RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751 1
A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E A REFLEXÃO COMO ALICERCES PARA
UMA PRÁTICA DE ENSINO SATISFATÓRIA
LA INVESTIGACIÓN CIENTÍFICA Y LA REFLEXIÓN COMO BASES PARA UNA
PRÁCTICA DOCENTE SATISFACTORIA
SCIENTIFIC RESEARCH AND REFLECTION AS BASIS FOR A SATISFACTORY
TEACHING PRACTICE
Messias DIEB1
e-mail: mhdieb@gmail.com
Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA2
e-mail: ivanilobezerra@yahoo.com.br
Como referenciar este artigo:
DIEB, M.; OLIVEIRA, A. I. B. A investigação científica e a
reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória.
Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara,
v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751.
| Submetido em: 07/05/2022
| Revisões requeridas em: 23/05/2022
| Aprovado em: 07/10/2022
| Publicado em: 01/01/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
EditorAdjunto Executivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Professor no Programa de Pós-Graduação em
Educação da Faced /UFC. Pós-doutorado em Educação pela Universidade da Califórnia Estados Unidos (UCSB).
2
Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Doutorando em Educação pela Faced/UFC.
Professor na Rede Municipal de Ensino de Fortaleza CE.
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751 2
RESUMO: Neste texto, propomo-nos a discutir os elementos que podem tornar uma prática de
ensino satisfatória à aprendizagem dos(as) estudantes, tomando como base a relação entre a
pesquisa científica e a formação. O trabalho, no percurso de uma pesquisa de doutorado em
Educação, foi desenvolvido na participação em uma disciplina do terceiro semestre do Curso
de Licenciatura em Pedagogia de uma instituição pública de ensino superior, onde realizamos
entrevistas semiestruturadas com 6 (seis) estudantes matriculados. A análise textual discursiva
dos dados mostrou que os responsáveis pela formação, ao inserirem a problematização e a
reflexão acerca de fatos da realidade educacional, por meio da investigação científica,
contribuem significativamente para uma nova postura diante do conhecimento, a qual tende a
superar a observação simplória, bem como a participação mecânica na sala de aula e a ideia de
um ensino puramente tarefeiro.
PALAVRAS-CHAVE: Pesquisa. Saberes docentes. Teoria e prática. Reflexão.
RESUMEN: En este artículo, discutimos algunos elementos que pueden hacer que una
práctica docente sea satisfactoria para el aprendizaje, considerando la relación entre la
investigación científica y la formación. El estudio se desarrolló durante un doctorado en
Educación, a partir de nuestra participación en clases para estudiantes del tercer semestre de
una Licenciatura en Pedagogía de una universidad pública brasileña, donde realizamos
entrevistas semiestructuradas con 6 (seis) de esos estudiantes. El análisis textual discursivo de
los datos mostró que cuando los formadores de docentes, al insertar la problematización y la
reflexión sobre acontecimientos de la experiencia educativa, a través de la investigación
científica, contribuyen, significativamente, a una nueva actitud ante el conocimiento, que tiende
a superar la observación inexperta, así como la participación mecánica en la clase y la idea
de una enseñanza meramente orientada a la tarea.
PALABRAS CLAVE: Pesquisa. Saberes de los docentes. Teoría y práctica. Reflexión.
ABSTRACT: In this paper, we discuss some elements that can make a teaching practice
satisfactory for learning, considering the relationship between scientific research and teacher
education. The study was developed during a PhD in Education, from our participation in
classes for students of the third semester of an undergraduate degree in Education (Licensure)
at a Brazilian public university, where we conducted semi-structured interviews with 6 (six) of
those students. The discursive textual analysis of the data showed that when teacher trainers,
by inserting the problematization and reflection on facts of the educational experience, through
scientific investigation, contribute, significantly, to a new attitude before knowledge, which
tends to overcome the simple-mindedness observation, as well as the mechanical participation
in the classroom and the idea of an only task-oriented teaching.
KEYWORDS: Research. Teachers’ Knowledge. Theory and Practice. Reflection.
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introdução
Ao refletirmos sobre os desafios inerentes à docência universitária e à formação inicial
de professores, bem como ao lugar que cabe à Didática nesse contexto, dificilmente deixamos
de nos questionar: que elementos tendem a melhor subsidiar a prática de ensino e a promover
uma aprendizagem satisfatória e significativa entre os (as) estudantes? Como uma possível
resposta a essa pergunta, a tese que nos guia, neste texto, é a de que a atividade de pesquisa
congrega vários elementos imprescindíveis a essa aprendizagem, contribuindo
indubitavelmente para a formação de futuros professores. Entre tais elementos, podemos citar
a inovação e a criatividade que orientam a busca por novos conhecimentos, auxiliando-os na
atribuição de sentido à aprendizagem da profissão docente. Nessa perspectiva, insinuamos que
se trata do próprio sentido atribuído ao ato de ensinar e aos saberes constituintes do ofício
docente, que possam permitir ao professor realizar, de modo mais producente, sua ação
instrucional e educativa.
Com base na questão exibida no parágrafo anterior, produzimos este texto a partir de
reflexões propiciadas pela participação do segundo autor nas disciplinas Didática do Ensino
Superior e Estágio de Docência; ambas do Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação
em Educação de uma instituição pública de ensino superior (IPES). O estágio, entretanto, foi
desenvolvido no curso de Licenciatura em Pedagogia da referida instituição, sob a supervisão
do primeiro autor, o qual, no ano de 2019, ministrava a disciplina “Pesquisa Educacional I”
para estudantes do terceiro semestre. Com o uso de entrevistas semiestruturadas, o objetivo que
aqui perseguimos foi discutir os elementos que podem tornar uma prática de ensino satisfatória
à aprendizagem dos(as) estudantes, tomando como base a relação entre a pesquisa e a formação
de professores.
Nesse percurso, recorremos incialmente às pertinentes, e amplamente aceitas,
considerações de Libâneo (1994), Tardif (2011), Pimenta (1999) e Pimenta e Lima (2019),
acerca da atuação do professor em sala de aula e do processo de constituição de seus saberes.
Acrescentamos ao debate com esses autores os postulados de Charlot (2000, 2013), para quem
esse processo está, incontestável e indissociavelmente, conexo à mobilização dos(as) estudantes
em relação ao ato de aprender. Por ser a Didática o principal ramo de estudos da Pedagogia
(LIBÂNEO, 1994), essas escolhas teóricas se justificam devido ao fato de que o ato de ensinar
implica “[...] mobilizar uma ampla variedade de saberes, reutilizando-os no trabalho para
adaptá-los e transformá-los pelo e para o trabalho”, conforme tem sido declarado por Tardif
(2011, p. 21) e será melhor discutido já na seção a seguir.
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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A contribuição da Didática para a compreensão do sentido no ato de ensinar
e dos saberes docentes
Para Libâneo (1994, p. 25), a Didática se configura como o principal ramo de estudos
da Pedagogia porque “[...] ela investiga os fundamentos, as condições e os modos de realização
da instrução e do ensino”. Nesse sentido, para o autor, a Didática tem se preocupado em
estabelecer “o quê” e o “como” ensinar, tentando, ao longo do tempo, responder às necessidades
que se colocam ao ensino, tomando por base o contexto social em que estão inseridos os seus
principais atores: professores e estudantes. É por meio desse movimento de elucidação dos
aspectos supracitados que apareceram, no percurso histórico dessa área de conhecimento, a
classificação de algumas tendências pedagógicas
3
que se encontram divididas em dois grandes
grupos: o da pedagogia liberal e o da pedagogia progressista (LIBÂNEO, 1994). Elas refletem,
de modo mais analítico, as formas de processamento do ensino, considerando que cada uma
delas possui fundamentos e características que lhes são intrínsecos.
As tendências pedagógicas do grupo da Pedagogia Progressista, com as quais nos
afinamos, consideram que a educação é um ato político (FREIRE, 1991) e, sem dúvidas,
defendem que tal ato jamais pode estar desconectado do contexto em que ele se desenvolve.
Nessa direção, compreendemos que o ato educativo se configura como uma prática social que
precisa levar em conta os anseios de seus envolvidos, os quais, em articulação, devem pensar
em um projeto de transformação de suas realidades pessoais e sociais. Assim sendo, a Didática,
com base nessas tendências, passa a se constituir na coerência entre o referido projeto de
transformação e a experiência de sala de aula construída pelos professores e seus estudantes.
Dito de outra forma: é no espaço da sala de aula (não se limitando ao espaço físico) que
esses atores devem pensar os problemas da vida prática e buscar suas soluções, efetivando,
desse modo, uma educação contextualizada e impregnada de sentido. Isso se justifica porque a
Didática e a prática de ensino funcionam como mediadoras tanto para a ação formativa dos
estudantes, que podem vir a ser futuros professores, como para o trabalho do professor que
está em pleno exercício. Nessa perspectiva, Charlot (2000, 2013) sugere que é a experiência o
que nos permite atribuir sentido a qualquer atividade humana, incluindo o ato de ensinar e de
aprender. Assim sendo, o ato de educar implica a transformação de saberes e não apenas a sua
transmissão.
3
Para o conhecimento dessas tendências pedagógicas, recomendamos a leitura do texto: Tendências pedagógicas
na prática escolar, de José Carlos Libâneo, que está contido na obra de Luckesi (1994).
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Sobre essa questão, tal como Larrosa e Kohan (2016, p. 05), defendemos que a educação
é praticada “[...] para transformar o que sabemos, não para transmitir o já sabido”. Uma vez que
o sentido atribuído ao ato de ensinar assume seus “contornos” na transformação do que
sabemos, pensar a Didática, e nossa atuação como docentes, demanda-nos projetos educativos
nos quais se articulam “teoria e prática, escola e sociedade, conteúdo e forma, técnica e política,
ensino e pesquisa; [o que demanda considerar] uma didática que concebe os professores como
sujeitos que aprendem uma profissão e se fazem profissionais na medida em que aprendem
ensinando” (FARIAS; SALES; BRAGA; FRANÇA, 2011, p. 17). De igual modo, faz-se
necessário pensar na formação de professores como um momento-chave de sua socialização e
de sua configuração profissional docente, por meio do qual se deve efetivar um processo
didático em que o conhecimento seja contextualizado com sua vida pessoal e social, e a relação
entre eles e seus formadores se de forma dialógica e respeitosa (NÓVOA, 1995). Portanto,
trata-se de um processo de inserção no espaço cultural e social da docência para que os
estudantes alcancem a compreensão acerca de quais são os elementos que intervêm na prática
de ensino.
Nessa perspectiva, qualquer que seja a ação docente, prevista e executada, esta precisa
levar em consideração a trajetória de vida dos(as) estudantes, os seus conhecimentos prévios e
as condições materiais por meio das quais se processam as atividades de ensino e de
aprendizagem. Dessa forma, devemos sempre pensar ações formativas preocupadas em
habilitar professores reais para situações de ensino reais, nas quais prevaleçam as expectativas
de transformação pessoal e social tanto de quem forma como de quem é formado. É nessa
direção que a atividade de pesquisa assume um papel formativo relevante na medida em que o
futuro docente aprofunda o conhecimento sobre a prática [...] deixando de ser um simples
executor e passando a ser considerado um profissional investigador e conceptor” (PEREZ,
1999, p. 274). Afinal, a formação demanda ações que encarem a docência como “uma atividade
profissional complexa, pois requer saberes diversificados. Isso significa [então,] que os saberes
que dão sustentação à docência exigem uma formação profissional numa perspectiva teórica e
prática.” (VEIGA, 2009, p. 20).
Ainda sobre essa questão, aprendemos com Tardif (2011) que os saberes docentes são
construções no campo da subjetividade e, por isso, estão relacionados com a pessoa do
professor, com sua experiência, com a relação com seus pares e, especialmente, com os
estudantes. Destarte, são formações plurais, constituídas a partir de conhecimentos oriundos da
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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formação profissional, dos vários campos disciplinares, dos acomodamentos curriculares e das
situações que foram por ele experienciadas. Para o referido autor,
[...] em seu trabalho, um professor se serve de sua cultura pessoal, que provém
de sua história de vida e de sua cultura escolar anterior; ele também se apoia
em certos conhecimentos disciplinares adquiridos na universidade, assim
como em certos conhecimentos didáticos e pedagógicos oriundos de sua
formação profissional; ele se apoia também naquilo que podemos chamar de
conhecimentos curriculares veiculados pelos programas, guias e manuais
escolares; ele se baseia em seu próprio saber ligado à experiência de trabalho,
na experiência de certos professores e em tradições peculiares ao ofício do
professor (TARDIF, 2011, p. 262-263).
Por todos esses motivos, os saberes docentes são, ao mesmo tempo, considerados
singulares e sociais, pois também recebem influências externas, tais como da família, do local
de trabalho e das muitas relações e experiências que os professores tiveram como estudantes ao
longo de suas trajetórias escolares.
Nessas trajetórias, os sujeitos elaboram crenças e representações sobre “o quê” e o
“como” ensinar, antes mesmo de sua entrada no ofício da docência, e as carregam consigo,
constituindo-se, em grande parte, uma base para a construção de seus saberes profissionais.
Sobre tais elementos, Campos (2013, p. 43) afirma que essas crenças e representações “[...] são
de caráter pessoal, emocional e se articulam como um sistema hierárquico de filtragem sobre o
que é verdadeiro no ensinar e no aprender e se consolidam com o tempo, na medida em que as
experiências se cristalizam de forma exitosas”. Campos (2013) afirma ainda que é muito difícil
alterar esse sistema de crenças dos professores, pois, na maioria das vezes, ele se constitui por
meio do espelhamento com a prática de antigos mestres, dos quais foram estudantes em épocas
anteriores, e se torna cristalizado como sendo, às vezes, o seu ponto de referência primordial.
Nesse sentido, adicionamos às ideias de Campos (2013) um elemento problematizador:
e se os professores que servem de referência aos novos docentes estiverem fundamentados em
tendências pedagógicas ultrapassadas e alheias ao contexto social em que os últimos estão
inseridos? Esse anacronismo pode, então, trazer alguns problemas em seus cotidianos
profissionais, porque se constitui de um repertório de modelos de atuação docente que não mais
condiz nem corresponde às atuais demandas sociais e políticas. Isso pode ocorrer, outrossim,
tanto no que diz respeito às relações entre estudante e professor como em relação ao tratamento
do conteúdo, para o qual se espera o emprego de metodologias de ensino mais participativas e
socialmente comprometidas, como é o caso da formação pautada em pesquisa (DEMO, 2010).
Com base nesses aspectos, é mister a concordância com Tardif (2011, p. 61) quanto à
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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complexidade em torno dos saberes do campo profissional docente, visto que eles são
construídos de modo plural, compósito e heterogêneo, trazendo [...] à tona, no próprio
exercício do trabalho, conhecimentos e manifestações do saber-fazer e do saber-ser bastante
diversificados e provenientes de fontes variadas, os quais podemos supor também que sejam de
natureza diferente”.
Ao aprofundar essa ideia, e ao definir sua tipologia de fontes de onde se originam os
saberes docentes, Tardif (2011) afirma que o saber dos professores não é constituído
exclusivamente dos saberes transmitidos pelas ciências da educação na formação profissional.
Eles também recebem influências dos saberes pedagógicos, que são entendidos, pelo autor,
como “doutrinas ou concepções provenientes de reflexões sobre a prática educativa no sentido
amplo do termo [...] e que fornecem, por um lado, um arcabouço ideológico à profissão e, por
outro, algumas formas de saber-fazer e algumas técnicas” (TARDIF, 2011, p. 37).
os saberes disciplinares, na visão do autor, são constituídos pelos diversos campos do
conhecimento humano que se encontram integrados na forma de disciplinas. Esses saberes
emergem da tradição cultural e dos grupos sociais produtores de saberes, o sendo produzidos
pelos professores, mas são por eles mobilizados na ação de ensinar. Em adendo, os saberes
curriculares correspondem “[...] aos discursos, objetivos, conteúdos e métodos a partir dos quais
a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais definidos e selecionados como
modelos à cultura erudita e de formação para a cultura erudita” (TARDIF, 2011, p. 38). Em
outras palavras, são os saberes que se apresentam na forma de programas de ensino, por meio
de objetivos, conteúdos e métodos que o professor deve apreender e mobilizar na função
docente. Por fim, existem os saberes experienciais, os quais advêm da experiência individual e
coletiva como algo prático e por ela são validados e partilhados com os pares no decorrer da
profissão. Eles não provêm, portanto, das instituições de formação nem tampouco dos
currículos, pois se manifestam sob a forma de um habitus
4
e de habilidades que envolvem tanto
o saber-fazer quanto o saber-ser (TARDIF, 2011).
Representando uma trama complexa, os saberes da experiência são, nas palavras de
Therrien (1995, p. 01), resultantes da “transformação na práxis dos diversos saberes instituídos
(curriculares, disciplinares e de formação profissional), bem como de saberes da prática social
e da cultura”. São eles que definem a profissionalidade docente e elevam o professor ao status
4
A teoria do habitus de Bourdieu o define como um sistema de disposições duráveis e transponíveis que,
integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de
apreciações e de ações” (BOURDIEU, 1983, p. 65, grifo do autor).
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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de profissional. Nessa mesma perspectiva, para Nunes (2001), os saberes da experiência se
configuram, em suma, como o saber original dos docentes, no sentido de integrar a sua
identidade e de se constituir como elemento fundamental em suas práticas e decisões
pedagógicas. Sintetizando essa discussão, podemos dizer, portanto, que o “professor ideal
seria aquele que conhece sua matéria, sua disciplina e seu programa, que possui certos
conhecimentos referentes às Ciências da Educação e à Pedagogia e que desenvolve um saber
prático, baseado essencialmente na experiência cotidiana com os(as) estudantes (TARDIF,
2011).
Em complemento, as reflexões de Charlot (2000, 2013), acerca da situação didática,
apontam para o fato de que o sujeito aprendiz se envolve e/ou desenvolve uma atividade
intelectual se antes ele se mobilizar em relação a esta. No entanto, para que ele se mobilize, a
situação vivenciada, na qual a atividade está implicada, deve lhe produzir um sentido, ou seja,
deve despertar nesse sujeito um desejo de se mobilizar e uma vontade de aprender. Portanto,
podemos inferir que são os saberes da experiência (TARDIF, 2011) que provavelmente tendem
a melhor auxiliar o professor quanto à percepção da maneira mais adequada de levar seus (suas)
estudantes a se mobilizarem para o engajamento em uma atividade intelectual.
Essa reflexão é igualmente válida para a situação didática em que nos encontramos: a
formação de futuros professores, na qual eles estão aprendendo os conteúdos de sua profissão.
Mas, o que seria o “sentido” nessa perspectiva? Sendo a atividade compreendida como um
desafio intelectual que se apresenta para o sujeito, o sentido, para Charlot (2000, 2013),
transcende o significado imediato que um sujeito constrói em relação a alguma coisa, passando
a implicar, por sua vez, um valor, uma importância que essa coisa assume em sua vida. Assim,
ao sentir a necessidade de apreender alguma atividade, ou seja, de dominá-la, o sujeito se
envolve porque deseja se construir como alguém que sabe exercer tal atividade no mundo. Isto
implica uma dinâmica que lhe é interna e que lhe permite conhecer sobre algo, correspondendo
ao que Charlot (2000, 2013) define como mobilização, distinguindo-a do processo de
motivação. Mesmo que reconheça diferenças entre os dois conceitos, o referido autor diz que
eles acabam se encontrando, pois se é verdade que alguém se mobiliza para atingir um
determinado objetivo que o motive a fazer algo, também o é que as pessoas são motivadas por
alguma coisa que lhes pode mobilizar. Logo, para aprender, é imprescindível que o indivíduo
se mobilize, isto é, invista em uma atividade fazendo uso de si mesmo como um recurso que
foi impulsionado por um desejo, um sentido e um valor.
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Tais aspectos são válidos tanto para a atividade de ensino como para a de aprendizagem.
Por isso, a relação pedagógica tende a ser mais producente quando o professor encontra sentido
no que ensina e o estudante no que tem para aprender. Assim sendo, podemos localizar na
proposição de Veiga (2009) a corroboração acerca dessas ideias quando a pesquisadora afirma
que se faz necessária uma formação profissional em uma perspectiva teórica e prática para a
construção de saberes de sustentação à docência. Em outros termos, isto implica dizer que os
conhecimentos teóricos devem se apresentar aos(às) formandos(as) como elementos carregados
de sentido, ou seja, de um valor subjetivo, uma vez que passam a integrar a experiência
cotidiana desses sujeitos e com eles estabelecem também uma relação com características
práticas (CHARLOT, 2000, 2013).
Mediante tal constatação, consideramos que tenha sido isso o que provavelmente
aconteceu na didática empreendida durante as aulas na disciplina “Pesquisa Educacional I”:
elas representaram uma oportunidade de formação de professores nos moldes traçados por
Veiga (2009), articulados no interior de uma atividade de pesquisa. Isso se justifica porque
todos os elementos que compõem o planejamento de ensino foram articulados, durante a citada
disciplina, visando alcançar, ao longo do exercício de investigação, a relação teoria e prática,
conforme veremos a seguir.
Passaremos, a partir deste momento, então, a analisar o modo como essas reflexões
foram sendo elaboradas no transcorrer da atividade docente aqui exposta.
A construção de sentidos para o ensinar e o aprender na vivência em sala de
aula
Para Pimenta e Lima (2019), a Didática enquanto campo epistemológico, ou seja, de
construção de saberes sobre a docência e a prática de ensino, não pode prescindir da reflexão e
da pesquisa. Nessa perspectiva, Pimenta e Lima compreendem a experiência de estágio também
como um campo de pesquisa, e que pode contribuir enormemente para a construção da
identidade profissional do professor. Por esta razão, é por meio do estágio que os professores,
tanto os que estão em processo de formação como os que atuam como formadores, vão acessar
elementos significativos para a compreensão e o aprofundamento teórico e prático em relação
ao conhecimento pedagógico e à práxis educativa docente, em especial, segundo Pimenta e
Lima, quando está vinculado às instituições públicas. Isso se justifica porque, em ampla escala,
os problemas educacionais se apresentam de modo ainda mais proeminentes na esfera pública,
o que exige um engajamento reflexivo ainda maior.
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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Com base nessa realidade, Pimenta e Lima (2019) sugerem que o professor formador
deve se configurar como um profissional crítico-reflexivo e, acima de tudo, um pesquisador de
suas práxis e da práxis educativa que são realizadas em seu ambiente de trabalho. Tomando
essa perspectiva como suporte teórico, faz-se necessário explicitar que a ação docente aqui
analisada não se configura como um estágio enquanto componente curricular dos cursos de
licenciatura, mas como uma experiência formativa demandada por um curso de pós-graduação
em educação stricto sensu, no qual se encontra em desenvolvimento profissional tanto o
pesquisador em educação como o docente, continuando sua formação inicial, agora em um nível
mais elevado. Trata-se, portanto, de uma disciplina, na referida pós-graduação, chamada
Estágio de Docência, a qual proporciona que o s-graduando, seja em nível de mestrado ou
doutorado, vivencie uma experiência docente em alguma turma de graduação em Pedagogia.
A reflexão aqui empreendida se deu na turma de terceiro semestre de Pedagogia da
Faculdade de Educação de uma IPES. A disciplina cursada por aquela turma, no primeiro
semestre de 2019, era “Pesquisa Educacional I”, cuja ementa expressa como objetivos: “a)
desenvolver o espírito científico; b) apresentar os principais tipos de pesquisa; c) desenvolver
a capacidade para a leitura de textos e relatórios científicos; e d) exercitar o estudante na
elaboração e realização de uma pesquisa”. Para o alcance desses objetivos, buscamos
desenvolver uma metodologia de ensino que integrasse as discussões teóricas acerca da
atividade de pesquisa científica ao seu conteúdo prático, relacionando-as especialmente ao
saber-fazer-pesquisa.
A ênfase na aprendizagem da pesquisa em um curso de Pedagogia se justifica na medida
em que essa atividade, ao lado da docência e da gestão educacional, compõe as dimensões da
formação do pedagogo: ser um cientista no campo da Educação e um investigador dos
fenômenos e problemas que dizem respeito ao fazer pedagógico. Assim, no início das
atividades, foi realizada pelos professores (titular e estagiário) a exposição dialogada de
conceitos-chave da pesquisa científica, além das características principais dessa atividade nas
Ciências Sociais até chegar à pesquisa educacional, interesse central da disciplina. Por meio
dessa metodologia, os(as) estudantes tiveram a oportunidade de confrontar seus conhecimentos
prévios acerca da temática, por meio do diálogo e das intervenções durante a exposição dos
conteúdos. Também se fez necessária a apresentação dos principais gêneros de escrita científica
vivenciados no meio acadêmico e suas características, com destaque para o gênero artigo
científico, o qual seria produzido por eles no final do primeiro semestre de 2019.
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Após os encontros iniciais dedicados à exposição teórica dialogada, a turma, formada
por 46 (quarenta e seis) estudantes, foi dividida em 08 (oito) grupos. A cada um desses grupos
foi solicitado que planejassem um seminário de 4h/a cujo objetivo era apresentar, para toda a
classe, um determinado tema ligado à atividade da pesquisa científica. Os temas dos seminários
foram selecionados de modo encadeado, a fim de que os (as) estudantes pudessem compreender
a complexidade dessa prática acadêmica e científica. Foram eles: 1) Ciência e processo de
construção do conhecimento científico; 2) A importância da escrita para a formação do
pesquisador; 3) Características e finalidades da pesquisa na área das Ciências Humanas e
Sociais; 4) Características e finalidades da pesquisa na área da Educação; 5) Métodos de
Construção e Análise de Dados Qualitativos no campo da Educação; 6) A etnografia, o estudo
de caso e o estudo de caso etnográfico; 7) Pesquisa autobiográfica e Pesquisa Colaborativa; 8)
Pesquisa participante e Pesquisa-Ação. Para subsidiar a realização dos seminários, os
professores (o responsável pela disciplina e o estagiário) se colocaram como membros-natos
em todos os grupos, informando aos (às) estudantes que dariam suas contribuições durante a
exposição dialogada.
Os professores também forneceram textos de referência acerca dos temas e um roteiro
norteador (plano de aula) para a sistematização da apresentação dos referidos seminários. Em
paralelo, ao longo dos meses do semestre, os membros de cada equipe deveriam pensar em um
problema concreto do universo educacional de seu entorno para que fosse realizada uma
pesquisa científica sobre ele e, posteriormente, a escrita do relatório desta pesquisa na forma de
um artigo científico. Todas essas atividades foram feitas de modo coletivo devido aos aspectos
operacionais, em especial de orientação e de acompanhamento das produções escritas, haja vista
a impossibilidade de se fazer isso de modo singularizado. É importante ressaltar que, nessas
atividades, os(as) estudantes foram acompanhados pelo professor responsável pela disciplina e
o estagiário, os quais lhes davam todos os feedbacks necessários para a consolidação das
aprendizagens esperadas. Ao final da disciplina, no formato de apresentação de comunicação
oral em eventos acadêmicos, todos os artigos foram expostos com os resultados das pesquisas.
Ao refletirmos sobre as atividades realizadas, recordamos as ideias de Fischer (2009),
que, ao analisar as dimensões sobre as quais efetivamente se processam o ensino e a
aprendizagem na universidade, indaga: como pode existir crescimento dos (as) estudantes se a
eles (elas) forem proporcionadas atividades que os limitem a ouvir e ver, ver e ouvir e depois
reproduzir? Para essa pesquisadora, “[...] uma das principais razões da prática docente na
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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universidade seria fazer pensar, buscar soluções para novos problemas, descobrir alternativas
originais diante dos enfrentamentos teóricos e práticos” (FISCHER, 2009, p. 311).
Nesse sentido, a formação vivenciada na disciplina em questão possibilitou o
entendimento aludido pela pesquisadora, uma vez que não apenas aqueles(as) estudantes, como
futuros pedagogos/professores em processo de formação inicial, e também o estagiário que
acompanhou as atividades, estiveram diante de enfrentamentos teóricos e práticos suscitados
pela área da Educação enquanto campo de atuação e de produção de saberes. Contudo, para
avançarmos um pouco mais nessas reflexões, consideramos que seria necessário ouvirmos as
opiniões dos(as) próprios(as) estudantes acerca do modo como as atividades vivenciadas na
disciplina estariam impactando a sua formação e/ou fazendo sentido para eles (elas). Na
condição de estagiário e de professor-orientador, pensávamos que a compreensão acerca de
alguns aspectos emergentes desses feedbacks tornaria a experiência docente mais significativa
em termos formativos e profissionais para todos(as) os(as) atores sociais envolvidos(as).
No que tange ao aspecto metodológico, para acessarmos tais opiniões, realizamos, para
além das observações de praxe, uma entrevista semiestruturada com os(as) estudantes.
Objetivávamos conhecer os aspectos, dentre aqueles vivenciados na disciplina cursada, que
seriam destacados pelos(as) estudantes como sendo relevantes para sua formação como
professor/pedagogo, considerando, inclusive, a proposta metodológica desenvolvida pelos
professores da disciplina e os elementos que tornaram a sua aprendizagem mais satisfatória e
significativa. próximo ao final das atividades do semestre, fizemos o convite à turma e 6
(seis) estudantes (2 do gênero masculino e 4 do gênero feminino) se manifestaram pronta e
voluntariamente para participar das entrevistas, as quais foram realizadas em momentos
combinados com eles devido à escassez de tempo disponível.
Vale ressaltar que, seguindo os procedimentos éticos da pesquisa com seres humanos,
todos os estudantes participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), por ocasião da construção de dados que resultou no presente texto. No referido TCLE,
enfatizamos os objetivos do estudo e as garantias de não divulgação de suas identidades.
Portanto, como acordado, todos os nomes aqui apresentados são fictícios, para resguardar o
anonimato em relação aos estudantes.
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Aspectos relevantes destacados pelos estudantes
Após a transcrição das entrevistas, fizemos um exercício de análise textual discursiva,
a qual pode ser descrita como um processo de unitarização de textos com seus respectivos
conjuntos de significados (MORAES, 2003). Isso se justifica porque, nesta perspectiva de
análise, os textos são divididos em unidades de significação, as quais também podem funcionar
como fontes geradoras de outros conjuntos de unidades emergentes da relação entre a
interlocução empírica, a interlocução teórica e as interpretações que são realizadas pelo
pesquisador. Na sequência dessa unitarização, procedemos à articulação entre os significados
semelhantes, cujo processo é denominado de categorização, paralelamente à substituição dos
nomes dos(as) estudantes por nomes fictícios. Assim sendo, do conjunto dos dados construídos
por meio das entrevistas, emergiram três categorias de aspectos relevantes que foram pontuadas
pelos(as) estudantes como sendo significativas quanto ao modo como as atividades vivenciadas
na disciplina impactaram sua aprendizagem e, consequentemente, sua formação: 1) Articulação
entre teoria e prática na formação de um professor-pesquisador; 2) Aprendizagem em contextos
coletivos; e 3) Acompanhamento docente como suporte para a aprendizagem.
No que concerne ao primeiro aspecto (articulação entre teoria e prática na formação do
professor-pesquisador), todos os entrevistados relataram que a realização da disciplina lhes
possibilitou a percepção de que a formação do professor/pedagogo também passa pelos
processos que lhe capacitam para a pesquisa. Apresentamos aqui um recorte dos enunciados de
dois sujeitos.
A meu ver, a disciplina de pesquisa educacional foi de grande relevância para
minha formação como pedagogo, porque leva o acadêmico de Pedagogia a ir
além das competências teóricas que são vistas na sala de aula da
universidade. Quando saímos para o campo, como pesquisadores, foi possível
transitar por diversos ambientes e nos relacionarmos com sujeitos de
diferentes contextos sociais. Isso é muito enriquecedor, pois permitiu a
aquisição de um conhecimento de mundo, além de novos conhecimentos
adquiridos com o resultado da pesquisa. Esses novos conhecimentos nos
ajudarão a atuar com mais propriedade, quando formados, na sala de aula
ou em outros setores de atuação como pedagogo (Josenira).
Quando eu me matriculei na disciplina, eu imaginei que eu iria ver muito de
métodos, formatos da escrita, escrita científica essas coisas. que o
professor e você [referindo-se ao estagiário], quando apostaram em abordar
a pesquisa em Educação, promovendo um espaço para a pesquisa, para a
reflexão e a discussão em sala, me despertaram a importância, que eu tinha
uma noção, mas que, a partir dessa disciplina, ela foi trazida à tona: é a ideia
do professor-pesquisador (Adrezza).
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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Diante desses relatos e do aporte teórico trazido nesta escrita, vimos que o processo de
produção de saberes dos futuros professores precisa realmente ser não apenas diversificado,
mas essencialmente conectado às realidades institucionais da escola e de seu entorno. Tendo a
escola como o principal campo de reflexão para esses sujeitos, vimos o quanto os futuros
professores avançaram na compreensão de uma formação que não dissocie a teórica da prática
(VEIGA, 2009). Por esse motivo, na opinião de 04 (quatro) dos entrevistados, a formação não
deve ser dicotômica, pois as atividades de ensino e de pesquisa ganham muito quando
caminham juntas, conforme excerto aqui apresentado por André.
Na minha opinião, o principal aspecto que eu colocaria como relevante foi o
de que ser professor, pra mim, pressupõe que seja necessário pesquisar
constante e sistematicamente sobre a sua própria prática, né? Você não pode
simplesmente parar sua formação em decorrência do recebimento de um
diploma e achar que, com aquilo, você tem autoridade e, ali, não precisa se
aperfeiçoar mais (André).
Os(as) estudantes relataram que não apenas é possível, mas também desejável e muito
proveitosa uma formação de professores que os habilite para ser pesquisador de sua própria
prática. Como pudemos perceber, os(as) estudantes, ainda em processo de formação inicial,
se dão conta de que, na aprendizagem da docência, é preciso pensar sobre situações concretas
do dia a dia, nas quais haverá sempre uma expectativa de transformação pessoal e social. Nesse
sentido, a compreensão acerca da importância da pesquisa se faz ainda mais notória, inclusive
para nós que estávamos conduzindo os conteúdos e orientando-os nessa atividade, segundo
relato de Yasmin.
Um dos aspectos fundamentais da disciplina “Pesquisa Educacional I” foi na
formação da identidade do pedagogo como um pesquisador da área da
Educação. Particularmente, eu nem sabia que a pesquisa era uma área de
possível atuação como pedagoga; e hoje, me vejo encantada, enxergo a
pesquisa educacional como um instrumento de transformação social
(Yasmim).
Analisando esses trechos, a fala da estudante nos autoriza a dizer que trazer a realidade
de seu contexto social para a sala de aula na faculdade, para que seja discutida e refletida, é de
extrema relevância, pois permite a construção de conhecimentos que vão além de competências
teóricas. Nessa perspectiva, tais competências tendem a ser utilizadas pelos(as) próprios(as)
estudantes como elemento de formação, remetendo-nos à aposta de Tardif (2011) quando
sugere uma epistemologia da prática de sala de aula, a qual é igualmente referendada por autores
como Pimenta e Lima (2019). Sobre isso, assim se expressa uma das estudantes entrevistadas:
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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A disciplina é densa, porém, foi aplicada com maestria pelos professores. Na organização dos
seminários, pudemos aprender para ensinar, construir junto esse conhecimento, o que foi uma
experiência bem prazerosa (Yasmim).
Com efeito, a aprendizagem sobre o que é ser professor deve ser construída da mesma
maneira que a aprendizagem sobre o fazer-ciência, isto é, na coletividade, sempre impregnada
de dúvidas, de perguntas e da complexidade do real. Afinal, “o conhecimento científico,
enquanto prática coletiva, é resultante de uma articulação complexa [...] de relações possíveis”
(REIS; FROTA, 2012, p. 73). Trata-se de uma formação, portanto, que tenha como base a
reflexão e não o achismo do senso comum e suas certezas, a partir das quais caberia aos(às)
estudantes apenas a simples tarefa de reproduzir modelos.
No que diz respeito à aprendizagem em contextos coletivos, que é o segundo aspecto
destacado pelos(as) estudantes, três dos entrevistados enfatizaram a importância do trabalho em
equipe na realização das atividades da disciplina. Para eles, foram aprendizagens extremamente
importantes, destacando: a organização dos seminários para apresentar à turma um determinado
tipo de pesquisa; a escolha de um problema a ser pesquisado; a seleção dos métodos e técnicas
adequados para investigar o problema escolhido e, por fim, a escrita coletiva do artigo e sua
posterior socialização no formato de apresentação de comunicação oral em eventos científicos,
segundo destacam os estudantes:
Começamos a disciplina sendo informados de que o resultado seria um
artigo produzido em grupo. Isso incentiva o estudante a pesquisar, pois sabe
que apresentará um produto de suas atividades para toda a turma no final do
semestre; e por ser em grupo, de certa forma facilita a elaboração do artigo,
pois é um exercício cansativo, longo e complexo, quando realizado sozinho.
E isso estimula o trabalho em equipe, que é um aspecto essencial para o
pedagogo, pois, na escola, ele trabalhará com outros professores em projetos
temáticos, projetos político-pedagógicos, projetos de inclusão, dentre outros.
Assim, necessita desenvolver a empatia, paciência, resiliência, perseverança,
diálogo, respeito e oralidade (Ian).
Essa parte também foi muito difícil e formativa: procurar uma questão que
agradasse todo mundo, entrar em um acordo quanto à execução do trabalho
e conseguir apresentar um bom trabalho. Isso foi de grande enriquecimento
enquanto pedagoga (Ileana).
Estes excertos nos permitem, de certo modo, inferir as mobilizações que fizeram com
que os(as) estudantes tivessem se engajado nas atividades propostas (CHARLOT, 2000).
Certamente, o trabalho coletivo é o que se destaca, fazendo-se necessário apontar, na fala de
Ian, a associação feita entre o trabalho coletivo na realização das atividades da disciplina e o
trabalho a ser desenvolvido pelo pedagogo no espaço escolar.
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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Isso demostra que o sujeito, ainda em formação, projeta sua atuação profissional
quando formado, a qual sinaliza para o fato de que deverá ser e estar baseada na interação com
os demais colegas de trabalho. Conforme aludido por Tardif (2011), constatamos, neste estudo,
que a interação entre e com os pares também é relevante na constituição dos saberes da
docência. Assim sendo, a fala de Ileana também foi relevante para entendermos o quanto se
torna importante uma Didática que faça a proposição de atividades coletivas ainda no processo
de formação inicial para a docência.
O mesmo aspecto é válido para qualquer outra área profissional que tenha como foco a
interação com humanos, especialmente em tempos marcados pelo individualismo e pela
ausência de colaboração, tão prejudiciais ao trabalho em equipe. Assim sendo, reafirmamos a
necessidade de que, desde o início de sua formação, os(as) estudantes possam ter a oportunidade
de organizar as estratégias que mais os auxiliarão no trabalho em grupo, o que não deixa de ser
algo complexo, porém de alto valor formativo, como apontado por Ileana. A partir desse ponto
de vista, nossa reflexão nos leva ao terceiro, e último, aspecto destacado pelos (as) estudantes
como relevante para sua formação de professor/pedagogo.
Esse aspecto leva em consideração, inclusive, a proposta metodológica desenvolvida
pelos professores-formadores na disciplina: o acompanhamento docente como suporte para a
aprendizagem, conforme relatado por Ian.
O acompanhamento contínuo dos professores e a sua prontidão em fornecer
feedbacks para os discentes melhorarem o trabalho. [...] Nos seminários, os
estudantes apresentavam os conteúdos pesquisados e os professores
ratificavam, desmistificavam e ampliavam os conceitos expostos, aplicando-
os sempre para a prática da pesquisa (Ian).
Conforme percebemos nesse relato, os(as) estudantes consideraram o acompanhamento
contínuo dos professores como impactante em relação a sua aprendizagem. Eles se referem,
mais especificamente, aos feedbacks efetuados pelos professores-formadores, os quais, nas
situações didáticas criadas, otimizaram não apenas o seu entendimento acerca dos conteúdos
teóricos, associados à atividade da pesquisa científica, como também à apropriação e ao uso de
instrumentos de letramento em uma perspectiva dialética e dialógica. Um desses instrumentos,
em especial, foi a escrita do gênero artigo científico.
O texto do artigo foi produzido a partir de uma necessidade comunicativa, a qual foi
mediada para atender a uma das mais significativas práticas acadêmicas de uso da linguagem
escrita: a divulgação de resultados de pesquisa. Conforme afirma Andreza:
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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O apoio dos professores na produção da pesquisa e do artigo foi incrível!
Tanto pela retirada de dúvidas, que sempre eram resolvidas muito rápidas,
como pela atenção em sempre se mostrarem dispostos a contribuir com a
melhoria do nosso trabalho, mesmo possuindo muitas equipes (Adrezza).
É exatamente por esta razão que a aprendizagem e o uso da escrita, como propostos
aos(às) estudantes, precisaram de um suporte maior por parte dos professores-formadores. Isso
se justifica porque aquele que assume o papel de formador deve se comprometer, sem dúvida,
com os indivíduos que se propôs a formar, haja vista constituir-se de maior experiência e, por
este motivo, ser capaz de mobilizar os saberes dessa experiência para os acompanhar em seu
processo de aprendizagem (TARDIF, 2011). Vejamos o apontamento de Ileana:
Acho que, além de tirar dúvidas e facilitar pra quando formos realizar
pesquisas educacionais futuras, a orientação dos professores também abriu
meus olhos sobre a importância de se fazer pesquisas; abriu meus olhos pra
entender que não era tão difícil ou “impossível” como parecia ser, porque
acho que a maioria das pessoas, que vem de escola pública, entra na
universidade com uma trava pra escrever, uma insegurança. Ao término da
cadeira, me senti mais apta a escrever e com uma segurança bem maior
(Ileana).
No contexto em análise, para que os (as) estudantes se apropriassem da escrita do gênero
artigo científico, os professores da disciplina precisaram ativar e criar os mais variados recursos
no ensino dessa prática social. Entre esses recursos, figurava a devolutiva dialógica das
produções escritas, a qual foi, sem dúvidas, um dos mecanismos mais producentes,
especialmente porque os professores utilizaram recursos contemporâneos de comunicação
digital, estando bem sincronizados com a realidade dos(as) estudantes. A criação de um evento
para a apresentação e discussão dos resultados das pesquisas, por meio de comunicações orais,
representou, ao final de tudo, a culminância do trabalho realizado, uma vez que a mobilização
empreendida pelos atores desse processo estava direcionada para uma meta: a aprendizagem
significativa dos(as) estudantes, ou seja, a produção de sentidos e de experiências na docência,
sua futura área de atuação.
A investigação científica e a reflexão como alicerces para uma prática de ensino satisfatória
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Considerações finais
Conforme evidenciado ao longo da escrita deste texto, o entendimento acerca da
importância da pesquisa em sala de aula se configura como uma grande contribuição para a
qualidade da formação. Sem dúvidas, as reflexões feitas pelos(as) estudantes, sobre os
processos educacionais e suas dinâmicas complexas, inspiraram-lhes a empreender uma revisão
de suas próprias concepções sobre o como aprender e o como ensinar. Nesse sentido,
consideramos que fizemos bom proveito do espaço daquela sala de aula, oportunizando-nos,
inclusive, um momento de investigação de nossa própria prática, a qual, como afirmam Pimenta
e Lima (2019), transpôs-se à simples observação, à participação mecânica e à regência tarefeira
na sala de aula.
Nessa perspectiva, aprendemos com Pimenta (1999) que o processo de construção de
uma identidade profissional, como a identidade de um docente, por exemplo, configura-se na
própria construção de sua subjetividade, o que é intrínseco ao contexto sócio-histórico em que
se encontram os sujeitos. Assim sendo, na condição de professores (e de formadores de
professores), ao atribuirmos um sentido ao ato de ensinar, fazendo uso da pesquisa científica,
acabamos igualmente produzindo um sentido junto aos(às) estudantes em relação ao ato de
aprender. Nossas ações didáticas, portanto, levaram em consideração tanto a construção
identitária como a inserção social daqueles sujeitos ao se engajarem em uma atividade
intelectual ainda mais relevante, como foi o caso da escrita do gênero de discurso acadêmico
artigo científico.
Prova disso é que os(as) estudantes que participaram da disciplina, e auxiliaram nesta
pesquisa, assinalaram que a problematização e a reflexão acerca da realidade educacional na
qual estão inseridos se configuraram como aspectos bastante valorosos para a sua formação
profissional docente. Essa percepção se coaduna, pois, com a perspectiva de Pimenta e Lima
(2019), para quem a didática e as metodologias de ensino (ou práticas específicas) precisam ser
constantemente ressignificadas, tendo o ensino como foco, isto é, como objeto de estudo e como
base para a reflexão sobre a práxis. Portanto, o que vimos foi um conjunto de ações formativas,
tendo a investigação científica e a reflexão como fundamentos, por meio das quais se mostrou
evidente o fato de que o sentido do ato de ensinar, e sua razão de ser no campo da Didática,
fortalece-se quando põe ênfase na atividade dos(as) aprendizes (CHARLOT, 2000, 2013), ou
seja, quando oportuniza situações pedagógicas dialógicas e engajadoras, constituindo os
aprendizes como copartícipes do processo educativo.
Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751 21
CRediT Author Statement
Reconhecimentos: Gostaríamos de agradecer aos estudantes da disciplina Pesquisa
Educacional que participaram com suas falas acerca das experiências e aprendizagens
construídas ao longo do semestre em que conosco realizaram seus estudos.
Financiamento: Recursos próprios dos autores.
Conflitos de interesse: Não nenhum tipo de conflito de interesses quanto ao conteúdo
deste texto.
Aprovação ética: Seguindo os procedimentos éticos da pesquisa com seres humanos, todos
os estudantes participantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), por ocasião da construção de dados que resultou no presente texto. No referido
TCLE, enfatizamos os objetivos do estudo e as garantias de o divulgação de suas
identidades. Portanto, como acordado, todos os nomes aqui apresentados são fictícios, para
resguardar o anonimato em relação aos estudantes.
Disponibilidade de dados e material: Não aplicável.
Contribuições dos autores: O primeiro autor escreveu sobre as questões teóricas e
metodológicas envolvendo o estudo, enquanto o segundo autor ampliou tais questões
fazendo a análise/reflexão sobre as falas dos estudantes que participaram da entrevista.
Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751 1
LA INVESTIGACIÓN CIENTÍFICA Y LA REFLEXIÓN COMO BASES PARA UNA
PRÁCTICA DOCENTE SATISFACTORIA
A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E A REFLEXÃO COMO ALICERCES PARA UMA
PRÁTICA DE ENSINO SATISFATÓRIA
SCIENTIFIC RESEARCH AND REFLECTION AS BASIS FOR A SATISFACTORY
TEACHING PRACTICE
Messias DIEB1
e-mail: mhdieb@gmail.com
Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA2
e-mail: ivanilobezerra@yahoo.com.br
Cómo hacer referencia a este artículo:
DIEB, M.; OLIVEIRA, A. I. B. LA investigación científica y la
reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria.
Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara,
v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751
| Presentado en: 07/05/2022
| Revisiones requeridas en: 23/05/2022
| Aprobado en: 07/10/2022
| Publicado en: 01/01/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Editor Adjunto Ejecutivo:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Universidad Federal de Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Profesor en el Programa de Posgrado en Educación
en la Faced /UFC. Postdoctorado en Educación por la Universidad de California - Estados Unidos (UCSB).
2
Universidad Federal de Ceará (UFC), Fortaleza CE Brasil. Estudiante de doctorado en Educación en la
Faced/UFC. Docente en la Red Municipal de Enseño de Fortaleza CE.
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751 2
RESUMEN: En este artículo, discutimos algunos elementos que pueden hacer que una práctica
docente sea satisfactoria para el aprendizaje, considerando la relación entre la investigación
científica y la formación. El estudio se desarrolló durante un doctorado en Educación, a partir
de nuestra participación en clases para estudiantes del tercer semestre de una Licenciatura en
Pedagogía de una universidad pública brasileña, donde realizamos entrevistas
semiestructuradas con 6 (seis) de esos estudiantes. El análisis textual discursivo de los datos
mostró que cuando los formadores de docentes, al insertar la problematización y la reflexión
sobre acontecimientos de la experiencia educativa, a través de la investigación científica,
contribuyen, significativamente, a una nueva actitud ante el conocimiento, que tiende a superar
la observación inexperta, así como la participación mecánica en la clase y la idea de una
enseñanza meramente orientada a la tarea.
PALABRAS CLAVE: Pesquisa. Saberes docentes. Teoría y práctica. Reflexión.
RESUMO: Neste texto, propomo-nos a discutir os elementos que podem tornar uma prática
de ensino satisfatória à aprendizagem dos(as) estudantes, tomando como base a relação entre
a pesquisa científica e a formação. O trabalho, no percurso de uma pesquisa de doutorado em
Educação, foi desenvolvido na participação em uma disciplina do terceiro semestre do Curso
de Licenciatura em Pedagogia de uma instituição pública de ensino superior, onde realizamos
entrevistas semiestruturadas com 6 (seis) estudantes matriculados. A análise textual discursiva
dos dados mostrou que os responsáveis pela formação, ao inserirem a problematização e a
reflexão acerca de fatos da realidade educacional, por meio da investigação científica,
contribuem significativamente para uma nova postura diante do conhecimento, a qual tende a
superar a observação simplória, bem como a participação mecânica na sala de aula e a ideia
de um ensino puramente tarefeiro.
PALAVRAS-CHAVE: Pesquisa. Saberes docentes. Teoria e prática. Reflexão.
ABSTRACT: In this paper, we discuss some elements that can make a teaching practice
satisfactory for learning, considering the relationship between scientific research and teacher
education. The study was developed during a PhD in Education, from our participation in
classes for students of the third semester of an undergraduate degree in Education (Licensure)
at a Brazilian public university, where we conducted semi-structured interviews with 6 (six) of
those students. The discursive textual analysis of the data showed that when teacher trainers,
by inserting the problematization and reflection on facts of the educational experience, through
scientific investigation, contribute, significantly, to a new attitude before knowledge, which
tends to overcome the simple-mindedness observation, as well as the mechanical participation
in the classroom and the idea of an only task-oriented teaching.
KEYWORDS: Research. Teachers’ Knowledge. Theory and Practice. Reflection.
Messias DIEB y Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Introducción
Cuando reflexionamos sobre los desafíos inherentes a la docencia universitaria y la
formación inicial del profesorado, así como el lugar que ocupa la didáctica en este contexto,
difícilmente dejamos de preguntarnos: ¿qué elementos tienden a subvencionar mejor la práctica
docente y promover un aprendizaje satisfactorio y significativo entre los estudiantes? Como
posible respuesta a esta pregunta, la tesis que nos guía en este texto es que la actividad
investigadora reúne varios elementos esenciales para este aprendizaje, contribuyendo sin duda
a la formación de futuros docentes. Entre estos elementos, podemos mencionar la innovación y
la creatividad que guían la búsqueda de nuevos conocimientos, ayudándoles en la atribución de
significado al aprendizaje de la profesión docente. Desde esta perspectiva, insinuamos que es
el significado mismo atribuido al acto de enseñar y al conocimiento que constituye la profesión
docente, lo que puede permitir al maestro realizar, de una manera más productiva, su acción
educativa y educativa.
A partir de la pregunta mostrada en el párrafo anterior, elaboramos este texto a partir de
reflexiones aportadas por la participación del segundo autor en las disciplinas didácticas de
Educación Superior y Pasantía Docente; ambos del Curso de Doctorado del Programa de
Posgrado en Educación de una institución pública de educación superior (IPES). La pasantía,
sin embargo, se desarrolló en el curso de Licenciatura en Pedagogía de dicha institución, bajo
la supervisión del primer autor, quien, en 2019, impartió la disciplina "Investigación Educativa
I" para estudiantes del tercer semestre. Con el uso de entrevistas semiestructuradas, el objetivo
que perseguimos aquí fue discutir los elementos que pueden hacer que una práctica de
enseñanza sea satisfactoria para el aprendizaje de los estudiantes, basada en la relación entre la
investigación y la formación docente.
En este curso, inicialmente recurrimos a las consideraciones pertinentes, y ya
ampliamente aceptadas, de Libâneo (1994), Tardif (2011), Pimenta (1999) y Pimenta e Lima
(2019), sobre el desempeño del profesor en el aula y el proceso de constitución de sus
conocimientos. Añadimos al debate con estos autores los postulados de Charlot (2000, 2013),
para quien este proceso está, incontestable e indisolublemente, conectado a la movilización de
los estudiantes en relación con el acto de aprender. Debido a que la didáctica es la rama principal
de los estudios pedagógicos (LIBÂNEO, 1994), estas opciones teóricas se justifican debido al
hecho de que el acto de enseñar implica "[...] movilizar una amplia variedad de conocimientos,
reutilizándolos en el trabajo para adaptarlos y transformarlos por y para trabajar", como afirma
Tardif (2011, p. 21, nuestra traducción) y se discutirá mejor ya en la siguiente sección.
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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Contribución Didáctica para la comprensión del significado en el acto de
enseñar y enseñar conocimiento
Para Libâneo (1994, p. 25, nuestra traducción), la didáctica es la principal rama de los
estudios pedagógicos porque "[...] investiga los fundamentos, las condiciones y las formas de
llevar a cabo la educación y la enseñanza". En este sentido, para el autor, la Didáctica se ha
preocupado por establecer "qué" y "cómo" enseñar, intentando, a lo largo del tiempo, responder
a las necesidades que surgen a la enseñanza, a partir del contexto social en el que se insertan
sus principales actores: profesores y alumnos. Es a través de este movimiento de elucidación
de los aspectos antes mencionados que, en el curso histórico de esta área del conocimiento,
apareció la clasificación de algunas tendencias pedagógicas
3
que se dividen en dos grandes
grupos: pedagogía liberal y pedagogía progresista (LIBÂNEO, 1994). Reflejan, de manera más
analítica, las formas de procesamiento de la enseñanza, considerando que cada una de ellas
tiene fundamentos y características que les son intrínsecas.
Las tendencias pedagógicas del grupo de Pedagogía Progresista, con el que estamos
sintonizados, consideran que la educación es un acto político (FREIRE, 1991) y, sin duda,
argumentan que tal acto nunca puede desconectarse del contexto en el que se desarrolla. En este
sentido, entendemos que el acto educativo se configura como una práctica social que necesita
tener en cuenta los anhelos de sus involucrados, quienes, en articulación, deben pensar en un
proyecto de transformación de sus realidades personales y sociales. Así, la Didáctica, basada
en estas tendencias, se convierte en la coherencia entre dicho proyecto de transformación y la
experiencia de aula construida por los profesores y sus alumnos.
Dicho de otra manera: es en el espacio del aula (no limitado al espacio físico) que estos
actores deben pensar en los problemas de la vida práctica y buscar sus soluciones, efectuando
así una educación contextualizada impregnada de significado. Esto se justifica porque la
didáctica y la práctica docente actúan como mediadores tanto para la acción formativa de los
estudiantes, que pueden convertirse en futuros maestros, como para el trabajo del maestro que
ya está en pleno ejercicio. Desde esta perspectiva, Charlot (2000, 2013) sugiere que es la
experiencia la que nos permite atribuir significado a cualquier actividad humana, incluido el
acto de enseñar y aprender. Por lo tanto, el acto de educar implica la transformación del
conocimiento y no sólo su transmisión.
3
Para el conocimiento de estas tendencias pedagógicas, recomendamos leer el texto: Tendencias pedagógicas en
la práctica escolar, de José Carlos Libâneo, que está contenido en la obra de Luckesi (1994).
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Sobre este tema, como Larrosa y Kohan (2016, p. 05, nuestra traducción), sostenemos
que la educación se practica "[...] para transformar lo que sabemos, no para transmitir lo ya
conocido". Dado que el significado atribuido al acto de enseñar asume sus "contornos" en la
transformación de lo que conocemos, pensamos de la Didáctica, y de nuestro desempeño como
docentes, demandamos proyectos educativos en los que se articulen "teoría y práctica, escuela
y sociedad, contenido y forma, técnica y política, docencia e investigación; [lo que exige
considerar] una didáctica que conciba a los profesores como sujetos que aprenden una profesión
y se convierten en profesionales en la medida en que aprenden a enseñar" (FARIAS; VENTAS;
BRAGA; FRANCIA, 2011, p. 17, nuestra traducción). Asimismo, es necesario pensar en la
formación docente como un momento clave de su socialización y su configuración profesional
docente, a través del cual se debe llevar a cabo un proceso didáctico en el que el conocimiento
se contextualice con su vida personal y social, y la relación entre ellos y sus formadores se
produzca de manera dialogante y respetuosa (NÓVOA, 1995). Por lo tanto, es un proceso de
inserción en el espacio cultural y social de la enseñanza para que los estudiantes puedan
comprender cuáles son los elementos que intervienen en la práctica docente.
En esta perspectiva, cualquiera que sea la acción docente, planificada y ejecutada, esta
debe tener en cuenta la trayectoria de vida de los estudiantes, sus conocimientos previos y las
condiciones materiales a través de las cuales se desarrollan las actividades de enseñanza y
aprendizaje. Por lo tanto, siempre debemos pensar en acciones formativas preocupadas por
capacitar a los maestros reales para situaciones reales de enseñanza, en las que prevalezcan las
expectativas de transformación personal y social tanto de quién forma como de quién se forma.
Es en esta dirección que la actividad investigadora asume un papel formativo relevante en la
medida en que el futuro docente profundiza en el conocimiento sobre la práctica "[...] ya no es
un mero intérprete y es considerado un investigador y conciso profesional" (PEREZ, 1999, p.
274, nuestra traducción). Después de todo, la formación exige acciones que vean la enseñanza
como "una actividad profesional compleja, porque requiere conocimientos diversificados. Esto
significa [entonces] que el conocimiento que apoya la enseñanza requiere una formación
profesional desde una perspectiva teórica y práctica" (VEIGA, 2009, p. 20, nuestra traducción).
Siguiendo con este tema, aprendemos de Tardif (2011) que enseñar conocimiento es una
construcción en el campo de la subjetividad y, por lo tanto, está relacionado con la persona del
profesor, su experiencia, la relación con sus compañeros y, especialmente, con los estudiantes.
Por lo tanto, son formaciones plurales, constituidas a partir de conocimientos derivados de la
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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formación profesional, los diversos campos disciplinarios, los alojamientos curriculares y las
situaciones que experimentó. Para ese autor,
[...] En su trabajo, un maestro utiliza su cultura personal, que proviene de su
historia de vida y su cultura escolar anterior; también se apoya en ciertos
conocimientos disciplinarios adquiridos en la universidad, así como en ciertos
conocimientos didácticos y pedagógicos derivados de su formación
profesional; también se basa en lo que podemos llamar conocimiento
curricular transmitido por programas, guías y libros de texto; Se basa en sus
propios conocimientos vinculados a la experiencia laboral, la experiencia de
ciertos maestros y las tradiciones peculiares de la oficina del maestro.
(TARDIF, 2011, p. 262-263, nuestra traducción).
Por todas estas razones, enseñar conocimientos es, al mismo tiempo, considerado
singular y social, porque también reciben influencias externas, como la familia, el lugar de
trabajo y las muchas relaciones y experiencias que los maestros han tenido como estudiantes a
lo largo de sus trayectorias escolares.
En estas trayectorias, los sujetos elaboran creencias y representaciones sobre "qué" y
"cómo" enseñar, incluso antes de su ingreso a la profesión docente, y las llevan consigo,
constituyendo, en gran parte, una base para la construcción de su conocimiento profesional.
Sobre estos elementos, Campos (2013, p. 43, nuestra traducción) afirma que estas creencias y
representaciones "[...] Son personales, emocionales y articulados como un sistema jerárquico
de filtrado sobre lo que es verdad en la enseñanza y el aprendizaje y se consolidan en el tiempo,
a medida que las experiencias cristalizan con éxito". Campos (2013) también afirma que es muy
difícil cambiar este sistema de creencias de los maestros, porque, en la mayoría de los casos, se
constituye a través de la reflexión con la práctica de antiguos maestros, de los cuales fueron
estudiantes en épocas anteriores, y se cristaliza como siendo, a veces, su principal punto de
referencia.
En este sentido, añadimos a las ideas de Campos (2013) un elemento problematizador:
¿qué pasa si los profesores que sirven de referencia a los nuevos docentes se basan en tendencias
pedagógicas obsoletas que no están relacionadas con el contexto social en el que se insertan
estas últimas? Este anacronismo puede traer algunos problemas en su vida cotidiana
profesional, porque es un repertorio de modelos de práctica docente que ya no coincide ni
corresponde a las demandas sociales y políticas actuales. Esto también puede ocurrir tanto en
lo que respecta a las relaciones entre estudiante y profesor como en relación con el tratamiento
de los contenidos, para lo cual se espera el uso de metodologías de enseñanza más participativas
y socialmente comprometidas, como es el caso de la formación basada en la investigación
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(DEMO, 2010). A partir de estos aspectos, es necesario coincidir con Tardif (2011, p. 61,
nuestra traducción) en cuanto a la complejidad en torno al conocimiento del ámbito profesional
docente, ya que se construyen de forma plural, compuesta y heterogénea, aportando "[...] En
primer plano, en el ejercicio mismo del trabajo, el conocimiento y las manifestaciones del saber
hacer y el saber hacer son muy diversos y provienen de diversas fuentes, que también podemos
suponer que son de naturaleza diferente".
Al profundizar en esta idea, y definir su tipología de fuentes de las que se origina el
conocimiento docente, Tardif (2011) afirma que el conocimiento de los docentes no está
constituido exclusivamente por el conocimiento transmitido por las ciencias de la educación en
la formación profesional. También reciben influencias de los conocimientos pedagógicos, que
son entendidos por el autor como "doctrinas o concepciones derivadas de reflexiones sobre la
práctica educativa en el sentido amplio del término [...] y que proporcionan, por un lado, un
marco ideológico para la profesión y, por otro, algunas formas de saber cómo y algunas
técnicas" (TARDIF, 2011, p. 37, nuestra traducción).
El conocimiento disciplinario, en opinión del autor, consiste en los diversos campos del
conocimiento humano que se integran en forma de disciplinas. Este conocimiento surge de la
tradición cultural y de los grupos sociales que producen conocimiento, no siendo producidos
por los maestros, sino que son movilizados por ellos en la acción de enseñar. Además, los
conocimientos curriculares corresponden "[...] a los discursos, objetivos, contenidos y métodos
a partir de los cuales la institución escolar categoriza y presenta los conocimientos sociales
definidos y seleccionados como modelos para la cultura erudita y la formación para la cultura
erudita" (TARDIF, 2011, p. 38, nuestra traducción). En otras palabras, es el conocimiento que
se presenta en forma de programas de enseñanza, a través de objetivos, contenidos y métodos
que el maestro debe aprehender y movilizar en la función de enseñanza. Finalmente, está el
conocimiento experiencial, que proviene de la experiencia individual y colectiva como algo
práctico y es validado y compartido por los pares a lo largo de la profesión. No provienen, por
lo tanto, de instituciones de formación o de planes de estudio, porque se manifiestan en forma
de habitus
4
y de habilidades que envuelven tanto el saber-hacer cuanto el saber-ser (TARDIF,
2011).
4
La teoría del habitus de Bourdieu lo define como un "sistema de disposiciones duraderas y transponibles que,
integrando todas las experiencias pasadas, funcionan en cada momento como una serie de percepciones,
apreciaciones y acciones" (BOURDIEU, 1983, p. 65, grifo do autor, nuestra traducción).
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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Representando una trama compleja, el conocimiento de la experiencia es, en palabras
de Therrien (1995, p. 01, nuestra traducción), el resultado de la "transformación en la praxis de
los diversos conocimientos establecidos (formación curricular, disciplinaria y profesional), así
como el conocimiento de la práctica social y la cultura". Ellos son los que definen la
profesionalidad del profesor y elevan al profesor a la categoría profesional. En esta misma
perspectiva, para Nunes (2001), el conocimiento de la experiencia se configura, en suma, como
el conocimiento original de los docentes, con el fin de integrar su identidad y constituirse como
un elemento fundamental en sus prácticas y decisiones pedagógicas. Resumiendo, esta
discusión, podemos decir, por lo tanto, que el "profesor ideal" sería aquel que conoce su materia,
su disciplina y su programa, que tiene ciertos conocimientos relacionados con las Ciencias de
la Educación y la Pedagogía y que desarrolla un conocimiento práctico, basado esencialmente
en la experiencia diaria con los estudiantes (TARDIF, 2011).
Además, las reflexiones de Charlot (2000, 2013), sobre la situación didáctica, apuntan
al hecho de que el alumno sólo se involucra y/o desarrolla una actividad intelectual si primero
se moviliza en relación con ella. Sin embargo, para que se movilice, la situación experimentada,
en la que está involucrada la actividad, debe producir un significado para él, es decir, debe
despertar en este tema un deseo de movilización y una voluntad de aprender. Por lo tanto,
podemos inferir que es el conocimiento de la experiencia (TARDIF, 2011) lo que
probablemente tiende a ayudar mejor al profesor con respecto a la percepción de la forma más
adecuada de lograr que sus estudiantes se movilicen para participar en una actividad intelectual.
Esta reflexión es igualmente válida para la situación didáctica en la que nos
encontramos: la formación de los futuros docentes, en la que están aprendiendo los contenidos
de su profesión. Pero ¿cuál sería el "significado" en esa perspectiva? Dado que la actividad se
entiende como un desafío intelectual que se presenta al sujeto, el significado, para Charlot
(2000, 2013), trasciende el significado inmediato que un sujeto construye en relación con algo,
implicando, a su vez, un valor, una importancia que esta cosa asume en su vida. Así, al sentir
la necesidad de aprender alguna actividad, es decir, de realizarla, el sujeto se involucra porque
quiere construirse como alguien que sabe ejercer dicha actividad en el mundo. Esto implica una
dinámica que es interna a ella y que le permite saber sobre algo, correspondiente a lo que
Charlot (2000, 2013) define como movilización, distinguiéndola del proceso de motivación.
Aunque reconoce diferencias entre los dos conceptos, el autor dice que terminan encontrándose,
porque si es cierto que alguien se moviliza para lograr un determinado objetivo que lo motiva
a hacer algo, también es que las personas están motivadas por algo que puede movilizarlos. Por
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lo tanto, para aprender, es esencial que el individuo se movilice, es decir, invierta en una
actividad haciendo uso de mismo como un recurso que fue impulsado por un deseo, un
sentido y un valor.
Estos aspectos son válidos tanto para las actividades de enseñanza como para las de
aprendizaje. Por lo tanto, la relación pedagógica tiende a ser más productiva cuando el profesor
encuentra sentido en lo que enseña y el alumno en lo que tiene que aprender. Así, podemos
ubicar en la proposición de Veiga (2009) la corroboración sobre estas ideas cuando el
investigador afirma que la formación profesional es necesaria en una perspectiva teórica y
práctica para la construcción del conocimiento de apoyo a la enseñanza. En otras palabras, esto
implica decir que el conocimiento teórico debe presentarse a los alumnos como elementos
cargados de significado, es decir, de valor subjetivo, ya que comienzan a integrar la experiencia
cotidiana de estos sujetos y con ellos también establecen una relación con las características
prácticas (CHARLOT, 2000, 2013).
A través de este hallazgo, consideramos que esto fue probablemente lo que a lo mejor
sucedió en las didácticas realizadas durante las clases en la disciplina "Investigación Educativa
I": representaron una oportunidad para la formación docente en las líneas esbozadas por Veiga
(2009), articuladas dentro de una actividad de investigación. Esto se justifica porque todos los
elementos que componen la planificación docente se articularon, durante la disciplina
mencionada, con el objetivo de lograr, a lo largo del ejercicio de investigación, la relación entre
teoría y práctica, como veremos a continuación.
A partir de este momento, analizaremos cómo se fueron elaborando estas reflexiones en
el transcurso de la actividad docente aquí expuesta.
La construcción de significados para enseñar y aprender en la vida en el aula
Para Pimenta y Lima (2019), la didáctica como campo epistemológico, es decir, la
construcción del conocimiento sobre la enseñanza y la práctica docente no puede prescindir de
la reflexión y la investigación. En esta perspectiva, Pimenta y Lima entienden la experiencia de
pasantía también como un campo de investigación, y eso puede contribuir enormemente a la
construcción de la identidad profesional del profesor. Por esta razón, es a través de la pasantía
que los docentes, tanto los que están en proceso de formación como los que actúan como
formadores, accederán a elementos significativos para la comprensión y profundización teórica
y práctica en relación con el conocimiento pedagógico y la praxis educativa, especialmente,
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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según los autores, cuando se vincula a instituciones públicas. Esto se justifica porque, a gran
escala, los problemas educativos son aún más prominentes en la esfera pública, lo que requiere
un compromiso reflexivo aún mayor.
A partir de esta realidad, Pimenta y Lima (2019) sugieren que el profesor-formador debe
configurarse como un profesional crítico-reflexivo y, sobre todo, un investigador de su praxis
y praxis educativa que se realizan en su entorno laboral. Tomando esta perspectiva como
soporte teórico, es necesario explicar que la acción docente aquí analizada no se configura como
una pasantía como un componente curricular de los cursos de graduación, sino como una
experiencia formativa demandada por un curso de posgrado en educación stricto sensu, en el
que tanto el investigador en educación como el docente están en desarrollo profesional,
continuando su formación inicial, ahora en un nivel superior. Es, por lo tanto, una disciplina,
en este postgrado, llamada Pasantía de Enseñanza, que establece que el estudiante graduado, ya
sea a nivel de maestría o doctorado, experimente una experiencia docente en alguna clase de
pregrado en Pedagogía.
La reflexión emprendida aquí tuvo lugar en el tercer semestre de Pedagogía de la
Facultad de Educación de un IPES. La disciplina a la que asistió esa clase, en el primer semestre
de 2019, fue "Investigación Educativa I", cuyo menú expresa como objetivos: "a) desarrollar el
espíritu científico; b) presentar los principales tipos de investigación; c) desarrollar la capacidad
de lectura de textos e informes científicos; y d) ejercitar al estudiante en la preparación y
realización de una investigación". Para lograr estos objetivos, se buscó desarrollar una
metodología docente que integre las discusiones teóricas sobre la actividad de investigación
científica con su contenido práctico, relacionándolas especialmente con la investigación de
conocimientos.
El énfasis en la investigación del aprendizaje en un curso de pedagogía se justifica en la
medida en que esta actividad, junto con la enseñanza y la gestión educativa, compone las
dimensiones de la educación del pedagogo: ser un científico en el campo de la educación y un
investigador de los fenómenos y problemas que conciernen al hacer pedagógico. Así, al inicio
de las actividades, los docentes (titular y pasante) realizaron la exposición dialogada de
conceptos clave de la investigación científica, además de las principales características de esta
actividad en las Ciencias Sociales hasta llegar a la investigación educativa, interés central de la
disciplina. A través de esta metodología, los estudiantes tuvieron la oportunidad de confrontar
sus conocimientos previos sobre el tema, a través del diálogo y las intervenciones durante la
exposición de los contenidos. También fue necesario presentar los principales géneros de
Messias DIEB y Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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escritura científica experimentados en el entorno académico y sus características, con énfasis
en el género de artículos científicos, que serían producidos por ellos a fines del primer semestre
de 2019.
Después de las reuniones iniciales dedicadas a la exposición teórica, la clase, formada
por 46 (cuarenta y seis) estudiantes, se dividió en 08 (ocho) grupos. A cada uno de estos grupos
se le pidió que planificara un seminario de 4 horas/clase cuyo objetivo era presentar, para toda
la clase, un tema particular relacionado con la actividad de la investigación científica. Los temas
de los seminarios fueron seleccionados de manera encadenada, para que los estudiantes
pudieran comprender la complejidad de esta práctica académica y científica. Ellos fueron: 1)
Ciencia y proceso de construcción del conocimiento científico; 2) La importancia de la escritura
para la formación del investigador; 3) Características y propósitos de la investigación en el área
de Ciencias Humanas y Sociales; 4) Características y propósitos de la investigación en el área
de Educación; 5) Métodos de construcción y análisis de datos cualitativos en el campo de la
educación; 6) Etnografía, estudio de caso y estudio de caso etnográfico; 7) Investigación
Autobiográfica e Investigación Colaborativa; 8) Investigación participante e investigación de
acción. Para apoyar los seminarios, los profesores (la persona responsable de la disciplina y el
aprendiz) se colocaron como miembros natos en todos los grupos, informando a los estudiantes
que darían sus contribuciones durante la exposición dialogada.
Los profesores también proporcionaron textos de referencia sobre los temas y un
argumento guía (plan de lección) para la sistematización de la presentación de estos seminarios.
Paralelamente, a lo largo de los meses del semestre, los miembros de cada equipo deben pensar
en un problema concreto del universo educativo de su entorno para poder realizar una
investigación científica sobre el mismo y, posteriormente, la redacción del informe de esta
investigación en forma de artículo científico. Todas estas actividades se realizaron
colectivamente debido a los aspectos operativos, especialmente la orientación y el seguimiento
de las producciones escritas, dada la imposibilidad de hacerlo de manera singularizada. Es
importante destacar que, en estas actividades, los alumnos fueron acompañados por el profesor
responsable de la disciplina y el aprendiz, quien les todas las respuestas necesarias para
consolidar el aprendizaje esperado. Al final del curso, en el formato de presentación de la
comunicación oral en eventos académicos, todos los artículos fueron expuestos con los
resultados de la investigación.
Al reflexionar sobre las actividades realizadas, recordamos las ideas de Fischer (2009),
quien, al analizar las dimensiones sobre las que se procesa realmente la enseñanza y el
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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aprendizaje en la universidad, se pregunta: ¿cómo puede haber crecimiento de los estudiantes
si se les proporcionan actividades que los limitan a escuchar y ver, ver y escuchar y luego
reproducir? Para este investigador, "[...] una de las principales razones para la práctica docente
en la universidad sería hacer pensar, buscar soluciones a nuevos problemas, descubrir
alternativas originales frente a confrontaciones teóricas y prácticas" (FISCHER, 2009, p. 311,
nuestra traducción).
En este sentido, la formación experimentada en la disciplina en cuestión permitió la
comprensión mencionada por el investigador, ya que no sólo aquellos estudiantes, como futuros
pedagogos/docentes en proceso de formación inicial, y también el aprendiz que acompañó las
actividades, se enfrentaron a confrontaciones teóricas y prácticas planteadas por el área de
Educación como campo de acción y producción de conocimiento. Sin embargo, para avanzar
un poco más en estas reflexiones, consideramos que sería necesario escuchar las opiniones de
los propios estudiantes sobre cómo las actividades experimentadas en la disciplina estarían
impactando su formación y/o teniendo sentido para ellos (ellos). Como pasante y profesor-
asesor, pensamos que comprender algunos aspectos que surgen de estas respuestas haría que la
experiencia docente fuera más significativa en términos formativos y profesionales para todos
los actores sociales involucrados.
Con respecto al aspecto metodológico, además de los aspectos metodológicos,
realizamos, además de las observaciones prácticas, una entrevista semiestructurada con los
estudiantes. Nos oponemos a conocer los aspectos, entre los experimentados en el curso
estudiado, que serían destacados por los estudiantes como relevantes para su formación como
docente/pedagogo, considerando, incluso, la propuesta metodológica desarrollada por los
profesores de la disciplina y los elementos que hicieron su aprendizaje más satisfactorio y
significativo. Cerca del final de las actividades semestrales, invitamos a la clase y seis (seis)
estudiantes (2 hombres y 4 mujeres) se manifestaron rápida y voluntariamente a participar en
las entrevistas, que se llevaron a cabo en ocasiones combinadas con ellos debido a la escasez
de tiempo disponible.
Cabe destacar que, siguiendo los procedimientos éticos de investigación con seres
humanos, todos los estudiantes participantes firmaron un Término de Consentimiento Libre y
Esclarecido (TCLE), en el momento de la construcción de los datos que resultaron en este texto.
En este TCLE, enfatizamos los objetivos del estudio y las garantías de no divulgación de sus
identidades. Por lo tanto, según lo acordado, todos los nombres presentados aquí son ficticios,
para salvaguardar el anonimato en relación con los estudiantes.
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Aspectos relevantes destacados por los estudiantes
Después de la transcripción de las entrevistas, hicimos un ejercicio de análisis textual
discursivo, que puede describirse como un proceso de unitarización de textos con sus
respectivos conjuntos de significados (MORAES, 2003). Esto se justifica porque, en esta
perspectiva de análisis, los textos se dividen en unidades de significado, que también pueden
funcionar como fuentes generadoras de otros conjuntos de unidades que surgen de la relación
entre la interlocución empírica, la interlocución teórica y las interpretaciones que realiza el
investigador. Siguiendo esta unitarización, articulamos los significados similares, cuyo proceso
se llama categorización, paralelo a la sustitución de los nombres de los estudiantes por nombres
ficticios. Así, del conjunto de datos construidos a través de las entrevistas, surgieron tres
categorías de aspectos relevantes que fueron calificados por los estudiantes como significativos
en cuanto a cómo las actividades vividas en la disciplina impactaron su aprendizaje y,
consecuentemente, su formación: 1) Articulación entre teoría y práctica en la formación de un
profesor-investigador; 2) Aprendizaje en contextos colectivos; y 3) Seguimiento docente como
apoyo al aprendizaje.
En cuanto al primer aspecto (articulación entre teoría y práctica en la formación del
profesor-investigador), todos los entrevistados relataron que el desempeño de la disciplina les
permitió percibir que la formación del profesor/pedagogo también pasa por los procesos que le
permiten investigar. Presentamos aquí un recorte de las expresiones de dos sujetos.
En mi opinión, la disciplina de la investigación educativa fue de gran
relevancia para mi formación como pedagogo, porque lleva al estudiante de
pedagogía a ir más allá de las habilidades teóricas que se ven en el aula
universitaria. Cuando fuimos al campo, como investigadores, fue posible
movernos por diferentes entornos y relacionarnos con sujetos de diferentes
contextos sociales. Esto es muy enriquecedor, porque permitió la adquisición
de un conocimiento del mundo, además de nuevos conocimientos adquiridos
con el resultado de la investigación. Este nuevo conocimiento nos ayudará a
actuar con más propiedad, cuando se formen, en el aula o en otros sectores
de actividad como pedagogo. (Josenira).
Cuando me inscribí en la disciplina, pensé que vería muchos métodos,
formatos de escritura, escritura científica, estas cosas. Pero el profesor y
[refiriéndose al pasante], cuando apostaron por abordar la investigación en
Educación, promoviendo un espacio de investigación, reflexión y discusión
en el aula, despertaron la importancia, que yo ya tenía una noción, pero que,
desde esta disciplina, salió a la luz: es la idea del profesor-investigador
(Adrezza).
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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Teniendo en cuenta estos informes y la contribución teórica aportada en este escrito,
vimos que el proceso de producción de conocimiento de los futuros maestros realmente necesita
no solo diversificarse, sino esencialmente conectarse con las realidades institucionales de la
escuela y su entorno. Con la escuela como principal campo de reflexión para estas materias,
vimos hasta qué punto los futuros profesores han avanzado en la comprensión de una formación
que no disuelve el teórico de la práctica (VEIGA, 2009). Por esta razón, en opinión de 04
(cuatro) de los entrevistados, la formación no debe ser dicotómica, porque las actividades de
enseñanza e investigación ganan mucho cuando caminan juntas, según el extracto presentado
aquí por André.
En mi opinión, el aspecto principal que pondría como relevante fue que ser
profesor, para mí, presupone que es necesario investigar constante y
sistemáticamente tu propia práctica, ¿verdad? No puedes simplemente
detener tu entrenamiento como resultado de recibir un diploma y descubrir
que con eso, tienes autoridad y, allí, ya no tienes que mejorar (André).
Los estudiantes informaron que no solo es posible, sino también deseable y muy rentable
una formación docente que les permita ser investigadores de su propia práctica. Como hemos
visto, los estudiantes, todavía en proceso de formación inicial, ya se dan cuenta de que, en la
enseñanza del aprendizaje, es necesario pensar en situaciones concretas de la vida cotidiana, en
las que siempre habrá una expectativa de transformación personal y social. En este sentido, la
comprensión de la importancia de la investigación es aún más notoria, incluso para nosotros
que estábamos conduciendo los contenidos y guiándolos en esta actividad, según el informe de
Yasmin.
Uno de los aspectos fundamentales de la disciplina "Investigación Educativa
I" fue en la formación de la identidad del pedagogo como investigador en el
área de Educación. En particular, ni siquiera sabía que la investigación era
un área de posible desempeño como pedagogo; y hoy, me encuentro
encantado, veo la investigación educativa como un instrumento de
transformación social (Yasmim).
Analizando estos extractos, el discurso del estudiante nos autoriza a decir que llevar la
realidad de su contexto social al aula en la universidad, para que sea discutida y reflejada, es
sumamente relevante, porque permite la construcción de conocimientos que van más allá de las
competencias teóricas. En esta perspectiva, estas competencias tienden a ser utilizadas por los
propios estudiantes como un elemento de formación, remitiéndonos a la apuesta Tardif (2011)
cuando sugiere una epistemología de la práctica en el aula, que también es avalada por autores
como Pimenta y Lima (2019). Sobre esto, esto se expresa como uno de los estudiantes
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entrevistados: La disciplina es densa, sin embargo, fue aplicada magistralmente por los
maestros. Al organizar los seminarios, pudimos aprender a enseñar, construir este
conocimiento juntos, lo cual fue una experiencia muy placentera. (Yasmim).
De hecho, aprender sobre lo que es ser maestro debe construirse de la misma manera
que aprender a hacer ciencia, es decir, en la colectividad, siempre impregnado de dudas,
preguntas y la complejidad de lo real. Después de todo, "el conocimiento científico, como
práctica colectiva, es el resultado de una articulación compleja [...] posibles relaciones" (REIS;
FROTA, 2012, p. 73). Es una formación, por tanto, basada en la reflexión y no en el achismo
del sentido común y sus certezas, a partir de la cual correspondería a los estudiantes sólo la
simple tarea de reproducir modelos.
Con respecto al aprendizaje en contextos colectivos, que es el segundo aspecto
destacado por los estudiantes, tres de los entrevistados enfatizaron la importancia del trabajo en
equipo en la realización de las actividades de la disciplina. Para ellos, fueron aprendizajes
extremadamente importantes, destacando: la organización de seminarios para presentar a la
clase un cierto tipo de investigación; la elección de un problema a investigar; la selección de
métodos y técnicas adecuadas para investigar el problema elegido y, finalmente, la redacción
colectiva del artículo y su posterior socialización en el formato de presentación de la
comunicación oral en eventos científicos, según los estudiantes:
Comenzamos la disciplina ya siendo informados de que el resultado sería un
artículo producido en grupo. Esto alienta al estudiante a investigar, porque
sabe que presentará un producto de sus actividades a toda la clase al final
del semestre; Y debido a que está en grupo, de alguna manera facilita la
elaboración del artículo, porque es un ejercicio agotador, largo y complejo,
cuando se realiza solo. Y esto estimula el trabajo en equipo, que es un aspecto
esencial para el pedagogo, porque, en la escuela, trabajará con otros
maestros en proyectos temáticos, proyectos político-pedagógicos, proyectos
de inclusión, entre otros. Por lo tanto, necesita desarrollar empatía,
paciencia, resiliencia, perseverancia, diálogo, respeto y oralidad (Ian).
Esta parte también fue muy difícil y formativa: buscar un tema que
complaciera a todos, llegar a un acuerdo sobre la ejecución del trabajo y
poder presentar un buen trabajo. Esto fue de gran enriquecimiento como
pedagogo (Ileana).
Estos extractos nos permiten, de cierta manera, inferir las movilizaciones que causaron
que los estudiantes se involucraran en las actividades propuestas (CHARLOT, 2000).
Ciertamente, el trabajo colectivo se destaca, por lo que es necesario señalar, en el discurso de
Ian, la asociación que se hace entre el trabajo colectivo en la realización de las actividades de
la disciplina y el trabajo a desarrollar por el pedagogo en el espacio escolar.
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Esto muestra que el sujeto, todavía en formación, ya proyecta su desempeño profesional
cuando se forma, lo que señala el hecho de que debe estar y basarse en la interacción con otros
compañeros de trabajo. Como menciona Tardif (2011), encontramos, en este estudio, que la
interacción entre y con los pares también es relevante en la constitución del conocimiento
docente. Por lo tanto, el discurso de Ileana también fue relevante para comprender cuán
importante se convierte en una Didáctica que hace que la propuesta de actividades colectivas
aún esté en proceso de formación inicial para la enseñanza.
El mismo aspecto es válido para cualquier otra área profesional que se centre en la
interacción con los seres humanos, especialmente en tiempos marcados por el individualismo
y la ausencia de colaboración, tan perjudiciales para el trabajo en equipo. Por ello, reafirmamos
la necesidad de que, desde el inicio de su formación, los alumnos puedan tener la oportunidad
de organizar las estrategias que más les ayudarán en el trabajo en grupo, que sigue siendo algo
complejo, pero de alto valor formativo, como señala Ileana. Desde este punto de vista, nuestra
reflexión nos lleva al tercer y último aspecto destacado por los estudiantes como relevante para
su formación docente/pedagoga.
Este aspecto también tiene en cuenta la propuesta metodológica desarrollada por los
profesores-formadores en la disciplina: el acompañamiento docente como apoyo al aprendizaje,
según lo informado por Ian.
Monitoreo continuo de los maestros y su disposición a proporcionar
retroalimentación para que los estudiantes mejoren su trabajo. [...] En los
seminarios, los estudiantes presentaron los contenidos investigados y los
profesores ratificaron, desmitificaron y ampliaron los conceptos expuestos,
siempre aplicándolos a la práctica de la investigación (Ian).
Como percibimos en este informe, los estudiantes consideraron el seguimiento continuo
de los docentes como un impacto en relación con su aprendizaje. Se refieren, más
específicamente, a la respuesta hecha por los profesores-formadores, quienes, en las situaciones
didácticas creadas, optimizaron no solo su comprensión de los contenidos teóricos, asociados
con la actividad de la investigación científica, sino también con la apropiación y el uso de
instrumentos de alfabetización en una perspectiva dialéctica y dialógica. Uno de estos
instrumentos, en particular, fue la escritura del género de artículos científicos.
El texto del artículo fue producido a partir de una necesidad comunicativa, que fue
mediada para satisfacer una de las prácticas académicas más significativas del uso del lenguaje
escrito: la difusión de los resultados de la investigación. Como dice Andreza:
Messias DIEB y Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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¡El apoyo de los profesores en la producción de investigación y artículo fue
increíble! Tanto por la eliminación de dudas, que siempre se resolvieron muy
rápidamente, como por la atención de estar siempre dispuestos a contribuir a
la mejora de nuestro trabajo, a pesar de que tenemos muchos equipos
(Adrezza).
Es precisamente por esta razón que el aprendizaje y el uso de la escritura, tal como se
propone a los estudiantes, necesitan un mayor apoyo de los formadores de profesores. Esto se
justifica porque quien asume el rol de formador debe sin duda comprometerse con los
individuos que se propuso formar, ya que tiene más experiencia y, por ello, ser capaz de
movilizar el conocimiento de esta experiencia para acompañarlos en su proceso de aprendizaje
(TARDIF, 2011). Veamos la nota de Ileana:
Creo que, además de responder preguntas y facilitar cuándo vamos a realizar
futuras investigaciones educativas, la orientación de los profesores también
me abrió los ojos sobre la importancia de hacer investigación; Abrí los ojos
para entender que no era tan difícil o "imposible" como parecía, porque creo
que la mayoría de la gente, que viene de la escuela pública, entra a la
universidad con un candado para escribir, una inseguridad. Al final de la
silla, me sentí más capaz de escribir y con mucha mayor seguridad (Ileana).
En el contexto bajo análisis, para que los estudiantes se apropiaran de la escritura del
género de artículos científicos, los profesores de la disciplina debían activar y crear los más
variados recursos en la enseñanza de esta práctica social. Entre estos recursos estaba el retorno
dialógico de las producciones escritas, que sin duda fue uno de los mecanismos más
productivos, especialmente porque los profesores utilizaron recursos de comunicación digital
contemporáneos, estando bien sincronizados con la realidad de los estudiantes. La creación de
un evento para la presentación y discusión de los resultados de la investigación, a través de
comunicaciones orales, representó, al final de todo, la culminación del trabajo realizado, ya que
la movilización emprendida por los actores de este proceso se dirigió a un objetivo: el
aprendizaje significativo de los estudiantes, es decir, la producción de significados y
experiencias en la enseñanza, Área de operación futura.
investigación científica y la reflexión como bases para una práctica docente satisfactoria
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Consideraciones finales
Como se evidencia a lo largo de la redacción de este texto, la comprensión de la
importancia de la investigación en el aula es una gran contribución a la calidad de la
capacitación. Sin duda, las reflexiones realizadas por los estudiantes, sobre los procesos
educativos y sus complejas dinámicas, los inspiraron a emprender una revisión de sus propias
concepciones sobre cómo aprender y cómo enseñar. En este sentido, consideramos que hicimos
buen uso del espacio de esa aula, incluso oportunidades para hacer una oportunidad para
investigar nuestra propia práctica, que, como afirma Pimenta y Lima (2019), se transpuso a la
simple observación, la participación mecánica y la realización de tarefero en el aula.
Desde esta perspectiva, aprendemos de Pimenta (1999) que el proceso de construcción
de una identidad profesional, como la identidad de un profesor, por ejemplo, se configura en la
construcción misma de su subjetividad, que es intrínseca al contexto socio-histórico en el que
se encuentran los sujetos. Por lo tanto, como profesores (y formadores de profesores), cuando
atribuimos un significado al acto de enseñar, haciendo uso de la investigación científica,
también terminamos produciendo un sentido con los estudiantes en relación con el acto de
aprender. Nuestras acciones didácticas, por lo tanto, tuvieron en cuenta tanto la construcción de
la identidad como la inserción social de esos sujetos al emprender una actividad intelectual aún
más relevante, como fue el caso de la redacción del género del discurso académico artículo
científico.
Prueba de ello es que los estudiantes que participaron de la disciplina, y ayudaron en
esta investigación, señalaron que la problematización y la reflexión sobre la realidad educativa
en la que se insertan se configuraron como aspectos muy valiosos para su formación profesional
docente. Esta percepción es consistente, por lo tanto, con la perspectiva de Pimenta y Lima
(2019), para quienes la didáctica y las metodologías de enseñanza (o prácticas específicas)
necesitan ser constantemente resignificadas, con la enseñanza como foco, es decir, como objeto
de estudio y como base para la reflexión sobre la praxis. Por lo tanto, lo que vimos fue un
conjunto de acciones formativas, con la investigación científica y la reflexión como
fundamentos, a través de las cuales se evidenció que el significado del acto de enseñar, y su
razón de ser en el campo de la Didáctica, se fortalece cuando enfatiza la actividad de los
aprendices (CHARLOT, 2000, 2013), es decir, cuando prevé situaciones pedagógicas
dialógicas y atractivas, constituyendo a los aprendices como copartícipes del proceso educativo.
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Messias DIEB y Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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CRediT Author Statement
Reconocimientos: Queremos agradecer a los estudiantes de la disciplina Investigación
Educativa que participaron con sus charlas sobre las experiencias y aprendizajes construidos
a lo largo del semestre en el que realizaron sus estudios con nosotros.
Financiación: Recursos propios de los autores
Conflictos de intereses: No existe ningún conflicto de intereses con respecto al contenido
de este texto.
Aprobación ética: Siguiendo los procedimientos éticos de investigación con seres
humanos, todos los estudiantes participantes firmaron un Término de Consentimiento Libre
y Esclarecido (TCLE), al momento de la construcción de los datos que resultaron en este
texto. En este TCLE, enfatizamos los objetivos del estudio y las garantías de no divulgación
de sus identidades. Por lo tanto, según lo acordado, todos los nombres presentados aquí son
ficticios, para salvaguardar el anonimato en relación con los estudiantes.
Disponibilidad de datos y material: No aplicable.
Contribuciones de los autores: El primer autor escribió sobre las cuestiones teóricas y
metodológicas involucradas en el estudio, mientras que el segundo autor amplió estas
preguntas analizando/reflexionando sobre las declaraciones de los estudiantes que
participaron en la entrevista.
Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación - EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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SCIENTIFIC RESEARCH AND REFLECTION AS BASIS FOR A SATISFACTORY
TEACHING PRACTICE
A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E A REFLEXÃO COMO ALICERCES PARA UMA
PRÁTICA DE ENSINO SATISFATÓRIA
LA INVESTIGACIÓN CIENTÍFICA Y LA REFLEXIÓN COMO BASES PARA UNA
PRÁCTICA DOCENTE SATISFACTORIA
Messias DIEB1
e-mail: mhdieb@gmail.com
Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA2
e-mail: ivanilobezerra@yahoo.com.br
How to reference this paper:
DIEB, M.; OLIVEIRA, A. I. B. A scientific research and reflection
as basis for a satisfactory teaching practice. Revista Ibero-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 18, n. 00,
e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751
| Submitted: 07/05/2022
| Revisions required: 23/05/2022
| Approved: 07/10/2022
| Published: 01/01/2023
Editor:
Prof. Dr. José Luís Bizelli
Deputy Executive Editor:
Prof. Dr. José Anderson Santos Cruz
1
Federal University of Ceará (UFC), Fortaleza – CE – Brazil. Professor in the Graduate Program in Education at
Faced/UFC. Post-doctorate in Education from the University of California - United States (UCSB).
2
Federal University of Ceará (UFC), Fortaleza CE Brazil. Doctorate student in Education at Faced/UFC.
Teacher in the Fortaleza Municipal Education Network – CE.
A scientific research and reflection as basis for a satisfactory teaching practice
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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ABSTRACT: In this paper, we discuss some elements that can make a teaching practice
satisfactory for learning, considering the relationship between scientific research and teacher
education. The study was developed during a PhD in Education, from our participation in
classes for students of the third semester of an undergraduate degree in Education (Licensure)
at a Brazilian public university, where we conducted semi-structured interviews with 6 (six) of
those students. The discursive textual analysis of the data showed that when teacher trainers,
by inserting the problematization and reflection on facts of the educational experience, through
scientific investigation, contribute, significantly, to a new attitude before knowledge, which
tends to overcome the simple-mindedness observation, as well as the mechanical participation
in the classroom and the idea of an only task-oriented teaching.
KEYWORDS: Research. Teachers’ Knowledge. Theory and Practice. Reflection.
RESUMO: Neste texto, propomo-nos a discutir os elementos que podem tornar uma prática
de ensino satisfatória à aprendizagem dos(as) estudantes, tomando como base a relação entre
a pesquisa científica e a formação. O trabalho, no percurso de uma pesquisa de doutorado em
Educação, foi desenvolvido na participação em uma disciplina do terceiro semestre do Curso
de Licenciatura em Pedagogia de uma instituição pública de ensino superior, onde realizamos
entrevistas semiestruturadas com 6 (seis) estudantes matriculados. A análise textual discursiva
dos dados mostrou que os responsáveis pela formação, ao inserirem a problematização e a
reflexão acerca de fatos da realidade educacional, por meio da investigação científica,
contribuem significativamente para uma nova postura diante do conhecimento, a qual tende a
superar a observação simplória, bem como a participação mecânica na sala de aula e a ideia
de um ensino puramente tarefeiro.
PALAVRAS-CHAVE: Pesquisa. Saberes docentes. Teoria e prática. Reflexão.
RESUMEN: En este artículo, discutimos algunos elementos que pueden hacer que una
práctica docente sea satisfactoria para el aprendizaje, considerando la relación entre la
investigación científica y la formación. El estudio se desarrolló durante un doctorado en
Educación, a partir de nuestra participación en clases para estudiantes del tercer semestre de
una Licenciatura en Pedagogía de una universidad pública brasileña, donde realizamos
entrevistas semiestructuradas con 6 (seis) de esos estudiantes. El análisis textual discursivo de
los datos mostró que cuando los formadores de docentes, al insertar la problematización y la
reflexión sobre acontecimientos de la experiencia educativa, a través de la investigación
científica, contribuyen, significativamente, a una nueva actitud ante el conocimiento, que tiende
a superar la observación inexperta, así como la participación mecánica en la clase y la idea
de una enseñanza meramente orientada a la tarea.
PALABRAS CLAVE: Pesquisa. Saberes docentes. Teoría y práctica. Reflexión.
Messias DIEB and Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
RIAEE Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
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Introduction
When reflecting on the challenges inherent to university teaching and initial teacher
training, as well as the place of Didactics in this context, it is difficult not to wonder: what
elements tend to better support the teaching practice and promote a satisfactory and meaningful
learning among students? As a possible answer to this question, the thesis that guides us in this
text is that the research activity brings together several elements that are essential to this
learning, undoubtedly contributing to the training of future teachers. Among such elements, we
can mention the innovation and creativity that guide the search for new knowledge, helping
them to give meaning to the learning of the teaching profession. In this perspective, we imply
that it is about the very meaning attributed to the act of teaching and to the knowledge that
constitutes the teaching profession, which may allow the teacher to perform his instructional
and educational action more productively.
Based on the question presented in the previous paragraph, this text is based on the
reflections provided by the second author's participation in the courses Didactics of Higher
Education and Teaching Internship, both in the Doctoral Course of the Graduate Program in
Education of a public institution of higher education (IPES in the Portuguese acronym). The
internship, however, was developed in the Degree in Pedagogy course of the aforementioned
institution, under the supervision of the first author, who, in the year 2019, taught the subject
"Educational Research I" to third semester students. With the use of semi-structured interviews,
the goal we pursued here was to discuss the elements that can make a teaching practice
satisfactory to the students' learning, based on the relationship between research and teacher
training.
In this process, we initially resort to the relevant, and already widely accepted,
considerations of Libâneo (1994), Tardif (2011), Pimenta (1999) and Pimenta and Lima (2019),
about the performance of the teacher in the classroom and the process of constitution of his/her
knowledge. We add to the debate with these authors the postulates of Charlot (2000, 2013), for
whom this process is undeniably and inextricably linked to the mobilization of students in
relation to the act of learning. Since Didactics is the main branch of studies of Pedagogy
(LIBÂNEO, 1994), these theoretical choices are justified due to the fact that the act of teaching
implies "[...] mobilizing a wide variety of knowledge, reusing it in the work to adapt and
transform it by and for the work," as has been stated by Tardif (2011, p. 21, our translation) and
will be better discussed in the following section.
A scientific research and reflection as basis for a satisfactory teaching practice
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The contribution of Didactics to the understanding of the meaning of the act
of teaching and of teaching knowledge
For Libâneo (1994, p. 25, our translation), Didactics is configured as the main branch
of studies of Pedagogy because "[...] it investigates the foundations, conditions and ways of
accomplishment of instruction and teaching". In this sense, according to the author, Didactics
has been concerned with establishing "what" and "how" to teach, trying, throughout time, to
respond to the needs that teaching faces, based on the social context in which its main actors
are inserted: teachers and students. It is through this movement of elucidation of the
aforementioned aspects that, in the historical course of this area of knowledge, some
pedagogical trends appeared, which are divided into two large groups: liberal pedagogy and
progressive pedagogy (LIBÂNEO, 1994). They reflect, in a more analytical way, the ways of
processing teaching, considering that each one of them has intrinsic foundations and
characteristics.
The pedagogical tendencies of the Progressive Pedagogy group, with which we are in
tune, consider that education is a political act (FREIRE, 1991) and, without a doubt, defend that
such act can never be disconnected from the context in which it is developed. In this sense, we
understand that the educational act is configured as a social practice that needs to take into
account the wishes of those involved, who, in articulation, should think about a project of
transformation of their personal and social realities. Thus, based on these tendencies, didactics
becomes constituted in the coherence between the aforementioned transformation project and
the classroom experience built by teachers and their students.
In other words: it is in the classroom (not limited to the physical space) that these actors
should think about the problems of practical life and seek their solutions, thus effecting a
contextualized and meaningful education. This is justified because didactics and teaching
practice function as mediators both for the formative action of students, who may become future
teachers, and for the work of the teacher who is already in full exercise. In this perspective,
Charlot (2000, 2013) suggests that it is experience that allows us to attribute meaning to any
human activity, including the act of teaching and learning. Thus, the act of educating implies
the transformation of knowledge and not only its transmission.
On this issue, like Larrosa and Kohan (2016, p. 05, our translation), we argue that
education is practiced "[...] to transform what we know, not to transmit what we already know".
Since the meaning attributed to the act of teaching assumes its "contours" in the transformation
of what we know, thinking about Didactics, and our performance as teachers, demands us
Messias DIEB and Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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educational projects in which "theory and practice, school and society, content and form,
technique and politics, teaching and research" are articulated; [which demands to consider] a
didactics that conceives teachers as subjects who learn a profession and become professionals
as they learn by teaching" (FARIAS; SALES; BRAGA; FRANÇA, 2011, p. 17, our translation).
Similarly, it is necessary to think of teacher training as a key moment of their socialization and
their professional teaching configuration, through which a didactic process must be carried out
in which knowledge is contextualized with their personal and social life, and the relationship
between them and their trainers takes place in a dialogical and respectful way (NÓVOA, 1995).
Therefore, it is a process of insertion in the cultural and social space of teaching so that students
can understand the elements that intervene in teaching practice.
In this perspective, whatever the teaching action, planned and executed, it needs to take
into consideration the students' life trajectory, their previous knowledge and the material
conditions through which the teaching and learning activities take place. In this way, we should
always think of formative actions concerned with qualifying real teachers for real teaching
situations, in which the expectations of personal and social transformation of both the trainee
and the trained prevail. It is in this direction that the research activity assumes a relevant
formative role insofar as the future teacher deepens the knowledge about the practice "[...]
ceasing to be a simple performer and becoming a professional researcher and conceptualizer"
(PEREZ, 1999, p. 274, our translation). After all, training demands actions that view teaching
as "a complex professional activity, as it requires diversified knowledge. This means that the
knowledge that supports teaching requires professional training from a theoretical and practical
perspective” (VEIGA, 2009, p. 20, our translation).
Still on this issue, we learn from Tardif (2011) that teaching knowledge is a construction
in the field of subjectivity and, therefore, it is related to the teacher's person, his/her experience,
the relationship with his/her peers and, especially, with students. Thus, they are plural
educations, constituted from knowledge derived from professional training, from various
disciplinary fields, from curricular accommodations, and from situations that have been
experienced by them. For this author,
[...] in his work, a teacher draws on his personal culture, which stems from his
life history and previous school culture; he also draws on certain disciplinary
knowledge acquired at university, as well as on certain didactic and
pedagogical knowledge derived from his professional training; he also draws
on what we can call the curricular knowledge conveyed by programs, guides
and textbooks; he draws on his own knowledge linked to work experience, on
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the experience of certain teachers, and on traditions peculiar to the teacher's
craft (TARDIF, 2011, p. 262-263, our translation).
For all these reasons, teaching knowledge is, at the same time, considered unique and
social, because it also receives external influences, such as family, workplace, and the many
relationships and experiences that teachers had as students throughout their school careers.
In these trajectories, subjects develop beliefs and representations about "what" and
"how" to teach, even before they enter the teaching profession, and carry them with them,
constituting, in large part, a basis for the construction of their professional knowledge. About
such elements, Campos (2013, p. 43, our translation) states that these beliefs and representations
"[...] are personal, emotional, and articulate themselves as a hierarchical filtering system about
what is true in teaching and learning, and are consolidated over time as experiences crystallize
in a successful way". Campos (2013) also states that it is very difficult to change this belief
system of teachers, because, most of the time, it is constituted through mirroring with the
practice of former masters, of whom they were students in previous times, and becomes
crystallized as being, sometimes, their primary reference point.
In this sense, we add to the ideas of Campos (2013) a problematizing element: what if
the teachers who serve as reference to new teachers are based on outdated pedagogical trends
and alien to the social context in which the latter are inserted? This anachronism can then cause
some problems in their daily professional lives, because it is a repertoire of teaching models
that no longer matches or corresponds to the current social and political demands. This can
occur, moreover, both with regard to the relationship between student and teacher as in relation
to the treatment of content, for which the use of more participatory and socially committed
teaching methodologies is expected, as is the case of training based on research (DEMO, 2010).
Based on these aspects, it is necessary to agree with Tardif (2011, p. 61, our translation)
regarding the complexity around the knowledge of the teaching professional field, since they
are built in a plural, composite and heterogeneous way, bringing "[...] to the surface, in the very
exercise of the work, knowledge and manifestations of know-how and know-how-being quite
diverse and coming from different sources, which we can also assume that they are of different
nature".
Further elaborating on this idea, and defining his typology of sources from which
teaching knowledge originates, Tardif (2011) states that teachers' knowledge is not exclusively
made up of knowledge transmitted by the educational sciences during professional training.
They are also influenced by pedagogical knowledge, which is understood by the author as
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"doctrines or conceptions arising from reflections on educational practice in the broad sense of
the term [...] and which provide, on the one hand, an ideological framework for the profession
and, on the other, some forms of know-how and some techniques" (TARDIF, 2011, p. 37, our
translation).
Disciplinary knowledge, in the author's view, consists of the various fields of human
knowledge that are integrated in the form of disciplines. This knowledge emerges from the
cultural tradition and social groups that produce knowledge, and is not produced by teachers,
but is mobilized by them in the action of teaching. In addition, curriculum knowledge
corresponds to "[...] the discourses, objectives, contents, and methods from which the school
institution categorizes and presents the social knowledge defined and selected as models to the
erudite culture and training for erudite culture" (TARDIF, 2011, p. 38, our translation). In other
words, this is the knowledge that is presented in the form of teaching programs, through
objectives, content and methods that the teacher must learn and mobilize in the teaching
function. Finally, there is experiential knowledge, which comes from individual and collective
experience as something practical and is validated and shared with peers in the course of the
profession. Therefore, they do not come from the training institutions, nor from the curricula,
since they manifest themselves in the form of a habitus and of skills that involve both know-
how and know-how-to-be. (TARDIF, 2011).
Representing a complex web, the knowledge of experience is, in Therrien's (1995, p.
01) words, the result of the "transformation in the praxis of the various instituted knowledge
(curricular, disciplinary, and professional training), as well as knowledge of social practice and
culture". They are what define teaching professionalism and elevate the teacher to the status of
a professional. In this same perspective, for Nunes (2001), the knowledge of experience is
configured, in sum, as the original knowledge of teachers, in the sense of integrating their
identity and constituting a fundamental element in their practices and pedagogical decisions.
Synthesizing this discussion, we can say, therefore, that the "ideal teacher" would be the one
who knows his subject, his discipline and his program, who has certain knowledge regarding
Educational Sciences and Pedagogy, and who develops a practical knowledge, essentially based
on the daily experience with the students (TARDIF, 2011).
In addition, the reflections of Charlot (2000, 2013), about the didactic situation, point to
the fact that the learner subject only gets involved and/or develops an intellectual activity if
before he mobilizes himself in relation to it. However, for him to be mobilized, the situation
experienced, in which the activity is involved, must produce meaning, that is, it must awaken
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in the subject a desire to mobilize and a will to learn. Therefore, we can infer that it is the
knowledge of experience (TARDIF, 2011) that probably tend to best help the teacher as to the
perception of the most appropriate way to lead their students to mobilize for the engagement in
an intellectual activity.
This reflection is equally valid for the didactic situation in which we find ourselves: the
training of future teachers, in which they are learning the contents of their profession. But what
would "meaning" be in this perspective? Since activity is understood as an intellectual challenge
that is presented to the subject, meaning, for Charlot (2000, 2013), transcends the immediate
meaning that a subject constructs in relation to something, and implies, in turn, a value, an
importance that this thing assumes in his life. Thus, when feeling the need to apprehend some
activity, that is, to master it, the subject gets involved because he wants to construct himself as
someone who knows how to exercise such activity in the world. This implies a dynamic that is
internal to him and that allows him to know about something, corresponding to what Charlot
(2000, 2013) defines as mobilization, distinguishing it from the process of motivation. Even
though he recognizes differences between the two concepts, he says that they end up meeting,
because if it is true that someone is mobilized to achieve a certain goal that motivates him to do
something, it is also true that people are motivated by something that can mobilize them.
Therefore, in order to learn, it is essential that the individual is mobilized, that is, invested in an
activity making use of himself as a resource that was driven by a desire, a meaning and a value.
Such aspects are valid for both teaching and learning activities. Therefore, the
pedagogical relationship tends to be more productive when the teacher finds meaning in what
he teaches and the student finds meaning in what he has to learn. Thus, we can find in Veiga's
(2009) proposition the corroboration of these ideas when the researcher states that it is necessary
to have professional training in a theoretical and practical perspective for the construction of
knowledge to support teaching. In other words, this implies that the theoretical knowledge
should be presented to the trainees as elements loaded with meaning, that is, with a subjective
value, once it integrates the daily experience of these subjects and also establishes a relationship
with practical characteristics (CHARLOT, 2000, 2013).
Given this finding, we consider that this is what probably happened in the didactics
undertaken during the classes in the discipline "Educational Research I": they represented an
opportunity for teacher training along the lines outlined by Veiga (2009), articulated within a
research activity. This is justified because all the elements that make up the planning of teaching
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were articulated during the mentioned subject, aiming to achieve, throughout the research
exercise, the relationship between theory and practice, as we will see below.
From now on, then, we will analyze how these reflections were elaborated in the course
of the teaching activity exposed here.
The construction of meaning for teaching and learning in the classroom
experience
For Pimenta and Lima (2019), didactics as an epistemological field, i.e., the construction
of knowledge about teaching and teaching practice, cannot do without reflection and research.
In this perspective, Pimenta and Lima understand the internship experience also as a research
field, and that it can greatly contribute to the construction of the teacher's professional identity.
For this reason, it is through the internship that teachers, both those in the process of training
and those who work as trainers, will access significant elements for the understanding and the
theoretical and practical deepening in relation to pedagogical knowledge and teaching practice,
especially, according to Pimenta and Lima, when it is linked to public institutions. This is
justified because, on a large scale, educational problems are even more prominent in the public
sphere, which requires an even greater reflexive engagement.
Based on this reality, Pimenta and Lima (2019) suggest that the teacher trainer should
configure himself as a critical-reflective professional and, above all, a researcher of his praxis
and of the educational praxis that are carried out in his work environment. Taking this
perspective as a theoretical support, it is necessary to explain that the teaching action analyzed
here is not configured as an internship as a curricular component of the undergraduate courses,
but as a formative experience demanded by a graduate course in education stricto sensu, in
which both the educational researcher and the teacher are in professional development,
continuing their initial training, now at a higher level. It is, therefore, a discipline in this post-
graduation course called Teaching Internship, which allows the post-graduate student, either at
the master's or doctoral level, to have a teaching experience in a Pedagogy undergraduate class.
The reflection undertaken here took place in the third-semester Pedagogy class of the
School of Education of an IPES. The discipline attended by that class, in the first semester of
2019, was "Educational Research I", whose menu expresses as objectives: "a) develop the
scientific spirit; b) present the main types of research; c) develop the ability to read texts and
scientific reports; and d) exercise the student in the preparation and execution of a research".
To reach these objectives, we sought to develop a teaching methodology that integrated the
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theoretical discussions about the activity of scientific research to its practical content, relating
them especially to the research know-how.
The emphasis on learning research in a Pedagogy course is justified insofar as this
activity, along with teaching and educational management, makes up the dimensions of the
education of the pedagogue: to be a scientist in the field of education and an investigator of the
phenomena and problems that concern the pedagogical work. Thus, at the beginning of the
activities, the teachers (teacher and trainee) dialogued the key concepts of scientific research,
as well as the main characteristics of this activity in the Social Sciences until it reached
educational research, the subject's central interest. Through this methodology, the students had
the opportunity to confront their previous knowledge about the theme, through dialog and
interventions during the exposition of the contents. It was also necessary to present the main
genres of scientific writing experienced in the academic environment and their characteristics,
with emphasis on the scientific article genre, which would be produced by them at the end of
the first semester of 2019.
After the initial meetings dedicated to the theoretical exposition, the class, formed by
46 (forty-six) students, was divided into 8 (eight) groups. Each of these groups was asked to
plan a 4h/y seminar with the objective of presenting, to the whole class, a certain theme related
to the activity of scientific research. The seminar themes were selected in a chained way, so
that the students could understand the complexity of this academic and scientific practice. They
were: 1) Science and the construction process of scientific knowledge; 2) The importance of
writing for the education of the researcher; 3) Characteristics and purposes of research in the
Human and Social Sciences; 4) Characteristics and purposes of research in Education; 5)
Qualitative Data Construction and Analysis Methods in Education; 6) Ethnography, Case
Study, and Ethnographic Case Study; 7) Autobiographical Research and Collaborative
Research; 8) Participatory Research and Action Research. To support the seminars, the teachers
(the course director and the trainee) acted as "born-members" in all the groups, informing the
students that they would give their contributions during the dialogical exposition.
The professors also provided reference texts about the themes and a guiding script
(lesson plan) for the systematization of the presentation of the referred seminars. In parallel,
throughout the months of the semester, the members of each team had to think of a concrete
problem in the educational universe of their surroundings in order to carry out scientific
research about it and, later on, write a report about this research in the form of a scientific
article. All these activities were done in a collective way due to the operational aspects,
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especially the guidance and the follow-up of the written productions, since it was impossible to
do it in a singular way. It is important to emphasize that, in these activities, the students were
accompanied by the teacher responsible for the subject and the intern, who gave them all the
necessary feedback for the consolidation of the expected learning. At the end of the course, in
the format of an oral communication presentation at academic events, all the articles were
presented with the results of the research.
When reflecting on the activities carried out, we recall the ideas of Fischer (2009), who,
when analyzing the dimensions on which teaching and learning are effectively processed in the
university, asks: how can there be growth of the students if they are provided with activities
that limit them to hear and see, see and hear and then reproduce? For this researcher, "[...] one
of the main reasons for teaching practice at university is to make students think, seek solutions
to new problems, discover original alternatives to theoretical and practical challenges"
(FISCHER, 2009, p. 311, our translation).
In this sense, the training experienced in the course in question enabled the
understanding alluded to by the researcher, since not only those students, as future
pedagogues/teachers in the process of initial training, but also the intern who followed the
activities, were faced with theoretical and practical confrontations raised by the area of
Education as a field of action and production of knowledge. However, to go a little further in
these reflections, we believe it would be necessary to hear the opinions of the students
themselves about how the activities experienced in the course would be impacting their training
and/or making sense to them. As a trainee and teacher-supervisor, we thought that the
understanding about some aspects emerging from these feedbacks would make the teaching
experience more significant in formative and professional terms for all the social actors
involved.
As to the methodological aspect, to access these opinions, we carried out, besides the
usual observations, a semi-structured interview with the students. Our objective was to get to
know the aspects, among those experienced in the course taken, that would be highlighted by
the students as being relevant for their training as teacher/pedagogue, considering, also, the
methodological proposal developed by the professors of the course and the elements that made
their learning more satisfactory and significant. Near the end of the semester activities, we
invited the class and 6 (six) students (2 males and 4 females) volunteered to participate in the
interviews, which were held at times agreed upon with them due to the lack of time available.
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It is worth mentioning that, following the ethical procedures of research with human
beings, all the participating students signed a Free and Informed Consent Form (FICF), on the
occasion of the data construction that resulted in the present text. In the mentioned FICF, we
emphasized the objectives of the study and the guarantees of non-disclosure of their identities.
Therefore, as agreed, all the names presented here are fictitious, to preserve the students'
anonymity.
Relevant aspects highlighted by students
After transcribing the interviews, we performed an exercise of textual discourse
analysis, which can be described as a process of unitarization of texts with their respective sets
of meanings (MORAES, 2003). This is justified because, in this perspective of analysis, the
texts are divided into units of meaning, which can also function as generating sources of other
sets of units emerging from the relationship between the empirical interlocution, the theoretical
interlocution and the interpretations that are performed by the researcher. Following this
unitarization, we proceed to the articulation between the similar meanings, whose process is
called categorization, in parallel with the replacement of the students' names by fictitious
names. This being so, from the set of data built by means of the interviews, three categories of
relevant aspects emerged that were pointed out by the students as being significant as to the
manner in which the activities experienced in the course had an impact on their learning and,
consequently, their training: 1) Articulation between theory and practice in the training of a
teacher-researcher; 2) Learning in collective contexts; and 3) Teaching follow-up as support for
learning.
Regarding the first aspect (articulation between theory and practice in the training of the
teacher-researcher), all interviewees reported that the course made it possible for them to realize
that the training of the teacher/pedagogue also includes processes that enable them to do
research. Here is a sample of the statements of two subjects.
In my opinion, the discipline of educational research was of great relevance
to my training as an educator, because it leads the Pedagogy student to go
beyond the theoretical competencies that are seen in the university classroom.
When we went out into the field as researchers, it was possible to travel
through different environments and interact with people from different social
contexts. This is very enriching, as it allowed us to acquire a knowledge of the
world, as well as new knowledge acquired from the research results. This new
knowledge will help us to act more appropriately, when we graduate, in the
classroom or in other sectors as educators. (Josenira).
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When I enrolled in the course, I imagined that I would see a lot of methods,
writing formats, scientific writing, all that stuff. But the teacher and you
[referring to the trainee], when you decided to approach research in
Education, promoting a space for research, for reflection and discussion in
the classroom, awakened in me the importance that I already had a notion of,
but that, after this course, was brought to the surface: it is the idea of the
teacher-researcher. (Adrezza).
Given these reports and the theoretical contribution brought in this writing, we saw that
the process of knowledge production of future teachers really needs to be not only diversified,
but essentially connected to the institutional realities of the school and its surroundings. Having
the school as the main field of reflection for these subjects, we saw how much the future
teachers advanced in the understanding of a training that does not dissociate the theoretical from
the practical (VEIGA, 2009). For this reason, in the opinion of 04 (four) of the interviewees,
training should not be dichotomous, because teaching and research activities gain a lot when
they go together, as an excerpt presented here by André.
In my opinion, the main aspect that I would place as relevant was that being
a teacher, for me, presupposes that it is necessary to constantly and
systematically research your own practice, right? You can't just stop your
training when you receive a diploma and think that, with that, you have
authority and, there, you don't need to improve yourself any more. (André).
The students reported that it is not only possible, but also desirable and very profitable
a teacher training that enables them to be researchers of their own practice. As we can see, the
students, still in the process of initial training, are already aware that, in learning to teach, it is
necessary to think about concrete situations from day to day, in which there will always be an
expectation of personal and social transformation. In this sense, the understanding about the
importance of research becomes even more notorious, even for us who were conducting the
contents and guiding them in this activity, according to Yasmin's report.
One of the fundamental aspects of the discipline "Educational Research I"
was in the formation of the identity of the pedagogue as a researcher in the
area of Education. Particularly, I didn't even know that research was an area
of possible action as a pedagogue; and today, I find myself delighted, seeing
educational research as an instrument of social transformation. (Yasmim).
Analyzing these excerpts, the student's speech authorizes us to say that bringing the
reality of her social context to the classroom in college, so that it can be discussed and reflected
upon, is extremely relevant, since it allows the construction of knowledge that goes beyond
theoretical competences. From this perspective, such competences tend to be used by the
A scientific research and reflection as basis for a satisfactory teaching practice
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students themselves as an element of training, reminding us of Tardif's bet (2011) when he
suggests an epistemology of classroom practice, which is also referenced by authors such as
Pimenta and Lima (2019). About this, one of the interviewed students expressed herself thus:
The discipline is dense, but was masterfully applied by the teachers. In organizing the
seminars, we were able to learn in order to teach, to build this knowledge together, which was
a very pleasant experience. (Yasmim).
Indeed, learning about what it is to be a teacher should be built in the same way as
learning about doing-science, that is, in the collectivity, always impregnated with doubts,
questions and the complexity of the real. After all, "scientific knowledge, while collective
practice, is the result of a complex articulation [...] of possible relationships" (REIS; FROTA,
2012, p. 73, our translation). It is about a formation, therefore, that has as a basis reflection and
not the perceptions of common sense and its certainties, from which it would be up to the
students only the simple task of reproducing models.
As to learning in collective contexts, which is the second aspect highlighted by the
students, three of those interviewed emphasized the importance of teamwork in the performance
of the activities of the course. For them, these were extremely important learning experiences,
highlighting: the organization of seminars to present to the class a certain type of research; the
choice of a problem to be researched; the selection of the adequate methods and techniques to
investigate the chosen problem and, finally, the collective writing of the article and its later
socialization in the format of presentation of oral communication in scientific events, as the
students highlighted:
We began the course already being informed that the result would be an
article produced in group. This encourages the student to research, because
he knows that he will present a product of his activities to the whole class at
the end of the semester. And this stimulates teamwork, which is an essential
aspect for the pedagogue, because at school he/she will work with other
teachers in thematic projects, political-pedagogical projects, inclusion
projects, among others. Thus, he needs to develop empathy, patience,
resilience, perseverance, dialogue, respect, and orality (Ian).
This part was also very difficult and formative: searching for a question that
pleased everyone, agreeing on the execution of the work, and managing to
present a good work. This was of great enrichment as an educator (Ileana).
These excerpts allow us, in a way, to infer the mobilizations that made the students
engage in the proposed activities (CHARLOT, 2000). Certainly, the collective work is what
stands out, making it necessary to point out, in Ian's speech, the association made between the
Messias DIEB and Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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collective work in carrying out the discipline's activities and the work to be developed by the
pedagogue in the school space.
This demonstrates that the subject, still in formation, already projects his professional
performance when formed, which signals the fact that it should be and be based on the
interaction with other co-workers. As mentioned by Tardif (2011), we found in this study that
the interaction between and with peers is also relevant in the construction of teaching
knowledge. Therefore, Ileana's speech was also relevant for us to understand how important it
is to have Didactics that propose collective activities even in the process of initial training for
teaching.
The same aspect is valid for any other professional area that has as its focus the
interaction with humans, especially in times marked by individualism and the absence of
collaboration, so harmful to teamwork. This being so, we reaffirm the need that, since the
beginning of their training, students should have the opportunity to organize the strategies that
will help them the most in group work, which is something complex, but of high formative
value, as pointed out by Ileana. From this point of view, our reflection leads us to the third and
last aspect highlighted by the students as relevant to their education as teachers/pedagogues.
This aspect also takes into consideration the methodological proposal developed by the
teacher-trainers in the course: the teaching follow-up as a support for learning, as reported by
Ian.
The continuous monitoring of the professors and their readiness to provide
feedback for the students to improve their work. [...] In the seminars, the
students presented the researched contents and the professors ratified,
demystified and expanded the exposed concepts, always applying them to the
research practice (Ian).
As we can see in this report, the students considered the continuous monitoring by the
teachers as impacting in relation to their learning. They refer, more specifically, to the
feedbacks made by the teacher-trainers, which, in the didactic situations created, optimized not
only their understanding about the theoretical contents, associated with the activity of scientific
research, but also the appropriation and use of literacy instruments in a dialectic and dialogic
perspective. One of these instruments, in particular, was the writing of the scientific article
genre.
A scientific research and reflection as basis for a satisfactory teaching practice
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The text of the article was produced from a communicative need, which was mediated
to meet one of the most significant academic practices of written language use: the
dissemination of research results. As Andreza states:
The support of the professors in the production of the research and the article
was incredible! Both by removing doubts, which were always solved very
quickly, and by the attention in always being willing to contribute to the
improvement of our work, even with many teams (Adrezza).
It is exactly for this reason that the learning and use of writing, as proposed to the
students, needed a greater support from the teacher-trainers. This is justified because the one
who assumes the role of trainer must be committed, without a doubt, to the individuals he or
she proposed to train, considering that he or she is more experienced and, for this reason, be
able to mobilize the knowledge of this experience to accompany them in their learning process
(TARDIF, 2011). Let's see Ileana's note:
I think that, besides clearing up doubts and making it easier for us to conduct
future educational research, the professors' guidance also opened my eyes
about the importance of doing research; it opened my eyes to understand that
it was not as difficult or "impossible" as it seemed to be, because I think that
most people, who come from public school, enter university with a lock on
writing, an insecurity. At the end of the course, I felt better able to write and
with a lot more confidence. (Ileana).
In the context under analysis, for the students to appropriate the writing of the scientific
article genre, the teachers of the discipline needed to activate and create the most varied
resources in the teaching of this social practice. Among these resources was the dialogical
feedback of the written productions, which was, without a doubt, one of the most productive
mechanisms, especially because the teachers used contemporary resources of digital
communication, being well synchronized with the reality of the students. The creation of an
event for the presentation and discussion of the results of the research, by means of oral
communications, represented, at the end of it all, the culmination of the work carried out, since
the mobilization undertaken by the participants of this process was directed towards one goal:
the significant learning of the students, that is, the production of meanings and experiences in
teaching, their future field of work.
Messias DIEB and Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
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Final remarks
As evidenced throughout the writing of this text, the understanding about the importance
of research in the classroom configures itself as a great contribution to the quality of the training.
Without a doubt, the reflections made by the students about the educational processes and their
complex dynamics inspired them to undertake a revision of their own conceptions about how
to learn and how to teach. In this sense, we consider that we made good use of the space of that
classroom, giving us, also, a moment of investigation of our own practice, which, as Pimenta
and Lima (2019) state, went beyond the simple observation, the mechanical participation and
the task-oriented regency in the classroom.
In this perspective, we learn with Pimenta (1999) that the process of construction of a
professional identity, such as the identity of a teacher, for example, is configured in the very
construction of his/her subjectivity, which is intrinsic to the social and historical context in
which the subjects are. Therefore, as teachers (and teacher trainers), when we attribute a
meaning to the act of teaching, making use of scientific research, we also end up producing a
meaning to the students in relation to the act of learning. Our didactic actions, therefore, took
into consideration both the identity construction and the social insertion of those subjects when
they engaged in an intellectual activity even more relevant, as was the case of the writing of the
academic discourse genre scientific article.
Proof of this is that the students who participated in the course, and helped in this
research, pointed out that the problematization and reflection about the educational reality in
which they are inserted were configured as very valuable aspects for their professional teaching
training. This perception is in line with the perspective of Pimenta and Lima (2019), for whom
didactics and teaching methodologies (or specific practices) need to be constantly redefined,
with teaching as the focus, that is, as the object of study and the basis for reflection on praxis.
Therefore, what we saw was a set of formative actions, with scientific research and reflection
as foundations, through which it became evident that the meaning of the act of teaching, and its
raison d'être in the field of Didactics, is strengthened when it emphasizes the activity of the
learners (CHARLOT, 2000, 2013), that is, when it provides opportunities for dialogical and
engaging pedagogical situations, constituting the learners as co-participants in the educational
process.
A scientific research and reflection as basis for a satisfactory teaching practice
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CRediT Author Statement
Acknowledgements: We would like to thank the students of the discipline Educational
Research who participated with their speeches about the experiences and learning built
throughout the semester in which they carried out their studies with us.
Financing: Authors’ own resources.
Conflicts of interest: There are no conflicts of interest of any kind regarding the content of
this text.
Ethical approval: Following the ethical procedures for research with human beings, all
participating students signed an Informed Consent Form (ICF) during the construction of
data that resulted in this text. In that ICF, we emphasized the objectives of the study and the
guarantees of non-disclosure of their identities. Therefore, as agreed, all names presented
here are fictitious, to preserve the anonymity of the students.
Data and material availability: Not applicable.
Authors' contributions: The first author wrote about the theoretical and methodological
issues surrounding the study, while the second author expanded on these issues by
analyzing/reflecting on the interviewees' statements.
Processing and editing: Editora Ibero-Americana de Educação.
Proofreading, formatting, normalization and translation.