo dos historiadores, essa proximidade à
dimensão temporal deu origem à história do tempo presente, que diz respeito à concepção do
tempo passado, presente e futuro e à possibilidade de
conhecimento de cada uma destas
temporalidades
5
.
Uma primeira concepção do tempo presente é a interpretação da história mediante uma
leitura factual e imediatista, o tempo como um presente permanente, o presenteísmo. O termo
é visto com sentido pejorativo na medida em que trata dos fenômenos isolados de
seu contexto
4
O número “20” dado ao Colégio Estadual visa preservar a identidade da comunidade escolar.
5
Esta introdução dá continuidade à exposição oral de Ciavatta (2009).
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histórico, e suscita um apagamento da memória pelo desconhecimento do passado. Mas esta
concepção não prevalece entre todos os reconhecidos historiadores, para os quais a história do
presente é uma questão de marco de temporalidade, porque sua
s exigências são as mesmas de
toda concepção de história.
Assumimos, aqui, esta particularidade da história como história do tempo presente que
tem diversas vertentes de aproximação. Uma delas é o presenteísmo, concebido em função das
grandes transformaçõe
s do século XX. É a leitura de Zygmunt Bauman (2007) que trata em
seus livros do
Amor líquido
, da
Vida líquida
, da
Modernidade líquida
. Assim ele justifica em
um
folder
:
“O mundo eu chamo de líquido porque, como todos os líquidos, ele jamais se
imobiliza n
em conserva sua forma por muito tempo”
(BAUMAN, 2011, p. 2)
.
Em
Vida líquida,
Bauman (2007) “
[...]
chama a atenção para os problemas que a atual
condição do sistema capitalista suscita no ser humano hoje, entre a necessidade de se adaptar
ao ritmo destruti
vo
-
criativo
6
dos mercados e o medo de ficar defasado, tornar
-
se dispensável.”
Neste mundo de mudanças em ritmo permanente, as realizações individuais se fazem e se
desfazem. O que lembra Marx
e Engels
(1998, p. 8), no Manifesto, quando diz sobre o sistema
capitalista
:
“tudo que é sólido e estável se desmancha no ar”.
Outra vertente da história do presente está nos estudos sobre a juventude. A ideia de
uma juventude presentista é
encontrada nos
estudos do
sociólogo italiano Alberto Melucci
(1996, p. 4)
, quando menciona que
“
A juventude, por causa de suas condições cultu
rais e
biológicas, é o grupo social mais diretamente exposto a estes dilemas, o grupo que os torna
visíveis para a sociedade como um todo”.
O presenteísmo vivido afeta a compreensão do tempo que se torna presente, sem
memória do passado e sem perspectiva de futuro. A aceleração do tempo pelas tecnologias de
comunicação (internet e meios de transporte) tem imprimido um ritmo mais rápido à produ
ção
de bens e às relações entre as pessoas.
Salvo pesquisas posteriores, Hobsbawn (1995, no Brasil e 1994, na Europa) teria sido o
primeiro historiador a chamar a atenção para a forma como a juventude vive uma espécie de
presente contínuo: “Quase todos os
jovens de hoje nascem em uma espécie de presente
contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem”
(H
OBSBAWN
, 1995, p.
13). No Prefácio d
o livro
A era dos extremos
:
o
breve século
XX
,
Hobsbawn
(1995)
,
dá vezo a uma leitura da
quase
impossibilidade de
escrever
uma história do
6
Mészáros (1996) chama esse fenômeno do mundo capitalis
ta atual de produção destrutiva.
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presente. Seus argumentos trazem a marca de sua cultura histórica, legitimidade científica e
honestidade na identificação dos limites do historiador.
O sistema capital, as polít
icas públicas e as desigualdades sociais
Desamparo, fome e privação tecnológica não são apenas palavras, são produtos de uma
estrutura social, cujas necessidades humanas não são supridas por meio de políticas econômicas
e sociais universalizadas para o trabalho, o emprego e o atendimento às neces
sidades de vida
de toda a população. Consequentemente, geram
-
se desigualdades sociais que, no Brasil, têm
uma história antiga, vêm da Colônia, permanecem no Império e prolongam
-
se na República até
nossos dias. A apropriação da riqueza social produzida pelo
trabalho concentra
-
se e acumula
-
se nas mãos dos proprietários dos meios de produção, os empresários, seus investimentos
financeiros, sua articulação com rentistas internacionais e com os poderes republicanos, a
serviço do sistema capital
ista
.
As desiguald
ades são visíveis na estrutura de classes que, neste tempo de pandemia,
atingem principalmente, de forma grave, os mais pobres. Postos de saúde e hospitais públicos
apresentam recursos e serviços que evidenciam a carência de políticas públicas efetivas par
a a
enfrentar a gravidade da doença. Na outra extremidade da pirâmide social, que dá forma à
população brasileira, é visível a abundância
n
os serviços médicos privados para as classes de
alta renda.
O sentido das palavras de Marx (1980, p. 554) de, pelo tr
abalho, pela educação e pela
organização social, “produzir seres humanos plenamente desenvolvidos
”
desfaz
-
se na miragem
das propagandas enganosas e na ausência do poder público. Não são assegurados a todos os
meios de suprir as necessidades básicas de sobr
evivência, como alimentação, água potável,
saneamento, moradia, saúde, educação, segurança, seguridade social. Outras dificuldades das
classes de baixa renda são a desinformação e a falta de conhecimento crítico e apoio jurídico
para mover
-
se nos meandros
dos direitos sociais, não assegurados pelo poder público.
O sistema capital opera com rígidos controles sociais por meio do poder econômico, da
legislação favorável aos negócios. Há uma crescente polarização inerente à estrutura global do
capitalismo, à fi
nanceirização da economia e à nossa situação de país dependente do sistema
capital dos países desenvolvidos (
FERNANDES, 1973;
MARINI, 2000; SANTOS, 2000
),
articulados com as elites nacionais.
É um desenvolvimento que se alimenta do arcaico (
FRIGOTTO,
2010) e que não
contribui para o desenvolvimento de um país
que
mantém
excluída
de direitos básicos
grande
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parcela da população. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD
Contínua
,
2020
), do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), mostra uma taxa de
desocupação das pessoas de 14 anos ou mais de idade de 13,3% da população
,
no segundo
trimestre de 2020
7
.
A distribuição dos bens sociais colide com os interesses da burguesia nacional e
internacional. Milhares de cr
ianças, jovens e adultos da classe trabalhadora são relegados a um
papel secundário nas políticas públicas. Essas questões foram claramente evidenciadas em
tempos de
p
andemia da C
ovid
-
19.
No
Colégio Estadual “20”, à semelhança de outros da rede
pública, m
uitas crianças, repentinamente, ficaram sem a alimentação diária, com os seus pais
desempregados, sem internet e meios digitais para, no mínimo, continuar alimentando o corpo
físico e o seu desenvolvimento cognitivo.
A escola, como ressaltam
Frig
otto, Ciavatta e Ramos
(2012
, p. 7
), deve ser
compreendida dentro do projeto de sociedade em que vivemos:
Por ser a escola uma instituição produzida dentro de determinadas relações
sociais, este retrato só ganha melhor compreensão quando apreendido no
int
erior da especificidade do projeto capitalista de sociedade, que foi sendo
construído no Brasil: um longo processo de colonização (econômica,
político
-
social e cultural), sendo a última sociedade ocidental a proclamar o fim da
escravidão.
Em um país de
escolarização tardia para
a
maioria da população, com dados de
universalização do ensino fundamental apenas datados do final do século passado
,
e ainda com
o
desafio de levar a educação escolar para a totalidade dos jovens do Ensino Médio e para
aqueles qu
e não puderam escolarizar
-
se em um suposto tempo certo, encontramos sobre a
escola uma gama de atribuições. A responsabilidade de alimentar as crianças, jovens e adultos
é uma delas. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), sem dúvida, é um dos
m
ais importantes programas de alimentação do mundo e beneficia milhões de estudantes da
educação brasileira
.
É também por meio da escola que um dos principais programas de
transferência de renda, o Bolsa Família, baliza os seus beneficiários
8
.
Em virtude d
a pandemia da C
ovid
-
19, nos deparamos com algumas contradições dessa
forma de desenvolvimento social. Com as escolas fechadas, a ação parte do isolamento social,
propost
o
pela Organização Mundial da Saúde (OMS); a fome
começou a bate
r
à porta das
7
Pesquisa disponível em:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9171
-
pesquisa
-
nacional
-
por
-
amostra
-
de
-
domicilios
-
continua
-
mensal.html?edicao=28382&t=destaques
.
Acesso em: 04 nov. 2020.
8
Cioso dos dividendos
políticos de um programa criado pelos governos petistas, e pressionado pelas contas
públicas do país, a serviço do capital rentista, o Bolsa Família está sendo reestruturado pelo atual governo.
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crianças em diversos estados e cidades brasileiras. A escola vem sendo novamente chamada a
dar conta de um problema que, na essência, não é seu: as necessidades nutricionais diárias dos
seus alunos e familiares.
A exclusão digital é outro
fator que impactou a exclusão das crianças e jovens oriundos
da classe trabalhadora
diante de tal contexto pandêmico
. As escolas públicas se depararam com
a seguinte situação: alguns governos estaduais implementaram o ensino remoto e a dura
realidade dos p
obres mais uma vez foi evidenciada. No Colégio Estadual “20”, poucos alunos
tinham acesso a
os
equipamentos digitais e
à
internet de qualidade
,
que poderiam facilitar o
contato entre a escola e família
.
As funções da escola e a sua teia de significações
O trabalho de campo que dá base a este trabalho tem como referência principal a
observação participante, apresentada pelo antropólogo Howard Becker (1993
, p. 47
)
:
O observador participante coleta dados através de sua participação na vida
cotidiana do gru
po ou organização que estuda. Ele observa as pessoas que está
estudando para ver as situações com que se deparam normalmente e como se
comportam diante delas. Entabula conversação com alguns ou com todos os
participantes desta situação e descobre as interp
retações que eles têm sobre os
acontecimentos que observou.
No entanto, dadas as circunstâncias de convivência diária com os problemas gerados
pela pandemia da C
ovid
-
19, pelos imprevistos gerados pela realidade e pelos encaminhamentos
das autoridades, nã
o realizamos a pesquisa segundo os quatro estágios de análise do autor
(
BECKER
,
1993
,
p. 49
-
50
). Realizamos
o trabalho segundo as circunstâncias e as necessidades
dos alunos, familiares e equipes escolares
, na escola e nas visitas às famílias para entregar cestas
básicas.
Nossa observação e reflexão busca evidenciar o cotidiano de uma comunidade escolar
da regi
ão metropolitana do
e
stado do Rio de Janeiro, atingida duramente pelas consequências
das diversas crises que assolam o nosso país, e que a
p
andemia da C
ovid
-
19 apenas intensificou.
Buscamos, também, provocar a reflexão sobre as mudanças urgentes que se faz
em necessárias
não só para a escola, mas para a sociedade brasileira como um todo.
A escola está localizada em uma região pobre e afastada dos grandes centros comerciais
e com o tráfico de drogas e violência conflagrados, uma realidade que pode perfeitamen
te
estender
-
se a outras escolas e regiões do nosso país. A escola escolhida tem uma média de 400
alunos, 35 professores e três membros da equipe gestora.
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A
p
andemia
m
undial da C
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-
19 mostrou a ferida aberta da desigualdade social que
assola o nosso país e, mais especificamente, a realidade do
e
stado do Rio de Janeiro. No decreto
de nº
.
46.970
,
de 13 de março de 2020
(
RIO DE JANEIRO
, 2020
a
)
, o Governador Wilson
Witzel (atualmente, p
unido com a perda do mandato após
impeachment
sofrido por várias
improbidades)
9
, implementou, inicialmente, uma série de medidas e, dentre elas, a suspensão
temporária por 15 dias das aulas presenciais como uma das
açõe
s de prevenção ao contágio da
doença
.
Mas a situação se prolongou por mais 15 dias e por meses seguidos
,
até o mês de outubro
de 2021, quando a resolução SEEDUC (Secretaria de Estado de Educação)
nº.
5993
,
de 19 de
outubro de 2021
(
RIO DE JANEIRO
,
2021)
, determinou a retomada total dos alunos às
atividades presenciais. Os problemas ocasionados pelo fechamento das escolas não tardaram a
aparecer. Os professores foram colocados em recesso escolar por duas semanas e os alunos
tiveram as suas férias de metad
e do ano antecipadas. Durante esse período de recesso foram
gestados, no seio do Governo Estadual, por meio da (SEEDUC), as ideias de um Ensino
Remoto. E todos os profissionais da educação foram surpreendidos com esse novo modo de
interação com os alunos.
Estava, assim, fechada a parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e a gigante
norte americana
Google,
por meio de sua plataforma digital
Google ClassRoom
(sala de aula),
no dia 18 de março de 2020
10
, anunciada amplamente nas redes sociais e meios
de comunicação.
Os professores receberam capacitação/formação como formadores, da própria SEEDUC e da
equipe da
Google.
Professores, alunos e gestores receberam um
e
-
mail
específico com
login
e senha para
acessar uma escola
que era transportada
para o
universo virtual. A princípio
,
houve muita
discussão entre os profissionais de educação
,
capitaneados pelo Sindicato dos Profissionais de
Educação (SEPE)
,
que tentou resistir a essa nova medida emanada dos órgãos oficiais. Afinal,
essa medida não foi ampla
mente debatida entre os profissionais da educação e gerou muita
insegurança entre todos. Mas o medo de contaminação pelo novo
vírus
e a insegurança em
relação ao seu próprio emprego não permitiram uma maior resistência dos professores a essas
medidas.
9
As observações e análise refletem situações vivenciadas, em
especial, durante o período de março de 2020 a
outubro de 2021.
10
Para conferir a entrevista completa do Secretário de Educação do estado do Rio de Janeiro, Pedro Fernandes,
basta clicar no
link
a seguir
.
D
isponível em:
https://www.facebook.com/watch/?v=270821307247696
.
Acesso em:
24 jul. 2020.
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Diante de muitos questionamentos quanto aos procedimentos adotados pela SEEDUC,
para que a educação se efetivasse no período de isolamento social, o Ministério Público
Estadual do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou esclarecimentos a esta Secretaria de
E
stado
(Ofício
2ª PJTCPEC nº
.
112/2020, de 19 de março de 2020, Recomendação
nº.
01/2020
)
11
.
Resumidamente, o Ofício citado solicitava respostas da SEEDUC quanto à garantia da
saúde de alunos, profissionais de educação e familiares; de que forma se daria o
cumprimento
do ano letivo de 2020; como estavam sendo garantidos os espaços de discussão nos diversos
colegiados das instituições de ensino; informações sobre um eventual uso de plataformas
digitais e se estaria garantido o acesso a
os
alunos enquanto dura
s
s
em as medidas de isolamento
social; de que forma estava acontecendo o atendimento aos alunos com necessidades especiais.
Também cabia
à
SEEDUC informar se, porventura, numa volta às aulas, os estudantes com
necessidades específicas
seriam atendidos em seu
s domicílios; deveria informar ao
Ministério
Público do
e
stado do Rio de Janeiro (
MPRJ
)
como seria garantido o direito à alimentação
escolar aos seus alunos e quais os recursos que seriam utilizados para esta ação.
A Recomendação
nº.
01/2020
(
RIO DE JANEI
RO, 2020
b
)
, já citada anteriormente, vai
além e acrescenta o pedido de esclarecimentos em relação ao custo dos acordos entre a
Google
e a SEEDUC e aos valores já pagos. Como também exige o cumprimento da Deliberação do
Conselho Estadual de Educação (CEE)
nº.
376, de 23 de março de 2020
(
RIO DE JANEIRO,
2020
c
)
, documento em que se faz necessário que o órgão torne público o Plano de Ação
P
edagógica antes de implementar o ensino remoto. Enfim, mesmo em meio a tantas decisões
judiciais e pedidos de esclarecimentos oriundos da sociedade civil, de forma autocrática, a
SEEDUC iniciou as aulas remotas no dia 06 de abril de 2020.
Os professores e
gestores escolares tiveram que se reinventar. Não nos referimos aqui
apenas ao aprendizado de novas tecnologias digitais, mas a aprender uma nova forma de viver.
Esses profissionais são mães, pais, avós. Antes do isolamento social imposto pelo novo cenário
pandêmico tinham uma rede de apoio para desenvolver as suas tarefas laborais. Os filhos
estavam na creche ou na escola, ou mesmo na casa d
a
s avós. Essas pessoas, neste momento,
deveriam ser protegidas e afastadas do contato com as crianças sob o risco de
contágio fácil da
doença e
de
consequências graves, como até mesmo a morte.
Sobre as mulheres professoras e profissionais da educação o peso era maior, cabia
-
lhes
a tarefa de ser mãe, mulher, profissional, estudante e cuidadora da família. Isso tudo ao mesmo
11
Disponível em
:
http
s
://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.p
df
.
Acesso em: 25 jul. 2020.
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Flávia Gonçalves da SILVA
e
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Araraquara,
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tempo e o tempo todo. Mas professores e gestores assumiram a tarefa de de
senvolver o ensino
remoto. Longe de ser uma unanimidade entre os educadores, era o que cabia naquele momento
tão difícil e incerto para todos.
Como já citado, os problemas ocasionados pelo fechamento das escolas começaram a
surgir. Os alunos, para acessar
essa plataforma digital,
Google
Sala de Aula, precisavam de
equipamentos digitais e internet banda larga ou um pacote de dados móveis que suportasse o
uso da ferramenta. E isso não foi possível para 70% dos alunos dessa comunidade. As famílias,
muitas vez
es, contavam apenas com um celular, que
,
muitas vezes, ficava com o pai ou mãe do
aluno. Aqueles que ainda podiam acessar foram surpreendidos pelo roubo de cabos de internet
em meio à
p
andemia, e o percentual caiu ainda mais.
Os professores e gestores tam
bém tiveram que comprar equipamentos melhores e
aumentar a velocidade de suas redes de internet e/ou contratarem novos serviços, um custo
adicional para esses profissionais. Um, dois ou no máximo três alunos por dia participavam das
aulas. Para uma escola
que atende com prioridade aos jovens, os danos são imensuráveis. Tanto
a formação escolar como a formação humana, que se formam em outras instâncias sociais
também, mas que não podem prescindir desse espaço, estavam comprometidas.
Aos gestores cabia fazer
essa escola funcionar
,
auxiliando os alunos, famílias e
professores para que as coisas dessem certo. Além de pesar sobre eles a administração da escola
no ambiente virtual e físico, porque a escola continuava no mesmo lugar e com os seus
problemas de manu
tenção, de ordem burocrática
,
e com uma tarefa a mais: a de auxiliar as
famílias dando suporte alimentar aos alunos que dele necessitavam. Afinal, a escola deveria
estar pronta e de pé para uma volta às aulas que poderia ocorrer a qualquer momento.
A promessa de internet fornecida pelo
e
stado sem custos para os profissionais e alunos
das escolas somente se concretizou, parcialmente, quase um ano depois
,
q
uando a SEEDUC
criou o aplicativo
Applique
-
se
e colocou em uso no dia 1º de março de 2021
12
,
que
funcionava
com acesso gratuito aos alunos e professores da rede. Passados muitos meses de isolamento
social, poucos alunos puderam participar dessa nova forma de ensinar e aprender. A falta de
aparelhos celulares e computadores também contribuiu para o afa
stamento dos alunos. O
abismo entre os estudantes das escolas particulares, consideradas de qualidade, e os alunos da
rede pública estadual
,
se alargou mais ainda
13
.
A dualidade educacional brasileira fez
-
se
12
Maiores informações sobre o
Applique
-
se
estão disponíveis em: https://www.seeduc.rj.gov.br/applique
-
se.
Aces
so em: 25 abr. 2022.
13
“Adolescentes das camadas A e B estudam 64% mais horas do que os da classe E, mostra estudo da FGV Social
com dados do IBGE. Os números são de agosto e os responsáveis pela pesquisa são os economistas Marcelo Neri
e Manuel Osório” (A
LFANO, 2020, p. 17).
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A escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológica
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Americana de Estudos em Educação,
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presente de forma mais acentuada nestes tempos d
e
p
andemia. Gramsci (20
0
1), em seus
escritos, nos remete ao conceito de escola unitária, uma escola que atenda a todos da mesma
forma, que seja capaz de unir os saberes universais aos saberes técnicos. Descreve a função do
Estado
,
que é de assumir as despesas com instrução que estão a cargo da família. E somente
assim, com a educação pública, que se pode alcançar a todos, independentemente das classes
sociais a que pertencem
:
A escola unitária ou de formação humanista (entendido
este termo,
“humanismo”, em sentido amplo e não apenas em sentido tradicional), ou de
cultura geral, deveria assumir a tarefa de inserir os jovens na atividade social,
depois de tê
-
los elevado a um certo grau de maturidade e capacidade para a
criação intel
ectual e prática e a uma certa autonomia na orientação e na
iniciativa (
GRAMSCI
, 20
0
1, p.
36
, grifo do autor
)
.
A maior parte dos alunos desta comunidade, em específico, tiveram o seu processo de
aprendizagem interrompido. A falta dos instrumentais básicos para um ensino remoto e
d
o
endereço dos alunos também fizeram a diferença. A solução encontrada pela SEEDUC, pa
ra os
alunos que não tinham acesso à plataforma digital, foi a entrega
14
, na casa de cada um deles,
das apostilas de Atividades Autorreguladas,
15
,
em papel impresso.
Para que essa ação se concretizasse foi firmado um contrato com os Correios. Os
Correios d
everiam entregar nas residências dos alunos (sem acesso à internet) as atividades
elaboradas pela SEEDUC. Mas as apostilas não chegaram a todos os alunos. Os alunos que
vivem em área com a violência deflagrada não receberam as apostilas em tempo real, por
ameaças ou interferência dos traficantes locais. Aqueles que receberam os materiais em suas
residências também tiveram muitas dificuldades
para executar as tarefas
.
Entendendo que o professor é fundamental para que haja uma aprendizagem
significativa, a Ed
ucação Escolar, como mera transmissão de conhecimentos
,
se fez mais forte
na rede estadual, apesar dos esforços dos professores e gestores. Para os alunos que não tiveram
acesso à interação com o professor, restava fazer as atividades sozinhos em suas casa
s, ou com
a ajuda de familiares nem sempre com tempo ou preparados para ajudar seus filhos. Saviani
14
Diante da decisão da SEEDUC de fazer chegar materiais impressos a todos que não receberam pelos Correios
ou que não acessaram a plataforma
online,
o gestor e uma funcionária foram à comunidade convidar os alunos a
pegar as atividades
na escola e distribuir pessoalmente alguns desses materiais
,
e depararam
-
se com as barricadas
impostas pelo tráfico como um limite físico de até onde o poder público poderia chegar. Essa situação é imposta
aos moradores de comunidades, como esta, que tem o
tráfico deflagrado. Os pais relatam que os serviços públicos
não vão além das barricadas impostas pelo tráfico
,
e que progressivamente foram perdendo os seus endereços e
dependendo cada vez mais de comerciantes locais
,
que cederam voluntariamente seus est
abelecimentos para o
recebimento de encomendas e correspondências dos moradores locais.
15
Atividades elaboradas pelos professores da rede estadual no ano de 2013 e que fazem parte um banco de dados
da SEEDUC.
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(2019
, p. 43
) nos traz uma importante reflexão:
“
Portanto, para existir a escola não basta a
existência do saber sistematizado. É necessário
viabilizar as condições de sua transmissão e
assimilação”.
Se é correto afirmar que em algumas escolas esse ensino remoto alcançou uma
quantidade maior de alunos, também é correto afirmar que os alunos afastados dos centros da
cidade e que moram em regiões
mais pobres sofreram mais com a ausência da escola, não
apenas como um lugar de troca de conhecimentos, mas como um lugar cheio de significações.
A alimentação escolar, sem dúvida, merece uma atenção especial neste relato. A
SEEDUC passou a distribuir a
ajuda alimentar aos alunos com maior vulnerabilidade social por
meio do PNAE, que se modificou para atender à especificidade da situação, como faz ver este
trecho da Resolução
do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação
-
FNDE,
nº
. 02/2020
(
BRASIL
, 20
20
a
)
.
A situação causava imensa preocupação e sofrimento aos gestores escolares, a quem
cabia mapear esses alunos e fazer chegar a ajuda. A opção por levar o alimento às casas dos
alunos, sem dúvida, se mostrou ainda mais dolorosa. Muitos alunos moram em l
ugares onde o
poder público não chega e as condições de vida são muito difíceis. As barricadas que o tráfico
de drogas instala nas ruas e que deveriam ser retiradas e recolocadas para que o carro chegasse
até as casas dos alunos aumentava o sofrimento dos
funcionários, gestores e de voluntários, que
se dispuseram a entregar a ajuda. Aquelas famílias que não recebiam o alimento
n
o mesmo
momento da
s
outra
s
entravam em desespero. Era um sinal de que a fome começava a chegar às
famílias
,
e os relatos orais e escritos eram terríveis.
A Defensoria Pública do
e
stado do Rio de Janeiro, no dia 23 de maio de 2020
16
,
obrigou
as escolas estaduais e municipais a distribuir alimentação a todos os alunos de sua rede, por
meio da entrega de alimentos ou vale ou
tickets
para a compra direta. A partir deste momento,
os recursos estaduais regulares retornar
a
m às contas corren
tes da escola e os gestores puderam
contar com todos os recursos de merenda disponibilizados para a escola em tempos antes da
pandemia.
Porém, evidenciou
-
se um problema: a renda per capita diária por aluno é muita baixa.
A Resolução SEEDUC
nº
. 5722, de 18
de fevereiro de 2019
(Rio de Janeiro
, 2019)
,
estabelece
os valores repassados às escolas de horário parcial para aquisição de gêneros alimentícios, que
é de R$ 0,62. Esse valor é complementado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar
16
Disponível
em: http://www.defensoria.rj.def.br
/noticia/detalhes/10297
-
DPRJ
-
garante
-
na
-
Justica
-
alimentacao
-
para
-
alunos
-
da
-
rede
-
publica
.
Acesso em: 25 jul. 2020.
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(PNAE), como informa a mesma Resolução. Ou seja, os recursos s
e complementam, porém,
não foram suficientes para a distribuição de cestas básicas completas para todos, completas no
sentido de atender a todas as necessidades nutricionais dos alunos.
A Resolução
nº.
06, de 08 de maio de 2020 (PNAE)
(
BRASIL
, 2020
b
)
,
est
abelece um
valor
per
capita diário
para os alunos do ensino fundamental e médio da rede pública de
educação básica de R$ 0,36. Portanto, as escolas dispõem de menos de um real por dia. Então
,
qual foi a solução acordada com a justiça, diante da afirmação, por parte do governo do
e
stado
do
Rio de Janeiro, de falta de recursos para atender a todos os alunos matriculados com uma
cesta básica completa?
Os gestores deveriam fazer uma consulta pública a toda a comunidade sobre a
necessidade do recebimento dessa ajuda alimentar. E assim os gestor
es procederam, mesmo
com todas as limitações de alcançar a todos os alunos e famílias com essa pesquisa, por motivos
já citados aqui, e que passam pela falta de tecnologia e de internet em muitas localidades ou
ainda pelas barreiras físicas para alcançar e
ssas famílias.
Cada vez mais a escola é chamada a desempenhar diversos papéis sociais, o que a afasta
de sua função primeira, a educação. Algebaille (2009, p. 90) fala da escola como
“
instrumento
de gestão da pobreza”
,
e nos traz uma reflexão importante p
ara se pensar a escola
historicamente.
O aprofundamento de uma forma histórica de escola em que o “escolar”
ultrapassa em muito o “educativo”, subordinando
-
o a outros fins, indica a
necessidade de tomar a discussão das relações que a produzem, por meio d
a
reconstituição de alguns elos que efetivamente vingaram no novo contexto
-
especialmente aqueles entre as inúmeras formas de utilização da escola
-
,
tornando
-
se a base de implementação de “ajustes” que aprofundariam alguns
traços e problemas constitutivo
s da escola brasileira (
ALGEBAILL
E
, 2009,
p.
89
-
90
, grifos do autor
).
Outro aspecto agudizado durante a
p
andemia
da Covid
-
19
foi o da escola como inst
â
ncia
de proteção social. As crianças e jovens ficaram mais vulneráveis à violência na
comunidade e
na vida doméstica; muitas vezes, ficaram sozinhas em casa quando os pais conseguiam trabalho.
Alguns alunos envolveram
-
se com o tráfico. Na escola, eles podiam contar com os professores,
coordenadores e gestores como apoio
,
e um lugar seguro p
ara passar algum tempo do seu dia.
Foi grande a quantidade de jovens que procuraram a escola em busca de documentos e
declarações para trabalhar em estágios mal remunerados, para suprir as carências das famílias
,
que também aumentou, e foi outro fator que
contribuiu para a diminuição do acesso à
plataforma
online
fornecida pela SEEDUC. Principalmente, os alunos do 3º ano do Ensino
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Médio, que são os mais velhos. Os depoimentos dos alunos são dramáticos. A escolha entre
estudar e manter
-
se vivos não é uma es
colha e
,
sim, uma imposição para esses alunos.
A necessidade de trabalhar dos jovens, filhos da classe trabalhadora, nos remete a insistir
na urgência da implementação de políticas públicas que atendam a essa parcela da população.
Existem algumas chaves d
e análise, particularmente para os séculos XX e XXI, que nos ajudam
a compreender a forma de desenvolvimento brasileiro dependente, de uma intensa expropriação
do trabalho e dos meios de vida da população e de imensa concentração de capital nas mãos de
pou
cos grupos empresariais em sua interligação com o grande capital internacional. O
capitalismo, desenvolvido e globalizado agora por todas as partes do mundo, guarda
peculiaridades e formas de desenvolvimento próprios. Como Marini (2000), Santos (2000) e
ou
tros cientistas sociais, Fernandes (1973) aponta que o tipo de capitalismo que irrompeu na
América Latina foi do tipo dependente:
Esse modelo reproduz as formas de apropriação e de expropriação inerentes
do capitalismo moderno (aos níveis da circulação d
as mercadorias e da
organização da produção). Mas, possui um componente adicional específico
e típico: a acumulação de capital institucionaliza
-
se para promover a expansão
concomitante dos núcleos hegemônicos externos e internos (ou seja, as
economias cent
rais e os setores sociais dominantes) (FERNANDES, 1973
,
p.
45)
.
Fernandes (1973) avança em sua análise explicitando que esse modelo de capitalismo
traz consigo a aparência de expropriação dos setores internos pelos setores externos, mas pontua
que,
realmente
,
os países de capitalismo dependente estão sujeitos a uma extração permanente
de suas riquezas, mas que, na verdade, quem sofre mesmo a extração de riquezas é a grande
massa assalariada da população. O Brasil desenvolveu essa forma de capitalismo
e não rompeu
as amarras que o prendiam ao arcaico, antes, as intensificou.
Shiroma
,
Moraes
e
Evangelista (2000
, p. 9
) explicitam que, para se analisar as políticas
públicas, faz
-
se necessário “
[...]
considerar não apenas a dinâmica do capital, seus meandros e
articulações, mas os antagonismos e complexos processos sociais que com ele se confrontam”.
O sistema capital opera com rígidos controles sociais: com exceção dos trabalhadores
de alta qualifica
ção, necessários à organização técnica e social das empresas e rentabilidade
financeira; salários mínimos, o suficiente
para garantir a sobrevivência da força de trabalho e
intensificação da taxa de exploração; tecnologias sociais e digitais de manipulação
dos
interesses e ideologias de justificativa das benesses do capital, em nome do desenvolvimento
econômico, principalmente, o consumo sob o signo do status social; repressão e violência frente
às manifestações de dissenso. Mészáros (1987
, p. 34
-
35
) analis
a a necessidade de controle
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social do capital:
“Ora, o fato é que nos defrontamos aqui com uma contradição interna de um
sistema de produção e controle: um sistema que não pode evitar o aumento das expectativas,
mesmo ante a ameaça de um completo colapso d
e sua capacidade em satisfazê
-
las
”
.
Os alunos voltaram às aulas de forma presencial em outubro de 2021, mas as mazelas
sociais que atingem, de forma prioritária, os alunos das escolas públicas, fruto da expropriação
que as suas famílias sofrem, permanente
mente, se mostram mais uma vez como feridas abertas.
A preocupação, neste momento, incide sobre a evasão escolar. O Globo, na edição de domingo
do
dia 7
de novembro de
2021, mostra o drama vivido por alunos e famílias nesta volta às aulas,
em matéria
intit
ulada: “O difícil retorno à escola”
;
a
reportagem
mostra algumas histórias de
alunos das escolas do Rio de Janeiro. Um deles deixou de estudar para trabalhar e ajudar no
sustento da família, outra aluna engravidou e
,
além do abandono escolar, vive sem condições
de garantir o próprio sustento e do filho, outros não conseguiram sequer acompanhar às aulas
o
nline
, por falta de celular. A matéria mostra também os esforços de professores e das escolas
para trazer esse aluno
de volta às aulas, mesmo sabendo de suas duras condições de vida
(GALDO; SCHIMIDT, 2021)
.
Situações como essas, apontadas
pela imprensa,
reforçam os achados
de nossa pesquisa
de
imersão na realidade de uma escola pública da periferia do
e
stado do Rio de Janeiro. Mas
podem, perfeitamente, evidenciar as situações vividas por milhares de crianças e jovens
espalhados por esse imenso Brasil
,
e devem ser consideradas na elaboração das p
olíticas
públicas, como também fazer parte dos nossos esforços como educadores para que mudanças
profundas sejam implementadas na forma como vivemos em sociedade.
Considerações finais
Estas considerações finais buscam destacar a análise das
principais questões teóricas e
práticas que enfrentamos na pesquisa sobre a educação escolar, em nossa prática acadêmico
-
científica e profissional. Seu tempo é o tempo presente
,
da emergência da pandemia da C
ovid
-
19 e suas consequências na vida dos alunos
e seus familiares, dos professores e gestores de uma
escola de nível fundamental e médio, de um bairro da região metropolitana do Rio de Janeiro,
de março
de 2020
a
outubro de
2021. O trabalho também se desenvolveu considerando os
documentos legais e os en
caminhamentos políticos dados pelas autoridades educacionais do
e
stado do Rio de Janeiro, no contexto das diretivas nacionais.
Temos como pressuposto que a análise do tempo presente tem as mesmas exigências
epistemológicas da história sobre fatos do passad
o. Exige a localização no tempo
-
espaço dos
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acontecimentos, a explicitação das fontes documentais, dos sujeitos envolvidos e do contexto
do objeto de pesquisa.
R
econhecemos a difusão rápida e extensa da
Covid
-
19, a aceleração do tempo pelas
tecnologias, a busca de soluções para a educação escolar pelo ensino remoto, diante das
exigências do distanciamento social. Convivemos com a angústia do manejo inesperado de
novas metodologias e da carência de equipamentos e condições de vida dos alunos
(
alimentação, moradia, internet, computadores e/ou celulares) para acompanharem as lições
elaboradas pelos professores.
Desamparo, fome e privação tecnológica constituem a totalidade social, “síntese de
múltiplas determinações” (M
ARX
, 1977, p. 229)
,
com que
os sujeitos sociais fazem a história
nestes
tempos difíceis. Estas não são apenas palavras, são produtos de uma estrutura social,
cujas necessidades humanas não são supridas por meio de políticas econômicas e sociais
universalizadas para o trabalho, o emp
rego e o atendimento às necessidades de vida de toda a
população.
Pela observação participante e nossa inserção no sistema de ensino local, vimos como
muitas crianças, repentinamente, ficaram sem a alimentação diária, com os seus pais
desempregados, sem in
ternet e sem meios digitais para, no mínimo, continuar alimentando o
corpo físico e o seu desenvolvimento cognitivo. Neste contexto, cada vez mais a escola é
chamada a desempenhar diversos papéis sociais, o que a afasta de sua função primeira, a
educação.
Estes fatos do cotidiano escolar não são aceitáveis diante do agravamento das
desigualdades sociais, da crescente polarização que pauta a estrutura global do sistema
capital
ista,
em que prevalecem os interesses do mercado
e
a financeirização da economia.
Acrescente
-
se nossa situação de país dependente dos países desenvolvidos, que se articulam
com os interesses das elites nacionais,
como bem evidenciam Marini (2000)
,
Fernandes (1973)
e outros.
Face às contradições entre o que a infância e a
juventude necessitam e o que os sistemas
de ensino lhes oferecem, com o agravante das restrições sociais e econômicas destes dias de
pandemia
, c
abe
lembrar
o conceito de escola unitária de Gramsci (2011)
:
que
a função do
Estado que é
a
de
assumir plenament
e as despesas com instrução que estão a cargo da família
e pesam para as famílias de trabalhadores de baixa
renda. É somente com a educação pública
que se pode oferecer uma educação de qualidade a todos, independente das classes sociais a
que pertencem.
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A escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológica
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EFERÊNCIAS
ALFANO, B. Tempo na pandemia de estudo de adolescentes das classes mais altas é 64%
maior do que dos pobres.
O Globo
, 2020. Disponível em:
https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/tempo
-
na
-
pandemia
-
de
-
estudo
-
de
-
adolescentes
-
das
-
classes
-
mais
-
altas
-
64
-
maior
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diretrizes
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para
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retorno
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estadual
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rio
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janeiro
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em
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todas
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suas
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-
e
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modalidades
-
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-
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outras
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p/. Acesso em: 12 fev. 2022.
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A escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação tecnológica
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação,
Araraquara,
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Programa de Pós
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graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense,
sob a orientação da Prof.(a) Dr.(a) Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019
Como referenciar este artigo
SILVA, F.
G
.; CIAVATTA, M. A escola em tempos de pandemia: Desamparo, fome e privação
tecnológica.
Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação
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Araraquara,
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, out./dez. 2022. e
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ISSN: 1982
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5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16730
Submetido em
: 30/04/2022
Revisões requeridas em
: 09/07/2022
Aprovado em
: 11/10/2022
Publicado em
: 30/
12
/2022
Processamento e editoração: Editora Ibero
-
Americana de Educação.
Revisão,
formatação, normalização e tradução.
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La escuela en tiempos de pandemia:
Desamparos
, hambre y carencia tecnológica
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LA ESCUELA EN TIEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, HAMBRE Y
CARENCIA TECNOLÓGICA
A ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, FOME E PRIVAÇÃO
TECNOLÓGICA
SCHOOL IN TIMES OF PANDEMIC: HELPLESSNESS, HUNGER AND
TECHNOLOGICAL DEPRIVATION
Flávia Gonçalves da
SILVA
1
Maria
CIAVATTA
2
RESUMEN
: Este artículo resulta del conocimiento de las contingencias que vive la población
brasileña en tiempos de la pandemia de la COVID 19, cuyas situaciones de desamparo, hambre
y carencia
tecnológica se han vuelto más evidentes. Desde un punto de vista metodológico,
ubicamos la pandemia en la historia del presente, es decir, en el tiempo
-
espacio en los
acontecimientos del período 2020 a 2021. Se utilizó un enfoque histórico
-
cualitativo con
observación participante y análisis de la legislación. Defendemos que la distribución de los
bienes sociales de manera igualitaria choca con los intereses de las clases dominantes, exigiendo
un cambio urgente en la forma en que producimos nuestra existenci
a y el sentido del desarrollo
económico y social. Buscamos demostrar los desafíos del período de la pandemia en una
escuela pública del Estado de Río de Janeiro. En este contexto, los resultados apuntan al
recrudecimiento de las situaciones de exclusión so
cial y desamparo que viven estudiantes,
docentes y directivos.
PALABRAS CLAVE
:
Tiempo presente. Escuela.
Pandemia. Diferencias sociales.
RESUMO:
Este artigo resulta
do conhecimento
das contingências que a população brasileira
vivencia em tempos de
pandemia da COVID
-
19, cujas situações de desamparo, fome e privação
tecnológica tornaram
-
se mais evidentes. Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia
na história do presente
,
isto é
,
no tempo
-
espaço nos acontecimentos do período de 2020 a 202
1
.
Foi utilizad
a
uma abordagem histórico
-
qualitativa
com observação
participante e análise da
legislação.
Defendemos que a distribuição dos bens sociais de forma igualitária colide com os
interess
es das classes dominantes, sendo necessária uma mudança urgente na forma como
produzimos a nossa existência e o sentido do desenvolvimento econômico e social. Procuramos
demonstrar os desafios do período pandêmico
em
uma escola pública do
e
stado do Rio de
Janeiro
.
Neste
contexto, os
resultados apontam
para
o agravamento
das
situações de
exclusão
social e
de desamparo
vivenciad
a
s pel
o
s
alunos, professores e gestores
.
PALAVRAS
-
CHAVE
: Tempo presente
.
Escola
.
Pandemia
.
Desigualdades sociais.
1
Universidad Federal Fluminense
(UFF), Niterói
–
RJ
–
Brasil.
Estudiante de doctorado del Programa de Posgrado
en Educación
.
ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0001
-
5249
-
3001
.
E
-
mail: flaviagsmendes@gmail.com
2
Universidad Federal Fluminense
(UFF), Niterói
–
RJ
–
Brasil.
Profesora Titular en Trabajo y Educación del
Progra
ma de Posgrado en Educación
.
Doctorado en Educación
(PUC
-
Rio).
ORCID
:
https://orcid.org/0000
-
0001
-
5854
-
6063
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E
-
mail:
maria.ciavatta@gmail.com
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ABSTRACT
:
This article results from the knowledge of the contingencies that the Brazilian
population experiences in times of the COVID 19 pandemic, whose situations of helplessness,
hunger and technological deprivation have
become more evident. From a methodological point
of view, we place the pandemic in the history of the present, that is, in time
-
space in the events
of the period from 2020 to 202
1
. A historical
-
qualitative approach was used with participant
observation and
analysis of legisla
tion.
We defend that the distribution of social goods in an
egalitarian way collides with the interests of the dominant classes, requiring an urgent change
in the way we produce our existence and the meaning of economic and social devel
opment. We
seek to demonstrate the challenges of the pandemic period in a public school in the State of Rio
de Janeiro. In this context, the results point to the worsening of situations of social exclusion
and helplessness experienced by students, teachers
and managers.
KEYWORDS
:
Present tense
.
School
.
Pandemic
.
Social differences
.
Introducción
Este texto fue elaborado durante el proceso de investigación para la tesis doctoral
(SILVA, 2019) sobre secundaria integral e integrada a la educación
profesional, en la red
pública del estado de Río de Janeiro
3
.
Los callejones sin salida y las transformaciones de la
rutina escolar causados por la pandemia de Covid
-
19 trajeron nuevas preguntas al campo de la
investigación trabajo
-
educación, particularme
nte a la concepción de la educación integral y la
formación integrada. A las mediaciones y contradicciones presentes, históricamente, en la
formación de la clase trabajadora, hemos sumado las dificultades generadas por la pandemia,
incluso desde el punto d
e vista de los derechos sociales no consolidados (salud, educación,
vivienda, alimentación y otros).
Existe un presente bajo la amenaza permanente de contaminación del Covid
-
19, la
incertidumbre sobre la atención médica y la efectividad de los tratamientos
, la inquietud y
consternación que invaden el alma en el distanciamiento social prolongado. Este trabajo nació
del conocimiento y la aproximación con las contingencias que la población brasileña y la
humanidad en su conjunto están viviendo en el presente.
En las escuelas, la proximidad forma
parte de la estructura de relaciones entre estudiantes y profesores, y el distanciamiento social
con el uso de mascarillas fue la única medida de protección efectiva hasta la llegada de las
vacunas.
Se promulgaron norma
s jurídicas para la circulación de personas, y las autoridades
ordenaron a los maestros y estudiantes que se quedaran en casa.
3
SILVA, Flávia Gonçalves da, Escuela Secundaria Integral e Integrada a la Educación Profesional Integral:
mediaciones y contradicciones en la formación de la clase obrera. Proyecto de tesis doctoral. (Educación) del
Programa de Posgrado en Educación de la
Universidad Federal Fluminense, bajo la dirección de la Prof. Dr.
(a)
Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019
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La escuela en tiempos de pandemia:
Desamparos
, hambre y carencia tecnológica
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Casi inmediatamente, en el estado de Rio de Janeiro, la Secretaría de Educación
(SEEDUC) inició la convocatoria de
profesores para la Educación a Distancia y asesoró sobre
los procedimientos didácticos a seguir para la continuidad de los estudios de los estudiantes.
Este trabajo es producto de la observación participante y del registro y análisis de sucesivos
informes
de maestros de escuela primaria sobre las condiciones de implementación de la
Educación Remota y las condiciones de vida de los estudiantes del Colegio Estatal "20"
4
,
desde
el 13 de marzo de 2020 hasta principios de octubre de 2021, respecto de las condic
iones y
necesidades de vivienda y seguridad, alimentación y acceso a recursos digitales para el estudio,
en sus hogares.
Desde un punto de vista metodológico, situamos la pandemia del Covid
-
19 en la historia
del presente
(B
AUMAN
, 2007;
HOBSBAWN, 1995;
N
ORA
, 1984).
Sobre las necesidades
humanas, nos referimos a su relación con la estructura social
(M
ARX
, 1980; M
ÉSZÁROS
,
1996).
Otras fuentes de consulta y monitoreo de los cambios de vida, que ocurrieron durante la
pandemia, son las noticias de la mayor prensa de Río de Janeiro y São Paulo. Se trata de un
estudio con enfoque histórico
-
cualitativo, que
busca demostrar los desafíos
del período de
pandemia para estudiantes, profesores y directivos de una escuela pública en el estado de Río
de Janeiro
.
En la primera sección, tratamos la historia del presente; en la segunda sección,
reflexionamos sobre el sistema de capitales, las polít
icas públicas y las desigualdades sociales;
En la tercera sección esbozamos un panorama de las condiciones de vivienda, alimentación,
seguridad y acceso de los estudiantes a las tecnologías digitales y las nuevas atribuciones de los
docentes para impartir
actividades en educación remota; y, finalmente, nuestras
consideraciones finales, seguidas de referencias.
La historia de la actualidad
Hablar de la pandemia del Covid
-
19 es hablar del tiempo que estamos viviendo, es
hablar de eventos que estamos
compartiendo. En el campo de los historiadores, esta proximidad
a la dimensión temporal dio lugar a la historia del tiempo presente, que se refiere a la concepción
del tiempo pasado, presente y futuro y la posibilidad de conocimiento de cada una de estas
t
emporalidades
5
.
4
El número "20" dado al Colegio Estatal tiene como objetivo preservar la identidad de la comunidad escolar.
5
Esta introducción continúa la
presentación oral de Ciavatta (2009).
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Una primera concepción del tiempo presente es la interpretación de la historia a través
de una lectura fáctica e inmediata, el tiempo como don permanente, el presentismo. El término
es visto con un significado peyorativo en el sentido de q
ue trata de fenómenos aislados de su
contexto histórico, y causa una pérdida de memoria por la ignorancia del pasado. Pero esta
concepción no prevalece entre todos los historiadores reconocidos, para quienes la historia del
presente es una cuestión de temp
oralidad, porque sus requisitos son los mismos que toda
concepción de la historia.
Aquí asumimos esta particularidad de la historia como una historia del tiempo presente,
que tiene varios aspectos de aproximación. Uno de ellos es el presentismo, concebido
en
función de las grandes transformaciones del siglo XX. Es la lectura de Zygmunt Bauman (2007)
la que trata en sus libros del
Amor
L
íquido
,
de
Vida Neta
,
de
Modernidad
L
íquida
.
Así lo
justifica en
una
carpeta
: "El mundo que llamo líquido porque, como
todos los líquidos, nunca
inmoviliza ni conserva su forma por mucho tiempo".
(BAUMAN, 2011, p. 2
, nuestra
traducción
)
.
En
Vida líquida,
Bauman (2007
, nuestra traducción
) “
[...]
llama la atención sobre los
problemas que la condición actual del
sistema capitalista plantea en el ser humano actual, entre
la necesidad de adaptarse al ritmo destructivo
-
creativo
6
de los mercados y el miedo a perder el
contacto, a volverse prescindible". En este mundo de cambios a un ritmo permanente, los logros
indiv
iduales se hacen y se desaprovechan. Lo que Marx y Engels recuerdan
(1998, p. 8
, nuestra
traducción
),
en el Manifiesto, cuando dice sobre el sistema capitalista: "todo lo que es sólido y
estable se desmantela en el aire".
Otro aspecto de la historia del presente está en los estudios sobre la juventud.
La idea
de una juventud presentista se encuentra en los estudios del sociólogo italiano Alberto Melucci
(1996, p. 4
, nuestra traducción
)
,
cuando
menciona que "la juventud, por
sus condiciones
culturales y biológicas, es el grupo social más directamente expuesto a estos dilemas, el grupo
que los hace visibles a la sociedad en su conjunto".
El presentismo vivido afecta la comprensión del tiempo que se hace presente, sin
memoria d
el pasado y sin perspectiva del futuro. La aceleración del tiempo por las tecnologías
de la comunicación (internet y medios de transporte) ha dado un ritmo más rápido a la
producción de bienes y las relaciones entre las personas.
Salvo nuevas investigaciones, Hobsbawn (1995, en Brasil y 1994, en Europa) habría
sido el primer historiador en llamar la atención sobre la forma en que la juventud vive una
6
Mészáros (1996) llama a este fenómeno del mundo capitalista actual producción destructiva.
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Desamparos
, hambre y carencia tecnológica
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especie de presente continuo: "Casi todos los jóvenes de hoy nacen en una especie
de presente
continuo, sin ninguna relación orgánica con el pasado público del tiempo en el que viven"
(HOBSBAWN, 1995,
p
. 13
, nuestra traducción
).
En el prefacio del libro
La era de los extremos:
el breve siglo
XX
, Hobsbawn
(1995)
,
da una lectura de la cas
i imposibilidad de escribir una
historia del presente. Sus argumentos llevan la marca de su cultura histórica, legitimidad
científica y honestidad en la identificación de los límites del historiador.
El sistema de capitales, las políticas
públicas y las desigualdades sociales
Indefensión, hambre y privación tecnológica no son sólo palabras, son productos de una
estructura social, cuyas necesidades humanas no se satisfacen a través de políticas económicas
y sociales universales para el
trabajo, el empleo y la satisfacción de las necesidades de vida de
toda la población. En consecuencia, se generan desigualdades sociales que, en Brasil, tienen
una historia antigua, provienen de la Colonia, permanecen en el Imperio y continúan en la
Repúbl
ica hasta nuestros días. La apropiación de la riqueza social producida por el trabajo se
concentra y se acumula en manos de los propietarios de los medios de producción, los
empresarios, sus inversiones financieras, su articulación con los rentistas intern
acionales y con
los poderes republicanos, al servicio del sistema capitalista.
Las desigualdades son visibles en la estructura de clases que, en este momento de
pandemia, afectan principalmente, de manera severa, a los más pobres. Los centros de salud y
lo
s hospitales públicos presentan recursos y servicios que ponen de relieve la falta de políticas
públicas eficaces para hacer frente a la gravedad de la enfermedad. En el otro extremo de la
pirámide social, que forma la población brasileña, es visible la ab
undancia de servicios médicos
privados para las clases de altos ingresos.
El significado de las palabras de Marx (1980, p. 554
, nuestra traducción
) de, por trabajo,
educación y organización social, "producir seres humanos plenamente desarrollados" se
desmo
rona en el espejismo de los anuncios engañosos y en la ausencia de poder público. No se
garantizan todos los medios para satisfacer las necesidades básicas de supervivencia, como
alimentos, agua potable, saneamiento, vivienda, salud, educación, seguridad,
seguridad social.
Otras dificultades de las clases de bajos ingresos son la desinformación y la falta de
conocimiento crítico y apoyo legal para moverse en las complejidades de los derechos sociales,
no asegurados por el gobierno.
El sistema de capital ope
ra con estrictos controles sociales a través del poder económico,
la legislación favorable a las empresas. Existe una creciente polarización inherente a la
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estructura global del capitalismo, la financiarización de la economía y nuestra situación como
país
dependiente del sistema de capitales de los países desarrollados (
FERNANDES, 1973;
MARINI, 2000; SANTOS, 2000
),
articulado con las élites nacionales.
Es un desarrollo que se alimenta de lo arcaico (FRIGOTTO, 2010) y que no contribuye
al desarrollo de un país que mantiene excluida de los derechos básicos a gran parte de la
población.
El Plan Nacional Continua por Muestreo de
Domicilios
(PNAD Contínua
,
20
20
),
el
Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), muestra una tasa de desempleo de
personas de 14 años o más del 13,3% de la población en el segundo trimestre de 2020
7
.
La distribución de los bienes sociales choca con los intereses de la burguesía nacional e
internacional. Miles de niños, jóvenes y adultos de la clase trabajadora son relegados a un papel
secundario en las políticas públicas. Estos problemas se evidenciaro
n claramente en tiempos de
pandemia de covid
-
19. En el
Colegio Estatal "20", como otros en la red pública, los niños
de
repente se quedaron sin comida diaria, con sus padres desempleados, sin internet y medios
digitales para al menos seguir alimentando el
cuerpo físico y su desarrollo cognitivo.
La escuela, como señalan Frigotto, Ciavatta y Ramos (2012, p. 7
, nuestra traducción
),
debe entenderse dentro del proyecto de sociedad en el que vivimos:
Debido a que la escuela es una institución producida dentro d
e ciertas
relaciones sociales, este retrato solo gana mejor comprensión cuando se capta
dentro de la especificidad del proyecto capitalista de la sociedad, que se estaba
construyendo en Brasil: un largo proceso de colonización (económica,
político
-
social y
cultural), siendo la última sociedad occidental en proclamar
el fin de la esclavitud.
En un país de escolarización tardía para la mayoría de la población, con datos de
universalización de la escuela primaria que datan sólo de finales del siglo pasado, y todavía con
el desafío de llevar la educación escolar a todos los jóvenes en la escuela
secundaria y para
aquellos que no pudieron escolarizar en un supuesto momento determinado, encontramos sobre
la escuela una serie de tareas.
La responsabilidad de alimentar a niños, jóvenes y adultos es una
de ellas. El Programa Nacional de Alimentación Es
colar (PNAE), sin duda, es uno de los
programas de alimentación más importantes del mundo y beneficia a millones de estudiantes
de educación brasileña. Es también a través de la escuela que uno de los principales programas
de transferencia de ingresos, Bol
sa Familia, guía a sus beneficiarios
8
.
7
Búsqueda disponible en:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9171
-
pesquisa
-
nacional
-
por
-
amostra
-
de
-
domicilios
-
continua
-
mensal.html?edicao=28382&t=destaques
.
Acceso: 04 nov. 2020.
8
Ocioso de los dividendos políticos de un programa creado por los gobiernos del P
T, y presionado por las cuentas
públicas del país, al servicio del capital rentado, Bolsa Familia está siendo reestructurado por el actual gobierno.
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Desamparos
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Debido a la pandemia de Covid
-
19, estamos atrapados en algunas contradicciones en
esta forma de desarrollo social. Con las escuelas cerradas, la acción forma parte del aislamiento
social, propuesto por la Organizació
n Mundial de la Salud (OMS); El hambre comenzó a llamar
a la puerta de los niños en varios estados y ciudades brasileñas. La escuela ha sido llamada
nuevamente para dar cuenta de un problema que, en esencia, no es suyo: las necesidades
nutricionales diaria
s de sus estudiantes y familiares.
La exclusión digital es otro factor que impactó la exclusión de niños y jóvenes de la
clase trabajadora en este contexto de pandemia. Las escuelas públicas se han enfrentado a la
siguiente situación: algunos gobiernos est
atales han implementado la educación remota y la
dura realidad de los pobres se ha evidenciado una vez más. En el Colegio Estatal "20", pocos
estudiantes tenían acceso a equipos digitales de calidad e Internet, lo que podía facilitar el
contacto entre la e
scuela y la familia.
Las funciones de la escuela y su red de significados
El trabajo de campo que da las bases de este trabajo tiene como referencia principal la
observación participante, presentada por el antropólogo Howard Becker
(1993
, p. 47
, nuestra
traducción
)
:
El observador participante recopila datos a través de su participación en la
vida diaria del grupo u organización que estudia. Observa a las personas que
está estudiando para ver las situaciones a las que normalmente llegan y cómo
se comportan ante ellas.
Converso con algunos o todos los participantes en
esta situación y descubro las interpretaciones que tienen sobre los eventos que
observaron.
Sin embargo, dadas las circunstancias de convivencia cotidiana con los problemas
generados por la pandemia del C
ovid
-
19, los imprevistos generados por la realidad y las
derivaciones de las autoridades, no realizamos la investigación de acuerdo con las cuatro etapas
de análisis del autor (BECKER, 1993, p. 49
-
50
, nuestra traducción
). Realizamos el trabajo
según las ci
rcunstancias y necesidades de los alumnos, familiares y equipos escolares, en el
colegio y en visitas a familias para entregar canastas básicas.
Nuestra observación y reflexión busca resaltar la vida cotidiana de una comunidad
escolar en la región
metropolitana del estado de Río de Janeiro, duramente golpeada por las
consecuencias de las diversas crisis que afectan a nuestro país, y que la pandemia de Covid
-
19
solo se ha intensificado. También buscamos provocar una reflexión sobre los cambios urgent
es
que son necesarios no solo para la escuela, sino para la sociedad brasileña en su conjunto.
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La escuela está ubicada en una región pobre y alejada de grandes centros comerciales y
con tráfico de drogas y violencia conflagrada, una realidad que perfectame
nte puede extenderse
a otras escuelas y regiones de nuestro país. La escuela elegida tiene un promedio de 400
estudiantes, 35 profesores y tres miembros del equipo directivo.
La pandemia mundial de Covid
-
19 mostró la herida abierta de la desigualdad social
que
azota a nuestro país y, más específicamente, la realidad del estado de Río de Janeiro.
En el
decreto No. 46.970, de 13 de marzo de 2020
(
RIO DE JANEIRO
, 2020
a
)
,
El gobernador Wilson
Witzel (actualmente castigado con la pérdida del cargo después de
l
impeachment
sufridas por
diversas faltas de conducta)
9
, i
inicialmente
se implementaron una serie de medidas y, entre
ellas, la suspensión temporal por 15 días de las clases presenciales como una de las acciones
para prevenir el contagio de la enfermedad.
Pero la situación duró otros 15 días y meses seguidos, hasta octubre de 2021, cuando la
resolución SEEDUC (Secretaría de Estado de Educación) No. 5993, de 19 de octubre de 2021
(
RIO DE JANEIRO
,
2021)
,
determinó la reanudación total de los estudiantes a la
s actividades
presenciales. Los problemas causados por el cierre de las escuelas pronto aparecieron. Los
maestros fueron puestos en el recreo escolar durante dos semanas y los estudiantes tenían sus
vacaciones semestrales con anticipación. Durante este per
íodo de receso, las ideas de una
Educación Remota fueron utilizadas dentro del Gobierno del Estado (SEEDUC). Y todos los
profesionales de la educación se sorprendieron por esta nueva forma de interactuar con los
estudiantes.
Así,
se cerró
la asociación en
tre la Secretaría de Estado de Educación y el gigante
estadounidense Google,
a través de su plataforma digital
Google ClassRoom
(sala de aula),
en
marzo 18, 2020
10
,
ampliamente anunciado en las redes sociales y los medios de comunicación.
Los
profesores recibieron formación como formadores, de la propia SEEDUC y del equipo de
Google.
Profesores, alumnos y directivos recibieron un
correo electrónico
específico con
login
y
contraseña
para acceder a una escuela que fue transportada al universo vir
tual. En un primer
momento, hubo mucha discusión entre los profesionales de la educación, encabezados por el
Sindicato de Profesionales de la Educación (SEPE), que intentaron resistir esta nueva medida
emanada de los organismos oficiales. Después de todo,
esta medida no fue ampliamente
9
Las observaciones y análisis reflejan situaciones experimentadas, especialmente durante el período compren
dido
entre marzo de 2020 y octubre de 2021.
10
Para ver la entrevista completa del Secretario de Educación del Estado de Río de Janeiro, Pedro Fernandes,
simplemente haga clic
en el
siguiente enlace. Disponible en:
https://www.facebook.com/watch/?v=270821307
247696
.
Acceso: 24 Jul. 2020.
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debatida entre los profesionales de la educación y generó mucha inseguridad entre todos. Pero
el miedo a la contaminación por el nuevo virus y la inseguridad sobre su propio empleo no han
permitido a los maestros resistirse a
estas medidas.
Frente a muchas preguntas sobre los procedimientos adoptados por SEEDUC, para que
la educación pudiera tener lugar en el período de aislamiento social,
el Ministerio Público del
Estado de Rio de Janeiro
(MPRJ)
solicitó aclaración a
esta Secretaría de Estado (Carta 2ª
PJTCPEC No. 112/2020, de 19 de marzo de 2020, Recomendación No. 01/2020)
11
.
Brevemente, la mencionada Carta solicitaba respuestas de la SEEDUC sobre la garantía
de la salud de los estudiantes, profesionales de la educac
ión y familiares; cómo estaría en
marcha el año escolar 2020; ya que se garantizaban los espacios de discusión en los diversos
colegiados de las instituciones educativas; información sobre el posible uso de plataformas
digitales y si se garantizará el acce
so a los alumnos mientras se garantizan las medidas de
aislamiento social; cómo estaba sucediendo la atención a los estudiantes con necesidades
especiales. También corresponde a SEEDUC informar si, tal vez, en un regreso a clases, los
estudiantes con neces
idades específicas serán atendidos en sus hogares; debe informar al
Ministerio Público del Estado de Rio de Janeiro (MPRJ) cómo se garantizaría el derecho a la
alimentación escolar a sus estudiantes y qué recursos se utilizarían para esta acción.
La Recom
endación No. 01/2020
(
RIO DE JANEIRO, 2020
b
), anteriormente
mencionado, va más allá y añade la solicitud de aclaración sobre el coste de los acuerdos
entre
Google
y
SEEDUC y los importes ya pagados. Como también requiere el cumplimiento de la
Deliberación de la Junta Estatal de Educación
(CEE)
nº.
376, de 23 de mar
zo
de 2020
(
RIO DE
JANEIRO, 2020
c
)
,
documento en el que es necesario que la agencia haga público el
Plan de
Acción Pedagógica antes de implementar la educación remota. Finalmente, incluso en medio
de tantas decisiones judiciales y solicitudes de aclaración provenientes de la sociedad civil, de
manera autocrática, SEEDUC inició clases remotas el 6 de abri
l de 2020.
Los maestros y los directores de las escuelas tuvieron que reinventarse. No solo estamos
hablando de aprender nuevas tecnologías digitales, sino de aprender una nueva forma de vida.
Estos profesionales son madres, padres, abuelos. Ante el aislamiento socia
l impuesto por el
nuevo escenario pandémico contaban con una red de apoyo para desarrollar sus tareas laborales.
Los niños estaban en la guardería o la escuela, o incluso en la casa de sus abuelas. Estas
11
Disponible en:
https://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.p
df
.
Acceso: 25 Jul. 2020.
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personas, en este momento, deben ser protegidas y re
tiradas del contacto con niños en riesgo
de contagio fácil de la enfermedad y consecuencias graves, como incluso la muerte.
Para las maestras y profesionales de la educación el peso era mayor, dependía de ellas
ser madre, mujer, profesional, estudiante y
cuidadora familiar. Todo esto al mismo tiempo y
todo el tiempo. Pero los maestros y gerentes asumieron la tarea de desarrollar la educación
remota. Lejos de ser una unanimidad entre los educadores, era lo que encajaba en ese momento
tan difícil e incierto
para todos.
Como ya se mencionó, los problemas causados por el cierre de escuelas comenzaron a
surgir. Los estudiantes, para acceder a esta plataforma digital,
Google
Classroom, necesitaban
equipos digitales e internet de banda ancha o un paquete de datos
móviles que soportara el uso
de la herramienta. Y eso no fue posible para el 70% de los estudiantes de esta comunidad. Las
familias a menudo solo tenían un teléfono celular, que a menudo se quedaba con el padre o la
madre del estudiante.
Aquellos que aún
podían acceder se sorprendieron por el robo de cables
de Internet en medio de la pandemia, y el porcentaje cayó aún más.
Los profesores y directivos también tuvieron que comprar mejores equipos y aumentar
la velocidad de sus redes de internet y/o contratar nuevos servicios, un costo adicional para
estos profesionales. Uno, dos o un máximo de tres estudiantes por día particip
aron en las clases.
Para una escuela que atiende a los jóvenes con prioridad, el daño es inconmensurable. Tanto la
educación escolar como la formación humana, que también se forman en otras instancias
sociales, pero que no pueden prescindir de este espacio
, se vieron comprometidas.
Los gerentes pudieron hacer que esta escuela funcionara, ayudando a los estudiantes, las
familias y los maestros a hacer que las cosas funcionaran. Además de pesarles la administración
de la escuela en el entorno virtual y físic
o, porque la escuela seguía en el mismo lugar y con sus
problemas de mantenimiento, burocráticos, y con una tarea más: ayudar a las familias
proporcionando apoyo alimentario a los alumnos que lo necesitaban. Después de todo, la
escuela debe estar lista y d
e pie para un regreso a clase que podría ocurrir en cualquier momento.
La promesa de internet gratuito del estado para profesionales y estudiantes escolares
solo se materializó, parcialmente, casi un año después, cuando SEEDUC creó la aplicación
Applique
-
s
e
y puesto en uso el 1 de marzo de 2021
12
,
que funcionaba con acceso gratuito a
estudiantes y profesores en la red. Después de muchos meses de aislamiento social, pocos
estudiantes pudieron participar en esta nueva forma de enseñar y aprender. La falta de
12
Más información sobre
Applique
-
se
está
disponible en: https://www.seeduc.rj.gov.br/applique
-
se.
Acceso: 25
de abril de 2022.
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Desamparos
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dispositivos móviles y computadoras también contribuyó a la eliminación de estudiantes. La
brecha entre los estudiantes de las escuelas privadas, consideradas de calidad, y los estudiantes
de la red pública estatal, se amplió aún más
13
.
La dualidad educativa brasileña estuvo presente
de manera más marcada en estos tiempos de pandemia. Gramsci (2001), en sus escritos, nos
remite al concepto de escuela unitaria, una escuela que reúne a todos de la misma manera, que
es capaz de unir el conoc
imiento universal con el conocimiento técnico. Describe la función del
Estado, que es asumir los gastos de educación que son sufragados por la familia. Y sólo así, con
la educación pública, se puede llegar a todos, independientemente de las clases sociales
a las
que pertenezcan:
La escuela de educación unitaria o humanista (entendida por este término,
"humanismo", en un sentido amplio y no sólo en el sentido tradicional), o de
cultura general, debe asumir la tarea de insertar a los jóvenes en la actividad
social, después de haberlos elevado a un cierto grado de madurez y capacidad
de creación intelectual y práctica y una cierta autonomía en orientación e
iniciativa (GRAMSCI, 2001, p. 36,
griffin
del autor
, nuestra traducción
).
La mayoría de los
estudiantes de esta comunidad, en particular, vieron interrumpido su
proceso de aprendizaje. La falta de instrumentos básicos para la enseñanza a distancia y la
dirección de los estudiantes también marcaron la diferencia. La solución encontrada por
SEEDUC,
para los estudiantes que no tenían acceso a la plataforma digital, fue la entrega de
14
,
en la casa de cada uno de ellos, de los folletos de Actividades Autorreguladas
15
,
en
papel
impreso.
Para que esta acción se llevara a cabo, se firmó un contrato con la Oficina de Correos.
La Oficina de Correos debe entregar a las residencias de los estudiantes (sin acceso a internet)
las actividades elaboradas por SEEDUC. Pero los folletos no llegaron a
todos los estudiantes.
Los estudiantes que viven en un área con la violencia que ha tenido no han recibido los folletos
en tiempo real, debido a amenazas o interferencias de traficantes locales.
Aquellos que
13
"Los adolescentes de los niveles A y B estudian un 64% más de horas que los de la clase E, muestra un estudio
de FGV Social con datos del
IBGE
. Las cifras son de agost
o y los responsables de la investigación son los
economistas Marcelo Neri y Manuel Osório" (ALFANO, 2020, p. 17
, nuestra traducción
).
14
Ante la decisión de SEEDUC de llevar materiales impresos a todos los que no recibieron por parte de Correos o
que no
accedieron
a la plataforma
en línea
, el gerente y un
empleado fueron a la comunidad para invitar a los
estudiantes a tomar las actividades
en la escuela y distribuir personalmente algunos de estos materiales, y se
encontraron con las barricadas impuestas por el tráfico como un límite físico de hasta dónde podía llegar el
gobierno. Esta situación se impone a los residentes de comunidades, como
esta, que tiene la trata en el exterior.
Los padres informan que los servicios públicos no van más allá de las barricadas impuestas por la trata, y que han
ido perdiendo cada vez más sus direcciones y resonando cada vez más en los comerciantes locales, qu
e han
renunciado voluntariamente a sus establecimientos para recibir paquetes y correo de los residentes locales.
15
Actividades elaboradas por los docentes de la red estatal en 2013 y que forman parte de una base de datos de
SEEDUC.
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recibieron los materiales en sus hogares también
tuvieron muchas dificultades para realizar las
tareas.
Entendiendo que el docente es fundamental para un aprendizaje significativo, la
Educación Escolar, como mera transmisión de conocimientos, se ha fortalecido en la red estatal,
a pesar de los esfuerzos
de docentes y directivos. Para los estudiantes que no tenían acceso a la
interacción con el maestro, se les dejó hacer las actividades solos en sus hogares, o con la ayuda
de miembros de la familia no siempre con tiempo o preparados para ayudar a sus hijo
s.
Saviani
(2019, p. 43) nos trae una importante reflexión: "Por lo tanto, para existir la escuela no basta
con la existencia de conocimiento sistematizado. Es necesario habilitar las condiciones de su
transmisión y asimilación".
Si es correcto decir que en algunas escuelas esta enseñanza remota ha llegado a un
mayor número de estudiantes, también es correcto decir que los estudiantes alejados de los
centros urbanos y que viven en regiones más pobres sufrieron más por la ausencia d
e escuela,
no solo como un lugar de intercambio de conocimientos, sino como un lugar lleno de
significados.
Sin duda, la alimentación escolar merece una atención especial en este informe.
SEEDUC comenzó a distribuir ayuda alimentaria a estudiantes con may
or vulnerabilidad social
a través del PNAE, el cual ha cambiado para atender las particularidades de la situación, como
este extracto de la Resolución del Fondo Nacional para el Desarrollo de la Educación
-
FNDE,
nº
. 02/2020
(
BRASIL
, 2020
a
)
.
La
situación causó una inmensa preocupación y sufrimiento a los directores de las
escuelas, que pudieron mapear a estos estudiantes y obtener ayuda. La elección de llevar comida
a los hogares de los estudiantes sin duda resultó aún más dolorosa. Muchos estudi
antes viven
en lugares donde el poder público no llega y las condiciones de vida son muy difíciles. Las
barricadas que el narcotráfico instala en las calles y que deben ser removidas y reubicadas para
que el auto pueda llegar a las casas de los estudiantes
aumentaron el sufrimiento de empleados,
gerentes y voluntarios, que estaban dispuestos a entregar la ayuda.
Las familias que no
recibieron alimentos al mismo tiempo que las demás se desesperaron. Era una señal de que el
hambre comenzaba a llegar a las fam
ilias, y los relatos orales y escritos eran terribles.
La Defensoría Pública del Estado de Rio de Janeiro, el 23 de mayo de 2020
16
,
obligó a
las escuelas estatales y municipales a distribuir alimentos a todos los estudiantes de su red, a
16
Disponible en: http://w
ww.defensoria.rj.def.br/noticia/detalhes/10297
-
DPRJ
-
garante
-
na
-
Justica
-
alimentacao
-
para
-
alunos
-
da
-
rede
-
publica
.
Acceso: 25 jul. 2020.
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través de la entr
ega de alimentos o
vales
o
boletos
para compra directa. A partir de este
momento, los recursos estatales regulares regresaron a las cuentas corrientes de la escuela y los
gerentes pudieron contar con todos los recursos de almuerzo puestos a disposición de la escuela
en los días previos a l
a pandemia.
Sin embargo, había un problema: el ingreso diario per cápita por estudiante es muy bajo.
La Resolución SEEDUC
nº
. 5722,
de 18 de febrero de 2019
(Rio de Janeiro
, 2019)
,
establece
los montos transferidos a las escuelas a tiempo parcial para la adquisición de alimentos, que es
de R$ 0,62. Este valor se complementa con el Programa Nacional de Alimentación Escolar
(PNAE), según lo informado por la misma Resolución.
En otras p
alabras, los recursos se
complementan entre sí, sin embargo, no fueron suficientes para la distribución de canastas
básicas completas para todos, completas para satisfacer todas las necesidades nutricionales de
los estudiantes.
La Resolución
nº.
06, de 08
de
mayo
de 2020 (PNAE)
(
BRASIL
, 2020
b
)
,
establece un
valor diario per cápita para los estudiantes de primaria y secundaria de la red pública de
educación básica de R$ 0,36. Por lo tanto, las escuelas tienen menos de un real por día.
Entonces, ¿cuál fue la solución acordada con la justicia, dada
la declaración del gobierno del
estado de Rio de Janeiro de falta de recursos para atender a todos los estudiantes matriculados
con una canasta básica completa?
Los gestores deben hacer una consulta pública con toda la comunidad sobre la necesidad
de reci
bir esta ayuda alimentaria. Y así procedieron los directivos, incluso con todas las
limitaciones de llegar a todos los estudiantes y familias con esta investigación, por razones ya
mencionadas aquí, y que pasan por la falta de tecnología e internet en much
os lugares o incluso
las barreras físicas para llegar a estas familias.
Cada vez más la escuela está llamada a desempeñar diversos roles sociales, lo que la
aleja de su primera función, la educación.
Algebaille (2009, p. 90
, nuestra traducción
)
habla de
l
a escuela como un "instrumento de gestión de la pobreza", y nos trae una reflexión importante
para pensar la escuela históricamente.
La profundización de una forma histórica de escuela en la que la "escuela"
supera con creces a la
"educativa", subordinándola a otros fines, indica la
necesidad de llevar la discusión de las relaciones que la producen, a través de
la reconstitución de algunos vínculos que han vengado efectivamente en el
nuevo contexto
-
especialmente aquellos entre las
numerosas formas de uso
de la escuela
-
, convirtiéndose en la base de la implementación de "ajustes"
que profundizarían algunos rasgos y problemas constitutivos de la escuela
brasileña (ALGEBAILLE, 2009, p. 89
-
90, grifos de los autores
, nuestra
traducció
n
).
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Otro aspecto agudizado durante la pandemia de Covid
-
19 fue el de la escuela como
instancia de protección social. Los niños y los jóvenes se han vuelto más vulnerables a la
violencia en la comunidad y en la vida doméstica; A menudo estaban solos en cas
a cuando sus
padres conseguían trabajo. Algunos estudiantes se involucraron en la trata. En la escuela, podían
contar con maestros, coordinadores y gerentes como apoyo, y un lugar seguro para pasar algún
tiempo del día.
Hubo un gran número de jóvenes que
acudieron a la escuela en busca de documentos y
declaraciones para trabajar en pasantías mal remuneradas, para satisfacer las necesidades de las
familias, que también aumentaron, y fue otro factor que contribuyó a la reducción del acceso a
la plataforma
en
línea
proporcionada por la SEEDUC. Especialmente los estudiantes de tercer
año de secundaria, que son los mayores. Los testimonios de los estudiantes son dramáticos. La
elección entre estudiar y mantenerse vivo no es una elección sino una imposición para
estos
estudiantes.
La necesidad de trabajar por los jóvenes, hijos de la clase trabajadora, nos lleva a insistir
en la urgencia de implementar políticas públicas que satisfagan a esta porción de la población.
Hay algunas claves de análisis, particularment
e para los siglos 20 y 21, que nos ayudan a
comprender la forma de desarrollo brasileño dependiente, una intensa expropiación del trabajo
y los medios de vida de la población y la inmensa concentración de capital en manos de pocos
grupos empresariales en s
u interconexión con el gran capital internacional. El capitalismo,
desarrollado y globalizado ahora por todas partes del mundo, tiene peculiaridades y formas de
desarrollo propias. Al igual que Marini (2000), Santos (2000) y otros científicos sociales,
Fer
nandes (1973) señala que el tipo de capitalismo que estalló en América Latina fue del tipo
dependiente:
Este modelo reproduce las formas de apropiación y expropiación inherentes
al capitalismo moderno (en los niveles del movimiento de mercancías y la
org
anización de la producción). Pero tiene un componente adicional
específico y típico: la acumulación de capital se institucionaliza para
promover la expansión concomitante de núcleos hegemónicos externos e
internos (es decir, economías centrales y sectores
sociales dominantes)
(FERNANDES, 1973
,
p. 45
, nuestra traducción
)
.
Fernandes (1973) avanza en su análisis explicando que este modelo de capitalismo trae
consigo la apariencia de expropiación de los sectores internos por los sectores externos, pero
señala que, realmente, los países del capitalismo dependiente están sujetos
a una extracción
permanente de su riqueza, pero que, en realidad, quien sufre incluso la extracción de riqueza es
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La escuela en tiempos de pandemia:
Desamparos
, hambre y carencia tecnológica
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la gran masa salarial de la población. Brasil desarrolló esta forma de capitalismo y no rompió
los lazos que lo unían a lo arcaico, antes, lo
s intensificaba.
Shiroma, Moraes y Evangelista (2000, p. 9
, nuestra traducción
) explican que, para
analizar las políticas públicas, es necesario "[...] Considere no solo la dinámica del capital, sus
complejidades y articulaciones, sino también los antagon
ismos y los complejos procesos
sociales que lo enfrentan".
El sistema de capital opera con estrictos controles sociales: con la excepción de los
trabajadores altamente calificados, necesarios para la organización técnica y social de las
empresas y la
rentabilidad financiera; salarios mínimos, suficientes para garantizar la
supervivencia de la fuerza de trabajo y la intensificación de la tasa de explotación; tecnologías
sociales y digitales de manipulación de intereses e ideologías de justificación de l
os beneficios
del capital, en nombre del desarrollo económico, principalmente el consumo bajo el signo del
estatus social; represión y violencia frente a la disidencia.
Mészáros (1987, p. 34
-
35
, nuestra
traducción
) analiza la necesidad de control social de
l capital: "Ahora, el hecho es que nos
enfrentamos aquí a una contradicción interna de un sistema de producción y control: un sistema
que no puede evitar aumentar las expectativas, incluso frente a la amenaza de un colapso
completo de su capacidad para sat
isfacerlas".
Los estudiantes regresaron a clases presenciales en octubre de 2021, pero los males
sociales que afectan, prioritariamente, a los estudiantes de las escuelas públicas, resultado de la
expropiación que sufren sus familias, permanentemente, se muestran una v
ez más como heridas
abiertas. La preocupación en este momento es sobre la deserción escolar.
O Globo, en la edición
dominical del 7 de noviembre de 2021, muestra el drama vivido por estudiantes y familias en
este regreso a clases, en un artículo titulado:
"El difícil regreso a la escuela"; el informe muestra
algunas historias de estudiantes de escuelas de Río de Janeiro. Una de ellas dejó de estudiar
para trabajar y ayudar a mantener a la familia, otra estudiante quedó embarazada y, además de
la deserción e
scolar, vive incapaz de garantizar su propio sustento y el de su hijo, otras ni
siquiera podían seguir
clases en línea
, por
falta de
teléfono celular.
El artículo también muestra
los esfuerzos de los profesores y las escuelas para traer a este
estudiante de vuelta a clase,
incluso conociendo sus duras condiciones de vida (
GALDO; SCHIMIDT, 2021)
.
Situaciones como estas, señaladas por la prensa, refuerzan los hallazgos de nuestra
investigación de inmersión en la realidad de una escuela pública en
las afueras del estado de
Rio de Janeiro. Pero pueden resaltar perfectamente las situaciones vividas por miles de niños y
jóvenes dispersos por todo este inmenso Brasil, y deben ser considerados en la elaboración de
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políticas públicas, así como ser parte d
e nuestros esfuerzos como educadores para que se
implementen cambios profundos en la forma en que vivimos en la sociedad.
Consideraciones finales
Estas consideraciones finales buscan resaltar el análisis de las principales cuestiones
teóricas y
prácticas a las que nos enfrentamos en la investigación sobre educación escolar, en
nuestra práctica académico
-
científica y profesional. Su momento es el presente, el surgimiento
de la pandemia de Covid
-
19 y sus consecuencias en la vida de los estudiantes
y sus familias,
maestros y gerentes de una escuela primaria y secundaria, en un barrio de la región
metropolitana de Río de Janeiro, de marzo de 2020 a octubre de 2021. El trabajo también se
desarrolló teniendo en cuenta los documentos legales y las refere
ncias políticas dadas por las
autoridades educativas del estado de Río de Janeiro, en el contexto de las directivas nacionales.
Suponemos que el análisis del tiempo presente tiene los mismos requisitos
epistemológicos de la historia sobre hechos del pasado
. Requiere la localización en el espacio
-
tiempo de los acontecimientos, la explicación de las fuentes documentales, los temas implicados
y el contexto del objeto de investigación.
Reconocemos la rápida y extensa difusión del Covid
-
19, la aceleración del t
iempo por
las tecnologías, la búsqueda de soluciones para la educación escolar mediante la educación
remota, frente a las exigencias del distanciamiento. Vivimos con la angustia del manejo
inesperado de nuevas metodologías y la falta de equipos y condicion
es de vida de los
estudiantes (alimentación, vivienda, internet, computadoras y/o teléfonos móviles) para seguir
las lecciones elaboradas por los profesores.
La impotencia, el hambre y la privación tecnológica constituyen la totalidad social,
"síntesis de
múltiples determinaciones" (MARX, 1977, p. 229
, nuestra traducción
), con la que
los sujetos sociales hacen historia en estos tiempos difíciles. No son sólo palabras, son
productos de una estructura social, cuyas necesidades humanas no se satisfacen a travé
s de
políticas económicas y sociales universales para el trabajo, el empleo y la satisfacción de las
necesidades vitales de toda la población.
A través de la observación participante y nuestra inserción en el sistema educativo local,
vimos cómo muchos niño
s repente se quedaron sin comida diaria, con sus padres desempleados,
sin internet y sin medios digitales para al menos seguir alimentando el cuerpo físico y su
desarrollo cognitive. En este contexto, la escuela está cada vez más llamada a desempeñar
diver
sos roles sociales, lo que la aleja de su primera función, la educación.
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La escuela en tiempos de pandemia:
Desamparos
, hambre y carencia tecnológica
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Estos hechos de la vida escolar cuotidiano no son aceptables en vista del empeoramiento
de las desigualdades sociales, la creciente polarización que guía la estructura global del sis
tema
capitalista, en el que prevalecen los intereses del mercado y la financiarización de la economía.
Agregue nuestra situación como país dependiente de los países desarrollados, que se articulan
con los intereses de las élites nacionales, como lo demuest
ran Marini (2000), Fernandes (1973)
y otros.
En vista de las contradicciones entre lo que la infancia y la juventud necesitan y lo que
los sistemas educativos les ofrecen, con el agravante de las limitaciones sociales y económicas
de estos días de
pandemia, vale la pena recordar el concepto de escuela unitaria de Gramsci
(2011): que la función del Estado que es asumir plenamente los gastos con educación que están
a cargo de la familia y pesan sobre las familias de los trabajadores de bajos ingresos.
Solo con
la educación pública podemos ofrecer una educación de calidad a todos, independientemente
de las clases sociales a las que pertenezcan.
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de
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adolescentes
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das
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classes
-
mais
-
altas
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64
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mai
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-
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-
n%C2%B0
-
02,
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de
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resolu%C3%A7%C3%A3o
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6,
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-
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(
Doutorado em
Educação)
–
Programa de Pós
-
graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense,
sob a orientação da Prof.(a) Dr.(a) Maria Ciavatta. Niterói: UFF, 2019
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Flávia Gonçalves da SILVA
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Cómo hacer referencia a este artículo
SILVA, F.
G
.; CIAVATTA, M.
La escuela en tiempos de
pandemia: Desamparos, hambre y
carencia tecnológica
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DOI:
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Presentado en
:
30/04/2022
Revisiones requeridas en
:
09/07/2022
Aprobado en
:
11/10/2022
Publicado en
:
30/
12
/2022
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de
Educación
-
EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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School in times of pandemic:
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elplessness, hunger and technological deprivation
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SCHOOL IN TIMES OF PANDEMIC: HELPLESSNESS, HUNGER AND
TECHNOLOGICAL DEPRIVATION
A ESCOLA EM TEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, FOME E PRIVAÇÃO
TECNOLÓGICA
LA ESCUELA EN TIEMPOS DE PANDEMIA: DESAMPARO, HAMBRE Y CARENCIA
TECNOLÓGICA
Flávia Gonçalves da
SILVA
1
Maria
CIAVATTA
2
ABSTRACT
:
This article results from the knowledge of the contingencies that the Brazilian
population experiences in times of the COVID
-
19 pandemic, whose situations of helplessness,
hunger and technological deprivation have become more evident. From a methodological point
of view, we place the pandemic in the history of the present, that is, in time
-
space in the events
of the period from
2020 to 2021. A historical
-
qualitative approach was used with participant
observation and analysis of legislation. We defend that the distribution of social goods in an
egalitarian way collides with the interests of the dominant classes, requiring an urgen
t change
in the way we produce our existence and the meaning of economic and social development. We
seek to demonstrate the challenges of the pandemic period in a public school in the State of Rio
de Janeiro. In this context, the results point to the worse
ning of situations of social exclusion
and helplessness experienced by students, teachers and managers.
KEYWORDS
:
Present tense. School.
Pandemic.
Social
differences
.
RESUMO
:
Este artigo resulta
do conhecimento
das contingências que a população brasileira
vivencia em tempos de pandemia da COVID
-
19, cujas situações de desamparo, fome e privação
tecnológica tornaram
-
se mais evidentes. Do ponto de vista metodológico, situamos a pandemia
na história do presente
,
isto
é
,
no tempo
-
espaço nos acontecimentos do período de 2020 a 202
1
.
Foi utilizad
a
uma abordagem histórico
-
qualitativa
com observação
participante e análise da
legislação.
Defendemos que a distribuição dos bens sociais de forma igualitária colide com os
inter
esses das classes dominantes, sendo necessária uma mudança urgente na forma como
produzimos a nossa existência e o sentido do desenvolvimento econômico e social. Procuramos
demonstrar os desafios do período pandêmico
em
uma escola pública do
e
stado do Rio
de
Janeiro
.
Neste
contexto, os
resultados apontam
para
o agravamento
das
situações de
exclusão
social e
de desamparo
vivenciad
a
s pel
o
s
alunos, professores e gestores
.
PALAVRAS
-
CHAVE
: Tempo presente
.
Escola
.
Pandemia
.
Desigualdades sociais.
1
Fluminense Federal University
(UFF), Niterói
–
RJ
–
Bra
z
il
.
Doctoral student in the Graduate Program in
Education
.
ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0001
-
5249
-
3001
.
E
-
mail: flaviagsmendes@gmail.com
2
Fluminense Federal University
(UFF), Niterói
–
RJ
–
Bra
z
il.
Professor in Work and Education at the Graduate
Program in Education.
PhD in Education
(PUC
-
Rio).
ORCID
:
https://orcid.org/0000
-
0001
-
5854
-
6063
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E
-
mail:
maria.ciavatta@gmail.com
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RESUMEN
:
Este artículo resulta del conocimiento de las contingencias que vive la población
brasileña en tiempos de la pandemia de la COVID 19, cuyas situaciones de desamparo, hambre
y carencia tecnológica se han vuelto más evidentes. Desde un punto de vist
a metodológico,
ubicamos la pandemia en la historia del presente, es decir, en el tiempo
-
espacio en los
acontecimientos del período 2020 a 202
1
. Se utilizó un enfoque histórico
-
cualitativo con
observación participan
te y análisis de la legislación
. Defendem
os que la distribución de los
bienes sociales de manera igualitaria choca con los intereses de las clases dominantes,
exigiendo un cambio urgente en la forma en que producimos nuestra existencia y el sentido del
desarrollo económico y social. Buscamos demo
strar los desafíos del período de la pandemia
en una escuela pública del Estado de Río de Janeiro. En este contexto, los resultados apuntan
al recrudecimiento de las situaciones de exclusión social y desamparo que viven estudiantes,
docentes y directivos.
PALABRAS
C
LAVE
:
Tiempo presente
.
Escuela
.
Pandemia
.
Diferencias sociales.
Introdu
ction
This text was written during the research process for the doctoral thesis (SILVA, 2019)
on comprehensive high school integrated with professional
education, in the public network of
the state of Rio de Janeiro
3
.
The
dilemmas
and transformations in the school routine caused by
the Covid
-
19 pandemic brought new issues to the field of labor
-
education research, particularly
to the conception of integral education and integrated training. To the mediations and
contradictions histo
rically present in the formation of the working class, we have added the
difficulties generated by the pandemic, including from the point of view of non
-
consolidated
social rights (health, education, housing, food, and others).
We live in the present under
the permanent threat of contamination from Covid
-
19,
because of the uncertainty about medical care and the effectiveness of treatments, because of
the uneasiness and discouragement that invade the soul in the prolonged social distance. This
work was born
from the knowledge and closeness with the contingencies that the Brazilian
population and humanity as a whole are living in the present. In schools, closeness is part of the
structure of relationships between students and teachers, and social distancing wi
th the use of
masks was the only effective protective measure until the arrival of vaccines. Legal regulations
were issued for the circulation of people, and teachers and students were told by the authorities
to stay at home
.
3
SILVA, Flávia Gonçalves da
,
Ensino
Médio Integral
e Integrado à Educação Inte
gral Profissional: mediações
e contradições na formação da classe trabalhadora
.
Project for a doctoral thesis (Education) from the Postgraduate
Program in Education at the
Fluminense Federal University
, under the supervision of Prof. Dr. Maria Ciavatta
.
Niterói: UFF, 2019
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elplessness, hunger and technological deprivation
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Almost immediately, in the st
ate of Rio de Janeiro, the Secretary of Education
(SEEDUC) began recruiting teachers for Remote Education and oriented them about the
didactic procedures to be followed for the continuity of the students' studies. This paper is the
product of participant o
bservation and of the record and analysis of successive reports from
elementary school teachers about the conditions of implementation of Remote Learning and the
living conditions of the students of the State School "20", in the period from March 13, 2020
to
the beginning of October 2021, regarding the conditions and needs of housing and safety, food
and access to digital resources for study, in their homes.
From a methodological point of view, we situate the Covid
-
19 pandemic in the history
of the present
(BAUMAN, 2007; HOBSBAWN, 1995; NORA, 1984). Regarding human needs,
we have by reference their relation to the social structure (MARX, 1980; MÉSZÁROS, 1996).
Other sources of consultation and follow
-
up of the changes in life, which occurred during the
Pande
mic, are the news of the big press in Rio de Janeiro and São Paulo. This is a study with a
qualitative
-
historical approach, which seeks to demonstrate the challenges of the pandemic
period for students, teachers and managers of a public school in the state
of Rio de Janeiro.
In the first section we deal with the history of the present; in the second section we
reflect on the capital system, public policies, and social inequalities; in the third section we
draw a picture of the conditions of housing, food, s
ecurity, and access of students to digital
technologies and the new attributions of teachers to provide activities in remote teaching; and,
finally, our final considerations, followed by the references
.
The History of the Present Time
To talk about the Covid
-
19 pandemic is to talk about the time in which we are living, is
to talk about events that we are sharing. In the field of historians, this proximity to the temporal
dimension gave rise to the history of the present time, which conc
erns the conception of past,
present and future time and the possibility of knowing each of these temporalities
4
.
A first conception of the present time is the interpretation of history through a factual
and immediate reading, time as a permanent present,
“
presente
e
ism
”
. The term is seen in a
pejorative sense insofar as it deals with phenomena in isolation from their historical context,
and
leads to an erasure of memory through ignorance of the past. But this conception does not
prevail among all recognized historians, for whom the history of the present is a question of a
4
This introduction continues Ciavatta's oral presentation
(2009).
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temporality frame, because its requirements are the same as those of
every conception of
history.
Here we assume this particularity of history as history of the present time, which has
several approaches. One of them is presenteeism, conceived in function of the great
transformations of the 20th century. It is the reading o
f Zygmunt Bauman (2007) who deals in
his books with
Liquid Love
,
Liquid Life
,
Liquid Modernity
. Thus
,
he justifies in a folder: "I call
the world liquid because, like all liquids, it is never immobilized or keeps its shape for long".
(BAUMAN, 2011, p. 2)
.
In
Liquid Life
, Bauman (2007,
our translation
) "[...] calls attention to the problems that
the current condition of the capitalist system raises in human beings today, between the need to
adapt to the destructive
-
creative rhythm
5
of the markets and the
fear of becoming outdated,
becoming expendable." In this world of change at a permanent pace, individual achievements
are made and unmade. Which reminds Marx and Engels (1998, p. 8
,
our translation
), in the
Manifesto, when he says about the capitalist syst
em: "everything that is solid and stable falls
apart in the air."
Another strand of the history of the present is in the studies about youth. The idea of a
presentist youth is found in the studies of Italian sociologist Alberto Melucci (1996, p. 4
,
our
tra
nslation
), when he mentions that "Youth, because of its cultural and biological conditions, is
the social group most directly exposed to these dilemmas, the group that makes them visible to
society as a whole.
The presentism experienced affects the underst
anding of time that becomes present,
with no memory of the past and no perspective of the future. The acceleration of time by
communication technologies (internet and means of transportation) has given a faster pace to
the production of goods and the relat
ionships between people.
Except for later researches, Hobsbawn (1995, in Brazil, and 1994, in Europe) would
have been the first historian to call attention to the way young people live a kind of continuous
present: "Almost all young people today are born
into a kind of continuous present, without any
organic relationship with the public past of the time in which they live" (HOBSBAWN, 1995,
p. 13). In the Preface of the book
The Age of Extremes: The
Short
Twentieth Century
, Hobsbawn
(1995), gives rise to a
reading of the near impossibility of writing a history of the present. His
arguments bear the mark of his historical culture, scientific legitimacy, and honesty in
identifying the limits of the historian
.
5
Mészáros (1996)
calls this phenomenon of the current capitalist world destructive production
.
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The capital system, public policies
and social inequalities
Helplessness, hunger and technological deprivation are not just words, they are products
of a social structure, whose human needs are not met through universalized economic and social
policies for work, employment, and meeting the
life needs of the entire population.
Consequently, social inequalities are generated that, in Brazil, have an ancient history, coming
from the Colony, remaining in the Empire and continuing in the Republic until our days. The
appropriation of the social w
ealth produced by labor is concentrated and accumulates in the
hands of the owners of the means of production, the entrepreneurs, their financial investments,
their articulation with international rent
-
seekers and with the republican powers, at the service
of the capitalist system.
Inequalities are visible in the class structure which, in this time of pandemic, hits the
poorest people the hardest. Health centers and public hospitals have resources and services that
show the lack of effective public policies
to face the gravity of the disease. At the other end of
the social pyramid, which shapes the Brazilian population, the abundance of private medical
services for the high
-
income classes is visible.
The meaning of Marx's (1980, p. 554
,
our translation
) word
s that, through work,
education and social organization, "produce fully developed human beings" is undone in the
mirage of misleading advertisements and the absence of public power. Not everyone is
guaranteed the means to meet the basic needs for survival,
such as food, drinking water,
sanitation, housing, health, education, security, and social security. Other difficulties of the low
-
income classes are misinformation and lack of critical knowledge and legal support to move
through the meanders of social ri
ghts, not assured by the public power
.
The capital system operates with rigid social controls through economic power, through
business
-
friendly legislation. There is a growing polarization inherent to the global structure of
capitalism, the financializatio
n of the economy and our situation as a country dependent on the
capital system of developed countries (FERNANDES, 1973; MARINI, 2000; SANTOS, 2000),
articulated with the national elites.
It is a development that feeds on the archaic (FRIGOTTO, 2010) and does not contribute
to the development of a country that keeps a large portion of the population excluded from basic
rights. The Continuous National Household Sample Survey (PNAD Contínua,
2020), of the
Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE in its Portuguese acronym), shows an
unemployment rate for people aged 14 or older of 13.3% of the population in the second quarter
of 2020.
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The distribution of social goods collides with
the interests of the national and
international bourgeoisie. Thousands of
working
-
class
children, youth and adults are relegated
to a secondary role in public policies. These issues were clearly evidenced in times of the Covid
-
19 pandemic. In State School
"20", like others in the public network, many children suddenly
found themselves without daily food, with their parents unemployed, without internet and
digital media to at least continue nourishing their physical bodies and their cognitive
development.
Th
e school, as emphasized by Frigotto, Ciavatta, and Ramos (2012, p. 7
,
our
translation
), should be understood within the project of society in which we live
:
Because the school is an institution produced within certain social relations,
this portrait can o
nly be better understood when understood within the
specificity of the capitalist project of society that was being built in Brazil: a
long process of colonization (economic, political
-
social and cultural), being
the last Western society to proclaim the en
d of slavery
.
In a country with late schooling for the majority of the population, with data on the
universalization of primary education dating only from the end of the last century, and still with
the challenge of bringing school education to all young people in high
school and to those who
could not be educated in a supposedly certain time, we find over the school a range of
attributions. The responsibility of feeding children, young people and adults is one of them. The
National School Feeding Program (PNAE), without
a doubt, is one of the most important
feeding programs in the world and benefits millions of students in Brazilian education. It is also
through the school that one of the main income transfer programs, the Bolsa Família (Family
Grant), targets its benefi
ciaries
6
.
Due to the Covid
-
19 pandemic, we are faced with some contradictions of this form of
social development. With schools closed, the action starts from the social isolation, proposed
by the World Health Organization (WHO); hunger started knocking on
the door of children in
several Brazilian states and cities. The school is again being called upon to take care of a
problem that, in essence, is not theirs: the daily nutritional needs of their students and families.
Digital exclusion is another factor t
hat has impacted the exclusion of working
-
class
children and young people from this pandemic context. Public schools were faced with the
following situation: some state governments implemented remote education and the harsh
reality of the poor was once aga
in evidenced. In the State School "20", few students had access
6
Jealous of the politi
cal dividends of a program created by the PT governments, and pressured by the country's
public accounts, at the service of rent
-
seeking capital, the Bolsa Família is being restructured by the current
government
.
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to quality digital equipment and internet, which could facilitate the contact between school and
family
.
The functions of the school and its web of meanings
The fieldwork that forms the basis of this work has as its main reference participant
observation, presented by anthropologist Howard Becker
(1993
, p. 47
,
our translation
)
:
The participant observer collects data through his participation in the daily
life
of the group or organization he is studying. He observes the people he is
studying to see what situations they normally encounter and how they behave
in front of them. He engages in conversation with some or all of the
participants in this situation a
nd discovers their interpretations of the events
he has observed
.
However, given the circumstances of living with the daily problems generated by the
Covid
-
19 pandemic, the unforeseen events generated by reality and the authorities' referrals,
we did not
carry out the research according to the author's four stages of analysis (BECKER,
1993, p. 49
-
50). We carried out the work according to the circumstances and the needs of the
students, their families and school staff, at school and during visits to the fa
milies to deliver
baskets of basic food supplies.
Our observation and reflection seeks to evidence the daily life of a school community
in the metropolitan region of the state of Rio de Janeiro, hit hard by the consequences of the
various crises that plagu
e our country, and that the Covid
-
19 pandemic has only intensified. We
also seek to provoke reflection on the urgent changes that are needed not only for the school,
but for Brazilian society as a whole.
The school is located in a poor region far away from
the big commercial centers and
with drug dealing and violence in conflagration, a reality that can perfectly extend to other
schools and regions of our country. The chosen school has an average of 400 students, 35
teachers and three members of the managem
ent team.
The Covid
-
19 world pandemic showed the open wound of social inequality that plagues
our country and, more specifically, the reality of the state of Rio de Janeiro. In decree
N
o.
46.970, dated March 13, 2020 (RIO DE JANEIRO, 2020a), Governor Wilso
n Witzel (currently,
punished with the loss of his mandate after impeachment suffered for various improbabilities
)
7
,
7
The observations and analysis reflect situ
ations experienced, in particular, during the period from March 2020 to
October 2021
.
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implemented, initially, a series of measures and, among them, the temporary suspension of
classes for 15 days as one of the actions to
prevent the contagion of the disease
.
But the situation continued for another 15 days and for months at a time, until October
2021, when the SEEDUC resolution (Secretaria
de Estado de Educação) nº. 5993, of October
19, 2021 (RIO DE JANEIRO, 2021), determined the total return of students to classroom
activities. The problems caused by the closing of the schools soon appeared. Teachers were put
on recess for two weeks and st
udents had their mid
-
year vacation brought forward. During this
period of recess, the ideas of a Remote Schooling were generated within the State Government,
through the (SEEDUC). And all the education professionals were surprised with this new way
of inte
racting with the students.
The partnership between the State Department of Education and the North American
giant Google, through its digital platform Google Class
r
oom, was thus closed on March 18,
2020
8
,
widely announced in social networks and media. Th
e teachers received training/training
as trainers, from SEEDUC itself and from the Google team
.
Teachers, students and managers received a specific e
-
mail with a login and password
to access a school that was transported to the virtual universe. At first,
there was much
discussion among education professionals, led by the Union of Education Professionals (SEPE
in Portuguese), who tried to resist this new measure issued by the official bodies. After all, this
measure was not widely debated among education pr
ofessionals and generated a lot of
insecurity among everyone. But the fear of contamination by the new virus and the insecurity
about their own job did not allow a greater resistance from teachers to these measures.
Faced with many questionings about the
procedures adopted by SEEDUC, in order for
education to take place during the social isolation period, the State Public Ministry of Rio de
Janeiro (MPRJ) requested clarifications from this State Secretariat (2nd PJTCPEC Official
Letter no. 112/2020, of Mar
ch 19, 2020, Recommendation no. 01/2020
)
9
.
In short, the aforementioned letter requested answers from SEEDUC regarding the
guarantee of health for students, education professionals, and their families; how the 2020
school year would be fulfilled; how the spaces for discussion were being guaranteed
in the
various collegiate bodies of the education institutions; information about the possible use of
8
To check out the complete interview with Rio de Janeiro State Education Secretary Pedro Fernandes, just click
on the following link. Available at
:
https://www.facebook.c
om/watch/?v=270821307247696
.
Access on
: 24
July
2020.
9
Available at
:
http
s
://www.mprj.mp.br/documents/20184/540394/recomendao_covid19_educao__distncia_escolas_estaduais.p
df
.
Access on
: 25
July
2020.
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digital platforms and whether access would be guaranteed to students while the social isolation
measures lasted; how students with special needs were bein
g cared for. It was also SEEDUC's
responsibility to inform if, perhaps, in a return to school, students with special needs would be
assisted at their homes; it should inform the Public Ministry of the state of Rio de Janeiro
(MPRJ) how the right to school
meals would be guaranteed to its students and what resources
would be used for this action.
Recommendation no. 01/2020 (RIO DE JANEIRO, 2020b), already mentioned above,
goes further and adds the request for clarifications regarding the cost of the agreeme
nts between
Google and SEEDUC and the amounts already paid. It also demands compliance with the
Deliberation of the State Education Council (CEE) No. 376 of March 23, 2020 (RIO DE
JANEIRO, 2020c), a document that requires the agency to make public the Peda
gogical Action
Plan before implementing remote learning. Finally, even in the midst of many court decisions
and requests for clarification from civil society, in an autocratic way, SEEDUC started the
remote classes on April 6th, 2020
.
Teachers and school m
anagers have had to reinvent themselves. We are not just referring
here to learning new digital technologies, but to learning a new way of living. These
professionals are mothers, fathers, grandparents. Before the social isolation imposed by the new
pandem
ic scenario, they had a support network to develop their work tasks. Their children were
in daycare or at school, or even at their grandmothers' homes. These people, at this time, should
be protected and kept away from contact with the children under the r
isk of easy contagion of
the disease and serious consequences, such as even death.
The burden was heavier on women teachers and educational professionals, who had to
be mothers, wives, professionals, students, and family caretakers. All this at the same t
ime and
all the time. But teachers and managers took on the task of developing remote teaching. Far
from being unanimous among educators, it was what fit at that difficult and uncertain time for
everyone.
As already mentioned, the problems caused by the c
losing of schools began to emerge.
The students, to access this digital platform, Google Classroom, needed digital equipment and
broadband internet or a mobile data package that supported the use of the tool. And this was
not possible for 70% of the studen
ts in this community. Families often had only a cell phone,
which often stayed with the student's parent.
Those who could still access it were surprised by
the theft of Internet cables in the midst of the pandemic, and the percentage dropped even
further
.
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The teachers and managers also had to buy better equipment and increase the speed of
their internet networks and/or hire new services, an additional cost for these professionals. One,
two or at most three students per day attended classes. For a school tha
t prioritizes young
people, the damage is immeasurable. Both the school formation and the human formation,
which is formed in other social instances as well, but which cannot do without this space, were
compromised.
It was up to the managers to make this
school work, helping the students, families and
teachers to make things work. Besides weighing on them the administration of the school in the
virtual and physical environment, because the school was still in the same place and with its
maintenance problem
s, of bureaucratic order, and with an extra task: helping the families by
giving food support to the students who needed it. After all, the school had to be ready and
standing for the return to school that could happen at any moment.
The promise of interne
t provided by the state at no cost to school professionals and
students only partially materialized almost a year later, when SEEDUC created the
Applique
-
se
application and put it into use on March 1st, 2021
10
,
that functioned with free access to the
stude
nts and teachers of the network. After many months of social isolation, few students were
able to participate in this new way of teaching and learning. The lack of cell phones and
computers also contributed to the alienation of the students. The abyss betw
een students from
private schools, considered to be of high quality, and students from the state public network,
widened even more
11
.
The Brazilian educational duality has been present in a more accentuated
way in these pandemic times. Gramsci (2001), in h
is writings, refers us to the concept of unitary
school, a school that serves everyone in the same way, one that is able to unite universal
knowledge to technical knowledge. He describes the role of the State, which is to assume the
expenses with education
that are the responsibility of the family. And only then, with public
education, can it reach everyone, regardless of the social classes to which they belong
:
The unitary school or school of humanistic formation (this term, "humanism",
is
understood in a broad sense and not only in the traditional sense), or school
of general culture, should assume the task of inserting the young into social
activity, after having raised them to a certain degree of maturity and capacity
for intellectual and
practical creation and to a certain autonomy in orientation
and initiative (GRAMSCI, 2001, p. 36, emphasis added
, our translation
)
.
10
Further information about
Applique
-
se
is available at
: https://www.seeduc.rj.gov.br/applique
-
se.
Access on
: 25
Apr
. 2022.
11
“
Adolescents from classes A and B study 64% more hours than those from class E, shows a study by FGV Social
with data from IBGE. The numbers are from August and the responsible for the
research are the economists
Marcelo Neri and Manuel Osório".
(ALFANO, 2020, p. 17).
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Most of the students in this community, in particular, had
their learning process
interrupted. The lack of basic tools for remote learning and the students' address also made the
difference. The solution found by SEEDUC, for the students that did not have access to the
digital platform, was the delivery
12
,
in eac
h of their homes, the Self
-
Regulated Activities
workbooks
,
13
,
on printed paper
.
To make this action happen, a contract was signed with
Correios
(the Brazilian Post
Office).
Correios
should deliver to the homes of the students (without internet access) the
activities prepared by SEEDUC. But the handouts did not reach all the students. The students
who live in areas where violence has broken out did not receive the workbooks in real ti
me,
because of threats or interference from local drug dealers. Those who received the materials at
home also had a hard time completing the assignments
.
Understanding that the teacher is fundamental for meaningful learning, School
Education, as a mere tra
nsmission of knowledge, became stronger in the state system, despite
the efforts of teachers and managers. For students who did not have access to interaction with
the teacher, it remained to do the activities alone in their homes, or with the help of fami
ly
members not always with time or prepared to help their children. Saviani (2019, p. 43
,
our
translation
) brings us an important reflection: "Therefore, for the school to exist, the existence
of systematized knowledge is not enough. It is
necessary to make possible the conditions of its
transmission and assimilation".
If it is correct to say that in some schools this remote education reached a larger number
of students, it is also correct to say that students far from the city centers and l
iving in poorer
regions suffered more from the absence of school, not only as a place to exchange knowledge,
but as a place full of meanings
.
School feeding, without a doubt, deserves special attention in this report. SEEDUC
started distributing food aid
to students with greater social vulnerability through the PNAE,
which was modified to meet the specificity of the situation, as this excerpt from the Resolution
12
Faced with SEEDUC's decision to get printed materials to everyone who didn't receive them through
Correios
or who didn't access the online platform, the manager and a female employee went to the community to invite the
students to pick up the activities at
school and personally distribute some of these materials, and they came across
the barricades imposed by the drug traffic as a physical limit to how far the public power could reach. This situation
is imposed on the residents of communities, such as this
one, that are deflated by trafficking. Parents report that
public services do not go beyond the barricades imposed by drug trafficking, and that they gradually lost their
addresses and depended more and more on local businesses that voluntarily gave up the
ir establishments to receive
packages and mail from local residents
.
13
Activities developed by teachers of the state network in 2013 and that are part of a SEEDUC database
.
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and
Maria CIAVATTA
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Americana de Estudos em Educação,
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ISSN: 1982
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DOI:
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of the National Fund for Education Development
-
FNDE, no. 02/2020 (BRAZIL, 2020a)
shows.
The s
ituation caused immense concern and suffering to school managers, who were
responsible for mapping these students and getting help to them. The option of taking the food
to the students' homes, without a doubt, proved to be even more painful. Many students
live in
places where public power does not reach and the living conditions are very difficult. The
barricades that the drug traffic sets up in the streets and that had to be removed and put back in
place for the car to reach the students' homes increased
the suffering of the employees,
managers, and volunteers who were willing to deliver the aid. Those families that did not
receive the food at the same time as the others went into despair. It was a sign that hunger was
starting to get to the families, and
the oral and written reports were terrible.
On May 23, 2020, the Public Defender's Office of the State of Rio de Janeiro forced
state and municipal schools to distribute food to all students in their network, through the
delivery of food or vouchers or ti
ckets for direct purchase. From this moment on, the regular
state resources returned to the school's current accounts and the managers were able to count
on all the lunch resources made available to the school in times before the pandemic
.
However, a problem became evident: the daily per capita income per student is very
low. SEEDUC Resolution No. 5722, of February 18, 2019 (Rio de Janeiro, 2019), establishes
the values passed on to part
-
time schools for the purchase of foodstuffs, which is
R$ 0.62. This
value is complemented by the National School Nourishment Program (PNAE in the Portuguese
acronym), as the same Resolution informs. In other words, the resources complement each
other, but were not sufficient for the distribution of complete f
ood baskets for all, complete in
the sense of meeting all the nutritional needs of students.
Resolution no. 06, of May 08, 2020 (PNAE) (BRASIL, 2020b), establishes a daily per
capita value for elementary and high school students in the public basic educat
ion network of
R$ 0.36. Therefore, schools have less than one real per day. So, what was the solution agreed
upon with the courts, in face of the Rio de Janeiro state government's claim of lack of resources
to provide all enrolled students with a complete
basic food basket?
The managers should make a public consultation to the whole community about the
need to receive this food aid. And so
,
the managers proceeded, even with all the limitations of
reaching all the students and families with this survey, for
reasons already mentioned here, and
that include the lack of technology and internet in many locations or even the physical barriers
to reach these families.
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Increasingly the school is called to play several social roles, which takes it away from
its pri
mary function, education. Algebaille (2009, p. 90) talks about school as an "instrument
for the management of poverty", and brings us an important reflection to think about school
historically.
The deepening of a historical form of school in which the "s
chool" far exceeds
the "educational", subordinating it to other purposes, indicates the need to take
the discussion of the relations that produce it, through the reconstitution of
some links that effectively avenged in the new context
-
especially those
be
tween the numerous forms of use of the school
-
becoming the basis of
implementation of "adjustments" that would deepen some features and
problems constitutive of the Brazilian school (ALGEBAILLE, 2009, p. 89
-
90, emphasis added
, our translation
).
Another
aspect that was aggravated during the Covid
-
19 pandemic was that of the
school as an instance of social protection. Children and youth were more vulnerable to violence
in the community and in home life; they often stayed home alone when their parents got j
obs.
Some students became involved in drug trafficking. At school, they could count on the teachers,
coordinators and managers for support, and a safe place to spend some time of their day.
The number of young people who came to the school looking for documents and
declarations to work in poorly paid internships, to supply the needs of their families, also
increased, and was another factor that contributed to the decrease in access to the onl
ine
platform provided by SEEDUC. Especially, the 3rd year high school students, who are the
oldest. The students' testimonies are dramatic. The choice between studying and staying alive
is not a choice, but an imposition for these students.
The need to wo
rk of young people, children of the working class, leads us to insist on
the urgency of implementing public policies that attend to this part of the population. There are
some keys of analysis, particularly for the 20th and 21st centuries, that help us und
erstand the
form of dependent Brazilian development, of an intense expropriation of labor and of the means
of living of the population and of an immense concentration of capital in the hands of a few
business groups in their interconnection with big intern
ational capital. Capitalism, now
developed and globalized all over the world, has its own peculiarities and forms of
development. Like Marini (2000), Santos (2000) and other social scientists, Fernandes (1973)
points out that the type of capitalism that er
upted in Latin America was of the dependent type
:
This model reproduces the forms of appropriation and expropriation inherent
in modern capitalism (at the levels of the circulation of commodities and the
organization of production). But it has an additional specific and typical
component: the accumulation
of capital is institutionalized to promote the
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concomitant expansion of the external and internal hegemonic nuclei (that is,
the central economies and the dominant social sectors
) (FERNANDES, 1973
,
p. 45
, our translation
)
.
Fernandes (1973) goes further i
n his analysis explaining that this model of capitalism
brings with it the appearance of expropriation of the internal sectors by the external sectors, but
he points out that, in fact, the countries with dependent capitalism are subject to a permanent
extr
action of their wealth, but that, in fact, those who really suffer the extraction of wealth are
the great mass of wage
-
earning population. Brazil developed this form of capitalism and did
not break the ties that bound it to the archaic, but rather intensif
ied them.
Shiroma, Moraes and Evangelista (2000, p. 9) explain that, in order to analyze public
policies, it is necessary "[...] to consider not only the dynamics of capital, its intricacies and
articulations, but also the antagonisms and complex social p
rocesses that confront it
”
.
The capital system operates with rigid social controls: with the exception of highly
qualified workers, necessary for the technical and social organization of companies and
financial profitability; minimum wages, enough to guarantee the survival of the lab
or force and
intensification of the exploitation rate; social and digital technologies of manipulation of
interests and ideologies to justify the benefits of capital, in the name of economic development,
especially consumption under the sign of social stat
us; repression and violence against
manifestations of dissent. Mészáros (1987, p. 34
-
35
,
our translation
) analyzes capital's need for
social control: "Now, the fact is that we are faced here with an internal contradiction of a system
of production and cont
rol: a system that cannot avoid increasing expectations, even in the face
of the threat of a complete collapse of its capacity to satisfy them
”
.
The students returned to classes in October 2021, but the social evils that affect, in a
priority way, the
pub
lic
-
school
students, the result of the expropriation that their families suffer
permanently, show themselves once again as open wounds. The concern, at this moment,
focuses on the school dropout rate.
O Globo
, in the Sunday edition of November 7, 2021, sho
ws
the drama experienced by students and families in this return to school, in an article entitled:
"The difficult return to school"; the report shows some stories of students from schools in Rio
de Janeiro. One of them dropped out of school to work and he
lp support his family, another
student got pregnant and, besides dropping out of school, lives without conditions to guarantee
her own sustenance and that of her son, others couldn't even keep up with the online classes,
due to the lack of a cell phone. Th
e article also shows the efforts of teachers and schools to
bring these students back to school, even though they are aware of their harsh living conditions
(GALDO; SCHIMIDT, 2021)
.
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Situations like these, pointed out by the press, reinforce the findings of our research of
immersion in the reality of a public school in the outskirts of the state of Rio de Janeiro. But
they may well highlight the situations experienced by thousands of c
hildren and young people
spread throughout this huge Brazil, and should be considered in the development of public
policies, as well as be part of our efforts as educators for profound changes to be implemented
in the way we live in society
.
Final remark
s
These final considerations seek to highlight the analysis of the main theoretical and
practical issues that we face in our research on school education, in our academic
-
scientific and
professional practice. Its time is the present time, of the emergence
of the Covid
-
19 pandemic
and its consequences in the lives of students and their families, of teachers and managers of a
primary and secondary school, in a neighborhood of the metropolitan region of Rio de Janeiro,
from March 2020 to October 2021. The wor
k was also developed considering the legal
documents and the political directions given by the educational authorities of the state of Rio
de Janeiro, in the context of the national directives.
Our assumption is that the analysis of the present time has the same epistemological
demands as the analysis of past facts. It demands the location in time
-
space of the events, the
explicitness of the documental sources, the subjects involved and the conte
xt of the research
object.
We recognize the rapid and extensive diffusion of Covid
-
19, the acceleration of time by
technologies, the search for solutions for school education by remote teaching, in the face of
the demands of social distance. We live with
the anguish of the unexpected handling of new
methodologies and the students' lack of equipment and living conditions (food, housing,
internet, computers and/or cell phones) to follow the lessons prepared by the teachers.
Helplessness, hunger and technolog
ical deprivation constitute the social totality,
"synthesis of multiple determinations" (MARX, 1977, p. 229), with which social subjects make
history in these difficult times. These are not just words, they are products of a social structure
whose human ne
eds are not met by universalized economic and social policies for work,
employment, and meeting the living needs of the entire population
.
Through participant observation and our insertion in the local school system, we saw
how many children were suddenly left without daily food, with their parents unemployed,
without internet and without digital media to at least continue nourishing their ph
ysical bodies
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and their cognitive development. In this context, the school is increasingly called to play various
social roles, which takes it away from its primary function, education.
These facts of daily school life are not acceptable in the face of wo
rsening social
inequalities, of the growing polarization that guides the global structure of the capitalist system,
in which the interests of the market and the financialization of the economy prevail. Add to this
our situation as a country dependent on th
e developed countries, which are articulated with the
interests of the national elites, as Marini (2000), Fernandes (1973), and others have shown.
Given the contradictions between what children and youth need and what the education
systems offer them, wit
h the aggravating social and economic restrictions of these pandemic
days, it is worth remembering Gramsci's (2011) concept of the unitary school: that the function
of the State is to fully assume the expenses with education that are borne by the family an
d
weigh on the families of low
-
income workers. It is only with public education that one can offer
a quality education to all, regardless of the social classes to which they belong
.
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