Messias DIEB e Antonio Ivanilo Bezerra de OLIVEIRA
RIAEE – Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 18, n. 00, e023004, 2023. e-ISSN: 1982-5587
DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v18i00.16751 15
“A disciplina é densa, porém, foi aplicada com maestria pelos professores. Na organização dos
seminários, pudemos aprender para ensinar, construir junto esse conhecimento, o que foi uma
experiência bem prazerosa” (Yasmim).
Com efeito, a aprendizagem sobre o que é ser professor deve ser construída da mesma
maneira que a aprendizagem sobre o fazer-ciência, isto é, na coletividade, sempre impregnada
de dúvidas, de perguntas e da complexidade do real. Afinal, “o conhecimento científico,
enquanto prática coletiva, é resultante de uma articulação complexa [...] de relações possíveis”
(REIS; FROTA, 2012, p. 73). Trata-se de uma formação, portanto, que tenha como base a
reflexão e não o achismo do senso comum e suas certezas, a partir das quais caberia aos(às)
estudantes apenas a simples tarefa de reproduzir modelos.
No que diz respeito à aprendizagem em contextos coletivos, que é o segundo aspecto
destacado pelos(as) estudantes, três dos entrevistados enfatizaram a importância do trabalho em
equipe na realização das atividades da disciplina. Para eles, foram aprendizagens extremamente
importantes, destacando: a organização dos seminários para apresentar à turma um determinado
tipo de pesquisa; a escolha de um problema a ser pesquisado; a seleção dos métodos e técnicas
adequados para investigar o problema escolhido e, por fim, a escrita coletiva do artigo e sua
posterior socialização no formato de apresentação de comunicação oral em eventos científicos,
segundo destacam os estudantes:
Começamos a disciplina já sendo informados de que o resultado seria um
artigo produzido em grupo. Isso incentiva o estudante a pesquisar, pois sabe
que apresentará um produto de suas atividades para toda a turma no final do
semestre; e por ser em grupo, de certa forma facilita a elaboração do artigo,
pois é um exercício cansativo, longo e complexo, quando realizado sozinho.
E isso estimula o trabalho em equipe, que é um aspecto essencial para o
pedagogo, pois, na escola, ele trabalhará com outros professores em projetos
temáticos, projetos político-pedagógicos, projetos de inclusão, dentre outros.
Assim, necessita desenvolver a empatia, paciência, resiliência, perseverança,
diálogo, respeito e oralidade (Ian).
Essa parte também foi muito difícil e formativa: procurar uma questão que
agradasse todo mundo, entrar em um acordo quanto à execução do trabalho
e conseguir apresentar um bom trabalho. Isso foi de grande enriquecimento
enquanto pedagoga (Ileana).
Estes excertos nos permitem, de certo modo, inferir as mobilizações que fizeram com
que os(as) estudantes tivessem se engajado nas atividades propostas (CHARLOT, 2000).
Certamente, o trabalho coletivo é o que se destaca, fazendo-se necessário apontar, na fala de
Ian, a associação feita entre o trabalho coletivo na realização das atividades da disciplina e o
trabalho a ser desenvolvido pelo pedagogo no espaço escolar.