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Escola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninas
RIAEE
–
Revista Ibero
-
Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p.
2898
-
291
7
, out./dez. 2022
.
e
-
ISSN: 1982
-
5587
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779
2898
ESCOLA CONFESSIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMÓRIAS DE UM PROCESSO
CIVILIZADOR DE MENINAS
ESCUELA CONFESIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMORIAS DE UN PROCESO
CIVILIZADOR DE NIÑAS
INSA CONFESSIONAL SCHOOL, SALINAS/MG: MEMORIES OF A CIVILIZING
PROCESS FOR GIRLS
Lílian Gleisia Alves dos SANTOS
1
Tony HONORATO
2
Felipe Eduardo Ferreira MARTA
3
RESUMO
:
A proposição consiste em interpretar as memórias de formação e de relações
civilizatórias das meninas estudantes no
Instituto “Nossa Senhora Aparecida”
(INSA) Salinas
-
MG (1951
-
1972). O INSA foi criado em 1951, sua organização contou com a ação das freiras
Clarrisas Franciscanas.
O estudo está situado no
s
campo
s
da memória (
HALBWACHS, 2006)
,
história oral (PORTELLI, 2016) e das teorias dos processos civilizadores (ELIAS, 1993
,
1994).
Trata
-
se de uma abordagem qualitativa em que f
oram
entrevistadas ex
-
estudantes do Instituto
,
e
as suas
evocações nos fizeram compreender que a figuração educacional apresentava
características de um processo civilizador de meninas que se constituiu por meio de modelagem
de hábitos e comportamentos através
de práticas tradicionais e políticas
-
culturais.
Consideramos que
as memórias revelam a formação no INSA conectada a um modelo de
organização social e civilizatória
: a
s alunas eram educadas para demonstrar sutileza, delicadeza,
obediência e disciplina em co
ntextos de desigualdades de gênero e de orientação católica.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
Memória. Escola c
onfessional.
Processo c
ivilizador. Costumes.
Mulheres.
RESUMEN
:
La propuesta consiste en interpretar las memorias de formación y relaciones
civilizatorias de las alumnas del Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972). El INSA fue creado en 1951, y su organización contó con la acción de las monjas
C
larisas
F
ranciscanas. El estudio se sitúa en el ámbito de la memoria (HALB
WACHS, 2006),
la historia oral (PORTELLI, 2016) y las teorías de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993;
1994). Entrevistadas antiguas alumnas del Instituto, sus evocaciones nos hicieron comprender
1
Instituto Federal de Ciência, Tecnologia e Educação do Norte de Minas Ger
a
i
s
(IFNMG), Salinas
–
MG
–
Brasil.
Docente da área de Didática e Fundamentos da Educação.
Doutoranda do Programa de Pós
-
Graduação em
Memória: Linguagem e Sociedade
(UESB)
.
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0001
-
5363
-
2069. E
-
mail:
liliangleisiasantos@gmail.com
2
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina
–
PR
–
Brasil.
Docente do Departamento de Educação e do
Programa de Pós
-
Graduação em Educação. Professor Associado
-
B
.
Doutor
ado
em Educação Escolar
(
FCLAr/UNESP
).
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0003
-
3057
-
1157. E
-
mail: tony@uel.br
3
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (
UESB
), Vitória da Conquista
–
BA
–
Brasil. Docente do Programa
de Pós
-
Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade.
Docente do Curso de Licencia
tura em Educação Física
(UESC).
Doutor
ado
em História
(
PUC
-
SP
)
. ORCID:
https://orcid.org/
0000
-
0002
-
0501
-
4298
. E
-
mail:
fefmarta@gmail.com
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;
Tony HONORATO
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Felipe Eduardo Ferreira MARTA
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que la figuración educativa presentaba características d
e un proceso civilizador de las niñas
que se constituía en el modelado de hábitos y comportamientos a través de prácticas
tradicionales y político
-
culturales.
Consideramos que las memorias revelan la formación en el
INSA conectada a un modelo de
organización social y de civilización, los estudiantes fueron
educados para demostrar sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina en contextos de
desigualdades de género y orientación católica.
PALABRAS CLAVE:
Memoria
. Escuela confesional. Proceso de ci
vilización. Costumbres.
Mujeres.
ABSTRACT
:
The proposition consists of interpreting as memories of formation and civilizing
relations of the girls students at the Instituto “Nossa
Senhora Aparecida” (INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972).
The INSA was faunded in 1951, and its organization was supported by the
Clarissas Franciscanas.
The study is situated in the field of memory (HALBWACHS, 2006),
oral history (PORTELLI, 2016) and theories of
civilizing processes (ELIAS, 1993; 1994). It is
a qualitative approach in which former students of the Institute were interviewed, their
evocations made us understand that the educational figuration presented characteristics of a
civilizing process of gir
ls that was constituted through the modeling of habits and behaviors
through traditional and political
-
cultural practices. We consider that the memories revealed
are a model of formation at INSA connected to a social organization, to which they were
educat
ed for civilization, and disciplinary in contexts of gender inequality and subtle
orientation.
KEYWORDS
:
Memo
ry. Confessional school. Civilizing p
rocess.
Customs. Woman.
Introdução
Esta pesquisa
, inscrita
na área de História da Educação
,
aborda pressupostos em um
contexto específico de grupo de ex
-
estudantes meninas. A atividade educativa de formação foi
promovida por professoras/irmãs pertencentes à igreja católica, fato que trouxe desdobramentos
no ensin
o escolar em Salinas, uma cidade situada no norte de Minas Gerais. O estudo abrangeu
o período de 1951 a 1972, isso considerando a criação,
a
implantação e o funcionamento da
primeira escola ginasial e secundária naquele município.
O Instituto “Nossa Senho
ra Aparecida” (INSA) foi criado em Salinas
/
MG no ano de
1951, escola confessional dirigida por freiras da
Congregação
Irmãs Clarissas Franciscanas
Missionárias do Santíssimo Sacramento. Tinha como missão o ensino das primeiras letras,
ginasial e secundário
, este, a princípio
,
para a formação de normalistas. A formação por essa
escola era permeada pela propagação de costumes, valores e princípios educativos
civilizatórios, realidade que tomamos como objeto de análise para o descortinamento
de tramas
sociais, educacionais, culturais e políticas.
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Em Salinas, vislumbrando ampliação do ensino por instituição formal, buscou
-
se na
Congregação Franciscana um apoio, visto que esta já era reconhecida pelo trabalho missionário
e de dedicação realiza
do em prol da educação com professoras intelectualmente vistas e
respeitadas, as freiras Clarissas Franciscanas. As irmãs eram estimadas por se dedicarem em
iniciativas a bens comuns, com ações de lutas e persistência a partir de práticas pedagógicas
culti
vadas ao ensino pela religiosidade e costumes morais.
Como estratégia metodológica a nossa pesquisa tomou como fonte histórica entrevistas
de história oral e de vida de ex
-
estudantes do INSA, documentos do acervo do instituto,
impressos informativos e peda
gógicos. As fontes foram analisadas a considerar concepções
teóricas específicas do campo dos estudos da memória (HALBWACHS, 2006), da história oral
(PORTELLI, 1997
,
2016) e da teoria dos processos civilizadores (ELIAS, 1993
,
1994). Assim,
este artigo se a
propriou de memórias de ex
-
estudantes objetivando interpretar a formação e as
relações civilizatórias das meninas formadas pelo INSA Salinas
/
MG (1951
-
1972). Os
testemunhos orais foram evidências fundamentais para análise das ações civilizatórias no
tension
amento entre passado e presente, entre memória e experiência (PORTELLI, 1997
,
2016). As entrevistas foram realizadas levando em conta temas que partem da história de vida
dos sujeitos. Iniciamos por uma perspectiva cronológica e focamos na formação escolar
izadora
das meninas no INSA
-
Salinas.
As narrativas revelaram uma interdependência entre a formação escolar de meninas com
os movimentos de controle social produzidos nas figurações em sociedade. Ponderamos a
formação educacional das meninas na relação c
om freiras Clarissas Franciscanas, isso tendo
como perspectiva os estudos eliasianos, em específico, quando Norbert Elias
(
1994
)
aborda as
questões de civilidade no tocante ao comportamento das pessoas vivendo em sociedade,
articulando os mecanismos de ver
gonha e comportamento às mudanças dos processos sociais.
Em sua obra
“
O processo civilizador
”
,
Elias (1994) faz reflexões sobre postura, gestos,
expressões faciais e vestuário, de modo a tratar as manifestações dos indivíduos como um todo,
em figurações de
instruir o ser humano a isso, tornando
-
o culto e próximo da excelência social.
Isto é, as relações humanas dizem respeito às interdependências estabelecidas entre as pessoas,
os grupos de convivência e as instituições, provocando mudanças que envolvem um
contexto
s
ó
cio
-
histórico.
O conceito de processo civilizador concerne em mudanças nas estruturas psíquicas das
pessoas (psicogêneses)
,
em interdependências com as mudanças nas estruturas sociais
(sociogêneses). As mudanças nos indivíduos implicam na conduç
ão de maior interiorização dos
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controles sociais e na distinção dos seus controles emocionais e de suas experiências. Isto
significa mudança no modo de como o indivíduo age, sente e se relaciona com os outros no
mundo. Trata
-
se de uma civilização de forma
processual produzida socialmente, isso porque,
considerando que nenhum ser humano nasce civilizado, o estágio civilizatório ao qual ele é
submetido é um exercício social do próprio processo civilizador em curso a longo tempo. Essa
ação civilizatória se dá,
com maior ou menor rigor, com atitudes modeladoras de indivíduos
civilizados para viverem as normas padronizadas em sociedade. É um processo que deve
prosseguir, adotar posturas de ideias, padrão de virtudes, da moral e de costumes produzidos
em sociedade
(ELIAS, 1994)
–
papel assumido também por instituições, dentre elas, a escola.
Para Honorato (2017, p. 114),
Embora as instituições escolares não compusessem as preocupações centrais
da Teoria dos Processos Civilizadores, em sua obra
-
prima, O processo
ci
vilizador, Norbert Elias (1993; 1994), ao elaborar os estágios de
desenvolvimento de uma civilização, nos permite sistematizar: 1) os processos
educativos, institucionalizados ou não, têm centralidade em qualquer
civilização, isso porque há uma constante q
ue é a aprendizagem de
comportamentos, tanto no plano individual quanto no social, transmitida de
uma geração para outra, podendo se transformar em um habitus (segunda
natureza); 2) a formulação e incorporação dos valores educativos como
habitus implicam e
fetivas mudanças de conduta e sentimentos rumo a uma
direção específica, maior controle social e autocontrole das emoções dos
indivíduos; 3) o (auto)controle das emoções, bem como, dos saberes populares
e científicos, fomenta um crescente processo de indiv
idualização no social, e
esse processo passou a ser cada vez mais potencializado e assegurado por
grupos e instituições específicas, no caso, a escolar; 4) a escolarização dos
indivíduos tornou
-
se então obrigatória, e, assim, na estruturação da
modernidade
, a regulação dos saberes elementares fora monopolizada pelo
Estado
-
nação como um dos fundamentos de sua existência, assim como
aconteceu com o controle legítimo do uso da força física e da arrecadação
tributária.
Desse modo, para análise, unimos conceito
s eliasianos e a pesquisa empírica, tendo
como referência as vivências de ex
-
alunas de uma escola confessional criada na década de 1950
no norte de Minas Gerais, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) de Salinas. A pesquisa
se procedeu com os estudos
da memória, de maneira a interpretar as lembranças evocadas sobre
a formação de estudantes desta instituição, por meio da entrevista de história oral e de vida de
cinco mulheres
4
, nascidas entre 1940 e 1955. Elas trazem suas recordações, relativamente à
4
Luana,
81 anos, estudou no INSA de 1952 a 1958, entrevistada em 22/08/2019;
Maria
, 77 anos, estudou no INSA
de 1954 a 1963, entrevistada em 26/01/2021;
Simone
, 72 anos, estudou no INSA de 1957 a 1967, entrevistada em
08/02/2020;
Francisca
, 71 anos, estudou no IN
SA de 1962 a 1969, entrevistada em 16/12/2020;
Eva
, 66 anos,
estudou no INSA de 1961 a 1972, entrevistada em 21/01/2021. As entrevistas ocorreram nas residências das ex
-
alunas na cidade de Salinas
/
MG. Os nomes apresentados aqui são fictícios
,
objetivando r
esguardar o anonimato.
A pesquisa foi realizada sob aprovação número 44678621.3.0000.0055 do Certificado de Apreciação Ética
-
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formação recebida no INSA, no que se refere a hábitos, comportamentos e valores morais. Essas
mulheres estudaram na instituição entre 1952 e 1972, e trazem lembranças de vivências
escolares coletivas e individuais. Uma delas estudou em regime de internato, as demais em
regime de externato. Assim, para melhor compreensão, traçaremos um histórico de memórias
do INSA.
Memórias de uma escola confessional, o Instituto “Nossa
Senhora Aparecida”
Já dizia Halbwachs (2006), o ser humano traz com ele ideias e sentimentos originados
em grupos, que povoam em pensamentos com outros seres
,
como lugares e circunstâncias. É
preciso que haja muitos pontos de contato entre as memórias ind
ividuais para que as memórias
coletivas venham ser recuperadas sobre um eixo comum. Por sua vez, Elias (1993) afirma que
a educação, os processos civilizadores e formativos
,
se constituem nas relações da vida
praticada em figurações humanas, tais como grup
os sociais.
Em 1951, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) iniciou suas atividades em
Salinas
/
MG com o
status
de Colégio das Freiras, tal como suas congêneres do interior e da
capital Belo Horizonte
,
do
e
stado de Minas Gerais
5
. O
I
nstituto vislumb
rava atender à
necessidade de escolarização naquele momento e território, tendo a educação como parte de um
processo modernizador e civilizatório das pessoas por meio da escolarização.
O colégio foi regido pela Congregação Franciscana, especificamente por
freiras ligadas
à ordem. As fundadoras foram quatro irmãs, Narcisa Chamone
–
superiora, Maria Elias
Chamone
–
secretária/diretora, Maria Piedade Guimarães
–
ecônoma
,
e Elizabeth Freitas
–
professora. Elas tinham dentre as suas proposições lutar para melho
rar o nível de vida da
população em suas deficiências, e o caminho escolhido foi a educação escolar. O propósito
primordial era promover a educação feminina, com finalidade primeira
a
educação da juventude
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus Jequié. O convite foi feito
pessoalmente a cada
entrevistada, quando explicamos os objetivos do estudo. Apresentamos o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, que foi assinado antes do início de cada entrevista.
5
O Instituto teve início em maio de 1898
,
em Forli na Itália, funcionou durante algum
tempo também na cidade
italiana Abadia de Bertinoro. Em 1907, quatro irmãs Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo
Sacramento saíram da Itália
,
dando
início
à
missão em terras brasileiras. Em 03 de julho
daquele ano
chegaram
em Itambacuri
/
MG, ond
e foi instalado o primeiro
instituto
. Com a chegada das primeiras missionárias a
Itambacuri, iniciou
-
se a história da congregação no Brasil. As raízes lançadas em 1907 se expandiram pelo
e
stado
de Minas Gerais
:
a diocese de Diamantina foi determinante para
essa expansão. A partir de então, as Clarissas
Franciscanas se espalharam por pequenas localidades mineiras, onde foram levar a instrução: em Curvelo, Sete
Lagoas, Governador Valadares, Corinto, Guanhães, Caetanópolis, Conceição do Mato Dentro e Teófilo O
toni;
instalou
-
se também uma unidade na capital do
e
stado, Belo Horizonte; e, por fim, ampliou
-
se instalando alguns
institutos nos
e
stados de São Paulo e Brasília (RODRIGUES, 2003).
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mais necessitada. Para tanto, o regime de gratuidade do ensino à classe desfavorecida só era
possível com a ajuda dos mais favorecidos,
a
queles que tinham condições de pagar a escola.
Naquele período, no contexto brasileiro, as ideias liberais estavam tom
ando espaço e se
propagando
–
de tal modo, seria necessária uma renovação na igreja católica. “Assim a Igreja
pretendia também retardar o avanço das ideias não
-
cristãs, anticlericais que se espalhavam por
todo o país. Grande contingente de religiosos e rel
igiosas se lançou na batalha visando
recristianizar as massas” (RODRIGUES, 1986, p. 52). O colégio católico de Salinas era então
o meio de atuação para defender a doutrina e propagar os costumes e valores cristãos. Tinha
como aspirações as “filhas do povo”
, a juventude mais desprovida, sequencialmente
,
toda a
sociedade. Porém, por falta de recursos financeiros próprios e investimento público, o
atendimento se deu de modo reverso.
O INSA atendia a meninas em três formatos:
internato, externato (nas modalida
des de
pagantes e bolsistas) e orfanato (atendimento às meninas órfãs carentes)
com ensino gratuito.
As orientações ideológicas da Congregação Franciscana nos colégios eram voltadas para uma
“[...] sólida formação cristã, hábitos de piedade, exemplos de or
ação e de vida, segundo os
ensinamentos do evangelho, ao lado, naturalmente, da instrução intelectual” (RODRIGUES,
1986, p. 53).
Cada período da história tem suas exigências civilizatórias construídas socialmente
(ELIAS, 1994). Na década de 1950, as relig
iosas e docentes do INSA assumiram todas as
disciplinas curriculares, até porque entendiam que na localidade havia leigos despreparados
para assumir as aulas. E mesmo que houvesse pessoal capacitado academicamente, não era do
interesse da igreja católica c
ontratá
-
los por motivos como: os salários que sobrecarregariam as
finanças da escola, a escola que precisava antes se estabelecer para depois contratar e, nem
sempre, esses possíveis professores a contratar serem católicos praticantes. Assim, as freiras
as
sumiram todas as cadeiras (RODRIGUES, 1986). Empenhavam
-
se nesse trabalho
educacional impondo espírito de obediência, disciplina, respeito e cumprimento aos costumes,
valores e condutas morais. Por este âmago, a escola era compreendida como centro regenera
dor
dos valores da civilidade em sociedade.
Conforme Freitas (1994), na década de 1950, a educação foi marcada por um processo
de ideologização de práticas políticas, culturais e educacionais. Estava em curso uma
reorganização do modo de produção capitalis
ta, e a escola se constituiu em instrumento de
controle social, de desenvolvimento econômico e de manutenção de uma determinada fração
da sociedade. Assim, era preciso treinar os educandos para certas ocupações, a educação de
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uma elite para os moldes de um
a educação com ascensão social que compreendia a escola
primária, vocacional e secundária. Essas características se assemelham muito com o contexto
educacional do INSA no mesmo espaço de tempo.
O INSA foi um colégio criado pela igreja católica a partir da
solicitação de políticos,
comerciantes e homens de posses residentes em Salinas
/
MG, com apoio da comunidade. Havia
anseios políticos e desenvolvimentistas, contudo, era preciso manter uma organização e um
controle que não colocassem em risco os valores, c
ostumes e preceitos morais desejados pelos
grupos mais favorecidos. Para atender a essas aspirações, a escola tinha que ser criada num
discurso de que seria um lugar relacional para todos. Nesse sentido, foi bem alinhada a parceria
realizada com a Congrega
ção Franciscana, que tinha como preceitos o atendimento àqueles que
se encontravam em maior desvantagem social, cultural e econômica.
O INSA foi criado como instituição privada, as meninas a serem matriculadas teriam
que pagar por esses serviços. Conforme
publicado
n
o Extrato dos Estatutos do Instituto “Nossa
Senhora Aparecida” de Salinas, no Jornal Minas Gerais, em 04 de outubro de 1951:
Art. III
–
O estabelecimento, que se constituirá personalidade jurídica, é
particular, católico, funciona em prédio pró
prio, sendo dirigido pela mesma
Congregação das Clarissas Franciscanas do SSmo. Sacramento, a qual, no
Brasil, tem sua sede principal na cidade de Belo Horizonte
(INSA, 1951b, p.
4)
.
Havia uma tabela de preços a serem cobrados pelos estudos das matriculad
as. Os valores
eram adequados conforme situação da aluna (interna ou externa). Até então, os recursos
cobrados eram exclusivamente para manutenção do colégio, pois as religiosas não recebiam
salários.
GINÁSIO NOSSA SENHORA APARECIDA
SALINAS
–
MINAS GERAIS
TABELA DE ANUIDADES
INTERNATO
1ª, 2ª, 3ª, 4ª séries ............................................................. Cr$20.000,00
EXTERNATO
1ª, 2ª, 3ª, 4ª séries
............................................................. Cr$6.000,00
Irmã Maria Elias do Coração de Jesus, diretora.
Izidoro Bretas, Inspetor
(INSA, 1959)
.
Em contrapartida, a escola recebia algumas moças carentes que ganhavam o ensino por
meio do o
rfanato e outras em regime de internato. Em troca, essas alunas não pagantes
ajudavam em tarefas domésticas, manutenção e serviços gerais do colégio.
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Essas evidências se revelam nas memórias de Francisca (2020):
O Colégio era pago e eu não tinha
condições de pagar. Então, procurei meu
padrinho de batismo, ele que pagou a admissão
6
para mim. E quando fui fazer
a matrícula para o ginásio eu não tinha condições de fazer também [...] queria
estudar e não tinha condições. Eu era criança ainda, com 11
anos procurei
as irmãs. A irmã que me atendeu era a secretária da escola na época, irmã
Benigna, já faleceu. Ela era minha professora de História no curso para
admissão, e quando eu a procurei, ela falou: “Não, não vou deixar você sem
estudar”! Porque eu e
ra muito estudiosa [afirma com ênfase]. “Você vai fazer
a matrícula, quando você puder, você me paga” (risos). Eu falei: “Tá bom.
Não sei quando vou poder pagar a senhora, porque minha mãe trabalha para
o sustento da casa... e sou de família muito humilde”
. Aí ela disse: “Não tem
problema, estou dizendo que é quando você puder
”.
O relato mostra a ânsia de Francisca
(2020)
por educação, ela tinha consciência da sua
real situação e das condições econômicas de sua família. Ainda assim, tinha conhecimento de
q
ue, para conseguir alcançar seus sonhos e ter uma vida diferente, promissora, o caminho seria
pela educação, estudar e se formar como professora. Percebemos aqui um processo de formação
que operava em nossa sociedade e que provocava no ser humano uma inqui
etação social, um
sentimento de desejo em pertencer a esse mundo em construção. A estrutura da sociedade
salinense estava em transformação com a chegada do INSA, deste modo, reconhecemos que
“essas formas de emoções são manifestações da natureza humana em
condições sociais
específicas e reagem, por sua vez, sobre o processo s
ó
cio
-
histórico como um de seus elementos”
(ELIAS, 1993, p. 152).
Não se pode negar que as Irmãs Clarissas Franciscanas buscavam ajudar algumas
alunas, no entanto, sabemos que poucas tiv
eram esse auxílio. Para ampliar esse atendimento,
era preciso ter um número maior de alunas pagantes, mais freiras para lecionar, maior ajuda da
sociedade para a compra de material didático, dentre outras necessidades.
O Jornal Minas Gerais, na mesma publ
icação citada anteriormente, divulga o ato de
regularização do funcionamento do INSA em Salinas
/
MG. Para mais, manifesta o perfil das
estudantes a serem formadas pela escola, e nele resume o modelo de mulher ideal para aquela
sociedade. Dessa maneira, torn
a público no seu artigo II que a formação se daria de forma
integral, levando em conta as questões físicas, intelectual, moral e devotamento à igreja, família,
sociedade e à Pátria.
6
Exame de Admissão
–
funcionava como uma prova de seleção, instituído por meio da Reforma Francisco
Campos, em 1931. Teve vigência até 1971, era obrigatório se submeter a ele para ter acesso às escolas públicas, o
que dificultava o acesso ao ensino ginasia
l e secundário.
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p.
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ISSN: 1982
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EXTRATO DOS ESTATUTOS DO INSTITUTO NOSSA SENHORA APARECIDA DE
SALINAS (
IN
SA
,
1951
b
)
Art. I
–
O Instituto Nossa Senhora Aparecida, fundado na cidade de Salinas,
Minas, pela Congregação das Clarissas
Missionárias do Santíssimo
Sacramento, no dia 1º de março de 1951, para funcionar por tempo
indeterminado, terá o nome supracitado e constará de curso infantil, curso
primário, curso ginasial, Orfanato e Escola Doméstica.
Art. II
–
O Instituto tem por fim
dar à juventude feminina uma educação
integral: física, intelectual, moral, cívica, artística e religiosa, a fim de que
suas alunas se tornem aptas a cumprir fielmente, com devotamento os seus
deveres para com Deus, a família, a sociedade e a Pátria.
Art.
III
–
O estabelecimento, que constituirá personalidade jurídica, é
particular, católico, funciona em prédio próprio, sendo dirigido pela mesma
Congregação das Clarissas Franciscanas do SSmo. Sacramento, a qual, no
Brasil, tem sua sede principal na cidade
de Belo Horizonte.
Art. IV
–
(Ilegível)
§1.º
-
Os membros da diretoria serão determinados pela Madre Geral ou sua
representante, de acordo com seu conselho.
§2.º
-
Compete à diretora representar o Instituto em juízo e fora dele.
Art. IX
–
No caso de extinç
ão desta obra, seu patrimônio e seus bens se
reverterão em benefício da Paróquia de Santo Antônio, de Salinas.
Montes Claros, 18 de setembro de 1951.
–
(a.) Antônio, Bispo de Montes
Claros.
(B. 3.644
–
T. 5734)
(INSA, 1951
b
, p. 4)
.
O conteúdo publicado no
Extrato dos Estatutos do INSA
(1951
b
)
destaca que a
formação das estudantes na instituição seria comedida por uma forte educação católica. A
formação se destinava à preparação das moças para a devoção religiosa, para serem jovens
virtuosas na sociedade e
no lar, de modo a demonstrar exemplo no respeito e disseminação dos
bons costumes. Esses elementos se aproximam aos estudos de Elias (1994), quando diz que as
mudanças na personalidade influenciam o contexto social no decorrer dos anos
:
há
diferenciações e
modificações nos costumes humanos conforme a formação social do momento.
Nas recordações de Francisca (2020), essas questões são evidenciadas:
É porque nós aprendemos mesmo [ênfase], a gente rezava! Eu, como interna
do colégio... Nós levantávamos cedo,
elas [as freiras] levantavam cinco horas
da manhã para rezarem a ladainha, depois da ladainha nós [alunas internas]
já tínhamos acordado, íamos primeiro assistir à missa, depois da missa íamos
para o café. E depois do café íamos para a sala de aula. Então.
.. Nós
rezávamos o terço todos os dias, de manhã e à noite. Era oração mesmo, além
dos retiros espirituais que a gente fazia. Foi uma educação religiosa muito
forte que tivemos
.
A formação das meninas era pautada numa posição conscientemente católica, exi
stia
um padrão de sociedade religiosa que desejava assegurar e expandir seus fiéis. Além disso, à
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luz dos estudos eliasianos, apontam
-
se críticas sobre as crianças terem que aprender como se
fossem pequenos adultos, pois eram vistas como atores que dariam
continuidade a costumes,
tradições, valores e condutas morais sociais da sua geração (ELIAS, 2001
,
2012).
A escolarização no INSA: formação e civilização das meninas
As ex
-
estudantes do INSA tiveram trajetórias de vidas individuais e
coletivas; no
processo formativo, alguns elementos são marcantes nas vivências da rotina escolar,
particularidades demandadas pelas características das relações construídas histórica e
socialmente no contexto da Pedagogia Moderna
7
e da Escola Doméstica. E
ntre elas, pontuamos
as questões de gênero, classe e relações de poder que, de acordo com os estudos eliasianos,
tratam
-
se de interdependências do processo civilizador dos indivíduos em sociedade. O
panorama s
ó
cio
-
histórico apresentado neste estudo nos con
duziu a pensar sobre como se deram
as relações educativas e interativas nos grupos de convivência
,
com destaque na história de vida
escolar, ensino e aprendizagem das mulheres no INSA.
O enfoque está na formação escolar recebida por meninas que tiveram com
o professoras
as freiras Clarissas Franciscanas do Santíssimo Sacramento. Todas elas cursaram o ginásio e o
curso normal no INSA no período entre 1952 e 1972. Em vista disso, o que nos interessa aqui
são as memórias dessas mulheres no seu processo de forma
ção escolar na instituição
supracitada. Optamos por destacar os processos civilizadores a partir das relações marcadas
para a feminização, comportamentos, costumes e valores morais praticados no ensino pelas
freiras numa perspectiva de escola doméstica. De
ssa maneira, selecionamos alguns pontos
dessa relação interdependente da formação das meninas presentes na educação doméstica para
a instrução de comportamentos moldados
,
intuindo a inclusão delas na vida em sociedade.
As irmãs fundadoras do INSA trouxeram
vivências de suas formações e experiências
obtidas pelos trabalhos realizados em outros institutos católicos, colégios ligados à
Congregação Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento, para
implementá
-
las em Salinas
/
MG. Cresceu o Colégio
das Freiras em fama e em número de alunas.
Os pais almejavam que suas filhas tivessem educação primorosa, cristã e sólida formação
profissional. Assim, “o rigor do regulamento elaborado pela Diretora não assustava, pois, sua
pessoa exercia forte atração s
obre pais, professores e educandas. Percebiam que a sua
7
João Amós Comenius é o precursor da Pedagogia Moderna. Ele defendeu uma educação que interpretasse e
alargasse a experiência de cada dia e utilizasse os meios clássicos como o ensino da religião e da ética. O currículo
deveria ser enrique
cido com a inclusão de música, economia, política, história e ciência. Fortalece a concepção de
que o homem é capaz de aprender e pode ser educado (COMENIUS, 2011).
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severidade se unia a um coração bom, firme, afetuoso, realmente dedicado à formação de suas
alunas” (RODRIGUES, 1986, p. 56). O regulamento do colégio trazia os seguintes deveres a
serem cumpridos:
Art. VI
–
Das autoridades
§ 1º
-
Sendo o respeito à autoridade condição indispensável à formação do
caráter, exige
-
se de todas as alunas o respeito às autoridades constituídas,
tanto eclesiásticas como civis.
§ 2º
-
O papel da autoridade não é tolher a lib
erdade; é orientá
-
la para o bem,
corrigindo os abusos da mesma. Por isto, as alunas terão em teus mestres e
Superiores na conta de Amigos e lhes prestarão obediência pronta, evitando o
espírito de murmuração e revolta.
Art. VIII
–
Haverá anualmente um reti
ro espiritual para todas as alunas (INSA,
1951
a
, p. 19)
.
Havia um poder relacional na organização da vida social e na manutenção da igreja
católica objetivada no INSA. A educação das meninas devia se pautar nas relações de poder
com as
autoridades, consideradas pessoas de maiores gradientes de poder. As autoridades não
deviam ser questionadas, todo o ensinamento tinha que ser aceito como conhecimento e
mecanismo de controle a ser interiorizado
,
contendo as pulsões mais íntimas. Cabia às
alunas
cumprir os ordenamentos e
,
assim
,
a escola tinha um caráter regulador e severo das condutas.
Horários escolares eram determinados e deveriam ser respeitados rigorosamente, era um
processo de regulação na vida não só escolar das meninas, mas também e
m sua vida social.
Conforme Elias (1993), as crianças são colocadas em processo de civilização a partir de
comportamentos produzidos por grupos sociais. No que diz respeito à formação das meninas
pelo INSA, notamos um empenho para que os hábitos mais rudes
, os costumes mais soltos e
desinibidos fossem suavizados, polidos e civilizados. A educação das meninas permeava o
campo das atividades domésticas, em que as mulheres eram colocadas na posição de que
nascem para ser donas de casa, esposas e mães. Também l
hes foram atribuídos comportamentos
para servir a fé católica e polidez nos hábitos sociais. Esses fatores aparecem nas evocações de
Luana (2019) quando recorda seus tempos de estudante no Instituto:
Nossa Senhora! Ninguém desrespeitava. As irmãs eram ass
im... [pausa]
.
Você precisava ver como eram firmes. Não só se preocupavam com a cultura
e a disciplina, como com a religiosidade também, a educação religiosa. Se
tivesse qualquer problema, chamavam os pais
.
Nas relações de poder com as autoridades, as men
inas estavam com menores gradientes
de poder, por isso
,
deveriam seguir os ordenamentos hierárquicos. Elas, enquanto mulheres,
eram postas numa condição de invisibilidade e de subordinação social à fé, cabendo expressar
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afetividade e fragilidade. De outro
modo, de forma velada, obtiveram uma formação para um
papel de invisibilidade e devoção. As configurações dessa formação presumem evitar qualquer
tipo de conflito, buscam um equilíbrio de soberania.
Entendemos o INSA enquanto perspectiva de demarcação de
poder civilizatório, um
movimento que objetiva controlar as condutas das estudantes pelo processo de interdependência
marcada pelas relações humanas no contexto do estabelecimento de ensino. Nessa perspectiva,
trazemos para análise as seguintes memórias:
As irmãs eram exigentes, severas em exagero! Hoje jamais seria aceito as
coisas que elas impunham. Por exemplo, elas não aceitavam ninguém de
esmaltes na escola. Um dia eu fui de esmalte, eu criança, e elas rasparam com
gilete a minha unha para tirar o esm
alte porque não podia ir pra escola de
esmalte. Ninguém podia ir pra escola de esmaltes, se fosse, raspavam com
gilete. Então, a gente já sabia que não poderia ir de esmaltes e ninguém
atrevia se esmaltar mais. A rotina da escola era essa: fazia uma fila n
o pátio,
onde ficava uma freira para administrar a entrada e verificar se os uniformes
estavam adequados. Fazíamos as filas, tinham que ser certinhas e tal. Na
segunda
-
feira, cantávamos o Hino Nacional e o Hino à Salinas
(
SIMONE
,
2020).
Observam
-
se compor
tamentos de civilidade ligados diretamente às condutas religiosas,
tais como a obediência, a disciplina e os preceitos de que a mulher não poderia se expressar
pelo corpo. A formação recebida defendia a ideia de que as moças de família deveriam adotar
um c
omportamento exemplar, de modo a conservarem sua inocência, edificando os bons
costumes e a moral. Diante disso, “conforme sejam bons ou maus os hábitos adquiridos, ter
-
se
-
á alcançado educação proveitosa ou prejudicial” (BACKHEUSER, 1958, p. 37).
Simone
(
2020) traz recordações de que a mulher deveria adotar uma postura recatada,
não lhe era permitido anunciar alegria e encanto a partir do seu corpo. Isso seria aprovar uma
espécie de aparecimento tipicamente feminin
o
da pobreza e miséria social, encarada co
mo um
perigo aos bons costumes e valores morais. Seria o mesmo que abrir as portas para
comportamentos que poderiam desviar as meninas para uma vida dissoluta e escandalosa.
Compreendemos essas condutas a partir do contexto histórico daquela época, uma vez
que era
uma forma de praticar a civilidade religiosa defendida pelas irmãs. O processo formativo das
meninas operava para não permitir alterações na relação de poder, evitando atitudes
conflituosas com a visão de mulheres civilizadas segundo os ordenament
os das irmãs católicas
do INSA.
Somos ensinados a todo momento a respeitar e utilizar regras socialmente aceitas, tais
como modos corretos de sentar ou cumprimentar alguém. São atitudes e movimentos que nos
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soam estranhos no século XXI, entretanto, que fo
ram materializados num determinado período
e contexto. Por sua vez, Eva (202
1
) traz em suas lembranças:
A gente nunca ficava de horário vago como existe hoje, quando faltava uma
professora, uma das freiras ia para sala de aula e nos ensinava coisas do
dia
a dia. Toda vez que eu vou ao banheiro fazer xixi eu me lembro delas [sorri],
porque elas falavam assim: “não pode deixar fazer barulho ao fazer xixi”!
[Risos] “Para subir escada com um rapaz, você sobe na frente e desce na
frente”. Mas, assim... [paus
a] Aquelas coisas que elas iam ensinando para a
gente..., falando... Foi um tempo maravilhoso
.
Registram
-
se materializações de ensinamentos de uma estrutura comportamental e
emocional específica para a mulher. Considerando as reflexões de Elias (1994), in
ferimos que,
na suposta boa sociedade, há um delineamento de mulher a ser aceita por ela mesma. Não
obstante, Eva
(202
1
)
considerou aquele tempo como “
maravilhoso
”. A formação atribuía
importância excessiva
a
o comportamento da mulher nos recintos
privados
,
em que cabia a ela
demonstrar contenção em suas necessidades fisiológicas e condutas sociais. A recordação de
Eva
(202
1
)
apresentou uma demarcação de desigualdade no processo formativo das meninas,
fica evidente uma questão de gênero, de diferenc
iação nas ações entre os sexos feminino e
masculino.
As freiras conduziam uma formação de modo a civilizar as meninas
,
orientando a
regulação de algumas condutas pessoais e costumes morais. A mulher fazer barulho no ato do
urinar a colocava numa condição i
ndelicada e de exposição vergonhosa como dor social. Assim,
a boa conduta orientava que era preciso evitar o barulho no ato do urinar, isto deveria ser feito
educadamente e sem chamar atenção, um hábito a ser desenvolvido na corporeidade civilizada.
A mulh
er precisava ser refinada, educada, falar baixo e demonstrar bons modos. Caso
contrário, era considerada pessoa desprovida de bons modos, cultura, instrução. Além disso,
poderia ser considerada como uma pessoa que desejava atrair atenção para seu corpo ou
até
mesmo disputar espaço ocupado pelo sexo masculino. Caminhar à frente do homem era uma
forma de demonstrar que a mulher deveria ser protegida por ele e que estava na condição de
sexo frágil, demarcando a virilidade do sexo masculino. Uma demarcação sexi
sta que colocava
a mulher na condição de uma relação de posse, e assim, não poderia ser cortejada, admirada ou
desejada por outro rapaz. As recordações de Francisca (2020) também expressam esses
comportamentos:
Elas [as freiras] tinham para conosco uma fo
rmação moral e religiosa muito
rigorosa, comportamento de sentar, aquelas gargalhadas que algumas
meninas ficavam dando, aquelas gargalhadas fortes demais, elas falavam que
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era escândalo. A gente tinha que ser mais comedida com as palavras, com as
atitudes
, é nesse ponto moral que falo. [...] A cobrança que havia era de zelo.
Para namorar mesmo, elas falavam pra não ficar passando de mão em mão,
namorar um hoje, outro amanhã... Elas ensinavam que isso não era
adequado
.
Para Bassanezi (2002, p. 610), as mu
lheres nos anos dourados eram “Vistas por vezes
como ingênuas ou perigosamente inconsequentes e deslumbradas, era grande o medo de que as
mocinhas se desviassem do bom caminho, a educação moral e a vigilância sobre elas se faziam
necessárias”. Nesse embate
cultural e na defesa de valores, o sexo feminino se encontrava numa
posição histórica de submissão e violência de gênero. Havia todo um envolvimento para que a
mulher fosse silenciada e invisibilizada (SARAT; CAMPOS, 2017).
Na concepção formadora do INSA
, a moça bem
-
educada, refinada e civilizada precisava
demonstrar um comportamento pautado no autocontrole das pulsões que guiaria as suas ações
na vida social. Isto é sinal de distinção que separava um grupo social de outro considerado
inferior, compreendi
a
-
se que as pessoas de “berço” tinham educação e bons modos. Não era
decoroso para a mulher se sentar do jeito que desejasse. Gargalhar era um ato de deselegância,
se optasse por paquerar mais de um rapaz em um intervalo pequeno de tempo, estaria se
expond
o à sociedade e poderia ficar “mal falada”.
Essas questões podem ser lidas como condições decorosas e
/
ou indecorosas expressas
pelo corpo, conceitos sobre os comportamentos que poderiam ser aceitos ou não pela sociedade.
Na especificidade social de Salina
s
/
MG, naquele período, tratava
-
se do próprio processo
civilizador em curso. E o INSA era uma figuração para mudanças concretas no comportamento
das estudantes e na propagação de ações conservadoras na sociedade para não obter atitudes
“incivilizadas”. Por
outro lado, ainda estavam em circulação regras não questionáveis, como
organizações em filas e vestuário impecável do uniforme.
As freiras proibiam a gente de usar pintura no rosto, elas não aceitavam,
tinha umas ainda [estudantes], aquelas mais danadinha
s (sorri), colocavam
uma maquiagem mais discreta. Elas [as freiras] eram muito exigentes mesmo,
sabe? A saia tinha que estar no tamanho certinho, se a saia fosse um
pouquinho acima do joelho, não era aceito. Tinha que ser abaixo do joelho,
meias três quart
os... Nós tínhamos três uniformes, um de educação física,
outro de uso diário e o uniforme de gala. O de gala era o uniforme que
usávamos em eventos especiais, como os desfiles de Sete de Setembro, festas...
Este era com meias curtas e sapato preto social.
Agora, o uniforme diário era
com meias três quartos, a blusinha branca, a saia plissada de cor azul
marinho. Mas não podia usar adornos no cabelo, nada. Era tudo sempre com
muita simplicidade, sabe?
(MARIA, 2021).
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Havia instruções de
comportamentos e moralidade esperados na educação das
estudantes. “Ficava mal à reputação de uma jovem, por exemplo, usar roupas muito ousadas,
sensuais, sair com muitos rapazes diferentes ou ser vista em lugares escuros ou em situação que
sugerisse intimi
dades com um homem” (BASSANEZI, 2002, p. 612). Ao evocar suas
lembranças, Maria (2021) apresentou notas de um processo civilizador um tanto quanto
conservador e regulador. Era exigido das meninas um ajustamento dos seus comportamentos,
as roupas deveriam s
er bem
-
comportadas, jamais poderiam exibir um centímetro sequer das
pernas acima dos joelhos. As freiras faziam revistas rigorosas da vestimenta das estudantes para
garantirem seus gradientes de poder e o controle repressivo de atitudes consideradas desvia
ntes
ou promíscuas. A ideia era a regulação dos comportamentos, controle e autocontrole sobre si e
seus atos nas figurações sociais. Num dado momento da entrevista com Eva
(
2021
)
, ela relatou
fatos que exprimem esses aspectos:
Na minha turma tinham muitas
meninas das “pernonas” que subiam o cós da
saia e colocavam a saia muito acima dos joelhos. Isso era só até chegar perto
do colégio. Uma vez, uma delas entrou e se esqueceu de abaixar a saia,
quando a irmã viu... Ela [a irmã] chegou e pegou na bainha da s
aia e rasgou
a bainha da saia todinha. Quando ela rasgou a bainha da saia, ao colocar
força pra isso, a saia desceu e até um pouco abaixo dos joelhos, porque estava
enrolada (risos)
.
O modo “educativo” das freiras em operar sobre as transgressões, desresp
eito às regras
e proibições praticadas foi um ato exacerbado na regulação dos costumes. Além do mais, as
ações estavam diretamente ligadas à questão da repressão. As meninas eram censuradas de tal
modo que a desobediência às regras sociais determinava quem
não se enquadraria no ideal de
boa moça, esposa e mãe. Não foi por acaso que no currículo da escola havia as disciplinas de
Trabalho manual, Economia doméstica e Puericultura (INSA, 1951
a
). Era justamente este o
espaço social das mulheres, o espaço do tra
balho doméstico sob o pano de fundo de controles
sociais que articulavam papéis e atitudes femininas propriamente históricas
,
padronizadoras
hegemonicamente de modos e costumes des
e
quilibrados na “balança” de poder movida pelas
relações entre diferentes gê
neros, em especial entre meninos e meninas.
As figuras 1 e 2 apresentam as características comportamentais ligadas ao vestuário
relatado pelas entrevistadas.
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Figura 1
–
Desfile de 7 de setembro de 1960
Fonte: Arquivo pessoal de Maria Elza
Sarmento
(1960)
Figura 2
–
Procissão e coroação em festejo ao dia de Nossa Senhora Aparecida em 1960.
Fonte: Arquivo pessoal de Maria Elza Sarmento (1960)
Havia um certo rigor na organização das estudantes em figurações de desfiles. As
meninas
estavam posicionadas em filas, com o corpo ereto de modo a demonstrar atenção e
concentração nas tarefas as quais deviam desenvolver no contexto de uma apresentação pública.
Na figura 1, o uso da saia do uniforme estava na altura dos joelhos
–
como relatad
o nas
entrevistas
–
e as blusas eram de mangas compridas, de forma que não houvesse exposição da
maior parte do corpo. Na figura 2, além dessas características, as roupas eram de cor branca, de
modo a refletir pureza, e as flores nos cabelos expressavam a
docilidade, fragilidade,
feminilidade e delicadeza. Ainda, a vestimenta da figura 2 também expressava devoção e fé
católica, pois estavam praticando um ritual religioso.
Os modos de comportamentos têm origens sociais diferentes. No caso do INSA, em
específ
ico, situavam
-
se em decorrência do destino social em que
a
mulher estaria inserida com
posturas recatadas, dóceis e com enquadre impecavelmente aos protótipos da boa moral. Nesse
sentido, Cardozo e Honorato (2020, p. 149) defendem que:
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A educação do
corpo é conduzida através de mudanças na estrutura da
personalidade e da conduta dos indivíduos. Os instintos, as emoções e as
compulsões também variam de acordo com a estrutura da sociedade na qual o
indivíduo está inserido e faz parte. Desse modo, o indi
víduo educado
transforma seus comportamentos e sentimentos a fim de se inserir socialmente
e responder a novas demandas de conduta e de personalidade.
Elias (1994) considera que o processo civilizador individual se dá por marcas de um
determinado grupo s
ocial, assim, para a existência social do ser, a civilização é essencial.
Através dos adultos e dos “[...] milhares de outros instrumentos, é sempre a sociedade como
um todo, todo o conjunto de seres humanos, que exerce pressão sobre a nova geração, levand
o
-
a mais perfeitamente, ou menos, para seus fins” (ELIAS, 1994, p. 145).
As memórias evocadas pelas ex
-
estudantes do INSA revelam relações que permitiram
reconhecer o excesso de regulações, ordens e autoridades praticadas pelas freiras. Contudo, as
ex
-
estu
dantes lidam com essas questões numa percepção de naturalização, como um habitus.
Além do mais, elas ainda acreditam que as normas deveriam prevalecer atualmente. Creem elas
que se os alunos hoje são indisciplinados, demonstram
-
se pouco interessados, é por
que houve
um afrouxamento nas regras comportamentais e formativas.
Logo, o processo civilizador na formação das meninas pelo INSA conota que a escola
trouxe fortemente marcas da igreja católica. Assim, a civilização no colégio ocorria de modo a
suavizar se
us modos, estabelecer urbanidade e polidez nas ações, uma educação privada que
demandou anulação de conflitos e hábitos específicos ao público feminino. Eram esperados das
meninas sofisticação, sutileza, sensibilidade, dissimulação e recato. Cabiam
-
lhes o
cuidado com
as rotinas familiares e da casa e o zelo ao espaço doméstico (DIAS, 1984). Dessa forma, suas
representações de poder estavam figuradas ao ambiente doméstico, por outro lado, tinham como
potência civilizadora se dedicar a profissões que se encon
travam num leque de cuidar e educar
da criança como se fosse condição maternal, no caso do INSA
,
a formação normalista voltada
à docência das primeiras letras.
Considerações
finais
Em nosso estudo, trabalhamos memórias individuais e coletivas ligadas a uma
instituição de ensino, o Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA)
–
de caráter confessional,
pertencente à
i
greja
c
atólica
,
particular
,
e com ensino exclusivo naquele momento par
a meninas
na cidade de Salinas
/
MG. São memórias de uma formação ginasial e normalista que foram
relegadas pela pesquisa científica, de modo que foram historicamente invisibilizadas.
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Lílian Gleisia Alves dos SANTOS
;
Tony HONORATO
e
Felipe Eduardo Ferreira MARTA
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Revista Ibero
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O estudo se deu no campo da memória, com análise documental à luz da histó
ria oral.
Buscamos compreender o processo formativo e de civilização das ex
-
alunas a partir das teorias
eliasianas. As memórias revelaram que a formação exercida pelo INSA naquele contexto fez
parte de um modelo de organização social e civilizatória. Afina
l, conforme Norbert Elias
(
1993
,
1994
,
2001
,
2012
)
, vivemos em grupos, em sociedades que carregam preceitos morais, valores,
costumes e hábitos
,
os quais precisam ser repassados às novas gerações para melhor estrutura
orgânica social. Nessa linha, compreendemos que a escola é uma das figurações que opera no
processo de civilização, nas relações de interdependência e na formação da personalidade.
O
papel do INSA foi civilizar as meninas promovendo mecanismos de controle e
autocontrole dos seus hábitos. Elas teriam que demonstrar em seus comportamentos habilidades
na sutileza, delicadeza, obediência e disciplina. Entendia
-
se que a função da mulher er
a evitar
conflitos, assim, não lhes era permitido se expor, questionar, expressar
-
se pelo corpo.
Percebemos que nesse processo formativo houve relação de força, controle e poder para
manutenção de uma ordem social perspectivada pela
i
greja
c
atólica e pelos
grupos hegemônicos
locais. As análises das fontes nos revelaram que, na questão de gênero, a mulher em
escolarização entre 1950 e 1970 era tratada como o sexo frágil
,
e deveria estar sempre submissa
à virilidade masculina
–
entendimento que está em questi
onamento nos dias atuais.
Concluímos que no INSA o processo civilizador das meninas se deu numa perspectiva
formativa na regulação dos comportamentos, controle e autocontrole dos sentimentos e
emoções de ser mulher em contextos de desigualdades de gênero
e de orientação católica
emitida pelas freiras Clarissas Franciscanas. A figuração escolar era envolvida por regras
r
í
gidas que deveriam ser cumpridas, por imagens religiosas e por uma capela no interior da
escola. As alunas sentiam que estavam num ambient
e santificado e de devoção e
,
dessa maneira
,
o mínimo que elas deveriam fazer seria agir com respeito e obediência. As meninas viviam
cotidianamente sob um olhar acusador das condutas tidas como um agravo à boa educação
feminina e aos preceitos religiosos.
Até em sua privacidade, a estudante precisava demonstrar
recato, sutileza e discrição. As memórias apontaram uma educação marcadamente religiosa, de
rigor, formação de hábit
os e condutas morais rigorosas.
AGRADECIMENTOS:
Programa de Pós
-
Graduação em Mem
ória: Linguagem e Sociedade
(PPGMLS
–
UESB), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas
Gerais
–
(IFNMG)
-
campus
Salinas e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia
(FAPESB).
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Escola Confessional INSA, Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninas
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Revista Ibero
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Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 17, n. 4, p.
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INSA, 1951
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INSA.
Extrato dos estatutos do Instituto Nossa Senhora Aparecida de Salinas
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Salinas:
INSA, 1951b.
INSA.
Tabela de anuidade
, 1959. Lolização:
Arquivo da Superintendência Regional de
Ensino de Araçuaí.
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Acesso em: 23 jul. 2021.
Como referenciar este artigo
SANTOS, L. G. A.; HONORATO, T.; MARTA, F. E. F.
Escola Confessional INSA,
Salinas/MG: Memórias de um processo civilizador de meninas
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Revista Ibero
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Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara, v. 17, n. 4, p.
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ISSN: 1982
-
5587. DOI: https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779.
Submetido em
: 18/03/2022
Revisões requeridas em
: 21/08/2022
Aprovado em
: 17/10/2022
Publicado em
: 30/
12
/2022
Processamento e editoração: Editora Ibero
-
Americ
ana de Educação.
Revisão, formatação, normalização e tradução.
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Escuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñas
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ESCUELA CONFESIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMORIAS DE UN PROCESO
CIVILIZADOR DE NIÑAS
ESCOLA CONFESSIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMÓRIAS DE UM PROCESSO
CIVILIZADOR DE MENINAS
INSA CONFESSIONAL SCHOOL, SALINAS/MG: MEMORIES OF A CIVILIZING
PROCESS FOR GIRLS
Lílian Gleisia Alves dos SANTOS
1
Tony HONORATO
2
Felipe Eduardo Ferreira MARTA
3
RESUMEN
:
La propuesta consiste en interpretar las memorias de formación y relaciones
civilizatorias de las alumnas del Instituto "Nossa Senhora
Aparecida" (INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972).
El INSA fue creado en 1951, y su organización contó con la acción de las monjas
Clarisas Franciscanas. El estudio se sitúa en el ámbito de la memoria (HALBWACHS, 2006),
la historia oral (PORTELLI, 2016) y las teor
ías de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993;
1994). Entrevistadas antiguas alumnas del Instituto, sus evocaciones nos hicieron comprender
que la figuración educativa presentaba características de un proceso civilizador de las niñas que
se constituía en
el modelado de hábitos y comportamientos a través de prácticas tradicionales y
político
-
culturales.
Consideramos que las memorias revelan la formación en el INSA conectada
a un modelo de organización social y de civilización, los estudiantes fueron educad
os para
demostrar sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina en contextos de desigualdades de género
y orientación católica.
PALABRAS CLAVE
:
Memoria. Escuela confesional. Proceso de civilización. Costumbres.
Mujeres.
RESUMO
:
A proposição consiste em interpretar as memórias de formação e de relações
civilizatórias das meninas estudantes no
Instituto “Nossa Senhora Aparecida”
(INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972). O INSA foi criado em 1951, sua organização contou com a ação das freiras
Clarrisas Franciscanas.
O estudo está situado no
s
campo
s
da memória (
HALBWACHS, 2006)
,
história oral (PORTELLI, 2016) e das teorias dos processos
civilizadores (ELIAS, 1993
,
1994).
Trata
-
se de uma abordagem qualitativa em que f
oram entrevistadas ex
-
estudantes do Instituto
,
e
as suas
evocações nos fizeram compreender que a figuração educacional apresentava
1
Instituto Federal de Ciencia, Tecnología y Educación del Norte de Minas Ge
rais
(IFNMG), Salinas
–
MG
–
Brasil.
Profesora en el área de Didáctica y Fundamentos de la Educación
.
Estudiante de doctorado del Programa
de Posgrado en Memoria: Lenguaje y Sociedad
(UESB)
.
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0001
-
5363
-
2069. E
-
mail:
liliangleis
iasantos@gmail.com
2
Universidad Estatal de Londrina
(UEL), Londrina
–
PR
–
Brasil.
Profesor del Departamento de Educación y del
Programa de Posgrado en Educación. Profesor Asociado
-
B. Doctorado en Educación Escolar
(
FCLAr/UNESP
).
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0003
-
3057
-
1157. E
-
mail: tony@uel.br
3
Universidad Estatal del Suroeste de Bahía
(
UESB
), Vitória da Conquista
–
BA
–
Brasil
. Profesor del Programa
de Posgrado en Memoria: Lenguaje y Sociedad
.
Profesor del Grado en Educación Fí
sica
(UESC).
Doutor
ado
em
História
(
PUC
-
SP
)
. ORCID:
https://orcid.org/
0000
-
0002
-
0501
-
4298
. E
-
mail:
fefmarta@gmail.com
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características de um processo civilizador d
e meninas que se constituiu por meio de modelagem
de hábitos e comportamentos através de práticas tradicionais e políticas
-
culturais.
Consideramos que
as memórias revelam a formação no INSA conectada a um modelo de
organização social e civilizatória
: a
s
alunas eram educadas para demonstrar sutileza,
delicadeza, obediência e disciplina em contextos de desigualdades de gênero e de orientação
católica.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
Memória. Escola c
onfessional.
Processo c
ivilizador. Costumes.
Mulheres.
ABSTRACT
:
The proposition consists of interpreting as memories of formation and civilizing
relations of the girls students at the Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972).
The INSA was faunded in 1951, and its organization was supported by t
he
Clarissas Franciscanas.
The study is situated in the field of memory (HALBWACHS, 2006),
oral history (PORTELLI, 2016) and theories of civilizing processes (ELIAS, 1993; 1994). It is
a qualitative approach in which former students of the Institute were i
nterviewed, their
evocations made us understand that the educational figuration presented characteristics of a
civilizing process of girls that was constituted through the modeling of habits and behaviors
through traditional and political
-
cultural practice
s. We consider that the memories revealed
are a model of formation at INSA connected to a social organization, to which they were
educated for civilization, and disciplinary in contexts of gender inequality and subtle
orientation.
KEYWORDS
:
Memo
ry.
Confessional school. Civilizing p
rocess.
Customs. Woman.
Introducción
Esta investigación, inscrita en el área de Historia de la Educación, aborda supuestos en
un contexto específico de un grupo de exalumnas. La actividad educativa de formación fue
promovida por maestros/hermanas pertenecientes a la Iglesia Católica, hecho que trajo
desarrollos en la educación escolar en Salinas, ciudad ubicada en el norte de Minas Gerais. El
estudio abarcó el período de 1951 a 1972, considerando la creación, impleme
ntación y
funcionamiento de la primera escuela primaria y secundaria en ese municipio.
El Instituto
“Nossa Senhora Aparecida” (INSA)
fue creada en Salinas/MG en 1951, una
escuela confesional dirigida por monjas de la Congregación Hermanas
Clarissas Francis
canas
Misioneras del Santísimo Sacramento
.
Su misión era enseñar las primeras letras, secundaria y
preparatoria, esto, al principio, para la formación de normalistas. La formación por parte de esta
escuela estuvo impregnada por la propagación de costumbres
, valores y principios educativos
de la civilización, una realidad que tomamos como objeto de análisis para el develamiento de
tramas sociales, educativas, culturales y políticas.
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Escuela Confesional INSA, Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñas
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En Salinas, vislumbrando la expansión de la enseñanza por institución forma
l, la
Congregación Franciscana buscó apoyo, ya que ya era reconocida por el trabajo misionero y la
dedicación llevada a cabo en favor de la educación con maestros intelectualmente vistos y
respetados, las monjas
Clarissas Franciscanas.
Las hermanas
fueron estimadas por dedicarse en
iniciativas a los bienes comunes, con acciones de lucha y persistencia desde prácticas
pedagógicas cultivadas hasta la enseñanza por la religiosidad y las costumbres morales.
Como estrategia metodológica, nuestra investiga
ción tomó como fuente histórica
entrevistas de historia oral y vida de antiguos alumnos del INSA, documentos de la colección
del instituto, formularios informativos y pedagógicos. Las fuentes fueron analizadas
considerando concepciones teóricas específicas
del campo de los estudios de memoria
(
HALBWACHS, 2006), da história oral (PORTELLI, 1997
,
2016)
y la teoría de los procesos
civilizatorios (ELIAS, 1993, 1994). Por lo tanto, este artículo se apropió de recuerdos de ex
alumnas con el objetivo de interpreta
r la formación y las relaciones civilizadoras de las niñas
formadas por INSA Salinas / MG (1951
-
1972).
Los testimonios orales fueron evidencias
fundamentales para el análisis de las acciones civilizadoras en la tensión entre pasado y
presente, entre memori
a y experiencia (PORTELLI, 1997, 2016). Las entrevistas fueron
realizadas teniendo en cuenta temas que parten de la historia de vida de los sujetos. Partimos
de una perspectiva cronológica y nos enfocamos en la escolarización de las niñas en INSA
-
Salinas
.
Las narrativas revelaron una interdependencia entre la educación escolar de las niñas y
los movimientos de control social producidos en figuraciones en la sociedad.
Consideramos la
formación educativa de las niñas en la relación con las monjas
Clarissas
Franciscanas
, esto
desde la perspectiva de los estudios eliasianos, específicamente, cuando Norbert Elias (1994)
aborda los temas de civilidad con respecto al comportamiento de las personas que viven en
sociedad, articulando los mecanismos de vergüenza y
comportamiento a los cambios en los
procesos sociales.
En su obra "
El proceso civilizador",
Elías (1994) hace reflexiones sobre la
postura, los gestos, las expresiones faciales y la vestimenta, con el fin de tratar las
manifestaciones de los
individuos como un todo, en figuraciones de instruir al ser humano a
hacerlo, haciéndolo culto y cercano a la excelencia social. Es decir, las relaciones humanas se
relacionan con las interdependencias establecidas entre personas, grupos sociales e
institu
ciones, provocando cambios que implican un contexto sociohistórico.
El concepto de proceso civilizador se refiere a cambios en las estructuras psíquicas de
las personas (psicogénesis), en interdependencias con cambios en las estructuras sociales
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(sociogénesis). Los cambios en los individuos implican la conducción de una ma
yor
internalización de los controles sociales y la distinción de sus controles emocionales y
experiencias. Esto significa un cambio en la forma en que el individuo actúa, siente y se
relaciona con los demás en el mundo. Es una civilización de manera proced
imental socialmente
producida, porque, considerando que ningún ser humano nace civilizado, la etapa civilizatoria
a la que está sometido es un ejercicio social del propio proceso civilizador en progreso en mucho
tiempo.
Esta acción civilizadora se lleva a
cabo, con mayor o menor rigor, con actitudes
modeladoras de individuos civilizados para vivir las normas estandarizadas en la sociedad. Es
un proceso que debe continuar, adoptar posturas de ideas, patrón de virtudes, morales y
costumbres producidas en la s
ociedad (ELIAS, 1994)
–
un papel también asumido por las
instituciones, entre ellas, la escuela.
Para Honorato (2017, p. 114
,
nuestra traducción
),
Aunque las instituciones escolares no constituyeron las preocupaciones
centrales de la Teoría de los Proceso
s Civilizadores, en su obra maestra, El
proceso civilizador, Norbert Elias (1993; 1994), al elaborar las etapas de
desarrollo de una civilización, nos permite sistematizar: 1) los procesos
educativos, institucionalizados o no, tienen centralidad en cualqui
er
civilización, porque hay un aprendizaje constante de comportamientos, tanto
individual como socialmente, se transmite de una generación a otra, y puede
convertirse en un
habitus
(segunda naturaleza); 2) la formulación e
incorporación de valores educati
vos como
habitus
implican cambios efectivos
en la conducta y los sentimientos hacia una dirección específica, mayor
control social y autocontrol de las emociones de los individuos; 3) el
(auto)control de las emociones, así como el conocimiento popular y ci
entífico,
fomenta un proceso creciente de individualización en lo social, y este proceso
se ha visto cada vez más potenciado y asegurado por grupos e instituciones
específicas, en este caso, la escuela; 4) La escolarización de los individuos se
convirtió e
ntonces en obligatoria, y así, en la estructuración de la modernidad,
la regulación del conocimiento elemental había sido monopolizada por el
Estado nación como uno de los fundamentos de su existencia, como sucedió
con el control legítimo del uso de la fue
rza física y la recaudación de
impuestos.
Así, para el análisis, unimos conceptos eliasianos
e investigaciones empíricas, basadas
en las experiencias de antiguos alumnos de una escuela confesional creada en la década de 1950
en el norte de Minas Gerais, el Instituto
“Nossa Senhora Aparecida” (INSA)
Salinas. La
investigación se realizó con los est
udios de memoria, con el fin de interpretar las memorias
evocadas sobre la formación de estudiantes de esta institución, a través de la entrevista de
historia oral y vida de cinco mujeres
4
,
Nacido entre 1940 y 1955. Traen sus recuerdos, respecto
4
Luana, 81 años, estudió en el INSA de 1952 a 1958, entrevistada el 22/08/2019; María, de 77 años, estudió en el
INSA de 1954 a 1963, entrevistada el 26/01/2021; Simone, 72 años, estudió en INSA de 1957 a 1967, entrevistada
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a la form
ación recibida en el INSA, con respecto a hábitos, comportamientos y valores morales.
Estas mujeres estudiaron en la institución entre 1952 y 1972, y traen recuerdos de experiencias
escolares colectivas e individuales. Uno de ellos estudió en un internado,
el otro en régimen
externo. Por lo tanto, para una mejor comprensión, trazaremos una historia de los recuerdos de
INSA.
Recuerdos de una escuela confesional, el Instituto
“Nossa Senhora Aparecida”
Halbwachs
(2006) dijo, el ser humano trae consigo ideas y sentimientos originados en
grupos, que se pueblan en pensamientos con otros seres, como lugares y circunstancias. Es
necesario que haya muchos puntos de contacto entre los recuerdos individuales para que los
recuerdos colectivos se recuperen en un eje común. A su vez, Elías (1993) afirma que la
educación, los procesos civilizatorios y formativos, se constituyen en las relaciones de vida
practicadas en figuraciones humanas, como los grupos sociales.
En 1951,
el Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) inició sus actividades en
Salinas/MG con el
estatus
de
Colegio de Monjas, así como sus congéneres en el interior y
capital Belo Horizonte, en el estado de Minas Gerais
5
.
El Instituto preveía satisfacer la
nece
sidad de escolarización en ese momento y territorio, con la educación como parte de un
proceso de modernización y civilización de las personas a través de la escolarización.
El colegio estaba gobernado por la Congregación Franciscana, específicamente por
monjas vinculadas a la orden. Las fundadoras fueron cuatro hermanas, Narcisa Chamone
–
superiora, Maria Elias Chamone
–
secretaria/directora, Maria Piedade Guimarães
–
ecônoma
,
y Elizabeth Freitas
–
maestra. Tenían entre sus propuestas esforzarse por mejorar el nivel de
el 02/08/2020; Francisca, de 71
años, estudió en el INSA de 1962 a 1969, entrevistada el 16/12/2020; Eva, de 66
años, estudió en el INSA de 1961 a 1972, entrevistada el 21/01/2021. Las entrevistas tuvieron lugar en las
residencias de los antiguos alumnos de la ciudad de Salinas/MG. Los n
ombres presentados aquí son ficticios, con
el objetivo de salvaguardar el anonimato.
La investigación fue realizada bajo el número de aprobación
44678621.3.0000.0055 del Certificado de Apreciación Ética
-
Comité de Ética en Investigación de la Universidad
Estatal del Sudoeste de Bahía, Campus Jequié. La invitación se hizo personalmente a cada entrevistado, cuando
explicamos los objetivos del estudio. Presentamos el Término de Consentimiento Libre y Esclarecido, que fue
firmado antes del inicio de cada entre
vista.
5
El Instituto comenzó en mayo de 1898, en Forli, Italia, y funcionó durante algún tiempo también en la ciudad
italiana de la Abadía de Bertinoro. En 1907, cuatro hermanas franciscanas Clarisas Misioneras del Santísimo
Sacramento salieron de Italia,
comenzando la misión en tierras brasileñas. El 3 de julio de ese año llegaron a
Itambacuri/MG, donde se instaló el primer instituto. Con la llegada de los primeros misioneros a Itambacuri, la
historia de la congregación comenzó en Brasil. Las raíces lanza
das en 1907 se expandieron por todo el estado de
Minas Gerais: la diócesis de Diamantina fue decisiva para esta expansión. A partir de entonces, las franciscanas
Clarissas se extendieron por pequeños pueblos mineros, donde recibieron la instrucción: en Cur
velo, Sete Lagoas,
Governador Valadares, Corinto, Guanhães, Caetanópolis, Conceição do Mato Dentro y Teófilo Otoni; también se
instaló una unidad en la capital del estado, Belo Horizonte; y finalmente, se expandió instalando algunos institutos
en los estad
os de São Paulo y Brasilia (RODRIGUES, 2003).
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vida de la población con discapacidad, y el camino elegido fue la educación escolar. El objetivo
principal era promover la educación de las mujeres, con el prim
er propósito de la educación de
los jóvenes más necesitados. Con este fin, el régimen gratuito de enseñanza a la clase
desfavorecida sólo fue posible con la ayuda de los más favorecidos, aquellos que podían pagar
la escuela.
En ese momento, en el
contexto brasileño, las ideas liberales estaban teniendo lugar y
propagándose, de tal manera, sería necesaria una renovación en la Iglesia Católica. "Así, la
Iglesia también tenía la intención de frenar el avance de las ideas anticlericales no cristianas
q
ue se extendían por todo el país.
Un gran contingente de religiosos y religiosos se lanzó a la
batalla para recristianizar a las masas" (RODRIGUES, 1986, p. 52
,
nuestra traducción
).
El
colegio católico de Salinas era entonces el medio de acción para defend
er la doctrina y propagar
las costumbres y valores cristianos. Tenía como aspiraciones a las "hijas del pueblo", a la
juventud más desprovista, secuencialmente, de toda la sociedad. Sin embargo, debido a la falta
de recursos financieros propios y de invers
ión pública, el servicio se revirtió.
El INSA atendió a las niñas en tres
formatos: internado, internamiento (en las
modalidades de pagadores y becarios) y orfanato (atención a niñas huérfanas necesitadas)
con
educación gratuita. Las orientaciones ideológ
icas de la Congregación Franciscana en las
escuelas estaban dirigidas a un "[...]
sólida formación cristiana, hábitos de piedad, ejemplos de
oración y de vida, según las enseñanzas del evangelio, acompañando, por supuesto, la
instrucción intelectual" (RODR
IGUES, 1986, p. 53
,
nuestra traducción
).
Cada período de la historia tiene sus necesidades civilizadoras socialmente construidas
(ELIAS, 1994).
En la década de 1950, los religiosos y profesores de INSA se hicieron cargo de
todas las disciplinas
curriculares, sobre todo porque entendieron que en la localidad había laicos
que no estaban preparados para tomar las clases. E incluso si hubiera personal académicamente
calificado, no estaba en el interés de la Iglesia Católica contratarlos por razones t
ales como:
salarios que sobrecargarían las finanzas escolares, la escuela que necesitaba establecerse antes
de contratar, y no siempre estos maestros potenciales para contratar para ser católicos
practicantes. Así, las monjas se hicieron cargo de todas las
sillas (RODRIGUES, 1986). Se
comprometieron en esta labor educativa imponiendo un espíritu de obediencia, disciplina,
respeto y cumplimiento de costumbres, valores y conductas morales. En este núcleo, la escuela
fue entendida como un centro regenerativo d
e los valores de la civilidad en la sociedad.
Según Freitas (1994), en la década de 1950, la educación estuvo marcada por un proceso
de ideologización de las prácticas políticas, culturales y educativas. Una reorganización del
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modo de producción capitalist
a estaba en marcha, y la escuela era un instrumento de control
social, desarrollo económico y mantenimiento de una cierta fracción de la sociedad. Por lo
tanto, era necesario capacitar a los estudiantes para ciertas ocupaciones, la educación de una
élite a
l molde sofá de una educación con ascensión social que comprendía la escuela primaria,
vocacional y secundaria. Estas características son muy similares al contexto educativo del INSA
en el mismo período de tiempo.
EL INSA fue un colegio creado por la Igle
sia Católica a partir de la solicitud de
políticos, comerciantes y hombres de posesiones residentes en Salinas / MG, con el apoyo de
la comunidad. Había anidas políticas y de desarrollo, sin embargo, era necesario mantener una
organización y un control que
no pusieran en peligro los valores, costumbres y preceptos
morales deseados por los grupos más favorecidos. Para satisfacer estas aspiraciones, la escuela
tenía que ser creada en un discurso que fuera un lugar relacional para todos. En este sentido, la
as
ociación con la Congregación Franciscana estaba bien alineada, lo que tenía como preceptos
el cuidado de aquellos que estaban en mayor desventaja social, cultural y económica.
EL INSA fue creado como una institución privada, las niñas a matricularse tendrí
an que
pagar por estos servicios. Tal como se publicó en el Extracto de los Estatutos del Instituto
“Nossa Senhora Aparecida”
salinas, en el Diario de Minas Gerais, el 4 de octubre de 1951:
Art. III
–
El establecimiento, que constituirá personalidad juríd
ica, es
particular, católico, opera en su propio edificio, siendo dirigido por la misma
Congregación de las Franciscanas Clarisas de la SSmo. Sacramento, que, en
Brasil, tiene su sede principal en la ciudad de Belo Horizonte (INSA, 1951b,
p. 4
, nuestra tra
ducción
).
Había una lista de precios a cobrar por los estudios de los inscritos. Los valores fueron
adecuados de acuerdo con la situación del estudiante (interna o externa). Hasta entonces, los
fondos recaudados eran exclusivamente para el
mantenimiento del colegio, porque los
religiosos no recibían salarios.
GIMNASIO
NOSSA SENHORA APARECIDA
SALINAS
-
MINAS GERAIS
TABLA DE ANUITIES
INTERNADO
1º, 2º, 3º, 4º grado ........ Cr$20,000.00
EXTERNO
1º, 2º, 3º, 4º grado ........
Cr$6,000.00
Hermana
Maria Elias do Coração de Jesus,
Directora.
Izidoro Bretas, Inspector
(INSA, 1959)
.
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Por otro lado, la escuela recibió algunas niñas necesitadas que obtuvieron educación a
través del orfanato y otras en
internados. A cambio, estos estudiantes que no pagaban ayudaban
con las tareas domésticas de la escuela, el mantenimiento y los servicios generales.
Estas evidencias se revelan en las memorias de Francisca (2020):
La universidad estaba pagada y no podía p
agarla. Así que fui a mi padrino
del bautismo, el que pagaba la admisión
6
para mí. Y cuando fui a hacer la
inscripción para el gimnasio no pude hacerlo también [...] quería estudiar y
no podía. Todavía era un niño, cuando tenía 11 años, y busqué a las
her
manas. La hermana que me atendió era la secretaria de la escuela en ese
momento, la hermana Benigna, que falleció. Ella era mi profesora de historia
en el curso de admisiones, y cuando me acerqué a ella, me dijo: "¡No, no te
voy a dejar sin estudiar"! Porq
ue era muy estudioso [dice con énfasis]. "Tú
harás la matrícula, cuando puedas, me pagas" (risas). Le dije: "Está bien. No
sé cuándo voy a poder pagarte, porque mi madre trabaja para la vida de la
casa... y soy de una familia muy humilde". Luego dijo: "No
hay problema,
estoy diciendo que es cuando puedes
".
El relato muestra el afán de Francisca (2020) por la educación, era consciente de su
situación real y de las condiciones económicas de su familia. Aun así, era consciente de que,
para lograr sus sueños y tener una vida diferente y prometedora, el camino se
ría a través de la
educación, el estudio y la graduación como maestro. Percibimos aquí un proceso de formación
que operaba en nuestra sociedad y que provocaba en el ser humano una inquietud social, un
sentimiento de deseo de pertenecer a este mundo en cons
trucción.
La estructura de la sociedad
salina fue cambiando con la llegada del INSA, por lo que reconocemos que "estas formas de
emociones son manifestaciones de la naturaleza humana en condiciones sociales específicas y
reaccionan, a su vez, sobre el proc
eso sociohistórico como uno de sus elementos" (
ELIAS,
1993, p. 152
,
nuestra traducción
).
No se puede negar que las hermanas
Clarissas Franciscanas
Buscaron ayudar a algunos
estudiantes, sin embargo, sabemos que pocos tuvieron esta ayuda. Para ampliar este
servicio,
fue necesario contar con un mayor número de estudiantes remunerados, más monjas para
enseñar, mayor ayuda de la sociedad para la compra de materiales didácticos, entre otras
necesidades.
La Revista Minas Gerais, en la misma publicación mencionad
a anteriormente, anuncia
el acto de regularización de la operación del INSA en Salinas/MG. Además, manifiesta el perfil
de las alumnas a formar por la escuela, y en ella resume el modelo de mujer ideal para esa
6
Examen de admisión
–
funcionó como una prueba de selección, establecida a través de la Reforma Francisco
Campos en 1931. Era válido hasta 1971, era obligatorio someterse a él para tener acceso a las escuelas públicas,
lo que dificultaba el acceso a la edu
cación primaria y secundaria.
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sociedad. Así, hace público en el artículo II
que la formación se llevaría a cabo de manera
integral, teniendo en cuenta las cuestiones físicas, intelectuales, morales y devotas a la iglesia,
la familia, la sociedad y la patria.
EXTRACTO DE LOS ESTATUTOS DEL INSTITUTO
NOSSA SENHORA
APARECIDA DE
SALINAS (
INSA
,
1951
b
)
Art. I
–
El Instituto
Nossa Senhora
Aparecida, fundado en la ciudad de Salinas,
Minas Gerais, por la Congregación de
Clarissas
Misioneras del Santísimo
Sacramento, el 1 de marzo de 1951, para operar indefinidamente, ten
drán el
nombre antes mencionado e incluirán un curso para niños, un curso primario,
una escuela secundaria, un orfanato y una escuela doméstica.
Art II
–
El Instituto tiene como objetivo dar a las mujeres una educación
integral: física, intelectual, moral,
cívica, artística y religiosa, para que sus
estudiantes puedan cumplir fielmente sus deberes para con Dios, la familia, la
sociedad y la patria.
Art. III
–
El establecimiento, que constituirá personalidad jurídica, es
particular, católico, opera en su propio edificio, siendo dirigido por la misma
Congregación de las
Clarissas Franciscanas
de SSmo. Sacramento, que, en
Brasil, tiene su sede principal
en la ciudad de Belo Horizonte.
Art. IV
-
(ilegible)
§1
-
Los miembros de la junta directiva serán determinados por la Madre
General o su representante, de acuerdo con su junta.
§2
-
Corresponde a la Directora representar al Instituto en los tribunales y
fuera de él.
Art. IX
–
En caso de extinción de esta obra, sus bienes y activos serán
revertidos en beneficio de la Parroquia de
Santo
Antonio
, de Salinas.
Montes Claros, 18 de septiembre de 1951.
–
(a.) Antonio, obispo de Montes
Claros.
(B. 3.644
–
T.
5734)
(INSA, 1951
b
, p. 4
, nuestra traducción
)
.
El contenido publicado en el Extracto de los Estatutos del INSA (1951b) destaca que la
formación de los estudiantes en la institución se mediría por una fuerte educación católica. La
formación tenía por objeto preparar a las jóvenes para la devoción religi
osa, para ser jóvenes
virtuosas en la sociedad y en el hogar, a fin de dar ejemplo en el respeto y la difusión de las
buenas costumbres. Estos elementos se acercan a los estudios de Elias (1994), cuando dice que
los cambios en la personalidad influyen en e
l contexto social a lo largo de los años: hay
diferenciaciones y cambios en las costumbres humanas según la formación social del momento.
En las memorias de Francisca (2020), se evidencian estas preguntas:
Es porque realmente aprendimos [énfasis], ¡oramo
s! Yo, como pasante de
secundaria ... Nos levantamos temprano, ellas [las monjas] se levantaron a
las cinco de la mañana para rezar la cosita, después de que la pequeña
nosotros [los estudiantes internos] ya nos habíamos despertado, primero
íbamos a misa,
después de la misa íbamos al café. Y después del desayuno
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íbamos a clase. Así que... Rezamos el rosario todos los días, mañana y noche.
Fue oración, además de los retiros espirituales que hicimos. Fue una
educación religiosa muy fuerte la que tuvimos
.
La
formación de las niñas se basaba en una posición conscientemente católica, había un
patrón de sociedad religiosa que deseaba asegurar y ampliar a sus fieles. Además, a la luz de
los estudios eliasianos, los críticos apuntan a que los niños tienen que apren
der como si fueran
adultos pequeños, ya que son vistos como actores que continuarían las costumbres, tradiciones,
valores y conductas socio morales de su generación (
ELIAS, 2001
,
2012).
Escolarización en el INSA: formación y civilización de las
niñas
Los ex alumnos del INSA tuvieron trayectorias de vida individuales y colectivas; en el
proceso formativo, algunos elementos son sorprendentes en las experiencias de la rutina escolar,
particularidades exigidas por las características de las relacion
es construidas histórica y
socialmente en el contexto de la Pedagogía Moderna
7
y la educación en el hogar. Entre ellos,
señalamos las cuestiones de género, clase y relaciones de poder que, según los estudios
eliasianos, son interdependencias del proceso c
ivilizador de los individuos en la sociedad. El
panorama socio
-
histórico presentado en este estudio nos llevó a pensar cómo se daban las
relaciones educativas e interactivas en los grupos de convivencia, con énfasis en la historia de
la vida escolar, la en
señanza y el aprendizaje de las mujeres en el INSA.
La atención se centra en la educación escolar recibida por las niñas que tenían como
maestras a las monjas franciscanas clarisas del Santísimo Sacramento. Todos ellos asistieron al
gimnasio y al curso nor
mal en INSA entre 1952 y 1972. En vista de esto, lo que nos interesa
aquí son los recuerdos de estas mujeres en su proceso de educación escolar en la institución
mencionada anteriormente. Se optó por destacar los procesos civilizatorios a partir de las
rel
aciones marcadas por la feminización, comportamientos, costumbres y valores morales
practicados en la enseñanza de las monjas desde una perspectiva de escuela doméstica. Así,
seleccionamos algunos puntos de esta relación interdependiente de la educación de
las niñas
presentes en la educación doméstica para la instrucción de comportamientos moldeados,
intuyendo su inclusión en la vida en sociedad.
7
João Amos Comenius es el precursor de la Pedagogía Moderna. Abogó por una educación que interpretara y
ampliara la experiencia de cada día y utilizara medios clásicos como la enseñanza de la religión y la ética. El plan
de e
studios debe enriquecerse con la inclusión de música, economía, política, historia y ciencia. Fortalece la
concepción de que el hombre es capaz de aprender y puede ser educado (COMENIUS, 2011).
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Las hermanas fundadoras de INSA aportaron experiencias de sus formaciones y
experiencias obtenidas por el trabajo realizado en otros institutos católicos, colegios vinculados
a la Congregación
Clarissas Franciscanas
Misioneras del Santísimo Sacramento
,
par
a
implementarlos en Salinas/MG. El Colegio de Monjas creció en fama y en número de
estudiantes. Los padres querían que sus hijas tuvieran una educación cristiana exquisita y una
sólida formación profesional. Así, "el rigor de la normativa elaborada por la
Directora no asustó,
pues su persona ejerció una fuerte atracción sobre padres, profesores y alumnos. Percibían que
su severidad estaba unida a un buen corazón, firme, afectuoso, realmente dedicado a la
formación de sus alumnos" (RODRIGUES, 1986, p. 56
,
nuestra traducción
). El reglamento del
colegio llevaba a cabo los siguientes deberes a cumplir:
Art. VI
-
De las autoridades
§ 1
-
El respeto de la autoridad es indispensable para la formación del carácter,
todos los estudiantes deben respetar a las autor
idades constituidas, tanto
eclesiásticas como civiles.
§ 2
-
El papel de la autoridad no es la libertad; es guiarla para siempre,
corrigiendo sus abusos. Para esto, los estudiantes tendrán en sus maestros y
Superiores en la cuenta de Amigos y les proporcio
narán pronta obediencia,
evitando el espíritu de murmuración y rebelión.
Art. VIII
–
Habrá un retiro espiritual para todos los estudiantes cada año
(INSA, 1951a, p. 19
, nuestra traducción
).
Había un poder relacional en la organización de la vida social y
en el mantenimiento de
la Iglesia Católica objetivada en el INSA. La educación de las niñas debe basarse en las
relaciones de poder con las autoridades, consideradas personas con mayores gradientes de
poder. Las autoridades no debían ser cuestionadas, toda
la enseñanza tenía que ser aceptada
como mecanismo de conocimiento y control a interiorizar, conteniendo las pulsas más íntimas.
Correspondía a los estudiantes cumplir con la planificación y, por lo tanto, la escuela tenía un
carácter reglamentario y estr
icto de las conductas. Los horarios escolares se determinan y deben
respetarse estrictamente, es un proceso de regulación en la vida escolar de los niños, pero
también en su vida social.
Según Elias (1993), los niños son colocados en el proceso de civiliza
ción basado en
comportamientos producidos por grupos sociales. Con respecto a la formación de las niñas por
parte de INSA, notamos un compromiso para que los hábitos más rudos, las costumbres más
sueltas y desinhibidas fueran suavizadas, pulidas y civiliza
das. La educación de las niñas
impregna el campo de las actividades domésticas, en las que las mujeres se colocan en la
posición de que nacen para ser amas de casa, esposas y madres. También se les asignaron
comportamientos para servir a la fe católica y l
a cortesía en los hábitos sociales. Estos factores
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aparecen en las evocaciones de Luana (2019) cuando recuerda sus días de estudiante en el
Instituto:
¡Dios!
Nadie le faltó el respeto. Las hermanas eran así ... [pausa].
Necesitabas ver cuán firmes
eran. No solo se preocupaban por la cultura y la
disciplina, sino también por la educación religiosa. Si tenía algún problema,
llamaban a sus padres
.
En las relaciones de poder con las autoridades, las niñas tenían gradientes de poder más
bajos, por lo qu
e debían seguir arreglos jerárquicos. Ellas, como mujeres, fueron colocadas en
una condición de invisibilidad y subordinación social a la fe, y correspondía expresar afecto y
fragilidad. De lo contrario, de manera velada, obtuvieron un entrenamiento para u
n papel de
invisibilidad y devoción. Las configuraciones de esta formación presumen de evitar cualquier
tipo de conflicto, buscar un equilibrio de soberanía.
Entendemos EL INSA como una perspectiva de demarcación del poder civilizador, un
movimiento que t
iene como objetivo controlar las conductas de los estudiantes mediante el
proceso de interdependencia marcado por las relaciones humanas en el contexto del
establecimiento educativo. Desde esta perspectiva, traemos al análisis las siguientes memorias:
¡Las hermanas eran exigentes, severas en la exageración! Hoy las cosas que
han impuesto nunca serían aceptadas. Por ejemplo, no aceptaban a nadie de
esmalte de uñas en la escuela. Un día me fui a esmalte, niña, y me rasparon
con navaja la uña para coger el
esmalte porque no podía ir al esmalte escolar.
Nadie podía ir a la escuela de esmalte de uñas, si lo era, lo afeitaban con una
cuchilla de afeitar. Así que ya sabíamos que no podíamos pasar de los
esmaltes y ya nadie se atrevía a moler. La rutina de la es
cuela era esta: me
alineé en el patio, donde se alojaba una monja para administrar la entrada y
verificar si los uniformes eran adecuados. Nos alinearíamos, tendrían que
tener razón y esas cosas. El lunes cantamos el Himno Nacional y el Himno a
Salinas
(SIMONE, 2020).
Se observan comportamientos de civismo directamente vinculados a comportamientos
religiosos, como la obediencia, la disciplina y los preceptos que las mujeres no podían expresar
por el cuerpo. La formación recibida defendió la idea de que
las jóvenes de la familia debían
adoptar un comportamiento ejemplar, con el fin de mantener su inocencia, construyendo las
buenas costumbres y la moral. Por lo tanto, "tan buenos o malos serán los hábitos adquiridos,
rentables o perjudiciales para la educ
ación" (
BACKHEUSER, 1958, p. 37
,
nuestra traducción
).
Simone (2020) trae recuerdos de que las mujeres deberían adoptar una postura recatada,
no se le permitió anunciar alegría y encanto de su cuerpo. Esto sería aprobar una especie de
apariencia típicament
e femenina de pobreza y miseria social, vista como un peligro para las
buenas costumbres y los valores morales. Sería lo mismo que abrir la puerta a comportamientos
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que podrían desviar a las niñas a una vida disoluta y escandalosa. Entendimos estos
comport
amientos desde el contexto histórico de la época, ya que era una forma de practicar la
civilidad religiosa defendida por las hermanas. El proceso formativo de las niñas operó para no
permitir cambios en la relación de poder, evitando actitudes conflictivas
con la visión de las
mujeres civilizadas según el orden de las hermanas católicas del INSA.
Se nos enseña en todo momento a respetar y usar reglas socialmente aceptadas, como
formas correctas de sentarse o saludar a alguien. Estas son actitudes y movimie
ntos que nos
hacen extraños en el siglo 21, sin embargo, que se materializaron en un cierto período y
contexto. A su vez, Eva (2021) trae consigo sus recuerdos:
Nunca estuvimos en un horario ocupado como hay hoy, cuando faltaba una
maestra, una de las mon
jas iba a clase y nos enseñaba cosas día a día. Cada
vez que voy al baño a orinar los recuerdo [sonríe], porque decían: "¡No
puedes dejar que haga ruido cuando orinas"! [Risas] "Para subir escaleras
con un niño, subes por delante y por delante". Pero así..
. [pausa] Esas cosas
que nos estaban enseñando... hablando... Fue un momento maravilloso
.
Se registran materializaciones de enseñanzas de una estructura conductual y emocional
específica para mujeres. Considerando las reflexiones de Elías (1994),
inferimos que, en la
supuesta buena sociedad, existe un diseño de mujer para ser aceptado por ella misma. Sin
embargo, Eva (2021) consideró ese tiempo "
maravilloso
". La capacitación atribuyó una
importancia excesiva al comportamiento de las mujeres en espa
cios privados, en los que le
correspondía demostrar moderación en sus necesidades fisiológicas y comportamientos
sociales. La memoria de Eva (2021) presentó una demarcación de la desigualdad en el proceso
formativo de las niñas, y es evidente una cuestión
de género, de diferenciación en las acciones
entre los sexos femenino y masculino.
Las monjas realizaron un entrenamiento con el fin de civilizar a las niñas, guiando la
regulación de algunas conductas personales y costumbres morales. La mujer que hace rui
do en
el acto de orinar la puso en una condición desagradable y una exposición vergonzosa como
dolor social. Así, la buena conducta orientaba que era necesario evitar el ruido en el acto de
orinar, esto debía hacerse educadamente y sin llamar la atención,
hábito a desarrollar en la
corporeidad civilizada.
La mujer necesitaba ser refinada, educada, hablar bajo y mostrar buenos modales. De lo
contrario, se le consideraba una persona desprovista de buenos modales, cultura, instrucción.
Además, podría considera
rse como una persona que deseaba atraer la atención hacia su cuerpo
o incluso disputar el espacio ocupado por el hombre. Caminar por delante del hombre era una
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forma de demostrar que la mujer debía ser protegida por él y que él estaba en la condición de
se
xo frágil, demarcando la virilidad del sexo masculino. Una demarcación sexista que colocaba
a la mujer en la condición de una relación de posesión, y por lo tanto no podía ser cortejada,
admirada o deseada por otro chico. Los recuerdos de Francisca (2020)
también expresan estos
comportamientos:
Ellas [las monjas] tenían para nosotros una formación moral y religiosa muy
rigurosa, un comportamiento sentado, esas risas que algunas chicas seguían
dando, esas risas demasiado fuertes, decían que era
escandaloso. Teníamos
que ser más mesurados con las palabras, con las actitudes, ahí es donde
hablo. [...] La acusación allí era de celo. Hasta la fecha incluso, te dijeron
que no fueras de mano en mano, que salieras una hoy, otra mañana...
Enseñaron que e
sto no era apropiado
.
Para Bassanezi (2002, p. 610
,
nuestra traducción
), las mujeres en los años dorados eran
"A veces vistas como ingenuas o peligrosamente intrascendentes y deslumbradas, había un gran
temor de que las jóvenes se desviaran del camino correcto, la educación moral y la vigilancia
sobre ellas eran necesarias".
En este choque cultural y en la defensa de valores, el sexo femenino
se encontraba en una posición histórica de sumisión y violencia de género. Hubo toda una
participación para que la mujer fuera silenciada e invisible (SARAT; CAMPOS, 2017).
En la concep
ción formativa de la INSA, la niña bien educada, refinada y civilizada
necesitaba demostrar un comportamiento basado en el autocontrol del impulso que guiaría sus
acciones en la vida social. Este es un signo de distinción que formaba parte de un grupo soci
al
de otro considerado inferior, se entendía que las personas de "cuna" tenían educación y buenos
modales. No era decoroso para la mujer sentarse de la manera que quería. Reír era un acto de
falta de elegancia, si elegías coquetear con más de un chico en u
n pequeño intervalo de tiempo,
te estarías exponiendo a la sociedad y podrías volverte "mal hablado".
Estas preguntas pueden leerse como condiciones decorosas y/o indecorosas expresadas
por el cuerpo, conceptos sobre comportamientos que podrían ser acepta
dos o no por la sociedad.
En la especificidad social de Salinas/MG, en ese momento, era el proceso civilizatorio en curso.
Y el INSA fue una figuración para cambios concretos en el comportamiento de los estudiantes
y en la propagación de acciones conservad
oras en la sociedad para no obtener actitudes
"incivilizadas". Por otro lado, todavía había en circulación reglas incuestionables, como
organizaciones en colas y vestimenta impecable del uniforme.
Las monjas nos prohibieron usar pintura en la cara, no ace
ptaron, todavía
había algunas [estudiantes], las más traviesas (sonríen), se maquillaron más
discretamente. Ellas [las monjas] eran realmente exigentes, ¿sabes? La falda
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tenía que ser del tamaño correcto, si la falda estaba un poco por encima de
la rodilla
, no se aceptaba. Tenía que estar por debajo de la rodilla, calcetines
tres cuartos... Teníamos tres uniformes, uno de educación física, uno de uso
diario y el uniforme de gala. La gala era el uniforme que llevábamos en
eventos especiales, como los desfile
s del siete de septiembre, fiestas... Esto fue
con calcetines cortos y zapato negro social. Ahora, el uniforme diario era con
calcetines tres cuartos, la chaqueta blanca, la falda plisada de color azul
marino. Pero no podía usar adornos en mi cabello, nada
. Todo siempre fue
muy simple, ¿sabes?
(MARIA, 2021).
Había instrucciones para el comportamiento y la moralidad esperada en la educación de
los estudiantes. "Era malo para la reputación de una mujer joven, por ejemplo, usar ropa muy
audaz y sexy, salir c
on muchos chicos diferentes o ser vista en lugares oscuros o en una
situación que sugería intimidad con un hombre" (
BASSANEZI, 2002, p. 612
,
nuestra
traducción
).
Al evocar sus recuerdos, María (2021) presentó notas de un proceso civilizatorio
algo
conservador y regulador. Se requería que las chicas ajustaran sus comportamientos, la ropa
debía comportarse bien, nunca podían mostrar ni una pulgada ni siquiera de las piernas por
encima de las rodillas. Las monjas hicieron rigurosas revistas de ropa est
udiantil para asegurar
sus gradientes de poder y control represivo de actitudes consideradas tortuosas o promiscuas.
La idea era regular los comportamientos, el control y el autocontrol sobre sí mismos y sus
acciones en las figuraciones sociales. En un mom
ento de la entrevista con Eva (2021), ella
reportó hechos que expresan estos aspectos:
En mi clase había muchas chicas de las "pernonas" que subían la cintura de
la falda y ponían la falda muy por encima de las rodillas. Eso fue hasta que
me acerqué a la
escuela. Una vez, una de ellas entró y olvidó bajarse la falda
cuando su hermana vio ... Ella [su hermana] llegó y tomó el dobladillo de la
falda y rasgó el dobladillo de la falda todita. Cuando rasgó el dobladillo de
la falda, mientras le ponía fuerza, la
falda bajó e incluso un poco por debajo
de las rodillas, porque estaba rizada (risas
).
La forma "educativa" de las monjas de operar sobre las transgresiones, el desprecio por
las reglas y prohibiciones practicadas fue un acto exacerbado en la regulación de las
costumbres. Además, las acciones estaban directamente relacionadas con el tema de
la
represión. Las niñas fueron censuradas de tal manera que la desobediencia a las reglas sociales
determinó quién no encajaría en el ideal de una buena niña, esposa y madre. No fue casual que
en el currículo escolar existieran las disciplinas de Trabajo M
anual, Economía Doméstica y
Puericultura (INSA, 1951a). Este era precisamente el espacio social de las mujeres, el espacio
del trabajo doméstico bajo el trasfondo de controles sociales que articulaban roles y actitudes
femeninas propiamente históricas, est
andarizando hegemónicamente formas y costumbres
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desequilibradas en el "equilibrio" de poder impulsado por las relaciones entre diferentes
géneros, especialmente entre niños y niñas.
Las figuras 1 y 2 muestran las características conductuales relacionadas
a la vestimenta
relatada por los entrevistados.
Figura 1
-
Desfile del 7 de septiembre de 1960
Fonte: Arquivo pessoal de Maria Elza Sarmento
(1960)
Figura 2
–
Procesión y coronación en fiesta al día de
Nossa Senhora
Aparecida em 1960.
Fonte:
Archivo personal de Maria Elza Sarmento
(1960)
Había cierto rigor en la organización de los estudiantes en figuraciones de desfile. Las
niñas se colocaron en filas, con el cuerpo erguido para demostrar atención y concentración en
las tareas que debían desarrollar en el contexto de una presentación públ
ica. En la Figura 1, la
falda uniforme estaba hasta la rodilla, como se informó en las entrevistas, y las blusas eran de
manga larga, por lo que no había exposición de la mayor parte del cuerpo. En la Figura 2,
además de estas características, la ropa era
de color blanco, con el fin de reflejar la pureza, y
las flores en el cabello expresaban docilidad, fragilidad, feminidad y delicadeza. Aun así, la
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prenda de la Figura 2 también expresaba devoción y fe católica, ya que estaban practicando un
ritual religio
so.
Los modos de comportamiento tienen diferentes orígenes sociales. En el caso de INSA,
en particular, se situaron como resultado del destino social en el que la mujer se insertaría con
posturas recatadas, dóciles y con prototipos
impecablemente enmarcados de buenas
costumbres. En este sentido, Cardozo y Honorato (2020, p. 149
,
nuestra traducción
) argumentan
que:
La educación corporal es impulsada a través de cambios en la estructura de la
personalidad y la conducta de los individu
os. Los instintos, las emociones y
las compulsiones también varían según la estructura de la sociedad en la que
el individuo se inserta y forma parte. Así, el individuo educado transforma sus
comportamientos y sentimientos para insertarse socialmente y res
ponder a las
nuevas demandas de conducta y personalidad.
Elias (1994) considera que el proceso civilizador individual se debe a las marcas de un
determinado grupo social, por lo tanto, para la existencia social del ser, la civilización es
esencial. A tra
vés de adultos y "[...] miles de otros instrumentos, es siempre la sociedad en su
conjunto, todo el conjunto de seres humanos, el que ejerce presión sobre la nueva generación,
tomándola más perfectamente, o menos, para sus fines" (ELIAS, 1994, p. 145
,
nues
tra
traducción
).
Los recuerdos evocados por los antiguos alumnos del INSA revelan relaciones que
permitieron reconocer el exceso de reglamentos, órdenes y autoridades practicadas por las
monjas. Sin embargo, los antiguos alumnos tratan estos temas en una p
ercepción de
naturalización, como un habitus. Además, todavía creen que las normas deben prevalecer hoy.
Creen que si los estudiantes de hoy son indisciplinados, muestran poco interés, es porque ha
habido un aflojamiento en las reglas de comportamiento y f
ormación.
Por lo tanto, el proceso civilizador en la formación de las niñas por insa connota que la
escuela ha traído fuertemente marcas de la iglesia católica. Así, la civilización en el colegio se
produjo con el fin de suavizar sus caminos, establecer la
urbanidad y la cortesía en las acciones,
una educación privada que requería la anulación de conflictos y hábitos específicos del público
femenino. Se esperaba que las chicas fueran sofisticadas, sutiles, sensibles, ocultas y
retractadas. Se les dio cuidad
o de las rutinas familiares y domésticas y celo por el espacio
doméstico (DIAS, 1984). Así, sus representaciones de poder figuraban en el ámbito doméstico,
por otro lado, tenían como poder civilizador dedicarse a profesiones que se encontraban en una
gama
de cuidar y educar al niño como si fuera una condición materna, en el caso del INSA, la
formación normalista se centró en la enseñanza de las primeras letras.
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Consideraciones finales
En nuestro estudio, trabajamos sobre memorias
individuales y colectivas vinculadas a
una institución educativa, el Instituto
“Nossa Senhora Aparecida” (INSA)
–
de carácter
confesional, perteneciente a la iglesia católica, particular, y con enseñanza exclusiva en ese
momento para niñas en la ciudad de
Salinas/ MG. Son recuerdos de un gimnasio y una
formación normalista que fueron relegados por la investigación científica, por lo que fueron
históricamente invisibles.
El estudio se realizó en el campo de la memoria, con análisis documental a la luz de la
historia oral. Buscamos comprender el proceso formativo y de civilización de los antiguos
alumnos de las teorías eliasianas. Los recuerdos revelaron que la formación ejercida por el
INSA en ese contexto formaba parte de un modelo de organización social y c
ivilizatoria.
Después de todo, según Norbert Elias (1993, 1994, 2001, 2012), vivimos en grupos, en
sociedades que llevan preceptos morales, valores, costumbres y hábitos, que deben transmitirse
a las nuevas generaciones para una mejor estructura orgánica s
ocial. En esta línea, entendemos
que la escuela es una de las figuraciones que opera en el proceso de civilización, en las
relaciones de interdependencia y en la formación de la personalidad.
El papel del INSA es civilizar a las niñas promoviendo mecanismo
s de control y
autocontrol de sus hábitos. Tendrían que demostrar en su comportamiento órdenes de sutileza,
delicadeza, obediencia y disciplina. Se entendió que la función de la mujer era evitar conflictos,
por lo que no se les permitía exponerse, cuestion
arse, expresarse por el cuerpo. Notamos que
en este proceso formativo había una relación de fuerza, control y poder para mantener un orden
social desde la perspectiva de la Iglesia Católica y los grupos hegemónicos locales. Los análisis
de las fuentes reve
laron que, en la cuestión de género, la mujer en la escolarización entre 1950
y 1970 fue tratada como el sexo frágil, y siempre debe ser sumisa a la virilidad masculina, una
comprensión que está siendo cuestionada hoy.
Concluimos que en
el
INSA el proceso
civilizador de las niñas tuvo lugar en una
perspectiva formativa en la regulación de comportamientos, control y autocontrol de
sentimientos y emociones de ser mujer en contextos de desigualdades de género y orientación
católica emitida por las monjas
C
lar
isas
F
ranciscanas. La figuración escolar estaba rodeada de
reglas estrictas que debían cumplirse, imágenes religiosas y una capilla dentro de la escuela.
Los estudiantes sentían que estaban en un ambiente santificado y devocional, por lo que lo
menos que d
ebían hacer era actuar con respeto y obediencia. Las niñas vivían diariamente bajo
un ojo acusador de las conductas vistas como un agravante de la buena educación femenina y
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los preceptos religiosos. Incluso en su privacidad, el estudiante necesitaba demos
trar recade,
sutileza y discreción. Los recuerdos apuntaban a una educación marcadamente religiosa, de
rigor, formación de hábitos y conductas morales rigurosas.
AGRADECIMIENTOS:
Programa de Posgrado en Memoria: Lengua y Sociedad (PPGMLS
-
UESB), Instituto Federal de Educación, Ciencia y Tecnología del Norte de Minas Gerais
-
(IFNMG)
-
campus
Salinas y Fundación de Apoyo a la Investigación del Estado de Bahía
(FAPESB).
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Cómo hacer referencia a este artículo
SANTOS, L. G. A.; HONORATO, T.; MARTA, F. E. F.
Escuela Confesional INSA,
Salinas/MG: Memorias de un proceso civilizador de niñas
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Revista Ibero
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Americana de
Estudos em Educação
, Araraquara, v. 17, n. 4, p.
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. 2022. e
-
ISSN: 1982
-
5587. DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779
Presentado en
:
18/03/2022
Revisiones requeridas en
:
21/08/2022
Aprobado en
:
17/10/2022
Publicado en
:
30/
12
/2022
Procesamiento y edición
: Editora Iberoamericana de Educación
-
EIAE.
Corrección, formateo, normalización y traducción.
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I
NSA
Confessional School
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alinas/
MG
:
M
emories of a civilizing process for girls
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ISSN: 1982
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779
2893
INSA CONFESSIONAL SCHOOL, SALINAS/MG: MEMORIES OF A CIVILIZING
PROCESS FOR GIRLS
ESCOLA CONFESSIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMÓRIAS DE UM PROCESSO
CIVILIZADOR DE MENINAS
ESCUELA CONFESIONAL INSA, SALINAS/MG: MEMORIAS DE UN PROCESO
CIVILIZADOR DE NIÑAS
Lílian Gleisia Alves dos SANTOS
1
Tony HONORATO
2
Felipe Eduardo Ferreira MARTA
3
ABSTRACT
:
The proposition consists of interpreting as memories of formation and civilizing
relations of the girls students at the Instituto “Nossa Senhora Aparecida” (INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972). The INSA was faunded in 1951, and its organization was supported by t
he
Clarissas Franciscanas.
The study is situated in the field of memory (HALBWACHS, 2006),
oral history (PORTELLI, 2016) and theories of civilizing processes (ELIAS, 1993; 1994). It is
a qualitative approach in which former students of the Institute were i
nterviewed, their
evocations made us understand that the educational figuration presented characteristics of a
civilizing process of girls that was constituted through the modeling of habits and behaviors
through traditional and political
-
cultural practice
s. We consider that the memories revealed are
a model of formation at INSA connected to a social organization, to which they were educated
for civilization, and disciplinary in contexts of gender inequality and subtle orientation.
KEYWORDS
:
Memory. Confessional school. Civilizing process.
Customs. Woman.
RESUMO
:
A proposição consiste em interpretar as memórias de formação e de relações
civilizatórias das meninas estudantes no
Instituto “Nossa Senhora Aparecida”
(INSA) Salinas
-
MG (1951
-
1972). O INSA foi criado em 1951, sua organização contou com a ação das freiras
Clarrisas Franciscanas.
O estudo está situado no
s
campo
s
da memória (
HALBWACHS, 2006)
,
história oral (PORTELLI, 2016) e das teorias dos processos civilizadores (ELIAS, 1993
,
1994).
Trata
-
se de uma abordagem qualitativa em que f
oram entrevistadas ex
-
estuda
ntes do Instituto
,
e
as suas
evocações nos fizeram compreender que a figuração educacional apresentava
características de um processo civilizador de meninas que se constituiu por meio de modelagem
1
Federal Institute of Science, Technology and Education of Northern Minas Gerais
(IFNMG), Salinas
–
MG
–
Bra
z
il.
Professor of Didactics and Educational Fundamentals. Doctoral student in the Gradua
te Program in
Memory: Language and Society
(UESB)
.
ORCID: https://orcid.org/0000
-
0001
-
5363
-
2069. E
-
mail:
liliangleisiasantos@gmail.com
2
University of Londrina
(UEL), Londrina
–
PR
–
Bra
z
il.
Professor in the Department of Education and in the
Graduate Program in Education.
Associate Professor
-
B. PhD in School Education
(
FCLAr/UNESP
).
ORCID:
https://orcid.org/0000
-
0003
-
3057
-
1157.
E
-
mail: tony@uel.br
3
Southwestern Bahia State University
(
UESB
),
Vitória da Conquista
–
BA
–
Bra
z
il.
Professor in the Graduate
Program in Memory: Language and Society.
Professor of the Degree Course in Physical Education
(UESC).
Doutor
ado
em História
(
PUC
-
SP
)
. ORCID:
https://orcid.org/
0000
-
0002
-
0501
-
4298
. E
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fefmarta@gmail.com
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de hábitos e comportamentos através de práticas tradicionai
s e políticas
-
culturais.
Consideramos que
as memórias revelam a formação no INSA conectada a um modelo de
organização social e civilizatória
: a
s alunas eram educadas para demonstrar sutileza,
delicadeza, obediência e disciplina em contextos de
desigualdades de gênero e de orientação
católica.
PALAVRAS
-
CHAVE
:
Memória. Escola c
onfessional.
Processo c
ivilizador. Costumes.
Mulheres.
RESUMEN
:
La propuesta consiste en interpretar las memorias de formación y relaciones
civilizatorias de las
alumnas del Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA) Salinas
-
MG
(1951
-
1972).
El INSA fue creado en 1951, y su organización contó con la acción de las monjas
C
larisas
F
ranciscanas. El estudio se sitúa en el ámbito de la memoria (HALBWACHS, 2006),
la histo
ria oral (PORTELLI, 2016) y las teorías de los procesos civilizatorios (ELIAS, 1993;
1994). Entrevistadas antiguas alumnas del Instituto, sus evocaciones nos hicieron comprender
que la figuración educativa presentaba características de un proceso civilizad
or de las niñas
que se constituía en el modelado de hábitos y comportamientos a través de prácticas
tradicionales y político
-
culturales.
Consideramos que las memorias revelan la formación en el
INSA conectada a un modelo de organización social y de civiliz
ación, los estudiantes fueron
educados para demostrar sutileza, delicadeza, obediencia y disciplina en contextos de
desigualdades de género y orientación católica.
PALABRAS CLAVE
:
Memoria. Escuela confesional. Proceso de civilización.
Costumbres.
Mujeres.
Introdu
ction
This research, inscribed in the History of Education area, addresses assumptions in a
specific context of a group of former girl students. The educational activity of formation was
promoted by teachers/sisters belonging to the Catholic Church, a fact that
brought unfoldings
in school education in Salinas, a city located in the north of Minas Gerais. The study covered
the period from 1951 to 1972, considering the creation, implementation and operation of the
first junior high and high school in that town.
Th
e
Instituto Nossa Senhora Aparecida
(INSA) was created in Salinas/MG in 1951, a
confessional school directed by nuns from the Congregation of the Franciscan Missionary
Sisters of the Blessed Sacrament. Its mission was the teaching of first letters, junior
high and
high school, the latter, in principle, for the formation of schoolmasters. The formation of this
school was permeated by the propagation of customs, values and educational principles of
civilization, a reality that we take as an object of analysis
for the unveiling of social, educational,
cultural and political plots
.
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In Salinas, glimpsing the expansion of education by formal institution, the Franciscan
Congregation was sought for support, since it was already recognized for the missionary work
an
d dedication performed on behalf of education with teachers intellectually seen and respected,
the Franciscan Poor Clare nuns. The sisters were esteemed for dedicating themselves in
initiatives to common goods, with actions of struggle and persistence from
pedagogical
practices cultivated to teaching by religiosity and moral customs.
As a methodological strategy our research took as historical sources oral history and life
history interviews of former students of INSA, documents from the institute's collect
ion,
informative and pedagogical printed matter. The sources were analyzed considering specific
theoretical conceptions from the field of memory studies (HALBWACHS, 2006), oral history
(PORTELLI, 1997, 2016) and the theory of civilizing processes (ELIAS, 1
993, 1994). Thus,
this article appropriated memories of former students aiming to interpret the formation and
civilizing relations of girls graduated from INSA Salinas/MG (1951
-
1972). The oral
testimonies were fundamental evidence for the analysis of civil
izing actions in the tensioning
between past and present, between memory and experience (PORTELLI, 1997, 2016). The
interviews were conducted taking into account themes that start from the life history of the
subjects. We started from a chronological persp
ective and focused on the girls' schooling at
INSA
-
Salinas
.
The narratives revealed an interdependence between the schooling of girls with the
movements of social control produced in the figurations in society. We pondered the
educational formation of g
irls in the relationship with Franciscan Poor Clare nuns, having as
perspective the Eliasian studies, specifically when Norbert Elias (1994) addresses the issues of
civility regarding the behavior of people living in society, articulating the mechanisms of
shame
and behavior to the changes of social processes. In his work "
The Civilizing Process
", Elias
(1994) makes reflections on posture, gestures, facial expressions
and clothing, in order to treat
the manifestations of individuals as a whole, in figuration of instructing the human being to
that, making him cultured and close to social excellence. That is, human relations concern the
interdependencies established amon
g people, coexistence groups, and institutions, causing
changes that involve a social
-
historical context.
The concept of civilizing process concerns changes in people's psychic structures
(psychogenesis), in interdependence with changes in social structure
s (sociogenesis). Changes
in individuals entail driving greater internalization of social controls and distinguishing their
emotional controls from their experiences. This means change in how the individual acts, feels,
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and relates to others in the world.
This is a processual civilization produced socially, because,
considering that no human being is born civilized, the civilizing stage to which he or she is
submitted is a social exercise of the civilizing process itself, in progress for a long time. This
c
ivilizing action takes place, with greater or lesser rigor, with attitudes that model civilized
individuals to live the standardized norms in society. It is a process that must proceed, adopt
postures of ideas, standard of virtues, morals and customs produ
ced in society (ELIAS, 1994)
-
a role also assumed by institutions, among them, the school
.
For
Honorato (2017, p. 114
,
our translation
),
Although the school institutions were not part of the central concerns of the
Theory of Civilizing Processes, in his
masterpiece, The Civilizing Process,
Norbert Elias (1993; 1994), when elaborating the stages of development of a
civilization, allows us to systematize: 1) the educational processes,
institutionalized or not, have centrality in any civilization, this becau
se there
is a constant that is the learning of behaviors, both at the individual and social
level, transmitted from one generation to another, and may become a habitus
(second nature); 2) the formulation and incorporation of educational values as
habitus i
mply effective changes in conduct and feelings towards a specific
direction, greater social control and self
-
control of the emotions of
individuals; 3) the (self)control of emotions, as well as of popular and
scientific knowledge, foments a growing process
of individualization in
society, and this process started to be increasingly enhanced and ensured by
specific groups and institutions, in this case, the school; 4) the schooling of
individuals became then obligatory, and, thus, in the structuring of moder
nity,
the regulation of elementary knowledge was monopolized by the nation
-
state
as one of the foundations of its existence, as it happened with the legitimate
control of the use of physical force and tax collection
.
In this way, for analysis, we unite Eliasian concepts and empirical research, having as
reference the experiences of former students of a confessional school created in the 1950s in
the north of Minas Gerais, the
Instituto "Nossa Senhora Aparecida"
(INSA)
of Salinas. The
research was carried out through memory studies, in order to interpret the evoked memories
about the formation of students from this institution, by means of oral history and life interview
of five women, born between 1940 and 1955. They br
ing back their memories regarding the
education they received at INSA, in terms of habits, behavior and moral values. These women
studied at the institution between 1952 and 1972, and bring back memories of collective and
individual school experiences. One
of them studied in a boarding school regime, the others in
an external regime. Thus, for a better understanding, we will trace a history of memories of
INS
A.
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Memories of a confessional school, the
Instituto "Nossa Senhora Aparecida”
Already said Halbwachs (2006), the human being brings with him ideas and feelings
originated in groups, which populate in thoughts with other beings, such as places and
circumstances. There must be many points of contact between individual memories for
col
lective memories to be recovered on a common axis. In turn, Elias (1993) states that
education, civilizing and formative processes, are constituted in the relations of life practiced
in human figurations, such as social groups.
In 1951, the
Institut
o
"Nos
sa Senhora Aparecida
" (INSA) started its activities in
Salinas/MG with the status of a Nuns' School, just like its counterparts in the countryside and
in the capital Belo Horizonte, in the state of Minas Gerais. The Institute aimed to meet the need
for sch
ooling at that time and territory, with education as part of a process of modernizing and
civilizing people through schooling.
The school was governed by the Franciscan Congregation, specifically by nuns
connected to the order. The founders were four sist
ers, Narcisa Chamone
-
superior, Maria Elias
Chamone
-
secretary/director, Maria Piedade Guimarães
-
treasurer, and Elizabeth Freitas
-
teacher. They had among their propositions to strive to improve the standard of living of the
population in its deficien
cies, and the chosen path was school education. The main purpose was
to promote female education, with the primary goal of educating the needy youth. To this end,
free education for the disadvantaged class was only possible with the help of the better off,
those who could afford to pay for school
.
At that period, in the Brazilian context, liberal ideas were taking space and spreading
-
such that a renewal in the Catholic church would be necessary. "Thus
the Church also intended
to slow down the advance of non
-
Christian, anticlerical ideas that were spreading throughout
the country. A large contingent of religious men and women launched themselves into the battle
to re
-
Christianize the masses" (RODRIGUES,
1986, p. 52
,
our translation
). The Catholic school
of Salinas was then the means of action to defend the doctrine and propagate Christian customs
and values. It had as aspirations the "daughters of the people", the most deprived youth, and
consequently, t
he whole society. However, due to the lack of its own financial resources and
public investment, the service was reversed.
INSA attended girls in three formats: boarding school, day school (in the modalities of
paying and scholarship) and orphanage (atten
dance to needy orphan girls) with free education.
The ideological orientations of the Franciscan Congregation in the schools were oriented to a
"[...] solid Christian formation, habits of piety, examples of prayer and life, according to the
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teachings of th
e gospel, besides, of course, the intellectual instruction" (RODRIGUES, 1986,
p. 53
,
our translation
).
Each period of history has its socially constructed civilizing demands (ELIAS, 1994).
In the 1950s, the INSA religious and teachers took over all the cu
rricular subjects, even because
they understood that in the locality there were lay people unprepared to take over the classes.
And even if there were academically qualified people, it was not in the Catholic Church's
interest to hire them for reasons such
as: the salaries that would overload the school's finances,
the school that needed to establish itself before hiring them and, not always, these possible
teachers to be hired were practicing Catholics. Thus, the nuns took over all the chairs
(RODRIGUES, 1
986). They engaged in this educational work by imposing a spirit of
obedience, discipline, respect and compliance to customs, values and moral conduct. By this
core, the school was understood as a regenerating center of the values of civility in society
.
A
ccording to Freitas (1994), in the 1950s, education was marked by a process of
ideologization of political, cultural, and educational practices. A reorganization of the capitalist
production mode was underway, and the school became an instrument of social
control, of
economic development, and of maintenance of a certain fraction of society. Thus, it was
necessary to train the students for certain occupations, the education of an elite for the molds
of an education with social ascension that comprised primar
y, vocational and secondary school.
These characteristics are very similar to the educational context of the INSA in the same time
frame.
INSA was a school created by the Catholic Church at the request of politicians,
merchants and wealthy men living in S
alinas/MG, with the support of the community. There
were political and developmental aspirations, however, it was necessary to maintain an
organization and control that would not put at risk the values, customs and moral precepts
desired by the most favore
d groups.
To meet these aspirations, the school had to be created in
a discourse that it would be a relational place for everyone. In this sense, the partnership with
the Franciscan Congregation was well aligned, and its precepts were to attend those who w
ere
at a greater social, cultural, and economic disadvantage
.
INSA was created as a private institution, the girls to be enrolled would have to pay for
these services. As published in the Extract of the Statutes of the "Nossa Senhora Aparecida"
Institute o
f Salinas, in the newspaper Minas Gerais, on October 04, 1951
:
Art. III
-
The establishment, which will constitute a juridical personality, is
private, Catholic, functions in its own building, and is directed by the same
Congregation of the Franciscan Poor Clares of the Blessed Sacrament.
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Sacramento, which in Brazil h
as its principal office in the city of Belo
Horizonte
(INSA, 1951b, p. 4
, our translation
)
.
There was a price table to be charged for the studies of the enrolled students. The values
were adequate according to the student's situation (internal or external
). Until then, the
resources collected were exclusively for the maintenance of the school, because the religious
did not receive salaries
.
NOSSA SENHORA APARECIDA GYMNASIUM
SALINAS
–
MINAS GERAIS
ANNUITY BOARD
B
OARDING SCHOOL
1st, 2nd, 3rd, 4th
grades
.............................................................
Cr$20.000,00
EXTERNAT
1st, 2nd, 3rd, 4th grades
.............................................................
Cr$6.000,00
Sister Maria Elias do Coração de Jesus, Principal.
Izidoro Bretas
, Janitor
(INSA, 1959)
.
In return, the school received some needy girls who earned their education through the
orphanage and others on a boarding school basis. In exchange, these non
-
paying students helped
in domestic chores, maintenance
and general services of the school.
This evidence is revealed in Francisca's memoirs
(2020):
The school was fee
-
paying and I couldn't afford it. So I looked for my baptism
godfather, who paid the admission fee
4
for me. And when I went to register
for high school I couldn't afford to do it either [...] I wanted to study and I
couldn't afford it. I was still a child, when I was 11 years old, I went to the
sisters. The sister who attended me was the school secretary
at the time, Sister
Benigna, already deceased. She was my history teacher in the admission
course, and when I went to her, she said: "No, I will not leave you without
studying! Because I was very studious [says with emphasis]. "You will do the
registratio
n, when you can, you will pay me back" (laughs). I said: "Okay. I
don't know when I will be able to pay you, because my mother works to support
the house... and I come from a very humble family. And she said: "No problem,
I'm telling you when
ever
you can"
.
The account shows Francisca's (2020) yearning for education, she was aware of her real
situation and the economic conditions of her family. Still, she was aware that, in order to achieve
her dreams and have a different, promising life, the path would be
through education, study,
and graduate as a teacher. We notice here a process of formation that was operating in our
society and that provoked in human beings a social restlessness, a feeling of desire to belong to
4
Admission Exam
-
functioned as a selection test, instituted through the Reforma Francisco Campos, in 1931. It
was in effect until 1971, and was mandatory for public schools, which made access to junior high
and high school
education more difficult.
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this world under construction. The struct
ure of the Salinense society was in transformation with
the arrival of INSA, thus, we recognize that "these forms of emotions are manifestations of
human nature in specific social conditions and react, in turn, on the socio
-
historical process as
one of its
elements" (ELIAS, 1993, p. 152
,
our translation
).
It cannot be denied that the Franciscan Poor Clares tried to help some students, however,
we know that few had this help. To expand this service, it was necessary to have a larger number
of paying students
, more nuns to teach, more help from society for the purchase of teaching
materials, among other needs.
The Minas Gerais newspaper, in the same publication cited above, publicizes the act of
regularization of INSA's operation in Salinas/MG. Furthermore, i
t shows the profile of the
students to be trained by the school, and summarizes the ideal woman model for that society.
In this way, it makes public in its article II that the formation would be given in an integral way,
taking into account the physical, i
ntellectual, moral and devotion to the church, family, society
and the Homeland.
EXTRACT FROM THE STATUTES OF THE
INSTITUTO NOSSA SENHORA APARECIDA DE
SALINAS
(
INSA
,
1951
b
)
Art. I
-
The Instituto Nossa
Senhora Aparecida, founded in the city of Salinas,
Minas Gerais, by the Congregation of the Missionary Clares of the Blessed
Sacrament, on March 1st 1951, to function for an undetermined period of time,
will have the above mentioned name and will consist
of a nursery school,
primary school, junior high school, orphanage and home school.
Art. II
-
The Institute has the purpose of giving female youth an integral
education: physical, intellectual, moral, civic, artistic and religious, in order
that its studen
ts become capable of fulfilling faithfully, with devotion their
duties towards God, the family, the society and the Homeland.
Art. III
-
The establishment, which will constitute a juridical personality, is
private, Catholic, and functions in its own buildi
ng. Sacramento, which in
Brazil has its principal offices in the city of Belo Horizonte.
Art. IV
-
(illegible)
§1. The members of the Executive Council shall be determined by the Mother
General or her representative, in agreement with her council.
§2
-
It
is the responsibility of the director to represent the Institute in and out
of court.
Art. IX
-
In case this work is extinguished, its patrimony and goods will revert
to the benefit of the Parish of Saint Anthony in Salinas.
Montes Claros,
September 18, 1951.
-
(a.) Antônio, Bishop of Montes Claros
.
(B. 3.644
–
T. 5734)
(INSA, 1951
b
, p. 4
, our translation
)
.
The content published in the Extract of the Statutes of INSA (1951b) highlights that the
formation of the students in the institution would be restrained by a strong Catholic education.
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The training was intended to prepare the girls for religious devotion,
to be virtuous young
women in society and at home, in order to demonstrate an example of respect and dissemination
of good manners. These elements are close to the studies of Elias (1994), when he says that
changes in personality influence the social cont
ext over the years: there are differentiations and
modifications in human customs according to the social formation of the moment.
In Francisca's recollections (2020), these issues are evidenced
:
It's because we really learned [emphasis], we prayed! I, a
s a boarder in the
school... We got up early, they [the nuns] got up at five o'clock in the morning
to recite the litany, after the litany we [boarding students] had already woken
up, we first went to mass, after mass we went to breakfast. And after breakf
ast
we would go to the classroom. So... We prayed the rosary every day, morning
and evening. It was really prayer, besides the spiritual retreats we went to. It
was a very strong religious education that we had
.
The formation of the girls was based on a c
onsciously Catholic position; there was a
pattern of religious society that wanted to secure and expand its faithful. Moreover, in the light
of the Eliasian studies, there is criticism that children had to learn as if they were small adults,
because they w
ere seen as actors who would continue the customs, traditions, values, and social
moral conduct of their generation
(ELIAS, 2001
,
2012).
Schooling at INSA: training and civilization of girls
The former students of INSA had individual and
collective life trajectories; in the
formative process, some elements are remarkable in the experiences of school routine,
particularities demanded by the characteristics of historically and socially constructed relations
in the context of Modern Pedagogy
5
and the Home School. Among them, we point out the
issues of gender, class and power relations that, according to Eliasian studies, are
interdependencies of the civilizing process of individuals in society. The socio
-
historical
panorama presented in this
study led us to think about how the educational and interactive
relations took place in the coexistence groups, with emphasis on the history of school life,
teaching and learning of women in INSA
.
The focus is on the schooling received by girls who had the
Franciscan Poor Clare Nuns
of the Blessed Sacrament as their teachers. All of them attended the gymnasium and the normal
5
John Amos Comenius is the forerunner of Modern Pedagogy. He advocated an education that interpreted and
extended the experience of each day and used classical means such as teaching religion and ethics. The curriculum
should be enriched by including music,
economics, politics, history, and science. It strengthens the conception that
man is capable of learning and can be educated
(COMENIUS, 2011).
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course at INSA between 1952 and 1972. In view of this, what interests us here are the memories
of these women in their schooling proce
ss in the aforementioned institution. We have chosen
to highlight the civilizing processes from the relations marked for feminization, behaviors,
customs and moral values practiced in teaching by the nuns in a domestic school perspective.
In this way, we s
elected some points of this interdependent relationship of the formation of girls
present in domestic education for the instruction of molded behaviors, intuitioning their
inclusion in life in society.
The founding sisters of INSA brought experiences from
their formation and from their
work in other Catholic institutes, colleges linked to the Congregation of the Franciscan
Clarissary Missionaries of the Blessed Sacrament, to implement them in Salinas/MG. The Nuns
College grew in fame and in the number of st
udents. Parents wanted their daughters to have an
excellent, Christian education and solid professional training. Thus, "the strictness of the
regulations drawn up by the Director did not frighten, because her person exerted a strong
attraction on parents,
teachers and students. They noticed that her severity was united to a good,
firm, affectionate heart, really dedicated to the formation of her students" (RODRIGUES, 1986,
p. 56
,
our translation
). The school's regulation brought the following duties to be
fulfilled
:
Art. VI
-
About the authorities
§ Respect for authority is an indispensable condition for the formation of
character, and all students are required to respect the constituted authorities,
both ecclesiastical and civil.
§ 2
-
The role of
authority is not to curtail freedom, but to guide it towards the
good, correcting its abuses. For this reason, the students will consider your
teachers and Superiors as friends, and will obey them promptly, avoiding the
spirit of murmuring and rebellion.
A
rt. VIII
-
Every year there will be a spiritual retreat for all the pupils
(INSA,
1951
a
, p. 19
, our translation
)
.
There was a relational power in the organization of social life and in the maintenance of
the Catholic Church objectified in INSA. The education of the girls had to be based on power
relations with the authorities, who were considered to be people with gre
ater power gradients.
The authorities were not to be questioned, the whole teaching had to be accepted as knowledge
and control mechanism to be internalized, containing the most intimate impulses. It was up to
the pupils to comply with the regulations and,
thus, the school had a regulating and severe
character of behavior. School timetables were determined and should be strictly followed, it
was a process of regulation not only in the girls' school life, but also in their social life.
According to Elias (19
93), children are placed in a civilization process based on
behaviors produced by social groups. In what concerns the education of girls by INSA, we
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. 2022
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-
ISSN: 1982
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DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779
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notice an effort so that the ruder habits, the looser and uninhibited customs were softened,
polished and c
ivilized. The education of the girls permeated the field of domestic activities, in
which women were placed in the position that they were born to be housewives, wives and
mothers. They were also assigned behaviors to serve the Catholic faith and politenes
s in social
habits. These factors appear in Luana's (2019) evocations when she recalls her student days at
the Institute
:
Goodness gracious! Nobody was disrespectful. The sisters were like that....
[pause]. You had to see how firm they were. They were not
only concerned
about culture and discipline, but also about religiosity, religious education. If
there was any problem, they called the parents.
In the power relations with the authorities, the girls were with lower power gradients,
therefore, they should follow the hierarchical ordinances. They, as women, were placed in a
condition of invisibility and social subordination to faith, being responsib
le for expressing
affection and fragility. Otherwise, in a veiled way, they were trained for a role of invisibility
and devotion. The configurations of this formation presume to avoid any kind of conflict; they
seek a balance of sovereignty.
We understand
INSA as a perspective of demarcation of civilizing power, a movement
that aims to control the students' behaviors through the process of interdependence marked by
human relations in the context of the educational establishment. In this perspective, we bri
ng
to analysis the following memories
:
The sisters were demanding, too strict! Today I would never accept the things
they imposed. For example, they didn't accept anyone wearing nail polish at
school. One day I went to school wearing nail polish, as a chi
ld, and they
scraped my fingernail with a razor to remove the nail polish because I couldn't
go to school wearing nail polish. Nobody could go to school wearing nail
polish, if they did, they would scrape it off with a razor. So, we already knew
that we co
uldn't go to school with nail polish and nobody dared to do it
anymore. The school routine was like this: there was a queue in the courtyard,
where a nun was in charge of managing the entrance and checking that the
uniforms were appropriate. We would line
up in line, it had to be correct and
so on. On Monday we sang the National Anthem and the Salinas Anthem.
(
SIMONE
, 2020).
Civility behaviors directly linked to religious conducts are observed, such as obedience,
discipline, and the precepts that women could not express themselves through the body. The
education received defended the idea that the young girls should adopt an e
xemplary behavior,
in order to preserve their innocence, building good manners and morals. In view of this,
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"according to whether the habits acquired are good or bad, a profitable or harmful education
will have been achieved" (BACKHEUSER, 1958, p. 37
,
our
translation
).
Simone (2020) reminds us that the woman should adopt a modest posture, she was not
allowed to announce joy and charm from her body. This would be to approve a kind of typically
feminine appearance of poverty and social misery, seen as a dang
er to good manners and moral
values. It would be the same as opening the doors to behaviors that could lead the girls to a
dissolute and scandalous life. We understand these behaviors from the historical context of that
time, since it was a way to practice
the religious civility defended by the sisters. The formative
process of the girls operated to not allow changes in the power relationship, avoiding attitudes
conflicting with the vision of civilized women according to the ordinances of the Catholic
siste
rs of INSA.
We are taught all the time to respect and use socially accepted rules, such as the correct
way to sit or greet someone. These are attitudes and movements that sound strange to us in the
21st century, however, they were materialized in a certai
n period and context. In turn, Eva
(2021) brings in her memories
:
We never had vacant classrooms as we have today, when a teacher was
absent, one of the nuns would go to the classroom and teach us everyday
things. Every time I go to the bathroom to pee, I
remember them [smiles],
because they would say: "You can't make noise when you pee! [laughs] "To
go up the stairs with a boy, you go up in front and come down in front. But,
like this... [pause] Those things they were teaching us, talking to us.... It was
a wonderful time
.
The teachings of a specific behavioral and emotional structure for women are registered.
Considering the reflections of Elias (1994), we infer that, in the supposed good society, there is
an outline of a woman to be accepted by
herself. Nevertheless, Eve (2021) considered that time
as "
wonderful
". The training attributed excessive importance to the woman's behavior in private
enclosures, where it was up to her to show restraint in her physiological needs and social
behaviors. Eva
's recollection (2021) presented a demarcation of inequality in the formation
process of the girls, a gender issue is evident, of differentiation in the actions between the female
and male sexes.
The nuns conducted a formation in order to civilize the girl
s, guiding the regulation of
some personal conducts and moral customs. A woman making noise while urinating put her in
an impolite condition and shameful exposure as a social pain. Thus, good conduct guided that
it was necessary to avoid making noise when
urinating, this should be done politely and without
drawing attention, a habit to be developed in civilized corporeality
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A woman needed to be refined, polite, soft
-
spoken, and well
-
mannered. Otherwise, she
was considered a person without good manners, cul
ture, or education. In addition, she could be
considered a person who wanted to attract attention to her body or even dispute the space
occupied by men. Walking ahead of the man was a way to demonstrate that the woman should
be protected by him and that sh
e was in the condition of the fragile sex, demarcating the virility
of the male sex. A sexist demarcation that placed the woman in a condition of possession, and
thus, she could not be courted, admired, or desired by another boy. Francisca's memories (2020
)
also express this behavior
s:
They [the nuns] had a very strict moral and religious formation for us, the
behavior of sitting down, the laughter that some girls kept giving, that too
strong laughter, they said it was scandalous. We had to be more restrai
ned
with our words, with our attitudes, it is in this moral point that I speak. [...]
The demand that there was was zeal. For dating, they told us not to keep
passing it from hand to hand, to date one today, another tomorrow...
They
taught that this was no
t adequate
.
For Bassanezi (2002, p. 610
,
our translation
), women in the golden years were
"Sometimes seen as naive or dangerously inconsequential and dazzled, there was a great fear
that the young girls would stray from the good path, moral education and vigilance were
necessary. In this cultural clash and in t
he defense of values, the female sex was in a historical
position of submission and gender violence. There was a whole involvement so that the woman
was silenced and
invisibilized
(SARAT; CAMPOS, 2017).
In the forming conception of INSA, the well
-
educated
, refined and civilized girl needed
to demonstrate a behavior based on the self
-
control of
pulsion
that would guide her actions in
social life. This was a sign of distinction that separated one social group from another
considered inferior, it was understo
od that people from "cradle" had education and good
manners. It was not decorous for a woman to sit the way she wished. Laughing was an act of
discourtesy, and if she chose to flirt with more than one guy in a short period of time, she would
be exposing he
rself to society and could be "badmouthed".
These issues can be read as decorous and/or indecorous conditions expressed by the
body, concepts about the behaviors that could be accepted or not by society. In the social
specificity of Salinas/MG, in that pe
riod, it was about the civilizing process itself. And the
INSA was a figuration for concrete changes in the students' behavior and the propagation of
conservative actions in society to avoid "uncivilized" attitudes. On the other hand,
unquestionable rules
were still in circulation, such as organization in lines and impeccable dress
of the uniform
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The nuns forbade us to use face painting, they didn't accept it, there were some
[students], those
naughtier
ones (smiles), they put on more discreet makeup.
They [the nuns] were very demanding, you know? The skirt had to be the right
size, if the skirt was a little above the knee it was not accepted. It had to be
below the knee, three
-
quarter stockings... We ha
d three uniforms, one for
physical education, another for daily use, and the gala uniform. The gala
uniform was the uniform we wore for special events, like the Sete de Setembro
parades, parties... This was with short socks and black social shoes. Now, the
daily uniform was with three
-
quarter socks, a white blouse, and a pleated
navy
-
blue
skirt. But I couldn't wear any adornments in my hair, nothing.
Everything was always very simple, you know.
?
(MARIA, 2021).
There were instructions for expected behaviors
and morality in the education of female
students. "It looked bad on a young woman's reputation, for example, to wear very daring,
sensual clothes, to go out with many different boys or to be seen in dark places or in a situation
that suggested intimacy wi
th a man" (BASSANEZI, 2002, p. 612
,
our translation
). In evoking
her memories, Maria (2021) presented notes of a somewhat conservative and regulating
civilizing process. The girls were required to adjust their behavior, their clothes should be well
-
behaved, they could never show an inch of their legs above
the knees. The nuns made rigorous
reviews of the students' clothing to ensure their power gradients and the repressive control of
attitudes considered deviant or promiscuous. The idea was the regulation of behavior, control
and self
-
control over themselve
s and their actions in the social figures. At a given moment of
the interview with Eva (2021), she reported facts that express these aspect
s:
In my class there were many "leggy" girls who would hike up the waistband
of their skirts and put their skirts wa
y above their knees. This was only until
they got to the school. Once, one of them came in and forgot to lower her skirt,
when her sister saw... She [the sister] came in and took the hem of the skirt
and tore the entire hem of the skirt. When she tore the
hem of the skirt, by
putting force to it, the skirt came down and even a little below the knees,
because it was rolled up (laughs
)
.
The "educative" way of the nuns operating on transgressions, disrespect for rules and
prohibitions was an exacerbated act i
n the regulation of customs. Moreover, the actions were
directly linked to the issue of repression. Girls were censored in such a way that disobedience
to social rules determined who would not fit into the ideal of a good girl, wife, and mother. It
was not
by chance that in the school curriculum there were the disciplines of Manual Work,
Home Economics and Childcare (INSA, 1951a). This was precisely the social space of women,
the space of domestic work under the background of social controls that articulate
d feminine
roles and attitudes properly historical, hegemonically standardizing modes and customs
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unbalanced in the "balance" of power moved by the relations between different genders,
especially between boys and girls
.
Figures 1 and 2 present the behavio
ral characteristics related to clothing reported by the
interviewees
.
Figur
e
1
–
Independence Day Parade in
1960
Source: Maria Elza Sarmento's personal archive (1960)
Figur
e
2
–
Procession and coronation in celebration of Our Lady of
Aparecida in 1960
.
Source: Maria Elza Sarmento's personal archive (1960)
There was a certain rigor in the organization of the students in parade figurations. The
girls were positioned in rows, with their bodies erect in order to demonstrate attention and
concentration on the tasks they had to develop in the context of a public
presentation. In figure
1, the uniform skirt was at knee height
-
as reported in the interviews
-
and the blouses had long
sleeves, so that most of the body was not exposed. In figure 2, besides these characteristics, the
clothes were white, in order to re
flect purity, and the flowers in the hair expressed docility,
fragility, femininity, and delicacy. Still, the clothing of figure 2 also expressed devotion and
Catholic faith, because they were practicing a religious ritual.
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The modes of behavior have diffe
rent social origins. In the case of INSA, in particular,
they were a result of the social destiny in which the woman would be inserted, with a modest
and docile attitude, and impeccably fitting the prototypes of good morals. In this sense, Cardozo
and Hono
rato (2020, p. 149
,
our translation
) argue that
:
The education of the body is conducted through changes in the structure of the
personality and conduct of individuals. Instincts, emotions, and compulsions
also vary according to the structure of the society in which the individual is
inserted and is part
of. In this way, the educated individual transforms his
behavior and feelings in order to fit in socially and respond to new demands
on his conduct and personality
.
Elias (1994) considers that the individual civilizing process takes place by marks of a
p
articular social group, thus, for the social existence of the being, civilization is essential.
Through adults and the "[...] thousands of other instruments, it is always society as a whole, the
whole of human beings, that exerts pressure on the new genera
tion, leading it more perfectly,
or less, towards its ends" (ELIAS, 1994, p. 145
,
our translation
).
The memories evoked by the former INSA students reveal relationships that allowed
them to recognize the excess of regulations, orders, and authorities pract
iced by the nuns.
However, the former students deal with these issues in a perception of naturalization, as a
habitus. Moreover, they still believe that the norms should prevail today. They believe that if
the students today are undisciplined and show litt
le interest, it is because there was a loosening
of the behavioral and formative rules.
Therefore, the civilizing process in the formation of girls by INSA connotes that the
school strongly brought marks of the Catholic Church. Thus, the civilization in th
e school
occurred in a way to soften their manners, to establish urbanity and politeness in their actions,
a private education that demanded the annulment of conflicts and habits specific to the feminine
public. Sophistication, subtlety, sensitivity, conce
alment and modesty were expected from the
girls. It was up to them to take care of the family and home routines and to zeal for the domestic
space (DIAS, 1984). On the other hand, they had as civilizing power to dedicate themselves to
professions that were
in the range of caring and educating the child as if it was a maternal
condition, in the case of INSA, the normalist formation focused on the teaching of first letters
.
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Final remarks
In our study, we worked
with
individual and collective
memories linked to an
educational institution, the Instituto "Nossa Senhora Aparecida" (INSA)
-
of confessional
character, belonging to the Catholic Church, private, and with exclusive teaching at that time
for girls in the city of Salinas/MG. These are me
mories of a junior high and high school
education that were relegated by scientific research, so that they were historically invisible.
The study was carried out in the memory field, with document analysis in the light of
oral history. We sought to underst
and the formation and civilization process of the former
students based on Eliasian theories. The memories revealed that the training carried out by
INSA in that context was part of a model of social organization and civilization. After all,
according to N
orbert Elias (1993, 1994, 2001, 2012), we live in groups, in societies that carry
moral precepts, values, customs, and habits, which need to be passed on to new generations for
a better social organic structure. In this line, we understand that the school
is one of the figures
that operates in the civilization process, in the interdependence relations and in the personality
formation.
The role of INSA was to civilize the girls by promoting mechanisms of control and self
-
control of their habits. They would h
ave to demonstrate in their behavior skills in subtlety,
delicacy, obedience and discipline. It was understood that the woman's function was to avoid
conflicts, so they were not allowed to expose themselves, to question, to express themselves
through their
bodies. We noticed that in this formative process there was a relation of strength,
control, and power for the maintenance of a social order put into perspective by the Catholic
church and by the local hegemonic groups. The analysis of the sources reveale
d us that, in terms
of gender, the woman in school between 1950 and 1970 was treated as the fragile sex, and
should always be submissive to the male virility
-
an understanding that is being questioned
nowadays
.
We conclude that at INSA the civilizing process of the girls took place in a formative
perspective in the regulation of behaviors, control and self
-
control of feelings and emotions of
being a woman in contexts of gender inequalities and Catholic orientatio
n issued by the
Franciscan Poor Clare nuns.
The school figuration was surrounded by strict rules that had to be
followed, by religious images and a chapel inside the school. The students felt that they were
in a sanctified and devout environment and, there
fore, the least they should do was to act with
respect and obedience. The girls lived daily under an accusing gaze of those behaviors that were
considered an offense to good feminine education and religious precepts. Even in her privacy,
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the student needed
to demonstrate modesty, subtlety, and discretion. The memories pointed out
a markedly religious education, of rigor, formation of habits, and rigorous moral conduct
.
ACKNOWLEDGMENTS:
Postgraduate Program in Memory: Language and Society
(PPGMLS
–
UESB), Federal Institute of Education, Science and Technology of Northern Minas
Gerais
–
(IFNMG)
-
Salinas campus and Research Support Foundation of the State of Bahia
(FAPESB).
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ISSN: 1982
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https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779
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SANTOS, L. G. A.; HONORATO, T.; MARTA, F. E. F.
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Revista Ibero
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Americana de Estudos
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2893
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Oct
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ISSN: 1982
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5587.
DOI:
https://doi.org/10.21723/riaee.v17i4.16779.
Submitted
: 18/03/2022
Revisions required
: 21/08/2022
Approved
: 17/10/2022
Published
: 30/
12
/2022
Processing and publication by the Editora Ibero
-
Americana de Educação.
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