image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792898ESCOLA CONFESSIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMÓRIAS DE UM PROCESSO CIVILIZADOR DE MENINASESCUELA CONFESIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMORIAS DE UN PROCESO CIVILIZADOR DE NIÑASINSA CONFESSIONAL SCHOOL, SALINAS/MG: MEMORIES OF A CIVILIZING PROCESS FOR GIRLSLílian Gleisia Alves dos SANTOS1Tony HONORATO2Felipe Eduardo Ferreira MARTA3RESUMO:A proposição consiste em interpretar as memórias de formação e de relações civilizatórias das meninas estudantes no Instituto “Nossa Senhora Aparecida”(INSA) Salinas-MG (1951-1972). O INSA foi criado em 1951, sua organização contou com a ação das freirasClarrisas Franciscanas. O estudo está situado noscamposda memória (HALBWACHS, 2006), história oral (PORTELLI, 2016) e das teorias dos processos civilizadores (ELIAS, 1993,1994). Trata-se de uma abordagem qualitativa em que foram entrevistadas ex-estudantes do Instituto,eas suasevocações nos fizeram compreender que a figuração educacional apresentava características de um processo civilizador de meninas que se constituiu por meio de modelagem de hábitos e comportamentos através de práticas tradicionais e políticas-culturais. Consideramos queas memórias revelam a formação no INSA conectada a um modelo de organização social e civilizatória: as alunas eram educadas para demonstrar sutileza, delicadeza, obediência e disciplina em contextos de desigualdades de gênero e de orientação católica.PALAVRAS-CHAVE:Memória. Escola confessional. Processo civilizador. Costumes. Mulheres.RESUMEN:La propuesta consiste en interpretar las memorias de formación y relaciones civilizatorias de las alumnas del Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) Salinas-MG (1951-1972). El INSA fue creado en 1951, y su organización contó con la acción de las monjas Clarisas Franciscanas. El estudio se sitúa en el ámbito de la memoria (HALBWACHS, 2006), la historia oral (PORTELLI, 2016) y las teorías de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993; 1994). Entrevistadas antiguas alumnas del Instituto, sus evocaciones nos hicieron comprender 1Instituto Federal de Ciência, Tecnologia e Educação do Norte de Minas Gerais(IFNMG), Salinas MG Brasil. Docente da área de Didática e Fundamentos da Educação. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade(UESB). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5363-2069. E-mail: liliangleisiasantos@gmail.com2Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Docente do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação. Professor Associado-B.Doutoradoem Educação Escolar (FCLAr/UNESP).ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3057-1157. E-mail: tony@uel.br3Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Vitória da Conquista BA Brasil. Docente do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade. Docente do Curso de Licenciatura em Educação Física (UESC). Doutoradoem História (PUC-SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0501-4298. E-mail:fefmarta@gmail.com
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792899que la figuración educativa presentaba características de un proceso civilizador de las niñas que se constituía en el modelado de hábitos y comportamientos a través de prácticas tradicionales y político-culturales.Consideramos que las memorias revelan la formación en el INSA conectada a un modelo de organización social y de civilización, los estudiantes fueron educados para demostrar sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina en contextos de desigualdades de género y orientación católica.PALABRAS CLAVE:Memoria. Escuela confesional. Proceso de civilización. Costumbres. Mujeres.ABSTRACT:The proposition consists of interpreting as memories of formation and civilizing relations of the girls students at the Instituto “NossaSenhora Aparecida” (INSA) Salinas-MG (1951-1972).The INSA was faunded in 1951, and its organization was supported by the Clarissas Franciscanas. The study is situated in the field of memory (HALBWACHS, 2006), oral history (PORTELLI, 2016) and theories ofcivilizing processes (ELIAS, 1993; 1994). It is a qualitative approach in which former students of the Institute were interviewed, their evocations made us understand that the educational figuration presented characteristics of a civilizing process of girls that was constituted through the modeling of habits and behaviors through traditional and political-cultural practices. We consider that the memories revealed are a model of formation at INSA connected to a social organization, to which they were educated for civilization, and disciplinary in contexts of gender inequality and subtle orientation.KEYWORDS:Memory. Confessional school. Civilizing process. Customs. Woman.IntroduçãoEsta pesquisa, inscritana área de História da Educação,aborda pressupostos em um contexto específico de grupo de ex-estudantes meninas. A atividade educativa de formação foi promovida por professoras/irmãs pertencentes à igreja católica, fato que trouxe desdobramentos no ensino escolar em Salinas, uma cidade situada no norte de Minas Gerais. O estudo abrangeu o período de 1951 a 1972, isso considerando a criação, a implantação e o funcionamento da primeira escola ginasial e secundária naquele município.O Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) foi criado em Salinas/MG no ano de 1951, escola confessional dirigida por freiras da Congregação Irmãs Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento. Tinha como missão o ensino das primeiras letras, ginasial e secundário, este, a princípio,para a formação de normalistas. A formação por essa escola era permeada pela propagação de costumes, valores e princípios educativos civilizatórios, realidade que tomamos como objeto de análise para o descortinamentode tramas sociais, educacionais, culturais e políticas.
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792900Em Salinas, vislumbrando ampliação do ensino por instituição formal, buscou-se na Congregação Franciscana um apoio, visto que esta já era reconhecida pelo trabalho missionário e de dedicação realizado em prol da educação com professoras intelectualmente vistas e respeitadas, as freiras Clarissas Franciscanas. As irmãs eram estimadas por se dedicarem em iniciativas a bens comuns, com ações de lutas e persistência a partir de práticas pedagógicas cultivadas ao ensino pela religiosidade e costumes morais.Como estratégia metodológica a nossa pesquisa tomou como fonte histórica entrevistas de história oral e de vida de ex-estudantes do INSA, documentos do acervo do instituto, impressos informativos e pedagógicos. As fontes foram analisadas a considerar concepções teóricas específicas do campo dos estudos da memória (HALBWACHS, 2006), da história oral (PORTELLI, 1997,2016) e da teoria dos processos civilizadores (ELIAS, 1993,1994). Assim, este artigo se apropriou de memórias de ex-estudantes objetivando interpretar a formação e as relações civilizatórias das meninas formadas pelo INSA Salinas/MG (1951-1972). Os testemunhos orais foram evidências fundamentais para análise das ações civilizatórias no tensionamento entre passado e presente, entre memória e experiência (PORTELLI, 1997,2016). As entrevistas foram realizadas levando em conta temas que partem da história de vida dos sujeitos. Iniciamos por uma perspectiva cronológica e focamos na formação escolarizadora das meninas no INSA -Salinas. As narrativas revelaram uma interdependência entre a formação escolar de meninas com os movimentos de controle social produzidos nas figurações em sociedade. Ponderamos a formação educacional das meninas na relação com freiras Clarissas Franciscanas, isso tendo como perspectiva os estudos eliasianos, em específico, quando Norbert Elias(1994)aborda as questões de civilidade no tocante ao comportamento das pessoas vivendo em sociedade, articulando os mecanismos de vergonha e comportamento às mudanças dos processos sociais. Em sua obra O processo civilizador,Elias (1994) faz reflexões sobre postura, gestos, expressões faciais e vestuário, de modo a tratar as manifestações dos indivíduos como um todo, em figurações deinstruir o ser humano a isso, tornando-o culto e próximo da excelência social. Isto é, as relações humanas dizem respeito às interdependências estabelecidas entre as pessoas, os grupos de convivência e as instituições, provocando mudanças que envolvem um contexto sócio-histórico.O conceito de processo civilizador concerne em mudanças nas estruturas psíquicas das pessoas (psicogêneses),em interdependências com as mudanças nas estruturas sociais (sociogêneses). As mudanças nos indivíduos implicam na condução de maior interiorização dos
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792901controles sociais e na distinção dos seus controles emocionais e de suas experiências. Isto significa mudança no modo de como o indivíduo age, sente e se relaciona com os outros no mundo. Trata-se de uma civilização de forma processual produzida socialmente, isso porque, considerando que nenhum ser humano nasce civilizado, o estágio civilizatório ao qual ele é submetido é um exercício social do próprio processo civilizador em curso a longo tempo. Essa ação civilizatória se dá,com maior ou menor rigor, com atitudes modeladoras de indivíduos civilizados para viverem as normas padronizadas em sociedade. É um processo que deve prosseguir, adotar posturas de ideias, padrão de virtudes, da moral e de costumes produzidos em sociedade(ELIAS, 1994) papel assumido também por instituições, dentre elas, a escola.Para Honorato (2017, p. 114),Embora as instituições escolares não compusessem as preocupações centrais da Teoria dos Processos Civilizadores, em sua obra-prima, O processo civilizador, Norbert Elias (1993; 1994), ao elaborar os estágios de desenvolvimento de uma civilização, nos permite sistematizar: 1) os processos educativos, institucionalizados ou não, têm centralidade em qualquer civilização, isso porque há uma constante que é a aprendizagem de comportamentos, tanto no plano individual quanto no social, transmitida de uma geração para outra, podendo se transformar em um habitus (segunda natureza); 2) a formulação e incorporação dos valores educativos como habitus implicam efetivas mudanças de conduta e sentimentos rumo a uma direção específica, maior controle social e autocontrole das emoções dos indivíduos; 3) o (auto)controle das emoções, bem como, dos saberes populares e científicos, fomenta um crescente processo de individualização no social, e esse processo passou a ser cada vez mais potencializado e assegurado por grupos e instituições específicas, no caso, a escolar; 4) a escolarização dos indivíduos tornou-se então obrigatória, e, assim, na estruturação da modernidade, a regulação dos saberes elementares fora monopolizada pelo Estado-nação como um dos fundamentos de sua existência, assim como aconteceu com o controle legítimo do uso da força física e da arrecadação tributária.Desse modo, para análise, unimos conceitos eliasianos e a pesquisa empírica, tendo como referência as vivências de ex-alunas de uma escola confessional criada na década de 1950 no norte de Minas Gerais, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) de Salinas. A pesquisa se procedeu com os estudosda memória, de maneira a interpretar as lembranças evocadas sobre a formação de estudantes desta instituição, por meio da entrevista de história oral e de vida de cinco mulheres4, nascidas entre 1940 e 1955. Elas trazem suas recordações, relativamente à 4Luana,81 anos, estudou no INSA de 1952 a 1958, entrevistada em 22/08/2019; Maria, 77 anos, estudou no INSA de 1954 a 1963, entrevistada em 26/01/2021; Simone, 72 anos, estudou no INSA de 1957 a 1967, entrevistada em 08/02/2020; Francisca, 71 anos, estudou no INSA de 1962 a 1969, entrevistada em 16/12/2020; Eva, 66 anos, estudou no INSA de 1961 a 1972, entrevistada em 21/01/2021. As entrevistas ocorreram nas residências das ex-alunas na cidade de Salinas/MG. Os nomes apresentados aqui são fictícios,objetivando resguardar o anonimato.A pesquisa foi realizada sob aprovação número 44678621.3.0000.0055 do Certificado de Apreciação Ética -
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792902formação recebida no INSA, no que se refere a hábitos, comportamentos e valores morais. Essas mulheres estudaram na instituição entre 1952 e 1972, e trazem lembranças de vivências escolares coletivas e individuais. Uma delas estudou em regime de internato, as demais em regime de externato. Assim, para melhor compreensão, traçaremos um histórico de memórias do INSA.Memórias de uma escola confessional, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida”Já dizia Halbwachs (2006), o ser humano traz com ele ideias e sentimentos originados em grupos, que povoam em pensamentos com outros seres,como lugares e circunstâncias. É preciso que haja muitos pontos de contato entre as memórias individuais para que as memórias coletivas venham ser recuperadas sobre um eixo comum. Por sua vez, Elias (1993) afirma que a educação, os processos civilizadores e formativos,se constituem nas relações da vida praticada em figurações humanas, tais como grupos sociais. Em 1951, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) iniciou suas atividades em Salinas/MG com o statusde Colégio das Freiras, tal como suas congêneres do interior e da capital Belo Horizonte,do estado de Minas Gerais5. O Instituto vislumbrava atender à necessidade de escolarização naquele momento e território, tendo a educação como parte de um processo modernizador e civilizatório das pessoas por meio da escolarização. O colégio foi regido pela Congregação Franciscana, especificamente porfreiras ligadas à ordem. As fundadoras foram quatro irmãs, Narcisa Chamone superiora, Maria Elias Chamone secretária/diretora, Maria Piedade Guimarães ecônoma,e Elizabeth Freitas professora. Elas tinham dentre as suas proposições lutar para melhorar o nível de vida da população em suas deficiências, e o caminho escolhido foi a educação escolar. O propósito primordial era promover a educação feminina, com finalidade primeira aeducação da juventude Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Jequié. O convite foi feito pessoalmente a cadaentrevistada, quando explicamos os objetivos do estudo. Apresentamos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, que foi assinado antes do início de cada entrevista.5O Instituto teve início em maio de 1898,em Forli na Itália, funcionou durante algum tempo também na cidade italiana Abadia de Bertinoro. Em 1907, quatro irmãs Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento saíram da Itália,dandoinício àmissão em terras brasileiras. Em 03 de julho daquele ano chegaram em Itambacuri/MG, onde foi instalado o primeiroinstituto. Com a chegada das primeiras missionárias a Itambacuri, iniciou-se a história da congregação no Brasil. As raízes lançadas em 1907 se expandiram pelo estado de Minas Gerais:a diocese de Diamantina foi determinante paraessa expansão. A partir de então, as Clarissas Franciscanas se espalharam por pequenas localidades mineiras, onde foram levar a instrução: em Curvelo, Sete Lagoas, Governador Valadares, Corinto, Guanhães, Caetanópolis, Conceição do Mato Dentro e Teófilo Otoni; instalou-se também uma unidade na capital do estado, Belo Horizonte; e, por fim, ampliou-se instalando alguns institutos nos estados de São Paulo e Brasília (RODRIGUES, 2003).
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792903mais necessitada. Para tanto, o regime de gratuidade do ensino à classe desfavorecida só era possível com a ajuda dos mais favorecidos, aqueles que tinham condições de pagar a escola. Naquele período, no contexto brasileiro, as ideias liberais estavam tomando espaço e se propagando de tal modo, seria necessária uma renovação na igreja católica. “Assim a Igreja pretendia também retardar o avanço das ideias não-cristãs, anticlericais que se espalhavam por todo o país. Grande contingente de religiosos e religiosas se lançou na batalha visando recristianizar as massas” (RODRIGUES, 1986, p. 52). O colégio católico de Salinas era então o meio de atuação para defender a doutrina e propagar os costumes e valores cristãos. Tinha como aspirações as “filhas do povo”, a juventude mais desprovida, sequencialmente,toda a sociedade. Porém, por falta de recursos financeiros próprios e investimento público, o atendimento se deu de modo reverso. O INSA atendia a meninas em três formatos: internato, externato (nas modalidades de pagantes e bolsistas) e orfanato (atendimento às meninas órfãs carentes) com ensino gratuito. As orientações ideológicas da Congregação Franciscana nos colégios eram voltadas para uma “[...] sólida formação cristã, hábitos de piedade, exemplos de oração e de vida, segundo os ensinamentos do evangelho, ao lado, naturalmente, da instrução intelectual” (RODRIGUES, 1986, p. 53). Cada período da história tem suas exigências civilizatórias construídas socialmente (ELIAS, 1994). Na década de 1950, as religiosas e docentes do INSA assumiram todas as disciplinas curriculares, até porque entendiam que na localidade havia leigos despreparados para assumir as aulas. E mesmo que houvesse pessoal capacitado academicamente, não era do interesse da igreja católica contratá-los por motivos como: os salários que sobrecarregariam as finanças da escola, a escola que precisava antes se estabelecer para depois contratar e, nem sempre, esses possíveis professores a contratar serem católicos praticantes. Assim, as freiras assumiram todas as cadeiras (RODRIGUES, 1986). Empenhavam-se nesse trabalho educacional impondo espírito de obediência, disciplina, respeito e cumprimento aos costumes, valores e condutas morais. Por este âmago, a escola era compreendida como centro regenerador dos valores da civilidade em sociedade.Conforme Freitas (1994), na década de 1950, a educação foi marcada por um processo de ideologização de práticas políticas, culturais e educacionais. Estava em curso uma reorganização do modo de produção capitalista, e a escola se constituiu em instrumento de controle social, de desenvolvimento econômico e de manutenção de uma determinada fração da sociedade. Assim, era preciso treinar os educandos para certas ocupações, a educação de
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792904uma elite para os moldes de uma educação com ascensão social que compreendia a escola primária, vocacional e secundária. Essas características se assemelham muito com o contexto educacional do INSA no mesmo espaço de tempo. O INSA foi um colégio criado pela igreja católica a partir dasolicitação de políticos, comerciantes e homens de posses residentes em Salinas/MG, com apoio da comunidade. Havia anseios políticos e desenvolvimentistas, contudo, era preciso manter uma organização e um controle que não colocassem em risco os valores, costumes e preceitos morais desejados pelos grupos mais favorecidos. Para atender a essas aspirações, a escola tinha que ser criada num discurso de que seria um lugar relacional para todos. Nesse sentido, foi bem alinhada a parceria realizada com a Congregação Franciscana, que tinha como preceitos o atendimento àqueles que se encontravam em maior desvantagem social, cultural e econômica.O INSA foi criado como instituição privada, as meninas a serem matriculadas teriam que pagar por esses serviços. Conforme publicado no Extrato dos Estatutos do Instituto “Nossa Senhora Aparecida” de Salinas, no Jornal Minas Gerais, em 04 de outubro de 1951:Art. III O estabelecimento, que se constituirá personalidade jurídica, é particular, católico, funciona em prédio próprio, sendo dirigido pela mesma Congregação das Clarissas Franciscanas do SSmo. Sacramento, a qual, no Brasil, tem sua sede principal na cidade de Belo Horizonte(INSA, 1951b, p. 4).Havia uma tabela de preços a serem cobrados pelos estudos das matriculadas. Os valores eram adequados conforme situação da aluna (interna ou externa). Até então, os recursos cobrados eram exclusivamente para manutenção do colégio, pois as religiosas não recebiam salários.GINÁSIO NOSSA SENHORA APARECIDASALINAS MINAS GERAISTABELA DE ANUIDADESINTERNATO1ª, 2ª, 3ª, 4ª séries ............................................................. Cr$20.000,00EXTERNATO1ª, 2ª, 3ª, 4ª séries ............................................................. Cr$6.000,00Irmã Maria Elias do Coração de Jesus, diretora.Izidoro Bretas, Inspetor(INSA, 1959).Em contrapartida, a escola recebia algumas moças carentes que ganhavam o ensino por meio do orfanato e outras em regime de internato. Em troca, essas alunas não pagantes ajudavam em tarefas domésticas, manutenção e serviços gerais do colégio.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792905Essas evidências se revelam nas memórias de Francisca (2020):O Colégio era pago e eu não tinha condições de pagar. Então, procurei meu padrinho de batismo, ele que pagou a admissão6para mim. E quando fui fazer a matrícula para o ginásio eu não tinha condições de fazer também [...] queria estudar e não tinha condições. Eu era criança ainda, com 11 anos procurei as irmãs. A irmã que me atendeu era a secretária da escola na época, irmã Benigna, já faleceu. Ela era minha professora de História no curso para admissão, e quando eu a procurei, ela falou: “Não, não vou deixar você sem estudar”! Porque eu era muito estudiosa [afirma com ênfase]. “Você vai fazer a matrícula, quando você puder, você me paga” (risos). Eu falei: “Tá bom. Não sei quando vou poder pagar a senhora, porque minha mãe trabalha para o sustento da casa... e sou de família muito humilde”. Aí ela disse: “Não tem problema, estou dizendo que é quando você puder”.O relato mostra a ânsia de Francisca (2020) por educação, ela tinha consciência da sua real situação e das condições econômicas de sua família. Ainda assim, tinha conhecimento de que, para conseguir alcançar seus sonhos e ter uma vida diferente, promissora, o caminho seria pela educação, estudar e se formar como professora. Percebemos aqui um processo de formação que operava em nossa sociedade e que provocava no ser humano uma inquietação social, um sentimento de desejo em pertencer a esse mundo em construção. A estrutura da sociedade salinense estava em transformação com a chegada do INSA, deste modo, reconhecemos que “essas formas de emoções são manifestações da natureza humana em condições sociais específicas e reagem, por sua vez, sobre o processo sócio-histórico como um de seus elementos” (ELIAS, 1993, p. 152).Não se pode negar que as Irmãs Clarissas Franciscanas buscavam ajudar algumas alunas, no entanto, sabemos que poucas tiveram esse auxílio. Para ampliar esse atendimento, era preciso ter um número maior de alunas pagantes, mais freiras para lecionar, maior ajuda da sociedade para a compra de material didático, dentre outras necessidades. O Jornal Minas Gerais, na mesma publicação citada anteriormente, divulga o ato de regularização do funcionamento do INSA em Salinas/MG. Para mais, manifesta o perfil das estudantes a serem formadas pela escola, e nele resume o modelo de mulher ideal para aquela sociedade. Dessa maneira, torna público no seu artigo II que a formação se daria de forma integral, levando em conta as questões físicas, intelectual, moral e devotamento à igreja, família, sociedade e à Pátria.6Exame de Admissão funcionava como uma prova de seleção, instituído por meio da Reforma Francisco Campos, em 1931. Teve vigência até 1971, era obrigatório se submeter a ele para ter acesso às escolas públicas, o que dificultava o acesso ao ensino ginasial e secundário.
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792906EXTRATO DOS ESTATUTOS DO INSTITUTO NOSSA SENHORA APARECIDA DE SALINAS (INSA, 1951b)Art. I O Instituto Nossa Senhora Aparecida, fundado na cidade de Salinas, Minas, pela Congregação das ClarissasMissionárias do Santíssimo Sacramento, no dia 1º de março de 1951, para funcionar por tempo indeterminado, terá o nome supracitado e constará de curso infantil, curso primário, curso ginasial, Orfanato e Escola Doméstica.Art. II O Instituto tem por fimdar à juventude feminina uma educação integral: física, intelectual, moral, cívica, artística e religiosa, a fim de que suas alunas se tornem aptas a cumprir fielmente, com devotamento os seus deveres para com Deus, a família, a sociedade e a Pátria.Art.III O estabelecimento, que constituirá personalidade jurídica, é particular, católico, funciona em prédio próprio, sendo dirigido pela mesma Congregação das Clarissas Franciscanas do SSmo. Sacramento, a qual, no Brasil, tem sua sede principal na cidade de Belo Horizonte.Art. IV (Ilegível)§1.º -Os membros da diretoria serão determinados pela Madre Geral ou sua representante, de acordo com seu conselho.§2.º -Compete à diretora representar o Instituto em juízo e fora dele.Art. IX No caso de extinção desta obra, seu patrimônio e seus bens se reverterão em benefício da Paróquia de Santo Antônio, de Salinas.Montes Claros, 18 de setembro de 1951. (a.) Antônio, Bispo de Montes Claros.(B. 3.644 T. 5734)(INSA, 1951b, p. 4).O conteúdo publicado noExtrato dos Estatutos do INSA(1951b)destaca que a formação das estudantes na instituição seria comedida por uma forte educação católica. A formação se destinava à preparação das moças para a devoção religiosa, para serem jovens virtuosas na sociedade e no lar, de modo a demonstrar exemplo no respeito e disseminação dos bons costumes. Esses elementos se aproximam aos estudos de Elias (1994), quando diz que as mudanças na personalidade influenciam o contexto social no decorrer dos anos:diferenciações emodificações nos costumes humanos conforme a formação social do momento.Nas recordações de Francisca (2020), essas questões são evidenciadas: É porque nós aprendemos mesmo [ênfase], a gente rezava! Eu, como interna do colégio... Nós levantávamos cedo, elas [as freiras] levantavam cinco horas da manhã para rezarem a ladainha, depois da ladainha nós [alunas internas] já tínhamos acordado, íamos primeiro assistir à missa, depois da missa íamos para o café. E depois do café íamos para a sala de aula. Então... Nós rezávamos o terço todos os dias, de manhã e à noite. Era oração mesmo, além dos retiros espirituais que a gente fazia. Foi uma educação religiosa muito forte que tivemos.A formação das meninas era pautada numa posição conscientemente católica, existia um padrão de sociedade religiosa que desejava assegurar e expandir seus fiéis. Além disso, à
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792907luz dos estudos eliasianos, apontam-se críticas sobre as crianças terem que aprender como se fossem pequenos adultos, pois eram vistas como atores que dariam continuidade a costumes, tradições, valores e condutas morais sociais da sua geração (ELIAS, 2001,2012).A escolarização no INSA: formação e civilização das meninasAs ex-estudantes do INSA tiveram trajetórias de vidas individuais e coletivas; no processo formativo, alguns elementos são marcantes nas vivências da rotina escolar, particularidades demandadas pelas características das relações construídas histórica e socialmente no contexto da Pedagogia Moderna7e da Escola Doméstica. Entre elas, pontuamos as questões de gênero, classe e relações de poder que, de acordo com os estudos eliasianos, tratam-se de interdependências do processo civilizador dos indivíduos em sociedade. O panorama sócio-histórico apresentado neste estudo nos conduziu a pensar sobre como se deram as relações educativas e interativas nos grupos de convivência,com destaque na história de vida escolar, ensino e aprendizagem das mulheres no INSA.O enfoque está na formação escolar recebida por meninas que tiveram como professoras as freiras Clarissas Franciscanas do Santíssimo Sacramento. Todas elas cursaram o ginásio e o curso normal no INSA no período entre 1952 e 1972. Em vista disso, o que nos interessa aqui são as memórias dessas mulheres no seu processo de formação escolar na instituição supracitada. Optamos por destacar os processos civilizadores a partir das relações marcadas para a feminização, comportamentos, costumes e valores morais praticados no ensino pelas freiras numa perspectiva de escola doméstica. Dessa maneira, selecionamos alguns pontos dessa relação interdependente da formação das meninas presentes na educação doméstica para a instrução de comportamentos moldados,intuindo a inclusão delas na vida em sociedade.As irmãs fundadoras do INSA trouxeramvivências de suas formações e experiências obtidas pelos trabalhos realizados em outros institutos católicos, colégios ligados à Congregação Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento, para implementá-las em Salinas/MG. Cresceu o Colégiodas Freiras em fama e em número de alunas. Os pais almejavam que suas filhas tivessem educação primorosa, cristã e sólida formação profissional. Assim, “o rigor do regulamento elaborado pela Diretora não assustava, pois, sua pessoa exercia forte atração sobre pais, professores e educandas. Percebiam que a sua 7João Amós Comenius é o precursor da Pedagogia Moderna. Ele defendeu uma educação que interpretasse e alargasse a experiência de cada dia e utilizasse os meios clássicos como o ensino da religião e da ética. O currículo deveria ser enriquecido com a inclusão de música, economia, política, história e ciência. Fortalece a concepção de que o homem é capaz de aprender e pode ser educado (COMENIUS, 2011).
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792908severidade se unia a um coração bom, firme, afetuoso, realmente dedicado à formação de suas alunas” (RODRIGUES, 1986, p. 56). O regulamento do colégio trazia os seguintes deveres a serem cumpridos:Art. VI Das autoridades§ 1º -Sendo o respeito à autoridade condição indispensável à formação do caráter, exige-se de todas as alunas o respeito às autoridades constituídas, tanto eclesiásticas como civis.§ 2º -O papel da autoridade não é tolher a liberdade; é orientá-la para o bem, corrigindo os abusos da mesma. Por isto, as alunas terão em teus mestres e Superiores na conta de Amigos e lhes prestarão obediência pronta, evitando o espírito de murmuração e revolta.Art. VIII Haverá anualmente um retiro espiritual para todas as alunas (INSA, 1951a, p. 19).Havia um poder relacional na organização da vida social e na manutenção da igreja católica objetivada no INSA. A educação das meninas devia se pautar nas relações de poder com as autoridades, consideradas pessoas de maiores gradientes de poder. As autoridades não deviam ser questionadas, todo o ensinamento tinha que ser aceito como conhecimento e mecanismo de controle a ser interiorizado,contendo as pulsões mais íntimas. Cabia às alunas cumprir os ordenamentos e,assim,a escola tinha um caráter regulador e severo das condutas. Horários escolares eram determinados e deveriam ser respeitados rigorosamente, era um processo de regulação na vida não só escolar das meninas, mas também em sua vida social.Conforme Elias (1993), as crianças são colocadas em processo de civilização a partir de comportamentos produzidos por grupos sociais. No que diz respeito à formação das meninas pelo INSA, notamos um empenho para que os hábitos mais rudes, os costumes mais soltos e desinibidos fossem suavizados, polidos e civilizados. A educação das meninas permeava o campo das atividades domésticas, em que as mulheres eram colocadas na posição de que nascem para ser donas de casa, esposas e mães. Também lhes foram atribuídos comportamentos para servir a fé católica e polidez nos hábitos sociais. Esses fatores aparecem nas evocações de Luana (2019) quando recorda seus tempos de estudante no Instituto:Nossa Senhora! Ninguém desrespeitava. As irmãs eram assim... [pausa].Você precisava ver como eram firmes. Não só se preocupavam com a cultura e a disciplina, como com a religiosidade também, a educação religiosa. Se tivesse qualquer problema, chamavam os pais.Nas relações de poder com as autoridades, as meninas estavam com menores gradientes de poder, por isso,deveriam seguir os ordenamentos hierárquicos. Elas, enquanto mulheres, eram postas numa condição de invisibilidade e de subordinação social à fé, cabendo expressar
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792909afetividade e fragilidade. De outro modo, de forma velada, obtiveram uma formação para um papel de invisibilidade e devoção. As configurações dessa formação presumem evitar qualquer tipo de conflito, buscam um equilíbrio de soberania. Entendemos o INSA enquanto perspectiva de demarcação de poder civilizatório, um movimento que objetiva controlar as condutas das estudantes pelo processo de interdependência marcada pelas relações humanas no contexto do estabelecimento de ensino. Nessa perspectiva, trazemos para análise as seguintes memórias:As irmãs eram exigentes, severas em exagero! Hoje jamais seria aceito as coisas que elas impunham. Por exemplo, elas não aceitavam ninguém de esmaltes na escola. Um dia eu fui de esmalte, eu criança, e elas rasparam com gilete a minha unha para tirar o esmalte porque não podia ir pra escola de esmalte. Ninguém podia ir pra escola de esmaltes, se fosse, raspavam com gilete. Então, a gente já sabia que não poderia ir de esmaltes e ninguém atrevia se esmaltar mais. A rotina da escola era essa: fazia uma fila no pátio, onde ficava uma freira para administrar a entrada e verificar se os uniformes estavam adequados. Fazíamos as filas, tinham que ser certinhas e tal. Na segunda-feira, cantávamos o Hino Nacional e o Hino à Salinas(SIMONE, 2020).Observam-se comportamentos de civilidade ligados diretamente às condutas religiosas, tais como a obediência, a disciplina e os preceitos de que a mulher não poderia se expressar pelo corpo. A formação recebida defendia a ideia de que as moças de família deveriam adotar um comportamento exemplar, de modo a conservarem sua inocência, edificando os bons costumes e a moral. Diante disso, “conforme sejam bons ou maus os hábitos adquiridos, ter-se-á alcançado educação proveitosa ou prejudicial” (BACKHEUSER, 1958, p. 37). Simone(2020) traz recordações de que a mulher deveria adotar uma postura recatada, não lhe era permitido anunciar alegria e encanto a partir do seu corpo. Isso seria aprovar uma espécie de aparecimento tipicamente femininoda pobreza e miséria social, encarada como um perigo aos bons costumes e valores morais. Seria o mesmo que abrir as portas para comportamentos que poderiam desviar as meninas para uma vida dissoluta e escandalosa. Compreendemos essas condutas a partir do contexto histórico daquela época, uma vezque era uma forma de praticar a civilidade religiosa defendida pelas irmãs. O processo formativo das meninas operava para não permitir alterações na relação de poder, evitando atitudes conflituosas com a visão de mulheres civilizadas segundo os ordenamentos das irmãs católicas do INSA. Somos ensinados a todo momento a respeitar e utilizar regras socialmente aceitas, tais como modos corretos de sentar ou cumprimentar alguém. São atitudes e movimentos que nos
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792910soam estranhos no século XXI, entretanto, que foram materializados num determinado período e contexto. Por sua vez, Eva (2021) traz em suas lembranças:A gente nunca ficava de horário vago como existe hoje, quando faltava uma professora, uma das freiras ia para sala de aula e nos ensinava coisas do dia a dia. Toda vez que eu vou ao banheiro fazer xixi eu me lembro delas [sorri], porque elas falavam assim: “não pode deixar fazer barulho ao fazer xixi”! [Risos] “Para subir escada com um rapaz, você sobe na frente e desce na frente”. Mas, assim... [pausa] Aquelas coisas que elas iam ensinando para a gente..., falando... Foi um tempo maravilhoso.Registram-se materializações de ensinamentos de uma estrutura comportamental e emocional específica para a mulher. Considerando as reflexões de Elias (1994), inferimos que, na suposta boa sociedade, há um delineamento de mulher a ser aceita por ela mesma. Não obstante, Eva(2021)considerou aquele tempo como “maravilhoso”. A formação atribuía importância excessiva ao comportamento da mulher nos recintos privados,em que cabia a ela demonstrar contenção em suas necessidades fisiológicas e condutas sociais. A recordação de Eva (2021) apresentou uma demarcação de desigualdade no processo formativo das meninas, fica evidente uma questão de gênero, de diferenciação nas ações entre os sexos feminino e masculino.As freiras conduziam uma formação de modo a civilizar as meninas,orientando a regulação de algumas condutas pessoais e costumes morais. A mulher fazer barulho no ato do urinar a colocava numa condição indelicada e de exposição vergonhosa como dor social. Assim, a boa conduta orientava que era preciso evitar o barulho no ato do urinar, isto deveria ser feito educadamente e sem chamar atenção, um hábito a ser desenvolvido na corporeidade civilizada.A mulher precisava ser refinada, educada, falar baixo e demonstrar bons modos. Caso contrário, era considerada pessoa desprovida de bons modos, cultura, instrução. Além disso, poderia ser considerada como uma pessoa que desejava atrair atenção para seu corpo ou até mesmo disputar espaço ocupado pelo sexo masculino. Caminhar à frente do homem era uma forma de demonstrar que a mulher deveria ser protegida por ele e que estava na condição de sexo frágil, demarcando a virilidade do sexo masculino. Uma demarcação sexista que colocava a mulher na condição de uma relação de posse, e assim, não poderia ser cortejada, admirada ou desejada por outro rapaz. As recordações de Francisca (2020) também expressam esses comportamentos:Elas [as freiras] tinham para conosco uma formação moral e religiosa muito rigorosa, comportamento de sentar, aquelas gargalhadas que algumas meninas ficavam dando, aquelas gargalhadas fortes demais, elas falavam que
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792911era escândalo. A gente tinha que ser mais comedida com as palavras, com as atitudes, é nesse ponto moral que falo. [...] A cobrança que havia era de zelo. Para namorar mesmo, elas falavam pra não ficar passando de mão em mão, namorar um hoje, outro amanhã... Elas ensinavam que isso não era adequado.Para Bassanezi (2002, p. 610), as mulheres nos anos dourados eram “Vistas por vezes como ingênuas ou perigosamente inconsequentes e deslumbradas, era grande o medo de que as mocinhas se desviassem do bom caminho, a educação moral e a vigilância sobre elas se faziam necessárias”. Nesse embatecultural e na defesa de valores, o sexo feminino se encontrava numa posição histórica de submissão e violência de gênero. Havia todo um envolvimento para que a mulher fosse silenciada e invisibilizada (SARAT; CAMPOS, 2017). Na concepção formadora do INSA, a moça bem-educada, refinada e civilizada precisava demonstrar um comportamento pautado no autocontrole das pulsões que guiaria as suas ações na vida social. Isto é sinal de distinção que separava um grupo social de outro considerado inferior, compreendia-se que as pessoas de “berço” tinham educação e bons modos. Não era decoroso para a mulher se sentar do jeito que desejasse. Gargalhar era um ato de deselegância, se optasse por paquerar mais de um rapaz em um intervalo pequeno de tempo, estaria se expondo à sociedade e poderia ficar “mal falada”. Essas questões podem ser lidas como condições decorosas e/ou indecorosas expressas pelo corpo, conceitos sobre os comportamentos que poderiam ser aceitos ou não pela sociedade. Na especificidade social de Salinas/MG, naquele período, tratava-se do próprio processo civilizador em curso. E o INSA era uma figuração para mudanças concretas no comportamento das estudantes e na propagação de ações conservadoras na sociedade para não obter atitudes “incivilizadas”. Por outro lado, ainda estavam em circulação regras não questionáveis, como organizações em filas e vestuário impecável do uniforme.As freiras proibiam a gente de usar pintura no rosto, elas não aceitavam, tinha umas ainda [estudantes], aquelas mais danadinhas (sorri), colocavam uma maquiagem mais discreta. Elas [as freiras] eram muito exigentes mesmo, sabe? A saia tinha que estar no tamanho certinho, se a saia fosse um pouquinho acima do joelho, não era aceito. Tinha que ser abaixo do joelho, meias três quartos... Nós tínhamos três uniformes, um de educação física, outro de uso diário e o uniforme de gala. O de gala era o uniforme que usávamos em eventos especiais, como os desfiles de Sete de Setembro, festas... Este era com meias curtas e sapato preto social.Agora, o uniforme diário era com meias três quartos, a blusinha branca, a saia plissada de cor azul marinho. Mas não podia usar adornos no cabelo, nada. Era tudo sempre com muita simplicidade, sabe?(MARIA, 2021).
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792912Havia instruções de comportamentos e moralidade esperados na educação das estudantes. “Ficava mal à reputação de uma jovem, por exemplo, usar roupas muito ousadas, sensuais, sair com muitos rapazes diferentes ou ser vista em lugares escuros ou em situação que sugerisse intimidades com um homem” (BASSANEZI, 2002, p. 612). Ao evocar suas lembranças, Maria (2021) apresentou notas de um processo civilizador um tanto quanto conservador e regulador. Era exigido das meninas um ajustamento dos seus comportamentos, as roupas deveriam ser bem-comportadas, jamais poderiam exibir um centímetro sequer das pernas acima dos joelhos. As freiras faziam revistas rigorosas da vestimenta das estudantes para garantirem seus gradientes de poder e o controle repressivo de atitudes consideradas desviantes ou promíscuas. A ideia era a regulação dos comportamentos, controle e autocontrole sobre si e seus atos nas figurações sociais. Num dado momento da entrevista com Eva(2021), ela relatou fatos que exprimem esses aspectos:Na minha turma tinham muitasmeninas das “pernonas” que subiam o cós da saia e colocavam a saia muito acima dos joelhos. Isso era só até chegar perto do colégio. Uma vez, uma delas entrou e se esqueceu de abaixar a saia, quando a irmã viu... Ela [a irmã] chegou e pegou na bainha da saia e rasgou a bainha da saia todinha. Quando ela rasgou a bainha da saia, ao colocar força pra isso, a saia desceu e até um pouco abaixo dos joelhos, porque estava enrolada (risos).O modo “educativo” das freiras em operar sobre as transgressões, desrespeito às regras e proibições praticadas foi um ato exacerbado na regulação dos costumes. Além do mais, as ações estavam diretamente ligadas à questão da repressão. As meninas eram censuradas de tal modo que a desobediência às regras sociais determinava quemnão se enquadraria no ideal de boa moça, esposa e mãe. Não foi por acaso que no currículo da escola havia as disciplinas de Trabalho manual, Economia doméstica e Puericultura (INSA, 1951a). Era justamente este o espaço social das mulheres, o espaço do trabalho doméstico sob o pano de fundo de controles sociais que articulavam papéis e atitudes femininas propriamente históricas,padronizadoras hegemonicamente de modos e costumes desequilibrados na “balança” de poder movida pelas relações entre diferentes gêneros, em especial entre meninos e meninas. As figuras 1 e 2 apresentam as características comportamentais ligadas ao vestuário relatado pelas entrevistadas.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792913Figura 1 Desfile de 7 de setembro de 1960Fonte: Arquivo pessoal de Maria Elza Sarmento(1960)Figura 2 Procissão e coroação em festejo ao dia de Nossa Senhora Aparecida em 1960.Fonte: Arquivo pessoal de Maria Elza Sarmento (1960)Havia um certo rigor na organização das estudantes em figurações de desfiles. As meninas estavam posicionadas em filas, com o corpo ereto de modo a demonstrar atenção e concentração nas tarefas as quais deviam desenvolver no contexto de uma apresentação pública. Na figura 1, o uso da saia do uniforme estava na altura dos joelhos como relatado nas entrevistas e as blusas eram de mangas compridas, de forma que não houvesse exposição da maior parte do corpo. Na figura 2, além dessas características, as roupas eram de cor branca, de modo a refletir pureza, e as flores nos cabelos expressavam a docilidade, fragilidade, feminilidade e delicadeza. Ainda, a vestimenta da figura 2 também expressava devoção e fé católica, pois estavam praticando um ritual religioso.Os modos de comportamentos têm origens sociais diferentes. No caso do INSA, em específico, situavam-se em decorrência do destino social em que a mulher estaria inserida com posturas recatadas, dóceis e com enquadre impecavelmente aos protótipos da boa moral. Nesse sentido, Cardozo e Honorato (2020, p. 149) defendem que:
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792914A educação do corpo é conduzida através de mudanças na estrutura da personalidade e da conduta dos indivíduos. Os instintos, as emoções e as compulsões também variam de acordo com a estrutura da sociedade na qual o indivíduo está inserido e faz parte. Desse modo, o indivíduo educado transforma seus comportamentos e sentimentos a fim de se inserir socialmente e responder a novas demandas de conduta e de personalidade.Elias (1994) considera que o processo civilizador individual se dá por marcas de um determinado grupo social, assim, para a existência social do ser, a civilização é essencial. Através dos adultos e dos “[...] milhares de outros instrumentos, é sempre a sociedade como um todo, todo o conjunto de seres humanos, que exerce pressão sobre a nova geração, levando-a mais perfeitamente, ou menos, para seus fins” (ELIAS, 1994, p. 145).As memórias evocadas pelas ex-estudantes do INSA revelam relações que permitiram reconhecer o excesso de regulações, ordens e autoridades praticadas pelas freiras. Contudo, as ex-estudantes lidam com essas questões numa percepção de naturalização, como um habitus. Além do mais, elas ainda acreditam que as normas deveriam prevalecer atualmente. Creem elas que se os alunos hoje são indisciplinados, demonstram-se pouco interessados, é porque houve um afrouxamento nas regras comportamentais e formativas.Logo, o processo civilizador na formação das meninas pelo INSA conota que a escola trouxe fortemente marcas da igreja católica. Assim, a civilização no colégio ocorria de modo a suavizar seus modos, estabelecer urbanidade e polidez nas ações, uma educação privada que demandou anulação de conflitos e hábitos específicos ao público feminino. Eram esperados das meninas sofisticação, sutileza, sensibilidade, dissimulação e recato. Cabiam-lhes o cuidado com as rotinas familiares e da casa e o zelo ao espaço doméstico (DIAS, 1984). Dessa forma, suas representações de poder estavam figuradas ao ambiente doméstico, por outro lado, tinham como potência civilizadora se dedicar a profissões que se encontravam num leque de cuidar e educar da criança como se fosse condição maternal, no caso do INSA,a formação normalista voltada à docência das primeiras letras.Considerações finais Em nosso estudo, trabalhamos memórias individuais e coletivas ligadas a uma instituição de ensino, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) de caráter confessional, pertencente à igreja católica,particular,e com ensino exclusivo naquele momento para meninas na cidade de Salinas/MG. São memórias de uma formação ginasial e normalista que foram relegadas pela pesquisa científica, de modo que foram historicamente invisibilizadas.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792915O estudo se deu no campo da memória, com análise documental à luz da história oral. Buscamos compreender o processo formativo e de civilização das ex-alunas a partir das teorias eliasianas. As memórias revelaram que a formação exercida pelo INSA naquele contexto fez parte de um modelo de organização social e civilizatória. Afinal, conforme Norbert Elias(1993,1994,2001,2012), vivemos em grupos, em sociedades que carregam preceitos morais, valores, costumes e hábitos,os quais precisam ser repassados às novas gerações para melhor estrutura orgânica social. Nessa linha, compreendemos que a escola é uma das figurações que opera no processo de civilização, nas relações de interdependência e na formação da personalidade.Opapel do INSA foi civilizar as meninas promovendo mecanismos de controle e autocontrole dos seus hábitos. Elas teriam que demonstrar em seus comportamentos habilidades na sutileza, delicadeza, obediência e disciplina. Entendia-se que a função da mulher era evitar conflitos, assim, não lhes era permitido se expor, questionar, expressar-se pelo corpo. Percebemos que nesse processo formativo houve relação de força, controle e poder para manutenção de uma ordem social perspectivada pela igreja católica e pelosgrupos hegemônicos locais. As análises das fontes nos revelaram que, na questão de gênero, a mulher em escolarização entre 1950 e 1970 era tratada como o sexo frágil,e deveria estar sempre submissa à virilidade masculina entendimento que está em questionamento nos dias atuais. Concluímos que no INSA o processo civilizador das meninas se deu numa perspectiva formativa na regulação dos comportamentos, controle e autocontrole dos sentimentos e emoções de ser mulher em contextos de desigualdades de gênero e de orientação católica emitida pelas freiras Clarissas Franciscanas. A figuração escolar era envolvida por regras rígidas que deveriam ser cumpridas, por imagens religiosas e por uma capela no interior da escola. As alunas sentiam que estavam num ambiente santificado e de devoção e,dessa maneira,o mínimo que elas deveriam fazer seria agir com respeito e obediência. As meninas viviam cotidianamente sob um olhar acusador das condutas tidas como um agravo à boa educação feminina e aos preceitos religiosos.Até em sua privacidade, a estudante precisava demonstrar recato, sutileza e discrição. As memórias apontaram uma educação marcadamente religiosa, de rigor, formação de hábitos e condutas morais rigorosas.AGRADECIMENTOS:Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS UESB), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais (IFNMG) -campusSalinas e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB).
image/svg+xmlEscola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792916REFERÊNCIASBACKHEUSER, E. Manual de pedagogia moderna:Teoria e Prática. Porto Alegre: Editora Globo, 1958.BASSANEZI, C. Mulheres nos anos dourados. In: PRIORE, M. (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2002.CARDOZO, M. M.; HONORATO, T. História da educação do corpo: Uma leitura com Norbert Elias. In: VIEIRA, A. F. B.; JUNIOR, M. A. F. (org.). Norbert Elias em debate:Usos e possibilidades de pesquisas no Brasil, Ponta Grossa: Texto e Contexto, 2020.COMENIUS, J. A. Didática Magna:Comenius. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.DIAS, M. O. L. S. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo: Brasiliense,1984.ELIAS, N. O processo civilizador:Formação do estado e civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.ELIAS, N. O processo civilizador:Uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.ELIAS, N. Norbert Elias por ele mesmo.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.ELIAS, N. A Civilização dos Pais. Sociedade e Estado, Brasília, v. 27, n. 3, p. 469-493, set./dez. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/d8cs7Bb6zx8n83kgYdP7kRH/?lang=pt. Acesso em: 26 jul. 2021.FREITAS, M. C. Brasil 1954-1964: Sugestão de roteiro a partir da “História das Ideias Educacionais” (Anísio e Vieira Pinto). Revista Brasileira de História, v. 14, n. 27, p. 167-178, 1994.Disponível em: https://www.anpuh.org/arquivo/download?ID_ARQUIVO=3749. Acesso em: 17 jan. 2022.HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.HONORATO,T. Pesquisas com Norbert Elias em História da Educação. Revista Comunicações, Piracicaba, v. 24, n. 3, p. 107-127, set./dez. 2017. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/comunicacoes/article/view/3619. Acesso em: 10 jan. 2021.INSA. ProjectosRegulamentos e Instruções do Instituto Nossa Senhora Aparecida. Salinas: INSA, 1951a.INSA. Extrato dos estatutos do Instituto Nossa Senhora Aparecida de Salinas.Salinas: INSA, 1951b.INSA. Tabela de anuidade, 1959. Lolização: Arquivo da Superintendência Regional de Ensino de Araçuaí.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOe Felipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792917PORTELLI, A. Tentando aprender um pouquinho. Algumas reflexões sobre a ética na história oral. Projeto História, n. 15, p. 13-49, 1997.Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/11215/8223. Acesso em: 14 jan. 2022.PORTELLI, A. História oral como arte da escuta.São Paulo: Letra e voz, 2016.RODRIGUES, C. Força na pequenez: Madre Serafina ontem e hoje. Contagem: Composição e impressão, 1986.RODRIGUES, C. Missão no Brasil:Das Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento. Belo Horizonte: TELECART, 2003.SARAT, M.; CAMPOS, M. I. Memórias da infância e da educação: Abordagens eliasianas sobre as mulheres. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 42, n. 4, p. 1257-1277, out./dez. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edreal/a/bMnh4dXN5CLQYsnhpLw3qqb/?format=html&lang=pt. Acesso em: 23 jul. 2021.Como referenciar este artigoSANTOS, L. G. A.; HONORATO, T.; MARTA, F. E. F. Escola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninas. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2917, out./dez. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779. Submetido em: 18/03/2022Revisões requeridas em: 21/08/2022Aprovado em: 17/10/2022Publicado em: 30/12/2022Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.Revisão, formatação, normalização e tradução.
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792898ESCUELA CONFESIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMORIAS DE UN PROCESO CIVILIZADOR DE NIÑASESCOLA CONFESSIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMÓRIAS DE UM PROCESSO CIVILIZADOR DE MENINASINSA CONFESSIONAL SCHOOL, SALINAS/MG: MEMORIES OF A CIVILIZING PROCESS FOR GIRLSLílian Gleisia Alves dos SANTOS1Tony HONORATO2Felipe Eduardo Ferreira MARTA3RESUMEN:La propuesta consiste en interpretar las memorias de formación y relaciones civilizatorias de las alumnas del Instituto "Nossa SenhoraAparecida" (INSA) Salinas-MG (1951-1972). El INSA fue creado en 1951, y su organización contó con la acción de las monjas Clarisas Franciscanas. El estudio se sitúa en el ámbito de la memoria (HALBWACHS, 2006), la historia oral (PORTELLI, 2016) y las teorías de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993; 1994). Entrevistadas antiguas alumnas del Instituto, sus evocaciones nos hicieron comprender que la figuración educativa presentaba características de un proceso civilizador de las niñas que se constituía enel modelado de hábitos y comportamientos a través de prácticas tradicionales y político-culturales.Consideramos que las memorias revelan la formación en el INSA conectada a un modelo de organización social y de civilización, los estudiantes fueron educados para demostrar sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina en contextos de desigualdades de género y orientación católica.PALABRAS CLAVE:Memoria. Escuela confesional. Proceso de civilización. Costumbres. Mujeres.RESUMO:A proposição consiste em interpretar as memórias de formação e de relações civilizatórias das meninas estudantes no Instituto “Nossa Senhora Aparecida”(INSA) Salinas-MG(1951-1972). O INSA foi criado em 1951, sua organização contou com a ação das freiras Clarrisas Franciscanas. O estudo está situado noscamposda memória (HALBWACHS, 2006), história oral (PORTELLI, 2016) e das teorias dos processos civilizadores (ELIAS, 1993,1994). Trata-se de uma abordagem qualitativa em que foram entrevistadas ex-estudantes do Instituto,eas suasevocações nos fizeram compreender que a figuração educacional apresentava 1Instituto Federal de Ciencia, Tecnología y Educación del Norte de Minas Gerais (IFNMG), Salinas MG Brasil. Profesora en el área de Didáctica y Fundamentos de la Educación. Estudiante de doctorado del Programa de Posgrado en Memoria: Lenguaje y Sociedad (UESB). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5363-2069. E-mail: liliangleisiasantos@gmail.com2Universidad Estatal de Londrina (UEL), Londrina PR Brasil. Profesor del Departamento de Educación y del Programa de Posgrado en Educación. Profesor Asociado-B. Doctorado en Educación Escolar (FCLAr/UNESP).ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3057-1157. E-mail: tony@uel.br3Universidad Estatal del Suroeste de Bahía (UESB), Vitória da Conquista BA Brasil. Profesor del Programa de Posgrado en Memoria: Lenguaje y Sociedad. Profesor del Grado en Educación Física (UESC). Doutoradoem História (PUC-SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0501-4298. E-mail:fefmarta@gmail.com
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792899características de um processo civilizador de meninas que se constituiu por meio de modelagem de hábitos e comportamentos através de práticas tradicionais e políticas-culturais. Consideramos queas memórias revelam a formação no INSA conectada a um modelo de organização social e civilizatória: as alunas eram educadas para demonstrar sutileza, delicadeza, obediência e disciplina em contextos de desigualdades de gênero e de orientação católica.PALAVRAS-CHAVE:Memória. Escola confessional. Processo civilizador. Costumes. Mulheres.ABSTRACT:The proposition consists of interpreting as memories of formation and civilizing relations of the girls students at the Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) Salinas-MG (1951-1972).The INSA was faunded in 1951, and its organization was supported by the Clarissas Franciscanas. The study is situated in the field of memory (HALBWACHS, 2006), oral history (PORTELLI, 2016) and theories of civilizing processes (ELIAS, 1993; 1994). It is a qualitative approach in which former students of the Institute were interviewed, their evocations made us understand that the educational figuration presented characteristics of a civilizing process of girls that was constituted through the modeling of habits and behaviors through traditional and political-cultural practices. We consider that the memories revealed are a model of formation at INSA connected to a social organization, to which they were educated for civilization, and disciplinary in contexts of gender inequality and subtle orientation.KEYWORDS:Memory. Confessional school. Civilizing process. Customs. Woman.IntroducciónEsta investigación, inscrita en el área de Historia de la Educación, aborda supuestos en un contexto específico de un grupo de exalumnas. La actividad educativa de formación fue promovida por maestros/hermanas pertenecientes a la Iglesia Católica, hecho que trajo desarrollos en la educación escolar en Salinas, ciudad ubicada en el norte de Minas Gerais. El estudio abarcó el período de 1951 a 1972, considerando la creación, implementación y funcionamiento de la primera escuela primaria y secundaria en ese municipio.El Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) fue creada en Salinas/MG en 1951, una escuela confesional dirigida por monjas de la Congregación HermanasClarissas Franciscanas Misioneras del Santísimo Sacramento. Su misión era enseñar las primeras letras, secundaria y preparatoria, esto, al principio, para la formación de normalistas. La formación por parte de esta escuela estuvo impregnada por la propagación de costumbres, valores y principios educativos de la civilización, una realidad que tomamos como objeto de análisis para el develamiento de tramas sociales, educativas, culturales y políticas.
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792900En Salinas, vislumbrando la expansión de la enseñanza por institución formal, la Congregación Franciscana buscó apoyo, ya que ya era reconocida por el trabajo misionero y la dedicación llevada a cabo en favor de la educación con maestros intelectualmente vistos y respetados, las monjasClarissas Franciscanas. Las hermanas fueron estimadas por dedicarse en iniciativas a los bienes comunes, con acciones de lucha y persistencia desde prácticas pedagógicas cultivadas hasta la enseñanza por la religiosidad y las costumbres morales.Como estrategia metodológica, nuestra investigación tomó como fuente histórica entrevistas de historia oral y vida de antiguos alumnos del INSA, documentos de la colección del instituto, formularios informativos y pedagógicos. Las fuentes fueron analizadas considerando concepciones teóricas específicasdel campo de los estudios de memoria (HALBWACHS, 2006), da história oral (PORTELLI, 1997,2016) y la teoría de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993, 1994). Por lo tanto, este artículo se apropió de recuerdos de ex alumnas con el objetivo de interpretar la formación y las relaciones civilizadoras de las niñas formadas por INSA Salinas / MG (1951-1972). Los testimonios orales fueron evidencias fundamentales para el análisis de las acciones civilizadoras en la tensión entre pasado y presente, entre memoria y experiencia (PORTELLI, 1997, 2016). Las entrevistas fueron realizadas teniendo en cuenta temas que parten de la historia de vida de los sujetos. Partimos de una perspectiva cronológica y nos enfocamos en la escolarización de las niñas en INSA -Salinas. Las narrativas revelaron una interdependencia entre la educación escolar de las niñas y los movimientos de control social producidos en figuraciones en la sociedad. Consideramos la formación educativa de las niñas en la relación con las monjas ClarissasFranciscanas, esto desde la perspectiva de los estudios eliasianos, específicamente, cuando Norbert Elias (1994) aborda los temas de civilidad con respecto al comportamiento de las personas que viven en sociedad, articulando los mecanismos de vergüenza y comportamiento a los cambios en los procesos sociales. En su obra "El proceso civilizador",Elías (1994) hace reflexiones sobre la postura, los gestos, las expresiones faciales y la vestimenta, con el fin de tratar las manifestaciones de los individuos como un todo, en figuraciones de instruir al ser humano a hacerlo, haciéndolo culto y cercano a la excelencia social. Es decir, las relaciones humanas se relacionan con las interdependencias establecidas entre personas, grupos sociales e instituciones, provocando cambios que implican un contexto sociohistórico.El concepto de proceso civilizador se refiere a cambios en las estructuras psíquicas de las personas (psicogénesis), en interdependencias con cambios en las estructuras sociales
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792901(sociogénesis). Los cambios en los individuos implican la conducción de una mayor internalización de los controles sociales y la distinción de sus controles emocionales y experiencias. Esto significa un cambio en la forma en que el individuo actúa, siente y se relaciona con los demás en el mundo. Es una civilización de manera procedimental socialmente producida, porque, considerando que ningún ser humano nace civilizado, la etapa civilizatoria a la que está sometido es un ejercicio social del propio proceso civilizador en progreso en mucho tiempo.Esta acción civilizadora se lleva a cabo, con mayor o menor rigor, con actitudes modeladoras de individuos civilizados para vivir las normas estandarizadas en la sociedad. Es un proceso que debe continuar, adoptar posturas de ideas, patrón de virtudes, morales y costumbres producidas en la sociedad (ELIAS, 1994) un papel también asumido por las instituciones, entre ellas, la escuela.Para Honorato (2017, p. 114, nuestra traducción),Aunque las instituciones escolares no constituyeron las preocupaciones centrales de la Teoría de los Procesos Civilizadores, en su obra maestra, El proceso civilizador, Norbert Elias (1993; 1994), al elaborar las etapas de desarrollo de una civilización, nos permite sistematizar: 1) los procesos educativos, institucionalizados o no, tienen centralidad en cualquier civilización, porque hay un aprendizaje constante de comportamientos, tanto individual como socialmente, se transmite de una generación a otra, y puede convertirse en unhabitus(segunda naturaleza); 2) la formulación e incorporación de valores educativos como habitusimplican cambios efectivos en la conducta y los sentimientos hacia una dirección específica, mayor control social y autocontrol de las emociones de los individuos; 3) el (auto)control de las emociones, así como el conocimiento popular y científico, fomenta un proceso creciente de individualización en lo social, y este proceso se ha visto cada vez más potenciado y asegurado por grupos e instituciones específicas, en este caso, la escuela; 4) La escolarización de los individuos se convirtió entonces en obligatoria, y así, en la estructuración de la modernidad, la regulación del conocimiento elemental había sido monopolizada por el Estado nación como uno de los fundamentos de su existencia, como sucedió con el control legítimo del uso de la fuerza física y la recaudación de impuestos.Así, para el análisis, unimos conceptos eliasianose investigaciones empíricas, basadas en las experiencias de antiguos alumnos de una escuela confesional creada en la década de 1950 en el norte de Minas Gerais, el Instituto“Nossa Senhora Aparecida” (INSA) Salinas. La investigación se realizó con los estudios de memoria, con el fin de interpretar las memorias evocadas sobre la formación de estudiantes de esta institución, a través de la entrevista de historia oral y vida de cinco mujeres4, Nacido entre 1940 y 1955. Traen sus recuerdos, respecto 4Luana, 81 años, estudió en el INSA de 1952 a 1958, entrevistada el 22/08/2019; María, de 77 años, estudió en el INSA de 1954 a 1963, entrevistada el 26/01/2021; Simone, 72 años, estudió en INSA de 1957 a 1967, entrevistada
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792902a la formación recibida en el INSA, con respecto a hábitos, comportamientos y valores morales. Estas mujeres estudiaron en la institución entre 1952 y 1972, y traen recuerdos de experiencias escolares colectivas e individuales. Uno de ellos estudió en un internado,el otro en régimen externo. Por lo tanto, para una mejor comprensión, trazaremos una historia de los recuerdos de INSA.Recuerdos de una escuela confesional, el Instituto “Nossa Senhora Aparecida”Halbwachs(2006) dijo, el ser humano trae consigo ideas y sentimientos originados en grupos, que se pueblan en pensamientos con otros seres, como lugares y circunstancias. Es necesario que haya muchos puntos de contacto entre los recuerdos individuales para que losrecuerdos colectivos se recuperen en un eje común. A su vez, Elías (1993) afirma que la educación, los procesos civilizatorios y formativos, se constituyen en las relaciones de vida practicadas en figuraciones humanas, como los grupos sociales. En 1951, el Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) inició sus actividades en Salinas/MG con el estatusdeColegio de Monjas, así como sus congéneres en el interior y capital Belo Horizonte, en el estado de Minas Gerais5. El Instituto preveía satisfacer la necesidad de escolarización en ese momento y territorio, con la educación como parte de un proceso de modernización y civilización de las personas a través de la escolarización. El colegio estaba gobernado por la Congregación Franciscana, específicamente por monjas vinculadas a la orden. Las fundadoras fueron cuatro hermanas, Narcisa Chamone superiora, Maria Elias Chamone secretaria/directora, Maria Piedade Guimarães ecônoma, y Elizabeth Freitas maestra. Tenían entre sus propuestas esforzarse por mejorar el nivel de el 02/08/2020; Francisca, de 71 años, estudió en el INSA de 1962 a 1969, entrevistada el 16/12/2020; Eva, de 66 años, estudió en el INSA de 1961 a 1972, entrevistada el 21/01/2021. Las entrevistas tuvieron lugar en las residencias de los antiguos alumnos de la ciudad de Salinas/MG. Los nombres presentados aquí son ficticios, con el objetivo de salvaguardar el anonimato. La investigación fue realizada bajo el número de aprobación 44678621.3.0000.0055 del Certificado de Apreciación Ética -Comité de Ética en Investigación de la Universidad Estatal del Sudoeste de Bahía, Campus Jequié. La invitación se hizo personalmente a cada entrevistado, cuando explicamos los objetivos del estudio. Presentamos el Término de Consentimiento Libre y Esclarecido, que fue firmado antes del inicio de cada entrevista.5El Instituto comenzó en mayo de 1898, en Forli, Italia, y funcionó durante algún tiempo también en la ciudad italiana de la Abadía de Bertinoro. En 1907, cuatro hermanas franciscanas Clarisas Misioneras del Santísimo Sacramento salieron de Italia,comenzando la misión en tierras brasileñas. El 3 de julio de ese año llegaron a Itambacuri/MG, donde se instaló el primer instituto. Con la llegada de los primeros misioneros a Itambacuri, la historia de la congregación comenzó en Brasil. Las raíces lanzadas en 1907 se expandieron por todo el estado de Minas Gerais: la diócesis de Diamantina fue decisiva para esta expansión. A partir de entonces, las franciscanas Clarissas se extendieron por pequeños pueblos mineros, donde recibieron la instrucción: en Curvelo, Sete Lagoas, Governador Valadares, Corinto, Guanhães, Caetanópolis, Conceição do Mato Dentro y Teófilo Otoni; también se instaló una unidad en la capital del estado, Belo Horizonte; y finalmente, se expandió instalando algunos institutos en los estados de São Paulo y Brasilia (RODRIGUES, 2003).
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792903vida de la población con discapacidad, y el camino elegido fue la educación escolar. El objetivo principal era promover la educación de las mujeres, con el primer propósito de la educación de los jóvenes más necesitados. Con este fin, el régimen gratuito de enseñanza a la clase desfavorecida sólo fue posible con la ayuda de los más favorecidos, aquellos que podían pagar la escuela. En ese momento, en el contexto brasileño, las ideas liberales estaban teniendo lugar y propagándose, de tal manera, sería necesaria una renovación en la Iglesia Católica. "Así, la Iglesia también tenía la intención de frenar el avance de las ideas anticlericales no cristianas que se extendían por todo el país.Un gran contingente de religiosos y religiosos se lanzó a la batalla para recristianizar a las masas" (RODRIGUES, 1986, p. 52, nuestra traducción). El colegio católico de Salinas era entonces el medio de acción para defender la doctrina y propagar las costumbres y valores cristianos. Tenía como aspiraciones a las "hijas del pueblo", a la juventud más desprovista, secuencialmente, de toda la sociedad. Sin embargo, debido a la falta de recursos financieros propios y de inversión pública, el servicio se revirtió. El INSA atendió a las niñas en tres formatos: internado, internamiento (en las modalidades de pagadores y becarios) y orfanato (atención a niñas huérfanas necesitadas) con educación gratuita. Las orientaciones ideológicas de la Congregación Franciscana en las escuelas estaban dirigidas a un "[...]sólida formación cristiana, hábitos de piedad, ejemplos de oración y de vida, según las enseñanzas del evangelio, acompañando, por supuesto, la instrucción intelectual" (RODRIGUES, 1986, p. 53, nuestra traducción). Cada período de la historia tiene sus necesidades civilizadoras socialmente construidas(ELIAS, 1994). En la década de 1950, los religiosos y profesores de INSA se hicieron cargo de todas las disciplinas curriculares, sobre todo porque entendieron que en la localidad había laicos que no estaban preparados para tomar las clases. E incluso si hubiera personal académicamente calificado, no estaba en el interés de la Iglesia Católica contratarlos por razones tales como: salarios que sobrecargarían las finanzas escolares, la escuela que necesitaba establecerse antes de contratar, y no siempre estos maestros potenciales para contratar para ser católicos practicantes. Así, las monjas se hicieron cargo de todas lassillas (RODRIGUES, 1986). Se comprometieron en esta labor educativa imponiendo un espíritu de obediencia, disciplina, respeto y cumplimiento de costumbres, valores y conductas morales. En este núcleo, la escuela fue entendida como un centro regenerativo de los valores de la civilidad en la sociedad.Según Freitas (1994), en la década de 1950, la educación estuvo marcada por un proceso de ideologización de las prácticas políticas, culturales y educativas. Una reorganización del
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792904modo de producción capitalista estaba en marcha, y la escuela era un instrumento de control social, desarrollo económico y mantenimiento de una cierta fracción de la sociedad. Por lo tanto, era necesario capacitar a los estudiantes para ciertas ocupaciones, la educación de una élite al molde sofá de una educación con ascensión social que comprendía la escuela primaria, vocacional y secundaria. Estas características son muy similares al contexto educativo del INSA en el mismo período de tiempo. EL INSA fue un colegio creado por la Iglesia Católica a partir de la solicitud de políticos, comerciantes y hombres de posesiones residentes en Salinas / MG, con el apoyo de la comunidad. Había anidas políticas y de desarrollo, sin embargo, era necesario mantener una organización y un control queno pusieran en peligro los valores, costumbres y preceptos morales deseados por los grupos más favorecidos. Para satisfacer estas aspiraciones, la escuela tenía que ser creada en un discurso que fuera un lugar relacional para todos. En este sentido, la asociación con la Congregación Franciscana estaba bien alineada, lo que tenía como preceptos el cuidado de aquellos que estaban en mayor desventaja social, cultural y económica.EL INSA fue creado como una institución privada, las niñas a matricularse tendrían que pagar por estos servicios. Tal como se publicó en el Extracto de los Estatutos del Instituto “Nossa Senhora Aparecida” salinas, en el Diario de Minas Gerais, el 4 de octubre de 1951:Art. III El establecimiento, que constituirá personalidad jurídica, es particular, católico, opera en su propio edificio, siendo dirigido por la misma Congregación de las Franciscanas Clarisas de la SSmo. Sacramento, que, en Brasil, tiene su sede principal en la ciudad de Belo Horizonte (INSA, 1951b, p. 4, nuestra traducción).Había una lista de precios a cobrar por los estudios de los inscritos. Los valores fueron adecuados de acuerdo con la situación del estudiante (interna o externa). Hasta entonces, los fondos recaudados eran exclusivamente para el mantenimiento del colegio, porque los religiosos no recibían salarios.GIMNASIONOSSA SENHORA APARECIDASALINAS -MINAS GERAISTABLA DE ANUITIESINTERNADO1º, 2º, 3º, 4º grado ........ Cr$20,000.00EXTERNO1º, 2º, 3º, 4º grado ........ Cr$6,000.00Hermana Maria Elias do Coração de Jesus, Directora. Izidoro Bretas, Inspector (INSA, 1959).
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792905Por otro lado, la escuela recibió algunas niñas necesitadas que obtuvieron educación a través del orfanato y otras en internados. A cambio, estos estudiantes que no pagaban ayudaban con las tareas domésticas de la escuela, el mantenimiento y los servicios generales.Estas evidencias se revelan en las memorias de Francisca (2020):La universidad estaba pagada y no podía pagarla. Así que fui a mi padrino del bautismo, el que pagaba la admisión6para mí. Y cuando fui a hacer la inscripción para el gimnasio no pude hacerlo también [...] quería estudiar y no podía. Todavía era un niño, cuando tenía 11 años, y busqué a las hermanas. La hermana que me atendió era la secretaria de la escuela en ese momento, la hermana Benigna, que falleció. Ella era mi profesora de historia en el curso de admisiones, y cuando me acerqué a ella, me dijo: "¡No, no te voy a dejar sin estudiar"! Porque era muy estudioso [dice con énfasis]. "Tú harás la matrícula, cuando puedas, me pagas" (risas). Le dije: "Está bien. No sé cuándo voy a poder pagarte, porque mi madre trabaja para la vida de la casa... y soy de una familia muy humilde". Luego dijo: "No hay problema, estoy diciendo que es cuando puedes".El relato muestra el afán de Francisca (2020) por la educación, era consciente de su situación real y de las condiciones económicas de su familia. Aun así, era consciente de que, para lograr sus sueños y tener una vida diferente y prometedora, el camino sería a través de la educación, el estudio y la graduación como maestro. Percibimos aquí un proceso de formación que operaba en nuestra sociedad y que provocaba en el ser humano una inquietud social, un sentimiento de deseo de pertenecer a este mundo en construcción. La estructura de la sociedad salina fue cambiando con la llegada del INSA, por lo que reconocemos que "estas formas de emociones son manifestaciones de la naturaleza humana en condiciones sociales específicas y reaccionan, a su vez, sobre el proceso sociohistórico como uno de sus elementos" (ELIAS, 1993, p. 152, nuestra traducción).No se puede negar que las hermanas Clarissas Franciscanas Buscaron ayudar a algunos estudiantes, sin embargo, sabemos que pocos tuvieron esta ayuda. Para ampliar este servicio, fue necesario contar con un mayor número de estudiantes remunerados, más monjas para enseñar, mayor ayuda de la sociedad para la compra de materiales didácticos, entre otras necesidades. La Revista Minas Gerais, en la misma publicación mencionada anteriormente, anuncia el acto de regularización de la operación del INSA en Salinas/MG. Además, manifiesta el perfil de las alumnas a formar por la escuela, y en ella resume el modelo de mujer ideal para esa 6Examen de admisión funcionó como una prueba de selección, establecida a través de la Reforma Francisco Campos en 1931. Era válido hasta 1971, era obligatorio someterse a él para tener acceso a las escuelas públicas, lo que dificultaba el acceso a la educación primaria y secundaria.
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792906sociedad. Así, hace público en el artículo IIque la formación se llevaría a cabo de manera integral, teniendo en cuenta las cuestiones físicas, intelectuales, morales y devotas a la iglesia, la familia, la sociedad y la patria.EXTRACTO DE LOS ESTATUTOS DEL INSTITUTO NOSSA SENHORA APARECIDA DE SALINAS (INSA, 1951b)Art. I El Instituto Nossa SenhoraAparecida, fundado en la ciudad de Salinas, Minas Gerais, por la Congregación de ClarissasMisioneras del Santísimo Sacramento, el 1 de marzo de 1951, para operar indefinidamente, tendrán el nombre antes mencionado e incluirán un curso para niños, un curso primario, una escuela secundaria, un orfanato y una escuela doméstica.Art II El Instituto tiene como objetivo dar a las mujeres una educación integral: física, intelectual, moral,cívica, artística y religiosa, para que sus estudiantes puedan cumplir fielmente sus deberes para con Dios, la familia, la sociedad y la patria.Art. III El establecimiento, que constituirá personalidad jurídica, es particular, católico, opera en su propio edificio, siendo dirigido por la misma Congregación de las Clarissas Franciscanas de SSmo. Sacramento, que, en Brasil, tiene su sede principalen la ciudad de Belo Horizonte.Art. IV -(ilegible)§1 -Los miembros de la junta directiva serán determinados por la Madre General o su representante, de acuerdo con su junta.§2 -Corresponde a la Directora representar al Instituto en los tribunales y fuera de él.Art. IX En caso de extinción de esta obra, sus bienes y activos serán revertidos en beneficio de la Parroquia de Santo Antonio, de Salinas.Montes Claros, 18 de septiembre de 1951. (a.) Antonio, obispo de Montes Claros.(B. 3.644 T. 5734)(INSA, 1951b, p. 4, nuestra traducción).El contenido publicado en el Extracto de los Estatutos del INSA (1951b) destaca que la formación de los estudiantes en la institución se mediría por una fuerte educación católica. La formación tenía por objeto preparar a las jóvenes para la devoción religiosa, para ser jóvenes virtuosas en la sociedad y en el hogar, a fin de dar ejemplo en el respeto y la difusión de las buenas costumbres. Estos elementos se acercan a los estudios de Elias (1994), cuando dice que los cambios en la personalidad influyen en el contexto social a lo largo de los años: hay diferenciaciones y cambios en las costumbres humanas según la formación social del momento.En las memorias de Francisca (2020), se evidencian estas preguntas: Es porque realmente aprendimos [énfasis], ¡oramos! Yo, como pasante de secundaria ... Nos levantamos temprano, ellas [las monjas] se levantaron a las cinco de la mañana para rezar la cosita, después de que la pequeña nosotros [los estudiantes internos] ya nos habíamos despertado, primero íbamos a misa, después de la misa íbamos al café. Y después del desayuno
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792907íbamos a clase. Así que... Rezamos el rosario todos los días, mañana y noche. Fue oración, además de los retiros espirituales que hicimos. Fue una educación religiosa muy fuerte la que tuvimos.La formación de las niñas se basaba en una posición conscientemente católica, había un patrón de sociedad religiosa que deseaba asegurar y ampliar a sus fieles. Además, a la luz de los estudios eliasianos, los críticos apuntan a que los niños tienen que aprender como si fueran adultos pequeños, ya que son vistos como actores que continuarían las costumbres, tradiciones, valores y conductas socio morales de su generación (ELIAS, 2001,2012).Escolarización en el INSA: formación y civilización de las niñasLos ex alumnos del INSA tuvieron trayectorias de vida individuales y colectivas; en el proceso formativo, algunos elementos son sorprendentes en las experiencias de la rutina escolar, particularidades exigidas por las características de las relaciones construidas histórica y socialmente en el contexto de la Pedagogía Moderna7y la educación en el hogar. Entre ellos, señalamos las cuestiones de género, clase y relaciones de poder que, según los estudios eliasianos, son interdependencias del proceso civilizador de los individuos en la sociedad. El panorama socio-histórico presentado en este estudio nos llevó a pensar cómo se daban las relaciones educativas e interactivas en los grupos de convivencia, con énfasis en la historia de la vida escolar, la enseñanza y el aprendizaje de las mujeres en el INSA.La atención se centra en la educación escolar recibida por las niñas que tenían como maestras a las monjas franciscanas clarisas del Santísimo Sacramento. Todos ellos asistieron al gimnasio y al curso normal en INSA entre 1952 y 1972. En vista de esto, lo que nos interesa aquí son los recuerdos de estas mujeres en su proceso de educación escolar en la institución mencionada anteriormente. Se optó por destacar los procesos civilizatorios a partir de las relaciones marcadas por la feminización, comportamientos, costumbres y valores morales practicados en la enseñanza de las monjas desde una perspectiva de escuela doméstica. Así, seleccionamos algunos puntos de esta relación interdependiente de la educación delas niñas presentes en la educación doméstica para la instrucción de comportamientos moldeados, intuyendo su inclusión en la vida en sociedad.7João Amos Comenius es el precursor de la Pedagogía Moderna. Abogó por una educación que interpretara y ampliara la experiencia de cada día y utilizara medios clásicos como la enseñanza de la religión y la ética. El plan de estudios debe enriquecerse con la inclusión de música, economía, política, historia y ciencia. Fortalece la concepción de que el hombre es capaz de aprender y puede ser educado (COMENIUS, 2011).
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792908Las hermanas fundadoras de INSA aportaron experiencias de sus formaciones y experiencias obtenidas por el trabajo realizado en otros institutos católicos, colegios vinculados a la Congregación Clarissas Franciscanas Misioneras del Santísimo Sacramento, para implementarlos en Salinas/MG. El Colegio de Monjas creció en fama y en número de estudiantes. Los padres querían que sus hijas tuvieran una educación cristiana exquisita y una sólida formación profesional. Así, "el rigor de la normativa elaborada por la Directora no asustó, pues su persona ejerció una fuerte atracción sobre padres, profesores y alumnos. Percibían que su severidad estaba unida a un buen corazón, firme, afectuoso, realmente dedicado a la formación de sus alumnos" (RODRIGUES, 1986, p. 56, nuestra traducción). El reglamento del colegio llevaba a cabo los siguientes deberes a cumplir:Art. VI -De las autoridades§ 1 -El respeto de la autoridad es indispensable para la formación del carácter, todos los estudiantes deben respetar a las autoridades constituidas, tanto eclesiásticas como civiles.§ 2 -El papel de la autoridad no es la libertad; es guiarla para siempre, corrigiendo sus abusos. Para esto, los estudiantes tendrán en sus maestros y Superiores en la cuenta de Amigos y les proporcionarán pronta obediencia, evitando el espíritu de murmuración y rebelión.Art. VIII Habrá un retiro espiritual para todos los estudiantes cada año (INSA, 1951a, p. 19, nuestra traducción).Había un poder relacional en la organización de la vida social y en el mantenimiento de la Iglesia Católica objetivada en el INSA. La educación de las niñas debe basarse en las relaciones de poder con las autoridades, consideradas personas con mayores gradientes de poder. Las autoridades no debían ser cuestionadas, todala enseñanza tenía que ser aceptada como mecanismo de conocimiento y control a interiorizar, conteniendo las pulsas más íntimas. Correspondía a los estudiantes cumplir con la planificación y, por lo tanto, la escuela tenía un carácter reglamentario y estricto de las conductas. Los horarios escolares se determinan y deben respetarse estrictamente, es un proceso de regulación en la vida escolar de los niños, pero también en su vida social.Según Elias (1993), los niños son colocados en el proceso de civilización basado en comportamientos producidos por grupos sociales. Con respecto a la formación de las niñas por parte de INSA, notamos un compromiso para que los hábitos más rudos, las costumbres más sueltas y desinhibidas fueran suavizadas, pulidas y civilizadas. La educación de las niñas impregna el campo de las actividades domésticas, en las que las mujeres se colocan en la posición de que nacen para ser amas de casa, esposas y madres. También se les asignaron comportamientos para servir a la fe católica y la cortesía en los hábitos sociales. Estos factores
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792909aparecen en las evocaciones de Luana (2019) cuando recuerda sus días de estudiante en el Instituto:¡Dios!Nadie le faltó el respeto. Las hermanas eran así ... [pausa]. Necesitabas ver cuán firmes eran. No solo se preocupaban por la cultura y la disciplina, sino también por la educación religiosa. Si tenía algún problema, llamaban a sus padres.En las relaciones de poder con las autoridades, las niñas tenían gradientes de poder más bajos, por lo que debían seguir arreglos jerárquicos. Ellas, como mujeres, fueron colocadas en una condición de invisibilidad y subordinación social a la fe, y correspondía expresar afecto y fragilidad. De lo contrario, de manera velada, obtuvieron un entrenamiento para un papel de invisibilidad y devoción. Las configuraciones de esta formación presumen de evitar cualquier tipo de conflicto, buscar un equilibrio de soberanía. Entendemos EL INSA como una perspectiva de demarcación del poder civilizador, un movimiento que tiene como objetivo controlar las conductas de los estudiantes mediante el proceso de interdependencia marcado por las relaciones humanas en el contexto del establecimiento educativo. Desde esta perspectiva, traemos al análisis las siguientes memorias:¡Las hermanas eran exigentes, severas en la exageración! Hoy las cosas que han impuesto nunca serían aceptadas. Por ejemplo, no aceptaban a nadie de esmalte de uñas en la escuela. Un día me fui a esmalte, niña, y me rasparon con navaja la uña para coger elesmalte porque no podía ir al esmalte escolar. Nadie podía ir a la escuela de esmalte de uñas, si lo era, lo afeitaban con una cuchilla de afeitar. Así que ya sabíamos que no podíamos pasar de los esmaltes y ya nadie se atrevía a moler. La rutina de la escuela era esta: me alineé en el patio, donde se alojaba una monja para administrar la entrada y verificar si los uniformes eran adecuados. Nos alinearíamos, tendrían que tener razón y esas cosas. El lunes cantamos el Himno Nacional y el Himno a Salinas(SIMONE, 2020).Se observan comportamientos de civismo directamente vinculados a comportamientos religiosos, como la obediencia, la disciplina y los preceptos que las mujeres no podían expresar por el cuerpo. La formación recibida defendió la idea de quelas jóvenes de la familia debían adoptar un comportamiento ejemplar, con el fin de mantener su inocencia, construyendo las buenas costumbres y la moral. Por lo tanto, "tan buenos o malos serán los hábitos adquiridos, rentables o perjudiciales para la educación" (BACKHEUSER, 1958, p. 37, nuestra traducción). Simone (2020) trae recuerdos de que las mujeres deberían adoptar una postura recatada, no se le permitió anunciar alegría y encanto de su cuerpo. Esto sería aprobar una especie de apariencia típicamente femenina de pobreza y miseria social, vista como un peligro para las buenas costumbres y los valores morales. Sería lo mismo que abrir la puerta a comportamientos
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792910que podrían desviar a las niñas a una vida disoluta y escandalosa. Entendimos estos comportamientos desde el contexto histórico de la época, ya que era una forma de practicar la civilidad religiosa defendida por las hermanas. El proceso formativo de las niñas operó para no permitir cambios en la relación de poder, evitando actitudes conflictivascon la visión de las mujeres civilizadas según el orden de las hermanas católicas del INSA. Se nos enseña en todo momento a respetar y usar reglas socialmente aceptadas, como formas correctas de sentarse o saludar a alguien. Estas son actitudes y movimientos que nos hacen extraños en el siglo 21, sin embargo, que se materializaron en un cierto período y contexto. A su vez, Eva (2021) trae consigo sus recuerdos:Nunca estuvimos en un horario ocupado como hay hoy, cuando faltaba una maestra, una de las monjas iba a clase y nos enseñaba cosas día a día. Cada vez que voy al baño a orinar los recuerdo [sonríe], porque decían: "¡No puedes dejar que haga ruido cuando orinas"! [Risas] "Para subir escaleras con un niño, subes por delante y por delante". Pero así... [pausa] Esas cosas que nos estaban enseñando... hablando... Fue un momento maravilloso.Se registran materializaciones de enseñanzas de una estructura conductual y emocional específica para mujeres. Considerando las reflexiones de Elías (1994), inferimos que, en la supuesta buena sociedad, existe un diseño de mujer para ser aceptado por ella misma. Sin embargo, Eva (2021) consideró ese tiempo "maravilloso". La capacitación atribuyó una importancia excesiva al comportamiento de las mujeres en espacios privados, en los que le correspondía demostrar moderación en sus necesidades fisiológicas y comportamientos sociales. La memoria de Eva (2021) presentó una demarcación de la desigualdad en el proceso formativo de las niñas, y es evidente una cuestión de género, de diferenciación en las acciones entre los sexos femenino y masculino.Las monjas realizaron un entrenamiento con el fin de civilizar a las niñas, guiando la regulación de algunas conductas personales y costumbres morales. La mujer que hace ruido en el acto de orinar la puso en una condición desagradable y una exposición vergonzosa como dolor social. Así, la buena conducta orientaba que era necesario evitar el ruido en el acto de orinar, esto debía hacerse educadamente y sin llamar la atención, hábito a desarrollar en la corporeidad civilizada.La mujer necesitaba ser refinada, educada, hablar bajo y mostrar buenos modales. De lo contrario, se le consideraba una persona desprovista de buenos modales, cultura, instrucción. Además, podría considerarse como una persona que deseaba atraer la atención hacia su cuerpo o incluso disputar el espacio ocupado por el hombre. Caminar por delante del hombre era una
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792911forma de demostrar que la mujer debía ser protegida por él y que él estaba en la condición de sexo frágil, demarcando la virilidad del sexo masculino. Una demarcación sexista que colocaba a la mujer en la condición de una relación de posesión, y por lo tanto no podía ser cortejada, admirada o deseada por otro chico. Los recuerdos de Francisca (2020) también expresan estos comportamientos:Ellas [las monjas] tenían para nosotros una formación moral y religiosa muy rigurosa, un comportamiento sentado, esas risas que algunas chicas seguían dando, esas risas demasiado fuertes, decían que era escandaloso. Teníamos que ser más mesurados con las palabras, con las actitudes, ahí es donde hablo. [...] La acusación allí era de celo. Hasta la fecha incluso, te dijeron que no fueras de mano en mano, que salieras una hoy, otra mañana... Enseñaron que esto no era apropiado.Para Bassanezi (2002, p. 610, nuestra traducción), las mujeres en los años dorados eran "A veces vistas como ingenuas o peligrosamente intrascendentes y deslumbradas, había un gran temor de que las jóvenes se desviaran del camino correcto, la educación moral y la vigilancia sobre ellas eran necesarias".En este choque cultural y en la defensa de valores, el sexo femenino se encontraba en una posición histórica de sumisión y violencia de género. Hubo toda una participación para que la mujer fuera silenciada e invisible (SARAT; CAMPOS, 2017). En la concepción formativa de la INSA, la niña bien educada, refinada y civilizada necesitaba demostrar un comportamiento basado en el autocontrol del impulso que guiaría sus acciones en la vida social. Este es un signo de distinción que formaba parte de un grupo social de otro considerado inferior, se entendía que las personas de "cuna" tenían educación y buenos modales. No era decoroso para la mujer sentarse de la manera que quería. Reír era un acto de falta de elegancia, si elegías coquetear con más de un chico en un pequeño intervalo de tiempo, te estarías exponiendo a la sociedad y podrías volverte "mal hablado". Estas preguntas pueden leerse como condiciones decorosas y/o indecorosas expresadas por el cuerpo, conceptos sobre comportamientos que podrían ser aceptados o no por la sociedad. En la especificidad social de Salinas/MG, en ese momento, era el proceso civilizatorio en curso. Y el INSA fue una figuración para cambios concretos en el comportamiento de los estudiantes y en la propagación de acciones conservadoras en la sociedad para no obtener actitudes "incivilizadas". Por otro lado, todavía había en circulación reglas incuestionables, como organizaciones en colas y vestimenta impecable del uniforme.Las monjas nos prohibieron usar pintura en la cara, no aceptaron, todavía había algunas [estudiantes], las más traviesas (sonríen), se maquillaron más discretamente. Ellas [las monjas] eran realmente exigentes, ¿sabes? La falda
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792912tenía que ser del tamaño correcto, si la falda estaba un poco por encima de la rodilla, no se aceptaba. Tenía que estar por debajo de la rodilla, calcetines tres cuartos... Teníamos tres uniformes, uno de educación física, uno de uso diario y el uniforme de gala. La gala era el uniforme que llevábamos en eventos especiales, como los desfiles del siete de septiembre, fiestas... Esto fue con calcetines cortos y zapato negro social. Ahora, el uniforme diario era con calcetines tres cuartos, la chaqueta blanca, la falda plisada de color azul marino. Pero no podía usar adornos en mi cabello, nada. Todo siempre fue muy simple, ¿sabes? (MARIA, 2021).Había instrucciones para el comportamiento y la moralidad esperada en la educación de los estudiantes. "Era malo para la reputación de una mujer joven, por ejemplo, usar ropa muy audaz y sexy, salir con muchos chicos diferentes o ser vista en lugares oscuros o en una situación que sugería intimidad con un hombre" (BASSANEZI, 2002, p. 612, nuestra traducción). Al evocar sus recuerdos, María (2021) presentó notas de un proceso civilizatorio algo conservador y regulador. Se requería que las chicas ajustaran sus comportamientos, la ropa debía comportarse bien, nunca podían mostrar ni una pulgada ni siquiera de las piernas por encima de las rodillas. Las monjas hicieron rigurosas revistas de ropa estudiantil para asegurar sus gradientes de poder y control represivo de actitudes consideradas tortuosas o promiscuas. La idea era regular los comportamientos, el control y el autocontrol sobre sí mismos y sus acciones en las figuraciones sociales. En un momento de la entrevista con Eva (2021), ella reportó hechos que expresan estos aspectos:En mi clase había muchas chicas de las "pernonas" que subían la cintura de la falda y ponían la falda muy por encima de las rodillas. Eso fue hasta que me acerqué a la escuela. Una vez, una de ellas entró y olvidó bajarse la falda cuando su hermana vio ... Ella [su hermana] llegó y tomó el dobladillo de la falda y rasgó el dobladillo de la falda todita. Cuando rasgó el dobladillo de la falda, mientras le ponía fuerza, lafalda bajó e incluso un poco por debajo de las rodillas, porque estaba rizada (risas).La forma "educativa" de las monjas de operar sobre las transgresiones, el desprecio por las reglas y prohibiciones practicadas fue un acto exacerbado en la regulación de las costumbres. Además, las acciones estaban directamente relacionadas con el tema de la represión. Las niñas fueron censuradas de tal manera que la desobediencia a las reglas sociales determinó quién no encajaría en el ideal de una buena niña, esposa y madre. No fue casual que en el currículo escolar existieran las disciplinas de Trabajo Manual, Economía Doméstica y Puericultura (INSA, 1951a). Este era precisamente el espacio social de las mujeres, el espacio del trabajo doméstico bajo el trasfondo de controles sociales que articulaban roles y actitudes femeninas propiamente históricas, estandarizando hegemónicamente formas y costumbres
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792913desequilibradas en el "equilibrio" de poder impulsado por las relaciones entre diferentes géneros, especialmente entre niños y niñas. Las figuras 1 y 2 muestran las características conductuales relacionadas a la vestimenta relatada por los entrevistados.Figura 1 -Desfile del 7 de septiembre de 1960Fonte: Arquivo pessoal de Maria Elza Sarmento(1960)Figura 2 Procesión y coronación en fiesta al día de Nossa SenhoraAparecida em 1960.Fonte: Archivo personal de Maria Elza Sarmento (1960)Había cierto rigor en la organización de los estudiantes en figuraciones de desfile. Las niñas se colocaron en filas, con el cuerpo erguido para demostrar atención y concentración en las tareas que debían desarrollar en el contexto de una presentación pública. En la Figura 1, la falda uniforme estaba hasta la rodilla, como se informó en las entrevistas, y las blusas eran de manga larga, por lo que no había exposición de la mayor parte del cuerpo. En la Figura 2, además de estas características, la ropa era de color blanco, con el fin de reflejar la pureza, y las flores en el cabello expresaban docilidad, fragilidad, feminidad y delicadeza. Aun así, la
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792914prenda de la Figura 2 también expresaba devoción y fe católica, ya que estaban practicando un ritual religioso.Los modos de comportamiento tienen diferentes orígenes sociales. En el caso de INSA, en particular, se situaron como resultado del destino social en el que la mujer se insertaría con posturas recatadas, dóciles y con prototipos impecablemente enmarcados de buenas costumbres. En este sentido, Cardozo y Honorato (2020, p. 149, nuestra traducción) argumentan que:La educación corporal es impulsada a través de cambios en la estructura de la personalidad y la conducta de los individuos. Los instintos, las emociones y las compulsiones también varían según la estructura de la sociedad en la que el individuo se inserta y forma parte. Así, el individuo educado transforma sus comportamientos y sentimientos para insertarse socialmente y responder a las nuevas demandas de conducta y personalidad.Elias (1994) considera que el proceso civilizador individual se debe a las marcas de un determinado grupo social, por lo tanto, para la existencia social del ser, la civilización es esencial. A través de adultos y "[...] miles de otros instrumentos, es siempre la sociedad en su conjunto, todo el conjunto de seres humanos, el que ejerce presión sobre la nueva generación, tomándola más perfectamente, o menos, para sus fines" (ELIAS, 1994, p. 145, nuestra traducción).Los recuerdos evocados por los antiguos alumnos del INSA revelan relaciones que permitieron reconocer el exceso de reglamentos, órdenes y autoridades practicadas por las monjas. Sin embargo, los antiguos alumnos tratan estos temas en una percepción de naturalización, como un habitus. Además, todavía creen que las normas deben prevalecer hoy. Creen que si los estudiantes de hoy son indisciplinados, muestran poco interés, es porque ha habido un aflojamiento en las reglas de comportamiento y formación.Por lo tanto, el proceso civilizador en la formación de las niñas por insa connota que la escuela ha traído fuertemente marcas de la iglesia católica. Así, la civilización en el colegio se produjo con el fin de suavizar sus caminos, establecer laurbanidad y la cortesía en las acciones, una educación privada que requería la anulación de conflictos y hábitos específicos del público femenino. Se esperaba que las chicas fueran sofisticadas, sutiles, sensibles, ocultas y retractadas. Se les dio cuidado de las rutinas familiares y domésticas y celo por el espacio doméstico (DIAS, 1984). Así, sus representaciones de poder figuraban en el ámbito doméstico, por otro lado, tenían como poder civilizador dedicarse a profesiones que se encontraban en una gama de cuidar y educar al niño como si fuera una condición materna, en el caso del INSA, la formación normalista se centró en la enseñanza de las primeras letras.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792915Consideraciones finales En nuestro estudio, trabajamos sobre memorias individuales y colectivas vinculadas a una institución educativa, el Instituto“Nossa Senhora Aparecida” (INSA) de carácter confesional, perteneciente a la iglesia católica, particular, y con enseñanza exclusiva en ese momento para niñas en la ciudad de Salinas/ MG. Son recuerdos de un gimnasio y una formación normalista que fueron relegados por la investigación científica, por lo que fueron históricamente invisibles.El estudio se realizó en el campo de la memoria, con análisis documental a la luz de la historia oral. Buscamos comprender el proceso formativo y de civilización de los antiguos alumnos de las teorías eliasianas. Los recuerdos revelaron que la formación ejercida por el INSA en ese contexto formaba parte de un modelo de organización social y civilizatoria. Después de todo, según Norbert Elias (1993, 1994, 2001, 2012), vivimos en grupos, en sociedades que llevan preceptos morales, valores, costumbres y hábitos, que deben transmitirse a las nuevas generaciones para una mejor estructura orgánica social. En esta línea, entendemos que la escuela es una de las figuraciones que opera en el proceso de civilización, en las relaciones de interdependencia y en la formación de la personalidad.El papel del INSA es civilizar a las niñas promoviendo mecanismos de control y autocontrol de sus hábitos. Tendrían que demostrar en su comportamiento órdenes de sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina. Se entendió que la función de la mujer era evitar conflictos, por lo que no se les permitía exponerse, cuestionarse, expresarse por el cuerpo. Notamos que en este proceso formativo había una relación de fuerza, control y poder para mantener un orden social desde la perspectiva de la Iglesia Católica y los grupos hegemónicos locales. Los análisis de las fuentes revelaron que, en la cuestión de género, la mujer en la escolarización entre 1950 y 1970 fue tratada como el sexo frágil, y siempre debe ser sumisa a la virilidad masculina, una comprensión que está siendo cuestionada hoy. Concluimos que en elINSA el procesocivilizador de las niñas tuvo lugar en una perspectiva formativa en la regulación de comportamientos, control y autocontrol de sentimientos y emociones de ser mujer en contextos de desigualdades de género y orientación católica emitida por las monjas Clarisas Franciscanas. La figuración escolar estaba rodeada de reglas estrictas que debían cumplirse, imágenes religiosas y una capilla dentro de la escuela. Los estudiantes sentían que estaban en un ambiente santificado y devocional, por lo que lo menos que debían hacer era actuar con respeto y obediencia. Las niñas vivían diariamente bajo un ojo acusador de las conductas vistas como un agravante de la buena educación femenina y
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792916los preceptos religiosos. Incluso en su privacidad, el estudiante necesitaba demostrar recade, sutileza y discreción. Los recuerdos apuntaban a una educación marcadamente religiosa, de rigor, formación de hábitos y conductas morales rigurosas.AGRADECIMIENTOS:Programa de Posgrado en Memoria: Lengua y Sociedad (PPGMLS -UESB), Instituto Federal de Educación, Ciencia y Tecnología del Norte de Minas Gerais -(IFNMG) -campusSalinas y Fundación de Apoyo a la Investigación del Estado de Bahía (FAPESB).REFERENCIASBACKHEUSER, E. Manual de pedagogia moderna:Teoria e Prática. Porto Alegre: Editora Globo, 1958.BASSANEZI, C. Mulheres nos anos dourados. In: PRIORE, M. (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2002.CARDOZO, M. M.; HONORATO, T. História da educação do corpo: Uma leitura com Norbert Elias. In: VIEIRA, A. F. B.; JUNIOR, M. A. F. (org.). Norbert Elias em debate:Usos e possibilidades de pesquisas no Brasil, Ponta Grossa: Texto e Contexto, 2020.COMENIUS, J. A. Didática Magna:Comenius. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.DIAS, M. O. L. S. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo: Brasiliense,1984.ELIAS, N. O processo civilizador:Formação do estado e civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.ELIAS, N. O processo civilizador:Uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.ELIAS, N. Norbert Elias por ele mesmo.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.ELIAS, N. A Civilização dos Pais. Sociedade e Estado, Brasília, v. 27, n. 3, p. 469-493, set./dez. 2012. Disponible en: https://www.scielo.br/j/se/a/d8cs7Bb6zx8n83kgYdP7kRH/?lang=pt. Acceso: 26 jul. 2021.FREITAS, M. C. Brasil 1954-1964: Sugestão de roteiro a partir da “História das Ideias Educacionais” (Anísio e Vieira Pinto). Revista Brasileira de História, v. 14, n. 27, p. 167-178, 1994.Disponible en: https://www.anpuh.org/arquivo/download?ID_ARQUIVO=3749. Acceso: 17 enero2022.HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOyFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792917HONORATO,T. Pesquisas com Norbert Elias em História da Educação. Revista Comunicações, Piracicaba, v. 24, n. 3, p. 107-127, set./dez. 2017. Disponible en: https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/comunicacoes/article/view/3619. Acceso: 10 enero2021.INSA. ProjectosRegulamentos e Instruções do Instituto Nossa Senhora Aparecida. Salinas: INSA, 1951a.INSA. Extrato dos estatutos do Instituto Nossa Senhora Aparecida de Salinas, Salinas: INSA, 1951b.INSA. Tabela de anuidade, 1959. Lolização: Arquivo da Superintendência Regional de Ensino de Araçuaí.PORTELLI, A. Tentando aprender um pouquinho. Algumas reflexões sobre a ética na história oral. Projeto História, n. 15, p. 13-49, 1997.Disponible en: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/11215/8223. Acceso: 14 enero2022.PORTELLI, A. História oral como arte da escuta.São Paulo: Letra e voz, 2016.RODRIGUES, C. Força na pequenez: Madre Serafina ontem e hoje. Contagem: Composição e impressão, 1986.RODRIGUES, C. Missão no Brasil:Das Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento. Belo Horizonte: TELECART, 2003.SARAT, M.; CAMPOS, M. I. Memórias da infância e da educação: Abordagens eliasianas sobre as mulheres. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 42, n. 4, p. 1257-1277, out./dez. 2017. Disponible en: https://www.scielo.br/j/edreal/a/bMnh4dXN5CLQYsnhpLw3qqb/?format=html&lang=pt. Acceso: 23 jul. 2021.
image/svg+xmlEscuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñasRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792918Cómo hacer referencia a este artículoSANTOS, L. G. A.; HONORATO, T.; MARTA, F. E. F. Escuela Confesional INSA,Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñas. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2898-2918, oct./dic. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779Presentado en: 18/03/2022Revisiones requeridas en: 21/08/2022Aprobado en: 17/10/2022Publicado en: 30/12/2022Procesamiento y edición: Editora Iberoamericana de Educación -EIAE.Corrección, formateo, normalización y traducción.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792893INSA CONFESSIONAL SCHOOL, SALINAS/MG: MEMORIES OF A CIVILIZING PROCESS FOR GIRLSESCOLA CONFESSIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMÓRIAS DE UM PROCESSO CIVILIZADOR DE MENINASESCUELA CONFESIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMORIAS DE UN PROCESO CIVILIZADOR DE NIÑASLílian Gleisia Alves dos SANTOS1Tony HONORATO2Felipe Eduardo Ferreira MARTA3ABSTRACT:The proposition consists of interpreting as memories of formation and civilizing relations of the girls students at the Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) Salinas-MG (1951-1972). The INSA was faunded in 1951, and its organization was supported by the Clarissas Franciscanas. The study is situated in the field of memory (HALBWACHS, 2006), oral history (PORTELLI, 2016) and theories of civilizing processes (ELIAS, 1993; 1994). It is a qualitative approach in which former students of the Institute were interviewed, their evocations made us understand that the educational figuration presented characteristics of a civilizing process of girls that was constituted through the modeling of habits and behaviors through traditional and political-cultural practices. We consider that the memories revealed are a model of formation at INSA connected to a social organization, to which they were educated for civilization, and disciplinary in contexts of gender inequality and subtle orientation.KEYWORDS:Memory. Confessional school. Civilizing process. Customs. Woman.RESUMO:A proposição consiste em interpretar as memórias de formação e de relações civilizatórias das meninas estudantes no Instituto “Nossa Senhora Aparecida”(INSA) Salinas-MG (1951-1972). O INSA foi criado em 1951, sua organização contou com a ação das freirasClarrisas Franciscanas. O estudo está situado noscamposda memória (HALBWACHS, 2006), história oral (PORTELLI, 2016) e das teorias dos processos civilizadores (ELIAS, 1993,1994). Trata-se de uma abordagem qualitativa em que foram entrevistadas ex-estudantes do Instituto,eas suasevocações nos fizeram compreender que a figuração educacional apresentava características de um processo civilizador de meninas que se constituiu por meio de modelagem 1Federal Institute of Science, Technology and Education of Northern Minas Gerais (IFNMG), Salinas MG Brazil. Professor of Didactics and Educational Fundamentals. Doctoral student in the Graduate Program in Memory: Language and Society (UESB). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5363-2069. E-mail: liliangleisiasantos@gmail.com2University of Londrina(UEL), Londrina PR Brazil. Professor in the Department of Education and in the Graduate Program in Education. Associate Professor-B. PhD in School Education (FCLAr/UNESP).ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3057-1157. E-mail: tony@uel.br3Southwestern Bahia State University (UESB),Vitória da Conquista BA Brazil. Professor in the Graduate Program in Memory: Language and Society. Professor of the Degree Course in Physical Education (UESC). Doutoradoem História (PUC-SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0501-4298. E-mail:fefmarta@gmail.com
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792894de hábitos e comportamentos através de práticas tradicionais e políticas-culturais. Consideramos queas memórias revelam a formação no INSA conectada a um modelo de organização social e civilizatória: as alunas eram educadas para demonstrar sutileza, delicadeza, obediência e disciplina em contextos de desigualdades de gênero e de orientação católica.PALAVRAS-CHAVE:Memória. Escola confessional. Processo civilizador. Costumes. Mulheres.RESUMEN:La propuesta consiste en interpretar las memorias de formación y relaciones civilizatorias de las alumnas del Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) Salinas-MG (1951-1972). El INSA fue creado en 1951, y su organización contó con la acción de las monjas Clarisas Franciscanas. El estudio se sitúa en el ámbito de la memoria (HALBWACHS, 2006), la historia oral (PORTELLI, 2016) y las teorías de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993; 1994). Entrevistadas antiguas alumnas del Instituto, sus evocaciones nos hicieron comprender que la figuración educativa presentaba características de un proceso civilizador de las niñas que se constituía en el modelado de hábitos y comportamientos a través de prácticas tradicionales y político-culturales.Consideramos que las memorias revelan la formación en el INSA conectada a un modelo de organización social y de civilización, los estudiantes fueron educados para demostrar sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina en contextos de desigualdades de género y orientación católica.PALABRAS CLAVE:Memoria. Escuela confesional. Proceso de civilización. Costumbres. Mujeres.IntroductionThis research, inscribed in the History of Education area, addresses assumptions in a specific context of a group of former girl students. The educational activity of formation was promoted by teachers/sisters belonging to the Catholic Church, a fact that brought unfoldings in school education in Salinas, a city located in the north of Minas Gerais. The study covered the period from 1951 to 1972, considering the creation, implementation and operation of the first junior high and high school in that town.The Instituto Nossa Senhora Aparecida(INSA) was created in Salinas/MG in 1951, a confessional school directed by nuns from the Congregation of the Franciscan Missionary Sisters of the Blessed Sacrament. Its mission was the teaching of first letters, junior high and high school, the latter, in principle, for the formation of schoolmasters. The formation of this school was permeated by the propagation of customs, values and educational principles of civilization, a reality that we take as an object of analysisfor the unveiling of social, educational, cultural and political plots.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792895In Salinas, glimpsing the expansion of education by formal institution, the Franciscan Congregation was sought for support, since it was already recognized for the missionary work and dedication performed on behalf of education with teachers intellectually seen and respected, the Franciscan Poor Clare nuns. The sisters were esteemed for dedicating themselves in initiatives to common goods, with actions of struggle and persistence frompedagogical practices cultivated to teaching by religiosity and moral customs.As a methodological strategy our research took as historical sources oral history and life history interviews of former students of INSA, documents from the institute's collection, informative and pedagogical printed matter. The sources were analyzed considering specific theoretical conceptions from the field of memory studies (HALBWACHS, 2006), oral history (PORTELLI, 1997, 2016) and the theory of civilizing processes (ELIAS, 1993, 1994). Thus, this article appropriated memories of former students aiming to interpret the formation and civilizing relations of girls graduated from INSA Salinas/MG (1951-1972). The oral testimonies were fundamental evidence for the analysis of civilizing actions in the tensioning between past and present, between memory and experience (PORTELLI, 1997, 2016). The interviews were conducted taking into account themes that start from the life history of the subjects. We started from a chronological perspective and focused on the girls' schooling at INSA -Salinas. The narratives revealed an interdependence between the schooling of girls with the movements of social control produced in the figurations in society. We pondered the educational formation of girls in the relationship with Franciscan Poor Clare nuns, having as perspective the Eliasian studies, specifically when Norbert Elias (1994) addresses the issues of civility regarding the behavior of people living in society, articulating the mechanisms ofshame and behavior to the changes of social processes. In his work "The Civilizing Process", Elias (1994) makes reflections on posture, gestures, facial expressionsand clothing, in order to treat the manifestations of individuals as a whole, in figuration of instructing the human being to that, making him cultured and close to social excellence. That is, human relations concern the interdependencies established among people, coexistence groups, and institutions, causing changes that involve a social-historical context.The concept of civilizing process concerns changes in people's psychic structures (psychogenesis), in interdependence with changes in social structures (sociogenesis). Changes in individuals entail driving greater internalization of social controls and distinguishing their emotional controls from their experiences. This means change in how the individual acts, feels,
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792896and relates to others in the world. This is a processual civilization produced socially, because, considering that no human being is born civilized, the civilizing stage to which he or she is submitted is a social exercise of the civilizing process itself, in progress for a long time. This civilizing action takes place, with greater or lesser rigor, with attitudes that model civilized individuals to live the standardized norms in society. It is a process that must proceed, adopt postures of ideas, standard of virtues, morals and customs produced in society (ELIAS, 1994) -a role also assumed by institutions, among them, the school.ForHonorato (2017, p. 114, our translation),Although the school institutions were not part of the central concerns of the Theory of Civilizing Processes, in his masterpiece, The Civilizing Process, Norbert Elias (1993; 1994), when elaborating the stages of development of a civilization, allows us to systematize: 1) the educational processes, institutionalized or not, have centrality in any civilization, this because there is a constant that is the learning of behaviors, both at the individual and social level, transmitted from one generation to another, and may become a habitus (second nature); 2) the formulation and incorporation of educational values as habitus imply effective changes in conduct and feelings towards a specific direction, greater social control and self-control of the emotions of individuals; 3) the (self)control of emotions, as well as of popular and scientific knowledge, foments a growing processof individualization in society, and this process started to be increasingly enhanced and ensured by specific groups and institutions, in this case, the school; 4) the schooling of individuals became then obligatory, and, thus, in the structuring of modernity, the regulation of elementary knowledge was monopolized by the nation-state as one of the foundations of its existence, as it happened with the legitimate control of the use of physical force and tax collection.In this way, for analysis, we unite Eliasian concepts and empirical research, having as reference the experiences of former students of a confessional school created in the 1950s in the north of Minas Gerais, the Instituto "Nossa Senhora Aparecida"(INSA) of Salinas. The research was carried out through memory studies, in order to interpret the evoked memories about the formation of students from this institution, by means of oral history and life interview of five women, born between 1940 and 1955. They bring back their memories regarding the education they received at INSA, in terms of habits, behavior and moral values. These women studied at the institution between 1952 and 1972, and bring back memories of collective and individual school experiences. Oneof them studied in a boarding school regime, the others in an external regime. Thus, for a better understanding, we will trace a history of memories of INSA.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792897Memories of a confessional school, the Instituto "Nossa Senhora Aparecida”Already said Halbwachs (2006), the human being brings with him ideas and feelings originated in groups, which populate in thoughts with other beings, such as places and circumstances. There must be many points of contact between individual memories for collective memories to be recovered on a common axis. In turn, Elias (1993) states that education, civilizing and formative processes, are constituted in the relations of life practiced in human figurations, such as social groups. In 1951, the Instituto"Nossa Senhora Aparecida" (INSA) started its activities in Salinas/MG with the status of a Nuns' School, just like its counterparts in the countryside and in the capital Belo Horizonte, in the state of Minas Gerais. The Institute aimed to meet the need for schooling at that time and territory, with education as part of a process of modernizing and civilizing people through schooling. The school was governed by the Franciscan Congregation, specifically by nuns connected to the order. The founders were four sisters, Narcisa Chamone -superior, Maria Elias Chamone -secretary/director, Maria Piedade Guimarães -treasurer, and Elizabeth Freitas -teacher. They had among their propositions to strive to improve the standard of living of the population in its deficiencies, and the chosen path was school education. The main purpose was to promote female education, with the primary goal of educating the needy youth. To this end, free education for the disadvantaged class was only possible with the help of the better off,those who could afford to pay for school. At that period, in the Brazilian context, liberal ideas were taking space and spreading -such that a renewal in the Catholic church would be necessary. "Thusthe Church also intended to slow down the advance of non-Christian, anticlerical ideas that were spreading throughout the country. A large contingent of religious men and women launched themselves into the battle to re-Christianize the masses" (RODRIGUES,1986, p. 52, our translation). The Catholic school of Salinas was then the means of action to defend the doctrine and propagate Christian customs and values. It had as aspirations the "daughters of the people", the most deprived youth, and consequently, the whole society. However, due to the lack of its own financial resources and public investment, the service was reversed. INSA attended girls in three formats: boarding school, day school (in the modalities of paying and scholarship) and orphanage (attendance to needy orphan girls) with free education. The ideological orientations of the Franciscan Congregation in the schools were oriented to a "[...] solid Christian formation, habits of piety, examples of prayer and life, according to the
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792898teachings of the gospel, besides, of course, the intellectual instruction" (RODRIGUES, 1986, p. 53, our translation). Each period of history has its socially constructed civilizing demands (ELIAS, 1994). In the 1950s, the INSA religious and teachers took over all the curricular subjects, even because they understood that in the locality there were lay people unprepared to take over the classes. And even if there were academically qualified people, it was not in the Catholic Church's interest to hire them for reasons suchas: the salaries that would overload the school's finances, the school that needed to establish itself before hiring them and, not always, these possible teachers to be hired were practicing Catholics. Thus, the nuns took over all the chairs (RODRIGUES, 1986). They engaged in this educational work by imposing a spirit of obedience, discipline, respect and compliance to customs, values and moral conduct. By this core, the school was understood as a regenerating center of the values of civility in society.According to Freitas (1994), in the 1950s, education was marked by a process of ideologization of political, cultural, and educational practices. A reorganization of the capitalist production mode was underway, and the school became an instrument of social control, of economic development, and of maintenance of a certain fraction of society. Thus, it was necessary to train the students for certain occupations, the education of an elite for the molds of an education with social ascension that comprised primary, vocational and secondary school. These characteristics are very similar to the educational context of the INSA in the same time frame. INSA was a school created by the Catholic Church at the request of politicians, merchants and wealthy men living in Salinas/MG, with the support of the community. There were political and developmental aspirations, however, it was necessary to maintain an organization and control that would not put at risk the values, customs and moral precepts desired by the most favored groups. To meet these aspirations, the school had to be created in a discourse that it would be a relational place for everyone. In this sense, the partnership with the Franciscan Congregation was well aligned, and its precepts were to attend those who were at a greater social, cultural, and economic disadvantage.INSA was created as a private institution, the girls to be enrolled would have to pay for these services. As published in the Extract of the Statutes of the "Nossa Senhora Aparecida" Institute of Salinas, in the newspaper Minas Gerais, on October 04, 1951:Art. III -The establishment, which will constitute a juridical personality, is private, Catholic, functions in its own building, and is directed by the same Congregation of the Franciscan Poor Clares of the Blessed Sacrament.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792899Sacramento, which in Brazil has its principal office in the city of Belo Horizonte (INSA, 1951b, p. 4, our translation).There was a price table to be charged for the studies of the enrolled students. The values were adequate according to the student's situation (internal or external). Until then, the resources collected were exclusively for the maintenance of the school, because the religious did not receive salaries.NOSSA SENHORA APARECIDA GYMNASIUMSALINAS MINAS GERAISANNUITY BOARDBOARDING SCHOOL1st, 2nd, 3rd, 4th grades............................................................. Cr$20.000,00EXTERNAT1st, 2nd, 3rd, 4th grades............................................................. Cr$6.000,00Sister Maria Elias do Coração de Jesus, Principal. Izidoro Bretas, Janitor (INSA, 1959).In return, the school received some needy girls who earned their education through the orphanage and others on a boarding school basis. In exchange, these non-paying students helped in domestic chores, maintenanceand general services of the school.This evidence is revealed in Francisca's memoirs (2020):The school was fee-paying and I couldn't afford it. So I looked for my baptism godfather, who paid the admission fee4for me. And when I went to register for high school I couldn't afford to do it either [...] I wanted to study and I couldn't afford it. I was still a child, when I was 11 years old, I went to the sisters. The sister who attended me was the school secretaryat the time, Sister Benigna, already deceased. She was my history teacher in the admission course, and when I went to her, she said: "No, I will not leave you without studying! Because I was very studious [says with emphasis]. "You will do the registration, when you can, you will pay me back" (laughs). I said: "Okay. I don't know when I will be able to pay you, because my mother works to support the house... and I come from a very humble family. And she said: "No problem, I'm telling you wheneveryou can".The account shows Francisca's (2020) yearning for education, she was aware of her real situation and the economic conditions of her family. Still, she was aware that, in order to achieve her dreams and have a different, promising life, the path would be through education, study, and graduate as a teacher. We notice here a process of formation that was operating in our society and that provoked in human beings a social restlessness, a feeling of desire to belong to 4Admission Exam -functioned as a selection test, instituted through the Reforma Francisco Campos, in 1931. It was in effect until 1971, and was mandatory for public schools, which made access to junior highand high school education more difficult.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792900this world under construction. The structure of the Salinense society was in transformation with the arrival of INSA, thus, we recognize that "these forms of emotions are manifestations of human nature in specific social conditions and react, in turn, on the socio-historical process as one of itselements" (ELIAS, 1993, p. 152, our translation).It cannot be denied that the Franciscan Poor Clares tried to help some students, however, we know that few had this help. To expand this service, it was necessary to have a larger number of paying students, more nuns to teach, more help from society for the purchase of teaching materials, among other needs. The Minas Gerais newspaper, in the same publication cited above, publicizes the act of regularization of INSA's operation in Salinas/MG. Furthermore, it shows the profile of the students to be trained by the school, and summarizes the ideal woman model for that society. In this way, it makes public in its article II that the formation would be given in an integral way, taking into account the physical, intellectual, moral and devotion to the church, family, society and the Homeland.EXTRACT FROM THE STATUTES OF THE INSTITUTO NOSSA SENHORA APARECIDA DE SALINAS(INSA, 1951b)Art. I -The Instituto NossaSenhora Aparecida, founded in the city of Salinas, Minas Gerais, by the Congregation of the Missionary Clares of the Blessed Sacrament, on March 1st 1951, to function for an undetermined period of time, will have the above mentioned name and will consist of a nursery school, primary school, junior high school, orphanage and home school.Art. II -The Institute has the purpose of giving female youth an integral education: physical, intellectual, moral, civic, artistic and religious, in order that its students become capable of fulfilling faithfully, with devotion their duties towards God, the family, the society and the Homeland.Art. III -The establishment, which will constitute a juridical personality, is private, Catholic, and functions in its own building. Sacramento, which in Brazil has its principal offices in the city of Belo Horizonte.Art. IV -(illegible)§1. The members of the Executive Council shall be determined by the Mother General or her representative, in agreement with her council.§2 -It is the responsibility of the director to represent the Institute in and out of court.Art. IX -In case this work is extinguished, its patrimony and goods will revert to the benefit of the Parish of Saint Anthony in Salinas.Montes Claros, September 18, 1951. -(a.) Antônio, Bishop of Montes Claros.(B. 3.644 T. 5734)(INSA, 1951b, p. 4, our translation).The content published in the Extract of the Statutes of INSA (1951b) highlights that the formation of the students in the institution would be restrained by a strong Catholic education.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792901The training was intended to prepare the girls for religious devotion,to be virtuous young women in society and at home, in order to demonstrate an example of respect and dissemination of good manners. These elements are close to the studies of Elias (1994), when he says that changes in personality influence the social context over the years: there are differentiations and modifications in human customs according to the social formation of the moment.In Francisca's recollections (2020), these issues are evidenced: It's because we really learned [emphasis], we prayed! I, as a boarder in the school... We got up early, they [the nuns] got up at five o'clock in the morning to recite the litany, after the litany we [boarding students] had already woken up, we first went to mass, after mass we went to breakfast. And after breakfast we would go to the classroom. So... We prayed the rosary every day, morning and evening. It was really prayer, besides the spiritual retreats we went to. It was a very strong religious education that we had.The formation of the girls was based on a consciously Catholic position; there was a pattern of religious society that wanted to secure and expand its faithful. Moreover, in the light of the Eliasian studies, there is criticism that children had to learn as if they were small adults, because they were seen as actors who would continue the customs, traditions, values, and social moral conduct of their generation (ELIAS, 2001,2012).Schooling at INSA: training and civilization of girlsThe former students of INSA had individual and collective life trajectories; in the formative process, some elements are remarkable in the experiences of school routine, particularities demanded by the characteristics of historically and socially constructed relations in the context of Modern Pedagogy5and the Home School. Among them, we point out the issues of gender, class and power relations that, according to Eliasian studies, are interdependencies of the civilizing process of individuals in society. The socio-historical panorama presented in this study led us to think about how the educational and interactive relations took place in the coexistence groups, with emphasis on the history of school life, teaching and learning of women in INSA.The focus is on the schooling received by girls who had theFranciscan Poor Clare Nuns of the Blessed Sacrament as their teachers. All of them attended the gymnasium and the normal 5John Amos Comenius is the forerunner of Modern Pedagogy. He advocated an education that interpreted and extended the experience of each day and used classical means such as teaching religion and ethics. The curriculum should be enriched by including music,economics, politics, history, and science. It strengthens the conception that man is capable of learning and can be educated (COMENIUS, 2011).
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792902course at INSA between 1952 and 1972. In view of this, what interests us here are the memories of these women in their schooling process in the aforementioned institution. We have chosen to highlight the civilizing processes from the relations marked for feminization, behaviors, customs and moral values practiced in teaching by the nuns in a domestic school perspective. In this way, we selected some points of this interdependent relationship of the formation of girls present in domestic education for the instruction of molded behaviors, intuitioning their inclusion in life in society.The founding sisters of INSA brought experiences from their formation and from their work in other Catholic institutes, colleges linked to the Congregation of the Franciscan Clarissary Missionaries of the Blessed Sacrament, to implement them in Salinas/MG. The Nuns College grew in fame and in the number of students. Parents wanted their daughters to have an excellent, Christian education and solid professional training. Thus, "the strictness of the regulations drawn up by the Director did not frighten, because her person exerted a strong attraction on parents,teachers and students. They noticed that her severity was united to a good, firm, affectionate heart, really dedicated to the formation of her students" (RODRIGUES, 1986, p. 56, our translation). The school's regulation brought the following duties to be fulfilled:Art. VI -About the authorities§ Respect for authority is an indispensable condition for the formation of character, and all students are required to respect the constituted authorities, both ecclesiastical and civil.§ 2 -The role of authority is not to curtail freedom, but to guide it towards the good, correcting its abuses. For this reason, the students will consider your teachers and Superiors as friends, and will obey them promptly, avoiding the spirit of murmuring and rebellion.Art. VIII -Every year there will be a spiritual retreat for all the pupils(INSA, 1951a, p. 19, our translation).There was a relational power in the organization of social life and in the maintenance of the Catholic Church objectified in INSA. The education of the girls had to be based on power relations with the authorities, who were considered to be people with greater power gradients. The authorities were not to be questioned, the whole teaching had to be accepted as knowledge and control mechanism to be internalized, containing the most intimate impulses. It was up to the pupils to comply with the regulations and,thus, the school had a regulating and severe character of behavior. School timetables were determined and should be strictly followed, it was a process of regulation not only in the girls' school life, but also in their social life.According to Elias (1993), children are placed in a civilization process based on behaviors produced by social groups. In what concerns the education of girls by INSA, we
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792903notice an effort so that the ruder habits, the looser and uninhibited customs were softened, polished and civilized. The education of the girls permeated the field of domestic activities, in which women were placed in the position that they were born to be housewives, wives and mothers. They were also assigned behaviors to serve the Catholic faith and politeness in social habits. These factors appear in Luana's (2019) evocations when she recalls her student days at the Institute:Goodness gracious! Nobody was disrespectful. The sisters were like that.... [pause]. You had to see how firm they were. They were notonly concerned about culture and discipline, but also about religiosity, religious education. If there was any problem, they called the parents.In the power relations with the authorities, the girls were with lower power gradients, therefore, they should follow the hierarchical ordinances. They, as women, were placed in a condition of invisibility and social subordination to faith, being responsible for expressing affection and fragility. Otherwise, in a veiled way, they were trained for a role of invisibility and devotion. The configurations of this formation presume to avoid any kind of conflict; they seek a balance of sovereignty. We understandINSA as a perspective of demarcation of civilizing power, a movement that aims to control the students' behaviors through the process of interdependence marked by human relations in the context of the educational establishment. In this perspective, we bring to analysis the following memories:The sisters were demanding, too strict! Today I would never accept the things they imposed. For example, they didn't accept anyone wearing nail polish at school. One day I went to school wearing nail polish, as a child, and they scraped my fingernail with a razor to remove the nail polish because I couldn't go to school wearing nail polish. Nobody could go to school wearing nail polish, if they did, they would scrape it off with a razor. So, we already knew that we couldn't go to school with nail polish and nobody dared to do it anymore. The school routine was like this: there was a queue in the courtyard, where a nun was in charge of managing the entrance and checking that the uniforms were appropriate. We would line up in line, it had to be correct and so on. On Monday we sang the National Anthem and the Salinas Anthem. (SIMONE, 2020).Civility behaviors directly linked to religious conducts are observed, such as obedience, discipline, and the precepts that women could not express themselves through the body. The education received defended the idea that the young girls should adopt an exemplary behavior, in order to preserve their innocence, building good manners and morals. In view of this,
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792904"according to whether the habits acquired are good or bad, a profitable or harmful education will have been achieved" (BACKHEUSER, 1958, p. 37, our translation). Simone (2020) reminds us that the woman should adopt a modest posture, she was not allowed to announce joy and charm from her body. This would be to approve a kind of typically feminine appearance of poverty and social misery, seen as a danger to good manners and moral values. It would be the same as opening the doors to behaviors that could lead the girls to a dissolute and scandalous life. We understand these behaviors from the historical context of that time, since it was a way to practicethe religious civility defended by the sisters. The formative process of the girls operated to not allow changes in the power relationship, avoiding attitudes conflicting with the vision of civilized women according to the ordinances of the Catholic sisters of INSA. We are taught all the time to respect and use socially accepted rules, such as the correct way to sit or greet someone. These are attitudes and movements that sound strange to us in the 21st century, however, they were materialized in a certain period and context. In turn, Eva (2021) brings in her memories:We never had vacant classrooms as we have today, when a teacher was absent, one of the nuns would go to the classroom and teach us everyday things. Every time I go to the bathroom to pee, Iremember them [smiles], because they would say: "You can't make noise when you pee! [laughs] "To go up the stairs with a boy, you go up in front and come down in front. But, like this... [pause] Those things they were teaching us, talking to us.... It wasa wonderful time.The teachings of a specific behavioral and emotional structure for women are registered. Considering the reflections of Elias (1994), we infer that, in the supposed good society, there is an outline of a woman to be accepted by herself. Nevertheless, Eve (2021) considered that time as "wonderful". The training attributed excessive importance to the woman's behavior in private enclosures, where it was up to her to show restraint in her physiological needs and social behaviors. Eva's recollection (2021) presented a demarcation of inequality in the formation process of the girls, a gender issue is evident, of differentiation in the actions between the female and male sexes.The nuns conducted a formation in order to civilize the girls, guiding the regulation of some personal conducts and moral customs. A woman making noise while urinating put her in an impolite condition and shameful exposure as a social pain. Thus, good conduct guided that it was necessary to avoid making noise when urinating, this should be done politely and without drawing attention, a habit to be developed in civilized corporeality.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792905A woman needed to be refined, polite, soft-spoken, and well-mannered. Otherwise, she was considered a person without good manners, culture, or education. In addition, she could be considered a person who wanted to attract attention to her body or even dispute the space occupied by men. Walking ahead of the man was a way to demonstrate that the woman should be protected by him and that she was in the condition of the fragile sex, demarcating the virility of the male sex. A sexist demarcation that placed the woman in a condition of possession, and thus, she could not be courted, admired, or desired by another boy. Francisca's memories (2020) also express this behaviors:They [the nuns] had a very strict moral and religious formation for us, the behavior of sitting down, the laughter that some girls kept giving, that too strong laughter, they said it was scandalous. We had to be more restrained with our words, with our attitudes, it is in this moral point that I speak. [...] The demand that there was was zeal. For dating, they told us not to keep passing it from hand to hand, to date one today, another tomorrow... They taught that this was not adequate.For Bassanezi (2002, p. 610, our translation), women in the golden years were "Sometimes seen as naive or dangerously inconsequential and dazzled, there was a great fear that the young girls would stray from the good path, moral education and vigilance were necessary. In this cultural clash and in the defense of values, the female sex was in a historical position of submission and gender violence. There was a whole involvement so that the woman was silenced and invisibilized (SARAT; CAMPOS, 2017). In the forming conception of INSA, the well-educated, refined and civilized girl needed to demonstrate a behavior based on the self-control of pulsionthat would guide her actions in social life. This was a sign of distinction that separated one social group from another considered inferior, it was understood that people from "cradle" had education and good manners. It was not decorous for a woman to sit the way she wished. Laughing was an act of discourtesy, and if she chose to flirt with more than one guy in a short period of time, she would be exposing herself to society and could be "badmouthed". These issues can be read as decorous and/or indecorous conditions expressed by the body, concepts about the behaviors that could be accepted or not by society. In the social specificity of Salinas/MG, in that period, it was about the civilizing process itself. And the INSA was a figuration for concrete changes in the students' behavior and the propagation of conservative actions in society to avoid "uncivilized" attitudes. On the other hand, unquestionable rules were still in circulation, such as organization in lines and impeccable dress of the uniform.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792906The nuns forbade us to use face painting, they didn't accept it, there were some [students], those naughtierones (smiles), they put on more discreet makeup. They [the nuns] were very demanding, you know? The skirt had to be the right size, if the skirt was a little above the knee it was not accepted. It had to be below the knee, three-quarter stockings... We had three uniforms, one for physical education, another for daily use, and the gala uniform. The gala uniform was the uniform we wore for special events, like the Sete de Setembro parades, parties... This was with short socks and black social shoes. Now, thedaily uniform was with three-quarter socks, a white blouse, and a pleated navy-blueskirt. But I couldn't wear any adornments in my hair, nothing. Everything was always very simple, you know.?(MARIA, 2021).There were instructions for expected behaviorsand morality in the education of female students. "It looked bad on a young woman's reputation, for example, to wear very daring, sensual clothes, to go out with many different boys or to be seen in dark places or in a situation that suggested intimacy with a man" (BASSANEZI, 2002, p. 612, our translation). In evoking her memories, Maria (2021) presented notes of a somewhat conservative and regulating civilizing process. The girls were required to adjust their behavior, their clothes should be well-behaved, they could never show an inch of their legs abovethe knees. The nuns made rigorous reviews of the students' clothing to ensure their power gradients and the repressive control of attitudes considered deviant or promiscuous. The idea was the regulation of behavior, control and self-control over themselves and their actions in the social figures. At a given moment of the interview with Eva (2021), she reported facts that express these aspects:In my class there were many "leggy" girls who would hike up the waistband of their skirts and put their skirts way above their knees. This was only until they got to the school. Once, one of them came in and forgot to lower her skirt, when her sister saw... She [the sister] came in and took the hem of the skirt and tore the entire hem of the skirt. When she tore the hem of the skirt, by putting force to it, the skirt came down and even a little below the knees, because it was rolled up (laughs).The "educative" way of the nuns operating on transgressions, disrespect for rules and prohibitions was an exacerbated act in the regulation of customs. Moreover, the actions were directly linked to the issue of repression. Girls were censored in such a way that disobedience to social rules determined who would not fit into the ideal of a good girl, wife, and mother. It was notby chance that in the school curriculum there were the disciplines of Manual Work, Home Economics and Childcare (INSA, 1951a). This was precisely the social space of women, the space of domestic work under the background of social controls that articulated feminine roles and attitudes properly historical, hegemonically standardizing modes and customs
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792907unbalanced in the "balance" of power moved by the relations between different genders, especially between boys and girls. Figures 1 and 2 present the behavioral characteristics related to clothing reported by the interviewees.Figure1 Independence Day Parade in1960Source: Maria Elza Sarmento's personal archive (1960)Figure2 Procession and coronation in celebration of Our Lady of Aparecida in 1960.Source: Maria Elza Sarmento's personal archive (1960)There was a certain rigor in the organization of the students in parade figurations. The girls were positioned in rows, with their bodies erect in order to demonstrate attention and concentration on the tasks they had to develop in the context of a public presentation. In figure 1, the uniform skirt was at knee height -as reported in the interviews -and the blouses had long sleeves, so that most of the body was not exposed. In figure 2, besides these characteristics, the clothes were white, in order to reflect purity, and the flowers in the hair expressed docility, fragility, femininity, and delicacy. Still, the clothing of figure 2 also expressed devotion and Catholic faith, because they were practicing a religious ritual.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792908The modes of behavior have different social origins. In the case of INSA, in particular, they were a result of the social destiny in which the woman would be inserted, with a modest and docile attitude, and impeccably fitting the prototypes of good morals. In this sense, Cardozo and Honorato (2020, p. 149, our translation) argue that:The education of the body is conducted through changes in the structure of the personality and conduct of individuals. Instincts, emotions, and compulsions also vary according to the structure of the society in which the individual is inserted and is part of. In this way, the educated individual transforms his behavior and feelings in order to fit in socially and respond to new demands on his conduct and personality.Elias (1994) considers that the individual civilizing process takes place by marks of a particular social group, thus, for the social existence of the being, civilization is essential. Through adults and the "[...] thousands of other instruments, it is always society as a whole, the whole of human beings, that exerts pressure on the new generation, leading it more perfectly, or less, towards its ends" (ELIAS, 1994, p. 145, our translation).The memories evoked by the former INSA students reveal relationships that allowed them to recognize the excess of regulations, orders, and authorities practiced by the nuns. However, the former students deal with these issues in a perception of naturalization, as a habitus. Moreover, they still believe that the norms should prevail today. They believe that if the students today are undisciplined and show little interest, it is because there was a loosening of the behavioral and formative rules.Therefore, the civilizing process in the formation of girls by INSA connotes that the school strongly brought marks of the Catholic Church. Thus, the civilization in the school occurred in a way to soften their manners, to establish urbanity and politeness in their actions, a private education that demanded the annulment of conflicts and habits specific to the feminine public. Sophistication, subtlety, sensitivity, concealment and modesty were expected from the girls. It was up to them to take care of the family and home routines and to zeal for the domestic space (DIAS, 1984). On the other hand, they had as civilizing power to dedicate themselves to professions that werein the range of caring and educating the child as if it was a maternal condition, in the case of INSA, the normalist formation focused on the teaching of first letters.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792909Final remarksIn our study, we worked with individual and collective memories linked to an educational institution, the Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) -of confessional character, belonging to the Catholic Church, private, and with exclusive teaching at that time for girls in the city of Salinas/MG. These are memories of a junior high and high school education that were relegated by scientific research, so that they were historically invisible.The study was carried out in the memory field, with document analysis in the light of oral history. We sought to understand the formation and civilization process of the former students based on Eliasian theories. The memories revealed that the training carried out by INSA in that context was part of a model of social organization and civilization. After all, according to Norbert Elias (1993, 1994, 2001, 2012), we live in groups, in societies that carry moral precepts, values, customs, and habits, which need to be passed on to new generations for a better social organic structure. In this line, we understand that the school is one of the figures that operates in the civilization process, in the interdependence relations and in the personality formation.The role of INSA was to civilize the girls by promoting mechanisms of control and self-control of their habits. They would have to demonstrate in their behavior skills in subtlety, delicacy, obedience and discipline. It was understood that the woman's function was to avoid conflicts, so they were not allowed to expose themselves, to question, to express themselves through theirbodies. We noticed that in this formative process there was a relation of strength, control, and power for the maintenance of a social order put into perspective by the Catholic church and by the local hegemonic groups. The analysis of the sources revealed us that, in terms of gender, the woman in school between 1950 and 1970 was treated as the fragile sex, and should always be submissive to the male virility -an understanding that is being questioned nowadays. We conclude that at INSA the civilizing process of the girls took place in a formative perspective in the regulation of behaviors, control and self-control of feelings and emotions of being a woman in contexts of gender inequalities and Catholic orientation issued by the Franciscan Poor Clare nuns. The school figuration was surrounded by strict rules that had to be followed, by religious images and a chapel inside the school. The students felt that they were in a sanctified and devout environment and, therefore, the least they should do was to act with respect and obedience. The girls lived daily under an accusing gaze of those behaviors that were considered an offense to good feminine education and religious precepts. Even in her privacy,
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792910the student neededto demonstrate modesty, subtlety, and discretion. The memories pointed out a markedly religious education, of rigor, formation of habits, and rigorous moral conduct.ACKNOWLEDGMENTS: Postgraduate Program in Memory: Language and Society (PPGMLS UESB), Federal Institute of Education, Science and Technology of Northern Minas Gerais (IFNMG) -Salinas campus and Research Support Foundation of the State of Bahia (FAPESB).REFERENCESBACKHEUSER, E. Manual de pedagogia moderna:Teoria e Prática. Porto Alegre: Editora Globo, 1958.BASSANEZI, C. Mulheres nos anos dourados. In: PRIORE, M. (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2002.CARDOZO, M. M.; HONORATO, T. História da educação do corpo: Uma leitura comNorbert Elias. In: VIEIRA, A. F. B.; JUNIOR, M. A. F. (org.). Norbert Elias em debate:Usos e possibilidades de pesquisas no Brasil, Ponta Grossa: Texto e Contexto, 2020.COMENIUS, J. A. Didática Magna:Comenius. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.DIAS, M. O. L. S. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo: Brasiliense,1984.ELIAS, N. O processo civilizador:Formação do estado e civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.ELIAS, N. O processo civilizador:Uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Zahar, 1994.ELIAS, N. Norbert Elias por ele mesmo.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.ELIAS, N. A Civilização dos Pais. Sociedade e Estado, Brasília, v. 27, n. 3, p. 469-493, set./dez. 2012. Available at: https://www.scielo.br/j/se/a/d8cs7Bb6zx8n83kgYdP7kRH/?lang=pt. Access on: 26 July2021.FREITAS, M. C. Brasil 1954-1964: Sugestão de roteiro a partir da “História das Ideias Educacionais” (Anísio e Vieira Pinto). Revista Brasileira de História, v. 14, n. 27, p. 167-178, 1994.Available at: https://www.anpuh.org/arquivo/download?ID_ARQUIVO=3749. Access on: 17 Jan. 2022.HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.
image/svg+xmlINSAConfessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girlsRIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792911HONORATO,T. Pesquisas com Norbert Elias em História da Educação. Revista Comunicações, Piracicaba, v. 24, n. 3, p. 107-127, set./dez. 2017. Available at: https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/comunicacoes/article/view/3619. Access on: 10 Jan. 2021.INSA. ProjectosRegulamentos e Instruções do Instituto Nossa Senhora Aparecida. Salinas: INSA, 1951a.INSA. Extrato dos estatutos do Instituto Nossa Senhora Aparecida de Salinas, Salinas: INSA, 1951b.INSA. Tabela de anuidade, 1959. Lolização: Arquivo da Superintendência Regional de Ensino de Araçuaí.PORTELLI, A. Tentando aprender um pouquinho. Algumas reflexões sobre a ética na história oral. Projeto História, n. 15, p. 13-49, 1997.Available at: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/11215/8223. Access on: 14 Jan. 2022.PORTELLI, A. História oral como arte da escuta.São Paulo: Letra e voz, 2016.RODRIGUES, C. Força na pequenez: Madre Serafina ontem e hoje. Contagem: Composiçãoe impressão, 1986.RODRIGUES, C. Missão no Brasil:Das Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento. Belo Horizonte: TELECART, 2003.SARAT, M.; CAMPOS, M. I. Memórias da infância e da educação: Abordagens eliasianas sobre as mulheres. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 42, n. 4, p. 1257-1277, out./dez. 2017. Available at: https://www.scielo.br/j/edreal/a/bMnh4dXN5CLQYsnhpLw3qqb/?format=html&lang=pt. Access on: 23 July2021.
image/svg+xmlLílian Gleisia Alves dos SANTOS; Tony HONORATOandFelipe Eduardo Ferreira MARTARIAEERevista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022.e-ISSN: 1982-5587DOI:https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.167792912How to reference this articleSANTOS, L. G. A.; HONORATO, T.; MARTA, F. E. F. INSA Confessional School, Salinas/MG: Memories of a civilizing process for girls. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p. 2893-2912, Oct./Dec. 2022. e-ISSN: 1982-5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779. Submitted: 18/03/2022Revisions required: 21/08/2022Approved: 17/10/2022Published: 30/12/2022Processing and publication by the Editora Ibero-Americana de Educação.Correction, formatting, standardization and translation.